Sexta-feira, 26 de Maio de 2017
CAFUFUILA . CXXIII

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO – 19ª parte
Kiandas e calungas! E foi nesta "Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe" da ilha dos Frades, que encontrei vestígios das Sereias Kiandas Roxo e Oxor. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…
Por

soba0.jpegT´Chingange

Como a sombra, a história tem obscuridades que enganam os escribas e gente dada à escrita mas, eis que vasculhando escritos mofados, roídos e muito deteriorados da Torre do N´Zombo deparo com duas Aqualtunes sendo uma falsa; Eram disfarces provocados pelos negreiros para lançar a confusão entre os próprios escravos e, afim de lhes não ser prestada vassalagem lá para as terras desse mundo novo, desconhecido.

ilhao1.jpg Foi já dito que havia rivalidade entre os holandeses (mafulos) e os portugueses baseada na disputa pela aquisição dos mesmos escravos mas, a seu modo, podiam manter segredo sobre suas peças humanas. Seus segredos eram a sua alma dum negócio que valia ouro, que enriquecia a corte do M´Puto e muitos cidadãos de várias nacionalidades; estes tinham frotas de caravelas e até vergantins com bocas de fogo que davam protecção a estes durante a travessia do mar profundo.

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Pois, esgaravatando na estória, sabe-se agora que a verdadeira Aqualtune era uma outra mulher também ela princesa de um outro reino mais a norte de N´Dongo. A mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares era filha do rei do Congo. Esta Barbara da Silva de N´Gola acaba por morrer na ilha da engorda, a ilha dos Frades ao largo da costa brasileira, no centro da bahía de Todos os Santos, ou de São Salvador da Bahia. E, esta ilha é assim chamada porque nela foram assassinados dois frades pelos Tupinambás, os quais pretendiam catequizar. Foi o que se fez constar!
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Mas, sucede que também estas mortes foram encomendadas pelo senhor negreiro Jeremias T´Chitunda. Em verdade as peças humanas sublevaram-se ao saber que a princesa Barbara da Silva de N´Gola ali estava entre eles. E, porque foram estes frades que deram a conhecer tal facto, a morte foi um arranjinho que ainda hoje, nos surge bem estranho. E foram os Tupinambás que às ordens de Jeremias T´Chitunda e através dum milongo estranho fizeram a princesa definhar numa morte aparentemente normal.

ilha8.jpg Só assim, e depois desta naturalidade falseada, eles, os escravos, começaram a ter condições para serem apresentados aos compradores no lugar de Porto de Galinhas pelos coronéis das roças. Isto, parecendo ser, pode não o ser, pois que se apresenta como uma nuvem de cacimbo lendário e, dizer a veracidade no meio de tanto borrão escrito, é um pouco difícil de afiançar! Em verdade sabe-se que era aquela a ilha da engorda.

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Os escravos de N´Gola, simplesmente queriam morrer até que fossem dadas condições à sua nobre patrícia! Bem difícil de acreditar nos dias que correm e, aonde esse brilho de heroicidade se esconde no temor da morte! Hoje, isso é prática de muçulmanos fanáticos que se fazem explodir ou emplodir lançando carnes ao vento, o mesmo vento que os fará sultões ou gente monhé de mustafagem.
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Os escritos consultados foram gatafunhados por um tal de Barão de Loreto que ali permaneceu entre 1836 e 1906; Um personagem política da época do Império e dado a costumeiras corruptelas, coisa endémica, quase doença dos brasileiros que apreenderam tudo de mal dos Tugas. Na tradição oral nativa conta-se que, durante décadas, a ilha dos Frades foi dominada por um fazendeiro denominado Gabriel Viana e, que ao estilo dos "coronéis" dos tempos da República Velha, agia como um verdadeiro senhor feudal.

ilha7.jpg Por hábito, ele decidia sem mais quê nem porquê sobre a vida e a morte dos moradores; ora sendo um benfeitor da comunidade local, através de práticas assistencialistas, ora sendo um dominador autoritário fazia tudo a seu belo prazer. Em visita a esta ilha ainda pude ver um antigo casarão e de uma igreja remontando ao século XVII, que está completamente arruinada. Foi de lá que retirei algumas sebentas furadas por ratos transladadas para a Torre de N´Zombo do Kimbo e, deles retirei os duvidosos apontamentos entre muitos números de cifrões. 

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E foi nesta "Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe", que encontrei vestígios das Sereias Kiandas Roxo e Oxor. As mesmas que mais tarde avistei em Guaxuma, lá mais a Norte de Maceió. Conversando neste então com os moradores dali soube das andanças destas kiandas. Dizem que vinha agarradas aos cascos das naus do senhor Jeremias T´Chitunda. Actualmente ainda por lá se encontram cerca de cinquenta e cinco cinco pessoas.
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Foi entre estas parcas barracas que botando conversa com o velho Rufino Adamastor fiquei a saber que não só por ali passaram as kiandas Roxo e Oxor como também durante algum tempo por ali se manteve um tal de Zé Peixe, o mesmíssimo homem que nunca se lavou com água doce e que mais tarde se mudou para Aracaju de Sergipe. Este Senhor mais-velho Rufino apresentava-se com umas barba branca e laivos amarelos de tanto fumar charutos tipo cubano.

ilha6.jpg A pedido do velho Rufino Adamastor visitei a "Igreja de Nossa Senhora do Loreto" e um casarão centenário, ambos recentemente reformados e, agradeci a esta Nossa Senhora o ter-me guiado pelas terras tão dispares por onde andaram gentes feitas animais e conduzidas como gado entre luxuriantes verduras. Só podemos imaginar o que teria sido isto em esses idos tempos medievais. O curioso é o de que a Kianda Roxo, não se lembra disto; só podia mesmo ser sua alma, sempre em Assunção ou Asccensão ...zé peixe0.jpg Durante minha permanência naquela ilha dos Frades fui ao cemitério com cruzes abandonadas e dizeres surrados no tempo, pedras raspadas pelo vento. Quem poderia dizer ter sido ali um entreposto comercial de negros escravos de N´Gola e N´Dongo com suas belas paisagens, praias paradisíacas, lagos, cachoeiras, montanhas e coqueirais; uma vegetação típica da Mata Atlântica, com árvores nativas, incluindo o pau-brasil. 

(Continua… De novo iremos a Massangano…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:34
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Quarta-feira, 19 de Abril de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXII

O VAZIO - 19.04.2017 - Sem o zero não é possível contar… Nós retornados e afins, fomos um zero…

Por     

t´chingange.jpeg T´Chingange - (Otchingandji)

Hoje um homem lançava ao mar uma rede; rodava o corpo dando impulso àquela coisa que abriu em círculo caindo na água. Era um cardume que passava. Em tempos também fui peixe e fui agarrado já bem crescido numa rede mais completa e complexa a que deram o nome de “descolonização”; comigo apanharam mais milhares com mulher e filhos. Foi nisto que pensei e reflecti: -Tenho de ser visto e respeitado como angolano porque simplesmente já existia antes de Angola nascer; esta que agora conhecemos.

mokanda1.jpg Já com trinta anos feitos, com mulher e filhos fomos assim apanhados numa rede e, como contrabando fomos atirados para vários lados sem nos dizerem que eramos escravos modernos, moeda de troca entre vermelhos e azuis; que sem algemas nem canga, despojados de tudo, venderam-nos ao desbarato a contento de uns quantos países e muita gente que dizia ámen. Gente civilizada, família até! Apanhados inocentes também nos juntaram em cardume.

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E, veio um enorme vazio! Com isto fomos obrigados a ganhar consciência sábia de entender o VAZIO da verdade – o VAZIO das pessoas! Mas e sempre há um mas, a chuva por mais forte que o seja não tira as manchas da vaca, da chita, do mabeco ou zebra e, de nós próprios feitos peixes escamudos ou enguias; ou ainda os peixes boi do mundo, um gracioso mas feio golfinho!

mokanda2.jpg E afinal, o mundo continua igual como sempre parece ter sido. A isto de comportamentos, ideologias com geoestratégia podemos comparar uma arte, manhosa, mas arte! Tudo é assim como um escultor que retira ou acresce o que lhe aprouver; pode aqui ver-se a verdade no VAZIO com um acrescento de uma vontade. Surge assim uma linda, feia ou macabra obra enaltecida por uns e amargada por outros.

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E, faça um esforço para gostar de algo e verá que o inútil objecto, uma inútil pedra por exemplo, lhe vai parecer importante. Trabalhe essa pedra ou junte muitas empilhando-as ou estendendo-as. Juntou! Espalhou! Assim neste estágio se olhar tudo com cuidado e, mesmo sendo difícil de perceber poderá sentir que algo existe.

dom01.jpg Pois então! O VAZIO é muito importante pois, quando tentamos analisar a natureza real de qualquer fenómeno em particular, mais à lupa, veremos que ela, a natureza real é o VAZIO. Sei que está a fundir sua cuca mas, pense bem: - É possível sim, pensar que o VAZIO, existe! Que sem um zero é impossível contar (nós retornados fomos esse zero…)…

 O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:21
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXXII

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 18ª parte

 Kiandas e calungas com alguma ficção! O tempo, na mística espiritual de N´Gola vem de MUNTU, que significa homem em língua Bantu! A história do povo Bantu só começou a ser decifrada a partir do século XIX. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

cafu32.jpg Como a sombra, a história dos novos donos de África, ainda sobrevive e se reproduz fantasmagoricamente, nos seus sempre novos poderes; os mesmos que que eles próprios instituíram como vigentes para conduzir seus novos escravos, seu povo preto. E, este povo está disseminado por N´Gola com vários grupos tais como os Bakongos, Lunda-Ckokwel, M´bundu, Ovibundu, Ambós e, outro pequenos subgrupos. Pelo que se observa o branco sempre estará desconsiderado como uma excrescência em sua  história, um erro crasso que os vai fazer retroceder até um futuro visto no passado; uma perfeita miragem.

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E, foi entre a bacia do rio Kwanza e do Rio N´Zaire que se desenvolveram as etnias preponderantes do reino, os Manikongos com Matamba e N´Gola destacando-se entre eles outros reinos tais como N´Goyo, Kakongo e Luango situados a norte do estuário do N´Zaire e, o reino de n´Dongo que incluía quase toda a parte central de Angola e de ambos os lados o rio Kwanza, o verdadeiro Rio da Identidade de N´Gola.

cafu15.jpg Falar das kiandas é uma necessária superstição para encaixar as surtidas febris de contos, mussendos e missossos que os mais velhos iam contando aos jovens que apreendiam o que a imaginação depois forjava, sempre muito cheia de engravidadas inverdades com outras carregadas a canhangulos de guerra. Nessas estórias de pubeiros sobrepõe-se a do grande jaga N´Gola Quitumba com a ajuda de Quitequi Cabenguela de quem com orgulho falam os  N´Zingas.

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Nessas guerras de invasões, os sobas dos reinos dominantes iniciaram uma série de revoltas. As mais importantes ocorreram nos sobados da Kissama e dos Dembos por protegerem os grupos de escravos fugidos de n´Dongo da Matamba, do Kongo, de Kassanje do Kuvale e de todo o planalto central de Angola. A extensa capitânia de Paulo Dias De Novais vivia em permanente convulsão! Depois de muitas batalhas com os Tugas, do lado do Rei do Kongo e, com grande dificuldade lá conseguiram eliminar o carismático Bula Matadi.

cafu14.jpg Esta descrição de forma sucinta tem o fim de dar a entender o turbilhão de reinos e sobas e os interesses que moviam os Tugas e mais tarde os Mafulos. Teremos de fazer um interregno à estória pitoresca das kiandas do Kwanza, ora kwangiades, para entender esse turbulento tempo. Convém referir que Paulo Dias de Novais esteve preso durante cinco anos no lugar de Kabassa (sendo verdade, até parece lenda!). Depois de solto, voltou ao m´Puto e dali retornou mais tarde com uma armada mais poderosa instalando-se em Luanda aonde construiu a fortaleza de São Miguel nessa então São Paulo de Assunção de Loanda.

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Os reinos de n´Dongo foram enfraquecendo e quase abandonaram a luta depois da morte do seu Rei N´Gola Kilwanje Kia Samba. Assim os Tugas puderam instalar-se em Muxima, Massangano e Kambambe aonde foram construídos fortes. Tribos e chefes, sujeitaram-se a pagar tributos ou fornecendo escravos aos capitães do m´Puto mas, outros houve que continuaram a lutar refugiando-se nas protegidas ilhas do Rio Kwanza.

cafu35.jpg Voltando a Massangano, terei que adicionar ao que se sabe das lendas, que houve muitas contrariedades e, como tal, uma derrota com o mesmo n’Gola Kilwanje já aqui citado. Isto aconteceu em uma batalha no ano de 1582 em que a forte resistência obrigou à construção do forte de Massangano no ano de 1583. Não obstante, não impediu que as forças da rainha n’Zinga o atacassem, em 1640 que, apesar do saldo negativo pelo aprisionamento das suas duas irmãs Kambu e Funji, que levou a que esta última fosse executada.

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De fazer notar que do lado de fora dessas fortificações se realizavam feiras de compras e vendas de escravos. Estas feiras estavam coordenadas pelo pai da Kianda Roxo, Morgan Tsvangirai. A ele, se devem as posturas de trato comercial e da recolha dum percentual na venda individual ou lotes de peças; diga-se em verdade que era um homem bem experiente nesta labuta e trato de escravos… Custa-me agora dizer isto mas ela, a Kianda Roxo, de nada se lembra desses etéreos tempos; ainda bem! Talvez por isso e agora, ela a Kianda viva, seja tão generosa nas palavras e tão comedida nas periclitãncias…

cafu34.jpg N´Zinga m´Bandi foi o maior símbolo de resistência. Esta rainha para além da resistência contra os Tugas de então, conseguiu aliar os povos já mencionados de, entre os Rios n´Zaire e Kwanza. Foi a 6 de Setembro de 1683 que n´Zinga aceitou vassalagem obedecendo a oito condições estipuladas por João da Silva e Sousa, Governador e Capitão-General. E, tudo foi elaborado ou aceite pelos protectores da soberania tribal. Como em tudo a ambição cega a visão por usura de alguém que detém o sim e o não ou uma incipiente matumbice….

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A Rainha n´Zinga é assim obrigada a não impedir os pombeiros de chegarem ao sertão africano e também não impedir àqueles em sua actividade comercial com os potentados do reino do Songo, Quiacar, Punamujinga, Sund, Cacem e Damba. Aquela rainha teria de abrir caminhos para que os negreiros alcançassem seus destinos. Bom! Os pombeiros trabalhavam por conta de grandes chefes, sobas ou militares Tugas.

chai4.jpg Durante um ou dois anos, internavam-se nos matos, trocavam escravos por tecidos, vinho, quimbombo, aguardente, quinquilharia, sal ou pólvora. Os acordos de vassalagem foram extremamente desiguais com a aceitação na base de imposição militar. Passados vários séculos da morte da rainha n´Zinga a ideia de unidade do povo Angolano ainda não se configura vencida na luta contra os Tugas nos finais do século XX permanecendo em disputas internas pelo poder até o actual ano de 2017 aonde a corrupção roí os governantes até os tornozelos…

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Com ideologias marcadas pelo rancor entre eles e contra o branco, ícone aglutinador e culpado de todos os males em sua justificada fábrica de criar maka, os diferentes grupos étnicos saídos do povo Bantu, ainda continuam na contramão da história e progresso ditando leis absurdas e, sem um objectivo de sucesso para sua debilitada situação financeira. Segundo Cadornega em 1629, as irmãs de n´Zinga foram baptizadas Funji, como Graça Ferreira, e Cambo n´Zumba como Bárbara da Silva.

cafu33.jpg No ano de 1646, ao tomar posse da sanzala de n´Zinga no rio Dande, os Tugas encontraram cartas de Funji, escritas de quando era prisioneira e dirigidas a sua irmã n´Zinga. No ano de 1647, no cerco da rainha junto com 500 holandeses a Massangano, o sargento-mor Pedro Barreiros decidiu, por conta própria, lançar Funji no rio Kwanza, e por pouco, não fez o mesmo com Cambo n´Zumba.

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É aqui que um negreiro mazombo de nome Jeremias T´Chitunda a troco de umas quantas moedas dadas a Morgan Tsvangirai, pai de Roxo, consegue introduzi-la em um lote de peças com destino a Olinda de Pernambuco! Nasce aqui uma outra lenda, a do Kilombo dos Macacos na Serra dos Palmares…. E ela, por decisão de seu novo dono toma o nome de Aqualtune.

cafu39.jpg Aqualtune, não podia ser interpretada como gente nobre do reino de n´Ggola; os acordos não previam o uso de gente nobre descendente do rei Kilwanje. E, ai de quem murmurasse tal conhecimento! É ainda um fenómeno mal contado nos missossos mas, tudo leva em crer que seu rosto esteve tapado ou coberto de argila branca nas festas de rebaptizar a ela, e a todos outros escravos. Este procedimento não era nesse então tão invulgar mas, na qualidade de T´Chingange posso afirmar ser isto verdadeiro…

(Continua… Cambo  n´Zumba ou Barbara da Silva foi como escrava para o Brasil…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:23
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Terça-feira, 4 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXIX

NAS FRINCHA DO TEMPO -30.11.2016 KIANDA COM ONGWEVA - 14ª com várias partes… Com Zachaf Pigafetta Roxo, Januário Pieter irmão desta e o Conde de Saint Germain.
Ongweva é saudade

Nota: Esta 14ª Parte não foi publicada em seu devido tempo. Deveria ter surgido depois de 5 de Outubrodo ano de 2016 e por descuido só veio a ser publicada no facebook em Kizomba a 30 do 11 de 2016
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Tinha sido combinado encontrar-me em Madrid com as kiandas o Conde de Saint Germain, Zachaf Pigafetta e o irmão Januário Pieter no Museu do Prado, mas não foi possível faze-lo na data aprazada, no entanto mantínhamos contacto através do ipad! Eles tinham compromissos no aquietar de almas desavindas em desassossegos antigos e oriundos da África Austral. Aproveito por isso falar um pouco do entrelaçado de malambas já faladas entre nós a fim de arrumar os eventos vindouros para que se compreenda o desfecho da estória-mussendo.
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A origem de Saint Germain ainda hoje é desconhecida, mas o que sabemos é que marcou presença a partir do século XVlll pelas cortes da Europa destacando-se como diplomata em Génova, Paris, Londres, São Petersburgo, Índia, África, China e outros lugares. Ele, com frequência refere ser filho de um príncipe oriental. O certo é de que sua idade tal como as demais kiandas, sendo indefinida, tem a particularidade de quando necessário tornar-se numa normal figura de gente.

cafu15.jpg Niassalândia (actual Malawi) foi assim denominada por causa do Lago Niassa de onde originaram Januário e Zachaf Roxo. Em setembro de 1859, o explorador e missionário escocês David Livingstone tornando-se supostamente o primeiro europeu a avistar o lago, o terceiro maior da África. Um dos encontros foi exactamente com o Conde de Saint Germain, que por ali se envolvia em actividades missionárias e comerciais britânicas.

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Na década de 1880, Portugal reivindicou o território em virtude de sua presença na colónia vizinha de Moçambique mas a Grã-Bretanha resistindo às reivindicações portuguesas, em 14 de maio de 1891 proclamou um protectorado sobre Niassalândia tornando-se parte da Federação da Rodésia e Niassalândia em 1953. Após a dissolução da federação, alcançou independência total a 6 de julho de 1964 como a República do Malawi.
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A Grande Traição é o título das memórias publicadas em 1997 por Ian Smith, último primeiro-ministro da Rodésia. Sua obra oferece uma interessante panorâmica da história desta importante parte da África austral e relata minuciosamente como os nossos “amigos” britânicos e Estado-Unidenses não descansaram enquanto não lançaram o calvário naquele pedaço de chão. A requerida paz, lei e ordem, factores fundamentais para qualquer evolução autêntica e segura, foram sacrificados em favor da hipocrisia, da irresponsabilidade, da expediência.

cafu17.jpg As nossas três kiandas andavam por ali tentando introduzir nas mentes pensares pacifistas mas foram logrados em toda a linha. A mais interveniente foi o Conde de Saint Germain mas mesmo esta, esfumou-se. As memórias de Iam Smith interessam particularmente aos portugueses, euro-africanos genuínos e pioneiros, escandalosamente imolados e esbulhados pela traição doméstica a soldo de uma conspiração internacional - tragédia odiosa que brada aos céus e clama por justiça!

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Cumpre ressaltar as páginas elogiosas que Ian Smith dedica a Salazar e a Portugal a quem rende sincera homenagem à nação euro-ultramarina que, com a nobreza da simplicidade e a força do carácter, cumpria a sua missão histórica de povo, defendendo com determinação os seus legítimos direitos e interesses perante os mais fortes do mundo. Sobre Salazar, dizia ser este um estadista excepcional, cuja craveira intelectual e moral deixaram nele uma impressão única e indelével.
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Foi o Conde de Saint Germain que destrinçou esta parte da estória que os historiadores pulam por conveniência ou falta de caracter. A Grã-Bretanha, empenhada na sua demissão histórica, anuncia a dissolução da Federação das Rodésias e do Niassalândia com vista à formação de Estados “independentes governados por maioria negra. Smith é o único do seu partido a manifestar oficialmente a sua desconfiança em relação à proposta explicitada por Londres.

cafu18.jpg Para ele, a Inglaterra, no afã de obter a simpatia de afro-asiáticos, Estado-Unidenses e Soviéticos, estaria disposta a liquidar o seu “problema colonial” com o abandono puro e simples da população branca - os mesmos indivíduos que no conflito mundial de 39-45 deixaram a paz dos seus lares para irem arriscar as próprias vidas no socorro à Grã-Bretanha. Foi o caso dele.

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Em 1964, dez anos antes da abrilada portuguesa, Ian Smith é eleito primeiro-ministro. Numa visita oficial a Lisboa encontra-se demoradamente com Salazar e este diz-lhe declaradamente que os rodesianos seriam traídos pelos ingleses; que Portugal prestaria o auxílio necessário a Salisbúria. Pouco depois, aqueles a quem Fialho de Almeida chamou de “carrascos ruivos do Tamisa”, concretizavam o que o estadista português sentenciara.

SALAZAR 2.jpg A lembrança deste encontro profético em São Bento ficou para sempre gravada na sua memória, plenamente convencido de que, se Salazar tivesse vivido dez anos mais, a Rodésia teria sobrevivido. Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. Sua vida política passa então a reger-se quase que exclusivamente por duas constantes: a neutralização dos efeitos das sanções impostas pela ONU, sob a batuta de Londres e Washington; e o combate ao terrorismo e à guerrilha de obediência comunista que faziam a sua desumana entrada no território.

cafufu7.jpgE é agora e por intermédio destas três kiandas que me é dado conhecer toda a arte de velhacaria que invadiu o dito mundo moderno através dos arautos da verdade, os primos Ingleses e Americanos que continuam a ditar leis aos outros povos, sabendo à partida que é tudo uma utopia ou farsa. Nós, que estamos vivendo os problemas que nos cercam, podemos dar a importância devida ao que engloba este nosso recente passado para rectificarmos ou ponderarmos sobre o nosso futuro. Sabemos bem o que ocorre hoje nestes territórios de uma gestão catastrófica de puros ditadores.

(Continua…)
O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:13
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MUXOXO . L

TEMPO CINZENTOS – 03.04.2017A vida é feita de acasos. Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida mas sim aquele que melhor se adapta a ela… A continuar desta forma seremos no futuro, todos ladrões…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

A vida da gente é feita de acasos; de coisas pequenas que mudam nosso destino como uma vírgula minúscula altera um texto. Cada um de nós tem isto embebido em sua estória de vida e, por isso se diz que, esta ilusão é de um minuto ou uma centelha dele e, as coisas sucedem num agora, num lugar de hora certa ou errada conforme a sorte, conforme seus guias de guarda invisíveis que num dado instante o são e num dado instante deixam de o ser.

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Pois quantas vezes, por se estar no lugar e hora errada, se têm um dissabor ou uma alegria que tudo muda no percurso de nosso enredo de vida, nosso fado! Habituado a viajar, um dia e, estando eu no Algarve do M´puto saí de casa com o propósito de em Armação de Pêra e, junto do amigo Mogo, inscrever-me em um dos passeios romeiros que habitualmente ele organizava.

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No ano anterior tinha ido com a família à Festa do Cavalo em Gerês de La Frontera de Espanha, uma cidade situada bem perto da Cidade costeira de Cádis na Andaluzia. Porque gostamos do passeio, falou-se em casa que seria bom voltar a rever aquelas figuras de gitanos com adornos e prendas, suas cavalgadas em carroças enfeitadas a caminho de “El Rocio” e la virgem del Carmo, sua Santa protectora mui querida.

ÁFRICA4.jpgBem! Chegado à retrosaria do Mogno em Armação e depois dos cumprimentos, respondeu-me que naquele ano de 2005 o grupo de romeiros de “El Rocio” os Tugas, iam para o Brasil. Bem! Foi-me pormenorizada de como seriam esses quinze dias em Maceió, falou das praias e edecéteras; conseguiu assim despegar as tentações do subconsciente com coqueiros a abanar no vento fresco do pensamento.

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Acabei por me inscrever; que lhe daria a confirmação depois de conversar com a Ibib, minha parceira de tentações tropicais. E, foi assim que troquei o El Rocio de Gerês, festa “del cavallo” pelo Nordeste Brasileiro. Logologo minha mulher disse: Pois, é quase ali ao pé, mesmomesmo, quasequase a mesma coisa! Ibib já habituada aos meus entretantos disse: que remédio! E lá fomos nós no tempo aprazado para a terra dos papagaios.

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Isto para verem como desacontecem as coisas dum plano, vida esfarrapada de pequenos hífens pregados a nós como um destino. Que se lixe, e lá vamos, e lá fomos; a vida são três dias e temos de gozá-la enquanto se pode! Para além do mais sou cidadão do mundo e não me vou pregar na cruz dum qualquer país feito Cristo, mesmo que esse país se chame M´Puto. Já que me trambicaram uma vez, traíram e venderam a preço zero, mais vezes virão e, aos poucos, suavemente roerão minha própria cruz.

carmen1.jpg Os pequenos mas, acontecem assim quase inadvertidamente predestinando nossos amanhãs, com políticos desclassificados fazendo-nos escravos de leis fabricadas ao seu propósito. Vamos tocar isto para a frente, o que tiver de acontecer, vai suceder e novas perspectivas surgirão, novas gentes, novas entidades, novos desafios. E fomos; e ficamos…

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E, porque parar é morrer damos impulsão á nossa vontade na peugada da estória do Lampião, das várias sagas, do assucar, do cacau, do sisal, do café, do leite de coalho e das sobrevivência construídas de pau de arara, a pique e tabique ou taipas de criar escaravelhos. E, assim de romeiros de “El Rocio” de Andaluzia, espanhola, entre gitanos, viramos romeiros ao padre Cícero do Juazeiro do Norte do Ceará feitos matutos.

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Transpirando vírgulas no meu texto de vida feita de malambas, de palavras, revejo-me aventureiro indo de balsa até às piscinas naturais da Pajuçara, mar verde-esmeralda. Entre coqueiros posso ver da minha varanda as muitas velas triangulares com seu garrido colorido entre a língua branca das ondas batendo nos recifes, nos corais bonitos da baia com muita mais do que os sete coqueiros da praia cor esmeralda.

arte1.jpg Estes acasos não são exclusivamente meus; D. João VI fez do Brasil a sede de um Império empurrado por Napoleão, mantendo-o unido; dando títulos aos senhores do dinheiro a troco de grandes somas para formar o banco do Brasil; Por acaso os nobres, Condes, Visconde, Duques e Marqueses passeavam suas vaidades no peito mostrando suas medalhas. Também eles viviam uma fantasia com futilidades e muito devaneio à margem do povo, dos escravos e ricaços que engordavam riquezas vendendo gente como peças. Quem não tinha título mas algum dinheiro tornou-se Coronel, Major e lguns outros ficaram doutores…

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E quis a estória que de infortúnios se fizesse moda e arte! Durante a viagem de Portugal até o Brasil os piolhos tomaram conta das cabeças das damas; a tal ponto que tiveram de as rapar! Verdade! Desceram primeiro em São Salvador com turbantes ornamentais em suas cabeças sem algum cabelo. As mulheres baianas acharam estranha aquela moda e adoptaram-na logo pois que vinha da europa civilizada. E, foi assim que surgiram os turbantes enfeitados como o da mais recente Carmem Miranda com frutas tropicais. Como digo a estória de todos nós é feita de acasos. Naquele tempo ainda não havia o conhecido “kitoco” o tal de mata piolhos. Assim teria de ser! E, assim o foi!

carn1.jpg A vida é feita mesmo de pequenos nadas, de serras paradas à espera de movimento. Coqueiros ondulando com o vento, o mesmo que trouxe as caravelas. O vento de à bolina, mais tarde as naves feitas aviões, que vão e vêm unindo traços e culturas; falas e linguajares com sotaques variados. Agora, em terras de Vera Crus estão-me surgindo papagaios, esticando-me os ossos, as dores, muxoxos de minhas atribuladas vontades. Um dia, isto vai ter de parar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:31
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Sábado, 1 de Abril de 2017
MALAMBAS . CLXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 01.04.2017 - Amai-vos uns aos outros, mas só se for pra valer…

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

O homem produz cultura tal como a abelha produz mel mas, enquanto a abelha tem defesa aos anticorpos, doenças e vírus pelo seu eficiente própolis, o homem fica subserviente à boa sorte tomando antibióticos que decerto lhe farão mal a outro qualquer órgão que não aquele visado. O homem fica assim sujeito à análise, à crítica e ao comentário que nem sempre é do inteiro agrado do progenitor da ideia ou do conceito; estamos falando de cultura, entenda-se! Surgem assim os pontos de vista que sendo muitos e 

propolis1.jpg Uns temas surgirão absurdos para alguns, enquanto outros o acharão interessantes. Hoje após me ter levantado, bebi minha dose habitual de cloreto de magnésio  chá de canela de velho e, porque ando com uma fissura no lábio, deitei directamente no lábio e língua umas quantas gotas de própolis de Alagoas. Uma das gotas caiu na bacia de louça branca, cerâmica polida; tentei limpá-la com simples água e nada de nada!  

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Esfreguei com insistência e só quando usei álcool etílico é que a mancha vermelha saiu embora a custo. Foi a partir daqui que rebusquei nos meus alfarrábicos rascunhos e recursos de conhecimento especial me inteirei a fundo do valor deste eficaz antibiótico. O própolis vermelho é um extracto produzido a partir de uma seiva encontrada no rabo-de-bugio, uma vegetação dos manguezais do estado alagoano do Brasil. Este ouro rubro, como é conhecido por muitos pesquisadores, atrai a atenção da comunidade científica de diversas partes do mundo.

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O registro do própolis vermelho confirma que o produto possui propriedades diferentes dos outros doze tipos de própolis já catalogados no Brasil. A saliva das abelhas, transforma a seiva encontrada nos mangues numa espécie de "cimento", utilizada para revestir a colmeia. Rica em vários compostos, o própolis vermelho tem surpreendido pelas propriedades activas em acções antibacterianas, antifúngicas, antivirais, anti-inflamatórias, além de alto poder cicatrizante e acção antioxidante, actuando na prevenção do envelhecimento precoce.

propolis2.jpg A seiva do própolis vermelho, vem demonstrando resultados positivos no controle de diabetes, hipertensão, câncer e HIV. Em relação ao diabetes, a própolis regula o controlo da glicose no sangue. Na hipertensão, atua como vasodilatador (aumenta os vasos sanguíneos), melhorando o fluxo do sangue; tem servido como complemento no tratamento do câncer, porque ajuda a eliminar os radicais livres, que estão ligados aos processos degenerativos do organismo.

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Nas pesquisas de HIV, a seiva tem impedido que o vírus se reproduza nas células, diminuindo os sintomas da síndrome. Outra qualidade do própolis vermelho: a seiva é um poderoso conservante natural de alimentos. Pois então!  A partir de agora vou misturar no café ou no cloreto de magnésio 10 gotas para me livrar desta porcaria dos comprimidos da tensão que me tiram do sério com luto antecipado e sem pressão no Nero, meu imperador de nervo teso. Daqui para a frente vou ser o meu próprio médico como a abelha o é de si mesma!

propolis3.jpg Minha imunidade aumentou consideravelmente! Pode ser coincidência, mas desde que comecei a usar, não tive mais nenhum resfriado, virose, ou amigdalite, essas malezas que sempre aparecem com o tempo. Andei aí uns dias a espirrar àtoa, axim, axim, axim com  mais treze cópias e ranho moncoso mas, com o própolis foi trigo limpo!  Mas o melhor mesmo é que já dou cambalhotas no espaço de minha cama e, até já ato os sapatos na maior ligeireza do acto. Ando assim a reconciliar-me com as simples coisas da natureza numa relação de vida química com os outros vários seres cuidando minhas anatomias desmilinguidas.

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Isto porque para falarmos do futuro, mesmo sendo um futuro que já nos sentimos a percorrer, o que dele dissermos, sempre será um produto de síntese pessoal embebido de imaginação. A abelha já tem o seu curso de vida; nós, pessoas, também o temos mas, enquanto nos confundimos entre o “ser ou não ser eis a questão”; elas as abelhas só fornecem à humanidade os mecanismos de reacções químicas. Bom! Elas, as abelhas, em verdade não têm cordões de sapatos para atar! E, quando elas se forem, nós também iremos!

propolis4.jpg Andamos nós a analisar feromonas, previsões e metodologias obtendo respostas que mesmo sendo subjectivas farão parte dos ensinamentos, nem sempre sendo os mais perfeitos ou correctos. E, surgirão teorias, reacções de transferências de electrões, dos protões e coisas do domínio da reactividade química. Sempre haverá ocasiões em que os cientistas, analistas ou inventores terão a boa sorte de deparar com problemas cujo significado e solução têm um alcance muito superior ao que inicialmente supunham. Pena é que descuidem a natureza recorrendo a laboratórios que nos entopem as veias, inventando necessidades fúteis.  

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É aqui que me deparo com uma nova teoria, de que nenhum matemático ainda falou porque desprezam esse factor que vem do Deus da natureza. Juntarei de modo próprio à “teoria da incerteza”, à “teoria do medo”, à “teoria da sorte”, uma outra: a “teoria da simplicidade” ou porque não “ a “teoria da descomplicação”.   

propolis6.jpg Tudo terá um equilíbrio dinâmico por influências mútuas, ora positivas, ora negativas e, que irão desde o conhecimento científico passar ao psicológico, e só então de inventação como coisa possível e, por último ao reconhecimento social. Ando a tentar definir-me como idiota e, sabem que mais, gozo muito com isto! Como a terra antes que ela me coma! Quanto ás abelhas, o certo é de que quando elas se extinguirem, esta humanidade a que pertencemos, acabará também.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:57
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Terça-feira, 28 de Março de 2017
CAZUMBI . LIII

CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, por causas alheias e à revelia da nossa vontade …

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Gosto de fazer turismo integral; isto quer dizer que me apraz fazer o que qualquer um, cidadão, faz em seu quotidiano, aonde quer que seja. Isso não foi possível fazer em Cuba há uns bons dezasseis anos atrás. Tinhamos um guia de nome Mercedes, uma funcionária que nos dava indicações e uma outra funcionária governamental que vigiava esta. Em verdade, ambas andavam controladas por outros e pelo medo delas mesmo!

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Ficamos instalados no Malecon, marginal da baia de Cuba, lugar aonde os namorados iam passear em velhos galáxias, chevrolletes rabos de peixe prometendo coisas sonhadas ao ritmo de um bolero ou um merengue mambo caribeño. Carros que arrancavam a gasolina e depois rodando um botão passavam a consumir querosene e mistelas de graxa com biodiesel ou óleo queimado de fritar batatas!

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O cheiro era intenso e nauseabundo! O tal de “ El mujito” com hortelã era só nos sonhos escritos de Hemingway, esquinas roçadas de preguiça, casas despintadas, calles apiertadas e, umas silhuetas de “Ché el comandante”. El olor a mierda por entre los muros sim color, tambiem se hacia sentir! La Cuba romântica de los sonhadores… E, la mujer rindo com alguns dientes amarillos convidando nosotros a gozar la vida del amor. Pópilas!

cuba 0.jpg Percorremos a Ilha em um autocarro conduzido por um antigo combatente em Angola; tinha feito seu serviço militar naquele paraíso, palavras que ele calcou dando a entender ser lá muito melhor que aquella isla aonde agora estávamos. A várias perguntas minhas, ele respondeu, nada! Somente que aquella era el paraíso en la tierra. Foi para mim muito confrangedor dar de regalo, oferta de coisas que sendo insignificantes para nós, para eles, Cubanos, tinham alto valor.

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Esse alto valor eram simples esferográficas bic, chinelos de dedão, roupas geans e outras insignificâncias como bonés de marca e futilidades ocidentais. Muitos dos turistas em grupo nem se apercebiam ou não o queriam ver que ali em Varadero havia um apertado controlo aos naturais de Cuba! Em verdade era um território controlado por fronteiras apertadas e aonde só entravam para além dos turistas os trabalhadores dos hotéis e outros equipamentos de captação de divisas.

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Ao turista davam uma fita colorida que era posta no pulso e, esse era sinonimo de pedir o que quer que fosse tanto de bebida como comida. Claro que isto só se verificava nesta península cheia de belas praias, passeios pelas rias em barco com visão submarina, festivais de golfinhos e outros entretenimentos para agradar os Ocidentais vindos da tapurbana europeia.

CUBA LIBRE.jpg Deu para perceber que o controlo aos empregados era apertado pelas mensagens indirectas que nos transmitiam; tudo faziam para agradar e, daí advir uma gasosa extra, uma limosna, um agrado em dinheiro, sapatos ou roupa. Elas e eles enfeitavam nossas camas como se fossemos os príncipes das arábias; faziam arranjos com as roupas chamando a atenção do agrado! Sempre correria umas suplementares moedas.

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Estando agora no Brasil posso garantir estar este país a alguns anos em avanço social! Vivendo como um qualquer residente uso habitualmente o ónibus, os táxis de lotação e ando muito a pé por onde quer que seja e na maior liberdade! Em Cuba tinhamos disfarçadamente uns quantos policias à perna, cobrindo nosso itinerário e revezando-se no trajecto de forma dissimulada. Tudo parecia ser um gueto!

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O Brasil social, já nesse então estava muito para além daquela terra de Cuba aonde funcionam os comités de bairro, de trabalhadores e outros que tudo controlam. Falando com um engenheiro que nos conduzia em um ovomobile (uma moto com arranjos feito ovo e, com dois assentos para alem do condutor) a perguntas minhas foi-nos dizendo o grau de carências que vivenciavam!

che0.jpg Este sim! Longe dos olhos fiscalizadores disse tudo o que já sabíamos ser de ruim! Ele engenheiro de máquinas tinha de usar aquele escape para ganhar um pouco mais do que os míseros dez dólares que recebia de vencimento base por mês. Nem quis acreditar mas vim a confirmar que assim o era! Eu disse dez dólares! Minha nossa!

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Pelo que sei agora o Raul, irmão de Fidel está alugando médicos ao exterior. Há muitos no Brasil residindo com regras apertadas; a família fica lá em Cuba, uma forma de garantir o retorno e também manter-se em silêncio; ele não está autorizado a falar de sua terra e, sabe-se que aquele estado Isla Caribeña leva-lhe  metade do seu vencimento senão mais. O preço daquela liberdade é bem alto! É certo que anda muita gentinha a dizer que ali sim é uma terra boa; gente que gosta de viver com agrados de servidão…Só pode! Tenho amigos que vêm aquilo como coisa de outra galáxia! E, é! Só que do lado do purgatório.

cuba01.jpg Aquele mecânico do Ovomobile foi nos dizendo que os comités de trabalhadores rurais têm de fazer permanentes relatórios dando indicação de quantos animais as famílias têm e, se porventura abaterem um boi ou carneiro sem autorização são chamados à pedra respondendo em juízo como se um crime se tratasse. Ninguém está autorizado a apanhar fruta do chão; tudo é do estado; tudo tem de ser autorizado.

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A melhor carne, o melhor marisco como lagosta e camarão é todo para a exportação! Eles ficam com as patas pró mocotó, os rins, fígado e por aí! Não admira o tal chofer que fez serviço militar em Angola ter dito que aquilo sim; era um paraíso! Ainda insinuou dúvidas do porquê de termos deixado aquela terra mas ele, nada era naquela nomenclatura comunista; o pensamento é ali uma coisa muito perigosa…

cuba3.jpg Entrei em uma loja do povo e só vi imundice entre sacos de farinha, arroz e algum feijão! As prateleiras das vendas assim parecidas como as do m´Puto lá dos anos de 1880 estavam apetrechadas com aquelas mesmas bancadas, medidas de quartilho e instrumentos de museu para ensacar farinha e grãos. Cheirava a mijo de ratos e bagulho de baratas! Estive com uma caderneta sebenta de uso em minhas mãos e, é ali que eles apontam tudo do cabaz básico a que todo o cidadão tem direito. Não deu para ficar com pena deles porque não sou galinha! Talvez mereçam viver nessa tacanha maneira de ver tudo ao jeito bucólico! Viva Cuba, pois claro!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:01
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Sexta-feira, 17 de Março de 2017
CAZUMBI . LII

CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade … Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

”A CHUVA BATE NA PELE DO LEOPARDO, MAS NÃO TIRA AS SUAS MANCHAS”. Este regalo de falas foi-me enviado pelo nosso Kimbanda Ninja para que constasse na Torre do Zombo do Kimbo. Trata-se de um mítico provérbio africano aonde para além da onça, do leopardo e da chita existem a hiena e o mabeco que também as têm. Com a zebra ocorre o mesmo fenómeno de manter suas riscas, mesmo que chova muito mas, com esta, acontece um outro pormenor.

poke0.jpg As riscas irregulares das zebras são para fazer com que o leão fique tonto ao persegui-las perdendo a noção e desequilíbrio. Pois, muita gente não sabe, mas o leão ao fim de algum tempo de perseguição, e por via de sua fixação em uma, fica com tonturas acabando por desistir. O facto de todas correrem em simultâneo causa o efeito psicadélico e, o que era,  fica turvo com tantas riscas a se moverem. A natureza ensina muito a quem se detém a observar os mistérios tão perfeitos dela.

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Numa sã convivência tenho por hábito relembrar os velhos tempos dando a conhecer a alguns aquilo que foi a maneira de se viver, os hábitos e alguns rituais africanos. Esta iniciativa é acarinhada por uns e considerada foleira para outros mas, não virá mal ao mundo considerar ou não, outros conceitos! Tenho um amigo engenheiro que sempre surge dando uma de sabichão, falando palavras de Domingo e quase desconsiderando minhas formas de expor.

macuta com soba.jpg Como tenho mais engenheiros amigos e, para que não se julguem mal, direi que este era um antigo colega dos Caminhos de Ferro de Angola aonde eu fui desenhador de máquinas. Pois sucede que este meu amigo da onça surge com falas periclitantes cheias de erudição para vincar sua destacada auto altivez. Faço que passo ao lado assobiando mas, tendo a nítida imagem de um petulante amigo que não perde a oportunidade de afectar as minhas sensibilidades, os meus cheiros, as minhas impressões.

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Assim como se armando-aos-cucos como é comum dizer-se e de forma gratuita, sem bases de concreta analogia ou razão da formação das palavras no seu contexto. Faço por não me azedar contendo a vontade de dar um basta com aquela minha liberdade, alforria da vida. Sei quando quero usar o maldizer com escárnio ou sátira mas não interessa aqui escalpelizar tais atitudes porque corro o risco de desvirtuar meus princípios.

lobo1.jpg É por estas e outras que uma grande parte das pessoas com quem vou tendo contacto, sentir-me desiludido! Posso até perguntar ao mundo e para quem me lê, que interesse poderá ter dizer lindas ou ortodoxas falas tão cheias de hipocrisia, façanhas agigantadas de soberba superioridade. Para quê? Para se vangloriar de que se é o maior, mais sabedor…

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Hó gente miúda com canudos de papel dizendo ser o que nem sempre são! Pois queiram saber que não gosto de gente mesquinha e fútil que só se quer aparentar. Hó gente engravidada de grandeza que não vê o cisco em seus olhos denunciando-se em bazófias gratuitas de nenhum mérito! E, será que todos deixam andar estes propósitos sem reclamar? Isto, sucede sim!

roxo90.jpg Algumas pessoas são bem fúteis, até bem curiosas do lado negativo porque bem acomodadas ficam esperando que alguém faça algo para logo surgirem como comentadores com seu ar superior! E, o pior é quando surge um com caganças de katedrático como sendo o senhor da verdade, usando palavras de Domingo como se nós só entendêssemos as coisas pela metade de terça, dia da feira e do vendedor de lérias avulso em folhetins de santinhos…

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Pois que fique claro que também tenho cabeça para pensar! Não quero com isto criar inimizade com ninguém em especial e, que ninguém veja isto como um ataque pessoal porque está em causa a atitude de cada um. E, há muita gente a portar-se mal, ser inoportuna e sem senso. O amor quando verdadeiro coloca em primeiro lugar a felicidade do ser amado, consideração aos amigos e gente próxima. A César o que e de césar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:37
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Quarta-feira, 8 de Março de 2017
MALAMBAS . CLXVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Muitas das coisas que acontecem neste nosso mundo, vêem de opiniões que se dizem acertadas! … Mas, nem sempre assim, o é!...

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange - O Niassalês

adam2.jpg Com o gosto de me esfregar na vida percorro o calçadão da Pajuçara, ando por aí com minhas botas papa-léguas, recentemente recauchutadas num sapateiro com boteco montado em plena rua das árvores do centro de Maceió. Logo após o entrudo, quinta-feira das cinzas fui ao camelô sapateiro de rua, conforme o combinado mas, o cara não estava; aliás, estava quase tudo fechado pela ressaca do carnaval. Pois assim, tive de entregar ao Jeferson as ditas cujas, mesmo ficando mais caro em quinze reais.

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O cameló de rua pediu-me 35 reais enquanto este, abriu a boca com sessenta e, na reclamação ganhei dez ficando por cinquenta. Aqui todo mundo tem de ficar a ganhar, ficar por cima, mesmo que isso seja assim uma ilusão de palavreado como se todos entendessem desse negócio de bolsa, de flutuação do mercado, de cotação e gráficos com tendência de subir ou descer. Todos querem ficar por cima num qualquer negócio, mesmo sendo banal; assim todo o mundo sai ganhando embora alguns, em verdade, ganhem juízo!

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No correr do tempo todos ficam mais ou menos assim, passando a ser tudo conotado como uma questão cultural de passar a perna por cima; para pior antes assim! Até que acaba por ser giro assistir a isto e ouvir o povo de rua que se desenrasca vendendo água gelada e montando banca em cima duma porta a caminho do lixo; Qual ASAE do m´Puto qual quê!? ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, Orgão de Polícia Criminal) - Organização fiscalizadora de regras ditadas pelos políticos) é um negócio de chatear a malta que se quer safar na vida; é assim como um corpo policial que vê se os regulamentos estão sendo compridos.

ÁFRICA2.jpg Isso dos decretos que só proíbem exigindo termos num negócio, um conjunto de seis facas com cabos de cores diferentes: vermelha para a carne, verde para a hortaliça, amarela para o queijo, azul para o peixe, castanha para os enchidos e mais o escambau. Mas ainda se fosse só isso; temos lá no cantinho da Europa chamado de Portugal outras muitas organizações de roubar o povo multando, aplicando taxas, criando situações de abafar iniciativas. O Brasil faz cópia disso com Xerox. É um sem fim de Órgãos estatais a roubar para fazer andar a máquina dizem eles, os empoleirados do Governo que só fazem isto como se fossem os Patrícios da antiga Roma.

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Enfim uma cambada de gente improdutiva que saca de quem trabalha à tripa-forra. Depois surgem os da higiene e saúde mais segurança no trabalho a imporem suas prepotências, segurando as pontas em empregos para uns quantos afilhados da nomenclatura do partido, os amigalhaços. Mas que merda de sociedade! Prefiro o mato! De novo no Brasil, aqui ninguém pode ser bobão e, ficar logologo no primeiro preço! Quem fica com a língua agarrada aos dentes, sofre estes desaires reclamando da vida, de tudo e até do calor brabo que não tem nada com isto; um desaforo de dar o fora…

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Aqui no Nordeste brasileiro todo o mundo é meio turco, meio libanês, meio Índio, meio branco, meio preto, meio japonês, meio português e mais o escambau vindo da cochinchina de baixo, do Vietname ou do Miamar, antiga Indonésia. Mas, como eu sou exótico digo sempre que sou Niassalês e ninguém me pergunta que raio de país é esse!? Um ou outro, curioso e sabedor, tem uma vaga ideia desse nome, não pode indiciar burrice viu, dum distante pais ao lado do Lago Niassa mas por via de supostas interpretações e paradigmas complicados, fica assim por isso mesmo. O Tuga Niassalês da N´gola que sou eu.

botas de tabaibos.jpg Sou Niassalês e pronto! Isto de nos baptizarem de uma terra e passarmos a ser propriedade duns quanto eleitos, feitos patrícios de Roma está mal! Qualquer coisa deve ter demudar com o tempo. Angola é pioneira nesta matéria porque o cidadão branco que lá nasceu antes de 1975 é colono, mas, só os brancos! A nossa terra é aquela aonde nos sentimos bem, nos tratam com familiaridade, são participativos em nossas ambições, roubam-nos quando podem ou deixamos, sempre seguindo as pistas, ditames dos governantes ladrões até debaixo de água ou com dinheiro na peúga ou cueca. Aqui, Brasil ou em Portugal, é tudo quasequase igual, só muda mesmo é a temperatura dos factos sem o “c” Hodierno.

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Outros há, que sabem ter havido um paquete, navio ou vapor com esse nome e sempre ficam com a ligeira impressão de que virou ferrugem e, não estão errados embora não passe de ser uma simples suposição no particípio acabado (passado)! Foi por isso que os entendidos na definição de raças, os etnólogos e essa catrefada de gente que estuda as sociedades, tais como os sociólogos e edecéteras tiveram dificuldade em definir as raças brasileiras, aprendi em meu muito antigo estudo primário que havia quatro raças puras e básicas, a saber: branca, amarela, vermelha e preta.

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Mas aqui o negócio foi, é e sempre será outro. Tudo se misturou dando a Raça Humana e aqui entram pardos, mamelucos, matutos, mazombos e um sem fim de polimentos na forma de pigmentos; sem regatear as horas que Deus me deu, faço-o bem à maneira do escritor e poeta alagoano Aldo Rubens Flores ou tantos outros incógnitos por quem passo na rua; eles ali sentadinhos feitos estátua. O mundo por vezes é pequeno e assim sem predestinar horários, vou bordejando o mar cor de esmeralda á sombra de muitos coqueiros!

soba02.jpg Para um pé carente há sempre um chinelo velho! O meu sapato biqueira de aço (normas de Segurança e higiene do trabalho dos outros) descascou da sola; enganam-nos de toda a forma - de todo o jeito também nos vamos descascando… Sob o ponto de vista na vida futura, a Humanidade, como as estrelas do firmamento, perde-se na imensidão.

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Nós nos apercebemos então que grandes e pequenos estão confundidos como as formigas sobre um torrão de terra; que proletários e potentados são do mesmo talhe, e lamenta esses homens efémeros que se dão a tanta inquietação para conquistarem um lugar que os eleve. É assim que a importância atribuída aos bens terrenos (tributo), está sempre na razão inversa da fé na vida futura. Adivinhar, é pecado!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:51
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2017
CAFUFUILA . CXX

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 16ª parte

A surrealidade está-lhe no sangue! Usa pinceis electrónicos na forma de gigabaites holográficos…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Na ultima parte do mussendo, 15º episodio, falei do porquê esta kianda Roxo de Guaxuma andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber no consciente desta sua dupla vida, compartilhando xispanços de tinta com particular maestria e, do porquê das cores cibernéticas confundindo-nos com holografias psicoroxas. Mas sabemo agora que nasceu às margens do lago Chivero.

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Sabemos que sua mãe, também kianda de tez negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai  que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero, lugar que fazia fonteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai seu pai. E, que por via da política teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia por ser  um pambu-n´jila especial com Muxima. 

roxo114.jpg Como já repararam as kiandas andam no espaço-tempo em qualquer direcção e é por isso que nos parece a nós humanos impossiel reconhecer andar-se no ontem e antes de ontem ou há muitos anos atrás e ou, deslocarem-se no futuro deixando transparecer a nós mortais, somente o que nos é perceptível pela dedução; falar do futuro até para as kiandas é tabu – aos viventes  não se pode transmitir o amanhã, só o agora, lei básica da vida. O Universo tem regras que não estão ao nosso alcance engravida-las.

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É aqui que surgem os mambos longínquos com soldados Mafulos, por via das falas da Kianda Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa; fala do tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda, n´gwetas e dos desentendimentos com a rainha N´Zinga, mais outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba.

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O velho Niassalês descreve as festas axiluandas de então com kimbandas e t´chinganges pisoteando a terra, levantando poeira de encorajar kotas, jagas, sobas e m´fumos que iam chegando em alvoroço dos Dembos e de lá mais além do Kassange. Nos encontros, iam passando cabaças com malavo de cassoneira e, a cada grito dado pelos dançarinos guerreiros, o povo gritava kwata mwana-pwó, kwata mwana-pwó. Era a preparação duma guerra contra os Tugas n´gwetas entricheirados em Massangano por ordem dos Mafulos Holandses

to3.jpg Morgan Tsvangirai ficou avençado pelos Mwana-Pwós  com o posto de tenente de segunda linha; mandava os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de manutenção e limpeza ao forte, zelar pelos n´dongos de pesca e translado de coisas para a Kissama e das patrulhas de soberania aos  mares parados com lagoas até o Morro dos Imbondeiros e dos Elefantes da Maianga. Também tinham a caça e a pesca ao seu cuidado.

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M´fumos, iam chegando aos poucos como emissários da rainha N´Zinga M´Bandi da Matamba e do rei do Kongo Garcia II que, embora sendo cristianizado pelos Portugueses, com eles andava desentendido após a chegada dos Mafulos. Estes, teriam-lhe prometido poderes maiores e auxilio com armas do tipo de canhangulos e pederneiras. Eram preparativos duma união para fazerem o grande e final assalto a Massangano.

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Naquela fortaleza os Tugas resistiam aos Olandêses tapando-lhes as vias de comunicação ao mercado de escravos lá do interior fazendo emboscadas ou tocaias com azagaias venenosas, um método aprendido com os indios do brasil, uma cana comprida que depois de soprada dela saia um dardo mortífero.

café da avó1.jpg Por isso aquele mato metia  demasiado medo aos Mafulos. É aqui que entra o Senhor Mauricio de Nassau que desde o Recife Brasileiro mantia o negócio das peças m´bikas para os seus engenhos de assucar. Pernambuco e as capitânias adjacentes, estavam carentes de braços para fazer o cultivo da cana de açúcar e fazer andar os engenhos. A preguiça e cultura dos indios americanos não permitia seu uso no trabalho.

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Talvez por isto, seus lugares tenentes mantinham contacto com alguns negreiros  portugueses que detinham este negócio, pagando-lhes ainda mais do que a antiga coroa determinava. Era um quase pacto de negócio mantendo-os como principais fornecedores de peças á margem dos interesses dos reis do M´Puto. As ordens que vinham do Conde Maurício de Nassau a partir de Olinda eram de subornar a todo o custo os intervenientes funantes do mato de N´Gola no negocio escravo.

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Estava em causa a política comercial da Companhia das Índias Ocidentais... o lucro! E, Portugal que era agora pertença dos espanhois não havia por isso empenho nestas politicas de tanto trabalho; preferiam estabelecer severas taxas de soberania aos amerideos de seus territórios com pagas em ouro. As mordomias do reis Filipe de Castela, Asturias, Galiza, Catalunha Portugal e Andalazia eram muitas - isso impunha uma politica restritiva, sem  dispersão.

nassau0.jpg Redufina Kabasa mãe negra da Kianda Roxo estremava-se ensinando a sua filha maneiras de comportamento e era vê-la brincar com candengues  brancos e pardos no átrio da missão! Bem cedo se destacou nas habilidades de colorir os jogos de desenho, nos riscos da cabra cega; qualquer argila era motivo para dali sair pintura ou escultura bem à moda dos trabalhadores de talha do pequeno altar da igreja  da muxima!

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Sua tia N´ga Maria Káfutila de linhagem nobre do reino do Kongo ajudava meu pai Januário Pieter na quinda do mercado da paliça vendendo malavo e quitoto ou permutando com os indígenas ou mesmo n´gwetas produtos da terra como ginguba e fuba de mandioca. A fuba originava um prato apetecível chamado de funge ou pirão, um preparo a partir da mandioca. E, ela tornou-se assim uma cozinheira de primeira mão mas, prefere suas fluorescências.

n´zinga.jpg Mais tarde começaram a fazer uso das folhas do pau de mandioca que era passada por cinco fervuras para anular o veneno da coisa e, a isto chamaram Saka-saka que impregnada de azeite de palma dava origem ao prato mais típico dos Kaluandas, a moamba com quiabos e jimboa. E, foram os Portugueses que a levaram do Brasil para N´Gola embora queiram fazer crer o contrário disto. N´Gola nunca vai poder dissociar-se dos Tugas por esta e outras singelas razões.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:04
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017
KIANDA . LI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…

Por

soba17.jpgT´Chingange

Hoje e, como sempre, comecei o dia fazendo talassoterapia e, enquanto ginasticava os músculos alongando e torcendo-os por modo a melhorar os sítios nevrálgicos, os tais do costumeiro reumatóide, olho os toques de bola que meus vizinhos praticam todos os santos dias e a partir das seis da manhã. É uma habilidade de manobras de vai e vem com esquindiva e olha o buraco, usando a cabeça, tronco e pés. Ao terceiro toque com uma daquelas partes do corpo a bola é mandada para o outro lado na forma mais difícil.

eça5.jpgOs dois adversários de cada lado da rede têm de ter os instintos apurados e ver em simultâneo as falhas. Sua visão periférica conta muito para que o toque seja bem-sucedido. É importante fazer um bom aquecimento antes da partida em virtude de haver muitas lesões, devido fundamentalmente às mudanças rápidas do corpo. Ou se está bem preparado fisicamente ou a resposta técnica sai defraudada. Enquanto isto, numa tarefa de três em um, ia pensando como fazer preparo da carne de charque de cupim, para o almoço; carne comprada na feirinha de Jatiúca. Assim mentalmente anotava os onze passos e, que aqui vou anotar por ordem numerada os passos, para não voltar a forçar a cuca:

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1 - O charque não leva sal no preparo que dura 12 horas; 1b - Lavar bem a carne; 2 colocar em uma vasilha e cobrir a carne com água; 3 - mudar a água a cada três, quatro horas e por três vezes; 4 - cortar a carne em cubos com 2 a centímetros; 5 - colocar em uma panela coberta com água; 6 - para cada Kg de carne colocar uma colhere de sal; 7- levar ao fogo até borbulhar e criar uma espuma branca por cima.

fut1.jpg

 7a - desligar o fogo; 8 - escorrer a carne e provar; 9 Para cada 500 gramas cozinhar na panela de pressão por 30 minutos; 10 - retirar o excesso de gordura; 11 - pode-se liquidificar parte da carne, desfiar a outra e juntá-las. Mentalmente, anotei os onze passos. Sempre revendo coisas, voo a outros pensamentos, muitas viagens com morada ou estadia prolongada por muitos países.

niassa.jpg Contando-os cheguei ao número 24 dando-me ao desfrute de os alinhar de forma aleatória: - Angola*; Portugal*; Brasil*; Namíbia*; Moçambique*; Venezuela*; África do Sul*, Espanha*; Marrocos; França; Itália; Zimbabwe´; Botswana; Suazilândia*; México; Lesoto; Bolívia; Chile; Argentina; Turquia; Inglaterra; Dubai; Estados Unidos da América e Argentina.

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O Niassa meu berço natalino não entra neste computo por já ter sido desmantelado em uma siderurgia de Bilbao em 1979, quatro anos depois de ter transportado as últimas tropas do M´Puto até à metrópole e, também a ultima bandeira portuguesa hasteada no Palácio da Cidade Alta de Luanda. Se tivesse de escolher um daqueles países para viver de novo optaria por viver em um vapor e só depois em uma Angola, Namíbia ou Brasil.

bra1.jpg Tenho razões de sobra para não optar por Portugal mas não rejeito ser português porque me orgulha sua gesta heróica de idos tempos. Eu até sei que o orgulho é a catarata que obscurece a vista de qualquer um e, que  de nada serve apresentar a luz a um cego. Também sei que o maior cego não é aquele que não vê mas, aquele que não quer ver.

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O que nos leva a decidir na escolha da terra para se viver é um conjunto muito vasto de razões pessoais, sociais, culturais e fundamentalmente dos sentimentos. A rejeição a tantos é mais por desencanto, locais frios e amargas vivências; desilusões e frustrações por parte de gente que deveria ser amável e que na altura certa não o foi; tivemos de singrar entre muita apatia e injustiça.

niassa8.jpg Pela língua aglutinadora de fados, futebóis e outros edecéteras, deveria colocar o M´Puto em 1º lugar, terra de meus pais com ascendentes e descendentes com gente de barlavento e sotavento, da raia, da Beira ou Alentejo mas, quis o destino excêntrico quanto baste de me fazer optar por um vapor, navio de águas profundas saído da sucata da primeira grande guerra como local de nascimento: - Niassa!

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Assim balouçado pelo mar, quero permanecer por opção ser um Niassalês. Muita gente dirá que esta postura minha vem dar forma a subir uns cagajésimos ao meu curriculum mas, que fique claro que é este o meu orgulho a fazer gaifonas às tais cataratas que me obscurecem o que não pretendo ver. Desde o onze de Novembro de 1975 que me sinto um desclassificado cidadão e, assim irei continuar…Por agora sinto-me bem no Brasil, terra dos meus “egrégios avós” como diz o hino…

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017
PARACUCA . XXIII

TEMPOS DORMIDOS - Entre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido da fábrica de Letras in Kizomba com estórias da vida …

Por

soba15.jpg T´Chingange

No quase fim de ano de 2016 rapidamente cheguei ao posfácio dos singelos poemas de Emanoel Fay. E, passando pelas mensagens as correcções, os elogios, as ornamentadas homenagens com prémios e comendas e, sempre em letras volumétricas, perfumei-me nas simples palavras de tocar sinos em dias de Nossa Senhora da Aparecida, uma santa que três pescadores acharam numa das muitas lagoas da costa brasileira.

peter0.jpg Escultura de pau escuro, quem sabe saída do tal naufrágio em que os índios comeram o primeiríssimo bispo do Brasil de nome Sardinha. Também com este nome não se poderia esperar um fim mais apropriado e digno. Dom Pedro Fernandes Sardinha, ou Pero Sardinha, nascido em Évora em 1496 e papado pelos Caetés de Alagoas, Coruripe do Brasil no ano de 1556.

sardinha0.jpg Essa vila de Coruripe ainda hoje paga um laudémio à Santa Igreja por tamanho forró descabido em que gente desnuda, musculosa e de tez parda que assou mais de oitenta náufragos. Ao lugar chamam agora de Feliz Deserto. Como pode ter acontecido estas coisas numa terra tão linda e pacífica aonde os biquínis deram lugar ao fio tapador de bunda.

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Voltando aos três pescadores, como nesse dia o peixe foi avondo, a crença milagrou o acontecido. Creio que meu avô Loureiro estava por perto e, porque misteriosamente, encontro na sala da casa de um primo meu, no lugar de Barbeita da Beira Alta, perto de Viseu, uma imagem dessa Senhora. Coisa inaudita porque ali no M´Puto não há nenhuma Nossa Senhora preta.

amilcar 3.jpg Só podia mesmo ter sido do Senhor Manuel Loureiro, meu avô que depois de deixar duas filhas em sítio incerto, rumou de novo para Portugal, tísico chupado das mulatas, como se dizia nesse então. Em Barbeita há sim a Nossa Senhora do Parto muito carregada de oiros nos dias de festa. No quinze de Agosto saem com Ela a dar um passeio pela urbe meia medieval e é bonito de ver as bandeiras estandartes. Homens de batina branca esvoaçando ternuras alinhada entre muros graníticos de pedra solta, musgosas.

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Homens da hermandade de Santo António da qual eu pertenço desde que nasci. Sou sim, membro desde que dei o primeiríssimo berro balouçado em um barco com o nome de Niassa em águas territoriais de N´Gola. Bom! Voltando ao livro e da frente para trás chego às miniografias, letra grande e esparsa com referência eméritas à terra dos Marechais aonde se fala de seus pecados enaltecendo as almas.

bruno17.jpg Muitas almas, que agora andarão penadas com suas grandes espadas enfiadas em coiros e mistérios de palavras doces como sempre convém constar em prosas versejadas e versos singelos dedicados àquela Nossa Senhora duma vasta eucaristia de muitas Marias na terra. Coisas de dedicação mariana de quem sabe as paradas de todos os calvários. 

paracuca1.jpg Com egos engravidados solo suspiros de sonhos na forma de louros de oliveira, solto pétalas e folhas acerosas de chá caxinde, capim-santo ou cidreira chegando ao prefácio. Aqui, mergulho todinho na água benta, água da vida presenteando difusas carícias, como brisas esbarrando nos ventos e também questiúnculas de métrica e rima.

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Da singeleza de tudo assim fiquei ungido de sem regras no linguajar e formas nova, revolucionárias talvez e desprovidas de regras. Nesta vanguarda estética dizer que desgostei, não faz parte do meu Adeus porque gosto das pessoas e seu lado bom em detrimento do outro lado que não serve nem ao próprio nem a ninguém.

pa3.jpg

*Paracuca: - 500 gr de ginguba sem ser torrada, 250 gr de açúcar (ou mais), 2 chávenas de água - Preparação: Juntar todos os ingredientes numa vasilha e levar a lume brando. Vá mexendo, sempre, até a mistura ficar solta. Deite num tabuleiro (agitando para ficar solta) para arrefecer.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXII

CINZA NAS NUVENS  – 24.01.2017Amai-vos uns aos outros, mas só se for para valer. Se tem furúnculos e verrugas cure-os com avelós…

Por

soba15.jpgT´Chingange

O ser mais digno de pena aqui na terra é aquele que transforma todos os seus sonhos em dinheiro. E, tem muita gente que leva todo o tempo fabricando preocupações, sempre com os neurónios arrumados por forma a ter o seu dinheirinho a qualquer preço e por vezes sem a atitude ou ética correctas no amanho e até amesquinhando os demais, rapinando seu semelhante. Estou em crer que nunca a felicidade alcançara este tipo de pessoas que veneram o dinheiro sem lhe darem o real valor nas mutações da vida.

avelós1.jpg Há gente que sempre se engrandece, gente que se gaba de que dá muito, que se enaltece, fazendo riqueza desmedida chupando o tutano a quem lhes faculta essa gravidez de vida. E, são muitos os que conheço que assim procedem deixando na carência seus auxiliares mais próximos; gente que sempre anda com o credo e Deus na boca como dizendo-se os eleitos d´Ele, criticando com desusadas medos e temores desse seu Deus. Mas que é isto, Cristo!

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Os mistérios da vida são simples, mas há seguramente seres que se julgam excepcionais explorando seu semelhante e, tudo vislumbrado na mira do lucro, desprezando valores de que eles só falam, mas não fazem! Ninguém é responsável por nossos próprios destinos a não ser nós mesmos e, uma obra-prima, só o é efectivamente quando as minucias forem perfeitas.

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Criamos em nós próprios os infernos de tristeza e angustia porque sempre desprezamos a crucial ideia de que o céu está dentro de nós; que não é preciso morrer para ir para o céu! Que nem é necessário nenhum assessoriamente de pastor, sacristão ou outro cidadão para falar com Deus! A igreja está connosco, nosso templo, nossa mente, nossa alma legada por Ele. E, o inferno é uma má ilusão de quem a si e aos demais dá ou vende fantasias impingindo a alma.

avelós0.jpg Neste momento, um homem aqui na praia anda para cá e para lá rodando na forma de vassoura um aro com uma haste de onde saem uns fios ligados em seus ouvidos por um iPhone. É um buscador de pequenos tesouros perdidos na areia da praia assim como cordões, braceletes, fios, relógios e bugigangas menores de ferro ou ouro e prata. Foi quando lhe disse: Oi moço, se por aí encontrares um parafuso enferrujado, é meu! Ele riu-se e continuou sua tarefa de sobrevivência e paciência numa fé de ganha-pão. Possivelmente, foi até hoje seu maior investimento.

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De todo o modo acabei por consolar o moço dizendo-lhe que tudo o que por direito for meu a mim chegará na hora oportuna sem aquela tecnologia de ponta. Afinal de que nos valerá o conhecimento de todas as ciências do mundo e de tudo o que nos rodeia, se ainda não somos conhecedores de nós próprios.

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Agora que sou mais maduro, e que tenho fungos parasitas a roer-me o casco, digo aos meus mais próximos, amigos e afins que se dizem ser, que não se escravizem em opiniões de leviandade ou com a ignorância porque o que importa mesmo é o que verdadeiramente se é. Não gosto de conversas choronas; não o façam perto de mim porque não acho ser meritório qualquer lamento vazio - em vão!

avelós3.jpg Conversando com Platão, o filósofo grego, este disse-me que as pessoas que alimentam conversas sobre suas doenças, dificuldades ou pobreza, o fazem com mau uso! Que sempre se agridem nesse modo de falar e porque quanto mais falam mais agravam seu estado de equilíbrio psíquico. Disse-o assim mesmo: Viver com optimismo e alegria é a meta perfeita de cada um de nós porque a beleza da matéria passa depressa; Somos água no estado solido e, num repente sublimamos- passamos ao estado gasoso.

avelós4.jpg O amor quando verdadeiro coloca em primeiro lugar a felicidade do ser amado! Se isto não se adapta a você, tente cultivar esse nobre sentimento que não virá mal ao mundo nem a si! Seu corpo só será sadio quando a sua mente o for. Comece por aí corrigindo-se sem se enganar e lembre-se sempre que a sua mão direita não saiba o que deu a sua esquerda e, por ai vai!... Não! Não se enalteça gratuitamente! Os infernos só existem porque nós os fabricamos. Se tem furúnculos e verrugas cure-os você mesmo com avelós mas não o leve à vista porque isso cega….

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:22
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017
XICULULU . XCIV

NAS CINZAS DO TEMPO19.01.2017 - Um homem sem religião é como um peixe sem bicicleta…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Hoje, o dia acordou encoberto mas, isto não impediu que eu e Ibib fossemos à praia da Kanoa - Sete Coqueiros da Pajuçara. Coloquei meu chapéu-de-sol e duas cadeiras bem no alinhamento dos postes de futvolei, bem na linha de morte das ondas da maré cheia, um risco de algas ao longo da baia, ainda o tractor andava num e noutro sentido riscando a areia fina com um ancinho. Antes de iniciar minha habitual gimnástica de talassoterapia e, porque o céu estava um pouco carregado de escuro, sentei-me a admirar o horizonte, um barco de pesca que vindo da faena fazia seu roncar arritmado do motor.

lourdes8.jpg Olho para o lado do sol nascente e vejo um rapaz moreno que espetando uma alga num pau, a levanta e, fala com ela. Falar com uma alga!? O vento trazia até mim um fala desconhecida, assim cósmica, penetrante e com estalidos de submarino como estando mergulhado em águas profundas; por vezes também estalidos de dialecto kamusekele. Assim, ele falando para aquele tufo verde de alface-do-mar e estirados fios, noto com surpresa que estas tomam uma forma de pomba. Verde na cor mas, pomba!

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O moço continua falando e, num repente o pau e pomba ficam flutuando no ar enquanto ele junta as mãos como que rezando dirigindo uma prece para o céu. E o céu estava carregado de algumas nuvens de chuva tapando o Sol. Eu estava boquiaberto, estupefeito vendo isto tão fora do compreensível. Belisquei-me e a unha, feriu-me! Estava vivinho da Costa.

lourdes7.jpg Eis que num repente e do lado dos coqueiros, bem junto à barraca Kanoa, sai um grupo de 3 homens ainda jovens e duas moças bem espigadas; um dos homens era preto retinto e com os dentes alvos e grandes. Os demais eram bem branquelas. Estes cumprimentaram efusivamente o moço da pomba de algas e, reparo agora que as mesma, era agora branca e pairava no ar bem por cima deles, como se fosse um gavião ou um peneireiro das torres.

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Estes quatro homens e as duas mulheres juntaram em um monte e na areia seus pertences, chinelos e xailes pareu ou capulanas, mais chapéus e, foram-se todos em magote para a água.

Usavam uma língua cármica, cósmica e gosmosa com estalidos de sonar e, ginasticando muito seus gestos; num dado momento e, logo após ter soado uma campainha irritadiça, som vindo do nada, mergulharam na água como golfinhos. E, afastaram-se para além da minha percepção. Mistério!  Escafederam-se!

lourdes1.JPG Minha pele metida agora na água estava arrepiada como pele de galinha despenada. Entre o incrédulo e assombro, observava sem nada poder fazer. Tu viste isto! Falei para Ibib já sentado a seu lado. Isto o quê? Disse ela. Esses jovens que se foram mar adentro e que deixaram esse monte de seus pertences! Dizendo isso apontei para o monte de roupa e chinelos. Falei aos soluços abreviados e no caso da pomba mas Ibib interrompe-me – mas ali não há nada!

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Fiquei bem preocupado comigo mesmo! Afinal só eu estava vendo tal desassombro! Ui! Mas que raio!? Pensei estar apanhado de qualquer malazenga e disse a ela, deixa para lá…. Vou de novo até à água com os pensamentos zunindo diabruras e de costas para a areia e molhado até ao pescoço. A água estava quente, eu já quase não tinha pé e por ali fiquei mexendo-me sem os definidos movimentos habituais.

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É naquele preciso momento que vejo uma onda subir anormalmente até àquele monte de roupa dos candengues estranhos e, assim como dois braços recolhe-la toda num ápice e rebocá-la para o mar. Parece que alguém a estava puxando e, por encanto tudo se tragou na água. Devo ter comido qualquer coisa alucinogénia disse de mim para comigo. Assim estava quando começou a cair uma chuva; pingos molhados grudando-se-me ao costado como se me estivesse revestindo em mel.

lourdes2.jpg Sacudi, raspei e abanei mas nada! Estava literalmente grudado com aquele unguento castanho como o mel. Não tenhas medo! Foi a voz que ouvi sussurrada bem no interior dos meus tímpanos! Vinha de uma figura jovem mas de contornos indefinidos pairando na água sem ocupar espaço nela.  Relampejando seu olho verde repetiu: -Não te aflijas!

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Estás a ser alvo de um teste para sabermos se podemos contar contigo nesta transição espiritual entre o aqui e o álem! Meio acagaçado acho que falei, não tenho a certeza se abri a boca ou se, só o pensei. Mas, porquê isto tudo e, comigo? Ele aquietou-me com suas mãos que me pareceu ter uns doze dedos em cada: Lembras-te de quando foste ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes em França no ano de 2003?

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Lembras-te que te banhaste na fonte de água por debaixo do Santuário e no mesmo lugar aonde Bernardette Soubirous verificou o milagre da gruta de Massabielle? Pois fui eu como voluntário que te lavei naquela água benta, que te purifiquei com uma esponja. Eu e tu, todo despido! Conversei contigo umas escassas palavras e já nesse então vi que virias a ser um bom espírito missionário ou voluntário como eu nesse então. Sim! É verdade que me lavaram nessas tinas, numa gruta e no mesmo sítio da aparição da Senhora àquela menina que teve essa visão! E, isso é tão verdade como dois, mais dois serem vintidois.

lourdes5.jpg Pois então, chegou a hora de seres mais um voluntário a juntar-se-nos. Mas eu nem teu nome sei, disse! Sou Gerard Mussulini e até trouxemos o Kamanga Alex Tati que veio das lagoas de Cabinda. Em verdade estive em Cabinda tal como estive em Lourdes mas daí a ser uma coisa como vocês, vai alguma distância! Enganas-te amigo! Foi quando surgiu ou desimergiu das águas o coisa preta que conheci na Lagoa do Bumelambuto bem perto da capital do enclave.

lourdes3.jpg Tudo estava a tomar um jeito nebuloso pelo que lhes disse que eu era um católico romano, mau praticante em verdade, mas assim fui baptizado e crismado; que até fiz a comunhão. Pois agora és tudo isso e mais um irmão espírita. Passas a ser nosso embaixamor em estas águas quentes do Iemanjá. O Sol, neste então abriu-se e os tufos de algas verdes que formavam a linha da maré cheia viraram pombas brancas e cinzentas; voaram como uma nuvem em direcção à lua difusa entre a luz do dia mas verdadeira. Tudo ficou por aqui… Há coisas que nem mesmo bem contadas, são tomadas a sério.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:17
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXI

NUVENS DE CINZA – 17.01.2017Curar uma alma, é como ler um livro bem devagar e, concluindo um capítulo de cada vez. Assim apalparemos as medidas da natureza, sarando as feridas da mente …

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Curar uma alma, é como ler um livro bem devagar e, concluindo um capítulo de cada vez. As janelas das lembranças abrem-se ou fecham-se seguindo uma cronologia muitas vezes alheia. Umas mergulham na dor, outras em alegrias e, segundo as transições de nossa existência. Porque as coisas foram assim e não de outra maneira nem sempre ficam ao nosso alcance, dependendo de factores a nós alheios; resta-nos manter a tranquilidade do ser porque o que tiver que acontecer, sempre acontece.

sardinha01.jpg Da perfeição com que manter seu aprumo, sua calma, assim dependerá sua oportunidade para receber uma incumbência maior. Eram três horas da manhã quando me refastelei na rede da varanda. Acordei e, porque o sono não voltava, para aqui vim ver o luar de Janeiro. A lua cheia está bem por encima dos prédios aqui circundantes, as nuvens baixas correm no sentido da terra firme e, ora tapam o globo cheio da lua, ora a destapam.

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Foi quando reparei num raio de luz a bater na parte inferior do branco sujo de algumas. A lua tinha nela manchas escuras dispersas pelo seu centro fazendo recordar-me que minha mãe, a tantas perguntas de criança dizia a mim e meus irmãos que aquilo eram silvas transportadas como carregos na costa de homens agricultores. No correr do tempo deu para perceber que aquelas falas eram ditas para aliviar desconhecimentos e evitar perguntas complicadas dos kandengues.

lua6.jpg E, porque a sombra sempre se mantinha no mesmo lugar aquilo só podia mesmo ser treta de mãe. Foi neste então que me lembrei de perguntar a Deus se estas incógnitas eram para se perpetuarem na cabeça de muitos que nem tampouco acreditavam que os homens anos mais tarde chegariam à lua, ao tal lugar das silvas e, a que chamaram de mar da tranquilidade. Foi neste então que surgiu o meu mais recente amigo  ET STAR 3C325, o tal que saiu da estação orbital nº YYY3C e oriundo duma galáxia a mais de 260 milhões de anos-luz.

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Disse-me telepaticamente que nós somos uma bola de ilusão de cor arroxeada e que salta entre corpos assim como dizem, ser espíritas que desencarnam de uns e se grudam a outros corpos sem terem a plena certeza que estão sujeitos a essa mutação. Aquilo que vocês dizem ser a alma! Que tal como ele um corpo etéreo feito holograma, viaja no espaço-tempo electromagnético do Universo sem bordos, sem cantos nem fim.

lua5.jpg E falou na forma de nos encarnarmos de forma aleatória ou por escolha! Disse também que Jesus Cristo feito homem, foi o único que reencarnou no próprio corpo mas, que chamam a isso de ressuscitação; que também fez isso a Lázaro. Perante o meu indício de desconhecimento, acrescentou que nós gente de carne e osso só o somos enquanto somos para perpetuar o mundo num mistério que só é lícito ser do conhecimento do Pai, Deus. Só ele tem o condão de decidir.

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Que por isso Ele é Omnipotente, Omnipresente e Omnisciente está na Natureza, em todo o lado. É o Senhor absoluta de todas as coisas, acrescentou. Não sei do porquê, este ET despejava isto para mim mesmo sem que lho perguntasse mas, até isto ele leu nos meus neurónios. Poderão comparar isso da alma como sendo um celular tablet que num instante retém, envia ou recebe ondas eu se transformam em imagens e retêm dados.

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Mas que não tem alma, o coração fulcral dos cinco sentidos do olfacto, da visão, da audição do paladar e do tacto. E, disse mais ainda: quando saíres desse corpo poderás entrar ou não em um outro corpo e esquecerás o que és para voltares a ser! Possivelmente já foste o Capelo Ivens ou o Vasco da Gama mas, agora nessa figura a que te chamas de T´Chingange só ficarás no futuro como uma lembrança de ti, teus sonhos escritos, tuas estórias e inventações, tuas dissertações e fricções neste espaço terra, uma areia do Universo.

ÁFRICA3.jpg Este ET revolucionário estava a meter-me macaquinhos na cabeça. Fiz-lhe um gesto de vai-te embora e fiquei ondulando um adeus até um outro encontro. O ET não fez qualquer reparo e bazou sem prenúncio nem indícios com rompantes. Não há noite eterna à qual não suceda a luz de um dia radiante; dos sofrimentos passados conservaremos apenas uma ténue lembrança quase apagada. Num repentemente num flache, dilui-se no ar misturando-se nas nuvens…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:18
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Domingo, 15 de Janeiro de 2017
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXI

MULOLAS DO TEMPOMilagres da vida com talassoterapia Farrapos de imagens que vi com nitidez de adulto na gesta colonial e M´Puto...

Por

soba15.jpgT´Chingange

Hoje apetece-me falar sobre os mistérios da vida que vivenciei em pequeno, kandengue e filho mazombo do Senhor meu pai Manuel de nome e, Cabeças por alcunha. Para sobreviver à vida depois da guerra de 39 a 45 resolveu sair daquela terra de frios do M´Puto, tendo chegado à Luua de N´Gola levado pelo velho vapor Mouzinho de Albuquerque. A Dona Arminda minha mãe, algum tempo depois e, após ter recebido carta de chamada, saiu do M´Puto vertendo choros no cais de Alcântara. Da amurada daquele vapor com o nome de Uíge, pouco a pouco via Lisboa e o Tejo ficarem lá longe tapados pela neblina.

bungo8.jpg Os tamancos de pinho não eram suficientemente quentes para animar o dia que se seguia naquela terrinha e, vai daí, meu pai tentou a Venezuela e o Uruguai mas as facilidades só lhe surgiram para a África, Terras Ultramarinas de Portugal. Deram-lhe passagem de colono após preenchimento de impressos timbrados com a esfera armilar. Através da Companhia Nacional de Navegação zarpou no tal vapor por volta do ano de 1950.

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Dito e feito! Ele estava cansado de explorar volfrâmio para enrijar os canhões de Hitler, de cavar as terras dum sítio chamado Cornelho, duma Pereira e um Vinagre, lugares vistosos de verde que no correr do tempo ficaram silvas e tojos pelo abandono. Muito mais tarde apreciei a beleza que ele nunca teve tempo para apreciar; o vale profundo enevoado com o rio Dão a correr para Alcafaxe e, lá longe a brancura de persistentes manchas de neve dispersas; as encostas da Serra da Estrela vendo-se as luzes de Seia, Folgosinho e Mangualde; podia ate ver-se com nitidez e em dias claros a ermida  de Nossa Senhora do castelo.

bungo6.jpg Farrapos de imagens que vi com nitidez de adulto com cheiros de resina, giestas sentindo também o som martelado característico de tamancos nas calçadas de pedra granítica, irregular, e com rilhas de rodas de carros de bois. Também o pisar de tojos amontoados nas travessas e quintais fazendo curtir o estrume necessário para as batatas, as hortaliças, couves tronchas ou repolhudas. Um esboço medieval de uma típica aldeia mesmo ao lado de Viseu.

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Ainda não havia aqueles adubos de mau cheiro que logologo surgiriam para fazer crescer os tubérculos que alimentavam as gentes, os bichos e as cabrinhas que davam leite. E, aquelas casas malcheirosas de fedor a subir, a entrar nas frestas do soalho e nas ventas, saídos das lojas com ovelhas, burros, bois ou cabras para esquentar os sobrados e seus donos no lado de cima. Frios de cheiros entranhado nos tornozelos, pés gretados, caucionados nas frieiras da Beira Alta Interior quanto baste; um frio do caraças de arrepiar dedos com dor.

bungo7.jpg Mas esta crónica foi pensada para falar do milagre a que assisti já em Angola; milagre que durou os anos de minha juventude, do que eu presenciei nas visitas que meu pai fazia a um antigo sócio do volfrâmio chamado Lázaro pai de Álvaro, um menino que comecei por ver paralítico e numa cadeira de rodas. Enquanto meu pai foi trabalhar para as brigadas do caminho de Ferro de Luanda, antiga Ambaca, Lázaro foi colocado como capataz de estiva no porto de Luanda.

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Minha família ficou a morar no Rio Seco da Maianga, início do Catambor e Senhor Lázaro instalou-se em uma casa de madeira em um bairro chamado de Bungo e mais tarde de Boavista. Ficava mesmo à beira mar da baia de S. Pedro da Barra, uma faixa de terra entre a linha recente do Caminho-de-Ferro e o mar. Estes barracos foram surgindo em áreas do domínio público e cada qual fazia seus puxadinhos até a areia e, bem no término das marés altas. Era assim que viviam os colonos pobres, paredes meias com cortiços, quase musseques tendo por vizinhos pretos e mulatos.

bungo5.jpg Isto para dizer que da varanda que dava para o mar, Álvaro o moço paralítico rojava-se até às águas espelhadas da baia e ali ficava quase todo o santo dia. Sempre que meu pai visitava seu amigo Lázaro eu, também aproveitava ficar ali nas mornas águas sacolejando-nos em jogos variados. Por vezes, até dormia lá a pedido de Dona Micas mãe de lázaro a fim de ter companhia; embora tivesse mais irmãos, ele e eu dávamo-nos bem ou de um outro jeito. Eu era bem tolerante com os esgares e caretas que Álvaro fazia no esforço de pronunciar falas; até nos entendíamos por gestos e vontades telepáticas.  

bungo2.jpg Assim o Tonito da Dona Arminda por lá ficava uns dias com seu amigo Álvaro o paralítico, coitadinho. Sentimo-nos peixes na água mergulhando como golfinhos ou boiando como bogas, roncadores e mariquitas. Por vezes e dentro de água fazíamos grandes pescarias daqueles peixes e até carapaus, agulhas ou garoupas. Bom! Agora vamos ao tal milagre.

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Álvaro começou gradativamente a andar, primeiro titubeante agarrado a bordões e mais tarde solto destes, andando como um boneco de circo, pernas esticadas e bamboleando, mas andando! Estou a ver seu sorriso ao longo do tempo quando fazia uma qualquer outra avaria; um sorriso babado com descontrolo muscular mas sortido de alegria. Pouco a pouco foi deixando a cadeira de rodas e até já ia só, até o transporte que o levava à escola do Kipaka!

bungo1.jpg A razão por que falo disto é a de que se há qualquer coisa que reabilite nossos ossos, músculos e rijeza ao organismo é mesmo o iodo das manhãs nas águas quentes do mar; uma tal de vitamina D que nenhuma pilula nos pode dar. Como kota, sinto isto desde 2006 pela ida muita frequente à praia, aqui no nordeste Brasileiro. Entre as 6 horas da manhã e as nove horas, lá estou metido até o pescoço na água da Pajuçara. E, olhem que é bem notório o bem que me sinto.

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Mas a grande felizarda é mesmo minha mulher Ibib com seus 75 anos de idade que não andava 100 metros quando aqui compramos casa e agora, sem se queixar das mazelas dos ossos, já anda quilómetros. Isto, o gozo da natureza, é o melhor que podemos ter nesta idade! A minha talassoterapia nas águas quase paradas e quentes da Pajuçara de Maceió é prioritária. Os resultados são lentos mas eficazes para quem persiste e, porque a natureza só por si dá-nos recursos. Recursos que a maioria das gentes desaproveita.

bungo4.jpg É por isto que não me posso ver longe do mar tropical por muito tempo. Todos os dias faço movimentos os movimentos recomendados pelo meu próprio “personal trainer”… Eu, próprio. Agradeço assim sem protocolos à mãe natureza e seu dirigente chamado Deus sem outras felpudas falas e, porque os homens mais dignos de penas serão aqueles que transformam seus sonhos em prata e ouro. Faço os possíveis!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:45
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLX

CINZAS DO TEMPO – 10.01.2017 – Quando tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza, sarando as feridas da mente …

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange

Fugindo daqui e dali vejo-me em aflições só minhas, porque o passado reconheceu-me na palidez enrugada da velhice e, desperta-me agora para as verdades superiores. Duas e meia da manha e eu levanto-me com uma tosse de cão revivendo as debilidades que somos em função dos ácaros, dos parasitas, das bactérias aéreas e adjacentes que no trazem rouquidão indesejada. Da varanda olho as nuvens que correm baixo bem por cima dos arranha-céus e, não vejo nenhum anjo vindo do além neste agora, a quem possa fazer uma prece para fazer sair os desassossegosos espirros de mim.

knorr1.jpg Com palavrões dentro da cabeça, tentei reconstruir minha já antiga convicção de que não é com vinagre que se apanham moscas; com os nomes esvoaçando, fui buscar as novidades fracturadas com figas e juras por sangue de Cristo, personagem a quem inevitavelmente se recorre quando nos sentimos débeis ou oprimidos.

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Por vezes falo com Ele como se fosse meu companheiro de escola e, desta vez pedi-lhe que acabasse com este meu desconforto de mijar raiva de mim aos poucochinhos na forma de espirros, baba de sinusite lançando meus bacilos para o espaço, minhas bactérias e ranhosidades inconvenientes. Eu sei que é coisa pouca mas, tenho de ter condições para espalhar alegrias ao meu redor e, não ficar remoendo nas alergias da vida.

amolador 1.jpg Na última sexta-feira aconteceu ir a um lugar chamado de Barra Nova na Ilha de Santa Rita com um casal amigo de já algum tempo. Foi um encontro de amigos que têm vivências espíritas e que no intuito de criarem ali um Centro aonde possam reviver suas experiencias se juntam fazendo suas preces no campo espiritual e, assim associados, desenvolvem temas ouvindo-se uns aos outros promovendo ajudas à colectividade.

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Não vos pareça estranho esta minha presença neste núcleo de amigos porque do que vi e ouvi, não retirei venenos de lisonja nem desnorteadas criticas a outras fés como é comum observar nas demais, nem senti haver galanteios vazios de valor. Ouvi diálogos com elogios, alertas de necessidades com um apelo constante no uso da palavra por forma a afastar as vibrações nocivas de nossa vida.

zumbi3.jpg A partir dum sim ou de um não desenvolveram-se temas transcendentes de como os últimos serão os primeiros, e ouve passagens de descrição que me tocaram mormente as falas de Júnior ao descrever sua participação em uma campanha chamada de “campanha do Kilo” e, na cidade de Maceió. E, porque me parece relevante, passo de forma sucinta a transcrever. No bairro escolhido, creio que no da Jatiúca, Júnior abordou um senhor que tudo indicava ser de posses, o carro em que se fazia transportar era de ultima ponta tecnológica e eis que abordado e ficando Júnior de mão estendida, aquele dito senhor com desprezo, cospe nela.

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Júnior tinha todos os motivos para se indignar mas, esfregando sua mão nas calças estendeu a outra dizendo: - Senhor, esta sua oferta foi para mim, dê-me agora a ajuda para minhas crianças carecidas! Este desprezo e mau carácter foi observado por um outro senhor mais velho, humildemente vestido, denotando-se nele carências alargadas.

 

mutopa5.jpg O velho senhor de barbas grisalhas aproximou-se de Júnior e deu a saber-lhe que sim, conhecia a obra do Centro que ele referiu e que era um trabalho que ele admirava. Que tinha uma escassa reforma, dava guarida a um filho desempregado e vivia como podia na graça do senhor. Júnior a convite do velho, entrou na modesta casa. Este, foi-lhe mostrada as condições de carência sem nunca a referir e, entretanto abriu o armário da cozinha. Nele havia um pacote de caldo Knorr e uma caixa de fósforos.

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Se isto lhe for útil pode levar! Júlio não teve coragem de recusar aquele tão pouco mas tanto de quem quase nada tinha. O velho acrescentou: Os fósforos dão para acender o fogão e o caldo para uma sopinha, leve, disse ele! Júnior em função do que viu convidou o senhor a passar lá pelo Centro a fim de comer uma sopa saída deste caldo e outras dádivas.

socie5.jpg Foi marcante esta descrição para mim que tanto deliro nos folguedos da vida fácil em comparação com aquele velho senhor que tudo deu. E, seu tudo - era quase nada, mas era! Cada um recebe de acordo com o que dá! Isto pode ser vivenciado por mim ao longo da vida. E há um dia em que somos tocados por uma vírgula desprendida dum qualquer texto colocada no lugar certo; foi este o meu caso.

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Como dizia no inicio desta breve cónica, vejo-me em aflições só minhas, porque o passado reconheceu-me na palidez. Estou ainda a tempo de realizar um novo começo, despertar-me voluntariamente para as verdades superiores de num agora, ajudar o próximo como a si mesmo! “O próprio céu tem horário para as trevas e para a luz” disse Júnior em tom de reflexão. Cada um precisa caminhar com seus próprios pés para aprender a viver. Assim, sem prever o sucedido e, neste agora, aprendi a conhecer-me melhor! E afinal, sempre haverá um dia mais especial que qualquer outro … e, aquele foi-o!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:51
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLIX

CINZAS DO TEMPO – 03.01.2017Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade … Por coisas do demónio, somos todos isósceles …Deusmelivre de cair na tentação em ser rico e escaleno…

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

Andamos poluídos em ideias e, com o corpo suscitando mil obstáculos pela necessidade de cuidarmos dele, o corpo. Ele, o corpo enche-nos de desejos, de temores, ira, tristeza, de mil ilusões e mil tolices. É assim, impossível sermos sábios, mesmo que se seja só por um instante se não desligarmos o espírito do corpo. Um dia qualquer, você vai transpirar de frio sem controlar seus nervos e vai ter de recorrer a um comprimido, colocá-lo debaixo da língua para atenuar seu pavor.

dia54.jpg A verdade! Que é isso? O homem de terra a terra considera as coisas dum ponto de vista material - vive iludido sem as apreciar com justeza porque para isso necessitaria vê-las do alto, dum ponto de vista espiritual. A verdadeira sabedoria deve em verdade isolar a alma do corpo porque enquanto corpo e alma se acharem mergulhadas nesta corrupção terrena, nunca se irá possuir o objecto de nossos desejos: - A verdade!

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Só poderemos conhecer a verdade quando libertos da loucura do corpo, suas vibrações e palpitações, ansiedades descontroladas com coisas medonhas a tolher sua liberdade. Somente o homem que se despoja dos vícios e se enriquece de virtudes pode esperar com tranquilidade o despertar de outra vida. Qual outra vida? Haverá de ter-se em conta que a palavra demónio (daemon) da antiguidade, não era tomado em mau sentido como o é agora.

roxo96.jpg Daemon (do grego) eram todos os espíritos de entre os quais se destacavam os chamados génios da mitologia ou deuses, "divindade" ou "espírito". O nome em latim de daemon veio a dar o vocábulo em português de demónio; no entanto, ao longo da história, surgiram diversas descrições para esses seres. Seu temperamento liga-se ao elemento natural ou vontade divina que o origina.

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Um mesmo daemon pode apresentar-se "bom" ou "mau" conforme as circunstâncias do relacionamento que estabelece com aquele ou aquilo que está sujeito à sua influência. Xenócrates associava os deuses ao triângulo equilátero, os homens ao escaleno, e os daemons ao isósceles. Ser feliz para os gregos é viver sob a influência de um bom daemon (demónio). Assim surge a forma como Sócrates se refere a seu daemon. E, chegamos assim aos espíritos que regem ou protegem um lugar, como uma cidade, fonte, estrada, etc.

araujo6.jpg O génio pessoal, usado por Sócrates quando ao contrário de seus colegas sofistas não abriu escola assim como não cobrou dinheiro por seus ensinamentos. Ele dizia que apenas falava em nome do seu "daemon", do seu génio pessoal. As afectações humanas, de corpo e de espírito, tinham estes como criadores do Sono, Amor, Alegria, Discórdia, Medo, Morte, Força, Velhice, Ciúmes e outros edecéteras.

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Na antiga Grécia muitos deles daemons viviam entre os mortos no submundo, porém alguns viviam entre os deuses no Olimpo mas, outros viviam entre os mortais na Terra. O conceito original entre os gregos ainda os liga aos elementos da natureza, surgidos em seguida aos deuses primordiais. Assim, há daemons do fogo, da água, do mar, do céu, da terra, das florestas, etc.

roxo29.jpg Se “é pelo fruto que se reconhece a árvore”, frase que se encontra muitas vezes repetida no Evangelho, como chegamos ao conceito de que a riqueza é um grande perigo!? Porque todo o homem que ama a riqueza não ama a si mesmo nem ao que é seu; ama a uma coisa que lhe e ainda mais estranha do que o que lhe pertence.

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Tratemos de instruirmo-nos mas, não nos injuriemos diria hoje de boa-fé Platão. Mas se Platão revivesse hoje, encontraria as coisas mais ou menos como no seu tempo e, poderia até usar a mesma linguajem. Por haver professado estes princípios Sócrates foi ridicularizado, acusado de impiedade e condenado a beber cicuta, um veneno mortal. As grandes verdades não podem estabelecer-se sem luta e sem fazer mártires. Deus-me-livre cair na tentação de ser rico! Só quero mesmo ter o suficiente…

Ilustraçõe de assunção Roxo e Costa Araujo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:56
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016
MALAMBAS . CLVIII

CINZAS DO TEMPO – 28.12.2016Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade …

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange

Muitas das leis que nos regem são um logro. Diz o paradigma de nossa cultura que são necessários no mundo conturbado que nos cerca mas elas, as leis só são pensadas para quem as cumpre. Um estereótipo normal de cidadão é invariavelmente penalizado pelas leis que deveriam ser para todos. A doutora síndica do apartamento que tenho alugado em Maceió queixa-se de que há condóminos que têm seus pagamentos atrasados com um percentual elevado e, vê-se agora na contingência de a contragosto ter de lhes fazer uma dedução com o objectivo de executarem seus débitos.

amigo00.jpg Ela necessita desse dinheiro para cumprir obrigações de fim de ano. E, ela nem pode fechar-lhes o gás, a água ou a luz porque a lei brasileira não permite isso. Se o fizesse ela não se veria em palpos-de-aranha para pagar a quem deve. Para resolver o problema ou sobe a prestação do condomínio ou mete o faltoso em tribunal; este faltoso por norma aluga o apartamento e tem dinheiro, mas alega o inverso e, se levar isto a tribunal, o incumpridor vai pagar em prestações de cacaracá com inerentes gastos judiciais.

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Os condóminos zelosos e cumpridores acabam sempre por ser sobrecarregados com esta falta de cidadania de alguns. É uma amarga verdade que origina repulsa dos demais. Vejo pelas notícias que o mesmo sucede a nível de países, estou a recordar Portugal que recentemente deu benesses de perdão a incumpridores do fisco, mas há mais na lista. E, há os bancos que falham em seus empreendimentos com a anuência do Banco Nacional que tem o dever de os fiscalizar; Claro que quem vai pagar a factura, é sempre o povão!

ÁFRICA3.jpg Esta tolerância está desvirtuando desde algum tempo a honorabilidade da sociedade, a ética dos cidadãos. Estas práticas baseiam-se em teorias por forma a moldar e modificar o mundo real beneficiando o infractor! Nestas engenharias financeiras existe uma ligação de dependência em fenómenos que são a “causa” de rebelião - injustas interpretações no mundo em que vivemos. Isto está muito mal!

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As ciências sociais coligam factos e, a partir deles concluem teorias, porém esta visão é irrealista porque as teorias não provêm dos factos num caminho lógico. As teorias encontram seu suporte nos factos experimentais, mas isto terá de ser contestado porque elas, as teorias moldam e condicionam o nosso conhecimento desses factos! O carácter e a logica hoje, acabam por ser nefastos ao cidadão cumpridor.

ara3.jpg As hipóteses alternativas sempre suplantam as leis básicas do sistema constituindo-se benesses aos incumpridores; Um despacho não pode matar um acórdão e, nem um parecer pode ter a força de alterar um decreto. Esta ciência à cedência, não possui métodos seguros e universais para que todos reconheçam nela, validade. É notoriamente uma falácia, fraude ou roubo! Um disfarce feito remenda à consciência e constituição. Isto não pode ficar assim institucionalizado como se fosse coisa vulgar.

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Há sempre um salto no desconhecido, uma quase instituição que torna convencional os princípios teóricos fingindo não pôr em causa o valor cognitivo da ciência; aqui as teorias operam sobre uma realidade não totalmente dedutível ao sujeito incumpridor. Demonstra-se assim que as leis e teorias podem e devem ser corroboradas pela experiência, mas nunca podem ser verificadas como “verdades absolutas”. Elas são uma fraude!

mess04.jpg As teorias só são “verdadeiras” até que se prove o contrário! Elas não podem ser eternas nem imutáveis. Elas têm num dado momento de morrer porque são injustas; não é racional dar galardões a ladrões! Nem a intrujões e outros que tais! Os defeitos deste modo de governar são óbvios e os seus erros, de grande gravidade incentivam ao descaso, ao despifarro, à astucia sempre maldosa, sub-reptícia de quem não cumpre retirando daí vantagem…

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Diz-se: O crime não compensa. Será isto uma verdade!? A mente parece ficar possuída de um poder de visão simultaneamente a partir de diferentes pontos de vista. É como subir a uma árvore, a cada bifurcação há que escolher o ramo da direita ou da esquerda, realizando-se uma experiência para fazer a escolha apropriada.

arau5.jpg Por vezes ficamos emocionalmente ligados, o que impede ou dificulta um julgamento imparcial. Quando surgem assim pré-juízos, a mente rapidamente degenera-se num autoritarismo de parcialidade. Definitivamente quem não cumpre, não deve ser valorizado ou enaltecido. Deve sim, sofrer as consequências! Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas porque das muitas injustiças, pode sem se querer, saírem à luz do tempo feridas mortais.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:42
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016
XICULULU . XCIII

NA CINZA DOS TEMPOS - 27.12.2016  - Para planear um futuro mais racional em sociedade, nem sempre podemos domesticar a palavra…

Por

soba15.jpgT´Chingange

Considerando a idade das galáxias em milhares e milhares de milhões de anos, os alienígenas atingiram pela certa o nosso infantil Mundo na era da pedra lascada também há uns bons milhões de anos e, vendo o nosso estágio de vida foram-se de novo embora deixando indícios formulados agora em suposições. Através de análises de carbono e versões ainda titubeantes à escala das dúvidas e falas programáticas, tentam os cientistas agir com eficácia. Claro que sempre surge a tal lei da incerteza.

apocri3.jpg Surgem com paradigmas novos, hipóteses de construirmos um novo começo. Que, afinal o inferno é só uma metáfora de alma isolada (ou exilada) e, que como todas as almas em última análise, unir-nos-á no amor com DEUS. Bom! A vida com este novo meu amigo ET 3C325 tem de ser saboreada aos goles, aos poucos. Ele diz que tudo isto é fruto da mente humana e, que os ancestrais dele já passaram há muito tempo por isto.

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Meu amigo ET é desconcertante e, nem me atrevo a dizer a nonagésima parte do que diz. Por demasiada periclitãncia teremos de nos preencher com coisas pequenas para nos totalizarmos na harmonia do consolo, sem passar daqui! Ele, confirmou-me isto telepaticamente!

arau45.jpg Se nós, ainda nos andamos a matar como se fossemos dum tempo antes do Adão e da Eva, falando por dá cá aquela palha no inferno como castigo, queimando-nos em fornos crematórios para purificação! Nós vemos o inferno como um artifício literário. Teremos de entender as fracturas que a vida nos proporciona por coisas ou eventos que não nos agradam e ver-nos como uma ilusão.

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Nós lidamos isolados como se não houvesse certos fungos que temos de alimentar, se não houvesse plantas, frutos e sementes comestíveis. Nós não existiríamos sem esses parasitas; sem lobos não haveria cães, sem aves selvagens, não haveria galinhas e, por aí. Por isso na civilização descobriram os antibióticos a penicilina e, por ai teremos de navegar nossas vidas; descobrindo coisas boas.

roxo95.jpg O que me leva a escrever é o fruto do assombro, um fenómeno que leva a retina ao cérebro, a imagem traduzindo pontos em teorias de conhecimentos passados engravidando espantos em coisas que não esperávamos porque não procurávamos. É quando as leis que se pretendem universais apresentam axiomas e postulados portadores de evidências intuitivas ou princípios também eles assombrosos.

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Porque a ciência não é mais do que o esforço humano na descoberta ou criação de uma dada ordem no mundo que nos rodeia. A ordem concebida terá de ser julgada por valores de compreensibilidade, estéticos e de utilidade. Numa democracia somos todos livres de acreditar naquilo que quisermos mas, a humanidade existe com um propósito ou um sentido social porque o cérebro humano evolui segundo um conjunto de regras. Só espero que na estação orbital YYY3C do meu amigo ET 3C325 para onde irei, seja melhor do que isto.

Ilustrações de Costa Araujo e Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:22
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Domingo, 25 de Dezembro de 2016
MONANGAMBA . XLIII

NO DIA DE NATAL . 25.12.2016 - Monangamba é nome africano, nome de vendedor de trabalho avulso…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Monangamba é nome africano, nome de vendedor de trabalho avulso, que pega e despega, pago à hora de carrega e descarrega as coisas de um patrão que só o é pelo necessário tempo de levar ou trazer a tralha, o lixo, os cacarecos ou ainda, aqueles que sempre o fazem às ordens do município, gente desclassificada sem eira nem beira, a quem os candengues em outro tempo gritavam de Monangambé!

lobo1.jpg Eles, os monangambas da Luua destratavam nossas mães chamando-nos de sundiamenos, filhos da puta, e também de sungadibengos de merda; faziam-no com raiva como fazem os cães que ladrando assim uns com outros, firmam suas desavenças, cada qual formulando supurações fétidas. Ares de superioridade lembrando escravas conveniências, e escrúpulos sociais disfarçados de empertigadas invejas. Era só um tempo chamado de passado.

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Agora que sou kota, fico rindo muito mole na minha honestidade preguiçosa das coisas que me alegravam nesse tempo de kandengue, resmungados agora  nos entorpecimentos massajados com essência de terebentina como fungicida entre as camadas de caspa e peles mortas nas virtudes.

MONA2.jpg Com essência de canfora, retiro o sarro de ideias naftálicas ginasticando-me nas águas quentes brasileiras a norte e a sul dos bueiros crioulos que largam seus pecúlios a céu aberto sem arbítrio dos activos ou passivos. Assim mesmo com política de vinte mil reis burlados nas formalidades curadas no imenso depósito de cloreto de sódio, o soro do Mundo.

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Sentado junto ao mar fico ouvindo aquela música feita de gemidos do mar na forma de ondas. Hoje, dia de Natal do ano de dois mil e dezasseis entorpecido na embriaguez do vento morno, deixo-me embalar no espanto, vendo gente graciosa e alguns poucos restos de esqueletos cobertos por um pele seca a devorar-se sem tréguas do tempo.

magao01.jpg Um rumor quente do dia de festa vai-se formando o longo da língua de areia morena da praia da Pajuçara. Gente que andou no regabofe passa na faixa da maré-baixa, uns vestidos, outros descalços e outras morenas com seus vestidos de cambraia plissados a ferro e acompanhadas de velhos rufias entumecidos de cachaça.

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Corpos lustrosos de suor, rindo forte com a camisa a espigar-se-lhes pela braguilha meia aberta.

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Ontem queria ver a missa do galo com o Papa Francisco mas, repimpado como estava, não deu para manter o olho aberto mais para além das dez e trinta. A itaipava geladinha a acompanhar, primeiro com o camarão à Jucedi, depois o bacalhau com broa da Filomena e por último o peru da dona Emília, fizeram com que o bocejo forçasse o quartilho certo de sono a deitar-se.

MONA3.jpg Assim foi e, já estirado na cama gulosa pude ouvir o tilintar de talheres e copos. Ontem, dia de Natal foi dia de comer e beber à fartazana, ficar de boca cheia com beiços envernizados de molhos gordos. Não tive pança para tocar nos bolos, nas tortas e tarte mais o pudim. Não há mesmo como viver um dia de cada vez, assim cada um senhor e dono do que é seu!

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Apreciar os pés sem meias, metidos nuns chinelos polidos do uso e respirando as falas de manjericão, as graças de brasileiros perfiladas num gancho de espetadas com cheiros de baunilha e outras plantas aromáticas – Eu quero que você me dê um feitiço para prender meu homem! Foi o que consegui ouvir das conversas do lado em plena praia. Estava na hora certa de regressar.

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Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:43
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Sábado, 24 de Dezembro de 2016
XICULULU . XCII

NA CINZA DOS TEMPOS - 24.12.2016 ... Eis que chega Bocage desfazendo-se em obséquios de exagerada franqueza…

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t´chingange.jpeg T´Chingange

Na mira de ter um assunto para escrever lembrei-me do moscatel de Setúbal em um tempo em que eu era o Visconde de Palmela, um homem muito cheio de solicitudes hereditárias; um janota muito vestido de sedas e que sempre me dispunha a respirar cheiros agradáveis com essências refinadas. Refinadices de gente da corte e também vinagres aromáticos para apagar vestígios de bocejos cansados dum resto de domingo, cheiro de velas e rezas defronte do oratório de Nossa Senhora das Dores ao sol-posto.

bocage0.jpg Naquele dia tinha convocado Bocage para comer trouxas-de-ovos vindos da Malveira. Inicialmente era para ter sido no café Nicola mas um contratempo de véspera com José Maria Barbosa du Bocage originou mudança para a tasca refinada do Mata-Sete, um tipo que se diz ter sido o carrasco do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes do Brasil. Veio para aqui após dar morte deste em abril de 1792.

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Eu, Visconde de Palmela, fiquei num recanto da tasca aonde os rumores eram quentes e garridos a condizer com as peças de cozinha caprichosamente enfeitadas com resmas de alho e cabaças deformadas em anormalidades bizarras. Sobre um barril, um gordo escanchado na forma de boneco saloio, nariz batatudamente avermelhado fazia um manguito bem explícito:“ queres fiado,… toma!”.

bocage2.jpg Eis que chega Bocage desfazendo-se em obséquios de exagerada franqueza como a de quem não olha a gastos nas gentilezas, acompanhado de uma mulher morena, notoriamente de olhos embevecidos nele, um acompanhante de ternos sonhos de pandega boémia. Bocage era um vendedor de palavras distintas para os nobres, satíricas para os ricos, subterfugidas ao clero e de partir a mola aos proletários.

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Não era vulgar aparecer assim em companhia de uma donzela feita naquele tipo de sol crepúsculoso a fazer ferver o sangue dos homens, metendo-se-lhes no corpo como luxurias de bode. Embora tivéssemos combinado o encontro, ele e ela que desconheço foram direitos ao homem que no limiar das pedras graníticas dedilhava gemidos em uma guitarra, sons de fado. A morena por ali ficou ao lado do guitarrista a quem cumprimentou denotando-se alguma intimidade. Recolheu de sua mala um xaile preto rendado, acomodando-se em seguida no ofuscado recanto.

bocage4.jpg Tudo indicava ser a fadista de serviço naquela terça-feira e na tasca do Mata-sete. Outra coisa não deveria ser, porque Bocage não sopraria fora a cinza da fornalha de seu ferro de engomar.  Ele o vendedor de palavras versejadas, chegou à minha mesa, cumprimentou-me com as mesuras costumeiras, mas lamuriando-se estar neste então entregue à protecção de nossa Senhora do Ó. Até então, desconhecia esta senhora, juro!

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Foi quando me contou a cena do dia anterior, e que originou esta mudança, lugar de encontro. Sabes lá! A cena passou-se ao sair ontem do café. Um ladrão aproximou-se de mim com uma pistola em punho para me roubar. O que é que eu ia fazer! Disse-lhe assim: - Sou o poeta Bocage, venho do café Nicola e irei para o outro mundo se disparas a pistola. Ainda ficou pensativo e tive de mostrar os forros dos meus bolsos para se inteirar da verdade. Isto só mesmo comigo!

bocage3.jpg Após ver os forros dos bolsos sem cheta foi-se! Neste entretanto fizeram-se ouvir os primeiros acordes do fado “as pedras da calçada”, um choradinho na bonita voz que dispunha um qualquer a suster o jarro de lata do tintol de Palmela! E cheirava a fritos, crepitavam mini labaredas gretando o chouriço; ao lado demolhavam broa em pingo de febra de porco, as luzes davam vida a almas desconhecidas na fé da vida m voos nocturnos.

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Era ela a Alzira, prima em segundo grau do matador de alferes cantando as falas de Bocage; iluminada por três fingidos lampiões, seu xaile relampejava nos pingarelhos de madrepérola. Bocage embevecido com sua alegria fez um gesto para que eu, o Visconde de Palmela ficasse quieto e calado. O Mundo é grande!  Para um pé doente, há sempre um chinelo velho!

bocage5.jpg Sem assunto para conversa! Caluda que se canta o fado! Levantei meu copo de moscatel de Setúbal bebendo-o de uma só vez sem demais solicitudes. Um néctar da minha lavra, salvo seja. Soube que dias depois, Bocage foi admitido na Escola da Marinha Real aonde fez estudos regulares para guarda-marinha. No final do curso desertou, mas, ainda assim, a meu pedido surge nomeado guarda-marinha por D. Maria I.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
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Domingo, 18 de Dezembro de 2016
MUXIMA . LXVI

MULOLAS DO TEMPO O tempo suficiente para chegar a ser idoso … Mulola só é rio quando chove a montante…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Os avanços feitos pela medicina moderna na batalha contra as infecções, contra o cancro, contra as doenças nutricionais, têm aumentado a probabilidade de qualquer individuo viver o tempo suficiente para chegar a ser idoso. Metade das pessoas nascidas nesta geração podem ter a esperança de ir para além dos setenta anos se entretanto não houver acontecimento circunstancial alheio a si próprio, como uma guerra nuclear ou uma qualquer indistinta catástrofe.

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Sempre existiram pessoas que podem comer livremente e que o fazem ingerindo de tudo em quantidades maiores do que as necessárias; nosso corpo armazena o excesso sob a forma de gordura, um armazém de calorias que dará para sustentar a pessoa durante um período em que a comida disponível é pouca, caso contrário a pessoa excede o peso recomendável ficando atreito a doenças degenerativas ou metabólicas como os diabetes e a aterosclerose entre outras.

leão0.jpg O único modo racional de o evitar é diminuir a ingestão de alimentos ou aumentar a actividade física; as pessoas que se recusam a fazer qualquer destes dois cuidados, estão condenados a continuar com excesso de peso ainda que se possa experimentar truques. Por mim, ando entre hora e meia a duas horas e faço alguns abdominais para reduzir a curva inestética da obesidade.

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Ao longo da maior parte da história da humanidade os alimentos das pessoas consistiam naquilo que se podia produzir localmente e, mesmo assim geralmente não existia a fartura que há hoje. Dependiam de factores externos como as pragas, falta de chuva ou excessivo calor. Antes destes tempos modernos a fome era invariavelmente um fenómeno local; não havia mobilidade e as famílias resignavam-se aos desígnios da natureza.

leão01.jpg As províncias vizinhas de uma dada região podiam até ter comida acumulada mas, não podia ser transportada para a área afectada pela fome; Sabemos que nos dias de hoje morre muita gente em África e Ásia por má distribuição de riqueza ou pela seca mas esses povos são invariavelmente geridos por déspotas, ditadores que se governam, que comem bem e só deitam os ossos aos seus cachorros.

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É confrangedor o que se pode ler, ver e ouvir todos os dias por esses países geridos por crápulas incompetentes que só olham o seu umbigo e seus eleitos pares como Roberto Mugabe do Zimbabwé ou Eduardo dos Santos de Angola. Quantos povos ricos de água, de minerais e até de infraestruturas que lhe foram legadas pela descolonização e, se encontram agora em total abandono.

bruno27.jpg Poucos são os países africanos que se podem considerar isentos na forma de gestão de seu território; até os mais desenvolvidos como a África do Sul que enferma de graves problemas tribais, que dificulta também a vida a técnicos que lhe fazem falta só porque se é branco. Quando assim procedem, estão nitidamente a causar embaraços ao desenvolvimento de seus países, de seu povo.

leão3.jpg Os homens da antiguidade aprenderam a conservar os alimentos secando-os, salgando-os aumentando o seu teor em açúcar e fermentando-os. Hodiernamente foram desenvolvidos métodos de armazenagem sob vácuo e tornou-se assim desse modo ser possível conservar quase tudo em um estado próximo do original. A preparação mata os microrganismos evitando a reprodução e sequente crescimento de outros.

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O vácuo tornou-se praticável por um cozinheiro francês de nome François Appert, que desenvolveu essa técnica por via de um prémio atribuído por Napoleão I, a quem descobrisse um método de conservar os alimentos por longo tempo e, para uso de seus exércitos. Nesse então foram utilizados frascos de vidro mas, actualmente usam-se caixas de aço revestidas a estanho (latas). Mais recentemente usa-se o plástico.

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A partir da segunda guerra mundial os alimentos congelados tornaram-se cada vez mais populares surgindo um número crescente de geleiras domésticas aumentando ainda mais a disponibilidade e variedade dos alimentos frescos nos lares. Todos os países têm agora redes de frio com veículos apetrechados a fim de manterem o fluxo certo de géneros, frutas, legumes, peixe e carne nos mercados regionais. Verifica-se deste modo ter aumentado a praticabilidade das modernas manias alimentares, um negócio em expansão.

leão2.jpg É assim possível comer-se hoje uma larga variedade de alimentos essenciais à maquinaria química do corpo. Quem seguir uma dieta normal e variada comendo de tudo um pouco ficará na esmagadora maioria livre das chamadas doenças de avitaminose. Foi necessário esperar pelo último quarto do século XX para que a dita dietética descobrisse as quantidades e substâncias nos alimentos de forma a ter-se uma alimentação saudável.

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Já la vai o tempo em que o escorbuto matava gente por desconhecimento; os capilares tornavam-se cada vez mais frágeis, as gengivas sangravam os dentes soltavam-se. Os portugueses sentiram este estado de coisas em suas navegações ao redor do mundo. Vasco da Gama e Fernão de Magalhães tinham de levar alimentos que não se estragassem como o biscoito e carne de porco, salgada. E afinal, bastava terem limões, laranjas ou caruma de pinheiro para eliminarem esse mal. Resta-nos agora uma luz para exterminarmos o câncer! Estará a cura na raiz da planta “dente de Leão”? Tomara!

leão1.jpg A planta chamada de dente-de-leão (taraxacum officinale) é considerada daninha por muitos, tamanha é a facilidade com que se dissemina, inclusive através de brincadeiras de crianças, que sopram suas sementes ao vento, espalhando-as e ajudando a planta a germinar. No nordeste do Brasil é conhecida como “esperança” mas também tem outros nomes tais como: taráxaco, alface-de-cão, amargosa, amor-de-homem, etc.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:21
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Sábado, 17 de Dezembro de 2016
MUXIMA . LXV

MULOLAS DO TEMPO -17.12.2006 - O ESQUECIMENTO EXISTE EM NÓS PARA QUE NOS SEJA POSSIVEL SUPORTAR AS MINUDÊNCIAS DA VIDA…

Por

soba 01.jpg T´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Sente-se e respira Angolano, tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto. Anda por África às arrecuas para fugir à regra, um paradigma novo, só seu.

São seis horas da manhã e está um vento frio e mar encrespado; as ondas de maré-alta lambem-me os pés. Ontem a NASA tinha dito que não haveria sol intenso em virtude de haver uma explosão solar e que por via das poeiras a Terra iria ficar de um nublado carregado mas o que verifico são haver nuvens como em qualquer outro dia. Tomando o iodo com a vitamina D, eu e Ibib tentamos pendurar os dias respirando a natureza entre as seis e as nove horas da manhã porque depois desta hora o sol queima demais. Na orla e caminhando pelo calçadão ginasticam-se donzelas perfumadas aos magotes.

nauk6.jpg Velhos e novos bronzeando também seus suspiros de Deus apreciam enquanto caminham os enfeites natalícios que mostram árvores, botas, trenós, os Reis Magos Melchior, Baltasar e Gaspar e luzes trepadoras que se estendem coqueiros acima. Aqui e junto à quadra em areia de futbolei vão armando as redes. Não demorará nada a iniciarem seu jogo, dois de cada lado usando o tronco a cabeça e os pés. Eu fico vendo-os deliciado com sua capacidade física.

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Ontem, aconteceu que um homem de meia-idade encarquilhado de corpo e creio que da cabeça com cabelos empestados de sujeira de esterco, homem morador de rua que fica aonde o deixam ao relento, por debaixo de uma amendoeira ou coqueiro, fez suas necessidades bem perto de nós. Assim, destapando o fiofó para o infinito do mar, meio curvo lançou suas quezílias no verde-mar, pluf-pluf.

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Fiquei surpreso mas ele na maior, despreocupado do mundo, de rabo alçado ao céu de Nosso Senhor foi limpando suas intimidades meio tapadas por um calção que em tempos foi verde e, muitos atilhos empeçados nos trastes, seus pecúlios de riqueza.

araujo30.jpg Isto acontecer em uma praia nobre, brada aos céus mas nós já em horas de regresso zarpamos dali depois de comprar dois cocos frios para amornar ruindades do pensamento. Do meu lado esquerdo posso admirar ao longo da língua da areia branca da Pajuçara as velas triangulares das jangadas quietas que levam mais tarde  os turistas até o largo, mar rasteiro, maré-baixa, água límpida bordeada com rochas, recifes e corais com peixes de cores variadas.

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Estou em Maceió do Brasil revendo pensamentos, cortando pedaços de polpa de cocos, distribuído pelos muitos pombos que deambulam em meu redor. São estes os limpadores naturais desta praia; em outros lados são os urubus. Ibib aqui a meu lado lê em voz alta um livro que fala de encarnações de vidas.  E fico preso à narração: Uma neta que teve um bom relacionamento com a avó em vida mas, esta morreu tinha ela desaseis anos.

araujo19.jpgA moça ficou muito zangada, sentiu-se abandonada, começou a ter sonhos perturbadores em que a avó estava sempre partindo deixando-a só. Os anos passaram, sua vida foi aplacada mas, esses sonhos reapareceram quando ficou gravida. No sétimo mês de gestação começou a sentir pela casa o cheiro do perfume que a avó Oscélia usava.

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A neta Cese, quando viu a filha recém-nascida, sentiu-se com a sensação de ter tido com ela uma antiga familiaridade. Pouco antes da menina Dee completar dois anos começou a dizer e a fazer coisas que a deixavam bem pensativa.  Quando a criança tinha cerca de um ano e oito meses, no supermercado, Dee deu seu gritinho de prazer dizendo: Olha mamãe, olha a minha amiga Berguer aqui! A senhora Berguer? Isso mesmo… sou eu! Disse a própria olhando a pequena, sem contudo a reconhecer.

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A senhora Berguer e a avó Oscélia tinham sido vizinhas durante 35 anos. Tempos mais tarde a mãe Cese resolveu levar a filha Dee a um salão de chá ande era costume ir com sua avó. Aqui a Dee falou com alegria: “eu gosto deste lugar!”. Quando se aproximou a empregada, garçonete, uma senhora já de certa idade, Dee exclamou: Lá vem a Elen! Quando esta se aproximou pode ler seu nome no crachá “Elen”; esta ficou pouco à vontade porque, nunca tinha visto aquela menina.

roxo92.jpg Saindo de um outro sítio e em outro momento tendo Dee dois anos, em um cruzamento da cidade e sem motivo nenhum, ela começou a chorar dizendo para a mãe: Mamãe, você aqui tem de ter muito cuidado, visse; aqui é muito perigoso, a gente se machuca! Chegada a Casa Cese falou com sua mãe que lhe confirmou ter tido a avó Oscélia um atropelamento em esse mesmo cruzamento; tinha nesse então nove anos, disse a mãe.

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Foram estes pequenos actos de leitura que me levaram a pensar seriamente sobre a reencarnação, coisa que a Igreja católica nunca aceitou! Neste pequeno evento de vida posso recordar coisas que nem sempre podem ser faladas. Ainda teremos de aprender a conviver com as coisas de agora e que estarão por vir. Os espíritos embora escolham voltar, quase todos encaram com relutância a vida que se aproxima.

roxo90.jpg Vêm-na mais como um dever algo desagradável que têm que fazer para alcançar o desenvolvimento espiritual. Não é difícil imaginar a relutância do espírito em deixar um lugar de amor incondicional para retornar a um mundo imperfeito e aonde há luta dor; no desejo de iluminação o anseio por unir-se a Deus é mais forte do que qualquer sofrimento na Terra.

Ilustraçõs de Assunçao Roxo e Costa Araujo

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:02
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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2016
MUJIMBO . CIV

MOKANDA DO BRASIL

Mujimbo é boato, um diz que diz…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

temer4.jpgA convulsão política no Brasil continua provocando batalhas políticas que colocam em causa todos os lugares da hierarquia institucional brasileira incluindo mesmo o Senado que se tem mostrado senão titubeante, tendencioso, segundo a visão de independentes. Não tem havido soluções pacificadoras para a política brasileira. Seus comportamentos só poderão culminar em que “a única coisa sabida é a de que isto vai acabar mal, qualquer que seja o resultado”.

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A lama suja todos; a política brasileira vive dias de brasa. "As assembleias vistas pelo povo pela TV são até um bocado caricatas”. Dizem e desdizem-se porque eles sabem bem o que são e, porque não há políticos brasileiros dissociados ao escândalo da Operação “Lava Jato”.

temer1.jpg A dificuldade é saber se uma qualquer lista tem ou virá a ter alguma credibilidade. Porque a partir de certa altura, vão todos os nomes para a fogueira. Os justos e os pecadores são tratados da mesma maneira. Do ponto de vista da estabilidade do regime, isso torna muito problemático o que se está a passar neste momento do Brasil.

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E Temer, sendo o segundo na linha de sucessão de Dilma teve uma conduta critica e dúbia porque no derrube de Dilma afirmou: “Se a Presidente sobreviver, eu também não saio do lugar”. Ou seja, ele tenta derrubá-la, mas se por acaso falhar ele não sai do lugar dele. Isto revela um grau zero da vergonha e do pudor em política. O que indicia um problema mais grave, para além das personagens em concreto. O sistema é profundamente disfuncional, manifestamente em desequilíbrio politica. O Brasil precisava de tudo neste momento menos de uma crise institucional mas parece não haver como retroceder.

temer2.jpg Há aqui, nitidamente, uma vertigem autofágica do sistema político brasileiro. E os protagonistas ainda não perceberam que estão todos a atirar também nos próprios pés. Podemos comparar este esquema de “Lavajato” com a operação Mãos limpas de Itália: - (Mãos Limpas) em Itália, nos anos 90. Em Itália havia um sistema de loteamento na distribuição das luvas nos concursos públicos, em função da representatividade de cada um dos partidos a nível nacional e regional.

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Foi isso que esteve na base da grande operação que começou na Procuradoria de Milão, que destruiu depois o Partido Democrata Cristão Italiano, o Partido Socialista Italiano e o próprio Partido Comunista que não saiu incólume destas suspeitas! Estamos a viver exactamente uma situação desse género. O escândalo Petrobrás é um escândalo de loteamento de luvas em que todos os partidos estavam associados à quota.

temer3.jpg É difícil encontrar um político que não tenha culpas no “cartório” argumenta-se com razão! E a seguir a Temer quem virá, num período que se prevê ser breve? Se não correr muito mal há-de emergir alguém em democracia. A profecia do Carlinhos adivinhador diz que será um tal de Álvaro Dias, um ainda ilustre desconhecido nestas correrias ao pódio da nação. Tanto quanto sei, é um Senador como tantos outros. Irá ser assim, Progresso para estes e  Ordem para o Povo, tal como diz a bandeira das muitas estrelas… 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:31
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Domingo, 4 de Dezembro de 2016
MOKANDA DO BRASIL . VII

A GUIANA FRANCESAQue foi Luso-brasileira entre  1809 e 1817…

Por

soba15.jpg T´Chingange – Por pesquisa na NET

Em 5 de agosto de 1498, durante sua terceira viagem, Cristóvão Colombo atinge pela primeira vez a costa das Guianas. Entre 1499 e 1500, a primeira exploração do território da Guiana é feita pelo espanhol Vicente Yáñez Pinzón, que explorou as costas do Planalto das Guianas entre os deltas do Amazonas e do Orinoco. O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 para delimitar os territórios da Espanha e de Portugal no novo mundo, não tinha ainda conhecimento das Guianas.

guia1.png Assim, já em 1503, um primeiro grupo de colonos franceses se instala na Ilha de Caiena durante alguns anos. Mas, foi em 1624 que o rei Luís XIII de França ordena a instalação dos primeiros colonos, originários da Normandia. Por dois séculos Guiana fica quieta com afazeres análogos aos territórios vizinhos com aproveitamento de madeiras e culturas indígenas.

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Com a invasão de Portugal em três investidas feitas por Junot, Soult e Messenas pelas tropas de Napoleão Bonaparte e a partir de 1808, a família real portuguesa (a Rainha Maria I e sua corte) muda-se para o Brasil, transferindo a sede da monarquia lusa para Rio de Janeiro. Depois da derrota francesa em Trafalgar em 1809, as forças luso-brasileiras invadem a Guaianá com o apoio Anglo-português. Caiena, a capital da colónia sul-americana francesa cai com a deposição do governador Victor Hughes.

guia2.jpg A ocupação, que não perturbou a vida diária dos habitantes, durou até 1814 depois do Tratado de Viena a 30 de Maio, ficando anexada ao Brasil até 1817 - (naquela época, o Brasil era um reino unido a Portugal). Mesmo diante do regresso do imperador Napoleão I do exílio e, tendo reassumido o poder da França, o acto final foi assinado nove dias antes da derrota na batalha de Waterloo a 18 de Junho de 1815.

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Entre 1852 e 1945, prisioneiros comuns e políticos eram deportados da França continental para esta província, e em especial para a Ilha do Diabo. Entre os prisioneiros célebres que por aí passaram estão Alfred Dreyfus e Louise Michel. O livro Papillon, de Henri Charrière, mais tarde transformado em filme retractou o cotidiano desses condenados e o tratamento brutal ao qual eram submetidos.

guia6.jpg Era para ali que eram enviados os opositores políticos dos diversos regimes que aconteciam em França. Em um século havia 80.000 prisioneiros vivendo em condições insuportáveis e o número de presos que morria era muito elevado. No mesmo século foi encontrado ouro, nos rios do interior de Guiana, mas isto não foi de grande ajuda para a economia da Guiana, uma vez que a mão-de-obra de lavouras diminuiu muito devido à perspectiva de maiores ganhos.

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A descoberta de ouro por outro lado, provocou disputas fronteiriças. A Guiana Francesa descoberta em 1.500 e colonizada no século XVII só estava habitada por indígenas. Na costa, viviam os caribes e, no interior, as tribos wayana, oyampi e emerillon. Os caribes, índios guerreiros, foram os que mais reagiram à presença espanhola desde o século XVI.

guia3.jpg A cidade de Caiena, a capital, foi fundada em 1637. Foi disputada por holandeses e franceses, mas foram estes que finalmente a estabeleceram como colónia naquela região. No fim do século XVII, começam a chegar os escravos que trabalhariam nas plantações de cacau e café mas, em 1794, é abolida a escravidão; foi novamente implantada na década seguinte e, abolida definitivamente em 1848.

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O Jardim Botânico do Rio de Janeiro recebeu, nesse período, numerosas espécies de plantas da Guiana Francesa. As deportações terminam em 1938, mas a instituição prisional continuou funcionando. A repatriação só começa a partir de 1947, quando a Guiana se transforma em departamento ultramarino (território integrado à República francesa). Em 1.964, é decidida a construção do Centro Espacial de Kourou para a Agência Espacial Européia; o Centro Espacial começa a funcionar em 1968 e, é ali que começam a ser lançados satélites com a ajuda de foguetes Arianne.

Bibliografia: Cronica de Thais Pacievitch

As Opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:23
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2016
XICULULU . XCI

NAS CINZAS DO TEMPO01.12.2016 - Um homem sem religião é como um peixe sem bicicleta…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Coma uma lesma viva de manhã e, nada pior lhe acontecerá nesse dia. É como a Lei de Murphy diz "se alguma coisa pode dar errado, assim será". Foi com estas duas ideias que comecei o dia caminhando. Eram cinco horas brasileiras quando me dispus ao caminho com mais um amigo que em tempos trabalhou na Usina Uruba. Ele recordou-me serem esses tempos idos de muita cachaça e, amiudadamente refere que graças a Deus esses tempos já não o são mais e, por graça da igreja que agora frequenta, evangélicos do sétimo dia.

cispla1.png E, como um homem sem religião é como um peixe sem bicicleta, também defini por mim próprio que um homem sem reais no bolso, nada pode comprar. A experiência de vida leva-nos a tirar conclusões rápidas tornando-nos quase sábios mas, com quarenta reais no bolso, botei meu boné amarelo com buracos de refrescamento e minhas botas de papa-léguas com pontas de aço. Com uma manga semi verde em cada mão por aí fomos.

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No refresco da manhã e, faltando vinte minutos para as seis da madrugada, chegamos à feirinha do “Cleto” situada num bairro entre a via expresso e a Avenida Fernandes de Lima de Maceió, que segue até ao aeroporto Zumbi dos Palmares e continua para Recife pela via BR-101. Aqui é um dia normal de quinta-feira mas no M´Puto é feriado, dia da restauração de Portugal.

uruguai1.png Com os apetites afiados na vontade de querer, perguntei ao cara careca da banca do peixe se tinha sardinha e, respondendo-me afirmativamente mandei-lhe pesar 3 quilogramas e que por ali passaria a recolhê-la dentro de dez minutos. Recomendei que lhe tirasse a cabeça e tripas.  A intenção era fazer uma caldeirada na panela de pressão com verduras de pimentão, maxixe, cebola, batata e couve.

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Sardinhas limpas, sacola num vai e vem da caminhada no rumo de regresso até Antares, bairro de caserio baixo e construção modesta. Percorremos ruas empedradas, asfaltadas e em terra bordeada a capim, cachorros espreguiçados nas ombreiras de portas desniveladas, pintos correndo em fila atrás da mãe pedrês e ciscando depois nas humidades de águas descuidadas, paradas na negrura saponácea das valetas.  

uruguai7.jpg Já banhado, flanelas frescas de limpas, calos raspados, tomo o café da manhã composto do meu milongo de abóbora com gengibre, queijo de búfala e pão com fermento biológico feito pela Margarida, a senhora da casa.  E, vem a simpatia da dona na forma de banana comprida frita mais a tapioca e o mamão. Para terminar o café Santa Clara bebo-o com sorvos de prazer miudinho entretendo os entretantos com o linguajar nordestino entremeado pelas vidências do Carlinhos profeta.

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Lá fora no canto coberto e ventilado da casa, meu porta-aviões, espera-me a rede de esfregar preguiça e cochilo mas, entretanto juntei meus livros, meus caderno e lápis mais o ilustre computador para neste puxadinho alpendre e na mesa redonda com toalha de pano de cocô assentar meus pensamentos na forma de palavras baloiçadas. No jeito de amor que me é peculiar, boto falas atravessadas e canforadas no espirito de massajar os amigos sem a essência de terebentina.

uruguai4.jpg Ligo o computador e, este não responde da forma habitual, lento, mas que se passa!? – Pergunto de mim para mim mesmo. Num liga e desliga, acciono o antivírus a fazer verificação completa pelo kaspersky. Neste meio tempo de espera, escrevo estas malambas e na forma de xicululu (olho gordo, feitiço) de modo a não ficar olhando as nuvens com um avião passando de quando em vez, saído do Zumbi.

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E, como meu próximo destino é o Uruguai, vou ao encontro da história para não chegar la vazio de sabedoria. Recorro assim aos meus anteriores escritos referentes ao tempo de D. João VI aquando por ali aquele se chamava de Banda Oriental e mais tarde de Cisplatina e, em que Frederico Lecor teve parte interveniente. Foi este que comandou o exército da tomada do Uruguai a Espanha que se encontrava nas mãos de Napoleão.

uruguai10.jpg Nunca antes se tinha visto tamanho exército em terras Americanas tendo no seu comando homens de armas valorosos, que se tinham salientado em outras praças de guerra; o plano de ocupação da Cisplatina tinha um efectivo de pessoal a saber: 7 oficiais do Estado-maior de Divisão; 10 Oficiais do Estado-maior de Brigadas; quatro Batalhões de Infantaria com mais de 3600 homens.

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Cerca de 900 homens de Cavalaria; 252 artilheiros e 36 músicos. O então príncipe Dom João veio a ser aclamado rei a seis de Fevereiro de 1818. As solenidades de aclamação e coroação como Rei de Portugal, do Brasil e do Algarve, tiveram lugar no Rio de Janeiro tendo na concessão de várias mercês sido dado o título de Barão de Laguna ao General Francisco Lecor, Governador de Cisplatina e Comandante Supremo do exército ali estacionado.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:45
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016
MOKANDA DO BRASIL . VI

 DO BRASIL POLÍTICO - UMA RESENHA - 24.11.2016

Gentileza: O Estadão.

lula01.jpg "O impeachment da presidente Dilma Rousseff será visto como o ponto final de um período iniciado com a chegada ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, em que a consciência crítica da Nação ficou anestesiada. A partir de agora, será preciso entender como foi possível que tantos se tenham deixado enganar por um político que jamais se preocupou senão consigo mesmo, com sua imagem e com seu projecto de poder.

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Por um demagogo que explorou de forma inescrupulosa a imensa pobreza nacional para se colocar moralmente acima das instituições republicanas; por um líder cuja aversão à democracia implodiu seu próprio partido, transformando-o em sinónimo de corrupção e de inépcia. De alguém, enfim, cuja arrogância chegou a ponto de humilhar os brasileiros honestos, elegendo o que ele mesmo chamava de “postes” - nulidades políticas e administrativas que ele alçava aos mais altos cargos electivos apenas para demonstrar o tamanho, e a estupidez, de seu carisma.

lul1.jpg Muito antes de Dilma ser apeada da Presidência já estava claro o mal que o lulopetismo causou ao País. Com excepção dos que ou perderam a capacidade de pensar ou tinham alguma boquinha estatal, os cidadãos reservaram ao PT e a Lula o mais profundo desprezo e indignação. Mas o fato é que a maioria dos brasileiros passou uma década a acreditar nas lorotas que o ex-metalúrgico contou para os eleitores daqui. Fomos acompanhados por incautos no exterior.

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Raros foram os que se deram conta de seus planos para sequestrar a democracia e desmoralizar o debate político, bem ao estilo do gangsterismo sindical que ele tão bem representa. Lula construiu meticulosamente a fraude segundo a qual seu partido tinha vindo à luz para moralizar os costumes políticos e liderar uma revolução social contra a miséria no País.

lula02.jpg Quando o ex-retirante nordestino chegou ao poder, criou-se uma atmosfera de optimismo no País. Lá estava um autêntico representante da classe trabalhadora, um político capaz de falar e entender a linguagem popular e, portanto, de interpretar as verdadeiras aspirações da gente simples. Lula alimentava a fábula de que era a encarnação do próprio povo, e sua vontade seria a vontade das massas. O mundo estendeu um tapete vermelho para Lula. Era o homem que garantia ter encontrado a fórmula mágica para acabar com a fome no Brasil e, por que não?, no mundo: bastava, como ele mesmo dizia, ter “vontade política”. Simples assim!

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Nem o fracasso de seu programa Fome Zero nem as óbvias limitações do Bolsa Família arranharam o mito. Em cada viagem ao exterior, o chefão petista foi recebido como grande líder do mundo emergente, mesmo que seus grandiosos projectos fossem apenas expressão de megalomania, mesmo que os sintomas da corrupção endémica de seu governo já estivessem suficientemente claros, mesmo diante da retórica debochada que menosprezava qualquer manifestação de oposição. Embalados pela onda de simpatia internacional, seus acólitos chegaram a lançar seu nome para o Nobel da Paz e para a Secretário-geral da ONU.

dilma4.jpg Nunca antes na história do Brasil um charlatão foi tão longe. Quando tinha influência real e podia liderar a tão desejada mudança de paradigma na política e na administração pública, preferiu os truques populistas. Enquanto isso, seus comparsas tentavam reduzir o Congresso a um mero puxadinho do gabinete presidencial, por meio da cooptação de parlamentares, convidados a participar do assalto aos cofres de estatais. A intenção era óbvia: deixar o caminho livre para a perpetuação do PT no poder.

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O processo de destruição da democracia foi interrompido por um erro de Lula: julgando-se um “kingmaker”, escolheu a desconhecida Dilma Rousseff para suceder-lhe na Presidência e aquecer o lugar para sua volta triunfal quatro anos depois. Pois Dilma não apenas contrariou seu criador, ao insistir em concorrer à reeleição, como o enterrou de vez, ao provar-se a maior incompetente que já passou pelo Palácio do Planalto.

lula03.jpg Assim, embora a história já tenha reservado a Dilma um lugar de destaque por ser a responsável pela mais profunda crise económica que este país já enfrentou, será justo lembrar dela no futuro porque, com seu fracasso retumbante, ajudou a desmascarar Lula e o PT. Eis seu grande legado, pelo qual todo brasileiro de bem será eternamente grato."

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:59
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Sábado, 19 de Novembro de 2016
MUXOXO . XXXIX

TEMPO COM CINSAS - MACEIÓ - 19.11.2016  

Das razões para escrever …

Por

soba0.jpeg T´Chingange

abac1.jpg Separando o sonho da realidade, tento colocar palavras no papel, para que o cérebro fique destinado a novas vibrações. Agora que já tenho alguma dificuldade em separar o sonho da realidade entre interesses e torpitudes, encavalito-me nas silabas, nos significados, nas bactérias embrionárias dum palavrório perdido entre o fio da meada e a meada do fio.

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Uma crónica escreve-se quando se pretende transcrever uma mensagem ou se, se sente prazer em escrevê-la como, ou quase um exercício de mente, fazendo pesquisas adicionais e, segundo um tema respeitando sempre as motivações subjacentes da comunidade; escrever tópicos com alegrias decepções, coisas rotineiras ou esperançosas.

arte4.jpg Nem sempre a descoberta segue por uma caminho de lógica criatividade levando em conta a comunicação científica mas, teremos basicamente de sermos livres de acreditar naquilo que quisermos e transcrevê-las sem a preocupação gramatical do sujeito a cutucar o verbo mais o predicado; sem a métrica do fado ou a rima versejada e, sem pátria idolatrada, jogando búzios na zuela do feitiço.

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As plantas vivem de matéria “não-viva”, que não dizem ai nem ui e, praticamente mantêm toda a vida. Sempre o têm feito desde que o mundo é Mundo e, a nossa vida depressa se desvaneceria se não houvesse uma maneira de elas, as plantas, se renovassem quase tão rápido como são comidas.

ÁFRICA2.jpg Para os animais de que somos pertença obterem os alimentos de que necessitam, têm de contar com a ingestão física de outros organismos e, porque sem esses contribuintes orgânicos, não viveríamos. A vida animal não duraria muito neste Mundo se todos fossemos carnívoros, se nos alimentássemos apena de outros animais.

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Sem algum esforço intelectual, remexendo panelas de sarapatel ou tripas à moda do Porto, muito me convenço da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia. Refugiando-me atrás da minha vaidade faço trocadilhos, metendo-os num pão e, acompanhando isto com uma cerveja, fico-me pelo silêncio das falas sustentáveis, para não me mentir!

ÁFRICA3.jpg Na sustentabilidade da natureza os herbívoros alimentam os carnívoros ou omnívoros. Temos de nos alimentar de três tipos básicos de substâncias a saber: glícidos, lípidos e proteínas. E, porque é na variedade que reside a segurança, saí bem cedo a fazer compras com meu parceiro de albergue, o dono da casa com o nome de Eliseu.

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E, compramos na feirinha do “Cleto” frutas várias e legumes, mamão, jiló, couve, banana comprida, manga, mandioca, inhame, enfim um conjunto de coisas em sacolas reaproveitáveis para botar o lixo. Não posso esquecer os coentros nem a pimenta no propósito de esquentar o apetite e melhorar a pressão. Passando no azougue, talho, compramos alcatra, queijo de coalho e, claro a cerveja Skol redonda de 450 mililitros.

eliseu1.jpg O Eliseu respeitando sua ancestralidade bíblica de profeta rejeita este e qualquer uso de outro álcool. Bebe sua água tonificada com minúsculos fragmentos de limão a fim de chegar aos 150 anos!  Eu vou cantando que aqui a vida só é ruim, quando não chove no chão, que se chover, tem de tudo e de tudo tem de porção… e, por aí, na cantiga já popular do último pau-de-arara de Zé Ramalho.

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De regresso a casa, Eliseu explica que seu nome é proveniente de um profeta que subiu ao céu vivo. E, subiu, subiu anto que por lá ficou e, porque tinha dito que poria seus pés aonde estivesse Deus. ELE, o profeta, serviu a Elias durante algum tempo, antes de este ter ascendido em direcção aos céus por um redemoinho.

jindungo0.jpg Foi um dos profetas que mais milagres têm registado na Bíblia, entre eles, o de abrir as águas do Rio Jordão com a capa deixada por Elias. Este Eliseu terreno prometeu não mais voltar a beber em sua vida, daquela forma destemperada de outros tempos mas, em verdade, sempre me parece mais fácil do que levitar no espaço e, para o infinito. Mas vinho do puro da uva vai bebendo só de vez em quando, como teste à sua vontade.

eliseu2.jpg Estou em tempo de não mais me preocupar com os muxoxos dos críticos, das alfinetadas de comentadores, dos devaneios e futilidades que nos consomem horas a fio; do gosto ou nem por isso, ou assim do entretanto, da gente que pendura seu ego nas piadas de engasgo ou mesmo rezas insólitas das redes sociais porque nem a tudo podemos ter resposta, nem a tudo podemos responder.

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:40
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016
MUJIMBO . XCVIII

BRASIL . PONTOS DE VISTA . Enfim, o Golpe - Um golpe que atinge a credibilidade (que ainda resta) das Instituições. Como acreditar num Supremo que vive a transgredir a Constituição. Será isto?

Por

Fernando Gabeira 1.jpgFernando Gabeira  Fernando Gabeira é insuspeito para comentar este assunto, foi comunista e terrorista lutou para implantar uma ditadura nos moldes cubanos no Brasil. Hoje tem outro pensamento...

fern2.jpg "Depois de tantos meses de disputas, negociatas e articulações, o dia D do impeachment de Dilma Roussef chegou e enfim tivemos um golpe no Brasil. Mas para a surpresa minha, sua e do mundo, não houve o golpe tão propalado pelos defensores do governo Dilma, mas sim um outro golpe. Na verdade um golpe de mestre, orquestrado e costurado à sorrelfa, ou como se diz hoje em dia, na miúda, por gente graúda. Muito graúda. Se vocês não têm essa ideia com clareza ainda, vamos aos fatos.

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Mesmo sabedor da circunstância de que o impeachment estava sacramentado, Lula continuava trabalhando forte nos bastidores. Hoje soubemos o motivo. Não era para evitar o impeachment coisa nenhuma, mas sim para evitar a inabilitação de Dilma.

fern5.jpg Segunda pergunta mais importante: quem ganha com o golpe de hoje? Ao menos dois grandes grupos de pessoas: 1) Dilma, PT e todo mundo que trabalhava no discurso do golpe, que agora para sempre poderá dizer que “ah, tanto foi um golpe que ela sequer foi condenada – fica óbvio que ela não cometeu nenhum crime e o único intuito era tirá-la”;

fern3.png 2) Cunha e todos os demais parlamentares (PMDB em peso) que estão correndo o risco de perderem o mandato, especialmente em épocas de Lava-Jato – não perdendo os direitos políticos, eles poderão concorrer a novas eleições em breve e, por consequência, manter prerrogativas de foro.

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Ainda mais importante: quem participou desse Golpe, além de Lula? Temos todos os nomes, então vamos lá: José Eduardo Cardozo, óbvio; Renan Calheiros, óbvio; Ricardo Lewandowski, óbvio (que já estava com a decisão pronta e redigida, segundo ele porque a possibilidade daquela questão já vinha sendo abordada pela imprensa – aqui, oh!) e obviamente, todos os outros senadores que votaram pelo impeachment, mas não pela inabilitação ou que se abstiveram em relação à segunda, quais sejam: Acir Gurgacz (PDT-RO), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), Cidinho Santos (PR-MT), Cristovam Buarque (PPS-DF), Edison Lobão (PMDB-MA), Eduardo Braga (PMDB-AM), Hélio José (PMDB-DF), Jader Barbalho (PMDB-PA), João Alberto Souza (PMDB-MA), Raimundo Lira (PMDB-PB), Renan Calheiros (PMDB-AL), Roberto Rocha (PSB-MA), Rose de Freitas (PMDB-ES), Telmário Mota (PDT-RR), Vicentinho Alves (PR-TO), Wellington Fagundes (PR-MT), Eunício Oliveira (PMDB-CE), Maria do Carmo Alves (DEM-SE) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

 fern8.jpgÉ isso amigos, temos que dar a mão à palmatória. A ideia foi genial. Tudo foi feito na surdina e ninguém da imprensa – pelo menos que eu tenha lido – antecipou essa possibilidade. E vejam a sofisticação da manobra: agora estão falando de impugnar a decisão no STF, por conta da separação das votações.

fern6.jpg Mas não vejo como impugnar uma parte sem a outra. Quem votou hoje pelo impeachment, votou apenas pelo impeachment, não pelo destaque. Não seria possível presumir a inclusão do destaque na primeira parte da votação de hoje. Assim, se alguém quiser impugnar (como Caiado disse que irá fazer), a decisão do impeachment de Dilma fica anulada e outra sessão deveria ser convocada. É mole?

fern4.jpg Por fim, é óbvio ululante e não há como negar que a decisão de separar as votações de hoje foi inconstitucional. A leitura do art. 52, parágrafo único do texto constitucional não admite nenhuma outra interpretação, a não ser de que o impeachment leva à cassação dos direitos políticos.

Mas para que Constituição com o Senado que temos? Com os Partidos que temos? Com o STF que temos?

Hoje finalmente houve um golpe no Brasil. E que belo golpe".

As escolhas do Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:07
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2016
PARACUCA . XXI

BRASIL - MULOLAS DO TEMPO  - Curiosidades do Império Brasileiro - Fábrica de Letras in Kizomba com histórias da vida … Mulola só é rio quando chove...

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange (Compilação de dados publicados aqui e ali)

VOCÊ SABIA!?

pedro1.jpg Conforme a Biblioteca Nacional, o Imperador pagava empréstimos no Banco do Brasil para pagar suas viagens. Sua tolerância com a imprensa era grande. Hoje, qualquer deputado estadual tem mais regalias com recursos públicos do que a família imperial àquela época. Moralmente, pode dizer-se que houve regressão! Porque em 1880 o Brasil era a 4º Economia do Mundo e o 9º Maior Império da História (1860-1889).

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 A Média do Crescimento Económico era de 8,81% ao Ano (1880). Havia na altura 14 Impostos, Actualmente há 92 - (1850-1889). A Média da Inflação em 1880 era de 1,08% ao ano). A moeda brasileira tinha o mesmo valor do dólar e da libra esterlina. O Brasil nesse então tinha a segunda maior e melhor Marinha do mundo, perdendo apenas para Inglaterra (1860-1889).

pedro2.jpg O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais. Foi o maior construtor de estradas de Ferro do Mundo, com mais de 26 mil Km (1843). Foi o segundo país do Mundo a lançar selos postais, depois da Inglaterra (1840). Somente em 1849 os primeiros selos postais da Alemanha foram lançados no pequeno Estado da Bavaria.

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A média nacional do salário dos professores estaduais de Ensino Fundamental em 1880 era de R$ 8.958,00 em valores actualizados. Entre 1850 e 1890, o Rio de Janeiro era conhecido na Europa como "A Cidade Dos Pianos" devido ao enorme número de pianos em quase todos ambientes comerciais e domésticos.

pedro3.jpg O bairro mais caro do Rio de Janeiro, o Leblon, era um quilombo que cultivava camélias, flor símbolo da abolição, sendo sustentado pela Princesa Isabel. O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de "O Guarani" foi sustentado por Pedro II até atingir grande sucesso mundial. Pedro II tinha o projecto da construção de um trem que ligasse  directamente a cidade do Rio de Janeiro a cidade de Niterói. O projecto em tramita até hoje nunca saiu do papel.

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Em 1887, Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge. Ratificando boatos, D. Pedro II e o Barão/Visconde de Mauá eram amigos e planejaram junto o futuro dos escravos após-abolição. Infelizmente com o golpe militar de 1889 os planos foram interrompidos. Oficialmente, a primeira grande favela na cidade do Rio de Janeiro data de 1893, 4 anos e meio após a Proclamação da República e cancelamento de ajuda aos ex-cativos.

pedro4.jpg Na época do golpe militar de 1889, D. Pedro II tinha 90% de aprovação da população em geral. Por isso o golpe não teve participação popular. José do Patrocínio organizou uma guarda especialmente para a protecção da Princesa Isabel, chamada "A Guarda Negra". Devido à abolição e até mesmo antes na Lei do Ventre Livre, a princesa recebia diariamente ameaças contra sua vida e de seus filhos. As ameaças eram financiadas pelos grandes cafeicultores escravocratas.

amendo3.jpg Outras curiosidades: - 1. O Paço Leopoldina localizava-se onde actualmente é o Jardim Zoológico; 2 - O Terreno onde fica o Estádio do Maracanã pertencia ao Duque de Saxe, esposo da Princesa Leopoldina; 3 - Santos Dumont almoçava 3 vezes por semana na casa da Princesa Isabel em Paris; 4 - A ideia do Cristo na montanha do corcovado partiu da Princesa Isabel; 5 - A família imperial não tinha escravos. Todos os negros eram alforriados e assalariados, em todos imóveis da família; 6 - D. Pedro II tentou ao parlamento a abolição da escravatura desde 1848, uma luta contra os poderosos fazendeiros por 40 anos; 7 - D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que em 17 ele, era fluente; 8 - A primeira tradução do clássico árabe "Mil e uma noites" foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.

pedro8.jpg 9 - D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes; 10 - D. Pedro Augusto Saxe-Coburgo era fã assumido de Chiquinha Gonzaga; 11 - A Princesa Isabel recebia com bastante frequência amigos negros em seu palácio em Laranjeiras para saraus e pequenas festas, um verdadeiro escândalo para época; 12 - Na casa de veraneio em Petrópolis, Princesa Isabel ajudava a esconder escravos fugidos e arrecadava numerários para alforriá-los; 13  - Os pequenos filhos da Princesa Isabel possuíam um jornalzinho que circulava em Petrópolis, um jornal totalmente abolicionista.

pedro5.jpg 14 - D. Pedro II recebeu 14 mil votos na Filadélfia para a eleição Presidencial, devido sua popularidade, na época os eleitores podiam votar em qualquer pessoa nas eleições; 15  Uma senhora milionária do sul, inconformada com a derrota na guerra civil americana, propôs a Pedro II anexar o sul dos Estados Unidos ao Brasil, ele respondeu literalmente com dois "Never!" bem enfáticos; 16 - Pedro II fez um empréstimo pessoal a um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica nativa.

pedro7.jpg17 - A imprensa ridicularizava a figura de Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais, mantinha a total liberdade de expressão e nenhuma censura; 18 - Thomas Edison, Pasteur e Graham Bell fizeram teses em homenagem a Pedro II; 19 - Pedro II acreditava em Allan Kardec e Dr. Freud, confiando o tratamento de seu neto Pedro Augusto. Os resultados foram excelentes deixando Pedro Augusto sem nenhum surto por anos; 20. D. Pedro II andava pelas ruas de Paris em seu exílio, sempre com um saco de veludo no bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enterrado com ele.

A regressão foi só moral?

pedro6.jpg

 *Paracuca de Angola: - 500 gr de ginguba sem ser torrada, 250 gr de açúcar (ou mais), 2 chávenas de água - Preparação: Juntar todos os ingredientes numa vasilha e levar a lume brando. Vá mexendo, sempre, até a mistura ficar solta. Deite num tabuleiro (agitando para ficar solta) para arrefecer.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:37
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Quinta-feira, 7 de Julho de 2016
MOKANDA DO BRASIL . V

Por

 serrão1.jpgJorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A Guerra de todos contra todos assume tons apocalípticos no Brasil desgovernado pelo crime institucionalizado. Isto está acontecendo no Brasil !!!

serrão7.png A Guerra de todos contra todos assume tons apocalípticos no Brasil desgovernado pelo crime institucionalizado. Até então praticamente intocável, o Judiciário começa a sentir os efeitos do processo de depuração e da exigência de um comportamento republicano que já vinha forçando mudanças e aplicando punições nos poderes Executivo e Legislativo. O momento exige uma profunda autocrítica dos poderos de plantão. Quem não fizer e mudar vai dançar. O jogo de combate à corrupção contínua sem tendência de trégua - Desdobramentos da Lava Jato podem provocar, em breve, punições inéditas no âmbito do poder Militar como vem sendo, pelo bando do Foro de São Paulo.

serrão6.jpg O Almirante Othon Luiz Pinheiro, em prisão domiciliar, é alvo de mais uma operação oriunda da Lava Jato. O ex-presidente da Eletronuclear voltará para a hospedagem forçada em Bangu 8. O ex-membro do Alto Comando da Marinha tem risco de condenação pela 7ª Vara Federal no Rio de Janeiro. O conselho útil de ligar o "desconfiômetro" vale, principalmente, para Luiz Inácio Lula da Silva. O homem que chegou a ser apontado pela propaganda de marketagem como um dos "Presidentes mais populares da História do Brasil" (superando ou se igualando a Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheh), Lula deveria fazer um auto-exame de consciência para compreender por que se tornou uma das figuras mais impopulares da Nação.

serrão5.jpg Lula cometeu e foi conivente com crimes simbólicos, hediondos e imperdoáveis para um chefe de Estado eleito pelo voto directo popular: mentiu, estuprou a moral, violentou a ética pública, assassinou os sonhos e quase matou as esperanças da maioria dos brasileiros que agora promovem a Revolução Brasileira nas redes sociais e nas ruas. As acções e omissões de Lula contra o Brasil e os brasileiros são imperdoáveis.

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Em actos de lesa-pátria, Lula foi o principal agente consciente da maior sabotagem promovida de fora para dentro contra a soberania, a política e a economia do Brasil. Por tudo de errado que fez, Lula não tem o direito a cometer a cara de pau de escalar advogados pagos a peso de ouro (de onde vem o dinheiro?) para tentar desmoralizar a Operação Lava Jato e seus desdobramentos.

serrão4.jpg Lula não tem moral para pedir que o juiz Sérgio Fernando Moro reconheça sua suspeição para julgá-lo. Lula não dispõe mais de legitimidade política para colocar em dúvida a imparcialidade de Moro. O cínico comportamento, só agrada seus fanáticos seguidores. A maioria dos cidadãos conscientes não quer mais saber daquele que o tórrido humor do País das Olimpíadas reduziu, simbolicamente, à figura do "Pixuleco" - um bonequinho de plástico com a roupinha de presidiário número 13-171.

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Os advogados Roberto Teixeira, Cristiano Zanin Martins e José Roberto Batochio - que defendem Lula - querem matar o Brasil a rir! Só pode ser piada, eles escreverem que Lula “não teme ser investigado nem julgado por qualquer juiz: quer justiça e um julgamento imparcial, simplesmente”. Mais engraçado ainda (para as branquinhas do Lula) é insistirem com a tese de que actuam “em defesa do Estado Democrático de Direito e dos valores a ele inerentes, como o direito ao juiz natural e imparcial e à presunção de inocência”.

serrão3.jpg Dificilmente, o juiz titular da 13ª Vara Federal em Curitiba vai se considerar impedido de julgar Lula. Certamente, a manobra protelatória dos defensores de Lula vai parar no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A tendência é que os desembargadores federais não mexam com Sérgio Moro. Assim, a reclamação deverá seguir para o Conselho Nacional de Justiça e terminar no Supremo Tribunal Federal - onde a maioria dos ministros foi nomeada pela dupla Lula da Silva e Dilma Rousseff. Actualmente, não há condições jurídicas, políticas e muito menos morais para que o STF tome uma decisão contra Moro, para salvar Lula. Os 11 deuses do Supremo sabem que o Brasil vem abaixo se isso ocorrer.

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O Judiciário está na berlinda. O desembargador Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, foi moral e eticamente obrigado a se declarar suspeito para actuar nos casos que envolvem o ex-director da Delta Fernando Cavendish. O membro do TRF-2 aceitou pedido feito pela procuradora regional da República, Monica Campos de Ré, que alegou laços de amizade entre o magistrado e o advogado Técio Lins e Silva - um dos defensores de Cavendish. O Tribunal decidirá, no próximo dia 13, se mantém ou reforma a decisão de Athié em manter a prisão domiciliar dos envolvidos na recente Operação Saqueador.

007.png Tudo que acontece agora é resultado directo dos princípios de livre divulgação de informações processuais e da transparência adoptada como procedimento-padrão pela Força Tarefa desde o começo da Operação Lava Jato. Trata-se de um exemplo inédito - até no dito "mundo civilizado".

serrão2.jpg A sociedade brasileira passou a conhecer como não funcionam direito os poderes republicanos. As mudanças ocorrerão a partir de um amplo debate sobre o certo e o errado, o justo e o injusto, o moral e o imoral. O embate, em busca de democracia nunca achada por aqui, deve transformar o Brasil em um País muito melhor para as próximas gerações. A cidadania consciente, em processo de construção para atingir hegemonia, é que vai punir Lula e outros mais ou menos votados pelos crimes simbólicos que cometeram contra o Brasil.

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:10
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2016
CAFUFUTILA . CXV

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA  - 10ª de várias partes…

AS TÁGIDES DE TOLEDO - Continuamos em terras de “Castilla La Mancha” – Um possível encontro com Zachaf Pigafetta Roxo a kianda tetravó de Roxo e Oxor a mesmíssima Assunção que ora é Maria ora só é Assunção.

Ongweva é saudade

Por

soba 01.jpgT´Chingange

cronicas mano corvo.jpg A conversa a três, eu o T´Chingange mais o Januário Pieter e Costa Araújo Primeiro, auxiliar de El Greco o pintor, continuou da forma descrita com pormenores de verrugas e coisas de arte, segredos de tintas feitas com sangue de besouro, vísceras de moluscos, seiva de plantas e ovos galados! Esta dos ovos galados, não entendi na perfeição, mas o interesse foi tanto que resolvemos fazer visita guiada pelo futuro mestre auxiliar do El Greco, Costa Araújo Primeiro. Saindo da “plaza del ayuntamiento” o candidato a pintor, levou-nos por travessas empedradas, escorrendo borras de uva com mijo de burra prenha e palha de estrebarias.

costa8.jpg Passamos a taverna Cuatro tempos, cruzando à direita em direcção a Alcázer andamos pela Calle Del Locum e, seguimos por outra tão apertada que até duvido que fosse possível por ali passar um camelo com um fardo de palha que fosse. Paramos em um pátio muito cheio de trastes, um cheiro acre e agressivo com montículos de alvaiade e potes com produtos variados, cheirando a óleos indistintos. E havia numa das paredes mais ou menos arrumadas, paletes, pinceis, trinchas, espátulas e até serrotes e martelos.

costa araujo 1.jpeg Era naquela calle de la Calavera, um lugar lúgubre e não muito longe do Palácio Alcazar que ficavam os grandes galpões do pintor El Greco Doménikos Theotokópoulos e, em uma dependência lateral entramos em um outro cubículo. Era aqui que o ainda auxiliar de pintura Araújo, um galego fora de portas, da Bracara Augusta, mantinha o seu mukifo de coisas encantadoras encostadas ou penduradas entre cacos antropológicos e, numa placa encastrada na rustica parede podia ler-se “Pátio Andaluz Del Toro”.

ara3.jpg E, como que fazendo um friso de museu ali estavam colgados cornos retorcidos e caveiras com paletes borradas de muitas cores; percorrendo a vista pelas telas, pranchas e cavaletes, mais ossadas de indistintos animais fiquei assim meio recolhido num soluço medroso sem saber que a arte neste tempo era algo de muita pesquiza pelas cores e formas bizarronas de gente esguia, orelhudas e olhos de meter medo ao diabo!

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Ainda me atrevi a fazer uma pergunta: - Para que pintam vocês e, para que servem estes painéis esguios e, … mesmo antes de acabar as perguntas meio amedrontadas O Araújo, meu Mano Corvo por divina indigitação disse-me: - São para colocar nas sacristias das igrejas. Vês aqui este, e apontou um quadro que mostrava um homem feio, horrível mesmo, desdentado, dedos longos e unhas de garras açambarcando um montão de moedas em oiro que escorriam para debaixo da cama.

costa12.jpg - Isto, disse ele, simboliza a avareza e, este aqui meio diluído por detrás destas barricas é o diabo; tem este aspecto para amedrontar. Os bispos através destas gravuras impõem o respeito ao povo e, sempre querem que nós façamos o que mandam as regras de não roubarás, não matarás, não cobiçarás a mulher do vizinho e, por ai! Os medos, as lendas aqui, têm de ficar sempre presentes. 

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 – Faço isto nas horas vagas para ganhar uns trocos, umas patacas extras. O Mestre não nos paga e somos nós, eu e uns mais, que pintamos os mantos, as nuvens, as árvores mais os rios, os montes, o pôr do sol raiado de incertezas, da chuva ou trovoada e, sempre após os traços dele, o El Greco. Houve uma cor em especial que me chamou a atenção e porque mostrei interesse ali fique especado a ouvir o meu Mano Corvo Primeiro a descrever que aquela cor purpura era só usada para determinadas figuras.

araujo51.jpg Era o Roxo que ia dos matizes entre o vermelho e o azul. Esta cor ainda é obtida através de algumas espécies de moluscos nativos do Mar Mediterrâneo! Pela dificuldade na sua obtenção e seu alto preço, esta cor era um dos mais importantes e mais caros pigmentos naturais da Antiguidade, disse ele. Em Roma só os imperadores a podiam usar em vestes e, quem ousasse usa-las pagava com a morte ou ficava no cadafalso a apodrecer!

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Neste entretém, deu para meditar sem nada falar da estória que estava obrigado a descrever sobre as kiandas Roxo e Oxor. Uma preocupação trazida do futuro, lá da América do Sul, um lugar chamado de Brasil e duma praia chamada de Guaxuma! As coisas não são assim tão fáceis de explicar porque neste retroceder do tempo esqueci-me de muitos pormenores. Por isso recorro à kianda Januário Pieter que me aviva a mente e, curiosamente mostrando-me meus próprios escritos do século XXI. Mas, nem sei porquê, só me dá a ver! Também, se não fosse assim, quereria voltar rápido para junto da minha TV e ver o futebol, o Portugal com a Polónia, o golo do Renato, o outro do pé pelo Ronaldo e mais o da cabeça de Quaresma.

cafu11.jpg Sentado no meu silêncio mastigando perguntas e respostas caladas, Pieter deu dois passos calçados no meu sobreconsciente. Num cadavez mais eufórico, Pieter falava todas as suas razões, falava de seus muitos tios e edecéteras. Eu só fingia que entendia e ele, sabi-o, subentendia-o, mas também ficava moita-carrasco!

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Eu só disse, simplesmente: - Tá bem! Ele via o meu desespero em saber das coisas vindouras mas, só pude obter dele a promessa de que ele levaria no final do Concílio de Alcázer a tal antiga progenitora, tetravó de Roxo, a tal kianda Zachaf Pigafetta Roxo vinda do lago Niassa, (Zachaf) bem nos caminhos que levavam às terras de Prestes João.

alhambra3.jpgDe Picaço

 - Teremos de ir primeiro a Albayzin de Alhambra um Pambu N´jila especial, porque só lá, ela pode aparecer a gente do futuro como tu e eu que sou um aleatório andante nestes caminhos do senhor, dos caminhos minkisi! Na minha ideia, já cruzava os ares, as ruelas estreitas de aroma de mijo com tapetes molhados; misturas de cheiros de churros, las tapas de argolas de lulas e vendo do outro lado do vale as muralhas e torres de Alhambra. E, o rio Darro ali ao pé. Teria de esperar! O que não tem remédio remediado está! São as percepções que trago do futuro que me suportam as angustias simbis… Tenhamos paciência, pouco a pouco lá chegaremos.

costa11.jpg Glossário:

N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga; Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto; kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral; Mukifo: espaço de trabalho, lugar recolhido com coisas espalhadas ao acaso; Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos e permanece até o toque do medo, adrenalina, guardador de caminhos com saber do ontem, do hoje e do amanhã; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Globália. - O Mundo. Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e África central; Albayzin: - Bairro Mouro de Granada…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:38
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2016
MAIANGA . XVIII

MANIKONGO E MARACATU - UM SÃO JOÃO COM SARDINHAS  - Porto, Braga, Maceió, Caruaru e a Luua – A sangria, o caldo de feijão, a coxinha de galinha, chouriço e o ananás recheado de velho barreiro com muito gelo ou o marufo da cassoneca…

Maianga é um bairro de Luanda, Angola da Luua, meu berço tropical.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

AS FESTAS JUNINAS 

engraxador2.jpg Junho, mês das festas populares é festejado por toda a kizomba; as marchas, os casamentos, o saltar da fogueira, o baile de mastro o xodó e forró pé-de-serra, fazem parte dessas manifestações na diáspora portuguesa. O maracatu, sendo uma manifestação junina pouco conhecida em Portugal, tem a sua representação maior no Nordeste Brasileiro.

sururu0.jpg Originário da coroação dos reis do Congo, antigo Manikongo, foi transposto pelos escravos idos de Angola para as explorações de cana-de-açúcar. O cortejo de coroação real composto de rainha, rei, príncipe, princesa, ministros, conselheiros, vassalos e porta-bandeira vestidos de cores extravagantes, saem às ruas em grupos ou quadrilhas para energizarem a vida.

Resultado de imagem para festa da sardinha 2016  Maracatu é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana afro-brasileira. É formada por uma percussão que acompanha um cortejo, uma instituição que compreende um sector administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança. A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei Congo.

  A nosso Kizomba, fazendo registo deste património não pode ficar alheio e, com seus chocalhos, concertina, guizos e tambores junta-se à plebe, à folia para alegrar nobres, sábios, cipaios, homens ricos e M´bikas (escravos) que se devem juntar ao evento com balões, alho porro, martelinhos e fogo de artifício. A ciência leva-nos a pensar que o Universo nos é inteiramente racional ou matemático mas, nas festas populares, com aquele tintol, tudo pode acontecer. Beba a festa carago!... Se não tiver alvarinho venha o vinho…

Resultado de imagem para portugal croácia futebol

Atento às passadas e calcanhar de Cristiano fazemos figas, damos as mãos uns aos outros fazendo uma corrente mas, cinco passos cadenciados, pernas abertas, olhar de raio laser e zás-trás, chute e xissa! … Também isto é parte de São João com fumo de sardinhas e pucarinhos com delicias de bolo podre e as esculturas ditas cascatas do Santo mais os manjericos e sumo ou suco de erva cidreira, capim santo ou caxinde.

maraca2.jpg A bola do Ronaldo que não fez aquela mágica curva, que nos faz roer aszunhas dos pés. E, a queixada do Santo António a triturar-nos a ira com jeito de surda raiva pelo  Santo, que nada fez quando não faz. As festas juninas estão aí, Porto e Braga e também no Brasil com o Xodó e a zavumba mais reco-reco e berimbau. Não vou fazer a habitual fogueira, nem saltarei de costas, nem mais irei confiar na sorte sortuda porque me posso lixar.

marechal D4.jpg Amigão kaluanda da velha Luua fica também connosco, bebe uma bolunga, ergue a taça que vamos ter pela frente outras mais oportunidades de fazer muxima e ongweva. Prepara a catana p´ra pintar esse emaranhado de cabeleiras a piaçaba, carapinha, as cores do M´Puto com um garrafão a fingir de balão. Por mim vou dizer ao meu santo preferido que dê uma volta ao bilhar grande se não estiver disposto a dar-nos a victória contra a Croácia. Santos de Junho, Santo António, São João e São Pedro com gaitas, berimbau, sanfona, acordeão e concertina e muito manjerico com quadras lindas! Podia ser melhor, mas foi isto que me saiu…

Resultado de imagem para são joão porto

Cantai, Cantai, raparigas

Cantai sempre ao S. João

Porque ele paga as cantigas

Com muito bom coração.

 

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:23
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2016
XICULULU . LXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

crúzios 2.jpg Andei uns dias por terras onde em tempos D. Manuel mandou publicar uma lei que permitia às gentes ficar com o “gado do vento” sem que lhes fosse imputada culpa de roubo. “O gado do vento hé do senhorio quando este se há perdido”. E, nesses tempos os senhorios eram os Crúzios, os frades afectos à igreja de Santa Cruz! A Paróquia de Santa Cruz situa-se praticamente no centro histórico da cidade de Coimbra e é uma das mais antigas de Portugal, pois os seus limites primitivos foram delimitados por Dom Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, cujos restos mortais se encontram num mausoléu desta igreja.

cruzio3.png Uma marca distintiva dos Crúzios é a cruz vermelha e branca, usado no escapulário de seu hábito religioso. A designação refere-se à cruz e à espiritualidade da Ordem. A festa principal dos Crúzios era a Exaltação da Cruz reflectindo uma espiritualidade centrada na cruz triunfal de Cristo, o Senhor glorificado. Estes Crúzios tinham largas terras que iam desde Coimbra até o mar abrangendo as áreas de mato, as gândaras acima do rio Mondego, Montemor-o-Velho, Arazede, Amieiro, Cadima e Cantanhede.

cruzios11.jpg A igreja paroquial de Cadima, já existia em 1181, cujo concelho foi criado pelo Foral de 23 de Agosto de 1514, dado por D. Manuel I, em Lisboa. Sua antiguidade comprova-se pela existência da antiga freguesia de Nossa Senhora do Ó, pois as Igrejas hispano-visigóticas celebravam a festa da Expectação do Parto ou Santa Maria do Ó, por determinação do X Concílio de Toledo, no ano de 656. Os terrenos de Cadima e Tocha foram domínio do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, que entregava as terras como aforamento a rendeiros sob a sua jurisdição. Por vezes surgiam destroços de barcos, motivo de batalhas marítimas entre piratas; estes haveres eram recolhidos pelos rendeiros e também entregues ao seu Senhorio, os Crúzios. 

cruzios5.jpg Esta vasta região só teve desenvolvimento por via de plantações de milho grosso e batatas trazidas da América pelas novas descobertas de além-mar, terras dum novo mundo; novas sementes foram chegando dando engrandecimento à região. Mas, eis que um dia, narra a lenda que um fidalgo de nome João Garcia Bacelar, em uma das suas viagens pelas charnecas e gândaras muito extensas e desertas, chega à Quinta da Fonte Quente. Diz que vai ali construir uma capela por devoção a uma Nossa Senhora. Ajustando uma troca com o lavrador que ali rompia o mato solicitou ao Mosteiro de Santa Cruz, os Crúzios seus Senhorios, ali edificar uma ermida dedicada a Nossa Senhora D' Atocha.

cruzios9.jpg A estória fala dum tombo de morte que o Fidalgo Bacelar teria dado dum burro e, que já dado como finado por ter caído num precipício em Madrid, prometeu que se algum dia viesse a ser pessoa importante, edificaria uma ermida em honra da senhora que ele evocou no susto da queda. A essa Senhora vinda de Bizâncio, seu primitivo lugar de culto, deu origem a que para ali se dirigissem peregrinações de sesmeiros. Desde então, D´Atocha não parou de fazer muitos milagres! Essas grandes romarias deram oportunidade aos frades Crúzios, Senhorios daquelas gândaras de expandir sua fé. Assim surgiu a Tocha que hoje conhecemos como uma praia, ventosa, batida por ondas grandes, enraivecidas permanentemente.

cruzios0.jpg Os milagres da Santa fizeram crescer o culto da cruz e daqui concluir-se sua ligação com os Crúzios da Inglaterra medieval, também conhecidos como os frades Crutched (cruzados). Nossa Senhora D' Atocha, a mais antiga padroeira de Madrid, é uma imagem de Santa Maria Sentada com o Menino no braço esquerdo. As expressões "peregrinação" e "guerra santa” termo Cruzada surgiu porque seus participantes se consideravam soldados de Cristo, distinguidos pela cruz aposta em suas roupas. As Cruzadas de tempos anteriores eram também peregrinações, uma forma de pagamento a alguma promessa com luta contra os infiéis sarracenos, mouros, ou uma forma de pedir alguma graça, e também uma penitência. Os Crúzios surgem mais tarde mas com esta filosófica postura de devoção.

cruzios8.jpg Recordar aqui que a espada dos cruzados, antigos crúzios era uma cruz com uma lâmina alongada e, assim continuou a ser. Os cruzados levavam seu credo na ponta da lâmina, uma forma bizarra de impor a fé pela submissão ou medo. E, foi daqui de Santa Cruz de Coimbra que saíram os primeiros Crúzios para aquele novo mundo chamado de Brasil; Três Crúzios desembarcaram em Belém do Pará, em terras amazónicas, encontraram muitos desafios, incluindo doenças e a morte de um membro da comunidade. Perseverantes, fundaram a paróquia da Santa Cruz em Belém, e só em 1948 deram um passo significativo ao ir para o sudeste do Brasil.

cruzios12.jpg Fundaram comunidades e começaram a servir nas cidades de Juiz de Fora, Belo Horizonte, Campo Belo, Leopoldina, e Rio de Janeiro. Mas, foram os padres holandeses que mais deram seu testemunho de trabalho e dedicação ao povo brasileiro. Foram eles grandes evangelizadores e construtores de bons cidadãos, através de trabalhos sociais. Hoje depois de muitos anos de Brasil, os Crúzios estão presentes apenas em Campo Belo e Belo Horizonte. Desbravei por curiosidade, estes conhecimentos em terras também peregrinadas por mim nesta data e no ano de 2016

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:41
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Domingo, 22 de Maio de 2016
MALAMBAS. CXXIX

NUNDO CÃO - TEMPOS DE USUCAPIÃOA malandragem prolifera desregularizando a democracia – Quem pode conceber o presidente dum grade pais, virar corsário…

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Brasil - PT nunca mais! - Você sabia que todo o presente recebido pelo Presidente da República fica sendo do Estado?

brasil2.jpg Pois é... Mas o Ex-presidente Lula fez-se de desentendido levando para sua casa tudo o que lhe foi oferecido bem assim como a sua esposa. Claro que agora os brasileiros vão ter que pedir-lhe que os devolva pois que são património do Brasil e não dele ou de sua esposa. A legislação brasileira e da maior parte dos países ditos civilizados, determina que os presentes ganhos pelo Presidente da República no exercício da função, sejam incorporados ao património público sendo considerados propriedade do estado.

bra4.jpg Lula e sua família, ao deixarem o Palácio da Alvorada, fizeram o favor de levar todos os presentes recebidos nessa função de chefe da nação. Destes muitos presentes, constava uma colecção de jóias raras recebida do presidente de Egipto, registados no acervo da presidência da república. Todos os objectos ocuparam 18 camiões de mudança levados para São Bernardo. D. Marisa, a Italiana, afirmou que as jóias eram delas colocando-as em sua bagagem.

ÁFRICA3.jpg Funcionários antigos do Palácio Alvorada, ficaram horrorizados quando perceberam a falta de diversos objectos de arte e peças de alto valor, tais como estatuetas, faqueiros, xicaras, marfins trabalhados, medalhas de estado e, por aí... Durante o rescaldo do grande saque às instalações palacianas, observou-se que os Silva surripiaram, fanaram, capiangaram, furtaram inclusive, o crucifixo que há décadas adornava a sala de visitas de outros chefes de estado quando de visita ao Presidente da República.

amilcar4.jpg Aquela imagem de Cristo crucificado era tida como milagrosa, um ícone para todos os funcionários do planalto e, adorada por todos que ali trabalham. O povo brasileiro, bem arreigado a conceitos culturais que lhe foram legados e, também por seu misticismo de seus ascendentes africanos, devoção de gente que apela aos céus quando não chove, impressionado com este  roubo do crucifixo presidencial, sente que o Brasil desde este então, vem sendo castigado por Deus.

luis37.jpg Os brasileiros através deste comportamento perderam o norte; desregularam-se nas posturas que lhes foram legadas por muita gente ali chegada para vencer na vida. E, eu pertenço a este bolo gigante, sinto-o! Gente oriunda de muitas partes do mundo para ali se estabelecer, escolhendo o Brasil como a terra da promissão! O Brasil não pode ser um paraíso para malandros! A bandeira verde e amarela com suas muitas estrelas, não tem a Ordem para os de baixo e Progresso para os de cima! Estas duas palavras terão de ser elevadas à sua real catedral; ao nosso maior templo.

dia20.jpg Quem pode descurar o castigo nunca vivido desta forma causticante devido ao desleixo e quebra de valores, como o grande número de ciclones ocorridos no sul do Brasil ou a tragédia na região serrana fluminense entre outros, como o desemprego galopante, a inflação crescente a descrença generalizada ou a perca de confiança de seus líderes de proximidade. Será isto um reflexo da ira divina pela acção dos Silva? Foi por isso lançada a campanha de recuperação do património público nacional. Veremos o que se segue neste país que de tudo que se plante, de tudo dá! Deus proteja o Brasil, o país de minha eleição, depois de ter sido descolonizado de Angola!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:52
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Domingo, 15 de Maio de 2016
CAFUFUTILA . CXII

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA -  Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor surgiriam só no século XX e XXI algures num recife de Guaxuma de Alagoas - 7ª de várias partes…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; uma parcial inventação falando do personagem Zé Peixe de Aracaju de Sergipe. Tive de recorrer a Januário Pieter uma kianda que me serve de guia Kalunga; Passeamos por Alhambra mas, ambos voamos para Toledo pois que era ali que meu Mano Corvo Araújo nos esperava na ponte San Martin sobre o rio Tejo.

AS TÁGIDES DE TOLEDO - Salaam Aleikum em terras de “ Castilla-La Mancha” já na cidade de Toledo.

 

cafufu1.jpg Há dois mil anos atrás, Marco Fúlvio comandando as legiões Romanas conquistou a cidade de Toledo. O mesmo rio que então a contornava, o Tejo, continua correndo sendo atravessado pela ponte pela qual passam os peregrinos que se dirigem a Santiago; Trata-se da ponte de San Martin do Caminho de Alicante. Era aqui o encontro e, com efusivos abraços os Manos Corvos aqui cruzaram águas quentes nas outras frias que ali por debaixo corriam rumo a Lisboa. Até foi patética esta cena; bem cedo num treze de Maio dum ano falecido, Januário festejou connosco e como testemunha o pacto desta amizade. Cuspimos depois nas mãos e chispamos um aperto de união; voltaríamos a fazer isto muito mais tarde num tempo sine die. Em ambos, a kianda Pieter pousou sua mão em nossos templos, nossas testas,  deixando um viscoso liquido parecido com azeite.

arau4.jpg Este sítio de Toledo estava destinado ao gozo de férias de primavera das ninfas do rio Tejo (Tajo). Aqui, a partir de 1580, os espíritos instigados por “El Greco” recordam momentos épicos na companhia dos novos membros da Kianda e Mutakalombo; estes, cheios de notícias frescas dos mares de N´Gola em África, conferenciavam com sereias, nereidas e musas tomando aqui, todos, o nome de tágides (rio Tajo) – as primitivas kiandas que surgiriam desde o Zaire ao Kwanza, lugar ainda mal conhecido neste então. Só muito mais tarde iriamos saber que entre estas estavam as primogénitas das kiandas Roxo e Oxor. Cantando, à gente nossa, gente vossa, que a Marte tanto ajuda, refrescavam-se nas águas com cantos de Camões recordando o Deus da guerra, filho de Juno e de Júpiter guardião dos exércitos troianos.

cafufu3.jpg As tágides, conciliavam-se aqui com a vida espiritual, trocavam experiências com as novas tendências da Globália, reciclando-se em congressos de cristandade ouvindo Simbi e N´kuuyu. Aquele lugar ficava um Pambu N´jila como se estivessem na Mazenga, a ilha do descanso dos muxiloandas, sombras de casuarinas e coqueiros. O exotismo dos trópicos espalmava-se ali, na Mancha de Cervantes. O maneta Manuel de Cervantes y Saavedra autor da obra “Dom Quixote” desencantado com a guerra e as gentes,  lutava com moinhos na vasta planície de “La Mancha” com muito Suco e, associando-se a esta espiritualidade, retemperava os mudos intervalos divertindo a tertúlia com contos de ridículos cavaleiros  e paródias de entretimento.

cafufu4.jpg Eram momentos retemperadores recuperando Mutalos desavindos recorrendo por vezes à kianda Kozo, uma verdadeira arte estirada por “El Grego”, ele também impregnado de muito Suko - a kianda mestre do Mano Corvo Araújo, o magnifico grego de nome Doménikos Theotokópoulos! Nesta rota peregrina, cruzando o caminho de Alicante imaginei Sancho Pança apaziguando seu amo dum ímpeto destemperado com moinhos de vento ridicularizando heróis da fancaria. Foi a partir daqui que se organizaram cursos de deformação (algumas grotescas), fantasias de mordaz parodia e ironia na escrita e cores com longos rostos na pintura contrapondo aquilo que se passou a designar de burlesco.

cafufu5.jpg - Pude admirar nesta terra de Aragão um quadro de “El Greco”, em que as tágides ou Kiandas se contorcem em risos aéreos, vendo-se em fundo a cidade de Toledo, a “la puente de San Martin” sobre o rio “Tajo” e, um arco iris assinalando o local daquela reunião de espíritos. E ali andava eu T´Chingange um feiticeiro acomodado a novas tarefas de agrado, partilhando e recebendo conhecimentos avondo.

cafufu6.jpg É este um assunto deveras interessante a deslindar ao mulato ressequido Januário Pieter pois que estão ali também as Kiandas da Mazenga, as tetravós de Roxo e Oxor e, dois negros Mutalos com grilhos presos a bolas pesadas e escuras alongando-os como que puxandos para a terra. E, nos pescoços, umas barras redondas de ferro contornando-os por detrás de umas orelhas aladas amarrandas às nuvens de Toledo; são escravos de N´Gola pela certa!

cafufu7.jpg Ainda tinha na retina a imagem dum negro com semblante mussulmano que comigo cruzou em um lugar de nome “Bargas”. Este jovem senhor que se dirigia a terras de África através de Algeciras, tirou as meias, lavou os pés e, descalço refugiou-se numa sombra de alfarrobeira mais distanciada; estendeu a sua jaqueta no solo, ajoelhou-se colocando suas mãos sobre esta, baixou sua cabeça até tocar o solo por várias vezes orientando-a para um determinado ponto. Era a sua Meca distante com Kiandas diferentes, O seu Pambu N´jila.

cafufu8.jpg Aquele muçulmano, talvez marroquino, talvez argelino, ao passar por mim, riu-se em cumprimento mostrando até seu dente escandalosamente dourado, fez uma suave vénia de uma simpatia diferenciada, cumprimentando-me: - Salaam Salaam. Eu era um privilegiado, cidadão Niassalês, cidadão do mar alto, cidadão do mundo. Ele, um mustafá, viu em mim a aura de Pieter, talvez, a Kalunga N´Gombe, o “ Sangue de cristo”, T´Chingange do mesmo Cristo vestido com cores de púrpura. Um homem rico, riquíssimo, sedento de Paz, de Amor, descalço na humildade; filho do dono do Mundo! Dizer assim que Deus escolheu a configuração inicial do universo por motivos muito para além de nossa compreensão. Isto era ser-se assim omnipotente…

Eu, respondi: - Salaam Aleikum

cafufu9.jpgGLOSSÁRIO:

Salaam Aleikum: - da fé islâmica, fique na paz de deus, que a paz esteja convosco; Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Marte: - Deus da guerra na mitologia Romana, filho de Juno e Júpiter, amou Vénus de forma adultera pois esta era mulher de Vulcano, foram presos por uma rede por Vulcano, tiveram um filho de nome Cúpido, o amor prendeu-os na eternidade; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Nkuuyu: - são os espíritos pais dos vivos; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, Elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Mazenga. - Ilha das cabras, Ilha dos loandos, ilha dos N´zimbos ou Ilha de Luanda. Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; Mutalo: - espírito de morto por feiticeiro sem ordem de N´zambi; Kalunga / Calunga N´Gombe : - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga; Kozo: - Objecto que invoca um ou mais espíritos. T´Chingange: - Feiticeiro, cobrador de impostos, assessor do rei ou Mwata, ministro de todas as relações; N´Nhaka: - Horta

Da n´nhaka do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2016
CAFUFUTILA . CXI

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA - Com Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia… 6ª e várias partes…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; uma parcial inventação falando do personagem que vi em vida, e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe. Tive que recorrer a Januário Pieter - Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos e que tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão de Cruz credo!

afon0.jpg Após januário Pieter ter falado dos resquícios: - Não podemos fintar as leis que nos regem e, uma delas é o de só “fazermos a nós, o que fazemos aos outros”, escafedeu-se sem mais nem porquê ficando dele só essa sua sabedoria perfumada. E, esse cheiro intenso a jasmim surgiu de novo quando a tarde se estendeu no escuro da noite envolvendo-me na azáfama duma multidão ávida de frescura. Naquela “Plaza Mayor“ de Burgos comendo umas tapas de “boquerón” e argolas fritas de “calamares” regadas com cerveja “Dom Pepe” ia descrevendo o que sabia da Rainha Isabel de Portugal ao meu futuro Mano Corvo. Digo futuro, porque só dias depois, em cima da ponte de entrada de Toledo, cidade mais a Sul, fizemos um pacto de amizade perene dum modo bem peculiar: - cruzando nosso mijo-quente sobre o Tejo.

toledo1.jpg Recordava-lhe quem era a Rainha de Castela desse então quando, eis que num repentemente surge a kianda Januário Pieter envolta numa áurea fosfórica que rapidamente se esvaneceu. Com uma saudação de bater mãos como agora fazem os desportistas, chispou as nossas com ardências viscosas; depois do susto lá nos alegramos com caras de fantasmas viandantes, um pouco comprometidos com os olhares incrédulos dos circundantes. E foi ele, Januário que acrescentou: - Isabel a portuguesa foi casada com João II de Castela tendo dado à luz uma menina que veio a ser Rainha consorte de Aragón, Mallorca, Valencia e Sicilia. Foi assim chamada “la Católica” pelo papa Alexandre VI mediante a bula “Si convenit”, a 19 de Dezembro de 1496.

arau4.jpg E, continuou: - Foi ela Isabel, que concedeu apoio a Cristóvão Colombo na busca das tão cobiçadas Índias ocidentais e, que o que levou a descobrir as Américas, acontecimento que teve consequências na conquista dessas novas terras e a criação do Império Espanhol. Estávamos noutras vidas, é verdade mas desejoso que o rumo da conversa versasse coisas mais recentes e, por isso perguntei a Pieter o que é que ele pensava da nossa ida a Toledo a redescobrirmo-nos porque sei que pelos anais, formei-me “engenheiro espiritual” num lugar de Pambu N´jila da Fundação da ordem da Inmaculada Concepción, palácio de Galiana. Enquanto isso e lá no palácio do Pambu N´jila, o Costa Araújo I, seguiu as pisadas de um pintor Doménikos Theotokópoulos, mais conhecido como El Greco, pintor, escultor e arquitecto grego que desenvolveu a maior parte da sua carreira por ali.

toledo5.jpg Claro que fui obrigado a interpelar respeitosamente a minha kianda porque queria saber mais sobre as sereias progenitoras de Assunção Roxo e Oxor, as tetranetas em mares da kalunga do Brasil, mais propriamente de Guaxuma das Alagoas.  Cada coisa a seu tempo meu ilustre T´Chingange, teremos de circular por aqui algum tempo para irmos à profundeza das verdades do paratrás. É bom que ponhas a trabalhar teu relógio de areia porque daí irá sair uma praia com características mesolíticas; no futuro aí te irás espanejar com teu Mano Corvo se for o caso, disse assim sem titubear.   

araujo 41.jpg - Tchingange, meu amigo, agora que nos conhecemos melhor, dir-te-ei que não será tão rápido que chegaremos à tua, melhor, vossa Angola. Tereis de esperar até jorrar petróleo pelo tubo ladrão. Falou assim para nós dois, e nem demos muita importância a falar de algo desconhecido, pensando até ser um seu assistente com nome de petróleo; era normal ele falar assim de coisas plasmosas! Nós só ouvíamos! Naquele dia de Maio, despedimo-nos.

toledo4.jpg Ele, a kianda, seguia para Cádiz, mas decerto nos iria visitar por uns dias a Toledo e Alhambra de Granada. Combinamos desta forma um encontro para dias mais tarde em Granada; talvez aí pudéssemos pôr os assuntos em dia e saber dos nossos antepassados feitos em pó. Taciturnos, com um peso no coração, despedimo-nos de Pieter; Os Manos-corvos viviam agora nesse privilégio de ter um amigo com a sapiência de mais de 500 anos. E, ia eu jurar que ele só tinha 385 anos, pelo seu aspecto tão jovial. Como a gente se engana!

Personagens da estória: Assunção Roxo e a Sereia Roxo, (uma em duas - reflexo do espelho - Oxor); Joquim de Lisboa: O homem da traineira  inspirado em Diogo Cam; Mano Corvo - T´Chingange (O próprio); Mano corvo I - Costa Araújo na 1ª encarnação; Ze Peixe - O homem golfinho de Aracajú em Sergipe; Januário Pietrer - Uma kianda assombração dos mares, um velho amigo com mais de 500 anos de Cruz-Credo (criação do Soba).

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:02
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Terça-feira, 26 de Abril de 2016
MOKANDA DO SOBA . XC

VIAGENS - Em terras de Vera Cruz … O Mundo anda demasiado mentiroso - Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando a capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade.

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

garça3.jpg Garça do Brasil, terra da festa da cerejeira, do café arábico e do bom queijo. Foram dias de adquirir muito conhecimento tendo como anfitriões a professora universitaria Alda e seu esposo Senhor Aparecido Cabreira. Nesta terra de Barões do Café foram-nos mostrados grandes extensões de cafezais já com o grão vermelho, plantações de árvores nobres e vastas áreas de eucaliptos; recordei aqui o trajecto do Huambo para a Caála em Angola, lugar aonde vivi até que me rejeitaram, já lá vão 41 anos. E, fomos visitar fábricas de tecidos, de rendados na cidade de Ibitinga para lá do rio Tieté e outras cidades com nomes de Borborema, Cafelândia, Araçatuba, Bauru, e Marília, um outro brasil, bem no interior do Estado de São Paulo, menos quente, mais ordenado, arrumado e disciplinado.

garça0.jpg Tive oportunidade de ver enormes árvores floridas como a Paineira e umas outras variedades de Mulungu, com outras cores para além do vermelho já muito falado por mim. A amiga Margarida Silvado partilhou connosco o quarto escritório, grande que nem uma caserna bem em frente do caqui (dióspiro) alto como nunca tinha visto, talvez uns oito metros. Caqui, pasto de maricatas (um tipo de papagaio) que bem cedo, ainda noite, palreavam em nosso sossego da sonolenta vontade de por ali ficar, na cama, por mais uns minutinhos.

garça4.jpg Aqui tive a sensação que o mundo deve ter-se iniciado com uma singularidade nua como esta aqui vivida. Entenda-se como singularidade nua o espaço-tempo que não é cercado por um buraco negro e, tendo seu ponto no lugar de curvatura aonde se torna infinito. Isto é um pouco difícil ser assimilado porque neste entretanto, o espaço da amizade tornou-se num infinito querer. Foi aqui, e no aconchego duma temperatura agradável, vermos o zero absoluto sublimando-se numa empática substância que não tendo energia térmica, nos evaporou em energia saudosa de permanecer assim, etéreos. Provavelmente vai ser difícil a alguém que não eu, conjugar deste jeito o verbo sublimar sem o comparar com o desaparecimento das bolas de naftalina.

garças5.jpg Partindo do pressuposto que o homem é uma criatura racional, livre para observar o espaço como melhor aprouver e, assim extrair deduções logicas do que vê e do que sente, será razoável supor também que o mesmo homem pode progredir cada vez mais na direcção das leis naturais que governam o Universo. Bem! Eu estou em uma cidadezinha chamada de Garça buscando evidências para concluir correctamente a resposta mais lógica que nos firma ao princípio ainda não desmentido da selecção de Darwin; os mais fortes sempre subsistem aos mais fracos

garças8.jpg Neste lugar, parece que o pensamento surge mais lúcido que noutro qualquer; um bom espaço para se morar, viver com padrões de agrado mais elevados por via dos padrões e comportamentos conhecidos da sociedade em outras paragens e, neste mundão chamado de Brasil. Desde a aurora de nossa civilização que as pessoas não se dão por satisfeitas, porque sempre se anseia compreender a ordem do subjacente, essa que alastra pelo mundo.

garças7.jpg A incógnita é nada menos do que a exacta descrição do universo aonde vivemos. Cada dia é uma nova experiência! Em verdade só poderemos descrever em nós e em nosso redor os padrões de comportamento, mas serão outros escondidos por paraísos fiscais e, que no anonimato nos alterarão a ordem com sobrecargas fiscais. Nosso desejo, enfim, torna-se profundo pelo conhecimento e, é só por isso uma suficiente justificação da nossa contínua busca! Mas, feliz mesmo, é quem nada disto sabe, nada tem, nada ambiciona…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:34
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2016
CAFUFUTILA . CIX

NAS FRINCHA DO TEMPO –  Com Zé Peixe  de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia… 4ª de várias partes…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

fifa3.jpgPrometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; assim, surgiu esta parcial inventação falando do personagem que vi em vida e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe. E, tudo para a livrar do tormento do “Princípio da Incerteza” que formata a matemática quântica. Como em todas as novelas e, para manter o suspense, convém que não se saiba os episódios seguintes mas, a amiga Maria Sacagami ansiosa, desvendou quem era o personagem Zé Peixe de Aracaju. A carga emotiva desvaneceu-se obrigando-me a dar um giro por outras atractivas felicidades. E como quem conta um conto, acrescenta um ponto, talvez se tenha de esticar a estória andando no espaço-tempo de forma aleatória. Pois lá teremos de acrescentar mais episódios com sereias e kiandas da Calunga.

kianda 01.jpg* - Sereias são Kiandas que fazem parte da calunga, "grande mar", são entidades fortemente ligadas ao orixá Iemanjá, das águas do mar, um poder regenerador no campo sentimental. São efeitos de facilitar a escrita um pouco à figura de Camões que das ninfas criou as tágides, ninfas do Tejo. Eu chamarei de kwangiadas às ninfas do Kwanza em Angola. Aqui no Brasil, às sereias de Guaxuma chamaria só kiandas de Guaxuma 

kianda1.jpg(…) Nas chegadas dos navios ao porto, as vezes utilizava-se de uma prancha para ir em busca das embarcações mais distantes, e as aguardava em cima da bóia de espera (a 12 km da praia) durante a noite toda ou mesmo durante um dia todo, até a maré ser propícia à aproximação e ao desembarque no porto. Zé Peixe realizou esses feitos até em sua idade avançada, o que surpreendia tripulação e comandantes desavisados. Com 82 anos e já enfermo, solicitou junto à Marinha seu afastamento definitivo.

zé peixe 1.jpg Um homem franzino e introvertido de 1,60m de altura e 53 Kg, sempre cativante por sua humildade, dignidade e simpatia. Zé Peixe comia muito pouco e não se banhava com água doce. Sua dieta se baseava em pães com café pela manhã e era rica em frutas durante todo o dia. Também não fumava, nunca bebeu álcool, dormia às 20h da noite e acordava às 6h. Apesar da insistência dos pais, desde criança não tomava banho de água doce, pois vivia no mar. No entanto, tinha o ritual de manter barba e cabelos sempre cortados.

buzios1.jpg Quando fora de serviço, gostava de ir cedo cuidar de seus botes atracados em frente à capitania dos portos, ir tomar banho de mar e andar de bicicleta até o mercado, onde comprava frutas. A pé ou em bicicleta, só andava descalço. Usava sapatos somente em ocasiões especiais ou quando ia às missas da Igreja do São José ou do Colégio Arquidiocesano. Nunca saiu do lugar onde nasceu.

zé peixe 8.jpg A antiga casa, toda pintada de branco por fora e azul por dentro, é muito simples. Entulhada de lembranças, títulos e medalhas que Zé Peixe juntou na vida, além de miniaturas e desenhos de barcos, e de imagens de santos católicos. Morreu em Aracaju na tarde de 26 de abril de 2012, vítima de insuficiência respiratória, aos 85 anos. Estas novidades sobre zé Peixe podem ser revistas por todos através de wikipédia mas, desconhecem que ele, já era em uma outra vida lá muito para trás, filho de uma kianda. Pois é aqui que começam a surgir os encantamentos havidos entre um boto golfinho do amazonas e uma kianda saída do Kwanza, talvez a tetravó das manas sereias kiandas de Guaxuma e, com os nomes de Roxo e Oxor.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:19
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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