Sábado, 30 de Março de 2013
MUJIMBO . XXXIII

   AS ESCOLHAS DO KIMBO                        

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . III

Por

ISOMAR   PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela. 

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Hoje é um homem amargurado, frustrado. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 

 Poderia África ser hoje comparada ao Inferno ou ao Purgatório? Qualquer um deles serve! Paraíso: NUNCA. Pouquíssimos países Africanos (menos do que os dedos de uma mão) podem aproximarem-se a tal eleição. “HOJE até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo” – sintetizou Morgan Tchavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabweano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo. Zimbabwe no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente. Por vezes quando nas datas históricas, oiço e vejo pela TV, indivíduos a mencionarem o que o ‘colono nos faziam’, sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mato de ‘risada’, “porque o colono fazia…blá-blá-blá” - dizem eles - hoje faz-se pior!

 

 O colono se fez, quase que o desculpo, é ou foi colono, é branco não é meu irmão de raça, etc., agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, (ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura) faz o que viva e denodadamente repudiávamos do colono, esta ultima acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma. Por isso, logo após as independências Africanas, verificou-se o segundo êxodo – o primeiro foi dos brancos a abandonarem África - milhões de Africanos, abandonaram com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença a África, a maioria arriscando literalmente as suas vidas (o filme continua até aos nossos dias), seguindo os outrora colonos, porque chegaram a conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político Africano; “eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar” disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.

 Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África, porque?! Os Europeus, muitos deles depois de chacinados em África pelas revoltas africanas, de regresso aos respectivos países embora destroçados de dor e amargura, receberam de braços abertos muitos dos antigos carrascos, dando-lhes um lar e emprego decente e uma vida digna, que jamais tiveram nos países de origem; Paz e sossego duradouro. O contrario era possível?... Se ainda hoje 37 anos depois do fim da colonização, os dirigentes Angolanos (por exemplo) ainda se desculpam na presença colonial Portuguesa em Angola, para justificar a Pobreza e outros pesares que “estamos a sentir”; eles não são, nunca serão culpados, mas o colono (37 anos depois), SIM. Estou seguro que, quando Angola festejar o 50º aniversário, os dirigentes Angolanos, ainda estarão a rogar pragas ao colono Português.

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

(Continua…)

Subscreve

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:20
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 24 de Março de 2013
MUJIMBO . XXXII

   AS ESCOLHAS DO KIMBO                        

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . II

Por

  ISOMAR   PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Hoje é um homem amargurado, frustrado. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 

 As então, gerações de jovens africanos instruídos pelas instituições da administração colonial organizaram-se politicamente e fizeram soar a acusação de que os Europeus estavam a sugar as riquezas do solo pátrio em benefício exclusivo das nações colonizadoras, desconsiderando totalmente os interesses dos nativos e das colónias, transformando os autóctones em miseráveis na sua própria terra; “eles vieram com a Bíblia, nós tínhamos as terras, no fim eles ficaram com as terras e nós com a Bíblia” disse Robert Mugabe, nacionalista e guia da libertação do Zimbabwe.

Jomo Keniata

Organizaram-se contra o invasor, protestos, revoltas, guerras, chacinas, a história regista que o movimento e actuação dos ‘mau-mau’ liderado pelo indomável Jomo Keniata, foi um dos mais cruéis de África e o que chamou a atenção da comunidade internacional, para a necessidade da urgente descolonização do continente negro. Claro a violência gera violência, os resultados hoje fazem parte da história. A resposta colonial a violência nacionalista africana, sempre foi comedida, por exemplo, se a força policial Portuguesa no 4 de Fevereiro e posteriormente no 12 de Março de 1961, correspondessem com o mesmo demonismo com que o MPLA ‘respondeu’ ao chamado Fraccionismo do 27 de Maio 1977, muitos dos actuais dirigentes, não existiriam, e provavelmente não haveria movimentos de libertação, durante muito tempo. 

 Passado cerca de meio século, que a maioria dos países Africanos ‘arrancaram’ na ponta da espingarda a independência das potências colonizadoras (seguindo a lição do camarada Mao Tsé-Tung), se fizermos o balanço, quais foram os ganhos que os respectivos países e povos obtiveram, poucos são os Países Africanos que diremos, saíram indiscutivelmente a ganhar. “Quando é que a independência afinal vai acabar?”- Indagou desesperado/desapontado um septuagenário angolano nos idos anos 78-80, fatigadíssimo da guerra estúpida, de tanta crueldade e injustiça praticada pelos seus patrícios (do regime e da oposição), denominados de nacionalistas de primeira água.

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

(Continua…)

Subscreve

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:33
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 19 de Março de 2013
MUJIMBO . XXXI

 AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . I

Por

 ISOMAR PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Isomar Pedro Gomes, ex-funcionário da delegação provin­cial da Segurança do Estado (em Benguela), hoje é um homem amargurado, frustrado. Recusa-se a revelar os cargos que exerceu dentro da «secreta» benguelense, desculpando-se. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 Luanda  - À dias a caminho do Hojy-yá-Henda, a bordo de um dos maximbombos da TCUL Viana - Cuca, um dos vários azulinhos, os emblemáticos táxis colectivos, que ‘palmilham’ Luanda, chamou a atenção ao exibir no vidro traseiro o seguinte dístico; BRANCO È DEUS, MULATO É ANJO, PRETO É DIABO. Tal dístico levantou as mais diversas celeumas entre os passageiros do maximbombo e transeuntes por onde o dito azulinho (mini m´bombó - ‘popó-show’) passou. Raciocinei com os meus botões e os meus botões comigo, as causas que levaram o proprietário do ‘popó’ ou do ‘chauffeur de praça’ a mencionar e exibir tal ‘desgraçado ou ditoso (?!)‘ rótulo. Na busca mental das ‘causas’, não pude deixar de comparar o modo de vida de hoje e o da administração colonial, quando o País e a grossa maioria dos países do continente Africano, era administrado por indivíduos maioritariamente de raça branca, provenientes da Europa, “os tais colonos”, poderia África ser comparada a um paraíso? A quem diga sim, eu não discordo dele! “Colonialismo caiu na lama!” Lembram-se deste célebre estribilho 1974-1977?

 

Foto: VIVA A POBREZA!...A eliminação da subvenção dos combustiveis, vai beneficiar os pobres? o que acham mwangolés?... há quem defenda a eliminação da subvenção e o aumento de unidades de transportes públicos, os chamados articulados na cabeça de lista... será? A JOÌA COLONIAL - Angola, era mundialmente conhecida como a Jóia do império Português e exibia majestosa, todos os pergaminhos de tal título, o Quénia a par da África do Sul, a jóia Africana do império Britânico, Algéria a jóia Africana do império Francês e o antigo Congo/Zaire a jóia do Belgas. Tais países Africanos - no contexto do outrora, prosperavam a olhos vistos (a maioria deles encontravam-se ainda na idade da pedra), as respectivas comunidades autóctones idem em aspas, os índices de desenvolvimento humano dos autóctones inegavelmente estavam lenta e seguramente subindo, as obras dos colonialistas ainda perduram pela África adentro. Verdade seja dita, o esclavagismo e as guerras de “kwata-kwata” fizeram irremediáveis estragos em África. Mas também não é menos verdade, que a falta de unidade, ambição, irresponsável individualismo e a sempre estúpida e insana mente guerrearam, fizeram verter sangue (entre nós Africanos), tornaram bem-vinda “la pax romana” isto é promulgação da força do chicote e da bala, pelos Europeus.

(Continua…)

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

Subscreve

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:52
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2013
KIANDA . XLII

DESANOITECI EM ZANZIBAR - VIII

Verdade ficcionada

Por

T´Chingange

 Boyona Falls

Envolto em quentura húmida, balouçava ritmadamente ao som surdo das quedas de água. Apreciando o arco-íris quase permanente, bem por cima das cataratas Boyoma, dava chupadas divagadas em meu cachimbo de marfim feito de osso de corno. Apreciando os deliciosos biscoitos entre goles de uma bolunga feita por Charllôtte, empolgava-me no conforto de pai branco anafado de gordo e rodeado de muitos e leais serviçais. Kabila Kasavubu que zelava pelos cacaueiros era em bom dizer o feitor geral, mustafá T´shiluba que antes tomava conta da borracha, já mais-velho, tomava agora conta da granja, limpeza do terreiro, animais de estimação e galináceos; a mucamba Charllôtte ordenava as coisas da casa orientando a gente no amanho da casa grande e dirigia a cozinha no maior zelo.

::Eu, tomava as minhas precauções contra as muitas maleitas da região e religiosamente zelava da manutenção do meu físico tomando os minerais e vitaminas adequadas para precaver infortúnios; Para a próstata tomava todos os dias uma colher com farinha de pevide de abóbora, para os ossos bebia diáriamente um copo com cloreto de magnésio, comia abacate para regular os triglicéridos e efeitos degenerativos, água com a baba de quiabos para regular o açúcar e muitos chás com ervas e cascas que o kimbanda Good Lukuga raizeiro, me fornecia amiudadamente. O paludismo era tratado com umas folhas de árvore que ficava a macerar uns dias e eram depois pisadas com casca de ovo de avestruz; O kimbanda Good observara que os animais doentes bebiam água nas lagoas onde essa árvore se encontrava. Mais tarde confirmou-se que as folhas daquela tal árvore Cinchona tinham muito quinino em sua seiva e, por isso o milongo tinha funções antitérmicas, antimaláricas e analgésicas. Ele dava-me periodicamente um pó dizendo que aquilo era para eu durar sempre; vim a saber ser bicarbonato de sódio e usado com frequência elimina as células cancerígenas. Como é que aquele Good sabia que este milongo inibia as metástases do bicho câncer.

 Pensava agora na proposta de meu amigo mustafá Joshua Naili de Kisangani. Sugeriu-me que fizesse uma salga de peixe do rio Lualaba, pois que ele tinha muita procura em sua rede de lojas do interior do Congo; além do mais havia aqui, bagres muito apreciados na região a sul de Matadi. Eu, só teria de montar estruturas, armações de paus, escalar o peixe, colocar o sal e deixar passar uns quatro dias de sol. Os de Matadi e das regiões do Songo, Fiotes e Kiocos, gostavam de fazer um prato com óleo de palma a que chamavam de kalulu e mezungué. Para me convencer falou de espécies tais como o Alestidae (tetras Africano), Mochokidae (bagres squeaker) e Cichlidae (ciclídeos). Destes o mais procurado era o peixe-tigre-golia que feito em postas dava óptimas caldeiradas. Ainda estou pensando.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2013
KIANDA . XLI

DESANOITECI EM ZANZIBAR - VII

Verdade ficcionada

Por

 T´Chingange

 No intuito de estabelecer uma rota segura para o cacau de minha roça, desloquei-me a Kisangani, aonde o Rio Lualaba dá lugar ao caudaloso Rio Congo; falei com o mustafá Joshua Naili, que se mostrou muito gentil dando boa aceitação às minhas pretensões. Foi bem interessante o contacto com este comerciante com quem mantive uma longa conversa entrecortada com sorvos de chá menta e biscoitos bizantinos como ele referia. Tendo este, uma frota de barcos e contactos com comerciantes holandeses de Antuérpia e outras praças europeias, propôs-me colocar os produtos da roça, nomeadamente o cacau, ganhando ele uma comissão de 30 %, o que me pareceu justa. Na minha fazenda de Boyoma, eu só teria de secar as amêndoas de cacau e mantê-las em lugar seco e arejado, ensacadas em ráfia ou sisal até que as barcaças chegassem ao cais de Ubundu; no destino estas amêndoas seriam moídas e distribuídas para vários fins como fazer sumos, geleia, destilados finos e o tão desejado chocolate.

 O produto chocolate, era conhecido desde o início da colonização da América. Em função das necessidades climáticas para o cultivo do cacau, não é possível o seu plantio na Europa e por isso as colónias americanas de clima tropical húmido forneciam a matéria-prima. Tendo a África Ocidental um clima quente e húmido com solo argilo-arenoso, e sendo uma planta umbrófila, foi só propagar as sementes nos sub-bosques e matas rareadas por lonjuras a perder de vista. Pouco mecanizada, tive de juntar muita gente em kimbos para o amanho deste fruto e o contracto de Kabila Kasavubu um negro forro fugido nem sei como, das terras da Bahia em Brasil, foi crucial. Kasabuvu, tinha uma larga experiência pois que enquanto escravo, era esse o seu trabalho, limpeza, uso de fumos e protectores a fungos que não raro surgiam nos pés de cacau; conhecedor desse processo e sistema de secagem foi em verdade este meu auxiliar, que promovi a capataz.

::::::::::::::::::::

 Nas manhas de cacimbo intenso, sentava-me na sacada da casa colonial tomando café com chocolate quente. A minha mucamba Charllôtte, ao longo do tempo foi aprimorando sua arte de culinária e doçaria e fazia questão de presentear seu amo T´Chingange com tortas, biscoitos, mousses  e  bombons, muito antes de ser um hábito nos cafés europeus de Paris, Londres ou Lisboa. Nas meditações da vida amiudadamente recordava o quanto era bafejado pela sorte em terras de canibais; em outro lugar longínquo chamado de México, um outro continente, os nativos consumiam o cacau na forma duma bebida quente e amarga, de uso exclusivo da nobrezaNaquela roça grande de Boyoma no rio Lualaba, inalando a brisa em nuvem de cacimbo das cataratas próximas, eu era ali, também, além de pai branco, um verdadeiro nobre.

(Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:40
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2013
KIANDA . XL

DESANOITECI EM ZANZIBAR - VI

Verdade ficcionada

Por

  T´Chingange

Aquela Associação da Reforma do Congo tendo exposto abusos arbitrários e selvagens da força de trabalho pelo Rei Leopoldo II da Bélgica no Estado Livre do Congo, deu encaminhamento à anexação do Congo pela Bélgica o que se veio a verificar no ano de 1908. Eu, uma Kianda, portadora da crença de Camões, das suas Ninfas e Tágides do Puto Luso, entre matumbolas kwangiadas mais bitcaias adquiridas em pântanos insalubres do Kwanza, e kalungas do N´gunza, Queve e Bero, indignava-me da falácia dos povos europeus. Não tendo os Belgas feito algo de grandioso e sendo prevaricadores por desvios na conduta humana exterminando milhões de seres, tiveram no entanto como prémio, tomar conta dum tão vasto território chamado de Congo ou Zaire, banindo sarcasticamente o arrojo de gentes do Puto comprovadamente fixados àqueles sertões africanos.

  Como se justifica que as nações europeias desse então tenham relegado o Puto ao desprezo, povo que se esgotou enviando levas de gente, ano após ano, a partir do ano de 1480; Como não levaram em consideração a implantação de gente que já ali labutava à mais de quatrocentos anos a partir da chegada de Diogo Cão à foz daquele grande rio Zaire. E, quantos, entretanto, morreram missionando os matos infestados de malária e tzé-tzé; morrendo sem glória, dando de bandeja aos Belgas um território tão vasto como o Congo. Leopoldo ofereceu uma reforma em seu regime, mas poucos levaram isso a sério. Todas as nações estavam de acordo que o domínio do Rei deveria ser extinto o mais rápido possível, mas nenhuma nação estava desejosa de assumir a responsabilidade, e nunca foi sugerido que as terras em questão fossem devolvidas ao povo da região. A Bélgica era a forte candidata à administração do Congo, mas os belgas não estavam ainda dispostos a isso. Por dois anos a Bélgica debateu a questão e foi às urnas decidir. Entretanto, Leopoldo, aumentava o “Domínio da Coroa” para com isso espremer a última gota de lucro.

  Da minha fazenda podia ouvir o barulho dos rápidos de Boyoma Cataratas no rio Lualaba; lançando ao ar nuvens de partículas de água, amenizavam o tórrido clima inundando humidade no verde da roça com milhares de cacaueiros. Pouco a pouco fui-me afastando das lidas de gestão dos interesses do rei Leopoldo com a compreensão de Richard Mohun e o comprometimento da kianda Januário Pieter*. A fazenda ocupava-me já quase em absoluto; para espairecer, amiudadamente ia até aos rápidos com o cipaio fiel mustafá T´shiluba refrescar-me e pescar. Enquanto pescava, o cipaio fumava ervas mal cheirosas de adocicada liamba. Entretia-me vendo os pescadores tradicionais com suas engenhosas tarrafas encastradas nas rochas, juntar forças pela comunidade a qual amiudadamente eu era chamado a fazer justiça ou esclarecer assuntos que eles não dominavam. Decididamente a “era da borracha” estava acabada; O pai branco, decidiu por isso fazer um plantio de milhares de pés de cacau.

(Continua…)

Glossário: kianda : - fantasma das águas, espírito da Kalunga; Liamba: - droga de fumo, que leva a delírio; cipaio: - guarda indígena; segurança; Puto: - Portugal; matumbolas:- mortos vivos; kwangiadas: - Ninfas do rio Kwanza; bitacais: - bicho de pé

*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos que tem no seu ADN a picardia cutucada de malária.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:57
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 19 de Janeiro de 2013
KIANDA . XXXIX

DESANOITECI EM ZANZIBAR - V

Verdade ficcionada

Por

 T´Chingange

Telepáticamente entrei em contacto com Januário Pieter, a kianda mwata que nesse momento estava demasiado ocupado em terras de França, Vallée de la Loire. Recomendou que me alheasse da situação de mutilação do estado Livre, mas que no entanto elaborasse um relatório que mais tarde o faria encaminhar a Edmund Morel um jornalista de investigação; Este Edmund, fiquei a saber mais tarde, empenhava-se em acabar com os métodos desumanos do monopólio secreto de Leopoldo do Estado Livre do Congo. O contacto com o mato e muitos animais ferozes já naquele início do século XX, era para mim uma forma de liberdade, adrenalina do viver entre incertezas e perigos naquelas vastas regiões por explorar, longe dos interesses costumeiros e das coisas de vida civilizada. Continuava ali amarrado á rígida noção de dever de cavalheiro que me impedia de abandonar Richard Mohun, elaborando em surdina o prometido relatório de atrocidades.

A partir de certo momento senti-me o pai branco e, não raras vezes e à revelia das ordens de cima, reunia-me no jango com os macololos de fala Swahili a conversar sobre coisas comuns sentindo-me vagamente acompanhado; com o tempo e convivência situava as fisionomias distinguindo os mais amigos; quase todos faziam soltar de seus cachimbos um cheiro adocicado de liamba. Amiudadamente surgiam mulheres cafecos (novas e virgens) a recarregar seus cachimbos com mais erva. Junto às barricas de aguardente de palma, marufo, ensaiava vontade de fumaça e, nessa tentativa sublimava  o inebriante fumo: “As cestas de mão cerradas, postas aos pés dos chefe de posto europeus, tornaram-se o símbolo do Estado Livre do Congo... A colecção de mãos tornou-se um fim em si mesmo. Os soldados da Força Pública traziam-nas em vez da borracha; eles, até mesmo iam colhê-las em lugar de borrachas... Os soldados dos Força Pública tinham seu bónus pagos de acordo com quantas mãos eles colectavam”.

Edmund Morel faiscou a notícia que em 1902, resultou no romance de Joseph Conrad intituladoO Coração das Trevas”. Foi publicado com base na sua breve experiência como capitão de um navio a vapor no Congo, dez anos antes. Este livro encapsulava o pavor crescente do público, e em 1904, Sir Roger Casament, o cônsul britânico, entregou um longo e detalhado relatório testemunhal o qual tornara público. A Associação Britânica de Reforma do Congo, fundada por Edmund Morel, em considerandos de varias fontes incluindo o meu relatório fornecido por Januário Pieter, exigia acção. O Parlamento Inglês clamou por uma reunião das 14 potências signatárias a rever a Conferência de Berlim. O Parlamento Belga forçou Leopoldo a organizar uma comissão independente de inquérito, e apesar dos esforços desesperados do Rei, em 1905 foi confirmado o relatório de Casement em sórdidos detalhes.

(Continua…)

Glossário: kianda mwata: - O fantasma chefe, Espírito maior da Kalunga; Jango: - Casa assembleia, lugar de reunião dos mais-velhos. Macololos: - chefes, macotas, tribo;marufo: - vinho de palma cassoneira ou outra; Liamba: - droga de fumo, que leva a delírio; gweta: - branco; cipaio: -guarda indígena, polícia de 2ª linha; mwata: - guru, chefe  carismático, Senhor dos senhores.

*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:50
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 13 de Janeiro de 2013
KIANDA . XXXVIII

DESANOITECI EM ZANZIBAR - IV

Verdade ficcionada

Por

T´Chingange

A linha telegráfica acabou de ser montada três anos depois no ano de 1902 na região de Boyoma Cataratas no rio Lualaba, Estado Livre do Congo. Os cipaios de fala Swahili referiam aquele sítio que não ficava muito longe de Kisangani como sendo a terra de Ubundu. Richard Mohun, além de mim na qualidade de kianda interina, foi o único branco a terminar aquela expedição sem sofrer as agruras do paludismo graças aos chás de milongo que criteriosamente tomávamos ao fim da tarde; porque amargavam como trovisco os demais gwetas (brancos), recusavam-se a tomar. Mohun terminada esta tarefa com sucesso foi convidado pela administração do rei Leopoldo da Bélgica a ficar por ali dirigindo a prospecção de minas de cobre, cobalto, estanho, rádio, urânio e até diamantes. Aquela região potencialmente rica em minerais era nesse então propriedade pessoal do rei Leopoldo, o homem mais rico da Europa.

Flag  Bandeira do Estado livre do Congo e Leopoldo II

O Estado Livre do Congo foi um reino privado, propriedade pessoal de Leopoldo II da Bélgica entre 1877 e 1908. Em 1908, esta propriedade privada passou a ser uma colónia da Bélgica, o Congo Belga. Ele criou uma série de organizações, culminando na Association Internationale du Congo, da qual só existia um accionista: o próprio Leopoldo. Incluía toda a área hoje conhecida como República Democrática do Congo e assentava na exploração do trabalho africano para extracção de borracha, marfim e minerais. 

Localização de Estado Livre do CongoPor ali fui ficando assessorando Mohun em tarefas de relações com o povo de fala Swahili e Tshiluba, dialectos que dominava quase na perfeição mas, não demorei a revoltar-me em surdina com as regras de desumana disciplina que por ali vingavam por expressa ordem do rei Leopoldo II da Bélgica. Para impingir as cotas de borracha, foi instituida uma Force Publique (Força Pública) cujos cipaios, na sua maioria eram canibais do Lualaba armados com armas modernas e chicote. Esta “Força Pública” rotineiramente pegava e torturava reféns, açoitavam, estupravam, incineravam aldeias, a acima de tudo, extirpavam mãos humanas como troféus, castigo este, só porque as cotas de produção não eram cumpridas.

Um cipaio m´fumo (chefe) descreveu-me uma incursão para punir uma aldeia que havia protestado e fiquei muito intranquilo: "Ordenaram-nos a cortar as cabeças dos homens e a pendura-las nas cercas da aldeia, bem como seus membros sexuais, e pendurar as mulheres e crianças em forma de cruz", acrescentando: O oficial comissário prometeu-nos que se tivessemos muitas mãos, ele encurtaria nosso serviço. Januário Pieter, a kianda-mor mwata, desconhecia toda esta barbaridade; haveria que lhe fazer uma mensagem a dar conhecimento deste estado de coisas.

  Leopold II, morreu sem ter pago pelo crime, de eliminar em sua sanha colonial cerca de 10 milhões de vidas. Alguns anos atrás podia-se comprar em quiosques, no centro de Bruxelas, mãozinhas de chocolate como recordação deste passado; coisa macabra.

(Continua…)

Glossário: gweta:- branco; milongo: -remédio indígena, de raizeiro; cipaio: -guarda indígena, polícia de 2ª linha; mwata: - guru, chefe  carismático, Senhor dos senhores.

*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:13
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 25 de Dezembro de 2012
KIANDA . XXXVII

DESANOITECI EM ZANZIBAR - III

Por

T´Chingange

 Richard Mohun, o expedicionário soldado da fortuna com quem a kianda Januário Pieter*, fez o achamento do Lago Tanganica, veio efectivamente a ser nomeado cônsul dos EUA para Zanzibar a 25 de Maio de 1895, mantendo-se nesse cargo até fins de 1897. Por morte do Conde do Lavradio no ano de 1870, e após ter feito espólio fiz entrega de todo o património composto de porcelanas e marfim, ao comandante do vapor Mindello, o Capitão José Bernardo, que ali aportou em uma viagem de soberania a terras de Diu, Damão e Goa. Na condição de kianda interina, eu, tinha agora todo o tempo do mundo para me lançar em aventuras expedicionárias, desbravar terras gentias e viver experiências com o extravagante amigo Richard Mohun. Por via das indicações da kianda Pieter e seus segredos de kimbanda, a minha saúde era invejável; o uso de seus chás e mezinhas como o sulfato de virtude, cloreto de magnésio, soda de malvadez, citrato de sildenafila, baba de quiabos e estrato de quinino, mantinham-me um saudável e estável comerciante de cerâmica, marfim e curtumes.

 Richard Mohun, tendo-se envolvido na Guerra Anglo-Zanzibar , entre o Sultão de Zanzibar e as autoridades britânicas, acabou por servir de intermediário entre estes e, pelo seu tacto diplomático em troca de serviços, acabou por se envolver  como expedicionário  na feitura de uma linha de telégrafo do Lago Tanganyika ao nascimento do rio Nilo, área já vasculhada por David Livingstone. Foi através do padre Bernardo do forte português que tive notícias desta expedição e, foi deste que recebi o recado em me aviar a falar com o ex-consul Richard. Ele estava a contar comigo para tal empreita. Eu, fiquei em pulgas, pois que alinhar numa dessas campanhas, era o meu maior sonho. Convite feito e aceite ajudo-o a seleccionar cem homens para acompanhá-lo e, foi entre os Askari de Zanzibar que recaiu a nossa escolha; a quinta parte destes já o havia servido numa outra expedição no ano de 1894. O expansionismo britânico não podia perder pontos nesta braveza pela posse de África e destinou-lhes uma escolta numerosa sob o comando do capitão Verhellen.

 Andamos a pé, de tipóia, em carros de boi e em canoas. Nas aldeias, tratávamos os doentes, conquistando assim a amizade dos nativos podendo negociar com a população local ao longo do percurso. Mohun apetrechou-se de 100 caixas de bugigangas comerciais compostas de sinos, facas, trincos, espelhos, caixas de música, relógios, barretes, pentes e coisas para outros fins. A expedição incluía carregadores para levar rolos de fios de cobre e demais equipamento para a linha telegráfica. Para alegrar os ânimos entre expedicionários e indígenas faziam-se espectáculos com mágicas árabes trocando favores por panos, trastes e incenso; para aquelas gentes estas novidades eram a tecnologia de ponta. Mal sabiam eles que iria dali sair a matéria-prima para desenvolver o ocidente como o cobre, coltan e diamantes. O navio Sir Harry Johnson, entretanto fazia a ligação por cabo submarino entre a ilha de zanzibar e o continente africano na colónia alemã de Tanganica desde o recente acordo de Berlim de 1885. Cecil Rhodes desta forma, firmava estruturas para levar avante o seu sonho de unir o Cabo ao Cairo por via-férrea. Eu, desconhecia então que estava a ajudar a realização desse sonho alheio.

(Continua…)

*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:12
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 30 de Novembro de 2012
MUGIMBO XXVIII

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DE STELLA

Sawabona / Shikoba - SOBRE ESTAR SÓ...

 Stella Pugliesi

As pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. O companheiro/a, com o qual se estabelece um elo, não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma; é apenas um companheiro de percurso – novos ventos.

 O que se busca hoje é uma relação na qual exista INDIVIDUALIDADE, RESPEITO, ALEGRIA e PRAZER DE ESTAR JUNTO, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar... Gosto e desejo a companhia, MAS NÃO É FORÇOSO, o que é muito diferente... A solidão, o ficar sozinho não é vergonhoso. Não sendo o desejável, não torna a pessoa indigna. As boas relações afectivas são óptimas quando, ambos crescem sem ninguém exigir algo de alguém. Quanto mais o indivíduo for autónomo para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva com alguém. Muitas vezes, pensa-se que o parceiro/a é nossa alma gémea quando na verdade, o que fizemos foi inventar um figurino ao nosso gosto.

 Não é mau de todo as pessoas ficarem sozinhas de vez em quando; estabelecem assim um diálogo interno ao descobrir a sua força pessoal, reorganizando-se no partilhar de sonhos ou realidades aprendendo a dar e a ceder; a compartilhar e dissipar egoísmos. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito podem ser encontradas dentro de si mesmos, dando-se sem recriminações nefastas. Na solidão acalenta-se a harmonia, amaina-se a crítica e assume-se compreensivo às diferenças, o mútuo respeito. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. E, porque está curioso(a) em saber o significado das palavras do dialecto Xhosa aqui vai a explicação.

 Xhosa é uma das 11 línguas oficiais da África do Sul. É falada por aproximadamente 7,9 milhões de pessoas (cerca de 18% de sul-africanos), principalmente nas províncias do Cabo e sul do KwaZulu-Natal, mas também nos países vizinhos, Botswana e Lesoto.

SAWABONA - sendo um cumprimento, quer dizer: "EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM" -  SHIKOBA -  É a resposta a Sawabona:  "ENTÃO EU EXISTO PRA VOCÊ".

Homologado por

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:39
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012
MOKANDA DA LUUA . IX

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO KIMBO

ANGOLANOS - SÃO TÃO POBRES, QUE SÓ TÊM DINHEIRO... De Johannesburg

Por
Jose Matias Ramos Matias

Os ricos angolanos continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocam: insegurança e ineficiência. Realidade, triste... que não se adapta só a Angola - Adaptado de um texto de Cristóvam Buarque -- KALIFADO DE PALMELA

 Em nenhum outro país do mundo os ricos demonstram mais ostentação que em Angola. Apesar disso, os Angolanos ricos são pobres. São pobres porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, ficando horas engarrafados ao lado dos chapas candongueiros do subúrbio. Às vezes, são assaltados, sequestrados e violentados no trânsito. Presenteiam belos carros a seus filhos e não voltam a dormir tranquilos enquanto eles não chegam à casa. Pagam fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por arquitectos de renome, sendo obrigados a escondê-las atrás de muralhas, como se vivessem nos tempos medievais, dependendo de guardas que se revezam por turnos. Sexta-feira, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não conseguiriam frequentar. Ficam alheios à miséria existente ali por perto. E, isso não lhes tira o apetite. Os restaurantes são fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Após a comezaina, escondidos, tomam o carro à porta, trazido por um manobrista. Não têm o prazer de caminhar pela rua, praceta ou ir a um cinema. Não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de terminar o jantar, ou na estrada a caminho de casa; a viagem é um susto durante todo o caminho e, até dentro de casa.

 Os ricos Angolanos vivem apavorados. Vivem no susto permanente diante das incertezas em que os filhos crescem. Uma parte considerável do dinheiro que gastam, nada adquirem, pois é usado para evitar perdas. Quando viajam ao exterior, sabem que no hotel onde se hospedarão serão vistos como assassinos de crianças na Lunda, destruidores da floresta do Maiombe em Cabinda, usurpadores da maior concentração de renda do planeta, portadores de malária, de paludismo e de filaria. São ricos empobrecidos na vergonha que sentem aos olhos estrangeiros. Os ricos, na pobreza de visão, ficam sem discernimento de verem a riqueza que há num povo educado. Os novos-ricos mwangolés abandonaram a educação do seu povo, desviaram os recursos para criar a riqueza que só será deles; contratam trabalhadores de baixa formação, investem em modernos equipamentos sem gente capaz de as manejar; vivem rodeados de compatriotas que não sabem como mudar o mundo, porque simplesmente não se sabem construir.
 Para poderem usar os seus caros automóveis, os ricos construíram viadutos com o dinheiro que seria para levar água e esgoto ao bairro dos “sem nada”. Montam modernos hospitais, mas tem dificuldades em evitar infecções porque os pobres trazem de casa os germes que os contaminam. Com a pobreza de achar que poderiam ficar ricos sozinhos, construíram um país que vive no meio da doença. Há um grave quadro de pobreza entre os angolanos e, a maior parte deles não tem o recurso de perceber isso. A pobreza de espírito nos senhores do poder é confrangedoramente elitista. Ao invés de um modelo de desenvolvimento em direcção aos interesses das massas populares passeiam vicissitudes, vaidades, arbitrariedades desmesuradas.

Subscrito e homologado por

T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:40
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 27 de Novembro de 2012
MUSSENDO DO PUTO . XIV

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS ROSA*

ANGOLA – Um caso curioso! . de 2 Partes

Opção de

ROSA LIMA

Continuação do desaforo torpe em editorial do "Jornal de Angola”:

As elites políticas portuguesas odeiam Angola e são a inveja em figura de gente. Vivem rodeadas de matilhas que atacam cegamente os políticos angolanos democraticamente eleitos, com maiorias qualificadas. Esse banditismo político tem banca em jornais que são referência apenas por fazerem manchetes de notícias falsas ou simplesmente inventadas. E Mário Soares, Pinto Balsemão, Belmiro de Azevedo e outros amplificam o palavreado criminoso de um qualquer Rafael Marques, herdeiro do estilo de Savimbi. Os angolanos estão em festa pela Independência Nacional. Em Portugal, a nova Procuradora-Geral da República foi a Belém onde deve ter explicado a Cavaco Silva as informações que no mesmo dia saíram na SIC Notícias e no Expresso, jornal oficial do PSD, que fizeram manchetes insultuosas e difamatórias visando o Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, que acaba de ser eleito com mais de 72 por cento dos votos dos angolanos.

 Militares angolanos com o estatuto de Heróis Nacionais e ministros democraticamente eleitos foram igualmente vítimas da inveja e do ódio do banditismo político que impera em Portugal, neste 11 de Novembro, o Dia da Independência Nacional. A PGR portuguesa é amplamente citada como a fonte da notícia. A campanha contra Angola partiu do poder ao mais alto nível. Mas como a PGR até agora ficou calada, consente o crime. As relações entre Angola e Portugal são prejudicadas quando se age com tamanha deslealdade. A cooperação é torpedeada quando um ramo mafioso da Maçonaria em Portugal, (…) acalenta o lixo político que existe entre nós, hoje determina publicamente o sentido das nossas relações, destilando ódio e inveja contra os angolanos de bem.

 Da boca para fora, são sempre amigos de Angola e dos angolanos, da Alemanha e dos alemães. Enchem os bornais de dinheiro, à custa de Angola, comem à custa da Alemanha. Sobrevivem à miséria, usando como último refúgio a antiga "jóia da coroa", feliz expressão do capitão de Abril Pezarat Correia. Mas na hora da verdade, conspiram e ofendem angolanos e alemães, usando a sua máquina mediática. "De sorte que Alexandre em nós se veja,/ sem à dita de Aquiles ter inveja." Estes são os dois últimos versos de Camões no seu poema épico. Os restos do império, que estrebucham na miséria moral, na corrupção e no embuste, deviam render-se à evidência. Angola não é um joguete! Nós somos Aquiles! Tão grandes e vulneráveis como ele. Mas não tenham Inveja do nosso êxito, porque fazemos tudo para merecê-lo."

Palavras-chave Angola, José Eduardo dos Santos, Rafael Marques, PGR, Expresso,

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/jornal-acusa-elite-portuguesa-de-invejar-e-odiar-angola=f766453#ixzz2CogYca7v

Ler a seguir: Mukanda da Luua IX . de Johannesburg - ANGOLANOS - SÃO TÃO POBRES, QUE SÓ TÊM DINHEIRO... (Em jeito de resposta)

Mussendo: Conto de raiz popular, missiva em forma de mukanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola), Comunicado.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:14
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Segunda-feira, 5 de Novembro de 2012
O CLÃ DE ZUMBI - IX

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

OS QUILOMBOS DO BRASIL . 11ª parte

Por

Kimbo

Ensaio de

 Arnon Afonso de Farias Melo- Nasceu em Rio Largo, 19 de setembro de 1911 e faleceu em Maceió, 29 de setembro de 1983 - foi um jornalista, advogado, político, empresário brasileiro, pai de Fernando Collor de Mello, ex-presidente do Brasil.

O curioso é que não existe ciúme entre os negros, e não se conhece crime cometido por amor. O sexo desabrocha muito cedo entre os africanos; essa ardente sexualidade que nas mulheres se anuncia pelos doze anos, nos homens que também surge cedo, também cedo os abandona. Em Luanda, olhando casas que parecem ter sido transladadas do Brasil, com fisionomias iguais aos nossos nordestinos, anoto com emoção costumes nitidamente brasileiros, uma capacidade quase única de se perpetuarem a outros povos: Portugal estendeu os limites do Brasil muito além do Prata e do Oyapoc revendo-nos em vários continentes com afinidades psicológicas, sociais e culturais, uma forte peculiaridade da forma de colonizador distinta de todos os outros. O fenómeno, por qualquer parte por onde se ande, no espaço lusófono, é o mesmo que se observa no Brasil: A cultura lusa a se rejuvenescer ampliando-se, constituindo de formas diversas a continuação de um novo feito de vida e de uma nova civilização

 De todas as colónias visitadas, Cabo Verde é a que mais se aproxima do Brasil nos diversos aspectos da sua formação. É verdade que o negro para lá transplantado não encontrou o índio americano mas teve o branco com os mesmos métodos de colonização. Assim se fundiram raças e culturas, gerando essa quase absoluta unidade de emoções e sentimentos que ligam o mundo lusófono. Em Cabo Verde encontrei brancas casadas com pretos e pretos retintos em situações de relevo, ocupando cargos de destaque na administração do território. A democracia social existente nas colónias africanas sob administração portuguesa é distinta do que se observa na África do Sul, onde os direitos dos homens de cor, se reduzem a nada. Pode-se atacar a colonização portuguesa mas não se pode deixar de reconhecer a extraordinária contribuição que trouxe à humanidade, o seu formidável poder criador rompendo com audácia e inteligência fronteiras raciais e promovendo uma experiência étnica e biológica das mais interessantes para o futuro do mundo. 

 Quando Salvador Correia de Sá e Benevides libertou a colónia de Angola fê-lo como lembra Oliveira de Cadornega “ em unidade de todas as praças “ referindo-se a Portugal, Brasil e Cabo Verde. Seria o branco luso nos novos continentes, um elemento civilizador e criador, na mistura de sangues reduzindo na prática distancias sociais através das suas qualidades de aclimatabilidade, miscibilidade, mobilidade, indiferentes a preconceitos raciais fazendo somente restrições em matéria religiosa. Para a África teriam ido os mesmos brancos lusos, levados por estímulos totalmente diversos dos que os impeliam para o Brasil. Aqui chegaram eles, quase como turistas. Vinham para escravizar os pretos, exportá-los e vendê-los mas o tempo e prática, fez entendê-los da importância na igualdade dos cidadãos.

FIM

Referência Bibliográfica: A África Revelada , ensaio de Arnon de Melo.

O Soba T´Chigange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:31
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012
MULUNGU . XXI

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO CONSUL*

O NOVO APRETAIDEÁfrica do Sul

Por
Jose Matias* Ramos Matias

Acabou o Apartheid branco e nasceu o Apretaide preto. Muda a cor mas continua o vício de dividir o mundo em duas metades: os "bradas" e os outros. Quando isto acontece a "competência" desaparece, pois há características de umas raças que lhes dão vantagem em relação a outras, e depois!.. ignorar isso é retroceder na evolução. Como seria a NBA se fossem obrigados a escolher os jogadores por cores e não por competência. E, no atletismo, se introduzissem quotas raciais junto com os mínimos para os 100 metros? Em contrapartida, qual seria o salto civilizacional se a investigação científica fosse distribuída de acordo com a cor da pele em vez da capacidade do indivíduo?... Um retrocesso!

 Quando este tipo de mentalidade toma conta da sociedade, o resultado nunca pode ser bom… E a cor até nem é o pior exemplo, mas antes a etnia e os antecedentes culturais. Um piloto preto até pode ter um co-piloto branco, mas se tiver de se sentar ao lado dum preto de uma etnia rival, vai haver guerra sobre quem manda em quem… A cor nunca deveria ser motivo para conflito, mas a discriminação com base nisso é um mau princípio… Atrás dela vem a selecção racial e étnica, e ainda que sejam todos da mesma cor não se irão entender melhor só por causa disso!

 Quando os aviões começarem a cair porque houve uma briga na cabine, até os passageiros pretos hão-de começar a querer voar só em aviões tripulados por brancos. A coisa melhora até que alguém resmungue pela discriminação racial, e faça com que o ciclo se volte a repetir e acabe por dar numa discriminação de sinal contrário. Em matéria de racismo, é vira o disco e toca o mesmo; dum lado é branco e do outro é preto mas a música é igual, todos querem estar por cima!

* Gentileza de José Matias - (Cônsul honorário do Kimbo no reino de Manikongo) - Johannesburg .

Ilustrações de Chika Okeke

Mulungu: Arvore ou planta medicinal com efeito ansiolítico, antidepressivo, tranquilizante, sedativo, hepatoprotetor, hipotensivo, entre outros.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:12
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 3 de Julho de 2012
XICULULU . XXII

“A GUERRA DO COLTAN” - O oculto no uso de telemóveis / Celulares

 Corporações estrangeiras como a do Canadá de Mineração Anvil que se fundiu com TENTE Mineração, da África do Sul Anglogold Ashanti , e os EUA Phelps Dodge / Freeport McMoRun fornecem logística e finanças afim de apoiar os grupos armados permitindo a exploração ilegal de coltan. Recentemente Anvil e Phelps compraram uma mina por US $ 60 bilhões. A indústria de mineração, é controlada pela força das armas que mantêm reféns seus trabalhadores na ponta da baioneta. O mineiro do Congo, pela força, ou "voluntariamente” ganha apenas US $ 1 por cerca de dois quilos de coltan. A Bélgica, que ainda tem uma "mão" na riqueza do Congo na pessoa de George Floresta, proprietário do Katanga Mining que financiou o partido político do actual presidente do Congo, tendo estabelecido ali o maior complexo de mineração do mundo.

 A mídia mundial enfeudada a interesses de métodos neo-coloniais no pior sentido,  omitem os motivos da matança e escravidão no Congo. Os valores ocidentais, conspurcados  na riqueza e rapina, não podem perder o controlo, expondo a verdade; Os ricos, estão demasiado embrenhados nesse banho de sangue. As pessoas não dão a face mostrando a balbúrdia do Congo porque são enormes as forças globais, vários governos, consorcios de mineração global, institutos e Ong´s coladas a elites da nomenclatura local. Todos esses, estão provocando o maior assalto do século XXI. Eles, os que arranham a terra, necessitam da nossa
ajuda, da nopssa denúncia.

 Sabe-se o quanto é difícil deixar de usar essa ferramenta  tão útil como o é o telemóvel celular mas  você pode fazer pressão para que as coisas mudem e  é importante saber disto, usar sua atitude no sentido de inverter procedimentos  de devastação; parar de substituir os telefones celulares e laptops que ainda funcionam. O acordo de paz assinado na República Democrática do Congo em 2006, não acabou com a guerra. Estima-se que 400.000 mulheres foram estupradas nos últimos dez anos, um acto de  puro femicídio - destruição planeada das mulheres de forma  sistémica. As mulheres sofrem fístulas de estupros com facas, revólveres e pénis. É revoltante e até parece ousada fantasia  quando se diz  que mulheres foram forçadas a comer bebés mortos. É um mundo tão horrível que  a continuar põe em risco o nosso sono de forma constante, assim se saiba. Soldados com HIV estupram mulheres na frente de seus maridos, as meninas na frente dos pais. Esses procedimentos são parte do plano; afrouxar o aperto da comunidade sobre seus recursos naturais, especialmente o coltan. O Congo é o país com maior oferta desse mineral.

Para mais informações, ir para friendsofthecongo.org.

XICULULO: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo
(Final)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 03:29
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 19 de Junho de 2012
XICULULU . XXI

“A GUERRA DO COLTAN” - O oculto no uso de telemóveis / Celulares
 O minério Coltan
A maioria de nós só pensa em seu telemóvel / celular; do quanto custa e do quanto se gasta por mês com esse aparato tornado indispensável. Raramente as pessoas se detêm a considerar o custo em vidas humanas que envolve este negócio; a grande maioria desconhece o que é essa guerra surda entre gente distante sobrevivendo nas minas, raspando com as mãos esse mineral. As República Democrática do Congo (RDC) detêm 80% das reservas mundiais desse mineral, o tatalum tão necessário à indústria electrónica. O tântalo é o metal essencial utilizado na produção de telefones celulares e computadores portáteis; permite que eles fiquem mais compactos e, serem também utilizados a temperaturas muito elevadas. A miniaturização desses utensílios, depende do coltan.
 

Os donos da guerra
Mais de dois bilhões de pessoas no mundo, usam agora telefones celulares ou “laptops”. Estes minúsculos celulares colocados ponta com ponta, atingiriam mais de metade do percurso para se chegar à lua. A demanda diminuiria se as pessoas não substituíssem os telefones celulares com tanta frequência mas, seus donos, mudam-nos no mínimo a cada 12 meses. A ânsia de lucros das quatro principais empresas de electrónica: Cingular, Sprint, T-Mobile e Verizon não é compatível com os padrões de reciclagem. É irónico que o povo do Kongo tendo sofrido a colonização  Belga com elevados índices de atraso e inerente pobreza e morte, seja de novo envolvido  por seu país ser rico em ouro, cobre, diamantes, borracha e agora o coltan. Eles enfrentam a batalha dos metais que compõem nossa sociedade usufruindo migalhas. A riqueza deste mineral dá o lucro de bilhões de dólares aos mercados financeiros de Paris, também de Londres, Nova York, Toronto e Austrália (Os primos exploradores da Commonwealth). O resto do mundo delicia-se com seu maravilhoso aparelhinho alheio a tudo.
 A Conferência de Berlim sob a égide de Otto von Bismarck, dando fim aos trabalhos a 26 de fevereiro de 1885 teve como objectivo organizar a ocupação de África pelas potências coloniais, que resultou numa divisão desrespeitando a história e as relações étnicas até então existentes. O Zaire ou Kongo ficou destinado a ser gerido pela Bélgica.

O rei Leopoldo da Bélgica colonizou o Kongo de acordo com o tratado citado. Em 23 anos, sob o seu reinado, morreram 10.000.000 de congoleses, e isso, foi a metade da população do país. Bélgica explorou borracha, cobre e marfim até à exaustão sem deixar qualquer infra-estrutura considerável. Chefes de mineração e exércitos cortariam a mão a trabalhadores por não produzir rápido e o suficiente; a educação foi incipiente a comparar com a vizinha Angola que prosperava mesmo no executivo colonial português. Hoje, talvez os donos das multi-nacionais de minas não sejam tão brutais como a gestão belga mas, o povo congolês ainda está esmagado pela pobreza confrangedora e guerras pelo mando e comando daquele metal. Consórcios de países ricos assinam acordos lucrativos com o governo corrupto e, em simultâneo, com os rebeldes armados por estes, para extrair esse mineral valioso. Todos somos cúmplices deste massacre, mas todos se ilibam na sombra da confortável ignorância.
XICULULO: -Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo
(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:58
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 8 de Abril de 2012
FORMAS DE ILUDIR . I

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“OS BOÉRES E O CALVINISMO” – 1ª Parte

Por

 O Soba T´Chingange

Os bóeres são os descendentes dos colonos calvinistas dos Países Baixos, Alemanha e França, que se estabeleceram nos séculos XVII e XVIII na África do Sul cuja colonização disputaram com os britânicos. Desenvolveram uma língua própria, o africânder, derivado do neerlandês com influências limitadas de línguas indígenas, do malaio  do inglês. Hoje vivem na África do Sul e na Namíbia, mas também no Botswana e na Suazilândia. Foram a base social principal para o regime do apartheid, que durante muitas décadas vingou na África do Sul. Actualmente, o africânder é uma das onze línguas oficiais da África do Sul, e é a língua mais usada para a omunicação inter-étnica na Namíbia.

: João Calvino

João Calvino (viveu entre 1509 de 1564) foi um teólogo cristão francês. Calvino teve uma influência muito grande durante a Reforma Protestante, uma influência que continua até hoje. Portanto, a forma de Protestantismo que ele ensinou e viveu é conhecida por alguns pelo nome Calvinismo, embora o próprio Calvino tivesse repudiado contundentemente este apelido. Esta variante do Protestantismo viria a ser bem sucedida em países como a Suíça (país de origem), Países Baixos, África do Sul (entre os africânderes), Inglaterra, Escócia e Estados Unidos da América.

: Perfil de um Boér

As sociedades contemporâneas compostas de gente Lusa, de fala portuguesa saídos das ex-colónias de Angola e Moçambique tendo origem religiosa de cristãos de raiz romana, com o tempo, acabaram por ser assimilados à nova forme de vida seguindo tradições calvinistas; sem se darem conta, por falsa modéstia, ingenuidade ou interesse, passaram a ter fortes tendências racistas no sentido de eliminar os negros de sua forma de vida; é raro ver um cidadão de cor preto numa missa destas sociedades e se deparamos com algum, tratasse dum serviçal ao seu serviço. É muito evidente o quase ódio que estas comunidades nutrem pelo negro tratando-os como animais domésticos. O desprezo pelo negro é tão evidente que confrange gentes de outras latitudes e nos leva a interrogar: Como conseguem viver assim à sombra das leis de Deus. É estranho que não haja ali mais roubos e desmandos públicos em função do que se observa naquela sociedade injusta e fragmentada: Falta de fraternidade, escasso partilhar de bem-estar, cinismo endémico, subestimação e arrogante exploração. Não é, em realidade, o paraíso terrestre.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:56
LINK DO POST | COMENTAR | VER COMENTÁRIOS (2) | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 29 de Janeiro de 2012
KANIMAMBO . IV

{#emotions_dlg.xa}BRICA DE LETRAS DO KIMBO

 

        “SWAZILAND”2ª Parte

Bandera de Suazilandia  Escudo de Suazilandia

Bandeira e escudo da swazilandia.  Reino de Suazilandia (Umbuso weSwatini en suazi) é un pequeño país sem saída para o mar do sul de África (um dos mais pequenos do continente), situado nas esncostas orientais dos Montes Drakensberg, entre África do sul  (a oeste) e Mozambique (a este). Recebeu seu nome da tribu suazi, una etnia bantú.


Entre mim, que estou refastelado na piscina do hotel Montain Inn e a encosta de descida para o rio, a grama, está salpicada de montículos de terra escura fruto de trabalho árduo das toupeiras; uma tamareira salienta-se na silhueta Norte tendo por detrás uma frondosa amarula, árvore da qual extraem cremes, champôs e o melhor licor do mundo segundo opiniões de muitos apreciadores e, entre eles eu. Por detrás do hotel, que corresponde à frontaria, os muitos pássaros chilreiam junto aos muitos ninhos acomodados em jeito de condomínio lá bem no alto de uma imponente árvore; à hora de quase sol-posto, lusco-fusco, os indefinidos pássaros dão sonoridade ao quadro; das hortenses multicolores, lírios, goivos brancos, íbis vermelhos e figueira-do-diabo com pendentes flores na forma de sino, desprendem-se misturados odores. Aqui, a natureza emoldurada ora de verde, ora de secura com penedia esparsa entre os montes encarquilhando aridez, demonstra bem o quanto a natureza é equilibrada em sua sustentabilidade natural.

 Dança Real

Swaziland, um encanto de reino tem no dia 19 de Abril o feriado nacional designado do “King´s birthay” fazendo homenagem ao nascimento do seu guia; parece não haver nenhum mal nisto e, além do mais é o festejar de alguém vivo, que pode agradecer os nossos parabéns, ao invés da maioria dos feriados que festejados em muitas partes sem se saber do porquê.

 Mswati III . O rei

O Emalangeni, a moeda nacional, tem o busto do rei Mswati III, tendo o mesmo valor do Rand, moeda Sul-Africana. Swaziland merece ser visitado; ao invés de Angola ou Moçambique, não necessita de visto, nem é cobrada taxa adicional por pessoa ou carro. Não se sente a arrogância mesquinha e despropositada no jeito de rebeldia em afronta à história colonial. Não é crime ser-se branco, preto ou mestiço: A corruptela na forma de vida com expedientes não se nota minimamente. Não se sente racismo, arrogância ou despotismo; não tem mesmo nada a comparar com Moçambique ou Angola aonde os soberbos do mando metem nojo por tantas tropelias no uso do seu poder.

Kanimando: Obrigado em dialecto de Moçambique.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:13
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
KANIMAMBO . III

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

SWAZILAND”1ª Parte

Mswati III , 19 de Abril de 1968 é o atual rei da Suazilândia, desde a morte de seu pai, Sobhuza II, em 1996.

 

Swaziland, é um pequeno país encravado entre montanhas a fazer fronteira com o sul de Moçambique e a região de Mpumalanga na África do Sul. Este pequeno país, ordeiro e arrumado é um reino que tem como rei Mswati III, coadjudado pela Rainha-Mãe. Por tradição todos os anos há uma grande festa entre todas as tribos e numa espécie de concurso de misses, o rei escolhe uma nova mulher de uma tribo ainda não contemplada. As tribos do reino, ficam por este meio, interligadas por laços filiais, uma promoção à concórdia entre todos, despromovendo qualquer desavença entre a classe da nobreza dominante. O futuro rei virá a ser o filho varão de uma dessas esposas que também virá a ser a Rainha-Mãe. Antes de saber destes pormenores, achava ser esta prática uma excentricidade própria dum rei totalitário e déspota mas, em viagem recente à sua capital Mbabane, desfez-se em mim esse errado conceito.

: 

Em distintas cerimonias

Ao redor do hotel Montain Inn  pode sentir-se a tranquilidade entre morros pedregosos no topo e de muita vegetação nos vales, ora profundos e com quedas de água, ora suaves em encostas  escandalosamente verdes pontilhadas de gado ruminando livremente os campos. Até lá longe às enevoadas serras vêem-se grupos de dispersas casas e tufos de árvores gigantes a ladeá-las. Entre a fronteira de Ngwenya e Mbabane, uma moderna auto-estrada serve a região com os requisitos modernos de vialidade estendendo-se para lá do vale que se avista daqui do Montain Inn; segue para leste até Manzini e prossegue até à fronteira com Moçambique em Goba ou Namaacha  a Norte ou ainda o caminho do Sul em direcção às praias da Ponta do Ouro a Norte do Kwa-Zulu Natal saindo pela fronteira de Lavumissa. Fiquei agradavelmente surpreendido por ver na pequena cidade de Mbabane, brancos e pretos circulando lado a lado pelas ruas em sua azáfama diária, coisa muito rara em Johannesgburgo aonde as pessoas se deslocam do forte-casa de muros altos com cercas de alta tensão para parques gigantes, áreas comerciais com vigilância à entrada como um condomínio comercial. As ruas de Mbabane são como um grande espaço comercial ao invés de Johannesburg e isso sobremaneira agradou-me.

Kanimando: Obrigado em dialecto de Moçambique.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:16
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011
MUJIMBO XXVIII

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO KIMBO

 

RED SCORPION - 4ª Parte”Filme sobre Savimbi

 Contrastes . Arlete Marques

Numa idade em que o cansaço da guerra e as frustrações já o afectavam, Savimbi resolveu ainda atirar-se a outra sobrinha de Ana Paulino, Sandra Kalufelo, na altura uma simples adolescente e da qual teve um filho. Foi Sandra quem criou as intrigas que levaram Savimbi a mandar matar barbaramente Ana Paulino Savimbi, que foi enterrada viva numa toca de animais. As mulheres foram o grande problema de Savimbi e dividem-se em aquelas que amou - e assumiu como "primeira-dama", mas que também, por razões que se desconhecem, foram as que mais odiou - e as amantes, talvez centenas. A primeira mulher com a qual Savimbi teve uma relação conjugal foi Estela Maungo, Sul-africana que lhe deu três filhas, uma das quais, Rosa Chikumbu Malheiro, reside nos Estados Unidos. Vimona Savimbi foi a primeira mulher assumida por Savimbi na véspera da independência de Angola e com a qual teve três filhos residentes em Luanda. Vimona morreu em 1984 no incêndio da sua cubata e, suspeita-se do envolvimento de Savimbi. 

 Raizes . Eleutério Sanches 

Savimbi teve várias mulheres, mas deixou apenas três viúvas: Catarina Massanga, da qual teve um filho, Rafael Massanga Sakaita Savimbi, educado em França e visto como potencial líder da UNITA; Cândida Gato, que tem uma filha de Savimbi e vive nos Estados Unidos; e Valentina Seke, que acompanhava Savimbi no dia da sua morte e, quando do funeral, foi vista aos prantos pela televisão de Angola. Savimbi teve muitas amantes e, quando arranjava uma, muitas vezes a predecessora tinha um destino trágico: Olinda Kulanda, ex-locutora da Worgan, a rádio da UNITA, e Maria Ekulika, funcionária do protocolo da UNITA, apareceram mortas de modo estranho; Joana foi executada por ter  transmitido uma doença venérea a Savimbi; acusada de feitiçaria, Eunice Sapassa foi  morta no processo Setembro Vermelho; a mulata Tina Brito foi fuzilada por se  ter recusado fazer um aborto (Savimbi não queria filhos mestiços); Gina  Cassange foi morta por ciúmes; Cândida foi morta por ter enviado uma carta de  amor interceptada pela Brinde, a Pide da UNITA, e Sessa Puna também foi morta  por ter servido de intermediária entre Cândida e o amante. 

 Crioulidades . António Gomes

O Savimbi da etapa final, impiedoso e pronto a sacrificar centenas de vidas pela causa sua, era muito diferente do Savimbi inicial, carismático e amado pela sua tribo, os ovimbundos, que representam 40 por cento dos angolanos. Hoje em dia é difícil de perceber que este monstro tenha tido durante tantos anos tanto apoio dos Estados Unidos e de Portugal. Se não tivesse morrido, Savimbi teria talvez dado um novo Idi Amin, o “carniceiro do Uganda” ou o ridículo Jean-Bédel Bokassa, autoproclamado imperador da República Centro Africana, que dava os inimigos políticos a comer aos crocodilos de estimação e não se safava da fama de canibal. Andei muitos anos enganado, desconhecendo todos estes tristes acontecimentos de que só se ouviam rumores na forma de boatos, mujimbos que agora se tornam realidades. Não podemos andar enganados todo o tempo e, esse tempo chegou. A Unita felizmente tem muita gente de valor que tem muito a dar de positivo a Angola e, que ão se podem revelar neste espelho que quebrou.

Referência: The Portuguese Times (NET)

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:46
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 11 de Agosto de 2011
CAFUFUTUILA . XVI

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

          "FANTASMAS DO CAPITÓLIO"

CAPITÓLIO . Washington

Às vezes uma lenda que perdura durante séculos perdura por alguma razão. O espectro de gatos pretos percorrerem os labirintos de corredores, passagens estreitas e nichos do Capitólio dos Estados Unidos da América tornam a história, irónica; a estátua da Liberdade feita em bronze e colocada no topo da cúpula do Capitólio foi içada aos pedaços por escravos negros. Estavam a cimentar o futuro longínquo daquele país mantendo suas crenças, sem o saberem. Já nesse então os zumbis, se reuniam em concilio, uma coisa misteriosa ou muito secreta tal como a maçonria que originou a colocação da pedra angular daquele magestoso edifício; Zumbis, kiandas, Kalungas, fantasmas de toda a áfrica conjugavam o verbo querer no Potomac River; mais cedo ou mais tarde um negro deveria tomar assento naquele grande cadeirão aonde se perpectuaria George Washington.

George Washington . Artefactos de trabalho

O fantasma de um desses trabalhadores escravo negro, por volta de 1866, há 145 anos atrás, caiu da cúpula do capitólio durante a sua construção e, desde então deambula como um motombola nas câmaras subterrãneas e corredores com uma caixa de ferramentas procurando talvez o grande mulungo-mwana com seu compasso de maçon dirigindo a colocação da tal pedra angular naquele Capitólio a 18 de Setembro de 1793 perto da Suprema Corte ao longo de uma passagem da galeria do Senado. A kianda anda desvairada, porque depara sempre com o escuro de si mesmo, abanando uma petrea figura dum branco gigante; uma patética angústia feita estátua. Ele desconhece que na Casa Branca, alí bem perto, reside agora um seu patrício de nome Obama; Não se compreende, que tenha ali ficado confinado todo este tempo sem a novidade contada. Os ilundados senhores do espírito, deprezaram aquele kota trabalhador viciado, porque aquela pedra angular foi deslocada por ele, do seu lugar original, sem o seu prévio consentimento; desde então ali ficou todo feito num ostracismo matumbola.

 Dólar

George influenciado pelos domos europeus, levou os simbolos maçonicos até ali, á semelhança da Catedral de São Paulo, o Panteão de Paris ou a Basílica de São Pedro mas, agora que são passados 218 anos após a colocação daquela pedra, pretendem afundar a Europa destruindo-a suavemente através da mentira, colocando sua pata ensarilhada em uma grande farça, um gigantesco tripé de ideias carunchosas, um sistema macabro de novas engenharias financeiras de onde pende esse grande bloco angular como um prumo que suavemente a esmaga. E, não é que, a europa continua subjugada a essas diabólicas formas de morrer em mansidão.

Glossário: Matumbola – um morto-vivo ou vice versa; Mulungo – branco; Kalunga – o mar e seus espíritos, espíritos da água; Kianda - bruxo, fantasma, sereia das lagoas, cacimbas ou do potomac; Kota - Mais Velho; Ilundado - Iluminado, senhor dos espíritos; Mulungo-mwana - Branco importante

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:04
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 30 de Julho de 2011
CAFUFUTILA . XIV

AS ESCOLHAS DO KIMBO

"Plastificar Maputo?" - POR MIA COUTO

Num país em que as pessoas morrem por doenças de fácil cura, a morte de uma palmeira é completamente irrelevante. Mesmo que, em vez de morte, tenha havido assassinato. E mesmo que, em vez de uma palmeira, tenham sido assassinadas dezenas de palmeiras. Maputo fez-se bonita para a Cimeira da União Africana. Palmeiras foram adquiridas (e não foram nada baratas) para embelezar a mais nobre das avenidas da cidade. O cidadão comum sabia que esse dinheiro saía do seu bolso. Mas estava até feliz por colaborar no renovar do rosto da cidade. Da sua cidade. As palmeiras reais vieram e fizeram um vistaço. Os Maputenses passeavam-se, com acrescida vaidade, pela larga avenida. Mas as palmeiras têm um enorme inconveniente: são seres vivos. E pedem rega. Apenas depois de terem sido plantadas é que se iniciaram obras estranhíssimas de abre-e-fecha buraco, põe-e-tira tubagem. As palmeiras, pacientes, ainda esperaram. Mas estavam condenadas à morte. Uma a uma, começaram a secar.

 Palmeiras 

Durante meses (e até hoje) ficaram os seus cadáveres de pé como monumentos à nossa incapacidade. Não houve sequer pudor de lhes dar destino. Elas sobraram ali, como provas de um criminoso desleixo. O cidadão que, antes fora iluminado por súbita vaidade, agora se interrogava: ali mesmo nas barbas da Presidência da República ? A morte destas palmeiras interessa, sobretudo, como sintoma de um relaxamento que atingiu Moçambique. A folhagem seca dessas palmeiras é uma espécie de bandeira hasteada desse abandalhamento. Não se trata, afinal, de uma simples morte de umas tantas árvores. Não tarda a que Maputo receba um outro evento internacional. Compraremos outros adereços para a cidade. Uns para embelezar de raiz, outros para maquilhar as olheiras de Maputo.

 Maputo

Dessa vez, porém, compremos palmeiras de plástico. Ou plastifiquemos estas, já falecidas, depois de lhe passarmos uma demão de tinta verde. Ou, se calhar, nem disso precisaremos: à velocidade com que espaços que deviam ser verdes estão sendo ocupados por placards e anúncios publicitários não necessitaremos de mais nada. Aliás, qualquer dia, Maputo nem precisa de vista para o mar. Esta cidade que sempre foi uma varanda virada para o Indico está prescindindo dessa beleza. Locais cuja beleza advinha da paisagem estão sendo sistematicamente sendo ocupados por publicidade de tabaco, bebidas alcoólicas e bugigangas diversas. Um dia destes, nem necessitaremos de ter mais cidade. Trocamos a urbe por propaganda de mercadorias. Depois, queixamo-nos da globalização.

Savana Maputo - 20.02.04 - Mia Couto

:::::::::::::::::

O Soba T´Chingange

 

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:59
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 1 de Abril de 2011
DESERTO . XII

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         “VICTÓRIA FALLS – Zimbabwé

 ESTÁTUA de LIVINGSTONE

Chegamos a Victória Falls a meio da tarde e, porque não levavamos nada agendado de aonde ficar, dirigimo-nos aos chalés do governo destinados a alojar turístas; tivemos sorte, uma família ia sair ao fim do dia e entretanto aproveitamos para ir até à ponte do rio Zambeze aonde de uma impressionante altura gente amante da adrenalina se atira no espaço depois de amarrados a uma corda de borracha a que chamam de tandem-bungee-jump(jamping). Enfim, uns malucos beliscando a morte lá embaixo, de queda estancada no penúltimo minuto, a uns ecassos metros acima da água turbulenta, a 108 metros de altura; na espuma branca feita barba do diabo de corredoiras pedregosas. Das encostas rochosas escorrem cortinas de água que em lufadas de frescura banham nossos rostos; esta maravilha da natureza é tão deslumbrante que recorda-nos o quanto somos pequenos e em verdade apetece atirarmo-nos no espaço feito passaro e voar, voar, voar... A sensação de agradecimento surge-nos; graças a Deus que ví mais esta maravilha.

 Jumping 

Tiramos umas fotos junto à estátua de Livingstone e regressamos ao acampamento hotel Camp. Estes ditos chalés foram ligeiramente remodelados pois que fizeram inicialmente parte do acampamento de trabalhadores da construção da ponte férrea sobre o Zambeze, casas com largos alpendres coloniais e abastecidos de água quente saída de grandes caldeiras aquecidas a lenha, tudo como quando da construção da ponte férrea em 1905. Esta ponte faz parte da visão de Cecil Rhodes com a construção da ferrovia ligando a Cidade do Cabo ao Cairo. Rhodes insistiu na construção daquela ponte no "spay" das quedas de água; e, assim foi pois que, os trens são banhados por esse permanente vapor no preciso lugar do deslumbrante desfiladeiro e, eu estava a uns escassos metros desse "reil transâfricano".


Cecil Rhodes e seu sonho

As nuvens de particulas de água que se levantavam do abismo da queda Victória, logo em frente do alpendre, vinham até nós descortinando-se entre essa "fumaça que troveja" no geito de spay de Rhodes, o topo da queda já do lado da Zâmbia. Silva Porto que tudo indica ter estado aqui antes de Livingstone admirou algures esta mesma pisagem, que veio a descrever àquele outro explorador britânico que ficou na história como sendo o descobridor. Essa muito esfarrapada mentira feita verdade, foi para nos tirarem o direito de posse na Conferência de Berlim, as ditas terras de Bazarote. O velho sertanejo Siva Porto foi aqui recordado por mim depondo aos pés de Livingstone uma flor de acácia rubra. O gesto de ser aqui era mesmo só "para Inglês vêr". Esta magnifica vista, mesmo sendo bem descrita, não substitui o prazer único daquela maravilha da Globália.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:44
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 19 de Março de 2011
DESERTO . XI

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         “VICTÓRIA FALLS – Zimbabwé


MAPA E QUEDAS

A caminho de Victória Falls, chegados à fronteira do Botswana em Kasane (border pass), enquanto o funcionário verifica os passaportes demo-nos conta que uns quantos macacos baboons se empoleiram no nosso carro tentando alcançar coisas que eles julgavam ser comida. As instalações de fronteira eram de aspecto precário construidos à sombra de acácias de grande porte entre outras mais ramudas, também grandes. O percurso feito no Botswana foi dos mais marcantes por terras-do-fim-mundo pois que a estrada era pouco mais que uma picada de terra muito arenosa levantando muito pó à nossa passagem; estavamos todos com côr de bronze e, por esse facto tivemos de usar lenços a tapar o rosto causando algum incómodo pelo muito calor que se sentia. Neste percurso deparamos com uma manada de 42 elefantes que nos reteve uns bons vinte minutos; uma máquina niveladora da estrada, passou por nós forçando a manada a atravessar e foi nesse então que dois machos exaltados bateram com suas patas o chão raspando-o de raiva enquanto abanavam as orelhas simulando investidas repentinas contra nós, atemorizadoras, diga-se.


A PONTE DE RHODES 

Este percurso pelo Zambezi National Park do Botswana, foi em quase tudo semelhante à reserva do Chobe Park na Namibia com a diferênça de vermos muitos mais animais, principalmente elefantes. Na fronteira do Zimbabwé o funcionário dá voltas e mais voltas aos nossos cinco passaportes e, não encontrando o carimbo de visto levanta-nos a questão. Nós nem sabiamos que era necessário visto para ali entrar mas, em áfrica tudo se pode resolver levando uns dólares no bolso. Com vinte e cinco dólares por pessoa tivemos direito a um passe temporário; mais barato e rápido do que se tivessemos tratado esses trâmites num qualquer consulado. Viemos a saber que o visto em Portugal, ficava em cinquenta dólares; nós só necessitavamos de cinco dias para ir e voltar, assim que, continuamos viagem sem mais contratempo; aquele dinheiro deve ter ficado por registar nos cofres do estado Zimbabwano porque o mesmo funcionário a quem entregamos os formulários, se deslocou a abrir a cancela e colocar o respectivo selo como estando tudo em conformidade; uma prática nada habitual.

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:41
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010
MUJIMBO . V

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         “Etosha Park”

 

Homens do chitado . Himbas  

O silêncio da savana africana tem a magia do inesquecível som que apaga os ruídos da civilização; é a melodia da natureza em todo o seu esplendor. No grande sítio branco, um mar salgado designado de Etosha visitei os buracos Okaukuejo, Halali e Namotoni aonde se pode ver toda a espécie de animais da savana.

O Etosha Pan foi formado há cerca de mil milhões de anos quando da mudança do rio Cunene que faz fronteira com a Namíbia; existem neste parque 114 espécies de mamíferos, 340 tipos de diferentes pássaros, 110 espécies de répteis e 16 categorias de animais anfíbios. 

EMBONDEIRO JUNTO AO CUNENE

A vida em África desperta com o nascer do sol e é nas primeiras horas matinais que deveremos buscar os vários antílopes e os “big five” tais como o gnu, girafa, elefante, rinoceronte, zebra, cudu (olongue), impala, macacos, hiena e até mabecos. Com sorte vai assistir ao banho de terra dos elefantes que junto aos buracos (bebedouros) quase fazem um teatro de coreografia divina, cores de pó em múltiplas facetas e contrastes com o sol do poente mais os cheiros fortes que deles tresandam. Das várias vezes que por ali passei vi sempre os místicos leões, quase sempre em grupos de três ou quatro em lugares de vegetação rasteira.

Em África, o sol põe-se depressa e de forma abrupta pelo que, convêm não se arriscar andar muito afastado do acampamento escolhido para pernoitar.

 

Buraco de Namotoni

Recordo na retina, a planura de Okaukuejo, bem perto do acampamento base “main camp”, a agilidade de uma cheeta na perseguição de uma springbok, gazela que de rabo a abanar e orelhas atentas a qualquer ruído pastava e, bem atrás, sorrateira, uma cheeta pata ante pata avançava com todos os cuidados de visão e barulho normalmente contra o vento; num dado momento e já muito perto da presa lança-se em correria; em simultâneo a gazela pula e pula em saltos coordenados ziguezagueando a linear corrida do felino. Desta fez a correria deu em nada pois o antílope soube sobreviver. Ali, a quebra de vigilância significa uma morte rápida.

Ver África nesta sustentabilidade requer não perder o bom senso de sair do carro para acariciar um leão; já muitos ficaram por lá, descuidadamente esqueceram-se que fazem parte da cadeia alimentar e podem servir de pasto. Dizem os leões que a carne do humano é doce e uma vez desgostada, volta a quere-la; é por isso que, leões que comam gente terão de ser abatidos porque algures, voltarão a atacar.

Tive o privilégio de dar quase à mão, comida a chacais e facocheros: Em distintos sítios esperam por mim de novo, porque eu prometi-lhes isso.

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:51
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 20 de Novembro de 2010
CAZUMBI . XII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         “ Miséria planeada – 2ª parte ”  

  MANDELA

Quando Mandela volta a falar de nacionalizações a bolsa de Johanesburgo cai em seguida manietando os dirigentes na vontade de mudança. A “doutrina do choque” de Milton Friedman  adapta-se perfeitamente a esta situação. 70 % das terras da África do Sul estão sob domínio dos brancos que representam apenas 10% da população.

A Comissão da Verdade e Reconciliação da África do Sul é frequentemente indicada como modelo de “construção da paz” mas um relatório de finais de Março de 2003, um presidente duma dessas comissões referiu-se aos assuntos inacabados da Liberdade assim:      -“ Conseguem explicar como é que uma pessoa negra continua a acordar num gueto imundo hoje em dia, 10 anos após a liberdade? Depois ela vai trabalhar para a cidade, que ainda é maioritáriamente de casas palacianas. E, no final do dia ela volta para casa na imundície? Não sei porque é que essas pessoas não dizem : para o inferno com esssas comissões da verdade pela paz “.

Entretanto já se passaram 17 anos após o término do apartheid, tempo suficiente para reverem princípios e contribuir para a história duma forma justa ou mais verdadeira. Citando Xico Xavier Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora a fazer um novo fim

 SOWETO 

As contas do apartheid têem-se tornado um fardo desfigurante e o governo está manietado ao poder económico; qualquer movimento no sentido de alterar as coisas pode parecer perigosamente radical aos olhos dos investidores provocando choque no mercado.

Os antigos presos da ilha de Rodden sentem-se defraudados, ingénuos e prisioneiros dum governo sombra branco detentor do dinheiro. 40% dos pagamentos anuais da dívida feita pelo governo, vai para o imenso fundo de pensões do país; a grande maioria dos beneficiários são ex-empregados do apartheid. É uma indeminização invertida tendo como consequência o desmantelamento do Estado com a pilhagem de seus cofres.

Kliptown, a capital da “Carta da Liberdade” ou aonde esta foi elaborada, é uma munícipalidade empobrecida, cheia de barracas delapidadas, esgotos a céu aberto nas ruas e uma taxa de desemprego de 72%, muito mais alta que durante o apartheid. Este local musseque, vai passar a ser um parque temático a mostrar aos turistas a reputação do ANC por ter triunfado contra a opressão. O tema da liberdade vai ter um hotel em vidro e aço, museus e uma grande pirâmide a narrar o triunfo da África do Sul sobre a adversidade. Os residentes actuais serão realojados em musseques localizados em sítios menos históricos.

 GALINHA DE ANGOLA . CAPOTA

Tudo isto encaixa perfeitamente na “doutrina do choque” uma mensagem a ser vendida ou oferecida pelos economistas de cataclísmos. Uma democracia nascida e acorrentada. O mundial de futebol de 2010 não foi mais que uma “manobra de diversão” a contentar gente distraída.

Em 2006, mais de um em cada quatro Sul-africanos viviam em barracas em bairros de lata improvisadas, a maioria sem água corrente ou electicidade; UM MUNDO A DUAS VELOCIDADES. 

Ver tudo isto, mudou a forma de como eu via o mundo.

 

Bibliografia de referência: A DOUTRINA DO CHOQUE de Naomi Klein  da Globália

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:04
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 21 de Setembro de 2010
CATÁSTROFES - V

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“DOAÇÕES  DA GLOBÁLIA “

 

Go to fullsize image TRAGÉDIAS

Até tempos recentes os desastres eram periodos em que as comunidades se solidarizavam com os desfavorecidos da sorte ajudando voluntáriamente sem nada exigir em troca; nesses momentos a sociedade atomizada, era solicita a apoiar quem cruelmente era atingido por uma avalanche, cheia , incêndio florestal ou furacão entre outros tantos cataclismos.

Hoje, os desastres são cada vez mais o oposto disso. Eles, os desastres proporcionam um futuro ainda mais nefasto por via da usura do empresariado da tragédia que implacávelmente de forma  benemérita compram  sobrevivência.

Como um espólio de guerra os governos em nome da reconstrução lavam situações de companhias privadas com quem se emparceiram dando-lhes perdões fiscais em anuncios de programação com investimento na ajuda que é escassa  ou, nunca chega ao verdadeiro necessitado.

A justificar o empenho cortam regalias adquiridas a funcionários, reformados, estudantes, fecham escolas, reduzem salários metaforseando doações em subsidio dependência a empreiteiros, sempre esventrando o cidadão pobre, o trabalhador inchado de impostos.

JOHANESBURGO

 SUBURBIOS  CENTRO

O cidadão, sugeito a inúmeras violências fica empobrecido aonde quer que o “capitalismo de desastre“ chegue; quando assim acontece, só os empreiteiros da desgraça, promíscuos com os poderosos crescem. O dinheiro fácil dessas benesses termina num desenvergonhado partidarismo e sequente afrouxamento de regulamentos estabelecidos.

Cada vez mais a sociedade fica dividida entre os protegidos e os condenados, os incluídos e os excluídos.

Após um desastre, milhões de fundos públicos vão direitinho para consultores, poderosos construtores e lóbis “corvos da agonia”; serão aqueles que “ajudam” a limpar o bairro por regra excelente para a construção dum condomínio fechado.

Em Nova Orleães (USA) sucedeu tudo isso usando a tempestade do furacão Katrina como desculpa a que chamaram com desplante de “destruição criativa”.

IMBONDEIRO . UM CONDOMÍNIO DE CUCOS

 

É fácil imaginar um futuro aonde cada vez mais as cidades vêem as suas infra-estroturas, negligênciadas ou destruidas por um qualquer dsastre (natural ou provocado) que depois são abandonadas para apodrecer sem que os serviços exênciais sejam reparados alguma vez ou mesmo reabilitados. Um dia aparecerá um magnata da desgraça a oferecer três tostões por aquilo.

A realidade que observei no centro da cidade de Johanesburgo na África do Sul, completamente abandonada, com arame farpado em edificios de janelas tapadas com improvisadas chapas, é bem  um cartaz de negligência a condizer com um desastre. O que em anos atráz eram belos edifícios, é agora um amontuado urbano de bolor de visão mortifera.

Bolas! Isso vai sêr um negócio da china.

 

Bibliografia de referência: A DOUTRINA DO CHOQUE de Naomi Klein  da Globália

(Continua)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:51
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010
CAZUMBI . VI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

Orânia, a miragem de um país.

“Populacão: 700 habitantes.”

 BANDEIRA DE ORÂNIA

UMA NAÇÃO SEM PAÍS

Não muito longe da cidade de Kimberley no Northern Cape, em pleno deserto do Karoo na África do Sul às margens do rio Orange, fica situada a Vila-estado de Orânia. Esta pequena vila com 14 ruas e 700 habitantes mantêm o ideal da comunidade africâner (boêres), manter-se branca e autonoma.

A vila é considerada propriedade da empresa-estado tendo sido adquirida por cerca de 200 mil dólares ao organismo que tutela o assunto das águas, pois que, mais não era do que o acampamento dos trabalhadores de uma represa e canais de irrigação saidos do rio Orange.

Em Dezembro de 1990, umas 40 famílias africâneres lideradas por Carel Boshoff, compraram a abandonada vila poucos meses após o fim das leis do apartheid.

A vila propriedade da empresa é de todos aqueles que adquiriram titulos de parcelas da propriedade e, se tornaram accionistas: têem um presidente do executivo que actua como se fosse um presidente de câmara. O Dr. Manie Opperman exerce as funções de gerenciar a economia e todos os demais pelouros inerentes à sua funcionalidade; para o efeito têm o Ora, moeda com paridade com o Rand, uma bandeira e, o requesito para se ser cidadão de pleno direito é a de ser branco.

Com o sonho de ter uma comunidade livre e segura, Orânia tem autonomia para decidir quem pode e quem não pode viver lá, pois que a empresa-estado tem a liberdade de juridicamente aceitar ou recusar sócios. Como se fosse um governo de verdade decide com autonomia aquilo em que acreditam ser o melhor.  

 

 LOCALIZAÇÃO DE ORÂNIA

A Vila no seu início era um aglomerado de 240 casas em ruínas, sem água, luz ou esgotos. Um dos directores chamado de John Strydom orgulha-se desse feito colectivo adicionando ao facto o de não haverem cancelas ou muros altos com alta tensão a guardá-los. Eles têm orgulho em serem de Orânia e dão desconto de 5% a quem pagar o que quer que seja em Oras; neste sistema financeiro sobressai a identidade nacional dando autosuficiência econômica ao sistema cativando a moeda Rand que fomenta juros.  Gastando com a moeda local fortalece-se o sistema originando empregos. Têm três igrejas, duas escolas, 2 museus, uma estação de rádio e um posto de abastecimento de combustivel. A maior parte dos oranianos têm negocios próprios na Vila e não necessitam de lá sair para ganhar a vida.

São estes os descendentes das muitas levas de Holandêses, Huguenotes que a Companhia das Indias Orientais levou para a Cidade do Cabo quando do início da ocupação em meados do século XVII.

 

MOEDA DE ORÂNIA . O ORA

Em Orânia, tudo é escrito em africaans; dizem tratar-se de preservar os valores, a cultura, a lingua e a relegião. Trabalho é o lema dos africâners de Orânia.

A côr laranja, branco e azul são os legadas da antiga República Holandesa à bandeira de Orânia, tendo o desenho de um garoto levantando as mangas da camisa, como se fosse iniciar um trabalho.

O sonho dos Orânianos é a partir da Vila, iniciarem o agrupamento da etnia que está espalhada pelo mundo em um total de quatro milhões de africâners.

Esta nação sem país ainda é uma miragem

 

(continua…)

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:14
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010
CAZUMBI . V

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

Os pobres vivem do esbanjamento dos ricos

“O silêncio do lado de fora”  

 T´CHINGANGE

Torna-se muito difícil gerir as nossas vidas num sem fim de leis, regras e obrigações que se transgridem no dia a dia, fruto de exigências muitas vezes descabidas. Ficamos demasiadas vezes à mercê dum qualquer senhor, que sempre ou naquele momento se julga o maior conhecedor dos parâmetros certos.

E,... Como ficamos pequenos naquele preciso momento e, um nó de fúria na garganta!

A falta dum chapéu num dia de frio pode despoletar atrofiamento de uma veia e mais tarde ser objecto de uma embolia; somos tão pequenos neste mundo cósmico que aflige ver ao nosso redor pessoas como nós, sentirem prazer em subestimar a todo o tempo o seu semelhante.

Na medida tempo, usar a mente revela-nos o infínito numa quarta dimensão feita de prognósticos, uma projeção do passado no futuro. O passado projecta um futuro imaginário de medo; um fantasma mental que pode originar insanidade corroendo a saúde e a vida.

Na convicção de sentir o ar entrando e saindo do meu corpo, aceitando o tempo presente, tento matar o passado a cada instante. Não é fácil!

A sociedade de envolvimento conduzida pelos “midia / informação”, passa a vida esperando para começar a viver. Há um lactente conflito interior entre o presente e o aonde não se quer estar; é este futuro projectado que nos reduz grandemente a qualidade de vida.

 RECICLAGEM DOS POBRES

O futuro é uma ficção de promessas que nos fazem perder o presente e, quanto mais penetramos no passado, mais ele se nos afigura um buraco sem fundo, o deslize para as drogas reais ou dogmáticas paralizando a disfunção de cada um, uma consciência livre na forma de pensamento.

A verdade nunca o é de valor absoluto, mas na relatividade da afirmação o povo de sempre vai dizendo o que muitos não querem que se saiba. Quando a justiça nos dá lições como a que a televisão nos mostra, ficamos seriamente sisudos, apreensivos e interrogamo-nos: - se tudo fica na mesma, valerá a pena falar?

Recalcados de tanta injustiça alguns poucos, perdem o medo ficando sozinhos ruminando subterfúgios.

Numa hora de serenidade ouço o silêncio perturbado pelo estrebuchar das cigarras com 37 graus à sombra, um vento seco quente a farfalhar as folhas do abacateiro, ressequindo-as.

Só a serenidade dentro de nós percebe o silêncio do lado de fora.

 

(continua…)

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:08
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010
CATÁSTROFES - I

 AS ESCOLHAS DO EMBAIXADOR DO CACUACU

 

" Boniboni"

Petróleo vaza há 50 anos na Nigéria
Grandes vazamentos de petróleo não são novidade na Nigéria. O Delta do Níger, onde a riqueza em baixo da terra é desproporcional à pobreza na superfície, é submetido, há 50 anos, ao equivalente a um derramamento do navio Exxon Valdez (de 41 milhões de litros, ocorrido no Alasca, em 1989) ao ano, segundo estimativas. O petróleo vaza quase todas as semanas, e alguns pântanos há muito tempo não têm mais vida.


É provável que nenhum outro lugar da Terra tenha sido tão castigado pelo petróleo, e os habitantes estão impressionados com a atenção constante que é dada ao vazamento do Golfo do México. Há poucas semanas, um duto da Royal Dutch Shell que havia estourado nos mangues foi fechado após vazar por dois meses: agora, não há um ser vivo em um mundo preto e marrom outrora povoado por camarões e caranguejos.



Não muito longe
dali, há petróleo no Riacho Gio, de um vazamento de abril. Em Akwa Ibom, o vazamento de um duto da Exxon Mobil durou semanas.

Os vazamentos são causados
por dutos enferrujados, nunca fiscalizados em razão de regulamentação ineficiente ou criminosa e afetados por manutenção deficiente e sabotagens. Apesar da maré negra, os protestos não são frequentes - no mês passado, os soldados que guardam um local da Exxon Mobil espancaram mulheres que realizavam uma manifestação. "Não temos a imprensa internacional para cobrir o que acontece aqui, então ninguém se preocupa", lamenta Emman Mbong, de Eket.

As crianças nadam no estuário poluído, os pescadores levam seus barcos cada vez mais longe e as mulheres do mercado andam com esforço entre os riachos de petróleo. "O petróleo da Shell está no meu corpo", afirmou Hannah Baage.



O fato de o
desastre do golfo paralisar um país e um presidente que tanto admiram é motivo de espanto para as pessoas daqui. "O presidente Obama está preocupado com aquele vazamento", comentou Claytus Kanyie, funcionário da prefeitura. "Ninguém está preocupado com este aqui." Ao longe, saía fumaça de um lugar onde, segundo Kanyie, funciona uma refinaria ilegal operada por ladrões de petróleo e protegida, ao que se fala, pelas forças de segurança nigerianas. Antes dos vazamentos, disse Kanyie, as mulheres de Bodo ganhavam a vida catando moluscos e mariscos nos pântanos.

Nada menos que
2 bilhões de litros vazaram no Delta do Níger nos últimos 50 anos ou cerca de 41 milhões ao ano, concluíram especialistas em relatório de 2006. Portanto, as pessoas daqui olham com compaixão a situação no golfo. "Sentimos muito por eles, mas é o que acontece aqui há 50 anos", disse Mbong.

Embora grande parte
da área tenha sido destruída, restam muitos espaços imen sos de verde. Os ambientalistas afirmam que, com um programa de recuperação intensiva, o delta poderia voltar a ser o que era.

 

A Nigéria produziu mais de 2 milhões de barris de petróleo ao dia, no ano passado, e em mais de 50 anos milhares de quilômetros de dutos foram instalados nos pântanos. A Shell, principal empresa exploradora, opera em milhares de quilômetros quadrados, segundo a Anistia Internacional. Colunas envelhecidas de válvulas nos poços de petróleo se destacam entre palmeiras. Às vezes o petróleo jorra delas, mesmo que os poços estejam desativados.

Caroline Wittgen, porta-voz
da Shell em Lagos, disse: "Não discutimos os vazamentos", mas argumentou que a "vasta maioria" é provocada por sabotagem ou roubo, e apenas 2% por falhas dos equipamentos ou erro humano.
REPORTAGEM PUBLICADA NO ESTADO DE SÃO PAULO
 

O Chato do Xiça

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:53
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
MUXIMA . III

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“A MACUMBA no terreiro” 

 

Candomblés

Na história das coisas, um Blog, é simultâneamente um instrumento de informação, crítica ou formação cívica imiscuindo-se em todas as esferas do conhecimento: Politica, costumes ou ciência numa infínita curiosidade do saber, entender as coisas da vida, da verdade e justiça. O Kimbo é tudo isso, virado ao mundo Lusófono, dos países dos PALOPS e, muito especialmente Angola, Brasil e Portugal formando o triângulo Atlântico.

Rio de Janeiro é a capital do culto de origem africana conhecido por “UMBANDA”. Em Pernambuco, no Recife toma o nome de “XANGÔ”, e, em Bahia é conhecido por “CANDOMBLÉ” .

A UMBANDA, chegou com os escravos do Congo, Angola, Moçambique, Costa do Marfim, Guiné, Sudão, Senegal, Togo entre outros, tendo viajado nos porões imundos dos navios negreiros. Por ser proibida a prática desses costumes pelos colonizadores católicos, os Umbandas incorporaram São Jorge, Santo António e outros santos aos seus espíritos à semelhança do que faziam os caboclos do Brasil; divindades indígenas ajustadas às seitas espíritas seguidoras de Allan Kardec e, tendo como seu maior expoente Chico Xavier.

 

Aqui tem macumba

As UMBANDA, XANGÔ E CANDOMBLÉ, no Brasil, foram no tempo de colónia e reino perseguidas e ridicularizadas sob o nome de “MACUMBA” mas, como coisa proibida, prosseguiu no tempo havendo hoje talvez, cem mil “TERREIROS” espalhados pelas Américas do Norte e Sul. Tendo sua base africana, a Umbanda tem no Brasil o maior baluarte, cultivando divindades estrangeiras, vultos de lendas da história, heróis populares, santos católicos e espíritos, numa vertente hospitaleira, como um convívio de sanzala.

É na Bahia e Pernambuco que a macumba melhor conserva a sua pureza africana prevalescendo no topo a relegião Sudanesa do “YORUBA”; genéricamente abrange todos os povos Bantus tão exímios nas suas superstições de Kiandas de cultos dos antepassados  num perfeito sincronismo com os espíritos de Allan Kardec na sua teoria da encarnação, da evolução cósmica e do karma.

A Umbanda de São Paulo e Rio de Janeiro adaptou à tradição africana e amerídia uma prática mais em armonia com o estilo de vida racional e urbana.

 AS DUNAS DO SOBA

O deus “OLORUM” dos sudaneses foi esquecido em substituição dos “ORIXÁS”, entidade divina com histórias e atributos próprios com desvios para os santos católicos com o fim de escaparem à pressão exercida pela igreja do periodo da escravidão como por exemplo, do padre Jezuita Manuel da Nóbrega, fundador da cidade de São Paulo.

Sendo assim o “OXALÁ” é identificado como Cristo; “XANGÔ” corresponde a São João Baptista e São Jerónimo, o “OGUM” a São Jorge e o “OXOSSI” corresponde a São Sebastião.

O diabo que foi substituido pelo “EXU” patica maleficios e presta-se a feitiçarias. É o principal agente das magias, um deus brincalhão “Yoruba” temido pelos umbandistas pelo seu poder maléfico.

Os brasileiros incorporam na essência umbanda outros espíritos como os “FILHOS DE SANTO” que actuam nas festas religiosas introduzindo o espírito desencarnado  chamado de  “PRETO VELHO”, alma dum século ou kota escravo antepassado ou mesmo a alma de um amigo ou parente recém falecido e que, se destacou no meio umbanda da seita. E, vem a “FILHA DE SANTO”, o “CAVALO”, ou “O CABOCLO”, um índio da tribo.

O politeísmo africano com o prestigio de seus deuses N´Zambis, mantem-se  na tradição de lendas por transferência oral, complementada com música e danças nos contactos espírituais de grande eficácia na magia. Milhares de médiuns ministram esta prática ajustada às necessidades dos adeptos, seguidores ou cultivadores, fomentando a democracia do sistema umbanda que dançam e pavoneiam altivos, no meio dos homens.

 

Bibliografia consultada: O caos das seitas de J.K.Van Baalem

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:48
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 13 de Maio de 2010
2 ANOS DE KIMBO . 13 DE MAIO

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

A        Limpopo . Na rota dos imbondeiros

 

 

Punda Maria, 2010-05-13

Abeirando-me do remanso do rio Luvuvhu bem junto do encontro com o rio Limpopo num lugar chamado de Pafuri, vi do outro lado um corpulento búfalo; encharcado de lama abanava o rabo e as orelhas para se distinguir das pedras buriladas ao seu redor. Aqui, estava no canto dos limites da fronteira entre os países de África do Sul, Moçambique e Zimbabwe de Robert Mugabe (o tal presidente vitalício por sua vontade).

O rio Luvuvhu ia barrento por resíduos levados das encostas férteis da cadeia de serras Zoutpansberg que começa lá atrás na cidade de Makhado, município de Wembe até por aqui, dentro do kruger Park. O “river” barrento, apresenta-se irregular esquindivando-se em rápidos e charcos empestados de crocodilos, búfalos, hipopótamos e  400 espécies de pássaros.

Estava fazendo um hino à vida no centro da Mama África tão ignorada no resto do mundo. Pafuri que quer dizer em  Swahili o “Jardim do Eden” tem além de muitos animais, espécies raras de árvores tais como o baobá, o nosso Imbondeiro, a Marula que dá o melhor licor do mundo, a Jackal Berry, a Angola pitta ou a magestosa Acácia Caffra.

Encardido de rugas em pele mulata, conduzo o meu txova xitaduma a caminho do Punda Maria aonde irei pernoitar. Enxotei um elefante da pista “main road” com uma vuvuzela; espantado e abanando as orelhas contrafeito pisou o capim para fora  do asfalto.

Esta manhã assim que o sol se pós atrás das espinheiras com o capim pintado de cacimbo noturno, sentei-me à frente da cubata em forma de lapa com capim da anhara ouvindo rugidos longinquos de indistintos animais, zurros de zebra e chilreio de passarinhos que me enchiam a mente de lindos e variados cantares. E lá estava saltitante o Ornbil Monteiro´s de bico desajeitado pulando na base do imponente Imbondeiro.  

 

Procurando o lado melhor das coisas, circunstâncias e a outra face das pessoas, conservava assim o coração agradecido a Deus para as aflições não me deteriorarem os sentimentos. Certas afeições no mundo, abandonam-nos em caminhos, afundando-nos em desânimo para nos ensinar que a provação é a alavanca psicológica do espírito.

E, lembrei-me do Kimbo, da longinqua Kizomba embrulhada na bruma dum torpe orvalho triste, dum país retrocedido tão cheio de restritivas competências.

Tal como eu, Fininho de nome, como um pau de papaia, torce-se todo e, em esforço de girafa esganiçada, sopra palavras ininteligíveis para o mufana wakuluka (gordo e ainda  jovem) entorpecendo-lhe o andamento na gordura sobejante.

Ambos pararam de cansados na sombra de Maruleira depois de aparar o capim estripando estórias antigas que ouviam falar aos cakuanas, madalas e chicoxanas. De quando em quando lá entendia uma palavra em português; afinal eram Moçambicanos.

De tanto ouvir a maruleira, já falava sózinha de tanta sabedoria ali contada; no tempo de quando ainda se podia cortar carapinha com gilette reforçada a caco de vidro! Lá no Xipamamine.

-Verdade mesmo! Afirma o Fininho só de nome, do Xipamanine, contando os rands da bassela  e, que num repentemente se calou quando viu que eu, o soba mazombo afinava melhor os ouvidos.

Deixei-os a falar sózinhos  guardando em seguida o xipefo. Em seguida seguiria na rota do Limpopo via Pafuri.

 

Glossário:

 Txova xitaduma – carro (de mão- Moçambique); Xipamanine – mercado; Ornebil Monteiro´s – pássaro de bico curvo, saltitante e do tamanho de uma catatua; mufana – rapaz, jovem; maruleira – árvore que dá a fruta marula; cakuana – avô;  madala – homem idoso; chicoxana – ancião com sabedoria, século (Angola); bassela – gorjeta; xipefo – candeeiro; Vuvuzelacorneta de plástico  de som forte e perturbador (a usar na Copa do Mundo por Portugal e Brasil); Rands – moeda da àfrica do Sul equivalente aproximadamente a nove Euros.

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:33
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 21 de Abril de 2010
MOKANDA AOS T´CHIKUKUVANDAS . X

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

O projecto de Nelo

O fiel depositário de Sakapwma* (Seu Pai)

ESCULTURA AFRICANA

Fazia parte do seu trabalho o registo fotográfico de tudo o que via para valorização e enriquecimento didático do acervo do Museu, para o qual tirou milhares e milhares de fotos chegando até a colorir fotos a mão. Acácio não deixou de registar para si e para acompanhá-lo, momentos que iriam perenizar a sua vivência, criando um álbum de 2500 fotos retratando o dia a dia, tatuagens, penteados, pinturas em paredes, artesanato, rituais profanos e de circuncisão, armadilhas, etc.

Para sua obra se tornar completa precisava do registar em filme algo de muito marcante. Houve poucos brancos a assistir a uma cerimônia de Mukanda (circuncisão) proibido para estranhos à sua cultura e muito menos a brancos. Acácio intermediou filmagem do ritual em película de 8 mm.


Foi o único branco a assistir filmando parte do ritual secreto do Mongongue; houve o episodio de um padre que forçou assistir à mesma, e só não foi linchado pelos nativos devido à oposição de outros nativos não intervenientes na cerimônia. Seus pedaços de filmes em que mostram outras cenas do dia a dia geram um tempo de cerca de 60 minutos Este material actualmente deve ser uma das últimas raridades em posse de um particular. A beleza de todo este patrimônio que levou cerca de 60 anos a concretizar, constituem pela qualidade e diversificação, um pequeno museu.

O conjunto da obra está ilustrado com a narrativa do que representa cada peça, sua lenda e todo o seu conteúdo histórico nos usos e costumes.

De realçar do conjunto de peças, são as bandejas de feiticeiros, que por raríssimas, poucos Museus as possuem; quatro das peças têm mais de 300 anos e outras várias têm 200 anos. Tomou-se por credível a informação dos ofertantes herdeiros daquele espólio. Estas bandejas eram ferramentas de trabalho de seus possuidores, de alta estima pessoal sendo que a, feiticeiros da tribo lhes sucedia sempre por herança de tio o sobrinho uterino, que era preparado desde a nascença para essa profissão.


Estão por isso, essas bandejas, carregadas de energia de milongo, trabalhos de adivinhação e orientação. Faz parte da coleção um instrumento primitivo de fazer fogo por fricção de madeira em madeira, sem data determinada.

Note-se que este legado nativo não possui uma peça artesanal; todas eram de uso pessoal ou do Kimbo da tribo, tornando-as antiguidades dignas de qualquer conceituado museu.

Acácio Sakapwma tem também um livro de sua autoria feito para o acervo do Museu e distribuído pela Companhia para alguns museus e Universidades. Trata-se de centenas de desenhos de gravações em cabaças e pintura  com aquarelas, também de sua autoria.


(Continua...)

José Manuel Primo Videira (Nelo)

Revisou: O Soba T´chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:13
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 20 de Abril de 2010
MULUNGU - XI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“IMBONDEIRO – o nosso simbolo”

IMBONDEIRO

Os imbondeiros, baobás, ou caladaceiras são um gênero de árvore com oito espécimes nativas da Ilha de Madagáscar que contêm seis das oito espécimes do continente africano, tendo a Austrália uma daquelas espécimes.

Estas árvores alcançam a altura entre cinco a vinte e cinco metros podendo ir até aos trinta metros e ter entre sete a onze metros de diâmetro no tronco junto ao solo. Destacam-se no meio de zonas áridas com vegetação de anhara africana a envolvê-los. São também conhecidas por árvore garrafa porque em seu tronco fibroso armazenam água, podendo atingir até mais de 10.000 litros.

Em muitos lugares de África as associações cívicas destacam o imbondeiro como um lugar nobre para decidirem em assembléia coisas do povo, fazer de tribunal ou lugar de peregrinação e, ou veneração a um dos muitos deuses de origem bantu N´Zambi mas, também são usados como ponto de encontro de gente dada à macumba. Algumas árvores são afamadas por terem muita idade, mas, pelo facto de estas não terem anéis de formação, torna-se impossível dizer com certeza científica a sua idade.

Fruto Múcua

O imbondeiro sendo a árvore nacional de Madagáscar e o emblema nacional do Senegal é emblemático para o resto de países da África Austral tendo entre estes, Angola e Moçambique.

O Kimbo faz homenagem a esta árvore estando presente em suas assembléias e momentos altos, através de seu fruto “a múcua” perpetuando a mística que o envolve. Tem o nome cientifico de Adansonia em homenagem a Michael Adanson o primeiro botânico a descrevê-lo.

Em Moçambique o baobá tem o nome de malambe e, seu fruto múcua é referido como cura para o paludismo. Os navegantes portugueses em 1445 ao chegarem à ilha de Gore´ no Senegal riscaram o brasão do Infante D. Henrique “o navegador” tendo nesse então o cronista Gomes Eanes de Zurara descrito a árvore referindo ser o seu tronco composto de uma fibra forte usada para fazer libongos (pano) e cordas; referindo-se ao fruto viu-o semelhante à abóbora. Em alguns lugares de Angola e Moçambique, o imbondeiro é escavado servindo para fazer de cisterna comunitária, cozinha, alpendre ou garagem.

Flor

No Brasil, pode encontrar-se espécimes de imbondeiro em Pernambuco, mais propriamente em Recife num total de 16 catalogados; destes, os mais visitados são os que estão situados na Praça da República e no Sítio do Pai Adão tendo este mais de cem anos e, um tronco com mais de 10 metros de diâmetro.  Na Vila de Nossa Senhora do Ò (Ipojuca), há um imbondeiro com mais de 350 anos. Todas estas árvores foram transladadas por padres das várias ordens religiosas ou missionários que subtilmente as veneravam juntando rezas à mística escrava; A partir de 1800, aí se encontravam os anti-esclavagistas para dissertar sobre a crueldade e desumanidade da sociedade, no trato aos negros, sublevando a consciência de novos partidários.

Semente

No Brasil existem mais exemplares, a saber:- No Rio Grande do Norte, Natal, Nísia floresta e Pedro Velho e Assú (11 baobás com 400 anos) estando em processo de serem considerados patrimônios históricos. No estado do Rio-de-Janeiro existem exemplares no Passeio Público, Jardim Botânico na Lagoa Rodrigo de Freitas, Museu e Fazenda de Quissamá e na Ilha de Paquetá. Em Alagoas há um exemplar na Praça do Skate perto da Ponta Verde de Maceió.  No Ceará, Fortaleza há um exemplar na Praça do Passeio Público aonde foram fuzilados alguns revolucionários da Confederação do Equador. Também aqui deveria ser preservado ou como se diz no Brasil tombado como árvore histórica. Em Belém do Pará existe um belo exemplar junto à sede do Governo.


Muitas estórias, contos e romances têm usado o imbondeiro como fonte de inspiração destacando-se os hodiernos escritores Mia Couto de Moçambique, Pepetela. José Agualuza e Luandino Vieira em Angola. O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry narra coisas doutras galáxias referindo uma nave asteróide infestada de sementes de Imbondeiro e brotos que podava como se barbeasse um ser humano.

O Soba do Kimbo, referindo o lado mistico supersticioso do povo, seus feiticeiros e kimbandas, em Agosto de 2009 escreveu um mussendo (crónica genealógica) dos espíritos em Pambu N´jila*:- O N´Kondi também recorre ao imbondeiro chamado de N´kondo Ikuta M´vunbi espetando nele o prego; assim a vítima morrerá inchada como a árvore garrafa, o baobá.”


* Pambu N´jila: Lugar propício à prática de feitiço, encruzilhada de miondonas (espíritos tutelares).


Da lavra do,

Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:18
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 6 de Abril de 2010
MOKANDA AOS T´CHIKUKUVANDAS .VIII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

O projecto de Nelo

O fiel depositário de Sakapwma* ( Seu Pai )

 

 ... SIGLO XIX: MASCARAS 2009 ARTE PRIMITIVA . LUNDA

Se não mantivéssemos estes objectos juntos, esta pequena migalha da cultura mundial perder-se-ia. A arte Africana ao entrar na Europa influenciou estéticamente artistas como Picasso ou Matisse que admiraram a animação dos objetos e seu primitivismo...

A cultura Lunda ou Kioka, nasceu das tribos Bantu, silvícolas, recolectores e caçadores que esculpiam todos os aspectos da vida.  Traçavam seus dotes artísticos com uma simples faca fazendo instrumentos de uso diário como pentes, adornos vários e artefactos de uso em suas casas e cozinhas. As paredes de suas casas eram decoradas, seus corpos tatuados, seus penteados adornados com criatividade.

Na falta de registos escritos, a cultura oral que passava de pais para filhos, tal como a sua arte  primitiva e costumes, eram as bases  que perpectuavam no tempo. Este é o legado Kioko ou, tchockwe, sendo que sua arte constitui raridade e, por isso, mais reputada na avaliação de seus artigos da arte a nível mundial.

As revistas “Art d´Áfrique Noir” de Roul Letuart referem a arte Tchockwe como sendo das obras mais cotadas no mercado de artes primitivas; as famosas estátuas T´chipinda e Lunda mais conhecidas por Mwatshianvua e Lweje-Ya-Konde (casal fundador do império Lunda), atingiram nesse mercado de arte, o 1º lugar da tabela de preços. Isto é referido no livro “Identidade e Patrimônio Cultural” da autoria do antropólogo e escritor Henrique Abranches.

 

Acácio “Sakapwma”, iniciou suas esculturas em madeira respeitando a arte, conteúdo, e corte com machadinha, faca nativa e formões. Esculpiu o casal do império Lunda, de rara beleza, talhando a madeira de forma muito pessoal preservando a traça original. Independentemente dessas peças preciosas que marcam sua obra, esculpiu outras de renome e forte cunho na identidade deste povo, o “T´shipinda Katele” (caçador), o casal “Mama Wa-Knkw” e “Mwkuluana Wa Kwkw” (pensador e pensadora), talvez a representação mais marcante e admirada internacionalmente, pois que mostra um casal de velhos esperando a morte.

 

Como obra inédita, tem uma peça única em madeira, com quatro pessoas que mostra a cena do “Kaponye” (parto). Além das estatuetas temos as máscaras, masculinas e femininas: umas decorativas, outras para uso em danças populares ou profanas.

É rica a diversidade deste conjunto, sendo as máscaras por demais importantes em suas vidas. O bastão decorativo é uma peça importante e de uso dos chefes ou notáveis como insígnias do poder. O artista “Sakapwma”, não poderia deixar de criar quatro destas belas peças.

Em relevo, criou cenas do quotidiano representadas numa tábua de madeira e duas peças de alumínio fundido, uma dourada a outra prateada. No conjunto do espólio de arte tchockwe, trabalho rico em arte e de difícil elaboração é a incisão de figuras e simbologia em cabaça natural, obra que os nativos muito praticavam e valorizavam. Não há referência de haver outro branco que tenha ousado gravar em cabaça.

No campo das esculturas, não poderia faltar o trabalho em marfim; a realização de um artista é reconhecida devido à dificuldade e paciência na sua elaboração; e Acácio “Sakapwma” executou uma jarra com altura 38,5cm,  com o diâmetro interno de 13x10,5 cm e o peso de 2kg. Esta peça consumiu 18 anos de trabalho na sua execução.

( Continua ... )

José Manuel Primo Videira (Nelo)

Subscreve: O Soba T´chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:58
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 4 de Abril de 2010
MOKANDA AOS T´CHIKUKUVANDAS .VII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

O projecto de Nelo

O fiel depositário de Sakapwma* ( Seu Pai )

 

 ... africano mascaras angola MÁSCARAS tchockwe


Eu José Manuel, filho de Acácio, não tendo até então qualquer envolvimento com o que estava sendo feito, apoiando somente a vontade de meu pai, resolvi em finais de 2002 com a anuência dele, levar em frente um projeto remodelado. Até aí havia envolvimento de gente sem escrúpulos que emperravam vontades, aí resolvi tomar sua defesa conjugando novas metodologias tendo o beneplácito de artistas já credenciados.

Lutei para que meu pai conhecesse o sucesso. Foi em vão,... Morreu a 11/fev/2008, sem saber o futuro de sua obra.

No ano de 2002, debruçado sobre sua obra, percebi que tínhamos ali um grande tesouro; no intuito de transformá-lo em algo revelador ao mundo, eu e minha mãe colocamo-nos em acção, organizando todo o espólio que em realidade compunha um pequeno Museu. Dada a quantidade de informações que retrata uma cultura inédita e fidedigna o trabalho a executar passaria pelo levantamento baseado nas anotações de Acácio que identificavam as peças. Hoje temos já pronto 80%, os restantes 20%, meu pai que pressentiu que não ficaria muito mais tempo entre nós, incumbiu-me de terminar a tarefa.

Sempre foi seu desejo envolver-me no seu sonho, mas o destino, não proporcionou isso; foi uma grande perda!

 

Estou agora, apto a realizar aquele desejo, pois também nasci envolto nesse fascínio artístico; para isso deixou-me muitos rascunhos, alguns até, surpreendentes, pois era o fruto de troca de impressões entre nós. Em realidade, foi em surdina que meu pai materializou esses rascunhos.

Sakapwma acreditava com veemência que chegaria aos 100 anos de idade, pois seus pais e irmãos falecidos partiram entre os 98 e 105 anos; entretanto desejávamos que a sorte nos colocasse juntos no empreendimento.

Uma guerra atroz ininterrupta de 42 anos, sendo 28 anos de guerra civil ofuscou a sapiência que Acácio videira retratava desgastando-se no tempo, destruindo o conhecimento às raízes ancestrais à tão bela e vasta cultura Kioca.

Guerrilha e guerra civil destruíram senzalas e objetos e, logicamente muito material não recolectado. Hoje o patrimônio histórico sobrevivente, está em alguns museus em África, Europa, EUA ou pequenas e raras coleções particulares. Estes dados condicionam o peso certo ao valor do acervo legado.

( Continua ... )

José Manuel Primo Videira (Nelo)

Subscreve: O Soba T´chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:51
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 23 de Janeiro de 2010
CONVEM LER

  Eugénio Costa Almeida

             ver mais em  em http:// pululu.blogspot.com 

 

Pululu

Nova Constituição angolana votada, mas…

 
Oficiosamente Angola tem, a partir de hoje, uma nova Constituição. (21 de Janeiro de 2010)

Um Constituição feita à medida e vontade de um partido político, o MPLA, e de alguns dos seus mais importantes dirigentes, nomeadamente, do seu Presidente e ainda Presidente de Angola, Engº de Petróleos José Eduardo dos Santos que advogava a eleição presidencial por via indirecta, particularmente, como a que se faz na República da África do Sul.

E essa foi a versão contemplada.

Com 186 votos a favor – foram por voto secreto? –, duas abstenções e nenhum voto contra (sabendo que a Casa tem cerca 188 assentos assentos (são 220 os deputados e só o MPLA tem… 191 lugares) há algo que escapou aos 
jornalistas da ANGOP, ou seja desconfio que nem todos os deputados estiveram presentes na votação, mas isso não convém dizer…) a nova Constituição entrará em vigor após promulgação do seu principal interessado: José Eduardo dos Santos.

Mas creio que alguém se anda a esquecer que esta nova Magna carta pode – deve – ser escrutinada pelo Tribunal Constitucional a fim de se verificar que não houve violações às limitações materiais impostas pela Constituição de 1992.

E na minha perspectiva, existem e não são poucas, além de haver algumas graves incongruências no seu postulado.

Desde logo o caso da Vice-presidência. O artº 111, alínea a) do projecto que deu corpo à nova Constituição – o Projecto “C” – se diz que compete ao Presidente a sua nomeação não diz, ao contrário da eleição presidencial (artº 100 da “Eleição” “…é eleito … nas listas dos Partidos ou coligações de partidos concorrentes às eleições gerais”) que o Vice-Presidente tenha de ser do mesmo partido ou coligação de partido.

Bem pelo contrário, havendo uma clara omissão que pode, caso o presidente eleito decidir nomear um líder oposicionista. O referido artº 111, §a9 diz, textualmente, que compete ao Presidente “Nomear e exonerar o Vice-Presidente da República de entre personalidades eleitas no quadro do sufrágio para o Parlamento”. Ou seja, qualquer um!

Nada mais interessante do que ver, por exemplo Eduardo dos Santos ser eleito Presidente, e para mostrar ao Mundo que a democracia é evidente em Angola nomeia Samakuva como Vice-Presidente. É certo que é um cenário pouco exequível, mas possível. E, num outro cenário: estarão a ver, por exemplo, o Vice-presidente substituir, no quadro das suas funções prevista na Constituição, o Presidente, e impor como Chefe de Governo normas governativas ao Partido mais votado que colidem com os interesses deste?

É o que acontece quando as coisas são feitas sobre o joelho e com demasiada rapidez sem que sejam bem analisadas e escalpelizadas.

Ou a questão da “Terra”. Quero ver qual é o Governo angolano que vai conseguir “retirar” as terras aos povos do Sul que as consideram suas pelo uso costumeiro. Legalmente poderá fazê-lo; mas estará o Governo preparado para as consequências sociais que isso possa acarretar?

Caberá ao tribunal Constitucional, apesar da grande maioria ter sido nomeada pelo Presidente analisar isto. Acredito que o bom senso e larga visão dos nossos juristas constitucionais será muito mais elevados que eventuais suspeitas de incapacidade analítica.
 
O Soba T´Chingange subscreve!



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:01
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010
DESABAFO DE UM ANGOLANO

 CORRESPONDENTES DO KIMBO

             EMBAIXADOR DO KACUACU

A BANGA NO SEU EXPLENDOR DE PALANCA

 CAN 2010 [ngày 10/1 đến ...  CAN . 2010

 

 

 

Este CAN para mim é só mais uma demonstração do rumo que este país esta a tomar.

 

Em minha opinião poderiamos organizar um CAN sim mas não agora, nem nestas condições. 

 

 

 

O que é que Angola quer mostrar ao mundo? Porquê que queremos mostrar aos estrangeiros que estamos a "subir" quando na verdade a vida do Angolano continua mal? O que é mais importante para o país?

 

 

 

Soube ontem que há sectores da funçao publica que ainda não receberam o 13° salario de 2009.

 

 

 

Luz e água nem sequer  há na capital. País que organiza o CAN só consegue ter com irregularidade. Construimos hoteis novos mas temos o Hotel Turismo, Meridien, Panorama a cairem aos pedaços.(nao sei em que estado estao hoje)

 

 

 

Acompanhei pela TPA a caravana da selecção quando se dirigia ao estadio, engarrafamento vergonhoso a 1 km do estadio. Nem acessos em condições para o estadio conseguimos criar.

 

 

 

O guarda redes do Togo é baleado em Cabinda, atrevessa todo pais para ser atendido na Africa do Sul!!! E os hospitais de Cabinda? e de Luanda? Não têm qualidade? Claro que não; a qualidade é apenas para os estádios e para os hoteis. Hospitais não fazem parte das prioridades, alias os Angolanos são tão especiais, que nem sequer ficam doentes!

 

 

 

Esta nossa mania de viver de ilusoes e aparências quando é que vai terminar?

 

 

 

Vamos fazer festa com o CAN, grande show de inauguração, espectáculo nunca visto em África, estádio com sistema de iluminição 3 x mais potente que o do Stade de France em St Dennis, etc, etc e bla, bla, bla.

 

 

 

Quando tudo acabar continuaremos com todos os nossos problemas que "não se podem resolver porque saímos agora de uma guerra", para organizar o CAN (não houve argumento de estarmos em paz ha pouco tempo).

 

 

 

O terminal do Aeroporto 4 de Fev. foi restaurado para receber os visitantes na altura do CAN. Depois de décadas e décadas de reclamações de Angolanos q aquilo estava mal e precisava de ser melhorado. Parecia um problema sem solução, mas o facto é que por causa do CAN tivemos o Aeroporto reparado em 6 meses!!! Afinal era possivel !!!

 

 

 

São apenas alguns exemplos que espelham o rumo ( ou desrumo ) que este pais está a tomar.

 

 

Mesmo que individualmente consigamos "nos safar" por conseguirmos meios de enriquecer através de business, esquemas, corrupção ou comissões, a nossa vida continuará mediocre. Porque nossa sociedade está doente, não existe ordem!

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:25
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

HAITI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

RECADOS AO MUNDO

Esta pequena introdução à história do Haiti serve para diferenciar as várias colonizações e afirmar que afinal os portuguesas fizeram nesta matéria diferença pela positiva pois que construíram escolas, fizeram estradas e misturaram-se por abaregamento, alambamento ou amigamento; queiramos ou não, uma forma de amor.

 

ABC Maps of Haiti; Flag, Map ...   HAITI haiti*

 

Em 1804, uma revolução de escravos levou os Haitianos a conquistar o poder, sendo a segunda república independente das Américas, depois dos Estados Unidos.

Até então a França explorava até ao tutano a sua “jóia das Antilhas” altamente produtiva. Usando o sistema escravocrata extraiu tudo do que podia da colônia, café, cacau, tabaco, algodão entre outros produtos que eram refinados na França e reexportados para o resto da Europa.

O mundo de então de preponderância colonialista decretou boicote à nova república; achavam subversivo aquele modelo, pois atentava contra seus interesses. Os Estados Unidos que já era um país e escravocrata, aderiu também ao boicote.

 

Sob boicote generalizado, o Haiti entrou em dificuldades extremas; não podia exportar nem importar. Por outro lado a França passou a cobrar do Haiti uma suposta divida para indenizar os ex-colonos e donos de escravos. Esta contenda de dependência do tipo FMI, só acabou quando em 1838 o governo haitiano aceitou pagar 150 milhões de francos. Durante 80 anos, essa divida, foi paga incontáveis vezes através de juros intermináveis, que drenaram a economia haitiana. Foi considerada paga em 1922.

Mas, nesse então, o Haiti já estava sob jugo dum novo opressor: Os Estados Unidos da América ocupam militarmente o país em 1915 tendo lá ficado até 1938. Após o fim da ocupação, os Estados Unidos apoiando escolhas trágicas levaram ao poder a dinastia dos Duvalier, o Papa Doc  e Baby Doc .

 

Dos anos 60, até anos recentes, os Duvalier, dominaram a população pelo terror através da mais violenta das polícias políticas de que se conhece nas Américas: Os Tonton Macoute.

Os governantes ou líderes, que se lhes seguiram jamais fizeram qualquer esforço para educar a população e retirá-la da ignorância; ali a democracia chegou vulnerável, comprada na forma de santinhos tendo como esfinge seus “irmãos”, corruptos algozes.

O país que tinha uma intensa biodiversidade foi empobrecendo o solo, produzindo erosões, aumentando assim os riscos de desastres ambientais. Hoje restam apenas 2% da rica cobertura vegetal original. Furacões e terremotos fazem o resto da tragédia haitiana.

Haverá futuro para o Haiti se os haitianos e o mundo aprenderem com essa história.

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:08
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 3 de Janeiro de 2010
MEMÓRIAS DE UM GUERRILHEIRO

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         O LIVRO DE ALCIDES SAKALA

ALCIDES SAKALA PÁGINA UM: 11-05-2008 - 18 ...

AUTOR DE MEMÓRIAS DE UM GUERRILHEIRO

 

De rio em rio, muxito em muxito, como leões cautelosos, agachando-se por debaixo  de espinheiras, espevitavam odores do embaciado ar da manhã.  Pé ante pé galgavam mais uns metros penetrando o olhar por entre as copas das árvores, captando helicópteros das Forças Armadas de Angola. O cerco apertava os guerrilheiros resistentes da UNITA.

As descrições dos ouvidos dando conta ao menor estalido de um graveto, ou um chinguiço ressequido partindo o silêncio da mata. Ali, todos os ruidos significam um perpectuar da  vida ou a morte.

São sobrevivências que nos levam aos rios da salvação nem sempre fáceis de transpôr.

Passo às descriçõe do livro do meu ilustre mano, mais velho na aparência do que na idade verdadeira. Também é a homenagem a um homem que merece ser referênciado, porque ele é parte integrante da história contemporânea de Angola.

Foi dele que recebi um galo em madrepérola que orgulhosamente ostentei na lapela.

Do embrulho atado em meu baú com entrançadas e improvisorias matebas releio de novo partes do livro:  

 

“...Para nossa surpresa a delegação do Governo era dirigida pelo General Implacável. Mesmo assim, o ambiente manteve-se calmo e distendido. O facto de ter sido o Genaral implacável a dirigir a delegação das FAA distendeu ainda mais o ambiente. Estávamos sentados, frente a frente, em uma mesa construida de paus frescos, com a delegação do Governo de Angola. Vinham bem vestidos, fardados a rigor e com bom aspecto físico, luzidios e perfumados. Alguns gordos demais para as circunstáncias. Era um contraste físico extraordinário. Mas, mais do que o aspecto físico, o mais importante era o simbolismo político desse acto. Os nossos corpos falavam por si e transpareciam a dura realidade das dificuldades em que vivem os guerrilheiros. Tinhamos os corpos debilitados mas uma inteligência esmerada e vigilante para a defesa dos nossos legítimos interesses. Divididos por essa longa e difícil guerra fratricida, resultante de um nacionalismo fracturado, acirrado pela Guerra Fria, selávamos com o governo do MPLA, nas margens do rio Luconha, uma nova parceria, como aliados para a construção da paz e da reconciliação nacional.

Ficavam, assim, para trás, os nossos mortos, os heróis da resistência de Angola, os protagonistas da grande epopeia de combate pela conquista da liberdade e da democracia, entre os quais o timoneiro da Revolução dos pobres de Angola, Jonas Malheiro Savimbi, Presidente Fundador da UNITA, tombado heroicamente nas matas do leste no dia 22 de Fevereiro de 2002.

Jona Savimbi nunca se renderia, nem se ajoelharia, e se fosse capturado nunca deploraria que não o matassem. Não era homem dessa estirpe de covardes.

Seria negar-se a si próprio, o que nunca faria. Seria negar o seu projecto de sociedade. Com a sua morte, perdemos uma batalha importante, mas não a guerra.”

 

Gesticulando braveza de fingir, pulando ao redor dum heroi de verdade, os luzidios e gordos generais do medo, fizeram a foto macabra.

Um herói não morre, nunca. Só fica no rascunho.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:36
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

RELOGIO
TEMPO
Weather Forecast | Weather Maps
Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9


25

26
27
28
29
30
31


MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
AS NOSSAS FOTOS
POSTS RECENTES

MUJIMBO . XXXIII

MUJIMBO . XXXII

MUJIMBO . XXXI

KIANDA . XLII

KIANDA . XLI

KIANDA . XL

KIANDA . XXXIX

KIANDA . XXXVIII

KIANDA . XXXVII

MUGIMBO XXVIII

MOKANDA DA LUUA . IX

MUSSENDO DO PUTO . XIV

O CLÃ DE ZUMBI - IX

MULUNGU . XXI

XICULULU . XXII

XICULULU . XXI

FORMAS DE ILUDIR . I

KANIMAMBO . IV

KANIMAMBO . III

MUJIMBO XXVIII

ARQUIVOS

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

TAGS

todas as tags

LINKS
PESQUISE NESTE BLOG
 
CAIXA MUSICAL
CONTADOR
ONDE ESTÁS

Sign by Danasoft - Myspace Layouts and Signs

blogs SAPO
subscrever feeds