Terça-feira, 8 de Janeiro de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XVIII

AS ESCOLHAS DO KIMBO 

PORTUGAL . OE 2013 - a prova de fogo 1ª de 2 partes

 João Bosco Mota Amaral! [Opinião] - Militante de topo do PSD - jornal Correio dos Açores

Ao fazer aprovar na Assembleia da República o OE 2013, o Governo passou o seu Rubicão e já não tem retorno possível: - a solução adoptada tem mesmo de resolver a crise, inverter a tendência recessiva e permitir o regresso de Portugal aos mercados financeiros internacionais, pondo termo ao método antigo de posicionar a liquidez da banca doméstica que assim fica sem dinheiro para as empresas e para as famílias. Repetir para 2014, certamente em tom maior, o que já não deu resultado em 2012 e agora é objecto de insistência, afigura-se politicamente impossível.
 Não tinha porque ser assim! O memorando de entendimento com a Troika foi negociado pelo Governo anterior com pressupostos pelo menos errados, se é que não foram mesmo manipulados por má fé. O défice das contas públicas era afinal superior ao então admitido, conforme se veio a verificar posteriormente. O ajustamento orçamental exigido era já de todo impossível no curto prazo de três anos, entretanto estendido para quatro… Tornou-se óbvio que sempre precisámos de mais tempo e de mais dinheiro, só por teimosia se amarrando o Governo ao dikat socratiano, aliás apresentado ao País, com frivolidade, para não dizer com desfaçatez, pelo principal responsável da nossa derrocada financeira, como um mar de facilidades, com sacrifícios mínimos.
 Alertei em tempos, no lugar devido, para o custo reputacional que o Governo sofreria ao adoptar uma medida expressamente negada durante a campanha eleitoral, nomeadamente a redução a metade do subsídio de Natal dos funcionários públicos e dos pensionistas logo no ano de 2011, agravada com a retirada total do mesmo e do subsídio de férias em 2012. Mas isto é já apenas uma memória longínqua no rol de incidentes do mesmo teor.

Ilustrações: Autoria do Soba

Mussendo: Conto de raiz popular, missiva em forma de mukanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola), Comunicado.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:31
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2011
DO BRASIL AO NAMIBE . VI

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"Colonização do Namibe e Planalto central de Angola"

Piratas

Convem recordar que do fim do século XV a metade do XIX, o contacto dos navegantes europeus com o Continente Negro, serviu apenas como uma grande reserva de mão-de-obra escrava, a ser extraída e exportada pelos comerciantes para o resto do mundo, mais própriamente para as Américas do Norte e Sul sendo no Norte usados como mão-de-obra nas culturas de algodão (E.U.A.) e do Sul e mar do Caribe para trabalharem no plantio e manuseamento de cana de açucar. Traficantes de quase todas as nacionalidades montaram feitorias nas costas da África fazendo incursões no interior do território a recolher "peças" humanas a serem negociadas como gado. Havia também piratas que atacavam de surpresa o litoral apresionando o maior número de gente. Este procedimento de ataque rápido era mais frequente nas ilhas de cabo Verde e Açores aonde podiam ter um dominio total do espaço com cães amestrados na busca de gente como se fossem coelhos.

 Serra da Chela

Os cães de fila brasileiros por exemplo, que têem no genes por constante ensinamento a busca de pessoas, foram usados na procura de "fujões" escravos que ousavam fugir dos engenhos de açucar. Mercadores negreiros europeus, com o crescer da procura por mão-de-obra escrava, associaram-se militarmente e financeiramente com sobas e régulos africanos dando-lhes em troca o poder das armas, pólvora e cavalos por forma a estes se afirmarem como autoridade. Os prisioneiros das guerras tribais eram encarcerados em “cubatas” na costa Atlântica, aonde esperariam a chegada dos navios negreiros que os levariam como carga humana pelas rotas transatlânticas.

 Fundador de Mossâmedes (Namibe)

Bernardino Freire de  Castro

A partir da metade do século XIX as costas africanas passaram a não ter interesse ao comércio de negreioros por via do término da escravatura pelo que, passou a ser vista como saída para encaminhar gente desavinda de outras paragens juntando-se-lhes os degradados para ali enviados por castigo penal; na maior parte dos casos eram rúfias da sociedade que a todo o custo tinham de ser afastados da metrópole. Alguns dos novos colonos, idos do Brasil e Ilha da Madeira para Mossâmedes buscaram lugares mais frios e de terras férteis subindo o plananto após galgar as Serras da Leba e Chela; gradualmente, e enquanto decorriam batalhas a conter sublevação de alguns sobas mais a Sul, a colónia ia-se formando ao redor de barracões num lugar que se veio a chamar de Sá da Bandeira, o actual Lubango. Falar destas odisseias é recordar a missionação dum povo, duma gente que não deixou de peregrinar a vida. Nestes folhetins de ordem temporal, aleatória, recorde-se essa estirpe de gente miscigenada a quem chamaram de Chicoronhos (Xi-colonos), oriundos das ilhas da Madeira e Açores, após estarem alguns anos na Olinda brasileiro.

Referência de consulta: Blog Mossâmedes do antigamente

(Continua...)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:33
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Domingo, 26 de Junho de 2011
ANGOLA – O PAÍS DA BANGA .IX
{#emotions_dlg.xa}CRÓNICA DO SOBA T´CHINGANGE

            "Minguito....A arte da sanfona"

 Minguito  

Minguito, acordeonista de raro talento, invisual desde os 14 anos após ter contraído sarampo, viveu tacteando o teclado, introduzindo novos acordes na música popular. O cancioneiro de Angola a partir do Bengo potenciou a humildade músical do batuque em uma eloquente interpretação, jamais vista nos meios Luandinos. A entrega plena com afeição à concertina acompanhou-o até à sua morte prematura. Bem cedo, foi influenciado pelo merengue de Luís Kalaff, um compositor de intervenção dominicano, cujo lema era: "Cantar em Liberdade". Os processos de assimilação da cultura portuguesa, são os responsáveis pela introdução do acordeão, sanfona, gaita, harmónica ou concertina nas tonalidades da musica angolana dando à rebita um folgo diferente, história que não deve ser desvirtuada por arrogância ou soberba pelas novas gerações como se tudo tivesse sido parido do nada ou em uma singela esquina do Sambizanga. O acordeão emigrou da música folclória portuguesa para a massemba ou rebita entrando a gosto no panorama da música popular angolana.

:

Um militar do exército colonial português, vendo todo o potencial musical de Minguito, ofertou em 1964 um acordeão e, não se enganou porque como ninguèm, Minguito introduziu este instrumento de origem Oriental na crioula música Angolana que marcou um momento alto, que perdura. A primeira apresentação pública de Minguito foi numa sessão musical do “Dia do Trabalhador”, no emblemático N´gola Cine, bairro do Caputo de Luanda, em 1967. A pose com o acordeão e a sua invisualidade, conferiram a Minguito uma personalidade própria que o fazia distinguir dos demais artistas, numa época em que o uso deste instrumento bem como o da concertina estavam circunscritos ao tango de Gardel, ou figuras emblemáticas de Fançony e Firmino e outros como Eugénia Lima que tocavam concertina na música ligeira e folclórica portuguesa.

 

O Gaúcho Teixeirinha, fazia sucesso com suas músicas usando a sanfona tão ao gosto dos carreteiros e tropreiros das pampas do Sul e matutos do sertão; nesse então todo o brasileiro tinha em casa um disco de Teixeirinha com seus passos de bolero e marchas juninas tão popularizadas em todo o Brasil com especial enfoque nas principais cidades Nordestinas. São famosos os arraiais nos estados de Sergipe, em Aracaju, o de Alagos em Maceió e Marechal Deodoro do Brasil, em estilo de forró, lembrando as festas-marchas de Santo António, São João e São Pedro com baile de mastro, bem à maneira das terras do Sul de Portugal e nas cidade de Natal do Ceará e Olinda de Pernambuco no Brasil. O arrasta-pé Nordestino, ao som da sanfona fazem peregrinar milhares de foliões aos bailes pé-de-serra no Cariri e Araripe, alegrando o adro do Padre Cícero, bem ao geito das rebitas de Angola ou os arraiais com mangerico nas faldas da Serra de Monchique no Algarve, nas Serras do Marão e Alvão em Trás-os-Montesou ou nos bairros Alto, Benfica, Alfama, Restelo ou Alto do Pina em Lisboa. No espaço da Lusofonia não podemos esquecer as festas floridas em homenagem aos Santos no Funchal da Ilha da Madeira ou entre milhares de hortenses em Ponta Delgada dos Açores e demais ilhas com seus mistérios beira de estrada.

 Teixeirinha

(Continua...)

O Soba T´Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:55
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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010
RECIFE – A SAGA DO AÇUCAR . XVI

 


FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        O apetrexamento urbano

 

 Mapa Brasil | Agrupación de ...  BRASIL

Os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, atingiram os melhores niveis de vida do Brasil no século XXI graças a esse povoamento de redefinir franteiras além do Tratado de Tordezilhas segundo o “Uti-possidetis” do novo Tratadod Madrid de 1750.

Santa Catarina, estratégicamente situada no Atlântico Sul, com 428 km quadrados, é em termos culturais, a décima ilha dos Açores e, foi a lei de provisão de 1747 de D. João V que ao alistar toda a gente que se oferecece para se transladar para esta ilha, que proporcionou a sociedade actual.

Povoar, colonizar e guarnecer militarmente a ilha de Santa Catarina, foi o baluarte na defesa contra piratas europeus, principalmente holandêses, inglêses e uns tantos francêses.

A custas da Fazenda Real, do recenceamento voluntário, resultaram companhias formadas por cinquenta homens cada uma, tendo no mando um capitão, dois alferes e quatro sargentos. Mas, não foram só estes os intervenientes na história do Sul do Brasil; à semelhança do nordeste Brasileiro, os Angolanos foram também os primeiros escravos a irem para Santa Catarina tendo também chegado ali, gente ida de Cabo Verde e da Guiné.

 

VIII – O TRAÇADO URBANO

 

As casas no seu todo, tinham acabamentos com ângulos nos extremos dos telhados, quatro águas e telhas de goiva ou calha portuguesa, que recebiam nas linhas de cunhal uma forma de pomba pousada. Esta pomba em olaria ou cerâmica cozida junto com a telha de arremate, trata-se e segundo a tradição do símbolo da pombinha do Espírito Santo abençoando a casa e seus moradores. Os Açoreanos têm uma predileção especial com o culto ou festas do Santo Espírito.

Havia também o refinamento das beiras ceveiras como os bordados, ou de cortinado em cimalha e outras platibandas com desenhos ou adornos enfeitando o alçado ou fachada principal. Com as canaletas de drenagem aproveitavam as águas no desaguar de drenagm de beirados e algeróz em uma cisterna algures situada por baixo do logradouro posterior. As carências de chuvas em suas terras de origem, levaram-nos a seguir os velhos métodos de armazenamento árabe ainda em uso nas ilhas açoreanas, na província do Algarve no Portugal Europeu ou todo o Sul de Espanha e Itália e também no sertão de Pernambuco.

Os beirados enfeitados dava ao seu senhor “status”, posição social altiva de poder e dai, dizer-se que as casas pobres eram de “gente sem eira nem beira”.

 

O traçado urbano das vilas tem algo a ver com as directivas de base: “- no sítio (de citadino ) destinado para o lugar de povoação, assinalará um quadrado para uma praça d quinhentos palmos de face e em hum dos lados se porá a igreja. A rua ou ruas se demarcarão ao cordel com largura ao menos de quarenta palmos, e por ellas, e nos lados, se porão as moradas em boa ordem deixando entre humas, e outras, e para detras, lugar suficiente e repartido para quintaes, atendendo assim ao comodo prezente como a poderem ampliarse as cazas para o futuro”.

A língua dos novos colonizadores com sotaques e modos diferênciados deram no correr do tempo uma mistura de linguajar a que se pode chamar a prosódia que domina hoje todo o extenso território do Brasil.

Muita coisa foi legada pelos Portuguêses continentais ou insulares e, para terminar a escrita da saga, relembra-se uma dança com letra, levada pelos povoadores de Florianápoles chamada de “A jardineira” que fez furor e ainda é cantada nos momentos altos de farra ou eventos carnavalescos.

 

 

O Jardineira porque estás tão triste?

Mas, o que foi que te aconteceu?

Foi a Camélia que caíu no no galho

Deu dois suspiros e depois morreu

( estribilho – bis )

 

Vem Jardineira, vem meu amor!

Não fique triste que esse mundo é todo teu,

Pois és muito mais bonita

Que a Camélia que morreu!

 

( Fim da saga do açucar e povoamento)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:33
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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010
RECIFE – A SAGA DO AÇUCAR . XIII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        A emigração contemporãnea

 

  MULHER RENDEIRA DE NITEROI

 

V – A EMIGRAÇÃO CONTEMPORÃNEA NO ESPAÇO LUSO

 

Já com o rasto da saga do povoamento distante, é interessante analizar entre os madeirenses “o mito da ascenção social” pelo trabalho árduo com privação sistemática. Efectivamente, a maioria dos emigrantes entre 1940 e 1960 idos para o Estado do Rio de Janeiro, o trabalho árduo e a poupança de aforro, forma meios, tanto de ascenção social como de integração à sociedade de acolhimento, os Fluminenses (nascidos no Rio de Janeiro).

Esta ideologia dos madeirenses “trabalhar e trabalhar”, define uma fronteira para com os demais grupos de emigrantes e, em especial os Portuguêses do Continente que eram mais cultos e conhecedores de novas relações humanas. Os madeirenses, numa esmagadora maioria eram analfabetos, impreparados no tracto, outras éticas e posturas de vida moderna, já bem acentuado no povo Fluminense. Esta maneira de estar na vida, foi motivo de ao longo do tempo, rebaixar ou “cotucar” a condição de se ser Português, denegrindo-o ao estigma de parolo ou caboclo de pé-de-chinelo.

A mulher madeirense impresiona pela tenacidade que, após um dia estafante de trabalho em casa, cozinhando,lavando ou passando roupa para fora ou no balcão, substituindo os maridos ou criando os filhos, dedeicam-se à noite ao bordado,ofício de muita criatividade e precisão. A jornada de trabalho da mulher, supera em muito o labor do homem pois que se prolonga do amanhecer às magrudadas, quando sobrava tempo para bordar.

 

ILHA DA MADEIRA   Ilha da Madeira - Fotografia ...

 

As bordadeiras da ilha de de Niteroi, reprodução do quotidiano das bordadeiras da ilha d Madeira, trabalham sem sessar para fregueses ou lojas do Rio de Janeiro. Foram estas actividades do bordado, fortes vínculos de solidariedade na tradição do bordado transposto da Camacha ou ribeira Brava.

A maior parte dos homens madeirenses a viver em Niterói eram leiteiros,”para trabalhar neste ramo, só portuguêses da Ilha da Madeira” porque eram quase todos analfabetos. Alguns, ao chegar da Madeira iam trabalhar para chácaras sem qualquer condição, descalços saiam cortando com facões o capim e cuidar de vacas que davam leite ao senhor e tornava-se difícil amealhar dinheiro para pagar uma passagem de regresso ou mandar vir da Ilha a sua família; família que desesperava, esperando anciosamente por carta. E, os poios lá da ilha não eram suficientes para suportar os encargos da família. As mulheres naquelas encostas de Curral das Freiras ou Camacha, rezavam à vela trepidante “para que ele, o marido, nunca se esquecesse da gente”; e cobria-se com um xaile escuro para encobrir surradas vestimenta e os choros,... era um sinal de sina triste, sem vivacidade, até que um dia, um compadre acena um papel, uma carta de chamada do seu Manel, seu Joaquim; passados anos de angústia e choro, embarca com seus filhos no porto do Funchal  para  juntar-se ao seu amor.

 

E, tantos outros anos passando com a saudade da avó ainda viva lá na Ilha; mas,... um dia aconteceu voltar por algum tempo a rever a já velhota avó : - “Ela vinha com um feixe de folhas de inhame, sabia que eu ia mas não naquela hora. O inhame p´ra fazer p´ros porcos,... lá me viu, parou de espanto, jogou p´ro lado o inhame, assimm,...para se abraçar comigo,... foi,... foi a coisa mais dolorosa da minha vida toda, ter de deixar a minha família,...  e voltei de novo”.

O vizinho, também leiteiro diz: - “A minha vida lá, era trabalhar na fazenda, catar lenha, catar areia p´ra ganhar roupa. Era uma vida muito difícil, acordar de madrugada para ir p´ra serra, cortar lenha e durante cinco horas andar com ela às costas p´ra ganhar 6 ou 7 tostões a arroba. Por isto tudo, eu saí dali; já o Continental, eles eram diferentes, eles era, o ramo deles era mais assim, fazer horta, chácara,... quase 70% deles. Depois que eles arrumavam dinheiro, era padaria,... era bar”.

- “Os nascidos e criados aqui, e a gente, e no caso eles depender da gente. Ah,...você vem de lá,... chamam de galego, chamam de,... burro,... isso ofende, doi, mas tem que engolir”.

- “ No negócio quantas noites eu não conseguia dormir. A gente ia fechar a casa  e sempre tinha aborrecimento, era xingado. Uns comia e não pagava já de propósito já ia magoado,... aquilo foi magoando,... ( a gente )  sofre muito, até se controlar sofre muito!!!”.
( Continua... AÇORES  - A emigração dos Ilheus... XIV )

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:28
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
RECIFE – A SAGA DO AÇUCAR . XI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        A colonização da Amazónia

 AMAZÓNIA  Amazonia Imagens e Recados ...

 

Quando em 1641 os Malufos (Holandêses) dominavam grande parte do Nordeste Brasileiro, aportaram a São Luis do Maranhâo e, tomaram a fortaleza cometendo atrocidades de guerra raiando a pirataria de saque; prenderam as autordades, destruiram prédios públicos e exilaram os civis notáveis. Segundo descrições, 150 dos mais notáveis cidadãos, foram deportados para a Ilha da Madeira em um navio podre e mal aparelhado, que por merçê de de Deus, foi arribar à ilha de São Cristovão, nas mãos de administradores piratas inglêses e francêses.

Para se ter ideia dos procedimentos e negócios de então, temos que em 1764 o rolo de pano e o fio de algodão serviam para pagar pré aos soldados e governadores. Por esta data em Angola, do outro lado do Atlântico acontecia o mesmo geito de negócio de permuta, sendo os libongos os tais panos com que compravam escravos aos chefes tribais. Estes libongos substituiram a moeda de conchas, bivalves n´zimbo e caurins, apanhadas nas costas marítimas de África e Brasil.

O dinheiro moeda, só começou a ser cunhado em princípios de Maio de 1749. Um decreto de 12 de junho de 1748, mandava substituir os novelos de algodão ou rolos de pano, por moedas de ouro, prata ou cobre, tendo na inscição de faces, o valor, a lei e o tipo. Desse então em diante, os governadores passaram a receber o soldo de seis mil cruzados.

A colonização portuguêsa no Maranhão teve início só em 1615, depois de se expulsarem os francêses.

São Luis do Maranhão é uma cidade singular do antigo império português; o seu traçado rectílineo com uma ocupação ordenada, permitiu com base nas plantas urbanas do século XVII, sob a tutela do Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Mello, que a Unesco em 1997, a defenisse como património da Humanidade.

 

III - A COLONIZAÇÃO DA AMAZÓNIA

 

Quando da subida ao trono de D. José I, na Amazónia Brasileira decorria uma virulenta epidemia de variola entre os índigenas. Por este motivo, dimínuiu de forma drástica a percentagem demográfica, afectando assim os moldes prescritos no novo acordo de Madrid, “Utis Possidetis”. Quarenta mil índios terão perecido desse “mal de contágio” e, havia que tapar esta lacuna, pois que a posse, exigia gente na Amazónia. Assim, manda D. José I na pessoa de seu ministro, o Marquês de Pombal, que se transporte com a maior brevidade o maior número de gente para as Capitânias de Maranhão e Pará. Esta ocupação teria de ser feita em articulação com as forças militares na fixação efectiva de colonizadores.

Naquela onda e, com a expulsão de outras praças do Oriente pelos mouros, como Mazagão, vêm estes, a ser encaminhados para o Amapá, onde se viria a fundar a Vila Nova de Mazagão. O preço do transporte e sustento desde as ilhas de Madeira, Açores, ou do Continente até ao Pará, ficava ao encargo da Fazenda Real. O valor da passagem era de 19.350 Reis por cada pessoa acima dos três anos. Esse transporte marítimo, só seria pago após conferência das pessoas à chegada, fosse Pará ou outro qualquer destino da costa bresilerira.

Aquele pagamento era referente só a pessoas vivas como garantia de bom trato na travessia e, por forma a evitar perdas. Só para Maranhão, no ano de 1576, foram levadas 480 famílias que ali se estabeleceram.

À nova condição de colonizadores, era dito que “não iriam na mira de virem a ser senhores de escravos, devendo consciencializar-se de que teriam de cultivar as terras que lhes eram dadas nas sesmarias pelas suas próprias mãos, tal como o faziam em seus locais de origem”. Daqui dizêr-se que a colonização Portuguêsa foi “Sui-genéris” sem igual e, por isso terem sidos os ultimos a ceder as suas posseções; a última foi Macau em 1999.

 

( Continua... O Povoamento... XII)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:59
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Sábado, 12 de Dezembro de 2009
RECIFE – A SAGA DO AÇUCAR . IV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        Os caixões de açucar

Olinda - PE Papel de Parede ...   OLINDA

 

Os Tugas, resgataram a prática do uso escravo podendo de forma sintética mencionar o padre António Virira quando refere “ Sem açucar não há escravos e sem escravos não há açucar”.

A Madeira como berçário de novas práticas sociais foi nos primordios  da expanção Lusa, o primeiro e mais importante mercado receptor de escravos aficanos. À illha chegaram os primeiros escravos guanches, marroquinos e africanos que contribuiram para o arranque económico do arquipélago e a diáspora Lusa.

Depois, foi o pau brasil, e os caixotes de nobres madeiras que serviam para transporte do ouro branco.

 

Nos dias de hoje, ainda se pode apreciar mobilias feitas de boas madeiras levadas do Brasil como o jatobá, jacarandá, sucupira ou angico; estas madeiras, curiosamente eram tão somente a estrutura dos “caixões” para transportar  300 quilos de açucar. Talves por isso se designe aos contadores ou administradores das remessas de “caixeiros” pois, mais não eram tão somente do que zeladores dessas caixas de açucar.

Os maiores e melhores organizados destes caixeiros eram os imigrantes ou colonos de ascendência judaica, essa grande diáspora unida à semelhança dos Ilheus que por via da inquizição levaram famílias inteiras a se refugiarem nas praças do Norte da Europa como Amstedão, Antueérpia, Rochela, Londres ou Bordeus. Por iniciativa própria e por sobrevivência, estabeleceram redes de negócio familiares que vieram a ser considerados como o principal suporte da rede comercial resultante dos descobrimentos. Esta rede comercial é em realidade uma verdadeira contradição com os comportamentos da expanção cristã, o que me leva a salvar a teoria de que em negócios tudo é possivel. Nesta rede comercial, Angola, aparece como principal consumidor de vinho da Madeira a par com o Brasil, país irmão.

 

Há escritos de caixeiros referindo fornecimento de 100 pipas de vinho da Madeira no ano de 1651, poucos anos após Salvador Correia de Sá e Benevides ter escorraçado os Mafulos de Loanda.

No Funchal, em São Vicente do Brasil, Pernambuco, Bahia, Luanda e Santiago de Cabo Verde por via do negócio do vinho, há novas apetências surgindo por isso uma chusma de pequenos burgueses. São estes os vértices do mundo Português, a Lusofonia actual que dá agora importância com consciência  às praças dum antigo recheio colonial.

Muitos de nós de genes mestiça, somos o fruto deste fado chamado de diáspora; o fruto desses antigos mestiços, capitães, mestres e serviçais, escravos duma sanzala qualquer, servindo sempre um senhor. O senhor do engenho ou navegador aventureiro da rota do cabo.

 

A rectórica com manipulação de novos discursos, para serem históricos, terão de se basear nessa evocações, fundamentos na reposição da verdade. É para  isso que servem os grandes homens, a que  vulgarmente chamamos de estadistas.

 

( Continua... A batalha de Guararapes... V)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:59
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Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009
RECIFE – A SAGA DO AÇUCAR . III

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

O bodo dos pobres na “Folia do Divino”

 

 ILHA DE SANTA MARIA

 

 

 

Aos combatentes Madeirenses que se bateram nas campanhas de Bahia e Pernambuco contra os Mafulos, receberam tenças ou cargos administrativos como recompensa pelos serviços prestados; assim, se alicerçou as instituições régias de soberania local defendendo-a de corsários franceses, castelhanos e os referidos Mafulos.

Por via do novo tratado de Madrid que substituíu o já desuzado trato de Tordesilhas, constituiíu como primordial a efectiva ocupação do território por gente Lusa. Em 1746 foram enviados casais Açoreanos para terras do Sul; estava em curso o estancar de gente de Castela que ao longo dos anos se tinha instalado na foz do rio Prata, actual Uruguai, uma parte da grande Cisplatina.

Florianópolis passou a ser nesta corrente migratória a 10ª ilha dos Açores em terras do Brasil; as evidências estão mais vivas do que na terra mãe atravês das festas do Espirito Santo e os mistérios em honra do “Divino”, festa de Pentecostes que no calendário católico têm lugar cinquenta dias após a celebração da Pascoa. A tradição foi difundida nas ilhas por influência da Rainha D. Isabel  (1276 a 1336).

 

Tive oportunidade de assistir anos atrás à coroação de um Imperador na Ilha de santa Maria dos Açores e, nesse dia fui ao bodo dos pobres; ”folia do divino” que ocorre em toda a Ilha e que foi transposta para Santa Catarina do Brasil.

Em S. Vicente, persiste a tradição do bodo, mesa farta no dia do Divino Espírito Santo aonde ninguém paga e ainda leva merenda ou bolo para suas casas.

Na ilha de Santa Maria comprovo porque vi, em Santa Barbara e Vila do Porto, aos fins de semana andam uns mordomos com vestimentas especiais como os das irmandades, fazendo peditório para esta época de quermesse. Por vezes gente vinda da diáspora da  globália saudosa desses costumes dá alvissaras ofertando tudo para esta festa e, são inumeros os voluntários a ajudar nas muitas actividades.

Na triângulação Europa, África e Américas, principalmente a Madeira mas, também os Açores, estiveram no princípio dos usos como um laboratório esperimental da sociedade Atlântica.

Convêm desmistificar de que não é verdade terem sido os portuguêses que estiveram na origem da escravidão do negro e a criação desse mercado. No mundo Mediterrânico, crescente fértil e na África em geral já existia há muito tempo a escravidão entre tribos como coisa natural, mão-de-obra barata; isto está descrito nos testamentos da Bíblia, no livro do Gênises em que os vencidos eram tornados à condição de escravos, em troca de suas vidas; gente da tribo de Canã; este gesto era tomado como “humanitário” e, fez parte de todos os códigos da antiguidade como o de Hamorábi, e o direio Romano que serviu de  referência no mundo Português, mas não só, até o século XIX.

 

A escravidão foi introduzida na América em 1492 pelo próprio Colombo e conquiatadores que se lhe seguiram pois que, em suas naus já levavam escravos. Foi, no entanto, a partir de 1501 que os introduziram em São Domingos.  No Brasil, só se comprova a existência de escravos a partir de 1531, na Capitânia de São Vicente.

( Continua... Os caixões de açucar... IV)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:59
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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