Domingo, 22 de Maio de 2016
MALAMBAS. CXXIX

NUNDO CÃO - TEMPOS DE USUCAPIÃOA malandragem prolifera desregularizando a democracia – Quem pode conceber o presidente dum grade pais, virar corsário…

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Brasil - PT nunca mais! - Você sabia que todo o presente recebido pelo Presidente da República fica sendo do Estado?

brasil2.jpg Pois é... Mas o Ex-presidente Lula fez-se de desentendido levando para sua casa tudo o que lhe foi oferecido bem assim como a sua esposa. Claro que agora os brasileiros vão ter que pedir-lhe que os devolva pois que são património do Brasil e não dele ou de sua esposa. A legislação brasileira e da maior parte dos países ditos civilizados, determina que os presentes ganhos pelo Presidente da República no exercício da função, sejam incorporados ao património público sendo considerados propriedade do estado.

bra4.jpg Lula e sua família, ao deixarem o Palácio da Alvorada, fizeram o favor de levar todos os presentes recebidos nessa função de chefe da nação. Destes muitos presentes, constava uma colecção de jóias raras recebida do presidente de Egipto, registados no acervo da presidência da república. Todos os objectos ocuparam 18 camiões de mudança levados para São Bernardo. D. Marisa, a Italiana, afirmou que as jóias eram delas colocando-as em sua bagagem.

ÁFRICA3.jpg Funcionários antigos do Palácio Alvorada, ficaram horrorizados quando perceberam a falta de diversos objectos de arte e peças de alto valor, tais como estatuetas, faqueiros, xicaras, marfins trabalhados, medalhas de estado e, por aí... Durante o rescaldo do grande saque às instalações palacianas, observou-se que os Silva surripiaram, fanaram, capiangaram, furtaram inclusive, o crucifixo que há décadas adornava a sala de visitas de outros chefes de estado quando de visita ao Presidente da República.

amilcar4.jpg Aquela imagem de Cristo crucificado era tida como milagrosa, um ícone para todos os funcionários do planalto e, adorada por todos que ali trabalham. O povo brasileiro, bem arreigado a conceitos culturais que lhe foram legados e, também por seu misticismo de seus ascendentes africanos, devoção de gente que apela aos céus quando não chove, impressionado com este  roubo do crucifixo presidencial, sente que o Brasil desde este então, vem sendo castigado por Deus.

luis37.jpg Os brasileiros através deste comportamento perderam o norte; desregularam-se nas posturas que lhes foram legadas por muita gente ali chegada para vencer na vida. E, eu pertenço a este bolo gigante, sinto-o! Gente oriunda de muitas partes do mundo para ali se estabelecer, escolhendo o Brasil como a terra da promissão! O Brasil não pode ser um paraíso para malandros! A bandeira verde e amarela com suas muitas estrelas, não tem a Ordem para os de baixo e Progresso para os de cima! Estas duas palavras terão de ser elevadas à sua real catedral; ao nosso maior templo.

dia20.jpg Quem pode descurar o castigo nunca vivido desta forma causticante devido ao desleixo e quebra de valores, como o grande número de ciclones ocorridos no sul do Brasil ou a tragédia na região serrana fluminense entre outros, como o desemprego galopante, a inflação crescente a descrença generalizada ou a perca de confiança de seus líderes de proximidade. Será isto um reflexo da ira divina pela acção dos Silva? Foi por isso lançada a campanha de recuperação do património público nacional. Veremos o que se segue neste país que de tudo que se plante, de tudo dá! Deus proteja o Brasil, o país de minha eleição, depois de ter sido descolonizado de Angola!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:52
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Domingo, 15 de Maio de 2016
CAFUFUTILA . CXII

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA -  Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor surgiriam só no século XX e XXI algures num recife de Guaxuma de Alagoas - 7ª de várias partes…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; uma parcial inventação falando do personagem Zé Peixe de Aracaju de Sergipe. Tive de recorrer a Januário Pieter uma kianda que me serve de guia Kalunga; Passeamos por Alhambra mas, ambos voamos para Toledo pois que era ali que meu Mano Corvo Araújo nos esperava na ponte San Martin sobre o rio Tejo.

AS TÁGIDES DE TOLEDO - Salaam Aleikum em terras de “ Castilla-La Mancha” já na cidade de Toledo.

 

cafufu1.jpg Há dois mil anos atrás, Marco Fúlvio comandando as legiões Romanas conquistou a cidade de Toledo. O mesmo rio que então a contornava, o Tejo, continua correndo sendo atravessado pela ponte pela qual passam os peregrinos que se dirigem a Santiago; Trata-se da ponte de San Martin do Caminho de Alicante. Era aqui o encontro e, com efusivos abraços os Manos Corvos aqui cruzaram águas quentes nas outras frias que ali por debaixo corriam rumo a Lisboa. Até foi patética esta cena; bem cedo num treze de Maio dum ano falecido, Januário festejou connosco e como testemunha o pacto desta amizade. Cuspimos depois nas mãos e chispamos um aperto de união; voltaríamos a fazer isto muito mais tarde num tempo sine die. Em ambos, a kianda Pieter pousou sua mão em nossos templos, nossas testas,  deixando um viscoso liquido parecido com azeite.

arau4.jpg Este sítio de Toledo estava destinado ao gozo de férias de primavera das ninfas do rio Tejo (Tajo). Aqui, a partir de 1580, os espíritos instigados por “El Greco” recordam momentos épicos na companhia dos novos membros da Kianda e Mutakalombo; estes, cheios de notícias frescas dos mares de N´Gola em África, conferenciavam com sereias, nereidas e musas tomando aqui, todos, o nome de tágides (rio Tajo) – as primitivas kiandas que surgiriam desde o Zaire ao Kwanza, lugar ainda mal conhecido neste então. Só muito mais tarde iriamos saber que entre estas estavam as primogénitas das kiandas Roxo e Oxor. Cantando, à gente nossa, gente vossa, que a Marte tanto ajuda, refrescavam-se nas águas com cantos de Camões recordando o Deus da guerra, filho de Juno e de Júpiter guardião dos exércitos troianos.

cafufu3.jpg As tágides, conciliavam-se aqui com a vida espiritual, trocavam experiências com as novas tendências da Globália, reciclando-se em congressos de cristandade ouvindo Simbi e N´kuuyu. Aquele lugar ficava um Pambu N´jila como se estivessem na Mazenga, a ilha do descanso dos muxiloandas, sombras de casuarinas e coqueiros. O exotismo dos trópicos espalmava-se ali, na Mancha de Cervantes. O maneta Manuel de Cervantes y Saavedra autor da obra “Dom Quixote” desencantado com a guerra e as gentes,  lutava com moinhos na vasta planície de “La Mancha” com muito Suco e, associando-se a esta espiritualidade, retemperava os mudos intervalos divertindo a tertúlia com contos de ridículos cavaleiros  e paródias de entretimento.

cafufu4.jpg Eram momentos retemperadores recuperando Mutalos desavindos recorrendo por vezes à kianda Kozo, uma verdadeira arte estirada por “El Grego”, ele também impregnado de muito Suko - a kianda mestre do Mano Corvo Araújo, o magnifico grego de nome Doménikos Theotokópoulos! Nesta rota peregrina, cruzando o caminho de Alicante imaginei Sancho Pança apaziguando seu amo dum ímpeto destemperado com moinhos de vento ridicularizando heróis da fancaria. Foi a partir daqui que se organizaram cursos de deformação (algumas grotescas), fantasias de mordaz parodia e ironia na escrita e cores com longos rostos na pintura contrapondo aquilo que se passou a designar de burlesco.

cafufu5.jpg - Pude admirar nesta terra de Aragão um quadro de “El Greco”, em que as tágides ou Kiandas se contorcem em risos aéreos, vendo-se em fundo a cidade de Toledo, a “la puente de San Martin” sobre o rio “Tajo” e, um arco iris assinalando o local daquela reunião de espíritos. E ali andava eu T´Chingange um feiticeiro acomodado a novas tarefas de agrado, partilhando e recebendo conhecimentos avondo.

cafufu6.jpg É este um assunto deveras interessante a deslindar ao mulato ressequido Januário Pieter pois que estão ali também as Kiandas da Mazenga, as tetravós de Roxo e Oxor e, dois negros Mutalos com grilhos presos a bolas pesadas e escuras alongando-os como que puxandos para a terra. E, nos pescoços, umas barras redondas de ferro contornando-os por detrás de umas orelhas aladas amarrandas às nuvens de Toledo; são escravos de N´Gola pela certa!

cafufu7.jpg Ainda tinha na retina a imagem dum negro com semblante mussulmano que comigo cruzou em um lugar de nome “Bargas”. Este jovem senhor que se dirigia a terras de África através de Algeciras, tirou as meias, lavou os pés e, descalço refugiou-se numa sombra de alfarrobeira mais distanciada; estendeu a sua jaqueta no solo, ajoelhou-se colocando suas mãos sobre esta, baixou sua cabeça até tocar o solo por várias vezes orientando-a para um determinado ponto. Era a sua Meca distante com Kiandas diferentes, O seu Pambu N´jila.

cafufu8.jpg Aquele muçulmano, talvez marroquino, talvez argelino, ao passar por mim, riu-se em cumprimento mostrando até seu dente escandalosamente dourado, fez uma suave vénia de uma simpatia diferenciada, cumprimentando-me: - Salaam Salaam. Eu era um privilegiado, cidadão Niassalês, cidadão do mar alto, cidadão do mundo. Ele, um mustafá, viu em mim a aura de Pieter, talvez, a Kalunga N´Gombe, o “ Sangue de cristo”, T´Chingange do mesmo Cristo vestido com cores de púrpura. Um homem rico, riquíssimo, sedento de Paz, de Amor, descalço na humildade; filho do dono do Mundo! Dizer assim que Deus escolheu a configuração inicial do universo por motivos muito para além de nossa compreensão. Isto era ser-se assim omnipotente…

Eu, respondi: - Salaam Aleikum

cafufu9.jpgGLOSSÁRIO:

Salaam Aleikum: - da fé islâmica, fique na paz de deus, que a paz esteja convosco; Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Marte: - Deus da guerra na mitologia Romana, filho de Juno e Júpiter, amou Vénus de forma adultera pois esta era mulher de Vulcano, foram presos por uma rede por Vulcano, tiveram um filho de nome Cúpido, o amor prendeu-os na eternidade; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Nkuuyu: - são os espíritos pais dos vivos; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, Elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Mazenga. - Ilha das cabras, Ilha dos loandos, ilha dos N´zimbos ou Ilha de Luanda. Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; Mutalo: - espírito de morto por feiticeiro sem ordem de N´zambi; Kalunga / Calunga N´Gombe : - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga; Kozo: - Objecto que invoca um ou mais espíritos. T´Chingange: - Feiticeiro, cobrador de impostos, assessor do rei ou Mwata, ministro de todas as relações; N´Nhaka: - Horta

Da n´nhaka do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2016
CAFUFUTILA . CXI

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA - Com Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia… 6ª e várias partes…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; uma parcial inventação falando do personagem que vi em vida, e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe. Tive que recorrer a Januário Pieter - Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos e que tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão de Cruz credo!

afon0.jpg Após januário Pieter ter falado dos resquícios: - Não podemos fintar as leis que nos regem e, uma delas é o de só “fazermos a nós, o que fazemos aos outros”, escafedeu-se sem mais nem porquê ficando dele só essa sua sabedoria perfumada. E, esse cheiro intenso a jasmim surgiu de novo quando a tarde se estendeu no escuro da noite envolvendo-me na azáfama duma multidão ávida de frescura. Naquela “Plaza Mayor“ de Burgos comendo umas tapas de “boquerón” e argolas fritas de “calamares” regadas com cerveja “Dom Pepe” ia descrevendo o que sabia da Rainha Isabel de Portugal ao meu futuro Mano Corvo. Digo futuro, porque só dias depois, em cima da ponte de entrada de Toledo, cidade mais a Sul, fizemos um pacto de amizade perene dum modo bem peculiar: - cruzando nosso mijo-quente sobre o Tejo.

toledo1.jpg Recordava-lhe quem era a Rainha de Castela desse então quando, eis que num repentemente surge a kianda Januário Pieter envolta numa áurea fosfórica que rapidamente se esvaneceu. Com uma saudação de bater mãos como agora fazem os desportistas, chispou as nossas com ardências viscosas; depois do susto lá nos alegramos com caras de fantasmas viandantes, um pouco comprometidos com os olhares incrédulos dos circundantes. E foi ele, Januário que acrescentou: - Isabel a portuguesa foi casada com João II de Castela tendo dado à luz uma menina que veio a ser Rainha consorte de Aragón, Mallorca, Valencia e Sicilia. Foi assim chamada “la Católica” pelo papa Alexandre VI mediante a bula “Si convenit”, a 19 de Dezembro de 1496.

arau4.jpg E, continuou: - Foi ela Isabel, que concedeu apoio a Cristóvão Colombo na busca das tão cobiçadas Índias ocidentais e, que o que levou a descobrir as Américas, acontecimento que teve consequências na conquista dessas novas terras e a criação do Império Espanhol. Estávamos noutras vidas, é verdade mas desejoso que o rumo da conversa versasse coisas mais recentes e, por isso perguntei a Pieter o que é que ele pensava da nossa ida a Toledo a redescobrirmo-nos porque sei que pelos anais, formei-me “engenheiro espiritual” num lugar de Pambu N´jila da Fundação da ordem da Inmaculada Concepción, palácio de Galiana. Enquanto isso e lá no palácio do Pambu N´jila, o Costa Araújo I, seguiu as pisadas de um pintor Doménikos Theotokópoulos, mais conhecido como El Greco, pintor, escultor e arquitecto grego que desenvolveu a maior parte da sua carreira por ali.

toledo5.jpg Claro que fui obrigado a interpelar respeitosamente a minha kianda porque queria saber mais sobre as sereias progenitoras de Assunção Roxo e Oxor, as tetranetas em mares da kalunga do Brasil, mais propriamente de Guaxuma das Alagoas.  Cada coisa a seu tempo meu ilustre T´Chingange, teremos de circular por aqui algum tempo para irmos à profundeza das verdades do paratrás. É bom que ponhas a trabalhar teu relógio de areia porque daí irá sair uma praia com características mesolíticas; no futuro aí te irás espanejar com teu Mano Corvo se for o caso, disse assim sem titubear.   

araujo 41.jpg - Tchingange, meu amigo, agora que nos conhecemos melhor, dir-te-ei que não será tão rápido que chegaremos à tua, melhor, vossa Angola. Tereis de esperar até jorrar petróleo pelo tubo ladrão. Falou assim para nós dois, e nem demos muita importância a falar de algo desconhecido, pensando até ser um seu assistente com nome de petróleo; era normal ele falar assim de coisas plasmosas! Nós só ouvíamos! Naquele dia de Maio, despedimo-nos.

toledo4.jpg Ele, a kianda, seguia para Cádiz, mas decerto nos iria visitar por uns dias a Toledo e Alhambra de Granada. Combinamos desta forma um encontro para dias mais tarde em Granada; talvez aí pudéssemos pôr os assuntos em dia e saber dos nossos antepassados feitos em pó. Taciturnos, com um peso no coração, despedimo-nos de Pieter; Os Manos-corvos viviam agora nesse privilégio de ter um amigo com a sapiência de mais de 500 anos. E, ia eu jurar que ele só tinha 385 anos, pelo seu aspecto tão jovial. Como a gente se engana!

Personagens da estória: Assunção Roxo e a Sereia Roxo, (uma em duas - reflexo do espelho - Oxor); Joquim de Lisboa: O homem da traineira  inspirado em Diogo Cam; Mano Corvo - T´Chingange (O próprio); Mano corvo I - Costa Araújo na 1ª encarnação; Ze Peixe - O homem golfinho de Aracajú em Sergipe; Januário Pietrer - Uma kianda assombração dos mares, um velho amigo com mais de 500 anos de Cruz-Credo (criação do Soba).

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:02
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Terça-feira, 26 de Abril de 2016
MOKANDA DO SOBA . XC

VIAGENS - Em terras de Vera Cruz … O Mundo anda demasiado mentiroso - Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando a capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade.

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

garça3.jpg Garça do Brasil, terra da festa da cerejeira, do café arábico e do bom queijo. Foram dias de adquirir muito conhecimento tendo como anfitriões a professora universitaria Alda e seu esposo Senhor Aparecido Cabreira. Nesta terra de Barões do Café foram-nos mostrados grandes extensões de cafezais já com o grão vermelho, plantações de árvores nobres e vastas áreas de eucaliptos; recordei aqui o trajecto do Huambo para a Caála em Angola, lugar aonde vivi até que me rejeitaram, já lá vão 41 anos. E, fomos visitar fábricas de tecidos, de rendados na cidade de Ibitinga para lá do rio Tieté e outras cidades com nomes de Borborema, Cafelândia, Araçatuba, Bauru, e Marília, um outro brasil, bem no interior do Estado de São Paulo, menos quente, mais ordenado, arrumado e disciplinado.

garça0.jpg Tive oportunidade de ver enormes árvores floridas como a Paineira e umas outras variedades de Mulungu, com outras cores para além do vermelho já muito falado por mim. A amiga Margarida Silvado partilhou connosco o quarto escritório, grande que nem uma caserna bem em frente do caqui (dióspiro) alto como nunca tinha visto, talvez uns oito metros. Caqui, pasto de maricatas (um tipo de papagaio) que bem cedo, ainda noite, palreavam em nosso sossego da sonolenta vontade de por ali ficar, na cama, por mais uns minutinhos.

garça4.jpg Aqui tive a sensação que o mundo deve ter-se iniciado com uma singularidade nua como esta aqui vivida. Entenda-se como singularidade nua o espaço-tempo que não é cercado por um buraco negro e, tendo seu ponto no lugar de curvatura aonde se torna infinito. Isto é um pouco difícil ser assimilado porque neste entretanto, o espaço da amizade tornou-se num infinito querer. Foi aqui, e no aconchego duma temperatura agradável, vermos o zero absoluto sublimando-se numa empática substância que não tendo energia térmica, nos evaporou em energia saudosa de permanecer assim, etéreos. Provavelmente vai ser difícil a alguém que não eu, conjugar deste jeito o verbo sublimar sem o comparar com o desaparecimento das bolas de naftalina.

garças5.jpg Partindo do pressuposto que o homem é uma criatura racional, livre para observar o espaço como melhor aprouver e, assim extrair deduções logicas do que vê e do que sente, será razoável supor também que o mesmo homem pode progredir cada vez mais na direcção das leis naturais que governam o Universo. Bem! Eu estou em uma cidadezinha chamada de Garça buscando evidências para concluir correctamente a resposta mais lógica que nos firma ao princípio ainda não desmentido da selecção de Darwin; os mais fortes sempre subsistem aos mais fracos

garças8.jpg Neste lugar, parece que o pensamento surge mais lúcido que noutro qualquer; um bom espaço para se morar, viver com padrões de agrado mais elevados por via dos padrões e comportamentos conhecidos da sociedade em outras paragens e, neste mundão chamado de Brasil. Desde a aurora de nossa civilização que as pessoas não se dão por satisfeitas, porque sempre se anseia compreender a ordem do subjacente, essa que alastra pelo mundo.

garças7.jpg A incógnita é nada menos do que a exacta descrição do universo aonde vivemos. Cada dia é uma nova experiência! Em verdade só poderemos descrever em nós e em nosso redor os padrões de comportamento, mas serão outros escondidos por paraísos fiscais e, que no anonimato nos alterarão a ordem com sobrecargas fiscais. Nosso desejo, enfim, torna-se profundo pelo conhecimento e, é só por isso uma suficiente justificação da nossa contínua busca! Mas, feliz mesmo, é quem nada disto sabe, nada tem, nada ambiciona…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:34
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2016
CAFUFUTILA . CIX

NAS FRINCHA DO TEMPO –  Com Zé Peixe  de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia… 4ª de várias partes…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

fifa3.jpgPrometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; assim, surgiu esta parcial inventação falando do personagem que vi em vida e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe. E, tudo para a livrar do tormento do “Princípio da Incerteza” que formata a matemática quântica. Como em todas as novelas e, para manter o suspense, convém que não se saiba os episódios seguintes mas, a amiga Maria Sacagami ansiosa, desvendou quem era o personagem Zé Peixe de Aracaju. A carga emotiva desvaneceu-se obrigando-me a dar um giro por outras atractivas felicidades. E como quem conta um conto, acrescenta um ponto, talvez se tenha de esticar a estória andando no espaço-tempo de forma aleatória. Pois lá teremos de acrescentar mais episódios com sereias e kiandas da Calunga.

kianda 01.jpg* - Sereias são Kiandas que fazem parte da calunga, "grande mar", são entidades fortemente ligadas ao orixá Iemanjá, das águas do mar, um poder regenerador no campo sentimental. São efeitos de facilitar a escrita um pouco à figura de Camões que das ninfas criou as tágides, ninfas do Tejo. Eu chamarei de kwangiadas às ninfas do Kwanza em Angola. Aqui no Brasil, às sereias de Guaxuma chamaria só kiandas de Guaxuma 

kianda1.jpg(…) Nas chegadas dos navios ao porto, as vezes utilizava-se de uma prancha para ir em busca das embarcações mais distantes, e as aguardava em cima da bóia de espera (a 12 km da praia) durante a noite toda ou mesmo durante um dia todo, até a maré ser propícia à aproximação e ao desembarque no porto. Zé Peixe realizou esses feitos até em sua idade avançada, o que surpreendia tripulação e comandantes desavisados. Com 82 anos e já enfermo, solicitou junto à Marinha seu afastamento definitivo.

zé peixe 1.jpg Um homem franzino e introvertido de 1,60m de altura e 53 Kg, sempre cativante por sua humildade, dignidade e simpatia. Zé Peixe comia muito pouco e não se banhava com água doce. Sua dieta se baseava em pães com café pela manhã e era rica em frutas durante todo o dia. Também não fumava, nunca bebeu álcool, dormia às 20h da noite e acordava às 6h. Apesar da insistência dos pais, desde criança não tomava banho de água doce, pois vivia no mar. No entanto, tinha o ritual de manter barba e cabelos sempre cortados.

buzios1.jpg Quando fora de serviço, gostava de ir cedo cuidar de seus botes atracados em frente à capitania dos portos, ir tomar banho de mar e andar de bicicleta até o mercado, onde comprava frutas. A pé ou em bicicleta, só andava descalço. Usava sapatos somente em ocasiões especiais ou quando ia às missas da Igreja do São José ou do Colégio Arquidiocesano. Nunca saiu do lugar onde nasceu.

zé peixe 8.jpg A antiga casa, toda pintada de branco por fora e azul por dentro, é muito simples. Entulhada de lembranças, títulos e medalhas que Zé Peixe juntou na vida, além de miniaturas e desenhos de barcos, e de imagens de santos católicos. Morreu em Aracaju na tarde de 26 de abril de 2012, vítima de insuficiência respiratória, aos 85 anos. Estas novidades sobre zé Peixe podem ser revistas por todos através de wikipédia mas, desconhecem que ele, já era em uma outra vida lá muito para trás, filho de uma kianda. Pois é aqui que começam a surgir os encantamentos havidos entre um boto golfinho do amazonas e uma kianda saída do Kwanza, talvez a tetravó das manas sereias kiandas de Guaxuma e, com os nomes de Roxo e Oxor.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:19
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Terça-feira, 19 de Abril de 2016
CAFUFUTILA . CVIII

NAS FRINCHA DO TEMPOCom Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia… 3ª de 4 partes

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; assim, surgiu esta parcial inventação falando do personagem que vi em vida e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe.

kianda.jpg* - Sereias são Kiandas que fazem parte da calunga, "grande mar", são entidades fortemente ligadas ao orixá Iemanjá, das águas do mar, um poder regenerador no campo sentimental. São efeitos de facilitar a escrita um pouco à figura de Camões que das ninfas criou as tágides, ninfas do Tejo. Eu chamarei de kwangiadas às ninfas do Kwanza em Angola. Aqui no Brasil, às sereias de Guaxuma chamarei só de kiandas de Guaxuma 

zé peixe9.jpg (…)Zé Peixe de Aracaju, José Martins Ribeiro Nunes de nome, foi um prático brasileiro que se tornou uma figura lendária no estado de Sergipe, devido a seu modo incomum de exercer sua actividade conduzindo embarcações de grande calado que entravam e saíam de Aracaju, pelo Rio Sergipe. O inusitado, em sua tarefa, se devia ao fato de não necessitar de embarcação de apoio para transportá-lo até o navio. Quando havia um navio necessitando entrar na barra do rio Sergipe, ele nadava até o navio. Da mesma forma, após conduzir o navio até fora da barra, ele saltava e voltava à terra nadando. 

zé peixe 2.jpg Algumas vezes ele saía numa embarcação e nadava até uma bóia que sinalizava o acesso à barra de Aracaju, onde aguardava as embarcações que necessitavam de seus serviços para entrar na barra. (Era este o lugar de encontro com as sereias Roxo e Oxor que descrevo no texto da crónica)* Em 1947, mediante concurso, foi admitido como Prático no lotado da Capitania dos Portos de Sergipe, profissão que exerceu por mais de meio século (naquela época a remuneração de prático era bem mais modesta).

roxo8.jpg Mas foi seu modo peculiar de trabalhar que o fez famoso em vários meios de comunicação. Quando um navio tinha que sair do porto guiado pelo prático, Zé Peixe não utilizava um barco de apoio: subia a bordo e, uma vez guiada a embarcação para o mar aberto, amarrava suas roupas e documentos na bermuda e saltava do parapeito da nave em queda livre de 17 metros até a água (uma altura equivalente a 5 andares), nadava até 10 km para chegar à praia, e ainda percorria a pé outros 10 km até a sede da Capitania do porto. 

carn1.jpg Por várias vezes Zé Peixe referia ser aquele óleo inebriante que as sereias Roxo e Oxor que lhe davam esta força que vinha dum paralém desconhecido. Ele de nada sabia, que aquele grande mar o tinha escolhido como parceiro das kiandas, umas muito antigas kwangiadas saídas dum outro rio do outro lado do mar, o Kwanza. Como ia eu explicar a um homem feito golfinho, pouco letrado, ter havido em tempos idos umas ninfas mediterrânicas com descendência no estuário do Tejo! E, que mais tarde se transladaram para terras de N´gola, num rio chamado de N´Zaire e mais um outro mais a sul, aonde foram acarinhadas pelos Mafulos na foz do Kwanza. 

roxo26.jpg Este contratempo narrativo surge-me no meio da estória para chegar aos Tugas, a Muxima e aos óleos especiais saídos do dendém e cocnut usados pelas sereias, kiandas e kwangiadas. O azeite, ou óleo de palma é um óleo usado na culinária brasileira e angolana mas, também, no candomblé. O óleo de coco actua como um hidratante eficaz, incluindo a pele seca sem ter quaisquer efeitos secundários adversos sobre a pele da aplicação do óleo de coco. Portanto, foi esta a solução segura que Zé Peixe teve e, sem adivinhar manteve sua pele sem descamar ou se, se ressecasse com os anos seguidos metidos em água salgada. Por estes motivos Zé Peixe atrasou o aparecimento de rugas e flacidez em sua pele, coisas que acompanham o envelhecimento.

assun6.jpg A barra do Rio Sergipe era uma das piores entradas portuárias do Brasil. Zé Peixe, por sua dedicação e seu conhecimento detalhado da profundidade das águas, das correntezas e da direcção do vento, sempre se destacou no serviço de praticagem. Uma vez guiada a embarcação para o mar aberto, amarrava suas roupas e documentos na bermuda e saltava do parapeito da nave em queda livre de 17 metros até a água (uma altura equivalente a 5 andares), nadava até 10 km para chegar à praia, e ainda percorria a pé outros 10 km até a sede da Capitania dos portos. Também aqui se fazia sentir a ajuda das sereias, as tais kiandas da calunga tão regeneradoras do espírito; imaginem este salto dado por um homem com 75 anos.

(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:12
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2016
MUJIMBO . CXVI

BRASIL - CICATRIZES DO TEMPO - A política brasileira está num braseiro de churrasco. Vai sair uma galinha e entrar um galeto…

Por

t´chingange 0.jpg T´chingange

dilma1.jpg O caso de impedimento de Dilma Rousseff do cargo de Presidente da República depois de ter obtido o voto de mais de dois terços da Câmara de Deputados neste domingo segue para o Senado, dando continuidade a uma batalha política que coloca em causa o lugar da “Presidenta”. Mesmo que seja destituída no Senado, a convulsão política vai continuar a desestabilizar a governação que se lhe seguir. Se Dilma fica politicamente ferida de morte, o que se lhe segue Michel Temer actual Vice-presidente, continuará a governar em águas turvas pois que ao que se sabe quase não há políticos brasileiros que não sejam associados ao escândalo da Operação “Lava Jato”. E, ele nesta matéria, também não tem as mãos limpas.

dilma2.png A política brasileira vive dias incendiados, os braseiros lançam inevitavelmente brasas que queimam a todos, culpados e inocente. Mas diga-se que tudo foi um bocado caricato porque no plenário quando se anunciava que o partido tal estava a favor da destituição, os que estavam de pé lá atrás começavam aos gritos como se fosse um comício ou se estivessem numa brincadeira de faz-de-conta. Procedimento que não dá para entender em homens que deveriam ter estatuto capacitado de responsabilidade.

dilma3.jpg Em verdade o que se está a passar no Brasil, atinge inevitavelmente toda a classe política e, que se saiba quase não há políticos brasileiros que não estejam associados à operação Lava Jato. A partir de certa altura, vão todos os nomes para a fogueira; justos e pecadores são tratados da mesma maneira. Há aqui uma vertigem autofágica do sistema politica brasileiro e os intervenientes, ainda não entenderam que estão a dar tiros em seus  pés”.

dilma4.jpgO Petrolão, é um escândalo de loteamento de luvas em que todos os partidos receberam a sua quota. É difícil encontrar um que não tenha culpas no cartório.

dilma6.jpg Ninguém pode ficar agradado com a prestação do vice-presidente Michel Temer que à sua maneira cometeu incestuosos crimes de ética. Ele já disse que se a Presidente sobreviver, ele também não sairá do lugar. Isto só por si, revela um baixo nível de vergonha e de pudor na política. O sistema é simplesmente disfuncional. O Brasil precisava de tudo neste momento, menos de uma crise institucional. Vamos ver o filme sentados pra não nos cansarmos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:03
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2016
CAFUFUTILA . CVII

NAS FRINCHA DO TEMPO –  Com Zé Peixe  de Aracaju e a Sereia Roxo Socorro, algures num recife, por vezes numa bóia… 2ª de 4 partes

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; assim, surgiu esta parcial inventação falando do personagem que vi em vida e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe.

assun1.jpg- O senhor vem donde? -Aqui chama-se de capim santo! – Mas, sei que lá no Mato grosso chamam de erva-cidreira! Foi mesmo fácil encetar uma conversa prolongada com o senhor José Martins mais conhecido por Zé Peixe. Entretanto Rita e Ibib apreciavam um pedaço da mata atlântica e uns macaquinhos que surgiram dando a sua graça. Depois duns entretantos para repor a empatia no justo valor, Zé Peixe foi descrevendo suas peripécias ao longo de muitos anos enfronhado no mar. Contei-lhe a cena da sereia lá no Guaxuma e, nem foi necessário entrar em pormenores dos encontros imediatos com estes seres desacreditados.

zé peixe 2.jpg - Há sereias sim! Disse isto depois de entrelaçar minha pergunta com uma pausa porque acto continua o rafeiro tupi, sem mais nem porquê uivou ao vento, algo inusitado que o fez tremular os músculos mas, repondo sua feição digna de velho do mar, em seguida, sem pestanejar e fincando bem as rugas por de cima das sobrancelhas repetiu: - Há sereias sim! Não tem conta as vezes que elas me fizeram companhia, eu agarrado à bóia, à prancha nadando e elas agarradas a mim! – Elas? Interrompi bem admirado de tal evento.

- Sim! -Eram duas manas mas só aparecia uma de cada vez; não sei explicar o porquê de sempre se fecharem no silêncio delas, cada qual tinha seu jeito e sabe, cada uma lançava perfumes diferentes que nem sei bem como explicar. 

roxo24.jpg Estava a obter informações para além do que pretendia; fiquei demasiado absorto nas falas dele.

- Foi com elas que andei sempre. Tanto a Roxo como a Oxor me ajudavam quando o cansaço me tolhia a vontade, sabe! Se não fossem elas eu não poderia ter feito o que sempre fiz por tantos anos. Nem eu seria o que sou, e até por isso e como elas, conservo-me assim sempre salgado; foram elas que me aconselharam, acrescenta.

-Sabe! Disse ele para mim, fincando-se bem em meu olhar com brilhantina curiosa: - Elas roçavam suas escamas em mim e, delas as escamas, saia um óleo que me fazia rolar o cérebro! Hó se me animava, belos tempos…

zé peixe5 5.jpg - Estranhei sempre, sabe!… Ser só eu a vê-las! No início ainda falei com os companheiros mas estes sempre me bromearam, pois sempre me fizeram pouco e, fui deixando de falar. Agora já estou velho para esconder as verdades, quem quiser que acredite, quem não quer, que bote fora, sabe! 

-Mas, então tinham mesmo esses nomes? Perguntei eu ainda pouco refeito desta novidade.

- Era assim que murmurejavam seus nomes entre elas, disse Zé Peixe neste linguajar fácil de entender.

ROXO14.jpg -Mas, e então, como é que tudo terminou?

- Vou falar a pura verdade! – Um dia chegaram não sei donde dois botos (golfinhos do rio) que não sei por quê carga de água delas, deles se endoidaram! Saltaram, pintaram e bordaram e, vendo-me triste, de mim se despediram soprando dois arco-íris bonitos de morrer! Nunca mais as vi.

zé peixe 4.jpg Fiquei assim como viúvo diz ele de voz embargada. Tudo se me mudou! Foi neste então que me recuperei da apática quietude e lhe disse: - Homem, a vida é assim mesmo, tudo o que começa tem um fim; não se deixe ficar murcho. Aqui, ambos levantámos nossos copos com cachaça do engenho Mocho de Caboré, cheirosa, quase perfumada para festejar esta novidade…   

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:15
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2016
CAFUFUTILA . CVI

NAS FRINCHA DO TEMPO –  Com Zé Peixe  de Aracaju e a Sereia Roxo Socorro, algures num recife, por vezes numa bóia… 1ª de 4 partes

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

ROXO13.jpg Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; assim, surgiu esta parcial inventação falando do personagem que vi em vida e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe. As ilustrações foram capiangadas por mim a ela, para suprir sua maldade, assim um ressarcimento por me impedir de ficar num pântano quântico procurando um chinelo, as sandálias do pescador… E, porque é quase uma odisseia vai ter várias partes, como uma telenovela

zé peixe6.jpg Num esforço de entender o Universo sublimei-me em filosofias com princípios inimagináveis fixados num jogo empírico lá nos extremos do pensamento aonde até as deduções têm afinidades matemáticas; com símbolos e caracteres radiactivos. No paradoxo de criativas imagens, enchia-me de habilidades quânticas sem cuidar dos ditames da razão. Nesta utopia de partículas surge uma sereia de nome Roxo Socorro a pedir ajuda, justificando seu próprio nome, como se nela tudo fosse uma calema de afincada afirmação.

ROXO19.jpgEstava bem no topo de um recife no lugar de Guaxuma, mais além de rio Doce, para norte. Nem sei bem porque pedia socorro porque assim de joelhos mexendo levemente a barbatana de cauda, suportava em sua mão direita uma forquilha tipo arpão daquelas que sempre ligamos ao mar, isso, como se saída de uma atlântida que se diz ter existido no meio do oceano. Jiboiando em minha rede revi esta cena lá atrás no tempo quando no pantanal de Sergipe vi uma sereia a deslizar das dunas para a água. Havia ali muitas lagoas.

ROXO18.jpg Minhas companhias de viagem juravam que não, que era uma anta, talvez uma foca ou um peixe-boi. Rita até afirmava ter sido uma garoupa sarapintada de pedras tipo cracas mas, nada disto eu vi! Já que estávamos em Sergipe e muito perto de Aracaju, ali permanecemos por mais dois dias pois que teria de perguntar a Zé Peixe, o prático marinheiro se isto da sereia seria ou não uma fantasia nossa; uma cena tal e qual esta daqui, de Guaxuma.

roxo3.jpgzé peixe 1.jpg

Pergunta aqui e mais ali, lá chegamos à casa pobre meio ripa, meio taipa feita de adobe, coberta a folhas de zinco com ramos de coqueiro já envelhecidos. Tivemos a sorte de o ver logo sentado num telheiro bem ao lado da casa, rodeado de picas no chão e outras galinhas de angola ciscando o fundo do quintal cheio de mamonas, com erva florida de doutor e doutorzinho em tufos enquadrado, coqueiros ao redor sombreado um limpo terreiro. Havia também chá caxinde e, foi perguntando a este se era mesmo esse o nome com que iniciei a conversa. Claro que lhe dei uma larga saudação! Ele estava já habituado a ter visitas de estranhos…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:05
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2016
MALAMBAS. CXXVI

TEMPOS DE USUCAPIÃOA malandragem prolifera desregularizando a democracia e, entretanto, sentado na praia, dou descanso aos olhos e artelhos…

Malamba é a palavra

Por

soba 01.jpgT´Chingange

phisalis0.jpg Sentado em minha cadeira de praia e depois de ter feito minha gimnástica de talassoterapia, olhos meus artelhos muito cheios de manchas vermelhas assim como sendo uma alergia aos elásticos das meias que uso quando caminho ao longo de Pajuçara até à Jatiúca ou para o outro lado chamado de Jaraguá.  Estas pintalgadelas como desenho de estrelas do universo, mostrando as veias com vermelhidão como se fosse uma folha seca de physális, talvez nem seja uma alergia nas ramificações pintadas de sangue.

physalis4.jpg Vêm-me à ideia que assim de vez em quando sinto como que uma ligeira coceira como se estivesse a ser invadido por formigas minúsculas e, olhando, nada vejo. Fica-se naquela de que talvez seja uma corrente de ar que buliu nos cabelos ou uma aranha que num repente passou e se escapuliu; sempre tendências negativas que nos suprem vontades. Em verdade, o mais certo será concluir-se serem mazelas da idade, um nervo ciático meio frouxo ou um beliscão do tipo neutrão no cerebelo.

ÁFRICA8.jpg Mas, entretanto olho o mar imenso, hoje sereno sem bulir os sete coqueiros, nome da praia com dezenas desses altos paus que farfalhando suas ramadas verde tornam a panorâmica paradisíaca. Desde a piscinas naturais, no meio do mar da baía, pode-se ver depois do verde e azul da água, a língua de areia amarelada, depois os paus de coqueiro, uns tortos outro direitos encobrindo parte dos prédios coloridos em azulejos que ora brilham ora ficam baços conforma as nuvens filtram o sol em sua direcção. 

dia24.jpg E, na serenidade do espelho de água surge uma chata, uma balsa com um homem sentado e outro e pé ximbicando ou espetando um bordão no fundo fazendo desloca-la na quietude. Vão largando uma rede de forma suave fechando um semicírculo com suas pontas de corda do lado da praia. Batendo os cordames, dão susto aos peixes que a seguir se aprisionam na malha. E, vão puxando e enrolando em cima da balsa, pronta para outra largada lá mais à frente, outro suposto cardume; ximbicando e espetando o bordão afastam-se de vez.

tambaqui4.jpgAdmiro estes homens do mar que vivem desta azáfama, uma vida feita ao sabor da sorte, dependendo das fases da lua, das marés, do vento e ondas sem saber que há uma teoria da incerteza a dar corpo aos enigmas da natureza. Estes sim, vivem com Deus. Eles só buscam um cardume, depois cercam e, já numa ex-lata de tinta vendem no posto seu pecúlio, sua sobrevivência. Amanhã ora dará, ora seja o que Deus quiser. Mais longe, fazendo silhuetas no infinito, separação do azul do mar e do céu, podem-se admirar as velas triangulares das jangadas distinguindo-se as cores garridas; é a azáfama do vaivém levando turistas do Sul e da Xirgosia para as piscinas naturais e, ao jeito de Maragoji, dar pão esfarelado aos peixes para inchar os olhos nas coisas belas da natureza.

pajuç1.jpg Neste meio tempo de escrita, vou sendo rodeado de chapéus coloridos, cadeiras e mesas, caixas térmicas isopor ou esferovite com estampas de cerveja a estalar de frio, gulosas que chega, gente gira e barulhos com linguajar de Cabrobó, musica de forró e anedotas de repentistas caboclos, matutos e gente gira de cu ao léu, sereia mostrando a barbatana, os fios entalados na alegria dos olhos e cheiros de entaladinhos mais coxinhas de galinha e o acarajé da tia Alzira. Nesta forma de ver a vida parece não haver tristeza, um dia de cada vez! Saravá!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:32
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Sábado, 2 de Abril de 2016
XICULULU . LXX

TEMPOS ESPACIAIS - Quando o tudo, nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza sarando as feridas da mente e do corpo… Continuo a aprofundar meus conhecimentos descodificando as origens da quinta dimensão  …

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça…

Por

soba 01.jpgT´Chingange

step0.jpg A bordo do ónibus Pantera de Prata e saindo de Garça, uma garciosa cidade, fizemos adeus a Alda e Aparecido Cabreiras, anfitriões cinco estrelas daquele vasto planalto com muito café arábico, e quilómetros de matas de eucaliptos. Seguindo o rumo para Nascente via São Paulo cruzamos as rodovias do Tietê, de Castello Branco e João de Barros, terras com nomes extravagantes tais como Butucu, Piracicaba, Sorocaba, Indaiatuba e Araraquara.

garça0.jpg No panorâmico machimbombo, revia de novo meus eventos de vida concebendo-me na relatividade no modo fundamental; minhas ideias propagavam-se num espaço-tempo, uma ainda mal compreendida quarta dimensão. Pois! A dimensão do pensamento que percorre sua validade num paralém da luz, coisa inimaginável porque, ainda ninguém a teorizou na perfeição. Digamos que conhecemos três concepções de posição no espaço como a largura, comprimento e altura; esta outra quarta dimensão preenchida pelo pensamento ocorre em momentos específicos, surgindo por camadas temporais diferenciadas entre si, forma progressiva de vibração no espaço. Assim se expandem tal como uma pedra atirada num charco em ondas circulares. Ondas que só podem ser mensuradas num instante diferente dum antes e um depois, formando um funil alongado até o infinito, como um tornado.

step1.jpg Encontrei-me naquelas vias de Rondon e João de Barros com a minha quarta dimensão que como um facho de luz se propagou nas gravitacionais curvas de meu enigmático templo, igual a tantos outros, biliões, coisa ainda mal definida nas infinitas curvaturas da geodesia gravitacional, e seu conhecimento. Isto leva-me a reflectir que todos nós humanos, somos ilusões, ocupando aparentes posições no Universo com milhares de galáxias! Somos deflexos de luz, eventos perpetuados em sinais que aparentemente definham no espaço de um tempo quântico (de quantidade mínima de energia que pode ser emitida, propagada ou absorvida). Parecem ser paradoxos de linguística mas e, sobre isto, parece não se fazer sentido falar, porque o Universo não tem limites.

louva7.jpg Definitivamente o tempo corre para trás e, só é possível concebermos isto na forma de energia radiante tendo como matéria, uma estrutura descontínua; não pode existir senão sob a forma de fragmentos, frequências de radiação na teoria de física hodierna, aonde nada é metafórico ou figurado, por enquanto. Um qualquer dia no tempo espaço, tornar-nos-emos uma quinta dimensão, o evento mais marcante depois do nascimento e, num macro instante anterior sobreposto ao seguinte, só seremos nada; uma alma!   

step3.jpg Essa coisa etérea, sem cheiro, nem forma nem peso aparente, um espectro termal chamado de alma, cor violeta que como um balão que se expande; e, não se poder identificar o centro dessa expansão por não possuir contornos nem bordas. E, porque o impossível não acontece, seria necessário viajar mais rápido do que a velocidade da luz, para assim determinarmos aonde se começou, antes de finalizar (entenda-se Universo).

step2.jpg Bibliografia: Uma breve história do tempo de Stephen William Hawking. É um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da actualidade. Doutor em cosmologia, foi professor de matemática na Universidade de Cambridge. Actualmente é director de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica e fundador do Centro de Cosmologia Teórica (CTC) da Universidade de Cambridge.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:34
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Quinta-feira, 31 de Março de 2016
MOKANDA DO SOBA . LXXXIX

TEMPO COM FRINCHAS - Em terras de Vera CruzNas entranhas de São Paulo na avenida Paulista…Com Ridlav, Eniale e Arik…

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t´chingange 0.jpgT´Chingange

paulo11.jpg Nesta grande metrópole que é São Paulo do Brasil, lá fui viver o mundo subterrâneo desta grande urbe; subindo no trem da Vila Clarice de Pirituba até Barra Funda e depois Luz e, pude verificar os arrabaldes até nos transbordarmos para o metrô. Como toupeiras embarcamos na linha amarela mudando para a verde, outra azul e mais uma vermelha até chegarmos ao centro nevrálgico da avenida Paulista, no MASP aonde recentemente se manifestaram dois milhões e meio de cidadãos, em 24 quarteirões, reclamando contra seu governo desgovernado.

paulo10.jpg E, tirando fotos, o pato do povo teve de ficar enquadrado, um simbolismo sem participação directa de qualquer órgão instituído porque somos turistas e pequenas partículas deste enorme silo com caldo a entornar-se. Costas com costas e já no aperto de fim de dia, saímos em aperto no cais ascendente de Pirituba admirando entra as frestas dos prédios o Pico do Jaraguá.

paulo13.jpg O progresso das sociedades, caminham sempre no sentido de um dilúvio ou um desastre que repetidamente lançam a raça humana ao princípio de um ciclo ou uma nova civilização. Assim considerando e perante tantas antimonias, mesmo contradições, poderemos basear-nos na presunção de que o tempo continuará indefinidamente para trás. O tempo não existia antes de Deus criar o Universo. Ele, o tempo, pertence à metafisica ou à teologia e, porque não há necessidade física de um início, pode imaginar-se que o Universo surgiu quando Deus o criou no preciso momento do Big Bang!

pi0.jpgPois! O Big Bang baseia-se em que o Universo era uma bola de Terra, Ar, Fogo e Água no dizer de Aristóteles e depois, seguiram-se as teorias de Newton gravitacionais mas, pelo que se pode analisar, qualquer teoria física é sempre provisória, porque não passa de uma simples hipótese que nunca se pode provar e, porque sempre surge uma nova contradição de uma qualquer observação que levam ao abandono as anteriores teorias.

paulo16.jpgpaulo14.jpg

Até prova em contrário, as teorias de Newton serão as mais válidas. Mas, tem sempre um mas na busca de uma nova teoria de gravitação quântica, podendo-se já admitir o conhecimento de muitas propriedades que tornam incompatíveis a mecânica quântica com a teoria da relatividade. Sem dúvida já conhecemos muitas teorias mas, por enquanto teremos de nos espremer no incógnito reconhecimento de que Deus, o Omnipotente e Omnipresente, criou o Universo e que ele, o Universo, se está expandindo.

paulo15.jpg Por enquanto teremos de acreditar que o Big Bang surgiu com Deus e, que o tempo anda para trás, sim! O início e o fim de nós e do Mundo, não é assim tão relevante… Aqui em plena Avenida Paulista do Brasil, pelo que se pode analisar, parece que qualquer análise política de governo  e de quem governa, parece sempre ser provisória, porque, e sempre, surge como simples hipótese que parece nunca se poder provar e, porque sempre parece haver uma ciência de direito e da legislação renovada! Uma tal de jurisprudência complicadississima!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:00
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Sábado, 26 de Março de 2016
MAIANGA . XVI

BRASIL - Conversa fiada - O caldo de feijão, a coxinha de galinha e o ananás recheado de velho barreiro com muito frio…

Maianga é um bairro de Luanda, Angola da Luua, meu berço tropical.

Por

soba 01.jpgT´Chingange

paju1.jpg Aqui na praia da Pajuçara, sentado em minha cadeira cilhada na areia, vendo o mar verde, diviso um pouco longe o rebentar das ondas nos baixos recifes das chamadas “piscinas naturais”; são assim chamadas, porque quando desce a maré fica-se com o pé raso em plataformas de rochas esburacadas com muitos corais e fendas formando pequenas piscinas vendo-se a areia clara e fina dos fundos. Tudo muito transparente, os peixinhos coloridos beliscando-nos nos pés como que, roendo as peles envelhecidas. Os recifes aqui, vistos de cima, parecem pequenos buracos nas rochas como queijo suíço de cor castanha.

paju3.jpg Posso ver quase no horizonta ondas empinando-se num tom mais azul e logo a seguir uma linha branca de ondas rebentando-se em espuma ao longo da suave curvatura terrena. Quase de lado posso apreciar os peritos em futbolei que com arte e muito malabarismo fazem passar a bola ao terceiro toque para o outro lado da rede, aí com uns 2,20 metros de altura Os ginastas habilidosos, dois de cada lado, até parecem ser profissionais no assunto e, de espaço em seu tempo vão cantando a pontuação do jogo, diga-se bem interessante e empolgante.

paju6.jpg Ao terceiro toque feito de cabeça, tronco ou pé a bola é enviada para o outro lado da rede, quando se perde o ponto o pontapé muda para o outro lado do campo; a bola é batida com efeito do topo de um morro de areia feito no momento por modo a dificultar a recepção. A quadra é definida com um fio previamente dimensionado e, na forma de um rectângulo é ajustado com uns ferros, cantos enterrados na areia. Durante o encontro vão dizendo um chorrilho de asneiras com merdas a fazer de vírgulas na gozação com enfeites de carago e desabafos por via das falhas e inabilidades casuais.

paju2.jpg As nuvens que correm por vezes deitam borrifos de água do ceu, como pancadas de arrefecimento ao calor tropical de mais de 30 graus. São já quase oito horas da manhã e as jangadas com velas triangulares desfraldam ao vento suas variadas cores saindo da praia e, a meio do arco da baía da Pajuçara. Em ziguezague por via do vento sul fazem uma bonita composição dando vida colorida à baia, bem no meio do verde-esmeralda das águas tépidas.

paju9.jpg A faixa de areia funciona como uma moldura amarela enquadrando o verde dos coqueiros, das amendoeiras, e lá mais atrás os prédios reluzindo vidros na altura, coisas esquadriadas em paralelos ao alto e deitados, uma tela de cores com redondos e formas com sombras de alegres pinceladas. E lá estão as barracas, com jeito ou sem jeito e zingarelhos com chapéus vistosos, cadeiras aos milhares e mesas, mesinhas e caixas mais caixinhas, isopor, esferovite, coisas rebocadas de bairros suburbanos dos arrabaldes, Jacintinho, Feitosa e cortiços pendurados nas encostas escorregadiças, cortiços despintados, tijolo esfarelando, favela desnivelada.

paju4.jpg O gelado caicó surge em carro repetindo sua fita à mistura com música sertaneja e anedotas de repentistas e outros carros puxados à mão, inventos e zingarelhos desassombrados como churrasqueiras ambulantes; geringonças de todo o tipo e feitio vendendo panos e esteiras e até sinos reluzindo como ouro; sinos de bronze! Haja imaginação quanto baste, um mundo de sobrevivência engatilhando a vida com cautelas por premiar. Um povo sofrido que merecia ter melhores governantes, melhor ensino, melhor condição de vida, menos ladroagem, um deixa para lá no jeitinho brasileiro… tudo que acontece de ruim é pra melhorar!

paju8.jpg E, lá vem o caldo de feijão, a coxinha de galinha e o ananás recheados de velho barreiro, caipirinha, branquinha com misturas de ipê-roxo anticancerígeno, mais a ostra no gelo com limão, o camarão vermelhinho a pedir cerveja mais o acarajé da nega Fulô. Cada dia é um novo ai-Jesus, abre e fecha e torna a pôr. E é o Nosso Senhor que está com todos, e todos com Deus, que é fiel, mesmo quando vem com espada. Tanta fidelidade para curtir com gente necessitada, gente mansa, gente brava, gente que luta e que labuta, que rouba, que cheira para se inflamar de esperança. Vidas encomendadas aonde é perigoso ter inimigos porque há balas que matam, de cobre, de ferro, de ouro e até de prego enferrujado.

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:57
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Quinta-feira, 24 de Março de 2016
MALAMBAS. CXXV

TEMPOS DE USUCAPIÃOA malandragem prolifera e, em nossa casa  chove como na rua…

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

malandro1.jpg Preocupa-me saber que na Europa e, em pleno século XXI indivíduos vulgares, sejam capazes de fazer trabalhar sua mente sob influência ideológica assassina! São, creio, resquícios do comportamento de juízes na meia metade recente do século passado que chegaram ao cúmulo de declarar que matar judeus não era em si um crime; uma aberração monstruosa saída de vários fazedores de leis que banalizam a consciência de um qualquer cidadão imbuído de bom senso. Li recentemente em um livro que a dada altura, colégios de juízes alemães do tempo nazi disseram: “Os judeus têm de ser exterminados e nenhum dos que foram mortos (e, foram milhões) representa alguma grande perda”.

malandro2.jpg Para entendermos as regras com as leis que nos regem nos dias de hoje, teremos de e infelizmente, ir lá atrás no tempo a recordar que os agentes de Rosemberg das SS nazis, pilharam o equivalente a 674 vagões carregados de bens  pertencentes a casas de Judeus instalados na Europa Ocidental. Que setenta e dois vagões cheios de ouro dos dentes das vítimas de Auschwitz foram enviados para Berlim.

malandro3.jpgmalandro7.jpg

Se grande parte destes despojos foram parar a casa de alemães e a cofres Suíços, decerto, um soma considerável encheu os bolsos de colaboradores sem escrúpulos, informadores e agentes de todas as nacionalidades ali estacionados e outros, no exterior. Como vamos então estranhar hoje comportamentos de usurpação do bem público a acontecerem em países de língua oficial portuguesa.

 malandro6.jpg Que coisas serão estas manobras com falências de bancos em Portugal, a operação Marquês, a operação Lavajato no Brasil e todos os enriquecimentos ilícitos em Angola, levando tudo à ruina. Quantos tentáculos em três continentes fazendo ruir as estruturas ditas ordeiras, tirando-nos os dentes doirados em vida, assim a frio e duma forma descarada.

malandro5.jpgmalandro4.jpg

No meio de toda este fogo lento, haver tanta gente não querendo saber os horrores sociais, retirando-se mudos para um canto de consciência lodosa, um mundo privado ignorando tudo o que não lhe diga directamente respeito; como se a avalanche nunca os vá alcançar! Com o efectivo desaparecimento de normas morais, tradicionais e desaforo excepcional, não pode escapar-nos no horizonte aqueles procedimentos passados com alemães. Efectivamente é um alarme geral ou generalizado se não houver muito protesto público! Isto pode acontecer, sim! A maior parte de nós frouxamente aceita que os malandros façam parte da nossa comunidade e, o lugar deles é na prisão. E, cada qual continua olhando seu umbigo…

O Soba T´Chingange 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:38
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Segunda-feira, 21 de Março de 2016
MULUNGU . LI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Nas margens da lagoa Manguaba comi sarapatel... No Alentejo do M´Puto chama-se moleja…

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soba 01.jpgT´Chingange

sarapatel1.jpg No Baixo Alentejo, ligado à tradição da matança do porco, com o sangue e a cachola (fígado) faz-se um prato muito apreciado chamado de moleja. Aqui na lagoa Manguaba, a maior do estado de Alagoas no Brasil, tem o nome de sarapatel. Foi exactamente aqui que fui em Domingo de Ramos a recordar tal momento, quebrando meu raminho de árvore, o dedinho de Deus que calhou ser uma piteira. Pendurei-o por ali junto de meu boné de Maceió, naquele sítio humilde aonde havia galináceas à solta, granisés juntos com jumento e cria logo depois da cerca e, um pássaro chilreando a todo o momento, na sacada da tia Lucena, um cantar bonito de espantar, corrido e trinado.

sarapatel3.jpg Mas, quanto ao sarapatel da tia Lucena estava divinal! Sarapatel é uma designação comum de diversas iguarias preparadas com vísceras de porco, cabrito ou borrego. Nascido no Alto Alentejo de Portugal, o sarapatel foi adaptado ao Brasil vindo da culinária indo-portuguesa de Goa, Damão e Diu, outrora pertencentes ao Estado Português da Índia. É um alimento típico da culinária de Alagoas, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. Normalmente o seu teor de gordura é bastante acentuado por causa da presença de pedaços de toucinho e da tripa mas, este que comi, quase nem tinha gordura.

sarapatel2.jpg Convém usar uma ou duas pimentas-de-cheiro inteiras e, no final acrescentar-lhe hortelã. Serve-se o prato acompanhado de farinha farofa ou arroz. Em substituição da hortelã pode usar-se folha de louro e no prato já servido, espremer uma rodela de limão. No Piauí, é preparado a partir da chamada "fressura" (conjunto de traqueia, pulmão, rins e fígado) de carneiro ou bode. Em verdade pode fazer-se isto tudo segundo o gosto apurado na experiência.

araujo19.jpgDiz alguma estória, que o sarapatel foi concebido pelos escravos que se serviam dos  restos das carnes menos nobres, desprezadas pelos senhores do engenho no período colonial mas, desta fantasia, não vem mal ao mundo!. Mergulhando-nos na raiz do passado no que concerne aos hábitos alimentares dos colonizadores, sabe-se que aquela versão não prevalece. Os portugueses mestres do forno e fogão são uma draga, comem de tudo; têm o talento de transformar tudo em algo bom para se comer. Aleluia!

valdir5.jpg Em verdade todo o brasileiro se apressa a se apossar das guloseimas dos colonizadores lusitanos mas, qualquer cristão jurará de joelhos que o sarapatel vem da moleja do Alentejo. Prato de resistência, de sustentação, hoje ele é património culinário do Nordeste. Por cá se diz, de peito feito, que homem que é homem, valente, não dispensa uma buchada, uma panelada de um bom sarapatel.

poconé3.jpgSem exageros: É comida rica, generosa, altamente nutritiva e calórica, pois é um guisado completo. Em Portugal, o sarapatel é preparado com as vísceras do cabrito ou do carneiro (borrego) que depois de limpas e fervidas, são fritas em banha e cozinhadas com quase todos os ingredientes e temperos. Além dos pulmões, fígado, coração ou outras vísceras, sangue cozido, banha, azeite, cebola, alho, tomate e temperado com louro, colorau, cravinho e cominhos. Este, também é o sarapatel nordestino!

kafu10.jpg Convém dizer neste correr de pena, o que é a fressura ou pacuera: um conjunto de entranhas (língua, traqueia, pulmão, fígado, coração e rins) de um animal, geralmente o porco, carneiro ou cabrito. Pois não é um material que, para muitas mestres de cozinha dê prazer em manipular sem repulsa ou enjoo. Também haverá que referir que na confecção do sarapatel, entra o sangue do animal abatido que é colocado no final da feitura. O sangue pode ser substituído por chouriço picadinho em cubos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:03
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Domingo, 20 de Março de 2016
MUXIMA . LIX

MULOLAS DO TEMPO - Domingo de Ramos - Colham um do vosso agrado à semelhança do que se passou em Jerusalém...

Mulola só é rio quando chove a montante…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

ramos0.jpg Costuma ser assim: A celebração do Domingo de Ramos começa em uma capela ou igreja afastada de onde será rezada a Missa; os ramos que os fiéis levam consigo são abençoados pelo sacerdote. Este proclama o Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém iniciando-se a procissão com algumas orações próprias da festa, rumo à igreja principal ou matriz. Nesta procissão, canta-se o solene canto chamado "Hino ao Cristo Redentor".

araujo27.jpg Esta festa móvel cristã celebrada no domingo antes da Páscoa, comemora a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, um evento da vida de Jesus mencionado nos quatro evangelhos canónicos de Marcos, Mateus, Lucas e João.

ramos03.jpg O sentido da festa do Domingo de Ramos trata tanto da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém recordando sua Paixão, pois que essas duas datas estão unidas. A Igreja recorda que o mesmo Cristo que foi aclamado como rei pela multidão no domingo, é crucificado sob o pedido da mesma multidão na sexta. Assim, o Domingo de Ramos é um resumo dos acontecimentos da Semana Santa e também sua solene abertura.

ramos04.jpg Na Igreja Ortodoxa, o Domingo de Ramos é geralmente chamado de "Entrada do Senhor em Jerusalém" sendo uma das Doze Grandes Festas do ano litúrgico, marcando também o início da Semana Santa. O dia anterior é conhecido como Sábado de Lázaro e comemora a ressurreição de Lázaro. Ao contrário do ocidente, o Domingo de Ramos não é considerado como parte da Quaresma, com a chamada Grande Quaresma ortodoxa terminando na sexta anterior. O Sábado de Lázaro, Domingo de Ramos e a Semana Santa são considerados como um período separado de jejuns.

ramos1.jpg Não há nenhum requisito canónico sobre que tipo de ramo deve ser usado e, por isso, alguns ortodoxos utilizam ramos de oliveiras ou de salgueiros. Seja qual for o tipo, estes ramos são abençoados e distribuídos com velas seja durante a Vigília da Noite Inteira na véspera da festa (sábado à noite) ou antes da Divina Liturgia no domingo de manhã.

ramos3.jpg A grande abertura da Divina Liturgia comemora a "Entrada do Senhor em Jerusalém" e, assim, a significação do momento é sublinhada no Domingo de Ramos pela multidão de pé, segurando os ramos e as velas acesas. Os fiéis levam depois os ramos e velas para casa após o serviço religioso e os preservam como "bênçãos".

Por tudo isto hoje quero ir ao campo, cheirar Deus e colher um dedinho seu, feito ramo de quaresmeira, palmeira ou mesmo de jaqueira

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:45
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Quinta-feira, 17 de Março de 2016
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXV

CINZAS NO BORRALHO . O medo devora a alma - Surgiu um novo conceito “o mentirismo”… Nem sempre é necessária a verdade para se ficar verdadeiro…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

lul1.jpg Em tempos recentes, talvez 1987, Margaret Thatcher disse que “a sociedade é coisa que não existe” e, eu que sou desse tempo fiquei confuso sem entender o alcance do dito e, em verdade, a sociedade anda confusa; não sou só eu! Posso dizer que se naquele tempo não se sabia para onde o tempo corria, hoje e, estando eu aqui no Brasil, posso analisar que não consigo distinguir os poderes de quem manda, porque o que agora está em cima ou em baixo, em seguida e muito rapidamente, avança e retrocede.

lul2.jpg Num só dia a reformulação da democracia é levada ao rubro por formas e práticas politicas não vistas antes num parlamentarismo acomodado, junto com a Câmara Alta, Senado e o escambau, tudo completado por novas artimanhas de tapear as gentes. Num momento renasceu como bolhas poluídas novos interesses escarafunchados na constituição e, de acordo com uma cega política de se manter a qualquer preço no mando com benesses imerecidas, “esterilizando espiritualmente um povo” e dando-se a si próprios incestuosos ares de Deuses, com garantias de impunidade.

lul3.jpg Esta desregularização política da democracia, que vivo e revivo, que vejo e revejo, é uma clara Ptização (vem de PT, Partido dos Trabalhadores) que implica uma generalizada política de negação cultural! Mas que valor se dará aqui nesta terra de promissão, a essa lei divina que rege alguém ser honesto, trabalhador e bom, em coisa banal! Teremos de aprender outras doutrinas onde o enriquecimento não permite singrar e ser-se partilhado por todos se, não se for desonesto?

brasil2.jpg Será isto uma “pós-modernidade” ao instituir o roubo como prática comum, vulgar, natural!? Neste mosaico de usurpação, o Brasil está a ser desmembrado, despojado da sua identidade nacional. Felizmente e que se saiba, na lei divina não existe impunidade! De acordo com os últimos acontecimentos políticos dando a posse a Lula como ministro da Casa Civil, ou lá o que seja, terá de se cunhar novos modelos para fenómenos bizarros ou bizarrocos; a “Lulaflação e a Dilmaflação” a fim de se legalizar a desregularização do corporativismo e a ética democrática mais um sem fim de suposições, amálgamas de pseudo-leis. Instituir como verdadeiro o desconceito de “mentirismo”. O que eles políticos não inventam! Se assim é, eu também posso inventar…

O soba T´Chingange

 

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:27
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Quarta-feira, 16 de Março de 2016
PARACUCA . XVIII

TEMPOS DORMIDOSAs aranhas do mando - Entre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido …

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Entre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio, orei para louvar e agradecer, rogando ajuda ou orientação, sem verdadeiramente me esforçar nesse empenho. Amiudadamente pede-se a Nosso Senhor ajuda sem nada se fazer para que isso se concretize; num repente surge um raio de luz, uma faísca e, é neste meio tempo que algo nos importuna tirando do sério. Tentando compreender o momento das crises vividas nos países da lusofonia, discuto-me em temas esfarrapados misturados com reflexões públicas sobre direitos adquiridos e transviados, política de cidadania e loisas de pé-de-chinelo.

4 DE JUNHO.jpg Entre a cachaça do lava-jato, a operação marquês e a prisão do Beirão revejo a maldade do mundo, o desrespeito das regras e as traquinices dos advogados que com convincentes razões debatem se ao São Policarpo, excomungado, lhe é permitido de novo entrar no Céu, assim nas condições de ali ficar por uns tempos, a fim de se livrar das eléctricas tempestades terrenas.

açaí1.jpg O grande problema agora é que o porteiro do Céu, recentemente empossado, muito cheio de briosa vaidade, não permite que este volte a sentar-se entre os santos! Mas, aonde já se viu um porteiro impedir um ex-santo sem ter as competências certas de analisar a fundo se, aquele dito cujo, pintou e bordou nas calendas do inferno.

ÁFRICA1.jpg Vem o São Pedro com paninhos de flanela: – Dá um jeito só desta vez! Caramba o São Pedro na primeiríssima pessoa a meter cunha ao porteiro? Isto, eu não podia conceber! Nem em sonho! O senhor dos anéis solicitando ao guardião do templo!? Caramba! Um porteiro… que fechasse os olhos só desta vez. - Anda, Felisberto; Felisberto era o nome do porteiro; uma contradição entre tantas outras, mas repete pela undécima vez o São Pedro: -deixa-o entrar imediatamente, antes que o peguem, pois prefiro tê-lo perto de mim a vê-lo junto à porta a fungar perjúrios…

ceu1.jpg - Como assim? Disse Felisberto, o portador das chaves…Então não vedes, grande ingénuo, que qualquer dia, Deus, meu patrão, pode ter a ideia de te destituir, sem mais nem menos… Olha que nem o zelo com que vens desempenhando teu cargo, te poderá fazer valer teus direitos? Felisberto pensou e matutou, meteu a mão na algibeira e, por fim São Policarpo entrou! Não há consciência nem consistência neste sonho mas, se assim foi, não vou assim à última da hora, inventar um outro mais plausível…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:08
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Terça-feira, 15 de Março de 2016
MUXIMA . LVII

MULOLAS DO TEMPO - Qualquer um tem de ter a oportunidade de cruzar a mulola... Mulola só é rio quando chove a montante…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

jatiu0.jpg Andando na orla da praia por uns bons cinco quilómetros e, já quase ao chegar à Lagoa das Antas depois da Jatiúca de Maceió, deparo com uma velha senhora falando sozinha suas agruras; descalça e fumando um cigarro tipo mata-ratos arrastava seu carro ofuscado numa área comercial. Não é difícil depreender que era uma moradora de rua e ali junto à praia, debaixo do coqueiral ou um qualquer alpendre e aproveitando a brisa de Deus vinda do mar, pois por ali dormia em cima de uns quantos cartões avulso, seus parcos trastes.

jatiu1.jpg Imagino que assim será por via dum desamor familiar, uma tontura muito cheia de cachaça ou fruto de muito fumo marado. Cada um de nós poderá imaginar lombas e catalombas  mas das cavandelas que deu só ela saberá! O mundo é assim muito egoísta e ninguém perderá um minuto sequer a dar ouvidos às mazelas que um qualquer tem para contar. E esta mulher de nome Perpétua Idailda, passou a ser uma tal de Perpétua Rezinga. Mas, não é só ela não! São algumas dezenas a dormir ao relento usando a natureza como amparo, arrumando carros, alugando cartões conspurcados a tapar o sol aos doutores e outros muitos senhores. 

jatiu3.jpg Mudando de rumo fui até ao jardim dos poetas e pude ficar encantado com uma árvore toda florida com lindas flores. Perguntei o nome e fiquei assim cismado por ser Quaresmeira-roxa. Cismado porque é na quaresma que estamos e é dela que passo a falar porque já muito falei de tristezas e mazelas sociais. Pois fiquei a saber que esta linda árvore tem o nome latim de Tibouchina granulosa e é originária desta América do Sul, Brasil. Tal como a Idailda, é de folhas perenes; uma árvore que encanta por sua elegância e exuberante floração. De pequeno porte pode no entanto atingir de 8 a 12 metros de altura com um diâmetro de 30 a 40 cm.

jatiu4.jpg A floração ocorre duas vezes por ano, no outono e na primavera, despontando abundantes estames longos com cor arroxeada. Mesmo não estando em flor, a quaresmeira é ornamental. Sua copa é de cor verde escura, com formato arredondado. É uma das árvores mais utilizadas na arborização nas praças, calçadas, avenidas, parques e jardins em geral, os largos do Brasil. O único inconveniente é a relativa fragilidade dos ramos que quebram facilmente com ventos fortes. Com podas, pode-se estimular seu adensamento, mantendo-a com porte arbustivo.

jatiu5.jpg A quaresmeira é uma árvore pioneira, rústica e simples de cultivar, vegetando mesmo em solos pobres. Originária da mata atlântica, esta espécie aprecia o clima tropical e subtropical, tolerando bem o frio moderado. Multiplica-se por sementes, com baixa taxa de germinação, e por estaca de ramos meio-lenhosos. Também eu, não fui capaz de continuar a descrever sobre os trastes que Perpétua Idailda transportava mudando o discurso para as belezas que a natureza nos dá. Uma coisa é certa, há gente, muita gente, que não se sabe governar nem é governada. Drogas maradas...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:00
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Domingo, 13 de Março de 2016
MALAMBAS. CXXIV

TEMPOS DE USUCAPIÃO“ Vamos botar Dilma pra correr!”… Eu só estou aqui de passagem senhor, respondi! … Cristo também; respondeu! Ele seguiu seu rumo e eu taciturno na areia ali fiquei matutando…

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

bra4.jpgHoje é domingo. Saio do edifício situado na Pajuçara às cinco horas e vinte minutos com destino à praia a duzentos metros de distância. O Sol estava prestes a nascer e nas ruas ainda meio desertas vejo um senhor junto ao jardim do hotel Ritz passeando seu pequeno cachorro caniche; era gordo, sua flanela dizia passeio e olhando para mim do outro lado da rua abrindo-se em sorriso amplo diz-me: “ – Vamos botar Dilma pra correr?! “ Nada disse, levantei a mão esquerda ao jeito de saudação “heil Hitler” que quer dizer salve a victória seguindo meu caminho da praia.

carn1.jpg Estando eu quase em frente da barraca Kanoa, lugar dos sete coqueiros na orla da Pajuçara, ajusto minha cadeira bem no desaguar da maré alta; acto contínuo meto-me na água a fazer a habitual hidroginástica de talassoterapia por uma hora. A água estava morna, talvez com 26 graus de temperatura; costuma estar mais quente mas posso reparar como habitualmente nas pequenas manchas de espuma com bolhas a formarem-se a superfície, água verde turva, indícios de poluição.

brasil2.jpg O saneamento nas grandes cidades é deficiente mas, isto não parece ser prioritário aos senhores que administram o território; é obra enterrada, que não se vê, que não dá votos. Nadando neste caldo vou concertando ideias recordando a frase “Vamos botar Dilma pra correr” e vem-me à ideia de nos últimos dias e ao longo da orla de Maceió em meus passeios matinais ter visto muitas bandeiras coladas nas janelas dos prédios frontais; terá isto algo a ver com o movimento que acabo de ver em directo na televisão ” dia 13 de Março – Todos à rua”…

brasil5.jpg Este é o tal jeitinho brasileiro a tomar partido no descontrolo geral, na corrupção, nos muitos bilhões gastos em obras faraónicas e que são agora elefantes brancos; a força da bola deu nisto e o Brasil teve de acordar! Estou aqui de passagem e posso ver de vez em quando os muitos elefantes brancos que por aí se vêem, fruto de muitas e incompetentes medidas de governo. Estou aqui de passagem mas, até que gostaria de ter nascido brasileiro!

amilcar4.jpg Nesta mistura de raças com muitas crenças e superstições trazidas pelos escravos, a esperteza dos europeus com a moleza dos índios pode ser assim analisada a frio e surgir algo que parece ser e não o é! Isto porque já Charles de Gaulle dizia que o Brasil não é país para ser tomado a sério.

dia20.jpg Vou dizer então mais o quê! Aqui na praia uma senhora de meia-idade, parda, vem desde os Jangadeiros e vai até à Ponta Verde às arrecuas, assim de marcha-à-ré que me põe confuso. Penso não ser o desfazer de uma promessa mal cumprida. Terras de Vera Cruz, de lava-jato e agora de lava-rato. Será isto o princípio do fim! Um dia de cada vez; o que tiver de acontecer, acontece! Tudo o que acontece de ruim na vida da gente, é para melhorar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:41
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Domingo, 6 de Março de 2016
MULUNGU . L

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Ainda no Mar Vermelho... Encontrei no lugar de Ferreiros, resquício de gente que foi tropa de lampião… 2ª Parte

Mulungu: É uma árvore de grande porte com flores vermelhas.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

vermelo0.jpg Um outro dia no Mar vermelho! Saí bem cedo lá pelas 5 horas e 25 minutos com o sol quase a raiar por detrás do Mar vermelho. Caía uma garoa, chuva miudinha e, quando já de regresso ao sítio do Senhor Afrânio, subindo a ladeira, também esta de chão vermelho, reparei com mais detalhe nas estacas de pés de mulungu aramadas na base. Tinham sido ali postas como pau de cerca mas, com o tempo acabaram por rebentar ficando com imponente porte. Pude reparar bem no início de uma mata verde compacta com várias espécimes que estavam carregadas de parasitas bromélias, bem vistosas e, outras que me pareceram orquídeas com flores bem vistosas.

lampi5.jpg Reparei em muitas destas árvores existirem tufos no topo com outra coloração de verde; também aqui havia ramagens de plantas com bagas que por ali germinaram fruto do trabalho dos pássaros da região; sementes por ali deixadas, lá no topo, dando lugar às suas fontes de abastecimento, a tal natureza equilibrada que se perpetua de modo próprio sem a intervenção humana. Posso pensar que ao redor destas orquídeas, plantas com bagas, e flores de cores garridas, proliferavam também os escaravelhos, as minhocas, as borboletas e as abelhas em sua tarefa de polinização.

MULUNGU2.jpg Também a natureza tem parcerias entre o mundo animal e vegetal comple-mentando-se em simbioses no sentido de se perpetuarem com vida. Mais pela tarde e em uma saída à Cidade capital do mar Vermelho, contactamos vários familiares de Jú e Afrânio e, surpresa das surpresas, a irmã do ex-prefeito Afrânio confirmou que a família Lucena teve homens nas tropas irregulares do bando de lampião, o tal cangaceiro matador dos cinco costados do Nordeste, Virgulino da Silva Ferreira que nunca vingou seu pai.

lampi1.jpg O mundo é pequeno! E, eu a pensar que já tinha todos os conhecimentos e andanças do famoso bandido do sertão e, eis que surge na estória já acabada esta notícia ainda que vaga do lugar-tenente Lucena saído desta serra e, do lugar de Ferreiros; estava muito longe de prever depois de minha peugada ao Lampião ainda vir aqui encontrar e por acaso, sítios da saga-senda sertaneja depois de visitar Piranhas, Paulo Afonso, Canindé, Águas Belas, Viçosa, Quadrângulo e muitas mais.

lampi3.jpg Também aqui deparei com a santidade do padre Cícero ora metido em redoma de vidro, encaixilhado, ora em peanhas colocadas nos lugares mais nobres dos lugarejos e tendo ao seu redor jardins bonitos e cuidados fruto de veneração. Já vai longe no tempo em que no sítio de Angico, via a chamada grota em que eliminaram este tão temido e querido cangaceiro; lugar aonde morreu com mais uns dez capangas, seus oficiais-tenentes, às mãos dos homens volantes conduzidos pelo Tenente Bezerra!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:07
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Sábado, 5 de Março de 2016
MUXOXO . XXVI

TEMPOS MARAFADOSUm descuida e, posso ir para o espaço… Uma ordem económica só pode funcionar se houver ordem política…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

pal01.jpg Uma nova ordem económica só pode funcionar se houver ordem política; não basta prometer-se trabalho, menos horas de laboração ou subida de salário a um qualquer zelador empregado ou competente funcionário. É forçoso incrementar-lhe o sentido de servir a comunidade, a cooperativa, a associação ou a nação do qual é parte integrante criando-lhe afinidade à vontade de fazer querer. Fazer querer, redescobrir as virtudes da democracia, repudiando esses exemplos de se tornar um manobrador usurpando-se reptíciamente do que não lhe é devido, porque a todos pertence.

pal1.jpg As recuperações económicas nunca surgem espontâneas a menos que o estado nação as ajude a criar. Foram raros os partidos Socialistas que tentaram repensar a teoria e a prática à luz do desemprego e da crise com auspícios visíveis, com notórias melhorias para o povo! Foram sempre os Sociais-Democratas que dispuseram a administração preparada para utilizar a política orçamental e, com vista a criar uma retoma. Expresso-me aqui para os povos de língua oficial portuguesa, os tais PALOPS de quem se tem uma visão insipiente por serem correligionários dos mesmos governos que representam.

pal4.jpg Haverá crescimento económico quando o estado se ajudar a crescer! Em termos de liberdade de pensamento e de expressão, pela experiência do dia-a-dia, a indiferença à democracia passou a significar ter-se maior liberdade para roubar para os que mandam e liberdade para se morrer à fome para os demais e, isto não é bom! Isto vê-se pela televisão todos os santos dias em três continentes. Já é tempo de um chega para lá. Basta!

pal2.jpg A opinião pública no Brasil, em Portugal ou em Angola, não sabe lidar nem virá a saber entender do porquê alguns afirmarem haver alívio palpável vendo-se mesmo que, sem se poder controlar a contento a “raiva antidemocrática”, não se anteverá daqui prosperidade palpável ao país e, a tão desejada reforma. Necessita-se de mais atitude e menos conflitualidade; não basta querer, é necessário fazer querer!

quem01.jpg Os Sociais-Democratas arrumam a casa, estabelecem regras disciplinadoras e, em seguida vêem os Socialistas ou uma outra coisa parecida com isto do tipo “governo de Três mais Um“ e, desarrumam tudo de novo. Assim e pela certa não vamos lá! É uma brincadeira desinteressante de arrumar cadeiras, ajustar as leis e os amigos e dizer-se sempre mal do antecedente. Por ventura não estaremos todos fartos disto?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:57
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Quinta-feira, 3 de Março de 2016
MULUNGU . XLIX

TEMPO COM FRINHAS . Muitas das coisas que acontecem neste nosso mundo, vêem de opiniões que se dizem acertadas! … Fui ver o mar vermelho!...
Mulungu: É uma árvore de grande porte com flores vermelhas.
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

MULUNGU2.jpg Uma semana atrás fui ao Mar Vermelho, uma terra que fica no interior de Alagoas e para lá de Viçosa. Creio que os primeiros pioneiros do lugar ao chegar ali, viram ondas na forma de serras e porque as terras eram vermelhas, assim ficou conhecida de mar vermelho. Estas conjecturas indo ao encontro do que guardam os anais das gentes não diz isto e fiquei a saber assim que a sua origem está ligada à história de um tal de Coutinho, um viajante que chegou à região por volta de 1800. Este sertanejo construiu ali uma casa iniciando-se na criação de gado e no amanho da terra. Com a chegada de novas gentes, novas casas foram surgindo próximas a uma lagoa, que tinha em suas margens, muitos pés de gravatás.

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Ora sucede que as folhas de gravatá que são vermelhas caíam e formavam um “mar vermelho” na lagoa, dando assim origem ao nome do município. A propriedade do tal Coutinho foi transferida para o alferes Cazuza e mais tarde, para o major Joaquim Canuto de Albuquerque Maranhão. Este último proprietário, em 1900, instalou o primeiro vapor de algodão. Mar Vermelho transformou-se em um núcleo comercial pelo que surgiu sua primeira feira em 1910 e, que teve um bom movimento até 1947. Com a construção da estrada de ferro que passava por Viçosa, Mar Vermelho perdeu interesse vindo assim a ser desmembrado de Anadia a 3 de fevereiro de 1962 e, passando à categoria de município através da Lei 2431.

vermelo0.jpg Localizado na zona da mata de Alagoas com clima de serra e inúmeras fontes de águas minerais é conhecida como a “Suíça Alagoana” exactamente por ter características semelhantes àquela região européia. Digamos que é um agreste suave aonde chove razoavelmente no tempo quente e de sequeiro nos meses de maior frio. Nada aqui se parece com o tal de Crescente Fértil aonde Moisés com um bordão abriu as águas do mar para que os cristãos israelitas fugissem à ira do Faraó após a décima praga de Deus sobre os egípcios. Consta que atravessaram o mar uns 600 mil homens com suas famílias, seus rebanhos, suas ovelhas, seus cabritos e seu gado. 

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Dizem os escritos que Jeová disse a Moisés que estendesse a sua vara sobre o mar Vermelho originando assim um grande vento oriental. As águas do mar foram divididas e retidas em ambos os lados impedindo que o exército do Faraó os atingisse. O inchaço da descrição bíblica terá de aqui, ser dimensionada a uma escala bem menor porque só vi pequenas lagoas do tipo açudes e foi num destes que passamos uma bela manhã nadando e pescando traíra, minúsculos peixes que nos mordiam a pele retirando talvez farpas de pele apodrecida.

vermelho02.jpg Pensava eu que pudesse ali encontrar peixes com duzentos milhões de anos, por influência do nome; peixe do Jurássico como o “Triops Vicentinus” mas, nada disto sucedeu! A cabeça da gente por vezes inflama as coisas tornando mentiras em verdades originando assim as tais lendas que nos regem. Encontrei sim gente simpática com quem compartilhei amizade. Isto sucedeu na casa de seu Afrânio, primo de Jú situada num lugar alto de onde se podia desfrisar a paisagem na forma de largas vistas.

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Afrânio foi por duas vezes prefeito do município de mar Vermelho; acomodou-nos em sua casa estilo colonial, varandas ao redor com redes de jiboiar no lado nascente e circundada de muitas árvores de fruta tais como ciriguela, manga, pitanga, limão galego, acerola, mamão e outras. E, lá estavam as caixas, depósitos de água que abasteciam aquela com água potável. Ao redor havia montículos de macaxeira plantada, batata-doce e quiabos.

vermelho 03.jpg Daqui podia ver-se as fechadas matas nas encostas de sabiás, madeira usada nas cercas e rija como pau-ferro, araguaneis e acácias rubras e, muitas fiadas de mulungus delimitando as propriedades, todas esta dando coloração diversa ao horizonte cercano e longínquo. E havia cajueiros e mangais divisando-se nos intervalos destas e lá longe nas chapadas as pedras vidradas pela escorrência das águas, quando chove. A mais baixa temperatura aqui registrada foi de 10ºC, em 10 de julho de 2010. A principal atracção deste município é o clima serrano, e, por ser frio e seco, é aconselhado pelos especialistas para auxiliar no tratamento das doenças do aparelho respiratório.

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O Festival de Inverno, em Agosto, é o grande evento que no correr dos anos ficou marcado em sua história inserindo-o no roteiro cultural alagoano. Ninguém me encomendou esta descritiva narração dum Mar Vermelho que nada tem a ver com aquele outro mas, a curiosidade alimenta o sonho e o sonho faz das suas. Estas terras são medidas em tarefas e é por aqui que se fazem as contas, os preços e custos. A Tarefa - medida agrária foi constituída originalmente por terras destinadas à cana-de-açúcar e que no Ceará equivale a 3.630m², em Alagoas e Sergipe a 3.025 m² e, na Bahia a 4.356 m². É em realidade o trabalho que um homem leva a limpar o mato rasteiro (cana da açúcar).

vermelho 04.jpg O mundo é pequeno e poder-se-ia dizer que os escravos do Egipto fugiram para aqui! As coisas mudaram e desde então os escravos libertaram-se do Faraó mas tiveram de se submeter ao senhor coronel, ao major, ao alferes e um conjunto de gente que estabeleceu ordens militares para se regerem. Não há muito tempo que as coisas por aqui se faziam porque um qualquer Faraó o queria. Ficaram resquícios e muitos, que é até um manancial para quem como eu, quer entender a evolução de uma sociedade. Leva tempo para tudo se compor e lá teremos de dar tempo ao tempo para que tudo fique na paz do senhor. O Brasil tem esta característica de onde se juntam a ponta com o rabo, o rio com o esgoto chamado de salgadinho. 

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Em um qualquer outro dia as águas do Mar Vermelho voltarão a cobrir o Faraó, seus carros de guerra do Egipto com todo o povo de Deus que ficou feliz com a salvação! Miriã, irmã de Moisés, tomará seu pandeiro, Moisés soprará a sanfona e dançando com alegria, glorificarão um ETE vindo do ar sem cavalos nem cavaleiros, das longínquas galáxias. E trarão flores de mulungu, da árvore pertence à família das Fabáceas e suas espécies mais conhecidas: Erythrina Velutina, Erythrina Crista-Galli, Erythrina Verna, Erythrina Speciosa, Erythrina Falcata, Erythrina mulungu. Todas estas são chamadas de mulungu. Uma delas pode ser encontrada no Calahári porque fui eu que a lá pus.

vermelho1.jpg Sabem que mais, no Brasil o mulungu é usado há muito como sedativo natural. Diz-se que a erva consegue estabilizar o sistema nervoso central. Em tempos de stresse é usada para equilibrar e acalmar os nervos. É também usada como antioxidante para tonificar, equilibrar e fortalecer o fígado. Seus frutos são em forma de vagem, com cerca de 6 cm de comprimento. A sua raiz é usada como calmante e sedativo. Também é chamada de suinã, sananduva, crista-de-galo, corticeira. Como complicam estas coisas e, o quanto há a saber-se para sermos génios.

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O Mulungu também pode ajudar a reduzir a tensão arterial. As substâncias químicas existentes no mulungu têm sido estudadas extensivamente; estas englobam grandes quantidades de flavonóides, triterpenos, e alcalóides. O principal remédio natural vendido no mundo inteiro hoje em dia contra o stresse e a ansiedade, e como sedativo em geral, é a kava-kava. Esta planta, todavia, tem sido sujeita a relatórios negativos nos últimos anos a respeito de possíveis contra efeitos no fígado.

vermelho01.jpg Como o mulungu tem os mesmos efeitos calmantes e reguladores do stresse (se não melhores), e tem um efeito positivo no fígado, é indicado como o novo substituto da kava-kava. Cerca de meia chávena de uma decocção normal da raiz (por dia) deve ser suficiente e seguro. Estudos clínicos com animais constataram efeitos hipotensivos. Recomenda-se, pois, para quem tomar medicamentos para reduzir a pressão arterial (ou se tiver a tensão baixa), o uso do mulungu com a devida precaução e a monotorização regular da tensão.

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E, lá terei de voltar ao Mar Vermelho que durante muito tempo se dizia que a travessia teria sido num lago ao norte do Mar Vermelho chamado de Mar de Juncos ou Lagos Amargos onde veio a ser aberto o Canal de Suez. Mas acredita-se que se dava este nome ao Golfo de Ácaba, um dos braços do Mar Vermelho. Em 1988 o explorador americano Bob Cornuke defendeu a teoria de que a travessia teria sido no Estreito de Tiran, na entrada do Golfo de Ácaba, onde existe uma "ponte de terra" ("landbridge" em inglês) no nível do mar entre o Egipto e a Arábia Saudita.

MAR VERMELHO 0.jpg Para ele, Cornuke, a maré baixou e mais tarde subindo afogou os egípcios, ou seja, um evento natural. Porém, não foram encontradas evidências para comprovar sua teoria e o local é relativamente raso não sendo suficiente para afogar um exército de mais de 600 homens! Moisés foi claro em relatar o que viu: um vento oriental penetrou no mar formando "muros de água". É bem diferente de uma "ponte de terra"! Um evento sobrenatural provado pela arqueologia! Assim nasce uma lenda…

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O mar Vermelho (árabe: Bahr el-Ahmar, hebraico Yam Suf ou Hayam Haadóm) é um golfo do oceano Índico entre a África e a Ásia. Ao sul, o mar Vermelho comunica com o oceano Índico pelo estreito de Bab el Mandeb e o golfo de Áden. A norte se encontram a península do Sinai, o golfo de Aqaba e o canal de Suez (que permite a comunicação com o mar Mediterrâneo). O mar Vermelho tem um comprimento de aproximadamente 1900 km, por uma largura máxima de 300 km e uma profundidade máxima de 2 500 metros na fossa central, com uma profundidade média de 500 m, sua água tem um percentual de salinidade de aproximadamente 4% (ou 40‰).

MAR VERMELHO 06.jpgOs países banhados pelo mar Vermelho são Arábia Saudita, Djibuti, Egipto, Eritreia, Iémen, Israel, Jordânia e Sudão. Segundo a Bíblia, o povo hebreu acabava de ter saído do Egipto, após serem escravizados por 400 anos. Moisés, um hebreu criado pela família real egípcia, recebeu uma ordem de Deus para libertar seu povo, que estava cativo no Egipto. Que se saiba nunca foi comprovado se a travessia realmente aconteceu e se o mar se abriu, mas a probabilidade é pouca, sendo que nunca acharam evidências arqueológicas. Zahi Hawass, um arqueólogo egípcio, disse: Realmente é um mito... Às vezes, como os arqueólogos, teremos que dizer que nunca aconteceu porque não há nenhuma evidência histórica.

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Mas, estando nós em uma área rural pudemos apreciar as machas longínquas, grupos de vacas pintando as encostas sarapintando as largas vistas para lá das ondas verdes, depois dos rios, barrancos ou grotas cobertas de vegetação. Nestas terras do agreste acabamos por comprar um galo capão e seis galinhas velhas do Biafra. Entretanto íamos rindo com o linguajar da Carla a menina faxineira que ia e vinha de casa da mãe Lucienne.
E num repentemente ficamos a saber o preço de uma porção de terreno, uma tarefa e também de quem fazia o queijo de coalho. Apontaram no outro extremo, é lá na casa do Sebastião conhecido só por o Tião.

vermelh3.jpgLá acabamos por ir à lagoa aonde supostamente teria de haver o tal peixe do Jurássico mas só pescamos umas amostras de triara. O tal de “Triops vicentinus” não deu mostras de si. Nem o tal de cará e dum fidalgo que dizem ser uma delícia no forno! Depois de atravessarmos o açude como se fora o mar Vermelho, chafurdamos na água e massajamos a coluna na água que o tubo entornava nas nossas celulites. Por ali ficamos botando pilhérias, pescando e bebendo água de coco. Tem sempre um Brasil desconhecido que espera por si…

T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:14
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Sábado, 27 de Fevereiro de 2016
XICULULU . LXVII

TEMPO COM FRINCHAS - Na rota do Atlântico - Os N´guesso construíram uma das maiores fortunas da África… A nossa sociedade é uma ilusão fugaz …

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo.

t´chingange 0.jpgT´Chingange

porto1.jpg Na rota do Atlântico - Em conjunto com Suíça e França, Portugal prende director e devassa negócios suspeitos da brasileira Asperbras com a cleptocracia do Congo, país cuja dívida Dilma perdoou…

porto2.jpgDenis Sassou Nguesso é um político congolês, actual presidente da República do Congo. Nascido no norte do país, é membro da tribo Mbochi.

Quinta-feira passada houve um pequeno alvoroço na sede do Banco Carregosa, na cidade do Porto (Portugal), quando policiais exibiram um mandado de busca. A casa bancária mais antiga da Península Ibérica entrou no mapa das investigações de corrupção e lavagem de dinheiro conduzidas de forma coordenada em Portugal, Suíça e França.

porto3.jpg No alvo está o português António José da Silva Veiga, director da Asperbras, empresa paulista percebida na Europa e na África como um dos braços financeiros da cleptocracia comandada por Denis Sassou N´guesso, que há 47 anos domina o poder na República do Congo. Veiga foi preso na semana do carnaval, em Lisboa, junto com o sócio Paulo Santana Lopes, horas depois de oferecer 11 milhões de euros (R$ 48,9 milhões) pelo controle do Banco Internacional de Cabo Verde, espólio do falido Grupo Espírito Santo.

porto4.jpgO director da empresa brasileira não declara bens em Portugal, onde enfrenta atribulações fiscais desde a época em que intermediava contractos de jogadores de futebol como Luís Figo e Jardel, entre outros. No entanto, foram apreendidos oito milhões de euros (R$ 35,5 milhões) em espécie, mais quatro Porsches, Mercedes e um Bentley, além de congelados saldos bancários de dez milhões de euros (R$ 44,4 milhões). Veiga actuava como agente plenipotenciário de José Roberto e Francisco Carlos Jorge Colnaghi, de Penápolis (SP) — sócios mais visíveis do grupo Asperbras. Sua intimidade com o clã N´guesso, em especial com Cláudia, filha do ditador, assegurou aos Colnaghi um bilhão de dólares (R$ 4 bilhões) em contractos públicos no Congo. A devassa interrompeu novos projectos, para uma rede bancária e hospitalar.

porto5.png A Asperbras foi grande beneficiária do perdão concedido dois anos atrás por Dilma Rousseff para uma dívida de US$ 280 milhões que o Congo mantinha com o Brasil. Nessa amnistia, chancelada em tempo recorde e sem debate no Senado, ficou perceptível a influência de António Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil de Dilma. Palocci tem relações fluidas com os Colnaghi. Chefe das campanhas de Lula (2002) e Dilma (2010), Palocci era usuário dos aviões da Asperbras. Um dos Colnaghi, José Roberto, foi personagem do inquérito do mensalão sobre pagamentos realizados (via Angola) ao publicitário Duda Mendonça, na campanha de Lula em 2002. Ano passado, em outra investigação, a Justiça identificou remessas da Asperbras, no Congo, para a agência Pepper, que atende ao PT desde a campanha de Dilma em 2010.

porto6.jpg Alto risco é um derivativo natural dos laços com a cleptocracia N´guesso, hegemónica no país produtor de petróleo e de diamantes sem origem certificada - “de sangue", moeda corrente na lavagem de lucros do tráfico. No poder, os N`guesso construíram uma das maiores fortunas da África. Suas propriedades incluem 66 imóveis de luxo no eixo Paris-Provence-Riviera, segundo o Tribunal de Paris. A família cultua ostentação: Antoinette, primeira-dama, gastou um milhão de euros na celebração dos seus 70 anos em Saint-Tropez. Carla Bruni Sarkozy foi o destaque. A acção europeia que levou à prisão do director do grupo brasileiro Asperbras, sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro, desenvolve-se sob um sugestivo codinome policial: “Rota do Atlântico”.

Esta verdade parece até um conto de fadas!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:18
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016
MUXOXO . XXV

TEMPOS CUSPILHADOS – Um descuida e, posso ir para o espaço… Num tempo de futricadas e corte de à máquina zero...

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

açaí0.jpg Feito turista da boa idade, bronzeado e com o corte de à máquina zero, reluzindo gotículas de suor ao sol de Maceió, posso afirmar que nesta quentura e, como diz a canção, a vida aqui só é ruim quando não chove no chão mas, se chover tem de tudo e, de tudo tem de porção. A canção cuja letra sempre me toca, diz mais, que só sairei daqui no último pau de arara, uma caminheta de caixa aberta com fueiros para transportar troncos e, ou caboclos do agreste de regresso a casa ou indo para o trabalho. Bem! Agora não chove.

açai00.jpg Duas horas andando em ziguezague no concorrido calçadão cruzando com a pista de biciclos e outros artefactos, cadeiras e mesas para preencher a praia, dar o colorido que todos os dias se monta e depois desmonta e, que chegam lá pelas sete horas e trinta já com o sol queimando na lombeira. Lá terei de enfrentar outro dia baforando os trinta graus pelos poros e, num despe e torna a vestir e banha e torna a banhar para esfriar, a flanela que nada demora para de novo empapar de suor. Calor de Fevereiro, bafo de trovoada num lugar chamado de Pajuçara.

açaí01.jpg Parei para me lambuzar com um copo de açaí, até poderia ter sido de graviola, sape-sape da minha terra longínqua mas, as variantes são muitas e boas demais! Desta feita o açaí foi até uma boa opção! Também podia ser de pitanga, que pelo que sei, é retentora de líquidos e reguladora do aparelho digestivo. Beberei deste suco mais logo para controlar qualquer malazenga que o galeto na brasa, a carne de sol ou até mesmo a carne de charque possa adulterar; também o feijão preto, de corda ou tropeiro mais o arroz e a macaxeira. Terei de falar também da sempre presente farofa com pedaços de fiambre chamado aqui de presunto, pimentão de cheiro e o fogo chamado de pimenta, nosso jindungo de angola.

araujo21.jpgMano Corvo . chispamos com cuspe nossa amizade! Aquele cuspo virou visgo de mulemba ...algures na Maianga... Já lá vão uns bons sessenta anos

Talvez até mande vir uma quentinha da tia Lucienne! No elevador encontro-me com o Tó Muchiloanda que se desfigura no papel de síndico; anda preocupado com a reunião de condóminos que querem ter benefícios sem pagar como se estivessem num cortiço, pendurados na favela. Com cara de chato como a potassa, diz que só fazendo de sandokam de facão á cintura o respeitarão. Foi quando e, já sozinho verifica no aviso bem à altura dos olhos dizendo: - Verifique ao entrar se o elevador se encontra neste piso! Pópilas! Apanhei um susto! Quer-se-dizer que a porta pode abrir e, se não me acautelar entro no vazio, no espaço, no buraco negro! Assim sem mais, ir de licença graciosa!

araujo23.jpgUm descuido e lá irei para o espaço. Adeus T´chingange, o soba branco pintado de preto, cidadão de três continentes armado em escritor de capoeira, escrevinhador de pilhérias e futricadas do linguajar entaramelado nordestino. A vida é mesmo feita de nadas, de grandes serras paradas com o vento em movimento. Teremos sempre de gerir a vida com cuidado, com seriedade! Em verdade podia passar sem nada vos contar porque isto, nada tem de transcendente mas, é esta minha sina, minha ginástica, meu pilates. Quem sabe se ainda virei a ser um “personal treiner” da terceira e quarta idade para afugentar o alzheimer.

Imagens de Costa Araújo, meu mano Corvo

O Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2016
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXIV

A MUNDO É PEQUENO . Na precisão de largueza para enrijar…

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto. Anda às arrecuas para fugir à regra, um seu pessoal paradigma.

amendo0.pngamendo5.jpg Hoje inicio o dia caminhando por uma hora e ao longo do mar verde de Maceió, cor esmeralda. Apanhei da areia duas amêndoas caídas da árvore aqui conhecida por amendoeira-da-praia para me ginasticar o punho, os dedos, a falange, a falanginha e a falangeta. Pelo facto de irem caídas, desta forma fiquei com as mãos desentorpecidas. O tempo ensina-nos a forma de minimizar a pouca flexibilidade do corpo pelo envelhecimento. A árvore chamada aqui de amendoeira-da-praia tem em outros lados nomes diferentes como castanheira, árvore-de-anoz, castanholeira, coração-de-nego (no Maranhão), sete-copas, chapéu-de-sol, guarda-sol, figueira-da-índia (em Angola) e caroceiro (em São Tomé e Príncipe).

amendo1.jpg Sendo típica de regiões tropicais, atinge grandes dimensões podendo ir até 35 metros de altura. Especula-se que seja originária da Índia ou Nova Guiné. Em Angola ainda em jovem mais os kandengues do Bairro da Maianga e, a caminho da escola José Anchieta ou de Aplicação e Ensaios no Largo D. Afonso Henriques atacávamos estas no lugar de parque Heróis de Chaves, bem por detrás do cine Restauração que veio na independência a ser promovido na Assembleia Nacional por vontade do MPLA. Aqui no Nordeste brasileiro, ninguém parece ligar à mas desta amendoeira mas, nós kaluandas comíamo-las; as mais amarelinhas.

amendo3.jpg É curioso saber-se que no Brasil e na região de São Paulo o fruto desta se chama de cuca, nome bem conhecido das gentes saídas de Luanda pela famosa cerveja que ainda sobrevive lá no bairro da Luua e, com o mesmíssimo nome, Cuca. Esta árvore tem a copa bastante larga, fornecendo bastante sombra; de folhas caducas proporciona-nos a frescura tão cobiçada nas bordas deste mar de Maceió e nos largos. É cultivada como árvore ornamental; como se disse, seus frutos são comestíveis, embora um pouco ácidos; os morcegos são os seus principais consumidores que pelo que tudo indica, sendo muito apreciados por estes.

amendo4.jpg Saiba-se que a sua madeira é vermelha, sólida e resistente à água, sendo ainda utilizada para fazer canoas na antiga Polinésia. Mas continuando o meu caminho, fazia com estas, massagens rotativas nos dedos para fazer fluir o sangue às partes menos usadas do corpo neste tipo de exercício de marcha prolongada. Ultrapassando já os cinco quilómetros e bem para lá da Lagoa das Antas dou a volta para o regresso. Já no Gogó-da-Ema da Ponta Verde de Maceió, regalo-me com dois cocos frios comprados por cinco reais; sugados a palhinha relembro o meu pedido: – Moço está de quanto o coco? – Um por três reais diz ele! Mas, pra ocê, eu faz dois por cinco!

barao1.jpg O matuto fala assim como se já me conhecesse faz um meio século, uma forma bem nordestina de comunicar. – Tá certo disse eu. Dá-me dois! E, por ali sentado num banco de calçadão fiquei matutando nesta forma de vida sempre encalorada, bebendo soro de coco como salvaguarda de qualquer atamancada malazenga que queira entrar a despropósito. Aqui estava eu, um turista setentão, bem bronzeado de olho gordo para as coisas, as garinas e seus modos de gingar bumbum com trejeitos de malvadez! Com fumaças de nobreza, por ali descansei um tempo, precisado que estava de dar-me largueza para enrijar, para tornar meu corpo esbelto.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:51
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Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2016
MALAMBAS . CXXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Muitas das coisas que acontecem neste nosso mundo, vêem de opiniões que se dizem acertadas! … Mas, nem sempre assim o é!...

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba02.jpgT´Chingange

maceio1.jpg Neste passado sábado, matei saudades de fazer feira, fazer as compras para a semana vendo a gente do povo labutando, vendendo seus produtos da xácara, vê-los fazer o que sempre souberam fazer com contas de reluzir ao segundo, somando duas e três fracções em simultâneo. E, lá estava o velho Simplício vendendo a banana comprida, agora quase dois anos passados, mais cara, doze por nove reais; já foi o tempo em que eram quatro ou cinco reais. E, lá estava o meu amigo Anastácio de Arapiraca a quem sempre comprei beringela, três por dois reais e mais uma de gentileza por ser um velho cliente.

maceio2.jpg E, comprei carne de bode mis costeletas de boi, um queijo inteiro de coalho e ovos de codorna. À minha avó de simpatia, tia Zéfinha, comprei duas tapiocas quentinhas recheadas com coco ralado; deu-me um grande sorriso por não a ter preterido depois de tanto tempo passado. E, comprei batata-doce a 3,50 reais por quilo, mais tomate, coentro, salsa, cebola e pimentos. O alho está de quanto moço? – Dois por três, quatro por cinco! Aqui é assim negócio rápido num decide, compra e segue. Acerto a oferta, cinco por seis e um trejeito, um sim siô, negócio feito, assim fica. Tome lá, dinheiro na conta certa.

maceio7.jpg Vi de relance dona Sildéria com a sua palidez de flor meia fanada mais a Zulmira, lívida e com um ar de fastio amarelo a fazê-la mais feia e, o velho Anastácio da Silva indiferente olhando estas na mistura da porcaria do mundo com um profundo desdém, quase desprezo dos que já não esperam nada dos outros, nem dele próprio.  Anastácio nem tugiu nem miou mas pude ler no seu desdém que não era prudente fazer comentários desabonatórios daquelas duas empertigadas vizinhas do quarteirão.

maceio6.jpg Minha amiga Ju com seu síndico marido, presenteou-me com um pitéu de sururu de capote, assim do jeito de marisco mexilhão, cozinhado com ervas medicinais com alho e pimenta de jindungo botando fogo, orgia pantagruélica antes dos entretanto de fraldinha  recoberta com sal e assada na churrasqueira; vem uma itaipava, outra skol a estalar do freezer, lábios a arder  e, espremo um limão de caipirinha… Hó coisa boa!

maceio5.jpgDeste meu jeito, regateio, bate-papo com a vizinhança, e ao raiar do sol de todos os dias, com o gosto de me esfregar na vida percorro o calçadão de Pajuçara; sem regatear as horas que Deus me deu, faço-o bem à maneira do escritor e poeta alagoano Aldo Rubens Flores ou tantos outros incógnitos por quem passo. O mundo por vezes é pequeno e assim sem predestinar horários, vou bordejando o mar cor de esmeralda á sombra dos muitos coqueiros! Para um pé carente há sempre um chinelo velho!  O meu sapato biqueira de aço, descascou da sola, enganam-nos de toda a forma, de todo o jeito…

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:17
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Sábado, 30 de Janeiro de 2016
XICULULU . LXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - Quando tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza … A nossa sociedade é uma ilusão fugaz, um fogo-fátuo, uma fantasia evanescente ou uma descarada mentira…

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo.

soba 01.jpgT´Chingange

soci0.jpgOs tempos de crise têm por assim dizer um efeito de revolução de consequências particularmente nefastas para a mente de muita gente, em especial os jovens; a partir deste estado de periclitãncias, surgem motins ou campanhas cujos sentimentos só por si levam ao desmoronamento da sociedade. Se as instituições estatais não tiverem elasticidade no trato o ou sensibilidade para daí não perderem a autoridade, pode este estado de ansiedade perturbar todo um ciclo familiar depauperando a educação, o desprezo pelas normas civis e até religiosas, reduzindo a vida a uma soma de nadas.

soci1.jpg Na primeira grande guerra de 1914 a 1918, perderam a vida cerca de oito milhões de pessoas, mais de 6000 mortos por cada dia de conflito. Até o ano de 1920 terão morrido ao todo, naquele e outros conflitos, cerca de treze milhões de europeus. A França perdeu um décimo da sua população masculina submetendo a sociedade a tensões nunca vividas nas tradicionais famílias; a Alemanha por exemplo, ficou com 500.000 viúvas de guerra que não voltaram a casar.

soci2.jpg Enquanto nos governos surgiam momentos nobres para homenagear mortos de guerra, os veteranos mutilados mendigavam pelas ruas ou procurando trabalho. Estes desequilíbrios surgiram ao longo do tempo em outros conflitos por todo o mundo enquanto parte da sociedade, supostamente políticos com responsabilidades exibem egoísmos de prazer provocando um desprezo assustador pelo futuro de suas nações. Revejo-me aqui particularmente em relação a Angola, Portugal e Brasil e, de uma forma mais alargada a todos os povos de língua oficial portuguesa.

soci3.jpgDigo isto porque em despropósito e de modo gratuito e irresponsável até, encorajam as uniões livres entre homens e mulheres ou entre estes e estes ou estas e estas, desvalorizando os padrões da família nuclear que sempre foram o elo basilar de uma sociedade tradicional ocidental. Uma nação não tem de ser um conjunto de pessoas ao lado umas dos outros mas sim um grupo de famílias interligadas culturalmente com hábitos e condutas, porque a célula orgânica sempre foi a família e não o individuo.

soci5.jpg E, ao que verificamos hodiernas filosofias, hoje tudo está a ser desmantelado de forma gradual e paulatina, retirando-se o valor ao casamento, à constituição da família, ao conceito matrimonial de uniões de facto entre gente do mesmo sexo e a adopção de crianças por homossexuais masculinos ou femininos mais a lei livre do aborto, praticamente usadas como métodos anticonceptivos pagos do erário público. Não há mais valores permanentes! O que se verifica é o de como alguém tivesse agarrado o mundo, o tivesse agitado até ficar tudo de pernas-para-o-ar. 

soci6.jpg Pode dizer-se que as leis ou acordos ditos legais serão apenas questões de conveniência que podem ser compridas ou quebradas em função de interesses nem sempre claros. E, porque se diz que ninguém está acima da lei, eu direi que algumas delas não são para ser compridas! A nossa sociedade é uma ilusão fugaz, um fogo-fátuo, uma fantasia evanescente ou uma descarada mentira. É estranho e até doloroso observar que não haja gente conceituada na sociedade a insurgir-se contra este estado de coisas! Ando desiludido com muita gente que ao invés de falar, se esconde na tacanhez do silêncio…

O Soba T´Chingange 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:18
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2016
MALAMBAS . CXIX

FRINCHAS DO TEMPO . Muitas das coisas que acontecem neste nosso mundo, deveriam saber-se antes de acontecer! …

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

tambaqui8.jpg O destino faz-nos muitas armadilhas e de suas intenções nunca podemos adivinhar o que nos vai ser mais ou menos desejado! Assim e sem tropeçar nos barulhos dos outros, fazemos presságios por antecipação, esperando calados na esquina da curiosidade. Desta vez e no ónibus da Real Alagoas e, bem no meio do percurso atribulado pelos desvios, surge um homem com duas caixas de esferovite ou isopor como também se chama aqui, vendendo coxinhas de galinha mais vários tipos de refresco e água indaiá; escolhi suco de caju e, foi num truz que degluti essa tal saborosa perna recheada.

tambaqui6.jpgNa paisagem, aqui e ali surgem conjuntos de casas encavalitadas pelas encostas dos morros, assim como cortiços despintados mostrando o vermelho dos tijolos, mais chapas de telhas de canudo desorganizadamente organizadas, arborizadas com robustos pés de manga espada, fruta-pão, cajueiros ou tamarindos. Num desarrumado urbano salpicados de chassis de fuscas e chevrolletes saltam perus, patos e galináceos ao redor de cercas feitas a eito, entre e para lá de escavações barrentas e restos de lixo com sacos multicolores multirasgados. Mais adiante, nos lameiros com bois a pastar nas chapadas de capim, surgem também um ou outro burro com mais alguns cavalos.     

tambaqui4.jpg Logo no início deste percurso surgiu um homem vestido de azul, vendendo fora e dentro do autocarro, laranjas, maças de uvas penduradas em saquinhos de rede de um e outro lado dum pau acilhando no ombro bem a meio da sua gravidade. Na europa estas peculiaridades não existem há muito tempo, porque as normas apertadas não permitem e aqui, qualquer ganho mesmo que pequeno, faz correr a vida de quem sempre viveu com pouco. Foi a este homem que comprei uma réstia de laranjas dispostas como se fossem cebolas escanchadas. E, assim, saboreando-as dou-me conta que o destino desta viagem está próximo pelas obras de santa Engrácia  com mais de cinco anos esperando o tapete de betume.

tambaqui5.jpg No terminal, a surpresa surge com o nome de Jucedi de Lucena e Tó, casal amigo que resolveram abraçar-nos com as quenturas tropicais de Maceió. E ali estava Eliseu, homem dos quatro custados do Sertão e do agreste, das fazendas e usinas de cana doce e cachaça de palmeira dos Índios. Terras de antigos engenhos movidos à força da água dos rios e escravos de Angola. Com falas enroladas encavalitamos os meses de ausência como se fossem colares de muxima feitos de búzios e contas de ave-maria, feitas de feijão maluco.

quipá01.jpg Margarida, a Maria Bonita de Eliseu esperava-nos em casa de riso aberto reservando o domingo para irmos lá ao sítio de Maria e António da Calábria a festejarmos o aniversário de Gina. Pois assim foi; aconteceu nas margens da Lagoa Manguaba com selhas de cerveja tapadas de gelo e um especial vinagrete feito de pimentão seco com segredos anexados ao tira-gosto. A feijoada feita bem à maneira da Tia Jacira e ao jeito do Sertão estava de estalar gulodices exóticas.

tambaqui02.jpg Das portas e portões com assombros camuflados, falamos como entendidos da política do mundo, sem beliscar os porquês de cada qual. Naquele domingo passado Deus estava vago para as nossas intendências e, até quase dancei quando Frank Sinatra, feito bruxo cantou “Strangers in the night”…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:01
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016
PARACUCA . XVI

TEMPOS DORMIDOSVoltei a sonhar com a Songamonga, um tal de louva-a-deus muito cheia de atributos...

Missosso: Da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto kimbundu. Óscar Ribas foi o seu criador.

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

louva2.jpg No estágio imaturo de entre o entender e o poder do crer, raciocinamos ou oramos para louvar e agradecer, rogamos ajuda ou orientação sem nos esforçarmos verdadeiramente nesse empenho. Amiudadamente, pedimos a Nosso Senhor ajuda sem nada fazermos para que isso se concretize; é neste meio tempo que algo nos importuna tirando do sério. Acometido de um novo brio, voltei a sonhar com a Songamonga.

 

louva1.jpgO louva-a-deus é um insecto. Seu nome popular decorre do facto de que, quando está pousado, lembra uma pessoa orando. Caçam por emboscada facilitada pelas capacidades de camuflagem. Seu ritual de acasalamento, que decorre por volta do Outono, é uma época de perigo para os machos da espécie, uma vez que a fêmea quase sempre os mata e come durante ou depois do acto. A fêmea põe entre 10 a 400 ovos numa cápsula endurecida; após a eclosão, o louva-a-deus nasce como ninfa, que é em tudo igual ao adulto excepto no tamanho que é menor.

louva7.jpg Voltei a sonhar com a Songamonga, um tal de louva-a-deus muito cheia de atributos que de vez em quando atormenta meus pecúlios empilhados na privação da bodega por só valerem dez reis de mel coado. Não me deu tempo de fugir passando rápidamente suas pernas por cima de mim, grudando-se-me ao corpo regando-me com uma metralhadora de beijos. Ensarilhada em mim, fossando e fungando, suspirava-me tenras auroras, remexendo nos suspiros de perdida saudade misturando cantar de galos com o cacarejar de galinhas e grasnar de marrecos.

louva4.jpg Mergulhado numa embriaguez de galinheiro, bocejada de silêncios entrecortados pelos sussurros dela, pude discernir uma repentina agonia sobrenatural de anjo violentado por um diabo, uma vermelhidão de labaredas de inferno, tentáculos apertando-me a garganta, o corpo a tremer-me dos pés ao cerebelo inesperando-me os sentidos. Uf! Acordei de boca aberta, corpo tenso e dedos inteiriçados de brasa palpitante.

louva3.jpg Esta Songamonga louva-a-deus, pela segunda vez tenta papar-me por inteiro. Olhei-me espavorido, mirei ao redor e, pouco a pouco fui-me normalizando. Estava inteiro! Belisquei-me e senti dor, vivinho da costa. Posso agora relembrar as ultimas palavras do sonho pesadelo e, ela dizendo-me: -Tu… és meu feitiço! -Vou lambuzar-me em ti até virares paracuca! E, não é que era uma Songamonga dos confins da savana angolana, morena do kalahári…

lampi5.jpg Firmado em um espírito de uma amante perigosamente ciumenta, transformava meu medo em pavor e asco e,… salvou-me o pressentimento. Despertei-me! Só sosseguei quando, e depois de beliscar-me pude ouvir lá fora o canto do “bem-te-vi”, o inimigo número um do cangaceiro Lampião, um companheiro de guerras antigas: Seria a Songamonga amiga de Maria bonita? Uma angolana, aqui no Sertão? Os sonhos tiram-nos mesmo do sério…

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:06
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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2016
MOKANDA DO SOBA . LXXXVII

CINZAS DO TEMPOEm terras de Vera Cruz Fui para longe no tempo, para ver bem os recantos que não podem ser vistos de perto…

t´chingange 0.jpgT´Chingange

bra1.jpg No decorrer do tempo, verifico desencorajar-me a contar minhas estórias porque contam-se pelos dedos de uma mão os que tentam convencer-me a dizê-las; porque simplesmente, não percebem o que eu tento dizer antes de o dizer. Não sublinham as inflexões e, por falta de tempo não se dão ao trabalho de desenrolar o palavrório. Pode até parecer estranho mas também, como a Europa da União Europeia é uma ilusão ou uma promessa, assim, também eu não sou, uma realidade. As fronteiras mentais transportadas por mim por via das estórias, embora aumentando a capacidade de criar ilusões, diminuem-me na veracidade.

bra2.jpg Tenho assim um conflito primitivo ou civilizacional, que apagam ou deturpam memórias embaraçosas e, que inevitavelmente colidem com um triunfo de liberdade. Creio mesmo que só os antropólogos poderão compreender meu pântano utópico. Digerindo-me no difícil interior do ego, esforço-me por ressuscitar ideologias que possam ser levadas a sério e não serem vistas ou analisadas como um mero interesse ocasional.

bra3.jpg Algures em Itália, O Concelho Municipal de Bolonha mandou derreter a estátua de bronze de Mussolini a cavalo e, no seu lugar, instalaram dois guerrilheiros. Não me lembro de ter sido fascista, nem comunista ou socialista e como filho de supostos colonos de Angola, só ouve o cuidado de derreterem nossas vidas despojando-nos das coisas, da posse, da cidadania sem nunca conseguirem lacrar meus sonhos e lembranças antigas. Mesmo por via democrática, já não posso pegar naquilo que era bom no passado e, simplesmente chamar-lhe “o meu legado”. De tudo destituído, levam-me a concluir que todas as ideologias têm em comum o facto de gostarem de apresentar a sua própria utopia.

bra5.jpg Mas também, sendo a Europa um laboratório construído por cima de um vasto cemitério e, Portugal um laboratório de ensaios para gangues banqueiros, resta aos políticos deixarem de ser cínicos ou ficar apáticos, resignados ou submissos redescobrindo as virtudes que ainda subsistem na democracia. Num tempo em que por todo o lado, tanto se ouve falar em crise, poucos são os que não dizem mal dos parlamentos! E, é aqui que reside o problema: o Parlamento não se derrete, vai-se desmoronando na corrosão! Só que é um processo lento…  

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:16
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Domingo, 27 de Dezembro de 2015
FRATERNIDADES . C

CAFÉ DA NOITE - Quem é capaz de definir a FAMILIA? .  Família é afinidade…

As escolhas de Stella

stella1.jpgStella Pugliesi - Com seu trecho do livro "O Arroz de Palma" de Francisco Azevedo.

stella01.jpg"Família é um prato difícil de preparar”.

São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema... Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir, de não constituir família... Mas a vida sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe.

stella02.jpg Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente... Já estão aí? Todos? Óptimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é um prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que vindas da África ou do Oriente nos parecem estranhas ao paladar tornando a família mais colorida, interessante e saborosa.

stella2.jpg Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. As vezes o ídolo da família, o bonzinho, o bola cheia que sempre ajudou azedou a comida só porque meteu a colher. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão.

stella03.jpg Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta Gourmet, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir. Enfim, receita de família não se copia, inventa-se! A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia-a-dia.

stella04.jpg A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie! Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.   Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete!

Família: Feliz de quem a tem!

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:58
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Domingo, 29 de Novembro de 2015
FRATERNIDADES . XCVIII

ANGOLA . NAS FINCHAS DO TEMPOFalando de refugiados …

Por

sacag1.jpg Maria João Sacagami - Acreditem, não é mágoa. Não é raiva. Não é coisa alguma que não seja observação.

sacag2.jpgTal como Maria Sacagami, eu e tantos outros sem conta, gente na diáspora fugindo daqui e dali, revi-me em aflições porque o passado sempre me reconheceu na palidez enrugada da crescente velhice! E, já lá vão mais de quarenta anos! Com palavrões dentro da cabeça sempre tentei reconstruir-me a partir do nada mas, aquele imbondeiro colado ao meu costado nunca permitiu que o abandonasse; assim, com ele ando de raízes ao ar, fingindo que aquilo do passado foram só antigas inventações.

sacag3.jpg Com os nomes esvoaçando, pingando raiva de mim aos poucochinhos, fui buscar as novidades fracturadas nas figas e juras por sangue de Cristo como os juramentos que eu fazia em kandengue. Tive medo de espreitar minha vida pelo cano de um revólver; uma vida estriada em verdades misturadas nas mentiras. O texto que se segue de Maria Maria João Sacagami que sirva de alento a outros, porque sei que não foi fácil fazer esse percurso! E, já nem gosto de falar nisto, porque até as palavras se foram cansando no tempo...

sacag4.jpg Eu, Maria Joao Sacagami, quando cheguei ao Brasil, e não possuía um centavo para um café, vinda de uma guerra sem fim, na qual cresci, muitos dos meus amigos mortos, outros que acreditava perdidos para sempre, com 20 anos e a responsabilidade por uma família de mãe e irmã, ofereceram-nos a residência. Com um sorriso e só! Para esclarecer, isto significa um documento que me permitia ficar no país. Não era um tecto, uma casa, ou qualquer coisa parecida. Amigos de Angola dividiram connosco por alguns meses a parca quantidade de arroz que tinham para comer como família, também.

sacag7.jpg Ninguém nos deu casa, dinheiro, roupas, assistência médica. Havíamos queimado as pontes, não poderíamos voltar. Quando cheguei ao Brasil, trazia comigo as visões dos mortos e feridos, os cheiros dos corpos, os sons das balas, dos morteiros e dos gritos, e um desejo profundo de que os sobreviventes resgatados houvessem tido a boa sorte de permanecer vivos.

sacag5.jpg Trazia comigo os pesadelos, os suores frios, as imagens da destruição física dos seres e dos locais que conheci. E, uma porta na alma trancada pela certeza de que não me permitiriam pisar em solo pátrio de novo, o que mais tarde se confirmou! Quando cheguei ao Brasil, como tantos outros, uns mais beneficiados do que eu, porquanto não enfrentaram o que enfrentei tanto na guerra quanto porque tiveram a possibilidade de trazer ao menos uma parcela dos seus haveres outros – tanto, quanto eu; fiquei agradecida pelo que este país tinha a me oferecer.

sacag6.jpg Fiz o que deu para fazer - passei fome, trabalhei por anos e anos 21 a 22 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. Vivi do e para o trabalho até conseguir estabilizar ao menos o mínimo do dia-a-dia. Ergui os ombros e construí, como todos os que vieram comigo daquela guerra civil, onde milhares morreram e milhares perderam tudo menos a vida, quem hoje sou. Estes, uns tiveram escolha, dinheiro e casa doados. Estes uns - não sei quem são! (refere-se aos novos migrantes ou refugiados entrados na Europa e particularmente, em Portugal). Refugiados são indivíduos que aceitam o que lhes dão, porque no desespero de fugir de uma guerra, qualquer coisa é melhor do que aquilo que deixaram.

MJS

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:32
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Sábado, 28 de Novembro de 2015
MOKANDA DO BRASIL . III

TEMPOS DE ESPANTO . LULA Nenhum brasileiro tem tantos amigos na cadeia!!!

Por

lula2.jpgRicardo Keller

amilcar 3.jpg Ele é o novo “pai dos pobres”, o ex-operário que se aposentou bem cedo por um acidente para poder se dedicar à luta contra a pobreza e injustiças. Fundou o Partido dos Trabalhadores. Fundou também o Foro de São Paulo, com Fidel Castro. Um sujeito ético, que iria renovar a forma de se fazer política no país. Como? Juntando-se a todos os velhos caciques ladrões e tentando comprar o resto do Congresso, todo! Os “intelectuais” o amam. Quando ele fala, com língua presa e português errado, “o mundo se ilumina”. Os sindicalistas o veneram, pois é um deles, dos que sempre lutaram contra os capitalistas selvagens. Como? Emprestando bilhões subsidiados do BNDES para poucos e grandes grupos.

fig3.jpg Ele representa o pobre e oprimido contra os gananciosos e exploradores. Como? Bebendo dos vinhos mais caros, andando de jatinho para todo o lado, relaxando num triplex em frente ao mar, com dezenas de milhões em sua conta bancária. E não ouse criticá-lo! Se você o fizer, é porque é parte da elite invejosa, que não tolera tudo o que ele fez pelos mais pobres, enchendo os aeroportos com gente humilde, distribuindo esmolas retiradas do couro da classe média em troca de votos.

rosa1.jpg O homem é quase um santo! É reverenciado no Nordeste, adorado nas rodas da alta sociedade nos Jardins e idolatrado nos meios artísticos do Leblon. Só tem um detalhe: nenhum outro brasileiro tem tantos “amigos do peito” na cadeia. Sim, parece que basta ser seu camarada próximo para ter enorme probabilidade de acabar no xilindró.

lula1.jpgNesse Dia de Acção de Graças, o ex-metalúrgico só deve ter recebido convites para compartilhar do peru em presídios. Vai ter amigo ladrão assim em Cuba! Se esse sujeito tentar se aproximar de você oferecendo alguma coisa, se ele quiser ser seu companheiro, seu amigão, cuidado! Isso significa que você, em breve, poderá ser preso também. Nunca antes na história deste país uma pessoa tão ética se cercou de tantos bandidos. É um ESPANTO!

Lula & friends

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:13
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015
FRATERNIDADES . XCII

UM MILAGRE PARA VOCÊ - !!!!! - Em nossas vidas, nunca sabemos quantos milagres precisaremos. Um milagre não é o adiamento de uma lei natural, mas a operação de uma lei superior, Ter fé...…

As escolhas de T´Chingange

Por

amilcar 0.jpgAmílcar e Isabel Rodrigues

amilcar 1.jpg Vem isto a propósito de uma “canção de intervenção” que diz “ O QUE É PRECISO É AVISAR A MALTA”, ou seja, “a Galera” do cantor Zeca Afonso, Portugal. Estive a ouvir um Irmão, em lamentos, acerca do estado geral das coisas no Brasil. Falou-me da corrupção, do Serviço de Saúde, das escolas, da insegurança, da inflação e até do mundanismo nas igrejas. Enquanto ele falava comigo, lembrei-me do alvoroço que a tempestade no Mar da Galileia causou nos discípulos, enquanto Jesus dormia, sossegadamente, na proa do barco. É sempre difícil (ou quase impossível), resolvermos os problemas quando o nosso coração se deixa perturbar com as causas externas. “Perdemos o norte” de quem somos e o poder que nos foi dado em Cristo Jesus, que nos mandou ter bom ânimo perante as aflições da vida. Ele já tinha ensinado aos seus discípulos como resolver os problemas, a fim de que a paz de Deus os aquietasse.

amilcar 02.jpg Naquele dia, no mar da Galileia, com a fúria dos ventos e o mar alvoraçado, e com o desânimo nos corações, um dos discípulos fixou os olhos no Mestre que dormia com uma inocência perturbadora, e despertando-o, disse-lhe: "Não te importas que pereçamos?". Então o Mestre levantou-se e fez o que era preciso fazer, ou seja, repreendeu os ventos e o mar e fez-se uma grande bonança. Os discípulos, estupefactos, interrogavam-se: “Quem é este a quem os ventos e o mar obedecem?”. Conhecendo o que lhes ia no coração, Jesus lhes perguntou porque é que eles eram tão covardes. Ora o que faltou aos discípulos foi a Fé capaz de fazer agir o coração, coragem, porque todas as coisas são possíveis àquele que crê.

amilcar01.jpg Perante o desassossego que reina nos corações dos homens e das mulheres no Brasil, é imperioso pois dizer: “O que é preciso é avisar as igrejas”. Quando os portugueses chegaram ao Brasil em 1.500, baptizaram este país de “Terra de VERA CRUZ". Para celebrar o evento, cortaram-se duas árvores de alto porte, e depois tornou-se necessário fazer com elas, uma cruz que a simbolizasse. Aconteceu que os bravos marinheiros estavam com grande dificuldade em levantar do chão as árvores caídas, e foi quando observaram, que por detrás de uns arbustos, estavam os Indígenas a observá-los. E como por milagre, vieram em socorro dos navegadores, e todos juntos levantaram os troncos, Foi assim que erigiram aos céus a primeira cruz, sinal de Cristo, nas terras que hoje se chamam, Brasil.

amilcar 3.jpg Convém recordar este evento, para nos despertar de que é a união que faz a força e que no dizer do Mestre, "reino dividido e casa dividida, não subsiste". É necessário avisarmos as igrejas, para que se levantem pela Graça de Deus, num clamor a Deus, e venham os tempos de paz sobre a terra, aos homens de boa vontade. Alguns dizem-me que o Brasil não tem jeito, porque a colonização dos portugueses, com a vã cobiça pelas riquezas, semearam nesta terra maravilhosa, o mal sem fim. Que a escravatura que veio do outro lado do mar é a genesis de todo o sistema que impera até aos dias de hoje.

amilcar4.jpg É certo que se trocou o nome de VERA CRUZ por BRASIL, porque era o nome da árvore que dava o vermelho para tingir as roupas, e que também é uma metáfora ao sangue da violência do deus Mamon. É preciso dizer às igrejas que “Jesus veio desfazer as obras do Maligno” e que não nos podemos deixar intimidar pelo mal. É preciso avisar as igrejas, para que se cumpra o que está escrito - "A Misericórdia e a Verdade se encontraram: a Justiça e a Paz se beijaram, também o Senhor dará o bem, e a nossa terra dará o seu fruto”. Salmo 85:10 e 12.

Fraternalmente, Casal com uma Missão - Amílcar e Isabel Rodrigues

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:02
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Domingo, 14 de Junho de 2015
MULUNGU . XLVI

TEMPOS CUSPILHADASPasseando o esqueleto no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves um reino outrora Tuga...

Por

soba0.jpegT´Chingange

sardinha0.jpg Há mais ou menos um ano atrás e estando eu no Brasil, pessoa amiga referiu-se ao facto de em Portugal país visitado por ele nesse então, as pessoas serem disciplinadas, não terem o apetite do roubo ou cobiçar o alheio. Isto passou-se em uma praça da pequena cidade de Lagoa do Algarve; ele reparou que as pessoas passavam por aquelas laranjeiras carregadas de bonitas laranjas e o estranho, era que ninguém tocava nelas. Não havia qualquer impedimento por qualquer resguardo para as não alcançar e não obstante estarem gulosas, bonitas a solicitar-nos esticar as mãos e recolhe-las, ninguém o fazia! Eu com a sede que tinha até me apeteceu agarrar uma mas retive-me mais por poder parecer mal do que outra causa; fiquei inibido proceder desse jeito disse ele; bonitas e nada de ladrões!?

sardinha01.jpg A pessoa em causa que descreveu isto desconhecia que as amarelinhas eram ácidas, azedas como trovisco e, nem me dei ao trabalho de esclarecer para subsistir na mente deles que os Tugas não roubavam como era tão habitual, eles o fazerem no seu Brasil! E, a propósito omiti a verdade porque já estava farto de tanto desaforo colocando os Tugas como os larápios da América, blá, blá, bla, coisa que insistentemente ouvia referindo tempos idos no roubo do pau-brasil, do ipê-roxo, das muitas especiarias, ouro e prata, um sem fim de maleitas sociais do qual lhes foi legado! Disse. Que chegavam da Metrópole com uma mão atrás e outra à frente e passado bem pouco tempo já tinham seu próprio posto de trabalho, sua padaria, borracharia ou sua própria venda.

sardinha1.jpg Normalmente nem replicava porque também tinha as minhas próprias queixas por fruto de uma descolonização de tugi mas eles nem iriam entender tal nefasta saga provocada por mariolas e traidores ao M´Puto e do M´Puto; desta feita contive-me para que ficassem com ideias edificantes sobre os Tugas e, que afinal, nem tudo neles era mau! De forma catedrática ia-lhes dizendo que o Brasil era quase um continente graças a terem sido um reino; que não foram desintegrados em vários países porque foram a sede do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e tendo D. João VI como o maior aglutinador dessa política; um estadista de valor e que eles sempre subestimaram e subestimam com charadas de mau gosto e desrespeito. Que não obstante o Brasil já ser grande, invadiu a Cisplatina ficando alargado com o actual Uruguai a sul e o Guiana Francesa a Norte por estar em guerra com os franceses tendo estes os espanhóis debaixo da alçada! A França de Napoleão.

sardinha2.jpg E, quantas mais coisas tinham de ser ensinadas, porque infelizmente, mesmo gente formada a nível universitário, não tinham um perfeito conhecimento da real história. Fui eu a contar a muitos as estórias do Caramuru, Do João Ramalho, do 1º Bispo do Brasil que os índios paparam com mais de oitenta náufragos ao largo de Cururipe no estado de Alagoas; da festa de arromba que aqueles índios Caetés fizeram em Julho de 1556 devorando Dom Pero Fernandes Sardinha, que ainda hoje por via disso, pagam um laudémio à Igreja católica pelos danos causados a Roma, blá, blá, blá. De tudo isto eu retirava ilações no fraco aprendizado nas escolas brasileiras! Claro que os ladrões existem aqui e lá mas, nesta actualidade, nem digo nada para não amesquinhar aquele elogio das laranjas feito por um brasileiro das terras Tugas!

Mulungu: É uma arvore de grande porte com flores vermelhas; existem no Brasil e em Angola

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:42
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Quinta-feira, 14 de Maio de 2015
KISANJI . XIV

DESTINOS . Morre um capim, nasce outro… Todos nós exercitamos a morte através do sono e a ressurreição ao abrir os olhos...

Por

soba0.jpg T´Chingange 

kisan3.jpgQuero andar direitinho, com roupa limpa e com cabelos na cabeça, disse um dia Chico Xavier, um homem que psicógrafou mais de 400 livros de mortos ilustres que pregavam a paz e estimulavam a caridade. Para milhares de admiradores fervorosos ele foi um santo mas, para os descrentes foi no mínimo, um intrigante personagem. Ele definiu-se como uma parede arruinada e, sobre a qual se pregavam cartazes anunciando os ensinamentos de Jesus. A quem lhe cobrava uma postura de santo ele respondia: “Nós precisamos de harmonizar a doutrina sem demónios nem anjos e, quando alguém for promovido a anjo, ninguém o saberá porque a nomeação vem lá de cima”. Chico Xavier relembra amiudadamente Gandhi afirmando: “Se um dia um único homem atingir a mais elevada qualidade de amor, isto será o suficiente para neutralizar o ódio de milhões”. Dito isto, será bom silenciar mentalmente alguns instantes para pensar que “servir é o destino de muitas almas”; bondade assim só se consegue de quem está em comunhão com Deus pelo serviço ao próximo.

kisan4.jpg Afinal de contas, ao longo da vida, todos nós exercitamos a morte através do sono e a ressurreição ao abrir os olhos pela manhã. Chico aprendeu a viver apenas com o necessário e, afirmando que não havia mérito algum no amealhar sem dar; que o importante seria perdoar e se doar sem esperar nada em troca. Para quê acumular tanto? Dizia Xavier amiudadamente na forma d interrogação. Existem pessoas que possuem cinquenta sapatos; aonde vão arrumar cem pés? Interrogava-se aos demais. Brincando com a vida, dizia ter nascido em um primeiro de Abril e que, diriam então que ele era uma grande mentira! Sempre desdenhou dos muitos títulos de distinção e de cidadão honorário, das medalhas, trofeus e comendas.

kisan2.jpg Lembro que escrevo isto em uma terra aonde no mundo da diáspora portuguesa, países dos PALOPS, há o maior número de comendadores por quilómetro quadrado, África do Sul. Acompanhado por seus fantasmas, Chico diria “Louvado seja o senhor que me permite resgatar o passado e desejar melhorar-me pelos processos ocultos do corpo”. Xavier dizia que era só um tijolinho na grande construção que é o mundo. Após um mergulho neste universo marcado por dor, saudade, esperança e desconfiança, há um terreno movediço onde o consciente e o inconsciente se encontram e, onde os riscos de fraude ou de auto-sugestão são permanentes. Chico morreu no seu tempo, com 92 anos de idade. Morre um capim nasce outro, diria ele de novo, estando entre nós, fisicamente.  

kisan1.jpg kisanji é oriundo de Angola, também conhecido pelo nome de tyitanzi . Na forma simples, é uma tábua estreita, de forma rectangular, onde se fixam uma série de lamelas de bambu ou metal, com tamanho diferentes produzindo notas distintas. Por cima delas, é colocado um travessão, apertado por ganchos. As lamelas, são normalmente espatuladas e levantadas dos lados. 

O soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:52
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Segunda-feira, 30 de Março de 2015
MUJIMBO . LXXXVI

ANGOLA - PARA ESTARMOS ASSIM, MAIS VALIA QUE O COLONO BRANCO REGRESSASSE !

SOLIDARIDADE EM TORNO DE RAFAEL MARQUES ESTÁ Á AUMENTAR ACELERADAMENTE !

Por

vumby0.jpgFernando Vumby  - Fórum Livre Opinião & Justiça

Foi para mim sem duvidas a melhor noticia da semana que acabo de receber mesmo á poucas horas de um grande amigo que vive ai na republica dos informantes, dos julgamentos manipulados onde os voluntários se fazem passar por culpados para evitar com que (chefes) criminosos sejam mencionados. Estabeleci contactos com Angola e fiquei satisfeito ao saber que a solidaridade em torno de Rafael Marques está a aumentar de forma galopante. E, em relação a posição da oposição politica angolana a única coisa que me disseram é que a nossa oposição politica é um caso perdido. E, que muita gente ate já começa a acreditar que em Angola, Rafael Marques no fundo é que é a única e verdadeira oposição credível ao regime sob gestão do corrupto JES. Falam-se mal entre eles! Aliás a oposição, me parece que vai ter grandes dificuldades para se unir, pois quando e sempre que se fala com alguns políticos da oposição é raro que não falem mal uns dos outros ...

muji6.jpgAtenção, há os que para não falarem mal, preferem não responder a certas perguntas e assim, fica complicado saber o que eles pensam dos outros. Quantos velhos e mesmo nós ja não repetimos estas palavras em coro como se estivessemos a cantar o hino nacional ?

O PORQÊ DE ALGUMAS CURIOSIDADES! - PARA ESTARMOS ASSIM, MAIS VALIA QUE O COLONO BRANCO REGRESSASSE !

Uma senhora estrangeira casada com um Angolano uma vez disse -me os angolanos devem ser os únicos africanos que ate são capazes de se reunir só para estarem á falar mal uns dos outros - É verdade ou mentira ?Ate fiquei burro meus manos !

africa01.jpgÉ curioso não me lembro disto no tempo do colono branco ou será mesmo que Deus é branco ? - Então vejamos e digam-me lá se é verdade ou mentira ?

No tempo do colono branco se vivia muito melhor do que hoje!É verdade ou mentira ?

A taxa de mortalidade infantil era 8 x menos do que agora!É verdade ou mentira ?

Não houve nenhum governante que tivesse algum filho ou filha que fosse bilionário/a!É verdade ou mentira ?

A PIDE / DGS matou 102 x menos angolanos do que toda a maquinaria e instrumentos que o regime sob gestão de JES ja utilizou para matar angolanos ate hoje!É verdade ou mentira ?

A luz e água nunca faltava no tempo colonial!É verdade ou mentira ?

As chuvas faziam 217 x menos estragos do que o fazem hoje!É verdade ou mentira ?

Nunca se leu em jornal nenhum que Salazar era corrupto ou que escondia dinheiro em bancos

estrangeiros!É verdade ou mentira ?

Nenhum governante tinha duas filhas casadas ao mesmo tempo com cidadãos estrangeiros!É verdade ou mentira ?

Salazar não tinha nenhum familiar seu no governo! - É verdade ou mentira ?

A PIDE / DGS não envenenava os presos políticos! - É verdade ou mentira ?

muji5.jpgObs: Quem quiser aumentar mais alguma coisa pode faze-lo:

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Fernando Vumby - Forum Livre Opinião & Justiça

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:53
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Quarta-feira, 18 de Março de 2015
KISANJI . XVIII

DESTINOS . Morre um capim, nasce outro…

Por

soba 0.jpg  T´Chingange 

kisanji00.jpgQuero andar direitinho, com roupa limpa e com cabelos na cabeça, disse um dia Chico Xavier, um homem que psicógrafou mais de 400 livros de mortos ilustres que pregavam a paz e estimulavam a caridade. Para milhares de admiradores fervorosos ele foi um santo mas, para os descrentes foi no mínimo, um intrigante personagem. Ele definiu-se como uma parede arruinada e, sobre a qual se pregavam cartazes anunciando os ensinamentos de Jesus. A quem lhe cobrava uma postura de santo ele respondia: “Nós precisamos de harmonizar a doutrina sem demónios nem anjos e, quando alguém for promovido a anjo, ninguém o saberá porque a nomeação vem lá de cima”. Chico Xavier relembra amiudadamente Gandhi afirmando: “Se um dia um único homem atingir a mais elevada qualidade de amor, isto será o suficiente para neutralizar o ódio de milhões”. Dito isto, será bom silenciar mentalmente alguns instantes para pensar que “servir é o destino de muitas almas”; bondade assim só se consegue de quem está em comunhão com Deus pelo serviço ao próximo.

dia2.jpg Afinal de contas, ao longo da vida, todos nós exercitamos a morte através do sono e a ressurreição ao abrir os olhos pela manhã. Chico aprendeu a viver apenas com o necessário e, afirmando que não havia mérito algum no amealhar sem dar; que o importante seria perdoar e se doar sem esperar nada em troca. Para quê acumular tanto? Dizia Xavier amiudadamente na forma d interrogação. Existem pessoas que possuem cinquenta sapatos; aonde vão arrumar cem pés? Interrogava-se aos demais. Brincando com a vida, dizia ter nascido em um primeiro de Abril e que, diriam então que ele era uma grande mentira! Sempre desdenhou dos muitos títulos de distinção e de cidadão honorário, das medalhas, trofeus e comendas.

kisanji02.jpg Lembro que escrevo isto em uma terra aonde no mundo da diáspora portuguesa, países dos PALOPS, há o maior número de comendadores por quilómetro quadrado, África do Sul. Acompanhado por seus fantasmas, Chico diria “Louvado seja o senhor que me permite resgatar o passado e desejar melhorar-me pelos processos ocultos do corpo”. Xavier dizia que era só um tijolinho na grande construção que é o mundo. Após um mergulho neste universo marcado por dor, saudade, esperança e desconfiança, há um terreno movediço onde o consciente e o inconsciente se encontram e, onde os riscos de fraude ou de auto-sugestão são permanentes. Chico morreu no seu tempo, com 92 anos de idade. Morre um capim nasce outro, diria ele de novo, estando entre nós, fisicamente.

kisanji0.jpg O kisanji é oriundo de Angola, também conhecido pelo nome de tyitanzi. Na forma simples, é uma tábua estreita, de forma rectangular, onde se fixam uma série de lamelas de bambu ou metal, com tamanho diferentes produzindo notas distintas. Por cima delas, é colocado um travessão, apertado por ganchos. As lamelas, são normalmente espatuladas e levantadas dos lados.  

O soba T´Chingange



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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015
PAPALAGUI . XXI

BRASIL E O CARNAVAL 2015  - Papalagui é o homem dito civilizado; europeu; homem branco . 2ª Parte

Por

soba.jpgT´Chingange

Saberes e sabores na Sapucaí… Salgueiros - nota DEZ

O Acadêmicos do Salgueiro foi fundado a partir da união de duas escolas de samba do Morro do Salgueiro: Azul e Branco e Depois eu Digo. A Unidos do Salgueiro, terceira escola existente na localidade do bairro do Andaraí e que tinha como representante maior o sambista Joaquim Calça Larga, que não concordou com a fusão e, por esse motivo, ficou de fora.

salg0.jpgAlucinados pela febre do ouro muitos abandonaram a lavoura e se dedicaram à exploração das minas. Logo a escassez de alimentos se fez sentir. Havia ouro, mas faltava comida. Com o preço dos alimentos subindo sem parar, muita gente passou fome. E como a necessidade é mãe da invenção, o mineiro daqueles tempos foi buscar soluções até então impensadas. Exigia-se o aproveitamento de tudo. O que antes era rejeitado, agora era incorporado num novo prato, num novo modo de preparo como o sapatatel feito das frisuras e sangue. Daí vem o jeito mineiro, sempre cauteloso e prevenido. Ou seja, a abundante cozinha típica mineira surgiu da fome.

salg2.jpgOs escravos das minas

A notícia da descoberta do ouro trouxe para Minas milhares de escravos vindos de outras regiões do Brasil, principalmente daquelas onde a cana-de-açúcar prosperava. Outros vieram diretamente do continente africano, o que causou um espantoso aumento da população negra em Minas. Esta migração forçada e sofrida deixou sua marca indelével na cultura mineira, seja na religiosidade, na música e na dança e, sobretudo, na cozinha, formando junto com o indígena e o branco colonizador a “Saborosíssima Trindade” da tão variada culinária de Minas. “Depois do idioma, a comida é o mais importante elo entre o homem e a cultura”. Raul Lody

A cozinha

“O cartāo de visitas de um local é a sua cozinha. Ela ensina, pelo sabor, seus saberes”. Um prato típico é aquele que preserva e envolve muitos saberes no seu conteúdo, saberes que não se perderam no tempo. Cada utensílio de cozinha, como pilões, tachos, gamelas, colheres de pau, panelas de ferro ou de pedra sabão. Cada tempero como o imprescindível alho e sal, o urucum, a pimenta, cada folha vinda do mato ou da horta, como o “ora-pro-nobis” e a couve, cada ingrediente como a gordura de porco, a farinha ou a cachaça, tudo guarda em si um conhecimento ancestral, que atravessa as gerações e faz sentir no presente as lembranças e os afetos que nos remetem a outros tempos e lugares vividos. As receitas culinárias de Minas são inumeráveis. Misturas de magia afro-indígena, da sofisticação luso-europeias, mas o princípio fundamental em todas elas, dito com propriedade, é: “O primeiro ingrediente que vai na panela é o amor”.

salg01.jpgA comida e a fé, sustentáculos do homem da terra…

Era preciso ter disposição e força para encarar o trabalho duro. E haja angu e rapadura para vencer a lida! Mas mesmo quando a comida era pouca, havia a fé, havia a crença, que superava as dificuldades e enchia de esperança o futuro. Em Minas, a devoção está para o homem como o sol está para a vida. Sob a luz de Nossa Senhora do Rosário o “ora-pro-nobis” toma gosto e ganha tom! Todos em uma só voz entoam as angústias e as glórias de um povo que sobreviveu à escravidão. Todos honram à padroeira da cidade do Serro, nas figuras de índios, reis, juízes e marujos. Aqui as três raças se consagram: índios, brancos e negros louvam em uníssono àquela que guarda e protege a todos sem fazer distinção. Homens e mulheres unem-se num ato de amor e gratidão por tudo o que a terra e a vida lhes deram sob a bênção de Nossa Senhora, cantando, seguindo em procissão, e, é claro, compartilhando os quitutes da boa mesa, da divina comida mineira, temperada com uma boa pitada de generosidade.

salg1.jpg Eis o grande milagre:

Colher de pau, pilão, tacho de cobre. Fogo de chão, gamela, fogão de lenha. É com amor que o mineiro põe a mesa, É atiçar o fogo e manter a chama acesa! Renato Lage e Márcia Lage

Este enredo é baseado no livro “História da Arte da Cozinha Mineira”, de Dona Lucinha (Maria Lúcia Clementino Nunes). Folhear essa obra é fazer um aprendizado sobre os costumes de Minas Gerais, suas tradições, suas deliciosas receitas. É seguir os caminhos que levaram à descoberta do ouro e se aprofundar na história do Brasil. Nosso enredo para o carnaval de 2015 é uma viagem através dos sabores que Minas Gerais oferece e resguarda nos saberes que cada prato típico preserva através do tempo.

salg3.jpgEnredo: Do Fundo do Quintal, saberes e sabores na Sapucaí…

Presidente: Regina Celi

Vice Presidente: Jô Casemiro

Carnavalescos: Renato Lage e Márcia Lage

Diretor de Carnaval: Dudu Azevedo

Intérpretes: Leonardo Bessa e Serginho do Porto

Autores: Xande de Pilares, Jassa, Betinho de Pilares, Miudinho, Luiz Pião e W. Correa

salg4.jpg

TEM AMOR NESSE TEMPERO… SALGUEIRO ESSE “TREM É BOM DEMAIS” VEM DOS TEMPOS DOS MEUS ANCESTRAIS FOI O ÍNDIO QUE ENSINOU COM SUA SABEDORIA O JEITO DE APROVEITAR, TUDO QUE A TERRA DÁ, NO DIA-A-DIA É DE DAR ÁGUA NA BOCA, SE LAMBUZAR VISITAR O PARAÍSO…. E SONHAR

O DANADO DESSE CHEIRO SÔ!… Ô SINHÁ ATIÇOU MEU PALADAR… Ô SINHÁ JÁ BEBI UMA “PURINHA” VIM SAMBAR NA ACADEMIA-    BIS  E NÃO QUERO MAIS PARAR…

O OURO DESPERTA AMBIÇÃO DA FOME NASCE A CRIATIVIDADE O BRANCO, O NEGRO E SEUS COSTUMES TRAZENDO MUITO MAIS VARIEDADE UM ELO EM COMUNHÃO E A CULINÁRIA VIROU ARTE E TRADIÇÃO É NO TACHO… NA PANELA… MEXE COM A COLHER DE PAU SABERES E SABORES LÁ DO FUNDO DO QUINTAL PEÇO A NOSSA SENHORA PRA NÃO DEIXAR FALTAR É DIVINA… QUE DELÍCIA… PRONTA PRA SABOREAR

PREPARA A MESA BOTA A FÉ NO CORAÇÃO NUMA SÓ VOZ VAI MEU SAMBA EM LOUVAÇÃO - BIS É O MEU SALGUEIRO COM GOSTO DE QUERO MAIS OH MINAS GERAIS!

O Soba T´Chingange

 



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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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