FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
O LIVRO DOS GUERILHEIROS
Começo por exclarecer que mazombo é o nome dado aos filhos de brancos Portuguêses nascidos a partir de 1640
Neste livro de Luandino, mazombo surge como um vocábulo depreciativo de palerma mas, está àquem do termo verdadeiro atendendo à semântica comungada entre Brasil e Angola com Governadores Gerais comuns. Estes, normalmente eram os Capitães da armada Real que assumiam ambos os cargos e daí transladarem homens feito escravos, para suas capitânias do Brasil.
O livro de LUANDINO
As armadas eram subdivididas e, do regresso do Brasil levavam n´zimbos, buzios de boa cotação para aquisição das “peças”, o nome dado aos escravos. Este dinheiro veio a ser substituido por libongos ou panos, e mais tarde dinheiro em bronze, com o nome de macuta.
Nesta crónina bregeira, sou um mazongo bezugo com direitos irreconhecidos à nacionalidade Angolana mas, quero lá saber disso,... Já sou soba à muito tempo pr´álem de ter sido vizinho deste meu patrício e amigo Luandino Vieira na rua de Oliveira Barbosa, paralela ao rio seco, não muito distante da Cacimba da Maianga ou Manhanga e perpendicular à António Barroso. Bem,... eu morava na rua José Maria Antunes, uma rua que quando chuvia também parecia um rio.
A dedicatória do livro faz-me justiça pois que logo a seguir aos rios velhos vem: - Ao C. M. (T´Chingange), camundongo e amigo, assinado um êlle com rabiscos em forma de êmmes e um Òoo mal fexado no final,... um traço por debaixo.
E, uma pequena parte do livro fala assim:
«...”era uma vez no tempo que não tinha minas nas picadas, a gente ainda andávamos descalços de medo. Neste tempo agora, ele, Makongo, cheirava o chão mata e ar, mas sempre queria se vanguardiar, todo voluntário em itenerário perigoso. Nosso comandante, o camarada Ndiki Ndia, assimilado como era, aceitava. A gente, deixávamos; ninguèm pedia crítica ou autocrítica – na vida não deve se contrariar miondona de cada qual, ponto de ordem. E a dele, as dele, de geração eram, isso era: o Kinjila Solongongo que no voo não pia só, arripia também. Porque três vezes o voo da mina, por perto ou por longe, e ele já se cambalhotava no pó, placado nos zungais depois do estoiro. No minuto de antes saquelava, era quimbanda de perigos. Se diz que nessas horas ouvia-se sempre o piado do holococo voando muito alto.”...»
O Soba T´Chingange
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