Domingo, 12 de Novembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIX

TEMPOS PARA ESQUECER – 12.11.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXIV.

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA - Não se fizeram só generais de aviário não! Foram muitos outros em muitas áreas que como políticos fizeram demasiados desmandados…

Por     

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

De entre os regressados a Portugal cognominados de retornados e, após o funcionamento do IARN e Adidos, era notório haver privilegiados nas colocações no aparelho de estado. No imediato e no meio da balburdia a desatenção era relegada. Cada um tentava do seu modo solucionar sua saída da crise; arranjar trabalho, colocação aonde quer que fosse - sobreviver. E, eu tinha dois filhos para criar.

eleuterio sanches.jpg As solicitações dos municípios para o IARN em colocações de funcionários já levavam um nome para a pessoa a destacar e no desvario da revolução as colocações eram feitas preterindo os rebeldes conotados como os anticomunistas como eu que tinha preferido a UNITA em detrimento da FNLA e MPLA e da qual fui membro activo com o beneplácito de Jonas Savimbi que conheci em Nova Lisboa, hoje Huambo! Anos mais tarde Alcides Sacala da UNITA deu-me posse de Coordenador da Zona Sul de Portugal. Isto trouxe-me inúmeros problemas como escutas telefónicas entre outros contratemos que não cabe aqui enumerar.  

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Recuando um pouco, minha base era a Caála chamada de Robert Williams, uma pequena cidade que ficou com o nome de um abnegado dirigente dos Caminhos de Ferro de Benguela. Até nisto se podia apreciar o quanto o aparelho do estado tinha sido tomado pelas pessoas ditas “progressistas”. Eu próprio fui rejeitado em detrimento de gente que ao chegar de Angola, mesmo muito depois do 11 de Novembro era colocado. Era gente conotada à esquerda! Hoje posso ver com mais claridade o que era essa força do Partido Comunista com suas células e comités de intervenção.

flor soba.jpeg Ainda anda por aqui e ali muita gente com quem temos amizade e que dão um encolher de ombros às lembranças de então. Prometi a mim mesmo não me enganar continuando a ser eu próprio peneirando as opiniões, gerindo silêncios. Só muito mais tarde e a partir do 11 de Março de 1976 as coisas começaram a tomar outro rumo. Tive a sorte de ser colocado como destacado em um município tendo na presidência um elemento do MDP-CDE. Nesta descrição andarei um pouco mais à frente e atrás para inserir o essencial dos problemas que afectavam milhares de seres como eu e, em iguais circunstâncias; gente que quis esquecer e, acabou mesmo por assim ser.

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Convém aqui dizer que eles, os gestores do MDP-CDE, jogavam na sorte de obterem um técnico a ser moldado no pós-ingresso mas enganaram-se. Dias-a-fio, era assediado para ingressar em suas fileiras e ir comandar a tropas de insurrectos da reforma agraria no Alentejo e eu sempre escapei a este confronto. Não estava disposto a desalojar patrões pelos ganhões. Havia gente que me esclarecia do seu procedimento e da forma de ficar incólume nesta viragem da vida. As assembleias de trabalhadores eram mais que muitas e tudo se decidia de punho no ar.

vasco gonç.0.jpg Nunca eu levantei um braço e os olhos detectavam meu comportamento. Não saí ileso mudando-me para um Gabinete de Apoio Técnico com gente maioritariamente saída de Angola. Tinha de sair deste gueto Ribatejano com tomadas diárias de fábricas em mãos dos trabalhadores; decisões arbitrárias e execuções sumárias nas atitudes do PREC e cartilhas da revolução vermelha. Entretanto na televisão podia ver vasco Gonçalves em fúria espumar ódio ou lá o que era deitando para a multidão cravos. 

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Era uma carta fora do baralho! Inscrevi-me para uma organização em Lisboa, CIME, Comissão Internacional de Migração Europeia e pouco tempo depois fui chamado, tinha colocação na Venezuela mas, teria de ir em barco. Eu vou sim! Nem que seja de barco à vela e, fui mesmo! Foi o melhor que poderia ter feito. Levei uns doze dias a curtir férias no paquete Flávia cheio de turistas saídos de Itália, destino Caracas com descida em La Guaíra.

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Mas convém aqui dizer o que era esse tal de MDP-CDE: Depois do 25 de Abril constitui-se como partido político, fazendo parte de todos os Governos Provisórios, com excepção do VI de Pinheiro de Azevedo. Concorreu à eleição para a Assembleia Constituinte de 1975 sozinho e, a partir de 1976, em coligação com o PCP, formando a APU. Em 1987, em dissidência com o PCP, já não participou na coligação eleitoral CDU, apresentando-se às eleições com listas próprias.

mdp0.jpg Nessa mesma data, alguns militantes dissidentes formaram a Associação de Intervenção Democrática (ID), que até hoje continua a integrar, como independente, as listas do PCP - Partido Comunista Português. Em 1994 fundiu-se com o grupo editor da revista "Manifesto", dando lugar ao movimento Política XXI, que veio a ser uma das correntes fundadoras do hoje Bloco de Esquerda.

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Em Portugal, havia gente do PCP a fazer triagem na colocação dos regressados do Ultramar Português em órgãos de Administração. Faziam listas, procuravam-nos e colocavam-nos nos lugares mais aprazíveis a contento destes. Que me fuzilem se estou a dizer uma inverdade! Os revolucionários do Pós-25 do PCP e MDP-CDE e o magote de gente que lideravam tomaram de assalto os Serviços de Educação, da Reforma Agrária, na Industria, Comércio e Sindicatos.

maga2.jpg Recordo que o Sindicato da União de Autarquias Locais - do Sul, STAL a dado momento recusou o ingresso de técnicos em suas estruturas. Foi quando me senti relegado para a masmorras dum barco que passou a ser a minha pátria, lugar aonde guardei minhas mágoas, meus desaires num baú: - O NIASSA… Falo por mim, mas muitos outros tiveram que trilhar caminhos muito iguais. Para não me mentir, terei de continuar esta senda até que julgue estar ressarcido em parte dos desmandos, assim seja para desabafar porque, outra coisa não posso esperar. Este arquivo vai ficar morto como coisas do passado!… 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:14
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Sábado, 13 de Agosto de 2016
FRATERNIDADES . CVIII

NA PRADARIA ALENTEJANA . 12-08-2016

A FESTA DA VILA DA PRAIA, SEM MAR, SÓ ONDAS DE CALOR.

Por

soba17.jpgT´Chingange

bimbo4.jpg Ando no meio de uma festa festejando a alegria, curtindo a juventude que resta, lembrando as farras do fundo do quintal da Luua e, vendo as netas dos amigos e a minha também rodopiando em graçolas e risos contagiantes. Assim deixando o tempo abraçar os cabelos grisalhos e os sulcos dos anos. Pois, vou fazer mais o quê?

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A conversa começa do nada com o senhor Casquinha, amigo do Cailogo, marido da Assunção. Conversa desajeitada; a possivel.E chega um neto dele pedindo umas moedas para comprar uma lanterna pirilampo. Não demora muito e ali está ele fazendo gaifonas na cara do avô com aquela lanterna. Quanto custou pergunta o avô? Cinco euros, diz o petiz. Caramba! E, não regateaste? Qui é isso avô!..

tonito3.jpg  Pois… outros tempos! E sem mais remata: - Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos. Víamo-nos as vezes que queríamos, sempre diariamente, quer-se-dizer todos os dias. Na taberna do Álvaro, daquele outro chamado Hernâni com uma mulemba, jogando a bisca e à sueca mais o tentilhão; uns malhos redondos e um escopro ao alto a fazer de alvo. Quem perdia pagava um copo de tinto ou um pirolito.

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Hoje andam por aí feitos loucos procurando bichos chamados de pokémons debaixo dos chaparros. E no maior à-vontade, coisa muito perdida, porque não tínhamos mais nada para fazer senão trabalhar. As conversas misturam-se na memória e sai o que sai. O anteontem misturado com o amanhã se Deus quiser.

mess01.jpg Casquinha dizia quase sozinho, coisas repetidamente faladas. Ainda bem que é assim! Falava comigo por falar e, com ele sem convicção, só mesmo por falar como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos. Em realidade era a primeiríssima vez!

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Nada falha! Na excitação de contar coisas e partilhar ninharias, disparamos novas como se nos estivera, e está, na massa do sangue; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que por décadas estão por realizar. Os sonhos das pradarias; nossos desertos, palhas retesando-se ao vento.  

mess1.jpg Há grandes amigos que tenho a sorte de ter, que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca desconcordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Coisas de mais-velhos, misturando alhos com bugalhos e melancias com queijo de cabra dos montes hermínios.

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Enganei-me! O melhor que os amigos têm a fazer é verem-se cada vez que se podem ver. É verdade que, mesmo tendo passados muitos anos, sente-se o prazer de reencontrar a quem já se pensava nunca mais ver.

mutopa2.jpg O tempo não passa pela amizade mas, a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto existe! Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de irmos pró paralém, vai uma distância tão grande como a vida.

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Agora ouço a Kizomba sem ter nada contra, confesso que prefiro o merengue e o bolero mas, até sou capaz de não trocar de estação! Qual estação! Bolas! Estou na festa de Messejana! Mas, isto é só da loucura, de ouvir com gosto num carro cheio de amigos a caminho da praia como nos temos de kandengue nas idas para o Mussulo, Samba ou ponta da Ilha da Luua.

socie5.jpg Com "10 músicas seguidas sem parar", deveria chamar-se "5 músicas seguidas intercaladas por 5 Kizombas". Casquinha diz que não tem paciência, prefere o acordeão e os ferrinhos num arrasta pé, meche quinambas, musica pimba. Tinha de ser mais um corridinho! E, vai um corridinho mais uma valsa e são horas de dormir que o fresco chegou! E lá fui eu para a rua da misericórdia, uma estreita rua aonde os fumos cheiram a charros.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:30
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Domingo, 4 de Outubro de 2015
CAFUFUTILA . XC

TEMPOS QUENTESNO PARALÉM4ª de 4 partes - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE – Cidadão do Mundo - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa a caminho de Angola…

cola 2.jpg (…) Era oito de Setembro, estava eu na festa romaria da Nossa Senhora da Cola escarrapachado bem no alto e no muro daquele sítio dos primórdios da pedra lascada e ainda ali empilhadas em forma de casas e cercas. Esta romaria era já, no século XVIII, a mais importante da região, um dos lugares de peregrinação mais importantes do Baixo Alentejo. Pesquisas arqueológicas indicam que a ocupação deste sítio remonta a um castro ou citânia do período neolítico, com particular expressão durante a Idade do Ferro. Foi ocupada por Fenícios e Cartagineses, sendo os vestígios relativos ao período Romano escassos.

cola02.jpgcola02.jpg

São significativos os testemunhos do período Muçulmano, a partir do século VIII, que indicam uma comunidade baseada na actividade agrícola e pecuária, onde a tecelagem tinha um importante papel. Na reconquista cristã da península, passou para as mãos dos portugueses no reinado de D. Afonso III (1248-1279). Por razões hoje desconhecidas, a estrutura do forte, foi abandonada por volta do século XVI, vindo a cair em completa ruína. E, aqui estou eu, nesta minha talvez décima segunda encarnação, apreciando o colorido da procissão, gente da diáspora vindas no mistério do vento que agora se entretinha apenas em alizar as ervas dos restolhos.

cola2.jpg Numa solidão de muitos quilómetros este sítio ficou muito cheio de barulhos com tendeiros alinhados ao longo da única estrada de acesso e, eram tachos, travessas, ratoeiras e chocalhos a barulhar espíritos com cães ladrando em guarda das carroças e furgonetas exibindo louça de barro e ferragens entre quinquilharias em plástico de carros carrinhos e palhaços de madeira rodopiando. Assim pensativo nas lonjuras com mitos fruindo a magia deste instante, sem desfalecer na dignidade virei-me a ver o andor e deparei de novo com a kianda assombração do já amigo John Wayne que desta vez vinha acompanhado com Yul Brynner. Claro que fiquei espantadíssimo! Logo dois artistas que me deram tantas alegrias num passado recente.

cola01.jpg Decerto, John despertou a curiosidade do careca ruço Yul de origens mongol e aí vieram os dois à terra lusitana ver suas ancestrais vivências e, eu muito contente aceitei aqueles dois abraços tão cheios de curiosidade por tudo. John com um ramo de oliveira na mão com azeitonas ainda verdes, sempre sorrindo assim como um epílogo ao susto por via de seu Paralém, olhando e apontando aquele ramo e, excitado de contente disse assim: -Hoje ganhei anos de luz; este ramo que aqui vês tirei-o à momentos de uma árvore com 2850 anos; é quase do tempo dos homens destes Castros que se chamavam de Celtas e Iberos fundindo-se nos Celtiberos e muito mais tarde Lusitanos. Yul Brynner, atento à conversa só abanava a cabeça em tom de concordância.

cola03.jpg E continuou: - Estiveram por aqui muito antes dos Romanos, ainda nem de se adivinhava que Cristo por aí viria! Fiquei até aparvalhado recebendo estes ensinamentos dum cowboy amarelecido no tempo. Após um muito breve silêncio Yul Brynner falou: -Foi com um ramo igual a este que uma pomba retornou a Noé da arca nos primórdios do tempo, após o diluvio das géneses. Mas, o que apreendo com estas figuras holográficas que viajam à velocidade da luz, aqui entre os ventos das falsas estepes alentejanas! Muito mais que naquela quadratura do círculo de gente terrena da tevê que falam de todos como se os demais fossem seres sem eira nem beira, nem pombas do Santo Espirito no cocuruto.

cola1.jpg Nós os três, continuamos dialogando até depois da missa à qual nem assistimos. Como outros, dispusemos o farnel em uma manta de retalhos de Minde e, debaixo de uma oliveira que também o era, muito velha por via de suas rugas escanchadas e enegrecidas. O mundo é mesmo um mistério, e nós, queiramos ou não, somos uma ilusão. Já tarde prolongada rumei para o meu castelo refúgio das estepes falsas no lugar de Messejana mas, só após ter dado um fraterno abraço a John Wayne e outro a Yul Brynner, gente virtual que me prometeu recomendações lá no Paralém deles. Não sei se tornarei a ver estas divertidas assombrações mas, o que fica disto, é algo muito de divertido e bonito!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:07
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2015
CAFUFUTILA . XCVIII

TEMPOS QUENTESNO PARALÉM – 3ª de 4 partes - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE - Cidadão do Mundo - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa a caminho de Angola. 

para0.jpg (…) John Wayne sentia-se em casa olhando a secura alentejana e, num repente de trote com seu alazão passou a galope por algum tempo detendo sua montaria junto a um velho olival; desceu da montaria, deu volta a uma velha oliveira e exclamou à minha chegada: My Good! This tree predates the coming of Jesus Christ! Meu deus! Esta árvore é anterior à vinda de Jesus Cristo!? Repeti eu, a mesma exclamação em jeito de assombro. Já junto a ele detive-me a apreciar aquela velha oliveira muito escanchada com musgo do neolítico em parte do seu interior oco. Uns ramos verdes davam vida ao resto do velho tronco.

para1.jpg Isto disse ele apontando a árvore, tem bem mais de dois mil e quatrocentos anos! E sem retirar o olhar da velha e rugosa árvore acrescentou: -E pensar que ela assistiu daqui a ida de Cristo para o calvário e sua crucificação num pau destes e em forma de cruz para nos crismar na vida! Já no largo em frente ao Café central de Panoias amarramos as montarias e perguntamos a um magote de mais-velhos se sabiam aonde morava o senhor Maldonado, um também mais-velho, um primo em quinta ou sexta geração, com uma verruga junto à orelha, ferrador de profissão e agora aposentado.

para5.jpg Num instante quase todos apontaram na direcção do primo em causa bem em frente do café e aproximando-nos apresentamo-nos sem grandes explicações de minúcia! Após estes preâmbulos mal entendidos pela lonjura no tempo, tudo ficou assim mesmo sendo seu sorriso escarrapachado com alguns dentes amarelecidos por via de ser um fumador inveterado. John assombração deu-lhe um abraço cósmico e das faíscas empáticas saiu um venha daí um tinto! E foi um tinto, uns quantos brancos e até uma aguardente de Conqueiros com presunto de pata negra, entrecosto curado à lareira e até toucinho com pão da terra.

para4.jpg John Wayne, a todo o momento dava seus ares de alegria, espanto olhado nos largos horizontes com a barragem da Rocha ali por perto, Santa Luzia e Garvão lá mais distante. Good, good, repetia ele intercalando um nice, um beautiful enquanto emborcava uns copázios, bem à maneira de suas recordações na paralaxe do tempo cósmico.

para3.jpg O dia já estava longo e, foi decidido que ele por ali ficava em casa de Maldonado porque eu tinha mesmo de recolher ao meu refúgio de Messejana. Porque estávamos já perto da data do oito de Setembro iriamos encontrar-nos na procissão do Castro da Cola, um lugar com história desde o tempo dos Celtiberos. Foi assim que nos despedimos, com um até lá…

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:56
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2015
CAFUFUTILA . XCV

TEMPOS QUENTES NO PARALÉM – 2ª de 3 partes - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…John Wayne estava encontrado neste sítio encantado … 

Por

soba10.jpg T´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto. Anda às arrecuas para fugir à regra, um paradigma, só dele.

john3.jpg John Wayne mostrava-se ávido de rever aquilo que foi sua infância em uma outra encarnação. Ele não tinha certeza absoluta se aquela sua infância longínqua foi passada em Aivados ou Alcaria e tem uma ligeira certeza de que tinha familiares em Panoias pois que refere estar em um alto e de poder ser vista de muitos horizontes. A todo o momento parávamos para apreciar as coisas ínfimas, tirava fotos que viravam um holograma em 3 D com cheiro e forma de impressionar. Não sei do porquê ao apanhar uns cardos de cor amarela e mete-los em seu alforge; nem lhe perguntei, pois tudo era nele inusitado. Afagou uma minúscula carriça que lhe saltou para o ombro e de repente apeou-se junto a um frondoso sobreiro e de novo falou em seu inglês rachado: - You know the difference between a sobreiro and the azinheira? Rsss… Se eu sabia distinguir o tronco do sobreiro e azinheira?.

john5.jpg Só sei que a azinheira dá bolotas comíveis enquanto as do sobreiro não prestam, melhor são intragáveis! Disse eu! - Pois então fixa-te nisto, o tronco do sobreiro é de casca grossa, rugosa, irregular de fendas e nódulos irregulares enquanto a azinheira tem a casca fina, fendas regulares e longitudinais além de ter as folhas mais pequenas e, como dizes as bolotas comem-se; Lá na paralaxe do além de onde venho, utilizamos muito esta glande para nos dar energia atómica, podermos assim a partir de suas partículas radioactivas de nos transmutarmos num ápice de um para outro lado! - Assim como levitar e andar só de pensamento? Interroguei-o!

mess1.jpg Ele tentou então explicar-me: - Quando olhamos para o espaço, em seu conjunto, a distância das estrelas é tão grande que perdemos a noção de profundidade, num primeiro momento. Todas as estrelas parecem então estar à mesma distância, coladas numa grande esfera, a esfera celeste. Mas, na verdade, elas não estão à mesma distância, sendo o método de paralaxe usado para medir algumas dessas distâncias e, é aqui que nos movemos, na sombra da paralaxe. Estava explicada este seu entusiasmo em ver as moléculas expansivas alimentadoras de seus iões ou catiões feitos nuvens, assim como um orvalho cacimbado. Mas eu não consegui entender.

mess04.jpg Mais ou menos isso, teletransporte nos iões espaciais! Disse ele. Isto é demais para a minha caminheta, afirmei; É melhor ficarmos assim! Notei que ele não gostou deste meu momentâneo desinteresse. Neste entretém ouvimos um kwé-kwé de um pássaro grande e preto por mim nunca visto! Seriam os seus guardiões nesta terra do Paralém. Podíamos ouvir tudo ao mesmo tempo, um fenómeno até aqui nunca por mim observado, mas eram os badalos dos bois e das ovelhas não visíveis dali, que sobressaiam desta amálgama de sons. Eu estava leve como uma pena, fazia quase tudo, eu que tenho tanta dificuldade a atar os sapatos pela manhã; parecia ser um ser gasoso.

mess6.jpg Montamos de novo nossos cavalos holográficos e num repente estávamos bem no átrio da ermida da nossa Senhora de Assunção. De novo apeamos e, ambos nos sentamos no muro largo feito daquele xisto caiado. Num encantamento tirou nem sei de onde uma gaita-de-foles e começou a tocar uma musica volátil que trazia aos sentidos o cheiro de plantas distantes, pode dizer-se paradisíacas… Foi quando vi as nuvens virem até nós e fundir-se em uma senhora, pairando ali bem perto sem qualquer assentamento; tudo indica ter sido a Nossa Senhora de Assunção…Nunca tinha sentido assim uma sensação de tanta tranquilidade…

(Continua…)

CAFUFUTILA, (kifufutila): - Farinha de mandioca torrada misturada com açúcar. Do Kimbundo de Angola

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:15
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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2015
CAFUFUTILA . XCIV

TEMPOS QUENTESNO PARALÉM 1ª de 3 partes - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…John Wayne estava encontrado neste sítio encantado …

Por

soba10.jpgT´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto. Anda às arrecuas para fugir à regra, um paradigma, só dele.

john0.jpg Seu verdadeiro nome era Marion Michael Morrison. Ele detestava seu nome e ao entrar para o cinema mudou-o para John Wayne, que tinha mais a ver com um rapaz de 1,92 Surgiu com destaque no cinema em 1930 em The Big Trail, faroeste dirigido por Raoul Walsh. Permaneceu vários anos estrelando filmes B até consagrar-se no papel de Ringo Kid em Stagecoach, clássico de 1939 de John Ford. A carreira de Wayne foi assim agraciada com esse divisor de águas inestimável, que o lançou ao estrelato. Esse filme tornou-se a obra que definiu todas as principais características do faroeste norte-americano.

john01.jpgEra o último domingo de Agosto; saí de mansinho da rua da Misericórdia faltava dez minutos para as sete horas da madrugada; o silêncio rondava o lugar do Paralém e, nem o cão rafeiro da rua do Outeiro me ladrou, procedimento incomum, talvez por ser cedo ou por não querer mostrar seus caninos cariados e, voltei à esquerda na rua de Alvalade pisando o asfalto, casas caiadas com barras azuis muito a condizer com o Paralém de Panoias, famosa por uma praia que não tem com o nome de Messejana. Passo a rua da Fonte Nova, que me fica às 10 horas, como dizem os aviadores, portanto à esquerda; já descendo noto no desperdício de figos da índia que caem na barreira sem aproveitamento.

john 00.jpg Os tabaibos deram lugar aos eucaliptos cheirosos a esta hora da manhã, batiam as sete badaladas no sino da igreja da Misericórdia estando eu em frente do chafariz Afonso Gomes construído a 15 de Julho de 1880. Via-se ao longe a ermida de Nossa Senhora de Assunção. Pude ler no cruzamento que liga a Rio de Moinhos um cartaz da CDU mencionando uma próxima festa do Avante na Atalaia e fazendo menção do PCP com uma estrela, uma foice e um martelo, e o PEV com um girassol.  

mess01.jpg Ouvi do lado sul e lá longe uns barulhos de petardo ecoando nos cabeços, talvez avisando da festa de Panoias ou então de caçadores dando tiros aos coelhos ou rolas, não tenho certeza disto mas eram estrondos aliados a um zumbido do ar e olhando o céu lá estava o rasto dum avião nas alturas a caminho do Sul, Áfricas e, estando assim olhando o azul rasgado ouvi um convincente “Good Morning”…

john4.jpg Mas, que grande susto! Segundos antes não estava ali ninguém e, num repente, saído do nada ali estava um homem vestido à vaqueiro, um autentico cowboy americano! E, surpresa das surpresas… mesmo espanto! Era nem mais nem menos que John Waine, vestido como se aqui viesse fazer um western. Não te assustes, disse ele no seu jeito meio fanhoso: -Don´t be afraid! I heard gunshots and came to see!... Em inglês! E, perante o meu franzir continuou a falar, mas agora em português com sotaque de alentejano de Aljustrel, bem cantado: - Na minha anterior encarnação andei por aqui e venho agora matar saudades; tu podes ajudar-me nos caminhos, agora tudo está diferente! Quero ir até Alcarias, Panoias e Aivados, lugares aonde ameninei nesse meu passado.

john02.jpg Caramba! Num repentemente surgiu um puro lusitano a seu lado! Let's ride! Let´s let's go! Vamos, monta! Estava tolhido e, assim tremendo e com a sua ajuda pulei com alguma dificuldade para o lombo do lindo exemplar de cavalo. E, lá fomos em direcção à Ermida de Nossa Senhora de Assunção… Fiz um rodeio em direcção a Sargaçal porque sabia ir ali encontrar bois e, lá chegados vi o encanto nos olhos de John! Os bois com os rabos a dar e dar, um e outro lado afastando moscas enquanto a passo rápido se deslocavam da barragem de água para as gamelas de pasto com a suposta ração que nós lhe dariamos; pensaram que seriamos nós, seus cuidadores.

john2.jpg Vou tentar reproduzir a imagem, o gado com crias seguiam o rumo da palha levantando o pó do chão, assim como uma mini boiada e mugidos de indicar presença aos bezerros e o moinho de vento rodando fazendo tric…tric…tric…tric nas palhetas duma pá desmazelada mais o riscar de uma tabuleta que teimava em amachucar um outra torta chapa pelo chik…chuk…chik…chuk, vento de sudoeste que entretanto se levantou! Era mesmo uma cena dum filme e, se gozei na imagem dos muitos filmes que me alegraram, olhos colados ao grande ecrã! Sim, sou mesmo da geração do cinema, das matinés de ver gado despencando com pó, rifles, ladrões e tiros de colt e winchester.  E, curiosamente o encanto não era só meu. John Wayne estava consolado! Sentia-se este mistério.  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:01
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Domingo, 7 de Junho de 2015
MULUNGU . XLV

TEMPOS CUSPILHADASPasseando o esqueleto num reino outrora moiro...

Por

soba0.jpg T´Chingange

mess04.jpg Ainda não eram sete horas da manhã quando iniciei a marcha do dia por duas horas na falsa estepe alentejana. Saí da minha Misericórdia, cruzei a rua do Outeiro entrando na Casal Ventoso e logo cheguei ao muro da Horta Nova aonde em outro recuado tempo botavam penicadas porque não havia como hoje quartos de banho; Foi com a chegada dos magalas da guerra em áfrica e, depois de 1971, que a gente  da terrana, na sua maioria, começou a ter quartos de banho em suas casas; antes não havia saneamento básico nem água canalizada.

mess7.jpgDesta Rua da Eirinha e um pouco mais adiante, virei à direita pela principal Rua de Alvalade. Pude ouvir as sete badaladas da Torre do relógio quando já descia para o cruzamento que liga a Rio de Moinhos à direita mas, eu iria seguir em frente via Alvalade como disse mas, aproveito recordar que em outros tempos se fazia ouvir os sinos da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios lá no topo e junto às ruinas do castelo mouro; eram as avé-marias da terra, o toque das doz horas, tempos de terços e rosários cantados ou rexzados aonde quer que se estivesse. 

mess01.jpg Esta Igreja Matriz pode ser vista de todos os lados. Parei por momentos no chafariz de Alonso Gomes construído a 15 de Julho de 1880 uma veia de água que dizem sair debaixo do altar da Nossa Senhora dos Remédios; conta-se que em recentes tempos havia uma fonte uns cem metros mais ao lado e na chapada da colina; que a mesma fornecia de água para beber a todo o povo, lembro-me de ter bebido dela e que o dono proibiu às gentes irem ali se aprovisionar. Depois deste acontecido, a fonte que sempre deitou água secou completamente pelo que se disse logo ser o castigo da Santa pela proibição e eis que o dono, reconsiderando, a tornou a abrir e milagre, a bica recomeçou a botar água.

mess0.jpg Nesta terra de xistos, falsa savana, pode ver-se muitas carriças ou calhandrinas acompanhando-nos aos solavancos de funcho em funcho, de cardo em cardo. Pude ver e ouvir rebanhos de ovelhas com toques de variados timbres com chocalhos e badalos em clareiras de erva doirada com envolventes chaparros, sobreiros e oliveiras seculares. E lá está o pastor com o cajado acilhando o corpo ao chão mais o rafeiro Alentejano, estirando a preguiça na sombra do dono, duma azinheira ou sobreiro. Alentejo não tem sombra senão a que vem do céu e os abrigos nem sempre estão aonde a necessitamos. Tiradores de cortiça lançavam no meio do montado seus machados aos troncos descascando os sobreiros deixando-os como que despidos com um amarelo cruo.

mess1.jpg No topo de outra colina talvez a uns três quilómetros da anterior, lá estava a ermida de Nossa Senhora de Assunção com sua traça muito igual a tantas outras, de duas torres e riscada a azul nos cunhais e vigamentos fazendo um quadro bonito de se ver ao perto e lá detrás perfilando no horizonte também azul. Mais longe e já quase de regresso, passada que estava uma hora, lá estava a escola de Vale de Água, que em outros tempos dava ensinança aos putos de alguns montes por ali dispersos. Agora é um clube meio descuidado de pescadores, caçadores e outros mentirosos. No regresso retive minha atenção no desvio para o lugar da Aguentinha do Campo que de monte passou a turismo rural; transformações que os tempos obrigaram a que se fizesse por novas técnicas agrícolas com o uso de maquinarias variadas.

mess5.jpg A Buena Madre foi ficando para trás e já coçado pelo atrito pelos mais de dez quilómetros percorridos, comecei a ficar arrepelado nas peles das bochechas celulitosas. E, pude ver ainda pequenos tufos de papoilas do campo dum vermelho vivo entre outras de cardos em tons amarelos, brancos, azuis e violetas. Também dei pontapés a fungos na forma de velas, peidos de velha do qual sai um pó amarelo com cheiro de mofo.

mess6.jpg Tive este grato prazer de ver coisas que parecem não ser notadas por outras pessoas! Será que sou eu uma abetarda neste paraíso e, na forma de espírito. Belisquei-me e senti dor; era eu, mas não estava escrito que aqui viria passar meus setenta anos nesta “Mesjana” que em árabe quer dizer Messejana e que significava prisão. Seria aqui um campo de concentração dos Cristãos numa jihad islâmica do antigamente. A curiosidade é mesmo uma coisa se só alguns têem…

Mulungu: É uma arvore de grande porte com flores vermelhas; existem no Brasil e em Angola

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:04
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Domingo, 21 de Setembro de 2014
MUKANDA DO M´PUTO . LIII

DA ESTEPE ALENTEJANA - OS CANTOS DA VIDA…

Por

 T´Chingange

 A vida é feita de nadas, de grandes serras paradas á espera de movimento. Relembro as palavras de Torga numa terra pintada de branco, barras azuis com cheiros de poejos, urzes e estevas duma falsa estepe aonde ainda subsistem algumas abetardas, cisões e falcões peregrinos ou da torre. Nesta terra de silêncios dorme-se horas a fio no balanço do vento suão; o mesmo que trás murmúrios muito antigos do rei Dom Sebastião, um jovem nobre que por aqui passou aliciando outros jovens imberbes para lutar com os berberes, muçulmanos de lanças curvas.

 Aqueles jovens de então arrebanhados á pressa e sem prática e técnicas de guerra estavam destinados a ficar em terras de Alcácer Quibir com seu líder, um jovem homem rei do M´Puto, senhor das terras de Aquém e de Além mar, dos Algarves, Brasis e Etiópia, Abissínia, Índias e terras de Preste João que detinha funções de patriarca e rei, imperador da Etiópia, um legado que instigou a imaginação de tantos e tantos aventureiros. Com arredondados deste antiquíssimo reino, dilatei junto daqueles jovens a fantasia, substituindo incenso e mirra por poejos, orégãos e tomilho.

 Esta noite que passei um sono sem intervalos, sonhando ser um cavaleiro desse tempo já enferrujado e, de castelo em castelo vi-me sitiado pelos Mouros em Ourique. Vendo as noticias recentes dou-me conta que na síria o EI, esse autoproclamado Estado Islâmico avança no norte desse país provocando a fuga de milhares de Curdos em direcção à Turquia e que caças Franceses lançaram ontem os primeiros ataques no Iraque contra esses jihadistas. Em 48 horas, os revoltosos capturaram 60 cidades curdas criando ao mundo ocidental "um conjunto de situações" da qual se pondera uma "reacção eficaz" a esses actos terroristas. Se assim continuarem sem forte oposição seremos em breve alvo desses jihadistas que com rancor incontrolado quererão recuperar estas terras de Silves, Alcáçovas ou Alhambra de Granada, lugares simbólicos da áurea de Alá ou de Aladinos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:32
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2014
MALAMBAS . XXIX

CINZAS DE ABRIL . Nosso ego “crucificado”

Oh... Baleizão, Baleizão (mitologia tuga)

Por

 T´Chingange

 Na mitologia gregaArgonautas eram tripulantes da nau Argo que, segundo a lenda grega, foi até à Cólquida em busca do Velocíno de Ouro (O velo de ouro ou tosão de ouro; em grego: Χρυσόμαλλον Δέρας) é na mitologia grega a lã de ouro do carneiro alado).

Às vezes a saudade por algo ou alguém, bate tão forte que até faz doer.  As realidades obrigam-nos a refazer a vida a confirmar a filosofia dos Tibetanos que afirmam em sua cultura e, para si, que a vida é mudança e, que o sofrimento resulta na incapacidade de aceitar essa cruel verdade. Muita gente em Portugal sente-se despojada, desempregada, sem um rendimento suficiente para se suster a si e á família; deprimem-se despojados em absoluto de valores em que acreditaram em tempos de abastança num passado recente. Humilhados por reduzidos à insignificância, relegam-se para um trapo sem valor e sem dignidade para nada. Nós que ainda há seis anos íamos de férias com a família para o Caribe, Santo Domingo ou Varadero de Fidel, usando o dinheiro que o banco implorava que aceitássemos com juros de uva mijona.  

 Como é que fomos cair na situação de agora, nem termos dinheiro para visitar a família em Panoias de Cima, a sul do rio, fronteira das tágides de Camões. Saídos de uma festa em um vinte-e-cinco de Abril onde, lá dentro digo, dizem no antes, era proibido abraçar e beijar, termos hoje no púlpito muitas marcas de lágrimas a recrutar revolta extra-social, nas compridas filas da Segurança Social solicitando um emprego. Desta maneira e à boleia do subsídio esmorecem o carácter polido na convicção de atitudes e passos correctos do ávante camarada ávante. Como o estado nação quer! Atrelados à obediência sem perseverança. O mesmo estado que em uma noite construiu uma ponte a unir os sonhos do Norte às ilusões do Sul; sonhos lindos com musas e ninfas e uma Catarina Eufémia do Baleizão, enfeitadas de cravos e foices reluzentes.

 Todos, racionalmente arrojam a vida com os pés no chão de cabeça nas nuvens. É a vontade de Deus dizem alguns como consolação. Será? Com murmuração silenciosa e inquietude mortificadas, a sonhada paz interior como brotos de cravos, fluem na aparente mansidão de dócil humanidade; Diga-se em verdade, algo admirável que muito surpreende a muita gente. Agora, uma lança poderá trespassar-nos ou simplesmente penetrar-nos no peito a constatar-se que estamos em realidade, moribundos. Nosso estado, nosso ego, está quase-quase no estado de “crucificado”. Hó Balaeizão, baleizão, teremos de reinventar qualquer outra coisa, inaltecedora.

O Soba T´Chingange

  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:29
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Sábado, 17 de Agosto de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXXVI

 “ALENTEJO  -  TERRAS FANTASMAGÓRICAS2ª de 2 Partes

Por

   T´Chingange  

:      Estamos em Agosto de 2013 com talvez menos de dez milhões de Portugueses e, o estado vive à míngua sugado por corruptos e corruptores. As conquistas do povo foram direitinhas para a nova casta de políticos que dividem o bolo por quotas, tanto para ti, tanto para mim. Cá na província, na lezíria, ou ceara alentejana, no cortiçal, olival, nas chapadas de trigo, nos lameiros, os montes estão desventradas, sem telhado, ruínas a gritar desespero aos vindouros. Afinal, de nada valeu aquela caçada nos tempos loucos de caçar fascistas. Ainda hoje me arrepio de tal façanha vivida por mim com pesar e, em euforia de Abril ou Abrilada pelos demais, mais que muitos, infelizmente! Acabei por me desterrar, abalado para um lugar distante chamado de Venezuela, mais tarde Brasil. Os tempos passaram mas os anos prósperos foram por má gestão mandados p´ro galheiro.

 D. Sebastião I de Portugal - Foi o décimo sexto rei de Portugal, cognominado O Desejado por ser o herdeiro esperado da Dinastia de Avis, mais tarde nomeado O Encoberto ou O Adormecido. Aos 14 anos assumiu a governação. Solicitado a cessar as ameaças às costas portuguesas e motivado a reviver as glórias do passado, decidiu a montar um esforço militar em Marrocos, planeando uma cruzada após Mulei Mohammed ter solicitado a sua ajuda para recuperar o trono. A derrota portuguesa na batalha de Alcácer-Quibir em 1578 levou ao desaparecimento de D. Sebastião em combate e da nata da nobreza. Isto, levou Portugal à perda da independência para a dinastia Filipina e ao nascimento do mito do Sebastianismo.

Voltando à lagoa da barragem do Monte da Rocha, não é muito diferente do que se pensa fora de água em que ninguém quer saber da azáfama dos outros, cada qual por si, chapéus há muitos como dizia o humorista e repentista Vasco Santana. Ontem à noite prestei vénias a D. Sebastião que veio dar vida em cortesia de soberania recriada à morna terra pintada de azul e branco de Messejana. Se ontem D. Sebastião veio dar vida, há muitos anos atrás em sua realeza imberbe, ocasionou morte a todos os jovens que com ele foram embalados numa aventura de conquista a norte de África; iam destemidamente dar cabo dos Mouros, os hereges infiéis, Berberes e Tuaregues que não perfilavam com o Cristo e seus seguidores arianos. Alá, já nesse então, nada o fazia alinhar com o deus ariano que desfilava amor com armas em forma de cruz estilizada, a espada.

  O oxalá deles, mouros, não tinha seguramente o mesmo sentido que nós arianos lhe davamos. Os jovens assediados pelo jovem rei D. Sebastião, com ele foram mas, jamais voltaram; por lá ficaram em Alcácer Quibir encharcando a terra árabe com seu sangue num amontoado de corpos. O vento Suão nunca os trouxe de volta e, por eles muitas mães choraram, muitas noivas enviuvaram prematuramente carregando dos pés à cabeça seus lutos. Esta aventura de conquista e submissão de África continuou através dos tempos e séculos. A riqueza soberana do puto, era nesse então  e, sempre, pequena demais para as ansiedades do povo Tuga e, foi assim que muitos dos nossos ancestrais, nossos avôs e pais se aventuraram a iniciar novas vidas para além do desconhecido em um terra que diziam também ser a sua. Tal como eu, branco de segunda, muitos foram o fruto desta estória sem hagá, Angola, Moçambique, Guine entre os demais. Por má gestão e usura, nossos ditos irmãos deixaram-nos ao deus-dará; um dia a história fará justiça. Oxalá que assim seja!

Foto: Mais trabalhos na minha página: www.facebook.com/desenhosangelica Ilustrações de Costa Araujo, meu Mano Corvo (O Deserto é de minha autoria)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:05
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Sexta-feira, 16 de Agosto de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXXV

“ALENTEJO  -  TERRAS FANTASMAGÓRICAS1ª de 2 Partes

Por

  T´Chingange

   No dia de ontem, quinze de Agosto, dia de todas a Marias, percorri a savana alentejana entre Messejana, Panoias, Santa Luzia e Garvão admirando o silêncio doirado da ondulada planície sarapintada de chaparros e sombras. No ar sentia-se um zunir morno, brisa suave de uma apavorada expectativa, impassível por baixo de um céu azul; um azul espalmado em todas as latitudes. As narinas arfavam nervosamente o cheiro do pasto farfalhando mornices de verão com mais de quarenta graus as terras de latifúndios, fome e solidão de recentes tempos. A nostalgia das terras do Alentejo são fantasmagóricas, transcendem-se no tempo com bocejar de sonhos perenes.

 Já nadando ou gesticulando nas águas espelhadas da barragem do Monte da Rocha embrulhado em pensamentos, dizia só para mim que um escritor nunca se aposenta. É quando carregado de sabedoria que se tem de recolher ao isolamento; creio que sucede isto com todos aqueles que teimam em deixar testemunhos de vida: escrevem para o vento emulando-se nas descrições que só eles sentem, só eles cheiram. Vivem povoados de fantasmas feitos fantasias, alongam suas descrições, suas visões, para além do inimaginável. São gente só, isolados quanto baste para poderem trespassar a vida feita de nadas. O tudo ou sonho, entre o real e a ficção convenceram-me e, embora de forma incerta, um encontro com a literatura. De quando em vez afugento o desencanto pela força transformadora do tempo, porque só o tempo depura, mas isto decerto, não fará de mim um escritor. Simplesmente, escrevo!

 Um pato acerca-se de mim na água. Imagino que ele vê uma ilha com a forma de um chapéu de palha enquanto se movimenta lentamente ao meu redor. Nesta pequena imensidão de lagoa, e nesse preciso momento, este pato é o meu único aconchego de vida. É, para todos os efeitos o meu espírito santo, o meu mais próximo ser naquela tranquila lagoa. Ele mergulha rápidamente seu bico na água e faz luzir um pequeno achigã que se retorce em seu bico. Distraído com a deglutição do seu manjar, não se apercebe que naquele chapéu tem gente.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:59
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Segunda-feira, 15 de Março de 2010
MOKANDA AOS T´CHIKUKUVANDAS II

 

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         “Mokanda . 39 anos depois”

 

 

 mundos vidas perdidas ...  AMIGOS DA GLOBÁLIA

 

UMA MOKANDA DE VERDADE ( Igual a tantas outras! )

Amigo Nelo, estou de novo a enviar notícias nossas com mais um pouco das nossas odisseias, pois não sei se será viável encontrarmo-nos pessoalmente. Apesar de estarmos no mesmo país a distância ainda é considerável. Gostaria imenso de nos encontrarmos e darmos aquele abraço do reencontro 39 anos depois.

Em 7 de Agosto de 1975 deixámos Luanda com muita mágoa e chegámos a Lisboa ainda mais magoados. Foi terrível descer aquele avião e ter à nossa espera umas sras da Cruz Vermelha ou de outra organização qualquer, que nos deram uma esmola de 500 escudos por adulto, como se pedintes fossemos.

Fomos para Torres Novas porque aí vivia uma cunhada, irmã de meu marido. Eu fui logo tratar de concorrer ao quadro de professores agregados do distrito de Santarèm e meu marido inscreveu-se no Quadro Geral de Adidos e também na imigração. Ele detestava estar em Portugal, por isso queria sair nem que fosse para o fim do Mundo de barco à vela. Fomos muito mal recebidos pelo povo português que nos considerava ladrões, nós que chegámos de mãos e almas vazias!

Meus filhos foram com minha mãe para o Alentejo, para casa de minha irmã que idolatrava a Catarina Eufémia que, até andava com o seu retrato no peito enquanto o marido destelhava montes de ricaços latifundiários. Era um poder popular besta em que Vasco Gonçalves queria tornar todos uns pobretões. Os generais de aviário queriam meter-nos no Campo pequeno e passar-nos na quentura da metralha Estivemos um mês sem os ver, separados deles pela 1ªvez.

Comecei a trabalhar a 17 de Outubro em Alcanena (14kms de Torres Novas)

Meu marido só foi colocado em Novembro.

Meus filhos, por caridade das freiras do colégio Santa Maria, começaram a frequentar o infantário.

Só comecei a pagar o infantário quando recebi o 1º vencimento... Tantas mudanças,... tudo tão diferente!

Meu irmão, por caridade do director, foi com a família para a Casa Pia de Beja, onde tinha crescido. Enfim, lá nos fomos aguentando. Hoje fico por aqui. Não te quero massar. Espero que nos contes as tuas odisseias, se achares bem.

Houve tempo em que não conseguia falar disto, só queria esquecer, mas o tempo tudo suaviza e até já consegui ir a Angola ( no ano que mataram Savimbi ) e apesar das mudanças, gostei de ir. Envio uma foto recente do nosso filho,que está a trabalhar na África do Sul. Ele já está com 38 anos e ficou careca muito cedo. Quando tiver fotos recentes do outro filho enviar-tas-ei. Creio já te ter enviado da minha querida neta Aral.

As nossas vidas também foram descolonizadas.

Dá muitos beijos à tua linda família. Um grande abraço do Soba. Um beijão saudoso da tua irmã adotiva Ibib.

PS: Manda teu nº de telefone para ouvir a tua voz, ok

22 de fevereiro de 2010

Dá notícias,

Maria Ibib



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:05
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Quinta-feira, 11 de Março de 2010
TUNDAMUNGILA -VI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        O SAPO CURURU, ajudante de Kianda

 

Brasão de Beringel  O braço alado de Alcácer Quibir

 

É mesmo assim, para ver se estava vivo!

Explico!... Estou no meu segundo termo de vida.

«O primeiro foi passado com Dom Sebastião. Segui-o como pagem para o norte de África e com ele morri em Alcácer Quibir. Cortaram-me o braço direito e pouco a pouco vi o coto crescer regenerado até que ficou de mão inteira. Quem duvidar vá ver o símbolo de Beringel do Alentejo do Puto, pois aquele braço verdadeiro e alado é o meu original, que os mustafás mandaram para atemorizar vontades de guerra das gentes do Puto.

Os meus guias apoderaram-se dele, o braço; deixou verdadeiramente de ser meu e, desde então conduzem-no a seu belo prazer escrevendo coisas inéditas e até inacreditáveis».

É assim,... Estórias cheias de makutu como esta. O sapo continua a dissertar coisas:

- A vida atrai a vida, com o teu sonho alimentas o teu saber sempre, quando e enquanto esperas o teu silêncio, num lugar aonda jamais estiveste.

Estas palavras enigmáticas deixavam-me ainda mais confuso. No imediato só pensava ter uma cubata de taipa de 32 palmos de cumprimento por 20 de largura, coberta a colmo, um espaço amplo à frente tendo uns 500 por 1000 palmos e tudo isto rodeado de 4 mulembeiras e um embandeiro ao centro. Terei de divisar os rápidos dum rio na encosta nascente aonde irei buscar água. Ao redor e em circulo mais cubatas dos súbditos do reino tendo na retaguarda de cada parcela um quintal de fundo com árvores frutais. Do lado poente a floresta com N´hiwas e cassoneiras a contrastar o pôr do Sol. Afinal é um sonho simples de realizar mas o raio do sapo cururu referia-se a dez palmos de terra na vertical; só podia ser “ um lugar aonde jamais estiveste”.

- Tu que conferenciaste com uma mamba negra de Belize no Mayombe, que fumaste cigarros caricoco com um pássaro no lugar da Manhanga de Luanda, que pulaste o poço de Ot´xicoto Lake com M´c Giver onde as ninfas lambem rochas e que morreste pela segunda vez na curva da morte de Kalukembe, estás preparado para tudo.

Estupefeito pelo rápido curriculum dos ácaros da minha vida, pestanejei incrédulo. A minha cabeça num repente entrou em parafuso de pavor e, sem perder a noção do meu poder, neste preciso momento não queria mais ouvir o feio sapo. Defini seis mosaicos da varanda ao redor do sapo com o indicador esticado e ordenei:

- Até que eu me destine continuar as falas contigo, ficas aí prisioneiro nesse quadrado a hibernar.

Tinha de primeiro, refletir em tudo para arrumar os carretos e só depois decidir.

 

De boca aberta ali ficou o sapo preso na quadratura do circulo de olhos esbugalhados feito estátua.  Tinha de rever os tratos com a kwangiade Januário Pieter e só depois assumir um compromisso de como continuar. De momento recordo o que ficou escrito quando do ultimo encontro com Januário,

« E, foi assim que nos despedimos das antigas terras de Abd-Allah e, sem limite de tempo, ficou uma vaga esperança de um novo encontro nas terras do rio de “La Plata”, lá na América bem ao Sul, onde seu tio Charles ficou legando a vida a uns quantos matutos, filhos dele, primos seus, dum passado de muito longe. Lá, talvez!... em Sacramento, duzentos quilómetros a montante de Montevideu, capital do Uruguai, antiga cisplatina do domínio dos antigos Tugas.»

(Continua... Os mazombos de Sacramento...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:34
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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010
PARA DESCONTRAIR

CORRESPONDENTES DO KIMBO

           UMA RAPIDINHA

 

 Monte Alentejano - Serpa

 MONTE ALENTEJANO - SERPA

 

Encontram-se dois alentejanos
 

 Pergunta um deles: "Atão compadri, já conseguiste a carta de  condução?"
 Responde o outro: "nam, chumbê"
 Pergunta o primeiro: "como é que foi isso?"
 Resposta: "ora cheguê a uma rotunda onde tava um sinal a

 dizer  30!"
 "E atão ?"
 "Dê 30 voltas à rotunda"
 "E depois"
 "Chumbê"

 Diz o primeiro: "atã,... contaste mal?"

 

O Embaixador do Kakuacu



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:58
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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