“Carnaval do Brasil ao ritmo do semba ” - Angola
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Martinho da Vila, presidente de honra da Ala de Compositores do grupo Unidos da Vila Isabel, disse ao Jornal de Angola, que o seu grupo, na edição 2013 do Carnaval do Rio, vai desfilar com um enredo sobre Angola, destacando a união entre o semba e samba. O cantor e compositor brasileiro, apresentou o projecto à ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva. Voltará a Luanda a convite da União dos Escritores Angolanos para falar de música, poesia e literatura. Martinho da Vila anunciou que vai convidar alguns artistas e intelectuais angolanos para participarem no desfile da Unidos de Vila Isabel.
Em entrevista ao jornal de Angola disse: -Vim falar com a ministra da Cultura, Rosa da Cruz e Silva, para fazer uma explanação sobre o enredo que a escola de samba Unidos da Vila Isabel vai apresentar no próximo Carnaval, cujo título é "O Canto Livre de Angola". Para que sejamos bem sucedidos, o que será bom para os nossos países, é necessária a participação oficial e particular em termos de patrocínios. Um bom resultado deste projecto é importante para criar mais intercâmbio entre músicos angolanos e brasileiros. Tenho muita informação sobre os músicos de Angola, mas pouco sei no actual momento. Os primeiros músicos angolanos que foram ao Brasil, foram-no pela minha mão. Já trabalhei com extremos como o Bonga e o Dog Murras.
Falando de mim, actuei pela primeira vez num festival de música da TV Record, em 1967, o mesmo que revelou Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Edu Lobo e muitos outros. Falar da minha trajectória até hoje é impossível em poucas palavras. Gosto da diversidade, escrever livros e compor música nos mais variados ritmos, mas não sei de onde vem esta aptidão. Acho perfeitamente normal um actor cantar, uma actriz representar, um sambista escrever livros, um erudito fazer música popular, um compositor pop criar uma ópera e todos fazerem outras coisas como pintar, esculpir, produzir, realizar filmes…
Com a introdução de novos ritmos e novas tendências na música mundial, ainda há lugar para o samba de qualidade e de raiz no Brasil? Sambas de qualidade musical e poética continuam a ser produzidos no Brasil. Chico, João Bosco, Arlindo Cruz, Roque Ferreira, Nelson Rufino, Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e alguns outros estão sempre a produzir bons trabalhos. O mais tradicional de todos é o Paulinho da Viola. No meu caso, sempre usei a tecnologia a meu favor.
Dog Murras
Bonga
Sendo Martinho da Vila um homem do Carnaval, como classifica a sua participação nas escolas de samba? Há compositores de música popular que não são do Carnaval e autores de samba de enredo que não fazem outro tipo de música. Eu sou eclético. Muitos sambas enredos meus foram cantados em desfiles e a minha participação diversificada. Sou presidente de honra da Unidos de Vila Isabel mas, essencialmente, sou membro da Ala de Compositores. Não deixei a música para ser actor. Participei em "Magia do Samba", um filme inglês onde eu faço uma auto-representação e desenvolvi parte da banda sonora. Quem quiser viver de música tem de trabalhar com afinco e abraçar o profissionalismo, tanto no Brasil como em Angola. A minha carreira no Brasil e fora é muito activa. Vou actuar em Salvador da Baía e no Rock in Rio. Irei a Paris gravar com a cantora Nana Mouskouri. No início de Outubro cantarei em Portugal e Inglaterra. Há outras propostas internacionais em andamento.
Os novos músicos têm cuidado com a Língua Portuguesa na elaboração das suas canções? Os compositores devem ter uma preocupação permanente com a Língua Portuguesa e aprimorar as suas letras. Os cantores, além de darem prioridade à poesia, devem procurar temas com riqueza melódica. Falar da importância da minha música é dever dos estudiosos, críticos, pensadores. Sou visto como representante da Música Popular Brasileira; procuro manter a essência da tradição, sem arcaísmo, mas evitando o modismo. Alguns dos meus antepassados foram africanos escravizados. Todo o mal tem algo de bom e a escravatura propiciou o sentimento de irmandade entre o povo brasileiro e o angolano. Os brasileiros oriundos de África foram muito importantes na construção do Brasil, influenciaram na cultura e em particular na música. O som afro faz parte da globalização.
Qual é a sua opinião sobre os elos culturais entre os países lusófonos? A CPLP caminha a passos lentos, mas avança. O que mais pode unir os países lusófonos é a cultura artística e literária. Não é fácil viver de música em lugar algum, porém é mais viável nos países desenvolvidos, por terem a actividade musical profissionalizada.
Gentileza de Calito José Erico (JPA - CULTURA) do Jornal de Angola
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