Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2014
MALAMBAS . XX

DO NORDESTE BRASILEIROFalando de amores…

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba.jpg T´Chingange

Estou em uma terra em que tudo cresce e frutifica rápido; Como dizia Pêro Vaz de Caminha, a terra aqui é tão pródiga que tudo o que nela se plante, de tudo dá. Caminha, foi o primeiro a descrever o que observou nas viagens de Pedro Álvares Cabral. Há uns dias atrás fiquei a saber que a filha dum sertanejo, um amigo trabalhador rural, com apenas treze anos de idade, fugiu de casa com a ajuda dum maluqueiro que por ela, e de forma espontânea se enamorou. O amor surgiu instantaneamente com apetite voraz dum descontrolado cio. Aqui as meninas do campo, passam a mulheres sem experimentar serem donzelas e recolher na escola os básicos ensinamentos para uma boa relação social. Uma grande parte das crianças-meninas, ficam mães antes de saber o mínimo sobre a sua condição feminina.

 Muito novas, as catraias já sentem as transformações operadas em seus corpos e espírito e, sonham cedo com um marido, o homem de sua casa, dono de seu corpo, o marido a quem podem amar (fazer sexo) abertamente e obedecer em segredo de quase escrava. Também aqui, Caminha, se referia a esta pujante vitalidade entre pessoas. Estou no meio de uma viagem de romeiro até Juazeiro do Norte, aonde Padre Cícero milagrou gesta de santo, acolhendo e protegendo o povo humilde do seu Nordeste tão fustigado pelas secas prolongadas e cíclicas do Sertão e Agreste. Levo um conjunto de velas que a irmã daquela menina me deu para depor no altar do padre Cícero, na convicção de dar luz ao futuro de sua mana.

 Com 32 graus à sombra, os cães irascíveis esgravatam a terra húmida mordendo o ar quente, catando moscas; Em ambiente de zunzum de festa, quente e grosseiro até os vadios e desempregados aparentam diligência em prontidão. Em este panorama e enquanto rebolo preguiça morrinhenta em um mukifo de romeiros, dão-me a notícia de que um homem ainda novo, algures numa cidade chamada de Arapiraca e no Estado de Alagoas, está a contas com a justiça porque perdido de ciúmes e sentindo-se traído, matou sua amante retirando-lhe o coração, comendo-o em seguida. Não posso dar mais pormenores nem referir que tipo de estrugido usou mas, uma coisa é certa, este foi mesmo um grande amor!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:24
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Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2014
PUTO . XLVIII

PORTUGALBRUTAL! Portugal visto por Lobo Antunes  - 3ª de 3 Parte

As escolhas de Kimbolagoa

Por

LOBO ANTUNES Nação valente e imortal

Fonte: Revista Visão

Voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca.

Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar. Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval. Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros.

 Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto. Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto é coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos um aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.

Do soba: Será que já se esgotaram os oásis para onde se possa imigrar.

As opções do Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:30
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Sábado, 25 de Janeiro de 2014
XICULULU . XLIII

DOIS DEDOS DE PALESTRA . Tempos de pagode . IV

  T´Chingange

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Ainda o meu avô era bem apessoado quando o que ganhava como caixeiro gastava no pagode com Mariquinhas e outras desclassificadas. Neste meu sono hipnótico crepuscular, os acontecimentos encavalitavam-se aleatoriamente dentro e fora do tempo entre muitos forrobodós de intensa refega nos fins-de-semana, ora em recintos fechados ou pátios abertos aonde se soltavam foguetes ou se queimavam bombas ao romper da alvorada. Aos poucos, António Louro Loureiro, foi substituindo os tamancos da beira alta por chinelos de matuto do agreste, abertos, ventilados quanto baste para poder deslizar nos encerados dos salões da surumbanda, samba e capoeiragem com patuscada.

CD Índio Cachoeira e e Cuitelinho - Convite de Violeiro Como violeiro, ganhou a alcunha de Louro Galego e era ver as morenas disputando-o ameigando-lhe os cabelos, com as macias polpas de suas mãos quentes, devorando-o, borbotando fagulhas e corações pelos olhos. Se pudesse ver a minha expressão como kianda hipnotizada, decerto que me veria envolto numa enternecida mágoa com profunda expressão na fisionomia. Já estou neste estado de suspensão faz tempo, mas ainda não apurei todos os fungos de surumbanda para os engomar a ferro quente esterilizando sua alma, esse lado desordeiro dele, da calaçaria.

 Já muito farto de apreciar as muitas noitadas de violão e dança ao relento solicitei à alma do meu avô António um encontro e, no contacto diluído falou-me de um negro desgosto que o foi comendo por dentro com tubérculos tísicos tirando-lhe a vontade para tudo que não fosse chorar; com uma respeitável preocupação de bons desejos divertimo-nos jogando à bisca e, até bebemos cerveja holandesa e, foi a respeito de projectos de felicidade que ele me disse: - Meu neto Tonito, naquele tempo sazonei-me pela fruta que me provocava insistentemente o apetite de a morder; eram demasiadas carnudas para desprezar. Ao dizer isto, as rugas de sua alma suaram gotas salgadas de ressentida alegria.

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:41
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Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014
KWANGIADES . XV

MAIANGA - MOCANDA PARA MEUS KAMBAS ! Na Luua, com gasosa de capim

Por

Jose Santos.jpgJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco, em verdade uma mulola.

Porque a minha impressora deu-lhe o “fanico” queria ter muitas folhas iguais para voarem, assim como ver muitos papagaios merengarem. Naquele Koiilo do Rio Seco da Maianga, do Kimbundu, que fizemos com cola de fuba que lançamos no antigamente. Meu Muxima tem um mapa do antigamente - Loanda; nele tudo está erguido sob o desenho da prancha tropical, tudo percorro de uma ponta a outra com horizonte colonial. Tudo corro, com o feitiço montado numa Honda 3,5 cedida por um patrício da Socar que a encheu com gasosa de capim e visgo de mateba...

 Agora, de volta à Terra, fico quieto e não entendo os homens de hoje, que tudo constroem, desconstroem metidos dentro de mambos ricos, desprezando o que era de ontem. Este é o meu verdadeiro lamento, porque o sinto batukar kiavulu. Estou certo, que as minhas lágrimas, N´gana N´zambi irá apanhar, quiçá botar bom senso nos manos ou então o feitiço terá que actuar… N´ga! Sakidilá!

 Estou muito cansado de tanto correr por esse asfalto tantas vezes riscado por mim. Meus pés estão em brasa, choram lembranças que lá estão e agora são recordadas…, mas eu agorinha, como disse antes, estou lá…nunca saí de lá… É tarde e o coração manda me estender a esteira no chão, quero dormir, quero mais sonhar, mas agora agarrado ao meu amor cheio de missangas, desejamos ter mais momentos de paixão que guardamos para sempre. São nossas e de mais ninguém; afinal os homens são todos iguais em qualquer parte, contemplam-se uns aos outros - herdeiros e deserdeiros.

Kwangiades: - Musas, ninfas ou Kiandas do Kwanza

Escolhas do Soba T´Chingange pós-fabricada com as falas de Zeca



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:52
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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014
CAFUFUTILA . L

"BAFÓMETRO" Na Paz do Senhor

Por

   T´Chingange

Nota: Este artigo foi publicado ontem em primazia de Rua Direita de Viseu

Entorpecido pelo muito calor balouço de rede na ventilada varanda da minha casa, minha cubata; de tronco e pernas ao léu, de vontade totalmente arregaçada ao fresco vento do Nascente. Posso daqui, ouvir as falas do mundo via TV, as desgraçadas noticias que como cascata de água caem no saco-roto, crivo de malha larga com resmungos ou fingimentos dos personagens que representam a lei compondo os tramas a jeito, de como se houvera de dizer. Aqui está tudo controlado e na paz do Senhor, dizem! Comprometendo-o como se Ele, o Senhor, não tivesse mais coisas a fazer. Pendendo quase sempre para o grotesco insuflado, abordam pessoas coléricas, perversas e de engravidado interesse.

Neste viveiro de coisa ruim, e afins, surgem oportunistas que fofocam bisbilhotice sufocando a realidade com atitudes satíricas, colocando mesmo as almas na rua da amargura e, não só. De todas as notícias, saliento a de um condutor que ébrio de embriagado, de rebentar a escala do bafómetro, andou seis quilómetros com um homem espetado no pára-brisas de seu carro; ao longo deste percurso e, sempre em movimento, tentou tirá-lo borda fora do veículo como um inteiro pedaço de morto mas não conseguiu.

 Como em um romance e longe dos devaneios próprios de românticos, que sempre prevalecem o amor no final, aqui, a vida real parece ter no mal, o triunfo sobre o bem; de regras invertidas os infractores sempre encontram escapadelas na contra-lei porque, a maior parte dos crimes ficam impunes, contemplando os prevaricadores com o habeas corpus e um sem-fim de manigâncias. No final do trama, estes calhordas, ficam uns autênticos heróis; coisas do cangaço. Curioso é a de que no enredo do quotidiano, surge gente extremamente religiosa achando que o facto de alguém não ser branco, já é um crime; outro, muitos, naturalmente e sem nenhum ataque de histeria, cruelmente e sem chibata ou queimadura de ferro em brasa a pressionar, aponta friamente uma arma e, disparam; um gozo de gatilho incompreendido por quem se sente com um pingo de bom senso. Apetece por vezes voltar ao passado para reconstruir a história de tanta gente hedionda e cruel, tornando-as boas e caritativas.

Cafufutila, kafufutila, kifufutila: Farinha de mandioca (bombô) com açúcar; falando de boca cheia lança falrripos (perdigotos) ao interlocutor.

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:24
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Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014
PUTO . XLVIII

PORTUGAL BRUTAL! PORTUGAL VISTO POR LOBO ANTUNES - 2ª de 3 Partes

As escolhas de Kimbolagoa

Por

 LOBO ANTUNES . Nação valente e imortal

Fonte: Revista Visão

E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia-miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade. As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez.

 Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente, indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.

Rrepresentando as viúvas, de negro, acompanhando o féretro do soldado morto. Funeral dos Soldados Desconhecidos, Pintura de 1927, Sousa Lopes Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca-vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos por, como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no.

Do soba: Será que já se esgotaram os oásis para onde se possa imigrar.

As opções do Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:39
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Terça-feira, 21 de Janeiro de 2014
MOKANDA DA LUUA . XXI

ANGOLA JOANA MISSANGAUMA HISTÒRIA D AMOR

Por

 Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

O conto de hoje pode dizer alguma coisa a algumas pessoas.

Os dois longos anos de comissão em Angola tinham sido passados entre o Úcua e o Piri e algumas raras surtidas a Luanda quando recebia o pré. O lugarejo, encravado na serra da Lousã onde nascera e onde vivera até á a maioridade, tinha-se eclipsado da memória desde o dia em que o Uíge acostara o corpanzil de aço ao cais da capital angolana para um merecido descanso, depois da longa travessia do atlântico, carregando no bojo milhares magalas de pela rosada e fardas de caqui. O coração soltou-se do meu peito e palpitou feito vadio por entre as palmeiras do Paulo Dias de Novais, nadando alvoraçado nas águas cálidas da baía. O cordão umbilical quebrou-se naquele instante de magia rara.

Ficus thonningii Meti consciente o requerimento para ficar em Angola. Para trás apenas parentes afastados que tinham encarado a minha orfandade como um gasto adicional e inesperado. Rumei para sul na rota imaginária dos sobreiros e pinheiros da serra continental e acabei no planalto da Huíla deslumbrado com a sua ossatura majestosa, as suas cascatas, os grotescos embondeiros e a sombra benfazeja das suas mulembas. A loja do mato era pequena mas era minha. Duas portas, três janelas e a cor de tijolo pespegada nas paredes para disfarçar o pó da terra vermelha e fértil. No pátio interior, a cacimba namorava uma mulemba gigante que sombreava a cozinha edificada no exterior. Pela madrugada os bois gentios mugiam clamando por liberdade e pasto, chocalhando as hastes enormes. O odor da terra embriagava-me quando madrugava para os soltar.

 A primeira vez que ela se aproximou do balcão com a timidez de uma gazela, os meus olhos perderam-se no seu colo ondulante bordado com um humilde colar de missangas. A pele mulata não permitiu o vislumbre de qualquer rubor, mas as pestanas negras ocultaram por segundos as íris cor de erva e só voltei a vê-las quando me pediu para lhe vender umas tantas contas de vidro colorido. Depois de rebuscar por entre os rolos de tabaco de odor almiscarado, os remendos para as bicicletas, as samacacas e frascos de brilhantina ofereci-lhe as miçangas rejeitando a nota que ela me queria dar.

 Foram tempos inolvidáveis. De mãos entrelaçadas víamos o sol deitar-se ao embalo da chilreada dos tentilhões e do arrulho namoradeiro das rolas. O Padre Mateus obrigara o Luís Chaves e a Joana Barros a sacramentarem o seu amor na igreja da vila. Nessa noite a lua nasceu deitada, preguiçosa pronta a ser emprenhada pelo céu estrelado. Estou no meu lugarejo encafuado algures na Lousã. A menina de pele trigueira e olhos cor de erva folheia o álbum de fotografias desbotadas. – Quem é esta? – É a vovó – Como se chama – Joana Missanga como tu. – Está aonde? – Está lá longe onde a lua nasce deitada. - Porquê que não está aqui, porquê que estás a chorar vovô, estás a molhar a fotografia. – Pronto não te deixo ver mais.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:42
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Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014
MALAMBAS . XIX

PORTUGAL ... O Lobby gay e, o paradigma civilizacional

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

De sobrancelhas carregadas, muito desenhadas no rosto, poço apreciar-me ao espelho, educado, sóbrio e despido de pretensões, falando comigo próprio da face vil e cruel do ser humano, que a seu belo prazer altera as regras da vida formalizando a família em moldes promíscuos ou no mínimo, não habituais. A co-adopção e adopção de crianças por casais do mesmo sexo, surge num momento em que o lobby gay mais pressiona os órgãos do poder contra todas os hábitos ditos salutares em um velho país como Portugal. Os traços antagónicos das pessoas confrontando o bem e o mal, fazem crer ser essa nova forma de estar na vida, a visão mais naturalista do mundo e, neste ponto tenta-se consolidar uma rotura com um velho paradigma civilizacional.

 O século XX foi decisivo para reconhecer e dar visibilidade às minorias e, estes cada vez mais apropriados aos seus conceitos, satirizam as atitudes de personagens e personalidades que não partilham com essa forma de viver que consideram promíscua e até incestuosa. Estas posturas da sociedade definitivamente entorpecem-me estes dias em abafadiço aborrecimento; esta lei de adopção, subvaloriza os dramas muito para além da barreira do preconceito abolindo definitivamente a tradição, tornando a tolerância cientificamente inverosímil.

 Manuel Braga da Cruz ex-reitor da Universidade Católica,  considera que se está perante um modelo que “algumas vanguardas pretendem impor à sociedade”. Nos últimos anos temos vindo a assistir a uma deliberada orientação política que visa debilitar a sociedade, em nome do reforço da liberdade individual. “ A adopção por homossexuais põe em causa civilização de milénios”, disse. Admitir que uma adopção possa ser feita por um agregado que não integre a diversidade de papéis no interior da família, é particularmente grave não só porque debilita a criança que é educada, como debilita a própria instituição familiar”. Isso enfraquece a cidadania, enfraquece a sociedade civil e torna a sociedade facilmente manipulável por “objectivos políticos”, considera Braga da Cruz.  Esta adopção avançada por lobbys homossexuais, definitivamente, não reflecte a vontade dos portugueses.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:13
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Domingo, 19 de Janeiro de 2014
PUTO . XLVI

PORTUGAL BRUTAL! PORTUGAL VISTO POR lOBO ANTUNES - 1ª de 3 Partes

As escolhas de Kimbolagoa

Por

Nação valente e imortal  LOBO ANTUNES

Fonte: Revista Visão

Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanto queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitado. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.

 O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meterem os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.

 Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia-miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade. As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez.

Do soba: Será que já se esgotaram os oásis para onde se possa imigrar.




PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:06
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Sábado, 18 de Janeiro de 2014
BRASIL EM 3 PENADAS . XLIX

BRASIL - RANI . Registro Administrativo de Nascimento Indígena

As escolhas de

 Kimbo Lagoa  

Por       

 Daniel Augusto Resende Camargos - Enviado Especial nasceu em Belo Horizonte (MG), em 12 de Janeiro de 1982. Estudou Comunicação Social com ênfase em Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG).

FUNAI levou milhares de índios paraguaios para tirar CPF brasileiro, para depois solicitar título de eleitor e defraudar as eleições e, assim, obter benefícios do governo.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-ec...

 Benjamin Constant (AM), Tabatinga (AM) e São Miguel do Iguaçu (PR) - Índios paraguaios, colombianos e peruanos não preenchem um requisito básico para receber o principal programa social do governo, o Bolsa Família: ser brasileiro. Mas, diante da frágil estrutura da Fundação Nacional do Índio (Funai), burlam a legislação e se nacionalizam rapidamente, ficando aptos a ganhar o benefício mensal. O Correio Braziliense/Estado de Minas percorreram aldeias nas fronteiras das regiões Sul e Norte do Brasil e detalham como funciona a fraude. A nacionalização - que, além do recebimento do Bolsa Família, almeja a aposentadoria especial para trabalhador rural e o auxílio-maternidade - é possível graças ao Registro Administrativo de Nascimento Indígena (Rani), uma Certidão de Nascimento especial para os índios. No documento, reconhecido por um funcionário da Funai e assinado por duas testemunhas - quase sempre indígenas da aldeia em que o estrangeiro chega -, fica registrado que o migrante nasceu em território brasileiro.

 Com o Rani em mãos, o índio estrangeiro vai ao cartório de registro civil e consegue a Certidão de Nascimento tradicional. A partir daí, todos os documentos se tornam possíveis: Carteira de Identidade, CPF e título de eleitor. A maneira convencional de nacionalização exige que o índio more no país por pelo menos cinco anos e uma série de documentos que provem o vínculo com o Brasil. Na aldeia Bom Caminho, em Benjamin Constant, no extremo oeste do Amazonas, na fronteira com o Peru e a Colômbia, 20 famílias de índios peruanos e colombianos integram a comunidade com pouco mais de 800 índios Ticunas. O cacique Américo Ferreira detalha como os índios passam a receber os benefícios: “Tiramos o documento (Rani) dos pais, primeiro e, depois, os dos filhos”. A família do casal peruano Ortega Pereira Torres e Jurandina Parente Adan está entre os beneficiados. Jurandina diz que os R$ 166 do Bolsa Família são fundamentais para a sobrevivência. O casal tem seis filhos e, sem o dinheiro dado pelo governo brasileiro, não poderia comprar itens de sobrevivência. O rápido processo de nacionalização foi conseguido graças ao Rani forjado.

 

 No sul do Brasil, na aldeia Ocoy (PR), a realidade não é diferente. O cacique Daniel Maraka Lopes diz que quase a metade do habitantes é do Paraguai. Mas a origem não impede que os estrangeiros recebam o benefício. “Quem não tem o documento brasileiro está fazendo de tudo para conseguir”, conta. É o caso de Eugênio Ocampo e Silvina Benitez. Com seis filhos, eles recebem mensalmente R$ 230 do Bolsa Família. Desde que saíram do Paraguai, vivem em uma casa simples na fronteira com o país natal. Ambos falam muito pouco o português, se comunicam em guarani.

Sem solução. As esferas públicas envolvidas com a questão indígena nas regiões de fronteira conhecem o golpe, mas alegam ter dificuldade para combatê-lo. O coordenador de proteção social da Funai, Francisco Oliveira de Souza, tenta minimizar as fraudes dizendo que o critério da etnia é feito pelo reconhecimento dos pares. “Se há desvio, é com a conivência dos indígenas da comunidade”, acusa. Souza faz uma digressão histórica e explica que o fato de um indígena nascer em um país vizinho não é relevante para a etnia. “Os limites internacionais foram marcados pelos brancos”, ressalta. Além disso, segundo ele, muitos índios não sabem precisar em qual lado da fronteira estão. A Funai estuda uma forma de diminuir as fraudes, mesmo não considerando o golpe abrangente. “Queremos formar um banco de dados com todos os registros indígenas.”
Em nota, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) informa que “se o cidadão está documentado como residente no território nacional e preenche todos os requisitos para ser incluído no Cadastro Único e sendo a documentação autêntica, o gestor municipal não pode negar o cadastramento e o MDS não pode impedir que ele seja seleccionado como beneficiário do Bolsa Família”. Responsável pelo cartório do segundo ofício de Tabatinga e pelo de primeiro ofício de Benjamin Constant, Abdias Pereira de Oliveira explica que os índios fraudadores alegam falar somente a língua do seu povo — no caso, a ticuna - e contam com um tradutor, que actua sabendo do golpe, para conversar com o tabelião. “O Brasil tem tudo: saúde, educação, aposentadoria e um monte de benefício. Por isso, eles ficam tentando se passar por brasileiros. Quando percebo, não faço a certidão e levo o caso para a Justiça”, explica. Recentemente, o cartório fez uma campanha de registro e expediu a documentação para 1,5 mil índios. “Visitei 19 comunidades afastadas e vi apenas um posto da Funai. Não tem como o funcionário do cartório conhecer tudo. O registro é feito na base da palavra”, detalha o tabelião. Em Tabatinga, mais de 2 mil índios recebem o Bolsa Família, o que corresponde a quase metade dos beneficiados na cidade: 4.148.

 Professor da Universidade Estadual do Amazonas, Sebastião Rocha de Souza percebe modificações com o aumento dos benefícios para os índios. “Eles começaram a exercer a cidadania, mas também adquiriram o vício de ficar esperando a ajuda chegar”, pondera. De acordo com ele, índios deixaram de pescar, fazer artesanato e até de se dedicar à agricultura, contando exclusivamente com o amparo do governo. “Muitas passaram a fazer questão de engravidar para conseguir o dinheiro do auxílio-maternidade”, lamenta o educador.
Inquéritos na PF. O delegado da Polícia Federal de Tabatinga, Gustavo Pivoto, entende que falta um controle maior dos órgãos do governo federal, principalmente da Funai. Na delegacia regional, existem diversos inquéritos que investigam falsificações de documentos realizadas pelos índios da região, segundo ele. “Tem indígena responsável pelo cadastro que se quer eximir da responsabilidade”, lamenta.

 Sapatos, cadernos e drogas. Creuza Santiago Jaguari está grávida do nono filho. O marido dela, Reginaldo Guilherme Cordeiro, faz planos do que comprar com os seis meses de salário mínimo referentes ao auxílio-maternidade. “Um computador para ajudar os meninos na escola”, vislumbra. Com o dinheiro que recebeu dos outros filhos, ele já adquiriu um motor de barco e um frigorifico. O mais novo dos meninos do casal tem dois anos e o mais velho, 17. A família recebe R$ 231 de Bolsa Família mensalmente. “Compro lápis, caderno, borracha e, quando sobra um pouco, uso para comprar comida”, afirma Creuza. São índios Ticunas e moram na aldeia de Umariaçu, em Tabatinga (AM). Com quase 6 mil habitantes, o local é semelhante a um bairro humilde de uma cidade grande, com casas de alvenaria sem acabamento que se juntam a outras de madeira. O trânsito frequente de motocicletas e até residências funcionando como lojas de informática (lan houses) mostram que mudou muito o quotidiano dos índios do século XXI

 No fim do mês passado, a Polícia Federal (PF) prendeu, na aldeia, dois colombianos com diversas armas e munições de grosso calibre. O arsenal era composto por lançador de granada, mais de uma dezena de granadas e fuzis de fabricação belga, sendo um deles com o emblema do Exército peruano. Havia também 40 sub-metralhadoras e centenas de munições. De acordo com a PF, os presos trabalhavam para o peruano Jair Ardela Michue, um dos maiores traficantes da tríplice fronteira, preso em Março de 2013. Um dia depois, mais armamento foi encontrado em Belém do Solimões, outra aldeia indígena ticuna. O delegado da PF de Tabatinga, Gustavo Pivoto, afirma que o aliciamento de indígenas por organizações criminosas é intenso na região. Índios são usados para transportar drogas e armas e despistar a acção da polícia. O atractivo é sempre o mesmo: dinheiro. “O indígena está contaminado com os valores dos que não são indígenas”, avalia o professor da Universidade Estadual do Amazonas Sebastião Rocha de Souza, que faz parte da coordenação que prepara professores indígenas do Alto Solimões. (DC).

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Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014
MALAMBAS . XVIII

ANO DA CORAL ... Trouxa d´ovos

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

 Entre monossílabos de capitalistas, adivinhamos com lucidez que a nossa carta de alforria de cidadão, é uma descarada mentira; uns homens altos de mando disfarçados de gente-boa, comportam-se como estroinas no comando de um governo que nos faz sentir cada vez mais, escravos em pleno século XXI. Pálidos, com as mãos cruzadas nas costas, nós, os escravos, ziguezagueamos os caminhos em ordeiras filas, fazendo grandes carreiros de sobrevivência como a formiga kissonde, sem desrespeitar as margens beneméritas; por isso bastas vezes, eles, os donos do pedaço, são agraciados com diplomas abolicionistas.

 Focinhando nuns lameiros de essências desagradáveis, atentamos que uns quantos janotas, vestidos de seda, roupas gritadoras, fumam charutos a acompanhar lanches com vinho do porto, furtando-se, disfarçados em trouxa d´ovos, aos complicados olhares no encontro dos espelhos. Com o sofisma de “a bem da nação”, dão-nos boleia em uma carruagem sem freio e, sem mais nem porquê, amarram-nos a tributos tipo troika esfolando-nos as aparas e raspas como se fossemos ricos rapazolas. Necessitamos de exemplos na vida pública mas, a falta de ética fecunda na vida do puto; abunda tanto, que fede a vida nacional.

 Esfolam-nos como se todos, fossemos filhos de vendeiros abastados dados a pândegas de parasitagem. Num viveiro de larvas sensuais, os janotas, chamam sobre si e a si, conselheiros fibrados na política, ávidos de sensações extremas e, no folgo de largos vícios com todos os inerentes segredos, como um beijo, bebem gota a gota, mesmo do homem mais avarento, todo o dinheiro que este pode dar de si; retalham-nos aos pedaços com o forte contributo desse tenebroso grupo financeiro multinacional chamado de Goldman Sachs escondido nas cortinas de todas as desgraças. Quase indiferentes, fecundamos a honestidade com um ar de triste bolor.

O Soba T´Chingange



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Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014
MONANGAMBA . XI

ANGOLA - O poder político português pôs-se de joelhos perante a elite angolana

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo - (por vezes pejorativo).

As escolhas de

Kimbolagoa

Têm sido limadas arestas para que o poder angolano não se irrite com as elites portuguesas. A ideia foi defendida pelo jornalista Nicolau Santos na apresentação do livro Os Donos Angolanos de Portugal.

A trupe 

Vinte e sete ex-governantes portugueses da era democrática, de ministros dos Negócios Estrangeiros a ministros da Presidência e secretários de Estado, assumem protagonismo nas relações económicas entre Portugal e Angola. "O poder político pôs-se de joelhos perante a elite angolana", resumiu esta terça-feira o jornalista Nicolau Santos, na apresentação do livro Os Donos Angolanos de Portugal, na Fnac Chiado, em Lisboa. Quando Francisco Louçã, Jorge Costa e João Teixeira Lopes começaram a desenrolar o novelo da burguesia portuguesa para um próximo livro, concluíram que as ligações económicas entre Portugal e Angola justificavam um volume isolado. A investigação, parte de um trabalho mais amplo dos mesmos autores sobre a burguesia portuguesa e que dará origem a outra publicação ainda este ano,  permitiu aos três dirigentes do BE concluir que não há praticamente nenhum empresário português "relevante" que não esteja ligado a Angola. E que Portugal tem sido uma espécie de "offshore" ou sector estratégico para os capitais angolanos.

 Nicolau Santos Francisco Louçã

Na apresentação do livro,  Nicolau Santos, que nasceu na ex-colónia, tal como João Teixeira Lopes, descreveu um Portugal "permissivo e complacente" com regras de mercado "flexíveis" para os capitais angolanos, sem paralelo com outro investimento estrangeiro realizado no país. "Há uma grande ligação, para não dizer uma grande subserviência da elite portuguesa. A "hipersensibilidade" do poder de Luanda tem sido assim tratada com pinças, até pela comunicação social portuguesa, que "já pensa duas vezes" antes de publicar uma notícia que envolva as altas esferas angolanas. A ideia de que se têm limado arestas para que o poder de Luanda não se irrite com as elites em Portugal foi ilustrada pelo jornalista do Expresso com o recente pedido de desculpas dos ministros dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete. “Angola tem explorado isto de maneira quase exemplar”, disse. E Portugal tem evitado qualquer incidente diplomático que comprometa o nosso "quarto maior parceiro económico e, no último ano, provavelmente o maior" .

 Rui Machete

Este não é, no entanto, dizem, um livro sobre Angola. É uma tentativa de explorar o poder angolano em Portugal. Jorge Costa explicou o peso dos interesses angolanos sobre recursos essenciais da economia portuguesa focados na energia, telecomunicações e banca. “Não há outro caso de um país que tenha entregue a sua soberania económica como Portugal fez com Angola”, disse. Mas as ligações têm rostos e, segundo o dirigente do Bloco, se analisados os currículos empresariais de todos os ministros e secretários de Estado desde o 25 de Abril, há 27 ex-governantes, “alguns de altíssimo peso político”, com um protagonismo muito importante. São do PS, do PSD e do CDS. E foram ministros ou secretários de Estado.

Estão lá Ângelo Correia, Miguel Relvas, Nogueira Leite, Armando Vara, António Vitorino ou Nuno Thomaz. E o destaque vai para a banca. Trinta e dois membros de governos portugueses estão na CGD ou 18 no BCP. “Essa lista nunca foi elaborada, mas é essencial para compreender a profundidade das relações políticas e empresariais estabelecidas entre os capitais portugueses e angolanos”, defendem os autores. Francisco Louçã, dos três o mais comedido nas palavras, preferiu sublinhar Os Donos Angolanos de Portugal como o contributo que escolheria dar para o debate democrático do que é hoje Portugal. “Será muito polémico, mas dará muita informação”, disse o economista e ex-líder do Bloco. No fundo, disse, Teixeira Lopes, resume-se sempre a “saber quem manda”. 

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Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014
MUJIMBO . LVIV

ANGOLA - O DISCURSO DO PRESIDENTE

As escolhas de

Kimbolagoa

Fonte: Club-k.net

Luanda – “A ingerência em assuntos internos, a intolerância e a injustiça social e a flagrante e massiva violação dos direitos fundamentais estão na origem da maior parte dos conflitos que existem no mundo”, assegurou nesta sexta-feira, 10 de Janeiro, em Luanda, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

 No entender do Chefe do Estado angolano, estes conflitos “continuam a consumir recursos que poderiam servir para atender as necessidades sociais e de desenvolvimento da humanidade”.  “Em África registamos com mágoa a continuação de muitos conflitos, infelizmente, e o surgimento de outros que agravam a situação humanitária de pessoas deslocadas e refugiadas e atrasam o desenvolvimento económico e social dos países afectados”, exemplificou. Razão pela qual, José Eduardo dos Santos garante que “a diplomacia angolana pautará (neste 2014) a sua acção e todas as suas intervenções no estrito respeito da soberania de outros Estados, da igualdade e da não ingerência em assuntos internos”. “É hora, pois, de pôr de lado todas as diferenças e eventuais divergências para juntos construirmos um mundo de paz, harmonia e bem-estar, em que os legítimos interesses de todas as nações possam ser tidos em conta”, concluiu o Presidente durante o seu breve discurso por ocasião da cerimónia de cumprimentos de ano novo ao corpo diplomático.  O Club-K anexa o discurso proferido pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, por ocasião da cerimónia de cumprimentos de ano novo ao corpo diplomático


EXCELENTÍSSIMO SENHOR DECANO DO CORPO DIPLOMÁTICO, EXCELENTÍSSIMOS SENHORES EMBAIXADORES E CHEFES DE MISSÃO DIPLOMÁTICA E CONSULAR, ILUSTRES CONVIDADOS,MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES,

É sempre com grande satisfação que recebo neste Palácio Presidencial os Chefes de Missão Diplomática e Consular acreditados em Angola, e respectivos cônjuges, para um convívio informal em saudação do Novo Ano. Agradeço as palavras amáveis e encorajadoras proferidas pelo Senhor Decano do Corpo Diplomático e desejo a todos os presentes um ano repleto de paz, prosperidade e bem-estar em 2014. Espero que continuem a usufruir da amizade e hospitalidade do povo angolano e a trabalhar em prol do aprofundamento das relações de amizade e cooperação entre Angola e os vossos respectivos países, com benefícios recíprocos. A diplomacia angolana pautará a sua acção e todas as suas intervenções no estrito respeito da soberania de outros Estados, da igualdade e da não ingerência em assuntos internos, respeitando e fazendo respeitar igualmente as normas das convenções internacionais sobre as relações diplomáticas e consulares. Em conformidade com o princípio da reciprocidade, eu conto com a colaboração de Vossas Excelências nesse sentido! No início de um Novo Ano, nós procuramos manter o nosso optimismo em relação ao futuro, não obstante as dificuldades que quase todos os países ainda vivem. 

 No mundo actual, todos os problemas considerados como globais têm reflexos na vida interna de cada um dos nossos países, sejam eles problemas ecológicos, financeiros ou relacionados com o terrorismo, a segurança, os crimes transnacionais e as grandes endemias. A Comunidade Internacional deve assim prestar-lhes mais apoio e atenção. Não basta abordar os problemas actuais numa óptica meramente económica, financeira e política, tratando dos seus efeitos, sem aprofundar o conhecimento sobre as suas causas. Neste momento, o Governo angolano manifesta a sua solidariedade ao povo da República Centro Africana. Não está em condições de enviar forças militares para ajudar este país irmão, mas pode enviar ajuda humanitária para as pessoas deslocadas, juntando-se assim aos esforços da Comunidade Internacional. Em circunstâncias semelhantes, ou quase semelhantes, nos anos 90 do século XX, houve países que adoptaram como solução a Conferência Nacional Soberana que definiu os órgãos, o período de transição para a realização de eleições livres e democráticas sob observação internacional.

 Oxalá que o Conselho Político de Transição da República Centro Africana desempenha este papel com sabedoria. A República de Angola tem sido um importante factor de paz e estabilidade regional e reitera a sua total disponibilidade para contribuir ao nível da União Africana, das Nações Unidas, em especial através do Conselho de Segurança, para a preservação e restabelecimento da paz. O Governo angolano manifesta o seu apreço a todos os países que apoiaram a sua candidatura a Membro Não Permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e apela a outros países a fazerem o mesmo. Acredito que todos estamos conscientes de que fazemos parte da mesma comunidade humana e, por enquanto, sabemos que só temos este planeta para viver. Muito obrigado pela vossa atenção. BOM ANO DE 2014!

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:27
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Terça-feira, 14 de Janeiro de 2014
MALAMBAS . XVII

ANO DA CORAL ... Jurubeba, Mangaba e Xá caxinde

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

 Este capítulo de falas malambas, foi criado para nele se falar de tudo um pouco como beber tragos de chá caxinde e gengibre, para prolongar afagos de bigode, falas de tempos passados, próprios ou roubados de destinos enxotados, amados ou vilipendiados. Dispostos a parasitar alegrias alheias, divertimo-nos iluminados por lampiões de vaga-lumes impregnados de obséquios de não guardar rancores ou amarguras da vida. As ruindades são despachadas com aviso de recepção, para não fazer ferver o sangue das arreliadas sobras. Por isso ou por causa disto, tomo todos os dias sumo de jurubeba para que os meus fluidos se diluam nas descargas biliares.

 Ultimamente e, porque está na época, tomo muito suco de mangaba para me regular a tensão arterial e, para variar o sabor, faço sumo de maracujá com xuxú que além de conter a tensão alta, também baixa o índice de açúcar no sangue. Mas, para controlar a glicemia, o melhor mesmo, é comer quiabos isolados como salada ou combinados na comida; em alternativa pode cortar quiabos em pedaços, metê-los em um copo com água e beber o liquido viscoso na manhã seguinte. Para adoçar as agruras da vida, teremos de vencer o desmazelo minimizando os elementos de resignação, de darem dor de cabeça, zumbido nos ouvidos ou estômago embrulhado.

 O curso de minha felicidade rasga-se defronte da desensofrida avidez na vaidade em querer viver 333 anos, coisa impossível que de certo modo me perturba a consciência, imerecido final para quem tanto lutou em força nas tamanhas privações e sacrifícios! Zombando e subindo por entre o rebanho dos escrupulosos, ou dos fracos, com puro esforço, consegui acumular dinheiro e património à margem dessa doce existência dos ricos, dos felizes e dos fortes que tudo herdaram sem trabalho. Do meu passado lamento, e muito, o tempo que me foi roubado, tempos de rosto escondido por destino enxotado mas, diga-se em verdade e, para que conste, que nunca me dispus a parasitar alegrias alheias; não é propriamente um testamento mas sim, um legado de que me prezo. Já lá vai o tempo em que envenenava minha própria felicidade por me agarrar à existência de gente-ruim, pestes, que nem um pouco, mereciam a minha dedicação.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:44
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Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014
PROMISCUIDADES . XIII

PORTUGALArrumar o resto da trupe

As escolhas de Kimbolagoa 

Por

 Paulo Neto 

Fonte Rua Direita de Viseu

Em boa verdade, calem-se as bocas que muito propalam ser Portugal apenas exportador, em qualidade e quantidade, de jovens licenciados, mestres e doutorados. Afinal, nunca exportámos tantos, devendo ser até o maior exportador mundial… de ex-governantes. Depois do “distraído” Victor Constâncio se ter ido refastelar no Banco Central Europeu (BCE), pelos bons serviços prestados à frente do Banco de Portugal – que ainda andamos a pagar nos casos BPN, BPP, etc., seguiu-se-lhe o inefável Arnaut para a Goldman Sachs, esse tenebroso grupo financeiro multinacional que aparece nos bastidores de todas as desgraças. Só um cérebro muito tortuoso – do tipo compadre Zacarias – poderia associar a venda dos CTT ao Brasil com esta nomeação, sabendo que a maior accionista após 5 de Dezembro é … adivinhou! A Goldman Sachs. E que o “pai” desta privatização foi… adivinhou!

 Depois, aquele tipo Mr. Bean, alucinado e trágico de sua graça Gaspar, ex-ministro das Finanças, vai para o FMI, responsável de assuntos fiscais, apoiado pelo anjo Merkel, dizem… Finalmente (em breve segue o Moedas) o nosso viseense-canadiano-pastel-de-nata, esse, o Álvaro (Pereira), o ex da Economia, vai para a OCDE, dizem. Porque não se dá bem com o frio do Canadá nem com as despojadas instalações do campus universitário onde trabalhou… A misse Swaps, por sua vez, parece só abrir a boca para dizer que está inocente e para gabar muito a troika, preparando-se para emigrar dentro, antecipa-se, de menos de 15 meses… Porque é que estes indivíduos são tão apetecidos/recompensados por esses organismos mundiais? Pela sua competência profissional ou pela sua subserviência internacional? Estiveram naqueles lugares porquê? Para quê? Além da “bosta” feita que mais se lhes reconhece de obra em prol dos portugueses e de Portugal? Nada! Por isso mesmo foram despedidos, foram à vida…

 E foram acolhidos. Por quem e porquê? Responda o leitor que é soberano e inteligente. Eu, pessoalmente, tenho a náusea a tolher-me os neurónios. O pudor perdeu-se. O tempo do nojo encurtou-se. O faz-de-conta anulou-se. A dissimulação arrumou-se. Não há necessidade. O povo é plácido, brando e sereno. Todos estes figurantes de 3ª têm o merecido prémio pela sua porfiada e profícua acção. A acção de empobrecer Portugal dando-o de pasto à rapacidade dos abutres das finanças mundiais. E tirando Constâncio, do PS, o partido que mais contribuiu cm a sua sabedoria… foi o PSD. E nós, portugueses, vítimas da sua voracidade, iremos esquecê-los nos próximos anos? Vamos esquecer o “patriarca” que, todo impado da sua paternidade sobre tanto órfão da desventura, já se recandidatou a mais um mandato de infortúnio, para acabar de rapar o fundo delido do tacho? E arrumar o resto da trupe? Era o que mais faltava!

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T´Chingange



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Sábado, 11 de Janeiro de 2014
MUJIMBO . LVIII

RAFAEL MARQUES; PERSONALIDADE DO ANO 2013

Por

 Isomar Pedro Gomes

Fonte: Lusomonitor
 Lisboa - Foi um ano agitado para os países da comunidade lusófona mas, para a Lusomonitor, a escolha foi bastante fácil: o jornalista e activista pró-transparência Rafael Marques de Morais foi a personalidade mais marcante do ano de 2013, pela enorme influência que demonstrou ter nas questões angolanas, dentro e fora do país. Os processos judiciais movidos por Rafael Marques a figuras do regime angolano em Portugal colocaram em causa, em última instância, as bases das relações entre Portugal e Angola. Mas, na opinião dos jornalistas e consultores da Lusomonitor, este questionamento pode ser clarificador. Cada vez mais, as relações entre Portugal e Angola – ou pelo menos aquelas que contam – são as de negócios. Por isso, as personalidades que mais espaço ocupa nas páginas dos jornais são aquelas que estão na linha da frente dos mesmos.

Acima de todos, Isabel dos Santos, cujo peso na economia portuguesa já anda a par do de figuras de sempre como Belmiro de Azevedo ou Américo Amorim. Em 2013, destacaram-se outras figuras angolanas nos negócios, como António Mosquito, que à construção juntou a comunicação social, com a entrada no capital da Controlinveste, que lhe dá mais poder, influência e prestígio. Mas a nossa escolha por Rafael Marques decorre exactamente daí. Quer dizer, ou lembrar, que há mais vida para além dos negócios. Que os euros, Kwanzas ou dólares são hoje muito importantes, mas que não só a isso se devem resumir os laços entre povos que se conhecem há séculos e que até há algumas décadas faziam parte da mesma nação. O trabalho de Rafael Marques lembra-nos exactamente que, se quisermos ser uma comunidade, há valores que temos de partilhar. Se queremos ser uma comunidade digna, um desses valores a partilhar é o da honestidade. Outro que tem de estar sempre presente é o da partilha.

 Que se façam negócios sim – muitos e cada vez mais mas, que eles sejam feitos com transparência, por cima da mesa, e com dinheiro de proveniência conhecida. E que a riqueza gerada seja partilhada por aqueles que mais precisam. E são tantos, em países como Angola! Num Portugal em profunda crise económica, e também moral em muitos casos, os processos judiciais, e a forma expedita como acabou resolvido depois do “bater de pé” de José Eduardo dos Santos no discurso do Estado da Nação – ameaçando não avançar com a parceria estratégica entre os dois países – faz reflectir sobre o estado de subserviência que é associado hoje ao país, Portugal.

 Uma voz incómoda, mas respeitada. Considerado inteligente, com dotes de analista político e coragem invulgar, Rafael Marques adquiriu notoriedade pública, interna e externa, como activista de causas como defesa dos direitos humanos e denúncia da corrupção em Angola. Em Angola, é provavelmente odiado no chamado círculo presidencial. Os seus detractores dizem que está ao serviço de obscuros interesses estrangeiros, sendo aos EUA e George Soros que é mais frequentemente associado, num discurso tradicionalmente usado pelo regime para atacar os seus adversários. Por outro lado, a sua acção cívica e política é discretamente apreciada por indivíduos e grupos do regime que têm contas a ajustar com o círculo presidencial. É respeitado ou, pelo menos, apreciado, na chamada sociedade civil angolana, em geral. Mantém ligações pessoais, até políticas, com intelectuais conotados com a oposição e com os próprios partidos da oposição.

 O último caso grave que revelou foi o da negociação da dívida à Rússia, estando apoiado em abalizados elementos de prova. As denúncias têm geralmente repercussão externa e também nesse aspecto o seu contributo no combate à corrupção tem sido importante. Processos judiciais vão continuar a correr. As autoridades portuguesas abriram um inquérito em que foram investigadas transacções financeiras levadas a cabo pelo vice-presidente Manuel Vicente e várias outras figuras do regime, com base nas denúncias de Rafael Marques e nas de um ex-embaixador daquele país. Segundo estas, empresas portuguesas estariam a ser usadas por altos dirigentes angolanos para lavar dinheiro. O processo acabou arquivado pela Procuradoria-Geral da República portuguesa. A insistência dos advogados dos visados, junto do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, para que a investigação terminasse, baseou-se em argumentos como o cargo desempenhado por Manuel Vicente, que deveria dar-lhe direito a um tratamento diferenciado relativamente aos restantes suspeitos. Também evocaram “o importante papel de Angola na recuperação da economia lusa”, e ainda o prejuízo que as denúncias estavam a causar “na captação de investimentos angolanos em Portugal”.
O inquérito, em que figuravam também como suspeitos o governador da província de Kuando Kubango, Higino Lopes Carneiro, e ainda a empresa de telecomunicações Portmill , investigada por causa da origem do dinheiro com que comprou parte do BES Angola, acabou mesmo por ser arquivado em Novembro. O procurador encarregue do caso disse, no despacho de arquivamento, que a autonomia do Ministério Público e a independência do poder judicial “não são sinónimos de insensibilidade política, económica ou social”. Dizia, porém, no mesmo documento, que se encontra ainda a decorrer “grande volume de perícias financeiras” sobre as transacções alvo de denúncia. Rafael Marques respondeu pedindo a abertura da instrução do processo em que acusava o vice-presidente angolano e outras figuras do regime de branqueamento de capitais, e que foi recentemente arquivado pela Procuradoria-Geral da República portuguesa. “Há matéria indiciária para levar os suspeitos a julgamento e há matéria de direito que não foi respeitada”, explicou o seu advogado, Duarte Teives, em declarações à Lusa.

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:30
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Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014
PUTO . XLV

PORTUGAL –  EUSÉBIO - No Panteão Nacional? Porquê?

As escolhas de Kimbolagoa

Por

 Gabriel Costa

Fonte Rua Direita de Viseu

 Eusébio da Silva Ferreira, merece ser reconhecido como um excepcional futebolista que, pela sua habilidade, foi admirado e aclamado por milhões de pessoas. As alegrias que deu aos apreciadores do futebol e o prestígio alcançado por si e legado ao futebol português, não se pagaram com a expressiva homenagem que milhares de pessoas lhe prestaram e o acompanharam na sua última viagem. A sua forma de ser, bondosa, humilde e desprendida de balofas glorificações, deveria ser um exemplo para a soberba e vaidade de uns quantos “artistas” que, um dia, tiveram os seus 15 minutos de glória. No entanto  a banalização do Panteão Nacional, lugar que deveria ser reservado aos heróis de Portugal, começa a ter laivos de vergonha. A República, que forja heróis para sobreviver, coloca simples habilidosos ao nível dos que, com sacrifício da sua vida, deram alma e força ao nascimento e manutenção da soberania de Portugal.

 Depois da Amália Rodrigues e agora do Eusébio da Silva Ferreira, espera-se que a Irmã Lúcia, última das videntes de  Fátima a morrer, obtenha também a autorização da Assembleia da República para a respectiva transladação. Fado, Futebol e Fátima, claro! De vergonha se torcem na cova, D. Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Pedro Álvares Cabral ou Afonso de Albuquerque. Vultos da cultura e das letras como Almeida Garrett, João de Deus ou Aquilino Ribeiro bem como alguns Presidentes das República, emparelham agora com “artistas da bola e do fado”, “heróis do divertimento!

 Na verdade, esta banalização do Panteão Nacional, não faz justiça aos militares portugueses que morreram em combate na Guerra do Ultramar, às ordens de um Governo que lhes dizia, ser uma obrigação de todos nós, defender a Pátria Una e Indivisível. A ser assim, todos eles, ali deveriam estar sepultados. No meio de tanto parolo,    tanta falta de dignidade e de respeito pela História de Portugal, pergunto-me: qual será a decisão quando falecer o Tenente-coronel Marcelino da Mata(ver wikipédia), português nascido na Guiné, negro, herói da Guerra do Ultramar na Guiné e  o militar português mais condecorado de todos tempos?

OPINIÃO: -De forma clara, os portugueses têm fome e sede de figuras públicas honestas e limpas, das que servem uma causa por amor à camisola e fidelidade ao país. Há alguns anos que os portugueses olham de lado, com desconfiança e ressentimento, a maioria das figuras públicas. Os povos precisam de figuras como Eusébio, que se revejam. A questão de Eusébio ser ou não, sepultado no Panteão Nacional, não sei, pela simples razão de nunca ter sido explicado ao povo o que significa um panteão nacional, à luz do estado português.

As opções do Soba T´Chinhange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:04
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Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2014
MALAMBAS . XVI

ANO DA CORAL ... Coral é uma cobra venenosa, tambulaconta.

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba.jpg T´Chingange

No dia um de Janeiro de 2014 e no meu sítio do paraíso faz-de-conta, tive de matar uma cobra coral que me entrou em casa, propriamente no salão ao nível do jardim exterior. Fizeram umas queimadas em terrenos baldios e, isso obrigou a bicharada rastejante a procurar outros abrigos. Das 61 espécies conhecidas, esta cobra peçonhenta que matei de sessenta centímetros é da família Elapidae; é uma cobra que não ataca o ser humano a menos que seja molestada e, em caso de mordedura, pode causar a morte de uma pessoa se o soro não for aplicado em tempo. Esta cobra tem olhos pequenos e seu corpo é coberto por escamas com desenhos de anéis, nas cores preto, branco, vermelho chegando a ter 2 metros de comprimento. Habitam no sul da África e Ásia, Austrália, América do Sul  e Central, no Sudoeste dos Estados Unidos da América e no meu paraíso do Nordeste Brasileiro.

 Neste sossego de paraíso, a trinta e dois graus de temperatura, balouçando na rede de jiboiar, dou-me conta do quanto me abrasileirei nos fogosos temperos de azeite de dendê, das moquecas escandecentes, dos cheiros fortes da carne de sol, charque e peixe-seco. Espreguiçando-me na precária aposentadoria que do puto me tolda o gozo em vida, desterro-me em derradeiras lágrimas de saudade do tempo em que era um puto na Luua. Com os restritos saldos de felicidade, perfumo-me nas quióngas com meus kambas, chupando múkua e mirangolos com falas aromáticas, ora sopradas das anharas do sul com sonhos de estremo arpejo, ora riscadas na ponta de meu lápis periclitante.    

No meio de grandes silêncios, contento-me com os suspiros, fazendo grandes caminhadas com o chapéu-à-ré para protelar revoltas contra os rigores da sorte, ruminando kapiangos (roubos), embrutecendo assim o aborrecimento num fartum de esturrinho com cinza molhada. Com a preocupação de registar a sordidez dos vícios humanos retrato-me com a possível naturalidade deslavando muitas mazelas do meu quinhão, daqueles do tempo em que acreditava que aquela mancha da lua era um homem bom carregando silvas amanhadas de  kibabus (afagos) de seu quintal; mussendos contados por minha mãe Arminda

O Soba T´Chingangep



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Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2014
KIANDA . XLVIII

DESANOITECI EM ZANZIBAR - XIII

Verdade ficcionada

Por

 T´Chingange

Ponto assente, ia vender a roça Boyoma a Mustafá Joshua Naili e, logo que possível desceria o rio Lualaba usando sua rede de barcaças dispostas nos vários rios até chegar a Matadi; teríamos pela frente vários rápidos e quedas de água até chegar às cataratas Yelaba. Entre Kisangani e Kinshasa a navegação seria tranquila e em Matadi far-se-ia o transbordo final para a saída ao atlântico. Levaria comigo alguns troféus de caça, dentes de marfim, várias armas, um lote de sementes de várias espécimes vegetais e uma carga de cacau a ser vendida em Lândana. Agora, tudo o mais que se lixe! Ora pois! Mais vale um gosto realizado que quatro vinténs no bolso. Dito isto cantarolei um verso de despedida:

Ó terra do desespero

Que nem eu sei compreender

Levem-me deste desterro

Chega já de padecer

 Com este fadinho harmoniosamente nostálgico doidejava-me ao ar como se alguém me fustigasse o corpo com urtigas bravas. A separação dos meus mais directos colaboradores foi de alguma comoção mas kimbanda Good Lukuga, o feitor geral Kabila Kasavubu e mustafá T´shiluba mostraram compostura com suas lágrimas sentidas; assim sucedeu o último abraço a tão bons colaboradores. Decorridos uns oito dias estávamos em Matadi. Em língua Kikongo Matadi significa “pedra” pois foi construída empinada nas colinas pedregosas. É aqui que se situam as covas e penedos aonde o navegador português Diogo Cão em 1485 deixou marcas a justificar a sua passagem por ali. 

 Já à algum tempo que em torno do meu corpo esvoaçavam desejos assanhados acordando-me as fibras embevecidas pela saudade do mar; E aquela imagem de mulata Nely Duvalier de Mji Mkongwe da ilha de Zanzibar, nesta longa viagem balouçada surgia feita gemidos de prazer zumbindo-me fosforescências afrodisíacas. O calor vermelho das margens com a zoada da fechada mata, entorpeciam-me numa desconhecida embriagues. Entretanto entre mim e N´Zau Tati, cresciam conhecimentos novos e trocávamos impressões quanto ao futuro de África. O tratado de Simulambuco tinha sucedido há dois anos e revíamos com alguns pormenores deste tratado associado ao de Berlim lá na Europa. Não conseguíamos compreender o porquê de a Bélgica ser contemplada com tão grande imensidão. Os lóbis do mando estavam a menosprezar os feitos de Portugal e isso preenchia a maior parte da nossa conversa.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:36
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Terça-feira, 7 de Janeiro de 2014
MOKANDA DO SOBA . XLIII

EMBEBEDADO NOS SONHOS  -  Com flores de Cristo!

Por

    T´Chingange

 Embebedado nos sonhos castigados, hoje dei uma resposta azeda a um colaborador da História das Guerras em Angola e, repliquei a notícia dizendo que a independência de Angola foi ganha ou conquistada; sem rebater este conceito por verdadeiro, afirmei que a oferta se adequa melhor ao acto de pronuncio de Agostinho Neto a 11 de Novembro de 1975. Uma entrega incondicional que forçou a vida de muita gente obrigando-as a fugas desordenadas e um recomeço de vida incerto, fora e dentro do território com uma guerra civil que se prolongou por 27 anos. Vencido por um desmazelo de chumbo deixei passar em claro afirmações de adoçar ambições que notoriamente ressaltam mais para além de uma qualquer ideologia em que se querem afirmar no amor a Angola. Para mim, bajular os donos da dibanda é de uma subjugação pura sem mais reticências ma ideologias e ambições são fantasias ou sonhos de cada qual.

 

Afundando sem resistência na lama do meu desgosto, sem forçar para iludir-me, ou desistir dos meus princípios, do meu carácter, sem ter em conta algumas atrocidades, continuo a viver porque, a vida é teimosa a não requer deixar-se apodrecer de forma tão madraça. Escrevo para adoçar as agruras brincando o curtir de cada dia-a-dia enganando os pesares; escorregadios, os dias, fogem-me como estrofes seguidos de deliciosas falas de amor, com estribilhos espanejados ao deus-dará como os de um hino de heróis do mar, nobre povo….

 Plantei à porta do galinheiro e nas traseiras de minha casa uma trepadeira de maracujá que subiu pelo abacateiro esparramando-se no telhado pejada de flores de Cristo; abrindo pela manhã, estas flores dão-me honrarias de vida com a visita de besouros proliferando heroicidades. Surgem também os beija-flores, colibris luzidios sortindo suas pequenas despensas de tudo do que mais gostam, o néctar. Mais ao lado, gansos e galinhas esgadanham a terra limpando-a de formigas nocivas ao pau de sape-sape (graviola) e esta agradece fornecendo-me os maiores sape-sape que jamais vi. Como eu me consolo ensopado de suco desse grande fruto com meus dentes! Esses mesmos, que às vezes me mordem a língua! Aqui, com a flor de Cristo sinto-me galardoado quanto baste.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:01
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Segunda-feira, 6 de Janeiro de 2014
MONANGAMBA . X

PRECEITOS MODERNOS . NADISMO FILOSOFIA PARA O SÉCULO XXI -4ª de 4 Partes

Monótona é a vida do perneta; andar sempre no mesmo pé.

Escolha de

 T´Chingange

E, surgem variantes como o Paredismo com a Escola minimalista do Nadismo que prega que os estados elevados de inutilidade do ser podem ser alcançados a partir da contemplação passiva de superfícies planas, tais como paredes, tetos e muros. Tive um ápice desta teoria quando me deitei de papo para o ar na capela Sistina para apreciar o início do universo pintado bem no centro do tecto. Surge também o Nadismo Académico Impressionista, uma vertente que se têm desenvolvido rápidamente junto à crescente popularização dos cursos de nível superior e de pós-graduação.

 Eminentemente teórico, o Nadismo académico combina a aparente produtividade com o uso intensivo de linguagem rebuscada e analogias remotamente relevantes, com o objectivo final de Nada produzir… Falar ou escrever muito na forma erudita sem dizer Nada. Outra variante é o Procrastinantismo. Estespraticam o Nadismo através do permanente adiamento de toda e qualquer actividade complexa, desagradável, ou para a qual eles se devam levantar do sofá (o que inclui até mesmo pegar um copo d’agua na cozinha). Pessoalmente pratico o Nadismo Pragmático. Este também é conhecido como Nadismo de Guerrilha, o Nadismo Pragmático parte da compreensão de que a vida contemporânea impõem severas restrições à prática pura e autêntica do Nadismo tradicional. Como solução, preconiza a inserção de actividades nadistas ao longo do dia, como forma de contestação político-social.

Tais práticas incluem o cochilo-soneca na rede, no Chinxorro o cafezinho prolongado, a enrolada no pós almoço e o uso intensivo do botão “soneca” no seu despertador e o deixa para lá, a frase curta mais usada pelos nadistas. A palavra oxalá, muito simplista compromete o Alá como um nadista primário, para ele se remete tudo com um "se Alá quizer"O uso da internet, com suas redes sociais, vídeos e jogos on-line também influenciam profundamente a prática nadista. O nadista virtual concentra suas energias(?) na repetição mântrica de cliques com o mouse e na observação estática da tela luminosa do seu computador. Basicamente podemos garantir que o Nadismo irá permanecer. Permanecer no mesmo lugar, sem se mexer. E não mudará nadinha, nada mesmo!

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo - (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:14
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Domingo, 5 de Janeiro de 2014
PUTO . XLIV

PORTUGALO ESCÂNDALO...! 2014 . Mau começo

As escolhas de Kimbolagoa

Subsídios de Férias e de Natal dos deputados para 2014 aumentam 91,8%!

 A notícia é mesmo verdadeira e vem no Diário da República. O orçamento para o funcionamento da Assembleia da República foi já aprovado em 25 de Outubro passado, fomos ver e notámos logo, contudo já sem surpresa, que as despesas e os vencimentos previstos com os deputados e demais pessoal aumentam para 2014. Mais uma vez, como é já conhecido e sabido, a Assembleia da República dá o mau exemplo do despesismo público e, pelos vistos, não tem emenda. Em relação ao ano em curso de 2013, o Orçamento para o funcionamento da Assembleia da República para 2014 prevê um aumento global de 4,99% nos vencimentos dos deputados, passando estes de 9.803.084 € para 10.293.000,00 €. Mais estranho ainda é a verba relativa aos subsídios de férias de natal que, relativamente ao orçamento para o ano de 2013, beneficia de um aumento de 91,8%, passando, portanto, de 1.017.270,00 € no orçamento relativo a 2013 para 1.951.376,00 € no orçamento para 2014 (são 934.106,00 € a mais em relação ao ano anterior!).

Este brutal aumento não tem mesmo qualquer explicação racional, ainda assim fomos consultar a respectiva legislação para ver a sua fórmula de cálculo e não vimos nenhuma alteração legal desde o ano de 2004, pelo que não conseguimos mesmo saber as causa e explicação para tanto. Basta ir ao respectivo documento do orçamento da Assembleia da República para 2014 e, no capítulo das despesas, tomar atenção à rubrica  01.01.14,  está lá para se ver. Já as despesas totais com remunerações certas e permanentes com a totalidade do pessoal, ou seja, os deputados, assistentes, secretárias e demais assessores, ao serviço da Assembleia da República aumentam 5,4%, somando o total € 44.484,054. Os partidos políticos também vão receber em 2014, a título de subvenção política e para campanhas eleitorais o montante de € 18.261.459,00.

::::::

Os grupos parlamentares ainda recebem uma subvenção própria de 880.081,00 €, sendo a subvenção só para despesas de telefone e telemóveis a quantia de 200.945,00 €. É ver e espantar...! Paga Zé! Para quem quiser confirmar, basta consultar e comparar o D.R., 1.ª Série, n.º 222, de 16/11/2012  (relativo ao orçamento de 2013) com D.R., 1.ª Série, n.º226, de 21/11/2013  (onde está o orçamento de 2014). Consultem a rubrica "despesas correntes", que se encontra na segunda página dos documentos destes links. Quando o povo português, da extrema-esquerda à direita, (não há extrema direita em Portugal, pois a Constituição proíbe), fazem das tripas coração para sobreviver, estes burlões, intrujões, chupistas, vigaristas, com assento parlamentar, legislam a seu belo prazer e claro em benefício próprio!

 A média estão calados que nem ratos, pois podem perder o emprego! Foi preciso ser publicado, como manda a lei, no Diário da República, para o "povão" tomar conhecimento desta chulice!  Alguma TV comentou este escândalo? Algum jornal pegou em caixa este assunto? Não, ninguém! Que os partidos ditos de direita (PSD, CDS/PP REACCIONÁRIOS) deixassem passar esta lei...até entendia, pois estão tão habituados a coçar para dentro!  Agora o Partido Socialista e mais a esquerda parlamentar (PCP, BE, VERDES) não se manifestarem contra este escândalo, é simplesmente inacreditável! Aqui fica o testemunho real da  «porca politica»  que temos, e de todos os ABUTRES que por cima dela sobrevoam, da esquerda à direita... Grande exemplo!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Sábado, 4 de Janeiro de 2014
MOKANDA DA LUUA . XX

ANGOLA A MUTOPA DO SECULO KINJONGO

Por

  Dy – Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

Pirilampo entrou a correr desenfreado no kimbo do século Kinjongo como se tivesse dado de caras com uma Kazumbi ao atravessar o rio Capitão, zona mal afamada onde constava que volta e meia as almas penadas em grande abundância infernizavam as noites. Os gritos entrecortados com soluços engasgados alvoroçaram o pessoal das cubatas que deveriam ouvir-se lá para os lados do Santo António. O meu amigo Pirilampo estava literalmente siderado. As pupilas negras pareciam dois mirangolos maduros e o branco dos olhos duplicara, as lágrimas abundantes desciam em cascata pelas faces negras misturando-se com o muco opalino que teimava em escorrer das narinas. As primeiras varejeiras já começavam a esvoaçar em redor da cara lacrimejante do Pirilampo antevendo uma refeição fluida. A Josefina que moía grão no pilão, parou a sua actividade e o Elias Linguiça libertou-se da sua mangonha habitual, ambos com uma curiosidade reticente. O velho século Kinjongo nem se mexeu da cadeira manca de assento em pele de boi. A mutopa jazia indolente entalada na boca caboba, deixando escapar do fornilho um fumo indelével que atravessava as faces rugosas perdendo-se nos olhos semi-cerrados do velho século.

 - Eu vai morrer tia, eu vai morrer mesmo, gritava o Pirilampo. – Todo o mundo vai morrer, Surucucu te picou, ou quê? – Comentou fleumático o mangonheiro Linguiça. - Vai morrer mesmo, vai morrer mesmo Elias. – A voz sumida do meu amigo situava-o já às portas do céu. Tudo começara com uma caçada aos cardeais que pejavam um charco das redondezas. Depois de muita fisgada sem sucesso, pois as aves escarlates resguardavam-se com esperteza no canavial, resolvemos seguir em direcção ao solar da Prima Rosa onde abundavam T´chiricuátas, Tentenas, Bicos-de-lacre e outra caça mais acessível. Caminhávamos descalços pelo carreiro evitando com destreza as makutas e o feijão maluco, quando uma sombra pairou por segundos sobre a cabeça do Pirilampo numa espécie de mini eclipse, perdendo-se em seguida em direcção à serra. O meu amigo negro ficou cinzento quando viu que a enorme águia que descrevia círculos planando na imensidão dos céus e a que chamávamos Manta, fora esta a causadora do sucedido.  

 Rezava a lenda que numa situação destas o atingido por esta sombra malévola da dita Manta deixaria sem apelo nem agravo este mundo numa questão de dias, e os candengues mais velhos passavam a vida a avisar-nos deste perigo eminente. Esclarecida a tia Josefina, o Linguiça e o século Kinjongo de tão grande desgraça, o Elias alvitrou que talvez não fosse má ideia fazer um Zumbi para salvar o Pirilampo dos quintos do inferno. Esta sugestão não era de modo algum inocente, pois tal cerimónia significava que uns bons litros de Macau, umas garrafas de vinho Royal e o abate de um dos bois do Kinjongo podiam abalar a pacatez chata do Kimbo e melhorar o habitual menu de pirão e esparregado de Lombi. Nos olhos do meu companheiro de caça acendeu-se uma luzinha de esperança e manifestou a sua gratidão ao mangonheiro com sucessivos – Muito obrigado tio, muito obrigado tio. Com as costas da mão deslocou metade do ranho para a bochecha direita e outra metade para esquerda. Foi então que o século Kinjongo abandonou o seu estado aparentemente cataléptico, tirou a mutopa dos beiços carmíneos e chamou o Pirilampo, que respeitosamente se aproximou dele com as mãos inquietas esfregando uma na outra e o olhar cabisbaixo de um garrote pronto para o matadouro.

 O século passou-lhe o cachimbo mutopa para as mãos e ordenou-lhe que inspirasse a maconha com força durante uns dez minutos que quase certo se libertaria de tão terrível maldição. Acho que o Pirilampo andou tonto durante uns dias com o milongo do Kinjongo mas graças a Deus continuou vivinho da silva acompanhando-me nas caçadas aos cardeais. O Linguiça, falhada a tentativa de um forró, voltou a hibernar na sua esteira de caniço espalmado. Relativamente à Josefina, à falta de melhor, lá ia cozinhando na sua panela de barro negro pirão de massango e esparregado de Lombi. Quanto a mim, ainda hoje quando vejo um passaroco de dimensões invulgares a planar nos céus deste mundo, apresso-me a esconder-me no alpendre mais próximo, é que aqui na terra dos brancos não há daquela maconha milagrosa que fumegava na mutopa do século Kinjongo.

Reis Vissapa

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:31
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Sexta-feira, 3 de Janeiro de 2014
XICULULU . XLII

DOIS DEDOS DE PALESTRA . Tempos de pagode . III

Por

  T´Chingange

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Meu avô Loureiro aprendeu a tocar violão com um madraço forrozeiro de nome Géninho. Comprou um violão em segunda mão e levava as horas vagas praticando os ritmos quentes; cada dia dedilhava melhor seu instrumento e, neste meu sonho hipnótico crepuscular ele já dominava o meio do pagode cantando modinhas como um qualquer brasileiro daquele abarracado de mukifos de bairro subindo para o morro e na forma de favela.  Mariquinhas, sua donzela de horas extras surgia inesperadamente e, a cada verso que vinha de meu avô, da boca da mulata era um arrulhar choroso de pomba com cio. António Loureiro, bêbado de volúpia enroscava-se todo em seu violão, ganindo, guinchando, miando; ele e violão gemiam ao mesmo gosto com todas as vozes de bichos sensuais penetrando o tutano como finíssimas línguas de cobra.

 No meio desta calaçaria eis que surge Dona Constância mãe de Mariquinhas chispando diabos, cobras e lagartos para cima do gaiteiro Loureiro, sua Mariquinhas estava prenha e, isso não podia ficar só assim. Após este embate o “Louro” Loureiro suavizou a gorda senhora e, nos dias que se seguiram, meteu o pau na vida umbigando-se entre quatro paredes dum despintado sobradinho. Loureiro que passou a ser conhecido por Louro Galego passou a ser muito solicitado nas muitas festas dançantes, nesta actividade de pagode ganhava uns cobres extras. Com ele, o samba, o bolero e valsas, não tomavam fôlego; a música, noite adentro, quadrilhas juninas, moças madraços e meninas dançando com muito riso.

 Louro Galego, todo ele estava um mestre de calaçaria, lascado de perdido nas noitadas de forró. Meu avô, de homem bem apessoado, foi-se transfigurando num galeto em vinha d´alhos, chupado de alento, tanto apego a tanto forró. Um dia e em surdina, comprou um bilhete no transatlântico Alcântara da Royal mail Line largando tudo só com a roupa do corpo fugindo franzino e pesaroso; com lágrimas salpicando-lhe as rugas fugia tísico largando a Deus suas duas filhas para tentar salvar-se nos ares puros de entre a encosta da serra da Estrela e Caramulo. Ao falar de Coisas próprias torno-me mais verdadeiro; uma estória como tantas que não acaba ainda porque, o mundo gira à margem destas vulgaridades.  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:23
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Quinta-feira, 2 de Janeiro de 2014
A CHUVA E O BOM TEMPO . XLII

SOPRAR SINZAS  – Salada de buzinas

Por

soba.jpg T´Chingange

Balouçando preguiça em uma rede segura a dois pilares de minha casa, leio no jornal os escândalos do dia a dia e do ano findo com muitos comentários, palpites fabricados de desgraças, intermediando sucumbidas tristezas daquelas que já trazem no canto inferior esquerdo um código de barras, traços finos e grossos dispostos na vertical e espaçados aparentemente de forma aleatória. Os dias e anos repetem-se gregóriamente num formigueiro de bilhões de seres que ora suspiram felicidade, ora lançam mugidos lúgubres arranhando-se em múltiplas tarefas de comprar ou vender coisas próprias ou alheias.

 Muitos, pacientemente, ululam como cães esperando seus donos, ressacando lágrimas entre dunas dum deserto ou a soleiras graníticas de suas portas, gemendo fados de além-mar; outros esbanjando dinheiro pelo tubo ladrão, sem arrelias por abandono de pobres criatura. Enquanto isto, os governos dão pela TV estatísticas optimistas de que tudo vai mudar para melhor, cada qual com casa própria e bolsa família embebidos no seu prazer de agradar às direitas, ao centro e à esquerda do verbo subsidiar, tornando todos muito iguais, tirando a cada qual o ânimo ou apetência a serem empresários, patrões empreendedores; vulgarizando em suma a condição de cidadão.

 Querendo ficar um pouco alheio àquela fornalha de soprar cinza em nossos olhos, ontem dispus-me a fazer em casa de casal amigo, uma salada de buzinas, coisa de que há muito não provava. Fiz uma vinagreta com cebola, alho, tomate, salsa e coentros picados, vinagre e sal quanto baste; gradualmente fui adicionando azeite de oliva do Alentejo mexendo tudo com os pequenos pedaços de búzio cortados e, previamente cozidos na panela de pressão. Sem ventos de Sião ou Siroco, só com a brisa do mar, vento de bolina, para nos preencher o gozo de tal iguaria ao pitéu apurado a jindungo; feijocas com búzios, carne de charque, chouriço da beira e alguma linguiça da Calábria, tudo regado a tinto seco do Dão.

T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:09
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Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014
KWANGIADES . XIV

UNDENGE AMI MU MOAMBA! Versos avulso prensados em texto

Por

Jose Santos.jpg José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco.

Undenge ami mu Moamba! Ngana NZambi, sabe que sou pessoa boa, que na infância, na adolescência e na adulta (parte) sempre se comportou com decência de dia e de noite com o seu semelhante nas terras dos Axiluandas.Também na antiga terra de Navegadores, hoje terra da Troika humilhada a toda a hora, que castiga mais os que vivem na “corda bamba” por uma nomenculatuta que viveu num mar rosas sob o toque da harmónica, iludindo tudo e todos com fa-ciladas, tudo adquirir, conseguir numa boa onda…

 Agora o chão desta terra, sente-se pisado por milhares, galopantemente…, mostrando contestação, porque vêem no dia a dia a sua vida decrescer muito castigada com cortes nos rendimentos, aumento do custo de vida persistente, porque que não vislumbra melhores dias neste país que está a perder graça, desaparecer…Oh! Angola, Loanda, Bengo, Maianga…! Tambula conta! Lelu, não me enrolo em esteiras feitas de maka…, esses mambo que afastam manos, kamba bangando cumbú, delírio na kubata…

Mutu malembelembe, ku abuama bué camuelo o kusala uembu… Oh! Se Ngana NZambi assim O desejar… caminharei para Sekulu com as minhas falas, no colo com o Kimbundu, com o linguajar que são kubata na minha alma, meu lugar de pétalas… Tudo calquei com papel químico… porque a minha impressora deu lhe o “fanico”; queria ter muitas folhas iguais para voarem, assim como ver muitos papagaios merengarem. Naquele Koiilo do Rio Seco da Maianga, do Kimbundu, que fizemos com cola de fuba e lançamos no antigamente.

Água do Bengo: ditado muito antigo, em que se dizia que quem bebe-se a água do seu rio, fica enfeitiçado por Luanda…Angola para sempre; Kwangiades: - Ninfas do Kwamza, musas ou kiandas.

GLOSSÁRIO:Dibanda – fortuna; Kandandu/Ndandu – abraços/o; Kianda – sereia; Kiavulu – muito; Kibabu – afago; Kitují – Outubro; Kisakidilu – agradecimento; Kiximanu ami – minha homenagem; Koiilo – Céu; Kulendukilaku – humilde; Makóiu - bênção; Malembelembe – muito devagar, com cautela; Mazanga –cidade; Mindele-iamala – homens importantes; Mukonda uala Lusangelu – porque é aparentação…; Múkua –fruto do embondeiro; Muenhu – vida; Mundele – branco; Mona – filhos (pequenos); Mutu – pessoa (eu); Mutu malembelembe ku abuama bué camuelo o kusaka uembu – pessoa caminha devagar, com cautela espantando invejosos, o que não é generoso, peneirando concórdia…; Nga! Sakidilá! - Obrigado!; Ngana NZambi – Senhor, Deus; Uakidi - verdadeiro/a; Ukamba - amizade

soba.jpg As ecolhas do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:07
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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