Quarta-feira, 22 de Maio de 2013
PARACUCA . VIII

KIANDA COM ONGWEVA - IV . Visão do Xiritung

Por

         SOBA T´CHINGANGE 

Será que um morto dorme? De tempos a tempos surgem bandos de urubus a bicar os sacos de lixo com restos de carniça ou espinhas de peixe; os cães uivam de forma inusitada e os gansos grasnam como se alguém invisível os quisesse apanhar pelo pescoço. Um destes dias fiquei surpreso: O ganso Xiritungue 1 aproveitando a minha presença na limpeza do seu mukifo, vulgo galinheiro, confidenciou-me que um ser robusto, de pele branca amarelada, feito mancha escura, saltou a cerca usando suas mãos desproporcionadamente grandes, tal como os pés. Seus ralos cabelos brancos engancharam nos picos ferrugentos enquanto sua barba se derramava feita gelatina pelo peito repleto de caroços; do olho direito só tinha um sinal escuro, seu nariz era achatado e as verrugas da testa enraizavam dando volta ao pescoço até à corcunda das costas; de boca grande e sem dentes soprava para mim dum modo assustador, estava totalmente desnudo.

  Akasha é o princípio original, espaço cósmico, o éter dos antigos, o quinto elemento cósmico (quintessência), a quinta ponta do pentagrama. É o substrato espiritual primordial, aquele que pode se diferenciar. Segundo a teosofia relaciona-se com uma força chamada. Eliphas Levi o chamou de luz astral. No paganismo, o Akasha, também chamado de Princípio Etérico, corresponde ao espírito, à força dos Deuses. É representado no Hermetismo, segundo Franz Bardon, pelo Ovo negro, sendo um dos cinco Tattwas constituintes do Universo. É um lugar, o elemento éter. Também significa energia universal.

 Até o menino Jesus iria ter medo desta assombração concluiu o Xiritung 1, já arrependido face à minha compreensível estupefacção. De tão estranha visão dum ganso, sobrou a dúvida de se aquilo descrito era um diabo ou simplesmente um sonho maquiavélico. Tive de fazer um apelo ao meu anjo Akasha para soprar para bem longe tal figura de medo, muito para além do éter teosófico de escuras catacumbas dum suposto purgatório. Ainda agora, um dia de sol deslumbrante, tal figura, me dá arrepios de frio! Consultando o meu velho amigo Januário Pieter, este esboçou um sorriso e disse: – esse espírito corresponde a um corpo com deficiências, falta de amor e num total abandono por seus mais próximos; está preso a esse corpo por indignação com seus malfeitores; Seu perispírito recebe os reflexos do físico, disse ele. Só tens que ter compaixão sem demonstrares medo, pena ou choro e não te deves emocionar por tal visão. Sê optimista e se porventura te aparecer, diz-lhe de verdade que o amas, mantendo o teu optimismo. Dando por finda tal explicação, da qual só entendi “nadica de nada” Pieter evaporou-se nos ares. E, por aqui fiquei com os meus melhores fluidos, meu carinho e, o que melhor tinha dentro de mim na visão de kalunga.   

  

GLOSSÁRIO: Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; Ongweva: saudade em português (Umbundo); Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas.

Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos.

O Soba T´Chingange



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Terça-feira, 21 de Maio de 2013
MUXIMA . XXIX

ANGOLA . NITO ALVES HISTORIA DA GUERRA CIVIL . 1ª de 2 partes

As escolhas de

 KIMBOLAGOA

Por

Nell Teixeira Nell Teixeira                   

Tempo que foge 27 de Maio de 1987

Nito Alves  foi ministro do Interior de Angola desde a independência em 11 de Novembro de 1975, até à data em que o presidente Agostinho Neto aboliu o cargo em Outubro de 1976. Fazia parte da linha dura do Movimento Popular de Libertação de Angola e tornou-se conhecido internacionalmente devido ao golpe de estado falhado, conhecido por Fraccionismo, de que foi mentor em 1977 . Nito Alves opunha-se a Agostinho Neto nos temas da política externa de não-alinhamento, socialismo evolutivo e multiracialismo.

 O dia 27 de Maio de 1977 ainda é tema tabu em Angola. O que mais parece chocar na repressão que se seguiu à alegada tentativa de golpe de Estado contra o primeiro presidente angolano após a independência, Agostinho Neto, é que as vítimas não foram inimigos do governo – mas sim membros do MPLA, partido no poder e, assim, da própria família política da direcção do país. O desconhecimento sobre o que aconteceu às vítimas da repressão do regime do Presidente Agostinho Neto, nos dias que se seguiram ao que terá sido uma tentativa de golpe, corrói. O cálculo dos mortos varia. A Amnistia Internacional fala em 40 mil, o jornal angolano Folha 8, em 60 mil e a chamada Fundação 27 de Maio em 80 mil. Fontes da DISA (Direcção de Informação e Segurança de Angola) referem-se a 15 mil mortos. Se nos ficarmos pela média, pelos 30 mil, são dez vezes o número de mortos do Chile dos anos 1970 de Augusto Pinochet, na própria família política o MPLA. Sem julgamento.

Ela deu ao horror um rosto. Sitta Vales foi fuzilada às 5 da manhã de 1 de Agosto de 1977. Um tiro em cada perna, um tiro em cada braço, o corpo caiu na vala previamente aberta antes de ser dado o tiro de misericórdia. O corpo, ou o que dele restava: Sita Valles havia sido torturada e violada múltiplas vezes pelos homens da DISA. Rebelde até ao último minuto, recusou a venda e obrigou os homens do pelotão de fuzilamento a enfrentarem o seu olhar. A portuguesa, nascida em Cabinda, tinha então 26 anos e trocara uma vida confortável em Portugal e um curso de medicina para regressar a Angola, país que considerava ser o seu e para defender a ortodoxia soviética em supostos tempos de democracia.

 Sita Valles é talvez a mais conhecida das vítimas da purga do MPLA – ela, o marido José Van Dunem, comissário político do Estado-maior e Nito Alves, ex-ministro do Interior. Mas, de uma forma ou de outra, a repressão que se seguiu ao 27 de Maio de 1977 deixou marcas na vida de grande parte dos angolanos, relata o jornalista independente William Tonet. “Directa ou indirectamente, a maior parte dos angolanos daquele tempo está envolvida no 27 de Maio. Eu estive envolvido no 27 de Maio, a minha família esteve envolvida, a partir do meu pai, que foi preso. Dois tios meus estiveram presos e foram enterrados vivos, sem qualquer tipo de julgamento”, disse Tonet, em entrevista à Deutsche Welle. “Matemática e juridicamente falando, eu ainda estou preso”, denunciou o angolano. “Porque a gente não tem formalizado, sequer, nenhum mandado de soltura, como não tem nenhuma acusação.

Muxima: saudade; que vem do coração; ongweva; lugar nobre; Nossa Sra das margens do Kwanza.  

O Soba T´Chingange



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Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
MOKANDA DA LUUA . XIV

ANGOLA EM MUDANÇA - " Ontem já era tarde! "

As escolhas de

 KIMBOLAGOA

Fonte: Jornal de Noticias 

   O líder da UNITA, principal partido da oposição em Angola, Isaías Samakuva, alertou, esta sexta-feira, em Madrid, para o risco de um novo conflito sangrento caso não haja democracia no país. Samakuva está em Madrid no âmbito de uma viagem a vários países para pedir à comunidade internacional pressão sobre o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, no sentido de se cumprir os acordos de paz que puseram fim à guerra civil e continuar a aprofundar o processo democrático, o que, de acordo com o líder partidário, está a sofrer uma reviravolta.
 O presidente da UNITA, citado pela agência EFE, denunciou a falta de liberdade e corrupção no país, e acrescentou que os recursos nacionais, especialmente da indústria de diamantes e petróleo, só beneficiam "um pequeno grupo de dirigentes". Para Samakuva, a UNITA tem servido de "contenção" e considerou que uma revolta em Angola "faria correr muito sangue" e "desencadearia um conflito de dimensões imprevisíveis". "É melhor superarmos isto com o diálogo do que entrar novamente em conflito, o que destruiria o progresso que temos alcançado", disse.
Opinião: Sabe-se que Angola é um país rico em recursos naturais; desde o fim da guerra civil em 2002, que apresenta um forte crescimento económico mas, a distribuição de riqueza, em nada beneficia o povo; passados quase 40 anos e, tendo um património com infra-estruturas cedidas a troco de nada, o actual presidente J. E. Santos remete culpas à administração colonial; uma afirmação inaudita de monstruosa. É tempo de o mundo chamar os bois por seus nomes e retirá-los da manada. O governo do M, "não beneficia as pessoas, não garante ao cidadão água na cidade de Luanda tão cheia de aberrantes mordomias, nem um sistema de saúde que funcione no mínimo de perfeição". Ontem já era tarde! O Eduardo dos Santos deve ser corrido e os bens dele e da filha devem ser confiscados! Se, assim não for, em Angola, mais tarde ou mais cedo, irão andar a matar-se uns aos outros na ânsia do poder. O enclave de Cabinda tornar-se-há por direito, independente. Força Unita, Flec ou qualquer outro movimento: - É forçoso acabar com esses corruptos. Por detrás daquela marginal adulterada de Luanda, só para inglês ver, é a miséria que prolifera.
Soba T´Chingange


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Sábado, 18 de Maio de 2013
MUJIMBO . XLII

As escolhas de

 KIMBO LAGOA                       

ANGOLA EM FOCO - Aos Bwé Lixados Cá & Lá! . XII

Opção de

 ISOMAR PEDRO GOMES

A política é a arte de fazer curvas ou descrever linhas quebradas mantendo a rectilidade, recuar e avançar (ganhar e perder/dar e receber), a arte de equilíbrio, negociação ininterrupta, adaptação constante, prestidigitador, pintar bravamente no horizonte e com imaginação a proximidade da aurora mesmo quando esta, ainda se encontra distante. Proclamar ainda hoje que a chamada ajuda Cubana (civil e militar) a Angola, nos difíceis tempos do ‘mono’ foi desinteressada e que foi a magnânima materialização do célebre Internacionalismo do Proletariado, ou ainda chamar os EUA inimigo dos povos oprimidos, e a Rússia (herdeira da extinta URSS) em parceria com a China amigos dos povos oprimidos; (Proclamações ratificadas no século passado), é no mínimo lembrar o comediante Calado Show!

 Lição a reter; tudo é mutável nada é estático. Bwé Lixado Porque Zeca? Tenho acompanhado com preocupação, os comentários de certos indivíduos nas redes sociais, a mencionarem artigos de opinião principalmente de um certo “Zeca Bwé Lixado de Lisboa”, que se aproveita de ‘qualquer coisa’ para chamar “assassinos” ao partido UNITA e individualmente chamar de “Kwacha de merda!” algum outro comentarista que emite opinião contraria a sua e outros epítetos obscenos, que bravura! Comodamente acoitado em Lisboa, de outro modo não podia ser! Sob a cobertura de “um heróico” pseudónimo, se é que assim se pode chamar ao seu anacrónico apodo; “Zeca bwé lixado”.
 Pelos vistos deve estar a ranger de dentes, bwé lixado com a paz “que estamos com ela” (por isso em Lisboa), está bwé lixado pelo calar das armas, por isso a ansiedade doentia de semear a discórdia e instilar o ódio e tendo como alvo preferencial um dos partidos angolano legalmente implantado no panorama político nacional, que por sinal foi um dos actores da guerra “que estivemos com ela” de triste memória (a-propósito; com que oculta e malvada intenção o tal de ‘bwé lixado’ assim procede?), certamente vai dar uma de vitima e citar que perdeu familiares durante o longo conflito armado que caracterizou o passado recente de Angola. Quem não perdeu familiares? Conheço uma mãe no Huambo, que perdeu 9 filhos e o marido, hoje vive irremediavelmente só, mas a Heróica senhora, não nutre nem destila ódio de qualquer espécie.

(continua...)

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O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 17 de Maio de 2013
N´NHAKA . VIII

ANGOLA - Riqueza de recursos e bem-estar social . I

 

As escolhas de

 KIMBO LAGOA                                   

Relatórios do Banco Mundial. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)

Angola é um país de duas ou múltiplas realidades. O Africa Progress Panel (APC), presidido por Kofi Annan, centra-se nas duas que contribuem para aquilo que diz ser um gritante paradoxo – por ser o país que ilustra "de forma mais poderosa a divergência entre ", conclui o Africa Progress Report 2013, um estudo publicado em Maio, desde 2008.

 Kofi Annan

O relatório, intitulado Equidade nos recursos – Em prol das riquezas naturais de África para todos, é obra dum painel de dez influentes personalidades liderado pelo ex-secretário-geral da ONU e Nobel da Paz Kofi Annan. Estão lá, entre outros, Michel Camdessus, ex-director-geral do FMI; Olusegun Obasanjo, antigo Presidente da Nigéria; Graça Machel, ex-primeira dama de Moçambique e mulher de Nelson Mandela, fundadora do grupo Whatana Investments ou da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade em Moçambique; o músico irlandês Bob Geldof ou o fundador da Transparency International Peter Eigen.
 O documento de 120 páginas conclui que a desigualdade se mantém, por ausência de políticas que a combatam, e impede que o crescimento em países ricos em recursos reduza a pobreza, Angola tem um dos padrões mais desiguais de distribuição do rendimento e é citado como “um dos exemplos mais acabados” de um cenário em que a actividade das empresas do Estado se esconde por trás de um sistema financeiro opaco, não cumpre regras mínimas de transparência e beneficia figuras públicas ou políticas. Angola, sobressai igualmente pelos fracos índices de desenvolvimento. A taxa de mortalidade infantil, até aos cinco anos, está no topo da lista: é a oitava maior do mundo, com 161 mortes em 1000 crianças por ano, o que representa 116 mil mortes todos os anos.

 E isto, lembra o documento, quando Angola é o segundo país exportador de petróleo da África subsariana e o quinto produtor mundial de diamantes e está entre o terço (de países) que mais cresceram entre 2000 e 2011 no mundo. Em 2012, ultrapassou a taxa de crescimento da China. Na última década, cresceu a uma taxa média de 7% e o rendimento médio mais do que duplicou.  O efeito foi praticamente nulo na forma como a maioria da população continua a viver. “Enquanto a elite angolana usa o rendimento do petróleo para comprar activos no estrangeiro, em Angola as crianças passam fome”, nota o relatório. A subnutrição explica um terço das mortes de crianças, esclarece.

N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios e em zona plana e húmida, horta.

Selecção de: Isomar Pedro Gomes

As opções de

Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 15 de Maio de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXVIII

As escolhas de

 KIMBO LAGOA                       

ANGOLA - UM HOTEL DE MIL ESTRELAS – 2º de 3 Partes

Por
 Dy – Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

No hotel do Teixeira no Menongue, antiga Serpa Pinto, no Chungoroi, no Coporolo, mais tarde no Setenta e Cinco antes do Uche, terra da Elvira que candongava peixe seco e quando foi engaiolada foi levada para Benguela mas pelo caminho libertou-se de todas as malas, desfazendo-se assim do móbil do crime, não podendo ser acusada. Histórias de encanto que eram desfiadas como missangas coloridas e que no tempo se tornavam lendas, que hoje contamos aos nossos filhos e netos. O franguinho era depenado sem reservas independentemente da hora e aterrava nas mesas de madeira maciça de mucibe, em forma de churrasco.

 Depois o café de saco, o nosso hospedeiro escutando pacientemente uma peripécia qualquer da nossa viagem, as pálpebras teimosamente descaindo, sem reclamações sem acréscimos de preço ou má disposição, aguardando a hora de nos indicar o quarto para a pernoita. Eram lindos esses hotéis de pátio interior onde os mamoeiros projectavam sombras esguias pelo chão, rebordados com alpendres estupidamente denominados de coloniais, como se um alpendre pudesse ser estigmatizado dessa forma.

 Chaves desnecessárias abrindo portas simbólicas para quartos simples. Um lavatório esmaltado repousando numa armação de ferro, garantia juntamente com um jarro do mesmo material as abluções matutinas e sempre a postos a um canto, aparentando um pinguim imperador sem cabeça, um leão da Rodésia para qualquer eventualidade intestinal, tudo isto tão simples como o naco de sabão macaco que acompanhava as chaves do aposento. Pela manhã acordar com a chinfrineira que os bicos de lacre faziam nas gaiolas do Pinheiro o furriel que se apaixonou simultaneamente pela Tina e pelo Roçadas e com quem partilhei as avezinhas fritas em tardes de copos e alegria no hotel do Ferreira, Ah pois porra, porra, porra, o pai da Lela e de outros tantos meninos que edificaram no exílio um Xangongo novo ali na Ribeira ao pé de São Brás.

Opção do

Soba T´Chingange



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Sábado, 11 de Maio de 2013
MUJIMBO . XLI

Escolhas de

Kimbo Lagoa 

ANGOLA EM FOCO –  O DIÀLOGO! .  XI

Opção de

 ISOMAR PEDRO GOMES

A digressão ao exterior (diplomacia de contenção), empreendida pelos líderes das duas maiores formações politicas da oposição, impunha-se… faz tempo!

 O MPLA e o seu "Zécutivo" recusa-se despatrióticamente a buscar consensos com as outras formações politicas. Eles é que mandam, sabem tudo, determinam e podem! O resto apenas têm que cumprir... É isto Governar?! Eles (M e o Zécutivo) alardeiam nos "principais auditórios internacionais" que o que decorre em Angola, é Democracia. Assim impunha-se informar com verdade a triste realidade que "se está a viver". E, não obstante todo este panorama, ainda há gente a bajular ou omitir via FB a ruindade destes Metralhas, censurando ou eliminando artigos de opinião da verdade.

 A Luanda esquecida

 - Corrupção como marca governativa. - Parlamento manietado, ARROGÂNCIA politica, Tribunais politizados. - Falta de liberdade de expressão. - Imprensa impiedosamente amordaçada. - Prisões ilegais. - Perseguição politica. - Aparelho administrativa do Estado exageradamente partidarizado. - Sindicatos débeis. -etc. etc... O mais recente acto de JES em nomear a comissão para a história do País, indivíduos apenas de uma cor partidária, põe a nu a irracionalidade dos dirigentes deste País. É notório que não têm a mínima vontade de empreender um convívio político salutar, para o bem da nação. Um ditado popular na língua Kimbundo, diz o seguinte; "Quando não se consegue falar com o 'cabeça' da família, conversa-se com os vizinhos com quem ele convive".

(continua...)

Nota: O sublinhado é da autoria e responsabilidade do Soba

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O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 10 de Maio de 2013
MOKANDA DA LUUA . XIII

AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLA - Bloqueados 100 milhões de US dólares ao Presidente Angolano  - I

"Suíça ameaça cleptocracia mundial" - A bomba esta aí. O que fazer? O poder do dinheiro também cai... 
"Há dez anos que os tribunais suíços iniciaram um longo processo para bloquear os fundos depositados nos seus bancos por ditadores e políticos corruptos de todo o mundo, cujas fortunas, por vezes colossais, foram obtidas através da espoliação de bens públicos pertencentes aos povos que governam, usando para tal os mais diversos expedientes de branqueamento de capitais. O processo começou em 1986 com a devolução às Filipinas de 683 milhões de dólares roubados por Ferdinando Marcos, bem como a retenção dos restantes 356 milhões que constavam das suas contas bancárias naquele país. Prosseguiu depois com o bloqueamento das contas de Mobutu e Benazir Bhutto. Mais tarde, em 1995, viria a devolução de 1236 milhões de euros aos herdeiros das vítimas judias do nazismo.


Com a melhoria dos instrumentos legais de luta contra o branqueamento de capitais, conseguida em 2003 (também em nome da luta contra o terrorismo), os processos têm vindo a acelerar-se, com resultados evidentes: 700 milhões de dólares roubados pelo ex-ditador Sani Abacha são entregues à Nigéria em 2005; dos 107 milhões de dólares depositados em contas suíças pelo chefe da polícia secreta de Fujimori, Vladimiro Montesinos, 77 milhões já regressaram ao Peru e 30 milhões estão bloqueados; os 7,7 milhões de dólares que Mobutu depositara em bancos suíços estão a caminho do Zaire; mais recentemente, foram bloqueadas as contas do presidente angolano José Eduardo dos Santos, no montante de 100 milhões de dólares.


 É caso para dizer que os cleptocratas deste mundo vão começar a ter que pensar duas vezes antes de espoliarem os respectivos povos. É certo que há mais paraísos fiscais no planeta, mas também é provável que o exemplo suíço contagie pelo menos a totalidade dos off-shores sediados em território da União Europeia, diminuindo assim drasticamente o espaço de manobra destas pandilhas de malfeitores governamentais. No caso que suscitou este texto, o bloqueamento de 100 milhões de dólares depositados em contas de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola há 27 anos, pergunta-se: que fez ele para se tornar o 10º homem mais rico do planeta (segundo a revista Forbes).

Fonte: MOVIMENTO PARA A PAZ E A DEMOCRACIA EM ANGOLA

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Quinta-feira, 9 de Maio de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXVIII

 AS ESCOLHAS KIMBO               

ANGOLA . CAPELONGO - UM HOTEL DE MIL ESTRELAS – 2º de 3 Partes

Por

 Dy – Dionísio de Sousa(Reis Vissapa)        

No hotel do Teixeira no Menongue, antiga Serpa Pinto, no Chungoroi, no Coporolo, mais tarde no Setenta e Cinco antes do Uche, terra da Elvira que candongava peixe seco e quando foi engaiolada foi levada para Benguela mas pelo caminho libertou-se de todas as malas, desfazendo-se assim do móbil do crime, não podendo ser acusada. Histórias de encanto que eram desfiadas como missangas coloridas e que no tempo se tornavam lendas, que hoje contamos aos nossos filhos e netos. O franguinho era depenado sem reservas independentemente da hora e aterrava nas mesas de madeira maciça de mucibe, em forma de churrasco.

 Depois o café de saco, o nosso hospedeiro escutando pacientemente uma peripécia qualquer da nossa viagem, as pálpebras teimosamente descaindo, sem reclamações sem acréscimos de preço ou má disposição, aguardando a hora de nos indicar o quarto para a pernoita. Eram lindos esses hotéis de pátio interior onde os mamoeiros projectavam sombras esguias pelo chão, rebordados com alpendres estupidamente denominados de coloniais, como se um alpendre pudesse ser estigmatizado dessa forma.

 Chaves desnecessárias abrindo portas simbólicas para quartos simples. Um lavatório esmaltado repousando numa armação de ferro, garantia juntamente com um jarro do mesmo material as abluções matutinas e sempre a postos a um canto, aparentando um pinguim imperador sem cabeça, um leão da Rodésia para qualquer eventualidade intestinal, tudo isto tão simples como o naco de sabão macaco que acompanhava as chaves do aposento. Pela manhã acordar com a chinfrineira que os bicos de lacre faziam nas gaiolas do Pinheiro o furriel que se apaixonou simultaneamente pela Tina e pelo Roçadas e com quem partilhei as avezinhas fritas em tardes de copos e alegria no hotel do Ferreira, Ah pois porra, porra, porra, o pai da Lela e de outros tantos meninos que edificaram no exílio um Xangongo novo ali na Ribeira ao pé de São Brás.

Opção do

Soba T´Chingange



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Terça-feira, 7 de Maio de 2013
T´XIPALA . XIII

ANGOLA - PARA PENSAR... 2ª de 2 Partes

Fonte: Club-k.net

Opções de

  Kimbo Lagoa 
T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter

Lisboa – A conduta de censura que o Presidente da Assembleia Nacional Angolana, está a gerar interrogações. Foi o que revelou Fernando da Piedade Dias dos Santos, na VI reunião plenária realizada  quinta-feira, 25 de Maio, em Luanda.

 “Desde há muito que são solicitadas interpelações ao Executivo, nomeadamente aos pelouros da energia e águas e ao Ministério do Interior. Do lado da Assembleia Nacional Angolana nada ocorre, enquanto que do lado do Executivo se sorri convencidos da subalternidade a que esta casa esta a ser vetada, deliberadamente.” Denunciou Costa Júnior. Contou ainda que “À cerca de dois meses que o Grupo Parlamentar da UNITA requereu a realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, perfeitamente fundamentada, para que todos conheçam os meandros das demolições que vitimam os angolanos – sendo o Kacuaco o mais recente dos casos – mas ninguém pestaneja! Não se permite inquirir o governo. E porque? Assim se anula a missão e as funções que a própria Constituição atribui a esta Assembleia.”

 REAÇÕES:

Tadeu Vunge : A oposição, deve saber que Nandó é um dos piores entre os criminosos e ladrões que o regime já teve; nunca ocupou nenhum cargo por se lhe rever qualidades mas sim, para impor regras a gosto do JES e o seu regime de que Nandó é mentor… Da DISA ao ministério do interior, Nandó, mesmo com grau de instrução inferior à 4ª Classe do tempo colonial, ocupou cargos que só um engenheiro ou doutorado, especialistas com cursos superior poderiam ocupar. Pela musculada astúcia e, por ser um potencial malandro, perito em artimanhas, chegou mesmo ao ponto de criar dificuldades a JES. Porque todos têm telhados de vidro, este, recebeu o posto de presidente daquele órgão como oferta de última instância. Num país de verdade onde vivem pessoas de bem, um criminoso não poderia assumir aquele posto ou mesmo ser chefe de uma cadeia, por isso, senhores chefes das bancadas da oposição, vocês só tem uma saída: - abandonarem em bloco aquela casa de ladrões.

Fernando Silva Graça : - Com tantos problemas internos (falta de água, luz e emprego por exemplo) o Parlamento (M) só quer falar dos habitats dos gorilas. Isto tem lógica? Estão a esconder e a fugir a quê? Que estranha forma de tapar o sol com essa antidemocrática peneira!  

Subscreve

O Soba T´Chingange



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Domingo, 5 de Maio de 2013
PARACUCA . VI

KIANDA COM ONGWEVA - II . Espírito com saudade

Por

 E       SOBA T´CHINGANGE 

Andei uns dias a matutar no porquê da visita de Januário Pieter ao meu lugar de Pambu N´jila da Kalunga do Francês, da razão de me expor transcendências periclitantes do além, do sobre-mundo misterioso das kiandas. Não tenho vocação para viver entre pessoas de mal mas, obrigado a coabitar com eles, seguramente modifico-me com o aprendizado. Tento achar sempre uma maneira para falar com as pessoas; cada um é um ser especial, cada qual tem a sua própria estória de vida: quase todos querendo melhorarem, terem paz e serem felizes harmonizando o dia-a-dia de suas vidas com suas cruzes.

 Foi nesta reflexão que me soprou um vento cálido a lamber a orelha; pelo cheiro forte de jasmim, só podia ser a kianda Pieter feito um vento sussurroso: - Nós que vivemos no mundo espiritual, estamos aptos a fazer tarefas junto aos que estão no plano físico e de socorro; temos a nosso favor o facto de não precisarmos de nos alimentar, dormir e num ai, locomovermo-nos ao outro lado do mundo. E, embora o nosso dia tenha as mesmas 24 horas, só podemos fazer uma coisa de cada vez. Podemos trocar favores e até dar aulas aos defuntados que encontramos vagando. Muitas vezes não temos para dar o que a maioria dos que vagueiam almejam.

::::::::::::

 Pambu Njila é um Nkisi, nome pelo qual é conhecido,em candomblés de Nação Angola. Intermediário entre os seres humanos e o outros Nkisis. É o Senhor dos caminhos e dos começos. Guardião das aldeias e que tinha seu culto geralmente nas suas entradas. Na Mitologia Bantu - Mpambu em kikongo significa (Encruzilhadas) e N´jila (Caminho).

 Há defuntados que chegam aos meus abrigos querendo mordomias, desejando ser servidos, sem querer seguir regras ou normas, barafustando com ataques de nervos quando contrariados e, até há aqueles que querem partir tudo contrariados nos seus ataques de nervos; nem como massa inerte, num vácuo de nada, sem coeficiente de peso nem densidade: Januário Pieter, repentinamente e assim como veio, foi-se no exacto momento em que a galinha pedrês leandra de nome, fazia co-co-ro-có pela postura do seu décimo quinto ovo. Neste dia de muita chuva, o vento só agitou o espanta espíritos quando a kianda se foi embora.

GLOSSÁRIO: KIANDA: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; ONGWEVA: saudade em português; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, encruzilhada elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas.

Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Criação do Soba

O Soba T´Chingange



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Sábado, 4 de Maio de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXVII

 AS ESCOLHAS KIMBO               

ANGOLA . CAPELONGO - UM HOTEL DE MIL ESTRELAS – 1º de 3 Partes

Por
 Dy – Dionísio de Sousa(Reis Vissapa)

Quando chegavam até nós os westerns americanos era raro aquele que não mostrava um “Saloon” ou um “Hotel” construído com a madeira retirada às grandes florestas da América do Norte, ostentando em letras garrafais essas designações em placas que abanavam com o vento ou no pórtico desses edifícios. Aguardávamos com ansiedade a cena de pancadaria entre os bons e os maus no interior do Saloon ou o beijo romântico do Kirk Douglas à sua amante num quarto de hotel. Esse néon importado dos States toldou-me e muito a visão que eu deveria ter do meu rincão, das gentes, dos lugares, das singelas pensões, dos hotéis de mil estrelas.

 Só a saudade e o tempo clarificam as ideias e estabelecem sem reservas aquilo que nos marcou no passado. Revelam-nos a verdadeira dimensão da perda e como borbulhas em taças de champanhe espevitam as nossas memórias e os nossos segredos. Posso afirmar que já cruzei centenas de camas em hospedarias de tudo quanto é lugar, das mais humildes, das mais rascas, das luxuosas e algumas até sumptuosas, mas nunca estive num hotel de mil estrelas como aqueles tão singelos e acolhedores do meu país da minha terra da minha gente maior.

 Era o coração que nos recebia quando alagados em poeira ou barro chegávamos a esses lugares de eleição despidos de preconceito ou vaidade, perdidos no mundo, em busca de cama e refeição. Não importava a hora nem a aparência, alguém abandonava o conforto dos colchões de palha de maçaroca para passar um café e bater um papo acolhedor com os viajantes tardios. Passei por isso na Pensão do Ganhão em Capelongo, no Xangongo no Hotel do Ferreira – Ah pois porra, porra, porra. - Na Pensão do velho Ferreira pai da minha querida amiga Maria Ferreira e do Sebastião, acho mesmo que os Ferreiras tinham tendência para este tipo de actividade.

Opção do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:23
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2013
T´XIPALA . XII

ANGOLA - PARA PENSAR... 1ª de 2 Partes

Fonte: Club-k.net

Opções de

  Kimbo Lagoa 
T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter

Lisboa – A conduta de censura que o Presidente da Assembleia Nacional Angolana, está a gerar interrogações. Foi o que revelou Fernando da Piedade Dias dos Santos, na VI reunião plenária realizada  quinta-feira, 25 de Maio, em Luanda.

Nandó O consulado de Nandó como vice-presidente da República terminará na primeira quinzena de Setembro, altura em que  deverão ser empossados os membros do governo que emergirá das eleições de 31 de Agosto próximo. Nessa altura, Nandó passará o testemunho a Manuel Vicente, uma aposta pessoal de José Eduardo dos Santos não apenas como seu coadjutor mas provavelmente como seu sucessor na presidência da República. 

 “Nandó” que tem a reputação de ser um dos mais moderados Presidentes do parlamento que o pais já teve, tentou impor aos chefes das bancadas parlamentares o conteúdo das declarações políticas que são efectuados todos os três meses nos plenários. No entender de Fernando da Piedade “Nandó”, os discursos dos presidentes das bancadas parlamentares deveriam estar centrados na agenda da Assembleia que seria a abordagem da adesão de Angola nos acordos internacionais (Acordo para a Conservação dos Gorilas e seu habita).  Os partidos da oposição no parlamento rejeitaram a imposição e em reacção o mesmo aplicou censura, limitando o tempo e retirando/ desligando o som no momento em que os responsáveis das bancadas contrarias ao regime apresentaram os seus discursos.

 Adalberto da Costa Júnior, Vice- Presidente da bancada da UNITA, por exemplo, abandonou a sala quando lhe foi impedido de fazer a leitura da sua declaração política tendo feito numa conferência de imprensa à comunicação social. Aos jornalistas, o deputado revelou que “A Nossa Assembleia Nacional continua a ter apenas um plenário por mês, denotando alguma falta de produtividade, estando 7 meses depois, ainda a engatinhar com quase os mesmos assuntos que, sendo importantes, não serão os únicos com prioridade, quando poderíamos agendar assuntos de interesse nacional candente e que requereriam, certamente, a realização de mais de um plenário neste ou naquele mês. Mas isso não acontece porque parece-nos continuar aqui uma vontade férrea de travar a função fiscalizadora desta Assembleia. E isso é notório e caricato quando se continua a citar um certo despacho inconstitucional do anterior Presidente da Assembleia a proibir que a fiscalização se faça.”

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:31
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2013
MUJIMBO . XL

Escolhas de

  Kimbo Lagoa 

ANGOLA EM FOCO  DISTRIBUIR MELHOR! . X

Opção de

 ISOMAR PEDRO GOMES . (22 de Abril 2013)

Como José Pedro de Morais chantageou Dos Santos .  Fonte: Club-k.net

Lisboa - Os relatos, em círculos de inteligência, segundo os quais o poder de imposição do Presidente José Eduardo dos Santos (JES) estaria, nos últimos anos, a repelir-se ao ponto de começar a ser chantageado por membros do seu regime. O exemplo mais emblemático é o caso do antigo ministro das finanças, José Pedro de Morais Júnior que em 2008 deixou o governo por divergências com o chefe do executivo.

Ex- Ministro alegou ter provas que embaraçam o PR

Na sequência de vários desfalques de centenas de milhões de dólares das contas públicas, o Presidente José Eduardo dos Santos chegou a ordenar um inquérito ao então ministro, José Pedro de Morais, e a sua prisão, a posteriori. Durante o interrogatório a que foi sujeito por oficiais dos Serviços de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), José Pedro de Morais apresentou fotocópias de documentos e ordens assinadas por José Eduardo dos Santos para que se efectuassem transferências ilícitas de fundos para familiares seus.

 José Pedro de Morais garantiu que tinha os originais em segurança nos Estados Unidos da América e, se algo lhe acontecesse, os documentos seriam publicamente revelados, o que provaria o envolvimento directo do Presidente em actos de suborno e alta corrupção. Dos vários documentos partilhados por José Pedro de Morais com o SINSE ressaltou o pagamento de US $40 milhões de dólares de uma suposta dívida pública do governo provincial do Huambo à sua irmã Marta dos Santos – a “Mana” Marta. O então ministro das Finanças explicou como se utilizava a dívida pública para desviar fundos de estado para familiares escolhidos pelo presidente, e como outros governantes, incluindo ele próprio, apanhavam a boleia para também saquearem a sua parte. José Pedro de Morais contou que não só a Mana Marta não prestou serviços ao governo do Huambo, para reclamar a dívida, como cobrou duas vezes, sempre com ordens escritas do presidente. Ganhou assim US $80 milhões.

 Mana Marta tem estado a construir vários empreendimentos imobiliários em várias zonas da cidade em Luanda, incluindo duas torres junto ao Cine Tropical, no Maculusso. Após se ter dedicado ao álcool, durante anos, com receio de ser morto, Pedro de Morais tem sido reabilitado aos poucos, por intervenção directa do general Higino Carneiro. Enquanto ministro das Obras Públicas, o general Higino Carneiro teve a vida facilitada no aboletamento dos fundos da linha de crédito do Brasil, em parceria com a Odebrecht, pela cumplicidade de Pedro de Morais. Como retribuição da lealdade, Higino Carneiro recuperou o antigo ministro e colocou-o como seu assessor no Kuando-Kubango, província que actualmente governa. Para o efeito, José Pedro de Morais apenas realiza as suas viagens de Luanda a Menongue no seu jacto privado, que permanentemente fica à sua disposição na pista do Menongue.

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=239300992878846&set=a.115515445257402.19730.100003968413995&type=1&ref=nf

(continua...)

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O Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 1 de Maio de 2013
PARACUCA . V

KIANDA COM ONGWEVA -  Espírito com saudade

Por

o ::: SOBA T´CHINGANGE

Januário Pieter surgiu-me num entretanto, pedaço de nada, acabado de cuchilar na minha rede de Pambu N´jila a escassos metros da Kalunga, lugar de desova de tartarugas e alguns urubus catando vida. Giboiando no sopro do vento da lagoa Manguaba, com ele, veio até mim a kianda-mor. Surpreso com sua aparição, no cumprimento do sonho, dei-lhe um abraço de completo vácuo; era Januário Pieter, meu guia-surpresista. Nós que vivemos no além (referindo-se a ele), podemos fazer diversas coisas, mesmo sem entender como as realizamos tais como locomovermo-nos e plasmarmo-nos, disse Januário em jeito de rouca explicação. Neste meio tempo e depois de ter estado contigo em Zanzibar, formei-me “engenheiro espiritual” em Toledo; e, dizendo isto como se tudo tivesse acontecido escassos dias antes, disse que por via dessa formação e, através dos fluidos da natureza, conseguia pelo pensamento, criar no espaço, paisagens de multicolores holografias.

 Desde que sou “engenheiro espírita” explico o que custa a apreender às gentes desavindas mas, boas como tu (referia-se a mim) que nutres de paixões, orações e bons pensamentos. Neste meu estado, luto contra atitudes de espíritos que não são evoluídos, que não possuem compreensão e que ainda estão arreigados em paixões inferiores. Apontando para os caniços do jardim, foi falando, estás a ver este beija-flor que sem medo sugam as flores do teu jardim, coisa que tu tanto aprecias, e também aquele bem-te-vi pousado ali perto de seu ninho naquela mangueira; são condicionantes a que eu recorri para teu exclusivo agrado e, porque aprecias, decidi contemplar-te. Nunca antes, Januário Pieter, figura recriada por mim, se referiu assim tão directamente como um especial meu protector. Enquanto isto, as notas de Dó a Si do espanta espíritos da varanda N´jila, saudavam a mim mas, mais propriamente à kianda ilustre vinda do alem com o vento de bolina.  

 Sorrindo, indiquei o lugar da rede a meu lado dizendo-lhe entretanto que neste agora estava de bem comigo, contente com sua inesperada visita, acrescentando que a minha principal procuração, era viver com dignidade, tentando ser útil, sentir a gratidão vendo sorrisos em olhares tranquilos, saber contribuir para alguém ficar bem; tentar deixr de ser infeliz, fabricando a felicidade com pouco mais que nada, sem menosprezar a vontade de fazer e querer fazer, sem sugar energias alheias.  Foi bom visitar-te, disse Januário Pieter, sentir que das migalhas que te dei, me orgulhas te com uma bomba de vontade. Antes de se deixar soprar pela bolina sem destino nem roteiro no seu destino, deixou em directo discurso, um resquício de sua sabedoria: “- Não podemos fintar as lei que nos regem e, uma delas é: fazermos a nós o que fazemos aos outros”. Irónico, talvez, Pieter fintador, assim como veio, foi-se!

 

GLOSSÁRIO:

KIANDA: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; ONGWEVA: saudade em português; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, encruzilhada elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusiadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga

Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:15
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Terça-feira, 30 de Abril de 2013
KANIMAMBO . XXXVI

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 14

SUCESSO E AUTOCONFIANÇA

Pelo

 SOBA T´CHINGANGE

A cultura não nos obriga a pensar nas coisas triviais do dia-a-dia quando a morte ainda parece estar longe. Vivemos tão enrolados em objectivos egoístas, no ter que pagar a hipoteca, carreira, a família ou comprar um novo carro; enfim, envolvidos em centenas de pequenas coisas e, apenas para continuar tocando a vida para a frente. Por isso não adquirimos o hábito de parar, olhar nossa vida e dizer: - É só isso? … É só isso que eu quero? Não está faltando nada? Precisamos que alguém nos empurre para a direcção certa. Não é coisa que venha automaticamente… Na vida, todos necessitamos de professores.

 Se olharmos para o mundo à nossa volta, talvez pareça um lugar misterioso, incompreensível, implacável e injusto, onde uns nascem com privilégios e vantagens que outros nunca poderiam sonhar em alcançar. Mas, ele, o mundo não o é; o universo é justo e imparcial. Precisamos compreender que ele tem seus próprios princípios, que são imutáveis, infalíveis e iguais para todos. Para usufruir desses princípios, necessitamos dar uma oportunidade para que eles, os princípios, se possam revelar a nós, e por intuição conduzirmo-nos onde o impulso natural insiste em nos levar. Precisamos passar a aceitar o óbvio; o que tiver de acontecer, vai acontecer!

 Precisamos libertar-nos da convicção de que as pessoas de sucesso possuem mais talento, mais inteligência, que nasceram com um brilho superior ao nosso. Na origem, não há diferença entre as pessoas que alcançam o sucesso daquelas que não. A diferença está apenas na forma de agir ao longo da vida. As que desenvolvem seu talento, não são diferentes; elas apenas agem de uma diferente forma. Pensar que as coisas caem do céu para alguns enquanto outros independentemente do quanto se dedicam, nunca atingirão nada para além da mediocridade, é um erro. Todas as pessoas que realizaram coisas memoráveis, que se tornaram marcos na história da humanidade, passaram por um longo período do processo de evolução. Assim, termino desta forma o tema de talento, coisa que por mim tem passado despercebido ou mesmo desprezado mas, que me ocupa longos momentos de reflexão; do modo do como fui professor com meus filhos, transmitindo valores, omitindo a propósito a mentira e a ética promíscua tão vulgarizada e institucionalizada.

Fim do tema TALENTO

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Gravuras do album Costa Araújo (Mano Corvo) 

Kanimambo: Obrigado (de Moçambique)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:49
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Quinta-feira, 25 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXIX

ANGOLA –  PALAVRA DE REI . IX

  AS ESCOLHAS KIMBO

Por

 ISOMAR PEDRO GOMES

 Crescemos sob o lema de que palavra empenhada é palavra cumprida, a qualquer custo. "Minha palavra é lei!" ouvíamos amiúde de algumas fontes. Lembro-me de uma lição que me marcou nos meus tempos de infância, tenho a impressão que foi no livro da 3a ou 4a classe da era colonial; a palavra empenhada pelo fidalgo português, Egas Moniz, aio de Dom Afonso Henriques, que envolvendo a família toda, se predispunha a cumpri-la. A família convicta da necessidade de se submeterem à autoridade pela palavra empenhada pelo seu rei, palavra não comprida, dispuseram-se a morrer pela honra e penhor apresentando-se na corte de Espanha, de corda ao pescoço. Embora tal estória não passe de um 'lenda', segundo alguns historiadores, valeu pela lição marcada.

 Claro, mudaram-se os tempos, mudaram-se as atitudes, mudaram-se os costumes e os hábitos. Hoje a mentira tem mais força que a verdade, elaborada é arte, o engano é interpretado como habilidade necessária, fazendo dessa hipocrisia a máscara hodierna nesta era digital; já não há lágrimas de crocodilo e, o próprio crocodilo anda acabrunhado porque deixou de ser o vilão, o herói agora é o bandido; o antigo e verdadeiro herói, é hoje o miserável vetado ao esquecimento, acantonado como mendigo num qualquer muquifo de má fama

 Em Angola não há honestos, disse-me alguém... há sim, Ernestos. - Discordei completamente, ainda há honestos (poucos, é verdade mas existem!), sim! Aqueles que preferiram refugiarem-se na dignidade, elevarem bem alto o estandarte da honra, ao invés do usufruto dum prazer temporário em um "prato de lentilhas"! Hoje ser honrado é humilhante, porque na maior parte das vezes, a consequência, a marca visível e imediata da honra é a pobreza e sujeição á boçalidade de toda a espécie; propositadamente algumas instituições, levam o cidadão honesto a desistir na prática da honra. Tudo isto para relembrar: E A PROMESSA de limpar Luanda em 6 meses?!.. Porventura alguém se lembra de quem a fez? Porque e quando a fez?... E como fica a PALAVRA DO REI... Já volta atrás?! Ah! Como os tempos mudam...

(continua...)

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
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Terça-feira, 23 de Abril de 2013
A CHUVA E O BOM TEMPO . XXVI

NOSTÁLGIA DO CALAHÁRI

Pelo

 SOBA T´CHINGANGE

 Ao Ao atravessar o Calahári, aprendi que quem passa o tempo batalhando contra o envelhecimento sempre será infeliz porque o envelhecimento é inexorável. Nessa imensidade de “terra do nada do Calahári” desapegamo-nos da inveja vertendo-a em conversa como grãos de areia, aceitando que o olhar para trás estimula a quem compete mas, a idade não nos estimulava para isso. Já nesse então eu e Reis Vissapa como velhos, que já éramos, diligenciávamo-nos traçando projectos de invejar o destino sem a preocupação de riscar os dias no calendário; percorríamos a terra do nada somente com o propósito de a cheirar.   

Dionísio Dias de Sousa Eu e Reis Vissapa, colocávamos nesse projecto nossos valores sem sequer pensar em coisas erradas; na ânsia de possuir coisas, lavávamos nossos cérebros repetindo ansiedades até à exaustão perdendo a perspectiva do que era verdadeiramente importante, sabendo já de antemão, que “da vida nada se leva”. Aquela vastidão de aspereza provocava decerto desvarios feitos sonhos, que iam e vinham com os quilómetros, sem se poder substituir suavidade na ternura ou companheirismo, por coisas materiais. E, chegados lá no topo norte, sentados na margem do Okavango do Kaprivi, olhando o outro lado do rio, seguramente pensámos: com tais sentimentos, nem poder, nem dinheiro poderiam importar no poder que possuíamos.

o  No decorrer de muito tempo, anos mesmo, não houve melhorias nem acréscimos em nossas vidas descuidando-nos no poder aquisitivo por via dum sonho só sonhado; restou a lembrança do quanto aquilo que queríamos se reduziu à justa medida do que precisávamos. Afinal, não devemos ficar presos ao que devíamos ter feito e não aconteceu quando devia ter acontecido, fazer as pazes connosco e com os que nos cercam, mesmo que estejam moribundos porque a morte, chega quando chega e que se saiba ela, a morte não é contagiosa; será por assim dizer um fazer de paz com a vida. Não podemos desfazer o que fizemos, nem reviver a vida que já passou mas, “nunca é demasiado tarde” para mudar. Levamos tanto tempo a modelar nosso corpo, levantando pesos, nadando, fazendo flexões, e no fim, a natureza, sai vencedora. A barreira física dos nossos sonhos, tinha o nome de Okavango.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:54
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Segunda-feira, 22 de Abril de 2013
MOKANDA DA LUUA . XIII

 AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLA - trabalhar num país em construção . I

 

Por

 Hermínio Santos

Sugere ainda como negociar a remuneração e os benefícios antes de partir, dirigindo-se, neste capítulo, a um público-alvo muito particular (os quadros de topo). Um técnico especializado tem margem de manobra reduzida e, provavelmente, terá de partilhar e meio de transporte com colegas. É importante ter em atenção quanto vai gastar por mês. A despesa mensal com a alimentação pode chegar aos mil dólares (cerca de 694 euros ao câmbio actual). Há informações sobre as oportunidades profissionais, como se pode criar uma empresa ou, por exemplo, os cuidados a ter ao nível de segurança. Neste aspecto, o autor alerta mesmo que o desleixo dos cuidados a nível de segurança é um erro comum. “Janelas fechadas, carro trancado, não atender chamadas na rua, não enveredar por caminhos que não conhece, são cuidados básico de segurança”, escreve.

 O livro responde também a dúvidas como “é fácil transferir dinheiro para Lisboa?” ou “se tiver um problema grave de saúde o que devo fazer?”. No final, há uma lista de contactos úteis e um “kit” essencial de entendimento. Assim, quando aterrar em Luanda já sabe como pedir uma “bitola” (cerveja) e “pitar” (comer) qualquer coisa. Trabalhar em Angola é mais dirigido aos quadros superiores que trazem de Portugal um conjunto de benefícios suportados pela empresa e não tanto aos que se aventuram sozinhos em Angola sem a força e apoio de uma função de topo. Quem tem de tratar sozinho da sua viagem e permanência no país, terá de ultrapassar desde logo as dificuldades de obtenção de visto.

 

 O autor apenas remete informação sobre os vistos para o site do Consulado de Angola, podendo ter aprofundado mais este tema. A verdade é este processo é lento e penoso. Enquanto não for assinado o projecto de acordo entre os dois países para melhorar a concessão (medida que deverá acontecer em meados de Setembro) este é o primeiro entrave a quem quer emigrar. Mas Angola não é só trabalho. E o lado turístico é muitas vezes esquecido pelos portugueses que pela primeira vez pisam o território. Hermínio Santos faz questão de enaltecer as belezas naturais, mas o país ainda tem muito a melhorar, nomeadamente ao nível das infra-estruturas. Certo é que, quanto melhor se conhecer Angola, melhor será a integração.

O Kimbo Lagoa subscreve

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:19
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Sábado, 20 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXVIII

  AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLAA REALIDADE “MWANGOLÊ” . VIII

Por

 ISOMAR PEDRO GOMES

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Isomar Pedro Gomes, ex-funcionário da delegação provin­cial da Segurança do Estado (em Benguela), hoje é um homem amargurado, frustrado.
 Aonde está a nossa classe operária?... Alguém pode dizer-me onde anda esse valoroso colectivo de trabalhadores? É que a maior parte da indústria que “havia”, foram transformadas em armazéns dos manos ‘libas, mayayas & senecas’… (Libaneses, Indianos monhês e Senegaleses). Lembro-me (com muita saudade) da GIGANTE e famosa CCUP (localizada no município da Ganda, província de Benguela) ‘rebaptizada’ na época “apropriada” em CCPA (Companhia de Celulose e Papel de Angola) – Alto Katumbela, que a guerra se ‘lembrou’ de transformar em pó (1982-1985). No município da Ganda, existia a fábrica de vinhos Prazeres – sede da comuna da Babaera; a Talim e a salsicharia Buçaco – sede do município, bem como as grandes industriais produtoras de açúcar, a Açucareira da Katumbela e a Açucareira do Dombe-Grande (Município da Baía Farta) e a África Têxtil (cidade de Benguela).

 Ultimamente, tenho pensado se AINDA há realmente uma classe operária “a operar” em Angola? Se realmente existe, aonde está? Se não existe,… porquê não? Vou mencionar a CIDADE DE BENGUELA como exemplo, nomeio as unidades Industrias que existiam mais ou menos até o ano de 1980; para além das acima mencionadas, lembro-me das seguintes unidades fabris com a ordem aleatória: 1.- Reforço & Rito 2. - Alfredo & Guerra 3.- Cartang 4. - Mampeza 5. - Conserveira Kapiandalo 6. - Abreus & Abreus 7. – Cordango 8. - Embalagens Holdains 9. - Embalagens de Angola 10. – Confiang 11. – Cristalia 12. – Cofril 13. - Dusol 14. - Fábrica de gasosas Canadá 15. - Tintas CIN 16. – Alarriba 17. - Confeções quinas 18. - Confeções CB 19. - Ourivesaria ourobelo 20. – Intrafrutos 21. – Sital 22. – Seta 23. – Forolda…

 Não menciono a mais de uma dezena de fazendas agrícolas, que constituíam o celebre perímetro agrícola do cavaco (a cintura verde de Benguela) e outras iniciativas individuais ou colectivas (que não constavam na lista telefónica, tais como as pequenas carpintarias, serrações, estofos e fábrica de malas), panificadoras, pescarias e algumas unidades ligadas à actividade agrícola. Tais unidades albergavam milhares de trabalhadores, alimentando dezenas de milhares de famílias no município de Benguela, adicionadas às unidades de produção da Katumbela, Lobito e Baía-farta; faziam da província de Benguela uma das fortalezas da classe trabalhadora de Angola. A CCPA estendia-se pelas Provinciais do Huambo e Bié, e constavam na sua folha de pagamentos (nos tempos dourados) cerca de 5.000 trabalhadores/assalariados.
(continua...)

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:43
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Quinta-feira, 18 de Abril de 2013
CAZUMBI . XXXI

 AS ESCOLHAS KIMBO 

CABINDA Protectorado Português . 2ª de 2 Partes

Por

   Rui Neumann

 O vice-presidente da resistência defende o direito à autodeterminação de Cabinda como solução para o conflito. No caso de um referendo, Alexandre Tati afirma que a FLEC está aberta a todas as opções e aceitaria as possibilidades, serem inscritas na consulta popular, de «anexação, autonomia, independência, federação...» A questão de um referendo em Cabinda levanta a velha questão de «quem é ou não Cabinda?». Para o vice-presidente da FLEC «Cabinda é todo aquele, sem qualquer descriminação, que nasceu em Cabinda, filho de pai ou mãe natural de Cabinda, ou qualquer estrangeiro que viveu mais de 10 anos consecutivos em Cabinda. Há angolanos que vivem em Cabinda há mais de 20 anos, esses também poderiam votar» e sublinha: «O povo de Cabinda não tem problemas com o povo angolano, tem com o Governo angolano que ocupa militarmente o nosso país.»


 Questionado se aceitaria uma «autonomia» para Cabinda, Alexandre Tati responde: «A minha opinião pessoal não conta. O que conta é a opinião do povo.» Em reacção ao resultado eleitoral de 5 de Setembro que deu uma esmagadora vitória ao MPLA, Alexandre Tati «felicitou o povo de Cabinda» pela «abstenção e por ter respondido positivamente ao apelo da FLEC de boicote geral. Foi um teste ao patriotismo da população» afirma. Considera que «as eleições não foram livres» e nas regiões do interior do enclave a maior parte da população não se inscrevera nas listas eleitorais.

 Segundo o mesmo responsável durante as eleições muitos populares foram intimidados a votar sob ameaça de armas e outros ameaçados de perderem o emprego caso se abstivessem. Reconhece todavia que houve maior participação que em 1992 mas que votaram principalmente estrangeiros que se deslocaram expressamente dos dois Congos, as forças militares e os funcionários. Para Alexandre Tati a vitória do MPLA «não altera nada», e a FLEC vai continuar luta armada: «Angola continua a impor-nos esta guerra através da ocupação e da falta de diálogo». «Uma guerra pequena ou grande é sempre um conflito. Daí que comunidade internacional deveria prestar mais atenção ao conflito em Cabinda e influenciar as duas partes a encontrem uma solução» e sublinha que «a riqueza natural mais valiosa de Cabinda, não é o petróleo, mas sim a vida dos homens».

KAZUMBI: Feitiço; pouca sorte; coisas de kazucuta (malabaristas, pais de santo e mwangolés); macumba obscura.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:28
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Quarta-feira, 17 de Abril de 2013
MOKANDA DA LUUA . XII

 AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLA - trabalhar num país em construção . I

Por

 Hermínio Santos

Uma refeição de fast food em Luanda custa 12,70 euros. Por mês, alugar um apartamento com dois quartos na capital angolana pode chegar aos 6500 euros. E a factura do supermercado é três vezes superior à de Lisboa. Hermínio Santos, autor do livro Trabalhar em Angola (uma edição da Planeta), não pinta uma realidade cor-de-rosa nas 112 páginas que dedica ao tema. Angola não é a terra prometida, o país de “dinheiro fácil, sol, praia, cerveja gelada”. A realidade é outra, mas nem por isso menos apetecível. O país está em construção e participa no (re) nascimento de uma sociedade pode ser aliciante numa altura de recessão em Portugal, com elevada taxa de desemprego e perspectivas de futuro pouco animadoras.

 O autor, jornalista e actual director do jornal Briefing, escreve um guia minucioso e alerta que a decisão de emigrar, mesmo que temporariamente, deve ser ponderada e baseada em informação sólida. Primeiro, não se devem fazer as malas na esperança de chegar à terra prometida. O crescimento é acelerado, sim, mas tudo está em construção. Há trânsito caótico nas ruas, os preços da alimentação e habitação são muito elevados, os serviços de manutenção são escassos, há dificuldades nas comunicações. Hermínio Santos avisa ainda que o tempo dos salários elevados terminou.

 Hoje um técnico qualificado recebe cerca de três mil euros mensais. Há cinco anos, o mesmo trabalhador auferia cinco mil euros, a que acrescia subsídio de alimentação e refeições. Factores como a consolidação da paz, o regresso de angolanos com formação superior e o aparecimento de mão-de-obra de países asiáticos contribuíram para a estabilização dos salários “em valores mais realistas”. O livro também traça o retrato do país, descrevendo aspectos históricos e económicos, como a importância do petróleo, as relações com a China ou as parcerias entre Angola e Portugal.

(Continua…)

O Kimbo Lagoa subscreve

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:32
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Terça-feira, 16 de Abril de 2013
PARACUCA . IV

ONGWEVA - saudade, em Português

Por

 Filomena Camacho  Londres, 14/04/13 - (FB)

Ouve dizer-se que a palavra “saudade” é exclusivamente portuguesa, sem tradução em outras línguas. Contudo, em Angola, também “saudade” é traduzida, na Língua Umbundo, pela palavra “ongweva” prova de uma evidente conexão existente entre Angola/Portugal países que, numa miscigenação, não apenas física mas também da alma, tem caminhado juntos. Pergunte-se a cada Angolano se “ongweva” não será algo como uma febre de feitiço, lançada por “kimbanda” - dá aquela sensação que transcende, tornando-a incontrolável e impotente de amenizar!? A quem lá tenha nascido ou lá tenha permanecido, por longo ou curto período de tempo, da sua vida, sabe do que pretendo verbalizar.
 A saudade é uma síndrome que a medicina não pode actuar… A saudade dói! A saudade é persistente. A saudade, ainda que branda, corrói. Torna-nos prisioneiros… Recordar Angola, com o coração a transbordar de “ongweva”, transformamo-la numa tela viva de imagens, de sons, cores, de cheiros… Nas imagens revivemos: Paisagens de vegetação luxuriante; extensões desérticas; rios caudalosos; cascatas gigantescas e abruptas; cidades de grandes avenidas - com grandes néones dos reclames da: CUCA, NOCAL, CINE-TEATRO, HOTEL, BANCO… Das casas iluminadas pelo “petromax”, pelo candeeiro a petróleo, pelo fogo, pelas estrelas cintilantes do céu… Das picadas sem asfalto com casas de taipa a ladeá-las… Relembramos o som das cigarras; da música de farras…
 Relembramos os sons a rasgar a noite - onde o luar de um céu diáfano de luz, dava a impressão de uma abóbada de catedral, imensa, onde apetecia ajoelhar e elevar uma oração…tamanha a beatitude e êxtase que invadia os sentidos. Do coaxar das rãs, do kwáx-kwáx, do chilreios da passarada que, em sinfonia, deixando ecoar seus maviosos acordes! … Do batucar longamente frenético e, tíbio depois, do batuque; o dedilhar do kissanje; do chingufo… Os estalidos e os rumorejares do fogo das queimadas… Das cores: O tom variegado e ímpar com que Deus, ao colorir África, não fez questão em poupar nas aguarelas mas, deliberadamente, as espargiu como um pintor contagiado pelo magnetismo dos cambiantes, dos matizes… e, prodigamente, tornasse tudo num colorido, variado, inebriante e mágico... A amálgama dos verdes! … O matizado das flores, vegetais, frutos, animais! … A cor vermelha da terra! Tanta combinação harmoniosa…deslumbrante!... Os cheiros: O cheiro da terra, túmida… grávida duma flora incrivelmente diversificada e bela! O cheiro agridoce das flores, dos frutos, da terra molhada… O sol quente a mordiscar a tez queimada… ongweva, aiué, ongweva!

Paracuca: - jinguba mal pisada  com açúcar na forma de bolacha

 O Soba T´CHINGANGE



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Domingo, 14 de Abril de 2013
KANIMAMBO . XXXV

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 13

 AS ESCOLHAS KIMBO     

SUCESSO E AUTOCONFIANÇA

Cada um de nós, deseja que tudo esteja numa linha recta, que as coisas aconteçam de maneira clara e segura, desde o princípio de um projecto ou causa mas, raramente, isso é possível. As pessoas de sucesso, constroem uma visão clara do que querem, mantendo o foco nisso e prosseguem seu rumo. Para definir um propósito que constitua o núcleo do nosso potencial, devemos compreender aonde está nosso talento, qual a nossa paixão e o que estimula nossa acção. Talento, paixão e ganho, serão os três factores que farão com que tenhamos persistência, ou não, para sobreviver os anos de silêncio. Claro que alem do talento, é forçoso estar apaixonado pelo que se faz, ter um estímulo para manter a paixão em uma direcção que desafie permanentemente a área de conforto. Para sobreviver aos anos de silêncio, ou tempo sombra, será necessário construir sua carreira a partir do ponto zero; ponto onde convergem o talento, a paixão e o ganho.

 Para compreender aqueles pontos de convergência, vamos analisar o início das carreiras de Bill Gates e Bill Joy. Bill Joy, o maior entre os grandes da Internet, fundou a microsystems, no tempo em que os programas de computador eram um monstro que custava cerca de um milhão de dólares. No início dos anos 1970, quando ingressou na Universidade de Michigan, para estudar matemática, foi seduzido pela computação; nesse então os programas de computador eram criados em cartões de cartolina com as linhas de código marcadas em um perfurador. Programas complexos incluíam por vezes milhares de cartões e, quando se completava o programa, o programador tinha de entregar os cartões perfurados a um operador que os executava. A programação em si, era altamente tediosa mas, não para Bill Joy, que tinha talento, paixão e estímulo. Joy e Gates, que tinham talento, tiveram a determinação necessária para suportar um longo período de prática; e, tudo começou em uma garagem.

 O processo de agir, aprender, e aperfeiçoar, por mais desajeitado que muitas vezes possa ser, é a essência da vida realmente produtiva. A força que impulsionou Gates e Joy, a se levantarem muito cedo e fugir de casa para poderem mexer nos computadores da universidade, é um magnetismo que vai para além da fama ou do retorno financeiro; o impulso de actuar sobre o talento e paixão, é mais intenso do que qualquer recompensa externa, como o reconhecimento, dinheiro ou fama. Quando o talento, paixão e ganho se sintonizam, há um fluxo de forte energia e, nosso cérebro dispara uma sensação de prazer e satisfação que nos estimula cada vez mais. Agora é a vez de nos interrogarmos: Porque é que, pessoas ao nosso redor, exercem a mesma actividade durante anos sem melhorar? Porque, simplesmente elas, não constroem sua profissão sobre seu talento natural. E, nos dias que correm, somos perturbados por gente sem talento que infelizmente e, por nossa escolha, destinam as nossas vidas; os políticos.  

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Kanimambo: Obrigado (de Moçambique)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Sábado, 13 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXVII

   AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . VII

Por

 ISOMAR PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Isomar Pedro Gomes, ex-funcionário da delegação provin­cial da Segurança do Estado (em Benguela), hoje é um homem amargurado, frustrado.

  A xenofobia na África do Sul, é extremamente incentivada e alimentada pela polícia Sul-africana e é planificada nas esquadras de polícia, um dia hei-de descrever as minhas experiencias com a corporação policial daquele País, que apesar dos pesares amo muito sinceramente. Fizeram certamente Nelson Mandela, banhar-se em lágrimas. O único Preto que chegou aos patamares dos ‘deuses’.

 AFINAL QUEM CAIU NA LAMA? - Há em algum país da Europa, a amálgama descriminada e promíscua, esgoto a céu aberto, suja e podre de ‘bairros’ que vimos e vemos principalmente nas periferias das capitais Africanas (quase todas elas) principalmente dos chamados “País Especial”. Os dirigentes Africanos, nem conseguem combater eficazmente o mosquito, causa do paludismo e malária que dizima à meio século, diariamente milhares de almas (principalmente crianças) pelo continente adentro, as doenças diarreicas (produto da falta de sanidade básica) faz de igual modo uma ‘ceifa’ aterradora. Doenças que o colono quase já tinha debelado como a mosca do sono, ameaçam ‘engolir’ povos inteiros. 

 Tudo isso acontece perante a pecaminosa insensibilidade de um grupinho de “iluminados africanos” (abençoados pelas igrejas) que preferem comprar castelos de milhões de Euros na Europa e em orgias depravadas, do que ajudar os seus irmãos, que não lhes pede mais do que e, apenas: BOA GOVERNAÇÃO... Gerirem o erário público para o bem de TODOS e da nação. E há quem tem o desplante de vir a público protagonizar uma perversa peça teatral, choramingando; “O colono blá-blá-blá”. Quanto ao anjo mulato, prefiro não comentar. Deus é Branco?.. Até posso aceitar, porem, de uma coisa estou certo, preto, é que não é de certeza ABSOLUTA!

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

FINAL

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O Soba T´Chingange



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MOKANDA DO SOBA . XXX

" TEMPOS DE DIPANDA  - Verdade ficcionada

Por

 T´Chingange

Chegado à casa do Senhor Bicho, não muito longe dali e, após as habituais apresentações mostrou-me o quarto disponível; foi-me dizendo que ainda estava em obras e que teria de ficar em um colchão ainda embrulhado em plástico, recomendando-me não o tirar em virtude de poderem vir a ser vendidos como novos. Assim foi mas, durante a noite a restolhada do plástico e a quentura não me proporcionou um absoluto descanso. Bem cedo, um empregado do Senhor Bicho comunicou-me que podia ir até a varanda situada por detrás do último quarto logo após o corredor que dava ao pátio interior para tomar o mata-bicho. Chegando lá encontrei o senhor Bicho dando ordens a uma gorda senhora que logo se adentrou na cozinha de onde se podia sentir o odor do café e, logo se sentou a meu lado cavaqueando sobre os muitos afazeres daquela hospedaria.

   E, falamos da sua distante terra, a Ponte do Charuto do Puto, bem perto de Mexilhoeira Grande no Concelho de Lagoa. Mostrei admiração pela beleza das portas quase maciças da entrada para os quartos com baixos-relevos dos cinco grandes animais de África. A minha porta era uma cabeça de búfalo; em realidade era uma obra de mestre. Bicho, sem saber da minha vontade em ir ao Rundu, do outro lado do Calai foi-me inteirando que a pessoa com quem eu tinha em mente encontrar, João Miranda, já não estava em na grande base de Grootfontein. Isso despertou-me curiosidade pelo que recolhi os detalhes possíveis.

 Pois é, continua Bicho: - a mando dum General de Pretória um dia chega um indivíduo sem nome, em Grootfontein, levando-lhe um visto de trabalho em nome de João Miranda; um Hércules C-130, levou a família inteira para Pretória. João Miranda que tinha todos os seus bens em Dirico, não queria por nada ir para Portugal. Deram-lhe um apartamento do tipo T4 totalmente equipado; o General viu nele o perfil certo para ser integrado no batalhão Búfalo por ser um bom conhecedor do terreno e falar a língua local e dos bosquimanos; A companhia Búfalo estava a ser organizada à algum tempo no intuito de intervir em Angola salvaguardando possíveis investidas terroristas e comunistas. Ovoboland seria um território tampão àquele avanço. Bicho perante a minha incerteza dum futuro incerto, aconselhou-me ir até Windhoek antes de tomar qualquer decisão; dizia-se que estavam ali os recrutadores de possíveis militares a integrar naquele batalhão. Tudo dependeria da aptidão e vontade de vir a ser um soldado da fortuna, vulgo mercenário. Indicou-me o Safari Motel para me instalar. Ali, iria recolher elementos junto a muitos refugiados, alguns deles, agentes da PIDE que tinham uma noção exacta das movimentações em curso. Um dia depois, segui em boleia com o tal Rocha de Oshakati, que me fez o especial favor de me levar ao Safari Motel.

(Continua…)

Glossário: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

O Soba  T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:25
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Quarta-feira, 10 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXVI

   AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . VI

Por

 ISOMAR PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 

 FILANTROPOS DA HUMANIDADE - A mais recente iniciativa de alguns dos milionários do planeta, comoveu muita gente. Há algum Africano entre os homens que protagonizaram tal feliz iniciativa? Todos eles (os citados filantropos) são homens que dedicaram a maior parte da sua vida na produção de riqueza, não o ‘tiraram’ de algum saco azul, nem tão pouco delapidaram o erário público nacional; sentiram-se na necessidade de “repartir com o necessitado” de todo o mundo. Ontem, os milionários Africanos orgulhavam-se de ‘aparecerem’ na revista forbes e congéneres, hoje face a iniciativa acima mencionada, publicam como que envergonhados; “não somos milionários”; alguns, chegam ao ponto de dizerem que o que têm é produto do salário.

 

 AFRICA DO SUL - Fiquei arrepiado com as imagens da actuação da polícia Sul-Africana em Benoni (será esta a cidade?!) que vitimou o jovem moçambicano Mido Macia (MM), na flor da sua juventude (27 anos). Imagens próprias de uma ‘cena’ do Faroeste no seculo XIX ou da era do Drácula no país da Draculândia. Quando vivi na Africa do Sul, tinha um medo atroz e justificado da polícia Sul-africana, principalmente dos pretos. A maioria do polícia Sul-africano preto chega a ser muito mais impiedoso e selvático que o mais impiedoso policia Sul-Africano branco. O polícia preto (na sua maioria) é absolutamente xenófobo, perverso, contra a lei, corrupto e desalmado. O policia branco, estou certo não faria tal coisa, e muito menos os tais policiais pretos fariam isso se MM fosse branco.

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

(Continua…)

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O Soba T´Chingange



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Segunda-feira, 8 de Abril de 2013
KANIMAMBO . XXXIV

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 12

 AS ESCOLHAS DO SOBA

MEDO E AUTOCONFIANÇA

 Quando conhecemos alguém, ficamos em constante estado de alerta para descobrir se, esse alguém gostou ou não de nós. A forma como vemos as coisas, é o resultado da estrutura mental que criamos na qual o efeito Pigmaleão nos diz que, se tivermos um conceito ou preceito adequado à realidade que queremos, essa realidade se manifestará fisicamente. Nossa programação vem de valores profundamente enraizados, de crenças, e conclusões que aceitamos como verdades; saem das convicções que foram desenvolvidas ao longo da infância, principalmente entre os três e oito anos de idade.

 É desse subconsciente programado que vem uma energia feita convicção ou a expressão de nossas crenças profundas que brotam da intrincada rede mental que formatamos ao longo da vida. Se tivermos uma formatação mental negativa, nossa acção por consequência, será forçosamente negativa, e a reacção por sua vez, também será negativa. Quando a programação mental e o desejo estão alinhados no mesmo propósito, verdadeiros milagres poderão manifestar-se num toque de mágica. Quando nos vemos sob um ponto de vista negativo, avivamos as nossas fraquezas autorizando-nos a ser fracos, limitados e negativos, o que reduz significativamente nossas escolhas e nossa autoconfiança.

 Quando vemos os outros de modo negativo, teremos decerto, respostas negativas mas, se por outro lado a vermos de forma positiva, as respostas serão positivas. Ao longo da vida, quem acreditar nas pessoas e nas circunstâncias, vai emitindo sinais positivos, criando relações sólidas com gente e circunstâncias boas. Amor e ódio são criados na mesma região do cérebro e é o desprezo que activa instintos desafiadores e, para isso tem de se saber lidar com tolerância, amor e compaixão. Olhando para os demais com uma visão negativa, emite-se uma imagem de descrença e afastamento, fazendo com que os outros nunca possam mostrar o melhor de si. Entre os dois caminhos de visão e procedimento, se definirá o rumo do fracasso ou sucesso. Se você não gostar de si, se não tiver essa auto-confiança, vai ser difícil ser bem sucedido, porque vai ser extremamente complicado ficar motivado. A auto-confiança, é por si só, muitas vezes, a principal razão pela qual as pessoas triunfam na vida. O optimismo deve brotar de dentro, suas convicções e seus valores, dos fundamentos que você estabeleceu para sua vida.  

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Kanimambo: Obrigado (de Moçambique)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Domingo, 7 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXV

AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . V

Por

 ISOMAR PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.                        

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

A Organização da Unidade Africana (OUA) foi criada a 25 de Maio de 1963 em Addis Ababa, Etiópia, por iniciativa do Imperador etíope Haile Selassie através da assinatura da sua Constituição por representantes de 32 governos de países africanos independentes.

Organisation of African unity.svgA OUA é um club de “compadres” velhacos ditadores, egoístas que sonham com Paris, Londres, Estocolmo etc, ao mesmo tempo que transformam os respectivos países em autênticos ‘buracos negros’. As independências em África foram ‘feitas’ para algumas centenas de indivíduos africanos, em detrimento de centenas de milhões, cada vez mais miseráveis. Nunca a Europa ‘recebeu’ tanta riqueza de África como após a chamada “independência dos Países Africanos”, os novos-ricos africanos, apressam-se a ‘esconderem’ os produtos da sua criminosa delapidação na Europa para o gáudio dos Europeus, contrariando aquilo que eles próprios evocaram e prescreveram na convocação para a luta de libertação nacional.

 “Eu ir a Portugal algum dia?.. NUNCA!.. Nem morto!”- (1980 na idade de ouro do partido único) Disse, erguendo o punho direito bem alto em sinal de sacro-juramento, em pleno comício em Benguela, um dos então carismáticos dirigentes da “Revolução Angolana” que prescindo de citar o nome, hoje ele próprio, não só é frequentador assíduo e brioso de Portugal e “empresário português” como também é o orgulhoso presidente de uma agremiação desportiva portuguesa em Angola.

 Quase meio século depois, podemos dizer que o IDH dos povos africanos subiu ou regrediu? Somos melhores tratados hoje pelos nossos irmãos dirigentes? Os ideais que nortearam a luta de libertação colonial ainda estão vivos e recomendam-se? Muitos dos nossos jovens usam orgulhosamente tecnologia de ponta os ipod, ‘aichatissa’ e ‘aipad’ fazem a banga da juventude, mas o meio que os rodeia é nauseabundo e desolador. O Stress agudo e o AVC matam tanto quanto a malária.

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

(Continua…)

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:45
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Sábado, 6 de Abril de 2013
CAZUMBI . XXX

 AS ESCOLHAS KIMBO

CABINDAProtectorado Português . 1ª de 2 Partes

Por

   Rui Neumann

C abinda . Alexandre Tati

Tati, vice-presidente da FLEC, manifestou, em entrevista à PNN, a necessidade da realização de «uma reunião» onde participem todas as forças vivas de Cabinda sem excepção, a fim de encontrarem um consenso para futuras negociações com Angola. «Pedimos ao presidente da república de Angola, José Eduardo dos Santos, que autorize os cabindas que estão em Angola, inclusive do MPLA, que se juntem aos que estão em Cabinda e no estrangeiro» numa reunião inter-Imbinda, declarou Alexandre Tati. «Angola poderia aproveitar esta proposta, tal como os portugueses fizeram no passado em Alvor quando deram a oportunidade aos angolanos de criarem uma posição única.» Negociações que devem contar com a participação de todas as sensibilidades das forças vivas de Cabinda.»

 

 Para Alexandre Tati a reunião sugerida não seria uma repetição do «erro da Holanda», quando em 2004 a FLEC/FAC e a FLEC Renovada se fundiram efemeramente num só movimento, culminado com a cisão da facção de António Bento Bembe, ex líder da FLEC Renovada, que decide negociar directa e isoladamente com Angola levando ao colapso dos acordos de Helvoirt assinados na Holanda.

 «Bento Bembe assinou um cessar-fogo o Memorando de Entendimento com Angola sem um mandato da FLEC ou do povo de Cabinda. Assinou da forma como ele mesmo pensava, mas não como o povo queria. Como resultado o povo boicotou totalmente esses acordos porque não se identificou neles, daí o que importa é a opinião do povo», realçou. Tati todavia afirma que não nega Bento «como filho de Cabinda», e sublinha: «ele [Bento Bembe] é filho de Cabinda, assim como outros que estão no Governo angolano e, que sendo filhos de Cabinda, também querem a independência da mesma. Conhecendo Bento Bembe, e tendo trabalhado com ele, considero-o como um independentista e como alguém que quer ver o seu território livre.»

KAZUMBI: Feitiço; pouca sorte; coisas de kazucuta (malabaristas, pais de santo e mwangolés); macumba obscura.

O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 5 de Abril de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXV

1975 - O ANO EM QUE 200 MIL PORTUGUESES FICARAM SEM SEUS DEPÓSITOS . II

AS ESCOLHAS KIMBO    

Por

 André Rito

Embora o resgate de meio milhão de portugueses que viviam nas ex-colónias portuguesas tenha sido feito em tempo recorde - durou apenas quatro meses -, os processos para recuperar bens e dinheiro ainda hoje se arrastam. Em 1977, a legislação criada para indemnizar os "espoliados" previa 23 anos de amortização para quem reclamasse valores acima dos seis mil contos, com uma taxa de juro de 2,5%. No Chipre, talvez inspirado nos muitos países que ao longo da sua história decidiram combater as crises taxando o capital, os grandes depositantes são os mais prejudicados: 30% para quem tiver depósitos superiores a 100 mil euros.

 E as restrições não vão durar apenas uma semana, como inicialmente previsto. Quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros cipriota, Ioannis Kasoulides, afirmou que o país espera levantar as imposições "em cerca de um mês", apesar de Bruxelas ter pedido celeridade e avisado que as restrições aos movimentos de capitais só são admissíveis em circunstâncias excepcionais e rigorosas. "Serão retiradas uma série de restrições, de forma gradual, provavelmente depois de um mês. Todas serão retiradas."

 Ao longo dos últimos 30 anos sucederam-se promessas políticas, formaram-se grupos de trabalho, emitiram-se despachos para resolver a questão dos espoliados. Quando era primeiro-ministro, em 1992, Cavaco Silva criou o Gabinete de Apoio aos Espoliados, tendo sido feito o levantamento dos bens perdidos. Mas as diligências resultaram em nada; dois anos depois, o gabinete extinguiu-se.

Mussendo: Conto de raiz popular, missiva em forma de mokanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola), Comunicado.

(Continua…)

Opção do

Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 3 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXIV

AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . IV

Por

 ISOMAR PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 HOJE ouvimos falar de relatos arrepiantes de governação de ‘preto-para-preto’ em muitos países africanos; Incompetência criminosa, bajulação estúpida como doutrina, ganância e egoísmo exacerbado (primeiro eu - sempre), mentira como regra, assassinatos indiscriminados, prisões em massa, inexistência de liberdade de expressão – a ‘Bíblia’ citado pelo Morgan Tchavingirai. - (inclusive, gritar; “estou com fome” é crime passível de perder a vida. Kamulingue e Kassule, são a prova viva do facto), vida miserável, falta de empregos, corrupção endémica, justiça injusta e totalmente parcial, cadeias (horrorosamente infernais) a abarrotar de jovens provenientes das classes desfavorecidas, hospitais que mais parecem hospícios, escolas que mais parecem pocilgas etc. etc.

O paradoxo, é, se HOJE em África, usufruímos de um bocadinho de liberdade com sabor a vida, é precisamente graças aos Europeus, isto é aos brancos, que desenvolveram uma nova ordem de conduta internacional e instituições internacionais que vigiam sobre o globo, incluindo obviamente África. As sanções internacionais e outras medidas de contenção pairam sobre os dirigentes Africanos, e então, estes por sua vez, fingem praticar a democracia, não porque eles gostam da democracia, porque temem o “deus branco e o seu braço punitivo”. Porque se dependêssemos totalmente dos governos de “preto-para-preto” seguramente, não seria possível viver, na vasta maioria dos países Africanos.

O protótipo Africano da UE (União Europeia) a chamada UA (União Africana) é uma mentira descabida, a UA é uma instituição falida, decrépita, débil e ‘estaladiça’ (como a bolacha ‘chinesa’ de água e sal) que ninguém leva a sério, uns poucos países africanos esforçam-se por dar credibilidade a UA e ao continente, houve até quem propusesse a seguinte designação DUA (DesUnião Africana), por exemplo quando teremos um Tribunal Internacional Africano? Se os tribunais da maioria dos Países membros é do “faz de conta”, os Africanos instituíram também uma espécie risível de Parlamento Africano; que acções praticas tal PA já desenvolveu em beneficio dos Africanos?

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

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O Soba T´Chingange



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Terça-feira, 2 de Abril de 2013
KANIMAMBO . XXXIII

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 11

 AS ESCOLHAS DO SOBA

A MÍSTICA E O MEDO

De certa forma, vivemos numa constante zona de medo. Imaginamos o resultado de um projecto negativo e, acontece vermo-nos em uma situação desprivilegiada, repetindo essa imagem inúmeras vezes; As pessoas de sucesso realizam esse procedimento de maneira inversa sentindo essa reacção de forma positiva. Se mantiver seu propósito de forma positiva, sua mente actuará sobre seus pontos fortes, movendo-se em direcção à sua meta; sua dedicação passará a agir como estímulo que por sua vez criará forças adicionais a auxiliar esse processo. Se você estiver programado para o sucesso, a natureza encarregar-se-há de o suprir com ideias, acções e circunstâncias, a abastecer suas necessidades de forma a atingir os objectivos requeridos por si.

 Este estágio é uma verdadeira magia podendo reverter erros e falhas em eventos que o auxiliarão a avançar, fazendo desaparecer obstáculos de forma inusitada. Diz-nos o efeito Pigmaleão que quando nós temos certo tipo de expectativa, ao tornar-se uma crença, ela provocará sua própria concretização. Quando as pessoas esperam ou acreditam que algo acontecerá, agem como se a previsão já fosse real. Essa crença influenciará o comportamento das pessoas, seja por crença ou confusão lógica. Compreender este mecanismo, significa saber a diferença entre a liberdade e a conformidade; se mantivermos emoções positivas em nossa mente, e tivermos imagens positivas sobre o que buscamos, se vivermos nessa expectativa, sentiremos emoções positivas.

 Se você possui sentimentos de sucesso e autoconfiança, agirá com sucesso, autoconfiança; se o sentimento for intenso, irá agir também de maneira intensa. Aquilo que pensamos e a forma como agimos, é muito mais um resultado de certas predisposições mentais do que queremos acreditar, ou mesmo do que podemos perceber. A angústia a enfraquece, sente-se um mal-estar, seguido por tontura e dor de cabeça; a pressão sobe, a pessoa sente-se fraca, o sistema imunológico se altera, e ela passa a sentir os mesmos sintomas. O que é por exemplo, a ansiedade de não ter dinheiro para cobrir as despesas do fim do mês? Nestas circunstâncias nós sentimos ansiedade e humilhação.

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Kanimambo: Obrigado (de Moçambique)

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O Soba T´Chingange



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Segunda-feira, 1 de Abril de 2013
INVENTAÇÕES DA HISTÓRIA . X

EM TERRAS DO SUMBE. Tempo de Macutas

Verdade ficcionada

Por

T´Chingange

Como secretário de fazenda de João de Câmara da Capitania-Geral do Reino de Angola a minha actividade estava a ficar demasiado intensa; o capataz José Nanquituka dava-me grande ajuda mas o tempo a passar fazia dele um já mais-melho pelo que tive de recorrer ao irmão Francisco Kaputo da Silva, um auxiliar missionário a fim de lhe dar ajuda na permuta de produtos trazidos pelos pombeiros; compra, armazenagem e revenda de milho, óleo de palma e mandioca. A pesca, estava a ser um sucesso e a azáfama da venda de fardos de peixe seco para os comerciantes do mato era proveitosa à fazenda pública.

 Os panos de ráfia coloridos eram cada vez mais solicitados pelas gentes vindas do Huambo. As makutas pouco a pouco iam substituindo as permutas, os libongos e os cundis tão do uso das gentes do Kwanza na troca de sal da Quiçama, palma e t´chissângwa. As missangas e conchas tão do uso dos M´bundu eram cada vez mais usadas como adornos pessoais, uma marca de estatuto social. A obra missionária já se fazia sentir na conduta de todo este pessoal que transformava as libatas em taipa com cuidados acrescidos nas n´hakas aonde se ocupava o mulherio ora cantando ora fumando tranças de tabaco com o lume dentro da boca.

 Trazia dentro de mim uma urgência que me queimava como fogo fazendo girar a cabeça de expectativa misteriosa; fumar daquela maneira transtornava o meu entendimento mas, nada dizia nem perguntava. Costumes, são coisa que nem sempre se entendem e aquele, por bizarro não era dos piores. Eu ficava em expectativa vendo as mulheres com seus candengues seguros em libongos atados ao redor da cintura enquanto fumavam e sachavam a terra húmida. Da varanda grande e no topo da colina do Sumbe podia apreciar a vida que se agigantava ao redor do armazém anexo à fazenda de onde vinham cheiros intensos. E, eis que, engalanado com bandeiras, panos e guarda-sóis coloridos, em ambiente de grande excitação e alegria vindo de Quilengues, surge um branco albino que parecia um demónio, cabelos sujos e espetados como capim velho. Vinha buscar barricas de aguardente e rolos de tabaco.

(Ver glossário no final)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Sábado, 30 de Março de 2013
MUJIMBO . XXXIII

   AS ESCOLHAS DO KIMBO                        

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . III

Por

ISOMAR   PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela. 

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Hoje é um homem amargurado, frustrado. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 

 Poderia África ser hoje comparada ao Inferno ou ao Purgatório? Qualquer um deles serve! Paraíso: NUNCA. Pouquíssimos países Africanos (menos do que os dedos de uma mão) podem aproximarem-se a tal eleição. “HOJE até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo” – sintetizou Morgan Tchavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabweano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo. Zimbabwe no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente. Por vezes quando nas datas históricas, oiço e vejo pela TV, indivíduos a mencionarem o que o ‘colono nos faziam’, sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mato de ‘risada’, “porque o colono fazia…blá-blá-blá” - dizem eles - hoje faz-se pior!

 

 O colono se fez, quase que o desculpo, é ou foi colono, é branco não é meu irmão de raça, etc., agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, (ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura) faz o que viva e denodadamente repudiávamos do colono, esta ultima acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma. Por isso, logo após as independências Africanas, verificou-se o segundo êxodo – o primeiro foi dos brancos a abandonarem África - milhões de Africanos, abandonaram com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença a África, a maioria arriscando literalmente as suas vidas (o filme continua até aos nossos dias), seguindo os outrora colonos, porque chegaram a conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político Africano; “eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar” disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.

 Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África, porque?! Os Europeus, muitos deles depois de chacinados em África pelas revoltas africanas, de regresso aos respectivos países embora destroçados de dor e amargura, receberam de braços abertos muitos dos antigos carrascos, dando-lhes um lar e emprego decente e uma vida digna, que jamais tiveram nos países de origem; Paz e sossego duradouro. O contrario era possível?... Se ainda hoje 37 anos depois do fim da colonização, os dirigentes Angolanos (por exemplo) ainda se desculpam na presença colonial Portuguesa em Angola, para justificar a Pobreza e outros pesares que “estamos a sentir”; eles não são, nunca serão culpados, mas o colono (37 anos depois), SIM. Estou seguro que, quando Angola festejar o 50º aniversário, os dirigentes Angolanos, ainda estarão a rogar pragas ao colono Português.

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

(Continua…)

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O Soba T´Chingange



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Terça-feira, 26 de Março de 2013
KANIMAMBO . XXXII

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 10

 AS ESCOLHAS DO SOBA

A MÍSTICA E O MITO DE PIGMALEÃO

Maxwell Maltz

O mito de Pigmaleão tem a sua origem em uma fábula do poeta romano Ovidio; Na fábula, Pigmaleão é um escultor que se apaixona pela sua própria obra: uma escultura. A deusa Vénus recompensa Pigmaleão dando vida à estátua. O sentimento do artista muda a condição da estátua. O efeito de Pigmaleão, significa, portanto, o resultado de nossas expectativas. O que aqui é dito, significa que ao se desejar profundamente alguma coisa, esse sentimento nos estimulará a buscar todos os meios para concretizá-lo. Há aqui, um mecanismo de suporte a que podemos classificar de místico. A teoria do cirurgião plástico Maxwell Maltz surgiu após observar que levava 21 dias para seus pacientes notarem as mudanças e os benefícios promovidos pela cirurgia, mas que enquanto isso, eles imaginavam os benefícios do tratamento e se sentiam muito mais entusiasmados e optimistas. A correcção de um defeito estético pode afectar o carácter e a personalidade das pessoas.

Mudar a aparência física, muitas vezes, cria uma pessoa completamente nova. O bisturi que mantinha em suas mãos tornou-se uma varinha mágica que não apenas mudava a aparência das pessoas, mas também a sua personalidade. O tímido e introvertido torna-se extrovertido e corajoso. Aquele considerado estúpido e ignorante torna-se brilhante e cortês. Um vendedor que havia perdido a confiança em si, virou modelo de auto-estima. A compreensão da atitude dessas pessoas, está no facto de se ter alterado algo nelas, que antes as fazia sentir inferiores. Mas, paralelamente aos que mudavam sua personalidade há outros que não mudam em nada; mesmo após alterarem sua fisionomia facial por completo, eles mantinham seu comportamento como se nunca tivessem alterado sua aparência. Amigos e familiares mal conheciam o paciente, mostrando-se entusiasmados com o novo visual mas, eles insistiam em que a cirurgia não mudara em nada sua aparência. Seu timo em nada mudava sua alma, sua vida.

  O timo era conhecido pelos gregos antigos, e seu nome vem da palavra grega (thumos), ou seja, o coração, a alma, o desejo de vida, - possivelmente devido à sua localização no peito, perto de onde eles se sentem subjectivamente as emoções , ou, alternativamente, o seu nome vem da erva Thymus ( tomilho ) (grego θυμός ), que se tornou o nome de um "relatório de excreção", possivelmente por causa de sua semelhança com um ramo de tomilho.

 Se o bisturi de Maltz era mágico para uns, porquê não o era para outros? É claro que o paciente raciocina através de uma estranha alquimia mental racionalizando da forma mais coerente com seu perfil psicológico.  A cirurgia plástica só terá um resultado efectivo se, além da mudança física, a pessoa tivesses outra, psicológica. “ Se a imagem desfigurada não é removida da mente das pessoas, elas continuarão agindo como se a cicatriz ou o aspecto indesejável ainda lá estivesse” explicou Maltz. Se, no nosso dia a dia, estivermos às voltas com pensamentos de angústia, ansiedade, preocupações, por exemplo, a tendência é experimentar essas emoções.

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Kanimambo: Obrigado (de Moçambique)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Domingo, 24 de Março de 2013
MUJIMBO . XXXII

   AS ESCOLHAS DO KIMBO                        

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . II

Por

  ISOMAR   PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Hoje é um homem amargurado, frustrado. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 

 As então, gerações de jovens africanos instruídos pelas instituições da administração colonial organizaram-se politicamente e fizeram soar a acusação de que os Europeus estavam a sugar as riquezas do solo pátrio em benefício exclusivo das nações colonizadoras, desconsiderando totalmente os interesses dos nativos e das colónias, transformando os autóctones em miseráveis na sua própria terra; “eles vieram com a Bíblia, nós tínhamos as terras, no fim eles ficaram com as terras e nós com a Bíblia” disse Robert Mugabe, nacionalista e guia da libertação do Zimbabwe.

Jomo Keniata

Organizaram-se contra o invasor, protestos, revoltas, guerras, chacinas, a história regista que o movimento e actuação dos ‘mau-mau’ liderado pelo indomável Jomo Keniata, foi um dos mais cruéis de África e o que chamou a atenção da comunidade internacional, para a necessidade da urgente descolonização do continente negro. Claro a violência gera violência, os resultados hoje fazem parte da história. A resposta colonial a violência nacionalista africana, sempre foi comedida, por exemplo, se a força policial Portuguesa no 4 de Fevereiro e posteriormente no 12 de Março de 1961, correspondessem com o mesmo demonismo com que o MPLA ‘respondeu’ ao chamado Fraccionismo do 27 de Maio 1977, muitos dos actuais dirigentes, não existiriam, e provavelmente não haveria movimentos de libertação, durante muito tempo. 

 Passado cerca de meio século, que a maioria dos países Africanos ‘arrancaram’ na ponta da espingarda a independência das potências colonizadoras (seguindo a lição do camarada Mao Tsé-Tung), se fizermos o balanço, quais foram os ganhos que os respectivos países e povos obtiveram, poucos são os Países Africanos que diremos, saíram indiscutivelmente a ganhar. “Quando é que a independência afinal vai acabar?”- Indagou desesperado/desapontado um septuagenário angolano nos idos anos 78-80, fatigadíssimo da guerra estúpida, de tanta crueldade e injustiça praticada pelos seus patrícios (do regime e da oposição), denominados de nacionalistas de primeira água.

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

(Continua…)

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O Soba T´Chingange

 



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Sexta-feira, 22 de Março de 2013
KANIMAMBO . XXXI

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 9

 AS ESCOLHAS DO SOBA

Geralmente, os problemas da nossa vida, surgem quando assumimos compromissos, quando definimos metas e objectivos. Porque existem obstáculos, é o motivo maior que nos leva a estabelecer uma meta ou compromisso, situações que dificultam o caminho entre o ponto de partida e onde queremos chegar e, é impossível agir onde você não está. Não há como proceder onde você esteve e não há como agir onde estará. Todos nós, só podemos agir onde estamos. O ser humano possui uma medida limite de capacidade para compreender, avaliar e processar informações sobre um tema específico, num determinado momento.

 Os seres humanos são sistemas energéticos complexos. A energia que pulsa em nós possui quatro dimensões: física, mental, emocional e espiritual. Todas são de fundamental importância. Muitas pessoas trabalham muito, estabelecem metas, criam estratégias, alcançam objectivos espectaculares, mas não encontram sentido para a vida; não conseguem encontrar o verdadeiro propósito naquilo que fazem. Se você está vivendo sua vida, cada momento deve ter sentido; esse sentido é encontrar uma razão para estar aqui.

 Quando não temos certeza dos nossos valores, quando somos incapazes de reconhecer a humanidade que existe por detrás das nossas conquistas, tornamo-nos em autónomos desligados do mundo; aqui, o sucesso perde sentido. Estabelecer um propósito na nossa necessidade espiritual, é a única coisa capaz de dar um verdadeiro sentido à nossa conquista. Faz falta ter fé de que há uma razão maior pela qual estamos aqui. As pessoas perderam um pouco a realidade do que significa ser feliz. Nós, sentir-nos-emos melhor se tivermos um propósito para guiar nossas decisões. Às vezes somos surpreendidos por não saber o motivo exacto pelo qual tomamos decisões. Se, se entender o motivo pela qual você esta tomando uma decisão, você se sentirá mais seguro. Nosso carácter só se expandirá, se ele, carácter, for desafiado.

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Kanimambo: Obrigado (Moçambique)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Quinta-feira, 21 de Março de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXIX

" TEMPOS DE DIPANDA  - Verdade ficcionada

Por

   T´Chingange

 Oshakati, ficava na direcção contrária à faixa de Caprivi, uma faixa de linha recta saída do Divundo junto ao rio Cubango até o rio Zambeze com cerca de 405 km de comprimento e 30 km de largura. Tem a forma de frigideira e fica situada no nordeste da Namíbia formando as duas regiões namíbianas denominadas de Kavango e Caprivi.  Tinha indicações que havia um tal senhor Rocha que fugido do Sul de Angola ali se estabeleceu com um restaurante e uma fiada de casas térreas que eram alugadas a baixo custo a refugiados; foi para ali que me dirigi e aonde me refastelei com uma caldeirada de cabrito. Rocha era ainda um rapaz novo; sentou-se em minha mesa e conversamos um longo tempo, fruto da minha insistência na recolha de informações. Rocha falou abertamente do sonho em se fazer rico, construir um hotel em condições e negociar com diamantes quando lhe fosse possível. Aconselhou-me a ficar num dos quartos de Bicho da Ponte do Charuto logo no fundo da rua, pois que ele estava com os alojamentos repletos de gente saída de Angola.

 Em África parece tudo ser perto pois que tudo se sabe; carências de notícias levam à união e a fraternidade dando a isto uma característica única no mundo; Em nenhum lado do grande globo se encontra esta postura e este facto é a razão porque ninguém se esquece dessa vida, daqueles aromas, do som do mato, do chorar da hiena, o uivar do mabeco e até o cacarejar das capotas com o “tou-fraca, tou-fraca…” mais o por do sol atrás duns chinguiços, cassoneiras ressequidas e mato estéril. Rocha estava a par da odisseia de João Miranda do Mukwé e acabei por ouvir um pouco mais da sua fuga: Quando Miranda chegou ao Mucusso e passou a fronteira para o Sudoeste Africano, as autoridades sul-africanas aturam com rapidez. O comando Sul Africano do Rundu, enviou prontamente tropas para receber a família no Calai.

 A família Miranda estava salva. O comandante da polícia local, o inspector Erasmos, instalou os Miranda numa “guest house” do Governo. Nessa mesma tarde apareceu o general Loots, reformado, combatente da II Guerra Mundial, acompanhado por um oficial português, madeirense, o tenente Silva. João Miranda foi entrevistado e no final informaram-no de que receberia no fim do mês um ordenado, relativo ao primeiro dia em que fugira de Angola. A família foi depois transferida para Grootfontein, já no interior norte da colónia, para maior protecção. - Julgo que é ali que eles estão agora! Afirmou Rocha. Com esta informação a minha odisseia teria outro rumo; Teria toda a noite para pensar como prosseguir no dia a seguir; agora iria à procura do senhor Bicho para me instalar.  

(Continua…)

Glossário: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

O Soba  T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:03
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Terça-feira, 19 de Março de 2013
MUJIMBO . XXXI

 AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . I

Por

 ISOMAR PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Isomar Pedro Gomes, ex-funcionário da delegação provin­cial da Segurança do Estado (em Benguela), hoje é um homem amargurado, frustrado. Recusa-se a revelar os cargos que exerceu dentro da «secreta» benguelense, desculpando-se. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 Luanda  - À dias a caminho do Hojy-yá-Henda, a bordo de um dos maximbombos da TCUL Viana - Cuca, um dos vários azulinhos, os emblemáticos táxis colectivos, que ‘palmilham’ Luanda, chamou a atenção ao exibir no vidro traseiro o seguinte dístico; BRANCO È DEUS, MULATO É ANJO, PRETO É DIABO. Tal dístico levantou as mais diversas celeumas entre os passageiros do maximbombo e transeuntes por onde o dito azulinho (mini m´bombó - ‘popó-show’) passou. Raciocinei com os meus botões e os meus botões comigo, as causas que levaram o proprietário do ‘popó’ ou do ‘chauffeur de praça’ a mencionar e exibir tal ‘desgraçado ou ditoso (?!)‘ rótulo. Na busca mental das ‘causas’, não pude deixar de comparar o modo de vida de hoje e o da administração colonial, quando o País e a grossa maioria dos países do continente Africano, era administrado por indivíduos maioritariamente de raça branca, provenientes da Europa, “os tais colonos”, poderia África ser comparada a um paraíso? A quem diga sim, eu não discordo dele! “Colonialismo caiu na lama!” Lembram-se deste célebre estribilho 1974-1977?

 

Foto: VIVA A POBREZA!...A eliminação da subvenção dos combustiveis, vai beneficiar os pobres? o que acham mwangolés?... há quem defenda a eliminação da subvenção e o aumento de unidades de transportes públicos, os chamados articulados na cabeça de lista... será? A JOÌA COLONIAL - Angola, era mundialmente conhecida como a Jóia do império Português e exibia majestosa, todos os pergaminhos de tal título, o Quénia a par da África do Sul, a jóia Africana do império Britânico, Algéria a jóia Africana do império Francês e o antigo Congo/Zaire a jóia do Belgas. Tais países Africanos - no contexto do outrora, prosperavam a olhos vistos (a maioria deles encontravam-se ainda na idade da pedra), as respectivas comunidades autóctones idem em aspas, os índices de desenvolvimento humano dos autóctones inegavelmente estavam lenta e seguramente subindo, as obras dos colonialistas ainda perduram pela África adentro. Verdade seja dita, o esclavagismo e as guerras de “kwata-kwata” fizeram irremediáveis estragos em África. Mas também não é menos verdade, que a falta de unidade, ambição, irresponsável individualismo e a sempre estúpida e insana mente guerrearam, fizeram verter sangue (entre nós Africanos), tornaram bem-vinda “la pax romana” isto é promulgação da força do chicote e da bala, pelos Europeus.

(Continua…)

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

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O Soba T´Chingange



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