Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXI

TEMPO COM FRINCHAS – 12.12.2017Em terras de M´Puto.

Podemos dizer-nos independentes, porque nos podemos mentir mas, com os “DDT”, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos

Por

soba15.jpg T´Chingange

Já quase acabei de ler o livro “A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros” escrito por José Gomes Ferreira dirigido a todos os contribuintes, que suportam o Estado português em pagar mais impostos do que o devido, por causa dos erros de uma boa parte da elite financeira dos “DDT - Os donos disto tudo” com o compadrio de nossos governantes.

dia82.jpg E, por mais que no mostrem que os governantes portugueses e os responsáveis europeus, prometem aos contribuintes que já não serão mais chamados salvar bancos em dificuldades, estes sempre acabarão por pagar os desmandos dos banqueiros, de uma ou outra forma. É o que se pode ler, logo no início, como que num ajoelhar com vénia a esses estupores que nos arruinaram.

coimbra2.jpg Foi necessário surgir um Passos Coelho que dissesse um NÃO a um Ricardo Salgado e, se agora estamos melhor economicamente, a ele o devemos. Não gosto de traidores nem bajuladores e pelo que li, anda muita gente por aí pavoneando sua habilidade, irresponsabilidade e falsidade e, até assobiando para o lado, dizendo do mérito de quem se lhe seguiu, António Costa, emudecendo provocatoriamente o nome do verdadeiro feitor.

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Mas, sinto que a grande maioria dos portugueses não têm percepção das encenações do poder, da grande obediência dos políticos aos interesses e benesses que os senhores do dinheiro “os DDT”, dão em troca de modelos de governação. Tenho uma grande admiração pelo actual Ministro das Finanças Mário Freitas Centeno que considero ser um bom economista desde 26 de Novembro de 2015 mas, também ele irá fugir do pântano a seu tempo.

amilcar 02.jpg Já António Seguro antes de passar a pasta a António Costa dizia: «Há em Portugal um partido invisível, que tem secções nos partidos de Governo incluindo o PS (referia-se ao “DDT- Donos disto tudo” com Ricardo Salgado no mando). Partido esse que tem um aparelho legislativo paralelo com grandes escritórios de advogados a influenciar ou comandar os destinos do país. Não tem rosto, não tem estatutos (…) mas quando descobrimos que há um banco em que as coisas correram mal, que há um investimento do Estado, em que as coisas não são totalmente claras, vai-se percebendo quem são as pessoas desse “partido”» – (É claramente o partido do DDT).

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Mas, disse mais: «O país tem zonas de podridão». Não é difícil chegar-se ao Grupo Espirito Santo e ao Banco Espirito Santo com as suas cadeias de empresas! Salgado em 2014 só queria 2,5 mil milhões de euros e Passos Coelhos disse NÃO! Mas pelo que se sabe não era só isto! Havia muito mais e outros bancos com buracos financeiros sem fundo que sempre tinham um saco azul para agradar a Paulos irrevogáveis e Costas.

ardinas branos.jpeg Basta cruzar as falas dos políticos para se entender o azimute dos actos. Maria Albuquerque já com António Costa como primeiro-ministro diria: «Fosse António Costa primeiro-ministro em 2014 e teriam sido entregues milhares de milhões de euros dos contribuintes a Ricardo Salgado para evitar o colapso do BES». E, Marcelo o comentador, falou sobre o caso sim! Falou como o Marcelo-cidadão, não fosse amigo de Ricardo Salgado… No que toca a Passos Coelho nem uma palavra meritória, também aqui, assobiou para o lado…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:22
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXIII

MOKANDA DO DIA – 10.12.2017Tukya I . Peixe da chana - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo . É o nosso pensamento que cria a nossa realidade…

Por

t´chingange2.jpgT´Chingange

Na voragem dinâmica da vida, procuro actualizar-me no dia-a-dia e, ao longo da minha vida registei em meus arquivos de memória muitas notas, alguma que nem quereria registar mas, nem sempre as borrachas do tempo e da singularidade do facto se destroem com um estalar de dedos. Em África também há rios que se apagam na terra, nunca chegam ao mar como o Cuando e o Cubango que formam o Delta do Okavango ou o Etosha Pan e outros que desaguam em desertos de areia fina e, que em tempos foram pântanos ou lagos rasos.

etosha4.jpg O Etosha Pan, é um lago seco de 120 quilómetros formando o chamado Parque Nacional Etosha, um dos maiores parques da vida selvagem da Namíbia. A vasta área é principalmente seca, mas após uma chuva forte, ela adquirirá uma fina camada de água, que é fortemente salgada pelos depósitos minerais na superfície desta grande panela. O Etosha Pan é principalmente lama de barro seco dividida em formas hexagonais que à medida que seca, racha, e raramente é vista com uma fina camada de água cobrindo-a.

etosha6.jpg Foi no Etosha que vi a maior diversidade de animais. Supõe-se que o rio Cunene alimentasse o lago em idos tempos, mas os movimentos tectónicos da placa ao longo do tempo causaram uma mudança na sua direcção, resultando em um lago seco e deixando a referida panela salgada. Agora, o rio Ekuma, o rio Oshigambo e o rio Omurambo Ovambo são a única fonte sazonal de água para o lago.

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Tipicamente, pequenas águas do rio ou sedimentos atingem o lago seco porque a água penetra no leito do rio ao longo de seu curso de 250 quilómetros, reduzindo a descarga ao longo do caminho. Estas vastas zonas de poucos declives formam as chamadas planícies africanas, chanas ou anharas de clima extremamente seco. E, o curioso é de que a esta mesma latitude e para o lado poente temos os desertos junto a costa do Sul de Angola e Norte da Namíbia que são banhadas pela corrente fria de Benguela.

etosha2.jpg Refiro a corrente fria de Benguela porque constitui um dos mais importantes factores de moderação climática desta zona de África com introdução na fauna as focas e pinguins transportados em icebergues que vindos da Antártida aqui são largados. No Namibe, Tômbua, Baia dos Tigres e a Costa dos Esqueletos. Pode até verificar-se famílias de golfinhos na Angra dos Negros a actual Moçâmedes, lugar aonde os albatrozes ou alcatrazes voam baixinho junto aos barcos pesqueiros.

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Cabe qui referir que ante da independência de Angola, em 1975, a pesca tinha importância no mundo porque chegou a ocupar o segundo lugar na escala dos maiores produtores, logo a seguir à República do Perú. Vasculhando minha memória recordo os muitos contadores de estórias de caça e pesca e, até dum amigo meu de nome Araújo ter andado a passear uma pacaça em pleno centro de Luanda; em plena Mutamba. Era muito vulgar entre 1950 e 1960 comprarmos carne de caça a vizinhos que se internavam pelo mato em aventura de caça.

etosha0.jpg Para milhões de pessoas que vivem no mato e nunca viram o mar, o mar não passa de um mistério longínquo e insondável naqueles idos tempos mas no entanto, estes comiam peixe seco saído do mar. Na era colonial e a partir da costa eram enviadas “malas” de peixe para o interior; estas malas iam por comboio ou levadas por camionistas praticando no seu dia-a-dia uma aventura. O peixe sem cabeça, fosse corvina ou carapau, depois de seco e salgado era acomodado em camadas sobrepostas e em zig-zag simétrico, cabeça com rabo – rabo com cabeça.

etosha5.jpg Formavam blocos compactos atados e contidos em esteiras feitas com fibras de grossa mateba. Estas malas de peixe tinham tanta popularidade e valor comercial no interior de Angola que a partir dos anos cinquenta se transformaram no principal produto de candonga no interior do território. E, por que razão se contrabandeava o peixe seco? Vais ser assunto da próxima mokanda cujas falas vão incidir sopre o peixe capim nascido do pântano …

Nota: Alguns dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Sábado, 9 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 09.12.2017 - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo… Num Reino de Manikongo de fingir…

Por

soba15.jpg T´Chingange

Em pleno solo do M´Puto pós colonial, consegui sentir sempre o amor telúrico por uma terra pisada e sonhada que fez nascer em tempos não muito idos um reino Imaginário, o Reino de Manikongo e, onde todos os membros tinham nomes diferentes como o Soba T´Chingange, o Conde do Grafanil, o Comendador de Vale dos Reis, o visconde do Mussulo, O Senhor de Cienfuegos, o Derruba do Chivinguiro, o Marquês do Limpopo, o M´Fumo Manhanga, o M´Bica Rico, o Embaixador do Cacuaco, o Jamba, o N´Dalatando e o Boniboni Sbell da Catumbela, entre muitos outros.

dia141.jpg A experiência africana era em nós transpirada em experiência que transportada ao M´Puto ia dando frutos de convivência, parcerias ricas que os levaram a ser gente de nome ou nomeada, empresários bem-sucedidos pela vontade de se reconstruirem. Aqui se contavam estórias com ou sem tramas em recordação dos tempos de juventude; edecéteras dissolvidas em falas de missangas.

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O único preto entre nós era branco e foi uma brincadeira quando e depois de ter ido à Luua voltou mestiço com Bilhete de Identidade, tudo nos conformes. Vimos nele tanto entusiasmo por ser agora um cidadão de N´Gola que, assim tão completamente, logologo o ascendemos a preto! Meu filho Kaluanda, nascido no hospital do Kazenga, recorda-me isto recentemente dizendo em seu escrito, que só viu Angola após a saída já muito mais tarde e do outro lado do Kunene.

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Estava escrito que sua terra de N´Gola correspondia agora a um mundo fictício, irreal e subjectivo a aproximar-se do mito; um mito que seu pai, (eu), lhe transmitiu. Refere mesmo Fernando Pessoa para acicatar-se de seu pensar numa forma mais consistente  em que o mito é o nada que é tudo! O mesmo Sol que abre os céus - um mito brilhante mudo.

4 DE JUNHO.jpg Agora meu filho, M´Fumo Manhanga já tem uma filha com dezasseis anos que pode ler sem entender a cem por cento esta inquietude de diáspora, lugar aonde aprendeu a ler e escrever ao jeito de Camões e, concluir por semântica que afinal aquela terra não era de seu pai, nem de seu avó; que afinal só era mesmo uma terra emprestada. Uma perfeita ilusão…

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Mas ele M´Fumo Mahanga, seu pai, quando lhe perguntam de onde é natural logo diz ser Angolano. Porém ele sabe que não é angolano, é outra coisa qualquer! É mesmo o M´Fumo Manhanga! Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e, será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos, porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode, sem se querer, agigantar-se na presença de feridas mortais.

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E, daí abrirem-se gavetas ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot, em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto, se neste agora, sabemos estar e ainda revoltados e não ressarcidos. E Marcelo - o Presidente, figura do ano, que está em toda e contudo não faz qualquer referência aos reveses de nossos afectos. É mesmo para esquecer!

ÁFRICA20.jpg Como vou dizer que sou português com o maior orgulho se temos tantas farpas metidas em nós! Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram, em terra de M´Puto, mesmo nem querendo, sempre volto a remover os ossos do passado e, mesmo espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta, irei fazer do tudo um romance.

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Dizem-me para esquecer, e eu, só consigo mesmo ser condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão com tangas e falas bonitas p´ra boi dormir! A nossa vida, de cada vez mais na mesma, continuamos a nos sentir roubados aqui e além por engenharias financeiras com traições de Paulos e Salgados com mais uma cambada de gente que se julgam génios…

relogio areia.jpg Só podemos dizer-nos independentes porque nos queremos mentir, passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, cheiros encarquilhados misturados com densidade molecular amorfa, mofadas pelos anos na leitura de carbono e eteceteras complicadíssimos que só nos baralham o cérebro…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:29
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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2017
XICULULU . CC

PANOIAS V - TEMPOS DORMIDOS - 06.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Salada de MASTRUÇO... Em Garvão, com a magia do Natal

Por

soba02.jpeg T´Chingange

No domingo e, naquele café do “Cú da Mula” Jack tinha mais pormenores a dizer sobre o uso do mastruço mas, fui obrigado a dizer-lhe deixar isso para amanhã. E o amanhã tornou-se hoje e, mais um outro numas feiras frias mas com um sol radiante. Naquele lugar de cheiros de arrúdia com urtigas refazíamos nossos traços sem melancólicos soluços, sem choros nem ranger de dentes, troçando até de nossas mazelas furunculosas.

torres7.jpg Como ressuscitados numa amizade de infância que, morta no ilusório sucedeu a nosso contragosto e em nossa contramão aqui, e por uns dias fintávamos o destino sem aquela fúria suicida dum hiato que mata no tempo o passado desleixado de sem futuro. É algo que se sente pulando das margens encantando corações, rendas belas desenhadas em talento. Sei lá! Talvez isto ou, uma coisa assim parecida.

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Já eram quase onze horas quando fui tomar meu matabicho com meus amigos Jack e Wayne no café do Cú da Mula de Garvão. Elas, as visitas do paralém já tinham comido seu café com leite e pastéis de belém e ficaram a olhar-se de soslaio enquanto comia a minha torrada de pão de Garvão com azeite da horta do cabo, barrada com compota de pitanga e queijo de cabra curado da Quinta da Carvalheira; arregalaram os olhos quando tirei meu frasco de jindungo da minha jaqueta e pintalguei tudo aquilo, compota, tiras finas de queijo e azeite do lagar.

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John Wayne quis provar e, logologo após meter à boca deu quase um grito! - My God! How can you eat this? Tentou também falar em português mas saiu de atravessado: -Tu, maluco! Como ser possível eat, cuspo de diabo. Eu, silenciosamente fui comento rindo só por dentro; estes gringos são fracos! Jack bateu com os pés no chão repetidamente rindo como um chocalho de cascavel. Tu ser fraco, You are very weak, my friend Waine e, olhando para mim, abanou o polegar em seu punho fechado, para baixo e para cima como que a congratular-se com esta minha ousadia.

jack5.jpg Foi quando lhe perguntei se sabia do resto da estória dos mastruços pois que ainda faltava dar mais dicas sobre as vantagens desse capim. Oh ... Yes, yes! My maternal grandfather always said that in the estates, sim, lá dos America… Fiquei todo-ouvidos para ele. Só depois de uma baforada de fazer balões e argolas de índio no seu charuto cohiba é que se dispôs a explicar

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 - Para estimular a digestão e as funções do fígado, colocas uma colher de sopa de folhas, sementes picadas e flores de mastruz em uma chávena de chá; acrescentas água fervente; tampas o púcaro e aguardas dez minutos; coas e bebes o chá de mastruço assim – uma chávena de chá 2 vezes por dia, antes das refeições principais. Claro que tudo isto foi dito numa mistura de ruça tempera e, eu arrulhei a coisa a meu modo no jeito dos pombos para que vocês possam entender.  

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Quanto a diabetes disse: -Para anemia e diabetes os benefícios da erva-de-santa-maria quanto ao sistema imunológico, é importante falar da capacidade da planta em fornecer vitamina C e, portanto, auxiliar as defesas do organismo, aumentando a imunidade e evitando infecções, entre outras doenças. Quem tem problemas respiratórios, é fumante, sofre de asma, aerofagia, congestão nasal ou bronquite pode ser beneficiado pelo consumo do mastruz.

jack7.jpg Caramba, estás a falar como um Kimbanda entendido! Disse eu. Mas o que eu fui dizer! Eu não sou bruxo; este é o legado de meu avô tuga, tás ouvir! Cuspiu Jack… Caramba, devem-lhe ter dito que isso de kimbanda era coisa ruim e despejou sua ira soprada com assobios de insultar cachorros. Assim, I dont play! Disse pela segunda vez. Está bem, desculpa, não foi por mal! Pensei que já tinha dito tudo, mas continuou:

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-A erva favorece o sistema respiratório de várias maneiras, como já te disse. E ainda acrescento aqui sua acção no alívio de crises de rinite e sinusite. Em alguns casos, basta uma xícara do chá de mastruço para obter melhora, uma vez que ele promove a limpeza do muco e do catarro. Pessoas com indigestão e gastrite frequentes ou com gases intestinais também costumam buscar ajuda no mastruz, assim como indivíduos com prisão de ventre, coceiras ou ferimentos na pele. Disseste rinite! Isso é o que todos os santos dias me fazem espirrar treze vezes. Fiquei por aqui porque poderia pensar estar no gozo.

jack13.jpg Já estava bem capacitado sobre este capim de mastruz mas, agora que estava lançado no entusiasmo, foi acrescentando: - Como podes observar, seja na forma de chá ou preparos para colocar na pele, não é difícil entender as razões pelas quais o mastruz é uma das ervas medicinais mais tradicionais e conhecidas nos tempos do meu avó que sofria de vários males entre os quais, o de peidar-se só átoa. Esta foi boa! Este Jack estava a sair melhor que a encomenda

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As flores, folhas e sementes do mastruço devem ser lavadas em água corrente e enxutas; depois, precisam secar à sombra em lugar ventilado. Para conservar suas propriedades terapêuticas, o melhor é armazenar a erva em vidros escuros ou sacos de papel. Ufa! Que seca… Pensei mas, nada disse. Como podemos aprender isto com gente que já foi passado e só aparece em forma translucida.

jack11.jpg John Wayne que já estava cansado de tantos mastruços fez um sinal ao senhor Torrica para que lhe trouxesse um tintol do Convento da Vila de Borba e assim do mastruços passamos para a trincadeira, aragonez, castelão e touriga. Acabei por almoçar com eles um ensopado de borrego. Entusiasmado tive a ousadia de pedir um cohiba ao Jack e ali ficamos deitando fumo de conversa fora, toda a tarde. Combinamos no dia seguinte irmos comer pés de rã e pezinhos de coentrada com feijão branco na barragem de Santa Clara.

jack14.jpg Lá no m´bukusho! Disse Jack virando-se para mim! Achou graça ao nome e acabou por grava-lo desta forma. Sim! No chuço do m´bukusho (churrasco do kavango). Tinha em mente falar-lhes da festa que iria surgir antes do Natal para festejarmos a vida, falar-lhe dos convivas Frank Sinatra e do cómico António Silva por sugestão de nossa madrinha maga virtual Assunção Roxo, mas achei que o deveria fazer só amanhã quando estivessem mais sóbrios. A alegria era mais que muita e se lhes fosse agora falar nestes nomes do paratrás e paralém não sairíamos daqui hoje e eu, até tenho mais que fazer…    

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:16
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Domingo, 3 de Dezembro de 2017
XICULULU . XCIX

PANOIAS IV - TEMPOS DORMIDOS - 03.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Pela primeira vez, comi salada de MASTRUÇO... Na magia do Natal

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Nessa caixinha do tempo e em terras do Alentejo tenho muitos bilhetinhos de amores com mambos desconhecidos até aqui. Eu bem que ouvia falar de mastruços mas, isso para mim, neste tempo de estupor, terra do fiado “civilizado”, de sem respeito, currículo suspeito e outros edecéteras, desconfiado das falas, lá comi essas ervas um pouco picantes, tendo como amigos gente vinda do paralém tais como Jack Palance e John Wayne.

matrindindi1.jpg Eu, um axiluanda camundongo, como no tempo dos Mafulos, dei como um sonho na praia de Messejana; vestido com os meus panos de libongo, agarrado aos búzios duma praia seca do M´Puto, distraído no muxima-ami com amuletos de missangas coloridas, ximbicando n´dongu nos cânticos de belas kiandas feitas kapotas, comi capim que até aqui só era comido pelo pica-no-chão. Gostei…

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Esta erva, nativa da América do Sul, o mastruço ou erva-de-santa-maria, oferece grande quantidade de benefícios à saúde, além de inúmeras formas de uso. É uma óptima fonte de vitaminas e minerais - entre eles as vitaminas A, C e do complexo B; potássio, ferro, zinco, fósforo e cálcio.

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E ainda fornece uma bebida que ajuda a manter o bem-estar em cada dia, disse-me o Jck Palance assim como se fosse um genuíno indígena desta terra. O chá de mastruço! Disse. O que eu descubro neste Alentejo profundo; coisas que se comem esquentadas como as tengarrinhas ou beldroegas.

mastruço3.jpg O mastruço, quando usado externamente, tem acção cicatrizante, pois suas folhas contêm boa concentração de óleos essenciais. A planta também é sedativa, antifúngica, aromática, expectorante, tónica dos pulmões, vermífuga, digestiva, abortiva, antibiótica, anti-inflamatória, antiviral e antimicrobiana. Haka! Como é que este carcamano sabe disto! Coronopus didymus é seu nome oficial. Fiquei rendido, pois ele falava até latim como um experto na matéria.

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Como podia adivinhar! Já conhecia a rúcula, cuentros, catacuzes, a beldroega mas esta planta da família mastros, mastruço-do-índio, erva-formigueira, mastruz-miúdo, mentruz-rasteiro, entre outras formas de chamar também cresce no Brasil. E, foi dizendo: é uma opção para auxiliar no tratamento de gota, infecção respiratória, contusão, bronquite, anemia, ácido úrico, dores nos músculos, raquitismo, reumatismo, disfunções hepáticas e traumatismos.

john02.jpg Rendido a esta sabedoria limitei-me a escutá-lo! John Wayne mantinha-se ali ao lado sem nada dizer enquanto ia sorvendo uns medronhos, fazer cara feia e acenar com a cabeça. Foi neste entretém que fiquei a saber e, aqui registo na sua forma de uso: Como expectorante das vias respiratórias, coloque 1 colher (sopa) de folhas, flores e sementes picadas de mastruço em 1 chávena de café; adicione água fervente; deixe abafada a mistura por 10 minutos; coe-se e acrescente 2 colheres (café) de açúcar e leve ao fogo até o açúcar dissolver completamente.

mastruço1.jpg A recomendação é de ingestão de 1 colher (sopa) do preparo acima três vezes ao dia, sendo que, para crianças, o ideal é somente a metade da dose. Esta receita favorece também a expectoração do catarro pulmonar, dos brônquios e do peitoral, além de fluidificar o muco.

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Nquele café do “Cú da Mula” Jack tinha mais pormenores a dizer mas fui obrigado a dizer-lhe deixar isso para amanhã porque, hoje domingo, tinha que fazer o preparo de colocar o burro e a vaquinha no presépio no largo da praia. -Jack, amanhã falas dos benefícios para pessoas diabéticas! OK, disse ele já com ao beata a roer-lhe o beiço. Nos finalmente do dia ali os deixei fermentando falas, as quinambas cruzadas remendando restos de rasgos antigos recordando estórias. Deixei-o no momento exacto que cuspia sua beata para o canteiro …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:27
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Sábado, 2 de Dezembro de 2017
XICULULU . CCVIII
 
PANOIAS III - TEMPOS DORMIDOS - 02.12.2017
-NAS CINZAS DO TEMPO - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Na magia do Natal
Por

soba0.jpeg T´Chingange

Eram quase dez horas quando me levantei; estava um frio de matar passarinhos! A noite deve ter chegado aos cinco graus mas, pelo sim pelo não, lá pela meia-noite levei uma botija com água quente para me aquecer os pés e as quinambas. Foi da trempe que retirei esta água; para quem não souber, a trempe é de ferro forjado, tem três pés como o próprio nome diz. Era normal e ainda o é, mas não tanto, deixar esta na lareira da aldeia para se ter sempre água quente e, também para lançar alguma humidade no ambiente.

roxo159.jpg Durante a noite fiz uso do meu quico toytoy-zulu com as cores garridas da África do Sul espetado até às orelhas; Após as diligências de arrumo pessoal, coloquei as minhas botas de Uzinto de Durban e dispus-me a ir comprar torresmos de flor mais costeletas do cachaço de porco preto em Santa Luzia. Tive de parar bem no centro da vila para comprar dois pães de cabeça ao senhor António padeiro.

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Como uma magia de Natal fui vendo correr os suaves morros ondulados, salpicados de verdura tenra, mais os pontos brancos mexendo-se na forma de ovelhas nas chapadas. Estas vistas largas da savana alentejana com um e outro morro em ruinas, em tempos idos, frustravam-me; pouco tempo passava aqui, sempre de rabo alçado para rumar outros destinos mas agora, talvez pela idade, vejo esta paz carregada de nova percepção de perceber o vazio.

jack2.jpg Enquanto percorri este espaço de caminho fui pensando nesta crónica analisando em conjunto a natureza real, interrogando-me se este vazio era também uma ausência de existência. Não o era! Num lugar em que toda a gente cumprimenta toda a gente, o Bom-Dia surge com magia diferente. A sociedade, tão mudada neste mundo actual alterou regras sem zero e, sem o zero é impossível contar! Magia de natal.

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O prazer de ver depende muito da nossa atitude mental; assim encorujado nos meus farelos antigos, queimo as pestanas das muitas e antigas lembranças!… Foi mesmo ao sair do carro no talho da Abelhinha da Suzel e bem junto a uma roulotte com a bandeira dos USA que ao abrir a porta traseira do carro que alguém me dirigiu a palavra num português defeituoso: - Senhor, aqui vender…has black pig? Olhei a figura e fiquei espantalho; era nem mais nem menos que o Jack Palance, um ruivo cavalheiro que me inchou de felicidade nas peliculas de cinema lá do passado da Luua!
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Engasgado de assombro, frente a ele e na descrente veracidade do facto, lembrei num meio segundo suas vozes roucas, beata no lábio, artista principal azedo da vida e com uma cicatriz famosa em seu rosto. Será que estou mesmo neste mundo, nem pedindo licença para entrar no outro; só assim sem mais nem menos!?

roxo135.jpg Mal refeito aparentemente, olhei de arregalado sua pessoa, seu perfil altivo e respondi enquanto olhava seu cão negro e peludo, um cão-de-água de raça tuga. - Sim! Aqui os perros podem quedar-se sim problemas! Bolas! No estupefeito do caso dei por mim a falar espanhol confundindo cães com porcos. Sim! Repeti cirurgiando a sua figura: - Sim, here is a black pig.

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Eu também vinha comprar essa delícia de comezaina. Sempre mais alto e agora mais kota ali estava esta kianda assombração, reganhando competência antiga nas adivinhações do meu silêncio. Obligado! Tank You! Duas vezes repetiu agradecimento e na forma de saudade antiga consegui ainda dizer: - OK! Pode comprar o pig preto e até passear seu perro! Até ir pescar na barragem do Monte da Rocha; aqui tem liberdade de apalpar o sabor dos silêncios e até os ventos que sopram de Panoias: - Podes mirar las sierras, volver en los tempos viejos e até encontrares o John Wayne. Num repentemente já o tratava por tu.

jack1.jpg  Ele, Jack Palance deu um pulo de satisfação. O quê: - John Wayne está aqui!? Pois, ainda ontem estive com ele em Aljustrel disse eu; mas bazou, nem sei para onde em seu cavalo holográfico. No seu sentido de eloquente grandeza, girou seu espaço em cento e oitenta graus e fez estalar os dedos de contentamento! Sua alegria era mais que muita. Enquanto fui comprar os lombinhos, ele ali ficou solitariamente taciturno afagando seu cão de água, creio que jogando inúmeras tristezas ao vento semi quieto dizendo, este mundo é mesmo uma ervilha.

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O perro, ia e vinha alegrando seu dono solidário com seu contentamento e, eu já ali estava especado segurando a microondas para lhe mostrar as imagens de Assunção Roxo, uma kianda viva jogando roxomanias na forma de imagens fosfóricas. Meu chapéu dos big-five verde descalibrado neste sonho, bulia com meus neurónios. Ando preocupado com estas minhas visões mas, por agora ali fiquei apreciando os talentos de Jack Palance fazendo gaifona a seu cão.

roxomania1.jpgMeu artista preferido nos filmes de índios e gente robusta do frio norte, lugar meu desconhecido, aproximou-se ao meu chamamento. Foi quando lhe mostrei as ilustrações do John feitas por Roxo. De novo rodopiou 360 graus de contentamento, tirou seu chapéu e, com energia bateu-o em sua perna direita. Bem! Mostrei-lho no mapa o caminho para a Barragem de senhora da Rocha aonde ele Wayne, deveria estar a comer churrasco à mbukusho… My friend, thank you! Deu-me um grande braço e lá seguiu munido de suas carnes de black pig de santa Luzia…

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Jack Palance (Vladimir Palahniuk). Actor norte-americano falecido a 10 de Novembro de 2006. Antes, foi lutador de boxe, acreditando-se que sua face desfigurada se devesse aos golpes recebidos, mas em verdade a desfiguração foi causada por um acidente de aviação.
O Soba T´Chingange
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017
XICULULU . XCVII

TEMPOS DORMIDOS - 30.11.2017

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Encontrei-me com John Wayne no Pingo Doce de Aljustrel. Desta vez contei-lhe meus apegos...   

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Enquanto tomávamos café, outras pessoas e até o padre de Messejana, um preto da Guiné, olhavam para nós como se fossemos gente do além! Não era para admirar pois que ambos estávamos vestidos com os ceifões e capotes do frio. Ou então, era pela celebridade de John. Perante isto foi ele que quis saber do porquê de eu andar por aqui, de onde vinha e outros edecéteras; estava desconfiado que as atenções eram mesmo para mim...

john01.jpg Eu, que tanto teimava em me esquecer, fui de novo obrigado a desfrisar minhas periclitarias:- Nasci em águas internacionais, num vapor chamado Niassa, disse! Sou cidadão do mundo, Angolano na diáspora, Mazombo por condição; ando pelo Mundo à procura de mim! Tenho cédula de brasileiro, Bilhete de Identidade do M´Puto mas, ando às arrecuas para fugir ao meu paradigma.

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John Wayne mostrava-se também ávido de rever aquilo que foi sua infância em uma outra encarnação e, neste relembrar tentava encaixar-me no mesmo fardo. Ele só sabia que em tempos idos, fui seu duplo, nas quedas de cavalo - filmes de "El Dorado" entre outros; nada mais sabia!

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Ele, não tinha certeza absoluta se aquela sua infância longínqua foi passada em Aivados ou Alcaria e tem até uma ligeira certeza de que tinha familiares em Panoias pois que, refere estar em um alto, lugar de poder ser vista de muitos horizontes. A todo o momento parávamos para apreciar as coisas ínfimas; tirava suas fotos amarelecidas da balalaica que se viravam em hologramas 3 D. E, estas até exalavam cheiros. Deveria ser uma tecnologia avançada do paralém.

mess0.jpg Entendo agora do porquê, em nosso último encontro ele apanhar uns cardos de cor amarela e mete-los em seu alforge, como aqueles que os cowboys usam; nem lhe perguntei, pois tudo nele, era inusitado.

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Afagou uma minúscula carriça que lhe saltou para o ombro, vinda não sei de onde e de repente apeou-se junto a um frondoso sobreiro da foto que me mostrava e, de novo falou em seu inglês rachado: - You know the difference between a sobreiro and the azinheira? Rsss… Se eu sabia distinguir o tronco do sobreiro e azinheira? Pópilas! Estas variações rápidas confundiam meus zingarelhos. Ali ao lado e, num repentemente saltar para a foto! Só mesmo doutro mundo.

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Só sei que a azinheira dá bolotas comíveis enquanto as do sobreiro não prestam, melhor são intragáveis! Disse eu! - Pois então fixa-te nisto disse ele, o tronco do sobreiro é de casca grossa, rugosa, irregular de fendas e nódulos irregulares enquanto a azinheira tem a casca fina, fendas regulares e longitudinais além de ter as folhas mais pequenas e, como dizes as bolotas comem-se.

nito01.jpeg Estive quase a dizer-lhe que os quatro pombos bravos que comi recentemente tinham em seu papo bolotas inteiras; que afinal não eram só os bácoros que comiam isto mas, deixa para lá, nada disse!

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Lá na paralaxe do além de onde venho, utilizamos muito esta glande para nos dar energia atómica, podermos assim a partir de suas partículas radioactivas de nos transmutarmos num ápice de um para outro lado! - Assim como levitar e andar só de pensamento? Interroguei-o! Estava tudo explicado. Este Wayne era mesmo um ET.

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Ele tentou então explicar-me: - Quando olhamos para o espaço, em seu conjunto, a distância das estrelas é tão grande que perdemos a noção de profundidade, num primeiro momento. Todas as estrelas parecem então estar à mesma distância, coladas numa grande esfera, a esfera celeste. Mas, na verdade, elas não estão à mesma distância, sendo o método de paralaxe usado para medir algumas dessas distâncias.

mess2.jpg Agora sim, estou feito ao bife, pensei! Belisquei-me e doeu, estava vivinho da costa. É aqui que nos movemos, na sombra da paralaxe, continuou. Estava explicado este seu entusiasmo em ver as moléculas expansivas alimentadoras de seus iões ou catiões feitos nuvens, assim como um orvalho cacimbado.

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Mas eu, mesmo querendo, não consegui entender a cem por cento, mas disfarcei que sim... Estava tudo nos conformes! Mais ou menos isso, teletransporte nos iões espaciais! Disse ele. Isto é demais para a minha caminheta, afirmei sem nada dizer, só mesmo para mim! É melhor ficarmos assim! Notei que ele não gostou deste meu momentâneo desinteresse.

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Neste entretém ouvimos um kwé-kwé de um pássaro grande e preto por mim nunca visto! Seriam os seus guardiões dessa terra do Paralém. Podíamos ouvir tudo ao mesmo tempo, um fenómeno até aqui nunca por mim observado, mas eram os badalos dos bois e das ovelhas não visíveis dali, que sobressaiam desta amálgama de sons.

mess05.jpg O curioso é o de que em momento algum saímos da cafeteria do Pingo Doce de Aljustrel Eu estava leve como uma pena, fazia quase tudo, eu que tenho tanta dificuldade a atar os sapatos pela manhã; parecia ser um ser gasoso.

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Saímos dali com toda a gente desfrisando os olhares em nós. Montamos de novo nossos cavalos holográficos e num repente estávamos bem no átrio da ermida da nossa Senhora de Assunção de Messejana. De novo apeamos e, ambos nos sentamos no muro largo feito daquele xisto caiado.

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Num encantamento, tirou nem sei de onde uma gaita-de-foles e começou a tocar uma musica volátil que trazia aos sentidos o cheiro de plantas distantes, pode dizer-se paradisíacas… Foi quando vi as nuvens virem até nós e fundir-se em uma senhora, pairando ali bem perto sem qualquer assentamento; tudo indica ter sido a Nossa Senhora de Assunção…Nunca tinha sentido assim uma sensação de tanta tranquilidade…

mess122.jpg Não demorou muito meu microonda tocou! Eram as fotos nossas enviadas por Assunção Roxo mostrando suas fosfóricas versões de tudo do que falávamos antes; John Wayne ficou encantado e, logo após eu ter transferido estas para o seu caderno holográfico escafedeu-se! É sempre assim...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:05
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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2017
KWANGIADES . XXIX

NAS TERRAS DO FIM-DO-MUNDO - T´CHINGANGE NO OKAVANGO

Kinga só patrão! Kwangiades são as musas do Kwanza…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Nos muitos dias insólitos, encontro factos mágicos na revisão de amigos que me fazem medir o tempo com quartilhos e rasas como se feijões o fossem! A maior parte das vezes são traduzidos com cheiros de África catingados, que não sendo exóticos de todo, são dos mais genuínos perfumes como o cheiro das primeiras chuvas que salpicam a terra da savana no kalahári.

monteiro7.jpg Sucede que um dia e a convite de João Miranda, assisti bem na margem do rio Okavango (Cubango) a uma reunião de empresários presidida por San Nujoma, o primeiro presidente da Namíbia. Um helicóptero chegou bem perto da escola local do Shitemo no Ndonga Linena River Lodge, dele desceu um velho senhor de barba branca, alpercatas e um chabéu de palha já com falripas soltas. Também trazia um bastão, que julgo ser de distinto pau…

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Com seus pés e olhos grandes, caminhou em direcção às autoridades locais, depois veio cumprimentar os convivas e suas visitas aonde me encontrava. Foi muito agradável em suas palavras, sua característica de humilde, postura e atitude. Naquela reunião, referiu a guerra que grassava do outro lado do rio – Angola. Pediu que não dessem guarida aos militares da Unita, tendo mesmo dito aos militares que os ripostassem com fogo de morte.

monangambé.jpg Ele era o líder do povo do Sudoeste Africano, (Ovamboland People's Organization) e eu, um cidadão disfarçado de turista caçador de elefantes. Soubesse ele que eu era um responsável coordenador da Unita no exterior e, teria apontado o dedo em minha direcção. Assim não sucedeu embora as estruturas de informação e inteligência pudessem saber de algo; minha missão era ver os pontos de reabastecimento à Jamba a partir da Namíbia.

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O tempo fez diluir estas contrariedades de estar sob escuta; José Pedro Cachiungo fez-me a advertência de poder ter alguma contrariedade e mesmo sem salvo-conduto meu comportamento foi de singela observação. Para todos os efeitos, era um carcamano branco a rever os cheiros e sabores de áfrica na região Ovambo; usar os olhos, os ouvidos e fotos, seria minha tarefa de xirikwata tal como aquele pássaro comedor de jindungo.

MIRAN3.jpg Para além de ter visto coisas do meu agrado, guardei em mim as falas que ouvi de patrícios e carcamanos embebidas em um tempo que se pretendeu esquecer e, que se colaram a cuspo no subconsciente para não ferir susceptibilidades. O que ficou preso ao meu cerebelo gustativo foi aquele café cheiroso servido a escassos metros da corrente do rio Cunene. Nunca mais esqueci esses momentos de alegria, conversa solta, alegre com estórias, anedotas e bizarrices passados com Dona Elizabete que falava com o gentio com estalidos e João Miranda, o patrão do kimbo.

IMG_20170720_125720_BURST010.jpg Mas a mentira mais descarada que ali ouvi foi a de Oliveira, um amigo que conheci e que ia e vinha até o Mucusso, aonde estava umbigado. Pois um belo dia pensou ter morto uma zebra e, estando a abrir a mesma, depois de separarem seu couro com um rasgão ao longo da barriga, qual é o espanto de num entretanto de distracção ela, a zebra, levantar-se e fugir com as peles a dar a dar batendo-as, como se asas fossem. Esta peta, ouvida com atenção ficou-me entalada na mente ate hoje…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:47
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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
KWANGIADES . XXVIII

NAS TERRAS DO FIM-DO-MUNDO

T´CHINGANGE COM REIS VISSAPA* NO OKAVANGO

Kinga só patrão. Kwangiades são as musas do Kwanza…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Tive a sorte de atravessar os muxitos da África com Dy Reis Vissapa; desde Windhoek, capital da Namíbia, subimos para norte até o Rundu na margem do Cubango e Catima Mulillo às margens do rio Zambeze. Nós, uns gwetas com olhos de águia, íamo-nos tornando mwatas na interpretação das terras do fim-do-mundo conciliando o antes e o agora daquela região de Okavango. E, de novo revisitamos as mulembas de N’Zambi com os kambas daqui, mais dali, ouvindo suas falas de espanto.

  DY00.jpg..soba15.jpg Mostraram-nos aquele arbusto parecido com rebentos novos de loureiro de onde cortam umas varas para introduzir na boca dos sobas defuntados. Apontei algures seu nome mas, com o ronco da pacaça fazendo frente ao leão, meu coração pulou de medo juntamente com o papel de embrulho no lugar do Mukwé; ficou no mato vadiando-se com o vento portador das primeiras chuvas.

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De certa forma os sobas são os guardiões da memória, das tradições antepassadas e, por isso teriam de já defuntados ficar de boca aberta para dizer suas últimas vontades. E, era aquele pau que dava nobreza a este procedimento e, até que o Kimbanda falasse por delegação do morto, tudo o que lhe foi transmitido no tempo, a boca não era encerrada.

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Eu e Dy, pela indumentária, mais parecíamos uns caçadores de elefantes. E, foi uma turista de cor branca de leite que nos perguntou se eramos mesmo caçadores de elefante! Olhamos um para o outro admirados de ver ali esta branquela de mochila pedindo boleia em plena faixa de Kaprivi e, nem sei bem o que respondemos mas o que ficou desta cena foi acharmos demasiado destemida a sua atitude em cruzar áfrica sozinha. Disse-nos que ia para as cataratas Victória fazer jumping na ponte do Stanley que liga o Zimbabwé à Zâmbia.

dy15.jpg Foi João Miranda que nos acolheu às margens do Okavango; uma casa totalmente construída em madeira no lugar de Andara em Mukwé; um lugar com ocultos mistérios do canto Xirikwata - um pássaro comedor de jindungo. João Miranda, um chefe do mato, senhor dos anéis num lugar esquecido mas muito especial pelo envolvente mistério de fuga de Angola. E, que depois veio a fazer parte do batalhão Búfalo chefiando os bushmens na investida Sul-africana a Angola, naquele distante ano de 1974

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Sabendo de antemão que neste mundo só os anjos não têm costas João Miranda contou com detalhes esses dias de guerra! Isto é mato, amigo! Disse ele após longas falas como dando um finalmente àquele passado mas, sempre ia falando raspas desse conturbado tempo. Mesmo naquele lugar de fim-do-mundo deve por certo haver um Deus, que nos julga em cada dia e diferentemente, de acordo com o que viermos a ser em cada dia. João Miranda era agora um bem-sucedido comerciante.

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Este quase lendário homem da mata, pouco a pouco recorda com raspas de esquecimento propositado peripécias e, ainda no segredo de sua intervenção no avanço até Luanda; fazia parte do batalhão Búfalo! Vezes repetidas afirmou que após tomarem posições ao inimigo, leia-se cubanos e militares do MPLA, deixavam grupos da UNITA ou da FNLA a assumirem o controlo dessas zonas libertadas e, em que estes eram influentes.

miran01.jpeg Seguimos viagem rumo a Nascente deixando esta gente que como nós, saíram dessa imensidão dos matos de Angola, de lonjuras percorridas em velhos Dodges, GMC, Willis, land-Rover, Fords ou Chevroletes, terra de onde se parte sem querer partir e já partindo, arrependido depois por não ter ficado; assim foi dito por Elizabete Miranda sua esposa. Como vamos nós próprios destrinçar a verdade dentro da nossa própria imensidão, nos assuntos de crenças e impiedades de bens tão profusos nas regras do Mundo.

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Prosseguindo nesses milhões de espinheiras ressequidas de para além de Okahanja, e Divundo atravessamos terras despidas de gente, uma casa aqui outra lá longe por quilómetros de distância, situadas à sombra de acácias; Farmes quase invisíveis aonde só o depósito de água ou o moinho de vento se vêm tremelicando nas onduladas quenturas. A caminho de Catima Mulillo passamos antigos acampamentos de Omega, chiam segredos de ferrugem abandonada, coisas mal oleadas com negócios de madeiras, diamantes e muita aventura em rente dos olhares de hipopótamos. Estes nada me falaram, preocupados que estavam em espargir merda ao seu redor para marcar território.

miran03.jpg Por todo o lado podem ver-se orixes e avestruzes bordeando as áridas terras aonde até o deus-me-livre dos mortais, tem de cohabitar com hienas, chacais e bichos rastejantes de arrepiar o pêlo. Lugares muito diferentes das regiões a Sul de Ovambo aonde os guetos não juntam brancos com pretos.

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*Reis Vissapa - Autor de “Ninguém é Santo” escrito para todos os Angolanos que amaram e amam a terra que os viu nascer ou crescer…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:27
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Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXV

O CHOQUE DO PRESENTE17.08.2017 - (Revisado a 21.11.2017)

- “O PRIMEIRO BRANCO” e a higiene racial...III

- Os portugueses “cruzaram-se” com os negros africanos. Isso resultou numa mudança profunda do carácter e da psicologia da nação lusitana.

Por

soba 01.jpgT´Chingange

Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos! As escolas já não ensinam isto ao pormenor e, de qualquer modo, os manuais são feitos por gente…Muitos têm ADN preto como a Catarina Furtado que tem ascendência Angola mas, para quê rever isto!? Só mesmo para compreender que a raça humana é mesmo assim, ao correr da pena!

valdir5.jpg (…) Prosseguindo com a publicação do jornal National Vanguard Tabloid, este refere que a culpa desta estagnação no trato da eugenia com a “pureza da raça branca” e, segundo aquela organização inglesa de tendências neonazis, reside na liberdade com que os portugueses se “cruzaram” com os negros africanos. Isso resultou numa mudança profunda do carácter e da psicologia da nação lusitana.

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O “National Vanguard” não tem nenhuma dúvida ao afirmar: “os portugueses do século XVII e os dos séculos seguintes são duas raças diferentes”. Os articulistas advogam obviamente a favor da separação racial. Sociedades como a americana que contiveram e contém uma percentagem considerável de negros. Mas, essas “souberam” manter uma céptica fronteira entre os grupos raciais. Não houve cruzamento nem mestiçagens; assim diz o jornal.

maqui1.jpg Foi essa separação que, segundo a racista publicação, ajudou a manter a capacidade de progresso em países como os Estados Unidos da América. E conclui: não existe evidência nenhuma que a integração dos negros e dos judeus tenham trazido alguma vantagem em qualquer parte do mundo.

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Embora estas publicações sejam casos isolados e representem uma faixa desprezível da opinião pública, a verdade é que não é por acaso que o jornal escolheu Portugal como um caso paradigmático. Podemos até lembrar-nos do que escreveu Kaulza de Arriaga, quando explicava as maiores capacidades dos europeus do Norte em relação aos do Sul.

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Os trópicos como evidência de degradação e desumanização é um estereótipo antigo e, essa atitude de arrogância não é sequer nova. No calor do Sul de África, com sol primaveril de Agosto, rodopiando as horas, vendo os novos rebentos das acácias, aqui estou numa espera tardia, ciente que nada sou para alterar as vontades alheias, desejando somente que tudo siga sua normalidade entre a raça humana.

DIA107.jpg Agora, já kota mais-velho, apercebo-me do joguete das lutas de tantas portas ou portais desconhecidos. Retornando à estória, em “Álbum de Costumes Portugueses”, Fialho de Almeida descreve o “Preto de S. Jorge”, como membro de uma confraria que teria direito a incorporar a procissão do CORPUS CHRISTI, com os demais ofícios.

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A presença negro-africana também se verifica nos topónimos de muitas ruas, como por exemplo: Rua das Pretas, Rua do Poço dos Negros … ou no nome de muitas povoações como a de Santa Eulália de Negreiros dum lugar chamado do Preto, de Santa Maria de Negrelos. Vale de Negros e tantas outras vivenciadas por todo o Portugal (M´Puto).

onco2.jpg Em 1551 a capital lusitana teria cerca de 100.00 habitantes, dos quais 9.900 eram escravos, ou seja 9,9% da população. Ao longo dos seculos XVI e XVII a mão-de-obra escrava representava já 10% da população total do Algarve e Alentejo e também era visível no Norte de Portugal e, em outras regiões. No concelho de Loulé há o lugar chamado Cerro dos Negros, no de Almeirim há uma povoação com o nome Paços de Cima ou dos Negros.

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Dois povoados dos concelhos de Albufeira e de Silves chamam-se Guiné, no concelho de Alvito existe a povoação chamada Horta de Guiné. A dos Pretos, Monte dos Pretos e Quinta da Preta são os nomes de povoações dos concelhos de Leiria, Estremoz e Alcobaça…; enfim, demonstra-se assim a importância que estas populações teriam em determinadas regiões para que servissem de referência a um determinado lugar.

eusebio1.jpg Portugal é, afinal, o país de Eusébio, de Ricardo Chibanga, de Sara Tavares. Um episódio antigo ligado ao explorador britânico Livingstone ilustra bem como essa Europa olhava e olha para Portugal. Livinsgtone vangloriava-se ter sido o primeiro branco a atravessar a África Austral. Um dia alguém lhe chamou publicamente a atenção que isso não era verdade. Antes dele já o português Silva Porto tinha realizado tal travessia. Imperturbável, o inglês ripostou: - Eu nunca disse que fui o primeiro homem a fazê-lo. Disse apenas que fui o primeiro branco.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:43
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Sábado, 18 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXIV

O CHOQUE DO PRESENTE17.08.2017 - (Revisto a 18.11.2017)

- “O PRIMEIRO BRANCO” e a Higiene racial…II

- Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos!

Por

soba 01.jpgT´Chingange

No século XV, os mapas foram queimados, as informações escondidas porque era urgente provar uma superioridade da civilização ariana. São modas ou maneiras de estar! Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos! Não dava para se dizer “vamos evangelizar os africanos, tornar os negros escravos e baptizá-los.” E, isto sucedeu ou foi sucedendo!

kota0.jpg No século XV decidiu-se que os africanos faziam parte da descendência de Cham, filho de Noé e deviam viver uma vida de sofrimento para afastar o castigo, padecer a Paixão de Cristo, o que lhes permitia entrar no paraíso; foi isto recuperado da Bíblia por conveniência, creio eu. Apesar de a mestiçagem constar no discurso harmonioso da lusofonia, visionam-se razões ao dar um carácter de excepção ao colonialismo português. Mesmo entre negros, era preferível importar mais escravos de África do que manter seus filhos.

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Rebuscando novas, soube que Cristiano Ronaldo nasceu na ilha da Madeira; que Isabel Rosa da Piedade é natural da ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Os pontos em comum entre eles não são apenas o facto de ambos terem nascido numa ilha. Segundo o "Diário de Notícias da Madeira", Isabel Rosa é bisavó de Ronaldo, o que faz com que o Jogador do Ano FIFA em 2008, ou o melhor jogador do Mundo em 2017, tenha no seu ser um ADN de Cabo-verdiano.

bruno27.jpgClaro que vão ficar todos surpreendidos porque as ideias concebidas em cada qual são confusas em si! Não há aqui nada de extraordinário! Aos 16 anos, Isabel abandonou a sua terra natal para tentar a sorte noutra ilha do oceano Atlântico, a Madeira. A jovem Cabo-verdiana acabou por casar com José Aveiro, natural do Santo da Serra, e bisavô de Ronaldo. Da união entre o casal, nasceu Humberto, que viria a casar com Filomena.

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Humberto e Filomena, avós do futebolista do Sporting de Portugal e agora no Real Madrid, tiveram seis filhos. Dinis, um dos rebentos do casal, acabaria por casar com Maria Dolores, natural do concelho de Machico. Dinis (que faleceu em 2006) e Maria tiveram três filhos entre 1974 e 1976. Nove anos mais tarde, o casal volta a conceber e, nasce Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.

ariano0.jpg Poucos poderiam adivinhar que este filho, 23 anos mais tarde, se tornaria no melhor jogador de futebol do Mundo. E, que aos 32 anos (nasceu a 5 de Fevereiro de 1985) ainda continuava a ser o melhor do Mundo! E, se todos sabem que Ronaldo é português, mais concretamente madeirense, as origens cabo-verdianas da sua família permanecem ocultas.

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A informação já foi difundida na imprensa de Cabo Verde, suscitando grande curiosidade no arquipélago. Isto foi contado ao Expresso por um jornalista do diário "A Semana". Portanto, naqueles idos tempos os brancos entravam no caniço e tinham a negra que quisessem.

ariano1.jpg Na Luua de N´Gola (Angola) era no BO - Bairro Operário em plena cidade de Luanda e, em São Romão do Sado do M´Puto era no canavial do rio Tejo, uma das aldeias existentes no Ribatejo. Mas também poderia ser em Coimbra, Mirandela ou Tavira do Algarve. A diáspora Lusa tornou Paris de França na segunda cidade portuguesa pois que o número de falantes da língua de Camões, é superior à cidade do Porto. E, por lá também há canaviais.

ariano3.png Quem agora for passear pela Ribeira do Sado, já não verá gente verdadeiramente negra, de lábios grossos e carapinha. A cidade de Alcácer do sal, decorreu do tráfico de escravos entre os séculos XV e XIX. Em verdade, somos uma caldeirada de gente de cores diversas e de todo o Mundo; Os portugueses foram os iniciadores da globalidade no mundo moderno e, haverá muita gente que pensa ser um puro ariano quando afinal tem em seu ADN sangue preto.

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Esta miscigenação tornou-nos em realidade seres diferentes; os turdetanos, os suevos, romanos, cartagineses ou zulus estão no sangue de todos nós. Recentemente, encontrei na Cidade do Cabo, muitos mestiços de cor mais morena com nomes de Oliveira, Pereira e Silva descendentes de portugueses; gente zebra ou mazombos como eu. Quando no futuro vierem a habitar a Lua, talvez todos fiquem bem surpresos ao encontrarem lá num qualquer buraco taberna um Tuga a vender peixe frito aos marcianos.   

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXIII

O CHOQUE DO PRESENTE - 16.08.2017 - “O PRIMEIRO BRANCO” e a Higiene racial…

- O que se vê hoje em Portugal é o resultado de uma mistura não selectiva e uniforme de 10 por cento de pretos e 90 por cento de brancos, um todo homogéneo.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Li em tempos em uma entrevista com Mia Couto na qual este se referia que o jornal National Vanguard Tabloid, afirmava em publicação oficial, que uma organização inglesa defendia a “pureza da raça branca”. E dizia este, ser curioso que o editorial da publicação tivesse escolhido Portugal como o exemplo dos malefícios na contribuição do “sangue negro” para as sociedades europeias e americanas. Racismo assim, às claras, é muito pouco frequente poder-se ler em um jornal e, muito menos em um, assim tão conceituado nas referências políticas hodiernas (digo eu).

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Esta notícia é reportada ao ano de 2011, uma data muito recente e que reascende as afirmações do pastor anglicano Thomas Malthus na sua visão religiosa de ver o mundo a nuo e, na qual teve inúmeros seguidores políticos tais como Hitler em Alemanha e as técnicas segregacionistas do Apartheid na África do sul para não falar dos próprios americanos e, os seus primos. E esse jornal afirmava que os portugueses teriam de ser vistos de facto como uma nova raça - uma raça que estagnou na apatia nada produzindo de novo nos últimos 400 anos na História do Mundo.

lobo1.jpgNo meu olhar de xicululu, assim um olhar de esguelha ou olho gordo, martelei por cima do meu sobrolho a frase de que “Os portugueses são o povo mais atrasado da Europa porque há séculos que se misturam com os negros” e fiquei assim um pouco a remoer muxoxos asneirentos por o caso ter raspas melindrosas e, também por ser raro, vale a pena revisitá-lo.

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O jornal assenta a sua argumentação em “factos históricos”. Portugal recebeu os primeiros escravos negros em meados do século XV. Dezenas de anos depois, os negros já eram 10 por cento do total da população lisboeta. Essa percentagem viria a crescer para 13 por cento no século seguinte. A pergunta imediata é a seguinte: Que destino tiveram estes africanos? Regressaram a África? A resposta é não!

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Eles foram absorvidos, misturaram-se do ponto de vista genético, social e cultural. Eles ajudaram a construir a Portugalidade introduzindo valores e dados culturais novos. A palavra minhoca é apenas uma de dezenas de outras marcas no domínio linguístico. No Ribatejo havia aldeias cuja população era maioritariamente negra. Nossa amiga Maria Carapinha tem este nome porque seus trisavôs eram negros retintos e, hoje já nem os traços negróides têm.

dia142.jpg Basta ir beber uma ginjinha ao largo S. Domingos em Lisboa para termos esta sensação; no Cais do Sodré já não resta nenhum sinal das negras que ali vendiam mexilhões. Podemos descobrir testemunhos dessa presença em quadros, azulejos e cerâmicas variadas. Falando com meus amigos em comezainas de cachupa, amigos cabo-verdianos confirmam do “porquê haver tantos africanos em Lisboa e Algarve”.

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Eles referem-me haver confrarias negras da Nossa Senhora do Rosário e “os negros no Coração do império”. Que viram isso quando da exposição nos Jerónimos no ano 2000. Os Negros em Portugal têm sido de uma presença silenciosa e aonde só os investigadores nos mostram os negros não só como braços de trabalho, mas legando á sociedade expressões de nossa vida quotidiana.

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Pois assim é! Influência na cultura, na religião, tourada e até o fado, a canção dita nacional. Tudo isto se reveste de uma crítica à manipulação e branqueamento da história que tem servido para a anulação do contributo africano em nosso país! O autor de tal prosa racista do tal tablóide inglês não tem dúvida em identificar nesta mistura de raças e de culturas a razão daquilo que eles chamam de “declínio da sociedade portuguesa”.

kunene.jpgPasso a citar: Os portugueses eram, até então, uma raça altamente civilizada, imaginativa, inteligente e corajosa. Mas devido ao rápido crescimento da população negra e o correspondente declínio dos brancos (cujos machos estavam em viagem para longe da Europa) todo esse património de pureza foi adulterado. Reconhece-se neste caso uma forma de conceber preconceitos rácicos com múltiplas facetas.

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O mundo não obedece a uma fronteira simples que divide os racistas dos não racistas e que separa vítimas e culpados. Vale a pena, pois, continuar a citar as razões invocadas pelo “National Vanguard”, para a chamada degradação da cultura e enfraquecimento da raça: O que se vê hoje em Portugal é o resultado de uma mistura não selectiva e uniforme de 10 por cento de pretos e 90 por cento de brancos um todo homogéneo. Trata-se de, facto, de uma nova raça – uma raça que estagnou na apatia e nada produziu de novo em 400 anos de História (estou citando).

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:24
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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVIII
NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 24.08.2017 : Parte 4 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também, homem branco em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Estando eu no Reino Xhoba, reino sem rei com cerca de 100.000 súbditos, pertença de vários países de África não posso deixar de falar deles. Soube porque li em algum lugar que o anterior presidente da África do Sul, Nelson Mandela atribui a estes um território de quarenta mil hectares. Ora se um hectare tem dez mil metros quadrados, quatrocentos ha darão 400 Km quadrados. Se para aí transplantarem o cacto Xhoba, vai dar muito cacto para amaciar barrigas inchadas por esse mundo.

fiume5.jpgA maioria do povo bushmen continua a viver em casas cobertas a capim em pequenos aglomerados, por vezes a centenas de quilómetros de distância da cidade mais próxima. Estas palhotas são circulares tendo a altura de uma pessoa no seu centro. Para sua execução juntam uma boa quantidade de paus direitos que depois são curvados e enterrados no solo pelas extremidades. Estes são amarrados ao centro com mateba, uma casca retirada de uma árvore que entrelaçada faz de corda.

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Com outras varas mais finas e longas formam uns arcos progressivamente maiores à medida que são postos do centro da cobertura para o solo; estes paus tipo verguinhas mais finas, são amarrados aos outros mais grossos que estão na vertical tipo meridianos. É deixado um pequeno rectângulo por forma a permitir a entrada e saída de uma pessoa.

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Os seus instrumentos são bem escassos pois com muita frequência, mudam de sítio por via de seguir a caça, seu sustento. Têm lanças com ponta de ferro como nossos primitivos ascendentes que envenenam com a banha de um verme que apanham ainda em casulo. Chegam a matar girafas com o uso de sua astucia e modo felino de andar na mata, pé ante pé e sempre nas mesmas pegadas sem fazer estalar qualquer tronco seco.

koisan12.jpg Usam lanças e arcos de flexas, transportando mantas para suportarem o frio das noites que chega a graus negativos. Seus pratos são feitos de aboboras e os copos de massala ou maboque. São óptimos pisteiros e conhecedores de raízes cheias de água que espremem para vasilhas ou ovos de avestruz.

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As autoridades estão dando alguns apoios por meio de lhes facilitar a fixação colocando em sítios estratégicos poços de água alimentados por energia solar! Creio também que lhes fornecem mantas e facilidades de transporte para levar seus frutos a postos de venda.  Fazem artesanato a partir de espinhos de porco, ovos de avestruz, cascas de massala e lindos colares de missangas e frutos do mato. Usam uma quinda ou balaio maleável aonde colocam seus parcos pertences.

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Seus conhecimentos milenares estão sendo estudados ao pormenor em algumas universidades da África do Sul por forma a conhecerem melhor sua tradição de estórias verbais com lendas e dando a estes benefícios na forma sustentável sem os viciar. O Xhoba cacto inibidor do apetite vai através de convénio governamental contribuir para lhes criar hábitos de sedentarismo.

koisan10.jpg Não sei se os exploradores Tugas de outros tempos davam importância a alguns factos e se o fizeram ficaram relegados para segundas núpcias de estudo. Serpa Pinto recebeu a missão de estudar no Alto Chire a construção de uma linha de caminho de ferro que assegurasse a ligação do lago Niassa com o mar, apoiado numa forte coluna militar, que mais tarde se ligaria no baixo Catanga a outra coluna portuguesa vinda do Bié, sob o comando de Paiva Couceiro

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Portugal deu início a várias acções de ocupação: entre 1887 e 1890; Artur de Paiva ocupou o Bié e Paiva Couceiro foi enviado para o Barotze. Numerosos sobas prestaram vassalagem a Portugal. Tendo isto em vista, os ingleses começaram a aliciar os chefes indígenas das regiões visadas, incluindo aqueles que já tinham prestado vassalagem a Portugal como os Macololos e os Machonas e até o célebre régulo de Gaza, Gungunhana.

cacto xoba2.jpg O envio de tropas e de funcionários para todos os lugares onde se fazia sentir a sua falta era, porém, virtualmente impossível para Portugal. Por outro lado, o acordado na Conferência de Berlim dizia respeito fundamentalmente aos territórios junto á costa, já que o “hinterland” africano era muito mal conhecido. Daí as numerosas expedições organizadas de reconhecimento.

nauk03.jpg Os resultados da Conferência acordaram Portugal para a realidade. Se bem que o esforço estratégico tivesse sido orientado para África após a perda do Brasil, pouco se tinha feito por via da instabilidade da vida político-social da Metrópole, M´Puto e das extensas vulnerabilidades existentes.

FIM

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:45
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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017
MONANGAMBA . XLVII

RELEMBAR ANGOLA - Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também devemos orgulharmo-nos das coisas boas que fizemos…

As escolhas de T´Chingange

Por 

canhot1.jpgANTONIO JOSÉ CANHOTO

O COLONO

A definição de “colono” para alguns brancos residentes em Angola afectos ao MPLA, partido que governa este país desde 1975, bem para como para muitos negros, o termo “colono” tem sempre cor branca. Para estes o colono teve sempre como objectivo explorar negros, dizem! Nada pode estar mais errado nesta forma radical de definir a palavra “colono” seja o visado de que raça étnica for como um explorador oportunista de negros, índios ou aborígenes.

angola6.jpegFilologicamente o vocábulo “colono” pode ser definido como a um individuo que faz parte de uma colónia, que emigra do seu país de origem para uma terra estrangeira ou no mesmo continente e de um país vizinho para a povoar, cultivar por conta própria ou de outrem independentemente da raça do seu proprietário e, se este nasceu ou imigrou para o território.

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Este acto migratório pode ter duas vertentes: a primeira é quando um outro país exerce o controlo ou a autoridade sobre um território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país ao qual esse território não pertence e contra a vontade dos seus habitantes quando o país é colonizado e, que muitas vezes, são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) ou eventuais direitos tribais, culturais e ancestrais que detinham.

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Na segunda vertente emigram a pedido do governo do país ou de empresas privadas que pela falta de conhecimento tecnológico dos naturais se vêem obrigados a procurar mão-de-obra especializada no estrangeiro, para suprir as suas deficiências naturais. Para uma certa classe de portugueses e angolanos brancos e negros enfeudados ao partido do governo a sua atitude maniqueísta é a de que todos que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”, os maus da fita.

suku0.jpg Na minha opinião este reaccionário pensamento vindo de negro ou branco chamando indiscriminadamente “colono” de forma ofensiva para todos os portugueses que viveram em Angola até 1975 ou que para lá emigraram depois desta data, aconselho-os a olharem retrospectivamente para os seus passados e dos seus pais ou avós antes de 1975 antes de atirarem a primeira pedra.

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Ingenuamente, pensei que o termo “colono” estivesse a cair em desuso, mas vejo que continua bem vivo nas bocas de alguns, quando comentam alguns textos meus e de outros sobre Angola. Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também devemos orgulharmo-nos das coisas boas que por lá fizemos deixamos. Fomos certamente “colonos” durante os séculos que se seguiram à descoberta desse território o qual, ainda nem nome tinha.

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Muitos milhares de portugueses ainda hoje emigram para Angola na procura de melhores condições de vida trabalhando para empresários de várias nacionalidades negros ou brancos. Sedo assim porquê o governo actual de Angola não os trata como “colonos”?

chicor2.jpg É certo que até finais do século XIX e princípios do século XX muitos dos portugueses que emigraram para as nossas antigas províncias ultramarinas o fizeram na qualidade de verdadeiros “colonos” dando a Portugal benefícios económicos e, a partir da exploração desumana de mão-de-obra negra, contractos quase de escravatura mas, não era esta prática generalizada na última metade do século XX.

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A forma comportamental de alguns “colonos”, nada tinha a ver com todos aqueles que para Angola debandaram ou nasceram depois dos anos 50 com uma mentalidade aberta, iniciando a construção de uma sociedade moderna e multirracial e na qual se reflectia em todos os aspectos da comunidade. Se um empresário negro português tivesse emigrado para Angola, montasse uma empresa e tivesse empregados negros seria considerado um “colono”?

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Sinto-me no dever e direito de desmontar e desmistificar esta falsa questão do “colono” que não pode ser vista interpretada, generalizada com o epiteto de que colono branco é racista e explorador. “Colonos” e colonizadores foram todos os países que nos séculos XV e XVI descobriram à volta do globo, novos territórios habitados por índios nas Américas, indígenas em África e aborígenes na Austrália, num estágio primário civilizacional com perto de 500 anos de atraso tecnológico em relação aos europeus.

chela2.jpg Que por via disto, os descobridores precisavam não só de explorar, assimilar, cristianizar e os infectar, mesmo que involuntariamente, com todas as doenças que para lá exportaram. Diogo Cão chegou á foz do Zaire em 1483 sendo a partir desta data que se inicia a conquista pelos portugueses desta região de África a qual era constituída por vários reis e reinos étnica e linguisticamente diferentes que se guerreavam pelo expansionismo regional.

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O primeiro passo pelo Reino de Portugal foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o do Reino de N´Dongo e o de Matamba, os quais não tardaram a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola em 1559. As fronteiras de Angola só serão definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos Ambundos, a cuja língua o termo Angola anda associado.

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A Rainha Ginga, seu nome Dona Ana se Sousa “N´Gola”, seu título real em quimbundo foi o nome utilizado pelos portugueses para denominar a região conhecida hoje por Angola. Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, na minha opinião também foi a sua primeira grande colonizadora e eu explico porquê? Esta rainha guerreira que morreu aos 80 anos, durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submeteu e escravizou os seus habitantes vendendo-os aos portugueses que os levavam para o Brasil.

n´zinga.jpg N´´Zinga ou Ginga, torna-se assim cúmplice no esclavagismo, pois que também os usava como trabalhadores escravos nos territórios controlados por ela."N´Zinga" formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe. Subsequentemente conquistou o reino de Matamba e em 1635 coligou-se com os reinos do Congo, Kassange, Dembos e Kissama. Este pequeno intróito sobe a Rainha Ginga tem apenas e única finalidade, demonstrar que o processo colonizador sempre existiu em todas as latitudes.

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As tribos ou etnias mais fortes, melhor apetrechadas e com melhor armamento dominavam as mais fracas fora dos seus territórios, submetendo-as com o objectivo expansionista, esclavagista e até para sacrifícios religiosos com práticas desumanas e, por via de suas superstições. E, também para se apropriarem das suas riquezas, concubinas, gado, e rebanhos.

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Os portugueses não foram certamente santos pelos territórios que descobriram e colonizaram, mas também não foram totalmente pecadores na miscigenação que desenvolveram e cultivaram com os autóctones. Mais nenhum país o fez do mesmo modo! Aliás, por lá deixaram tudo sem nunca terem sido ressarcidos pelo roubo chamado de descolonização.

lubango1.jpg A história a ser bem contada, sempre terá de recordar a má utilização que o governo de Angola independente deram ao património que à força foi expurgado os portugueses tais como, casas, aeroportos, portos, cidades, estrada, equipamento, tractores, uma satisfatória rede de escolas e hospitais e administração em geral e, tendo dali saído unicamente com a roupa do corpo. Não confundamos ou associemos a palavra “colono” apenas com a cor branca e muito menos só com nacionalidade portuguesa.

Escrito em 13-12-2016 por A. Canhoto

O Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:49
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Domingo, 12 de Novembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIX

TEMPOS PARA ESQUECER – 12.11.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXIV.

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA - Não se fizeram só generais de aviário não! Foram muitos outros em muitas áreas que como políticos fizeram demasiados desmandados…

Por     

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

De entre os regressados a Portugal cognominados de retornados e, após o funcionamento do IARN e Adidos, era notório haver privilegiados nas colocações no aparelho de estado. No imediato e no meio da balburdia a desatenção era relegada. Cada um tentava do seu modo solucionar sua saída da crise; arranjar trabalho, colocação aonde quer que fosse - sobreviver. E, eu tinha dois filhos para criar.

eleuterio sanches.jpg As solicitações dos municípios para o IARN em colocações de funcionários já levavam um nome para a pessoa a destacar e no desvario da revolução as colocações eram feitas preterindo os rebeldes conotados como os anticomunistas como eu que tinha preferido a UNITA em detrimento da FNLA e MPLA e da qual fui membro activo com o beneplácito de Jonas Savimbi que conheci em Nova Lisboa, hoje Huambo! Anos mais tarde Alcides Sacala da UNITA deu-me posse de Coordenador da Zona Sul de Portugal. Isto trouxe-me inúmeros problemas como escutas telefónicas entre outros contratemos que não cabe aqui enumerar.  

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Recuando um pouco, minha base era a Caála chamada de Robert Williams, uma pequena cidade que ficou com o nome de um abnegado dirigente dos Caminhos de Ferro de Benguela. Até nisto se podia apreciar o quanto o aparelho do estado tinha sido tomado pelas pessoas ditas “progressistas”. Eu próprio fui rejeitado em detrimento de gente que ao chegar de Angola, mesmo muito depois do 11 de Novembro era colocado. Era gente conotada à esquerda! Hoje posso ver com mais claridade o que era essa força do Partido Comunista com suas células e comités de intervenção.

flor soba.jpeg Ainda anda por aqui e ali muita gente com quem temos amizade e que dão um encolher de ombros às lembranças de então. Prometi a mim mesmo não me enganar continuando a ser eu próprio peneirando as opiniões, gerindo silêncios. Só muito mais tarde e a partir do 11 de Março de 1976 as coisas começaram a tomar outro rumo. Tive a sorte de ser colocado como destacado em um município tendo na presidência um elemento do MDP-CDE. Nesta descrição andarei um pouco mais à frente e atrás para inserir o essencial dos problemas que afectavam milhares de seres como eu e, em iguais circunstâncias; gente que quis esquecer e, acabou mesmo por assim ser.

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Convém aqui dizer que eles, os gestores do MDP-CDE, jogavam na sorte de obterem um técnico a ser moldado no pós-ingresso mas enganaram-se. Dias-a-fio, era assediado para ingressar em suas fileiras e ir comandar a tropas de insurrectos da reforma agraria no Alentejo e eu sempre escapei a este confronto. Não estava disposto a desalojar patrões pelos ganhões. Havia gente que me esclarecia do seu procedimento e da forma de ficar incólume nesta viragem da vida. As assembleias de trabalhadores eram mais que muitas e tudo se decidia de punho no ar.

vasco gonç.0.jpg Nunca eu levantei um braço e os olhos detectavam meu comportamento. Não saí ileso mudando-me para um Gabinete de Apoio Técnico com gente maioritariamente saída de Angola. Tinha de sair deste gueto Ribatejano com tomadas diárias de fábricas em mãos dos trabalhadores; decisões arbitrárias e execuções sumárias nas atitudes do PREC e cartilhas da revolução vermelha. Entretanto na televisão podia ver vasco Gonçalves em fúria espumar ódio ou lá o que era deitando para a multidão cravos. 

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Era uma carta fora do baralho! Inscrevi-me para uma organização em Lisboa, CIME, Comissão Internacional de Migração Europeia e pouco tempo depois fui chamado, tinha colocação na Venezuela mas, teria de ir em barco. Eu vou sim! Nem que seja de barco à vela e, fui mesmo! Foi o melhor que poderia ter feito. Levei uns doze dias a curtir férias no paquete Flávia cheio de turistas saídos de Itália, destino Caracas com descida em La Guaíra.

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Mas convém aqui dizer o que era esse tal de MDP-CDE: Depois do 25 de Abril constitui-se como partido político, fazendo parte de todos os Governos Provisórios, com excepção do VI de Pinheiro de Azevedo. Concorreu à eleição para a Assembleia Constituinte de 1975 sozinho e, a partir de 1976, em coligação com o PCP, formando a APU. Em 1987, em dissidência com o PCP, já não participou na coligação eleitoral CDU, apresentando-se às eleições com listas próprias.

mdp0.jpg Nessa mesma data, alguns militantes dissidentes formaram a Associação de Intervenção Democrática (ID), que até hoje continua a integrar, como independente, as listas do PCP - Partido Comunista Português. Em 1994 fundiu-se com o grupo editor da revista "Manifesto", dando lugar ao movimento Política XXI, que veio a ser uma das correntes fundadoras do hoje Bloco de Esquerda.

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Em Portugal, havia gente do PCP a fazer triagem na colocação dos regressados do Ultramar Português em órgãos de Administração. Faziam listas, procuravam-nos e colocavam-nos nos lugares mais aprazíveis a contento destes. Que me fuzilem se estou a dizer uma inverdade! Os revolucionários do Pós-25 do PCP e MDP-CDE e o magote de gente que lideravam tomaram de assalto os Serviços de Educação, da Reforma Agrária, na Industria, Comércio e Sindicatos.

maga2.jpg Recordo que o Sindicato da União de Autarquias Locais - do Sul, STAL a dado momento recusou o ingresso de técnicos em suas estruturas. Foi quando me senti relegado para a masmorras dum barco que passou a ser a minha pátria, lugar aonde guardei minhas mágoas, meus desaires num baú: - O NIASSA… Falo por mim, mas muitos outros tiveram que trilhar caminhos muito iguais. Para não me mentir, terei de continuar esta senda até que julgue estar ressarcido em parte dos desmandos, assim seja para desabafar porque, outra coisa não posso esperar. Este arquivo vai ficar morto como coisas do passado!… 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:14
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 23.08.2017: Parte 3 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também, homem branco em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpegT´Chingange

O Xhoba rebaptizado pela indústria farmacêutica em um produto P57 suscitou todo o interesse pela empresa multinacional Pfitzer que pagou algo como 32 milhões de dólares à Pythopharm para desenvolver um medicamento para não engordar. Os ocidentais dirão ser maravilhoso empanturrarem-se de comezainas e depois tomarem um comprimido para lhes tirar as calorias reduzindo os coiros michelins caindo das faldas da barriga.

koisan9.jpg Tentam afirmar que o Xhoba também tem efeitos afrodisíacos e se assim for vai ser sucesso certo! Não vai ser necessário tomar o tal pau de Cabinda ou raspas de rinoceronte para ter a musculatura certa no músculo viril! Não sei é se esses tais 100.000 bosquímanos existentes num vasto território que abrange Angola, Namíbia, Botswana, South África e Zimbabwé, serão mesmo beneficiados conforme ditam as promessas. Não sei não!

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Eles, os bosquímanos eram felizes antes de conhecer estes milagres da civilização; não sei se o serão mais daqui para a frente com tanta gente a ter pena dos coitadinhos quando afinal esse modo de estar já lhes está no sangue há muitos milhares de anos. Sempre aparecerá uma Ong a lhes dar cobertura, apoio e educação e de vício em vício serão levados a formar chagas sociais no mundo que dizemos civilizado! Encharcar-se-ão de cachaça até arrumarem o tédio entre as sandálias  e a esperança. Mas, será bom que as instituições ajudem da forma certa estes nossos ancestrais...

koisan7.jpg As terras que os Tugas ambicionavam em África supunha-se não pertencerem a ninguém em particular e, a nosso favor, na Conferência de Berlim de 1885, podíamos alinhar as diversas explorações feitas em várias épocas por portugueses, mas os ingleses, nossos grandes amigos da onça, como soe dizer-se, tinham outros interesses, dos quais se destacam o desejo de Cecil John Rhodes.

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Ele, Cecil Rhodes, desejava construir seu sonho em um corredor que ligava o Cabo ao Cairo e a descoberta de diamantes em Kimberley e ouro no vale de Kaap, abriu-lhe a pestanas e o prazer de ser grande. Estas áreas só poderiam ser tomadas pelo torneamento dos estados bóheres do Orange e do Transval (como veio a acontecer). Além do mais um sonho deste senhor era por si só uma grande limitação aos avanços de Portugal. Em todas estas politicas os khoisan (bosquimnos), nunca foram tomados em consideração... 

koisan1.jpg Que nem cordeirinhos os diplomatas do M´Puto, subestimavam-se àqueles por via dum tratado que só nos tramava. Sempre tramou! Pois deste sonho do Inglês Cecil Rhodes e do devaneio imperial de Bismark, derivou o maior esforço militar no Sul Angola, nas margens do rio Cunene, onde existiam duas tribos aguerridas: os Cuanhamas e os Cuamatos.

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Os historiadores sempre de forma suave abordam esta questão sem chamarem os nomes certos aos bois e, se Angola tem as fronteiras que tem hoje é aos abnegados militares de outrora que devem honrarias e não a buçais sobas que se vendiam aos alemães e ingleses por cachaça, pólvora mais uns canhangulos à mistura. E, os khoisan continuavam ignorados na história

koisan11.jpg É tempo de os mwangolés da Luua, assentarem ideias de que nem tudo vindo dos Tugas foi mau. Muitos ali ficaram na terra que agora os desmerece. Em 1890 tinha sido morto o herói Silva Porto, atraiçoado pelo soba local, que acabou preso por Artur de Paiva em 1893; o mesmo oficial dirigiu a expulsão dos Hotentotes (Holandeses) e mais tarde em 1898 comandou as operações no Humbe durante sete meses para vingar a morte do Conde de Almoster e dos seus dragões. Derivei um pouco para se entender o que efectivamente se passava neste então naquela áfrica até então esquecida; tanto assim que o rei Belga ficou dono dum país - o Kongo Zaire.

macuta 1.jpg A insubordinação destes povos era fomentada pelos missionários luteranos e o assassinato de dois comerciantes portugueses, em 1904, levou ao envio de uma expedição para “bater” o território “Ovambo”. Mas um grave revés, em Pembe fez abortar toda a operação colocando toda a região Sul numa situação perigosa. Foi então nomeado Governador da Huíla o Capitão Alves Roçadas, em 1905.

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Este notável militar desenvolveu um conjunto de operações militares, coroadas de êxito, destacando-se os combates de Mufilo e Aluendo, em 1907. Em Angola dá-se a pacificação dos Dembos, pelo Capitão João de Almeida, (concluída em 1913 por Norton de Matos), e Roçadas pune os Cuamatos. A seu tempo voltaremos a falar dos bosquimanos e seu cacto xhoba...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:16
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Sábado, 4 de Novembro de 2017
NIASSALÂNDIA . VIII

MULOLAS DO TEMPO – 04.11.2017 - Nós e o mundoHoje, acordei bordado em lentejoulas marafadas do sul do M´Puto.

Niassalândia é o meu país.

Por

sambacatá2.jpgT´Chingange 

Assim é! Acordei com uma zoada nos ouvidos; uma comichão suave com apitos de cascavel. Já é habitual colocar cotonetes com água oxigenada e um pouco de água morna mas ao agachar-me na procura dos cotonetes vi o milongo da Ana Arrais feito de muitas ervas do Nordeste brasileiro. Foi quando pensei que este milongo feito de sambacaetá, deveria fazer bem à minha dormência e comichão fungosa dos meus ouvidos.

sambacatá.jpg Vai daí, pus em uma tampinha um pouco de água oxigenada misturada com este samba-caetá e, à medida que a água oxigenada crepitava gostosamente em meus ouvidos fui rodando os cotonetes no sentido dos ponteiros do relógio, não fosse o diabo tecê-las; pois! Numa coisa assim tão corriqueira pode suceder o imprevisto. Levantei-me e fui sentar-me à frente da televisão, liguei-a mas com o zumbido dos ouvidos e pensamentos a voar recordei coisas da minha mutamba.

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Bom! Pude ver-me pelo espelho da vidraça virada a sul - a minha t´xipala na forma de um ET com duas hastes saindo das orelhas. Entre esta visão cómica e cósmica, presenciada na primeiríssima pessoa nem dei muita atenção às inchadas notícias que davam avondo de pormenores extras, da incerta independência da Catalunha.

sambacatá3.jpgNestes propósitos vi-me a apanhar antes do nascer do sol a tal planta de samba-caetá junto aos muros do fundo da Praia do Francês. Ana recomendou que teria de arrancar estas ervas antes da kúkia (sol) sair grande e redonda do lado nascente – lado do mar. Teria de ser daquelas que crescem bem ao la do das urtigas, sítios sombreados. E, assim foi! Dias depois fui ao mercado de abastecimento de Maceió, um mercado das calamidades ou um Tira-Biquíni da Luua para comprar um especial álcool de cereais que ela pediu.

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Junto com mais plantas, Ana fez aquele milongo com aquele álcool. Tenho de referir que lá em casa dela na rua Camarão, sempre a via botar um frasco deste milongo nas narinas e snifar longamente tal preparo de cor castanha. E, foi por vontade minha que ela me deu a cheirar nesse então, este milongo; penetrou bem pelas vias nasais, cérebro e cerebelo refrescando a áurea do meu ser. Senti-me fresco, audaz e curioso.

sambacatá5.jpg Disse-lhe que também queria aquele produto. Daí eu ter diligenciado tudo para obter tal cazumbi, produto que uso quando me lembro porque tenho as narinas entupidas e também para eliminar os biliões de fungos que pululam nas minhas ventas. Depois disto fui fazer duas torradas. Já tostadas, rego-as com azeite de oliva de Borba, graduação 0.4 e, esponjo nelas a cayenna pépper que um amigo me recomendou lá na África do Sul.

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Foi-me dito e repetido que é boa para regular a tensão arterial, porque dilata os vasos sanguíneos e outros edecéteras que por ora não interessa mencionar. Abrindo uma cápsula tomei seu gosto; uiui, uiqué, muito mais forte que o jindungo que normalmente tomava fazendo-me até transpirar o cocuruto do meu templo.

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Mas, não é tudo! As torradas são também barradas com óleo de coco para me livrar doutras mazelas que até o tempo me fez esquecer. Só lembro terem mencionado que meus ossos deixariam de ficar estaladiços como os da Catarina Eufémia. Mas, se pensam que isto é tudo esperem, mais um pouco! Um raizeiro de Maceió, aconselhou-me a tomar o tal de ipê-roxo para durar até aos 333 anos. Não o levei muito a sério mas, pelo sim pelo não, tomo esta bolunga à mistura com o borututu

pião3.jpg Pois, da gente com mais de cinquenta anos, que tenha vindo de Angola, quem não se lembrará de ter sempre lá em casa uma garrafa de água do Bengo com raízes de borututu na geleira, frigorifico ou recolhendo da selha gota-a-gota a água que ali se deitava para purificação. Tudo isto era para preservar contra doenças de biliosa, do aparelho urinário e rins; assim dizia o raizeiro doutor Kimbanda de nome Sambo.

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São tantas as mistelas que tomo à mistura com barbas de milho e mezinhas da minha avô que que nunca saberei ao certo qual, a que melhor me faz. Isto deve ser uma propensão do meu ADN por parte do meu tio Guerra, um famoso curandeiro de cortar a dor ciática, que recebia gente de todo o Portugal no eirado da Senhora do parto de Barbeita, lá nas terras altas da Beira do M´Puto, um genuíno Turdetano.

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:41
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Sexta-feira, 3 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 23.08.2017 : Parte 2 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também homem branco, em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpegT´Chingange

As viagens de exploração em África sucederam-se por parte de Portugal, Inglaterra, Bélgica, França e até a Alemanha de Bismark. Toda esta actividade veio a culminar na Conferência de Berlim de 1884/5, onde se fez a partilha do continente desencadeando-se assim uma autentica corrida a África. As possessões portuguesas de África eram quase apenas ponto de passagem, interpostos comerciais ou lugar de expiação de condenados durante três séculos e meio.

PAI7.jpg As estruturas sociais eram assim, muito débeis. Foi, portanto, um povo desmoralizado e um governo hesitante e fraco, que em meados do século XIX teve de passar a olhar para África, por um lado para encontrar alternativas à perda do Brasil; por outro, para fazer face às potências que nos queriam esbulhar. Em verdade nunca se conseguiu pôr de pé um plano global de actuação com políticas encetadas e, foram-no quase sempre reactivos e nunca por antecipação.

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A Portugal faltava-lhe gente para dar envergadura a um projecto de colonização mais eficiente e rápido. Era o Brasil que verdadeiramente absorvia todas as apetências Lusas. Dos sucessos ultramarinos destacam-se a travessia de África de Angola a Moçambique, e volta entre 1804 e 1814! Mas, isto foi muito para tudo mais tarde, passados que foram cento e sessenta anos resultar em nada! Para esses fazedores de novas sociedades, as epopeias culminaram em 1974.

chai4.jpgUns quantos ditos progressistas, militares misturados com civis e por traição, decidiram entregar aqueles territórios de mão beijada sem garantir a permanência dos brancos; Mas teremos de voltar atrás noventa anos para descrever sucintamente outros episódios. A seguir à Conferência de Berlim, o governo  português desencadeou um conjunto de acções de âmbito militar, administrativo, de investigação, de delimitação de fronteiras e também de melhoria de infra-estruturas, comunicações e de comércio.

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As campanhas militares de pacificação em Angola iriam estender-se até meados dos anos 30 do século XIX. Ocorreram numerosas acções das quais se destacam: a pacificação dos Dembos que se arrastou de 1872 até 1907, situação resolvida pelo Capitão João de Almeida. Os Dembos revoltaram-se novamente, em 1913, e de novo foram derrotados por Norton de Matos nos combates de Kindangue e Kingola.

guerra3.jpg Outras regiões necessitadas de ocupação efectiva eram Malange e Lunda e, para o efeito várias acções foram levadas entre 1889 e 1907. Em 1908, pacificou-se a região de Boudos, e no ano seguinte as regiões entre Bongue Angola e Duque de Bragança que se prolongaram até 1913 e, de modo a permitir a construção do caminho-de-ferro de Malange.

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Em 1902 declarou-se a revolta nos povos do Bailundo. Para lhe fazer face organizaram-se duas colunas. Uma saiu de Luanda sob o comando de Massano de Amorim, e a outra saiu de Benguela sendo comandada por Teixeira Moutinho. Ambas suportaram longas marchas e duros combates, todos eles contados por vitórias.

diogo6.jpg Perdi-me nesta contenda derivando do cacto linha zero dos bosquímanos para as diabruras dos Tugas de N´Gola com Tugas do M´Puto e assim volto aos registos históricos que dão conta de que há mais de vinte mil anos por aqui, sul do deserto do Calahári, vagueiam os bosquímanos, caçadoras por natureza, cujo trabalho é procurarem comida. No nosso modo de ver só podemos confronta-los com a tese mitológica para justificar seu destino sempre incerto.

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Desde sempre os deuses gozam com esta terra e com quem a povoa. Mas se dos céus não vem a farta chuva, da terra brota um cacto que lhes engana a fome, o cacto xhoba! Espinhoso e viscoso, azedo como trovisco, é capaz de cortar em 2000 calorias a necessidade diária de energia de um ser humano. Será sem dúvida uma oportunidade de os muitos milhões de obesos no mundo eliminarem sua excedentária gordura.

zeka7.jpg Dizer-se que os bosquímanos terão aqui uma forma de subsistirem economicamente e, por venda deste produto é talvez uma fantasia, senão tendenciosa no mínimo falaciosa. Encontrando-me eu aqui nas bordas do reino dos bushmens, um lugar cercano ao rio Vaal, não dou por falta de comida quer ande para norte ou nascente. Há capotas, patos, warthogs, mopane (catato) e um sem numero de plantas e raízes comestíveis.  Só quem não conhece o mato e suas gentes pode afirmar esta excentricidade.

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O xhosa (ou IsiXhosa), ou aportuguesando, cosa é uma das onze línguas oficiais da África do Sul. É falada por aproximadamente 7,9 milhões de pessoas (cerca de 18% de sul-africanos), principalmente nas províncias do Cabo e sul do KwaZulu-Natal, mas também nos países vizinhos de Botswana e Lesoto. As consoantes clicantes são uma característica proeminente dos sons desta língua e mesmo o nome "Xhosa" que se inicia com um "clique". Estima-se que cerca de 15% do vocabulário é de origem Khoisan e, mesmo as consoantes clicantes podem ser dessa origem. Existem jornais e programas de rádio nesta língua.

(continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:41
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Quinta-feira, 2 de Novembro de 2017
MULUNGU . LV

NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 23.08.2017 : Parte 1 de IV

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também homem branco em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba 01.jpgT´Chingange

Com botas de michelin ponta de ferro, calções de ganga, camisola de flanela e chapéu quico com os big-five, curto o calor do dia enquanto o sol se põe a pique com uns agradáveis vinte e dois graus no zénite. Ao cair da noite os chacais miam não muito longe e até posso ver seus olhos amarelos quando dirijo o farolim da varanda em sua direcção. As noites têm sido escuras, o céu fica todo a descoberto e posso ver com perfeição as estrelas do cruzeiro do Sul. E, eu aqui neste deserto só com um Mac Guiver, um telefone e, um seja o que Deus quizer.

IMG_20170720_150056.jpg Esta noite que passou aqui na farm Alfa-One, fez menos um grau, a água congelou na torneira e, só pelas quase nove horas da manhã é que fluiu normalmente. Pensando que o depósito verde não tinha água fui para ligar o disjuntor da bomba de encher o tanque mas fui advertido pelo moçambicano Fabiano de Macia, que não corria água porque ela gelou no tubo. Ando eu a fugir do frio e este atrás de mim! Na áfrica do século XXI, afinal, também faz frio a sul do equador!

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Nos finais do século XIX a África Negra deixou de ser olhada apenas como reservatório de escravos para passar a local apetecível de ocupação. Concorreu para isto, a curiosidade científica, a procura crescente de produtos tropicais, a necessidade de matérias-primas e a cativação de novos mercados, que a Revolução Industrial não só potenciava como exigia.

IMG_20170628_092745.jpg Mas ainda nos dias de hoje nos admiramos de os cohisans, bushmens não sofrerem dessa doença moderna a que chamam de obesidade. A natureza deu-lhes aqui um cacto de linha zero a que eu chamo de shoba; Falarei mais à frente sobre este milagroso cacto depois de esgadanhar a estória que nos foi legada em mandaques de coiro escritos com gravetos que o tempo fez amarelecer.

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A perda de controlo dos territórios que dispunham na América do Norte, por parte da França e da Inglaterra encaminhou, naturalmente, estes países para outras paragens. Em Portugal e no ano de 1855, já no reinado de D. Pedro V, o colégio de Cernache do Bonjardim ganhou relevo ao formar cerca de 200 sacerdotes para o serviço de além-mar. A sua coroa de glória foi a missão de S. Salvador do Congo, iniciada em 1881 e que salvou a nossa soberania naquelas paragens, após a Conferência de Berlim de 1884.

kalu10.jpeg Outras congregações se salientaram conforme ia crescendo o interesse por África. Este novo impulso evangelizador veio, porém, a ser estancado por via das perseguições religiosas que ocorreram após o advento da República. No fim da Guerra Civil, em 1834, as possessões portuguesas além-mar, eram como segue: Em Angola havia dois reinos, o de Angola que se estendia do rio Ambriz até ao Cuanza; e o reino de Benguela que ia do Cuanza ao Cabo Negro.

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No sentido leste/oeste não passaria das 70 a 100 léguas a influência portuguesa para o interior onde haveria cerca de 370 sobas subordinados à autoridade portuguesa. A população rondava os 400.000 habitantes e apenas havia três câmaras municipais: Luanda, Benguela e Massangano.

koisan6.jpg Para norte de Ambriz até Cabinda havia territórios sobre os quais Portugal tinha direitos históricos mas não exercia ocupação efectiva. Faltava ali gente! Apenas dois a três navios nacionais (de Portugal) demandavam anualmente os portos de Angola. A partir de 1844 abriram-se os portos ao comércio internacional e fomentou-se a colonização europeia cujas 2.000 almas existentes se concentravam quase exclusivamente em Luanda. Não era de admirar ouvir-se há sessenta anos atrás dizer que Angola era Luanda com capital na Mutamba; e, que todo o resto, era paisagem.

(Continuação…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:41
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Sábado, 28 de Outubro de 2017
MALAMBAS CLXXXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - POTHOLES . III

- 27.07.2017 – Da minha mochila - Aqui no Pilanesberg de África, apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo … Juro que ainda estou intrigado com esta ukamba (amizade)!

Potholes são buracos

Por

soba15.jpgT´Chingange

Estamos em Grascop! Por termos visto uma tão grande variedade de animais em Pilansberg decidimos não ir ao Kruger Park o maior santuário de animais. Acabamos por nos distrair ao longo das montanhas e vendo mais duas quedas de água; a Forest Falls e a Mac Mac Pools,  ambas situadas antes de chegar à pequena cidade de Sabie descendo para Sul. Também visitamos uma outra seguindo para nascente que o mapa refere como ficando perto da R 37 a quem eu baptizei com o nome de Sabie Pools.

sudwana1.jpg A Sabie Pools é extraordinária porque a água faz um véu de noiva; cai de uns cinquenta metros de altura, de uns penhascos bem salientes e aonde nós podemos andar parcialmente por detrás ou ficar mesmo por debaixo enquanto as atrás descritas só podem ser apreciadas desde o topo. A vegetação aqui é luxuriante e tem lianas que se desprendem do penhasco para vir beber a água na base e contorcendo-se como lianas moveis.

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Gostei particularmente desta queda por termos oportunidade de nos metermos nela; O frio da água é que nos impediu de ali ficar um tempo mais dilatado. Neste lugar de montanha pode apreciar-se os quarteirões bem definidos de matas de criptomérias, um pinheiro também muito abundante nas ilhas dos Açores e na Ilha de Tenerife de Canárias.

IMG_20170830_152542.jpg É aqui lugar de muita serração, de casas feitas de madeira em tronco ou tábuas na forma de rés-do-chão e também de primeiro andar. Tudo preparado para voltar a Johannesburg em Benoni nossa base de encontro com a família africana. Habituado às sestas preguiçosas no zurzir do vento fresco nas aceradas folhas de altos bambus, ao viver amplo de paraíso como aqui, embalado na rede pela vibração cheirosa do jasmim, sapoti e mata lagunar dum brasil distante, posso aqui imaginar-me um Tarzan mais genuíno jiboiando-me nestas lianas africanas de Sabie.

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Embora seja vigiado por alguns exóticos pássaros desta mata, não fico impedido por seus guinchos mais o canto da cigarra em um outro lado do mundo, aonde os trémulos horizontes de verdura bocejam o ar com embondeiros suplicando água ao céu. Um homem precisa de sonhar e, assim com abundância de enxúndias até se sonha com antigas realezas de N´gola voando e piando, como um gavião.

IMG_20170831_130245.jpg Neste trecho de sonho não requisitado, lugares e tempo, deslocaram-se no espaço confundindo os momentos próprios do acontecido e, foi como nas margens do Kwanza, o rio dos Mwene N´golas que as kiandas de Massangano me explicaram em sonho, ser aquele o rio da sua integridade. Foi então que meio atordoado neste lugar do Sabie Falls, vi a ela a N´Zinga saindo solene da rocha da falésia.

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Com seus lábios grossos e olhos vivazes transpirando rudeza diferente, balbuciou-me um Nga Sakidilá! (Obrigado). Juro que ainda estou intrigado com esta ukamba (amizade)! Aqui neste lugar tão distante da Matamba. Os dias passaram; nos dias sequentes falando com um sungadibengo (mulato) da Cidade do Cabo de nome Oliveira me disse que seu avô Tuga Olivera da Gama lhe tinha dito que naquele lugar do Sabie havia muito gente de mistério refugiados nas grutas de Sudwala Caves.

sudwala1.jpg Intrigado foi-me dizendo que ali a escassos quilómetros de Nelspruit de Mpumalanga havia em tempos, gente refugiada nas grutas que tinham um kazumbi tão forte que até  guardavam a morte no sovaco. Bem! Quando lá entrei, havia realmente um forte cheiro a catinga. Catinga que já cheirava a cadáver mas aquilo eram estromatólitos colados ao tecto, um pouco diferente das estalactites ou estalagmites. Mas o certo é que havia sim, uma imagem em um grande salão com o nome de Nossa Senhora da Muxima. Para uns já era de Lourdes e para outros de Nossa Senhora de Fátima.

sudwala5.jpg Por serem fósseis tão antigos, pensa-se que sejam testemunha dos primeiros organismos a realizar a fotossíntese oxigênica, responsáveis pelo gás oxigénio que surgiu no planeta há cerca de 3,5 bilhões de anos.

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Porém, a definição exacta de ainda é discutida podendo, por exemplo, excluir estruturas como oncólitos e trombólitos da lista dos estromatólitos. Compõem-se também de carbonatos calcita e dolomita. São formados a partir de uma sucessão de estágios, partindo de esteira microbiana, estromatólito estratiforme, para finalmente se consolidarem em uma rocha. Mas, o povo sempre acredita no que bem quer.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:35
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Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
MALAMBAS CLXXXI

NAS FRINCHAS DO TEMPO - POTHOLES . II

- 26.07.2017 - Da minha mochila. Aqui no Pilanesberg de África, apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo …

Potholes são buracos

Por

soba 01.jpgT´Chingange

Estamos em Grascop - terras altas d M´Pumalanga com serras e grandes sulcos; terra escandalosamente fria e verde. Vamos ver o Pinnackle, Jack´s View, God´s Window, Wander View, vistas largas com rios a correr lá no fundo do vale. Depois veremos as quedas de água de Berlin Falls e Lisboa Falls. Talvez vejamos o Blyd River Canyon na Nature Reserve  e o Bourk´s Luck Potholes. E, por falar em buracos aqui chamados de Potholes, terei de mencionar as agruras para chegarmos aqui pelas R 536, R 555, R 37 e R 577, autentico suplício para os automobilistas.

IMG_20170720_125627.jpg Não aconselho ninguém a passar por ali e de noite ou a chover porque os medonhos buracos surgem e, são de fazer perder a paciência ao mais calmo cidadão. Estamos em áfrica disse-me uma senhora no restaurante wimpy de Lydenburg - This is África, como que a dizer-nos ser aqui tudo possível acontecer. Eu até perguntei do porquê meterem sinais verticais a indicarem “buracos” quando os deveriam tapar: Ela encolheu os ombros acabando por dizer ser isto exótico ou a verba para os tapar tenha sido desviada para a mansão do presidente N´Zuma.

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Bem! Eu andei por aqui há dezoito anos atrás e já existiam estes malditos Potholes. Terei de acreditar que todos gostam deste exotismo porque na desportiva passam por mim lançados em carrinhas altas de 4x4 com tracção às quatro rodas. Lá terei de concordar “This is áfrica”.

pothole0.jpg Em Roossekal ficamos em uma tenda do tipo caçador de elefantes em Botswana, assim como uma cena de filme, no meio dum arvoredo fechado tendo um lago com patos e peixes, bem em frente dela. Assim, em cima de um estrado de ripas e com frinchas bem largas, tivemos de nos proteger bem de noite porque a temperatura desceu aos dois graus. Nem sei como os bois e outros animais destas farmes conseguem resistir a tanto frio.

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Fomos ver o Windows God´s pela R 532 que, também está estava muito cheia de Potholes. Com cuidado lá fomos a Lisboa Folls e Berlin Falls; as mudanças de agora para há dezoito anos atrás é a de que tivemos de pagar 10 randes pelo carro para ver as falls (quedas de água). E é assim, agora todos estes sítios de interesse turístico têem uma taxa mas, as infraestruturas só se limitam á casa do fiscal e quartos de banho.

tenda1.jpg No dia 27 de Julho de 2017 vistamos o Blyd River Canyon no lugar d Burker´s Luck Potholes. Encontrei aqui infra-estruturas mais completas, com área de alimentação mas o preço que naquele então era de cinco randes por pessoa, hoje custou dez vezes mais, ou seja 50 randes. O canyon contínua deslumbrante com largas vistas de falésias abruptas e fundos vales descendo até um afluente do rio Klaserie que por sua vez, vai desaguar ao rio dos elefantes.

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Os Luck Potholes são ravinas em rocha furada e desgastada pela água ao longo de milhares de anos. As forças da natureza fizeram ali caprichosos buracos devido ao tipo de rocha como sendo esculturas da natureza. Escrevo isto na rua President Street nº 71, Casa Beansa  Chalez, lugar de maravilha situado bem no centro de Graskop.

IMG_20170727_130937.jpgRevendo agora e nesta tranquila cidade os animais que vimos na reserva de Pilanesberg, posso aqui enumera-los: - girafa, manada de springbooks, muitos bandos de galinhas de angola e perdizes, bâmbis, facocheros, zebras, gnus, kudus, chacais, rinocerontes, muitas impalas, mangustos, bukarbush, elefantes, hipopótamos, waterbugs, jacarés, chita com três filhotes comendo uma impala, macacos, babuínos, leões, palanca preta e avestruzes.

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Não tivemos a sorte de ver búfalos e, porque também andavam por sítios de difícil acesso ao VW com que íamos; simplesmente não quis arriscar afastar-me em demasia dos principais trilhos. Leopardos é sempre difícil encontra-los e só mesmo os guias conseguem chegar até eles por terem o detector de sinal pelas coleiras que usam. Não fiquei desapontado pois que nem sempre no Kruger Park se vê esta tal quantidade de animais.

(Continua…)

O Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:01
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Sábado, 21 de Outubro de 2017
MALAMBAS . CLXXX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - POTHOLES . I

- 24.07.2017 – Da minha mochila. Aqui no Pilanesberg de África, apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo …

Potholes são buracos

Por

soba0.jpegT´Chingange

Saímos de Pilansberg às 10 horas depois de tomarmos o café da manhã, o breakfast com ovos e esparregado de espinafre e borrabwós, umas salsichas de búfalo e torradas de pão integral. Depois de três horas e meia de caminho pela R 516, R33 e R555 chegamos a uma aldeia característica do Limpopo, casas dispersas construídas com os materiais mais diversos. Chapas de zinco dos lados e em cima com pedras ou pneus a dar suporte; Tudo serviu na construção daquelas barracas podendo deduzir-se serem algumas feitas de tambores de gasóleo cortadas e achatadas a marreta. 

bak1.jpgVistas de longe parece uma favela desordenada cruzada com ruas de terra, mal definidas, cubatas primitivas se a confrontar com as luxosas casas de Bela-Bela, Johannesburg ou outra cidade de maior destaque. Mas também as vi ao longo de largas vias em plena cidade de Johannesburg. Em um dia que nos deslocamos ao Casino Carnival City sobressaltei-me com o fumo que soprava daquelas casas e reparei depois que este saia das frinchas daquelas casas insalubres, com um simples janelo ou mesmo nada ao redor delas (uma casa um fogo de lenha)

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Foi-me dito que ali mora gente saída do Zimbabwé, do Malawi, de Moçambique; gente aos milhares senão milhões que correm para a África do Sul na esperança de aqui encontrarem trabalho. Um mulungo (branco) empresário ou dono de farm (fazenda) que lhe dê trabalho. Nunca vi isto em Angola; ali os musseques eram disciplinados e as cubatas eram feitas de adobe ou de taipa, tinham janelas e as portas não eram umas simples chapas de zinco presas por uns arames, como aqui.

bak3.jpgMas, diga-se que também vi grandes mansões em lugares de destaque, propriedade de negros, um pouco por todo o Johannesburg e outras cidades. Vi brancos a pedir esmola nas ruas tal como negros, atirando bolas ao ar e até descalços, mal cuidados; creio que a viverem entre papelões e jornais nas sacadas dos lugares comerciais mais centrais. A cada cinquenta metros em um centro de cidade ou centro comercial há um branco ou preto a dar indicações de arrumação a troco de uns cinco randes. Nunca em anos anteriores, tinha visto tamanha proliferação de carências humanas aqui na África do Sul.

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Em nossa viagem e depois de Rossenekal na R 555 e R532 viramos por uma estrada de terra bem ruim para o turismo alugado que levávamos, com ondinhas e pedras soltas, picada própria para um four-by-four e após 10 quilómetros chegamos ao Valley of the Rainbow, uma farm com tendas de lona junto a uma lagoa e situada na encosta arborizada de um morro. O escudo do Valley tem três gansos e três peixes, lugar certo para observar aves, e ficar ali por horas à pesca.

bak4.jpg O Witpport River passa ao lado envolto com árvores de grande porte; e, foi aqui que ficamos na rustic-tent nº um assente em uma base, ripados de madeira com gretas de quase centímetro. Era bem ampla com uma varanda e um avançado também de lona com uma churrasqueira de fazer ali o característico brai, um quarto amplo com quatro camas e uma grande casa de banho com água quente e fria. Na varanda havia um armário fechado com os apetrechos de cozinha tais como torradeira, máquina de café, garfos, facas e pratos variados. Também tinha um frigorífico e cinco cadeirões com uma mesa central.

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Havia café e chá rooibos em sacos assim como açúcar e a respectiva cafeteira de aquecer água para as habituais sopas pré-feitas e as papas de mitabix. Estávamos num rústico sítio fresco de verão, mas demasiado frio para estas noites de agosto a chegar aos menos 4 graus. Esta temperatura foi sendo suportada com três pares de meias e camisas grossas de algodão. E, foi assim que todos dormímos envoltos em flanelas e sacos cama.

limpopo1.jpg Chegamos aqui ao Rustic-Camp do Valley of the Rainbow perfazendo 999 quilómetros de viagem vindo pela R 555 e chegando exactamente às 4.44 horas, dezasseis minutos antes de fecharem a recepção; 444+555=999. Parece até uma estória de cabalística, uma numerológica visão revista em astrologia pela minha neta Lara Mendes Monteiro quase a completar os 16 anos. Uma neta muito cheia de sabe-tudo que me fazia rodar os neurónios amiudadamente e me punha os zingarelhos descontrolados.

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O custo da tented-challet ficou em 750 randes, o correspondente a uns cinquenta €uros, um preço aceitável! Não tinha intensão de voltar aqueles dez quilómetros por aquele caminho horrível de noite e sem booking em outro qualquer lugar! Aventura é aventura! Sempre sucedem coisas diferentes e, não previstas nos planos B ou C.

limpopo3.jpg Como disse, acabamos por dormir vestidos, com os tais três pares de meias e deixando as malas e sacolas no VW Up Wite alugado no First Car Rent de Rynfield de Benoni. Há oito dias que andamos sem internet mas usando os dados moveis (data) para através do Smarthpone 0636.1696.03 da Vodacom podermos ter O GPS e mapas. Nosso destino é Grascop, terras altas de largas e bonitas vistas não muito longe do Kruger Park.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:02
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Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
MUXOXO

t´chingange 0.jpgMUXOXO DESTE DIA - 19.10.2017

Muxoxo é um clique sonoro! Cole a língua dobrada ao palato (céu da boca) e num repentemente abra a boca. Isto é um muxoxo!
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Desde Agosto de 2017 que ando  às voltas com o meu ADN de T´Chingange perdido no buraco de kimberley lá nesse misterioso deserto do Calahári. Só hoje, num encontro com N´Dalatando, meu bruxo kimbanda, reencontrei meu enfeitiçado vulto! De novo brilhou o diamante entre os búzios atirados com mestria. Como numa galáxia surgiu brilhando de novo.Terei agora de recolher os dados, os ossinhos antigos, moldar o kota soba  e repor minhas verdades e inventaçõs no lugar.

IMG_20170823_123725.jpg Sem a preocupação gramatical, com o sujeito cutucando o verbo mais o predicado…, sem a métrica do fado, uma emergência confusa deste tempo, sem a rima versejada, a metáfora triste e saudosa e, de alma torturada retornei no meio de labareas colando  tristezas minha e alheias no meu coração.

 

adiafa1.jpeg Sem pátria idolatrada, jogando búzios na zuela do feitiço, sem algum esforço intelectual, remexendo panelas de sarapatel e cozido português de forma encarquilhada amolei-me com estas tiçadas de negro. Muito me convenço da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia. Sem ser convocado, assisti pela televisão à queimada do M´Puto. Tristeza! E, acerca disto, tenho até medo de comentar disparates pelo que só posso responder sem entusiasmo, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de precariedades. 

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Fazer trocadilhos, cortar toucinho, metê-lo num pão, acompanhar isto com uma cerveja e ficar no silêncio das falas porque, não posso mentir a mim mesmo! Algo anda mal neste mundo cão. E, se calhar todos temos culpas a começar pelo D. Diniz.

Araujo116.jpgIrá chegar o tempo em que não mais me preocuparei com as parvoíces da terra mas, por agora, terei de ouvir os mexericos, os muxoxos dos críticos, das alfinetadas de comentadores, devaneios e futilidades consumindo a gente.

fogo2.jpgHoras a fio - gente que pendura em seu ego piadas de engasgo, gesticulando até coisas com rezas insólitas nas redes sociais. Será! Será que a marreta que atormenta a cavilha com pancadas, o fará mais seguro e mais forte? Termino assim com uma hodierna interrogação, vulgarizando-me na coragem da metáfora, porque nem de tudo podemos ter resposta, nem a tudo podemos responder. Sei de antemão que as lágrimas não se cristalizam, quando sempre lamuriamos. Fica o muxoxo!

Em terras de Cruzios...

A mensagem chegou assim da galáxia: Grande Soba, já afinei a máquina e acertei o relógio, parece que está tudo a funcionar, grande abraço! N´Dalatando - Foi o recomeço...

O Soba T´Chingange 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:24
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Grande Soba

Grande Soba, já afinei a máquina e acertei o relógio, parece que está tudo a funcionar

grande abraço

N´Dalatando



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:35
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Domingo, 6 de Agosto de 2017
MOAMBA . XII

BAKGATLA DO PILANESBERG - NA NUDEZ DA VIDA – 23.07.2017- Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…

Por

soba15.jpg T´Chingange

No meio da algazarra das palavras, dos apelos, dos gritos ou cânticos, haverá sempre uma insatisfeita curiosidade, perguntas sem respostas ou maneiras mentirosas de dizer a verdade; verdade que nem sempre achamos lógica ou patética nem sempre merecedora de ser levada ao cutelo ou ao fogo da veracidade porque, simplesmente nós não somos guardiões nem usamos beber do crime no rio da vida.

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Amolecendo a preguiça refastelado no Bush Camp, dou-me conta do quanto meu sovaco cheira a catinga, odor em tudo igual a todas as outras catingas dos negros corpos de África. E, assim, aqui estou de livre e espontânea vontade como um turista, muito enfeitiçado pelas gentes acolhedoras que falam línguas estranhas mas sempre dizem good morning ou how are you, língua de europeu!

 mulaa2.jpgGentes que como eu, saíram dessa imensidão dos matos, de lonjuras percorridas em toyotas, land-Rover, Kias ou Chevroletes, terra de onde se parte sem querer partirem e já partindo de vez, arrependidos depois por não ter ficado. Como vamos nós próprios destrinçar a verdade dentro da nossa própria imensidão, nos assuntos de crenças e impiedades de bens tão profusos nas regras do Mundo.

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Porque estou eu aqui, fugido de casa como uma condenação sem definitiva ou suficiente razão para e, simplesmente sarar as feridas do corpo!? Estando assim com o varão primogénito, com suas turbulências indecisas, apalpo as medidas da natureza do Senhor, vendo  o pássaro monteiro´s ornbill enfeitar minha alegria debicando o pão que lhes ralei.

monteiro ornbilll.jpg De coisas desavindas ou desavisadas, relembrei que ultimamente meus próximos amigos me referem amiudadamente como tendo uma cabeça brilhante! Creio que querem dizer outra coisa e que só por deferência respeitadora, falam desse jeito encafifando-me sobremaneira, até à raiz dos cabelos que não tenho. Pois então, por isso, brilha! Em frente do espelho vejo sim, um velho setentão, careca, rugoso com carochas e carnes vulcanizadas ou encarquilhadas.

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Para minha alegria, há uns dias atrás, estando eu em Gauteng, telefona-me o Miguel Esteves Cardoso com aquele ar de gozo e bonacheirão: - Hê pá! Tu estás com a cabeça brilhante! Pópilas, como é que lá do outro lado e de longe, este tipo sabe das minhas mazelas? E, falar-me assim tão jocosamente!

esteves1.jpg E continuou: - Li umas coisas tuas e deste-me uma ideia, assim do camano para o meu próximo livro! Que tens andado a passear o cachorro, num lugar aonde as hienas nem o pai respeitam, um lugar de cheetas agarrando veados!? Toma cuidado meu! Não ponhas o pé de fora que podes depois dar uma congestão ao Leopoldo. Eu aqui tentando sucumbir as malazengas e este inchado dos chifres a mandar-me palpites cavernícolas.

MAR VERMELHO 04.jpg Estou a telefonar-te para agradecer o “biltong” de kudu que me enviaste lá das tuas terras do mato, do Kaprivi! Este tipo está a cantar-me o fado, só pode ser! Estando eu no bombom de Sun City jogando sortes fala-me como se estivesse a dar chupa-chupa aos hipopótamos do Okavango. Neste momento o homem das falas do casino gritou: quarenta e cinco! Era o meu número do totoloto. Bingo, gritei de contente. A chamada perdeu-se no preciso momento em que senti o terramoto vindo do Lost City… 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:31
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Sábado, 5 de Agosto de 2017
MOAMBA . XI

MOAMBA . XIV

A NUDEZ DA VIDA – 05.08.2017 -Temos de ginasticar a mente! Terei de continuar espiralado para dentro até minimamente entender o que será o colapso do átomo…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

De acordo com a teoria da relatividade, se a luz não consegue ir de uma região a outra, nenhuma outra informação o consegue. O mais lógico e possível é dizer que Deus escolheu a configuração inicial do Universo por motivos muito para além da nossa compreensão. Isso sem dúvida estaria ao alcance de um ser omnipotente, mas, se Ele começou o Universo de maneira tão incompreensível, por que optou então por deixar que evoluísse segundo leis que pudéssemos entender?

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Tendo o hidrogénio um único electrão orbitando o núcleo, afirma-se pelos cientistas recentes, que pode agora ser vista como uma onda com um comprimento dependente da sua velocidade. Fiquei sabendo que as somas de histórias podem ser visualizadas na dualidade, onda e partícula. Mesmo que queira escalpelizar esta forma de atracção gravitacional do Sol, não o poderei fazer sem estudar a atracção entre electricidade positiva e a negativa que mantém os electrões.

funa3.jpg Há no entanto questões ainda sem resposta, sendo a mais fundamental delas explicar como a relatividade geral pode ser conciliada com as leis da física quântica para produzir uma teoria completa e auto-consistente da gravitação. A generalização tem implicações profundas no nosso conhecimento do espaço-tempo, levando, entre outras conclusões, a de que a matéria (energia) curva o espaço e o tempo à sua volta. Isto é, a gravitação é um efeito da geometria do espaço-tempo.

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Supõe-se que as histórias seguem seu trajecto de A para B associadas a dois números em que um representa o tamanho da onda e o outro a posição do ciclo. Bom! Esta do ciclo tem como uma onda, a sua crista e o seu vale, tal como uma sinusóide. Num vasto ciclo de ondas num mar, o surfista sempre aguarda a sua onda, a tal! Um surfista muito cheio de sorte joga com as probabilidades de ter uma onda considerável, dispensando muitas outras que não dão as condições optimizadas à sua prancha, sua partícula.

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A probabilidade será assim como uma prancha partícula a ir de A para B obtendo no conjunto a soma de ondas para todas as trajectórias. E, há variações enormes, umas ondas são grandes e outras quase rasas, que associadas se anularão uma às outras de maneira quase exacta. Formular isto em equação matemática concreta, torna até aparentemente simples calcular as órbitas permitidas em átomos e moléculas, com átomos unidos por electrões que orbitam mais de um núcleo.

MAGA11.jpg Voltamos assim ao “princípio da incerteza” tendo a estrutura das moléculas e suas recções entre si, formar a base da química e biologia, em princípio a mecânica quântica que nos permite prever quase tudo o que vemos à nossa volta. Para conceber isto, seremos obrigados a interpretar as antigas pinturas em que os Santos ou gente santificada tinham um halo de luz envolvendo suas cabeças; explicação grosseira mas plausível de entender.

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Se considerarmos isto dito dentro dos limites estabelecidos pelo “princípio da incerteza”, teremos antes de entender um outro princípio chamado designado de “antrópico” que credita o lema de vermos o Universo da maneira de como ele é, porque se ele fosse diferente, não estaríamos aqui para observá-lo.  Bom! Entretanto os teoremas da “singularidade” indicam que o campo gravitacional ficará muito forte em pelo menos duas situações: - São elas “os buracos negros” e o “Big Bang”!

DIA76.jpg Poderemos prever a derrocada da relatividade clássica quando os átomos alcançarem uma densidade infinita. Juntando nosso entendimento às demais forças da natureza, ainda serão necessários fundir-se muitos fusíveis do cérebro e cerebelo com seus neurónios e, muitas gerações a se arrumarem na relatividade geral e na mecânica quântica. Teremos forçosamente de ginasticar a mente. Podemos dizer que é esta “Uma breve história do tempo” de Stephen William Hawking.

FILOSOFO1.jpg William Hawking, é um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da actualidade. Doutor em cosmologia foi professor de matemática na Universidade de Cambridge. Em 1964 foi-lhe diagnosticado ter esclerose lateral amiotrófica mais conhecida por doença de Lou Gehrig ou doença do neurónio motor. Vulgarmente diz-se que isto ou aquilo em comparação com algo é relativo; Ele o físico, é em seu próprio ser, como figura, bem a prova disto.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:48
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Sexta-feira, 4 de Agosto de 2017
MALAMBAS CLXXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 20.07.2017 - (Parte 3 de 3) - Aqui no Pilanesberg de África, apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo …

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soba10.jpg T´Chingange

Neste mundo global, qualquer fagulha serve para atear quenturas mas em África, é muito mais natural porque sempre se usou a cinza das queimadas para renovar os pastos. Tenho observado como os animais da savana africana adoram esses rebentos saídos da terra. As noites são frias acumulando geada nas tenras folhas, que por sua vez lhe dão vida ao penetrar em suas raízes. Nos últimos dias os javalis facocheros joelham-se fuçando a terra ainda húmida bem junto à berma das picadas sem se perturbarem connosco; ali ficam em varas exibindo-se sem medo.

bra1.jpg Já os homens, com suas diabruras muito cheias de corruptas ousadias, amachucam-se entre si usando seus instrumentos de poder, suas artimanhas de logro para obter dividendos. Hoje é N´Zuma e amanhã será um outro a cantar vitórias e, tal como o EDU de Angola perpetuar-se-ão até exaurirem o cansaço do povo à semelhança de Roberto Mugabe do Zimbabwé. Para ver se fico manso com Nosso Senhor, continuo a ler o evangelho de Saramago usando até seus sufixos, esboços de suas falas menos ceifadoras para não me pecar,

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E, porque, até uma árvore geme quando a cortam e, as palavras têem o valor que têm segundo nossas convicções ou ficções. Com verdades indecifráveis, muito cheias de ofensas ou entendimento falaram-me de uns quantos anjos voando sobre a África desde a Cidade do Cabo, até o Cairo como o sonho de Cecil Rodes espalhando ódios de raças. Como metáforas enraivecidas dizem-me que a América e Inglaterra vão ficar falidas e cheios de dívidas. Que a Inglaterra será totalmente aniquilada, pois até a sua terra será queimada com uma invasão liderada pela Rússia. E, que esta invadirá a Europa, através da Turquia usando armas terríveis.

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Mas que coisas mais tenebrosa que meus amigos apóstolos de África me dizem. Não tenho de acreditar e, nem o quero porque na destrinça de nossos quereres perturba-me a probabilidade dando-me conta entre reflexões, que nunca unirei as pontas. Ficarei atando e desatando nós de sim, mas não, não, mas sim com o não sempre se retorcendo como coiro queimado nas pontas. Querem fazer de mim, torresmo! E transcrevem-me as profecias dizendo que a África do Sul entrará em uma guerra civil em um ano de eleições. Pópilas! Estamos quase em cima delas- 2019!

massau4.jpg Mais me dizem que as profecias referem que após a morte de um líder negro, será exibido em um caixão de classe nos Edifícios da União. Líderes mundiais o irão homenagear! Mas isto já sucedeu com a morte de Mandela! Matizado nos arrebates da imaginação de que cada qual soma um ponto ao conto, rogo que percam com o tempo e na distância, a convicção de que assim será! Que o não seja! Nem poderá assim ser, uma perca de pontos ao não milagre. E, se realmente o houver, que vire uma coincidência infeliz porque por experiência, sabemos que bem estaríamos nós, se tudo na vida fosse prendas e só bem-estar.

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Pois vou ter de dar por finda esta incursão no campo das profecias porque a solidão nos será mais pesada do que uma pedra amarrada ao pescoço, preferindo das notícias proféticas, recolher as de felizes consequências, dos corriqueiros milagres que preenchem uma vida. E, querendo o Senhor, viermos em crer no que nos foi dito, mas, entre tantos, muitos ficarão á espera de que o Senhor mude seu entendimento, por choro, por um desgosto ou por um último suspiro.

valdir5.jpg Hoje assisti à corrida de uma chita na savana de Pilanesberg; a cabra springbok foi alcançada e logo em seguida suas três crias surgiram ajudando sua progenitora a transportar a presa para um lugar dissimulado a uns escassos 30 metros da picada. Na natureza a vida e a morte conciliam-se fora da mistificação de gente ímpia, a ocasião pode sempre criar uma necessidade e, se ela é forte, terá de ser ela, a necessidade, a fazer a ocasião. Aqui não há o lado bom e o mau. É a sobrevivência!

koisan1.jpg Se Deus quiser, quando assim se fala, ouve-se das bocas mais incrédulas sentenças bem acabadas mas, pela natural força do subconsciente porque cada um tem o seu próprio destino, seus próprios milagres, suas próprias palavras que trilham seu caminho. Porque na vida tudo é relativo, uma coisa má pode até tornar-se sofrível se a compararmos com coisa pior ou, o inverso que também é verdade. Em tudo, haverá sempre um propósito de fé! Que poder poderá ser dado a alguém que morreu! E, como ficamos se esse ser for uma springbok?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:29
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Quinta-feira, 3 de Agosto de 2017
NIASSALÂNDIA . VII

MULOLAS DO TEMPO – 02.08.2017 - Nós e o mundo … Teremos de nos regularmos em boas marés porque as brisas esbarram em caricias amigas…

Niassalândia é o meu país.

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soba15.jpg T´Chingange  

A Um de Fevereiro de 2016, Eduardo Torres o poeta Xi-Colono, amante do deserto Naukluft, divagando fora da sua serena poesia, falava de mim em prosa: -Curiosamente, só vim a conhecer o António Monteiro, quando, residindo em Portimão, tive oportunidade de estar com ele na casa do meu amigo Santos Pereira, já lá vão largos anos, e sempre o conheci bem-humorado, ora pedalando na bicicleta em circuitos organizados, ou como caminheiro em longas andanças por montes com cardos e estevas.

nauk01.jpg Em realidade o nosso primeiro contacto (digo eu) foi em Windhoek, capital da Namíbia e, estando eu em companhia de Dionísio de Sousa também conhecido por Reis Vissapa que ia desbravar o Okavango na tentativa de por ali ficar; seu sonho era ter um lodge junto ao rio que lhe trazia muitas lembranças desde o tempo em que trabalhou na Brigada de Hidrografia no rio Cubango entre outros. Ele por ali bivacou em casa de Miranda Khoisan às margens do Kubango por algum tempo e, eu regressei a Windhoek tendo ficada por uns dias no hotel Continental.

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Foi neste então que nos conhecemos, assim como a suas filhas Paula e Sónia que trabalhavam em uma agência de viagens. Foi aqui que me apresentou ao Cônsul de Portugal na Namíbia. Recordo que foi Sónia que teve a amabilidade de nos marcar o booking para o Etosha Park em Okaukuejo! Dito isto, vamos continuar com as caricias de meu amigo: Monteiro, para manter o físico e não perder a boa disposição, andava de bicicleta indo de Silves a Sagres.

nauk03.jpg Regressava partido de roto, após ter percorrido seus 120 quilómetros. Depois uma sardinhada bem regada com água de Pegões e uma soneca para retemperar músculos, dizia ele. Preparava-se para ir a Fátima a partir de Albufeira, coisa que acabou por fazer em três anos seguidos; isto, só o vim a saber mais tarde! Considerei o Monteiro sempre um "bom vivant", alinhando sempre com a esposa como muleta, uma disposição que os tornava um casal simpático e acolhedor.

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O Monteiro tem as suas páginas no FB e, de quando em vez lembra-se de transcrever qualquer escrito meu que para ele possa ter interesse. Em verdade, o Monteiro, acaba por me divertir, porque usando a sua veia criadora, sua banga ninita misturando excertos de artigos diferentes, assim como um preparo cozinhado com frutos do mar e bizarrocas receitas. Algumas vezes permite-se ao luxo de introduzir novidades, para mim, de sua autoria.

nauk1.jpg Ele lá tira as suas ilações, e altera o conteúdo como deve alterar a receita, quando cozinha com seu pau de cabinda mordido na ponta para sentimalizar o preparo. Num dos últimos artigos que escrevi, afirmei lembrar-me da primeira vez que tinha comido camarões trazidos pelo meu pai, de Benguela, isto, penso, que nem a segunda grande guerra se iniciara; o amigo Monteiro acrescentou, que teriam vindo num Jeep Willis, para dar ênfase às sua bafunfadas inventações e, poder poeticamente comparar a um brinquedo que o compadre do meu pai, Bartolomeu de Paiva, me havia oferecido pelo Natal alguns anos depois.

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Estabelecendo assim uma comparação, de duas épocas diferentes, porque na primeira nem jeeps havia, e na segunda já apareciam miniaturas de viaturas utilizadas durante a guerra que estava devastando a Europa. Isto não tem nada de especial, mas não deixa de ser interessante a sua intervenção no sentido de tornar mais forte a razão do acontecimento registado.

nauk4.jpg E, Edu continua seu discurso na primeiríssima pessoa: Quem te conhece, sabe como tu és, sério, honesto, amigo do teu amigo, mas gostas de deixar sempre a tua marca, uma ferradura, e pela minha parte, podes continuar a fazê-lo porque até é uma maneira de me divertir... E, até porque não tem importância, e pode acontecer ser por uma questão de interpretação!

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Aliás, agradeço quando públicas o que escrevo, uma prova de apreciação da tua parte (fim de citação). Assim, abruptamente termina sua esponjosa lengalenga bonita de chorar bem no topo de uma duna do Naukluft e, vendo as sombras a roerem-nos o pé. Em seu tempo, creio ter-lhe agradecido mas, agora que a revejo aqui na terra do biltong no Gauteng, envio-lhe uma saudação neste meu jeito suave de não perturbar a rigidez de suas rimas, sua direitas posturas sem antas nem adendas nem fumaças de caricocos envoltos em papel preto e doce.

nauk8.jpg Em remate e, bordado a lentejoulas das terras de largas vistas ao sul do M´puto, Júlio César, Doutor professor de números e contas, que só conheço através do Facebook, dono de palavras honorificas e sem Ferrolho, tranca o tema tecendo as palavras como laivos de própolis, um antibiótico salutar: -O António Monteiro é um criador de estórias que usa a língua portuguesa condimentada em sabores de kimbundo e doces crónicas dele próprio e dos amigos. E, porque terminou assim, em mel de abelha, tenho de expressar aqui e agora a minha gratidão a ambos. 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:37
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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2017
XICULULU . XCVI

TEMPOS DORMIDOS : 29.07.2017 - No estágio imaturo do raciocínio considerando que o Universo tenha tido um início, teremos de supor que houve um criador. E, tudo começou com os Estromatólitos …

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t´chingange.jpeg T´Chingange

sudwala3.jpg Neste dia visitei Sudwala Caves a escassos quilómetros de Nelspruit de Mpumalanga na África do Sul e, pude apreciar no tecto da mesma, um conjunto de pedras que como lapas estavam pegadas ao tecto de uma das várias salas, já bem no fim da galeria principal. Ali, a água escorria pela rocha formando uma estalactite esbranquiçada com a forma de madona. Os ancestrais moradores daquela gruta transmitiram a crença aos vindouros de que quem a bebesse viveria ao dobro.  Molhei a mão e notei que saia bem fria.

sudwana1.jpg Foi dito que aquelas rochas eram compostas de magnésio, cálcio e manganésio entre outros em menor percentagem. As cavernas de Sudwala são formadas de rochas da dolomite pré-câmbrica, estabelecida há cerca de 3800 milhões de anos, quando a África ainda era parte de Gondwana. As próprias cavernas formaram-se acerca de 240 milhões. Há várias estruturas de espeleologia na caverna, conhecidas por nomes como o "Lowveld Rocket", "Samson's Pillar" e o "Screaming Monster".

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Também existem fósseis microbianos de uma cianobactéria conhecida como colenia da rocha; estes se formaram há 2000 milhões de anos, os chamados Estromatólitos. As cavernas foram usadas para abrigo em tempos pré-históricos, provavelmente e, devido em parte a um suprimento constante de ar fresco.

sudwala1.jpg Estromatólito é em verdade uma rocha fóssil formada por actividades de microrganismos em ambientes aquáticos que, normalmente se acumulam no fundo de mares rasos, formando uma espécie de recife. Aqui encontram-se situadas no tecto. Porém, a definição exacta de estromatólito ainda é discutida podendo, por exemplo, excluir estruturas como oncólitos e trombólitos da lista dos estromatólitos.

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Por serem fósseis tão antigos, pensa-se que sejam testemunha dos primeiros organismos a realizar a fotossíntese oxigênica, responsáveis pelo gás oxigénio que surgiu no planeta há cerca de 3,5 bilhões de anos. Compõem-se também de carbonatos calcita e dolomita. São formados a partir de uma sucessão de estágios, partindo de esteira microbiana, estromatólito estratiforme, para finalmente se consolidarem em uma rocha.

roxo150.jpg Os paleontólogos sugerem uma classificação quanto à morfologia, já que esses fósseis são colónias de microorganismos e não "fósseis individuais", propondo classificação em categorias que não seguem a nomenclatura biológica. Mas, há outros especialistas que apenas referem as microestruturas, isto é, só levam em consideração o género e a espécie de seus microorganismos.

sudwala2.jpg Estromatólitos encontrados na Groenlândia, num depósito de rochas sedimentares abaixo da camada de gelo, foram datados como de 3,7 Ga atrás, constituindo a mais antiga evidência actualmente. O mais curioso é saber-se que esta descoberta apoia a busca por existência de vida pretérita em Marte, pois nesta época Marte contava com água líquida em sua superfície e estava em condições similares às da Terra, sob um sol 30% menos brilhante que hoje.

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Além disso, suas estruturas fornecem dados astronómicos e geofísicos quanto ao ambiente do passado. São por assim dizer uma sopa de células - A origem da Vida. Um filamento microbiano que engloba um vasto intervalo de fenómenos: desde a emergência das linhagens principais até extinções em massa ou a evolução de bactérias resistentes a antibióticos hoje, em hospitais.

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Entretanto, dentro do campo da biologia evolutiva, a origem da vida é de especial interesse porque remete à questão fundamental de onde nós (e todos os seres vivos) viemos? Muitas linhas de evidência ajudam a fornecer pistas a respeito da origem da vida: fósseis remotos, datação radiométrica, a filogenia e a química dos organismos modernos. Contudo, como novas evidências estão sendo descobertas constantemente, hipóteses sobre como a vida se originou, que podem mudar ou ser modificadas.

araujo113.jpg Quando se originou a vida? É importante lembrar que mudanças nessas hipóteses são parte normal do processo da ciência e que elas não representam uma mudança na base da teoria evolutiva. Evidências sugerem que a vida surgiu pela primeira vez por volta 3,5 bilhões de anos atrás. As evidências são formadas por microfósseis (fósseis que são muito pequenos para serem vistos sem a ajuda do microscópio) e estruturas rochosas antigas como estes estromatólitos encontradas no Sudwana da África e Austrália.

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Para melhor assimilarmos os Estromatólitos dir-se-á que são produzidos por micróbios (maioria cianobactérias fotossintetizantes) que formam filmes microbianos que aprisionam lama; com o tempo, camadas desses micróbios e de lama podem formar esta estrutura rochosa estratificada – o estromatólito.

roxo82.jpg Cientistas estão explorando vários possíveis locais para a origem da vida, incluindo poças de maré e fontes térmicas. Entretanto, recentemente alguns cientistas levantaram a hipótese de que a vida se originou perto de uma fonte hidrotérmica no fundo do mar. As substâncias químicas encontradas nesses respiradouros e a energia que eles fornecem poderiam ter abastecido muitas das reacções químicas necessárias para a evolução da vida.

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Posteriormente, usando as sequências de ADN de organismos modernos, biólogos conseguiram rastrear experimentalmente o mais recente ancestral comum de toda forma de vida, um microorganismo aquático que viveu em temperaturas extremamente quentes. Apesar de várias linhas de evidências serem consistentes com a hipótese de que a vida começou perto de hidrotermais no fundo do mar.

sudwana3 sudwala.jpg Esta hipótese está longe de ser tida como certa e consensual: a investigação continua e pode eventualmente apontar para diferentes lugares para a origem da vida. Foi muito interessante saber destes avanços, não obstante estar consciente de que irão fazer colisão com teorias, dogmas, conceitos e paradigmas que nos foram legados por vários veículos de instrução…Não virá mal ao mundo saber-se deste conhecimento e, nem Nosso Senhor terá de ficar zangado por tal ousadia.

Ilustraçõs de Assunão Roxo e Costa Araújo Araujo

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:54
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Terça-feira, 1 de Agosto de 2017
MUJIMBO . CVII
NAS FRINCHAS DO MEU BAÚ . 01.08.2017 - Guetos, somos todos nós, brancos e pretos - José Eduardo dos Santos é um homem banal. Não provoca a ninguém um virar de pescoço quando entra num salão...
Frincha : É a ranhura do tempo...
Por

soba10.jpgT´Chingange

Entre dúvidas escondidas no pormenor de factos conhecidos, dou-me conta que as frinchas, mostram versões velhas a que eu não forço ao pormenor para não suscitar ranhuras com os gigabites alheios, referindo tão-somente o que me parece ter lógica porque, por mais que nos esforcemos, há coisas que sempre ficam na charneira do mujimbo, do boato.

okakau1.jpgAgora que vai haver eleições em Angola, recordo que Jonas Savimbi, sempre recusou o abandono da luta pelo que achava certo, não escolhendo cenários de exílio dourado como outros o fizeram e, foi o único dos líderes angolanos que sempre viveu e lutou no seio de sua terra, sua pátria,digo eu num propósito de dialogar com as duvidas de muitos.

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A ela, Angola, tudo deu sem nada tirar, ao contrário de outros com contas, palácios e mansões no exterior e o desperdício de gastos, assim como a compra de um relógio de 500 mil euros por um filho do Edu, o plenipotenciário presidente. Um filho que só se baba de prepotência sem nunca ter trabalhado em algo visível; que nada fez em prol do povo! Fisicamente Savimbi morreu mas, seu espírito está em toda a parte, mesmo fora de Angola! Alguém em seu nome continuará a ter quem defenda essa cultura, esse povo, essa forma de ser e de estar! Li algures que está enterrado em um humilde cemitério de Luena.

brig4.jpg Um amigo meu do Okavango no seu jeito enigmático de sempre deixa uma prega solta na minha costura frinchada disse: -Ele está vivo! Algures num lugar palaciano e bem protegido; aquilo de sua morte foi uma farsa muito bem engendrada pelas grandes potências. Vejam só o que a mente humana pode arquitectar (penso eu)? O que viram em fotos é uma tramóia muito bem-feita, um sócio de Savimbi e, não é certo saberem aonde ele foi enterrado para evitar um rodopio de peregrinos, disse este meu kamba. Desacreditei disto com um muxoxo fingido de consentimento.

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Não acredito nesta sua versão, disse eu por fim, não tem lógica porque mostraram o corpo dele em várias posições e eu até pude referir em tempos que ele se teria matado pois que na foto de Grande Reportagem do M´Puto podia ver-se um furo em seu queixo do lado direito. Era ele sim! Ele era destro! Rematei em termo definitivo! Meu amigo, deu de ombros assim como dizendo que cada qual ficava com a sua opinião. Não forcei a nota mas, ando matutando em sua fricção; acontece hoje tanta coisa estranha!?

kunene1.jpg As nossas conversas rebrilhando nas águas do Kubango vespertinavam com a kúkia (pôr-do-sol) bem no horizonte angolano e, por detrás de seus brilhos Andamos para trás ou para a frente de forma aleatória e por serem já coisas diluídas nos cacimbos e kiangalas, podemos ornamentar os factos com ausência de espanto; de só mesmo matando o tempo, de só falar ! Recordamos a muita diplomacia lodosa, de quando Jonas Savimbi chamou «garoto» ao então ministro Durão Barroso Esse que esteve no comando da UE.

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Por seu turno, também recordamos quando João Soares, numa entrevista ao semanário Expresso, classificou os dirigentes angolanos como «um bando de cleptócratas»; talvez ele mantenha essa opinião, só que agora com mais fortes razões de o serem! E, as relações escondidas, que o Dr. Soares seu pai já defuntado, manteve confidenciais durante muito tempo, em virtude de «não querer que isso fosse do conhecimento da Internacional Socialista e, onde o movimento da UNITA não era reconhecido».

kunene.jpg Esclarecedor! De quando Mário Soares de visita às Seychelles, em 1995, em conversa informal com os jornalistas, após o jantar, falou de Angola (que visitaria oficialmente no ano seguinte) e sobre os líderes em confronto, emitindo esta opinião: «José Eduardo dos Santos é um homem banal. Não provoca a ninguém um virar de pescoço quando entra num salão. Enquanto que Jonas Savimbi tem uma presença esmagadora! É um verdadeiro líder africano!». Tarde piaste, digo de mim para mim mas, e aqui corroboro com ele! Disse eu ao meu amigo Mac Guiver de faz-de-cota, que me olhou sem espanto!

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Da minha conversa com Mac Guiver, nunca pretendi recolher dados comprometedores com ele e, sempre o vi como um bigfive que nada mais fez do que dar continuidade à sua vida, tal como o fazia na Chibia, do outro lado do Kubango mas, sempre me pareceu ser um profundo conhecedor de todos estes relacionamentos de fronteira.

kunene2.jpg Estava escrito nesta frinchas que a Jamba era o centro nevrálgico alfa no tráfico de marfim, diamantes e madeiras preciosas. Savimbi teve de recorrer a este património mas, o governo mwnagolé da Luua, despilfarrou muito mais em proveito seu, dos filhos e de toda a nomenclatura. Agora, mais kota, recordo que as interrogações ente eu e Mac Guiver faz-de-conta, sucumbiram em sorrisos, um indício de quem sabe, mas desconhece, perpetuando uma amizade de cavandelas...

O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:57
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Segunda-feira, 31 de Julho de 2017
MALAMBAS CLXXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 19.07.2017 - (Parte 2 de 3) - Aqui no Limpopo de África, apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo …

Por

soba10.jpgT´Chingange

Ao sol do Calahári e em sítios chamados de Gauteng e Limpopo, limito-me a ver e a ouvir a transpiração do medo, de como será quando a mancha negra querer suplantar-se á mancha branca fazendo ruir as filosóficas teses de eugenia importadas da bretanha puritana. Durante os tempos, pastores e ideólogos seguidores de suas verdades tentaram mudar por selecção o arco-iris das gentes transtornando a sustentabilidade social da África. Surgiu assim a política do apartheid que tornou a África do Sul, num lugar de difícil conciliação entre as diferentes cores de pele; prática de difícil harmonia com os padrões da natureza.

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Surgiram as lutas entre Ingleses, Bóeres e Zulus envoltas em teorias de submissão com místicas que se fizeram prevalecer entre soluços africânderes, saltos de guerra Zulus, nenhures Khoisans e a pré-potência colonial britânica. Vi centenas, senão milhares de campas em cemitérios cobertos de capim por entre fragas esquecidas de África; gente que se entregou à luta por uma fatia de independência e sempre perseguidos pela incompreensão do mundo. 

boher3.jpg Para compreender a turbulência das mentes, teremos forçosamente de entrar no mundo do paratrás, relembrar aqueles velhos ditos das profecias duma tal sexta trombeta a soar alarme em dó maior; da guerra que se avizinha com as previsões do homem das batatas e, também pelos exemplos sociais africanos do Cairo a Kape Town gravados na política de países a tons deslavados, como as pinturas de batique do género de Xipamanine que mostram caveiras entre ossos amolgados com talas de falas espiritualmente supersticiosas.… 

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Aos velhos, será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar as gigantescas presenças de feridas mortais. Angola, Zimbabwé, Togo, Nigéria, Senegal, Burquina, Moçambique e tantos outros. E, o preto que mata branco, que lhe rouba a fazenda, do branco que mata preto porque é turra; daí abrirem-se gavetões, com ossários feitos pó pelo tempo. Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho.

boher6.jpg Ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto se neste agora sabemos poder estar a ser tramados até os tornozelos. Afinal a cor de Noé era indistintamente um albino! Ninguém tem condições de desmentir esta suposta mentira, porque os escritos não faziam menção desta particularidade tão cheia de superstições. Tudo misturado com profecias de despertar duendes sem sexo ou kiandas sem nexo, tudo a provocar adrenalina. Crer ou não, sempre serão preocupantes por se manterem coladas aos cerebelos.

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Em 1916 Johanna Brandt recebeu uma visão de um anjo que lhe mostrou uma terrível cena de horrores e males que se aguardavam em Johannesburg. Os negros estavam-se organizando em segredo cortando o poder por dentro e ao redor da cidade. E, tudo aconteceu inesperadamente. Nisto, ela os viu espalhar-se pelas áreas residenciais matando brancos. Milhares e milhares morrerão durante a "Noite Egípcia" que descerá sobre a cidade! Disse o anjo….

boher7.jpg Ela, a Johanna disse: Quando vi todos os corpos mutilados à minha volta na visão, eu gritei: Isso não pode ser, porque não há tantas pessoas em Joanesburgo! Ela estava no ano de 1916, cento e um anos atrás. Sentado em umas velhas e reaproveitadas solipas grosas de ferrocarril, escrevo isto sem saber se correr para norte ou para oeste, sem plano de fuga certo, incrédulo até. Só de mente transtornada lá fui correndo para Sul, terra de Paul Kruger junto ao Orange River refugiando-me no buraco de Kimberley assim como fazem as suricatas, como o fizeram eles em tempos - os veteranos bóeres fugidos dos ingleses.

boher8.jpg A vida é uma odisseia neste mundo global; estas nuvens negras que em nada ajudam a compreenderem o belo que a vida realmente tem. Hoje e depois de dar a volta à reserva de Pilanesberg ao lado de Sun City e, já no final do roteiro, depois de ver vários animais, desanimado por não ver o elefante, um dos big five, qual o meu espanto ver este enorme paquiderme, cortando pela raiz pequenos arbustos junto à vedação do Bakgatla, minha ocasional residência…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:14
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Domingo, 30 de Julho de 2017
CAFUFUILA . CXXIV

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO – 28.0.2017 - 20ª parte

Kiandas e calungas! De novo em Massangano… O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

De novo em Massangano fui ler os catrapázios guardados numa tão velha arca que, até os aloquetes tiveram de ser arrombados com um improvisado escopro e uma maceta com cabo de pau-ferro. Foi assim que retirei um rolo meio a se desfazer muito atacado de bolor estórico com as pontas quase a se separarem por rachadura. Levei à vontade três dias a aquecer o mukifo tão insalubre; entretanto andei pelo mato à procura das resinas apropriadas para enrijar aquele papel em rolo de laço folgado e a se  desfazer.

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Com muito cuidado lá consegui estirar a folha, entornar nela o verniz ligeiramente aquecido e, com muita sorte vi que o grudar da resina na velha tinta das letras traçadas com pena de pavão, ressaltaram-nas ficando assim quase salientes e de melhor leitura. Como a sombra, a história tem obscuridades e, foi a palavra escrita na parte superior direita que me despertou ainda mais curiosidade: - Dun. Mais abaixo podia ler-se Balthasar Van Dun, oficial da Companhia das Índias Ocidentais Holandesas.

roxo128.jpg Sabe-se da estória que quando o almirante holandês da Companhia das Índias Ocidentais tomou Luanda, os portugueses fugiram todos para Massangano, e por ali permaneceram durante a ocupação, até à chegada do luso-brasileiro Salvador Correia de Sá e Benevides, que reconquistou a Fortaleza de S. Miguel, na baía de Luanda em 1648.

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Vim a saber neste então muito posterior àquela onda do tempo que a construção deste Forte tinha também em vista a defesa das redes comerciais de mercadorias tais como cera, peles, dentes de marfim, pedras preciosas mas, e especialmente da venda de escravos às Américas, e também para segurança do presídio de Massangano, que a monarquia portuguesa utilizava como local de degredo.

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Pois é aqui que situo a minha epopeia neste romance mussendo de três continentes por via de seguir a peugada das kiandas, kwangiades ou calungas Roxo e Oxor de Guaxuma. Pois, em uma outra minha andança ao serviço da rainha de Portugal D. Maria I e, com o cargo de tenente, tive de escoltar uma leva de prisioneiros participantes da chamada Inconfidência Mineira nos fins do século XVIII, um movimento militar no Estado de Minas Gerais do Brasil.

roxo138.jpg As vidas são assim, intemporais e fui no ano de 1790 chamado desde a vila de São Vicente para escoltar presos militares, uns revoltosos capitaneados por Joaquim José da Silva Xavier, conhecido pela alcunha de Tiradentes. Reclamavam contra o pesado pagamento de um tributo em ouro cobrado aos mineiros brasileiros pela coroa portuguesa e, vai daí e para exemplo enforcaram o Alferes por liderar aquela insurreição.

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O curioso disto são os contornos que dão às conjuras para aproveitamento político e, vai daí o pobre alferes viu-se metido em alhadas pelos ideólogos políticos que conjugaram o facto, tal como sendo uma revolta a favor da independência do Estado de Minas Gerais. A tal revolta, quase uma inventação a que chamaram de Inconfidência Mineira. Reinava então a rainha D. Maria I e, ainda estou para saber por que carga de água, fui eu o nomeado para tal tarefa, quando um sargento ou cabo-de-guerra o poderiam fazer sem transtorno algum para a administração.

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A estória tem assim destas nuances, mas vim a saber que diplomaticamente assim fui nomeado para me retirarem do Comando da capitânia de São Vicente. Já naquele tempo havia bufos que enchiam as orelhas às gentes de mais galões e querendo livrar-se de mim, um inveterado rebelde que não via a monarquia com bons olhos, aproveitaram a deixa e lá me mandaram para aquele longínquo presidio às margens do rio Kwanza. Há bens que vêem por males…

maga5.jpg José Alvares Maciel era o nome mais sonante de entre aqueles degredados e com quem ainda mantive alguns contactos. Foi por ele que vim a saber ser esta peripécia urdida pelos políticos; sei que veio mais tarde a ser solto para divagar como pombeiro (vendedor ambulante) nos matos da Matamba e, acabando por morrer lá para os lados de N´Dalatando, deixando uma prole de filhos com o nome de Alvares.

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Outros supostos mentores civis faziam parte do lote que estiveram presos por algum tempo, destacando-se mais tarde como cidadãos de carreira, uns como funcionários do reino e outros como comerciantes. A luta pela independência do Brasil saiu-lhes pelo cano com as estrias invertidas. Eu mais tarde acabei por ficar destacado na Fortaleza de São Miguel chefiando um destacamento policial situado na rua do Casuno bem junto às cubatas do Palácio do Governador Manuel de Almeida e Vasconcelos de Soveral, 1.º Conde da Lapa - Governador e Capitão-General com quem mantive muito boas reacções.

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Foi nesta minha ida para a Fortaleza de São Miguel da cidade de São Paulo de Assunção de Loanda que tive de recolher elementos e documentos em Massangano a fim de para ali os levar e arquivar. Foi neste então que tive de enrijar o papel mofado, o tal que tinha a palavra Dun no lado supra direito. Ali estava descrita a linhagem de Dun em África que vem de Balthasar Van Dun, também conhecido como Van Dunem.

fiume01.jpg Dun foi para África como funcionário da Companhia das índias Ocidentais Holandesas mas tinha uma função dupla, a de militar e a de negociador de escravos com os descendentes de N´Gola Kilwanje. Quis a estória que nessa missão dupla e de também negociador com os portugueses, ficar por ali com uma prole de filhos mazombos mamelucos. Os negócios sempre suplantam as políticas e, eis que eram os próprios portugueses que vendiam escravos a este inimigo holandês de origem, um súbdito de Maurício de Nassau.

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Van Dun teve forçosamente de lidar com o pai da Kianda Roxo, Morgan Tsvangirai pois era ele que cobrava as taxas para o reino através de posturas lançada pelos governadores Pedro César de Meneses, em oposição aos Holandeses e Francisco de Souto-Maior, ambos capitães generais. Como almoxarife de Massangano, tinha a seu cargo o trato comercial e a recolha dum percentual na venda individual ou lotes de peças e, aqui ficavam arquivados os livros em estas malas seladas com lacre e chancela real do M´Puto. Lamentavelmente, todo este material envelhecia sem os necessários resguardos dum bibliotecário.

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Os escravos “peças negras” eram enviados para o Recife, base de Nassau no Brasil. Van Dum era um bom comerciante, sabia como fazer os seus tráficos, tanto com os portugueses como com os Reis e Sobas de Angola. Sua esposa era negra, e era mais racista que ele próprio. Tudo isto me foi confidenciado já nem sei em que circunstâncias, pela Kianda Roxo em plena quiangala. Sei que isto se passou na rua do Casuno, em um terraço cheio de buganvílias rosas; isto, eu lembro! Ainda posso cheirar aquele aroma à mistura com o ar húmido vindo do mar da baia de Loanda à mistura com as muitas flores que ali havia.

MONA1.jpg Ela, a kianda Roxo tinha uma relação próxima com as filhas de Van Dunem; E, nem uma kianda consegue guardar confidências para todo o sempre. E, foi logo a seguir a estes encontros que a mente de Roxo se sumiu gerando um outra versão de calunga escafedendo-se nas brumas de uma outra e mais outra kianda com nova posturas de espirito matumbola, assim como numa metamorfose complicada.

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As Kiandas Roxo e Oxor de agora, andam entre continentes não se recordando da cor de sua casca holográfica naqueles idos tempos de mar muito azul. E, ora são gente de carne e osso e, logologo mudam para uma assombração invisível para todos, menos para mim; mas, só após introduzir uma palavra secreta e uma reza curta perante N´Zambi, o mago dos magos. Recordo que já nesse longínquo ano, eu e ela víamos as implicações éticas que este fenómeno tem naturalmente, o de ter em conta que a escravatura não começou com a chegada dos Europeus a África.

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A Rainha N´Zinga, com o nome cristianizado de Dona Ana se Sousa “N´Gola”, seu título real em quimbundo, dominou a região conhecida hoje por Angola. Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, foi também a sua primeira grande colonizadora pois que  durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submetendo e escravizando seus súbditos, vendendo-os aos portugueses e Mafulos que os levavam para o Brasil.

nzi1.jpg Por isso dizer-se que a escravidão, sob formas diversas, já existia nas tribos locais. Com um copo de gim e água tónica no lugar do Gato Preto de Rio Maior, a 27 de Maio de 2017, pude recordar aqueles longínquos dias e, de novo falar em sonhos ao som de merengues kizombados com terna amizade. E, curiosamente nem se falou nessa “Gloriosa Família” do tempo dos flamengos e, que deu ao M´Puto a primeiríssima ministra de pele morena, de um preto menos preto. A nossa Ministra da Justiça! Vejam só como a estória dá voltas…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:49
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Quinta-feira, 27 de Julho de 2017
MONANGAMBA . XLVI

BAKGATLA DE PILANESBERG - 22.07.2017- Com sorte amaciaremos leite coalhado …Viemos ver leões cientes de que não podemos sobreviver à traição gerada dentro de nós...

Por

soba10.jpgT´Chingange

Nas frinchas de meu tempo e muitas vezes, lembro-me aqui no mato de coisas infectas com mais de quarenta anos. Ficou-me bem ciente que podemos sobreviver aos idiotas e até gananciosos que nos governaram nesse lapso de tempo e aqui, longe dos novelos do M´Puto retempero-me com biltong e heineken lager beer. Um retempero de engano, táseaver! Misturando ideias no amaciar de leite coalhado de zebra do Pilanesberg, revejo a promiscua simbiose dos políticos do M´Puto com militares e afins, como coisa infecta.

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A vaca voadora chamada de geringonça, uma estranha simbiose de animal com muitas patas, muitas tetas e asas secretas, também com lambebotas, engraxam-nos os dias com pomada retirada das nossas próprias gorduras. Com a benevolência de Marcelo presidente, com quem simpatizo, enfeitam os gráficos de crescimento económico engodando-nos o olho sem questionarem a subida dum tal de endividamento para uma vida; a coisa mais essencial desta periclitante estória da crise, vista do lo nefasto…

vacas voadoras.jpg Não sei se o povo é tonto ou se simplesmente anda mareado ou marinado numa mistura de leite de hiena. Nós, velhos resistentes, retemperando ideias de balouçadas agruras do tempo em que os militares vendiam armas ao inimigo comprimimo-nos em delicadezas; um misto de descrença sem aprofundar delicadas falas. Já chega de tibiezas! Roubaram arma em Tancos! Será que roubaram, ou já o tinham sido desviadas?

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Isto, há quarenta e três anos, na Luua da Mutamba e arredores da N´Gola, era o dia-a-dia; roubavam até chaimites, paióis inteiros para entregar ao MPLA. Agora Tancos, é coisa pouca! Só um esboço de antigas passagens da estória, de nossas vivências em África com saída abrupta como a água que sai pelo tubo ladrão. Também nesse então nos enfeitavam as mentes com cravos vermelhos e seitoiras miniatura da Catarina Eufémia. Prá-frente camarada, avante!

araujo86.jpg Ando neste morro ou mato, vendo uma fauna bem mais interessante do que esses abutres de há quarenta e três anos atrás mechiam livremente dentro dum governo de tuji que também se dizia nosso. Primeiro com Spinola do monócolo, do pengalim e luvas de couro preto, depois com Costa Gomes, o rolha. Governos que nos entorpeceram com melífluos sussurros ouvidos por todos no vestíbulo do CR  (leia-se Concelho da Revolução) do Estado Português. Fomos salvos pelo Ramalho Eanes e pelo Comandos a quem sempre prestarei homenagem com respeito e orgulho.

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Naquele então ecoavam falsidade nos propósitos; tal como agora, nós muito descansados, muito inocentes; a maioria nada disto fala, pois para quê, já passou!... Mansamente enfiam-nos no curral como se fôramos gnus aqui do Bakagatla Pilansberg. Esta gente não o parecendo ser ambiciosa, falam-nos com familiaridade, que usam sua força e suas ambições em apelo a sentimentos que infantilmente se alojam no coração de todos nós, mais os albinos, os verdadeiros m´puteiros.

REPU6.jpg Naquele então foram muitos a arruinar as raízes da sociedade, a trabalhar até em segredo com a justiça, ocultos na noite para demolir nossas fundações; minar também os alicerces da nação portuguesa, coisa infecta num corpo, simbiose de militar com político, um promíscuo MFA que nos sucumbia a mando de outras potências.

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Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo, de esquecer as tropas passando armas ao inimigo, velhaquices de todo o tamanho vendendo-nos ao desbarato, pior que numa feira da ladra. Isto do roubo em Tancos deve ser uma manobra de diversão! Tem muito esturro e nunca se irá saber o busilis do ferúculo...

PAPAL6.jpg O meu dia aqui  entre as espinheiras do Pilansberg,  termina com um adeus aos hipopótamos na lagoa do mankwe, deitados feitos pedras com a kúkia do sol poente rebrilhando em seu dorso, uma visão deslumbrante. E já noite, as luzes do acampamento do Gate Bakgatla, bem ao lado do meu sonho, tremelicam ao chacal que salta para agarrar borboletas ofuscadas na luz. Sempre fugindo, porque neste mato ou morro, não quero ser borboleta !

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 03:15
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Quarta-feira, 26 de Julho de 2017
MONANGAMBA . XLV

BAKGATLA DE PILANESBERG - 21.07.2017-Tinha em mente encontrar búfalos mas com uma sorte de amaciar leite coalhado no meu four-by-ford, vi quatro leoas a dormir…

Por

soba10.jpgT´Chingange

Cativo de meus espaços e rodeado de acácias, troco ideias com meus obstinados silêncios na perspectiva de extrair ausentes sentimentos. No intuito de mostrar o que ninguém viu antes e, porque “nem sempre vemos o que desejamos”, tive hoje a sorte de ver três leoas numa encosta pedregosa no lugar de Tsukudu. Depois de seguir atrás dum enorme elefante bufador de palha mal mastigada, assim fomos cheirando seus perfumes até nos escapulirmos por uma picada a subir para o morro da marula.

herero0.jpg Meu carro ocasional não é um four-by-ford e, por isso tive o cuidado em o não arranhar dos lados pelas acácias nem por debaixo pelos pedregulhos agressivos. Tinha em mente encontrar búfalos mas com uma sorte de amaciar leite coalhado vi quatro leoas a dormir; por sorte, uma levantou-se por instantes para eu poder ver seu perfil; o suficiente para não me sentir defraudado neste safari de tirar fotos com um smartphone pelo óculo dum binóculo.

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Minha inventação roubada de minha neta cusca de quinze anos muito cheia de chatos pergaminhos, resultou em fotos amarelecidas rodeadas dum círculo difuso. Ela disse que aprendeu isto na química da escola relembrando até ser um método usado pelos paparásis, fotógrafos intrusos de mostrar intimidades de gente célebre para serem mostradas em revistas fofoqueiras.

hereros2.jpg Como ainda tenho o dente de facóchero que o cipaio Mandinga me ofereceu no tempo do antigamente, lembro-me agora que por via desta sorte de menino camondongo, mazombo filho do senhor Manel Monteiro do Mwene-Puto, aqui estou com calções de caqui recordado esse meu velho tempo de ir a missa.

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Pois, recordo assim que o que Deus uniu não pode ser desfeito mesmo que por vezes, se viole os preceitos divinos dos mestres com escapulários. Se a vida é uma sentença com um princípio e um fim, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos, ou daquilo que poderíamos ter feito; não podemos assumir a culpa dos pais, nem dos pais de outros pais.

pila0.jpg Na percepção parcial das vitais contingências, tecidas e compostas nas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, por fortuitos efeitos que determinam o futuro próximo e distante. Cada um de nós foi o que foi por uma coisa pequena, que nem sempre se escolheu dedo ou arado que por coisa pouca mudou nossas vidas.

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Por via de duvidas também usamos amuletos da sorte na forma duma nota de dólar, um santinho, uma qualquer nossa senhora da aparecida mais responsos escondidos em forros de malas e maletas. Até uma vagem envernizada de feijão maluco serve para o efeito! Por agora ando com esse tal amuleto, um dente de javali que o cipaio Mandiga me deu em um outro e antigo tempo.

herero01.jpg O místico junta-se com a Cruz e o Cristo numa caixa, asfixiando-O no tempo todo e, sempre picado em sua coroa de medonhos espinhos grandes como o destas acácias de África. Com um credo na ponta das falas, fico na beira do charco vendo os bichos desfilar sobrevivências fugindo uns dos outros mas e principalmente daqueles leões que dormem na encosta do morro.

hereros4.jpg Num dia antigo, eu próprio na primeiríssima pessoa berrei disparates saídos do fundo de minha raiva; via coisas que mais ninguém via. Eu, um gweta mwata vestido num calção e balalaika de caqui feito um bóer e, conduzindo um carro com seis juntas de bois com seu pai Manel, um Mwana-Pwó poderoso das terras de Quilengues; terras altas de N´Gola como estas aqui aonde o leão ruge, no monte da marula de Tshukudu. Os sonhos mesmo que falsificados voam rápido…

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:30
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Segunda-feira, 17 de Julho de 2017
MALAMBAS CLXXVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 17.07.2017 - (Parte 1 de 2) - Aqui no Limpopo de África, apaziguando rijezas adversas, relembro a singularidade do mundo …

Por

soba10.jpgT´Chingange

Nos vínculos efectivos do antes, agora, depois e, enquanto gente, vamos rever humanidades antigas de quando passamos de animais quadrupedes a pessoas com mais de 600 centímetros cúbicos de capacidade craniana. Se agora temos 1.500 centímetros cúbicos de capacidade, tudo leva em crer que no futuro, nossas cabeças serão tão grandes que só se nascera de operação cesária.  

007.png Em meus sonhos, por vezes sou um soldado romano com aquelas vestimentas cheias de couros e latas para fazer couraça nas guerras mas, e num repentemente o sonho cavalga milhares de anos situando-me num ermo, lugar de olhar o desespero de crateras tendo um amigo cabeçudo ali ao lado, um ser vindo do futuro, falando-me coisas por pensamento; assim imagine-se como um espírito feito ser espacial, um ET de código EC 325 da galáxia dos manitus cabeçudos, digo eu.

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Naquele enquanto de um momento, chegada a hora de comer, sorvemos uma coisa languinhenta, gelatinosa dum verde acinzentado, sabendo a nada com algas. Interrogo-me nesse então do porquê aquilo saber a algas sem ali haver mar e de também se chamar àquele sítio o mar da tranquilidade.  É difícil entender estes sonhos que combinam o passado, o presente e o futuro sem passar pelo particípio, assim num ápice.

mandrak5.jpg Curioso é de que neles, os sonhos, não se expressam nos vínculos sentimentais ao jeito de gente, de como se é na terra, com enganos, traições, mentiras e roubos de biliões.  Pois então, estes sonhos têm mudado em muito a minha maneira de ser à luz de critérios vulgares entre nós. Esses de se banalizar o mal de proveitos diversificados a outros; técnicas de vaporizar o sarro usurpando-nos de tudo com inveja e desamor, suspeitas num diz-que-sim e diz-que-não retiradas dum baú com amáveis suavidades de usucapianço.

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Nossos vestígios antropológicos estão a definhar-se retirando ao assombro o orgulho, assim como se fora uma nova epopeia e, aonde demónios e deuses se entendem às mil-maravilhas, aonde tudo parece normal. Nesta tolerância de quimeras genéticas, todos nos tornamos por fruto do tempo em mentirosos, assim uma geringonça de santos com pecadores substituindo no plural a independência de pensamento e até, cruz-credo, eliminando-nos o instinto.

ET3.jpg Instinto que nos foi legado mas que só raras vezes surge e porque cadavez mais nos tornam no tempo autómatos confinados a um tablet cheio de pensamentos encafifados num ecrã. Andamos conscientemente a ser modulados para ficar confinados a uma pequena caixa que nos mostra tudo no paralém por paralaxe. O cientistas, justificam nova teorias encavalitando-nos numa evolução derrubando o que era num que não-era. Andamos a ser encaixotados!

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Somo um produto de nós mesmos, solidários ou frágeis, por vezes independentes só no suficiente para nos adaptarmos à vida nova, copiando-nos na autocompreensão, das coisas incompreendidas, uma coisa estupida de dizer, lá terá de ser! Estou mesmo lixado! Não sonho planos credíveis nos moldes hodiernos. Já quase cibernético, fico-me a lembrar quanto transtorno causa uma simples fagulha que ateia leis, despachos, adendas pirateadas em  posturas…

(Continua…)

O Soba T´Chingange     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:28
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Domingo, 16 de Julho de 2017
MUKANDA DA LUUA. XLVII

BOA NOITE...16.07.2017- LAMENTO DE UMA AMIGA QUE MORA EM LUANDA... MERECE SER LIDO ... Parte 3 de 3

roxomania1.jpgAs escolhas de Assunção Roxo

Por: Isabel Batista

(…) Na Luua – Os Tugas de novo se vão? Sei lá…mas vão - Já vimos esse filme antes. As casas restaurantes e lojas vazias. …A periferia de Luanda que está acordando entretanto de um pesadelo no entanto, hoje fala-se muito mais do que anos atrás. Há a radio, a televisão, a internet mais o Google! O povo, o candongueiro opinam: -A vida pulula cedo na luta pela vida, 150 Kwanzas para ir e por vezes nenhum para voltar!

zé peixe9.jpg Tá duro, mas vamos de caxexe, devagar; o trânsito começa às cinco, gente a bulir, a acreditar sem alternativa. Ajudar e partilhar! Verbos renovados, sem ninguém a nos perguntar o que achamos de nós mesmos? Não contamos, não servimos! Não prestamos mais aqui, mas o que faço do “olhar” de minha mãe na senda dos 90…O que faço disto?

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O que faço dos amigos que na rua conheci meninos, hoje homens feitos! E, o Pedrito cheirando gasolina em frasco escondido em cartuxo sebento… Outros cheirando fumo de bateria na praia, sem irem nunca ao mar porque vieram do Huambo na altura do bilo a serio, por aí… Fora os outros que já se foram.

socie4.jpg Menti-lhes quando conversávamos sentados no chão, no Kinaxixi comigo a dizer: quando fores grande tudo vai ser diferente! E, está a ser sim, para o que faço de meus discursos incendiados “lá fora” quando me associam a assuntos de que não tenho conhecimentos. O coração a bater, a bater, tentar entender, perceber e fazer perceber, apelar para aquilo que não tem apelo…

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Tudo isto e quando a vergonha alheia afinal também está no pacote de nossos pertences, já gastos; sei onde nasci! Minha família de 5 gerações! Sim! Mas há parentes que não nos pertencem! Família da maka, nossa bandeira que já foi festa de carnaval gweta. Atentos esperançados e curiosos com o futuro que se quer ser melhor que os passados. Também mais consideração mais respeito pelo que abdicamos.

luanda6.jpg Todos os livros e discos e filmes que passaram ao largo, os amigos de longe e família arco-íris; cafés e bibliotecas que já tivemos, livrarias e galerias de arte que o mundo aconteceu. Como nós nos sujeitámos no analítico com paralítico? A água e a luz que falham num aguenta isso, enche a banheira? E aí firmes sem esquindivas com as questões, inventando, criatividade de bué.

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Na musica, na arte, na vida., na panela, no transporte, firmes frouxos, levando e levados no enfim com jinguba ou mandioca. Faca na garganta! Injustiça vadia sempre com as mulheres na frente! No garante lá de casa, deitar, fechar pernas, abrir pernas, fumar vaidades e silêncios; muitos silêncios. Mas a cidade! Ué. É um atentado, uma vergonha o não conseguirmos explicar direito a quem nos pergunta: mas porquê?

koisan5.jpg Tu que vives e estás aí sem entender, com teus bebés e família mais papagaio e sempre um porquê no consciente? Sou educada ya!? Respondo: - Eu queria saber; só sinto! Aqui dizem quando se vai menos bem de saúde. Pois ”sinto o corpo” assim falido; é isso, sinto-o no coração que bate e pula. E o coração, quando se está bem…não se sente. oh!!!!!!!... já vou longa...perdão.

Isabel Batista

t´chingange.jpegNota de T´Chingange: As alegações da teoria pseudo-científica são de que a Luua da Terra pode ter sido colonizada por uma nave alienígena. Os agora matrindindis surgiram antes dos Pulas e Tugas do M´Puto; tinham capacete e suas sementes trazidas do espaço deram um fenomeno chamados de baobás extra de paragordos.  Só muito recentemente passaram a ser de imbondeiros! Eles, os imbondeiros choram agora de tristeza de raizes no ar porque os Tugas  conhecedores das honabilidades ferteis, perderam-se num labirinto de dá-cá-o-meu  a que chamam de gasosa. Os mwangolés sugadores, feitos gente num repente começaram a surgir de olhos bicudos para os lados, uma  tecnologica anatomica  prepotentemente superior.  

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:56
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Sábado, 15 de Julho de 2017
FRATERNIDADES . XCVII

CAFÉ DA MANHA – N´Dapandúla - O tempo não passa pela amizade mas, a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto existe!

"Ndapandula", significa "Obrigada(o)" em Umbundo; uma língua de origem Bantu e uma das mais faladas em Angola, depois do português.

Por

soba10.jpgT´Chingange (Otchingandji)

Bom dia amizades! Tenho estado cá a pensar: Somos amigos para sempre, mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos, vai uma distância tão grande como a vida. E, quem é capaz de definir a AMIZADE? São os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos… As amizades são escolhas que vamos fazendo de pessoas que surgem na nossa vida quase sempre por acaso.

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Acordei perturbado pelas três e quinze da manhã (noite escura), sonhava insistentemente que deveria ir para onde não estava e, estando lá procurava as chaves da porta e não encontrava. Caramba, um rebuliço duma rã que saltava na minha mente ou talvez no forro da casa familiar alugada por uns dias na SPA do Limpopo. O descanso trazia rastos de quezílias de tugi, tudo por causa do GPS que não dizia que era por ali, deveria ir em frente por mais vinte quilómetros na N 1.

amigo da onça.jpg Mas que merda desta tecnologia que nos atormenta a cárie dentária mesmo sem dentes do sizo, que coisa. Aqui cheira a mijo, essa gente vai para a piscina, vem de lá senta-se aqui no sofá e, este cheiro entra pelos neurónios. Baralhei-me por instante! Coisas, tão pouca a fazer confusão na gente; daquelas que o vento nem bulia e despertando assim estremunhado, dei com minha mulher, acordadinha da silva diz: Ainda nem preguei olho, diz ela… Despertei! Minha consciência bulida com saltos de cucaracha estava a ser testada; na resposta do porquê disse que ficou nervosa após aquela confusão do GPS e as chaves.

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Verdade! Ao me deitar ontem, nesta noite, fiz um escarcéu porque as chaves não estavam ali junto à televisão aonde se tinha dito para ficar e, um caraças, de aonde estão? Foste tu!? É sempre a mesma coisa… Não fui eu e, nem eu, diz a neta Lara, picuinhas, interpondo-se entre o eu e o ela como se nos fossemos engalfinhar e, assim de repentinamente elas as putas das chaves, inimigas do consolo, lá estavam penduradas na porta dos fundos logo junto à cozinha, a fazer-nos gaifonas; e, dei de truz com a verdade.

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Assim era, fui eu que abri, disse em silêncio calado como um predador que pica a presa e como se nada fosse engole, mas não fui eu que fechei. Pópilas! Isto nem merecia discussão e agora de nervosa diz que não dorme e eu, cabisbaixei-me, fiquei sem sono. Bem feito! Vim para aqui escrever coisas desaforadas e ela, minha mulher lá ficou a dormir que nem uma libélula pulando em suaves sonhos de pétala em pétala, flor em flor. Isto há coisas que contadas nem parecem mentiras.

matrindindi1.jpg Agora vou fazer mais o quê? Para meu sossego tenho até um plano D com vírgulas e pontos de exclamação ou interrogação suplentes mas, sem saída, este D torna-se desistência; normalmente quando falha o plano A, recorro ao B e ainda o C mas, em verdade há coisas de que não podemos ser donos. Seremos sempre dependentes dum espaço que a seu tempo nos come o corpo, o cérebro e a sabedoria. Pedi desculpa assim tão silenciada que ninguém diz ter ouvido. Mas que tal fado, minha nossa!

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Ando encafifado com uma máquina de fazer “alegria” para comemorar os amigos que fiz em que cada qual, diz ter mais de 60 outros amigos comuns. Não preciso de mais amigos, que se lixem pois tenho família suficientemente para rabejar. Minha neta fica fula, ela é polo norte e eu do sul, sempre lançando faíscas de íman, coisas invisíveis dum amor profundo. Um iceberg que se desprende das gélidas partes e num repentemente aquece nos silêncios da noite.

MALUCOS4.jpg Os artefactos que encontrei para elaborar esta felicidade são uns zingarelhos vencidos, tortos como uns chinguiços do mato, só servem pra fazer fogo, churrasco, brai ou parrilha. É um segredo de minha patente mas, posso adiantar que além de alegria a máquina é capaz de produzir arco-íris pra deslumbrar vidas; ela, a máquina tem a capacidade para enrolar meus silêncios nas pontas. Posso acrescentar que o último protótipo é parecido com uma foice! Produzir não apenas arco-íris normais mas também duplos e triplos, e até alguns invertidos

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Modas parvas, estas minhas inventações como o Sushi, ou Selfie sticks com edecéteras estrambólicos. Vivemos num mundo de modas e de gostos influenciados pelos midia. Sempre assim foi, agora o é ainda mais devido à velocidade e visibilidade que a Internet veio dar a todas as novas tendências. Quanto a amigos: Com o decorrer do tempo vamos conhecendo-os melhor, e aí começam as escolhas, ou ficam muito amigos, assim-assim, ou descartamo-nos por alguma incompatibilidade.

pedras 002.jpg Às kátiuscas e Kings das Dúzias, vou simplesmente apagá-los do meu kimbo. Agora quem quiser ser meu amigo tem de dizer o nome do cão e pô-lo a ladrar em dó maior e dizer a tabuada de forma inversa senão, risco-o!… Normalmente, com os amigos-da-onça, afastamo-nos, e o outro percebe que já não é Bem-vindo porque é de Peniche e dá às de vila Diogo; tudo resolvido!

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 Mas... É aqui que está o buril da questão, quando o outro é burro, matumbo mesmo, e não percebe que está a mais... Que já não é Benvindo, um Soares com quem não nos identificamos, que já é ''persona non grata''', que já mete nojo. Como é que fazemos? Como é que vou inventar essa tal máquina de fazer “alegria” com estas derivações tão periclitantes? Bom dia, desculpem o desabafo deste lusco-fusco africano! O leão rugiu esta noite, viva o Sporting…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:00
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2017
MAIANGA . XXI

CAFÉ DA MANHÃ . Aquilo que vi, não vi! Aquele mendigo fundiu-se no mesmo senhor vestido de organza - Andava eu neste então, nos caminhos de Santiago, fugido de França…

Maianga é um bairro da Luua

Por

soba15.jpgT´Chingange - (O mano Corvo)

maianga9.jpg Cisne e os templários

Em um tempo muito ido e sendo arqueiro da Ordem de Cristo ao serviço da Rainha Isabel a Católica por bula do papa Alexandre VI, na cidade de Burgos, sucedeu que um dia fui abordado por um mendigo que só o era em aspecto. Aguardava uma carruagem a fim de seguir até Santiago de Compostela.

araujo62.jpgCosta Araújo Araújo - (O ajudante del Greco)

Saído de Paris, eu também ia nessa direcção; de samarra, um cajado e um odre feito de bexiga de cabra com água do Rio Sena. As sandálias muito gastas lançavam já umas barbelas na qual se lhe agarravam uns carrapitos que brilhavam. A luz destes era tão intensa que dava para ver o caminho certo.

arau44.jpg Aquele mendigo tinha com ele uma relíquia do Santo e por todos os motivos que só ele sabia teria de fazer a entrega disso e pessoalmente ao Abade Grão-Mestre. Qual o meu espanto quando passado pouco tempo surge no lusco-fusco da madrugada um bando de cisnes rebocando um aveludado coche sem rodas, irradiando luz por milhares de pirilampos ao seu redor.

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Neste inusitado veículo vinha um velho senhor vestido de cetim e organza e mais panos fosforescentes, popelinas desconhecidas por mim. Só podia ser um sonho! Mais atrás numa viatura flutuante havia quatro donzelas cobertas também em cetim e sedas bordadas a oiro e prata, levitadas em cor reluzente. Tudo isto se passou numa ponte romana, tendo um marco miliário redondo e alto já com as letras do seculo e milhas desgastadas.

arau45.jpg Ainda hoje, tantos anos já passados, fico interrogando-me: - Aquilo que vi, não vi! Aquele mendigo fundiu-se no mesmo senhor vestido de organza ficando num só. Uma visão doutro mundo e no limiar duma vida, talvez penumbra de morte; uma de muitas viragens, charneiras duma era, a dos templários fugidos da foice segadora do rei Filipe IV de Espana e III de Portugal.  

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Quando vi este quadro de Zé Costa Araújo veio-me logologo à ideia, esse tal episódio. Isto é a ressurreição duma epopeia antiga antes de em um dia treze e duma sexta-feira, ceifarem milhares de soldados daquela ordem. Foi Filipe IV, rei de França que deu ordens nesse sentido com a anuência do Papa  Clemente V. Estavamos em mil trezentos e troca o passo - (Poucos andavam de charrete)

araujo114.jpg Ele o Zé Augusto, dono e feitor desta tela, era aquele velho mendigo feito de dois dessa lenda antiga mas, que só eu conhecia em pleno. A partir daí passou a dobrar seu nome; nem ele sabe desse porquê escrever-se Costa Araújo Araújo; dois Araújos em um só! Mais tarde, encontrámo-nos em Toledo sendo este pintor auxiliar de El Greco. Foi aí que fizemos um pacto de amizade cuspindo na mãos e mijando de forma cruzada sobre o rio Tejo. Consegui guardar este segredo até hoje. Isto do quadro só pode ser obra dum talentoso bruxo; ele mesmo: Araújo Araújo!

Ilustrações de Costa Araújo Araújo 

Adenda da história

No Concílio de Vienne (1311 - 1312), o chefe supremo da Igreja anunciou a extinção da ordem religiosa por meio de ação administrativa. Com esse precedente, Filipe IV pode prender, saquear e matar todos os cavaleiros templários presentes na França.
Em pouco tempo, Jacques de Molay, grão-mestre dos templários, foi levado à fogueira em uma pequena ilha do rio Sena. Segundo o relato de um escritor da época, antes de morrer Molay profetizou que Filipe IV e o Papa Clemente V seriam julgados por Deus pela injustiça que haviam cometido. Poucas semanas depois, o rei da França e o Papa faleceram. Tal coincidência, ainda hoje, nutre os mitos que falam sobre os segredos e mistérios da Ordem dos Templários.

Do Mano-Corvo T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:16
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Quarta-feira, 12 de Julho de 2017
MALAMBAS CLXXVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO -12.07.2017Aqui no Limpopo de África, apaziguando rijezas adversas, relembro a singularidade do mundo. O futuro anda a trambicar-nos…

Por

soba15.jpgT´Chingange

À medida que o ritmo de mudança acelera na sociedade, as pessoas de mais idade, kotas como eu, Assunção, Eduardo ou Araújo, retiram-se para um ambiente mais pessoal ou particular cortando alguns contactos no imediato, ficando mais pelas relações cada vez mais transitórias que surgem pelo digital facebook. Só eu, tenho mais de sete mil amigos na rede social mas, fujo de um lado para outro, deixando coisas por aqui e por ali.

acacia karoo.jpg Assunção estabeleceu-se numa linda aldeia, tendo como jardim uns vasos com flores de cores várias de malvas e gladíolos ao redor de uma oliveira centenária. Araújo fica em seu mukifo transbordando para a tela traços e cores que só ele sabe fazer com beleza. Eduardo balança seus antigos pensamentos em suaves crónicas do dia-a-dia com sua família e seu deserto. Nos tempos que correm já não estamos ligados a um único objecto durante um longo espaço de tempo.

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Estamos forçosamente ligados por breves períodos na sucessão de objectos que se suplantam. O aspecto de uma cidade pode mudar por completo em um curto espaço de tempo. Isto de o passado desaparecer num ápice é um fenómeno real e com tendência para se tornar muito mais abrangente, até mesmo em cidades saturadas de história e cultura. Este procedimento passa também a regular a relação entre pessoas; o casamento por exemplo já não o é para toda a vida como antigamente.

arte1.jpg Os casais cansam-se e, por “ um dá cá aquela palha” como soe dizer-se; qualquer ninharia se torna num motivo de separação. As pessoas já não têm o mesmo apego às gentes ou coisas, mudando com rápida frequência e, porque o tempo urge. Enquanto se muda rapidamente o urbanismo de uma cidade, também os mais velhos estão sendo mandados para lares, ou asilos e, porque a vida agitada não dá tempo aos filhos para deles cuidarem.

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A família vive uma confrangedora realidade que cria litígios na mente das pessoas mais sensíveis ou até mal preparadas para enfrentar o futuro. A cidade aonde vivo uma boa parte do ano, no prazo de um ano, seu urbanismo mudou radicalmente; suas ruas passaram a ter um só sentido e toda a sinalização foi alterada. Um jardim infantil novo veio a substituir um outro fito à menos de três anos.

magao01.jpg Até criaram uma praça vermelha feita em tartan, um piso igual ao dos campos de ténis, desperdiçando o dinheiro destes (meu, também) sem um real benefício à crise de que tanto se fala. A maioria das pessoas não vê bem esta aplicação dos seus impostos, IRS, IRC, IMI, o custo da água e da energia nesta miragem de sucesso! A futilidade chegou a estremos mal compreendidos por quem sempre vislumbrou objectividade na feitura das coisas! Políticos de má formação, gente ambiciosa açambarcam nossas reais necessidades.  

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Modas incompreendidas por quem conta tostão por tostão para mandar o filho para a universidade. Estamos na era do efémero, sim! À medida que o ritmo da mudança se realiza a sociedade é levada a executar uma economia de transitoriedade. A maior parte das vezes torna-se mais barato comprar coisa nova do que mandar concertar uma outra já velha. Isto necessariamente meche com as ideias e ideais.

lagoa1.jpg Também pelo que se observa no dia-a-dia, é mais vantajoso fazer coisas baratas, não reparáveis; coisas a deitar fora após serem usadas. Podemos assim prever mais progressos técnicos com novos aperfeiçoamentos e, em espaços de tempo cada vez mais curtos. Assim será! Isto, não vai parar.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:39
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Domingo, 9 de Julho de 2017
MUJIMBO . LXXXVIII

KIZOMBA DA LUUA09.07.2017 -Mujimbos com borututu, coisa antiga…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

O tempo não conta - a verdade é sempre actual – Julho de 2017

  valentina0.jpgborututu.jpgO kota Liuanhica, de bravura esquecida sozinhava-se na praia da ilha. Luanda estava no outro lado pendurada na água com prédios e barrocas sujas. Aquela reflexão também o escorria em descontentamento. Debruçado sobre si mesmo na areia, após uma noite trespassada de kizomba, recordava a grande noite cultural com passagem de modelos no Miramar; para ele, homem de antes quebrar que torcer, de peito desfeito, o que viu tornava-se num grande desaforo.

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Aquele, era um dia de domingo. Sua vida estava feita num esquecimento desde que sua filha N´Riquitita desanovinha virou modelo naquele concurso da Maianga. Os amigos à boca pequena iam falando entre risos sarcásticos das altas qualidades de sua filha m´boa pra chuchu que aparecia com frequência nas colunas sociais e ao lado de cantores famosos, estrangeiros  e outros dali mesmo, cheios de kuduro nos poros com catinga de corrumba, mas badalados nos meios de comunicação.

araujo93.jpg No sábado de ontem ele viu mesmo; estava lá na certificação descodificando a verdadeira verdade dos mujimbos da cacimba do Rio Seco e Catambor. N´Riquitita apareceu espevitadamente enroscada a Nelson Ned e, talvez pelo tamanho deste, os kaluandas do bairro gozavam a cena. Compreendeu ali o porquê dos kotas rindo com todos os dentes da boca; isto para Liuanhica era um demasiado e desclassificado contratempo de vergonha; sua filha assim nas más-línguas despidas até os tornozelos.

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Os kasucuteiros, kuribotas do Catambor, roíam-lhe todos os dias a paciência com muxoxos mujimbados de diz-que-diz daquela garina, que tal e coisa, mais enfim, que tu sabes ou adivinhas. Com saudades do antigamente o impensável passou a possível e a nostalgia do tempo colonial transbordou na sociedade da Luua. Perdido naquela oblíqua contraluz duma imensidão de pensamentos, recordou os exemplos de vida que seu pai Sambo lá no planalto do Huambo lhe transmitiu. Traçou uma bissetriz no pensamento n´dele e, assim mesmo tomar decisão sem catetos nem hipotenusa da sua própria desconfiança.

14632930_10207853196554526_3028057283901920621_n.jTinha de voltar à sua terra, agora que a revolução se estava a tornar num estorvo, com o fim da guerra o melhor mesmo era voltar ao seu Quipeio, lá aonde ainda resistiam uns manos estudantes daqueles idos tempos. N'Riquitita tem já vergonha do seu Kota pai, evita-o a todo o custo, atarefada entre banquetes milionários e concursos de misses em tudo o que é lado, exibindo roupas e jóias nas kizombas de alambazados.

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Passaram uns meses... Kota Liuanhica voltou ao planalto, juntou-se ao seu primo Siripipi juntando ervas, raízes e folhas seguindo as pisadas do seu pai Sambo, grande conhecedor na cura de maleitas e malazengas através de plantas; envia estas em cartuxos para Luanda que, por sua vez, são reencaminhadas para o M´Puto. Tornou-se assim um especialista de sucesso no trato do borututu e, à noite, no ximbeco de Zacarias vai dando informações às pessoas de tal produto. Num poucoapouo de malembelembe N´Riquinha passou ao esquecimento...

ÁFRICA17.jpg Naquele vila do Quipeio ele, era o maior conhecedor das plantas do mato – Chi patrão!!! Brututo é bom mesmo! Dizia Zacarias detrás dum velho balcão colonial propriedade do meu pai de faz-de-conta. Isso! De vender carapau frito e farinha de milho mais fuba só vendido em medidas de quartilho; espólios trazidas de Trancoso da Beira fria do M´Puto cheios de chouriço defumado com lenha de pinho e giesta brava. Enquanto isso, eu e meu pai de faz-de-conta, conhecido por Caluviaviri, comíamos uma kizaca acompanhada com quiçângua trazida da Catata.

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Meu pai de faz-de-conta era um estudioso nestas coisas de plantas e bichos, por isso aproveitou dar largas ao seu conhecimento do borututu - Desde há muitos anos que o borututu é usado como chá ou em simples lavagens; colonos e indígenas tinham sempre uma vasilha com raiz de borututu num sítio fresco, ou frigorifico, para beber a qualquer hora. Uma forma de tratar deficiências biliares por ter nele substâncias com propriedades purificadoras e antioxidantes.

angola4.jpg Esta planta é um dos mais poderosos desintoxicantes naturais para o fígado. Protege o sistema digestivo e o aparelho urinário - Como prevenção ao paludismo usavam um filtro de pedra chamado de selha que ia escorrendo gota a gota a água para um vaso ou garrafão, com um pau de borututu dentro. A água ficava com uma tonalidade de âmbar.

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Pois então - Curava as doenças hepáticas, entre as quais a hepatite, icterícia, biliosa, doenças de estômago em geral, vesícula, baço e todo o aparelho urinário - Se quiserem desintoxicar-se de tanta coisa ruim que hoje se come, reduzirem o colesterol e riscos de trombose tomem isso, acrescentou Liuanhica. O meu tio-avô Guerra do M´Puto que curava a ciática cortando um nervo atrás da orelha não sabia nada disto.

araujo1.jpg Lá aonde ele estiver, no sítio que Deus tem, vai ficar contente desta nova do seu sobrinho neto T´Chingange que no correr da vida se tornou quase um Kimbanda de Rooibos. Agora até tomo o borututu como um ritual de pura satisfação espiritual! Às vezes junto-lhe um pouco de mel derivado do pólen de tília para agradar o sabor; desta forma talvez chegue aos 333 anos.

araujo68.jpgImagens de Costa Araújo Araújo

Glossário

Kizomba – dança, festa com baile ou eventos teatrais;  Mujimbos – boatos, falatório; Cacimba – cisterna, depósito de água; Kazucuteiros – trambiqueiros, aldrabões ou que vivem de expedientes menos claros; Caluanda - nativo de Luanda (N´gola); kuribotas – fanático, tendencioso, curioso, espia; Kizaca – saca folha, folha de mandioca pisada cozinhada tipo esparregado; Borututu – raiz curativa; Ximbeco – negócio, boteco, loja ou venda; T'chizangua / quiçângua – bebida feita de milho fermentado, normalmente de sabor adocicado; Quipeio – povoação do Huambo (Angola) Catambor – bairro suburbano de Luanda, confinante com a Maianga; Miramar - cinema esplanada; M´Puto – Portugal; Caluviaviri - um bicho do tipo do guaximim que mija mau cheiro; alcunha do meu pai de faz-de-conta porque tinha medo de se afogar e cheirava mal pra caramba...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:29
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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