Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010
ZUMBI . III

AS ESCOLHAS DE BONIBONI . EMBAIXADOR DO KAKUAKU

PASSO COMO RECEBI .

ANGOLA . O Chaka Zulu de Benguela – 1ª Parte

 


Corrupção na Policia de Investigação Criminal. 24-10-2010.

Viveu uma semana como se nada se tivesse passado até que o próprio pai, por alerta da polícia e, em virtude da viatura do crime estar em seu nome, entregou o filho à polícia. Uma briga por causa de mulher na discoteca CHIRINAWA em Benguela acabou no homicídio de um jogador de futebol do 1º de Maio de Benguela. O jovem de 21 anos, depois de ser perseguido por uma viatura conduzida pelo filho do Jurista JOSÉ BENTO CANGOMBE, foi barbaramente atropelado. Segundo testemunhas, o jovem foi atingido na cabeça, caindo desamparado no asfalto. Seu Pai, José Bento Cangombe, um Jurista corrupto e homossexual, foi recentemente afastado da administração do Lobito pelo Governador Provincial por cometer os crimes de peculato, venda ilegal de terrenos e bens do estado.


Flamingos do Lobito

Este jurista que veio de Portugal à menos de 8 anos com uma mão à frente e outra atrás, hoje, é considerado no Lobito como um dos mais ricos da cidade, completando uma boa parceria com o Administrador Municipal do Lobito (Ricardo), um outro jovem que se tornou rico, num abrir e fechar olhos.

A polícia foi chamada ao local, mas apesar da assistência médica e das tentativas de reanimação, GIRINHO de seu nome, não resistiu aos ferimentos morrendo pouco depois. A entrega do homicida, pelo próprio pai, uma semana depois à Polícia Judiciária de Benguela, resulta duma torpe simulação planeada para “boi dormir”. O assassino foi posto em liberdade, demonstrando uma autêntica vergonha para a justiça Angolana.


(Continua…2ª Parte)

O CHAKA ZULU DE BENGUELA

Nota: Este alerta serve par demonstrar que pela Internet ninguém fica impune! E, não há fronteiras! Só o medo tolhe! Resta o contraditório para se descortinar a verdade. Isto pode até ser maquiavélico!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:03
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Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010
TUNDAMUNJILA . VI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“3º Império - Guerra de Tuji”


Quitandeiras

O panorama de confronto entre as forças do Puto e os Movimentos de libertação de Angola, MPLA, os Kwachas da UNITA e FNLA, que deveriam ter um cunho político-ideológico, tinham mais um fundo étnico. O MPLA com os Quimbundos e Mazombos letrados urbanos de Luanda e Benguela com ajuda comunista, a UNITA dos Umbundos mais chegados às deferências coloniais e os Fenelás ligados aos Kiocos com ajuda americana. A guerra em Angola assume uma estranha natureza intestina e, daí verificar-se a guerra civil que a seguir se prolongou até 2003 retomando a normalidade civil após a morte de Jonas Savimbi, o mais genuino guerrilheiro de solo pátrio, visionário e inflexivel que se matou nas entranhas da mata, abandonado e traído pelos seus amigos americanos.


Os Tanques da Guerra Civil

O facto de brancos, negros e mestiços lutarem quer nas forças coloniais, quer na dos movimentos, torna-a numa força diferente no conceito global, podendo afirmar-se haver uma ideia comum de Nação. Em nenhum outro território do 3º Império se verificava esta postura. Todos, ou na sua grande maioria desejavam a independência. Este factor foi desperdiçado pelas “mentes políticas sem talento” que forçaram a debandada por imposição do medo tendo como maior expoente a figura do Almirante Vermelho Rosa Coutinho; este exímio militar, na arte da traição com a anuência de seus pares militares do FMA, contribuiram para desestabilizar a ordem normal da vida, primeiro em Luanda e depois, um pouco por toda a Angola levando ao deseperante abandono rápido, mesmo de quem nunca tinha tido esse desejo.

Livro de referência: DEMBOS. A floresta do medo – Angola 1969 a 1971 de Carlos Ganhão

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:12
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Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010
URUGUAI . VII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“ Campanha de Montevideu – Joaquim Xavier Curado”

Joaquim Xavier Curado nasceu em Goiás e a ele se deve o sucesso de pacificação e a aceitação dos exércitos invasores da Cisplatina mandados a partir de 1811 com o comando de Dom Diogo de Sousa. Foi o espião da Coroa Portuguesa que pelos altos serviços prestados recebeu a Comenda da Ordem da Torre e espada do valor, lealdade e Mérito e também o título de Barão e Conde de São João das Duas Barras. Deve-se a Xavier Curado o sistema de segurança eficaz contra os Índios Charrua nas fazendas Gaúchas e seu prestígio perante o povo no ano de 1800; por tudo isso foi-lhe dada a governação da Capitania de Santa Catarina. foi aqui que como um verdadeiro agente secreto fazia incursões aos cobiçados territórios do Rio da Prata e, aí recolher informações detalhadas sobre o dispositivo militar Espanhol na região.

Sousa Coutinho

Os reinos ibéricos sempre em disputa pelos territórios da Cisplatina levaram ao rubro as ambições expansionistas Lusitanas na América do Sul em resultado do apoio espanhol às invasões francesas contra Portugal. Xavier Curado, neste então com a patente de Coronel consegue reunir preciosas informações a levar a efeito no plano de invasão orquestrado por Dom Rodrigo de Sousa Coutinho um astuto diplomata ao serviço da Coroa. Xavier Curado, praticamente, combateu todas as forças de José Artigas em rápidas investidas, dando azo à grande invasão de 1816 sob o comando do general Carlos Frederico Lecor. Xavier Curado em 1880, regressa ao Rio de Janeiro para assumir o cargo de Conselheiro de Guerra, mantendo-se ao serviço de D. Pedro I até seu falecimento em 1830, com a idade de 84 anos.


O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:53
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Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010
TUNDAMUNJILA . V

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“3º Império - Guerra de Tuji”


A Tribo Branca

A 6ª etnia ou a ”tribo dos brancos” é composta (por quantidade) em pequenos funcionários, comerciantes, fubeiros, camionistas, empregados de café e restauração, pescadores, engraxadores da Mutamba, Baleizão ou Kátequero e uns quantos reaccionários intelectuais das Ingombotas, Maculussu e dos subúrbios do Malhoas da Maianga, Rio Seco, Samba Grande, Catambor, Bairro popular, Cazenga e nas lonjuras da Mulemba. Esta plêiade de gente à qual pertenço, que tenta progredir no mato ou, entre cimento”, ausentes da politica ditada do Puto, difere de todas as outras colónias comparando-a com outros países colonizados por Belgas, Ingleses, Franceses, Mafulos huguenotes da Holanda ou mesmo os Ibéricos de Espanha. É gente ocupando lugares médios da Administração conjuntamente com mestiços e negros assimilados que se vêm obrigados a enfrentar Os cornos do dilema”; ficar na bagunça duma guerra louca ou embarcar num avião grátis que a comunidade internacional preparou para estes incautos oitocentos mil brancos e mazombos.

A Fazenda e os Retornados

A grande maioria queria ficar, mas o êxodo orquestrado pelos políticos e militares do Puto imperou entre a descrença, traição e medo, a um desatinado “seja o que deus quiser”. Este Deus menor capitaneado por ateus e agnósticos filhos do Demo maior, provocou uma das maiores injustiças em toda a história de Portugal no após Afonso Henriques. Uma incomodada falácia que perdura tremida de raiva até aos dias de hoje criada levianamente pelos “políticos sem talento”, dos miserabilistas párias consentidos no seio materno da Metrópole.

A 6ª tribo (etnia) teve de optar entre a vontade de viver, em detrimento da vontade de ficar; Estava em curso aquilo que dizem ter sido “uma descolonização exemplar”. O Demo maior, em seu tempo os levará para as calendas do Inferno. E, vem de novo em 2011, outra atroz depressão. Quem semeia ventos colhe tempestades!


(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:30
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Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010
URUGUAI . VI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“ Campanha de Montevideu – Dom Diogo de Sousa”


Diogo de Sousa . Conde de Rio Pardo

Dom Diogo de Sousa seguiu com a corte do príncipe D. João nos finais de 1807 tendo sido o primeiro Governador e Comandante militar do Rio Grande do Sul. Teve um especial relevo nas disputas em volta do território vizinho do Brasil Oriental, hoje Uruguai mas, que nesse então era conhecido por Cisplatina. Com a patente de Brigadeiro de Cavalaria, deu em 1811 o início da invasão da Cisplatina com um exército pacificador composto de 3000 homens. Este exército que partiu do povoado de Alegrete sob o comando do Marechal de Campo Joaquim Xavier Curado tendo um outro oficial da mesma patente de nome Manuel Marques de Sousa saindo da actual cidade de Bagé.

Museu Dom Diogo de Souza, Bagé, RSMuseu Dom Diogo de Sousa

Aquele exército tinha a particularidade de levar um grande rebanho de gado e abate para se alimentarem no percurso com mais de 700 quilómetros. Tendo em vista socorrer Montevideu, cercada pelas tropas revolucionárias de Buenos Aires e José Artigas, Dom Diogo de Sousa, antes da chegada a Montevideu, recebeu ordem do Rio de Janeiro para regressar com seu exército às bases por via de um acordo de paz firmado entre Montevideu e Buenos Aires. Dom Diogo criou as vilas de Porto Alegre, Rio Grande, santo António da Patrulha e Rio Pardo, dando assim consistência à implantação portuguesa na região Sul.


GAÚCHOS

A invasão da Cisplatina não passou de um acto para vincar a soberania Lusa ficando sempre subjacente a vontade de por ali ficar a marca de gente Tuga; postura que continuou a ser uma aspiração na expansão do Brasil até às margens dos rios da Prata e Uruguai. Dom Diogo deixou o Rio Grande do Sul em Novembro de 1814 com a patente de Tenente General tendo dois anos mais tarde assumido o lugar de Vice-Rei de Goa na Índia. A memória de Dom Diogo de Sousa está preservada pelo Museu com seu nome em Bagé no rio Grande do Sul, cidade da qual foi fundador.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:54
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Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010
TUNDAMUNJILA . IV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“3º Império”


Luandino   ( Um mazombo)

O 3º Império Luso termina a 11 de Novembro de 1975, dia da proclamação da República Popular de Angola, a jóia da coroa. Com a perca do exclusivo das especiarias saídas da Índia, dava-se o fim do 1º Império e, seguindo-se à independência do Brasil em 1822 dá-se o término do 2º Império. A seguir à perca do Brasil, Portugal entra em grande depressão que se vai prolongar até inícios do Século XX mas, em 1930 com o corte de remessas dos emigrantes do Brasil e a quebra dos bancos portugueses, a sociedade metropolitana fica falida. Restava-lhe a África e, é para Angola que as atenções são dirigidas; pelo facto de ser potencialmente rica dá-se um grande impulso à ida de colonos resultando daí no tempo uma miscigenação considerável. Estas bolsas de crioulos significativas em Luanda e Benguela serão a chave na emancipação que se irá verificar por neles haver uma maior consciencialização no trato de libertação.


Algures num KIMBO

No imaginário do típico português, Angola representava a ideia duma “pátria pluricontinental e pluriracional” porque era o território Ultramarino menos racista. Angola era em realidade, o território mais íntimo da Metrópole, que só foi abalado pelo “terror de 61”. As gentes negras dividem-se em BACONGOS na bacia do rio Zaire, os LUNDA-KIOKOS do Nordeste até o Cuito, os CANGUELAS no Leste e Centro Sul, os OKAVANGOS no sudeste, Os HEREROS na costa Sul, os NHANECAS-HUMBE do Lubango até o Cunene os QUIMBUNDOS na região que vai de Malange até o Planalto Central e Luanda (o antigo Reino do Congo), os UMBUNDOS formando 40% da população situada desde a costa no Sumbe a Benguela penetrando o interior até o Huambo (Nova Lisboa) e Cuito (Silva Porto). A 6ª tribo seria a dos BRANCOS e crioulos, maioritariamente “brancos pobres” idos maioritariamente para a colónia na segunda metade do Século XX; é gente que foge das zonas mais atrasadas de Portugal e que justamente com mazombos (filhos de colonos), mestiços e negros assimilados vivem maioritariamente nos bairros periféricos de Luanda ou Benguela.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:07
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Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010
ASSEMBLEIA DO KIMBO

MOKANDA

“MIRANGOLOS”


MIRANGOLOS

Em modesta confraternização de Natal no Pescador do Sítio de Vale dos Reis, tivemos a grata presença do Soba de Portimão que ouviu atentamente os quentes mujimbos do Ultramar na presença de CALU, dono da xitaca de Vale de Parra para os lados de Albufeira. A transcendência desta Mokanda é pelo facto de termos atentamente ouvido a explanação do Emabaixador do Kacuacu, o BONIBONI da Katumbela. A nobreza presente ficou sensibilizada nas palavras proferidas, tendo este proposto a admissão de  CALU, pelo que, aceite as insígnias e sendo declarado em próxima assembleia pagar a Gasosa que lhe é devida:



Para que conste no Reino de Manikongo e se arquive na Torre do Zombo, aqui fica a distinção de nomeação de KONDE DOS MIRANGOLOS E MANDATÁRIO DOS MANGUITOS DO GIRAUL, o acima descrito plebeu  de nome CALU, afiançando ser genuíno cabeça de Pungo, distinto, com paludismo no seu ADN e conhecido por Fernando Brazão Beira Grande pelo que assim, foi reconhecido pelos presentes a saber:

- Soba de Portimão, Valério Guerra; Conde do Grafanil (Rei aposentado); Soba T´Chingange; Comendador dos Vale D´el Rei; Visconde do Musssulu, Senhor de Cienfuegos, "Derruba" do Chivinguiro; Marquês do Limpopo; M´Fumo Manhanga; M´bika Homem Rico e o Embaixador do Kacuacu, Boniboni.

Boniboni teva a gentileza de ofertar a todos, banana seca do Cavaco.

E, para que conste, deu-se como aceite sem demais formalismos, com desejos de BOAS FESTAS entre os presentes.

O Soba T´Chingamge

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:32
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Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010
TUNDAMUNJILA . III

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Guerra de Tugi”

Crónica dedicada ao Embaixador do Kacuacu, BONIBONI DA KATUMBELA, o preto mais branco do Puto, Donatário Mwangolé dos jacarés do Cubal e Katumbela.

No jogo do gato e rato os Tugas furam a mata perseguindo Turras; com a G3 colada ao peito ou feita um pau nas costas percorre a densidade de verde fumegando adrenalina pelos poros, orelhas, matubas, kinambas e todo o resto do corpo. Transpirando vapores em cacimbo húmido tenta num se calhar agarrar uns turras e levar às bases umas Kalashes p´ra cantar vitória ao Coronel do Estado Maior que espreguiça o mataco na messe dos Oficiais. O relatório diz que acobertados nos fundilhos dos charcos do Chiloango, no rigor da guerrilha, apanharam umas quantas sanguessugas antes da emboscada fatídica para uns quantos fiotes do Massábi:


Rio Chiloango  e os Turras


Sete horas húmidas algures

Progressão, corpos ensopados

Silêncio nos corpos, silêncio de medos

Uns paus ardidos


Olhar dúplice, um piar agreste

Dois tiros num eco, um ai

Lianas e folhas num Maiombe rupestre

Um grito, um dó


Missão cumprida, tempo esquecido

Febre sem alma

O peso dum morto

Encalhado em ombro, muxoxos de vida


Maiombe e os Gorilas

Percorrendo soberania, exótico passeia na selva por fiotes de folhas tapando mambas e kissonde, um guerrilheiro que foge evitando o contacto, esgotando caminhos, paciência que se funde na mata com macacos guinchando, desesperos de gorila.

Procurando propósitos, os riscos chegam na falsa curva chamada "a-da-morte" e se trocam tiros através do susto carregado de verde, duma cara invisível rajadas de tiros em parcos segundos, depois a fuga, restolho de corpos.

Uma merda de guerra, senhor Capitão. Relato feito duma odisseia minúscula numa história omitida num tempo chuvoso, num cú-do-mundo chamado Miconge.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:09
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Domingo, 19 de Dezembro de 2010
URUGUAI . V

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“ Campanha de Montevideu – Frederico Lecor”

Frederico Lecor

Carlos Frederico Lecor nasceu em Faro no ano de 1836. Nas batalhas das guerras peninsulares contra a França Napoleónica este cidadão de descendência francesa pelo lado do pai e alemã pelo lado da mãe, notabilizou-se pela sua braveza mas, foi como chefe do governo instalado em Montevideu que inscreveu o seu nome na história político-militar do século XIX. Quis o destino de Lecor que este se salientasse em seus feitos de armas; assim, no universo militar, fez um percurso ascendente que o levaram às, mais altas posições hierárquicas do exército. Tendo assentado praça no Regimento de Infantaria de Faro foi promovido a Sargento, chegando rapidamente ao posto de Capitão, preparando-se para as grandes batalhas que se avizinhavam na sequência da Revolução Francesa nomeadamente a campanha do Rossilhão no Sul de França aonde teve o seu grande baptismo de fogo, participando em duros combates.

MONTEVIDEU

Em 1807, perante a invasão de Portugal pelas tropas de Junot, Carlos Lecor combateu sem tréguas a ocupação francesa, chegando a chefiar uma divisão militar inglesa. Após o término da guerra, assumiu o lugar de Governador da Praça de Elvas com a patente de Tenente-General. Do Brasil, o príncipe D. João, convocou-o para uma nova missão além Atlântico: tomar a Banda Oriental do Rio da Prata e alargar assim a fronteira Sul do Brasil até às margens do grande rio. A Banda Oriental da Cisplatina, hoje Uruguai, estava nessa altura controlada pelas forças revolucionárias de José Artigas, neto de um dos primeiros povoadores de Montevideu. Artigas, que mantinha ideias independentistas, com a conivência de outros separatistas e os índios ”Charruas” era um bom conhecedor das rotas mercantis dos negociadores de gado, charque e couros.

A grande missão de Francisco Lecor em sua vida de militar surgiu com a formação da Divisão de Voluntários Reais que seguiu para o Brasil em 1814. Na incumbência de ocupar militarmente a Banda Oriental, o General Lecor, revelou surpreendentes qualidades políticas, destacando-se como astucioso diplomata na condução do seu governo. Lecor, com meticulosa estratégia na captação de simpatias, neutralizou as resistências existentes. Como força ocupante entre os anos de 1816 a 1823 Lecor, com sua argúcia, fez com que a população o aceitasse sem oposição de destaque; de salientar que após ter derrotado Frutuoso Rivera, um braço forte do chefe patriota José Artigas, levou-o a incorporar-se com suas forças ao exército português. Em 1830, Frutuoso Rivera veio a ser eleito presidente do Uruguai pela Assembleia Legislativa, tendo-se mantido no cargo por 4 anos.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:11
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Sábado, 18 de Dezembro de 2010
PUTO . X

AS ESCOLHAS DE BONIBONI - Embaixador do Cacuacu

“Portugal visto de Fora – 2ª parte”

U.E.

Aonde foram a parar os fundos comunitários? É a pergunta mais insistente que todos fazem e, a resposta mais frequente, induz que o dinheiro foi para os bolsos de quem já muito tinha. Os números indicam que Portugal é o país da EU com maiores desigualdades sociais tendo os mais baixos salários mínimos e médios na comunidade; pelo menos até 1 de Maio, quando o bloco passou de 15 para 25 países. Também é o país da EU em que os administradores de empresas público privadas (com intervenção estatal) têm os salários mais altos; o argumento mais frequente dos executivos é o de que o mercado decide os salários. O deputado João Cravinho desmente esta teoria afirmando serem os próprios administradores que fixam o seu salário, desculpando-se com o mercado. Nessas EPP os executivos fixam seus vencimentos num monto astronómico, chegando alguns a 90.000 dólares mensais com acréscimos de bónus e regalias, tudo isso com a notória cumplicidade dos accionistas, disse Cravinho. Estes mesmos grandes accionistas são ao mesmo tempo altos administradores de todo o sistema, relegando os mais pequenos; no fundo a grossa talhada dos lucros vai parar a contas bancárias dos directivos. Disse Cravinho em forma de lamento.


A crise económica que estancou o crescimento português nos últimos dois anos está a ser paga pelas classes menos favorecidas. Esta situação de desigualdade tem despropósitos chocantes; havendo crise no sector de venda de automóveis com uma baixa de mais de 20% nos modelos económicos verifica-se um aumento substancial na procura de marcas de luxo tais como Ferraris, Porches, Lamborghinis, Maseratis e Lotus. Veículos que custam mais de 200.000 dólares, isto co0rresponde a um aumento de mais de 36% e, os vendedores não têm capacidade de responder à procura. Há casos de gente desta ainda a receber subsídio de estudo para seus filhos. Na zona Norte do país aonde se concentra a maior indústria têxtil, não obstante dizer que está em crise têm mais Ferraris por metro quadrado do que em Itália. Isto não é uma afronta?

Os Ferraris

O governo saca a maior talhada de impostos aos trabalhadores deixando incólumes os magnatas, peritos na fuga ao fisco; fustiga a honestidade na declaração de impostos ao fisco de quem trabalha libertando liberais que notoriamente mentem em suas declarações sem que haja um controlo efectivo; isto sucede com a maioria de médicos que só tributam 6% quando deveriam participar com 15%. È uma descarada apropriação de riqueza indevida pois que seus custos de aprendizado foram-no à custa do povo; povo que agora em crise se sente explorado. Queira-se ou não, isto além de sarcasmo, também é uma forma de roubo! E ainda há técnicos a trabalhar em serviços administrativos que por biscate, tiram trabalho aos demais que saem das Universidades sem terem ocupação. Deveriam acabar com essa duplicidade de aqueles serem os executores do projecto e simultaneamente os apreciadores deles mesmos num absurdo e consentido promíscuo incesto.

Assim, não brinco!

Boniboni da Katumbela



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:33
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Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010
PUTO . IX

AS ESCOLHAS DE BONIBONI - Embaixador do Cacuacu

“Portugal visto de Fora”

País de pinókios

Indicadores económicos e sociais periodicamente divulgados pela União Europeia, colocam Portugal em níveis de pobreza e injustiça social inadmissíveis para um país que integra desde 1986 o “clube dos ricos” do continente. A avaliação da Organização para a Cooperação e desenvolvimento Económico (OCDE) deu um golpe de graça dizendo que Portugal se distanciará ainda mais dos países avançados. A produtividade mais baixa da EU, a escassa inovação e vitalidade do sector empresarial, educação e formação profissional deficientes e o mau uso de fundos públicos, com gastos excessivos e magros resultados, são os dados assinalados pela informação anual da OCDE, que reúne os trinta países mais industrializados. A diferença de Espanha, Grécia e Irlanda (que fizeram também parte dos países pobres da EU), está em que Portugal não soube aproveitar para o seu desenvolvimento as avultadas quantidades de fundos comunitários que sem cessar chegaram de Bruxelas durante quase duas décadas; esta opinião é coincidente entre os muitos analistas políticos e económicos.

O BANDO METRALHA

Em 1986, Madrid e Lisboa ingressaram à então Comunidade Económica Europeia  com índices de desenvolvimento semelhantes e, há somente uma década atrás, Portugal ocupava um lugar superior ao da Grécia e Irlanda no ranking da EU, mas em 2001, foi comodamente superado por esses dois países; entretanto Espanha, já se situava a pouca distância da média do bloco. No sector privado, os bens de capital, nem sempre se utilizam ou se situam com eficácia e, as novas tecnologias não são rapidamente adaptadas, afirma a OCDE. A força laboral portuguesa conta com menos educação formal do que outros países da EU, inclusive com os novos membros da Europa central e do Leste, assinala o documento. Todas as análises sobre as cifras invertidas coincidem em que o problema não está na quantia, mas sim, nos métodos de como são distribuídos. Portugal gasta mais que a maioria dos países da EU em remunerações de empregados públicos tomando em conta o produto interno bruto sem lograr daí, melhorias significativas na qualidade e eficiência dos serviços. Na educação, não conseguem dar uma formação profissional competitiva com o resto dos países industrializados. Nos últimos 18 anos, Portugal foi o país que mais benefícios recebeu por habitante em assistência comunitária, no entanto, após nove anos a tentar acercar-se aos níveis da Europa, em 1995 começou a cair e, as perspectivas de hoje indicam um maior afastamento. Aonde foram parar os fundos comunitários? É a pergunta insistente que se faz na voz do povo, debates televisivos e colunas de opinião. Sim, aonde estão?

(Continua…)

BONIBONI DA KATUMBELA




PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:42
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Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010
URUGUAI . IV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO


“ O Brasil após 1822”

Os historiadores por parte de Portugal, não deram a atenção merecida às questões relacionamento com o Brasil. Depois de Portugal ter perdido o controlo político da América do Sul, os únicos portugueses de que se faz menção, são os que se viam no Brasil, camponeses pobres e iletrados forçados a sobreviver vendendo carne de “charque” e leite de porta a porta e outras tarefas menos agradáveis. Durante anos verificou-se uma provocação com uma desusada descrição rebaixando a influência real que os Tugas continuavam a exercer na sua ex-colónia. É uma excrescência natural de quem ganha a emancipação e, essa rebeldia com laivos de desprezo veio a verificar-se em relação a Angola nos recentes anos, após 1975; Quantos Tugas estão em situação de desagrado com os políticos que ainda se pavoneiam por aí.  Por via de um roubo a gente honesta, a que chamaram de descolonização, justificaram isso para nunca os ressarcirem do mal causado; Quanta injustiça praticada pelos políticos pavões que não tiveram o bom senso de falar verdade e defenderem o seu a seu dono, como lhes competia.

O Brasil conquistou sua independência sem violência notória mantendo os imperadores portugueses da Casa Real de Bragança tendo governado o país até à revolução de 1889. Não obstante Portugal só ter reconhecido a independência do Brasil em 1825, a poderosa comunidade mercantil Tuga, foi autorizada a permanecer no Brasil, apesar da hostilidade popular. Não é de admirar que o povo, desprovido de qualquer privilégio, por vezes, se tenha manifestado de forma violenta contra os Tugas ao longo do século XX. O mercantilismo de Portugal no Brasil, sobreviveu à abolição do tráfico de escravos especialmente das regiões de Rio de Janeiro, no Nordeste e em todo o Norte. No Amazonas, os Tugas foram os grandes beneficiados com o aumento das exportações da borracha controlando os transportes pelo rio Amazonas e as estruturas portuárias ligadas ao comércio. Foram os pioneiros na indústria têxtil do país, desenvolvendo formas mais rentáveis de produção e no emprego de novas fibras.


EMIGRANTES (António Rocco)

Os emigrantes Portugueses do Brasil tinham efectivamente mais hipóteses de sobreviver e enriquecer do que em outras colónias Africanas com governação portuguesa como Angola ou Moçambique; no Brasil, enriqueciam e, no continente negro arriscavam-se às insalubres terras de “matabranco” com malária num constante uso de medidas profilácticas como o quinino, camoquina ou rezoquina. A recessão económica de 1930, foi o corte brutal da ligação de Brasil com Portugal. O governo autoritário de então, tomou medidas severas para debelar a crise económica tendo diminuido drásticamente as importações de mercadorias e o protecionismo até então evidenciado; milhares de famílias que dependiam das remessas do Brasil, mergulharam na mais profunda miséria: Os bancos portugueses, um pouco por todo o  Brasil faliram e as cpmpanhias de navegação suspenderam as suas operações no Atlântico Sul. Em realidade, foi em 1930 que Portugal perdeu o Brasil e não em1822; entretanto já se tinham passado 108 anos (duas gerações).

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:23
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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010
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AS ESCOLHAS DE BONIBONI . Embaixador do Cacuacu

       Crise de outros tempos”

EÇA DE QUEIROS em 1867 escrevia assim:

Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas . Porém são nulos a resolver CRISES. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo, em Portugal, são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidade e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?”


A DEMOCRACIA é uma brincadeira de políticos que se acobertam nessa nobre palavra para corromper o sistema tornando-a decadente. O país afunda-se em bordados nos bastidores de teias de interesse, jogos de poder dos partidos. Estamos na bosta entre pavões de cartola, janotas que se vêm bem num espelho, só seu. Os militantes dos vários partidos tem de exigir no seu seio o rigor da coisa pública e não se acobardarem de fazer a critica interna exigindo homens de rigor e honestos.

 .

Aqui, Portugal, aonde o impossível se fez tempo, fossilizam-nos a imaginação. Cresci em espanto a ver o rio grande no fundo do vale e a serra branca de neve para lá dos montes intermédios. A Serra da Estrela. Do mar, que dali não via, tinha um escuro medo indefinido... simplesmente! Atravessei esse mar mais tarde. Deslumbrei-me em crescimento na imensidão da diáspora e retornei sem o querer, já homem, fruto de falácias de políticos e, de novo voltei a navegar angústias de emigrante. Agora é tarde para reiniciar um tempo que se tornou impossível.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:21
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Domingo, 12 de Dezembro de 2010
URUGUAI . III

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Cisplatina. Uruguai” - LUSOFONIA . 3ª Parte

Cidade de Montevideu

Nunca antes se tinha visto tamanho exército em terras Americanas tendo no seu comando homens de armas valorosos, que se tinham salientado em outras praças de guerra; o plano de ocupação da Cisplatina tinha um efectivo de pessoal a saber: 7 oficiais do Estado-maior de Divisão; 10 Oficiais do Estado-maior de Brigadas; quatro Batalhões de Infantaria com mais de 3600 homens; cerca de 900 homens de Cavalaria; 252 artilheiros e 36 músicos. O príncipe Dom João veio a ser aclamado rei a seis de Fevereiro de 1818. As solenidades de aclamação e coroação como Rei de Portugal, do Brasil e do Algarve, tiveram lugar no Rio de Janeiro tendo na concessão de várias mercês sido dado o título de Barão de Laguna ao General Francisco Lecor, Governador de Cisplatina e Comandante Supremo do exército ali estacionado.

GAUCHOS NA CISPLATINA

Tudo isto revela bem a importância que D. João VI dava àquele acto de domínio territorial do Brasil. Não obstante, este monarca ser criticado, vilipendiado, rebaixado e objecto de muito escárnio por parte dos brasileiros, deve-se a ele o país que hoje é.  

Tivesse ele, mantido no Brasil e, o Uruguai seria hoje um estado do Brasil. D. Pedro, seu sucessor por via da imposição do regresso de seu pai a Portugal, não dedicou a mesma atenção a Cisplatina por via das revoltas um pouco por todo o lado mas principalmente a conhecida Confederação do Equador, um movimento republicano fermentado em Pernambuco, que teve de ser reprimido.

FRUTUOSO RIVERA

D. João VI no meio do turbilhão de acontecimentos que antecedeu o seu embarque, procurou resolver o problema da Cisplatina evitando ao príncipe, seu filho D. Pedro, tão melindroso encargo. A 16 de Abril de 1821, oito dias antes do regresso a Portugal, adiantou-se a outros países reconhecendo a independência das Províncias do Reino da Prata e, remeteu ao Barão de Laguna, General Lecor as instruções relativas ao futuro do Uruguai (Banda Oriental). Caberá em próximas crónicas descrever com mais detalhe as figuras de Frederico Lecor, Rodrigo de Sousa Coutinho, Joaquim Xavier Curado, Dom Diogo de Sousa, Frutuoso Rivera e José Artigas, personagens intervenientes neste espaço de história que as memórias em duzentos anos trataram de omitir.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:34
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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
PUTO .VIII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Ventos do Puto”

T´Chingange

Num mundo perverso de embusteiros, a indiferênça deu largas à trapaça; È mais fácil ver o cisco no olho do vizinho do que na sua própria trave e, por isso num repente, surgiram comentadores, gente de gabarito a fazer alarde de altruísmos desconhecidos.

Sempre foi assim no país de orelhas mocas, o mesmo que as não ter. E, vai daí, pela crise aliada aos desmandos da democracia concluir-se em ter de se trocar os politicos porque não estão a dar conta do recado. Como qualquer mercadoria adquirida num supermercado têm de ser devolvidos ao lixo por estar podre ou defeituosa.

T´Chingange do Kimbo

No impresso de devolução desta mercadoria tóxica e a seguir ao código de barras deve constar: -A troca de políticos de primeira linha poderá ser efectuada dentro de um prazo de 30 dias, mediante a apresentação do santinho-talão de compra (entenda-se por voto) e do artigo devidamente etiquetado pela ASAE ou outro prepotente poder superior.

Dirigentes ousados ou ambiciosos, agitados entre canalha, ganham terreno entre o desinteresse ou apatia do povo em mudar o rumo; resigna-se, verga-se às leis conspurcadas de incestuosos atributos. Há um sem fim de baixa política, vidas fáceis que ziguezagueiam entre a economia desastrosa, abutres  deglutindo dinheiros públicos .

Namibia . A duna da milha 45

Não se aceitam devoluções de políticos adoradores de festas, luzes, popós todoterreno, bijutarias ou pirsing em sítios obscenos; nos restantes políticos acessórios ou de craveira inferior aplica-se um prazo máximo de 7 dias úteis (artº 9ª, lei 24/96).

Os adornos

É imprescindível a apresentação do talão de eleitor. Após estes prazos prescreve o direito de reclamação. Com o tempo, a democracia adapta-se a qualquer besteira se, para tal houver uma considerável maioria. Na democracia há sempre uma brisa de contentamento só para alguns! Temos de fazer uma revolução a valer. Acabar com as quotas de interesse desses figurões que se apropriam do alheio quando estão no mando.


O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:21
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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010
URUGUAI . II

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Sacramento . Uruguai” - LUSOFONIA . 2ª Parte


Napoleão Bonaparte

Recordar que, enquanto Napoleão na posse de Espanha destituía o rei substituindo-o por seu irmão José Bonaparte, em Portugal, a corte Portuguesa saia apressadamente de Lisboa com destino ao Brasil, tendo as tropas comandadas pelo general Junot bem perto da capital. Este exército era já composto com tropas incorporadas em Espanha o que levou ao príncipe D. João ainda no meio do Atlântico a germinar uma forma de tomar possessões americanas, pertença destes dois países.

Mapa . Guayana a Norte do Brasil

Não levou muito tempo a serem ocupadas a Guayana Francesa a Norte do Brasil e a organizar com as devidas precauções a ocupação da Cisplatina a Sul, conhecida então por Banda Oriental. Entretanto, logo à chegada, decretou a abertura dos portos brasileiros aos navios das nações amigas, pondo fim ao regime de exclusividade convencionada com a metrópole (Lisboa)

General Junot

Neste então, 1808, as colónias Espanholas do Sul de América estavam à deriva defrontando-se com anárquicas convulsões que punham em perigo a fronteira Brasileira do Rio Grande do Sul. A Junta de Salvação de Buenos Aires subordinada em teoria à Junta de Cádiz de Espanha não estava a conseguir pôr mão à onda de rebeldia de alguns compatriotas com ideias emancipalistas de alguns territórios pertencentes às Províncias Unidas ainda colónias de Castela. A colónia de Sacramento, o mais antigo assentamento europeu na Cisplatina, foi fundada por Portugueses em Janeiro de 1680 que com o tratado de Santo Ildefonso (o ajuste do tratado de Tordesilhas por uso e posse) se tornou possessão Espanhola; estava para além da linha de latitude divisória dos dois povos Ibéricos por beneplácito de Roma, na figura do sempre omnipresente e absoluto Papa e do tratado de Badajoz assinado em 1801.


D. JoãoVI

Aquela primeira leva de colonos Transmontanos tinha por objectivo o sonho de estender a fronteira Sul do Brasil até ao Rio da Prata. O príncipe Dom João via assim por contingências adversas resultantes da guerra, a possibilidade de recuperar esse vasto território. D. Diogo de Sousa, com a patente de Brigadeiro de Cavalaria a mando do príncipe D. João é enviado com um exército no ano de 1811 a partir de Alegrete com a missão de pacificar a Cisplatina seguindo-se a seguir, no ano de 1816 a força de elite, composta por cerca de 5000 homens da Divisão de Voluntários Reais comandada por Frederico Lecor.


(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010
ZUMBI . II

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Canibalismo. Novos trilhos” – 2ª Parte


SONHO MALUCO

No meio da clareira, uma mulher bronzeada, integralmente nua, cabelos escorridos até à cintura, surgiu do nada; seus olhos impressionantemente grandes eram de onça.

A figura de bronze, rodopiava perante olhos esbugalhados daquela assembleia canibalescamente guloza. Com os olhos, eles comem tudo!

Como um verdadeiro sonho, vi-me na travessa do Poço, em Lisboa dum século atrás, as pretas escravas levando os baldes de mijo e merda dos senhores nobres a serem lançados no tal poço ou no Tejo; os sonhos trespassam sítios e tempos como se nos movessemos em ondas de medulada frequência, levitando-se sem curvas, nem fricção. Sentado num cadeirão, via em frente o retrato do Camões. Era preto!... E, parecia soprar uma caravela lusa com cruz de Cristo.


M´BOA E A WACHUMA

Na mesa em frente de mim, ainda havia restos do cacto “wachuma” do sertão brasileiro e uma garrafa de jenipabo. Estava explicado o sonho. Aquela mistela era um forte alucinogénio e eu, tomei daquilo à toa.

Mas que milongo! E, eis que,...

Intempestivamente num zás-tráz-páz, aquela donzela, integralmente nua é levada pelo soba Katete, um filho da mãe que saíu não se sabe de onde. Este soba comia todos os inimigos começando pelo coração, no estado cruo e num ritual que agora não interessa descrever.


GOIABAS DO SOBA

O que aconteceu àquela bronzeada criatura, M´boa como o milho não se sabe?...

È um mistério, nós os humanos, vamos para um qualquer indefinido sitio deste mundo, para ficar paulatinamente e progressivamente sós. Para tudo se procura uma satisfação, física, científica ou qualquer outra e, afinal nem tudo tem explicação! Este acontecido não tem explicação lógica. É uma mentira que em caso algum pode ser tomada por verdadeira.

Esfreguei os olhos cheios de ramela, vesti-me e saí no meio da chuva para recolher o visto dum tipo chamado de Novaes. Na devida prepotência dum sub-auxiliar de adjunto do Vice-cônsul, foi-me dado o tal papel passaporte e, foi assim que entrei no lugar do Quilombo da Taprobana.

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:44
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Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010
URUGUAI . I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Sacramento . Uruguai” - LUSOFOIA . 1ª Parte


Cidade de Sacramento

Dois anos atrás estive em Buenos Aires da Argentina; do encantamento que tive com aquela terra de graciosa gente recordo momentos altos como andar ao longo da pequena e modesta rua “El Caminito”, de ter vivido o ambiente do tango no seio do bairro mais característico da linda cidade e observar a singeleza de felicidade colorida transposta aos casario daqueles que foram os primeiros emigrantes italianos a chegar ao Porto Madera. Vivi em escassa uma hora as surdas ovações a Maradona no estádio do Boca Júnior; recordada imaginação de tempos áureos do futebol Argentino. Hoje arrependo-me de não ter subido o rio de “La Plata”, ir até Montevideu do outro lado do rio e subir um pouco mais a montante até à colónia de Sacramento, cidade património da Humanidade construído em seus primórdios por povoadores idos de Trás-os-Montes do Puto.


Cisplatina

A partir deste conhecimento, submeti a minha vontade de querer num desejo a realizar só mesmo para submeter-me à imaginação peregrina das asperezas doutros tempos; de quando, nesse então antes e, entre os anos 1816 e 1823 em que os Portugueses governaram aquela Banda Oriental. Montevideu influía então um domínio territorial duas vezes maior que o Portugal Ibérico. Foram sete anos de ocupação que resultou da Campanha de Montevideu iniciada com a invasão pacificadora de 1811 pelo exército Luso chefiado por Dom Diogo de Sousa, culminando com a segunda invasão em 1816 pela Divisão de Voluntários Reais comandados pelo General Carlos Frederico Lecor, um exército com mais de 5000 participantes devidamente fardados e equipados com batalhões de infantaria, cavalaria, artilharia e até uma banda de música composta de 36 elementos.


Embarque da Divisão de Voluntários Reais e o General Francisco Lecor

Nunca antes em toda a América se tinha visto um tal envolvimento militar. A divisão composta por garbosos voluntários idos do reino sob o comando de General Lecor, do outro lado do atlântico era então considerada uma força de elite. Falar do Uruguai é recordar nomes com S.A.R. D. João VI, Dom Diogo de Sousa, do general Carlos Frederico Lecor, Joaquim Xavier Curado, de Rodrigo de Sousa Coutinho proeminente diplomata do governo do então príncipe D. João, e Frutuoso Rivera, um rebelde natural da terra e que veio a ser o primeiro presidente do Uruguai. A Revolução Francesa com Napoleão Bonaparte irradiava para todo o mundo uma mensagem apocalíptica, pondo em apuros a figura sagrada e omnipotente dos monarcas absolutos em seus respectivos países e Colónias. As Províncias Unidas da América por via da perca de soberania dos Espanhóis ficaram à deriva e entregues a revolucionários que preconizavam a emancipação; era o caso de toda a Cisplatina com seus territórios de Cordoba, Santa Fé, Corrientes, Missões, entre Rios e Banda Oriental que faziam fronteira com o Rio Grande do Sul do Brasil correndo-se o risco das gentes serem influenciadas na sublevação de José Artigas com a formação da Liga Federal e, tendo o apoio dos índios Charrua.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:22
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
CAZUMBI . XV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"K A F U N D A N G A . O HOMEM KITETA"

2ª parte

COISAS DE GUERRA

A professora, com noventa e cinco por cento de sambizangas, encolhia-se de medo recordando os Simbas do Congo mais as marchas saltitante do Kwazulu Natal, lembrando guerrilheiros Massai.

-Tu lembras Kafundanga, quando a gente dava berrida naqueles umbundos lá no Muquitixe, que queriam roubar  mandioca na Dona Chica?

Agora os tempos eram outros... bem piores! Quase esquecidos por xambetas, confraternizavam lembrando agruras da guerra contra os colonialistas mais os matumbos do sul.

Carregados de mangonha, ao fim da tarde, giboiavam na esteira, escorrendo catinga de suor com kimbombo. A sombra do tamarindo dava-lhes alento a ficar ali conversando, conversando balelas, inventariando feitos de guerra e capiango; espirravam canivetes do tamanho de catanas.

Não é que às vezes (…), até pareciam chorar! Lágrimas de crocodilo tá-se a ver!

Já a noite cobria nas sombras com barulho das cigarras a ficar sonso quando, da boca de Kambuéti ouvi a cena que se segue:

- Sukuama´! Te conto só!... Antes de ontem fui no Tira Bikini e vi um tipo rreganhar um cazucuteiro porque roubou um rádiozito. O gabirú  só soprava!

SEMPRE ÁFRICA

- Um tipo garrou-lhe os braços atrás das costas e o rádiozito caiu de dentro da camisa. Foi um fuzué do caraças, um empurra e rasga até que, um gandulo lhe deu uma cabeçada de pacassa. Começou correr sangue aos montes!

- Aka!... Um kambuta cacimbado, enfaixou um pneu nos cabeça dele, botou gasolina e pegou fogo; muribundou-se gritando até morrer no definitivo.  O sacana pulou demais até que torriscou, todinho!!

- Eu fiquei com pena, mesmo! Sacrista do kambuta!.

- Quem tem pena é galinha; disse Kamalundu que, atento à conversa, se tinha mantido sozinhado.

- Mazé, tu tens mesmo de deixar ir no Tira Biquini, disse Kafundanga.

- Lá tem muito cazucuteiro, é melhor mesmo pedires gasosa no sputnik do Agostinho Neto; no entretanto vendes umas kitetas. Ficas mais perto e poupas duas quinhentas que dás aos candongueiros.

BUFALOS NO PUMBA MARIA

Kafundanga levantou-se. No tronco luzidio, podia ver-se uma queimadura que quase lhe cobria todo; De enviusado relevo, parecia ser a cara do Cheguevára mas, não!... era mesmo só a queimadura duma granada mukenka. O ataque a Cassoneca pelos homens do galo negro medalharam-no para sempre.

Saí daquele sítio do Malhoas, zonzo de tanta estória macabra!


Glossário: quem quiser saber mesmo, vá ao kimbo. O Soba Sabe.


O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:05
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Domingo, 5 de Dezembro de 2010
ZUMBI. I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Canibalismo. Novos trilhos” – 1ª Parte

KIZOMBA DA MARIMBA

Em dias de trovoada chovem verídicas fraternidades feitas coisas boas, que se apreciam, que se comem. O soba, dando-se por inteiro ao Kimbo, oferece-se em farto repasto canibalesco no “seu todo” como numa dantesca orgia pantagruélica dum convívio, expoente de máximo felicidade.

O soba para ser comido, têm de primeiro, ser escaldado duas vezes e a água que daí sair terá de ser engarrafada para futuras vivências, caso contrário perderá o seu bom gosto. O seu ADN carregado de paludismo, flôr-do-kongo, filaria e matacanha, após o escaldamento vai dar-lhe um sabor único (esquisito, como dizem os espanhóis). As cartilagens devem ser as do primeiro tira-gosto, bem tostadinhas ao forno; devem ser acompanhadas com marufo da mais alta cassoneira, um verdadeiro espumante africano.

Viver a Kizomba verdadeira é, e será sempre um akto de extirpar excrescências furunculosas da sociedade, sempre, sempre, com muito amor.

KIZOMBA DO ZUMBI

Esta noite vislumbrei corpos de formas onduladas, espíritos como projecção de sombras, talvez hologramas. Sentados com rostos risonhos em uma mesa improvisada, ali estavam quase todos os kizombeiros do Kimbo do reino de Manikongo.

Comendo braços, pernas, mãos e cabeças de gente, excitada, deglutiam pedaços crocantes de orelha tostada, uma especialidade besuntada em azeite e jindungo partido em pedacitos pelo Visconde do Mussulú. Nem sempre assim sucede, pois, às vezes juntam pedaços de mocoto dos tornozelos recheados com muito tomate e cebola. Dizem que é chussú (galinha) mas eu sei que é mocoto de pé de gente.



PINTURA DO SOBA

Desta vez não era um ungulo (porco), era mesmo pedaços de soba tostada ao forno.

E, lá estava o Conde do Grafanil, o Duque do Maculussu, senhor das m´boas do Kimbo, donzelas malamadas. Numa visão multifusa todos os galácticos kizombeiros de dentes caninos salientes rosnavam de quando em quando deitando fumo pelas orelhas, coisa de rara e sublime beleza. Às alegrias, intercalavam-se grunhidos de fundo COMO num macabro zurzidor.

De chocalho ausente, as orelhas do soba estavam a ser objecto de tira gosto pelo Senhor kimbanda Ninja H.N. o Cipaio-Mor guardião da Torre do Zombo, um apreciador por excelência dessas partes tostadas.

No meio de predicados perversos havia amores, ódios, raivas incontidas, orgulhos feridos e o coito interrompido de orgasmo esganado.

Os meus amigos canibais, trespassavam-me o corpo feito febra.

( Continua...)

Devaneios do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:12
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Sábado, 4 de Dezembro de 2010
CAZUMBI . XIV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"K A F U N D A N G A . O HOMEM KITETA"

1ª parte


Nos tempos antigos

Kafundanga arranhava as marés da vida num mangue lodoso; aquele pequeno generoso mar da Samba, era a sua única  sobrevivência. Ganhar uns cumbus para comprar pão, era o exclusivo objectivo de vida daquele tempo, daquele espaço e, naquele inferno.

A guerra estava por demais perigosa e, sem coisa substancial para sobreviver era obrigado a raspar o fundo do mar na busca de mabangas.

Luuanda já não tinha nem São Paulo nem Assunção; agora era mesmo, só Luuanda!

O homem Kiteta apanhador de mabanga, filosofava ficção no discurso directo para kamalundu:

-Olha só!... Paulo e Assunção, foram acantonados num t´ximbeco do Sambizanga por uns kompas do emepelá. Um kota amigo

t´xindere de nome Diogo Cão Júnior levou-os para o Puto num barco traineira; o nome do barco era mesmo de Carrapateira.

- Junto com o gueta Diogo, foram os brancos da Maianga, os caçulas Cruz, Rente, Pica, Zé Camangula, Tonito  e,  também o mulato Fuca-fuca de tuje.

Os tempos de VITÓRIA OU MORTE

Kamalundu do Prenda, mais ou menos relacionado com o esquema das lojas do povo, conseguia uns quilitos de arroz; misturados com mabanga davam um desenrascado pitéu. Misturavam-lhe jindungo e uns pedaços de gengibre que a m´boa Cafutila lhe arranjava na  feira das calamidades, lá no Catambor.

Naquelas reuniões pantacruélicas, às vezes aparecia Kambuéti, o sem perna que, fazendo banga fecula, com sua nova muleta de pau kibaba, espectaculava.

Carregado de capo-roto falava das muitas façanhas do Muquitixi, tempos de quando ainda só era um pioneiro do emepelá.

Kambuéti e Kafundanga tinham treinado juntos, marcha com catanas e armas de pau, lá nos terreiros da Casa Branca no caminho do Cacuaco; enquanto os mais velhos iam aprendendo técnicas de bazuca e Mona Caxito eles, os candengues, iam empoeirando braveza na raiva marchada.  Gritavam coisas de vida para dar morte, com a vitória certa.

Naquele agora, Kambuéti falava:

TEMPOS DO PREC

- Um branco guedelhudo do processo de revolução em curso, comuna do puto, gritava “a luta” e, nós respondiamos, “continua”

- O estudante, tuga gueta malcheiroso, tinha no peito a camisola do Che Guevara,... tu lembras, meu?

De vez em quando  umas carrinhas levava-os a marchar lá para os lados do bairro Popular, Madame Bergman e Caputo junto às escolas. Gritando p´ra entusiasmar os que contavam as luas de tabuada cantada, marchavam erguendo paus em forma de armas.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:39
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Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010
PUTO . VII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

" MENSAGEM DO REI"

 

 

Através do e.mail de KIMBO LAGOA recebemos uma extensa mensagem de Dom Duarte de Bragança a dar ânimo aos Portugueses nesta conturbada época em que a ética, patriotismo e sociedade viraram uma conspurcada feira de vaidades com ladrões ditos políticos carregados de promiscuos  valores. Estes desclassificados patriotas não podem ser o sustentáculo  de Portugal.

Kimbo Lagoa que tem pugnado pelo aparecimento de gente estadista, gente honrada para nos servir de guia, dá conhecimento parcial da mensagem para que conste na Torre do Zombo do Reino de Manikongo, um reino inventado de sonho e fantasia que desinteressadamente  tem feito um apelo à Lusofonia, CPLP dos PALOPS.

O Soba T´Chingange

Segue-se a mensagem:

(...)

- Este ano, pela segunda vez, promovi, no âmbito da Comissão D. Carlos - 100 Anos, a organização do Congresso €œMares da Lusofonia que permitiu uma participada reflexão, com representantes de todos os Países da CPLP presentes, acerca da valia dos mares e das Plataformas Continentais dos países Lusófonos nas vertentes estratégica, de segurança, jurídica, ambiental, científica, tecnológica e económica. A intensificação do intercâmbio de conhecimentos da sociedade civil e o fortalecimento das relações afectivas entre os nossos países contribuirá decisivamente para a supressão das barreiras que ainda existem.

Recentemente visitei o Brasil, pátria de minha Mãe, onde, em Brasília, tive a feliz oportunidade de contactar alguns membros do seu Governo. Transmiti os meus sinceros votos de sucesso à recém-eleita Presidente Dilma Russef. Percebi que lá existe uma grande abertura à ideia de uma futura Confederação de Estados Lusófonos, que muito beneficiaria todos os seus membros e cuja adesão não comprometeria as alianças regionais existentes. O facto do Reino Unido pertencer à Commonwealth não prejudica a sua participação na União Europeia mas valoriza-a .

Ainda sobre a importância da afectividade que naturalmente se cultiva na Comunidade Lusófona, virá a propósito salientar a decisão do Governo de Timor – país a que me ligam relações de profunda amizade quando, à semanas, declarou o seu auxílio a Portugal na compra de parte da nossa dívida pública, num gesto de fraternal amizade. Do mesmo modo, tenho indicações de que muito nos beneficiaria negociar com o Brasil um empréstimo para resolver a crise da dívida pública soberana em melhores condições do que com o FMI ou a Europa.


Para concluir, gostaria de transmitir a todos os portugueses uma mensagem de ânimo: -Não vos deixeis abater pela situação de dificuldade económica e crise moral que actualmente nos invade. Lembrai-vos que tivemos momentos bem mais graves na nossa História e que a perenidade da Instituição Real foi suporte decisivo para a recuperação conseguida. A dinastia, baseada na família, oferece o referencial de continuidade de que Portugal está carente há cem anos.

Viva Prtugal!



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:00
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MUJIMBO . V

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         “Etosha Park”

 

Homens do chitado . Himbas  

O silêncio da savana africana tem a magia do inesquecível som que apaga os ruídos da civilização; é a melodia da natureza em todo o seu esplendor. No grande sítio branco, um mar salgado designado de Etosha visitei os buracos Okaukuejo, Halali e Namotoni aonde se pode ver toda a espécie de animais da savana.

O Etosha Pan foi formado há cerca de mil milhões de anos quando da mudança do rio Cunene que faz fronteira com a Namíbia; existem neste parque 114 espécies de mamíferos, 340 tipos de diferentes pássaros, 110 espécies de répteis e 16 categorias de animais anfíbios. 

EMBONDEIRO JUNTO AO CUNENE

A vida em África desperta com o nascer do sol e é nas primeiras horas matinais que deveremos buscar os vários antílopes e os “big five” tais como o gnu, girafa, elefante, rinoceronte, zebra, cudu (olongue), impala, macacos, hiena e até mabecos. Com sorte vai assistir ao banho de terra dos elefantes que junto aos buracos (bebedouros) quase fazem um teatro de coreografia divina, cores de pó em múltiplas facetas e contrastes com o sol do poente mais os cheiros fortes que deles tresandam. Das várias vezes que por ali passei vi sempre os místicos leões, quase sempre em grupos de três ou quatro em lugares de vegetação rasteira.

Em África, o sol põe-se depressa e de forma abrupta pelo que, convêm não se arriscar andar muito afastado do acampamento escolhido para pernoitar.

 

Buraco de Namotoni

Recordo na retina, a planura de Okaukuejo, bem perto do acampamento base “main camp”, a agilidade de uma cheeta na perseguição de uma springbok, gazela que de rabo a abanar e orelhas atentas a qualquer ruído pastava e, bem atrás, sorrateira, uma cheeta pata ante pata avançava com todos os cuidados de visão e barulho normalmente contra o vento; num dado momento e já muito perto da presa lança-se em correria; em simultâneo a gazela pula e pula em saltos coordenados ziguezagueando a linear corrida do felino. Desta fez a correria deu em nada pois o antílope soube sobreviver. Ali, a quebra de vigilância significa uma morte rápida.

Ver África nesta sustentabilidade requer não perder o bom senso de sair do carro para acariciar um leão; já muitos ficaram por lá, descuidadamente esqueceram-se que fazem parte da cadeia alimentar e podem servir de pasto. Dizem os leões que a carne do humano é doce e uma vez desgostada, volta a quere-la; é por isso que, leões que comam gente terão de ser abatidos porque algures, voltarão a atacar.

Tive o privilégio de dar quase à mão, comida a chacais e facocheros: Em distintos sítios esperam por mim de novo, porque eu prometi-lhes isso.

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:51
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Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010
MUJIMBO . IV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Nas margens do Cunene”


A dança e o banho dos elefantes

Pressentia-se vagamente o aparecer da tarde aonde a calma esmorecia um pouco a sombra dos troncos retorcidos de embondeiro alongando-se pela terra gretada e poeirenta. No horizonte desenhavam-se seios erectos reluzindo fogo entre pedregulhos de onde nasciam cactos em forma de candelabros. O silêncio da planura ondulava uma aprovada expectativa impassível, estirando labaredas num céu incendiando o horizonte. As narinas arfavam nervosamente o suave cheiro de capim que de pontas viradas ao céu davam término em abrupta falésia; lá em baixo, na margem fustigada pelas ondas de águas rápidas farfalhavam mornices de verão pisoteadas por “nemas” chifrudas em movimentos leves, até graciosos. Era o rio Cunene.


Rio Cunene

Para lá da picada pedregosa, sentados em penedo elevado, dois himbas fotografavam a morte da minha infância. Com uma expressão de circunstância infantil sorriam com naturalidade ao meu espanto. Eu, um turista nas terras do fim do mundo a ser fotografado por pastores hereros de tanga. Aqui há coisa! Estou a ficar chanfrado! Passado dos carretos! Háka.


Himbas . cafecos do kunene

Naquele instante e depois, senti que me afastavam de tudo de quanto amava, e chorei como se nunca mais voltasse. De novo e agora, a nostalgia das terras do fim do mundo transcenderam no tempo fantasmagórico longos bocejos feitos admiração. A partir dali “Epupa falls”, o rio passou a errar mansamente e, mais longe não pude ir, nem voar; Faltava um todoterreno ou um ultra leve para prosseguir e, defraudado voltei a Ot’chakáti da Namíbia com vontade de ali ficar; só isso mesmo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:00
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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010
CAFUFUTILA . III

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “Tempos de Mwene-puto”

 Livingstone

Diogo Mwene-puto observou atentamente o rosto desnudado do negro Xifuta com sua barba de dias que também negrejava.

-O Teu patrão está? Pergunta num jeito brusco, Diogo, do alto da montaria.

Entre o terreiro e a ombreira da casa grande, os olhos de Trocas Xifuta, grandes e salientes, erravam indecisos pelo chão de cascalho sem saber o que responder à pergunta de Mwene-puto.

-Há alguma novidade? Insiste o senhor Diogo.

Como não obtivesse resposta, fingindo-se longínquo, sacou da cigarreira e desfrisou uma mortalha; com gestos lerdos pôs-se a enrolar um cigarro de marca negrito. Preparava-se para petiscar lume na acendalha de cordão creme quando, erguendo a cabeça, semicerrando os olhos sob a aba do chapéu de colono em cortiça sebeirosamente escurecido, descortina um alazão carregando uma figura de peso do lado das palmeiras.  Era Dom Zeferino, saudando com a mão direita enquanto que com a esquerda freava o animal de fina estirpe.

   O Mwene-puto

Destribando, Dom Zeferino empertigado a suster barriga grande, resplandecia expressão de poucos amigos.

-Leva a besta para a cavalariça, disse Dom Zeferino para seu servo menor, Trocas Xifuta, esperando que se afastasse para vociferar.

- Merda! Não te disse para não me procurares, fosse lá pelo que fosse, aqui na roça! Disse Dom Zeferino ao suposto seu capataz Diogo.

-Que é que te trás por cá?

Como asa esgalhada Diogo, em ásperos sobrolhos respondeu já apeado do seu “Alter do Chão”: - Os homens da mina fugiram prá mata e levaram quase todos os diamantes da apanha de ontem.

De cabeça enterrada nos ombros, vociferou rilhando dentes: - Filhos da Puta! Juntai os cachorros e metam-se nessas matas até encontrarem os malditos; tragam-nos aqui ao terreiro. Eu mesmo lhes darei a lição de marmeleiro. Referia-se ao chicote de pele de hipopótamo com cabo-de-marfim, rasgador de carnes de escravo, fujões e outros figurões.

Dom Zeferino e seu chicote

Do alto da mulembeira eu, candengue filho de Dom Zeferino, assistia tremendo à raiva espumante do pai que desconhecia ter. Foi esta uma das muitas cenas que mais tarde, me levaram a também fugir para a mata. Um belo dia, aprontei dois cavalos de boa cepa e com Trocas Xifuta tomamos os carreiros do Leste; Foi por alturas do alto Zambeze que encontramos Livingston do qual fiquei amigo. Através desse rio depois de muitas peripécias com hipopótamos e gentios guerreiros, cheguei esfarrapado a Xi-Linguine do Maputo. Aqueles foram os velhos tempos de xifuta e canhângulo da minha primeira encarnação. Nada mais soube de Dom Zeferino meu pai. Também já pouco importa.

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:32
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