Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
CAZUMBI . XI

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO KIMBO

“Mukanda doTempo” – Retornados . 2


A descolonização trouxe até nós um conjunto de gente falsa que se dizia de insuspeita ética. O tempo clareou obscuridades trazendo o lixo na corrente da História.

T´Chingange . O feiticeiro

No início de Setembro de 1975 participaram na ponte aérea aviões da França, Alemanha Federal, RDA, Grã-Bretanha e URSS. Chegou a haver 15 voos diários para Lisboa. Só entre 1 de Agosto a 31 de Outubro calcula-se que foram transportados pela ponte aérea cerca de 230.000 pessoas das quais cerca de 54.000 foram transportadas por aviões estrangeiros, com os E.U.A. à cabeça. A fuga dos portugueses de Angola começou em Maio e terminou a 9 de Novembro, dois dias antes da proclamação da independência. A partir de Maio de 1975 a população branca do Huambo viu-se entre dois fogos, MPLA e UNITA. Os homens armados da UNITA entravam nos aviões à busca de comunistas afectos ao MPLA ante o olhar das tropas portuguesas que não sabiam ou não queriam intervir face à tácita aceitação dos seus oficiais na apatia de deixar correr os acontecimentos.

 Os dirigentes do EME, Machado e Kapango foram arrancados da aeronave pronta a arrancar para Luanda, nas referidas condições, isto é, diante da passividade dos oficiais portugueses que preferiram “lavar as mãos”, em vez de usarem da sua autoridade. Naquela altura estavam em Angola cerca de 30 mil militares portugueses, número mais que suficiente para manter a ordem e disciplina, evitando que as populações fossem molestadas pelos militares dos movimentos rivais. Do Magazine n.º 277 de 2 de Julho de 1995, de cuja publicação é responsável o jornal português “O Público”, extraímos do artigo aí publicado sob o título “Há vinte anos, de Angola a Lisboa - A maior ponte aérea da História” os elementos que comprovam a tese que “esta fuga massiva de residentes de Angola, poucos meses antes da proclamação da sua independência, se não foi preparada, foi pelo menos habilmente aproveitada pelas potências interessadas em fazer de Angola mais um país africano obrigado a obedecer a seus  interesses, substituindo o colonialismo português pelo neocolonialismo”.  

 Colonos do Huambo . Centenário 

Extraímos do referido artigo as seguintes passagens: “Houve brancos que foram mortos, outros que foram alvo de sevícias, afirma Vasco Vieira de Almeida (ministro da economia do governo de transição) e contínua: “não se pode dizer que a guerra era dirigida contra a população branca. Só que, numa cidade ocupada por homens armados, todos se sentiam alvos potenciais. Mesmo em casa, tínhamos medo. Havia sempre o perigo de balas perdidas. ”São ainda de Vieira de Almeida, cidadão português, com raízes afectivas e familiares ligadas a Angola, com grande simpatia por Angola mas sem ligações partidárias, as seguintes afirmações: “A desmotivação era total no seio das forças armadas portuguesas. O governo de transição não passava de uma farsa trágica. Os efectivos das forças armadas portuguesas e os meios de que dispunham eram mais que suficientes para impedir a escalada da guerra civil” “faltava contudo vontade para tal e faltavam também orientações inequívocas de Lisboa”... Não são de espantar estas afirmações de Vieira de Almeida. São verdadeiras, reflectem a realidade, o que não sucede com as afirmações que no mesmo artigo são feitas por grandes responsáveis pela descolonização, que decidiram então muita coisa mas que não tiveram até agora a honestidade de reconhecerem os erros que cometeram.

Descrição parcial de

 Sócratas Dáskalos - Militante do MPLA - Faleceu no Lobito - Angola, com a idade de 81 anos a 10/10/2002

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:45
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