Sexta-feira, 24 de Maio de 2013
MUXIMA . XXX

ANGOLA . NITO ALVES HISTORIA DA GUERRA CIVIL . 2ª de 2 partes

As escolhas de

 KIMBOLAGOA                         

Por

 Nell Teixeira Nell Teixeira

Tempo que foge27 de Maio de 1987

 Sofremos sevícias sobre um crime que nos foi imputado e que não chegou a ser provado”, continuou. William Tonet lembrou ainda as palavras do primeiro presidente angolano naquela altura: “E nunca, inclusive, se deu a oportunidade às pessoas que eram apontadas como querendo dar um golpe de Estado a Agostinho Neto, de serem ouvidas. Porque ele disse que ‘não haveria julgamento’ e que ‘nem perderiam tempo com julgamento’. Portanto, foi uma autêntica barbárie”, afirmou. Decapitados sem razão conhecida. Há relatos de famílias chacinadas, presos enterrados vivos, corpos lançados de aviões ou ravinas, fuzilamentos arbitrários, tortura aplicada com uma crueldade indescritível. As cadeias eram sucessivamente cheias e esvaziadas.

 Estudantes que estavam na União Soviética, na Bulgária, na Checoslováquia e noutros países de leste foram mandados regressar e muitos foram decapitados sem se conhecer a razão. Nas faculdades, desapareceram cursos inteiros. Desapareceram também novos e velhos militantes do MPLA, ministros e chefes militares. “O 27 de Maio foi uma ‘inventona’ [revolução imaginária] criada por parte de Agostinho Neto e pela então parte da direcção do MPLA, que aproveitou a manifestação do Nito Alves – que não tinha por objectivo a tomada do poder nem a realização de um golpe de Estado – para neutralizar facções muito importantes dentro do movimento [MPLA] que tinham divergências para com ele”, avalia.

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 Em causa estavam no fundo divergências ideológicas entre Agostinho Neto, adepto de uma via “terceiro mundista” para Angola, com características semelhantes à argelina, e Nito Alves, advogado da ortodoxia soviética. Em Angola não podia haver contra revolução popular e, por isso, Neto, o presidente poeta, foi irredutível: ‘não haverá perdão para quem pense de forma diferente da linha oficial do MPLA’. Apesar da dimensão do massacre, o tema é tabu, explica José Milhazes: “É que alguns dos intervenientes ainda estão no poder. Quero recordar que o presidente José Eduardo dos Santos, naquela altura, era já um membro da direcção do MPLA e que participou directamente no conflito”, lembra o historiador.

Muxima: saudade; que vem do coração; ongweva; lugar nobre; Nossa Sra das margens do Kwanza.

Nota: Nesta revolta, meu pai que era um simples segurança do Banco de Angola, foi raptado algures junto aos Correios da Maianga, foi levado para o fundo do aeroporto de Luanda e, tendo sido espancado, deixaram-no como morto e com um tiro que felizmente se alvejou na rótula da perna; a cápsula dessa bala só veio a ser retirada em Portugal pois que o Hospital Maria Pia de Luanda não teve hipótese de a retirar; o Doutor Boavida do Banco de Angola tratou de seu envio para o Puto por medo que perdesse a vida tal como tantos milhares que ele testemunhou, estarem por tudo quanto era canto, corredor ou lado naquele hospital; ele, Doutor Boavida, não tinha confiança na capacidade dos enfermeiros pseudo-doutores Cubanos que ali prestavam serviço. Quando recebi meu pai Manuel Monteiro no Aeroporto de Lisboa, era uma massa de carne rocha com sangue amassado por todo o corpo; de cara inchada arrastava-se com as muletas como se fosse um regressado de batalha como se vê habitualmente naqueles filmes da 2ª guerra mundial. Não mais foi o mesmo homem desde então; Só não regressou a Angola de novo porque, nós filhos, nos opusemos a tal. Foi um período duro, de um e outro lado do conflito que perdurou. De um e outro lado do Atlântico. E, tudo isto por irresponsabilidade dos políticos portugueses com a anuência da esmagadora maioria dos portugueses que fizeram de seus patrícios cobaias, entregando-os ao acaso e, nas mãos de gente imberbe e impreparada que seguiu a pior das opções: uma guerra fraticida. Esta gente toda e de ambos os lados, nunca será ressarcida de suas agruras. Por gostarmos de Angola, ficamos com o pior quinhão; um estúpido repudia e a estigma de “colonos exploradores”. Um dia, dir-se-há a verdade.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:25
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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
BRASIL EM 3 PENADAS . XLIII

As escolhas de

 KIMBOLAGOA                         

BRASIL . A falta de transparência no processo judicial . II

Por 

 Jorge Serrãoserrao@alertatotal.net

O Super Barbosa do STF volta a provocar faniquitos na petralhada. O medinho dos petralhas é que a versa pós-moderna e mais light do “Homem da Capa Preta”, sem a metralhadora Lurdinha a tiracolo, acabe saindo candidato a Presidente da República contra Dilma Rousseff.(…)

Um dos principais problemas que vejo no Brasil é a falta de transparência no processo judicial, algo anti ético e forte que existe em todo o sistema. Uma pessoa poderosa pode contratar um advogado poderoso, com conexões no Judiciário. Ele pode ter contatos com juízes sem nenhum controle do Ministério Público ou da sociedade. Depois vêm as decisões surpreendentes: uma pessoa acusada de cometer um crime é deixada em liberdade. E não é deixada em liberdade por argumentos legais, mais por essa falta de transparência das comunicações”.

 J. Barbosa

Há uma razão para explicar a impunidade no nosso país. No Brasil, tem algo chamado foro privilegiado. Se um prefeito é acusado de um crime, ele não terá o caso dele julgado por um juiz comum. O caso dele será decidido por um tribunal de apelação. Se o acusado é um membro do Congresso, o caso será decidido pela Suprema Corte, que tem 60 mil casos aguardando julgamento, casos que afetam a sociedade, e não tem tempo algum para decidir processos criminais. Um caso envolvendo duas ou três pessoas não é concluído no Brasil em menos de cinco, sete, às vezes dez anos, dependendo do status social da pessoa”, Disse J. Barbosa

 

 Barbosa apenas disse o que a maioria anti-petralha deseja ouvir. Daí cabe a pergunta de sempre: Barbosa faz tal discurso sem nenhuma segunda intenção política? Claro que não! Sua mensagem tem endereço certo: a petralha e seus comparsas no Governo do Crime Organizado. Eles já estão condenados à substituição pelo Poder Real Mundial que manda no Brasil. Já foram descartados e fingem não saber que, em breve, farão parte do lixo da história. Logicamente, no actual sistema, a lógica é que os petralhas sejam substituídos por marionetes mais lights – que pareçam ser menos incompetentes e menos corruptos.

(Continua…)

Visto sem prego nem estopa por

O Soba T´Chingange



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Terça-feira, 21 de Maio de 2013
MUXIMA . XXIX

ANGOLA . NITO ALVES HISTORIA DA GUERRA CIVIL . 1ª de 2 partes

As escolhas de

 KIMBOLAGOA

Por

Nell Teixeira Nell Teixeira                   

Tempo que foge 27 de Maio de 1987

Nito Alves  foi ministro do Interior de Angola desde a independência em 11 de Novembro de 1975, até à data em que o presidente Agostinho Neto aboliu o cargo em Outubro de 1976. Fazia parte da linha dura do Movimento Popular de Libertação de Angola e tornou-se conhecido internacionalmente devido ao golpe de estado falhado, conhecido por Fraccionismo, de que foi mentor em 1977 . Nito Alves opunha-se a Agostinho Neto nos temas da política externa de não-alinhamento, socialismo evolutivo e multiracialismo.

 O dia 27 de Maio de 1977 ainda é tema tabu em Angola. O que mais parece chocar na repressão que se seguiu à alegada tentativa de golpe de Estado contra o primeiro presidente angolano após a independência, Agostinho Neto, é que as vítimas não foram inimigos do governo – mas sim membros do MPLA, partido no poder e, assim, da própria família política da direcção do país. O desconhecimento sobre o que aconteceu às vítimas da repressão do regime do Presidente Agostinho Neto, nos dias que se seguiram ao que terá sido uma tentativa de golpe, corrói. O cálculo dos mortos varia. A Amnistia Internacional fala em 40 mil, o jornal angolano Folha 8, em 60 mil e a chamada Fundação 27 de Maio em 80 mil. Fontes da DISA (Direcção de Informação e Segurança de Angola) referem-se a 15 mil mortos. Se nos ficarmos pela média, pelos 30 mil, são dez vezes o número de mortos do Chile dos anos 1970 de Augusto Pinochet, na própria família política o MPLA. Sem julgamento.

Ela deu ao horror um rosto. Sitta Vales foi fuzilada às 5 da manhã de 1 de Agosto de 1977. Um tiro em cada perna, um tiro em cada braço, o corpo caiu na vala previamente aberta antes de ser dado o tiro de misericórdia. O corpo, ou o que dele restava: Sita Valles havia sido torturada e violada múltiplas vezes pelos homens da DISA. Rebelde até ao último minuto, recusou a venda e obrigou os homens do pelotão de fuzilamento a enfrentarem o seu olhar. A portuguesa, nascida em Cabinda, tinha então 26 anos e trocara uma vida confortável em Portugal e um curso de medicina para regressar a Angola, país que considerava ser o seu e para defender a ortodoxia soviética em supostos tempos de democracia.

 Sita Valles é talvez a mais conhecida das vítimas da purga do MPLA – ela, o marido José Van Dunem, comissário político do Estado-maior e Nito Alves, ex-ministro do Interior. Mas, de uma forma ou de outra, a repressão que se seguiu ao 27 de Maio de 1977 deixou marcas na vida de grande parte dos angolanos, relata o jornalista independente William Tonet. “Directa ou indirectamente, a maior parte dos angolanos daquele tempo está envolvida no 27 de Maio. Eu estive envolvido no 27 de Maio, a minha família esteve envolvida, a partir do meu pai, que foi preso. Dois tios meus estiveram presos e foram enterrados vivos, sem qualquer tipo de julgamento”, disse Tonet, em entrevista à Deutsche Welle. “Matemática e juridicamente falando, eu ainda estou preso”, denunciou o angolano. “Porque a gente não tem formalizado, sequer, nenhum mandado de soltura, como não tem nenhuma acusação.

Muxima: saudade; que vem do coração; ongweva; lugar nobre; Nossa Sra das margens do Kwanza.  

O Soba T´Chingange



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Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
MOKANDA DA LUUA . XIV

ANGOLA EM MUDANÇA - " Ontem já era tarde! "

As escolhas de

 KIMBOLAGOA

Fonte: Jornal de Noticias 

   O líder da UNITA, principal partido da oposição em Angola, Isaías Samakuva, alertou, esta sexta-feira, em Madrid, para o risco de um novo conflito sangrento caso não haja democracia no país. Samakuva está em Madrid no âmbito de uma viagem a vários países para pedir à comunidade internacional pressão sobre o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, no sentido de se cumprir os acordos de paz que puseram fim à guerra civil e continuar a aprofundar o processo democrático, o que, de acordo com o líder partidário, está a sofrer uma reviravolta.
 O presidente da UNITA, citado pela agência EFE, denunciou a falta de liberdade e corrupção no país, e acrescentou que os recursos nacionais, especialmente da indústria de diamantes e petróleo, só beneficiam "um pequeno grupo de dirigentes". Para Samakuva, a UNITA tem servido de "contenção" e considerou que uma revolta em Angola "faria correr muito sangue" e "desencadearia um conflito de dimensões imprevisíveis". "É melhor superarmos isto com o diálogo do que entrar novamente em conflito, o que destruiria o progresso que temos alcançado", disse.
Opinião: Sabe-se que Angola é um país rico em recursos naturais; desde o fim da guerra civil em 2002, que apresenta um forte crescimento económico mas, a distribuição de riqueza, em nada beneficia o povo; passados quase 40 anos e, tendo um património com infra-estruturas cedidas a troco de nada, o actual presidente J. E. Santos remete culpas à administração colonial; uma afirmação inaudita de monstruosa. É tempo de o mundo chamar os bois por seus nomes e retirá-los da manada. O governo do M, "não beneficia as pessoas, não garante ao cidadão água na cidade de Luanda tão cheia de aberrantes mordomias, nem um sistema de saúde que funcione no mínimo de perfeição". Ontem já era tarde! O Eduardo dos Santos deve ser corrido e os bens dele e da filha devem ser confiscados! Se, assim não for, em Angola, mais tarde ou mais cedo, irão andar a matar-se uns aos outros na ânsia do poder. O enclave de Cabinda tornar-se-há por direito, independente. Força Unita, Flec ou qualquer outro movimento: - É forçoso acabar com esses corruptos. Por detrás daquela marginal adulterada de Luanda, só para inglês ver, é a miséria que prolifera.
Soba T´Chingange


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Sábado, 18 de Maio de 2013
MUJIMBO . XLII

As escolhas de

 KIMBO LAGOA                       

ANGOLA EM FOCO - Aos Bwé Lixados Cá & Lá! . XII

Opção de

 ISOMAR PEDRO GOMES

A política é a arte de fazer curvas ou descrever linhas quebradas mantendo a rectilidade, recuar e avançar (ganhar e perder/dar e receber), a arte de equilíbrio, negociação ininterrupta, adaptação constante, prestidigitador, pintar bravamente no horizonte e com imaginação a proximidade da aurora mesmo quando esta, ainda se encontra distante. Proclamar ainda hoje que a chamada ajuda Cubana (civil e militar) a Angola, nos difíceis tempos do ‘mono’ foi desinteressada e que foi a magnânima materialização do célebre Internacionalismo do Proletariado, ou ainda chamar os EUA inimigo dos povos oprimidos, e a Rússia (herdeira da extinta URSS) em parceria com a China amigos dos povos oprimidos; (Proclamações ratificadas no século passado), é no mínimo lembrar o comediante Calado Show!

 Lição a reter; tudo é mutável nada é estático. Bwé Lixado Porque Zeca? Tenho acompanhado com preocupação, os comentários de certos indivíduos nas redes sociais, a mencionarem artigos de opinião principalmente de um certo “Zeca Bwé Lixado de Lisboa”, que se aproveita de ‘qualquer coisa’ para chamar “assassinos” ao partido UNITA e individualmente chamar de “Kwacha de merda!” algum outro comentarista que emite opinião contraria a sua e outros epítetos obscenos, que bravura! Comodamente acoitado em Lisboa, de outro modo não podia ser! Sob a cobertura de “um heróico” pseudónimo, se é que assim se pode chamar ao seu anacrónico apodo; “Zeca bwé lixado”.
 Pelos vistos deve estar a ranger de dentes, bwé lixado com a paz “que estamos com ela” (por isso em Lisboa), está bwé lixado pelo calar das armas, por isso a ansiedade doentia de semear a discórdia e instilar o ódio e tendo como alvo preferencial um dos partidos angolano legalmente implantado no panorama político nacional, que por sinal foi um dos actores da guerra “que estivemos com ela” de triste memória (a-propósito; com que oculta e malvada intenção o tal de ‘bwé lixado’ assim procede?), certamente vai dar uma de vitima e citar que perdeu familiares durante o longo conflito armado que caracterizou o passado recente de Angola. Quem não perdeu familiares? Conheço uma mãe no Huambo, que perdeu 9 filhos e o marido, hoje vive irremediavelmente só, mas a Heróica senhora, não nutre nem destila ódio de qualquer espécie.

(continua...)

Subscreve:

O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 17 de Maio de 2013
N´NHAKA . VIII

ANGOLA - Riqueza de recursos e bem-estar social . I

 

As escolhas de

 KIMBO LAGOA                                   

Relatórios do Banco Mundial. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)

Angola é um país de duas ou múltiplas realidades. O Africa Progress Panel (APC), presidido por Kofi Annan, centra-se nas duas que contribuem para aquilo que diz ser um gritante paradoxo – por ser o país que ilustra "de forma mais poderosa a divergência entre ", conclui o Africa Progress Report 2013, um estudo publicado em Maio, desde 2008.

 Kofi Annan

O relatório, intitulado Equidade nos recursos – Em prol das riquezas naturais de África para todos, é obra dum painel de dez influentes personalidades liderado pelo ex-secretário-geral da ONU e Nobel da Paz Kofi Annan. Estão lá, entre outros, Michel Camdessus, ex-director-geral do FMI; Olusegun Obasanjo, antigo Presidente da Nigéria; Graça Machel, ex-primeira dama de Moçambique e mulher de Nelson Mandela, fundadora do grupo Whatana Investments ou da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade em Moçambique; o músico irlandês Bob Geldof ou o fundador da Transparency International Peter Eigen.
 O documento de 120 páginas conclui que a desigualdade se mantém, por ausência de políticas que a combatam, e impede que o crescimento em países ricos em recursos reduza a pobreza, Angola tem um dos padrões mais desiguais de distribuição do rendimento e é citado como “um dos exemplos mais acabados” de um cenário em que a actividade das empresas do Estado se esconde por trás de um sistema financeiro opaco, não cumpre regras mínimas de transparência e beneficia figuras públicas ou políticas. Angola, sobressai igualmente pelos fracos índices de desenvolvimento. A taxa de mortalidade infantil, até aos cinco anos, está no topo da lista: é a oitava maior do mundo, com 161 mortes em 1000 crianças por ano, o que representa 116 mil mortes todos os anos.

 E isto, lembra o documento, quando Angola é o segundo país exportador de petróleo da África subsariana e o quinto produtor mundial de diamantes e está entre o terço (de países) que mais cresceram entre 2000 e 2011 no mundo. Em 2012, ultrapassou a taxa de crescimento da China. Na última década, cresceu a uma taxa média de 7% e o rendimento médio mais do que duplicou.  O efeito foi praticamente nulo na forma como a maioria da população continua a viver. “Enquanto a elite angolana usa o rendimento do petróleo para comprar activos no estrangeiro, em Angola as crianças passam fome”, nota o relatório. A subnutrição explica um terço das mortes de crianças, esclarece.

N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios e em zona plana e húmida, horta.

Selecção de: Isomar Pedro Gomes

As opções de

Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 15 de Maio de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXVIII

As escolhas de

 KIMBO LAGOA                       

ANGOLA - UM HOTEL DE MIL ESTRELAS – 2º de 3 Partes

Por
 Dy – Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

No hotel do Teixeira no Menongue, antiga Serpa Pinto, no Chungoroi, no Coporolo, mais tarde no Setenta e Cinco antes do Uche, terra da Elvira que candongava peixe seco e quando foi engaiolada foi levada para Benguela mas pelo caminho libertou-se de todas as malas, desfazendo-se assim do móbil do crime, não podendo ser acusada. Histórias de encanto que eram desfiadas como missangas coloridas e que no tempo se tornavam lendas, que hoje contamos aos nossos filhos e netos. O franguinho era depenado sem reservas independentemente da hora e aterrava nas mesas de madeira maciça de mucibe, em forma de churrasco.

 Depois o café de saco, o nosso hospedeiro escutando pacientemente uma peripécia qualquer da nossa viagem, as pálpebras teimosamente descaindo, sem reclamações sem acréscimos de preço ou má disposição, aguardando a hora de nos indicar o quarto para a pernoita. Eram lindos esses hotéis de pátio interior onde os mamoeiros projectavam sombras esguias pelo chão, rebordados com alpendres estupidamente denominados de coloniais, como se um alpendre pudesse ser estigmatizado dessa forma.

 Chaves desnecessárias abrindo portas simbólicas para quartos simples. Um lavatório esmaltado repousando numa armação de ferro, garantia juntamente com um jarro do mesmo material as abluções matutinas e sempre a postos a um canto, aparentando um pinguim imperador sem cabeça, um leão da Rodésia para qualquer eventualidade intestinal, tudo isto tão simples como o naco de sabão macaco que acompanhava as chaves do aposento. Pela manhã acordar com a chinfrineira que os bicos de lacre faziam nas gaiolas do Pinheiro o furriel que se apaixonou simultaneamente pela Tina e pelo Roçadas e com quem partilhei as avezinhas fritas em tardes de copos e alegria no hotel do Ferreira, Ah pois porra, porra, porra, o pai da Lela e de outros tantos meninos que edificaram no exílio um Xangongo novo ali na Ribeira ao pé de São Brás.

Opção do

Soba T´Chingange



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Terça-feira, 14 de Maio de 2013
A CHUVA E O BOM TEMPO . XXVII

BRASIL CARINHOSOCarta a Dilma, a presidentA . 1ª de 6 Partes

As escolhas de

 KIMBO LAGOA

      A professora Martha de Freitas Azevedo Pannunzio, de 74 anos, é de Uberlância. Ela escreveu uma carta para a presidente Dilma que foi entregue em mãos. Vale a pena ler. É a voz de quem não se cala e não consente.

Martha Pannunzio, é formada em letras neolatinas pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, e em comunicação visual e artes pela Universidade Federal de Uberlândia. Foi durante 31 anos professora de latim, francês e português, e se especializou em técnicas de redação e literatura infanto-juvenil. É produtora rural, socialista e agnóstica. É contadora de histórias e desenvolve em sua fazenda, onde reside, os Programas CERRADO E LETRAS e Projeto BICHO DO MATO.

Bom dia, dona Dilma! Eu também assisti ao seu pronunciamento risonho e maternal na véspera do Dia das Mães. Como cidadã da classe média, mãe, avó e bisavó, pagadora de impostos escorchantes descontados na fonte no meu contra-cheque de professora aposentada da rede pública mineira e em cada Nota Fiscal Avulsa de Produtora Rural, fiquei preocupada com o anúncio do BRASIL CARINHOSO. Brincando de mamãe Noel, dona Dilma? Em ano de eleição municipalista? Faça-me o favor, senhora presidentA! É preciso que o Brasil crie um mecanismo bastante severo de controlo dos impulsos eleitoreiros dos seus executivos (presidente da república, governador e prefeito) para que as matracas de fazer voto sejam banidas da História do Brasil.
 Setenta reais per capita para as famílias miseráveis que têm filhos entre 0 a 06 anos foi um gesto bastante generoso que vai estimular o convívio familiar destas pessoas, porque elas irão, com certeza, reunir sob o mesmo tecto o maior número de dependentes para engordar sua renda. Por outro lado mulheres e homens miseráveis irão correndo para a cama produzir filhos de cinco em cinco anos. Este é, sem dúvida, um plano quinquenal engenhoso de estímulo à vagabundagem, claramente expresso nas diversas bolsas-esmola do governo do PT.

 É muito fácil dar bom dia com chapéu alheio. É muito fácil fazer gracinha, jogar para a plateia. É fácil e é um sintoma evidente de que se trabalha (que se governa, no seu caso) irresponsavelmente. Não falo pelos outros, dona Dilma. Falo por mim. Não votei na senhora. Sou bastante madura, bastante politizada, sobrevivente da ditadura militar e radicalmente nacionalista. Eu jamais votei nem votarei num petista, simplesmente porque a cartilha doutrinária do PT é raivosa e burra. E o governo é paternalista, provedor, pragmático no mau sentido, e delirante. Vocês são adeptos do quanto pior, melhor. São discricionários, praticantes do bullying mais indecente da História do Brasil.

Opção do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:49
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Sábado, 11 de Maio de 2013
MUJIMBO . XLI

Escolhas de

Kimbo Lagoa 

ANGOLA EM FOCO –  O DIÀLOGO! .  XI

Opção de

 ISOMAR PEDRO GOMES

A digressão ao exterior (diplomacia de contenção), empreendida pelos líderes das duas maiores formações politicas da oposição, impunha-se… faz tempo!

 O MPLA e o seu "Zécutivo" recusa-se despatrióticamente a buscar consensos com as outras formações politicas. Eles é que mandam, sabem tudo, determinam e podem! O resto apenas têm que cumprir... É isto Governar?! Eles (M e o Zécutivo) alardeiam nos "principais auditórios internacionais" que o que decorre em Angola, é Democracia. Assim impunha-se informar com verdade a triste realidade que "se está a viver". E, não obstante todo este panorama, ainda há gente a bajular ou omitir via FB a ruindade destes Metralhas, censurando ou eliminando artigos de opinião da verdade.

 A Luanda esquecida

 - Corrupção como marca governativa. - Parlamento manietado, ARROGÂNCIA politica, Tribunais politizados. - Falta de liberdade de expressão. - Imprensa impiedosamente amordaçada. - Prisões ilegais. - Perseguição politica. - Aparelho administrativa do Estado exageradamente partidarizado. - Sindicatos débeis. -etc. etc... O mais recente acto de JES em nomear a comissão para a história do País, indivíduos apenas de uma cor partidária, põe a nu a irracionalidade dos dirigentes deste País. É notório que não têm a mínima vontade de empreender um convívio político salutar, para o bem da nação. Um ditado popular na língua Kimbundo, diz o seguinte; "Quando não se consegue falar com o 'cabeça' da família, conversa-se com os vizinhos com quem ele convive".

(continua...)

Nota: O sublinhado é da autoria e responsabilidade do Soba

Subscreve:

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:02
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2013
MOKANDA DA LUUA . XIII

AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLA - Bloqueados 100 milhões de US dólares ao Presidente Angolano  - I

"Suíça ameaça cleptocracia mundial" - A bomba esta aí. O que fazer? O poder do dinheiro também cai... 
"Há dez anos que os tribunais suíços iniciaram um longo processo para bloquear os fundos depositados nos seus bancos por ditadores e políticos corruptos de todo o mundo, cujas fortunas, por vezes colossais, foram obtidas através da espoliação de bens públicos pertencentes aos povos que governam, usando para tal os mais diversos expedientes de branqueamento de capitais. O processo começou em 1986 com a devolução às Filipinas de 683 milhões de dólares roubados por Ferdinando Marcos, bem como a retenção dos restantes 356 milhões que constavam das suas contas bancárias naquele país. Prosseguiu depois com o bloqueamento das contas de Mobutu e Benazir Bhutto. Mais tarde, em 1995, viria a devolução de 1236 milhões de euros aos herdeiros das vítimas judias do nazismo.


Com a melhoria dos instrumentos legais de luta contra o branqueamento de capitais, conseguida em 2003 (também em nome da luta contra o terrorismo), os processos têm vindo a acelerar-se, com resultados evidentes: 700 milhões de dólares roubados pelo ex-ditador Sani Abacha são entregues à Nigéria em 2005; dos 107 milhões de dólares depositados em contas suíças pelo chefe da polícia secreta de Fujimori, Vladimiro Montesinos, 77 milhões já regressaram ao Peru e 30 milhões estão bloqueados; os 7,7 milhões de dólares que Mobutu depositara em bancos suíços estão a caminho do Zaire; mais recentemente, foram bloqueadas as contas do presidente angolano José Eduardo dos Santos, no montante de 100 milhões de dólares.


 É caso para dizer que os cleptocratas deste mundo vão começar a ter que pensar duas vezes antes de espoliarem os respectivos povos. É certo que há mais paraísos fiscais no planeta, mas também é provável que o exemplo suíço contagie pelo menos a totalidade dos off-shores sediados em território da União Europeia, diminuindo assim drasticamente o espaço de manobra destas pandilhas de malfeitores governamentais. No caso que suscitou este texto, o bloqueamento de 100 milhões de dólares depositados em contas de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola há 27 anos, pergunta-se: que fez ele para se tornar o 10º homem mais rico do planeta (segundo a revista Forbes).

Fonte: MOVIMENTO PARA A PAZ E A DEMOCRACIA EM ANGOLA

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Quinta-feira, 9 de Maio de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXVIII

 AS ESCOLHAS KIMBO               

ANGOLA . CAPELONGO - UM HOTEL DE MIL ESTRELAS – 2º de 3 Partes

Por

 Dy – Dionísio de Sousa(Reis Vissapa)        

No hotel do Teixeira no Menongue, antiga Serpa Pinto, no Chungoroi, no Coporolo, mais tarde no Setenta e Cinco antes do Uche, terra da Elvira que candongava peixe seco e quando foi engaiolada foi levada para Benguela mas pelo caminho libertou-se de todas as malas, desfazendo-se assim do móbil do crime, não podendo ser acusada. Histórias de encanto que eram desfiadas como missangas coloridas e que no tempo se tornavam lendas, que hoje contamos aos nossos filhos e netos. O franguinho era depenado sem reservas independentemente da hora e aterrava nas mesas de madeira maciça de mucibe, em forma de churrasco.

 Depois o café de saco, o nosso hospedeiro escutando pacientemente uma peripécia qualquer da nossa viagem, as pálpebras teimosamente descaindo, sem reclamações sem acréscimos de preço ou má disposição, aguardando a hora de nos indicar o quarto para a pernoita. Eram lindos esses hotéis de pátio interior onde os mamoeiros projectavam sombras esguias pelo chão, rebordados com alpendres estupidamente denominados de coloniais, como se um alpendre pudesse ser estigmatizado dessa forma.

 Chaves desnecessárias abrindo portas simbólicas para quartos simples. Um lavatório esmaltado repousando numa armação de ferro, garantia juntamente com um jarro do mesmo material as abluções matutinas e sempre a postos a um canto, aparentando um pinguim imperador sem cabeça, um leão da Rodésia para qualquer eventualidade intestinal, tudo isto tão simples como o naco de sabão macaco que acompanhava as chaves do aposento. Pela manhã acordar com a chinfrineira que os bicos de lacre faziam nas gaiolas do Pinheiro o furriel que se apaixonou simultaneamente pela Tina e pelo Roçadas e com quem partilhei as avezinhas fritas em tardes de copos e alegria no hotel do Ferreira, Ah pois porra, porra, porra, o pai da Lela e de outros tantos meninos que edificaram no exílio um Xangongo novo ali na Ribeira ao pé de São Brás.

Opção do

Soba T´Chingange



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Terça-feira, 7 de Maio de 2013
T´XIPALA . XIII

ANGOLA - PARA PENSAR... 2ª de 2 Partes

Fonte: Club-k.net

Opções de

  Kimbo Lagoa 
T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter

Lisboa – A conduta de censura que o Presidente da Assembleia Nacional Angolana, está a gerar interrogações. Foi o que revelou Fernando da Piedade Dias dos Santos, na VI reunião plenária realizada  quinta-feira, 25 de Maio, em Luanda.

 “Desde há muito que são solicitadas interpelações ao Executivo, nomeadamente aos pelouros da energia e águas e ao Ministério do Interior. Do lado da Assembleia Nacional Angolana nada ocorre, enquanto que do lado do Executivo se sorri convencidos da subalternidade a que esta casa esta a ser vetada, deliberadamente.” Denunciou Costa Júnior. Contou ainda que “À cerca de dois meses que o Grupo Parlamentar da UNITA requereu a realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, perfeitamente fundamentada, para que todos conheçam os meandros das demolições que vitimam os angolanos – sendo o Kacuaco o mais recente dos casos – mas ninguém pestaneja! Não se permite inquirir o governo. E porque? Assim se anula a missão e as funções que a própria Constituição atribui a esta Assembleia.”

 REAÇÕES:

Tadeu Vunge : A oposição, deve saber que Nandó é um dos piores entre os criminosos e ladrões que o regime já teve; nunca ocupou nenhum cargo por se lhe rever qualidades mas sim, para impor regras a gosto do JES e o seu regime de que Nandó é mentor… Da DISA ao ministério do interior, Nandó, mesmo com grau de instrução inferior à 4ª Classe do tempo colonial, ocupou cargos que só um engenheiro ou doutorado, especialistas com cursos superior poderiam ocupar. Pela musculada astúcia e, por ser um potencial malandro, perito em artimanhas, chegou mesmo ao ponto de criar dificuldades a JES. Porque todos têm telhados de vidro, este, recebeu o posto de presidente daquele órgão como oferta de última instância. Num país de verdade onde vivem pessoas de bem, um criminoso não poderia assumir aquele posto ou mesmo ser chefe de uma cadeia, por isso, senhores chefes das bancadas da oposição, vocês só tem uma saída: - abandonarem em bloco aquela casa de ladrões.

Fernando Silva Graça : - Com tantos problemas internos (falta de água, luz e emprego por exemplo) o Parlamento (M) só quer falar dos habitats dos gorilas. Isto tem lógica? Estão a esconder e a fugir a quê? Que estranha forma de tapar o sol com essa antidemocrática peneira!  

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O Soba T´Chingange



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Domingo, 5 de Maio de 2013
PARACUCA . VI

KIANDA COM ONGWEVA - II . Espírito com saudade

Por

 E       SOBA T´CHINGANGE 

Andei uns dias a matutar no porquê da visita de Januário Pieter ao meu lugar de Pambu N´jila da Kalunga do Francês, da razão de me expor transcendências periclitantes do além, do sobre-mundo misterioso das kiandas. Não tenho vocação para viver entre pessoas de mal mas, obrigado a coabitar com eles, seguramente modifico-me com o aprendizado. Tento achar sempre uma maneira para falar com as pessoas; cada um é um ser especial, cada qual tem a sua própria estória de vida: quase todos querendo melhorarem, terem paz e serem felizes harmonizando o dia-a-dia de suas vidas com suas cruzes.

 Foi nesta reflexão que me soprou um vento cálido a lamber a orelha; pelo cheiro forte de jasmim, só podia ser a kianda Pieter feito um vento sussurroso: - Nós que vivemos no mundo espiritual, estamos aptos a fazer tarefas junto aos que estão no plano físico e de socorro; temos a nosso favor o facto de não precisarmos de nos alimentar, dormir e num ai, locomovermo-nos ao outro lado do mundo. E, embora o nosso dia tenha as mesmas 24 horas, só podemos fazer uma coisa de cada vez. Podemos trocar favores e até dar aulas aos defuntados que encontramos vagando. Muitas vezes não temos para dar o que a maioria dos que vagueiam almejam.

::::::::::::

 Pambu Njila é um Nkisi, nome pelo qual é conhecido,em candomblés de Nação Angola. Intermediário entre os seres humanos e o outros Nkisis. É o Senhor dos caminhos e dos começos. Guardião das aldeias e que tinha seu culto geralmente nas suas entradas. Na Mitologia Bantu - Mpambu em kikongo significa (Encruzilhadas) e N´jila (Caminho).

 Há defuntados que chegam aos meus abrigos querendo mordomias, desejando ser servidos, sem querer seguir regras ou normas, barafustando com ataques de nervos quando contrariados e, até há aqueles que querem partir tudo contrariados nos seus ataques de nervos; nem como massa inerte, num vácuo de nada, sem coeficiente de peso nem densidade: Januário Pieter, repentinamente e assim como veio, foi-se no exacto momento em que a galinha pedrês leandra de nome, fazia co-co-ro-có pela postura do seu décimo quinto ovo. Neste dia de muita chuva, o vento só agitou o espanta espíritos quando a kianda se foi embora.

GLOSSÁRIO: KIANDA: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; ONGWEVA: saudade em português; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, encruzilhada elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas.

Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Criação do Soba

O Soba T´Chingange



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Sábado, 4 de Maio de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXVII

 AS ESCOLHAS KIMBO               

ANGOLA . CAPELONGO - UM HOTEL DE MIL ESTRELAS – 1º de 3 Partes

Por
 Dy – Dionísio de Sousa(Reis Vissapa)

Quando chegavam até nós os westerns americanos era raro aquele que não mostrava um “Saloon” ou um “Hotel” construído com a madeira retirada às grandes florestas da América do Norte, ostentando em letras garrafais essas designações em placas que abanavam com o vento ou no pórtico desses edifícios. Aguardávamos com ansiedade a cena de pancadaria entre os bons e os maus no interior do Saloon ou o beijo romântico do Kirk Douglas à sua amante num quarto de hotel. Esse néon importado dos States toldou-me e muito a visão que eu deveria ter do meu rincão, das gentes, dos lugares, das singelas pensões, dos hotéis de mil estrelas.

 Só a saudade e o tempo clarificam as ideias e estabelecem sem reservas aquilo que nos marcou no passado. Revelam-nos a verdadeira dimensão da perda e como borbulhas em taças de champanhe espevitam as nossas memórias e os nossos segredos. Posso afirmar que já cruzei centenas de camas em hospedarias de tudo quanto é lugar, das mais humildes, das mais rascas, das luxuosas e algumas até sumptuosas, mas nunca estive num hotel de mil estrelas como aqueles tão singelos e acolhedores do meu país da minha terra da minha gente maior.

 Era o coração que nos recebia quando alagados em poeira ou barro chegávamos a esses lugares de eleição despidos de preconceito ou vaidade, perdidos no mundo, em busca de cama e refeição. Não importava a hora nem a aparência, alguém abandonava o conforto dos colchões de palha de maçaroca para passar um café e bater um papo acolhedor com os viajantes tardios. Passei por isso na Pensão do Ganhão em Capelongo, no Xangongo no Hotel do Ferreira – Ah pois porra, porra, porra. - Na Pensão do velho Ferreira pai da minha querida amiga Maria Ferreira e do Sebastião, acho mesmo que os Ferreiras tinham tendência para este tipo de actividade.

Opção do

Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 3 de Maio de 2013
T´XIPALA . XII

ANGOLA - PARA PENSAR... 1ª de 2 Partes

Fonte: Club-k.net

Opções de

  Kimbo Lagoa 
T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter

Lisboa – A conduta de censura que o Presidente da Assembleia Nacional Angolana, está a gerar interrogações. Foi o que revelou Fernando da Piedade Dias dos Santos, na VI reunião plenária realizada  quinta-feira, 25 de Maio, em Luanda.

Nandó O consulado de Nandó como vice-presidente da República terminará na primeira quinzena de Setembro, altura em que  deverão ser empossados os membros do governo que emergirá das eleições de 31 de Agosto próximo. Nessa altura, Nandó passará o testemunho a Manuel Vicente, uma aposta pessoal de José Eduardo dos Santos não apenas como seu coadjutor mas provavelmente como seu sucessor na presidência da República. 

 “Nandó” que tem a reputação de ser um dos mais moderados Presidentes do parlamento que o pais já teve, tentou impor aos chefes das bancadas parlamentares o conteúdo das declarações políticas que são efectuados todos os três meses nos plenários. No entender de Fernando da Piedade “Nandó”, os discursos dos presidentes das bancadas parlamentares deveriam estar centrados na agenda da Assembleia que seria a abordagem da adesão de Angola nos acordos internacionais (Acordo para a Conservação dos Gorilas e seu habita).  Os partidos da oposição no parlamento rejeitaram a imposição e em reacção o mesmo aplicou censura, limitando o tempo e retirando/ desligando o som no momento em que os responsáveis das bancadas contrarias ao regime apresentaram os seus discursos.

 Adalberto da Costa Júnior, Vice- Presidente da bancada da UNITA, por exemplo, abandonou a sala quando lhe foi impedido de fazer a leitura da sua declaração política tendo feito numa conferência de imprensa à comunicação social. Aos jornalistas, o deputado revelou que “A Nossa Assembleia Nacional continua a ter apenas um plenário por mês, denotando alguma falta de produtividade, estando 7 meses depois, ainda a engatinhar com quase os mesmos assuntos que, sendo importantes, não serão os únicos com prioridade, quando poderíamos agendar assuntos de interesse nacional candente e que requereriam, certamente, a realização de mais de um plenário neste ou naquele mês. Mas isso não acontece porque parece-nos continuar aqui uma vontade férrea de travar a função fiscalizadora desta Assembleia. E isso é notório e caricato quando se continua a citar um certo despacho inconstitucional do anterior Presidente da Assembleia a proibir que a fiscalização se faça.”

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O Soba T´Chingange



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Quinta-feira, 2 de Maio de 2013
MUJIMBO . XL

Escolhas de

  Kimbo Lagoa 

ANGOLA EM FOCO  DISTRIBUIR MELHOR! . X

Opção de

 ISOMAR PEDRO GOMES . (22 de Abril 2013)

Como José Pedro de Morais chantageou Dos Santos .  Fonte: Club-k.net

Lisboa - Os relatos, em círculos de inteligência, segundo os quais o poder de imposição do Presidente José Eduardo dos Santos (JES) estaria, nos últimos anos, a repelir-se ao ponto de começar a ser chantageado por membros do seu regime. O exemplo mais emblemático é o caso do antigo ministro das finanças, José Pedro de Morais Júnior que em 2008 deixou o governo por divergências com o chefe do executivo.

Ex- Ministro alegou ter provas que embaraçam o PR

Na sequência de vários desfalques de centenas de milhões de dólares das contas públicas, o Presidente José Eduardo dos Santos chegou a ordenar um inquérito ao então ministro, José Pedro de Morais, e a sua prisão, a posteriori. Durante o interrogatório a que foi sujeito por oficiais dos Serviços de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), José Pedro de Morais apresentou fotocópias de documentos e ordens assinadas por José Eduardo dos Santos para que se efectuassem transferências ilícitas de fundos para familiares seus.

 José Pedro de Morais garantiu que tinha os originais em segurança nos Estados Unidos da América e, se algo lhe acontecesse, os documentos seriam publicamente revelados, o que provaria o envolvimento directo do Presidente em actos de suborno e alta corrupção. Dos vários documentos partilhados por José Pedro de Morais com o SINSE ressaltou o pagamento de US $40 milhões de dólares de uma suposta dívida pública do governo provincial do Huambo à sua irmã Marta dos Santos – a “Mana” Marta. O então ministro das Finanças explicou como se utilizava a dívida pública para desviar fundos de estado para familiares escolhidos pelo presidente, e como outros governantes, incluindo ele próprio, apanhavam a boleia para também saquearem a sua parte. José Pedro de Morais contou que não só a Mana Marta não prestou serviços ao governo do Huambo, para reclamar a dívida, como cobrou duas vezes, sempre com ordens escritas do presidente. Ganhou assim US $80 milhões.

 Mana Marta tem estado a construir vários empreendimentos imobiliários em várias zonas da cidade em Luanda, incluindo duas torres junto ao Cine Tropical, no Maculusso. Após se ter dedicado ao álcool, durante anos, com receio de ser morto, Pedro de Morais tem sido reabilitado aos poucos, por intervenção directa do general Higino Carneiro. Enquanto ministro das Obras Públicas, o general Higino Carneiro teve a vida facilitada no aboletamento dos fundos da linha de crédito do Brasil, em parceria com a Odebrecht, pela cumplicidade de Pedro de Morais. Como retribuição da lealdade, Higino Carneiro recuperou o antigo ministro e colocou-o como seu assessor no Kuando-Kubango, província que actualmente governa. Para o efeito, José Pedro de Morais apenas realiza as suas viagens de Luanda a Menongue no seu jacto privado, que permanentemente fica à sua disposição na pista do Menongue.

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=239300992878846&set=a.115515445257402.19730.100003968413995&type=1&ref=nf

(continua...)

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O Soba T´Chingange



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Terça-feira, 30 de Abril de 2013
KANIMAMBO . XXXVI

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 14

SUCESSO E AUTOCONFIANÇA

Pelo

 SOBA T´CHINGANGE

A cultura não nos obriga a pensar nas coisas triviais do dia-a-dia quando a morte ainda parece estar longe. Vivemos tão enrolados em objectivos egoístas, no ter que pagar a hipoteca, carreira, a família ou comprar um novo carro; enfim, envolvidos em centenas de pequenas coisas e, apenas para continuar tocando a vida para a frente. Por isso não adquirimos o hábito de parar, olhar nossa vida e dizer: - É só isso? … É só isso que eu quero? Não está faltando nada? Precisamos que alguém nos empurre para a direcção certa. Não é coisa que venha automaticamente… Na vida, todos necessitamos de professores.

 Se olharmos para o mundo à nossa volta, talvez pareça um lugar misterioso, incompreensível, implacável e injusto, onde uns nascem com privilégios e vantagens que outros nunca poderiam sonhar em alcançar. Mas, ele, o mundo não o é; o universo é justo e imparcial. Precisamos compreender que ele tem seus próprios princípios, que são imutáveis, infalíveis e iguais para todos. Para usufruir desses princípios, necessitamos dar uma oportunidade para que eles, os princípios, se possam revelar a nós, e por intuição conduzirmo-nos onde o impulso natural insiste em nos levar. Precisamos passar a aceitar o óbvio; o que tiver de acontecer, vai acontecer!

 Precisamos libertar-nos da convicção de que as pessoas de sucesso possuem mais talento, mais inteligência, que nasceram com um brilho superior ao nosso. Na origem, não há diferença entre as pessoas que alcançam o sucesso daquelas que não. A diferença está apenas na forma de agir ao longo da vida. As que desenvolvem seu talento, não são diferentes; elas apenas agem de uma diferente forma. Pensar que as coisas caem do céu para alguns enquanto outros independentemente do quanto se dedicam, nunca atingirão nada para além da mediocridade, é um erro. Todas as pessoas que realizaram coisas memoráveis, que se tornaram marcos na história da humanidade, passaram por um longo período do processo de evolução. Assim, termino desta forma o tema de talento, coisa que por mim tem passado despercebido ou mesmo desprezado mas, que me ocupa longos momentos de reflexão; do modo do como fui professor com meus filhos, transmitindo valores, omitindo a propósito a mentira e a ética promíscua tão vulgarizada e institucionalizada.

Fim do tema TALENTO

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Gravuras do album Costa Araújo (Mano Corvo) 

Kanimambo: Obrigado (de Moçambique)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:49
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Quinta-feira, 25 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXIX

ANGOLA –  PALAVRA DE REI . IX

  AS ESCOLHAS KIMBO

Por

 ISOMAR PEDRO GOMES

 Crescemos sob o lema de que palavra empenhada é palavra cumprida, a qualquer custo. "Minha palavra é lei!" ouvíamos amiúde de algumas fontes. Lembro-me de uma lição que me marcou nos meus tempos de infância, tenho a impressão que foi no livro da 3a ou 4a classe da era colonial; a palavra empenhada pelo fidalgo português, Egas Moniz, aio de Dom Afonso Henriques, que envolvendo a família toda, se predispunha a cumpri-la. A família convicta da necessidade de se submeterem à autoridade pela palavra empenhada pelo seu rei, palavra não comprida, dispuseram-se a morrer pela honra e penhor apresentando-se na corte de Espanha, de corda ao pescoço. Embora tal estória não passe de um 'lenda', segundo alguns historiadores, valeu pela lição marcada.

 Claro, mudaram-se os tempos, mudaram-se as atitudes, mudaram-se os costumes e os hábitos. Hoje a mentira tem mais força que a verdade, elaborada é arte, o engano é interpretado como habilidade necessária, fazendo dessa hipocrisia a máscara hodierna nesta era digital; já não há lágrimas de crocodilo e, o próprio crocodilo anda acabrunhado porque deixou de ser o vilão, o herói agora é o bandido; o antigo e verdadeiro herói, é hoje o miserável vetado ao esquecimento, acantonado como mendigo num qualquer muquifo de má fama

 Em Angola não há honestos, disse-me alguém... há sim, Ernestos. - Discordei completamente, ainda há honestos (poucos, é verdade mas existem!), sim! Aqueles que preferiram refugiarem-se na dignidade, elevarem bem alto o estandarte da honra, ao invés do usufruto dum prazer temporário em um "prato de lentilhas"! Hoje ser honrado é humilhante, porque na maior parte das vezes, a consequência, a marca visível e imediata da honra é a pobreza e sujeição á boçalidade de toda a espécie; propositadamente algumas instituições, levam o cidadão honesto a desistir na prática da honra. Tudo isto para relembrar: E A PROMESSA de limpar Luanda em 6 meses?!.. Porventura alguém se lembra de quem a fez? Porque e quando a fez?... E como fica a PALAVRA DO REI... Já volta atrás?! Ah! Como os tempos mudam...

(continua...)

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O Soba T´Chingange



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Segunda-feira, 22 de Abril de 2013
MOKANDA DA LUUA . XIII

 AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLA - trabalhar num país em construção . I

 

Por

 Hermínio Santos

Sugere ainda como negociar a remuneração e os benefícios antes de partir, dirigindo-se, neste capítulo, a um público-alvo muito particular (os quadros de topo). Um técnico especializado tem margem de manobra reduzida e, provavelmente, terá de partilhar e meio de transporte com colegas. É importante ter em atenção quanto vai gastar por mês. A despesa mensal com a alimentação pode chegar aos mil dólares (cerca de 694 euros ao câmbio actual). Há informações sobre as oportunidades profissionais, como se pode criar uma empresa ou, por exemplo, os cuidados a ter ao nível de segurança. Neste aspecto, o autor alerta mesmo que o desleixo dos cuidados a nível de segurança é um erro comum. “Janelas fechadas, carro trancado, não atender chamadas na rua, não enveredar por caminhos que não conhece, são cuidados básico de segurança”, escreve.

 O livro responde também a dúvidas como “é fácil transferir dinheiro para Lisboa?” ou “se tiver um problema grave de saúde o que devo fazer?”. No final, há uma lista de contactos úteis e um “kit” essencial de entendimento. Assim, quando aterrar em Luanda já sabe como pedir uma “bitola” (cerveja) e “pitar” (comer) qualquer coisa. Trabalhar em Angola é mais dirigido aos quadros superiores que trazem de Portugal um conjunto de benefícios suportados pela empresa e não tanto aos que se aventuram sozinhos em Angola sem a força e apoio de uma função de topo. Quem tem de tratar sozinho da sua viagem e permanência no país, terá de ultrapassar desde logo as dificuldades de obtenção de visto.

 

 O autor apenas remete informação sobre os vistos para o site do Consulado de Angola, podendo ter aprofundado mais este tema. A verdade é este processo é lento e penoso. Enquanto não for assinado o projecto de acordo entre os dois países para melhorar a concessão (medida que deverá acontecer em meados de Setembro) este é o primeiro entrave a quem quer emigrar. Mas Angola não é só trabalho. E o lado turístico é muitas vezes esquecido pelos portugueses que pela primeira vez pisam o território. Hermínio Santos faz questão de enaltecer as belezas naturais, mas o país ainda tem muito a melhorar, nomeadamente ao nível das infra-estruturas. Certo é que, quanto melhor se conhecer Angola, melhor será a integração.

O Kimbo Lagoa subscreve

O Soba T´Chingange



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Sábado, 20 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXVIII

  AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLAA REALIDADE “MWANGOLÊ” . VIII

Por

 ISOMAR PEDRO GOMES

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Isomar Pedro Gomes, ex-funcionário da delegação provin­cial da Segurança do Estado (em Benguela), hoje é um homem amargurado, frustrado.
 Aonde está a nossa classe operária?... Alguém pode dizer-me onde anda esse valoroso colectivo de trabalhadores? É que a maior parte da indústria que “havia”, foram transformadas em armazéns dos manos ‘libas, mayayas & senecas’… (Libaneses, Indianos monhês e Senegaleses). Lembro-me (com muita saudade) da GIGANTE e famosa CCUP (localizada no município da Ganda, província de Benguela) ‘rebaptizada’ na época “apropriada” em CCPA (Companhia de Celulose e Papel de Angola) – Alto Katumbela, que a guerra se ‘lembrou’ de transformar em pó (1982-1985). No município da Ganda, existia a fábrica de vinhos Prazeres – sede da comuna da Babaera; a Talim e a salsicharia Buçaco – sede do município, bem como as grandes industriais produtoras de açúcar, a Açucareira da Katumbela e a Açucareira do Dombe-Grande (Município da Baía Farta) e a África Têxtil (cidade de Benguela).

 Ultimamente, tenho pensado se AINDA há realmente uma classe operária “a operar” em Angola? Se realmente existe, aonde está? Se não existe,… porquê não? Vou mencionar a CIDADE DE BENGUELA como exemplo, nomeio as unidades Industrias que existiam mais ou menos até o ano de 1980; para além das acima mencionadas, lembro-me das seguintes unidades fabris com a ordem aleatória: 1.- Reforço & Rito 2. - Alfredo & Guerra 3.- Cartang 4. - Mampeza 5. - Conserveira Kapiandalo 6. - Abreus & Abreus 7. – Cordango 8. - Embalagens Holdains 9. - Embalagens de Angola 10. – Confiang 11. – Cristalia 12. – Cofril 13. - Dusol 14. - Fábrica de gasosas Canadá 15. - Tintas CIN 16. – Alarriba 17. - Confeções quinas 18. - Confeções CB 19. - Ourivesaria ourobelo 20. – Intrafrutos 21. – Sital 22. – Seta 23. – Forolda…

 Não menciono a mais de uma dezena de fazendas agrícolas, que constituíam o celebre perímetro agrícola do cavaco (a cintura verde de Benguela) e outras iniciativas individuais ou colectivas (que não constavam na lista telefónica, tais como as pequenas carpintarias, serrações, estofos e fábrica de malas), panificadoras, pescarias e algumas unidades ligadas à actividade agrícola. Tais unidades albergavam milhares de trabalhadores, alimentando dezenas de milhares de famílias no município de Benguela, adicionadas às unidades de produção da Katumbela, Lobito e Baía-farta; faziam da província de Benguela uma das fortalezas da classe trabalhadora de Angola. A CCPA estendia-se pelas Provinciais do Huambo e Bié, e constavam na sua folha de pagamentos (nos tempos dourados) cerca de 5.000 trabalhadores/assalariados.
(continua...)

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:43
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Quinta-feira, 18 de Abril de 2013
CAZUMBI . XXXI

 AS ESCOLHAS KIMBO 

CABINDA Protectorado Português . 2ª de 2 Partes

Por

   Rui Neumann

 O vice-presidente da resistência defende o direito à autodeterminação de Cabinda como solução para o conflito. No caso de um referendo, Alexandre Tati afirma que a FLEC está aberta a todas as opções e aceitaria as possibilidades, serem inscritas na consulta popular, de «anexação, autonomia, independência, federação...» A questão de um referendo em Cabinda levanta a velha questão de «quem é ou não Cabinda?». Para o vice-presidente da FLEC «Cabinda é todo aquele, sem qualquer descriminação, que nasceu em Cabinda, filho de pai ou mãe natural de Cabinda, ou qualquer estrangeiro que viveu mais de 10 anos consecutivos em Cabinda. Há angolanos que vivem em Cabinda há mais de 20 anos, esses também poderiam votar» e sublinha: «O povo de Cabinda não tem problemas com o povo angolano, tem com o Governo angolano que ocupa militarmente o nosso país.»


 Questionado se aceitaria uma «autonomia» para Cabinda, Alexandre Tati responde: «A minha opinião pessoal não conta. O que conta é a opinião do povo.» Em reacção ao resultado eleitoral de 5 de Setembro que deu uma esmagadora vitória ao MPLA, Alexandre Tati «felicitou o povo de Cabinda» pela «abstenção e por ter respondido positivamente ao apelo da FLEC de boicote geral. Foi um teste ao patriotismo da população» afirma. Considera que «as eleições não foram livres» e nas regiões do interior do enclave a maior parte da população não se inscrevera nas listas eleitorais.

 Segundo o mesmo responsável durante as eleições muitos populares foram intimidados a votar sob ameaça de armas e outros ameaçados de perderem o emprego caso se abstivessem. Reconhece todavia que houve maior participação que em 1992 mas que votaram principalmente estrangeiros que se deslocaram expressamente dos dois Congos, as forças militares e os funcionários. Para Alexandre Tati a vitória do MPLA «não altera nada», e a FLEC vai continuar luta armada: «Angola continua a impor-nos esta guerra através da ocupação e da falta de diálogo». «Uma guerra pequena ou grande é sempre um conflito. Daí que comunidade internacional deveria prestar mais atenção ao conflito em Cabinda e influenciar as duas partes a encontrem uma solução» e sublinha que «a riqueza natural mais valiosa de Cabinda, não é o petróleo, mas sim a vida dos homens».

KAZUMBI: Feitiço; pouca sorte; coisas de kazucuta (malabaristas, pais de santo e mwangolés); macumba obscura.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:28
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Quarta-feira, 17 de Abril de 2013
MOKANDA DA LUUA . XII

 AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLA - trabalhar num país em construção . I

Por

 Hermínio Santos

Uma refeição de fast food em Luanda custa 12,70 euros. Por mês, alugar um apartamento com dois quartos na capital angolana pode chegar aos 6500 euros. E a factura do supermercado é três vezes superior à de Lisboa. Hermínio Santos, autor do livro Trabalhar em Angola (uma edição da Planeta), não pinta uma realidade cor-de-rosa nas 112 páginas que dedica ao tema. Angola não é a terra prometida, o país de “dinheiro fácil, sol, praia, cerveja gelada”. A realidade é outra, mas nem por isso menos apetecível. O país está em construção e participa no (re) nascimento de uma sociedade pode ser aliciante numa altura de recessão em Portugal, com elevada taxa de desemprego e perspectivas de futuro pouco animadoras.

 O autor, jornalista e actual director do jornal Briefing, escreve um guia minucioso e alerta que a decisão de emigrar, mesmo que temporariamente, deve ser ponderada e baseada em informação sólida. Primeiro, não se devem fazer as malas na esperança de chegar à terra prometida. O crescimento é acelerado, sim, mas tudo está em construção. Há trânsito caótico nas ruas, os preços da alimentação e habitação são muito elevados, os serviços de manutenção são escassos, há dificuldades nas comunicações. Hermínio Santos avisa ainda que o tempo dos salários elevados terminou.

 Hoje um técnico qualificado recebe cerca de três mil euros mensais. Há cinco anos, o mesmo trabalhador auferia cinco mil euros, a que acrescia subsídio de alimentação e refeições. Factores como a consolidação da paz, o regresso de angolanos com formação superior e o aparecimento de mão-de-obra de países asiáticos contribuíram para a estabilização dos salários “em valores mais realistas”. O livro também traça o retrato do país, descrevendo aspectos históricos e económicos, como a importância do petróleo, as relações com a China ou as parcerias entre Angola e Portugal.

(Continua…)

O Kimbo Lagoa subscreve

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:32
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Terça-feira, 16 de Abril de 2013
PARACUCA . IV

ONGWEVA - saudade, em Português

Por

 Filomena Camacho  Londres, 14/04/13 - (FB)

Ouve dizer-se que a palavra “saudade” é exclusivamente portuguesa, sem tradução em outras línguas. Contudo, em Angola, também “saudade” é traduzida, na Língua Umbundo, pela palavra “ongweva” prova de uma evidente conexão existente entre Angola/Portugal países que, numa miscigenação, não apenas física mas também da alma, tem caminhado juntos. Pergunte-se a cada Angolano se “ongweva” não será algo como uma febre de feitiço, lançada por “kimbanda” - dá aquela sensação que transcende, tornando-a incontrolável e impotente de amenizar!? A quem lá tenha nascido ou lá tenha permanecido, por longo ou curto período de tempo, da sua vida, sabe do que pretendo verbalizar.
 A saudade é uma síndrome que a medicina não pode actuar… A saudade dói! A saudade é persistente. A saudade, ainda que branda, corrói. Torna-nos prisioneiros… Recordar Angola, com o coração a transbordar de “ongweva”, transformamo-la numa tela viva de imagens, de sons, cores, de cheiros… Nas imagens revivemos: Paisagens de vegetação luxuriante; extensões desérticas; rios caudalosos; cascatas gigantescas e abruptas; cidades de grandes avenidas - com grandes néones dos reclames da: CUCA, NOCAL, CINE-TEATRO, HOTEL, BANCO… Das casas iluminadas pelo “petromax”, pelo candeeiro a petróleo, pelo fogo, pelas estrelas cintilantes do céu… Das picadas sem asfalto com casas de taipa a ladeá-las… Relembramos o som das cigarras; da música de farras…
 Relembramos os sons a rasgar a noite - onde o luar de um céu diáfano de luz, dava a impressão de uma abóbada de catedral, imensa, onde apetecia ajoelhar e elevar uma oração…tamanha a beatitude e êxtase que invadia os sentidos. Do coaxar das rãs, do kwáx-kwáx, do chilreios da passarada que, em sinfonia, deixando ecoar seus maviosos acordes! … Do batucar longamente frenético e, tíbio depois, do batuque; o dedilhar do kissanje; do chingufo… Os estalidos e os rumorejares do fogo das queimadas… Das cores: O tom variegado e ímpar com que Deus, ao colorir África, não fez questão em poupar nas aguarelas mas, deliberadamente, as espargiu como um pintor contagiado pelo magnetismo dos cambiantes, dos matizes… e, prodigamente, tornasse tudo num colorido, variado, inebriante e mágico... A amálgama dos verdes! … O matizado das flores, vegetais, frutos, animais! … A cor vermelha da terra! Tanta combinação harmoniosa…deslumbrante!... Os cheiros: O cheiro da terra, túmida… grávida duma flora incrivelmente diversificada e bela! O cheiro agridoce das flores, dos frutos, da terra molhada… O sol quente a mordiscar a tez queimada… ongweva, aiué, ongweva!

Paracuca: - jinguba mal pisada  com açúcar na forma de bolacha

 O Soba T´CHINGANGE



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Sábado, 13 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXVII

   AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . VII

Por

 ISOMAR PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Isomar Pedro Gomes, ex-funcionário da delegação provin­cial da Segurança do Estado (em Benguela), hoje é um homem amargurado, frustrado.

  A xenofobia na África do Sul, é extremamente incentivada e alimentada pela polícia Sul-africana e é planificada nas esquadras de polícia, um dia hei-de descrever as minhas experiencias com a corporação policial daquele País, que apesar dos pesares amo muito sinceramente. Fizeram certamente Nelson Mandela, banhar-se em lágrimas. O único Preto que chegou aos patamares dos ‘deuses’.

 AFINAL QUEM CAIU NA LAMA? - Há em algum país da Europa, a amálgama descriminada e promíscua, esgoto a céu aberto, suja e podre de ‘bairros’ que vimos e vemos principalmente nas periferias das capitais Africanas (quase todas elas) principalmente dos chamados “País Especial”. Os dirigentes Africanos, nem conseguem combater eficazmente o mosquito, causa do paludismo e malária que dizima à meio século, diariamente milhares de almas (principalmente crianças) pelo continente adentro, as doenças diarreicas (produto da falta de sanidade básica) faz de igual modo uma ‘ceifa’ aterradora. Doenças que o colono quase já tinha debelado como a mosca do sono, ameaçam ‘engolir’ povos inteiros. 

 Tudo isso acontece perante a pecaminosa insensibilidade de um grupinho de “iluminados africanos” (abençoados pelas igrejas) que preferem comprar castelos de milhões de Euros na Europa e em orgias depravadas, do que ajudar os seus irmãos, que não lhes pede mais do que e, apenas: BOA GOVERNAÇÃO... Gerirem o erário público para o bem de TODOS e da nação. E há quem tem o desplante de vir a público protagonizar uma perversa peça teatral, choramingando; “O colono blá-blá-blá”. Quanto ao anjo mulato, prefiro não comentar. Deus é Branco?.. Até posso aceitar, porem, de uma coisa estou certo, preto, é que não é de certeza ABSOLUTA!

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

FINAL

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:58
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MOKANDA DO SOBA . XXX

" TEMPOS DE DIPANDA  - Verdade ficcionada

Por

 T´Chingange

Chegado à casa do Senhor Bicho, não muito longe dali e, após as habituais apresentações mostrou-me o quarto disponível; foi-me dizendo que ainda estava em obras e que teria de ficar em um colchão ainda embrulhado em plástico, recomendando-me não o tirar em virtude de poderem vir a ser vendidos como novos. Assim foi mas, durante a noite a restolhada do plástico e a quentura não me proporcionou um absoluto descanso. Bem cedo, um empregado do Senhor Bicho comunicou-me que podia ir até a varanda situada por detrás do último quarto logo após o corredor que dava ao pátio interior para tomar o mata-bicho. Chegando lá encontrei o senhor Bicho dando ordens a uma gorda senhora que logo se adentrou na cozinha de onde se podia sentir o odor do café e, logo se sentou a meu lado cavaqueando sobre os muitos afazeres daquela hospedaria.

   E, falamos da sua distante terra, a Ponte do Charuto do Puto, bem perto de Mexilhoeira Grande no Concelho de Lagoa. Mostrei admiração pela beleza das portas quase maciças da entrada para os quartos com baixos-relevos dos cinco grandes animais de África. A minha porta era uma cabeça de búfalo; em realidade era uma obra de mestre. Bicho, sem saber da minha vontade em ir ao Rundu, do outro lado do Calai foi-me inteirando que a pessoa com quem eu tinha em mente encontrar, João Miranda, já não estava em na grande base de Grootfontein. Isso despertou-me curiosidade pelo que recolhi os detalhes possíveis.

 Pois é, continua Bicho: - a mando dum General de Pretória um dia chega um indivíduo sem nome, em Grootfontein, levando-lhe um visto de trabalho em nome de João Miranda; um Hércules C-130, levou a família inteira para Pretória. João Miranda que tinha todos os seus bens em Dirico, não queria por nada ir para Portugal. Deram-lhe um apartamento do tipo T4 totalmente equipado; o General viu nele o perfil certo para ser integrado no batalhão Búfalo por ser um bom conhecedor do terreno e falar a língua local e dos bosquimanos; A companhia Búfalo estava a ser organizada à algum tempo no intuito de intervir em Angola salvaguardando possíveis investidas terroristas e comunistas. Ovoboland seria um território tampão àquele avanço. Bicho perante a minha incerteza dum futuro incerto, aconselhou-me ir até Windhoek antes de tomar qualquer decisão; dizia-se que estavam ali os recrutadores de possíveis militares a integrar naquele batalhão. Tudo dependeria da aptidão e vontade de vir a ser um soldado da fortuna, vulgo mercenário. Indicou-me o Safari Motel para me instalar. Ali, iria recolher elementos junto a muitos refugiados, alguns deles, agentes da PIDE que tinham uma noção exacta das movimentações em curso. Um dia depois, segui em boleia com o tal Rocha de Oshakati, que me fez o especial favor de me levar ao Safari Motel.

(Continua…)

Glossário: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

O Soba  T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:25
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Quarta-feira, 10 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXVI

   AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . VI

Por

 ISOMAR PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 

 FILANTROPOS DA HUMANIDADE - A mais recente iniciativa de alguns dos milionários do planeta, comoveu muita gente. Há algum Africano entre os homens que protagonizaram tal feliz iniciativa? Todos eles (os citados filantropos) são homens que dedicaram a maior parte da sua vida na produção de riqueza, não o ‘tiraram’ de algum saco azul, nem tão pouco delapidaram o erário público nacional; sentiram-se na necessidade de “repartir com o necessitado” de todo o mundo. Ontem, os milionários Africanos orgulhavam-se de ‘aparecerem’ na revista forbes e congéneres, hoje face a iniciativa acima mencionada, publicam como que envergonhados; “não somos milionários”; alguns, chegam ao ponto de dizerem que o que têm é produto do salário.

 

 AFRICA DO SUL - Fiquei arrepiado com as imagens da actuação da polícia Sul-Africana em Benoni (será esta a cidade?!) que vitimou o jovem moçambicano Mido Macia (MM), na flor da sua juventude (27 anos). Imagens próprias de uma ‘cena’ do Faroeste no seculo XIX ou da era do Drácula no país da Draculândia. Quando vivi na Africa do Sul, tinha um medo atroz e justificado da polícia Sul-africana, principalmente dos pretos. A maioria do polícia Sul-africano preto chega a ser muito mais impiedoso e selvático que o mais impiedoso policia Sul-Africano branco. O polícia preto (na sua maioria) é absolutamente xenófobo, perverso, contra a lei, corrupto e desalmado. O policia branco, estou certo não faria tal coisa, e muito menos os tais policiais pretos fariam isso se MM fosse branco.

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

(Continua…)

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:09
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Terça-feira, 9 de Abril de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXVI

1975 - O ANO EM QUE 200 MIL PORTUGUESES FICARAM SEM SEUS DEPÓSITOS . III

 AS ESCOLHAS KIMBO

Por

 André Rito 

Há 12 anos, Manuel Mascarenhas Gaivão regressou à antiga Lourenço Marques para revisitar o local do seu nascimento e onde a família deixou os seus bens: casas e todo o dinheiro. "Senti-me perdido.

As histórias sucedem-se com um denominador comum: uma vida inteira para conquistar o que se perdeu em dias. Isabel Moreira e o marido estiveram 35 anos em Angola. Quando ele chegou a Portugal "nem dinheiro tinha para fazer um telefonema a dizer que estava no aeroporto". "A casa era alugada, mas tínhamos carro e dinheiro no banco. Fizemos todos os possíveis para reaver o que era nosso. Ainda tenho as indicações de Paulo Portas na minha agenda. Quando foi para o governo, em 2002, prometeu que ia tratar da nossa situação. Mas até hoje nada aconteceu."

 Embora muitas vozes se tenham insurgido contra o papel do Estado no processo de descolonização e no cálculo das indemnizações, as promessas de resgate do governo português raramente foram além do papel e das palavras, à exceção de quem tinha depósitos nos consulados. Luís Castro, que refez a vida a partir dos 150 contos que trocou em Portugal, ainda fez queixa no Parlamento Europeu, mas já desistiu de reaver o que era da família. Preferiu antes ensinar aos filhos a lidar com os problemas e aconselhou-os a emigrar. "Hoje estão bem, riem-se da crise".

 Todos os estrangeiros (não cidadãos portugueses) estabelecidos nas ex-províncias ultramarinas portuguesas já receberam dos respectivos países as indemnizações a que tinham direito. E isto porque as suas leis de indemnizações por bens nacionalizados se não restringiam ao espaço físico das respectivas ex-colónias, mas sim face a qualquer nacionalização em qualquer parte do mundo. A lei ainda vigente em Portugal é que as indemnizações devem ser feitas pelo estado que nacionalizou os bens. Utopia desde que a mesma foi aprovada em 1980. Nós, os cidadãos portugueses nada temos a exigir dos novos estados. Quem não acautelou foi o estado português. Não acautelou, nem se assumiu responsável.

Mussendo: Conto de raiz popular, missiva em forma de mokanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola), Comunicado.

FINAL

Opção de

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:59
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Domingo, 7 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXV

AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . V

Por

 ISOMAR PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.                        

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

A Organização da Unidade Africana (OUA) foi criada a 25 de Maio de 1963 em Addis Ababa, Etiópia, por iniciativa do Imperador etíope Haile Selassie através da assinatura da sua Constituição por representantes de 32 governos de países africanos independentes.

Organisation of African unity.svgA OUA é um club de “compadres” velhacos ditadores, egoístas que sonham com Paris, Londres, Estocolmo etc, ao mesmo tempo que transformam os respectivos países em autênticos ‘buracos negros’. As independências em África foram ‘feitas’ para algumas centenas de indivíduos africanos, em detrimento de centenas de milhões, cada vez mais miseráveis. Nunca a Europa ‘recebeu’ tanta riqueza de África como após a chamada “independência dos Países Africanos”, os novos-ricos africanos, apressam-se a ‘esconderem’ os produtos da sua criminosa delapidação na Europa para o gáudio dos Europeus, contrariando aquilo que eles próprios evocaram e prescreveram na convocação para a luta de libertação nacional.

 “Eu ir a Portugal algum dia?.. NUNCA!.. Nem morto!”- (1980 na idade de ouro do partido único) Disse, erguendo o punho direito bem alto em sinal de sacro-juramento, em pleno comício em Benguela, um dos então carismáticos dirigentes da “Revolução Angolana” que prescindo de citar o nome, hoje ele próprio, não só é frequentador assíduo e brioso de Portugal e “empresário português” como também é o orgulhoso presidente de uma agremiação desportiva portuguesa em Angola.

 Quase meio século depois, podemos dizer que o IDH dos povos africanos subiu ou regrediu? Somos melhores tratados hoje pelos nossos irmãos dirigentes? Os ideais que nortearam a luta de libertação colonial ainda estão vivos e recomendam-se? Muitos dos nossos jovens usam orgulhosamente tecnologia de ponta os ipod, ‘aichatissa’ e ‘aipad’ fazem a banga da juventude, mas o meio que os rodeia é nauseabundo e desolador. O Stress agudo e o AVC matam tanto quanto a malária.

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

(Continua…)

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:45
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Sábado, 6 de Abril de 2013
CAZUMBI . XXX

 AS ESCOLHAS KIMBO

CABINDAProtectorado Português . 1ª de 2 Partes

Por

   Rui Neumann

C abinda . Alexandre Tati

Tati, vice-presidente da FLEC, manifestou, em entrevista à PNN, a necessidade da realização de «uma reunião» onde participem todas as forças vivas de Cabinda sem excepção, a fim de encontrarem um consenso para futuras negociações com Angola. «Pedimos ao presidente da república de Angola, José Eduardo dos Santos, que autorize os cabindas que estão em Angola, inclusive do MPLA, que se juntem aos que estão em Cabinda e no estrangeiro» numa reunião inter-Imbinda, declarou Alexandre Tati. «Angola poderia aproveitar esta proposta, tal como os portugueses fizeram no passado em Alvor quando deram a oportunidade aos angolanos de criarem uma posição única.» Negociações que devem contar com a participação de todas as sensibilidades das forças vivas de Cabinda.»

 

 Para Alexandre Tati a reunião sugerida não seria uma repetição do «erro da Holanda», quando em 2004 a FLEC/FAC e a FLEC Renovada se fundiram efemeramente num só movimento, culminado com a cisão da facção de António Bento Bembe, ex líder da FLEC Renovada, que decide negociar directa e isoladamente com Angola levando ao colapso dos acordos de Helvoirt assinados na Holanda.

 «Bento Bembe assinou um cessar-fogo o Memorando de Entendimento com Angola sem um mandato da FLEC ou do povo de Cabinda. Assinou da forma como ele mesmo pensava, mas não como o povo queria. Como resultado o povo boicotou totalmente esses acordos porque não se identificou neles, daí o que importa é a opinião do povo», realçou. Tati todavia afirma que não nega Bento «como filho de Cabinda», e sublinha: «ele [Bento Bembe] é filho de Cabinda, assim como outros que estão no Governo angolano e, que sendo filhos de Cabinda, também querem a independência da mesma. Conhecendo Bento Bembe, e tendo trabalhado com ele, considero-o como um independentista e como alguém que quer ver o seu território livre.»

KAZUMBI: Feitiço; pouca sorte; coisas de kazucuta (malabaristas, pais de santo e mwangolés); macumba obscura.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:02
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Sexta-feira, 5 de Abril de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXV

1975 - O ANO EM QUE 200 MIL PORTUGUESES FICARAM SEM SEUS DEPÓSITOS . II

AS ESCOLHAS KIMBO    

Por

 André Rito

Embora o resgate de meio milhão de portugueses que viviam nas ex-colónias portuguesas tenha sido feito em tempo recorde - durou apenas quatro meses -, os processos para recuperar bens e dinheiro ainda hoje se arrastam. Em 1977, a legislação criada para indemnizar os "espoliados" previa 23 anos de amortização para quem reclamasse valores acima dos seis mil contos, com uma taxa de juro de 2,5%. No Chipre, talvez inspirado nos muitos países que ao longo da sua história decidiram combater as crises taxando o capital, os grandes depositantes são os mais prejudicados: 30% para quem tiver depósitos superiores a 100 mil euros.

 E as restrições não vão durar apenas uma semana, como inicialmente previsto. Quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros cipriota, Ioannis Kasoulides, afirmou que o país espera levantar as imposições "em cerca de um mês", apesar de Bruxelas ter pedido celeridade e avisado que as restrições aos movimentos de capitais só são admissíveis em circunstâncias excepcionais e rigorosas. "Serão retiradas uma série de restrições, de forma gradual, provavelmente depois de um mês. Todas serão retiradas."

 Ao longo dos últimos 30 anos sucederam-se promessas políticas, formaram-se grupos de trabalho, emitiram-se despachos para resolver a questão dos espoliados. Quando era primeiro-ministro, em 1992, Cavaco Silva criou o Gabinete de Apoio aos Espoliados, tendo sido feito o levantamento dos bens perdidos. Mas as diligências resultaram em nada; dois anos depois, o gabinete extinguiu-se.

Mussendo: Conto de raiz popular, missiva em forma de mokanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola), Comunicado.

(Continua…)

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Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:17
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Quarta-feira, 3 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXIV

AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . IV

Por

 ISOMAR PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 HOJE ouvimos falar de relatos arrepiantes de governação de ‘preto-para-preto’ em muitos países africanos; Incompetência criminosa, bajulação estúpida como doutrina, ganância e egoísmo exacerbado (primeiro eu - sempre), mentira como regra, assassinatos indiscriminados, prisões em massa, inexistência de liberdade de expressão – a ‘Bíblia’ citado pelo Morgan Tchavingirai. - (inclusive, gritar; “estou com fome” é crime passível de perder a vida. Kamulingue e Kassule, são a prova viva do facto), vida miserável, falta de empregos, corrupção endémica, justiça injusta e totalmente parcial, cadeias (horrorosamente infernais) a abarrotar de jovens provenientes das classes desfavorecidas, hospitais que mais parecem hospícios, escolas que mais parecem pocilgas etc. etc.

O paradoxo, é, se HOJE em África, usufruímos de um bocadinho de liberdade com sabor a vida, é precisamente graças aos Europeus, isto é aos brancos, que desenvolveram uma nova ordem de conduta internacional e instituições internacionais que vigiam sobre o globo, incluindo obviamente África. As sanções internacionais e outras medidas de contenção pairam sobre os dirigentes Africanos, e então, estes por sua vez, fingem praticar a democracia, não porque eles gostam da democracia, porque temem o “deus branco e o seu braço punitivo”. Porque se dependêssemos totalmente dos governos de “preto-para-preto” seguramente, não seria possível viver, na vasta maioria dos países Africanos.

O protótipo Africano da UE (União Europeia) a chamada UA (União Africana) é uma mentira descabida, a UA é uma instituição falida, decrépita, débil e ‘estaladiça’ (como a bolacha ‘chinesa’ de água e sal) que ninguém leva a sério, uns poucos países africanos esforçam-se por dar credibilidade a UA e ao continente, houve até quem propusesse a seguinte designação DUA (DesUnião Africana), por exemplo quando teremos um Tribunal Internacional Africano? Se os tribunais da maioria dos Países membros é do “faz de conta”, os Africanos instituíram também uma espécie risível de Parlamento Africano; que acções praticas tal PA já desenvolveu em beneficio dos Africanos?

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

(Continua…)

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:35
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Segunda-feira, 1 de Abril de 2013
INVENTAÇÕES DA HISTÓRIA . X

EM TERRAS DO SUMBE. Tempo de Macutas

Verdade ficcionada

Por

T´Chingange

Como secretário de fazenda de João de Câmara da Capitania-Geral do Reino de Angola a minha actividade estava a ficar demasiado intensa; o capataz José Nanquituka dava-me grande ajuda mas o tempo a passar fazia dele um já mais-melho pelo que tive de recorrer ao irmão Francisco Kaputo da Silva, um auxiliar missionário a fim de lhe dar ajuda na permuta de produtos trazidos pelos pombeiros; compra, armazenagem e revenda de milho, óleo de palma e mandioca. A pesca, estava a ser um sucesso e a azáfama da venda de fardos de peixe seco para os comerciantes do mato era proveitosa à fazenda pública.

 Os panos de ráfia coloridos eram cada vez mais solicitados pelas gentes vindas do Huambo. As makutas pouco a pouco iam substituindo as permutas, os libongos e os cundis tão do uso das gentes do Kwanza na troca de sal da Quiçama, palma e t´chissângwa. As missangas e conchas tão do uso dos M´bundu eram cada vez mais usadas como adornos pessoais, uma marca de estatuto social. A obra missionária já se fazia sentir na conduta de todo este pessoal que transformava as libatas em taipa com cuidados acrescidos nas n´hakas aonde se ocupava o mulherio ora cantando ora fumando tranças de tabaco com o lume dentro da boca.

 Trazia dentro de mim uma urgência que me queimava como fogo fazendo girar a cabeça de expectativa misteriosa; fumar daquela maneira transtornava o meu entendimento mas, nada dizia nem perguntava. Costumes, são coisa que nem sempre se entendem e aquele, por bizarro não era dos piores. Eu ficava em expectativa vendo as mulheres com seus candengues seguros em libongos atados ao redor da cintura enquanto fumavam e sachavam a terra húmida. Da varanda grande e no topo da colina do Sumbe podia apreciar a vida que se agigantava ao redor do armazém anexo à fazenda de onde vinham cheiros intensos. E, eis que, engalanado com bandeiras, panos e guarda-sóis coloridos, em ambiente de grande excitação e alegria vindo de Quilengues, surge um branco albino que parecia um demónio, cabelos sujos e espetados como capim velho. Vinha buscar barricas de aguardente e rolos de tabaco.

(Ver glossário no final)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:28
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Domingo, 31 de Março de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXIV

1975 - O ANO EM QUE 200 MIL PORTUGUESES FICARAM SEM SEUS DEPÓSITOS . I

    AS ESCOLHAS DO KIMBO  

Por

 André Rito

O dia 25 de Abril de 1974, em casa de Ilda Lage, na cidade angolana de Cuito, então chamada Silva Porto, foi de festa. "Abrimos uma garrafa de champanhe. Pensávamos que então é que Angola ia ser o país que sempre havíamos sonhado: justo e para todos", lembra. A esperança esfumou-se em pouco tempo, quando a família percebeu que tinha de abandonar o território e embarcar no maior resgate civil alguma vez feito em Portugal: a ponte aérea, que durante o "verão quente" de 1975 trouxe de volta ao país 200 mil portugueses cheios de incertezas. E de mãos vazias.

 Quase 40 anos depois, a família de Ilda Lage ainda faz parte da lista de mil espoliados com processos em tribunal contra o Estado português. "O caso está no Tribunal Internacional de Haia, mas não acredito que se faça justiça." Nascida em Angola, regressou a Portugal ao fim de 35 anos e foi obrigada a começar uma vida do zero. "Deixámos uma vivenda, negócios, tudo. No banco tínhamos o suficiente para comprar um apartamento em Portugal, mas tudo o que conseguimos trazer foi cinco contos por adulto. E meia dúzia de sacos com roupa porque nem malas tínhamos. Estavam esgotadas." Entre 1976 e 1980 deram entrada no Estado português 46 mil processos de reclamação de bens espoliados para descongelamento de contas bancárias, conversão de moeda, indemnizações por bens imóveis, entre outros. Os valores não são fáceis de apurar e a maioria dos que regressaram a Portugal nunca receberam qualquer indemnização, nem do governo português nem das ex-colónias. Num estudo divulgado pela Associação de Espoliados do Ultramar estima-se que terão ficado em África 250 milhões de contos, valores correspondentes apenas às poupanças de 80 mil portugueses.

 "O que vemos no Chipre foi o que nos aconteceu: a determinada altura fecharam os bancos, deixámos de poder levantar dinheiro, congelaram-nos as contas, meteram-nos num avião e aterramos em Portugal, com uma mão à frente e outra atrás", compara Luís Castro, filho de fazendeiros de café que exploravam terras em Angola. "Nessa altura, quando saímos, foi fechar a porta, deixar os frigoríficos cheios e sair. Consegui levantar 50 mil angolares em notas, dinheiro que não valia nada. E as empresas do meu pai deixaram na conta do Banco de Portugal 500 mil contos."

 Para muitos dos que abandonaram o território africano, o limite ao transporte de valores estava fixado em cinco contos por adulto. Não foi o caso de Luís. Mas dos 50 mil que conseguiu levantar, recuperou apenas 150 contos: "Desembarquei, estive três dias no hotel e 15 no chão do aeroporto, a trocar os 50 mil angolares em negociatas com os tripulantes da ponte aérea. Entregava 100 contos, eles compravam ouro e relógios e eu recebia 500 escudos." Apesar dos mais de 30 anos que separam as duas realidades, para quem está no Chipre as limitações à circulação de capitais são reais, tal como foram para os portugueses no Ultramar. Com o resgate, os cipriotas viram-se impossibilitados de abandonar o território nacional com mais de três mil euros, e as medidas impõem restrições também às transferências para o estrangeiro, limitadas a dez mil euros por trimestre, assim como a utilização de cartões de crédito fora da ilha, agora reduzida aos cinco mil euros/mês. O levantamento de cheques foi suspenso.

Mussendo: Conto de raiz popular, missiva em forma de mokanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola), Comunicado.

(Continua…)

Nota: Embora o autor faça alusão a 200.000 espoliados do Ultramar, a realidade é bem superior no número, podendo arriscar-se o mínimo de 600.000 segundo várias fontes não oficiais.  

Opção do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:28
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Sábado, 30 de Março de 2013
MUJIMBO . XXXIII

   AS ESCOLHAS DO KIMBO                        

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . III

Por

ISOMAR   PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela. 

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Hoje é um homem amargurado, frustrado. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 

 Poderia África ser hoje comparada ao Inferno ou ao Purgatório? Qualquer um deles serve! Paraíso: NUNCA. Pouquíssimos países Africanos (menos do que os dedos de uma mão) podem aproximarem-se a tal eleição. “HOJE até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo” – sintetizou Morgan Tchavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabweano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo. Zimbabwe no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente. Por vezes quando nas datas históricas, oiço e vejo pela TV, indivíduos a mencionarem o que o ‘colono nos faziam’, sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mato de ‘risada’, “porque o colono fazia…blá-blá-blá” - dizem eles - hoje faz-se pior!

 

 O colono se fez, quase que o desculpo, é ou foi colono, é branco não é meu irmão de raça, etc., agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, (ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura) faz o que viva e denodadamente repudiávamos do colono, esta ultima acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma. Por isso, logo após as independências Africanas, verificou-se o segundo êxodo – o primeiro foi dos brancos a abandonarem África - milhões de Africanos, abandonaram com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença a África, a maioria arriscando literalmente as suas vidas (o filme continua até aos nossos dias), seguindo os outrora colonos, porque chegaram a conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político Africano; “eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar” disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.

 Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África, porque?! Os Europeus, muitos deles depois de chacinados em África pelas revoltas africanas, de regresso aos respectivos países embora destroçados de dor e amargura, receberam de braços abertos muitos dos antigos carrascos, dando-lhes um lar e emprego decente e uma vida digna, que jamais tiveram nos países de origem; Paz e sossego duradouro. O contrario era possível?... Se ainda hoje 37 anos depois do fim da colonização, os dirigentes Angolanos (por exemplo) ainda se desculpam na presença colonial Portuguesa em Angola, para justificar a Pobreza e outros pesares que “estamos a sentir”; eles não são, nunca serão culpados, mas o colono (37 anos depois), SIM. Estou seguro que, quando Angola festejar o 50º aniversário, os dirigentes Angolanos, ainda estarão a rogar pragas ao colono Português.

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

(Continua…)

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O Soba T´Chingange



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Domingo, 24 de Março de 2013
MUJIMBO . XXXII

   AS ESCOLHAS DO KIMBO                        

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . II

Por

  ISOMAR   PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Hoje é um homem amargurado, frustrado. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 

 As então, gerações de jovens africanos instruídos pelas instituições da administração colonial organizaram-se politicamente e fizeram soar a acusação de que os Europeus estavam a sugar as riquezas do solo pátrio em benefício exclusivo das nações colonizadoras, desconsiderando totalmente os interesses dos nativos e das colónias, transformando os autóctones em miseráveis na sua própria terra; “eles vieram com a Bíblia, nós tínhamos as terras, no fim eles ficaram com as terras e nós com a Bíblia” disse Robert Mugabe, nacionalista e guia da libertação do Zimbabwe.

Jomo Keniata

Organizaram-se contra o invasor, protestos, revoltas, guerras, chacinas, a história regista que o movimento e actuação dos ‘mau-mau’ liderado pelo indomável Jomo Keniata, foi um dos mais cruéis de África e o que chamou a atenção da comunidade internacional, para a necessidade da urgente descolonização do continente negro. Claro a violência gera violência, os resultados hoje fazem parte da história. A resposta colonial a violência nacionalista africana, sempre foi comedida, por exemplo, se a força policial Portuguesa no 4 de Fevereiro e posteriormente no 12 de Março de 1961, correspondessem com o mesmo demonismo com que o MPLA ‘respondeu’ ao chamado Fraccionismo do 27 de Maio 1977, muitos dos actuais dirigentes, não existiriam, e provavelmente não haveria movimentos de libertação, durante muito tempo. 

 Passado cerca de meio século, que a maioria dos países Africanos ‘arrancaram’ na ponta da espingarda a independência das potências colonizadoras (seguindo a lição do camarada Mao Tsé-Tung), se fizermos o balanço, quais foram os ganhos que os respectivos países e povos obtiveram, poucos são os Países Africanos que diremos, saíram indiscutivelmente a ganhar. “Quando é que a independência afinal vai acabar?”- Indagou desesperado/desapontado um septuagenário angolano nos idos anos 78-80, fatigadíssimo da guerra estúpida, de tanta crueldade e injustiça praticada pelos seus patrícios (do regime e da oposição), denominados de nacionalistas de primeira água.

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

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O Soba T´Chingange

 



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Sábado, 23 de Março de 2013
MULUNGU . XXXVI

OS MONSTROS DE PORTUGAL !

   AS ESCOLHAS DO KIMBO

Por

 Joaquim Letria

SE PASSOS COELHO FOSSE HONESTO!

A REDUÇÃO das reformas e pensões são as piores, mais cruéis, e moralmente mais criminosas, das medidas de austeridade a que, sem culpa nem julgamento, fomos condenados pelo directório tecnocrático que governa o protectorado a que os nossos políticos reduziram Portugal. Para os reformados e pensionistas, o ano de 2013 vai ser ainda pior do que este 2012. Os cortes vão manter-se ou crescer e, com o brutal aumento de impostos, a subida dos preços dos combustíveis, do gás e da electricidade, e o encarecimento de muitos bens essenciais, o rendimento disponível dos idosos será ainda menor.
:::::::

Os aposentados são indefesos. Com a existência organizada em função dum determinado rendimento, para o qual se prepararam toda a vida, entregando ao Estado o estipulado para este fazer render e pagar-lhes agora o respectivo retorno, os reformados não têm defesa. São agora espoliados e, não tendo condições para procurar outras fontes de rendimento, apenas lhes resta, face à nova realidade que lhes criaram, não honrar os seus compromissos, passar frio, fome e acumular dívidas.
 No resto da Europa, os velhos viram as suas reformas não serem atingidas e, em alguns casos, como sucedeu, por exemplo, em Espanha, serem até ligeiramente aumentadas. Portugal não é país para velhos. Os políticos devem pensar que os nossos velhos já estão mortos e que, no fim de contas, estamos todos mal enterrados... Sigam a lista dos nove SEs:

1 -Se Passos Coelho começasse por congelar as contas dos bandidos do seu partido que afundaram o país, era hoje um primeiro-ministro que veio para ficar.

2 -Se Passos Coelho congelasse as contas dos offshore de Sócrates que apenas se conhecem 380 milhões de euros (falta o resto) era hoje considerado um homem de bem.

3 -Se Passos Coelho tivesse despedido no primeiro dia da descoberta das falsas habilitações o seu amigo Relvas, era hoje um homem respeitado.

4 -Se Passos Coelho começasse por tributar os grandes rendimentos dos tubarões, em vez de começar pela classe média baixa, hoje toda a gente lhe fazia uma vénia ao passar.

5 -Se Passos Coelho cumprisse o que prometeu, ou pelo menos tivesse explicado aos portugueses porque não o fez, era hoje um Homem com H grande.

6 -Se Passos Coelho, tirasse os subsídios aos políticos quando os roubou aos reformados, era hoje um homem de bem.

7 -Se Passos Coelho tivesse avançado com o processo de Camarate, era hoje um verdadeiro Patriota.
8 -Se Passos coelho reduzisse para valores decimais as fundações e os observatórios, era hoje um homem de palavra.

9 -Se Passos Coelho avançasse com uma Lei anti-corrupção de verdade doa a quem doer, com os tribunais a trabalharem nela dia e noite, era já hoje venerado como um Santo.

 Mulungu: É uma arvore de grande porte com flores vermelhas,;existem no Brasil e em Angola

O Soba T´Chingange



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Terça-feira, 19 de Março de 2013
MUJIMBO . XXXI

 AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLARiqueza, é um luxo para poucos! . I

Por

 ISOMAR PEDRO GOMESNatural de Malange, estudou em UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Isomar Pedro Gomes, ex-funcionário da delegação provin­cial da Segurança do Estado (em Benguela), hoje é um homem amargurado, frustrado. Recusa-se a revelar os cargos que exerceu dentro da «secreta» benguelense, desculpando-se. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda.

 Luanda  - À dias a caminho do Hojy-yá-Henda, a bordo de um dos maximbombos da TCUL Viana - Cuca, um dos vários azulinhos, os emblemáticos táxis colectivos, que ‘palmilham’ Luanda, chamou a atenção ao exibir no vidro traseiro o seguinte dístico; BRANCO È DEUS, MULATO É ANJO, PRETO É DIABO. Tal dístico levantou as mais diversas celeumas entre os passageiros do maximbombo e transeuntes por onde o dito azulinho (mini m´bombó - ‘popó-show’) passou. Raciocinei com os meus botões e os meus botões comigo, as causas que levaram o proprietário do ‘popó’ ou do ‘chauffeur de praça’ a mencionar e exibir tal ‘desgraçado ou ditoso (?!)‘ rótulo. Na busca mental das ‘causas’, não pude deixar de comparar o modo de vida de hoje e o da administração colonial, quando o País e a grossa maioria dos países do continente Africano, era administrado por indivíduos maioritariamente de raça branca, provenientes da Europa, “os tais colonos”, poderia África ser comparada a um paraíso? A quem diga sim, eu não discordo dele! “Colonialismo caiu na lama!” Lembram-se deste célebre estribilho 1974-1977?

 

Foto: VIVA A POBREZA!...A eliminação da subvenção dos combustiveis, vai beneficiar os pobres? o que acham mwangolés?... há quem defenda a eliminação da subvenção e o aumento de unidades de transportes públicos, os chamados articulados na cabeça de lista... será? A JOÌA COLONIAL - Angola, era mundialmente conhecida como a Jóia do império Português e exibia majestosa, todos os pergaminhos de tal título, o Quénia a par da África do Sul, a jóia Africana do império Britânico, Algéria a jóia Africana do império Francês e o antigo Congo/Zaire a jóia do Belgas. Tais países Africanos - no contexto do outrora, prosperavam a olhos vistos (a maioria deles encontravam-se ainda na idade da pedra), as respectivas comunidades autóctones idem em aspas, os índices de desenvolvimento humano dos autóctones inegavelmente estavam lenta e seguramente subindo, as obras dos colonialistas ainda perduram pela África adentro. Verdade seja dita, o esclavagismo e as guerras de “kwata-kwata” fizeram irremediáveis estragos em África. Mas também não é menos verdade, que a falta de unidade, ambição, irresponsável individualismo e a sempre estúpida e insana mente guerrearam, fizeram verter sangue (entre nós Africanos), tornaram bem-vinda “la pax romana” isto é promulgação da força do chicote e da bala, pelos Europeus.

(Continua…)

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

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O Soba T´Chingange



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Domingo, 17 de Março de 2013
MULUNGU . XXXV

RELEMBRAR LUUANDA! - NO INCHAÇO DO TEMPO

Por

T´CHINGANGE

 Que saudades dos meus tempos de candengue! Da malta com quem ia ao Cine-Colonial ver o Zorba, as cowboyadas do John Wine, das beatas pelo ar e dos avisos aos heróis de cena, cuidados e “olha na tua trás” da plateia cheia de grunhos, mazombos e alguns gwetas como eu. Que saudades das sandes de peixe frito do velho Campino, e daquele seu "boteco" defronte da Farmácia São Paulo! Do Sr. Brito que tratava da "flor do Congo"! Que saudades dos doces da paracuca, pirolitos, kicuerra e kafufutila! Saudade das palavras que o tempo escondeu por dentro do tempo que nos faz bassula e, certas palavras do tempo que se esquindivam no catravés da idade que num para.

 Lembranças do baleizão, das sandes de presunto e cachorro quente e daqueles finos de cerveja Cuca, tiradas à maneira, pelo Tarik? Das garinas conquistadas nos muitos bairros aonde exibíamos a nossa banga ninita como da Maianga, Vila Alice, Praia do Bispo, Vila Clotilde, Do Rangel, Samba, Sambizanga, Marçal, Catambor. Da banga fecúla que dispensávamos às m´boas do Bairro da Terra Nova, da Caoope, do Bairro do Café, Maculussu, Ingombotas e lá longe no Cassequele. Das farras do Braguês e na cultura do cinema no Kipaka, Kilunda, Restauração do Chà-das-seis do Montez e as baronas do Bê-Ó; da Maria das pressas e da Calhoça. Desportivo de São Paulo! Aiué Copacabana! Aiué o Rex! Aiué Liceu Salvador Correia! E, a EIL na Vila Alice. Do maximbombo nº 3 da Maianga, Malhoas e Rio-seco. Das idas à barra do Kwanza, das bissapas no Morro da Luua, Mabubas, Mulemba, Kacuaco, Porto Kipiri e Kifangondo dos cacussus, das bialas de zuza no lifune e dos maboques na estrada de Catete tão cheio de chinguiços, Viana, Calomboloka, Kassoneca e a Muxima no Kwanza.

 Aiué Catonho-Tonho! Aiué Gajajeira! Aiué Lusolanda, Robert-Hudson, Casa Americana, Biker, Quintas e Irmão, Armazéns do Minho e do Bungo, Maria Armanda e Lello. São essas recordações, que nos fazem lagrimar na saudade! A fragrância da Catinga, do Mufete, da garoupa, peixes galo, pungo, corvina, prata e caxuxo. Do cacussu assado com feijão de óleo de palma, com o pirão ou funge com o caldo do cozido. Saudades do bangasumo do kimbombo do marufo da cassoneira, da t´chissângwa e a bolunga de milho. Dos piqueniques no Mussulo e, seus barcos kapossoka e kitoco a acalmar as agruras dum fim-de-semana; acalmia, sossego e paz no encanto da embriaguez de um outro mundo na voz do tempo! Na voz daqueles que já partiram! Aiué Minguito com a sua concertina, e da Velha cega Guinhas que relançam um tempo de cazumbi perturbando o íntimo no limiar do nada, o vazio dum oculto fogo. A estória começa assim: Era uma vez, uma Luua!

O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 15 de Março de 2013
MUJIMBO . XXX

  AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLA - Luanda é um luxo para poucos

Opção de

Carlos Ferreira Carlos Ferreira (Embaixador Itinerante do Kimbo - Puto).

Sobre o Autor

 Bruno Garschagen - Jornalista brasileiro e mestrando em Ciência Política e Relações Internacionais no IEP/UC

 A revista "Foreign Policy" saudava Angola por seu "espectacular crescimento económico". Estive em Luanda no final da semana passada e o que vi foi um estado policial e muita miséria. Você reconhece essa nação? O título da publicidade em formato de reportagem que a revista "Foreign Policy" publicou em sua edição de Maio/Junho saudava Angola por seu "espectacular crescimento económico". Por sua segurança e estabilidade política. Por seu poder regional para promover a paz. Quem pode duvidar de um país turbinado pela indústria petrolífera? Estive em Luanda no fim da semana passada para uma série de encontros pelo OrdemLivre.org, o programa lusófono da Atlas Economic Research Foundation em parceria com o Cato Institute. É a cidade mais cara em que já pus meus pés. Não há calçadas para pôr os pés. Não há espaços nas ruas para tantos carros. Os veículos novos e importados fintam o tráfego intenso e a miséria que bate nos vidros em busca de clientes para produtos chineses de marcas famosas. Ou de uma mera esmola que engane a fome. Luanda parece recém-saída de um terramoto. Construções decadentes são a moldura trágica para os poucos prédios novos e para as construções em curso. O lixo espalha-se no chão como folhas da relva. A cidade cheira mal. O transporte público é precário. Autocarro é um luxo reduzido e irregular. Não há táxi. Quem tem dinheiro aluga um carro com motorista. Quem não tem, anda espremido em carrinhas lotadas. ou a pé. Foi o que fiz!

 Os pobres de Luanda vagam pelas esquinas. Grupos de homens concentram-se em vários pontos da capital. Os trabalhos disponíveis exigem qualificação! Muitos deles nem sequer sabem ler ou escrever. A taxa de iliteracia é de 32,6%, segundo o CIA World Factbook. Luanda é um estado policial. É mais simples obter um visto de entrada para a China comunista. Quase mediram meu crânio e contaram meus dentes. No aeroporto, os sempre gentis funcionários da imigração olham com aquele semblante de vampiro esfomeado. No hotel, um formulário do governo solicita-me informações pessoais e objectivo da visita. Um gesto de boas-vindas um tanto excêntrico. A despedida? Guardas no aeroporto confiscaram todas as notas da moeda local. Não, não deram factura. Estabilidade política? Como não? O presidente José Eduardo dos Santos está no poder desde 1979. Não vejo outra forma de garantir a estabilidade do que se manter no poder durante 30 anos. E daí? Vendo fotos de Luanda na década de 1970 e lembrando o que vi pessoalmente há alguns dias é impossível não pensar nas virtudes da estabilidade adquirida naquele país por aquela elite política. Parte do país vai muito bem, obrigado. Mora em condomínios fechados afastados da miséria do centro. São os beneficiários do "espectacular crescimento económico" que perverte a ideia de um desenvolvimento cuja riqueza permite que grande parte da população saia da miséria.

 O estado angolano exerce o monopólio da actividade económica e decide quem poderá desfrutar das benesses do sector petrolífero. O mercado, lá, não existe. Na lista de 141 países do Índice de Liberdade Económica do Fraser Institute, Angola aparece na penúltima posição. Notável. As riquezas naturais de um país sob um governo autocrático funcionam como um muro perverso entre o Estado e a sociedade. Se o orçamento do governo não advém da riqueza produzida pela sociedade, a população perde o poder de pressão sobre a elite política. É convertida num estorvo que deve ser controlado. A população ainda carrega no espírito e no corpo a desolação da guerra civil, encerrada há apenas oito anos. A riqueza exibida pelos poucos é um apelo muito forte entre os jovens desafortunados. É natural que prefiram integrar a elite a lutar por mudanças políticas que beneficiem os indivíduos e não apenas um grupo protegido pelo Estado. Mas há uma minoria que nos permite alimentar a esperança, mesmo que a longo prazo, de reforma do status quo. São estudantes, professores, jornalistas, advogados, intelectuais, que trabalham de forma isolada ou articulada para "desprivatizar" o governo angolano. São indivíduos que, no futuro, poderão repetir a mesma pergunta sem qualquer ponta de ironia: "Você reconhece essa nação?"

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O Soba T´Chingange



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Quinta-feira, 7 de Março de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXII

A LUA DE MARFIM - 2ª de 2 partes

  AS ESCOLHAS KIMBO           

Por
  Dy – Dionísio de Sousa


 Numa sociedade de mentira, ostentação, consumo e muita falta de bom senso, não posso deixar de salientar sempre que possível o lugar onde nasci. Podem pensar que eu sou repetitivo, aliás a minha colega e amiga Filomena chega a exasperar-se quando eu conduzo invariavelmente as conversas para aquele lugar tão longínquo hoje como a própria Luua. – Pára de falar de Angola Figueiredo, tornas-te chato, repetitivo como se aquilo fosse o maior paraíso à face do planeta. – Repreende-me agastada e mal-humorada. – Mas Filo, tem de compreender que ser espoliado da sua terra das suas memórias dos seus mortos, empurrado para o exílio da mesma maneira que foram os Hutus e os Tutsi, Congoleses, Croatas e tantos outros, deixa marca para o resto da vida. – Retorqui em minha defesa. – Não queiras comparar uma coisa com a outra David, tem dó.

:::::
A Filomena é uma alentejana de gema que nunca foi a África e, é dez anos mais nova que eu. Revolucionária da raiz dos cabelos até à ponta dos dedos dos pés. Para ela a Democracia e a Liberdade são valores inquestionáveis e ainda pensa que nós, que de uma forma vilipendiada fomos e somos apelidados de retornados e estigmatizados como fascistas e colonialistas não temos nenhuma razão para nos queixarmos. Tento fazer-lhe ver a minha Luua de Marfim, aquela que em África é verdadeira ao contrário desta do hemisfério norte que é falsa. Lá quando é crescente tem a forma de um C, e quando é (Minguante) decrescente a de um D; é um pormenor insignificante mas que me diz muito.

::::

 Não gosto de chorar na maré, e hoje muito menos que tenho os olhos abertos e vejo a sociedade ocidental tal como ela é, interesseira, hipócrita, gananciosa e desprovida de valores fundamentais. – Filomena, nasci em Angola e já de uma quinta geração. Nasci sob a protecção da bandeira das quinas e fui obrigado em nome dela a cumprir quatro anos de serviço militar obrigatório. Nunca comprei nenhum prédio no Areeiro nem noutro qualquer lugar. Nunca transferi o pré de três escudos e cinquenta centavos para Portugal, mas em contrapartida nos anos em que um jovem encaminha a sua vida, tive de andar de caserna em caserna. Vi muitos portugueses que atravessaram o Equador para desempenharem funções diversas na actividade administrativa, chegarem ao ultramar e encontrarem casas mobiladas com o bom e o melhor, alguns com cinco e seis criados, tudo às expensas do estado.

Reis Vissapa

Mussendo: Conto de raiz popular, missiva em forma de mokanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola), Comunicado.

Opção do Soba T´Chingange



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