Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017
MUXIMA . LXIX

ONGWEVA DE ANGOLA ... SAUDADE – Os comerciantes do mato e os camionistas - Angola era um cantinho doce do inferno … 

soba k.jpg As escolhas de T´Chingange

Por

torres23.jpgEduardo Torres – Um Chicoronho de 3ª geração - Deus também usava Vick VapourRub para as constipações, mais o óleo de fígado de bacalhau .

Memorias do FB - 25 de Novembro de 2015

camionista 2.jpg Normalmente, junto-me ao meu amigo e vizinho, que vive em frente ao bloco de apartamentos onde habito, cidade de Portimão; somos quase da mesma idade, ambos ex-funcionários da Câmara, ele topógrafo na de Luanda e eu desenhador, na de Sã da Bandeira. Conversamos sobre vários temas da actualidade, mas a conversa acaba sempre na ongweva dos nossos idos tempos de Angola. De um tempo antes de aparecer a penicilina, que se morria mais das infecções do que propriamente das operações, da beladona, pomada para determinados tratamentos, do permanganato milagroso no tratamento de feridas e algumas infecções. Do uso do bicarbonato de sódio para bochechar a boca, dar molho aos pés e usar no caldo verde para ficar mais verde.

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Com alguns trejeitos de muxoxos lembramos as ventosas para se tratar a pneumonia, das papas de linhaça, do famoso Vick VapourRub para as constipações, no óleo de fígado de bacalhau tomado no tempo do frio, do aparecimento do leite em pó Nido e Nestlé, das sulfamidas que tratavam tudo, e sobretudo, da vida difícil desses tempos em que os recursos eram escassos.

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E, vinha a época das chuvas em que uma viagem se tornava periclitante. Tínhamos de estar precavidos para tudo; essas viagens podiam durar um dia como de uma semana. Na Angola desse tempo vivia-se com muita solidariedade entre as pessoas. Os camionistas, neste aspecto, eram uma classe muito especial; com enormes dificuldades para fazer percursos lamacentos juntarem-se em grupo para não ficarem sós naqueles ermos de mata fechada, medonha nas noites de trovoada, um desabar do céu feito água.

camioneta 3.jpg Ou mesmo um deserto sem coisa alguma por quilómetros e quilómetros; por ter surgido um obstáculo ali ficavam dias sem poder continuar; juntos, conhecidos ou não, utilizavam seus  meios de desenrasca, usando arames, tubos e paus, as engenhocas possíveis para resolverem as panes. Tornavam-se amigos e, essa amizade simbolizava a força da união na estrada.

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As vendas do mato, eram sempre ponto de paragem obrigatório, para se beber uma cerveja, falar das novidades, por a conversa em dia. Cada um, à sua maneira, procurava ser solidário na resolução de qualquer problema. Isso enaltecia-os. Eram eles o traço de união das gentes que viviam internados no cú de judas e as outras, que viviam em lugarejos com uma igreja, um adro e três ou quatro casas de taipa e umas quantas palhotas.

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Eram o sangue vigoroso que circulava nas veias difíceis, as estradas, e que fazia bater forte o coração dessa imensa e grandiosa terra, inóspita, mas singularmente terna e apaixonante; com cheiros especiais de chuva, de pó, de cacimbo e ternuras. É uma ongweva de vivências que só desaparecerá com o tempo, com o fim do ciclo de uma vida.

nasch1.jpg Procurarei deixar bem explícito que Africa não era a terra das patacas, como muitos pensavam, porque viam os verdadeiros colonialistas bem instalados aqui no Continente, a viverem do trabalho de quem mantinha a produção das sua roças de café, do algodão, do sisal, dos administradores da Diamang e de todas as outras imensas riquezas que contribuíam para o enriquecimento do tesouro nacional.

EDU

Com umas pequenas intervenções de T´Chingange.



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:49
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017
PÉROLAS. I

“O PALAVRÓRIO DA FUNÇÃO ERUDITA” - Parte I

O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo…

soba k.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por

julio1.jpg JÚLIO FERROLHO…. Professor Aposentado mas pouco (!) - Agricultor nos intervalos da chuva, pastor, professor ainda e sempre!!! – Foi presidente do ISCAL - Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa - Aposentação e reforma após 49 anos de luta diária pela vida dia a dia, sem desistências nem interrupções…

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Prof. Júlio Ferrolho é daqueles que nunca esquecemos determinadas aulas, conversas e ensinamentos! Um exemplo de como deveria ser o nosso ensino! Parabéns pelo exemplo que nos deu! – É este, um comentário que extraí de sua página e que aqui reproduzo sem prévia autorização. Tentei, tentei, mas deveria estar cuidando de seus perdigueiros…

julio3.jpgFigueira da Fóz

Sinto que nunca deixei de ser estudante! - AVISO: Este texto pode conter palavreado estranho e aparentemente incoerente. As pessoas mais sensíveis a este fenómeno devem abster-se de o ler. (COMO NÃO SOU ESPECIALISTA DEIXAREI PARA OUTRO MOMENTO ainda muitas QUESTÕES e sobretudo as SAGRADAS relacionadas COM O TEMA)…

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A ciência é caracterizada como o conhecimento racional, sistemático, exacto, verificável e, contudo, falível. Através da investigação científica, o homem vai atingindo uma reconstrução conceitual dinâmica do mundo que é cada vez mais ampla, profunda e exacta.

roxomania2.jpgO homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo, mas enriquecê-lo para construir outros universos. Manipula e remodela a natureza submetendo-a às suas necessidades materiais e espirituais, bem como aos seus sonhos. Criou assim o mundo dos sonhos, das quimeras, dos artefactos e o mundo da cultura.

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A actividade da Ciência - como a investigação - pertence à vida social na medida em que é aplicada para melhorar o nosso meio, tanto natural como artificial, para inventar e construir ou fabricar bens materiais e produzir bens culturais ou imateriais. Deste modo a ciência transformou-se em tecnologia e arte.

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Por outro prisma, a ciência surge aos nossos olhos como a mais deslumbrante e assombrosa das estrelas quando a consideramos como um bem em si, isto é como uma produtora de nova actividade de ideias (investigação científica e o seu resultado, a inovação).

socie1.jpgA epistemologia encerra, em termos sintéticos, a teoria do conhecimento. Mas podemos considerá-la como o estudo crítico dos princípios, hipóteses, e resultados das diferentes ciências, procurando determinar-lhes a origem, a lógica, o valor e o alcance objectivo.

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Nem toda a pesquisa científica visa obter um conhecimento objectivo. A lógica e a matemática - ou seja, os vários sistemas de lógica formal - e os diferentes capítulos da matemática pura são racionais, sistemáticos e verificáveis, mas não são objectivos; não nos dão informações sobre a realidade porque não estão simplesmente preocupadas com os factos.

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A lógica e a matemática tentam construir entidades ideais; estas só existem na mente humana. Elas não recebem objectos de estudo: constroem os seus próprios objectos. É verdade que muitas vezes fazem-no por abstracção dos objectos reais (naturais e sociais). Além disso, o trabalho lógico ou matemático muitas vezes atende às necessidades do naturalista, do sociólogo ou do tecnólogo e é por esta razão que a sociedade tolera estas actividades e até parece estimulá-las. A física, a química, a fisiologia, a psicologia, a economia e outras ciências usam a matemática como uma ferramenta para fazer a reconstrução mais precisa das relações complexas que ocorrem entre os factos que estudam e interpretam e os vários aspectos destes.

roxo107.jpg Um dos aspectos fulcrais da ciência é a questão do MÉTODO CIENTÍFICO que deve ser seguido para chegar a conclusões científicas. A metodologia científica tem a sua origem no pensamento do filósofo francês Descartes, que foi posteriormente desenvolvida empiricamente pelo físico inglês Isaac Newton.

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René Descartes propôs chegar à verdade através da dúvida sistemática e da decomposição de qualquer problema nas suas pequenas partes constituintes, características que definiriam a base da investigação científica. Escreveu um livro famoso “Discurso do Método" onde afirma:

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''E como a multiplicidade das leis serve frequentemente para escusar os vícios, de sorte que um estado é muito melhor governado quando, possuindo poucas, elas são aí rigorosamente aplicadas, assim, em lugar de um grande número de preceitos dos quais a lógica é composta, acrediteis que já me seriam bastante quatro, contanto que tomasse a firme e constante resolução de não deixar uma vez só de observá-las.

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A PRIMEIRA consistiria em nunca aceitar, por verdadeira, coisa nenhuma que não conhecesse como evidente; isto é, devia evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção; e nada incluir em meus juízos que não se apresentasse tão claramente e tão distintamente ao meu espírito que não tivesse nenhuma ocasião de o pôr em dúvida.

tonito3.jpg A SEGUNDA – dividir cada uma das dificuldades que examinasse em tantas parcelas quantas pudessem ser e fossem exigidas para melhor compreendê-las. A TERCEIRA – conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objectos mais simples e fáceis de serem conhecidos, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo certa ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros. E por último – fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais, que ficasse certo de nada omitir''.

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Correntemente estas regras são: 1) da evidência; 2) da divisão ou análise; 3) da ordem ou dedução; e, 4) da enumeração (contar, especificar, e classificar).

(…CONTINUA).

JCF, 14-02-2017

rosa1.jpgNOTA: O tema PÉROLAS surgiu de uma daquelas conversas no FB ventilando algo assim: O que interessa fazer vale a pena fazer bem feito! Vi logo que aqui havia um rigor de cátedra e fui ficando de lado ouvindo como é recomendável e, quando se tem como interlocutor um Professor sapiente. Assunção Roxo também costurou umas ideias lindas bordeadas com suas pinturas holográficas. Foi o nosso Portal! Fiquei matutando na bruma, cores psicadélicas e, assim embebido na sabedoria com arte resolvi fazer uma surpresa com o tema PÉROLAS. Assim ao jeito de prefácio corro as cortinas para futuras pérolas enfeitadas com os roxos coloridos dos arco-íris de Assunção Roxo. Perdoem esta libertina ideia do soba fantasma ´T´Chingange, um despropósito de figura mas, na forma original das superstições de áfrica- N´Gola

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:38
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2017
MUXOXO . XLVII

TEMPOS CINZENTOS . 3ª Parte  – 21.02.2016  

Na dúvida entre o ser-se agnóstico ou coisa nenhuma faço gaifonas à liberdade! Passei a andar com um pau bifurcado na ponta para apanhar cobras...

Por

soba15.jpgT´Chingange

(…) Descrevendo a forma de execução da estrada e a partir do levantamento, observação solar, de estabelecer a directriz de forma aleatória até chegarmos a San José Del Tisnado em Venezuela, voltamos de novo às pequenas nuances de um projecto que é traçado no mapa entre dois ou mais sítios e depois em a tarefa do geómetra, topógrafos, niveladores por forma a ficar em gabinete tudo desenhado. Daqui sairá o cálculo de volumes de terras, sua deslocação, desmonte de rochas e terras com uso de explosivos, máquinas, trato de pormenores ambientais, execução de pontes e pontões e um sem fim de tarefas até que se proporcione a circulação de veículos motores.

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Neste particular caso, todo o traçado foi por mim estabelecido a partir do esboço original  e seguindo os preceitos considerados acertados em tal tarefa. Assim andando à frente e atrás ia sinalizando com fitas de vermelho e banco o traçado presumível, desviando o percurso de falésias e, ou rochedos de grande porte ecolhendo o melhor local para execução de pontões ou pontes nas linhas de água significativos e ou rios.

tigra1.jpg As surpresas neste desbravar de terrenos selvagens eram muitas como se pode calcular; um certo dia ia caindo num fosso com babas, jacarés bebes ou caimanes como ali se chamavam. Alguém os armazenava ali furtivamente para com eles fazer pisa-papéis ou outros tipos de enfeite depois de cuidados por embalsamento. Era uma crueldade que creio ter continuidade até os dias de hoje porque as pessoas viram-se na vida como podem.

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As instituições sendo insuficientes são dadas ao desleixo assim de cada um por si e ao acaso. As autoridades passeiam-se para a foto e simulam ligeireza dando guarida a uma trupe de gente a ele colados. E, não perdem nenhuma inauguração com fanfarra e palavras importantes, quase sempre bonitas e de fácil apreensão ao ouvido do povão.

tigra2.jpg Em um outro dia, surge um trabalhador com uma cobra de tom amarelado enrolada ao pescoço a subir para a chevrollet de tracção às quatro rodas. Mas que és isto hombre? Perguntei com algum asco que fazia ali aquele bicho ondulando  asquerosas manchas. Mas, engenheiro, esta cobra não faz mal a ninguém, visse! Ele, simplesmente respondeu que era sua mascote, cuidadora de sua casa, rateira do seu jardim e mais justificativas que não vêem em causa. Bueno! Tive de me adaptar a esta nova criatura mas, sempre com o respeito de medo e, de longe.

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Em outro dia, afastando um ramo e mais outro para divisar o rumo dos trabalhos, estanco num repentemente, pulo para trás; a maldita da cobra, uma outra lá estava empinada nos ramos e fazendo assim-assim para os lados num vaivém de meter medo ao próprio tarzan. Sua língua bifurcada sondava meu medo, meu suor, minha adrenalina até os cocurutos do meu ADN. Mas que vida esta meu nosso Senhor.

tigra3.jpg E ele o Senhor, rindo-se de mim, de minha parca braveza; ele tinha mais que fazer senão dar troco a um medricas; para além do mais a cobra é um ser que faz muita falta à natureza, mais do que eu! Tive de controlar o medo sozinho e lidar com elas, as cobras, sem me depenicar. Passei a andar com um pau bifurcado na ponta. Por último já fazia diabrura com elas, apertava-lhe o gasganete e deixava-as ir em liberdade depois de lhe transmitir o raspanete. Venci o medo na marra! Podem crer!

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Munhoz, um auxiliar que levava o tripé do teodolito para as estações  topográficas, assim com um dedo na boca e olhando de soslaio para cima , indica-me algo que por ali anda entre aqueles monstros de àrvores. É o quê? Perguntei. É um bicho igual àquele que hoje o engenheiro comeu no desaiuno, uma iguana! Caramba! Eu comi aquilo? Não pode ser; eu comi galinha metida numa arepa! Pois é  hermano engenheiro, uted  comeu  daquele um outro bicho igualito a este.   Uf! Para o que um topografo, engenheiro das slvas não tem que estar preparado!.

tigra5.jpg Todos os dias havia um caos ou causo mais insólito do que o outro. Hugo, vem até mim alvoroçado falando aos solavancos, mexendo a machete (catana) de forma desabrida, que não podíamos passar por ali! Havia uma culebra tigra tomando sol na clareira que se tinha aberto dois dias antes. Engenheiro, nós temos de passar a lo largo de ella porque ela tem crias e é perigosa quando está assi! Ellas no puedem ser molestadas; corre atrás de nosotros até morder, sabe! No puedem ser molestadas! Conchale, vale chico… és mui peligrosa! Mala suerte la mia,  putana de la madre que la pariu, que sabia yo, conho!... Se eles que eram dali e tinham medo àquela tigra, como é que eu não iria ter! E, acabamos por fazer um círculo porque dona tigra verde assim nos determinava!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:25
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017
FRATERNIDADES . CXI

EM ANGOLA ONGWEVA É SAUDADEDevaneios nas memórias do FB - 31 de Janeiro de 2015 - A história de Angola é uma epopeia feita a caminhar, ou  em tipóia…

Por

Torres0.jpg Eduardo Torres – 20.02.2017 - Um Xicoronho de 3ª geração - Deus quando nos permitiu a faculdade de pensar garantiu-nos também o uso dessa liberdade …

soba k.jpgAs escolhas de T`Chingange

NASH.jpgHá largos anos, tantos que não interessa contá-los nessa Angola imensa, onde as cachoeiras derramam água por entre rochedos seculares, em que o verde da floresta, se confunde numa só cor pela grandiosidade da sua dimensão, as savanas beijadas pelo vento formam elas a própria linha do horizonte. Vasto e longínquo, as areias, numa dança que transcende o imaginável, em constante movimento que  formam as dunas que se transferem de uns lugares para outros num deserto privilegiado por uma espécie de planta única de nome Welwitschia Mirabilis, n´tumbo em dialecto local.

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Num céu em que o sol surge brilhante e quente, céu que pode ser de azul único ou povoado de imensas nuvens negras e medonhas com os raios a cruzarem-se anunciando uma tempestade africana, pois num pedaço dessa Angola, num planalto situado na cadeia montanhosa da Chela, um punhado de homens e mulheres, desembarcados em Moçâmedes, vindos da ilha da Madeira, pérola do Atlântico e, para ali com sonho sonhos conseguirem uma nova pérola! E, conseguiram!

nauk2.jpg Num continente tão diferente da ilha que tinham deixado para trás, tão distante que já fazia doer a saudade, fortes na sua crença, valentes na sua fé, talharam-se para o sofrimento. Cavaram a terra para cultivar; para enterrar; para fazer alicerces e fizeram calos de doer até que outros homens lhe fizeram outro destino e dali saíram de novo para a diáspora. Muitos já nada tinham a ver com aquela ilha que continua bonita.

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E foi assim, temperados pela força que lhes ia na alma, pelo esforço sobre-humano que cada um tinha dentro de si, recomeçar de novo, regar a terra com lágrimas de dor, suportar injustiças que sem esforço desmobilizaram os pioneiros de antanho idos na “tentativa Feliz” um vapor que honrava o propósito com seu nome.

nash6.jpg Com o empenho habitual foram de novo à luta com outros milhares de gentes destroçadas, de novo a vontade de vencer, porque nunca iriam desistir; A concretização do sonho, primeiro num pequeno lugar, chamado Lubango, por lá ficou assim como uma duna ao sabor do vento, de outras vontades e sonhos diferentes para depois com o tempo, fazer-se novo tempo.

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Oportunidades diferentes, vontades com outras fés. Para comprovar a antiga fé, lá está a Capela da Senhora do Monte, cuja imagem com eles foram para lhes garantir a força quanto baste. Para quando ela lhes faltasse, orassem de novo para a fé não desvanecer.

maga2.jpg Surgiu uma nova realidade, uma nova urbe derivada de Sá da Bandeira, a Lubango de agora. E, aqui longe da cidade que me viu nascer, ainda me sinto orgulhoso, de fazer pare dessa historia e de ser descendente directo dessa gente com têmpera, que permitiu tornar possível uma realidade que não acaba só aqui.

carro de pau.jpg Vão longe os tempos de miúdo, naquela época em qua até o sabão azul ou macaco era importado. E, eu a aproveitava as caixas vazias para depois de desmanchadas, aproveitar a as tábuas e pregos, com o serrote e o martelo, construir as minhas camionetas, meus carrinhos de rolamentos, meus nash de fricção.

EDU

Compilação de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:57
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2017
CAFUFUILA . CXX

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 16ª parte

A surrealidade está-lhe no sangue! Usa pinceis electrónicos na forma de gigabaites holográficos…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Na ultima parte do mussendo, 15º episodio, falei do porquê esta kianda Roxo de Guaxuma andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber no consciente desta sua dupla vida, compartilhando xispanços de tinta com particular maestria e, do porquê das cores cibernéticas confundindo-nos com holografias psicoroxas. Mas sabemo agora que nasceu às margens do lago Chivero.

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Sabemos que sua mãe, também kianda de tez negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai  que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero, lugar que fazia fonteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai seu pai. E, que por via da política teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia por ser  um pambu-n´jila especial com Muxima. 

roxo114.jpg Como já repararam as kiandas andam no espaço-tempo em qualquer direcção e é por isso que nos parece a nós humanos impossiel reconhecer andar-se no ontem e antes de ontem ou há muitos anos atrás e ou, deslocarem-se no futuro deixando transparecer a nós mortais, somente o que nos é perceptível pela dedução; falar do futuro até para as kiandas é tabu – aos viventes  não se pode transmitir o amanhã, só o agora, lei básica da vida. O Universo tem regras que não estão ao nosso alcance engravida-las.

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É aqui que surgem os mambos longínquos com soldados Mafulos, por via das falas da Kianda Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa; fala do tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda, n´gwetas e dos desentendimentos com a rainha N´Zinga, mais outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba.

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O velho Niassalês descreve as festas axiluandas de então com kimbandas e t´chinganges pisoteando a terra, levantando poeira de encorajar kotas, jagas, sobas e m´fumos que iam chegando em alvoroço dos Dembos e de lá mais além do Kassange. Nos encontros, iam passando cabaças com malavo de cassoneira e, a cada grito dado pelos dançarinos guerreiros, o povo gritava kwata mwana-pwó, kwata mwana-pwó. Era a preparação duma guerra contra os Tugas n´gwetas entricheirados em Massangano por ordem dos Mafulos Holandses

to3.jpg Morgan Tsvangirai ficou avençado pelos Mwana-Pwós  com o posto de tenente de segunda linha; mandava os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de manutenção e limpeza ao forte, zelar pelos n´dongos de pesca e translado de coisas para a Kissama e das patrulhas de soberania aos  mares parados com lagoas até o Morro dos Imbondeiros e dos Elefantes da Maianga. Também tinham a caça e a pesca ao seu cuidado.

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M´fumos, iam chegando aos poucos como emissários da rainha N´Zinga M´Bandi da Matamba e do rei do Kongo Garcia II que, embora sendo cristianizado pelos Portugueses, com eles andava desentendido após a chegada dos Mafulos. Estes, teriam-lhe prometido poderes maiores e auxilio com armas do tipo de canhangulos e pederneiras. Eram preparativos duma união para fazerem o grande e final assalto a Massangano.

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Naquela fortaleza os Tugas resistiam aos Olandêses tapando-lhes as vias de comunicação ao mercado de escravos lá do interior fazendo emboscadas ou tocaias com azagaias venenosas, um método aprendido com os indios do brasil, uma cana comprida que depois de soprada dela saia um dardo mortífero.

café da avó1.jpg Por isso aquele mato metia  demasiado medo aos Mafulos. É aqui que entra o Senhor Mauricio de Nassau que desde o Recife Brasileiro mantia o negócio das peças m´bikas para os seus engenhos de assucar. Pernambuco e as capitânias adjacentes, estavam carentes de braços para fazer o cultivo da cana de açúcar e fazer andar os engenhos. A preguiça e cultura dos indios americanos não permitia seu uso no trabalho.

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Talvez por isto, seus lugares tenentes mantinham contacto com alguns negreiros  portugueses que detinham este negócio, pagando-lhes ainda mais do que a antiga coroa determinava. Era um quase pacto de negócio mantendo-os como principais fornecedores de peças á margem dos interesses dos reis do M´Puto. As ordens que vinham do Conde Maurício de Nassau a partir de Olinda eram de subornar a todo o custo os intervenientes funantes do mato de N´Gola no negocio escravo.

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Estava em causa a política comercial da Companhia das Índias Ocidentais... o lucro! E, Portugal que era agora pertença dos espanhois não havia por isso empenho nestas politicas de tanto trabalho; preferiam estabelecer severas taxas de soberania aos amerideos de seus territórios com pagas em ouro. As mordomias do reis Filipe de Castela, Asturias, Galiza, Catalunha Portugal e Andalazia eram muitas - isso impunha uma politica restritiva, sem  dispersão.

nassau0.jpg Redufina Kabasa mãe negra da Kianda Roxo estremava-se ensinando a sua filha maneiras de comportamento e era vê-la brincar com candengues  brancos e pardos no átrio da missão! Bem cedo se destacou nas habilidades de colorir os jogos de desenho, nos riscos da cabra cega; qualquer argila era motivo para dali sair pintura ou escultura bem à moda dos trabalhadores de talha do pequeno altar da igreja  da muxima!

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Sua tia N´ga Maria Káfutila de linhagem nobre do reino do Kongo ajudava meu pai Januário Pieter na quinda do mercado da paliça vendendo malavo e quitoto ou permutando com os indígenas ou mesmo n´gwetas produtos da terra como ginguba e fuba de mandioca. A fuba originava um prato apetecível chamado de funge ou pirão, um preparo a partir da mandioca. E, ela tornou-se assim uma cozinheira de primeira mão mas, prefere suas fluorescências.

n´zinga.jpg Mais tarde começaram a fazer uso das folhas do pau de mandioca que era passada por cinco fervuras para anular o veneno da coisa e, a isto chamaram Saka-saka que impregnada de azeite de palma dava origem ao prato mais típico dos Kaluandas, a moamba com quiabos e jimboa. E, foram os Portugueses que a levaram do Brasil para N´Gola embora queiram fazer crer o contrário disto. N´Gola nunca vai poder dissociar-se dos Tugas por esta e outras singelas razões.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:04
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017
KIANDA . LI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…

Por

soba17.jpgT´Chingange

Hoje e, como sempre, comecei o dia fazendo talassoterapia e, enquanto ginasticava os músculos alongando e torcendo-os por modo a melhorar os sítios nevrálgicos, os tais do costumeiro reumatóide, olho os toques de bola que meus vizinhos praticam todos os santos dias e a partir das seis da manhã. É uma habilidade de manobras de vai e vem com esquindiva e olha o buraco, usando a cabeça, tronco e pés. Ao terceiro toque com uma daquelas partes do corpo a bola é mandada para o outro lado na forma mais difícil.

eça5.jpgOs dois adversários de cada lado da rede têm de ter os instintos apurados e ver em simultâneo as falhas. Sua visão periférica conta muito para que o toque seja bem-sucedido. É importante fazer um bom aquecimento antes da partida em virtude de haver muitas lesões, devido fundamentalmente às mudanças rápidas do corpo. Ou se está bem preparado fisicamente ou a resposta técnica sai defraudada. Enquanto isto, numa tarefa de três em um, ia pensando como fazer preparo da carne de charque de cupim, para o almoço; carne comprada na feirinha de Jatiúca. Assim mentalmente anotava os onze passos e, que aqui vou anotar por ordem numerada os passos, para não voltar a forçar a cuca:

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1 - O charque não leva sal no preparo que dura 12 horas; 1b - Lavar bem a carne; 2 colocar em uma vasilha e cobrir a carne com água; 3 - mudar a água a cada três, quatro horas e por três vezes; 4 - cortar a carne em cubos com 2 a centímetros; 5 - colocar em uma panela coberta com água; 6 - para cada Kg de carne colocar uma colhere de sal; 7- levar ao fogo até borbulhar e criar uma espuma branca por cima.

fut1.jpg

 7a - desligar o fogo; 8 - escorrer a carne e provar; 9 Para cada 500 gramas cozinhar na panela de pressão por 30 minutos; 10 - retirar o excesso de gordura; 11 - pode-se liquidificar parte da carne, desfiar a outra e juntá-las. Mentalmente, anotei os onze passos. Sempre revendo coisas, voo a outros pensamentos, muitas viagens com morada ou estadia prolongada por muitos países.

niassa.jpg Contando-os cheguei ao número 24 dando-me ao desfrute de os alinhar de forma aleatória: - Angola*; Portugal*; Brasil*; Namíbia*; Moçambique*; Venezuela*; África do Sul*, Espanha*; Marrocos; França; Itália; Zimbabwe´; Botswana; Suazilândia*; México; Lesoto; Bolívia; Chile; Argentina; Turquia; Inglaterra; Dubai; Estados Unidos da América e Argentina.

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O Niassa meu berço natalino não entra neste computo por já ter sido desmantelado em uma siderurgia de Bilbao em 1979, quatro anos depois de ter transportado as últimas tropas do M´Puto até à metrópole e, também a ultima bandeira portuguesa hasteada no Palácio da Cidade Alta de Luanda. Se tivesse de escolher um daqueles países para viver de novo optaria por viver em um vapor e só depois em uma Angola, Namíbia ou Brasil.

bra1.jpg Tenho razões de sobra para não optar por Portugal mas não rejeito ser português porque me orgulha sua gesta heróica de idos tempos. Eu até sei que o orgulho é a catarata que obscurece a vista de qualquer um e, que  de nada serve apresentar a luz a um cego. Também sei que o maior cego não é aquele que não vê mas, aquele que não quer ver.

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O que nos leva a decidir na escolha da terra para se viver é um conjunto muito vasto de razões pessoais, sociais, culturais e fundamentalmente dos sentimentos. A rejeição a tantos é mais por desencanto, locais frios e amargas vivências; desilusões e frustrações por parte de gente que deveria ser amável e que na altura certa não o foi; tivemos de singrar entre muita apatia e injustiça.

niassa8.jpg Pela língua aglutinadora de fados, futebóis e outros edecéteras, deveria colocar o M´Puto em 1º lugar, terra de meus pais com ascendentes e descendentes com gente de barlavento e sotavento, da raia, da Beira ou Alentejo mas, quis o destino excêntrico quanto baste de me fazer optar por um vapor, navio de águas profundas saído da sucata da primeira grande guerra como local de nascimento: - Niassa!

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Assim balouçado pelo mar, quero permanecer por opção ser um Niassalês. Muita gente dirá que esta postura minha vem dar forma a subir uns cagajésimos ao meu curriculum mas, que fique claro que é este o meu orgulho a fazer gaifonas às tais cataratas que me obscurecem o que não pretendo ver. Desde o onze de Novembro de 1975 que me sinto um desclassificado cidadão e, assim irei continuar…Por agora sinto-me bem no Brasil, terra dos meus “egrégios avós” como diz o hino…

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017
PARACUCA . XXIII

TEMPOS DORMIDOS - Entre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido da fábrica de Letras in Kizomba com estórias da vida …

Por

soba15.jpg T´Chingange

No quase fim de ano de 2016 rapidamente cheguei ao posfácio dos singelos poemas de Emanoel Fay. E, passando pelas mensagens as correcções, os elogios, as ornamentadas homenagens com prémios e comendas e, sempre em letras volumétricas, perfumei-me nas simples palavras de tocar sinos em dias de Nossa Senhora da Aparecida, uma santa que três pescadores acharam numa das muitas lagoas da costa brasileira.

peter0.jpg Escultura de pau escuro, quem sabe saída do tal naufrágio em que os índios comeram o primeiríssimo bispo do Brasil de nome Sardinha. Também com este nome não se poderia esperar um fim mais apropriado e digno. Dom Pedro Fernandes Sardinha, ou Pero Sardinha, nascido em Évora em 1496 e papado pelos Caetés de Alagoas, Coruripe do Brasil no ano de 1556.

sardinha0.jpg Essa vila de Coruripe ainda hoje paga um laudémio à Santa Igreja por tamanho forró descabido em que gente desnuda, musculosa e de tez parda que assou mais de oitenta náufragos. Ao lugar chamam agora de Feliz Deserto. Como pode ter acontecido estas coisas numa terra tão linda e pacífica aonde os biquínis deram lugar ao fio tapador de bunda.

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Voltando aos três pescadores, como nesse dia o peixe foi avondo, a crença milagrou o acontecido. Creio que meu avô Loureiro estava por perto e, porque misteriosamente, encontro na sala da casa de um primo meu, no lugar de Barbeita da Beira Alta, perto de Viseu, uma imagem dessa Senhora. Coisa inaudita porque ali no M´Puto não há nenhuma Nossa Senhora preta.

amilcar 3.jpg Só podia mesmo ter sido do Senhor Manuel Loureiro, meu avô que depois de deixar duas filhas em sítio incerto, rumou de novo para Portugal, tísico chupado das mulatas, como se dizia nesse então. Em Barbeita há sim a Nossa Senhora do Parto muito carregada de oiros nos dias de festa. No quinze de Agosto saem com Ela a dar um passeio pela urbe meia medieval e é bonito de ver as bandeiras estandartes. Homens de batina branca esvoaçando ternuras alinhada entre muros graníticos de pedra solta, musgosas.

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Homens da hermandade de Santo António da qual eu pertenço desde que nasci. Sou sim, membro desde que dei o primeiríssimo berro balouçado em um barco com o nome de Niassa em águas territoriais de N´Gola. Bom! Voltando ao livro e da frente para trás chego às miniografias, letra grande e esparsa com referência eméritas à terra dos Marechais aonde se fala de seus pecados enaltecendo as almas.

bruno17.jpg Muitas almas, que agora andarão penadas com suas grandes espadas enfiadas em coiros e mistérios de palavras doces como sempre convém constar em prosas versejadas e versos singelos dedicados àquela Nossa Senhora duma vasta eucaristia de muitas Marias na terra. Coisas de dedicação mariana de quem sabe as paradas de todos os calvários. 

paracuca1.jpg Com egos engravidados solo suspiros de sonhos na forma de louros de oliveira, solto pétalas e folhas acerosas de chá caxinde, capim-santo ou cidreira chegando ao prefácio. Aqui, mergulho todinho na água benta, água da vida presenteando difusas carícias, como brisas esbarrando nos ventos e também questiúnculas de métrica e rima.

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Da singeleza de tudo assim fiquei ungido de sem regras no linguajar e formas nova, revolucionárias talvez e desprovidas de regras. Nesta vanguarda estética dizer que desgostei, não faz parte do meu Adeus porque gosto das pessoas e seu lado bom em detrimento do outro lado que não serve nem ao próprio nem a ninguém.

pa3.jpg

*Paracuca: - 500 gr de ginguba sem ser torrada, 250 gr de açúcar (ou mais), 2 chávenas de água - Preparação: Juntar todos os ingredientes numa vasilha e levar a lume brando. Vá mexendo, sempre, até a mistura ficar solta. Deite num tabuleiro (agitando para ficar solta) para arrefecer.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Domingo, 12 de Fevereiro de 2017
MALAMBAS . CLXV

TEMPOS ESPACIAIS12.02.2017 - Quando o tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza sarando as feridas da mente e do corpo… As Pérolas são produtos da dor - "Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas*."...

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Apesar da resistência à inovação científica pelos próprios cientistas, verifica-se na história das ciências existirem “mudanças de paradigma” que terão de ser matéria de interesse para filósofos, sociólogos e teólogos. As artes de comunicar ciência com inovação e conflitos teóricos, terão cada vez mais de se azimutar às explicações possíveis aonde o racionalismo vence a irracionalidade. Não interessa mencionar nomes porque nem todos farão parte da “ínclita geração” no universo das novas tecnologias.

zep5.jpeg

 

A propósito falei em azimutar e não rumar porque enquanto no rumar há quatro possíveis direcções segundo um dos quatro quadrantes enquanto no azimute teremos uma única direcção a partir dum ponto considerado dirigida ou norte do evento e, a partir de um zero ou singularidade. Estes azimutes de forma côngrua irão desenvolver-se em espiral até conseguir chegar ao ponto de optimização na ponta da espiral.

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Estas ideias minhas, vão para além dos dados radianos mas, tendo o pi de 3,1417… como dado essencial porque é este, parte integrante da geometria terreste, confinada ao seu geóide e elipsóide. Em princípio, idiotas seremos todos nós, mas sempre haverá um outro mais capacitado que desenvolva essa espiral muito para lá dos 180, 360 e 720 graus.

zanzi6.jpg Mas, que eu saiba só o designado santo homem Eliseu e de forma fenomenal subiu aos céus de forma côngrua ainda em vida; ele tinha uma forte vontade de ir para junto de Deus e, foi em espiral que fez sua derradeira viagem astral. Creio que por lá ficou! Muitos acham que Elias foi ao céu em carro de fogo e com cavalos de fogo e, edecéteras! Seria um ET? Porque não!

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Diz a Bíblia que ele subiu em um redemoinho mas, cada um de nós vai interpretar isto de uma outra qualquer forma; outros acharão ser uma patranha maior do que o universo desconhecendo que este não tem fim. E, em verdade nem resultará irem desenterrar ossos feitos cinza, as queixadas dum qualquer santo ou mesmo escritos apócrifos porque há verdades que nunca estarão em nosso alcance. A incerteza sempre irá prevalecer porque o condão do saber e do querer sempre estarão encerrados na ilusão que somos, nada! Nunca iremos descobrir tudo e melhor será, este assim.

pap1.jpg O que importa mesmo reter é o revelar de relações entre as coisas, mesmo partindo de hipóteses falsas, premissas incertas. Na minha leitura diária pude verificar que segundo Mário Bunge um entendido em filosofia da física, que todo o coro de ideias científicas, serão avaliadas à luz de resultados a partir de tipos de testes a saber: 1-metateóricos, 2-interteóricos, 3-filosóficos e 4-empíricos.

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E, não se faz nenhum exame empírico a uma teoria senão depois de ela ter passado no crivo dos três primeiros testes. Estes carolas torram nossos neurónios a começar pelo palavrório da sua função erudita. Nessa conjugação, o metateórico apoia-se na forma de conteúdo da teoria, particularmente a sua consistência interna. O teste interteóricos procura analisar a compatibilidade da nova teoria com outra.

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Só depois virá a prova filosófica situada no campo da respeitabilidade metafísica e epistemológica dos conflitos e pressupostos da nova teoria à luz de algum sistema filosófico. Cada um destes palavrões requer pesquisa apurada para penetrar nos neurónios e, de forma acertada, ser arrumada nos gavetões certos da compreensão.

nasc2.jpgPor último, vem o teste empírico, resultado do confronto com os factos experimentais. Como se pode concluir em ciência, quando tudo chega até nós já passou por um filtro e, que muitas vezes tem a respeitabilidade “Ad Hoc” e de forma arbitrária. Só depois e com as críticas de entendidos na matéria, é que surgirá o tal de “racionalismo” de pretensão universal com um simples “A priori”.

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Por hoje fico-me por aqui sem entrar no campo da logicidade plausível. Não fique assim matutando e, tente entender as dificuldades da ciência com a suprema “Teoria da Incerteza” ou um simples “Só sei que nada sei”. Teremos sempre de ter em conta que os homens e mulheres com projecção viram monumentos; Nestes se acoitarão bichezas menores e qualquer animal inferior que por ali fara suas necessidades e, porque não têem conceitos de alma.

perola3.jpg*Nota: As pérolas são hodiernas e pertença de Júlio Ferrolho, um professor analista de números cifrados, atento aos meus ditames; melhor, meus erros…

O Soba T´Chingange 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:31
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Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2017
NIASSALÂNDIA . VI

MULOLAS DO TEMPO - ROXOMANIA - 09.02.2017 - Nós e o mundo … Teremos de nos regularmos em contra regras porque as brisas esbarram nas caricias…

Niassalândia é o meu país.

Por

soba02.jpeg T´Chingange - Nasceu em alto mar num barco chamado Niassa. Assim conta a minha lenda por preterir ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada ao vento para encobrir coisas desacontecidas…

alhambra1.jpg Em tudo, haverá sempre uma forma de fazer um novo início para determinar um novo fim. Certos homens, penetrando em mistérios e, muito certos de suas capacidades, ficam presunçosos e pseudo-sábios em dizer o que não sabem, tomando até suas ideias como verdadeiras. Fazem aceitar suas utopias escrupuleando-se em nomes que tomam emprestados para fazer aceitar suas teses e, mesmo sem usarem escapulário, usam e abusam de seus conceitos.

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E afinal, as revelações que cada um possa ter, serão sempre um cunho pessoal; o seu! O seu e, sem a autenticidade requerida. Eu, não as homologaria! Serão ideias que nem tampouco se podem considerar como apócrifas porque a vastidão do quórum se limita entre si e seu ele, dele ou dela!

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É imprudente aceitar ideias mal trabalhadas e sem a cobertura de um grande número de opiniões; muito menos promulgá-las como verdades absolutas! Ninguém só por si, pode fazer seu próprio julgamento vaticinando-se à toa e conjugando-se como árbitro da verdade.

mo1.jpg Quem tiver a ousadia de dizer “crede em tal coisa, porque nós vo-lo dizemos”, está a ser juiz em causa própria tal como que ”quem tiver ouvidos que ouça”. Sensatamente, isso aos nossos olhos não é outra coisa senão uma opinião pessoal. Opinião que pode ser verdadeira e justa ou o inverso disto. Não é por um princípio nos ter sido ensinado, que ele passe a ser o verdadeiro para nós em detrimento de outros que absorvemos como mais verossímeis.

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Do sistema de um só ao de todos, há a distância que nos leva do zero ao infinito. Quando se pensa que toda a água do mar se esgotou na maré seca, nós nos damos conta da existência de uma fonte que nunca seca.  

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As falas estéticas, vanguardeiam-se por novos linguajares e só sobressaem por em verdade serem um grito de rebelião ou teste ao mundo que não se entende com falas direitas e enganosas nas regras de e, com adendas falaciosas; que despromovem o cidadão a coisa, objecto, sujeito sem eira nem beira de paga e não bufas.

nauk3.jpg Teremos assim de no regularmos em contra-regra porque as brisas esbarram nas caricias, questiúnculas de métrica e rima. De novo, consultando Platão abriu-se-me dizendo: O homem é uma alma roxa, ela existiu unida aos tipos primordiais, às ideias do verdadeiro, do bem e do belo.

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Deles se separa em ser roxo e, recordando seu passado, está mais ou menos atormentada pelo desejo de a eles retornar. Assim fiquei estupefeito num conceito actual merecendo reflexão, o quanto baste. Quanto baste porque nos dias que correm há sempre uma segunda, terceira e uma quarta casca ateé chegar ao miolo sadio. Que saudades que tenho da aurora da minha vida.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:24
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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2017
NIASSALÂNDIA . V

MULOLAS DO TEMPO – 07.02.2017- Saboreando nosso chá das seis ou talvez sete, nos pós meridiano, já no cair da noite cálida de Maceió…

Niassalândia é o meu país.

Por

soba15.jpgT´Chingange - Nasceu em alto mar num barco chamado Niassa. Assim conta a minha lenda por preterir ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada ao vento para encobrir coisas desacontecidas…

Fiz amizade com Emanoel Fay, um juiz poeta da praça e, lendo suas quadras simples reduzi sua poesia a falas de singeleza, assim de forma emérita; um título honorífico concedido a pessoas que se destacaram em actividades académicas, religiosas ou judiciais e, após deixarem de exercer essas actividades como consta de seu cartão quase curriculum de seu poder judiciário; uma actividade já passada e, em cujas frinchas da vida, folgava seus devaneios e sonhos empilhando rimas de bem-querer.

sardinha0.jpg E, aqui no lugar do encontro há uma quadra de Fay, bem por cima e na coluna aonde agora saboreamos nosso chá das seis ou talvez sete, nos pós meridiano, quase no cair da noite cálida de Maceió. O cartão tem envolto em duas palmas de oliveira, iguais e reviradas contendo ao centro a silhueta de uma mulher toda tapada e de véu, ao jeito de venda no rosto segurando uma espada de longa lâmina na mão direita e sustendo uma balança em sua esquerda; esta balança tem os dois pratos equilibradamente nivelados, digamos, bem horizontais.

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A venda da silhueta significa tanto quanto sei de que a justiça é cega, muda e surda, coisas pensadas para tapear coitados que nada entendem das negociatas de coisas feitas de palavras hermafroditas, de palavras canibais que comem outras, pois assim um palavrório libatório com itens esdrúxulos no reconhecimento da industria da assinatura. Ressalvas e omissões a evitar contrições, verbos e adjectivos na proporção acertada da minúcia e, na dose certa de fazer valer superar o causo ao descaso.

FAY1.jpg Estes meus desaforos em nada têm a ver com o professor universitário Emanoel Fay, juiz de direito emérito que acabei de conhecer no centro comercial na companhia de seu filho e um já conhecido amigo meu que de longa data brincamos a vida dizendo tonteiras, também este ex-funcionário do poder judiciário, amigo e, com um nome nobre, Sérvio Túlio. Os nomes destes amigos demonstram bem o seu patamar social assim bem diferenciado do António e o Manuel ou Joaquim tão desabonados em contos e anedotas.

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Emanuel Fay e Sérvio Túlio dissertando sobre as verdades e virtudes da prática da talassoterapia. Eu, um plebeu a falar com nobres patrícios, poliglotas na arte de ginasticar a longevidade com sã convivência e status na preservação do ar, ginasticando a mente e o espírito entre vaidades remotas e futilidades, conversas de enaltecer vampiros montados em cavalos brancos e com asas rebrilhantes.

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Não! Dessa feita falei das virtudes de se praticar o banho em cálidas águas, ginasticando os músculos e a mente, descrevendo no pensamento a próxima estória, próxima farpa. Falei das virtudes de ver nascer o sol dentro de água salgada, soro do mundo a recordar nosso primeiro exercício em ventre materno, no recolher de raios benéficos e também o ozono, a vitamina D, o iodo e o acto de ser lambido bem cedo, chave de abertura de um novo dia em tempos de mais- valias.

FAY2.jpg Bom! Do lado oposto do cartão do Juiz Fay tem uma dedicatória dedicada a seu pai em letras enaltecedoramente grandes: “ama teu pai com gratidão enquanto com ele estás, depois de Deus, é o amigo com quem sempre terás de contar!!!”. A seguir aos três pontos de afirmação vem a assinatura legível: Emanoel Fay Mata. A marginar todo o rectângulo, trinta e seis pequenas bandeiras do Brasil dando seu tom de verde e amarelo assim como se fosse um caixilho. Algo transcendente e patriótico diga-se em verdade.

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Comecei falando de um cartão de visitas de um recente amigo, eu, um Niassalês aposentado, apresentado por um outro já mais amigo e, nas anotações escritas por gatafunhos ao correr dos raios matinais da praia mas, mudei de folha. Tinha uma seta com a indicação K (de kapa) mas, busquei, vasculhei e não encontrei. Deve ter ido para Roma com um dos muitos amigos que sempre me sopram as orelhas, irmãos da Akasha, os substratos espirituais de um éter antigo, quinto elemento cósmico da quinta ponta do pentagrama.

tonito2.jpeg Todos os dias há um mistério em nossos agoras, nosso céu rasteirinho com coqueiros a farfalhar nossas vivências. Deste modo, tenho de terminar com o ensejo de agraciar a estes dois amigos dizendo em jeito de romano virtuoso e sapiente até às profundas raízes de nenhures: Vitorioso não é aquele que vence mas o que se vence a si próprio, aceitando-se do jeito que se é ou que se propôs, porque a vida para muitos mais biliões, não é um verdadeiro canto de eterna beleza como a de nós os três. Façam o favor de ser felizes.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:16
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Domingo, 5 de Fevereiro de 2017
MUXOXO . XLVI

TEMPO CINZENTOS . 2ª Parte

 – 04.02.2016  - Pelas frinchas do tempo, sinto o cheiro pestilento do dinheiro… É mais fácil passar um camelo no buraco de uma agulha do que um rico no reino dos céus…Na dúvida entre o ser-se agnóstico ou coisa nenhuma faço gaifonas à liberdade!

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

(…) Dizia eu que por ter andado tanto no inferno agora mereço o céu! De botas borrifadas com petróleo para eliminar carrapatos boiadeiros tocava os trabalhos de campo para a execução da estrada a ligar o lugarejo vila de San José de Tiznado em Venezuela. Teríamos de levantar uma faixa de terras e, por forma a depois de ser transposto ao desenho se desenvolvesse o traçado longitudinal e perfis transversais.

topo12.jpg Com os dados de campo surgiriam as curvas de nível a partir dos dados de altimetria geométrica e taqueométrica. Apareceriam também todos os acidentes de terreno como rochas, linhas de água e rios em uma planta topográfica muito coberta de números correspondentes às cotas de elevação e mancha de vegetação: por vezes também se incluía o tipo de solo fazendo referência às sondagens caso fosse o caso.

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Surgiria mais tarde tanto a directriz em planta como e a partir daqui os perfis longitudinais mostrando a rasante definida por traineis inclinados ou não e, segundo as tolerâncias necessárias para os veículos poderem vencer os declives. Através das rasantes e perfis transversais determinava-se o volume de terras a retirar ou a repor após o cálculo de áreas e volumes.

topo10.jpg Tudo isto e segundo o cálculo com Gráfico de diagrama que traduz a movimentação de terras em obras, sobretudo viárias, constituído por curvas com tramos ascendentes que indicam a predominância de escavação e tramos descendentes que indicam a predominância de aterro. Amarelo a romper, vermelho a aterrar. O gráfico de Brückner, determinaria a maquinaria a usar, camiões, vagonetes ou caçambas para transladar terras e inerentes custos.

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Ainda se tinha de considerar dados geométricos de limites de propriedade, nomes de seus donos com valor venal, valor matricial, com número de registo cadastral nas finanças, dados para futuras indeminizações por acordo ou expropriação. Haveria também de observar e registar a densidade de vegetação e espessura de matéria vegetal inerte composta de troncos velhos e o manto de folhagem depositado ao longo dos anos. Saber a espessura do manto vegetal determinando a área e volume de terras a retirar, depositando-as em local apropriado a fim de repor mais tarde a camada vegetal dali originária. Será esta a melhor compostagem a utilizar na cobertura superficial das feridas de cortes e aterros.

topo9.jpg Fiz uma descrição das tarefas técnicas para assim ficarem com uma vaga noção do envolvimento e tecnicidade na execução de um projecto de estrada. Coisa que me era inerente bem como o cálculo e posterior implantação. Não era ser-se só operador como também saber-se de leis de terras, agrimensura ajuramentada e todo o cálculo da obra.   Entre os trabalhadores mais cientes eram dadas tarefas de fazer trompos ou estacas a partir de varas cortadas no local que serviriam para assinalar o perfil e dali com estacionamento de nível ou teodolito fazer levantamento ou simples leitura de nível.

topo7.jpg Os demais contratados cortavam mato, transportavam equipamento e água, umbrela ou chapéu para sombrear o operador e outro equipamento de apoio. Quando necessário fazer-se comida um ou dois eram escolhidos entre voluntários para esse efeito. Nos lugares pantanosos havia um elemento incumbido de fazer fumo com ramos secos de bananeira ou outras folhas e, contendo bosta de boi para afugentar os mosquitos e miruins ou maruins (mosquitos muito pequenos e super chatos).

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Os tramos rectos eram assinalados com uma ou mais varas, dependendo da extinção, pintada e referenciada com o número de ordem. Era naquelas mudanças de rumo que depois e, em projecto surgiria uma curva simples ou composta e até com relevé, inclinação segundo o tipo e os dados de velocidade. Todos estes dados eram indicados em plano e perfil longitudinal com todas as outras referência para a futura implantação ou piquetagem de estrada.

topo8.jpg Bem! Em um dos muitos dias e por mais de uma vez sucediam contactos imediatos com cobras, iguanas, veados, macacos, sapos e sapões, rãs, escorpiões de várias cores, lagartos e, até caimãs, jacarés pequenos. Olhando o rumo a seguir e depois de afastar o ramo lá estava uma cobra a assustar-me com sua língua bífida. Depois daquela mamba negra quasequase me ter mordido em Cabinda, enclave de Angola, todas as demais que surgiam eram coisa pouca para mim; pela certa tinha guias a me protegerem, só pode!

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Habituei-me a elas e num lugar aonde no mundo todo, mais gente morre com suas mordeduras. Não calhou esse destino para mim, ficar espumando até receber um soro antiofídico, coisa que não tinhamos. Recordo que no caso da Cobra mamba, fazia eu serviço militar em Cabinda como Furriel, incorporação de Angola; uma terra que afinal não era minha; que só o foi para a engrandecer e, tendo como agradecimento o vai-te-embora branco, tundamunjila.

topo11.jpg E, caso a dita cuja me mordesse, teria somente quinze minutos para receber o antiofídico e isso era inviável porque eu e minha secção de serviço à lenha naquele dia, estávamos longe do quartel base. Isto aconteceu lá longe entre 1968 e 1969 num lugar chamado de Miconje, o primeiro quartel a entregar-se ao MPLA (coisa feia e desrespeitadora). Nosso destino não é previsto com hora marcada, só sucederá um dia e, no tempo que por comodidade e ordem inventamos e fragmentamos. Fico aqui neste agora…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:29
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017
MUXOXO . XLV

TEMPO CINZENTOS . 1ª Com Várias partes – 02.02.2016  

Na dúvida entre o ser-se agnóstico ou coisa nenhuma, driblo-me com golpes de liberdade! Estou farto de coisas impingidas…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Chegando bem cedo à Praia da Pajuçara só com a natureza e, sem ligar muito às malazengas de espondiloses e afins, vi o Sol grande e vermelho a sair da linha do horizonte, lá no mar; eram cinco horas e doze minutos da manhã. É bem assim que gosto de me confrontar com ele, ainda não demasiado caloroso, cara a cara! Na minha profissão sempre contactei com o Sol muito de perto.

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Num lugar chamado de San José de Tiznado, uma terreola bem central no mapa da Venezuela eu, era o responsável pelo recolhimento de dados geométricos e geográficos para desenvolver o projecto de uma carretera, estrada ligando a via Nacional que liga Guárico a Barquisimeto com este pueblo. Saí de Caracas sede da empresa Topieca a fim de dar início aos trabalhos de campo, lá a uns duzentos e cinquenta quilómetros.

topo0.jpg O projecto de uma estrada começa com o recolhimento de dados em campo, escolher o traçado, estudar alternativas considerando o menor preço para a sua execução.  Já na fase de execução desta fase é necessário o levantamento topográfico com ligação à rede geodésica ou enão por observação Solar e daí originar as respectivas coordenadas, quadricula base para todo o projecto seguinte, planos com plantas, perfiz e memória descritiva do necessário, tanto para projecto como para a execução.

dy15.jpg Desta feita eu era o engenheiro agrimensor (surveyor) com a responsabilidade de gerir dois topógrafos, dois niveladores e todo o pessoal contratado no local para servirem de porta-miras, macheteiros (que cortam o mato com catanas) e dirigir toda a operação como alojamento, alimentação, transporte e tudo o que é inerente a um acampamento no mato ou numa tapera, terreola ou casa de taipa com paredes de barro cru.

topo02.jpg A minha grande relação com o Sol como dizia vem de aqui e, porque a cada cinco quilómetros de estrada piquetada teria de fazer observação solar para tudo ficar ligado à rede Geográfica de Venezuela. Ainda escuro montava o tripé, colocava o teodolito, rectificava os níveis, punha o limbo a zeros e esperava o Sol nascer. Aquele círculo grande despontava e, já meio de fora do horizonte, iniciava a leitura com os inerentes apontamentos nos impressos de cálculo.

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Apontava os fios da cruz tangentes ao primeiro quadrante, depois ao quarto, depois ao segundo e rapidamente ao terceiro. Já com todo ele inundando o espaço celeste, repetia tudo na inversa progressiva. Usava para o efeito uma lente protectora para não ferir os olhos. Por vezes repetia a leitura na directa e inversa retrógrada mas nem sempre tal operação era levada a bom gosto por via de nuvens ou chuva.

topo03.jpg Neste trabalho de desbravar mato, nem tudo é pera-doce como soe dizer-se! Usava umas botas de meia perna em coiro compradas na feira dos cavalos da Chamusca do Ribatejo do M´Puto. Quem me visse diria que por ali andava um sertanejo parecido com o Serpa Pinto ou Hermenegildo Capelo ou mesmo o Sacadura Cabral, olhando o céu e recolhendo pedras e até plantas para constar em relatório. A mesma figura teria um chapéu de abas largas bem ao estilo de um xi-colono das anharas do Calahári ou Namibe, calças de ganga ou zuarte amarradas nos tornozelos. 

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Nos dias de cacimbo esta figura apareceria no meio da selva tremida envolta num fumo e encostada a um aparelho meio estranho como um fantasma t´chingange que sai da terra, dum nada como se minhoca fosse ou dum espaço feito um ET. Pode parecer uma coisa poética mas era a forma como me veriam as gentes de San José de Tiznado. O fumo era real e provocado de propósito com rama seca de bananeira posta a arder com bosta seca de boi ou vaca.

topo04.jpg Isto assim deste jeito era para espantar mosquitos dinossáurios e mais bichezas com milhentas patas a rabiscar entre um grosso tufo de folhas mortas, árvores medonhas e pó mais lama mais o escambau muito cheio de humidade escorregadiça e lacraus de todas as cores.

 Por ter andado tanto no inferno agora mereço o céu, visse! Não me julguem mal nem me trambiquem o juízo. Por tudo isto tinha mesmo de usar as calças largas e amarradas nas botas e, também borrifadas com petróleo querosene. Vou ter de continuar porque agora que vos abri o apetite do meu mundo quase insólito, terei de vos dar mais corda. Vocês gozam com meus escritos, chamando-lhes patranhas, inventações e ficções. Estou mesmo a ver-vos a torcer o nariz fungando chistes e, afinal isto é tão real que até parece mentira…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:32
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2017
LUBANGO . II

OUTROS TEMPOS 31 de Janeiro de 2015 Devaneio … Memórias do FBQuando os heróis ficam bronze  até os nomes mudam…

zorro3.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por

Torres0.jpgEDUARDO TORRES - Um Xicoronho de 3ª geração

Há largos anos, nessa Angola imensa onde as cachoeiras derramam água por entre rochedos seculares e, em que o verde da floresta se confunde numa só cor, grandiosidade da sua dimensão, as savanas beijam ventos formando a linha do horizonte; vasto e longínquo. Uma dança que transcende o imaginário em movimento formando duna. Duna que depois se transfere de um lugar para um outro. E, num repente surge uma n´tumbo, a planta única do Namibe com o nome mundialmente conhecido por Welwitschia Mirabilis.

 nauk2.jpgNum céu em que o sol surge brilhante e quente, céu de azul único por vezes povoado de imensas nuvens negras e medonhas, raios a se cruzarem a na tempestade tipicamente africana. Num planalto situado na cadeia montanhosa da Chela, um punhado de homens e mulheres, desembarcados em Moçâmedes e, vindos da ilha da Madeira ali bivacaram suas vidas. Da pérola do Atlântico levaram sonhos de conseguirem uma nova pérola em África.

nauk7.jpg Em um continente tão diferente da ilha que tinham deixado, tão distante, com eles foi a saudade, crença forte, fé de valentia. Talhados para a sobrevivência e também a dor, obedeceram a um sonho que o tempo alimentava. E foi assim, temperados pelo esforço sobre-humano que regaram a terra com lágrimas de pioneiros, com empenho e vontade de vencer.

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E, concretizaram seu sonho! Primeiro num pequeno lugar, chamado Lubango dos barracões, depois e já com novo folgo, anseio e oportunidade em outros lugares com salubridade. E, é naquela capela da Senhora do Monte, que relembram os idos tempos de incertos dias lá da sua ilha, da côdea de pão e das levadas movendo moinhos.

 welwitschia mirabilis.jpgAquela imagem de Nossa Senhora que com eles veio para lhes dar segurança, lá estava pendurada no alto a lhes dar esse alento, que só a fé alimenta. Depois surgiu nova realidade e Lubango passou a ser Sá da Bandeira em homenagem a um político da Metrópole. Aqui, longe da cidade que me viu nascer, sinto-me cada vez mais orgulhoso de ser descendente directo de gente das mais diversas têmperas, que permitiram tornar possível um sonho que virou uma realidade que não acaba aqui.

EDU

Compilado e formatado por T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:04
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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXIV

TEMPOS ESPACIAIS – 31.01.2017 - Quando o tudo, nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza sarando as feridas da mente e do corpo…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Creio que já o disse, outros o disseram também que, quando paramos de aprender, de perguntar, de progredir, a desinteressar-nos das coisas até triviais, começamos a morrer lentamente. A mente necessita de ser trabalhada e, por vezes até se tem de mexer em feridas que parecem cicatrizadas; vulgarmente dir-se-á que o que passou, passou mas a não prática disto fará parte de um exercício a que eu designo de “teoria do esquecimento”.

roxo27.jpg E, eu não quero esquecer-me de que tive pai e mãe, um bairro, uma cidade, um clube, uma praia e um país que me viu crescer, aonde estudei, cabulei e casei. País que pensava ser meu e, afinal dizem depois de uma quase vida, que não o é! É verdade que por vezes nem quero levantar as tumbas ou abrir meus baús de enferrujada lata tocando para a frente outras atitudes mas, como há gente que sempre volta a cair nos mesmos erros, lá terei de relembrar o que tanto se queria esquecer.

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Ninguém sabe ao certo nosso saldo de tempo e, isto até é bom que ninguém saiba porque só somos enquanto o somos, gente! - uma fantasia na forma de ilusão! Em geral, quem é humilde nem sabe que o é mas quem o não é pensa que o é! E, isto sucede tantas vezes, com tantos e tanta frequência que o melhor mesmo é não inimizarmos as eventualidades. Se formos sensatos calar-nos-emos porque nem sempre é bom criar desaforos gratuitos.

araujo63.jpg Posso dizer que até os analfabetos podem conquistar a sabedoria se souberem meditar com sua mente e seus corações e, se souberem quem são! Porque têm dois olhos, duas orelhas e duas narinas, duas pernas, mais duas mãos com seus dez dedos. Porque muitos, não sabem que para ver a profundidade das coisas têm de ter dois focos de visão simultânea, de criar estereoscopia para ver a lonjura das coisas.

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Estes dados físicos e matemáticos, nosso cérebro o faz com cálculo automático, deduções, ângulos e distâncias na forma de vectores e analisa de imediato suas características essenciais com os sensores mais perfeitos e, em perfeita sintonia com as demais sofisticadas partes do nosso corpo.

pombinho1.jpg Se definir um ponto no espaço e o olhar com os dois olhos, instantaneamente o cérebro formará um triângulo e calculará instantaneamente a distância desse ponto em função dos lados e dos ângulos. A base será sempre a distância entre o olho esquerdo e o direito. Caso não tivesse dois olhos veria um plano sem noção de profundidade.

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Nós somos completos e nem sempre nos definimos neste parâmetro. Ontem vi pela televisão um homem sem braços a tocar guitarra, a lavar os dentes, a mudar a fralda a um filho e tudo isso o fez com os pés e seus dedos. Comia sozinho sem um maior aparente problema. Não tomamos isto em consideração porque perdemos muito tempo fabricando infernos de tristeza e angústias sem fim e por um qualquer dá-cá-aquela-palha apelando-se ao Deus-nos-acuda.

nauk03.jpg Desprezamos a ideia de que o Céu está dentro de nós. Que fique claro que não é necessário morrer para ir para o céu! Ele estará em nós se o desejarmos e fizermos por isso! Mas, quanta gente se queixa por isto e por aquilo desprezando-se por inteiro e, no entanto têm os necessários recursos.

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Se não trabalhar agora em seu céu, depois, já nem será demasiado tarde porque tudo passou com você a amachucar-se e diluir-se em opiniões de levianas ignorâncias; ninguém é responsável por nossos próprios destinos e desvios a não ser nós mesmos. Se tem duas pernas ande, se tem duas mãos trabalhe, faça coisas, veja com olhos de observar os encantos ao seu redor. E, ouça os barulhos; não se entregue à preguiça, nem se martiriza por coisas menores. E, o menor é quase tudo.

araujo27.jpg Se tem cabeça, só pode ter, pense porque quer se queira ou não sempre seremos o reflexo daquilo que pensamos. Olhe que Jesus Cristo, mesmo sendo condenado venceu no tempo seu carrasco, seus algozes a mando de um Herodes que se dizia ganhador. Vitorioso não é aquele que vence os outros mas o que se vence a si mesmo, aceitando-se do jeito que é e, porque a vida não é um eterno canto de beleza.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:04
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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2017
NIASSALÂNDIA . IV

TEMPOS DORMIDOS30-01-2017Entre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido desconjuntado no verbo e, sem advérbio…

Por

soba15.jpgT´Chingange – Nasceu em alto mar num barco chamado Niassa. Assim conta a minha lenda por preterir ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada ao vento para encobrir coisas desacontecidas…

Para endireitar este estado de coisas hodiernas do mundo cão que habitamos, as pessoas em fase de contracção e expiação, remissão de pecados que terão de viver suas vidas de frente para trás! Terão de morrer antes de nascer para ficarem com todos os conhecimentos que só o tempo da velhice ensina. À medida que este nosso universo se contrai na míngua de valores, a gente comum, de chinelo enfiado no dedão grande, terá de se fazer numa reversão regresso ao estado ou tipo primitivo ou conversão para escapulir a tantos buracos negros!

isabel lacuerda.jpg Pilatos perguntou a Jesus: Sois rei dos Judeus? E, Jesus respondeu-lhe: Meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, minhas gentes teriam combatido para me impedir de cair na mão dos Judeus; mas meu reino não é aqui! Eu não nasci e nem vim a este mundo senão para testemunhar a verdade e, qualquer que pertença à verdade escutará minha voz!

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E, o futuro veio ao calhas, aos trambolhões; morreram os Samaritanos, os Nazarenos, os Publicanos e os Portageiros. Depois foram os Fariseus mais os Saduceus e os Esseus. Não falo dos Cananeus expulsas pelos israelitas após o Êxodo e outras nações como os hititas, amoritas, perisitas, hivitas e os jebusitas porque estes coitados ainda hoje andam escuros e escravizados, sempre com a tralha às costas, acossados por arianos e pretos sem falar dos americanos.

eleutero4.jpg Americanos, uma nova tribo, nova nação que faz guerras, destrói cidades e assim imune segue entre os primos na condescendência porque já esqueceram a estória deles. Gente que sempre vai ter escravos para lhe lavar as negruras. Um mundo de porcaria tapada com bien-être…perfume flores de rosas. Cristo vem cá de novo ver isto!

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E, vieram os Escribas mais os mestres das Sinagogas a quem Jesus mesmo sem ser sacerdote, os ensinavava nos dias de sábado. E, o dia de sábado para muitos é de descanso total e, sem jejum. Depois disto, surgiram milhares de igrejas com outros mestres falando suas malambas, inverdades pútridas que nem o pântano suporta.

eliseu1.jpg As estórias da ciência política e social revela-nos sua estrutura mostrando-nos que as diferentes vertentes não são por vezes tão logicas como se julga e, porque em todas as incógnitas das equações plausíveis temos de permeio a presunção, o descaramento ou a insolência.

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Sendo assim teremos de formular em questionário perguntas para encontrar as respostas de confronto. E, faça uma cruz no quadradinho que se segue: Quem rouba é ladrão? É! Quem não rouba é boa pessoa? Pode ser! Quem mente, é político? Quase sempre o é! Quem não mente é advogado? Não! Quem morre é doente? É! O rico vai preso? Por vezes! E, por aí sem falar dos ciganos que pedincham para além do admissível…

soba21.jpeg Esta comunidade não está apta a ajuizar os problemas de conflitos entre teorias, mais por critérios de racionalidade na qualidade ou estado de ser sensato, com base em factos ou razões. A mesma que implica a conformidade de suas crenças com suas próprias razões para crer, ou de suas acções com umas razões para a acção e, menos por envolvimento emocional. Mas, parece deixar-se que os critérios de racionalidade suplantem as motivações psicológicas a outras de alguma irracionalidade. Pois, assim ficaremos…

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O Mundo é redondo e anda com rotação e translação e mesmo na ausência de qualquer força visível a nossos olhos, ela anda numa trajectória de espaço galáctico universal; esta proposta não é inferior à da concepção da lei da inércia que também é lida assim: se está parado, permanece parado, se está em movimento, permanece em movimento em linha recta e a sua velocidade mantém-se constante

nyassa5.jpg Inércia, a resistência que um corpo oferece à alteração do seu estado de repouso ou de movimento. Estes exemplos revelam o elo entre as teorias e a observação, um empirismo que parece ir para além da lógica - a correta e equilibrada relação entre todos os termos, a total concordância entre cada um deles. Andam a mentir-nos e um dia isto vai acabar mal!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:53
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Sábado, 28 de Janeiro de 2017
MAIANGA . XX

MAIANGA . NGA! SAKIDILÁ! - Na Jihenda do mu ukulo uabuama (Saudade de um antigamente de maravilha)

Por

soba0.jpegT´Chingange

Faz algum tempo do mu ukulo que entrei no meu silêncio só mesmo para não remexer nas feridas mal cicatrizadas das terras dos antigos mwene-putos mais dos N´Gola kimbundu e kilwanje kya Samba rei feito importante com suas missangas com dentes de leão penduradas no pescoço. Ele, um imbangala descalça que era o senhor das terras dos tempos do kissonde devorador; mesmo assim de pé descalços com aristocracia de espantar poder esporádico no interino. Mas, um rei matuta Jinga do Milungo e Bangala com poder absoluto de cortar pescoços.

namib3.jpg Um rei que trocava gente por pólvora, tecidos e missangas com espelhos mais zingarelhos. O filho da peste, o mesmo que gerou a N´Zinga ou Jinga. Tempos de muita trapaça trocada por mel e tecidos libolos mais dendém, cachaça e tintol a martelo, tudotudo amontoado na kubata dos branco cafuzo e mazombo feita de capim mais taipa de chinguiços tapados com barro e bosta de boi. 

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Acontece, como então, vou fazer berridando minhas falas do baú no ximbico de meu lápis antigo. Alegrar meus kambas, falando soátoa das baronas modernas, dos seus matacos apertados nos institutos adelgaçantes e das quindas das kinguilas de setentaecinco cheias de muito cumbú e dólar de cabeça de Washington grande, porque o outro é falsificação do Zambizanga e Tira Biquini.

nand4.jpg Dinheiro verdadeiro de comprar as felicidades e curar as malakuecas com trungungo ou mesmomesmo do kaporoto que faz falar estória do antigamente mais ainda do tempo antes dos kaprandanda e dos brancos gweta t´chinderes funantes mesmo. Ximfuma Ya Kvele feito macho esperto nos contos com estórias de missossos que também lhe contaram dos reis Kwanyama. Um, conta ao outro e no final, cada um tem uma unha, um dedo, um inventário de muitos sonhos no catravês da estória.

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Num dia antigo, Ximfuma Ya Kevele feito doutor quimbanda de leis e adjacências, disparatou berros saídos do fundo de sua raiva; ele via coisas que mais ninguém conseguia, que só ele via e, dizia que isto assim não pode ser! A gente fica soátoa nos dias de catolotolo depois do funje com biala do rio podrida, barriga na zunida do cruácruá, corre no mato e buáááá! Capim corta, areia suja, num dá… Problema mesmo de confusão, ai-iú-é! Não posso mesmo falar de minhas falas com tuge escondido, ahah! Falo, falou nesse tempo de munhungo biológico de cangar nos matos…

maga5.jpg Mesmomesmo sendo daquele tempo pelas poeiradas esteiras do Sambizanga e do Prenda do senhor administrador Poeira da Luua, não posso mesmo falar de minhas falas com tuge escondido ….Ahah! Num pode! Cipaio não deixa cagar seu cafió. Ninguém mais fala assim dos antigamente cum cheiro do mato e a capota a cantar de estou-fraca, estou-fraca picando nos tuge logo nos seguidamente.

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Haka patrão! Ninguém mais fala assim atravessado na picada da vida de bitacaia aiuê! Nos matubas avilo bué! Tremo só de pensar nos sofá de pele de pacaça oleado com Bien-être de zumbo dos bâmbi, riscando do molinhado de óleo de dendém. No antes e no despois tudo ficou mesmo no muito antigamente. 

 

camionista1.jpg Eu T´Chingange, que fiz amizade com este Xinfuma Ya, vim de consulta marcada com n´gonge aqui ao kimbo das caricas na Kissama dos Dembos, com alpercatas de pele de jamba e um corno de facochero ao pescoço para bangar nos entendimentos. Queria mesmo ouvir as estórias de kevele mas, não deu pra falar muito direito e contar do rei Kwanyama Mandume de Njiva que dizem que se suicidou em 1917. Queria mesmo esclarecer isto mas o trungungo deu volta no miolo n´dele.

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Ele, Xinfuma Ya diz que não foi assim e, que os Tugas andaram passeando a cabeça dele pelas terras de Ovombolând para fazer o povo capitular. Mas, e ora sucede que o sua excelência Xinfuma estava todo roto de consciência: bebeu por demais seu marufo com poses de corno álem da quantidade bué do tal de trungungo e assim ficou por muitos dias. Caminhada de tantos dias, só para nada, mesmo! Fiquei só assim com as falas labirínticas de gente para lá de doido que só muxoxeia! Vou fazer mis o quê com meu kuxikina?

maianga do araujo.jpg GLOSSÁRIO:

Berridavam - fugiam; Kapiango - roubo; Mayanga - Um dos bairros antigos de Loanda, lugar de muita água; Uuabuama - maravilhoso - Caricas - tampas das garrafas; Mission, Canada Dry, Cuca; Jihenda - saudade, Kamba - amigo; Kuxikina - de sossego, sossegar; Mulemba - Mulembeira, árvore de frondosas folhas; Mu Ukulu - antigamente, Muxima – coração; N´gonge - aviso; Uuabuama - maravilhoso; Muxoxeia: vem de muxoxo, estalido da língua no palato dando um estalo de desdém…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:30
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXIII

 CINZA NAS NUVENS  – 25.01.2017Amai-vos uns aos outros, mas só se for para valer. A serenidade é o segredo das vidas longas e felizes…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Vitorioso não é aquele que vence os outros mas o que se vence a si mesmo dominando seus vícios e superando seus defeitos. Há gente queixinhas, que passa o dia como num muro de lamentações, colocando seus males em primeiro, que seu mal é muito pior que qualquer outro mergulhando-se por inteiro no desânimo, estragando sua vida numa derrota. E faz disso uma permanente consumição.

ÁFRICA13.jpg Gente assim não pensa que seu corpo será sempre o reflexo de sua mente e esta, o reflexo da alma seu verdadeiro EU. Afinal temos de interiorizar-nos de que o que nos acontece lá terá sua razão de ser e é bem melhor pensar que, o que acontece de ruim na vida da gente, é para melhorar! A vida é exactamente essa novela de dias melhores, outros de assim-assim e, o melhor mesmo, é não complicar os mistérios da vida.

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O que tiver de acontecer vai acontecer! Tome os seus necessários cuidados sem se martirizar nem martirizar os que o rodeiam. É chato ouvir dia após dia, aquela ladainha de sempre; de que o mundo desabou em cima de nós e, como se não houvesse mais nada a preencher nossos entretantos. É assim um contentamento descontente porque o inverso, o desânimo, estraga-nos a vida, levando-nos à derrota sem se lembrarem de que vale mais perder um minuto na vida do que a vida num minuto.

amendo4.jpgJá não suporto mais aquela lamúria e o dizer-se em surdina, falar do caso, sem nunca o referir ao próprio. Convém que aquele o saiba para se corrigir. E com o tempo queremos passar ao lado daquele ou daquela chata. A pessoa vai ficando só e, mais tarde queixa-se a todos porque ninguém tem a coragem de lho dizer: -tens uma áurea negativa! O travão imposto pelo desânimo daquele ou daquela, não predispõe a falas sinceras e tudo continua assim igual e aborrecido se nada o fizer findar.

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Pouco a pouco estamos a trair nossos próprios conceitos de sã convívio e mentimo-nos para agradar, pensamos nós e isto não é o certo! Quando tenho de dizer não digo não e explico, ponto final… Por isso não gosto do talvez, do assim-assim, vamos ver, das muitas desculpas esfarrapadas que sempre são pequenas mentiras, mentirinhas. Em mim não há meio-termo; é sim ou não!

alhambra1.jpg Homens e mulheres complicam a vida dificultando sua existência, porque se acreditam diferentes dos outros. Que vestem melhor, comem melhor, convivem com gente fina, têm melhor falas, tiraram um curso mais pomposo e muitos edecéteras fúteis; uma feira de vaidades que dá tédio. Infelizmente é a sociedade que nos mostra isto diariamente; passagem de modelos no intervalo de notícias pela TV, coisas escabrosa que nem ao menino Jesus interessa saber, um rol de fantasias sem nada de fantástico.

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Somos nós que temos de separar o trigo do joio! Vale mais um exemplo convincente do que mil palavras! De que vale dizer-se a um filho que não fume porque isso faz mal se ele, o próprio pai fuma; de que vale dizer não faças isto ou aquilo e em seguida é apanhado com a boca na botija. A foça do exemplo sempre é mais eficaz do que dizer: faz o que eu digo mas não, o que eu faço.

cacu20.jpgNão permita que as pérolas ou missangas de suas acções, suas atitudes se percam por lhes faltar o fio que as une. E, o fio é seu, é meu, é de quem o verdadeiramente assumir. Em tudo isto se tem de pensar e repensar porque não somos autómatos e, também temos a liberdade e o direito de discernir, da escolha do caminho sem reenviar tudo para Deus e, porque Ele tem muito mais a fazer do que cuidar de cada um de nós em exclusivo…

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Quantas caixas electrónicas, multibanco já foram explodidas por malandros, ladrões conduzindo carros com a estampa no vidro de “Deus é Fiel”. Mas que banalidade de usar o nome de Deus em tudo assim sem jeito de decência e em vão. É logico botar estes dizeres num pinico?! Haja bom sentido no uso das coisas….

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:06
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXII

CINZA NAS NUVENS  – 24.01.2017Amai-vos uns aos outros, mas só se for para valer. Se tem furúnculos e verrugas cure-os com avelós…

Por

soba15.jpgT´Chingange

O ser mais digno de pena aqui na terra é aquele que transforma todos os seus sonhos em dinheiro. E, tem muita gente que leva todo o tempo fabricando preocupações, sempre com os neurónios arrumados por forma a ter o seu dinheirinho a qualquer preço e por vezes sem a atitude ou ética correctas no amanho e até amesquinhando os demais, rapinando seu semelhante. Estou em crer que nunca a felicidade alcançara este tipo de pessoas que veneram o dinheiro sem lhe darem o real valor nas mutações da vida.

avelós1.jpg Há gente que sempre se engrandece, gente que se gaba de que dá muito, que se enaltece, fazendo riqueza desmedida chupando o tutano a quem lhes faculta essa gravidez de vida. E, são muitos os que conheço que assim procedem deixando na carência seus auxiliares mais próximos; gente que sempre anda com o credo e Deus na boca como dizendo-se os eleitos d´Ele, criticando com desusadas medos e temores desse seu Deus. Mas que é isto, Cristo!

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Os mistérios da vida são simples, mas há seguramente seres que se julgam excepcionais explorando seu semelhante e, tudo vislumbrado na mira do lucro, desprezando valores de que eles só falam, mas não fazem! Ninguém é responsável por nossos próprios destinos a não ser nós mesmos e, uma obra-prima, só o é efectivamente quando as minucias forem perfeitas.

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Criamos em nós próprios os infernos de tristeza e angustia porque sempre desprezamos a crucial ideia de que o céu está dentro de nós; que não é preciso morrer para ir para o céu! Que nem é necessário nenhum assessoriamente de pastor, sacristão ou outro cidadão para falar com Deus! A igreja está connosco, nosso templo, nossa mente, nossa alma legada por Ele. E, o inferno é uma má ilusão de quem a si e aos demais dá ou vende fantasias impingindo a alma.

avelós0.jpg Neste momento, um homem aqui na praia anda para cá e para lá rodando na forma de vassoura um aro com uma haste de onde saem uns fios ligados em seus ouvidos por um iPhone. É um buscador de pequenos tesouros perdidos na areia da praia assim como cordões, braceletes, fios, relógios e bugigangas menores de ferro ou ouro e prata. Foi quando lhe disse: Oi moço, se por aí encontrares um parafuso enferrujado, é meu! Ele riu-se e continuou sua tarefa de sobrevivência e paciência numa fé de ganha-pão. Possivelmente, foi até hoje seu maior investimento.

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De todo o modo acabei por consolar o moço dizendo-lhe que tudo o que por direito for meu a mim chegará na hora oportuna sem aquela tecnologia de ponta. Afinal de que nos valerá o conhecimento de todas as ciências do mundo e de tudo o que nos rodeia, se ainda não somos conhecedores de nós próprios.

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Agora que sou mais maduro, e que tenho fungos parasitas a roer-me o casco, digo aos meus mais próximos, amigos e afins que se dizem ser, que não se escravizem em opiniões de leviandade ou com a ignorância porque o que importa mesmo é o que verdadeiramente se é. Não gosto de conversas choronas; não o façam perto de mim porque não acho ser meritório qualquer lamento vazio - em vão!

avelós3.jpg Conversando com Platão, o filósofo grego, este disse-me que as pessoas que alimentam conversas sobre suas doenças, dificuldades ou pobreza, o fazem com mau uso! Que sempre se agridem nesse modo de falar e porque quanto mais falam mais agravam seu estado de equilíbrio psíquico. Disse-o assim mesmo: Viver com optimismo e alegria é a meta perfeita de cada um de nós porque a beleza da matéria passa depressa; Somos água no estado solido e, num repente sublimamos- passamos ao estado gasoso.

avelós4.jpg O amor quando verdadeiro coloca em primeiro lugar a felicidade do ser amado! Se isto não se adapta a você, tente cultivar esse nobre sentimento que não virá mal ao mundo nem a si! Seu corpo só será sadio quando a sua mente o for. Comece por aí corrigindo-se sem se enganar e lembre-se sempre que a sua mão direita não saiba o que deu a sua esquerda e, por ai vai!... Não! Não se enalteça gratuitamente! Os infernos só existem porque nós os fabricamos. Se tem furúnculos e verrugas cure-os você mesmo com avelós mas não o leve à vista porque isso cega….

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:22
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017
MISSOSSO . XXVIII

NAMIBE - Um texto de Setembro - O Etelvino ainda tinha aquela cor de frango depenado a quente - arrastava-se penosamente pela praia, como tartaruga pronta a desovar...

soba k.jpgAs Opções de T´Chingange

Por

DY00.jpg Dionísio Dias de Sousa - Dy

O Etelvino ainda tinha aquela cor de frango depenado a quente. Arrastou-se penosamente pela praia, como tartaruga pronta a desovar. O sol escaldante torrou-lhe a epiderme, e fez com saltassem escamas do peito dos pés. Tinha desabelhado de lugares frios, onde ganhara vida. Marinhou as escarpas da cordilheira da Chela, deixando para trás as areias brancas que enfeitiçavam o Atlântico e deslumbrou-se com as árvores gigantescas que se agarravam aos granitos e aos basaltos, como bruxas desgrenhadas caídas do céu.

mucu1.jpgAdmirou-lhes as formas e os frutos de sabor intenso. Dessedentou-se nas cascatas que despencavam como ninfas pelas encostas, borrifando-lhe o rosto e refrescando-lhe a pele. No ponto mais íngreme, circundou a vista pelo planalto ajoelhado aos seus pés. Sentiu-se como o patriarca Moisés divulgando a palavra de Deus.

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Deliciou-se com os riachos rasgando os prados com águas cristalinas, saltitando aqui e ali sobre rochas que gemiam música à sua passagem e manchas de arvoredo prestando-lhes homenagens, abanando as copas ao ritmo da brisa fresca, como cristãos adorando santos de procissão. Reparou nas criaturas de Deus que caminhavam as encostas com pezinhos de rola, e alegria de estrelas.

maian5.jpg Os seios desnudos abanando ao ritmo dos seus risinhos discretos, com as argolas de latão reluzindo e chocalhando ao sol nos braços e nas pernas. Murmúrios das suas bocas graciosas chegavam-lhe aos ouvidos numa linguagem ininteligível. Inspirou forte os odores selvagens e almiscarados que lhe invadiram as narinas. Abriu as asas como um condor e lançou-se ao espaço num suicídio premeditado, planando o céu em desenhos circulares, abrindo caminhos entre os flocos de algodão que caminhavam lentos em direcção ao sol.

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Mergulhou a pique em direcção ao solo e aterrou com ternura num prado de flores silvestres, onde pássaros coloridos levantavam em bandos recortando figuras no firmamento. Escolheu criteriosamente o espaço para construir o ninho. Desventrou a terra e regou-a com o seu suor. Engravidou-a com sementes de esperança e assistiu pasmado ao rápido desabrochar do pão. 

monteiro1.jpg Descansando os seus cansaços ao entardecer ao som do mungir do gado gentio de cornos enormes, onde pousavam pássaros de bico vermelho, que faziam a limpeza das suas peles de cores diversas, parecendo borrões de tinta ressaltando de uma parede. E a serenata dolente que escutava, desfazia-se em magia no poente incandescente, escondendo-se ao longe no negrume da cordilheira que o rodeava, aconchegando-lhe o corpo e a alma. E o crepúsculo envolveu-o com um lençol gigante vindo dos céus, confeccionado por anjos com linhas de tons violeta e laranja.

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Miríades de estrelas acenderam a noite e iluminaram-lhe o rosto numa magia estranha que o fez pequenino, mostrando-lhe a dimensão grandiosa da terra, que rezava na escuridão em cânticos de mil criaturas Uma conspiração conjunta contra a paz e o silêncio, numa sinfonia que começou a decifrar. Uma enorme sensação de gratidão foi envolvendo o seu dormir, e os sonhos desenrolavam-se ao sabor dos dias. A sua pele foi adquirindo a tonalidade morena das areias do deserto que palmilhara antes de subir ao planalto.

ÁFRICA8.jpg Roubando-lhe a tonalidade branca e pálida que navegara com ele do outro lado mundo. África moldava-o como o cinzel de um escultor, enrijecendo-lhe os músculos, e pintando-o com as cores do princípio da criação. Mudou-lhe a pele e o sangue e moldou-lhe um espírito novo, sem limitações de espaço ou tempo.

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E as memórias antigas esfumaram-se como o fumo das fogueiras, que ardiam ao som de histórias novas, tão antigas como o mundo. E no crepitar da lenha que vomitava chamas ao céu, deixou-se imolar em sacrifício, ao sabor das rezas das fadas e duendes de pele escura que lhe saravam a solidão.

missosso1.jpeg E é neste deslumbramento universal que se deita na esteira de caniço, e se deleita com a magia melancólica da íris que o contempla, como se fosse o único. Neste esplendor concebe uma mulher nova, moldada com o ardor de África, o fulgor das estrelas, a ternura das planícies, o mistério dos bosques, os odores das flores selvagens e a sensualidade das cascatas despencando-se fogosas num ramalhete de flores de pétalas de espuma branca: A mulata.

Reis Vissapa



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:29
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017
XICULULU . XCIV

NAS CINZAS DO TEMPO19.01.2017 - Um homem sem religião é como um peixe sem bicicleta…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Hoje, o dia acordou encoberto mas, isto não impediu que eu e Ibib fossemos à praia da Kanoa - Sete Coqueiros da Pajuçara. Coloquei meu chapéu-de-sol e duas cadeiras bem no alinhamento dos postes de futvolei, bem na linha de morte das ondas da maré cheia, um risco de algas ao longo da baia, ainda o tractor andava num e noutro sentido riscando a areia fina com um ancinho. Antes de iniciar minha habitual gimnástica de talassoterapia e, porque o céu estava um pouco carregado de escuro, sentei-me a admirar o horizonte, um barco de pesca que vindo da faena fazia seu roncar arritmado do motor.

lourdes8.jpg Olho para o lado do sol nascente e vejo um rapaz moreno que espetando uma alga num pau, a levanta e, fala com ela. Falar com uma alga!? O vento trazia até mim um fala desconhecida, assim cósmica, penetrante e com estalidos de submarino como estando mergulhado em águas profundas; por vezes também estalidos de dialecto kamusekele. Assim, ele falando para aquele tufo verde de alface-do-mar e estirados fios, noto com surpresa que estas tomam uma forma de pomba. Verde na cor mas, pomba!

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O moço continua falando e, num repente o pau e pomba ficam flutuando no ar enquanto ele junta as mãos como que rezando dirigindo uma prece para o céu. E o céu estava carregado de algumas nuvens de chuva tapando o Sol. Eu estava boquiaberto, estupefeito vendo isto tão fora do compreensível. Belisquei-me e a unha, feriu-me! Estava vivinho da Costa.

lourdes7.jpg Eis que num repente e do lado dos coqueiros, bem junto à barraca Kanoa, sai um grupo de 3 homens ainda jovens e duas moças bem espigadas; um dos homens era preto retinto e com os dentes alvos e grandes. Os demais eram bem branquelas. Estes cumprimentaram efusivamente o moço da pomba de algas e, reparo agora que as mesma, era agora branca e pairava no ar bem por cima deles, como se fosse um gavião ou um peneireiro das torres.

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Estes quatro homens e as duas mulheres juntaram em um monte e na areia seus pertences, chinelos e xailes pareu ou capulanas, mais chapéus e, foram-se todos em magote para a água.

Usavam uma língua cármica, cósmica e gosmosa com estalidos de sonar e, ginasticando muito seus gestos; num dado momento e, logo após ter soado uma campainha irritadiça, som vindo do nada, mergulharam na água como golfinhos. E, afastaram-se para além da minha percepção. Mistério!  Escafederam-se!

lourdes1.JPG Minha pele metida agora na água estava arrepiada como pele de galinha despenada. Entre o incrédulo e assombro, observava sem nada poder fazer. Tu viste isto! Falei para Ibib já sentado a seu lado. Isto o quê? Disse ela. Esses jovens que se foram mar adentro e que deixaram esse monte de seus pertences! Dizendo isso apontei para o monte de roupa e chinelos. Falei aos soluços abreviados e no caso da pomba mas Ibib interrompe-me – mas ali não há nada!

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Fiquei bem preocupado comigo mesmo! Afinal só eu estava vendo tal desassombro! Ui! Mas que raio!? Pensei estar apanhado de qualquer malazenga e disse a ela, deixa para lá…. Vou de novo até à água com os pensamentos zunindo diabruras e de costas para a areia e molhado até ao pescoço. A água estava quente, eu já quase não tinha pé e por ali fiquei mexendo-me sem os definidos movimentos habituais.

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É naquele preciso momento que vejo uma onda subir anormalmente até àquele monte de roupa dos candengues estranhos e, assim como dois braços recolhe-la toda num ápice e rebocá-la para o mar. Parece que alguém a estava puxando e, por encanto tudo se tragou na água. Devo ter comido qualquer coisa alucinogénia disse de mim para comigo. Assim estava quando começou a cair uma chuva; pingos molhados grudando-se-me ao costado como se me estivesse revestindo em mel.

lourdes2.jpg Sacudi, raspei e abanei mas nada! Estava literalmente grudado com aquele unguento castanho como o mel. Não tenhas medo! Foi a voz que ouvi sussurrada bem no interior dos meus tímpanos! Vinha de uma figura jovem mas de contornos indefinidos pairando na água sem ocupar espaço nela.  Relampejando seu olho verde repetiu: -Não te aflijas!

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Estás a ser alvo de um teste para sabermos se podemos contar contigo nesta transição espiritual entre o aqui e o álem! Meio acagaçado acho que falei, não tenho a certeza se abri a boca ou se, só o pensei. Mas, porquê isto tudo e, comigo? Ele aquietou-me com suas mãos que me pareceu ter uns doze dedos em cada: Lembras-te de quando foste ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes em França no ano de 2003?

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Lembras-te que te banhaste na fonte de água por debaixo do Santuário e no mesmo lugar aonde Bernardette Soubirous verificou o milagre da gruta de Massabielle? Pois fui eu como voluntário que te lavei naquela água benta, que te purifiquei com uma esponja. Eu e tu, todo despido! Conversei contigo umas escassas palavras e já nesse então vi que virias a ser um bom espírito missionário ou voluntário como eu nesse então. Sim! É verdade que me lavaram nessas tinas, numa gruta e no mesmo sítio da aparição da Senhora àquela menina que teve essa visão! E, isso é tão verdade como dois, mais dois serem vintidois.

lourdes5.jpg Pois então, chegou a hora de seres mais um voluntário a juntar-se-nos. Mas eu nem teu nome sei, disse! Sou Gerard Mussulini e até trouxemos o Kamanga Alex Tati que veio das lagoas de Cabinda. Em verdade estive em Cabinda tal como estive em Lourdes mas daí a ser uma coisa como vocês, vai alguma distância! Enganas-te amigo! Foi quando surgiu ou desimergiu das águas o coisa preta que conheci na Lagoa do Bumelambuto bem perto da capital do enclave.

lourdes3.jpg Tudo estava a tomar um jeito nebuloso pelo que lhes disse que eu era um católico romano, mau praticante em verdade, mas assim fui baptizado e crismado; que até fiz a comunhão. Pois agora és tudo isso e mais um irmão espírita. Passas a ser nosso embaixamor em estas águas quentes do Iemanjá. O Sol, neste então abriu-se e os tufos de algas verdes que formavam a linha da maré cheia viraram pombas brancas e cinzentas; voaram como uma nuvem em direcção à lua difusa entre a luz do dia mas verdadeira. Tudo ficou por aqui… Há coisas que nem mesmo bem contadas, são tomadas a sério.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:17
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXI

NUVENS DE CINZA – 17.01.2017Curar uma alma, é como ler um livro bem devagar e, concluindo um capítulo de cada vez. Assim apalparemos as medidas da natureza, sarando as feridas da mente …

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Curar uma alma, é como ler um livro bem devagar e, concluindo um capítulo de cada vez. As janelas das lembranças abrem-se ou fecham-se seguindo uma cronologia muitas vezes alheia. Umas mergulham na dor, outras em alegrias e, segundo as transições de nossa existência. Porque as coisas foram assim e não de outra maneira nem sempre ficam ao nosso alcance, dependendo de factores a nós alheios; resta-nos manter a tranquilidade do ser porque o que tiver que acontecer, sempre acontece.

sardinha01.jpg Da perfeição com que manter seu aprumo, sua calma, assim dependerá sua oportunidade para receber uma incumbência maior. Eram três horas da manhã quando me refastelei na rede da varanda. Acordei e, porque o sono não voltava, para aqui vim ver o luar de Janeiro. A lua cheia está bem por encima dos prédios aqui circundantes, as nuvens baixas correm no sentido da terra firme e, ora tapam o globo cheio da lua, ora a destapam.

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Foi quando reparei num raio de luz a bater na parte inferior do branco sujo de algumas. A lua tinha nela manchas escuras dispersas pelo seu centro fazendo recordar-me que minha mãe, a tantas perguntas de criança dizia a mim e meus irmãos que aquilo eram silvas transportadas como carregos na costa de homens agricultores. No correr do tempo deu para perceber que aquelas falas eram ditas para aliviar desconhecimentos e evitar perguntas complicadas dos kandengues.

lua6.jpg E, porque a sombra sempre se mantinha no mesmo lugar aquilo só podia mesmo ser treta de mãe. Foi neste então que me lembrei de perguntar a Deus se estas incógnitas eram para se perpetuarem na cabeça de muitos que nem tampouco acreditavam que os homens anos mais tarde chegariam à lua, ao tal lugar das silvas e, a que chamaram de mar da tranquilidade. Foi neste então que surgiu o meu mais recente amigo  ET STAR 3C325, o tal que saiu da estação orbital nº YYY3C e oriundo duma galáxia a mais de 260 milhões de anos-luz.

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Disse-me telepaticamente que nós somos uma bola de ilusão de cor arroxeada e que salta entre corpos assim como dizem, ser espíritas que desencarnam de uns e se grudam a outros corpos sem terem a plena certeza que estão sujeitos a essa mutação. Aquilo que vocês dizem ser a alma! Que tal como ele um corpo etéreo feito holograma, viaja no espaço-tempo electromagnético do Universo sem bordos, sem cantos nem fim.

lua5.jpg E falou na forma de nos encarnarmos de forma aleatória ou por escolha! Disse também que Jesus Cristo feito homem, foi o único que reencarnou no próprio corpo mas, que chamam a isso de ressuscitação; que também fez isso a Lázaro. Perante o meu indício de desconhecimento, acrescentou que nós gente de carne e osso só o somos enquanto somos para perpetuar o mundo num mistério que só é lícito ser do conhecimento do Pai, Deus. Só ele tem o condão de decidir.

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Que por isso Ele é Omnipotente, Omnipresente e Omnisciente está na Natureza, em todo o lado. É o Senhor absoluta de todas as coisas, acrescentou. Não sei do porquê, este ET despejava isto para mim mesmo sem que lho perguntasse mas, até isto ele leu nos meus neurónios. Poderão comparar isso da alma como sendo um celular tablet que num instante retém, envia ou recebe ondas eu se transformam em imagens e retêm dados.

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Mas que não tem alma, o coração fulcral dos cinco sentidos do olfacto, da visão, da audição do paladar e do tacto. E, disse mais ainda: quando saíres desse corpo poderás entrar ou não em um outro corpo e esquecerás o que és para voltares a ser! Possivelmente já foste o Capelo Ivens ou o Vasco da Gama mas, agora nessa figura a que te chamas de T´Chingange só ficarás no futuro como uma lembrança de ti, teus sonhos escritos, tuas estórias e inventações, tuas dissertações e fricções neste espaço terra, uma areia do Universo.

ÁFRICA3.jpg Este ET revolucionário estava a meter-me macaquinhos na cabeça. Fiz-lhe um gesto de vai-te embora e fiquei ondulando um adeus até um outro encontro. O ET não fez qualquer reparo e bazou sem prenúncio nem indícios com rompantes. Não há noite eterna à qual não suceda a luz de um dia radiante; dos sofrimentos passados conservaremos apenas uma ténue lembrança quase apagada. Num repentemente num flache, dilui-se no ar misturando-se nas nuvens…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:18
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017
MUXIMA . LXVIII

SEJA OTIMISTAMesmo que viva os minutos da vida encafifado num relógio de quartzo…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Abri o livrinho aleatoriamente e pude ler: Não pare jamais de trabalhar para o bem! Porque nossa alma, uma vez que paramos, começa a ficar com rigidez cadavérica. E, continuei lendo: Que a alma inactiva morre de tédio e cansaço e seu espírito se enfraquece na inacção. O fim do pequeno texto acaba por me convidar a viver alegre e entusiasta empregando-me com todas as forças na plantação do bem, do amor, do carinho com edecéteras daqueles que nos cercam na vida.

santo2.jpg Estes fenómenos de alucinação sucedem-me frequentemente e desde que comecei a ir à praia da Lapa do M´Puto e na areia ainda molhada da maré alta, riscava meus símbolos do reiqui bem por debaixo da gruta. Naquele buraco da falésia calcária riscava com um pau os símbolos do CHO-KU-REI, SEI-HEI-KI e HON-SHA-ZE-SHO-NEN.

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Depois, como que rezando ia pedindo a gente meritosa que fizesse isto e aquilo por minha família nuclear. E entre Deus, vinham Dalai Lama, João Paulo II, Chico Xavier, Santo António dos Olivais e Lourdes, utilizando os símbolos do Reiki como chaves que abrem as portas do fluxo de energia vital do Universo. E, sempre me senti muito bem!

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Em tempos tinha tirado com a Dra Elsa em Faro-Almancil o segundo nível de reiki em socorro de meu filho que estava com uma grande depressão. Fui descrente mas saí de lá com uma áurea diferente; vá-se lá saber estes mistérios! Neste nível pode-se curar as pessoas à distância ou ausente, processando a cura no futuro e organizando o passado. Actua sobre a movimentação de energia da consciência social, transformando a aparente realidade tangível, para alcançar a realidade da mente intuitiva.

CHO CU REI.jpg Panaceia ou não eu usando os símbolos ia melhorando quem me estivesse próximo e a mim mesmo. Faço muitas vezes o símbolo do CHO-KU-REI mentalmente ou com a língua rodando no palato da boca quando quero transmitir o bem a alguém. Esse alguém, nem se apercebe. Este símbolo traz ou libera energia criando equilíbrio. Representa o aumento do poder. É o "botão" ligado ao corpo físico; além de ser um maravilhoso símbolo de protecção, é usado para incutir ou reforçar a energia. E, parece que funciona, sabem!

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Cho-Ku-Rei significa "Ponha todo o poder do Universo aqui". Quando activado através da intenção, de desenhos ou da imaginação conecta-me rapidamente nesse fluxo. E, em encontros passados com meu filho fui-lhe dizendo que um homem, não o será definitivamente se não compartilhar a sua vida com uma mulher! Que não fomos feitos para viver sozinhos, mesmo que tendo uma mãe com paciente dedicação como a dele. Mas cada qual tem de fazer os possíveis por arrumar sua vida.

soba02.jpg Salvo raras excepções, nenhum homem pode dar rumo à sua vida confinado entre quatro paredes, escondendo-se ou isolando seu ego nas anharas do mundo sem uma mulher por perto, assim como um ermitão encarnando o espírito xamântico do vento numa desconhecida e longínqua tundra impregnada de metano!

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Vai daí, meu filho Richard com 44 anos de idade, declarou publicamente à tribo próxima e adstrita, estar noivo duma mulher mais nova cinco anos e com três filhos em idades casadoiras. Não vem daí mal ao mundo tal atitude e até nada diria se ele próprio não o publicasse; isto já se passou no tempo e espaço mas, posso afirmar sem risco que os tempos e as mentalidades adaptam nossas feromonas. Foi um elefante que me disse isto.

ricardo2.jpg Vi que não é assim tão importante levar em consideração nossos pontos de vista e que, para quem já é adulto, vacinado e emancipado, somente teremos de desejar felicidade e sorte com amor ou carinho; Assim sendo homologuei tal enlace depois de lha fazer uma simples pergunta: - Sentes-te feliz? Na afirmativa resposta e de forma singela, assim ficou selada com lacre a preocupação do progenitor, eu! E, como diz o ditado popular quem boa cama fizer, nela se deitará!

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Uma paixão pode não durar para sempre mas, sabe-se haver algumas que não desvanecem com o tempo e nós, pais de Richard, manemo-nos em um relógio de quartzo com o brilho de 45 anos. Não houve qualquer inqualificado flagrante de apanhar Richard com a mão metida em um frasco de rebuçados ou num cortiço de abelhas africanas, ou mesmo se como um macaco meteu a mão numa cabaça, pegou a jinguba e não mais a largou.

11193310_1383411848654928_3928321355325473571_n.jp Tento como pai recuperar meu folego de estroina com estórias avulso; olhar ao redor ou fechando pálpebras para ver melhor ou, no mínimo as luminosidades de chamas tremulando entre o escuro porvir e os barulhos murmurados ao ar. Mantenho-me assim encafifado num relógio de quartzo impulsionando os anos, os meses, os dias, as horas, os minutos e segundos na rectidão da vida.

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:33
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017
LUBANGO .I

ONGWEVA -  EM ANGOLA É SAUDADE - Férias na Humpata

juru0.jpgAs escolhas de T`Chingange

Por Eduardo TorresUm Xicoronho de 3ª geração - Deus quando nos permitiu a faculdade de pensar garantiu-nos também o uso dessa liberdade

Torres0.jpg Nos meus tempos de criança, quando ia passar férias na Humpata, na casa dos meus avós, havia na entrada para a sala um caramanchão de roseiral de rosas brancas, duas grandes amoreiras e depois seguia-se um grande jardim, com muitas açucenas, lírios, roseiras, dálias e outras espécies de plantas cujas flores espalhavam um aroma que perfumava o ar.

torres20.jpg Dava prazer respira-lo sentindo aquele aroma entrar pelas narinas e perder-se nos pulmões para apaziguar a alma. O Jardim era separado da vala de água que corria junto à rua por uma vedação de arame que ligavam prumos de madeira separados igualmente em dois ou três entre si, e em cujos arames se desenvolvia uma silva de amora silvestre, que pretas ou vermelhas eram sempre saborosas.

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Longitudinalmente desenrolava-se um pomar, com um caminho pelo meio a dividi-lo, e quem caminhasse para o fim dele, iria encontrar uma grande área de terreno destinada exclusivamente à sementeira de trigo, aveia ou centeio. No pomar havia quase toda a qualidade de árvores frutíferas, desde as saborosas pêras do Natal, que maduras duravam apenas uma semana, pois logo ficavam bichadas, tipo de pêras que nunca comi em mais nenhum lugar, a não ser na Humpata e no Lubango.

luua24.jpg Havia os damascos, os pêssegos, brancos, amarelos e de salta-caroço, as ameixas brancas e vermelhas os figos brancos pingo de mel e os a que chamavam lampos, com a passarada a chilrear dando alegria ao ambiente, com as chiricuatas e os papa-figos sempre à espreita de uma oportunidade para saciarem o seu apetite.

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Depois, mais à tarde pegava na minha pequena bicicleta Ralley e pedalava pela rua, que terminava junto da igreja de S. Sebastião, numa bifurcação que era a saída para Sã da Bandeira ou para o outro lado onde ia apanhar a rua que passava à frente da propriedade do meu tio Torrinha, duas ruas paralelas que delimitavam a zona mais povoada da vila.

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Na parte de cima ficava a escola, o Posto Administrativo, a casa e o moinho do Camaco, a propriedade do Zé Pio, um cego que indicava com a precisão possível o lugar de cada árvore, os castanheiros dos ouriços, o comércio do Abrunhosa, enfim…

massau5.jpg Tempo que figurará sempre na minha memória, porque não é possível apagá-lo... A família Nóbrega era numerosa, e espalhava-se desde a fazenda de S. Januário, o Café para o fogo, a fazenda do Bartolomeu de Paiva junto dos eucaliptos. À entrada da vila havia um grande lago; recordações de hoje, como se as tivesse vivido ontem...

EDU



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:23
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Domingo, 15 de Janeiro de 2017
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXI

MULOLAS DO TEMPOMilagres da vida com talassoterapia Farrapos de imagens que vi com nitidez de adulto na gesta colonial e M´Puto...

Por

soba15.jpgT´Chingange

Hoje apetece-me falar sobre os mistérios da vida que vivenciei em pequeno, kandengue e filho mazombo do Senhor meu pai Manuel de nome e, Cabeças por alcunha. Para sobreviver à vida depois da guerra de 39 a 45 resolveu sair daquela terra de frios do M´Puto, tendo chegado à Luua de N´Gola levado pelo velho vapor Mouzinho de Albuquerque. A Dona Arminda minha mãe, algum tempo depois e, após ter recebido carta de chamada, saiu do M´Puto vertendo choros no cais de Alcântara. Da amurada daquele vapor com o nome de Uíge, pouco a pouco via Lisboa e o Tejo ficarem lá longe tapados pela neblina.

bungo8.jpg Os tamancos de pinho não eram suficientemente quentes para animar o dia que se seguia naquela terrinha e, vai daí, meu pai tentou a Venezuela e o Uruguai mas as facilidades só lhe surgiram para a África, Terras Ultramarinas de Portugal. Deram-lhe passagem de colono após preenchimento de impressos timbrados com a esfera armilar. Através da Companhia Nacional de Navegação zarpou no tal vapor por volta do ano de 1950.

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Dito e feito! Ele estava cansado de explorar volfrâmio para enrijar os canhões de Hitler, de cavar as terras dum sítio chamado Cornelho, duma Pereira e um Vinagre, lugares vistosos de verde que no correr do tempo ficaram silvas e tojos pelo abandono. Muito mais tarde apreciei a beleza que ele nunca teve tempo para apreciar; o vale profundo enevoado com o rio Dão a correr para Alcafaxe e, lá longe a brancura de persistentes manchas de neve dispersas; as encostas da Serra da Estrela vendo-se as luzes de Seia, Folgosinho e Mangualde; podia ate ver-se com nitidez e em dias claros a ermida  de Nossa Senhora do castelo.

bungo6.jpg Farrapos de imagens que vi com nitidez de adulto com cheiros de resina, giestas sentindo também o som martelado característico de tamancos nas calçadas de pedra granítica, irregular, e com rilhas de rodas de carros de bois. Também o pisar de tojos amontoados nas travessas e quintais fazendo curtir o estrume necessário para as batatas, as hortaliças, couves tronchas ou repolhudas. Um esboço medieval de uma típica aldeia mesmo ao lado de Viseu.

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Ainda não havia aqueles adubos de mau cheiro que logologo surgiriam para fazer crescer os tubérculos que alimentavam as gentes, os bichos e as cabrinhas que davam leite. E, aquelas casas malcheirosas de fedor a subir, a entrar nas frestas do soalho e nas ventas, saídos das lojas com ovelhas, burros, bois ou cabras para esquentar os sobrados e seus donos no lado de cima. Frios de cheiros entranhado nos tornozelos, pés gretados, caucionados nas frieiras da Beira Alta Interior quanto baste; um frio do caraças de arrepiar dedos com dor.

bungo7.jpg Mas esta crónica foi pensada para falar do milagre a que assisti já em Angola; milagre que durou os anos de minha juventude, do que eu presenciei nas visitas que meu pai fazia a um antigo sócio do volfrâmio chamado Lázaro pai de Álvaro, um menino que comecei por ver paralítico e numa cadeira de rodas. Enquanto meu pai foi trabalhar para as brigadas do caminho de Ferro de Luanda, antiga Ambaca, Lázaro foi colocado como capataz de estiva no porto de Luanda.

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Minha família ficou a morar no Rio Seco da Maianga, início do Catambor e Senhor Lázaro instalou-se em uma casa de madeira em um bairro chamado de Bungo e mais tarde de Boavista. Ficava mesmo à beira mar da baia de S. Pedro da Barra, uma faixa de terra entre a linha recente do Caminho-de-Ferro e o mar. Estes barracos foram surgindo em áreas do domínio público e cada qual fazia seus puxadinhos até a areia e, bem no término das marés altas. Era assim que viviam os colonos pobres, paredes meias com cortiços, quase musseques tendo por vizinhos pretos e mulatos.

bungo5.jpg Isto para dizer que da varanda que dava para o mar, Álvaro o moço paralítico rojava-se até às águas espelhadas da baia e ali ficava quase todo o santo dia. Sempre que meu pai visitava seu amigo Lázaro eu, também aproveitava ficar ali nas mornas águas sacolejando-nos em jogos variados. Por vezes, até dormia lá a pedido de Dona Micas mãe de lázaro a fim de ter companhia; embora tivesse mais irmãos, ele e eu dávamo-nos bem ou de um outro jeito. Eu era bem tolerante com os esgares e caretas que Álvaro fazia no esforço de pronunciar falas; até nos entendíamos por gestos e vontades telepáticas.  

bungo2.jpg Assim o Tonito da Dona Arminda por lá ficava uns dias com seu amigo Álvaro o paralítico, coitadinho. Sentimo-nos peixes na água mergulhando como golfinhos ou boiando como bogas, roncadores e mariquitas. Por vezes e dentro de água fazíamos grandes pescarias daqueles peixes e até carapaus, agulhas ou garoupas. Bom! Agora vamos ao tal milagre.

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Álvaro começou gradativamente a andar, primeiro titubeante agarrado a bordões e mais tarde solto destes, andando como um boneco de circo, pernas esticadas e bamboleando, mas andando! Estou a ver seu sorriso ao longo do tempo quando fazia uma qualquer outra avaria; um sorriso babado com descontrolo muscular mas sortido de alegria. Pouco a pouco foi deixando a cadeira de rodas e até já ia só, até o transporte que o levava à escola do Kipaka!

bungo1.jpg A razão por que falo disto é a de que se há qualquer coisa que reabilite nossos ossos, músculos e rijeza ao organismo é mesmo o iodo das manhãs nas águas quentes do mar; uma tal de vitamina D que nenhuma pilula nos pode dar. Como kota, sinto isto desde 2006 pela ida muita frequente à praia, aqui no nordeste Brasileiro. Entre as 6 horas da manhã e as nove horas, lá estou metido até o pescoço na água da Pajuçara. E, olhem que é bem notório o bem que me sinto.

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Mas a grande felizarda é mesmo minha mulher Ibib com seus 75 anos de idade que não andava 100 metros quando aqui compramos casa e agora, sem se queixar das mazelas dos ossos, já anda quilómetros. Isto, o gozo da natureza, é o melhor que podemos ter nesta idade! A minha talassoterapia nas águas quase paradas e quentes da Pajuçara de Maceió é prioritária. Os resultados são lentos mas eficazes para quem persiste e, porque a natureza só por si dá-nos recursos. Recursos que a maioria das gentes desaproveita.

bungo4.jpg É por isto que não me posso ver longe do mar tropical por muito tempo. Todos os dias faço movimentos os movimentos recomendados pelo meu próprio “personal trainer”… Eu, próprio. Agradeço assim sem protocolos à mãe natureza e seu dirigente chamado Deus sem outras felpudas falas e, porque os homens mais dignos de penas serão aqueles que transformam seus sonhos em prata e ouro. Faço os possíveis!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:45
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Sábado, 14 de Janeiro de 2017
MUXIMA . LXVII

ONGWEVA DE ANGOLA ... SAUDADE - Os chefes de Posto e os Comerciantes do Mato - A história de Angola é uma epopeia feita a caminhar, ou andar em tipóia...

tonito3.jpgAs ecolhas de T´Chingange

Por: Eduardo TorresUm Xicoronho de 3ª geração - Deus quando nos permitiu a faculdade de pensar garantiu-nos também o uso dessa liberdade

Quando escrevo sobre factos da minha vida em África, as histórias reais vão para além de mim. Angola, tem um significado mais abrangente, porque nasci e vivi nela quarenta e dois anos, e nesse espaço de tempo que compreendeu a minha vida até chegado o momento de abandoná-la, criança ainda ouvi o meu pai contar estórias! Da forma como viviam, de uma maneira geral os Chefes de Posto, em especial porque eram colocados em locais ou transferidos para Postos sem as mínimas condições.

moc1.jpg Uma epopeia ou saga que deve ser enaltecida por quem ainda vive e a viveu e, porque seguramente será deturpada ou minimizada pelos novos senhores que a governam. Os chefes de Posto, entre outros administrativos acompanhados de familiares, a maior parte deles com filhos pequenos, sem hipótese de assistência médica e escola, estavam instalados para permutar gestão com os nativos intermediando os funantes.

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Os comerciantes do Mato, por sua vez, não viviam em melhores condições. Foi a forma encontrada de estabelecer soberania estabelecendo uma ordem social de quanto baste. Em caso de doença, na maior parte dos casos, beneficiavam esporadicamente do contacto com camionistas que transportavam mercadorias para as lojas. Hoje o funcionalismo e não só reclama das condições em seu trabalho mas estes nem sempre tinham viatura própria; pode parecer um absurdo mas assim era.

povo1.jpg Tinham a seu favor o facto de ter sido aquela, sua opção de escolha de sua colocação. O lugar onde se haviam de se instalar, segundo critérios generalizados era o de servir melhor em primeiro lugar seus interesses e segundo regras emanadas da Administração. Estabelecer também com os nativos da região condições de negócio segundo regras de reciprocidade ou concorrência. Enfim, normas de vida civilizada!

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A importância que advinha de serem pontos de ocupação, soberania em terras do fim do mundo. Naquele isolamento, era içada todos os dias a Bandeira Portuguesa que simbolizava a Ordem, a autoridade e justiça. A protecção necessária a um progresso, independentemente de ser um pequeno aglomerado populacional, kimbo ou apenas e unicamente um Posto Administrativo. Era ali a verdadeira loja do cidadão, se compararmos isto aos dias de hoje.

posto0.jpg Por assim dizer representava a presença dos portugueses nos mais variados e isolados pontos da imensidão angolana. Os sacrifícios e valentia de como encararam os momentos nada fáceis, eram corroborados por eles mesmos no enaltecimento da Fé e da Esperança, vertentes sempre presentes na defesa duma Portugalidade nem sempre presente pelo poder e lei longínqua.

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Quantas vezes e, porque lhes faltava tudo a vida ficava traduzida em morte. Na dimensão desse território, cabiam as biliosas, a doença do sono provocada pela mosca tsé-tsé, a malária e outras doenças tropicais que eram combatidas com o quinino, uns comprimidos do tamanho de hóstias, chás de plantas medicinais, e medicamentos primários, situações idênticas às dos colonos que vindos da Madeira fundaram a cidade onde nasci., Lubango.

posto1.jpg Era suficiente descer a serra até Vila Arriaga, para se sujeitar, se a sorte não fosse bastante, para se morrer de uma biliosa, como foi o caso de um dos meus melhores amigos e colegas da escola primária, filho do Secretário Administrativo da vila. Era costume dizer-se que terra de imbondeiro não era terra saudável.

posto3.jpg Até nisto, essa árvore grotesca e especial da flora de Angola, era o símbolo de se viver ou morrer, consoante a doença de que se viesse a padecer. Os climas saudáveis eram os dos planaltos mas, mesmo nestes, havia periclitantes cuidados com a saúde. Angola mudou muito desde os meus tempos de criança até a deixar. Mas, até sair nesse então, os administrativos continuavam a viver em muitos Postos isolados, em kimbos ou lugares de comércio e varejo beneficiando nos últimos tempos de acessibilidades com correio e outras condições que lhes faltavam antes, em meus tempos de menino e, eu já sou século…

torres.jpg EDU   

Compilação e formatação do soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:25
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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2017
FRATERNIDADES . CX

MUKANDA DE JOHANNESBURG - Bem quisera eu que Deus te insuflasse a sabedoria que vem do alto...

Por

matias j.jpg Jose Matias

Amigo de longa data és tu... Bem quisera eu que Deus te insuflasse a sabedoria que vem do alto, mas quanto a isso apenas espero pacientemente, para que possamos compartilhar as maravilhas deste Deus, que jamais deseja que o coloquemos na dúvida do seu grande poder. " Vê como Deus é sublime em seu poder. Qual é o mestre que lhe pode comparar? Quem lhe prescreve sua conduta?

roxo6.jpg Quem pode dizer-lhe: Fizeste mal? Pensa antes glorificar suas obras, que tantos homens celebrem em seus cantos, todos os homens as contemplam, admiram-nas de longe os mortais." Deus é grande demais para que o possamos conhecer, o número dos seus anos é incalculável. Quem compreenderá as ondulações da sua nuvem? O ribombabar da sua tenda?

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Deus troveja a plena voz as suas maravilhas e realiza proezas que jamais compreendemos." Diz á neve; cai sobre a terra e ao aguaceiro, Desce com violência! Suspende a actividade dos homens, para que reconheçam que é obra sua. Mas Ele, na sua justiça, sem oprimir, impõe-se ao temor dos homens; a Ele chega a veneração de todos os corações, de todos os corações sensatos. Quem somos nós pois para obscurecer seus desígnios com palavras sem sentido?

roxo111.jpg Onde estávamos nós quando Deus lançou os fundamentos da terra? Quem lhe fixou as dimensões? Quem estendeu sobre ela a régua? Quem fechou com portas o mar? Examinaste a extensão da terra? Conta-me, se sabes tudo isso. Ele o nosso Deus retira a luz aos impios e quebra o braço rebelde.

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Nada pois temos que lhe perguntar sobre como foi feito, ou porque nos fizeste assim, somos barro em suas mãos e, assim como barro, jamais se pergunta ao oleiro porque me fizeste cântaro e não panela. Amigo tão-somente a essência da fé que é dom de Deus, é um atributo que o nosso Deus aceita como pedido nosso, para entendermos a sua grande mesericórdia.

roxo105.jpg Fora disso é tentar a Deus, nos seus atributos. Somos salvos segundo a sua vontade, e segundo seu plano de salvação em Cristo Jesus, fora disso a condenação jaz á nossa porta.

roxo107.jpg Se não praticam o Verbo, pratica tu, e deixa os outros, pois cada um responderá por si. Eu sou responsável por apresentar este Verbo, que se fez carne e um dia se me revelou, não sou perfeito, como todos não são, mas em Cristo Jesus caminho para que eu próprio no fim, não seja encontrado em falta. Um abraço como sempre do amigo de longa data.

Ilustrações de Assunçõ Roxo

José Matias - Johannesburg

O relator: T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:51
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017
MUXOXO . XLIV

TEMPO COM CINSAS – 11.01.2016  . Quando os heróis ficam bronze

- Na dúvida entre o ser agnóstico como “Mário o coisa suprema do M´Puto”, fico driblando-me em golpes de liberdade!... Uma quase carta aberta para o álem…

Por

soba18.jpgT´Chingange

Humilhando-me deliberadamente, combatendo o tédio das horas que sempre sobram cozo disfarces, ensaio previsíveis alegorias sobre os vícios e infortúnios do passado construindo castelos do meu envenenado orgulho. O Soares morreu, paz à sua alma! Erigindo uma muralha à volta de estabelecidos conceitos tidos como certos, leio o estibordo do meu espírito sem prólogos, epílogo, sem índice nem sumário.  

cinzas8.jpg E, fico na dúvida entre o ser agnóstico ou driblar-me em golpes de liberdade de católico não praticante. Pacificamente faço transbordar prefácios amarrotados repassados de ternura e, por forma a encontrar os certos lenitivos do meu lado mau, de estibordo.

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Diga-se o lado perturbado nas vaidades de pensamentos muito carregados de apreensões. Nosso verdadeiro desterro terá de ser a sabedoria ressequida no calor das ilusões e enganos da Terra, gente boa, gente má, e outros que se sublimaram sem constar nos capítulos da história. Uma cagalhoto enrolada em papel cheiroso de celofane continua a ser necessariamente uma merda!

nasc2.jpg Sem querer reviver ataques de caluniadores esforço-me todos os dias no exercício da razão a fim de pensar com acerto, alegria com a adrenalina ansiosa no quanto baste. Neste enredo de fingir prefácio, amoleço-me na vontade de rejeitar o elogio fácil porque me amolece ou ilude, como um veneno de lisonja.

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Nos últimos dias muito tenho lido e ouvido sobre gente que geriu o meu ex-futuro sem nunca ter oportunidade de poder reclamar. O homem morreu! E ele chamava-se Mário; foi-se, escafedeu-se no além por onde decerto se irá penitenciar sem escondidos âmagos na alma. Como tantos outros enfermos, adulterou a lei fazendo valer seus conceitos. Assim, Mário, o presidente, o primeiro-ministro e mentor da descolonização, não respeitou o caminho da verdade e liberdade.

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E, porquê então lhe chamam o pai da liberdade? Mas, que liberdade?! Se a Terra é uma escola sagrada como foi possível ter tido uma conduta tão nefasta para tantos. Serão muitas perguntas sem resposta porque não vincula, votar o amor e o serviço ao próximo, mas, e tão só, a si próprio. Estou na senda de não guardar mágoas, ressentimentos, nem medos a transmitir algo para seguir em frente, livre deste pesadelo.

bruno13.jpg Quero seguir em frente com lições válidas de olhar a vida, dando valor a quem o merece, com equilíbrio e alegria desprezando sempre o infractor. E, se a ingratidão é um grande defeito, praticar a “teoria do esquecimento” será uma desvirtude. E, se cada um recebe de acordo com o que dá, por mim este Mário, sempre terá um profundo desprezo.

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Sua rigidez cadavérica não me enaltece a alma; quero que seu espírito se me enfraqueça no esquecimento. Se a alma não tem idade e a mente jamais envelhece, quando me encontrar lá na nuvem branca dar-lhe ei um enxugo de porrada! Dar-lhe ei do mesmo adubo, que me ofertou: A dor!

relog0.jpg Um fertilizante de lágrimas e uma mão cheia de nadas. Já perdi perdão ao meu tio Nosso Senhor por não lhe relevar as faltas, as falhas, os aconchavos com injustiças e traições. Nem morto! Não me quero mentir nem ser ingrato! Só lhe quero retribuir com gratidão os benefícios que dele recebi!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:47
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLX

CINZAS DO TEMPO – 10.01.2017 – Quando tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza, sarando as feridas da mente …

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange

Fugindo daqui e dali vejo-me em aflições só minhas, porque o passado reconheceu-me na palidez enrugada da velhice e, desperta-me agora para as verdades superiores. Duas e meia da manha e eu levanto-me com uma tosse de cão revivendo as debilidades que somos em função dos ácaros, dos parasitas, das bactérias aéreas e adjacentes que no trazem rouquidão indesejada. Da varanda olho as nuvens que correm baixo bem por cima dos arranha-céus e, não vejo nenhum anjo vindo do além neste agora, a quem possa fazer uma prece para fazer sair os desassossegosos espirros de mim.

knorr1.jpg Com palavrões dentro da cabeça, tentei reconstruir minha já antiga convicção de que não é com vinagre que se apanham moscas; com os nomes esvoaçando, fui buscar as novidades fracturadas com figas e juras por sangue de Cristo, personagem a quem inevitavelmente se recorre quando nos sentimos débeis ou oprimidos.

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Por vezes falo com Ele como se fosse meu companheiro de escola e, desta vez pedi-lhe que acabasse com este meu desconforto de mijar raiva de mim aos poucochinhos na forma de espirros, baba de sinusite lançando meus bacilos para o espaço, minhas bactérias e ranhosidades inconvenientes. Eu sei que é coisa pouca mas, tenho de ter condições para espalhar alegrias ao meu redor e, não ficar remoendo nas alergias da vida.

amolador 1.jpg Na última sexta-feira aconteceu ir a um lugar chamado de Barra Nova na Ilha de Santa Rita com um casal amigo de já algum tempo. Foi um encontro de amigos que têm vivências espíritas e que no intuito de criarem ali um Centro aonde possam reviver suas experiencias se juntam fazendo suas preces no campo espiritual e, assim associados, desenvolvem temas ouvindo-se uns aos outros promovendo ajudas à colectividade.

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Não vos pareça estranho esta minha presença neste núcleo de amigos porque do que vi e ouvi, não retirei venenos de lisonja nem desnorteadas criticas a outras fés como é comum observar nas demais, nem senti haver galanteios vazios de valor. Ouvi diálogos com elogios, alertas de necessidades com um apelo constante no uso da palavra por forma a afastar as vibrações nocivas de nossa vida.

zumbi3.jpg A partir dum sim ou de um não desenvolveram-se temas transcendentes de como os últimos serão os primeiros, e ouve passagens de descrição que me tocaram mormente as falas de Júnior ao descrever sua participação em uma campanha chamada de “campanha do Kilo” e, na cidade de Maceió. E, porque me parece relevante, passo de forma sucinta a transcrever. No bairro escolhido, creio que no da Jatiúca, Júnior abordou um senhor que tudo indicava ser de posses, o carro em que se fazia transportar era de ultima ponta tecnológica e eis que abordado e ficando Júnior de mão estendida, aquele dito senhor com desprezo, cospe nela.

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Júnior tinha todos os motivos para se indignar mas, esfregando sua mão nas calças estendeu a outra dizendo: - Senhor, esta sua oferta foi para mim, dê-me agora a ajuda para minhas crianças carecidas! Este desprezo e mau carácter foi observado por um outro senhor mais velho, humildemente vestido, denotando-se nele carências alargadas.

 

mutopa5.jpg O velho senhor de barbas grisalhas aproximou-se de Júnior e deu a saber-lhe que sim, conhecia a obra do Centro que ele referiu e que era um trabalho que ele admirava. Que tinha uma escassa reforma, dava guarida a um filho desempregado e vivia como podia na graça do senhor. Júnior a convite do velho, entrou na modesta casa. Este, foi-lhe mostrada as condições de carência sem nunca a referir e, entretanto abriu o armário da cozinha. Nele havia um pacote de caldo Knorr e uma caixa de fósforos.

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Se isto lhe for útil pode levar! Júlio não teve coragem de recusar aquele tão pouco mas tanto de quem quase nada tinha. O velho acrescentou: Os fósforos dão para acender o fogão e o caldo para uma sopinha, leve, disse ele! Júnior em função do que viu convidou o senhor a passar lá pelo Centro a fim de comer uma sopa saída deste caldo e outras dádivas.

socie5.jpg Foi marcante esta descrição para mim que tanto deliro nos folguedos da vida fácil em comparação com aquele velho senhor que tudo deu. E, seu tudo - era quase nada, mas era! Cada um recebe de acordo com o que dá! Isto pode ser vivenciado por mim ao longo da vida. E há um dia em que somos tocados por uma vírgula desprendida dum qualquer texto colocada no lugar certo; foi este o meu caso.

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Como dizia no inicio desta breve cónica, vejo-me em aflições só minhas, porque o passado reconheceu-me na palidez. Estou ainda a tempo de realizar um novo começo, despertar-me voluntariamente para as verdades superiores de num agora, ajudar o próximo como a si mesmo! “O próprio céu tem horário para as trevas e para a luz” disse Júnior em tom de reflexão. Cada um precisa caminhar com seus próprios pés para aprender a viver. Assim, sem prever o sucedido e, neste agora, aprendi a conhecer-me melhor! E afinal, sempre haverá um dia mais especial que qualquer outro … e, aquele foi-o!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:51
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2017
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXX

REFLEXÃO -   AS MINORIAS  

zorro3.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por: António José Canhoto

Minorias são grupos marginalizados dentro de uma sociedade devido aos aspectos económicos, sociais, culturais, físicos ou religiosos.

canhot1.jpg A análise sociológica dos processos históricos do país (Portugal e não só) até à sua contemporaneidade determina as razões da estigmatização, discriminação, desigualdades que atingem as minorias, levando-as à exclusão social. Actualmente são exemplos de minorias sociais; negros, ciganos, indígenas, imigrantes, mulheres, gravidas, homossexuais, idosos, moradores em favelas (bairros de lata), guetos, portadores de deficiências e moradores de rua sem abrigo.

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Existe outra enorme marginalização que não sendo visível afecta todos aqueles que desde os bancos de escola, cedo manifestam um desenvolvimento intelectual bem acima da média dedicando-se muito mais à leitura nos tempos livres e recreios do que na participação das brincadeiras usuais dos adolescentes, e por isso facilmente lhes arranjam alcunhas e cognomes depreciativos.

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Muito embora as pessoas possam pensar que não existe uma correlação directa ente minorias e inteligência, ela existe e, eu irei provar exactamente o que afirmo. A Inteligência é um conjunto que forma todas as características intelectuais de um indivíduo, ou seja, a faculdade de conhecer, compreender, raciocinar, pensar e interpretar.

paradi3.jpg A inteligência é uma das principais distinções entre o ser humano e os outros animais. Etimologicamente, a palavra "inteligência" se originou a partir do latim intelligentia, oriundo de intelligere, em que o prefixo inter significa "entre", e legere quer dizer "escolha". Assim sendo, o significado original deste termo faz referência a capacidade de escolha de um indivíduo entre as várias possibilidades ou opções que lhe são apresentadas.

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 Para a escolha da melhor e mais adequada oportunidade, entre as várias opções, uma pessoa precisa avaliar ao máximo todas as vantagens e desvantagens das hipóteses, necessitando para isso da capacidade de raciocinar, pensar e compreender, ou seja, a base do que forma a inteligência. Entre as faculdades que constituem a inteligência, também está o funcionamento e uso da memória, do juízo, da abstracção, da imaginação e da concepção.

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Os conceitos e definições da inteligência variam de acordo com o grupo a que se referem. Por exemplo, na psicologia, a chamada "inteligência psicológica" é a capacidade de aprender e relacionar, ou seja, a cognição de um indivíduo enquanto no ramo da biologia, a "inteligência biológica" seria a capacidade de se adaptar a novos habitats ou situações.

paradi2.jpg Os testes de inteligência surgiram entre os séculos XIX e XX, na tentativa de "medir" o tamanho da inteligência dos indivíduos. O primeiro teste desenvolvido para medir a capacidade intelectual foi criado pelo psicólogo francês Alfred Binet (1859-1911), que era aplicado nas escolas francesas para identificar os alunos com dificuldades de aprendizado. Alguns anos mais tarde, o psicólogo alemão William Stern (1871-1938) criou a expressão Quociente de Inteligência, conhecido pela sigla QI (Intelligenz-Quotient, em alemão), introduzindo os termos "IM (Idade Mental)" e "IC (Idade Cronológica)", para relacionar a capacidade intelectual de uma pessoa e a sua idade.

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Os testes de inteligência definem o quociente de inteligência (abreviado para QI, são uma medida de avaliação do grau de inteligência de cada pessoa, quando submetida a um teste especifico do qual resultam os seguintes valores: de 121 a 130 Super dotação; 110 a 120: Inteligência acima da média; 90 a 109: Inteligência normal (ou média); 80 a 89: embotamento; 70 a 79: Limítrofe de retardamento mental.

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Cerca de 5% da população mundial enquadra-se no Quociente de Inteligência de super dotados,10% acima da média, 20% estarão classificados como normais, enquanto os restantes 65% se distribuem entre as inteligências do embotamento e retardamento mental. Na generalidade é sempre difícil viver-se em minoria por não termos a capacidade ou possibilidade de podermos partilhar dos mesmos valores das sociedades onde estamos inseridos.

mamoeiro.jpg De entre as várias minorias escolhi particularmente aquelas que se distinguem pela sua intelectualidade sendo constituídas por pessoas que têm uma visão conceptual humanista do mundo e da vida diferentes, o que invalida a sua capacidade de integração nas maiorias, as quais podem ser facilmente exemplificada entre o viver na luz ou na escuridão. O mesmo principio de aplica ás maiorias cuja seu imobilismo retrogrado, conservador e dogmático os condiciona à faculdade de pensarem e evoluírem pela hereditariedade das suas convicções, muito embora obviamente possam existir excepções.

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Estes dois grandes segmentos da sociedade coexistem em patamares diferentes da mesma numa harmonia de coexistência pacífica muito embora, apenas tenham em comum a língua que falam. Se analisarmos a pirâmide da hierarquia ou organograma sociológico das sociedades, salta de imediato á vista desarmada que esta se encontra dividida ou escalonada em 4 patamares.

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O três primeiros escalões da pirâmide são ocupados pelos super dotados, inteligência superior e média inteligência media, depois vêm os embotados e finalmente os retardados As sociedades modernas e evoluídas democraticamente são geridas por indivíduos com inteligências acima da média, estando a concentração dos poderes e dinheiro nas mãos destas classes corporativistas e elitistas.

vacas voadoras.jpg Infelizmente são elas que fazem girar o mundo à velocidade que querem, ou o param segundo as suas conveniências. Dois terços da população mundial anda a reboque de um terço dela, pois são estes que proporcionam empregos alimentam ou diminuem o PIB dos países, criando riqueza com os seus investimentos. Existem minorias desejáveis e indesejáveis, o preconceito é algo que afecta profundamente as maiorias especialmente quando os países estão conectados directa ou indirectamente com organizações, filosofias ou credos que marcam indelevelmente as suas linha de orientação politica ou religiosas.

António Canhoto … 25-10-2016

As opções do Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:39
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2017
CAFUFUTILA . CXVIII

ONGWEVA DO TEMPO - 05.01.2017 – KIANDA ROXO  - 15ª parte

Com Zachaf Pigafetta Roxo, Januário Pieter irmão desta e tetravós de Roxo mais o Conde de San German...

Ongweva é saudade

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Ian Smith e a sua Frente Rodesiana mourejaram para levar o novo país na trilha do progresso, enquanto negociavam com os líderes negros contrários ao uso da violência, mas as fórmulas prudentes e justas pensadas, a 11 de Novembro 1965 levam Smith a declarar a independência da Rodésia. As nações do mundo não se vincularam a esta iniciativa prescrevendo em 1979 com a entrada do bispo Abel Muzorewa que se torna chefe do governo e, constituindo a primeira administração bi-racial (uma utopia africana).

niassa5.jpg Os polícias planetários dos primos de Londres e dos Estados Unidos da América, acharam que um governo responsável composto por brancos e negros não tinha serventia, abrindo caminho aos terroristas que até então estavam afastados do processo no sistema oficial. O governo de Muzorewa não logra durar muito e novas eleições são convocadas, desta vez com total liberdade de acção para o bando terrorista de Mugabe.

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Naturalmente, com o beneplácito dos areópagos internacionais, a 2 de Dezembro de 1987, Robert Mugabe, o marxista e seus bandoleiros do famigerado “processo político” é nomeado como o primeiro chefe executivo. Mugabe, apaparicado pelos senhores do globo, não tarda em implantar a sua ditadura de partido único através da perseguição, intimidação e eliminação física de opositores. O alvo preferido é a população branca, fazendeiros e os negros que não “aderiram” prontamente à “revolução”.

ngoi2.jpgUm território outrora pacífico e em franco desenvolvimento, é transformado num espaço de opressão e violência, corrupção e ruína económica. Tal como em Angola, uma boa limpeza étnica só o é, desde que feita por negros contra brancos, que é sempre vista com os olhos húmidos de compreensão. A farsa da que constitui a obra-prima das ONUs e dos senhores deste planeta vai, desgraçadamente, continuar em cartaz na terra africana encharcada com o sangue de inocentes (um mundo cão).

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Eis as excelsas realizações dos arrojados descolonizadores - “exemplares”, com certeza. Tive de descrever este panorama para chegar às kiandas: o Conde de San German, um destacado embaixador itinerante que vira uma normal figura de gente quando necessário, Zachaf Pigafetta e o irmão Januário Pieter, ambos procedentes do lago Niassa e a tetravós da  Sereia Roxo Socorro e Oxor, sua  figura gémea que por ali permaneciam em uma ONG e, que tiveram de dar o fora dali! Não havia condições nem para assombrações!

roxomania1.jpg Eu estava por saber que uma sereia tem de ter sempre uma irmã gémea porque convêm de vez em quanto baralhar os espíritos malévolos; esses que serpenteiam entre difusas brumas como ácaros do facebook. Brumas que por via de uma arte ficam acrilicamente voláteis, belas e disformes, misto de sonho com pesadelos tidos em luar longínquo parecendo duma outra galáxia. Depois de tudo isto entendo as formas e contornos reluzindo-se em perfumadas ondas de quem pinta sem pincéis. Isto só mesmo de bruxas, kiandas ou calungas…

PAPAL4.jpg Zachaf Pigafetta a tetravó, desta vez falou comigo sem aquela reverência de kianda superior e, descendo à terra barrenta, à sombra de uma mafumeira quase que só me segredou ter sido em Harare que nasceu sua Neta de última geração Assunção Roxo. E, foram exactamente nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' mas salientou que não quer agora, nesta vida de hodiernidade, perturbar sua tetraneta.

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Nunca se viram cara a cara mas foram-lhes transmitidas veracidades que nem ela Roxo se apercebe e, porque é através do vento soprado que lhe faz chegar as ondas de cinco gigabites, aquela genica e vontade de papar léguas, mais o gosto pelas longitudes. Em sonhos conversam muito mas, logologo estes são esquecidos porque ela só é kianda por vezes e, nesses sonhos de ilusão. Notei que não me queria dar muitos mais pormenores. E foi graças à insistência do Conde de San German que ela, tetravó de Roxo se decidiu abrir comigo.

mugabe.jpgSua mãe (de Roxo) kianda negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai  que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu preta, preta mas no correr dos dias foi ficando assim branquela como ela é hoje. Ela a kianda Assunção Roxo deu seu primeiríssimo alerta de vida nas águas do lago Chivero e, que fazia fronteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai.

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Pois, tranquilamente disse-me que sua mãe era preta retinta, casada com esse tal de Morgan Tsvangirai, que ganhou a primeira volta nas eleições em confronto com a múmia Mugabe e, após vários dos seus apoiantes terem sido assassinados. Foi isto que os motivou a transladarem-se para o Kwanza e ficar ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia antiga, espíritos conferenciando por ali ser um pambu-n´jila especial com Muxima. 

german1.jpg A múmia Robert Mugabe venceu as eleições convocadas para o dia 28 de Junho de 2008, sendo reconduzido mais uma vez ao poder, desta feita pela sexta vez consecutiva, por desistência de Morgan Tsvangirai, pai de Roxo. Esses foram momentos conturbados mesmo para kiandas como nós, disse. Com o apoio internacional, houve uma partilha de poder que durou cerca de quatro anos.

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Este Governo de Unidade Nacional revelou-se ineficaz para acabar com as fortes tensões e evitar confrontos sangrentos entre os apoiantes de Mugabe e Tsvangirai. Em 31 de Junho de 2013 Robert Mugabe foi novamente reeleito, apesar da oposição e observadores considerarem fraudulenta a eleição. África é mesmo um veneno adocicado.

ÁFRICA7.jpg Agora entendo do porquê esta kianda Roxo andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber desta sua dupla vida mas compartilhando xispanços de tinta com maestria. Xispansos de pincéis electrónicos na forma de gigabaites que se traduzem em cores holográficas, cibernéticas; pinturas do paralém de assombros que só bruxos podem executar.  A surrealidade está-lhe no sangue!

(Continua…) 

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:50
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MONANGAMBA . XLIV

SONHOS DE SOL - 05.01.2017 - Choro de mais-velhos num tempo de gigabits… Redundâncias de nossas vidas…

Monangamba é nome africano, nome de vendedor de trabalho avulso

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente. Mas agredimos! Não respeitamos o tempo do outro, a história do outro. E, assim, vamos causando transtornos; esses tantos transtornos mostram que não estamos prontos, mas em construção. E, no tempo, todo nós temos que nos limpar e cuidar das feridas, assim como os outros que convivem connosco, que também o têm de fazer; melhor, toda a humanidade.  

agostinho1.jpgHoje mesmo estive confuso no tratamento das palavras “afim” e “a fim” e acabei por escolher esta segunda por significar ter a finalidade de e, assim como todas as garantias acabam no acto do pagamento da factura, a fim de. O desejo do bem-estar força o homem a tudo melhorar, impelido que é pelo instinto do progresso e da conservação, que está nas leis da Natureza.

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Não existe ninguém que encontrando um espinho debaixo de seu pé não o retire, para ou a fim de não se magoar. Sendo assim, porquê a Ciência e a Religião não se puderam entender até hoje! Porquê encaram as coisas de modo tão díspar provocando o vazio dum traço que deveria ser de união e não de separação! Isto invariavelmente confunde-me levando-me à quinta ou sexta dimensão do espírito aonde não existe ontem nem amanhã nem tampouco o agora físico.

p-brana4.jpg O traço da união estará sempre no conhecimento das leis que regem o Mundo; nas relações com o Mundo corpóreo e o espiritual penso eu! Entendo que estas leis são tão imutáveis quanto as que regem os movimentos dos astros e a existência dos seres. O Universo não tem fim nem bordos! Não é um simples cubo com comprimento, largura e altura. A mente também não! O paraíso deve então estar por aí nesse espaço etéreo!

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Entendo sim que se a fé se dirigir à razão, a razão nada encontrará de ilógico na fé e, o materialismo será vencido. Ando à espera dessa nova era para a Humanidade porque todas as outras não me preenchem. Andamos muito cheios de redundâncias dizendo disparates como “há dois anos atrás”, o atrás está a mais ou um “sorriso nos lábios” e, os lábios estão demais. E “conviver juntos” quando só o conviver diz tudo; e, o “consenso geral” com o geral a mais, ou a “surpresa inesperada”, sendo a surpresa só em si suficiente.

p-brana3.jpg “Na minha opinião pessoal” o pessoal não faz falta ou então e para acabar “ o novo lançamento” quando o lançamento já diz tudo. Isto são tudo redundâncias coladas a nós. Necessitamos atender às designações da Natureza sem redundâncias nas falas porque essas são as leis do progresso. E, o progresso sempre será uma lei de Deus. Quanto a isto não tentem confundir-me com outras redundâncias; não queiram comer minhas palavras.

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Nunca a Ciência e a Religião poderão estar em negação porque Deus não pode querer destruir a sua própria essência, sua obra. Na Natureza o amor está por toda a parte e convidando-nos ao exercício de nossa inteligência; nós o encontramos até mesmo no movimento dos astros. E, ainda é a natureza que nos lega o amor, a paz dos homens, a calma ou turbulência dos mares, o silêncio dos ventos, e o sono ou a dor e muitas coisa não mensuráveis.

nenufar1.jpg Mas, há uma disposição natural em todos nós; a de nos apercebermos muito menos dos nossos defeitos, do que dos alheios. Tal como diz o Evangelho: “Vedes o cisco no olho do nosso vizinho e, não vedes a trave que está no vosso”. Já Santo Agostinho dizia em seu tempo que os homens terão forçosamente de se entender e, entender a Natureza porque esta contem a lei de Deus.

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Santo Agostinho foi um dos primeiros autores cristãos latinos a professar uma visão clara sobre a antropologia teológica ao defender o ser humano como a união perfeita de duas substâncias, o corpo e a alma. Afirmava também que os dois elementos são parte de duas categorias bem distintas. Enquanto o corpo é um objecto tridimensional, a alma é composta por um tipo de substância adequada para governar o corpo e que, é parte da razão.

soba02.jpg Bastava para ele admitir que os homens eram formados por duas substâncias metafisicamente distintas, sendo a alma superior ao corpo. As teorias moldam e condicionam o nosso conhecimento dos factos e a proliferação de teorias é uma fonte de progresso para as Ciências. O grande problema é mesmo o critério da falibilidade em que as palavras mais fortes humilham outras mais débeis.

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:18
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLIX

CINZAS DO TEMPO – 03.01.2017Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade … Por coisas do demónio, somos todos isósceles …Deusmelivre de cair na tentação em ser rico e escaleno…

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

Andamos poluídos em ideias e, com o corpo suscitando mil obstáculos pela necessidade de cuidarmos dele, o corpo. Ele, o corpo enche-nos de desejos, de temores, ira, tristeza, de mil ilusões e mil tolices. É assim, impossível sermos sábios, mesmo que se seja só por um instante se não desligarmos o espírito do corpo. Um dia qualquer, você vai transpirar de frio sem controlar seus nervos e vai ter de recorrer a um comprimido, colocá-lo debaixo da língua para atenuar seu pavor.

dia54.jpg A verdade! Que é isso? O homem de terra a terra considera as coisas dum ponto de vista material - vive iludido sem as apreciar com justeza porque para isso necessitaria vê-las do alto, dum ponto de vista espiritual. A verdadeira sabedoria deve em verdade isolar a alma do corpo porque enquanto corpo e alma se acharem mergulhadas nesta corrupção terrena, nunca se irá possuir o objecto de nossos desejos: - A verdade!

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Só poderemos conhecer a verdade quando libertos da loucura do corpo, suas vibrações e palpitações, ansiedades descontroladas com coisas medonhas a tolher sua liberdade. Somente o homem que se despoja dos vícios e se enriquece de virtudes pode esperar com tranquilidade o despertar de outra vida. Qual outra vida? Haverá de ter-se em conta que a palavra demónio (daemon) da antiguidade, não era tomado em mau sentido como o é agora.

roxo96.jpg Daemon (do grego) eram todos os espíritos de entre os quais se destacavam os chamados génios da mitologia ou deuses, "divindade" ou "espírito". O nome em latim de daemon veio a dar o vocábulo em português de demónio; no entanto, ao longo da história, surgiram diversas descrições para esses seres. Seu temperamento liga-se ao elemento natural ou vontade divina que o origina.

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Um mesmo daemon pode apresentar-se "bom" ou "mau" conforme as circunstâncias do relacionamento que estabelece com aquele ou aquilo que está sujeito à sua influência. Xenócrates associava os deuses ao triângulo equilátero, os homens ao escaleno, e os daemons ao isósceles. Ser feliz para os gregos é viver sob a influência de um bom daemon (demónio). Assim surge a forma como Sócrates se refere a seu daemon. E, chegamos assim aos espíritos que regem ou protegem um lugar, como uma cidade, fonte, estrada, etc.

araujo6.jpg O génio pessoal, usado por Sócrates quando ao contrário de seus colegas sofistas não abriu escola assim como não cobrou dinheiro por seus ensinamentos. Ele dizia que apenas falava em nome do seu "daemon", do seu génio pessoal. As afectações humanas, de corpo e de espírito, tinham estes como criadores do Sono, Amor, Alegria, Discórdia, Medo, Morte, Força, Velhice, Ciúmes e outros edecéteras.

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Na antiga Grécia muitos deles daemons viviam entre os mortos no submundo, porém alguns viviam entre os deuses no Olimpo mas, outros viviam entre os mortais na Terra. O conceito original entre os gregos ainda os liga aos elementos da natureza, surgidos em seguida aos deuses primordiais. Assim, há daemons do fogo, da água, do mar, do céu, da terra, das florestas, etc.

roxo29.jpg Se “é pelo fruto que se reconhece a árvore”, frase que se encontra muitas vezes repetida no Evangelho, como chegamos ao conceito de que a riqueza é um grande perigo!? Porque todo o homem que ama a riqueza não ama a si mesmo nem ao que é seu; ama a uma coisa que lhe e ainda mais estranha do que o que lhe pertence.

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Tratemos de instruirmo-nos mas, não nos injuriemos diria hoje de boa-fé Platão. Mas se Platão revivesse hoje, encontraria as coisas mais ou menos como no seu tempo e, poderia até usar a mesma linguajem. Por haver professado estes princípios Sócrates foi ridicularizado, acusado de impiedade e condenado a beber cicuta, um veneno mortal. As grandes verdades não podem estabelecer-se sem luta e sem fazer mártires. Deus-me-livre cair na tentação de ser rico! Só quero mesmo ter o suficiente…

Ilustraçõe de assunção Roxo e Costa Araujo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:56
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXVIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 02.01.2016 - ANGOLA DA LUUA XXVII.

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo…

Por     

soba0.jpeg T´Chingange - (Otchingandji)

A retirada do General Silva Cardoso do posto de Alto-Comissário sem o prévio conhecimento à FNLA e UNITA e, com atitudes obscuras em benefício do MPLA levou Jonas Savimbi a reclamar. Sob protesto, anunciou que não teria mais contactos com as autoridades portuguesas empossando José N´Dele destas atribuições. O MPLA, na manhã do dia 7 de Agosto, com as suas FAPLAS atacam a delegação da UNITA na Avenida dos Combatentes. O ataque ao Pica-Pau da UNITA já tinha acontecido.

pica1.jpg As FALA (exército da UNITA) abandonam ao longo deste dia sete todas as instalações recolhendo-se junto dos quarteis do exército português de onde seriam evacuados para o Luso e Nova Lisboa. Nas escolas os alunos comentavam de forma propositada para os professores ouvirem: “ branco vai para a tua terra”; “a casa do professor é nossa”; “o carro do professor é nosso” e, por aí! Um pouco assim e por todo o lado!

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Nos três últimos meses tinha morrido mais gente do que em 14 anos de guerra colonial; algo nada lisonjeiro para os novos nacionalistas Neto, Savimbi e Holdem com responsabilidades acrescidas para os vendilhões militares de Abril do M´Puto de mãos dada com o poeta ébrio Neto. A FNLA e o MPLA colocavam armas pesadas no topo dos edifícios. O MPLA praticava acções simultâneas e concertadas em Luanda, N´Dalatando e Malange criado zonas tampões nas quais ninguém podia sair ou entrar.

picapau1.jpg Os Angolanos de etnia negra, não estavam a mostrar em sua esmagadora maioria dignidade pela oferta recebida; não eram merecedores de apreço das pessoas de bom senso; todos andávamos desapontados sem saber o que fazer tal como o kissonde quando é disperso em sua linha, carreiro de vida. Os brancos protestavam; queriam sair de angola da forma possível!

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Também nos quartéis do M´Puto as notícias são de boatos de golpes e contragolpes; as secretas: alemã, francesa a CIA e o KGB convivem entre os portugueses, assistem ao levantar de punho incitados por Vasco Gonçalves e animados pela pandilha de Mário Soares e outros que a história terá de lembrar.

picapau8.jpg Na Luua (Luanda), no dia 4 de Junho, as FAPLA bombardeia a Delegação da UNITA no Bairro Pica Pau (Comité da Paz). Morreram todos os seus ocupantes! E, foi com tudo! Lança granadas, metralhadoras pesadas e ligeiras. No Pica-pau esquartejaram e arrastaram corpos vertendo sangue no asfalto (mais de 200 jovens pioneiros da UNITA). O MPLA não queria em Luanda nem fenelas nem kwachas nem gwetas (brancos)!

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A UNITA estava também a ser erradicada da Luua. Quem ouvisse os discursos de Agostinho Neto ou um qualquer quadro de destaque do MPLA, verificaria sem esforço no prevalecer das palavras de ódio contra os brancos, ovambos ou afectos à UNITA, gente do norte afecta à FNLA e gente ligada à FLEC de Cabinda. Angola era só para eles, os kazukuteiros feitos heróis. Silva Cardoso sentia-se impotente para resolver estes ataques que tinham o acordo de seus subordinados Tugas de mãos dadas com o MPLA. Só lhe restava pedir a demissão porque estava permanentemente a ser traido! E, isto aconteceu!

picapau6.jpg A FNLA estava a revelar-se ser um “tigre de papel”; fugiam ao primeiro tiro, largavam armas e de forma desordenada desapreciam a receber protecção nos quartéis portugueses. Eram como crianças crescidas que com uma arma na mão faziam coisas diabólicas, matando gente como quem mata galinhas; gente nada confiável!

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Neste dia sete de Agosto e pelas dez horas da noite eu e família, dois filhos, mulher e sogra embarcávamos no voo 13 da “ponte” como desalojados via LIX. Tinha recebido a minha dose em Kaluquembe; meu carro tinha sido sabotado no dia anterior e a caminho do Sul, Namacunde, aonde tinha um cunhado.

picapau7.jpg Meu carro, do nada, incendiou-se, alguém tiha feito um golpe no tubo de alimentação ao motor. Capotou e eu, ali fiquei morto, estendido. Minha alma saiu do corpo e voltou fracturada. A clavícula estava partida. Foi o Drs Roy e David Parsom do Longonjo que me tratou. Neste então eu pertencia ao Comité da Caála como Secretário de Relações Públicas. Não me arrependo do que fiz enquanto fiz! Até então tudo estava sob controlo naquele recanto do Huambo.

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Em Lisboa os funcionários da Cruz vermelha e afins dão-nos as boas vindas: “por causa destes ranhosos estamos aqui neste castigo” acabando por nos dar 5000 escudos por adulto e, para as primeiras impressões! A guia de voo ainda a tenho - nela não consta o regresso! Esta era a definitiva entrada num território até então longínquo. A minha capital da N´Gola e na Luua era, sempre tinha sido a Mutamba. Coisa para esquecer!

picapau5.jpg Para além de nossos corpos tinhamos umas roupitas e de valor só mesmo “uma máquina de costura Oliva” para servir em nossa sobrevivência. Esta máquina estava adaptada como mala e foi o único valor do meu património como mazombo filho de colono. Meu pai foi o Único que ficou até que um dia e já passados dois anos foi raptado e deixado como morto por detrás do aeroporto. Foi em Torres Novas que retirou a bala que por sorte não o gangrenou. Ainda o vejo no aeroporto de Lisboa, feito uma bola de sangue, um bolo de porrada só porque era branco!

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Em Angola Savimbi mandava retirar o seu pessoal político e militar. Pediu à Marinha e à Força Aérea para que evacuassem todos os seus militares das FALA e apoiantes para o Sul; de todos os que se mantinham para além de Luanda, Carmona, cabinda e santo António do Zaire. A partir do dia 9 de Agosto de 1975 o Governo de Transição de Angola ficava reduzido ao MPLA  e à parte portuguesa. Ainda faltavam 94 dias para o dia da largada, o 11 de Novembro de 1975.

picapau3.jpg O novo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Ruivo, reconhecia oficialmente o Óbito do Acordo do Alvor. Para tal proclamaram o estado de emergência com a criação de uma Junta Governativa para substituir o defunto Governo de Transição que só durou cerca de seis meses. Neste molho de brócolos, o Governo de Transição foi extinto mesmo sem que para tal estivesse autorizada a sua substituição em caso de incapacidade. Mais uma medida no âmbito revolucionário feita em cima do joelho pelos generais e políticos de aviário. E, o Mundo só assistia a isto!

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:04
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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016
MUXIMA . LXVI

MULOLAS DO TEMPO - 30.12.2006 - Os benefícios do CLORETO DE MAGNÁSIO…

 - Se observar um homem com asas, pode ter a certeza de que não se trata de um anjo; É a fé que os sustenta no ar…

Por

soba15.jpgT´Chingange - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição. Sente-se e respira Angolano, tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto.

O cloreto de magnésio ajuda-nos a combater a depressão, os enjoos e a fadiga. No caso de tomar antibióticos, saiba que eles podem diminuir o efeito de alguns remédios. O cloreto de magnésio funciona como um suplemento alimentar cheio de benefícios para a saúde, que nos ajuda a manter o corpo jovem e vigorante; para além de colaborar no combate e prevenção de muitas infecções, é realmente útil e benéfico para todas as idades, ainda que como princípio activo também apresente algumas contra-indicações importantes que devem ser consideradas.

magne1.jpg O cloreto de magnésio está composto por cloro e magnésio, que oferecem muitos benefícios para a saúde e para a beleza. Na verdade, este composto tem sido utilizado com fins industriais, além de também ser muito utilizado com fins medicinais. Quer conhecer os benefícios do cloreto de magnésio?

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O cloreto de magnésio funciona como um excelente purificador do sangue, ajudando a equilibrar o PH. Graças a este benefício, o cloreto de magnésio ajuda-nos a prevenir muitas doenças. Ajuda a eliminar o ácido que se acumula nos rins, promovendo o funcionamento e a saúde renal. Estimula as funções cerebrais e a transmissão de impulsos nervosos, contribuindo, desta forma, a manter um equilíbrio mental.

CAUNI 5.jpg É ideal para os desportistas ou pessoas com alto rendimento físico, já que ajuda a prevenir e combater as lesões musculares, cãibras, fadiga e/ou cansaço muscular. Estimula o bom funcionamento do sistema cardiovascular, prevenindo as doenças do coração. Ajuda a diminuir os níveis do colesterol ruim, estimulando a boa circulação do sangue e prevenindo doenças. É um poderoso remédio anti-stress, que também ajuda a combater a depressão, os enjoos e a fadiga. É muito importante na regulação da temperatura do corpo.

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Previne problemas como as hemorróidas, melhora a saúde intestinal e ajuda em casos como a colite, prisão de ventre, entre outros. Previne os problemas da próstata e ajuda a combatê-los. As pesquisas alertaram que pode ajudar a prevenir e a combater tumores cancerígenos. Fortalece o sistema imunológico, ajudando a prevenir e a combater os resfriados, mucosidades e infecções.

magne1.jpg Previne o envelhecimento precoce, já que oferece vitalidade ao corpo e promove a regeneração celular. É um elemento chave na prevenção da osteoporose, pois actua como um fixador de cálcio nos ossos. O cloreto de magnésio previne a formação de cálculos renais, impedindo que o oxalato de cálcio se acumule neles. Promove a saúde da mulher, já que diminui os sintomas da TPM e estimula a regulação hormonal.

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Combate os radicais livres, evitando a formação de tumores e verrugas. Promove a limpeza das artérias, prevenindo ao mesmo tempo a arteriosclerose. Ainda que se conheça seus benefícios para saúde, não deve ser usado por longo tempo para as pessoas que sofrem de diarreia, pois este tem um efeito laxante. Deve ser evitado em pessoas com doenças renais, especialmente as que sofrem de insuficiência deste tipo. Não deve ser consumido quando se sofre de colite ulcerosa, pois pode aguçar as diarreias.

clore4.jpg Ao tomar antibióticos, o cloreto de magnésio pode diminuir a eficiência de alguns deles e, é por isso que se recomenda tomá-lo 3 ou 4 horas antes de consumir um antibiótico. Como preparar o cloreto de magnésio? O cloreto de magnésio pode ser encontrado já preparado e em tabletes, também há uma fórmula para fazê-lo em casa. Se assim for, vai precisar de: 1 litro de água, 30 gramas de cloreto de magnésio cristalizado; 1 colher de madeira.

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O que deve ser feito? Ponha para ferver um litro de água e depois deixe esfriar. Em seguida, coloque em uma vasilha de vidro e dissolva 30 gramas de cloreto de magnésio cristalizado. Misture com a colher de madeira, tampe bem e aguarde. Qual dose a tomar? A dose vai depender do problema a ser tratado ou a idade.

magne3.jpg Tendo dúvidas consulte previamente um médico para saber a dose exacta de acordo com a vossa necessidade. No entanto, o nível geral recomendado é uma dose de uma a duas colheres de cloreto de magnésio por dia, depois dos 35 anos, antes desta idade recomenda-se só meia colher. Tome um copinho pequeno daqueles que se usam para tomar café, uma ou duas vezes por dia, não mais.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:47
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MOAMBA . XIII

ANGOLA - O COLONO - NA NUDEZ DA VIDA - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo… O termo “colono” tem sempre cor branca e, o  objectivo de explorar negros – Será assim?

::::: As escolhas do kimbo

Por: Antonio José Canhoto - Editado em 13.12.2016 em Roxomania

A definição de “colono” para alguns brancos residentes em Angola afectos directa ou indirectamente ao partido que governa este país desde 1975, bem para como para muitos negros da velha guarda o termo “colono” tem sempre cor branca e a finalidade de como objectivo explorar negros. Nada podia estar mais errado nesta forma generalista e radical de definir a palavra “colono” seja o visado de que raça étnica for como um explorador oportunista de negros, índios ou aborígenes.

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Filologicamente o vocábulo “colono” pode ser definido como a um individuo que faz parte de uma colónia, que emigra do seu país de origem para uma terra estrangeira além-mar, ou que pode ser no mesmo continente e de um país vizinho para a povoar, cultivar por conta própria ou de outrem independentemente da raça do seu proprietário e se este nasceu ou imigrou para o território.

nzi0.jpg Este acto migratório pode ter duas vertentes a primeira é quando um outro país exerce o controlo ou a autoridade sobre um território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país ao qual esse território não pertence e contra a vontade dos seus habitantes quando o país é colonizado que, muitas vezes, são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) e de eventuais direitos tribais, culturais e ancestrais que detinham.

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Na segunda vertente emigram a pedido do governo do país ou de empresas privadas que pela falta de conhecimento tecnológico dos naturais se vêem obrigados a procurar mão-de-obra especializada no estrangeiro, para suprir as suas próprias carências. Para uma certa classe de portugueses e angolanos brancos e negros enfeudados ao partido do governo a sua atitude maniqueísta é a de que todos que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal” das sombras e da subversão politica.

nzi01.jpg E, os que afinam pelo diapasão governamental vivem no “Reino da Luz do bem da razão, da paz e da tranquilidade. Na minha opinião se estes reaccionários brancos cuja forma de pensar ficou parada na idade da pedra lascada pretendem continuar a usar o termo “colono” indiscriminadamente para ofenderem todos os portugueses que viveram em Angola até 1975 ou que para lá emigraram depois desta data:

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Aconselho-os a olharem retrospectivamente para os seus passados e dos seus pais ou avós antes de 1975 antes de atirarem a primeira pedra. Muito ingenuamente, pensei que o termo “colono” estivesse a cair em desuso, mas vejo que continua bem vivo nas bocas de alguns energúmenos brancos quando comentam alguns dos meus textos sobre Angola.

nzi1.jpg Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também nos devemos orgulhar das coisas boas que fizemos e que lá deixamos. Fomos certamente “colonos” durante os séculos que se seguiram à descoberta desse território o qual ainda nem nome tinha. Muitos milhares de portugueses emigraram para Angola na procura de melhores condições de vida com a finalidade de trabalharem para empresários  e outros.

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Acredito que até finais do século XIX e princípios do século XX muitos dos portugueses que emigraram para as nossas antigas províncias ultramarinas o fizeram na qualidade de verdadeiros “colonos” aproveitando-se da exploração desumana e da mão de obra negra quase que escrava para enriquecerem. A forma comportamental desse tipo de “colono”, nada tinha a ver com todos aqueles que para Angola debandaram ou nasceram depois dos anos 50 com uma mentalidade aberta e diferente.

nzi2.jpg Construíram ali uma sociedade moderna e multirracial a qual se reflectia em todos os aspectos da comunidade. Quem disser o contrário mente! Se um empresário negro português tivesse emigrado para Angola, montasse uma empresa e tivesse empregados negros seria considerado um “colono”? Sinto-me no dever e direito de desmontar e desmistificar esta falsa questão do “colono” que não pode ser vista interpretada, generalizada com o epiteto de que COLONO BRANCO é RACISTA e EXPLORADOR.

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“Colonos” e colonizadores foram todos os países que nos séculos XV e XVI descobriram á volta do globo terreste novos territórios habitados por índios nas Américas, indígenas em África e aborígenes na Austrália, num estágio primário civilizacional com perto de 500 anos de atraso tecnológico em relação aos europeus e, que no entender destes descobridores precisavam não só de ser roubados, explorados, assimilados, cristianizados e infectados com todas as doenças que estes para lá exportaram.

nzi3.jpg Diogo Cão chegou á foz do Zaire em 1483 sendo a partir desta data que se inicia a conquista pelos portugueses desta região de África a qual era constituída por vários reis e reinos étnica e linguisticamente diferentes que se guerreavam pelo expansionismo regional. O primeiro passo pelo Reino de Portugal foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o do Reino de N´dongo e o de Matamba, os quais não tardam a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola em 1559.

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As fronteiras de Angola só são definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos Ambundos, a cuja língua o termo Angola anda associado. A Rainha Ginga seu nome Dona Ana se Sousa “N´gola”, seu titulo real em quimbundo foi utilizado pelos portugueses para denominar a região conhecida hoje por Angola. Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, na minha opinião também foi a sua primeira grande colonizadora e eu explico porquê?

nzi6.jpg Esta rainha guerreira que morreu aos 80 anos, durante o seu reinado, anexou outros reinos e territórios, submeteu e escravizou os seus habitantes vendendo-os aos portugueses que os levavam para o Brasil tornando-se cúmplice no esclavagismo, bem como os utilizava como escravos trabalhadores nos territórios que controlava. "N´zinga" formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe.

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Subsequentemente conquistou o reino de Matamba e em 1635 coligou-se com os reinos do Congo, Kassange, Dembos e Kissama. Este pequeno intróito sobe a Rainha Ginga tem apenas e unicamente a finalidade de demonstrar que o processo colonizativo sempre existiu em todos os continentes quando as tribos ou etnias mais fortes de melhor apetrechadamente de armas dominavam as mais fracas fora dos seus territórios.

nzi4.jpg O objectivo expansionista, esclavagista, para sacrifícios religiosos ou para se apropriarem das suas riquezas, concubinas gado, e rebanhos era prática corrente. Os portugueses não foram certamente santos pelos territórios que descobriram e colonizaram, mas também não foram totalmente pecadores na miscigenação que desenvolveram e cultivaram com os autóctones. Não confundamos ou associemos a palavra “colono” apenas com a cor branca e muito menos só com nacionalidade portuguesa.

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:33
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016
MALAMBAS . CLVIII

CINZAS DO TEMPO – 28.12.2016Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade …

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange

Muitas das leis que nos regem são um logro. Diz o paradigma de nossa cultura que são necessários no mundo conturbado que nos cerca mas elas, as leis só são pensadas para quem as cumpre. Um estereótipo normal de cidadão é invariavelmente penalizado pelas leis que deveriam ser para todos. A doutora síndica do apartamento que tenho alugado em Maceió queixa-se de que há condóminos que têm seus pagamentos atrasados com um percentual elevado e, vê-se agora na contingência de a contragosto ter de lhes fazer uma dedução com o objectivo de executarem seus débitos.

amigo00.jpg Ela necessita desse dinheiro para cumprir obrigações de fim de ano. E, ela nem pode fechar-lhes o gás, a água ou a luz porque a lei brasileira não permite isso. Se o fizesse ela não se veria em palpos-de-aranha para pagar a quem deve. Para resolver o problema ou sobe a prestação do condomínio ou mete o faltoso em tribunal; este faltoso por norma aluga o apartamento e tem dinheiro, mas alega o inverso e, se levar isto a tribunal, o incumpridor vai pagar em prestações de cacaracá com inerentes gastos judiciais.

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Os condóminos zelosos e cumpridores acabam sempre por ser sobrecarregados com esta falta de cidadania de alguns. É uma amarga verdade que origina repulsa dos demais. Vejo pelas notícias que o mesmo sucede a nível de países, estou a recordar Portugal que recentemente deu benesses de perdão a incumpridores do fisco, mas há mais na lista. E, há os bancos que falham em seus empreendimentos com a anuência do Banco Nacional que tem o dever de os fiscalizar; Claro que quem vai pagar a factura, é sempre o povão!

ÁFRICA3.jpg Esta tolerância está desvirtuando desde algum tempo a honorabilidade da sociedade, a ética dos cidadãos. Estas práticas baseiam-se em teorias por forma a moldar e modificar o mundo real beneficiando o infractor! Nestas engenharias financeiras existe uma ligação de dependência em fenómenos que são a “causa” de rebelião - injustas interpretações no mundo em que vivemos. Isto está muito mal!

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As ciências sociais coligam factos e, a partir deles concluem teorias, porém esta visão é irrealista porque as teorias não provêm dos factos num caminho lógico. As teorias encontram seu suporte nos factos experimentais, mas isto terá de ser contestado porque elas, as teorias moldam e condicionam o nosso conhecimento desses factos! O carácter e a logica hoje, acabam por ser nefastos ao cidadão cumpridor.

ara3.jpg As hipóteses alternativas sempre suplantam as leis básicas do sistema constituindo-se benesses aos incumpridores; Um despacho não pode matar um acórdão e, nem um parecer pode ter a força de alterar um decreto. Esta ciência à cedência, não possui métodos seguros e universais para que todos reconheçam nela, validade. É notoriamente uma falácia, fraude ou roubo! Um disfarce feito remenda à consciência e constituição. Isto não pode ficar assim institucionalizado como se fosse coisa vulgar.

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Há sempre um salto no desconhecido, uma quase instituição que torna convencional os princípios teóricos fingindo não pôr em causa o valor cognitivo da ciência; aqui as teorias operam sobre uma realidade não totalmente dedutível ao sujeito incumpridor. Demonstra-se assim que as leis e teorias podem e devem ser corroboradas pela experiência, mas nunca podem ser verificadas como “verdades absolutas”. Elas são uma fraude!

mess04.jpg As teorias só são “verdadeiras” até que se prove o contrário! Elas não podem ser eternas nem imutáveis. Elas têm num dado momento de morrer porque são injustas; não é racional dar galardões a ladrões! Nem a intrujões e outros que tais! Os defeitos deste modo de governar são óbvios e os seus erros, de grande gravidade incentivam ao descaso, ao despifarro, à astucia sempre maldosa, sub-reptícia de quem não cumpre retirando daí vantagem…

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Diz-se: O crime não compensa. Será isto uma verdade!? A mente parece ficar possuída de um poder de visão simultaneamente a partir de diferentes pontos de vista. É como subir a uma árvore, a cada bifurcação há que escolher o ramo da direita ou da esquerda, realizando-se uma experiência para fazer a escolha apropriada.

arau5.jpg Por vezes ficamos emocionalmente ligados, o que impede ou dificulta um julgamento imparcial. Quando surgem assim pré-juízos, a mente rapidamente degenera-se num autoritarismo de parcialidade. Definitivamente quem não cumpre, não deve ser valorizado ou enaltecido. Deve sim, sofrer as consequências! Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas porque das muitas injustiças, pode sem se querer, saírem à luz do tempo feridas mortais.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:42
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016
XICULULU . XCIII

NA CINZA DOS TEMPOS - 27.12.2016  - Para planear um futuro mais racional em sociedade, nem sempre podemos domesticar a palavra…

Por

soba15.jpgT´Chingange

Considerando a idade das galáxias em milhares e milhares de milhões de anos, os alienígenas atingiram pela certa o nosso infantil Mundo na era da pedra lascada também há uns bons milhões de anos e, vendo o nosso estágio de vida foram-se de novo embora deixando indícios formulados agora em suposições. Através de análises de carbono e versões ainda titubeantes à escala das dúvidas e falas programáticas, tentam os cientistas agir com eficácia. Claro que sempre surge a tal lei da incerteza.

apocri3.jpg Surgem com paradigmas novos, hipóteses de construirmos um novo começo. Que, afinal o inferno é só uma metáfora de alma isolada (ou exilada) e, que como todas as almas em última análise, unir-nos-á no amor com DEUS. Bom! A vida com este novo meu amigo ET 3C325 tem de ser saboreada aos goles, aos poucos. Ele diz que tudo isto é fruto da mente humana e, que os ancestrais dele já passaram há muito tempo por isto.

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Meu amigo ET é desconcertante e, nem me atrevo a dizer a nonagésima parte do que diz. Por demasiada periclitãncia teremos de nos preencher com coisas pequenas para nos totalizarmos na harmonia do consolo, sem passar daqui! Ele, confirmou-me isto telepaticamente!

arau45.jpg Se nós, ainda nos andamos a matar como se fossemos dum tempo antes do Adão e da Eva, falando por dá cá aquela palha no inferno como castigo, queimando-nos em fornos crematórios para purificação! Nós vemos o inferno como um artifício literário. Teremos de entender as fracturas que a vida nos proporciona por coisas ou eventos que não nos agradam e ver-nos como uma ilusão.

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Nós lidamos isolados como se não houvesse certos fungos que temos de alimentar, se não houvesse plantas, frutos e sementes comestíveis. Nós não existiríamos sem esses parasitas; sem lobos não haveria cães, sem aves selvagens, não haveria galinhas e, por aí. Por isso na civilização descobriram os antibióticos a penicilina e, por ai teremos de navegar nossas vidas; descobrindo coisas boas.

roxo95.jpg O que me leva a escrever é o fruto do assombro, um fenómeno que leva a retina ao cérebro, a imagem traduzindo pontos em teorias de conhecimentos passados engravidando espantos em coisas que não esperávamos porque não procurávamos. É quando as leis que se pretendem universais apresentam axiomas e postulados portadores de evidências intuitivas ou princípios também eles assombrosos.

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Porque a ciência não é mais do que o esforço humano na descoberta ou criação de uma dada ordem no mundo que nos rodeia. A ordem concebida terá de ser julgada por valores de compreensibilidade, estéticos e de utilidade. Numa democracia somos todos livres de acreditar naquilo que quisermos mas, a humanidade existe com um propósito ou um sentido social porque o cérebro humano evolui segundo um conjunto de regras. Só espero que na estação orbital YYY3C do meu amigo ET 3C325 para onde irei, seja melhor do que isto.

Ilustrações de Costa Araujo e Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:22
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Domingo, 25 de Dezembro de 2016
MONANGAMBA . XLIII

NO DIA DE NATAL . 25.12.2016 - Monangamba é nome africano, nome de vendedor de trabalho avulso…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Monangamba é nome africano, nome de vendedor de trabalho avulso, que pega e despega, pago à hora de carrega e descarrega as coisas de um patrão que só o é pelo necessário tempo de levar ou trazer a tralha, o lixo, os cacarecos ou ainda, aqueles que sempre o fazem às ordens do município, gente desclassificada sem eira nem beira, a quem os candengues em outro tempo gritavam de Monangambé!

lobo1.jpg Eles, os monangambas da Luua destratavam nossas mães chamando-nos de sundiamenos, filhos da puta, e também de sungadibengos de merda; faziam-no com raiva como fazem os cães que ladrando assim uns com outros, firmam suas desavenças, cada qual formulando supurações fétidas. Ares de superioridade lembrando escravas conveniências, e escrúpulos sociais disfarçados de empertigadas invejas. Era só um tempo chamado de passado.

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Agora que sou kota, fico rindo muito mole na minha honestidade preguiçosa das coisas que me alegravam nesse tempo de kandengue, resmungados agora  nos entorpecimentos massajados com essência de terebentina como fungicida entre as camadas de caspa e peles mortas nas virtudes.

MONA2.jpg Com essência de canfora, retiro o sarro de ideias naftálicas ginasticando-me nas águas quentes brasileiras a norte e a sul dos bueiros crioulos que largam seus pecúlios a céu aberto sem arbítrio dos activos ou passivos. Assim mesmo com política de vinte mil reis burlados nas formalidades curadas no imenso depósito de cloreto de sódio, o soro do Mundo.

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Sentado junto ao mar fico ouvindo aquela música feita de gemidos do mar na forma de ondas. Hoje, dia de Natal do ano de dois mil e dezasseis entorpecido na embriaguez do vento morno, deixo-me embalar no espanto, vendo gente graciosa e alguns poucos restos de esqueletos cobertos por um pele seca a devorar-se sem tréguas do tempo.

magao01.jpg Um rumor quente do dia de festa vai-se formando o longo da língua de areia morena da praia da Pajuçara. Gente que andou no regabofe passa na faixa da maré-baixa, uns vestidos, outros descalços e outras morenas com seus vestidos de cambraia plissados a ferro e acompanhadas de velhos rufias entumecidos de cachaça.

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Corpos lustrosos de suor, rindo forte com a camisa a espigar-se-lhes pela braguilha meia aberta.

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Ontem queria ver a missa do galo com o Papa Francisco mas, repimpado como estava, não deu para manter o olho aberto mais para além das dez e trinta. A itaipava geladinha a acompanhar, primeiro com o camarão à Jucedi, depois o bacalhau com broa da Filomena e por último o peru da dona Emília, fizeram com que o bocejo forçasse o quartilho certo de sono a deitar-se.

MONA3.jpg Assim foi e, já estirado na cama gulosa pude ouvir o tilintar de talheres e copos. Ontem, dia de Natal foi dia de comer e beber à fartazana, ficar de boca cheia com beiços envernizados de molhos gordos. Não tive pança para tocar nos bolos, nas tortas e tarte mais o pudim. Não há mesmo como viver um dia de cada vez, assim cada um senhor e dono do que é seu!

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Apreciar os pés sem meias, metidos nuns chinelos polidos do uso e respirando as falas de manjericão, as graças de brasileiros perfiladas num gancho de espetadas com cheiros de baunilha e outras plantas aromáticas – Eu quero que você me dê um feitiço para prender meu homem! Foi o que consegui ouvir das conversas do lado em plena praia. Estava na hora certa de regressar.

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Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:43
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Sábado, 24 de Dezembro de 2016
XICULULU . XCII

NA CINZA DOS TEMPOS - 24.12.2016 ... Eis que chega Bocage desfazendo-se em obséquios de exagerada franqueza…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

Na mira de ter um assunto para escrever lembrei-me do moscatel de Setúbal em um tempo em que eu era o Visconde de Palmela, um homem muito cheio de solicitudes hereditárias; um janota muito vestido de sedas e que sempre me dispunha a respirar cheiros agradáveis com essências refinadas. Refinadices de gente da corte e também vinagres aromáticos para apagar vestígios de bocejos cansados dum resto de domingo, cheiro de velas e rezas defronte do oratório de Nossa Senhora das Dores ao sol-posto.

bocage0.jpg Naquele dia tinha convocado Bocage para comer trouxas-de-ovos vindos da Malveira. Inicialmente era para ter sido no café Nicola mas um contratempo de véspera com José Maria Barbosa du Bocage originou mudança para a tasca refinada do Mata-Sete, um tipo que se diz ter sido o carrasco do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes do Brasil. Veio para aqui após dar morte deste em abril de 1792.

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Eu, Visconde de Palmela, fiquei num recanto da tasca aonde os rumores eram quentes e garridos a condizer com as peças de cozinha caprichosamente enfeitadas com resmas de alho e cabaças deformadas em anormalidades bizarras. Sobre um barril, um gordo escanchado na forma de boneco saloio, nariz batatudamente avermelhado fazia um manguito bem explícito:“ queres fiado,… toma!”.

bocage2.jpg Eis que chega Bocage desfazendo-se em obséquios de exagerada franqueza como a de quem não olha a gastos nas gentilezas, acompanhado de uma mulher morena, notoriamente de olhos embevecidos nele, um acompanhante de ternos sonhos de pandega boémia. Bocage era um vendedor de palavras distintas para os nobres, satíricas para os ricos, subterfugidas ao clero e de partir a mola aos proletários.

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Não era vulgar aparecer assim em companhia de uma donzela feita naquele tipo de sol crepúsculoso a fazer ferver o sangue dos homens, metendo-se-lhes no corpo como luxurias de bode. Embora tivéssemos combinado o encontro, ele e ela que desconheço foram direitos ao homem que no limiar das pedras graníticas dedilhava gemidos em uma guitarra, sons de fado. A morena por ali ficou ao lado do guitarrista a quem cumprimentou denotando-se alguma intimidade. Recolheu de sua mala um xaile preto rendado, acomodando-se em seguida no ofuscado recanto.

bocage4.jpg Tudo indicava ser a fadista de serviço naquela terça-feira e na tasca do Mata-sete. Outra coisa não deveria ser, porque Bocage não sopraria fora a cinza da fornalha de seu ferro de engomar.  Ele o vendedor de palavras versejadas, chegou à minha mesa, cumprimentou-me com as mesuras costumeiras, mas lamuriando-se estar neste então entregue à protecção de nossa Senhora do Ó. Até então, desconhecia esta senhora, juro!

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Foi quando me contou a cena do dia anterior, e que originou esta mudança, lugar de encontro. Sabes lá! A cena passou-se ao sair ontem do café. Um ladrão aproximou-se de mim com uma pistola em punho para me roubar. O que é que eu ia fazer! Disse-lhe assim: - Sou o poeta Bocage, venho do café Nicola e irei para o outro mundo se disparas a pistola. Ainda ficou pensativo e tive de mostrar os forros dos meus bolsos para se inteirar da verdade. Isto só mesmo comigo!

bocage3.jpg Após ver os forros dos bolsos sem cheta foi-se! Neste entretanto fizeram-se ouvir os primeiros acordes do fado “as pedras da calçada”, um choradinho na bonita voz que dispunha um qualquer a suster o jarro de lata do tintol de Palmela! E cheirava a fritos, crepitavam mini labaredas gretando o chouriço; ao lado demolhavam broa em pingo de febra de porco, as luzes davam vida a almas desconhecidas na fé da vida m voos nocturnos.

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Era ela a Alzira, prima em segundo grau do matador de alferes cantando as falas de Bocage; iluminada por três fingidos lampiões, seu xaile relampejava nos pingarelhos de madrepérola. Bocage embevecido com sua alegria fez um gesto para que eu, o Visconde de Palmela ficasse quieto e calado. O Mundo é grande!  Para um pé doente, há sempre um chinelo velho!

bocage5.jpg Sem assunto para conversa! Caluda que se canta o fado! Levantei meu copo de moscatel de Setúbal bebendo-o de uma só vez sem demais solicitudes. Um néctar da minha lavra, salvo seja. Soube que dias depois, Bocage foi admitido na Escola da Marinha Real aonde fez estudos regulares para guarda-marinha. No final do curso desertou, mas, ainda assim, a meu pedido surge nomeado guarda-marinha por D. Maria I.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016
MAIANGA . XIX

UM MISSOSSO: A minha neta e eu, um contador de estórias avulso…

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por

soba15.jpg T´Chingange 

Andei na Escola Industrial de Luanda por uns nove anos desde o Ciclo Preparatório passando pelo Curso de Montador Electricista, Secção Preparatória aos Institutos e também o curso de Mestrança de Construção Civil. Qualquer um destes cursos, nada tem de formação no sentido das Letras, nem tampouco era bom à disciplina de Português com a professora Maria Amélia. Na escala de zero a vinte eu andaria sempre ao redor dos dez.

araujo13.jpg Na Secção Preparatória e em regime nocturno tive um professor à disciplina de História à Antologia Portuguesa do qual não me lembro o nome mas, sempre o alinhavei como sendo de Vergílio que era excepcional em nos fazer despertar do sono lá pelas dez horas da noite. Sempre que notava a turma desinteressada ele ia buscar matéria de nos fazer regalar o olho.

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Muitas vezes referia os cintos de castidade usados na idade média para salvaguardar ausências dos maridos militares que iam para guerras distantes deixando suas damas à solta. Tinha mais recursos pedagógicos como este astucioso recurso, o que levou a que sempre o lembrasse. Um dia manda-nos fazer um trabalho do tipo conto, mussendo, em que o tema era o mar. Recordo-me bem que no dia aprazado entreguei minha estória cujo tema era “o mar” bem contornada de pormenores. Na entrega da avaliação teve a gentileza de dizer à turma que estava ali uma estória muito boa, afirmando que eu seria no futuro um bom contador de Histórias. Iremos ver!

tonito3.jpg Não dei a importância ao facto e, passaram-se muitos anos até que tivesse tempo, vontade e paciência de escrever estórias; Em verdade não havia tempo mas, sempre pela minha cabeça rolavam inventações que ficavam desperdiçadas no labirinto de meu templo. Após a guerra do tundamunjila em Angola oferecem-me uma viagem grátis para o M´Puto, em troca de nada e, sem data de retorno. Não gostei nada disto!

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A minha cabeça era um mundo de revolução, sentia necessidade de me expandir, estravazar; através dos Adidos fui colocado como destacado na Câmara Municipal de Torres Novas, uma Câmara que nesse então tudo se resolvia de punho no ar! Uma chusma de comunistas desconvictos, diga-se Com gestão comunista e do MDP eu passava um senhor martírio a ouvir desaforos contra a minha gente “os retornados”.

tonito.jpg O PSD deu-nos um espaço para nos reunirmos e foi decisão minha darmos inicio a um jornal de folhetos tipo “em stencil” de modo a dar informações adicionais aos muitos desalojados, gente desenquadrada de tudo, da bagunça em que nos sentíamos e, chamamos a este esboço de jornal “o caixote”. Foi útil naqueles tempos conturbados e, estando nós em um meio adverso com as direitas a querer usar-nos como linha de frente. E, nós na merda, sem futuro nem cascas dele.

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Comecei a escrever em uma coluna para o jornal “Almonda” tendo como Director o Padre Amílcar; era o “Aqui e agora” falando de coisas triviais sem entrar nos detalhes políticos, usando sempre uma forma sátira de abordar coisas desabridas e, sempre com um rolo no estomago. Descontente com tudo, inscrevi-me para emigrar pelo CIME (Comité Internacional de Imigrações Europeias) concorrendo para qualquer país do Mundo! Tal e qual!

tonito8.jpg Um dia chamaram-me a Lisboa e perguntaram-me se queria ir para a Venezuela como Topógrafo mas, havia um senão: Teríamos de ir de barco! Disse-lhes que ia sim senhor, nem que fosse em um barco à vela e, fui! Estive por lá seis anos. Regressei a Portugal para poder dar uma educação firme a meus dois filhos. Neste entretanto algumas coisas mudaram no M´Puto.

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Regressado ao Algarve comecei a escrever no jornal Semanário “A Gazeta de Lagoa” com a coluna “Sanzala”. Este era pertença de Artur Lignhe, um já conhecido jornalista de Angola. Agora vou à conversa mais interessante e que me levou a descrever parte do meu percurso anterior. Os anos passaram e, eis que viro avô de uma linda neta com o nome de Lara; filha de meu filho Marco António umbigado com Isabel bibliotecária.

tonito7.jpg Os anos passam-se e Lara é educada da forma correcta com leitura de uma estória ao iniciar sua hora de ir para a caminha. As histórias a ela oferecidas eram muitas e variadas; seu quarto era uma biblioteca de livros aos quadradinhos desde o João Ratão aos sete anões e da Carochinha, do lobo e da Avozinha. Fosse em Coimbra ou no Algarve, a avó ou sua mãe Isabel levavam um tempo a ler estórias que ela já sabia de cor e salteado mas, era  esta a rotina certa.

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Um dia sou solicitado a ler uma estória a Lara, teria talvez uns cinco a seis anos e assim foi! Vai daí, deito-me a seu lado e começo a ler a estória escolhida por ela, previamente! Recordo ser uma estória descabelada, mal engendrada e eu lá pela terceira folha começo a fingir ler algo que eu ia inventando na hora! Nada daquilo, a dado momento, tinha a ver com o escrito!

toledo18.jpg Aquilo não tinha graça, não tinha jeito nenhum e desenvolvendo a minha versão fingindo ler o que não estava escrito. Eu só fingia! Criava personagens novos, outra envolvência. Num impulso interrompido por Lara, era o maior rebuliço. Não é assim avó! Dizia ela, a estória não é essa!

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 Pegava no livro e via que efectivamente o que eu dizia não estava ali escrito. Ficava tudo desarranjado. Sempre ficava alvoroçada e desinquieta nunca iniciava sua dormida com a minha leitura. Acabei por ser despedido desta tarefa no correr do tempo. Aquelas estórias eram tão brejeiras que me via obrigado a ler a versão que minha inventação produzia na hora.

volk.jpg Minha função de avô ficou assim votada ao fracasso. Gente próxima diz-me para escrever um livro mas este trauma sempre me diz que sou um embuste! E, como o Mundo já está tão cheio de mentirosos fico na minha, chorando na cama que é lugar quente e, porque águas passadas não movem moinhos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:13
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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