AS ESCOLHAS KIMBO
CABINDA – Protectorado Português . 2ª de 2 Partes
Por
Rui Neumann
O vice-presidente da resistência defende o direito à autodeterminação de Cabinda como solução para o conflito. No caso de um referendo, Alexandre Tati afirma que a FLEC está aberta a todas as opções e aceitaria as possibilidades, serem inscritas na consulta popular, de «anexação, autonomia, independência, federação...» A questão de um referendo em Cabinda levanta a velha questão de «quem é ou não Cabinda?». Para o vice-presidente da FLEC «Cabinda é todo aquele, sem qualquer descriminação, que nasceu em Cabinda, filho de pai ou mãe natural de Cabinda, ou qualquer estrangeiro que viveu mais de 10 anos consecutivos em Cabinda. Há angolanos que vivem em Cabinda há mais de 20 anos, esses também poderiam votar» e sublinha: «O povo de Cabinda não tem problemas com o povo angolano, tem com o Governo angolano que ocupa militarmente o nosso país.»
Questionado se aceitaria uma «autonomia» para Cabinda, Alexandre Tati responde: «A minha opinião pessoal não conta. O que conta é a opinião do povo.» Em reacção ao resultado eleitoral de 5 de Setembro que deu uma esmagadora vitória ao MPLA, Alexandre Tati «felicitou o povo de Cabinda» pela «abstenção e por ter respondido positivamente ao apelo da FLEC de boicote geral. Foi um teste ao patriotismo da população» afirma. Considera que «as eleições não foram livres» e nas regiões do interior do enclave a maior parte da população não se inscrevera nas listas eleitorais.
Segundo o mesmo responsável durante as eleições muitos populares foram intimidados a votar sob ameaça de armas e outros ameaçados de perderem o emprego caso se abstivessem. Reconhece todavia que houve maior participação que em 1992 mas que votaram principalmente estrangeiros que se deslocaram expressamente dos dois Congos, as forças militares e os funcionários. Para Alexandre Tati a vitória do MPLA «não altera nada», e a FLEC vai continuar luta armada: «Angola continua a impor-nos esta guerra através da ocupação e da falta de diálogo». «Uma guerra pequena ou grande é sempre um conflito. Daí que comunidade internacional deveria prestar mais atenção ao conflito em Cabinda e influenciar as duas partes a encontrem uma solução» e sublinha que «a riqueza natural mais valiosa de Cabinda, não é o petróleo, mas sim a vida dos homens».
KAZUMBI: Feitiço; pouca sorte; coisas de kazucuta (malabaristas, pais de santo e mwangolés); macumba obscura.
O Soba T´Chingange
CABINDA – Protectorado Português . 1ª de 2 Partes
Por
Rui Neumann
Tati, vice-presidente da FLEC, manifestou, em entrevista à PNN, a necessidade da realização de «uma reunião» onde participem todas as forças vivas de Cabinda sem excepção, a fim de encontrarem um consenso para futuras negociações com Angola. «Pedimos ao presidente da república de Angola, José Eduardo dos Santos, que autorize os cabindas que estão em Angola, inclusive do MPLA, que se juntem aos que estão em Cabinda e no estrangeiro» numa reunião inter-Imbinda, declarou Alexandre Tati. «Angola poderia aproveitar esta proposta, tal como os portugueses fizeram no passado em Alvor quando deram a oportunidade aos angolanos de criarem uma posição única.» Negociações que devem contar com a participação de todas as sensibilidades das forças vivas de Cabinda.»
Para Alexandre Tati a reunião sugerida não seria uma repetição do «erro da Holanda», quando em 2004 a FLEC/FAC e a FLEC Renovada se fundiram efemeramente num só movimento, culminado com a cisão da facção de António Bento Bembe, ex líder da FLEC Renovada, que decide negociar directa e isoladamente com Angola levando ao colapso dos acordos de Helvoirt assinados na Holanda.
«Bento Bembe assinou um cessar-fogo o Memorando de Entendimento com Angola sem um mandato da FLEC ou do povo de Cabinda. Assinou da forma como ele mesmo pensava, mas não como o povo queria. Como resultado o povo boicotou totalmente esses acordos porque não se identificou neles, daí o que importa é a opinião do povo», realçou. Tati todavia afirma que não nega Bento «como filho de Cabinda», e sublinha: «ele [Bento Bembe] é filho de Cabinda, assim como outros que estão no Governo angolano e, que sendo filhos de Cabinda, também querem a independência da mesma. Conhecendo Bento Bembe, e tendo trabalhado com ele, considero-o como um independentista e como alguém que quer ver o seu território livre.»
KAZUMBI: Feitiço; pouca sorte; coisas de kazucuta (malabaristas, pais de santo e mwangolés); macumba obscura.
O Soba T´Chingange
DESANOITECI EM ZANZIBAR - IX
Verdade ficcionada
Por
T´Chingange
E, continuava amiudadamente, pensando na proposta de mustafá Joshua Naili em fazer uma salga de peixe; a ideia andava girando em meu pensamento, mas nada de tomar consistência. Em verdade preocupava-me mais a questão de dar salubridade ao húmido lugar da roça de Boyoma; com o tempo tive de contratar um credenciado enfermeiro de nome N´Zau Tati Bumelambuto que mandei vir de Cabinda. Foi a ele que confiei a saúde e bem-estar dos muitos gentios que ali prestavam serviço. Acabou por ser uma brilhante ideia pois que o rodopio de gente a ir ao paupérrimo hospital de Kisangani diminuiu a olhos vistos. N´Zau, era um fiote de cultura mediana, filho de gente nobre, descendente dos que lavraram o tratado de Simulambuco com Portugal no ano de 1885.
Por via de ter ido a Lisboa tirar um curso rápido no ainda esboço de Hospital Ultramarino, aprendeu muito sobre as maleitas tropicais. Amiudadamente reunia-se no d´jango central da roça com o kimbanda Good Lukuga e das longas conversas que ali mantinham, decerto faziam triagem de muitos conhecimentos. Eu via isto com grande contentamento pois que as origens dos conhecimentos rudimentares de Lukuga, obrigava N´Zau Bumelambuto a fazer, não só pesquisa como também a executar ensaios em porquinhos da índia e bicharada de distintas espécies que, ali ia aprisionando em organizadas gaiolas.
Só passado algum tempo da chegada do enfermeiro N´Zau à roça de Boyoma é que me predispus a falar da política que corria no agitado mundo da Lusofonia e, foi sobre Cabinda que falamos longo tempo. A "colonização" de Cabinda foi pacificada pelo Tratado entre Portugal e Cabinda, um território separado de Angola. Um enclave entre os Congos, belga e Françês. A um de Fevereiro de 1885, o governo português representado por Guilherme Augusto de Brito Capello, então capitão-tenente da Armada e comandante da corveta Rainha de Portugal, assinou com vários príncipes, chefes e oficiais do reino de N'Goyo colocando Cabinda sob seu protectorado. Em realidade não é uma colónia de Portugal disse N´Zau Tati Bumelambuto, coisa distinta de Angola que, essa sim, é colónia. O tratado feito por meu pai, aconteceu antes da Conferência de Berlim, acrescentou N´Zau. Notando-se orgulho em seu porte, acrescentou que Portugal se obrigou a fazer manter a integridade dos territórios colocados sob o seu protectorado respeitando e fazendo cumprir os usos e costumes dos Imbindas.
(Continua…)
O Soba T´Chingange
AS ESCOLHAS DO KONDE *
“ANGOLA . Colónia de Cabinda” - BISPOS E SIMILARES MENTEM! - 3ª Parte
Por
Konde do Grafanil
KAZUMBI: Feitiço; pouca sorte; coisas de kazucuta (malabaristas do Sambizanga , pais de santo e mwangolés); macumba.
Embora, no caso do ataque à escolta militar e policial angolana à equipa do Togo, tudo tenha acontecido em Janeiro de 2010, só em Junho, D. Filomeno Vieira Dias enviou uma carta ao Procurador-Geral da República colonial, João Maria de Sousa, para mostrar preocupação em relação ao excesso de prisão preventiva de activistas e deplorar o adiamento indefinido do julgamento dos acusados. Antes, a 3 de Maio de 2010, D. Filomeno Vieira Dias dissera que a liberdade de informar e de ser informado é um direito fundamental que não deve ser subalternizado. Ser o Bispo de Cabinda, é ter o dever de falar na liberdade de informar. Em Cabinda (colónia de Angola), ter ideias diferentes, dá direito a prisão.
Cabinda é uma das 18 províncias da República de Angola, sendo um enclave limitado ao norte pela República do Congo, a leste e ao sul pela República Democrática do Congo e a oeste pelo Oceano Atlântico. A capital da província de Cabinda é a cidade de Cabinda, conhecida também com o nome de Tchiowa.
D. Filomeno Vieira Dias disse que a informação joga um papel fundamental na vida da sociedade e, por isso, os comunicadores devem fazê-lo com responsabilidade. Será responsabilidade de D. Filomeno Vieira Dias, dizer só apenas a verdade oficial do regime? Será que ter-se liberdade é concordar cegamente com as arbitrariedades do regime colonial? “A liberdade de imprensa é um direito ligado às liberdades fundamentais do homem”, sublinhou na altura o prelado, falando a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, proclamado pela UNESCO em 1993. É um direito mas, note-se, apenas nos Estados de Direito, coisa que Angola não é de facto, embora de jure, o queira parecer. Aliás, nenhum Estado de Direito viola os direitos humanos de forma tão execrável como faz o regime angolano na sua colónia de Cabinda. “Quando celebramos esse dia, devemos olhar para o seguinte: que é uma grande responsabilidade informar e informar sempre com verdade,” destacou D. Filomeno Vieira Dias. Certamente pediu de imediato perdão a Deus por ele próprio não contar a verdade toda. D. Filomeno Vieira Dias deverá, também pedir perdão por se pôr de joelhos perante os donos do poder em Angola, contrariando os ensinamentos, como recordou em Bruxelas o Padre Jorge Casimiro Congo, que afirmou: - perante os homens deve estar-se sempre de pé, e de joelhos, apenas perante Deus.
Mural . Cabinda
E, se uma das principais tarefas dos Jornalistas é dar voz a quem a não tem, a Igreja Católica deve dar o exemplo como missão. Frei João Domingos, por exemplo, afirmou numa homilia em Setembro de 2009, em Angola, que Jesus viveu ao lado do seu povo, encarnando todo o seu sofrimento e dor. E acrescentou que os nossos políticos - governantes só estão preocupados com os seus interesses, das suas famílias e dos seus mais próximos.
frei João Domingos (faleceu a 9 de agosto de 2010)
Os angolanos e os Cabindas gostariam que tivesse sido D. Filomeno Vieira Dias a dizer estas verdades. "Não nos podemos calar mesmo que nos custe a vida", disse Frei João Domingos, acrescentando "que muitos governantes que têm grandes carros, numerosas amantes, muita riqueza roubada ao povo, são aparentemente reluzentes mas estão podres por dentro". Por tudo isso, João Domingos chamou a atenção dos angolanos para não se calarem, para "que continuem a falar e a denunciar as injustiças, para que este país seja diferente".
FINAL
* José Viegas - Konde do Grafanil, Rei de Manikongo aposentado por opção própria. Portador dos zingarelhos, da pele de cabra, dos N´zimbos e búzios da Luua. Senhor dos cabaços do Cunhamgâmua. Alto mandatário do Kimbo na Globália.
O Soba T´Chingange
AS ESCOLHAS DO KONDE DO GRAFANIL*
“CABINDA . Colónia angolana ” - BISPOS E SIMILARES MENTEM! - 2ª Parte
KAZUMBI: Feitiço; pouca sorte; coisas de kazucuta (malabaristas do Sambizanga , pais de santo e mwangolés); macumba.
O Tratado de Simulambuco foi assinado em 1 de Fevereiro de 1885, pelo representante do governo português Guilherme Augusto de Brito Capello, então capitão tenente da Armada e comandante da corveta Rainha de Portugal, e pelos príncipes, chefes e oficiais do reino de N'Goyo e colocou Cabinda sob protectorado português. O tratado foi uma resposta à Conferência de Berlim, que dividiu África pelas potências europeias.
Apesar de ter pedido a demissão, o Padre Tati não deixa de ser um cidadão. Cidadão cabinda cuja nobreza de espírito o levou a não pactuar com uma Igreja que conspurca os seus mais elementares mandamentos. No final de 2011, D. José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo e porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, disse que os padres que teimam em defender os interesses dos cabindas não foram afastados por razões políticas, mas por questões disciplinares, nomeadamente por não manterem uma boa relação pastoral com o bispo D. Filomeno Vieira Dias. D. José Manuel Imbamba sabe que está a mentir. Ou se mantinha calado ou, se para tanto tivesse coragem, falaria das pressões do regime angolano sobre os prelados que apenas querem dar voz a quem a não tem. Aliás, o mesmo se passa com D. Filomeno Vieira Dias que só de vez em quando,… raramente,… quase nunca, se vai lembrando do “rebanho”que tem a seu cargo como bispo da colónia angolana de Cabinda. Quando, no estrangeiro, instado a comentar as detenções de activistas dos direitos humanos de Cabinda, a mando do regime de Luanda que, tal como o prelado católico Agostinho Chicaia, não quis (pudera!) desagradar aos mwangolés de Luanda refugiando-se no argumento de que não comentava um caso ocorrido fora do país.
Consta, que D. Filomeno Viera Dias se mostrou preocupado com aquilo que diz ser de incapacidade de diálogo entre as pessoas. Pois é?!... Que em Cabinda todos que ousem pensar de forma diferente do MPLA sejam culpados até prova em contrário, isso não é preocupante para o bispo. Preocupante é a falta de diálogo… num regime colonialista que só permite o seu próprio monólogo, o dono da verdade que põe a razão da força acima da força da razão Ele, (Agostinho Chicaia) foi detido fora de Angola, eu não posso pronunciar-me sobre um facto que ocorreu num outro país, não tenho elementos, é algo que procuramos aprofundar, procuramos saber quais são os motivos, mas não temos elementos sobre isto,” disse no seu estilo angélico D. Filomeno Vieira Dias. D. Filomeno Vieira Dias, raramente se lembra que deve dar voz a quem a não tem. O senhor bispo levou muito tempo a descobrir os excessos do regime colonial angolano em relação aos cidadãos supostamente envolvidos em acções de apoio aos militares da FLEC.
(Continua…)
* José Viegas - Conde do Grafanil, Rei de Manikongo aposentado por opção própria. Portador dos zingarelhos, da pele de cabra, dos N´zimbos e búzios da Luua. Senhor dos cabaços do Cunhamgâmua. Alto mandatário do Kimbo na Globália.
O Soba T´Chingange
FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
“3º Império - Guerra de Tuji”
Não abdicando do direito de nos manifestarmos livremente Eu, Liló, Ferreira e Daniel, Furriéis de Angola, fazíamos a diferença entre os camaradas do Puto e, cada um de nós duvidava de si mesmo de como seria o futuro sem nos libertarmos desta interesseira guerra. Com quatro Furriéis, aquela Companhia Independente espelhava o que se constituía apanágio e orgulho do povo português ao longo dos tempos, somando séculos; a mestiçagem já tinha a noção exacta de que esta guerra interessava aos grupos económicos como a Diamang, Cotonang, os Quintas, Mellos, Espírito Santo ou Conde de Caxias. O enriquecimento de oficiais do quadro e Generais do ar condicionado que tendo a mulher a seu lado transferiam tudo o que queriam para o Puto: -asseguradas estavam as propriedades de rendimento, a casa da praia e a quinta da santa terrinha garantindo uma choruda reforma; ainda não tinham finda uma comissão e já se estavam oferecendo para outra.
Os sargentos “Xicos”, na sua grande maioria, ficavam dentro de portas, dentro do arame farpado secretariando coisas, a messe, o depósito de material, manutenção, a cantina ou fazendo a patrulha no transporte de géneros da base do Batalhão, zonas fora de perigo. Esta guerra era a grande árvore das patacas para esses militares de carreira e muito boa gente do regime do Puto. Um Puto cada vez mais distante das nossas mentes, para gozar a guerra em toda a sua plenitude, usando-nos.
O General Venâncio Deslandes tendo sido o Comandante das três forças armadas em 1962, tomou iniciativas à revelia do governo do Puto dando maior liberdade aos Órgãos Locais, tendo criado a Universidade de Luanda e até incutindo subtilmente à ideia do separatismo; tendo-lhe sido sugerido tal, ele não teve tomates para dar o grito do “Ipiranga” que ficaria o grito do “por Angola, eu fico”. Diga-se que Venâncio Deslandes era o General que nos últimos oitocentos anos da historia de Portugal, tinha mais soldados sob as suas ordens.
NA SERRA DO MASSÁBI Tivesse ele feito isso entregando aos militares Angolanos e principais chefes dos movimentos de então, FNLA, MPLA e destacadas figuras da governação local como por exemplo Pinheiro da Silva, Venâncio Guimarães, Dáscoles, os Van-Dunem e tantos outros. Se assim tivesse sido, Angola estaria muitos pontos à frente sem passar por esse êxodo que exauriu Angola e a levou a uma guerra parva como todas. De qualquer modo, a grande maioria de nós, antes de 1975, não tínhamos noção daquilo que não sabíamos e fomos apanhados com as calças na mão regressando ao país do fado, das bicas, dos cafés e simbalinos e das toiradas, às vezes. Nunca fomos ressarcidos deste contratempo; Agora 2011, da AUSTERIDADE, cada um que se desenrasque, o mesmo de sempre, triste sina.
Livro de referência: DEMBOS. A floresta do medo – Angola 1969 a 1971 de Carlos Ganhão
(Continua…)
O Soba T´Chingange
FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
“Guerra de Tugi”
Crónica dedicada ao Embaixador do Kacuacu, BONIBONI DA KATUMBELA, o preto mais branco do Puto, Donatário Mwangolé dos jacarés do Cubal e Katumbela.
No jogo do gato e rato os Tugas furam a mata perseguindo Turras; com a G3 colada ao peito ou feita um pau nas costas percorre a densidade de verde fumegando adrenalina pelos poros, orelhas, matubas, kinambas e todo o resto do corpo. Transpirando vapores em cacimbo húmido tenta num se calhar agarrar uns turras e levar às bases umas Kalashes p´ra cantar vitória ao Coronel do Estado Maior que espreguiça o mataco na messe dos Oficiais. O relatório diz que acobertados nos fundilhos dos charcos do Chiloango, no rigor da guerrilha, apanharam umas quantas sanguessugas antes da emboscada fatídica para uns quantos fiotes do Massábi:
Rio Chiloango e os Turras
Sete horas húmidas algures
Progressão, corpos ensopados
Silêncio nos corpos, silêncio de medos
Uns paus ardidos
Olhar dúplice, um piar agreste
Dois tiros num eco, um ai
Lianas e folhas num Maiombe rupestre
Um grito, um dó
Missão cumprida, tempo esquecido
Febre sem alma
O peso dum morto
Encalhado em ombro, muxoxos de vida
Maiombe e os Gorilas
Percorrendo soberania, exótico passeia na selva por fiotes de folhas tapando mambas e kissonde, um guerrilheiro que foge evitando o contacto, esgotando caminhos, paciência que se funde na mata com macacos guinchando, desesperos de gorila.
Procurando propósitos, os riscos chegam na falsa curva chamada "a-da-morte" e se trocam tiros através do susto carregado de verde, duma cara invisível rajadas de tiros em parcos segundos, depois a fuga, restolho de corpos.
Uma merda de guerra, senhor Capitão. Relato feito duma odisseia minúscula numa história omitida num tempo chuvoso, num cú-do-mundo chamado Miconge.
O Soba T´Chingange
FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
“SIMÃO TOCO - um misto de revolução” - continuação
Todas aquelas seitas tinham a relegião Cristã como base mas, no entanto, os seus ensinamentos tinham uma interpretação livre da Bíblia. Criar associações clandestinas de acção anti-colono numa vertente racista era a sua intenção. A Watch Tower, fundada em 1872 nos Estados Unidos da América em Brooklym de New York onde ainda hoje mantêm a sua sede, apoiaram sempre esses movimentos emancipalistas e, desta fusão de conivências surgiu um tal de Simão Lasso que nascido em 1908 em Cabinda, deu seqência àqueles propósitos.
catanas do desespero
Na África Colonial Portuguesa, em Luanda, capital de Angola, foram encontradas armas brancas, catanas e canhângulos sob o altar da Sé Catedral para uso na revolta armada que teve início a 4 de Fevereiro de 1961; eclodiu então o assalto às prisões de Luanda seguindo-se a matança no Norte de Angola de brancos fazendeiros e pretos umbundos originários do Sul. O Exército de Libertação de Angola FNLA, com Holden Roberto no comando, um mestiço cunhado de Mobutu, de medíocre capacidade mas impregnado de muito ódio aos brancos, recebe milhares de dólares, fardamento e armamento moderno fornecido pelos Americanos.
A maioria de roças de café, cacau, algodão, coquenote e sisal dos distritos de Bengo, Uige, Zombo, Negage e Malange, aonde predominavam as etnias Ambuíns, Icolos, kicongos e kimbundos, foram atacadas com a maior das violências então conhecidas.
O Indigenismo em Angola foi cultivado pelas “ONG´S” trabalhando secretamente com missionários protestantes no âmbito do Concelho Mundial das Igrejas “CIME”. A agenda neo-colonial Estaduniense com capa de neo-liberal, cria em todo o mundo braços armados em apoio àquele subterfúgio de evangelho.
Curiosamente os Americanos na só sua guerra fria contra outras ideologias e tendo o seu mito de controlar o mundo vai gerindo a política e religiosidade criando núcleos fantasmas embrulhados na CIA e surge além do ELNA em Angola, “ Os Contras” do continente Sul-Americno que em operações triangulares envolvem trocas de armamento por droga e, surgem os “Irã-Contra”, rebeldes anti-Sandinistas da Nicarágua.Todo o finânciamento àqueles rebeldes e pastores era fornecido pela Fundação para a Democrcia “ NED” dirigida pelo Congresso dos E.U.A.
Também é bom recordar que em 1969 nasce o movimento “NÃO FAÇAS ONDAS”, que veio pouco depois, em 1971, a mudar o nome para “GREENPEACE”, tendo o veterano da Inteligência Britânica de nome Ben Metcalf no comando.
Um importante membro daquela organização, de nome Robert Hunter, afirmava em 1971 que “em lugar de mísseis balísticos, nós disparamos imagens, bombas mentais transportadas pela mídia mundial”.
(Continua…)
O Soba T´Chingange
FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
" O ENCLAVE"
RIO CHILOANGO
De facto, os descolonizadores Tugas, ignoraram e desrespeitaram o Artº 3º dos tratados de Chinfuma (1883), Chicamba (1884) e Simulambuco (1885): «Portugal obriga-se a manter a integridade dos territórios sob o seu protetorado», e foram indiferentes ao Artº 12º dos tratados de Chinfuma e Chicamba, cuja redação é: «São declarados nulos quaisquer tratados ou contratos que encerrem cláusulas contrárias aos artigos anteriores».
Neste contexto, assiste aos Imbíndas denunciar, internacionalmente, o incumprimento por parte de Portugal dos tratados atrás referidos, e levar o caso à ONU para discussão e resolução, até porque é altura da chamada descolonização, vigorava ainda a Constituição Política Portuguesa de 1933, apenas revogada um ano depois do «golpe» militar de 25 de Abril de 1974. Acresce ainda a dúvida quanto à competência e legalidade dos intervenientes por parte de Portugal no acordo de Alvor que veio a ser anulado.
Por tudo isto se conclui que o caso de Cabinda não é político nem militar, mas sim uma questão jurídica que aguarda a solução adequada.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
- Tratado de Chinfuma (1883); Chícamba (1884) e Simulambuco (1885)
- O Enclave de Cabinda (padre Joaquim Martins, 1976)
- Nobreza de Portugal e do Brasil (pág. 458)
- A Independência de Cabinda (edição Litoral, 1877)
- Alfredo Albuquerque, Nós, os Cabindas (1933)
- Cabindas (Joaquim Martins, 1972)
- Boletim Oficial: n's 571, 6/9/1856; 483, 30/12/1854; 388, 5/3/1853; 42, 1883.
- Colecção oficial da Legislação Portuguesa, 1883 edição Imprensa Nacional
- Diário do Governo: VI série, no. 167, 19/7/974; 14 série, no. 124,27/7/74; 1' série no. 240,15/10/74; no. 23 de 28/1/75 14 série, no. 143 de 24/6/75; 251 série, no. 193, 22/8/75
- Acordo de Nakuru
- Efemérides Ultramarinas (1972)
Colaborador na divulgação: Soba T´Chingange
Edição do Autor Adulcino Silva
FÁBRICADE LETRAS DO KIMBO
CABINDA . NA LAGOA DO BUMELAMBUTO
A natureza da ligação de Cabinda a angola, em 1956, só pode ser interpretada como medida de organização administrativa. Apenas isso.
A pretensão dos Cabindas é, por outro lado, abrangida pela Carta das Nações Unidas, mormente no seu artigo 73º que estabelece as aspirações políticas das populações às suas livres determinações.
Caso ainda subsistam dúvidas à comunidade internacional, sugere-se um referendo entre os cabindas com o objectivo de determinar o desejo das populações do território, e respeito ao seu resultado. De contrário, a manter-se a actual situação política, corre-se o risco de se desencadear um processo muito perigoso para a paz naquela região de África, com permanentes revoltas secessionistas contra Angola.
A OUA
A Organização de Unidade Africana (OUA) no «âmbito do programa de libertação total de África», com base nos dados históricos e jurídicos dos territórios sob domínio europeu, registou Angola com o número 35 e o de Cabinda sob o número 39.
A OUA entendeu, assim, distinguir a questão de Angola da de Cabinda. Nesta perspectiva, aquela organização internacional revela a posição contrária à anexação de Cabinda a angola alegando que tal facto assenta numa denegação de Direito.
Pode dizer-se que Cabinda desde 1975 não vive uma situação de normalidade. Nos últimos anos a situação militar agravou-se acentuadamente, especialmente no interior Norte.
Os poucos atos políticos que o governo de Luanda tem realizado em Cabinda não têm tido o apoio das populações locais. Os Imbindas manifestam-se contra a dependência de Luanda, e têm vindo a revelar uma grande solidariedade para com os líderes da FLEC. As populações prestam aos independentistas uma contribuição espontânea e generosa.
A sustentação destes princípios básicos concede aos cabindas a necessária força aglutinadora da luta pelo ideal independentista.
(Continua... VII... ultima)
O Soba T´Chingange
POVO IMBINDA - V
FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
Os grandes senhores
FLEC nas matas do Mayombe
A acção católica desenvolveu-se a partir de cinco missões masculinas e três femininas. A saber: Cabinda, Zenza do Itombe do Lucula, Lândana, Belize, Necuto, Nossa Senhora do Mundo, além de muitas capelas espalhadas pelo território.
A moral tradicional dos Cabindas visa basicamente comportamentos tendentes à coesão e fortalecimento da família, da etnia. Por isso o argumento da obrigatoriedade é a tradição dos antepassados.
A mulher casada ou amancebada é obrigada a guardar fidelidade ao marido ou ao companheiro. O homem, porém, não é obrigado a guardar fidelidade à esposa ou à companheira.
A junção da última sílaba de Mafuka com Binda, nome de um importante dignitário do Rei Ngoyo, dá Kapinda que pela semântica se tornou
Segundo antigas crónicas e narrativas de viagens, os dignitários, fidalgos e titulares Cabindas eram imensos. Os mais comuns, porém, nas diversas cortes destes Reinos eram: Marubuku (Vice-Rei), Makaia (sucessor presuntivo do Rei), Mafuka (ministro do Comércio), Mucurata (urna espécie de ministro de guerra), Samário (cobrador de impostos), N´gúvulo (primeiro intérprete do Rei e seu porta-voz), Maukaka (chefe de polícia), Mangovo (ministro dos Estrangeiros) N´kotokuanda (espécie de procurador-geral e advogado público). A Corte era, via de regra, composta por cerca de meia centena de «GRANDES SENHORES»
Os Reis de N´goyo concediam títulos diversos às suas gentes que se notabilizavam por serviços prestados aos povos ou aos monarcas. Citam-se alguns de que o Príncipe D. Domingos José Franque, ilustre Imbindense (descendente de D. Francisco Franque, um nobre, coronel honorário do Exército português), refere no seu livro «Nós, os Cabindas», editados em 1940.
Mambuco: espécie de Vice-Rei que governava na zona litoral. Bona-Zanei: uma autoridade especial que tinha poderes para perdoar penas, inclusive a de morte. Mafuka, Mambondo e Mancafi - títulos apenas concedidos a fidalgos do litoral. Mas existem ainda outros títulos, como: Capita, Furcico e Mongovo Velho, atribuídos a indivíduos em recompensa dos serviços prestados ao Reino.
Existiam também os Bimpabas. Estes, porém, integravam o governo e a sua missão equivalia à dos diplomatas que, credenciados para o efeito pelos Reis, tratavam de assuntos noutros reinos.
( Continua .... VI )
O Soba T´Chingange
FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
D. AFONSO I . REI DO CONGO
REI DO KONGO E COMITIVA
Os Cabindas pertencem à vasta família dos Povos Bantos, e ao grupo linguístico Kicongo. Encontram-se repartidos, segundo a sua importância numérica, pelos seguintes grupos: Lombe, Oio, Congo, Sundi, Cotchi, Vili e Dinge, para além de grupos de emigrados. Os demais clãs totalizam apenas pouco mais de sete milhares, e limitam-se à área de Cacongo, com excepção dos Sundis (Bassundis) que se encontram também na região de Miconge.
Segundo os etnólogos que se ocuparam desta questão, os Imbindas são povos do antigo Mbanza Kongo (ex-S. Salvador do Congo). Em 1665, D. Afonso I, do Congo, era o Rei do Loango, Malembo e Cabinda, que foi morto na batalha do Ambuila, a 29 de Outubro de 1665. Nessa época, já os Reinos atrás citados eram autónomos.
Na família Imbinda, a principal figura é a mãe, pois é ela que trabalha a terra, fonte básica de sustento da família, e gera os filhos que aumentam o poder do clã. As filhas são a base da continuidade e propagação do grupo e base da sustentação deste pelo amanho da terra. O homem Cabinda considera a atividade agrícola aberrante da sua dignidade.
Na família Imbinda o homem pai, é mero progenitor. Não possui qualquer direito ou dever em relação aos filhos. Esse papel cabe ao irmão mais velho da esposa. Por outro lado, quando o pai morre, nem a mulher nem os filhos do extinto herdam quaisquer bens. É que a família Imbinda baseia-se na descendência por parte da mãe.
O casamento toma o nome de alambamento, que se traduz na paga de gêneros, panos (libongos) e dinheiro por parte do noivo aos pais da rapariga para que o casamento se considere aceite socialmente
A religião é definida, de maneira simplista, a partir de três elementos: «dogma», «culto» e «clero».
Não obstante uma intensa acção missionária de séculos, as velhas crenças continuam a manifestar-se na vida quotidiana dos povos de Cabinda, juntamente com práticas cristãs.
( Continua .... V )
O Soba T´Chingange
FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
Os nobres e os três tratados

Rei do Kongo D. Pedro VII e D. Isabel
As nobrezas, portuguesas e Imbindenses, estão ligadas por laços diversos, por via do primeiro Visconde de Kacongo, João José Rodrigues Leitão, vulto de grande prestígio entre os naturais, não só pelas suas altas qualidades humanas como, também, por ter cooperado eficazmente na ocupação pacífica e definitiva dos territórios de Kacongo e Massábi.
O Congresso de Berlim, perante a vontade dos Cabindas, viu-se forçado a reconhecer Cabinda como protetorado de Portugal.
Da nobreza Imbindense, destaca-se D. Domingos José Franque. Foi oficial de 2ª linha do exército português e representava a mais fina estirpe das gentes de Cabinda. Neto de Franque Cacolo que ostentava o privilégio honorífico de Mafuka do Reino de N’goyo. Seu pai, Francisco Franque, coronel da 2ª linha, foi genro de Manuel José Puna, Barão de Cabinda. Estes foram os influentes e signatários do Tratado de Simulambuco que concedeu a Portugal o protetorado daquelas terras e, suas gentes..
O Rei do Congo, D. Álvaro I (1570), tornou-se vassalo e tributário de Portugal, porque N´goyo, Loango e Kacongo faziam parte do Reino do Congo.
Uma cuidada análise aos documentos revela que os mesmos, obedecem a normas do direito internacional aplicadas no tempo actual. As três formas básicas regulamentares continuam atuais: a negociação, a assinatura e ratificação
Cabinda ficou ligada administrativamente a Angola, apenas por comodidade burocrática.
Não obstante o reconhecimento dos direitos de Portugal pela França, em Março de 1883, Loango e Ponta Negra foram tomadas à força por Cordier, comandante da corveta «Sagittaire», com a conivência de dois portugueses traidores (Saboga, no Loango; e João da Silva Cruz,
Foi devido à insolência francesa que se acelerou os tratados de Chinfuma (29 de Setembro de 1883), Chicamba (26 de Dezembro de 1884) e o de Simulambuco (um de Fevereiro de 1885). A atitude de Cordier foi veementemente repudiada, entre outros, por André Locumbo, Mambonsba Luxema, Mafuca; Mambuko Chicaio, Mamboma Chibiene, Cruz e Silva e Antônio Mário Ruas. Ponta Negra acabaria por ficar em poder dos franceses, recebendo a designação actual de Pointe Noire. Terão sido até certo ponto, os processos usados por Cordier que levaram os povos de Cabinda, Lândana e Massábi a optarem definitivamente de um modo voluntário por Portugal.
( Continua....III )
O Soba T´Chingange
FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
Na floresta do Mayombe
ENCLAVE DE CABINDA
Quarenta e tantos anos depois estou no “Brasil”, terra de matutos, piratas e almocreves tropeiros, vendo ao longe a terra que me deu luta em dois anos cobiçados numa paz que não se chegou a firmar: - Cabinda!
Mudam os ventos, mudam as politicas e, enganam-nos, sem outras formalidades ou aqueles trâmites chatos de explicar o inesplicável. A notícia no Puto empolga os defensores duma outra integridade explicitada na envergadura patriotoca ao EmPeLá. A bajulação continua; a submissão, também.
Os filhos do Puto, empoleirados em casos de galhos gordos, confundem e obstroem silêncios de raiva arrumada como um tufo de seu pasto, a propósito.
Mais seco e com a idade bastante riscada, atrevo-me a dizer que este CAN.2010 é em Cabinda, um atentado ao tratado de Simulambuco, feito algures ao largo da foz do rio Zaire na corveta Rainha de Portugal entre o capitão-tenente Guilherme Brito Capelo e os chefes locais de Cabinda e Bumelambuto.
Desde entâo, 22 de Janeiro de 1885, decorridos que são cento e vinte e cinco anos após tal tratado que preservava a floresta, os habitantes Fiotes e os bichos, deparamos que preservar esses valores naturais, como então se fazia constar, agora e na Angola do Zé-Dudu, esses mesmos valores tornam-se irrelevantes por um acto de liberdade feito com metralha pelos homens da FLEC.
Há convicções ou ideias que precisam de ser expostas ou defenidas por um exercício de cidadânia na vontade firme de se sêr livre. E, quanto a isto pergunto:
- Não vai este CAN ser o início de uma sucessão de soberbas excrecências políticas?
A prosápia Kaluanda do Zé-Dudu leva a decisões envenenadas, pretensa reforma com ideias de perpectuar o seu mando, seguindo as pisadas loucas do Ugo Chaves da Venezuela. E, o povo Imbinda, menosprezado, vai ter de se acomodar ao deixa andar, arejando farras novas no Kinaxixe para engodar consciências?
Este filme já foi visto à pouco mais de um século quando o Império Colonial tinha supostos amigos e aliados da Lusa Pátria.
Os sem dinheiro, pelintras almocreves kaluandas, irão continuar a sobreviver vendendo bugigangas nos cruzamentos da Luua, sem nada perceberem.
( Continua......IV )
O Soba T´Chingange
FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
CABINDA E A FLEC
MONUMENTO AO TRATADO DE SIMULAMBUCO
O Tratado de Simulambuco foi assinado em 1 de Fevereiro de 1885, pelo representante do governo Português Guilherme Augusto de Brito Capello, então capitão tenente da Armada, comandante de corveta «Rainha de Portugal», comendador de Aviz Rei de Portugal e pelos príncipes, chefes e oficiais do reino de N'Goyo e colocou Cabinda sob protectorado português. O tratado foi uma resposta à Conferência de Berlim, que dividiu África pelas potências europeias.
No tratado, Portugal compromete-se a:
A colonização de Cabinda foi assim pacífica. Na altura Cabinda estava separada de Angola apenas pelo rio Congo. O território só se tornou enclave após os acordos celebrados com os belgas, em 5 de Julho de 1913 em Bruxelas, onde foram definidas as novas fronteiras coloniais luso-belgas.
A Frente de Libertação de Cabinda tem todo o direito de reinvidicar o enclave como um território autonomo. O tratado de Simulambuco é claro quanto às aspirações do povo Imbinda em ser independente ou autonomo.
O MPLA, a UNITA e a FNLA fizeram chacinas muito mais orripilantes do que a que se agora verifica em um ataque à equipa do Togo nas competições de futebol em Angola CAN 2010.
Como é que agora vêm repudiar uma actuação levada pelos mesmos ideais que os motivaram à sua "liberdade".
Não deixo de lamentar o facto das mortes mas, não venham carpir lágrimas de crocodilo. Os governantes de Angola têm de se sentar e negociar; não lhes resta outra alternativa.
Nesta infeliz cena aparecem de novo os gestores políticos de aviário e militares do portugal de então entregue a um MFA tendêncioso e políticos mediocres que queriam protagonismo a qualquer custo. Portugal é ainda o responsável por este desaire e, teremos mais pela frente. Porquê, não chamam às coisas os nomes certos.
Houve traição com o povo Imbinda e agora a história tem de corrigir o erro desses governantes do puto. Esta é a verdade.
( continua... iremos até Miconge )
O soba T´Chingange
FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
Operação Carlota
Pieter falou e eu, anotei desordenadamente:
- Carlos Fabião, o general vermelho designado para lidar com o PAIGC e Flávio Bravo, membro do bureau político de Cuba, em Julho de 1975, encontram-se com Agostinho Neto no Congo Brazaville aonde acordam os pormenores da participação Cubana na Operação Carlota e que ficou conhecida como a Batalha de Luanda.
Entre Maio e Junho Fidel de Castro inicia a concentração de unidades em Cabinda e em Julho, acelera a infiltração de seus legionários em Angola, jovens da Academia Militar de “Ceiba del Água”. Castro pede ao Coronel Saraiva de Carvalho mais recursos para o MPLA e condições de infiltração em Angola em sítios estratégicos ao redor de Luanda. Assim, a partir de 26 de Julho de 1975, começam a chegar ao Ambriz
Esta complexa Operação Carlota, consistia em assistir ao MPLA a fim de tomar a liderança na tomada de Angola, formando uma ponte entre Cuba e Angola. Tropas e material eram embarcadas em velhos aviões Britannia na base de Holguim, a ocidente de Cuba; estes aviões faziam escala em Barbados no aeroporto de Bridgetown.
A intervenção Cubana em Angola, nos inícios de 1975, não foi uma reacção à invasão Sul-Africana; isto é posteriormente afirmado pelo General Cubano Rafael Del Pino.
Este relato foram apontamentos que tirei à pressa da conversa com Januário Pieter e recordo que lhe tirei o rumo da conversa quando o interrompi ao perguntar como é que foi desmantelada a força da FNLA e a isto, responde-me:
- Diaz Arguelles responde às forças de Holdem Roberto com a artilharia reactiva de 122mm (misseis) e, a partir de cinco de Novembro, 650 tropas especiais de artilharia às ordens do General Pascual Martinez Gil, chegam durante 13 dias ao aeroporto de Luanda directamente de Havana.
- Migs 21, saidos do antigo Aeroporto Craveiro Lopes à guarda dos Tugas, picam sobre as forças de Holden Roberto além Kifangondo, chassinando-os,... um massacre,... morreram como coelhos.
- Meu kota T´Chingange,se queres saber mais pormenores, tens de falar com gente de Calumbo, Bom Jesus, Catete e claro da Praia do Sangano
Amigo Pieter esqueci-me de algo. E,...Cabinda!
- Cabinda? Não sei se poderei chegar até lá. Sou já muito velho!
(Termina a versão Cabo Ledo)
O soba T´Chingange
A língua vernácula, veicular e literária de Cabinda chama-se “Ibinda “. Assim foi designada por estudiosos Cabindeses no termo de aturadas pesquisas, há cerca de três décadas.
Porém, não é raro encontrar quem involuntariamente ignore tão importante revelação. Outros, pactuando deliberadamente com o mal, fingem ignorar e continuam a fazer eco a uma invenção colonialista.
Outros, ainda, alimentam ingenuamente a insubsistente teoria de que a língua dos Cabindeses é o kikongo.
Perante esta constatação e, sobretudo, porque em muitos círculos sociais se ouve falar com acentuada impertinência em "língua Fiote", necessário e urgente se torna elucidar a questão.
VISCONDE DO MUSSULO
Dita língua falada pelos nativos de Cabinda - não é nada mais senão um dos produtos da máquina colonial portuguesa.
Na verdade, o termo aportuguesado "fiote" proveio da palavra Cabindesa "m'fiôte", que significa "negro", pessoa de raça negra".
Estando aquém da etnografia, os portugueses instalados no protectorado de Cabinda deram-se ao desplante de chamar "fiote" não só o autóctone de Cabinda, como também e mormente tudo o que por eles fosse considerado de qualidade inferior (?).
Por consequência, era "fiote" o nativo de Cabinda e tudo o que estivesse inerente aos usos e costumes do Povo de Cabinda.
Noutros termos, os valores da cultura Cabindesa, inclusive a língua, passaram a ser "fiote", isto é, coisas vis. Ilustremo-lo com um exemplo: o atalho ou carreiro, que também era frequente encontrar no "Puto" (i.e. Metrópole, Portugal), em Cabinda passou a ser chamado "caminho fiote" caminho do negro, contrastando à estrada, obra dos brancos.
As verdadeiras "máquinas" construtoras de estradas eram os negros do Belize, Caio- Guembo, Buco Zau,Tando zinze ou do Bumelambuto.
Tomemos um exemplo: à galinha criada pelo, nativos na aldeia chamou-se de "galinha fiote", por ser criada na "sanzala"; naturalmente menos desenvolvida que a dos aviários do branco.
Ninguém esquece, contudo, que era o Negro quem criava as galinhas nos aviários em troca de um salário (se o houvesse) numa atmosfera de insultos de toda a natureza; fuba podre, peixe podre, cinquenta angolares, porrada se refilares.
E bem se sabe que a menosprezada "galinha fiote" era, uma vez em chorrasco, a mais apreciada pelo branco.
Outro exemplo: o rito "fiote" da casa-de-tinta contou sempre com a sôfrega concorrência de brancos sem escrúpulos e ávidos em desflorar raparigas "fiotes" em cabanas e camas "fiotes", não obstante a abissal diferença etária entre o verdugo e a vítima aterrorizada e infeliz. Uns panos com a esfinge de Mobutu eram a troca por alambamento.
Em suma, tudo o que não fosse de origem europeia foi etiquetado "fiote": mamão fiote, manga fiote, batata fiote, etc..., e só faltou designar “peixe fiote”, pescado no rio Chiloango ou no mar de Lândana.
Voltemos à expressão "Língua Fiote".
É do conhecimento de todos que nunca houve ser humano cuja língua fosse designada pelo mesmo termo que exprime a cor da sua pele, isto é, a sua raça. Se assim não fosse, haveria no mundo muito poucas línguas. entre outras, a língua branca, língua negra, língua mestiça. Desse modo, facilmente se compreende que não é intendivel a existência de uma língua Fiote.
Três factos estiveram, certamente, na base da mais fabulosa descoberta portuguesa em terras de além-mar, a "Língua Fiote":
"Como se diz (ou se pode traduzir) - por exemplo o ditado "Tal pai, tal filho" na vossa língua"?
A essa questão o ancião interpelado respondia simplesmente: "Mu ifiôte tchítu (buau kuábu): ..." ou, traduzindo à letra, "No nosso ifiote diz-se (assim): ...Ora, "Mu ifiôte tchítu" não significava, nem significa, "no nosso ifiote", nem tão pouco "na nossa língua fiote".
Aquela expressão quer, antes, dizer "na nossa cultura", i.e. segundo a nossa cultura negro africana de Cabinda.
E note-se que, em qualquer dos dialectos de Cabinda, a referida expressão era similar: "mu ifiôte tchítu"; "mu tchifiôte tchítu"; "mu kifíôte kietu"; etc... Assim, é de presumir que o colono se tenha cingido à tradução literal dos seus inculpáveis intérpretes para deduzir que a língua dos nativos de Cabinda era o (i)fiote.
- Em contacto com os autóctones, o português apercebeu-se, indubitavelmente, de que em Cabinda não havia senão uma língua, e que o "iwóyo", "ikuákongo", "ikótchi", "ilínji", "iyómbe", "isúndi" e "ivili" não passavam de meros dialectos. É também de esperar que a mais vulgar definição de "dialecto" (uma linguagem particular de uma região derivada da língua principal) não lhe era estranha. Neste caso, uma pergunta pertinente era inevitável: "Como se chama, então, a língua principal dos habitantes de Cabinda"? Esta pergunta requeria uma resposta plausível e ponderada na época, o que não sucedeu.
Poupando-se ao esforço de busca e desmedido complexo de superioridade, o colono não hesitou em denominá-la Fiote, porquanto seu locutor nativo era negro, preto - "m'fiôte". Esqueceu-se, porém, de que ele próprio não falava "branco", já que era de raça branca, mas, sim, português.
De mais a mais, sabe-se que muitos foram os brancos que passaram por Cabinda e nenhum deles se exprimia em branco. Uns falavam francês outros holandês, inglês, etc... O mais interessante é que jamais ocorreu ao nativo de Cabinda chamar à língua de qualquer branco - `´MÚNDELE". (i.e. branco, homem ou pessoa de raça branca), visto que era impensável que alguém se exprimisse numa língua que se designasse pelo nome da raça de quem a falava.
- Muito antes de conviver com os nativos de Cabinda, o colono teve o azo de verificar que os Negros dos Reinos Loango Kakongo e N'Goyo de outrora não falavam Fiote, mas línguas em conformidade com as designações das suas respectivas tribos (ou povos): Kissolongo, Kikongo, Kimbundu, Umbundu, Cokwe, Nganguela e Kwanyama.
Foi nada mais do que um erro etnográfico cometido por maliciosa intenção, o facto de o mesmo colono ter encontrado somente em Cabinda negros cuja língua era o Negros, i.e. o (i)Fiote.
Com efeito, não precisamos da celebridade de sermos os locutores da língua Negra (Fiote), os Negro-africanos que se exprimem em Negro. Se admitimos, por exemplo, que o portugues tenha chamado "gorila" ao nosso "mpungu", não assentimos que o termo por ele usado pejorativamente não só para designar a nossa língua, mas também como atributo da nossa cultura, persista no léxico de quem quer que seja.
Ibinda é a nossa língua. Português o ideoma que nos une ao Mundo!
Por isso, "língua Fiote" não passa de uma aberração, um vestígio que urge ser expurgado no tempo. Estamos plenamente certos de que nunca será demais continuarmos unidos na defesa e preservação dos valores culturais legados, salvaguardando a nossa identidade.
Atitude contraria seria, em nossa opinião absurda a quantos insinuam que a língua dos Cabindeses é o Kíkongo, queremos somente recordar que "porvir de" não significa reproduzir, procriar ou gerar.
VISCONDE DO MUSSULO
RECORDAÇÔES ANGOLA
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