Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016
PARACUCA . XXII

MULOLAS DO TEMPO – 07.12.2016 - Fábrica de Letras in Kizomba com histórias da vida.  

- Mulola é um leito que só é rio quando chove…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

No tempo de Nabucodonosor não havia conhecimento da espectrometria e tampouco se sabia que havia sete planetas em nossa galáxia. Hoje sabe-se haver milhares de galáxias e milhares senão milhões de planetas a muitos anos-luz da nossa galáxia com outros sois. Os especialistas só não têm provas concretas de que existe vida nessas muitas galáxias. A luz proveniente dessas estrelas longínquas, são medidas por espectrogramas a partir do espaço.

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Com o avanço de conhecimentos, pode agora dizer-se que a existência de vida alienígena deixará de ser algo hipotético para ser bastante provável. Também creio que será capaz de acrescentar alguma credibilidade na procura de vida extra-solar a partir da história da própria terra. O nosso planeta nasceu aproximadamente há 4.500 milhões de anos e os micróbios surgiram logo depois passados uns 150 a 200 milhões de anos.

minhoca0.jpgPara nós humanos o tempo biológico de duzentos milhões de idade, parece ser uma eternidade em nossa mente, mas isso representará um dia na totalidade dos quase 14 mil milhões de anos da história da via Láctea. Os astro-biólogos terão cada vez mais de procurar encontrar em outros planetas a possibilidade de lá podermos viver. Os vários governos do globo deveriam estimular e financiar esta pesquisa como salvaguarda de sobrevivência em um futuro próximo.

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Há indícios de moléculas de gaz terem sido detectadas e, é a partir daqui que haverá hipótese de no futuro se estabelecer vida em outros planetas para bem da Terra nosso berço, mesmo que sejam um oásis de um deserto e que possam albergar organismos até com elementos moleculares diferentes.

minhoca01.jpg Esta curiosidade levou-me a cultivar minhocas a fim de assegurar um ecossistema sustentável no meu pequeno quintal. Alimento-as com desperdícios de comida, restos de batatas, cascas de frutas, cenoura, couve e outros vegetais. Estas são as minhocas vermelhas da Califórnia (Lumbricus rubellus) uma espécie bastante criada nos Estados Unidos, e muito utilizada na agricultura mundial.

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Estas minhocas depois de digerir todo o material orgânico, principalmente esterco de vaca, alimento preferido das minhocas vermelhas, produzem o húmus, que nada mais é do que as suas fezes, um adubo natural e potente para a plantação já que contém diversos nutrientes para o solo como o nitrogénio. São famosas por sua capacidade de limpar resíduos, pois que se alimentam de matérias orgânicas em decomposição como  já referi.

bruno27.jpg Creio que em Marte a vida poderá ter evoluído em mares extintos e ter sobrevivido actualmente em aquíferos profundos que contêm água liquida. Isto porque na maioria dos lugares do mundo se regista a presença de insectos e aranhas e até peixes, todos com anatomias adaptadas à vida em ambientes teoricamente pobres e sem qualquer luminosidade.

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Outros hão entranhados em fissuras rochosas desde a superfície terreste até uma profundidade para além de um quilómetro. Bactérias que vivem da energia obtida da metabolização das rochas, espécies recentemente descobertas e até abundantes na superfície terreste. O anseio por odisseias e aventuras próximas ou distantes, está inscrito em nossos genes…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:50
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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CXVII

TEMPOS PARA ESQUECER06.12.2016 - ANGOLA DA LUUA XXVI. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA.

Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo… “retornado” era um disfarce de uma palavra … palavra envergonhada.

Por     

soba15.jpg T´Chingange - (Otchingandji)

Em fins de Julho de 1975 era urgente que Lisboa enviasse seis chaimites devido à escalada de violência. Silva Cardoso tinha feito esse pedido mas, estou em crer que isto não se chegou a concretizar. Era uma exigência, sobretudo pela violência desencadeada pelos “soldados” do MPLA, drogados incontroláveis que hostilizavam permanentemente as tropas portuguesas, que aqueles, ainda consideravam como “o inimigo”; isto depois de tudo! Depois de tanta ajuda! Por aqui se podia induzir o calibre moral de tal movimento.

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Agostinho Neto tinha trabalhado para que isto assim fosse! Ainda neste ambiente de tensão da Vila Alice a 27 de Julho, as NT (tropas do M´Puto) apresaram a barcaça “5 de Fevereiro” (que antes era das NF) com cerca de 300 toneladas de armamento, munições e outro material de guerra dirigido ao MPLA. Isto foi um entre centenas de casos que se dissolveram a propósito entre a ajuda descarada dos nossos ilustres dirigentes do CR ao MPLA de Neto. Aqui, tudo continuou na mesma. O propósito era mandar os brancos embora; uma descarada tundamunjila”.

valentina3.jpg Lúcio Lara e Agostinho Neto, a 28 de Julho no funeral das vítimas da Vila Alice acusaram as FAP (Forças Armadas Portuguesas) de terem traído o MPLA afirmando que estes, já não estavam a fazer nada em Angola. Para Agostinho Neto, a presença das FAP em Angola era, “senão necessária, prescindível!”. Depois de tantos favorecimentos por parte das FAP, ainda os estariam a transformar em bodes expiatórios; nunca um lobo procederia assim.

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Agostinho Neto era mesmo um crápula, um cínico da pior espécie. Para Silva Cardoso, deveria alertar-se as instâncias internacionais dando prioridade à evacuação de centenas de milhares de portugueses cuja vontade era abandonar o território: isto já o era irreversível! Afirmou. O acordo de Alvor estava totalmente comprometido e, deveria ser denunciado por Portugal. Com esta atitude, o MPLA arrepiou caminho mudando de atitude; não lhe seria favorável a entrada da ONU nem da OUA.

valentina5.jpg O directório do MPLA teria de se sujeitar e conter suas gentes do poder popular! Depois de Nakuru e das batalhas de Luanda, a margem de manobra de Portugal ficou substancialmente reduzida. Em Kampala a missão portuguesa teria de deixar Angola à sua sorte manobrando os actos até o 11 de Novembro, o dia agendado para a entrega, sem se saber a quem; aos lobos! Tudo isto corria na feição exacta dos mandatários do CR e seu timoneiro Rosa Coutinho, o Almirante Vermelho, o maior pirata à face da terra hodierna.

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O ataque da Vila Alice ao MPLA foi das poucas atitudes tomadas, dignas de enaltecer o brio tão ofuscado dos militares Lusos. As NF foram na generalidade duma tão perversa actuação que o melhor seria originarem um hiato na história militar. Com a saída de Silva Cardoso, o Almirante Vermelho entra de novo em acção deslocando-se a Luanda.

valodia.jpg Rosa Coutinho dando novas directivas às FAP reforça suas instruções antigas para que a todo o custo defendessem Luanda da investida da FNLA, mesmo que para tal significasse para o mundo ficar abertamente ao lado do MPLA; obviamente fazia-se naquele momento o trabalho do MPLA.

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Recorde-se que isto sucede depois do encontro em Lisboa entre o 1º Ministro Vasco Gonçalves, Rosa Coutinho, Otelo Saraiva de Carvalho e Henrique Santos (Onambwa) que resultou na destituição do General Silva Cardoso com passagem à reserva militar. Mais uma vez Agostinho Neto levava a sua melhor; retirar o General Silva Cardoso que não dizia “ámen” a tudo o que este queria.

soares2.jpg Entretanto o afastamento do General foi contestado pela FNLA e UNITA referindo ambos os partidos terem estas atitudes aspectos obscuros e, queixando-se de não terem sido consultados para o efeito. Esta reclamação já pouco contou para o efeito. Estes desacordos já pouco peso tinham na conduta dos acontecimentos.

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Entretanto, na Metrópole-M ´Puto, o IV Governo Provisório chefiado por Vasco Gonçalves, cuja tomada de posse se deu a 26 de Março de 1975, cai a 8 de Agosto de 1975, altura do Verão quente dando lugar a ele mesmo com o V Governo Provisório de Portugal, cuja tomada de posse se deu a 8 de Agosto de 1975, que viria a cair a 19 de Setembro de 1975 por pressão americana.

CABINDA3.jpg Se algo Portugal deve aos chamados retornados é a viragem na saída governamental da esquerda, desmanchando o bando que tomou Portugal de assalto com rosas nos fuzis. Foi uma exigência dos Estados Unidos, auxiliar o M´Puto em troca da saída do agitado comunista Vasco Gonçalves que só estava a fazer leis pouco aceitáveis e já desacreditadas em outros países da orbita Russa.

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Alguém que fugiu para o Brasil descrevia o panorama da seguinte forma: “O que considero ser a pior ferida nacional … foi a chegada de todos os que vinham das “ex-colónias”. Eles foram aqueles que acreditaram, lutaram por uma vida melhor para os seus … construíram e deram muito da alma portuguesa em África. Agora voltavam, muitos deles sem sequer conhecerem ou terem alguns elos com Portugal para refazer as suas vidas …

luis12.jpg Já a palavra “retornados” era um disfarce de uma palavra … palavra envergonhada, escondida sob uma capa de regresso que era totalmente falsa, pois muitos dos que voltavam eram netos de quem partira daqui há longos anos, não conheciam e mal amavam Portugal, tinham uma alma africana, uma alma mais livre, mais quente e muito mais longínqua.”

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:02
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2016
MALAMBAS . CLIV

CINZAS DO TEMPO – 05.12.2016Teremos de compreender que para planear um futuro mais racional em sociedade, nem sempre podemos domesticar a palavra…

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange

O que me leva a escrever é o fruto do assombro, um fenómeno que leva da retina ao cérebro a imagem do conhecimento traduzindo pontos em teorias misturando com experiências passadas de engravidados desconhecimentos. É daqui que saem as leis que se pretendem ser universais e se apresentam como axiomas ou postulados portadoras de evidências intuídas.

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Intuídas por princípios aceites como verdadeiros e que servem como ponto inicial para dedução e inferências de outras verdades, dependentes de teorias também assombrosas. Coisas que pela logica tradicional se consideram como óbvias por um consenso comum; coisas de que não esperávamos por não andarmos à procura! Coisas até, que nem sempre procurando se encontram. Direi eu, acasos!  

paradi2.jpg Por isso sempre digo que a nossa vida está muito carregada de acasos dependentes de um agora e, porque quase todos os seres humanos andam em busca de seu próprio destino. Em verdade, formamos uma sociedade interdependente na cooperação, especialização nas tarefas e altruísmos sinceros ou enganosos. Enquanto os insectos são quase inteiramente governados pelo instinto, nós humanos, dividindo tarefas com transmissão de cultura e não só!  

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Por via de nossa culta altivez, andamos com o credo na boca por variadas e alheias causas à nossa vontade, que agora são agudizadas. Uma divida que parece nunca poder ser paga com acusações constantes entre os partidos compostos de gente a quem nós confiámos. E, ora é o emprego, a pensão, apoio social ou a emigração de nossos filhos. Numa de “se tudo falhar por favor siga as instruções” isso, não e possível depois de admitirmos os homens que nos regem.

sistelo4.png E, descobrimos que se as coisas tivessem sido deixadas ao acaso, elas estariam melhores! Estes assombros levam-nos a nos alimentarmos com caldos de galinha porque na prática os políticos quando dizem cinco vezes que não vão agravar nosso custo de vida, é certo que o irão fazer. Vou acabar com um desassombro final para afirmar que a diferença entre um político e uma lesma é a de que, a lesma deixa um rasto gosmento e os políticos, um rio de negruras.

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Sempre me pergunto ou interrogo, quanto à imprevisibilidade de nossas vidas quanto a mantê-la em padrões de dignidade no futuro, fruto de tanto assombro; estando nós em um período de miúdas certezas, fruto do paleio daqueles, berramos disparates saídos do fundo de nossa raiva. Nem sempre dois, mais dois, são quatro! Se eu comer dez lagostas e um outro comer só duas, a média dará matematicamente seis! Vejam… Há muita gente a comer lagosta…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:27
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Domingo, 4 de Dezembro de 2016
MOKANDA DO BRASIL . VII

A GUIANA FRANCESAQue foi Luso-brasileira entre  1809 e 1817…

Por

soba15.jpg T´Chingange – Por pesquisa na NET

Em 5 de agosto de 1498, durante sua terceira viagem, Cristóvão Colombo atinge pela primeira vez a costa das Guianas. Entre 1499 e 1500, a primeira exploração do território da Guiana é feita pelo espanhol Vicente Yáñez Pinzón, que explorou as costas do Planalto das Guianas entre os deltas do Amazonas e do Orinoco. O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 para delimitar os territórios da Espanha e de Portugal no novo mundo, não tinha ainda conhecimento das Guianas.

guia1.png Assim, já em 1503, um primeiro grupo de colonos franceses se instala na Ilha de Caiena durante alguns anos. Mas, foi em 1624 que o rei Luís XIII de França ordena a instalação dos primeiros colonos, originários da Normandia. Por dois séculos Guiana fica quieta com afazeres análogos aos territórios vizinhos com aproveitamento de madeiras e culturas indígenas.

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Com a invasão de Portugal em três investidas feitas por Junot, Soult e Messenas pelas tropas de Napoleão Bonaparte e a partir de 1808, a família real portuguesa (a Rainha Maria I e sua corte) muda-se para o Brasil, transferindo a sede da monarquia lusa para Rio de Janeiro. Depois da derrota francesa em Trafalgar em 1809, as forças luso-brasileiras invadem a Guaianá com o apoio Anglo-português. Caiena, a capital da colónia sul-americana francesa cai com a deposição do governador Victor Hughes.

guia2.jpg A ocupação, que não perturbou a vida diária dos habitantes, durou até 1814 depois do Tratado de Viena a 30 de Maio, ficando anexada ao Brasil até 1817 - (naquela época, o Brasil era um reino unido a Portugal). Mesmo diante do regresso do imperador Napoleão I do exílio e, tendo reassumido o poder da França, o acto final foi assinado nove dias antes da derrota na batalha de Waterloo a 18 de Junho de 1815.

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Entre 1852 e 1945, prisioneiros comuns e políticos eram deportados da França continental para esta província, e em especial para a Ilha do Diabo. Entre os prisioneiros célebres que por aí passaram estão Alfred Dreyfus e Louise Michel. O livro Papillon, de Henri Charrière, mais tarde transformado em filme retractou o cotidiano desses condenados e o tratamento brutal ao qual eram submetidos.

guia6.jpg Era para ali que eram enviados os opositores políticos dos diversos regimes que aconteciam em França. Em um século havia 80.000 prisioneiros vivendo em condições insuportáveis e o número de presos que morria era muito elevado. No mesmo século foi encontrado ouro, nos rios do interior de Guiana, mas isto não foi de grande ajuda para a economia da Guiana, uma vez que a mão-de-obra de lavouras diminuiu muito devido à perspectiva de maiores ganhos.

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A descoberta de ouro por outro lado, provocou disputas fronteiriças. A Guiana Francesa descoberta em 1.500 e colonizada no século XVII só estava habitada por indígenas. Na costa, viviam os caribes e, no interior, as tribos wayana, oyampi e emerillon. Os caribes, índios guerreiros, foram os que mais reagiram à presença espanhola desde o século XVI.

guia3.jpg A cidade de Caiena, a capital, foi fundada em 1637. Foi disputada por holandeses e franceses, mas foram estes que finalmente a estabeleceram como colónia naquela região. No fim do século XVII, começam a chegar os escravos que trabalhariam nas plantações de cacau e café mas, em 1794, é abolida a escravidão; foi novamente implantada na década seguinte e, abolida definitivamente em 1848.

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O Jardim Botânico do Rio de Janeiro recebeu, nesse período, numerosas espécies de plantas da Guiana Francesa. As deportações terminam em 1938, mas a instituição prisional continuou funcionando. A repatriação só começa a partir de 1947, quando a Guiana se transforma em departamento ultramarino (território integrado à República francesa). Em 1.964, é decidida a construção do Centro Espacial de Kourou para a Agência Espacial Européia; o Centro Espacial começa a funcionar em 1968 e, é ali que começam a ser lançados satélites com a ajuda de foguetes Arianne.

Bibliografia: Cronica de Thais Pacievitch

As Opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:23
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2016
XICULULU . XCI

NAS CINZAS DO TEMPO01.12.2016 - Um homem sem religião é como um peixe sem bicicleta…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Coma uma lesma viva de manhã e, nada pior lhe acontecerá nesse dia. É como a Lei de Murphy diz "se alguma coisa pode dar errado, assim será". Foi com estas duas ideias que comecei o dia caminhando. Eram cinco horas brasileiras quando me dispus ao caminho com mais um amigo que em tempos trabalhou na Usina Uruba. Ele recordou-me serem esses tempos idos de muita cachaça e, amiudadamente refere que graças a Deus esses tempos já não o são mais e, por graça da igreja que agora frequenta, evangélicos do sétimo dia.

cispla1.png E, como um homem sem religião é como um peixe sem bicicleta, também defini por mim próprio que um homem sem reais no bolso, nada pode comprar. A experiência de vida leva-nos a tirar conclusões rápidas tornando-nos quase sábios mas, com quarenta reais no bolso, botei meu boné amarelo com buracos de refrescamento e minhas botas de papa-léguas com pontas de aço. Com uma manga semi verde em cada mão por aí fomos.

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No refresco da manhã e, faltando vinte minutos para as seis da madrugada, chegamos à feirinha do “Cleto” situada num bairro entre a via expresso e a Avenida Fernandes de Lima de Maceió, que segue até ao aeroporto Zumbi dos Palmares e continua para Recife pela via BR-101. Aqui é um dia normal de quinta-feira mas no M´Puto é feriado, dia da restauração de Portugal.

uruguai1.png Com os apetites afiados na vontade de querer, perguntei ao cara careca da banca do peixe se tinha sardinha e, respondendo-me afirmativamente mandei-lhe pesar 3 quilogramas e que por ali passaria a recolhê-la dentro de dez minutos. Recomendei que lhe tirasse a cabeça e tripas.  A intenção era fazer uma caldeirada na panela de pressão com verduras de pimentão, maxixe, cebola, batata e couve.

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Sardinhas limpas, sacola num vai e vem da caminhada no rumo de regresso até Antares, bairro de caserio baixo e construção modesta. Percorremos ruas empedradas, asfaltadas e em terra bordeada a capim, cachorros espreguiçados nas ombreiras de portas desniveladas, pintos correndo em fila atrás da mãe pedrês e ciscando depois nas humidades de águas descuidadas, paradas na negrura saponácea das valetas.  

uruguai7.jpg Já banhado, flanelas frescas de limpas, calos raspados, tomo o café da manhã composto do meu milongo de abóbora com gengibre, queijo de búfala e pão com fermento biológico feito pela Margarida, a senhora da casa.  E, vem a simpatia da dona na forma de banana comprida frita mais a tapioca e o mamão. Para terminar o café Santa Clara bebo-o com sorvos de prazer miudinho entretendo os entretantos com o linguajar nordestino entremeado pelas vidências do Carlinhos profeta.

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Lá fora no canto coberto e ventilado da casa, meu porta-aviões, espera-me a rede de esfregar preguiça e cochilo mas, entretanto juntei meus livros, meus caderno e lápis mais o ilustre computador para neste puxadinho alpendre e na mesa redonda com toalha de pano de cocô assentar meus pensamentos na forma de palavras baloiçadas. No jeito de amor que me é peculiar, boto falas atravessadas e canforadas no espirito de massajar os amigos sem a essência de terebentina.

uruguai4.jpg Ligo o computador e, este não responde da forma habitual, lento, mas que se passa!? – Pergunto de mim para mim mesmo. Num liga e desliga, acciono o antivírus a fazer verificação completa pelo kaspersky. Neste meio tempo de espera, escrevo estas malambas e na forma de xicululu (olho gordo, feitiço) de modo a não ficar olhando as nuvens com um avião passando de quando em vez, saído do Zumbi.

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E, como meu próximo destino é o Uruguai, vou ao encontro da história para não chegar la vazio de sabedoria. Recorro assim aos meus anteriores escritos referentes ao tempo de D. João VI aquando por ali aquele se chamava de Banda Oriental e mais tarde de Cisplatina e, em que Frederico Lecor teve parte interveniente. Foi este que comandou o exército da tomada do Uruguai a Espanha que se encontrava nas mãos de Napoleão.

uruguai10.jpg Nunca antes se tinha visto tamanho exército em terras Americanas tendo no seu comando homens de armas valorosos, que se tinham salientado em outras praças de guerra; o plano de ocupação da Cisplatina tinha um efectivo de pessoal a saber: 7 oficiais do Estado-maior de Divisão; 10 Oficiais do Estado-maior de Brigadas; quatro Batalhões de Infantaria com mais de 3600 homens.

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Cerca de 900 homens de Cavalaria; 252 artilheiros e 36 músicos. O então príncipe Dom João veio a ser aclamado rei a seis de Fevereiro de 1818. As solenidades de aclamação e coroação como Rei de Portugal, do Brasil e do Algarve, tiveram lugar no Rio de Janeiro tendo na concessão de várias mercês sido dado o título de Barão de Laguna ao General Francisco Lecor, Governador de Cisplatina e Comandante Supremo do exército ali estacionado.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:45
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2016
MUXOXO . XLII

TEMPO COM CINSASMALAMBAS DO XIRITUNG - 29.11.2016  

NOS ACONCHAVOS DO VINTICINCO ESPACIAL  

Por

soba15.jpg T´Chingange

Encontrar o caminho certo de uma ideia é muitas vezes uma questão de sorte, e com certeza o caminho que encontramos, nem sempre o é de elevada exclusividade. Cortei uma batata grande ao meio e, espetei nela as bananas eléctrodos plug-p2 stereo de dois auriculares de avião e, acreditem ou não, entrei na corrente electromagnética de ondas hertzianas da banda do meu novo amigo ET STAR 3C325 da estação orbital nº YYY3C, uma galáxia a mais de 260 anos-luz. Desta vez foi mesmo só um contacto hertziano.

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Tento por meios arcaicos saber da rejeição por incompatibilidade nas ideias, conjugar os spins de partículas subatómicas com os fotões; e da radiação electromagnética que colidem com os paradigmas teóricos. É alta a probabilidade de sofrerem rejeição nos mecanismos de conflito de ideias com os velhos conceitos, porque estes sempre irão competir com os novos.

adel6.jpg 

Nesta minha experiência, posso verificar os fenómenos de rejeição socialmente condicionados e, até culturalmente determinantes no conceito das leis Universais. Os zumbidos desta ligação ao mundo sideral diminuíram ao fazer uma espiral envolvendo uma chapa daquelas que unem as folhas soltas aos cadernos de escola. Foi neste então e pela primeiríssima vez que ao invés da comunicação telepática recebi sons na forma de um chiado sussurrada de osga e, deu para entender algo pouco decifrável assim: “O Mundo real é uma excepção “

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Liguei a mesma entre os plug-p2 stereo dos dois auriculares e, foi neste então que a ideia ficou como brilhantina com código para entrar no seu canal PiFaXa . Vi então o quanto era difícil fazer coincidir completamente a Natureza com um paradigma de xiritung neste conjunto de zingarelhos feito bem ao jeito do professor Pardal, mesmo que estando iluminado nos vários tópicos que podem ser vistos como sintomas de crise.

africa02.jpg

 

Neste entretanto perturbei-me no enigma de usar dois auriculares como se fossem dois paradigmas. Ficou assim claro que o conflito não se resolve quando envolve a confrontação de vários domínios e, muito menos quando um cientista sem curriculum entra em crise por falta de dados em um mecanismo de reacções escondidas, mesmo tendo um código espacial atribuído por um ET.

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Aonde já se viu alguém poder entrar em contacto com o cosmos com uma meia batata, quatro auriculares com dois plug-p2 stereo e uma latinha de prender folhas mais um clipe?! Só mesmo com muito esforço se pode conceber tal! O mais certo é que ninguém acredite. E, após a ideia veio o paradigma, os sintomas, o enigma e a crise. Foi quando para iluminar os sintomas liguei uma pilha duralex de um e meio voltes entre o clipe e a chapinha retorcida com um díodo e um condensador.

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Comecei então a ouvir grunhidos intermitentes à mistura com tiros e rajadas nas transferências de electrões, confrontando-me com um tal de MIE - modelo de intercepção de estados, com velocidade de reacção moleculares revolucionárias de um tal de CR - Concelho de Revolução fazedores de charadas magnetofónicas descolonizantes num tempo extra espacial.

adel8.jpg

A parti daqui a minha perspectiva de visão alargou-se quando a química da batata se alterou depois de aquecida à luz de uma vela benzida em Fátima da Cova da Iria. No polo positivo surgiu uma mancha azul e, no outro negativo um amarelo de caca (C). Sei que esta estratégia deu algum sucesso com a teoria do efeito túnel da minhoca no uso de um grupo de guedelhudos feitos ninja-PREC.

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Eram uns quase cientistas de uma nova modulação social. Mais iluminado, tive de nos vários tópicos considerados sintomas da crise, concluir historicamente que o sucesso do paradigma descolonizador dum tal de vinticinco se transformou de enigma de crise em uma aberrante anomalia armadilhada de C* elevada a nove. É difícil conceber isto sem entretanto fumar umas passas transcendentes….

Nota*: C de caca

Homenagem a Carlos Fernandes, o criador do Xiritung na revista “Notícias” – Luanda – Angola.

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:17
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Sábado, 26 de Novembro de 2016
MUXIMA . LXIV

MULOLAS DO TEMPO –  Antes de aparecer a Penicilina, morria-se mais das infecções do que da cirurgia…

Mulola só é rio quando chove a montante…

Por

Torres0.jpg Eduardo Torres

camionista1.jpg Normalmente junto-me ao meu amigo e vizinho Sousa, que tem uma vivenda frente ao bloco de apartamentos onde vivo, somos quase da mesma idade, ambos funcionários da Câmara, ele topógrafo na de Luanda e eu desenhador na de Sã da Bandeira. Conversamos sobre qualquer tema actual, mas a conversa acaba sempre por recordar os nossos bons tempos de Angola.

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Quando, muito antes de aparecer a Penicilina, se morria mais das infecções do que propriamente das operações, usava-se a Beladona, pomada para determinados tratamentos, o permanganato milagroso no tratamento de feridas e algumas infecções, nas ventosas para serem tratadas as pneumonias, as papas de linhaça, o famoso Vick para as constipações e o óleo de fígado de bacalhau tomado no tempo do frio.

cos0.jpg Surgiu o leite em pó pasteurizado, as sulfamidas que tratavam tudo; sobretudo, eram tempos de vida difícil nesses tempos, em que m tempo de chuvas, para se fazer uma viagem tínhamos de estar precavidos, porque tanto podia durar um dia como perto de uma semana.

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A África, e neste caso especial Angola, vivia muito da solidariedade das pessoas, e os camionistas, eram uma classe muito especial nesse aspecto, pelas enormes dificuldades encontradas nas viagens que faziam, chegando a juntarem-se em grupo, por ter surgido um obstáculo que os impedia de continuar a jornada, e todos juntos, conhecidos ou não, utilizavam em conjunto, os meios de que dispunham para resolverem o problema; tornavam-se amigos e essa amizade nascida de uma causa que fora comum a todos, simbolizava a força da união na estrada.

embo0.jpg Os comerciantes no mato eram sempre ponto de paragem obrigatório, para se beber uma cerveja, saber das novidades, estar a par dos acontecimentos. Todos se conheciam, e cada um, à sua maneira, procurava ser solidário na resolução de qualquer problema. Eles, os camionistas, eram o traço de união das gentes que viviam no interior e das outras, que viviam em aglomerados populacionais.

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Eram o sangue vigoroso que circulava nas veias difíceis, as estradas, e que fazia bater forte o coração forte dessa imensa e grandiosa terra, inóspita, difícil, mas singularmente terna e amante. São recordações que só desaparecerão com o tempo, quando o tempo determina o fim de ciclo de vida.

torres14.jpg Enquanto isso não suceder, procurarei deixar bem explícito que Africa não era a terra das patacas, como muitos pensavam, porque viam os verdadeiros colonialistas bem instalados aqui no Continente, a viverem do trabalho de quem mantinha a produção das sua roças de café, do algodão, do sisal, dos administradores da Diamang e de todas as outras imensas riquezas que contribuíam para o enriquecimento do tesouro nacional.

As escolhas e T´Chingnge



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016
ROXOMANIA . I

PEDRADA NO CHARCO - 25.11.2016 - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo - Amoleço ali, as unhas dos pés…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e, será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar as gigantescas presenças de feridas mortais. De vez em quando digo isto para não me esquecer!

gourmet10.png E, que importância terá, saber-se agora se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou tinto. Acerca disto e daquilo, as nossas conversas ficam antigas ao lembrar coisas que Murphy não desprezou quando estabeleceu suas leis atravessadas de escarnio ou maldizer, porque a oportunidade sempre bate no momento menos oportuno.

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Entre as mais de duzentas leis, ele afirmou que os amigos vêm e vão, mas os inimigos sempre se acumulam, porque a principal causa dos problemas entre eles são as soluções que vão para além do que importa! E, o que importa é o nome que você dá aos factos, não aos factos em si. Enfim, toda a gente tem como certo que as garantias acabam no acto do pagamento da factura; isto é trigo limpo.

kunene2.jpg Nós, membros sociais de um qualquer grupo do Facebook, somos de certa forma uma comunidade que partilha leituras teóricas, observações segundo um paradigma que nos foi legado culturalmente ou inovação de um dos elos naquilo que designamos de identidade do grupo. Isto invariavelmente reverterá a questão para uma ameaça de novos paradigmas na comunidade que lhe dá vida.

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Abordei este tema nas últimas crónicas rearranjando-me num acto mental por um conjunto de dados, que não obstante serem familiares aos demais, os vi de maneira diferente. Escapando às ideias da dominante doutrina social, tenho enviesado alguns conceitos num acto de me libertar das coisas fabricadas a eito ou sem jeito.

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Tudo reside no modo de os ver de maneira diferente e, porque a mente humana tem tendência a julgar tudo mais segundo a sua própria experiência, conhecimento ou ideias feitas, do que segundo a evidência apresentada. E, porque por norma as ideias novas sempre são comparadas à luz das velhas ideias.

carn1.jpg Quem aceita ideias novas, tem de apagar as velhas, um processo de reconversão que para muitos, é tão difícil como uma conversão religiosa. Não é fácil apagar as ideias velhas uma a uma, porque elas estão interligadas por coordenadas formando um elo ou colar, que nos ornamenta a mente.

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A opinião preconcebida é o resultado de algum modelo que existe na nossa mente condicionando o nosso modo de pensar. Muitas vezes veremos que estamos já contra uma nova ideia antes de ela ter sido completamente exposta. Quantos de entre nós nada-querem saber de computadores e outras novas tecnologias.

roxo69.jpg E, que coisa é essa que fica arreigada a uns, enquanto outros lutam para que assim o não seja! Há os perfeccionistas que nos seus métodos de trabalho assumem atitudes do “tudo ou nada” e que sem solução perfeita sempre vêm a ciência como obra acabada por haver preconceitos nacionalistas, ideológicos, religiosos e, por ai vai!... Factores que resultam da intercepção entre elementos de uma mesma comunidade.

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A Kizomba, Kimbo ou Roxomania por exemplo! De um qualquer que ao ter receio em apreciar um artigo e, que não encontrando erros de lógica escondidos, se acham subestimados por outros que posteriormente os venham a encontrar. Mas, porque é que não vi isto deste ou daquele outro jeito, interrogando-se! Sentem que seu prestígio ficará afectado em aceitar ideias que outros rejeitaram.

roxo78.jpg Os homens têm amor-próprio, paixão, ódio e orgulho e, o envolvimento em temas que não dominam em pleno ou, de certas metodologias, tornam o individuo cego a tudo o demais; não se envolvem emocionalmente num- deixa para lá. Mas, o certo é o de que em todo o processo de investigação científica ou não, há uma certa agressão intelectual. É salutar haver manifestação em conhecer, ampliar a inteligência na resolução dos enigmas que nos envolvem; os da ciência…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:29
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016
MOKANDA DO BRASIL . VI

 DO BRASIL POLÍTICO - UMA RESENHA - 24.11.2016

Gentileza: O Estadão.

lula01.jpg "O impeachment da presidente Dilma Rousseff será visto como o ponto final de um período iniciado com a chegada ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, em que a consciência crítica da Nação ficou anestesiada. A partir de agora, será preciso entender como foi possível que tantos se tenham deixado enganar por um político que jamais se preocupou senão consigo mesmo, com sua imagem e com seu projecto de poder.

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Por um demagogo que explorou de forma inescrupulosa a imensa pobreza nacional para se colocar moralmente acima das instituições republicanas; por um líder cuja aversão à democracia implodiu seu próprio partido, transformando-o em sinónimo de corrupção e de inépcia. De alguém, enfim, cuja arrogância chegou a ponto de humilhar os brasileiros honestos, elegendo o que ele mesmo chamava de “postes” - nulidades políticas e administrativas que ele alçava aos mais altos cargos electivos apenas para demonstrar o tamanho, e a estupidez, de seu carisma.

lul1.jpg Muito antes de Dilma ser apeada da Presidência já estava claro o mal que o lulopetismo causou ao País. Com excepção dos que ou perderam a capacidade de pensar ou tinham alguma boquinha estatal, os cidadãos reservaram ao PT e a Lula o mais profundo desprezo e indignação. Mas o fato é que a maioria dos brasileiros passou uma década a acreditar nas lorotas que o ex-metalúrgico contou para os eleitores daqui. Fomos acompanhados por incautos no exterior.

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Raros foram os que se deram conta de seus planos para sequestrar a democracia e desmoralizar o debate político, bem ao estilo do gangsterismo sindical que ele tão bem representa. Lula construiu meticulosamente a fraude segundo a qual seu partido tinha vindo à luz para moralizar os costumes políticos e liderar uma revolução social contra a miséria no País.

lula02.jpg Quando o ex-retirante nordestino chegou ao poder, criou-se uma atmosfera de optimismo no País. Lá estava um autêntico representante da classe trabalhadora, um político capaz de falar e entender a linguagem popular e, portanto, de interpretar as verdadeiras aspirações da gente simples. Lula alimentava a fábula de que era a encarnação do próprio povo, e sua vontade seria a vontade das massas. O mundo estendeu um tapete vermelho para Lula. Era o homem que garantia ter encontrado a fórmula mágica para acabar com a fome no Brasil e, por que não?, no mundo: bastava, como ele mesmo dizia, ter “vontade política”. Simples assim!

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Nem o fracasso de seu programa Fome Zero nem as óbvias limitações do Bolsa Família arranharam o mito. Em cada viagem ao exterior, o chefão petista foi recebido como grande líder do mundo emergente, mesmo que seus grandiosos projectos fossem apenas expressão de megalomania, mesmo que os sintomas da corrupção endémica de seu governo já estivessem suficientemente claros, mesmo diante da retórica debochada que menosprezava qualquer manifestação de oposição. Embalados pela onda de simpatia internacional, seus acólitos chegaram a lançar seu nome para o Nobel da Paz e para a Secretário-geral da ONU.

dilma4.jpg Nunca antes na história do Brasil um charlatão foi tão longe. Quando tinha influência real e podia liderar a tão desejada mudança de paradigma na política e na administração pública, preferiu os truques populistas. Enquanto isso, seus comparsas tentavam reduzir o Congresso a um mero puxadinho do gabinete presidencial, por meio da cooptação de parlamentares, convidados a participar do assalto aos cofres de estatais. A intenção era óbvia: deixar o caminho livre para a perpetuação do PT no poder.

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O processo de destruição da democracia foi interrompido por um erro de Lula: julgando-se um “kingmaker”, escolheu a desconhecida Dilma Rousseff para suceder-lhe na Presidência e aquecer o lugar para sua volta triunfal quatro anos depois. Pois Dilma não apenas contrariou seu criador, ao insistir em concorrer à reeleição, como o enterrou de vez, ao provar-se a maior incompetente que já passou pelo Palácio do Planalto.

lula03.jpg Assim, embora a história já tenha reservado a Dilma um lugar de destaque por ser a responsável pela mais profunda crise económica que este país já enfrentou, será justo lembrar dela no futuro porque, com seu fracasso retumbante, ajudou a desmascarar Lula e o PT. Eis seu grande legado, pelo qual todo brasileiro de bem será eternamente grato."

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:59
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2016
MUXOXO . XLI

TEMPO COM CINSAS - MACEIÓ - 23.11.2016  

Das razões para entender o que é um PARADIGMA … 2ª de 2 partes

t´chingange 0.jpgT´Chingange

O triunfo de uma nova teoria ocorrerá por um processo de conflito com o anterior paradigma, numa selecção por conflito e eliminação do erro, por via da sobrevivência do mais apto. Creio que grosseiramente se pode comparar a função de um enólogo na preparação de seus vinhos com combinações de castas. Com o tempo ele vai eliminando este e aquele tipo de uva melhorando a combinação.

paradi4.jpg Entre risos e entretantos com pimenta e queijo de coalho recompõe-se a altivez com um tinto do Chile substituindo o tintol de Pegões ou Reguengos do M´Puto contendo também na promoção aquela literatura morangueira de lengalenga nas escolhas das encostas de Vinãs-del-Mar, Vale del Maipo, e Colchagua em substituição das margens do rio Sado.

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Que tal e coisa, nas plantações com uvas frutadas e aveludadas mais edecéteras entre as tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Camenère e Syrah, e as brancas Sauvignon Blanc e Chardonnay. Enfim, teorias que muito bebidas passam a dar a volta ao miolo mesmo sem se querer.

paradi5.jpg Reconhece-se que novos paradigmas podem aparecer de uma forma embrionária antes que surja uma nova crise científica. E, que levem a baixar drasticamente o valor alcoolémico e, por forma a não mais podermos beber do mesmo néctar que Cristo bebeu em sua última seia substituindo-o por água aindaiá, do gerês  ou outras águas que dizem ser santas e que tudo curam.

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É neste sentimento de frustração de que algo não está a funcionar bem com um paradigma que se instala a crise e aguça os espíritos para o nascimento de um paradigma novo. Advém dai que destroem uma estrutura económica, um ganha pão de muita gente para se convencionar que teremos de beber só água da fonte com a adição de umas gotículas de limão para eliminar bactérias nefastas e, até o escorbuto, imagine-se!

paradi3.jpg E, como há palavras canibais que comem outras, teremos de nos sujeitar tal como o macaco a quem retiraram a banana no tal paradigma da escada e da água fria que os cientistas usaram para alterar a sua forma de bem-estar. Pois, convêm dizer aqui que a incerteza espacial, é o infinito sem bordos! Que o mundo material deforma-se nos seus limites impregnando-o de metafísica, segundo o que recolhi da sabedoria do Professor Catedrático Sebastião Formosinho.

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Diz este Professor que por uma analogia estranha, encontraremos menos determinação e maior liberdade no homem e no electrão do que no Sol e na Terra porque a visão que a teoria quântica nos dá hoje, é assim a de deus-que-joga-aos-dados. Na ordem do Universo, as leis são verdadeiras até que se prove o contrário.

paradi2.jpg A ciência explica supostamente conferindo sentido ao mundo mas, também parece que tem os seus limites que lentamente destrói o seu próprio mito. Será!? É que em ciência há estradas largas, bem asfaltadas, que só depois de serem percorridas se verifica não terem saída. Já Einstein afirmava que o mistério eterno do mundo é a sua compreensibilidade.

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As dádivas da Natureza, mostram que o progresso na compreensão do Universo, está profundamente condicionado pela existência de um sistema simples num dado domínio. Não obstante, Thomas Kuhn, reconhece que novos paradigmas podem aparecer de uma outra forma, que se aceitam como correctos só porque todos assim o fazem sem saber ao certo quais as justificações.

paradi1.jpg As teorias científicas estão sujeitas às questões e debates do meio social, dos interesses e das comunidades que as formulam. Hoje mesmo fiquei indignado ao saber que em Portugal vão reactivar as taxas de rampas de acesso a estradas nacionais; que quem quiser fazer uma reabilitação tem de pagar 500 euros para informar o processo, 200 para a emissão de parecer, 250 para uma vistoria extraordinária e 300 para revalidação ou autorização. Tudo uma excrescência de quem tem o poder.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:20
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2016
MUXOXO . XL

TEMPO COM CINSAS - MACEIÓ - 22.11.2016  

Das razões para entender o que é um PARADIGMA … 1ª de 2 partes

Por

soba15.jpgT´Chingange

macaco2.jpg A palavra “teoria” provem do grego “ver” e, quer seja uma teoria ou um modelo teórico serão imagens do mundo material, inventadas para o tornar compreensível. O Mundo é complicado ou somos nós que o fazemos e, a mente humana não o pode compreender completamente; surgem deste modo as teorias ou convicções cujos espíritos nem sempre credibilizam o testemunho dos olhos.

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Os caminhos que a leis da física nos proporcionam por via da natureza, até ao limite do cosmos e do microfísico, revelam-nos filosofias diferentes das que o Mundo do quotidiano permitem estabelecer. A separação entre o homem e o Mundo perde-se nos limites da microfísica com a relação de incerteza de Heisemberg e a visão probabilística da mecânica e matemática quântica.

mocanda9.jpg É o espaço-tempo que se esbate no limite das altas velocidades com anos-luz que volatilizam o imediato nas teorias de relatividade. A abstracção da lógica matemática, forma superior do conhecimento científico, parece não poder ser formalizada totalmente nos recursos do intelecto humano pois a mente, tem sempre a possibilidade de inventar meios de demonstração que os ultrapassam.

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Em busca da verdade, rebusquei em tempos, conhecimento em Coimbra; não na cátedra mas, na vivência entre amigos e, entendi melhor o que é um Paradigma em nossas vidas: «mostrar, apresentar, confrontar» - é um conceito das ciências, teoria do conhecimento que define um exemplo típico ou modelo de algo.

cos3.jpg É a representação de um padrão a ser seguido ou um pressuposto filosófico como matriz… uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas. Para entender melhor este conceito terei de explicar o que ali vivifiquei: - Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.

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Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de algum tempo, de cada vez que um macaco tentava subir a escada, os outros quatro agrediam-no.

mutopa2.jpg Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação provocada pelas bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que este fez foi subir a escada, sendo rapidamente retirado dela e, à força pelos outros. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.

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Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, no massacre do novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se a história. Mais um quarto e, finalmente, o último dos veteranos, foram igualmente substituídos, e de igual modo se desenrolou a situação.

nauk4.jpg Os cientistas ficaram então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a agredir aquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: - Não sei, por aqui as coisas sempre foram assim!...

Moral da história: “É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO”, (Albert Einstein)

(Continua… 2ª parte)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:20
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016
MALAMBAS . CLIII

CINZAS DO TEMPO - 21.11.2016 - Teremos de compreender que para planear um futuro mais racional em sociedade, nem sempre podemos domesticar a palavra…

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Um contador de estórias faz o tempo passar entre os pingos da chuva ajudando a preencher os buracos do ócio ou da árdua tarefa da existência. Fazendo gaifonas com as palavras recria um outro jeito de levar a vida, aliviando as tensões que a sociedade nos impõe. Fazendo malabarismo com palavras, compõe ramalhetes de flores feito de falas floridas; coisa nenhuma! Por vezes pode ser levado a sério mas, convém sempre reflectir na mensagem que sempre lhe está subjacente.

step5.jpg Um inventador de estórias tem forçosamente de criar personagens, tornando-se dependente destes no decorrer do enredo; por vezes fica submisso a estas criações saindo daí novos enlaces. Dizia ao sair de Lisboa que não sendo eu um fanático cristão, procuro entender-me em queixas mentais com meu novo amigo o ET STAR 3C325 saído da estação orbital nº YYY3C e oriundo duma galáxia a mais de 260 anos. Mas hoje, apetece-me não ter um contacto de cara-a-cara com ele recorrendo só à sua página do Facebook; um exclusivo só nosso!

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Abri uma nova página no Facebook com o nome de Profeta Moisés e, como surpresa imediata, um dos muitos pedidos de amizade vinha de Jesus Cristo. Intrigado durante uns dias retive o pedido enquanto ia recebendo muitas outras, gente nitidamente ligada às coisas litúrgicas, eruditos até às pontas dos cabelos, gente de muita religiosidade; uns abraçados a santos, outros acendendo velas botando fumo pró céu, e outros ainda mostrando o Espírito Santo na forma de pomba.

cubo8.jpg Assim, assentando os contrafeitos nos factos com dúvidas na forma de gráfico, ora para cima, ora para baixo, fico espantado quase no estupefeito quando surge um novo evento: Era Deus, Nosso Senhor, adicionando-me como amigo. Belisquei-me para ter a certeza que ainda estava pela terra e fiquei extremamente cauteloso sem saber ao certo que dizer! Lembrei-me em seguida que tinha mencionado dias antes, algo de que Jesus cansado das trapaceirices humanas quis ir para o pé dele, seu Pai, aos 33 anos.

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É certo que Moisés esteve face-a-face com Ele quando lhe foi legado os Dez Mandamentos escrito com seu dedo na forma de fogo mas, eu aqui e agora, fico titubeando ansiedade sabendo que não sou merecedor deste tratamento privilegiado. Sei que Deus deu a Moisés sinais de que ele não estava só, e estes sinais serviriam para que o povo e Faraó acreditassem que o que Moisés dizia era verdade, isto depois de Deus ter convencido o próprio Moisés, que não acreditava ser capaz de fazer tal tarefa.

ara3.jpg Conforme Deus mandou, Moisés lançou sua vara ao chão e ela se transformou em uma cobra, então Faraó chamou seus feiticeiros, que fizeram o mesmo, porém, a cobra de Moisés engoliu as cobras dos feiticeiros de Faraó. Mas isto não convenceu Faraó, que por não acreditar em Moisés, mandou aumentar o castigo sobre o povo de Israel mas, o Faraó perdeu em toda a linha com umas quantas pragas.

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Sei que Deus falava com os demais profetas por meio de sonhos e visões. Nesse tempo, é lógico, não contactavam por telefone, celular ou e.mail ou nesta ferramenta do Facebook lançada só a 4 de Fevereiro de 2004 por Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin. Sei porque li no livro sagrado de que o encontro de Moisés com Deus foi real e em 3D e, não um encontro indirecto, casual ou virtual mas, neste mundo conturbado de agora, tenho receio que não seja este, o mesmo Deus venerado por bilhões, muitos mais do que os utilizadores do Facebook.

nauk13.jpg Ainda que eu seja um Miguel de mentira, gostava que me desse esperanças para mudar meu estatuto de usuário de FB para Theobook. Neste meio tempo de mente iluminada, fascinado em acender lampiões entro na página do meu novo amigo o ET STAR 3C325 mas, para meu desânimo nada sabia do Evangelho de S. João que apresenta Jesus como a luz do mundo e, porque “Nela estava a vida e esta, era a luz dos homens”.

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Este ET, meu amigo, mais parecia ser um autómato gerido à distância, tipo robot; nada sabia quando eu queria saber? Fiquei até com duvidas se teria medo de falar destas coisas! Encafifado, pois assim fiquei que nada sabia sobre os fotões de Jesus, essa luz do mundo de que fala o apóstolo João. Mas, como é que este tipo gelatinoso feito cérebro tremente que engoliu toda a sabedoria, que comunica em ondas encavalitadas, curtas, modeladas e electromagnéticas não sabe! Aqui tem coisa!

maian9.jpg Foi neste entretanto da noite, olhando o escuro vi: Havia um aparente homem fazendo buracos na escuridão. Senti que meus neurónios brilhavam nessa intensidade num lusco que passou a fusco; relampejou estrelinhas e, eu mesmo virava luz. Coisa de fosforescer agitado em iões e catiões quando até aqui, pensava ser só incandescente. Para que ninguém possa recorrer a uma tradição morta de liberdade por vezes tenho de falsificar o passado com fotões.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:29
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Domingo, 20 de Novembro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CXVI

TEMPOS PARA ESQUECER – 20.11.2016 - ANGOLA DA LUUA XXV . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange - (Otchingandji)

berliet1.jpg No dia 27 de Julho de 1975 a FNLA e o MPLA aceitaram a saída de deslocados e refugiados das várias zonas em conflito e, principalmente dentro de Luanda, desde que a evacuação fosse feita exclusivamente pelas Forças do Exército Português. Não obstante contestarem as Forças Colonialistas, era a eles que recorriam em casos de necessidade; no fundo reconheciam ser a postura das Forças do M´Puto as mais cordatas, não obstante terem uma postura indelicada para com os brancos, seus patrícios e, por força de ordens dos donos do Concelho da Revolução.

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Os primeiros a partir de Luanda foram os cerca de 200 militares da UNITA, funcionários e respectivas famílias. No dia 31 de Julho de 1975 havia uma coluna de 300 viaturas com cerca de 500 refugiados em direcção a Nova Lisboa, actual Huambo. Em Malange não havia água e os poucos médicos presentes, temiam um surto de peste devido aos inúmeros corpos mortos espalhados um pouco por todo o lado. O material e armamento do ELNA decorrentes das rendições de Malange seriam entregues pelas NT ao MPLA.

berliet2.jpg A cidade foi abandonada por toda a população do asfalto e zonas urbanizadas, brancos e pretos dando lugar à entrada de gente carente que fugia de um para outro lado registando-se saques desordenados. A sete de Agosto as mais de duzentas viaturas fizeram seu regresso a Luanda com todo o pessoal do batalhão das chamadas NF. Como identificação arvoraram em uma berliet tramagal a bandeira nacional das quinas; no percurso mais viaturas se lhes juntaram.

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Não havia tempo para decidir levar isto ou aquilo de mais precioso; só importava levar o essencial, meter no carro e seguir o comboio. Um seja o que Deu quiser sem muito tempo para orações ou choros desabridos. Chegaram ao Grafanil de Luanda, quartel base das NF, 260 viaturas. Malange ficara um imenso cemitério. Pelas estradas viam-se milhares de africanos andando a pé em direcção ao Sul. O caos estava por todo o lado!

berliet3.jpg Na Gabela e em General Machado o MPLA e a FNLA confiscaram todas as viaturas incluindo as do Estado e as dos funcionários públicos que queriam fugir. Em Luanda, um soldado português foi alvejado pelas costas. Os portugueses advertiram que só a tropa integrada podia fazer operações stop. Um jeep que transitava na estrada de Catete na noite do dia 26 de Julho, pelas 23 horas e junto à sétima esquadra foi mandado parar por nove elementos do MPLA do qua fazia parte um tal de comandante Gringo.  

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Após a paragem stop por estes militares do MPLA mandaram-nos seguir viagem e, sem mais nem por quê aquele comandante Gringo pegou na sua kalashnikov e num jeito de Rambo, com uma só mão disparou sobre aquela viatura militar a cerca de dez metros deste. Ficaram gravemente feridos um Alferes e um dos Sargentos que ali iam, vindo este a morrer mais tarde. Era esta a prática de todos os dias; azáfamas sem tarefas, ordens sem contra-ordens, disparates de crianças crescidas tendo uma arma na mão como brinquedo.

berliet4.jpg Por via disto o comandante do COPLAD montou um dispositivo de interdição de toda a área da Vila Alice por três grupos de intervenção e um grupo de combate de Comandos. A ordem era atirar a matar a quem fizesse fogo sobre as NT. Teriam de evacuar o quartel-general do MPLA. Após cinco minutos de fogo do lado português, a um pedido de Madaleno e Onambwa, comandantes do MPLA para pararem o fogo e, porque já havia vitimas entre eles, as NF  pararam.  

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Mas, eis que chegam quinze militares do MPLA querendo entrar no edifício e disparando; feriram deste modo 3 soldados portugueses. Nesta operação foi dito que se houvesse mais reacções os restantes quarteirões do MPLA sofreriam danos. A Praça de Touros foi bombardeada por via aérea e por obuses. O antigo quartel da PM do Morro da Luz estava cercado pelo Batalhão de Granja de Matos.

berliet5.jpg Nunca tinha sido montado tal aparato pela tropa portuguesa. Começavam a ficar fartos das fanfarronadas do MPLA e por isso a Vila Alice foi arrasada em termos de limpeza militar e segundo o Oficial português Almendra. Morreram 22 indivíduos do MPLA e foram detidos 11 por não quererem entregar suas armas. Aqui as tropas do M´Puto cumpriram sua missão; coisa quase inaudita!

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O MPLA teve de libertar dez prisioneiros brancos. Três dias depois o agora General do MPLA foi a Lisboa queixar-se a Costa Gomes. Para Silva Cardoso foi um acto de revolta pela indignação sentida. As tropas portuguesas corriam o risco de ser cilindradas pelo MPLA se assim não tivessem procedido. Por fim os militares portugueses deram um arremedo de compostura militar mas era já demasiado tarde para se imporem na perfeição.

berliet6.jpg Entretanto em fins de Julho, no M´Puto, Otelo Saraiva de Carvalho, no regresso da sua viagem a Cuba declara: “Mário Soares é uma das esperanças da direita em Portugal (…) O CR não mostrou a eficácia que todos esperávamos.” Oficiais e praças do Regimento de Comandos da Amadora insubordinam-se contra o seu Comandante Major Jaime Neves e prendem o 2º Comandante Major Lobato Faria. Nos Comandos, elegem como comandante interino o major Miquelina Simões. Em comunicado sancionam o saneamento de Jaime Neves, demitido!

berliet7.jpg Os militares em poucos meses viram Angola reduzir-se a ruinas, ajudando o MPLA, o mais ingrato de todos. Mas, de forma genérica todos os Movimentos devido à avareza, ambição e tomada do poder de qualquer jeito, ficaram com o ónus da culpa; uma selvajaria que tem de ser relembrada. Este basta, foi talvez a única atitude de louvar como salvaguarda de algum prestígio às NT. Mas, isto foi só uma nuvem passageira!

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Diga-se em verdade, que havia entre um número razoável de miliares com aprumo, revolta por este estado de coisas, pela desordem e falta de brio com traição. Dizem as crónicas de há 41 anos após aquele desaire africano: Dia 31 de Julho de 1975 - Intensifica-se a ponte aérea que a partir de Angola e de outros territórios africanos, durante vários meses, vai fazer afluir a Portugal centenas de milhares de retornados. O Alto-comissário de Angola, general Silva Cardoso, pede a demissão.

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:39
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Sábado, 19 de Novembro de 2016
MUXOXO . XXXIX

TEMPO COM CINSAS - MACEIÓ - 19.11.2016  

Das razões para escrever …

Por

soba0.jpeg T´Chingange

abac1.jpg Separando o sonho da realidade, tento colocar palavras no papel, para que o cérebro fique destinado a novas vibrações. Agora que já tenho alguma dificuldade em separar o sonho da realidade entre interesses e torpitudes, encavalito-me nas silabas, nos significados, nas bactérias embrionárias dum palavrório perdido entre o fio da meada e a meada do fio.

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Uma crónica escreve-se quando se pretende transcrever uma mensagem ou se, se sente prazer em escrevê-la como, ou quase um exercício de mente, fazendo pesquisas adicionais e, segundo um tema respeitando sempre as motivações subjacentes da comunidade; escrever tópicos com alegrias decepções, coisas rotineiras ou esperançosas.

arte4.jpg Nem sempre a descoberta segue por uma caminho de lógica criatividade levando em conta a comunicação científica mas, teremos basicamente de sermos livres de acreditar naquilo que quisermos e transcrevê-las sem a preocupação gramatical do sujeito a cutucar o verbo mais o predicado; sem a métrica do fado ou a rima versejada e, sem pátria idolatrada, jogando búzios na zuela do feitiço.

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As plantas vivem de matéria “não-viva”, que não dizem ai nem ui e, praticamente mantêm toda a vida. Sempre o têm feito desde que o mundo é Mundo e, a nossa vida depressa se desvaneceria se não houvesse uma maneira de elas, as plantas, se renovassem quase tão rápido como são comidas.

ÁFRICA2.jpg Para os animais de que somos pertença obterem os alimentos de que necessitam, têm de contar com a ingestão física de outros organismos e, porque sem esses contribuintes orgânicos, não viveríamos. A vida animal não duraria muito neste Mundo se todos fossemos carnívoros, se nos alimentássemos apena de outros animais.

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Sem algum esforço intelectual, remexendo panelas de sarapatel ou tripas à moda do Porto, muito me convenço da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia. Refugiando-me atrás da minha vaidade faço trocadilhos, metendo-os num pão e, acompanhando isto com uma cerveja, fico-me pelo silêncio das falas sustentáveis, para não me mentir!

ÁFRICA3.jpg Na sustentabilidade da natureza os herbívoros alimentam os carnívoros ou omnívoros. Temos de nos alimentar de três tipos básicos de substâncias a saber: glícidos, lípidos e proteínas. E, porque é na variedade que reside a segurança, saí bem cedo a fazer compras com meu parceiro de albergue, o dono da casa com o nome de Eliseu.

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E, compramos na feirinha do “Cleto” frutas várias e legumes, mamão, jiló, couve, banana comprida, manga, mandioca, inhame, enfim um conjunto de coisas em sacolas reaproveitáveis para botar o lixo. Não posso esquecer os coentros nem a pimenta no propósito de esquentar o apetite e melhorar a pressão. Passando no azougue, talho, compramos alcatra, queijo de coalho e, claro a cerveja Skol redonda de 450 mililitros.

eliseu1.jpg O Eliseu respeitando sua ancestralidade bíblica de profeta rejeita este e qualquer uso de outro álcool. Bebe sua água tonificada com minúsculos fragmentos de limão a fim de chegar aos 150 anos!  Eu vou cantando que aqui a vida só é ruim, quando não chove no chão, que se chover, tem de tudo e de tudo tem de porção… e, por aí, na cantiga já popular do último pau-de-arara de Zé Ramalho.

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De regresso a casa, Eliseu explica que seu nome é proveniente de um profeta que subiu ao céu vivo. E, subiu, subiu anto que por lá ficou e, porque tinha dito que poria seus pés aonde estivesse Deus. ELE, o profeta, serviu a Elias durante algum tempo, antes de este ter ascendido em direcção aos céus por um redemoinho.

jindungo0.jpg Foi um dos profetas que mais milagres têm registado na Bíblia, entre eles, o de abrir as águas do Rio Jordão com a capa deixada por Elias. Este Eliseu terreno prometeu não mais voltar a beber em sua vida, daquela forma destemperada de outros tempos mas, em verdade, sempre me parece mais fácil do que levitar no espaço e, para o infinito. Mas vinho do puro da uva vai bebendo só de vez em quando, como teste à sua vontade.

eliseu2.jpg Estou em tempo de não mais me preocupar com os muxoxos dos críticos, das alfinetadas de comentadores, dos devaneios e futilidades que nos consomem horas a fio; do gosto ou nem por isso, ou assim do entretanto, da gente que pendura seu ego nas piadas de engasgo ou mesmo rezas insólitas das redes sociais porque nem a tudo podemos ter resposta, nem a tudo podemos responder.

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:40
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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2016
MALAMBAS . CLII

CINZAS DO TEMPO – 17.11.2016Teremos de compreender que para planear um futuro mais racional em sociedade, nem sempre podemos domesticar a natureza humana…

 MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

sardinha01.jpg Numa democracia somos todos livres de acreditar naquilo que quisermos mas, a humanidade existe com um propósito ou um sentido social porque o cérebro humano evolui segundo um conjunto de regras que ao longo do tempo se estabelecem como uma aranha que tece uma teia e, com um propósito de apanhar qualquer insecto, mesmo que não se tendo consciência do resultado. Este sentido, implica um conceito e este, implica a existência de alguém ou algo que o conceba.

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Em nossa singularidade, é nas linhas evolutivas desta sociabilidade que surgem indivíduos procurando parceiros de nível elevado na aptidão. Uma bitacaia entra no pé, uma mosca deixa larvas num poro dilatado ou uma unha cresce desmedidamente encortiçado com um fungo difícil de exterminar. E, estes seres humanos ou não, serão atacados com o firme propósito de se lhes reduzir a qualidade de vida. É numa sucessão de mistérios que a vida se torna em uma permanente aventura no sobreviver às investidas alheias, naturais ou acidentais.

demot1.jpg Trouxe comigo das terras Lusas um ácaro que me perturba arranhando-me os brônquios, a traqueia, o hiato talvez, que me provoca uma tosse chata e seca, aborrecida de persistente. Não sei o que é mas, Dalai Lama diria que o que tiver de acontecer acontecerá! Sei que é um grave erro tentarmo-nos livrar de todos os parasitas; que até será demasiado prejudicial para as nossas funções corporais.

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É provável que também tenha os microscópicos ácaros Demodex vivendo nos folículos de minhas sobrancelhas e muitas mais bactérias nos fluidos da zonas húmidas que não vou aqui enumerar mas que tenho, melhor, temos de conviver com estes medonhos ácaros e bichezas que vistas ao microscópio nos amedrontam! Todos temos estes parasitas que por vezes nos irritam as mucosas, que nos comem as peles envelhecidas, que nos retiram coisas sem nos matar.

demot3.jpg Demodex é um género de microscópicos ácaros parasitas que vivem em ou perto de folículos pilosos de mamíferos. Duas espécies que vivem nos humanos foram identificadas: Demodex folliculorum e Demodex brevis, ambos frequentemente referidos como ácaros dos cílios. A infestação por ácaros demodex é comum e geralmente não causa qualquer sintoma, embora ocasionalmente algumas doenças de pele possam ser causadas por eles.

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Felizmente que temos estes predadores que nos comem sem nos consumir por inteiro. Eles e nós coabitamos numa interesseira parceria e que só fica agressiva quando há descontrolo e as bactérias hostis, eliminam as benignas. Até prova em contrário, todos os homens normais são ignóbeis e nobres, muitas vezes em rápidas alternâncias e outras vezes em simultâneo ou nunca mas, todos têm estes bicharocos.

demot2.jpg Sempre necessitaremos de compreender que para planear um futuro mais racional, em sociedade, não poderemos domesticar a natureza humana em pleno e, por isso, iremos sempre ter entre nós indivíduos hostis que tal como os ácaros ou bactérias atacarão sempre nossas debilidades do corpo ou exteriores ao mesmo, surgindo-nos como corruptos, ladrões, e políticos que sabiamente nos enganam nessa arte de forjar a verdade. Algo que com o tempo se tornou em uma arte: a do engodo…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:57
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2016
MUXOXO . XXXVIII

TEMPO COM CINSAS - A FÉ contra a FÉ causa ódio e violência - A vida, é uma permanente descoberta…

Por

soba15.jpgT´Chingange- (Otchingandji)

roxo24.jpg A melhor maneira de vivermos neste mundo real é libertarmo-nos de demónios e deuses tribais. O problema não reside na natureza nem na existência de Deus mas nas origens biológicas de nossa existência e na natureza da mente humana que nos catalogou no auge evolutivo da biosfera. Poderá dizer-se que Deus anda a testar a nossa fé, porque se nos revela de um modo misterioso e, só isso, para mentes belicosas, não chega!

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Até que isto pode ser visto como uma afronta, porque diz-se que deveremos ser tementes a Deus mas, não implica que possamos ficar só na penumbra da lógica. Os dogmas impostos aos crentes não apenas são impossíveis como também incompreensíveis, o que nos levará invariavelmente ao absurdo do paradoxo.

roxo46.jpg Isto aflige todos aqueles que em cada religião andam em busca de uma resolução honesta na questão do corpo e da alma. O nosso cérebro é um sistema tão complexo que por vezes ou muitas vezes, extravasa-se em fenómenos não fáceis de compreender nesses milhares de milhões de células chamados neurónios, que comunicando com uma média de dez mil milhões de outras células, nos leva a inevitavelmente para padrões de um código digital individual.  

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Enquanto meu código digital responde de uma maneira, um outro qualquer próximo ou não, têm outra resolução e, não tenho que perturbar quem de outra forma pensa, só porque têm um código diferente do meu. Quero dizer com tudo isto que não pretendo questionar o mito da criação porque na minha fé não tenho que ser inconveniente com a fé de outra pessoa ou grupo, mesmo que ache isso absurdo.

roxo50.jpg Se falar depreciativamente acerca do mito da criação que é sagrado para outras pessoas, mostrarei intolerância religiosa e este procedimento surge amiúde, entre amigos digitais e outros, quase como uma ameaça pessoal.

roxo54.jpg No fundo, a FÉ é aquilo que leva pessoas que de resto são boas, a fazer coisas más. A FÉ contra a FÉ causa ódio e violência podendo considerar-se ser isso um antigo instinto tribalista. Teremos de conviver com este tumulto que nos é legado ou inato, a principal fonte da nossa criatividade. Este eterno conflito, não será um teste imposto por Deus mas por nós! Será?

 

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:29
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Domingo, 13 de Novembro de 2016
MALAMBAS . CLI

CINZAS DO TEMPO13.11.2016A SOBREVIVÊNCIA - Viajei à velocidade dum sonho com um ET pela 4ª vez… Tenho de falar assim para não me mentir!

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange

barao1.jpg Apanhamos um táxi em Sete Rios de Lisboa, um desce e sobe, rodas que chiam prendendo na calçada imprópria para carrinhos de turistas e com buracos, pedras soltas, coisa descuidada. Vamos via aeroporto, saídas internacionais. Paga táxi, busca carro para maletas, malas e malinhas e eis que surge o homem, meia-idade bamboleando-se em uma perna chambeta. Eu ajudo! Diz ele e, na confusão nem entendi.

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De repente tinhamos dois carros, o do homem chambeta e o meu. Foi quando o homem tirou do bolso um cartão com dizeres mas, ele falando, entendi que andava fazendo um peditório para ajudar sua família. Trocado, só tinha um Euro e mais uns trocos insignificantes, dinheiro miúdo que dei ao homem. Ele esboçou um agradecimento e, desejou-me boa viagem.

kianda6.jpg Subo o elevador e procuro no ecrã de partidas a hora do check-in para o Recife. Faltavam mais de três horas para o voo, tempo mais que suficiente para comer uma tosta mista de pão saloio. Tomo assento e, é enquanto como a metade da tosta que chega uma moça bem-posta a pedir algo para comer. Ofereci-lhe a meia tosta com fiambre e manteiga, o que aceitou sem reticências. Mas, que país é este disse de mim para comigo! A moça, ainda jovem agradeceu, e foi-se entre a multidão.

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Por ali ficamos, eu e minha mulher repartindo conversa para dar tempo até a abertura do check-in; e, surgiram as notas de tristeza por este estado de coisas, um mundo perturbado sem se saber ao certo o que decidir no dia seguinte. Na televisão pendurada lá no alto mostrava o Trump a cumprimentar Obama e, ambos se congratulavam com o encontro. O que irá acontecer? Porquê foi assim e não de outro modo? Será que vai mesmo construir o muro na fronteira das angústias entre os USA e México!?

nand1.jpg Uma terra que em tempos foi destes e que por maus gestores, a passaram por patacos ou as perderam em contendas com gente analfabeta como o Pancho Vila e seus hermanos cachaceiros. Os Estados Unidos anexaram o Texas em 1845 tornando-o no 28º Estado reconhecendo a sua perda e do Novo México no Tratado de Guadalupe Hidalgo em1848. Por US $ 10 milhões, venderam uma faixa de terra ao longo da fronteira no actual Novo México e Arizona para construção de uma ferrovia.

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Esse mundo deveria ser mais fiável, mais atento às necessidades das gentes que lutam para sobreviver. Não sendo eu um fanático cristão, procuro entender-me em minhas queixas mentais com meu novo amigo o ET STAR 3C325 saído da estação orbital nº YYY3C mas oriundo dum galáxia a mais de 260 anos-luz, uma distância demasiado longínqua ao nosso entendimento porque, raros são os humanos que vão para álem dos cem anos.

tonito4.jpg Mas, este ET não consegue discernir a minha preocupação! Ele não tem este tipo de sentimentos em seu ADN gelatinoso por várias especificidades e, porque simplesmente desconhece o que é a compaixão, a saudade e, nem mesmo o amor lhe surge na mesma emoção. Sendo assim, estou em dúvida quanto a candidatar-me a ir para o espaço a essa tal estação orbital YYY3C.

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Eles, os alienígenas, não usam adornos corporais, não usam fazer festas de família, não têm folclore nem ritos funerários; não contam piadas e, procriam um sem número de feromonas com simbiose electromagnéticas. Tudo indica serem sem aquela graça e, porque parecem ter perdido as géneses das emoções. Deixei o ET meio confortado a chupar um líquido viscoso, verde-escuro com um adeus temporário; talvez nos víssemos em terras brasileiras.

ET2.jpg E, digo isto porque nos entretantos das falas vi-o muito intrigado, até fazendo perguntas de como era o candomblé, a macumba e os terreiros com essas ligações meio espiritas com orixás e oxalás nos lugares de iemanjá. A vida com este novo amigo 3C325 tem de ser saboreada aos goles, aos poucos. Isto porque os ancestrais dele já passaram há muito tempo por isto.

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Se não houvesse certos fungos não haveria antibióticos e, se não houvesse plantas, frutos e sementes comestíveis nós não existiríamos; sem lobos não haveria cães, sem aves selvagens, não haveria galinhas e, por aí. As nossas mentes consistem da narração de estórias e a aceitação por pare do crente de uma qualquer estória tem na criação relatos de milagres que esta outorga a que se dá o nome de fé! Se tiver fé, pode acreditar que para lá dos álens há fantasmas.

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:58
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016
MULUNGU . LIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Sem a natureza, não haveria seres humanos… A lagartixa consegue obter um novo rabo depois de este ser cortado, nós não!... Porquê?  

Por

soba15.jpgT´Chingange

araujo53.jpg Sem a natureza, não haveria seres humanos. Sem florestas e fitoplâncton, organismos aquáticos microscópicos que têm capacidade fotossintética, não haveria ar suficiente para respirar. Se não houvesse fungos, não haveria antibióticos. As cidades e civilização só existem porque temos disponíveis culturas selectivas que nos dão frutos, caules e sementes comestíveis.

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Nos dias de hoje ainda não conhecemos uma grande quantidade de espécies que compõem o nosso meio ambiente. Este estudo cabe aos biólogos de conservação que estudam os grupos de organismos biológicos, com base em características comuns dando nomes a esses grupos. E estes, estão de acordo em que um grande número de espécies se extingue antes mesmo de ter sido descoberta.

roxo66.jpg Nosso ecossistema é complexo. Ao longo da costa do Pacífico desde o Alasca até ao sul da Califórnia vivem lontras marinhas, animais do tamanho de um gato parecidas com a doninha; No século XIX os caçadores quase as extinguiram por via de suas peles serem valiosas na indústria de confecções resultando daí resultados catastróficos a nível ecológico.

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A longa massa de vegetação na forma de algas compridas que se podiam ver à superfície e que constituíam o habitat de numerosas espécies marinhas, com o seu desaparecimento começaram também a desaparecer. Os ouriços-do-mar que se alimentavam desta vegetação e dos quais se alimentavam as lontras marinhas aumentou tanto que desequilibrou o sistema devido à quase à extinção das algas. Aqueles fundos do mar tornaram-se quase desérticos até que, com as leis de protecção às lontras, o sistema deu início à recuperação. A floresta de algas regressou devido à baixa de ouriços-do-mar.

araujo 42.jpg Perante isto dei-me a pensar se a lagartixa que consegue obter um novo rabo depois deste se cortar não seria um ser alienígena e, que entre nós se apresenta daquela forma! Tive assim de obter a opinião de um biólogo que me descreveu: a lagartixa, têm a capacidade de soltar o rabo como mecanismo de defesa contra o ataque de seus predadores. "A cauda cai e fica mexendo-se por alguns segundos para chamar a atenção do predador. Enquanto isso, o animal tenta salvar-se do perigo, escapando para algum refúgio ".

roxo61.jpg E, afinal esta capacidade ocorre em outros animais, como insectos, crustáceos e outros répteis. "Após algum tempo, dependendo da espécie, a cauda passa por um processo de regeneração e cresce novamente, mas nunca mais ficar do tamanho original". O interior do membro não será mais feito de osso e terá um outro tipo de tecido cartilaginoso. "A cauda tem um ponto de quebra definido. Se não for cortada nesse local, não haverá a regeneração e o animal terá que viver sem a cauda".  Afinal, esta opção de alienígena não me serve!...

Ilustrações de Assunção Roxo e Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:12
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Domingo, 6 de Novembro de 2016
MUXIMA . LXIII

MULOLAS DO TEMPO Kissonde é uma formiga carnívora - Fabricando feromonas na linguagem de soma ou subtracção de gostos…

Por

soba15.jpgT´Chingange

kissonde1.jpg O comportamento humano tem traços hereditários que nos identificam na irresistível necessidade de pertencer a grupos sociais.  E assim, aqui estou partilhando saberes na necessidade de criar laços, fraternidades ou bisbilhotice entre gente que fala o meu dialecto, gentes que partilham as mesmas crenças em vários grupos sociais do Facebook.  Sim! Mas, sabendo de antemão que poderá daqui advir consequências imprevisíveis por remexer em experiências ou cenários passados; isto porque cada cabeça é um mundo!

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Porquê isto!? Por coisas do passado e para colocar a imaginação em possíveis actos futuros a partir da dedução ou simples cruzar de dados aleatórios assim como numa novela. Cada um de nós se movimenta de um lado para o outro numa rede social de amigos maioritariamente virtuais espairecendo-se da solidão e, numa característica de comunicar sua necessária condição de expandir a mente.

formiga.jpg Fabricando feromonas na linguagem da soma ou subtracção de gostos com sorrisos ou choros representamos isso com bonecos expressivos; uma forma de abreviar carecidas falas, as palavras antropófagas que comem outras ou muito perfumadas de feromonas entrelaçadas num jogo de assédio linguístico. Uma forma de dizer!

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Assim, numa forma de jogo de amizade evolutivo recorremos aos nossos “bancos de memória” combinando-nos no passado, no presente e futuro! Digamos que serão artes criativas do nosso nível sensorial. Uns têm coragem, outros nunca a terão! Terei agora de mudar a forma de senti e ver recorrendo às formigas que são possivelmente os seres mais avançados entre as criaturas da Terra em sua organização social.     

formiga2.jpg Enquanto os homens mandam nossos jovens para a guerra, elas, as formigas enviam as mais velhinhas. Foi por esta curiosidade que me detive a rever o comportamento da formiga com que coabitei durante bastante tempo, o Kissonde. Relembro-me que em uma incursão militar, operação de soberania em reconhecimento de fronteira e, em terras de Cabinda, mata do Maiombe, por pisar inadvertidamente umas quantas formigas destas, tive de me despir a fim de me livrar delas. Elas subiram por minhas pernas começando a morder-me nas partes moles e de tal forma que tive de gritar. Uma tortura e tanto!

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Fui eu que invadi seu espaço, sua picada que também era meu trilho de guerrilheiro. Fui tão violentamente atacado e, de forma tão rápida que fiquei como o Adão num lugar mais afastado do seu carreiro, seu raio de acção. Seus ferrões eram demasiado dolorosos e ao retirá-las da minha pele, suas cabeças mais volumosas que o resto do corpo ficavam afincadas por suas pinças em meu couro.

formiga3.jpg Avermelhadas e carnívoras medindo cada um centímetro, formam um carreiro comboio com muitos metros de comprimento e uns quinze centímetros de largura; parecem encavalitar-se em número de milhares. Podem comer um coelho em menos de uma hora. Qualquer ser vivo que se encontre no seu caminho pode ter morte certa se não conseguir escapar-lhe a tempo, quanto a nós humanos, quando damos por isso estamos cobertos por elas, e só quando começamos a sentir as suas tenazes, nos apercebemos do perigo.

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Em uma noite que tivemos de bivacar numa clareira em um lugar chamado de Bitinas, uma antiga serração de madeiras junto à fronteira, começou-se a ouvir um zumbido na floresta e, bem perto de nós. O soba Mateus, imbinda e nosso guia da mata, ouvindo isto recomendou que não nos mexêssemos porque havia um comboio de kissondes a passar por ali.

formiga7.jpg Assim procedemos ficando quase sem respirar até que se deixou de ouvir tal ruído! Imaginem o quanto seria de perigoso no meio daquele escuro de breu, um pelotão com mais de 30 homens andar-às-cegas e, sem saber para onde fugir dessas terríveis insectos. As formigas são o género animal de maior sucesso na história terrestre, constituindo de 15% de toda a biomassa animal terrestre.

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Embora nem todas as espécies de formigas construam formigueiros, muitas fazem autênticas obras de engenharia, normalmente subterrâneas, com um complexo sistema de túneis e câmaras com funções especiais – para o armazenamento de alimentos, para a rainha, o “berçário”, onde são tratadas as larvas, etc. As sociedades das formigas são organizadas por divisão de tarefas, muitas vezes chamados castas; temos muito a aprender com elas…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:47
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Sábado, 5 de Novembro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CXV

TEMPOS PARA ESQUECER05.11.2016 - ANGOLA DA LUUA XXIV ... NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA.Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo… Portugal fizera o máximo possível no auxílio ao MPLA …

Por

soba15.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

moc4.jpg Em fins de Junho de 1975, Melo Antunes, diria enfatizado ser ponto assente: Colaborar com o MPLA sem beneficiar a FNLA ou a UNITA! O clima de terror não abandonou o MPLA não tendo mostrado qualquer gesto positivo em função do dito, na pessoa dum alto mandatário do Concelho da Revolução do M´Puto. Portugal fizera o máximo possível na ajuda ao MPLA e, este serviu-se desse apoio para fazer o assalto ao poder.

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Neto a 2 de Agosto referia que a FNLA não tinha qualquer papel a desempenhar em Angola e a UNITA seria tolerada até ver e, por os brancos considerarem ser a sua “tábua de salvação”; que queriam continuar a manter seus privilégios! Estas formas de falar comprometeram seriamente Jonas Savimbi, uma arma forte em sua dialéctica. O procedimento de Neto de dar uma no cravo, outra na ferradura tinha a clara intenção de não permitir que Portugal recorresse à ONU.

mo2.jpg Neto não queria ouvir falar em ONU e, só por isso atenuava seu discurso quando as ameaças surgiam, embora de forma velada, do lado português. Iko Carreira expressou bem esta posição! Leonel Cardoso andava em pulgas e, admitiu mais tarde ter-se mantido numa inércia justificando-se no reconhecimento de cumplicidade por parte do Ministro Melo Antunes; fazendo-se de bobo, não o queria demonstrar em praça pública! Afirmou.

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Angola ficou assim presa a futilidades mesquinhas de gente pequena a pensar-se grande. Uma grande traição, direi eu! Por fim, o dito moderado do CR, Melo Antunes o apregoado “africanista”, denunciava a violação do Acordo de Alvor e de Makuru pelo Movimentos que levaram à dissolução do Governo de Transição em Angola.

melo1.jpg Ficou por isso mesmo, sem penas ou agravos para o MPLA. A FNLA foi confinada à fortaleza de São Pedro da Barra em termos de guerra. Só não foi bombardeada porque tinham lá detidos prisioneiros do MPLA. “Os soviéticos continuam a enviar armas para Angola enquanto estamos aqui sentados a conversar” – foi o que disse Mobutu a dado momento, dando a entender que Portugal usava estes processos dilatórios para servir o MPLA e, não estava nada errado.

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Entre os dias 15 e 17 de Julho militares e familiares do ELNA, foram evacuados pela Força Aérea para Carmona. A população africana (entenda-se, pretos) continuava a ser a mais penalizada, vítimas de caprichos políticos dos Movimentos que diziam defendê-la. Silva Cardoso queria ser substituído por já não acreditar numa situação pacífica e, de já não ser possível qualquer forma de entendimento.

melo3.jpg Na noite de 21 de Julho de 1975 Silva Cardoso escreveu sua carta de demissão. Silva Cardoso opondo-se às operações das FAP e, por se colocarem abertamente ao lado do MPLA contra a FNLA e partiu para Lisboa em definitivo. O ELNA sairia do quartel de Santo António à Cuca à força no dia 26 de Julho de 1975. Dois dias antes, as forças do ELNA tinham tomado a Barra do Dande e o Caxito mas, o MPLA, tornava intransitável a ponte sobre o rio Dande em Porto Quipiri, tendo destruído parte do seu tabuleiro.

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 Agora, era Leonel Cardoso o interlocutor da parte portuguesa; as FAPLA continuavam a disparar tiro curvo sobre a fortaleza de São Pedro da Barra; tivesse ou não prisioneiros vivos do MPLA, isso passou a não ser problema; a ordem era de fogo, fogo! Em 29 de Julho, Melo Antunes, demitia-se do Governo. Em Lisboa, o presidente Costa Gomes que popularmente era designado de “a rolha”, segurava as pontas bem presas aos homens de esquerda do Concelho da Revolução. O 25 de Abril estava a dar os frutos a alguém! Viva o PCP, a victória ou morte mais o PREC; que página mais vergonhosa!

melo4.jpg Os ratos saiam das tocas! As divergências na CCPA atingiram seu clímax! A linha progressista partia nozes com o nariz! Entretanto, Otelo Saraiva de Carvalho chegava ao seu gabinete COPCOM com a prometida ajuda de Havana ao MPLA.  Este militar, visto como o novo Ché Guevara, encontrava-se em Cuba desde o dia 21 de Julho para assistir no dia 26 à celebração do ataque ao quartel de Moncada. Isto era o que se fazia constar para não se depararem com embaraços diplomáticos em relações internacionais. Mas, afinal como é que Costa Gomes, o presidente de todos os portugueses alinhava nisto!?

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Costa Gomes nunca se comprometeu em concordar com Otelo no envio de tropas e, em força de cubanos para Angola. Ele, simplesmente ia flutuando como uma rolha ao sabor dos conselheiros que o manietavam ou comprometiam. Garcia Marquez do alto comando cubano, refere isto mais tarde. Agustin Quintana da 10ª Divisão e mais cinco oficiais cubanos chefiados por Arguelles, fazendo escala em Lisboa, chegavam a Luanda a 3 de Agosto de 1975. Foi mais ou menos nesta data que me inscrevi no 13ª voo da Ponte Aérea com guia de Marcha para embarcar para Lisboa com o resto da família.

METRALHAS.png No Norte do M´Puto, são atacadas várias sedes do PCP a 22 e 25 de Julho. A 27 de Julho Vasco Gonçalves, presente no encerramento do Congresso dos Sindicatos afirma: ”eu vejo nesta aliança Povo/MFA uma vanguarda constituída pelas classes trabalhadoras e pelo MFA, movimento revolucionário autónomo das Forças Armadas, aliado aos pequenos industriais, aos pequenos comerciantes, aos pequenos e médios agricultores, porque essa gente também era trucidada e explorada pelo capitalismo monopolista de Estado”. 

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As assembleias de punho no ar sucediam-se na Metrópole. Havia uma confusão muito grande entre o povo nada habituado a estas novas práticas que quase sempre eram sujeitas a manobras obscuras com paralisações. O chavão de “o povo é quem mais ordena” estava sempre constante nas grandes manifestações fazendo crer que o povo em tudo, decidiria.

cruzeiro5.jpg Tudo indicava estar em execução uma democracia dita popular. Realiza-se em Coimbra o 1º Congresso Nacional das Autarquias Locais, com a participação de Comissões de Moradores de Lugar, Aldeia e Bairro, Juntas de Freguesia, Município e Comissões de Trabalhadores, com o objectivo de discutir as formas de intervenção efectiva na resolução dos problemas comunitários, através da transferência de poderes de decisão e gestão da vida local e regional.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:08
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2016
MALAMBAS . CL

CINZAS DO TEMPO 04.11.2016Viajei à velocidade dum sonho com um ET pela 3ª vez… Tenho de falar assim para não me mentir!

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

step0.jpg Nenhum cérebro humano não dado ao estudo da física ou astrologia pode imaginar a distância a que se encontra uma outra galáxia distante da nossa Via Láctea que pode ficar a mais de 260 milhões de anos-luz. O Universo não tem fim, não tem bordos e é de admirar que espectroscópios consigam calcular a distância que nos separa desse quase infinito. Como a maioria da radiação infravermelha é bloqueada pela atmosfera da Terra, ela não podem ser observada de sua superfície.

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Foi por esta razão que a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, colocaram no espaço o telescópio espacial Spitzer inicialmente denominado de SIRTF, que significa Space Infrared Telescope Facility. Este telescópio pode agora obter imagens e espectros obtidos pela detecção de radiação infravermelha ou calor que os objectos do espaço irradiam no comprimento de ondas entre 3 a 180 micrómetros.

star7.jpg Independentemente destas novidades, poderemos melhor entender os quantums de luz na forma de fotões que através da fotossíntese originam um processo físico-químico, a nível celular, realizado pelos seres vivos clorofilados. Por esse modo temos alfaces verdes e todos os demais elementos que utilizam dióxido de carbono e água, para obter glicose através da energia da luz solar. Sem este processo não teríamos a cadeia alimentar conhecida na Terra.

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Desta forma, se um vegetal for iluminado somente com luz monocromática verde a taxa de fotossíntese será insuficiente para garantir a sua sobrevivência e ocorrerá a atrofia dos tecidos da planta, podendo resultar na sua morte organica. A descoberta da fotossíntese partiu das frequências de luz azul, violeta e vermelho que apresentam o maior índice de absorção pela clorofila.

star9.jpg Estes conhecimentos surgiram assim quase a partir do nada após o primeiro aperto de mão com este meu novo amigo STAR 3C325 vindo dessa distante galáxia com o seu nome. Pela terceira vez entrei na nave bolota para viajar à velocidade do sonho e demos a volta no espaço ao redor do telescópio Spitzer que consiste em uma estrutura tubular de 85 cm de diâmetro, e que é resfriado criogenicamente.

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Quase assimilei este termo de imediato relacionando-o com o frio…. Mas meu amigo ET especificou que é basicamente uma radiação de calor, que o telescópio deve ser esfriado próximo ao zero absoluto, ou seja a -273º Celsius, para poder observar sinais do espaço sem sofrer a interferência do calor dele próprio. Dei-me conta que esta gente gelatinosa do além estava inteirada de nossos avanços tecnológicos na terra.

star10.jpg O ET STAR 3C325 levou-me em seguida a uma nave espacial muito semelhante à do Startrek e, depois de atravessarmos um túnel com luzes rolando raios e, num pleno silêncio pairamos em um grande espaço com mais naves, estacionamos numa espécie de buraco do qual saíam tentáculos que logologo se agarraram à nave bolota para a abastecer de um gáz; assim pensei, porque nada me foi dito e nem perguntei. Já de saída dali acabou por me dizer que ele provinha desta nave, desta estação orbital com o nº YYY3C.  

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Não sei porquê, telepaticamente, meu amigo ET ia-me dizendo que nós gente da Terra, estávamos a correr graves riscos por usar pesticidas sem controlo em seu solo! Adiantou que se não puséssemos termo a isto, em um curto espaço de tempo não mais teríamos fruta. Que poderá não haver mais abelhas na terra para fertilizar nossa forma de sustentação. Fiquei assombrado com esta mensagem.  

star13.jpg Ainda falou em criogénio, um líquido que se mantém a temperaturas muito baixas (ar líquido, hidrogénio líquido, hélio líquido) mas isto já extrapolava as minhas preocupações humanas e olhando para mim com aqueles gigantes farolins leu o meu pensamento. Num ápice mudamos de rumo tomando umas coordenadas assinaladas a roxo escuro e saímos daquela noite imensa com bilhões de luzes a todo o redor da bolota. Depois duma rápida turbulência aterramos suavemente num lugar já meu conhecido e no topo de uma elevação de onde se podia ver uma vasta planície.

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E, vi manadas de gnus e zebras passando muito perto! Saímos da bolota voadora no momento exacto em que uma chita corria velozmente atrás de uma cabra de leque que também corria veloz saltando aqui e além. Não foi desta feita que a chita levou a melhor! A meu lado o STAR 3C 325 fotografava tudo com seu dedo misterioso que por vezes me parecia um pirilampo. Ele nada me disse mas desconfiei que assim era porque apontava o dedo para tudo que lhe despertasse interesse!  

star14.jpg Acordei de tudo isto com o raio de luz que furando a glicínia me espreitava com seu calor. Uma coisa bulia em minha cabeça, levantei-me e fui ver as flores da minha abobora na convicção de que encontraria uma abelha, um zangão, um besouro saltando de flor em flor mas nada disto vi. E, ficou explicado este aviso de meu amigo ET; havia falta de insectos polinizadores. Há uns anos atrás, recordo-me, tive de ser eu a polinizar um maracujá que no Brasil fica do tamanho de uma laranja. Por observação tinha concluído que não havia aqui no M´Puto besouros daqueles que transportam pólen nas costas quando arranham a flor!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:23
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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2016
XICULULU . XC

ANGOLA . DEUS DEVE SER BRANCO!4ª de 4 Partes

t´chingange 0.jpg As escolhas de T´Chingange

Por:  ISOMAR PEDRO GOMES* - “O carrasco foi o sistema”, afirma! Ele teve a coragem de ter publicado isto em Angola.

DEUS É BRANCO?

isomar3.jpg (…) Nunca a Europa 'recebeu' tanta riqueza de África como após a chamada "independência dos Países Africanos"; os novos-ricos africanos apressam-se a 'esconder' na Europa os produtos da sua criminosa delapidação, para gáudio dos Europeus - contrariando aquilo que eles próprios evocaram e prescreveram na convocação para a luta de libertação nacional. "Eu ir a Portugal algum dia?.. NUNCA!.. Nem morto!" – disse em 1980, na idade de ouro do partido único, erguendo o punho direito bem alto em sinal de sacro-juramento, em pleno comício em Benguela, um dos então carismáticos dirigentes da "Revolução Angolana", cujo nome prescindo de citar.

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Hoje ele próprio, não só é frequentador assíduo e brioso de Portugal e "empresário português", como também é o orgulhoso presidente de uma agremiação desportiva portuguesa em Angola. Quase meio século depois, podemos indagar se o IDH dos povos africanos subiu ou regrediu? Somos melhores tratados hoje pelos nossos irmãos dirigentes?

ÁFRICA1.jpg Os ideais que nortearam a luta de libertação colonial ainda estão vivos e recomendam-se? Muitos dos nossos jovens usam orgulhosamente tecnologia de ponta, os ipod, 'aichatissa' e

'aipad' fazem a banga da juventude; mas o meio que os rodeia é nauseabundo e desolador. O Stress agudo e o AVC matam tanto quanto a malária.

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FILANTROPOS DA HUMANIDADE

- A mais recente iniciativa de alguns dos milionários do planeta, comoveu muita gente. Há algum Africano entre os homens que protagonizaram tal feliz iniciativa? Todos eles (os citados filantropos) são homens que dedicaram a maior parte da sua vida à produção de riqueza - não a 'tiraram' de algum saco azul, nem tão pouco delapidaram o erário público nacional; mas sentiram-se na necessidade de "repartir com o necessitado" de todo o mundo.

ÁFRICA17.jpg Ontem, os milionários Africanos orgulhavam-se de 'aparecer' na revista Forbes e congéneres; hoje, face à iniciativa acima mencionada, publicam como que envergonhados que "não somos milionários", alguns chegam ao ponto de dizer que, o que têm, é produto do salário.

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ÁFRICA DO SUL - Quando vivi na África do Sul, tinha um medo atroz e justificado da polícia Sul-africana, principalmente dos pretos. A maioria do polícia Sulafricano preto chega a ser muito mais impiedoso e selvático que o mais impiedoso policia Sul-Africano branco. O polícia preto (na sua maioria) é absolutamente xenófobo, perverso, contra a lei, corrupto e desalmado. Fiquei arrepiado com as imagens da actuação da polícia Sul-Africana em Dobsonville (será esta a cidade?!) que vitimou o jovem moçambicano Mido Macia, na flor da sua juventude (27 anos).

nauk4.jpg Imagens próprias de uma 'cena' do Faroeste no século XIX ou da era do Drácula no país da Draculândia. O policia branco, estou certo não faria tal coisa; e muito menos os tais policiais pretos fariam isso, se Mido Macia fosse branco. A xenofobia na África do Sul é extremamente incentivada e alimentada pela polícia Sul-africana e é planificada nas esquadras de polícia; um dia hei-de descrever as minhas experiências com a corporação policial daquele País, que apesar dos pesares amo muito sinceramente. Fizeram, certamente, Nelson Mandela, o único Preto que chegou aos patamares dos 'deuses', banhar-se em lágrimas.

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AFINAL QUEM CAIU NA LAMA? - Há, em algum país da Europa, o esgoto a céu aberto, a amálgama descriminada, promíscua, suja e podre de 'bairros' que vimos e vemos principalmente nas periferias das capitais Africanas (quase todas elas, principalmente dos chamados “Países Especiais”)? Os dirigentes Africanos nem conseguem combate eficazmente o mosquito, causa do paludismo e malária que, há meio século, diariamente dizima milhares de almas (principalmente crianças) pelo continente adentro, as doenças diarreicas (produto da falta de sanidade básica) fazem de igual modo uma 'ceifa' aterradora.

to2.jpg Doenças que o colono quase já tinha debelado, como a mosca do sono, ameaçam 'engolir' povos inteiros. Tudo isso acontece perante a pecaminosa insensibilidade de um grupinho de "iluminados africanos" (abençoados pelas igrejas), que preferem gastar milhões de Euros comprando castelos na Europa e em orgias depravadas (preferem dar de comer aos cães) - do que ajudar os seus irmãos, que não lhes pedem mais do que apenas BOA GOVERNAÇÃO, gerirem o erário público para o bem de TODOS e da nação.

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E há quem tem ainda o desplante de vir a público protagonizar uma perversa peça teatral, choramingando "O colono blá-blá-blá"… Quanto ao anjo, prefiro não comentar. Deus é Branco? Até posso aceitar; porém, de uma coisa estou certo: preto, não é, de certeza ABSOLUTA !"

*ISOMAR PEDRO GOMES Foi em tempos um funcionário da polícia política DISA. Segundo ele, as pessoas que trabalhavam na DISA e se identificaram com a dissidência do MPLA foram vítimas da repressão.

Final

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:10
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2016
MALAMBAS . CXLIX

CINZAS DO TEMPO 02.11.2016De novo viajei à velocidade dum sonho com um ET… Tenho de falar assim para não me mentir na fricção!

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

ET3.jpg Em 1952 aprendi que o Mundo era composto de sete planetas. Desde então e até agora, já surgiram bilhões de galáxias e triliões de planetas. Deus começou a surgir-nos radiactivo com muitas partículas de fotões e ondas electromagnéticas. Tivemos assim de viajar numa quantidade infinita de suposições sem sabermos como separar o possível do admissível medido num espectrograma muito preenchido de ruídos cósmicos; ruídos assim, como que vindos duma distância tão longínqua como o fim da linha vermelha marcada neste instrumento instalado no espaço.

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Num repente e sentindo-me uma ilusão rigorosamente inválida vi-me forçado a esboçar o tempo de sonho na distância de 20.000 milhões de anos-luz, procedência do meu novo amigo ET vindo da galáxia 3C295 com quem só falo por telepatia e, quando entro no sonho da noite. Os telescópios-satélites abriram uma janela para enxergarmos locais nunca pensados! De repente e num simples exercício de imaginação podemos dizer que no vasto espaço do Universo há tantos grãos de areia como num deserto terreste.

soba com ET.jpg Imagino quantos mundos diferentes pode haver nesse conjunto de galáxias, quantas belezas poderão ser encontradas, quanta diversidade, quanta vida! Este meu novo amigo a quem vou chamar de STAR 3C325, é ainda misterioso comigo; creio que me anda a estudar introduzindo-me moléculas tossidoras que só se denunciam ao despertar e, na forma de espirros. Começaram por ser cinco e agora já vão em treze.

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Tempos atrás, o céu só me parecia ter regiões escuras, sem absolutamente nada mas, uma força electromagnética surgiu feita partícula elementar; um quantum de luz, uma unidade indivisível em que as ondas podem ser absorvidas ou emitidas. Este meu amigo desproporcionalmente pequeno e raquítico em relação ao tamanho da cabeça tem um dos quatro dedos na forma broca. Senti que no primeiro contacto ele através desta broca enfiou em mim resíduos de sabedoria e novas formas sensoriais de usar a mente para dialogar.

soba03.jpg Interessante ter-me comunicado que eu só lhe despertei interesse porque do meu corpo não irradiava medo coisa pouco vulgar entre os humanos. Ele, o STAR 3C 325 está fazendo uma extensiva pesquisa sobre as capacidades do cérebro humano e a natureza da alma tendo até confidenciado que a minha alma pesa o dobro do normal, 48 gramas.

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Na nave bolota em forma de sino e pela segunda vez, fomos dar uma volta ultra rápida pela terra e vi coisa que nem quereria ver, aviões a despejar bombas em cima de cidades, gente a fugir doutra gente e outros trabalhando em buracos a tirar riquezas para outros. Ele viu o quanto eu detestava esta visão e levou-me até à terra do Tuiavii III, umas paradisíacas ilhas dos mares do Sul chamadas de Samoa.

matri2.jpg Por ali ficamos na ilha Upolu brincando os sonhos de tempos passados. Só eu o podia ver e, assim andei descansado por não chamar a atenção daquela gente pescadora. Comunicando cérebro com cérebro e, sem falar, ele foi dizendo que esta vida daqui nada tinha a ver com sua vivência longínqua alimentada a quantums e spins, propriedades internas de partículas elementares. Fiz um esforço para entender mas, juro que saí do sonho mais confuso do que já estava…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:39
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Terça-feira, 1 de Novembro de 2016
MALAMBAS . CXLVIII

TEMPO COM FRINCHASA amargura facilmente infecta e destrói as nossas vidas no dia-a-dia… Quantos milagres iremos ter e de quantos santos necessitaremos?

Malamba é a palavra

t´chingange 0.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por:  Ricardo Pedro

NO DIA DE TODOS OS SANTOS

bromelia1.jpg Ao longo de nossas vidas, vamos todos experimentar uma luta de um tipo ou outro. Não estamos sozinhos, quando nos deparamos com desgosto, morte ou doença. Mas quando o pior dos tempos vem, quando somos forçados a enfrentar essas provações, nosso objectivo não deve ser para deitar os sorrisos fora, ignorar a dor e o sofrimento, ou a enfiá-los para baixo num profundo, escuro lugar. Então, o que deve ser nosso objectivo?

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Cheio de pânico no meio da tempestade com os amigos inquietos num barco, com a mente em branco, esquecer-nos-emos de quem está ao nosso lado a assumir o pior. O pânico não pode ser o nosso próximo passo! Porque em verdade, tudo que é pânico, nos impedirá de tomar quaisquer próximos passos. Também é fácil deixar este trabalho de nosso desejo em guisado boiando à superfície, resultando em raiva e depressão duma falsa felicidade.

coroa de frade.jpg Iremos encontrar alguém para culpar, se Deus ou médicos ou outros, ressentindo-me ao longo de todo o dia. E, a amargura facilmente infecta e destrói as nossas vidas no dia-a-dia. Nossas situações dramáticas ignoram o maior plano da natureza ao usarmos a amargura como um peso que nos impede de avançar sem frustração. Também pode ser seu Deus! Daqui não virá mal ao mundo.

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O que fazer, então? Que acções ou medidas podemos tomar quando tudo parece perdido? Em nenhum lugar a bíblia faz Deus promete-nos uma viagem segura em nosso percurso de vida. Não poderemos afirmar que há um botão mágico para levar todas as nossas dores a nos libertar da nossa luta. Também não é contar-se histórias sobre indivíduos que pulam pela vida completamente ilesos. Esse não é o modo como funcionam os milagres.

bromélia2.jpg Se você é alguém que, quando se deparam com algo ruim ou experimentando um conflito, imediatamente entra em modo de resolução de problemas e procura a solução, o meu conselho para você é para abrandar. Muitas vezes é bom nos momentos de dificuldade para começar a resolver problemas de imediato, mas às vezes, quando a notícia não é risco de vida, não devemos responder de imediato com um plano de acção.

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Quando as emoções estão bombeando através de nossos sistemas em cem milhas por hora, não é a melhor hora para tomar grandes decisões na vida. É importante manter a calma nestes momentos. Eu sei que parece tolice, mas quando você experiência trauma, é as coisas práticas que tendem a esquecer primeiro. Dormir em um total de oito horas e depois, quando já se acalmou e ganhou uma perspectiva saudável, você pode fazer algumas escolhas racionais.

bromélia0.jpgFragmentos com permissão de razoável esperança por chad veach, direitos autorais chad Charles Veach. Publicado por Thomas Nelson

As opções do Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:57
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016
XICULULU.LXXXIX

ANGOLA . DEUS DEVE SER BRANCO!2ª e 3º de 4 Partes

t´chingange 0.jpgAs escolhas de T´Chingange 

Por: ISOMAR PEDRO GOMES - Foi em tempos um funcionário da polícia política DISA. Segundo ele, as pessoas que trabalhavam na DISA e se identificaram com a dissidência do MPLA foram vítimas da repressão. “O carrasco foi o sistema”, afirma! Ele teve a coragem de ter publicado isto em Angola.
DEUS É BRANCO?

Isomar1.jpg (...) A resposta colonial à violência nacionalista africana, sempre foi comedida: por exemplo, se a força policial Portuguesa no 4 de Fevereiro e posteriormente no 12 de Março de 1961, respondesse com o mesmo demonismo com que o MPLA 'respondeu' ao chamado Fraccionismo do 27 de Maio 1977, muitos dos actuais dirigentes não existiriam, e provavelmente durante muito tempo não haveria movimentos de libertação.

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O ÊXODO - Passado cerca de meio século, em que a maioria dos países Africanos 'arrancaram' na ponta da espingarda a independência das potências colonizadoras (seguindo a lição do camarada Mao Tsé-Tung) – se fizermos o balanço de quais foram os ganhos que os respectivos países e povos obtiveram, poucos são os Países Africanos que diremos, saíram indiscutivelmente a ganhar.
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"Quando é que a independência afinal vai acabar?" – Indagou desesperado e desapontado um septuagenário angolano nos idos anos 78-80, fatigadíssimo da guerra estúpida, de tanta crueldade e injustiça praticada pelos seus patrícios (do regime e da oposição), denominados de nacionalistas de primeira água. Poderia África ser hoje comparada ao Inferno ou ao Purgatório?

ango3.jpg Qualquer um deles serve; Paraíso - NUNCA. Pouquíssimos países Africanos (menos do que os dedos de uma mão) podem aproximar-se de tal eleição. "HOJE até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan Tchavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabwiano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo. Zimbabwe que, no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente.

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Por exemplo, em Angola, quando por vezes, nas datas históricas, oiço e vejo pela TV indivíduos a mencionarem o que o 'colono nos fazia', sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mato de 'risada'; "porque o que o colono fazia… blá-blá-blá", dizem eles - hoje faz-se o pior. O colono, se fez, quase que o desculpo: é ou foi colono, é branco, não é meu irmão de raça, etc; agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura, faz o que viva e decididamente repudiávamos do colono – esta ultima acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma.
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Por isso, logo após as independências Africanas, e depois do êxodo dos brancos a abandonarem África, verificou-se um segundo êxodo: seguindo os outrora colonos, milhões de Africanos abandonaram a África, com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença, a maioria arriscando literalmente as suas vidas (o filme continua até aos nossos dias) - porque chegaram a conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político Africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP. Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Porquê?

angola1.jpg A JUSTIÇA EUROPEIA - Os Europeus, muitos deles depois de chacinados em África pelas revoltas africanas, de regresso aos respectivos países, embora destroçados de dor e amargura - receberam de braços abertos muitos dos antigos carrascos, dando-lhes um lar e emprego decente, e uma vida digna, que jamais tiveram nos países de origem; Paz e sossego duradouro.

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O contrário era possível? Ainda hoje, quase 41 anos depois do fim da colonização, para justificar a Pobreza e outros pesares que "estamos com ele", os dirigentes Angolanos (por exemplo) ainda se desculpam com a presença colonial Portuguesa em Angola - eles não são, nunca serão culpados, mas o colono (41 anos depois) SIM, estou seguro que, quando Angola festejar o 50º aniversário, os dirigentes Angolanos ainda estarão a rogar pragas ao colono Português.

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HOJE, em muitos países africanos, ouvimos falar de relatos arrepiantes de governação de 'preto-para-preto' : incompetência criminosa, bajulação estúpida como doutrina, ganância e egoísmo exacerbado (primeiro eu - sempre), mentira como regra, assassinatos indiscriminados, prisões em massa, inexistência de liberdade de expressão, aonde até gritar "estou com fome" é crime passível de perder avida.

angola ginga.jpg Kamulingue e Kassule são a prova viva do facto: vida miserável, falta de empregos, corrupção endémica, justiça injusta e totalmente parcial, cadeias (horrorosamente infernais) a abarrotar de jovens provenientes das classes desfavorecidas, hospitais que mais parecem hospícios, escolas que mais parecem pocilgas etc. etc.

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O paradoxo é, se HOJE em África usufruímos de um bocadinho de liberdade com sabor a vida, é precisamente graças aos Europeus; isto é, aos brancos, que desenvolveram uma nova ordem de conduta internacional e instituições internacionais que vigiam sobre o globo, incluindo, obviamente, África. As sanções internacionais e outras medidas de contenção pairam sobre os dirigentes Africanos; e então, estes por sua vez fingem praticar a democracia.

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Não porque eles gostem da democracia, mas porque temem o "deus branco e o seu braço punitivo". Porque se dependêssemos totalmente dos governos de "preto-para-preto" seguramente, na vasta maioria dos países Africanos, não seria possível viver.

n´guzo1.jpg O protótipo Africano da UE (União Europeia), a chamada UA (União Africana), é uma mentira descabida : é uma instituição falida, decrépita, débil e 'estaladiça' (como a bolacha 'chinesa' de água e sal), que ninguém leva a sério, houve até quem propusesse a designação - DUA : DesUnião Africana; uns poucos países africanos esforçam-se por dar credibilidade à UA e ao continente - por exemplo, quando teremos um Tribunal Internacional Africano? Se os tribunais da maioria dos Países membros é do "faz de conta", os Africanos instituíram também uma espécie risível de Parlamento Africano: que acções práticas esse tal PA já desenvolveu em beneficio dos Africanos?

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A UA é um club de "compadres", ditadores velhacos, egoístas que sonham com Paris, Londres, Estocolmo etc.; ao mesmo tempo que transformam os respectivos países em autênticos 'buracos negros'. As independências em África foram 'feitas' para algumas centenas de indivíduos africanos - em detrimento de centenas de milhões, cada vez mais miseráveis.

(Continua…)

As opções de T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:41
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Sábado, 29 de Outubro de 2016
MALAMBAS . CXLVII

CINZAS DO TEMPO29.10.2016Viajei à velocidade dum sonho com um ET… Tenho de falar assim para não me mentir!

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

lagar2.jpg Estamos em dia de bruxas e talvez por isso esta noite circulei pelo Universo com um ET em uma nave parecida com uma bolota. Ontem detive-me a ler um assunto sobre o buraco da minhoca, um tubo fino de espaço-tempo que liga regiões distantes do Universo que também nos conduz a universos paralelos, o mesmo dizer-se viajar no tempo. E, foi em sonhos que este ET me acompanhou, só pode ser!

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A nave teria 3 metros de altura e 4 metros de diâmetro e pelo que vi, parecia ter uma propulsão electromagnética porque era silenciosa. Tinha cilindros ao redor que giravam ao contrário dos ponteiros do relógio e que ao ser accionado um botão dele se desprendia uma cor violeta de intensidade ofuscante. Meus cabelos ficaram eriçados, eu que sou careca senti uns sinos zunirem ao redor de algo que me fazia desprender da realidade e, num repente voamos no tempo sem destino definido.

dy27.jpg Posso lembrar-me de meu companheiro ET, cabeça demasiado grande, olhos gigantes lançando uma luz entre o azul e violeta. Tinha dois pequenos furos bem na frente da face e uma linha de boca sem dentes visíveis. Seu corpo parecia plastificado do verde ao cinzento numa forma meio gelatinosa e fria. Eu e ele estávamos nus da cabeça aos pés mas no meu caso estava coberto com um acrílico facto ao jeito de um verniz moldável. Não sei como!

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O meu companheiro de viagem tinha umas orelhas redondas como que um funil que captava ondas que só ele sentia. Entalado entre aparelhagem desconhecida que produzia efeitos anti gravíticos, sentia-me a levitar. O curioso de tudo isto é o de que falei com este ser de plasticina numa língua estranha que só entendi naquele preciso momento. Sentia nele uma vontade de me agradar mas no meu instinto ele tinha muito de enigmático, vindo do prá-frente ou do além.

kimberly2.jpg Com a velocidade dum sonho, numa fracção de segundos estávamos em África. Não sei como estávamos agora fora da nave-bolota apreciando o buraco de kimberley “The Big Hole” o maior buraco do mundo feito à mão e, foi quando este ser atarracado feito boneco de plasticina se referiu àquilo como uma obra desperdiçada do homem. Creio que me queria dizer que nós, seres humanos, estávamos a preocuparmo-nos com coisas supérfluas.

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Foram momentos de inexplicável entendimento mas, ele o ser gelatinoso disse-me que andávamos entretidos com coisas menores. Quando voltávamos á bolota voadora reparei que tinha uma cruz suástica e, pude ver melhor que tinha a forma de um sino. Nada perguntei mas, a intriga ficou dentro de mim. Andar num meio de transporte á velocidade do sonho, sem fazer curvas nem fumo. E, de novo num ápice, assim como num estalar de dedos estava a observar um crânio petrificado em plena planície lunar, olhando em redor as pirâmides já raspadas pelos ventos e carcomidas pelas muitas intempéries e calor. Curiosamente, naquela vestimenta de verniz do paralém, eu não sentia esse calor que se sabe ser insuportável.

kimberly1.jpg Posso dizer que fui a muitos lados deste modo rápido como se estivesse em um mundo paralelo e foi quando me lembrei que um dia em uma curva num lugar chamado de cruzeiro e bem perto de Kalukembe em Angola aonde morri, a minha alma saiu de mim e até remexi no carro para retirar uns documentos que julgava importantes. E as testemunhas diziam que eu ali tinha ficado estirado e, eu jurava que não com convicção.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:16
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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2016
XICULULU . LXXXVIII

ANGOLA . DEUS DEVE SER BRANCO! – 1ª de 3 Partes

kimbo 0.jpgAs escolhas de kimbolagoa

Por

isomar3.jpgISOMAR PEDRO GOMES - Foi em tempos um funcionário da polícia política DISA. Segundo ele, as pessoas que trabalhavam na DISA e se identificaram com a dissidência do MPLA foram vítimas da repressão. “O carrasco foi o sistema”, afirma! Ele teve a coragem de ter publicado isto em Angola.

DEUS É BRANCO?

cacu22.jpg "Há dias, a caminho do Hojy-yá-Henda, a bordo (como habitual) de um dos machimbombos da TCUL Viana vila - Cuca, um dos vários azulinhos, os nossos emblemáticos táxis colectivos, que 'palmilham' as nossas estradas (privilegio este meio de transporte por ser o mais barato e acessível aos pobres para rotas longas, mau grado a 'sardinhada e a catingada'), chamou a atenção do público, exibindo no seu 'traseiro' o seguinte dístico; DEUS É BRANCO, MULATO É ANJO, PRETO É DIABO. 

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Tal dístico, é óbvio, levantou as mais diversas celeumas entre os passageiros do machimbombo e creio entre todos os 'observadores' e transeuntes por onde o dito azulinho (mini m´bombó-chapa) 'rasgava' o seu 'popó-show'. Raciocinei com os meus botões e os meus botões comigo, as causas que levaram o proprietário do 'popó' ou do 'chauffeur de praça' a mencionar e exibir tal 'desgraçado ou ditoso (?!)' rótulo.

guerri3.jpg Na busca mental das 'causas', não pude deixar de comparar o modo de vida de hoje e o da administração colonial, quando o País, e a grossa maioria dos países do continente Africano, era administrado por indivíduos maioritariamente de raça branca, provenientes da Europa, "os tais colonos": poderia África então ser comparada a um paraíso? Há quem diga que sim, e eu não discordo dele! "Colonialismo caiu na lama!" Lembram-se deste célebre estribilho

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A JÓIA COLONIAL - Angola era mundialmente conhecida como a Jóia do império Português e exibia, majestosa, todos os pergaminhos de tal título; o Quénia era, a par da África do Sul, a jóia africana do império Britânico, a Argélia a jóia africana do império Francês e o antigo Congo-Belga a jóia do mini império Belga. Tais países Africanos - no contexto do outrora - prosperavam a olhos vistos (a maioria deles encontravam-se ainda na idade da pedra), as respectivas comunidades autóctones idem em aspas, os índices de desenvolvimento humano dos autóctones inegavelmente estavam lenta e seguramente subindo; as obras dos colonialistas ainda perduram pela África adentro.

ant5.jpg Verdade seja dita, o esclavagismo e as guerras de "kwata-kwata" fizeram irremediáveis estragos em África. Mas também não é menos verdade, que a falta de unidade, ambição, irresponsável individualismo e a sempre necessidade de estúpida e insanamente guerrearem e fizerem verter sangue (entre nós Africanos) - tornaram bem-vinda "a pax romana", isto é, a paz promulgada a força do chicote e da bala pelos Europeus. 

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As então gerações de jovens africanos instruídos (pelas respectivas franjas ou instituições da administração colonial), organizaram-se politicamente e fizeram soar a acusação de que os Europeus estavam a sugar as riquezas do solo pátrio em benefício exclusivo das nações colonizadoras, desconsiderando totalmente os interesses dos nativos e das colónias, transformando os autóctones em miseráveis na sua própria terra; "eles vieram com a Bíblia, nós tínhamos as terras, no fim eles ficaram com as terras e nós com a Bíblia" disse Robert Mugabe, nacionalista e guia da libertação do Zimbabwe.

valentina0.jpg Organizaram-se contra o invasor: protestos, revoltas, guerras, chacinas ; a história regista que o movimento e actuação dos 'mau-mau', liderado pelo indomável Jomo Keniata, foi um dos mais cruéis de África e o que chamou a atenção da comunidade internacional, para a necessidade da urgente descolonização de África. Claro, a violência gera violência, os resultados hoje fazem parte da história.

(Continua…)
As Opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:15
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016
MALAMBAS . CXLVI

CINZAS DO TEMPO27.10.2016 - Como somos organismos reprodutores, o futuro deslindar-se-á… Tenho de falar assim para não me mentir!

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

roxo3.jpg Desde o início da civilização que as pessoas não se contentam com ver os acontecimentos sem explicação plausível. Anseiam por um entendimento da subjacente ordem no mundo, do Universo. Sempre sentimos a mesma ânsia de saber porque estamos aqui, como e de onde viemos. Vejo, todos os dias em comentários de grupos sociais do Facebook e outros, o mais profundo desejo de conhecimento da humanidade, uma suficiente justificação para a nossa contínua procura.

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Um acontecimento é qualquer coisa que ocorre num determinado ponto no espaço e num determinado momento mas este espaço quadrimensional designado de espaço-tempo é difícil senão impossível imaginá-lo. Desta maneira a luz que se propaga a partir de um acontecimento, forma dois cones tridimensionais nesse espaço-tempo quadrimensional. Estes cones de luz são o cone do futuro e o cone do passado e, ambos constituem o conjunto de acontecimentos a partir dos quais um impulso de luz pode alcançar o dado acontecimento.

roxo11.jpg Para entender isto vai ter de imaginar uma pedra que se lança num lago de água parada e ver a cada segundo as ondas circulares que se formam em volta enquanto a pedra se vai afundando. Se unir pontos imaginários nesta onda, irá definir um cone ou funil que de forma suave se vai desvanecendo. Podemos até escolher um ponto a que chamaremos K situando-o num tempo passado agarrado a este cone.

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É nesse cone virado para o passado, o cone do passado, que situamos nossas lembranças com Kapas transformados em tempo de séculos, de anos, meses, dias, minutos e segundos. Nesta ponta do funil, cone do passado, teremos o momento A que o é numa fracção de tempo micro a que chamamos o agora. É deste agora que vai sair o funil ou cone do futuro do qual nada se sabe; podemos prever, deduzir, ter uma propensão ou um cálculo do que será, mas não passa disto mesmo, uma incógnita!

roxo10.jpg Então o futuro absoluto do acontecimento será a região dentro do cone de luz do futuro. Podemos até designar um ponto P situado numa data posterior mas isso será sempre uma previsão. Porque é o conjunto de todos os acontecimentos susceptíveis de serem efectuados por aquilo que acontecerá. O problema esta em que este poto P não pode ser alcançado por sinais provenientes do A, do agora, porque nada se pode deslocar com a velocidade superior à da luz.

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Nós só podemos predizer o que acontecerá lá para a frente num determinado ponto P do tempo. Os acontecimentos ocorridos em A do agora, situado entra o cone de luz do passado e o cone de luz do futuro será o presente do indicativo da matemática quântica. Como falei da pedra que forma argolas visíveis no lago, poderão imaginar as ondas que se propagam também no ar, viradas para o espaço e não visíveis por nós a olho nu.

ROXO17.jpg Neste preciso momento A, se o Sol deixasse de brilhar, terão de aguardar oito minutos para saber o sucedido e, isto porque só nesta altura é que o cone de luz do futuro se fará sentir na terra. A terra não é o centro do Universo e a luz que observamos de “objectos” longínquos deixaram-no há cerca de oito milhões de anos. Quando olhamos para o céu estamos a vê-lo no passado. Como se pode depreender somos uma ilusão! Será por isto que o oito foi escolhido em várias línguas como símbolo do infinito!?  

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:48
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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CXIV

TEMPOS PARA ESQUECER 24.10.2016 - ANGOLA DA LUUA XXIII . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA.Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo… Ainda vão ter de me oferecer um passaporte diplomático…

Por     

soba16.jpg T´Chingange - (Otchingandji)

suku0.jpgA 13 de Julho de 1975 a situação em Luanda era extremamente grave. Ocorriam confrontos no bairro Prenda, Cuca, Petrangol e, parte da delegação da FNLA já tinham abandonado suas destruídas sedes. Neste dia Silva Cardoso pediu a Lisboa reforços com uma Companhia de Pára-quedista, uma de Comandos e um destacamento de Fuzileiros mais Forças Especiais no mais rápido possível. No dia 15 as acções de fogo atingiram o ponto crítico repetindo-se cenas de saque por parte de civis marginais, nalguns casos acompanhados por elementos do MPLA.

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Havia apropriação abusiva de veículos e instalações pertencentes ao Estado; já havia dificuldade em distinguir se aquele organismo antes estatal o era efectivamente, ou não.  Em Malange quase toda a população civil se refugiara no quartel das NF e, em N´Dalatando verificou-se o total abandono de todas as lojas e residências que foram alvo de pilhagem pela população africana apoiada por elementos das FAPLA, forças armadas do MPLA.

ÁFRICA11.jpg Hoje muita gente desentendida a propósito, pergunta a este e aquele porque saíram de Angola porque sempre nos identificamos com aquela terra que nos viu crescer. Se a amavam porque fugiram? Do porquê de abandonarem a terra que tanto dizíamos querer? E, talvez com a leitura deste cone de lembranças do passado possam reflectir das impossibilidades de ali permanecer, sem assistência médica nos cuidados mais elementares, sem mercados de géneros, sem escolas e um estado permanente de guerra sem frentes definidas.

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Era o processo de Rosa Coutinho a funcionar em pleno; provocar o abandono dos brancos, mestiços e negros com algum controlo administrativo na sociedade. As forças solicitadas pelo Alto-Comissário Silva Cardoso, estou em crer que não foram enviadas. Em Junho e antes do ataque à FNLA em Luanda, o General Fabião, Rosa Coutinho e o Coronel Varela Gomes reuniram-se em Havana com Júlio Casa Cerqueño, chefe da logística Cubana.

antu2.jpg Daqui e, logo a seguir, embarcaram para Angola um General de logística, o Comandante Cadelo e o chefe da marinha Emídio Baias para com Neto concertarem as operações que se viriam a segui; tudo leva a crer, ter tudo sido feito à revelia de Silva Cardoso. Aliás, este era um personagem a contornar com manobras falaciosas pelos militares, seu camaradas frentistas do Vinticinco e o directório do sempre enaltecido MPLA.

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Em relação à “Batalha de Luanda” e a partir de 13 de Julho de 1975, Melo Antunes refere ter-se encontrado com Neto em seu Comité Central apercebendo-se que o MPLA, era já naquele momento um exército - ficou até chocado com a arrogância com que foi tratado, concluindo que Neto já não precisava de ser afável com ele e, o que estavam a fazer, era uma aplicação de um metódico plano para a tomada de Luanda.

chai0.jpg Depreende-se no correr do tempo precedente que havia oficiais portugueses que estavam por dentro dos eventos em curso e outros que eram pedras fora do baralho! Os Generais de aviário trocavam as voltas aos demais companheiros. As manobras de diversão ficaram visíveis mais tarde! O vinticinco e a liberdade do povo da metrópole era trampolim para outras atitudes; era a descolonização que mais lhes interessava e do seu jeito, não de outra qualquer forma.

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No M´Puto e no dia 19 de Julho, às primeiras horas do dia, forças do COPCON substituem os civis nas barricadas efectuadas para controlo do acesso a Lisboa de manifestantes conotados com o PS que projectariam uma “marcha sobre Lisboa”. A 20 de Julho apesar das opiniões contrárias de alguns oficiais do COPCON, Otelo Saraiva de Carvalho parte para Cuba, durante a qual admite poder vir a aceitar o cargo de vice-primeiro ministro; são nacionalizadas as principais empresas de pesca.

diogo6.jpg Dá-se o início a uma onda de assaltos a sedes do PCP, MDP e partidos e organizações da esquerda revolucionária. Essas acções foram reivindicadas por um autodenominado “Movimento Maria da Fonte” que actuava no norte do país e era apoiado por certos sectores da Igreja Católica e por grupos anticomunistas. Dão-se manifestações anticomunistas em Viseu no seguimento de oito tentativas ao assalto a sedes do PCP. O M´Puto estava a acordar! É destruída a sede do MDP e a sala da Câmara em Matosinhos tendo-se registado 14 feridos. (JCS).

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Angola estava para lá entregue a si própria, aos bichos, às hienas, aos brancos exploradores, à pandilha que se mostrava na televisão, que se ouvia nas cantigas de intervenção, coisas de peixe podre, fuba podre e tudo coisa ruim com mais porrada se refilares. Cantigas do Rui e outros que tais a falarem meias mentiras, descuidando as verdades. Era um pântano de palavras comendo palavrinhas dando voltas ao miolo batucado. A percussão dos tambores encobria os desesperos de milhares das chamadas Províncias Ultramarinas.

ÁFRICA18.jpg Agostinho Neto, escudado pelo apoio militar de Brejnev, do marechal Tito e de Fidel de castro, já não necessitava de ser afável com grande parte dos miliares portugueses; alguns, poucos deram-se conta mas, já era tarde para fazer marcha-à-ré. O MPLA iria liquidar os outros dois Movimentos fazendo tábua rasa da presença portuguesa e dos acordos que tinha estabelecido com todos.  

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Neto era um salafrário e já era demasiado tarde para recuar o processo. Os métodos foram variados ou bem diversificados! Inventaram que a FNLA tinha arrancado órgãos humanos; que os “fenelas” eram canibais, antropófagos, diziam! Eram corações em frascos e outros órgãos em clorofórmio roubados no “Museu Anatómico”. A médica assistente do Laboratório da Faculdade de Medicina que desmentiu o propalado em cartazes pelo MPLA; por esta denúncia, esta médica foi raptada da Maternidade de Luanda. Só foi solta em 1 de Agosto e, por pressão por greve de Médicos e Enfermeiros.  

apocri3.jpg E, tem muita gente por aí que sabe o quanto é verdade estas macabras manobras! Muitas há que por tanto esforço em esquecer aqueles dias medonhos, dizem não se lembrar! Nem sei se acreditarei! Deveriam testemunhar aqui para que os novos saibam que não foi fácil nossas desventuras! Sofreram os que ficaram e sofreram os que saíram.  Tem por aí muita gente altruísta que vai em cantigas de trololó a desmentir o que aqui se diz sobre esse monstro que foi, é e continuará a ser o MPLA, os que agora mandam ao seu belo prazer, que fazem sofrer o povo.  Ainda vão ter de me oferecer um passaporte diplomático ou dar-me um prémio camões; mas, vai sendo tarde para se regenerarem.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:08
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2016
MALAMBAS . CXLV

CINZAS DO TEMPO20.10.2016 -  Como somos organismos reprodutores, o futuro deslindar-se-á…  Tenho de falar assim para não me mentir!

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

mess1.jpg Vivemos o nosso dia-a-dia sem entendermos quase nada do Universo ou do Mundo que nos rodeia! Pensamos que já sabemos tudo e num dado momento verificamos que só nos lembramos do passado e não do futuro e, perguntamo-nos se haverá limites definidos para o nosso conhecimento. Queremos saber outras coisas sem ainda nos conhecermos nem sabermos ao certo de qual é o mais pequeno pedaço de matéria. Cada vez se torna mais habitual responder-se a matérias destas questões com um abanar de ombros, deixa para lá, isso é lá com Deus.

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Dizem os arqueólogos que o início de nossa civilização remonta desde o fim da última idade glacial, cerca de dez mil anos antes de Cristo tendo Santo Agostinho referido também andar esse tempo pelos cinco mil anos. Os filósofos de outros tempos gregos, não se afeiçoaram à ideia da criação porque tinham demasiada atenção ou relutância em se referirem à intervenção divina. Hoje os filósofos dizem coisas desconexas sem medo ao divino e cada qual apresenta sua verdade sem recorrer aos dilúvios cíclicos; jogam as palavras para um monte que como bactérias se comem umas às outras.

CAUNI 3.jpg Tenho de falar assim para não me mentir! E, porque qualquer teoria física é sempre provisória, no sentido de não passar de uma hipótese, pois que, nunca se consegue provar. Dizem os cientistas que de facto, parece (outra vez parece) ter havido um tempo, há cerca de dez ou vinte mil milhões de anos, em que os objectos estavam todos concentrados num mesmo lugar. Que era infinitamente pequeno e denso até que, se deu o Big Bang!

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Naquelas condições de pequenez e com uma densidade infinita, todas as leis da física conhecidas retiravam qualquer possibilidade de predizer o futuro. Naqueles tempos a sua existência teria de ser ignorada por não haver consequências observáveis, mas hoje, para onde quer que os cientistas olham com seus potentes telescópios vêm as galáxias distantes se afastarem velozmente e, sendo assim a densidade do universo é infinita.

mess0.jpg E, se o Universo está em expansão, se partiu dum ponto e não tem contornos, então cada um de nós, é o centro desse infinito. Para onde quer que olhemos estarão centenas de galáxias. E aqui, é interessante reflectir nas ideias generalizadas sobre o Universo antes do seculo XX, quando ainda não tinha sido sugerido que o Universo estivesse a expandir-se ou contrair-se.

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Antes do século XX, um passado recente, aceitava-se que tudo estava imutável através dos tempos ou que tinha sido criado num certo instante dum passado longínquo. Isto pode dever-se à tendência que as pessoas têm em acreditar em verdades eternas. E, assim vamos continuar a viver, no conforto que nos dá o pensamento de que embora possamos envelhecer e morrer, o universo é eterno e imutável.

pedras 002.jpg Sobre todas as teorias científicas conhecidas, presumiremos que somos seres racionais livres para observar o Universo com quisermos e tirar conclusões lógicas daquilo que observamos. E, é razoável supor que seremos capazes de progredir cada vez mais em direcção às leis que governam o Universo. Como somos organismos reprodutores, o futuro trará diferentes indivíduos com variações no material genético; algum ser mais capaz no futuro deslindará isto…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:49
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016
FRATERNIDADES . CIX

METÁFORAS DA VIDA - PONTOS DE VISTA PERDIDOS NO TEMPO (Um quase diálgo)…

Como entender os mistérios de Deus - Goddammed particle - Em nossas vidas, nunca saberemos quantos milagres vamos precisar…

Por

matias j.jpgJosé Matias

Assunção Roxo deu o mote…

ATEÍSMO, DEUS E STEPHEN HAWKING

step0.jpg  Stephen Hawking acredita que Deus não existe. Ora, isto não é a mesma coisa que não acreditar em Deus. Se eu não acredito em Deus, eu não sei se ele existe ou não existe. Simplesmente, não tenho fé, como diria um cristão. Mas se eu acredito que Deus não existe, eu tenho fé, embora diversa – a fé na inexistência de Deus. A diferença entre as duas posições é por vezes expressa pelo contraste entre agnosticismo e ateísmo. Hawking não deixou dúvidas ao El Mundo: É ateu. Mas dizer só ateu pode não chegar para definir a posição de Hawking ...."

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De T´Chingange

Li muitas palavras mas, fico confuso! Isto não será mesmo para entender! Aceita-se ou não! Gostei destas: "- O problema é que o nome original não é partícula de Deus, em inglês ela se chama Goddammed particle, ou seja, partícula maldita. Alguma pessoa sem noção é que tirou o dammed pra ficar só Deus. Isso sim causa confusão, parece que o cientista tá provando a existência de Deus e isso não é verdade. Então, é melhor botar o nome de verdade..." Recordo o princípio da Incerteza que diz: - (...) Quanto maior for a precisão com que sabemos um valor, menos preciso será o outro...

assun8.jpgDá para perguntar: - Que coisa é essa que insufla vida às equações e cria um universo para que elas o descrevam? E, porque tem isto, profundas implicações para o papel de Deus como criador? José Matias, tens a filosofia certa para a análise desta linguagem? O que vejo é que as pessoas falam lindas palavras mas não praticam o verbo de que falam; e, cada qual tem seu próprio verbo...

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Resposta de Jose Matias

Amigo de longa data que és tu... Bem, quisera eu que Deus te insuflasse a sabedoria que vem do alto, mas quanto a isso apenas espero pacientemente, para que possamos compartilhar as maravilhas deste Deus, que jamais deseja que o coloquemos na dúvida do seu grande poder. " Vê como Deus é sublime em seu poder. Qual é o mestre que lhe pode comparar? Quem lhe prescreve sua conduta? Quem pode dizer-lhe: Fizeste mal?

poluição.jpg Pensa antes glorificar suas obras, que tantos homens celebrem em seus cantos, todos os homens as contemplam, admiram-nas de longe os mortais." Deus é grande demais para que o possamos conhecer, o número dos seus anos é incalculável. Quem compreenderá as ondulações da sua nuvem? O ribombabar da sua tenda? Deus troveja a plena voz as suas maravilhas e realiza proezas que jamais compreendemos.

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" Diz á neve: cai sobre a terra e ao aguaceiro desce com violência! Suspende a actividade dos homens, para que reconheçam que é obra sua. Mas Ele, na sua justiça, sem oprimir, impõe-se ao temor dos homens; é Ele a veneração de todos os corações de todos os corações sensatos. Quem somos nós pois que obscurecemos seus desígnios com palavras sem sentido? Onde estávamos nós quando Deus lançou os fundamentos da terra? Quem lhe fixou as dimensões? Quem estendeu sobre ela, a régua? Quem fechou com portas o mar? Examinaste a extensão da terra? Conta-me, se sabes tudo isso.

step0.jpg Ele, o nosso Deus, retira a luz aos impios e quebra o braço rebelde. Nada pois temos que lhe perguntar sobre como foi feito, ou porque nos fizeste assim, somos barro em suas mãos, assim como o barro jamais pergunta ao oleiro porque me fizeste cântaro e não panela. Amigo, tão-somente a essência da fé que é dom de Deus, é um atributo que o nosso Deus aceita como pedido nosso, para entendermos a sua grande misericórdia, fora disso é tentar a Deus, nos seus atributos.

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Somos salvos segundo a sua vontade, e segundo seu plano de salvação em Cristo Jesus, fora disso a condenação jaz á nossa porta. Se não praticam o Verbo, pratica tu, e deixa os outros, pois cada um responderá por si. Eu sou responsável por apresentar este Verbo, que se fez carne, e um dia se me revelou, não sou perfeito, como todos não são, mas em Cristo Jesus caminho para que eu próprio, no final, não seja encontrado em falta. Um abraço como sempre do amigo de longa data.

matias j1.jpg E, tudo ficou assim, palavras que comem outras e, outras que se deixam comer. O filósofo de nome Wittgenstein, famoso do século XX disse: “A única tarefa que resta à filosofia é a análise da linguagem.” - Por tudo isto caímos no Princípio da Incerteza d quanto maior a precisão com que sabemos um valor, menos preciso será o outro. Deus criou efeitos de maneiras inimagináveis para o homem que não tinha e não tem ainda capacidade para impor restrições à omnipotência divina. A nossa meta será a compreensão completa dos eventos que nos cercam!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:43
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016
MUJIMBO . CIII

DO M´PUTO - DO LIVRO PROIBIDO . V

kimbo 0.jpg As escolhas de Kimbolagoa

DE

saraiva1.jpg JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje. «O melhor do jornalismo é aquilo que não se pode escrever».

socras2.jpg (…) Sobre Sócrates No fim desse almoço em S. Bento, e em jeito de conclusão, digo a Sócrates que, como princípio, defendo a estabilidade do Governo e  que o Sol não será um jornal bota-abaixista. Ora, à saída, Sócrates perguntará discretamente ao Mário Ramires, do qual é amigo: «O que o Saraiva disse é mesmo o que ele pensa?» Ramires confirma: «Ele sempre afirmou isso.» Tentativa para fechar o Sol.

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Mas o Sol seria o primeiro jornal a dar um tiro no socratismo, ao publicar em Janeiro de 2009 as primeiras notícias sobre o caso Freeport. O país ficou em polvorosa. Nunca mais voltei a falar com Sócrates. Mas ele tentou fechar o Sol através de Armando Vara, quando este era administrador do BCP.

socras3.jpg Vale a pena contar esta história, porque constitui uma página negra da liberdade de imprensa em Portugal. O BCP - Banco Comercial Português foi accionista fundador do Sol, por opção inicial de Paulo Teixeira Pinto, seu presidente, depois assumida por todo o Conselho de Administração. Ora, quando no BCP estalou a guerra entre Teixeira Pinto e o ex-presidente Jardim Gonçalves, ambos procuraram arregimentar apoios.

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Teixeira Pinto pediu a João Rendeiro, líder do BPP - Banco Privado Português, que era accionista do BCP, apoio na luta contra o «adversário», solicitando-lhe ainda que desse uma palavra a Balsemão. Porquê Balsemão? Porque era amigo de Rendeiro e accionista do BPP. Ora Balsemão, convidado a apoiar Teixeira Pinto, aceitou a incumbência desde que o BCP saísse de accionista do Sol. E Teixeira Pinto cedeu, dando ordem de venda das acções do Sol que o banco detinha.

socras4.png Esta informação foi -nos fornecida por Paulo Azevedo, administrador do BCP no Sol (não confundir com o filho de Belmiro de Azevedo), o homem a quem Teixeira Pinto deu ordem para vender as acções do nosso jornal, num telefonema que apanhou Azevedo em viagem na China...

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Foi triste ver Balsemão, um defensor da liberdade de imprensa com quem sempre tive impecáveis relações de trabalho, envolvido numa tentativa de condicionar um jornal (ou mesmo fechá-lo) por razões mesquinhas. A verdade é que Balsemão nunca aceitou que as pessoas o «abandonassem».

socras5.jpg Ao sair do Expresso eu fiquei na sua «lista negra». E ele fez tudo para aniquilar o Sol. Quanto a Paulo Teixeira Pinto, também foi triste vê-lo entregar-nos às feras (no fundo, atraiçoar-nos), cedendo a essas pressões. Mas a história não acaba aqui. Um ano depois daquele episódio, o BCP - já administrado por Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, e sem Paulo Teixeira Pinto - tentou recuperar o controlo do Sol. E isso só não aconteceu porque se intrometeram accionistas angolanos.

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Conto esta história noutro local. Mas qual era objectivo do BCP ao tentar isso? Que sentido tinha querer voltar a dominar o Sol depois de ter decidido deixá-lo? O objectivo era simples: fechar o jornal, porque Sócrates o via já como um inimigo a abater. E Carlos Santos Ferreira e sobretudo Vara eram, neste caso, simples factótuns de Sócrates. Mais tarde, o próprio Presidente da República, Cavaco Silva, disse -me em Belém que também era esta a informação de que dispunha.

bruno13.jpg Acrescente-se que, pelo meio, tinha havido outro episódio rocambolesco: uma oferta de compra da maioria das acções do Sol por parte do Grupo Lena, impondo como condição que a direcção do jornal (composta por mim, José António Lima, Mário Ramires e Vítor Rainho) saísse. Esta proposta foi veiculada por Afonso Camões, jornalista muito próximo de José Sócrates. E antes disto, em pleno caso Freeport, um emissário de Sócrates (Luís Bernardo) contactara Mário Ramires para lhe dizer que os problemas financeiros que tínhamos seriam resolvidos se nós não publicássemos mais notícias sobre o tema.

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Fizemos uma reunião de emergência e não cedemos. Antes ainda de José Sócrates deixar o poder, quando se tornou patente o número de negócios duvidosos em que estava envolvido, chamei-lhe «o Vale e Azevedo da política». E vaticinei que, tal como o ex-presidente do Benfica, ele seria preso depois de deixar o cargo - Acertei em cheio!

Fim da Novela Sócrates

As Opções de T´Chingange – (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:26
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2016
MALAMBAS . CXLIV

CINZAS DO TEMPO – 14.10.2016 - Faz falta aceitar que para além do mais temos instintos - Nós os humanos, ainda carecemos entender a verdadeira natureza que nos cerca…  MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

traças1.jpg Nós os humanos, ainda carecemos entender a verdadeira natureza que nos cerca. Existe uma explicação simples relacionada com a nossa evolução, pelo facto de a nossa espécie ter demorado tanto tempo a compreender este mundo tão saturado de feromonas. Certas espécies de plantas comunicam por meio de feromonas; elas são capazes de se aperceber do sofrimento experimentado por plantas vizinhas a que respondem com determinadas acções.

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Fiquei hoje surpreso ao ver no quadrado de papel aderente posto na porta do meu roupeiro, tantas traças ali coladas só no espaço de dois dias. Não sei se é pelo facto de não chover há seis meses que se vê tantas traças por aqui! Um destes dias, ao vestir uma camisa de algodão, tinha um grande e irregular buraco por altura do cinto; só o vi no acto de apertar este. Foi quando me lembrei de particularidades sensoriais que nós humanos, não temos!

traças2.jpg Ao passear o cachorro e, ainda longe de outros cães, estes começam a dar alarde ladrando. Seu olfacto é excelente a comparar com o nosso. As formigas são possivelmente as mais avançadas de entre as criaturas da terra que dependem de feromonas. Nas suas antenas possuem mais receptores olfactivos e sensoriais do que qualquer outra espécie de insecto conhecida.

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Mais de 99 por cento das espécies animais, plantas, fungos e micróbios dependem exclusivamente ou quase, de uma série de substâncias químicas como as feromonas para comunicarem com membros da mesma espécie. Também são capazes de distinguir outras substâncias químicas como as alomonas que lhes permitem reconhecer diferentes espécies de potenciais presas ou predadores.

roxomania6.jpg Em África do Sul, tendo eu ido ao Kruger National Park no lugar de Punda Maria, fiz em grupo, um safari com um guia armado do Park; no percurso parámos junto ao rio Luvuvhu River para apreciar uns quantos elefantes comendo uma espécie de hera circundando um morro de salalé. Em voz baixa o guia foi-nos dizendo que aquela planta era saborosa para eles, elefantes, mas que a partir dali teriam de andar contra o vento para poderem alimentar-se.

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A explicação foi dada a seguir: aquelas plantas comunicavam com as outras da mesma espécie lançando feromonas a avisar do ataque por predadores. Elas, as plantas, a partir do aviso passariam a ter um sabor horrível e, obrigando os elefantes a dar um grande círculo sempre contra o vento portador da mensagem.

roxo63.jpg Foi quando entendi que os elefantes necessitam de grandes áreas para conseguirem alimentar-se! As nossas emoções são estimuladas mais pelos sinais audiovisuais inspirando-nos em grandes obras criativas, o melhor da música, da dança, das artes visuais e da literatura entre outras mas, ainda assim, não deixam de parecer insuficientes quando comparadas com aquilo que em nosso redor acontece no mundo das feromonas e alomonas.

O Soba T´Chingange – (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:46
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2016
MUJIMBO . CII

DO M´PUTO - DO LIVRO PROIBIDO. IV

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbolagoa

DE

saraiva1.jpgJOSÉ ANTÓNIO SARAIVA - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje. «O melhor do jornalismo é aquilo que não se pode escrever»

Sobre Sócrates

saraiva0.jpg Sócrates mostrouse muito naïf quando disse que num mestrado que fez (ou está a fazer) lhe explicaram como se cultivam relações - (…) Numa perspectiva exclusivamente interesseira e instrumental, claro. Mas, à parte eu fiquei com a ideia de que é um homem ainda imaturo, pareceume uma pessoa serena, cautelosa, não ansiosa - o que é importantíssimo num país que parece histérico e onde a tendência para a instabilidade é enorme.

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Mas Margarida Marante faz uma revelação: que tem um orientador espiritual, um padre do Opus Dei, que tem sido fundamental para a sua pacificação de espírito e para «deitar cá para fora o ódio». Mas anda a tentar equilibrarse depois dos solavancos (enormes) provocados pelo fim da relação com Rangel - na qual tinha apostado tudo e pela qual tinha posto tudo em causa: a família, o bemestar, a tranquilidade.

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Essa discussão acalorada sobre a Justiça entre Sócrates e Marante foi para mim inesperada, e já parecia vir de trás. Nem percebi bem o que discutiam. Parece que Sócrates já adivinhava que iria ver -se a contas com a Justiça, pois enervou -se sem razão aparente e começou a levantar a voz - tendo eu de lhe chamar a atenção pois já estava toda a sala a olhar para nós.

matias12.jpg A situação era ainda mais acabrunhante dado o facto de Marante e Sócrates serem pessoas muito conhecidas. É no entanto curiosa essa observação que faço sobre Sócrates no Diário, dizendo ser «um homem sereno e não ansioso». Porquê? Quando abandonávamos o restaurante, um aparelho de TV colocado perto da saída transmitia um telejornal onde se dava uma notícia pouco simpática para o então primeiro-ministro Santana Lopes.

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E Sócrates comentou: «Espero que o Sampaio tenha a lucidez e o bom senso suficientes para não ceder aos apelos para demitir o Governo e convocar eleições antecipadas.» E parecia sincero. Só que, um mês depois, no início de 2005, Sampaio demitirá mesmo Santana Lopes. E Sócrates, comentando publicamente o facto, afirmará que o Presidente da República não tinha outra alternativa senão demiti-lo. É assim a política... Diz -se o que convém no momento. No que se refere a Sócrates, esta afirmação não poderia ser mais verdadeira.

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Almoço com o Sol em S. Bento - Quando fundámos o Sol, em 2006, José Sócrates convidou toda a direcção para almoçar em S. Bento, na residência oficial do primeiro-ministro. Fui eu, o José António Lima, o Mário Ramires e o Vítor Rainho. A refeição teve lugar na sala grande do rés-do-chão, à direita da entrada, que antes era sala de espera (e depois voltará a ser).

matias9.jpg Sócrates chega acompanhado por vários colaboradores, entre os quais Luís Patrão e Luís Bernardo, um assessor de imprensa tido como maquiavélico. Sentam-se de um lado da mesa - e nós sentamo-nos do outro. Como sucede naqueles encontros entre delegações partidárias em que as partes se sentam frente a frente. A conversa assumirá contornos surrealistas.

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Há discordância de opiniões e os ânimos exaltam-se. Depois, Sócrates começa a desenvolver uma teoria sobre o condicionamento político dos meios de comunicação social. Diz que é estúpido os políticos quererem comprar ou influenciar os jornalistas ou os directores de jornais, pois é muito mais eficaz - além de ser muito mais fácil – condicionar os patrões dos grupos de média.

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Curiosamente, será esta a teoria que Sócrates aplicará no caso Face Oculta, tentando condicionar os grupos de média através dos accionistas. É caso para dizer: com a verdade me enganas... Nestas conversas (ou discussões) em privado, assim como nos almoços a sós, Sócrates era - como ficou dito - muito pouco brilhante a argumentar.

lagar2.jpg Parecia uma pessoa banal, com uma conversa banal. Ora, nas intervenções televisivas, era acutilante e eficaz, às vezes quase brilhante, mesmo quando não tinha a razão do seu lado. Perante as câmaras de televisão ou o público, Sócrates superava-se. Ou então, como alguém disse, tinha uma capacidade de memorização invulgar e preparava previamente essas intervenções, limitando-se no momento a debitar o discurso que tinha preparado. Não sei qual será a verdade.

(Continua…)

As opções de T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:04
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CXIII

TEMPOS PARA ESQUECER – 11.10.2016 - ANGOLA DA LUUA XXII. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA.

… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. A 10 de Julho de 1975 o tiroteio alastra aos bairros da lixeira, Cuca e Cazenga com metralhadoras pesadas…

Por             

soba10.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

luis20.jpg (…) Entre os brancos, o novo acordo de Nakuru era mesmo para meter no lixo! Havia um generalizado desinteresse; não depositavam fé nos Movimentos nem na promoção da paz no território angolano. As passagens para o Brasil e Lisboa estavam esgotadas. Os prazos de retirada estabelecidos no Acordo de Alvor eram antecipados; um acordo que só a parte portuguesa fez cumprir com as variantes conhecidas na ajuda ao MPLA com armas, homens, armamento e logística.

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Nas três primeiras semanas de Junho a FNLA e MPLA tinham aprisionado mais de duzentas pessoas, a maioria brancos, nalguns casos com seus familiares. Os edifícios públicos eram simplesmente ocupados pelos Movimentos; coisa sem lei nem roque! A cintura à volta de Luanda erguida pelo MPLA era uma realidade! E, tinha gente treinada na Metrópole propositadamente preparada para fazer parte deste MPLA; militares pagos pelo M´Puto e inteiramente destacados naquele Movimento como se dele fossem, com fardamento próprio do MPLA. Ainda ninguém trouxe isto às claras porque o sigilo estava por demais resguardado e, só alguns oficiais o sabiam.

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Nakuru era folha morta! “Numa situação de guerra em Angola, como e a quem se ia entregar a sua governação?”. – Era o próprio Silva Cardoso, Alto-Comissário, que se interrogava falando baixinho para que os demais ouvissem. Neto reclamava a saída deste! Ele queria que assim fosse e, isto era o bastante! A maioria dos oficiais portugueses andava a assobiar ao vento! Triste ironia desta nítida má-fé e, de quem ainda anda por aí recebendo benesses e até medalhas de bom comportamento.

luis33.jpg O golpe de misericórdia à FNLA foi dado a quatro de Julho de 1975 com a batalha de Luanda em que foram usadas de forma continua armas pesadas. A violência, a morte, o saque, a tortura física e a justiça privada foram os factores de realce nas áreas envolvidas nas confrontações. Foi neste então que o MPLA obteve a hegemonia absoluta na capital.

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Na manhã do dia Dez de Julho o tiroteio alastra aos bairros da lixeira, Cuca e Cazenga com metralhadoras pesadas, canhões sem recuo, morteiros de médio e longo alcance, granadas-foguetes LGF. O tiroteio alastra também para a Avenida Brasil e Bairros do Rangel, Marçal, Adriano Moreira e Vila Alice. A guerra chega ao asfalto! As FMM (Forças Conjuntas) receberam ordens para abater todo o civil encontrado com armas de guerra em sua posse.

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Havia atiradores furtivos situados em edifícios altos alvejando quem passava na estrada de Catete e outras vias urbanas consideradas estratégicas. Coisa absurda mas premeditada, foi a entrada em guerra dos profissionais de saúde do Hospital Maria Pia. O Hospital Militar estava absolutamente lotado. Confirmava-se o poderio crescente do MPLA com a surpreendente e generalizada fraqueza da FNLA.

chai1.jpg Foi além do mais com todo o poderio bélico uma conquista pela força da liamba; a grande maioria dos homens do MPLA, consumiam disto sem controlo! Eram todos Rambos no meio de tanta fumaça encorajadora. Tudo valia! Andava tudo ébrio com o espírito conturbado de doideira feita coragem. A população sentia um sentimento de insegurança, coisa nunca vista antes do “vinticinco” e, não eram só os brancos, não! Até porque a grande mortandade foi entre a etnia negra.

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O Ministro do Governo de Coligação José N´Dele disse apreensivo a Silva Cardoso que depois do MPLA forçar a saída do FNLA da Luua, não tinha duvidas que se lhe seguiria o seu Movimento; o da UNITA. A Dez e Onze de Julho de 1975 a intensidade de fogo aumentou, dizem ter sido maior que no desembarque de Nurembergue quando da segunda guerra mundial.

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As NF em Luanda recusavam-se a pôr termo aos combates dando livre curso às pretensões do MPLA. A FNLA denuncia em Paris que nos recontros recentes de Luanda tinha havido intervenção directa de alguns oficiais portugueses a favor do MPLA. A CND - Comissão Nacional de Descolonização, já não tinha quórum para reunir. Dois blindados do MPLA foram vistos na Quinta Avenida, perto do Cazenga. Nestes dias, a fase triunfalista do MPLA atingiu seu máximo na Base Aérea nº 9.

retornar10.jpg Naquela Base eram acolhidos os habitantes do Bairro Prenda enquanto o MPLA atacava a Delegação da FNLA que acabou por ser destruída. Havia uma nítida coordenação entre os populares desalojados e a actuaçâo dos militares. Os desatentos ou alheios caiam no fogo cruzado. Silva Cardoso, duas semanas após o acordo de Nakuru referia: - Que não evocassem o Alvor “para responsabilizar a parte portuguesa”. Bom! Também aqui e agora que são passados mais de 41 anos, dá para rir ou fazer muxoxo destas afirmações.

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É neste então, curiosa a atitude que o MPLA que, criando graves problemas, costurando e bordando do seu jeito, continuava a querer que fossem os portugueses a resolvê-los. Não dava para ter um pingo de credibilidade nesta gente de Túji! Enquanto isto no M´Puto, em Rio Maior é assaltada e destruída a sede local do PCP. Foi aqui que se deu o início da escalada anticomunista do “Verão Quente”.  Entretanto Otelo saraiva ia a Cuba tratar da nossa saúde: os brancos de Angola, pois claro! No regresso da sua viagem a Cuba declara: “Mário Soares é uma das esperanças da direita em Portugal (…) O CR não mostrou a eficácia que todos esperávamos.” Isto tinha água no bico!...

retornar9.jpg A 18 de Julho a Assembleia Extraordinária do MFA discute a proposta do CR de estabelecimento de um Directório (Triunvirato) constituído por Costa Gomes, Vasco Gonçalves e Otelo Saraiva de Carvalho, encarregado de “definir uma orientação política e ao qual seriam dados amplos poderes, mantendo-se o CR, do qual aqueles também faziam parte, para decidir os assuntos de maior responsabilidade”. Ainda bem que tudo isto, só ficou no papel!

 (Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Domingo, 9 de Outubro de 2016
MULUNGU . LII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial. É comum ouvir-se dizer que o jindungo provoca hemorróidas… Isto não acontece em toda a gente, embora se diga que pimenta no cu dos outros é refresco…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange . (Este artigo foi retirado da Net – Popiangola e Biomedichina - com ligeiras alterações)

caiena1.png  A pimenta caiena – pimenta picante é uma erva medicinal e nutricional. É uma fonte elevada de vitaminas A e C, complexo B, rico em cálcio e potássio, que é uma das razões do seu benefício para o coração. Estudos comprovam que pode haver reconstrução do tecido do estômago, com a utilização da pimenta caiena.

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Aumenta a acção peristáltica no intestino, ajuda na produção de ácido clorídrico, tão necessário numa boa digestão, como assimilação principalmente das proteínas. Tudo isso se torna muito importante na saúde mental, emocional e física, pois é através do sistema digestório que o cérebro, glândulas, músculos e todas as outras partes do corpo são alimentados.

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É considerada de efeito diferenciado pela sua capacidade de impulsionar a circulação e melhorar a acção do coração, por exercer acções desejáveis para o sistema cardiovascular inteiro, diminuindo a pressão arterial. O meu amigo estava certo! Tradicionalmente é utilizada para tratamento de fadiga, com restauração da energia e vigor. É um estimulante natural, sem efeitos colaterais (palpitações, aumento da pressão arterial).

jindungo0.jpg A Caiena é originária da Guiana francesa, mas similar de outras variedades picantes, pungentes e pouco frutadas, podem ser encontradas em cultivos no Brasil, Congo, Índia, Japão, Honduras, Guatemala, México, Quénia, Uganda, Zanzibar (Tanzânia) e EUA. Normalmente quanto mais pequeno o piripiri, mais picante é para o paladar. É um pimentão em pó muito fino que se obtém da variedade Capsicum frutescens, sendo uma das muitas variedades de pimentões, incluindo paprika, pimentos vermelhos, tabasco, piripiri, pimentão-doce, etc.

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Os frutos da planta caiena são vagens, que caiem de talos erectos e lisos, protegidos por folhas oblongas. As vagens variam em comprimento duns poucos milímetros até 15cm; normalmente são de formato cónico. A variedade mais intensa é a que se cultiva no Uganda. Estas contêm até 1% de capsaicina, quando a maior parte das variedades comerciais de pimenta Caiena contém menos de 0,5%.

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Estas pequenas variedades de pimentos picantes são chamadas de piripiris. A sua cor vai do vermelho brilhante ao negro, com numerosas sementes amarelas. O aroma ao princípio é agradável, quente e apimentado, tornando-se acre e irritante se inalado por tempo demais. O sabor é intensamente pungente, acentuadamente ardente, penetrante e preponderante com um efeito demorado e longo, profundo na garganta, mas não muito perceptível na boca.

jindungo3.jpg Antes da descoberta da América, os nativos das Índias Ocidentais, usavam-na para temperar as suas carnes, da mesma forma que a pimenta era usada noutras regiões. No início da colonização da Jamaica, o sumo picante destes pimentões era deitado nos olhos dos escravos como punição por desobediência, mau comportamento ou delitos. Se se secar pimentões picantes, e os moer, obtêm-se a matéria-prima para a pimenta-da-caiena, com a qual poderá fazer molho picante ou pó de pimentão picante. Também conhecida como “as lal mirch” na Índia e “pisihui” no Sudeste da Ásia.

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Sobre a pimenta da Caiena diz-se que ela era usada pelos cozinheiros dos carros de provisões, nas caravanas com o gado, através das planícies do Texas, para dar sabor a algumas das carnes muito sem gosto, como era o caso da cascavel. Muitos cozinheiros plantavam sementes de variadas plantas ao longo dos trilhos do gado para que pudessem ter ervas frescas e especiarias a crescerem livremente, espalhadas pelos EUA. Algumas delas podem muito bem não ter sido originariamente plantas nativas.

jindungo skorpios1.jpg A pimenta-da-caiena tem sido usada na cozinha ocidental desde o século XVIII. É quase tão picante como qualquer outra das malaguetas moídas, e é às vezes usada como condimento para ir à mesa. Pode também ser adicionada a qualquer prato de carne picante, ao qual queira acrescentar picante sem necessariamente colocar um sabor extra; pode ainda adicionar uma mera pitada ao molho de queijo e maionese picante (em vez de mostarda) para lhes acrescentar cor.

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Usa-se como tempero agradável em vários pratos, complemento básico em muitas conservas caseiras; convêm no entanto não esquecer que é bastante picante… Os frutos picantes do Capsicum eram considerados por alguns, como sendo um estimulante para aparelhos digestivos preguiçosos, e eficaz no tratamento de dores de garganta, malária, cólicas e alcoolismo. É também adicionada a unguentos para o tratamento de nevralgias, frieiras e lumbago. Isto porque os pimentões picantes contêm capsaicina, que é um elemento químico que se comprovou fazer aumentar a circulação sanguínea, quando em contacto.

jindungo4.jpg Pode pôr de infusão a Caiena para fazer um chá quente e picante para estimular o apetite, aliviar dores de estômago e intestinos e atenuar as cãibras. Diz-se que uma cataplasma de Caiena alivia o reumatismo e o lumbago. Às pessoas com peles sensíveis, esta cataplasma pode causar uma reacção alérgica.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:15
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Sábado, 8 de Outubro de 2016
MALAMBAS . CXLIII

CINZAS DO TEMPO08.10.2016 - Faz falta aceitar que para além do mais temos instintos - O tempo é uma grave doença. «O tempo escapa-se entre os dedos! dis-se...» O eterno conflito não é um teste imposto por Deus, mas por nós...

MALAMBA: É a palavra

Por

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

relog0.jpg Para manter algum interesse em estórias humanas, os escritos de ficção têm de supor que um dia se irá descobrir como viajar mais rápido do que a luz. Cada um de nós tem sua própria medida de tempo e quase ninguém fica contente com o tempo que lhe coube acrescentando-o ou cortando-o aos pedaços como se fosse um pudim; divide e subdivide-o em cada dia segundo seus planos de vida.

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Segundo a relatividade, nada pode viajar mais rápido do que a luz. Se enviarmos uma espaço-nave à nossa estrela mais próxima, Alfa Centauri, que está a quatro anos-luz de distância, esperaríamos pelo menos oito anos até que os viajantes voltassem e nos contassem o que por lá encontraram.

regua.jpg Mas, aqui na terra o segundo continua a ser mais pequeno que o minuto e este mais pequeno que a hora. Se uma vida é engolida em um século, como vamos então fazer as contas com anos-luz e barafustar com o Nosso Senhor porque não nos deu o tempo certo! Porque reclamamos nós de que o tempo não nos chegou para fazer isto ou aquilo. A todo o momento olhamos a pequena máquina achatada em nosso pulso e redonda onde podemos ler o tempo, reclamando que tal tempo já se passou.

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Muito cedo, o homem fica escravo dessa coisa do tempo e, é ele mesmo que se prende às peles de coiro ou pulseira doirada do relógio. Que são os avanços da tecnologia diz-se! Por todo lado se vêm suspensas máquinas dessas com um dedo grande e outro pequeno para nos lembrar que essa coisa anda e, todos correm; só tenho onze minutos e edecéteras de se calhar, atrasou.

relogio areia.jpg Mas, naquele dia de Setembro estando eu em Toledo e na Igreja-Mosteiro de São João de los Reis católicos em pleno bairro Judio, parei o tempo para ler o que Santo António de Lisboa e Pádua escreveu lá para trás: “O grande perigo do cristão é predicar e não praticar; crer, mas não viver de acordo com o que se crê. Um cristão fiel, iluminado pelos raios da graça, é igual a um cristal; deverá iluminar aos demais com suas palavras e acções, com a luz de seu bom exemplo.”

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Lá em cima nesse momento exacto a máquina do tempo solta um som metálico de bronze dando as doze badaladas do meio-dia. Um espírito bate num ferro que há lá dentro, fazendo-o ressoar o tempo. Noutro tempo as pessoas ajoelhar-se-iam; benzendo-se rezariam uma Ave-maria dando graças de agradecimento.

relogio sem.jpg Mas alguém disse e eu ouvi! “Mais uma hora, bolas! Necessito de tempo para ver o museu Sefardi e o de El Greco…” E, havia um ar quase triste, como alguém condenado a uma tragédia mas, logo a seguir, principia uma nova hora! Foi quando me detive a pensar nesta grave doença do tempo. «O tempo escapa-se entre os dedos!» - «Escapa-se como um cavalo». «Dá-me um pouco mais de tempo». Estes, são os queixumes de todos nós. Estava na hora de almoçar.

O Soba T´Chingange (Otchingandji)

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:24
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2016
MUJIMBO . CI

DO M´PUTO - DO LIVRO PROIBIDO . III

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kimbolagoa

DE

saraiva1.jpg JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje. «O melhor do jornalismo é aquilo que não se pode escrever»

Sobre Sócrates - Mais um episódio esquisito

soba k.jpg (…) Nas vésperas de Sócrates assumir a liderança do PS, em Setembro de 2004, Margarida Marante liga-me a dizer que ele acha que há da parte do Expresso (e de mim próprio) alguma animosidade em relação à sua pessoa e sugere um almoço entre nós. Porquê este contacto de Margarida Marante? Porque, quando fora directora da Elle, M. M. trabalhara com a jornalista Fernanda Câncio, tornando -se sua amiga. Entretanto, Marante casara com Emídio Rangel e Câncio começara a namorar com Sócrates.

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Os dois casais passaram então a encontrar -se com alguma frequência. M. M. e Rangel tinham alugado uma vivenda na Biscaia, para os lados do Guincho, e Sócrates e Câncio eram visitas lá de casa. A vivenda tinha uma localização esplêndida perto do mar e fora alugada à ex-actriz Manuela Marle, que lhe dera o nome de Casa Boulangerie. A decoração fora encomendada por Marante a Graça Viterbo. Ora, dado encontrarem -se frequentemente, Marante passou a funcionar - julgo que por amizade - um pouco como «assessora de comunicação» de José Sócrates.

socie3.jpg Faço um parêntesis para falar de Fernanda Câncio. Conheci-a no Expresso, onde começou a trabalhar como estagiária antes de se mudar para a Elle. Nessa altura, namorava com Abílio Leitão, que também trabalhava no Expresso como copy desk e vivia em casa de um colega, onde Fernanda Câncio ficava também muitas vezes a dormir.

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Sucede que Abílio tinha um fetiche pela fotografia (aliás, viria a ser fotógrafo free-lancer) e dedicava -se a tirar fotografias das relações com a namorada. E não tinha o cuidado de esconder as fotos, deixando -as a revelar em cima dos móveis. Um dia, a empregada que ia fazer a limpeza foi entregar ao dono da casa um maço de fotografias que tinha apanhado e que considerava impróprio estar espalhadas pelo quarto. Devo esclarecer que nunca vi essas fotos, mas o episódio que acabo de relatar é autêntico, dada a fonte que mo confidenciou.

Avillez2.jpg Voltando ao almoço com José Sócrates e Margarida Marante, este realizou-se no Vela Latina, em Belém, na segunda-feira seguinte (25 de Setembro de 2004) ao fim-de semana em que Sócrates foi eleito líder do PS. Era, pois, o seu primeiro dia na liderança do partido. Estranhei a sua disponibilidade, pois o primeiro dia de um líder é normalmente muito atarefado.

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Ele e M. M. entraram juntos no restaurante, eu já lá estava, instalámo-nos à mesa, ela levantou-se de seguida para ir ao WC e Sócrates, aproveitando estar sozinho comigo, diz-me o seguinte: «A Margarida Marante insistiu neste almoço, mas eu devo dizerlhe que não tenho qualquer problema com o Expresso, antes pelo contrário. Sempre me senti bem tratado...» Fico estupefacto!

avillez00.jpg Então a Margarida tinha inventado tudo? Não era possível. Até porque - como resulta do que foi dito - ela sabia muito bem nessa época o que Sócrates pensava. E, sendo uma mulher perspicaz, com muita experiência na área da política, não se equivocaria com facilidade. Não era plausível que tivesse interpretado mal os seus sentimentos. Concluí, pois, que Sócrates estava mais uma vez a representar uma farsa.

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Não havendo necessidade de esclarecer nada, o almoço decorreu de forma cordial. A dada altura, porém, Sócrates sugeriu que jantássemos brevemente, pois ao jantar havia mais tempo e mais disponibilidade para conversar com tranquilidade, sem a pressão do tempo.

carn1.jpg Esse jantar teve lugar poucas semanas depois na Bica do Sapato, restaurante da moda na zona oriental de Lisboa, para os lados de Santa Apolónia, junto à discoteca Lux. Os comensais foram os mesmos: eu, Sócrates e Margarida Marante. Colocaram -nos numa mesa muito exposta, mesmo no meio da sala. Descrevi assim esse encontro no meu Diário: 9 de Novembro de 2004, Jantar com José Sócrates na Bica do Sapato, por «intermediação» de Margarida Marante. Foi uma refeição algo desconcertante.

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Começou com um happening: quando estávamos a falar sobre o Diário de Notícias e os episódios relacionados com a demissão da direcção e a nomeação de uma nova (eu elogiava o novo director), surge no restaurante essa nova direcção do DN: Miguel Coutinho, Raul Vaz e Pedro Rolo Duarte. No jantar, Sócrates e Marante «pegaramse», numa discussão sobre a Justiça. E Sócrates mostrouse muito naïf quando disse que num mestrado que fez (ou está a fazer) lhe explicaram como se cultivam relações.

(Continua…)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:56
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2016
CAFUFUTILA . CXVIII

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA - 13ª com várias partes…

ANDANÇAS COM KIANDASEm Córdova com Zachaf Pigafetta Roxo, kianda tetravó de Roxo e Oxor, seu mano Pieter e, um tal de Conde de Sant German.

Ongweva é saudade   

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange (Ochingandji)

zé peixe 1.jpg Este mussendo teve início no lugar de Guaxuma com a Kianda sereia Roxo; depois sua irmã vista ao espelho Oxor e Zé Peixe o marinheiro prático que levava grandes barcos desde alto mar até Aracaju de Sergipe. Depois evoluiu diluindo-se nas brumas do tempo com gente holográfica, muito antiga, conhecida de outras andanças como o Januário Pieter que nasceu em 1712, tendo agora seus 304 anos. Em Granada tendo Alhambra por perto, houve um encontro muito ansiado em "El Pátio Riconcillo" com a tetravó da Sereia Assunção Roxo.

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Ela, a tetravó de Roxo chamava-se Zachaf Pigafetta e era visível só para mim e Januário Pieter. Foi de alguma cautela que falamos de coisas muito antigas do lago Niassa que antes era conhecido por seu primeiro nome de Zachaf; daquelas águas misteriosas tinham saído enredos que me prometeram contar de forma sucinta pois que haveria que descrever com mais pormenor suas vidas nas águas do Kwanza, estórias de Massangano com Tugas e Mafulos. A surpresa das surpresas deu-se num repentemente, quando Januário disse: Eu e Zachaf Pigafetta somos irmãos!

roxo66.jpg Podem imaginar a minha admiração quando ouvi isto. Andei tanto tempo subindo e descendo calçadas empinadas de Toledo, esperando que o concílio das Kiandas no palácio de Alcázer acabasse, eu ali com seu mano Pieter que nada me disse. Estes mistérios de kianda nunca irei entender por completo e, foi necessário ir a Granada para retirar um pouco mais destas kalungas. Não esquecer que o mestre pintor Costa Araújo na sua ancestral passagem por ali, foi testemunha destas falas. Eu explico: Este mestre pintor em uma geração ida e lá paratrás foi ajudante de El Greco.

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Tenho de rever estes episódios para não me mentir. Foram dias de maravilha, mas só em Granada e, tempos depois, é que Pieter me apresentou à irmã Zachaf. Falámos entre várias coisas das suas itinerâncias a partir de Cabo Ledo e Massangano, sua segunda terra, ficando no ar promessas de novas e velhas notícias. Sendo estes, uma junção de espíritos na forma de água, divindades abstractas tudo lhes é possível. Em pensamento navego com eles de vez em quando mas não me é permitido decidir quando e aonde.

kianda2.jpg Minha mana tem outras estórias que decerto te encantarão, disse naquele então o irmão de Zachaf Pigafetta. Estamos aqui para isso; mungweno! Foi assim que nos despedimos. Passou algum tempo! Recentemente, visitei de novo Toledo com passagem por Córdova. Fiquei por aqui, Córdova, dois dias no Hotel Boston, um lugar bem aprazível e, aproveitei ver a toalha de água do rio Guadalquivir logo depois da cascata; via dali a ponte romana, Alcázar, a Mesquita com Catedral e o bonito Arco do Triunfo. 

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E, foi quando remexia as quinambas, pés descalços nas águas meio turvas do rio, que senti um ligeiro sopro na orelha direita. Vindo do espaço, seu duilo feito céu, com todos os seus anéis relampejantes, ali estava meu conselheiro das profundas angústias. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contraluz cintilando um desassossegado arco-íris. E, foi quando reparei um pouco mais atrás sua mana Zachaf acenando sua mão muito pintada com caracteres meus desconhecidos como se tivesse vindo de Marrocos. Naquele sopro inicial deu-me um arrepio de furto; não fosse uma cigana romena vendendo flores com seu umbigado capianguista de mão ligeira.

kianda05.jpg Um turista tem de andar sempre meio desconfiado porque as mochilas atraem mãos estranhas. Não era o caso mas, vi acontecer! Levantei-me saltitante entre pedrinhas afiadas e dei um grande abraço a ambos. Também andavam fazendo turismo e sabiam lá do seu jeito que eu, estaria por ali. Calcei-me e fomos direitinhos a uma esplanada aonde nos sentamos em El Campo de Los Martires. Conversamos coisas fúteis tendo-me perguntado por o ajudante de El Greco, Costa Araújo de Toledo, um ancestral antecessor.

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Nunca mais voltei a ver o antigo Araújo mas o novo cidadão, o herdeiro dos pinceis daquele mais velho estava em Brácara Augusta. Nem foi necessário explicar aonde era esta Brácara; estava sabedor que ficava numa terra escandalosamente verde do Minho! Este meu “Guru”, já me tratava como se fosse da família, um cipaio do seu arimo (lavra, horta, n´nhaca). A Kianda Zachaf que até ali se tinha mantido calada queria saber novas de sua descendente Assunção Roxo. - Anda numa boa, curtindo a vida com suas psicadélicas pinturas, coisas de cores vistosas muito belas, virtuais ou digitais, disse eu. Vi nela os olhos arregalados de contentamento.

MIRAN3.jpg - Quando estiveres com ela, dá-lhe um efusivo abraço, pode ser mesmo esse teu XXL, que desde já fica perfumado por mim, disse em conclusão. Na dúvida e tratando-a por vosmecê perguntei do porquê não ser ela a falar-lhe, uma vez que viaja no espaço-tempo com um simples estalar de dedos. – Ela, eu sei, anda a preparar-se com suas aventuras de roxomania mas, ainda não está na fase de termos um informal encontro! Creio ter-se referido ao estágio emocional e espiritual de Roxo.

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Sei que ela, vai e vem para as terras de N´Gola, recomendo-lhe cuidado na terra dos kuzucutas kaluandas -eles andam um pouco carecidos de gasosa e quando não lhe dão, roubam, diz-lhe que ande com pouco cumbú; eu irei preservá-la mas, nem sempre controlo as tentações dos malvados, sabes! Disse ela em tom de remate! Andam por ali muitos simbis maldosos com espírito ancestral de origem Kikongo, do Zaire, antigos revolucionários que morreram sem o querer; guerrilheiros na diáspora.

zé peixe9.jpg E, havia muito para falar mas isto de se ser turista, tem coisas! Não é que surge um tipo com trancinhas, moreno, quase preto, falando francês e uma outra língua estranha. Apresenta-se: diz ser o Sant German dessa forma também gelatinoso e invisível para as outras gentes. Papagueou assim num tu-cá-tu-lá familiar; pelos vistos, até se conheciam! Mas eu fiquei quase a zeros! Que vinha de Moçambique; era um matumbola mutalo; um mestre da grande fraternidade branca, responsável do sétimo selo, com chama violeta! Era demasiado para mim - um quase preto a falar na grande fraternidade branca. Ui! Ai-iú-é …

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Mas, o curioso é que eles conheciam-se! Dualidades que não percebia por completo. Diz ele virando-se para Pieter: - Por recomendação dum kamba muxiluanda, fui num vaivém minkisi vip ao Xipamanine (mercado de Moçambique), lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine. Estás a ver Meu !?  O resultado é isto! Referia-se ao seu actual aspecto nada condizente com um Conde branco N´si. Perante a minha surpresa ambos manos tetravós, fizeram questão de me explicar mas, eu tinha um compromisso. Desculpem-me, tenho de ir, há gente à minha espera; temos de seguir para Madrid.

paraiso1.jpg Vai! Disseram os três quase como se estivessem em sintonia! – Está certo, tenho muito a falar com vocês mas agora, olhei o relógio e abanei o dedo em repetição para o meu Guru. O tempo para nós não conta, disseram em conjunto (fiquei intrigado por falarem quase a uma só voz) ; ver-nos-emos em Madrid! Lá falaremos de N´Gola disse Zachaf. E, dos seres encarnados hoje no Planeta Terra a uma Nova Era, de Paz, Harmonia e União disse o coisa estranha de Sam German. Esta nova figura “Conde de San German”, veio complicar minha cabeça já de si azucrinada. Pareceu-me ser um fumador de pura liamba. Seria? Meio zonzo, dirigi-me ao Hotel situado em La Plaza tendilha, ali bem perto da Fénix… Como as coisas assim do nada, se complicam!?

nassau3.jpg GLOSSÁRIO

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos e permanece até o toque do medo, adrenalina, guardador de caminhos com saber do ontem, do hoje e do amanhã; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Kalunga: Junção de espíritos na forma de água, simplesmente água ou mar, espírito forte no reino dos mortos, divindade abstracta podendo ter a forma humana. Globália. - O Mundo; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e Zaire; Fénix: o pássaro que depois de queimado sai vivo das cinzas, renasce; Miamas: branco (Moçambique); Xi-Lunguine: Maputo, Ex Lourenço Marques; Kamba: amigo; Matumbola: um morto-vivo, tipo de assombração. Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, que vive de expedientes; Muxiloanda: O mesmo que kaluanda, natural de Luanda (Luua); Cipaio: Autoridade local, trabalhador da Administração que mantem a ordem no kimbo ou tribo, fiscal; Mafulo: nome dado aos Holandeses (Brasil); Mussendo: Um conto ou longa estória, biblioteca oral, conto dos mais-velhos ou kotas.     

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)     

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:40
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Terça-feira, 4 de Outubro de 2016
MALAMBAS . CXLII

CINZAS DO TEMPO04.10.2016 - Faz falta aceitar que para além do mais temos instintos - O eterno conflito não é um teste imposto por Deus, mas por nós...
MALAMBA: É a palavra.
Por

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

araujo 25.jpg Domingo fui à praia e, olhando o mar e céu juntinhos no horizonte lembrei-me da singularidade no início do Universo junto com a singularidade do fim deste: O Big Bang e o Big Crunh. Logo neste Domingo, um dia de Outubro encalorado. Com as fontes a zunir pela tensão alterada, viajando-me no tempo, ficcionava a possibilidade de conduzir-me sem o querer dos universos paralelos; Assim como num buraco de minhoca, como dizem os físicos para definir um tubo fino que liga regiões distantes no chamado espaço-tempo.

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Por vezes vejo-me assim só, indefinido num evento especificado por seu momento; nesta confusa singularidade desse tal ponto em que a sua curvatura se forma infinita e, fico num lusco sem fusco e numa região da qual nada, nem a luz pode escapar porque, a gravidade é forte demais nesse tal de buraco negro. Não é fácil entender a mente que voa sem fronteiras e, é talvez a única tarefa que restará à filosofia para análise desta linguagem.

amiz3.jpg A maioria dos cientistas até o momento, andam ocupados na elaboração de novas teorias a fim de descrever o que é o Universo para poder perguntar do por quê? Os filósofos, a este por quê ainda não foram capazes de acompanhar o avanço das muitas teorias científicas. Qualquer linguagem terá de sempre ser comedida, de obedecer a uma lógica baseada em factos demonstráveis. E, nem sempre o é deste jeito! 

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O escritor criativo por exemplo, o compositor ou o artista visual, comunica através de abstracções ou distorções deliberadas; as suas próprias percepções e sentimentos que esperam conseguir evocar. O valor de seu trabalho é julgado pelo poder e a beleza de suas inventações, suas metáforas. Cabe aqui recordar Picasso que disse, ou se pensa ter dito: a arte é a mentira que nos mostra a verdade.

amigo da onça.jpg Efectivamente nós humanos, somos uma espécie cuja curiosidade é insaciável pelo que nos cerca, por nós mesmos e de quem nos cerca ou gostaríamos de conhecer. O tema da bisbilhotice, das biografias, dos romances ou novelas, do culto à celeridade, das guerras e suas histórias ou o desporto da cultura moderna. Numa crescente onda de informação, as especificidades ocorrem a um ritmo quase semelhante ao da multiplicação de bactérias.

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Por seu lado as artes criativas continuarão a florescer com brilhantes expressões da imaginação humana, umas reais, outras psicadélicas, acrílicas, ou digitais. Esta criatividade humana é gerada pelo inevitável conflito entre os vários níveis de selecção natural. Tudo isto para dizer que o conflito é necessário, seja a nível individual ou colectivo.

arau44.jpg Possivelmente, o conflito é a única maneira através do qual e, em todo o mundo, a inteligência de nível humano e sua organização social, podem evoluir. Temos de conviver com este tumulto que nos é legado ou inato, a principal fonte de nossa criatividade. O eterno conflito não é um teste imposto por Deus, mas por nós.

Duas ilustrações de Cossta Araujo

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:44
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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