E, um tal fabricante de arco-íris
Tive o prazer de conhecer este cidadão do mundo, Agualusa o escritor mentiroso profissional, em Lagoa do Algarve. Troquei umas palavras numa assembleia de leitores na biblioteca local. De empatia expontânea ia explicando a uma leitora de enamorada curiosidade a fala da osga, um romance curioso em que as lagartichas têm suspiros, grasnam e até parece que falam. A leitura fluída e absorvente dos romances de Agualusa fazem rir a um qualquer leitor; gracioso, envolve-nos em aventuras engraçadas.
De terra em terra dá-nos uma visão da globália com gesta lusa; ora no Brasil, ora no Puto, em Angola, Moçambique ou
Desta feita, dei de novo a volta por sítios conhecidos de Luanda até Benguela passando por Kanjala e, cruzando o Namibe e Calahári, relembrei Cape Town, a Costa do Ouro da África do Sul e Moçambique na antiga T´chilinguine, a nova Maputo.
“As mulheres do meu pai” já no final tem um encontro com um tal Moram que tinha no seu quintal artefactos curiosos e, é da seguinte forma:
“No Cazenga, enquanto nos despediamos de Arquimedes Moram, perguntei-lhe para que serviam as estranhas máquinas abandonadas no quintal.
- Sonhos - retorquira. - Velhos sonhos ferrugentos.
(...) Disse-me que havia inventado uma máquina capaz de produzir arco-íris. A referida máquina, assegurou-nos, tinha capacidade para produzir não apenas arco-íris normais mas também duplos e triplos, e até alguns invertidos ou enrolados nas pontas. A estes últimos deu o nome de «arco-íris perversos», (...)
Arquimedes Moram acreditava que a sua máquina poderia transformar-se num estraordinário divertimento público, superando inclusive o interesse pelos fogos de artifício. (...) Terminou o último protótipo quando lhe entrou pela casa um grupo de agentes da segurança de Esatado. Um vizinho denunciara-o. Segundo o vizinho, um cidadão americano, provável agente da CIA, vinha construindo no quintal estranhos aparelhos destinados a comunicar com o inimigo. Moram foi imediatamente algemado e conduzido à prisão de São Paulo (Luanda).”
Mandume entra nesta estória, ... Era um companheiro de viagem numa carro fantasma cujo pneu furou um pouco para lá da Kanjala; substituiram o ar com palha até chegar ao Bocoio, a caminho do Lobito. Coisa de desenrasca que só um Kaluanda tem no seu ADN. Comigo também sucedeu algo parecido em 2005 num carro completamente cego, sem travões atrás e, que só foi possivel ir até o Alto Liro no Lobito. Depois do camarada Bien pagar uma gasoza ao cipaio-polícia, autoridade cheio de banga no trage e prepotência na postura., lá seguimos para casa do amigo Amor de benguela.
Mas, a estória de Agualuza continua com Mandume a perguntar:
“- E as máquinas?(...) - Essas máquinas, realmente funcionam? Nunca pensou em recuperá-las?
Arquimedes Moram olhou-o enfastiado:
- Já vos disse, também os sonhos não resistem à ferrugem. Entretanto envelheci. Compreendi o óbvio. A verdadeira beleza não se pode aprisionar, não se repete, e não se prevê. Um arco-íris será belo enquanto permanecer indomável.”
Esta máquina foi vendida posteriormente a um Açoreano morador na Vila de Água de Pau. Soube que a pintou num amarelo fosforecente. Tive oportunidade de vêr um fantástico arco-íris saído do quintal de Aristides em círculo até morrer no mar; foi o fenómeno mais fantástico daquelas festas Juninas.
Não sei se registaram a patente ou se continua um invento pirata!
Um admirador do Agualuza desde União dos Palmares, Alagoas, Brasil
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