Quarta-feira, 28 de Setembro de 2016
MALAMBAS . CXLI

CINZAS DO TEMPO28.09.2016 - Faz falta aceitar que para além do mais temos instintos - Não há maior religião do que a verdade!

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

adiafa1.jpegHoje, deleitamo-nos de maneira instintiva com o relato de histórias acerca de terceiros, actores num imaginado palco que albergamos em nosso íntimo. Também as nossas estórias sem agá, aliadas àquelas, tornam-se artes criativas de nossos bancos de memória activadas com as dificuldades inerentes de quem as interpreta e, conseguindo combinar o passado com o presente e o futuro.

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São vínculos efectivos do antes e depois de sermos gente com afectividade, com enganos, lealdades e traições. Estas humanidades só surgiram há dois milhões de anos, quando nos tornamos Homo Habilis porque, antes disto, nós só eramos animais com mais ou menos 600 centímetros cúbicos de capacidade craniana. Guinchávamos como os macacos beduínos de hoje e, tinhamos até comportamentos mais bizarros do que o os destes.

eleuterio sanches.jpg Na evolução do tecido complexo que é o cérebro, aquela capacidade craniana subiu para mais de 1400 centímetros cúbicos levando-nos em crer que no futuro nossas cabeças serão tão grandes que só nasceremos por cesarianas. Houve no correr do tempo necessidade de nos agruparmos na condição de caçadores-recolectores e, nos dias de hoje, termos nas vivências os grupos sociais tais como o blogue Kimbolagoa da Sapo ou a Kizomba do Facebook, tornando nossa mente em um mapa que se expande continuamente.

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Uns fazem e outros aproveitam, uns trabalham e outros vêm trabalhar; estamos a copiar-nos mutuamente ou simplesmente aprovando com um gesto simples de clicar no gosto! Mas diga-se que há gente chata no sentido de aborrecida e, alguns são mesmo achatados nos polos. Há luz de critérios diversificados, bisbilhotamos, tiramos o sarro, trabalhamos o amor, o ódio, a suspeita, a admiração e a inveja; uma sociedade bem complicada!

tonito3.jpg Através de falas amáveis e generosas, fazemos do nosso grupo, nossa tribo, uma distinção especial; todos o fazem porque todos pensam estar no rumo certo em seu pensar e, efectivamente assim estarão segundo seus conceitos e preconceitos.  De uma ou outra maneira vamos criando identidade alternando-nos na competitividade beneficiando os futuros registos antropológicos e arqueológicos para os vindouros; bisnetos e trinetos do nosso paralém.

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Neste aprendizado, maravilhámo-nos com saltos de imaginação e no assombro da inventação equilibraremos o orgulho definindo-nos melhor no lugar que ocupamos na tribo e na natureza. De assombro em assombro, fazemos crescer a caixa craniana e também a epopeia de um mundo vivo aonde demónios e deuses não competem pela nossa lealdade. Ia para dizer deslealdade mas isso não é meritório; pretende-se não ser coisa de elevada relevância entre nós.

toledo18.jpg Somos um produto de nós mesmos, solidários ou frágeis, por vezes independentes. Adaptamo-nos à vida num mundo biológico ainda não totalmente desbravado. Sobreviveremos a longo prazo bisbilhotando, copiando-nos na autocompreensão inteligente e, com uma independência de pensamento.

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Terá de ser assim, pensar maior, tolerando-nos! Nestas quimeras genéticas todos nós seremos ao mesmo tempo, santos e pecadores defensores da verdade e hipócritas. Não me entendam mal ou subestimem. Ao longo dos anos tenho ficado bem defraudado com as pessoas de forma generaliza e, quando se trata de dinheiros de herança, mesmo entre família, a mente torna-se serpente.

tonito4.jpgSe virmos tudo o dito no plural, de forma mais ampla, teremos de compreender que em nossa condição humana faz falta aceitar que para além do mais temos instintos. Que destes, já perdemos muitos deles, mas nós faremos a estória tal como as abelhas produzm mel! Como elas, produziremos cultura naturalmente.

Imagens de Costa Araújo

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:43
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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2016
MALAMBAS . CXL

CINZAS DO TEMPO 26.09.2016 - Não há maior religião do que a verdade! Somos o que somos enquanto o somos!

MALAMBA: É a palavra.
Por

soba15.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

ki2.jpg Por enquanto só temos este planeta Terra para habitar e, é neste passo que temos de seguir nossa viagem com o sentido de desvendar o quanto baste para nos entendermos; entender a condição humana! E, precisamos de uma definição de história bem mais ampla do que aquela que convencionalmente é usada; uma busca de ciência e humanidade comuns por uma resposta ao grande enigma que é a nossa existência e, que esteja mais solidamente fundamentada do que o que dissemos ontem, anteontem e há vinte anos atrás.

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Sabemos pelos biólogos que a nossa origem biológica e nossos comportamentos sociais humanos são semelhantes ao que ocorreu noutras espécies do reino animal. Chegamos assim à chamada eussocialidade, o mais alto grau de organização social dos animais presentes nas sociedades mais complexas como a nossa.

ant3.jpg Nestas linhas evolutivas, teremos de recordar que na visão quântica, isto surge com uma singularidade ou seja no ponto em que a curvatura do espaço-tempo se tornou infinita. Como exemplo, podem ser citados as formigas, abelhas, cupins e rato-toupeira-pelado, um roedor africano. 

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Esta eussocialidade requer três características: uma sobreposição de gerações em um mesmo ninho (matriz), o cuidado cooperativo com a prole, e uma divisão de tarefas com reprodutores e operários. Ainda não nos foi devidamente explicado por que razão se tem esta natureza especial e, não qualquer outra de entre um vasto leque de naturezas possíveis.

matias j1.jpg Neste sentido, a humanidade não alcançou, e jamais alcançará uma compreensão total do sentido da existência da nossa espécie, porque a condição humana é um produto da história. Não apenas dos seis milénios de civilização mas muito mais do que isso com dígitos de centenas de milénios antes! Jesus Cristo na escala do Universo passou por nós ontem! Entre o ontem e hoje vão bem mais de dois mil anos.

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A nossa evolução tanto cultural como biológica tem de ser explorada sem se dissociarem. Nós produzimos cultura ao longo de muitos séculos tal como a abelha produz mel. As pessoas preferem interpretar a história como o desenrolar de um desígnio sobrenatural, a cujo autor devemos obediência. Esta reconfortante interpretação foi-se tornando menos sustentável à medida que o conhecimento do mundo real foi aumentando; assim continua.

garças9.jpg Nas explicações tradicionais, as histórias religiosas da criação, têm sido combinadas com as humanidades para atribuir sustentabilidade à existência da nossa espécie. A nossa existência está entre o lusco e o fusco mas, necessitamos de uma resposta plausível a este enigma que esteja melhor fundamentada. Sabe-se que as primeiras térmitas pareceram entre 200 a 150 milhões de anos atrás. Quanto a nós, seres humanos ao nível do Homo, só surgimos muito recentemente.

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:07
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Domingo, 25 de Setembro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CXI

TEMPOS PARA ESQUECER25.09.2016 - ANGOLA DA LUUA XX. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75…

Por

soba15.jpg T´Chingange - (Otchingandji)

moka12.jpg (…) O descontrolo social em Luanda de uma forma ordenada e progressiva visava a que os brancos abandonassem Angola sem nada dela levarem. Nas escolas os alunos comentavam de forma propositada para os professores ouvirem: “ branco vai para a tua terra”; “a casa do professor é nossa”; “o carro do professor é nosso” e, por aí! Um pouco assim e por todo o lado! Eram as instruções de procedimento que tinham dos grupos de acções populares do MPLA e alguns fanáticos pais.

moka13.jpg Os alunos e gente comum, eram incentivados a dizer isto e lançar boatos. A Direcção Politica do MPLA excluiu à partida “a revolta activa” de Pinto de Andrade do seu seio. A este grupo reduzido da pequena burguesia Luandense foi dito e reiterado viverem à sombra do nome da família aludindo a propósito: “Vocês têm bagagem política, têm capacidade intelectual mas não têm arcaboiço para a fase histórica e revolucionária de Angola”. Foram excluídos por simplesmente terem uma diferente visão de descolonização.

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Vitor Alves dizia à Rádio Voz do Zaire que o número de vítimas provocadas desde Março de 1975 pela violência em Angola era superior ao causado pela guerra colonial naquela ex-colónia. Em três meses tinha morrido mais gente do que em 14 anos de guerra colonial; algo nada lisonjeiro para os novos nacionalistas Neto, Savimbi e Holdem.

moka15.jpg Em Luanda, somente os efectivos da UNITA não ultrapassavam o acordado em Alvor. A FNLA e o MPLA colocavam armas pesadas no topo dos edifícios. Estava-se em meados de Maio! O Comandante Naval Leonel Cardoso referiu não haver dúvidas de que o MPLA praticava acções simultâneas e concertadas em Luanda, N´Dalatando e Malange agravando a situação em fins de Maio de 1975. MPLA e FNLA estavam a criar zonas tampões nas quais ninguém podia sair ou entrar.

diogo2.jpg A dois de Junho é morto em combate o comandante Jika do MPLA; seguiram-se por todo o Norte de Angola ataques e contra-ataques com o predomínio do MPLA. As N.T. (tropas do M´Puto) efectuavam praticamente acções humanitárias com as missões mais diversificadas, levando pessoas e bens, mantimentos, evacuação de feridos e enterro de mortos. Os Angolanos de etnia negra, não estavam a mostrar em sua esmagadora maioria dignidade pela oferta recebida; não eram merecedores de apreço das pessoas de bom senso.

moka14.jpg Os brancos protestavam nas ruas a cinco de Junho; queriam sair de angola da forma possível! Nesse dia cinco de Junho pela uma da tarde, a Delegação da FNLA na Avenida Brasil, foi sujeita a bazucadas e morteiradas que acabaram por atingir o Hospital Universitário matando três funcionários. Os doentes tiveram de ser evacuados para o Hospital Maria Pia aonde passaram a funcionar todas as urgências.

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No M´Puto, ao tempo, havia uma embriaguez colectiva. Nas ruas agiganta-se a confusão social. A Função Pública estava de novo em pé de guerra. A extrema-esquerda estava mais activa do que nunca, denunciando a direita e malhava no PCP. O Governo diz que a situação se aproxima do caos e faz aprovar um diploma que possibilita a ilegalização dos partidos políticos.

moka16.jpg Chovem nos quarteis notícias de golpes e contragolpes; movem-se influências. Estão no activo as secretas: alemã, francesa e espanhola e há muito que a CIA e o KGB convivem entre os portugueses. Os serviços de informação poem a circular diversões na forma de boato! Mas, quem? "Uma das secretas; americanos ou os russos." Com que fim? "Lançar a casca de banana aos spinolistas", talvez. A partir daí o boato generaliza-se.

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Na Luua (Luanda), no dia anterior, 4 de Junho, as FAPLA bombardeou a Delegação da UNITA no Bairro Pica Pau (Comité da Paz). Morreram todos os seus ocupantes! Pela primeira vez a UNITA era atacada em Luanda e, foi com tudo! Lança granadas, metralhadoras pesadas e ligeiras; Isto sucedeu também nos bairros Operário e Cazenga.

moka17.jpg No Pica Pau esquartejaram e arrastaram corpos vertendo sangue no asfalto (mais de 200 jovens pioneiros da UNITA). O MPLA não queria em Luanda nem fenelas nem kwachas! Houve combates até no Largo da Maianga e na Avenida dos Combatentes. Entre os mortos havia 3 soldados portugueses. Jacob Caetano denominado de Monstro Imortal do MPLA foi um dos que conduziu estas acções de cruel incidência com espancamentos gratuitos e selvagens assassinando gente inocente.

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O MPLA já não se contentava em retirar a FNLA; agora era também a UNITA a ser erradicada da Luua. Quem ouvisse os discursos de Agostinho Neto ou um qualquer quadro de destaque do MPLA, verificaria sem esforço no prevalecer das palavras de ódio contra os brancos, ovambos ou afectos à UNITA, gente do norte afecta à FNLA e gente ligada à FLEC de Cabinda.

mok12.jpg As FAP na pessoa de Silva Cardoso dizia sentir-se impotente para resolver estes ataques mas no entanto, deu 24 horas para acabar com os tiroteios; a não se verificar seu cessar, teria de usar os meios ao seu alcance para se fazer cumprir. A FNLA estava a revelar-se ser um “tigre de papel”; fugiam ao primeiro tiro, largavam armas e de forma desordenada despareciam a receber protecção nos quarteis sob alçada dos portugueses. Eram como crianças crescidas que com uma arma na mão faziam coisas diabólicas, matando gente como quem mata galinhas; gente nada confiável!

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:02
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016
MALAMBAS . CXXXIX

CINZAS DO TEMPO – 22.09.2016 - Não há maior religião do que a verdade! Somos o que somos enquanto o somos!

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

cordova11.jpg Subjugado à nobreza do quase acaso, processei um mar de sensações, novos conhecimentos nas cidades históricas de Córdova e Toledo. Adão, lá no paraíso, comeu a maçã da árvore da tentação; é o que consta nos nossos livros de catequese e outras fontes do jardim celestial. A partir dum pecado original que originou ter eu ficado com um caroço, seguiram-se algazarradas aos sentidos das palavras. E sem gritos nem cânticos gregorianos, segui-me na vontade de apalpar uma insatisfeita curiosidade pela Mesquita Catedral de Córdova.

cordova10.jpg Neste monumento singular do mundo temos o testemunho da aliança milenar entre a arte e a fé. A arquitectura islâmica com resquícios helénicos, românicos e bizantinos, funde-se com a cristã numa das suas expressões mais belas. Entre uma floresta de colunas, arcos e cúpulas, surpreendem-nos extraordinárias obras de arte a testemunhar as pegadas dos séculos seculorum.

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Procurando a verdade, nem sempre achamos a resposta mais lógica e, nem sempre merecedora de ser levada ao cutelo ou ao fogo da veracidade porque, simplesmente nós num repente ficamos embebidos num caldo de culturas sem poder beber toda a água deste rio de vida, porque não somos guardiões de todas as heranças legadas.

cordova9.jpg A Mesquita-Catedral de Córdova mostra ao mundo a grandeza de sua estória que começou por ser uma basílica visigoda, que se desbordou em esplendor califal, e culminou com a arte do Gótico, do Renascimento e do Barroco. Não podemos aqui, fazer previsões na estratégia de criar valor de satisfação e fidelização nos parâmetros do tempo sem ferir dignidades vendidas ou dadas, no interesse de dar continuidade à vida, ao ser humano.

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Nós aqui não contemplamos uma preciosa relíquia do passado, nem nos encontramos no meio de um museu; entramos sim num lugar sagrado aberto ao mundo inteiro. Este conjunto monumental da antiga Mesquita foi consagrado de forma definitiva como Catedral de Santa Maria no ano de 1236. A parir desse dia num parasempre e seculorum, se celebra a Santa Liturgia para a comunidade cristã.

cordova8.jpg É necessário respirar o ar de espiritualidade que se diz dali, ser luz divina; assim é evocado! Ouça estes relatos e leia nos relevos da silharia do coro percorrendo a elegância dos muitos arcos bicolores. Ande com os cuidados recomendados entre multidões, porque até aqui os larápios filhos do mesmo Nosso Senhor andam cuidando de sua tarefa recolectora. O mundo é assim, e só temos mesmo de recolher com segurança nosso património se, se não quiser andar entretido em diligências policiais.

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Pois aqui está um edifício vivo, que foi transformado por homens de cultura e religiões diferentes ao longo da história; Os registos de roubos casuais, são casuais e na admiração ou indignação do acontecido, o que fica gravado mesmo no coração é este templo que para além de seus muros nos convida a contemplar os mistérios do sagrado.

O Soba T´Chingange em terras de Castilla de La Mancha

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:24
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016
XICULULU . LXXXVII

TEMPO COM CINZAS - Constantino enganou-nos impondo ao Império Romano o cristianismo - Bruno sobre as técnicas mnemónicas disse que o tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre - E, ele morreu na fogueira...

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Aos meus amigos (as) – 12ª de 12 Partes

Por

ferreira0.jpgCarlos Ferreira

bruno25.jpg (…) Bruno faz sua defesa sempre tentando convencer os inquisidores 1.) Da legitimidade das suas ideias filosóficas e da possibilidade de concilia-las com a revelação religiosa, e 2.) Alegando que a acusação toma peças isoladas do contexto de seu trabalho, e 3.) Que não sabe sobre o que se emendar. Bruno finalmente declarou que não tinha nada de que retractar-se e que ele nem sabia de que se esperava que retractasse. Os inquisidores rejeitaram seus argumentos e pressiona-o para umas retractarão formal.

bruno26.jpg A esta altura o Papa Clemente VIII ordenou que ele deveria ser sentenciado como um impenitente e herege pertinaz. A 20 de janeiro de 1600 Bruno é condenado. Ao final foi levado, a oito de Fevereiro, ao palácio do Grande Inquisidor para ouvir sua sentença de joelhos, diante dos acólitos assistentes e do governador da cidade.

bruno27.jpgQuando a sentença de morte foi lida para ele, ele dirigiu-se aos juízes dizendo: "Talvez vocês, meus juízes, pronunciem esta sentença contra mim com maior medo que o meu em recebe-la. Foram-lhe dados mais oito dias para ver se ele se arrependia. Não adiantou! Em 17 de fevereiro ele foi trazido ao Campo di Fiori, sua boca com uma mordaça, para ser queimado vivo.

bruno28.jpgFoi levado ao poste e, quando estava morrendo um crucifixo lhe foi apresentado, mas ele empurrou-o para longe com marcado desdém. Seus trabalhos foram colocados no Índex em agosto de 1603 e seus livros tornaram-se raros. Ao final do século XIX intelectuais italianos redescobriram Bruno, tomando-o como símbolo do tipo de filósofo de vanguarda ousado e livre, e mártir da ciência e da filosofia.

bruno15.jpg Para muitos no entanto não passou de um ocioso, um filósofo andarilho, um poeta vadio, e ficou longe de merecer ser chamado um cientista. Foi, sem dúvida, um pioneiro que acordou a Europa de um longo sono intelectual. Ele cunhou a frase "Libertas philosophica", o direito de pensar, sonhar e filosofar, e foi martirizado devido ao seu excessivo entusiasmo. A ideia do universo infinito foi uma das mais estimulantes ideias do Renascimento.  

(Fim)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:14
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016
MALAMBAS . CXXXVIII

TEMPOS CINZENTOS . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo - Teremos de tornear a palavra sentido … Nem oito, nem oitenta!...

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba0.jpegT´Chingange

arau44.jpg A humanidade ergueu-se inteiramente pelo próprio pé através de uma série de eventos que ao longo da evolução se foram acumulando. Hoje, em Toledo, tive uma visita guiada para ver as termas dos Romanos e logo ao lado na capela de El Salvador pude ver na parede as evoluções civilizacionais desde o tempo dos Visigodos, passando pelos Romanos e depois os Muçulmanos. Está estampado na parede; os Muçulmanos construíram-nas encastrando nelas pedras de monumentos romanos tais como vigas, pilastras e cachorros.

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Mais por cima surgem as construções barrocas da idade média e, uns e outros foram aproveitando tudo o que lhes servia para se edificarem culturalmente; as formas de construção são bem distintas. No caso da Igreja de El Salvador está construída sobre uma antiga mesquita muçulmana, pelo que está orientada al sudeste, em direcção a Meca.

capeta0.jpg Teremos de tornear a palavra sentido para saber quanta intenção implica este conceito na evolução da humanidade, porque forçosamente necessita da existência de alguém que o conceba; o sentido! Pressupõe-se que na humanidade, os indivíduos têm esse sentido e, sempre o fazem com um propósito bem definido.

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Na construção da actual igreja reutilizaram-se diferentes elementos arquitectónicos visigodos, graças ao qual se conservaram com seus arcos de ferradura apoiados sobre pilastras visigodas e romanas com decoração esculpida com temas figurativos, nada habituais em este tipo de restos de construção. Tal como uma aranha, o sentido é aqui tecido como uma teia na intenção de apanhar uma mosca, tenha-se ou não 

pap2.jpg Na igreja de El Salvador foram baptizados Juana I de Castilla, la Loca, e o dramaturgo Francisco de Rojas Zorrilla. Não conheci nem um nem outro, mas o sentido disto é conjuntamente presentado em uma de suas caras nas  diversas cenas milagrosas da vida de Jesus, nesses registos sobrepostos: A cura do Cego, a Ressurreição de Lázaro, a Samaritana e outros temas de matiz eucarística que aludem a Cristo como Salvador.

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Neste sentido, o cérebro humano evolui segundo o mesmo conjunto de regras que a teia de aranha. E, a iconografia parece retomada de um sarcófago paleocristão podendo servir-nos de modelo porque o tosco no tratamento mostra-nos o abandono em que num dado momento e numa determinada razão, caiu o trabalho da pedra.

salvador1.jpg Nos marasmos de trabalhos árduos antigos, damo-nos conta agora, que o sentido mais amplo da existência humana é aquele que é baseado na ciência, uma vida mis longa, uma memória ampliada, uma visão melhorada com um comportamento menos agressivo. Enfim, uma capacidade atlética superior que me vai faltando. Mas, no mínimo que se mantenha um odor corporal agradável, sem catinga. Enfim! Uma lista de finuras fúteis.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:49
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Domingo, 18 de Setembro de 2016
MUXOXO . XXXVII

TEMPO COM CINSASQuando os heróis ficam bronze - A vida, é uma falácia - também, uma descoberta.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

cordova1.jpg Até certa idade, todos temos um bichinho-carpinteiro que é necessário matar antes que ele nos mate,… a curiosidade! Estando eu nessa idade, esta noite andei ao redor da estátua dum tal Capitão Gonzalo Córdova y Aguilar tentando saber o que terá sido  ele para o meterem ali numa eternidade de bronze, em um largo denominada de Plaza de Las Tendilhas de Espanha.

cordova8.jpg Já quase onze horas da noite e com 28 graus no escuro da noite, fico admirado de ver tanta gente movendo-se e, outros sentados comendo tapas de chouriço, bebendo seus tragos de copa de vino rioja com outras misturas batidas e efervescidas importadas das Américas, Cuba e outros exóticos países aonde o sonho poisa sadio na imaginação.

cordova2.jpg Os repuxos de água coloridos dão frescura ao conjunto. Emoldurado na azáfama de convívio surgem os tocadores de violino, os saltimbancos rolando habilidades recolhendo sobrevivências turísticas e, quem sabe uns larápios de permeio sondando o alheio. Uma coroa aqui outra mais ali no meio de gentis galanteios, uns trocos de simpatia a suprir as mínguas.

cordova4.jpg Creio que nada disto estava previsto por El Capitan Córdova entre os anos de 1453 a 1516 em seus comandos de campanhas militares que deram início à hegemonia da Espanha sobre a Itália nos primeiros anos da idade moderna.

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Chegado ao hotel perguntei ao senhor Hernandes, balconista em serviço de quem era aquele homem feito bronze da praça frontal e, ele só me soube dizer ser El Gran Capitán (O Grão-Capitão). Recolhi dados e fiquei a saber ter sido um notável fidalgo que com fidelidade serviu os Reis Católicos que lhe deram muito prestígio na corte de Espanha.

cordova5.jpg Filho de uma ilustre família, aos 13 anos de idade foi enviado à corte de Castela onde se tornou pajem da princesa Isabel, depois rainha de Castela. Que desempenhou importante papel na guerra contra o reino muçulmano de Granada, negociando a rendição da cidade em1492, antes sob domínio mouro. Justificação mais que merecida para constar em uma Plaza guapa.

cordova6.jpg O povoado que viria a dar origem à cidade de Córdova já tinha ganho importância no ano de 206 A.C. quando foi conquistado pelos romanos mas, por estes feitos tornou-se então a capital da província da Hispânia Ulterior. Dessa época, subsiste a Ponte Romana, com 16 arcos, que liga a parte central da cidade da Catedral e mesquita ao Campo da Verdade, no outro lado do Rio Guadalquivir.

cordova7.jpg A Reconquista de Córdova durou toda a Idade Média mas, só terminou no início da Idade Moderna em 1492, por este nobre Capitam quando os muçulmanos foram definitivamente expulsos pelos Reis Católicos, Fernando e Isabel. É agora uma cidade considerada património mundial pela UNESCO. Esta manhã ao aqui chegar nada sabia disto! Matei assim a curiosidade. Amanhã será outro dia.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:14
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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016
MUXIMA . LXII

MULOLAS DO TEMPO - As Maiangas da Luua

Muxima e Ongweva são saudades

Por

luis0.jpgLuis Martins Soares

luua7.jpg O abastecimento de águas desde os primórdios da colonização portuguesa, foi sempre um problema das autoridades coloniais. Alguns historiadores escreveram que Paulo Dias de Novaes reconhecendo não ser a ilha do Cabo o lugar mais adequado, avançou para terra firme e fundou a vila de São Paulo de Luanda em 25 de Janeiro de 1576, tendo lançado a primeira pedra para a edificação. A escolha do novo local para a vila foi influenciada sobremaneira pela existência de um magnífico porto natural, situado numa baía protegida por uma ilha

luua12.jpg Mas, foi uma fonte de água potável, que mais ponderou em sua decisão; era necessário abastecer as naus do reino e, as águas do poço da Maianga na então existente lagoa dos Elefantes eram suficientemente potáveis . Os poços deram origem anos mais tarde às duas Maiangas, a do Povo e a do Rey, que nasceram entre 1641 e 1648.

luua6.jpg A “REVISTA UNIVERSAL LISBONENSE” n°. 25 de 30 de Dezembro de 1852, publica artigo interessante sobre a cidade de S. Paulo de Assumpção de Loanda onde os poços denominados MAIANGAS fazem parte da matéria publicada: “Nos subúrbios ou arrabaldes da cidade há muitos arrimos (hortas), e as duas Maiangas (poços públicos) que servem de recreio aos seus moradores têem a cidade dentro das barreiras cinco quartos de milha de comprimento, e três quartos de milha na sua maior largura.:::::4A cidade alta é reputada mais saudável que a baixa pela sua vantajosa posição, todavia ambas sofrem sensível falta d’agua por não haver em Loanda mais que dois poços denominados Maiangas, dos quaes um só é público, e que não chega para o consumo dos seus habitantes “...etc.

luis50.jpg As Maiangas citadas são a Maianga do Povo e a Maianga do Rey que foram construídas em meados do século XVII a mando de Salvador Correia de Sá e Benevides. A água das cacimbas públicas e particulares (poços) é toda salobra. O poço Maianga do Rei serviu exclusivamente para abastecimento das estações públicas ou seja para uso dos religiosos e autoridades coloniais, conduzida em carros das obras públicas. 

luis51.jpg  Este poço localizado perto da Rua da Samba nunca despertou a minha curiosidade para o conhecer de perto quando eu e a família nos deslocávamos a pé para a Samba onde um rochedo plantado na beira-mar e na extremidade da praia servia de trampolim para os nossos mergulhos.::::7Conheci o poço Maianga do Povo bastante, pois morei muitos anos perto dele, no Bairro da Maianga. Internamente uma escada dá acesso até se atingir a linha de água onde parte da população local se abastecia da água salobra transportando-a por latas ou em barris.

 luis53.jpg O Rio Seco, no período das chuvas quando colecta as águas vindas das barrocas dos Quarteis no seu trajecto rumo à Samba, às vezes bastante caudaloso, passa muito perto destas Maiangas. As águas no seu trajecto final, segundo historiadores, desaguavam numa lagoa que era a Lagoa dos Elefantes antes de se descarregar no mar (no lugar da Samba).

luis52.jpg Os elefantes procuravam a lagoa para matarem a sede mas, pelo progresso, foram obrigados a procurar outros lugares como a Quiçama, pela invasão do seu território. O poço Maianga do Rey está reproduzido em um painel de azulejos nas paredes interiores da casamata, no estilo da azulejaria portuguesa do século XVIII, na Fortaleza de São Miguel.

maximbombo.jpeg Havia também a lagoa Cacimba do Kinaxixi transformada em ponto de abastecimento a luanda antiga do Maculussu e Ingombotas, na qual se abastecem os Padres Jesuítas afectos a Nossa Senhora do Carmo, um pouco acima da Mutamba. Os contos, missossos e mussendos de Óscar Ribas fazem menção desta lagoa, um lugar místico dos kaluandas e dos escravos traficados pela D. Isabel Maria Lane no século XVIII.

maianga do araujo.jpg Nota: A parte 10 (maximbombo) foi um complemento introduzido pelo relator desta.

As escolhas do Sob T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:16
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CX

TEMPOS PARA ESQUECER 13.09.2016 - ANGOLA DA LUUA XX. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILANesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. “Vai para a tua terra, branco” era o slogan mais metralhado por palavras acintosamente venenosas…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

moka9.jpg (…) Veríssimo Sabino da UNITA, um comandante responsável, disse que o MPLA incitava a população, mulheres e crianças para avançar sobre a base da FNLA situada no Bairro Operário mas, isto já era conhecido por todos. Em Março de 1975 já havia misseis SAN 3 em poder do MPLA. Pergunta-se! Seriam usados contra quem? Decerto não o eram para construir a paz! O Postoyna, um vapor, descarregava numa praia bem perto de Luanda grande quantidade de material de guerra e viaturas com autometralhadoras tipo Panhard.

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Isto foi no dia 29 de Abril e para o efeito ocorreu mais um intenso tiroteio no subúrbio de Luanda para distrair as forças FMM para ali. Só neste entretém e, porque accionaram morteiros, houve 25 mortos e 110 feridos. As autoridades portuguesas perguntavam-se pela tal quarta força (dos brancos) e nada se constava. Andavam todos perplexos olhando um medo sem contornos definidos e mesmo sem nada fazer, pretendia-se que o fossem, culpados! Uma pura ficção com eventos borbulhando só na cabeça de obstinados árbitros; os revolucionários do vinte-e-cinco e do MPLA.

moka6.jpg No M´Puto, o PCP promove assembleias de bairro em Lisboa juntando a Câmara Municipal, as juntas de freguesias, as comissões de moradores, as comissões de trabalhadores, cooperativas, colectividades e grupos de cristãos para o socialismo. O espirito é unitário, apelo muito usado e, reúne "todas as forças verdadeiramente interessadas no avanço do processo revolucionário." O Primeiro-Ministro desloca-se até ao Sabugo para falar à população e lançar cravos vermelhos, como é habitual.

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A seguir ao 11 de Março, Mário Murteira tomou conta do Banco de Portugal, orientou o processo da nacionalização da banca, comandou toda a economia. Mário Murteira colado ao PCP desempenharia um lugar proeminente na Revolução. Mário Soares sabia e tinha toda a razão quando disse a Silva Lopes ministro das Finanças quando indigita Murteira: "Acabou de meter no Banco de Portugal o Partido Comunista". As coisa corriam ao descaso e Silva Lopes respondeu-lhe: "Você está a brincar”! Em verdade, todos estavam! …

moka7.jpg Creio que por estes dias da Luua, Lúcio Lara foi dos homens mais activos na contra informação. O MPLA tinha cada vez maior sofisticação nas formas de actuar. O sequestro de brancos para Praça de Touros de Luanda era levado a efeito pelo MPLA às claras. Ali, eram severamente espancados, seviciados, enfim, sujeitos aos mais inauditos vexames durante dias. Obrigam-nos a repetir vezes sem conta: “ O povo é o MPLA e o MPLA é o povo”. Com as NF – Nossas Forças, não se podia contar. Merda de tropa!

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E, a desmotivação entre estas, já era tão grande que ninguém podia contar com eles. Só estavam preocupadas em chegar ao 11 de Novembro sem se meter, sem dar tiros! Já em Maio, a população branca só esperava meios de evacuação porque nada mais lhes restava. Já havia um número elevado de locais com gente deslocada, que desesperava. As balas tracejantes continuavam a riscar os céus de Luanda. Era o 1º de Maio. Quem andou na guerra, não se recorda de ter visto assim tanto fogo. Os brancos tinham percebido por fim que estavam por sua conta e risco. Não havia a quem recorrer e, nada de tribunais.

moka8.jpg Entre 29 de Abril e 2 de Maio os luandenses viveram debaixo de fogo cerrado e de grande intensidade, armas ligeiras, armas pesadas, lança foguetes e morteiros com acções de fogo posto e pilhagem. Houve muitas prisões feitas de forma indiscriminada! Havia refugiados no Liceu Feminino D. Guiomar de Lencastre com sessenta desalojados. Na Faculdade de Ciências na Avenida Marginal com cento e cinquenta e mais outros trezentos na sede da juventude da UNITA na rua Luís de Camões.

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Esta gente tinha saído por expulsão dos Bairros da Vila Alice, Cuca, Vidrul, Terra Nova, Cazenga, Marçal, Bairro Marcelo Caetano, Lixeira e Boavista. Gente do povo, brancos, mestiços e negros a carecer de meios de subsistência, sem conta bancária grande ou pequena; só a roupa do corpo.

moka10.jpg Silva Cardoso o Alto-Comissário depois do Acordo de Alvor, era constantemente atacado pelo MPLA em comunicados via rádio e panfletos por não ser suficientemente revolucionário. Afirmavam que já não servia à revolução Angolana. Em dado momento, Silva Cardoso perante a constante insistência do MPLA de que teria de ser substituído, sugeriu à Direcção do mesmo movimento que classificassem o seu sentido de revolução ao referirem claramente que os brancos não eram queridos em Angola; isto para que assim, Lisboa evacuasse essa etnia alvo de “um ataque sistemático” por eles. Era só um jogo de palavras para fazer actuar o CR do MFA de Lisboa…

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Neto respondeu enfadado ao Alto-Comissário que para o preto, o branco era sinonimo de colonialista. Neto já se sentia com força para retorquir sem evasivas, prepotentemente sarcástico fustigava a pouca astucia duns e a burrice de muitos dos governantes portugueses. Almendra, o Comandante do COPLAD – Comando Operacional de Luanda, confirmava que alguns polícias brancos tinham sido presos em suas casas e levados pelo MPLA para a “tourada”, lugar prisão sob sua gestão.

moka11.jpg No M´Puto os partidos à direita do PS encaram o futuro com alguma contenção. Por aqueles dias, chegava a vez dos social-democratas assistirem ao boicote de um comício do PPD em Almada. Depois dos oradores discursarem há muita gente a impedir a saída dos social-democratas do recinto. O COPCOM é chamado a por ordem na confusão. Reina agora na nação uma incessante excitação. Mas isto, era lá a mais de 8000 quilómetros da Luua.

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Por Silva Cardoso se insurgir em comunicados contra os desmandos e incentivos de rebelião por parte do MPLA, Lopo do nascimento em Maio, exige a expulsão imediata do Alto-Comissário em carta dirigida ao Concelho da Revolução. No final deste mês de Maio já havia cerca de 25.000 desalojados em Luanda e 50.000 pedidos de passagem para Portugal. “Vai para a tua terra, branco” era o slogan mais metralhado por palavras acintosamente venenosas ensinadas no poder popular dos comités de bairro do MPLA.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:18
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Segunda-feira, 12 de Setembro de 2016
MOKANDA DA LUUA . XLIV

ANGOLA – DO HUAMBO -– "Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo - nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra"

OS LUANDENSES NUNCA VIRAM COM BONS OLHOS, AS GENTES DO SUL DO PAÍS ! 

Por

vumby0.jpgFernando Vumby Fórum Livre Opinião & Justiça

valentina0.jpgINTRODUÇÃO

Esta crónica, eu tinha que escrever qualquer dia, até porque conheço muita gente que sofreu apenas e simplesmente por ter tido um nome de origem sulano, curioso alguns até chegavam á ser barrados mesmo vivendo em Portugal, dependendo do tempo em que tinha fugido do país. Nem sei se na altura os tugas já estavam feitos com o regime vigente em Angola ou não, mas verdade é que, conheci casos de angolanos que foram repatriados com base nisto e, postos em Angola, acabaram eliminados.

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Estou a preparar uma obra intitulada o (Drama de Eslome Joaquim) Um homem que tinha feito tudo para se livrar do regime, e mesmo posto fora do país, o azar continuou á persegui-lo até que acabou morto em Angola depois de ter sido forçado á regressar para o país. Um dia, tinha sim que escrever esta crónica pois ainda há muita fachada, muitos abraços fingidos entre uns e outros, muitas nomeações simuladas, posições ocupadas para se vender o peixe desde á muito considerado por podre como bom, etc… etc.

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E até porque ainda existe uma certa resistência e dificuldades das gentes de origem sulana mesmo estando no MPLA e com cargos (importantes); por exemplo em exonerarem seus subordinados naturais de Luanda e pior se este for de carreira militar, dos tais generais do grupo dos intocáveis, conheço-os todos, tão bem e melhor que muitos. Se ate hoje fores á uma embaixada de Angola e dão conta que és do sul. A esfrega que apanhas se tiveres o azar em seres atendido por um kaluanda não será pera doce! Infelizmente as embaixadas foram transformadas em autênticos comités do MPLA.

vumby7.jpg Para não falar dos sulanos que ficam anos e anos sem promoção nas forças armadas, e se não forem lambe-botas ainda pior, pois ate acabam zombado pelos seus próprios colegas na unidade militar... Kota, esses sulanos dão pena, concluiu um jovem militar das FAA patenteado, enquanto o outro com mais idade numa roda de amigos dizia em voz alta e em bom-tom; " Há um tipo destes que veio da UNITA por ser ministro! "

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QUEM DISSE, QUE ISTO ACABOU?

Mesmo estando-se em tempo de (reconciliação) nacional e de uma (paz) vista por canudo, há verdades que por nada deste mundo temos o direito de esconde-las ou pinta-las porque se diz que isto já pertence ao passado. Nasci e cresci em Luanda e sou do tempo em que para se desprezar e desrespeitar as gentes do sul nunca faltaram os termos e apelidos dos mais depreciativos possíveis que ate hoje ainda estou para saber quem colocava isto na cabeça dos luandenses.

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Para os kaluandas todos que fossem do sul do país eram considerados como bailundos e á palavra bailundo (os baías) curiosamente ate chegaram á dar o significado de atrasado, burro, escravo, criado do branco e falso. Não sei se é pelo facto da maioria dos brancos na altura terem tido como preferência as gentes do sul do país, para trabalharem em suas casas como empregados domésticos internos os considerados por criados.

an4.jpeg Ainda naquela altura alguns velhos do sul de Angola que chegavam e se fixavam em Luanda e já tinham dado conta de que o ser-se sulano, raramente não era interpretado como pior do que o numero da (prostituta), para salvarem á pele dos seus filhos de possíveis humilhações viram-se obrigados á fazerem novos registos para os mesmos trocando os nomes de família e passaram á crescer ate morrer com nomes como se fossem naturais de Luanda.

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Sei que este é um tema que muita gente não gosta de abordar por receio em serem acusados de tribalistas, regionalistas ou coisas do género, eu não tenho kigila e vou continuar a abordar ate porque conheço pessoas que nasceram no Bié / Huambo / Bailundo cresceram em Luanda e morreram como naturais de Luanda e curioso com nomes que ate parecia que estavam reservados exclusivamente para os luandenses.

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Cumpro com isto o dever moral e patriótico ao não esconder estas verdades ocultadas e manipuladas propositadamente para se vender a ilusão de que este espírito e comportamento já foram banidos das mentes de certas pessoas o que não é verdade. Poderia até mesmo mencionar alguns nomes de pessoas; que se não se tivessem protegido por detrás das novas cédulas pessoais teriam problemas. Às pressas e, se calhar nas guerras do kwata-kwata, quando o MPLA relacionava toda gente do sul como simpatizante, militante ou amigo da UNITA. A ser assim, hoje não estariam vivas.

huambo.jpg Quem viveu em Luanda nesta altura sabe que houve até casos em que os próprios vizinhos eram os que denunciavam quem era e não era do sul de Angola, o relacionava como kwacha e raramente não dava á dica ao camarada com ordens para surrar tudo que era do sul. Curioso é mesmo havendo muita gente que já tinha aderido ao MPLA ainda nos tempos da guerrilha contra o regime português e, que depois ate se destacaram como grandes comandantes em frentes de combates contra o colonialismo português; foram subestimados pelo bureau político do mpla. Hoje a merda ainda é a mesma, muito embora com um cheiro um pouco diferente, muitos são os que partilham desta ideia!!!!!

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:39
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Domingo, 11 de Setembro de 2016
XICULULU . LXXXVI

TEMPOS DE CINZAS - Constantino enganou-nos impondo ao Império Romano o cristianismo - Bruno sobre as técnicas mnemónicas disse que o  tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre...

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Aos meus amigos (as) – 11ª de 12 Partes

Por

ferreira0.jpgCarlos Ferreira

bruno6.jpg (…) O papa encarregou o cardeal Belarmino (1542-1621) de analisar e acompanhar o processo de Giordano Bruno. O Cardeal, originalmente Roberto Francesco Romolo Bellarmino, cardeal e teólogo (veio a ser canonizado São Roberto Belarmino) foi um dos maiores defensores do catolicismo contra os protestantes. Jesuíta em 1560, estudou em Roma e Pádua, ordenou-se em Louvain, Bélgica, onde leccionou teologia. Voltando à Itália, foi feito cardeal em 1599 pelo papa Clemente VIII, a quem ajudou na preparação da vulgata da Bíblia (159l-92) expurgando os erros da vulgata anterior de Sixtus V.

bruno22.jpg Grande teólogo dedicou-se ao estudo das controvérsias religiosas: escreveu entre 1586-93 "Lições Relativas às Controvérsias da Fé Cristã contra os Hereges Contemporâneos". Mais tarde salvou Galileu da condenação aconselhando-o, privadamente, - antes do processo - que tomasse a doutrina de Copérnico como hipótese. Dedicou-se grandemente aos pobres a quem destinava todos os seus rendimentos, vindo a morrer pobre.

bruno23.jpg O cardeal Belarmino extraiu das obras de Bruno 8 heresias; as quatro mais graves são duas teológicas e duas filosóficas: Teológicas: (a) negaria a transubstanciação; (b) prioridade ideal e real do Pai e da subordinação do Filho, este originado de um acto da vontade do Pai, que lhe é preexistente. Filosóficas: (a) pluralidade dos mundos (os actos divinos devem corresponder à potência infinita de Deus) implicaria também várias incarnações de Cristo um número infinito de vezes... (raciocínio tipicamente escolástico), e (b) alma presente no corpo como o piloto no barco.

bruno24.jpg Durante os sete anos do julgamento romano, Bruno a princípio desenvolveu sua linha defensiva prévia, negando qualquer interesse particular em questões teológicas e reafirmando o carácter filosófico de suas especulações. Essa distinção não satisfez os inquisidores, que pediram uma retractação incondicional de suas teorias.

bruno25.jpg Em certa época lhe foram dados quarenta dias para reconsiderar sua posição; ele prometia retractar-se mas renovava suas "tolices". Bruno então fez uma tentativa desesperada de demonstrar que seus pontos de vista não eram incompatíveis com a concepção cristã de Deus. Então conseguiu mais quarenta dias para deliberar mas não fez mais que confundir o papa e a inquisição.

(Continua…)

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:07
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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CIX

TEMPOS PARA ESQUECER08.09.2016 - ANGOLA DA LUUA XIX. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo.  Enquanto isto no cais de Luanda saíam camiões cheios de material bélico para o MPLA …

Por

soba0.jpgT´Chingange

dia91.jpg (…) Em Luanda havia mortos e feridos sem gente capaz de os tratar nos dispensários de saúde aliada à falta de medicamentos, gaze, algodão e utensílios, Muitos dos instrumentos foram capiangados por auxiliares para serem usados nos comités de bairro do poder popular; ao invés de se pôr cobro a isto tudo se agravou de forma exponencial! Era o caos na saúde! Não muito tempo depois do Acordo de Alvor e tendo Silva Cardoso como Alto-comissário a CCPA pedia a Lisboa mais poderes por modo a impor a sua estratégia.

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Silva Cardoso achava estar muito limitado e as práticas eram completamente fora do espírito do MFA por haver manobras de compadrio com o MPLA por parte de alguns oficiais desrespeitadores ao que estava estabelecido. Requeria-se haver mexidas nestes comandos mas de Lisboa nada de novo; Havia oficiais empenhados em instalar o que diziam ser “ a esquerda progressista” abandonando a política da “era Spinolista” e, tudo faziam sem serem sequer admoestados.

KAFUFUTILA0.jpg Podia por aqui, ler-se que Portugal com o seu MFA seguia uma “contradição básica” em reconhecer os três movimentos mas na prática ajudar só o MPLA. E, insistiam despudoradamente numa “quarta força” como era designada a ameaça branca, sabendo de antemão que esta não existia!

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Lisboa dizia à CCPA que deveria ajudar o MPLA e sempre lembrava não se remeterem a uma atitude passiva desprezando assim e dando força a práticas arbitrárias contrárias ao que o Alto-comissário queria impor. O Acordo de Alvor estava a ser minado pelo próprio CR órgão orientador do MFA e Silva Cardoso viu-se no meio duma contenda sem saber bem como agir. Não estava senhor de todos os dados; achava que estava a ser traído mas as provas disso eram sempre contaminadas.

africa5.jpg Em face disto Silva Cardoso fazia bluff dizendo amiudadamente ter de requerer intervenção a forças internacionais da ONU. Duma forma armadilhada e para eliminar definitivamente a FNLA, o MFA fazia secretamente acções concertadas por forma a assediar Savimbi para uma linha mais destacada mantendo-o como o fiel da balança na disputa FNLA versos MPLA. Mas, isto era só uma estratégia, uma manobra de diversão e, nada mais do que isso; não obstante, a maioria dos dirigentes da UNITA eram contrários a uma aproximação a Neto.

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Reina agora na Metrópole do M´Puto uma incessante excitação. Dia sim, dia não está para rebentar um golpe militar. Era o tempo da conspiração; está-se sempre à espera de onde virá a próxima trama secreta. O COPCOM dispõe de novas indicações, está em preparação um movimento hostil spinolista. Ao cabo de horas o oficial moderado Vítor Alves é substituído no Governo, nas pastas da Defesa e da Comunicação Social por dois oficiais ligados a Vasco Gonçalves, Silvano Ribeiro e Correia Jesuíno.

africa0.jpg Melo Antunes, Silva Lopes, Rui Vilar, Victor Constâncio e Maria de Lurdes Pintassilgo vão expor as linhas gerais do Programa Económico e Social em conferência. O grupo surgia num ingrediente do tempo como uma ficção. Os jornalistas estrangeiros presentes não percebiam como era possível "Estar já em curso um movimento geral de ocupações de terras no Alentejo, estando ali a propor medidas tão moderadas, ignorando o que se passava".

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Março de 1975 é o mês em que tudo vai acontecer no M´Puto. As notícias aparecem de hora a hora. A revolução estava em ponto de rebuçado. Chovem nos quarteis notícias de golpes e contragolpes. Movem-se influências. Estão no activo as secretas alemãs, francesa e espanhola e há muito que a CIA e o KGB convivem entre os portugueses.

africa8.jpg Consta agora à boca cheia, existir uma lista com nomes de 1500 figuras de direita a abater pela extrema-esquerda, operação designada "Matança da Páscoa". Atónita, a nação não quer acreditar. Em nome da Revolução, tudo era possível.

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Belém do M´Puto reforçava por decreto em Março de 1975 uma política de activa neutralidade em relação aos Movimentos, coisa que na prática nunca se verificou. A CCPA, tudo fazia para que Silva Cardoso fosse exonerado e, sempre se afadigavam em fazer listas de oficiais a sanear; exactamente aqueles que não eram declaradamente revolucionários de esquerda. Neste meio tempo o Cônsul Americano Killoran afirmava abertamente que se tornara impossível viver em Luanda porque não havia alimentos e muita violência na ruas e assaltos não permitindo uma normal vida social.

kiz7.jpg As ocupações selvagens ocorriam a todo o momento e já havia em Luanda uns quantos lugares destinados a dar guarida a desalojados vindos de toda a Angola. O general Silva Cardoso, devido ao desrespeito constante pelos militares Lusos teve de ameaçar não haver perdão para com os militares encontrados a actuar “com partidarismo”. Ele soube que militares portugueses foram encontrados a saquear casas e negócios de brancos junto com o MPLA; Era lógico que isto, ele, não o poderia afirmar!

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O papel de árbitro não se exercia com tiros! Isto já era letra morta; a anarquia já permitia aos partidos fazer quase tudo e entretanto o MPLA fazia chegar por mar, terra e ar armamento ligeiro e pesado. O MPLA fretava aviões à African Safari que entrava no espaço aéreo de Angola com conhecimento das “nossas” FA. Estes aviões aterravam em pistas já desactivadas e no Luso com armas pesadas declarando tratar-se de medicamentos e fardamento.

mona7.jpg Os procedimentos eram mais que muitos. Só no Luso o MPLA descarregou sete camiões. Enquanto isto sucedia, na praia de São Tiago, em Teixeira de Sousa e por via ferroviária faziam-se descarregamentos em toneladas. Em outros pontos da costa a norte e Sul de Luanda e até no próprio cais desta. Para distrair as parcas forças das FMM - Forças Militares Mistas, davam durante a noite festivais de tiros para o ar no Bairro Operário como manobra de diversão para despistar; enquanto isto no cais de Luanda saíam camiões cheios de material bélico para o MPLA.

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Entretanto no M´Puto a “reforma agrária” tenta usar o "decreto-lei das nacionalizações, através do qual se assegurará "o controlo da economia". Os ministros decidem intervir no complexo agrícola de herdades, Donas Marias e Cavacedos, em Moura. Mais de 1350 hectares. Com que argumento? Subaproveitamento das terras, deficiente alimentação do gado, despedimento sem justa causa, não pagamento de salários e, mais importante, mau relacionamento do patrão com os empregados. Andava tudo num reboliço, os trabalhadores de caçadeira às costas a tomar os montes alentejanos. Ninguém me contou, eu vi!…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:46
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016
MUJIMBO . XCVIII

BRASIL . PONTOS DE VISTA . Enfim, o Golpe - Um golpe que atinge a credibilidade (que ainda resta) das Instituições. Como acreditar num Supremo que vive a transgredir a Constituição. Será isto?

Por

Fernando Gabeira 1.jpgFernando Gabeira  Fernando Gabeira é insuspeito para comentar este assunto, foi comunista e terrorista lutou para implantar uma ditadura nos moldes cubanos no Brasil. Hoje tem outro pensamento...

fern2.jpg "Depois de tantos meses de disputas, negociatas e articulações, o dia D do impeachment de Dilma Roussef chegou e enfim tivemos um golpe no Brasil. Mas para a surpresa minha, sua e do mundo, não houve o golpe tão propalado pelos defensores do governo Dilma, mas sim um outro golpe. Na verdade um golpe de mestre, orquestrado e costurado à sorrelfa, ou como se diz hoje em dia, na miúda, por gente graúda. Muito graúda. Se vocês não têm essa ideia com clareza ainda, vamos aos fatos.

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Mesmo sabedor da circunstância de que o impeachment estava sacramentado, Lula continuava trabalhando forte nos bastidores. Hoje soubemos o motivo. Não era para evitar o impeachment coisa nenhuma, mas sim para evitar a inabilitação de Dilma.

fern5.jpg Segunda pergunta mais importante: quem ganha com o golpe de hoje? Ao menos dois grandes grupos de pessoas: 1) Dilma, PT e todo mundo que trabalhava no discurso do golpe, que agora para sempre poderá dizer que “ah, tanto foi um golpe que ela sequer foi condenada – fica óbvio que ela não cometeu nenhum crime e o único intuito era tirá-la”;

fern3.png 2) Cunha e todos os demais parlamentares (PMDB em peso) que estão correndo o risco de perderem o mandato, especialmente em épocas de Lava-Jato – não perdendo os direitos políticos, eles poderão concorrer a novas eleições em breve e, por consequência, manter prerrogativas de foro.

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Ainda mais importante: quem participou desse Golpe, além de Lula? Temos todos os nomes, então vamos lá: José Eduardo Cardozo, óbvio; Renan Calheiros, óbvio; Ricardo Lewandowski, óbvio (que já estava com a decisão pronta e redigida, segundo ele porque a possibilidade daquela questão já vinha sendo abordada pela imprensa – aqui, oh!) e obviamente, todos os outros senadores que votaram pelo impeachment, mas não pela inabilitação ou que se abstiveram em relação à segunda, quais sejam: Acir Gurgacz (PDT-RO), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), Cidinho Santos (PR-MT), Cristovam Buarque (PPS-DF), Edison Lobão (PMDB-MA), Eduardo Braga (PMDB-AM), Hélio José (PMDB-DF), Jader Barbalho (PMDB-PA), João Alberto Souza (PMDB-MA), Raimundo Lira (PMDB-PB), Renan Calheiros (PMDB-AL), Roberto Rocha (PSB-MA), Rose de Freitas (PMDB-ES), Telmário Mota (PDT-RR), Vicentinho Alves (PR-TO), Wellington Fagundes (PR-MT), Eunício Oliveira (PMDB-CE), Maria do Carmo Alves (DEM-SE) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

 fern8.jpgÉ isso amigos, temos que dar a mão à palmatória. A ideia foi genial. Tudo foi feito na surdina e ninguém da imprensa – pelo menos que eu tenha lido – antecipou essa possibilidade. E vejam a sofisticação da manobra: agora estão falando de impugnar a decisão no STF, por conta da separação das votações.

fern6.jpg Mas não vejo como impugnar uma parte sem a outra. Quem votou hoje pelo impeachment, votou apenas pelo impeachment, não pelo destaque. Não seria possível presumir a inclusão do destaque na primeira parte da votação de hoje. Assim, se alguém quiser impugnar (como Caiado disse que irá fazer), a decisão do impeachment de Dilma fica anulada e outra sessão deveria ser convocada. É mole?

fern4.jpg Por fim, é óbvio ululante e não há como negar que a decisão de separar as votações de hoje foi inconstitucional. A leitura do art. 52, parágrafo único do texto constitucional não admite nenhuma outra interpretação, a não ser de que o impeachment leva à cassação dos direitos políticos.

Mas para que Constituição com o Senado que temos? Com os Partidos que temos? Com o STF que temos?

Hoje finalmente houve um golpe no Brasil. E que belo golpe".

As escolhas do Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:07
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2016
MALAMBAS . CXXXVII

TEMPOS CINZENTOS . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo … E, porque a politica se tornou um meio para alcançar fins desonestos...

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

bra4.jpg Nós reclamamos a democracia no confronto com a realidade; esticamo-la, ridicularizamo-la e, na desvalorização desta, não a reinterpretamos como sendo uma questão principal. Isto, porque a gestão principal não é forçosamente a necessidade de uma nova ordem mas, a maneira como deve ser construída essa ordem! Não basta querer, é necessário fazer querer mas, a maioria dos políticos vê somente o seu umbigo servindo-se do aparelho ao invés de o servir.

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Premeditando seu próprio futuro prepara-o na subtileza mentirosa de falaciar quem serve. Num processo lento cria condições de base, assegura-se dos apoios e dá benesses que não são dele ou dela e nós temos de ser capazes de nos adaptarmos às várias psicologias dos novos tempos com esses novos e subtis métodos de mando. A democracia é débil porque a burguesia se desmoronou coabitando com corruptos comportamentos, dando facilidades sem penalizar corrupto e corruptor.

an2.jpeg E, porque a politica se tornou um meio para alcançar fins desonestos, sempre os políticos se nos mostram como sendo os mais puros, ao mais impolutos e, é esse bombom de comportamento que nos atraiçoa. É este o verdadeiro calcanhar de aquiles de todos nós que não estuda as atitudes dum candidato a ser chefe ou estadista; que nos deixamos ficar na indiferença no vamos ver o que vai dar.  

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É esta, uma muito má-prática nossa, de se deixar passar um dia de cada vez no ver vamos de como isto fica! Bem! Pode dizer-se: insultado, um homem pode transformar em armas as correntes que têm nos pés não é? Mas as grilhetas de agora já são outras, muito mais sofisticadas; tanto que nem damos por as ter.

maga2.jpg Isto porque nós, todos nós, queremos a liberdade e essa temo-la mas estamos coarctados por regras e leis que restringem o ser num sofisma de “a bem da nação”. E, aqui não há vinganças; há compadrios, manobras dilatórias, processos com recursos que nos desfalecem neste deixa andar.

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Deduzimo-nos na ideia de que tudo é equivalente e que o bem e o mal podem ser definidos de acordo com os desejos de cada qual. Mentimo-nos muitas e repetidas vezes sem dar a mão à palmatória por não se acreditar que este mundo não tem um verdadeiro sentido derradeiro de “xispeteó”.

jo5.jpg E, é sempre o homem que torna o sentido do derradeiro num jeito acomodado! Porque as pessoas existem e realizam-se não no isolamento mas na comunidade. Espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta, irei fazer do tudo um romance condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:25
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016
CAFUFUTILA . CXVII

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA  - 12ª com várias partes…

AS TÁGIDES DE TOLEDO – Em Alhambra com Zachaf Pigafetta Roxo, a kianda tetravó de Roxo e Oxor.

Ongweva é saudade

Por

soba15.jpgT´Chingange

roxo69.jpg E, por fim tinha ali em frente dos olhos a Kianda Zachaf Pigafetta Roxo a tetravó da Assunção, uma mulher radiante de beleza, assim estonteante que se ondulava em imagem, ora era, ora não era nem deixava de o ser, quasequase um holograma falante. Depois daquele pulo desassombrado aquietei-me recordando-me estar entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, porque zunia na minha cabeça legionários pensamentos.

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Recordo aqui que, involuntariamente houve em mim um ligeiro pestanejar de reluzir comoção, quasequase como um vaga-lume comovido de pirilampo. O meu espanto maior foi saber que ela a Kianda Zachaf sabia que eu era o T´Chingange relembrando que socorri sua trineta lá na praia do Guaxuma do Brasil, assim e assado com todos os pormenores de barbatana com o Zé Peixe de Sergipe.

roxo70.jpg Assim, e sem mais edecéteras e vírgulas espantadas de interrogação disse-lhes que sim! Era eu inteirinho da Costa, nascido e desfalecido num vapor chamado Niassa. Foram muitas as perguntas e interjeições com muxoxos de parte a parte! Era agora que íamos pôr os pontos nos iis. Sabes, temos algo em comum, disse ela: - Tu e eu nascemos em um lugar com o mesmo nome.

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Niassa! E, isso torna-te também um agente kalunga porque tens um espírito forte; para além das águas nascente num barco com o nome do meu lago tornando-te um Minkisi, um agente de ligação entre seres humanos e o físico divindade ou espírito das águas, que somos nós. Referia-se a ela e Januário Pieter ali caladinho ouvindo sem intervir.

roxo72.jpg Sentia-me diluir nas pernas e de novo belisquei-me; doeu e, sendo assim e com dor, só podia ser um humano. Estava em pulgas! Foi quando Januário Pieter assim no seu jeito cavernoso me disse: Eu e Zachaf Pigafetta somos irmãos! Isto, eu não podia imaginar e, continuou: Nossos pais fizeram uma longa travessia desde o lago Niassa, nesse então chamado Zachaf e o Kwanza. Os nossos mais-velhos assentaram arraiais em Cabo Ledo e, foi a partir daí que o destino me fez kianda itinerante da Globália.

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Esta estória para além de longa começava a ser demasiado intrincada. Encontrei Januário Pieter pela primeira vez em Jablines a nove quilómetros de Disneyland. Recordo que foi lá que este me contou coisas que desconhecia terem-se passado em Angola nos tempos recentes e, também lá detrás desde os tempos em que Luanda estava na posse dos Mafulos com os Tugas recolhidos em Massangano e do qual fizeram uma segunda capital de N´Gola. às margens do Kwanza. Bom a estória decerto iria ser bem interessante.

roxo73.jpg Acontece que a hora já era tardia,"El Pátio Riconcillo" estava para encerrar e, teríamos de fazer uma pausa, remoer o acontecido e ganhar folga para os próximos episódios. E Pieter foi dizendo que eles tinham muitas mocandas na cabeça para contar: - O mais importante nesta minha vida de kianda da Muxima é falar dos entretantos esquindivados de Kwanza acima, Kwanza abaixo relembrando meus tempos de candengue. Minha mana tem outras estórias que decerto te encantarão. Estamos aqui para isso; mungweno! Foi assim que nos despedimos por agora.

cronicas mano corvo2.jpg GLOSSÁRIO :

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Kalunga: Junção de espíritos na forma de água, divindade abstracta. O Soba T´Chingange muxoxo: - silvo produzido pelos lábios de vento aspirado entre dentes; esquindiva: - fazer revienga, finta, fazer piruetas, bazar dali.

Ilustrações de Assunção Roxo

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:09
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Domingo, 4 de Setembro de 2016
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXVIV
ANGOLA .  TEMPO DE CINZAS - A HIPOCRISIA DO MUNDO  -  Entre Julho de 1974 e Novembro de 1975 morreram em Angola trezentas mil pessoas - Morreram em média "oito crianças" por dia e o Mundo nada falou!...
 

Por

maga1.jpg Luís Magalhães - Tem uma caneta Parker 21 espacial. Dessas que levam o homem a gatafunhar acontecimentos da Luua, da Angola que jamais esqueceu … (na guerra do tundamunjila)

luis46.jpgEsta foto foi onde apareceram os caixotes dos meus Pais, todos arrombados por quem os estava a guardar.Eu sinceramente nunca vi os Lobos guardarem as ovelhas mas...????

Entre Julho de 1974 e Novembro de 1975 morreram em Angola trezentas mil pessoas,que foram assassinadas nas cidades ou morreram durante a fuga devido ás balas dos "Movimentos de libertação" e das tropas estrangeiras (Cubanas e Russas) e outras por doenças e fome e outras ainda porque foram apanhadas no meio dos combates que o MPLA,a FNLA e a UNITA travavam.No meio desta confusão morreram em média "Oito crianças" por dia. 

luis33.jpg Anda por aqui uma foto de um menino Sirio que morreu afogado no Mar da Grécia, e aquilo foi de tal modo chocante que não houve Telejornal que não mostrasse essa foto no abrir dos Noticiários. Entretanto eu recuei há quarenta e um anos atrás e lembrei-me do UM MILHÃO E QUATROCENTOS MIL retornados ( Angolanos), que desembarcaram em Portugal que não tiveram o apoio dos refugiados Africanos e Árabes que a Europa lhes está dar actualmente, pois tivessem tido este apoio e de certeza que a revolta e a dor teriam sido muito amenizadas. Hoje a culpa disto tem nome e é dos Americanos, Espanhpois...

cafufu10.jpg Portugueses e Ingleses, e foi tudo feito na famosa cimeira nos Açores. Nós por cá, nunca se soube quem foram os culpados da famosa "Descolonização exemplar" e os Portugueses e os naturais das ex provincias Ultramarinas viram colar-lhes na testa o rótulo de retornados, uma gente que foi obrigada a fugir, foram insultados, foram violados e massacrados. Para mim são refugiados e como tal a História da Descolonização está a ser adulterada, porque os Povos das ex-colonias, os militares e os Movimentos de Libertação foram bonecos nas mãos de "obscuros Interesses pelos suspeitos do costume.

luis47.jpg Os Americanos e os Russos. Quanto a nós a desculpa morreu solteira acerca da "Descolonização" e actualmente andamos chocados com a fotografia do menino que deu á costa afogado numa praia algures, e nunca ninguém se importou com os nossos irmãos que penaram num País que os recebeu muito mal. Ora digam lá se isto não é hipocrisia?

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:19
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CVIII

TEMPOS PARA ESQUECER01.09.2016 - ANGOLA DA LUUA XVIII. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo.  Nossa cabeça já não estava segura de nada…

Por

soba15.jpgT´Chingange

bordallo.jpg (…) O relatório da CCPA de Abril de 1975 dizia claramente que se deveria impedir por todos os meios fazer chegar ao poder a FNLA e que se deveria privilegiar um acordo entre a UNITA e o MPLA. Este relatório vincava nitidamente o MPLA como sendo o representante legitimo das forças progressistas angolanas e, que Portugal deveria dar colaboração total a este movimento. Deduzia-se que Savimbi não estava disposto a ser muleta de Neto e este por sua vez, não abdicava de vir a ser o futuro presidente de Angola.   

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Sugeria-se nesta fase que Savimbi tivesse um lugar de relevo na hierarquia do novo estado mas, a virulência marxista de Neto, Lúcio Lara e Nito Alves discordavam disto! Com Angola paralisada, géneros a escassear, desordem generalizada, hospitais regionais sem médicos e poucos enfermeiros classificados e escolas sem funcionamento, levava a ninguém entender do porquê chegar-se a isto e, sem perceber o que fazer no outro dia que viria sem volta nem reviravolta para melhor; só revolução!

PASTEL NATA.jpg No Sul, víamos passar caravanas de carros e carrinhas apinhadas a caminho do Sul, da Namíbia. Um destes dias teremos de seguir este rumo, dizia eu! Mas, fui ficando tentando gerir procedimentos no Comité da Caála! Não pensava sair de Angola e a UNITA era o partido mais consensual, aquele por quem mais tinha preferência. Nesta altura era eu um quadro civil da UNITA passando de Secretario de Informação Propaganda em uma inicial formação para Secretário de Relações Públicas. Recordo aqui outros membros tais como Liuanhica, Caputo, Alfredo, Jorge enfermeiro, Maria de Lurdes funcionária do Município, Kalakata (militar) e Camundongo funcionário da JAE que era o Presidente.

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Nossa cabeça já não estava segura de nada. A incerteza era a única coisa certa! Os pioneiros do MPLA marchavam pelas ruas da Caála com paus fingindo armas e capitaneados por uns recém-chegados branquelas, besugos do M´Puto. Falando axim com Karl Marx e Lénine Staline na cabeça, respiravam revolução dos pés às guedelhas. Estes personagens saídos do nada eram estudantes do M´Puto que aqui vinham somar pontos para seus curriculuns nas passagens administrativas das Universidades do M´Puto na mão de comunistas; Militantes do PCP e MDP.CDE ao cuidado do PREC e, aqui colocados ao serviço do MPLA.

rev5.jpg Nós interrogávamo-nos uns aos outros mas sempre ficávamos sem resposta! O medo entrava paulatinamente em nossos sentidos. Os militares de brincadeira ensaiavam, emboscavam-se por detrás dos muros das nossas casas, empunhavam armas de fingir e de passo certo seguiam as instruções do guedelhudo, esquerda, direita, esquerda direita e lá iam gritando a vitória é certa com vivas ao MPLA; Aqueles rapazolas guedelhudos estavam a cumprir com um serviço cívico e nós nem o sabíamos… Tudo era um segredo! Mas, duvido que o CCPA não o soubesse. Isto, vinha do Bureau Politico do MPLA com instruções do Rosa Vermelho Almirante da Tuji…

rev1.jpg Entretanto no M´Puto o lema era "a terra a quem a trabalha". Na Rádio Renascença os trabalhadores avançam para a greve. O Conselho de Estado fazia reuniões atrás de reuniões. A bem do povo e em nome da Junta de Salvação Nacional e do MFA, o almirante Rosa Coutinho, ligado ao PCP, aparece aos conselheiros de Estado, civis e militares, a sugerir legislação revolucionária. Qual? "Que o MFA não seja a expressão de um simples levantamento militar".

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"Entre as propostas levadas a discussão estava um diploma que permitia prender pessoas acusadas de sabotagem económica ou de não estarem com a revolução", Freitas do Amaral é mencionado nesse então. Passa já das quatro horas de 9 de Fevereiro, quando os conselheiros se manifestam. Os militares põem-se ao lado de Rosa Coutinho. Os civis, a maioria com formação jurídica, colocam-se na trincheira inimiga. Freitas do Amaral, Isabel Magalhães Collaço, Azeredo Perdigão, Henrique de Barros e Ruy Luís Gomes rejeitam o documento do almirante. Não havia volta a dar, gera-se enorme burburinho.

rev2.jpg Os militares estão furiosos. Sem ninguém esperar, o spinolista Carlos Fabião mete-se também a deambular: "Parar é morrer. Não há revolução sem leis revolucionárias." Os civis moderados nem querem acreditar. De igual modo, o almirante Pinheiro de Azevedo que não lidava bem com aquela revolução, em tom jocoso levanta-se, esbraceja. "Os Srs. conselheiros civis assinaram a sua sentença de morte! Puseram em causa a Revolução!" Na imprensa, na televisão e na rádio destacam-se notícias denunciando a sabotagem económica, a fuga de capitais para o estrangeiro.

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O Presidente da República anuncia para 12 de Abril eleições para a Assembleia Constituinte. Os partidos à direita do PCP suspiram de alívio; pura inocência. O curso da Revolução seguiria mesmo em diante mas o vice-presidente da CE de visita a Portugal comenta a Vitor Alves considerado um militar moderado: "É necessário ter muita coragem para viver em Portugal". No entanto a adesão à Europa atravessava-se já à frente dos portugueses.

rev8.jpg A milhares de quilómetros de distância dali, em Luanda, rebenta um conflito armado envolvendo o MPLA. Bom, quanto mais avança a Revolução maiores as conjecturas à sua volta. Os boatos crescem de tom. Na atmosfera, pesa a conspiração, os capitães ouvem falar na contra-revolução. Do Brasil chegam capitais portugueses, ajudando ao parto do MDLP, organização de direita onde figura o nome de António Spínola.

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Em Coina do M´Puto é ocupada uma quinta, cujo destino final será a integração na Cooperativa Estrela Vermelha. O segredo é agora de polichinelo: o MDLP prepara um golpe militar, com a colaboração da guarda de Belém. Vasco Gonçalves, Melo Antunes, Rosa Coutinho, Pinho Freire, Pereira Pinto, Almada Contreiras, Costa Martins e Vasco Lourenço encontram-se com os líderes dos partidos para discutir a institucionalização do MFA. Entre os civis reina pouca convicção.

rev3.jpg Entretanto Vasco Gonçalves, comporta-se como se existisse apenas uma parte da nação, mas fala de alma e coração. "Não estamos interessados em voltar atrás nem o MFA o permitirá". Hostil aos capitalistas, a este respeito actuava sem duplicidade, continua: "A nova constituição não pode ir contra as conquistas que o MFA e as forças progressistas em Portugal já garantiram ao povo português."

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No M´Puto Angola era coisa pouco falada, havia sempre outros compromissos; Angola era um caso menor! Havia que fortalecer os principios de Abril. Lá na minha rua distante duma pequena cidade chamada de Caála os pioneiros iam sendo substituídos por outros militares e, estes já carregavam kalashnikoves G3 e outras indistintas armas de repetição.  Mostravam os frisos de balas postas em diagonal pelo corpo exibindo sua petulante forma de valentia; nem sabiam eles, que assim eram usados para amedrontar! E, amedrontavam mesmo!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:15
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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2016
XICULULU . LXXXV

TEMPO COM CINZAS - Constantino enganou-nos impondo ao Império Romano o cristianismo - Bruno sobre as técnicas mnemónicas disse que o  tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre...

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Aos meus amigos (as) – 10ª de 12 Partes

 Por

ferreira0.jpgCarlos Ferreira

bruno16.jpg (…) O protestante Henrique IV, originalmente Henrique de Bourbon e Navarra, estava então no trono da França e a pacificação religiosa parecia estar iminente. Além do mais, Bruno ainda estava procurando por um estrado académico do qual pudesse expor suas teorias, e ele deve ter sabido que a cadeira de matemática da Universidade de Pádua estava então vaga. Regressou à Itália em agosto de 1591. Foi imediatamente para Pádua e durante o verão de 1591 iniciou uma série de cursos privados para estudantes alemães e escreveu o Praelectiones geometricae e Ars deformationum .

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No início do inverno, quando parecia que ele não iria receber a cátedra (ela foi oferecida a Galileu em 1592) retornou a Veneza, como hóspede de Mocenigo, e tomou parte nas discussões dos aristocratas venezianos progressistas que, como Bruno, favoreciam a investigação filosófica independentemente de suas implicações teológicas.

bruno17.jpg Em maio de 1592, Bruno havia terminado um outro trabalho e preparava-se para viajar a Frankfurt para publica-lo, quando se viu preso por Mocenigo no sótão da sua casa. Desapontado com as lições privadas de Bruno sobre as técnicas mnemónicas que em nada ajudaram sua precária memória, além de considerar-se atraiçoado por não conseguir o milagre esperado, Mocenigo também ficou ressentido com a intenção de Bruno de voltar para Frankfurt para publicar seu novo trabalho.

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Depois de prendê-lo, Mocenigo denunciou-o à Inquisição Veneziana por suas teorias heréticas. Levado pelo Santo Ofício com todos os seus papéis, Bruno defendeu-se admitindo alguns erros teológicos menores, insistindo, no entanto, nos seus postulados básicos. O palco do julgamento veneziano parecia proceder de modo favorável a Bruno, quando então a Inquisição Romana pediu sua extradição.

bruno18.png Por solicitação insistente do Papa, curioso sobre a personalidade de Bruno e o conteúdo do processo com respeito a suas ideias, o tribunal de Veneza encaminha o prisioneiro para Roma, e em janeiro de 1593 Bruno entrou na cadeia do palácio romano do Santo Ofício. Em Roma, um frade, Celestino de Verona, junta novos testemunhos acusadores. Inicia-se um novo processo em 1593, este mais sério, acompanhado de torturas, e que haveria de prolongar-se por sete anos.

bruno20.jpg O papa Clemente VIII (1592-1605) viria a ter papel decisivo no julgamento de Bruno. Apesar de engajado em refregas políticas com Veneza e Nápoles, ocupava-se zelosamente da doutrina da Igreja. Foi responsável pela publicação da vulgata (Versão standard da bíblia latina) e muitos outros livros litúrgicos (valendo-se do recente invento da imprensa). Criou uma comissão para resolver a querela entre Jesuítas e Dominicanos sobre a graça divina e a liberdade da vontade.

(Continua…)

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:02
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CVII

TEMPOS PARA ESQUECER – 29.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XVII 

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - Do M´Puto não vinham bons ventos para Angola.   

Por

soba15.jpgT´Chingange

carlu1.jpg (…) Angola…. Melhor mesmo era ficar expectante, fazer caixotes, meter alguns trastes, fotos amarelecidas e esquecer aquela terra porque afinal, não era nossa e, sem direitos adquiridos! Entretanto eram roubados canhões no Grafanil, que foram direitinhos para os Comités populares do MPLA, coisa pouca! Nada de inquéritos! “Há coisas que não convêm serem tornadas públicas” dizia um oficial português. E, tudo ficava por aqui.

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Os militares que regressavam a Portugal faziam negócio com coisas que lhes eram cedidas para salvar do pandemónio, patrícios da terra longínqua do M´Puto que pagavam estes favores por baixo das lonas, mas um ou ouro também levava umas folhas de liamba, uma pedras brilhantes do Cafumfo, artesanato dos Quiocos, peças da sacristia cedidas pelo irmão do mato, enfim!

mo2.jpg Mas situações houve em que militares portugueses acompanhavam os militares do MPLA a saquear casas de brancos fujões, desalojados ou refugiados! Fizeram-no usando carros militares, a descoberto e sem a preocupação de se justificarem com quem quer que fosse. Era até perigoso perguntar! Que estão vocês a fazer? Ninguém tinha sossego nos pensametos. Esta verdade vai parecer mentira para muitos que agora lêem mas, há relatos com vídeos; e, surgem agora depois de mais de quarenta anos e, porque as vidas têm fases sem acréscimos, de sem valor acrescentado.

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O Óbito do acordo do Alvor estava consumado. As FAP e a CCPA já eram pedras fora do baralho! Eles nem sabiam lidar com a mentalidade do negro africano que em sua cultura ancestral não via o roubo da forma dum ocidental branco.  Tudo que está ao nosso redor nos pertencem! Era este o ADN biológico de Agostinho neto! Os Kwanhamas até eram enaltecidos por suas tarefas de roubo e um candidato a casar se não era um bom capianguista não era um suficiente homem para aquela donzela mais extremosa. Isso faz parte da cultura Banto!

lua3.jpeg Ao PREC – Processo de Revolução em Curso de cariz revolucionário, qualquer actividade era legítima; foi-o e de forma nítida no seu órgão superior de CR – Concelho da Revolução que dava ordens ao MFA.  No relatório da CCPA de 19 de Abril de 1975, era escrito que se deveria impedira FNLA e, a todo o custo de chegar ao poder. Sentia-se aqui a mão de Rosa Coutinho que tinha andado de gaiola a passear nuo no Zaire quando tinha sido aprisionado pelos militares de Holdem Roberto.

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No M´Puto, as diligências do Presidente Costa Gomes, revelar-se-iam desnecessárias, pois Carlucci era um homem muito elaborado e, mais latino do que americano. Sabendo dos desentendimentos de Otelo com o PCP, esfrega as mãos de contente, decidindo tomar a iniciativa. Procura o comandante do COPCOM e, os dois homens lá se entendem nas falas.

melo1.jpg Carlucci, o americano italiano, troca as voltas ao brigadeiro tornando-o colaborante. "Carlucci entendeu logo a situação político-militar em Portugal. Daí achar que Otelo e a extrema-esquerda eram dois preciosos aliados na sua táctica para bater as forças ligadas ao PCP". É o capitão Sousa e Castro, que o diria mais tarde e, que viria a ser porta-voz do Conselho da Revolução.

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Revelando mestria, o embaixador promove pontes de entendimento "entre os oficiais moderados do MFA e as altas patentes americanas." É por esta via que, logo a seguir ao 25 de Novembro de 1975, Ramalho Eanes se tornará grande amigo do general Alexander Haig, comandante chefe da Nato na Europa. "Frank Carlucci era um homem fascinante", diz Sousa e Castro.

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Mas, Portugal estava em queda para ser tomado pela esquerda. O Embaixador vendo isto não tardou a encontrar-se com Costa Gomes sem que se possa afirmar qual o motivo do encontro, depreende-se que não foi ocasional. Da reunião não transpira nada, mas os EUA exibem na altura parte do seu poderio militar, avisam Portugal que deve ter "juizinho". Estão agora em águas nacionais 32 barcos de guerra norte-americanos, onze mil soldados e marinheiros, dos quais cinco mil são "marines", tropas de elite vocacionadas para o desembarque. Mais que previsível, à volta da operação naval da Nato pronta a explodir o folclore do cravo vermelho na lapela.

mucuisse.jpg Na sequência do acordo de Alvor, o Expresso anuncia a composição do Governo de Transição de Angola, de que Vieira de Almeida faz parte, com a pasta da Economia que disse: - "Quando cheguei a Luanda, apercebi-me de divisões profundas entre os militares membros da Comissão Coordenadora do MFA em Angola. "Tal como cá (M´Puto), continuava a existir o mesmo fenómeno: os que se batiam sinceramente pela transformação da sociedade, preocupados em saber como descolonizar; os cobardes; os idealistas; os elementos mais reaccionários; os oportunistas". Uma mixórdia.

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Portugal está agora em chamas, vive em crise de sanidade. Em Coimbra, os alunos fazem greve, reivindicam o fim dos exames de aptidão à universidade. Os bancários reclamam junto do Governo a nacionalização da banca. O desemprego atinge 200 mil portugueses. Com tudo isto a acontecer, Álvaro Cunhal e o PCP defende medidas urgentes para ultrapassar "a grave situação económica e financeira".

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A missão dos ministros em Angola é suicida, o clima continua a ser revolucionário. Tal como no Continente, também ali há falta de realismo. "Bom dia meus senhores! Pastas debaixo da mesa, mãos em cima da mesa!". É assim que Vieira de Almeida dá início às suas intervenções no Governo de Luanda, que integra representantes do MPLA, da UNITA e da FNLA. O ambiente é pesado. Cada um dos ministros angolanos faz-se sempre acompanhar de três guarda-costas de metralhadora em riste.

mutamba.jpg Vieira de Almeida evoca a Luanda daqueles tempos. A atmosfera chega a ser lúgubre: nas ruas assassinam-se pessoas dentro de barris de ácido sulfúrico; Agostinho Neto anuncia a nacionalização do Comércio Externo; durante uma reunião do Governo de Transição, destinada a discutir o Orçamento Geral, um ministro do FNLA reclama o "bago", o “kumbú” a “Gasosa”, ou seja… quer o dinheiro na mão.

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Uma esquadra da Nato lança âncora no Tejo. Uma reunião de delegados dos trabalhadores apela a uma manifestação anti Nato para daí a cinco dias. As forças armadas incorporam-se na "manif". Operários e outros trabalhadores estão nas ruas para se baterem contra os americanos e o desemprego. O Governo declara que se opõe aos desfiles, exerce a sua autoridade. Qual o resultado? Com a expressão do rosto carregada, Vasco Gonçalves em imagens televisivas tem os braços cruzados, faz cara de zangado.

mocnda9.jpg A reforma agrária no M´Puto estava em marcha, mas não era ainda oficial. O PCP promove uma reunião de Trabalhadores, em Évora. A adesão é impressionante, cerca de 40 mil camponeses juntam-se para discutir os modelos de exploração agrícola. Exigem a "liquidação dos latifúndios", a "reforma agrária imediata". Álvaro Cunhal está presente, despe a capa moderada de ministro Sem Pasta. Tem a palavra. Sobe à tribuna e, do alto do seu prestígio de combatente anti-fascista, diz: "A reforma agrária não será imediata, mas não demorará muito".

Do M´Puto não vinham bons ventos para Angola.

(Continua…)

 O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:39
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Sábado, 27 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CVI

TEMPOS PARA ESQUECER – 27.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XVI . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - O brigadeiro do COPCOM dá a sua opinião: " Carlucci, talvez pertença à CIA”… Kuákuákuá…

Por

soba15.jpgT´Chingange

baú3.jpg(…) Por todos julgarem ter autoridade, um mês após a assassinatura do Acordo de Alvor, Angola estava sem lei nem roque; totalmente desgovernada e sem ordem. Descolonizar Angola não deveria ser o mesmo que abandoná-la, mas eu não encontro uma visão mais ponderosa que esta. A 26 de Março de 1975, o ELNA, exército da FNLA, massacra mais de 50 recrutas do CIR (Centro de Instrução Revolucionária) do MPLA denominado de Hoji-Ya-Henda situado no Caxito. No ataque surpreso, os capturados pelo ELNA, foram tratados com gratuita crueldade.

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Levavam-nos em camiões para um sítio isolado e à medida que estes iam saindo dos camiões e lá no lugar escolhido, eram abatidos com rajadas de metralhadora. Os que se queixavam dos ferimentos eram abatidos com um tiro de misericórdia. Só escaparam os que se fingiram de mortos. Esta foi uma retaliação aos ataques sofridos nas sedes da FNLA, situadas dentro de Luanda.

MIRAN1.jpg Estes acontecimentos sucediam todos os dias, ora em Luanda nos musseques, ora na Fortaleza de São pedro da Barra, Bairro da Cuca, Bairro do Dande e Cazenga. Era perigoso ser-se apanhado com cartões de filiados em um qualquer outro partido, bandeiras, crachás ou outros distintivos que não o correspondente ao do controlo montado. E, as barreiras eram montadas a gosto pela FNLA ou pelo MPLA à revelia do COPLAD (Comando Operacional de Luanda) lá, aonde cada qual, pensava ser sua zona de intervenção.

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O massacre do Caxito e os fuzilamentos da Cuca em valas previamente abertas eram retaliações da FNLA, que culpava o MPLA; eram atitudes medonhas nunca antes vistas, sem qualquer pretexto e à revelia de qualquer lógica mesmo que absurda; eram sumariamente mortos sem mais detalhes a ponderar. Tratamento de pior que bichos com bichos, cenas monstruosas.

coimbra2.jpg Entretanto no M´Puto e só para M´Puto, havia um plano! O Plano Melo Antunes, para que a economia recuperasse força…. Um engano! Nas ruas de lisboa e Porto, havia enormes controvérsias. Frank Carlucci chegava a Lisboa; este viria a ser mais um portador de influências em Portugal tendo como interlocutor Mário Soares. Entretanto o PCP entra no Banco de Portugal, coração da economia e nos Serviços de Educação alterando e adulterando leis; dando a gosto passagens administrativas a troco de uma relevante actividade no PREC da revolução na Metrópole M´Puto ou lá na áfrica dos ranhosos (colonos).

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Por esta altura, o brigadeiro do COPCOM (Comando Operacional do Continente), Otelo Saraiva de Carvalho, começa a dar nas vistas despertando grande atenção entre os "média". O país vivia numa altura de conspirações e medos cujo ponto alto foi um tal de plano "Matança da Páscoa". Oficiais com ligações aos comunistas mexem-se a encomendar os planos de nacionalizações para estarem prontos a 12 de Março. Otelo, cioso de cumprir o seu papel histórico, lança-se sobre as luzes da ribalta dizendo disparates.

moiróes 1.jpg Na Luua e na penúltima semana de Março ocorreram mais de uma centena de mortos. É de recordar agora o que Pezarat Correia disse antes das negociações de Alvor focando a questão dos brancos português ali residentes: - “Quem quiser fugir, não faz falta a Angola”, tendo neste então sido referido por Almeida Santos que, a ser assim, seria a debandada geral! E, em verdade nesta fase dos acontecimentos nada mais haveria a fazer senão controlar o Aeroporto de Belas para assegurar a fuga de quem fugia.

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Claro que estes eram maioritariamente brancos, e assimilados mazombos. Curioso ou não, tudo isto foi falado na presença de todos os portugueses com os três movimentos e, disto, não transpareceu preocupação de nenhum dos intervenientes. Até aqui todos os auxiliares de estadistas e feiticeiros tinham ignorado Jonas Savimbi que perante esta situação inusitada de introduzir às falas reticências, passarem a vê-lo com um potencial personagem para e talvez, poder salvar a situação. Tudo pensado em joelhos, com artroses…

retornar11.jpg No fundo, este conjunto de pessoas eram um laboratório, um caldo de mentiras, de muito talvez com incertezas e muita falsidade entranhada de ódios; Todos estavam a ser falaciosos! Em verdade é que, neste universo de incompetentes, aprendizes de feiticeiro, produzem-se outras estrelas. Por cada uma das suas intervenções, a rebelião ganha novo fôlego. O novo embaixador dos EUA, Frank Carlucci fará parte dessa constelação.

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Até ali todos os pseudo estadistas tinham ignorado Jonas Savimbi mas e perante esta situação caótica viram-no como potencial mediador entre os outros dois Movimentos; haveria que encontrar alguém para salvar a situação. Dizia-se neste agora que quem controlasse a capital, a Luua, dominaria Angola! Verificar-se-ia que assim viria a ser! E, agora, Março de 1975 perguntava-se: - De que lado estavam os brancos?

mulu7.jpg Até aqui estavam divididos, trivididos, alguns filiaram-se em todos como medida de segurança mas, até isto funcionou pelo lado mais negativo. O melhor era ficar expectante, fazer caixotes do possível, meter fotos e os ursos de peluche, trastes e umas pedras de feijão no aro da bicicleta ou ouro e dinheiro de túji, angolares e macutas misturados com os dólares,  mais aquele lenço de lembrar o Mussulo enrolando areia das bitacaias… coisas de humanos.

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Entretanto no M´puto aos microfones da rádio, o brigadeiro do COPCOM dá a sua opinião: "Talvez Carlucci pertença à CIA (serviços secretos norte-americanos) mas, nesse caso, não me responsabilizo pela sua segurança." Kuákuákuá (sou eu a rir) … Quando Costa Gomes ouviu isto, a rolha dele, tocou seu cerebelo! O caneco destapou-se; como era habitual, não queria correr riscos. Aflito, pôs-se logo a fazer contactos cuspindo raivas aos seus generais de aviário. Cheio de intuição, à conversa com Mário Soares, este desvaloriza a situação. Uf!... Que alivio!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:17
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2016
MALAMBAS . CXXXVI

TEMPOS CINZENTOS . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo … Nem oito, nem oitenta!...

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

METRALHAS.png Li no Correio da Manhã, jornal tribufu do M´Puto, que um militar da GNR foi punido por ter morto um ladrão ainda criança, apanhado com a boca na botija, ajudando o pai no gamanço! O jovem facilitava os assaltos do pai e imagino que passando por postigos que os mais velhos não conseguem, pulando dentro da casa dos outros para desimpedir o trabalho do pai ladrão. Diz a notícia que o caso remonta ao ano de 2008 e, que o militar de nome Hugo matou por acidente aquele jovem ajudante do pai ladrão, quando já iniciavam a fuga. O jovem tinha 13 anos.

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Não li os pormenores, se o tiro foi directo ou em ricochete, se de dia, se de noite ou no lusco-fusco mas, posso imaginar que a cena seria assim como o descrito num dia azarado com lusco-fusco para os intervenientes. Vai daí as chefias militares retiraram-lhe dois terços do vencimento já pequeno, com suspensão de serviço até Dezembro de 2016.

ladr0.jpg O Tribunal de Loures condenou Hugo GNR a nove anos de prisão efectiva e oitenta mil Euros de indeminização. Com recursos, a sentença acabou por ficar em quatro anos suspensos e 55 mil Euros a pagar de indeminização ao senhor Sandro ladrão; 20 mil Euros, para o pai ladrão e, 25 mil Euros, para a mãe do ajudante ainda jovem, mas ladrão.

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Estas notícias levam-me a pensar que afinal os infractores nesta sociedade têm os seus direitos. É de lamentar ter havido aqui a morte de um jovem mas, aonde já se viu coarctarem um agente por cumprir sua tarefa de zelar pela segurança dos demais. O agente de autoridade diligente que foi, punido por ser zeloso. E, que agora vive da caridade de sua Associação, companheiros e amigos próximos.

ladr1.jpg Os contratempos deste militar GNR foram muitos, ficou sem a casa, seu carro foi vandalizado supostamente pelos amigos do ladrão; carro que teve de ir para a sucata. Teve de se mudar para garantir sua vida. Mas que poder público temos nós para que isto se verifique assim em cruo, em frio; uma situação que nos leva a não acreditar na justiça, nas leis que nos regem. Deste jeito qualquer policia autoridade está em seu direito de não ver o que vê.  Isto não tem sentido, não poder actuar em defesa duma ordem social.

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Que estímulos serão estes para quem é incumbido de nos defender, de nos preservar desta gente ruim e, que infelizmente são tantos e, cada vez mais. Como disse, não sei detalhes deste episodia mas, tudo leva a crer que este agente da GNR foi castigado por excesso de zelo no cumprimento de sua obrigação! Afinal como ficamos…

ladr3.jpg Não será esta frouxa prática da justiça, um incentivo ou estimulo a proliferar a bandidagem entre nós? Ou os ladrões têm direitos que desconhecemos? Dá-me revolta de nojo ler coisas destas. E, afinal… o senho pai ladrão não foi incriminado por usar seu filho como “ exploração infantil”? Assim, não brinco!…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:27
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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2016
XICULULU . LXXXIV

TEMPO COM CINZAS - Constantino enganou-nos impondo ao Império Romano o cristianismo - O tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre...

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Aos meus amigos (as) – 9ª de 12 Partes

Por

ferreira0.jpgCarlos Ferreira

bruno13.jpg (…) Em Praga, Bruno escreve uma crítica contra a intolerância e sectarismo religioso, que diz contrariar a lei divina do amor. Faz uma reivindicação da dignidade própria da liberdade espiritual humana (sem liberdade não haveria essa dignidade) doutrina certamente do agrado de Rudolf II que pouco fez para reprimir os protestantes. Mas Praga não lhe convém muito. De lá Bruno vai para a Alemanha, onde perambulando de uma cidade universitária para outra, consegue ser professor em Wittenberg (1588).

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Ensinou e publicou uma variedade de trabalhos menores, incluindo o Articuli centum et sexatinta ("160 Artigos") contra os filósofos e matemáticos contemporâneos, no qual ele expôs sua concepção de religião - uma teoria da coexistência pacífica de todas as religiões baseada no conhecimento mútuo e liberdade recíproca de discussão. É uma crítica contra a intolerância e o sectarismo religioso, que diz contrariar a lei divina do amor.

bruno15.jpg Faz uma reivindicação da dignidade própria da liberdade espiritual humana (sem liberdade não haveria essa dignidade). Muda-se para Helmstadt, onde o Duque Henrique Júlio dispensa-lhe acolhida favorável e cordial. Escreve a que considera sua maior obra: De imaginum signorum et idearum compositione ("Sobre a Associação de imagens, os signos e as ideias") sobre mnemónica.

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Mas os calvinistas não toleram sua doutrina. Em Helmstadt, em Janeiro de 1589, ele foi excomungado pela Igreja Luterana local. Permaneceu em Helmstadt até a primavera, completando trabalhos em mágica natural e matemática (publicado postumamente) e trabalho em três poemas latinos - De minimo, De monade, e De innumerabilibus sive de immenso - os quais relembrava as teorias expostas nos diálogos italianos e desenvolvia o conceito de uma base atómica da matéria e do ser.

bruno14.jpg Para publicar estes, ele foi em 1590 a Frankfurt sobre o Maine, onde o senado rejeitou sua solicitação de permanecer. Não obstante, ele conseguiu residente no convento Carmelita, leccionando para doutores protestantes e adquirindo uma reputação de ser um "homem universal" que, o Prior pensou, "não possuía um traço de religião" e que estava ocupado principalmente em escrever e na quimérica e vã imaginação de novidades".

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Em Frankfurt um editor veneziano que o encontra traz-lhe os chamados insistentes de um patrício, João Mocenigo, que desejava aprender suas técnicas mnemónicas. Bruno estava saudoso da Itália. Aceita o convite acreditando na independência da República Veneziana. O risco não pareceu muito grande: Veneza era de longe a mais liberal dos estados italianos; a tensão europeia tinha afrouxado temporariamente após a morte do intransigente papa Sixtus V em 1590; Henrique III desaparecera do cenário político.

bruno12.jpg Todo o seu reinado fora marcado pela guerra entre católicos e protestantes, sempre em dificuldades com a Santa Liga fundada pelos católicos e liderada por Henrique, duque de Guise, devido a concessões feitas aos protestantes. Fugiu de um levante da Liga em Paris, refugiando-se em Chartres.

bruno10.jpg Mandou assassinar o Duque de Guise e o irmão dele, o cardeal de Lorraine em 1588. Uniu-se a Henrique de Navarra, líder protestante, fazendo com ele o cerco a Paris em 1589, que era uma fortaleza da Liga. Então foi assassinado a facadas por Jacques Clément, um frade Jacobino fanático que conseguiu uma audiência. Ao morrer reconheceu Henrique de Navarra seu sucessor.

(Continua…)

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:02
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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CV

TEMPOS PARA ESQUECER22.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XV . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - Vasco Gonçalves, o louco, esbracejava na televisão atirando cravos para a multidão…

Por

soba15.jpg T´Chingange

retornar1.jpg (…) No chão barrento dos musseques da Luua ficam cadáveres e um rasto de destruição. No ar desses bairros de arruamentos labirínticos multiplicam-se os papagaios de papel que visavam impedir a visibilidade e o voo dos helicópteros de onde os militares davam instruções e orientação às patrulhas que em terra procuravam acudir aos focos de problemas. Esta dos papagaios de papel, vim a saber muito recentemente em conversa com outros kambas que também por ali estavam; uma coisa que só tinha viso em um filme do Vietname e guerrilha nas ilhas do Pacífico.

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Afinal havia muita gente formada na maldade e atenta a todas as artimanhas para lograr sucesso em seus objectivos. Estabelecer o medo com estrondos lançados para o ar e tracejantes para o espaço nas noites cálidas daquela Luua. No Verão do apocalipse de 1974 a inquietação dos portugueses de África, regia-se no conceito de nacionalidade pelo princípio do solo, pelo que eram portugueses todos aqueles que tivessem nascido em qualquer parcela do solo nacional…

rev2.jpg Mas, isto não era isto nem aquilo, mas uma outra coisa qualquer a tirar dos manuais revolucionários entranhados no cerebelo de gente sem eira nem beira, ávida de serem donos de tudo e até da vida dos outros, uns abutres mais pretos que urubus a reacender um racismo que já estava moribundo! Tudo viria a ser uma outra coisa… A brancura da pele tornava-se perigosa! Os albinos começaram a ser perseguidos por ainda serem mais brancos e, decerto teriam cazumbi dentro deles; a superstição doentia, matou muitos e de formas bastantes trágicas.  

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Ser angolano branco, era imediatamente querela apresentada como algo de marginal. Foi como o definiu Vasco Gonçalves a 24 de Julho de 1975 a uma televisão alemã: -“trata-se duma minoria teimosa e egoísta, que se recusa a reconhecer as perspectivas de futuro”. Quem tem amigos assim e, como primeiro-ministro do seu país, não necessita de mais inimigos! Este cidadão deveria era de estar numa casa de malucos a tratar-se… Na Luua, diríamos que deveria estar no “quintas”…

retornar7.jpg “Os deslocados”, como então a imprensa designava os primeiros desalojados de Angola, começaram a chegar às centenas de milhar em inícios de Agosto de 1975. Contudo eram raríssimas as suas fotografias mostradas na imprensa do M´Puto. Os jornais eram multados por terem falas anti-revolucionárias, qual PIDE para pior. Era uma fuga d gente a reter até que, os seus caixotes e os seus corpos deitados no chão do aeroporto da Portela se tornaram incomodamente visíveis, incontornáveis.

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Caixotes feitos de tabuas de camas, portas de armários, janelas de pau-ferro, pau-rosa ou indianuno. Era o fim da festa, comentavam jocosamente nossos patrícios, irmãos, tios, primos, gente de moral que ia à missa e, que todos os domingos batiam no peito; todos a enganarem Deus…

selos6.jpg A censura do CR com seu activo PREC tentava esconder ao mundo a parte podre da revolução dos cravos! Imaginem! Algo inusitado é, uma notícia de 12 de Agosto de 1975 acompanhada por uma fotografia com recém-chegados ao aeroporto da Portela com jornalistas estrangeiros a cobrirem estes escolhos feitos gente, quase nada... Afinal “os colonos”, “os fazendeiros que fogem por medo”, os “mata pretos” sempre acabaram por fugir! Diaziam à boca cheia e sem espanto!

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Em Angola o PP - poder popular, tinha um órgão secreto formado com abrilistas do M´Puto, Cubanos e progressistas do MPLA. Estudantes vindos de países do Leste europeu, das terras frias aonde a revolução se alimentava com ódios, vodka e muita ideologia tonta. Era destes que saíam ordens e o apoio logístico com dinheiros dados à socapa por seus chefes, uns quantos perfilados com Rosa Coutinho e seus pare do CR- concelho da Revolução.

retornar8.jpg Angola seria em breve dos angolanos. Agora sim, não haveria recuo, era o pensamento generalizado da maioria com bom senso, de todas as cores.  Se queriam matar-se uns aos outros que o fizessem! E, assim veio a ser! O incitamento à expulsão dos brancos já era transversal a todos os movimentos.  Na diagonal, na vertical, lúcido ou bêbado, Agostinho Neto atiçava seus discursos, seus poemas despeitados, falas desajustadas de fazer tremer o susto. Nunca antes se tinha sentido tal racismo depois de sessenta e um. Com a partida dos colonos poderiam ficar com tudo, porque tudo lhes pertencia, dizia-o abertamente!  

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Os lidere dos outros movimentos a partir de Julho não retaliavam Neto! Se o fizessem seriam mal vistos. Consentiam! Em Portugal a maioria sensata estava silenciosa, aturdizada muda e queda espantando o medo que o assustava. Vasco Gonçalves, o louco, esbracejava na televisão atirando cravos para a multidão que ébria, o ouvia. Os retornados seriam postos na tourada do campo grande para gaudio dos abrilistas. Quem o disse ainda anda por aí vivinho da costa!

muxima4.jpg Os anarquistas escreveram algures numa parede bem perto da terra do Riachos no Ribatejo: Otelo Saraiva de Carvalho, que lindo nome tu tens, retira o vê do carvalho, e mete o resto co cú! Assinado um “A” metido em um círculo! Tudo em vermelho! Começava a haver alguma indisposição em alguns pensadores do M´Puto… Em Angola o MPLA enviava grupos de jovens militantes para Cuba e URSS aonde recebiam treino político militar. E, entretanto os navios continuavam a desembarcar material de guerra próximo de Luanda assim em segredo dos portugueses; no princípio até foi assim mas, depois já era quase do conhecimento geral, mas tudo era inusitadamente tido como boato! Poderia lá ser! Ninguém queria acreditar…

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O MPLA aliciava principalmente quadros negros das FAP a desertarem com armas e equipamentos. Isto quase foi normal, permitido e acarinhado pelos militares portugueses e até figuras destacadas do próprio Concelho da Revolução e outros políticos que o tempo escondeu na penumbra!

pioneiros.jpg Fantasmas que ainda se continuam a manter à custa de todos nós, que recebem do estado reformas chorudas. As NF – Nossas Forças da FAP, deram 30 navios operacionais, 21 aviões da Força Aérea, 2 Dornier, 6 Dakotas, 6 helicópteros Alouettes e Nord Atlas, entre outro variado equipamento ao Governo de Transição de Angola saído do Acordo do Alvor. Às supostas FAA – Forças Armadas de Angola.

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:00
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Domingo, 21 de Agosto de 2016
MALAMBAS . CXXXV

TEMPO DE CINZAS . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo …

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

matias9.jpgA maior parte das pessoas deste mundo, das pessoas que nos cercam, têm a ingenuidade de pensar que as dificuldades nunca lhes irão chegar à porta. No apego às coisas que têm, com dificuldade largam mão do que gostam, do que lhes sabe bem e lhes dá um tal de status ou estabilidade. Vai haver uma altura em que tudo muda e, a graça, torna-se uma lírica interlocutora muito carregada de sentimentos anestesiados.

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Pode ser até muito cruel com curas quase impossíveis porque os chás, analgésicos e calmantes não são suficientemente tranquilizantes, tornando o paracetamol e a aspirina num placebo. Um destes dias recebi uma mokanda e-mail mostrando o Bin Laden, versão da teoria da conspiração dizendo que afinal estava vivo, algures numa ilha paradisíaca e outros edecéteras que não vêm ao caso.  Vai daí, cliquei no círculo vermelho em volta do olho dele e, meu computador quase pifou!

matias10.jpg O antivírus kaspersky, um programa xis-pé-tê-hó desactivou, comeram-me o personagem e fiquei sem acesso às redes sociais e, até o meu chapéu panamá me levaram. No Facebook, tive de pedir ao administrador Cipaio-mor que me recriasse de novo! Ele, o Cipaio-mor muito hábil e, com muitas horas de voo através de cacimbos e nuvens electrificadas quis confirmar se aquele eu era mesmo o tal eu, obrigando-me a dizer-lhe de que lado tinha a verruga, como se chamava o meu cachorro, a quem ele ladrava quando se fazia de lobo e até, de qual era a nacionalidade do meu vizinho.

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Neste meio tempo e muito cheio de nadas rememorava as estórias ruminadas de meus desertos do Calahári e Costa dos Esqueletos criando umas dunas para distinguir este meu daquele outro filho da mãe. Subindo a minha duna da milha 45 do Nauclefut Park, apalpando as medidas da natureza da agressiva Costa dos Esqueletos, pensava que sim! Haveria decerto entre um caminho de luz entre as trevas, que sempre tornava impossível o que já era passado.

matias11.jpg Não podia e, nem queria ficar só a remorder a indiferença porque esta atitude permite todos os crimes e, com os quais toda a gente se indigna!  O meu compadre de nome Matias que sempre me mostra a luz divina, que me fala de Deus e da Bíblia que conhece de cor e salteado, a mandar-me um vídeo com um potente vírus do capeta diabo na forma dum cão da Pensilvânia ou um tal de chupacabra. Uma figura com quem ele, não se dá!

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Como podia eu adivinhar que naquele olho de Bin Laden havia uma fagulha ardente que nem a luz que tornou Ló em pó, lá nos longínquos confins da humanidade! E, porque é proibido adivinhar, não me apercebi logologo que o salalé quiçonde feito bitacaia entrou no pé de José. Já tenho 71 anos e, mesmo assim, continuo a aprender o meu futuro, de saber que ninguém pode pedir a outro que o ame.

matias12.jpg Que também não podes ficar à espera que te queiram. Está implícito que a ética é uma batata que apodrece, que cheira mal, mesmo muito mal e que, com toda a periclitãncias dum estado mórbido, alimenta gente e até trogloditas. Alguns dos meus personagens de mussendos, missossos e kiandas, crescidas e criadas por mim, por vezes tornam-se rebeldes, ficam frias e pretas, perdendo no correr do tempo seu esplendor.

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Até já me quiseram enforcar, deram-me tiros de rajadas e até estou aqui nem sei como, devendo bocejos ao pasmado! Um dia fazem-me o nó bem feito e estico o pernil. Somos animais e como tal, assim nem sempre somos o suficientemente bons ou o suficiente mause, num repentemente até temos medo de que se não acreditarmos em Deus, ficaremos os mais criminosos  deste mundo.

matias13.jpg Não estranhem por isso, eu andar entre o lusco-fusco, um realismo mágico ou surrealismo se quiserem. O aborrecido, mesmo, é quando o que se faz fica bastante desinteressante.  Vou perguntar ao meu amigo e compadre, comedor de figos lampos, de S. João, preto, pingo de mel e de três-num-prato o seguinte: - Se me queres com Deus, porque me tentas com o diabo da transilvânia!   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:07
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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CIV

TEMPOS PARA ESQUECER19.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XIV . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - “Consolidação do poder popular” na Luua…

Por

soba17.jpgT´Chingange

zeça14.jpg(…) A Força Aérea transportou o grosso do resto da fracção Chipenda para Gago Coutinho. Nos dias que se seguiram, foram as cantorias a enaltecer o herói Valodia assim ao jeito de rumba com bolero de Cuba do tipo que fez crescer a imagem do Che Guevara; a mística música, enaltecia as contendas da guerra provocando um estado de euforia misturando sonhos de libertação, incentivando o erguer de punhos, catanas e armas que rebentam casas, gentes de fazer fugir o capeta, como se estivessem a defender uma Baia de Cienfuegos.

chipenda.jpg Lá a Sul daquela Angola, fazendo meus trabalhos de urbanismo na Câmara Municipal da Caála, afligia-me tal situação. Era neste então Secretário de Informação e Propaganda da UNITA do Comité da Caála. Pensei que poderia assim contribuir para a boa ordem na região que até aqui se tinha mantido pacífica, o planalto do Huambo. Jonas Malheiro Savimbi "leader" da UNITA esperou ir a Nova Lisboa depois de estar legitimado pelo acordo de Alvor e, chegou triunfalmente tendo a recebê-lo mais de meio milhão de cidadãos. Esta recepção triunfal aconteceu a 28 de Janeiro de 1975.

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Savimbi o “Mwata”, estava em alto neste então, sendo considerado o mais moderado e com ideias mais viradas para o progresso de Angola. Os militares do CR, portugueses, tentavam manobrar sua imagem tirando dividendos do confronto com um MPLA cada vez mais radical e raivoso. Savimbi ia acompanhado por seu secretário-geral do movimento, Miguel N´zau Puna, e doutros elementos ligados à UNITA; chegou ao aeroporto de Nova Lisboa (Huambo) cerca das 10.30 horas com uma surpreendente multidão a esperá-lo.

che0.jpg Os jornalistas que fizeram a cobertura do acontecimento referiram ter sido um espectáculo altamente elucidativo da "força" que aquele tinha no planalto central. Toda a zona do aeroporto estava apinhada de gente que, entretanto, qual rio caudaloso, se escoava por toda a parte nos quase três quilómetros que o separam da cidade propriamente dita. Neste tempo e até o mês de Junho sentia-me confiante mas, não foi possível conter a tarefa de rebelião que o MPLA todos os dias e à semelhança de Luanda fazia junto dos kimbos assediando gente, revirando-lhes a vontade da mente, alinhar com esta onda de e contra o dito colono que era sempre branco.

savi1.jpg Sentia-me acarinhado entre aquela gente laboriosa da UNITA e, numa revisão de tarefas fui indigitado Secretário de Relações públicas! Durante a minha vigência tudo correu dentro de uma normalidade aceitável mas sentia que o câncer da liberdade era venenoso demais para continuar a ser um paraíso. Não me sentia convincente no suficiente. Pouco a pouco fui ficando nada confiante no futuro! E, mesmo falando em comícios dando tranquilidade, não me conseguia acreditar e fazer passar a mensagem a cem por cento! Os brancos, dia a dia abandonavam tudo! Fazendas, padaria, marcenaria serração e tudo o que se define como actividade comercial. O câncer alastrava…

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Num repente já nem tinhamos médico, no outro dia já não havia enfermeiro; um e outro iam zarpando de avião, carro ou comboio. Ia ficando no dia-a-dia um deserto sem a gente capacitada para gerir o que quer que fosse; já não tinhamos veterinário nem mecânico que curiosamente ou não, já tinha vindo refugiado anos antes do Congo, e o desespero quer se queira ou não, um dia chega! Ninguém é permanentemente de ferro! Em uma ida na carreira EVA levei minha sogra a Luanda em Julho e, foi quando deparei com o caos à medida que me aproximava da Luua.

savi5.jpg Havia controlo de zonas, primeiro da UNITA e depois para lá do Alto Ama eram da FNLA, do MPLA, assim uma coisa de filme tipo guerrilha do Ruanda como Tutsis e Hútus e marginalidades ao jeito de “apocalypse now” com gente não habilitada para zelar pela ordem, gente drogada que nem falar sabiam! Em Muquitixe mandaram sair os passageiros do machimbombo e ali ficamos encostados a uma casa esfolada de tiros; assim, esperamos que revoltassem nossas malas.

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Um furriel camarada, farda portuguesa, negro de cor com afectos ao MPLA, a dado momento mostra seu cartão de mando conseguindo convencer a nos deixarem seguir. Estávamos ali brancos, mestiços e negros olhando de soslaio uns para os outros, tendo por fundo um paredão ruina de casa em adobe que bem poderia vir a ser o nosso sítio de dia final! Depois seguiram-se o Dondo, deserto queimado com cães rondando as quitandeiras que vendiam sobrevivência na forma de peixe seco; nada mais!

savi4.jpg Nada de sandes, café ou o que fosse e, depois e muito pior, seguiram-se as povoações de Zenza do Itombe, Maria Teresa, Catete, Kassoneca, Colomboloca, e por fim Viana. Uf!... Finalmente, Luanda à vista! O holocausto foi tão cruel, a visão era tão catastrófica que fermentava na minha cabeça a fuga! Não via outra solução plausível. Aquilo era pior do que poderia imaginar; pior que mau ou péssimo! Deixei a sogra e regressei de avião a Nova Lisboa com a definitiva ideia de regressar ao M´Puto. Meu compadre neste meio tempo já estava na Namíbia no campo de refugiados.

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Estava combinado ir com eles mas o comboio de viaturas não podia deixar de seguir seu rumo para Grootfontein com vigilância de uma das NF, forças portuguesas. Cheguei à Caála e descrevi aos meus parceiros manos do movimento que iria inscrever-me no Município nas listas dos Adidos. Falei com Kalakata, o chefe do destacamento militar de Robert Williams e fiz uma despedida de “mais-tarde-nos-veremos”. Kalakata viria a morrer em uma maka organizada, das muitas que sucediam e, um tiro perdido mandou-o pró paralém.

savi3.jpg Aquele ataque às sedes do Chipenda em Luanda foi visto com o prelúdio do que aconteceria tanto à FNLA como à UNITA. Holden Roberto, com um tom bélico e a partir do Zaire fez um discurso de aviso ao MPLA de Luanda. Ele não estava ciente do poder de fogo dos comités da acção popular, vulgo “poder popular” dos bairros periféricos da Luua. Ele só fanfarronava de lá de longe com a protecção de Mobutu; seus maus concelheiros só queriam quimbombo com chuço (churrasco de galinha) no espeto…

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Também ele não acreditava que seu exército bem equipado e formado, poderia ser saraivado de balas pela guerrilha urbana, pelas balas G3 ofertadas pelo Alto-comissário Rosa Coutinho e seus guedelhudos capangas formados no Sarajevo e Praga, oficiais progressistas do M´Puto que queriam virar o mundo do avesso; o nosso mundo! Este passado tão inglório, tão medroso, tão traiçoeiro, foi ficando um sítio demasiado perigoso!

fiat1.jpg Por detrás daquele poder popular estava gente com raivas sem freio, mulatos abandonados pelos pais, brancos sismosos de Che Guevara, vizinhos muito doentes nas filosofias esquizofrénicas e pretos que nem sabiam o que isto era, todos comandados além do Valodia, do Monstro Imortal, do Lúcio Lara, do Iko Carreira e uma parafernália de gentinha má e mesquinha, mal formados, também por militares de aviário formados em quarteis do M´Puto às ordens dum tal de Concelho da Revolução e adjacências…

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:01
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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2016
MALAMBAS . CXXXIV

TEMPO DE CINZAS . Muitos houve, que não saíram do lugar onde nasceram e, a morte foi lá buscá-los.  “No cemitério dos brancos”

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

selos1.jpg O que me fez lembrar no que andamos aqui a fazer foi ver a abelha ao redor da flor da abóbora chila ou talvez menina, buscando mel; levar à sua rainha, engravida-la de mais vida em conjunto com outras, muitas obreiras. Uma disciplinada forma de se sucederem mesmo, mesmo desconhecendo as saudades, porque se calhar não sentem isso que os humanos sentem, num repente e repentinamente.

selos2.jpg No meio deste lirismo quintaleiro, faço um intervalo aos idos tempos porque o meu passado foi um sítio demasiado perigoso. Por vezes, será bom tornar o tempo distante e mitológico lá aonde a memória se pendurou com gestos, com sabores e cores da buganvília, e também as acácias rubras da minha rua da Maianga da Luua; coisa antiga de um dia mais tarde, sem manhã, nem passado recente.

selos3.jpg Voltei à Luua depois do tundamunjila, uma guerra muito cheia de guerrilhas e, lá estava a minha rua com remendos de chapas de zinco e aduelas de barril de tinto do M´Puto e, tábuas roídas do salalé segurando aquelas com mais tambores achatados na marreta, fazendo parede e muro como fachada frontal. Por de lado havia uma abertura ocupada por uma janela antiga, colonialista, pintada com as cores arranhadas de tiros; tiros de G-três do exército também colonialista.

selos01.jpg Voltei à lua em doismiledois e, lá estavam na minha rua as mesmas acácias, verdes folhas e as flores bonitas dando alegria ao zunir de asas das cigarras encaloradas, tudo como naquele outro tempo que num repentemente perigou! A mulola feita rio seco continuava sem água e muito caco de vidro, muita lata enferrujada, lixo bué mesmo! Fui à Luua sem convite mas, com uma carta de chamada de um amigo do Sumbe, um lugar de outros antigos perigos aonde os brancos morriam com paludismo e outras malazengas.

selos9.jpg Esse lugar perigoso chamava-se de Novo Redondo mais conhecido por “cemitério dos brancos”. Tempos de kaparandanda, nome de um antigo revoltoso filho dum soba que se tornou foragido; aquele tempo ainda estava longínquo dos turras e, os bois faziam de cavalos quando não havia tipóia ou, porque os espinhos eram muitos.

selos8.jpg Andei por ali sem dizer bem nem mal, porque podia ficar pintado de morte e para isso já chegavam as muitas caveiras ao redor das estradas contornando as cubatas dos acantonados da terceira ou quarta guerra de libertação. Demasiadas guerras! A caminho de Benguela via estrada feita picada e antes da Kanjala visitei o cantinho do inferno, lugar alagadiço muito indesejado pelos camioneiros, candongueiros e taxistas da antiga chapa de caixa aberta, magiros, bedford ou chevrollet.

selos7.jpg Aqueles dias de ficção depois destas guerras de medos de doismiledois, sentia que ainda havia muitas fronteiras medrosas, muito capim traiçoeiro, cortante! Vi que junto às velhas Urais russas feias de meter medo aos kandengues, já havia potentes carros “ four by four”, vidros esfumados pertencente a nova gente, que comiam palavras, agressivamente agigantadas.

selos6.jpg As pessoas com tecto de capim pensavam naquele então, que agora sim! Agora vamos melhorar de vida e cadavez mais na mesma já andam cansados de desacreditar. Tudo foi ficando no tardio, atrás de muitas noites. Angola ai-iú-é patrão, num anda mesmo! Isto eu, só podia ouvir e calar! Mas, eu não sou patrão meu! É sim senhor! Todo o branco só é mesmo patrão! ... Assim andei feito patrão de nada nem ninguém; estava no particípio passado do verbo…

selos5.jpg Eu ia fazer mais o quê? É uma terra de pretos aonde não se pode falar preto porque logologo vão falar só átoa: porque é racista, é colonialista, é reaccionário e mais ainda de fascista com edecéteras de mwangolés prepotentes. Isto vai melhorar camarada, dizia eu desconvicto. Falava assim mesmo no catravêz da estória porque o futuro vai-te rir (falas minhas de quase major )… e, ele e eu riamos átoa só por rir mesmo! Num repente, fui promovido a brigadeiro… porque falava assim como um superior oficial…

selos4.jpg Nos meus sentimentos, faço os ajustes de contas com a singularidade de como o vento torna o capim em palha. Não há maior religião do que a verdade! Há dias e dias! Há dias de um irritado pessimismo e outros de tão naturalmente optimistas que como um carneiro jogamos orgulhos contra obstáculos de repetidas coisas. Tomando meu xá caxinde, relembro o restolho das ideias que sempre me lembram: O passado é um sítio muito perigoso.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:30
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Terça-feira, 16 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CIII

TEMPOS PARA ESQUECER16.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XIII 

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - “Consolidação do poder popular” na Luua…

Por

soba17.jpg T´Chingange

zeka1.jpg (…) Naquele então, eu e minha mulher fomos da Caála a Nova Lisboa assistir a um espectáculo cultural para comemorar o Acordo de Alvor; também andávamos embalados na falsa genuinidade para ouvir o Zeca Afonso e o Rui Mingas no Estádio da Cidade Alta do Huambo (Nova Lisboa). Ao estado psicológico ainda não era mantido o desejo de ir para o M´puto ou outro qualquer lugar! Tinhamos combinado com uns compadres do Lobito que se as coisas piorassem iriamos em caravana para a africa do Sul (Via Namíbia). Eles foram e por lá ficaram tendo agora a nacionalidade Sul-africana.

zeka9.jpg O governo saído do Alvor foi empossado na presença dos três ministros do Colégio presidencial: Lopo do Nascimento pelo MPLA, José N´Dele pela UNITA e Jonny Eduardo pela FNLA. Estes tinham designações semelhantes às do governo do M´Puto. Em Luanda as FAP afanosamente apoiavam o MPLA em campanhas de politização e esclarecimento com o lema de “O povo é quem mais ordena” e outras lérias que ainda pareciam não o ser.

zeka3.jpg Vi estes guedelhudos do PREC mais tarde, talvez Fevereiro ou Março de 1975, dando lições de guerra aos kandengues pioneiros subtraídos às raivas e revelia dos pais. Sem disfarçar rua acima, rua abaixo, marchando por toda a cidade da Caála exibindo estandartes vermelhos e a bandeira do MPLA. Não me contaram, não! Eu vi! Eram jovens “chefes” militantes do PCP muito cheios de revolucionarismo, progressismo e outros ismos, com sotaque do M´Puto, axim-axim, lá seguiam dando ordens de manobras às armas de pau que levavam aos ombros! Esquerda, direita, em frete marche e, atirando pedras no jeito de quem atira granadas.

zeka5.jpg Em outra qualquer altura esta coisa de fingir teatro, seria caricata mas agora, dava para ver sustos próximos. As praças e ruas públicas eram agora os recintos de instrução a crianças de dez anos. Os guedelhudos eram na maioria estudantes brancos do M´Puto que passavam "ad hoc" assim “passagens administrativas” por seu trabalho cívico em angola.

zeka2.jpg Eram umas verdadeiras brigadas vermelhas ao serviço do MPLA. Recorde-se que o PCP controlava o ensino do M´Puto. Após a revolução de Abril e, tomando um exemplo, um desenhador fazendo este serviço num organismo de Estado, saia Arquitecto tendo feito um só ano de Universidade! Quem diz Arquitecto diz outra qualquer profissão! Agora estes, são no M´Puto chefes de Divisão…

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O MPLA fazia também politização popular sob o signo de “Consolidação do poder popular”. O estado psicológico era favorável às greves desenfreadas que sucediam por coisa quase nenhuma nem pretexto validado. Lá teria de ser, arrumar os tarecos, fazer caixotes e largar para a África do Sul, talvez! O MPLA com seus comités de acção reuniam a população junto a grandes armazéns e depois, dizia-lhes: “ Vão gamar”, roubar, capiangar. 

zeka6.jpg Fizeram-no nas necessárias vezes no Mercado de São Paulo, Pérola do Minho, Armazéns Gajageira, Armazéns do Japão e outros: “Povo - levai tudo, tudo e vosso”. E, curioso ou nem tanto, os unimogues das NT (Nossas Tropas - portuguesas) eram usados no transporte do povo insurrecto a partir das Comissões de Bairro; depois saíam dali para sítio mais distante para não serem culpabilizados. Também usavam machimbombos da rede urbana da Luua que mandavam parar tendo queimado alguns por relutância do condutor. 

zeka10.jpg Eu disse sim! Que usavam unimogues do exército português para levarem os populares afectos ao MPLA aos lugares dos roubos. Toda a gente que saiu de Luanda ou que por ali permaneceu depois do 11 de Novembro sabe que isto é verdade. O que aconteceu, embora ninguém fale sobre o assunto; uns querem branquear sua postura e outros, simplesmente não querem relembrar. É tempo de deixar de ensaboar as inverdades e episódios encobertos para não parecer mal aos mwangolés! A canalha dessa altura não merece condescendência. Desde então pouco mudou neste conceito.

zeka11.jpg No dia quatro de Fevereiro o MPLA celebrou em comício, mais um seu aniversário; foi no Campo de São Paulo com a presença do presidente Agostinho Neto. Do discurso deste só saiu desaforos com incentivo às paralisações, aos roubos, aos desacatos e outras aberrantes diabruras, coisa pouco comum de gente que se dizia um poeta de fina extirpe africana, que se pensava ser suficientemente civilizado para dizer coisas pouco dignas! Era o álcool que falava por ele dizia-se, talvez e, ainda droga para se estimular.

zeka12.jpg Nesse mesmo dia do comício com Neto quarenta autocarros, machimbombos das carreiras dos bairros da Luua foram queimados. Foi quase a totalidade da frota e, que originou a paralisação da Capital no transporte de pessoas para seus trabalhos. Luanda definhava a olhos vistos!  Foi um soma e segue sem qualquer controlo por parte das autoridades legitimadas pelo Acordo o Alvor a que eu chamarei acordo de tuji! E, houve muitas mortes, principalmente de gente de fala Umbundo, naturais do Sul aonde eu me encontrava. Ainda hoje me parece impossível haver alguém a defender estes pulhas…

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Não vale a pena fazer uma descrição refinada dos muitos acontecimentos, prisões arbitrárias, das mortes, dos raptos e violações, porque só dar uma genérica visão revolta o mais sonso dos mortais. Os Comités de Bairro da Luua, gente do MPLA, ameaçavam escorraçar os “fenelas” de suas sedes e, também os da UNITA que sempre procuravam manter-se fora das situações, das muitas makas. Por este tempo os Movimentos disputavam entre si os quarteis abandonados pela FAP.

zeka7.jpg Havia constantes fricções, sitiavam-se mas, em verdade, as melhores instalações já tinham sido entregues ao MPLA, aos seus pioneiros fardados às pressas, gente vinda dos comités de bairro, gente sem qualquer preparação militar; rufias em verdade! Em meados de Fevereiro de 1975 a ELNA da FNLA seriam uns 11500 homens tendo no Zaire mais uns 6000. O MPLA tinha 13000 homens, a maior parte sem qualquer formação militar; A UNITA tinha 20000 estando 13000 destes em formação.

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Havia ainda a revolta do leste com 2000 efectivos bivacados no Moxico. Até aqui a UITA tinha-se mantido prudente de espírito conciliatória sem interferência nas altercações e com uma grande adesão por todo o sul de Angola mas depressa a intoxicação chegou a estes. Como que por simpatia as atitudes do MPLA e FNLA passaram a ser copiadas em actos provocatórios a cidadãos especialmente brancos e gente dedicada à superstição, bruxos e afins.

zeça14.jpg E as ameaças, insultos, agressões e intimidação com detenções ilegais e entrada abusiva em residências e comércios do mato registando-se saques e utilização injustificada de armas de fogo! Tudo isto se veio a verificar. A 12 e 13 de Fevereiro de 1975, Neto exortou os seus apoiantes a radicarem a revolta do leste sediada m Luanda. Nessas noites o “poder popular” com as FAPLA atacaram cinco instalações da Revolta de Chipenda e, foi com tudo: utilizaram granadas, metralhadoras ligeiras e lança-granadas. Sucedeu na Avenida do Brasil, Rua Rei D. Dinis e Casa Branca.

zeka15.jpg Foram os Dragões das NF que lhe deram a protecção necessária em sua retirada. Estava acabada a revolta de Chipenda na Luua! Houve cinco mortes do lado de Chipenda e quinze do MPLA; entre estes confirmava-se a morte de Valódia, o comandante responsável pelo cerco às sedes de Chipenda; o balanço foi de vinte mortes e bastantes feridos. Valódia de nome Joaquim Domingos Augusto, formado pela academia militar de Sarajevo e pertencente à coluna Cienfuegos, teve o seu funeral a 15 de Fevereiro de 1975.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:43
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Domingo, 14 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CII

TEMPOS PARA ESQUECER14.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XII . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. E, bastava manter os 60.000 efectivos militares da incorporação de Angola …

Por

soba15.jpgT´Chingange

guerra23.jpg (…) Houve nitidamente, ingenuidade e até desconhecimento real por parte dos negociadores no Acordo de Alvor. Até a própria UNITA na pessoa do seu presidente Savimbi, referiu que nesta Cimeira, os negociadores portugueses não defenderam os interesses pátrios (referia-se a Portugal). Costa Gomes, o presidente de então, conhecido por rolha, afirmava ter havido equilíbrio dando notas de concordância àquele acordo. Acordo que nem sequer durou dois meses!

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Claramente, os intervenientes portugueses referiram que este acordo era para cada um dos líderes angolanos uma plataforma de conquista do poder! Tomara! Com esta inépcia, ingenuidade de alguns e incompetência de muitos, a equipa negocial portuguesa não poderia dizer outra qualquer coisa. Hoje, podemos fazer lembrar o quanto fomos vilipendiados neste processo e, havia seguramente outras formas de se fazer a descolonização.

guerra22.jpg Melo Antunes, o chefe da delegação de Portugal, assumiu mais tarde ter falhado! O modelo falhou porque foi baseado numa perspectiva de esquerda com uma análise desvirtuada do colonialismo numa tonta convicção de preservar só os direitos dos africanos, leia-se negros! Uma total e generalizada afirmação nacional diga-se. Com desfaçatez, justificaram-se de que não tinham outra saída; uma falácia feia e difícil de digerir.

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Foi um desresponsabilização má, dos portugueses, do “lavo daqui as minhas mãos” com má-fé de todas as outras partes. Eles, os Movimentos sabiam que iria ser assim mas, eles tinham pressa; e, eles eram os militares do M´Puto. Tudo um erro gravíssimo e, cujos cordeiros a imolar seriam os que se viriam a chamar de retornados, cidadãos brancos em sua maioria, quase catalogados de segunda categoria, gente para canhão.

guerr21.jpg E, bastava manter os 60.000 efectivos militares da incorporação de Angola a assegurar a ordem aceitando os movimentos sem armas para conversar. Os três movimentos não teriam recurso a retaliar esta postura porque simplesmente estavam quase desmobilizados, de braços quase caídos. Eles, movimentos tiveram de recorrer a exércitos privados ou feitos às pressas como os do MPLA de Neto que nem somavam 100 homens!

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E o pior de tudo era a inoperância do tal acordo tricéfalo porque não haveria punição, porque nem estava assim previsto para controlar ou castigar qualquer incumpridor e, se o houvesse teria de ser pela via militar, uma coacção inviável por parte de Portugal com um exército apático e desmantelado entregando as armas, as botas, os quarteis e paióis ao MPLA e distribuindo outros pelos restantes beligerantes.

guerra20.jpg Em um artigo, Pinheiro de Azevedo relembrou a seguinte postura: - “Portugal poderia orientar a descolonização salvaguardado os interesses dos portugueses radicados em Angola se o povo português e seus dirigentes tivessem reagido violentamente à entrega daquela colonia a movimentos comunistas armados”. Isso não foi possível porque as forças de esquerda determinaram: A não saída de soldados para as colónias depois do 25 de Abril lavando o cérebro a mentalizar aos que vieram a partir para entrega do poder ao MPLA.

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Aqueles militares guedelhudos idos à última hora da Metrópole transformados em covardes entreguistas, proporcionaram aos demais ainda em Angola uma visão de derrotistas incentivando ao abandono e, por modo a tornar inviável outra qualquer via que não a entrega ao Movimento de esquerda, o MPLA. Portugal e os militares não se empenharam verdadeiramente na defesa de interesses pátrios.

guerra19.jpg O cepticismo dos portugueses radicados em Angola resultava da total desconfiança não só do comportamento dos militares como e também dos governantes da Metrópole. O abandono dos brancos, sabia-se serem uma ameaça às estruturas produtivas do território que resultaria no seu colapso pelo êxodo total e, porque Angola não era só constituída por endinheirados fazendeiros.

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A maioria representava uma força de trabalho mantendo estável o motor económico do território. E, não era só em gestão; havia uma grande percentagem de trabalhadores sem qualificação especial ou semiqualificados, pequenos comerciantes, artesãos e funcionários públicos com ou sem o tal de colarinho branco. Era o cenário perfeito para o início da segunda guerra de libertação. A desobediência, insulto e agressões gratuitas.

guerra18.jpg Como um dos muitos exemplos a população de Dalaceia entregou o regedor ao MPLA e cinco dias depois este surgia enforcado. Os militares do MPLA proferiam as frases de ordem: “Agora é que vai começar. Brancos de merda, agarrem suas malas e sigam para a vossa terra”. Lembre-se que ao contrário das colónias britânicas francesas ou belgas, Angola possuía um grande número de brancos bastante pobres e, cujo estatuto de vida não era muito melhor do que o de muitos pretos.

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Ninguém de mando considerou ou quis considerar esta sociedade. Em fins de Janeiro de 1975 houve uma grande infiltração de material de guerra por parte do MPLA através de Cabinda e de Santo António do Zaire aonde existiam bases destes mas, também da FNLA. A estes o MPLA contava as espingardas e estudava estratégias para os afastar dali; era uma questão de dias

guerra17.jpg Na segunda quinzena de Janeiro e para comemorar a assinatura do Alvor, o MFA promoveu “espectáculos culturais para civis e militares em Cabinda, Carmona, Nova Lisboa, Luanda e Luso. Os artistas eram todos frentistas do PCP; artistas idealistas, com cantigas de intervenção para explodir as mentes.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:37
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Sábado, 13 de Agosto de 2016
FRATERNIDADES . CVIII

NA PRADARIA ALENTEJANA . 12-08-2016

A FESTA DA VILA DA PRAIA, SEM MAR, SÓ ONDAS DE CALOR.

Por

soba17.jpgT´Chingange

bimbo4.jpg Ando no meio de uma festa festejando a alegria, curtindo a juventude que resta, lembrando as farras do fundo do quintal da Luua e, vendo as netas dos amigos e a minha também rodopiando em graçolas e risos contagiantes. Assim deixando o tempo abraçar os cabelos grisalhos e os sulcos dos anos. Pois, vou fazer mais o quê?

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A conversa começa do nada com o senhor Casquinha, amigo do Cailogo, marido da Assunção. Conversa desajeitada; a possivel.E chega um neto dele pedindo umas moedas para comprar uma lanterna pirilampo. Não demora muito e ali está ele fazendo gaifonas na cara do avô com aquela lanterna. Quanto custou pergunta o avô? Cinco euros, diz o petiz. Caramba! E, não regateaste? Qui é isso avô!..

tonito3.jpg  Pois… outros tempos! E sem mais remata: - Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos. Víamo-nos as vezes que queríamos, sempre diariamente, quer-se-dizer todos os dias. Na taberna do Álvaro, daquele outro chamado Hernâni com uma mulemba, jogando a bisca e à sueca mais o tentilhão; uns malhos redondos e um escopro ao alto a fazer de alvo. Quem perdia pagava um copo de tinto ou um pirolito.

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Hoje andam por aí feitos loucos procurando bichos chamados de pokémons debaixo dos chaparros. E no maior à-vontade, coisa muito perdida, porque não tínhamos mais nada para fazer senão trabalhar. As conversas misturam-se na memória e sai o que sai. O anteontem misturado com o amanhã se Deus quiser.

mess01.jpg Casquinha dizia quase sozinho, coisas repetidamente faladas. Ainda bem que é assim! Falava comigo por falar e, com ele sem convicção, só mesmo por falar como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos. Em realidade era a primeiríssima vez!

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Nada falha! Na excitação de contar coisas e partilhar ninharias, disparamos novas como se nos estivera, e está, na massa do sangue; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que por décadas estão por realizar. Os sonhos das pradarias; nossos desertos, palhas retesando-se ao vento.  

mess1.jpg Há grandes amigos que tenho a sorte de ter, que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca desconcordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Coisas de mais-velhos, misturando alhos com bugalhos e melancias com queijo de cabra dos montes hermínios.

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Enganei-me! O melhor que os amigos têm a fazer é verem-se cada vez que se podem ver. É verdade que, mesmo tendo passados muitos anos, sente-se o prazer de reencontrar a quem já se pensava nunca mais ver.

mutopa2.jpg O tempo não passa pela amizade mas, a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto existe! Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de irmos pró paralém, vai uma distância tão grande como a vida.

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Agora ouço a Kizomba sem ter nada contra, confesso que prefiro o merengue e o bolero mas, até sou capaz de não trocar de estação! Qual estação! Bolas! Estou na festa de Messejana! Mas, isto é só da loucura, de ouvir com gosto num carro cheio de amigos a caminho da praia como nos temos de kandengue nas idas para o Mussulo, Samba ou ponta da Ilha da Luua.

socie5.jpg Com "10 músicas seguidas sem parar", deveria chamar-se "5 músicas seguidas intercaladas por 5 Kizombas". Casquinha diz que não tem paciência, prefere o acordeão e os ferrinhos num arrasta pé, meche quinambas, musica pimba. Tinha de ser mais um corridinho! E, vai um corridinho mais uma valsa e são horas de dormir que o fresco chegou! E lá fui eu para a rua da misericórdia, uma estreita rua aonde os fumos cheiram a charros.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:30
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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CI

TEMPOS PARA ESQUECER10.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XI . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. Na ausência de estadistas, houve demasiados traidores…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

sacag3.jpg (…) Os angolanos (entenda-se por pretos), passaram a ter direito a todos os terrenos, casas, fábricas, explorações industriais e comerciais, explorações agrícolas outros imoveis por constituírem o seu «legítimo património», os quais deixariam de pertencer aos antigos proprietários. Savimbi levantou a questão de que referir “interesses legítimos“ desta forma provocaria a debandada dos portugueses, afirmando não ser isso do interesse para Angola.

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Note-se o facto de se ter chamado aqui à atenção aos portugueses na falta de trato aos seus concidadãos e afirmou por último: «A expressão é tão dúbia que não restringe, nem exclui o vosso espírito de justiça! Porque ao dizer-se genericamente que todos os que espoliaram terras têm de se ir embora, isto vai provocar o êxodo. Em legítimo, cabe tudo!».

toledo20.jpg Tinha razão no que afirmava; nem os angolanos pareciam convencidos de tanta bondade portuguesa. Por via disto introduziram em um novo memorando com o factor de persuasão: “Portugal queria ajudar o novo Estado angolano a recuperar o que era seu de direito. Da parte portuguesa foi dito que a interpretação das palavras poderiam ser boas ou más. Enfaticamente a parte negocial portuguesa rematou no final: «façam como quiserem» ”

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Isto, simplesmente é inconcebível vindo da parte negocial de quem deveria salvaguardar a mínima decência! Isto permitia dizer aos angolanos que os bens dos brancos passariam a ser deles e aos portugueses de Angola eram desta forma assegurados com um simples “legítimos interesses”. Isto foi o assegurado no Alvor em meados de janeiro de 1975. Almeida Santos remataria: “O que está no nosso espírito corresponde àquilo que está no vosso”. Era o Adeus a Angola! Nada a fazer! … Eram estes os nossos defensores.

roxo46.jpg Melo Antunes ainda acrescentou ao já dito: “ No fundo, quem define o critério e legitimidade, são os Movimentos de libertação”.  Coisa mais nojenta do que ambígua para quem negociava uma partilha de poder, tendo o poder (entenda-se como revolucionário). E, estes periclitantes documentos ficaram em adendas com o carimbo de “SECRETO”; por isso não foram lidos em Alvor! Assim combinaram previamente, diga-se. Almeida Santos referiu aos demais: “Se vamos ler e dar a conhecer isto, toda a gente começa a fugir daquela Angola para fora”.

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Isto dito, em nada perturbou a delegação portuguesa e os únicos que mostraram certa perplexidade e indignação foi a delegação da UNITA! Este não era o seu propósito, referiam entre si! Agostinho Neto estava simplesmente exultante de contentamento. Grande pandilha (leia-se portuguesa)! Se os Movimentos não estavam obrigados a ser clementes com os que tinham feito parte das estruturas coloniais, todos os que de algum modo tinham estado a elas ligados, poderiam ser presos ou mortos (o que veio a acontecer).

rosa0.jpg Cada Movimento, discricionariamente decidiria os casos merecedores de indulgência e, os que simplesmente acabariam em julgamentos sumários por tribunais populares ou esquecidos nos calabouços das prisões. Inaudito da parte portuguesa! Uma entrega incondicional de cidadãos pátrios, da metrópole, da terra Lusa; era mesmo o fim de tudo! Inimaginável e revoltante. O Acordo de Alvor, não era afinal mais do que a confirmação do protocolo de Mombaça, que traduzia o que os líderes dos três Movimentos tinham concertado no Quénia.

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Em suma: Os portugueses foram vencidos à mesa das negociações! No Alvor só fizeram mesmo um ajustamento a ser lido na sessão final de assinaturas (leia-se assassinaturas), remetendo algumas adendas para a pasta de “SECRETO” que só ficariam conhecidas pelos intervenientes (futuros carrascos). O papel dos negociadores nacionais (leia-se Portugal), foi tão irrisório que foi, pode dizer-se uma operação de chancelaria, limitando-se a só corrigir os erros da ortografia, língua Lusa. Melhor seria terem falado por assobios para assim pedirem isenção de culpa devido ao tom.

melo1.jpgmelo2.jpg

Os líderes dos Movimentos ficaram bem admirados de tanto descaso da parte portuguesa afirmando empolgados: “Eles querem ver-se livres de nós”. Eu, não estou a inventar mas sinceramente, tudo parece ser uma mentira. Foi assim mesmo e, é deprimente recordar tamanhas incompetências que vieram a ser considerados como os altos valores pátrios. Agostinho Neto diria posteriormente na Casa de Angola «Os portugueses já roubaram tanto que quase já não há mais nada para roubar».

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Neto, até lembrou que os técnicos dos laboratórios de engenharia da Luua estavam a encaixotar o material de Angola para trazerem para a sua terrinha. E, conclui nesse então: “Estão a saquear a nossa terra”. E não é que, o maluco primeiro-ministro Vasco Gonçalves o engrandeceu com palavras de boa catadura!? Tristes dias, aqueles!  A maioria dos africanos (leia-se negros) não desejava a saída dos antigos colonos (frisavam bem sempre esta condição quando o caso metia brancos).

melo3.jpg Os negros, não desejavam a saída dos brancos mas julgava-se ser difícil evitá-lo revoltando-se pouco convictos que os três Movimentos Armados fossem capazes de superar definitivamente as suas diferenças. Os militares portugueses é que estavam particularmente satisfeitos e até orgulhosos pelo trabalho feito por Rosa Coutinho. O Alvor-Penina foi efectivamente «uma caldeirada à portuguesa». Um jogo viciado viria a dizer mais tarde Mário Soares, um cidadão que julgava ter podido fazer melhor que todos os outos mas, de quem dele nada se viu de bom (tarde piou).

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Savimbi fez nesse então uma leitura acertada: As forças Gonçalvistas sempre pretenderam entregar o poder exclusivamente ao MPLA. Introduzido a martelo na própria Cimeira de Alvor, o vendilhão vermelho Rosa Coutinho movia-se nos corredores meio disfarçado cheiretando e manobrando questões de última hora! A UNITA e a FNLA tinham dito peremptoriamente que não queriam lá esta figura mas em surdina, conseguiram truncar esta postura. El estava ali para dar o seu suspiro aos esquerdistas do MPLA.

melo4.jpg Mas, que cambada esta que actuou no Portugal amolecido na apatia, entorpecendo o povo com inverdades, suas sábias lérias analgésicas anestesiando as gentes. Técnicas avançadas no trato da sociedade. A descolonização acabou por ser aquilo que o MFA associado aos revolucionários do PCP queria que o fosse e, tendo os interesses dos portugueses que viviam em Angola sido totalmente ignorados. Houve um excesso de voluntarismo acomodado ao desleixo e, que levou os interesses nacionais a serem destratados…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:59
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Segunda-feira, 8 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . C

TEMPOS PARA ESQUECER08.08.2016 - ANGOLA DA LUUA X . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. Foram demasiados traidores…

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t´chingange 0.jpg T´Chingange

valentina3.jpg (…) Portugal, simplesmente se subjugou ao preceito da descolonização do MPLA de Neto! Quando se tomaram medidas para alterar o que estava mal, já era tarde demais! Rosa Coutinho sabia que isto iria acontecer e deixou tudo encaminhado por forma a fortalecer o inexistente MPLA de Agostinho Neto! Rosa Coutinho deveria simbolizar para Angola do MPLA a estátua da liberdade com um tamanho triplo da que se observa nos Estados Unidos da América.

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E, Neto disse isto mesmo aos emissários de Fidel de Castro: «Que não tencionava repartir o poder com os outros Movimentos nem conceder-lhe qualquer condução de áreas estratégicas». Todos se moviam em falsidade! Ouvia-se falácias atrás de falácias fazendo de nós, uns tristes coitados. Um nojo!... O Governo de Coligação saído do Acordo do Alvor viria a ser uma utópica armadilha, assim muito cheia de fios entrelaçados que a todos amarrava; até a eles, os fazedores das leis.

ÁFRICA1.jpg A maioria das mortes em Luanda saía dos canos das G3 e outras armas e também granadas dadas ou desviadas para o MPLA! Era o projecto dum movimento que só o era em ficção mas, que trabalhou o ódio na perfeição da “Victória ou Morte”. A Luua tornou-se a terra da maka, da confusão generalizada com os grupos de bandoleiros saídos dos comités populares, de bairro e outros que só mesmo Lúcio Lara saberá!

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Os mulatos encostaram-se aos pretos, os pretos que pertenciam à nomenclatura faziam seu jogo de inverdades e os pretos lá nos musseques morriam como tordos debaixo de chapas de zinco ou capim! Os brancos sem saber a quem recorrer moviam-se que nem salalé tresmalhados de medo; outros diziam-se progressistas a toda a prova! Eles andam por aqui e por ali lavando a imagem! A guerra do Tundamunjila estava aí! E, era isto mesmo que interessava passar à grande parte de gente, que por nada queria abandonar Angola! Mas, foi sem nada que tiveram de sair, revistados e revirados do avesso.

ÁFRICA0.jpg Lúcio Lara era um dos principais instigadores dos bandos armados juntamente com Iko Carreira entre outros. Os novos governantes portuguese aliados aos novos oficiais de aviário, desejando ser merecedores de créditos para com o resto do Mundo e países de África afirmavam com frequência: - “A transição vai ser feita sem nada se exigir em troca, nem dela retirar sequer um alfinete”. Esta operação de charme foi a visão real de tudo. Nós nem eramos assim importantes como um alfinete! Que poderíamos deduzir destas palavras proferidas por gente que dizia representar-nos?

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Àquela operação de charme, eu diria de merda…! Tudo orquestrado à revelia dos nossos interesses e dos da pátria; e, tudo muito suavemente ou virulentamente aceite pela maioria dos portugueses do M´Puto! Não me cansarei de dizer isto porque é a verdade que sinto, embora incomode muita gente que só agora se diz ter sido enganada! Será!? Uma vergonha sem perdão nem ponto final porque ainda falta muita cuspidela num texto nunca acabado. Já nem interessa fazer-se justiça porque a fzer-se, vai sendo acomodada e demasiado tardia!

luua24.jpgNeto era tão paranóico que só debaixo de gotas ébrias, bêbado se quiserem, dizia algo com agrado e, sempre ficava subjacente em sua aparente preocupação a recear um potencial rival. Estava demasiado ansioso para ser o líder do MPLA, líder da Luua e o presidente de Angola. No dia 26 de Julho de 1974, três meses e um dia após o 25 de Abril, um dia depois da chegada de Rosa Coutinho a Luanda, Neto enviou uma delegação do MPLA a Cuba solicitando a Fidel ajuda económica, treino militar e armas.

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Nesta fase de tempo, Rosa Coutinho diria que os brancos ultra-revolucionários não seriam perigo na marcha idealizada por ele para a independência, afirmava que estes, nem consciência politica tinham para actuar! Que não estavam politizados e apenas queriam continuar em Angola afirmando: “ Os brancos não têm uma ideia concreta do que querem a não ser a segurança das pessoas e seus bens”. Terão de optar pelo Movimento que melhor assegure a sua protecção se os deixarem optar por essa via! E ele, sinceramente, não estava errado naquelas afirmações mas, fez de tudo para provocar a debandada.

nito3.jpg O Embaixador Russo em Dar-es-Salam diria por alturas do Natal de 1974 que «O MPLA não se deve considerar um partido de vanguarda, nem sequer um partido mas antes, uma coligação de sindicalistas, intelectuais e afins progressistas, assimilados ou cristãos de largos segmentos da burguesia luandina» e que tinham os militares portugueses como seus parceiros! Estavam longe da realidade por via de ela andar estonteantemente rápida!

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Pode dizer-se que ainda nem sequer a tinta gasta em subscrever o Acordo de Alvor tinha secado e, já os conflitos eram evidentes em dissidências e confrontações armadas um pouco por todo o território angolano. O acordo de Alvor que viria a ser assinado na Penina pelos três representantes dos Movimentos e Portugal era um documento incongruente devido sobretudo à celeridade da sua feitura. A parte Angolana apresentava um texto mal elaborado e incompleto que suscitava logo à partida a sua exequibilidade mas, a pressa era tanta que superava o demasiado grande!

chipenda.jpg Este texto só por si era um atestado público de incompetência. Aos brancos formam simplesmente postos de lado com a anuência de Mário Soares, Almeida Santos, Melo Antunes e os militares mandatários do MFA, diga-se, todos exímios revolucionários de cartilha vermelhusca práfrentistas. Os brancos não iriam ter qualquer garantia de direito à nacionalidade. Não houve nem sondagem, nem referendo a dar força legal a esta postura. Uma negligente e confrangedora atitude por parte de gente que viria a estar no topo da hierarquia do M´Puto. Aliás, recomendaram às partes manter este capítulo em pasta “secreta”.

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Um bando de incompetentes de alto coturno! Isto não ficou salvaguardado no acordo de Alvor! Foi elaborada uma proposta chamada de Lei Fundamental elaborada em Maio de 1975, seu artigo 9º que estipulava serem angolanos todos os nascidos em Angola e, os não naturais, filhos de mãe e pai angolanos. Isto que foi elaborado só por angolanos, veio a vigorar só até 2014!

neto0.jpg Dos três partidos MPLA, FNLA e UNITA, só este último apresentou a versão de que eram angolanos os que vivessem em Angola há pelo menos cinco anos ou há mais de três anos se tivessem filhos nascidos em solo angolano e os cônjuges, se residissem há um ano no território. Os negociadores portugueses recusaram-se a dar firmeza ao conceito de nacionalidade remetendo isto para os movimentos apos formarem um governo de transição! Mas que filhos da mãe, renegarem seus próprios irmãos e, meterem-nos a propósito numa pocilga de conceitos e preconceitos. A coisa não estava preta… era de pretos! Enfim!...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:56
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Domingo, 7 de Agosto de 2016
XICULULU . LXXXIII
TEMPO COM CINZAS - Constantino enganou-nos impondo ao Império Romano o cristianismo…. o Infinito, Universo e Mundos - O tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre...

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por

ferreira0.jpg CARLOS FERREIRA

Aos meus amigos (as) – 8ª de 12 Partes

carlos8.jpg (...) Enquanto na Inglaterra, Bruno teve uma audiência pessoal com Elizabete I, a quem teria bajulado com superlativos, inclusive chamando-a "sagrada" e "divina", o que serviu, mais tarde, para alimentar seu processo como infiel e herege. Consta porem que a rainha não o levou em grande conta, achando-o rude, radical, subversivo e perigoso, enquanto Bruno considerava os ingleses um tanto primitivos. Suas críticas, no entanto, haviam atraído a antipatia dos mestres ingleses ainda aferrados a Aristóteles, e Bruno se vê obrigado a acompanhar Castelnau de volta quando este é chamado pelo Rei de volta a França em 1585. No caminho ambos são roubados de tudo que possuíam.

carlos13.jpgEm Paris encontrou uma atmosfera política mudada. Henrique III havia revogado o edito de pacificação com os protestantes, e o Rei de Navarra havia sido excomungado. Longe de adotar uma linha de comportamento cauteloso, no entanto, Bruno entrou em polêmica com um protegido do partido católico, o matemático Fabrizio Mordente, a quem ridicularizou em quatro Dialogi, e em maio de 1586 ele ousou atacar Aristóteles publicamente em seu Cento e vinti articuli de natura et mundo adversos Peripatetiso ("120 artigos sobre a natureza e o mundo contra os peripatéticos") proclamadas em junho por seu discípulo João Hennequin em desafio aos doutores da Universidade de Paris.

carlos14.jpgO desafio audaz provoca um tumulto grande e violento. Os católicos moderados então o desautorizaram, em consequência do que Bruno se acha ameaçado de perigos tão graves que se vê obrigado a sair logo da França. Muda-se para Praga (Reino da Boêmia, hoje Checoslováquia), onde freqüenta a corte do rei Rodolfo II, filho de Maximilian II e Maria, filha de Carlos V, Imperador do Sacro Império de 1576 a 1612.

carlos15.jpg Rudolf II, impopular e doente, se diz que nada fez para conter a Reforma ou para evitar a Guerra dos Trinta Anos. Sucedeu seu pai como imperador do Sacro Império Romano em 1576. Sujeito a crises de depressão, deixouciência. Giordano Bruno encontra em Praga um ambiente propício a suas pesquisas matemáticas e astronômicas. Viena, a capital oficial do Império e retirou-se para Praga, onde vivia em reclusão, ocupado com artes e 

cubo8.jpg Não foi o único a beneficiar-se do apoio de Rudolf II. O Imperador haveria de apoiar em 1599 o astrônomo holandês Tycho Brahe cujos trabalhos ajudaram a convencer os europeus ainda duvidosos da teoria de Copérnico, e que, brigado com a Igreja, refugiou-se em Praga. Posteriormente ainda apoiaria o astrônomo Johannes Kepler, que sucedeu a Tycho como matemático imperial do Santo Império Romano em 1601.

(Continua…)

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:08
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Quinta-feira, 4 de Agosto de 2016
CAFUFUTILA . CXVI

NAS FRINCHA DO TEMPO – KIANDA COM ONGWEVA  - 11ª de várias partes…

AS TÁGIDES DE TOLEDOO encontro com Zachaf Pigafetta Roxo, a kianda tetravó de Roxo e Oxor.

Ongweva é saudade

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

lagar2.jpg Com a sensação de começar a penetrar na minha própria inconsciência, enrolando dedos e retesando músculos, cruzei o bairro mouro Albayzin bem cedo; de forma aleatória como um senhor dos caminhos minkisi cruzei ruelas estreitas com aromas de churros; podia ver do outro lado as muralhas e torres de Alhambra envoltas em um manto de verdura. O rio Darro corria na depressão à semelhança dos meus pensamentos que rolavam entre mulheres gitanas, guapas bailando o flamengo em companhia de Aladino e N´si, o guardião negro da terra.

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Januário Pieter, a kianda itinerante da Globália, natural de Cabo Ledo, sítio distante da kalunga ali estava olhando com ar patético, angústias feitas estátuas que só ele sabia decifrar. O Pambu N´jila, ponto de encontro era ali, vendo o cenário das antigas muralhas mouras. Porque era ali que aqueles espaços físicos e místicos se juntavam. Espaços simbis com gente de suko ou alucinados como eu!

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Depois de um grande abraço com os comprimentos habituais, afagando seu muito velho esqueleto, deslizando minhas mãos naquele piano de costelas salientes, lá fomos até a la "Calle Bodegoncillo". Já um pouco encalorado num desce e sobe, entramos ambos em "El Pátio Riconcillo" e, buscamos acento apropriado; o lugar era arejado dando para la "Plaza Nueva" podendo ver mais acima la "Plaza de Santa Ana".

ciga6.jpg As paredes estavam cobertas de cartazes anunciando espaços de "Flamenco" de cores amarelecidas com datas ultrapassadas de eventos tauromáquicos; bestas de bois cornudos e esbeltos toureiros enfiados em apertados fatos vistosos de lantejoulas zurzindo farpas ou bandarilhas coloridas; estavam encaixilhados em madeira sarapintada de minúsculos furos de térmitas, resquícios das pestes de Guernica.

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Surgiu num repentemente uma estranha figura de mustafá carregado de espanta espíritos, um homem de olho azul, talvez tuaregue a vender ternuras na forma de raminhos de alecrim e farrapos enternecidos de recordações. Uma figura muito parecida com aqueles aguadeiros da praça Jemaa el-fnaa de Marraquexe. Fiquei na dúvida se não seria aquela uma miragem e, sem ninguém se aperceber belisquei-me e, era eu mesmo a ver a miragem verdadeira.

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Está na hora de me apresentares Zachaf Pigafetta Roxo disse eu neste entretanto do pré antes do ressurgimento de tal figura, assim um misto de Aladino vestido com um matrafona de capulana e panos de Mobutu, esfinge misturada com mugabe e mandela meio imperceptíveis na confusão de sombras feiticeiras. Mais admirado fiquei quando Januário a Kianda o mandou sentar, o mustafá; Afinal não era ele, era ela, uma mulher radiante de beleza, assim estonteante que se ondulava em imagem, ora era, ora não era nem deixava de o ser, quasequase um holograma falante.

luis32.jpg Era agradável estar ali confraternizando com o passado que, nem sempre foi risonho mas quando Pieter me disse apontando afigura: Apresento-te essa kianda que tanto queres ver Zachaf Pigafetta Roxo…. Eu dei um pulo no meu desassombro, larguei os poemas de Garcia Lorca referentes à guerra de 1937 a 1939 com quadros dantescos no bombardeamento de Guernica e devo ter dado um grito espantado porque num repentemente, todos olhavam a nossa mesa! Melhor…minha mesa!

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Pedi um “café solo” e una tortilha de “manzana” ao empregado que se aproximou depois de oferecer o que quer que fosse aos meus dois parceiros; parceiros que parece que mais ninguém via, só eu! Seria desajustado pedir mais que uma coisa quando afinal eles só me viam a mim! A sala espaçosa estava recheada de quadros sobre esses acontecidos passados como uma galeria de horrores de Granada. Neste recanto em uma cadeira em madeira talhada com motivos da terra, envolto em atrocidades de uma disputa civil entre Nacionalistas de Franco e Republicanos, o instinto perfurou-me de medo. 

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Sentia-se desprender da tela o odor fétido da morte. Meu olhar não se desprendia dos corpos desmembrados em destroços retorcidos, gente e animais espalhados pelos campos; um treino de preparação à grande guerra que viria a acontecer em 1940, Alemães ajudando Franco a tomar o poder. Mas, e agora, tinha de dar a máxima atenção àquela figura tão ansiosamente esperada; aquela kianda tão aguardada e, que me deu um “Buenos Dias” vibrados de suavidade longínqua. Juro que meu corpo abanou do cocuruto às unhas carunchosas como uma folha-de-flandres feita espinha ou coluna…

luis33.jpg Entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, zuniam na minha cabeça legionários às ordens de Franco gritando “viva la muerte” mutilando o meu medo envidraçado de repugnância a todas as guerras. Foi neste então de pensamento e depois de agradecer com “um muito prazer”, consegui balbuciar de mansinho: Estou muito grato por a conhecer, ando ansioso em saber depois de tantos imprecisos episódios e se efectivamente, você é quem é, a tetravó de Assunção Roxo? A kianda fez um ligeiro pestanejar reluzindo comoção, quasequase como um vaga-lume comovido de pirilampo outonal em noite de lua cheia…

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O espanto maior estava por chegar! És tu, o T´Chingange que socorreu minha trineta lá na praia do Guaxuma do Brasil, assim e assado com todos os pormenores de barbatana mais o Zé Peixe num lugar mais a sul de Sergipe, assim com mais edecéteras e virgulas e, curiosamente com um profundo conhecimento de mangues e siris de Aracaju e mais coisas que nem o Mandacaru por certo saberia. Espantado disse-lhe que sim! Era eu inteirinho da Costa, nascido e desfalecido num vapor chamado Niassa.

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Ainda não refeito do espanto comecei a fazer-lhe uma série de perguntas como essa do seu nome ser conhecido hoje como sendo o lago Nyassa e também se ela sabia do desenrolar de toda a estória que nos apanhou em vida numa terra de nome N´Gola e, foram muitas as perguntas e interjeições com muxoxos de parte a parte! Vamos pôr um ponto nos is! Assim, de rompante!

guerri1.jpgCom o tempo dir-te-ei o que houver para dizer mas não permito que graves nada do que te irei dizer porque não quero de forma alguma alterar o rumo da verdade! O rumo do vosso futuro! Okei disse eu. Okei, rematou ela também como dando por terminada a sessão do dia! Perfeito, vamos aguardar! Disse eu… e assim ficamos naquele dia estival … Sabes! Esta vai ser uma longa estória, disse ele, ou ela… Vou tentar conciliar o sono com o sonho e destringir no tempo, este espaço de fumarada… 

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Glossário:

Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto; kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral; Kamundongo: camundongo, natural de Luanda

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:17
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCIX

TEMPOS PARA ESQUECER 02.08.2016 - ANGOLA DA LUUA IX . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

kianda05.jpg (…) Cada um de nós tem uma lenda! A minha foi preterida por ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada para fugir às realidades da Luua. Para encobrir eventos desonrosos, coisas sem heroicidade, um quarto de hora antes da meia-noite do dia 11 de Novembro de 1975, minha nação, meu barco, levantou âncoras ao largo da Luua. A bandeira do M´Puto era embrulhada num baú dum velho carcamano de colono aonde tiveram de caber todas as ilusões.

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Foi assim que me tornei Niassalês. A bandeira verde-vermelha, tornada num trapo vulgar, estava condenada a criar bolor. Minha nação Niassa fez-se ao alto mar vendo-se de longe os festejos celebrando de forma dantesca o nascimento dum país. Eram tiros e rajadas a fingir de fogo-de-artifício. Já nove meses antes o Sandokam, o Sabata e o Amargoso percorriam Luanda disparando e lançando granadas a eito, matando gratuitamente quem aleatoriamente lhes surgisse no encalço. Estes chefes de grupos populares curiosamente usavam armas oferecidas pelo exército português.

NAMBUANGONGO.jpg Fazia parte da estratégia, no lançar medo, disparar contra montras, estilhaçar as mioleiras ordeiras. Que se saiba nunca foram apanhados pelas NF (Nossa Forças) e, quando isto se verificou ocasionalmente fez baixas nas NF que já não se sabia bem, se o eram. Tudo causado para provocar o pânico, travar a sociedade e espantar os brancos. E a fuga do tundamunjila fazia-se notar no Prenda, Catambor, Cazenga, Bairros Populares, Cuca, Viana, Corimba, Terra Nova, Caputo, Mulemba e, em verdade de todos os bairros periféricos da Luua.  

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Logo a partir de Junho de 1974, começaram a ser infiltradas armas e munições nos musseques de Luanda. Era o Poder Popular a nascer com suas células, fanáticos de Lúcio Lara e Neto, capitães do mato às ordens de Nito Alves e Valódia dos grupos Hoji-ya-Henda; estas armas eram indiscriminadamente entregues a pessoas que as não sabiam manejar. As vítimas eram um pouco de tudo o que pudesse servir de alvo, raivas grandes e pequenas com negros, brancos e verdianos. As mortes foram tão abundantes, ao ponto de a casa mortuária já não ter mais espaço; alguns corpos surgiam mutilados, queimados, desfigurados.

brig4.jpg Neto, líder do MPLA afirmava que os portugueses não deveriam ser designados como comunidade branca por não constituírem um grupo coeso, nem terem direitos especiais na realidade pós-colonial. Seu parceiro Rosa Coutinho corroborou em tal posição afirmando: “Os brancos se quiserem ser ouvidos, filiem-se num dos movimentos”. Estas afirmações de Neto estavam bem perto da realidade porque os Tugas tinham como desporto ir à praia, ir ao cinema, ir à pesca à Barra do Quanza, fazer umas farras de quintal ao fim de semana para noivar a filha e, poucos eram os verdadeiramente politizados. Uns ingénuos!

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Foi mais ou menos isto que aconteceu! Os brancos filiaram-se em um, dois e até três movimentos porque pelo sim pelo não tinham de garantir alguma segurança pelo controlo familiar pois estes pseudomilitares viriam a praticar isso, dai em diante. A caminho do sul ou do norte nas barragens diferenciadas apresentava-se o cartão do militar que surgia a controlar; o camarada recebia uns cigarros, mandava seguir na boa.

paiva4.jpg Mais à frente o irmão mandava parar e com o cartão o mano mandava prosseguir; com os fnelas era igual. Estes para mostrarem sua diferença faziam continência com bater de pés e mandavam seguir desejando uma boa viagem… Havia sempre uns cigarros francês mata ratos, ou Negrita e mesmo caricocos a dar aos zelosos controladores de tráfico e traficantes. Era a gasosa a ser instituída no meio da Luua e arrabaldes; depois generalizou-se juntando uns kumbús de dinheiro macaco: “escudos angolares”.  

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Era já o medo a dominar as emoções, uma técnica persuasiva que entra no subconsciente e, por via de inseguras leis que sempre descumpridas ou alteradas, faziam do MFA uma instituição desajeitada, sem respeito ou credibilidade. Portugal já não era confiável; isto tornou-se uma infeliz realidade que viria a deixar sequelas para todo o sempre. Passados que são mais de 42 anos sinto um certo orgulho por sempre me dizer ser Niassalês e, porque foi o último vapor a abandonar a minha terra, o meu país de ilusão e, que agora, já nem sucata o é. Continuo Niassalês, uma inventação que me tranquiliza.

miss6.jpg Logo à partida, Melo Antunes aceitou que os brancos de Angola não tinham concessão à nacionalidade Angolana; que apenas os nascidos ali, teriam essa prorrogativa! Mas, até aqui, isto lhes foi tirado com o correr do tempo. Os maiores desaforos vinham exactamente dos máximos responsáveis Lusos! Tudo rolha de má cortiça! Savimbi foi o único que retaliou esta medida e, disse querer um período mais alargado para a data da Independência. Portugal, simplesmente se subjugou ao preceito de descolonização do MPLA de Neto.

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E Agostinho Neto disse isto mesmo aos emissários de Fidel de Castro; que não tencionava repartir o poder com outros movimentos nem conceder-lhes condução de áreas estratégicas e os brancos, estavam ali a mais. Todos se moveram em falsidades e o Governo de Coligação de Angola por via do acordo da Penina, viria a ser uma utópica armadilha. Nada mais do que isto!

funa0.jpg Voltaremos aqui mas, entretanto as mortes registadas em Luanda resultavam de tiros disparados por armas do exército português. Isto era demasiado preocupante; era uma traição que ninguém compreendia, ninguém queria aceitar por inaudita. No interior dos Bairros periféricos, suburbanos da Luua haviam já milhares de armas de repetição que, tal como já foi dito faziam baixas nas próprias forças armadas designadas de Nossas Forças…Eram tempos de Rambos matando pokémons, usando a linguagem hodierna…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:42
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Domingo, 31 de Julho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCVIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 29.07.2016 - ANGOLA DA LUUA VIII . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - (haverá um ou outro que ainda pensa ser um SOL).

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

zedu4.jpg (…) Em Angola nada mais havia em como e a quem se acudir. Era irreversível, haveria que fazer caixotes e enviar para qualquer outro lado da terra aqueles pecúlios! O M´puto, definitivamente, estava a abandonar seus cidadãos. Durante uns largos meses só se ouviam marteladas pelos quintais da Luua a pregar baús, tábuas e ripas de mobílias a arrumar o espólio de uma vida, alguns álbuns de fotos e pouco mais. Actualizar o passaporte e ir para um qualquer destino ao desvario, arrumar o resto de suas vidas! Dói muito ter de rever tudo isto com o cérebro inchado de traição com comportamentos de impunidade, um genocídio.

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Os veículos em circulação normal eram apedrejados, os outros, já em fuga para o Sul, Leste ou Oeste e outros até sem qualquer rumo de pontos cardeais, formando comboios como formigas quiçonde, eram interpelados em barreiras por grupos armados; exigiam aos ocupantes dinheiro, cerveja, cigarros e, muitas das vezes só pretendiam mesmo roubar, Agostinho Neto atiçava o povo a maliciar-se, formar quadrilhas do tipo comité de bairros e células de guarda para assim procederem. Passados que são mais de quarenta anos, amigos próximos desmentem-se em defesa daqueles que achavam ser sua protecção, o MPLA. Eles agora têm vergonha de terem acreditado em gente desclassificada e roem a corda da consciência!

zem2.jpg Muitos nem se lembram de nada, dizem! Outros desculpam-se agora, mas sempre que lhes dão uma aberta dizem inverdades para se convencerem! Eu tolero mas não esqueço porque uso isso de compaixão compactada, amarfanhada, coisa que não é muito elaborada em gente que sempre se desmente! É bem uma habitual forma de que todos os dias assistimos em gente amiga, até familiares, para se desvanecerem de culpas; assim como uma autolavagem nos procedimentos passados! E o bom censo diz-nos que devemos relevar porque deus é grande.

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Aquelas barragens nas estradas feitas pelos movimentos, falando às claras, eram para vilipendiar, humilhar o branco e roubar tudo o que houvesse em seu interior. A contestação ao rumo que Rosa Coutinho estava a impor à descolonização de Angola não termina em Outubro de 1974; de forma falaciosa e pensada, surgiam como cortina de fumo a esconder as verdadeiras intenções, outros grupelhos, movimentos ditos cívicos, inventados para aparentar entendimento com o MPLA de Agostinho Neto.

valentina5.jpg A junta da CCPA, Coordenadora do Programa do MFA para Angola, era em verdade o cérebro de todas as falácias, mentiras e afins e, a seu mando foram mobilizados cidadãos para fazerem raptos ao estilo da Gestapo. Os bandoleiros que praticavam estes actos tinham gente do PREC no comando. Tudo era feito no engano e, sempre os militares que deveriam actuar, nunca eram suficientes para enfrentar estes nos desacatos fabricados, cisa pensada nas células daquela junta do Almirante Vermelho.

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E, note-se que nem os próprios lideres dos movimentos da FNLA e da UNITA, representativos do povo, como se fazia crer, eram conhecedores da tramóia. No encontro de NF (Nossas Forças… supostamente FAP) com Savimbi em Cangumbe, na assinatura do cessar-fogo, para término das hostilidades, Savimbi, reafirmou que a coexistência entre os três movimentos, seria incompatível com a transferência imediata da soberania.

zem4.jpg Que o período de transição deveria ser de três a cinco anos. Este era o guerrilheiro que via mais longe mas, não descortinou a armadilha e, até mesmo alguns dos interlocutores das NF do FAP, deste encontro militar, a saber Silva Cardoso, Ferreira de Macedo e Altino de Magalhães, Pezarat Correia entre outros, não sabiam que estavam simplesmente a serem uns joguetes laranjas para da cara de veracidade ao processo! Alguns destes, os mais verticais, disseram mais tarde terem sido manipulados.

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Tudo, não passou de uma deslavada traição; encostar estes cérebros do acto ao paredão da Justiça deveria ser exigido porque daqui resultou um genocídio claro e premeditado; qualquer desculpa sairá sempre esfarrapada. A bandeira dos generais de aviário era outra e decerto que tinha muitas caveiras cruzada. O tempo confirmou isto! Não queiram lavar isto com produtos que tudo ficará mais tóxico. Mas, ao invés de tudo o dito, os credenciados das NF foram condecorados, enaltecidos pela imprensa, pelo povo do M´Puto; triste farsa! Mas que meda de descolonização!   

zé peixe9.jpg Em Cabinda o processo foi ainda mais rápido. Em finais de Outubro de 1974, o Almirante Vermelho Rosa Coutinho disse: “houve a tomada do poder em Cabinda por elementos das FAP aliados ao MPLA, destituindo e fazendo prisioneiros o governador Themudo Barata e o Capitão do Porto de Cabinda”. O Comando do Sector Militar foi “revolucionariamente” assumido pelo Tenente Coronel Oliveira, Comandante do Batalhão do Belize. Este simplesmente informaria que o Estado-Maior e o Brigadeiro Themudo Barata tinham sido depostos do Comando por “ vontade dos sublevados do Belize”. koméquié !? (palavra revolucionariamente inventada nesta agora por mim!) …

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Estes, eram não mais que os efectivos do Exército, das NF, exército metropolitano (do M´Puto), ocupando posições chaves, pontos estratégicos de cabinda com uns quantos militares do MPLA. Tudo isto para contrariar N´Zita que julgava ter “carta-branca” do governador Brigadeiro Themudo, a fim de formar um exército com as Tropas Especiais (TêÉs).Em 29 e 30 de Agosto já tinham entrado em Cabinda 200 elementos do MPLA para “conquistar Cabinda, desactivar o tal exército (FLEC) de N´Zita e instalar ali no interior o seu Estado-Maior. Tudo isto foi urdido desactivando o embrião da FLEC.

silva2.jpg Em finais de Outubro as FAPLA do MPLA, sitiavam a cidade de Cabinda. Note-se que aqueles 200 elementos chegados ao enclave foram municiados, fardados e alimentados no bivaque do Dinge, com a supervisão e ajuda das NF das FAP. Isto foi afirmado e está algures escrito por Manuel Figueiras um capitão Comandante da Companha daquele povoado do Dinge.

soci0.jpg Note-se que o governador citado Themudo Barata, foi maltratado e preso por um furriel  enquanto o Comandante dos Serviços da marinha foi preso por elementos do MPLA. As comunicações com o exterior foram cortadas de imediato, ocupados os Correios e assaltada a sede da FLEC com a completa destruição de mobiliário e, queimados todos os papéis.  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:50
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Sábado, 30 de Julho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCVII

TEMPOS PARA ESQUECER09.07.2016 - ANGOLA DA LUUA . VIINesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - (haverá um ou outro que pensa ser o SOL).

Por

soba02.jpgT´Chingange

valentina0.jpgTambém, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando em capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade do que foi a guerra de tundamunjila (do espantar - do vai-te embora!). Na percepção parcial das vitais contingências, tecidas e compostas nas mentirosas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, por fortuitos efeitos que nos determinam o futuro: o agora!

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Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar as gigantescas presenças de feridas mortais. Daí abrirem-se gavetas com choros ranhosos, ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Dói ser traído por nossos irmãos…

valentina3.jpg E, infelizmente, até sabíamos estar quilhados até os tornozelos mas, só agora podemos ir dum extremo à direita ao outro da esquerda; agora há falas bonitas p´ra boi dormir, muito roubo e corruptos à solta! Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram à terra de M´Puto, de novo volto a abrir o postigo da memória antropológica sem romance condescendente e, sem alvoroçar os espíritos que omitiram as leis não cumpridas.

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Falarei duma terra que tudo tinha para ser de promissão - Angola! Na nossa vida, com os afins descobertos hodiernamente em pegadas politólogas e, como se fossemos monstros colonialistas, surgem cheiros encarquilhados misturados quase na leitura de carbono e eteceteras complicadíssimos… Cada um de nós foi o que foi por uma coisa que dizem ter sido pequena, assim como dum primeiro choro! Mas outros choros que se lhe seguiram e, como um risco feito no chão, não nos permitiram escolher o dedo ou arado, nem por onde fazer os regos que por coisa pouca, assim dizem … mudou nossas vidas.

valodia.jpg A tropa fandanga da FNLA ateava fogo a tudo e, já no mês de Outubro de 1974, um total de quinze fazendas tinham sido devassadas. Por vezes os grupos nem eram identificados; de noite, gente furtiva atirava para os carros que se aventuravam a circular. Da CCPA - Comissão de Coordenação do programa do MFA para Angola, pouco ou nada se via fazer de ter agora notoriedade, tudo pelo contrário, salvo raras e honrosas excepções.

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A Câmara Municipal de Luanda foi tomada de assalto por militantes brancos, mestiços e pretos do MPLA que numa mascarada sem algum primor a enaltecer, apresentaram uma moção com vivas ao seu movimento alegando destituição da Vereação, hasteando a bandeira daquele grupelho que, feito chusma, a substituiu pela bandeira portuguesa. A este procedimento foi dado um alarde heróico na Rádio Voz de Angola: “ Um momento histórico “ afirmavam a cada minuto derramando coisas nunca escutadas.

luuan1.jpg A rádio já estava nas mãos dos PREC`s guedelhudos idos da metrópole, todos embebedados ou enredados num ideário de ché com “vida ou morte”, como se tudo isto tivesse um lado romântico…Dentro da sala da Vereação, cantaram o hino do MPLA. Notoriamente eram acções propositadas e permitidas pela tal CCPA. Quase posso jurar que as ideias tenham saído daquela pseudo instituição, desses generais de aviário levados às pressas para Angola a contrariar qualquer reacção dos brancos. Generais que hoje recebem chorudas reformas, meio escondidos na sombra, brincando como pokémons.

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E, dos já defuntados, ainda legam às famílias benesses da revolução de túji da qual deveriam ter vergonha. Alguém até hoje falou em ressarcir-nos? Antes pelo contrário, gozam do nosso legado, contas e tractos entre mwangolés corruptos, generais da gasosa. Efectivamente as reacções não foram as correctas e até aqui parece ter havido a mão comuna camuflada no como de se fazer! Eles tinham lido todas as cartilhas de revolução! Não sou só eu a pensar deste modo, porque as evidencias já nesse então, se viam serem demasiado torpes.

luuan2.jpg Nesse mesmo dia e pelas 19 horas e perante Pezaret Correia, o frentista da comissão organizada “had hoc” deu andamento ao processo (lembre-se PREC). Nessa mesma noite Rosa Coutinho, o almirante de Túji, vermelhusco, exarou um despacho com a exoneração do Executivo Camarário. É óbvio que tudo isto tinha sido orquestrado por este vermelho ao serviço do MPLA. Ninguém o travou como deveria! O homem do pingalim, das luvas, do monóculo, da petulância, foi vilipendiado - um galo vaidoso…

luuan3.jpg O arquitecto das rotundas da Luua, Troufa Real, branco e residente em Luanda, estava nesta leva de gente afecta ao MPLA. Registe-se qui o que este arquitecto funcionário daquele Município disse aos microfones da emissora Voz de Angola: - “Fora com a Vereação” e, dirigindo-se à turba convidou-os a tomarem aleatoriamente ou simbolicamente aquela sala nobre. E continuou: “Isto é vosso - o povo é quem mais ordena” - viva o MPLA”… estranho que os mwangolés actuais não tenham erigido uma estátua a esta trágica figura que creio estar agora e também com uma reconfortada aposentação no M´Puto…Quem o vir por aí faça-lhe um carrinho-de-molas à maneira.

luuan4.jpg Após aquele acto de bandalheira e punhos no ar, os manifestantes retiraram-se para fora do salão substituindo antes a moldura do General António de Spínola, o come-futuros, colocada no topo da sala pela foto de Agostinho Neto. No meio daquela turba alguém disse: “ Agora é a nossa vez de fazer mulatos, ter carros e morar no asfalto”. Neste esboço de rebelião o MPLA e o MDA (Movimento Democrático de Angola) assumiram na rádio essa sua postura. Neste estado de coisas e, sabendo de antemão terem o apoio tácito, técnico e afins da CCPA, quem poderia controlar quem? Num ápice, tudo ficou irreversível, sem ter passado pelo provável.

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:24
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Sexta-feira, 29 de Julho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCVI

TEMPOS PARA ESQUECER  … 29.06.2016 - ANGOLA DA LUUA . VI

… O Mundo sempre andou mentiroso - Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando em capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade (Não há meias verdades). Na guerra de tundamunjila

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

cari2.jpgEm Outubro de 1974, no Norte e no Leste de Angola eram diariamente registados incidentes com vítimas mortais, actos de vingança contra capatazes ou gerentes de fazendas e trabalhadores em geral. No Uíge (Carmona) assistia-se ao fenómeno de bandalheira com os soldados da FNLA atirando a gosto para o ar, sem qualquer aparente motivo, homens fardados e armados com espingardas de repetição. Ao longo das estradas do Norte como as de Quissesse e Songo, podiam ver-se centenas de famílias de bailundos escorraçados das fazendas de café ocupadas por soldados do ELNA (exército da FNLA) maioritariamente quicongos a falar francês; uma tropa fandanga.

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Ateavam fogo a tudo! Só neste mês de Outubro, registaram-se um total de quinze fazendas ocupadas por grupos, nem sempre identificados; faziam ataques contra madeireiros, seviciando-os e queimando-os tornando-os irreconhecíveis! As fontes de riqueza dos brancos e de negros não colaborantes eram vandalizadas, o gado morto a tiro ou catanada; os saques passaram a ser uma rotina. Usando petróleo regavam os produtos tais como batatas, mandioca, feijão e café ateando fogo em seguida; os bailundos eram mortos a sangue frio. Diga-se em verdade ter sido a etnia mais sacrificada, a mais sofrida em toda a pré-guerra de Angola. Era a guerra do tundamunjila (de dar o fora).

luis20.jpg Os movimentos com seus braço armados, por toda a Angola e, inicialmente em suas áreas de influência e sem coordenação visível, faziam barragens nas estradas supostamente para controlar, devassando, partindo louça, pisoteando sem jeito e ou retendo géneros e aprisionando coisas que poderiam ter algum interessa para eles. Podia ver-se pseudo-soldados completamente embriagados ou drogados pegando nas armas de qualquer jeito. Eles não tinham noção de como funcionavam as armas que empunhavam. Eram nitidamente bandos de drogados. Não sabiam o que era uma culatra ou o cão da mesma…

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Em uma viajem que fiz de Nova Lisboa (Huambo) a Luanda com minha sogra idosa, em uma destas barragens feitas por gente do MPLA e, indo eu na carreira da EVA e, em Muquitixe, fizeram alto, mandaram sair todos os passageiros e ali ficamos encostados a um casebre já arruinado com guardas armados atá aos dentes apontadas a nós. Um dos militares estava tão drogado que pegava a arma de cano longo com o gatilho virado para cima. Revistaram tudo e valeu-nos um furriel mestiço que seguia connosco, que se identificou como sendo do MPLA e por fim mandaram-nos seguir!

mcaco.jpg Reparei no percurso, que o Dondo estava literalmente abandonado, as quitandeiras vendiam peixe seco e bolachas, únicos alimentos que se podiam comprar! Depois vi Cassoneca, Colomboloca, Zenza do Itomba, Maria Tereza maioritariamente incendiadas, gente deambulando por ali, bandeira do MPLA hasteada aqui e ali, tropa meio fardada aos magotes fazendo coisa nenhuma. Nenhuma indicação de comércio a funcionar! Foi a imagem desta viagem que me convenceu de que tudo estava perdido! Eu vivi este drama; ninguém me contou!

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Nas barragens militares podiam ver-se os homens em cima das fordes ou chevrolletes seleccionando o que lhes convinha! Isto fica! E jogavam ao camarada. Isto também fica! E o montão de coisas por ali crescia, no pó da terra! E, ai de quem reclamasse, seria sempre de um desenlace imprevisto. Uma humilhação sem qualificação! Melhor assim, diziam com a desilusão de uma vida tornada nada.

maga2.jpg Aqueles homens na maioria sem um comando credível pretendiam apenas roubar, rebaixar. E, se houvesse por um acto de repulsa por parte de alguns militares portugueses, tentando tomar conta da situação, estes eram recebidos a tiro; poderia relatar lugares mas este procedimento era generalizado! Há por aí muitos militares que sabem ser isto verdadeiro. Sabia-se mais tarde que estes exemplares militares da FAP (Forças Armadas Portuguesas) eram substituídos por não serem colaborantes com eles; E, eles eram o grupo do MPLA de Agostinho Neto! Houve oficiais que por se oporem foram presos e recambiados para o M´Puto. Houve oficiais superiores a terem voz de prisão por furriéis cabeludos… Lá chegaremos!... Como admitir isto!?

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Posso assim referir como terras de tundamunjila, Catete, Cacusso, Kassuma, Dondo, N´Dalatando (Salazar), Bula Atumba, Puno Andongo, Bango Azongo, Camabatela, Songo mas, sempre será uma pequena parte de uma longa lista. Os guerrilheiros do tundamunjila usavam nas incursões catanas, G3 fornecidas pelas FAP ou kalashnikovs, mais granadas penduradas a gosto e imaginem uns tubos tipo bazucas! Sei lá, talvez os mona-caxitos. Para quê este disparate! Dá para rilhar o dente, mesmo estando no futuro daquele espaço, quarenta e dois anos depois….

macu5.jpg Em Luanda podiam ver-se militares do MPLA passearem a fazer estilo banga com cintos de munições atravessados ou cruzados e espingardas de repetição, de tambor, longas e curtas e as tais G3 oferta do M´Puto; assim aos ombros, eram autênticos rambos a brincar às guerras. Como é possível, tanta gente ter assistido a tudo e, agora andarem com a língua agarrada aos dentes como se nada se tivesse passado! Gente gerenciando o verbo da teoria do esquecimento. Ando desiludido com muita gente que faz de conta! Como gostam de ser enganados! Oh gente miúda!

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No Rio Seco da Maianga, logo no dia um de Outubro lançaram uma granada para dentro de uma casa matando um cidadão branco! Isto sucedeu também junto da Cruz Verde e no cinema Tivoli no Bairro da Samba. Os automóveis eram apedrejados em andamento e, ou incendiados à porta de casa ou trabalho dos respectivos donos! Pergunto a tantos que nos interrogam: Tinhamos condições de ficar? Fiquem por aí que o grosso da matéria está para vir… Esquecer! Nunca… Pena é a de que olho para trás e, neste caminho, neste carreiro, neste fiote, só vejo a minha sombra e uns quantos, muito poucos que me dão ânimo. A estes, eu digo obrigado!

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
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Domingo, 24 de Julho de 2016
MALAMBAS . CXXXIII

CINZAS DO TEMPO24.07.2016 - Não há maior religião do que a verdade! Somos o que somos enquanto o somos! Assim vamos um dia de cadavez...

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba 01.jpgT´Chingange

kota0.jpg Somos o que somos enquanto o somos! Um destes dias tive de ir tirar análises para verificar o quanto a máquina está em condições de permanecer no espaço-tempo visível e, no ponto actual da curvatura da vida. Após a singularidade foi um tempo em que ainda não havia a tecnologia de hoje a fim de nos observarem por dentro e por fora com uma complexidade de computadores e scâneres radiografando as bordas. Também o comprimento de ranhuras e excrescências anómalas segundo os parâmetros conhecidos.

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A dado momento, e por um soluço indefinido de percalços descontabilizados, somos coisa estendida numa maca e, ali ficamos na mão de técnicos, estagiários e afins com médicos, doutores que buscam na sinusóide o traço mais o traço-ponto do batimento, arritmias e aranhiços tornados bactérias ou vírus e um sem número de infestantes que cohabitam connosco, sem pagar renda, sem nossa vontade; um caroço ali, uma íngua mais uns  raios envoltos em negruras desconhecidas! Ui! Nem sempre dói… venha buscar o resultado dia tal...

kota 2.jpg E, eu que queria ir até aos 333 anos, lá tenho de me conformar por aqui ficar só enquanto Deus ou um seu assalariado quiser, ou permitir. E, lá terei de suportar as agruras exprimidas dos desclassificados políticos de viveiro mais os polícias deitados e os generais de aviário, também sentados, ganhando uma pipa de massa com os nossos descuidos, a impotência em não podermos endireitar a lei, o cassetete, o cassete, um gráfico de multa sorrateira adicionando à desgraça que nunca vem só, desinfeliz dependência de gente incompetente que se arma aos cucos, nos chateiam, nos amordaçam… Como é dificil ser-se kota mais velho...

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Tenho andado a tentar conhecer melhor este Deus que nos dirige sem se amargurar com nossas diabruras, nem as inchadas gravidades de gente com poder. E, perante a ciência quântica tenho de ir até mais fundo no conhecimento para não o subestimar; porque nem sempre parece ser justo com os injustos tomando por base o livro dos livros mais os outros do conhecimento e ainda uns outros, que são apócrifos, só porque alguém assim decidiu e, os encaixotou.

kota1.jpg E, ou porque diziam não bater a bota com a perdigota, ou assim coisa com coisa, como muitas leis que hoje temos; leis feitas em mesas redondas por mentes quadradas e que nos surgem bicudas. Que depois são votadas e nós aqui a gritarmos à toa, pró boneco!... A nossa vida, também ela é uma estória ou uma soma de pequenas estórias que encaixam num Universo sem fim, sem bordos, algo que a nossa compreensão não consegue alcançar de todo pelos muitos paradigmas que ao longo de gerações nos condicionaram o entendimento e comportmento.

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São regras a que todos obedecem porque a dado momento verificamos nada sermos e, na busca do conhecimento ficaremos sempre na incerteza que também é a teoria com que também, os mais sabedores terão de se conformar. Creio estarmos ainda a anos-luz do entendimento crucial do nosso ser, de quem somos e, sem nunca saber o que nos destino o próximo segundo; num dado momento estamos lúcidos a cem por cento e, logo a seguir já só somos um nada em uma outra dimensão.

kota7.jpg Essa é a quinta dimensão que num espaço etéreo, ficará só no sentimento como recordação em nossos mais próximos. Todos temos um ciclo e nele teremos de gozar o real agora, com a alegria de assim o ser; viver na irmandade do amor sincero ou puro, relembrando o resto para a compaixão dum entendimento plausível. Usar o bom senso desamarrando-nos numa constância para além do simples querer.

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Nesta fase de consciencialização, relembro o que nos foi legado pelo espírito de Chico Xavier: Não podemos alterar um triste fim mas, sempre teremos a hipótese de nos propormos a um novo começo. Como proposição, teremos de nos preencher com coisas pequenas para nos totalizarmos na harmonia do consolo; entender as fracturas que a vida nos proporcionou por coisas ou eventos que não nos agradam ver em outros.

kota4.jpg Sempre subsiste a dúvida de não sermos entendidos. Quantas vezes somos duros nas apreciações,  sermos assim dum jeito que nem sempre pode ser apreciado, embora se diga termos sido feitos à imagem de Deus. E, Deus que nem sempre parece acolher-nos, que nem sempre parece estar ali e da forma que queríamos que o fosse.

isabel lacuerda.jpg Naquele um outro dia, coisa recente, estive ao dispor do médico, muito cheio de aparatos que não existiam no tempo do meu avô Manuel Loureiro que morreu novo e tísico vindo do Brasil quando ainda era tão jovem. E, muitos outros se seguiram porque ainda não era conhecida a penicilina, o benuron, a aspirina mais o transístor e o micro-ondas; as ondas electromagnéticas e o domínio parcial do Vírus, das bactérias rondando-nos sem os fortes analgésicos, sulfamidas e antibióticos. Os tempos mudaram e, muito! Coisas boas outras más... Assim vamos, um dia de cadavez...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:06
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2016
MOKANDA DO PUTO. LXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 22.07.2016 …. É por estas e por outras que eu prefiro ir à Tasca do Galo comer uma bruta entremeada regada com um bom tintol da Terra de Lavas...

Mokanda : É uma carta

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

MOKANDA DUM AMIGO … Fui ao gourmet e tramei-me!

gourmet4.jpg Amigo T´Chingange

Tu sabes o quanto eu sou um tipo moderno, também chique, diga-se! Por isso não pude deixar de entrar num restaurante gourmet da moda aqui no burgo de Lxa. Vesti um Armani que comprei num saldo na Baixa da Banheira, calcei umas sapatilhas com uma vírgula estampada que regateei ao cigano e esfreguei-me em meio frasco de Chanel marroquino. Foi assim, cheio de cagança, nossa banga, como mandam as regras dum pelintra luso, que fui jantar ao tal restaurante, gerido por um “chef” reputado e internacional.

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Tramei-me! Antes tivesse ido ao tasco da esquina aviar uma bifana! Confesso que já levei muita tanga, mas como esta, nunca! Passei fome, fui gozado e fui roubado! Sempre achei que cozinhar era um acto de descontracção, de partilha, de alegria, de afecto. Tu bem sabes pelos convívios aí em teu pátio Andaluz a que tu chamas de Pátio Havanero.

abac6.jpg Bom! Eu até deveria desconfiar, porque aqueles concursos gastronómicos das TêVês transformaram as comezainas duma kizomba social sadia, em gratuitas agressões de stressante provocação com lágrimas e depressões. Enfim! Bom! Nós até já temos falado nisto mas, as parvoíces dos mestres cozinheiros da moda deixam-me em pulgas… arranjam pratos estapafúrdios e minimalistas apelidando-os de “criatividade culinária” e por aí…

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Colocaram-me um prato à frente que foi mais difícil de decifrar que as palavras cruzadas do JN ao domingo. Um prato que exibia 5 cm quadrados de um pobre robalo que pereceu inutilmente só para lhe extraírem um pedacito do cachaço, meia batata engalanada com um pé de salsa, e 2 ervilhas a nadarem numa colher de chá de um azeitado molho de escabeche, bem disfarçado com um nome afrancesado que nem vem nos dicionários.

abac3.jpg E, às tantas era uma liça de alto mar ou boga da Ria do Alvor. Para remate, três riscos de uma substância pastosa, estilo Miró, para preencher o restante do prato. Estava bonito, lá isso estava! Mas, o bruto do português, (que não eu, claro) habituado à sua travessa de cozido e ao panelo de feijoada, olha para aquilo, tu sabes, assim com uma cara de parvo capaz de assustar o menino Jesus. Esboça-se um sorriso amarelo ao empregado de mesa, uma melga à nossa volta, tudo óptimo sabes….

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E, enfiam-se dois Xanaxs quando nos metem a conta à frente. A muito custo, cala-se o berro de duas peixeiradas de cumcamano que nos vai na alma e pagas e não bufas! Nunca mais lá volto! E sabes que mais? Sempre é melhor comer aperitivos, como bolinhos de bacalhau e tremoços na tasca do Luís de Fornos de Algodres, que são muito mais saudáveis e muito mais baratos.

mamoeiro.jpgOu o pica no chão de Alguidares de Cima. Isto de encher o cu a pançudos já bastos, basta… Nunca mais, juro! Para ver pintura abstracta, vou à página do teu amigo, Mano Corvo Costa Araújo ou às coloridas flores de Assunção Roxo! Um regalo prós olhos noééé! Para ser roubado basta ir à Autoridade Tributária, vulgo Finanças... Olha, isto serviu.me de lição!

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Mas além de chique, maniento como tu me chamas, deveria ser mais desconfiado! Eu explico: Deveremos sim, de desconfiar destes cozinheiros que têm a ambição obsessiva de ser medalhados pela Michelin, Isso! Essa marca de pneus que agora se bandeou para a gastronomia! Quanto mais não vale esses convívios, tertúlias em teu Pátio Havanero com aqueles refrescantes mujitos com hortelã do teu quintal. Coisas que aprendeste com esse tal de Hemingway … Olha….Só posso ir aí, lá para o fim de Agosto! Um abraço…

Mano Andaluz

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:24
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Terça-feira, 19 de Julho de 2016
MALAMBAS . CXXXII

CINZAS DO TEMPO – 19.07.2016 - Não há maior religião do que a verdade! De novo, com prefácios encavalitados nas malambas do mundo … Hó Deus, vem cá abaixo ver isto!

MALAMBA: É a palavra.
Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

roxo27.jpg Hoje, a velocidade do progresso é tanta que o que se aprende na escola ou na universidade estará sempre atrasada ou desfasada do conhecimento global. Surgem a cada hora novas teorias sobre este ou aquele assunto sem nunca podermos ter a certeza de que realmente essa é a tese certa. Se for mesmo uma teoria, não pode ser comprovada porque é só o que é, uma teoria, e nada mais do que isso! Se essa teoria for coerente, sempre se fazem conjecturas e previsões podendo coincidir com as observações mas, mesmo assim, só poderemos ficar razoavelmente confiantes de que é aquela, a correcta.

:::::
Agora que ninguém domina totalmente o conhecimento humano torna-se impossível manter os conceitos que nos regem nas ditas linhas gerais e, porque as teorias se modificam nas explicações de novas observações, nem tempo há para digerir ou torna-las entendíveis para os demais, sem corrermos o risco de perdermos a nossa liberdade!

Roxo31.jpg Já aceitamos ser enganados porque a mentira se vulgarizou a tal ponto que até nada se diz; preguiçando-nos nas falas, só encolhemos ombros! A mentira engravidou-se tanto que o medo, já nem tem medo do susto nem tampouco do inchaço das palavras mentirosas. As fronteiras da verdade atrapalham o conhecimento, logo agora que o gráfico da genialidade se apresenta como uma linha quasequase vertical. 

:::::
Se considerarmos que a mente tem torpeza, as modernas encavalitaram-se nas antigas tornando a idade do bronze numa coisa pura; a da idade média, uma alternativa e, a hodierna uma falácia. Digo por isso que hoje não há mais fronteiras! A nossa existência não será capaz de compreender uma grande parte das leis que nos governam a nível de país e, nem a nível mundial.
É tudotudo um jogo de interesses que nos defraudam em revoluções que surgem fabricadas, urdidas, mordiscadas ou fabricadas para alterar o curso das coisas, sempresempre para nos lixar, trambicar! Hó Deus vem cá abaixo ver isto! Porquê fugiste tão novo para a casa do Pai?

Roxo32.jpg Agora até os estados fabricam inverdades para lavar a alma, reciclar os débitos e acicatar os créditos. Os Turcos até já fabricam revoluções! Aprenderam bem com os portugueses da leva da abrilada! Que se cuidem os militares e políticos que se deitaram a dormir sem entender que poderiam ser um dia reciclados! Quantas inverdades são necessárias para derrubar um governo? É aqui que entramos na matemática quântica com a “Teoria da incerteza”!

::::
Com quantos subterfúgios se pode fazer uma revolução? Recorram agora aos Turcos, seus estrategas, seus psicólogos, gentólogos, geniólogos e enólogos para averiguar as misturas certas de safadeza de como virar, fabricar e ordenhar uma revolução. E, olhem que mesmo com base em equações matemáticas não se obterá o desejável sucesso com as gentes se não houver um filho da vizinha perito em minas e armadilhas e coisas de dar volta ao miolo.

roxo33.jpg Já não há conhecimento perfeito de leis básicas para com o relacionamento humano. Nem misturando a química com a biologia se consegue discernir as atitudes maldosas de gente que usa de métodos medonhos a fim de alcançar seus fins! Depois vêm com tretas de que os fins justificam os meios. Não podemos fazer previsões nos resultados prováveis com essa técnica de marqueteiros (de marqueting), da estratégia de criar valor de satisfação e fidelização duns quantos correligionários que subscrevem dignidades vendidas em lojas de satisfação, de partidos e associações ou sindicatos! 

roxo34.jpg Depois! Para quê bater mais no ceguinho… teremos de contentar-nos com este teorema arranjado assim às pressas. “Nossa meta é a compreensão completa dos eventos que nos cercam, assim como de nossa própria existência”. Rebatermos a charneira do nosso descontentamento sem deixar de dignificar os novos potenciais desinteresses, sempre. O mais importante é gerar valores, passando a palavra da nossa pura antiguidade. Afinal, qual é a natureza do Universo?

Ilustrações de Assunção Roxo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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