Quinta-feira, 25 de Agosto de 2016
MALAMBAS . CXXXVI

TEMPOS CINZENTOS . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo … Nem oito, nem oitenta!...

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

METRALHAS.png Li no Correio da Manhã, jornal tribufu do M´Puto, que um militar da GNR foi punido por ter morto um ladrão ainda criança, apanhado com a boca na botija, ajudando o pai no gamanço! O jovem facilitava os assaltos do pai e imagino que passando por postigos que os mais velhos não conseguem, pulando dentro da casa dos outros para desimpedir o trabalho do pai ladrão. Diz a notícia que o caso remonta ao ano de 2008 e, que o militar de nome Hugo matou por acidente aquele jovem ajudante do pai ladrão, quando já iniciavam a fuga. O jovem tinha 13 anos.

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Não li os pormenores, se o tiro foi directo ou em ricochete, se de dia, se de noite ou no lusco-fusco mas, posso imaginar que a cena seria assim como o descrito num dia azarado com lusco-fusco para os intervenientes. Vai daí as chefias militares retiraram-lhe dois terços do vencimento já pequeno, com suspensão de serviço até Dezembro de 2016.

ladr0.jpg O Tribunal de Loures condenou Hugo GNR a nove anos de prisão efectiva e oitenta mil Euros de indeminização. Com recursos, a sentença acabou por ficar em quatro anos suspensos e 55 mil Euros a pagar de indeminização ao senhor Sandro ladrão; 20 mil Euros, para o pai ladrão e, 25 mil Euros, para a mãe do ajudante ainda jovem, mas ladrão.

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Estas notícias levam-me a pensar que afinal os infractores nesta sociedade têm os seus direitos. É de lamentar ter havido aqui a morte de um jovem mas, aonde já se viu coarctarem um agente por cumprir sua tarefa de zelar pela segurança dos demais. O agente de autoridade diligente que foi, punido por ser zeloso. E, que agora vive da caridade de sua Associação, companheiros e amigos próximos.

ladr1.jpg Os contratempos deste militar GNR foram muitos, ficou sem a casa, seu carro foi vandalizado supostamente pelos amigos do ladrão; carro que teve de ir para a sucata. Teve de se mudar para garantir sua vida. Mas que poder público temos nós para que isto se verifique assim em cruo, em frio; uma situação que nos leva a não acreditar na justiça, nas leis que nos regem. Deste jeito qualquer policia autoridade está em seu direito de não ver o que vê.  Isto não tem sentido, não poder actuar em defesa duma ordem social.

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Que estímulos serão estes para quem é incumbido de nos defender, de nos preservar desta gente ruim e, que infelizmente são tantos e, cada vez mais. Como disse, não sei detalhes deste episodia mas, tudo leva a crer que este agente da GNR foi castigado por excesso de zelo no cumprimento de sua obrigação! Afinal como ficamos…

ladr3.jpg Não será esta frouxa prática da justiça, um incentivo ou estimulo a proliferar a bandidagem entre nós? Ou os ladrões têm direitos que desconhecemos? Dá-me revolta de nojo ler coisas destas. E, afinal… o senho pai ladrão não foi incriminado por usar seu filho como “ exploração infantil”? Assim, não brinco!…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:27
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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2016
XICULULU . LXXXIV

TEMPO COM CINZAS - Constantino enganou-nos impondo ao Império Romano o cristianismo - O tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre...

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Aos meus amigos (as) – 9ª de 12 Partes

Por

ferreira0.jpgCarlos Ferreira

bruno13.jpg (…) Em Praga, Bruno escreve uma crítica contra a intolerância e sectarismo religioso, que diz contrariar a lei divina do amor. Faz uma reivindicação da dignidade própria da liberdade espiritual humana (sem liberdade não haveria essa dignidade) doutrina certamente do agrado de Rudolf II que pouco fez para reprimir os protestantes. Mas Praga não lhe convém muito. De lá Bruno vai para a Alemanha, onde perambulando de uma cidade universitária para outra, consegue ser professor em Wittenberg (1588).

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Ensinou e publicou uma variedade de trabalhos menores, incluindo o Articuli centum et sexatinta ("160 Artigos") contra os filósofos e matemáticos contemporâneos, no qual ele expôs sua concepção de religião - uma teoria da coexistência pacífica de todas as religiões baseada no conhecimento mútuo e liberdade recíproca de discussão. É uma crítica contra a intolerância e o sectarismo religioso, que diz contrariar a lei divina do amor.

bruno15.jpg Faz uma reivindicação da dignidade própria da liberdade espiritual humana (sem liberdade não haveria essa dignidade). Muda-se para Helmstadt, onde o Duque Henrique Júlio dispensa-lhe acolhida favorável e cordial. Escreve a que considera sua maior obra: De imaginum signorum et idearum compositione ("Sobre a Associação de imagens, os signos e as ideias") sobre mnemónica.

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Mas os calvinistas não toleram sua doutrina. Em Helmstadt, em Janeiro de 1589, ele foi excomungado pela Igreja Luterana local. Permaneceu em Helmstadt até a primavera, completando trabalhos em mágica natural e matemática (publicado postumamente) e trabalho em três poemas latinos - De minimo, De monade, e De innumerabilibus sive de immenso - os quais relembrava as teorias expostas nos diálogos italianos e desenvolvia o conceito de uma base atómica da matéria e do ser.

bruno14.jpg Para publicar estes, ele foi em 1590 a Frankfurt sobre o Maine, onde o senado rejeitou sua solicitação de permanecer. Não obstante, ele conseguiu residente no convento Carmelita, leccionando para doutores protestantes e adquirindo uma reputação de ser um "homem universal" que, o Prior pensou, "não possuía um traço de religião" e que estava ocupado principalmente em escrever e na quimérica e vã imaginação de novidades".

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Em Frankfurt um editor veneziano que o encontra traz-lhe os chamados insistentes de um patrício, João Mocenigo, que desejava aprender suas técnicas mnemónicas. Bruno estava saudoso da Itália. Aceita o convite acreditando na independência da República Veneziana. O risco não pareceu muito grande: Veneza era de longe a mais liberal dos estados italianos; a tensão europeia tinha afrouxado temporariamente após a morte do intransigente papa Sixtus V em 1590; Henrique III desaparecera do cenário político.

bruno12.jpg Todo o seu reinado fora marcado pela guerra entre católicos e protestantes, sempre em dificuldades com a Santa Liga fundada pelos católicos e liderada por Henrique, duque de Guise, devido a concessões feitas aos protestantes. Fugiu de um levante da Liga em Paris, refugiando-se em Chartres.

bruno10.jpg Mandou assassinar o Duque de Guise e o irmão dele, o cardeal de Lorraine em 1588. Uniu-se a Henrique de Navarra, líder protestante, fazendo com ele o cerco a Paris em 1589, que era uma fortaleza da Liga. Então foi assassinado a facadas por Jacques Clément, um frade Jacobino fanático que conseguiu uma audiência. Ao morrer reconheceu Henrique de Navarra seu sucessor.

(Continua…)

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:02
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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CV

TEMPOS PARA ESQUECER22.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XV . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - Vasco Gonçalves, o louco, esbracejava na televisão atirando cravos para a multidão…

Por

soba15.jpg T´Chingange

retornar1.jpg (…) No chão barrento dos musseques da Luua ficam cadáveres e um rasto de destruição. No ar desses bairros de arruamentos labirínticos multiplicam-se os papagaios de papel que visavam impedir a visibilidade e o voo dos helicópteros de onde os militares davam instruções e orientação às patrulhas que em terra procuravam acudir aos focos de problemas. Esta dos papagaios de papel, vim a saber muito recentemente em conversa com outros kambas que também por ali estavam; uma coisa que só tinha viso em um filme do Vietname e guerrilha nas ilhas do Pacífico.

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Afinal havia muita gente formada na maldade e atenta a todas as artimanhas para lograr sucesso em seus objectivos. Estabelecer o medo com estrondos lançados para o ar e tracejantes para o espaço nas noites cálidas daquela Luua. No Verão do apocalipse de 1974 a inquietação dos portugueses de África, regia-se no conceito de nacionalidade pelo princípio do solo, pelo que eram portugueses todos aqueles que tivessem nascido em qualquer parcela do solo nacional…

rev2.jpg Mas, isto não era isto nem aquilo, mas uma outra coisa qualquer a tirar dos manuais revolucionários entranhados no cerebelo de gente sem eira nem beira, ávida de serem donos de tudo e até da vida dos outros, uns abutres mais pretos que urubus a reacender um racismo que já estava moribundo! Tudo viria a ser uma outra coisa… A brancura da pele tornava-se perigosa! Os albinos começaram a ser perseguidos por ainda serem mais brancos e, decerto teriam cazumbi dentro deles; a superstição doentia, matou muitos e de formas bastantes trágicas.  

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Ser angolano branco, era imediatamente querela apresentada como algo de marginal. Foi como o definiu Vasco Gonçalves a 24 de Julho de 1975 a uma televisão alemã: -“trata-se duma minoria teimosa e egoísta, que se recusa a reconhecer as perspectivas de futuro”. Quem tem amigos assim e, como primeiro-ministro do seu país, não necessita de mais inimigos! Este cidadão deveria era de estar numa casa de malucos a tratar-se… Na Luua, diríamos que deveria estar no “quintas”…

retornar7.jpg “Os deslocados”, como então a imprensa designava os primeiros desalojados de Angola, começaram a chegar às centenas de milhar em inícios de Agosto de 1975. Contudo eram raríssimas as suas fotografias mostradas na imprensa do M´Puto. Os jornais eram multados por terem falas anti-revolucionárias, qual PIDE para pior. Era uma fuga d gente a reter até que, os seus caixotes e os seus corpos deitados no chão do aeroporto da Portela se tornaram incomodamente visíveis, incontornáveis.

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Caixotes feitos de tabuas de camas, portas de armários, janelas de pau-ferro, pau-rosa ou indianuno. Era o fim da festa, comentavam jocosamente nossos patrícios, irmãos, tios, primos, gente de moral que ia à missa e, que todos os domingos batiam no peito; todos a enganarem Deus…

selos6.jpg A censura do CR com seu activo PREC tentava esconder ao mundo a parte podre da revolução dos cravos! Imaginem! Algo inusitado é, uma notícia de 12 de Agosto de 1975 acompanhada por uma fotografia com recém-chegados ao aeroporto da Portela com jornalistas estrangeiros a cobrirem estes escolhos feitos gente, quase nada... Afinal “os colonos”, “os fazendeiros que fogem por medo”, os “mata pretos” sempre acabaram por fugir! Diaziam à boca cheia e sem espanto!

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Em Angola o PP - poder popular, tinha um órgão secreto formado com abrilistas do M´Puto, Cubanos e progressistas do MPLA. Estudantes vindos de países do Leste europeu, das terras frias aonde a revolução se alimentava com ódios, vodka e muita ideologia tonta. Era destes que saíam ordens e o apoio logístico com dinheiros dados à socapa por seus chefes, uns quantos perfilados com Rosa Coutinho e seus pare do CR- concelho da Revolução.

retornar8.jpg Angola seria em breve dos angolanos. Agora sim, não haveria recuo, era o pensamento generalizado da maioria com bom senso, de todas as cores.  Se queriam matar-se uns aos outros que o fizessem! E, assim veio a ser! O incitamento à expulsão dos brancos já era transversal a todos os movimentos.  Na diagonal, na vertical, lúcido ou bêbado, Agostinho Neto atiçava seus discursos, seus poemas despeitados, falas desajustadas de fazer tremer o susto. Nunca antes se tinha sentido tal racismo depois de sessenta e um. Com a partida dos colonos poderiam ficar com tudo, porque tudo lhes pertencia, dizia-o abertamente!  

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Os lidere dos outros movimentos a partir de Julho não retaliavam Neto! Se o fizessem seriam mal vistos. Consentiam! Em Portugal a maioria sensata estava silenciosa, aturdizada muda e queda espantando o medo que o assustava. Vasco Gonçalves, o louco, esbracejava na televisão atirando cravos para a multidão que ébria, o ouvia. Os retornados seriam postos na tourada do campo grande para gaudio dos abrilistas. Quem o disse ainda anda por aí vivinho da costa!

muxima4.jpg Os anarquistas escreveram algures numa parede bem perto da terra do Riachos no Ribatejo: Otelo Saraiva de Carvalho, que lindo nome tu tens, retira o vê do carvalho, e mete o resto co cú! Assinado um “A” metido em um círculo! Tudo em vermelho! Começava a haver alguma indisposição em alguns pensadores do M´Puto… Em Angola o MPLA enviava grupos de jovens militantes para Cuba e URSS aonde recebiam treino político militar. E, entretanto os navios continuavam a desembarcar material de guerra próximo de Luanda assim em segredo dos portugueses; no princípio até foi assim mas, depois já era quase do conhecimento geral, mas tudo era inusitadamente tido como boato! Poderia lá ser! Ninguém queria acreditar…

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O MPLA aliciava principalmente quadros negros das FAP a desertarem com armas e equipamentos. Isto quase foi normal, permitido e acarinhado pelos militares portugueses e até figuras destacadas do próprio Concelho da Revolução e outros políticos que o tempo escondeu na penumbra!

pioneiros.jpg Fantasmas que ainda se continuam a manter à custa de todos nós, que recebem do estado reformas chorudas. As NF – Nossas Forças da FAP, deram 30 navios operacionais, 21 aviões da Força Aérea, 2 Dornier, 6 Dakotas, 6 helicópteros Alouettes e Nord Atlas, entre outro variado equipamento ao Governo de Transição de Angola saído do Acordo do Alvor. Às supostas FAA – Forças Armadas de Angola.

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:00
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Domingo, 21 de Agosto de 2016
MALAMBAS . CXXXV

TEMPO DE CINZAS . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo …

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

matias9.jpgA maior parte das pessoas deste mundo, das pessoas que nos cercam, têm a ingenuidade de pensar que as dificuldades nunca lhes irão chegar à porta. No apego às coisas que têm, com dificuldade largam mão do que gostam, do que lhes sabe bem e lhes dá um tal de status ou estabilidade. Vai haver uma altura em que tudo muda e, a graça, torna-se uma lírica interlocutora muito carregada de sentimentos anestesiados.

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Pode ser até muito cruel com curas quase impossíveis porque os chás, analgésicos e calmantes não são suficientemente tranquilizantes, tornando o paracetamol e a aspirina num placebo. Um destes dias recebi uma mokanda e-mail mostrando o Bin Laden, versão da teoria da conspiração dizendo que afinal estava vivo, algures numa ilha paradisíaca e outros edecéteras que não vêm ao caso.  Vai daí, cliquei no círculo vermelho em volta do olho dele e, meu computador quase pifou!

matias10.jpg O antivírus kaspersky, um programa xis-pé-tê-hó desactivou, comeram-me o personagem e fiquei sem acesso às redes sociais e, até o meu chapéu panamá me levaram. No Facebook, tive de pedir ao administrador Cipaio-mor que me recriasse de novo! Ele, o Cipaio-mor muito hábil e, com muitas horas de voo através de cacimbos e nuvens electrificadas quis confirmar se aquele eu era mesmo o tal eu, obrigando-me a dizer-lhe de que lado tinha a verruga, como se chamava o meu cachorro, a quem ele ladrava quando se fazia de lobo e até, de qual era a nacionalidade do meu vizinho.

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Neste meio tempo e muito cheio de nadas rememorava as estórias ruminadas de meus desertos do Calahári e Costa dos Esqueletos criando umas dunas para distinguir este meu daquele outro filho da mãe. Subindo a minha duna da milha 45 do Nauclefut Park, apalpando as medidas da natureza da agressiva Costa dos Esqueletos, pensava que sim! Haveria decerto entre um caminho de luz entre as trevas, que sempre tornava impossível o que já era passado.

matias11.jpg Não podia e, nem queria ficar só a remorder a indiferença porque esta atitude permite todos os crimes e, com os quais toda a gente se indigna!  O meu compadre de nome Matias que sempre me mostra a luz divina, que me fala de Deus e da Bíblia que conhece de cor e salteado, a mandar-me um vídeo com um potente vírus do capeta diabo na forma dum cão da Pensilvânia ou um tal de chupacabra. Uma figura com quem ele, não se dá!

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Como podia eu adivinhar que naquele olho de Bin Laden havia uma fagulha ardente que nem a luz que tornou Ló em pó, lá nos longínquos confins da humanidade! E, porque é proibido adivinhar, não me apercebi logologo que o salalé quiçonde feito bitacaia entrou no pé de José. Já tenho 71 anos e, mesmo assim, continuo a aprender o meu futuro, de saber que ninguém pode pedir a outro que o ame.

matias12.jpg Que também não podes ficar à espera que te queiram. Está implícito que a ética é uma batata que apodrece, que cheira mal, mesmo muito mal e que, com toda a periclitãncias dum estado mórbido, alimenta gente e até trogloditas. Alguns dos meus personagens de mussendos, missossos e kiandas, crescidas e criadas por mim, por vezes tornam-se rebeldes, ficam frias e pretas, perdendo no correr do tempo seu esplendor.

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Até já me quiseram enforcar, deram-me tiros de rajadas e até estou aqui nem sei como, devendo bocejos ao pasmado! Um dia fazem-me o nó bem feito e estico o pernil. Somos animais e como tal, assim nem sempre somos o suficientemente bons ou o suficiente mause, num repentemente até temos medo de que se não acreditarmos em Deus, ficaremos os mais criminosos  deste mundo.

matias13.jpg Não estranhem por isso, eu andar entre o lusco-fusco, um realismo mágico ou surrealismo se quiserem. O aborrecido, mesmo, é quando o que se faz fica bastante desinteressante.  Vou perguntar ao meu amigo e compadre, comedor de figos lampos, de S. João, preto, pingo de mel e de três-num-prato o seguinte: - Se me queres com Deus, porque me tentas com o diabo da transilvânia!   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:07
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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CIV

TEMPOS PARA ESQUECER19.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XIV . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - “Consolidação do poder popular” na Luua…

Por

soba17.jpgT´Chingange

zeça14.jpg(…) A Força Aérea transportou o grosso do resto da fracção Chipenda para Gago Coutinho. Nos dias que se seguiram, foram as cantorias a enaltecer o herói Valodia assim ao jeito de rumba com bolero de Cuba do tipo que fez crescer a imagem do Che Guevara; a mística música, enaltecia as contendas da guerra provocando um estado de euforia misturando sonhos de libertação, incentivando o erguer de punhos, catanas e armas que rebentam casas, gentes de fazer fugir o capeta, como se estivessem a defender uma Baia de Cienfuegos.

chipenda.jpg Lá a Sul daquela Angola, fazendo meus trabalhos de urbanismo na Câmara Municipal da Caála, afligia-me tal situação. Era neste então Secretário de Informação e Propaganda da UNITA do Comité da Caála. Pensei que poderia assim contribuir para a boa ordem na região que até aqui se tinha mantido pacífica, o planalto do Huambo. Jonas Malheiro Savimbi "leader" da UNITA esperou ir a Nova Lisboa depois de estar legitimado pelo acordo de Alvor e, chegou triunfalmente tendo a recebê-lo mais de meio milhão de cidadãos. Esta recepção triunfal aconteceu a 28 de Janeiro de 1975.

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Savimbi o “Mwata”, estava em alto neste então, sendo considerado o mais moderado e com ideias mais viradas para o progresso de Angola. Os militares do CR, portugueses, tentavam manobrar sua imagem tirando dividendos do confronto com um MPLA cada vez mais radical e raivoso. Savimbi ia acompanhado por seu secretário-geral do movimento, Miguel N´zau Puna, e doutros elementos ligados à UNITA; chegou ao aeroporto de Nova Lisboa (Huambo) cerca das 10.30 horas com uma surpreendente multidão a esperá-lo.

che0.jpg Os jornalistas que fizeram a cobertura do acontecimento referiram ter sido um espectáculo altamente elucidativo da "força" que aquele tinha no planalto central. Toda a zona do aeroporto estava apinhada de gente que, entretanto, qual rio caudaloso, se escoava por toda a parte nos quase três quilómetros que o separam da cidade propriamente dita. Neste tempo e até o mês de Junho sentia-me confiante mas, não foi possível conter a tarefa de rebelião que o MPLA todos os dias e à semelhança de Luanda fazia junto dos kimbos assediando gente, revirando-lhes a vontade da mente, alinhar com esta onda de e contra o dito colono que era sempre branco.

savi1.jpg Sentia-me acarinhado entre aquela gente laboriosa da UNITA e, numa revisão de tarefas fui indigitado Secretário de Relações públicas! Durante a minha vigência tudo correu dentro de uma normalidade aceitável mas sentia que o câncer da liberdade era venenoso demais para continuar a ser um paraíso. Não me sentia convincente no suficiente. Pouco a pouco fui ficando nada confiante no futuro! E, mesmo falando em comícios dando tranquilidade, não me conseguia acreditar e fazer passar a mensagem a cem por cento! Os brancos, dia a dia abandonavam tudo! Fazendas, padaria, marcenaria serração e tudo o que se define como actividade comercial. O câncer alastrava…

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Num repente já nem tinhamos médico, no outro dia já não havia enfermeiro; um e outro iam zarpando de avião, carro ou comboio. Ia ficando no dia-a-dia um deserto sem a gente capacitada para gerir o que quer que fosse; já não tinhamos veterinário nem mecânico que curiosamente ou não, já tinha vindo refugiado anos antes do Congo, e o desespero quer se queira ou não, um dia chega! Ninguém é permanentemente de ferro! Em uma ida na carreira EVA levei minha sogra a Luanda em Julho e, foi quando deparei com o caos à medida que me aproximava da Luua.

savi5.jpg Havia controlo de zonas, primeiro da UNITA e depois para lá do Alto Ama eram da FNLA, do MPLA, assim uma coisa de filme tipo guerrilha do Ruanda como Tutsis e Hútus e marginalidades ao jeito de “apocalypse now” com gente não habilitada para zelar pela ordem, gente drogada que nem falar sabiam! Em Muquitixe mandaram sair os passageiros do machimbombo e ali ficamos encostados a uma casa esfolada de tiros; assim, esperamos que revoltassem nossas malas.

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Um furriel camarada, farda portuguesa, negro de cor com afectos ao MPLA, a dado momento mostra seu cartão de mando conseguindo convencer a nos deixarem seguir. Estávamos ali brancos, mestiços e negros olhando de soslaio uns para os outros, tendo por fundo um paredão ruina de casa em adobe que bem poderia vir a ser o nosso sítio de dia final! Depois seguiram-se o Dondo, deserto queimado com cães rondando as quitandeiras que vendiam sobrevivência na forma de peixe seco; nada mais!

savi4.jpg Nada de sandes, café ou o que fosse e, depois e muito pior, seguiram-se as povoações de Zenza do Itombe, Maria Teresa, Catete, Kassoneca, Colomboloca, e por fim Viana. Uf!... Finalmente, Luanda à vista! O holocausto foi tão cruel, a visão era tão catastrófica que fermentava na minha cabeça a fuga! Não via outra solução plausível. Aquilo era pior do que poderia imaginar; pior que mau ou péssimo! Deixei a sogra e regressei de avião a Nova Lisboa com a definitiva ideia de regressar ao M´Puto. Meu compadre neste meio tempo já estava na Namíbia no campo de refugiados.

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Estava combinado ir com eles mas o comboio de viaturas não podia deixar de seguir seu rumo para Grootfontein com vigilância de uma das NF, forças portuguesas. Cheguei à Caála e descrevi aos meus parceiros manos do movimento que iria inscrever-me no Município nas listas dos Adidos. Falei com Kalakata, o chefe do destacamento militar de Robert Williams e fiz uma despedida de “mais-tarde-nos-veremos”. Kalakata viria a morrer em uma maka organizada, das muitas que sucediam e, um tiro perdido mandou-o pró paralém.

savi3.jpg Aquele ataque às sedes do Chipenda em Luanda foi visto com o prelúdio do que aconteceria tanto à FNLA como à UNITA. Holden Roberto, com um tom bélico e a partir do Zaire fez um discurso de aviso ao MPLA de Luanda. Ele não estava ciente do poder de fogo dos comités da acção popular, vulgo “poder popular” dos bairros periféricos da Luua. Ele só fanfarronava de lá de longe com a protecção de Mobutu; seus maus concelheiros só queriam quimbombo com chuço (churrasco de galinha) no espeto…

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Também ele não acreditava que seu exército bem equipado e formado, poderia ser saraivado de balas pela guerrilha urbana, pelas balas G3 ofertadas pelo Alto-comissário Rosa Coutinho e seus guedelhudos capangas formados no Sarajevo e Praga, oficiais progressistas do M´Puto que queriam virar o mundo do avesso; o nosso mundo! Este passado tão inglório, tão medroso, tão traiçoeiro, foi ficando um sítio demasiado perigoso!

fiat1.jpg Por detrás daquele poder popular estava gente com raivas sem freio, mulatos abandonados pelos pais, brancos sismosos de Che Guevara, vizinhos muito doentes nas filosofias esquizofrénicas e pretos que nem sabiam o que isto era, todos comandados além do Valodia, do Monstro Imortal, do Lúcio Lara, do Iko Carreira e uma parafernália de gentinha má e mesquinha, mal formados, também por militares de aviário formados em quarteis do M´Puto às ordens dum tal de Concelho da Revolução e adjacências…

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:01
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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2016
MALAMBAS . CXXXIV

TEMPO DE CINZAS . Muitos houve, que não saíram do lugar onde nasceram e, a morte foi lá buscá-los.  “No cemitério dos brancos”

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

selos1.jpg O que me fez lembrar no que andamos aqui a fazer foi ver a abelha ao redor da flor da abóbora chila ou talvez menina, buscando mel; levar à sua rainha, engravida-la de mais vida em conjunto com outras, muitas obreiras. Uma disciplinada forma de se sucederem mesmo, mesmo desconhecendo as saudades, porque se calhar não sentem isso que os humanos sentem, num repente e repentinamente.

selos2.jpg No meio deste lirismo quintaleiro, faço um intervalo aos idos tempos porque o meu passado foi um sítio demasiado perigoso. Por vezes, será bom tornar o tempo distante e mitológico lá aonde a memória se pendurou com gestos, com sabores e cores da buganvília, e também as acácias rubras da minha rua da Maianga da Luua; coisa antiga de um dia mais tarde, sem manhã, nem passado recente.

selos3.jpg Voltei à Luua depois do tundamunjila, uma guerra muito cheia de guerrilhas e, lá estava a minha rua com remendos de chapas de zinco e aduelas de barril de tinto do M´Puto e, tábuas roídas do salalé segurando aquelas com mais tambores achatados na marreta, fazendo parede e muro como fachada frontal. Por de lado havia uma abertura ocupada por uma janela antiga, colonialista, pintada com as cores arranhadas de tiros; tiros de G-três do exército também colonialista.

selos01.jpg Voltei à lua em doismiledois e, lá estavam na minha rua as mesmas acácias, verdes folhas e as flores bonitas dando alegria ao zunir de asas das cigarras encaloradas, tudo como naquele outro tempo que num repentemente perigou! A mulola feita rio seco continuava sem água e muito caco de vidro, muita lata enferrujada, lixo bué mesmo! Fui à Luua sem convite mas, com uma carta de chamada de um amigo do Sumbe, um lugar de outros antigos perigos aonde os brancos morriam com paludismo e outras malazengas.

selos9.jpg Esse lugar perigoso chamava-se de Novo Redondo mais conhecido por “cemitério dos brancos”. Tempos de kaparandanda, nome de um antigo revoltoso filho dum soba que se tornou foragido; aquele tempo ainda estava longínquo dos turras e, os bois faziam de cavalos quando não havia tipóia ou, porque os espinhos eram muitos.

selos8.jpg Andei por ali sem dizer bem nem mal, porque podia ficar pintado de morte e para isso já chegavam as muitas caveiras ao redor das estradas contornando as cubatas dos acantonados da terceira ou quarta guerra de libertação. Demasiadas guerras! A caminho de Benguela via estrada feita picada e antes da Kanjala visitei o cantinho do inferno, lugar alagadiço muito indesejado pelos camioneiros, candongueiros e taxistas da antiga chapa de caixa aberta, magiros, bedford ou chevrollet.

selos7.jpg Aqueles dias de ficção depois destas guerras de medos de doismiledois, sentia que ainda havia muitas fronteiras medrosas, muito capim traiçoeiro, cortante! Vi que junto às velhas Urais russas feias de meter medo aos kandengues, já havia potentes carros “ four by four”, vidros esfumados pertencente a nova gente, que comiam palavras, agressivamente agigantadas.

selos6.jpg As pessoas com tecto de capim pensavam naquele então, que agora sim! Agora vamos melhorar de vida e cadavez mais na mesma já andam cansados de desacreditar. Tudo foi ficando no tardio, atrás de muitas noites. Angola ai-iú-é patrão, num anda mesmo! Isto eu, só podia ouvir e calar! Mas, eu não sou patrão meu! É sim senhor! Todo o branco só é mesmo patrão! ... Assim andei feito patrão de nada nem ninguém; estava no particípio passado do verbo…

selos5.jpg Eu ia fazer mais o quê? É uma terra de pretos aonde não se pode falar preto porque logologo vão falar só átoa: porque é racista, é colonialista, é reaccionário e mais ainda de fascista com edecéteras de mwangolés prepotentes. Isto vai melhorar camarada, dizia eu desconvicto. Falava assim mesmo no catravêz da estória porque o futuro vai-te rir (falas minhas de quase major )… e, ele e eu riamos átoa só por rir mesmo! Num repente, fui promovido a brigadeiro… porque falava assim como um superior oficial…

selos4.jpg Nos meus sentimentos, faço os ajustes de contas com a singularidade de como o vento torna o capim em palha. Não há maior religião do que a verdade! Há dias e dias! Há dias de um irritado pessimismo e outros de tão naturalmente optimistas que como um carneiro jogamos orgulhos contra obstáculos de repetidas coisas. Tomando meu xá caxinde, relembro o restolho das ideias que sempre me lembram: O passado é um sítio muito perigoso.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:30
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Terça-feira, 16 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CIII

TEMPOS PARA ESQUECER16.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XIII 

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - “Consolidação do poder popular” na Luua…

Por

soba17.jpg T´Chingange

zeka1.jpg (…) Naquele então, eu e minha mulher fomos da Caála a Nova Lisboa assistir a um espectáculo cultural para comemorar o Acordo de Alvor; também andávamos embalados na falsa genuinidade para ouvir o Zeca Afonso e o Rui Mingas no Estádio da Cidade Alta do Huambo (Nova Lisboa). Ao estado psicológico ainda não era mantido o desejo de ir para o M´puto ou outro qualquer lugar! Tinhamos combinado com uns compadres do Lobito que se as coisas piorassem iriamos em caravana para a africa do Sul (Via Namíbia). Eles foram e por lá ficaram tendo agora a nacionalidade Sul-africana.

zeka9.jpg O governo saído do Alvor foi empossado na presença dos três ministros do Colégio presidencial: Lopo do Nascimento pelo MPLA, José N´Dele pela UNITA e Jonny Eduardo pela FNLA. Estes tinham designações semelhantes às do governo do M´Puto. Em Luanda as FAP afanosamente apoiavam o MPLA em campanhas de politização e esclarecimento com o lema de “O povo é quem mais ordena” e outras lérias que ainda pareciam não o ser.

zeka3.jpg Vi estes guedelhudos do PREC mais tarde, talvez Fevereiro ou Março de 1975, dando lições de guerra aos kandengues pioneiros subtraídos às raivas e revelia dos pais. Sem disfarçar rua acima, rua abaixo, marchando por toda a cidade da Caála exibindo estandartes vermelhos e a bandeira do MPLA. Não me contaram, não! Eu vi! Eram jovens “chefes” militantes do PCP muito cheios de revolucionarismo, progressismo e outros ismos, com sotaque do M´Puto, axim-axim, lá seguiam dando ordens de manobras às armas de pau que levavam aos ombros! Esquerda, direita, em frete marche e, atirando pedras no jeito de quem atira granadas.

zeka5.jpg Em outra qualquer altura esta coisa de fingir teatro, seria caricata mas agora, dava para ver sustos próximos. As praças e ruas públicas eram agora os recintos de instrução a crianças de dez anos. Os guedelhudos eram na maioria estudantes brancos do M´Puto que passavam "ad hoc" assim “passagens administrativas” por seu trabalho cívico em angola.

zeka2.jpg Eram umas verdadeiras brigadas vermelhas ao serviço do MPLA. Recorde-se que o PCP controlava o ensino do M´Puto. Após a revolução de Abril e, tomando um exemplo, um desenhador fazendo este serviço num organismo de Estado, saia Arquitecto tendo feito um só ano de Universidade! Quem diz Arquitecto diz outra qualquer profissão! Agora estes, são no M´Puto chefes de Divisão…

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O MPLA fazia também politização popular sob o signo de “Consolidação do poder popular”. O estado psicológico era favorável às greves desenfreadas que sucediam por coisa quase nenhuma nem pretexto validado. Lá teria de ser, arrumar os tarecos, fazer caixotes e largar para a África do Sul, talvez! O MPLA com seus comités de acção reuniam a população junto a grandes armazéns e depois, dizia-lhes: “ Vão gamar”, roubar, capiangar. 

zeka6.jpg Fizeram-no nas necessárias vezes no Mercado de São Paulo, Pérola do Minho, Armazéns Gajageira, Armazéns do Japão e outros: “Povo - levai tudo, tudo e vosso”. E, curioso ou nem tanto, os unimogues das NT (Nossas Tropas - portuguesas) eram usados no transporte do povo insurrecto a partir das Comissões de Bairro; depois saíam dali para sítio mais distante para não serem culpabilizados. Também usavam machimbombos da rede urbana da Luua que mandavam parar tendo queimado alguns por relutância do condutor. 

zeka10.jpg Eu disse sim! Que usavam unimogues do exército português para levarem os populares afectos ao MPLA aos lugares dos roubos. Toda a gente que saiu de Luanda ou que por ali permaneceu depois do 11 de Novembro sabe que isto é verdade. O que aconteceu, embora ninguém fale sobre o assunto; uns querem branquear sua postura e outros, simplesmente não querem relembrar. É tempo de deixar de ensaboar as inverdades e episódios encobertos para não parecer mal aos mwangolés! A canalha dessa altura não merece condescendência. Desde então pouco mudou neste conceito.

zeka11.jpg No dia quatro de Fevereiro o MPLA celebrou em comício, mais um seu aniversário; foi no Campo de São Paulo com a presença do presidente Agostinho Neto. Do discurso deste só saiu desaforos com incentivo às paralisações, aos roubos, aos desacatos e outras aberrantes diabruras, coisa pouco comum de gente que se dizia um poeta de fina extirpe africana, que se pensava ser suficientemente civilizado para dizer coisas pouco dignas! Era o álcool que falava por ele dizia-se, talvez e, ainda droga para se estimular.

zeka12.jpg Nesse mesmo dia do comício com Neto quarenta autocarros, machimbombos das carreiras dos bairros da Luua foram queimados. Foi quase a totalidade da frota e, que originou a paralisação da Capital no transporte de pessoas para seus trabalhos. Luanda definhava a olhos vistos!  Foi um soma e segue sem qualquer controlo por parte das autoridades legitimadas pelo Acordo o Alvor a que eu chamarei acordo de tuji! E, houve muitas mortes, principalmente de gente de fala Umbundo, naturais do Sul aonde eu me encontrava. Ainda hoje me parece impossível haver alguém a defender estes pulhas…

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Não vale a pena fazer uma descrição refinada dos muitos acontecimentos, prisões arbitrárias, das mortes, dos raptos e violações, porque só dar uma genérica visão revolta o mais sonso dos mortais. Os Comités de Bairro da Luua, gente do MPLA, ameaçavam escorraçar os “fenelas” de suas sedes e, também os da UNITA que sempre procuravam manter-se fora das situações, das muitas makas. Por este tempo os Movimentos disputavam entre si os quarteis abandonados pela FAP.

zeka7.jpg Havia constantes fricções, sitiavam-se mas, em verdade, as melhores instalações já tinham sido entregues ao MPLA, aos seus pioneiros fardados às pressas, gente vinda dos comités de bairro, gente sem qualquer preparação militar; rufias em verdade! Em meados de Fevereiro de 1975 a ELNA da FNLA seriam uns 11500 homens tendo no Zaire mais uns 6000. O MPLA tinha 13000 homens, a maior parte sem qualquer formação militar; A UNITA tinha 20000 estando 13000 destes em formação.

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Havia ainda a revolta do leste com 2000 efectivos bivacados no Moxico. Até aqui a UITA tinha-se mantido prudente de espírito conciliatória sem interferência nas altercações e com uma grande adesão por todo o sul de Angola mas depressa a intoxicação chegou a estes. Como que por simpatia as atitudes do MPLA e FNLA passaram a ser copiadas em actos provocatórios a cidadãos especialmente brancos e gente dedicada à superstição, bruxos e afins.

zeça14.jpg E as ameaças, insultos, agressões e intimidação com detenções ilegais e entrada abusiva em residências e comércios do mato registando-se saques e utilização injustificada de armas de fogo! Tudo isto se veio a verificar. A 12 e 13 de Fevereiro de 1975, Neto exortou os seus apoiantes a radicarem a revolta do leste sediada m Luanda. Nessas noites o “poder popular” com as FAPLA atacaram cinco instalações da Revolta de Chipenda e, foi com tudo: utilizaram granadas, metralhadoras ligeiras e lança-granadas. Sucedeu na Avenida do Brasil, Rua Rei D. Dinis e Casa Branca.

zeka15.jpg Foram os Dragões das NF que lhe deram a protecção necessária em sua retirada. Estava acabada a revolta de Chipenda na Luua! Houve cinco mortes do lado de Chipenda e quinze do MPLA; entre estes confirmava-se a morte de Valódia, o comandante responsável pelo cerco às sedes de Chipenda; o balanço foi de vinte mortes e bastantes feridos. Valódia de nome Joaquim Domingos Augusto, formado pela academia militar de Sarajevo e pertencente à coluna Cienfuegos, teve o seu funeral a 15 de Fevereiro de 1975.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:43
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Domingo, 14 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CII

TEMPOS PARA ESQUECER14.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XII . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. E, bastava manter os 60.000 efectivos militares da incorporação de Angola …

Por

soba15.jpgT´Chingange

guerra23.jpg (…) Houve nitidamente, ingenuidade e até desconhecimento real por parte dos negociadores no Acordo de Alvor. Até a própria UNITA na pessoa do seu presidente Savimbi, referiu que nesta Cimeira, os negociadores portugueses não defenderam os interesses pátrios (referia-se a Portugal). Costa Gomes, o presidente de então, conhecido por rolha, afirmava ter havido equilíbrio dando notas de concordância àquele acordo. Acordo que nem sequer durou dois meses!

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Claramente, os intervenientes portugueses referiram que este acordo era para cada um dos líderes angolanos uma plataforma de conquista do poder! Tomara! Com esta inépcia, ingenuidade de alguns e incompetência de muitos, a equipa negocial portuguesa não poderia dizer outra qualquer coisa. Hoje, podemos fazer lembrar o quanto fomos vilipendiados neste processo e, havia seguramente outras formas de se fazer a descolonização.

guerra22.jpg Melo Antunes, o chefe da delegação de Portugal, assumiu mais tarde ter falhado! O modelo falhou porque foi baseado numa perspectiva de esquerda com uma análise desvirtuada do colonialismo numa tonta convicção de preservar só os direitos dos africanos, leia-se negros! Uma total e generalizada afirmação nacional diga-se. Com desfaçatez, justificaram-se de que não tinham outra saída; uma falácia feia e difícil de digerir.

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Foi um desresponsabilização má, dos portugueses, do “lavo daqui as minhas mãos” com má-fé de todas as outras partes. Eles, os Movimentos sabiam que iria ser assim mas, eles tinham pressa; e, eles eram os militares do M´Puto. Tudo um erro gravíssimo e, cujos cordeiros a imolar seriam os que se viriam a chamar de retornados, cidadãos brancos em sua maioria, quase catalogados de segunda categoria, gente para canhão.

guerr21.jpg E, bastava manter os 60.000 efectivos militares da incorporação de Angola a assegurar a ordem aceitando os movimentos sem armas para conversar. Os três movimentos não teriam recurso a retaliar esta postura porque simplesmente estavam quase desmobilizados, de braços quase caídos. Eles, movimentos tiveram de recorrer a exércitos privados ou feitos às pressas como os do MPLA de Neto que nem somavam 100 homens!

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E o pior de tudo era a inoperância do tal acordo tricéfalo porque não haveria punição, porque nem estava assim previsto para controlar ou castigar qualquer incumpridor e, se o houvesse teria de ser pela via militar, uma coacção inviável por parte de Portugal com um exército apático e desmantelado entregando as armas, as botas, os quarteis e paióis ao MPLA e distribuindo outros pelos restantes beligerantes.

guerra20.jpg Em um artigo, Pinheiro de Azevedo relembrou a seguinte postura: - “Portugal poderia orientar a descolonização salvaguardado os interesses dos portugueses radicados em Angola se o povo português e seus dirigentes tivessem reagido violentamente à entrega daquela colonia a movimentos comunistas armados”. Isso não foi possível porque as forças de esquerda determinaram: A não saída de soldados para as colónias depois do 25 de Abril lavando o cérebro a mentalizar aos que vieram a partir para entrega do poder ao MPLA.

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Aqueles militares guedelhudos idos à última hora da Metrópole transformados em covardes entreguistas, proporcionaram aos demais ainda em Angola uma visão de derrotistas incentivando ao abandono e, por modo a tornar inviável outra qualquer via que não a entrega ao Movimento de esquerda, o MPLA. Portugal e os militares não se empenharam verdadeiramente na defesa de interesses pátrios.

guerra19.jpg O cepticismo dos portugueses radicados em Angola resultava da total desconfiança não só do comportamento dos militares como e também dos governantes da Metrópole. O abandono dos brancos, sabia-se serem uma ameaça às estruturas produtivas do território que resultaria no seu colapso pelo êxodo total e, porque Angola não era só constituída por endinheirados fazendeiros.

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A maioria representava uma força de trabalho mantendo estável o motor económico do território. E, não era só em gestão; havia uma grande percentagem de trabalhadores sem qualificação especial ou semiqualificados, pequenos comerciantes, artesãos e funcionários públicos com ou sem o tal de colarinho branco. Era o cenário perfeito para o início da segunda guerra de libertação. A desobediência, insulto e agressões gratuitas.

guerra18.jpg Como um dos muitos exemplos a população de Dalaceia entregou o regedor ao MPLA e cinco dias depois este surgia enforcado. Os militares do MPLA proferiam as frases de ordem: “Agora é que vai começar. Brancos de merda, agarrem suas malas e sigam para a vossa terra”. Lembre-se que ao contrário das colónias britânicas francesas ou belgas, Angola possuía um grande número de brancos bastante pobres e, cujo estatuto de vida não era muito melhor do que o de muitos pretos.

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Ninguém de mando considerou ou quis considerar esta sociedade. Em fins de Janeiro de 1975 houve uma grande infiltração de material de guerra por parte do MPLA através de Cabinda e de Santo António do Zaire aonde existiam bases destes mas, também da FNLA. A estes o MPLA contava as espingardas e estudava estratégias para os afastar dali; era uma questão de dias

guerra17.jpg Na segunda quinzena de Janeiro e para comemorar a assinatura do Alvor, o MFA promoveu “espectáculos culturais para civis e militares em Cabinda, Carmona, Nova Lisboa, Luanda e Luso. Os artistas eram todos frentistas do PCP; artistas idealistas, com cantigas de intervenção para explodir as mentes.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:37
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Sábado, 13 de Agosto de 2016
FRATERNIDADES . CVIII

NA PRADARIA ALENTEJANA . 12-08-2016

A FESTA DA VILA DA PRAIA, SEM MAR, SÓ ONDAS DE CALOR.

Por

soba17.jpgT´Chingange

bimbo4.jpg Ando no meio de uma festa festejando a alegria, curtindo a juventude que resta, lembrando as farras do fundo do quintal da Luua e, vendo as netas dos amigos e a minha também rodopiando em graçolas e risos contagiantes. Assim deixando o tempo abraçar os cabelos grisalhos e os sulcos dos anos. Pois, vou fazer mais o quê?

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A conversa começa do nada com o senhor Casquinha, amigo do Cailogo, marido da Assunção. Conversa desajeitada; a possivel.E chega um neto dele pedindo umas moedas para comprar uma lanterna pirilampo. Não demora muito e ali está ele fazendo gaifonas na cara do avô com aquela lanterna. Quanto custou pergunta o avô? Cinco euros, diz o petiz. Caramba! E, não regateaste? Qui é isso avô!..

tonito3.jpg  Pois… outros tempos! E sem mais remata: - Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos. Víamo-nos as vezes que queríamos, sempre diariamente, quer-se-dizer todos os dias. Na taberna do Álvaro, daquele outro chamado Hernâni com uma mulemba, jogando a bisca e à sueca mais o tentilhão; uns malhos redondos e um escopro ao alto a fazer de alvo. Quem perdia pagava um copo de tinto ou um pirolito.

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Hoje andam por aí feitos loucos procurando bichos chamados de pokémons debaixo dos chaparros. E no maior à-vontade, coisa muito perdida, porque não tínhamos mais nada para fazer senão trabalhar. As conversas misturam-se na memória e sai o que sai. O anteontem misturado com o amanhã se Deus quiser.

mess01.jpg Casquinha dizia quase sozinho, coisas repetidamente faladas. Ainda bem que é assim! Falava comigo por falar e, com ele sem convicção, só mesmo por falar como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos. Em realidade era a primeiríssima vez!

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Nada falha! Na excitação de contar coisas e partilhar ninharias, disparamos novas como se nos estivera, e está, na massa do sangue; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que por décadas estão por realizar. Os sonhos das pradarias; nossos desertos, palhas retesando-se ao vento.  

mess1.jpg Há grandes amigos que tenho a sorte de ter, que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca desconcordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Coisas de mais-velhos, misturando alhos com bugalhos e melancias com queijo de cabra dos montes hermínios.

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Enganei-me! O melhor que os amigos têm a fazer é verem-se cada vez que se podem ver. É verdade que, mesmo tendo passados muitos anos, sente-se o prazer de reencontrar a quem já se pensava nunca mais ver.

mutopa2.jpg O tempo não passa pela amizade mas, a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto existe! Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de irmos pró paralém, vai uma distância tão grande como a vida.

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Agora ouço a Kizomba sem ter nada contra, confesso que prefiro o merengue e o bolero mas, até sou capaz de não trocar de estação! Qual estação! Bolas! Estou na festa de Messejana! Mas, isto é só da loucura, de ouvir com gosto num carro cheio de amigos a caminho da praia como nos temos de kandengue nas idas para o Mussulo, Samba ou ponta da Ilha da Luua.

socie5.jpg Com "10 músicas seguidas sem parar", deveria chamar-se "5 músicas seguidas intercaladas por 5 Kizombas". Casquinha diz que não tem paciência, prefere o acordeão e os ferrinhos num arrasta pé, meche quinambas, musica pimba. Tinha de ser mais um corridinho! E, vai um corridinho mais uma valsa e são horas de dormir que o fresco chegou! E lá fui eu para a rua da misericórdia, uma estreita rua aonde os fumos cheiram a charros.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:30
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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CI

TEMPOS PARA ESQUECER10.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XI . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. Na ausência de estadistas, houve demasiados traidores…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

sacag3.jpg (…) Os angolanos (entenda-se por pretos), passaram a ter direito a todos os terrenos, casas, fábricas, explorações industriais e comerciais, explorações agrícolas outros imoveis por constituírem o seu «legítimo património», os quais deixariam de pertencer aos antigos proprietários. Savimbi levantou a questão de que referir “interesses legítimos“ desta forma provocaria a debandada dos portugueses, afirmando não ser isso do interesse para Angola.

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Note-se o facto de se ter chamado aqui à atenção aos portugueses na falta de trato aos seus concidadãos e afirmou por último: «A expressão é tão dúbia que não restringe, nem exclui o vosso espírito de justiça! Porque ao dizer-se genericamente que todos os que espoliaram terras têm de se ir embora, isto vai provocar o êxodo. Em legítimo, cabe tudo!».

toledo20.jpg Tinha razão no que afirmava; nem os angolanos pareciam convencidos de tanta bondade portuguesa. Por via disto introduziram em um novo memorando com o factor de persuasão: “Portugal queria ajudar o novo Estado angolano a recuperar o que era seu de direito. Da parte portuguesa foi dito que a interpretação das palavras poderiam ser boas ou más. Enfaticamente a parte negocial portuguesa rematou no final: «façam como quiserem» ”

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Isto, simplesmente é inconcebível vindo da parte negocial de quem deveria salvaguardar a mínima decência! Isto permitia dizer aos angolanos que os bens dos brancos passariam a ser deles e aos portugueses de Angola eram desta forma assegurados com um simples “legítimos interesses”. Isto foi o assegurado no Alvor em meados de janeiro de 1975. Almeida Santos remataria: “O que está no nosso espírito corresponde àquilo que está no vosso”. Era o Adeus a Angola! Nada a fazer! … Eram estes os nossos defensores.

roxo46.jpg Melo Antunes ainda acrescentou ao já dito: “ No fundo, quem define o critério e legitimidade, são os Movimentos de libertação”.  Coisa mais nojenta do que ambígua para quem negociava uma partilha de poder, tendo o poder (entenda-se como revolucionário). E, estes periclitantes documentos ficaram em adendas com o carimbo de “SECRETO”; por isso não foram lidos em Alvor! Assim combinaram previamente, diga-se. Almeida Santos referiu aos demais: “Se vamos ler e dar a conhecer isto, toda a gente começa a fugir daquela Angola para fora”.

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Isto dito, em nada perturbou a delegação portuguesa e os únicos que mostraram certa perplexidade e indignação foi a delegação da UNITA! Este não era o seu propósito, referiam entre si! Agostinho Neto estava simplesmente exultante de contentamento. Grande pandilha (leia-se portuguesa)! Se os Movimentos não estavam obrigados a ser clementes com os que tinham feito parte das estruturas coloniais, todos os que de algum modo tinham estado a elas ligados, poderiam ser presos ou mortos (o que veio a acontecer).

rosa0.jpg Cada Movimento, discricionariamente decidiria os casos merecedores de indulgência e, os que simplesmente acabariam em julgamentos sumários por tribunais populares ou esquecidos nos calabouços das prisões. Inaudito da parte portuguesa! Uma entrega incondicional de cidadãos pátrios, da metrópole, da terra Lusa; era mesmo o fim de tudo! Inimaginável e revoltante. O Acordo de Alvor, não era afinal mais do que a confirmação do protocolo de Mombaça, que traduzia o que os líderes dos três Movimentos tinham concertado no Quénia.

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Em suma: Os portugueses foram vencidos à mesa das negociações! No Alvor só fizeram mesmo um ajustamento a ser lido na sessão final de assinaturas (leia-se assassinaturas), remetendo algumas adendas para a pasta de “SECRETO” que só ficariam conhecidas pelos intervenientes (futuros carrascos). O papel dos negociadores nacionais (leia-se Portugal), foi tão irrisório que foi, pode dizer-se uma operação de chancelaria, limitando-se a só corrigir os erros da ortografia, língua Lusa. Melhor seria terem falado por assobios para assim pedirem isenção de culpa devido ao tom.

melo1.jpgmelo2.jpg

Os líderes dos Movimentos ficaram bem admirados de tanto descaso da parte portuguesa afirmando empolgados: “Eles querem ver-se livres de nós”. Eu, não estou a inventar mas sinceramente, tudo parece ser uma mentira. Foi assim mesmo e, é deprimente recordar tamanhas incompetências que vieram a ser considerados como os altos valores pátrios. Agostinho Neto diria posteriormente na Casa de Angola «Os portugueses já roubaram tanto que quase já não há mais nada para roubar».

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Neto, até lembrou que os técnicos dos laboratórios de engenharia da Luua estavam a encaixotar o material de Angola para trazerem para a sua terrinha. E, conclui nesse então: “Estão a saquear a nossa terra”. E não é que, o maluco primeiro-ministro Vasco Gonçalves o engrandeceu com palavras de boa catadura!? Tristes dias, aqueles!  A maioria dos africanos (leia-se negros) não desejava a saída dos antigos colonos (frisavam bem sempre esta condição quando o caso metia brancos).

melo3.jpg Os negros, não desejavam a saída dos brancos mas julgava-se ser difícil evitá-lo revoltando-se pouco convictos que os três Movimentos Armados fossem capazes de superar definitivamente as suas diferenças. Os militares portugueses é que estavam particularmente satisfeitos e até orgulhosos pelo trabalho feito por Rosa Coutinho. O Alvor-Penina foi efectivamente «uma caldeirada à portuguesa». Um jogo viciado viria a dizer mais tarde Mário Soares, um cidadão que julgava ter podido fazer melhor que todos os outos mas, de quem dele nada se viu de bom (tarde piou).

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Savimbi fez nesse então uma leitura acertada: As forças Gonçalvistas sempre pretenderam entregar o poder exclusivamente ao MPLA. Introduzido a martelo na própria Cimeira de Alvor, o vendilhão vermelho Rosa Coutinho movia-se nos corredores meio disfarçado cheiretando e manobrando questões de última hora! A UNITA e a FNLA tinham dito peremptoriamente que não queriam lá esta figura mas em surdina, conseguiram truncar esta postura. El estava ali para dar o seu suspiro aos esquerdistas do MPLA.

melo4.jpg Mas, que cambada esta que actuou no Portugal amolecido na apatia, entorpecendo o povo com inverdades, suas sábias lérias analgésicas anestesiando as gentes. Técnicas avançadas no trato da sociedade. A descolonização acabou por ser aquilo que o MFA associado aos revolucionários do PCP queria que o fosse e, tendo os interesses dos portugueses que viviam em Angola sido totalmente ignorados. Houve um excesso de voluntarismo acomodado ao desleixo e, que levou os interesses nacionais a serem destratados…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:59
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Segunda-feira, 8 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . C

TEMPOS PARA ESQUECER08.08.2016 - ANGOLA DA LUUA X . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. Foram demasiados traidores…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

valentina3.jpg (…) Portugal, simplesmente se subjugou ao preceito da descolonização do MPLA de Neto! Quando se tomaram medidas para alterar o que estava mal, já era tarde demais! Rosa Coutinho sabia que isto iria acontecer e deixou tudo encaminhado por forma a fortalecer o inexistente MPLA de Agostinho Neto! Rosa Coutinho deveria simbolizar para Angola do MPLA a estátua da liberdade com um tamanho triplo da que se observa nos Estados Unidos da América.

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E, Neto disse isto mesmo aos emissários de Fidel de Castro: «Que não tencionava repartir o poder com os outros Movimentos nem conceder-lhe qualquer condução de áreas estratégicas». Todos se moviam em falsidade! Ouvia-se falácias atrás de falácias fazendo de nós, uns tristes coitados. Um nojo!... O Governo de Coligação saído do Acordo do Alvor viria a ser uma utópica armadilha, assim muito cheia de fios entrelaçados que a todos amarrava; até a eles, os fazedores das leis.

ÁFRICA1.jpg A maioria das mortes em Luanda saía dos canos das G3 e outras armas e também granadas dadas ou desviadas para o MPLA! Era o projecto dum movimento que só o era em ficção mas, que trabalhou o ódio na perfeição da “Victória ou Morte”. A Luua tornou-se a terra da maka, da confusão generalizada com os grupos de bandoleiros saídos dos comités populares, de bairro e outros que só mesmo Lúcio Lara saberá!

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Os mulatos encostaram-se aos pretos, os pretos que pertenciam à nomenclatura faziam seu jogo de inverdades e os pretos lá nos musseques morriam como tordos debaixo de chapas de zinco ou capim! Os brancos sem saber a quem recorrer moviam-se que nem salalé tresmalhados de medo; outros diziam-se progressistas a toda a prova! Eles andam por aqui e por ali lavando a imagem! A guerra do Tundamunjila estava aí! E, era isto mesmo que interessava passar à grande parte de gente, que por nada queria abandonar Angola! Mas, foi sem nada que tiveram de sair, revistados e revirados do avesso.

ÁFRICA0.jpg Lúcio Lara era um dos principais instigadores dos bandos armados juntamente com Iko Carreira entre outros. Os novos governantes portuguese aliados aos novos oficiais de aviário, desejando ser merecedores de créditos para com o resto do Mundo e países de África afirmavam com frequência: - “A transição vai ser feita sem nada se exigir em troca, nem dela retirar sequer um alfinete”. Esta operação de charme foi a visão real de tudo. Nós nem eramos assim importantes como um alfinete! Que poderíamos deduzir destas palavras proferidas por gente que dizia representar-nos?

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Àquela operação de charme, eu diria de merda…! Tudo orquestrado à revelia dos nossos interesses e dos da pátria; e, tudo muito suavemente ou virulentamente aceite pela maioria dos portugueses do M´Puto! Não me cansarei de dizer isto porque é a verdade que sinto, embora incomode muita gente que só agora se diz ter sido enganada! Será!? Uma vergonha sem perdão nem ponto final porque ainda falta muita cuspidela num texto nunca acabado. Já nem interessa fazer-se justiça porque a fzer-se, vai sendo acomodada e demasiado tardia!

luua24.jpgNeto era tão paranóico que só debaixo de gotas ébrias, bêbado se quiserem, dizia algo com agrado e, sempre ficava subjacente em sua aparente preocupação a recear um potencial rival. Estava demasiado ansioso para ser o líder do MPLA, líder da Luua e o presidente de Angola. No dia 26 de Julho de 1974, três meses e um dia após o 25 de Abril, um dia depois da chegada de Rosa Coutinho a Luanda, Neto enviou uma delegação do MPLA a Cuba solicitando a Fidel ajuda económica, treino militar e armas.

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Nesta fase de tempo, Rosa Coutinho diria que os brancos ultra-revolucionários não seriam perigo na marcha idealizada por ele para a independência, afirmava que estes, nem consciência politica tinham para actuar! Que não estavam politizados e apenas queriam continuar em Angola afirmando: “ Os brancos não têm uma ideia concreta do que querem a não ser a segurança das pessoas e seus bens”. Terão de optar pelo Movimento que melhor assegure a sua protecção se os deixarem optar por essa via! E ele, sinceramente, não estava errado naquelas afirmações mas, fez de tudo para provocar a debandada.

nito3.jpg O Embaixador Russo em Dar-es-Salam diria por alturas do Natal de 1974 que «O MPLA não se deve considerar um partido de vanguarda, nem sequer um partido mas antes, uma coligação de sindicalistas, intelectuais e afins progressistas, assimilados ou cristãos de largos segmentos da burguesia luandina» e que tinham os militares portugueses como seus parceiros! Estavam longe da realidade por via de ela andar estonteantemente rápida!

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Pode dizer-se que ainda nem sequer a tinta gasta em subscrever o Acordo de Alvor tinha secado e, já os conflitos eram evidentes em dissidências e confrontações armadas um pouco por todo o território angolano. O acordo de Alvor que viria a ser assinado na Penina pelos três representantes dos Movimentos e Portugal era um documento incongruente devido sobretudo à celeridade da sua feitura. A parte Angolana apresentava um texto mal elaborado e incompleto que suscitava logo à partida a sua exequibilidade mas, a pressa era tanta que superava o demasiado grande!

chipenda.jpg Este texto só por si era um atestado público de incompetência. Aos brancos formam simplesmente postos de lado com a anuência de Mário Soares, Almeida Santos, Melo Antunes e os militares mandatários do MFA, diga-se, todos exímios revolucionários de cartilha vermelhusca práfrentistas. Os brancos não iriam ter qualquer garantia de direito à nacionalidade. Não houve nem sondagem, nem referendo a dar força legal a esta postura. Uma negligente e confrangedora atitude por parte de gente que viria a estar no topo da hierarquia do M´Puto. Aliás, recomendaram às partes manter este capítulo em pasta “secreta”.

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Um bando de incompetentes de alto coturno! Isto não ficou salvaguardado no acordo de Alvor! Foi elaborada uma proposta chamada de Lei Fundamental elaborada em Maio de 1975, seu artigo 9º que estipulava serem angolanos todos os nascidos em Angola e, os não naturais, filhos de mãe e pai angolanos. Isto que foi elaborado só por angolanos, veio a vigorar só até 2014!

neto0.jpg Dos três partidos MPLA, FNLA e UNITA, só este último apresentou a versão de que eram angolanos os que vivessem em Angola há pelo menos cinco anos ou há mais de três anos se tivessem filhos nascidos em solo angolano e os cônjuges, se residissem há um ano no território. Os negociadores portugueses recusaram-se a dar firmeza ao conceito de nacionalidade remetendo isto para os movimentos apos formarem um governo de transição! Mas que filhos da mãe, renegarem seus próprios irmãos e, meterem-nos a propósito numa pocilga de conceitos e preconceitos. A coisa não estava preta… era de pretos! Enfim!...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:56
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Domingo, 7 de Agosto de 2016
XICULULU . LXXXIII
TEMPO COM CINZAS - Constantino enganou-nos impondo ao Império Romano o cristianismo…. o Infinito, Universo e Mundos - O tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre...

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por

ferreira0.jpg CARLOS FERREIRA

Aos meus amigos (as) – 8ª de 12 Partes

carlos8.jpg (...) Enquanto na Inglaterra, Bruno teve uma audiência pessoal com Elizabete I, a quem teria bajulado com superlativos, inclusive chamando-a "sagrada" e "divina", o que serviu, mais tarde, para alimentar seu processo como infiel e herege. Consta porem que a rainha não o levou em grande conta, achando-o rude, radical, subversivo e perigoso, enquanto Bruno considerava os ingleses um tanto primitivos. Suas críticas, no entanto, haviam atraído a antipatia dos mestres ingleses ainda aferrados a Aristóteles, e Bruno se vê obrigado a acompanhar Castelnau de volta quando este é chamado pelo Rei de volta a França em 1585. No caminho ambos são roubados de tudo que possuíam.

carlos13.jpgEm Paris encontrou uma atmosfera política mudada. Henrique III havia revogado o edito de pacificação com os protestantes, e o Rei de Navarra havia sido excomungado. Longe de adotar uma linha de comportamento cauteloso, no entanto, Bruno entrou em polêmica com um protegido do partido católico, o matemático Fabrizio Mordente, a quem ridicularizou em quatro Dialogi, e em maio de 1586 ele ousou atacar Aristóteles publicamente em seu Cento e vinti articuli de natura et mundo adversos Peripatetiso ("120 artigos sobre a natureza e o mundo contra os peripatéticos") proclamadas em junho por seu discípulo João Hennequin em desafio aos doutores da Universidade de Paris.

carlos14.jpgO desafio audaz provoca um tumulto grande e violento. Os católicos moderados então o desautorizaram, em consequência do que Bruno se acha ameaçado de perigos tão graves que se vê obrigado a sair logo da França. Muda-se para Praga (Reino da Boêmia, hoje Checoslováquia), onde freqüenta a corte do rei Rodolfo II, filho de Maximilian II e Maria, filha de Carlos V, Imperador do Sacro Império de 1576 a 1612.

carlos15.jpg Rudolf II, impopular e doente, se diz que nada fez para conter a Reforma ou para evitar a Guerra dos Trinta Anos. Sucedeu seu pai como imperador do Sacro Império Romano em 1576. Sujeito a crises de depressão, deixouciência. Giordano Bruno encontra em Praga um ambiente propício a suas pesquisas matemáticas e astronômicas. Viena, a capital oficial do Império e retirou-se para Praga, onde vivia em reclusão, ocupado com artes e 

cubo8.jpg Não foi o único a beneficiar-se do apoio de Rudolf II. O Imperador haveria de apoiar em 1599 o astrônomo holandês Tycho Brahe cujos trabalhos ajudaram a convencer os europeus ainda duvidosos da teoria de Copérnico, e que, brigado com a Igreja, refugiou-se em Praga. Posteriormente ainda apoiaria o astrônomo Johannes Kepler, que sucedeu a Tycho como matemático imperial do Santo Império Romano em 1601.

(Continua…)

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:08
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Quinta-feira, 4 de Agosto de 2016
CAFUFUTILA . CXVI

NAS FRINCHA DO TEMPO – KIANDA COM ONGWEVA  - 11ª de várias partes…

AS TÁGIDES DE TOLEDOO encontro com Zachaf Pigafetta Roxo, a kianda tetravó de Roxo e Oxor.

Ongweva é saudade

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

lagar2.jpg Com a sensação de começar a penetrar na minha própria inconsciência, enrolando dedos e retesando músculos, cruzei o bairro mouro Albayzin bem cedo; de forma aleatória como um senhor dos caminhos minkisi cruzei ruelas estreitas com aromas de churros; podia ver do outro lado as muralhas e torres de Alhambra envoltas em um manto de verdura. O rio Darro corria na depressão à semelhança dos meus pensamentos que rolavam entre mulheres gitanas, guapas bailando o flamengo em companhia de Aladino e N´si, o guardião negro da terra.

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Januário Pieter, a kianda itinerante da Globália, natural de Cabo Ledo, sítio distante da kalunga ali estava olhando com ar patético, angústias feitas estátuas que só ele sabia decifrar. O Pambu N´jila, ponto de encontro era ali, vendo o cenário das antigas muralhas mouras. Porque era ali que aqueles espaços físicos e místicos se juntavam. Espaços simbis com gente de suko ou alucinados como eu!

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Depois de um grande abraço com os comprimentos habituais, afagando seu muito velho esqueleto, deslizando minhas mãos naquele piano de costelas salientes, lá fomos até a la "Calle Bodegoncillo". Já um pouco encalorado num desce e sobe, entramos ambos em "El Pátio Riconcillo" e, buscamos acento apropriado; o lugar era arejado dando para la "Plaza Nueva" podendo ver mais acima la "Plaza de Santa Ana".

ciga6.jpg As paredes estavam cobertas de cartazes anunciando espaços de "Flamenco" de cores amarelecidas com datas ultrapassadas de eventos tauromáquicos; bestas de bois cornudos e esbeltos toureiros enfiados em apertados fatos vistosos de lantejoulas zurzindo farpas ou bandarilhas coloridas; estavam encaixilhados em madeira sarapintada de minúsculos furos de térmitas, resquícios das pestes de Guernica.

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Surgiu num repentemente uma estranha figura de mustafá carregado de espanta espíritos, um homem de olho azul, talvez tuaregue a vender ternuras na forma de raminhos de alecrim e farrapos enternecidos de recordações. Uma figura muito parecida com aqueles aguadeiros da praça Jemaa el-fnaa de Marraquexe. Fiquei na dúvida se não seria aquela uma miragem e, sem ninguém se aperceber belisquei-me e, era eu mesmo a ver a miragem verdadeira.

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Está na hora de me apresentares Zachaf Pigafetta Roxo disse eu neste entretanto do pré antes do ressurgimento de tal figura, assim um misto de Aladino vestido com um matrafona de capulana e panos de Mobutu, esfinge misturada com mugabe e mandela meio imperceptíveis na confusão de sombras feiticeiras. Mais admirado fiquei quando Januário a Kianda o mandou sentar, o mustafá; Afinal não era ele, era ela, uma mulher radiante de beleza, assim estonteante que se ondulava em imagem, ora era, ora não era nem deixava de o ser, quasequase um holograma falante.

luis32.jpg Era agradável estar ali confraternizando com o passado que, nem sempre foi risonho mas quando Pieter me disse apontando afigura: Apresento-te essa kianda que tanto queres ver Zachaf Pigafetta Roxo…. Eu dei um pulo no meu desassombro, larguei os poemas de Garcia Lorca referentes à guerra de 1937 a 1939 com quadros dantescos no bombardeamento de Guernica e devo ter dado um grito espantado porque num repentemente, todos olhavam a nossa mesa! Melhor…minha mesa!

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Pedi um “café solo” e una tortilha de “manzana” ao empregado que se aproximou depois de oferecer o que quer que fosse aos meus dois parceiros; parceiros que parece que mais ninguém via, só eu! Seria desajustado pedir mais que uma coisa quando afinal eles só me viam a mim! A sala espaçosa estava recheada de quadros sobre esses acontecidos passados como uma galeria de horrores de Granada. Neste recanto em uma cadeira em madeira talhada com motivos da terra, envolto em atrocidades de uma disputa civil entre Nacionalistas de Franco e Republicanos, o instinto perfurou-me de medo. 

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Sentia-se desprender da tela o odor fétido da morte. Meu olhar não se desprendia dos corpos desmembrados em destroços retorcidos, gente e animais espalhados pelos campos; um treino de preparação à grande guerra que viria a acontecer em 1940, Alemães ajudando Franco a tomar o poder. Mas, e agora, tinha de dar a máxima atenção àquela figura tão ansiosamente esperada; aquela kianda tão aguardada e, que me deu um “Buenos Dias” vibrados de suavidade longínqua. Juro que meu corpo abanou do cocuruto às unhas carunchosas como uma folha-de-flandres feita espinha ou coluna…

luis33.jpg Entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, zuniam na minha cabeça legionários às ordens de Franco gritando “viva la muerte” mutilando o meu medo envidraçado de repugnância a todas as guerras. Foi neste então de pensamento e depois de agradecer com “um muito prazer”, consegui balbuciar de mansinho: Estou muito grato por a conhecer, ando ansioso em saber depois de tantos imprecisos episódios e se efectivamente, você é quem é, a tetravó de Assunção Roxo? A kianda fez um ligeiro pestanejar reluzindo comoção, quasequase como um vaga-lume comovido de pirilampo outonal em noite de lua cheia…

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O espanto maior estava por chegar! És tu, o T´Chingange que socorreu minha trineta lá na praia do Guaxuma do Brasil, assim e assado com todos os pormenores de barbatana mais o Zé Peixe num lugar mais a sul de Sergipe, assim com mais edecéteras e virgulas e, curiosamente com um profundo conhecimento de mangues e siris de Aracaju e mais coisas que nem o Mandacaru por certo saberia. Espantado disse-lhe que sim! Era eu inteirinho da Costa, nascido e desfalecido num vapor chamado Niassa.

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Ainda não refeito do espanto comecei a fazer-lhe uma série de perguntas como essa do seu nome ser conhecido hoje como sendo o lago Nyassa e também se ela sabia do desenrolar de toda a estória que nos apanhou em vida numa terra de nome N´Gola e, foram muitas as perguntas e interjeições com muxoxos de parte a parte! Vamos pôr um ponto nos is! Assim, de rompante!

guerri1.jpgCom o tempo dir-te-ei o que houver para dizer mas não permito que graves nada do que te irei dizer porque não quero de forma alguma alterar o rumo da verdade! O rumo do vosso futuro! Okei disse eu. Okei, rematou ela também como dando por terminada a sessão do dia! Perfeito, vamos aguardar! Disse eu… e assim ficamos naquele dia estival … Sabes! Esta vai ser uma longa estória, disse ele, ou ela… Vou tentar conciliar o sono com o sonho e destringir no tempo, este espaço de fumarada… 

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Glossário:

Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto; kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral; Kamundongo: camundongo, natural de Luanda

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:17
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCIX

TEMPOS PARA ESQUECER 02.08.2016 - ANGOLA DA LUUA IX . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

kianda05.jpg (…) Cada um de nós tem uma lenda! A minha foi preterida por ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada para fugir às realidades da Luua. Para encobrir eventos desonrosos, coisas sem heroicidade, um quarto de hora antes da meia-noite do dia 11 de Novembro de 1975, minha nação, meu barco, levantou âncoras ao largo da Luua. A bandeira do M´Puto era embrulhada num baú dum velho carcamano de colono aonde tiveram de caber todas as ilusões.

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Foi assim que me tornei Niassalês. A bandeira verde-vermelha, tornada num trapo vulgar, estava condenada a criar bolor. Minha nação Niassa fez-se ao alto mar vendo-se de longe os festejos celebrando de forma dantesca o nascimento dum país. Eram tiros e rajadas a fingir de fogo-de-artifício. Já nove meses antes o Sandokam, o Sabata e o Amargoso percorriam Luanda disparando e lançando granadas a eito, matando gratuitamente quem aleatoriamente lhes surgisse no encalço. Estes chefes de grupos populares curiosamente usavam armas oferecidas pelo exército português.

NAMBUANGONGO.jpg Fazia parte da estratégia, no lançar medo, disparar contra montras, estilhaçar as mioleiras ordeiras. Que se saiba nunca foram apanhados pelas NF (Nossa Forças) e, quando isto se verificou ocasionalmente fez baixas nas NF que já não se sabia bem, se o eram. Tudo causado para provocar o pânico, travar a sociedade e espantar os brancos. E a fuga do tundamunjila fazia-se notar no Prenda, Catambor, Cazenga, Bairros Populares, Cuca, Viana, Corimba, Terra Nova, Caputo, Mulemba e, em verdade de todos os bairros periféricos da Luua.  

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Logo a partir de Junho de 1974, começaram a ser infiltradas armas e munições nos musseques de Luanda. Era o Poder Popular a nascer com suas células, fanáticos de Lúcio Lara e Neto, capitães do mato às ordens de Nito Alves e Valódia dos grupos Hoji-ya-Henda; estas armas eram indiscriminadamente entregues a pessoas que as não sabiam manejar. As vítimas eram um pouco de tudo o que pudesse servir de alvo, raivas grandes e pequenas com negros, brancos e verdianos. As mortes foram tão abundantes, ao ponto de a casa mortuária já não ter mais espaço; alguns corpos surgiam mutilados, queimados, desfigurados.

brig4.jpg Neto, líder do MPLA afirmava que os portugueses não deveriam ser designados como comunidade branca por não constituírem um grupo coeso, nem terem direitos especiais na realidade pós-colonial. Seu parceiro Rosa Coutinho corroborou em tal posição afirmando: “Os brancos se quiserem ser ouvidos, filiem-se num dos movimentos”. Estas afirmações de Neto estavam bem perto da realidade porque os Tugas tinham como desporto ir à praia, ir ao cinema, ir à pesca à Barra do Quanza, fazer umas farras de quintal ao fim de semana para noivar a filha e, poucos eram os verdadeiramente politizados. Uns ingénuos!

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Foi mais ou menos isto que aconteceu! Os brancos filiaram-se em um, dois e até três movimentos porque pelo sim pelo não tinham de garantir alguma segurança pelo controlo familiar pois estes pseudomilitares viriam a praticar isso, dai em diante. A caminho do sul ou do norte nas barragens diferenciadas apresentava-se o cartão do militar que surgia a controlar; o camarada recebia uns cigarros, mandava seguir na boa.

paiva4.jpg Mais à frente o irmão mandava parar e com o cartão o mano mandava prosseguir; com os fnelas era igual. Estes para mostrarem sua diferença faziam continência com bater de pés e mandavam seguir desejando uma boa viagem… Havia sempre uns cigarros francês mata ratos, ou Negrita e mesmo caricocos a dar aos zelosos controladores de tráfico e traficantes. Era a gasosa a ser instituída no meio da Luua e arrabaldes; depois generalizou-se juntando uns kumbús de dinheiro macaco: “escudos angolares”.  

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Era já o medo a dominar as emoções, uma técnica persuasiva que entra no subconsciente e, por via de inseguras leis que sempre descumpridas ou alteradas, faziam do MFA uma instituição desajeitada, sem respeito ou credibilidade. Portugal já não era confiável; isto tornou-se uma infeliz realidade que viria a deixar sequelas para todo o sempre. Passados que são mais de 42 anos sinto um certo orgulho por sempre me dizer ser Niassalês e, porque foi o último vapor a abandonar a minha terra, o meu país de ilusão e, que agora, já nem sucata o é. Continuo Niassalês, uma inventação que me tranquiliza.

miss6.jpg Logo à partida, Melo Antunes aceitou que os brancos de Angola não tinham concessão à nacionalidade Angolana; que apenas os nascidos ali, teriam essa prorrogativa! Mas, até aqui, isto lhes foi tirado com o correr do tempo. Os maiores desaforos vinham exactamente dos máximos responsáveis Lusos! Tudo rolha de má cortiça! Savimbi foi o único que retaliou esta medida e, disse querer um período mais alargado para a data da Independência. Portugal, simplesmente se subjugou ao preceito de descolonização do MPLA de Neto.

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E Agostinho Neto disse isto mesmo aos emissários de Fidel de Castro; que não tencionava repartir o poder com outros movimentos nem conceder-lhes condução de áreas estratégicas e os brancos, estavam ali a mais. Todos se moveram em falsidades e o Governo de Coligação de Angola por via do acordo da Penina, viria a ser uma utópica armadilha. Nada mais do que isto!

funa0.jpg Voltaremos aqui mas, entretanto as mortes registadas em Luanda resultavam de tiros disparados por armas do exército português. Isto era demasiado preocupante; era uma traição que ninguém compreendia, ninguém queria aceitar por inaudita. No interior dos Bairros periféricos, suburbanos da Luua haviam já milhares de armas de repetição que, tal como já foi dito faziam baixas nas próprias forças armadas designadas de Nossas Forças…Eram tempos de Rambos matando pokémons, usando a linguagem hodierna…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:42
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Domingo, 31 de Julho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCVIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 29.07.2016 - ANGOLA DA LUUA VIII . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - (haverá um ou outro que ainda pensa ser um SOL).

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

zedu4.jpg (…) Em Angola nada mais havia em como e a quem se acudir. Era irreversível, haveria que fazer caixotes e enviar para qualquer outro lado da terra aqueles pecúlios! O M´puto, definitivamente, estava a abandonar seus cidadãos. Durante uns largos meses só se ouviam marteladas pelos quintais da Luua a pregar baús, tábuas e ripas de mobílias a arrumar o espólio de uma vida, alguns álbuns de fotos e pouco mais. Actualizar o passaporte e ir para um qualquer destino ao desvario, arrumar o resto de suas vidas! Dói muito ter de rever tudo isto com o cérebro inchado de traição com comportamentos de impunidade, um genocídio.

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Os veículos em circulação normal eram apedrejados, os outros, já em fuga para o Sul, Leste ou Oeste e outros até sem qualquer rumo de pontos cardeais, formando comboios como formigas quiçonde, eram interpelados em barreiras por grupos armados; exigiam aos ocupantes dinheiro, cerveja, cigarros e, muitas das vezes só pretendiam mesmo roubar, Agostinho Neto atiçava o povo a maliciar-se, formar quadrilhas do tipo comité de bairros e células de guarda para assim procederem. Passados que são mais de quarenta anos, amigos próximos desmentem-se em defesa daqueles que achavam ser sua protecção, o MPLA. Eles agora têm vergonha de terem acreditado em gente desclassificada e roem a corda da consciência!

zem2.jpg Muitos nem se lembram de nada, dizem! Outros desculpam-se agora, mas sempre que lhes dão uma aberta dizem inverdades para se convencerem! Eu tolero mas não esqueço porque uso isso de compaixão compactada, amarfanhada, coisa que não é muito elaborada em gente que sempre se desmente! É bem uma habitual forma de que todos os dias assistimos em gente amiga, até familiares, para se desvanecerem de culpas; assim como uma autolavagem nos procedimentos passados! E o bom censo diz-nos que devemos relevar porque deus é grande.

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Aquelas barragens nas estradas feitas pelos movimentos, falando às claras, eram para vilipendiar, humilhar o branco e roubar tudo o que houvesse em seu interior. A contestação ao rumo que Rosa Coutinho estava a impor à descolonização de Angola não termina em Outubro de 1974; de forma falaciosa e pensada, surgiam como cortina de fumo a esconder as verdadeiras intenções, outros grupelhos, movimentos ditos cívicos, inventados para aparentar entendimento com o MPLA de Agostinho Neto.

valentina5.jpg A junta da CCPA, Coordenadora do Programa do MFA para Angola, era em verdade o cérebro de todas as falácias, mentiras e afins e, a seu mando foram mobilizados cidadãos para fazerem raptos ao estilo da Gestapo. Os bandoleiros que praticavam estes actos tinham gente do PREC no comando. Tudo era feito no engano e, sempre os militares que deveriam actuar, nunca eram suficientes para enfrentar estes nos desacatos fabricados, cisa pensada nas células daquela junta do Almirante Vermelho.

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E, note-se que nem os próprios lideres dos movimentos da FNLA e da UNITA, representativos do povo, como se fazia crer, eram conhecedores da tramóia. No encontro de NF (Nossas Forças… supostamente FAP) com Savimbi em Cangumbe, na assinatura do cessar-fogo, para término das hostilidades, Savimbi, reafirmou que a coexistência entre os três movimentos, seria incompatível com a transferência imediata da soberania.

zem4.jpg Que o período de transição deveria ser de três a cinco anos. Este era o guerrilheiro que via mais longe mas, não descortinou a armadilha e, até mesmo alguns dos interlocutores das NF do FAP, deste encontro militar, a saber Silva Cardoso, Ferreira de Macedo e Altino de Magalhães, Pezarat Correia entre outros, não sabiam que estavam simplesmente a serem uns joguetes laranjas para da cara de veracidade ao processo! Alguns destes, os mais verticais, disseram mais tarde terem sido manipulados.

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Tudo, não passou de uma deslavada traição; encostar estes cérebros do acto ao paredão da Justiça deveria ser exigido porque daqui resultou um genocídio claro e premeditado; qualquer desculpa sairá sempre esfarrapada. A bandeira dos generais de aviário era outra e decerto que tinha muitas caveiras cruzada. O tempo confirmou isto! Não queiram lavar isto com produtos que tudo ficará mais tóxico. Mas, ao invés de tudo o dito, os credenciados das NF foram condecorados, enaltecidos pela imprensa, pelo povo do M´Puto; triste farsa! Mas que meda de descolonização!   

zé peixe9.jpg Em Cabinda o processo foi ainda mais rápido. Em finais de Outubro de 1974, o Almirante Vermelho Rosa Coutinho disse: “houve a tomada do poder em Cabinda por elementos das FAP aliados ao MPLA, destituindo e fazendo prisioneiros o governador Themudo Barata e o Capitão do Porto de Cabinda”. O Comando do Sector Militar foi “revolucionariamente” assumido pelo Tenente Coronel Oliveira, Comandante do Batalhão do Belize. Este simplesmente informaria que o Estado-Maior e o Brigadeiro Themudo Barata tinham sido depostos do Comando por “ vontade dos sublevados do Belize”. koméquié !? (palavra revolucionariamente inventada nesta agora por mim!) …

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Estes, eram não mais que os efectivos do Exército, das NF, exército metropolitano (do M´Puto), ocupando posições chaves, pontos estratégicos de cabinda com uns quantos militares do MPLA. Tudo isto para contrariar N´Zita que julgava ter “carta-branca” do governador Brigadeiro Themudo, a fim de formar um exército com as Tropas Especiais (TêÉs).Em 29 e 30 de Agosto já tinham entrado em Cabinda 200 elementos do MPLA para “conquistar Cabinda, desactivar o tal exército (FLEC) de N´Zita e instalar ali no interior o seu Estado-Maior. Tudo isto foi urdido desactivando o embrião da FLEC.

silva2.jpg Em finais de Outubro as FAPLA do MPLA, sitiavam a cidade de Cabinda. Note-se que aqueles 200 elementos chegados ao enclave foram municiados, fardados e alimentados no bivaque do Dinge, com a supervisão e ajuda das NF das FAP. Isto foi afirmado e está algures escrito por Manuel Figueiras um capitão Comandante da Companha daquele povoado do Dinge.

soci0.jpg Note-se que o governador citado Themudo Barata, foi maltratado e preso por um furriel  enquanto o Comandante dos Serviços da marinha foi preso por elementos do MPLA. As comunicações com o exterior foram cortadas de imediato, ocupados os Correios e assaltada a sede da FLEC com a completa destruição de mobiliário e, queimados todos os papéis.  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:50
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Sábado, 30 de Julho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCVII

TEMPOS PARA ESQUECER09.07.2016 - ANGOLA DA LUUA . VIINesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - (haverá um ou outro que pensa ser o SOL).

Por

soba02.jpgT´Chingange

valentina0.jpgTambém, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando em capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade do que foi a guerra de tundamunjila (do espantar - do vai-te embora!). Na percepção parcial das vitais contingências, tecidas e compostas nas mentirosas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, por fortuitos efeitos que nos determinam o futuro: o agora!

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Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar as gigantescas presenças de feridas mortais. Daí abrirem-se gavetas com choros ranhosos, ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Dói ser traído por nossos irmãos…

valentina3.jpg E, infelizmente, até sabíamos estar quilhados até os tornozelos mas, só agora podemos ir dum extremo à direita ao outro da esquerda; agora há falas bonitas p´ra boi dormir, muito roubo e corruptos à solta! Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram à terra de M´Puto, de novo volto a abrir o postigo da memória antropológica sem romance condescendente e, sem alvoroçar os espíritos que omitiram as leis não cumpridas.

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Falarei duma terra que tudo tinha para ser de promissão - Angola! Na nossa vida, com os afins descobertos hodiernamente em pegadas politólogas e, como se fossemos monstros colonialistas, surgem cheiros encarquilhados misturados quase na leitura de carbono e eteceteras complicadíssimos… Cada um de nós foi o que foi por uma coisa que dizem ter sido pequena, assim como dum primeiro choro! Mas outros choros que se lhe seguiram e, como um risco feito no chão, não nos permitiram escolher o dedo ou arado, nem por onde fazer os regos que por coisa pouca, assim dizem … mudou nossas vidas.

valodia.jpg A tropa fandanga da FNLA ateava fogo a tudo e, já no mês de Outubro de 1974, um total de quinze fazendas tinham sido devassadas. Por vezes os grupos nem eram identificados; de noite, gente furtiva atirava para os carros que se aventuravam a circular. Da CCPA - Comissão de Coordenação do programa do MFA para Angola, pouco ou nada se via fazer de ter agora notoriedade, tudo pelo contrário, salvo raras e honrosas excepções.

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A Câmara Municipal de Luanda foi tomada de assalto por militantes brancos, mestiços e pretos do MPLA que numa mascarada sem algum primor a enaltecer, apresentaram uma moção com vivas ao seu movimento alegando destituição da Vereação, hasteando a bandeira daquele grupelho que, feito chusma, a substituiu pela bandeira portuguesa. A este procedimento foi dado um alarde heróico na Rádio Voz de Angola: “ Um momento histórico “ afirmavam a cada minuto derramando coisas nunca escutadas.

luuan1.jpg A rádio já estava nas mãos dos PREC`s guedelhudos idos da metrópole, todos embebedados ou enredados num ideário de ché com “vida ou morte”, como se tudo isto tivesse um lado romântico…Dentro da sala da Vereação, cantaram o hino do MPLA. Notoriamente eram acções propositadas e permitidas pela tal CCPA. Quase posso jurar que as ideias tenham saído daquela pseudo instituição, desses generais de aviário levados às pressas para Angola a contrariar qualquer reacção dos brancos. Generais que hoje recebem chorudas reformas, meio escondidos na sombra, brincando como pokémons.

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E, dos já defuntados, ainda legam às famílias benesses da revolução de túji da qual deveriam ter vergonha. Alguém até hoje falou em ressarcir-nos? Antes pelo contrário, gozam do nosso legado, contas e tractos entre mwangolés corruptos, generais da gasosa. Efectivamente as reacções não foram as correctas e até aqui parece ter havido a mão comuna camuflada no como de se fazer! Eles tinham lido todas as cartilhas de revolução! Não sou só eu a pensar deste modo, porque as evidencias já nesse então, se viam serem demasiado torpes.

luuan2.jpg Nesse mesmo dia e pelas 19 horas e perante Pezaret Correia, o frentista da comissão organizada “had hoc” deu andamento ao processo (lembre-se PREC). Nessa mesma noite Rosa Coutinho, o almirante de Túji, vermelhusco, exarou um despacho com a exoneração do Executivo Camarário. É óbvio que tudo isto tinha sido orquestrado por este vermelho ao serviço do MPLA. Ninguém o travou como deveria! O homem do pingalim, das luvas, do monóculo, da petulância, foi vilipendiado - um galo vaidoso…

luuan3.jpg O arquitecto das rotundas da Luua, Troufa Real, branco e residente em Luanda, estava nesta leva de gente afecta ao MPLA. Registe-se qui o que este arquitecto funcionário daquele Município disse aos microfones da emissora Voz de Angola: - “Fora com a Vereação” e, dirigindo-se à turba convidou-os a tomarem aleatoriamente ou simbolicamente aquela sala nobre. E continuou: “Isto é vosso - o povo é quem mais ordena” - viva o MPLA”… estranho que os mwangolés actuais não tenham erigido uma estátua a esta trágica figura que creio estar agora e também com uma reconfortada aposentação no M´Puto…Quem o vir por aí faça-lhe um carrinho-de-molas à maneira.

luuan4.jpg Após aquele acto de bandalheira e punhos no ar, os manifestantes retiraram-se para fora do salão substituindo antes a moldura do General António de Spínola, o come-futuros, colocada no topo da sala pela foto de Agostinho Neto. No meio daquela turba alguém disse: “ Agora é a nossa vez de fazer mulatos, ter carros e morar no asfalto”. Neste esboço de rebelião o MPLA e o MDA (Movimento Democrático de Angola) assumiram na rádio essa sua postura. Neste estado de coisas e, sabendo de antemão terem o apoio tácito, técnico e afins da CCPA, quem poderia controlar quem? Num ápice, tudo ficou irreversível, sem ter passado pelo provável.

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:24
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Sexta-feira, 29 de Julho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCVI

TEMPOS PARA ESQUECER  … 29.06.2016 - ANGOLA DA LUUA . VI

… O Mundo sempre andou mentiroso - Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando em capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade (Não há meias verdades). Na guerra de tundamunjila

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

cari2.jpgEm Outubro de 1974, no Norte e no Leste de Angola eram diariamente registados incidentes com vítimas mortais, actos de vingança contra capatazes ou gerentes de fazendas e trabalhadores em geral. No Uíge (Carmona) assistia-se ao fenómeno de bandalheira com os soldados da FNLA atirando a gosto para o ar, sem qualquer aparente motivo, homens fardados e armados com espingardas de repetição. Ao longo das estradas do Norte como as de Quissesse e Songo, podiam ver-se centenas de famílias de bailundos escorraçados das fazendas de café ocupadas por soldados do ELNA (exército da FNLA) maioritariamente quicongos a falar francês; uma tropa fandanga.

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Ateavam fogo a tudo! Só neste mês de Outubro, registaram-se um total de quinze fazendas ocupadas por grupos, nem sempre identificados; faziam ataques contra madeireiros, seviciando-os e queimando-os tornando-os irreconhecíveis! As fontes de riqueza dos brancos e de negros não colaborantes eram vandalizadas, o gado morto a tiro ou catanada; os saques passaram a ser uma rotina. Usando petróleo regavam os produtos tais como batatas, mandioca, feijão e café ateando fogo em seguida; os bailundos eram mortos a sangue frio. Diga-se em verdade ter sido a etnia mais sacrificada, a mais sofrida em toda a pré-guerra de Angola. Era a guerra do tundamunjila (de dar o fora).

luis20.jpg Os movimentos com seus braço armados, por toda a Angola e, inicialmente em suas áreas de influência e sem coordenação visível, faziam barragens nas estradas supostamente para controlar, devassando, partindo louça, pisoteando sem jeito e ou retendo géneros e aprisionando coisas que poderiam ter algum interessa para eles. Podia ver-se pseudo-soldados completamente embriagados ou drogados pegando nas armas de qualquer jeito. Eles não tinham noção de como funcionavam as armas que empunhavam. Eram nitidamente bandos de drogados. Não sabiam o que era uma culatra ou o cão da mesma…

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Em uma viajem que fiz de Nova Lisboa (Huambo) a Luanda com minha sogra idosa, em uma destas barragens feitas por gente do MPLA e, indo eu na carreira da EVA e, em Muquitixe, fizeram alto, mandaram sair todos os passageiros e ali ficamos encostados a um casebre já arruinado com guardas armados atá aos dentes apontadas a nós. Um dos militares estava tão drogado que pegava a arma de cano longo com o gatilho virado para cima. Revistaram tudo e valeu-nos um furriel mestiço que seguia connosco, que se identificou como sendo do MPLA e por fim mandaram-nos seguir!

mcaco.jpg Reparei no percurso, que o Dondo estava literalmente abandonado, as quitandeiras vendiam peixe seco e bolachas, únicos alimentos que se podiam comprar! Depois vi Cassoneca, Colomboloca, Zenza do Itomba, Maria Tereza maioritariamente incendiadas, gente deambulando por ali, bandeira do MPLA hasteada aqui e ali, tropa meio fardada aos magotes fazendo coisa nenhuma. Nenhuma indicação de comércio a funcionar! Foi a imagem desta viagem que me convenceu de que tudo estava perdido! Eu vivi este drama; ninguém me contou!

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Nas barragens militares podiam ver-se os homens em cima das fordes ou chevrolletes seleccionando o que lhes convinha! Isto fica! E jogavam ao camarada. Isto também fica! E o montão de coisas por ali crescia, no pó da terra! E, ai de quem reclamasse, seria sempre de um desenlace imprevisto. Uma humilhação sem qualificação! Melhor assim, diziam com a desilusão de uma vida tornada nada.

maga2.jpg Aqueles homens na maioria sem um comando credível pretendiam apenas roubar, rebaixar. E, se houvesse por um acto de repulsa por parte de alguns militares portugueses, tentando tomar conta da situação, estes eram recebidos a tiro; poderia relatar lugares mas este procedimento era generalizado! Há por aí muitos militares que sabem ser isto verdadeiro. Sabia-se mais tarde que estes exemplares militares da FAP (Forças Armadas Portuguesas) eram substituídos por não serem colaborantes com eles; E, eles eram o grupo do MPLA de Agostinho Neto! Houve oficiais que por se oporem foram presos e recambiados para o M´Puto. Houve oficiais superiores a terem voz de prisão por furriéis cabeludos… Lá chegaremos!... Como admitir isto!?

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Posso assim referir como terras de tundamunjila, Catete, Cacusso, Kassuma, Dondo, N´Dalatando (Salazar), Bula Atumba, Puno Andongo, Bango Azongo, Camabatela, Songo mas, sempre será uma pequena parte de uma longa lista. Os guerrilheiros do tundamunjila usavam nas incursões catanas, G3 fornecidas pelas FAP ou kalashnikovs, mais granadas penduradas a gosto e imaginem uns tubos tipo bazucas! Sei lá, talvez os mona-caxitos. Para quê este disparate! Dá para rilhar o dente, mesmo estando no futuro daquele espaço, quarenta e dois anos depois….

macu5.jpg Em Luanda podiam ver-se militares do MPLA passearem a fazer estilo banga com cintos de munições atravessados ou cruzados e espingardas de repetição, de tambor, longas e curtas e as tais G3 oferta do M´Puto; assim aos ombros, eram autênticos rambos a brincar às guerras. Como é possível, tanta gente ter assistido a tudo e, agora andarem com a língua agarrada aos dentes como se nada se tivesse passado! Gente gerenciando o verbo da teoria do esquecimento. Ando desiludido com muita gente que faz de conta! Como gostam de ser enganados! Oh gente miúda!

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No Rio Seco da Maianga, logo no dia um de Outubro lançaram uma granada para dentro de uma casa matando um cidadão branco! Isto sucedeu também junto da Cruz Verde e no cinema Tivoli no Bairro da Samba. Os automóveis eram apedrejados em andamento e, ou incendiados à porta de casa ou trabalho dos respectivos donos! Pergunto a tantos que nos interrogam: Tinhamos condições de ficar? Fiquem por aí que o grosso da matéria está para vir… Esquecer! Nunca… Pena é a de que olho para trás e, neste caminho, neste carreiro, neste fiote, só vejo a minha sombra e uns quantos, muito poucos que me dão ânimo. A estes, eu digo obrigado!

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
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Domingo, 24 de Julho de 2016
MALAMBAS . CXXXIII

CINZAS DO TEMPO24.07.2016 - Não há maior religião do que a verdade! Somos o que somos enquanto o somos! Assim vamos um dia de cadavez...

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba 01.jpgT´Chingange

kota0.jpg Somos o que somos enquanto o somos! Um destes dias tive de ir tirar análises para verificar o quanto a máquina está em condições de permanecer no espaço-tempo visível e, no ponto actual da curvatura da vida. Após a singularidade foi um tempo em que ainda não havia a tecnologia de hoje a fim de nos observarem por dentro e por fora com uma complexidade de computadores e scâneres radiografando as bordas. Também o comprimento de ranhuras e excrescências anómalas segundo os parâmetros conhecidos.

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A dado momento, e por um soluço indefinido de percalços descontabilizados, somos coisa estendida numa maca e, ali ficamos na mão de técnicos, estagiários e afins com médicos, doutores que buscam na sinusóide o traço mais o traço-ponto do batimento, arritmias e aranhiços tornados bactérias ou vírus e um sem número de infestantes que cohabitam connosco, sem pagar renda, sem nossa vontade; um caroço ali, uma íngua mais uns  raios envoltos em negruras desconhecidas! Ui! Nem sempre dói… venha buscar o resultado dia tal...

kota 2.jpg E, eu que queria ir até aos 333 anos, lá tenho de me conformar por aqui ficar só enquanto Deus ou um seu assalariado quiser, ou permitir. E, lá terei de suportar as agruras exprimidas dos desclassificados políticos de viveiro mais os polícias deitados e os generais de aviário, também sentados, ganhando uma pipa de massa com os nossos descuidos, a impotência em não podermos endireitar a lei, o cassetete, o cassete, um gráfico de multa sorrateira adicionando à desgraça que nunca vem só, desinfeliz dependência de gente incompetente que se arma aos cucos, nos chateiam, nos amordaçam… Como é dificil ser-se kota mais velho...

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Tenho andado a tentar conhecer melhor este Deus que nos dirige sem se amargurar com nossas diabruras, nem as inchadas gravidades de gente com poder. E, perante a ciência quântica tenho de ir até mais fundo no conhecimento para não o subestimar; porque nem sempre parece ser justo com os injustos tomando por base o livro dos livros mais os outros do conhecimento e ainda uns outros, que são apócrifos, só porque alguém assim decidiu e, os encaixotou.

kota1.jpg E, ou porque diziam não bater a bota com a perdigota, ou assim coisa com coisa, como muitas leis que hoje temos; leis feitas em mesas redondas por mentes quadradas e que nos surgem bicudas. Que depois são votadas e nós aqui a gritarmos à toa, pró boneco!... A nossa vida, também ela é uma estória ou uma soma de pequenas estórias que encaixam num Universo sem fim, sem bordos, algo que a nossa compreensão não consegue alcançar de todo pelos muitos paradigmas que ao longo de gerações nos condicionaram o entendimento e comportmento.

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São regras a que todos obedecem porque a dado momento verificamos nada sermos e, na busca do conhecimento ficaremos sempre na incerteza que também é a teoria com que também, os mais sabedores terão de se conformar. Creio estarmos ainda a anos-luz do entendimento crucial do nosso ser, de quem somos e, sem nunca saber o que nos destino o próximo segundo; num dado momento estamos lúcidos a cem por cento e, logo a seguir já só somos um nada em uma outra dimensão.

kota7.jpg Essa é a quinta dimensão que num espaço etéreo, ficará só no sentimento como recordação em nossos mais próximos. Todos temos um ciclo e nele teremos de gozar o real agora, com a alegria de assim o ser; viver na irmandade do amor sincero ou puro, relembrando o resto para a compaixão dum entendimento plausível. Usar o bom senso desamarrando-nos numa constância para além do simples querer.

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Nesta fase de consciencialização, relembro o que nos foi legado pelo espírito de Chico Xavier: Não podemos alterar um triste fim mas, sempre teremos a hipótese de nos propormos a um novo começo. Como proposição, teremos de nos preencher com coisas pequenas para nos totalizarmos na harmonia do consolo; entender as fracturas que a vida nos proporcionou por coisas ou eventos que não nos agradam ver em outros.

kota4.jpg Sempre subsiste a dúvida de não sermos entendidos. Quantas vezes somos duros nas apreciações,  sermos assim dum jeito que nem sempre pode ser apreciado, embora se diga termos sido feitos à imagem de Deus. E, Deus que nem sempre parece acolher-nos, que nem sempre parece estar ali e da forma que queríamos que o fosse.

isabel lacuerda.jpg Naquele um outro dia, coisa recente, estive ao dispor do médico, muito cheio de aparatos que não existiam no tempo do meu avô Manuel Loureiro que morreu novo e tísico vindo do Brasil quando ainda era tão jovem. E, muitos outros se seguiram porque ainda não era conhecida a penicilina, o benuron, a aspirina mais o transístor e o micro-ondas; as ondas electromagnéticas e o domínio parcial do Vírus, das bactérias rondando-nos sem os fortes analgésicos, sulfamidas e antibióticos. Os tempos mudaram e, muito! Coisas boas outras más... Assim vamos, um dia de cadavez...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:06
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2016
MOKANDA DO PUTO. LXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 22.07.2016 …. É por estas e por outras que eu prefiro ir à Tasca do Galo comer uma bruta entremeada regada com um bom tintol da Terra de Lavas...

Mokanda : É uma carta

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

MOKANDA DUM AMIGO … Fui ao gourmet e tramei-me!

gourmet4.jpg Amigo T´Chingange

Tu sabes o quanto eu sou um tipo moderno, também chique, diga-se! Por isso não pude deixar de entrar num restaurante gourmet da moda aqui no burgo de Lxa. Vesti um Armani que comprei num saldo na Baixa da Banheira, calcei umas sapatilhas com uma vírgula estampada que regateei ao cigano e esfreguei-me em meio frasco de Chanel marroquino. Foi assim, cheio de cagança, nossa banga, como mandam as regras dum pelintra luso, que fui jantar ao tal restaurante, gerido por um “chef” reputado e internacional.

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Tramei-me! Antes tivesse ido ao tasco da esquina aviar uma bifana! Confesso que já levei muita tanga, mas como esta, nunca! Passei fome, fui gozado e fui roubado! Sempre achei que cozinhar era um acto de descontracção, de partilha, de alegria, de afecto. Tu bem sabes pelos convívios aí em teu pátio Andaluz a que tu chamas de Pátio Havanero.

abac6.jpg Bom! Eu até deveria desconfiar, porque aqueles concursos gastronómicos das TêVês transformaram as comezainas duma kizomba social sadia, em gratuitas agressões de stressante provocação com lágrimas e depressões. Enfim! Bom! Nós até já temos falado nisto mas, as parvoíces dos mestres cozinheiros da moda deixam-me em pulgas… arranjam pratos estapafúrdios e minimalistas apelidando-os de “criatividade culinária” e por aí…

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Colocaram-me um prato à frente que foi mais difícil de decifrar que as palavras cruzadas do JN ao domingo. Um prato que exibia 5 cm quadrados de um pobre robalo que pereceu inutilmente só para lhe extraírem um pedacito do cachaço, meia batata engalanada com um pé de salsa, e 2 ervilhas a nadarem numa colher de chá de um azeitado molho de escabeche, bem disfarçado com um nome afrancesado que nem vem nos dicionários.

abac3.jpg E, às tantas era uma liça de alto mar ou boga da Ria do Alvor. Para remate, três riscos de uma substância pastosa, estilo Miró, para preencher o restante do prato. Estava bonito, lá isso estava! Mas, o bruto do português, (que não eu, claro) habituado à sua travessa de cozido e ao panelo de feijoada, olha para aquilo, tu sabes, assim com uma cara de parvo capaz de assustar o menino Jesus. Esboça-se um sorriso amarelo ao empregado de mesa, uma melga à nossa volta, tudo óptimo sabes….

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E, enfiam-se dois Xanaxs quando nos metem a conta à frente. A muito custo, cala-se o berro de duas peixeiradas de cumcamano que nos vai na alma e pagas e não bufas! Nunca mais lá volto! E sabes que mais? Sempre é melhor comer aperitivos, como bolinhos de bacalhau e tremoços na tasca do Luís de Fornos de Algodres, que são muito mais saudáveis e muito mais baratos.

mamoeiro.jpgOu o pica no chão de Alguidares de Cima. Isto de encher o cu a pançudos já bastos, basta… Nunca mais, juro! Para ver pintura abstracta, vou à página do teu amigo, Mano Corvo Costa Araújo ou às coloridas flores de Assunção Roxo! Um regalo prós olhos noééé! Para ser roubado basta ir à Autoridade Tributária, vulgo Finanças... Olha, isto serviu.me de lição!

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Mas além de chique, maniento como tu me chamas, deveria ser mais desconfiado! Eu explico: Deveremos sim, de desconfiar destes cozinheiros que têm a ambição obsessiva de ser medalhados pela Michelin, Isso! Essa marca de pneus que agora se bandeou para a gastronomia! Quanto mais não vale esses convívios, tertúlias em teu Pátio Havanero com aqueles refrescantes mujitos com hortelã do teu quintal. Coisas que aprendeste com esse tal de Hemingway … Olha….Só posso ir aí, lá para o fim de Agosto! Um abraço…

Mano Andaluz

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:24
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Terça-feira, 19 de Julho de 2016
MALAMBAS . CXXXII

CINZAS DO TEMPO – 19.07.2016 - Não há maior religião do que a verdade! De novo, com prefácios encavalitados nas malambas do mundo … Hó Deus, vem cá abaixo ver isto!

MALAMBA: É a palavra.
Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

roxo27.jpg Hoje, a velocidade do progresso é tanta que o que se aprende na escola ou na universidade estará sempre atrasada ou desfasada do conhecimento global. Surgem a cada hora novas teorias sobre este ou aquele assunto sem nunca podermos ter a certeza de que realmente essa é a tese certa. Se for mesmo uma teoria, não pode ser comprovada porque é só o que é, uma teoria, e nada mais do que isso! Se essa teoria for coerente, sempre se fazem conjecturas e previsões podendo coincidir com as observações mas, mesmo assim, só poderemos ficar razoavelmente confiantes de que é aquela, a correcta.

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Agora que ninguém domina totalmente o conhecimento humano torna-se impossível manter os conceitos que nos regem nas ditas linhas gerais e, porque as teorias se modificam nas explicações de novas observações, nem tempo há para digerir ou torna-las entendíveis para os demais, sem corrermos o risco de perdermos a nossa liberdade!

Roxo31.jpg Já aceitamos ser enganados porque a mentira se vulgarizou a tal ponto que até nada se diz; preguiçando-nos nas falas, só encolhemos ombros! A mentira engravidou-se tanto que o medo, já nem tem medo do susto nem tampouco do inchaço das palavras mentirosas. As fronteiras da verdade atrapalham o conhecimento, logo agora que o gráfico da genialidade se apresenta como uma linha quasequase vertical. 

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Se considerarmos que a mente tem torpeza, as modernas encavalitaram-se nas antigas tornando a idade do bronze numa coisa pura; a da idade média, uma alternativa e, a hodierna uma falácia. Digo por isso que hoje não há mais fronteiras! A nossa existência não será capaz de compreender uma grande parte das leis que nos governam a nível de país e, nem a nível mundial.
É tudotudo um jogo de interesses que nos defraudam em revoluções que surgem fabricadas, urdidas, mordiscadas ou fabricadas para alterar o curso das coisas, sempresempre para nos lixar, trambicar! Hó Deus vem cá abaixo ver isto! Porquê fugiste tão novo para a casa do Pai?

Roxo32.jpg Agora até os estados fabricam inverdades para lavar a alma, reciclar os débitos e acicatar os créditos. Os Turcos até já fabricam revoluções! Aprenderam bem com os portugueses da leva da abrilada! Que se cuidem os militares e políticos que se deitaram a dormir sem entender que poderiam ser um dia reciclados! Quantas inverdades são necessárias para derrubar um governo? É aqui que entramos na matemática quântica com a “Teoria da incerteza”!

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Com quantos subterfúgios se pode fazer uma revolução? Recorram agora aos Turcos, seus estrategas, seus psicólogos, gentólogos, geniólogos e enólogos para averiguar as misturas certas de safadeza de como virar, fabricar e ordenhar uma revolução. E, olhem que mesmo com base em equações matemáticas não se obterá o desejável sucesso com as gentes se não houver um filho da vizinha perito em minas e armadilhas e coisas de dar volta ao miolo.

roxo33.jpg Já não há conhecimento perfeito de leis básicas para com o relacionamento humano. Nem misturando a química com a biologia se consegue discernir as atitudes maldosas de gente que usa de métodos medonhos a fim de alcançar seus fins! Depois vêm com tretas de que os fins justificam os meios. Não podemos fazer previsões nos resultados prováveis com essa técnica de marqueteiros (de marqueting), da estratégia de criar valor de satisfação e fidelização duns quantos correligionários que subscrevem dignidades vendidas em lojas de satisfação, de partidos e associações ou sindicatos! 

roxo34.jpg Depois! Para quê bater mais no ceguinho… teremos de contentar-nos com este teorema arranjado assim às pressas. “Nossa meta é a compreensão completa dos eventos que nos cercam, assim como de nossa própria existência”. Rebatermos a charneira do nosso descontentamento sem deixar de dignificar os novos potenciais desinteresses, sempre. O mais importante é gerar valores, passando a palavra da nossa pura antiguidade. Afinal, qual é a natureza do Universo?

Ilustrações de Assunção Roxo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2016
MUXOXO . XXXVI

TEMPO COM CINSAS - Sei de antemão que as lágrimas não se cristalizam, quando sempre lamuriamos - A vida, é uma falácia…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

peter0.jpg Por via da curvatura da terra as pessoas a olho nu pouco vêm para além dos trinta quilómetros porque e, a cada quilómetro, a flecha fica cada vez maior e aumenta de forma exponencial. Os marinheiros tiveram de construir nas caravelas e no mastro principal ou gávea, um cesto a que chamaram de carago a fim de avistar mais longe. Nas primeiras viagens os portugueses descobridores, porque só viam terra do lado esquerdo, passaram a chamar a esse lado de bombordo enquanto do lado direito era água, o mar a este e, assim ficou de estibordo.

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Mas, as pessoas e principalmente os matemáticos têm buscado teorias tão subjacentes que nem o nosso entendimento consegue num primeiro repente encontrar uma distinta e plausível formulação consistente. Apenas uns poucos conseguem acompanhar o avanço acelerado da fronteira do conhecimento e, esses têm de dedicar todo o seu tempo especializando-se em uma ínfima área. Há apenas sessenta anos, só duas pessoas compreendiam a teoria da relatividade geral.

peter1.JPG Se formos inteligentes, o bastante, descobriremos um dia que há uma série de formulações que se sobrepõem porque na realidade não existe uma teoria definitiva do Universo mas, apenas uma sequência infinita de teorias que descrevem o Universo com uma precisão cada vez maior. É certo! Os eventos só podem ser previstos até certo ponto e, o restante de tudo ocorre de maneira aleatória e arbitrária, de tal modo que nos levamos a considerar que se houvesse um conjunto completo de leis, isso infringiria a liberdade divina de mudar de ideias e intervir no Mundo.

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Sempre surge um paradoxo mais antigo que nos interroga! Será Deus capaz de criar uma pedra tão pesada que ele próprio não a consiga erguer? E, é aqui que surge a falácia tão vasculhada pelos poetas, pela dialéctica que fazem parecer crer alterando os eventos e as propriedades criadas no Universo por Deus, tal como o tempo. E, dão tempo ao tempo e continuam intemporais, sublimados num enfeitado nada.

peter2.jpg Enfaticamente presume-se que Ele, Deus, sabia o que queria quando o concebeu. A meta dos cientistas é a de formular um conjunto de leis que nos permita prever eventos apenas até aos limites estabelecidos pelo princípio da incerteza, tantas vezes aqui referido! Nesta descoberta de abrindo caixas, ouço o sino das onze badaladas da manhã.

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Lugar do aqui e agora, num sítio de Ferragudo aonde as ondas minúsculas me barulham o pensar provocadas pelos mesmos barcos que outrora saíram ao calhar, descobrindo coisas palpáveis, nosso mundo com malezas e escorbuto que o tempo controlou ou tenta. E reparo na silhueta de casas brancas e cor de terra a se desfazer lá mais longe num manto verde e, mais longe a serra de Monchique envolta em fumo de nevoeiro que lhe dá vida.

peter3.jpg Na outra margem do Arade na perspectiva de outros mastros e outros modernos barcos sem carago, distingo entre muitos ali naquela marina de Portimão, o quanto houve de evolução tecnológica usando o sonar, as ondas artesianas pelos rádios e vertedores de imagens que se cruzam nos ares invisíveis excluindo assim o apito, as sirenes, tudo substituído por um ou mais GPS´s que os conduzem às terras do Piter Pan.

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Somos um laboratório em permanente estágio e, sem uma teoria definitiva que me leva a dizer que se existe alguma coisa de nos levar ao arrependimento, é a de se ter confiado em algumas pessoas que não o mereciam! Mas, até isto passa sem conseguirmos transpor os abismos de um acelerador de partículas de um futuro incerto! Um cenário de energias patéticas que simplesmente neste agora ressoam nas onze badaladas da igreja de Ferragudo…

 O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:37
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Sábado, 16 de Julho de 2016
MALAMBAS . CXXXI

CINZAS DO TEMPONão há maior religião do que a verdade! De novo, com prefácios encavalitados nas malambas do mundo …

MALAMBA: É a palavra.

Por

 

t´chingange 0.jpgT´Chingange

p-brqnq2.jpg Um dia de cada vez, escrevo os lembrados prefácios encavalitados nas arbitrárias e aleatórias recordações daqui e dali, malambas do meu mundo, só para ginasticar a mente. Na Lagoa do M´Puto entretido com a rega das abóboras, o calor a apertar na casa dos 30 graus, vou-me entretendo, apalpando os meus tomates rosa já a pintar de vermelhos. E, esta terra que seca e resseca enquanto o diabo esfrega um olho! Entrando em casa, dou-me conta que este diabo anda à solta, que canta como a cigarra, algures em França; as notícias dadas nas ondas da TV mais a Internet que dão conta dos lamentosos episódios dum filho estupor dum alá desconhecido na raiva.

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Um filho de chifrudo e gritando por seu deus de Alá é grande, deturpando a história do agora, matando ao calhar oitenta e quatro pessoas em Nice de França, cidade banhada pelo morno Mediterrâneo. Os festejos da nação e na forma de fogos-de-artifício de repente, viraram angústia de choros e lamentos ansiosos na melhoria de muitos feridos graves depositados às pressas em improvisados hospitais de campanha. Um camião aos ziguezagues e, a propósito trucidando gente como se fossem minhocas.

p-brana1.png Um rodopio de helicópteros, ruídos de sirenes, gritos perdidos no vazio do desespero, coisas nada agradáveis para um mundo que se desvia de viver na paz. Nos dias de hoje nada parece coerente no espaço-tempo a que os matemáticos dizem ser de vinte e seis dimensões e, não as cinco que aqui refiro vezes sem conta, a saber: largura, comprimento, altura, pensamento e alma. Aquelas outras vinte e uma dimensões extras do espaço-tempo, até que podem ser uma coisa comum no mundo da ficção científica ou alternativas quânticas mas, quem sabe, julgam ser esta, a forma ideal de superar as tantas restrições terrenas.

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Estas muitas mortes em Nice, devem ser um atalho a todas aquelas dimensões extra! E, se estas dimensões que os cientistas dizem existir, por que razão só nos é palpável cinco dimensões espaciais, sendo duas do foro espiritual e, agora, mais vinte e uma extras!? Pois então! Dessas outras dimensões, fiquei sabendo estarem enroladas em um espaço de tamanho minúsculo, algo ao redor de um milionésimo de um milionésimo, de um milionésimo de um milionésimo de milímetro.

p-brana3.jpg E, isso é tão, tão pequeno, que simplesmente, nem percebemos. Ora, se este cenário estiver correcto, é uma má notícia para os viajantes espaciais. As dimensões extras tornam-se demasiado minúsculas para permitir o conceito de roda da história. Tudo se torna um emaranhado de científicos conceitos que nos surgem como um desconjuntado novelo de fios de nylon, rede de pescador que nos leva a presumir que no Universo todas as dimensões são muito recurvadas.

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E, enquanto uns se achatam no espaço, outros volatilizam-se enrolados no princípio antrópico a permitir sermos seres complexos. Tão absorto e envolvido nestes pensamentos sem magnésio, meus electrões escapam-se-me completamente dos átomos e, sem conseguir demonstrar que a teoria das cordas, no mínimo, admita a existência de outras regiões do Universo. Regiões que estejam enroladas nessa quantidade de dimensões efectivas ou afectivas desconhecidas nos seguidores de Alá.

p-brana4.jpg O conceito de que temos dois olhos para observar profundidades sabe-se ser isto certo ao que chamamos de estereoscopia mas, agora teremos de nos definir ser mais que simples partículas que ocupamos um único ponto no espaço. Teremos assim de admitir que também somos cordas e linhas designadas de p-bramas; uma teoria subjacente. É necessário com estes incidentes terrenos como este actual de Nice de França formularmo-nos para além daqueles cinco principais dimensões.

p-brana5.jpg Para onde quer que cada um vá depois de fazer uafa (morte), lá nos encontraremos! Uma velha verdade e meu novo teorema, uma afirmação que pode ser provada como verdadeira, por meio de outras afirmações já demonstradas… Ou um axioma que na lógica tradicional, é uma sentença ou proposição que mesmo não sendo provada ou demonstrada, é considerada como óbvia…

O Soba T´Chingange

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:10
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2016
PARACUCA . XXI

BRASIL - MULOLAS DO TEMPO  - Curiosidades do Império Brasileiro - Fábrica de Letras in Kizomba com histórias da vida … Mulola só é rio quando chove...

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange (Compilação de dados publicados aqui e ali)

VOCÊ SABIA!?

pedro1.jpg Conforme a Biblioteca Nacional, o Imperador pagava empréstimos no Banco do Brasil para pagar suas viagens. Sua tolerância com a imprensa era grande. Hoje, qualquer deputado estadual tem mais regalias com recursos públicos do que a família imperial àquela época. Moralmente, pode dizer-se que houve regressão! Porque em 1880 o Brasil era a 4º Economia do Mundo e o 9º Maior Império da História (1860-1889).

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 A Média do Crescimento Económico era de 8,81% ao Ano (1880). Havia na altura 14 Impostos, Actualmente há 92 - (1850-1889). A Média da Inflação em 1880 era de 1,08% ao ano). A moeda brasileira tinha o mesmo valor do dólar e da libra esterlina. O Brasil nesse então tinha a segunda maior e melhor Marinha do mundo, perdendo apenas para Inglaterra (1860-1889).

pedro2.jpg O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais. Foi o maior construtor de estradas de Ferro do Mundo, com mais de 26 mil Km (1843). Foi o segundo país do Mundo a lançar selos postais, depois da Inglaterra (1840). Somente em 1849 os primeiros selos postais da Alemanha foram lançados no pequeno Estado da Bavaria.

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A média nacional do salário dos professores estaduais de Ensino Fundamental em 1880 era de R$ 8.958,00 em valores actualizados. Entre 1850 e 1890, o Rio de Janeiro era conhecido na Europa como "A Cidade Dos Pianos" devido ao enorme número de pianos em quase todos ambientes comerciais e domésticos.

pedro3.jpg O bairro mais caro do Rio de Janeiro, o Leblon, era um quilombo que cultivava camélias, flor símbolo da abolição, sendo sustentado pela Princesa Isabel. O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de "O Guarani" foi sustentado por Pedro II até atingir grande sucesso mundial. Pedro II tinha o projecto da construção de um trem que ligasse  directamente a cidade do Rio de Janeiro a cidade de Niterói. O projecto em tramita até hoje nunca saiu do papel.

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Em 1887, Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge. Ratificando boatos, D. Pedro II e o Barão/Visconde de Mauá eram amigos e planejaram junto o futuro dos escravos após-abolição. Infelizmente com o golpe militar de 1889 os planos foram interrompidos. Oficialmente, a primeira grande favela na cidade do Rio de Janeiro data de 1893, 4 anos e meio após a Proclamação da República e cancelamento de ajuda aos ex-cativos.

pedro4.jpg Na época do golpe militar de 1889, D. Pedro II tinha 90% de aprovação da população em geral. Por isso o golpe não teve participação popular. José do Patrocínio organizou uma guarda especialmente para a protecção da Princesa Isabel, chamada "A Guarda Negra". Devido à abolição e até mesmo antes na Lei do Ventre Livre, a princesa recebia diariamente ameaças contra sua vida e de seus filhos. As ameaças eram financiadas pelos grandes cafeicultores escravocratas.

amendo3.jpg Outras curiosidades: - 1. O Paço Leopoldina localizava-se onde actualmente é o Jardim Zoológico; 2 - O Terreno onde fica o Estádio do Maracanã pertencia ao Duque de Saxe, esposo da Princesa Leopoldina; 3 - Santos Dumont almoçava 3 vezes por semana na casa da Princesa Isabel em Paris; 4 - A ideia do Cristo na montanha do corcovado partiu da Princesa Isabel; 5 - A família imperial não tinha escravos. Todos os negros eram alforriados e assalariados, em todos imóveis da família; 6 - D. Pedro II tentou ao parlamento a abolição da escravatura desde 1848, uma luta contra os poderosos fazendeiros por 40 anos; 7 - D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que em 17 ele, era fluente; 8 - A primeira tradução do clássico árabe "Mil e uma noites" foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.

pedro8.jpg 9 - D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes; 10 - D. Pedro Augusto Saxe-Coburgo era fã assumido de Chiquinha Gonzaga; 11 - A Princesa Isabel recebia com bastante frequência amigos negros em seu palácio em Laranjeiras para saraus e pequenas festas, um verdadeiro escândalo para época; 12 - Na casa de veraneio em Petrópolis, Princesa Isabel ajudava a esconder escravos fugidos e arrecadava numerários para alforriá-los; 13  - Os pequenos filhos da Princesa Isabel possuíam um jornalzinho que circulava em Petrópolis, um jornal totalmente abolicionista.

pedro5.jpg 14 - D. Pedro II recebeu 14 mil votos na Filadélfia para a eleição Presidencial, devido sua popularidade, na época os eleitores podiam votar em qualquer pessoa nas eleições; 15  Uma senhora milionária do sul, inconformada com a derrota na guerra civil americana, propôs a Pedro II anexar o sul dos Estados Unidos ao Brasil, ele respondeu literalmente com dois "Never!" bem enfáticos; 16 - Pedro II fez um empréstimo pessoal a um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica nativa.

pedro7.jpg17 - A imprensa ridicularizava a figura de Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais, mantinha a total liberdade de expressão e nenhuma censura; 18 - Thomas Edison, Pasteur e Graham Bell fizeram teses em homenagem a Pedro II; 19 - Pedro II acreditava em Allan Kardec e Dr. Freud, confiando o tratamento de seu neto Pedro Augusto. Os resultados foram excelentes deixando Pedro Augusto sem nenhum surto por anos; 20. D. Pedro II andava pelas ruas de Paris em seu exílio, sempre com um saco de veludo no bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enterrado com ele.

A regressão foi só moral?

pedro6.jpg

 *Paracuca de Angola: - 500 gr de ginguba sem ser torrada, 250 gr de açúcar (ou mais), 2 chávenas de água - Preparação: Juntar todos os ingredientes numa vasilha e levar a lume brando. Vá mexendo, sempre, até a mistura ficar solta. Deite num tabuleiro (agitando para ficar solta) para arrefecer.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:37
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2016
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXVIII
ANGOLA .  TEMPO DE CINZAS - VALENTINA MEU AMOR - Altura em que se recrutavam as pessoas ás tantas da madrugada nos musseques, para os levar para a guerra…

Por

maga1.jpg Luís Magalhães - Tem uma caneta Parker 21 espacial. Dessas que levam o homem a gatafunhar acontecimentos da Luua, da Angola que jamais esqueceu … (na guerra do tundamunjila)

valentina0.jpg Eu conheci a Valentina no tempo em que um quilo de batatas custava duzentos escudos,Luanda tinha muitos cortes de água e luz e os géneros alimenticios já não existiam nas lojas.Era também no tempo em que se tinha que ir para a fila para comprar pão e com um pouco de sorte depois de lá estar quase meio dia a gente trazia algum. Estou a falar em Novembro de 1975 !! .Neste mês vi também uma avioneta sobrevoar Luanda a espalhar panfletos da F.N.L.A.onde se podia ler que o Holden Roberto dizia que ia invadir Luanda para exterminar o "Poder Popular", a OMA, as FAPLA e os comunistas e dizia também para a população( portugueses incluidos) para ficarem em casa para assim não serem vitimas do ataque.

valentina.jpg Enquanto isso eu ganhei intimidade com a Valentina uma menina negra com os seus treze catorze anos e logo ali lhe propus uma parceria ao dizer que ela ía para a fila do pão e eu dividia com ela, coisa que ela disse que aceitava, mas eu tinha que lhe dar cigarros,uma coisa que eu disse que não uma vez que ainda era muito menina.Ela aqui olhou para mim com muito respeito e respondeu-me que era para dar ao Pai.Eu como ela sabia de tudo o que se passava na cidade tratei de saber as novidades e , foi assim que soube que os Cubanos já estavam a lutar ao lado do M.P.L.A. e da tropa portuguesa e que o M.P.L.A.andava durante a noite a apanhar os meninos para irem para a frente de combate e que os Cubanos andavam pelos musseques para apanhar as meninas para assim satisfazer os seus desejos.

valentina2.jpg Soube também que no Bairro Golfe,os Cubanos queimaram uma bandeira Portuguesa para lá porem a do M.P.L.A, provocando com isso a ira da população e eles só sairam de lá sob escolta.Tudo isto enquanto se estava á espera da independência de Angola e onde já haviam sinais do futuro negro que vinha por aí abaixo.Quanto á Valentina,continuou no seu á vontade pelas ruas de Luanda e tenho que confessar que havia muita empatia entre nós os dois.

valentina5.jpg Um dia cheguei a casa e não vi a Valentina,que depois de muito a procurar lá me foram dizendo ( foi o Diogo) que os Cubanos a tinham apanhado, a tinham vestido de rapaz,cortaram-lhe o cabelo e a colocaram na frente de combate onde veio a morrer á fome e á sede e com as pernas crivadas de balas que era o modo cruel dos Cubanos actuarem para assim os obrigarem a combater ?. Nesse dia chorei pela Valentina !!

Luis Magalhães in Kizomba com Historias da vida

Foto de uma Historia que nunca se apaga e mesmo que o queiram fazer, está destinado ao fracasso.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:04
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2016
PARACUCA . XX

MULOLAS DO TEMPO4ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, JÁ CHEGOUAVISO AOS “FACEKAMBAS” - Fábrica de Letras in Kizomba com histórias da vida … Mulola só é rio quando chove...

Por

longe00.jpgUdo Gollub em Messe Berlin - (Conferência da Universidade da Singularidade) – Singularidade é o ponto em que a curvatura do ESPAÇO-TEMPO se torna infinita

longe1.jpg Em 1998, a Kodak tinha 170.000 funcionários e vendeu 85% de todo o papel fotográfico vendido no mundo. No curso de poucos anos, o modelo de negócios dela desapareceu e eles abriram falência. O que aconteceu com a Kodak vai acontecer com um monte de indústrias nos próximos 10 anos - e a maioria das pessoas não enxerga isso chegando. Você poderia imaginar em 1998 que 3 anos mais tarde você nunca mais iria registrar fotos em filme de papel?

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No entanto, as câmaras digitais foram inventadas em 1975. As primeiras só tinham 10.000 pixels, mas seguiram a Lei de Moore. Assim como acontece com todas as tecnologias exponenciais, elas foram decepcionantes durante um longo tempo, até se tornarem imensamente superiores e dominantes em uns poucos anos. O mesmo acontecerá agora com a inteligência artificial, saúde, veículos autónomos e eléctricos, com a educação, impressão em 3D, agricultura e empregos. Bem-vindo à quarta Revolução Industrial!

longe0.jpg O software irá destroçar a maioria das actividades tradicionais nos próximos 5-10 anos. O UBER é apenas uma ferramenta de software, eles não são proprietários de carros e são agora a maior companhia de táxis do mundo. A AIRBNB é a maior companhia hoteleira do mundo, embora eles não sejam proprietários. Inteligência Artificial: Computadores estão tornando-se exponencialmente melhores no entendimento do mundo. Neste ano, um computador derrotou o melhor jogador de GO do mundo, 10 anos antes do previsto. Nos Estados Unidos, advogados jovens já não conseguem empregos.

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Com o WATSON, da IBM, Você pode conseguir aconselhamento legal (por enquanto em assuntos mais ou menos básicos) dentro de segundos, com 90% de exactidão se comparado com os 70% de exactidão quando feito por humanos. Por isso, se Você está estudando Direito, PARE imediatamente. Haverá 90% menos advogados no futuro, apenas especialistas permanecerão. O WATSON já está ajudando enfermeiras a diagnosticar câncer, quatro vezes mais exactamente do que enfermeiras humanas.

longe01.jpg O FACEBOOK incorpora agora um software de reconhecimento de padrões que pode reconhecer faces melhor que os humanos. Em 2030, os computadores tornar-se-ão mais inteligentes que os humanos. Veículos autónomos: em 2018 os primeiros veículos dirigidos automaticamente aparecerão ao público. Ao redor de 2020, a indústria automobilística completa começará a ser demolida. Você não desejará mais possuir um automóvel. Nossos filhos jamais necessitarão de uma carteira de habilitação ou serão donos de um carro.

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Isso mudará as cidades, pois necessitaremos 90-95 % de menos carros para isso.  Poderemos transformar áreas de estacionamento em parques. Cerca de 1.200.000 pessoas morrem a cada ano em acidentes automobilísticos em todo o mundo. Temos agora um acidente a cada 100.000 km, mas com veículos autodirigidos isto cairá para um acidente a cada 10.000.000 quilómetros. Isso salvará mais de 1.000.000 de vidas a cada ano.

longe2.jpg A maioria das empresas de carros poderá falir. Companhias tradicionais de carros adoptam a táctica evolucionária e constroem carros melhores, enquanto as companhias tecnológicas (Tesla, Apple, Google) adoptarão a táctica revolucionária e construirão um computador sobre rodas. Eu falei com um monte de engenheiros da Volkswagen e da Audi: eles estão completamente aterrorizados com a TESLA. Companhias seguradoras terão problemas enormes porque, sem acidentes, o seguro se tornará 100 vezes mais barato. O modelo dos negócios de seguros de automóveis deles desaparecerá.

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Os negócios imobiliários mudarão. Pelo fato de poderem trabalhar enquanto se deslocam, as pessoas vão se mudar para mais longe para viver em uma vizinhança mais bonita. Carros eléctricos tornar-se-ão dominantes até 2020. As cidades serão menos ruidosas porque todos os carros rodarão electricamente. A electricidade se tornará incrivelmente barata e limpa: a energia solar tem estado em uma curva exponencial por 30 anos, mas somente agora Você pode sentir o impacto. No ano passado, foram montadas mais instalações solares que fósseis. O preço da energia solar vai cair de tal forma que todas as mineradoras de carvão cessarão actividades ao redor de 2025.

longe3.jpg Com electricidade barata teremos água abundante e barata. A dessalinização agora consome apenas 2 quilowatts/hora por metro cúbico. Não temos escassez de água na maioria dos locais, temos apenas escassez de água potável. Imagine o que será possível se cada um tiver tanta água limpa quanto desejar, quase sem custo.

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Saúde: O preço do Tricorder X será anunciado este ano. Teremos companhias que irão construir um aparelho médico (chamado Tricorder na série Star Trek) que trabalha com o seu telefone, fazendo o “escaneamento” da sua retina, testa a sua amostra de sangue e analisa a sua respiração (bafómetro). Ele então analisará 54 bio-marcadores que identificarão praticamente qualquer doença. Vai ser barato, de tal forma que em poucos anos cada pessoa deste planeta terá acesso a medicina de padrão mundial praticamente de graça.

longe7.jpg Impressão 3D: o preço da impressora 3D mais barata caiu de US$ 18.000 para US$ 400 em 10 anos. Neste mesmo intervalo, tornou-se 100 vezes mais rápida. Todas as maiores fábricas de sapatos começaram a imprimir sapatos 3D. Peças de reposição para aviões já são impressas em 3D em aeroportos remotos. A Estação Espacial tem agora uma impressora 3D que elimina a necessidade de se ter um monte de peças de reposição como era necessário anteriormente. No final deste ano, os novos smartphones terão capacidade de “escanear” em 3D. Você poderá então escanear o seu pé e imprimir sapatos perfeitos em sua casa. Na China, já imprimiram em 3D todo um edifício completo de escritórios de 6 andares. Lá por 2027, 10% de tudo que for produzido será impresso em 3D.

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Oportunidades de negócios: Se Você pensa em um nicho no qual gostaria de entrar, pergunte a si mesmo: “SERÁ QUE TEREMOS ISSO NO FUTURO?”; se a resposta for SIM, como poderá Você fazer isso acontecer mais cedo? Se não funcionar com o seu telefone, ESQUEÇA a ideia. E qualquer ideia projectada para o sucesso no século 20 estará fadada a falhar no século 21. Trabalho: 70-80% dos empregos desaparecerão nos próximos 20 anos. Haverá uma porção de novos empregos, mas não está claro se haverá suficientes empregos novos em tempo tão exíguo.

longe8.jpg Agricultura: haverá um robô agricultor de US$ 100,00 no futuro. Agricultores do 3º mundo poderão tornar-se gerentes das suas terras ao invés de trabalhar nelas todos os dias. A AEROPONIA (http://tudohidroponia.net/aeroponia-um-tipo-de-hidroponia/) necessitará de bem menos água. A primeira vitela produzida “in vitro” já está disponível e vai tornar-se mais barata que a vitela natural da vaca ao redor de 2018.

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Actualmente, cerca de 30% de todas as superfícies agricultáveis são ocupados por vacas. Imagine se tais espaços deixarem se ser usados desta forma. Há muitas iniciativas atuais de trazer proteína de insectos em breve para o mercado. Eles fornecem mais proteína que a carne. Deverá ser rotulada de FONTE ALTERNATIVA DE PROTEÍNA. (porque muitas pessoas ainda rejeitam ideias de comer insectos).

longe9.jpg Existe um aplicativo chamado “moodies” (estados de humor) que já é capaz de dizer em que estado de humor Você está. Até 2020 haverá aplicativos que podem saber se Você está mentindo pelas suas expressões faciais. Imagine um debate político onde estiverem mostrando quando as pessoas estão dizendo a verdade e quando não estão. O BITCOIN (dinheiro virtual) pode se tornar dominante este ano e poderá até mesmo tornar-se em moeda-reserva padrão.

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Longevidade: actualmente, a expectativa de vida aumenta uns 3 meses por ano. Há quatro anos, a expectativa de vida costumava ser de 79 anos e agora é de 80 anos. O aumento em si também está aumentando e ao redor de 2036, haverá um aumento de mais de um ano por ano. Assim possamos todos viver vidas longas, longas, possivelmente bem mais que 100 anos.

longe11.jpg Educação: os smartphones mais baratos já estão custando US$ 10,00 na África e na Ásia. Até 2020, 70% de todos os humanos terão um smartphone. Isso significa que cada um tem o mesmo acesso a educação de classe mundial. Cada criança poderá usar a academia KHAN para tudo o que uma criança aprende na escola nos países de Primeiro Mundo.

As escolha do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:05
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2016
XICULULU . LXXXII

TEMPO COM CINZAS - Constantino enganou-nos impondo ao Império Romano o cristianismo…. o Infinito, Universo e Mundos - O tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre...

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por

ferreira0.jpgCARLOS FERREIRA

Aos meus amigos (as) – 7ª de 12 Partes

bruno8.jpg(…) No De l infinito universo e mondi ("Sobre o Infinito, Universo e Mundos"), ele desenvolveu sua teoria cosmológica criticando sistematicamente os físicos aristotélicos. Argumentava que o universo era infinito e continha um número infinito de mundos, e que estes eram todos habitados por seres inteligentes. Ele também formula sua visão averroísta da relação entre filosofia e religião, de acordo com a qual existe a religião dos ignorantes e a religião dos doutos. A primeira é considerada como um meio para instruir e governar o povo ignorante.

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É um conjunto de superstições contrárias à razão e a natureza, "útil para governar os povos incultos", que é válido enquanto a humanidade não atingir um grau superior de evolução. A religião dos doutos ou dos teólogos, que o processo histórico enriquece, é esclarecida, na qual se integra a filosofia como a disciplina dos eleitos que estão aptos a se controlar e governar os outros.

bruno7.jpg O Espaccio de la bestia trionfante ("Expulsão da besta triunfante") o primeiro diálogo da sua trilogia moral, é uma sátira sobre os vícios e superstições de sua época, e ao pedantismo que encontra na cultura Católica e Protestante. Faz uma forte crítica da ética Cristã - particularmente o princípio calvinista da salvação exclusivamente pela fé, à qual Bruno opunha uma visão exaltada da dignidade de todas as atividades humanas.

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A Cabala del cavallo Pegaseo ("Cabala do cavalo Pégaso"), de 1585, com o anexo "O asno cilênico", é semelhante aos anteriores, porém mais pessimista, inclui a discussão da relação da alma humana e a alma universal, concluindo com a negação da individualidade absoluta do primeiro. Nele faz da religião uma sátira amarga, apresentando-a como "santa ignorância" que condena a curiosidade ímpia da pesquisa, preferindo fechar os olhos, reprovar qualquer pensamento humano e renegar todo sentimento natural, acusando-a de renúncia e proibição do livre exercício do pensamento e da investigação filosófica.

bruno6.jpgÉ uma discussão irônica das pretensões da superstição. O "asno", diz Bruno, pode ser encontrado em toda parte, não apenas na Igreja mas nas cortes de justiça e mesmo nas universidades. No De gli eroici furori ("Dos heróicos furores"), também de 1585, Bruno, fazendo uso da simbologia neoplatónica, trata da obtenção da união com o infinito Uno pela alma humana e exorta o homem à conquista da virtude e da verdade.

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:42
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Quinta-feira, 7 de Julho de 2016
MOKANDA DO BRASIL . V

Por

 serrão1.jpgJorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A Guerra de todos contra todos assume tons apocalípticos no Brasil desgovernado pelo crime institucionalizado. Isto está acontecendo no Brasil !!!

serrão7.png A Guerra de todos contra todos assume tons apocalípticos no Brasil desgovernado pelo crime institucionalizado. Até então praticamente intocável, o Judiciário começa a sentir os efeitos do processo de depuração e da exigência de um comportamento republicano que já vinha forçando mudanças e aplicando punições nos poderes Executivo e Legislativo. O momento exige uma profunda autocrítica dos poderos de plantão. Quem não fizer e mudar vai dançar. O jogo de combate à corrupção contínua sem tendência de trégua - Desdobramentos da Lava Jato podem provocar, em breve, punições inéditas no âmbito do poder Militar como vem sendo, pelo bando do Foro de São Paulo.

serrão6.jpg O Almirante Othon Luiz Pinheiro, em prisão domiciliar, é alvo de mais uma operação oriunda da Lava Jato. O ex-presidente da Eletronuclear voltará para a hospedagem forçada em Bangu 8. O ex-membro do Alto Comando da Marinha tem risco de condenação pela 7ª Vara Federal no Rio de Janeiro. O conselho útil de ligar o "desconfiômetro" vale, principalmente, para Luiz Inácio Lula da Silva. O homem que chegou a ser apontado pela propaganda de marketagem como um dos "Presidentes mais populares da História do Brasil" (superando ou se igualando a Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheh), Lula deveria fazer um auto-exame de consciência para compreender por que se tornou uma das figuras mais impopulares da Nação.

serrão5.jpg Lula cometeu e foi conivente com crimes simbólicos, hediondos e imperdoáveis para um chefe de Estado eleito pelo voto directo popular: mentiu, estuprou a moral, violentou a ética pública, assassinou os sonhos e quase matou as esperanças da maioria dos brasileiros que agora promovem a Revolução Brasileira nas redes sociais e nas ruas. As acções e omissões de Lula contra o Brasil e os brasileiros são imperdoáveis.

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Em actos de lesa-pátria, Lula foi o principal agente consciente da maior sabotagem promovida de fora para dentro contra a soberania, a política e a economia do Brasil. Por tudo de errado que fez, Lula não tem o direito a cometer a cara de pau de escalar advogados pagos a peso de ouro (de onde vem o dinheiro?) para tentar desmoralizar a Operação Lava Jato e seus desdobramentos.

serrão4.jpg Lula não tem moral para pedir que o juiz Sérgio Fernando Moro reconheça sua suspeição para julgá-lo. Lula não dispõe mais de legitimidade política para colocar em dúvida a imparcialidade de Moro. O cínico comportamento, só agrada seus fanáticos seguidores. A maioria dos cidadãos conscientes não quer mais saber daquele que o tórrido humor do País das Olimpíadas reduziu, simbolicamente, à figura do "Pixuleco" - um bonequinho de plástico com a roupinha de presidiário número 13-171.

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Os advogados Roberto Teixeira, Cristiano Zanin Martins e José Roberto Batochio - que defendem Lula - querem matar o Brasil a rir! Só pode ser piada, eles escreverem que Lula “não teme ser investigado nem julgado por qualquer juiz: quer justiça e um julgamento imparcial, simplesmente”. Mais engraçado ainda (para as branquinhas do Lula) é insistirem com a tese de que actuam “em defesa do Estado Democrático de Direito e dos valores a ele inerentes, como o direito ao juiz natural e imparcial e à presunção de inocência”.

serrão3.jpg Dificilmente, o juiz titular da 13ª Vara Federal em Curitiba vai se considerar impedido de julgar Lula. Certamente, a manobra protelatória dos defensores de Lula vai parar no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A tendência é que os desembargadores federais não mexam com Sérgio Moro. Assim, a reclamação deverá seguir para o Conselho Nacional de Justiça e terminar no Supremo Tribunal Federal - onde a maioria dos ministros foi nomeada pela dupla Lula da Silva e Dilma Rousseff. Actualmente, não há condições jurídicas, políticas e muito menos morais para que o STF tome uma decisão contra Moro, para salvar Lula. Os 11 deuses do Supremo sabem que o Brasil vem abaixo se isso ocorrer.

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O Judiciário está na berlinda. O desembargador Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, foi moral e eticamente obrigado a se declarar suspeito para actuar nos casos que envolvem o ex-director da Delta Fernando Cavendish. O membro do TRF-2 aceitou pedido feito pela procuradora regional da República, Monica Campos de Ré, que alegou laços de amizade entre o magistrado e o advogado Técio Lins e Silva - um dos defensores de Cavendish. O Tribunal decidirá, no próximo dia 13, se mantém ou reforma a decisão de Athié em manter a prisão domiciliar dos envolvidos na recente Operação Saqueador.

007.png Tudo que acontece agora é resultado directo dos princípios de livre divulgação de informações processuais e da transparência adoptada como procedimento-padrão pela Força Tarefa desde o começo da Operação Lava Jato. Trata-se de um exemplo inédito - até no dito "mundo civilizado".

serrão2.jpg A sociedade brasileira passou a conhecer como não funcionam direito os poderes republicanos. As mudanças ocorrerão a partir de um amplo debate sobre o certo e o errado, o justo e o injusto, o moral e o imoral. O embate, em busca de democracia nunca achada por aqui, deve transformar o Brasil em um País muito melhor para as próximas gerações. A cidadania consciente, em processo de construção para atingir hegemonia, é que vai punir Lula e outros mais ou menos votados pelos crimes simbólicos que cometeram contra o Brasil.

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:10
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCV
TEMPOS PARA ESQUECER - ANGOLA DA LUUA . V24.06.2016 - O Mundo sempre andou mentiroso - Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em …  estórias, embora aumentando em capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade (Não há meias verdades).

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

carlos9.jpg Porque a relatividade geral não permite a viagem no tempo para a frente ando encafifado nos espaços-tempo mais razoáveis e que o Nosso Senhor permite: viajar no passado! E assim como cordas cósmicas de velocidades sem comprimento visível mas, de secções transversais elásticas ou variáveis. O homem de borracha da ficção, que tanto me trabalhou a mente em pequeno, pivete e candengue, cabia nas fechaduras e nas frestas mais apertadas e labirinticamente complicadas. Estas cordas são mais elásticas em uns do que em outros; falo de gente com cabeça e dois olhos e um cérebro com todo o abecedário e miudezas.

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As tensões destas cordas da mente ou cósmicas são diferentes em cada um de nós mas há quem use permanentemente um fecho ecler para não dizer disparates, incongruências e outras asneiras. Quem não fala não erra, essa é uma não verdade porque o pensamento não corre do mesmo jeito jeitoso e, porque analisando e fazendo triagem das atitudes saberemos por A menos B que ele ou ela pensam dum jeito tal! Que são comunistas ou progressistas!

kani1.jpg Que o digam os psicólogos que usam esta tecnologia de eliminação; assim se não é mau, só pode ser bom! Se não é do Benfica será do sporting! E, por aí… Lá pela décima pergunta que nos façam, já sabem nossos gostos e desgostos! Assim considerando isto como uma corda cósmica sem termos motivos para acreditar, iremos supor que na abundância de nossos pensamentos talvez Deus nos tenha proporcionado um universo dobrado. É por isso que prefiro ver-me como uma ficção, quebrando a simetria dos eventos e das perspectivas; uma característica de gente complicada… diz-se!

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Posto isto como introdução lá vamos de novo ao passado a recordar que em 1974 e em Luanda, capital de Angola, foi decretado o recolher obrigatório mas, a população branca em sua maioria recusou-se a cumprir. Houve passeios de automóveis com buzinansos feitos por taxistas e comerciantes! A FUA, partido dos brancos, nasceu já encostado às intermitências da morte com uma corda de sisal a fazer de cordão de enforcado e, tendo a ele pendurada um medalhão de traidor; aliança táctica ao criador de “a victória… é certa”

camionista1.jpg Seu líder Fernando Falcão, não mostrou ter atitudes concretas na defesa de suas supostas pretensões; não duvida que isto tivesse sido, ou que o foi mais concretamente, uma manobra de diversão orquestrada no sentido de imobilizar a etnia branca. Como se diz popularmente “nem faz nem sai de cima” mas, finge ser macho - Arre égua! No mês de Julho de 1975 os números oficiais indicavam ter havido 52 mortes e mais de duzentos feridos no perímetro urbano da Luua.

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Circulavam rumores de que os negros sairiam dos musseques para desacatar os brancos! Entretanto, durante quase as 24 horas do dia ouvia-se o matraquear de pregos selando caixotes; já ninguém acreditava naquilo! E, aquilo era a Junta de Salvação Nacional, o Alto-comissário e os muitos militares abrilistas. O médico tal já seguiu para o M´puto, o vizinho deixou de se ver; também foi! A dona Micas, a costureira seguiu para o Sul, foi para casa de familiares. Começava a debandada! O PREC, processo em curso estava a funcionar.

mocanda11.jpgFernando Falcão da Frente Unida e mentirosa duma suposta unidade angolana, tomou posse do executivo fantoche dum tal governo que logo no dia seguinte, 13 de Setembro de 1975 anunciava que o banco de Portugal, o banco de Angola o banco Ultramarino seriam propriedade do Estado! Mas qual estado!? Os últimos bailundos trabalhadores das roças do norte regressavam às terras do sul.

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Os ataques às fazendas eram o dia-a-dia. A debandada já tinha tido início com comboios de viaturas a fugir para sul e sempre acossados por guerrilheiros mal enquadrados, soltos ao seu contento; e, nem sempre eram militares da FNLA ou o MPLA pois campeava a maior das desorganizações! Coisas imagináveis. Revistas a viaturas, extorsão de gasosa a troco de nada ou duma suposta segurança ou até mesmo um cigarro!  

luis33.jpg De propósito quebravam coisas, usando um qualquer pretexto para mostrar prepotência de mando; gente impreparada para se gerir a si, tomando rédeas de áreas desprezando qualquer conceito, qualquer justificativa. Com o tempo, esta prática de controlo nas estradas estendeu-se a sul a áreas da Unita dando azo a arbitrariedades monstruosas; Num ápice já eram todos os movimentos a criar barragens para pedir, para amesquinhar, desmoralizar e roubar. Eu vi isto! Ninguém me contou.

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Traineiras fizeram-se ao mar rumo a sul, Namíbia seguindo a rota de terra-à-vista. As padarias já não tinham pão, não havia médicos nem enfermeiros e as repartições ditas estatais ficavam às moscas! A carne foi desaparecendo e os talhos fechando! De repente já faltavam roupas e os armazéns eram arrestados por turbas desordenadas; partiam ou queimavam coisas produtivas; tudo bem planeado, como ditam os manuais de insurreição… Os militares nunca estavam por ali, estranhamente!

dyo2.jpg Como bandos de formiga quiçonde cada cidadão, famílias inteiras tomavam o seu desnorte largando tudo, casa, carro e animais… Entretanto os rebentamentos estendiam-se aos bairros da Samba, Maianga, Maculusso, Coqueiros, Cuca, Bairro do Café, enfim, bairros centrais. Como seria possível ficar assim a ferro e fogo, sem escolas, sem farmácia, sem abastecimento de víveres já quase inexistentes.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:51
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Terça-feira, 5 de Julho de 2016
XICULULU . LXXXI

TEMPO COM CINZAS - Constantino enganou-nos impondo ao Império Romano o cristianismo…. "O Banquete das Cinzas" - O tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre...

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por

ferreira0.jpgCARLOS FERREIRA

Aos meus amigos(as) – 6ª de 12 Partes

ferreira1.jpg Giordano Bruno: a metafísica do Infinito … Filipe Bruno nasceu em Nola, Itália, em 1548. O nome com que ficou conhecido, Giordano, foi-lhe dado quando, ainda muito jovem, ingressou no convento de São Domingos, onde foi ordenado sacerdote, em 1572… Depois de extenuantes e desumanas tentativas de convencê-lo a retractar-se de algumas de suas teses mais básicas e revolucionárias pelo método inquisitorial, Bruno é, por fim, condenado à morte na fogueira a 16 fevereiro de 1600.

ferreira15.jpg (…) Seguindo deduções tipicamente aristotélicas, diziam os mestres escolásticos que, se a terra se movesse, as nuvens seriam deixadas para trás, as folhas mortas voariam sempre no mesmo sentido; uma pedra solta do alto de uma torre se afastaria do pé da torre. A esse pensamento juntava-se a concepção de que, exceptuando-se o movimento circular uniforme, impresso por Deus aos corpos celestes, todos os demais movimentos são imperfeições, constituindo transgressões ou reparações de transgressões da ordem divina.

ferreira16.jpg A refutação de Bruno a esse argumento, em "O Banquete das Cinzas", é que a terra e tudo que nela se encontra formam um sistema. Os objectos de um navio se movem com ele. Do mesmo modo, as nuvens, os pássaros, as pedras são levados com a terra. No mesmo diálogo ele se antecipa ao seu colega italiano o astrónomo Galileu Galilei sustentando que a Bíblia devia ser seguida pelos seus ensinamentos morais e não por suas implicações astronómicas.

ferreira14.jpg Ele também criticou fortemente os costumes da sociedade inglesa e o pedantismo dos doutores de Oxford. Em “De la causa, principio e uno” (também de 1584) ele elabora a teoria física na qual estava baseada sua concepção do universo: "forma" e "matéria" estão intimamente unidas e constituem o "Uno". Assim o tradicional dualismo dos físicos aristotélicos foi reduzido por ele a uma concepção monística do mundo, implicando a unidade básica de todas as substâncias e a coincidência dos opostos na unidade infinita do Ser. Bruno é animista.

ferreira4.jpg Em sua filosofia o universo é um sistema em permanente transformação, um todo no qual nada existe imóvel. Não apenas um movimento mecânico e passivo, segundo as leis da física, mas um movimento anímico que o faz transformar-se permanentemente. Tudo que existe, estaria reduzido a uma única essência material provida de animação espiritual.

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O universo não é finito e limitado como pretendia a concepção medieval, mas infinito e ilimitado. O universo, não contem apenas o nosso sistema (nosso mundo) mas um sistema de mundos infinitos que nascem e decaem movidos pela divina força universal. Existiriam possivelmente inumeráveis mundos habitados.

ferreira8.jpg Sendo Deus, criador do mundo, necessariamente um ser infinito; seria contraditório que a uma causa infinita não correspondesse um efeito infinito. O universo, pois, como efeito de uma causa infinita não pode conceber-se senão como infinito.

(Continua…)

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:44
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Domingo, 3 de Julho de 2016
MUXOXO . XXXV

TEMPO COM CINSAS - As verdades parecem estar sempre armadilhadas…Só sei que as alcachofras ajudam o sistema digestivo!…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

apocri5.jpg A possibilidade de viajar no tempo permanece em aberto mas, não quero insistir nisto porque não posso apostar com Deus; não sou nada para obter vantagem com ou no futuro que só a ele pertence. É bom que assim seja porque do contrário não haveria vida na terra, nem a escassa hipótese de se poder ir para o céu do cosmos por não temos connosco o livre arbítrio de decidir. Tanta gente a não querer morrer …e, morre! Infalivelmente!

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Encafifado e, sem esse livre arbítrio, resolvo-me nos paradoxos de viajar no espaço, dando hipóteses a estórias alternativas que sempre diferem dos registos possíveis e, até demasiado banais. Deste modo posso agir livremente sem as limitações de coerência com o prévio. Um desafio de traição ao senso comum ou usual. Todas essas criações entrelaçadas com muitos outros eventos, tornando-se prováveis ou mesmo possíveis; um jogo bem difícil e sujeito a muitas críticas nas melhores previsões.

apocri4.jpg Já disse algures que o Universo tem muitas histórias; não é correcto dizer-se ter só uma e até podemos formar um ou mais cenários com intuições diferentes, embora equivalentes. Progride-se assim no encontro de teorias parciais que descrevem um espectro limitado de acontecimentos negligenciados ou outros efeitos com determinadas aproximações. Se assim não fosse, não haveriam escritos apócrifos

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E, considerando as normas jurídicas, um documento apócrifo é aquele que não tem origem conhecida, que não traz identificação ou assinatura, ou que não está autenticado; só isto! Não tanto assim. É também um adjectivo usado para designar uma obra de um autor desconhecido. Coisas estereotipadas como sendo um evento oculto ou que não foi explorado. Um termo que trata com desdém assuntos sagrados, não incluídos pela Igreja cristã nos livros de inspiração divina e, que são considerados autênticos sem certezas absolutas.

apocri3.jpg Para a religião católica, todos os livros escritos sem o reconhecimento dos ensinamentos de Jesus Cristo, são considerados livros apócrifos, também chamados de livros pseudo-canônicos, que segundo a religião alguns escritos comprovam que não podem ser aceitos como palavra de Deus, pois contêm ensinamentos incoerentes com o restante da Bíblia.

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Quantas incoerências encontramos nós em nossa etapa de vida! Somos cada vez mais bolhas de nada como bolas de sabão que sopradas por um canudo crescem, crescem e depois simplesmente sublimam-se em espaço sem bordas. Que canudos teriam soprado Tiago e Paulo para seus escritos serem considerados apócrifos como o Evangelho de Maria Madalena?

apocri2.jpg Assim progredimos encontrando teorias parciais que descrevem um aspecto limitado de acontecimentos e negligenciando outros. Estas aproximações não levam em consideração a incerteza, característica fundamental do Universo aonde vivemos! Nunca devemos encerrar por completo as leis ditas definitivas da natureza e, porque em verdade já alimentamos falsas esperanças antes! Os valores verdadeiros e as intensidades correspondentes, não podem ser previstos com base na teoria; precisam ser escolhidos para se adequarem às observações…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:47
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2016
CAFUFUTILA . CXV

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA  - 10ª de várias partes…

AS TÁGIDES DE TOLEDO - Continuamos em terras de “Castilla La Mancha” – Um possível encontro com Zachaf Pigafetta Roxo a kianda tetravó de Roxo e Oxor a mesmíssima Assunção que ora é Maria ora só é Assunção.

Ongweva é saudade

Por

soba 01.jpgT´Chingange

cronicas mano corvo.jpg A conversa a três, eu o T´Chingange mais o Januário Pieter e Costa Araújo Primeiro, auxiliar de El Greco o pintor, continuou da forma descrita com pormenores de verrugas e coisas de arte, segredos de tintas feitas com sangue de besouro, vísceras de moluscos, seiva de plantas e ovos galados! Esta dos ovos galados, não entendi na perfeição, mas o interesse foi tanto que resolvemos fazer visita guiada pelo futuro mestre auxiliar do El Greco, Costa Araújo Primeiro. Saindo da “plaza del ayuntamiento” o candidato a pintor, levou-nos por travessas empedradas, escorrendo borras de uva com mijo de burra prenha e palha de estrebarias.

costa8.jpg Passamos a taverna Cuatro tempos, cruzando à direita em direcção a Alcázer andamos pela Calle Del Locum e, seguimos por outra tão apertada que até duvido que fosse possível por ali passar um camelo com um fardo de palha que fosse. Paramos em um pátio muito cheio de trastes, um cheiro acre e agressivo com montículos de alvaiade e potes com produtos variados, cheirando a óleos indistintos. E havia numa das paredes mais ou menos arrumadas, paletes, pinceis, trinchas, espátulas e até serrotes e martelos.

costa araujo 1.jpeg Era naquela calle de la Calavera, um lugar lúgubre e não muito longe do Palácio Alcazar que ficavam os grandes galpões do pintor El Greco Doménikos Theotokópoulos e, em uma dependência lateral entramos em um outro cubículo. Era aqui que o ainda auxiliar de pintura Araújo, um galego fora de portas, da Bracara Augusta, mantinha o seu mukifo de coisas encantadoras encostadas ou penduradas entre cacos antropológicos e, numa placa encastrada na rustica parede podia ler-se “Pátio Andaluz Del Toro”.

ara3.jpg E, como que fazendo um friso de museu ali estavam colgados cornos retorcidos e caveiras com paletes borradas de muitas cores; percorrendo a vista pelas telas, pranchas e cavaletes, mais ossadas de indistintos animais fiquei assim meio recolhido num soluço medroso sem saber que a arte neste tempo era algo de muita pesquiza pelas cores e formas bizarronas de gente esguia, orelhudas e olhos de meter medo ao diabo!

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Ainda me atrevi a fazer uma pergunta: - Para que pintam vocês e, para que servem estes painéis esguios e, … mesmo antes de acabar as perguntas meio amedrontadas O Araújo, meu Mano Corvo por divina indigitação disse-me: - São para colocar nas sacristias das igrejas. Vês aqui este, e apontou um quadro que mostrava um homem feio, horrível mesmo, desdentado, dedos longos e unhas de garras açambarcando um montão de moedas em oiro que escorriam para debaixo da cama.

costa12.jpg - Isto, disse ele, simboliza a avareza e, este aqui meio diluído por detrás destas barricas é o diabo; tem este aspecto para amedrontar. Os bispos através destas gravuras impõem o respeito ao povo e, sempre querem que nós façamos o que mandam as regras de não roubarás, não matarás, não cobiçarás a mulher do vizinho e, por ai! Os medos, as lendas aqui, têm de ficar sempre presentes. 

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 – Faço isto nas horas vagas para ganhar uns trocos, umas patacas extras. O Mestre não nos paga e somos nós, eu e uns mais, que pintamos os mantos, as nuvens, as árvores mais os rios, os montes, o pôr do sol raiado de incertezas, da chuva ou trovoada e, sempre após os traços dele, o El Greco. Houve uma cor em especial que me chamou a atenção e porque mostrei interesse ali fique especado a ouvir o meu Mano Corvo Primeiro a descrever que aquela cor purpura era só usada para determinadas figuras.

araujo51.jpg Era o Roxo que ia dos matizes entre o vermelho e o azul. Esta cor ainda é obtida através de algumas espécies de moluscos nativos do Mar Mediterrâneo! Pela dificuldade na sua obtenção e seu alto preço, esta cor era um dos mais importantes e mais caros pigmentos naturais da Antiguidade, disse ele. Em Roma só os imperadores a podiam usar em vestes e, quem ousasse usa-las pagava com a morte ou ficava no cadafalso a apodrecer!

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Neste entretém, deu para meditar sem nada falar da estória que estava obrigado a descrever sobre as kiandas Roxo e Oxor. Uma preocupação trazida do futuro, lá da América do Sul, um lugar chamado de Brasil e duma praia chamada de Guaxuma! As coisas não são assim tão fáceis de explicar porque neste retroceder do tempo esqueci-me de muitos pormenores. Por isso recorro à kianda Januário Pieter que me aviva a mente e, curiosamente mostrando-me meus próprios escritos do século XXI. Mas, nem sei porquê, só me dá a ver! Também, se não fosse assim, quereria voltar rápido para junto da minha TV e ver o futebol, o Portugal com a Polónia, o golo do Renato, o outro do pé pelo Ronaldo e mais o da cabeça de Quaresma.

cafu11.jpg Sentado no meu silêncio mastigando perguntas e respostas caladas, Pieter deu dois passos calçados no meu sobreconsciente. Num cadavez mais eufórico, Pieter falava todas as suas razões, falava de seus muitos tios e edecéteras. Eu só fingia que entendia e ele, sabi-o, subentendia-o, mas também ficava moita-carrasco!

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Eu só disse, simplesmente: - Tá bem! Ele via o meu desespero em saber das coisas vindouras mas, só pude obter dele a promessa de que ele levaria no final do Concílio de Alcázer a tal antiga progenitora, tetravó de Roxo, a tal kianda Zachaf Pigafetta Roxo vinda do lago Niassa, (Zachaf) bem nos caminhos que levavam às terras de Prestes João.

alhambra3.jpgDe Picaço

 - Teremos de ir primeiro a Albayzin de Alhambra um Pambu N´jila especial, porque só lá, ela pode aparecer a gente do futuro como tu e eu que sou um aleatório andante nestes caminhos do senhor, dos caminhos minkisi! Na minha ideia, já cruzava os ares, as ruelas estreitas de aroma de mijo com tapetes molhados; misturas de cheiros de churros, las tapas de argolas de lulas e vendo do outro lado do vale as muralhas e torres de Alhambra. E, o rio Darro ali ao pé. Teria de esperar! O que não tem remédio remediado está! São as percepções que trago do futuro que me suportam as angustias simbis… Tenhamos paciência, pouco a pouco lá chegaremos.

costa11.jpg Glossário:

N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga; Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto; kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral; Mukifo: espaço de trabalho, lugar recolhido com coisas espalhadas ao acaso; Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos e permanece até o toque do medo, adrenalina, guardador de caminhos com saber do ontem, do hoje e do amanhã; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Globália. - O Mundo. Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e África central; Albayzin: - Bairro Mouro de Granada…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:38
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Quinta-feira, 30 de Junho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCIV

TEMPOS PARA ESQUECER - ANGOLA DA LUUA . IV 22.06.2016 - O Mundo sempre andou mentiroso - Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando em capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade (dizem).

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Em 16 de Junho de 2016 mencionei o espírita Chico Xavier numa frase que deve estar sempre presente em nossas atitudes: -Você não pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas você pode começar agora e fazer um novo fim! Vamos então seguir o seu conselho…

luua6.jpg (...) Luanda ficou restringida à circulação nocturna automóvel para evitar o cortejo de protestos e, foi vedado ao público o acesso ao aeroporto de Belas (antigo Craveiro Lopes); só quem era portador de bilhete de embarque poderia aceder aos balcões do “check in”. Este procedimento resultou assim, porque o Palácio da Cidade Alta foi invadido por centenas de brancos irados com as iniciativas militares que os não protegiam. Todos, ou em sua grande maioria, os moradores de Luanda se aperceberam que as forças armadas do M´Puto não estavam ali para defender os interesses dos brancos mas, isso sim, para preparar, apetrechar, municiar, aconselhar, instruir e ajudar em tudo o MPLA da facção de Agostinho Neto.

lua3.jpeg A facção do Agostinho Neto não tinha nenhuma estrutura montada para acudir a tamanha oferta que os portugueses lhe estavam dando. A facção Neto era no campo militar insipiente porque a facção do Daniel Chipenda ficou com toda a estrutura militar. Este tinha sido o escolhido para presidente pela direcção do então MPLA quando e, ainda na mata. Neto tinha isso sim, muito apoio dos intelectuais, do bem organizado partido comunista português e, pseudo-intelectuais de última hora maioritariamente miscigenados, estudantes da ala Coimbrã vindas de células clandestinas, bem politizados.

luis2.jpg Estava em marcha o PREC, processo de revolução em curso e nós ilustres ignorantes habitantes da Luua, nessa matéria, estávamos abaixo do zero e, ali andávamos entretidos ouvindo este e aquele vendedor de ideologias e procedimentos pouco transparentes em nossos hábitos. Nossa cultura como disse antes, era a do cinema e praia. Com este “know-how”, um termo anglófono utilizado para descrever o conhecimento prático sobre como trabalhar a nossa mente de sociedade imberbe; estávamos no ponto certo!

demo1.jpg Tudo o dito aliado ao apoio dos ditos progressistas barbudos militares de aviário mais os estudantes feitos aspirantes pelo MFA, fomos ficando entalados de forma paulatina; assim e, como um bando de galinhas que se preparam para ir para o matadouro, pouco a pouco tomaram conta das nossas vidas. Nos ainda nem conhecíamos o “savoir-faire” com os conhecimentos hodiernos de processamento! Estávamos a anos-luz destes galfarros comedores de neurónios à esquerda, sempre à esquerda e, vindos do M´Puto às paletes como se diz hoje na gíria. Estávamos prontos para sermos degolados, nem mais!

ÁFRICA17.jpg Eles tinham o conhecimento prático de como executar uma qualquer tarefa; nós ali andávamos engalfinhados entre os pareceres de pequenos partidos que só tinham assento na rádio tacticamente arrebanhada por estes e por ali ficávamos de boca aberta engolindo mosquitos, dizendo umas patacoadas assim como se fala de futebol! Cada qual tratando de si. Nós fomos mesmo uns coitados dirigidos por desclassificados como esse tal de Fernando Falcão da FUA, um ilustre desconhecido que serviu à justa medida àqueles sabidões do M´Puto. Foi um desclassificado traidor sem se aperceber que era manobrado! Até ele foi enganado.

funa3.jpg Coarctados da nossa própria propriedade intelectual o “know-how” do MFA, Movimento das Forças Armadas e da JSN, Junta de Salvação nacional, nomes de pomposidade com todos os componente de transferência de tecnologia ideológica e afins, confortável em ambiente nacional e internacional, coexistente com, insondáveis outros direitos de propriedade intelectual, adquiridos por via obrigacional ficamos quilhados! É o termo certo, quilhados!

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Fizeram o que quiseram com sobra de tempo; Savimbi foi o único líder dos três movimentos armados que advertiu que tudo se teria de processar com tempo! Os demais tinham pressa! Então o MFA, tinha muito mais presa. Usando suas patentes, marcas e direitos autorais, de punho sempre para cima, fornicava-nos nos activos económicos; cancelaram transferências para o M´Puto e o dinheiro passou a ser casca de amendoim!

cos0.jpg Estávamos mesmo a ser preparados para ser os “tinhas”, candidatos à penúria e uns cobertores da Cruz vermelha, Verde, Azul e associações maquiavélicas montadas a jeito de nos trapacear com pancadinhas nas costas! Foi tudo assim, duma forma subtil, metendo-nos os dedos pelos olhos e, nós tolerando até que… Camionistas e Comerciantes da Luua protestavam contra o desarmamento dos brancos, a sua expulsão dos subúrbios, leia-se musseques de Luanda, alegando insegurança provocada pelos constantes tiroteios que eles mesmo davam fora de horas.

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Procedimentos planeados pra desmobilizar qualquer eventual ousadia por parte da população urbana, maioritariamente branca e mulata. Esta turba de gente que entrou de rompante no Gabinete do Alto Comando, pois então do excelentíssimo Rosa Coutinho de Tuji, o almirante  vermelho. Obrigaram-no a ficar de pé em cima de sua secretária tentando fazer-se ouvir. O almirante estava ensanduichado entre uma multidão completamente desgovernada e em jeito de o linchar. Foi realmente pena que ninguém lhe tivesse dado um tiro nos cornos! Pena foi que tal não tivesse acontecido. Angola no seu todo só teria a ganhar com a sua ida para o paralém.  

guerri1.jpg Entretanto eu que estava na Caála, trabalhando no Município tendo como presidente Delmiro gouveia e morando junto à igreja na casa anexa à escola primária, lugar central da pequena cidade, junto à igreja, apreciava uns guedelhudos brancos a falar axim, besugos de tez alvina quasequase, comandando um grupo de rapazes, candengues a fingir de militares. E levavam paus a fingir de armas, assim uma coisa parecida com aquelas maneiras já vistas na guerra dos Simbas no Congo. E para baixo e, para cima sem qualquer impedimento seguiam esquerda…direita, esquerda…direita! Eram os futuros militares do MPLA a serem preparados como pioneiros.

guerri4.jpg E cantavam coisas nunca ouvidas; os pioneiros. Claro! Tal macacada dava para assustar qualquer um e de qualquer cor ou coro…Não tentem pintar a coisa enaltecendo as coisas da forma que não vi! Os amigos que por aqui andam, tentam fintar-se e enganando-se também nos querem torcer o pensamento! Não direi nada a qualquer outro… a alguém, mas contarei o meu ponto de vista! Não irei passar a luva em quem nos quer fazer crer que não era bem assim edecéteras e tal! Como diz meu amigo engenheiro Fuca-Fuca, fico hoje por aqui, mas volto!... Se há aqui um mais branco feito preto, esse serei eu porque senti na pele a escuridão… continua a sentir.

(Continua…)   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:43
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2016
CAFUFUTILA . CXIV

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA  - Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor surgiriam só no século XX e XXI algures num recife de Guaxuma de Alagoas - 9ª de várias partes…

Ongweva é saudade

Por

:::::T´Chingange

AS TÁGIDES DE TOLEDO - Continuamos em terras de “Castilla-La Mancha” - UM PAMBU N´JILA 

toledo20.jpg Januário Pieter o excêntrico fora de tempo, saudou-me no largo bem em frente da catedral de Toledo. Tinhamos combinado que seria ali o encontro, antes de tomar novos rumos e descortinar as notícias que respigavam lá do concílio das kiandas no palácio, praça-forte ou lá o que era Alcazar e, aonde se encontrava a tal Zachaf Pigafetta Roxo vinda dum lago mal conhecido e logo dum centro de África tão pouco desbravado; muito vistosa, cheia de zingarelhos e trogloditas estampados a imitar caçadores africanos com lanças massai…

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O dia despontava com raios através das torres da catedral e, estranhamente fui saudado em amazulo com um samboniani. Recordando-me de tal saudação respondi um kunjani, meu!

- E, porquê tudo isto? Interroguei-o enquanto sinalizava em gesto, o seu aspecto, cabelos desgrenhados e ainda com falripas de ramela. Sempre pensei que uma kianda kalunga não dormia, mas pelos vistos, assim não era.

- Porque venho de visita aos mustafás de Alhambra. Tinha de condizer com os meus antepassados mouros a estes mulungos.

roxo27.jpg - E para quê, essa adaga aí na cintura? Perguntei.

- Para respeitar as tradições antigas, homem sem arma não é ninguém e eu, não atravessei a kalunga de N´Gola para fazer má figura. Também é uma homenagem aos meus mestres de Toledo, acrescentou. Caramba… pensei eu com a língua agarrada aos dentes; estes kamundongos mesmo sendo kiandas têm a prepotência dos vindouros kiluanges de N´Dongo, dos tais vassalos da Matamba e Reino do Kongo.

toledo21.jpg Dispostos a nos sentarmos naquela esplanada do largo da catedral, “plaza del ayuntamiento” surge-nos o candidato a pintor Costa Araújo Primeiro, um auxiliar do El Greco e este, ao invés de Pieter saudou com um refrescante “buenos dias”. Em realidade, embora estando um dia de sol, corria uma brisa fria e, assim rumamos até à mesa da esplanada taberna ainda despejada de gente. Havia sim movimentos de coches com cavalos a blaterar relincho afogado pelos ladeirosos empedrados, rilhando os ferros do freio e dando bufas cheirando a feno estercado. Distribuíam viveres, apetrechos para vendas ou abastos, funis, cabos de enxada mais pipos com conservas.   

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Depois de todos estes entretantos mandou-se vir uma taça de tinto “rioga” e umas quantas chamussas, pois o senhor kianda extraplanetário estava com uma fome de leão da anhara; não admira, vinha de áfrica.

- Afinal, encontraste resquícios de teus familiares mulungos dinossauros? Perguntei eu com uma intimidade um tanto abusiva.

assun7.jpg - Pois! É isso que me trás aqui a Toledo; sendo assim, vou-vos contar tudo: - Meu tio Antoine, o mais kandengue, dedicou-se à igreja, foi para frade; esteve com meu segundo pai Lestienne em Burgos a trabalhar nos jardins de “Cartuja de Miraflores” mas, depois roçou madraçamento pelas sacristias do convento até que num dia seguiu integrado numa comissão-à-doca de regulamentar segurança aos peregrinos de caminho para Compostela e as novas visões da estrela-polar. Depois de muitos anos tomando conta de seus fiéis e a guarda do incensário da catedral, morreu sem deixar herdeiros. Tenho de lá ir, a Santiago de Compostela rogar preces à sua memória e assim ficar tranquilo na minha missão de kianda itinerante da Globália.

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Interrompi a descrição de Pieter para lhe mostrar vontade de saber qual o mistério que o envolvia à kianda Zachaf Pigafetta Roxo a tetravô da Assunção que ora é Maria ora só é Assunção mantendo o Roxo em ambas. É que tenho de saber no espaço o tempo que se passou entre este agora e o ano de lá mais á frente com a ninfa kianda de Guaxuma de não muito longe de Porto das Galinhas.

toledo21.jpg Meu amigo T´Chingange, o tempo para nós não conta e escusas de apressar as visões porque tens de ao tempo dar tempo e, dito isto continuou sua lengalenga estória de seus tios recentes! De tinhoso, impacientou-me ainda mais mas, assim tinha de ser. 

- Talvez só te conte a estória da estirpe Roxo depois de visitar Santiago; tenho de ir por lá e, até contigo, encontrarmos juntos os deciframentos de coisas, eventos ligadas ao M´Puto, mais o “bota fumeiro”, sua ligação póstuma com meu tio Antoine. Ver pormenores daquele Pambu N´gila com ligação à nossa N´gola pelos seus símbolos; n´zimbos na forma da concha vieira, uma mabanga diferente das nossas kalungas, nossos mares.

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Não valia de nada ficar em pulgas! Em seu tempo saberíamos os mistérios de Zachaf, do lago Niassa e do porquê também encontrarmos nestes venturosos episódios a Costa Araújo Primeiro que se tornou nosso amigo, quase-quase do peito. 

- É uma boa. Eu mesmo te vou falar das bikuatas cassumbuladas no nosso povo, nesse antigamente e nesse mesmo ali. Combinado, meu! Rematei… Ia fazer mais o quê?

toledo18.jpg E, Pieter continuou sua descriminação: - Meu ancestral pai e, como ides saber, esteve em Pernambuco com Maurício de Nassau; embarcando mais tarde para Loanda do reino N´gola com os Mafulos, casou com N´ga Maria Káfutila e, mais tarde, ficou como mercenário às ordens dos Tugas com Sá e Benevides, um rico comerciante de escravos a viver no Brasil. O resto, voltarei a contar mais tarde porque, com o teu desespero também me irritas o cerebelo. Até que enfim… é agora! Sussurrei eu.

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Josué Pieter, o 3º mais velho dos meus tios, ficou no “Pais de Landes” tratando de vinhedos em “Vignobles Vallee du Loir” e, por lá deixou muitos primos. O 4º tio mais velho de nome Souston, ficou nos arredores de Paris roçando a vida em “Jablines du Marne”, lugar aonde nós nos encontramos pela primeira vez recordas? Nem me lembro disso mas teria pouca importância porque passou logo ao outro tio; finalmente o último!

roxo37.jpg O quinto tio, Charles Pieter, o mais velho de todos, seguiu o rumo de Burgos em “Leon e Castilla” como Lestienne e Antoine mas, singrou para Toledo aonde se tornou um homem de armas, vindo a ser mais tarde um militar da armada de “La Mancha e Andaluzia”. Foi em “Puerto de Santa Maria”, perto de Cádiz que pelo rio Guadalquivir, saiu numa armada de soberania às novas terras Espanholas de América. Bolas! Pelos vistos, isto vai mesmo dmorar; Também, com tanto tio e, filhos do primeiro pai, o que faz não haver televisão, micro-ondas e aviões….

crónicas de Costa monteiro.jpg Glossário:

Amazulu: - Dialeto Zulu; Samboniani: - Bom dia; como está (em Zulu); Kunjani: - resposta a samboniani; tá se bem!; N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga; Mulungo - M´zungo; branco em Zulu; Adaga: - Punhal em forma de foice usado por muçulmanos; Anhara: - Zona plana e, com plantação rasteira, de clima seco ou semidesértico e tropical; Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto;

toledo6.jpg

kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral; Mabanga: - Bivalve do tipo ameijoa que sangra vermelho; bikuatas cassumbuladas: - Coisas roubadas; riquezas arrebatadas; jogo de sacar por toque brusco; Mafulo: - Holandês em quimbundo; Gente invasora da Companhia das Índias Orientais ou Ocidentais; flamengo; Kamundongo: camundongo, natural de Luanda

Ilustrações de Costa Araujo e Assunçõ Roxo

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:39
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Terça-feira, 28 de Junho de 2016
XICULULU . LXXX

TEMPO COM CINZAS - Constantino enganou-nos impondo ao Império Romano o cristianismo…. O tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre...

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por

ferreira00.jpgCARLOS FERREIRA

Aos meus amigos(as) – 5ª de 12 Partes

bruno5.jpg(…) Giordano Bruno frequentou a corte e tornou-se ligado a figuras influentes tais como Sir Philip Sidney e Robert Dudley, o duque de Leicester. Em 1584 foi convidado por Fulke Greville, um membro do círculo de Sidney, para discutir sua teoria do movimento da Terra com alguns doutores de Oxford. A discussão degenerou em querela. Ao final do século XVI aparentemente não havia um único professor que ensinasse o universo segundo Copérnico, excepto Giordano Bruno.

bruno1.jpg Galileu apresenta suas provas no início do século seguinte, e mesmo então é obrigado a abjurar a teoria. Galileu nunca encontrou Bruno em pessoa e não o menciona em seus trabalhos, sendo bastante esperto de sua parte evitar citar um herege condenado, em suas obras. Pouco depois Bruno começou a escrever seus diálogos italianos, que constituem a primeira exposição sistemática de sua filosofia. São seis diálogos, três cosmológicos - sobre a teoria do universo - e três sobre moral.

bruno2.jpg Na Cena de le Ceneri (1584: "A Ceia da Quarta Feira de Cinzas"), com local simulado em Paris e Veneza, ele não apenas reafirma a realidade da teoria heliocêntrica mas ainda sugere que o universo é infinito, constituído de inumeráveis mundos substancialmente similares ao do sistema solar. É a história de um jantar de que participam convivas ingleses, e nele Bruno difunde a teoria de Copérnico, a qual ainda era objecto de riso e, como dito acima, de descrença por não coincidir com os ensinamentos de Aristóteles.

bruno4.jpg Afirmava que não havia posição absoluta no espaço, como dissera Aristóteles, mas que a posição de um corpo "era relativa à dos outros corpos". Em toda parte ocorre mudanças relativas incessantes de posição por todo o universo, e o observador está sempre no centro das coisas". Porém, o movimento dos astros não seria esférico como Copérnico havia apresentado. Bruno suprime a esfera das estrelas fixas conservada por Copérnico e alarga o universo ao infinito.

bruno3.jpg O mundo não tem limites nem referência absoluta e, portanto, as várias imagens dele são relativas: qualquer ponto é centro - periferia. Infinidade e relatividade. Os astros giram também sobre seu próprio eixo para perpetuar em si a vida, para expor sucessivamente todas as suas partes ao sol (como seres que tem vida, animismo).

cinzas8.jpg São afirmações ousadas em uma época em que o pensamento teológico filosófico medieval era ainda predominante, e tinha como uma de suas peças básicas a astronomia de Ptolomeu que afirmava ser a Terra um ponto imóvel privilegiado, centro do movimento circular de todos os corpos celestes, teoria que afinava tanto com os textos bíblicos quanto com o pensamento racional aristotélico que a escolástica integrava num todo unitário.

(Continua…)

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:31
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Domingo, 26 de Junho de 2016
MUXOXO . XXXIV

NAS CINZAS DO TEMPO - Meu futuro é amanhã! Ontem, foi meu prefácio… Será difícil acreditar que algum visitante do futuro nos traga toneladas de ouro para se acabar com a crise…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

vaca1.jpg Para manter algum interesse humano em minhas estórias terei de usar fricção e ficção nem sempre cientificamente comprovadas, assim como supondo que em um certo dia, descobriremos como viajar mais rápido do que a luz. O questionamento de assim suceder na maioria dos escritores, contadores de estórias ou escrevinhadores como eu, é a de que não se querem aperceber de que andar à velocidade da luz, implica voltar atrás no tempo.

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Para mim, até que nem é assim tão problemático porque faço inventações porque, se pudesse fisicamente voltar lá para tás no tempo, ver-me-ia em outras gerações,  teria decerto outro pai, outra mãe e, até seria o tratador dos cavalos de Napoleão ou dos Camelos dum qualquer mustafá abladu ou ainda ser o próprio Prestes João, tão procurado e nunca encontrado.

xicu7.jpg No Livro Das Maravilhas, de Marco Polo, Preste João era Ong-Cã, rei dos Turcos da Mongólia; a Igreja penetrou na Ásia Central e foi até a Manchúria e vários desses povos eram cristãos com sacerdotes hereditários. Os reis portugueses na busca de montes doirados dessa lenda com um rei, mandaram a pé e por mar olheiros, e nunca nenhum lá chegou a não ser o Vaco da Gama.

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O reino de Preste João, para além das muitas buscas, instigou a imaginação de gerações de aventureiros mas, sempre permaneceu fora de seu alcance. Estava sempre mais para lá do Xingrilá. Também eu me condensei no reino da Abissínia da Ásia Central, descendente de Baltasar, um dos Três Reis Magos. Como as notícias palpáveis desse império cristão eram escassas, dilataram-se fantasias em redor do seu reino mas o certo é que nos dias de hoje subsistem fantasias que nos mandam para o lado contrário: -O futuro!

prestes0.jpg Já naquele então se falava em monstros vários (entre os quais os homens com três cabeças de cão como o descrito na estória de Ulisses), paisagens edénicas, etc. Eram então e continuam sendo o Inferno e o Paraíso num só território. Por vezes também me revejo no Caramuru, Diogo Alvares, um fidalgo português da casa real, que tendo ido à aventura por volta de 1510, para São Vicente de São Paulo, por ali se naufragou num lugar de Cachoeira fazendo amizade com os índios Tupinambás.

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Pelo já dito, quando for para o espaço sideral, não quero usar um padrão de tempo único pois que cada observador mede o próprio tempo com o relógio que carrega; é possível que a viagem pareça muito mais curta para os viajantes espaciais do que para aqueles que permanecem na terra. Claro que não será muito agradável voltar de uma viagem alguns anos mais velho e, descobrir que todo o mundo que se deixou para trás morreu milhares de anos antes. Para viajarmos no passado teremos de recorrer ao que nossa mente reteve ou a de outros, conservados em escritos.

prestes1.jpg Assim como a minhoca, descobrimos coisas só registadas em fotos amarelecidas, esboços de mestres, letras árabes, romanas, escritas cuneiformes dos sumérios, pictogramas ou outras formas abstractas. Falas esculpidas em pedras transcrevendo a nossa capacidade e inteligência, que mesmo sem feromonas, foi possível ultrapassar a velocidade do tempo, ou da própria luz, permitindo-nos viajar no, ou para o passado.

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Viajar nesses buracos de minhocas, meandros de tuneis, é uma forma possível de ultrapassar a velocidade da luz, viajando numa densidade de energia positiva ou negativa, para se poder percorrer o espaço-tempo, um pouco mais à frente ou um pouco mais atrás. Podemos comparar isto de energia, como as nossas contas bancárias que mesmo sem saldo positivo se pode gerir com créditos negativos. As leis quânticas são hoje tão liberais que permitem no negativo fazer operações de compra sem comprometer o sustento!

prestes2.jpg Movimentar divida, contas negativas, é a especialidade mais transcendente dos bancos modernos apoiando-se em valores patrimoniais ou riquezas soberanas! Há não muitos anos atrás era inacreditável comprar dívidas de alguém ou de um País qualquer; hoje isto é o mais comum nos relacionamentos interbancários e principalmente entre grandes empresas ou bancos centrais que gerem as nações, que as suportam e desleixam a gosto e contragosto tornando-as lixo ou uma outra classificação de estrangular gatos pretos.

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Uma grande parte dos países trabalham com saldos negativos, com muitos zeros à direita e, no entanto não deixam de ter governos a disputá-los. Importam e exportam! Há de tudo nos mercados, coisas até supérfluas vindas de muitos lados! Dá para entender!? Serão estes governantes os pastores de nós mesmos, um rebanho de milhões. Em Portugal, quase todos os cidadãos vivem na base desta energia negativa, curvando-nos a regras dum espaço-tempo com matemática quântica.   

prestes3.jpg E, o curioso é o de que esta densidade negativa continua sempre num crescendo. Nós fazemos nossas vidas, nossas compras, gozamos nossas férias tendo sempre o Principio da Incerteza mais presente e, com a maior naturalidade como credores e não devedores! Quem souber que me explique como se pode tirar a quem não tem. Sim! É possível! Nós estamos neste carrocel e as festas do alho-porro, de todos os santos e mais uns inventados de branco e preto e só branco, noites da Luua ou sem Luua; o escambau!

prestes4.jpg Avançamos tanto nesta ciência e tecnologia de engenharia financeira que em nosso actual estado de desenvolvimento e engano, será dificilíssimo acreditar que algum visitante do futuro nas entregues as paletes de oiro necessárias antes da segunda visita de Cristo! Ainda ninguém veio do futuro para nos dizer como tudo isto vai acabar! O último que apague as luzes… Creio que já todos os meus leitores entenderam o que é isto de Principio da Incerteza da matemática quântica… “Tudo numa boa- topas…”

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:49
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCIII

 

TEMPOS PARA ESQUECER - 16.06.2016 -  ANGOLA DA LUUA . III O Mundo sempre andou mentiroso - Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando a capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade (dizem).

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t´chingange 0.jpgT´Chingange

guerra13.jpgPara explicar preto no branco ou vice-versa, o processo de descolonização em Angola, terei de fazer um preâmbulo sobre o espaço-tempo sem entrar em minucias andando ou um pouco à frente ou um pouco atrás porque neste periclitante processo nada andou seguindo as teorias conhecidas, sem um relógio de cuco porque, o cuco foi estrangulado no tempo exacto em que a recta começou a ser curva e, quando se vislumbrou o alcance dos objectivos, já era tarde. Não leia de atravessado porque o todo só é entendível se percorrer as linhas cruciais do raciocínio presente.

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Era tarde para quem estava no meio da fogueira chamada de descolonização, e até para os que tinham bons auspícios sobre o ainda não acontecido. Uns e outros, por inocência, por malvadez, por incúria, por pedantismo ou vaidade foram apanhados por aquelas muitas rodas, o roce de correntes que nos tornaram ásperos e por razões diferentes porque uns sofreram na pele e outros foi só na petulância.

guerra12.jpg Meto todos no mesmo saco, governantes e povo da arraia-miúda porque a cabeça existe para pensar, não para criar piolhos! O bom senso não é só privilégio de doutores, de letrados, de gente que vai à missa todos os santos dias, mas de todos que têm um templo, uma testa, uma cabeça para esmiuçar e separar o trigo do joio. Como tantos outros eu fui apanhado como inocente, cultivando-me na cultura do cinema, nas idas á praia, no bombom que a vida nos legava em uma terra que não sabíamos ser de outro-alguém que não nós.

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Despolitizados, muito cheios de coisa nenhuma nos meandros das pequenas coisas, eramos mesmo uns calhaus na Luua. Passeávamos despreocupados nossa ignorância pela mutamba, pelos bairros, pelas farras, pelos cafés jogando às moedas. A escola não nos dava os conhecimentos da mente e ali andávamos, simplesmente.

guerri1.jpg A nossa capital era a Luua, o nosso rossio era a Mutamba e o M´Puto estava lá longe; mandavam-nos os magalas, o azeite, os carros, as modas e uns quantos gozavam de quatro em quatro anos férias graciosas. De volta levavam chouriços, salpicão, enguias em potes especiais e sardinhas gostosas! Negros e brancos seguiam seus sonhos, suas ambições; uns pensavam em mudar tudo e de catanas nos pensamentos julgavam o que lhes parecia o mais certo para a terra deles que também era a nossa! Pensávamos!

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Entretanto iam casando, fazendo casas, comprando terrenos e neles e em tudo punham sonhos de um amanha que não sabiam o que seria porque era futuro! Lá no M´Puto aconteceu o Vinticinco e os mandões de aviário de cima abaixo pensavam que podiam dominar o diabo das trevas e sua carroça, mas foram pisoteados por estas, as rodas cardadas. Foi um fenómeno que o tempo dirá; que descobrirá que tinha muitas rodas com picos, facas, arestas invisíveis. Era a descolonização, a independência em marcha. Destes oficiais de aviário, nenhum deles estava à altura de estar aonde se colocaram.

guerri3.jpg Foi um chorrilho de arbitrariedades e coisas tão nojentas, que relembrar isto dos vómitos, porque os germes, as bactérias ainda aí andam moendo aqui e ali, na máquina do M´Puto, com efeitos ultra especiais de falácia democrática. Por isso, terei de dizer aqui que o tempo é imaginário e indistinguível das direcções no espaço. Para calcular as probabilidades de encontrar um espaço-tempo real com determinada propriedade como a de parecer o mesmo de qualquer ponto e em qualquer direcção, teremos de somar as ondas associadas a todas as histórias com agá que têm essa propriedade.

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Na mecânica quântica do dia-a-dia damos forma às coisas, podemos encarar nosso uso do tempo imaginário e do espaço-tempo euclidiano como um mero artifício ou truque matemático para calcular respostas sobre o espaço-tempo real. Entenda-se como espaço euclidiano os que podem ser estendidos a qualquer dimensão, não-dimensional. Para evitar as dificuldades técnicas com a soma das estórias sem agá devemos usar o tempo imaginário.

gurra10.jpg Isto tem um efeito interessante no espaço-tempo porque a distinção entre eles desaparece usando a geometria numa superfície bidimensional entendível neste universo observável. Como parte de um rosário feito de búzios e ao jeito de missangas, termino neste imaginário tempo, dia da graça ou desgraça em sua reactividade humana esta estória referindo-me à frase do espírita pensador Chico Xavier: -Você não pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas você pode começar agora e fazer um novo fim. Vamos então seguir o seu conselho…

(Continua…)   

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:10
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MAIANGA . XVIII

MANIKONGO E MARACATU - UM SÃO JOÃO COM SARDINHAS  - Porto, Braga, Maceió, Caruaru e a Luua – A sangria, o caldo de feijão, a coxinha de galinha, chouriço e o ananás recheado de velho barreiro com muito gelo ou o marufo da cassoneca…

Maianga é um bairro de Luanda, Angola da Luua, meu berço tropical.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

AS FESTAS JUNINAS 

engraxador2.jpg Junho, mês das festas populares é festejado por toda a kizomba; as marchas, os casamentos, o saltar da fogueira, o baile de mastro o xodó e forró pé-de-serra, fazem parte dessas manifestações na diáspora portuguesa. O maracatu, sendo uma manifestação junina pouco conhecida em Portugal, tem a sua representação maior no Nordeste Brasileiro.

sururu0.jpg Originário da coroação dos reis do Congo, antigo Manikongo, foi transposto pelos escravos idos de Angola para as explorações de cana-de-açúcar. O cortejo de coroação real composto de rainha, rei, príncipe, princesa, ministros, conselheiros, vassalos e porta-bandeira vestidos de cores extravagantes, saem às ruas em grupos ou quadrilhas para energizarem a vida.

Resultado de imagem para festa da sardinha 2016  Maracatu é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana afro-brasileira. É formada por uma percussão que acompanha um cortejo, uma instituição que compreende um sector administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança. A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei Congo.

  A nosso Kizomba, fazendo registo deste património não pode ficar alheio e, com seus chocalhos, concertina, guizos e tambores junta-se à plebe, à folia para alegrar nobres, sábios, cipaios, homens ricos e M´bikas (escravos) que se devem juntar ao evento com balões, alho porro, martelinhos e fogo de artifício. A ciência leva-nos a pensar que o Universo nos é inteiramente racional ou matemático mas, nas festas populares, com aquele tintol, tudo pode acontecer. Beba a festa carago!... Se não tiver alvarinho venha o vinho…

Resultado de imagem para portugal croácia futebol

Atento às passadas e calcanhar de Cristiano fazemos figas, damos as mãos uns aos outros fazendo uma corrente mas, cinco passos cadenciados, pernas abertas, olhar de raio laser e zás-trás, chute e xissa! … Também isto é parte de São João com fumo de sardinhas e pucarinhos com delicias de bolo podre e as esculturas ditas cascatas do Santo mais os manjericos e sumo ou suco de erva cidreira, capim santo ou caxinde.

maraca2.jpg A bola do Ronaldo que não fez aquela mágica curva, que nos faz roer aszunhas dos pés. E, a queixada do Santo António a triturar-nos a ira com jeito de surda raiva pelo  Santo, que nada fez quando não faz. As festas juninas estão aí, Porto e Braga e também no Brasil com o Xodó e a zavumba mais reco-reco e berimbau. Não vou fazer a habitual fogueira, nem saltarei de costas, nem mais irei confiar na sorte sortuda porque me posso lixar.

marechal D4.jpg Amigão kaluanda da velha Luua fica também connosco, bebe uma bolunga, ergue a taça que vamos ter pela frente outras mais oportunidades de fazer muxima e ongweva. Prepara a catana p´ra pintar esse emaranhado de cabeleiras a piaçaba, carapinha, as cores do M´Puto com um garrafão a fingir de balão. Por mim vou dizer ao meu santo preferido que dê uma volta ao bilhar grande se não estiver disposto a dar-nos a victória contra a Croácia. Santos de Junho, Santo António, São João e São Pedro com gaitas, berimbau, sanfona, acordeão e concertina e muito manjerico com quadras lindas! Podia ser melhor, mas foi isto que me saiu…

Resultado de imagem para são joão porto

Cantai, Cantai, raparigas

Cantai sempre ao S. João

Porque ele paga as cantigas

Com muito bom coração.

 

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:23
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Quinta-feira, 23 de Junho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCII

TEMPOS PARA ESQUECER … 15.06.2016 - ANGOLA DA LUUAO Mundo sempre andou mentiroso - Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando a capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade (dizem).

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

beldr7.jpgE querem que me cale! Nem morto!

Em fins de 1974, inícios de 1975, os desacatos sociais na forma de guerrilha, aproveitando o baixar de braços e armas das forças armadas portuguesas situadas na Luua capital, e um pouco por toda a Angola alastraram até às cidades e vilas como N´Dalatando (Salazar), Huambo (Nova Lisboa), Lobito, Benguela e Lubango (Sá da Bandeira). Os acontecimentos procediam ao mais leve desaire, ao mínimo pretexto e na maior parte das vezes porque se pretendia que assim o fosse. Negativamente e de forma exponencial o MPLA e a FNLA aliciavam as populações a fazer alastrar a subversão a todos os centros urbanos fazendo correr boatos complicando a vida de normalidade.

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Era comum ver-se um furtivo vulto que saído das vielas dum musseque ou de carros que passavam nos bairros da cidade, atirarem rajadas para o ar, para um qualquer lado. Mandavam obuses ou morteiradas aleatoriamente para o ar que logicamente iriam cair num qualquer sítio, provocar estragos e mortes. Estando eu na ponta da ilha, na praia com a família viam-se rolos de fumo, estrondos e balas tracejantes sulcando o ar do outro lado continental, talvez Cuca, talvez Sambizanga, Terra Nova, Cazenga, Caputo ou Bairro Operário. Uma boa parte das armas usadas neste assustamento, eram das forças regulares do exército português dadas a esmo aos populares afectos ao MPLA. Entretanto obrigavam a etnia branca a entregar todo o tipo de armamento.

cabo ledo2.jpg Da boca de toda a gente era dito que se não fossem tomadas medidas de prevenção em curto prazo, todos estariam a viver uma situação de generalizada violência incontrolável. As autoridades do M´Puto não quiseram ver nem tomar medidas protectoras para com as populações maioritariamente de etnia branca que se encontravam nos matos ou periferia das cidades; esta é a verdade.

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Era assim como sair-se a caçar brancos, negros umbundos, fubeiros, taxistas, vendeiros das lojas, camionistas e um ou outro alvo mais planeado atingindo este ou aquele personagem de quem não se gostava, de quem se teria raiva, de quem era necessário abater porque visava qualquer acto em curso; enfim, estorvos! De repente os brancos e assimilados, gente de sapato com coiro engraxado, matutos, mazombos, mulatos ou alguns negros esclarecidos, estorvavam.

cabo ledo4.jpg Meu pai foi raptado no largo dos Correios da Maianga, largado atrás do aeroporto de Belas, antigo Craveiro Lopes, depois de lhe terem dado uma surra; julgado morto, desmaiado, ali ficou na noite; para se assegurarem melhor deram-lhe um tiro. Calhou a bala ter raspado no corpo alojando-se no joelho, bala que veio a tirar no Hospital de Torres Novas em Portugal porque em Angola, os médicos já eram escassos.

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No dia 27 de Julho de 1974, três meses e dois dias depois do Vinticinco, quando Spínola anunciou o direito à independência pela lei 7/74, o Almirante Vermelho Rosa Coutinho da Túji, afirmou: “ …O homem, (referia-se a Spínola) sempre vai pelo caminho que a gente quer”. Todos os militares do MFA, da JSN (Junta de salvação Nacional - junta governativa), festejaram este acontecimento pensando no mesmo diapasão, do mesmo modo, com a mesmíssima irresponsabilidade!

canmionista 1.jpg Até ali soube-lhes bem as comissões que lhes proporcionava riqueza, boas casas e bem surtidas na linha de Cascais, Estoril ou Algarve do M´Puto. Com contas bancárias bem desafogadas, noé!? Com estes militares de aviário, de novo se revê o início do nosso mundo. Um retorno à estória sempre confusa em que a Lilith, a diaba feita anjo, irmã de Eva, a tentou a comer a maça! E, não é que comeu, castigando-nos deste jeito! Mas que estória de tuji…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:23
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Terça-feira, 21 de Junho de 2016
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXVII

NAS FRINCHAS DO TEMPONem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado…. Cada um, de nós, é uma nota musical única; a minha não tem ré nem mi, sol dó….

Por

t´chingange 0.jpgT´chingange

carrapato1.jpgNestas voltinhas agradáveis de ver o mar em inicio de verão, as falésias e, aos ziguezagues fintar as ervas de capim indefinido, tomilho e arruda, um carrapato subiu-me pelos pêlos das quinambas e alojou-se comodamente nos flancos, dos teodósios. Deitado na maca do doutor urólogo, ele veste suas luvas de invadir ânus alheios e, eis que se surpreende, surpreendendo-me. O senhor tem aqui na virilha, ilharga dos testículos um carrapato! Ui! Caramba! Bolas, como é? Não se admire disse o médico. Há três dias tive de retirar três das minhas calças. Também fui passear o cão pelo mato tal como você, só que me apercebi a tempo de não me invadirem as verrugas superiores.

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Há dias um alemão que se veio aqui tratar, de problemas de bexiga, viu-se nesse desconforto de ter dois parasitas a alterar sua composição psicofisiológica. Pópilas! Isto começou dando-me umas suaves dores no estomago, lado esquerdo, descrevo eu ao urólogo; pensando ser intestino preguiçoso, faço massagens com reiky, ora ascendente, ora descendente ou fazendo círculos no sentido do ponteiro do relógio.

amilcar4.jpg E pressiono o inchaço com o dedo indicador, depois o polegar e depois todos fazendo de piano sempre no mesmo sentido até desfazer o rolo ou faze-lo mover mais a jusante. E, assim deslizando sai uma bolha de ar ventoso, mal cheiroso; um intervalo na impressão, e agora posso dizê-lo que, se calhar por este maldito carrapato que me atacou o flanco esquerdo! O senhor tem febre? Pergunta-me o doutor Sezinando. Não! Não tenho febre! Respondi.

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Está com sorte porque, quando assim acontece ela é alta e, até difícil de prescrever a doença e qual a medicação acertada. Geralmente o tratamento para picadas de carrapato, varia de acordo com os sintomas que uma pessoa desenvolve. Caramba! No meio deste incómodo muito comprometedor ainda estava muito cheio de sorte! E, tudo por passear o meu cachorro Faísca! Ele está desparasitado, cuidado e sem indícios desses aracnídeos e, eu aqui sofrendo de bexiga cheia, gases e inchaço.

CACHORRO FELIZ.jpg E, levantar-me na noite, de hora em hora para botar fora as malazengas cuspidas no meu ADN, meu sangue azul e universal Ó +. Eu, de pilau ao relento na maca meio decomposto, o doutor Sezinando vai até o canto do consultório, abre a porta do corredor de par em par e bem alto, com toda a gente ali sentada, pedindo a uma faxineira de bata verde se não tinha uma pinça de tirar carrapato. Alto e bem-sonante, o fuinha… Eu ali desinfeliz, deitado na maca repuxando as franjas da camisa zulu a tapar minhas intimidades! Que situação.

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Ele… há coisas! Creio que foi uma praga que o meu amigo da onça, Torres de nome me pregou. Ele que se dá tão bem com virtuosas preces e, com tantas nossas senhoras com muxima! Ele que tem o credo nas prateleiras VIP de suas gavetas tão cheias de poderes mágicos, logologo tinha de atacar os flancos de minha viril característica, escangalhando-me nesta desarmonia as virilhas e adjacências. Coisa quase inusitada vinda de quem soma rezas e, de tão baixo instinto.

faisca0.jpg Esta pequena estória que vai fazer rir muita gente amiga é tão verdadeira que até parece mentira. Mas como a pimenta no cú dos outros é refresco, bola prá frente, noé! E, venham daí setenta paus vezes dois! Explico: - Setenta para o urólogo Sezinando mais outros Setenta para o tal jovem doutor Pedro que tirou o carrapato. Carrapato que meteu num frasco para mostrar a seus pupilos! Cento e quarenta paus, é mesmo muito cumbú.

carrapato2.png Ontem, calhou-me a valer! Agarrar carrapatos genuinamente genuínos; o urólogo pediu-me uma catrefada de análises que vou ter de tirar lá para a frente, quando o meu médico de família entender! Mas que minutos mais compridos e comprimidos de nossas vidas, noé! Se você que se está aí a rir, tiver que ir ao médico, logologo depois de andar pelo mato com ou sem cachorro, leve uma pinça no bolso! Poupará assim este contratempo… Háca, meu pai de santo! Isto só mesmo comigo. Agora, só mesmo passeios de bicicleta...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:03
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Domingo, 19 de Junho de 2016
NIASSALÂNDIA . III

TEMPOS DORMIDOSEntre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido …

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Nasci em alto mar num barco chamado Niassa. Assim conta a minha lenda por preterir ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada ao vento para encobrir coisas desacontecidas…

caixa0.png Antes do universo entrar em colapso outra vez e, isso deve ser daqui a dez bilhões de anos, eu quero ser capaz de me lembrar dos preços do dia seguinte e fazer uma fortuna no mercado de acções! Quero saber os números de loteria uma semana mais tarde para jogar pela certa e ficar respeitosamente rico. Talvez se lhes pareça demasiado preocupado com o que acontecerá quando o universo entrar em colapso, mas neste prelúdio abstracto de manobrar o tempo pulando nestes buracos negros financeiros, quero viajar para o futuro sim!

caixa.jpg Quero saber quantos bancos irão ficar atascados na lama dos buracos que surgem no meu mundo do M´Puto em que há bruxos a fazer de todos os demais parvos! Decerto que estes sujeitos engenheiros financeiros e afins já foram ao futuro e vieram para noa atazanar. Só pode ser!

caixa2.jpg Ainda o Banif está em apuros de negligência e aparece a Caixa, meu Nosso Senhor, Caixa, cofre do estado a ser indiciado como coisa incredível! Isto está mesmo a contrair-se, a implodir-se. Para endireitar este estado as pessoas na fase de contracção terão de viver suas vidas de trás para a frente! Terão de morrer antes de ter nascido e ficarem mais jovens à medida que este nosso universo se contrai. Temporal, ou não, terá de se fazer uma reversão para escapulir a tantos buracos negros bancários!

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Já não chega alimentarmos nossos filhos licenciados no desemprego, senão agora enfrentarmos mais ratadas no vencimento para acudir à incúria de magos governantes que jogam na roleta, nossa sobrevivência. E, nada lhes sucede! Meu Deus, se tu fizeste um universo justo vem de novo cá abaixo ver isto! É por isso que a Teoria da Incerteza caiu em cheio em meu colo quântico para entender o sofrimento de gente preterida por inteligentes que só existem na pseudo-espansão, um descarado engano no superlativo absoluto, nome de roubo.

caixa4.jpg Aqui no M´Puto, o progresso da raça humana tenta compreender de como o Universo estabeleceu um cantinho de ordem assim tão completamente desordenado, descoordenado chamado de Portugal! Enquanto Você me lê, perde mil calorias de energia termodinâmica ordenada na forma de alimento e calor perdendo-o para a atmosfera em torno por convecção de seu suor. E, a desordem de nosso universo aumenta em milhões de milhões. Sempre milhões de Euros, de cumbu vivo…

caixa3.jpg O tempo foi tratado como uma linha ferroviária directa, e na qual só podemos ir em uma direcção ou na outra. E, é pena que a lei da relatividade não nos permita viajar no tempo. Se cada um de nós mede o tempo com o relógio que carrega, é possível que o tempo para os viajantes espaciais se pareça mais curto! Pois então se assim é, quero ir para o espaço e quando regressar quero ver essa gentinha na pildra.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:02
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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