Segunda-feira, 22 de Maio de 2017
MUJIMBO . CXV

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPOVALEU A PENA ?! - Já nem interessa chorar sobre o molhado! A justiça do ressarcir nunca se irá verificar mas podemos e devemos relembrar tudo o que se passou…

kimbo 0.jpg As  escolhas do Kimbo

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto

Segundo dizia Fernando Pessoa no seu poema “O Mar Português” “Tudo vale a pena se a pena se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deram. Mas nele é que espelhou o céu”. Agora a minha versão do mesmo poema. “Angola Portuguesa”- “Valeu a pena ter descoberto Angola. Obviamente que sim, para quem não tem uma alma pequena ou uma memória curta. Quem como nós passou pelo processo da descolonização Angolano, que nos fez ver dolorosamente a bandeira portuguesa espezinhada e enxovalhada por uma mão cheia de traidores, foi como voltar a passar pelo Bojador”.

demo1.jpg Os valentes e arrojados descobridores portugueses ultrapassaram todos os perigos e abismo dos oceanos desconhecidos de forma valorosa e destemida. E, foram neles que espelhamos os tempos mais gloriosos da nação Portuguesa. Valeu a pena desde Diogo Cão até ao Marechal Costa Gomes, ter nascido em Angola ou para lá ter emigrado como colono livremente ou como militar obrigatoriamente?

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E, ao fim de uma vida perder todo o seu património conseguido pelo do suor do seu trabalho; é algo que cada um tem que responder de acordo com a sua consciência se valeu a pena. Por todas as páginas do Facebook dedicadas a Angola, vê-se facilmente que não é pelo saudosismo político colonialista imposto pela monarquia e posteriormente na república por Salazar ou Caetano que existe uma atracção magnética de todos aqueles que beberam a água do rio bengo.

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E, ficaram irremediavelmente de forma misteriosa presos ou enguiçados pelos cheiros e gentes daquela terra. Todo aquele que lá nasceu ou viveu, não guarda qualquer tipo de rancor aos angolanos pelos trágicos e longos meses que precederam o 11 de Novembro de 1975 pois entendemos como o chamado “Poder Popular” foi manipulado, para servir os interesses dos lacaios liderados por Agostinho Neto.

desenr1.jpg Alguns portugueses tiveram a coragem de nunca lá saíram, outros tiveram a ousadia de para lá regressarem, mas a grande maioria com a guerra civil que começou de imediato e se prolongou assolando o país por mais de 20 anos jamais voltou. Os retornados que ficaram em Portugal já eram demasiado idosos para contemplar a ideia de voltar passado esse tempo, além de que já tinham aqui reconstruído as suas vidas, outros emigraram para o Brasil pela familiaridade linguística, e uma minoria optaram por países que não os condicionavam pelo idioma ou qualificações académicas.

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Se Angola tem tido em 1975 um homem da estatura e calibre de um Nelson Mandela ainda hoje todos lá estaríamos pois comparativamente com o inferno Sul-africano em que os negros viviam, Angola era um paraíso pela não existência de um sistema degradante e segregacionista chamado “apartheid”.

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Infelizmente na sua generalidade, Angola não está melhor hoje do em 1975, se é que não estará bem pior para a grande maioria dos quase 20 milhões de angolanos. Obviamente que ter diamantes plantados em terra ou rios e petróleo no mar de entre muitas outras riquezas minerais fez de Angola um dos países mais ricos do Continente Africano.

monteiro1.jpg Mas ao mesmo tempo que a riqueza angolana nasceu, também proliferou igualmente uma elite de novos-ricos todos eles conectados com o MPLA que governa o país há 42 anos consecutivamente. Quem nasceu ou viveu por longos anos em Angola passou por grandes dificuldades de adaptação onde posteriormente se tivesse radicado, tendo sido mais sentida por aqueles que regressaram a Portugal.

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Os que regressaram ao M´Puto, por cá ficaram - Tiveram grade dificuldade de integração ou adaptação á mentalidade vivencial Portuguesa da época. Todos os que nascemos em Angola ou Moçambique possivelmente passamos pelo mesmo privilégio de ter uma juventude e liberdade vivencial inigualável a qual nada tinha a ver com aquela que era vivida em Portugal.

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Termino este texto reiterando uma vez mais que apesar da minha já provecta idade continuo a reafirmar que ter passado cerca de metade da minha vida em Angola e tendo de lá saído indigente aos 33 anos, não a trocaria por nada feste mundo.

Canhoto aos 28-2-2017

roxo138.jpg TESTEMUNHO 1: - Claudino Rosa Soares - Fez este ano quarenta e dois anos que me vi obrigado a deixar Angola. Infelizmente, isso me trouxe após vinte e três anos de permanência, todo o tipo de incompreensões. O paradoxo de comportamentos do povo Tuga, impõe-se em oposição com a recepção dada agora aos novos refugiados vindos de outras paragens, com outras culturas e outro ADN. O como foi prestada aos trabalhadores da mesma Diáspora (de Angola), os retornados estigmatizados.

roxo135.jpg E, que até hoje nunca foram reabilitados, nem ressarcidos. Falando por mim: porque me fizeste isto meu Portugal? Nos primeiros tempos durante o PREC foi a animosidade dos concidadãos, em simultâneo a boicotagem da entrada nos empregos de quem vinha chegando! Dois me surripiaram no ramo cervejeiro. Quando cheguei diz-me a funcionária que me recenseou? -O senhor já escolheu Hotel? Hotel!?

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Tenho dois filhos pequeninos e a senhora fala-me em Hotel … está a gozar com a minha cara ou quê. Paguem-me um bilhete para sair daqui. E pagaram mesmo! Mas a partir daqui fiquei só, enfrentando a vida tenazmente e, na clandestinidade. E passaram quarenta anos! Vivo desde esse tempo num misto de liberdade e escravidão.

REPU2.jpg Conheci todos os governos de Portugal pós Democracia e por incrível que pareça nenhum tentou sequer resolver problema de tal magnitude! Mas aqui: refiro-me evidentemente aos trabalhadores da Diáspora do Império, já que os funcionários públicos já cá chegavam com o papel da reforma! O mesmo país; situações idênticas! Soluções diferentes! Eu cheguei com dois filhos de tenra idade, fui de imediato jogado para o esgoto da História!

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As TVs os Jornais deslumbrados com a sua democracia mergulharam-nos num silencio tenebroso! O que quero é justiça! Aquilo que até os seres inferiores procuram… É por isto que hei-de reivindicar sempre esse bem que deixei num dos bairros pobres de Luanda. E se Deus existe, Portugal bem precisa da ajuda para repor e discernir a legalidade que lhes foi surripiada…

araujo63.jpg TESTEMUNHO 2: - António Monteiro - Já nem interessa chorar sobre o molhado! A justiça do ressarcir nunca se irá verificar mas, podemos e devemos relembrar tudo o que se passou, a grande traição! Esta manobra que resultou num governo ilegítimo, vai ter fim e Angola vai reviver e reconhecer nossos filhos como gente de N´Gola porque o são de direito! Angola com leis absurdas que não reconhece quem de lá saiu. Tudo tem de mudar sim! Uma cambada que ainda anda entre nós, corruptos e bajuladores; abutres do mundo mwangolés e tugas ladrões...

Escrito de José canhoto com dois testemunhos adicionais como adenda…

T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:26
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Sábado, 20 de Maio de 2017
FRATERNIDADES . CXV

A DESCOLONIZAÇÃO (Parte 2) – 12.01.2017… A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC…

soba k.jpg As escolhas de T´Chingange***

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto

Todos os portugueses, onde me incluo, que viveram nas ex-colónias portuguesas e que sofreram na pele o processo de descolonização, atribuíram as culpas ao ministro dos negócios estrangeiros da altura Mário Soares que se finou a 7 de Janeiro e 2017, para gaudio de muitos dos retornados e para pesar de muitos democratas. Foi Mário Soares pelo cargo que ocupava na altura que carregou e conduziu o referido e complicado dossier do processo de descolonização que ficará como uma das mais tristes nódoas na história de Portugal.

step6.jpg As tendências ideológicas marxistas que o processo revolucionário em Portugal atravessou não auguravam um desfecho feliz para os residentes nas províncias ultramarinas. A pressa era muita de modo que Mário Soares foi encarregue de atalhar e encurtar caminhos e forçado a abreviar o calendário das independências para o ano de 1975.

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As conversações para esse desiderato começaram de imediato com os líderes dos movimentos independentistas das colónias Portuguesas em Africa, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola tendo como interlocutores Luís Cabral, Samora Machel, Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi.

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A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC que foi reconhecida pela comunidade internacional, mas não pela potência colonizadora o que só aconteceu nas negociações de Argel em 25 de agosto de 1974, seguido de Moçambique em Lusaca a 7-9-1974 e do Angola no Alvor a 15-1-1975.

spi3.jpg Logo que Angola e Moçambique obtiveram oficialmente as suas independências instauraram um regime de partido político único pró-soviético, enquanto em Portugal, o modelo socialista pós-revolução era progressivamente abandonado, dando lugar a um regime democrático. Só um tolo ou imbecil poderia pensar que seria possível a manutenção de uma guerra colonial em 3 frentes até aos dias de hoje, para assegurarmos a continuidade dos nossos privilégios em África intemporalmente.

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Os grandes coveiros e responsáveis da repatriação dos mais de 750 mil portugueses naturais e colonos que ao tempo residiam em Moçambique e Angola não foi Mário Soares, mas sim, Salazar e Marcelo Caetano, pois a descolonização das nossas colónias deveria ter sido iniciada nos finais dos anos 50 antes de se ter iniciado o terrorismo em 15 de Março de 1961 em Angola pela UPA, em 24 e 25 do mesmo ano em Setembro pela Frelimo em Moçambique e finalmente em 23 de janeiro de 1963 na Guiné.

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Se o processo de descolonização tem sido feito atempadamente de forma ordeira cívica e civilizada assegurando a permanência dos europeus nas colonias, a revolução do 25 de abril de 1974 apenas tinha tido efeitos práticos ou visíveis em Portugal continental. Mário Soares estava manietado e limitado pelas directrizes imanadas pelo Conselho da Revolução e pelo desejo que os militares tinham em baixar as armas o mais depressa possível e abandonar África á sua sorte.

selo10.jpgO governo provisório da altura em Portugal estava em conluio com os líderes independentistas uma vez que defendiam a mesma ideologia politica, portanto Mário Soares muito pouco poderia ter feito para alterar o “status quo” dos eventos catastróficos que o processo de descolonização atravessou. Mário Soares foi um intermediário facilitador que seguiu um programa que lhe foi imposto, mas não o ideólogo do mesmo.

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Eu sei e compreendo que a grande maioria dos retornados atribuem a Mário Soares toda a culpa da descolonização, pois acabou sendo o bode expiatório e o alvo mais fácil para arcar com as culpas devido a sua liderança nas negociações. Do contexto político vivido em Portugal destaca-se a divergência entre o então Presidente da República (PR), António de Spínola, e a Comissão Coordenadora (CC) do MFA em relação ao modelo de descolonização a seguir e que teve repercussões negativas nos processos de negociação e nos posteriores acordos de independência com os movimentos independentistas.

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A descolonização portuguesa dos territórios ultramarinos em África constituiu um dos aspectos centrais da política portuguesa após o 25 de Abril, tendo tido consequências sociais profundas em Portugal. Quando Mário Soares entabulou negociações com os líderes nacionalistas de Angola e Moçambique com vista á independência dessas colónias fazia parte como ministro dos negócios estrangeiros de um Governo de Transição empossado pelo MFA sem a legitimidade do povo português.

luis17.jpg Sem a legitimidade pois que, ainda não tinham havido eleições gerais em Portugal nem sequer tínhamos uma nova Constituição aprovada que lhe outorgassem a legitimidade para assumir essa decisão histórica particularmente nos moldes em que foi feita.

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Não tenho a veleidade, ousadia ou arrogância de colocar Mário Soares sozinho no banco dos réus, nada me move pessoal ou particularmente contra a sua pessoa, muito embora tenha deixado em África terra onde nasci tudo o que construí com o suor do meu rosto.

diogo6.jpg Tenho a capacidade de separar o trigo do joio e fazer uma análise lucida e racional dos acontecimentos sem cegueiras ou fanatismos e atribuir as responsabilidades históricas a quem de facto as teve 20 anos antes de 1975, bem como no período pós-revolucionário. Se Portugal tem tido líderes com visão estratégica e politica para terem iniciado o processo de descolonização na época adequada teriam preservado a permanência e a continuidade de todos os colonos suas famílias e descendentes nesses territórios.

FIM

António José Canhoto …11-1-2017

***Nota: A escolha de T´Chingange refere-se ao todo pensamento descritivo, subscrevendo-o por homologação... Descrição sem Prólogo, Prefácio, Epílogo ou Posfácio porque é o resumo dum conteúdo periclitante causador duma quase tragédia. Um prefácio eventualmente, conteria algumas impressões de terceiros sobre a obra. Neste texto excelente, o que fica é a incrédula faceta da política sem brio, irresponsável e, persistente denúncia com ar de curiosidade…

Nota 2: - Este texto deveria ter sido publicado como Parte 1, mas  ainda bem que a justificação surge antes dos atropelos – desta forma aceitar-se-á  melhor  as realidades



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:56
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Terça-feira, 16 de Maio de 2017
FRATERNIDADES . CXIV

A DESCOLONIZAÇÃO (Parte 1) – 12.01.2017Como livre-pensador, não me subordino a nada nem a ninguém, pois quando renegamos ao direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de sermos livres.

soba k.jpg As escolhas de T´Chingange***

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto

(…) Quando escrevi o texto sobre o titulo em epigrafe escalpelizando o papel de Mário Soares no processo de descolonização não pretendi ilibar todos aqueles que no palco deram a cara, mas sim acusar todos aqueles que permaneceram por detrás da cortina puxando os cordelinhos ou fazendo o papel de “PONTO” que é aquele que escondido num alçapão do palco lembra aos artistas as suas falas e deixas do texto ou guião da peça.

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No caso da descolonização a peça deveria ter tido pelo menos 3 actos, mas infelizmente tudo se resumiu a um só, tendo os artistas sofrido uma enorme pateada e insultos vendo-se obrigados a abandonar o teatro pela porta do cavalo tendo sido ao longo de 40 anos vituperados pelo seu catastrófico desempenho.

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Não me compete a mim escrever a história sobre essa mancha negra que ensombra o período político que Portugal atravessou entre 1974 e 1975, contudo quem já o fez de forma isenta foi-lhe fácil encontrar os responsáveis. Quando iniciei a feitura do texto, já pressentia que iria abrir uma “Caixa de Pandora” e muita gente se iria atirar a mim como gato a bofe.

ango0.jpg Surpreendentemente o texto foi bem aceite pela grande maioria, mas houve pessoas que o descontextualizaram sem terem tido a capacidade de separar a missão politica de que Mário Soares foi incumbido de realizar atribuindo a este senhor todos os problemas pessoais que afectaram os “colonos” na sua generalidade.

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A minha crónica foi feita depois de muita reflexão e pesquiza e para quem não saiba o processo de descolonização foi desenhado pelo ideólogo do grupo dos 9 o major Melo Antunes que foi a eminência parda marxista do Movimento das Forças Armadas (MFA). Óbvio que a grande maioria dos retornados teve de encontrar alguém para descarregar as suas frustrações e Mário Soares foi o homem escolhido como ministro dos negócios estrangeiros do governo provisório bem como António de Almeida Santos ministro da Coordenação interterritorial, para darem a cara como forcados e pegarem os 2 touros mais perigosos de nome Angola e Moçambique.

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Em consequência de os touros terem sido mal lidados e estarem ainda cheios de energia ambas as pegas falharam e os touros desembolados ficaram incontroláveis. Os pegadores viram-se forçados a arcar com todas as responsabilidades de uma “corrida” programada em cima do joelho e a martelo sem acautelar a integridade física dos aficionados.

melo1.jpg Em 22 de Fevereiro de 1974 O general António de Spínola publica o livro "Portugal e o Futuro" pouco mais de um mês depois de ter sido empossado como vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. As páginas do livro abriram um fosso de incompatibilidade com o primeiro-ministro da altura Marcelo Caetano que afirmou tratar-se de um verdadeiro "manifesto de oposição" ao regime e de um golpe militar anunciado - o que efectivamente veio a acontecer semanas depois.

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Na sequência da publicação do "Portugal e o Futuro", e perante a recusa dos generais Francisco da Costa Gomes e António de Spínola, os dois principais chefes militares do país em prestar vassalagem a Marcelo Caetano, tanto Spínola como Costa Gomes são demitidos a 14 de Março.

soares1.jpg A 25 de Abril de 1974 os capitães do Movimento das Forças Armadas levam a cabo o golpe militar que liquidou o regime do Estado Novo tendo escolhido uma Junta de Salvação Nacional para preparar a transição do país para um regime democrático. Na madrugada de 26 de Abril de 1974 Spínola é anunciado como chefe da Junta Militar e, a 15 de Maio, toma posse como primeiro Presidente da República do pós-25 de Abril.

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A História e o movimento revolucionário avançaram muito rápido para uma esquerda marxista radical contra a qual Mário Soares ferozmente lutou. O livro publicado por Spínola constituía um poderoso repto ao regime do Estado Novo. Basicamente afirmava que as guerras coloniais, que duravam desde 1961, não tinham solução militar, sendo imperativo que a Nação debatesse o problema. Spínola tinha ideias muito concretas de como o processo de descolonização se deveria processar as quais dissecou pormenorizadamente no seu livro.

spi0.jpg Spínola acaba mais tarde por se demitir como Presidente da Republica quando se sente atraiçoado pelos seus camaradas de armas e pela forma de como o processo revolucionário e de descolonização que tinha sido esquematizado por Melo Antunes o qual o grupo dos 9 pretendia implementar.

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O traidor não foi Soares, mas sim a Junta Militar e o governo provisória infestado de esquerdistas comunistas, que governaram Portugal a seu belo prazer tendo em Vasco Gonçalves o seu expoente máximo. A situação só começou a mudar quando a feitura da nova Constituição Portuguesa deu origem às primeiras eleições livres em Portugal, as quais só aconteceram em 25 de Abril de 1975 para a eleição dos deputados para a Assembleia Constituinte.

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Conforme digo no texto, todo o processo de descolonização foi uma aberração e as consequências do mesmo devastadoras e traumáticas, mas esse não foi o objectivo do meu pensar, mas sim desvendar quem puxou os cordelinhos fazendo de Mário Soares e os seus pares os peões de brega aos quais foi incumbida a triste sina de levar a cabo uma tarefa odiosa que todos sabíamos pelo andar da carruagem que iria acabar mal.

melo4.jpg Os verdadeiros traidores de Portugal não aparecem nas fotos de Argel, Lusaca ou Alvor, por ocasião das assinaturas dos acordos ou tratados de independência. Sejamos honestos e não assaquemos culpas nem manchemos com o labéu de traidores ou ladrões todos aqueles como Almeida Santos, Costa Gomes, Mário Soares e outros que pelas funções governativas que ocupavam ao tempo personificaram a função de carrascos no processo de descolonização.

vasco gonç.0.jpg Todos os países com impérios coloniais Inglaterra, França, Holanda e Bélgica concederam as suas independências no principio dos anos 60 e hoje têm óptimas relações com os países que colonizaram, infelizmente os nossos políticos não tiveram a mesma visão e prolongaram no tempo e no espaço um desfecho que a partir de 15 de Março de 1961 passou a ter os dias contados…

12-1-2017

***Nota: A escolha de T´Chingange refere-se ao todo pensamento descritivo, subscrevendo-o por homologação... Descrição sem Prólogo, Prefácio, Epílogo ou Posfácio porque é o resumo dum conteúdo periclitante causador duma quase tragédia. Um prefácio, eventualmente conteria algumas impressões de terceiros sobre a obra. Neste texto excelente, o que fica é a incrédula faceta da política sem brio, irresponsável e, persistente denúncia com ar de curiosidade…



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:52
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Sábado, 13 de Maio de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 13.05.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXI. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75…

Por     

t´chingange 0.jpg T´Chingange - (Otchingandji)

(…) Eu estive com muitos desses tais “angolanos de gema” nos Adidos e na Cova da Moura que amavam Angola, terra de que nunca sairiam, blá-blá-blá. Esses mesmos que faziam rusgas e revistavam nossas bagagens quando daquela confusão de fugir, de sair de qualquer maneira daquela terra, gente que cantava o MPLA da vitória ou morte, gente que se dizia vanguardista. Enfim! Eles tinham essa ilusão e, assim vendiam seus préstimos como urubus ao serviço do MPLA atrapalhando ainda mais o desespero entranhado em muitos de nós.

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Muitos destes, ainda andam por aí, como reformados, retorcendo suas consciências porque afinal cometeram um injusto procedimento! Estes, traíram-se a si mesmos! Outros voltaram à sua querida Angola, sua tão apregoada terra de que eu, tanto gosto; a maioria regressou de novo ao M´Puto acabando por dizer que não encoberto num sim frustrado! Afinal aquela terra já só era deles, dos pretos! Falo assim porque senti na pele o tratamento rancoroso, eu que brincava com eles pelos musseques, que também eram meus, pensava assim mas só isso; coisas do pensamento! A estória estará sempre muito repleta deste tipo de gente que se vende por três tostões.

moka31.jpg E, Portugal, o tal de M´Puto, acabaria por dar guarida a carrascos e fujões (desculpem-me a expressão) que de forma enrolada, misturada se foi acomodando aqui e ali, salvando os hotéis e concebendo arranjinhos de safadeza, explorando os refugiados, ditos retornados como eu. No aeroporto as senhoras prestimosas das Caritas e Cruz vermelha (não todas, felizmente), iam despejando desaforos como muxoxos soprados subtilmente ou não: “Só nos faltavam estes ranhosos”. Eramos nós, despidos de preceitos, ouvindo calados o desaforo de irmãos, de patrícios, de gente com nosso sangue! Isso doeu muito! Só não se lembra disto quem não quer lembrar!

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Os heróis de tuji foram-se misturando com os demais, as estórias sucediam-se engravidadas de medalhas, gente que revistou, impediu, prendeu, gente que pintou e bordou a manta em acontecimentos tristes! A 17 de Agosto, Lúcio Lara, um mulato raivoso do MPLA solicitava ao embaixador Russo em Brazaville o envio de peritos soviéticos Para o Estado-maior das FAPLA em Lunda. E, afirmou nesse então: O Comando do MPLA necessita de conselheiros qualificados em questões de estratégia militar.

moka32.jpg Não lhes chegavam os altos mandatários portugueses e cubanos! É que no dia 18 de Agosto de 75, coisa bem concertada, Rosa Coutinho, chega a Cuba tendo dado garantias e sua palavra que era tal e de tanta força que… Que não seriam colocados entraves à entrada de militares, oficiais cubanos. E, assim foi! Logo no dia 21 de Agosto daquele ano, somente dois dias depois daquelas afirmações, desembarcou em Luanda uma Missão Militar Cubana (MMCA – Missão militar Cubana - Angola). E, surgiram os CIR (Centro de Instrução Revolucionária) em todos os lugares já sob controlo do MPLA.

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Esses lugares podem enumerar-se como sendo: Cabinda, Benguela, Henrique de Carvalho, e N´Dalatando. Foi garantido por Cuba na pessoa do oficial Humberto Arguelles que antes de Novembro (1975), os recrutas estariam prontos para combater. Ainda Leonel Cardoso não tinha chegado a Luanda na qualidade de Alto-Comissário e já os membros do MMCA tinham começado a chegar – finais de Agosto e início de Setembro de 1975.

moka33.jpg A infelicidade de tudo isto é a de que os “genuínos angolanos” como eles diziam e dizem, gente do MPLA, foram e ainda o são, uns refinados mentirosos, astutos, traiçoeiros e ladinos em toda a linha. Enfim, cazucutas! A 19 de Agosto e em vistas de uma proclamação unilateral de independência por parte do MPLA, a UNITA e FNLA, já congeminavam em conversações mais ou menos secretas, também e em seguida, proclamar a independência nas suas zonas de influência.

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A 22 de Agosto de 1975, Portugal suspende a vigência do Acordo de Alvor sem o denunciar. A 25 de Agosto a posição do MPLA é cada vez mais forte; com um grande contingente de homens, armas soviéticas e portuguesas e um melhor comando operacional com assessores cubanos e sempre os disfarçados portugueses, que sem querer, iam querendo, traindo-se entre eles.

moka34.jpg Os portugueses encontram-se agora em um dilema impossível porque já não tinham tropas suficientes nem vontade de lutar; tinha-se assim esgotado a estratégia de dialogar entre os Movimentos. Já ninguém confiava em ninguém! Entretanto, a ponte “LUALIX “ ia-se fazendo aos tropeções, caixotes e imbambas amontoados nos quintais esperando transporte. Durante as noites só se ouvia o matraquear de martelos fazendo caixotes mas, também rajadas um pouco por todo o lado nos bairros da Luua. Os Tugas brancos eram já coisa moribunda, cada um por si pregava seus caixões com recuerdos e tralha mais fotos a enviar para o Cais de Sodré. O cheiro da traição era doloroso e tinha agora sonoridade em toque de dó, sem rê nem mi e sol intervalado com tiros e rebentamentos…

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Neste entretanto, em terras ribatejanas via pela TV o esbracejar do louco primeiro ministro português Vasco Gonçalves, ora espumando ora lançando cravos ao povo; o desentendimento entre os quarteis eram mais que muitos entre guedelhudos revolucionários feitos à pressa e às ordens de oficiais bandalhos, cagões generais de aviário da qual só saiam disparates. Os mais sóbrios estavam a dar-se conta dos erros cometidos. Isso de dar jinguba a macacos sem os ter enjaulados, levantava celeumas.; tarde piaram!

moka38.jpg O conselho dos assessores portugueses, segundo um relatório oficial, o MPLA deveria usar uma estratégia discreta no uso de navios que transportavam suas armas, seus carros de combate, tanques e canhões sem recuo. Por via deste arranjo, não se poderia imaginar tanta petulância e arrogância dos mwangolés mijando nos seus parceiros tugas disfarçados de Ché Guerra (só para a foto). E, também uma desfaçatez no sequente trato dado aos Tugas portando-se como uns refinados mentirosos. Agora tudo surgia com suavidade falaciosa. Em finais de Agosto de 75 a nova Brigada das FAPLA comandada por N´Dozi, treinada na URSS, recebia dez blindados BRDD-2, morteiros d 82 mm, pistolas e baterias antiaéreas.

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Tudo aquilo foi descarregado a 75 Km de Luanda por um navio soviético. Leonel Cardoso é por fim nomeado Alto-Comissário como Almirante, junto com o Comandante-Chefe adjunto General Heitor Almendra. Para Savimbi firmar trégua com Neto, seria necessário o MPLA evacuar todas as zonas de influência dos outros dois Movimentos e que Luanda fosse declarada “zona neutra”, o que nunca viria a acontecer.

moka37.jpgNo M´Puto a crise político-militar arrasta-se perigosamente (vozes comunistas). Existe o perigo real de um avanço reaccionário e da formação de um governo de direita que, no imediato ou a médio prazo, irá pôr em causa as liberdades e as outras conquistas fundamentais da revolução, como as nacionalizações e a reforma agrária... O embaixador dos EUA em Lisboa, Frank Carlucci, faz uma viagem pelo norte do país, que se prolonga em mais dias visitando Porto, Braga, Viseu, Vila Real, Chaves, Viana do Castelo. Que andaria ele a fazer?

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As coisas iam mudar! Os americanos metiam o bedelho decidindo novas trajectórias. Nós, retornados estávamos a ser moeda de troca. Frank Carlucci manteve conversações com os governadores civis de Viseu, Vila Real e Chaves e com os bispos de Viseu, Vila Real e o representante do Arcebispo de Braga. Carlucci estava em todas as frentes… O PPD revelava-se numa directa responsabilidade nas violações da ordem democrática imposta pelo CR-MFA de mãos dadas com os comunistas. A provocação surgia na forma de violentos conflitos de rua, assaltos a instituições, embaixadas, e outros aparelhos de Estado.  

moka22.jpg O Estado estava periclitante! As comissões de trabalhador mais sindicatos levantavam seus punhos decidindo tudo de braço no ar! E, eu aqui no meio disto olhando, ouvindo, vociferando silêncio, com vontade de fugir sem saber para onde! Parecia estar-se à beira de uma guerra civil; havia movimentos de tanques para Tancos. As máquinas de guerra rolavam pela minha rua perto do rio Almonda. Seu barulho ecoava nos aposentos vazios de minha casa, despida de património; despida de haveres. O eco era O PPD fazia esforços para conduzir a tentação de confrontos armados entre militares, para tapar o caminho à guerra civil...Assim parecia ser!

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:32
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Terça-feira, 9 de Maio de 2017
CAZUMBI . LIV

CINZAS NO TEMPO - 09.05.2017 - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade …

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

soba15.jpgT´Chingange

No tempo real e na vida de todos os dias há uma grande diferença entre os sentidos de para a frente e para trás. Li recentemente que no imaginário de uma chávena com água que cai de uma mesa quebrando-se em mil pedaços, se, se filmarmos este acontecer, poderemos facilmente dizer quando o filme da cena está a correr para a frente ou para trás.  

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Se o fizermos andar para trás, o filme, veremos os bocadinhos juntando-se e voltar para o lugar e em cima da mesa, no mesmíssimo sítio e com a mesma água, numa forma de chávena cheia, completa. Revisitando Murphy, recolhemos de seus escritos que as coisas têm tendência para correr mal sem a possibilidade de reverter o acontecido.

apocri2.jpg Podemos por observação dizer que a chávena em cima da mesa e no passado está num estado de “ordem” e, a chávena estilhaçada no chão com a água derramada, o contrário disso, “a desordem”. Neste lapso de tempo o desacontecido aconteceu por um acaso, uma falha, uma coincidência, um erro ou uma má sorte como coisa normal.

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Pois ao momento da desordem a partir da ordem chamarmos “a seta do tempo” – qualquer coisa que distingue o passado do futuro, passando pelo “agora” ou o “presente” que nunca espera o antes. O sentido de que o tempo passa, é psicológico, porque nos lembramos do passado mas, não do futuro!

roxo95.jpg Na espiral do tempo universal, cosmológico, aquela seta, junção de muitos agoras como se pontos fossem, são partículas que se expandem; com a nossa inteligência nós, gente, também nos expandimos em pensamento, coisa não mensurável, tudo imprevisível. Podemos ter a premonição do que se vai seguir mas, este travão do mas, sempre nos retrai.

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Podemos pensar assim porque somos ou pensamos ser seres inteligentes e, porque sempre nos perguntamos: -Porquê a desordem aumenta no mesmo sentido do tempo, na mesma expansão do Universo? 

haida4.jpg Posso agora e depois desta longa explanação entrar nos domínios do nosso “agora social” – a vida do M´Puto, para entender como um caldo de culturas ideológicas entornadas num tigela com o nome de governo se juntaram em desordem formando uma coisa chamada de geringonça! Juntando cacos, aparentemente, andaram para trás formando ordem. Aqui a seta do tempo parece ter-se virado! Será?

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Sabendo que uma partícula ocupa um ponto no espaço, em cada instante, pode esta estória ser representada por várias linhas entrelaçadas no espaço-tempo e, que a todo o momento e expandindo-se formarão outras linhas deixando de ser aquela “corda”. Mas também pode acontecer como sucede no universo cósmico, estas linhas formarem outras cordas que tendem a fechar-se formando um túnel! O túnel da minhoca (universal)!

GALO0.jpg Mas, a bom saber, na prática, nossa capacidade de ver e pensar confundindo os pontos entre o ontem e o amanhã, tudo isto se pode tornar em um novelo, um emaranhado de pensamentos, sem medida de clássicas e homologadas dimensões.

roxo92.jpg Parece que só Deus pode fazer as leituras de pensamento e, queiramos ou não damo-nos conta de que estamos a anos-luz do verdadeiro entendimento de nós próprios - bichos homens. É que não conheço ninguém que seja omnipotente, omnipresente e omnisciente! Ninguém tem este factor de 3 em UM…

Ilustrações (2) de: Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:31
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Domingo, 7 de Maio de 2017
MALAMBAS CLXXI

AI.IÚ.É - TAMBULAKONTA – 07-05-2017 - Harmoniosamente nostálgico, doidejo-me ao ar como se alguém me fustigasse o corpo com urtigas bravas.

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Não achando terreno propício a desabafos, encurtei-me no cochicho do cubículo sem poder desviar meu mal-estar de sorrisos murchos mais para além dos meus pardos amigos colados na parede com farinha de trigo, mofados, fungosos; eles, alguns, também envoltos em maquinações safadas. Mas, que resulta andar agitado, transbordando indignação por prolongarem o pagamento da dívida d M´Puto por mais cinquenta anos, quando tudo parece estar bem no país da Alice e da Fátima.

coimbra2.jpg Chegado do Brasil, uma terra difamada nos caracteres arredios da delação premiada, infensos aos barulhos da caatinga, divago-me na desconfiança dos tempos que tomam sentidos novos, equívocos sem discernimento ou alinhavados no desleixo, ausência de véus, de rezas balofas com améns de precauções sem remédios. Mesquinharias pingadas na rotina de velas queimadas, orações de avé-marias lançadas nos pinheirais cacimbosos da Cova da Iria.  

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Nos caminhos orvalhosos que levam a Fátima o centro do mundo, sito no M´Puto, aí vou eu com as notícias repetidas á exaustão! Tudo contínua igual! Francisco para ali, Francisco para lá e, como e aonde fica e edecéteras que não deveriam interessar ao meu diário. Direi mesmo notícias mais refinadas conjugando desacordos em embalos de andor e, que sempre me deixam assim um pouco perplexo. No país dos três efes (Fado, Futebol e Fátima) como poderei dar um pulo, passar à frente nesta algaravia propaganda televisiva aonde se fala muito dizendo pouco. Parece até que já estamos no ceu!

fatima1.jpg E, não consigo desembaraçar-me disto, das falas; dar nomes exactos às coisas que me parecem complicadas. O preferível mesmo, é realizar-me em sessões espíritas porque sempre me deparo rodeado de gente estranha; gente que usa a insatisfação em desejos impossíveis, gente mergulhada em sonhos restaurando coisas velhas, outras rasgando indumentária nova para se fazerem notar, estravagâncias faladas com grosserias à mistura com sabedorias convencionais dos doutos e, um vive la France! Uma bajulação de fazer jeito…

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Em momentos de aperto no tempo, ficamos contra, só por ficar! E, suprimimo-nos por vezes mas, muitas vezes somos suprimidos, sublimados. Sim! Somo-lo por gente materialista, gente de meia-tigela, gente política flutuante. Alguns, muitos, sem consciência e consistência, incompetentes em verdade. Ninguém é de ninguém, na vida tudo passa; vamos fazer o quê? Como gostamos de andar embalados!...

fatima2.jpg E, agora nós acusando disfarces dum ambiente banho-maria com zumba nos intervalos, comendo uma francesinha cheia de banhas para inchar. Apercebemo-nos que sim! Há navalhas nos espíritos, gelo nas fisionomias! Será que ando a abusar do cloreto de magnésio! Dessa bulunga que tomo para eliminar os triglicéridos… Tudo anda assim num vai e vem num impossível de conjecturar se a explicação ouvida é falsa ou verdadeira.

soba03.jpg Gasto meu tempo a espremer os miolos, compondo, inventando e eliminando e, no final fico sempre a remoer cada frase, com paciência de boi, de burro consumindo-me átoa no tempo! Ando preso a ele por pequenas minúcias. É por isso que terei de entrar numa viagem astral mesmo que seja aos solavancos, entrar nas ondas alfa e delta e, sem gravidade atravessar paredes …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:00
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Sexta-feira, 5 de Maio de 2017
MALAMBAS CLXX

DEUS É SOCIALISTA - TAMBULAKONTA05-05-2017 - Adão, lá no paraíso, comeu a maçã da árvore da tentação; Eva deu-lhe a maçã, o fruto proibido do jardim celestial e, desse pecado original, ficou-lhe um caroço no pescoço que o distingue da mulher na sua anatómica forma…

MALAMBA: É a palavra.

t´chingange.jpegAs escolhas de T´Chingange

Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; o ontem fica cada vez mais distante e, o que então era proibido, hoje já o não é mais.

Por

maga1.jpg Luís Magalhães

Os militares Angolanos (pretos) que fizeram parte das Forças Armadas Portuguesas, foram Homens exemplares de lealdade e bravura, cuja camaradagem e exemplo Pátrio foi um exemplo. E não é que finda a guerra colonial, muitos deles continuam esquecidos! Portugal abandonou-os á sua sorte e, muitos acabaram fuzilados pelos novos governos. Foi mesmo um crime de lesa Pátria o que os "progressistas" fizeram e, como tal, todos os governantes deveriam ser responsáveis pelos crimes cometidos em prol de uma filosofia de entreguismo.

baú3.jpg Conheci o aspirante Faria no ano de 1975 em Luanda por intermédio do meu irmão mais velho que na altura era alferes. Faria, era um filósofo de ponta e aquilo eram umas ideias de tal modo acutilantes que eu em verdade, tenho que dizer que naquela minha onda dos vinte anos gostei de ouvir.

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E lá fomos até ao Bar "A Nau" que ficava perto da Maianga, beber umas Cubas Livres. Ele, já com o grão na asa, disse entre outras coisas, que era branco de segunda pois tinha nascido em Angola; também se considerava um Fernando Pessoa Angolano - uma afirmação que me divertiu imenso! Perante o meu ar aboamado, Faria disse-me naquele ar alucinado de quem vai fazer uma revelação terrível…

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Tens dúvidas Magalhães? -Imagina tu que uma vez levei uma “porrada” porque disse ao meu superior que era um católico ferrenho; que a maioria das pessoas que se diziam crentes, só o dizia porque tinham receio daquele Deus muito poderoso. De tudo ficavam assustados pelo castigo que daí podia advir. Sempre eram desvios do caminho do Deus! No fundo, tinham dúvidas - tão próprias do ser Humano? E Faria continuou: -Do meu modo, da minha sabatina, referi que Deus era Socialista e como tal, todos eram filhos de Deus (os negros incluídos).

nasc2.jpg Pois perante isto, diz Faria, levantaram-me um auto onde fiquei preso durante cinco dias. Passados uns tempos fui a Malange, onde deparei com o túmulo do Zé do Telhado, uma personagem com quem me identifiquei ao saber que tinha sido deportado para Angola. Tudo muito semelhante aos colonos que saídos de Lisboa desperdiçaram a juventude para combater no lugar dum caraças; para mim eram situações semelhantes!

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Eu ouvia tudo isto maravilhado e, a dada altura diz-me ele assim: -Podes não acreditar mas eu sinto-me um autêntico Fernando Pessoa; custa-me ver que as pessoas foram na conversa de "Portugal um só Povo e uma só nação". Pelo que tenho visto não vai ficar em Angola um único branco para contar como foi! Perante o meu assombro ele replicou: -Os brancos vão ser todos corridos daqui! Eles criaram as suas raízes e pensaram que iam ficar, mas Angola não comporta essa lengalenga de que há espaço para todos! Isso e pura ficção! E não é que a Profecia do Aspirante Faria se cumpriu!

preto0.jpg Depois disto tudo ouviu-se uma exclamação do salão. Era José Matias inflamado de quase injúria - Deus nunca foi nem é socialista, na certeza porém tudo o que acaba de descrever sobre essa guerra e o êxodo dos brancos foi pela vontade de Deus que tudo aconteceu. Me lembro que éramos ignorantes na totalidade quanto aos desígnios de Deus, nem sequer sabíamos que Ele tem o controlo de todas as nações. Vivíamos despreocupados enquanto na retaguarda se formava uma traição jamais vista, ainda assim Deus teve misericórdia de muitos, lhes poupando a vida, para contar como tudo aconteceu.

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E, José Matias continua: -Agora, temos o bonito cenário da maior desgraça de quem engendrou todas estas trapaças, um povo morrendo a fome e doenças, e prisioneiro dos seus próprios irmãos, quanto aos que formaram essa desgraça no lado de cima, não lhes gabo a sorte. E, eis que profetiza assim: -Grandes confrontos se aproximam, estes étnicos, por toda a Europa, aponte para não se esquecer, pois é isso que esses políticos corruptos intentam em seus corações desfeitos pela maldade, cujas mentes por demais cauterização e os ouvidos tapados ao clamor das pedras que clamam noite e dia. Um abraço. Depois faz um insólito pedido: - veja se descobre o paradeiro do T´Chingange que se silenciou com suas estórias?

maga5.jpg E, eis que do espaço astral, saindo do buraco da minhoca surge essa figura referida, o T´Chingange. Aqui estou! Eu na primeiríssima pessoa: -Qual quê meu amigo José Matias!... Só estive em meditação forçada por imposição dum pacote espacial… Mas quanto ao texto do Luís, acho que Cristo foi comunista na verdadeira palavra! Agora essa de dizeres que Deus tinha planeado isso tudo m Angola, vai catar pulgas!… Disse! (Tinha outro jeito?). Do ponto de vista material, terra à terra o homem vive iludido! A verdadeira sabedoria deve estar isolada do corpo. Só assim se pode ver com os olhos do espírito... E, como veio, assim mesmo escafedeu-se feito dimensão ultrapassada!

zulu2.jpg Foi então que de novo e indignado, surgiu o quase apóstolo Matias raivoso: - Comunista?! Estás passado, isso foi dos ares do Brasil, do contacto com os Tapajós que te contaminou naquelas paragens em que misturam tudo, política com religião. Estás confuso meu amigo, estás perdido num labirinto de mentiras que te vai levar a um beco sem saída, estão aproximados na maçonaria. Parece que a tua meditação mudou os teus neurónios. Disseste entretanto bem que a sabedoria deve estar isolada da carne, só que isso é uma frase aprendida na letra que leste algures num almanaque… Mas tu que é matumbo militante, sem entendimento, cais sem discernimento quanto dizes que Cristo era comuna!

Os itens 7,8,9 e 10 não são da minha autoria!

Eles que são brancos que se entendam…

Luís Magalhães in kizomba



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:25
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Quarta-feira, 19 de Abril de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXII

O VAZIO - 19.04.2017 - Sem o zero não é possível contar… Nós retornados e afins, fomos um zero…

Por     

t´chingange.jpeg T´Chingange - (Otchingandji)

Hoje um homem lançava ao mar uma rede; rodava o corpo dando impulso àquela coisa que abriu em círculo caindo na água. Era um cardume que passava. Em tempos também fui peixe e fui agarrado já bem crescido numa rede mais completa e complexa a que deram o nome de “descolonização”; comigo apanharam mais milhares com mulher e filhos. Foi nisto que pensei e reflecti: -Tenho de ser visto e respeitado como angolano porque simplesmente já existia antes de Angola nascer; esta que agora conhecemos.

mokanda1.jpg Já com trinta anos feitos, com mulher e filhos fomos assim apanhados numa rede e, como contrabando fomos atirados para vários lados sem nos dizerem que eramos escravos modernos, moeda de troca entre vermelhos e azuis; que sem algemas nem canga, despojados de tudo, venderam-nos ao desbarato a contento de uns quantos países e muita gente que dizia ámen. Gente civilizada, família até! Apanhados inocentes também nos juntaram em cardume.

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E, veio um enorme vazio! Com isto fomos obrigados a ganhar consciência sábia de entender o VAZIO da verdade – o VAZIO das pessoas! Mas e sempre há um mas, a chuva por mais forte que o seja não tira as manchas da vaca, da chita, do mabeco ou zebra e, de nós próprios feitos peixes escamudos ou enguias; ou ainda os peixes boi do mundo, um gracioso mas feio golfinho!

mokanda2.jpg E afinal, o mundo continua igual como sempre parece ter sido. A isto de comportamentos, ideologias com geoestratégia podemos comparar uma arte, manhosa, mas arte! Tudo é assim como um escultor que retira ou acresce o que lhe aprouver; pode aqui ver-se a verdade no VAZIO com um acrescento de uma vontade. Surge assim uma linda, feia ou macabra obra enaltecida por uns e amargada por outros.

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E, faça um esforço para gostar de algo e verá que o inútil objecto, uma inútil pedra por exemplo, lhe vai parecer importante. Trabalhe essa pedra ou junte muitas empilhando-as ou estendendo-as. Juntou! Espalhou! Assim neste estágio se olhar tudo com cuidado e, mesmo sendo difícil de perceber poderá sentir que algo existe.

dom01.jpg Pois então! O VAZIO é muito importante pois, quando tentamos analisar a natureza real de qualquer fenómeno em particular, mais à lupa, veremos que ela, a natureza real é o VAZIO. Sei que está a fundir sua cuca mas, pense bem: - É possível sim, pensar que o VAZIO, existe! Que sem um zero é impossível contar (nós retornados fomos esse zero…)…

 O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:21
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Domingo, 16 de Abril de 2017
MALAMBAS .CLXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . TAMBULAKONTA - Tenho-me forçado a encontrar um herói perfeito, um que seja observador o quanto baste para investigar os antagónicos traços das pessoas que me cercam. Enigmas do confuso…

MALAMBA: É a palavra.
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

No epílogo da vida, colei um apêndice de presunção e água benta revendo o considerável bem no meio do inteligível e, lá bem no fim lugar do índice, anotei: Meus kambas, talvez eu não tenha razão e Vocês a tenham, mas ainda é mais provável que nenhum de nós a tenha! Ando a juntar características de um modelo útil de investigação social por modo a ficar com a capacidade de vos produzir surpresas.
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Toda esta forma de dizer um pensamento, deu início quando na praia, na areia, observei em muitos dias uma senhora de meia-idade andando de ré, andar para trás e, sem nunca lhe perguntar idealizei um modelo teórico de retroceder com a capacidade de tornar compreensível fenómenos e factos.

lucala3.jpg Entender a pedagogia de produzir surpresas em novas experiências. Esta concepção de racionalismo opõe-se à filosofia empírica que, professa que as ideias se deterioram quando aplicadas às coisas e procedimentos.

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O conhecimento da realidade moldada pelas teorias, modificam-se assim como uma paisagem vista num nascer ou em um pôr-do-sol que por momentos se confundem, uma foto falada e valorizada pela ordem das razões segundo uma teoria: - A ordem das razões, valorizam a ordem dos factos e, não é a ordem dos factos que valorizam a ordem das razões.

poconé2.jpg Bom! Com este confuso parafraseado concluo o que aqui pretendo dizer: -A verdade emerge mais facilmente do erro do que da confusão. Nesta explicação de teorias esta chamar-se-á a “teoria da confusão” que tem sua aplicação justificada numa governação como aquela que nós hoje conhecemos com grande amplitude em países vários. 

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Quem aprendeu a teoria dos erros, derivadas e acompanhou as novas teorias de índole quântica com sua teoria de incerteza e uma outra mais posterior do Universo como a “teoria da simplicidade”, teremos agora a ainda muito mal compreendida “teoria da confusão”. Pensem só um pouco nas estatísticas e probabilidades aonde uns comem dez unidades e outros muitos, somente duas ou nada e, surge depois essa útil média aritmética dizendo que a sociedade come em média seis unidades, baralhando-nos os factos!

nito01.jpeg São estas teorias fraudulentas que movem o mundo; movem os interesses de alguns países que por seu lado subjugam outros e os arrastam nessa mesma “teoria da confusão”. E surgem também instituições, ministérios tratando burlões como estadistas e ladrões como gestores; tudo gente boa! Gente de muita filantropia… Digo isto acabrunhado, com sorrisos de acanhamento sem ânimo de arriscar mais palavras porque minha malambas desmerecem nos créditos. E, toda agente consente, aceita! Tambulakonta (tomem cuidado!)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:56
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Sábado, 15 de Abril de 2017
FRATERNIDADES . CXIII

CAFÉ DE PÁSCOA - Quem é capaz de definir a AMIZADE? São os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos….

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange (Otchingandji)

páscoa3.jpgEm nossas vidas, na linha do tempo visível, teremos sempre de criar um ou dois planos alternativos em nossas atitudes para não esbarrar com ideias intransponíveis, quebrar outras que não são assim tão edificantes, ou porque adoptamos durante um espaço de espaço não revidar o mal praticado por um outro. Pois é bom de, quando em vez, reactivar o plano B ou plano C.

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A nossa tendência é quase sempre rever os ressentimentos, as coisas menos boas e, nem sempre recorremos à capacidade que temos de gerir tudo com mais optimismo! Em um qualquer estado meteorológico do tempo real ou nosso estado cacofónico, o melhor a fazer é sair de casa, sair do mukifo ou do cortiço, quer chova ou faça sol, espairecendo nos ares, esquinas ou florestas. Decerto, encontrará na natureza sempre um motivo um pormenor diferente para suprir a compreensão dum pequeno desaire, assim como uma virgula e pontuação fora do lugar.

araujo Páscoa.jpg Um caçador tinha um cão e a mãe do caçador era também o pai do cão. Tudo corrigido, irá surgir uma outra ideia ou interpretação pelo que, dizer-se vulgarmente que as coisas nem sempre são como parecem ser. Surge assim “Um caçador tinha um cão e a mãe. Do caçador, era também o pai do cão!” Uma forma de fala que tem de ser lida pelo menos três vezes para se apreender o sentido correcto … (Assunção Roxo)

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Para meu sossego tenho até um plano D com vírgulas e pontos de exclamação ou interrogação suplentes mas, sem saída, este D torna-se desistência; normalmente quando falha o plano A, recorro ao B e ainda o C mas, em verdade há coisas de que não podemos ser donos. Seremos sempre dependentes dum espaço que a seu tempo nos come o corpo, o cérebro e a sabedoria.  

roxo79.jpg Invariavelmente recorre-se ao modelo cultural que nos foi legado pelo tempo num valha-me Deus mesmo que se esteja sentado num sábado de páscoa e numa concha de convicções com a mente bulindo num futuro desconhecido ou num passado que um dia vem e outro se vai na ilusão que somos e, que sempre seremos. Ninguém é dono de seu destino mas, pode sempre que se queira, fazer um novo começo!

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Podemos sim desenvolver nosso altruísmo, desenvolver nossas mentes apetrechando-nos de modos de vírgulas e outras pontuações, algumas até desconhecidas porque um dia seremos “nada”. Flutuaremos por aí no universo como que percorrendo uma fita como a de nióbios que não tem fim. Hoje Sábado de Páscoa, rasgo meus pergaminhos de falas apócrifas para manter no topo meu plano A e, desejando aos meus amigos bons augúrios também num plano A sem recorrer a uma saída para um espaço ainda mal conhecido, lá numa galáxia de permanente azul celeste.  

chicor4.jpg Assim aos Amarelos aos Roxos, aos que formam meu Arco-Íris digo para se manterem unidos numa base de sustentabilidade possível e porque, são os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos. Mas pergunta-se: É lícito pagarmos um tributo? Pois então, a César o que e de César! Hipócritas há muitos e, não nos podemos vender por trinta dinheiros e ficar saboreando um pedaço de pão molhado.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:24
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXXII

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 18ª parte

 Kiandas e calungas com alguma ficção! O tempo, na mística espiritual de N´Gola vem de MUNTU, que significa homem em língua Bantu! A história do povo Bantu só começou a ser decifrada a partir do século XIX. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

cafu32.jpg Como a sombra, a história dos novos donos de África, ainda sobrevive e se reproduz fantasmagoricamente, nos seus sempre novos poderes; os mesmos que que eles próprios instituíram como vigentes para conduzir seus novos escravos, seu povo preto. E, este povo está disseminado por N´Gola com vários grupos tais como os Bakongos, Lunda-Ckokwel, M´bundu, Ovibundu, Ambós e, outro pequenos subgrupos. Pelo que se observa o branco sempre estará desconsiderado como uma excrescência em sua  história, um erro crasso que os vai fazer retroceder até um futuro visto no passado; uma perfeita miragem.

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E, foi entre a bacia do rio Kwanza e do Rio N´Zaire que se desenvolveram as etnias preponderantes do reino, os Manikongos com Matamba e N´Gola destacando-se entre eles outros reinos tais como N´Goyo, Kakongo e Luango situados a norte do estuário do N´Zaire e, o reino de n´Dongo que incluía quase toda a parte central de Angola e de ambos os lados o rio Kwanza, o verdadeiro Rio da Identidade de N´Gola.

cafu15.jpg Falar das kiandas é uma necessária superstição para encaixar as surtidas febris de contos, mussendos e missossos que os mais velhos iam contando aos jovens que apreendiam o que a imaginação depois forjava, sempre muito cheia de engravidadas inverdades com outras carregadas a canhangulos de guerra. Nessas estórias de pubeiros sobrepõe-se a do grande jaga N´Gola Quitumba com a ajuda de Quitequi Cabenguela de quem com orgulho falam os  N´Zingas.

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Nessas guerras de invasões, os sobas dos reinos dominantes iniciaram uma série de revoltas. As mais importantes ocorreram nos sobados da Kissama e dos Dembos por protegerem os grupos de escravos fugidos de n´Dongo da Matamba, do Kongo, de Kassanje do Kuvale e de todo o planalto central de Angola. A extensa capitânia de Paulo Dias De Novais vivia em permanente convulsão! Depois de muitas batalhas com os Tugas, do lado do Rei do Kongo e, com grande dificuldade lá conseguiram eliminar o carismático Bula Matadi.

cafu14.jpg Esta descrição de forma sucinta tem o fim de dar a entender o turbilhão de reinos e sobas e os interesses que moviam os Tugas e mais tarde os Mafulos. Teremos de fazer um interregno à estória pitoresca das kiandas do Kwanza, ora kwangiades, para entender esse turbulento tempo. Convém referir que Paulo Dias de Novais esteve preso durante cinco anos no lugar de Kabassa (sendo verdade, até parece lenda!). Depois de solto, voltou ao m´Puto e dali retornou mais tarde com uma armada mais poderosa instalando-se em Luanda aonde construiu a fortaleza de São Miguel nessa então São Paulo de Assunção de Loanda.

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Os reinos de n´Dongo foram enfraquecendo e quase abandonaram a luta depois da morte do seu Rei N´Gola Kilwanje Kia Samba. Assim os Tugas puderam instalar-se em Muxima, Massangano e Kambambe aonde foram construídos fortes. Tribos e chefes, sujeitaram-se a pagar tributos ou fornecendo escravos aos capitães do m´Puto mas, outros houve que continuaram a lutar refugiando-se nas protegidas ilhas do Rio Kwanza.

cafu35.jpg Voltando a Massangano, terei que adicionar ao que se sabe das lendas, que houve muitas contrariedades e, como tal, uma derrota com o mesmo n’Gola Kilwanje já aqui citado. Isto aconteceu em uma batalha no ano de 1582 em que a forte resistência obrigou à construção do forte de Massangano no ano de 1583. Não obstante, não impediu que as forças da rainha n’Zinga o atacassem, em 1640 que, apesar do saldo negativo pelo aprisionamento das suas duas irmãs Kambu e Funji, que levou a que esta última fosse executada.

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De fazer notar que do lado de fora dessas fortificações se realizavam feiras de compras e vendas de escravos. Estas feiras estavam coordenadas pelo pai da Kianda Roxo, Morgan Tsvangirai. A ele, se devem as posturas de trato comercial e da recolha dum percentual na venda individual ou lotes de peças; diga-se em verdade que era um homem bem experiente nesta labuta e trato de escravos… Custa-me agora dizer isto mas ela, a Kianda Roxo, de nada se lembra desses etéreos tempos; ainda bem! Talvez por isso e agora, ela a Kianda viva, seja tão generosa nas palavras e tão comedida nas periclitãncias…

cafu34.jpg N´Zinga m´Bandi foi o maior símbolo de resistência. Esta rainha para além da resistência contra os Tugas de então, conseguiu aliar os povos já mencionados de, entre os Rios n´Zaire e Kwanza. Foi a 6 de Setembro de 1683 que n´Zinga aceitou vassalagem obedecendo a oito condições estipuladas por João da Silva e Sousa, Governador e Capitão-General. E, tudo foi elaborado ou aceite pelos protectores da soberania tribal. Como em tudo a ambição cega a visão por usura de alguém que detém o sim e o não ou uma incipiente matumbice….

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A Rainha n´Zinga é assim obrigada a não impedir os pombeiros de chegarem ao sertão africano e também não impedir àqueles em sua actividade comercial com os potentados do reino do Songo, Quiacar, Punamujinga, Sund, Cacem e Damba. Aquela rainha teria de abrir caminhos para que os negreiros alcançassem seus destinos. Bom! Os pombeiros trabalhavam por conta de grandes chefes, sobas ou militares Tugas.

chai4.jpg Durante um ou dois anos, internavam-se nos matos, trocavam escravos por tecidos, vinho, quimbombo, aguardente, quinquilharia, sal ou pólvora. Os acordos de vassalagem foram extremamente desiguais com a aceitação na base de imposição militar. Passados vários séculos da morte da rainha n´Zinga a ideia de unidade do povo Angolano ainda não se configura vencida na luta contra os Tugas nos finais do século XX permanecendo em disputas internas pelo poder até o actual ano de 2017 aonde a corrupção roí os governantes até os tornozelos…

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Com ideologias marcadas pelo rancor entre eles e contra o branco, ícone aglutinador e culpado de todos os males em sua justificada fábrica de criar maka, os diferentes grupos étnicos saídos do povo Bantu, ainda continuam na contramão da história e progresso ditando leis absurdas e, sem um objectivo de sucesso para sua debilitada situação financeira. Segundo Cadornega em 1629, as irmãs de n´Zinga foram baptizadas Funji, como Graça Ferreira, e Cambo n´Zumba como Bárbara da Silva.

cafu33.jpg No ano de 1646, ao tomar posse da sanzala de n´Zinga no rio Dande, os Tugas encontraram cartas de Funji, escritas de quando era prisioneira e dirigidas a sua irmã n´Zinga. No ano de 1647, no cerco da rainha junto com 500 holandeses a Massangano, o sargento-mor Pedro Barreiros decidiu, por conta própria, lançar Funji no rio Kwanza, e por pouco, não fez o mesmo com Cambo n´Zumba.

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É aqui que um negreiro mazombo de nome Jeremias T´Chitunda a troco de umas quantas moedas dadas a Morgan Tsvangirai, pai de Roxo, consegue introduzi-la em um lote de peças com destino a Olinda de Pernambuco! Nasce aqui uma outra lenda, a do Kilombo dos Macacos na Serra dos Palmares…. E ela, por decisão de seu novo dono toma o nome de Aqualtune.

cafu39.jpg Aqualtune, não podia ser interpretada como gente nobre do reino de n´Ggola; os acordos não previam o uso de gente nobre descendente do rei Kilwanje. E, ai de quem murmurasse tal conhecimento! É ainda um fenómeno mal contado nos missossos mas, tudo leva em crer que seu rosto esteve tapado ou coberto de argila branca nas festas de rebaptizar a ela, e a todos outros escravos. Este procedimento não era nesse então tão invulgar mas, na qualidade de T´Chingange posso afirmar ser isto verdadeiro…

(Continua… Cambo  n´Zumba ou Barbara da Silva foi como escrava para o Brasil…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:23
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Quarta-feira, 12 de Abril de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXI

TEMPOS PARA ESQUECER - 12.04.2017 - ANGOLA DA LUUA XXX. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Alguém disse e eu terei de concordar - “tropa de cáca”.

Por     

t´chingange 0.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

(…) O Batalhão do Luso, o de “pé descalço ou em cuecas” deixou armas, rádios, munições e até material cripto. O comandante deste batalhão disse ter preferido ser enxovalhado do que pôr em risco a vida d 800 civis, deslocados com mulheres e crianças.  Uns dias depois a UNITA apresentou oficialmente desculpas a Ferreira de Macedo, o interino Alto-comissário. Este procedimento foi uma nodoa negra que se justifica talvez porque só tinham 3 meses de comissão; deduz-se que os instrutores seriam esses tais do PREC do CR que foi mandada para uma Angola desconhecida.

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Alguns, vim a saber que eram estudantes e que por este facto, ao regressarem tiveram passagens administrativas nos cursos que acabaram por concluir. Muitos destes passaram a gerir serviços técnicos nos organismos camarários e outros oficiais, sem estarem minimamente preparados. Saíram arquitectos quando nem desenhadores se poderiam considerar e, por aí! Outros técnicos de aviário fizeram e fazem carreira sem terem a correcta aptidão para além de serem uns abnegados militantes da esquerda, da onda do Ché Guevara (…) - gente preparada átoa, com devaneios por ideologias e, sem apego ao brio e ética.

koisan5.jpg Aquele despontar sem preparo de oficiais de aviário espetando os peitos abrilescos, heróis de cinco minutos, o suficiente para a fotografia fizeram a merda que fizeram. O baixar de guarda desta feita foi demasiado humilhante para um exército que se preze! Dá para entender todas estas ocorrências entre Agosto e o 11 de Novembro com escandalosa ajuda ao MPLA. Alguém disse e eu terei de concordar - “tropa de cáca”. Nunca chegue a saber se o Furriel indignado que deu uma chapada a um soldado das FALA foi ou não fuzilado como já li em qualquer parte!

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As fontes só dizem que foi levado para ser fuzilado ao qual o comandante afirmou: Fiquem com tudo, mas não façam mal a ninguém! Só quem lá esteve, poderá confirmar e acrescentar se sim, ou se não; se o Furriel foi mesmo fuzilado! As confrontações em Sá da Bandeira tiveram início no dia 21 pelos militares das FAPLA do MPLA acantonando as FALA e ELNA no quartel português; no dia 22 de Agosto, Costa Gomes pediu formalmente o auxílio dos EUA.

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Precisava de ajuda para evacuar os restantes 330.000 refugiados que queriam sair de Angola. Carlucci reiterou as instruções chegadas a ele desde Washington para não negociar com o Governo de Vasco Gonçalves. Isto só seria possível com a remodelação do governo com a saída de Vasco Gonçalves “o doidinho da esquerda” e, também as FAP não darem apoio ao MPLA. Nós “retornados ou refugiados!” fomos a moeda de troca para virar Portugal para a direita pró USA! Fomos manipulados por nossos supostos irmãos do M´Puto.

guerra11.jpg Fomos uns milhares de carneirinhos despojados de tudo; do direito à cidadania, do direito aos seus haveres, do direito à dignidade. Isto, nunca irei deixar de dizer, nem que me matem como e sob protesto disse o defunto. Fomos veículos de chantagem e tornados coisa pouca nas cabeças dos militares revolucionários do C.R. A 23 de Agosto o Diário de Luanda, noticiava a tragédia marítima ao longo da Costa dos Esqueletos na Namíbia. Várias traineiras saídas do Lobito, Benguela e Moçâmedes com centenas de refugiados desapareceram quando demandavam o porto de Walvis Bay.

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De uma flotilha com mais de vinte embarcações, três ainda não haviam chegado.  No dia 30 de Agosto, dois draga minas da Marinha Sul-africana realizavam buscas na Costa dos Esqueletos. Nessa semana tinham desaparecido quatro pequenos barcos de pesca com sessenta refugiados a bordo.  No deserto namibiano eram resgatadas 201 mulheres e crianças duma coluna automóvel que andava perdida e já, quase sem combustível e viveres.

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A carta de Costa Gomes no pedido formal aos EUA chegava às mãos de Gerard Ford a 27 de Agosto. Dois dias depois o Governo de Vasco Gonçalves caía dando lugar a Pinheiro de Azevedo. A partir daqui a ponte de LuuaLix foi reforçada com a ajuda dos primos britânicos e dos franceses. Entretanto em Luanda o MPLA instigava os estivadores do Porto de Luanda à greve, para deste modo dificultarem o carregamento de bens Portugueses que estavam a ser espoliados do que lhes pertencia.

guerri4.jpg Visto à distância e com mais de quarenta anos, os brancos deveriam ter feito política de terra queimada! Custa-me muito dizer isto mas, guerra é guerra! Tamanha injustiça merecia bem esta revolta, esta forma de indignação. Pois então fazer arder tudo o que em vida lhe dava vida! Nada disto sucedeu não obstante se receber dos mwangolés desdém com prepotência e desaforos muito ruis para serem curtidos. Era em verdade o que mereciam! Estou-me nas tintas para quem pensar de outra forma. Eles não foram merecedores de nossa benevolência!

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Numa directiva não declarada oficialmente, Henrique Santo (Onambwa) os operários recusaram-se a trabalhar com forças militares portuguesas dentro do Porto de Luanda! Traidores, muitas vezes! Pandilha de gente que tomou as rédeas do mando… Estes exigiam serem substituídos pelas FAPLA, um claro truque para não serem tomados como coniventes com o MPLA. Uma falácia para dar cobertura ao recente criado sindicato, gente do mesmo gabarito. Isto foi claro!

guerra5.jpg Os civis portugueses não aceitaram esta postura tendo daí sido atribuídas tarefas à Policia Portuária com a segurança do cais e da Armada. No carregamento de caixas, caixotes e haveres havia um mal-estar entre os Adidos e desalojados que cada vez mais dificuldades viam no correr do tempo. A pretensão do MPLA era controlar o porto e as saídas de bagagens. Muitos destes fiscais do MPLA eram mazombos como eu, brancos, mestiços e até alguns negros que vendo seu rabo a arder de medo, uma forma de falar, também embarcavam para o M´Puto!

kilo3.jpg Nada de mal disto! Havia muitos funcionários que pela lei dos Adidos teriam seu lugar garantido na metrópole; Mas em verdade, tudo isto era demasiado confuso. Ninguém tinha a certeza de nada! De manhã havia uma dica e à tarde, várias outras. Alguns destes até aí eram também fiscais aduaneiros por parte do MPLA, retirando ouros e coisas valiosas aos agora fujões.  A partir de certa altura eram os proprietários dos haveres que faziam a estiva de suas coisas, seus haveres, carro e outros…

niassa10.jpg Uma ilusão

 As minhas, não chegaram a passar para além do crivo de balas que impedia sua chegada ao porto do Lobito, ou Moçâmedes! Adeus fotos, adeus relíquias, adeus pertences e madeixas de cabelos dos filhos, recordações de uma vida! Terei de dizer isto muitas vezes para que alguém com tino refaça a verdade e nos peça desculpas, Portugal e Angola, claro! Evidentemente que vou esperar sentado; não vejo um qualquer governante ter essa nobre postura! Ainda tive alguma esperança quando Marcelo chegou ao poleiro mas, desencantei-me. Eles lá no topo, só serão estadistas quando nos pedirem desculpas… até ver, os ávidos ao poder, os ambiciosos, sobressaem na maioria…

 (Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:19
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017
CAFUFUILA . CXXI

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 17ª parte

Kiandas e calungas! O tempo, na mística espiritual de N´Gola, e não só, não tem fidelidade à linha do tempo.  Intemporal, anda do agora para trás e, se sabe o depois, nunca o diz! Também tem medo de virar poeira como o Plutão… O futuro é já a seguir..

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Como se diz, a calunga ou kianda é assim como um vírus de computador que sem se ver se faz notar. Nossa kianda Roxo veio como Assunção por alguma razão que, nem ela própria sabe! Melhor seria Ascensão mas quis a semântica do uso dar-lhe esse quase igual nome. Podia ser só Maria mas quis o encontro com as calemas do destino encontrar o T´Chingange que estupfeito com suas bizarras cores do além e seus mágicos gatafunhos psicadélicos, simbiose de Naif com Dali, ascendeu aos espíritos. E, viagem por esse Universo distribuindo alegrias tomando muito chá de funcho e oliveira a controlar sua intensidade de fazer gaifonas à vida.

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Sua mãe, também kianda de nome Redufina Kabasa Tsvangirai umbigou-se com Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare, às margens do lago Chivero, isto também já foi dito! Seu pai, um político local, teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano. Eram tempos de soldados Mafulos flamengos, que por sete anos da colonização holandesa em Angola (1641-1648) ali deixaram vestígios nas gentes, os Van Dunem; mas quanto a isto lá iremos!

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Por via de tudo isto, terei de entrar na estória daquele mundo de muito paludismo, maleitas de tsé-tsé e carunchos de comer a carne em vida. Enquanto isso a kianda Roxo treinava suas maneiras de futura sereia nas águas cálidas do Kwanza. Morgan Tsvangirai pai da Kianda Roxo ficou avençado pelos Mwana-Pwós com o posto de tenente de segunda linha.

massangano1.jpg Em suas idas de soberania à Kissama, por vezes levava Roxo consigo e, em uma das várias lagoas, ela fez amizade com Mazé Van Dunem, uma linda e amulatada candengue que lhe ia passando confidências. Confidências chegadas de seu pai malufo bivacado em Loanda. Era esta, também, um elemento da dinastia mestiça de Baltazar Van Dum, filha de um outro alambamento com outra mulher. E, porque teve de se refugiar numa destas ilhas do kwanza mantinha relações mais próximas com os Tugas de Massangano e Muxima; doutra forma, seria degolada pela actual mulher dele, desse tal Baltazar Malufo.

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Durante os sete anos da presença holandesa e, com o objectivo do fortalecimento do tráfico negreiro rumo às lavouras de cana-de-açúcar no Brasil, o projecto da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais afirma-se aqui em N´Gola com alguma dificuldade. Esta companhia sediada  em Amsterdão e por decisão do conselho de administração constituído por 19 membros, nomeia em 1637 Johann Moritz Von Nassau-Siegen governador das possessões holandesas no nordeste brasileiro.

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Tinha a concessão de monopólio de comércio no Caribe e da América do Norte, para o tráfico de escravos dirigidos ao Brasil. Tudo isto para diminuir a competição espanhola e portuguesa. Tempos bem conturbados, sem uma ONU, sem UNICEF e sem Tribunal Internacional! Cada país decidia de sua livre vontade o que lhe aprouvesse! Inglaterra e Holanda pretendiam assenhorar-se do mundo retaliando os Espanhóis e logicamente Portugal, entretanto na mão dos Filipes I, II e III e, por sessenta anos, a partir de 1580.

muxima4.jpg Curioso é de que em Paris e num ano tão longínquo daquele, Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa fala-me desse tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda; dos desentendimentos dos n´gwetas com a rainha N´Zinga e, outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba que agora, nem lembro mais com pormenores.

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Havia nesse então um largo comércio de peças humanas em troca de espelhos, jinguba, catanas, tesouras, ancinhos em ferro e muitas outras bugigangas de utilidades modernas e, que chegavam do Puto, da Bahia, Pernambuco ou Antuérpia. Os Libongos, uns panos garridos, eram os mais apetecidos, pois permitia vestirem-se, uma coisa quase inusitada e a que os sobas recorriam como moeda de troca em substituição das conchas de n´zimbos, moeda que ia ficando de pouca utilidade...

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Como foi possível os sobas de então trocarem por quinquilharias, homens que nem sempre eram inimigos. As futilidades ocidentais começavam a chegar ao continente negro. Os Portugueses e Jagas dos Dembos, Kissama e Manhanga eram os principais clientes da família Pieter tio tetravô da Kianda Roxo, conferindo-lhe um afecto especial naquela gente de bitacaia. Uma grande novidade era o uso de sapatos feitos em couro de tiras entrelaçadas e, que mereceu atenção especial por parte dos camondongos alforriados que assim passaram a proteger seus gretados pés.

adam2.jpg Pois é aqui que entro na estória já com tendência para ser um verdadeiro T´Chingange: - No decorrer do tempo, fui ficando mais kota e meu pai ordenou-me que ficasse a tomar conta da salga e seca de peixe seco ajudando nas contas o capataz, cafuzo da Mazenga de nome Beto Feliz mas, um pouco matumbo. Dos búzios n´zimbos e caurins de menor valor, era feita a cal necessária para barrar as frestas das casas de taipa dos senhores e também das fortalezas erguidas nesse então.

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Os pescadores saíam nos n´dongos a pescar, dia sim, dia não; apanhavam kimbijis (peixe espada branco), carapaus e cachuchos que eram depois escalados em mesas compridas feitas de paus espetados na areia e ligados com ataduras de mateba; depois passavam para umas celhas de salmoura aonde ficavam algum tempo. Mais tarde eram levadas em quindas para outras mesas aonde permaneciam ao sol até ficarem com alguma dureza.

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 Meu pai enricou com estes negócios de fazer cal e salgar peixe. Recordo de irmos a Massangano entregar aos Tugas a cal encomendada para tapar rachaduras da fortaleza e ter visto a kianda Roxo que embora despertando interesse não prendeu meus holofotes de candengue mazombo. Mas admirei-me sim de suas pernas se juntarem nas águas na forma de barbatana. Uma autentica kianda, uma verdadeira kwangiade como diria o Luís Zarolho (Camões) tão falado lá na tapurbana…

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Após todo aquele processo, uma parte do peixe seco era posto à venda na loja da mãe Maria Arminda Kafutila e uma outra, era enfardado com atilhos de mateba ou piteira, guardadas em uma casa até que os pombeiros e suas tropas o levassem. De tempo a tempos, organizavam saídas ao mato formando filas enormes com m´bikas (escravos) transportando à cabeça esses fardos pesados, para  além de outras mercancias como panos libongos e aguardente do M´Puto a serem trocados por escravos, mel, cornos de elefante, javali e rinoceronte.

muxima3.jpg Com o objectivo de participar directamente do tráfico negreiro, Nassau, o governador de Pernambuco com sede em Olinda, decidiu em maio de 1641, enviar uma expedição para ocupar Luanda, principal porto de escravos da África Ocidental para o Brasil; depois, conquistar Benguela, São Tomé e Axim da Guiné. A construção das fortalezas e presídios de Muxima, Massangano e Cambambe, como marcos político-militares na conquista do reino do N´Gola, consolidam assim a civilização portuguesa à custa de muita abnegação.

muxima1.jpg Vistas as coisas neste ano da graça de 2017, o povo angolano, sem capacidade para resolver diabruras de roubo, coisa estrutural dos mwangolés, segue a sua trajectória marcada por retrocessos. Com pouquíssimos avanços afirmam-se como nação soberana entregando-se aos amarelos e outros que nunca se comportarão como os Tugas. A nós contadores da estória, compete-nos repô-la sem esses devaneios de morbidez rácica….

(Continua… ainda há muito por dizer)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:34
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Quarta-feira, 5 de Abril de 2017
CAFUFUILA . CXX

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 16ª parte

A surrealidade está-lhe no sangue! Usa pinceis electrónicos na forma de gigabaites holográficos…

Nota: Esta 16ª Parte andava voando perdida no espaço...

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Na ultima parte do mussendo, 15º episodio, falei do porquê esta kianda Roxo de Guaxuma andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber no consciente desta sua dupla vida, compartilhando xispanços de tinta com particular maestria e, do porquê das cores cibernéticas confundindo-nos com holografias psicoroxas. Mas sabemo agora que nasceu às margens do lago Chivero.

roxomania2.jpgSabemos que sua mãe, também kianda de tez negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai  que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero, lugar que fazia fonteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai seu pai. E, que por via da política teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia por ser  um pambu-n´jila especial com Muxima. 

roxo61.jpg Como já repararam as kiandas andam no espaço-tempo em qualquer direcção e é por isso que nos parece a nós humanos impossiel reconhecer andar-se no ontem e antes de ontem ou há muitos anos atrás e ou, deslocarem-se no futuro deixando transparecer a nós mortais, somente o que nos é perceptível pela dedução; falar do futuro até para as kiandas é tabu – aos viventes  não se pode transmitir o amanhã, só o agora, lei básica da vida. O Universo tem regras que não estão ao nosso alcance engravida-las.

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É aqui que surgem os mambos longínquos com soldados Mafulos, por via das falas da Kianda Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa; fala do tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda, n´gwetas e dos desentendimentos com a rainha N´Zinga, mais outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba.

rosa1.jpg O velho Niassalês descreve as festas axiluandas de então com kimbandas e t´chinganges pisoteando a terra, levantando poeira de encorajar kotas, jagas, sobas e m´fumos que iam chegando em alvoroço dos Dembos e de lá mais além do Kassange. Nos encontros, iam passando cabaças com malavo de cassoneira e, a cada grito dado pelos dançarinos guerreiros, o povo gritava kwata mwana-pwó, kwata mwana-pwó. Era a preparação duma guerra contra os Tugas n´gwetas entricheirados em Massangano por ordem dos Mafulos Holandses

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Morgan Tsvangirai ficou avençado pelos Mwana-Pwós  com o posto de tenente de segunda linha; mandava os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de manutenção e limpeza ao forte, zelar pelos n´dongos de pesca e translado de coisas para a Kissama e das patrulhas de soberania aos  mares parados com lagoas até o Morro dos Imbondeiros e dos Elefantes da Maianga. Também tinham a caça e a pesca ao seu cuidado.

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M´fumos, iam chegando aos poucos como emissários da rainha N´Zinga M´Bandi da Matamba e do rei do Kongo Garcia II que, embora sendo cristianizado pelos Portugueses, com eles andava desentendido após a chegada dos Mafulos. Estes, teriam-lhe prometido poderes maiores e auxilio com armas do tipo de canhangulos e pederneiras. Eram preparativos duma união para fazerem o grande e final assalto a Massangano.

roxo105.jpg Naquela fortaleza os Tugas resistiam aos Olandêses tapando-lhes as vias de comunicação ao mercado de escravos lá do interior fazendo emboscadas ou tocaias com azagaias venenosas, um método aprendido com os indios do brasil, uma cana comprida que depois de soprada dela saia um dardo mortífero.

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 Por isso aquele mato metia  demasiado medo aos Mafulos. É aqui que entra o Senhor Mauricio de Nassau que desde o Recife Brasileiro mantia o negócio das peças m´bikas para os seus engenhos de assucar. Pernambuco e as capitânias adjacentes, estavam carentes de braços para fazer o cultivo da cana de açúcar e fazer andar os engenhos. A preguiça e cultura dos indios americanos não permitia seu uso no trabalho.

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Talvez por isto, seus lugares tenentes mantinham contacto com alguns negreiros  portugueses que detinham este negócio, pagando-lhes ainda mais do que a antiga coroa determinava. Era um quase pacto de negócio mantendo-os como principais fornecedores de peças á margem dos interesses dos reis do M´Puto. As ordens que vinham do Conde Maurício de Nassau a partir de Olinda eram de subornar a todo o custo os intervenientes funantes do mato de N´Gola no negocio escravo.

dy28.jpg Estava em causa a política comercial da Companhia das Índias Ocidentais... o lucro! E, Portugal que era agora pertença dos espanhois não havia por isso empenho nestas politicas de tanto trabalho; preferiam estabelecer severas taxas de soberania aos amerideos de seus territórios com pagas em ouro. As mordomias do reis Filipe de Castela, Asturias, Galiza, Catalunha Portugal e Andalazia eram muitas - isso impunha uma politica restritiva, sem  dispersão.

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Redufina Kabasa mãe negra da Kianda Roxo estremava-se ensinando a sua filha maneiras de comportamento e era vê-la brincar com candengues  brancos e pardos no átrio da missão! Bem cedo se destacou nas habilidades de colorir os jogos de desenho, nos riscos da cabra cega; qualquer argila era motivo para dali sair pintura ou escultura bem à moda dos trabalhadores de talha do pequeno altar da igreja  da muxima!

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Sua tia N´ga Maria Káfutila de linhagem nobre do reino do Kongo ajudava meu pai Januário Pieter na quinda do mercado da paliça vendendo malavo e quitoto ou permutando com os indígenas ou mesmo n´gwetas produtos da terra como ginguba e fuba de mandioca. A fuba originava um prato apetecível chamado de funge ou pirão, um preparo a partir da mandioca. E, ela tornou-se assim uma cozinheira de primeira mão mas, prefere suas fluorescências.

roxo60.jpg Mais tarde começaram a fazer uso das folhas do pau de mandioca que era passada por cinco fervuras para anular o veneno da coisa e, a isto chamaram Saka-saka que impregnada de azeite de palma dava origem ao prato mais típico dos Kaluandas, a moamba com quiabos e jimboa. E, foram os Portugueses que a levaram do Brasil para N´Gola embora queiram fazer crer o contrário disto. N´Gola nunca vai poder dissociar-se dos Tugas por esta e outras singelas razões.

(Continua… CAFUFUTILA CXXI -17ª Parte...)

Nota: Isto já foi publicado na Kizamba do Facebook . Fui à Luua e baralhei-me todo...

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:21
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Terça-feira, 4 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXIX

NAS FRINCHA DO TEMPO -30.11.2016 KIANDA COM ONGWEVA - 14ª com várias partes… Com Zachaf Pigafetta Roxo, Januário Pieter irmão desta e o Conde de Saint Germain.
Ongweva é saudade

Nota: Esta 14ª Parte não foi publicada em seu devido tempo. Deveria ter surgido depois de 5 de Outubrodo ano de 2016 e por descuido só veio a ser publicada no facebook em Kizomba a 30 do 11 de 2016
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Tinha sido combinado encontrar-me em Madrid com as kiandas o Conde de Saint Germain, Zachaf Pigafetta e o irmão Januário Pieter no Museu do Prado, mas não foi possível faze-lo na data aprazada, no entanto mantínhamos contacto através do ipad! Eles tinham compromissos no aquietar de almas desavindas em desassossegos antigos e oriundos da África Austral. Aproveito por isso falar um pouco do entrelaçado de malambas já faladas entre nós a fim de arrumar os eventos vindouros para que se compreenda o desfecho da estória-mussendo.
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A origem de Saint Germain ainda hoje é desconhecida, mas o que sabemos é que marcou presença a partir do século XVlll pelas cortes da Europa destacando-se como diplomata em Génova, Paris, Londres, São Petersburgo, Índia, África, China e outros lugares. Ele, com frequência refere ser filho de um príncipe oriental. O certo é de que sua idade tal como as demais kiandas, sendo indefinida, tem a particularidade de quando necessário tornar-se numa normal figura de gente.

cafu15.jpg Niassalândia (actual Malawi) foi assim denominada por causa do Lago Niassa de onde originaram Januário e Zachaf Roxo. Em setembro de 1859, o explorador e missionário escocês David Livingstone tornando-se supostamente o primeiro europeu a avistar o lago, o terceiro maior da África. Um dos encontros foi exactamente com o Conde de Saint Germain, que por ali se envolvia em actividades missionárias e comerciais britânicas.

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Na década de 1880, Portugal reivindicou o território em virtude de sua presença na colónia vizinha de Moçambique mas a Grã-Bretanha resistindo às reivindicações portuguesas, em 14 de maio de 1891 proclamou um protectorado sobre Niassalândia tornando-se parte da Federação da Rodésia e Niassalândia em 1953. Após a dissolução da federação, alcançou independência total a 6 de julho de 1964 como a República do Malawi.
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A Grande Traição é o título das memórias publicadas em 1997 por Ian Smith, último primeiro-ministro da Rodésia. Sua obra oferece uma interessante panorâmica da história desta importante parte da África austral e relata minuciosamente como os nossos “amigos” britânicos e Estado-Unidenses não descansaram enquanto não lançaram o calvário naquele pedaço de chão. A requerida paz, lei e ordem, factores fundamentais para qualquer evolução autêntica e segura, foram sacrificados em favor da hipocrisia, da irresponsabilidade, da expediência.

cafu17.jpg As nossas três kiandas andavam por ali tentando introduzir nas mentes pensares pacifistas mas foram logrados em toda a linha. A mais interveniente foi o Conde de Saint Germain mas mesmo esta, esfumou-se. As memórias de Iam Smith interessam particularmente aos portugueses, euro-africanos genuínos e pioneiros, escandalosamente imolados e esbulhados pela traição doméstica a soldo de uma conspiração internacional - tragédia odiosa que brada aos céus e clama por justiça!

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Cumpre ressaltar as páginas elogiosas que Ian Smith dedica a Salazar e a Portugal a quem rende sincera homenagem à nação euro-ultramarina que, com a nobreza da simplicidade e a força do carácter, cumpria a sua missão histórica de povo, defendendo com determinação os seus legítimos direitos e interesses perante os mais fortes do mundo. Sobre Salazar, dizia ser este um estadista excepcional, cuja craveira intelectual e moral deixaram nele uma impressão única e indelével.
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Foi o Conde de Saint Germain que destrinçou esta parte da estória que os historiadores pulam por conveniência ou falta de caracter. A Grã-Bretanha, empenhada na sua demissão histórica, anuncia a dissolução da Federação das Rodésias e do Niassalândia com vista à formação de Estados “independentes governados por maioria negra. Smith é o único do seu partido a manifestar oficialmente a sua desconfiança em relação à proposta explicitada por Londres.

cafu18.jpg Para ele, a Inglaterra, no afã de obter a simpatia de afro-asiáticos, Estado-Unidenses e Soviéticos, estaria disposta a liquidar o seu “problema colonial” com o abandono puro e simples da população branca - os mesmos indivíduos que no conflito mundial de 39-45 deixaram a paz dos seus lares para irem arriscar as próprias vidas no socorro à Grã-Bretanha. Foi o caso dele.

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Em 1964, dez anos antes da abrilada portuguesa, Ian Smith é eleito primeiro-ministro. Numa visita oficial a Lisboa encontra-se demoradamente com Salazar e este diz-lhe declaradamente que os rodesianos seriam traídos pelos ingleses; que Portugal prestaria o auxílio necessário a Salisbúria. Pouco depois, aqueles a quem Fialho de Almeida chamou de “carrascos ruivos do Tamisa”, concretizavam o que o estadista português sentenciara.

SALAZAR 2.jpg A lembrança deste encontro profético em São Bento ficou para sempre gravada na sua memória, plenamente convencido de que, se Salazar tivesse vivido dez anos mais, a Rodésia teria sobrevivido. Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. Sua vida política passa então a reger-se quase que exclusivamente por duas constantes: a neutralização dos efeitos das sanções impostas pela ONU, sob a batuta de Londres e Washington; e o combate ao terrorismo e à guerrilha de obediência comunista que faziam a sua desumana entrada no território.

cafufu7.jpgE é agora e por intermédio destas três kiandas que me é dado conhecer toda a arte de velhacaria que invadiu o dito mundo moderno através dos arautos da verdade, os primos Ingleses e Americanos que continuam a ditar leis aos outros povos, sabendo à partida que é tudo uma utopia ou farsa. Nós, que estamos vivendo os problemas que nos cercam, podemos dar a importância devida ao que engloba este nosso recente passado para rectificarmos ou ponderarmos sobre o nosso futuro. Sabemos bem o que ocorre hoje nestes territórios de uma gestão catastrófica de puros ditadores.

(Continua…)
O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:13
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MUXOXO . L

TEMPO CINZENTOS – 03.04.2017A vida é feita de acasos. Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida mas sim aquele que melhor se adapta a ela… A continuar desta forma seremos no futuro, todos ladrões…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

A vida da gente é feita de acasos; de coisas pequenas que mudam nosso destino como uma vírgula minúscula altera um texto. Cada um de nós tem isto embebido em sua estória de vida e, por isso se diz que, esta ilusão é de um minuto ou uma centelha dele e, as coisas sucedem num agora, num lugar de hora certa ou errada conforme a sorte, conforme seus guias de guarda invisíveis que num dado instante o são e num dado instante deixam de o ser.

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Pois quantas vezes, por se estar no lugar e hora errada, se têm um dissabor ou uma alegria que tudo muda no percurso de nosso enredo de vida, nosso fado! Habituado a viajar, um dia e, estando eu no Algarve do M´puto saí de casa com o propósito de em Armação de Pêra e, junto do amigo Mogo, inscrever-me em um dos passeios romeiros que habitualmente ele organizava.

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No ano anterior tinha ido com a família à Festa do Cavalo em Gerês de La Frontera de Espanha, uma cidade situada bem perto da Cidade costeira de Cádis na Andaluzia. Porque gostamos do passeio, falou-se em casa que seria bom voltar a rever aquelas figuras de gitanos com adornos e prendas, suas cavalgadas em carroças enfeitadas a caminho de “El Rocio” e la virgem del Carmo, sua Santa protectora mui querida.

ÁFRICA4.jpgBem! Chegado à retrosaria do Mogno em Armação e depois dos cumprimentos, respondeu-me que naquele ano de 2005 o grupo de romeiros de “El Rocio” os Tugas, iam para o Brasil. Bem! Foi-me pormenorizada de como seriam esses quinze dias em Maceió, falou das praias e edecéteras; conseguiu assim despegar as tentações do subconsciente com coqueiros a abanar no vento fresco do pensamento.

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Acabei por me inscrever; que lhe daria a confirmação depois de conversar com a Ibib, minha parceira de tentações tropicais. E, foi assim que troquei o El Rocio de Gerês, festa “del cavallo” pelo Nordeste Brasileiro. Logologo minha mulher disse: Pois, é quase ali ao pé, mesmomesmo, quasequase a mesma coisa! Ibib já habituada aos meus entretantos disse: que remédio! E lá fomos nós no tempo aprazado para a terra dos papagaios.

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Isto para verem como desacontecem as coisas dum plano, vida esfarrapada de pequenos hífens pregados a nós como um destino. Que se lixe, e lá vamos, e lá fomos; a vida são três dias e temos de gozá-la enquanto se pode! Para além do mais sou cidadão do mundo e não me vou pregar na cruz dum qualquer país feito Cristo, mesmo que esse país se chame M´Puto. Já que me trambicaram uma vez, traíram e venderam a preço zero, mais vezes virão e, aos poucos, suavemente roerão minha própria cruz.

carmen1.jpg Os pequenos mas, acontecem assim quase inadvertidamente predestinando nossos amanhãs, com políticos desclassificados fazendo-nos escravos de leis fabricadas ao seu propósito. Vamos tocar isto para a frente, o que tiver de acontecer, vai suceder e novas perspectivas surgirão, novas gentes, novas entidades, novos desafios. E fomos; e ficamos…

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E, porque parar é morrer damos impulsão á nossa vontade na peugada da estória do Lampião, das várias sagas, do assucar, do cacau, do sisal, do café, do leite de coalho e das sobrevivência construídas de pau de arara, a pique e tabique ou taipas de criar escaravelhos. E, assim de romeiros de “El Rocio” de Andaluzia, espanhola, entre gitanos, viramos romeiros ao padre Cícero do Juazeiro do Norte do Ceará feitos matutos.

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Transpirando vírgulas no meu texto de vida feita de malambas, de palavras, revejo-me aventureiro indo de balsa até às piscinas naturais da Pajuçara, mar verde-esmeralda. Entre coqueiros posso ver da minha varanda as muitas velas triangulares com seu garrido colorido entre a língua branca das ondas batendo nos recifes, nos corais bonitos da baia com muita mais do que os sete coqueiros da praia cor esmeralda.

arte1.jpg Estes acasos não são exclusivamente meus; D. João VI fez do Brasil a sede de um Império empurrado por Napoleão, mantendo-o unido; dando títulos aos senhores do dinheiro a troco de grandes somas para formar o banco do Brasil; Por acaso os nobres, Condes, Visconde, Duques e Marqueses passeavam suas vaidades no peito mostrando suas medalhas. Também eles viviam uma fantasia com futilidades e muito devaneio à margem do povo, dos escravos e ricaços que engordavam riquezas vendendo gente como peças. Quem não tinha título mas algum dinheiro tornou-se Coronel, Major e lguns outros ficaram doutores…

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E quis a estória que de infortúnios se fizesse moda e arte! Durante a viagem de Portugal até o Brasil os piolhos tomaram conta das cabeças das damas; a tal ponto que tiveram de as rapar! Verdade! Desceram primeiro em São Salvador com turbantes ornamentais em suas cabeças sem algum cabelo. As mulheres baianas acharam estranha aquela moda e adoptaram-na logo pois que vinha da europa civilizada. E, foi assim que surgiram os turbantes enfeitados como o da mais recente Carmem Miranda com frutas tropicais. Como digo a estória de todos nós é feita de acasos. Naquele tempo ainda não havia o conhecido “kitoco” o tal de mata piolhos. Assim teria de ser! E, assim o foi!

carn1.jpg A vida é feita mesmo de pequenos nadas, de serras paradas à espera de movimento. Coqueiros ondulando com o vento, o mesmo que trouxe as caravelas. O vento de à bolina, mais tarde as naves feitas aviões, que vão e vêm unindo traços e culturas; falas e linguajares com sotaques variados. Agora, em terras de Vera Crus estão-me surgindo papagaios, esticando-me os ossos, as dores, muxoxos de minhas atribuladas vontades. Um dia, isto vai ter de parar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:31
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Sábado, 1 de Abril de 2017
MALAMBAS . CLXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 01.04.2017 - Amai-vos uns aos outros, mas só se for pra valer…

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

O homem produz cultura tal como a abelha produz mel mas, enquanto a abelha tem defesa aos anticorpos, doenças e vírus pelo seu eficiente própolis, o homem fica subserviente à boa sorte tomando antibióticos que decerto lhe farão mal a outro qualquer órgão que não aquele visado. O homem fica assim sujeito à análise, à crítica e ao comentário que nem sempre é do inteiro agrado do progenitor da ideia ou do conceito; estamos falando de cultura, entenda-se! Surgem assim os pontos de vista que sendo muitos e 

propolis1.jpg Uns temas surgirão absurdos para alguns, enquanto outros o acharão interessantes. Hoje após me ter levantado, bebi minha dose habitual de cloreto de magnésio  chá de canela de velho e, porque ando com uma fissura no lábio, deitei directamente no lábio e língua umas quantas gotas de própolis de Alagoas. Uma das gotas caiu na bacia de louça branca, cerâmica polida; tentei limpá-la com simples água e nada de nada!  

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Esfreguei com insistência e só quando usei álcool etílico é que a mancha vermelha saiu embora a custo. Foi a partir daqui que rebusquei nos meus alfarrábicos rascunhos e recursos de conhecimento especial me inteirei a fundo do valor deste eficaz antibiótico. O própolis vermelho é um extracto produzido a partir de uma seiva encontrada no rabo-de-bugio, uma vegetação dos manguezais do estado alagoano do Brasil. Este ouro rubro, como é conhecido por muitos pesquisadores, atrai a atenção da comunidade científica de diversas partes do mundo.

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O registro do própolis vermelho confirma que o produto possui propriedades diferentes dos outros doze tipos de própolis já catalogados no Brasil. A saliva das abelhas, transforma a seiva encontrada nos mangues numa espécie de "cimento", utilizada para revestir a colmeia. Rica em vários compostos, o própolis vermelho tem surpreendido pelas propriedades activas em acções antibacterianas, antifúngicas, antivirais, anti-inflamatórias, além de alto poder cicatrizante e acção antioxidante, actuando na prevenção do envelhecimento precoce.

propolis2.jpg A seiva do própolis vermelho, vem demonstrando resultados positivos no controle de diabetes, hipertensão, câncer e HIV. Em relação ao diabetes, a própolis regula o controlo da glicose no sangue. Na hipertensão, atua como vasodilatador (aumenta os vasos sanguíneos), melhorando o fluxo do sangue; tem servido como complemento no tratamento do câncer, porque ajuda a eliminar os radicais livres, que estão ligados aos processos degenerativos do organismo.

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Nas pesquisas de HIV, a seiva tem impedido que o vírus se reproduza nas células, diminuindo os sintomas da síndrome. Outra qualidade do própolis vermelho: a seiva é um poderoso conservante natural de alimentos. Pois então!  A partir de agora vou misturar no café ou no cloreto de magnésio 10 gotas para me livrar desta porcaria dos comprimidos da tensão que me tiram do sério com luto antecipado e sem pressão no Nero, meu imperador de nervo teso. Daqui para a frente vou ser o meu próprio médico como a abelha o é de si mesma!

propolis3.jpg Minha imunidade aumentou consideravelmente! Pode ser coincidência, mas desde que comecei a usar, não tive mais nenhum resfriado, virose, ou amigdalite, essas malezas que sempre aparecem com o tempo. Andei aí uns dias a espirrar àtoa, axim, axim, axim com  mais treze cópias e ranho moncoso mas, com o própolis foi trigo limpo!  Mas o melhor mesmo é que já dou cambalhotas no espaço de minha cama e, até já ato os sapatos na maior ligeireza do acto. Ando assim a reconciliar-me com as simples coisas da natureza numa relação de vida química com os outros vários seres cuidando minhas anatomias desmilinguidas.

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Isto porque para falarmos do futuro, mesmo sendo um futuro que já nos sentimos a percorrer, o que dele dissermos, sempre será um produto de síntese pessoal embebido de imaginação. A abelha já tem o seu curso de vida; nós, pessoas, também o temos mas, enquanto nos confundimos entre o “ser ou não ser eis a questão”; elas as abelhas só fornecem à humanidade os mecanismos de reacções químicas. Bom! Elas, as abelhas, em verdade não têm cordões de sapatos para atar! E, quando elas se forem, nós também iremos!

propolis4.jpg Andamos nós a analisar feromonas, previsões e metodologias obtendo respostas que mesmo sendo subjectivas farão parte dos ensinamentos, nem sempre sendo os mais perfeitos ou correctos. E, surgirão teorias, reacções de transferências de electrões, dos protões e coisas do domínio da reactividade química. Sempre haverá ocasiões em que os cientistas, analistas ou inventores terão a boa sorte de deparar com problemas cujo significado e solução têm um alcance muito superior ao que inicialmente supunham. Pena é que descuidem a natureza recorrendo a laboratórios que nos entopem as veias, inventando necessidades fúteis.  

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É aqui que me deparo com uma nova teoria, de que nenhum matemático ainda falou porque desprezam esse factor que vem do Deus da natureza. Juntarei de modo próprio à “teoria da incerteza”, à “teoria do medo”, à “teoria da sorte”, uma outra: a “teoria da simplicidade” ou porque não “ a “teoria da descomplicação”.   

propolis6.jpg Tudo terá um equilíbrio dinâmico por influências mútuas, ora positivas, ora negativas e, que irão desde o conhecimento científico passar ao psicológico, e só então de inventação como coisa possível e, por último ao reconhecimento social. Ando a tentar definir-me como idiota e, sabem que mais, gozo muito com isto! Como a terra antes que ela me coma! Quanto ás abelhas, o certo é de que quando elas se extinguirem, esta humanidade a que pertencemos, acabará também.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:57
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Sexta-feira, 31 de Março de 2017
MULUNGU . LIV

NAS FRINCHAS MU UKULU . A HISTORIA DE ADÃO, UM HOMEM QUE NUNCA FOI MENINO. A cultura de um povo tem as suas nuances interessntes. Esta vem de N´Gola

Mulungu: É uma árvore de grande porte com flores vermelhas, é um espanto vê-las isoladas na savana; Mu Ukulo: outros tempos...

soba k.jpg As escolhas de T´Chingange

Por

maga1.jpgLuis Magalhães

O meu Pai dizia que o seu maior segredo era não perturbar e não interferir nas culturas e tradições do povo pois só assim é que ganhava o respeito das pessoas. Esta história que aqui vou relatar era uma situação já muito conhecida pelo meu Pai pois que as tradições eram Lei e como tal tinham que se cumprir. Perante isto, não havia Lei de branco algum que a pudesse alterar. E, é aqui que entra um homem de nome Adão que nascido desafortunado, singrou na vida, se bem que, teve de se esfolar todo para alcançar sua tão desejada paz.

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Adão, era juntamente com mais quatro irmãos, órfão de Mãe; ela tinha falecido precocemente devido à tuberculose e seu Pai, analfabeto, comeu o pão que o diabo amassou para alimentar aquelas cinco bocas; com isso, trabalhava de sol a sol e mendigava de porta em porta aos fins-de-semana com um saco às costas aonde metia as parcas esmolas - geralmente era um naco de pão ou um pedaço de toucinho que já ninguém comia por tão rançoso. Até moço, foi dependente das sobras de gente rica, gente muito distraída das outras vidas. Enquanto isso, ele pai de Adão, descontava o tempo que tinha para olhar a malga de sopa ofertada ou fruto de seu trabalho ocasional.

ÁFRICA7.jpg Segundo os patrões, dinheiro não abonava, uma vez que a vida estava muito difícil para todos. Quanto aos filhos, Adão foi o único que frequentou a escola; o único que comia algo na cantina. Não passou da quarta classe. Num gesto de agradecimento ao Pai por tê-lo metido numa escola, nunca abandonou, coisa que era comum ver-se.

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Não se sabe se por espirito ou por necessidade aguçar engenho, Adão falou com o seu patrão, proprietário de uma quinta enorme; Adivinhando necessidades de uma cavalo para distribuir leite para as pessoas, levar a farinha do moinho ao cliente solicitou ajuda. Foi desta forma que passou a ganhar algum dinheirinho para o seu sustento e na ajuda ao Pai! O patrão alugou-lhe uma mula velha por cinco escudos ao mês e, foi assim que começou, a quase ser um empresário. Os irmãos tinham dado o "salto" para França, nada de notícias. Cabia-lhe assim prestar auxilio ao progenitor.

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Nesses tempos de Salazar, entretanto, apareceu-lhe o Partido Comunista a seduzindo-o para militante e, ele foi nessa! O azar foi tanto que a PIDE soube e ao Adão só lhe restou fugir para Angola; a prisão esperava-o! Alistou-se entretanto como voluntário escapando assim ao carcel. Recebeu sua guia de marcha para Angola. Lá nas terras quentes, rapidamente se apaixonou pela forma de se tocar a vida – um destino feliz! Terminada a sua comissão militar, eis que foi convidado pela PIDE/DGS, um arremedo de sorte que o levou a aceitar seu destino. A partir daí a vida começou a sorrir-lhe; ao fim de ano e meio chamou o Pai que já estava avançado na idade.

arte4.jpg E, porque um homem não é de ferro, umbigou-se a uma mulher negra, muito bonita e, de quem teve três filhos. Seu pai, agora avô, revia-se agora nos netos alegremente, um soro de alegria. Andou tudo muito bem até que um dia apareceu em sua casa um soba a dizer que ele Adão, tinha de se umbigar também com a cunhada. Como é! Refilou de espanto. Segundo as leis indígenas, tinha que casar com a cunhada porque o marido dela  fez uafa, morreu!

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O Adão ficou intrigado; para resolver a questão resolveu ir ter com o meu Pai que tinha um cargo administrativo. Depois de o ouvir, foi-lhe dizendo que já tinha resolvido muitas macas dos costumes deles, dos pretos mas, nunca com um branco na pele do leão! Marcou-se um dia para resolver o assunto e na hora aprazada, eis que o meu Pai vê uma carrinha azul-escuro (uma Chevrolet Apache) conduzida pelo Adão. Na cabine vinham a mulher e os filhos, atrás na caixa aberta, vinham mais umas oito pessoas.

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No meio de uma algazarra tremenda meu Pai mandou-os descer; apercebeu-se que eles já vinham a discutir o assunto pelo caminho, e vieram então ao seu encontro. Eram os dois sobas das duas aldeias. Vinham resolver a maca! Na visão deles estava tudo solucionado! Depois dos cumprimentos tensos mandou-os entrar no edifício da Administração. Ouviu assim os relatos sempre sob o ar apreensivo de Adão. Meu pai após ter ouvido os sobas, chamou a mulher agora viúva e, logo um dos sobas com um ar de desagrado replicou: Sô Chefe, o marido destas mulher morreu e segundo o nossa tradição ela tem que casar com os cunhado!

ÁFRICA1.jpg Mas olhe só, que ela num quer e num diz do seu porquê? Meu Pai pensou durante uns segundos para amadurecer a resposta e virando-se para Adão perguntou-lhe: -Queres aceitar esta mulher, tua cunhada, para a sustentares com cama e roupa lavada e, trabalhando para ti nos afazeres da casa? Adão olhou desconsolado para o meu Pai, também para os sobas e, disse pesaroso que sim, um sim bem emperrado diga-se! Pois que era essa a Lei dali! Ia fazer mais o quê? Quase como protesto calou-se em seguida.

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Bom! Meu Pai olhou para a viúva e em tom de aviso, trejeito de olhar o Adão dizendo aos sobas: - Ora bem, o Adão aceita as vossas Leis mas, tu (viúva) também tens que aceitar as Leis dele - as leis do branco! Perante isto gerou-se um zunzum de falatório e, de tal ordem das partes que o meu Pai mandou-os ir para debaixo de uma mulemba em frente ao Posto para falarem da maca. Quando tivessem a decisão final, que lhe viessem dizer! Tudo isto perante o ar cabisbaixo de Adão que dava pontapés no ar e muxoxos imperceptíveis.

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Isto porque não via o meu Pai foito em tomar a posição que seria desejável, pois era ele a força, a autoridade. Os sobas já com sua vontade inconclusa disseram a meu Pai que a mulher queria falar! Pois que fale, replicou! Ela começou então assim: -Sô Chefe eu por Lei tenho que me casar com o meu cunhado, mas eu num querer mêmo nadaaaa!?

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Ao ouvir isto o meu Pai ficou baralhado e perguntou: -Então você por Lei tem que casar com o seu cunhado e, agora, não quer, porquê? E, respondeu ela muito lampeira: -Sô Chefe eu gostar mêmo era dos meu márrido, mas como não gosto do homem branco, agora num quér casar ótra vez dinovo. Deixa ficar só assim memo, porque num gostar das leis dos branco!

moc1.jpgLuis Magalhães in Kizomba com Historias da Vida

P.S: Ouvi esta Historia da Vida em Nova Lisboa da boca do Adão, que foi a minha casa almoçar a convite do meu Pai. Adão foi viver na altura para Serpa Pinto ou Pereira D´eça com a família. Se a memoria não me engana, foi assim mesmo, talqualmente!

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:35
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Terça-feira, 28 de Março de 2017
CAZUMBI . LIII

CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, por causas alheias e à revelia da nossa vontade …

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Gosto de fazer turismo integral; isto quer dizer que me apraz fazer o que qualquer um, cidadão, faz em seu quotidiano, aonde quer que seja. Isso não foi possível fazer em Cuba há uns bons dezasseis anos atrás. Tinhamos um guia de nome Mercedes, uma funcionária que nos dava indicações e uma outra funcionária governamental que vigiava esta. Em verdade, ambas andavam controladas por outros e pelo medo delas mesmo!

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Ficamos instalados no Malecon, marginal da baia de Cuba, lugar aonde os namorados iam passear em velhos galáxias, chevrolletes rabos de peixe prometendo coisas sonhadas ao ritmo de um bolero ou um merengue mambo caribeño. Carros que arrancavam a gasolina e depois rodando um botão passavam a consumir querosene e mistelas de graxa com biodiesel ou óleo queimado de fritar batatas!

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O cheiro era intenso e nauseabundo! O tal de “ El mujito” com hortelã era só nos sonhos escritos de Hemingway, esquinas roçadas de preguiça, casas despintadas, calles apiertadas e, umas silhuetas de “Ché el comandante”. El olor a mierda por entre los muros sim color, tambiem se hacia sentir! La Cuba romântica de los sonhadores… E, la mujer rindo com alguns dientes amarillos convidando nosotros a gozar la vida del amor. Pópilas!

cuba 0.jpg Percorremos a Ilha em um autocarro conduzido por um antigo combatente em Angola; tinha feito seu serviço militar naquele paraíso, palavras que ele calcou dando a entender ser lá muito melhor que aquella isla aonde agora estávamos. A várias perguntas minhas, ele respondeu, nada! Somente que aquella era el paraíso en la tierra. Foi para mim muito confrangedor dar de regalo, oferta de coisas que sendo insignificantes para nós, para eles, Cubanos, tinham alto valor.

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Esse alto valor eram simples esferográficas bic, chinelos de dedão, roupas geans e outras insignificâncias como bonés de marca e futilidades ocidentais. Muitos dos turistas em grupo nem se apercebiam ou não o queriam ver que ali em Varadero havia um apertado controlo aos naturais de Cuba! Em verdade era um território controlado por fronteiras apertadas e aonde só entravam para além dos turistas os trabalhadores dos hotéis e outros equipamentos de captação de divisas.

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Ao turista davam uma fita colorida que era posta no pulso e, esse era sinonimo de pedir o que quer que fosse tanto de bebida como comida. Claro que isto só se verificava nesta península cheia de belas praias, passeios pelas rias em barco com visão submarina, festivais de golfinhos e outros entretenimentos para agradar os Ocidentais vindos da tapurbana europeia.

CUBA LIBRE.jpg Deu para perceber que o controlo aos empregados era apertado pelas mensagens indirectas que nos transmitiam; tudo faziam para agradar e, daí advir uma gasosa extra, uma limosna, um agrado em dinheiro, sapatos ou roupa. Elas e eles enfeitavam nossas camas como se fossemos os príncipes das arábias; faziam arranjos com as roupas chamando a atenção do agrado! Sempre correria umas suplementares moedas.

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Estando agora no Brasil posso garantir estar este país a alguns anos em avanço social! Vivendo como um qualquer residente uso habitualmente o ónibus, os táxis de lotação e ando muito a pé por onde quer que seja e na maior liberdade! Em Cuba tinhamos disfarçadamente uns quantos policias à perna, cobrindo nosso itinerário e revezando-se no trajecto de forma dissimulada. Tudo parecia ser um gueto!

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O Brasil social, já nesse então estava muito para além daquela terra de Cuba aonde funcionam os comités de bairro, de trabalhadores e outros que tudo controlam. Falando com um engenheiro que nos conduzia em um ovomobile (uma moto com arranjos feito ovo e, com dois assentos para alem do condutor) a perguntas minhas foi-nos dizendo o grau de carências que vivenciavam!

che0.jpg Este sim! Longe dos olhos fiscalizadores disse tudo o que já sabíamos ser de ruim! Ele engenheiro de máquinas tinha de usar aquele escape para ganhar um pouco mais do que os míseros dez dólares que recebia de vencimento base por mês. Nem quis acreditar mas vim a confirmar que assim o era! Eu disse dez dólares! Minha nossa!

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Pelo que sei agora o Raul, irmão de Fidel está alugando médicos ao exterior. Há muitos no Brasil residindo com regras apertadas; a família fica lá em Cuba, uma forma de garantir o retorno e também manter-se em silêncio; ele não está autorizado a falar de sua terra e, sabe-se que aquele estado Isla Caribeña leva-lhe  metade do seu vencimento senão mais. O preço daquela liberdade é bem alto! É certo que anda muita gentinha a dizer que ali sim é uma terra boa; gente que gosta de viver com agrados de servidão…Só pode! Tenho amigos que vêm aquilo como coisa de outra galáxia! E, é! Só que do lado do purgatório.

cuba01.jpg Aquele mecânico do Ovomobile foi nos dizendo que os comités de trabalhadores rurais têm de fazer permanentes relatórios dando indicação de quantos animais as famílias têm e, se porventura abaterem um boi ou carneiro sem autorização são chamados à pedra respondendo em juízo como se um crime se tratasse. Ninguém está autorizado a apanhar fruta do chão; tudo é do estado; tudo tem de ser autorizado.

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A melhor carne, o melhor marisco como lagosta e camarão é todo para a exportação! Eles ficam com as patas pró mocotó, os rins, fígado e por aí! Não admira o tal chofer que fez serviço militar em Angola ter dito que aquilo sim; era um paraíso! Ainda insinuou dúvidas do porquê de termos deixado aquela terra mas ele, nada era naquela nomenclatura comunista; o pensamento é ali uma coisa muito perigosa…

cuba3.jpg Entrei em uma loja do povo e só vi imundice entre sacos de farinha, arroz e algum feijão! As prateleiras das vendas assim parecidas como as do m´Puto lá dos anos de 1880 estavam apetrechadas com aquelas mesmas bancadas, medidas de quartilho e instrumentos de museu para ensacar farinha e grãos. Cheirava a mijo de ratos e bagulho de baratas! Estive com uma caderneta sebenta de uso em minhas mãos e, é ali que eles apontam tudo do cabaz básico a que todo o cidadão tem direito. Não deu para ficar com pena deles porque não sou galinha! Talvez mereçam viver nessa tacanha maneira de ver tudo ao jeito bucólico! Viva Cuba, pois claro!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:01
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Domingo, 26 de Março de 2017
PÉROLAS. IV

UM PALAVRÓRIO COM RACIOCINIOS CAPCIOSOS… O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezá-lo…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Em todos os artigos que tenho submetido a publicação no Kimbo são raras as contestações. Por via de ser assim ignorado, faz todo o sentido citar a expressão que não sendo minha, aqui se conjuga bem: “As minhas ideias estão assentes, não me confundam com os factos”. No mundo social em que estamos inseridos com grupos heterogéneos, quer políticos quer científicos, cada um destes grupos utiliza seu paradigma nas argumentações e, em defesa do seu próprio paradigma.

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Esta argumentação em circulo funciona mais por persuasão do que pela evidência lógica. Nos meus tempos de estudante dizia-se que a lógica era uma batata e, foi com essa dúvida que fiz um rádio galena a partir de uma batata cortada ao meio, uns quantos fios e uns auscultadores e um condensador. O certo é que a batata forneceu energia enviando para o espaço ondas electromagnéticas dessa suposta lógica.

calau-demonteiro.jpg Já disse algures que a história da ciência é fértil em teorias de sucesso baseadas em hipóteses “Ad Hoc”. Cabe aqui dizer que a lógica encaixa nas hipóteses ou nos fundamentos de uma teoria não convencional; como tal arbitrária! Estou assim a tentar encasquilhar refutações sofísticas que dependem da linguagem usada, a que podemos chamar de "sofismas linguísticos" ou refutações sofísticas que não dependem da linguagem extralinguística (palavrório).

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A indução que se procura dar como critério não arbitrário de ligação da experiência à teoria é um caminho incerto; tanto nos pode levar à verdade como ao erro, porque é baseada na ordem do Universo que sempre nos ultrapassa. Não há uma metodologia segura que nos conduza da realidade experimental às hipóteses e aos postulados das teorias. Pois então, reafirmo aqui que a lógica pode perfeitamente ser uma batata!

roxo27.jpg Muitas vezes os cientistas falham, não por falta de inteligência, mas por sagacidade em demasia. Presentemente as metodologias ficam tão apanhadas de uma sofisticação tão vazia que se torna muito difícil discernir os erros básicos. Depois da “teoria dos erros” e da “teoria da incerteza”, teremos de acrescentar a “teoria da simplicidade”. A única resposta a isto é ser-se tosco ou superficial.

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Desmistificando o verbo, podemos somar a todo o conhecimento que “A natureza ama a simplicidade”. Foi Liev Tolstoi que contrastando com as igrejas e governos, pregava uma vida simples e em proximidade à natureza. E, foi Johannes Kepler um astrónomo alemão que em defesa de Tolstoi pelo que afirmava no livro “Guerra e Paz” nos veio a afirmar que toda a ideia importante teria de ser simples.

araujo1.jpg Claro que o caminho da simplicidade tem um grau elevado de subjectividade nos seus critérios e nos domínios a que se referem; simplicidade na formulação de uma teoria na sua capacidade de memorização, na sua lógica formal e, nos seus princípios básicos. Nas relações entre fenómenos, nos conceitos, nas imagens físicas que produzem a instrumentalização necessária para fabricar feromonas ou empatia. Assim sendo não poderei transformar neste meu palavrório os fundamentos teóricos, em postulados.

roxo79.jpg Estou a tentar não censurar o que não posso compreender e, porque frequentemente aquilo que nos parece um mal é um bem! As nossas faculdades são tão limitadas que o conjunto do todo escapa aos nossos sentidos obtusos. No processo de falsificabilidade, uma certa filosofia mostrar-nos-á ser isso, imprescindível em ciência.

 

Ilustrações de Costa Araujo e Assunção Roxo

(…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:09
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Domingo, 19 de Março de 2017
PÉROLAS . III
O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo…

PÉROLAS III segue na ordem de uma coluna iniciada com este título. Quem quizer pode vir até o Kimbo e falar de suas razões, suas emotividades e outras raridades... 

EM TERRAS DO SUMBE - ANTIGO CEMITÉRIO DE BRANCOS . Tempo de Macutas - Verdade ficcionada

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Esta perola é uma INVENTAÇÃO...

Estavamos em 1780 - O Exército do Império Unido de Brasil, Portugal e Algarves era o segundo mais poderoso do mundo, depois do Exército Sino-japonês.

angola6.jpegFugindo daqui e dali vi-me em aflições porque o passado reconheceu-me na palidez enrugada da velhice. Com palavrões dentro da cabeça, tentei reconstruir minha já antiga inventação e com os nomes esvoaçando, mijando raiva de mim aos poucochinhos, fui buscar as novidades fracturadas com figas e juras por sangue de Cristo. E, aqui o passado misturou-se no futuro...

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Tive mesmo de espreitar minha vida pelo cano de meu revólver, ou talvez um canhangulo de espirrar ferros e cacos cortantes; uma vida estriada em verdades misturadas nas mentiras. Foi ai que o filho da mãe surgiu, engalanado com bandeiras, panos e guarda-sóis coloridos. iIsto passa-se quando eu era dono do xerifado da fazenda, empregado dos Reis do M´Puto, um guarda de libongos de segunda linha por ser mazombo, um pano que funcionava como dinheiro; isto mito antes de Mobutu Sesse Seko mandar imprimir seus panos do kongo com a sua esfinge.

ekuikui1.jpgEm ambiente de grande excitação e alegria vindo de Quilengues, surge um branco albino que parecia um demónio, cabelos sujos e espetados como capim velho. Vinha buscar barricas de aguardente e rolos de tabaco. O Rei do Bailundo de 1998 Manuel da Costa Ekuikui III, nunca soube disto senão teria-se rido com seus dentes parecidos com castanholas e, seus dourados reluzindo pura alteza das terras umbundas ... mas, um dia vou-lhe contar!

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Eu, como secretário de fazenda de João de Câmara da Capitania-Geral do Reino de Angola com a ajuda do capataz José Nanquituka tinha de despachar rápidamente este rebelde mijão matumbo kazukuta com seus monandengues, porque não me era de fiar. Era mesmomesmo um filho da mãe!  Portando-me com o colar de dentes de javali ofertado pelo rei do Huambo Katchitiopololo Ekwikwi, monarca de muito respeito e respeitado, olhando para trás deste falso branco, pude ver que tinha consigo mais ausências de dignidade do que medo. 

maria2.jpgSua brancura indeferia-me com seus sorrisos matreiros de mentira chorada antes da lágrima. Já no terreiro fiz um sinal a Kaputo da Silva, o almoxarife missionário auxiliar, para que se aproximasse e, dei-lhe ordens para que procedesse à troca de géneros com estes demónios de Quilengues. Neste entretanto empoleirado nas horas das consequências com vénias de enrugada postura, o branco de fingir, dá umas ordens aos seus monandengues e, eis que salta um t´chingange para o terreiro empoleirado em antas, zingarelhos, enfeites de ossos de hiena e facóchero ao redor do corpo.

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Entre 1876 e 1893, reinava no Bailundo Ekuikui II, substituto de Ekongo-Lyo-Hombo, quando o reino entrou em grande alvoroço. Foi numa altura em que, no planalto, os reinos iam caindo, um a um, nas mãos dos portugueses, t´Chinderes do M´Puto, Muwena- Pwós do outro lado das kalungas.  No ano de 1893, os emissários do reino Bailundu, dirigiram-se à embala de Ekuikui II dizendo-lhe que o reino estava em vias de ser atacado. Todos se recordavam da prisão feita pelos portugueses, do rei Cingi I um século antes (1780?).
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Nesse então, o reino do Viyé, já estava há uma centena de anos submetido aos brancos. A Rainha D Maria era a minha superiora! Ela não me conhecia mas era eu que controlava suas makutas em substituição ds N´Zimbos, dos Kaurins e panos libongo. Ela, a Dona Maria morreu sem saber quem era o T´Chingange branco Niassalés, um seu alforriado cidadão das lonjuras da Matamba.

maria4.jpg Fazendo rodopios de dança espacial, gaifonas de feitiço e superstições secretas, ele o tal branco de linhagem indefinida, pintado com funge branca e jindungos na cintura salta e ressalta, gesticula traços com braços apitando uma estranha gaita até que, já cansado, estatela-se no chão, literalmente como forma de agradecimento à minha solene pessoa. 

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A mim, o t´chindele mwana-pwó almoxerife da Rainha do M´puto. Dois candengues colocam bem aos meus pés dois potes de mel silvestre e eu, agradecendo de mão virada para o pretobranco albino mando que lhe seja dada uma bandeira das quinas do M´Puto recentemente chegada de Loanda a mando da mesma Rainha D. Maria II.  Dando costas àquela turba pude observar que ordeiramente se dirigiam para o armazém das bebidas. Aquela noite o batuque prolongou-se mais para além do habitual; o kimbombo, t´chissângwa, marufo e bolungas várias faziam a alegria da vagabundagem.

maria0.jpg Não obstante ficar atento a possíveis alterações de ordem pública, recomendei pessoalmente ao Alferes da guarnição e presídio do Sumbe da foz do rio N´gunza, que mantivesse uns quantos cipaios a observar, até que aqueles kazukutas e seu chefe beiçudo, branco genérico se fossem para Quilengues. Só mesmo eu para relembrar estas estórias esquecidas no tempo, metidas num baú de lata oxidada nas águas da kalunga, Ai- iú-ééé

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Nota: Para minha Mana Kota Assunção Roxo em Roxomania para se deleitar nas bitacaias  com pérolas...

O Soba  T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:09
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Sexta-feira, 17 de Março de 2017
CAZUMBI . LII

CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade … Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

”A CHUVA BATE NA PELE DO LEOPARDO, MAS NÃO TIRA AS SUAS MANCHAS”. Este regalo de falas foi-me enviado pelo nosso Kimbanda Ninja para que constasse na Torre do Zombo do Kimbo. Trata-se de um mítico provérbio africano aonde para além da onça, do leopardo e da chita existem a hiena e o mabeco que também as têm. Com a zebra ocorre o mesmo fenómeno de manter suas riscas, mesmo que chova muito mas, com esta, acontece um outro pormenor.

poke0.jpg As riscas irregulares das zebras são para fazer com que o leão fique tonto ao persegui-las perdendo a noção e desequilíbrio. Pois, muita gente não sabe, mas o leão ao fim de algum tempo de perseguição, e por via de sua fixação em uma, fica com tonturas acabando por desistir. O facto de todas correrem em simultâneo causa o efeito psicadélico e, o que era,  fica turvo com tantas riscas a se moverem. A natureza ensina muito a quem se detém a observar os mistérios tão perfeitos dela.

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Numa sã convivência tenho por hábito relembrar os velhos tempos dando a conhecer a alguns aquilo que foi a maneira de se viver, os hábitos e alguns rituais africanos. Esta iniciativa é acarinhada por uns e considerada foleira para outros mas, não virá mal ao mundo considerar ou não, outros conceitos! Tenho um amigo engenheiro que sempre surge dando uma de sabichão, falando palavras de Domingo e quase desconsiderando minhas formas de expor.

macuta com soba.jpg Como tenho mais engenheiros amigos e, para que não se julguem mal, direi que este era um antigo colega dos Caminhos de Ferro de Angola aonde eu fui desenhador de máquinas. Pois sucede que este meu amigo da onça surge com falas periclitantes cheias de erudição para vincar sua destacada auto altivez. Faço que passo ao lado assobiando mas, tendo a nítida imagem de um petulante amigo que não perde a oportunidade de afectar as minhas sensibilidades, os meus cheiros, as minhas impressões.

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Assim como se armando-aos-cucos como é comum dizer-se e de forma gratuita, sem bases de concreta analogia ou razão da formação das palavras no seu contexto. Faço por não me azedar contendo a vontade de dar um basta com aquela minha liberdade, alforria da vida. Sei quando quero usar o maldizer com escárnio ou sátira mas não interessa aqui escalpelizar tais atitudes porque corro o risco de desvirtuar meus princípios.

lobo1.jpg É por estas e outras que uma grande parte das pessoas com quem vou tendo contacto, sentir-me desiludido! Posso até perguntar ao mundo e para quem me lê, que interesse poderá ter dizer lindas ou ortodoxas falas tão cheias de hipocrisia, façanhas agigantadas de soberba superioridade. Para quê? Para se vangloriar de que se é o maior, mais sabedor…

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Hó gente miúda com canudos de papel dizendo ser o que nem sempre são! Pois queiram saber que não gosto de gente mesquinha e fútil que só se quer aparentar. Hó gente engravidada de grandeza que não vê o cisco em seus olhos denunciando-se em bazófias gratuitas de nenhum mérito! E, será que todos deixam andar estes propósitos sem reclamar? Isto, sucede sim!

roxo90.jpg Algumas pessoas são bem fúteis, até bem curiosas do lado negativo porque bem acomodadas ficam esperando que alguém faça algo para logo surgirem como comentadores com seu ar superior! E, o pior é quando surge um com caganças de katedrático como sendo o senhor da verdade, usando palavras de Domingo como se nós só entendêssemos as coisas pela metade de terça, dia da feira e do vendedor de lérias avulso em folhetins de santinhos…

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Pois que fique claro que também tenho cabeça para pensar! Não quero com isto criar inimizade com ninguém em especial e, que ninguém veja isto como um ataque pessoal porque está em causa a atitude de cada um. E, há muita gente a portar-se mal, ser inoportuna e sem senso. O amor quando verdadeiro coloca em primeiro lugar a felicidade do ser amado, consideração aos amigos e gente próxima. A César o que e de césar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:37
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Quarta-feira, 15 de Março de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXX

TEMPOS PARA ESQUECER - 15.03.2017 - ANGOLA DA LUUA XXIX. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo…

Por     

t´chingange.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

(…) A UNITA não permitia a entrada da tropa portuguesa em Nova Lisboa (Huambo) alegando que em outros pontos do território as PAP assumiam atitudes favoráveis ao MPLA e tinham toda a razão para assim procederem. A UNTA deu 24 horas às FAPLA para saírem de Nova Lisboa e assim veio a acontecer com a escolta protectora das Nossas Forças (NF) até ao Dondo, bastião carbonizado em posse do glorioso MPLA. Entenda-se por NF as tropas do M´Puto, as FAP que tudo faziam em agrado do MPLA e, por instruções explicitas do CR (Concelho da Revolução) e seus generais de aviário.

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Pode notar-se nesta descrição o comportamento diferenciado por parte da UNITA em relação às outras forças; certo que tudo iria descambar mais tarde para coisa ruim mas as contingências da guerra aberta e sem mando capacitado, já não permitiam manter o aprumo desejável. Neste então a UNITA deu tempo às FAPLA para recuarem ao invés destes e das FALA que atacavam sem prévio aviso e com todo o potencial mortífero.

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No Cunene, as tropas da UNITA já faziam rusgas aos trabalhadores Sul-africanos nas barragens de Caluéque e Ruacaná por se recusavam a regressar ao trabalho. Recorde-se que estas estações hídricas estavam cercadas pelas FALA e os naturais Ovambos negavam-se a trabalhar sem garantias de segurança; foi assim que a queixa de Pretória chegou à Embaixada Portuguesa. Os furtos de viaturas e o desaparecimento de pessoas provocavam receios e o êxodo da população branca sendo que, a cada novo dia, se complicavam ainda mais por ampliação de confrontos armados.

moka19.jpg Nas horas daqueles dias a vida não valia um vintém; tudo ficava ao sabor da sorte. Nestas aflições sem controlo visível, surge a figura de Gonçalves Ribeiro batendo-se pela criação de estruturas àquela que se veio a chamar de “ponte aérea” e, que só se resolveu em pleno quando mais de cinco mil pessoas se juntou no Largo fronteiro do Cinema Miramar da Luua pedindo a todas as embaixadas que mandassem transportes aéreos ou marítimos a tirár-nos daquele inferno.

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Isto veio a acontecer com a supervisão de Gonçalves Ribeiro, o pai da ponte “LUALIX”. A CIA dizia nesse então que Lisboa não tinha um suporte adequado no terreno que lhe permitisse evacuar mais de trezentos mil brancos ainda no território, nem para manter os voos no ar. Era verdade! Mas também havia aqui pressões para em troca da ajuda, Costa Gomes retirasse o vermelho Vasco Gonçalves do governo. E, foi isso que veio a acontecer!

moka28.jpg Este ex-internado na casa dos malucos, sector militar de Luanda andava esbracejando de mais naquele M´puto desvairado de liberdade. Ele que tinha tirado água da cacimba da Maianga com um cesto de vime! Como podia estar bem do juízo! Justificaram-no depois que estava a fingir para se livrar da operacionalidade perigosa. Tigres de papel! Mas, em verdade,  os americanos não dão nada de borla, teria de haver algo na cartola do tio Sam. Jogaram uma olha e Costa Gomes agarrou-se àquela bóia, pois então, dava jeito!

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Fomos em verdade, a moeda de troca; com um só porrete mataram dois coelhos como soe dizer-se! Portugal inundado de retornados anticomunistas, vinha mesmo a calhar nesta hora. E, o mundo observando estas manobras com o abutre Carlucci a dar palpites ao estado português através de Mário Soares e outros desclassificados diplomatas de cordel que iam ficando engradados de poder e dinheiro, pois!...

moka12.jpg Bom! Na N´Gola, as FAP já nem dispunham de bases aéreas para nos escoar; falo na primeira pessoa porque estava lá! Os confrontos permanentes entre todos os movimentos impediam o funcionamento dos aeródromos como o de São salvador, Cazombo, Maquela, Togo, Gago Coutinho, Cuíto Cuanavale e N´Riquita; Henrique de carvalho, Malange, N´Dalatando e Carmona já só tinham estruturas reduzidas, quase sem uso por falta de segurança e equipamento de apoio.

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Em Luanda encerravam vários consulados como o Britânico, Australiano e outros que o estariam prestes a fazer. Só neste então a Metrópole com seu CR tomou pela primeira vez “consciência da gravidade”. Costa Gomes e Vasco Gonçalves começavam a ser acossados pela Imprensa Internacional! Num muro do M´Puto no bastião comunista de Torres Novas e Riachos, terra natal de Otelo podia ler-se escrito pelos anarquistas: “ Otelo Saraiva de Carvalho, que lindo nome tens tu, tira o vê de Carvalho e mete o resto no cú.

moka22.jpg Em meados de Agosto de 1975 a luta era generalizada em Angola atingindo zonas que até aí tinham estado relativamente calmas. O MPLA dominava praticamente todo o litoral com excepção do distrito do Zaire. O Director da Companhia Mineira do Lobito, Horta carneiro foi morto nas hostilidades entre a UNITA e o MPLA. Tornava-se cada vez mais difícil a deslocação das colunas militares portuguesas devido à falta de garantias por parte da UNITA; tinham receio de ser atacados, acossados que estavam pelos constantes atropelos e, por sempre ajudarem o MPLA.

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No Luso, o Batalhão e população civil que deveria ter saído no dia 16 de Agosto, teve de ali ficar retido por via das confrontações. Na base do Luso ainda havia 600 pessoas para retirar e só tinham alimentos para mais seis dias. A coluna que seguia em apoio foi barrada na noite de dezoito para dezanove; pela UNITA foi-lhes apreendido todo o material, inclusive as viaturas que iam nos vagões; foram saqueados, insultados e obrigados a se desfardarem.

moka25.jpg Chegaram a Nova Lisboa em cuecas e descalços tendo o próprio comandante do Batalhão Luso sido espancado e posto de forma igual aos demais; em cuecas e sem botas! Jorge Serro recorda que isto ocorreu com o Batalhão de Caçadores do Moxico. Se não erro, neste então era ali Governador por parte da UNITA, Rui Perestrelo com quem nunca dialoguei sobre este assunto. Também ele acabou por se juntar como refugiado para o M´Puto usando a ponte e instalando-se em Silves no Algarve.   

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Veio a ser funcionário da Câmara Municipal de Lagoa e empresário no Carvoeiro; após a morte de Savimbi e, porque era preto acomodou-se de novo junto à nomenclatura vendendo talvez a alma ao diabo como todos os demais; procedimento típico de qualquer militante e, de um qualquer partido. O Kumbú sempre falou mais alto! A lassidão do trato português era tão elástica que tudo veio a rebentar-lhe na cara com a máxima tensão. Em Portugal ainda se coabita com gente que ou foi carrasco ou procedeu duma forma desleal e, no entanto foram aceites como funcionários sem retaliação notória. Também esta é uma forma de trair! O lugar deles seria em outro qualquer lugar menos ali no M´Puto.

gad3.jpg O Batalhão de “pé descalço ou em cuecas” deixou armas, rádios, munições e até material cripto. Foi o próprio Chiwale, segundo comandante militar da UNITA daquela região, que ordenou esta acção contra este Batalhão; diz ter sido como represália ao comportamento das NT (quando escrevo estas duas letras até me arrepio) em Sá-da-Bandeira. Tinha sido verdadeira esta afirmação! Pois foram as FAP que distribuíram armas ao Poder Popular na tutela do MPLA do Lubango! A eles entregaram todo o armamento da “OPVDCA” fardas, variado equipamento e explosivos…

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Quem lá permaneceu neste meio tempo, no pré e pós-independência, sabe que isto é verdade! Mentem quando tentam sanar o envolvimento do exército português; também por ali havia bastantes comunistas que se enfileiravam na victória ou morte mas, também para eles a coisa mudou e, lá foram regressando dizendo-se ser refugiados; uma coisa diferente daquele crisma de retornados! Uma hipocrisia que só em surdina reconhecem! Muxoxos de N´Gola! Dirão agora:- como fomos torpes! Muitos amigos sabem disto e até já nem o escondem! Será bem melhor darem a conhecer ao mundo o que em verdade, se passou! Assim se ressarcirão de algo menos correcto…

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:54
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Terça-feira, 14 de Março de 2017
LUBANGO . III

ANGOLA - TEMPO DE CINSAS . !Porque não esqueço - Memórias do FB - 14 de Março de 2016 - Quando os heróis ficam bronze até os nomes mudam…

Por

Torres0.jpgEDUARDO TORRES - Um Chicoronho de 3ª geração

Porque não esqueço, ao invés, tenho bem presentes acontecimentos que fazem a história da minha vida. Os meus antepassados foram para Angola em condições adversas, as pessoas da primeira colónia de que faziam parte os meus bisavós Pereira, ela grávida da minha avó Vitorina, desembarcaram e tiveram de palmilhar a pé ou em condições diferentes mas pouco mais cómodas, até atingirem o planalto da Huila, no local chamado Barracões, no ano de 1885.

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O meu pai, natural de Cantanhede, embarcou para Angola como militar, desembarcando em Moçâmedes em 1917, calculo de que modo terá também alcançado o Lubango. O planalto oferecia condições diferentes, era saudável devido ao clima ser ameno, que o diferenciava de grande parte do território, agressivo, onde as doenças como a biliosa, a malária e o clima quente e húmido permitiam dificuldades de toda a ordem. Quem não estava na melhor forma física era mais sujeita a sofrer as agruras da terra; Pessoas que vinham de outras paragens, duma civilização que nada tinha a ver com esta nova realidade eram atreitas a febres e outras mazelas.

LUBANGO 1.jpgAs próprias necessidades as tornavam solidárias, porque era absolutamente necessário que isso acontecesse. Eu próprio, nascido numa época diferente, numa cidade já bem delineada, ainda usando o chafariz para abastecimento de água potável , ou o candeeiro Petromax a petróleo e velas, porque a electricidade haveria de chegar, beneficiei, mesmo assim, com todas as limitações inerentes à época , de regalias que faziam esquecer as dificuldades, já que o meu pai dispunha de uma viatura Nash, que nos permitia dar passeios ou fazer viagens em estradas difíceis.

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Autênticas picadas rasgadas na selva, nas savanas ou nas florestas, mas sempre com a possibilidade de se verem animais diversos, que constituíam uma fauna farta e admirável. Os pontões, quando os havia sobre as mulolas, na maior parte dos casos eram formados por troncos de madeira de árvores cortadas ali por perto, ou então restava o atravessar em jangadas como sucedia no Rio Cunene.

ant4.jpg Mas havia outras compensações; Angola oferecia em cada lugar, em cada momento uma surpresa já que a natureza a dotara de uma beleza impressionante, perigosa até, mas talvez por isso, desejada e admirada. No meu tempo de criança, as estradas tinha melhorado, bem rasgadas, ligando as principais cidades; contudo, constituía ainda uma aventura viajar por elas, especialmente no tempo das grandes chuvas.

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Fora destas, outras preocupações havia, como cuidar da saúde, com medicamentos caseiros, como chás, quantas vezes intragáveis. Tão pequeno era ainda, tomava um comprimido de quinino que me punha os ouvidos a zumbir, purgantes de óleo de rícino que me obrigavam durante o dia a estar a caldos de galinha sem sal ou as garrafas de litro de óleo de fígado de bacalhau, tomadas a colheres de sopa durante a época do frio.

caprand0.jpg As constipações curavam-se também com escalda pés, uma bacia com água bem quente e cinza, onde se mergulhavam os pés, para depois se enrolarem numa manta, em seguida para a cama, e transpirar durante a noite para no dia seguinte estar melhor, tomando mel, limão e rodelas de cenoura, em xarope de paladar agradável.

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Ou tricalcina, um pó branco diluído em água para fortalecer os ossos, já que água da nascente era pura demais, sem o cálcio necessário, para o efeito. Usar o permanganato e o álcool puro para as feridas, as papas de linhaça, e outras mezinhas que foram desaparecendo, quando após o final da segunda guerra surgiu a penicilina, cuja invenção permitiu outro desenvolvimento.

nash1.jpg Desenvolvimento que deu origem a outros medicamentos derivados, como as sulfamidas que desapareceram do mercado farmacêutico, e que tantas vezes e com bons resultados foram usadas em diversos tratamentos. E o quinino, umas bolachas amarelas e amargas como trevisco! A resoquina ou Kamoquina para o paludismo que nesse então eram chamadas de maleitas, como assim era conhecido no M´Puto. Tanta coisa mudou depois, mas ficará para outra altura….

EDU



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:56
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Domingo, 12 de Março de 2017
MUXOXO . XLIX

TEMPO CINZENTOS . 5ª Parte (última) 14.03.2016 - Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida mas sim aquele que melhor se adapta a ela…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

sururu0.jpg (…) San José Del Tisnado do estado de Carabobo da Venezuela era um caserio com uma boa quantidade de casas térreas de pau-a-pique feitas em taipa, barro amassado bem por perto com argila à mistura com capim para dar consistência ao agregado; este tipo de construção veio desde a europa trazida por portugueses, técnicas antigas e já muito usadas pelos egípcios e romanos.

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Quase todas tinham grandes quintais com dispersas árvores de sequeiro e arbustos de cores garridas a embelezar as cercas, divisas entre vizinho; e havia mamoeiros, limoeiros, mangueiras, tamarineiros e arbustos indistintos a fazer sombra às capoeiras com patos, gansos, galinhas de angola e granisés. Mas alguns tinham como animais domésticos cobras rateiras, amarelas, tartarugas morrocois e até lagartos  de um castanho escuro que eu conheço pelo nome de  sengue em Angola.

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Como tenho vindo a dizer o topógrafo, geómetra engenheiro de estradas que era eu, surgia ao romper do dia em lugares pré-escolhidos para ali fazer suas observações solares; Tinha de ligar a estrada á rede geodésica através de coordenadas a partir do Sol e, isto de amarrar a estrada a coordenadas era uma explicação bem complicada para quem de forma curiosa queria saber o que estava fazendo ali.

baú1.jpg Pois então, surgia entre a bruma do cacimbo indistinto e húmido as sombras numa figura de T´Chingange da terra de N´Gola, tão distante e sempre tão perto na recordação; terras muito iguais, Venezuela com espinheiras e pau-ferro com bichos rastejantes e cheiros de musgos pré-históricos, folhagem com húmus amontoado por séculos escondendo bichos de mil patas e lacraus pretos do tamanho de caranguejos

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A trovoada quando surgia era impiedosa levando pelas linhas de água, barrancos ou mulolas, água aos golfões, ramos secos, troncos e restos de casas descuidadamente construídas em sítios menos próprios. Água barrenta, desesperadamente barulhenta. Cada trovão, um arrepio na coluna a descarregar respeito de medo para a mãe terra e, lá mais longe os raios a rasgarem a floresta, a mata com quem tinha de cohabitar. E, comi iguana, jacaré caimãs, morrocois, catxicamos e nem sei mais o quê!

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Se não morri quando comi macaco em Cabinda na pré-guerra do tundamunjila, não era ali e naquele agora que ia lerpar (morrer), assim como se dizia nas matambas de N´Gola. Pois, assim continuei comendo especiarias ao preço da chuva sem perguntar “que vaina era aquella” (que merda era aquela). Estávamos no ano da graça de 1977.

poluição.jpg Gosto de falar assim “no ano da graça” mas nem sei porquê o digo, porque a graça não era assim tanta mas, se os cronistas de antanho assim falavam, eu seguirei seus pergaminhos de falas transcendentes. Minha vida tem sido mesmomesmo corrida a ninharias que me mudaram o rumo e, ainda continua desse jeito, imprevisível; hoje aqui, amanha logo se saberá…

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No meio da selva tropical, mordia a natureza embotado em fumo de bananeiras e merda seca de boi para afugentar tanto mosquito que por demasiado amistoso fincava seus canudos em minha pele parda; tudo isto  sem saber que anos depois estaria em plena praia da costa brasileira olhando o mesmo Sol e escrevendo estes “recuerdos” já distantes.

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Quem me disser que “tive uma vida fácil” que responderei que sim! Quis o destino que andasse por mais de vinticinco países e, que por longo tempo em alguns, assimilei raízes de cidadão do mundo como gosto de o afirmar. Se voltasse atrás faria tal e qual, porque sempre me recolhi nos braços do meu céu. A lei humana alcança certas faltas e as pune, o condenado pode pois dizer-se que suporta a consequência do que fez.

valdir4.jpg  Se há um prejudicado nesta vida foi a herança legada pelas sortes. É o destino! Dizer que é só meu é uma falácia egoísta mas se assim foi, se assim é, não retrocarei outras falas e outras opiniões. É a vida! Alguém me diz agora que sou um Guru! E eu responderei que sim senhor, sou um canguru!

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Mas, não tiro daí dividendos, escrevo desta forma atravessada porque me dá prazer e só não escrevinharei um livro porque isto de autobiografias se tornou demasiado vulgar. Só escrevo isto para dar alguma alegria aos meus amigos e porque entre os solavancos dos dizeres, sempre eles irão sentir um pouco de si, e também cheiros, sabores e até amores. A vida tem de ser vivida, um dia de cada vez, nada mais que isto!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:47
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MALAMBAS . CLXVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO Tenho-me forçado a encontrar um herói perfeito, um que seja observador o quanto baste para investigar os antagónicos traços das pessoas que nos cercam… hoje estou em dia NÂO…

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

roxo131.jpg O homem procura instintivamente seu bem-estar e, mesmo tendo a certeza que não vai estar senão por pouco tempo num lugar, ainda quer assim mesmo, aí estar melhor ou o menos mal possível; não há ninguém que, achando um espinho cravado em seu pé, não o tire para não sofrer a dor. Nesta procura de bem-estar, possuído que está do instinto do progresso conserva-se em união com a natureza. Mas, sabe-se haver pessoas que permanentemente e como prática vulgar, fazem dos outros parvos espetando ideias desconchavadas com suas engordados falas, inchando seu EGO num baú de fantasia; sua mente!

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Tem gente assim, que geme e chora e logo em seguida lança cuspe, inventa situações de intriga com risos de veneno. O mundo fica complicado quando se depara que a sociedade tem gente que só vive em criar situações para daí tirar proveito, ficar senhor do pedaço. E há organizações de advogados, que nada mais faz do que ir ao encontro dos improváveis para dai torna-los possíveis a preço de oiro. Estes vendedores de assinatura tornam as coisas simples em complicadas surgindo mais tarde como os salvadores do evento e, agarrando o melhor pedaço do bocado.

roxo117.jpg Tenho compreendido com o tempo a esterilidade das honras e das grandezas que muitos buscam com tanta avidez! E, como vamos arranjar benevolência para com todos aqueles que nos fazem perguntas de como fostes, que posição ocupaste, que bem haveis feito no intuito de despistar sua singularidade de gente imprestável. E, são muitos os desclassificados desta sociedade a tentar despistar nosso cérebro. Doutores, engenheiros, professores, psicólogos; um sem fim de missangados em espetadas de corações…   

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Há imprudência de todos nós povo, por aceitá-los e promulgá-los levianamente como verdadeiros! Isso não é comigo! Vamos ver no que isto dá! Vamos dar tempo ao tempo e, nesta lengalenga comem-nos os quesitos, apropriam-se de nossos silêncios, ditam leis para se superarem; comem-nos o verbo, o prefixo e o sufixo desculpando-se no particípio passado, fora de tempo, coisas prescritas. Este mundo está negligenciando-se por insuficiência de luz nos nossos pensamentos.

roxo116.jpg Nossa opinião não é, aos nossos próprios olhos, senão uma opinião pessoal que pode ser justa ou falsa porque não somos mais infalíveis que um qualquer outro. E, como fico eu, assim, depois de levar uma vida a ensinar aos meus filhos a praticar boas acções e, quando ao seu redor só há compadrios, gente a enricar usando falsidades, governantes a umbigar ao estado toda a família e, amigalhaços; e tudo passa ao de leve sem nada acontecer à árvore dos maus frutos! Pois então não é pelo fruto que se reconhece a árvore? Sendo assim, porquê não se corta a árvore!  

roxo61.jpg Ando muito desconsolado e à procura dos prazeres da alma. Sim! É verdade quando leio em quantos tormentos, ao contrário, se poupa aquele que se sabe contentar com o que tem, que vê sem inveja o que não têm, que não procura parecer mais do que é. Pois então: haverá maiores tormentos que aqueles causados pela inveja e o ciúme? Estes cidadãos não têm repouso, deverão estar sempre em febre; o que eles não têm e o que os outros possuem lhes causa insónia. Mas afinal neste contexto quem são os pobres de espírito!? O César o que é de César!

Ilustrações: os gatafunhos de Rocho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:55
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Sexta-feira, 10 de Março de 2017
MUXIMA . LXX

MEMORIAS - COISAS DO LUBANGO - Diamonds, transformadas em "Carreiras mistas de passageiros e carga"… COISAS DO MATO - Monteiro´s Hornbill…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade …

torres13.jpgEduardo Torres - Um Xicoronho de 3ª geração - "Se alguém lhe fechar a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.” - Gandhi

monteiro ornbilll.jpgNa outra encarnação devo ter sido um pássaro da ordem dos Bucerotiformes – Tocku. Este hornbill do Monteiro (Tockus monteiro) é um pássaro Africano. É uma ave de tamanho médio com uns 45 centímetros de comprimento caracterizada por uma barriga branca, de colar preto, manchas brancas nas asas e penas de voo secundárias de cor branca. As penas exteriores da cauda longa, também são brancas.

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Estava compondo este texto do pássaro com meu nome quando me surge no écran do lado um passarão com o nome de Eduardson Torres e, com um assunto sem tema: quando quero escrever qualquer coisa, e não tenho tema para o fazer, a partir do nada invento qualquer coisa, que seja substancial, que justifique o tempo que vou usar. Pois começou assim e, continuou! Procuro escrever de lugares que conheci ou onde vivi; sítios tão diferentes uns dos outros! Aqui afinei minha astucia quando refere esta cena de falar dos outros.  

torres26.jpg Larguei a cena do Eduardson recomeçando minha descrição do pássaro: As fêmeas são menores do que os machos podendo ser reconhecidas pela pele facial turquesa. Os olhos são pretos e o bico é vermelho. Ao contrário de outras árvores, o hornbill do Monteiro alimenta-se exclusivamente de insectos e outros pequenos artrópodes. Seu habitat é a savana de espinhos secos nos campos do noroeste da Namíbia e sul de Angola.

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De novo as luzes piscando e é o EDU que continua: Pois falo de gente marcante na minha vida, muitas das vezes sem motivo aparente, mas cujo significado é uma razão forte para o mencionar. Estava aqui a pensar no meu pai e no velho Araújo. Recordo-me perfeitamente, ainda criança, ir lá à oficina para o meu pai resolver algum assunto relacionado com a viatura, por vezes era a Nash, aproveitarem para dois dedos de conversa, falar de suas figuras, de boné, óculos, corpo já ligeiramente curvada; conversas de boi dormir com umas graçolas pelo meio. Enquanto isso eu, curioso, via os trabalhos de mecânica que estavam a ser feitos entre os desperdícios impregnados de óleo.

torres11.jpg Voltando ao meu hornbill, sei que na primavera migram para a região mais a sul de Windhoek para nidificar. Era aqui que vivia o Eduardson das canetas rotring e aparos graph; um mestre em linhas feitas à mão mostrando sua habilidade, assim tão grande quanta a sua calma. Nunca falei com ele destas aves, embora saiba que coabitava com elas na Mina de ferro das secas mulolas (creio que era algo como Rocing).  

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Estas aves estão adaptadas ao ambiente árido; beber, não é uma necessidade vital para eles. Reproduzem-se no final de uma boa estação de chuvas, colocando 3 a 5 ovos branco-acinzentado, que chocam após aproximadamente 45 dias. O ninho é construído em paredões rochosos ou árvores. O hornbill do Monteiro é uma espécie endémica comum da Namíbia, com uma população total estimada em 340.000 indivíduos. Exposto isto, dedico-me por inteiro à descrição do EDU, de quando ele era um pequenote e usava aqueles calções de zuarte dum amarelo desmaiado, umas borrachas de fisga atiradeira a pender do bolso de trás.

torres27.jpg Saídos dali, o meu pai passava pela farmácia Alexandre, conversava um pouco com o proprietário, magro, de nariz adunco, óculos, bata branca, lá no seu laboratório a fazer as pomadas que se usavam na época, e depois seguíamos para a camionagem do Venâncio Guimarães ao virar da esquina, e em que o meu pai era sócio gerente. Lá encontrava os motoristas Mateus, Luís Marques, João Correia, que em cada viagem levava a sua guitarra, para a ir dedilhando, quando fosse tempo disso; uma venda do mato para os lados da Chibia…

torres29.jpg Eu ficava encantado, como ainda hoje fico, ao olhar as vermelhas Diamonds, transformadas em "Carreiras mistas de passageiros e carga", com as cabines concebidas e construídas localmente para o efeito. São recordações que perduram pelo tempo fora, lembranças de pessoas que marcaram uma época, e conhecidas por quase toda a população da cidade. É por este motivo que de quando em vez vou à Internet consultar automóveis de outras épocas, procurar viaturas de marcas diferentes que fizeram o meu encanto de criança.

EDU

Com suas memórias do Lubango e

T´Chingange com suas estórias do Mato



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:29
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Quarta-feira, 8 de Março de 2017
MALAMBAS . CLXVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Muitas das coisas que acontecem neste nosso mundo, vêem de opiniões que se dizem acertadas! … Mas, nem sempre assim, o é!...

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange - O Niassalês

adam2.jpg Com o gosto de me esfregar na vida percorro o calçadão da Pajuçara, ando por aí com minhas botas papa-léguas, recentemente recauchutadas num sapateiro com boteco montado em plena rua das árvores do centro de Maceió. Logo após o entrudo, quinta-feira das cinzas fui ao camelô sapateiro de rua, conforme o combinado mas, o cara não estava; aliás, estava quase tudo fechado pela ressaca do carnaval. Pois assim, tive de entregar ao Jeferson as ditas cujas, mesmo ficando mais caro em quinze reais.

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O cameló de rua pediu-me 35 reais enquanto este, abriu a boca com sessenta e, na reclamação ganhei dez ficando por cinquenta. Aqui todo mundo tem de ficar a ganhar, ficar por cima, mesmo que isso seja assim uma ilusão de palavreado como se todos entendessem desse negócio de bolsa, de flutuação do mercado, de cotação e gráficos com tendência de subir ou descer. Todos querem ficar por cima num qualquer negócio, mesmo sendo banal; assim todo o mundo sai ganhando embora alguns, em verdade, ganhem juízo!

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No correr do tempo todos ficam mais ou menos assim, passando a ser tudo conotado como uma questão cultural de passar a perna por cima; para pior antes assim! Até que acaba por ser giro assistir a isto e ouvir o povo de rua que se desenrasca vendendo água gelada e montando banca em cima duma porta a caminho do lixo; Qual ASAE do m´Puto qual quê!? ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, Orgão de Polícia Criminal) - Organização fiscalizadora de regras ditadas pelos políticos) é um negócio de chatear a malta que se quer safar na vida; é assim como um corpo policial que vê se os regulamentos estão sendo compridos.

ÁFRICA2.jpg Isso dos decretos que só proíbem exigindo termos num negócio, um conjunto de seis facas com cabos de cores diferentes: vermelha para a carne, verde para a hortaliça, amarela para o queijo, azul para o peixe, castanha para os enchidos e mais o escambau. Mas ainda se fosse só isso; temos lá no cantinho da Europa chamado de Portugal outras muitas organizações de roubar o povo multando, aplicando taxas, criando situações de abafar iniciativas. O Brasil faz cópia disso com Xerox. É um sem fim de Órgãos estatais a roubar para fazer andar a máquina dizem eles, os empoleirados do Governo que só fazem isto como se fossem os Patrícios da antiga Roma.

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Enfim uma cambada de gente improdutiva que saca de quem trabalha à tripa-forra. Depois surgem os da higiene e saúde mais segurança no trabalho a imporem suas prepotências, segurando as pontas em empregos para uns quantos afilhados da nomenclatura do partido, os amigalhaços. Mas que merda de sociedade! Prefiro o mato! De novo no Brasil, aqui ninguém pode ser bobão e, ficar logologo no primeiro preço! Quem fica com a língua agarrada aos dentes, sofre estes desaires reclamando da vida, de tudo e até do calor brabo que não tem nada com isto; um desaforo de dar o fora…

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Aqui no Nordeste brasileiro todo o mundo é meio turco, meio libanês, meio Índio, meio branco, meio preto, meio japonês, meio português e mais o escambau vindo da cochinchina de baixo, do Vietname ou do Miamar, antiga Indonésia. Mas, como eu sou exótico digo sempre que sou Niassalês e ninguém me pergunta que raio de país é esse!? Um ou outro, curioso e sabedor, tem uma vaga ideia desse nome, não pode indiciar burrice viu, dum distante pais ao lado do Lago Niassa mas por via de supostas interpretações e paradigmas complicados, fica assim por isso mesmo. O Tuga Niassalês da N´gola que sou eu.

botas de tabaibos.jpg Sou Niassalês e pronto! Isto de nos baptizarem de uma terra e passarmos a ser propriedade duns quanto eleitos, feitos patrícios de Roma está mal! Qualquer coisa deve ter demudar com o tempo. Angola é pioneira nesta matéria porque o cidadão branco que lá nasceu antes de 1975 é colono, mas, só os brancos! A nossa terra é aquela aonde nos sentimos bem, nos tratam com familiaridade, são participativos em nossas ambições, roubam-nos quando podem ou deixamos, sempre seguindo as pistas, ditames dos governantes ladrões até debaixo de água ou com dinheiro na peúga ou cueca. Aqui, Brasil ou em Portugal, é tudo quasequase igual, só muda mesmo é a temperatura dos factos sem o “c” Hodierno.

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Outros há, que sabem ter havido um paquete, navio ou vapor com esse nome e sempre ficam com a ligeira impressão de que virou ferrugem e, não estão errados embora não passe de ser uma simples suposição no particípio acabado (passado)! Foi por isso que os entendidos na definição de raças, os etnólogos e essa catrefada de gente que estuda as sociedades, tais como os sociólogos e edecéteras tiveram dificuldade em definir as raças brasileiras, aprendi em meu muito antigo estudo primário que havia quatro raças puras e básicas, a saber: branca, amarela, vermelha e preta.

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Mas aqui o negócio foi, é e sempre será outro. Tudo se misturou dando a Raça Humana e aqui entram pardos, mamelucos, matutos, mazombos e um sem fim de polimentos na forma de pigmentos; sem regatear as horas que Deus me deu, faço-o bem à maneira do escritor e poeta alagoano Aldo Rubens Flores ou tantos outros incógnitos por quem passo na rua; eles ali sentadinhos feitos estátua. O mundo por vezes é pequeno e assim sem predestinar horários, vou bordejando o mar cor de esmeralda á sombra de muitos coqueiros!

soba02.jpg Para um pé carente há sempre um chinelo velho! O meu sapato biqueira de aço (normas de Segurança e higiene do trabalho dos outros) descascou da sola; enganam-nos de toda a forma - de todo o jeito também nos vamos descascando… Sob o ponto de vista na vida futura, a Humanidade, como as estrelas do firmamento, perde-se na imensidão.

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Nós nos apercebemos então que grandes e pequenos estão confundidos como as formigas sobre um torrão de terra; que proletários e potentados são do mesmo talhe, e lamenta esses homens efémeros que se dão a tanta inquietação para conquistarem um lugar que os eleve. É assim que a importância atribuída aos bens terrenos (tributo), está sempre na razão inversa da fé na vida futura. Adivinhar, é pecado!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:51
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Segunda-feira, 6 de Março de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXIX

TEMPOS PARA ESQUECER - 06.03.2017 - ANGOLA DA LUUA XXVIII

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA.  Uma e outra vez... “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo…

Por     

t´chingange 0.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

Havia uma junta Governativa em Angola mas o MPLA fazia tábua rasa desta, assumindo suas antigas funções ministeriais, assinando diplomas sem respeitar a restrição imposta pelo Decreto-Lei de 14 de Agosto de a 1975. O Ministro Said Mingas (Dias Mingas), um meu antigo colega de carteira na E.I.L. por uns bons cinco anos, introduzia restrições à exportação de viaturas, só autorizando a saída de uma viatura ligeira por agregado familiar. Em verdade o MPLA estava a proceder como um governo sem cumprir os acordos preestabelecidos com as demais partes do Acordo de Alvor - Penina.

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Seria obrigatória a verificação aduaneira rigorosa de todas as bagagens e mercadorias com destino ao exterior de Angola. O curioso de todas estas medidas foi ver mais tarde gente que fazia o controlo de bagagens nos portos e Aeroportos inscreverem-se em Portugal no Quadro Geral de Adidos e ocuparem até lugares públicos no aparelho de Estado Português. Não se verificou nenhuma retaliação ou marginalização a estas caras de pau que dizendo-se uns mwangolés de primeira apanha, fugiram também para a segurança da Metrópole.

chai0.jpg Outros destes pseudopatriotas mwangolés que nem sendo funcionários no Ultramar arranjaram testemunhas e por declaração integraram-se como funcionários no M´Puto; a mesma que eles tanto abominavam. Não vou aqui denunciar este ou aquele nominalmente, mas uma grande parte de meus leitores sabe que isto é uma verdade. Pode dizer-se aqui que os carrascos, os mesmos que nos retiraram os anéis, ainda tiveram o gozo de usufruir benesses quando mereciam o inverso, ficar confinados a masmorras. Nenhum destes, agora bem acomodados em Angola e, alguns pertencendo à nomenclatura do governo pode dizer que foi destratado no M´Puto. 

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As FAP (Forças Armadas Portuguesas) limitavam-se só a garantir a integridade dos refugiados sem actuar na gestão da governação. Em meados de Agosto, Mingas, assinou o Decreto que limitava os levantamentos de depósitos bancários a vinte contos por mês em vez dos quinze contos semanais permitidos e, passava a ser interdita a saída da moeda angolana do país bem como a loteria premiada.

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Leonel Cardoso, o novo inquilino como Oficial Superior do sinistro C.R. mais Ferreira de Macedo, o Alto-Comissário interino, mantinham-se encerrados no Palácio da Cidade Alta servindo os interesses do MPLA, em verdade o auto intitulado governo; os genuínos donos de Angola. Forneciam a estes dados estratégicos e fotografias aéreas para desmantelar tanto a FNLA como gente descontente. Muitos portugueses foram parar às prisões da Boavista ao Bungo e praça de toiros do Bairro Caputo. Muitos saíram de lá metidos em lençóis para as covas do Cemitério de Catete ou para os jacarés do Lifune, Kifangondo ou panguila.

chai4.jpg No Caxito, havia avanços e recuos da FNLA e MPLA; O ELNA controlava a 13 de Agosto a Barra do Dande tendo reconstruido a ponte e mantendo três colunas militares em suas margens mais um menor grupo na estrada do Cacuaco. As FAPLA recuavam para Sul da picada da Barra do Dande-Kifangondo. Em Cabinda as FAPLA eram donas da situação em todo o enclave. O alargamento da guerra para Sul leva milhares de pessoas a efectuar uma penosa epopeia, romaria sem retorno em direcção ao deserto do Namibe com muitas e variadas peripécias de chantagens como garantia de protecção ate chegarem ao Sudoeste Namibiano.

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Um Deus nos acuda com um salve-se quem puder! Entretanto as tais Nossas Tropas já eram poucas para controlar quem quer que fosse. A UNITA boicotava enquanto os homens de Chipenda, agora da FNLA, escoltavam com pagamento de 3000 contos os refugiados até à fronteira Sul. Oshakati era o ponto de encontro das caravanas saídas de Malange, Uíge, Nova Lisboa, Lobito, Novo Redondo ou Benguela e mesmo da Luanda já tão martirizada.

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Um pouco de todos os lados, em grupos ou deslocados como formigas sem tino, fugiam simplesmente. Alguém lhe desfazia o carreiro do rumo acertado. E, o rumo era a paz, a fuga aos tiros, às atrocidades gratuitas, regra geral para o Sul e para a costa Atlântica. O destino era Grootfontein com a supervisão de militares e autoridades Sul-Africanas. Era ali que se situava o campo de recepção aos refugiados. Ali chegavam camiões, automóveis e veículos de toda a ordem e também máquinas de terraplenar, caterpílares e tractores com alfaias.

guerra20.jpg Em uma destas caravanas seguia meu compadre José Matias que resultado de um desencontro, ele foi e eu fiquei! Tinha-me deslocado a Luanda a fim de levar minha sogra para casa de um outro filho que vivia na Maianga da Luua. Pois aconteceu que o que vi nesta viagem por terra, desvaneceu-me por completo a vontade de ficar na N´Gola que tanto queria. E, vi casas queimadas, povoações abandonadas, gente deambulando de um lado para outro sem uma precisa orientação.

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Em Muquitixe estive encostado a um muro velho com minha sogra idosa! Não se sabia o que poderia sair daqueles drogados que revistavam o autocarro aonde seguíamos. Podíamos ter sido ali, metralhados, como num filme de revolução, cuja morte parece sempre surgir junto a um já esburacado muro! Simplesmente isto, não aconteceu. Ninguém se culparia e nem haveria de jurar a alguém! Parecia não haver esse tal de alguém; simplesmente, assustador!

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Estes comboios de refugiados eram escoltados por norma pelas tropas portuguesas e também do MPLA numa já perfeita parceria de zelo de estado criado um autêntico corredor entre as cidades do Centro e Norte e Namacunde na estrada principal do Sul. A falta de gasolina, água e alimentos tornava-se cada vez mais dramática pela carência. Trocavam-se contos ao desbarato por tambores de gasolina. A tropa portuguesa assistia agora à fuga de milhares de ex-colonos e naturais com um sentimento de impotência, coisa confrangedora para alguns.

feca yetu2.jpg Não haveria desculpas para essa corja de militares de aviário, os cérebros do Concelho da Revolução e muitos civis que se ufanavam deste feito como sendo exemplar. Prometi recordar estas tristes passagens, tempo de tão mau augúrio para um Império que ruiu da pior forma, sem dignidade; tudo feito por empedernidos fanáticos que a troco de uma centelha de nada ideológico empederniam-se num regime despótico e anárquico entregando as gentes ao descaso, aos entretantos …

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:38
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FRATERNIDADES . CXII

NEURÓNIOS SELECTIVOS - Como livre-pensador, não me subordino a nada nem a ninguém, pois quando renegamos ao direito de ser diferentes, perdemos o privilegio de sermos livres.

soba k.jpgAs escolhas* de T´Chingange

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto

Na vida, temos sempre dois caminhos a seguir, o das verdades duras ou o das mentiras confortáveis. É uma opção proposta a todos os seres humanos logo que atingem a idade da razão. Tenho várias visões sobre diferentes formas comportamentais de como as pessoas podem reagir quando confrontadas na sua zona de conforto, as quais, na maioria das vezes, não foram conquistadas por moto próprio pelo conhecimento e questionamento, mas sim adquiridas por indução venosa e, muitas vezes sem a permissão do próprio.

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Se o mundo não aceita a minha opinião pela falta de conhecimento ou ignorância, também não lhes concedo o direito de criticarem ou julgarem as minhas decisões. Como livre-pensador que sou não me encontro subordinado a nada nem a ninguém, pois quando renegamos ao direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de sermos livres.

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Nunca devemos seguir ou obedecer aos cânones impostos por terceiros uma vez que todos devem ter a faculdade de pensar, analisar, dissecar todo o lixo tóxico que nos é incutido desde que nascemos. Os gurus pretensamente donos de diferentes verdades pululam em todas as áreas da sociedade e, como predadores buscam vítimas indefesas e ignorantes para se tornem seus mentores.

louva7.jpg Apressam-se por isso a persuadi-las, arregimenta-las para as suas hostes religiosas, politica ou desportivas, logo que atinjam os escalões etários param serem doutrinados. Nunca devemos permitir que o nosso raciocínio lógico e a nossa clarividência intelectual sejam afectados pela incapacidade e embotamento cerebral. Se o permitirmos, correremos o risco de ficar anestesiados na forma policromática e sedutora do soro, veneno da mentira.

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Pensar, é como ter-se vivido num quarto escuro desde que se nasceu e um dia acordar abrir essa porta, que pensamos estar trancada, sair e ver o sol pela primeira vez. Mantenho uma isenção, ausência e afastamento pessoal dos meus sentimentos em relação a tudo o que escrevo, o que me permite escolher sem segregar os temas que pretendo debater mesmo que possa existir uma conflitualidade pessoal.

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A escrita resume-se a juntar letras ou caracteres que formam palavras e frases, as quais de uma forma racional e estruturada se conjugam para formar um texto que eventualmente desperte interesse ou a curiosidade de quem o lê. Não sou mercenário da minha pena e muito menos de alguém que me pague para definir critérios ou bandeiras que não sejam as minhas, sintetizando, não escrevo por encomenda, a metro ou a peso.

nauk13.jpg Escrevo o que quero, quando quero ou quando sinto que tenho algo para transmitir ou partilhar, mesmo que o conteúdo da mensagem seja rejeitado pela maioria, ou me crie inimigos. Procuro não agradar, quer a Gregos ou Troianos, cair nas boas graças de ninguém em particular ou percorrer os caminhos mais fáceis que proporcionam mais exposição, recompensa ou unicidade de pensamento.

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Escolho de forma aleatória e indiscriminada os temas mesmo sabendo antecipadamente que os mesmos possam ter o condão de despertar paixões, provocar conflitos, acicatar sensibilidades, desafiar crenças e dogmas de fé, criticar gostos ou fanatismo radicais, sejam eles de que teor forem. Na minha intransigência e consistência de princípio faz-me sentir como as velhas árvores ou soldados que morrem de pé e não de joelhos implorando perdão ou renegando as suas convicções.

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Não abdico de argumentar quando sinto que faço parte dos 2% daqueles que pensam e não dos 3% daqueles que julgam que pensam ou dos 95% daqueles que se encontram destituídos da capacidade de pensar e como tal nem sequer têm consciência que existem.

Avillez2.jpg Essa grande massa anónima dos 98% encontra-se nivelada pela sua mediocridade e a sua existência oficial de nados vivos apenas é reflectida pelo número do seu cartão de cidadão até que a sua certidão de óbito seja emitida. A todos estes que passam pela vida sem deixar qualquer rasto e que só contam estatisticamente para o censo apenas servem para consumir o oxigénio que oxigena os neurónios dos que verdadeiramente pensam e fazem história.

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Os 98% da população mundial que, bagagem ou peso morto é carregada pelos 2% de pensantes que detêm o poder e dinheiro que os alimenta. Estes proxenetas da sociedade passam as suas vidas como sanguessugas a chupar quem os alimenta. Não me surpreendendo que a era robótica seja mais rapidamente implementada, pois “robots” não precisam de férias, não ficam de baixa como doentes ou engravidam; portanto, os seres humanos como força trabalhadora, num futuro próximo, estarão condenados a sua obsolescência e descontinuidade.

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Todos eles seguem de forma ordenada e decalcada os caminhos da religião, politica e clube desportivo que eu considero como comer bacalhau cozinhado em diferentes restaurantes, por diferentes cozinheiros de modos diferentes. A grande maioria das pessoas precisam de muletas metafisicas para se movimentarem ao longo das suas vidas pois pensam que nasceram sem pés para andar, tal como um pássaro criado numa gaiola

capta0.jpg Muitos há, que embora tendo asas, não sabem como voar! O céu paraíso e o inferno existem mas, nada tem a ver com a concepção religiosa descrita nos livros sagrados ou de uma al de punição divina. Quer um quer outro habitam dentro de nós, são pessoais e intransferíveis e as sentenças de recompensas ou remorsos são ditadas pelas nossas consciências.

J. Canhoto aos 5 -1-2016

*Nota: A escolha de T´Chingange refere-se ao todo pensamento descritivo, subscrevendo-o por homologação...



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:54
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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017
PÉROLAS. II
 

“O PALAVRÓRIO DA FUNÇÃO ERUDITA” - Parte II

O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo…

soba k.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por

julio1.jpg JÚLIO FERROLHO…. Professor Aposentado mas pouco (!) - Agricultor nos intervalos da chuva, pastor, professor ainda e sempre!!! – Foi presidente do ISCAL - Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa - Aposentação e reforma após 49 anos de luta diária pela vida dia a dia, sem desistências nem interrupções…

"Coninuo a "estudar"

A ciência é exata? Há ciências exatas?

(AVISO: Este texto pode conter palavreado estranho e aparentemente incoerente. As pessoas mais sensíveis a este fenómeno devem abster-se de o ler).

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O MOTE: Agradeço os seguintes comentários que a nossa querida amiga Maria João Sacagami fez à PARTE I desta série de escritos: “…Só que aí um bando de gente mais curiosa, determinada a provar que a ciência é exacta” e mais …“a certeza científica inexiste. Porque a matéria, ou informação de frequência vibracional que parece ser uma definição mais exacta, acabou se mostrando dependente da atenção e emoção do observador, em seu comportamento”. E também ainda: “…até mesmo com base na observação, a ciência passou a ter outros critérios ao se descobrir que o cientista, Háka observador, influi no resultado da coisa observada a partir das próprias emoções e/ou comportamento deste. Portanto continuamos falando de ciência. A mecânica e a quântica”.

alhambra3.jpg :::1 (…) Afirmei na parte I desta série de escritos, publicada em 15-02-2017, que: “a ciência é caracterizada como o conhecimento racional, sistemático, exacto, verificável e, contudo, falível. Através da investigação científica, o homem vai atingindo uma reconstrução conceitual dinâmica do mundo que é cada vez mais ampla, profunda e exacta”. Receio que houve quem entendesse que eu quis dizer que a ciência é exacta ou algumas ciências são exactas, hoje, no 17.º ano do séc. XXI. O erro é meu porque terei expressado uma ideia não muito clara e desejo corrigi-lo aqui e agora.

:::2

Naquelas minhas frases que acima cito, no entanto, eu escrevi que “o homem vai atingindo uma reconstrução conceitual dinâmica do mundo que é cada vez mais ampla, profunda e exacta” e também escrevi “o conhecimento racional, sistemático, exacto, verificável e, contudo, falível”. Ora o que está em “reconstrução” é porque não está em situação de estabilidade funcional e que se admite que possa vir a ser reconstruído de novo, no futuro; portanto não é um estado acabado do conhecimento, a exactidão é dinâmica. Por outro lado, afirmo que “o conhecimento é falível e, portanto, pode ser substituído por outro.

:::3

Ainda hoje há quem pense que as ciências exactas são as ciências que têm a Matemática, a Química e a Física como peças fundamentais dos estudos científicos. Além das três áreas básicas e todas as suas subdivisões, tais como a Física Quântica e a Físico-Química, entre as ciências que também são consideradas exactas, aparecem a Astronomia, a Estatística, a Ciência da Computação e a Arquitectura. Pensa-se assim porque a principal característica de actuação dos cientistas e dos profissionais destas áreas é o raciocínio lógico. Eu não defendo esta posição.

007.png:::4 - Cabe aqui introduzir o conceito de PARADIGMA e a sua concomitante situação de eventual mudança. Etimologicamente este termo tem origem no grego “paradeigma” que significa modelo ou padrão, correspondendo a algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido numa situação concreta. São as normas orientadoras de um grupo de interessados que estabelecem os limites e as orientações que determinam como um indivíduo desse grupo deve desenvolver o seu pensamento em termos científicos. O termo surgiu inicialmente em Linguística. Na filosofia, um paradigma está relacionado com a epistemologia (conceito abordado na PARTE I), sendo que, para Platão, um paradigma remete para um modelo relacionado com o mundo exemplar das ideias, do qual faz parte o mundo das sensações, das constatações.

:::5

O norte-americano Thomas Kuhn (1922-1996), físico e filósofo da ciência, no seu livro “The Structure of Scientific Revolutions” (4.ª edição 2012) designou como paradigma as “realizações científicas que geram modelos que, por um período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.” Assim o paradigma é um princípio, teoria ou conhecimento originado da pesquisa num determinado campo científico. Uma referência inicial que servirá de modelo para novas pesquisas.

:::6

Distingamos paradigma de hermenêutica, que são conceitos diferentes mas que aparecem por vezes misturados. Esta também é uma palavra com origem grega e significa a arte ou técnica de interpretar e explicar um texto ou discurso. O seu sentido original estava relacionado com a Bíblia, sendo que neste caso consistia na compreensão das Escrituras, para compreender o sentido das palavras de Deus. A hermenêutica também está presente na filosofia e no campo jurídico, em cada um com seu significado. Segundo a filosofia, a hermenêutica aborda duas vertentes: a epistemológica, com a interpretação de textos e é aqui que se poderá confundir com paradigma, e a ontológica, que remete para a interpretação de uma realidade. Etimologicamente, a palavra está relacionada com o deus grego Hermes, que era, entre outras representações, um dos deuses da oratória. (Ver nota 1 de fim de página)

haida art.jpg :::7 - As mudanças de paradigma em cada ciência exigirão que as leis científicas sejam alteradas, melhoradas e até revogadas e substituídas por outras que os novos paradigmas propuserem.

:::8

As ciências ditas exactas estão entre as mais antigas que surgiram e se desenvolveram. Desde a antiguidade, o homem utilizou a Matemática e a Física para resolver muitos dos seus problemas e moldar da melhor forma a natureza e a sociedade. Foram as designadas ciências exactas que proporcionaram que os antigos egípcios construíssem as pirâmides, que os gregos erguessem as suas acrópoles e os seus monumentos que chegaram até nós e também que o homem realizasse a viagem espacial à lua no século XX.

:::9

Mas serão mesmo estas “ciências exactas”? De acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, "exacto" significa "que não contém erro", "que tem grande rigor ou precisão", "perfeito", "irretocável". E é um costume dominante referir-se a matemática como uma ciência exacta. Esta designação, "ciência exacta", frequentemente tem levado pessoas - entre leigos e até profissionais - a crerem que a matemática e as outras ditas ciências exactas, são ciências livres de erros, com grande rigor e precisão, perfeitas e irretocáveis (que não precisam de reconstrução).

:::10

Uma coisa é a impressão que a designação "ciência exacta" pode fazer, do ponto de vista meramente intuitivo. Outra é o que a prática matemática mostra no cotidiano de experientes cientistas e investigadores. Antes de mais nada, é preciso lembrar que matemática é uma actividade intelectual desenvolvida por seres humanos. E seres humanos, como toda a gente sabe, menos os lunáticos ou os desprovidos de senso, e mostra a prática, são criaturas falíveis.

chicor4.jpg:::11 - Aquele (ou aquela) que se condena a uma visão absolutamente clara de mundo, prática, inquestionável, inexorável, exacta, perde o contacto com o que há de mais fundamental em cada um de nós: somos todos seres humanos. A Matemática, a Química e a Física não são actividades extraterrestres, desumanas, mecânicas, previsíveis, inquestionáveis. Bem pelo contrário, são afectadas também por sensações, emoções, alegrias e tristezas.

:::12

É sobretudo por esta razão que concluo que não se pode afirmar que elas sejam ciências exactas. Diz muito bem a Maria João Sacagami que “até mesmo com base na observação, a ciência passou a ter outros critérios” (novos paradigmas, acrescento eu) “ao se descobrir que o cientista, observador, influi no resultado da coisa observada a partir das próprias emoções e/ou comportamentos”

:::Notas

(1) Hermes era o deus mensageiro, dos pesos e medidas, dos pastores, dos oradores, dos poetas, do atletismo, do comércio, das estradas e viagens e das invenções. Era considerado, na Grécia Antiga, o patrono dos diplomatas, dos comerciantes, da ginástica e dos astrónomos. Após a Grécia ser conquistada pelo Império Romano, a figura e o mito de Hermes sofreu um sincretismo com o deus romano Mercúrio (deus do lucro, do comércio e também o mensageiro dos deuses). Este é um dos meus favoritos, pois está representado no emblema da escola de toda a minha vida como estudante, como professor e como dirigente de um instituto público, o ICL /ISCAL

25-02-2017

JCF

(Continua)

ferrolho1.jpg::: T.1 (T - De T´Chinhgange) - PEROLAS II – Foi publicada no Facebook na página Kizomba e, entre vários comentários António Monteiro referiu: - Professor Júlio Ferrolho, os alunos estão chegando! Nós, alunos, vamos ser bem comportados e falar de coisas tão transcendentes que terão necessidade de explicações adicionais! Isto só será possível se não nos sublimarmos!... (Não somos feitos de água!?)... Mas mesmo assim, talvez possamos virar rubis ou diamantes! Quem sabe! E, dito isto foi ver o entrudo…

:::::T.2

Assunção Roxo em uma sua opinião faz menção de que António Monteiro, o T´Chingange da kizomba, iria “reformatar” o tema em tratamento diferenciado! Não! Não se trata de reformatar (quem sou eu para tais desígnios?) o que quer que seja mas sim adendar outras perspectivas e também dar uma visão mais clara do que é um Paradigma em nossa sociedade. O assunto é longo mas vale a pena escalpelizá-lo como sugerem Luís de Magalhães e Edgar Neves com a chancela de “leitura obrigatória”.  

:::::T.3

O essencial da mensagem em Pérolas I e II ultrapassam o âmbito das ciências exactas e naturais como é dito pelo professor Júlio Ferrolho pois que as questões em volta das mudanças de paradigma interessam a historiadores, filósofos, sociólogos e teólogos.  A arte de comunicar ciência tem perspectivas tão interessantes que sendo eu um pé-de-chinelo curioso, só me debruçarei sobre esta hodierna revolução.

:::::T.4

As teorias que não colidam com outros paradigmas teóricos têm grande probabilidade de aceitação. As Teorias Novas que colidam com paradigmas teóricos têm grande probabilidade de sofrerem rejeição devido aos conflitos de ideias e seus mecanismos nos conceitos velhos e novos, competindo para o mesmo fim; estes poderão dominar muitos outros factores culturais sociais e psicológicos.

tonito3.jpg:::::T.5 - Talvez tenha de reflectir sobre o já dito por Maria João Sacagami para interpretar os fenómenos de rejeição que descrevem condicionantes ao sociocultural determinados porque, para estes, não há leis Universais. Fenómenos são fenómenos!

:::::T.6

O Mundo é complicado e a mente humana não o pode compreender completamente. Sendo assim, o conhecer, significa dividir e classificar para depois se determinar relações sistemáticas entre o que se separou. Se Galileu é um grave exemplo de pecado dos homens e da hierarquia da Igreja, entre outros; será exemplo de um obscurantismo grave por parte dos homens de ciência.

pedras 002.jpg:::::T.7 - A história das políticas sociais revela-nos que a estrutura das ciências, afinal, não é, por vezes, tão “lógica” como se julgava. Em jeito de epílogo, talvez eu tenha razão e tales alguém mais não a tenha; mas também é bem possível que nenhum de nós a tenha! Foi Karl Potter quem assim falou.

:::::T.8

Vou agora descrever o que é na prática corrente o tal de paradigma.

A palavra “teoria” provem do grego “ver” e, quer seja uma teoria ou um modelo teórico serão imagens do mundo material, inventadas para o tornar compreensível. Surgem deste modo as teorias ou convicções cujos espíritos nem sempre credibilizam o testemunho dos olhos. Os caminhos que a leis da física nos proporcionam por via da natureza, até ao limite do cosmos e do microfísico, revelam-nos filosofias diferentes das que o Mundo do quotidiano permitem estabelecer.

:::::T.9

A separação entre o homem e o Mundo perde-se nos limites da microfísica com a relação de incerteza de Heisemberg e a visão probabilística da mecânica e matemática quântica. É o espaço-tempo que se esbate no limite das altas velocidades com anos-luz que volatilizam o imediato nas teorias de relatividade.

:::::T.10

A abstracção da lógica matemática, forma superior do conhecimento científico, parece não poder ser formalizada totalmente nos recursos do intelecto humano pois a mente, tem sempre a possibilidade de inventar meios de demonstração que os ultrapassam. Em busca da verdade, rebusquei em tempos, conhecimento em Coimbra; não na cátedra mas, na vivência entre amigos e, entendi melhor o que é um Paradigma em nossas vidas.

roxo27.jpg :::::T.11 - «Mostrar, apresentar, confrontar» - é um conceito das ciências, teoria do conhecimento que define um exemplo típico ou modelo de algo. É a representação de um padrão a ser seguido ou um pressuposto filosófico como matriz… uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas. Para entender melhor este conceito terei de explicar o que ali vivifiquei:

:::::T12

- Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Isto repetiu-se e sem interrupção. Depois de algum tempo, de cada vez que um macaco tentava subir a escada, os outros quatro agrediam-no.

:::::T.13

Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação provocada pelas bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que este fez foi subir a escada, sendo rapidamente retirado dela e, à força pelos outros. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.

roxo118.jpg :::::T.14 - Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, no massacre do novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se a história. Mais um quarto e, finalmente, o último dos veteranos, foram igualmente substituídos, e de igual modo se desenrolou a mesmíssima situação.

:::::T.15

Os cientistas ficaram então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a agredir aquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: - Não sei, por aqui as coisas sempre foram assim!...

:::::T.16

Moral da história: “É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO”, (Albert Einstein)

Colaboração do Soba T´Chingange

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:54
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2017
MUXOXO . XLVIII

TEMPO CINZENTOS .  4ª Parte  – 25.02.2016  

Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida mas sim aquele que melhor se adapta a ela…

Por

soba15.jpgT´Chingange

(…) Pelo sim pelo não, usava umas botas de couro que comprei na feira da Chamusca, de cano alto e justas. Nesta vida de desbravar terras como Serpa Pinto em Angola mas desta feita nas américas, teria de me salvaguardar ao máximo das pragas. Era habitual atar as calças de caqui a meio da canela e por cima das calças a fim de evitar carrapatos; além disso humedecia as franjas das calças com querosene como repelente aos ácaros gigantes.

CAFE5.jpg Mas eu gostava do mato e, ainda gosto! Sucedeu por mais que uma vez ficar retido na borda de cá do rio mulola, linhas de água que só levam água quando chove a montante e, que me lembre, por uma vez tive de andar mais de cem quilómetros para encontrar via de regresso e, sucedeu também termos de ficar por uma noite deste lado e provisoriamente numas barracas, teperas dormindo em redes.

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Outra vez, tivemos mesmo de mudar o acampamento porque era demasiado perigoso atravessar a mulola; levava muita água, troncos, ramos e até bichos. Tivemos pois de nos acomodar em umas cubatas de taipa, comprarmos géneros e designar o mais jeitoso para fazer a comida. Faziam-se fogueiras lá fora com folhas de banana e outras meio secas e com bosta de boi para afugentar a mosquitada e outras bichezas rastejantes.

mess6.jpg Eu, ali no mato feito explorador que nem Hermenegildo Capelo e minha família, mulher e dois filhos em idade escolar, numa distante Caracas, num bairro da hermandade gallega de Sarria, mariperez em Guaicaipuro, bem no sopé da Serra de La Guaira que circunda a Capital Venezuelana.

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Minha vida não foi fácil depois da guerra do Tundamunjila da Luua de N´Gola e, mesmo em terras do M´Puto também não o foi. Passar por aquelas assembleias de trabalhadores a decidirem de punho no ar, tudo “Ad Hoc”, gente que brincava às revoluções, interrupções por demasiadas ninharias e, era ouvir as chaimites a passar em direcção a Tancos e ouvir boatos e gestos disparatados do Vasco Gonçalves, o primeiro-ministro de então.

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Apagávamos o som da televisão e víamos aquela figura de louco, cabelos desgrenhados a lançar cravos e beijos para a populaça de progressismo besta! Quando abria a boca, denunciava-me pelo sotaque de Angola e eram olhares fuzilantes que recebia. Era mais um ranhoso retornado, diriam uns para os outros e eu, com raiva de morder jacarés vivos; Nalguns casos, a família portou-se pior com seus outros familiares vindos das províncias de mentira do Ultramar.

iguana1.jpg E, afinal a vida é assim um sem fim de agoras atados aleatoriamente a nós e por isso ali estava em San José Del Tisnado, um pueblo cercado de mato virgem que há bem pouco tempo tinha estado de quarentena por uma epidemia de cólera e febre-amarela.  

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Neste então, Venezuela era governada por Carlos Andrés Pérez, havia pleno emprego, construíam-se usinas, barragens e carreteras por todo o país. O petróleo jorrava em Maracaíbo com gestão americana dos gringos dos EUA, dos States como dizia o povão pé-de-chinelo. A Venezuela transpirava riqueza!

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Um dia agarrei um caxicamo (tatu) que andava meio zonzo. Não era para menos, o pobre estava empestado de carrapatos, literalmente a ser comido por estes bichos de mil pés; larguei-o na hora! Mas logo um dos homens auxiliares correu a apanhá-lo dizendo: Que haces engeniero? Este animal és mui bueno e, lá o levaram para cozinhar; estava mesmo condenado o pobre bicho! Creio que não me deram a comer como fizeram com a iguana metida numa arepa e na forma de carne desfiada. E, era boa, sim senhor! Melhor que galinha!

iguana2.jpg Em uma estação topográfica Juan Hernandez disse-me apontando para a gigantesca árvore: Mira lo que comeste esta manhãna! Eram várias iguanas, grandes e com aquela serrilha de dinossauro nas costas. Este espanto rapidamente passou a ser vulgar e já nem me assinalavam o que antes tinha comido! Não mostrei grande contrariedade, nem mostrava asco por aquilo e pouco a pouco não mais faziam alusão a isso.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:53
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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017
MUXIMA . LXIX

ONGWEVA DE ANGOLA ... SAUDADE – Os comerciantes do mato e os camionistas - Angola era um cantinho doce do inferno … 

soba k.jpg As escolhas de T´Chingange

Por

torres23.jpgEduardo Torres – Um Chicoronho de 3ª geração - Deus também usava Vick VapourRub para as constipações, mais o óleo de fígado de bacalhau .

Memorias do FB - 25 de Novembro de 2015

camionista 2.jpg Normalmente, junto-me ao meu amigo e vizinho, que vive em frente ao bloco de apartamentos onde habito, cidade de Portimão; somos quase da mesma idade, ambos ex-funcionários da Câmara, ele topógrafo na de Luanda e eu desenhador, na de Sã da Bandeira. Conversamos sobre vários temas da actualidade, mas a conversa acaba sempre na ongweva dos nossos idos tempos de Angola. De um tempo antes de aparecer a penicilina, que se morria mais das infecções do que propriamente das operações, da beladona, pomada para determinados tratamentos, do permanganato milagroso no tratamento de feridas e algumas infecções. Do uso do bicarbonato de sódio para bochechar a boca, dar molho aos pés e usar no caldo verde para ficar mais verde.

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Com alguns trejeitos de muxoxos lembramos as ventosas para se tratar a pneumonia, das papas de linhaça, do famoso Vick VapourRub para as constipações, no óleo de fígado de bacalhau tomado no tempo do frio, do aparecimento do leite em pó Nido e Nestlé, das sulfamidas que tratavam tudo, e sobretudo, da vida difícil desses tempos em que os recursos eram escassos.

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E, vinha a época das chuvas em que uma viagem se tornava periclitante. Tínhamos de estar precavidos para tudo; essas viagens podiam durar um dia como de uma semana. Na Angola desse tempo vivia-se com muita solidariedade entre as pessoas. Os camionistas, neste aspecto, eram uma classe muito especial; com enormes dificuldades para fazer percursos lamacentos juntarem-se em grupo para não ficarem sós naqueles ermos de mata fechada, medonha nas noites de trovoada, um desabar do céu feito água.

camioneta 3.jpg Ou mesmo um deserto sem coisa alguma por quilómetros e quilómetros; por ter surgido um obstáculo ali ficavam dias sem poder continuar; juntos, conhecidos ou não, utilizavam seus  meios de desenrasca, usando arames, tubos e paus, as engenhocas possíveis para resolverem as panes. Tornavam-se amigos e, essa amizade simbolizava a força da união na estrada.

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As vendas do mato, eram sempre ponto de paragem obrigatório, para se beber uma cerveja, falar das novidades, por a conversa em dia. Cada um, à sua maneira, procurava ser solidário na resolução de qualquer problema. Isso enaltecia-os. Eram eles o traço de união das gentes que viviam internados no cú de judas e as outras, que viviam em lugarejos com uma igreja, um adro e três ou quatro casas de taipa e umas quantas palhotas.

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Eram o sangue vigoroso que circulava nas veias difíceis, as estradas, e que fazia bater forte o coração dessa imensa e grandiosa terra, inóspita, mas singularmente terna e apaixonante; com cheiros especiais de chuva, de pó, de cacimbo e ternuras. É uma ongweva de vivências que só desaparecerá com o tempo, com o fim do ciclo de uma vida.

nasch1.jpg Procurarei deixar bem explícito que Africa não era a terra das patacas, como muitos pensavam, porque viam os verdadeiros colonialistas bem instalados aqui no Continente, a viverem do trabalho de quem mantinha a produção das sua roças de café, do algodão, do sisal, dos administradores da Diamang e de todas as outras imensas riquezas que contribuíam para o enriquecimento do tesouro nacional.

EDU

Com umas pequenas intervenções de T´Chingange.



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:49
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017
PÉROLAS. I

“O PALAVRÓRIO DA FUNÇÃO ERUDITA” - Parte I

O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo…

soba k.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por

julio1.jpg JÚLIO FERROLHO…. Professor Aposentado mas pouco (!) - Agricultor nos intervalos da chuva, pastor, professor ainda e sempre!!! – Foi presidente do ISCAL - Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa - Aposentação e reforma após 49 anos de luta diária pela vida dia a dia, sem desistências nem interrupções…

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Prof. Júlio Ferrolho é daqueles que nunca esquecemos determinadas aulas, conversas e ensinamentos! Um exemplo de como deveria ser o nosso ensino! Parabéns pelo exemplo que nos deu! – É este, um comentário que extraí de sua página e que aqui reproduzo sem prévia autorização. Tentei, tentei, mas deveria estar cuidando de seus perdigueiros…

julio3.jpgFigueira da Fóz

Sinto que nunca deixei de ser estudante! - AVISO: Este texto pode conter palavreado estranho e aparentemente incoerente. As pessoas mais sensíveis a este fenómeno devem abster-se de o ler. (COMO NÃO SOU ESPECIALISTA DEIXAREI PARA OUTRO MOMENTO ainda muitas QUESTÕES e sobretudo as SAGRADAS relacionadas COM O TEMA)…

:::

A ciência é caracterizada como o conhecimento racional, sistemático, exacto, verificável e, contudo, falível. Através da investigação científica, o homem vai atingindo uma reconstrução conceitual dinâmica do mundo que é cada vez mais ampla, profunda e exacta.

roxomania2.jpgO homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo, mas enriquecê-lo para construir outros universos. Manipula e remodela a natureza submetendo-a às suas necessidades materiais e espirituais, bem como aos seus sonhos. Criou assim o mundo dos sonhos, das quimeras, dos artefactos e o mundo da cultura.

:::

A actividade da Ciência - como a investigação - pertence à vida social na medida em que é aplicada para melhorar o nosso meio, tanto natural como artificial, para inventar e construir ou fabricar bens materiais e produzir bens culturais ou imateriais. Deste modo a ciência transformou-se em tecnologia e arte.

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Por outro prisma, a ciência surge aos nossos olhos como a mais deslumbrante e assombrosa das estrelas quando a consideramos como um bem em si, isto é como uma produtora de nova actividade de ideias (investigação científica e o seu resultado, a inovação).

socie1.jpgA epistemologia encerra, em termos sintéticos, a teoria do conhecimento. Mas podemos considerá-la como o estudo crítico dos princípios, hipóteses, e resultados das diferentes ciências, procurando determinar-lhes a origem, a lógica, o valor e o alcance objectivo.

:::

Nem toda a pesquisa científica visa obter um conhecimento objectivo. A lógica e a matemática - ou seja, os vários sistemas de lógica formal - e os diferentes capítulos da matemática pura são racionais, sistemáticos e verificáveis, mas não são objectivos; não nos dão informações sobre a realidade porque não estão simplesmente preocupadas com os factos.

:::

A lógica e a matemática tentam construir entidades ideais; estas só existem na mente humana. Elas não recebem objectos de estudo: constroem os seus próprios objectos. É verdade que muitas vezes fazem-no por abstracção dos objectos reais (naturais e sociais). Além disso, o trabalho lógico ou matemático muitas vezes atende às necessidades do naturalista, do sociólogo ou do tecnólogo e é por esta razão que a sociedade tolera estas actividades e até parece estimulá-las. A física, a química, a fisiologia, a psicologia, a economia e outras ciências usam a matemática como uma ferramenta para fazer a reconstrução mais precisa das relações complexas que ocorrem entre os factos que estudam e interpretam e os vários aspectos destes.

roxo107.jpg Um dos aspectos fulcrais da ciência é a questão do MÉTODO CIENTÍFICO que deve ser seguido para chegar a conclusões científicas. A metodologia científica tem a sua origem no pensamento do filósofo francês Descartes, que foi posteriormente desenvolvida empiricamente pelo físico inglês Isaac Newton.

:::

René Descartes propôs chegar à verdade através da dúvida sistemática e da decomposição de qualquer problema nas suas pequenas partes constituintes, características que definiriam a base da investigação científica. Escreveu um livro famoso “Discurso do Método" onde afirma:

:::

''E como a multiplicidade das leis serve frequentemente para escusar os vícios, de sorte que um estado é muito melhor governado quando, possuindo poucas, elas são aí rigorosamente aplicadas, assim, em lugar de um grande número de preceitos dos quais a lógica é composta, acrediteis que já me seriam bastante quatro, contanto que tomasse a firme e constante resolução de não deixar uma vez só de observá-las.

:::

A PRIMEIRA consistiria em nunca aceitar, por verdadeira, coisa nenhuma que não conhecesse como evidente; isto é, devia evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção; e nada incluir em meus juízos que não se apresentasse tão claramente e tão distintamente ao meu espírito que não tivesse nenhuma ocasião de o pôr em dúvida.

tonito3.jpg A SEGUNDA – dividir cada uma das dificuldades que examinasse em tantas parcelas quantas pudessem ser e fossem exigidas para melhor compreendê-las. A TERCEIRA – conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objectos mais simples e fáceis de serem conhecidos, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo certa ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros. E por último – fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais, que ficasse certo de nada omitir''.

:::

Correntemente estas regras são: 1) da evidência; 2) da divisão ou análise; 3) da ordem ou dedução; e, 4) da enumeração (contar, especificar, e classificar).

(…CONTINUA).

JCF, 14-02-2017

rosa1.jpgNOTA: O tema PÉROLAS surgiu de uma daquelas conversas no FB ventilando algo assim: O que interessa fazer vale a pena fazer bem feito! Vi logo que aqui havia um rigor de cátedra e fui ficando de lado ouvindo como é recomendável e, quando se tem como interlocutor um Professor sapiente. Assunção Roxo também costurou umas ideias lindas bordeadas com suas pinturas holográficas. Foi o nosso Portal! Fiquei matutando na bruma, cores psicadélicas e, assim embebido na sabedoria com arte resolvi fazer uma surpresa com o tema PÉROLAS. Assim ao jeito de prefácio corro as cortinas para futuras pérolas enfeitadas com os roxos coloridos dos arco-íris de Assunção Roxo. Perdoem esta libertina ideia do soba fantasma ´T´Chingange, um despropósito de figura mas, na forma original das superstições de áfrica- N´Gola

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:38
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2017
MUXOXO . XLVII

TEMPOS CINZENTOS . 3ª Parte  – 21.02.2016  

Na dúvida entre o ser-se agnóstico ou coisa nenhuma faço gaifonas à liberdade! Passei a andar com um pau bifurcado na ponta para apanhar cobras...

Por

soba15.jpgT´Chingange

(…) Descrevendo a forma de execução da estrada e a partir do levantamento, observação solar, de estabelecer a directriz de forma aleatória até chegarmos a San José Del Tisnado em Venezuela, voltamos de novo às pequenas nuances de um projecto que é traçado no mapa entre dois ou mais sítios e depois em a tarefa do geómetra, topógrafos, niveladores por forma a ficar em gabinete tudo desenhado. Daqui sairá o cálculo de volumes de terras, sua deslocação, desmonte de rochas e terras com uso de explosivos, máquinas, trato de pormenores ambientais, execução de pontes e pontões e um sem fim de tarefas até que se proporcione a circulação de veículos motores.

::::: 

Neste particular caso, todo o traçado foi por mim estabelecido a partir do esboço original  e seguindo os preceitos considerados acertados em tal tarefa. Assim andando à frente e atrás ia sinalizando com fitas de vermelho e banco o traçado presumível, desviando o percurso de falésias e, ou rochedos de grande porte ecolhendo o melhor local para execução de pontões ou pontes nas linhas de água significativos e ou rios.

tigra1.jpg As surpresas neste desbravar de terrenos selvagens eram muitas como se pode calcular; um certo dia ia caindo num fosso com babas, jacarés bebes ou caimanes como ali se chamavam. Alguém os armazenava ali furtivamente para com eles fazer pisa-papéis ou outros tipos de enfeite depois de cuidados por embalsamento. Era uma crueldade que creio ter continuidade até os dias de hoje porque as pessoas viram-se na vida como podem.

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As instituições sendo insuficientes são dadas ao desleixo assim de cada um por si e ao acaso. As autoridades passeiam-se para a foto e simulam ligeireza dando guarida a uma trupe de gente a ele colados. E, não perdem nenhuma inauguração com fanfarra e palavras importantes, quase sempre bonitas e de fácil apreensão ao ouvido do povão.

tigra2.jpg Em um outro dia, surge um trabalhador com uma cobra de tom amarelado enrolada ao pescoço a subir para a chevrollet de tracção às quatro rodas. Mas que és isto hombre? Perguntei com algum asco que fazia ali aquele bicho ondulando  asquerosas manchas. Mas, engenheiro, esta cobra não faz mal a ninguém, visse! Ele, simplesmente respondeu que era sua mascote, cuidadora de sua casa, rateira do seu jardim e mais justificativas que não vêem em causa. Bueno! Tive de me adaptar a esta nova criatura mas, sempre com o respeito de medo e, de longe.

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Em outro dia, afastando um ramo e mais outro para divisar o rumo dos trabalhos, estanco num repentemente, pulo para trás; a maldita da cobra, uma outra lá estava empinada nos ramos e fazendo assim-assim para os lados num vaivém de meter medo ao próprio tarzan. Sua língua bifurcada sondava meu medo, meu suor, minha adrenalina até os cocurutos do meu ADN. Mas que vida esta meu nosso Senhor.

tigra3.jpg E ele o Senhor, rindo-se de mim, de minha parca braveza; ele tinha mais que fazer senão dar troco a um medricas; para além do mais a cobra é um ser que faz muita falta à natureza, mais do que eu! Tive de controlar o medo sozinho e lidar com elas, as cobras, sem me depenicar. Passei a andar com um pau bifurcado na ponta. Por último já fazia diabrura com elas, apertava-lhe o gasganete e deixava-as ir em liberdade depois de lhe transmitir o raspanete. Venci o medo na marra! Podem crer!

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Munhoz, um auxiliar que levava o tripé do teodolito para as estações  topográficas, assim com um dedo na boca e olhando de soslaio para cima , indica-me algo que por ali anda entre aqueles monstros de àrvores. É o quê? Perguntei. É um bicho igual àquele que hoje o engenheiro comeu no desaiuno, uma iguana! Caramba! Eu comi aquilo? Não pode ser; eu comi galinha metida numa arepa! Pois é  hermano engenheiro, uted  comeu  daquele um outro bicho igualito a este.   Uf! Para o que um topografo, engenheiro das slvas não tem que estar preparado!.

tigra5.jpg Todos os dias havia um caos ou causo mais insólito do que o outro. Hugo, vem até mim alvoroçado falando aos solavancos, mexendo a machete (catana) de forma desabrida, que não podíamos passar por ali! Havia uma culebra tigra tomando sol na clareira que se tinha aberto dois dias antes. Engenheiro, nós temos de passar a lo largo de ella porque ela tem crias e é perigosa quando está assi! Ellas no puedem ser molestadas; corre atrás de nosotros até morder, sabe! No puedem ser molestadas! Conchale, vale chico… és mui peligrosa! Mala suerte la mia,  putana de la madre que la pariu, que sabia yo, conho!... Se eles que eram dali e tinham medo àquela tigra, como é que eu não iria ter! E, acabamos por fazer um círculo porque dona tigra verde assim nos determinava!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:25
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017
FRATERNIDADES . CXI

EM ANGOLA ONGWEVA É SAUDADEDevaneios nas memórias do FB - 31 de Janeiro de 2015 - A história de Angola é uma epopeia feita a caminhar, ou  em tipóia…

Por

Torres0.jpg Eduardo Torres – 20.02.2017 - Um Xicoronho de 3ª geração - Deus quando nos permitiu a faculdade de pensar garantiu-nos também o uso dessa liberdade …

soba k.jpgAs escolhas de T`Chingange

NASH.jpgHá largos anos, tantos que não interessa contá-los nessa Angola imensa, onde as cachoeiras derramam água por entre rochedos seculares, em que o verde da floresta, se confunde numa só cor pela grandiosidade da sua dimensão, as savanas beijadas pelo vento formam elas a própria linha do horizonte. Vasto e longínquo, as areias, numa dança que transcende o imaginável, em constante movimento que  formam as dunas que se transferem de uns lugares para outros num deserto privilegiado por uma espécie de planta única de nome Welwitschia Mirabilis, n´tumbo em dialecto local.

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Num céu em que o sol surge brilhante e quente, céu que pode ser de azul único ou povoado de imensas nuvens negras e medonhas com os raios a cruzarem-se anunciando uma tempestade africana, pois num pedaço dessa Angola, num planalto situado na cadeia montanhosa da Chela, um punhado de homens e mulheres, desembarcados em Moçâmedes, vindos da ilha da Madeira, pérola do Atlântico e, para ali com sonho sonhos conseguirem uma nova pérola! E, conseguiram!

nauk2.jpg Num continente tão diferente da ilha que tinham deixado para trás, tão distante que já fazia doer a saudade, fortes na sua crença, valentes na sua fé, talharam-se para o sofrimento. Cavaram a terra para cultivar; para enterrar; para fazer alicerces e fizeram calos de doer até que outros homens lhe fizeram outro destino e dali saíram de novo para a diáspora. Muitos já nada tinham a ver com aquela ilha que continua bonita.

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E foi assim, temperados pela força que lhes ia na alma, pelo esforço sobre-humano que cada um tinha dentro de si, recomeçar de novo, regar a terra com lágrimas de dor, suportar injustiças que sem esforço desmobilizaram os pioneiros de antanho idos na “tentativa Feliz” um vapor que honrava o propósito com seu nome.

nash6.jpg Com o empenho habitual foram de novo à luta com outros milhares de gentes destroçadas, de novo a vontade de vencer, porque nunca iriam desistir; A concretização do sonho, primeiro num pequeno lugar, chamado Lubango, por lá ficou assim como uma duna ao sabor do vento, de outras vontades e sonhos diferentes para depois com o tempo, fazer-se novo tempo.

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Oportunidades diferentes, vontades com outras fés. Para comprovar a antiga fé, lá está a Capela da Senhora do Monte, cuja imagem com eles foram para lhes garantir a força quanto baste. Para quando ela lhes faltasse, orassem de novo para a fé não desvanecer.

maga2.jpg Surgiu uma nova realidade, uma nova urbe derivada de Sá da Bandeira, a Lubango de agora. E, aqui longe da cidade que me viu nascer, ainda me sinto orgulhoso, de fazer pare dessa historia e de ser descendente directo dessa gente com têmpera, que permitiu tornar possível uma realidade que não acaba só aqui.

carro de pau.jpg Vão longe os tempos de miúdo, naquela época em qua até o sabão azul ou macaco era importado. E, eu a aproveitava as caixas vazias para depois de desmanchadas, aproveitar a as tábuas e pregos, com o serrote e o martelo, construir as minhas camionetas, meus carrinhos de rolamentos, meus nash de fricção.

EDU

Compilação de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:57
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2017
CAFUFUILA . CXX

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 16ª parte

A surrealidade está-lhe no sangue! Usa pinceis electrónicos na forma de gigabaites holográficos…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Na ultima parte do mussendo, 15º episodio, falei do porquê esta kianda Roxo de Guaxuma andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber no consciente desta sua dupla vida, compartilhando xispanços de tinta com particular maestria e, do porquê das cores cibernéticas confundindo-nos com holografias psicoroxas. Mas sabemo agora que nasceu às margens do lago Chivero.

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Sabemos que sua mãe, também kianda de tez negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai  que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero, lugar que fazia fonteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai seu pai. E, que por via da política teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia por ser  um pambu-n´jila especial com Muxima. 

roxo114.jpg Como já repararam as kiandas andam no espaço-tempo em qualquer direcção e é por isso que nos parece a nós humanos impossiel reconhecer andar-se no ontem e antes de ontem ou há muitos anos atrás e ou, deslocarem-se no futuro deixando transparecer a nós mortais, somente o que nos é perceptível pela dedução; falar do futuro até para as kiandas é tabu – aos viventes  não se pode transmitir o amanhã, só o agora, lei básica da vida. O Universo tem regras que não estão ao nosso alcance engravida-las.

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É aqui que surgem os mambos longínquos com soldados Mafulos, por via das falas da Kianda Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa; fala do tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda, n´gwetas e dos desentendimentos com a rainha N´Zinga, mais outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba.

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O velho Niassalês descreve as festas axiluandas de então com kimbandas e t´chinganges pisoteando a terra, levantando poeira de encorajar kotas, jagas, sobas e m´fumos que iam chegando em alvoroço dos Dembos e de lá mais além do Kassange. Nos encontros, iam passando cabaças com malavo de cassoneira e, a cada grito dado pelos dançarinos guerreiros, o povo gritava kwata mwana-pwó, kwata mwana-pwó. Era a preparação duma guerra contra os Tugas n´gwetas entricheirados em Massangano por ordem dos Mafulos Holandses

to3.jpg Morgan Tsvangirai ficou avençado pelos Mwana-Pwós  com o posto de tenente de segunda linha; mandava os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de manutenção e limpeza ao forte, zelar pelos n´dongos de pesca e translado de coisas para a Kissama e das patrulhas de soberania aos  mares parados com lagoas até o Morro dos Imbondeiros e dos Elefantes da Maianga. Também tinham a caça e a pesca ao seu cuidado.

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M´fumos, iam chegando aos poucos como emissários da rainha N´Zinga M´Bandi da Matamba e do rei do Kongo Garcia II que, embora sendo cristianizado pelos Portugueses, com eles andava desentendido após a chegada dos Mafulos. Estes, teriam-lhe prometido poderes maiores e auxilio com armas do tipo de canhangulos e pederneiras. Eram preparativos duma união para fazerem o grande e final assalto a Massangano.

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Naquela fortaleza os Tugas resistiam aos Olandêses tapando-lhes as vias de comunicação ao mercado de escravos lá do interior fazendo emboscadas ou tocaias com azagaias venenosas, um método aprendido com os indios do brasil, uma cana comprida que depois de soprada dela saia um dardo mortífero.

café da avó1.jpg Por isso aquele mato metia  demasiado medo aos Mafulos. É aqui que entra o Senhor Mauricio de Nassau que desde o Recife Brasileiro mantia o negócio das peças m´bikas para os seus engenhos de assucar. Pernambuco e as capitânias adjacentes, estavam carentes de braços para fazer o cultivo da cana de açúcar e fazer andar os engenhos. A preguiça e cultura dos indios americanos não permitia seu uso no trabalho.

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Talvez por isto, seus lugares tenentes mantinham contacto com alguns negreiros  portugueses que detinham este negócio, pagando-lhes ainda mais do que a antiga coroa determinava. Era um quase pacto de negócio mantendo-os como principais fornecedores de peças á margem dos interesses dos reis do M´Puto. As ordens que vinham do Conde Maurício de Nassau a partir de Olinda eram de subornar a todo o custo os intervenientes funantes do mato de N´Gola no negocio escravo.

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Estava em causa a política comercial da Companhia das Índias Ocidentais... o lucro! E, Portugal que era agora pertença dos espanhois não havia por isso empenho nestas politicas de tanto trabalho; preferiam estabelecer severas taxas de soberania aos amerideos de seus territórios com pagas em ouro. As mordomias do reis Filipe de Castela, Asturias, Galiza, Catalunha Portugal e Andalazia eram muitas - isso impunha uma politica restritiva, sem  dispersão.

nassau0.jpg Redufina Kabasa mãe negra da Kianda Roxo estremava-se ensinando a sua filha maneiras de comportamento e era vê-la brincar com candengues  brancos e pardos no átrio da missão! Bem cedo se destacou nas habilidades de colorir os jogos de desenho, nos riscos da cabra cega; qualquer argila era motivo para dali sair pintura ou escultura bem à moda dos trabalhadores de talha do pequeno altar da igreja  da muxima!

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Sua tia N´ga Maria Káfutila de linhagem nobre do reino do Kongo ajudava meu pai Januário Pieter na quinda do mercado da paliça vendendo malavo e quitoto ou permutando com os indígenas ou mesmo n´gwetas produtos da terra como ginguba e fuba de mandioca. A fuba originava um prato apetecível chamado de funge ou pirão, um preparo a partir da mandioca. E, ela tornou-se assim uma cozinheira de primeira mão mas, prefere suas fluorescências.

n´zinga.jpg Mais tarde começaram a fazer uso das folhas do pau de mandioca que era passada por cinco fervuras para anular o veneno da coisa e, a isto chamaram Saka-saka que impregnada de azeite de palma dava origem ao prato mais típico dos Kaluandas, a moamba com quiabos e jimboa. E, foram os Portugueses que a levaram do Brasil para N´Gola embora queiram fazer crer o contrário disto. N´Gola nunca vai poder dissociar-se dos Tugas por esta e outras singelas razões.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:04
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017
KIANDA . LI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…

Por

soba17.jpgT´Chingange

Hoje e, como sempre, comecei o dia fazendo talassoterapia e, enquanto ginasticava os músculos alongando e torcendo-os por modo a melhorar os sítios nevrálgicos, os tais do costumeiro reumatóide, olho os toques de bola que meus vizinhos praticam todos os santos dias e a partir das seis da manhã. É uma habilidade de manobras de vai e vem com esquindiva e olha o buraco, usando a cabeça, tronco e pés. Ao terceiro toque com uma daquelas partes do corpo a bola é mandada para o outro lado na forma mais difícil.

eça5.jpgOs dois adversários de cada lado da rede têm de ter os instintos apurados e ver em simultâneo as falhas. Sua visão periférica conta muito para que o toque seja bem-sucedido. É importante fazer um bom aquecimento antes da partida em virtude de haver muitas lesões, devido fundamentalmente às mudanças rápidas do corpo. Ou se está bem preparado fisicamente ou a resposta técnica sai defraudada. Enquanto isto, numa tarefa de três em um, ia pensando como fazer preparo da carne de charque de cupim, para o almoço; carne comprada na feirinha de Jatiúca. Assim mentalmente anotava os onze passos e, que aqui vou anotar por ordem numerada os passos, para não voltar a forçar a cuca:

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1 - O charque não leva sal no preparo que dura 12 horas; 1b - Lavar bem a carne; 2 colocar em uma vasilha e cobrir a carne com água; 3 - mudar a água a cada três, quatro horas e por três vezes; 4 - cortar a carne em cubos com 2 a centímetros; 5 - colocar em uma panela coberta com água; 6 - para cada Kg de carne colocar uma colhere de sal; 7- levar ao fogo até borbulhar e criar uma espuma branca por cima.

fut1.jpg

 7a - desligar o fogo; 8 - escorrer a carne e provar; 9 Para cada 500 gramas cozinhar na panela de pressão por 30 minutos; 10 - retirar o excesso de gordura; 11 - pode-se liquidificar parte da carne, desfiar a outra e juntá-las. Mentalmente, anotei os onze passos. Sempre revendo coisas, voo a outros pensamentos, muitas viagens com morada ou estadia prolongada por muitos países.

niassa.jpg Contando-os cheguei ao número 24 dando-me ao desfrute de os alinhar de forma aleatória: - Angola*; Portugal*; Brasil*; Namíbia*; Moçambique*; Venezuela*; África do Sul*, Espanha*; Marrocos; França; Itália; Zimbabwe´; Botswana; Suazilândia*; México; Lesoto; Bolívia; Chile; Argentina; Turquia; Inglaterra; Dubai; Estados Unidos da América e Argentina.

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O Niassa meu berço natalino não entra neste computo por já ter sido desmantelado em uma siderurgia de Bilbao em 1979, quatro anos depois de ter transportado as últimas tropas do M´Puto até à metrópole e, também a ultima bandeira portuguesa hasteada no Palácio da Cidade Alta de Luanda. Se tivesse de escolher um daqueles países para viver de novo optaria por viver em um vapor e só depois em uma Angola, Namíbia ou Brasil.

bra1.jpg Tenho razões de sobra para não optar por Portugal mas não rejeito ser português porque me orgulha sua gesta heróica de idos tempos. Eu até sei que o orgulho é a catarata que obscurece a vista de qualquer um e, que  de nada serve apresentar a luz a um cego. Também sei que o maior cego não é aquele que não vê mas, aquele que não quer ver.

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O que nos leva a decidir na escolha da terra para se viver é um conjunto muito vasto de razões pessoais, sociais, culturais e fundamentalmente dos sentimentos. A rejeição a tantos é mais por desencanto, locais frios e amargas vivências; desilusões e frustrações por parte de gente que deveria ser amável e que na altura certa não o foi; tivemos de singrar entre muita apatia e injustiça.

niassa8.jpg Pela língua aglutinadora de fados, futebóis e outros edecéteras, deveria colocar o M´Puto em 1º lugar, terra de meus pais com ascendentes e descendentes com gente de barlavento e sotavento, da raia, da Beira ou Alentejo mas, quis o destino excêntrico quanto baste de me fazer optar por um vapor, navio de águas profundas saído da sucata da primeira grande guerra como local de nascimento: - Niassa!

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Assim balouçado pelo mar, quero permanecer por opção ser um Niassalês. Muita gente dirá que esta postura minha vem dar forma a subir uns cagajésimos ao meu curriculum mas, que fique claro que é este o meu orgulho a fazer gaifonas às tais cataratas que me obscurecem o que não pretendo ver. Desde o onze de Novembro de 1975 que me sinto um desclassificado cidadão e, assim irei continuar…Por agora sinto-me bem no Brasil, terra dos meus “egrégios avós” como diz o hino…

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017
PARACUCA . XXIII

TEMPOS DORMIDOS - Entre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido da fábrica de Letras in Kizomba com estórias da vida …

Por

soba15.jpg T´Chingange

No quase fim de ano de 2016 rapidamente cheguei ao posfácio dos singelos poemas de Emanoel Fay. E, passando pelas mensagens as correcções, os elogios, as ornamentadas homenagens com prémios e comendas e, sempre em letras volumétricas, perfumei-me nas simples palavras de tocar sinos em dias de Nossa Senhora da Aparecida, uma santa que três pescadores acharam numa das muitas lagoas da costa brasileira.

peter0.jpg Escultura de pau escuro, quem sabe saída do tal naufrágio em que os índios comeram o primeiríssimo bispo do Brasil de nome Sardinha. Também com este nome não se poderia esperar um fim mais apropriado e digno. Dom Pedro Fernandes Sardinha, ou Pero Sardinha, nascido em Évora em 1496 e papado pelos Caetés de Alagoas, Coruripe do Brasil no ano de 1556.

sardinha0.jpg Essa vila de Coruripe ainda hoje paga um laudémio à Santa Igreja por tamanho forró descabido em que gente desnuda, musculosa e de tez parda que assou mais de oitenta náufragos. Ao lugar chamam agora de Feliz Deserto. Como pode ter acontecido estas coisas numa terra tão linda e pacífica aonde os biquínis deram lugar ao fio tapador de bunda.

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Voltando aos três pescadores, como nesse dia o peixe foi avondo, a crença milagrou o acontecido. Creio que meu avô Loureiro estava por perto e, porque misteriosamente, encontro na sala da casa de um primo meu, no lugar de Barbeita da Beira Alta, perto de Viseu, uma imagem dessa Senhora. Coisa inaudita porque ali no M´Puto não há nenhuma Nossa Senhora preta.

amilcar 3.jpg Só podia mesmo ter sido do Senhor Manuel Loureiro, meu avô que depois de deixar duas filhas em sítio incerto, rumou de novo para Portugal, tísico chupado das mulatas, como se dizia nesse então. Em Barbeita há sim a Nossa Senhora do Parto muito carregada de oiros nos dias de festa. No quinze de Agosto saem com Ela a dar um passeio pela urbe meia medieval e é bonito de ver as bandeiras estandartes. Homens de batina branca esvoaçando ternuras alinhada entre muros graníticos de pedra solta, musgosas.

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Homens da hermandade de Santo António da qual eu pertenço desde que nasci. Sou sim, membro desde que dei o primeiríssimo berro balouçado em um barco com o nome de Niassa em águas territoriais de N´Gola. Bom! Voltando ao livro e da frente para trás chego às miniografias, letra grande e esparsa com referência eméritas à terra dos Marechais aonde se fala de seus pecados enaltecendo as almas.

bruno17.jpg Muitas almas, que agora andarão penadas com suas grandes espadas enfiadas em coiros e mistérios de palavras doces como sempre convém constar em prosas versejadas e versos singelos dedicados àquela Nossa Senhora duma vasta eucaristia de muitas Marias na terra. Coisas de dedicação mariana de quem sabe as paradas de todos os calvários. 

paracuca1.jpg Com egos engravidados solo suspiros de sonhos na forma de louros de oliveira, solto pétalas e folhas acerosas de chá caxinde, capim-santo ou cidreira chegando ao prefácio. Aqui, mergulho todinho na água benta, água da vida presenteando difusas carícias, como brisas esbarrando nos ventos e também questiúnculas de métrica e rima.

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Da singeleza de tudo assim fiquei ungido de sem regras no linguajar e formas nova, revolucionárias talvez e desprovidas de regras. Nesta vanguarda estética dizer que desgostei, não faz parte do meu Adeus porque gosto das pessoas e seu lado bom em detrimento do outro lado que não serve nem ao próprio nem a ninguém.

pa3.jpg

*Paracuca: - 500 gr de ginguba sem ser torrada, 250 gr de açúcar (ou mais), 2 chávenas de água - Preparação: Juntar todos os ingredientes numa vasilha e levar a lume brando. Vá mexendo, sempre, até a mistura ficar solta. Deite num tabuleiro (agitando para ficar solta) para arrefecer.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Domingo, 12 de Fevereiro de 2017
MALAMBAS . CLXV

TEMPOS ESPACIAIS12.02.2017 - Quando o tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza sarando as feridas da mente e do corpo… As Pérolas são produtos da dor - "Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas*."...

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Apesar da resistência à inovação científica pelos próprios cientistas, verifica-se na história das ciências existirem “mudanças de paradigma” que terão de ser matéria de interesse para filósofos, sociólogos e teólogos. As artes de comunicar ciência com inovação e conflitos teóricos, terão cada vez mais de se azimutar às explicações possíveis aonde o racionalismo vence a irracionalidade. Não interessa mencionar nomes porque nem todos farão parte da “ínclita geração” no universo das novas tecnologias.

zep5.jpeg

 

A propósito falei em azimutar e não rumar porque enquanto no rumar há quatro possíveis direcções segundo um dos quatro quadrantes enquanto no azimute teremos uma única direcção a partir dum ponto considerado dirigida ou norte do evento e, a partir de um zero ou singularidade. Estes azimutes de forma côngrua irão desenvolver-se em espiral até conseguir chegar ao ponto de optimização na ponta da espiral.

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Estas ideias minhas, vão para além dos dados radianos mas, tendo o pi de 3,1417… como dado essencial porque é este, parte integrante da geometria terreste, confinada ao seu geóide e elipsóide. Em princípio, idiotas seremos todos nós, mas sempre haverá um outro mais capacitado que desenvolva essa espiral muito para lá dos 180, 360 e 720 graus.

zanzi6.jpg Mas, que eu saiba só o designado santo homem Eliseu e de forma fenomenal subiu aos céus de forma côngrua ainda em vida; ele tinha uma forte vontade de ir para junto de Deus e, foi em espiral que fez sua derradeira viagem astral. Creio que por lá ficou! Muitos acham que Elias foi ao céu em carro de fogo e com cavalos de fogo e, edecéteras! Seria um ET? Porque não!

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Diz a Bíblia que ele subiu em um redemoinho mas, cada um de nós vai interpretar isto de uma outra qualquer forma; outros acharão ser uma patranha maior do que o universo desconhecendo que este não tem fim. E, em verdade nem resultará irem desenterrar ossos feitos cinza, as queixadas dum qualquer santo ou mesmo escritos apócrifos porque há verdades que nunca estarão em nosso alcance. A incerteza sempre irá prevalecer porque o condão do saber e do querer sempre estarão encerrados na ilusão que somos, nada! Nunca iremos descobrir tudo e melhor será, este assim.

pap1.jpg O que importa mesmo reter é o revelar de relações entre as coisas, mesmo partindo de hipóteses falsas, premissas incertas. Na minha leitura diária pude verificar que segundo Mário Bunge um entendido em filosofia da física, que todo o coro de ideias científicas, serão avaliadas à luz de resultados a partir de tipos de testes a saber: 1-metateóricos, 2-interteóricos, 3-filosóficos e 4-empíricos.

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E, não se faz nenhum exame empírico a uma teoria senão depois de ela ter passado no crivo dos três primeiros testes. Estes carolas torram nossos neurónios a começar pelo palavrório da sua função erudita. Nessa conjugação, o metateórico apoia-se na forma de conteúdo da teoria, particularmente a sua consistência interna. O teste interteóricos procura analisar a compatibilidade da nova teoria com outra.

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Só depois virá a prova filosófica situada no campo da respeitabilidade metafísica e epistemológica dos conflitos e pressupostos da nova teoria à luz de algum sistema filosófico. Cada um destes palavrões requer pesquisa apurada para penetrar nos neurónios e, de forma acertada, ser arrumada nos gavetões certos da compreensão.

nasc2.jpgPor último, vem o teste empírico, resultado do confronto com os factos experimentais. Como se pode concluir em ciência, quando tudo chega até nós já passou por um filtro e, que muitas vezes tem a respeitabilidade “Ad Hoc” e de forma arbitrária. Só depois e com as críticas de entendidos na matéria, é que surgirá o tal de “racionalismo” de pretensão universal com um simples “A priori”.

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Por hoje fico-me por aqui sem entrar no campo da logicidade plausível. Não fique assim matutando e, tente entender as dificuldades da ciência com a suprema “Teoria da Incerteza” ou um simples “Só sei que nada sei”. Teremos sempre de ter em conta que os homens e mulheres com projecção viram monumentos; Nestes se acoitarão bichezas menores e qualquer animal inferior que por ali fara suas necessidades e, porque não têem conceitos de alma.

perola3.jpg*Nota: As pérolas são hodiernas e pertença de Júlio Ferrolho, um professor analista de números cifrados, atento aos meus ditames; melhor, meus erros…

O Soba T´Chingange 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:31
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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