AS ESCOLHAS DO KIMBO
“Mukanda doTempo” – Retornados . 4
Melo Antunes
Lê-se no artigo em referência: Hoje, no último volume da colecção de História coordenada pelo professor José Matoso pode ler-se: A atitude das autoridades portuguesas acabou por favorecer objectivamente a estratégia do MPLA (...) mesmo o fenómeno do retorno da população branca através de uma ponte aérea cujo terminal era Luanda favoreceu essa coexistência”. E, ainda no mesmo artigo: ”Numa outra colecção de história dirigida pelo professor João Medina, Melo Antunes escreve: em Agosto de 1975, face à situação crítica que se vivia em Luanda, já ameaçada a Norte pelas forças da FNLA, dei instruções precisas, logo em seguida confirmadas pelo Presidente da República para que as forças portuguesas defendessem a todo o custo a cidade (...)!!! (os pontos de admiração são do autor). O tempo veio a clarear isto; a afirmação foi uma falácia pura, nua e crua a que se pode chamar de traição aos interesses dos portugueses. As decisões foram tomadas com inteira consciência de que, objectivamente, naquele momento, se fazia o jogo da MPLA.
A indignidade
Ora os factos demonstraram que a atitude portuguesa nunca favoreceu a estratégia do MPLA mesmo com as “instruções precisas” dadas por Melo Antunes, simplesmente porque essas instruções não chegaram cá ou não foram cumpridas (???). Ás zero horas do dia 11 de Novembro convocados os jornalistas, fez-se a entrega de Angola ao Povo Angolano, ali representado por...ninguém! Faltou acrescentar àquelas duas referências históricas que, às zero horas do dia 11 de Novembro, o Presidente da República Popular de Angola Agostinho Neto, não permitiu que a bandeira portuguesa fosse queimada pelos exaltados que não aceitavam a maneira inqualificável de proceder...entregando Angola ao Povo Angolano...sem um representante digno (do MPLA, só pode ser )!
Uma mascarada
Não restam dúvidas de que alguns dos adeptos do MPLA, com as suas atitudes extremistas e racistas, também contribuíram para a fuga dos portugueses, muitos deles já indecisos face às ameaças de nacionalizações sem compensação. Mas também não restam dúvidas de que, apesar da propalada ajuda portuguesa, se não fora a presença, embora tardia, dos cubanos e soviéticos, o MPLA não teria saído triunfante do caos dos últimos dias do colonialismo e dos primeiros dias da independência apesar das “decisões do governo português tomadas com plena consciência de que, objectivamente, naquele momento se fazia o jogo do MPLA”. Outra opinião que ainda persiste e é afirmada por muitos dos que tudo perderam, é de que “as forças armadas portuguesas deram um importante e significativo apoio aoMPLA”.
FIM
Descrição parcial de
Sócratas Dáskalos - Militante do MPLA - Faleceu no Lobito - Angola, com a idade de 81 anos a 10/10/2002
Notas: 1 - O sublinhado é um acréscimo do soba ; 2 – Dáscolos adultera acontecimentos por via da sua filiação (algumas, excluí, por serem demasiado grosseiras )
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