Quinta-feira, 29 de Junho de 2017
XICULULU . XCV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - NÃO SIRVAS A QUEM SERVIU, NEM PEÇAS A QUEM PEDIU - Diz a Lei de Murphy "Se alguma coisa pode dar errado, assim será!"

Por

soba15.jpg T´Chingange

Se usarmos a analogia de Darwin pela “Selecção Natural” para definir sociologicamente a humanidade em geral, constatamos sem grande dificuldade de análise reflectiva de que os mais ricos ou fisicamente mais bem constituídos estarão sempre em melhor posição para sobreviver ou vencer qualquer dificuldade em detrimento dos mais pobres, débeis, vulneráveis ou impreparados.

araujo 28.jpg Os eclécticos, cultos, experientes e instruídos vencerão sempre os seus oponentes menos municiados intelectual ou academicamente nos desafios ou oportunidades que a vida tiver para oferecer e, quando estes se candidatarem a testes selectivos ou psicotécnicos. Os mais crédulos, ingénuos ou em estágios primários de coeficientes de inteligência baixos, tornam-se tendencialmente propícios para que os espertos, oportunistas e gurus ou gananciosos os absorvam.

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Esta categoria de pessoas dos que já nasceram vencidos, vergados pelo infortúnio, fatalismo do seu estrato social ou por e via de sua incapacidade financeira, tibieza ou destreza, tornam-se reféns e presas fáceis de empresários exploradores e oportunistas. No mercado de trabalho serão subestimados e mal pagos vendendo o suor do seu rosto e sua força braçal ou conhecimento por coisa pouca, sem a devida troca de benesses.

araujo34.jpg Obviamente que nem todas as empresas precisam de génios ou mentes brilhantes que consomem apenas bifes do lombo ou lagosta. A grande maioria do mercado de trabalho tecnologicamente não qualificado, contenta-se com carne de segunda ou terceira, dura e gordurenta. Não existem segredos existenciais ou filosofias de vida escritos em compêndios ou cartilhas que se possam comprar para aprender como sobreviver neste mundo cão.

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O ideal seria que cada um satisfizesse as suas necessidades independentemente das suas habilitações profissionais académicas ou artesanais. Mas, mesmo estes, em uma qualquer parte do globo encontrarão quem os sugue de forma desmesurada. Não lhe darão acesso ou recursos para passar de certos limites, tornando-os permanentemente dependentes.

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O caminho do sucesso está preparado para os ousados que num dado momento de privilégio se tornem patrões, empregando outros que por conta própria não têm condições por falta de relacionamentos ou por débil estabilidade familiar. Salvo raras excepções o destino destes temerosos, será sempre o de serem empregados dos primeiros. 

araujo23.jpg Contrariamente às leis da natureza que ilusoriamente nos fazem acreditar por todos termos sido concebidos da mesma forma porque nascidos pelo mesmo local, as nossas vivências e destinos serão igualitários. Nada poderia ser mais falso nesta teoria, quando os dogmas são imbuídos na ilusão dum universo restrito no diapasão dum Deus que parece só ser bom no açambarcar de usura para proveito próprio - dos eleitos!

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A sociedade aonde estamos inseridos se encarregará de nos diferenciar, arrumar de acordo como o tal "pedigree" familiar. Nesse perfile ou curriculum vitae constará o estatuto social no seu lado financeiro, no exacerbar-se com um património com carros de alta cilindrada ostentações variadas, o show off e, mesmo que se lhes falte a cultura académico e, ou a ideologia politica, religião ou "hobbies" salutares… 

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Alguns eleitos terão o condão de viverem rodeados dum luxo que o dinheiro pode comprar. Dinheiro fabricado por quem lhes presta honorabilidades, um resto da humanidade esgatanhada, mordida com atropelos, porque nunca lhe deram oportunidade para escalar alguns merecidos degraus. Alguns mais corajosos ainda têm o atrevimento, ousadia e a veleidade de pensarem que reúnem as condições para se aventurarem a fazer alpinismo social ou financeiro na tentativa de chegarem ao topo, mas a idolatria não permite que esta senda seja facilitada.

araujo36.jpg A grande maioria fica-se pelo caminho vencidos e desencorajados, pois os trilhos estão minados com engodos: ou me serves ou…. E, aqui a frase fica sempre camuflada num muxoxo incompleto. Alguns muito bem preparados psicologicamente conseguem heróica e atrevidamente chegar ao topo mas nunca serão aceites pelas elites que falam com Deus, os eleitos…

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O único factor que mantem o equilíbrio mundial, impede revoltas e que as massas trabalhadoras se apoderem das riquezas que elas próprias geram para enriquecer terceiros, é a ESPERANÇA de que as sociedades por moto próprio se tornem reformistas, humanitárias, fraternas, solidárias e igualitárias. Uma coisa cada vez mais vaga.

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Infelizmente este onirismo não se consegue nas urnas através de eleições livres e democráticas ou por decretos governamentais. E, como ninguém enriquece apenas pelo suor do seu rosto e fruto do seu trabalho, só existem três formas de chegar a esse desiderato, ou pela exploração do trabalho de terceiros pagando-lhes ordenados miserabilistas, de forma fraudulenta, por meios ilícito, ou através de um golpe de sorte acertando no totobola, lotaria, raspadinha ou euro milhões.

araujo38.jpg O segredo para matar a inveja ou o desejo de todos quererem ser ricos foi inteligentemente criado por estes dizendo que “a riqueza não traz felicidade”. Na mente dos pobres ou remediados existe a triste ilusão de que um dia a sorte lhes baterá á porta e que também poderão comer caviar, faisão ou lagosta, regando as suas opíparas refeições com champanhe D. Peringnon.

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Se todos viverem na esperança e ilusão de que mais tarde ou mais cedo poderão triunfar, o mundo funciona muito melhor sem desequilíbrios, agitações sociais, atritos, revoltas ou greves. Tementes a Deus, coisa trabalhada no tempo, as pessoas sonham em não se magoar umas às outras, nem se atropelarem pois vivem nessa falsa expectativa de que a sua hora também chegará. Um se Deus quiser sempre incerto!

araujo46.jpg Uma massa anónima que vive e labuta dentro e fora de seus países como emigrantes, é a de que um dia irão regressar á Terra Prometida, sem se saber bem qual. As leis imutáveis pelas quais o mundo está organizado e construído, são apenas duas, ou se nasce rico ou pobre, uns mandam e fazem as leis, outros obedecem e cumprem-nas. O ser-se criado de quem já serviu não se augura em um bom fim. O seu, a seu dono!

Ilustrações de Costa Araújo

Nota: Este texto foi baseado parcialmente em um outro da autoria de António José Canhoto que versa o tema de desequilíbrios na sociedade em uma outra vertente e a partir da condição de nascimento…

O Soba T´Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:12
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Terça-feira, 27 de Junho de 2017
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXII

NAS FRINCHAS DAS CINZAS  - 27.06.2017 (desde Johannesburg) - Ruptura com o passado. Cada um de nós é uma nota musical única; a minha não tem ré nem mi, nem sol, só tem dó….

Por

t´chingange 0.jpgT´chingange

Nas rupturas com o passado, um número crescente de opiniões com crédito afirmam que o presente agora, representa a terceira cisão da história humana comparável em magnitude com as passagens do barbarismo para a civilização, depois a era da agricultura extensiva matando a fome a milhares de seres pelas nova vias de comunicação. Agora, e duma forma avassaladora temos a invenção tecnológica de um sem número de artefactos a partir da metade do século XX e, que hoje complementam nossa actividade com o maior conforto.

bra3.jpg E, surge a rádio, a televisão, o frigorífico, o micro-ondas e o computador de última geração cruzando imagens ao segundo em viagens de cruzar fusos horários. Os novos instrumentos de comunicação a levarem a voz e a imagem ao outro lado do globo. Informação ao minuto de acontecimentos que conjugados com os satélites passaram a dominar nossas vidas ao segundo; Coisas impensáveis há bem pouco tempo. Viagens controladas por GPS com tradutores instantâneos nos principais idiomas.

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E, surgem as férias de praia ou campo: não demorará muito a termos viagens interplanetárias. As viagens à Lua tornar-se-ão corriqueiras em um curto par de anos.  O choque cultural de hoje sucede quando um viajante se encontra num lugar onde o sim pode significar um não e aonde um preço fixo é regateável como diz Alvim Toffler e, até o riso pode significar ira.

matri2.jpg A aceleração da mudança não se limita a afectar as indústrias das nações, a oscilações das bolsas, as fraudes fabricadas com crises elaboradas em bancos supostamente credíveis mas, numa força concreta que se infiltra profundamente em nossa vida pessoal, que nos obriga a mudar de profissão, a representar novos papeis e nos coloca de frente com o perigo de uma nova e perturbadora doença psicológica.

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Estas mudanças rápidas amontoam-se sobre nossas cabeças, os instrumentos de ponta não mais o serão. Entram em desuso a máquina fotográfica, o gravador de fita e o vídeo; a grafonola vira gira-discos e tudo se resumirá a uma pequena pen ou um chip com milhares de músicas, informações e coisas tão abstractas que nos darão volta ao miolo, que nos baralham o cérebro. Nossas cabeças desmoronam-se com a maioria das pessoas desprovidas e mal preparadas para fazer frente a tudo isto. Uma mudança demasiado rápida!

poluição.jpg E surgem milhares de teorias sociais que se encavalitam no espaço-tempo quântico dando novas formas à mente e á vontade que fica sob custódia de uns quantos eleitos por via de eleições. E, surge assim a democracia na qual se vota em gente que mais tarde se governarão a si próprios chamando nomes sérios a roubos e desvarios. Gentes com mentes e circunstâncias radicalmente novas transformando-se num perigo para todos os demais: os políticos de profissão!

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E, este choque do futuro não estará mencionado em qualquer lista de anormalidades psicológicas; será coisa quase normal, aceite por todos mas estes, estarão cada vez mais desorientados e progressivamente incapazes de entenderem de modo racional o seu ambiente e, até entender o factor da amizade. O mal-estar instalar-se-á em si com neuroses maciças e violência descontrolada incapaz de se poder fazer as coisas mais triviais.

serrão7.png Surgirão terroristas e anarquistas que por debaixo de suas flanelas ou cetim, serão conformistas indecentes que por debaixo dos colarinhos abotoados se verificarão anarquistas e, pastores ateus ou budistas judaicos. E, surge a pop-art, os clubes gays, as quadrilhas sexuais, o swing, anfetaminas e tranquilizantes; também muita bruteza e maneirismos com calão com abundância de muito esquecimento. 

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Nos dias de hoje libertamos uma força social totalmente nova, uma mudança tão acelerada que influência o nosso próprio sentido de tempo, revolucionando nossa vida quotidiana que afecta naturalmente o modo de como sentimos o mundo à nossa volta. Esta aceleração reside fundamentalmente na instabilidade. Neste estado sempre transitório afectaremos forçosamente nossas relações com as demais pessoas. Será esta a pré-modernidade? Quem irá saber ao certo…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:58
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Segunda-feira, 26 de Junho de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXVII

AI.IÚ.É - TAMBULAKONTA – 26.06.2017  - Isto é África! O futuro está a ficar doente! É a doença negra da mudança…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; muito menos aqui em África aonde o ontem fica cada vez mais distante e, o que então era proibido, hoje já o não é. Lugares aonde agora predomina a gasosa e fundamentalmente a postura governamental de BLACK EMPOWERMENT; Isto quer dizer uma política substituição do negro em detrimento do branco. O branco tem de investir e, quando da necessidade de contratar gente tem por lei de dar trabalho em primeiro lugar ao negro em detrimento de um outro e de outra cor bem melhor preparado para exercer uma qualquer função.

aug1.jpg Se isto não é racismo selectivo digam-me então o que é? Os tempos mudam rapidamente e para alguns é de consequências pessoais e psicológicas dramáticas. Na administração Sul-africana os brancos foram substituídos pelos negros, mandados para casa sem a necessária subsistência aos anos vindouros.

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Vá-se lá entender a pedagogia de produzir surpresas em novas experiências sociais como esta tão desagradável. Esta concepção de racionalismo opõe-se à filosofia que professa que as ideias se deterioram quando aplicadas às coisas e procedimentos, depois vem a ineficácia com sequente deterioração na coisa pública e privada. Na contraluz da sorte e no “Empera´s Palace” de Johannesburg ouvi o grito de “bingo” quando só me faltavam três números dos nove escolhidos. Meu primeiro domingo foi assim prorrogando a fome até bem á noite saciando-me com uma pizza margarita; esta gente aqui em Sud’África não almoça!

aug4.jpg O conhecimento da realidade moldada pelas teorias modificam-se assim como numa paisagem vista num nascer ou em um pôr-do-sol que se confundem pela ordem das razões e segundo uma teoria desadequada: Um bingo! A ordem das razões, valorizam a ordem dos factos em detrimento do bem social. Foi esta a minha primeiríssima apreciação  no primeiro domingo e, em companhia de minha mais próxima família. Tudo isto, também em companhia da dor de dentes persistente desde a minha visita ao M´Puto dos pequeninos na Coimbra dos doutores.

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E, o Facebook não dá tréguas à minha t´xipala desde que alguém publicou em minha página algo que nem consenti enviando para muitos amigos a virose cibernética que me atacou. É só dizer mal do EDU e logologo surgem uns bajuladores a cuspir-me na cara com ácido sulfídrico. O Facebook torna-se assim numa armadilha de estragar amizades e, pedem senhas, contra-senhas mais o século do nascimento trancando-nos em quarentena por quatro dias.

aug5.jpg Decidi por este meio não mais aceitar amizades da conxinhina por via do Facebook com nomes super inflados num zepelim com ácido escorbútico pois que, é esta a sexta vez que me mancham a dignidade por trilhos desconhecidos e demasiado rendilhados de maleficência. Mas estando eu num planalto africano e a mais de 1600 metros de altitude pude em conversa saber que a áfrica fica a cada dia que passa, mais longínqua para os bancos.

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Não há maior religião do que a verdade! Com este pensar de Dalai Lama na cabeça e passeando, aproveitei fazer uma viagem ao paraíso e vi gente branca, (também negros) a pedir nos semáforos, nos parques de estacionamento, um pouco por todo o lado. Trazia na minha mochila palavras de apreço mas, jamais as poderei usar aqui no bom sentido! Os seguidores de Jacob Zuma estão a seguir as absurdas posturas de Robert Mugab, essa decadente figura presidente do Zimbabwé, uma múmia racista, um bruxo que ensombra a áfrica do cocuruto até os tornozelos, numa forma simples de falar metáfora.

aug2.jpg E a Europa, o ocidente em geral, submissa a seus autoconceitos éticos e, dando guarida a todos os refugiados idos do corno e resto de áfrica, suportando estes desmandos de governos tontos; dando até tratamento diferenciado só porque são negros em detrimento do branco! Não posso concordar! Sempre este conceito de coitadinhos sem exigir de forma enérgica ou mesmo com bloqueios a estes desclassificados gurus, governantes africanos de tuji!  

aug3.jpg Passeio por terras edílicas que contrastam suas belezas, doirados e arredondados montes com seu verde, flores de Augrabies, penedias com secura e ainda o azul do mar; dos sargaços bailados em meus sonhos como ondas aonde se pode ver o redondo do horizonte nublado por ideias e ideais torpes de governantes perpétuos. Sendo este o meu passeio preferido, andar nos trilhos de entre bissapas, funchos, cassuneiras suas muitas flores do Orange desde Upington até Springbok.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:19
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Segunda-feira, 19 de Junho de 2017
MALAMBAS CLXXIII

AI.IÚ.É - TAMBULAKONTA – 19.06.2017O futuro está a ficar doente - Doidejo-me ao ar como se alguém me fustigasse o corpo com urtigas bravas. É a doença da mudança…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Os tempos mudam rapidamente; para alguns é de consequências pessoais e psicológicas profundas pois que as mudanças nos dominam ou subjugam por completo. Eu e minha mulher, esposa ou patroa como muitos ainda teimam em designar, temos uma amiga de longa data, de quando ainda eramos solteiros e fazíamos piqueniques. Pois esta amiga anda indignada com seus quatro filhos porque a querem internar em um lar de idosos; ela opõe-se a isso porque não se sente senil nem anda falando átoa com as paredes seus desacatos.

bruno13.jpg Não achando terreno propício a desabafos, eu e minha mulher, inteirinhos da silva, encurtámo-nos no cochicho do cubículo debatendo este problema transcendente sem podermos desviar nosso mal-estar da nossa tela numa vida futura. Vendo nosso filme encafifados numa sala de gente moncosa falando coisas repetidas até á quinquagésima vez, dissemos que isto não podia acontecer com a Júlia, viúva do saudoso Jorge nosso anfitrião dos piqueniques enquanto a vida lhe pululava no seu todo.

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De sorrisos murchos no silêncio calado, colamos nosso futuro na parede de nossas duas mentes com farinha de trigo, tal e qual como fazíamos quando eramos mais novos. Desta forma sempre poderemos descolá-lo com uma borrifadela de água mole. Mas será que podemos assim colar e descolar o futuro conforme nos dá na veneta!?  Bom, pelo sim pelo não colamos ao lado deste catálogo virtual do álem um sinal de cho-ku-rei para dar uma luz mais forte ao nosso destino.

araujo1.jpg Pois então, os filhos da Júlia reuniram-se em Lisboa à revelia da mãe decidindo que esta está a ficar pataroca e tal e coisa, mais esquecida e desajustada com edecéteras imaginados nas raspas hipócritas e egoístas da mente. Ela a mãe, transitoriamente em casa de sua filha mais velha pensou em dali sair o mais rápido possível. Assim pensou e assim o fez! Pisgou-se até à estação do Oriente, sem nada nem mala para não levantar suspeitas e seguiu para a sua casa da Beira Interior. Toma! Chegada lá telefonou a dar-lhes notícia do acontecido. Estafa farta de se sentir presa, encafifada, trancafiada em um espaço de 50 metros quadrados. Faltava-lhe ar…

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Ela, a Júlia, em desabafos fungosos diz que se os filhos persistirem nesta ideia, lhes vai levantar um processo judicial. Com tudo isto, fiquei estarrecido por vivificar estas correntes de mudança social, derrubando as nossas virtuosas acções, modificando nossos valores ao ponto de nos secarem as raízes. O futuro invade nossas vidas revertendo-nos na mudança que nos invade a vida, assim como aquelas labaredas que surgindo do nada ceifam nossa paz.

arau44.jpg Mas, nós não somos coisas! As coisas que compramos e deitamos fora ou ainda outras desusadas que metemos no sótão e ali ficam invalidadas, esquecidas, entronchos a obstruir o espaço. Neste caso, os quatro intervenientes filhos são pessoas com cursos superiores! São gente com tino, que sabe o quanto seu pai e sua mãe labutaram para que assim o fossem, gente capacitada.  

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A sociedade em que vivemos com as pessoas que passam, uma e mais outra, adulteradas na velocidade dada vez maior e num tempo medido por suposição. Tempo analógico, porque a vida deveria aprofundar-se num futuro de amizade e, não na incerteza ou medo! Os estilos novos nas instituições são imprevisíveis a curto prazo! O que o é hoje pode não o ser amanhã! O futuro está a ficar doente mudando psicologicamente as relações e, a isto os médicos ainda não descrevem como doença….Mas é-o!  

araujo38.jpg A doença da mudança; neste ambiente de mutação rápida nós não sabemos como preparar o futuro, preparar o animal homem educando-o intelectualmente! E, nem os psicólogos sabem como lidar com isto na perfeição, nas novas adaptabilidades. Genericamente não sabem como é que isto se faz! Porque eles fartam-se de referir suas intrigas com uma aparente resistência irracional, de gente como eu ou a Júlia, à mudança. Muito curioso, é haver gente com uma tão forte vontade, duma quase furiosa mudança.  

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Qualquer esforço para definir este “conteúdo” de mudança, terá de incluir as consequências de brechas novas. Se virarmos o espelho do tempo ao contrário, vamos desentender os nossos problemas sociais e públicos se não recorrermos ao uso do futuro como uma ferramenta intelectual, porque hoje o mundo é uma estória de evolução rápida. É trabalhoso lidar com esta realidade, porque ainda não aprendemos a conceber, a pesquisar, escrever ou publicar em tempo útil de um “agora”

araujo92.jpg Os astrólogos são um engodo vulgar que não vaticinam coisas pensadas, uma triagem que ora cola ora descola como a farinha trigo já falada aqui. Ninguém tem o conhecimento do amanhã. É por isso que fico baralhado com gente jovem que estandardizada, tudo faz como um autómato desinserido dum “sentimento” e, remando para um lado estilístico definindo-nos no futuro como um “provavelmente”. Não conjugam os verbos com sentimento mas sim, com um seco  tom contabilístico ou uma zoada electrónica.

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Não sabem ler a mente por indícios, não sabem articular opiniões com o coração e, isso mete-me algum medo! Medo de frio metálico… coisa de andróides…  Jamais os GPS de hoje poderiam ser feitos se outrora os cartógrafos não desenhassem a terra e, que apesar de limitados, registaram suas temerarias concepções de mundos que nem sempre viram! O motor tecnológico do futuro não pode defuntar o passado… Um dia um psicólogo mandou-me tirar água dum poço com um cesto de vime para regar um malmequer e, eu tirei! E reguei! Usei a mente e congelei.

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:28
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Domingo, 18 de Junho de 2017
MOKANDA DA LUUA . XLVI

BOA NOITE  COM LAMENTO ...18.06.2017

DE UMA AMIGA QUE MORA EM LUANDA ATÉ HOJE ....Merece ser lido .... Parte 2 de 3

roxomania1.jpgAs escolhas de Assunção Roxo

Por: Isabel Batista

Roxo155.jpg(…) Na Luua abriram-se crateras, subiram-se muros, impediram caminhos, taparam passagens, puseram taipais e tapumes, placas e mais placas com nomes de empresas de que nunca tínhamos ouvido falar! Surgiram coisas com pompa, gala e circunstancia! Xééé! Muitas festas…“Rebentaram” com o pelourinho, a Mutamba ficou nua, raivosa e perigosa, cheia de mazelas…dando muita pena! Escangalhada mesmo!

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Estrupada em desvario como cegos de sofrimento. E, vieram paletes de portugueses com bom tintol e chouriço do M´Puto entre outros desconhecidos povos. Pessoas magoadas…que magoam outras pessoas, feridas, ulcerosas como o diabo feito gente circulando pela cidade com os intestinos no colo e gritando coisas antigas de “a luta continua”.

roxo154.jpg Um tal de Kifafaz, vestido de suas próprias vísceras lançava urros…assim falou um repórter na Radio Nacional da Luua. Assim também vai luanda- desventrada! Ela que era uma “senhora” do Atlântico sul, linda ao lado de suas parentes mais próxima do Brasil ou na Souht Africa, à mercê de tantíssimo desamor e violência na praça pública.

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Luua desamada na terra e nas praias, andrajosa, destratada. À nossa frente. O património "público" com dono descaradamente “ocupado”. Atitudes de desafiar os limites de civilismo; de mãos e pés atados, desperdiçando alguma da educação recebida em escolas publicas, porque era isso normal.

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Ser-se civilizado e educado, tratado aos pontapés, gente desclassificada a nos fazer perder a lucidez. E, o termos de nos agarrar a camisolas com figuras, perfiz de gente que já ninguém queria vestir. Mas, seria bom parecer-se! Ideias e ideais passando de moda, porque nunca o foram de verdadeiras.

roxo152.jpg Nesta sala de amputações a frio, a cidade deixou-se ficar nuns cotos disformes. Luanda onde se brincou, se cresceu, estudou, namorou, farrou e, o depois que virou num amanhã que guerreou e se defuntou perenamente . Mas, são nossas makas, nossas picadas e nossas antigas esquinas buriladas no desassossego, nossas intimas memórias.

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Nossos assuntos, bocados nossos e, uma violação tremenda no acordar de manhã amputada de mais um naco que era minha pertença; que foi de meus pais, de meus avós, de meus bisavôs e trisavós, desde sempre… Assim a frio tirar-nos o que nos resta…. Num estado de torpor, assim ficamos entregues ao destino dum quanto baste …bwé de gente a bazar práqui práli e pró M´Puto.

ada0.jpg Triste, triste, triste. Bwé de gente dinovo a querer ir sem poder voltar; de armas e bagagens, amigos jurássicos de sempre. E, também gente que nasceu e aqui ficou até ontem ou mesmo hoje, esperando uma ultima hora e aguentar aguentado “todas” as traquinices revolucionárias e outras indefinidas! Num virar de costas com choros molhados e cumbú malé…  

(Continua 3 de 3…)

Ilustrações de Assunção Roxo

Composição com arranjo de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:08
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Quarta-feira, 14 de Junho de 2017
MOKANDA DA LUUA XLV

A CHUVA E O BOM TEMPO - BOA NOITE...14.06.2017

NÃO POSSO DEIXAR DE PARTILHAR NESTE KIMBO BLOGUE ESTE LAMENTO SENTIDO ALGUEM QUE VIVE EM LUANDA ATÉ HOJE .... MERECE SER LIDO .... Parte 1 de 2

roxomania2.jpgAs escolhas de Assunção Roxo

Por: Isabel Batista

lua3.jpeg "E, é tanto o descaso o desamor o desrespeito, que está valendo cuspir no chão do luxo, fazer xixi à vontade x….Comer mal e pagar bem, delapidar, destruir, fazer “sumir” o que era nosso garbo. Sempre fomos vaidosos. é uma “ doença” antiga kaluanda kkk. E quando se quer safar a “onça” lá vem a baía de LUANDA em todo o seu esplendor…ela que já foi das mais perfeitas do mundo (dizem), mas agora …

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Agora anda suja e com um colar de brilhantes de mentira no colo “doído”, quando podia ser de um de diamante. Dos de verdade! Quando as máquinas avassaladoras surgiram, roubando o mar… Vomitando tecnologia de ponta em tudo… Não houve sequer tempo - "Abraçamos" a ideia de restaurar! Fazer melhor. Nos tempos "áureos das vacas gordas” faziam-se prédios avulsos; a granel. Luanda acordava e adormecia cada dia diferente e nós, Atónitos.

roxo60.jpg Afinal???? As obras eram em ritmo avassalador, surgiram os primeiros anúncios luminosos no Natal... e, tal... Madrugadas e madrugadas de material em desfile na velhinha marginal com equipamento vário (já havia assisto a madrugadas inteiras de equipamento de guerra em outros tempos…até um Mig embrulhado em plástico…em plena Mutamba) mas dizia-me: Pedras gigantescas, colunas de alumínio do tamanho de túneis e carris e perfis, desfiles de aço em toda a sua magnidade.

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Muito aço! Máquinas com aspecto tipo “espacial” por entre turbinas do tamanho de três andares. Até caixas altamente incrementadas e sofisticadas com rótulos em várias línguas; etiquetas de atenção frágil!!!!!! fazendo deixar adivinhar o que de precioso vinha lá dentro.

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Cimento em cubos e enorrrrmes brancos. Como torrões de açúcar. E um orgulho bweeé grande. Um país a acontecer a meus pés. Uma privilegiada com estes milhões, poucos que somos para tanto mar e tanta terra e tanto ar! kkk. empregos bweeé. Meses e meses de madrugadas inteiras com reboques e camiões cromados com guinchos. Até arvores…pela calada da noite, embrulhadas como se fossem raminhos de salsa em camiões.

roxo61.jpg Aiueeé! E guindastes mais tractores e paletes de paletes e paletes de todo o tipo de barcos e carros. Desfile felídeo! Um agito, os primeiros chinocas a se manifestarem. Era engraçado; não se deixavam e chegavam ao que queriam comendo ginguba com mandioca. Ai não! Kkk Discretos ainda. Cheios de “sabedoria” e, lépidos.

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A construção de um País. Singular com singularidade - poder participar, ver…é um acto! Nunca esquecerei. Uma coisa desmedida…mas, mas … Era demasiado. Era o canto do cisne que engolimos…e depois dos cisnes engolindo sapos.

ROXO134.jpg Para escorregarem melhor, com muito betão, muito vidro. Vidro fumado para tapar a “tropicalidade” de um sol invejável que enfeita qualquer capa de revista de turismo a bordo…de qualquer avião. Voávamos sim! E vieram as manias e truques importadas engalanando uma festa que se fazia anunciar sem acontecer.

lua7.jpg E inventaram de acabar com as rugas desta cidade… Em intervenções cirúrgicas que não funcionaram. Parques homéricos no lugar de jardins. Árvores monumentais, magistrais, seculares foram fora. Os bairros deixaram de ter clubes e, os campos de jogo, viraram outro “game”, novo jogo.

(Continua…)

Ilustrações de Assunção Roxo

Arranjo de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:29
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Sexta-feira, 9 de Junho de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXVI

TEMPOS PARA ESQUECER - 09.06.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXII. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Os heróis de tuji foram-se misturando com os demais…

Por     

soba15.jpg T´Chingange - (Otchingandji)

Segunda metade de Agosto de 1975 - O líder da UNITA, Jonas Savimbi, acusava as tropas portuguesas de tomarem parte efectiva ao lado do MPLA no ataque ao Luso, ao Lobito e a Sá da Bandeira, hoje Lubango e, contra a UNITA aonde quer que esta estivesse! Só quem está impregnado de fanatismo esquerdista (que são muitos!), não consegue gerir esta verdade mesmo tendo-se diluido em já quase 42 anos.

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Em Moçâmedes, as FAPLA faziam a abertura de bagagem aos adidos e demais refugiados contrariando o despacho de 14 de Julho sobre este assunto. O MPLA, comportava-se como dono absoluto de Angola fazendo o que lhe melhor aprouvesse com o beneplácito das tropas portuguesas. O MPLA bordava e pintava costurando tudo a seu jeito; Nós, gente sem mando e maioritariamente brancos, ali andávamos a toque de caixa com tiros e abusos pregando caixotes e, ao sabor das vontades da nomenclatura do “glorioso M”. 

suku0.jpg Victória ou Morte, brancos para a sua terra, era o que mais se ouvia nas ruas da Luua e na radio cheia de guedelhudos enviados pelo PCP e outros ditos progressistas de túji! E, nós sem saber qual era mesmo, a nossa terra! De um lado para o outro que nem baratas tontas e revistados pelos partidos emancipalistas (muitos, que tambem fucaram refugiados), pois então, gente sem preparação, analfabetos e drogados enviados das universidades do M´Puto. Os mais bens comportados desta maralha de guedelhudos, ao chegar às suas bases, suas universidades, tinham passagem administrativa garantida.

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Não se fizeram só generais de aviário não! Foram muitos outros em muitas áreas que como políticos faziam desmandos com roubos; agora, esses e outros refratários, recebem medalhas e condecorações! Temos aí o 10 de Junho para ver! Não contando com os prémios pecuniários e mais os de Camões e outros a serem inventados e justificados como nos assaltos a bancos. E, também navios com mortes e outros procedimentos forjados de fresco ou mofados. Procedimentos que resultaram na bagunça que hoje observamos e, que hoje temos! Iremos ver, sentir e ler alvissaras com prémios monetários para exprimir contentamento por uma "boa causa" - valha.nos Nosso Senhor...

ter5.jpg Tempo dos poetas a fingir-se de humanistas, mentirosos militantes inseridos nos partidos, das novas gangues sanguessugas do povo cordeirinho! Bem! Agora temos Marcelo! Qual quê… A coisa vai parecer ter mudado mas as cartilhas vão ser paulatinamente cumpridas. Ele, pouco a pouco vai alinhando, vulgarizando-se. É mesmo uma coisa de atar o cerebelo à ignorância… Vêm aí as comendas!

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Mas em 1975, voltando à revolução em curso do PREC - expurgo dos fascistas. Pois! Quem eram esses? Ora, eram todos os demais com os retornados à frente. E, lá andávamos como os judeus a serem alinhavados para a morte nos campos de extermínio da Alemanha. Primeiro tentavam lavar-nos o cérebro e depois mandavam-nos para os mukifos, revitalizar as pedras das calçadas, limpar a bosta lançada nela pelas bestas, gerir silêncios transpirando raivas mal arrumadas, repondo as pedras nos muros entre fragas e lajedos do tamanho dum novo mundo.

parac4.jpg Salvar os hotéis, pensões e casas de alterne desactivadas. Mas alguns, em verdade foram assediados para gerir as novas “farmes do Alentejo” e, do alto coturno das guerras fingidas nas boinas verdes, investidas numa operação de cavalaria, engenharia e outros edecéteras com cabeças penduradas nos taipais e varais, viraram meias rotas de se usar como pano do chão, mantas de trapos, esfregonas ou desperdício das oficinas de limpar esterco com titica de cachorro. Mudos e quedos por ali ficavam a fingir heroicidades… A retirar telhas dos “montes” no meio das estepes, das abetardas de Panoias e acima de Ourique.

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Naquele então de 1975 e em Angola, pelas FAP, era reconhecida a incapacidade de se impor pela força em qualquer decisão sem ficar livre de grandes riscos. Pois então, não era isso que se pretendia? Ninguém vai responder a isto! A Comissão Nacional de Descolonização referiu que a seguir ao alivio que representava o Acordo de Alvor, Lisboa não mais quis saber do que acontecia em Angola. Era notório o desinteresse crescente na opinião pública e das forças políticas do M´Puto por estes problemas. Nós seriamos o ”biltong” com jindungo a virar piripiri. Bem dizem os brasileiros: pimenta no cú dos outros, é refresco…

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No dia seis de Setembro de 1975, Savimbi recusou reconhecer a nomeação de Leonel Cardoso como Alto-Comissário exigindo a saída da tropa portuguesa do Sul, por não assegurarem a segurança dos desalojados (não distinguiu bancos de pretos). No primeiro encontro de Leonel Cardoso como Alto-Comissário com Agostinho Neto, este acusou a tropa portuguesa de fazer negócios escuros vendendo nas lojas de Luanda géneros da Manutenção Militar, e transportando bagagens de civis para Portugal a troco de dinheiro ( e, era verdade!).

retornar9.jpg Mas que desfaçatez alegar isto quando até aqui tinha tido apoios por mais inconcebíveis das FAP; era um crápula, um cara-de-pau da pior espécie… Neste momento até me apetece escarrar na múmia dele, seu feio focinho, todo o veneno do mundo! Ninguém é de ferro para suportar estas merdas, dum safado poeta de sexta categoria, posto como libertador dum povo no bombom da gasosa portuguesa. Era de prever que aquele país iria ficar num caos! E, o mundo nem aí! Dando palmas com os falsos americanos na linha da frente. E, a Europa submissa a estes filhos do dólar (que um dia irão beber petróleo…).

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A 27 de Agosto, tropas regulares Sul-africanas com oitenta homens e 12 viaturas blindadas, entravam pelo Roçadas e Calueque. Desde os incidentes de Junho que o Poder Legislativo e Executivo estavam totalmente entregues ao MPLA. Os meios de comunicação eram também controlados pelo MPLA incitando permanentemente os Luandenses ao ódio, racismo e tribalismo, sempre culminando com um comunicado do Bureau Politico do MPLA.

roxo138.jpg Estes faziam levianamente acusações gravíssimas ao governo Português, as FAP e ao povo português, aos brancos em geral! Porra! Era, e continua a ser no apetecer dizer a tanto desaforo! Luanda era o centro político militar do MPLA; uma bomba relógio! O repatriamento implicava alguns procedimentos desde procurar a pessoa em Angola até a colocar em Portugal dizia neste então Gonçalves Ribeiro, o pai da “ponte Luualix” acrescentando que ainda faltava ir buscar algumas pessoas a áreas onde não havia qualquer segurança…

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:40
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Quinta-feira, 8 de Junho de 2017
MOKANDA DO SOBA .CXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo …

Mokanda : É uma carta

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram, em terra de M´Puto, dinovo volto a remover os ossos do passado e, mesmo espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta, irei fazer do tudo um coisa nenhuma para não alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos muito cheios de malévolas insinuações; esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão viajo num tempo esquecido! O tempo das arcas perdidas com mabecos a cheiretar com chacais na gasosa das sobras.

zep1.jpg A nossa vida, de cada vez mais na mesma passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, com os sem etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, cheiros encarquilhados. Dos novos iões de densidade molecular misturados nos anos, na leitura de carbono e eteceteras complicadíssimos, coisas progressistas… Ué, num repentemente virei bicho beiçudo de fazer pouco com muxoxos descabidos e coisas que só sei, porque não quis esquecer.

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E, nos finalmente vêm as agruras duma lengalenga com motor Magiros; também uma Scania, a camioneta que pernoitou no mato. Segura a Esperança, nome de mulher feito sentimento, vamos esperar, não aconteceu nada, devem estar aí a chegar. Fazenda tentativa do Ucué com bananas e macacos chiando na mancha muito verde com turras farejando vidas. E, lá nos fundos, por detrás do morro da cal, o motor dum velho Dodge a fazer luz num gerador!

zedu4.jpg Roncando zumbidos de roça, cheiros fortes de óleos com elefantes invasores a matar carraços na areia da mulola. Cheiros de África profunda e prófundo…. Se a vida é uma sentença com um princípio e um fim, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos, ou daquilo que poderíamos ter feito; não podemos assumir a culpa dos pais, nem dos pais de outros pais.

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Na percepção parcial das vitais contingências, tecidas e compostas nas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, por fortuitos efeitos que determinam o futuro próximo e distante. Uma vez é assim outra é uma coia feita bosta! Cada um de nós foi o que foi por uma coisa pequena, que sem se lembrar do primeiro choro, outros choros se lhe seguiram.

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Como um risco feito no chão, nem sempre se escolheu dedo ou arado nem por onde fazer o rego que por coisa pouca mudou nossas vidas. Vão ter de me ouvir! Vão ter de me aguentar! Num repente faço um gesto feio! Meu pai já morreu, foi-se assim como Cristo, cheio de mágoas a fugir dos nacionalistas, dos libertários.

camionista1.jpg No M´Puto vendeu sua lambreta trazida da Luua a um cigano; o filho da mãe, matreiro que nem cachorro mau, só lhe pagou o guarda-lamas, pode? Voltou dias depois reclamando que aquilo andava de lado e de atravessado, queria o livrete e, meu pai fez-lhe um manguito, assim de braço cruzado com repetidos gestos muito ofensivos para o tipo, o gajo, meio moreno ou escuro da tasmânia, sei lá! Mas, meu pai teve de fugir com seus mais de setenta anos em cima. O sacana, tinha uma arma, fez pontaria à janela e pum! Estalou o vidro da janela; melhor, estilhaçou-o.

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E, porque é vulgar dizer-se que os gestos não totalmente sinceros vão sempre atrasados, agradeci logo tais luxuriosas horas de lazer e no consolo d agora em minha kubata. Relembrando minhas ousadias vividas da Beira, só e taciturno, vi o castanheiro já grande com suas cascas caídas, assim descuidadas e no chão, para os coelhos. Nada igual como o foi em Viseu de Viriato com a turma de Gumirães com a simpática companhia da professora Marisa Batista, uma luso brasileira que mede pulsações aeróbicas no sobe e desce da Igreja dos terceiros e a escalada para a Sé.

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Pois sim! Aqui ou ali, a vida pulsa, e temos de nos acomodar às migrações de gente e ideias com novos ideais. Olhando a natureza que nos transcende na dinâmica, e nos transforma na rusticidade ancestral, seus sotaques, falas e cantorias joaninas. Virou! Torna a virar! Entre lajedos com fetos nas frinchas, pinhais e silvado, procurei a terra de muita labuta chamada de Cornelho; pude assim compreender o abandono de espaços antes movimentados, que agora no silêncio se deslocaram para as novas catedrais de consumo.

socras3.jpg Diz-se de que, quem quer falar de assuntos sigilosos vai para o deserto mas, eu não arrisco limpar o lacre dos actos e pensamentos porque de certo modo já tenho o coração endurecido na prática do pecado. Por isso e mais uma vez vou até às terras de Erongo, suas montanhas secas com a areia subindo em suas encostas, atravessar as terras de Karibib, Usakos até Swakopmund e Walvis Bay pela nacional B2 da Namíbia, um calor abafador em sua máxima potência…

Hoje foi assim!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:01
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Quarta-feira, 7 de Junho de 2017
MALAMBAS . CLXXII

CINZAS DO TEMPO07.06.2017 - REFLEXÕES NUM GUARDANAPO DE PAPEL (grande e amarelo!) - Não há maior religião do que a verdade! Somos o que somos enquanto o somos!

MALAMBA: É a palavra.

soba15.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpgAntonio José Canhoto

Os caminhos da vida cruzam e descruzam pessoas, proporcionam encontros e desencontros que podem levar a amores e desamores, a violências, parafilias sexuais, retaliações, vinganças, casamentos, divórcios, separações, paixões escaldantes e arrebatadoras, obsessões doentias e perigosas ou suicídios. A vida junta e afasta pessoas independentemente da raça, ou credo e assiste impávida e serena, ao desgaste, erosão e convulsões dos relacionamentos humanos, às alegrias, desgostos ou dramas que afectam a humanidade. A vida temporal decorre há milénios umas vezes mais plácida e serena do que outras, mas em qualquer delas nunca nos podemos esquecer que o mundo tem armas muito poderosas para nos destruir sem que a humanidade possa intervir, chegando eu a pensar que em muitas das vezes em que a sua ira nos é mostrada são avisos.

144.jpgAs retaliações de como nós os humanos sem critério ou rigor abusamos do privilégio de podermos habitar algo que nos foi oferecido numa bandeja sem condições ou critérios. Elas surgem! O mundo faz-me lembrar um dote que os noivos recebem em forma de casa completamente mobilada e equipada, cuja sua obrigação é nela habitar zelando pela sua manutenção e conservação. Contudo nós terráqueos não temos sido dignos de habitar este paradisíaco éden pela forma descuidada e criminosa como o usamos.

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 E, sem dele cuidar para que gerações futuras possam ainda nele ter alguma qualidade de vida. Era esperado que este jardim ou horta continuasse a ser plantado e fosse cuidado, regado e podado como se fizesse parte da casa onde habitamos. Infelizmente o homem em relação ao planeta terra tem mostrado o pior dos seus instintos destruidores tratando-o de forma esclavagista e não lhe concedendo quaisquer direitos básicos de protecção. Assim como existe uma Declaração Universal dos Direitos do Homem deveria existir o mesmo tipo de direitos para o planeta Terra.

roxo90.jpg O mundo onde vivemos foi-nos concedido nele habitar, gerir e cuidar como se fosse um Protectorado por quem o criou, tenha sido pelo processo Criacionista ou Evolucionista. Cabe a nós mortais trata-lo, alimenta-lo, usa-lo, gasta-lo, aliena-lo, vende-lo, empresta-lo, aluga-lo, hipoteca-lo de uma forma discricionária e de conformidade com as nossas opções ou necessidades do momento. O mundo é implacável, não tem filhos eleitos ou enteados, não se deixa subornar pois é incorruptível, nem dá tratamentos preferenciais a ninguém. Portanto, perante ele, apenas somos seres, que quando nos tornamos ciclicamente excedentários e começamos a ameaçar o equilíbrio demográfico, torna-se necessários remover ou eliminar a quantidade que começa a desequilibrar os pratos da balança.

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Para que isso aconteça as leis que gerem o Universo vão assistindo de forma imperturbável e passiva aos desmandos dos humanos, mostrando ocasionalmente a sua ira, raiva e revolta através de cataclismos expressos por manifestações climatéricas, terrestres ou marítimas agrestes e violentas deixando rastos de destruição indescritíveis nas áreas geográficas onde decide exercer e retaliar pelos desmandos que a humanidade faz nas suas entranhas. Por vezes em minutos, o trabalho e investimentos de anos de labor e suor vertido na edificação de melhores condições de vida para aqueles que nela habitam são arrasados pela ferocidade com que os elementos da natureza nos atingem vergando a espinha dorsal da humanidade  e, colocando-a de joelhos a pedir clemência.

roxo149.jpg Muita gente tem de morrer para que não nos comecemos a comer uns aos outros pela falta de bens básicos de consumo, que cheguem para alimentar tanta gente. Estas leis imutáveis com que a natureza ocasionalmente nos brinda, nada nem ninguém as pode alterar, mudar ou controlar e muitas são difíceis de prever ou antecipar. Contudo a humanidade e a ciência evoluíram ao ponto de poderem detectar com alguma antecedência certos fenómenos para que os danos sejam minimizados e as pessoas protegidas. Existem várias maneiras de estar na vida e no mundo, como motor ou como carga, uns fazem-no avançar, pular e saltar com grandes descobertas, uns fazem história porque nela intervieram outros apenas a lêem.

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Uma minoria passará a ser recordada para todo o sempre, outros serão esquecidos mesmo antes de fisicamente morrerem. Uns vivem a vida de uma forma contemplativa desprovidos de bens materiais entregues á meditação de se elevarem para estágios da terceira visão. Outros nascem sobre o signo do fatalismo e mantêm-se num estado letárgico de imobilismo quase permanente queixando-se de tudo e de todos desistindo às primeiras adversidades, entregando-se sem luta ou rendendo-se cobardemente às primeiras investidas da vida, quando esta os contempla ou confronta com desafios, agruras, desapontamentos, desilusões ou lhes bate à porta com más notícias.

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Há quem viva a sua existência intensamente até às últimas consequências como se o mundo acabasse no minuto seguinte. Para os parasitas e sanguessugas da sociedade, que apenas ocupam espaço, e respiram o oxigénio tão necessário a todos aqueles que labutam de sol a sol, a morte deveria estar mais atenta e não ser tão condescendente com estes párias da sociedade. O mundo no seu movimento de rotação e translação não para, não espera, não adia a sua marcha inexorável para que os atrasados ou lentos acelerem o passo a fim de acompanhar o seu ritmo, ou que desistam desmotivados pelos revezes do destino. O mundo não se compadece das nossas quedas, ou das opções erradas que tomamos, nem dos períodos de convalescença ou de reflexão de que precisamos para recuperar fisicamente ou para redefinirmos posicionamentos perante a nossa forma de estar no mundo.

bruno13.jpg O Mundo ou a sociedade segue o seu destino de uma forma implacável, indiferente aos problemas humanos, estatuto social ou financeiro; todos iremos morder o pó ou o fogo consoante a forma como desejarmos dispor do nosso bem-amado esqueleto. Quanto maior for a nossa tendência para pouparmos dinheiro ou energia física pelo desgaste vivencial pensando com isso que por cá andaremos mais tempo que os outros - é puro engano! Todos deveríamos gozar a vida diariamente e usufruir daquilo que ela tem de bom para nos oferecer, e algumas até de forma gratuita, como seja por exemplo o nascer ou pôr-do-sol as fases da lua, constelações, sol da meia-noite, e as belas paisagens de algumas regiões do globo, ou a imprevisibilidade de nos cruzarmos com pessoas interessantes…

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Uma pequena queda, pode como num texto longo como este, mudar o curso da estória de nossas vidas. Adiar o presente é comprometer o futuro, por isso, não devemos arranjar desculpas para evitar viver o dia de hoje, adiando para melhor altura a continuação de viver a vida. Diariamente esta confronta-nos com todo o tipo de desafios, tentações, oportunidades que nos levam a ter que pensar, escolher, decidir quais as melhores opções a tomar perante as diferentes situações que se nos deparam, sendo algumas delas de decisão imediata que não nos permitem dormir sobre as mesmas.

araujo82.jpg A vida é uma faca de dois gumes; quanto menos nos expusermos a ser cortados tanto melhor, pois os golpes tanto podem ser superficiais como profundos os quais podem deixar marcas difíceis de sarar e cicatrizar. Compete-nos minimizar o risco sem que com isso tenhamos que nos demitir de viver a vida, resguardando-nos no nosso casulo e só saindo á rua em carro blindado, colete á prova de bala, com um regimento de guarda-costas e com médico na comitiva. É imperativo que sejamos cautelosos, previdentes, ter senso comum e alguma sorte, pois os riscos de cairmos nas ciladas, minas e armadilhas da vida podem acontecer a qualquer um, menos preparado ou prevenido causando-nos incapacidades de curto, médio ou longo prazo.

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Nossa vida pode ser longa ou curta, e sobre isso não temos grande poder de decisão, mas por outro lado temos a possibilidade de a não provocar ou desafiar incorrendo em riscos desnecessários ou estúpidos de querer provar a nossa imortalidade, por pensarmos que somos superdotados ou nascemos sob uma boa estrela que nos protege e ilumina – Lérias! Não convoquemos ou exorcizemos demónios que não podemos controlar, nem aceitemos desafios que sabemos de antemão não poder vencer por falta de aptidões comparativamente com as do nosso oponente.

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Que ninguém pense que a vitória ou derrota é apenas alicerçada no factor sorte, pois a avaliação é feita em disciplinas de competência, rigor e conhecimento. Que ninguém tenha a veleidade de pensar que pode controlar o ciclo da vida, e muito menos sair vencedor das batalhas que com ela temos desde que somos trazidos ao mundo. Podemos sim, ganhar algumas delas, mas a guerra final, essa sempre a perdemos na hora em que nos finamos. Finalizamos!

araujo69.jpg A vida concede-nos o privilégio de decidir se queremos viver na sua faixa rápida ou lenta, ou ainda a de ficarmos parados com o sinal de genuína ou falsa avaria, ou nas zonas de descanso por tempo indeterminado sem correr qualquer tipo de risco, vendo cobardemente a vida passar por termos receio e medo de a viver. Com esse tipo de atitude, apenas nos resta esperar que num certo dia acontece o ciclo acabar; que venha corrigir um erro da própria vida que foi o de nos ter feito nascer. Somos uma ilusão!

Texto escrito a 1-4-2014 por Canhoto

Ilustrações de Assunção Roxo e Costa Araújo

Eu, Soba Niassalês, T´Chingange, homologuei-o



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:50
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Quarta-feira, 31 de Maio de 2017
FRATERNIDADES . XCVI

CAFÉ DA MANHA - Quem é capaz de definir a AMIZADE? São os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos….

Por

t´chingange.jpegT´Chingange (Otchingandji)

macuta com soba.jpg Ando a dormir quatro horas por noite e, é por isso que rebolando para um e outro lado, a mente se inquieta de tanto pensar. E, recordei esta noite que aos meus sete anos o meu pai Manuel, Cabeças de alcunha era o maior, o meu pai herói. Não havia outro mais importante e sabedor. Com o correr da idade aos dezassete anos era umas velhadas; um retrogrado de mente atrasada e desinserido das vivências do mundo, meu mundo. Era essa emancipação comum que inicia na puberdade e se agrava com o correr dos anos até que se fique homem! E, quem diz homem, diz mulher, de nuances diferentes ou diversificadas.

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Aos vinte e sete anos já pai de filhos começa-se a dar valor aos ensinamentos de seus ascendentes, pai e mãe. Cuidar dos filhos perdendo noites, da dor de dentes e febres que surgem e passam com as mezinhas de chás de cidreira e camomila entre outros ensinados pela mãe e pai. Neste então nossos pais começam a ficar com valor; agora entendo-os, dizemos com frequência e de forma agravada quando sentados num banco de consultório esperamos saber o que é que o filho tem, qual é a coisa que o atrapalha na saúde.

ET2.jpg Aos trinta e sete e até sem muito reflectir dizemos de nós para connosco: Meu pai era mesmo um herói, ele e ela minha mãe, sempre me diziam isto e aquilo; vejo agora quantos valor tinham seus ensinamentos. Das muitas observações que fiz e faço, vejo que o grande elefante tem uma cria e, esta começa assim que nasce logo a andar. Num gnu, búfalo ou impala, a cria cai de seu ventre e, passados que são vinte minutos já estão andar atrás da mãe. Nós humanos, levamos quase um ano para começar a dar os primeiros passos.

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A natureza é tão surpreendente que ao recordar isto e aquilo comovemo-nos, uma sensação que vai enriquecendo com o tempo, com os momentos de alta felicidade e os outros desmazelados ou descuidados momentos. Hoje durmo menos e penso muito mais! E, fico agradecido aos amigos, especialmente os de longa data. Amiúde lá vem à mente o pai e a mãe. Se fossem vivos, isto e aquilo não aconteceria com muitos edecéteras que naquele então desprezávamos.

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Já avós, nosso pai e nossa mãe passam a heróis! Eles eram os maiores, em tudo pensavam e de tudo tiravam proveito para nos encher de felicidade. Davam-nos o miolo ficando eles com as cascas! Por nossa vontade eles ficariam vivos para a eternidade. Chega-se ao ponto crucial de entendermos o porquê de Cristo querer ir para o pé do pai assim tão novo, com uns escassos 33 anos.

mamoeiro.jpg Há coisas que só com o tempo nos amadurecem. E, reflectindo vimos os momentos inaproveitados nas atitudes belas de que fomos apetrechados. Deveríamos ser doceis com nossas mais próximos e muitas vezes lá vem o maldito interesse de se tirar proveito disto ou aquilo nos relacionamentos. O negócio! Deveria dizer muitas vezes a minha mulher ou filhos o quanto os amo mas, sempre descuidamos esta vertente sentimental. Gritamos pelas coisas fúteis do clube, numa viva o Sporting ou o Benfica, Vasco da gama ou Palmeiras.

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É quando nos descuidamos disto que reflectimos nos intervalos dos dias que nosso bem maior é aquela pessoa que ali está ao lado mas, que nem sempre o lembramos. Tal como os pais que há tanto tempo se foram e sempre os recordamos: Se eles aqui estivessem a coisa era outra! E, no pior ou melhor, sempre achamos que sim, eles eram os pais heróis.

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Hoje desperdiça-se muito a felicidade tornando-a descartável! Não há aquela vontade de agradar de ceder ou compreender e, mais tarde damo-nos conta que seria muito melhor ser assim e não daquele jeito! Se, olhássemos para o comportamento da natureza decerto tiraríamos maior proveito de tudo mas, tem sempre um mas a emperrar a máquina da vida.

poluição.jpg Ando a cultivar o amor, a regá-lo como rego as flores de meu jardim mas o mundo lá fora está a ficar muito cheio de loucuras, de muita avareza, de petulância e de atitudes perversas. Não admirará que quando chegar aos noventa anos se queira ir para o pé do pai. Cada vez mais se compreende do porquê Nosso Senhor quis ir tão novo para o pé dele, o Pai. Estou a dizer isto sem aquela doentia forma medrosa de dar graças a Deus e com a temeridade que ao longo dos séculos nos tem incutido.

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Hoje vai ser um dia diferente, vou à praia com meus adoptivos filhos de Pirituba e minha neta Kira que ganhei e, porque em tempos seus pais me adoptaram como seus! Num repente passaram também a ser a minha família e, com eles redescubro-me outra vez. A vida tem um jeito surpreendente de colocar ao nosso lado as pessoas das quais realmente necessitamos: Um bom amigo, um irmão de alma, um amor para sempre, um alguém que nos faz ver o melhor em nós mesmos…

socras4.png Alguém que nos entenda e nos respeite assim como se é. Viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé, nossa inspiração maior. É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para se ser feliz! É provável que muito outros o tenham dito de outra forma mas que importa se estou ou não, repetindo isto a mim mesmo. Não se pode morrer em vida, não se pode desistir de amar, de criar. Não se pode e, até devia ser proibido e pecado! Com tudo isto direi pelo que sei: -Não é possível adiar a vida, aproveitem todos os segundos, minutos e horas.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:01
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017
CAFUFUILA . CXXIII

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO – 19ª parte
Kiandas e calungas! E foi nesta "Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe" da ilha dos Frades, que encontrei vestígios das Sereias Kiandas Roxo e Oxor. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…
Por

soba0.jpegT´Chingange

Como a sombra, a história tem obscuridades que enganam os escribas e gente dada à escrita mas, eis que vasculhando escritos mofados, roídos e muito deteriorados da Torre do N´Zombo deparo com duas Aqualtunes sendo uma falsa; Eram disfarces provocados pelos negreiros para lançar a confusão entre os próprios escravos e, afim de lhes não ser prestada vassalagem lá para as terras desse mundo novo, desconhecido.

ilhao1.jpg Foi já dito que havia rivalidade entre os holandeses (mafulos) e os portugueses baseada na disputa pela aquisição dos mesmos escravos mas, a seu modo, podiam manter segredo sobre suas peças humanas. Seus segredos eram a sua alma dum negócio que valia ouro, que enriquecia a corte do M´Puto e muitos cidadãos de várias nacionalidades; estes tinham frotas de caravelas e até vergantins com bocas de fogo que davam protecção a estes durante a travessia do mar profundo.

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Pois, esgaravatando na estória, sabe-se agora que a verdadeira Aqualtune era uma outra mulher também ela princesa de um outro reino mais a norte de N´Dongo. A mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares era filha do rei do Congo. Esta Barbara da Silva de N´Gola acaba por morrer na ilha da engorda, a ilha dos Frades ao largo da costa brasileira, no centro da bahía de Todos os Santos, ou de São Salvador da Bahia. E, esta ilha é assim chamada porque nela foram assassinados dois frades pelos Tupinambás, os quais pretendiam catequizar. Foi o que se fez constar!
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Mas, sucede que também estas mortes foram encomendadas pelo senhor negreiro Jeremias T´Chitunda. Em verdade as peças humanas sublevaram-se ao saber que a princesa Barbara da Silva de N´Gola ali estava entre eles. E, porque foram estes frades que deram a conhecer tal facto, a morte foi um arranjinho que ainda hoje, nos surge bem estranho. E foram os Tupinambás que às ordens de Jeremias T´Chitunda e através dum milongo estranho fizeram a princesa definhar numa morte aparentemente normal.

ilha8.jpg Só assim, e depois desta naturalidade falseada, eles, os escravos, começaram a ter condições para serem apresentados aos compradores no lugar de Porto de Galinhas pelos coronéis das roças. Isto, parecendo ser, pode não o ser, pois que se apresenta como uma nuvem de cacimbo lendário e, dizer a veracidade no meio de tanto borrão escrito, é um pouco difícil de afiançar! Em verdade sabe-se que era aquela a ilha da engorda.

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Os escravos de N´Gola, simplesmente queriam morrer até que fossem dadas condições à sua nobre patrícia! Bem difícil de acreditar nos dias que correm e, aonde esse brilho de heroicidade se esconde no temor da morte! Hoje, isso é prática de muçulmanos fanáticos que se fazem explodir ou emplodir lançando carnes ao vento, o mesmo vento que os fará sultões ou gente monhé de mustafagem.
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Os escritos consultados foram gatafunhados por um tal de Barão de Loreto que ali permaneceu entre 1836 e 1906; Um personagem política da época do Império e dado a costumeiras corruptelas, coisa endémica, quase doença dos brasileiros que apreenderam tudo de mal dos Tugas. Na tradição oral nativa conta-se que, durante décadas, a ilha dos Frades foi dominada por um fazendeiro denominado Gabriel Viana e, que ao estilo dos "coronéis" dos tempos da República Velha, agia como um verdadeiro senhor feudal.

ilha7.jpg Por hábito, ele decidia sem mais quê nem porquê sobre a vida e a morte dos moradores; ora sendo um benfeitor da comunidade local, através de práticas assistencialistas, ora sendo um dominador autoritário fazia tudo a seu belo prazer. Em visita a esta ilha ainda pude ver um antigo casarão e de uma igreja remontando ao século XVII, que está completamente arruinada. Foi de lá que retirei algumas sebentas furadas por ratos transladadas para a Torre de N´Zombo do Kimbo e, deles retirei os duvidosos apontamentos entre muitos números de cifrões. 

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E foi nesta "Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe", que encontrei vestígios das Sereias Kiandas Roxo e Oxor. As mesmas que mais tarde avistei em Guaxuma, lá mais a Norte de Maceió. Conversando neste então com os moradores dali soube das andanças destas kiandas. Dizem que vinha agarradas aos cascos das naus do senhor Jeremias T´Chitunda. Actualmente ainda por lá se encontram cerca de cinquenta e cinco cinco pessoas.
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Foi entre estas parcas barracas que botando conversa com o velho Rufino Adamastor fiquei a saber que não só por ali passaram as kiandas Roxo e Oxor como também durante algum tempo por ali se manteve um tal de Zé Peixe, o mesmíssimo homem que nunca se lavou com água doce e que mais tarde se mudou para Aracaju de Sergipe. Este Senhor mais-velho Rufino apresentava-se com umas barba branca e laivos amarelos de tanto fumar charutos tipo cubano.

ilha6.jpg A pedido do velho Rufino Adamastor visitei a "Igreja de Nossa Senhora do Loreto" e um casarão centenário, ambos recentemente reformados e, agradeci a esta Nossa Senhora o ter-me guiado pelas terras tão dispares por onde andaram gentes feitas animais e conduzidas como gado entre luxuriantes verduras. Só podemos imaginar o que teria sido isto em esses idos tempos medievais. O curioso é o de que a Kianda Roxo, não se lembra disto; só podia mesmo ser sua alma, sempre em Assunção ou Asccensão ...zé peixe0.jpg Durante minha permanência naquela ilha dos Frades fui ao cemitério com cruzes abandonadas e dizeres surrados no tempo, pedras raspadas pelo vento. Quem poderia dizer ter sido ali um entreposto comercial de negros escravos de N´Gola e N´Dongo com suas belas paisagens, praias paradisíacas, lagos, cachoeiras, montanhas e coqueirais; uma vegetação típica da Mata Atlântica, com árvores nativas, incluindo o pau-brasil. 

(Continua… De novo iremos a Massangano…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:34
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIV

AS PROFISSÕES VÃO ACABAR! - REVEJA SEU FUTURO - Hoje deveremos educar e formar jovens e pessoas não para exercer uma profissão, mas sim para as dotar de um mapa de competências laterais e transversais.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Em janeiro de 2012, o The Wall Street Journal informava que a Kodak estaria a preparar-se para iniciar o seu processo de falência, algo que ficou confirmado a 19 de janeiro de 2012, quando a mesma empresa solicitou um pedido de concordata para restruturar os seus negócios num tribunal em Nova Iorque. Em 1998 a Kodak tinha 170.000 colaboradores e era líder mundial na venda de papel fotográfico com uma quota de mercado de 85%.

ara3.jpg Ainda nesta década tínhamos em Portugal o Banco Espírito Santo que chegou a ser o maior grupo financeiro privado português e líder na satisfação do cliente. O mesmo BES obteve vários galardões internacionais tais como no âmbito da iniciativa "World's Best Banks" em que foi considerado o melhor banco português pela revista económica norte-americana Global Finance. A mesma opinião tinha a revista The Banker que considerava o BES como o melhor banco em Portugal.

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Em 2007, a então famosa marca finlandesa de telemóveis Nokia liderava o fabrico mundial de telemóveis, detinha uma quota de mercado nas telecomunicações de aproximadamente 40%. Quando surgiram os rumores dos primeiros smartphones, os responsáveis da marca finlandesa consideraram que estes seriam telemóveis de nicho e não telemóveis de venda massificada. Este erro de avaliação saiu bem caro à Nokia que acabou por cair no desaparecimento do panorama mundial de telemóveis… O que podemos concluir destes três exemplos é que na actualidade não existem sectores imunes à turbulência económica e que o facto de termos sucesso empresarial numa determinada época não garante em nada um futuro próspero…

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Agora gostava de transportar esta realidade para as profissões do futuro… Se há quatro ou cinco anos perguntássemos aos taxistas qual o impacto da tecnologia na profissão deles, quase posso adivinhar que muitos refeririam que o impacto seria diminuto e talvez alguns mencionassem que as tecnologias os iriam ajudar, a título de exemplo o GPS. O que sabemos hoje é que temos uma indústria de softwares que lentamente está a destronar os taxistas através de aplicações inteligentes…

araujo6.jpg Por sua vez o desafio é tão grande que nos próximos anos os condutores que estão ao serviço destas marcas de aplicações poderão ser destronados pelos veículos autónomos que estão próximos de ser uma realidade. O mesmo se passaria se perguntarmos aos advogados portugueses, qual o impacto da tecnologia na sua profissão? Alguns responderão certamente que o avanço tecnológico será um bom complemento, no entanto, negarão que poderá pôr em causa a sua profissão.

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No entanto, não acredito que seja assim nos próximos anos… Actualmente a IBM desenvolveu o ROSS, que é o primeiro advogado de inteligência artificial do mundo. Este novo sistema cognitivo de inteligência artificial consegue emanar um parecer em apenas segundos, analisando a legislação, jurisprudência e ainda fontes secundárias. O ROSS obtém uma exactidão nos seus pareceressuperiores aos humanos. Enquanto o ser humano obtém 70% de exactidão o sistema de inteligência artificial obtém um eficácia de 90%.

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O que se está a passar na advocacia está a acontecer na medicina. Hoje temos sistemas de inteligência artificial muito mais eficazes e fiáveis no diagnóstico de doenças do que médicos qualificados para o efeito. Um destes dias levei a minha mulher ao hospital do Alvor (Algarve); ia com uma tensão arterial muito fora do normal sendo a alta de 22. O médico veio de lá de dentro ensonado e receitou Paracetamol! Como é? Um espanto e, assim ficamos sem denunciar esta anomalia. Não morreu porque não calhou!

araujo1.jpg Um computador não iria dar um placebo destes para quem está tão aflito! Fiquei bem preocupado com o nosso futuro, nossa saúde ficando na mão de gente incompetente ou desclassificada, mesmo que sendo formada na melhor universidade do mundo! O homem ficou demasiado vulnerável às vicissitudes do desleixo e por vezes, muitas vezes está uma vida em jogo. Muito provavelmente este médico foi um bom aluno, teve médias altas em seu curriculum mas neste dia falhou! Muito provavelmente um outro medico com menos notas no seu curriculum, teria mais aptidão e vocação do que este rustico e desleixado doutor !

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Conforme o que explanei, não existem sectores nem profissões imutáveis; neste sentido hoje deveremos educar e formar jovens e pessoas não para exercer uma profissão, mas sim para as dotar de um mapa de competências transversais que as ajudem a desenvolver durante a sua vida não um, mas sim vários cargos. 

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Meu filho que é duplamente licenciado no campo das artes anda todo entusiasmado com sua horta, sem emprego dedica-se com amor às suas alfaces, tomates, repolhos e até poejos que fazem uma bela açorda! Dá-lhe mais vantagens do que aceitar um trabalho remunerado com menos do que o vencimento mínimo! Que país é este? Infelizmente vamos ter de repetir isto e, cada vez mais.

araujo86.jpg Algumas destas competências transversais são: criatividade; flexibilidade; comunicação; gestão de prioridades; resolução de problemas complexos; pensamento crítico; inteligência emocional; negociação; o estado deveria investir em haver mais fonte de trabalho mas, um governo vem, outro vai e a bosta continua cheirando mal! É forçoso termos bons gestores no governo ao invés de gente que se cursa nos gangues com nome de partidos e, que só nos trazem infelicidades. Gerir um país como a Dona Arminda minha mãe Topeta nem é necessário andar na escola; ela era pouco mais que analfabeta e fazia contas mais rápido do que eu com calculadora… Surripiar-nos no nosso património, nos nossos ganhos, é a coisa mais fácil! Basta escrever um decreto e já está! Assim não brinco!

Ilustrações de Costa Araújo Araújo

Do Soba T´Chingange - com a ajuda dum Gestor e Professor Universitário…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:49
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Segunda-feira, 22 de Maio de 2017
MUJIMBO . CXV

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPOVALEU A PENA ?! - Já nem interessa chorar sobre o molhado! A justiça do ressarcir nunca se irá verificar mas podemos e devemos relembrar tudo o que se passou…

kimbo 0.jpg As  escolhas do Kimbo

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto

Segundo dizia Fernando Pessoa no seu poema “O Mar Português” “Tudo vale a pena se a pena se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deram. Mas nele é que espelhou o céu”. Agora a minha versão do mesmo poema. “Angola Portuguesa”- “Valeu a pena ter descoberto Angola. Obviamente que sim, para quem não tem uma alma pequena ou uma memória curta. Quem como nós passou pelo processo da descolonização Angolano, que nos fez ver dolorosamente a bandeira portuguesa espezinhada e enxovalhada por uma mão cheia de traidores, foi como voltar a passar pelo Bojador”.

demo1.jpg Os valentes e arrojados descobridores portugueses ultrapassaram todos os perigos e abismo dos oceanos desconhecidos de forma valorosa e destemida. E, foram neles que espelhamos os tempos mais gloriosos da nação Portuguesa. Valeu a pena desde Diogo Cão até ao Marechal Costa Gomes, ter nascido em Angola ou para lá ter emigrado como colono livremente ou como militar obrigatoriamente?

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E, ao fim de uma vida perder todo o seu património conseguido pelo do suor do seu trabalho; é algo que cada um tem que responder de acordo com a sua consciência se valeu a pena. Por todas as páginas do Facebook dedicadas a Angola, vê-se facilmente que não é pelo saudosismo político colonialista imposto pela monarquia e posteriormente na república por Salazar ou Caetano que existe uma atracção magnética de todos aqueles que beberam a água do rio bengo.

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E, ficaram irremediavelmente de forma misteriosa presos ou enguiçados pelos cheiros e gentes daquela terra. Todo aquele que lá nasceu ou viveu, não guarda qualquer tipo de rancor aos angolanos pelos trágicos e longos meses que precederam o 11 de Novembro de 1975 pois entendemos como o chamado “Poder Popular” foi manipulado, para servir os interesses dos lacaios liderados por Agostinho Neto.

desenr1.jpg Alguns portugueses tiveram a coragem de nunca lá saíram, outros tiveram a ousadia de para lá regressarem, mas a grande maioria com a guerra civil que começou de imediato e se prolongou assolando o país por mais de 20 anos jamais voltou. Os retornados que ficaram em Portugal já eram demasiado idosos para contemplar a ideia de voltar passado esse tempo, além de que já tinham aqui reconstruído as suas vidas, outros emigraram para o Brasil pela familiaridade linguística, e uma minoria optaram por países que não os condicionavam pelo idioma ou qualificações académicas.

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Se Angola tem tido em 1975 um homem da estatura e calibre de um Nelson Mandela ainda hoje todos lá estaríamos pois comparativamente com o inferno Sul-africano em que os negros viviam, Angola era um paraíso pela não existência de um sistema degradante e segregacionista chamado “apartheid”.

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Infelizmente na sua generalidade, Angola não está melhor hoje do em 1975, se é que não estará bem pior para a grande maioria dos quase 20 milhões de angolanos. Obviamente que ter diamantes plantados em terra ou rios e petróleo no mar de entre muitas outras riquezas minerais fez de Angola um dos países mais ricos do Continente Africano.

monteiro1.jpg Mas ao mesmo tempo que a riqueza angolana nasceu, também proliferou igualmente uma elite de novos-ricos todos eles conectados com o MPLA que governa o país há 42 anos consecutivamente. Quem nasceu ou viveu por longos anos em Angola passou por grandes dificuldades de adaptação onde posteriormente se tivesse radicado, tendo sido mais sentida por aqueles que regressaram a Portugal.

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Os que regressaram ao M´Puto, por cá ficaram - Tiveram grade dificuldade de integração ou adaptação á mentalidade vivencial Portuguesa da época. Todos os que nascemos em Angola ou Moçambique possivelmente passamos pelo mesmo privilégio de ter uma juventude e liberdade vivencial inigualável a qual nada tinha a ver com aquela que era vivida em Portugal.

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Termino este texto reiterando uma vez mais que apesar da minha já provecta idade continuo a reafirmar que ter passado cerca de metade da minha vida em Angola e tendo de lá saído indigente aos 33 anos, não a trocaria por nada feste mundo.

Canhoto aos 28-2-2017

roxo138.jpg TESTEMUNHO 1: - Claudino Rosa Soares - Fez este ano quarenta e dois anos que me vi obrigado a deixar Angola. Infelizmente, isso me trouxe após vinte e três anos de permanência, todo o tipo de incompreensões. O paradoxo de comportamentos do povo Tuga, impõe-se em oposição com a recepção dada agora aos novos refugiados vindos de outras paragens, com outras culturas e outro ADN. O como foi prestada aos trabalhadores da mesma Diáspora (de Angola), os retornados estigmatizados.

roxo135.jpg E, que até hoje nunca foram reabilitados, nem ressarcidos. Falando por mim: porque me fizeste isto meu Portugal? Nos primeiros tempos durante o PREC foi a animosidade dos concidadãos, em simultâneo a boicotagem da entrada nos empregos de quem vinha chegando! Dois me surripiaram no ramo cervejeiro. Quando cheguei diz-me a funcionária que me recenseou? -O senhor já escolheu Hotel? Hotel!?

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Tenho dois filhos pequeninos e a senhora fala-me em Hotel … está a gozar com a minha cara ou quê. Paguem-me um bilhete para sair daqui. E pagaram mesmo! Mas a partir daqui fiquei só, enfrentando a vida tenazmente e, na clandestinidade. E passaram quarenta anos! Vivo desde esse tempo num misto de liberdade e escravidão.

REPU2.jpg Conheci todos os governos de Portugal pós Democracia e por incrível que pareça nenhum tentou sequer resolver problema de tal magnitude! Mas aqui: refiro-me evidentemente aos trabalhadores da Diáspora do Império, já que os funcionários públicos já cá chegavam com o papel da reforma! O mesmo país; situações idênticas! Soluções diferentes! Eu cheguei com dois filhos de tenra idade, fui de imediato jogado para o esgoto da História!

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As TVs os Jornais deslumbrados com a sua democracia mergulharam-nos num silencio tenebroso! O que quero é justiça! Aquilo que até os seres inferiores procuram… É por isto que hei-de reivindicar sempre esse bem que deixei num dos bairros pobres de Luanda. E se Deus existe, Portugal bem precisa da ajuda para repor e discernir a legalidade que lhes foi surripiada…

araujo63.jpg TESTEMUNHO 2: - António Monteiro - Já nem interessa chorar sobre o molhado! A justiça do ressarcir nunca se irá verificar mas, podemos e devemos relembrar tudo o que se passou, a grande traição! Esta manobra que resultou num governo ilegítimo, vai ter fim e Angola vai reviver e reconhecer nossos filhos como gente de N´Gola porque o são de direito! Angola com leis absurdas que não reconhece quem de lá saiu. Tudo tem de mudar sim! Uma cambada que ainda anda entre nós, corruptos e bajuladores; abutres do mundo mwangolés e tugas ladrões...

Escrito de José canhoto com dois testemunhos adicionais como adenda…

T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:26
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Sábado, 20 de Maio de 2017
FRATERNIDADES . CXV

A DESCOLONIZAÇÃO (Parte 2) – 12.01.2017… A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC…

soba k.jpg As escolhas de T´Chingange***

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto

Todos os portugueses, onde me incluo, que viveram nas ex-colónias portuguesas e que sofreram na pele o processo de descolonização, atribuíram as culpas ao ministro dos negócios estrangeiros da altura Mário Soares que se finou a 7 de Janeiro e 2017, para gaudio de muitos dos retornados e para pesar de muitos democratas. Foi Mário Soares pelo cargo que ocupava na altura que carregou e conduziu o referido e complicado dossier do processo de descolonização que ficará como uma das mais tristes nódoas na história de Portugal.

step6.jpg As tendências ideológicas marxistas que o processo revolucionário em Portugal atravessou não auguravam um desfecho feliz para os residentes nas províncias ultramarinas. A pressa era muita de modo que Mário Soares foi encarregue de atalhar e encurtar caminhos e forçado a abreviar o calendário das independências para o ano de 1975.

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As conversações para esse desiderato começaram de imediato com os líderes dos movimentos independentistas das colónias Portuguesas em Africa, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola tendo como interlocutores Luís Cabral, Samora Machel, Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi.

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A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC que foi reconhecida pela comunidade internacional, mas não pela potência colonizadora o que só aconteceu nas negociações de Argel em 25 de agosto de 1974, seguido de Moçambique em Lusaca a 7-9-1974 e do Angola no Alvor a 15-1-1975.

spi3.jpg Logo que Angola e Moçambique obtiveram oficialmente as suas independências instauraram um regime de partido político único pró-soviético, enquanto em Portugal, o modelo socialista pós-revolução era progressivamente abandonado, dando lugar a um regime democrático. Só um tolo ou imbecil poderia pensar que seria possível a manutenção de uma guerra colonial em 3 frentes até aos dias de hoje, para assegurarmos a continuidade dos nossos privilégios em África intemporalmente.

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Os grandes coveiros e responsáveis da repatriação dos mais de 750 mil portugueses naturais e colonos que ao tempo residiam em Moçambique e Angola não foi Mário Soares, mas sim, Salazar e Marcelo Caetano, pois a descolonização das nossas colónias deveria ter sido iniciada nos finais dos anos 50 antes de se ter iniciado o terrorismo em 15 de Março de 1961 em Angola pela UPA, em 24 e 25 do mesmo ano em Setembro pela Frelimo em Moçambique e finalmente em 23 de janeiro de 1963 na Guiné.

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Se o processo de descolonização tem sido feito atempadamente de forma ordeira cívica e civilizada assegurando a permanência dos europeus nas colonias, a revolução do 25 de abril de 1974 apenas tinha tido efeitos práticos ou visíveis em Portugal continental. Mário Soares estava manietado e limitado pelas directrizes imanadas pelo Conselho da Revolução e pelo desejo que os militares tinham em baixar as armas o mais depressa possível e abandonar África á sua sorte.

selo10.jpgO governo provisório da altura em Portugal estava em conluio com os líderes independentistas uma vez que defendiam a mesma ideologia politica, portanto Mário Soares muito pouco poderia ter feito para alterar o “status quo” dos eventos catastróficos que o processo de descolonização atravessou. Mário Soares foi um intermediário facilitador que seguiu um programa que lhe foi imposto, mas não o ideólogo do mesmo.

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Eu sei e compreendo que a grande maioria dos retornados atribuem a Mário Soares toda a culpa da descolonização, pois acabou sendo o bode expiatório e o alvo mais fácil para arcar com as culpas devido a sua liderança nas negociações. Do contexto político vivido em Portugal destaca-se a divergência entre o então Presidente da República (PR), António de Spínola, e a Comissão Coordenadora (CC) do MFA em relação ao modelo de descolonização a seguir e que teve repercussões negativas nos processos de negociação e nos posteriores acordos de independência com os movimentos independentistas.

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A descolonização portuguesa dos territórios ultramarinos em África constituiu um dos aspectos centrais da política portuguesa após o 25 de Abril, tendo tido consequências sociais profundas em Portugal. Quando Mário Soares entabulou negociações com os líderes nacionalistas de Angola e Moçambique com vista á independência dessas colónias fazia parte como ministro dos negócios estrangeiros de um Governo de Transição empossado pelo MFA sem a legitimidade do povo português.

luis17.jpg Sem a legitimidade pois que, ainda não tinham havido eleições gerais em Portugal nem sequer tínhamos uma nova Constituição aprovada que lhe outorgassem a legitimidade para assumir essa decisão histórica particularmente nos moldes em que foi feita.

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Não tenho a veleidade, ousadia ou arrogância de colocar Mário Soares sozinho no banco dos réus, nada me move pessoal ou particularmente contra a sua pessoa, muito embora tenha deixado em África terra onde nasci tudo o que construí com o suor do meu rosto.

diogo6.jpg Tenho a capacidade de separar o trigo do joio e fazer uma análise lucida e racional dos acontecimentos sem cegueiras ou fanatismos e atribuir as responsabilidades históricas a quem de facto as teve 20 anos antes de 1975, bem como no período pós-revolucionário. Se Portugal tem tido líderes com visão estratégica e politica para terem iniciado o processo de descolonização na época adequada teriam preservado a permanência e a continuidade de todos os colonos suas famílias e descendentes nesses territórios.

FIM

António José Canhoto …11-1-2017

***Nota: A escolha de T´Chingange refere-se ao todo pensamento descritivo, subscrevendo-o por homologação... Descrição sem Prólogo, Prefácio, Epílogo ou Posfácio porque é o resumo dum conteúdo periclitante causador duma quase tragédia. Um prefácio eventualmente, conteria algumas impressões de terceiros sobre a obra. Neste texto excelente, o que fica é a incrédula faceta da política sem brio, irresponsável e, persistente denúncia com ar de curiosidade…

Nota 2: - Este texto deveria ter sido publicado como Parte 1, mas  ainda bem que a justificação surge antes dos atropelos – desta forma aceitar-se-á  melhor  as realidades



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:56
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Terça-feira, 16 de Maio de 2017
FRATERNIDADES . CXIV

A DESCOLONIZAÇÃO (Parte 1) – 12.01.2017Como livre-pensador, não me subordino a nada nem a ninguém, pois quando renegamos ao direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de sermos livres.

soba k.jpg As escolhas de T´Chingange***

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto

(…) Quando escrevi o texto sobre o titulo em epigrafe escalpelizando o papel de Mário Soares no processo de descolonização não pretendi ilibar todos aqueles que no palco deram a cara, mas sim acusar todos aqueles que permaneceram por detrás da cortina puxando os cordelinhos ou fazendo o papel de “PONTO” que é aquele que escondido num alçapão do palco lembra aos artistas as suas falas e deixas do texto ou guião da peça.

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No caso da descolonização a peça deveria ter tido pelo menos 3 actos, mas infelizmente tudo se resumiu a um só, tendo os artistas sofrido uma enorme pateada e insultos vendo-se obrigados a abandonar o teatro pela porta do cavalo tendo sido ao longo de 40 anos vituperados pelo seu catastrófico desempenho.

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Não me compete a mim escrever a história sobre essa mancha negra que ensombra o período político que Portugal atravessou entre 1974 e 1975, contudo quem já o fez de forma isenta foi-lhe fácil encontrar os responsáveis. Quando iniciei a feitura do texto, já pressentia que iria abrir uma “Caixa de Pandora” e muita gente se iria atirar a mim como gato a bofe.

ango0.jpg Surpreendentemente o texto foi bem aceite pela grande maioria, mas houve pessoas que o descontextualizaram sem terem tido a capacidade de separar a missão politica de que Mário Soares foi incumbido de realizar atribuindo a este senhor todos os problemas pessoais que afectaram os “colonos” na sua generalidade.

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A minha crónica foi feita depois de muita reflexão e pesquiza e para quem não saiba o processo de descolonização foi desenhado pelo ideólogo do grupo dos 9 o major Melo Antunes que foi a eminência parda marxista do Movimento das Forças Armadas (MFA). Óbvio que a grande maioria dos retornados teve de encontrar alguém para descarregar as suas frustrações e Mário Soares foi o homem escolhido como ministro dos negócios estrangeiros do governo provisório bem como António de Almeida Santos ministro da Coordenação interterritorial, para darem a cara como forcados e pegarem os 2 touros mais perigosos de nome Angola e Moçambique.

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Em consequência de os touros terem sido mal lidados e estarem ainda cheios de energia ambas as pegas falharam e os touros desembolados ficaram incontroláveis. Os pegadores viram-se forçados a arcar com todas as responsabilidades de uma “corrida” programada em cima do joelho e a martelo sem acautelar a integridade física dos aficionados.

melo1.jpg Em 22 de Fevereiro de 1974 O general António de Spínola publica o livro "Portugal e o Futuro" pouco mais de um mês depois de ter sido empossado como vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. As páginas do livro abriram um fosso de incompatibilidade com o primeiro-ministro da altura Marcelo Caetano que afirmou tratar-se de um verdadeiro "manifesto de oposição" ao regime e de um golpe militar anunciado - o que efectivamente veio a acontecer semanas depois.

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Na sequência da publicação do "Portugal e o Futuro", e perante a recusa dos generais Francisco da Costa Gomes e António de Spínola, os dois principais chefes militares do país em prestar vassalagem a Marcelo Caetano, tanto Spínola como Costa Gomes são demitidos a 14 de Março.

soares1.jpg A 25 de Abril de 1974 os capitães do Movimento das Forças Armadas levam a cabo o golpe militar que liquidou o regime do Estado Novo tendo escolhido uma Junta de Salvação Nacional para preparar a transição do país para um regime democrático. Na madrugada de 26 de Abril de 1974 Spínola é anunciado como chefe da Junta Militar e, a 15 de Maio, toma posse como primeiro Presidente da República do pós-25 de Abril.

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A História e o movimento revolucionário avançaram muito rápido para uma esquerda marxista radical contra a qual Mário Soares ferozmente lutou. O livro publicado por Spínola constituía um poderoso repto ao regime do Estado Novo. Basicamente afirmava que as guerras coloniais, que duravam desde 1961, não tinham solução militar, sendo imperativo que a Nação debatesse o problema. Spínola tinha ideias muito concretas de como o processo de descolonização se deveria processar as quais dissecou pormenorizadamente no seu livro.

spi0.jpg Spínola acaba mais tarde por se demitir como Presidente da Republica quando se sente atraiçoado pelos seus camaradas de armas e pela forma de como o processo revolucionário e de descolonização que tinha sido esquematizado por Melo Antunes o qual o grupo dos 9 pretendia implementar.

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O traidor não foi Soares, mas sim a Junta Militar e o governo provisória infestado de esquerdistas comunistas, que governaram Portugal a seu belo prazer tendo em Vasco Gonçalves o seu expoente máximo. A situação só começou a mudar quando a feitura da nova Constituição Portuguesa deu origem às primeiras eleições livres em Portugal, as quais só aconteceram em 25 de Abril de 1975 para a eleição dos deputados para a Assembleia Constituinte.

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Conforme digo no texto, todo o processo de descolonização foi uma aberração e as consequências do mesmo devastadoras e traumáticas, mas esse não foi o objectivo do meu pensar, mas sim desvendar quem puxou os cordelinhos fazendo de Mário Soares e os seus pares os peões de brega aos quais foi incumbida a triste sina de levar a cabo uma tarefa odiosa que todos sabíamos pelo andar da carruagem que iria acabar mal.

melo4.jpg Os verdadeiros traidores de Portugal não aparecem nas fotos de Argel, Lusaca ou Alvor, por ocasião das assinaturas dos acordos ou tratados de independência. Sejamos honestos e não assaquemos culpas nem manchemos com o labéu de traidores ou ladrões todos aqueles como Almeida Santos, Costa Gomes, Mário Soares e outros que pelas funções governativas que ocupavam ao tempo personificaram a função de carrascos no processo de descolonização.

vasco gonç.0.jpg Todos os países com impérios coloniais Inglaterra, França, Holanda e Bélgica concederam as suas independências no principio dos anos 60 e hoje têm óptimas relações com os países que colonizaram, infelizmente os nossos políticos não tiveram a mesma visão e prolongaram no tempo e no espaço um desfecho que a partir de 15 de Março de 1961 passou a ter os dias contados…

12-1-2017

***Nota: A escolha de T´Chingange refere-se ao todo pensamento descritivo, subscrevendo-o por homologação... Descrição sem Prólogo, Prefácio, Epílogo ou Posfácio porque é o resumo dum conteúdo periclitante causador duma quase tragédia. Um prefácio, eventualmente conteria algumas impressões de terceiros sobre a obra. Neste texto excelente, o que fica é a incrédula faceta da política sem brio, irresponsável e, persistente denúncia com ar de curiosidade…



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:52
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Sábado, 13 de Maio de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 13.05.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXI. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75…

Por     

t´chingange 0.jpg T´Chingange - (Otchingandji)

(…) Eu estive com muitos desses tais “angolanos de gema” nos Adidos e na Cova da Moura que amavam Angola, terra de que nunca sairiam, blá-blá-blá. Esses mesmos que faziam rusgas e revistavam nossas bagagens quando daquela confusão de fugir, de sair de qualquer maneira daquela terra, gente que cantava o MPLA da vitória ou morte, gente que se dizia vanguardista. Enfim! Eles tinham essa ilusão e, assim vendiam seus préstimos como urubus ao serviço do MPLA atrapalhando ainda mais o desespero entranhado em muitos de nós.

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Muitos destes, ainda andam por aí, como reformados, retorcendo suas consciências porque afinal cometeram um injusto procedimento! Estes, traíram-se a si mesmos! Outros voltaram à sua querida Angola, sua tão apregoada terra de que eu, tanto gosto; a maioria regressou de novo ao M´Puto acabando por dizer que não encoberto num sim frustrado! Afinal aquela terra já só era deles, dos pretos! Falo assim porque senti na pele o tratamento rancoroso, eu que brincava com eles pelos musseques, que também eram meus, pensava assim mas só isso; coisas do pensamento! A estória estará sempre muito repleta deste tipo de gente que se vende por três tostões.

moka31.jpg E, Portugal, o tal de M´Puto, acabaria por dar guarida a carrascos e fujões (desculpem-me a expressão) que de forma enrolada, misturada se foi acomodando aqui e ali, salvando os hotéis e concebendo arranjinhos de safadeza, explorando os refugiados, ditos retornados como eu. No aeroporto as senhoras prestimosas das Caritas e Cruz vermelha (não todas, felizmente), iam despejando desaforos como muxoxos soprados subtilmente ou não: “Só nos faltavam estes ranhosos”. Eramos nós, despidos de preceitos, ouvindo calados o desaforo de irmãos, de patrícios, de gente com nosso sangue! Isso doeu muito! Só não se lembra disto quem não quer lembrar!

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Os heróis de tuji foram-se misturando com os demais, as estórias sucediam-se engravidadas de medalhas, gente que revistou, impediu, prendeu, gente que pintou e bordou a manta em acontecimentos tristes! A 17 de Agosto, Lúcio Lara, um mulato raivoso do MPLA solicitava ao embaixador Russo em Brazaville o envio de peritos soviéticos Para o Estado-maior das FAPLA em Lunda. E, afirmou nesse então: O Comando do MPLA necessita de conselheiros qualificados em questões de estratégia militar.

moka32.jpg Não lhes chegavam os altos mandatários portugueses e cubanos! É que no dia 18 de Agosto de 75, coisa bem concertada, Rosa Coutinho, chega a Cuba tendo dado garantias e sua palavra que era tal e de tanta força que… Que não seriam colocados entraves à entrada de militares, oficiais cubanos. E, assim foi! Logo no dia 21 de Agosto daquele ano, somente dois dias depois daquelas afirmações, desembarcou em Luanda uma Missão Militar Cubana (MMCA – Missão militar Cubana - Angola). E, surgiram os CIR (Centro de Instrução Revolucionária) em todos os lugares já sob controlo do MPLA.

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Esses lugares podem enumerar-se como sendo: Cabinda, Benguela, Henrique de Carvalho, e N´Dalatando. Foi garantido por Cuba na pessoa do oficial Humberto Arguelles que antes de Novembro (1975), os recrutas estariam prontos para combater. Ainda Leonel Cardoso não tinha chegado a Luanda na qualidade de Alto-Comissário e já os membros do MMCA tinham começado a chegar – finais de Agosto e início de Setembro de 1975.

moka33.jpg A infelicidade de tudo isto é a de que os “genuínos angolanos” como eles diziam e dizem, gente do MPLA, foram e ainda o são, uns refinados mentirosos, astutos, traiçoeiros e ladinos em toda a linha. Enfim, cazucutas! A 19 de Agosto e em vistas de uma proclamação unilateral de independência por parte do MPLA, a UNITA e FNLA, já congeminavam em conversações mais ou menos secretas, também e em seguida, proclamar a independência nas suas zonas de influência.

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A 22 de Agosto de 1975, Portugal suspende a vigência do Acordo de Alvor sem o denunciar. A 25 de Agosto a posição do MPLA é cada vez mais forte; com um grande contingente de homens, armas soviéticas e portuguesas e um melhor comando operacional com assessores cubanos e sempre os disfarçados portugueses, que sem querer, iam querendo, traindo-se entre eles.

moka34.jpg Os portugueses encontram-se agora em um dilema impossível porque já não tinham tropas suficientes nem vontade de lutar; tinha-se assim esgotado a estratégia de dialogar entre os Movimentos. Já ninguém confiava em ninguém! Entretanto, a ponte “LUALIX “ ia-se fazendo aos tropeções, caixotes e imbambas amontoados nos quintais esperando transporte. Durante as noites só se ouvia o matraquear de martelos fazendo caixotes mas, também rajadas um pouco por todo o lado nos bairros da Luua. Os Tugas brancos eram já coisa moribunda, cada um por si pregava seus caixões com recuerdos e tralha mais fotos a enviar para o Cais de Sodré. O cheiro da traição era doloroso e tinha agora sonoridade em toque de dó, sem rê nem mi e sol intervalado com tiros e rebentamentos…

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Neste entretanto, em terras ribatejanas via pela TV o esbracejar do louco primeiro ministro português Vasco Gonçalves, ora espumando ora lançando cravos ao povo; o desentendimento entre os quarteis eram mais que muitos entre guedelhudos revolucionários feitos à pressa e às ordens de oficiais bandalhos, cagões generais de aviário da qual só saiam disparates. Os mais sóbrios estavam a dar-se conta dos erros cometidos. Isso de dar jinguba a macacos sem os ter enjaulados, levantava celeumas.; tarde piaram!

moka38.jpg O conselho dos assessores portugueses, segundo um relatório oficial, o MPLA deveria usar uma estratégia discreta no uso de navios que transportavam suas armas, seus carros de combate, tanques e canhões sem recuo. Por via deste arranjo, não se poderia imaginar tanta petulância e arrogância dos mwangolés mijando nos seus parceiros tugas disfarçados de Ché Guerra (só para a foto). E, também uma desfaçatez no sequente trato dado aos Tugas portando-se como uns refinados mentirosos. Agora tudo surgia com suavidade falaciosa. Em finais de Agosto de 75 a nova Brigada das FAPLA comandada por N´Dozi, treinada na URSS, recebia dez blindados BRDD-2, morteiros d 82 mm, pistolas e baterias antiaéreas.

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Tudo aquilo foi descarregado a 75 Km de Luanda por um navio soviético. Leonel Cardoso é por fim nomeado Alto-Comissário como Almirante, junto com o Comandante-Chefe adjunto General Heitor Almendra. Para Savimbi firmar trégua com Neto, seria necessário o MPLA evacuar todas as zonas de influência dos outros dois Movimentos e que Luanda fosse declarada “zona neutra”, o que nunca viria a acontecer.

moka37.jpgNo M´Puto a crise político-militar arrasta-se perigosamente (vozes comunistas). Existe o perigo real de um avanço reaccionário e da formação de um governo de direita que, no imediato ou a médio prazo, irá pôr em causa as liberdades e as outras conquistas fundamentais da revolução, como as nacionalizações e a reforma agrária... O embaixador dos EUA em Lisboa, Frank Carlucci, faz uma viagem pelo norte do país, que se prolonga em mais dias visitando Porto, Braga, Viseu, Vila Real, Chaves, Viana do Castelo. Que andaria ele a fazer?

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As coisas iam mudar! Os americanos metiam o bedelho decidindo novas trajectórias. Nós, retornados estávamos a ser moeda de troca. Frank Carlucci manteve conversações com os governadores civis de Viseu, Vila Real e Chaves e com os bispos de Viseu, Vila Real e o representante do Arcebispo de Braga. Carlucci estava em todas as frentes… O PPD revelava-se numa directa responsabilidade nas violações da ordem democrática imposta pelo CR-MFA de mãos dadas com os comunistas. A provocação surgia na forma de violentos conflitos de rua, assaltos a instituições, embaixadas, e outros aparelhos de Estado.  

moka22.jpg O Estado estava periclitante! As comissões de trabalhador mais sindicatos levantavam seus punhos decidindo tudo de braço no ar! E, eu aqui no meio disto olhando, ouvindo, vociferando silêncio, com vontade de fugir sem saber para onde! Parecia estar-se à beira de uma guerra civil; havia movimentos de tanques para Tancos. As máquinas de guerra rolavam pela minha rua perto do rio Almonda. Seu barulho ecoava nos aposentos vazios de minha casa, despida de património; despida de haveres. O eco era O PPD fazia esforços para conduzir a tentação de confrontos armados entre militares, para tapar o caminho à guerra civil...Assim parecia ser!

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:32
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Terça-feira, 9 de Maio de 2017
CAZUMBI . LIV

CINZAS NO TEMPO - 09.05.2017 - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade …

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

soba15.jpgT´Chingange

No tempo real e na vida de todos os dias há uma grande diferença entre os sentidos de para a frente e para trás. Li recentemente que no imaginário de uma chávena com água que cai de uma mesa quebrando-se em mil pedaços, se, se filmarmos este acontecer, poderemos facilmente dizer quando o filme da cena está a correr para a frente ou para trás.  

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Se o fizermos andar para trás, o filme, veremos os bocadinhos juntando-se e voltar para o lugar e em cima da mesa, no mesmíssimo sítio e com a mesma água, numa forma de chávena cheia, completa. Revisitando Murphy, recolhemos de seus escritos que as coisas têm tendência para correr mal sem a possibilidade de reverter o acontecido.

apocri2.jpg Podemos por observação dizer que a chávena em cima da mesa e no passado está num estado de “ordem” e, a chávena estilhaçada no chão com a água derramada, o contrário disso, “a desordem”. Neste lapso de tempo o desacontecido aconteceu por um acaso, uma falha, uma coincidência, um erro ou uma má sorte como coisa normal.

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Pois ao momento da desordem a partir da ordem chamarmos “a seta do tempo” – qualquer coisa que distingue o passado do futuro, passando pelo “agora” ou o “presente” que nunca espera o antes. O sentido de que o tempo passa, é psicológico, porque nos lembramos do passado mas, não do futuro!

roxo95.jpg Na espiral do tempo universal, cosmológico, aquela seta, junção de muitos agoras como se pontos fossem, são partículas que se expandem; com a nossa inteligência nós, gente, também nos expandimos em pensamento, coisa não mensurável, tudo imprevisível. Podemos ter a premonição do que se vai seguir mas, este travão do mas, sempre nos retrai.

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Podemos pensar assim porque somos ou pensamos ser seres inteligentes e, porque sempre nos perguntamos: -Porquê a desordem aumenta no mesmo sentido do tempo, na mesma expansão do Universo? 

haida4.jpg Posso agora e depois desta longa explanação entrar nos domínios do nosso “agora social” – a vida do M´Puto, para entender como um caldo de culturas ideológicas entornadas num tigela com o nome de governo se juntaram em desordem formando uma coisa chamada de geringonça! Juntando cacos, aparentemente, andaram para trás formando ordem. Aqui a seta do tempo parece ter-se virado! Será?

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Sabendo que uma partícula ocupa um ponto no espaço, em cada instante, pode esta estória ser representada por várias linhas entrelaçadas no espaço-tempo e, que a todo o momento e expandindo-se formarão outras linhas deixando de ser aquela “corda”. Mas também pode acontecer como sucede no universo cósmico, estas linhas formarem outras cordas que tendem a fechar-se formando um túnel! O túnel da minhoca (universal)!

GALO0.jpg Mas, a bom saber, na prática, nossa capacidade de ver e pensar confundindo os pontos entre o ontem e o amanhã, tudo isto se pode tornar em um novelo, um emaranhado de pensamentos, sem medida de clássicas e homologadas dimensões.

roxo92.jpg Parece que só Deus pode fazer as leituras de pensamento e, queiramos ou não damo-nos conta de que estamos a anos-luz do verdadeiro entendimento de nós próprios - bichos homens. É que não conheço ninguém que seja omnipotente, omnipresente e omnisciente! Ninguém tem este factor de 3 em UM…

Ilustrações (2) de: Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:31
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Domingo, 7 de Maio de 2017
MALAMBAS CLXXI

AI.IÚ.É - TAMBULAKONTA – 07-05-2017 - Harmoniosamente nostálgico, doidejo-me ao ar como se alguém me fustigasse o corpo com urtigas bravas.

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Não achando terreno propício a desabafos, encurtei-me no cochicho do cubículo sem poder desviar meu mal-estar de sorrisos murchos mais para além dos meus pardos amigos colados na parede com farinha de trigo, mofados, fungosos; eles, alguns, também envoltos em maquinações safadas. Mas, que resulta andar agitado, transbordando indignação por prolongarem o pagamento da dívida d M´Puto por mais cinquenta anos, quando tudo parece estar bem no país da Alice e da Fátima.

coimbra2.jpg Chegado do Brasil, uma terra difamada nos caracteres arredios da delação premiada, infensos aos barulhos da caatinga, divago-me na desconfiança dos tempos que tomam sentidos novos, equívocos sem discernimento ou alinhavados no desleixo, ausência de véus, de rezas balofas com améns de precauções sem remédios. Mesquinharias pingadas na rotina de velas queimadas, orações de avé-marias lançadas nos pinheirais cacimbosos da Cova da Iria.  

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Nos caminhos orvalhosos que levam a Fátima o centro do mundo, sito no M´Puto, aí vou eu com as notícias repetidas á exaustão! Tudo contínua igual! Francisco para ali, Francisco para lá e, como e aonde fica e edecéteras que não deveriam interessar ao meu diário. Direi mesmo notícias mais refinadas conjugando desacordos em embalos de andor e, que sempre me deixam assim um pouco perplexo. No país dos três efes (Fado, Futebol e Fátima) como poderei dar um pulo, passar à frente nesta algaravia propaganda televisiva aonde se fala muito dizendo pouco. Parece até que já estamos no ceu!

fatima1.jpg E, não consigo desembaraçar-me disto, das falas; dar nomes exactos às coisas que me parecem complicadas. O preferível mesmo, é realizar-me em sessões espíritas porque sempre me deparo rodeado de gente estranha; gente que usa a insatisfação em desejos impossíveis, gente mergulhada em sonhos restaurando coisas velhas, outras rasgando indumentária nova para se fazerem notar, estravagâncias faladas com grosserias à mistura com sabedorias convencionais dos doutos e, um vive la France! Uma bajulação de fazer jeito…

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Em momentos de aperto no tempo, ficamos contra, só por ficar! E, suprimimo-nos por vezes mas, muitas vezes somos suprimidos, sublimados. Sim! Somo-lo por gente materialista, gente de meia-tigela, gente política flutuante. Alguns, muitos, sem consciência e consistência, incompetentes em verdade. Ninguém é de ninguém, na vida tudo passa; vamos fazer o quê? Como gostamos de andar embalados!...

fatima2.jpg E, agora nós acusando disfarces dum ambiente banho-maria com zumba nos intervalos, comendo uma francesinha cheia de banhas para inchar. Apercebemo-nos que sim! Há navalhas nos espíritos, gelo nas fisionomias! Será que ando a abusar do cloreto de magnésio! Dessa bulunga que tomo para eliminar os triglicéridos… Tudo anda assim num vai e vem num impossível de conjecturar se a explicação ouvida é falsa ou verdadeira.

soba03.jpg Gasto meu tempo a espremer os miolos, compondo, inventando e eliminando e, no final fico sempre a remoer cada frase, com paciência de boi, de burro consumindo-me átoa no tempo! Ando preso a ele por pequenas minúcias. É por isso que terei de entrar numa viagem astral mesmo que seja aos solavancos, entrar nas ondas alfa e delta e, sem gravidade atravessar paredes …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:00
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Sexta-feira, 5 de Maio de 2017
MALAMBAS CLXX

DEUS É SOCIALISTA - TAMBULAKONTA05-05-2017 - Adão, lá no paraíso, comeu a maçã da árvore da tentação; Eva deu-lhe a maçã, o fruto proibido do jardim celestial e, desse pecado original, ficou-lhe um caroço no pescoço que o distingue da mulher na sua anatómica forma…

MALAMBA: É a palavra.

t´chingange.jpegAs escolhas de T´Chingange

Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; o ontem fica cada vez mais distante e, o que então era proibido, hoje já o não é mais.

Por

maga1.jpg Luís Magalhães

Os militares Angolanos (pretos) que fizeram parte das Forças Armadas Portuguesas, foram Homens exemplares de lealdade e bravura, cuja camaradagem e exemplo Pátrio foi um exemplo. E não é que finda a guerra colonial, muitos deles continuam esquecidos! Portugal abandonou-os á sua sorte e, muitos acabaram fuzilados pelos novos governos. Foi mesmo um crime de lesa Pátria o que os "progressistas" fizeram e, como tal, todos os governantes deveriam ser responsáveis pelos crimes cometidos em prol de uma filosofia de entreguismo.

baú3.jpg Conheci o aspirante Faria no ano de 1975 em Luanda por intermédio do meu irmão mais velho que na altura era alferes. Faria, era um filósofo de ponta e aquilo eram umas ideias de tal modo acutilantes que eu em verdade, tenho que dizer que naquela minha onda dos vinte anos gostei de ouvir.

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E lá fomos até ao Bar "A Nau" que ficava perto da Maianga, beber umas Cubas Livres. Ele, já com o grão na asa, disse entre outras coisas, que era branco de segunda pois tinha nascido em Angola; também se considerava um Fernando Pessoa Angolano - uma afirmação que me divertiu imenso! Perante o meu ar aboamado, Faria disse-me naquele ar alucinado de quem vai fazer uma revelação terrível…

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Tens dúvidas Magalhães? -Imagina tu que uma vez levei uma “porrada” porque disse ao meu superior que era um católico ferrenho; que a maioria das pessoas que se diziam crentes, só o dizia porque tinham receio daquele Deus muito poderoso. De tudo ficavam assustados pelo castigo que daí podia advir. Sempre eram desvios do caminho do Deus! No fundo, tinham dúvidas - tão próprias do ser Humano? E Faria continuou: -Do meu modo, da minha sabatina, referi que Deus era Socialista e como tal, todos eram filhos de Deus (os negros incluídos).

nasc2.jpg Pois perante isto, diz Faria, levantaram-me um auto onde fiquei preso durante cinco dias. Passados uns tempos fui a Malange, onde deparei com o túmulo do Zé do Telhado, uma personagem com quem me identifiquei ao saber que tinha sido deportado para Angola. Tudo muito semelhante aos colonos que saídos de Lisboa desperdiçaram a juventude para combater no lugar dum caraças; para mim eram situações semelhantes!

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Eu ouvia tudo isto maravilhado e, a dada altura diz-me ele assim: -Podes não acreditar mas eu sinto-me um autêntico Fernando Pessoa; custa-me ver que as pessoas foram na conversa de "Portugal um só Povo e uma só nação". Pelo que tenho visto não vai ficar em Angola um único branco para contar como foi! Perante o meu assombro ele replicou: -Os brancos vão ser todos corridos daqui! Eles criaram as suas raízes e pensaram que iam ficar, mas Angola não comporta essa lengalenga de que há espaço para todos! Isso e pura ficção! E não é que a Profecia do Aspirante Faria se cumpriu!

preto0.jpg Depois disto tudo ouviu-se uma exclamação do salão. Era José Matias inflamado de quase injúria - Deus nunca foi nem é socialista, na certeza porém tudo o que acaba de descrever sobre essa guerra e o êxodo dos brancos foi pela vontade de Deus que tudo aconteceu. Me lembro que éramos ignorantes na totalidade quanto aos desígnios de Deus, nem sequer sabíamos que Ele tem o controlo de todas as nações. Vivíamos despreocupados enquanto na retaguarda se formava uma traição jamais vista, ainda assim Deus teve misericórdia de muitos, lhes poupando a vida, para contar como tudo aconteceu.

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E, José Matias continua: -Agora, temos o bonito cenário da maior desgraça de quem engendrou todas estas trapaças, um povo morrendo a fome e doenças, e prisioneiro dos seus próprios irmãos, quanto aos que formaram essa desgraça no lado de cima, não lhes gabo a sorte. E, eis que profetiza assim: -Grandes confrontos se aproximam, estes étnicos, por toda a Europa, aponte para não se esquecer, pois é isso que esses políticos corruptos intentam em seus corações desfeitos pela maldade, cujas mentes por demais cauterização e os ouvidos tapados ao clamor das pedras que clamam noite e dia. Um abraço. Depois faz um insólito pedido: - veja se descobre o paradeiro do T´Chingange que se silenciou com suas estórias?

maga5.jpg E, eis que do espaço astral, saindo do buraco da minhoca surge essa figura referida, o T´Chingange. Aqui estou! Eu na primeiríssima pessoa: -Qual quê meu amigo José Matias!... Só estive em meditação forçada por imposição dum pacote espacial… Mas quanto ao texto do Luís, acho que Cristo foi comunista na verdadeira palavra! Agora essa de dizeres que Deus tinha planeado isso tudo m Angola, vai catar pulgas!… Disse! (Tinha outro jeito?). Do ponto de vista material, terra à terra o homem vive iludido! A verdadeira sabedoria deve estar isolada do corpo. Só assim se pode ver com os olhos do espírito... E, como veio, assim mesmo escafedeu-se feito dimensão ultrapassada!

zulu2.jpg Foi então que de novo e indignado, surgiu o quase apóstolo Matias raivoso: - Comunista?! Estás passado, isso foi dos ares do Brasil, do contacto com os Tapajós que te contaminou naquelas paragens em que misturam tudo, política com religião. Estás confuso meu amigo, estás perdido num labirinto de mentiras que te vai levar a um beco sem saída, estão aproximados na maçonaria. Parece que a tua meditação mudou os teus neurónios. Disseste entretanto bem que a sabedoria deve estar isolada da carne, só que isso é uma frase aprendida na letra que leste algures num almanaque… Mas tu que é matumbo militante, sem entendimento, cais sem discernimento quanto dizes que Cristo era comuna!

Os itens 7,8,9 e 10 não são da minha autoria!

Eles que são brancos que se entendam…

Luís Magalhães in kizomba



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:25
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Quarta-feira, 19 de Abril de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXII

O VAZIO - 19.04.2017 - Sem o zero não é possível contar… Nós retornados e afins, fomos um zero…

Por     

t´chingange.jpeg T´Chingange - (Otchingandji)

Hoje um homem lançava ao mar uma rede; rodava o corpo dando impulso àquela coisa que abriu em círculo caindo na água. Era um cardume que passava. Em tempos também fui peixe e fui agarrado já bem crescido numa rede mais completa e complexa a que deram o nome de “descolonização”; comigo apanharam mais milhares com mulher e filhos. Foi nisto que pensei e reflecti: -Tenho de ser visto e respeitado como angolano porque simplesmente já existia antes de Angola nascer; esta que agora conhecemos.

mokanda1.jpg Já com trinta anos feitos, com mulher e filhos fomos assim apanhados numa rede e, como contrabando fomos atirados para vários lados sem nos dizerem que eramos escravos modernos, moeda de troca entre vermelhos e azuis; que sem algemas nem canga, despojados de tudo, venderam-nos ao desbarato a contento de uns quantos países e muita gente que dizia ámen. Gente civilizada, família até! Apanhados inocentes também nos juntaram em cardume.

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E, veio um enorme vazio! Com isto fomos obrigados a ganhar consciência sábia de entender o VAZIO da verdade – o VAZIO das pessoas! Mas e sempre há um mas, a chuva por mais forte que o seja não tira as manchas da vaca, da chita, do mabeco ou zebra e, de nós próprios feitos peixes escamudos ou enguias; ou ainda os peixes boi do mundo, um gracioso mas feio golfinho!

mokanda2.jpg E afinal, o mundo continua igual como sempre parece ter sido. A isto de comportamentos, ideologias com geoestratégia podemos comparar uma arte, manhosa, mas arte! Tudo é assim como um escultor que retira ou acresce o que lhe aprouver; pode aqui ver-se a verdade no VAZIO com um acrescento de uma vontade. Surge assim uma linda, feia ou macabra obra enaltecida por uns e amargada por outros.

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E, faça um esforço para gostar de algo e verá que o inútil objecto, uma inútil pedra por exemplo, lhe vai parecer importante. Trabalhe essa pedra ou junte muitas empilhando-as ou estendendo-as. Juntou! Espalhou! Assim neste estágio se olhar tudo com cuidado e, mesmo sendo difícil de perceber poderá sentir que algo existe.

dom01.jpg Pois então! O VAZIO é muito importante pois, quando tentamos analisar a natureza real de qualquer fenómeno em particular, mais à lupa, veremos que ela, a natureza real é o VAZIO. Sei que está a fundir sua cuca mas, pense bem: - É possível sim, pensar que o VAZIO, existe! Que sem um zero é impossível contar (nós retornados fomos esse zero…)…

 O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:21
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Domingo, 16 de Abril de 2017
MALAMBAS .CLXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . TAMBULAKONTA - Tenho-me forçado a encontrar um herói perfeito, um que seja observador o quanto baste para investigar os antagónicos traços das pessoas que me cercam. Enigmas do confuso…

MALAMBA: É a palavra.
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

No epílogo da vida, colei um apêndice de presunção e água benta revendo o considerável bem no meio do inteligível e, lá bem no fim lugar do índice, anotei: Meus kambas, talvez eu não tenha razão e Vocês a tenham, mas ainda é mais provável que nenhum de nós a tenha! Ando a juntar características de um modelo útil de investigação social por modo a ficar com a capacidade de vos produzir surpresas.
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Toda esta forma de dizer um pensamento, deu início quando na praia, na areia, observei em muitos dias uma senhora de meia-idade andando de ré, andar para trás e, sem nunca lhe perguntar idealizei um modelo teórico de retroceder com a capacidade de tornar compreensível fenómenos e factos.

lucala3.jpg Entender a pedagogia de produzir surpresas em novas experiências. Esta concepção de racionalismo opõe-se à filosofia empírica que, professa que as ideias se deterioram quando aplicadas às coisas e procedimentos.

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O conhecimento da realidade moldada pelas teorias, modificam-se assim como uma paisagem vista num nascer ou em um pôr-do-sol que por momentos se confundem, uma foto falada e valorizada pela ordem das razões segundo uma teoria: - A ordem das razões, valorizam a ordem dos factos e, não é a ordem dos factos que valorizam a ordem das razões.

poconé2.jpg Bom! Com este confuso parafraseado concluo o que aqui pretendo dizer: -A verdade emerge mais facilmente do erro do que da confusão. Nesta explicação de teorias esta chamar-se-á a “teoria da confusão” que tem sua aplicação justificada numa governação como aquela que nós hoje conhecemos com grande amplitude em países vários. 

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Quem aprendeu a teoria dos erros, derivadas e acompanhou as novas teorias de índole quântica com sua teoria de incerteza e uma outra mais posterior do Universo como a “teoria da simplicidade”, teremos agora a ainda muito mal compreendida “teoria da confusão”. Pensem só um pouco nas estatísticas e probabilidades aonde uns comem dez unidades e outros muitos, somente duas ou nada e, surge depois essa útil média aritmética dizendo que a sociedade come em média seis unidades, baralhando-nos os factos!

nito01.jpeg São estas teorias fraudulentas que movem o mundo; movem os interesses de alguns países que por seu lado subjugam outros e os arrastam nessa mesma “teoria da confusão”. E surgem também instituições, ministérios tratando burlões como estadistas e ladrões como gestores; tudo gente boa! Gente de muita filantropia… Digo isto acabrunhado, com sorrisos de acanhamento sem ânimo de arriscar mais palavras porque minha malambas desmerecem nos créditos. E, toda agente consente, aceita! Tambulakonta (tomem cuidado!)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:56
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Sábado, 15 de Abril de 2017
FRATERNIDADES . CXIII

CAFÉ DE PÁSCOA - Quem é capaz de definir a AMIZADE? São os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos….

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange (Otchingandji)

páscoa3.jpgEm nossas vidas, na linha do tempo visível, teremos sempre de criar um ou dois planos alternativos em nossas atitudes para não esbarrar com ideias intransponíveis, quebrar outras que não são assim tão edificantes, ou porque adoptamos durante um espaço de espaço não revidar o mal praticado por um outro. Pois é bom de, quando em vez, reactivar o plano B ou plano C.

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A nossa tendência é quase sempre rever os ressentimentos, as coisas menos boas e, nem sempre recorremos à capacidade que temos de gerir tudo com mais optimismo! Em um qualquer estado meteorológico do tempo real ou nosso estado cacofónico, o melhor a fazer é sair de casa, sair do mukifo ou do cortiço, quer chova ou faça sol, espairecendo nos ares, esquinas ou florestas. Decerto, encontrará na natureza sempre um motivo um pormenor diferente para suprir a compreensão dum pequeno desaire, assim como uma virgula e pontuação fora do lugar.

araujo Páscoa.jpg Um caçador tinha um cão e a mãe do caçador era também o pai do cão. Tudo corrigido, irá surgir uma outra ideia ou interpretação pelo que, dizer-se vulgarmente que as coisas nem sempre são como parecem ser. Surge assim “Um caçador tinha um cão e a mãe. Do caçador, era também o pai do cão!” Uma forma de fala que tem de ser lida pelo menos três vezes para se apreender o sentido correcto … (Assunção Roxo)

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Para meu sossego tenho até um plano D com vírgulas e pontos de exclamação ou interrogação suplentes mas, sem saída, este D torna-se desistência; normalmente quando falha o plano A, recorro ao B e ainda o C mas, em verdade há coisas de que não podemos ser donos. Seremos sempre dependentes dum espaço que a seu tempo nos come o corpo, o cérebro e a sabedoria.  

roxo79.jpg Invariavelmente recorre-se ao modelo cultural que nos foi legado pelo tempo num valha-me Deus mesmo que se esteja sentado num sábado de páscoa e numa concha de convicções com a mente bulindo num futuro desconhecido ou num passado que um dia vem e outro se vai na ilusão que somos e, que sempre seremos. Ninguém é dono de seu destino mas, pode sempre que se queira, fazer um novo começo!

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Podemos sim desenvolver nosso altruísmo, desenvolver nossas mentes apetrechando-nos de modos de vírgulas e outras pontuações, algumas até desconhecidas porque um dia seremos “nada”. Flutuaremos por aí no universo como que percorrendo uma fita como a de nióbios que não tem fim. Hoje Sábado de Páscoa, rasgo meus pergaminhos de falas apócrifas para manter no topo meu plano A e, desejando aos meus amigos bons augúrios também num plano A sem recorrer a uma saída para um espaço ainda mal conhecido, lá numa galáxia de permanente azul celeste.  

chicor4.jpg Assim aos Amarelos aos Roxos, aos que formam meu Arco-Íris digo para se manterem unidos numa base de sustentabilidade possível e porque, são os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos. Mas pergunta-se: É lícito pagarmos um tributo? Pois então, a César o que e de César! Hipócritas há muitos e, não nos podemos vender por trinta dinheiros e ficar saboreando um pedaço de pão molhado.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:24
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXXII

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 18ª parte

 Kiandas e calungas com alguma ficção! O tempo, na mística espiritual de N´Gola vem de MUNTU, que significa homem em língua Bantu! A história do povo Bantu só começou a ser decifrada a partir do século XIX. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

cafu32.jpg Como a sombra, a história dos novos donos de África, ainda sobrevive e se reproduz fantasmagoricamente, nos seus sempre novos poderes; os mesmos que que eles próprios instituíram como vigentes para conduzir seus novos escravos, seu povo preto. E, este povo está disseminado por N´Gola com vários grupos tais como os Bakongos, Lunda-Ckokwel, M´bundu, Ovibundu, Ambós e, outro pequenos subgrupos. Pelo que se observa o branco sempre estará desconsiderado como uma excrescência em sua  história, um erro crasso que os vai fazer retroceder até um futuro visto no passado; uma perfeita miragem.

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E, foi entre a bacia do rio Kwanza e do Rio N´Zaire que se desenvolveram as etnias preponderantes do reino, os Manikongos com Matamba e N´Gola destacando-se entre eles outros reinos tais como N´Goyo, Kakongo e Luango situados a norte do estuário do N´Zaire e, o reino de n´Dongo que incluía quase toda a parte central de Angola e de ambos os lados o rio Kwanza, o verdadeiro Rio da Identidade de N´Gola.

cafu15.jpg Falar das kiandas é uma necessária superstição para encaixar as surtidas febris de contos, mussendos e missossos que os mais velhos iam contando aos jovens que apreendiam o que a imaginação depois forjava, sempre muito cheia de engravidadas inverdades com outras carregadas a canhangulos de guerra. Nessas estórias de pubeiros sobrepõe-se a do grande jaga N´Gola Quitumba com a ajuda de Quitequi Cabenguela de quem com orgulho falam os  N´Zingas.

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Nessas guerras de invasões, os sobas dos reinos dominantes iniciaram uma série de revoltas. As mais importantes ocorreram nos sobados da Kissama e dos Dembos por protegerem os grupos de escravos fugidos de n´Dongo da Matamba, do Kongo, de Kassanje do Kuvale e de todo o planalto central de Angola. A extensa capitânia de Paulo Dias De Novais vivia em permanente convulsão! Depois de muitas batalhas com os Tugas, do lado do Rei do Kongo e, com grande dificuldade lá conseguiram eliminar o carismático Bula Matadi.

cafu14.jpg Esta descrição de forma sucinta tem o fim de dar a entender o turbilhão de reinos e sobas e os interesses que moviam os Tugas e mais tarde os Mafulos. Teremos de fazer um interregno à estória pitoresca das kiandas do Kwanza, ora kwangiades, para entender esse turbulento tempo. Convém referir que Paulo Dias de Novais esteve preso durante cinco anos no lugar de Kabassa (sendo verdade, até parece lenda!). Depois de solto, voltou ao m´Puto e dali retornou mais tarde com uma armada mais poderosa instalando-se em Luanda aonde construiu a fortaleza de São Miguel nessa então São Paulo de Assunção de Loanda.

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Os reinos de n´Dongo foram enfraquecendo e quase abandonaram a luta depois da morte do seu Rei N´Gola Kilwanje Kia Samba. Assim os Tugas puderam instalar-se em Muxima, Massangano e Kambambe aonde foram construídos fortes. Tribos e chefes, sujeitaram-se a pagar tributos ou fornecendo escravos aos capitães do m´Puto mas, outros houve que continuaram a lutar refugiando-se nas protegidas ilhas do Rio Kwanza.

cafu35.jpg Voltando a Massangano, terei que adicionar ao que se sabe das lendas, que houve muitas contrariedades e, como tal, uma derrota com o mesmo n’Gola Kilwanje já aqui citado. Isto aconteceu em uma batalha no ano de 1582 em que a forte resistência obrigou à construção do forte de Massangano no ano de 1583. Não obstante, não impediu que as forças da rainha n’Zinga o atacassem, em 1640 que, apesar do saldo negativo pelo aprisionamento das suas duas irmãs Kambu e Funji, que levou a que esta última fosse executada.

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De fazer notar que do lado de fora dessas fortificações se realizavam feiras de compras e vendas de escravos. Estas feiras estavam coordenadas pelo pai da Kianda Roxo, Morgan Tsvangirai. A ele, se devem as posturas de trato comercial e da recolha dum percentual na venda individual ou lotes de peças; diga-se em verdade que era um homem bem experiente nesta labuta e trato de escravos… Custa-me agora dizer isto mas ela, a Kianda Roxo, de nada se lembra desses etéreos tempos; ainda bem! Talvez por isso e agora, ela a Kianda viva, seja tão generosa nas palavras e tão comedida nas periclitãncias…

cafu34.jpg N´Zinga m´Bandi foi o maior símbolo de resistência. Esta rainha para além da resistência contra os Tugas de então, conseguiu aliar os povos já mencionados de, entre os Rios n´Zaire e Kwanza. Foi a 6 de Setembro de 1683 que n´Zinga aceitou vassalagem obedecendo a oito condições estipuladas por João da Silva e Sousa, Governador e Capitão-General. E, tudo foi elaborado ou aceite pelos protectores da soberania tribal. Como em tudo a ambição cega a visão por usura de alguém que detém o sim e o não ou uma incipiente matumbice….

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A Rainha n´Zinga é assim obrigada a não impedir os pombeiros de chegarem ao sertão africano e também não impedir àqueles em sua actividade comercial com os potentados do reino do Songo, Quiacar, Punamujinga, Sund, Cacem e Damba. Aquela rainha teria de abrir caminhos para que os negreiros alcançassem seus destinos. Bom! Os pombeiros trabalhavam por conta de grandes chefes, sobas ou militares Tugas.

chai4.jpg Durante um ou dois anos, internavam-se nos matos, trocavam escravos por tecidos, vinho, quimbombo, aguardente, quinquilharia, sal ou pólvora. Os acordos de vassalagem foram extremamente desiguais com a aceitação na base de imposição militar. Passados vários séculos da morte da rainha n´Zinga a ideia de unidade do povo Angolano ainda não se configura vencida na luta contra os Tugas nos finais do século XX permanecendo em disputas internas pelo poder até o actual ano de 2017 aonde a corrupção roí os governantes até os tornozelos…

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Com ideologias marcadas pelo rancor entre eles e contra o branco, ícone aglutinador e culpado de todos os males em sua justificada fábrica de criar maka, os diferentes grupos étnicos saídos do povo Bantu, ainda continuam na contramão da história e progresso ditando leis absurdas e, sem um objectivo de sucesso para sua debilitada situação financeira. Segundo Cadornega em 1629, as irmãs de n´Zinga foram baptizadas Funji, como Graça Ferreira, e Cambo n´Zumba como Bárbara da Silva.

cafu33.jpg No ano de 1646, ao tomar posse da sanzala de n´Zinga no rio Dande, os Tugas encontraram cartas de Funji, escritas de quando era prisioneira e dirigidas a sua irmã n´Zinga. No ano de 1647, no cerco da rainha junto com 500 holandeses a Massangano, o sargento-mor Pedro Barreiros decidiu, por conta própria, lançar Funji no rio Kwanza, e por pouco, não fez o mesmo com Cambo n´Zumba.

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É aqui que um negreiro mazombo de nome Jeremias T´Chitunda a troco de umas quantas moedas dadas a Morgan Tsvangirai, pai de Roxo, consegue introduzi-la em um lote de peças com destino a Olinda de Pernambuco! Nasce aqui uma outra lenda, a do Kilombo dos Macacos na Serra dos Palmares…. E ela, por decisão de seu novo dono toma o nome de Aqualtune.

cafu39.jpg Aqualtune, não podia ser interpretada como gente nobre do reino de n´Ggola; os acordos não previam o uso de gente nobre descendente do rei Kilwanje. E, ai de quem murmurasse tal conhecimento! É ainda um fenómeno mal contado nos missossos mas, tudo leva em crer que seu rosto esteve tapado ou coberto de argila branca nas festas de rebaptizar a ela, e a todos outros escravos. Este procedimento não era nesse então tão invulgar mas, na qualidade de T´Chingange posso afirmar ser isto verdadeiro…

(Continua… Cambo  n´Zumba ou Barbara da Silva foi como escrava para o Brasil…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:23
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Quarta-feira, 12 de Abril de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXI

TEMPOS PARA ESQUECER - 12.04.2017 - ANGOLA DA LUUA XXX. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Alguém disse e eu terei de concordar - “tropa de cáca”.

Por     

t´chingange 0.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

(…) O Batalhão do Luso, o de “pé descalço ou em cuecas” deixou armas, rádios, munições e até material cripto. O comandante deste batalhão disse ter preferido ser enxovalhado do que pôr em risco a vida d 800 civis, deslocados com mulheres e crianças.  Uns dias depois a UNITA apresentou oficialmente desculpas a Ferreira de Macedo, o interino Alto-comissário. Este procedimento foi uma nodoa negra que se justifica talvez porque só tinham 3 meses de comissão; deduz-se que os instrutores seriam esses tais do PREC do CR que foi mandada para uma Angola desconhecida.

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Alguns, vim a saber que eram estudantes e que por este facto, ao regressarem tiveram passagens administrativas nos cursos que acabaram por concluir. Muitos destes passaram a gerir serviços técnicos nos organismos camarários e outros oficiais, sem estarem minimamente preparados. Saíram arquitectos quando nem desenhadores se poderiam considerar e, por aí! Outros técnicos de aviário fizeram e fazem carreira sem terem a correcta aptidão para além de serem uns abnegados militantes da esquerda, da onda do Ché Guevara (…) - gente preparada átoa, com devaneios por ideologias e, sem apego ao brio e ética.

koisan5.jpg Aquele despontar sem preparo de oficiais de aviário espetando os peitos abrilescos, heróis de cinco minutos, o suficiente para a fotografia fizeram a merda que fizeram. O baixar de guarda desta feita foi demasiado humilhante para um exército que se preze! Dá para entender todas estas ocorrências entre Agosto e o 11 de Novembro com escandalosa ajuda ao MPLA. Alguém disse e eu terei de concordar - “tropa de cáca”. Nunca chegue a saber se o Furriel indignado que deu uma chapada a um soldado das FALA foi ou não fuzilado como já li em qualquer parte!

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As fontes só dizem que foi levado para ser fuzilado ao qual o comandante afirmou: Fiquem com tudo, mas não façam mal a ninguém! Só quem lá esteve, poderá confirmar e acrescentar se sim, ou se não; se o Furriel foi mesmo fuzilado! As confrontações em Sá da Bandeira tiveram início no dia 21 pelos militares das FAPLA do MPLA acantonando as FALA e ELNA no quartel português; no dia 22 de Agosto, Costa Gomes pediu formalmente o auxílio dos EUA.

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Precisava de ajuda para evacuar os restantes 330.000 refugiados que queriam sair de Angola. Carlucci reiterou as instruções chegadas a ele desde Washington para não negociar com o Governo de Vasco Gonçalves. Isto só seria possível com a remodelação do governo com a saída de Vasco Gonçalves “o doidinho da esquerda” e, também as FAP não darem apoio ao MPLA. Nós “retornados ou refugiados!” fomos a moeda de troca para virar Portugal para a direita pró USA! Fomos manipulados por nossos supostos irmãos do M´Puto.

guerra11.jpg Fomos uns milhares de carneirinhos despojados de tudo; do direito à cidadania, do direito aos seus haveres, do direito à dignidade. Isto, nunca irei deixar de dizer, nem que me matem como e sob protesto disse o defunto. Fomos veículos de chantagem e tornados coisa pouca nas cabeças dos militares revolucionários do C.R. A 23 de Agosto o Diário de Luanda, noticiava a tragédia marítima ao longo da Costa dos Esqueletos na Namíbia. Várias traineiras saídas do Lobito, Benguela e Moçâmedes com centenas de refugiados desapareceram quando demandavam o porto de Walvis Bay.

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De uma flotilha com mais de vinte embarcações, três ainda não haviam chegado.  No dia 30 de Agosto, dois draga minas da Marinha Sul-africana realizavam buscas na Costa dos Esqueletos. Nessa semana tinham desaparecido quatro pequenos barcos de pesca com sessenta refugiados a bordo.  No deserto namibiano eram resgatadas 201 mulheres e crianças duma coluna automóvel que andava perdida e já, quase sem combustível e viveres.

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A carta de Costa Gomes no pedido formal aos EUA chegava às mãos de Gerard Ford a 27 de Agosto. Dois dias depois o Governo de Vasco Gonçalves caía dando lugar a Pinheiro de Azevedo. A partir daqui a ponte de LuuaLix foi reforçada com a ajuda dos primos britânicos e dos franceses. Entretanto em Luanda o MPLA instigava os estivadores do Porto de Luanda à greve, para deste modo dificultarem o carregamento de bens Portugueses que estavam a ser espoliados do que lhes pertencia.

guerri4.jpg Visto à distância e com mais de quarenta anos, os brancos deveriam ter feito política de terra queimada! Custa-me muito dizer isto mas, guerra é guerra! Tamanha injustiça merecia bem esta revolta, esta forma de indignação. Pois então fazer arder tudo o que em vida lhe dava vida! Nada disto sucedeu não obstante se receber dos mwangolés desdém com prepotência e desaforos muito ruis para serem curtidos. Era em verdade o que mereciam! Estou-me nas tintas para quem pensar de outra forma. Eles não foram merecedores de nossa benevolência!

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Numa directiva não declarada oficialmente, Henrique Santo (Onambwa) os operários recusaram-se a trabalhar com forças militares portuguesas dentro do Porto de Luanda! Traidores, muitas vezes! Pandilha de gente que tomou as rédeas do mando… Estes exigiam serem substituídos pelas FAPLA, um claro truque para não serem tomados como coniventes com o MPLA. Uma falácia para dar cobertura ao recente criado sindicato, gente do mesmo gabarito. Isto foi claro!

guerra5.jpg Os civis portugueses não aceitaram esta postura tendo daí sido atribuídas tarefas à Policia Portuária com a segurança do cais e da Armada. No carregamento de caixas, caixotes e haveres havia um mal-estar entre os Adidos e desalojados que cada vez mais dificuldades viam no correr do tempo. A pretensão do MPLA era controlar o porto e as saídas de bagagens. Muitos destes fiscais do MPLA eram mazombos como eu, brancos, mestiços e até alguns negros que vendo seu rabo a arder de medo, uma forma de falar, também embarcavam para o M´Puto!

kilo3.jpg Nada de mal disto! Havia muitos funcionários que pela lei dos Adidos teriam seu lugar garantido na metrópole; Mas em verdade, tudo isto era demasiado confuso. Ninguém tinha a certeza de nada! De manhã havia uma dica e à tarde, várias outras. Alguns destes até aí eram também fiscais aduaneiros por parte do MPLA, retirando ouros e coisas valiosas aos agora fujões.  A partir de certa altura eram os proprietários dos haveres que faziam a estiva de suas coisas, seus haveres, carro e outros…

niassa10.jpg Uma ilusão

 As minhas, não chegaram a passar para além do crivo de balas que impedia sua chegada ao porto do Lobito, ou Moçâmedes! Adeus fotos, adeus relíquias, adeus pertences e madeixas de cabelos dos filhos, recordações de uma vida! Terei de dizer isto muitas vezes para que alguém com tino refaça a verdade e nos peça desculpas, Portugal e Angola, claro! Evidentemente que vou esperar sentado; não vejo um qualquer governante ter essa nobre postura! Ainda tive alguma esperança quando Marcelo chegou ao poleiro mas, desencantei-me. Eles lá no topo, só serão estadistas quando nos pedirem desculpas… até ver, os ávidos ao poder, os ambiciosos, sobressaem na maioria…

 (Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:19
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017
CAFUFUILA . CXXI

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 17ª parte

Kiandas e calungas! O tempo, na mística espiritual de N´Gola, e não só, não tem fidelidade à linha do tempo.  Intemporal, anda do agora para trás e, se sabe o depois, nunca o diz! Também tem medo de virar poeira como o Plutão… O futuro é já a seguir..

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Como se diz, a calunga ou kianda é assim como um vírus de computador que sem se ver se faz notar. Nossa kianda Roxo veio como Assunção por alguma razão que, nem ela própria sabe! Melhor seria Ascensão mas quis a semântica do uso dar-lhe esse quase igual nome. Podia ser só Maria mas quis o encontro com as calemas do destino encontrar o T´Chingange que estupfeito com suas bizarras cores do além e seus mágicos gatafunhos psicadélicos, simbiose de Naif com Dali, ascendeu aos espíritos. E, viagem por esse Universo distribuindo alegrias tomando muito chá de funcho e oliveira a controlar sua intensidade de fazer gaifonas à vida.

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Sua mãe, também kianda de nome Redufina Kabasa Tsvangirai umbigou-se com Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare, às margens do lago Chivero, isto também já foi dito! Seu pai, um político local, teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano. Eram tempos de soldados Mafulos flamengos, que por sete anos da colonização holandesa em Angola (1641-1648) ali deixaram vestígios nas gentes, os Van Dunem; mas quanto a isto lá iremos!

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Por via de tudo isto, terei de entrar na estória daquele mundo de muito paludismo, maleitas de tsé-tsé e carunchos de comer a carne em vida. Enquanto isso a kianda Roxo treinava suas maneiras de futura sereia nas águas cálidas do Kwanza. Morgan Tsvangirai pai da Kianda Roxo ficou avençado pelos Mwana-Pwós com o posto de tenente de segunda linha.

massangano1.jpg Em suas idas de soberania à Kissama, por vezes levava Roxo consigo e, em uma das várias lagoas, ela fez amizade com Mazé Van Dunem, uma linda e amulatada candengue que lhe ia passando confidências. Confidências chegadas de seu pai malufo bivacado em Loanda. Era esta, também, um elemento da dinastia mestiça de Baltazar Van Dum, filha de um outro alambamento com outra mulher. E, porque teve de se refugiar numa destas ilhas do kwanza mantinha relações mais próximas com os Tugas de Massangano e Muxima; doutra forma, seria degolada pela actual mulher dele, desse tal Baltazar Malufo.

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Durante os sete anos da presença holandesa e, com o objectivo do fortalecimento do tráfico negreiro rumo às lavouras de cana-de-açúcar no Brasil, o projecto da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais afirma-se aqui em N´Gola com alguma dificuldade. Esta companhia sediada  em Amsterdão e por decisão do conselho de administração constituído por 19 membros, nomeia em 1637 Johann Moritz Von Nassau-Siegen governador das possessões holandesas no nordeste brasileiro.

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Tinha a concessão de monopólio de comércio no Caribe e da América do Norte, para o tráfico de escravos dirigidos ao Brasil. Tudo isto para diminuir a competição espanhola e portuguesa. Tempos bem conturbados, sem uma ONU, sem UNICEF e sem Tribunal Internacional! Cada país decidia de sua livre vontade o que lhe aprouvesse! Inglaterra e Holanda pretendiam assenhorar-se do mundo retaliando os Espanhóis e logicamente Portugal, entretanto na mão dos Filipes I, II e III e, por sessenta anos, a partir de 1580.

muxima4.jpg Curioso é de que em Paris e num ano tão longínquo daquele, Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa fala-me desse tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda; dos desentendimentos dos n´gwetas com a rainha N´Zinga e, outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba que agora, nem lembro mais com pormenores.

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Havia nesse então um largo comércio de peças humanas em troca de espelhos, jinguba, catanas, tesouras, ancinhos em ferro e muitas outras bugigangas de utilidades modernas e, que chegavam do Puto, da Bahia, Pernambuco ou Antuérpia. Os Libongos, uns panos garridos, eram os mais apetecidos, pois permitia vestirem-se, uma coisa quase inusitada e a que os sobas recorriam como moeda de troca em substituição das conchas de n´zimbos, moeda que ia ficando de pouca utilidade...

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Como foi possível os sobas de então trocarem por quinquilharias, homens que nem sempre eram inimigos. As futilidades ocidentais começavam a chegar ao continente negro. Os Portugueses e Jagas dos Dembos, Kissama e Manhanga eram os principais clientes da família Pieter tio tetravô da Kianda Roxo, conferindo-lhe um afecto especial naquela gente de bitacaia. Uma grande novidade era o uso de sapatos feitos em couro de tiras entrelaçadas e, que mereceu atenção especial por parte dos camondongos alforriados que assim passaram a proteger seus gretados pés.

adam2.jpg Pois é aqui que entro na estória já com tendência para ser um verdadeiro T´Chingange: - No decorrer do tempo, fui ficando mais kota e meu pai ordenou-me que ficasse a tomar conta da salga e seca de peixe seco ajudando nas contas o capataz, cafuzo da Mazenga de nome Beto Feliz mas, um pouco matumbo. Dos búzios n´zimbos e caurins de menor valor, era feita a cal necessária para barrar as frestas das casas de taipa dos senhores e também das fortalezas erguidas nesse então.

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Os pescadores saíam nos n´dongos a pescar, dia sim, dia não; apanhavam kimbijis (peixe espada branco), carapaus e cachuchos que eram depois escalados em mesas compridas feitas de paus espetados na areia e ligados com ataduras de mateba; depois passavam para umas celhas de salmoura aonde ficavam algum tempo. Mais tarde eram levadas em quindas para outras mesas aonde permaneciam ao sol até ficarem com alguma dureza.

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 Meu pai enricou com estes negócios de fazer cal e salgar peixe. Recordo de irmos a Massangano entregar aos Tugas a cal encomendada para tapar rachaduras da fortaleza e ter visto a kianda Roxo que embora despertando interesse não prendeu meus holofotes de candengue mazombo. Mas admirei-me sim de suas pernas se juntarem nas águas na forma de barbatana. Uma autentica kianda, uma verdadeira kwangiade como diria o Luís Zarolho (Camões) tão falado lá na tapurbana…

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Após todo aquele processo, uma parte do peixe seco era posto à venda na loja da mãe Maria Arminda Kafutila e uma outra, era enfardado com atilhos de mateba ou piteira, guardadas em uma casa até que os pombeiros e suas tropas o levassem. De tempo a tempos, organizavam saídas ao mato formando filas enormes com m´bikas (escravos) transportando à cabeça esses fardos pesados, para  além de outras mercancias como panos libongos e aguardente do M´Puto a serem trocados por escravos, mel, cornos de elefante, javali e rinoceronte.

muxima3.jpg Com o objectivo de participar directamente do tráfico negreiro, Nassau, o governador de Pernambuco com sede em Olinda, decidiu em maio de 1641, enviar uma expedição para ocupar Luanda, principal porto de escravos da África Ocidental para o Brasil; depois, conquistar Benguela, São Tomé e Axim da Guiné. A construção das fortalezas e presídios de Muxima, Massangano e Cambambe, como marcos político-militares na conquista do reino do N´Gola, consolidam assim a civilização portuguesa à custa de muita abnegação.

muxima1.jpg Vistas as coisas neste ano da graça de 2017, o povo angolano, sem capacidade para resolver diabruras de roubo, coisa estrutural dos mwangolés, segue a sua trajectória marcada por retrocessos. Com pouquíssimos avanços afirmam-se como nação soberana entregando-se aos amarelos e outros que nunca se comportarão como os Tugas. A nós contadores da estória, compete-nos repô-la sem esses devaneios de morbidez rácica….

(Continua… ainda há muito por dizer)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:34
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Quarta-feira, 5 de Abril de 2017
CAFUFUILA . CXX

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 16ª parte

A surrealidade está-lhe no sangue! Usa pinceis electrónicos na forma de gigabaites holográficos…

Nota: Esta 16ª Parte andava voando perdida no espaço...

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Na ultima parte do mussendo, 15º episodio, falei do porquê esta kianda Roxo de Guaxuma andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber no consciente desta sua dupla vida, compartilhando xispanços de tinta com particular maestria e, do porquê das cores cibernéticas confundindo-nos com holografias psicoroxas. Mas sabemo agora que nasceu às margens do lago Chivero.

roxomania2.jpgSabemos que sua mãe, também kianda de tez negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai  que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero, lugar que fazia fonteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai seu pai. E, que por via da política teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia por ser  um pambu-n´jila especial com Muxima. 

roxo61.jpg Como já repararam as kiandas andam no espaço-tempo em qualquer direcção e é por isso que nos parece a nós humanos impossiel reconhecer andar-se no ontem e antes de ontem ou há muitos anos atrás e ou, deslocarem-se no futuro deixando transparecer a nós mortais, somente o que nos é perceptível pela dedução; falar do futuro até para as kiandas é tabu – aos viventes  não se pode transmitir o amanhã, só o agora, lei básica da vida. O Universo tem regras que não estão ao nosso alcance engravida-las.

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É aqui que surgem os mambos longínquos com soldados Mafulos, por via das falas da Kianda Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa; fala do tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda, n´gwetas e dos desentendimentos com a rainha N´Zinga, mais outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba.

rosa1.jpg O velho Niassalês descreve as festas axiluandas de então com kimbandas e t´chinganges pisoteando a terra, levantando poeira de encorajar kotas, jagas, sobas e m´fumos que iam chegando em alvoroço dos Dembos e de lá mais além do Kassange. Nos encontros, iam passando cabaças com malavo de cassoneira e, a cada grito dado pelos dançarinos guerreiros, o povo gritava kwata mwana-pwó, kwata mwana-pwó. Era a preparação duma guerra contra os Tugas n´gwetas entricheirados em Massangano por ordem dos Mafulos Holandses

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Morgan Tsvangirai ficou avençado pelos Mwana-Pwós  com o posto de tenente de segunda linha; mandava os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de manutenção e limpeza ao forte, zelar pelos n´dongos de pesca e translado de coisas para a Kissama e das patrulhas de soberania aos  mares parados com lagoas até o Morro dos Imbondeiros e dos Elefantes da Maianga. Também tinham a caça e a pesca ao seu cuidado.

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M´fumos, iam chegando aos poucos como emissários da rainha N´Zinga M´Bandi da Matamba e do rei do Kongo Garcia II que, embora sendo cristianizado pelos Portugueses, com eles andava desentendido após a chegada dos Mafulos. Estes, teriam-lhe prometido poderes maiores e auxilio com armas do tipo de canhangulos e pederneiras. Eram preparativos duma união para fazerem o grande e final assalto a Massangano.

roxo105.jpg Naquela fortaleza os Tugas resistiam aos Olandêses tapando-lhes as vias de comunicação ao mercado de escravos lá do interior fazendo emboscadas ou tocaias com azagaias venenosas, um método aprendido com os indios do brasil, uma cana comprida que depois de soprada dela saia um dardo mortífero.

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 Por isso aquele mato metia  demasiado medo aos Mafulos. É aqui que entra o Senhor Mauricio de Nassau que desde o Recife Brasileiro mantia o negócio das peças m´bikas para os seus engenhos de assucar. Pernambuco e as capitânias adjacentes, estavam carentes de braços para fazer o cultivo da cana de açúcar e fazer andar os engenhos. A preguiça e cultura dos indios americanos não permitia seu uso no trabalho.

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Talvez por isto, seus lugares tenentes mantinham contacto com alguns negreiros  portugueses que detinham este negócio, pagando-lhes ainda mais do que a antiga coroa determinava. Era um quase pacto de negócio mantendo-os como principais fornecedores de peças á margem dos interesses dos reis do M´Puto. As ordens que vinham do Conde Maurício de Nassau a partir de Olinda eram de subornar a todo o custo os intervenientes funantes do mato de N´Gola no negocio escravo.

dy28.jpg Estava em causa a política comercial da Companhia das Índias Ocidentais... o lucro! E, Portugal que era agora pertença dos espanhois não havia por isso empenho nestas politicas de tanto trabalho; preferiam estabelecer severas taxas de soberania aos amerideos de seus territórios com pagas em ouro. As mordomias do reis Filipe de Castela, Asturias, Galiza, Catalunha Portugal e Andalazia eram muitas - isso impunha uma politica restritiva, sem  dispersão.

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Redufina Kabasa mãe negra da Kianda Roxo estremava-se ensinando a sua filha maneiras de comportamento e era vê-la brincar com candengues  brancos e pardos no átrio da missão! Bem cedo se destacou nas habilidades de colorir os jogos de desenho, nos riscos da cabra cega; qualquer argila era motivo para dali sair pintura ou escultura bem à moda dos trabalhadores de talha do pequeno altar da igreja  da muxima!

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Sua tia N´ga Maria Káfutila de linhagem nobre do reino do Kongo ajudava meu pai Januário Pieter na quinda do mercado da paliça vendendo malavo e quitoto ou permutando com os indígenas ou mesmo n´gwetas produtos da terra como ginguba e fuba de mandioca. A fuba originava um prato apetecível chamado de funge ou pirão, um preparo a partir da mandioca. E, ela tornou-se assim uma cozinheira de primeira mão mas, prefere suas fluorescências.

roxo60.jpg Mais tarde começaram a fazer uso das folhas do pau de mandioca que era passada por cinco fervuras para anular o veneno da coisa e, a isto chamaram Saka-saka que impregnada de azeite de palma dava origem ao prato mais típico dos Kaluandas, a moamba com quiabos e jimboa. E, foram os Portugueses que a levaram do Brasil para N´Gola embora queiram fazer crer o contrário disto. N´Gola nunca vai poder dissociar-se dos Tugas por esta e outras singelas razões.

(Continua… CAFUFUTILA CXXI -17ª Parte...)

Nota: Isto já foi publicado na Kizamba do Facebook . Fui à Luua e baralhei-me todo...

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:21
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Terça-feira, 4 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXIX

NAS FRINCHA DO TEMPO -30.11.2016 KIANDA COM ONGWEVA - 14ª com várias partes… Com Zachaf Pigafetta Roxo, Januário Pieter irmão desta e o Conde de Saint Germain.
Ongweva é saudade

Nota: Esta 14ª Parte não foi publicada em seu devido tempo. Deveria ter surgido depois de 5 de Outubrodo ano de 2016 e por descuido só veio a ser publicada no facebook em Kizomba a 30 do 11 de 2016
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Tinha sido combinado encontrar-me em Madrid com as kiandas o Conde de Saint Germain, Zachaf Pigafetta e o irmão Januário Pieter no Museu do Prado, mas não foi possível faze-lo na data aprazada, no entanto mantínhamos contacto através do ipad! Eles tinham compromissos no aquietar de almas desavindas em desassossegos antigos e oriundos da África Austral. Aproveito por isso falar um pouco do entrelaçado de malambas já faladas entre nós a fim de arrumar os eventos vindouros para que se compreenda o desfecho da estória-mussendo.
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A origem de Saint Germain ainda hoje é desconhecida, mas o que sabemos é que marcou presença a partir do século XVlll pelas cortes da Europa destacando-se como diplomata em Génova, Paris, Londres, São Petersburgo, Índia, África, China e outros lugares. Ele, com frequência refere ser filho de um príncipe oriental. O certo é de que sua idade tal como as demais kiandas, sendo indefinida, tem a particularidade de quando necessário tornar-se numa normal figura de gente.

cafu15.jpg Niassalândia (actual Malawi) foi assim denominada por causa do Lago Niassa de onde originaram Januário e Zachaf Roxo. Em setembro de 1859, o explorador e missionário escocês David Livingstone tornando-se supostamente o primeiro europeu a avistar o lago, o terceiro maior da África. Um dos encontros foi exactamente com o Conde de Saint Germain, que por ali se envolvia em actividades missionárias e comerciais britânicas.

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Na década de 1880, Portugal reivindicou o território em virtude de sua presença na colónia vizinha de Moçambique mas a Grã-Bretanha resistindo às reivindicações portuguesas, em 14 de maio de 1891 proclamou um protectorado sobre Niassalândia tornando-se parte da Federação da Rodésia e Niassalândia em 1953. Após a dissolução da federação, alcançou independência total a 6 de julho de 1964 como a República do Malawi.
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A Grande Traição é o título das memórias publicadas em 1997 por Ian Smith, último primeiro-ministro da Rodésia. Sua obra oferece uma interessante panorâmica da história desta importante parte da África austral e relata minuciosamente como os nossos “amigos” britânicos e Estado-Unidenses não descansaram enquanto não lançaram o calvário naquele pedaço de chão. A requerida paz, lei e ordem, factores fundamentais para qualquer evolução autêntica e segura, foram sacrificados em favor da hipocrisia, da irresponsabilidade, da expediência.

cafu17.jpg As nossas três kiandas andavam por ali tentando introduzir nas mentes pensares pacifistas mas foram logrados em toda a linha. A mais interveniente foi o Conde de Saint Germain mas mesmo esta, esfumou-se. As memórias de Iam Smith interessam particularmente aos portugueses, euro-africanos genuínos e pioneiros, escandalosamente imolados e esbulhados pela traição doméstica a soldo de uma conspiração internacional - tragédia odiosa que brada aos céus e clama por justiça!

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Cumpre ressaltar as páginas elogiosas que Ian Smith dedica a Salazar e a Portugal a quem rende sincera homenagem à nação euro-ultramarina que, com a nobreza da simplicidade e a força do carácter, cumpria a sua missão histórica de povo, defendendo com determinação os seus legítimos direitos e interesses perante os mais fortes do mundo. Sobre Salazar, dizia ser este um estadista excepcional, cuja craveira intelectual e moral deixaram nele uma impressão única e indelével.
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Foi o Conde de Saint Germain que destrinçou esta parte da estória que os historiadores pulam por conveniência ou falta de caracter. A Grã-Bretanha, empenhada na sua demissão histórica, anuncia a dissolução da Federação das Rodésias e do Niassalândia com vista à formação de Estados “independentes governados por maioria negra. Smith é o único do seu partido a manifestar oficialmente a sua desconfiança em relação à proposta explicitada por Londres.

cafu18.jpg Para ele, a Inglaterra, no afã de obter a simpatia de afro-asiáticos, Estado-Unidenses e Soviéticos, estaria disposta a liquidar o seu “problema colonial” com o abandono puro e simples da população branca - os mesmos indivíduos que no conflito mundial de 39-45 deixaram a paz dos seus lares para irem arriscar as próprias vidas no socorro à Grã-Bretanha. Foi o caso dele.

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Em 1964, dez anos antes da abrilada portuguesa, Ian Smith é eleito primeiro-ministro. Numa visita oficial a Lisboa encontra-se demoradamente com Salazar e este diz-lhe declaradamente que os rodesianos seriam traídos pelos ingleses; que Portugal prestaria o auxílio necessário a Salisbúria. Pouco depois, aqueles a quem Fialho de Almeida chamou de “carrascos ruivos do Tamisa”, concretizavam o que o estadista português sentenciara.

SALAZAR 2.jpg A lembrança deste encontro profético em São Bento ficou para sempre gravada na sua memória, plenamente convencido de que, se Salazar tivesse vivido dez anos mais, a Rodésia teria sobrevivido. Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. Sua vida política passa então a reger-se quase que exclusivamente por duas constantes: a neutralização dos efeitos das sanções impostas pela ONU, sob a batuta de Londres e Washington; e o combate ao terrorismo e à guerrilha de obediência comunista que faziam a sua desumana entrada no território.

cafufu7.jpgE é agora e por intermédio destas três kiandas que me é dado conhecer toda a arte de velhacaria que invadiu o dito mundo moderno através dos arautos da verdade, os primos Ingleses e Americanos que continuam a ditar leis aos outros povos, sabendo à partida que é tudo uma utopia ou farsa. Nós, que estamos vivendo os problemas que nos cercam, podemos dar a importância devida ao que engloba este nosso recente passado para rectificarmos ou ponderarmos sobre o nosso futuro. Sabemos bem o que ocorre hoje nestes territórios de uma gestão catastrófica de puros ditadores.

(Continua…)
O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:13
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MUXOXO . L

TEMPO CINZENTOS – 03.04.2017A vida é feita de acasos. Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida mas sim aquele que melhor se adapta a ela… A continuar desta forma seremos no futuro, todos ladrões…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

A vida da gente é feita de acasos; de coisas pequenas que mudam nosso destino como uma vírgula minúscula altera um texto. Cada um de nós tem isto embebido em sua estória de vida e, por isso se diz que, esta ilusão é de um minuto ou uma centelha dele e, as coisas sucedem num agora, num lugar de hora certa ou errada conforme a sorte, conforme seus guias de guarda invisíveis que num dado instante o são e num dado instante deixam de o ser.

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Pois quantas vezes, por se estar no lugar e hora errada, se têm um dissabor ou uma alegria que tudo muda no percurso de nosso enredo de vida, nosso fado! Habituado a viajar, um dia e, estando eu no Algarve do M´puto saí de casa com o propósito de em Armação de Pêra e, junto do amigo Mogo, inscrever-me em um dos passeios romeiros que habitualmente ele organizava.

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No ano anterior tinha ido com a família à Festa do Cavalo em Gerês de La Frontera de Espanha, uma cidade situada bem perto da Cidade costeira de Cádis na Andaluzia. Porque gostamos do passeio, falou-se em casa que seria bom voltar a rever aquelas figuras de gitanos com adornos e prendas, suas cavalgadas em carroças enfeitadas a caminho de “El Rocio” e la virgem del Carmo, sua Santa protectora mui querida.

ÁFRICA4.jpgBem! Chegado à retrosaria do Mogno em Armação e depois dos cumprimentos, respondeu-me que naquele ano de 2005 o grupo de romeiros de “El Rocio” os Tugas, iam para o Brasil. Bem! Foi-me pormenorizada de como seriam esses quinze dias em Maceió, falou das praias e edecéteras; conseguiu assim despegar as tentações do subconsciente com coqueiros a abanar no vento fresco do pensamento.

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Acabei por me inscrever; que lhe daria a confirmação depois de conversar com a Ibib, minha parceira de tentações tropicais. E, foi assim que troquei o El Rocio de Gerês, festa “del cavallo” pelo Nordeste Brasileiro. Logologo minha mulher disse: Pois, é quase ali ao pé, mesmomesmo, quasequase a mesma coisa! Ibib já habituada aos meus entretantos disse: que remédio! E lá fomos nós no tempo aprazado para a terra dos papagaios.

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Isto para verem como desacontecem as coisas dum plano, vida esfarrapada de pequenos hífens pregados a nós como um destino. Que se lixe, e lá vamos, e lá fomos; a vida são três dias e temos de gozá-la enquanto se pode! Para além do mais sou cidadão do mundo e não me vou pregar na cruz dum qualquer país feito Cristo, mesmo que esse país se chame M´Puto. Já que me trambicaram uma vez, traíram e venderam a preço zero, mais vezes virão e, aos poucos, suavemente roerão minha própria cruz.

carmen1.jpg Os pequenos mas, acontecem assim quase inadvertidamente predestinando nossos amanhãs, com políticos desclassificados fazendo-nos escravos de leis fabricadas ao seu propósito. Vamos tocar isto para a frente, o que tiver de acontecer, vai suceder e novas perspectivas surgirão, novas gentes, novas entidades, novos desafios. E fomos; e ficamos…

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E, porque parar é morrer damos impulsão á nossa vontade na peugada da estória do Lampião, das várias sagas, do assucar, do cacau, do sisal, do café, do leite de coalho e das sobrevivência construídas de pau de arara, a pique e tabique ou taipas de criar escaravelhos. E, assim de romeiros de “El Rocio” de Andaluzia, espanhola, entre gitanos, viramos romeiros ao padre Cícero do Juazeiro do Norte do Ceará feitos matutos.

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Transpirando vírgulas no meu texto de vida feita de malambas, de palavras, revejo-me aventureiro indo de balsa até às piscinas naturais da Pajuçara, mar verde-esmeralda. Entre coqueiros posso ver da minha varanda as muitas velas triangulares com seu garrido colorido entre a língua branca das ondas batendo nos recifes, nos corais bonitos da baia com muita mais do que os sete coqueiros da praia cor esmeralda.

arte1.jpg Estes acasos não são exclusivamente meus; D. João VI fez do Brasil a sede de um Império empurrado por Napoleão, mantendo-o unido; dando títulos aos senhores do dinheiro a troco de grandes somas para formar o banco do Brasil; Por acaso os nobres, Condes, Visconde, Duques e Marqueses passeavam suas vaidades no peito mostrando suas medalhas. Também eles viviam uma fantasia com futilidades e muito devaneio à margem do povo, dos escravos e ricaços que engordavam riquezas vendendo gente como peças. Quem não tinha título mas algum dinheiro tornou-se Coronel, Major e lguns outros ficaram doutores…

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E quis a estória que de infortúnios se fizesse moda e arte! Durante a viagem de Portugal até o Brasil os piolhos tomaram conta das cabeças das damas; a tal ponto que tiveram de as rapar! Verdade! Desceram primeiro em São Salvador com turbantes ornamentais em suas cabeças sem algum cabelo. As mulheres baianas acharam estranha aquela moda e adoptaram-na logo pois que vinha da europa civilizada. E, foi assim que surgiram os turbantes enfeitados como o da mais recente Carmem Miranda com frutas tropicais. Como digo a estória de todos nós é feita de acasos. Naquele tempo ainda não havia o conhecido “kitoco” o tal de mata piolhos. Assim teria de ser! E, assim o foi!

carn1.jpg A vida é feita mesmo de pequenos nadas, de serras paradas à espera de movimento. Coqueiros ondulando com o vento, o mesmo que trouxe as caravelas. O vento de à bolina, mais tarde as naves feitas aviões, que vão e vêm unindo traços e culturas; falas e linguajares com sotaques variados. Agora, em terras de Vera Crus estão-me surgindo papagaios, esticando-me os ossos, as dores, muxoxos de minhas atribuladas vontades. Um dia, isto vai ter de parar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:31
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Sábado, 1 de Abril de 2017
MALAMBAS . CLXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 01.04.2017 - Amai-vos uns aos outros, mas só se for pra valer…

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

O homem produz cultura tal como a abelha produz mel mas, enquanto a abelha tem defesa aos anticorpos, doenças e vírus pelo seu eficiente própolis, o homem fica subserviente à boa sorte tomando antibióticos que decerto lhe farão mal a outro qualquer órgão que não aquele visado. O homem fica assim sujeito à análise, à crítica e ao comentário que nem sempre é do inteiro agrado do progenitor da ideia ou do conceito; estamos falando de cultura, entenda-se! Surgem assim os pontos de vista que sendo muitos e 

propolis1.jpg Uns temas surgirão absurdos para alguns, enquanto outros o acharão interessantes. Hoje após me ter levantado, bebi minha dose habitual de cloreto de magnésio  chá de canela de velho e, porque ando com uma fissura no lábio, deitei directamente no lábio e língua umas quantas gotas de própolis de Alagoas. Uma das gotas caiu na bacia de louça branca, cerâmica polida; tentei limpá-la com simples água e nada de nada!  

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Esfreguei com insistência e só quando usei álcool etílico é que a mancha vermelha saiu embora a custo. Foi a partir daqui que rebusquei nos meus alfarrábicos rascunhos e recursos de conhecimento especial me inteirei a fundo do valor deste eficaz antibiótico. O própolis vermelho é um extracto produzido a partir de uma seiva encontrada no rabo-de-bugio, uma vegetação dos manguezais do estado alagoano do Brasil. Este ouro rubro, como é conhecido por muitos pesquisadores, atrai a atenção da comunidade científica de diversas partes do mundo.

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O registro do própolis vermelho confirma que o produto possui propriedades diferentes dos outros doze tipos de própolis já catalogados no Brasil. A saliva das abelhas, transforma a seiva encontrada nos mangues numa espécie de "cimento", utilizada para revestir a colmeia. Rica em vários compostos, o própolis vermelho tem surpreendido pelas propriedades activas em acções antibacterianas, antifúngicas, antivirais, anti-inflamatórias, além de alto poder cicatrizante e acção antioxidante, actuando na prevenção do envelhecimento precoce.

propolis2.jpg A seiva do própolis vermelho, vem demonstrando resultados positivos no controle de diabetes, hipertensão, câncer e HIV. Em relação ao diabetes, a própolis regula o controlo da glicose no sangue. Na hipertensão, atua como vasodilatador (aumenta os vasos sanguíneos), melhorando o fluxo do sangue; tem servido como complemento no tratamento do câncer, porque ajuda a eliminar os radicais livres, que estão ligados aos processos degenerativos do organismo.

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Nas pesquisas de HIV, a seiva tem impedido que o vírus se reproduza nas células, diminuindo os sintomas da síndrome. Outra qualidade do própolis vermelho: a seiva é um poderoso conservante natural de alimentos. Pois então!  A partir de agora vou misturar no café ou no cloreto de magnésio 10 gotas para me livrar desta porcaria dos comprimidos da tensão que me tiram do sério com luto antecipado e sem pressão no Nero, meu imperador de nervo teso. Daqui para a frente vou ser o meu próprio médico como a abelha o é de si mesma!

propolis3.jpg Minha imunidade aumentou consideravelmente! Pode ser coincidência, mas desde que comecei a usar, não tive mais nenhum resfriado, virose, ou amigdalite, essas malezas que sempre aparecem com o tempo. Andei aí uns dias a espirrar àtoa, axim, axim, axim com  mais treze cópias e ranho moncoso mas, com o própolis foi trigo limpo!  Mas o melhor mesmo é que já dou cambalhotas no espaço de minha cama e, até já ato os sapatos na maior ligeireza do acto. Ando assim a reconciliar-me com as simples coisas da natureza numa relação de vida química com os outros vários seres cuidando minhas anatomias desmilinguidas.

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Isto porque para falarmos do futuro, mesmo sendo um futuro que já nos sentimos a percorrer, o que dele dissermos, sempre será um produto de síntese pessoal embebido de imaginação. A abelha já tem o seu curso de vida; nós, pessoas, também o temos mas, enquanto nos confundimos entre o “ser ou não ser eis a questão”; elas as abelhas só fornecem à humanidade os mecanismos de reacções químicas. Bom! Elas, as abelhas, em verdade não têm cordões de sapatos para atar! E, quando elas se forem, nós também iremos!

propolis4.jpg Andamos nós a analisar feromonas, previsões e metodologias obtendo respostas que mesmo sendo subjectivas farão parte dos ensinamentos, nem sempre sendo os mais perfeitos ou correctos. E, surgirão teorias, reacções de transferências de electrões, dos protões e coisas do domínio da reactividade química. Sempre haverá ocasiões em que os cientistas, analistas ou inventores terão a boa sorte de deparar com problemas cujo significado e solução têm um alcance muito superior ao que inicialmente supunham. Pena é que descuidem a natureza recorrendo a laboratórios que nos entopem as veias, inventando necessidades fúteis.  

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É aqui que me deparo com uma nova teoria, de que nenhum matemático ainda falou porque desprezam esse factor que vem do Deus da natureza. Juntarei de modo próprio à “teoria da incerteza”, à “teoria do medo”, à “teoria da sorte”, uma outra: a “teoria da simplicidade” ou porque não “ a “teoria da descomplicação”.   

propolis6.jpg Tudo terá um equilíbrio dinâmico por influências mútuas, ora positivas, ora negativas e, que irão desde o conhecimento científico passar ao psicológico, e só então de inventação como coisa possível e, por último ao reconhecimento social. Ando a tentar definir-me como idiota e, sabem que mais, gozo muito com isto! Como a terra antes que ela me coma! Quanto ás abelhas, o certo é de que quando elas se extinguirem, esta humanidade a que pertencemos, acabará também.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:57
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Sexta-feira, 31 de Março de 2017
MULUNGU . LIV

NAS FRINCHAS MU UKULU . A HISTORIA DE ADÃO, UM HOMEM QUE NUNCA FOI MENINO. A cultura de um povo tem as suas nuances interessntes. Esta vem de N´Gola

Mulungu: É uma árvore de grande porte com flores vermelhas, é um espanto vê-las isoladas na savana; Mu Ukulo: outros tempos...

soba k.jpg As escolhas de T´Chingange

Por

maga1.jpgLuis Magalhães

O meu Pai dizia que o seu maior segredo era não perturbar e não interferir nas culturas e tradições do povo pois só assim é que ganhava o respeito das pessoas. Esta história que aqui vou relatar era uma situação já muito conhecida pelo meu Pai pois que as tradições eram Lei e como tal tinham que se cumprir. Perante isto, não havia Lei de branco algum que a pudesse alterar. E, é aqui que entra um homem de nome Adão que nascido desafortunado, singrou na vida, se bem que, teve de se esfolar todo para alcançar sua tão desejada paz.

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Adão, era juntamente com mais quatro irmãos, órfão de Mãe; ela tinha falecido precocemente devido à tuberculose e seu Pai, analfabeto, comeu o pão que o diabo amassou para alimentar aquelas cinco bocas; com isso, trabalhava de sol a sol e mendigava de porta em porta aos fins-de-semana com um saco às costas aonde metia as parcas esmolas - geralmente era um naco de pão ou um pedaço de toucinho que já ninguém comia por tão rançoso. Até moço, foi dependente das sobras de gente rica, gente muito distraída das outras vidas. Enquanto isso, ele pai de Adão, descontava o tempo que tinha para olhar a malga de sopa ofertada ou fruto de seu trabalho ocasional.

ÁFRICA7.jpg Segundo os patrões, dinheiro não abonava, uma vez que a vida estava muito difícil para todos. Quanto aos filhos, Adão foi o único que frequentou a escola; o único que comia algo na cantina. Não passou da quarta classe. Num gesto de agradecimento ao Pai por tê-lo metido numa escola, nunca abandonou, coisa que era comum ver-se.

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Não se sabe se por espirito ou por necessidade aguçar engenho, Adão falou com o seu patrão, proprietário de uma quinta enorme; Adivinhando necessidades de uma cavalo para distribuir leite para as pessoas, levar a farinha do moinho ao cliente solicitou ajuda. Foi desta forma que passou a ganhar algum dinheirinho para o seu sustento e na ajuda ao Pai! O patrão alugou-lhe uma mula velha por cinco escudos ao mês e, foi assim que começou, a quase ser um empresário. Os irmãos tinham dado o "salto" para França, nada de notícias. Cabia-lhe assim prestar auxilio ao progenitor.

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Nesses tempos de Salazar, entretanto, apareceu-lhe o Partido Comunista a seduzindo-o para militante e, ele foi nessa! O azar foi tanto que a PIDE soube e ao Adão só lhe restou fugir para Angola; a prisão esperava-o! Alistou-se entretanto como voluntário escapando assim ao carcel. Recebeu sua guia de marcha para Angola. Lá nas terras quentes, rapidamente se apaixonou pela forma de se tocar a vida – um destino feliz! Terminada a sua comissão militar, eis que foi convidado pela PIDE/DGS, um arremedo de sorte que o levou a aceitar seu destino. A partir daí a vida começou a sorrir-lhe; ao fim de ano e meio chamou o Pai que já estava avançado na idade.

arte4.jpg E, porque um homem não é de ferro, umbigou-se a uma mulher negra, muito bonita e, de quem teve três filhos. Seu pai, agora avô, revia-se agora nos netos alegremente, um soro de alegria. Andou tudo muito bem até que um dia apareceu em sua casa um soba a dizer que ele Adão, tinha de se umbigar também com a cunhada. Como é! Refilou de espanto. Segundo as leis indígenas, tinha que casar com a cunhada porque o marido dela  fez uafa, morreu!

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O Adão ficou intrigado; para resolver a questão resolveu ir ter com o meu Pai que tinha um cargo administrativo. Depois de o ouvir, foi-lhe dizendo que já tinha resolvido muitas macas dos costumes deles, dos pretos mas, nunca com um branco na pele do leão! Marcou-se um dia para resolver o assunto e na hora aprazada, eis que o meu Pai vê uma carrinha azul-escuro (uma Chevrolet Apache) conduzida pelo Adão. Na cabine vinham a mulher e os filhos, atrás na caixa aberta, vinham mais umas oito pessoas.

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No meio de uma algazarra tremenda meu Pai mandou-os descer; apercebeu-se que eles já vinham a discutir o assunto pelo caminho, e vieram então ao seu encontro. Eram os dois sobas das duas aldeias. Vinham resolver a maca! Na visão deles estava tudo solucionado! Depois dos cumprimentos tensos mandou-os entrar no edifício da Administração. Ouviu assim os relatos sempre sob o ar apreensivo de Adão. Meu pai após ter ouvido os sobas, chamou a mulher agora viúva e, logo um dos sobas com um ar de desagrado replicou: Sô Chefe, o marido destas mulher morreu e segundo o nossa tradição ela tem que casar com os cunhado!

ÁFRICA1.jpg Mas olhe só, que ela num quer e num diz do seu porquê? Meu Pai pensou durante uns segundos para amadurecer a resposta e virando-se para Adão perguntou-lhe: -Queres aceitar esta mulher, tua cunhada, para a sustentares com cama e roupa lavada e, trabalhando para ti nos afazeres da casa? Adão olhou desconsolado para o meu Pai, também para os sobas e, disse pesaroso que sim, um sim bem emperrado diga-se! Pois que era essa a Lei dali! Ia fazer mais o quê? Quase como protesto calou-se em seguida.

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Bom! Meu Pai olhou para a viúva e em tom de aviso, trejeito de olhar o Adão dizendo aos sobas: - Ora bem, o Adão aceita as vossas Leis mas, tu (viúva) também tens que aceitar as Leis dele - as leis do branco! Perante isto gerou-se um zunzum de falatório e, de tal ordem das partes que o meu Pai mandou-os ir para debaixo de uma mulemba em frente ao Posto para falarem da maca. Quando tivessem a decisão final, que lhe viessem dizer! Tudo isto perante o ar cabisbaixo de Adão que dava pontapés no ar e muxoxos imperceptíveis.

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Isto porque não via o meu Pai foito em tomar a posição que seria desejável, pois era ele a força, a autoridade. Os sobas já com sua vontade inconclusa disseram a meu Pai que a mulher queria falar! Pois que fale, replicou! Ela começou então assim: -Sô Chefe eu por Lei tenho que me casar com o meu cunhado, mas eu num querer mêmo nadaaaa!?

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Ao ouvir isto o meu Pai ficou baralhado e perguntou: -Então você por Lei tem que casar com o seu cunhado e, agora, não quer, porquê? E, respondeu ela muito lampeira: -Sô Chefe eu gostar mêmo era dos meu márrido, mas como não gosto do homem branco, agora num quér casar ótra vez dinovo. Deixa ficar só assim memo, porque num gostar das leis dos branco!

moc1.jpgLuis Magalhães in Kizomba com Historias da Vida

P.S: Ouvi esta Historia da Vida em Nova Lisboa da boca do Adão, que foi a minha casa almoçar a convite do meu Pai. Adão foi viver na altura para Serpa Pinto ou Pereira D´eça com a família. Se a memoria não me engana, foi assim mesmo, talqualmente!

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:35
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Terça-feira, 28 de Março de 2017
CAZUMBI . LIII

CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, por causas alheias e à revelia da nossa vontade …

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Gosto de fazer turismo integral; isto quer dizer que me apraz fazer o que qualquer um, cidadão, faz em seu quotidiano, aonde quer que seja. Isso não foi possível fazer em Cuba há uns bons dezasseis anos atrás. Tinhamos um guia de nome Mercedes, uma funcionária que nos dava indicações e uma outra funcionária governamental que vigiava esta. Em verdade, ambas andavam controladas por outros e pelo medo delas mesmo!

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Ficamos instalados no Malecon, marginal da baia de Cuba, lugar aonde os namorados iam passear em velhos galáxias, chevrolletes rabos de peixe prometendo coisas sonhadas ao ritmo de um bolero ou um merengue mambo caribeño. Carros que arrancavam a gasolina e depois rodando um botão passavam a consumir querosene e mistelas de graxa com biodiesel ou óleo queimado de fritar batatas!

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O cheiro era intenso e nauseabundo! O tal de “ El mujito” com hortelã era só nos sonhos escritos de Hemingway, esquinas roçadas de preguiça, casas despintadas, calles apiertadas e, umas silhuetas de “Ché el comandante”. El olor a mierda por entre los muros sim color, tambiem se hacia sentir! La Cuba romântica de los sonhadores… E, la mujer rindo com alguns dientes amarillos convidando nosotros a gozar la vida del amor. Pópilas!

cuba 0.jpg Percorremos a Ilha em um autocarro conduzido por um antigo combatente em Angola; tinha feito seu serviço militar naquele paraíso, palavras que ele calcou dando a entender ser lá muito melhor que aquella isla aonde agora estávamos. A várias perguntas minhas, ele respondeu, nada! Somente que aquella era el paraíso en la tierra. Foi para mim muito confrangedor dar de regalo, oferta de coisas que sendo insignificantes para nós, para eles, Cubanos, tinham alto valor.

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Esse alto valor eram simples esferográficas bic, chinelos de dedão, roupas geans e outras insignificâncias como bonés de marca e futilidades ocidentais. Muitos dos turistas em grupo nem se apercebiam ou não o queriam ver que ali em Varadero havia um apertado controlo aos naturais de Cuba! Em verdade era um território controlado por fronteiras apertadas e aonde só entravam para além dos turistas os trabalhadores dos hotéis e outros equipamentos de captação de divisas.

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Ao turista davam uma fita colorida que era posta no pulso e, esse era sinonimo de pedir o que quer que fosse tanto de bebida como comida. Claro que isto só se verificava nesta península cheia de belas praias, passeios pelas rias em barco com visão submarina, festivais de golfinhos e outros entretenimentos para agradar os Ocidentais vindos da tapurbana europeia.

CUBA LIBRE.jpg Deu para perceber que o controlo aos empregados era apertado pelas mensagens indirectas que nos transmitiam; tudo faziam para agradar e, daí advir uma gasosa extra, uma limosna, um agrado em dinheiro, sapatos ou roupa. Elas e eles enfeitavam nossas camas como se fossemos os príncipes das arábias; faziam arranjos com as roupas chamando a atenção do agrado! Sempre correria umas suplementares moedas.

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Estando agora no Brasil posso garantir estar este país a alguns anos em avanço social! Vivendo como um qualquer residente uso habitualmente o ónibus, os táxis de lotação e ando muito a pé por onde quer que seja e na maior liberdade! Em Cuba tinhamos disfarçadamente uns quantos policias à perna, cobrindo nosso itinerário e revezando-se no trajecto de forma dissimulada. Tudo parecia ser um gueto!

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O Brasil social, já nesse então estava muito para além daquela terra de Cuba aonde funcionam os comités de bairro, de trabalhadores e outros que tudo controlam. Falando com um engenheiro que nos conduzia em um ovomobile (uma moto com arranjos feito ovo e, com dois assentos para alem do condutor) a perguntas minhas foi-nos dizendo o grau de carências que vivenciavam!

che0.jpg Este sim! Longe dos olhos fiscalizadores disse tudo o que já sabíamos ser de ruim! Ele engenheiro de máquinas tinha de usar aquele escape para ganhar um pouco mais do que os míseros dez dólares que recebia de vencimento base por mês. Nem quis acreditar mas vim a confirmar que assim o era! Eu disse dez dólares! Minha nossa!

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Pelo que sei agora o Raul, irmão de Fidel está alugando médicos ao exterior. Há muitos no Brasil residindo com regras apertadas; a família fica lá em Cuba, uma forma de garantir o retorno e também manter-se em silêncio; ele não está autorizado a falar de sua terra e, sabe-se que aquele estado Isla Caribeña leva-lhe  metade do seu vencimento senão mais. O preço daquela liberdade é bem alto! É certo que anda muita gentinha a dizer que ali sim é uma terra boa; gente que gosta de viver com agrados de servidão…Só pode! Tenho amigos que vêm aquilo como coisa de outra galáxia! E, é! Só que do lado do purgatório.

cuba01.jpg Aquele mecânico do Ovomobile foi nos dizendo que os comités de trabalhadores rurais têm de fazer permanentes relatórios dando indicação de quantos animais as famílias têm e, se porventura abaterem um boi ou carneiro sem autorização são chamados à pedra respondendo em juízo como se um crime se tratasse. Ninguém está autorizado a apanhar fruta do chão; tudo é do estado; tudo tem de ser autorizado.

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A melhor carne, o melhor marisco como lagosta e camarão é todo para a exportação! Eles ficam com as patas pró mocotó, os rins, fígado e por aí! Não admira o tal chofer que fez serviço militar em Angola ter dito que aquilo sim; era um paraíso! Ainda insinuou dúvidas do porquê de termos deixado aquela terra mas ele, nada era naquela nomenclatura comunista; o pensamento é ali uma coisa muito perigosa…

cuba3.jpg Entrei em uma loja do povo e só vi imundice entre sacos de farinha, arroz e algum feijão! As prateleiras das vendas assim parecidas como as do m´Puto lá dos anos de 1880 estavam apetrechadas com aquelas mesmas bancadas, medidas de quartilho e instrumentos de museu para ensacar farinha e grãos. Cheirava a mijo de ratos e bagulho de baratas! Estive com uma caderneta sebenta de uso em minhas mãos e, é ali que eles apontam tudo do cabaz básico a que todo o cidadão tem direito. Não deu para ficar com pena deles porque não sou galinha! Talvez mereçam viver nessa tacanha maneira de ver tudo ao jeito bucólico! Viva Cuba, pois claro!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:01
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Domingo, 26 de Março de 2017
PÉROLAS. IV

UM PALAVRÓRIO COM RACIOCINIOS CAPCIOSOS… O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezá-lo…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Em todos os artigos que tenho submetido a publicação no Kimbo são raras as contestações. Por via de ser assim ignorado, faz todo o sentido citar a expressão que não sendo minha, aqui se conjuga bem: “As minhas ideias estão assentes, não me confundam com os factos”. No mundo social em que estamos inseridos com grupos heterogéneos, quer políticos quer científicos, cada um destes grupos utiliza seu paradigma nas argumentações e, em defesa do seu próprio paradigma.

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Esta argumentação em circulo funciona mais por persuasão do que pela evidência lógica. Nos meus tempos de estudante dizia-se que a lógica era uma batata e, foi com essa dúvida que fiz um rádio galena a partir de uma batata cortada ao meio, uns quantos fios e uns auscultadores e um condensador. O certo é que a batata forneceu energia enviando para o espaço ondas electromagnéticas dessa suposta lógica.

calau-demonteiro.jpg Já disse algures que a história da ciência é fértil em teorias de sucesso baseadas em hipóteses “Ad Hoc”. Cabe aqui dizer que a lógica encaixa nas hipóteses ou nos fundamentos de uma teoria não convencional; como tal arbitrária! Estou assim a tentar encasquilhar refutações sofísticas que dependem da linguagem usada, a que podemos chamar de "sofismas linguísticos" ou refutações sofísticas que não dependem da linguagem extralinguística (palavrório).

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A indução que se procura dar como critério não arbitrário de ligação da experiência à teoria é um caminho incerto; tanto nos pode levar à verdade como ao erro, porque é baseada na ordem do Universo que sempre nos ultrapassa. Não há uma metodologia segura que nos conduza da realidade experimental às hipóteses e aos postulados das teorias. Pois então, reafirmo aqui que a lógica pode perfeitamente ser uma batata!

roxo27.jpg Muitas vezes os cientistas falham, não por falta de inteligência, mas por sagacidade em demasia. Presentemente as metodologias ficam tão apanhadas de uma sofisticação tão vazia que se torna muito difícil discernir os erros básicos. Depois da “teoria dos erros” e da “teoria da incerteza”, teremos de acrescentar a “teoria da simplicidade”. A única resposta a isto é ser-se tosco ou superficial.

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Desmistificando o verbo, podemos somar a todo o conhecimento que “A natureza ama a simplicidade”. Foi Liev Tolstoi que contrastando com as igrejas e governos, pregava uma vida simples e em proximidade à natureza. E, foi Johannes Kepler um astrónomo alemão que em defesa de Tolstoi pelo que afirmava no livro “Guerra e Paz” nos veio a afirmar que toda a ideia importante teria de ser simples.

araujo1.jpg Claro que o caminho da simplicidade tem um grau elevado de subjectividade nos seus critérios e nos domínios a que se referem; simplicidade na formulação de uma teoria na sua capacidade de memorização, na sua lógica formal e, nos seus princípios básicos. Nas relações entre fenómenos, nos conceitos, nas imagens físicas que produzem a instrumentalização necessária para fabricar feromonas ou empatia. Assim sendo não poderei transformar neste meu palavrório os fundamentos teóricos, em postulados.

roxo79.jpg Estou a tentar não censurar o que não posso compreender e, porque frequentemente aquilo que nos parece um mal é um bem! As nossas faculdades são tão limitadas que o conjunto do todo escapa aos nossos sentidos obtusos. No processo de falsificabilidade, uma certa filosofia mostrar-nos-á ser isso, imprescindível em ciência.

 

Ilustrações de Costa Araujo e Assunção Roxo

(…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:09
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Domingo, 19 de Março de 2017
PÉROLAS . III
O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo…

PÉROLAS III segue na ordem de uma coluna iniciada com este título. Quem quizer pode vir até o Kimbo e falar de suas razões, suas emotividades e outras raridades... 

EM TERRAS DO SUMBE - ANTIGO CEMITÉRIO DE BRANCOS . Tempo de Macutas - Verdade ficcionada

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Esta perola é uma INVENTAÇÃO...

Estavamos em 1780 - O Exército do Império Unido de Brasil, Portugal e Algarves era o segundo mais poderoso do mundo, depois do Exército Sino-japonês.

angola6.jpegFugindo daqui e dali vi-me em aflições porque o passado reconheceu-me na palidez enrugada da velhice. Com palavrões dentro da cabeça, tentei reconstruir minha já antiga inventação e com os nomes esvoaçando, mijando raiva de mim aos poucochinhos, fui buscar as novidades fracturadas com figas e juras por sangue de Cristo. E, aqui o passado misturou-se no futuro...

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Tive mesmo de espreitar minha vida pelo cano de meu revólver, ou talvez um canhangulo de espirrar ferros e cacos cortantes; uma vida estriada em verdades misturadas nas mentiras. Foi ai que o filho da mãe surgiu, engalanado com bandeiras, panos e guarda-sóis coloridos. iIsto passa-se quando eu era dono do xerifado da fazenda, empregado dos Reis do M´Puto, um guarda de libongos de segunda linha por ser mazombo, um pano que funcionava como dinheiro; isto mito antes de Mobutu Sesse Seko mandar imprimir seus panos do kongo com a sua esfinge.

ekuikui1.jpgEm ambiente de grande excitação e alegria vindo de Quilengues, surge um branco albino que parecia um demónio, cabelos sujos e espetados como capim velho. Vinha buscar barricas de aguardente e rolos de tabaco. O Rei do Bailundo de 1998 Manuel da Costa Ekuikui III, nunca soube disto senão teria-se rido com seus dentes parecidos com castanholas e, seus dourados reluzindo pura alteza das terras umbundas ... mas, um dia vou-lhe contar!

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Eu, como secretário de fazenda de João de Câmara da Capitania-Geral do Reino de Angola com a ajuda do capataz José Nanquituka tinha de despachar rápidamente este rebelde mijão matumbo kazukuta com seus monandengues, porque não me era de fiar. Era mesmomesmo um filho da mãe!  Portando-me com o colar de dentes de javali ofertado pelo rei do Huambo Katchitiopololo Ekwikwi, monarca de muito respeito e respeitado, olhando para trás deste falso branco, pude ver que tinha consigo mais ausências de dignidade do que medo. 

maria2.jpgSua brancura indeferia-me com seus sorrisos matreiros de mentira chorada antes da lágrima. Já no terreiro fiz um sinal a Kaputo da Silva, o almoxarife missionário auxiliar, para que se aproximasse e, dei-lhe ordens para que procedesse à troca de géneros com estes demónios de Quilengues. Neste entretanto empoleirado nas horas das consequências com vénias de enrugada postura, o branco de fingir, dá umas ordens aos seus monandengues e, eis que salta um t´chingange para o terreiro empoleirado em antas, zingarelhos, enfeites de ossos de hiena e facóchero ao redor do corpo.

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Entre 1876 e 1893, reinava no Bailundo Ekuikui II, substituto de Ekongo-Lyo-Hombo, quando o reino entrou em grande alvoroço. Foi numa altura em que, no planalto, os reinos iam caindo, um a um, nas mãos dos portugueses, t´Chinderes do M´Puto, Muwena- Pwós do outro lado das kalungas.  No ano de 1893, os emissários do reino Bailundu, dirigiram-se à embala de Ekuikui II dizendo-lhe que o reino estava em vias de ser atacado. Todos se recordavam da prisão feita pelos portugueses, do rei Cingi I um século antes (1780?).
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Nesse então, o reino do Viyé, já estava há uma centena de anos submetido aos brancos. A Rainha D Maria era a minha superiora! Ela não me conhecia mas era eu que controlava suas makutas em substituição ds N´Zimbos, dos Kaurins e panos libongo. Ela, a Dona Maria morreu sem saber quem era o T´Chingange branco Niassalés, um seu alforriado cidadão das lonjuras da Matamba.

maria4.jpg Fazendo rodopios de dança espacial, gaifonas de feitiço e superstições secretas, ele o tal branco de linhagem indefinida, pintado com funge branca e jindungos na cintura salta e ressalta, gesticula traços com braços apitando uma estranha gaita até que, já cansado, estatela-se no chão, literalmente como forma de agradecimento à minha solene pessoa. 

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A mim, o t´chindele mwana-pwó almoxerife da Rainha do M´puto. Dois candengues colocam bem aos meus pés dois potes de mel silvestre e eu, agradecendo de mão virada para o pretobranco albino mando que lhe seja dada uma bandeira das quinas do M´Puto recentemente chegada de Loanda a mando da mesma Rainha D. Maria II.  Dando costas àquela turba pude observar que ordeiramente se dirigiam para o armazém das bebidas. Aquela noite o batuque prolongou-se mais para além do habitual; o kimbombo, t´chissângwa, marufo e bolungas várias faziam a alegria da vagabundagem.

maria0.jpg Não obstante ficar atento a possíveis alterações de ordem pública, recomendei pessoalmente ao Alferes da guarnição e presídio do Sumbe da foz do rio N´gunza, que mantivesse uns quantos cipaios a observar, até que aqueles kazukutas e seu chefe beiçudo, branco genérico se fossem para Quilengues. Só mesmo eu para relembrar estas estórias esquecidas no tempo, metidas num baú de lata oxidada nas águas da kalunga, Ai- iú-ééé

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Nota: Para minha Mana Kota Assunção Roxo em Roxomania para se deleitar nas bitacaias  com pérolas...

O Soba  T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:09
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Sexta-feira, 17 de Março de 2017
CAZUMBI . LII

CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade … Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

”A CHUVA BATE NA PELE DO LEOPARDO, MAS NÃO TIRA AS SUAS MANCHAS”. Este regalo de falas foi-me enviado pelo nosso Kimbanda Ninja para que constasse na Torre do Zombo do Kimbo. Trata-se de um mítico provérbio africano aonde para além da onça, do leopardo e da chita existem a hiena e o mabeco que também as têm. Com a zebra ocorre o mesmo fenómeno de manter suas riscas, mesmo que chova muito mas, com esta, acontece um outro pormenor.

poke0.jpg As riscas irregulares das zebras são para fazer com que o leão fique tonto ao persegui-las perdendo a noção e desequilíbrio. Pois, muita gente não sabe, mas o leão ao fim de algum tempo de perseguição, e por via de sua fixação em uma, fica com tonturas acabando por desistir. O facto de todas correrem em simultâneo causa o efeito psicadélico e, o que era,  fica turvo com tantas riscas a se moverem. A natureza ensina muito a quem se detém a observar os mistérios tão perfeitos dela.

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Numa sã convivência tenho por hábito relembrar os velhos tempos dando a conhecer a alguns aquilo que foi a maneira de se viver, os hábitos e alguns rituais africanos. Esta iniciativa é acarinhada por uns e considerada foleira para outros mas, não virá mal ao mundo considerar ou não, outros conceitos! Tenho um amigo engenheiro que sempre surge dando uma de sabichão, falando palavras de Domingo e quase desconsiderando minhas formas de expor.

macuta com soba.jpg Como tenho mais engenheiros amigos e, para que não se julguem mal, direi que este era um antigo colega dos Caminhos de Ferro de Angola aonde eu fui desenhador de máquinas. Pois sucede que este meu amigo da onça surge com falas periclitantes cheias de erudição para vincar sua destacada auto altivez. Faço que passo ao lado assobiando mas, tendo a nítida imagem de um petulante amigo que não perde a oportunidade de afectar as minhas sensibilidades, os meus cheiros, as minhas impressões.

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Assim como se armando-aos-cucos como é comum dizer-se e de forma gratuita, sem bases de concreta analogia ou razão da formação das palavras no seu contexto. Faço por não me azedar contendo a vontade de dar um basta com aquela minha liberdade, alforria da vida. Sei quando quero usar o maldizer com escárnio ou sátira mas não interessa aqui escalpelizar tais atitudes porque corro o risco de desvirtuar meus princípios.

lobo1.jpg É por estas e outras que uma grande parte das pessoas com quem vou tendo contacto, sentir-me desiludido! Posso até perguntar ao mundo e para quem me lê, que interesse poderá ter dizer lindas ou ortodoxas falas tão cheias de hipocrisia, façanhas agigantadas de soberba superioridade. Para quê? Para se vangloriar de que se é o maior, mais sabedor…

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Hó gente miúda com canudos de papel dizendo ser o que nem sempre são! Pois queiram saber que não gosto de gente mesquinha e fútil que só se quer aparentar. Hó gente engravidada de grandeza que não vê o cisco em seus olhos denunciando-se em bazófias gratuitas de nenhum mérito! E, será que todos deixam andar estes propósitos sem reclamar? Isto, sucede sim!

roxo90.jpg Algumas pessoas são bem fúteis, até bem curiosas do lado negativo porque bem acomodadas ficam esperando que alguém faça algo para logo surgirem como comentadores com seu ar superior! E, o pior é quando surge um com caganças de katedrático como sendo o senhor da verdade, usando palavras de Domingo como se nós só entendêssemos as coisas pela metade de terça, dia da feira e do vendedor de lérias avulso em folhetins de santinhos…

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Pois que fique claro que também tenho cabeça para pensar! Não quero com isto criar inimizade com ninguém em especial e, que ninguém veja isto como um ataque pessoal porque está em causa a atitude de cada um. E, há muita gente a portar-se mal, ser inoportuna e sem senso. O amor quando verdadeiro coloca em primeiro lugar a felicidade do ser amado, consideração aos amigos e gente próxima. A César o que e de césar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:37
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Quarta-feira, 15 de Março de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXX

TEMPOS PARA ESQUECER - 15.03.2017 - ANGOLA DA LUUA XXIX. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo…

Por     

t´chingange.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

(…) A UNITA não permitia a entrada da tropa portuguesa em Nova Lisboa (Huambo) alegando que em outros pontos do território as PAP assumiam atitudes favoráveis ao MPLA e tinham toda a razão para assim procederem. A UNTA deu 24 horas às FAPLA para saírem de Nova Lisboa e assim veio a acontecer com a escolta protectora das Nossas Forças (NF) até ao Dondo, bastião carbonizado em posse do glorioso MPLA. Entenda-se por NF as tropas do M´Puto, as FAP que tudo faziam em agrado do MPLA e, por instruções explicitas do CR (Concelho da Revolução) e seus generais de aviário.

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Pode notar-se nesta descrição o comportamento diferenciado por parte da UNITA em relação às outras forças; certo que tudo iria descambar mais tarde para coisa ruim mas as contingências da guerra aberta e sem mando capacitado, já não permitiam manter o aprumo desejável. Neste então a UNITA deu tempo às FAPLA para recuarem ao invés destes e das FALA que atacavam sem prévio aviso e com todo o potencial mortífero.

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No Cunene, as tropas da UNITA já faziam rusgas aos trabalhadores Sul-africanos nas barragens de Caluéque e Ruacaná por se recusavam a regressar ao trabalho. Recorde-se que estas estações hídricas estavam cercadas pelas FALA e os naturais Ovambos negavam-se a trabalhar sem garantias de segurança; foi assim que a queixa de Pretória chegou à Embaixada Portuguesa. Os furtos de viaturas e o desaparecimento de pessoas provocavam receios e o êxodo da população branca sendo que, a cada novo dia, se complicavam ainda mais por ampliação de confrontos armados.

moka19.jpg Nas horas daqueles dias a vida não valia um vintém; tudo ficava ao sabor da sorte. Nestas aflições sem controlo visível, surge a figura de Gonçalves Ribeiro batendo-se pela criação de estruturas àquela que se veio a chamar de “ponte aérea” e, que só se resolveu em pleno quando mais de cinco mil pessoas se juntou no Largo fronteiro do Cinema Miramar da Luua pedindo a todas as embaixadas que mandassem transportes aéreos ou marítimos a tirár-nos daquele inferno.

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Isto veio a acontecer com a supervisão de Gonçalves Ribeiro, o pai da ponte “LUALIX”. A CIA dizia nesse então que Lisboa não tinha um suporte adequado no terreno que lhe permitisse evacuar mais de trezentos mil brancos ainda no território, nem para manter os voos no ar. Era verdade! Mas também havia aqui pressões para em troca da ajuda, Costa Gomes retirasse o vermelho Vasco Gonçalves do governo. E, foi isso que veio a acontecer!

moka28.jpg Este ex-internado na casa dos malucos, sector militar de Luanda andava esbracejando de mais naquele M´puto desvairado de liberdade. Ele que tinha tirado água da cacimba da Maianga com um cesto de vime! Como podia estar bem do juízo! Justificaram-no depois que estava a fingir para se livrar da operacionalidade perigosa. Tigres de papel! Mas, em verdade,  os americanos não dão nada de borla, teria de haver algo na cartola do tio Sam. Jogaram uma olha e Costa Gomes agarrou-se àquela bóia, pois então, dava jeito!

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Fomos em verdade, a moeda de troca; com um só porrete mataram dois coelhos como soe dizer-se! Portugal inundado de retornados anticomunistas, vinha mesmo a calhar nesta hora. E, o mundo observando estas manobras com o abutre Carlucci a dar palpites ao estado português através de Mário Soares e outros desclassificados diplomatas de cordel que iam ficando engradados de poder e dinheiro, pois!...

moka12.jpg Bom! Na N´Gola, as FAP já nem dispunham de bases aéreas para nos escoar; falo na primeira pessoa porque estava lá! Os confrontos permanentes entre todos os movimentos impediam o funcionamento dos aeródromos como o de São salvador, Cazombo, Maquela, Togo, Gago Coutinho, Cuíto Cuanavale e N´Riquita; Henrique de carvalho, Malange, N´Dalatando e Carmona já só tinham estruturas reduzidas, quase sem uso por falta de segurança e equipamento de apoio.

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Em Luanda encerravam vários consulados como o Britânico, Australiano e outros que o estariam prestes a fazer. Só neste então a Metrópole com seu CR tomou pela primeira vez “consciência da gravidade”. Costa Gomes e Vasco Gonçalves começavam a ser acossados pela Imprensa Internacional! Num muro do M´Puto no bastião comunista de Torres Novas e Riachos, terra natal de Otelo podia ler-se escrito pelos anarquistas: “ Otelo Saraiva de Carvalho, que lindo nome tens tu, tira o vê de Carvalho e mete o resto no cú.

moka22.jpg Em meados de Agosto de 1975 a luta era generalizada em Angola atingindo zonas que até aí tinham estado relativamente calmas. O MPLA dominava praticamente todo o litoral com excepção do distrito do Zaire. O Director da Companhia Mineira do Lobito, Horta carneiro foi morto nas hostilidades entre a UNITA e o MPLA. Tornava-se cada vez mais difícil a deslocação das colunas militares portuguesas devido à falta de garantias por parte da UNITA; tinham receio de ser atacados, acossados que estavam pelos constantes atropelos e, por sempre ajudarem o MPLA.

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No Luso, o Batalhão e população civil que deveria ter saído no dia 16 de Agosto, teve de ali ficar retido por via das confrontações. Na base do Luso ainda havia 600 pessoas para retirar e só tinham alimentos para mais seis dias. A coluna que seguia em apoio foi barrada na noite de dezoito para dezanove; pela UNITA foi-lhes apreendido todo o material, inclusive as viaturas que iam nos vagões; foram saqueados, insultados e obrigados a se desfardarem.

moka25.jpg Chegaram a Nova Lisboa em cuecas e descalços tendo o próprio comandante do Batalhão Luso sido espancado e posto de forma igual aos demais; em cuecas e sem botas! Jorge Serro recorda que isto ocorreu com o Batalhão de Caçadores do Moxico. Se não erro, neste então era ali Governador por parte da UNITA, Rui Perestrelo com quem nunca dialoguei sobre este assunto. Também ele acabou por se juntar como refugiado para o M´Puto usando a ponte e instalando-se em Silves no Algarve.   

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Veio a ser funcionário da Câmara Municipal de Lagoa e empresário no Carvoeiro; após a morte de Savimbi e, porque era preto acomodou-se de novo junto à nomenclatura vendendo talvez a alma ao diabo como todos os demais; procedimento típico de qualquer militante e, de um qualquer partido. O Kumbú sempre falou mais alto! A lassidão do trato português era tão elástica que tudo veio a rebentar-lhe na cara com a máxima tensão. Em Portugal ainda se coabita com gente que ou foi carrasco ou procedeu duma forma desleal e, no entanto foram aceites como funcionários sem retaliação notória. Também esta é uma forma de trair! O lugar deles seria em outro qualquer lugar menos ali no M´Puto.

gad3.jpg O Batalhão de “pé descalço ou em cuecas” deixou armas, rádios, munições e até material cripto. Foi o próprio Chiwale, segundo comandante militar da UNITA daquela região, que ordenou esta acção contra este Batalhão; diz ter sido como represália ao comportamento das NT (quando escrevo estas duas letras até me arrepio) em Sá-da-Bandeira. Tinha sido verdadeira esta afirmação! Pois foram as FAP que distribuíram armas ao Poder Popular na tutela do MPLA do Lubango! A eles entregaram todo o armamento da “OPVDCA” fardas, variado equipamento e explosivos…

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Quem lá permaneceu neste meio tempo, no pré e pós-independência, sabe que isto é verdade! Mentem quando tentam sanar o envolvimento do exército português; também por ali havia bastantes comunistas que se enfileiravam na victória ou morte mas, também para eles a coisa mudou e, lá foram regressando dizendo-se ser refugiados; uma coisa diferente daquele crisma de retornados! Uma hipocrisia que só em surdina reconhecem! Muxoxos de N´Gola! Dirão agora:- como fomos torpes! Muitos amigos sabem disto e até já nem o escondem! Será bem melhor darem a conhecer ao mundo o que em verdade, se passou! Assim se ressarcirão de algo menos correcto…

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:54
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Terça-feira, 14 de Março de 2017
LUBANGO . III

ANGOLA - TEMPO DE CINSAS . !Porque não esqueço - Memórias do FB - 14 de Março de 2016 - Quando os heróis ficam bronze até os nomes mudam…

Por

Torres0.jpgEDUARDO TORRES - Um Chicoronho de 3ª geração

Porque não esqueço, ao invés, tenho bem presentes acontecimentos que fazem a história da minha vida. Os meus antepassados foram para Angola em condições adversas, as pessoas da primeira colónia de que faziam parte os meus bisavós Pereira, ela grávida da minha avó Vitorina, desembarcaram e tiveram de palmilhar a pé ou em condições diferentes mas pouco mais cómodas, até atingirem o planalto da Huila, no local chamado Barracões, no ano de 1885.

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O meu pai, natural de Cantanhede, embarcou para Angola como militar, desembarcando em Moçâmedes em 1917, calculo de que modo terá também alcançado o Lubango. O planalto oferecia condições diferentes, era saudável devido ao clima ser ameno, que o diferenciava de grande parte do território, agressivo, onde as doenças como a biliosa, a malária e o clima quente e húmido permitiam dificuldades de toda a ordem. Quem não estava na melhor forma física era mais sujeita a sofrer as agruras da terra; Pessoas que vinham de outras paragens, duma civilização que nada tinha a ver com esta nova realidade eram atreitas a febres e outras mazelas.

LUBANGO 1.jpgAs próprias necessidades as tornavam solidárias, porque era absolutamente necessário que isso acontecesse. Eu próprio, nascido numa época diferente, numa cidade já bem delineada, ainda usando o chafariz para abastecimento de água potável , ou o candeeiro Petromax a petróleo e velas, porque a electricidade haveria de chegar, beneficiei, mesmo assim, com todas as limitações inerentes à época , de regalias que faziam esquecer as dificuldades, já que o meu pai dispunha de uma viatura Nash, que nos permitia dar passeios ou fazer viagens em estradas difíceis.

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Autênticas picadas rasgadas na selva, nas savanas ou nas florestas, mas sempre com a possibilidade de se verem animais diversos, que constituíam uma fauna farta e admirável. Os pontões, quando os havia sobre as mulolas, na maior parte dos casos eram formados por troncos de madeira de árvores cortadas ali por perto, ou então restava o atravessar em jangadas como sucedia no Rio Cunene.

ant4.jpg Mas havia outras compensações; Angola oferecia em cada lugar, em cada momento uma surpresa já que a natureza a dotara de uma beleza impressionante, perigosa até, mas talvez por isso, desejada e admirada. No meu tempo de criança, as estradas tinha melhorado, bem rasgadas, ligando as principais cidades; contudo, constituía ainda uma aventura viajar por elas, especialmente no tempo das grandes chuvas.

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Fora destas, outras preocupações havia, como cuidar da saúde, com medicamentos caseiros, como chás, quantas vezes intragáveis. Tão pequeno era ainda, tomava um comprimido de quinino que me punha os ouvidos a zumbir, purgantes de óleo de rícino que me obrigavam durante o dia a estar a caldos de galinha sem sal ou as garrafas de litro de óleo de fígado de bacalhau, tomadas a colheres de sopa durante a época do frio.

caprand0.jpg As constipações curavam-se também com escalda pés, uma bacia com água bem quente e cinza, onde se mergulhavam os pés, para depois se enrolarem numa manta, em seguida para a cama, e transpirar durante a noite para no dia seguinte estar melhor, tomando mel, limão e rodelas de cenoura, em xarope de paladar agradável.

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Ou tricalcina, um pó branco diluído em água para fortalecer os ossos, já que água da nascente era pura demais, sem o cálcio necessário, para o efeito. Usar o permanganato e o álcool puro para as feridas, as papas de linhaça, e outras mezinhas que foram desaparecendo, quando após o final da segunda guerra surgiu a penicilina, cuja invenção permitiu outro desenvolvimento.

nash1.jpg Desenvolvimento que deu origem a outros medicamentos derivados, como as sulfamidas que desapareceram do mercado farmacêutico, e que tantas vezes e com bons resultados foram usadas em diversos tratamentos. E o quinino, umas bolachas amarelas e amargas como trevisco! A resoquina ou Kamoquina para o paludismo que nesse então eram chamadas de maleitas, como assim era conhecido no M´Puto. Tanta coisa mudou depois, mas ficará para outra altura….

EDU



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:56
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Domingo, 12 de Março de 2017
MUXOXO . XLIX

TEMPO CINZENTOS . 5ª Parte (última) 14.03.2016 - Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida mas sim aquele que melhor se adapta a ela…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

sururu0.jpg (…) San José Del Tisnado do estado de Carabobo da Venezuela era um caserio com uma boa quantidade de casas térreas de pau-a-pique feitas em taipa, barro amassado bem por perto com argila à mistura com capim para dar consistência ao agregado; este tipo de construção veio desde a europa trazida por portugueses, técnicas antigas e já muito usadas pelos egípcios e romanos.

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Quase todas tinham grandes quintais com dispersas árvores de sequeiro e arbustos de cores garridas a embelezar as cercas, divisas entre vizinho; e havia mamoeiros, limoeiros, mangueiras, tamarineiros e arbustos indistintos a fazer sombra às capoeiras com patos, gansos, galinhas de angola e granisés. Mas alguns tinham como animais domésticos cobras rateiras, amarelas, tartarugas morrocois e até lagartos  de um castanho escuro que eu conheço pelo nome de  sengue em Angola.

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Como tenho vindo a dizer o topógrafo, geómetra engenheiro de estradas que era eu, surgia ao romper do dia em lugares pré-escolhidos para ali fazer suas observações solares; Tinha de ligar a estrada á rede geodésica através de coordenadas a partir do Sol e, isto de amarrar a estrada a coordenadas era uma explicação bem complicada para quem de forma curiosa queria saber o que estava fazendo ali.

baú1.jpg Pois então, surgia entre a bruma do cacimbo indistinto e húmido as sombras numa figura de T´Chingange da terra de N´Gola, tão distante e sempre tão perto na recordação; terras muito iguais, Venezuela com espinheiras e pau-ferro com bichos rastejantes e cheiros de musgos pré-históricos, folhagem com húmus amontoado por séculos escondendo bichos de mil patas e lacraus pretos do tamanho de caranguejos

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A trovoada quando surgia era impiedosa levando pelas linhas de água, barrancos ou mulolas, água aos golfões, ramos secos, troncos e restos de casas descuidadamente construídas em sítios menos próprios. Água barrenta, desesperadamente barulhenta. Cada trovão, um arrepio na coluna a descarregar respeito de medo para a mãe terra e, lá mais longe os raios a rasgarem a floresta, a mata com quem tinha de cohabitar. E, comi iguana, jacaré caimãs, morrocois, catxicamos e nem sei mais o quê!

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Se não morri quando comi macaco em Cabinda na pré-guerra do tundamunjila, não era ali e naquele agora que ia lerpar (morrer), assim como se dizia nas matambas de N´Gola. Pois, assim continuei comendo especiarias ao preço da chuva sem perguntar “que vaina era aquella” (que merda era aquela). Estávamos no ano da graça de 1977.

poluição.jpg Gosto de falar assim “no ano da graça” mas nem sei porquê o digo, porque a graça não era assim tanta mas, se os cronistas de antanho assim falavam, eu seguirei seus pergaminhos de falas transcendentes. Minha vida tem sido mesmomesmo corrida a ninharias que me mudaram o rumo e, ainda continua desse jeito, imprevisível; hoje aqui, amanha logo se saberá…

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No meio da selva tropical, mordia a natureza embotado em fumo de bananeiras e merda seca de boi para afugentar tanto mosquito que por demasiado amistoso fincava seus canudos em minha pele parda; tudo isto  sem saber que anos depois estaria em plena praia da costa brasileira olhando o mesmo Sol e escrevendo estes “recuerdos” já distantes.

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Quem me disser que “tive uma vida fácil” que responderei que sim! Quis o destino que andasse por mais de vinticinco países e, que por longo tempo em alguns, assimilei raízes de cidadão do mundo como gosto de o afirmar. Se voltasse atrás faria tal e qual, porque sempre me recolhi nos braços do meu céu. A lei humana alcança certas faltas e as pune, o condenado pode pois dizer-se que suporta a consequência do que fez.

valdir4.jpg  Se há um prejudicado nesta vida foi a herança legada pelas sortes. É o destino! Dizer que é só meu é uma falácia egoísta mas se assim foi, se assim é, não retrocarei outras falas e outras opiniões. É a vida! Alguém me diz agora que sou um Guru! E eu responderei que sim senhor, sou um canguru!

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Mas, não tiro daí dividendos, escrevo desta forma atravessada porque me dá prazer e só não escrevinharei um livro porque isto de autobiografias se tornou demasiado vulgar. Só escrevo isto para dar alguma alegria aos meus amigos e porque entre os solavancos dos dizeres, sempre eles irão sentir um pouco de si, e também cheiros, sabores e até amores. A vida tem de ser vivida, um dia de cada vez, nada mais que isto!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:47
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MALAMBAS . CLXVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO Tenho-me forçado a encontrar um herói perfeito, um que seja observador o quanto baste para investigar os antagónicos traços das pessoas que nos cercam… hoje estou em dia NÂO…

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

roxo131.jpg O homem procura instintivamente seu bem-estar e, mesmo tendo a certeza que não vai estar senão por pouco tempo num lugar, ainda quer assim mesmo, aí estar melhor ou o menos mal possível; não há ninguém que, achando um espinho cravado em seu pé, não o tire para não sofrer a dor. Nesta procura de bem-estar, possuído que está do instinto do progresso conserva-se em união com a natureza. Mas, sabe-se haver pessoas que permanentemente e como prática vulgar, fazem dos outros parvos espetando ideias desconchavadas com suas engordados falas, inchando seu EGO num baú de fantasia; sua mente!

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Tem gente assim, que geme e chora e logo em seguida lança cuspe, inventa situações de intriga com risos de veneno. O mundo fica complicado quando se depara que a sociedade tem gente que só vive em criar situações para daí tirar proveito, ficar senhor do pedaço. E há organizações de advogados, que nada mais faz do que ir ao encontro dos improváveis para dai torna-los possíveis a preço de oiro. Estes vendedores de assinatura tornam as coisas simples em complicadas surgindo mais tarde como os salvadores do evento e, agarrando o melhor pedaço do bocado.

roxo117.jpg Tenho compreendido com o tempo a esterilidade das honras e das grandezas que muitos buscam com tanta avidez! E, como vamos arranjar benevolência para com todos aqueles que nos fazem perguntas de como fostes, que posição ocupaste, que bem haveis feito no intuito de despistar sua singularidade de gente imprestável. E, são muitos os desclassificados desta sociedade a tentar despistar nosso cérebro. Doutores, engenheiros, professores, psicólogos; um sem fim de missangados em espetadas de corações…   

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Há imprudência de todos nós povo, por aceitá-los e promulgá-los levianamente como verdadeiros! Isso não é comigo! Vamos ver no que isto dá! Vamos dar tempo ao tempo e, nesta lengalenga comem-nos os quesitos, apropriam-se de nossos silêncios, ditam leis para se superarem; comem-nos o verbo, o prefixo e o sufixo desculpando-se no particípio passado, fora de tempo, coisas prescritas. Este mundo está negligenciando-se por insuficiência de luz nos nossos pensamentos.

roxo116.jpg Nossa opinião não é, aos nossos próprios olhos, senão uma opinião pessoal que pode ser justa ou falsa porque não somos mais infalíveis que um qualquer outro. E, como fico eu, assim, depois de levar uma vida a ensinar aos meus filhos a praticar boas acções e, quando ao seu redor só há compadrios, gente a enricar usando falsidades, governantes a umbigar ao estado toda a família e, amigalhaços; e tudo passa ao de leve sem nada acontecer à árvore dos maus frutos! Pois então não é pelo fruto que se reconhece a árvore? Sendo assim, porquê não se corta a árvore!  

roxo61.jpg Ando muito desconsolado e à procura dos prazeres da alma. Sim! É verdade quando leio em quantos tormentos, ao contrário, se poupa aquele que se sabe contentar com o que tem, que vê sem inveja o que não têm, que não procura parecer mais do que é. Pois então: haverá maiores tormentos que aqueles causados pela inveja e o ciúme? Estes cidadãos não têm repouso, deverão estar sempre em febre; o que eles não têm e o que os outros possuem lhes causa insónia. Mas afinal neste contexto quem são os pobres de espírito!? O César o que é de César!

Ilustrações: os gatafunhos de Rocho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:55
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Sexta-feira, 10 de Março de 2017
MUXIMA . LXX

MEMORIAS - COISAS DO LUBANGO - Diamonds, transformadas em "Carreiras mistas de passageiros e carga"… COISAS DO MATO - Monteiro´s Hornbill…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade …

torres13.jpgEduardo Torres - Um Xicoronho de 3ª geração - "Se alguém lhe fechar a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.” - Gandhi

monteiro ornbilll.jpgNa outra encarnação devo ter sido um pássaro da ordem dos Bucerotiformes – Tocku. Este hornbill do Monteiro (Tockus monteiro) é um pássaro Africano. É uma ave de tamanho médio com uns 45 centímetros de comprimento caracterizada por uma barriga branca, de colar preto, manchas brancas nas asas e penas de voo secundárias de cor branca. As penas exteriores da cauda longa, também são brancas.

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Estava compondo este texto do pássaro com meu nome quando me surge no écran do lado um passarão com o nome de Eduardson Torres e, com um assunto sem tema: quando quero escrever qualquer coisa, e não tenho tema para o fazer, a partir do nada invento qualquer coisa, que seja substancial, que justifique o tempo que vou usar. Pois começou assim e, continuou! Procuro escrever de lugares que conheci ou onde vivi; sítios tão diferentes uns dos outros! Aqui afinei minha astucia quando refere esta cena de falar dos outros.  

torres26.jpg Larguei a cena do Eduardson recomeçando minha descrição do pássaro: As fêmeas são menores do que os machos podendo ser reconhecidas pela pele facial turquesa. Os olhos são pretos e o bico é vermelho. Ao contrário de outras árvores, o hornbill do Monteiro alimenta-se exclusivamente de insectos e outros pequenos artrópodes. Seu habitat é a savana de espinhos secos nos campos do noroeste da Namíbia e sul de Angola.

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De novo as luzes piscando e é o EDU que continua: Pois falo de gente marcante na minha vida, muitas das vezes sem motivo aparente, mas cujo significado é uma razão forte para o mencionar. Estava aqui a pensar no meu pai e no velho Araújo. Recordo-me perfeitamente, ainda criança, ir lá à oficina para o meu pai resolver algum assunto relacionado com a viatura, por vezes era a Nash, aproveitarem para dois dedos de conversa, falar de suas figuras, de boné, óculos, corpo já ligeiramente curvada; conversas de boi dormir com umas graçolas pelo meio. Enquanto isso eu, curioso, via os trabalhos de mecânica que estavam a ser feitos entre os desperdícios impregnados de óleo.

torres11.jpg Voltando ao meu hornbill, sei que na primavera migram para a região mais a sul de Windhoek para nidificar. Era aqui que vivia o Eduardson das canetas rotring e aparos graph; um mestre em linhas feitas à mão mostrando sua habilidade, assim tão grande quanta a sua calma. Nunca falei com ele destas aves, embora saiba que coabitava com elas na Mina de ferro das secas mulolas (creio que era algo como Rocing).  

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Estas aves estão adaptadas ao ambiente árido; beber, não é uma necessidade vital para eles. Reproduzem-se no final de uma boa estação de chuvas, colocando 3 a 5 ovos branco-acinzentado, que chocam após aproximadamente 45 dias. O ninho é construído em paredões rochosos ou árvores. O hornbill do Monteiro é uma espécie endémica comum da Namíbia, com uma população total estimada em 340.000 indivíduos. Exposto isto, dedico-me por inteiro à descrição do EDU, de quando ele era um pequenote e usava aqueles calções de zuarte dum amarelo desmaiado, umas borrachas de fisga atiradeira a pender do bolso de trás.

torres27.jpg Saídos dali, o meu pai passava pela farmácia Alexandre, conversava um pouco com o proprietário, magro, de nariz adunco, óculos, bata branca, lá no seu laboratório a fazer as pomadas que se usavam na época, e depois seguíamos para a camionagem do Venâncio Guimarães ao virar da esquina, e em que o meu pai era sócio gerente. Lá encontrava os motoristas Mateus, Luís Marques, João Correia, que em cada viagem levava a sua guitarra, para a ir dedilhando, quando fosse tempo disso; uma venda do mato para os lados da Chibia…

torres29.jpg Eu ficava encantado, como ainda hoje fico, ao olhar as vermelhas Diamonds, transformadas em "Carreiras mistas de passageiros e carga", com as cabines concebidas e construídas localmente para o efeito. São recordações que perduram pelo tempo fora, lembranças de pessoas que marcaram uma época, e conhecidas por quase toda a população da cidade. É por este motivo que de quando em vez vou à Internet consultar automóveis de outras épocas, procurar viaturas de marcas diferentes que fizeram o meu encanto de criança.

EDU

Com suas memórias do Lubango e

T´Chingange com suas estórias do Mato



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:29
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Quarta-feira, 8 de Março de 2017
MALAMBAS . CLXVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Muitas das coisas que acontecem neste nosso mundo, vêem de opiniões que se dizem acertadas! … Mas, nem sempre assim, o é!...

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange - O Niassalês

adam2.jpg Com o gosto de me esfregar na vida percorro o calçadão da Pajuçara, ando por aí com minhas botas papa-léguas, recentemente recauchutadas num sapateiro com boteco montado em plena rua das árvores do centro de Maceió. Logo após o entrudo, quinta-feira das cinzas fui ao camelô sapateiro de rua, conforme o combinado mas, o cara não estava; aliás, estava quase tudo fechado pela ressaca do carnaval. Pois assim, tive de entregar ao Jeferson as ditas cujas, mesmo ficando mais caro em quinze reais.

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O cameló de rua pediu-me 35 reais enquanto este, abriu a boca com sessenta e, na reclamação ganhei dez ficando por cinquenta. Aqui todo mundo tem de ficar a ganhar, ficar por cima, mesmo que isso seja assim uma ilusão de palavreado como se todos entendessem desse negócio de bolsa, de flutuação do mercado, de cotação e gráficos com tendência de subir ou descer. Todos querem ficar por cima num qualquer negócio, mesmo sendo banal; assim todo o mundo sai ganhando embora alguns, em verdade, ganhem juízo!

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No correr do tempo todos ficam mais ou menos assim, passando a ser tudo conotado como uma questão cultural de passar a perna por cima; para pior antes assim! Até que acaba por ser giro assistir a isto e ouvir o povo de rua que se desenrasca vendendo água gelada e montando banca em cima duma porta a caminho do lixo; Qual ASAE do m´Puto qual quê!? ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, Orgão de Polícia Criminal) - Organização fiscalizadora de regras ditadas pelos políticos) é um negócio de chatear a malta que se quer safar na vida; é assim como um corpo policial que vê se os regulamentos estão sendo compridos.

ÁFRICA2.jpg Isso dos decretos que só proíbem exigindo termos num negócio, um conjunto de seis facas com cabos de cores diferentes: vermelha para a carne, verde para a hortaliça, amarela para o queijo, azul para o peixe, castanha para os enchidos e mais o escambau. Mas ainda se fosse só isso; temos lá no cantinho da Europa chamado de Portugal outras muitas organizações de roubar o povo multando, aplicando taxas, criando situações de abafar iniciativas. O Brasil faz cópia disso com Xerox. É um sem fim de Órgãos estatais a roubar para fazer andar a máquina dizem eles, os empoleirados do Governo que só fazem isto como se fossem os Patrícios da antiga Roma.

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Enfim uma cambada de gente improdutiva que saca de quem trabalha à tripa-forra. Depois surgem os da higiene e saúde mais segurança no trabalho a imporem suas prepotências, segurando as pontas em empregos para uns quantos afilhados da nomenclatura do partido, os amigalhaços. Mas que merda de sociedade! Prefiro o mato! De novo no Brasil, aqui ninguém pode ser bobão e, ficar logologo no primeiro preço! Quem fica com a língua agarrada aos dentes, sofre estes desaires reclamando da vida, de tudo e até do calor brabo que não tem nada com isto; um desaforo de dar o fora…

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Aqui no Nordeste brasileiro todo o mundo é meio turco, meio libanês, meio Índio, meio branco, meio preto, meio japonês, meio português e mais o escambau vindo da cochinchina de baixo, do Vietname ou do Miamar, antiga Indonésia. Mas, como eu sou exótico digo sempre que sou Niassalês e ninguém me pergunta que raio de país é esse!? Um ou outro, curioso e sabedor, tem uma vaga ideia desse nome, não pode indiciar burrice viu, dum distante pais ao lado do Lago Niassa mas por via de supostas interpretações e paradigmas complicados, fica assim por isso mesmo. O Tuga Niassalês da N´gola que sou eu.

botas de tabaibos.jpg Sou Niassalês e pronto! Isto de nos baptizarem de uma terra e passarmos a ser propriedade duns quanto eleitos, feitos patrícios de Roma está mal! Qualquer coisa deve ter demudar com o tempo. Angola é pioneira nesta matéria porque o cidadão branco que lá nasceu antes de 1975 é colono, mas, só os brancos! A nossa terra é aquela aonde nos sentimos bem, nos tratam com familiaridade, são participativos em nossas ambições, roubam-nos quando podem ou deixamos, sempre seguindo as pistas, ditames dos governantes ladrões até debaixo de água ou com dinheiro na peúga ou cueca. Aqui, Brasil ou em Portugal, é tudo quasequase igual, só muda mesmo é a temperatura dos factos sem o “c” Hodierno.

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Outros há, que sabem ter havido um paquete, navio ou vapor com esse nome e sempre ficam com a ligeira impressão de que virou ferrugem e, não estão errados embora não passe de ser uma simples suposição no particípio acabado (passado)! Foi por isso que os entendidos na definição de raças, os etnólogos e essa catrefada de gente que estuda as sociedades, tais como os sociólogos e edecéteras tiveram dificuldade em definir as raças brasileiras, aprendi em meu muito antigo estudo primário que havia quatro raças puras e básicas, a saber: branca, amarela, vermelha e preta.

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Mas aqui o negócio foi, é e sempre será outro. Tudo se misturou dando a Raça Humana e aqui entram pardos, mamelucos, matutos, mazombos e um sem fim de polimentos na forma de pigmentos; sem regatear as horas que Deus me deu, faço-o bem à maneira do escritor e poeta alagoano Aldo Rubens Flores ou tantos outros incógnitos por quem passo na rua; eles ali sentadinhos feitos estátua. O mundo por vezes é pequeno e assim sem predestinar horários, vou bordejando o mar cor de esmeralda á sombra de muitos coqueiros!

soba02.jpg Para um pé carente há sempre um chinelo velho! O meu sapato biqueira de aço (normas de Segurança e higiene do trabalho dos outros) descascou da sola; enganam-nos de toda a forma - de todo o jeito também nos vamos descascando… Sob o ponto de vista na vida futura, a Humanidade, como as estrelas do firmamento, perde-se na imensidão.

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Nós nos apercebemos então que grandes e pequenos estão confundidos como as formigas sobre um torrão de terra; que proletários e potentados são do mesmo talhe, e lamenta esses homens efémeros que se dão a tanta inquietação para conquistarem um lugar que os eleve. É assim que a importância atribuída aos bens terrenos (tributo), está sempre na razão inversa da fé na vida futura. Adivinhar, é pecado!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:51
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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