FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
“DOS JESUITAS AOS TUBARÕES” . 1
Por
Para Meu pai, em algum lugar lá em cima; Minha mãe, sempre presente; Meu filho Isaías, em algum lugar deste universo; Meus netos Rubens e Patrícia; Meus bisnetos; Ao Brasil, que tão bem me acolheu.
INTRODUÇÃO
Resolvi escrever este livro, por uma questão de consciência. Falo há tantos anos que vou fazer um livro das coisas que aconteceram mas, muitas das quais já esqueci. Não que ache que sou um escritor, sou mais um contador de histórias. Escrevo como falo. As partes são misturadas, encontrando-se entre si... volta e vão, retorcem a filosófica vida entre entusiasmo e o desespero. Uso muitas referências, como nomes e datas. Muitas coisas já não me lembram; simplesmente esqueceram-se de mim. Mas quero deixar este testemunho, de como as coisas eram... no meu tempo, nem tão longe, assim como pode parecer. Cada facto é verdadeiro e olhem...que muita coisa, eu não falo, ou não poso falar, para não magoar ou machucar alguém ou ninguém. No começo resolvi falar dos meus amigos e conhecidos, mas vi que iria dar muito problema, pois muitos ainda vivem... então, resolvi ter boca de sirí. Vamos aos factos...
Saí daqui menino
MINHA INFÂNCIA E OS JESUITAS
Nasci na casa de minha avó Ana Raeymaeckers no meio de um bombardeio alemão em 1943. Foi um bombardeio de bombas V1. Era na Lange Lozannastraat 154-156, em Antuérpia. Nasci com o nome Roeland Emiel AnaMaria Guido Steylaerts, em 24 de Dezembro, véspera de Natal. Quando tinha dois anos, em 1945, a guerra acabou. Em 1949, com seis anos fui para uma escola de freiras, onde aprendi as primeiras letras, em pequenos quadros de lousa. Em 1950 aos sete anos fui inscrito no Xaverius College, em Borgerhout, Antuérpia, um dos melhores da região, administrado pelos temíveis padres jesuítas. Morávamos quase em frente, na Rivierenlaan, 24. Eles, doutrinavam a fundo nossas mentes. Até que em 19 de Maio 1955 tive minha Sagrada Comunhão. Considerava-me um menino Santo, crente em Deus, obediente às ordem dos padres ou da igreja. Vivia feliz, brincando, andando de bicicleta, ou conhecendo a redondeza com os amigos. Era um menino como outro qualquer.
Movimento de tropas (1943)
Aos fins-de-semana, eu com meus pais e irmão costumávamos sair em passeio pelos campos. Quando havia algum sol, coisa rara no país, íamos para a praia, normalmente, Blankenberghe. Por vezes espaçadas, íamos para outros lugares, como a Valónia no sul do país; quando havia muita chuva (e, como chove na Bélgica) escolhíamos ir a um qualquer museu. Quase nunca ficávamos em casa nos fins-de-semana. Conheci sempre coisas diferentes. Em 1959, estando eu com 14 anos, levei uma tapa na cara de um padre no Sint Bergmans college em Antuérpia. E, tudo isso porque dei uma risada, nem sei bem do porquê! Foi na frente de toda a classe e senti muita vergonha. Desde então odiei não só aquela peste de padres como toda e qualquer religião vinculada a párocos de batina e chapéu negro de três bicos. Foi daí que comecei a estudar por minha própria conta, buscando literatura sobre o tema, filosofar com outros sobre o que era a religião, seus mistérios e intrincados labirintos de desconhecidas coisas do espírito
(Continua...)
Compilado com ligeiras correcções ortográficas ao texto original por
O Soba T´Chingange
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