FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
Luandino Vieira e o Livro dos Rios
Desconsegui passar a página vinte e dois do novo livro de Luandino “de Rios velhos e guerrilheiros” para passar a presente crónica ao Kimbo. Aproveitando a onda de sapiência Coimbrã desanoiteci num dia claro como quando Deus fez o mundo, creio.
Guerrilheiros novos do Puto salpicaram palavras com bandeiras ondulantes e discursos junto ao velho rio Mondego. Também aqui com linguas de catana cortaram o romantismo revolucionário na busca do poder, perpectuando o mando num tempo que requer mudança para que os homens prosperem sem vícios e malvadez; sem enganos na escolha das virtudes. Têm de haver um mundo diferente, fazer dos sonhos uma terra de ventura; irradicar a utopia, a pobreza mais a havareza.
Já dia aberto, vislumbro o céu claro para lá da colina da saudade, os telhados cobrindo a brancura do caserio e o rio Mondego entre moscas volantes da minha própria visão; manchas disformes perturbando a visão dum quase velho remador de outros rios chamados de Kwanza, Cuvo ou Lucala.
Passamos agora às visões escritas do Luandino, um amigo que só conheço das vivências, dos mambos do quintal de sonhos e, como uma colherada de mata-bicho aqui reproduzo uma pequeno extrato sem prévio consentimento:
“...Eu Kene Vua, guerrilheiro, digo mais
...Digo mais: também eu, sou um rio.
Conheci rios: rios antigos, jimbumbas (tatuagens) na pele da terra angolense, cicatrizes que nascem eterno sangue, uma água cega. E rios novos, rios de águas dormidas, lágrimas acordadas a tiro e catanada. Rios amigos quando ainda as matas eram nossas. Agora minha alma esconde funda como esses rios – já pendurei no pau de chora-sangue do Kialelu aquele, o do sangue sujo, o sapador Batuloza; e vou ver sempre voar as borboletas das palmas das mãos de meu companheiro Soto, fuzilado a tiro corrido, quilunzeado (morto a tiro). Até o carcamano Makenze quis ainda ser menino-jesus no colo do meu peito, o caminho daquele homem na hora da morte: o njila ia diiala mu´alunga ( O caminho do homem na morte... )... “
Estes escritos são monumentos de ferro aos senhores poderosos, os donos dos choros dos outros; são Kiandas vuzumunando vidas como a do mais-velho Kota Januário Pieter com quem me irei encontrar nos próximos tempos. O homem que voa e anda em manso-pé como hiena, por picadas, matas e muxitos, que nunca morre.
O soba T´chingange
RECORDAÇÔES ANGOLA
fogareiro da catumbela
aerograma
NAÇÃO OVIBUNDU
ANGOLA - OS MEUS PONTOS DE VISTA
NGOLA KIMBO
KIMANGOLA
ANGOLA - BRASIL
KITANDA
ANGOLA MEDUSAS
morrodamaianga
NOTICIAS ANGOLA (Tempo Real)
PÁGINA UM
PULULU
BIMBE
COMPILAÇÃO DE FOTOS
MOÇAMBIQUE
MUKANDAS DO MONTE ESTORIL
À MARGEM
PENSAR E FALAR ANGOLA
