Quinta-feira, 3 de Agosto de 2017
NIASSALÂNDIA . VII

MULOLAS DO TEMPO – 02.08.2017 - Nós e o mundo … Teremos de nos regularmos em boas marés porque as brisas esbarram em caricias amigas…

Niassalândia é o meu país.

Por

soba15.jpg T´Chingange  

A Um de Fevereiro de 2016, Eduardo Torres o poeta Xi-Colono, amante do deserto Naukluft, divagando fora da sua serena poesia, falava de mim em prosa: -Curiosamente, só vim a conhecer o António Monteiro, quando, residindo em Portimão, tive oportunidade de estar com ele na casa do meu amigo Santos Pereira, já lá vão largos anos, e sempre o conheci bem-humorado, ora pedalando na bicicleta em circuitos organizados, ou como caminheiro em longas andanças por montes com cardos e estevas.

nauk01.jpg Em realidade o nosso primeiro contacto (digo eu) foi em Windhoek, capital da Namíbia e, estando eu em companhia de Dionísio de Sousa também conhecido por Reis Vissapa que ia desbravar o Okavango na tentativa de por ali ficar; seu sonho era ter um lodge junto ao rio que lhe trazia muitas lembranças desde o tempo em que trabalhou na Brigada de Hidrografia no rio Cubango entre outros. Ele por ali bivacou em casa de Miranda Khoisan às margens do Kubango por algum tempo e, eu regressei a Windhoek tendo ficada por uns dias no hotel Continental.

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Foi neste então que nos conhecemos, assim como a suas filhas Paula e Sónia que trabalhavam em uma agência de viagens. Foi aqui que me apresentou ao Cônsul de Portugal na Namíbia. Recordo que foi Sónia que teve a amabilidade de nos marcar o booking para o Etosha Park em Okaukuejo! Dito isto, vamos continuar com as caricias de meu amigo: Monteiro, para manter o físico e não perder a boa disposição, andava de bicicleta indo de Silves a Sagres.

nauk03.jpg Regressava partido de roto, após ter percorrido seus 120 quilómetros. Depois uma sardinhada bem regada com água de Pegões e uma soneca para retemperar músculos, dizia ele. Preparava-se para ir a Fátima a partir de Albufeira, coisa que acabou por fazer em três anos seguidos; isto, só o vim a saber mais tarde! Considerei o Monteiro sempre um "bom vivant", alinhando sempre com a esposa como muleta, uma disposição que os tornava um casal simpático e acolhedor.

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O Monteiro tem as suas páginas no FB e, de quando em vez lembra-se de transcrever qualquer escrito meu que para ele possa ter interesse. Em verdade, o Monteiro, acaba por me divertir, porque usando a sua veia criadora, sua banga ninita misturando excertos de artigos diferentes, assim como um preparo cozinhado com frutos do mar e bizarrocas receitas. Algumas vezes permite-se ao luxo de introduzir novidades, para mim, de sua autoria.

nauk1.jpg Ele lá tira as suas ilações, e altera o conteúdo como deve alterar a receita, quando cozinha com seu pau de cabinda mordido na ponta para sentimalizar o preparo. Num dos últimos artigos que escrevi, afirmei lembrar-me da primeira vez que tinha comido camarões trazidos pelo meu pai, de Benguela, isto, penso, que nem a segunda grande guerra se iniciara; o amigo Monteiro acrescentou, que teriam vindo num Jeep Willis, para dar ênfase às sua bafunfadas inventações e, poder poeticamente comparar a um brinquedo que o compadre do meu pai, Bartolomeu de Paiva, me havia oferecido pelo Natal alguns anos depois.

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Estabelecendo assim uma comparação, de duas épocas diferentes, porque na primeira nem jeeps havia, e na segunda já apareciam miniaturas de viaturas utilizadas durante a guerra que estava devastando a Europa. Isto não tem nada de especial, mas não deixa de ser interessante a sua intervenção no sentido de tornar mais forte a razão do acontecimento registado.

nauk4.jpg E, Edu continua seu discurso na primeiríssima pessoa: Quem te conhece, sabe como tu és, sério, honesto, amigo do teu amigo, mas gostas de deixar sempre a tua marca, uma ferradura, e pela minha parte, podes continuar a fazê-lo porque até é uma maneira de me divertir... E, até porque não tem importância, e pode acontecer ser por uma questão de interpretação!

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Aliás, agradeço quando públicas o que escrevo, uma prova de apreciação da tua parte (fim de citação). Assim, abruptamente termina sua esponjosa lengalenga bonita de chorar bem no topo de uma duna do Naukluft e, vendo as sombras a roerem-nos o pé. Em seu tempo, creio ter-lhe agradecido mas, agora que a revejo aqui na terra do biltong no Gauteng, envio-lhe uma saudação neste meu jeito suave de não perturbar a rigidez de suas rimas, sua direitas posturas sem antas nem adendas nem fumaças de caricocos envoltos em papel preto e doce.

nauk8.jpg Em remate e, bordado a lentejoulas das terras de largas vistas ao sul do M´puto, Júlio César, Doutor professor de números e contas, que só conheço através do Facebook, dono de palavras honorificas e sem Ferrolho, tranca o tema tecendo as palavras como laivos de própolis, um antibiótico salutar: -O António Monteiro é um criador de estórias que usa a língua portuguesa condimentada em sabores de kimbundo e doces crónicas dele próprio e dos amigos. E, porque terminou assim, em mel de abelha, tenho de expressar aqui e agora a minha gratidão a ambos. 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:37
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Quarta-feira, 12 de Julho de 2017
MALAMBAS CLXXVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO -12.07.2017Aqui no Limpopo de África, apaziguando rijezas adversas, relembro a singularidade do mundo. O futuro anda a trambicar-nos…

Por

soba15.jpgT´Chingange

À medida que o ritmo de mudança acelera na sociedade, as pessoas de mais idade, kotas como eu, Assunção, Eduardo ou Araújo, retiram-se para um ambiente mais pessoal ou particular cortando alguns contactos no imediato, ficando mais pelas relações cada vez mais transitórias que surgem pelo digital facebook. Só eu, tenho mais de sete mil amigos na rede social mas, fujo de um lado para outro, deixando coisas por aqui e por ali.

acacia karoo.jpg Assunção estabeleceu-se numa linda aldeia, tendo como jardim uns vasos com flores de cores várias de malvas e gladíolos ao redor de uma oliveira centenária. Araújo fica em seu mukifo transbordando para a tela traços e cores que só ele sabe fazer com beleza. Eduardo balança seus antigos pensamentos em suaves crónicas do dia-a-dia com sua família e seu deserto. Nos tempos que correm já não estamos ligados a um único objecto durante um longo espaço de tempo.

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Estamos forçosamente ligados por breves períodos na sucessão de objectos que se suplantam. O aspecto de uma cidade pode mudar por completo em um curto espaço de tempo. Isto de o passado desaparecer num ápice é um fenómeno real e com tendência para se tornar muito mais abrangente, até mesmo em cidades saturadas de história e cultura. Este procedimento passa também a regular a relação entre pessoas; o casamento por exemplo já não o é para toda a vida como antigamente.

arte1.jpg Os casais cansam-se e, por “ um dá cá aquela palha” como soe dizer-se; qualquer ninharia se torna num motivo de separação. As pessoas já não têm o mesmo apego às gentes ou coisas, mudando com rápida frequência e, porque o tempo urge. Enquanto se muda rapidamente o urbanismo de uma cidade, também os mais velhos estão sendo mandados para lares, ou asilos e, porque a vida agitada não dá tempo aos filhos para deles cuidarem.

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A família vive uma confrangedora realidade que cria litígios na mente das pessoas mais sensíveis ou até mal preparadas para enfrentar o futuro. A cidade aonde vivo uma boa parte do ano, no prazo de um ano, seu urbanismo mudou radicalmente; suas ruas passaram a ter um só sentido e toda a sinalização foi alterada. Um jardim infantil novo veio a substituir um outro fito à menos de três anos.

magao01.jpg Até criaram uma praça vermelha feita em tartan, um piso igual ao dos campos de ténis, desperdiçando o dinheiro destes (meu, também) sem um real benefício à crise de que tanto se fala. A maioria das pessoas não vê bem esta aplicação dos seus impostos, IRS, IRC, IMI, o custo da água e da energia nesta miragem de sucesso! A futilidade chegou a estremos mal compreendidos por quem sempre vislumbrou objectividade na feitura das coisas! Políticos de má formação, gente ambiciosa açambarcam nossas reais necessidades.  

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Modas incompreendidas por quem conta tostão por tostão para mandar o filho para a universidade. Estamos na era do efémero, sim! À medida que o ritmo da mudança se realiza a sociedade é levada a executar uma economia de transitoriedade. A maior parte das vezes torna-se mais barato comprar coisa nova do que mandar concertar uma outra já velha. Isto necessariamente meche com as ideias e ideais.

lagoa1.jpg Também pelo que se observa no dia-a-dia, é mais vantajoso fazer coisas baratas, não reparáveis; coisas a deitar fora após serem usadas. Podemos assim prever mais progressos técnicos com novos aperfeiçoamentos e, em espaços de tempo cada vez mais curtos. Assim será! Isto, não vai parar.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:39
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Quarta-feira, 7 de Junho de 2017
MALAMBAS . CLXXII

CINZAS DO TEMPO07.06.2017 - REFLEXÕES NUM GUARDANAPO DE PAPEL (grande e amarelo!) - Não há maior religião do que a verdade! Somos o que somos enquanto o somos!

MALAMBA: É a palavra.

soba15.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpgAntonio José Canhoto

Os caminhos da vida cruzam e descruzam pessoas, proporcionam encontros e desencontros que podem levar a amores e desamores, a violências, parafilias sexuais, retaliações, vinganças, casamentos, divórcios, separações, paixões escaldantes e arrebatadoras, obsessões doentias e perigosas ou suicídios. A vida junta e afasta pessoas independentemente da raça, ou credo e assiste impávida e serena, ao desgaste, erosão e convulsões dos relacionamentos humanos, às alegrias, desgostos ou dramas que afectam a humanidade. A vida temporal decorre há milénios umas vezes mais plácida e serena do que outras, mas em qualquer delas nunca nos podemos esquecer que o mundo tem armas muito poderosas para nos destruir sem que a humanidade possa intervir, chegando eu a pensar que em muitas das vezes em que a sua ira nos é mostrada são avisos.

144.jpgAs retaliações de como nós os humanos sem critério ou rigor abusamos do privilégio de podermos habitar algo que nos foi oferecido numa bandeja sem condições ou critérios. Elas surgem! O mundo faz-me lembrar um dote que os noivos recebem em forma de casa completamente mobilada e equipada, cuja sua obrigação é nela habitar zelando pela sua manutenção e conservação. Contudo nós terráqueos não temos sido dignos de habitar este paradisíaco éden pela forma descuidada e criminosa como o usamos.

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 E, sem dele cuidar para que gerações futuras possam ainda nele ter alguma qualidade de vida. Era esperado que este jardim ou horta continuasse a ser plantado e fosse cuidado, regado e podado como se fizesse parte da casa onde habitamos. Infelizmente o homem em relação ao planeta terra tem mostrado o pior dos seus instintos destruidores tratando-o de forma esclavagista e não lhe concedendo quaisquer direitos básicos de protecção. Assim como existe uma Declaração Universal dos Direitos do Homem deveria existir o mesmo tipo de direitos para o planeta Terra.

roxo90.jpg O mundo onde vivemos foi-nos concedido nele habitar, gerir e cuidar como se fosse um Protectorado por quem o criou, tenha sido pelo processo Criacionista ou Evolucionista. Cabe a nós mortais trata-lo, alimenta-lo, usa-lo, gasta-lo, aliena-lo, vende-lo, empresta-lo, aluga-lo, hipoteca-lo de uma forma discricionária e de conformidade com as nossas opções ou necessidades do momento. O mundo é implacável, não tem filhos eleitos ou enteados, não se deixa subornar pois é incorruptível, nem dá tratamentos preferenciais a ninguém. Portanto, perante ele, apenas somos seres, que quando nos tornamos ciclicamente excedentários e começamos a ameaçar o equilíbrio demográfico, torna-se necessários remover ou eliminar a quantidade que começa a desequilibrar os pratos da balança.

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Para que isso aconteça as leis que gerem o Universo vão assistindo de forma imperturbável e passiva aos desmandos dos humanos, mostrando ocasionalmente a sua ira, raiva e revolta através de cataclismos expressos por manifestações climatéricas, terrestres ou marítimas agrestes e violentas deixando rastos de destruição indescritíveis nas áreas geográficas onde decide exercer e retaliar pelos desmandos que a humanidade faz nas suas entranhas. Por vezes em minutos, o trabalho e investimentos de anos de labor e suor vertido na edificação de melhores condições de vida para aqueles que nela habitam são arrasados pela ferocidade com que os elementos da natureza nos atingem vergando a espinha dorsal da humanidade  e, colocando-a de joelhos a pedir clemência.

roxo149.jpg Muita gente tem de morrer para que não nos comecemos a comer uns aos outros pela falta de bens básicos de consumo, que cheguem para alimentar tanta gente. Estas leis imutáveis com que a natureza ocasionalmente nos brinda, nada nem ninguém as pode alterar, mudar ou controlar e muitas são difíceis de prever ou antecipar. Contudo a humanidade e a ciência evoluíram ao ponto de poderem detectar com alguma antecedência certos fenómenos para que os danos sejam minimizados e as pessoas protegidas. Existem várias maneiras de estar na vida e no mundo, como motor ou como carga, uns fazem-no avançar, pular e saltar com grandes descobertas, uns fazem história porque nela intervieram outros apenas a lêem.

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Uma minoria passará a ser recordada para todo o sempre, outros serão esquecidos mesmo antes de fisicamente morrerem. Uns vivem a vida de uma forma contemplativa desprovidos de bens materiais entregues á meditação de se elevarem para estágios da terceira visão. Outros nascem sobre o signo do fatalismo e mantêm-se num estado letárgico de imobilismo quase permanente queixando-se de tudo e de todos desistindo às primeiras adversidades, entregando-se sem luta ou rendendo-se cobardemente às primeiras investidas da vida, quando esta os contempla ou confronta com desafios, agruras, desapontamentos, desilusões ou lhes bate à porta com más notícias.

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Há quem viva a sua existência intensamente até às últimas consequências como se o mundo acabasse no minuto seguinte. Para os parasitas e sanguessugas da sociedade, que apenas ocupam espaço, e respiram o oxigénio tão necessário a todos aqueles que labutam de sol a sol, a morte deveria estar mais atenta e não ser tão condescendente com estes párias da sociedade. O mundo no seu movimento de rotação e translação não para, não espera, não adia a sua marcha inexorável para que os atrasados ou lentos acelerem o passo a fim de acompanhar o seu ritmo, ou que desistam desmotivados pelos revezes do destino. O mundo não se compadece das nossas quedas, ou das opções erradas que tomamos, nem dos períodos de convalescença ou de reflexão de que precisamos para recuperar fisicamente ou para redefinirmos posicionamentos perante a nossa forma de estar no mundo.

bruno13.jpg O Mundo ou a sociedade segue o seu destino de uma forma implacável, indiferente aos problemas humanos, estatuto social ou financeiro; todos iremos morder o pó ou o fogo consoante a forma como desejarmos dispor do nosso bem-amado esqueleto. Quanto maior for a nossa tendência para pouparmos dinheiro ou energia física pelo desgaste vivencial pensando com isso que por cá andaremos mais tempo que os outros - é puro engano! Todos deveríamos gozar a vida diariamente e usufruir daquilo que ela tem de bom para nos oferecer, e algumas até de forma gratuita, como seja por exemplo o nascer ou pôr-do-sol as fases da lua, constelações, sol da meia-noite, e as belas paisagens de algumas regiões do globo, ou a imprevisibilidade de nos cruzarmos com pessoas interessantes…

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Uma pequena queda, pode como num texto longo como este, mudar o curso da estória de nossas vidas. Adiar o presente é comprometer o futuro, por isso, não devemos arranjar desculpas para evitar viver o dia de hoje, adiando para melhor altura a continuação de viver a vida. Diariamente esta confronta-nos com todo o tipo de desafios, tentações, oportunidades que nos levam a ter que pensar, escolher, decidir quais as melhores opções a tomar perante as diferentes situações que se nos deparam, sendo algumas delas de decisão imediata que não nos permitem dormir sobre as mesmas.

araujo82.jpg A vida é uma faca de dois gumes; quanto menos nos expusermos a ser cortados tanto melhor, pois os golpes tanto podem ser superficiais como profundos os quais podem deixar marcas difíceis de sarar e cicatrizar. Compete-nos minimizar o risco sem que com isso tenhamos que nos demitir de viver a vida, resguardando-nos no nosso casulo e só saindo á rua em carro blindado, colete á prova de bala, com um regimento de guarda-costas e com médico na comitiva. É imperativo que sejamos cautelosos, previdentes, ter senso comum e alguma sorte, pois os riscos de cairmos nas ciladas, minas e armadilhas da vida podem acontecer a qualquer um, menos preparado ou prevenido causando-nos incapacidades de curto, médio ou longo prazo.

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Nossa vida pode ser longa ou curta, e sobre isso não temos grande poder de decisão, mas por outro lado temos a possibilidade de a não provocar ou desafiar incorrendo em riscos desnecessários ou estúpidos de querer provar a nossa imortalidade, por pensarmos que somos superdotados ou nascemos sob uma boa estrela que nos protege e ilumina – Lérias! Não convoquemos ou exorcizemos demónios que não podemos controlar, nem aceitemos desafios que sabemos de antemão não poder vencer por falta de aptidões comparativamente com as do nosso oponente.

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Que ninguém pense que a vitória ou derrota é apenas alicerçada no factor sorte, pois a avaliação é feita em disciplinas de competência, rigor e conhecimento. Que ninguém tenha a veleidade de pensar que pode controlar o ciclo da vida, e muito menos sair vencedor das batalhas que com ela temos desde que somos trazidos ao mundo. Podemos sim, ganhar algumas delas, mas a guerra final, essa sempre a perdemos na hora em que nos finamos. Finalizamos!

araujo69.jpg A vida concede-nos o privilégio de decidir se queremos viver na sua faixa rápida ou lenta, ou ainda a de ficarmos parados com o sinal de genuína ou falsa avaria, ou nas zonas de descanso por tempo indeterminado sem correr qualquer tipo de risco, vendo cobardemente a vida passar por termos receio e medo de a viver. Com esse tipo de atitude, apenas nos resta esperar que num certo dia acontece o ciclo acabar; que venha corrigir um erro da própria vida que foi o de nos ter feito nascer. Somos uma ilusão!

Texto escrito a 1-4-2014 por Canhoto

Ilustrações de Assunção Roxo e Costa Araújo

Eu, Soba Niassalês, T´Chingange, homologuei-o



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:50
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016
PARACUCA . XXII

MULOLAS DO TEMPO – 07.12.2016 - Fábrica de Letras in Kizomba com histórias da vida.  

- Mulola é um leito que só é rio quando chove…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

No tempo de Nabucodonosor não havia conhecimento da espectrometria e tampouco se sabia que havia sete planetas em nossa galáxia. Hoje sabe-se haver milhares de galáxias e milhares senão milhões de planetas a muitos anos-luz da nossa galáxia com outros sois. Os especialistas só não têm provas concretas de que existe vida nessas muitas galáxias. A luz proveniente dessas estrelas longínquas, são medidas por espectrogramas a partir do espaço.

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Com o avanço de conhecimentos, pode agora dizer-se que a existência de vida alienígena deixará de ser algo hipotético para ser bastante provável. Também creio que será capaz de acrescentar alguma credibilidade na procura de vida extra-solar a partir da história da própria terra. O nosso planeta nasceu aproximadamente há 4.500 milhões de anos e os micróbios surgiram logo depois passados uns 150 a 200 milhões de anos.

minhoca0.jpgPara nós humanos o tempo biológico de duzentos milhões de idade, parece ser uma eternidade em nossa mente, mas isso representará um dia na totalidade dos quase 14 mil milhões de anos da história da via Láctea. Os astro-biólogos terão cada vez mais de procurar encontrar em outros planetas a possibilidade de lá podermos viver. Os vários governos do globo deveriam estimular e financiar esta pesquisa como salvaguarda de sobrevivência em um futuro próximo.

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Há indícios de moléculas de gaz terem sido detectadas e, é a partir daqui que haverá hipótese de no futuro se estabelecer vida em outros planetas para bem da Terra nosso berço, mesmo que sejam um oásis de um deserto e que possam albergar organismos até com elementos moleculares diferentes.

minhoca01.jpg Esta curiosidade levou-me a cultivar minhocas a fim de assegurar um ecossistema sustentável no meu pequeno quintal. Alimento-as com desperdícios de comida, restos de batatas, cascas de frutas, cenoura, couve e outros vegetais. Estas são as minhocas vermelhas da Califórnia (Lumbricus rubellus) uma espécie bastante criada nos Estados Unidos, e muito utilizada na agricultura mundial.

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Estas minhocas depois de digerir todo o material orgânico, principalmente esterco de vaca, alimento preferido das minhocas vermelhas, produzem o húmus, que nada mais é do que as suas fezes, um adubo natural e potente para a plantação já que contém diversos nutrientes para o solo como o nitrogénio. São famosas por sua capacidade de limpar resíduos, pois que se alimentam de matérias orgânicas em decomposição como  já referi.

bruno27.jpg Creio que em Marte a vida poderá ter evoluído em mares extintos e ter sobrevivido actualmente em aquíferos profundos que contêm água liquida. Isto porque na maioria dos lugares do mundo se regista a presença de insectos e aranhas e até peixes, todos com anatomias adaptadas à vida em ambientes teoricamente pobres e sem qualquer luminosidade.

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Outros hão entranhados em fissuras rochosas desde a superfície terreste até uma profundidade para além de um quilómetro. Bactérias que vivem da energia obtida da metabolização das rochas, espécies recentemente descobertas e até abundantes na superfície terreste. O anseio por odisseias e aventuras próximas ou distantes, está inscrito em nossos genes…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:50
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2016
MUXOXO . XXXVI

TEMPO COM CINSAS - Sei de antemão que as lágrimas não se cristalizam, quando sempre lamuriamos - A vida, é uma falácia…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

peter0.jpg Por via da curvatura da terra as pessoas a olho nu pouco vêm para além dos trinta quilómetros porque e, a cada quilómetro, a flecha fica cada vez maior e aumenta de forma exponencial. Os marinheiros tiveram de construir nas caravelas e no mastro principal ou gávea, um cesto a que chamaram de carago a fim de avistar mais longe. Nas primeiras viagens os portugueses descobridores, porque só viam terra do lado esquerdo, passaram a chamar a esse lado de bombordo enquanto do lado direito era água, o mar a este e, assim ficou de estibordo.

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Mas, as pessoas e principalmente os matemáticos têm buscado teorias tão subjacentes que nem o nosso entendimento consegue num primeiro repente encontrar uma distinta e plausível formulação consistente. Apenas uns poucos conseguem acompanhar o avanço acelerado da fronteira do conhecimento e, esses têm de dedicar todo o seu tempo especializando-se em uma ínfima área. Há apenas sessenta anos, só duas pessoas compreendiam a teoria da relatividade geral.

peter1.JPG Se formos inteligentes, o bastante, descobriremos um dia que há uma série de formulações que se sobrepõem porque na realidade não existe uma teoria definitiva do Universo mas, apenas uma sequência infinita de teorias que descrevem o Universo com uma precisão cada vez maior. É certo! Os eventos só podem ser previstos até certo ponto e, o restante de tudo ocorre de maneira aleatória e arbitrária, de tal modo que nos levamos a considerar que se houvesse um conjunto completo de leis, isso infringiria a liberdade divina de mudar de ideias e intervir no Mundo.

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Sempre surge um paradoxo mais antigo que nos interroga! Será Deus capaz de criar uma pedra tão pesada que ele próprio não a consiga erguer? E, é aqui que surge a falácia tão vasculhada pelos poetas, pela dialéctica que fazem parecer crer alterando os eventos e as propriedades criadas no Universo por Deus, tal como o tempo. E, dão tempo ao tempo e continuam intemporais, sublimados num enfeitado nada.

peter2.jpg Enfaticamente presume-se que Ele, Deus, sabia o que queria quando o concebeu. A meta dos cientistas é a de formular um conjunto de leis que nos permita prever eventos apenas até aos limites estabelecidos pelo princípio da incerteza, tantas vezes aqui referido! Nesta descoberta de abrindo caixas, ouço o sino das onze badaladas da manhã.

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Lugar do aqui e agora, num sítio de Ferragudo aonde as ondas minúsculas me barulham o pensar provocadas pelos mesmos barcos que outrora saíram ao calhar, descobrindo coisas palpáveis, nosso mundo com malezas e escorbuto que o tempo controlou ou tenta. E reparo na silhueta de casas brancas e cor de terra a se desfazer lá mais longe num manto verde e, mais longe a serra de Monchique envolta em fumo de nevoeiro que lhe dá vida.

peter3.jpg Na outra margem do Arade na perspectiva de outros mastros e outros modernos barcos sem carago, distingo entre muitos ali naquela marina de Portimão, o quanto houve de evolução tecnológica usando o sonar, as ondas artesianas pelos rádios e vertedores de imagens que se cruzam nos ares invisíveis excluindo assim o apito, as sirenes, tudo substituído por um ou mais GPS´s que os conduzem às terras do Piter Pan.

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Somos um laboratório em permanente estágio e, sem uma teoria definitiva que me leva a dizer que se existe alguma coisa de nos levar ao arrependimento, é a de se ter confiado em algumas pessoas que não o mereciam! Mas, até isto passa sem conseguirmos transpor os abismos de um acelerador de partículas de um futuro incerto! Um cenário de energias patéticas que simplesmente neste agora ressoam nas onze badaladas da igreja de Ferragudo…

 O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:37
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Terça-feira, 31 de Maio de 2016
MALAMBAS . CXXX

CINZAS DO TEMPOOutra vez mo reino das aroeiras …

MALAMBA: É a palavra.

Por

 

t´chingange.jpegT´Chingange

cinzas1.jpeg Saí de casa com a luz ténue entrando pelas frinchas das persianas das janelas; já se ouviam os melros e gaios lá fora piando suas espertezas matinais. Rodei na cama para a esquerda, para a direita e não havendo hipótese de ficar na sorna de olho aberto, preparei-me ao jeito de passear o cão e, de roupas folgadas e com minhas botas de galgar o Kwazulu Natal, calções de caqui, fiz-me ao caminho, o carreiro habitual. Meu cão proletário, um chouriço com leves traços de collie barbudo, saudou-me com suas quatro patas; naqueles meus propósitos, não lhe foi difícil adivinhar que iriamos passear à praia, andar na falésia por cima das furnas.

cinzas2.jpeg Não há maior religião do que a verdade! A pensar nisto, internei-me no mato que bordeia a costa rendilhada em falésias até à Cama da Vaca. Passei por praias que lá no fundo contrastavam sua areia doirada com o verde e azul do mar com algas bailando ao sabor das pequenas ondas e, já no torreão no alto da falésia entre a praia do Mato e a praia da Lapa pude ver o redondo da terra com seu horizonte de um azul nublado coladinho ao céu. É de todos, o meu passeio preferido, andar nos trilhos de entre estevas, funchos, zimbros, aroeiras e espargos floridos com suas muitas flores de cores variadas, cores de fim de Maio.

cinzas3.jpg Aqui e além poças nas rochas lavadas aonde os pequenos mamíferos e diversos pássaros saciam sua sede; poças de onde recolho poejo para fazer minhas açordas com pão alentejano. Mais adiante também recolho uns ramos de tomilho dum fresco verde. O faísca, meu velho cão, arfando, também ali pára a satisfazer sua sede. Coitado, já vai com a língua a arrojar o chão! Foi neste então que vi o quanto me está a fazer bem o milongo que meu amigo da onça do Porto-à-mão me indicou para tomar: - Extracto de guaraná em pó, beterraba em pó, ácido pantoténico, pó de algas mais uma catrefada de vitaminas! Isto de misturas com levedura de selénio e extracto de cúrcuma é mesmo bom!  

cinzas4.jpg Neste reino da aroeira surgem tufos de palmeira anã, daquelas que a tia Anica de Loulé fazia seus capachos para abanar seus calores e sua lareira. Também se encontram pinheiros, zimbreiros, tomilho, rosmaninho, zambujeiros, trovisco e arranha cão entrelaçado em malvas dos barrancos, espargueiras e arruda de cheiro intenso de fazer defumações para espantar maus espíritos.

cinzas5.jpg Há isto e muito mais, plantas ainda não catalogadas em minha memória, de flores bonitas que saem às primeiras chuvas e que mostram sua beleza até serem fecundadas e, depois morrem de novo ficando ali enterradas por mais um ano. Os mistérios da vida neste mundo vegetal são enormes e para quem quer quebrar a rotina, fazer passar o stress de coisas desavindas, sigam por aí nesse carreiro que até está assinalado a azul na forma de azulejo cimentado de quando em quando em rochas mais salientes. Haja vontade de ver e, decerto se alegrará com estas pequenas coisas.

cinzas6.jpg As alfarrobeiras podem ser vistas ao longo da falésia. O alvoroço da primeira hora é o melhor porque não é só o pardal que chilreia, o pombo bravo que arrulha, um sem número de gralhas que esvoaçam no promontório defendem-se dos gaviões ou mesmo das gaivotas que por ali intimidam relações. Talvez até veja uma raposa (já foi normal encontrá-las). Faça o favor de ser feliz, um dia de cada vez!cinzas7.jpg E, lá fomos nós por entre fragas, no fundo do vale e nos cumes do reino das aroeiras, um reino de largas vistas e de onde se vê um mar enorme confundindo-se com o céu e sem uma nítida separação do distante nevoeiro trazido pelos ventos alíseos, um cheirinho do Saára ou da brisa do Siroco.

cinzas8.jpg Rascunhei-me em cardos, arruda, estevas e chorões com flores lilases, cores vistosas; subi e desci arfando, resvalando com o cão soluçado em vapores com língua de fora. Neste meu passeio foito entre toutinegras, gralhas e pombos bravos encimados em buracos escarafunchosos e esbarradoiros, as lagartixas miram-me curiosamente como se fosse um agente do além.

cinzas9.jpg Nestas terras do meu latifúndio, com oliveiras bravas, carrascos, arranha-cão e zimbros entre pedregulhos calcários, corro o risco de apanhar carrapatos, mas tal como os afoitados desbravadores de terras por conhecer, adentro-me aquém bombordo mirando o estibordo como um tal de Cadamosto que às ordens do D. Henrique e de cabo em cabo chegou em tempos idos à Gâmbia.

cinzas10.jpg Lá em baixo barulhando-se ora perto, ora manso, ora longe mais encapelado, o mar testemunha o que construo a cada passo uma estória ao meu modo; um mussendo, um missosso entre ave Marias encavalitadas de prefácios que se baralham e que logologo se esquecem; esticando os ossos, construo-me a cada passo na estória e, vem outro e mais outro muxoxo como que cumprindo ordens dos meus espíritos a quem risco na areia os sinais do cho-ku-rei ou do sei-he-ki. Um lugar nobre e muito cheio de adrenalina com iodo que de certo modo nos inebria. Um Pambu N´gila como é costume eu dizer…

cinzas11.jpg Aquele senhor Cadamosto, que descreveu as primeiras descobertas além-fronteiras do M´Puto cumprindo ordens do Senhor rei e príncipes consortes, desconhecia todas estas modernas finuras de dialogar em coisas etéreas. Sempre veremos coisas novas se o quisermos, se tivermos vontade para isso e, não é forçoso ter um qualquer rei por detrás, um presidente ou um outro qualquer decadente. Chegado a casa escrevo os lembrados prefácios encavalitados nas arbitrárias e aleatórias recordações daqui e dali, do meu mundo, só para ginasticar a mente. Um dia de cada vez. (Ufa! Terminei!…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:12
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Sexta-feira, 20 de Maio de 2016
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXVI

MOKANDA DO SOBA - EM COIMBRA

Sempre será melhor distribuírem-se rosas do que pedaços de egoísmo, altruísmo, ostracismo, pedantismo e outros ismos. Mas, ainda é mais fácil desfragmentar um átomo…

Por

soba 01.jpgT´chingange

branco1.jpg Tentando compreender-me, compreender o mundo e as pessoas que nos rodeiam de perto ou longe, na outra margem dum rio, num porto-à-mão ou num ferro-agudo, vejo-me envolto em probabilidades, reconhecendo o quanto há de incerteza no entendimento entre dois seres que nada cedem para se dar ao fenómeno electromagnético. Cada cabeça sua sentença e, o facto de se ir de A para B no espaço, ou seu inverso no tempo, obtêm-se um conjunto ou a soma de ondas para todas as trajectórias comportamentais.

Clara1.jpg As variações mentais são enormes, umas grandes e outras quase rasas que associadas se anulam umas às outras por vezes; torna-se mais simples calcular as orbitas permitidas em átomos e moléculas unidos por eléctrones que orbitam mais de um núcleo do que, entender alguns tipos de raciocínio que em nós coabitam. Falo de humanos ou humanóides, claro! E, é tão difícil conceber isto em nossa cultura que seremos obrigados a interpretar as antigas pinturas em que os santos ou gente com santidade eram envoltos em seu templo, sua cabeça com um halo de luz magenta ou púrpura.

DIA76.jpg Talvez seja uma explicação grosseira mas, mais plausível de entendimento. Neste aspecto volátil teremos de equacionar nossas vidas de forma quadrimensional que, num espaço-tempo significam a união de pontos chamados de eventos; a soma de situações em nossas formalizadas ou formatadas vidas dum chamado “Ego”. Ontem percorri seis quilómetros para ir a um lugar do largo do Poço no casco velho da Cidade de Coimbra a fim de comprar uma orquídea para a minha mulher de nome Ibib e, dar ensejo nobre aos seus setenta e cinco anos. Parabéns… ouviu!

orquidea.jpg E, enquanto ia, bulia! E, de regresso já com ela, a orquídea, numa bolsa e mais duas rosas, uma vermelha e outra branca, pensei que sempre será mais fácil distribuirmos rosas do que pedaços de egoísmo, ostracismo, pedantismo ou palavras feitas acções sem amor. Lá no Largo do Poço e bem perto do Panteão Nacional na Igreja de Santa Cruz pude deparar com um quase cego que tocava um órgão. Deveria ter-lhe dado uma moeda mas não dei e, estou seriamente arrependido! Talvez lá vá de novo para repor a vontade no lugar.

mess5.jpg Agachado nele, lendo as letras ou partituras, tocava a uma só mão, músicas do cancioneiro popular; letras que andam trauteadas de boca em boca e, concluí que enquanto uns se esforçam e lutam para sobreviver, outros espalham brasas queimando no quotidiano suas vidas, suas amizades, para se vestirem num alto coturno egoísta até às orelhas. E, como é confrangedor deparar com essa exagerada auto-estima, estigmatizando os demais supondo-se índigos.

afon1.JPG De regresso aos Olivais de Coimbra, lugar de mirar o Tovim e, já no topo de uma ladeira, arfando velhice, bem perto da Biblioteca Municipal, curiosamente bem ao lado da “Sereia do Mondego”, um bar para estudantes, subo uns muitos degraus parando no topo, no padrão, símbolo de se querer, mesmo em frente da Escola Secundaria José Falcão e, pude ler “Se mais mundo novo houvera, lá chegara” uma referência ao sétimo canto dos Lusíadas de Camões. Como digo com frequência, teremos de espotricar o tempo no “Paratrás” para melhor nos integrarmos no “Paralém” …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:13
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2016
MOAMBA . XI

EM MALAKA - A NUDEZ DA VIDA - Contanto que o Universo tenha tido um início, podemos supor que houve um criador. Não sei se assim pensavam no tempo dos Fenícios!…

Por   

t´chingange 0.jpgT´Chingange

malaka1.png Entre as nossas galácticas ternuras, encontramos terras muito carregadas de estrelas mumificadas. Desta feita e em Málaga de Espanha, com o sol límpido da manhã, cruzamo-nos com gente guapa e, falando língua de outros lados recuamos ao século VIII Antes de Cristo. Tempo dos Fenícios! Pisando pedras em lugares com mofo, recuamos ao tempo de gentes que por aqui aportavam fazendo disto uma sua colónia. As colónias sempre foram uma constante forma de transpor conhecimentos novos e, um lógico sequente aproveitamento de suas riquezas. Neste jeito de espotricar, os homens mudaram o mundo sem contemplar outras periclitãncias tornando-o no que é hoje.

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Vinham de Tiro do actual Líbano recolher vísceras de peixe da qual faziam uma iguaria apreciada em esse então. Foram estes os primeiros mercadores a se a aventurarem a navegar através das águas mediterrânicas. Fundaram colónias na Península Ibérica desde o mar Egeu até à vizinha Cádis nos tempos de David bordeando terra até à costa que hoje se chama Algarve. Vieram a seguir-se-lhe os Romanos que continuaram a explorar os mares fazendo o tal condimento designado de gorum, feito de sangue, vísceras e de outras partes seleccionadas do atum ou da cavala misturadas com peixes pequenos, crustáceos e moluscos esmagados.

malaka2.jpg Em princípio era para apreciar as obras de Pablo Picasso no museu de família em Granada mas frustrado por não ver ali o quadro guernica, desci às escavações aonde me inteirei dos achados arqueológicos dos tempos fenícios e romanos. Inteirei-me que para além do gorum também exploraram jazigos de prata e cobre mas e sobretudo, era a busca de moluscos que mais os preenchia, para daí fazerem a tinta de cor purpura. A busca intensa dessas espécies de moluscos nativos do mar Mediterrâneo causou extinção de alguns deles.

malaka5.JPG Apreciei favoravelmente as modernas infraestruturas para a exploração turística, as artes, os espaços ajardinados, as espécies raras de árvores em suas praças, o tratamento excelente da zona portuária com obras escultóricas antigas e modernas, lado a lado. Sua gastronomia com variados gostos na forma de tapas mas, foi no seu subsolo escavado que encontrei os rascunhos de nossos longínquos antepassados com ânforas que supostamente seguiam para Tiro e Roma cheias de garum. Se naquele tempo o gorum ido do Algarve chegou a ser uma especialidade atingindo os mil denários em Roma, hoje a sardinha tão apreciada pelos portugueses terá de igual modo, considerar-se uma “esquisita” especiaria. Restar-nos-á a sarda, a cavala e o carapau chicharro.  

malaka3.jpg Pela dificuldade na obtenção de moluscos Murex no mar mediterrânico, a tinta de cor purpura, em esses idos tempos, ficaram a um muito alto preço. Púrpura era um dos mais importantes e mais caros pigmentos naturais da Antiguidade, preparada com tintas de vários moluscos. Quantidades enormes destes moluscos eram usados para tingir tecidos e ainda são encontradas hoje, pilhas de cascas desses moluscos em alguns sítios da costa mediterrânica. A curiosidade levou a inteirar-me de que a secreção do molusco está contida dentro de uma pequena veia ou cisto e que, quando quebrada ou partida pela mão, segrega um fluido branco. Os tecidos eram banhados neste fluido branco e postos a secar ao sol para "revelar" a tintura púrpura brilhante.

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Pode apreciar-se hoje a figura do Imperador Bizantino Justiniano I ornado de púrpura de Tiro, representado num mosaico do Século VI na Basílica de São Vital. O melhor pigmento era extraído em Tiro, no Mediterrâneo oriental, e era a cor utilizada nas vestes reais romanas, cor que até aos dias de hoje simboliza realeza. A púrpura foi sem dúvida o corante de maior renome e mais caro de todos os corantes antigos. Na Roma antiga só o imperador tinha o direito de a usar pois era um símbolo de riqueza e distinção.

malaka7.jpg O imperador Nero chegou a punir com a morte o seu uso. Cada espécie do molusco dava a sua variedade de púrpura. O pigmento está presente numa secreção mucosa produzida pela glândula hipocondrial situada junto do tracto respiratório. Esta secreção é incolor enquanto fresca mudando de cor quando exposta ao sol, passando pelo amarelo, em seguida pelo verde e só depois surgindo a cor púrpura característica. Desconhecia esta particularidade!

malaka6.jpg O método geral de produção do corante consistia em esmagar os moluscos inteiros, ou abri-los e retirar a glândula, em seguida salgar essa massa durante três dias e finalmente ferver o conjunto em água durante dez dias. O resultado, era uma solução clara, concentrada do corante. Restos da carne do molusco eram separados por decantação. O tecido era mergulhado na solução do corante e em seguida posto ao sol para que a cor aparecesse. O que eu fui aprender em Málaga, antiga Malaka!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:07
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Sábado, 23 de Abril de 2016
CAFUFUTILA . CX

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA - Com Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia… 5ª de várias partes…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; uma parcial inventação falando do personagem que vi em vida, e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe.

zé peixe0.jpg E, tudo teve início para a livrar Roxo do tormentoso “Princípio da Incerteza” que formata a matemática quântica. Como em todas as novelas, os dramaturgos mudam no correr do suspense os episódios e, agora com este desafio de avançar com a estória de Zé Peixe e as Sereias Roxo e Oxor, vejo-me forçado a recorrer a um amigo tão, tão antigo, que anda por aqui e ali, volatilizado no tempo; chama-se Januário Pieter. Esta lendária figura, surge-me sem hora marcada nem outros entretantos, quando fico encafifado, descomplicando-me as verdadeiras vistas do paralém, paratrás e paracima com suas vertiginosas chiadeiras na fricção do tempo, subindo e descendo sem curvas, assim como se entrasse num portal muito tapado de cacimbo!

araujo1.jpgCom ele, já será possível esticar a estória andando no espaço-tempo de forma aleatória e acrescentando mais episódios com sereias e kiandas da Calunga com gente normalíssima da silva assim como um tal de Joaquim de Lisboa que em dada altura e para sobreviver em sua traineira teve de fazer uma caldeirada de peixe voador com solas variadas de sapatos mais quedes com sola de pele de boi, marca macambira e umas cascas de mandioca que serviam de isco na apanha desse tal peixe com asas.

roxo9.jpg Lá atrás expliquei que Sereias são  Kiandas que fazem parte da kalunga, "grande mar", entidades fortemente ligadas aos Orixás e Iemanjás das águas do mar, um poder regenerador no campo sentimental. Chamarei de kwangiadas às ninfas do Kwanza e de Zairiardes às do rio Zaire ou Congo em Angola. Lá mais para a frente iremos reencontrar as sereias ou kiandas de Guaxuma com que tive a experiência mais recente e aonde pude ver sentada a Serei Roxo, tetraneta daquelas, rogando socorro a um mortal como eu. Só mais tarde me dei conta de existir uma outra igual, uma gémea vista por reflexo ao espelho.

ROXO17.jpgPois então, num pedaço de nada, acabado de cochilar na minha rede de Pambu N´jila a escassos metros da Calunga, lugar de antigas Sesmarias do M´Puto jiboiando no sopro da primavera ele, veio até mim. No cumprimento do sonho, dei-lhe um abraço de completo vácuo; era Januário Pieter, meu guia-surpresista. Quase chorei de comoção por uma tão grande e distinta deferência. Nós que vivemos no além (referindo-se a ele e, curiosamente incluindo-me), podemos fazer diversas coisas, mesmo sem entender como as realizamos tais como locomovermo-nos e plasmarmo-nos, disse em jeito de comovida explicação (pude ver isto pelo seu semblante e ruga de seu templo, testa. Neste meio tempo e depois de ter estado contigo em Zanzibar, formei-me “engenheiro espiritual” em Toledo; dizendo isto como se tudo tivesse acontecido escassos dias antes, disse que por via dessa formação e, através dos fluidos da natureza, conseguia pelo pensamento, criar no espaço, paisagens de multicolores holografias. Só apareço porque as pinturas relampejantes de Assunção Roxo me chamaram a atenção; foi quando reparei no assunto embrulhado de cacimbo, em que te meteram ou te meteste.

roxo23.jpg Desde que sou “engenheiro espírita”, explico o que custa a apreender às gentes desavindas mas, boas como tu (referia-se a mim) que nutres de paixões, orações e bons pensamentos. Neste meu estado, luto contra atitudes de espíritos que não são evoluídos, que não possuem compreensão e que ainda estão arreigados em paixões inferiores. Apontando para o jardim, foi falando, estás a ver aquele melro a esgadanhar tuas sementeiras, coisas que tu aprecias, e as gralhas que por aí vão passando em bandos! São condicionantes a que eu recorri para teu exclusivo agrado e, porque agora estás virado às coisas terrenas de beira-mar, venho em tua ajuda. Conferenciaremos sobre esse tal de Zé Peixe e suas ancestrais gerações em conjunto com tuas amigas Roxo e Oxor que tu tanto referes quando te espraias nas reflexões de arco-íris, as cores de roxo.

araujo19.jpg Nunca antes, Januário Pieter, figura recriada por mim, se referiu assim tão directamente como um especial meu assessor. Enquanto isto, as notas de Dó a Si do espanta espíritos da varanda N´jila do pátio andaluz, saudavam-nos mas, creio que mais propriamente à kianda ilustre vinda do álem com os ventos de primavera. Sorrindo, indiquei-lhe o lugar da rede a meu lado, contente com sua desejada visita, dizendo-lhe que a minha principal procuração, era tentar ser útil, sentir a gratidão vendo sorrisos em olhares tranquilos, viver com dignidade e saber contribuir para alguém também ficar bem. Fabricando a felicidade com pouco mais que nada, ali estávamos prontos a desfrisar estórias de inventação, sem menosprezar a vontade de fazer ao querer fazer, sem sugar energias alheias.

araujo27.jpg É bom visitar-te, disse Januário Pieter, sentir que dás bom uso às migalhas que te dou, que me orgulhas como um rebuçado de doce vontade. Aqui ficarei até mastigares por inteiro esta estória que vinda do Brasil paira agora entre Portugal e Angola, teu triângulo de afinidades! Num até amanha deixou-me liberto para outras tarefas largando seu prefácio de hoje como um resquício de sua sabedoria perfumada: “- Não podemos fintar as leis que nos regem e, uma delas é “fazermos a nós, o que fazemos aos outros”. Irónico, talvez, Pieter fintador despediu-se num mungweno. Espanto meu! Pieter já fala em Kimbundo….

natal1.jpgGLOSSÁRIO:

KIANDA: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; ONGWEVA: saudade em português; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, encruzilhada elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga

Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!

Ilustrações de Costa araujo e Assunção Roxo

Capa de Costa Araujo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:07
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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2016
FRATERNIDADES . CIII

NAS FRINHAS DO TEMPO - A ambição e o descaramento - A vida só pára para quem morre ou quer esquecer…

Por

Torres0.jpgEduardo TorresUm Xicoronho de 3ª geração - "Se alguém lhe fechar a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.” - Gandhi

araujo27.jpgEm verdade, para se seguir a carreira política nos dias de hoje, é preciso nascer talhado para o efeito ou ganhar determinadas maneiras de encarar a vida para se submeter e aceitar certos condicionalismos, que não sendo uma medida padrão, definem bem quem se queira servir da política em proveito próprio em vez de a utilizar para servir o País.

araujo30.jpg Acredito que haja políticos bem-intencionados, mas depois de mergulhados em esquemas controlados por altos interesses, ou acabam fazendo parte deles por não terem força para contraria-los ou dificilmente conseguem sair da roda em movimento sem estarem indexados à partida por qualquer beliscadura; e, servir de aviso para que na maior parte dos casos seja o silêncio a se tornar em uma necessidade.

araujo31.jpg Há políticos que já foram governantes, e para mal dos nossos pecados, a maioria até governou mal, para quando colocados na oposição, fazerem reparos, descaramento que chega a impressionar quem os ouve. Preparados de novo para voltarem ao poder, sem propostas que garantam que a passagem anterior pela governação serviu para ganharem conhecimentos e experiência por modo a lhes facultar foro privilegiado. Subordinados a determinadas directrizes, não apresentam argumentos válidos que garantam a confiança do eleitorado quando a pretensão é votar-se em plena consciência.

araujo 28.jpg Infelizmente, penso que tudo isto está tão generalizado, que muitos poucos países passam ao lado de escândalos da corrupção, da ambição pessoal do fácil enriquecimento, dos compadrios a garantirem compensações; mas como é normal dizer-se, os políticos são um mal necessário; tenhamos fé que para melhores dias melhores políticos irão aparecer. Valha-nos essa esperança...

Imagens de Costa Araújo Araújo

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:02
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Domingo, 1 de Novembro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LVII

TEMPO COM FRINCHASHoje, chove como na rua… pois é da rua que ela vem…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

minhoca 03.jpg Hoje, dia de todos os Santos chove e troveja! A luz parda da madrugada teve de fazer ziguezague ate chegar ao meu quarto! O tempo encolheu-se humidamente chato entre os alpendres de folhas fibra de vidro. Para além da telha de canudo, as nesgas apertadas da fibra também fazem zunir o vento com gotículas enviesadas. É o abacateiro mais a anoneira e até a trepadeira glicínia que raspam nas chapas de sotavento e barlavento, rascunhando-se-me como sonhos incompletos, interrompendo-me até a elaboração mental da lista de tarefas para o dia dois, depois dos santos.

minhoca02.jpg Ainda bem que ontem aconcheguei as minhocas no tabuleiro superior arejando-o com furos e tapando as três caixas com um plástico preto. Com esta chuva, morreriam afogadas caso a chuva intensa enchesse o antigo recipiente de esferovite improvisado. Terei de explicar que trouxe estas minhocas das terras longínquas da Capadócia na Turquia, terras do adro da igrejinha de Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus que viveu seus últimos anos em Éfeso. Saiba-se que depois de Jesus a ter encomendado a João, na Cruz, este, tê-la-á levado para ali, lugar que eu pisei na Turquia.

minhoca5.jpg Por serem de terras santificadas do chão de Maria, dos idos tempos em que Nosso Senhor subiu aos Céus, eu as trato com muita deferência porque, e no dizer de Chico Xavier elas serão mais uteis à terra do que eu ou qualquer dos mortais que me possam ler. Em verdade, sempre dei muito valor a estes pequenos seres que vivendo por baixo das trevas, fertilizam nosso chão sagrado arejando as árvores, as plantas que nos dão bons frutos, repolhos, couves e até tengarrinhas e espargueiras, que por fartura, desprezamos!

minhoca0.jpg Quantos dos meus leitores já apanharam tengarrinhas? Um cardo comestível com picos que são tirados rente ao chão, são escaldados com erva a ferver, tiram-se os picos e depois cozem-se com feijão branco e outros normais ingredientes. Parece que já ninguém consegue sobreviver se lhes falhar as tais carnes processadas, os enchidos, as alheiras, os hambúrgueres e os secretos de porco. Não estava previsto falar hoje, dia de Todos os Santos, das minhas minhocas mas, com um mundo tão enviesado lá por fora de meus muros, o melhor mesmo é eu me entreter com estes calados seres que só comem e fazem estrume; dão o chorume certo para enriquecer minhas roseiras e pitangueiras.

minhoca4.jpg Como esclarecimento posso dizer que as minhocas vermelhas da capadócia Eisenia foetida, também conhecidas por "Minhocas vermelhas da Califórnia" são minhocas compostoras, que transformam resíduos da horta ou jardim, e ainda estrume e camas de animais de criação, num extraordinário bio nutriente para solo e plantas, o Húmus de Minhoca! De notar que as minhocas ingerem por dia cerca de metade do seu peso.

O Soba T´Chingange

    

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:50
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LII

NAS FINCHAS DO TEMPO . Kazumbi com kalunga… Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado….

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

kalu4.jpg Controlando minha missão de aguentar a austeridade dispus-me a gozar mais um dia de sol nesta beirada sul dum país que já foi metrópole dum império, de meio mundo, das índias e Brasis, da Etiópia e do Algarve aonde me encontro. Chegado à praia, espetei na fofa areia o chapéu-de-sol e, na companhia de minha princesa Ibib caminhei um pouco a montante apreciando o iate preto com dois mastros de talvez uns quarenta metros de comprimento que dizem ser pertença de José Eduardo dos Santos. E, foi quando já de regresso dum caminhar molengoso, dou-me conta de meu chapéu-de-sol voar, sair às cambalhotas até ficar emborcado na água e com a haste a fazer de mastro; e era um barco de pobre tirando-me essa condição a fingir ser um iate, chapéu feito chata saindo pelo vento adverso em direcção do iate de N´Gola.

kalu2.jpg Não me deu tempo de me lançar à água para o ir buscar porque entretanto entrou na barra o barco arrastão Delphinus que ao provocar ondas fez deslocar ainda mais o chapéu chato para o lado de lá, mesmomesmo na direcção do veleiro negreiro. Valeu-me um barco de pescadores à linha que aos gestos e gritos de duas senhoras irlandesas que acudiram a este estranho acontecido agitando flanelas vermelhas; cá de longe vi o pequeno barco aproximar-se apanhar o chapéu chato e dirigir-se na direcção daquelas senhoras para onde me dirigi e foi num aplauso alargado de agradecimento que os turistas agradeceram a juntar ao meu muito obrigado. Um bom desfecho para quem não quer mesmo ficar na penúria de ficar pobre e sem chapéu.

kalu6.jpg Como vêem, aqui no castelo de Ferro Agudo acontecem coisas que não lembram ao diabo que sendo negro, tem obras de feitiço muito mais repleta de assombração. Meu chapéu foi atraído para o património de um antigo cidadão agora uma kianda presidente; pois, de um antigo império acostado ali em frente ao sítio do surgimento de assombrações, kiandas de kazumbi com kalunga a marearem nesta metrópole tão sujeita à gravidade europeia de tão perene austeridade. Mas, mas, mas… não vou ficar assim pateta de braços cruzados vendo as gaivotas adaptando-se à gasosa do Delphinus que deitavam de borla e borda fora os restos dos restolhos em sua pescaria de arrasto. E era um piar alvoroçado, lutas de depenicar a fome sem maior esforço, de ir lá a alto mar e mergulhar, ficar todo o tempo à espera das borlas, das dádivas.

kalu1.jpgTambém estas, as gaivotas se vão ajustando ao protectorado dos mais fortes, uma arquitectura fácil de perceber mas que não pode ser tomada como coisa perene. Melhor dito não é por este exemplo que devemos seguir nossas normas de estender a mão à caridade, aos gostos alheios, às vontades dos demais porque isto não é um percurso certo na cadeia alimentar.

kalu5.jpg Sentei-me na cadeira exposto ao sol admirando os gestos de tira e atira, tira e atira linha para apanhar matonas ao rio, tainhas ou liças só com fateixa; os mesmos pesadores que salvaram meu chapéu. Pensei que ninguém tem o direito de tirar-lhes também essa condição de se ser pobre; dos problemas de cotas e plafonamentos e, mais palavrões de enganar. E, foi nas 13 badaladas que arrumei a tralha, juntei o chapéu, a toalha e os zingarelhos deste manuscrito rumando a casa para assar nossas duas postas de perca do Nilo…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:06
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Domingo, 13 de Setembro de 2015
MALAMBAS . XCIX

NAS CINZAS DO TEMPO. Encorujado nos meus farelos antigos, queimo as pestanas na praia!… E, lá estava o ridículo monóculo do General António Spínola!

Malamba é a palavra

Por

soba0.jpegT´Chingange

spi3.jpg Sim! É tudo mais do mesmo! A capacidade de se repetirem discursos já gastos para que tudo fique na mesma e, porque tenho ideias e ideais, passei o tempo da vida a perder amigos.  Quando tudo me leva a crer que os amigos são o que penso, normalmente, a determinada altura já têm respostas para as perguntas que eu ainda não lhes fiz e isto, indispõe-me sobremaneira. Por vezes também é o contrário disso sem eu ter as respostas adequadas ao momento. Assim com o meu peito séptico dispus-me a fazer o trajecto de hoje caminhando na areia da Praia da Rocha as imprevistas contrariedades que sem culpa formada tocam-me a rebate ao sabor das ondas.

spi0.jpg Passei por muita gente de tanga e sunga ou biquínis que gozam sua vida em qualidade de 26 graus centígrados quase em meados de Setembro e, creio até que muita desta gente, rumina como eu silêncios aos erros alheios de outros senhores, zelosos assessores. Por ali caminhando-me provia-me na estranha sensação de um escorraçado da estória, apeado do mundo transmutado em nada sem a possibilidade de fugir, entalado na charneira de entre a raiva e o vazio derramando-me ali entre as pedras, falésias entre a praia do Vau do Mário Soares e o molhe do rio Arade; já em cima deste, cimentado, perfilei-me assim cocho de mente por cinco quilómetros.

spi7.jpg Olhei o meu verdadeiro castelo de Ferro Agudo surpreso pelos dois grandes barcos de cruzeiro acostados no cais mais a montante. Sempre que fico ao alcance do olhar deste castelo algo sucede de extraordinário ou sórdido. Assim compenetrado no distraimento, ouvi de mansinho uma voz que sinceramente, não reconheci. Era um vulto com contornos de gente camuflado de assombração e com um monóculo encaixado na orbita ocular do olho direito: “ O destino faz muitas armadilhas à volta da gente e das suas intenções impedindo-as de se poder fazer o mais desejado”.

spi6.JPG Caramba! Era mesmo o autor de “Portugal e o futuro”, o livro premonitório do Vinticinco de abril, isso mesmo! António de Spínola sem tirar nem pôr e até trazia uma boina e um pingalim, espécie de bengala flexível, de couro ou rabo de raia com a ponta a terminar em uma aselha de cabedal; spinolando o ar, batia seu pingalim, punho com mão e repetia; um gesto que me dava uma desconcertada indisposição. Gostava de saber a razão que leva alguém a usar um monóculo? É que, até um indivíduo que é cego de um olho, usa óculos normais! Interroguei-me sem levantar questão!  

spi8.jpg Ora! Tarde piaste! Logo agora aparecer-me este general vaidoso para me relembrar as merdas que tanto quero esquecer. Não pode Ser! Você é o general Spínola? Cá para mim o que o homem queria era ganhar carisma… Primeiro foi a boina! Mas, teve necessidade de um monóculo. Em termos práticos para que serviria? Para ver ao detalhe as minas e armadilhas ou para intimidação dos inimigos? Depois, só para chatear, mais tarde decidiu usar um pingalim! E, luvas de couro preto! Este absurdo só pode ser mesmo uma assombração! Pois bem, se o é, vá-se embora de vez porque o que tenho lembrado de si em filme e a preto e branco está descolorido, até desfocado! Depois, a mesma vozinha falou: “Sabes! O passado vem sempre ajustar as contas antigas!” Disse isto, sem mais explicações, como se eu não o soubesse.

boia2.jpgTal como veio, assim se escafedeu! Ouvi assim uma chiadeira irritante como um berro de osga languinhenta a rir-se e, a figura difusa foi-se, como se foi no seu real pós-guerra de tugi, criando em nós, babancas, um orgulho nacional periclitantemente comprometido. Apeteceu-me perguntar-lhe: Viste a merda que fizeste? Mas, entretanto já nada ali estava, só pude ver o farol raiado de branco e vermelho a recordar aos patrões-de-costa e afins que era este o lado esquerdo da entrada na barra do rio Arade. Tudo ficou assim, sem mais nem quê!?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:09
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2015
MONANGAMBA . XXXI

ANGOLA NA DIÁSPORA NO ENTRETANTO DAS FALAS - Zeca Kafundanga, um personagem personalizado por mim…2

Por

t´chingange.jpeg T´CHINGANGE

MONA0.jpg Esta estória sem história, têm forçosamente um aleatório desenvolvimento no tempo, sem a preocupação de situar a cronologia nos anos e alvoroços dos humanos para não criar mofo nos conscientes sublinhados dos gestos ou rasgos, porque o tempo por vezes adultera o que em um outro tempo parecia ser mais excepcional ou mais essencial. Em um destes dias um amigo digital, conhecido nas redes sociais, pressionou-me para fazer parte da administração do grupo Kizomba. Eu acedi e tornei-o soba estagiário muito longe de saber que ele era mais chato que a potassa!

MONA1.jpg Vai dai, com a liberdade por inteiro, ele NA começa a enviar espermatozóides voadores, mutantes do bom senso e também dos conceitos generalizados do resto da malta; Eles e elas iam achando graça mas, sempre lhes parecia um despropósito surgir no meio de literatura trabalhada aqueles estrupícios de ralé ou de nenhuma finura. Seguindo meus guiões, fui-lhe mansamente dizendo que aqueles despropósitos não eram satisfatórios; que não era o lugar certo para meter espantalhos e coisas com terminação em orvalhos e alhos com coisos e um sem fim de coisas desajeitadas.

MONA2.jpg O certo é que a coisa complicou-se a ponto de maltratar os membros activos tratando este e aquele por hienas; Eu, entre periclitantes e clicados gostos ia adiando tomar qualquer decisão provocando-nos fissuras e imperceptíveis agruras. Por três vezes ele NA disse que ia sair do grupo mas continuava e, tão-somente bastava que ele saísse de modo próprio sem a minha intervenção! Há quarta vez, foi mesmo de vez e por sua própria e legitimada vontade,... escafedeu-se! É aqui que entra meu amigo mais-Velho Kafundanga que após uma visita minha a sua casa no lugar de Perna Seca. Ele, muito cheio de sabedoria me disse tal e qual e peremptoriamente: - Caga nisso que tudo passa! Fiquei muito admirado deste seu dizer entre outras marafadas e algaraviadas que nem me atrevo a dizê-las aqui a vós e, tudo ficou por aqui. Claro que notei o quanto kafundnga camundongo, estava assimilando as baixarias no linguajar local como se fossem virgulas no contexto.

MONA5.jpg Para surpresa minha recebi uma mensagem no meu celular, telemóvel, com o seguinte teor: Tirei informações sobre ti! (referia-se a mim) – Tu não prestas! És um animal falso! Do Nuno Alhinho (fim de citação). Não respondi, não liguei e, eis que surge logo em seguida uma outra provocação inusitada, mostrando um espermatozóide voador e mutante dizendo ser uma sua lunática forma de mostrar seus resquícios através deste seu primeiríssimo ADN. Ri-me muito, não respondi e, indo eu de novo ao sítio de Perna Seca falar com meu camba consultor Kafundanga de 75 anos e já um pouco algraviado, este, creio que sapientemente disse: -Patrão menino, às vezes é mesmo melhor sermos só silêncios para não acantonarmos! Boa! Disse assim mesmo... Falou ainda mais: - Que nem sempre somos caminhos ou fiotes (atalhos) dos outros!

MONA4.jpg Menino patrão, lembra só da estória dos cágado e da lebre? Ele falou que sim, era assim mas, eu francamente desconsegui lembrar essa coisa de que, por tão esquecida ficou lá no seu sossego descansada e, continuou: - Esse gajo, só assim num repentemente quer matar tua alma! Não deixes ficar essa porcaria no teu coração! Neste entretanto com Zeca Kafundanga, umas sagres frias e uma caracolada de via Marrocos, até nos esquecemos de falar da nossa Luua. Ficou assim, só prometido, que amanhã  (um outro dia) falaríamos das garinas santas e sem asas, das suas fosforescências de Louva-a-Deus especiais dum lugar chamado de Korimba lá da Luua!  A conversa ficou mesmo por aqui, cada um tinha suas obrigações e ficamos assim mesmo num nada sem fim.

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:01
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Domingo, 16 de Novembro de 2014
MOKANDA DA LUUA . XXXIV

É DUM CÃO - “Marley e Eu” – O meu rafeiro

As escolhas de

kim0.jpgKimbolagoa

Por:  Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) 

Pois a minha sombra durante treze anos apagou-se. O Marley viveu bem e foi um companheiro fiel e eu escrevi sobre ele tal como o via. No 4 de Outubro, celebra-se o Dia do Cão, data escolhida por coincidir com a época da morte de São Francisco de Assis, padroeiro dos animais.

raf0.jpgAo vaguear pelo face naquele dia fiquei a saber que era o dia do cão. Podia ser o dia da pasta de dentes, do penso higiénico ou até quem sabe do percevejo, animal que habitava as camas de ferro do hospital militar em Luanda quando fiz tropa. Ainda tive a ousadia de mostrar alguns àquela megera chamada Sulpico Pinto que de vez em onde lá ia visitar os garbosos militares portugueses, e acabei por ser castigado por calúnia. Acabo por divagar sempre que resolvo escrever sobre algo. Ah já sei, dia do cão; montes deles em poses perfeitas no facebook. Quase todos da alta fidalguia nem um rafeiro como o meu. Uma injustiça, pois se há cães fiéis é os rafeiros; lembramo-nos dos “Kafis” que andavam debaixo da carroça dos ciganos, fiéis até à exaustão! Com uma vantagem, não precisam de gastar fortunas nos dietistas. Lá estou eu a misturar alhos com bugalhos.

raf1.jpgBem, o meu Marley é um caso único de pedigree. Marido da mãe, pai da mulher e filho de um irmão da primeira ninhada. Com este concubinato todo só podia dar um cão de alto gabarito. Aqui no bairro já me perguntaram se ele é cruzado com javali de bonito que era. Mas beleza nunca foi nem nunca será sinónimo de inteligência e lá que ele era esperto lá isso era. – Por volta das sete da tarde e depois de ter comido a carcaça de galinha cozida, que ração não é com ele, desata a fazer malabarismos à minha volta e eu já sei que estava na hora de ir desovar. – Marley vem para o dono que o idiota da capital, o do Mercedes que está a passar férias aqui ao lado ainda te atropela com a velocidade que vem. 

encontros.jpgE ele vem ligeirinho para ao pé de mim não vá o diabo tecê-las. – Não quero jurar mas acho que numa mensagem telepática ele perguntou. – Este estúpido não é o que pára em frente ao teu portão. – Não Marley, esse é aquele emigrante do Audi, o da praia que quando lá chega a catrefada toda joga areia para cima dos meus olhos. – Como é que lhe chamas. – Vien ici mon petit, filho dum cabrão. Mas deixemos estas coisas de somenos importância e voltemos ao Marley. – Não sabes como te estou grato por não me dares ração e nunca me teres vacinado, já lá vão treze anos e sinto-me em forma. Tive de lhe dar razão pois os cães da família vacinadinhos da silva e pedigree Pal, aos quatro anos batem a caçoleta, para não vos falar da factura do veterinário antes de partirem definitivamente para o além.   

raf2.jpgDevo dizer que adorei ver as fotografias da cachorrada toda no “Face”. Lindos de morrer e os elogios ao animal “Fiéis até morrer”, “Gosto mais dos cães do que dos homens”, Quanto mais conheço o meu cão menos gosto do meu marido” ou vice-versa, “Se querem maltratar alguém maltratem a minha sogra deixem o meu cão em paz”, coisas lindas de se dizer. Bem tenho de parar por aqui que o meu rafeiro está olhar para mim e a dizer-me. – Então hoje não se come Óh palerma. – Primeiro vou tirar-te uma fotografia para o face que tu também és filho de Deus, e fica a saber que gosto mais de ti que do Passos Coelho. – Vai à merda mais a comparação!!!!!!

Reis Vissapa

CURIOSIDADE: O LAVRADOR TINHA UM CÃO E A MÃE DO LAVRADOR ERA TAMBÉM O PAI DO CÃO – MAS AONDE PONHO O PONTO?

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:46
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Sábado, 2 de Agosto de 2014
MOKANDA DO SOBA . LVIII

TEMPOS FRIOS . Na praia do Vau no M´Puto

Por

  T´Chingange

Num dia de verão, 30 de Julho, fui á praia do Vau apanhar iodo e, vim de lá com ódio; um quase igual, invertido! Tudo isto porque tomei banho de frio com um cacimbo de barlamentada brisa em horizonte fechado. Pelas 12 horas o sol despontou! Quando o cós do céu aconchegando o baço azul e branco do fumo das nuvens a traço vermelho na pele da loira, puxou meus olhos ao seu corpo desnudo. Foi assim! No preciso momento em que ela puxou o fio de nylon até o meio das pernas! Toda a sua pele num repentemente, ficou dentro de mim com algas ensombrando minha vontade e, foi quando de novo, o céu se fechou num escurecido e ventoso desejo calado, atormentando minha chuvinha.

 Olheio meu relógio para ter a noção de falsidade de suas horas; suas horas não definiam nem o meu tempo nem as minhas sensações; não tinham íntimo, nem tino, nem sonhos! Meu silêncio, muito cheio de calor, afogou-me o afago aos berros de um anunciante duma tourada numa próxima cidade, Albufeira do Alá, terra moçárabe, terra do Aladino com suas misteriosas fumarolas dispersas, exactamente na altura em que o restolho de algas pulou na retina dos meus olhos colados na pele da loira. Nos semi-sorrisos olhares da loira, seu corpo atravessou meus túneis disfarçados de vergonha. Uma lontra branca, condoído dela, ronronava feita gata ao redor de seus lânguidos cabelos.

 Na quietes de meu corpo, no despertar do meu dormido prazer, tive medo dos olhos dela, medo verdadeiro dum dolorido azul sem fingido sentimento. Suas rugas gemidas entraram-me no sangue. Vendo-a chorar, ganhei coragem e aproximei-me dela. - Posso chorar consigo? Perguntei-lhe! Queria viver no amor dela e, ela fascinada com meu gesto, mostrou-me seu grande amor, ... O mar! Seu nome era Brigitte Bardot.

 Brigitte Anne-Marie Bardot foi uma actriz francesa conhecida mundialmente por suas iniciais, BB e considerada o grande símbolo sexual dos anos 60 do século XX. Após ter-se retirado do mundo do cinema, tornou-se activista dos direitos dos animais. Roger Vadim, sem marido de então, fez dela o Ícone de popularidade após protagonizar o polémico filme E Deus Criou a Mulher. A intelectualidade francesa descrevi-a como "uma locomotiva na história das mulheres", tendo sido considerada em França, a mulher mais livre do Pós-Guerra. Seu estilo natural, incorporava-a a uma mistura de ninfa de femme fatale, com seus cabelos longos e loiros.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:08
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2014
MALAMBAS . XXXVII

NAS CINSAS DO TEMPO . Usar a mente! ... Passado, é o prólogo do futuroIII

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

Os profetas que espreitaram para dentro da nossa era, e para além dela, vêm mudanças radicais em muitas áreas da nossa vida; algumas delas podem até transformar a própria face da terra. Cayce disse em suas profecias que não somos regidos pelo mundo, nem pelo meio ambiente, nem mesmo por influências planetárias, mas pelo nosso livre arbítrio. Quando desrespeitamos a lei divina, introduzimos o caos e forças destrutivas na nossa vida; quando estamos em harmonia com o divido, criamos ordem, a partir do caos. O divino de Cayce, penso que seja Deus.

 Sílfides (do ar): . O termo provém de Paracelso, que os descreve como elementais que reinam no ar, nos ventos, tanto que, são fadas, fadas do vento, assemelhando-se às vezes a anjos. Têm uma capacidade intelectual sensível, chegando a favorecer o homem na sua imaginação. São reconhecidamente belos, assumindo vários tons de violeta e de rosa.  Raramente se enganam por acharem também o grande conhecimento. São seres mitológicos da tradição ocidental

A excessiva avidez e desejo de poder das pessoas, afastou-as do Criador; foram vítimas da satisfação excessiva em seus próprios desejos. As tensões que daqui possam surgir, serão aquelas que puserem em prática os seus ideais espirituais, nas suas relações de uns com outros, disse o profeta acrescentando, a fraternidade, um ingrediente essencial desta nova era incita-nos a pôr as palavras em prática.

 Barlvento: O lugar de onde sopra o vento - O Litoral do Barlavento Algarvio é caracterizado por praias dotadas de falésias e formações rochosas, cujas tonalidades oscilam entre o amarelo e o vermelho ... É aqui, no Purto que apanho as Silfedes  ...

As cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídas quando Deus derramou dos céus enxofre e fogo sobre elas mas, Deus estava pronto a poupar as perversas cidades a pedido de Abraão se este lhe levasse dez homens justos; inicialmente e também a pedido de Abraão para poupar aquelas duas cidades Deus disse-lhe que assim seria caso lhe apresentasse cinquenta homens justos entre seus habitantes. Abraão nem dez conseguiu levar até o Senhor. Deste modo, teremos então de voltar ao início: - O passado e o ontem, foram o prólogo do futuro, o hoje e o amanhã seguramente também o serão.  Também andei procurando homens pulhiticos justos e não deu para completar uma mão.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:19
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Terça-feira, 3 de Setembro de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXXIX

 

“UM DIA COM KARMA  -  INOCÊNCIA E PERSISTÊNCIA AO VENTO SUÃO.

Por

   T´Chingange

 Despojado de receios acumulados e recordações inúteis acariciei a persistência até ela deixar de tremer. Para manter o corpo em forma e espírito desanuviado, esperança faz exercícios manuais ao jeito de kung-fu mas, comigo sussurra-me subtilidades com emaranhados sem preconceitos atravessando silêncios de um amor maduro. Perseguindo-me como um hipotético amante, e como uma sombra percorre-me com seus dedos obsessivos ao ponto de esfarrapar minha inocência. Perseverança e inocência, são ambas mulheres maduras que se queimam na areia e, na torreira do zénite do meio-dia em finais de Agosto e num lugar chamado de ferro-agudo.

 A persistência, amiudadamente, deitada de bruços, alonga seu curto bikini por modo a ficar torrada nas curvas ainda brancas; delicadamente ou disfarçadamente olha as pedras do pequeno molhe deliciando-se com o marulhar do mar feito espuma. Da torre da igreja com uma torre de sino e outra mocha e de barras tipicamente amareladas batem as doze badaladas num timbre ondulado; neste entretêm de tempo, meu fiel cão lança bafo quente nas minhas quinambas ou pernas salpicadas de areia como um croquete da iglo, assim a modos que a lembrar o pirata com gancho distribuindo iguarias aos pivetes, quem é que nunca viu este anúncio com uma caravela ondeando.

 A inocência, de curta e listrada canga ou tapa bunda, roda seu corpo na suavidade cálida do ar que sopra do sul e, ora abrindo ora fechando pernas de instantes a instantes acomoda seu puxo de cabelos rúbeos enquanto mordisca um longo cigarro. Usando sua própria dimensão num minúsculo espelho, de viés e num vira-vira de contraluz, massaja o rosto com um leitoso creme tipo nívea, isso, como aquele de botar nas pilinhas dos anjinhos. O hálito morno do seu aroma salino, conforma as migalhas do seu karma, assim como uma paixão exploratória às duzentas e umas maneiras de fazer amor. Para mim uma das três ou quatro maneiras já eram suficientes. Perseverança e inocência afinal, viviam em comunhão adquirida, à alguma tempo; aqui e, já no fim desta curta estória, pouco importa das suas fraternidades, Afinal eram fúfias, sapatonas mesmo! Que desperdício, sem catembe e com cazuza ou cacaugwita para curtir.

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:44
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Segunda-feira, 19 de Agosto de 2013
T´XIPALA . XVI

“ANGOLA”TGE .Teoria geral do Esquecimento

Por

   T´Chingange  

 Tirei do bolso um caderno e anotei o nome do barco que passava roncando, rasgando as águas mansas do Arade; O Arrifana, lentamente subia a correnteza levando atrás de si esvoaçando, muitas gaivotas que piando sons alegres, repercutiam seus sons nas barrentas construções do porto e marina de Portimão; eram ecos de mar, da azáfama ribeirinha de cheiros húmidos. Comodamente sentado nas areias da praia da Angrinha de Ferragudo, tenho os pés bafejados pelo arfar do faísca, meu cão rafeiro guardador de ovelhas que irrequieto ora abanava o rabo, ora gemia contidos latidos quando outros cachorros por ali passavam; este cão sempre teve fobia à água e, desesperava ver os demais cães pedigree mostrando suas vaidades.  

    Estou no fim da leitura do livro de José Agualusa com a sua teoria geral do esquecimento. Este livro surgiu a partir de dum roteiro para um filme que nunca rodou; talvez fosse demasiado absurdo contar uma estória quase sem cabimento pois que se baseava numa auto-clausura de uma senhora portuguesa que dias antes da independência de 1975, em Luanda, se emparedou num quarto andar de um prédio chique; empilhou com tijolos e argamassa a porta de entrada por se sentir horrorizada com o evoluir dos acontecimentos. Resignou-se a ficar como uma “matumbola” (morta-viva) encerrada em seu caixão. A sobrevivência sucede-se em detalhes que só a ficção proporciona; apanhando pombos com diamantes a fingir de milho que coloca em armadilhas improvisadas de restos de caixote, em sua varanda, vai amontoando ao longo de mais de trinta anos vivências de espantar.

 No final, muitos anos passados, alguém lhe diz para se esquecer desse assombroso tormento mas, a velha senhora rejeita a opinião dum doutor, raizeiro kimbanda, que deveria praticar o esquecimento ao qual ela responde: - Não se atormentem por mim, sei perfeitamente que os erros corrigem-nos mas, nada deste passado pode ser esquecido porque nada disto posso e quero esquecer, fazer isso é morrer, uma rendição e ... eu, não me rendo. Passei demasiado tempo em estado de solidão. Até os espelhos ao me verem agora, ficam assombrados! Os progressos da tragédia multiplicaram a minha alma, concluiu a velha senhora do Puto. Agora sou só mesmo uma incomum estória do passado. Ponto final ao TGE (Teoria Geral do Esquecimento)

T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter (do Kimbundo)

 Inspirado no livro de José Agualusa em teoria geral do esquecimento.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:52
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Segunda-feira, 1 de Julho de 2013
T´XIPALA . XIV

CORRUPÇÃOUm porão de mentiras

Fonte: Correio da Manhã

Opções de

KIMBO LAGOA      

LUÍS CARITO: Vice-presidente da câmara de Portimão LUÍS CARITO: Vice-presidente da câmara de Portimão 

O autarca detido, comedor de papel,  tem casa de dois milhões de euros e não tem como justificar tal património. Carito não conseguiu engolir tais casas! Uma teia de interesses beneficiou de milhões de euros que, à margem da lei, saíram dos cofres da Portimão Urbis – uma empresa da Câmara, autarquia com dívidas de cerca de 169 milhões de euros. 

"Luís Carito, o vice-presidente da Câmara de Portimão que está em prisão preventiva por suspeitas de corrupção, tem uma casa de dois milhões de euros em Ferragudo, no Algarve, apurou a Polícia Judiciária durante as investigações. Foram ainda encontradas moradas diferentes de imóveis na Praia da Rocha e em Lisboa". Não é muito difícil apanhar corruptos; é só questão de fazer umas contas de sumir e subtrair nas verbas super facturadas.

   Difícil, é haver vontade política para o fazer e essa, por razões óbvias, não vão aparecer. Uma sugestão: investigar todo o património imobiliário e financeiro dos nossos autarcas, ex-autarcas, técnicos, vereadores e outros funcionários das câmaras municipais e cruzar (é muito fácil actualmente) esses valores com os rendimentos auferidos durante o mesmo período. O resultado é infalível se, se averiguar com algum afinco, o resto da história virá a seguir… Segundo o jornal, "os investigadores da PJ só encontraram uma conta em nome do autarca Luís Carito, cujo saldo não justifica, nem de longe, estes bens. A casa de Ferragudo foi adquirida, segundo fonte próxima, através de um empréstimo a um banco e, às claras, até está em seu nome de Luís Carito, que tem um rendimento mensal de cerca de dez mil euros. O autarca terá comprado a moradia há uns anos para arrendar".

 Como há muitos “sem vergonha” com telhados de vidro, muita coisa fica por esclarecer num compadrio comprometedor. A visibilidade de se meter a mão no alheio, surge quando aparece património nas mãos de pessoas que não conseguem justificar essa riqueza. Foi, é, e será assim neste regabofe de engravidadas mentiras demasiadamente justificáveis em papeis que quando comprometedores se tornam comestíveis. Foi necessário aparecer uma troika a fazer ressurgir no lodo a lama merdosa de muitas e maquiavélicas operações, engenharias financeiras de enganação; temos de lutar permanentemente na denúncia contra os muitos falsários que se governam e, que dizendo governar-nos, nos atrofiam na apatia, descrença nas instituições que deveriam estar incólumes. E, quanto mais mexem no lodo, mais fede.   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:51
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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