Quarta-feira, 30 de Junho de 2010
CAZUMBI . II

AS ESCOLHAS DO EXMO VISCONDE DO MUSSULU

       “José Saramago: A morte de um homem mau”- 1ª Parte 

 

Morreu um homem amargo e mau, incapaz de sorrir, que

se esforçava  por  tornar  a sua Pátria amarga, como ele

 

 Saramargo

José Saramago, era de facto um homem mau. Provava-o a sua cara vincada incapaz de exprimir um sorriso, prova-o a sua escrita prenhe de ódio e crítica aos valores mais normais e caros à civilização que o viu nascer, valores esses que ele, com as suas idéias, suas declarações e sua obra, renegou em Lanzarote. Será que no fundo, Saramago, para além do seu marcado azedume e soberba, tinha valores? Nunca o saberemos.

Repito, José Saramago era um homem mau. Que o digam os seus colegas, que em pleno período revolucionário foram vítimas de saneamentos selvagens. O homem, nessa época, tinha o estribo nos dentes, e era imparável algoz como sub-director do Diário de Notícias. Tinha por desporto arruinar a vida de quem não era comunista como ele. Foram 87 anos de infecundidade, travestida de um aparente sucesso, revelado pelos livros que vendeu, e pela matreira estratégia de marketing que o conduziu ao Prémio Nobel, em detrimento de outros escritores Lusos, genuinamente com mais categoria e menos maldade crónica do que ele. Penso, por exemplo, no insuspeitos Torga ou Lobo Antunes*.

 

Tentei ler dois livros dessa personagem, para com honestidade poder dizer que, para além de não gostar dele como pessoa, o não considerava como um bom escritor, e que ofendia na sua essência a cultura Cristã da nossa Grei. Consegui apenas ler um, e o início de outro. A sua escrita, para além de ser incorrecta, era amarga como as cascas dos limões mais amargos. A sua originalidade era, afinal, o sinistro das suas idéias; o que, convenhamos, é pouco original. É mais fácil ser sinistro, provocador e mau, do que ter categoria, e valor. Saramago optou pelo mau caminho, como sempre, o mais fácil. E teve aparentemente sorte, na Terra, que a eternidade pouco lhe reservará.

Fiquei contente quando ameaçou (apenas ameaçou, porque na realidade a sua vaidade não lho permtia praticar), nunca mais pisar solo Pátrio. Uma figura como ele, é melhor estar longe da Pátria que em má hora o viu nascer. Afinal de que serve a este Portugal destroçado, um Iberistra convicto, ainda para mais, estalinista? Teria ficado bem por essas ilhas perdidas de Espanha, não fosse uma série de lacaios da cultura dominante chorarempor ele, por aqui por terras lusas, alimentando-lhe a sua profunda soberba.

 o símbolo

Para além da sua obra escrita, de qualidade duvidosa e brilhantemente catapultada por apuradas técnicas comerciais que lhe conseguiram um Prémio Nobel da Literatura, (prémio com cada vez menos prestígio devido à carga política que contém), nada deixou em herança, para além de certamente muito dinheiro, o que é um contrasenso para um qualquer estalinista como ele. Mas a sua existência foi um perfeito logro. Foi uma existência desnecessária. Saramago afastou-se da Pátria, e estou certo de que a Pátria, no seu todo mais puro, que não no folclore da "inteligentsia", não teve saudades dele. Foi uma bandeira da esquerda ortodoxa, e também da esquerda ambígua, essa do Primeiro-Ministro que nos desgoverna. Dessa mesma esquerda que decidiu usar o nosso dinheiro, para trazer em avião da Força Aérea Portuguesa, os seus restos inanimados para Portugal, a expensas de todos nós, e infamemente coberto com a Bandeira Nacional.

 

António de Oliveira Martins – Lisboa

(Continua…2ª Parte)

Lobo Antunes*: ACRÉSCIMO DO SUBSCRITOR

O Soba T`Chingange

 



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Terça-feira, 29 de Junho de 2010
AMÉRICA . IV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “Contradições do Império”

 

A EXPANSÃO DA AMÉRICA

 

A América abriga em seus paióis secretos uma desconhecida quantidade de artefactos nucleares capazes de pulverizar em questão de horas, boa parte do planeta; possui arsenais quimicos e biológicos capazes de eliminar os vestígios de vida na terra. América, é pela força, sem sombra de dúvidas, um império.

O mundo, talvez a propósito, teve oportunidade de ver pela Sky News a fúria de George Bush, que recordou  Maomé em tempos idos como “o primeiro terrorista”; o resultado de tudo isso desabou sobre Bagdá. 

Os peregrinos do Ocidente no século XVII e XVIII, poucos punham em dúvida a existência de bruxas ou feiticeiras, educados no estreito moralismo calvinista e ódio ao sexo, devotando-se pelo puritanismo. Sonhar com as fantasias eróticas, era a única saída sem pecado, tais eram os preceitos fundamentalistas. Os radicais trabalhadores da Companhia das Índias Orientais de Boston em tempos do reinado de George III compunham essa enorme massa de emigrantes, ignorantes. Foi nesse ambiente que se deu a revolta dos “filhos da liberdade” terminando na pira humana de Boston Hill. A resposta à revolta dos estivadores impedindo o embarque do chá de sua magestade de Inglaterra, resultou numa guerra de emboscadas tendo provocado em Bunker Hill no ano de 1775, a primeira derrota do colonialismo Europeu nas Américas.

 

Curiosamente, o povo americano tornou-se livre porque todos tinham armas. Este verdadeiro culto popular por revolvers e rifles fêz nascer herois populares que as lendas engravidaram em feitos tais como: - Daniel Boone, David Crockett, Búfalo Bill, General Custer e Theodoro Roosevelt, todos peritos em tiro e faca.

Depois destes heróis, outros se seguiram até se chegar ao século XXI, bandidos no manejo de armas desvendando o sertão bravio, homens do cangaço que tinham no uso do colt o seu modo de vida. Quem não se lembra das tantas histórias de cawboys dos filmes e livros de bolso que animavam a leitura dos jovens de há cinquenta anos, com seus xerifes de estrela de cinco pontas mais os rangers, marchais e os caçadores de bandidos, assaltantes de bancos, o saloon com suas bailarinas de can-can de saias folhadas e liga na perna que se esgueiravam com o vilão ao piso superior para curtir mazelas da aridez do deserto. E, o enforcamento quase sumário dos ditos bandidos quando apanhados.

AS DUNAS DO SOBA

Recordemos os irmãos Jesse e Frank, Bloody Bill, Quantrill, os irmãos Younger ou os gangsters Dillinger, Buth Cassidy, Sundance Kid ou Shane.

A Carta Constitucional Americana foi redigida na Convenção realizada em Filadélfia, no estado de Pensilvânia em 1787 tendo como primeiro presidente George Washington em 1789.

Na América o colt (e o dolar) sempre falaram mais alto que qualquer outra ideologia ou culto, tendo em 1791 por emenda constitucional assegurado ao cidadão o direito de portar armas ou reunir-se pacificamente para reclamar do governo, providênciando também alguns direitos fundamentais tais como a liberdade de relegião, de expressão e de imprensa.

Foi Thomas Jefferson que deu início Constitucional à América redigindo a Declaração dos Direitos do Cidadão Americano que, em relidade era uma carta de alforria aos cidadãos modernos, emigrantes que chegavam à Nova Inglaterra para apagar os traços do passado recente que os ligava ao Velho Mundo, tão cheio de despotismo e servilismo feudal, uma autêntica escravidão. Esta lei ou grito de liberdade, foi talvez o maior evento engrandecedor da América que hoje conhecemos.

Bibliografia consultada: América - A história e as contradições do império por Voltaire Schilling

 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:39
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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010
DIVIDAS ENVENENADAS . III

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        PORTUGAL E A GLOBALIZAÇÃO

Ficheiro:IMF HQ.jpg EDIFÍCIO DO F M I

Washingtom - U S A

O argumento padrão a favor do livre comércio baseia-se na eficiência mas, ainda mais importante na determinação do ritmo de crescimento dos países em desenvolvimento é a rapidez com que se copia o conhecimento e a tecnologia dos países industrializados ou mais avançados. Este, é um recurso dos países pobres para ascenderem.

É evidente que pouco adianta ter indivíduos altamente instruidos sem ter empregos para eles. Sem empregos apropriados os países em desenvolvimento perderão para os países desenvolvidos esse capital intelectual tão necessário; seus filhos mais brilhantes evadir-se-ão. De forma contraprodecente os países em desenvolvimento acabam subsidiando os desenvolvidos tornando-os ainda mais ricos. A “evasão de cérebros” revela uma má gestão de um qualquer país dito bem governado.

Thomas Jefferson, o 3º presidente dos Estados Unidos, descreveu o conhecimento como uma vela: -“ao acender outra vela, a luz da vela original não diminui”.  Muitas velas, significará mais luz, mais conhecimento com melhor eficiência econômica. Ninguêm pelo facto de ter descoberto a luz dessa vela, têm o direito de reserva patrimonial e limitar o seu uso ou restringi-lo alegando um qualquer regime de propriedade.

 

Já não estamos na era de patentear o conhecimento, gente ou genes; os pesquisdores apenas idenftificam o que já é da natureza. Patentear é refrear ou monopolizar a inovação. As grandes corporações gostam de monopólios pois que lhes sustentam o lucro e, no mundo de hoje, verifica-se um uso e abuso de patentear tudo, um nitido freio inibidor à sociedade. Como exemplo, temos os laboratórios farmacêuticos que auferem lucros avultados dos conhecimentos retidos de plantas oriundas do 3º mundo sem lhes restutuir qualquer parte de ganho; As industrias farmacêuticas dão-se ao despudor de usar gentes de África ou do restante 3º mundo em geral, para testar novas medicinas e, de forma descontrolada eventualmente, provocam coisas mortiferas como tanto se fala do ébola, a SIDA ou até mesmo a gripe A entre muitas outras alergias mal estudadas; é o que se fala em surdina.

Grandes laboratórios estão retirando dos países em desenvolvimento seus conhecimentos tradicionais, suas plantas nativas em forma de pirataria sem nenhuma compensação aos legítimos proprietários dessa flora mundial, nos países tropicais  da América, Ásia e África.

 OS OURIÇOS

PINTURA DO SOBA

Mesmo em generos alimentícios há empresas multinacionais, a exigir o inaceitável como por exemplo: o arroz basmati que é consumido na Índia há centenas, ou milhares de anos mas no entanto, em 1997 a empresa americana Rice Tec, ganhou patente sobre este tipo de arroz; Neste absurdo trato, a Índia chocada, recorreu à justiça, ganhando a briga com alto custo judicial, um claro absurdo de relações jurídicas globais.

Os interesses de países e empresas multinacionais tentarem moldar a globalização duma maneira que comprometem os valores mais básicos, levando-nos a acreditar que a equidade, não faz parte do vocabolário dessas empresas. Os padrões civilizados que deveriam norteá-las no dia a dia da sociedade actual ficam comprometidos. Políticas ambientais saudáveis são exênciais para um desejável desenvolvimento sustentável. Os bens comuns, ar, mar, água da Globália deverão ser geridos por uma supra Instituição isenta de interesses para um específico país.

(Continua…)

Bibliografia de referência:  Globalização como dar certo   de  JOSEPH E. STIGLITZ  da  companhia  de  letras - Brasil

(Prémio Nobel de economia em 2001)

O Soba T´Chingange



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Domingo, 27 de Junho de 2010
MUXIMA . V

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“SIMÃO TOCO - um misto de revolução”

                                                                       SIMÃO TOCO

A mentalidade africana e seus mistiçismos aliada ao assédio forte de Adventistas e Baptistas, levaram os negros da bacia do Congo a ajustar as realidades opressivas dos colonizadores à sua causa libertadora. Os mentores desses novos modos insistiam na vinda dum Espírito Santo e na ressurreição dos mortos, coisa em que os negros sempre foram crentes. Para tal, deram uma  arbitrária interpretação das escrituras da Bíblia.

Nesse caldo de novas mentes e forjando iniciação aos novos conceitos surge  Simão Kimbango, nascido em 1890 perto de Thysville no Congo Belga; este, foi educado na Baptist Mission Society mas, abandonou a mesma por não alcançar a posição de pastor insurgindo-se contra os pastores brancos acusando-os de serem maus cristâos. Dizendo-se inpirado pelo espírito Santo e interpretando a Bíblia a seu belo prazer criou o movimento “Kimbanguista” que excencialmente incutia ódio ao branco  com o objectivo de libertação de todos os negros, não só do Congo como de toda a África.

Em 1916, esta seita-movimento de forma secreta, colocando-se no lugar de povo eleito como o de de Israel substituia-se  já na prática do baptismo cristão.

Foi em 1920, envolto naquela filosofia como um novo Moisés, que surgiu Simão Toco com pretenções à libertação da terra dos seus antepassados, lançando para o efeito essa pedagogia a novos profetas negros, continuadores das práticas já herdadas de Kimbango de forma organizada

 

 AS ESCULTURAS DO SOBA

 

Simão Toco nasceu por volta de 1920 em Quilango na região de Maquela do Zombo. Esteve até 1933 na Missão Baptista em Quibocolo, data em que transitou para o Liceu de Luanda.

Simão Toco aproveitando as correntes Americanas do Black  Power assediado pela organização Watch Tower do estado da Pensylvânia,  toma parte de um congresso desta e outras correntes imancipalistas e numa rigorosa e sigilosa organização surge o “Tocoísmo”.

Misturando a mística Kimbanguista  com macumba embrionária de hipnotismo e simulação de milagres, o coração dos negros excitado pelos tambores sagrados “atabaques” e danças inebriantes aguçam o engenho bélico para futuras hostilidades ao homem branco, sempre numa sequência de falsa religiosidade de rencarnação dos seus épicos heróis mortos. Este caldo de ódio já na forma de política incitava ao abandono do trabalho, à sabotagem e hostilidades  às coisas saídas dos brancos, com ou sem apropriação de seus bens.

O culto Kimbanguista veio mais tarde  a  derivar  em três outras seitas das quais uma delas resultou em um grupo chamado do Espírito Santo mas que veio a ter notoriedade com o nome de “O Grupo M´Pandi”, um verdadeiro exército revolucionário  que actuou no Norte de Angola nas cercanias de Maquela do Zombo. Seus membros usavam uniforme de caqui com galões de chefias tendo sido desmantelado pelos Tugas em 1939. Mas ficaram os seus seguidores Kikongos e Bakongos que entraram em actividade em 1960 com uma penetração extensiva a terras mais a Sul e no domínio da futura FNLA de Holdem Roberto financiado pelos Estados Unidos da América.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:13
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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010
CAZUMBI . I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “O Rosa morreu!” 

 

O Vermelhão….O diabo feito gente

 

O ilustre canalha morreu. Não o vi deitado no caixão com flores de plástico a contornar-lhe o semblante em almofada de setim. Não,…as flores não eram de plástico, tinha devotos amigos que lhe deram rosas verdadeiras e muitos cravos; todo ele ali rectiliniamente gelado era uma múmificada rosa. Antes ele que eu, mil e uma vez sussurravam em surdina seus amigos do ancestro passado, oferecendo pêsames no seu velório. Não sei se no sermão de sua alma o padre que imagino um  fleumático encarquilhado comuna  construiu um conto de terror borrifado de fantasmas escarnecendo-lhe o toutiço, encarquilhando-lhe a carcaça extraida por uma nefasta vingança.

Soube pela Internet que essa quietude mística da noite feita morte lhe bateu à porta.

Já não é necessário assassinar o malvado; defuntou-se condenado em sonhos agitados, cheio de muitos frios viscosos bebidos ao último suspiro do raciocínio infiel. Infiel,…creio que sempre o foi e, nos quintos do inferno vai ter que sofrer  a prolongada dança que geriu a sua vida de terror.

 

 Angola . do outro lado do tempo

A morte do Rosa não me impressionou, foi a naturalidade mais natural que lhe aconteceu; dessas mortes que se querem para sempre sem reencarnação ou roubo de identidade.

Atormenta-me um pouco, só um pouco ser tão indiferente à morte, mas esta não é a morte dum qualquer, … é dum filho da peste que só causou dissabores a tantos portugueses e angolanos.

Os fantasmas erguer-se-ão dos sarcófagos para lhe dar uma surra, lá no outro lado das trevas e deus me livre e guarde de vir a encontrá-lo numa qualquer esquina do futuro; não se livrará da minha catanada sem lamentos postumos, nem festejos de compaixão. Por agora vou enrolá-lo num charuto cubano, picá-lo com um palito, trincá-lo e fumá-lo até o o toco findar e o ronco de voz me queimar os lábios.

Em tempo algum escrevi algo tão cruel, mas safei-me do compromisso voluntário de lhe dar um tiro nos cornos.

O almirante vermelho morreu.

Deus é perfeito, a cada um destina a sua hora mas, que me desculpe, deu um relógio estragado áquele filho da peste.

 

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:08
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Quarta-feira, 23 de Junho de 2010
PAMBU N´JILA - III

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Muxima . 2010”

Johanesburgo, 20 de Junho . “Dia do pai na África do Sul”

 Ibib com Atina

Nas águas sagradas dum sonho arrepiado cheio de mar, desfraldando velas duma nau alheia acordei nariz frio, ponta dos dedos dormentes, bexiga apertada e, no céu da boca ressequida um sabor de bagre, cacusso, cachuxo, não sei bem,… sabor de peixe seco apanhado, vejam só, no tanque do “plot” do “Menier Lourenço” e claro, sua esposa Atina.

O frio da noite dum cacimbo acompanhado de vento frio e temperatura negativa vergou todas as tenras folhas de lírios, jacintos, jarros, goivos, gladíulos e os papiros da dita piscina com peixes pintalgados de muitas cores, com predominência vermelha. Pisei o charco p´ra verificar a solidez do gelo ali formado que deitava fumaça na quentura do sol que despontava para lá do muro da cerca, muito mais para lá das vacas do vizinho grego pastando livremente, com capotas repenicando bosta fumegante e erva rasteira. O sol estava mesmo no ínfinito azul por detrás das magestosas acácias hebeecladas, robustas e tortillis encanando uma sércia de raios quentes desfrizados na benção da calmaria, uma madorna luz soalheira dum inverno seco, dissolvendo fios longos e translucidos de rastos de aeronaves.

Comodamente sentado no local exato da grama, lutava equilibrio com  a mesa grelhada de ferros sem um assento firme na grama permanentemente infestada de vida na forma de toupeiras e salalé.

 

 

As dunas do Soba

Os cachorros Mex, Puma e Chiquita ronronam ao sol lançando odores amarelos de fedorentas bufadas; eles também tinham direito de se espulinhar ao sol no seu pedaço de espaço, dos latidos e uivos de agouro fermentando estratégias de controle no condomínio, seus esquemas de vigilância e latida segurança.

Mas, aqui e agora, hoje não é dia de cão mas sim do pai, e, do nada surge envolto em prenda um cheiro “aramis” a meio da manhã. Racir, teve a gentileza de transformar o rascunho de mãe em prosa lírica de escassas palavras ou um inexistente verso na forma de poesia e, do acto ficou o gesto.

O “brai” especial com seus espetos e zingarelhos enfiados em roliços pedaços de carne, esperavam sua rotação lambida a fogo de carvão “safari african charcoal”. Tudo isto envolvido numa sinfonia de pássaros cantantes, pios a variados tons, o grasnar dos patos, o cacarejar das galinhas, o berro do cabritinho, os gemidos das rolas e o arrulhar das pombas abençoando o espaço completamente. Como é bom ter assim uma orquesta sem safanões bruscos, cedências de instrumentos incertos com o tamborilar nodoso dos aneis dum qualquer anafado senhor, garantindo plenitude de perfeição e deleite.

Enquanto isso, ao “plot” foi chegando gente próxima ou família e os olás, que lindos olhos, bochechas coradas, lindo riso; era a Nadia, admirada entre arfados sussurros, mais recente rebento da família, primeira neta de Atina e primeira filha de Leumas.

 

 FIRST FAMILY

Zuma e suas 3 mulhers oficiais

Ausentando-me da escuta, recolhi duas bandeiras verde e amarelo e dois cachecóis e, de livre arbítrio enfeitei nos extremos a ordem e o progresso em bola azul do Brasil com as suas vinte e oito estrelas. Em dias do mundial as cores do coração ficam mais por perto e, na falta de bandeira verde e rubra de Portugal, alinhei com molas os cachecóis das Repúblicas de Portugal e África dos Sul dos Bafana-Bafana bem por cima da mesa posta e composta.

De volta à minha escrita enquanto aguardo o repasto, reli a primeira página dum jornal da terra dando cobertura à ”FIRST FAMILY” da South África e fiquei a saber que seu presidente Jacob Zuma, tem oficialmente três mulheres, a saber: - Nampumelelo Ntudi, Thobeka Mabhija e Sizakele khumalo. Um fartote de amores encimados por chapéus diferentes, mostrando ao mundo que a diversidade pode coexistir no credo, de forma pacífica  e sustentável, para um presidente,…claro!

Zuma, é um super pai, em verdade um multi-pai.

 

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:16
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Terça-feira, 22 de Junho de 2010
BRASIL EM 3 PENADAS - IV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

 “ O triângulo Atlântico”

Depois de Vaz de Caminha, apareceram muitos outros cronistas a descrever as novas terras de Vera Cruz ou Brasil mas nenhum outro atingiu a sua plenitude. É curioso transcrever o que muitos outros desconhecidos registaram em diários de bordo e cabe aqui dar referência à descrição de um peixe, talvez o primeiro e, não se sabe bem aonde, de tão estranho: “…vimos um peixe grande como uma pipa só que mais comprido e redondo, a cabeça como um porco e os olhos pequenos e não tinha dentes, orelhas compridas do tamanho de um braço e de largura de meio braço. Por baixo do corpo tinha dois buracos e a cauda era do comprimento de um braço e outro tanto de largura. Não tinha nenhum pé, em sítio algum. Tinha pêlos como o porco e a pele era grossa como um dedo e suas carnes eram brancas e gordas como as do porco…”

Esta descrição que se encontra na biblioteca de Veneza, é um manuscrito de um piloto incógnito. O peixe mais parecido com esta descrição poderá ser o peixe boi ou o boto do rio Amazonas ou ainda uma foca ou morsa dos mares do Sul. Fiquemos com o encanto dessas fantasiosas visões no areal amarelo de Porto Seguro, enquanto Frei Henrique Soares de Coimbra prega a primeira missa tendo ao lado o estandarte de Portugal e, Cabral ora levantando-se, ora  ajoelhando-se.. Missa que eu, não assisti.

 

PORTUGAL.BRASIL.ANGOLA

Em junho de 1501, Álvares Cabral já estava de volta das Índias aonde deixou o letrado Caminha e outras gentes do mar. Nesse regresso a Portugal teve a felicidade de reencontrar Diogo Dias cuja nau se tinha desgarrado da armada quando da ida para a Índia e, por meses permaneceu á deriva ao largo da costa de África. Dos 150 tripulantes apenas restavam sete contando com ele, Diogo. Os que morreram doentes ou de fome, foram lançados ao mar, repasto de tubarões. Pode-se imaginar aquelas figuras transparentes de magras, comendo sola de sapato, sangrando dos beiços rachados, tisnados pelo sol e sal carregados de desinteria, os dentes caindo como coisa podre do escorbuto.

Foi um grande feito a comparar hoje com as visões dos dois países irmãos, Portugal e Brasil. Portugal não é tomado a sério e o Brasil força-se para o ser.

Portugal é futebol, fátima e fado. O brasil é futebol, samba e macumba; é quilombo, brinca na´reia, capoeira, açucar no pé, café na mão, macacheira na cabeça. Em ambos abundam corruptos, corruptores, corrumpidos e corruptela.

 

 OSCAR RIBAS. UMA FIGURA DE VULTO DE ANGOLA

Angola da gasosa e arrogância, junta-se ao grupo fazendo o trio ou o trângulo Atlântico quebrando canelas aos Tugas no futebol e levando ao Brasil a esquindiva, a bassula feita capoeira, o merengue feito samba ou semba, os condomblés, os terreiros dos lança zimbos, buzios das crenças, as superstições com as kalungas feitas orixás, oxalás e xangôs.

O Brasil das casas grandes e sanzalas, dos sobrados e mocambos, do patriarca autoritário coronel e da forte etnia sertaneja e cabocla resignada nas descrições do Graciliano Ramos, Gilberto Gil ou Euclides da Cunha, e do Camões, do Pessoa do mar salgado, do Saramargo (recentemente falecido), do Lobo Antunes e Urbano Tavares Rogrigues e  o Simão Toco das macumbas e o Óscar Ribas dos quintais com tamarindos versando coisas lindas, e do Neves de Sousa pintando o luar, coisa difícil, mais os  contemporâneos Agualusa e Pepetela numa amalgama de coisas e costumes que a terra há-de-comer .

A dignidade da morte, comido por tubarão, minhocas ou leão é a mesma  mas, o cemitério  está cheio de gente insubstituivel no seu tempo.

(Continua)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:06
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Segunda-feira, 21 de Junho de 2010
MUXIMA . IV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“A MACUMBA* no terreiro”

Pretos velhos.pngPRETOS VELHOS . OS KOTAS 

 

Johanesburgo 21 de Junho 2010 - Dia do jogo Portugal . Coreia do Norte - Os TUGAS necessitam da macumba de Mourinho para ganhar esta partida por 3 a zero.

 

A Umbanda tem quatro formas liturgicas na sua variedade de culto sendo assim:

 

1 . UMBANDA ESPÍRITA - Praticada pelos umbandistas “intelectualizados”, em geral pessoas da classe média constrangidos em ambientes mais populares do “terreiro”. Aqui, na forma de reunião, o mestre do culto senta-se em frente de uma mesa: Normalmente está vestido de branco mas não tem à sua roda a “gira dos filhos de fé”. É como uma manifestação espírita tendo “os pretos velhos e caboclos” como auxiliares das orações; aqui não são admitidas as “curimbas” nem os “pontos riscados” (desenhos cabalisticos feitos em tábuas ou no chão) no início da “sessão”. Não é vulgar baterem palmas ritmadas para acompanhar as orações. Esta é a umbanda mais “puritana”.

 

2 . A UMBANDA RITUALISTA - Um “pai ou mãe de santo” dirige a “gira dos filhos de fé” ao som de palmas ritmadas por “curimbas”. Apresentam-se todos de vestes brancas e usam “guias” que se incorparam no médium que dirige espíritualmente a assembleia. É normal o costume de sair para dançar nas praias ou matas, ao som dos “atabaques” (tambores sagrados). Esta umbanda tem muita popularidade.

 

3 . A UMBANDA RITMADA - É em tudo semelhante à ritualista cuja diferênça está na inclusão de instrumentos musicais de derivação africana tais como o reco-reco, tambor, marimba, berimbau ou kissange. Entre todas as umbandas, esta é a mais  popular.

 

4 . A UMBANDA RITUALISTA  RITMADA - A assembleia é feita com roupas típicas coloridas; com “assentos” (altares) para os “Orixás” rodeado de “atabaques” sagrados. É a modalidade mais influente nos “candomblés” e cultos “yorubas”   (do Senegal). Esta categoria de umbanda é a mais atraente no ponto de vista secular; pela beleza das danças e roupagens é a umbanda mais folclorica.

 

* MACUMBA :- Originalmente em Angola, este nome era dado a um instrumento músical semelhante ou igual ao reco-reco e o seu tocador é chamado de macumbeiro. No Brasil deram-lhe outra conotação.

 Bibliografia consultada: O caos das seitas de J.K.Van Baalem

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:06
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Domingo, 20 de Junho de 2010
PAMBU N´JILA - II

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “Ballito com muxima . 2010”

 

Boulder Bay . PRAIA DO BALLITO 

Ziguezagueando montes e vales ao longo de manchas ecológicas, seguindo o rasto dos muitos aviões chegando ao King Shaka Airport, encalhamos nós também, no vale de Seaward Estate do Ballito, uns escassos 40 quilómetros a Norte de Durban. E, eramos quatro velhos amigos kotas recordando as caldaeiradas e açordas de frutos do mar na Baía Farta do muito marisco a Sul de Benguela. Deste vale do Seaward viamos o mar em triângulo escaleno invertido na forma do fim do vale, quase uma miragem, distinguindo-se do céu só mesmo quando o sol o permitia dissolvendo o cacimbo nevoeirento das monções indianas. É um local com brisa e bulha de ondas escondidas, um sítio em que se pode imaginar uns babbons feitos macacos espreitando a nós e aos javalis acocorados, raspando de graça os capins tenros dos quintais.

Também ali, como se mato fosse, se pode enfeitar a visão onde as palavras se tornam amplas de vida erfémera entrecortadas em serões apraziveis, acachapados num sofá, vendo televisão vendo em série os muitos jogos do mundial, os melhores golos e os frangos.

Ibib+Aizul+Saitam

Entre diálogos simples, acalorados ou encadeados de banalidades prolongadas em recordações, os aviões vindos de muitos lados aterram por detrás do cortinado grande com cores dum castanho esbatido; num espaço ínfinito para lá de onde a vida acontece num explendor bruto e puro de longos silêncios africanos. Aqui Aizul zunia incansávelmente aturdidos sermões de ráfagas minguadas ou azedas ao Saitam seu marido, meio moco meio esquecido, fingindo às vezes, embrulhando a língua na pele da alma, feito um eco.

Ibib cozinhava, o Soba, mandava palpites desassosegados, Saitam falava das açordas de puejo e dos caracois das Alfambras dos Algarves e Aizul também recordava os desencantos da sua Safara num profundo Alentejo cheio de urtigas tojos e tengarrinhas. Na noite de 15 de Junho aguentamos firme o não-jogo da Costa do Marfim dando caneladas aos Tugas e o árbitro ajudando com cartâo amarelo injusto ao nosso Cristian em Port Elizabeth; de respiração e concentração excedidas no exercício ritmado do susto, bola ao poste, e a fantasia incompleta de unha ratada, patadas desajustadas na força bruta e preta de zanga cuspida.  E, a baliza pequena em demazia diluindo-se em nada trespassando a noite num zero a zero. E,…

Harrismith . ÁREA DE SERVIÇO

Naqueles outros dias houve tempo de ir à praia e, lambuzei-me com os 22 graus das ondas Índicas de Boulder Bay. Fazendo ousadias, eu e Saitam apanhamos nos recifes de pedras negras, cracas, lapas, ouriços e gigantes mechilhões a que ninguèm parece ligar. Disfarçando o receio dum qualquer cipaio vigia da costa, nós ambos, de crime em saco do “Pikne`pay” envolto numa toalha de fugidio castanho, rumamos a casa; e, à noite foi o repasto da mariscada recordando a Baia Farta com aompanhamento dum tinto de Stellenbosch do Western Cape.

No regresso e no “Nando´s” comendo churrasco de frango no lugar bonito de Harrismith, podemos apreciar os muitos fuliões da bola idos de todo o lado vestindo ousadias coloridas em destemidas pinturas de vencedores; caras de nações, cristas de galo louco ou chapéus espatafurdios.  E, havia entre muitos, uma cabeça farta de trancinhas formada toda ela num feixe de carrapitos pintados com a côr amarela e verde dos “Bafana-bafana”; de uma camisa ousadamente justa pelo frio que fazia, arrebitavam seios queimando olhares desavisados entre sombras brancas de neve. É mesmo!...Aqui no Drakansberg também cai neve.

 

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:20
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Sábado, 19 de Junho de 2010
DIVIDAS ENVENENADAS . II

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        PORTUGAL E A GLOBALIZAÇÃO

 

DIVISÃO DO MUNDO SEGUNDO O TRATADO DE TORDESILHAS

A Globalização teve início com a expanção da Ibéria. Portugal e a Espanha a partir dos finais do século XV levaram ao conhecimento do mundo moderno outros mundos que originaram  no tempo outros países. O tratado de Tordecilhas foi o primeiro toque na repartição do globo e, no correr do tempo foram-se  disseminando gentes que cruzando destinos fizeram o mundo actual.

A Globalização em África, após o acordo de Berlim no ano de 1885 foi repartida em porções com régua, rios e montanhas segundo as explorações feitas por homens brancos, louros e olhos azuis dos quais mais tarde e até fins do século XX se tornaram independentes. 

Henry Ford põe em andamento o primeiro carro nos Estados Unidos da América e, surgiram os combustiveis fosseis para fazer andar aquele primeiro zingarelho que levou milhares a recorrer ao seu uso; no prazo de um século já eram biliões de carros a circular no globo. Seguiram-se novas invenções como o surgimento do balão, das aeronaves mais pesadas que o ar, o trem, os barcos, navios e transatlânticos abrindo para cada um deles vias de asfalto, corredores aéreos, trilhos e rotas marítimas trnansportando biliões de pessoas por dia.

 

Surgiu assim a globália e a globalização com novas organizações reguladores dos espaços comuns como a ONU, o FMI e tantas outras nas áreas e interesses mais diversos; haveria que regulamentar o uso da Biosfera, o ar, as águas, os mares, as florestas, os recursos vegetais e animais e controlar as migrações de gentes através de fronteiras. O mundo em crescimento demográfico ficou sugeito a disciplina por via da facilidade de locomoção de pessoas e mercadorias em geral.

Surgiram novas filosofias de vida e insurgindo-se com as relegiões; das monarquias e ditaduras passou-se às oligarquias, repúblicas e democracias no surgimento  de direitos cívicos, sindicais e sociais.

Paralelamente ao surgir de novas industrias a vapor, a combustivel e electricidade havia que instruir e formar gente para laborar nas fábricas e, para facilitar, surgiram as escolas, a rádio, a televisão, o relógio de pulso e o computador agilizando tarefas, fragmentando o tempo em aceleranda responsabilidade. A aparição da internete encurtou o segumdo no contacto com o semelhante e haveria que regularizar bitolas para tudo isto, controlando a máquina do dinheiro que tudo compra, ou quase tudo.

E, surgiu o strese.  

 

OTRIÂNGULO ATLÂNTICO

Descrita que está em traços largos a globalidade haveria agora que gerir a prosperidade dos países controlando usuras, pondo ordem em práticas especulativas de vícios desestabilizadores de costumes estabelecidos, unificando relações e  burilando devastações económicas que como ondas cíclicas surgem um pouco por todo o globo; para isso surgiu o FMI, uma banca de governos credores internacionais para, em teoria ajudar países em dificuldade. Na prática o FMI protegia e protege os países emprestadores em detrimento dos paises em recessão que recorreram a essa instituição, levando-os à penuria.

Com batimentos de tachos  reclamando sobrevivência nas muitas praças proletárias do um de Maio, um pouco por todo o lado o povo sofredor clama justiça e equidade; A fome má concelheira, leva os governantes desavisados a pritatizar rápidamente património lucrativo, entregando os poderes instituidos, centenas de bilhões de dólares dos activos mais valiosos desses países. Isto contribui ao surgimento de classes de oligarcas  exaurindo poderes com fugas de capitais. Enfim, os abutres ou urubus da praça.

(Continua…)

Bibliografia de referência:   Globalização como dar certo   de  JOSEPH E. STIGLITZ  da  companhia  de  letras - Brasil

(Prémio Nobel de economia em 2001)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:04
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
MUXIMA . III

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“A MACUMBA no terreiro” 

 

Candomblés

Na história das coisas, um Blog, é simultâneamente um instrumento de informação, crítica ou formação cívica imiscuindo-se em todas as esferas do conhecimento: Politica, costumes ou ciência numa infínita curiosidade do saber, entender as coisas da vida, da verdade e justiça. O Kimbo é tudo isso, virado ao mundo Lusófono, dos países dos PALOPS e, muito especialmente Angola, Brasil e Portugal formando o triângulo Atlântico.

Rio de Janeiro é a capital do culto de origem africana conhecido por “UMBANDA”. Em Pernambuco, no Recife toma o nome de “XANGÔ”, e, em Bahia é conhecido por “CANDOMBLÉ” .

A UMBANDA, chegou com os escravos do Congo, Angola, Moçambique, Costa do Marfim, Guiné, Sudão, Senegal, Togo entre outros, tendo viajado nos porões imundos dos navios negreiros. Por ser proibida a prática desses costumes pelos colonizadores católicos, os Umbandas incorporaram São Jorge, Santo António e outros santos aos seus espíritos à semelhança do que faziam os caboclos do Brasil; divindades indígenas ajustadas às seitas espíritas seguidoras de Allan Kardec e, tendo como seu maior expoente Chico Xavier.

 

Aqui tem macumba

As UMBANDA, XANGÔ E CANDOMBLÉ, no Brasil, foram no tempo de colónia e reino perseguidas e ridicularizadas sob o nome de “MACUMBA” mas, como coisa proibida, prosseguiu no tempo havendo hoje talvez, cem mil “TERREIROS” espalhados pelas Américas do Norte e Sul. Tendo sua base africana, a Umbanda tem no Brasil o maior baluarte, cultivando divindades estrangeiras, vultos de lendas da história, heróis populares, santos católicos e espíritos, numa vertente hospitaleira, como um convívio de sanzala.

É na Bahia e Pernambuco que a macumba melhor conserva a sua pureza africana prevalescendo no topo a relegião Sudanesa do “YORUBA”; genéricamente abrange todos os povos Bantus tão exímios nas suas superstições de Kiandas de cultos dos antepassados  num perfeito sincronismo com os espíritos de Allan Kardec na sua teoria da encarnação, da evolução cósmica e do karma.

A Umbanda de São Paulo e Rio de Janeiro adaptou à tradição africana e amerídia uma prática mais em armonia com o estilo de vida racional e urbana.

 AS DUNAS DO SOBA

O deus “OLORUM” dos sudaneses foi esquecido em substituição dos “ORIXÁS”, entidade divina com histórias e atributos próprios com desvios para os santos católicos com o fim de escaparem à pressão exercida pela igreja do periodo da escravidão como por exemplo, do padre Jezuita Manuel da Nóbrega, fundador da cidade de São Paulo.

Sendo assim o “OXALÁ” é identificado como Cristo; “XANGÔ” corresponde a São João Baptista e São Jerónimo, o “OGUM” a São Jorge e o “OXOSSI” corresponde a São Sebastião.

O diabo que foi substituido pelo “EXU” patica maleficios e presta-se a feitiçarias. É o principal agente das magias, um deus brincalhão “Yoruba” temido pelos umbandistas pelo seu poder maléfico.

Os brasileiros incorporam na essência umbanda outros espíritos como os “FILHOS DE SANTO” que actuam nas festas religiosas introduzindo o espírito desencarnado  chamado de  “PRETO VELHO”, alma dum século ou kota escravo antepassado ou mesmo a alma de um amigo ou parente recém falecido e que, se destacou no meio umbanda da seita. E, vem a “FILHA DE SANTO”, o “CAVALO”, ou “O CABOCLO”, um índio da tribo.

O politeísmo africano com o prestigio de seus deuses N´Zambis, mantem-se  na tradição de lendas por transferência oral, complementada com música e danças nos contactos espírituais de grande eficácia na magia. Milhares de médiuns ministram esta prática ajustada às necessidades dos adeptos, seguidores ou cultivadores, fomentando a democracia do sistema umbanda que dançam e pavoneiam altivos, no meio dos homens.

 

Bibliografia consultada: O caos das seitas de J.K.Van Baalem

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:48
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Quinta-feira, 17 de Junho de 2010
AMÉRICA . III

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“O Big Stick e os primos” 

Theodoro Roosevelt

A partir de 15 de Fevereiro de 1898 com o início da guerra com os Espanhois, usando o falso pretexto de estes terem dinamitado o USS Maine na baia de Havana em Cuba, os Americanos nunca mais pararam de se envolver em guerras e rivalidades internacionais. Entre 1906 e 1912 extinguiram os mouros da ilha vulcânica SULU, vulcão chamado de Bud Dago na base de uma filosofia bacoca “o fardo do homem branco” e,  tendo como tema militar “kill ou burn” (matem ou queimem). Com os 17 anos de guerra nas Filipinas entre 1899 e 1916 a União traíu sua vocação de nação democrática e amante da liberdade, citando Mark Twain.

Com os bolsos carregados de subornos e a boca cheia de piedosa hipócrisia desenvolveram ataques a países pobres compondo uma vasta lista, a saber: Cuba, Filipinas, (1ª e 2ª guerras mundiais), Coreia, Vietnãm, Cambodja, Granada, Panamá, Angola, Haiti, Libia, Iraque, Sérvia, Afganistão e, na forja para 2010 o Irão.

Charge of the Rough Riders at San Juan Hill.JPG A BATALHA DE S. JUAN - CUBA

O Big Stick do fale suave tendo escondido nas costas um porrete para malhar, foi levado a rigor por Theodoro Roosevelt..  Como coronel e, na insvestida contra os Espanhois na Colina de San Juan em Junho de 1898, quatro meses depois das caldeiras do maior navio de guerra dos Estados Unidos terem rebentado por defeciência técnica. Neste mesmo ano, os Filipinos ficaram a saber que passavam das mãos dos Espanhois para a dos Americanos. Os E.U.A. pelo Tratado de Paris com os Espanhois à laia de indeminização compraram aquelas ilhas do Pacífico por 20 milhões de dólares.

Entretanto nessa altura, 1898, os primos da Grâ-Bretânha cometiam atrocidades contra os Bohers na África do Sul forçando-os a se refugiarem para as terras longinquas acima do Orange e Transvaal; Um memorial de Kimberly recorda de como se defenderam naquele inóspito Kalaári, escondendo nas entranhas profundas das minas, mulheres e crianças  em defesa contra os bombardeamentos da aviação Inglêsa.

 

LAGO. BURACO DE KIMBERLY

Tornando-se a polícia do mundo, os E.U.A. proporcionam a criação da Liga das Nações em 1913, depois com Franklim Roosevelt em 1933 / 1945 a Organização das Nações Unidas – ONU e com Harry Truman em 1945 / 1953 a NATO (Organização do Tratado Atlântico Norte). Com tudo isto os Americanos não precisam de companhia de ninguêm para conduzir as coisas do Mundo. Com a política do Big Stick de poder militar e financeiro, todos os países do mundo com ou sem consentimento, tornam-se súbditos desse grande império. Aos seus olhos tudo vira uma imensa reserva comanche , pois tudo lhes parece pequeno e desprezivel.

Estamos em 2010. Há indícios de que alguma coisa começa a mudar; veja-se o comportamento pouco subserviente de Lula da Silva às vontades da União, acarinhando o Irão a produzir energia atómica para fins de desenvolvimento do povo, contrariando abertamente a política Americana em sercear aqueles bérberes, pobretões de toalha enrolada na cabeça.

Bibliografia consultada: América - A história e as contradições do império por Voltaire Schilling

 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:47
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Quinta-feira, 10 de Junho de 2010
BRASIL EM 3 PENADAS - III

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“ A quebra do segredo de Caminha”

 

 Pero Vaz de Caminha

Depois da sua passagem pelo Brasil, a única certeza que se tem de sua vida é a de que não mais voltou a Portugal. Deduziram ter ele morrido lá pela Índia lutando ao lado de Afonso de Albuquerque, o fundador do império Luso ao conquistar Gôa no ano de 1511.

O historiador Goês Rabindranath Fernandes ao remecher nos arquivos do Convento de São Francisco Xavier, encontrou o livro secreto dos confessores lançando luz sobre o final da vida do cronista Tuga/brasileiro Pero Vaz de Caminha.

Caminha, tendo chegado a Calicute com a armada de Pedro Álvares Cabral, a 13 de Setembro de 1500, passara logo a terra a mando do Capitão-Mor a fim de conhecer as gentes e apreender sua linguagem. Numa das investidas do gentio à feitoria, Caminha fugiu pela praia tendo sido ferido. Tendo sido deixado como morto numa vala de areia quis a divina providência ser socorrido por um velho brãmane que o recolheu em sua casa  restabelecendo-o de suas feridas. Caminha, restabelecido de sua saude refugiou-se no reino de Conchim, aliados dos portuguêses e, por lá ficou cinco anos até à chegada do Vice-Rei D. Francisco de Almeida que logo o tomou ao seu serviço.

 

 baixo relevo . Khajuraho

NO TEMPLO DE KADAYA MAHADEO

Um frade de nome Frei Estevão da Santa Cruz, Capuchinho da Arrábida, quebrando o sigilo de confissão revela que um seu penitente, o letrado Pero Vaz de Caminha todas as noites era assaltado pelo sonho e imaginação pelas donzelas pardas que desde a passagem por terras de Santa Cruz o atormentavam; frequentemente revia em sonho a terra visitada, povoada de mulheres que pelos matos andavam nuas. Sucede que naquele vale abençoado duma primavera constante havia templos em que homens e mulheres se entregavam despeduradamente às mais abomináveis práticas carnais homenageando como culto uns deuses falsos a que os gentios se submetiam. Essas práticas eram  além de espíritualmente relevantes eram consideradas de um santo sacrifício.

Pêra Vaz de Caminha, fascinada pela busca da paraíso terreste, um dia, abandonou o seus irmãos cristãos e demandou-se para esse vale entregando sua alma à danação eterna. Rabindanath, o historiador, afirma não haver duvidas da integração de Caminha ao induismo.

 

Caminha . Khajuraho

Na India central, estado de Madhya Pradesh, num vale isolado de nome Khajuraho entre os séculos XI a XVI floresceu uma civilização dedicada aos prazeres sexuais. Dos 85 templos erguidos restam hoge, cerca de 20. As frizas desses templos tornaram-se uma das maiores atrações turisticas da Índia, dado que os requintados baixos relevos reproduzem cenas de orgia rituais sendo as mais visitadas as do templo de Kandaya Mahadeo. No centro do friso desse templo está um homem sorrindo, de pernas abertas para cima, apoiado nos cotovelos. Duas assistentes sustentam uma linda mulher cujo sexo pousa sobre o pénis do homem que também faz cócegas nas vergonhas das assistentes. Estas esculturas aparecem em todos os livros que abordam a arte erótica do mundo.

Recentemente, os arqueólogos descobriram uma escultura semelhante áquela outra na parte posterior do templo retratando um estrangeiro na mesma postura. Por usar roupas diferentes, pela fisionomia e por portar barba, por quanto os homens de Khajuraho eram imberbes, chegou-se à logica conclusão ser um europeu e, tudo leva a crer ser do nosso Caminha. À semelhança das prostitutas que em sacrifício espiritual se entregavam aos romeiros, com idêntico propósito homens prostitutos satisfaziam donzelas depois de tomarem uma infusão de afrodisiaco para melhor cumprirem seu sacrifício sendo que, a bebida tinha o efeeito secundário de tornar estéril o seu sêmen.

E, tudo indica que foi assim, na maior felicidade que Pero Vaz de Caminha terminou seu dias.

A história em realidade há coisas verdadeiras que parecem mentiras. Será este um lugar a visitar se porventura um dia, for à Índia.  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:26
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Quarta-feira, 9 de Junho de 2010
MUXIMA . II

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“o Limpopo corre barrento” 

 BANDEIRA . ÁFRICA DO SUL

Johanesburgo, 9 de Julho de 2010 . A dois dias do Mundial de Futebol

Li e reli a a presente crónica para não levantar polémica entre tantos amigos que podem ter outro pensar; compenetrado de não bulir com os conceitos de cada qual, ensaboei o conteudo, esfreguei, torci e até espremi antes de estender ao sol acabado de nascer. O daltunismo da noite foi dando côr às coisas com o levante dessa bola mágica, o “soccer da vida”.

A dois dias do início da copa do mundo, a África do Sul luta para se afirmar no contexto mundial seguindo progressivamente a mudança vaticinada patriarcalmente por Nelson Mandela.

O estágio desta nação no aspecto social pode ser comparável aos anos de 1970 dos Estados Unidos da América por via de uma emancipação herdada nos conceitos Calvinistas daquele então, com puritanistas em choque com as teorias de Darwin  “os seres vigorosos, sadios e afortunados sobrevirão e se multiplicarão”e, ajustadas às teorias do pastor anglicano Thomas Malthus apelando aos princípios de hieginização racial.

Notando-se uma ténua mudança dos comportamentos, pode-se afirmar que o protestantismo nas suas várias práticas, fruto de uma civilização “White-Angloxaxónica”, não abandonou ainda a linguagem preconceituosa, descriminativa e carregada de racismo e sexismo homofóbico. Tentam pôr um freio na demolição de valores cristãos proporcionando uma sociedade “politicamente incorrecta” promovendo para o efeito uma imposição com laivos de rebelião duma tal “acção afirmativa”, coisa surgida por Mandela para sem sangue, proteger aqueles que de um ou outro modo eram considerados inferiores, obviamente, os negros.

A Selecção Portuguesa estreia-se no Mundial no próximo dia 15, frente à selecção da Costa do Marfim. A SELEÇÃO TUGA

Li algures, nem sei se num jornal, revista ou livro e, nem sei bem aonde, fazendo referència ao quotidiano de  Johanesburgo, bandeiras made in China de todos os países serem vendidas nos “robotes” (semáforos) lado a lado com gente multicolor pedindo gazosa (ajuda) em cartões desdobrados no vermelho (a febre do mundial): 

Nada me ofereceram

Nem um meio Rand ou outra coisa qualquer,

Na rua, estacionando carros,

Elegeram-me um nada,

 

Chefe de coisa nenhuma,

O meu cartão de crédito é a morte,

No fio da minha navalha,

Num qualquer lugar da minha road.

A tecnologia informática directa ou indirectamente altera a vida de milhões de pessoas que valorizando-se contribuem ao desaparecimento dos anteparos das leis jurídicas forçando à igualdade cada vez maior dos cidadãos de qualquer côr ou credo. O multiculturalismo na sua rectórica de “respeito às diferênças”, do culto nas “escolas de ressentimento” poderão contribuir para uma mudança social em modos pacíficos mudando conceitos de estar mas, não se prevê a curto prazo tal mudança, o que me leva a me manter céptico quanto ao fufuro da África do Sul.

 AS DUNAS DO SOBA

Por agora o que vejo são altos muros com cercas eléctricas acantonando gentes em “farmes e plotes”cerceando a aproximação que se deseja. Poderei dizer ser esta uma “sociedade  acantonada” em que tudo gira entre medos guardados e resguardados a dois tempos como um motor descompassado, arranhando o embolo da consciência.

A humanidade, realiza-se independentemente da cor, credo ou partido.

Na história dos tempos, a verdade atravessa o globo com a força dum grande raio; a África do Sul não vai ficar à margem desse raio. Rezo para que a mudança de actitudes seja dócil como as águas mansas do Limpopo que indiferente, corre barrento.

Citando:

Thomas Jefferson, o 3º presidente dos Estados Unidos, descreveu o conhecimento como uma vela: -“ao acender outra vela, a luz da vela original não diminui”.  Muitas velas, significará mais luz, mais conhecimento com melhor eficiência econômica. Ninguêm pelo facto de ter descoberto a luz dessa vela, têm o direito de reserva patrimonial e limitar o seu uso ou restringi-lo alegando um qualquer regime de propriedade.

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:04
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Terça-feira, 8 de Junho de 2010
LIMITAÇÕES DA VIDA . III

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

EM PIRITUBA COM CHICO XAVIER 

 

Já no ar, nas asas da "Suth African Airlines" sentia saudades desse casal carregado de  energia empática, o Ridlav mais a Eniele da Pirituba da Boa Viagem de São Paulo.

Com a raça da lingua embrulhada na pele da alma por dentro da noite de Benoni a 40 quilómetros de Joanesburgo ouvia lá fora as bichezas no capim; entre as sombras da noite com a realidade escura, havia penhascos entre tufos de arvoredo e capim que alimenta gazelas, capim verde que não dá fruto, que não faz sombra, só capim mesmo, mas desfusado em cinco horas no tempo, só via o pico do Jaraguá com suas antenas dando alento a gente sem sono da grande metrópole de18 milhões de almas e espíritos vagando entre os muitos barrancos, a Avenida Paulista, a Lapa e a avenida Pinheiro bordeando o rio escuro Tietê.

O destino de cada um é fabricado e cultivado em projeção da própria mente fluindo matéria de espiritualidade; é só um querer e não adianta armazenar remédios misturados com agruras ou rancores para evitar o lado mau da ingratidão, das pessoas com cobiça, nervosas e quixosas de todos os males.

 

Ridlav e Eniele de nomes espelhados, revertiam-nos luz sem tóxinas ou translucidas combinações e, por força do exemplo de Chico Xavier falamos de muitas e variadas coisas do mundo em geral e do Brasil em especial, das camadas subterrâneas de segredos e injustas proteções especiais, corrupção e lavagem de eminências com dinheiro e negociações numa realidade de vil justiça a impedir escavações à verdades. Concluimos entre nós, que de todos os anti-sépticos sociais a luz do Sol supera qualquer outra e, esta felizmente não a podem represar para vender em pacotes.

Concluimos informalmente que a vida é uma ilusão e é bom vivê-la com plenitude no bem, hoje.

Ninguem nasce feliz. É necessário trabalhar para isso na permanente conjugação do verbo amar, o mesmo transmitido ao longo de uma vida exaurida na tarefa desse bem. Esse ninguém foi Chico Xavier

 

 IBIB E ENIELE

NO MURAL - 1ª MISSA EM SÃO VICENTE

Chico encarnando Allan Kardec advertiu para que cuidássemos dos nossos pensamentos habituais, para que não houvesse a ligação com mentes maldosas, depravadas ou ociosas.

De acordo com os objectivos e a escala moral que ocupam, os espíritos convivem constantemente conosco, ao lado, na nossa casa, nas lojas, não raro, em concluio com as mentes humanas, ou em agrupamentos espirituais no espaço, criando organizações, convivências, sociedades, de acordo com os objectivos e a escala moral que ocupam.

A vida é uma ilusão e exige algum preparo entender que a morte é só uma passagem para um outro lado sem morada fixa.

Segundo Kardec, o guia de Chico há espíritos vivendo entre nós, com a ilusão de que ainda estão revestidos de corpos físicos, ilusão que por vezes dura muito tempo.

Não tirem conclusões precipitadas, a minha peregrinação é a de católico, baptizado, crismado e ungido.

 

(Continua...)

O Soba T´Chingange

 PIRITUBA . BOA VIAGEM . S.PAULO



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:41
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Segunda-feira, 7 de Junho de 2010
LIMPOPO - VII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

NA ROTA DOS IMBONDEIROS

Johanesburgo 7 de Junho . A 4 dias do Mundial de Futebol

O Jardim do Edem tem LEÕES

                                                  LEÕES DO KRUGER

O sonho comanda a vida e a partir dos sessenta anos, as pequenas coisas gratificam; é o cheiro matinal do café que fumega, o sol que nasce com explendor por detrás de um trilião de acácias oferecendo-nos os primeiros raios de luz fomegando o branco frio do capim, umas quantas rolas que gemem, uma gazela que nos contempla a escassos metros e um facochero que se ajoelha comendo pedaços de bolo que lhe são lançados no regaço da grama verde cheirando a cacimbo, a dois braços e duas pernas de distãncia. Mais ao longe as Ibis que buscam minhocas combinadas com um bando numeroso de capotas (galinhas do mato). Alguns patos e ibis voam desajeitadamente grasnando sons agudos em direção a Ramoswe  Lodge Nature Reserve ali ao lado do Warm Baths, lugar aonde estamos agora.

 A LAPA. O SOBA . O FACOCHERO

Em Bela Bela (Warm Bathes)

 

Aquele Ramoswe Lodge é um bushveld camp (acampamento de mato) com tendas e uma lapa (Jango, género loca dos índios da Amazónia) grande ao centro aonde pela noite crepita uma grande fogueira, única luz permitida; assim no natural escuro, pode sentir-se a noite de áfrica com seus caracteristicos ruidos embrulhando a saciedade dum qualquer caçador com os rhinos (rinocerontes) treinando luta, ienas choramingando e pios misteriosos entoados em húmida adrenalina.

( Fim…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:28
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Domingo, 6 de Junho de 2010
BRASIL EM 3 PENADAS - II

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Os gritos da marinhagem”

Em São Vicente

Joanesburgo-6 de Junho . a 5 dias da Copa do Mundo

João Ramalho com o António Rodrigues  

bacharel de Cananeia

Oliveira Martins  em 1879 descreveu a história do mar assim: -“ Os gritos da marinhagem, o surdo roçar das amarras no convés, os apitos dos mestres dirigindo as manobras, o içar das velas, bandeiras multiculores, viagens cheias de escorbuto, naufrágios nas calmarias fúnebres dos trópicos, nos porões os géneros que fermentam lastro mal cheiroso e águas negras de dejectos entrelaçados por cordames semi-podres”.

Viagens financiadas pela coroa, mercadores e nobres lusos, banqueiros florentinos e genoveses, gente de Antuérpia; Tudo organizado pela Ordem de Cristo, empresa religiosa, militar e mercantil simbolizando a Cruz de Malta. Mais tarde a Companhia das Indias Ocidentais e Orientais e as Feitorias.

Nos porões das naus biscoitos, carne e peixe salgado ou temperado em vinagre, mel, favas, azeite, cebolas, arroz e queijo. Tudo armazenado nos porões das naus de abastecimento de onde exala um cheiro de podridão, fezes e vómito.

 Tupiniquins na malocaFamília de Chefe Camaca (Debret), Biblioteca Nacional

É assim, num atravessar de águas que a história de são Vicente tem início antes de 1511 data em que João Ramalho arriba à sua costa. Em confissão ao Padre Manuel da Nóbrega, fundador da cidade de São Paulo, diz ter sido bem acolhido por António Rodrigues, um degradado português a quem todos chamam de “bacharel de Cananeia” e, que há muito tempo vive entre os índios Tupinambás da beira praia. António Rodrigues apadrinhou-me e, logo me pareceu demandar o paraíso pois, ao acolher-me, os índios começam por me dar mulher nova, escorreita e muito limpa.

João Ramalho ao se confessar ao padre Nóbrega, com a idade de vinte anos exclarece: -“Pensei  que o nome de pau-brasil lhe viesse da cor brasa mas, um marinheiro bretão com quem fiz amizade, contou-me que na sua terra, e na sua língua, corre a antiga lenda que O´brazi é o nome verdadeiro da ilha do paraiso que os portuguêses afortunadamente descobriram”.

 O SOBA E IBIB

COM O MARTIM AFONSO EM SÃO VICENTE

António Rodrigues casou com uma índia chamada Canané e dai chamar-se o “bacharel de  Cananeia”. Este mantinha uma feitoria para abastecer e refrescar as naus em trânsito, fornecendo interpretes, tinha um estaleiro e fazia comércio de escravos.

Rodrigues tornou-se um rei naquela região inóspita; tinha pelo menos seis esposas, mais de 200 escravos e mais de mil guerreiros dispostos a dar a vida por ele.

O Rei D. João III dá poderes a Martim Afonso de Sousa para comandar uma expedição com colonos designando-o mandatário de 100 milhas daquela costa e, forçar o “bacharel” António Rodrigues a se deslocar para o seu local de degredo na extremidade mais a sul, no lugar de Iguape, lugar que fundou mas, que alguns atribuem a Cosme Fernando Pesoa.

 

OS "VICENTINOS"

ENIALE E RIDLAV NO SEU 41º ANIVERSÁRIO

Voltando à confissão de João Ramalho: - “E, sendo eu aceite pelo bacharel  e tribo Tupiniquim chefiada pelo cacique Tibiriçá que me deu sua filha Potira, por ali fiquei”.

João Ramalho em 1532 ajuda a Martim Afonso de Sousa a fundar a vila de São Vicente e, em 1554 ajuda o Jezuita padre Manuel da Nóbrega  a levantar a população de São Paulo de piratininga. E, foi assim que confessou: - “ Com António Rodrigues e meus filhos caribocas e muitos outros Tupiniquins, ajudo os portuguêses de Martim Afonso de Sousa a construir casario de pedra e cal e, também a igreja matriz da Vila de São Vicente”.

(Continua)

O Soba T´Chingange

 



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Sábado, 5 de Junho de 2010
LIMPOPO - VI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

NA ROTA DOS IMBONDEIROS

"O Jardim do Edem tem cactos"

Johanesburgo 5 de Junho - a 6 dias do início da copa do mundo em futebol

 KRUGER NATIONAL PARK

Entre Tzanen e Polokwane, ainda no planalto mas já depois de passarmos a base da serra Strydpoortberge começamos a ver extensas áreas povoadas entre encostas rochosas, cactos de aloés gigantescos, outros na forma de candelabros à semelhança dos do sertão brasileiro e espinheiras de baixo porte, indício de terras pobres para agricultra. Esta grande extenção urbana aptresenta caracteristicas provisórias, casas feitas em adobe por recobrir à mistura com outros materiais, chapas de zinco de lado e no telhado com tijolos e pedras a lhes dar consistência e ruas rectas em terra por regularizar. Um grande musseque de casotas espassadas com defeciente alinhamento. Esta cidade ranchito com o nome de N´gomo-a N´gata, sem arvoredo significativo com casas incompletas à mistura com outras mais perfeitas é em realidade uma favela de retretes e cozinhas afastadas das mesmas, em tudo muito diferente do que tinhamos visto lá para trás; parece ser uma reserva de gente negra pois não vislumbrei algum branco. Esta África tem estas indefenições para baralhar o turista habituado a ver uniformidade na urbanidade.

os candelabros do kruger

Ao passarmos em Polokwane podemos ver o estádio para o mundial em construção acelerada. Com o nome de Peter Mokaba, nesta fase ainda não dava para definir as quatro colunas em forma de árvore baobá, as mesmas que sustentarão a cobertura do mesmo fazendo referência a “Mama África” da província do Limpopo.

Na portagem (Toll Plaza) da N1 situada perto de Nylstroom enquanto junto ao carro mazda 323 aguardava por Ricar e Ibib, um jovem vereficando a caixa da sua carrinha daihatsun. Pegou em algo que me parceia um coco verde, coisa inusitada nestas paragens; olhei mais do que o devido e, isso levou a que se abeirasse de mim com a mão estendiad dando-me um grande abacate. Ali fiquei encostado à acácia karoo admirado e agradecido por expontânea oferta. Gostei da gentileza, embora interrogado. Havia lali vários autocarros vindos do Zimbabe, de Mazunga a poucos quilómetros da fronteira (border pass) de Beitbridge logo a seguir a Messina; Aquela gentileza do jovem moço negro, poderia ser para um qualquer outro passageiro, mas creio que teve esta gentileza comigo por me ver com um chapeu de aba larga com a bandeira do Brasil; curioso é ver esta fraterna visão a poucos dias da copa: Nesta região de Polokwane há uma grande simpatia pelo futebol e conhecem os principais jogadores das seleçõe de Portugal e Brasil. Aqui, gostam mais da bola do que lá mais a Sul do país aonde praticam o rugby e cricket parecido com o futebol americano; desportos elitistas mais praticados pela étnia branca.

( Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:08
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Sexta-feira, 4 de Junho de 2010
BRASIL EM 3 PENADAS .I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“ Terra  de  papagaios”

ABANDEIRA DO BRASIL

A bandeira mais original do mundo: Ordem para o povo, Progresso para os de arriba.

Johanesburgo, 4 de Junho - a 7 dias do início da copa

O brasileiro devorador de telenovelas, futebol e Carnaval têm preguiça de lêr e, quando lê chuta em diagonal a fingir de intelectual. Brasileiro é o batuque da sexta, o papo com os amigos no sábado à tarde e futebol em todo o santo domingo;  faz uma gracinha no calçadão com as morenas no início do dia às terças e quintas. O cara tem tempo pr´a tudo e ainda sobra para uma peladinha no areal da praia da Jatiúca. É fogo!

Não há povo mais folgado do que o brasileiro; gozar a vida é com ele e pimenta no mataco dos outros é referesco. Por tudo isso, eu adoro o Brasil. No Brasil todos os dias faço anos e, por isso estou aqui no meu dia, festejando a vontade do querer.

Em dia de futebol no mundial, o Brasil, simplesmente, pára!

São Paulo, aquela agonia, o aperto, o frio nas manhãs de Julho e o suor de Janeiro que atravessa a rua e continua pelo ónibus e casa fora, varando a madrugada; o lixo que se amonta nos arroios cobertos de ranchitos da favela aqui e além, e o céu destapado de Abril início de Maio, a culminar no radioso Novembro.

Eu gosto de parecer brasileiro, usar chapéu de rei do gado, dar nó em pingo de água, virando-me pr´a viver com bom humor, alegria e afectividade. Ali a pobreza não é obscena e o capitalismo não conseguiu em plenitude subverter a antiga ordem das coisas  “uma terra meio livre meio escrava”.

 

Falar do Brasil sem tocar nos índios é falar da chuva sem água; do meu conhecimento aqui rcordo-os a todos de forma aleatória: - Xavantes, Caiapós, Bororos e Goiás do Centro Oeste; Tupinambás e Pataxós do Litoral da Bahia; Guaranis, Tupis, Caetés, Aimoras e Botocudos do Nordeste; Carijós e Charruas do Sul; Tupiniquins e Guaianás do Sudeste; Timbiras, Mundurucus e Manaus do Norte; Guanás e Guaicurus do Pantanal; e ainda os Yanomanis, Macro-jés, Arvaques Caribes, Potiguáras, Jábutis e Tupiniquins.

É interessante mostrar os índios no contacto com o homem branco com seu “fardo de cristianizar”, gentes que vestem muitas cascas como a cebola, às vezes vestidos de ferro e, com uma cruz no peito.

Os índios que viviam e ainda vivem em malocas comunitárias mantendo o fogo aceso para se aquecerem e cozinhar suas maçarocas de milho e macacheira, descrevem assim o branco: -“ brancos leitosos, de rostos cheios de pêlos, não bons e não bem cheirosos, panos grossos sujos com buracos por onde enfiam braços, pernas e pescoço escondendo as vergonhas; beiço sem furo de osso, cabelo escorrido e sem tosquia…”

 

 A chegada do Caminha

Neste traçar de cortesias o índio foi descrito por Pero Vaz de Caminha da seguinte forma: - “…eram pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos, andam nus, sem cousa alguma que lhes cubra suas vergonhas, cabelos escorridos, andavam tosquiados de boa grandura e rapados até por cima das orelhas, usavam pinturas que a água nem desfazia… Eles não lavram nem criam, ali não há boi nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem outra cousa senão desse inhame que aqui há muito e das sementes e frutos, que a terra e as árvores de si lançam… As águas são muito infíndas e, em tal maneira que, querendoa-a aproveitar, dár-se-á tudo nela…” Acerca delas, as mulheres : - “… e uma daquelas raparigas era toda tingida, de baixo acima daquela tintura e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa, que a muitas mulheres da nossa terra, vendo-lhe tais feições de formosura, tivera vergonha por assim não o serem. Não terem a sua como a dela…” 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:50
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Quinta-feira, 3 de Junho de 2010
LIMPOPO - V

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

NA ROTA DOS IMBONDEIROS

O Jardim do Edem tem elefantes  

 

JAMBA E SOBA no Ivory tusk lodge   Entre Punda Maria e Phalaborwa, além do baobá, (o imbondeiro de Angola) existem outras muitas e variadas árvores com a predominância de muitas variedades de acácias das quais saliento as acácias do Karroo simbolo do First Nacional Bank, a acácia affra, a acácia zebra e outras como angola pitta, a mopani ou a marula que dá o melhor licor do mundo, a spimentails  e a sycamore ficus que  parece ser a nossa mulembeira pois os minúsculos figos são parecidos senão iguais.

 

Neste vasto “Jardim do Edem” com manchas de frondosas árvores junto ao rio Limpopo e espaços de savana de pequnos arbustos ou cactos, podemos ver uma enormidade de animais dos quais destaco os “Big Five”, os cinco grandes: elefante, girafa, hipopótamo, rinoceronte, bufalo (pacaça), e o rei leão, o esquivo leopardo, a ágil cheeta, caracal, mabeco, iena, impala, Olongue, Tseb, macacos e babbons (macaco cão), nyala, palanca, nunce, kudu, esquilos, mangustos,  arminhos e muitos outros de grande e pequeno porte; o paraíso.

 

Phalabwora é o local por excelência para quem quer permanecer por algum tempo e visitar o Kruger ou outras reservas particulares ao redor. É uma cidade aprasivel estendida no agreste mato com muitos “lodges” (hoteis de bangalows) com cheiros intensos de “biltong” (carne seca) dos “Games” (fazendas de caça grossa)  da região. Para quem gosta de África este é talvez o lugar mais caracteristico como portal  de aventura com alguma adrenalina.

 

Seguindo viágem, pernoitamos em Tzannen, pequena e acolhedora cidade com exuberância de árvores, algumas exóticas indicando um bom clima para cultivo de pomares entre os quais os citrinos pois há muito sol durante o dia; existem algumas bonitas quedas de água, riachos que despencam do topo das cordilheiras do Drakensberg com início na serra Strydpoortberg com 2128 metros de altitude. È lugar aprazivel para ficar uma meia duzia de dias e alegrar a vista em magestosas paisagens vendo as copas coloridas de vermelho e rosa das enormes árvores mulungu, assim chamadas no Brasil e que aqui em lingua Zulu quer dizer branco; branco a que também chamam de mwadié ou manié ou ainda em bom português, o patrão. 

 

Ficamos nas boas instalações do hotel Ivory Tusk Lodje que por 350 rands (35 Euros), os 3, tivemos direito a um requintado mata-bicho da manhã rodeados de grandes esculturas representando elefantes com presas  de marfim verdadeiras e bosquimanos “bushmens” apetrechados para a caça; estes estavam exageradamente representados com a altura de mais de 1,80 metros quando na realidade não passam de 1,50 metros.

 

Cobrimos, eu Ibib e Ricar todo o percurso da província do Limpopo (Transvaal), municípios de Wembe, Mopani,e Capricorn. Polokwane a capital do Limpopo fica no municipio de Capricorn e, é este o mais caracteristico da África profunda, que os antigos sertanejos descreviam em suas viágens para lá dos penedos altos; Aqui vêm-se nas encostas cemitérios abandonados com muitas cruzes a testemunhar a guerra entre Britânicos e Bohers, os tais que a Companhia das Indias trouxe no século XVII para o Cabo, vindos da Holanda e que se viram desesparados com as investidas dos Inglêses. São estes Bohers que aqui designam de “padeces” que criaram a lingua Africans e são agora e em grande maioria os farmeiros de África; É curioso falar desta saga de gente que resistiram no tempo e, a partir da cidade do cabo se espalharam para lá do Orange chegando ao Limpopo, antigo Transvaal; continuam grandes, gordos, de olhos azuis e muito à margem das outras etnias; é muito vulgar ver seus jovens filhos andar descalços, como se fosse entre eles uma religião atestando que são filhos desta terra. Curioso saber que têm algures  a 150 km a sul de Kimberley nas margens do Orange River, na Via R369 e muito próximo da Via N12,  a sua região autonoma chaamada de Orania tal como a Madeira ou os Açores de Portugal. Só que estes têm uma moeda própria com seu próprio estatuto como se de um estado independente se tratasse e o mais curioso é a de que lá,  não aceitam pretos. É seguramente assunto para uma maior descrição neste blog do Kimbo.

( Continua…)

O Soba T´Chingange

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:28
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Quarta-feira, 2 de Junho de 2010
MUXIMA . I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“No reino dos macacos” 

 T´Chingange

Para atender às obrigações de amizade, dar sem nada esperar, junto aos demais o exercício expontâneo da compreensão em trato de simpatia, como filosofia fundamental de vida. Sorrir encorajando os mais próximos com a luz do discernimento só por si é já, um engravidado privilégio. Tomara ter eu uma máquina de fazer arco íris para dar cor a tantas mentes e rostos das gentes do meu reino de Manikongo, além Muxima.

Ser senhor dum kimbo é resgatar alegria de viver aos companheiros desobrigados de um encontro exacto para edificar novos valores extirpando o despeito, a inveja, o azedume ou a critica no convivio do jango, da associação, palhota, embala ou lapa, todos eles, espaços místicos de deitar conversa fora num Pambo N´jila intemporal.

Se todos nos capacitarmos em prodígio de equidade extirpando o “recentimento” na convivência entre todos, em nós fulgirá certamente uma maior fraternidade “um exercício de vida feliz”.

 

Foi na Serra da Barriga em Palmares de Alagoas que revi tempos atrás a Muxima como palavra de saudade do Kimbo.  Sendo ali um Quilombo, tive de consultar sabedoria dum reino tão arredio e pouco a pouco com gazuas petrificadas fiquei sabendo que Zumbi matou seu tio Aqualtune porque estava negociando alforrias com os t´chinderes (brancos) do reino algures em Recife. Zumbi perdeu a paciência e num impeto tresloucado trespassou à catanada (é um modo de falar) o seu tio embaixador de todos os macacos daquela serra junto a outros fujões, de várias cores, até piratas franceses e ainda degradados condenados à morte que ali procuravam asilo fugidos desse mato espinheiroso com cães tigre bufando nos calcanhares e gritos de algozes do rei, mazombos capatazes, ou feitores, capitães do mato cátires ou jagunços alforriados. Nesses tempos de arcabuzes e facas brancas a morte era um toma-lá-dá-cá  por dá-cá-aquela-palha. Apontei os nomes de todos os que formavam o Concelho Deliberativo do Quilombo dos Palmares: - Acaiene, Acotilene, Amaro, Andalaquituxe, Dandara, Dambrabanga, Ganga-Muiça, Gana-Zona, Osenga, Subupira, Toculo e Tabocas.  Também anotei os seus principais líderes : -Aqualtune, Ganga-Zumba e Zumbi.  

 

 Zumbi

Depois da morte de Zumbi e como era habitual, exibirem sua cabeça pelas principais praças de Olinda a fim de desencorajar outros eventuais fujões, mas Banga, Camoanga e Mouza, resistiram nos matos depois da morte de Zumbi, seu chefe, internando-se até às matas do Pantanal com seus guerreiros e guerreiras ao longo de quatro séculos.

Numa romagem constante das horas e da luz apreciando o desabrochar dos borbotos do verão permanente do Mato Grosso, charcos a perder de vista e tuiuiús deglotindo jararácas numa terra além Cuiabá, bem perto de Poconé capital do garimpo pude apreciar novos quilombos com quilombolas tisnados pelo tempo, com rugas de quatrocentos anos, semblante iguais aos mwangolês beira do Lifune, do Dande, do Bengo, do Kifangondo, do Kwanza e das vastas matas do kuíto. E, eles não sabiam nada disto e fiquei com uma grande tristeza.

Eles que foram os fundadores da primeira sociedade pluricultural do Brasil, desconheciam por completo que o mundo girava e fossando a terra de tempos a tempos descobriam uma pepita que lhes dava um pouco mais de folgo; eles nem sabem que empurram as kiandas do kinaxixe para aquelas cordilheiras  rodeadas de muita água.

Num sanatório quente pulsante de vida os macacos de Poconé, a capital do garimpo, sem malbaratar o tempo aposentam vontades desconhecidas.

Eles só sabem que o diabo tem pés de barro, chafurdam nele todo o santo dia.

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:28
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Terça-feira, 1 de Junho de 2010
LIMPOPO - IV

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         NA ROTA DOS IMBONDEIROS

                                           O Jardim do Edem tem Baobás

O SOBA COM IBIB

EM MOPANI . PUNDA MARIA . KRUGER

Punda Maria . Kruger . Sábado dia 8 de Maio de 2010 . 16 horas e trinta minutos

Saimos em safari num carro todo o terreno 4 por 4 de cor verde do campo site Punda Maria; foram 3 horas andando por picadas, vendo pegadas de elefantes e a descrição do guia quanto à forma daquelas grandes animais andarem, a pata trazeira pisando o mesmo sítio da pata dianteira e, sabendo assim pelo sulco, forma e pressão a direcção que levavam. David, o guia e condutor do geep deu explicações de como os elefantes eram inteligentes pois actuavam no terreno pendentes do vento; as plantas e árvores que eles destroçavam, através do vento assinalavam às demais por feromonas, haver predador na área passando a expelir através de sua seiva um mau sabor nas folhas, rebentos e casca. Essa forma de aviso obrigava aos elefantes a percorrer grandes distâncias contra o vento a fim de comerem pasto saboroso.. Nada sabia acerca desta luta pela sobrevivência do reino vegetal e, por isso rgisto. Parando o geep junto a um monte de salalé (térmitas, cupim) já coberto de arbustos, o guia disse serem estes mesmos arbustos e ervas circundantes as preferidas pelos animais pois que, têm melhor sabor; os pássaros comedores de térmitas deixam sementes em seus buracos que são transportadas para o seu interir pelas térmitas, que rico em minerais de barro mastigado, nascem com um maior vigor e sabor. 

Bem perto do “Main Park” Punda Maria e ainda dia vimos uma leoa que sorrateiramente procurava presa; pensamos que deveria ter crias escondidas  por perto e procurar ali gazelas para as alimentar. As 3 horas foram feitas fazendo um circulo em picadas de terra recentes ou mato ainda por trilhar indo até um sítio de águas mansas do rio Luvuvhu, seguidas de pequenos rápidos e, aí já noite podemos ouvir hipopótamos, e vêr os olhos, pequenas luzernas de um crocodilo na outra margem do rio. Usamos para isso dois farolins com os quais eu e Ricar varriamos o terreno de ambos os lados do todo-o-terreno do David. Vimos elefantes solitários, manadas de bufalos, olhos de hiena chorando o seu caracteristico cantar, umas quantas impalas e muitos mangustos.

Saindo pelas sete horas da manhã de Domingo, dia 9, de Punda Maria com destino ao acampamento Mopani, vimos na estrada um magnifíco elefante que nos obrigou a retroceder e, mais a sul, nas margens do rio Letaba uma grande manada de bufalos. Naquele mesmo rio, e em cima da ponte já em direcção a Phalaborwa podemos apreciar 3 hipopótamos estando um bem perto; só nos apercebemos que era um hipopótamo porque levantou a cabeça para respirar num escasso meio minuto; até aí era uma pedra castanha no meio do rio.

 

No Mopani, “Main Camp” com óptimas acomodações, situado no topo de um morro com uma vegetação frondosa pude apreciar na sua praça central um belo exemplar de Imbondeiro e umas quantas “mopanis tree” que deram origem ao nome do campo: Aqui, fiquei a saber que ao redor da estrutura do Imbondeiro se alojam  os pássaros: Red Billed Buffalo Weaver, parecibo com um pequeno corvo; o Born Owel, um mocho; o Redheaded Weaver parecido com um canário e o Peter´s Epanletted Fruit Bat uma espécie de morcego.

O mais interessante foi saber aqui que o Imbondeiro ou baobá, floresce pela primeira vez ao fazer vinte anos de idade e a vida da flôr que origina o fruto Múcua tem uma vida muito curta pois que murcha logo após ser  polinizada.

Por curiosidade interessa saber que Punda é um nome Swahili e que Maria foi a a primeira mulher a habitar o acampamento de onde saimos esta manhã. Maria vestia quase sempre roupa listada como a zebra que em Swahili é punda e por isso se deu ao local esse nome. Maria era a mulher do primeiro ranger nomeado para pôr a funcionar o acampamento; isso foi no ano de 1934.

 

(Continua…)

O Soba T´Chindere



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:45
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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