Domingo, 20 de Abril de 2014
MALAMBAS . XXVIII

NAS CINSAS DO TEMPO . O paradoxo do paradigma…

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

Querendo ficar esquecido de seculares guerras, ficar longe do fogo intenso sem cheiro de fumaça na vestimenta, continuo por vontade própria à sombra de tudo isso; de mãos limpas e pés polidos dou-me a tréguas em desejos de somente resistir aos desmandos que me podem contagiar na mente ou no físico. Não prestando contas de minha vida, a não ser dar animo às cordialidades amigas, redes sociais que nem sempre são de sossego, escuso-me a ser dirigido ou manipulado tanto quanto possível.

 Estamos vivendo num tempo tão assediado às mordomias da vida, do instantâneo entretenimento e busca pelo prazer, que nem sempre descortinamos o reptício assalto ao nosso templo e, em verdade a todo o tempo, somos vigiados pelo sistema que nos rege na Globália, essa esfera microscópicamente observada por olharapos electrónicos num espaço etéreo imensurável. As ondas curtas, modeladas ou encavalitadas, mesmo sem nós querermos penetram-se por atrito em nossos sentidos como uma máquina virtual, tipo micro-ondas.

 Costa Araujo (Meu mano corvo) - O artista

Aqueles artefactos, desvirtuando-nos da tão desejada independência, inevitavelmente, penetram-nos em salpicos e manchas de força, o espírito; manipulação mental de máxima conversão pelo avulso uso e abuso dos nomes de Deus, de Alá ou de Buda, sem falar do hinduísmo, vedismo ou bramanismo. O Livro-dos-livros, o Corão e os escritos budistas iluminam-nos no esclarecimento de que a vida implica, nascimento, envelhecimento, doença e morte. Assim, o sofrimento da vida é inerente a todos; mesmo com fortes convicções ou místicas de religiosidade e adoração, a farta filosofia das muitas vertentes ou do foro espírita, não é por si só suficiente para peregrinar a imaginação ao paradoxo do paradigma.

Ilustrações: Costa Araújo com ele mesmo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:59
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2014
XICULULU . L

OS LULASÍADAS - mensalão Paródia de "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões

 6ª de 6 partes - final

As escolhas de

  T´Chingange

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

O Autor:  Lúcio Wandeck

Que me perdoe o poeta que tudo viu, se vos parodio inspirando-me naquele que nada sabe, nada escuta, nada lê e nada vê!

 

"Para servir-vos, braço às armas feito,

Para cantar-vos, minto às Musas dada;

Só me falece ser a vós aceito,

De quem virtude deve ser prezada".

"Se isto o Céu concede, e o vosso peito

Oh digna empresa, digno empreiteiro,

com a ladroagem mente e vaticina

olhando a sua substituta assaz divina,

 

                   a má, a ladra, a serpentuosa Medusa,

                   agora a seu lado, na falsidade inclusa":

                  "faça vista grossa para temas nauseantes".

                  "Falaram-lhe até que uma tal de hipotenusa 

                   e sua amiga uma tal de Geometria

                   acusam-no de comportamento ultrajante"!

                   "Não as conheço, nunca ouvi falar,

                   como saber e conhecer não é meu forte,

 

dos amigos acurados não me afasto,

me aproximo, somos vinhos da mesma pipa,

e subestimo, aqueles que intentam me acusar.

O tempo passa, tudo há de se abafar!"

"Com a minha estimada e leda Musa

que me inspira o engodo e a farra plena,

apanágio do malandro e do farsante,

passeio pelo mundo em nau a jacto,

de sorte que a justiça não me alcance,

como posso saber, se sou errante,

metamorfose ambulante?"

Ilustrações de: Costa Araújo Araújo

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:40
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Quinta-feira, 3 de Abril de 2014
XICULULU . XLIX
OS LULASÍADAS - mensalão . Paródia de "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões

  5ª de 6 partes

As escolhas de

  T´Chingange

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

O Autor:  Lúcio Wandeck

Que me perdoe o poeta que tudo viu, se vos parodio inspirando-me naquele que nada sabe, nada escuta, nada lê e nada vê!

 

- «Eternos moradores do luzente,

Estelífero Pólo e claro Assento:

sou o grande valor pros crédulos e inocentes,

de mim não perdeis o pensamento,

deveis de ter sabido claramente

como é dos fatos grandes certo intento

que por ela se esqueçam os humanos 

Genoinos, Delúbios, Gregos e Romanos"

                 Mas em particular o esperto mui sabia,

                 que mentir o faz mais elegante,

                 Vereis como sorria e escarnecia,

                 Quando das artes bélicas, diante

                 Dele, com larga voz tratava e mentia.

                 Para a disciplina militar ali prestante:

                 "-não se aprende, senhores, na fantasia,

                 sonhando, imaginando ou estudando,

                 senão vendo, cupinchando e armando"...

 

Mas eis que fala falso, mas alto e rude,

da boca dos pequenos sabia,  contudo,

que o louvor sai às vezes acabado.

"Tem-me falta na vida honesto estudo,

com longa malandragem misturado,

E engenho, que aqui vereis presente,

cousas que juntas se acham raramente".

Ilustrações de: Costa Araújo Araújo

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:50
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Terça-feira, 25 de Março de 2014
XICULULU . XLVIII

OS LULASÍADAS - mensalão . Paródia de "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões

  4ª de 6 partes

As escolhas de

  T´Chingange

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

O Autor:  Lúcio Wandeck

Que me perdoe o poeta que tudo viu, se vos parodio inspirando-me naquele que nada sabe, nada escuta, nada lê e nada vê!

 

do serviço que as damas ali prestavam

para tão seleta companhia,

e onde fortunas repartiam...

Não perguntava, mas sabia

As alegres badaladas que ali via.

É um suceder de ventos malcheirosos.

Denuncia a imprensa dos maldosos

 

            que o divino comandava um corpore ativo

            não explicando à roda solta a gastança

            com uns cartões em prol da segurança

            da coroa e do ceptro lu-falante...

            São rubis, esmeraldas, diamantes,

            em luzentes assentos bem cuidados,

            estofados à conta do erário.

 

Outros serviçais todos assentados

na Ordem e no Progresso concertavam

desculpas para os tucanos que acusavam

fazendo coro com os democratas que gritavam.

(Precedem os antigos, mais honrados,

Mais abaixo os menores se assentavam);

Quando o divino alto, assim dizendo,

com tom de voz começa grave e horrendo:

Ilustrações: Costa Araújo Araújo

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:01
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Sábado, 22 de Março de 2014
BRASIL EM 3 PENADAS . LIII

BRASIL . O QUE REALMENTE ACONTECEU E ESTÁ ACONTECENDO . 3ª de V partes

As escolhas de

 IRENO SCHULZ

Por

 Marcos Antônio Pinto de Faria Bacharel em Ciências Contáveis, Administrador de Empresas, Auditor, Presidente e Fundador do Grupo SKILL composto por empresas actuantes no mercado há 34 anos, oferecendo serviços de Consultoria Tributária, Contabilidade e Tecnologia da Informação. Integrante do IBRACON -  Instituto dos Auditores Independentes do Brasil. 

Em Janeiro 2008 tinha acções da Petrobras - PTR4, cujo valor era: 3 jan 2008 - 85,60  / 17 jan 2008 - 70,85 / 21 jul 2008 - 38,80HOJE ELA VALE -  16,95Porque será? - 5 prosas sobre a Petrobras.

O QUE REALMENTE ACONTECEU -Nas vésperas de eleições o nosso nordestino presidente lançou a construção de duas Refinarias Premiuns. Onde? Uma no Maranhão e outra no Ceará. E como estão? Projectos suspensos. Por que? Agora constatou-se que não há certeza da rentabilidade na operação dessas refinarias. Vendo tudo isso, me rebelo: Deus foi injusto em levar só o Chávez.

pre-sal+2.jpg

Prosa 4: - Lembra-se da cena daqueles 4 dedinhos sujos de petróleo? O nosso ex-presidente em cima de uma plataforma sujando a mão de óleo (acho que foi a única vez na vida) para convencer os trabalhadores a retirar o dinheiro do FGTS e investirem na Petrobras? Eu lembro! E o que aconteceu? Os trabalhadores perderam 50% do património que retiraram do FGTS. Mas, porque aconteceu isto? O Mercado Financeiro, que não é controlado ou subornado por ninguém, começou a perceber que empresa é de fato a Petrobras e sua avaliação não para de cair. O Mercado, e os investidores, perceberam que a empresa está sendo manipulada com intuitos puramente políticos, ou como “cabides de empregos” ou ainda, para mascarar a inflação, não reajustando seus preços a parâmetros internacionais.

Nenhuma petroleira estrangeira se arriscou quando o grau de incerteza ...

Pior ainda! A Petrobras ajuda o país vizinho, a Argentina, a aprimorar essa prática de mascarar a inflação. Como assim? Simples! Na Argentina a gasolina é vendida nos postos a aproximadamente o equivalente a R$ 0,98 o litro (aqui você sabe que pagamos em média R$ 2,80). Como consegue isso? A Petrobras exportou, durante anos, para a Argentina gasolina a R$ 0,65. Detalhe: exporta gasolina limpa, sem misturas com álcool ou outros aditivos. É por essas, e outras, que a Petrobras é uma amostra do que acontece na administração total do nosso país, inclusive levando o Brasil a registar um déficit na balança comercial, no primeiro trimestre de 2013, de US$ 5,1 bilhão, algo que não acontecia há 12 anos. Este ano a Petrobras completará 60 anos. Teve como seu slogan mais forte: O Petróleo é Nosso. A pergunta actual é: e o dinheiro vai para quem?

(Continua...)

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:28
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Terça-feira, 18 de Março de 2014
BRASIL EM 3 PENADAS . LII

BRASIL . O QUE REALMENTE ACONTECEU E ESTÁ ACONTECENDO . 2ª de V partes

As escolhas de

 IRENO SCHULZ

Por

 Marcos Antônio Pinto de FariaBacharel em Ciências Contáveis, Administrador de Empresas, Auditor, Presidente e Fundador do Grupo SKILL composto por empresas actuantes no mercado há 34 anos, oferecendo serviços de Consultoria Tributária, Contabilidade e Tecnologia da Informação. Integrante do IBRACON -  Instituto dos Auditores Independentes do Brasil. 

Em Janeiro 2008 tinha acções da Petrobras - PTR4, cujo valor era: 3 jan 2008 - 85,60  / 17 jan 2008 - 70,85 / 21 jul 2008 - 38,80. HOJE ELA VALE -  16,95 . Porque será? 5 prosas sobre a Petrobras - Uma visão Contábil-Econômica sobre  seu futuro Publicado em Opinião

O QUE REALMENTE ACONTECEU

pre-sal

Em geologiacamada pré-sal refere-se a um tipo de rochas sob a crosta terrestre formadas exclusivamente de sal petrificado, depositado  sob  outras  lâminas  menos  densas  no  fundo  dos  oceanos  e  que  formam  a  crosta oceânica. Segundo os estudiosos no assunto, esse tipo de rocha mantém aprisionado o petróleo recentemente descoberto, pelos brasileiros.

Prosa 3: - Lembra-se que o PT, para ganhar as eleições, disse o tempo ser contrário às privatizações? E que exemplo de gestão pública é o caso da Petrobras? Eu lembro! E qual é a verdade. A resposta já seria fácil só pela simples leitura do acima. Mas deixem-me prosear mais um causo. Em 2006 uma empresa belga comprou uma falida refinaria no Texas por US$ 42 milhões. Poucos meses depois essa empresa vendeu essa refinaria por US$ 1,2 bilhôes. Adivinhe quem foi o felizardo comprador? Isso mesmo, a nossa Petrobras.

... Extrativismo mineral no Brasil e as incertezas do Pré – Sal Passado pouco tempo, acredite, a Petrobras verificou que tinha feito um mal negócio e resolveu vender tal refinaria. Mandou avaliar. Foi avaliada por menos de US$ 100 milhões. Colocou a venda. O Tribunal de Contas da União resolveu investigar essas estranhas negociações que gerariam um prejuízo de mais de US$ 1 bilhão. A Petrobras suspendeu imediatamente a venda. Só no balanço do ano passado consta mais de R$ 450 milhões de despesas com essa estupenda refinaria. Mas isso são negócios no exterior. Como são os negócios da Petrobras no Brasil? São rentáveis? Mais ou menos.

Democracia & Política: O PRÉ-SAL SEM MILAGRES, por Sérgio Gabrielli O antecessor da Dilma (ex-presidente do conselho da Petrobras, sim ela era  presidente do conselho da Petrobras), aquele aposentado por invalidez (lembra, aquele que não tinha um dedo), selou um acordo com outro ex-presidente, grande estadista, o Chávez (infelizmente esse já morreu), para construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, terra natal do vivente. Os dois calcularam, na ponta do lápis, o desembolso da Petrobras nessa Parceria: R$ 5 bilhões. Qual a realidade atual? O último relatório da Petrobras aponta um custo até hoje de R$ 35 bilhões.

(Continua...)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:06
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Sexta-feira, 14 de Março de 2014
BRASIL EM 3 PENADAS . LI

BRASIL . PetrobrasO QUE REALMENTE ACONTECEU E, ESTÁ ACONTECENDO . 1ª de V partes

As escolhas de

 IRENO SCHULZ

 Marcos Antônio Pinto de Faria Bacharel em Ciências Contáveis, Administrador de Empresas, Auditor, Presidente e Fundador do Grupo SKILL composto por empresas actuantes no mercado há 34 anos, oferecendo serviços de Consultoria Tributária, Contabilidade e Tecnologia da Informação. Integrante do IBRACON -  Instituto dos

Auditores Independentes do Brasil. 

Em Janeiro 2008 tinha acções da Petrobras - PTR4, cujo valor era: 3 jan 2008 - 85,60  / 17 jan 2008 - 70,85 / 21 jul 2008 - 38,80. HOJE ELA VALE -  16,95 . Porque será? - 5 prosas sobre a Petrobras - Uma visão Econômica sobre  seu futuro publicado em Opinião

O QUE REALMENTE ACONTECEU

Pré Sal Em geologiacamada pré-sal refere-se a um tipo de rochas sob a crosta terrestre formadas exclusivamente de sal petrificado, depositado  sob  outras  lâminas  menos  densas  no  fundo  dos  oceanos  e  que  formam  a  crosta oceânica. Segundo os estudiosos no assunto, esse tipo de rocha mantém aprisionado o petróleo recentemente descoberto, pelos brasileiros.

Prosa 1: - Lembra-se, há sete anos atrás, nosso então presidente afirmando que, pela primeira vez na historia desse país, o Brasil alcançou a auto-suficiência na produção de petróleo? Eu lembro! E qual é a verdade passados 7 anos? A verdade é que a Petrobras tem produzido cada vez menos, mesmo encontrando cada vez mais jazidas. Só em 2012 o Brasil importou R$ 15 bilhões em derivados de petróleo. Nesses mesmos 7 anos a balança comercial do petróleo e derivados apresentou um déficit superior a R$ 57 bilhões. Para se ter uma ideia, esse número é maior do que os R$ 50 bilhões que o governo pretende investir esse ano em Infra-estrutura. Em 2012 a produção da Petrobras caiu 2%. Começamos 2013 pior ainda: A produção de Janeiro caiu 3,3% e Fevereiro recuou 2,25%. A Petrobras está “crescendo” que nem rabo-de-cavalo: para baixo

abrangendo desde o espirito santo ate santa catarina pode colocar o ...

Prosa 2: - Lembra-se que a primeira coisa que o presidente Lula fez (depois de ter tomado um Romanée Conti) foi cancelar as compras das plataformas para a Petrobras que o antigo presidente tinha feito, pois era um absurdo comprar coisas do estrangeiro sendo que nossa indústria naval esta sendo sucateada? Eu lembro! E qual a verdade passados 10 anos? A verdade é terrível e passa pelo que esse governo aprendeu a fazer (não sei como): Maquilhagem de balanço. Esse governo actual levou a Petrobras ao limite máximo, e perigoso, de endividamento, ou seja quase 3 vezes a sua geração de resultados.

Petrobras só terá 30% no pré-sal, diz ministro Assim, decidiram não mais endividá-la, contabilisticamente, e como cada plataforma custa R$ 3 bilhões cancelaram as compras nacionais, levando o SINAVAL – Sindicado Naval – a denunciar a perda constante de postos de trabalhos. E como estão fazendo? Simples! Em vez de comprar, alugam! Assim, a contabilização é em despesa e não em passivo a pagar. Mas quanto fica esse aluguer? Mais barato que comprar? Em 2011 a Petrobras gastou R$ 4 bilhões em locação. Em 2012, R$ 6 bilhões. Mas pelo menos contratou-se empresas brasileiras?! Todas as locações de plataformas são de empresas estrangeiras. Na realidade não sei se isso é maquilhagem do balanço ou maquilhagem do destino final dado ao dinheiro.

(Continua...)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:27
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Quinta-feira, 13 de Março de 2014
XICULULU . XLVII

OS LULASÍADAS - Paródia de "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões3ª de 6 partes

As escolhas de

  T´Chingange

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

O Autor:  Lúcio Wandeck

Que me perdoe o poeta que tudo viu, se vos parodio inspirando-me naquele que nada sabe, nada escuta, nada lê e nada vê!

 

Sabe bem o que o Dirceu arquitetou,

E de tudo o que viu com olho atento,

Negou e negando assim ficou,

Até mesmo quando outro companheiro

Num hotel foi pego com dinheiro.

São uns aloprados, explicou.

Mas, com risonho e ledo fingimento,

Tratá-los duramente determina,

Pois assim engana o povo, imagina.

Revista Veja: José Dirceu, o poderoso chefão José Dirceu diz que nunca comprou deputados: “Alugar sai mais ...

                        Mas não lhe sucedeu como cuidava.

                        Eis que aparecem logo em companhia

                        Uns comparsas que frequentavam aquela

                        mansão, que de bordel em nada parecia.

                        Corrupto já lhe chamam os inimigos,

                        Danoso e mau ao fraco corpo humano

                        E, além disso, nenhum contentamento,

                        Que sequer da esperança fosse engano.

irmaos-metralha.jpg

Mas enxerga-se, num e noutro bando,

Partido desigual e dissonante

São muitos contra muitos; quando a gente

Começa a alvoroçar-se totalmente

«Viram todos o rosto aonde havia

a causa principal do reboliço:

entra em cena um caseiro,

que trazia o testemunho sincero

 O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:35
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Quinta-feira, 6 de Março de 2014
XICULULU . XLVI

OS LULASÍADAS - Paródia de "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões2ª de 3 partes

As escolhas de

  T´Chingange

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

O Autor:  Lúcio Wandeck

Que me perdoe o poeta que tudo viu, se vos parodio inspirando-me naquele que nada sabe, nada escuta, nada lê e nada vê!

 

Deste ócio parlamentar sem mais temores,

Alcança os que são de fama, amigos

Trezentos picaretas e graus maiores;

Encostando-se sempre nos antigos

Companheiros de cachaça e assessores;

Foram anos dourados, entre os finos

Lençóis de fio egípcio, puros linhos;

Se esta gente que busca Ministério.

Cuja valia e obras tanto acusaste,

Não queres que padeçam vitupério,

Como há já tanto tempo que ordenaste,

E ouças mais, pois não és juiz direito,

Dar razões a quem sucede que é suspeito.

Passando ao largo o vento acalma

Mas não duraria muito a calmaria

Eis que um falso amigo denuncia

 

Que um senhor falto de cabelos

Traz malas cheias de alegria

Mês a mês, com acertada pontaria,

Pontualidade de antemão agradecida

Pelos súbditos que dançavam a quadrilha.

Entre gentes tão fiéis e tão medrosas,

Mostra quanto pode; e com razão,

É tão fácil entre ovelhas ser leão.

(Segue...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:26
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Domingo, 2 de Março de 2014
XICULULU . XLV

OS LULASÍADAS - Paródia de "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões . 1ª de 3 partes

As escolhas de

  T´Chingange

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

O Autor:  Lúcio Wandeck

Que me perdoe o poeta que tudo viu, se vos parodio inspirando-me naquele que nada sabe, nada escuta, nada lê e nada vê!

Os votos e os ladrões assinalados

The Flight of the dragonfly in Front of the Sun

Que do nordeste agreste lulistano

Por artifícios nunca d'antes perpetrados

Passaram inda além das maracutaias,

Sem perigos e guerras esforçados

De quem vive na política gandaia

E da gente humilde afanaram

A grana com que tanto enricaram;

Joan Miró Painting of Rooster 

E também as memórias ingloriosas

Daqueles sem terra que foram se apossando

Com engodo e fraude das terras produtivas 

Que do norte ao sul andaram invadindo,

E aqueles que por obras viciosas

Se vão da lei sempre se lixando,

Cantando espalharei por toda parte,

Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

 

Cassem do vernáculo e da gramática

Os erros nos discursos que fizeram;

Cale-se de Machado e de Queirós

Os textos sublimes que escreveram;

Que eu canto o peito ilustre Lulistano,

A quem as Martas e Matildes obedeceram.

Cesse tudo o que o PT antigo canta,

Que outro PT apequenado se alevanta.

(Segue...)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:23
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014
MOKANDA DO SOBA . XLIX

CARIRI . JUAZEIRO DO NORTEPor terras de Lampião - VI

Por

    T´Chingange

Com suspiros de desejos insatisfeitos, compadeci-me, escutando a boa fé dos humildes, suas singulares estórias e, regressando de Juazeiro do Norte no Ceará cruzando o sertão do Cariri, cantamos aqui e mais além desses 520 quilómetros até Bom Concelho a bonita canção que nos zumbia ao ouvido a todo instante:

 

 

A vida aqui só é ruim

Quando não chove no chão

Mas se chover tem de tudo

De tudo tem de porção  

 

Tomara que chova logo

Tomara meu Deus tomara

Só deixo o meu Cariri

No último pau-de-arara

 

Enquanto a minha vaquinha

Tiver a pele e o osso

E puder com o chocalho

Pendurado no pescoço

 

Vou ficando por aqui

E, que Deus do céu me valha

Só deixo o meu Cariri

No último pau-de-arara

 

 Compadecidos dos amigos romeiros, escutávamos-lhe as boas fés, ingénuas de comovida sinceridade das simples estórias carregadas de ensinamentos misteriosos. Entre largas vistas e buracos desavisados na via, passamos a cidade de Salgueiro e após quilómetros de muita garoba, sabiá e um ou outro juazeiro, a Serra Talhada estava aí.  Quantas recordações não teria o cangaceiro Lampião desta sua terra natal quando percorria todo o Nordeste com a desculpa de vingar seu pai, espalhando a arte do cangaço; entre aquelas carnaubeiras solitárias, os pindovais ermos e silenciosos e aqueles trémulos horizontes sem verdura. Aquela mesma árida paisagem que divisávamos nas altas lombas da estrada.

 Até Arco Verde, podemos no galgar dos espaços, ver nas bermas muitas carcaças de burros, bois, raposas e até rolos de pedaços de indefinidos bichos mal cheirosos. No meio do quase nada surgia como num oásis um e outro motel com coloridos corações e nomes sugestivos de cê-que-sabe, bora-bora ou kátekero, locais acolhedores cheios de segredos conjugais e manhas múltiplas de fracos maridos; namorados traindo-se em fartos desejos semeando chifres no cú-de-judas; em verdade, casas de tiro aonde se matam desesperos, angústias, relações mal curtidas, remendos de amores imperfeitos ou descarga de consciência em troca de três vinténs. Mesmo num deserto a vida não pode parar.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:51
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Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2014
BRASIL EM 3 PENADAS . L

BRASIL . Festas e pretextos…

As escolhas de Kimbolagoa - por T´Chingange        

O Brasil é alegre até o tutano; qualquer acontecimento de comemoração dá motivo a festa. A folia do carnaval tem início um mês antes da data do entrudo com os prefeitos das muitas cidades subsidiando o entusiasmo do povo, investindo milhares de reais em pompas de mostrar candidatos políticos ao povo. Inventam “ o ovo da madrugada” o “pinto da madrugada” o “galeto da madrugada” o “galo da madrugada” para poderem curtir mais cedo as festividades dedicadas ao velho deus dos Gregos, Saturno.  A palavra "Carnaval" está relacionada com o deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão "carnis valles", que, acabou por formar a palavra "Carnaval", sendo que "carnis" em latim significa carne e "valles" significa prazeres. A darem largas ao entusiasmo, surge de todos os lados um aluvião de foliões formadas com velhos, moços, mulatinhos e negrinhas acompanhando caixas de som com movimentos lentos e ritmados de grandes e altos cabeçudos coloridos com grandes saias.

 O largo fica que nem um ovo encharcado de gente que ri, discute, namora, ralha ou zanga-se com rega de sucos, cerveja ou água de coco. Moleques e tios mais velhos acorrem trazendo nas cabeças, imensas pilhas de cadeiras equilibradas, formando com elas grandes rodas ou dispostas ao longo do passeio da praça ou rua; aí ficam assentadas as famílias como um bloco apetrechado de caixas de isopor com sucos, cerveja, gelo ou água, potes com pastéis, cuscuz, biscoitos ou coxinhas de galinha. Todo este movimento de zoada de gente, com o som desordenado da pancadaria de bandas de música, pandeiretas, reco-reco, puíta, apitos mais os gritos de leiloeiros, do vendedor de picolé avulso e dos muitos camelós remexendo na inqualificável algazarra do povão.

 Soltam-se balões de papel fino, alegrando periguetes de saia curta de chita com seus namorados buscando farfalho, vendendo ou comprando roletes ou caldo de cana, cerveja, garapa, doces ou pasteis com chupa de laranjas no meio do estalejar de bombas. Deslumbrante de luzes a imagem de Nossa Senhora dos Remédios faz sumir no céu uns raios de luz intermitente que se some no céu. Das barracas, saem tabuleiros de doce, trouxas de doce seco, corações de cocada, barcaças com camarão cozido, saladas e frascos de compota de caju, mangaba, sapoti, murici e goiabada. Desta apoteose, após o cair da noite o povo concentra-se numa contemplação mística bulindo o balanço do frevo, chanxado, tarrachinha ou samba e, após uma chuvada de luzes multicolores, termina a festa! É o carnaval de rua com gente que pragueja assanhada e exaltada aos trambolhões.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:13
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Domingo, 16 de Fevereiro de 2014
MOKANDA DO SOBA . XLVIII

CARIRI . JUAZEIRO DO NORTEPor terras de Lampião - V

Por

   T´Chingange

Passando por Serra Talhada do Cariri pude imaginar Virgolino Ferreira, vulgo Lampião encostado ao pau de sabiá, pilar de suporte à modesta palhota coberta a capim e feita em taipa, barros chapados a mostrar parte do ripado. Ligeiramente curvado e de cabeça inclinada, a figura do Padre Cícero apoiado em seu cajado, parecia recriminar com suaves palavras o modo desabrido de seu afilhado fazer do cangaço um modo de vida. De calças zuarte compridas e presas com atilho de couro entre os artelhos e joelhos, de olho esguelho rebrilhava sombras em seus óculos redondos. Os gestos, eram desconfiados para não trair hábitos de cabra matador; mastigava respostas inarticuladas a Padre Cícero com um sorriso de aflito.

 Meu filho, dizia o paim Ciço, se tens um pingo de amor, reza o terço ao levantar de cada dia, penitenciando-te de tantos desvios aos mandamentos da lei de Deus, acrescentando em remate final. – Se tens a alma como tens teu corpo seco, podes dá-la ao diabo! Mas, paim Ciço, eu só me defendo desses macacos que cortam cabeças por prazer, só por matar, nós tamos só olhando pela vida, acrescentou. Lampião referia-se aos volantes e militares das forças regulares que eram enviadas em sua caça e sem contemplações, faziam o mesmo ou pior com todos que não dessem informações sobre ele; ninguém se sentia seguro a dar qualquer informação com medo de retaliações.

 Enquanto isto, despendurou seu facão preso nas travessinhas de papardúba, acomodou o chapéu de espelhos e estrelas e sentiu a firmeza das fitas que suportavam seus alforges de viveres e munições envolvendo em cruz o pescoço; Pigarreou algo fungando sem clarificar uma resposta. -Tá ficando tarde, mi vou, sua bênção paim Ciço e, respeitosamente solicitou a mão daquele homem de vestes negras que após o beija-mão ali ficou muito cheio de resignação e humildade vendo seu afilhado afastar-se para o lugar das grotas; era ali que seus companheiros cabras do cangaço, de atalaia, o esperavam. A partir desse dia, ao romper do dia rezavam no mínimo um pai-nosso e uma ave-maria solicitando à virgem das Dores boa sorte no seu trabalho de tocaiar gente de posse. O homem do clarim tocou a saída e, vestidos de couro e coragem lá se foram Cariri afora na direcção de Mossoró.

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:37
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014
MOKANDA DO SOBA . XLVI

CARIRI . JUAZEIRO DO NORTEOs Ranchos do Padre Cícero - IV

Por

    T´Chingange    

Juntando periclitâncias de ricos e manhas de fracos em romeira confraternização, os mistérios da mente no mundo espiritual, compadecem-se debuxados no fundo de seus sonhos ou suas crenças de ingénua comoção; as desventuras confrangedoras dos humildes, misturam-se com lamechas de gente ruim que fingem nas queridinhas palavras, amores perversos. O personagem do padre Cícero, está tão ligada à história do Juazeiro que dar a conhecer a sua passagem por ali, nos cerca de noventa anos de sua vivência, quase nada fica dissociado dele entre o período de entre 1872 e 1934. Para se ter uma noção exacta das secas do Cariri, terei também de me reportar aos anos de 1914 e 1915.

No ano de 1914, rebenta em Juazeiro uma revolução emancipalista colocando em guerra romeiros marretas contra tropas legalistas enviadas de Fortaleza, capital do Ceará, gente volante com militares de zuarte azul a quem os romeiros chamam de macacos. Nesta contenda as forças marretas, bem entrincheiradas derrotaram os mais de mil macacos e, em assembleia elegem Dr. Floro Bartolomeu, o chefe rebelde dos romeiros, como Presidente do estado de Ceará; padre Cícero Romão era a segunda figura deste governo como Vice-presidente. Esta pequena guerra que envolveu quase todo o povo de Juazeiro, impediu que fosse feito o amanho das terras e, alguns deram-se à revelia com armas que virando bandoleiros debilitaram a já frágil ordem pública. 

 Lampião - Nascido no Cariri - Serra Talhada

À desordem produzida por bandos armados juntou-se a seca que se prolongou até finais do ano de 1915. Muitos tiveram que imigrar, outros ficaram enfrentando a macambira, a mucunã e o miolo da macaúba; a massa que se reserva debaixo da primeira casca do coco monondongo, era retirada para fazer a espécie e comer com leite do mesmo coco. Muita gente morreu de fome pelas calçadas; comiam gato, cachorro, rato, cassacos e outros bichos rastejantes. Convêm lembrar que a chapada do Araripe, foi o verdadeiro celeiro dos romeiros que ali faziam suas lavras, plantações de macaxeira; foram eles, a mandado do padre Cícero, os sem terra, romeiros de então, que desbravaram e cultivaram aquela serra tão rodeada de secura. Naquela seca de 1915, ali morreram de fome cerca de mil cearenses e, mais de quarenta mil tiveram de procurar outras terras para sobreviver. “ Ó que caminho tão longo, cheio de pedras e areia! Valeu-me meu paim Ciço e a Mãe de Deus das Candeias”.

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:05
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Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2014
MOKANDA DO SOBA . XLV

CARIRI . JUAZEIRO DO NORTE Terra do Padre Cícero - II

Por

    T´Chingange

O padre Cícero retornou de Roma a Juazeiro tendo a decisão do Vaticano sido revista dando continuidade à excomunhão, porém, décadas depois, o bispo Dom Fernando Panico sugere que a excomunhão não chegou a ser aplicada de facto (há aqui um mal explicado mistério de sacristia). Em 1973, o Padre Cícero Romão, foi canonizado pela Igreja Católica Apostólica Brasileira. Actualmente, Dom Fernando conduz o processo de reabilitação do padre Cícero junto ao Vaticano. Entre os dias 29 de Janeiro e 2 de Fevereiro deste ano, um milhão de pessoas acolheu-se em pousadas, casas particulares ou ranchos de acolhimento ao redor das Igrejas Matriz Nª Sª das Dores e da capela do Socorro.

 Debaixo do calor intenso superior a 32 graus, as pessoas amontoam-se em pequenos espaços dormindo uma grande parte, em redes suspensas ao longo de varandas, corredores e sacadas. Vêem-se sacolas por tudo quanto é canto e, as mulheres mais velhas levam seu tempo à frente de fogões colectivos à volta de panelas e fazendo café, todos ao molhe e fé em Deus, como quem diz, paim Ciço. Durante os cinco dias de programação, os romeiros, distribuem-se entre as igrejas Matriz, Socorro, Salesianos e Franciscanos carregando sacolas de compras diversificadas tais como panelas novas ou usadas, cêdes de forró, rosários, santos fosforescentes e pomadas de sucuri que curam todos os males e maleitas.

 Na ida ao alto do horto aonde se situa a estátua alta e branca da figura do Padre, minha mulher, seguindo a tradição e crença do povo, deu duas voltas ao grande cajado (talvez 10 metros)eito de concreto e, tendo feito isto com os óculos de ver pendurados na barriga, dali trouxe a maior recordação; mais tarde ficando na dúvida de onde poderiam ter sido feitos aqueles muitos riscos na lente e dando voltas ao pensamento fui eu que descobri ter sido ali, entre o cajado e a batina do prior, o acontecido; ele-há-coisas, um milagre. Há males que vêm por bem, foi ao médico renovar as dioptrias e trouxe de lá mais um par de cataratas. Tudo tem uma explicação!

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:19
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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2014
MOKANDA DO SOBA . XLIV

CARIRI . JUAZEIRO DO NORTETerras do Padre Cícero - I

Por

    T´Chingange

Em romaria a terra do Juazeiro aonde padre Cícero exerceu sacerdócio na segunda metade do século XIX, soube do quanto ele foi figura polémica acabando por ser excomungado pelo Senhor Bispo de Fortaleza Dom Joaquim José Vieira no ano de 1892. Nem mesmo depois de ter sido absolvido pelo Papa Leão XIII em 1898, o Bispo Joaquim Vieira, permitiu que ele celebrasse missa em Juazeiro. Proprietário de terras, de gado e de diversos imóveis, Cícero fazia parte da sociedade e política conservadora do Sertão do Cariri. Tendo sempre a seu lado o Doutor Floro Bartolomeu como braço direito, integravam por assim dizer, o sistema político Cearense sob o controlo da família Accioli por mais de duas décadas.

 De todo o Nordeste e em momentos de romaria, surge gente aos milhares a prestar rogo ao seu padrinho. Foi a partir dos atribulados milagres à beata Maria de Araújo no ano de 1889, que a vida de sacerdócio do Padre Cícero começou a ficar atribulada. Durante uma missa por si celebrada, a hóstia ministrada à religiosa  transformou-se em sangue em sua boca. Segundo relatos, tal fenómeno repetiu-se por diversas vezes e durante cerca de dois anos. Rápidamente se espalhou a notícia de que acontecera um milagre em Juazeiro. Padre Cícero tinha sido ordenado padre a 30 de Novembro de 1870. Após sua ordenação e, enquanto o bispo não lhe dava paróquia para administrar, ficou no pequeno povoado do Crato a ensinar latim no Colégio Padre Ibiapina.

 Aqueles milagres da hóstia ensanguentada não foram bem aceites por seu superiores em Fortaleza pelo que foi criada uma comissão de médicos para assistir ao facto e dar seu parecer, A 13 de Outubro de 1891, essa comissão encerrou as pesquisas chegando à conclusão de que não havia explicação natural para os factos ocorridos, pelo que só poderia ser mesmo um milagre. Insatisfeito com o parecer da comissão, o bispo Joaquim Vieira, nomeou uma nova comissão para investigar o caso tendo como presidente o padre Alexandrino de Alencar e como secretário o padre Manoel Cândido. Esta segunda comissão concluiu não haver milagre em tal ministério, mas sim um embuste; aquele ministério tratava-se de uma arte chamada simplesmente de mistério e assim ficou até os dias de hoje, sem a aceitação do veredicto popular. Mesmo ao lado da Igreja de Nossa Senhora das Dores, em um rancho do padre Cícero, um mukifo a preço d´oiro, num quente, grosseiro e humilde zunzum, por ali andei verificando o quanto a crença dum povo tem sua força.

(Continua…)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:05
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Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2014
MALAMBAS . XX

DO NORDESTE BRASILEIROFalando de amores…

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba.jpg T´Chingange

Estou em uma terra em que tudo cresce e frutifica rápido; Como dizia Pêro Vaz de Caminha, a terra aqui é tão pródiga que tudo o que nela se plante, de tudo dá. Caminha, foi o primeiro a descrever o que observou nas viagens de Pedro Álvares Cabral. Há uns dias atrás fiquei a saber que a filha dum sertanejo, um amigo trabalhador rural, com apenas treze anos de idade, fugiu de casa com a ajuda dum maluqueiro que por ela, e de forma espontânea se enamorou. O amor surgiu instantaneamente com apetite voraz dum descontrolado cio. Aqui as meninas do campo, passam a mulheres sem experimentar serem donzelas e recolher na escola os básicos ensinamentos para uma boa relação social. Uma grande parte das crianças-meninas, ficam mães antes de saber o mínimo sobre a sua condição feminina.

 Muito novas, as catraias já sentem as transformações operadas em seus corpos e espírito e, sonham cedo com um marido, o homem de sua casa, dono de seu corpo, o marido a quem podem amar (fazer sexo) abertamente e obedecer em segredo de quase escrava. Também aqui, Caminha, se referia a esta pujante vitalidade entre pessoas. Estou no meio de uma viagem de romeiro até Juazeiro do Norte, aonde Padre Cícero milagrou gesta de santo, acolhendo e protegendo o povo humilde do seu Nordeste tão fustigado pelas secas prolongadas e cíclicas do Sertão e Agreste. Levo um conjunto de velas que a irmã daquela menina me deu para depor no altar do padre Cícero, na convicção de dar luz ao futuro de sua mana.

 Com 32 graus à sombra, os cães irascíveis esgravatam a terra húmida mordendo o ar quente, catando moscas; Em ambiente de zunzum de festa, quente e grosseiro até os vadios e desempregados aparentam diligência em prontidão. Em este panorama e enquanto rebolo preguiça morrinhenta em um mukifo de romeiros, dão-me a notícia de que um homem ainda novo, algures numa cidade chamada de Arapiraca e no Estado de Alagoas, está a contas com a justiça porque perdido de ciúmes e sentindo-se traído, matou sua amante retirando-lhe o coração, comendo-o em seguida. Não posso dar mais pormenores nem referir que tipo de estrugido usou mas, uma coisa é certa, este foi mesmo um grande amor!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:24
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Sábado, 25 de Janeiro de 2014
XICULULU . XLIII

DOIS DEDOS DE PALESTRA . Tempos de pagode . IV

  T´Chingange

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Ainda o meu avô era bem apessoado quando o que ganhava como caixeiro gastava no pagode com Mariquinhas e outras desclassificadas. Neste meu sono hipnótico crepuscular, os acontecimentos encavalitavam-se aleatoriamente dentro e fora do tempo entre muitos forrobodós de intensa refega nos fins-de-semana, ora em recintos fechados ou pátios abertos aonde se soltavam foguetes ou se queimavam bombas ao romper da alvorada. Aos poucos, António Louro Loureiro, foi substituindo os tamancos da beira alta por chinelos de matuto do agreste, abertos, ventilados quanto baste para poder deslizar nos encerados dos salões da surumbanda, samba e capoeiragem com patuscada.

CD Índio Cachoeira e e Cuitelinho - Convite de Violeiro Como violeiro, ganhou a alcunha de Louro Galego e era ver as morenas disputando-o ameigando-lhe os cabelos, com as macias polpas de suas mãos quentes, devorando-o, borbotando fagulhas e corações pelos olhos. Se pudesse ver a minha expressão como kianda hipnotizada, decerto que me veria envolto numa enternecida mágoa com profunda expressão na fisionomia. Já estou neste estado de suspensão faz tempo, mas ainda não apurei todos os fungos de surumbanda para os engomar a ferro quente esterilizando sua alma, esse lado desordeiro dele, da calaçaria.

 Já muito farto de apreciar as muitas noitadas de violão e dança ao relento solicitei à alma do meu avô António um encontro e, no contacto diluído falou-me de um negro desgosto que o foi comendo por dentro com tubérculos tísicos tirando-lhe a vontade para tudo que não fosse chorar; com uma respeitável preocupação de bons desejos divertimo-nos jogando à bisca e, até bebemos cerveja holandesa e, foi a respeito de projectos de felicidade que ele me disse: - Meu neto Tonito, naquele tempo sazonei-me pela fruta que me provocava insistentemente o apetite de a morder; eram demasiadas carnudas para desprezar. Ao dizer isto, as rugas de sua alma suaram gotas salgadas de ressentida alegria.

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:41
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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014
CAFUFUTILA . L

"BAFÓMETRO" Na Paz do Senhor

Por

   T´Chingange

Nota: Este artigo foi publicado ontem em primazia de Rua Direita de Viseu

Entorpecido pelo muito calor balouço de rede na ventilada varanda da minha casa, minha cubata; de tronco e pernas ao léu, de vontade totalmente arregaçada ao fresco vento do Nascente. Posso daqui, ouvir as falas do mundo via TV, as desgraçadas noticias que como cascata de água caem no saco-roto, crivo de malha larga com resmungos ou fingimentos dos personagens que representam a lei compondo os tramas a jeito, de como se houvera de dizer. Aqui está tudo controlado e na paz do Senhor, dizem! Comprometendo-o como se Ele, o Senhor, não tivesse mais coisas a fazer. Pendendo quase sempre para o grotesco insuflado, abordam pessoas coléricas, perversas e de engravidado interesse.

Neste viveiro de coisa ruim, e afins, surgem oportunistas que fofocam bisbilhotice sufocando a realidade com atitudes satíricas, colocando mesmo as almas na rua da amargura e, não só. De todas as notícias, saliento a de um condutor que ébrio de embriagado, de rebentar a escala do bafómetro, andou seis quilómetros com um homem espetado no pára-brisas de seu carro; ao longo deste percurso e, sempre em movimento, tentou tirá-lo borda fora do veículo como um inteiro pedaço de morto mas não conseguiu.

 Como em um romance e longe dos devaneios próprios de românticos, que sempre prevalecem o amor no final, aqui, a vida real parece ter no mal, o triunfo sobre o bem; de regras invertidas os infractores sempre encontram escapadelas na contra-lei porque, a maior parte dos crimes ficam impunes, contemplando os prevaricadores com o habeas corpus e um sem-fim de manigâncias. No final do trama, estes calhordas, ficam uns autênticos heróis; coisas do cangaço. Curioso é a de que no enredo do quotidiano, surge gente extremamente religiosa achando que o facto de alguém não ser branco, já é um crime; outro, muitos, naturalmente e sem nenhum ataque de histeria, cruelmente e sem chibata ou queimadura de ferro em brasa a pressionar, aponta friamente uma arma e, disparam; um gozo de gatilho incompreendido por quem se sente com um pingo de bom senso. Apetece por vezes voltar ao passado para reconstruir a história de tanta gente hedionda e cruel, tornando-as boas e caritativas.

Cafufutila, kafufutila, kifufutila: Farinha de mandioca (bombô) com açúcar; falando de boca cheia lança falrripos (perdigotos) ao interlocutor.

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:24
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Sábado, 18 de Janeiro de 2014
BRASIL EM 3 PENADAS . XLIX

BRASIL - RANI . Registro Administrativo de Nascimento Indígena

As escolhas de

 Kimbo Lagoa  

Por       

 Daniel Augusto Resende Camargos - Enviado Especial nasceu em Belo Horizonte (MG), em 12 de Janeiro de 1982. Estudou Comunicação Social com ênfase em Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG).

FUNAI levou milhares de índios paraguaios para tirar CPF brasileiro, para depois solicitar título de eleitor e defraudar as eleições e, assim, obter benefícios do governo.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-ec...

 Benjamin Constant (AM), Tabatinga (AM) e São Miguel do Iguaçu (PR) - Índios paraguaios, colombianos e peruanos não preenchem um requisito básico para receber o principal programa social do governo, o Bolsa Família: ser brasileiro. Mas, diante da frágil estrutura da Fundação Nacional do Índio (Funai), burlam a legislação e se nacionalizam rapidamente, ficando aptos a ganhar o benefício mensal. O Correio Braziliense/Estado de Minas percorreram aldeias nas fronteiras das regiões Sul e Norte do Brasil e detalham como funciona a fraude. A nacionalização - que, além do recebimento do Bolsa Família, almeja a aposentadoria especial para trabalhador rural e o auxílio-maternidade - é possível graças ao Registro Administrativo de Nascimento Indígena (Rani), uma Certidão de Nascimento especial para os índios. No documento, reconhecido por um funcionário da Funai e assinado por duas testemunhas - quase sempre indígenas da aldeia em que o estrangeiro chega -, fica registrado que o migrante nasceu em território brasileiro.

 Com o Rani em mãos, o índio estrangeiro vai ao cartório de registro civil e consegue a Certidão de Nascimento tradicional. A partir daí, todos os documentos se tornam possíveis: Carteira de Identidade, CPF e título de eleitor. A maneira convencional de nacionalização exige que o índio more no país por pelo menos cinco anos e uma série de documentos que provem o vínculo com o Brasil. Na aldeia Bom Caminho, em Benjamin Constant, no extremo oeste do Amazonas, na fronteira com o Peru e a Colômbia, 20 famílias de índios peruanos e colombianos integram a comunidade com pouco mais de 800 índios Ticunas. O cacique Américo Ferreira detalha como os índios passam a receber os benefícios: “Tiramos o documento (Rani) dos pais, primeiro e, depois, os dos filhos”. A família do casal peruano Ortega Pereira Torres e Jurandina Parente Adan está entre os beneficiados. Jurandina diz que os R$ 166 do Bolsa Família são fundamentais para a sobrevivência. O casal tem seis filhos e, sem o dinheiro dado pelo governo brasileiro, não poderia comprar itens de sobrevivência. O rápido processo de nacionalização foi conseguido graças ao Rani forjado.

 

 No sul do Brasil, na aldeia Ocoy (PR), a realidade não é diferente. O cacique Daniel Maraka Lopes diz que quase a metade do habitantes é do Paraguai. Mas a origem não impede que os estrangeiros recebam o benefício. “Quem não tem o documento brasileiro está fazendo de tudo para conseguir”, conta. É o caso de Eugênio Ocampo e Silvina Benitez. Com seis filhos, eles recebem mensalmente R$ 230 do Bolsa Família. Desde que saíram do Paraguai, vivem em uma casa simples na fronteira com o país natal. Ambos falam muito pouco o português, se comunicam em guarani.

Sem solução. As esferas públicas envolvidas com a questão indígena nas regiões de fronteira conhecem o golpe, mas alegam ter dificuldade para combatê-lo. O coordenador de proteção social da Funai, Francisco Oliveira de Souza, tenta minimizar as fraudes dizendo que o critério da etnia é feito pelo reconhecimento dos pares. “Se há desvio, é com a conivência dos indígenas da comunidade”, acusa. Souza faz uma digressão histórica e explica que o fato de um indígena nascer em um país vizinho não é relevante para a etnia. “Os limites internacionais foram marcados pelos brancos”, ressalta. Além disso, segundo ele, muitos índios não sabem precisar em qual lado da fronteira estão. A Funai estuda uma forma de diminuir as fraudes, mesmo não considerando o golpe abrangente. “Queremos formar um banco de dados com todos os registros indígenas.”
Em nota, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) informa que “se o cidadão está documentado como residente no território nacional e preenche todos os requisitos para ser incluído no Cadastro Único e sendo a documentação autêntica, o gestor municipal não pode negar o cadastramento e o MDS não pode impedir que ele seja seleccionado como beneficiário do Bolsa Família”. Responsável pelo cartório do segundo ofício de Tabatinga e pelo de primeiro ofício de Benjamin Constant, Abdias Pereira de Oliveira explica que os índios fraudadores alegam falar somente a língua do seu povo — no caso, a ticuna - e contam com um tradutor, que actua sabendo do golpe, para conversar com o tabelião. “O Brasil tem tudo: saúde, educação, aposentadoria e um monte de benefício. Por isso, eles ficam tentando se passar por brasileiros. Quando percebo, não faço a certidão e levo o caso para a Justiça”, explica. Recentemente, o cartório fez uma campanha de registro e expediu a documentação para 1,5 mil índios. “Visitei 19 comunidades afastadas e vi apenas um posto da Funai. Não tem como o funcionário do cartório conhecer tudo. O registro é feito na base da palavra”, detalha o tabelião. Em Tabatinga, mais de 2 mil índios recebem o Bolsa Família, o que corresponde a quase metade dos beneficiados na cidade: 4.148.

 Professor da Universidade Estadual do Amazonas, Sebastião Rocha de Souza percebe modificações com o aumento dos benefícios para os índios. “Eles começaram a exercer a cidadania, mas também adquiriram o vício de ficar esperando a ajuda chegar”, pondera. De acordo com ele, índios deixaram de pescar, fazer artesanato e até de se dedicar à agricultura, contando exclusivamente com o amparo do governo. “Muitas passaram a fazer questão de engravidar para conseguir o dinheiro do auxílio-maternidade”, lamenta o educador.
Inquéritos na PF. O delegado da Polícia Federal de Tabatinga, Gustavo Pivoto, entende que falta um controle maior dos órgãos do governo federal, principalmente da Funai. Na delegacia regional, existem diversos inquéritos que investigam falsificações de documentos realizadas pelos índios da região, segundo ele. “Tem indígena responsável pelo cadastro que se quer eximir da responsabilidade”, lamenta.

 Sapatos, cadernos e drogas. Creuza Santiago Jaguari está grávida do nono filho. O marido dela, Reginaldo Guilherme Cordeiro, faz planos do que comprar com os seis meses de salário mínimo referentes ao auxílio-maternidade. “Um computador para ajudar os meninos na escola”, vislumbra. Com o dinheiro que recebeu dos outros filhos, ele já adquiriu um motor de barco e um frigorifico. O mais novo dos meninos do casal tem dois anos e o mais velho, 17. A família recebe R$ 231 de Bolsa Família mensalmente. “Compro lápis, caderno, borracha e, quando sobra um pouco, uso para comprar comida”, afirma Creuza. São índios Ticunas e moram na aldeia de Umariaçu, em Tabatinga (AM). Com quase 6 mil habitantes, o local é semelhante a um bairro humilde de uma cidade grande, com casas de alvenaria sem acabamento que se juntam a outras de madeira. O trânsito frequente de motocicletas e até residências funcionando como lojas de informática (lan houses) mostram que mudou muito o quotidiano dos índios do século XXI

 No fim do mês passado, a Polícia Federal (PF) prendeu, na aldeia, dois colombianos com diversas armas e munições de grosso calibre. O arsenal era composto por lançador de granada, mais de uma dezena de granadas e fuzis de fabricação belga, sendo um deles com o emblema do Exército peruano. Havia também 40 sub-metralhadoras e centenas de munições. De acordo com a PF, os presos trabalhavam para o peruano Jair Ardela Michue, um dos maiores traficantes da tríplice fronteira, preso em Março de 2013. Um dia depois, mais armamento foi encontrado em Belém do Solimões, outra aldeia indígena ticuna. O delegado da PF de Tabatinga, Gustavo Pivoto, afirma que o aliciamento de indígenas por organizações criminosas é intenso na região. Índios são usados para transportar drogas e armas e despistar a acção da polícia. O atractivo é sempre o mesmo: dinheiro. “O indígena está contaminado com os valores dos que não são indígenas”, avalia o professor da Universidade Estadual do Amazonas Sebastião Rocha de Souza, que faz parte da coordenação que prepara professores indígenas do Alto Solimões. (DC).

soba.jpg As opções do

Soba T´Chingange



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Terça-feira, 7 de Janeiro de 2014
MOKANDA DO SOBA . XLIII

EMBEBEDADO NOS SONHOS  -  Com flores de Cristo!

Por

    T´Chingange

 Embebedado nos sonhos castigados, hoje dei uma resposta azeda a um colaborador da História das Guerras em Angola e, repliquei a notícia dizendo que a independência de Angola foi ganha ou conquistada; sem rebater este conceito por verdadeiro, afirmei que a oferta se adequa melhor ao acto de pronuncio de Agostinho Neto a 11 de Novembro de 1975. Uma entrega incondicional que forçou a vida de muita gente obrigando-as a fugas desordenadas e um recomeço de vida incerto, fora e dentro do território com uma guerra civil que se prolongou por 27 anos. Vencido por um desmazelo de chumbo deixei passar em claro afirmações de adoçar ambições que notoriamente ressaltam mais para além de uma qualquer ideologia em que se querem afirmar no amor a Angola. Para mim, bajular os donos da dibanda é de uma subjugação pura sem mais reticências ma ideologias e ambições são fantasias ou sonhos de cada qual.

 

Afundando sem resistência na lama do meu desgosto, sem forçar para iludir-me, ou desistir dos meus princípios, do meu carácter, sem ter em conta algumas atrocidades, continuo a viver porque, a vida é teimosa a não requer deixar-se apodrecer de forma tão madraça. Escrevo para adoçar as agruras brincando o curtir de cada dia-a-dia enganando os pesares; escorregadios, os dias, fogem-me como estrofes seguidos de deliciosas falas de amor, com estribilhos espanejados ao deus-dará como os de um hino de heróis do mar, nobre povo….

 Plantei à porta do galinheiro e nas traseiras de minha casa uma trepadeira de maracujá que subiu pelo abacateiro esparramando-se no telhado pejada de flores de Cristo; abrindo pela manhã, estas flores dão-me honrarias de vida com a visita de besouros proliferando heroicidades. Surgem também os beija-flores, colibris luzidios sortindo suas pequenas despensas de tudo do que mais gostam, o néctar. Mais ao lado, gansos e galinhas esgadanham a terra limpando-a de formigas nocivas ao pau de sape-sape (graviola) e esta agradece fornecendo-me os maiores sape-sape que jamais vi. Como eu me consolo ensopado de suco desse grande fruto com meus dentes! Esses mesmos, que às vezes me mordem a língua! Aqui, com a flor de Cristo sinto-me galardoado quanto baste.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:01
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Sexta-feira, 3 de Janeiro de 2014
XICULULU . XLII

DOIS DEDOS DE PALESTRA . Tempos de pagode . III

Por

  T´Chingange

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Meu avô Loureiro aprendeu a tocar violão com um madraço forrozeiro de nome Géninho. Comprou um violão em segunda mão e levava as horas vagas praticando os ritmos quentes; cada dia dedilhava melhor seu instrumento e, neste meu sonho hipnótico crepuscular ele já dominava o meio do pagode cantando modinhas como um qualquer brasileiro daquele abarracado de mukifos de bairro subindo para o morro e na forma de favela.  Mariquinhas, sua donzela de horas extras surgia inesperadamente e, a cada verso que vinha de meu avô, da boca da mulata era um arrulhar choroso de pomba com cio. António Loureiro, bêbado de volúpia enroscava-se todo em seu violão, ganindo, guinchando, miando; ele e violão gemiam ao mesmo gosto com todas as vozes de bichos sensuais penetrando o tutano como finíssimas línguas de cobra.

 No meio desta calaçaria eis que surge Dona Constância mãe de Mariquinhas chispando diabos, cobras e lagartos para cima do gaiteiro Loureiro, sua Mariquinhas estava prenha e, isso não podia ficar só assim. Após este embate o “Louro” Loureiro suavizou a gorda senhora e, nos dias que se seguiram, meteu o pau na vida umbigando-se entre quatro paredes dum despintado sobradinho. Loureiro que passou a ser conhecido por Louro Galego passou a ser muito solicitado nas muitas festas dançantes, nesta actividade de pagode ganhava uns cobres extras. Com ele, o samba, o bolero e valsas, não tomavam fôlego; a música, noite adentro, quadrilhas juninas, moças madraços e meninas dançando com muito riso.

 Louro Galego, todo ele estava um mestre de calaçaria, lascado de perdido nas noitadas de forró. Meu avô, de homem bem apessoado, foi-se transfigurando num galeto em vinha d´alhos, chupado de alento, tanto apego a tanto forró. Um dia e em surdina, comprou um bilhete no transatlântico Alcântara da Royal mail Line largando tudo só com a roupa do corpo fugindo franzino e pesaroso; com lágrimas salpicando-lhe as rugas fugia tísico largando a Deus suas duas filhas para tentar salvar-se nos ares puros de entre a encosta da serra da Estrela e Caramulo. Ao falar de Coisas próprias torno-me mais verdadeiro; uma estória como tantas que não acaba ainda porque, o mundo gira à margem destas vulgaridades.  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:23
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Quinta-feira, 2 de Janeiro de 2014
A CHUVA E O BOM TEMPO . XLII

SOPRAR SINZAS  – Salada de buzinas

Por

soba.jpg T´Chingange

Balouçando preguiça em uma rede segura a dois pilares de minha casa, leio no jornal os escândalos do dia a dia e do ano findo com muitos comentários, palpites fabricados de desgraças, intermediando sucumbidas tristezas daquelas que já trazem no canto inferior esquerdo um código de barras, traços finos e grossos dispostos na vertical e espaçados aparentemente de forma aleatória. Os dias e anos repetem-se gregóriamente num formigueiro de bilhões de seres que ora suspiram felicidade, ora lançam mugidos lúgubres arranhando-se em múltiplas tarefas de comprar ou vender coisas próprias ou alheias.

 Muitos, pacientemente, ululam como cães esperando seus donos, ressacando lágrimas entre dunas dum deserto ou a soleiras graníticas de suas portas, gemendo fados de além-mar; outros esbanjando dinheiro pelo tubo ladrão, sem arrelias por abandono de pobres criatura. Enquanto isto, os governos dão pela TV estatísticas optimistas de que tudo vai mudar para melhor, cada qual com casa própria e bolsa família embebidos no seu prazer de agradar às direitas, ao centro e à esquerda do verbo subsidiar, tornando todos muito iguais, tirando a cada qual o ânimo ou apetência a serem empresários, patrões empreendedores; vulgarizando em suma a condição de cidadão.

 Querendo ficar um pouco alheio àquela fornalha de soprar cinza em nossos olhos, ontem dispus-me a fazer em casa de casal amigo, uma salada de buzinas, coisa de que há muito não provava. Fiz uma vinagreta com cebola, alho, tomate, salsa e coentros picados, vinagre e sal quanto baste; gradualmente fui adicionando azeite de oliva do Alentejo mexendo tudo com os pequenos pedaços de búzio cortados e, previamente cozidos na panela de pressão. Sem ventos de Sião ou Siroco, só com a brisa do mar, vento de bolina, para nos preencher o gozo de tal iguaria ao pitéu apurado a jindungo; feijocas com búzios, carne de charque, chouriço da beira e alguma linguiça da Calábria, tudo regado a tinto seco do Dão.

T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:09
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Sábado, 28 de Dezembro de 2013
XICULULU . XLI

DOIS DEDOS DE PALESTRA . Cantada de moqueca . II

Por

  T´Chingange

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Hipnotizado na forma crepuscular, ardia passivamente aos hábitos de existência vendo largos horizontes de céu alegre, mar e mata verde do selvagem Brasil, defronte de despenhadeiros ilimitados e chapadas sem fim, aonde o espaço surge como um reinado gigante e voluptuoso. Deve ter sido em parte ou totalmente submetido a esta a visão da nova terra, promissora de beleza que meu avô viu viveu e gozou. Naquele Rio de Janeiro e na fronteira de entre a urbe e a favela, ao seu redor existia um instinto feminino feroz e, que quando estivesse todo ele brasileiro, cheiroso e perfumado, teria avulsos dismilinguidos calores e condescendentes afagos; farfalhos gratuitos malucando a sua vida.

 Num ápice de tempo compactado no crepúsculo do meu sonho ou sono, pude observar nos seguintes dias os préstimos de Mariquinhas pondo-se à disposição dele, meu avô, obsequiando-o com exagerados rebolados de todos os seus atributos. Todos os fins de tarde, Mariquinhas, a horas desafogadas de clientes, aparecia a fazer compras na venda do senhor Joaquim, patrão de meu avô. Senhor Joaquim também ele português natural da Guarda, estava umbigada com uma morena cheia de compostas carne. Meu avô Loureiro, aboletado a estas fartas carícias e gratuitos afectos, tornou-se por assim dizer um “pobrezinho de Cristo” sentenciado a descumprir com o voto de fidelidade a sua mulher e minha avó Topeta.

 António Loureiro não era de pau e, não havia coração que resistisse a tanta tentação. Um dia seu Joaquim, que não era cego, disse-lhe: - Óh… António, o mundo é largo… Há lugar para gordo e para magro! E, é p´ra se gozar se, se não é capado! Tolo é quem não aproveita! Para bom entendedor, era o quanto baste; teria de crucificar-se às investidas de Mariquinhas que lhe dava volta à cabeça. Um dia, pelas cinco horas da tarde no capinzal e debaixo do jambo António Loureiro, com o espírito e corpo envoltos em fogo, libertou-se; tremendo num gosto de prazer invadiu-se de ais e uis, gritinhos picantes de cor violeta. O primitivo sonho de ambição estava consumado. Mariazinha perdeu seus três vinténs, seu cabaço; eu ganhei uma futura tia que veria a nascer nove meses depois, só que… 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:05
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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2013
XICULULU . XL

DOIS DEDOS DE PALESTRA . Cantada de moqueca . I

  T´Chingange

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Hoje mesmo, estava eu alisando as unhas na água do mar do nordeste Brasileiro quando ao meu lado se senta alguém com a confiança de quem me conhece há muitos anos saudando-me em castelhano com um claro buenos dias. Surpreendeu-me ver aquele velho de barbas brancas, de peles chupadas olhando o infinito azul; de perfil não me apercebi logo de quem era porque surgiu-me falando castelhano mas, foi quando se virou para mim que suspirei de alegria. Estava ali meu muito velho amigo Januário Pieter, a kianda que me consola, estimula e me presta acessoria nas coisas duvidosas, inexplicáveis e mistérios do passado. Passei o meu braço por cima dele, afaguei-lhe o rosto quase mumificado e disse: que bom te ter aqui, velho amigo.

 Vim por aqui para te aquietar de preocupações do passado e que te atormentam sem encontrares respostas aos teus porquês. Assim era, ginasticando a água em saltos suaves, mais uma vez matutava de como teria sido a vida de meu avô materno António Loureiro quando decidiu vencer a vida neste mundão do Brasil tendo regressado tísico e pobre lá pelos anos de 1930 numa antiga ressecção mundial; só soube que tinha deixado duas filhas algures para ser acudido aos cuidados de minha avó Topeta nas encostas do rio Dão. Recordo-me de seu bigode preto retorcido, cabelo escorrido, olhos pretos e grandes, alto e magro, usando sempre um chapéu de feltro negro com uma cinta listada em tons cinza.   

Depois dos cumprimentos e novidades mais salientes disse que me ia submeter a um hipnotismo crepuscular e que nesse sonho voado poderia ver com meus olhos uma das cenas de meu avô quando era caixeiro na venda de um cortiço local. Não dei conta de me ter deitado e surgi num repente de tempo amarelado, lá pelos anos de 1936 flutuando no canto duma venda algures no Rio de Janeiro. Meu avô, detrás do balcão dava dois dedos de palestra poética a Mariquinhas após ter cortado a friagem da manha com um café regado a cachaça. Foi aqui e desta forma que António Loureiro, meu avô deu inicio à cantada de moqueca, uma intenção poética de sertanejo desprendendo seus amores infelizes; ele não a cantava, comia-a com seus olhares enquanto suas mãos tacteavam as saliências de Mariquinhas, quando na falta de fregueses; este meu avô!? 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:42
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Segunda-feira, 9 de Dezembro de 2013
MONANGAMBA . V

PRECEITOS DIVINOS açorda de poejo

Por

 T´Chingange

 Perseguindo-me como uma sombra cheia de silêncios num trabalho misterioso e surdo de crisálida, verifico em mim uma transformação de lepidóptero lenta, dia a dia; meus costumes e sequentes sentidos mesmo antes de me tornar borboleta desvanecem-se nos sonhos de ambição, idealismo de nova e picante felicidade, directo, liberal, franco e até imprevidente quanto baste. Adquirindo gostos novos transformo desejos em prazeres resignando-me à preguiça, rendido às imposições do sol e do calor, eternamente revoltado com a pátria lá longe, entrincheirada de políticos aventureiros, gulosos gestores de suas ânsias, suas desmedidas ambições.

 Nos meus singelos hábitos de cidadão do mundo, angolano ou português, abrasileirei-me substituindo o vinho pela cerveja. A revolução foi-se completando substituindo a broa por farinha de mandioca, o bacalhau com batatas e couve lombarda por tambaqui acompanhado de mandioca ou batata-doce; Coelho ao caçador por carne de charque ou carne seca acompanhada por mandioca, macaxeira como dizem aqui; amêijoas ou condelipas de Lagos com carne á alentejana por sururu ou massunim com molho de coco, da galinha à cafreal por galeto ou pato ao molho pardo.

  Do caldo verde ou açorda de poejo por caldinho de feijão preto e a moqueca de camarão ou o acarajé da tia Zita, peixada de cebolada e o feijão ao tropeiro com pirão ou as coxinhas de galinha compradas avulso na praia. E, temos o maxixe, o jiló o quiabo, o pimentão-doce a completar a salada vinagreta. Os sucos de caju, abacaxi com mel, graviola (sape-sape), banana assada e beringela envolta em queijo de coalho, da água de coco frio e amendoim cosido. A terminar, o café santa clara à mistura com o maratá embebe o casarão num aroma de aliciar viciados. Vencido às imposições do sol, espantando o caruncho, estabeleço parcerias com o cupim sem nunca me aventurar a virar mopane ou borboleta. Encasulado!

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo - (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:43
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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013
CAFUFUTILA . XLVIII

MARÉ SECAAmoleço aqui, as unhas dos pés.

Por

  T´Chingange

Acerca disto e daquilo, as nossas conversas ficam antigas ao lembrar sítios como se nunca de lá tivéssemos saído. As nossas conversas deveriam permanecer secretas unindo-nos em uma cumplicidade mas, a sedução do vento ou o assédio da saudade, ongweva ou muxima, obriga a nos driblarmos amenizando os tempos de mudança. Aos poucos afatiados, minha exclusiva kianda Januário Pieter põe-me na mão pormenores esquindivados da minha estória repetindo-me muitas vezes que meu legitimo sangue é de cor carmim como o do pássaro quetzal e que minhas origens vêem do mar Pacífico, duma ilha chamada de páscoa.

 Nessa mítica ficção amoleço as unhas dos pés nas águas que invadem a minha ilha da maré seca na foz do rio São Miguel a escassos quilómetros de Cururipe, um lugar que ainda paga laudémio por suas gentes terem comido o primeiro bispo do Brasil de nome Sardinha no longínquo anos de 1556. Os índios Caetés e Tupinambás, em um grande panelão de barro fizeram uma caldeirada com mais de oitenta náufragos que encalharam nos recifes existentes junto àquela costa.

Desconheço se o tempo purifica aquelas almas em quantidade de afeto suficiente para minimizar frustrações aos novos sacerdotes que por ali parabenizam triste data. No correr dos tempos foram aparecendo caixinhas vidradas com um pároco de chapéu de 3 bicos em quase todas as povoações nordestinas; uma figura de quase santo venerado a partir da metade do século XX , dando uma visão mística da justiça na ponta da navalha. Eis que surgiu mais tarde Chico Xavier encorpando espíritos do bem; envolto em carências de justiça e, com corrupção à solta relembra: -“ É necessário conservar o coração agradecido a Deus para as aflições não nos deteriorarem os sentimentos”. Concordo plenamente!

Cafufutila, kafufutila, kifufutila: Farinha de mandioca (bombô) com açúcar; falando de boca cheia lança falrripos ao interlocutor.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:15
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Quarta-feira, 20 de Novembro de 2013
KIANDA . XLIV

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

 soba.jpg T´Chingange

Januário Pieter, a kianda itinerante, surgiu-me de supetão estando eu refastelado em minha cadeira de praia e á sombra de um chapéu de riscas brancas e pretas debotadas entre manchas de ferrugem. Logo, logo, ficou difuso, meio gelatinoso, tapando-me a firmeza do sol e, foi quando se definiu em firmes contornos que reparei na outra figura a seu lado, uma outra kalunga já gasta pelo tempo. Pieter levantou a mão seguindo-se-lhe um olá profundo de cavernoso e, apontando seu vizinho carcomido nos contornos holográficos de cor violeta, falou: -T´Chingange, apresento-te este mais-velho de nome Ngoli Bbondi o régulo de Matamba, irmão de N´Zinga, matumbola desde o ano de 1618 que vem visitar o lugar da serra da Barriga, sossego de um seu sobrinho Ganazumba.

   Ngoli Bbondi irmão de Aqualtune vinha como um romeiro prestar vénias a Ganazumba e, dar-lhe o reconhecimento devido como um verdadeiro diplomata na senda de protecção ao povo saído de N´Gola. Ganazumba foi decapitado por seu sobrinho Zumbi que se tornou o rei do Morro dos Macacos. Ngoli andou estes milénios todos roendo angústias por não poder tomar sentido nesse desencontro de gente escrava saída do seu povo por ter sido derrotado na lonjura do tempo pelas forças comandadas por Luís Mendes de Vasconcelos.

 Tenho de explicar que Ngoli veio lá de trás, do tempo em que as pessoas eram vendidas como coisas trocadas por n´zimbos e caurins para e, como escravos trabalharem para seus senhores, donos de engenhos de açúcar ou cacau.  Ngoli, apresentava-se um pobre-diabo carcomido na desilusão, pendurado em peles e, cheio de hemorróides. Via-se totalmente desprovido de recursos e vegetava longevidade gravitada à sombra de Januário Pieter, meu velho amigo de há mais de trezentos anos. Devorado na implacável amargura perguntou-me se sabia do acontecido a Ganazumba. Antes mesmo de eu começar a falar, Ngoli explicou-se de que este dia vinte de Novembro era o escolhido por romeiros do além e de África visitarem os espíritos de seus antepassados.

   Espíritos irrequietos por terem sido trocados por seus próprios sobas, por quinquilharias e missangas a negreiros. Já todos sentados com as unhas a amolecer no verde-mar da minha praia, abreviaram a pressa e, como chegaram assim se foram enfunados no vento de bolina, o mesmo que moveu as caravelas dos negreiros. Sem rasto, nem fumo poluente, seguiram o rumo dos antepassados lá para o Morro dos Macacos. Eu, fui somente um interposto informativo, cumprindo regras de soberania, pró-formes modernos.

Kianda (Quimbundo de N´gola): Espírito, sereia, kalunga de contos africanos, miragem das águas, visão das lagoas 

Januário Pieter*: Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:35
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Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013
KISANJI . III

NOSSA SRA DA APARECIDA -  Mistérios de vida.

Por

soba.jpg   T´Chingange

Com um sentimento antigo que não conhecia por completo em um limbo de lembranças sem vínculo a desejos, revi os olhos escuros e pequenos de meu avô, dois pontinhos num mapa de rugas com expressão de paz, antes de se defuntar naquele enxergão feito com palha de milho. Tendo regressado tísico do Brasil com seus mistérios de vida, corroído da saudade ou quem sabe, abandonado como um cachorro sarnoso, abrigou-se já velho na casa de sua abandonada amada, minha avó Topeta.  A sua imagem surge-me amarelecida em um terno de linho amarrotado, chapéu de feltro escuro e um bigode retorcido saído dos limites de seu rosto enfezado; tenho esta imagem enterrada nas camadas mais profundas de minha memória.

A história de Nossa Senhora da Conceição Aparecida tem seu início pelos meados de 1717, quando chegou a notícia de que o Conde de Assumar, D.Pedro de Almeida e Portugal , Governador da Província de São Paulo e Minas Gerais, iria passar pela Vila de Guaratinguetá, a caminho de Vila Rica, hoje cidade de Ouro Preto - MG.

O tempo devorou-o em minha existência com a nítida lembrança de que me legou duas tias de nome Loureiro e que na imensidão das heranças se perderam em definitivo algures num lugar do Brasil, rezado por Nossa Senhora da Aparecida. Os meus sentimentos foram ficando atolados entre esqueletos quebradiços recobertos de secas peles. Nunca tive oportunidade de lhe pedir perdão pelas birras de minha infância e da lagartixa seca que lhe cuspi à frente num falso ataque de tosse e, só porque ouvia falar cobras e lagartos acerca de seu periclitante estado de saúde de pulmonares origens.

 As agruras dos pós guerra eram tantas entre gente adulta que não permitiram que meu avô fosse tratado num sanatório como o do Caramulo e, por influência dos ventos gaseados vindos da Alemanha com ataque de pneumonias não permitiram cheganços próximos com esse meu avô nem, para lhe fazer patifarias. Essas minhas tias brasileiras de nome Loureiro nunca chegaram a saber deste fim de estória embora meu avô tivesse sido encaminhado por rogo à Nossa Senhora da Aparecida. Vi em anos recentes um quadro antigo na aldeia de Barbeita e em casa de meu primo Fernando, mostrando três pescadores a recolher sua imagem na lagoa. Ninguém me explicou qual o mistério desse quadro ter ali permanecido e, com dignidade ficar pendurado no corredor principal de sua modesta casa. São mesmo legados da Globália.

Kissanji: -  Instrumento musical - tábua de forma rectangular, onde se fixam umas palhetas de metal que accionadas transmitem sons (Angola);

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:03
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Sábado, 16 de Novembro de 2013
CAFUFUTILA . XLVI

MARÉ SECA - Açorda de poejo com queijo de ovelha ralado

Por

 T´Chingange

Um destes dias atrás, fui a uma praia ou melhor a uma ilha que só existe quando a maré fica seca, coloquei as cadeiras e o chapéu que espetou bem na fina areia. Como um corsário, tinha o mar a meus pés mas, pouco a pouco e a tal ponto desceu, que me vi obrigado a cansar o esqueleto até ter água suficiente para me tapar. Resulta que eu mais a minha companheira de sempre Ibib, ficamos num seco e mini deserto, paraíso de ninfas travestidas de São Miguel dos Roteiros; esgravatando o chão das rasas areias retiramos meio balde de massunim, um bivalve do género da amêijoa com que se faz a carne à alentejano.

  Em fatias relembradas do passado fomos até o Mussulo, a Corimba e a Samba do outro lado do mar e, com a lembradura de N´gola surgiram outros sítios do Puto com as condelipas da praia grande de Lagos, assim conhecidas desde o tempo em que o Conde de Lippe, comandando suas tropas ali aquarteladas dava a seus homens aquela especiaria com favas e ervilhas. Isto foi no tempo ainda recente em que D. João VI teve de fugir para o Brasil com toda aquela gente que vivia das sopas do reino, das açordas de poejo com queijo de ovelha ralado vindo de Torrão em potes de azeite virgem.

  Foi aquele D. João VI, de nome João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael de Bragança, que originou a fundação do Banco do Brasil às expensas dos ricos negreiros que tinha apetência a serem nobres. Vai daí, o rei cognominado de Clemente, começou a troco de compra de acções do novo banco, a vender títulos de Condes, Viscondes, Duques, Marquês e outras conforme as quantidades de acções que adquiriam. A dada altura, nas grandes cidades como Rio de Janeiro, Santos, São Vicente, Belém do Pará ou Belo Horizonte, os novos elementos da nobreza passavam seu tempo passeando calçadão acima, calçadão abaixo suas estreladas medalhas no peito. Não era disto de que queria falar mas, um vento desavindo como o de Cabral, trouxe-me para aqui.

Cafufutila, kafufutila, kifufutila: Farinha de mandioca (bombô) com açúcar; falando de boca cheia lança falrripos ao interlocutor.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:18
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Quarta-feira, 16 de Outubro de 2013
MALAMBAS . V

FRIEIRAS DE VELHICE ... Na minha rua de mato.
MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange
Estou em uma terra de miscigenada gente, mistura de europeus com índios do que resulta homens baixos, troncudos  de olhos e cabelos escuros e escorridos, pomelos altos e uma forma pesada no andar, como se estivessem pregados a terra. Dados à preguiça vivem estirados em suas redes de chinxorro esfregando-se de coceira para ocupar o tempo nessa massagem social a substituir o catar de piolho, tempo que pouco conta em sua contabilidade. Por falta de pressa tertuliam-se em generosas conversas de boi-dormir, cruzam suas melosidades de vida com almas penduradas, penando ao vento como espanta espíritos de suas maleitas. Giboiando no tempo mameluco ou matuto, num sítio de macaxeira e entre muitos pés de goiabeira, uma frondosa mangueira e outro de graviola, enrugam-se nas frieiras da velhice contando as muitas vezes que tiveram bicho de pé (matacanha). 

 Comem como rudes capitães dos matos da época da conquista, feijão, sopas, guizados de macaxeira e inhame com banana comprida, arroz branco e farofa de feijão ou mandioca com pedaços pequenos de torresmo e pimenta de cheiro. Sem deixar meandros por explorar nem recantos por conquistar, passo horas a observar rolas e bem-te-vi no meu lugar de quase mato, quase sítio ou chácara confinante com uma rua que ziguezagueia entre o capim entre lombas e buracos arenosos; buracos que viram lama ao primeiro chuvisco. No ar de Outubro já cheira o aroma do caju dos muitos cajueiros que com várias matizes de verde, encantam o perto longínquo horizonte barrado pela serra do mar, a mata atlântica, um imenso horizonte de cana de açúcar empurrando o sertão para o agreste com cactos na forma de candelabros.

 Bem perto de minha rua de mato, purgatório descuidado, a farra dos arredores faz-se a altos brados e noite adentro esbanjando borga de festa até o escuro da noite ficar negro, muita cerveja whisky e cachaça bafo-de-onça extraída da cana dum artesanal alambique dum engenho ou moderna usina. Nesta vida, não importa de onde se é ou de onde se vem mas, temos de admitir que existem boas razões para averiguar para onde vamos e averiguar quem foram os nossos antepassados a decifrar o inusitado espírito de leituras de intuição das generosas banalidades. Para não nos aferrolharmos no indistinto medo e modos precavidos, recordamos descendências lusas para aquietar: Das casas e famílias ancestrais de pombas ao vento e que fixas nos telhados indicam de aonde vem o porquê desse termo de “Gente de casa com eira e beira”; a pomba do espírito santo.

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:07
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Sábado, 5 de Outubro de 2013
BRASIL EM 3 PENADAS . XLVIII

A FÚRIA DO JUSTO . REFLEXOS DO MENSALÃO

As escolhas de

    Kimbo Lagoa         

 O povão, arraia-miúda, interroga-se quanto à eficácia da justiça brasileira sendo quase unânimes em dizer que buscam enquadrar a lei de forma a proporcionar a soltura dos já condenados; Desde quando rico, vai preso, é a voz mais saliente neste imbróglio social. A última instância da justiça, até consegue lavar a alma ao diabo; tudo indica que sim! Um lamentável retrocesso que leva a afirmar se o Brasil é para ser tomado a sério, como afirmava Charles de Gaulle

"Na secção de sexta dia 13/09/2013 o ministro Joaquim Barbosa presidente do Supremo Tribunal Federal rasga a constituição Brasileira na frente de vários colegas do Supremo afirmando: Somos o único caso de democracia no mundo em que condenados por corrupção legislam contra os juízes que os condenaram. Somos o único caso de democracia no mundo em que as decisões do Supremo Tribunal podem ser mudadas por condenados. Somos o único caso de democracia no mundo em que deputados, após condenados, assumem cargos e afrontam o judiciário. Somos o único caso de democracia no mundo em que é possível que, condenados, façam seus habeas corpus, ou legislem para mudar a lei e serem libertos."

 Quando deparo com essa gente feita instituição de refúgios misteriosos, lembro-me da visão que minha avó Topeta de nome, tinha quando milagrava angustia; Eu não sabia nesse então do porquê ela, os tornava em diabos de chifres retorcidos e patas de cabra de um escandaloso verde fosforescente. Entretido em jogos de imaginação para onde quer que vá, tenho de coabitar com bandoleiros em ambos os lados de minhas fronteiras e, em todas as instâncias. A democracia, cada vez mais, me parece vulgar e pouco eficaz.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:09
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Quarta-feira, 2 de Outubro de 2013
T´XIPALA . XXV

LUFADA DE SUSPIROS ... Cidadão genérico -  VII

Por

 T´Chingange   

T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter   

Neste mundo confuso, serei sempre um genérico cidadão ou um sem-terra por não me poder definir como genuíno nessa escolha; assumidamente, não pertenço a lugar nenhum. A minha terra biológica deixou-me ao deus-dará e, até meus sonhos penalizam o recordar dos tempos em que a vida se expressava com fluida vivacidade fazendo dela no agora, uma miragem. Na noite passada entrei numa toca grande mais parecendo uma galeria de mina abandonada e, vendo sair dum buraco lateral uma nuvem de pó para ali me dirigi e, foi de lança em riste que piquei de morte um lobo zombando de mim, deu um uivo esquisito e por ali ficou banhando-se no próprio sangue. Nesse instante, apercebendo-me de algo estranho atrás de mim, virando-me, deparei comigo mesmo, uma imagem nítida de quando rapazola, usava calças com um cinto de fivela enorme.

  Assim como uma foto amarelecida no tempo, estava pontilhado de minúsculos pontos, cagadelas de mosca de sexo indefinido. O penteado com o risco ao meio parecia ter brilhantina de óleo de cedro, daquele que faz brilhar as madeiras dos imóveis mas, eu não era nenhuma escultura de pinho nem de pedra e nem vi caruncho ou salalé enfarinhando vestimentas ao seu redor. Não é normal lembrar-me dos sonhos mas este ficou grudado na testa ou no templo da alma, esse olho do além que paira nas cúpulas das catedrais ou na verde nota de um dólar. De forma inquieta registo aqui o acontecido místico para não ficar olvidado nesse difuso espaço da imortalidade, isso: esse lugar de parte incerta enublado de suave cacimbo. Tudo isto sucedeu no sítio de São Miguel dos Milagres, no lugar de martoke.

    Os peixes-bois, vacas-marinhas ou manatis constituem uma designação comum aos mamíferos aquáticos. Possuem um grande corpo arredondado, com aspecto semelhante ao das morsas. Wikipédia  

Durante o dia comprometido a pertencer a um qualquer lugar visitei o Porto da Pedra, cidadezinha costeira perdida entre muitos pontos do Brasil, caserio despintado a escorregar pobreza nas ladeiras da serra do mar para o rio Manguaba; É neste rio e no vizinho Tatuamunha que habita o mamífero “peixe-boi”. No decorrer de milénios os animais adaptaram-se às alterações ambientais, uns criaram guelras e outros no lugar de barbatanas ganharam pernas de forma a subir às árvores ribeirinhas e recolher seus frutos. O peixe-boi será no Brasil, comparado ao hipopótamo, só que sem pernas e sem necessidade de espargir merda para marcar o seu território. Os biólogos registam os traumas e suas origens não se comprometendo com a origem na criação do mundo evaporando sua generosidade num omnipresente se Deus-quizer. Enfim, seja isso mesmo, o que Deus-quizer.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:08
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Segunda-feira, 30 de Setembro de 2013
MALAMBAS . II

LUFADAS DE SUSPIROS ... Pesadelos impalpáveis.
MALAMBA: É a palavra,

Por

soba.jpg T´Chingange
Sem a habilidade para regatear como um mercador árabe, compro sonhos que às vezes são pesadelos sem qualidade; por via desses pesadelos impalpáveis, tenho de realizar um esforço constante para levar uma existência normal sem ambicionar demasiado porque, nesse ímpeto, acaba por tudo se perder. As experiências degladiadas no quotidiano da vida vão da lisonja à perseguição numa linha sinuosa de recursos e súplicas de desespero ou suborno chegando à ameaça quando tudo o mais falha. O mais foito que tenho na certeza é a de que não é bom deixar subir a raiva à cabeça e, não é conveniente converter a ternura em inimizade.

Nas brigas, não ganha quem tem razão mas quem melhor regateia e, quem se consegue recuperar de emoções colocando toda a sua artilharia em posição de ataque porque a certeza dos fracos dorme placidamente ao lado da dúvida ou descaso; iluminada pelo consolo da persuasão, as malambas que sublimam a solidez da verdade revertem esta num embrulho de trapos. Explodindo sentimentos novos de vulnerabilidade na arte de regatear, surgem incongruências desconhecidas a enfraquecer soluços de peito na forma de suspiros. Como é possível que a verdade fique perdida no mesmo regaço da angústia; a certeza torna-se quando assim é, numa malamba mal curtida.

Na praia do francês, vendo os recifes negros entre o azul e verde marinhos, soro da vida impregnado de cloro, vitamina D e iodo na forma de algas, exercito meu corpo; lugar aonde se encontra aquele prazer sísmico capaz de mudar a vida rodopiando as muitas lembranças dos tempos em que o orgasmo surgia por uma simples mordida na orelha e, foi neste instante que descobri as pupilas de Deus feitas nuvens, olhando-me com o mesmo amor seguro de sempre, incutindo-me a vontade de ter a responsabilidade do amor com gozo. Digo gozo, não sexo! Não obstante sentir essa mão protectora de Deus, a responsabilidade de ser feliz, foi, é  e será exclusivamente minha.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 03:44
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Terça-feira, 17 de Setembro de 2013
XICULULU . XXXIV

BRASIL . MENSALÃO embargo infringente

As escolhas de

 Kimbo Lagoa

(100.000 visitas até o dia 13/09/2013)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre - No Brasil, no âmbito civil, embargo infringente é o recurso cabível contra acórdãos não unânimes proferidos pelos tribunais nas acções que visam a reapreciação das acções impugnadas pela parte recorrente.

: O Supremo Tribunal Federal vai decidir na próxima quarta-feira dia 18 se 12 réus condenados na Ação Penal 470, processo do mensalão, terão novo julgamento. A votação sobre a validade dos embargos infringentes está empatada em 5 a 5 e será retomada com voto do ministro Celso de Mello, último a votar. Se o Supremo decidir que os réus têm direito ao recurso, o novo julgamento poderá ocorrer somente em 2014. Se a Corte acatar os recursos, outro ministro será escolhido para relatar a nova fase do julgamento. Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, relator e revisor da ação penal, respectivamente, não poderão relatar os recursos de dois réus que pediram os embargos infringentes, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e ex-deputado federal (PP-PE), Pedro Corrêa. Até agora, os ministros Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Rosa Weber, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski votaram a favor dos recursos. Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Marco Aurélio foram contra. O voto de desempate será do ministro Celso de Mello.

  No julgamento, os ministros analisam se os embargos infringentes são cabíveis. Embora esse tipo de recurso esteja previsto no Artigo 333 do Regimento Interno do STF, uma lei editada em 1990 que trata do funcionamento de tribunais superiores não faz menção ao uso do recurso na área penal. Se for aceito, o embargo infringente pode permitir novo julgamento quando há pelo menos quatro votos pela absolvição. Dos 25 condenados, 12 tiveram pelo menos quatro votos pela absolvição: João Paulo Cunha, João Cláudio Genu e Breno Fischberg (no crime de lavagem de dinheiro); José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Kátia Rabello, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e José Salgado (no de formação de quadrilha); e Simone Vasconcelos (na revisão das penas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas). No caso de Simone, a defesa pede que os embargos sejam válidos também para revisar o cálculo das penas, não só as condenações. O julgamento sobre a validade dos recursos da Ação Penal 470, o processo do mensalão, começou no dia 14 de agosto. Na primeira fase do julgamento, foram analisados os embargos de declaração. Dos 25 réus, 22 tiveram penas mantidas, dois tiveram redução de pena e um, pena alternativa.

 O povão, arraia-miúda, interroga-se quanto à eficácia da justiça brasileira sendo quase unânimes em dizer que buscam enquadrar a lei de forma a proporcionar a soltura dos já condenados; Desde quando rico, vai preso, é a voz mais saliente neste imbróglio social. A última instância da justiça, até consegue lavar a alma ao diabo; tudo indica que sim! Um lamentável retrocesso que leva a afirmar se o Brasil é para ser tomado a sério, como afirmava Charles de Gaulle

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:08
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Terça-feira, 10 de Setembro de 2013
BRASIL EM 3 PENADAS . XLVII

BRASILCoisas fraudulentas ou lobo em pele de ovelha

Desvio de verbas públicas em 10 estados

As escolhas de

 KIMBO LAGOA

Operação da Polícia Federal Brasileira, investiga desvio de verba pública em 10 Estados

 Brasília - A Polícia Federal cumpre 101 mandados judiciais nesta segunda-feira, 9, como parte da Operação Esopo, que investiga uma organização suspeita de fraudar licitações em dez Estados e no Distrito Federal. Participam da ação a Receita Federal, o Ministério Público Federal e Controladoria Geral da União. A organização, segundo a PF, é formada por uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), empresas, servidores e agentes políticos, que teria desviado recursos públicos e direcionado as contratações de atividades ligadas à prefeituras, governos estaduais e federal à OSCIP. Essas organizações são ONGs criadas pela iniciativa privada, que, por meio de parcerias com órgãos municipais, federais ou estaduais, podem executar serviços públicos. Estima-se que o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a centenas de milhões de reais, de acordo com a Receita.

A operação tem por objetivo apurar indícios de prática de diversos crimes, incluindo fraude à licitação, corrupção, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, são cumpridos 25 mandados de prisão temporária e 44 mandados de busca e apreensão em empresas, órgãos públicos e residências dos suspeitos. As ações ocorrem simultaneamente nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, além do Distrito Federal. Além das prisões e dos mandados de busca e apreensão, a Justiça Federal decretou o sequestro de bens e o bloqueio de recursos financeiros dos suspeitos.

  As investigações começaram há dois anos, em resposta à suspeita de participação de empresas parceiras em processos licitatórios. A Receita destaca que movimentações financeiras expressivas em espécie nas contas destas empresas serviam para dissimular a origem do dinheiro e faziam com que a verba voltasse às mãos do mentor do esquema, mas a partir de então com aparência lícita. A operação foi assim denominada em referência à expressão "lobo em pele de ovelha", atribuída ao grego Esopo. Participam da operação 30 servidores da Receita Federal, cerca de 200 policiais federais e 30 servidores da Controladoria da União.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:53
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Sábado, 31 de Agosto de 2013
BRASIL EM 3 PENADAS . XLVI

BRASIL - 130 generais manifestam seu descontentamento

As escolhas de

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO 

Sábado, 17 de Agosto de 2013

 Cento  e Trinta GENERAIS manifestaram-se contra a presidente DILMA, dizendo que o  governo agiu de forma revanchista e inconsequente ao governar somente para fragmentos diferenciados da sociedade brasileira. A mídia estranhamente calou-se sobre o assunto. Os oficiais signatários, implicitamente, avisam que têm influência sobre a tropa, deixando bem claro que são eles, os pilares que fundamentam as forças armadas na actualidade. Avisam que as associações não se intimidarão frente aos acontecimentos e que o actual Ministro da Defesa não tem autoridade para censurar actos de entidades tais como o clube militar..

  “O Clube Militar não se intimida e continuará atento e vigilante, propugnando comportamento ético para nossos homens públicos, envolvidos em uma série chocante de escândalos, defendendo a dignidade dos militares, ferida e constrangida com salários aviltados e cortes orçamentários, que impedem a boa funcionalidade das Forças Armadas...” Entre  os signatários destacam-se oficiais que ocuparam altíssimos cargos na  hierarquia militar, como Zenildo de Lucena e Valdésio Guilherme de Figueiredo. “Este é um alerta à Nação brasileira, assinado por homens cuja existência foi  marcada a servir a Pátria, tendo como guia o seu juramento de por ela, se preciso for, dar a própria vida. São homens que representam o Exército e os responsáveis pelos fundamentos  em que se alicerça o Exército de hoje.”

  O manifesto dos militares, vêem crescendo há mais de um ano. Apesar da importância de seus signatários, parece que o documento ainda não conseguiu vencer as barreiras que ultrapassam o virtual; tramita pela internet, crescendo de site em site. A mídia nitidamente, evita o assunto. Desde algum tempo que o governo por parte do Ministério da defesa se  ressente, lançando ameaças de punições disciplinares contra os  signatários. Em verdade o manifesto continuou crescendo. Se, se considerar que tão grande número de generais se opõe às acções da presidência da república, pode isso significar que há em realidade algo para corrigir. Além dos 130 generais que assinaram o documento há ainda muitos outros oficiais, juízes, civis e políticos que apoiam o manifesto.

A lista dos oficiais Generais, é divulgada pelo Site http://averdadesufocada.com.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:20
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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2013
FRATERNIDADES . XLV

 “PAPA FRANCISCO” Lição de vida . V

 PAPA FRANCISCO

Pode fazer-nos um pequeno balanço  após quatro meses de Pontificado, e dizer o que foi o pior e o melhor de ser Papa? O que mais o surpreendeu neste período? 

Papa Francisco Não sei como responder isso, de verdade. Coisas ruins, ruins, não aconteceram. Coisas belas, sim. Por exemplo, o encontro com os bispos italianos, que foi tão bonito. Como bispo da capital da Itália, me senti em casa com eles. Uma coisa dolorosa foi a visita a Lampedusa, me fez chorar. Mas me fez bem. Quando chegam estes barcos (com imigrantes), e que os deixam a algumas milhas de distância da costa e eles têm que chegar (à costa) sozinhos, isso me dói porque penso que estas pessoas são vítimas do sistema sócio-econômico mundial. Mas a coisa pior é um dor ciática, é verdade,  tive isso no primeiro mês. É verdade! Para uma entrevista, tive que me acomodar numa poltrona e isso me fez mal, doía muito, não desejo isso a ninguém. O encontro com os seminaristas religiosos foi belíssimo. Também o encontro com os alunos do colégio jesuíta foi belíssimo. As pessoas…conheci tantas pessoas boas no Vaticano. Isso é verdade, eu faço justiça. Tantas pessoas boas, mas boas, boas, boas.

O senhor se assustou quando viu o informe sobre o Vatileaks? 

Papa Francisco - Não. Vou contar uma anedota sobre o informe do Vatileaks. Quando fui ver o Papa Bento, ele disse: aqui está uma caixa com tudo o que disseram as testemunhas. Havia ainda um envelope com o resumo. E ele sabia tudo de memória. Mas não, não me assustei. São problemas grandes, mas não me assustei.

 O princípio

O sr. tem a esperança de que esta viagem ao Brasil contribua para trazer de volta os fiéis? 

Papa FranciscoUma viagem Papa sempre faz bem. E creio que a viagem ao Brasil fará bem, não apenas a presença do Papa. Esta Jornada da Juventude, eles (os brasileiros) se mobilizaram e vão ajudar muito a Igreja. Tantos fiéis que foram se sentem felizes (por terem ido). Acho que vai ser positivo não só pela viagem, mas pela Jornada, que foi um evento maravilhoso.

Os argentinos perguntam-se: o sr. não sente falta de estar em Buenos Aires, pegar um ônibus? 

Papa FranciscoBuenos Aires, sim, sinto falta. Mas é uma saudade serena.

Hoje os ortodoxos festejam mil anos do cristianismo. Seu comentário. 

Papa FranciscoAs igrejas ortodoxas conservaram a liturgia tão bem, no sentido da adoração. Eles louvam Deus, adoram Deus, cantam Deus. O tempo não conta. O centro é Deus e isso é uma riqueza. Luz é oriente. E o ocidente, luxo. O consumismo nos faz tão mal. Quando se lê Dostoievski, que acho que todos nós devemos ler, precisamos deste ar fresco do oriente, desta luz do oriente.

   Meio e fim

O que o senhor pretende fazer em relação ao monsenhor Ricca (acusado de ter amantes) e como o sr. pretende enfrentar toda esta questão do lobby gay? 

Papa Francisco Sobre monsenhor Ricca, fiz o que o direito canônico manda fazer, que é a investigação prévia. E nesta investigação, não tem nada do que o acusam. Não achamos nada.  É a minha resposta. Mas eu gostaria de dizer outra coisa sobre isso. Vejo que muitas vezes na Igreja se busca os pecados de juventude, por exemplo. Abuso de menores é diferente. Mas, se uma pessoa, seja laica ou padre ou freira, pecou e esconde, o Senhor perdoa. Quando o senhor perdoa, o senhor esquece. E isso é importante para a nossa vida. Quando vamos confessar e nós dizemos que pecamos, o senhor esquece e nós não temos o direito de não esquecer. Isso é um perigo.

Foto: Com um frio destes, até o "Laçador" colocou botas para enfrentar a lide. Mais um trabalho magnífico deste grande artista,  Costa Araujo. Costa Araujo com os Gaúchos

O que é importante é uma teologia do pecado. Tantas vezes penso em São Pedro, que cometeu tantos pecados e venerava Cristo. E este pecador foi transformado em Papa. Neste caso, nós tivemos uma rápida investigação e não encontramos nada.Vocês vêm muita coisa escrita sobre o gay lobby. Eu ainda não vi ninguém no Vaticano com uma carteira de identidade do Vaticano dizendo que é gay. Dizem que há alguns. Acho que quando alguém se vê com uma pessoa assim deve distinguir entre o fato de que uma pessoa é gay e fazer um lobby gay, porque todos os lobbys  não são bons. Isso é o que é ruim. Se uma pessoa é gay e procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, pra julgá-la? O catecismo da Igreja católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados por causa disso, mas devem ser integrados na sociedade. O problema não é ter essa tendência. Não! Devemos ser como irmãos. O problema é fazer lobby, o lobby dos avaros, o lobby dos políticos, tantos lobbys. Esse é o pior problema.

Ilustrações de Costa Araújo

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:03
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Segunda-feira, 29 de Julho de 2013
FRATERNIDADES . XL

“PAPA FRANCISCO” Lição de vida . I

O Papa Francisco, quebrando um verdadeiro tabu, deixa claro que estende sua mão a esse segmento da sociedade gay. “Se uma pessoa é gay e procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu p´ra julgá-lo”, declarou. “O catecismo da Igreja explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser marginalizados por causa disso, mas devem ser integrados na sociedade”, insistiu em uma entrevista concedida ajornalistas que o acompanharam no avião entre o Rio e Roma.  Para o papa, o problema não é a existência do “lobby gay” dentro da Igreja, mas de qualquer lobby. “O problema não é ter essa tendência. O problema é o lobby dessas tendências de pessoas gananciosas, lobby político, mações e tantos outros lobbies; esse é o principal problema”, disse. Devemos ser como irmãos.

 Pela primeira vez, Francisco ainda deixou claro que, para ele, abusos sexuais contra menores por parte de religiosos não são apenas pecados, mas crimes que devem ser julgados. Sobre se os gays e sobre o abuso sexual pode representar uma mudança, Francisco deixou claro que não haverá uma nova opinião do Vaticano sobre a presença das mulheres na Igreja, sobre o aborto ou sobre o casamento homossexual. Em sua conversa anunciou que vai exigir transparência e honestidade no Vaticano garantindo que sua reforma vai continua, afirmando : “esses escândalos fazem muito mal”. Cada um tem que viver como o senhor disse que tem que viver. A austeridade é necessária para todos; trabalhamos ao serviço da Igreja. É verdade que há sacerdotes e padres santos, gente que prega, que trabalha e vai aos pobres, se preocupam garantir que os pobres comam. Há santos na Cúria! Também tem alguns que não são muito santos e, são precisamente estes que fazem mais barulho.

 Faz mais barulho uma árvore que cai do que uma floresta que nasce; isso me dói! Porque são alguns que causam escândalos; temos o monsenhor que foi para a cadeia (por lavagem de dinheiro). São escândalos que fazem mal! Uma coisa que nunca disse : a Cúria deveria ter o nível que tinham os velhos padres, pessoas que trabalham. Precisamos do perfil do velho da Cúria. Sobre a resistência, se a têem, eu ainda não vi. É verdade que aconteceram muitas coisas mas, eu preciso dizer: encontrei ajuda, encontrei pessoas leais. Por exemplo, eu gosto quando alguém me diz: “eu não estou de acordo”. Esse é um verdadeiro colaborador. Mas quando vejo alguém que diz: “ah, que belo, que belo”, e depois dizem o contrario por trás, isso não ajuda. O mundo mudou, os jovens mudaram e quero agora  falar de coisas positivas, que abrem caminho aos jovens; eles, os jovens, sabem perfeitamente qual a posição da igreja afirmou.

Ilustrações de Costa Araujo

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:43
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Segunda-feira, 22 de Julho de 2013
MUJIMBO . XLVII

Escolhas de

KIMBO LAGOA                        

ANGOLA  O ÊXODO DOS BRANCOS! . XII

Opção de

 Isomar Pedro Gomes ISOMAR PEDRO GOMES

 Os Europeus, em sua maioria, depois de despojados em África pelas revoltas africanas, de regresso aos respectivos países, embora destroçados de dor e amargura, receberam civilizadamente muitos dos antigos carrascos, dando-lhes um lar e emprego decente e uma vida digna, que jamais tiveram nos países de origem; Paz e sossego duradouro. O contrario era possível?...  Se ainda hoje 38 anos depois do fim da colonização, os dirigentes Angolanos (por exemplo) ainda se desculpam na presença colonial Portuguesa em Angola, para justificar sua pobreza. Não falando de outros pesares que dizem “pesar-lhes”; eles não são, nunca serão culpados, mas o colono (38 anos depois), SIM.  Estou seguro que, quando Angola festejar o 50º aniversário, seus dirigentes, ainda estarão a rogar pragas ao colono Português.

 HOJE ouvimos falar de relatos arrepiantes de governação de ‘preto-para-preto’ em muitos países africanos; Incompetência criminosa, bajulação estúpida como doutrina, ganância e egoísmo exacerbado (primeiro EU -sempre, sempre na primeira pessoa). A mentira como regra, é coisa banalizada, assassinatos indiscriminados, prisões em massa, inexistência de liberdade de expressão - a ‘Bíblia’ citado pelo Morgan Tchavingirai. - (inclusive, o gritar “estou com fome” é crime passível de perder a vida. Kamulingue e Kassule, são a prova viva deste facto), vida miserável, falta de empregos, corrupção endémica, justiça injusta e totalmente parcial, cadeias (horrorosamente infernais) a abarrotar de jovens provenientes das classes desfavorecidas, hospitais que mais parecem hospícios, escolas que mais parecem pocilgas etc. etc.

 Como eu gostaria de dizer coisas agradáveis mas, o paradoxo, é real. Se HOJE em África, usufruímos um bocadinho de liberdade com sabor a vida, é precisamente graças aos Europeus, isto é aos brancos, que desenvolveram uma nova ordem de conduta internacional e instituições internacionais que vigiam o globo incluindo, obviamente o nosso torrão; a nossa África. As sanções internacionais e outras medidas de verdade não desvirtuada! Eu, sinceramente não iria tão longe! No caso das colónias portuguesas, não  foram os africanos os grandes culpados; foram mesmo os generais e políticos de aviário do PUTO que fizeram merda! Obrigado Isomar! contenção pairam sobre os dirigentes Africanos e então, estes por sua vez, fingem praticar a democracia, não porque gostem dela, da democracia mas, porque temem o “deus branco e o seu braço punitivo”. Porque, se dependêssemos totalmente dos governos de “preto-para-preto” seguramente, não seria possível viver, na vasta maioria dos países Africanos.

(Continua…)

Costa Araujo Araujo Ilustrações de Costa Araujo (Meu mano Corvo)- Artista saido de Angola que na diáspora dá a conhecer a sua arte ao mundo; tem já vários prémios e é junto dos Gaúchos que se sente realizado porque deles, tem recolhido grandes louros. Vive em Dionisio Cerqueira, uma cidade na fronteira do Brasil e da Cisplatina, terras de sonhos e fantasias

 Nota de T´Chingange: hesitei em publicar esta realidade mas, porque é tão verdadeira, não posso ludibriar-me torcendo o texto que em verdade amenizei um pouco e, eu sou branco; de segunda ou lá o que seja mas, sou mesmo branco! Admiro a coragem de quem sendo preto, assume tal postura, sabendo de antemão que muitos de seus próximos, decerto o irão olhar de esguelha. Mas, estou convicto de que os culpados com consciência foram os brancos do PUTO, generais e políticos de aviário que fizeram essa merda de descolonização (venderam-nos por um prato de lentilhas); os africanos cumpriram o seu papel e mal ou bem assumiram suas hipocrisias inchados de falácia. Obrigado amigo Isomar.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:38
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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