Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016
MUJIMBO . XCVIII

BRASIL . PONTOS DE VISTA . Enfim, o Golpe - Um golpe que atinge a credibilidade (que ainda resta) das Instituições. Como acreditar num Supremo que vive a transgredir a Constituição. Será isto?

Por

Fernando Gabeira 1.jpgFernando Gabeira  Fernando Gabeira é insuspeito para comentar este assunto, foi comunista e terrorista lutou para implantar uma ditadura nos moldes cubanos no Brasil. Hoje tem outro pensamento...

fern2.jpg "Depois de tantos meses de disputas, negociatas e articulações, o dia D do impeachment de Dilma Roussef chegou e enfim tivemos um golpe no Brasil. Mas para a surpresa minha, sua e do mundo, não houve o golpe tão propalado pelos defensores do governo Dilma, mas sim um outro golpe. Na verdade um golpe de mestre, orquestrado e costurado à sorrelfa, ou como se diz hoje em dia, na miúda, por gente graúda. Muito graúda. Se vocês não têm essa ideia com clareza ainda, vamos aos fatos.

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Mesmo sabedor da circunstância de que o impeachment estava sacramentado, Lula continuava trabalhando forte nos bastidores. Hoje soubemos o motivo. Não era para evitar o impeachment coisa nenhuma, mas sim para evitar a inabilitação de Dilma.

fern5.jpg Segunda pergunta mais importante: quem ganha com o golpe de hoje? Ao menos dois grandes grupos de pessoas: 1) Dilma, PT e todo mundo que trabalhava no discurso do golpe, que agora para sempre poderá dizer que “ah, tanto foi um golpe que ela sequer foi condenada – fica óbvio que ela não cometeu nenhum crime e o único intuito era tirá-la”;

fern3.png 2) Cunha e todos os demais parlamentares (PMDB em peso) que estão correndo o risco de perderem o mandato, especialmente em épocas de Lava-Jato – não perdendo os direitos políticos, eles poderão concorrer a novas eleições em breve e, por consequência, manter prerrogativas de foro.

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Ainda mais importante: quem participou desse Golpe, além de Lula? Temos todos os nomes, então vamos lá: José Eduardo Cardozo, óbvio; Renan Calheiros, óbvio; Ricardo Lewandowski, óbvio (que já estava com a decisão pronta e redigida, segundo ele porque a possibilidade daquela questão já vinha sendo abordada pela imprensa – aqui, oh!) e obviamente, todos os outros senadores que votaram pelo impeachment, mas não pela inabilitação ou que se abstiveram em relação à segunda, quais sejam: Acir Gurgacz (PDT-RO), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), Cidinho Santos (PR-MT), Cristovam Buarque (PPS-DF), Edison Lobão (PMDB-MA), Eduardo Braga (PMDB-AM), Hélio José (PMDB-DF), Jader Barbalho (PMDB-PA), João Alberto Souza (PMDB-MA), Raimundo Lira (PMDB-PB), Renan Calheiros (PMDB-AL), Roberto Rocha (PSB-MA), Rose de Freitas (PMDB-ES), Telmário Mota (PDT-RR), Vicentinho Alves (PR-TO), Wellington Fagundes (PR-MT), Eunício Oliveira (PMDB-CE), Maria do Carmo Alves (DEM-SE) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

 fern8.jpgÉ isso amigos, temos que dar a mão à palmatória. A ideia foi genial. Tudo foi feito na surdina e ninguém da imprensa – pelo menos que eu tenha lido – antecipou essa possibilidade. E vejam a sofisticação da manobra: agora estão falando de impugnar a decisão no STF, por conta da separação das votações.

fern6.jpg Mas não vejo como impugnar uma parte sem a outra. Quem votou hoje pelo impeachment, votou apenas pelo impeachment, não pelo destaque. Não seria possível presumir a inclusão do destaque na primeira parte da votação de hoje. Assim, se alguém quiser impugnar (como Caiado disse que irá fazer), a decisão do impeachment de Dilma fica anulada e outra sessão deveria ser convocada. É mole?

fern4.jpg Por fim, é óbvio ululante e não há como negar que a decisão de separar as votações de hoje foi inconstitucional. A leitura do art. 52, parágrafo único do texto constitucional não admite nenhuma outra interpretação, a não ser de que o impeachment leva à cassação dos direitos políticos.

Mas para que Constituição com o Senado que temos? Com os Partidos que temos? Com o STF que temos?

Hoje finalmente houve um golpe no Brasil. E que belo golpe".

As escolhas do Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:07
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Sábado, 23 de Janeiro de 2016
XICULULU . LXIV

ANGOLA . NAS FRINCHAS DO TEMPO - Quando tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza …

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo.

t´chingange 0.jpgT´Chingange

rev1.jpg O triunfo do nacionalismo angolano acarretou muito derramamento de sangue por via de um princípio denominado de autodeterminação que o não foi, pois que tudo ficou na sujeição a um grupo dominante denominado de movimento (MPLA) que chamou a si todos os direitos da comunidade desrespeitando os acordos firmados com a autoridade colonial e os restantes parceiros nacionalistas (UNITA e FNLA). Tacitamente, os brancos foram proscritos do sistema mesmo sendo ali nascidos de segunda, terceira ou mesmo quarta geração; uma irregularidade de injusto automatismo que lhes restringiu o direito à nacionalidade por nascimento.

rev3.jpgrev8.jpg Quando passado anos deste torpe acontecimento e, quando tudo previa mudanças de atitude optimizada no direito à nacionalidade por nascimento, decretaram o inverso disto, algo marginal a qualquer norma internacional ou humanitária. A mudança dos topónimos de origem foram banidos segundo a máxima de que “em solo angolano nada deve ficar que não seja angolano” descriminando mesmo aqueles muitos que perfilhavam sentimentos de liberdade ou nacionalistas.

rev6.jpg Até mesmo os homens de letras e poesia ou gente de renome em várias áreas científicas foram relegados para um obscuro esquecimento.  Este mal-estar fruto de descriminação escurecida, inversa ao branqueamento, não deveria ter acontecido porque na prática nem havia necessidade disto! As vidas de modernidade requerem um tipo de estrutura ética que não seguem os ditames de rancor, negando a seu belo prazer, sentimentos de nacionalidade.

rev2.jpg Um país não se define só pelo patrulhamento de fronteiras; não é só isto que garante a um estado a existência independente como nação. Muito haveria a dizer sobre isto mas, tenha-se em conta que até nem foi só por pressão dos nacionalistas que tudo isto aconteceu. Foi sim pela nítida negligência dos políticos e militares portugueses terem cometido suicídio durante e depois da entrega de mão-beijada a completa independência, sem salvaguarda de vidas e haveres de seus supostos súbditos. Nós os marginalizados brancos de segunda e mazombos.

spi3.jpg Não fosse assim e teriam no seu devido tempo e de modo próprio, com ou sem armas recorrido às instituições internacionais a regular um processo tornado a propósito, periclitante. Dessa gente, desclassificada e infeliz, militares de aviário de Portugal e pseudo estadistas, resultou a negação de nacionalidade a cada qual! Passados que são mais de quarenta anos do feito independentista ainda há choros, fracturas gritantes, feridas não saradas, coisas por ressarcir. E, infelizmente os governantes mwangolés ainda não quiseram compreender que a identidade por nacionalidade ou naturalidade, não se decreta! Ela é adquirida por nascimento…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:08
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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2016
MUJIMBO . CXV

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPOVIII

O facto de achar que não existe racismo institucional não significa que não exista discriminação...

kimbo 0.jpgAs  escolhas do Kimbo

Por: ELIAS ISAAC - DIRECTOR DA ONG OSISA - O grupo racial negro, maioritário em Angola, está diferenciado etnicamente. 

nito0.jpeg (…) “No período colonial, na universidade, em cada 100 estudantes talvez encontrássemos dois negros; hoje é o oposto, portanto a situação inverte-se mas demora algum tempo. Genericamente falando, as pessoas mais brancas não estão discriminadas no acesso aos bens - pelo contrário.” O facto de achar que não existe racismo institucional não significa que não exista discriminação, sublinha. Existem focos “de discriminação racial, mas com o objectivo de retirar benefícios económicos, políticos e sociais”. “Em Angola, não se pode dizer que as minorias (brancos e mestiços) tenham dificuldade de acesso à instrução ou sejam discriminadas no acesso ao mercado de trabalho.”

nito01.jpeg Paulo de Carvalho, que se considera negro, apesar de ser visto como mestiço, já se sentiu discriminado “como angolano”. Foi numa ONG internacional para a qual trabalhava e onde lhe foi proposta uma “ascensão” de administrador para delegado em Luanda - ascensão entre aspas porque a ideia era manter o salário que tinha, sem regalia adicional pela nova função, enquanto se viesse “um estrangeiro receberia um salário umas quatro vezes superior, teria direito a casa, carro” e Paulo de Carvalho, “por ser angolano, não tinha direito a absolutamente nada”. Apresentou a demissão e fez queixa à empresa-mãe.

nito1.jpg A ideia de que a colonização portuguesa foi diferente das outras é um mito o luso-tropicalismo, tese defendida pelo sociólogo brasileiro Gilberto Freyre que suportou a ideologia do Estado Novo sobre a excepcionalidade portuguesa de estar nos trópicos, “baseada na cordialidade, miscigenação, capacidade de adaptação e assimilação”: o objectivo é fazer da colonização algo benéfico, uma opção que visava prolongá-la por mais tempo. Tal como em outras colonizações, também na portuguesa houve imposições, diminuição e discriminação da cultura autóctone.

nito3.jpg Exemplo referido por várias pessoas que entrevistámos é a restrição em se falar os dialectos angolanos durante o período colonial. “Falar uma língua local era alvo de discriminação. Para se estar integrado na sociedade colonial central, era preciso falar português”, lembra o sociólogo. E falar um português correcto, com o menor sotaque possível, com a maior proximidade de Portugal possível.

nito2.jpeg Uma das acusações que faziam ao líder da UNITA insidia sobre a perseguição racial. “Agostinho Neto tinha muitos mestiços próximos”… Porquê? “Porque os mestiços precisavam muito dele. A UNITA e a FNLA nunca foram a favor de misturas. A posição em que os mestiços estavam, Lúcio Lara (fundador do MPLA) e outros, não lhes dava possibilidade de reivindicar comportamentos que o Agostinho Neto tinha. O grupo revolucionário de Nito Alves era dos mais pretos, dos mais escuros! Foi uma tendência que o próprio MPLA teve que manter para sua própria manutenção e segurança.”

(Continua…)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:47
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Sábado, 26 de Dezembro de 2015
MUJIMBO . CXII

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPO – V

Não sei se em Angola se pode falar de racismo como tal, mas existe colorismo…  

kimbo 0.jpgAs  escolhas do Kimbo

Por: ELIAS ISAAC - DIRECTOR DA ONG OSISA - “O que Angola está a tentar fazer é a transformação social com uma minoria que vive nos condomínios…”

miss0.jpg (…) O privilégio branco é visível em qualquer parte do mundo e aqui também. Expressa-se, por exemplo, na imagem da beleza - e no cabelo. Lúcia da Silveira usa o cabelo natural e uma vez, num encontro com um ministro, a secretária “teve a coragem” de lhe dizer: “‘Porque não arranja  esse seu cabelo, você é mulata…?’ Eu respondi: ‘Vou fingir que não ouvi o que a senhora disse porque está a depreciar aquilo que é meu.’ Esse também é outro problema: ser discriminada por usar o cabelo natural.” A tendência para se seguirem os padrões ocidentais em Angola é bastante visível em todo o lado, diz Márcio Cabral, 30 anos, redactor da revista Caras Angola - nas festas, o mais comum é o uso das extensões e das aplicações, os alisamentos.

miss01.jpg Nas paredes da redacção da revista, espalham-se fotos das capas da Caras com as figuras da elite angolana. Não há um padrão de quem ocupa a capa em termos de cor. A Caras fica num edifício perto da marginal, de onde se vêem os arranha-céus e as construções a crescer em Luanda. O jornalista acrescenta que, por outro lado, há “cada vez mais mulheres a assumir a sua essência africana” e isso é uma tendência que se tem vindo a desenhar de forma subtil. “Tem mudado bastante. A ascensão de Leila Lopes a Miss Universo 2011 que foi um grande acontecimento.”

miss02.jpg Há uns anos que Sizaltina Cutaia, gestora de projectos sociais, aderiu ao grupo Angolanas naturais, criado no Facebook para valorizar o cabelo natural. Ainda hoje, mesmo em países africanos como Angola, “o belo é influenciado por uma visão eurocêntrica”, explica Sizaltina, que aparece com um turbante africano. O trânsito em Luanda é caótico e nem sempre é fácil encontrar as ruas, mesmo usando GPS

miss2.jpg Tinham-nos avisado que era normal os angolanos chegarem atrasados aos encontros, mas não foi este o caso. Sizaltina Cutaia vem ter connosco à residencial pela qual pagamos cerca de 150 dólares por noite, um lugar onde em Portugal não pagaríamos mais de 15 euros. O custo de vida em Angola é muito alto, mesmo em lugares onde a electricidade e água faltam frequentemente. A dois passos da residencial havia um prédio sem luz há meses e meses.

miss5.jpg Conta que quando deixou de alisar o cabelo ia a uma festa e as pessoas perguntavam: “‘Vais assim mesmo, o que se passa, entraste para alguma igreja?’ A pressão social sobre isso é muito grande e reflecte um problema que tem que ver com a questão da raça. Não sei se em Angola se pode falar de racismo como tal, mas existe colorismo que é o sistema onde se considera a tonalidade da pele para definir o tratamento que a sociedade dá a uma pessoa.

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:36
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Sábado, 19 de Dezembro de 2015
MISSOSSO . XXII

ANGOA . A MÃO DE DEUS no rio dos elefantes . Não há palavras para vos descrever o que senti ali acocorado entre os dedos Dele -  3ª de 3 partes

Por

DY0.jpgDy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) - Autor de “Ninguém é Santo” escrito para todos os Angolanos que amaram e amam a terra que os viu nascer ou crescer…

negro1.jpg (…) NA FOZ DO RIO QUATIR - Ninguém me ligou peva e só quando cacei o almoço e o jantar com dois tiros de caçadeira é que a vizinhança debandou alvoraçada. O trabalho não era nenhum. Medir diariamente numa vara hidrométrica as oscilações de caudal o que me ocupava pouco mais de dois minutos, sobrando-me tempo para explorar aquele paraíso que jamais se apagará da minha memória. Dei com a mão de Deus quase um mês depois de ali estar. Já calcorreara a pé os quinze quilómetros que me separavam de umas das mais formosas quedas de Angola, as quedas de Montenegro e banhara-me em piscinas naturais únicas no mundo com o fragor da água caindo em anfiteatro sobre o meu corpo.

negro2.jpg Decidi um dia explorar um rio de aluvião apelidado de Rio dos Elefantes, palmilhando a areia do seu leito seco para montante uns largos quilómetros. Alcateias de babuínos (Macaco Cão) tentando amedrontar-me com os seus latidos, as fêmeas correndo com os seus rebentos à cacunda e os mais excitados fazendo-me caretas. Manadas de impalas pulando com uma elegância ímpar e Olongos de cornos altivos fugindo ao retardador. Foi quando deparei com ela, a mão de Deus. Enormes monólitos naturais de granito, dispostos de forma circular bem em frente aos meus olhos fazendo lembrar a mão do Senhor. Mais de dez metros de altura que eu marinhei com sofreguidão para do alto poder deslumbrar-me com a paisagem.

negro3.jpg Foi quando os vi e precisaria mais que uma crónica para vos descrever a beleza e o encantamento daquele momento. No interior daquela construção ciclópica uma manada de elefantes com as suas crias banhava-se numa lagoa circular, largos metros abaixo da minha posição estratégica. Não há palavras para vos descrever o que senti ali acocorado entre os dedos de Deus. Há uns meses atrás vi em casa um filme classe B em que uma menina viera para a Namíbia para ver o pai que se separara da mãe oito anos antes, tendo vivido todo esse tempo na Europa.

negro5.jpg Uma história mal contada de um desastre de avião em que a menina se aventura pelo deserto dentro com um negro que lhe ensina os segredos da natureza e da região, à procura do pai desaparecido que se envolve numa luta com terroristas, não sei onde. A Mão de Deus é a única coisa decente do filme, embora erradamente situada em território Namibiano. Os elefantes que eu vi há cinquenta anos atrás ainda por lá andavam. A minha mulher ficou transtornada quando me ouviu a soluçar baixinho com a comoção. – Mas o que se passa homem. – Não se passa nada, foi só a Mão de Deus que me acenou de novo.

Reis Vissapa

As escolhas de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:06
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015
MUJIMBO . CXI

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPO – IV

Embora não considere que exista racismo em Angola, fala da desigualdade de oportunidades.

kimbo 0.jpgAs  escolhas do Kimbo

Por

Elias Isaac.jpg ELIAS ISAAC - DIRECTOR DA ONG OSISA - “O que Angola está a tentar fazer é a transformação social com uma minoria que vive nos condomínios…”

ngola1.jpg (…) Encontramo-nos com Katila Pinto de Andrade, 40 anos, em Luanda, no dia do julgamento do jornalista e activista pelos direitos humanos Rafael Marques. Katila sugere-nos para encontro um dos restaurantes da ilha de Luanda. Os restaurantes e bares desta zona da cidade conhecidos por serem caros são maioritariamente frequentados por brancos, dizem-nos muitas vezes. São hora de almoço e não há muitos clientes, mas a decoração não é muito diferente de qualquer bar de praia mais cool na zona de Lisboa. A diferença é que é preciso ganhar um bom salário para frequentar estes espaços, dirigidos sobretudo à elite e à comunidade internacional que vive em Luanda.

moc4.jpg Katila completa algumas das ideias de Elias Isaac sobre a questão da pobreza. “A nossa sociedade é multirracial” e existe “em alguns estratos uma convivência harmoniosa e pacífica”. Mas “nota-se que a maioria da população negra é a população pobre, carenciada, é a população que se encontra numa situação de vulnerabilidade”. Afirma com convicção: “Em Angola a pobreza tem cor, a pobreza tem rosto e temos de começar a olhar para isso e tentar arranjar mecanismos de integrar na sociedade aqueles que são excluídos, porque corremos o risco de criar problemas raciais que não se justificam. A pobreza em Angola é maioritariamente negra.”

eleuterio4.jpg Embora não considere que exista racismo em Angola, fala da desigualdade de oportunidades que é preciso corrigir. Conta a história de uma funcionária de um banco que lhe disse que os trabalhadores eram maioritariamente mestiços e que ela tinha orientações de, no processo de recrutamento, “dar prevalência ao pessoal de raça negra porque fica mal ter maioritariamente mestiços”. Comenta: “Há pessoas que provavelmente vão repugnar-se e dizer que isso é um critério rácico. Mas é preciso criar equilíbrios. Penso que é algo que deve ser discutido, avaliado, para se evitar essas distorções.”

luua11.jpg Exemplo comum dado por muita gente é a representação na publicidade: os rostos escolhidos são tendencialmente mais claros do que da maioria da população. E que o atendimento nos balcões das lojas e dos bancos era feito por empregados com a tez mais clara. Em Angola, se um negro e um branco chegarem ao mesmo tempo a um restaurante, é muito possível que a pessoa que está a atender vá primeiro ter com o branco, exemplifica Lúcia da Silveira. “Mas isso é uma construção. E é muito difícil tirar isso da cabeça das pessoas. O privilégio branco é visível em qualquer parte do mundo e aqui também.”

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:43
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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2015
CAFUFUTILA . CI

ANGOLA CICATRIZES DO TEMPO - UMA CONSPIRAÇÃO ANTIGA …

Por

silas1.jpgSilvestre José Augusto Silas

silas2.jpg Depois do golpe do estado em Portugal a 25 de Abril, Portugal anunciou descolonizar as suas colónias. No seio do MPLA no leste de Angola levantou-se um tumulto iniciado pelo kathua Mithue também conhecido pelo comandante Jibóia, um Tchokwé da região. Ele disse que, Agostinho Neto estava a lutar contra os seus sogros, e se chegarmos ao poder, Agostinho Neto vai lá por os seus sogros e seus cunhados, por isso ele já não deve ser presidente do MPLA; na altura o vice-presidente era o Daniel Chipenda, e os dois concorreram à presidência do Partido.

silas3.jpgO Daniel Chipenda saiu vencedor mas, como o Neto não quis deixar a presidência do partido, o MPLA desintegrou-se em duas facções. Os Portugueses em Angola queriam uma independência do tipo rodesiana, e o Presidente Português António Spínola não aceitou isso. Em 1974 apareceram em Angola mais de 40 partidos, só de brancos! (..?..) Spínola, como queria a mesma transição que estava a acontecer em Portugal não quis que algum partido branco participasse; disse que só concorreriam nessas eleições a FLNA, UNITA e o MPLA de Daniel Chipenda, isto porque ele sabia que Agostinho Neto tinha perdido as eleições e estava no momento a usurpar o lugar de Chipenda.

silas4.jpg Mas neste destino, Agostinho Neto tinha a vantagem de ter o apoio do seu amigo intimo, o governador de Angola Rosa Coutinho do MFA, do PCP e daqueles brancos radicais que queriam uma independência tipo rodesiana. Estes brancos viram-se traídos e decidiram que: - Já que o General Spínola não nos deixa ter uma independência do tipo rodesiana então vamos tomar o poder com ajuda dos nossos amigos pretos. Depois meteremos um presidente preto e continuaremos a governar.

 

spi0.jpgchipenda.jpg  Esta, foi a razão da violação dos acordos de alvor, e foi a razão por que o MPLA odiava António Spínola. Isto, nesse então, até inspirou o cantor Santocas a dedicar uma música, que referia Spínola como o mandante de matar Amílcar Cabral. A canção empolgava na chama, a tocha do MPLA, nanhe wajiba Cabral kifumbie, oh kifumbi kia mauana a muichana Spinola. Grande mambo, noé!

As escolhas de T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:03
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2015
MISSOSSO . XXI

ANGOLA . A MÃO DE DEUS no rio dos elefantes. Não há palavras para vos descrever o que senti ali acocorado entre os dedos Dele -  2ª de 3 partes

Por

DY0.jpg Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) - Autor de “Ninguém é Santo” escrito para todos os Angolanos que amaram e amam a terra que os viu nascer ou crescer…

onco0.jpg (…) Menos de um ano depois uma sólida amizade desenvolveu-se entre todos nós. Eu era mais novo do grupo e talvez o mais irreverente o que deu em vários desterros compulsivos para lugares de beleza inimaginável, acabando esses castigos por se tornarem uma bênção de Deus. Evito escrever crónicas verdadeiras sobre essa época por que deixam sempre a impressão de autobiografias exageradas. Não resisto a falar-vos da Mão de Deus.

onco6.jpg O Nissan azul dos serviços veio a derrapar nos barros negros até à Oncócua conduzido por Luís Negrão grande amigo cuja história interessante e trágica contarei numa outra crónica mais lá para a frente. Depois de bebermos umas Cucas na loja de mato do Serafim partimos em direcção ao Cunene onde o meu colega me deixou sozinho a largos quilómetros de distância da civilização. Fiquei instalado numa construção inacabada sem portas nem janelas e apenas com telhado.

onco1.jpg Um luxo sem luz ou água. Mobília o meu burro de campanha e a mala do rancho, vizinhos meia dúzia de osgas empanturradas de moscas e mosquitos, aranhas com um bojo amarelo enorme e cerca de seis centímetros de largo que corriam a uma velocidade estonteante, uma cobra rateira que fugiu pela janela a sete pés e uns rilhetes semelhantes aos dos cães que vim mais tarde a constatar que o meu alojamento era usado como W.C. pelas hienas.

onco5.jpgonco5.jpg Depois de ter passado três meses numa tenda na foz do rio Quatir, afluente do Cubango, encontrava-me finalmente num hotel de alto de luxo. Dormi que nem um justo e de madrugada com o sol a raiar olhei pela suposta janela e dei de caras com uma das paisagens mais belas da margem do Cunene. Bandos de capotas e perdizes debicavam sementes e insectos num frenesi perante os meu olhar sonolento. Uma manada de impalas pastava pachorrentamente junto ao arvoredo que sombreava o rio e dezenas de “chicos-laricos “ pulavam numa chinfrineira pegada de árvore para árvore.

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:35
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Sábado, 12 de Dezembro de 2015
MUJIMBO . CX

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPO – III

Interrogação ou exclamação? - A pobreza tem cor?!.... É negra!?...

:::::As  escolhas do Kimbo

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbo 

Por

 Elias Isaac.jpg  ELIAS ISAAC - DIRECTOR DA ONG OSISA - “O que Angola está a tentar fazer é a transformação social com uma minoria que vive nos condomínios, tem acesso ao crédito bancário, a bons empregos, enquanto a grande maioria que já no passado viveu excluída continua excluída nos musseques.”

to2.jpg (…) Ao mesmo tempo, lamenta, por seu lado, o fotógrafo Ngoi Salucombo, 33 anos: - Há muita coisa que é responsabilidade dos angolanos! A questão do emprego tem muito que ver com a falta de investimento nos quadros nacionais; é preciso investir na base, e de forma acertada, para deixar de ser preciso recorrer a tantos expatriados. Isto é uma questão política. “O angolano, à partida sente-se numa posição que está a sofrer de racismo, e estou a falar do angolano privilegiado que esteve fora, se formou, muitos em universidades que estão acima do ranking da universidade onde o português estudou. Só que como o expatriado vai para zona de risco (e tem de ter determinadas condições). O angolano não tem como não se sentir discriminado.”

 paiva5.jpgPor isso, Katila Pinto de Andrade, responsável pelo programa de democracia e governação da OSISA, defende a angolanização, ou seja, a tentativa de ter o maior número de angolanos possíveis nas empresas/instituições, algo por vezes interpretado como discriminação. Acredita que é importante criar o conhecimento, transmiti-lo aos angolanos para não se manter o sistema em que as chefias são ocupadas por estrangeiros e os angolanos ficam com postos subalternos. “Se queremos que os angolanos sejam mais competitivos, temos de estar dispostos a ajudá-los a crescer.”

 Resultado de imagem para sergio durão angola O jovem cientista político Sérgio Dundão lembra que há um desconhecimento grande sobre Angola da parte de alguns portugueses que emigram - e isso gera equívocos. Não tem dúvidas de que “a relação entre Angola e Portugal nunca poderá ser perfeita” porque há uma questão de violência entre colonizador e colonizado.

maian4.jpg O Professor conta que nas suas aulas ouve queixas de diferenças de tratamento nos restaurantes, de existirem zonas onde só circulam portugueses e de ser raro ver portugueses a circular em táxis colectivos, como se houvesse medo da sociedade angolana. “Existe violência em Luanda, mas isso afecta primeiro o negro.” Ou seja, a percepção é a de que os portugueses não se misturam com o resto da população!

besanga0.jpg Lúcia da Silveira, presidente da Associação Justiça, Paz e Democracia, 40 anos, sente que há muitas questões que deveriam ser aprofundadas neste debate, uma delas é a dos postos de trabalho, por isso “devia haver maior transparência nessas contratações para evitar este tipo de conversas paralelas”.

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:31
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2015
MISSOSSO . XX

ANGOLA . A MÃO DE DEUS no rio dos elefantes. Não há palavras para vos descrever o que senti ali acocorado entre os dedos Dele -  1ª de 3 partes

Por

DY0.jpgDy - Dionísio de Sousa (Reis Vissapa) - Autor de “Ninguém é Santo” escrito para todos os Angolanos que amaram e amam a terra que os viu nascer ou crescer…

dy7.jpg Alguém muito especial disse-me que eu tenho um coração mestiço. Para esse alguém este conto e naturalmente para todos os que gostam de ler os meus contos. Ao chumbar pela segunda vez no exame do sétimo ano a minha saudosa mãe colocou um ponto final na minha vida de cabulice e vadiagem. - Acabou a rebaldaria não queres estudar vais trabalhar que isto não é a casa da Joana. Cocei a moleirinha perante aquele ultimato e não tive outro remédio desatei à procura de emprego. Depois de duas tentativas falhadas por atrasos consecutivos à hora de vergar a mola entrei para a Brigada dos Rios.

dy8.jpg Acho que além do facto de me ter posto neste vale de lágrimas a coisa que mais agradeço à minha progenitora foi por via daquela sua decisão ter passado os melhores anos da minha vida nesses serviços. Conheci o sul de Angola desde a foz do Cunene até ao Luiana, aquela pontinha do território angolano onde o Cuando e o Cubango atravessam para o território Namibiano em direcção ao famoso delta hoje patrimônio mundial.

dy9.jpg A instituição hidrográfica iniciou a sua actividade sob o comando de um oficial da marinha. Homem duro, militarista que desde o princípio dirigiu o grupo de trabalho civil à boa maneira militar. Com ele vieram de Portugal, motoristas, mecânicos, desenhadores, hidrometristas sem curso e de natos em Angola entrei eu e o caçador guia Monteiro Ferreira natural do Cuchi, grande amigo que muito me ensinou sobre o mato africano o seu fascínio, os seus perigos e segredos imemoriais.

dy11.jpg Era impossível deixar de sentir a forma quase discriminatória como fui tratado inicialmente, quase como um parolo ou uma criatura de condição inferior. Com andar do tempo toda aquela gente acabou por se aperceber que em Angola havia bons topógrafos, magníficos mecânicos capazes de resolver uma situação complicada com um bocado de arame, sabão para tapar buracos no radiador ou duas malas de peixe a servirem de macaco, e que não éramos propriamente macacos.

(Coninua...)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2015
MUJIMBO . CIX

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPO II

40 Anos depois, “Não se pode fugir à história e pensar que um dia pegamos numa borracha e apagamos tudo”

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbo 

Por:

 Elias Isaac.jpg ELIAS ISAAC - DIRECTOR DA ONG OSISA - “O que Angola está a tentar fazer é a transformação social com uma minoria que vive nos condomínios, tem acesso ao crédito bancário, a bons empregos, enquanto a grande maioria que já no passado viveu excluída continua excluída nos musseques.”

to3.jpg (…) Em Angola,  um padrão comum é ver um português ou brasileiro branco a chefiar uma equipa de negros. Dá o exemplo de uma empresa de auditoria com quem trabalha há muito tempo: -todos os anos, a funcionária angolana chega com um novo chefe português. “A angolana nunca será chefe”, acredita. “Há instituições que têm esta cultura. Não é de forma expressiva que as pessoas tratam os outros de forma racista, mas institucionalmente aceitam um valor cultural que está a ser aplicado.” Por isso afirma: existe racismo institucionalizado em Angola.

zumbi3.jpg Num percurso pelos cafés e restaurantes de Luanda é fácil notar que o menu é sobretudo composto por pratos portugueses. Cervejas, refrigerantes e vinhos também são portugueses. As televisões estão muitas vezes sintonizadas em canais portugueses. Muitos torcem pelo Sporting ou Benfica e consomem produtos portugueses, como as cervejas ou sumos. Nas ruas de Luanda sente-se, de forma maciça, a presença da nova vaga de emigrantes portugueses. Há uma marca portuguesa que continua activa 40 anos depois da independência. Mas a presença de portugueses nem sempre é pacífica, sobretudo nos casos em que há relações de poder em jogo.

ZECA3.jpg Hoje, em Angola, não existe o confronto racial entre um angolano negro e um português branco, acredita Elias Isaac, mas por vezes há uma tensão. Daí tantos angolanos darem este exemplo dos postos de trabalho. “Não podemos fugir à história e pensar que um dia pegamos numa borracha e apagamos tudo”, diz Elias Isaac. “Angola precisa muito de Portugal, não só em termos económicos e financeiros mas em termos de espaço de afirmação.

vumby7.jpg Ainda existem em Portugal certos segmentos que pensam que Angola é uma colónia e isto reflecte-se na própria convivência entre as pessoas. Angola é um país soberano, tem de decidir o seu rumo; as relações são entre dois países soberanos, mas existe uma geração que não acredita que o processo da descolonização aconteceu em 1975. Então tanto lá como aqui vão existindo práticas muito subtis que vão incentivando esse conceito.”

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:33
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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2015
MAIANGA . XV

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recuperaVII

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

mugi4.jpg (…) Fala-se muito do lixo de Luanda. Isto é só o espelho da avalanche de gente que não era urbanizada, ou é mesmo a incapacidade de se lidar com uma realidade urbana? As duas coisas. O africano comum tradicional é uma pessoa limpa. Basta ver as casas dos camponeses. A passagem para a cidade fez quebras, perde-se o quintal e, às vezes, até os hábitos de limpeza. Na cidade cada pessoa produz X quilos de lixo por dia, isso acumula-se rapidamente. Tem de haver mecanismos de fazer desaparecer o lixo, por causa das doenças.

guerri3.jpg Por outro lado, na nossa época, o lógico é montar sistemas de recolha de lixo em paralelo com a sua rentabilização, para até diminuir as despesas, porque as despesas da recolha do lixo são cada vez maiores, aumentam com o crescimento da população. Recolher o lixo custa dinheiro, o que temos é pura perda, estamos a acumular toneladas de lixo sem buscar soluções para ganhar dinheiro com o lixo. Pode usar-se o lixo até para a produção de energia, recolhendo o gás que o lixo produz e utilizar para a iluminação, para cozinhar etc. Temos desperdiçado os benefícios do lixo. Há experiências universais que devemos aproveitar.

mutamba4.jpg Quando colabora com o Núcleo de Arquitectura da Universidade Lusíada e com a Associação Kalu é porque sente que a palavra poderá ajudar Luanda? São iniciativas importantes. Acho que a Kalu deveria ter maior interacção com as organizações nos bairros, é um exemplo que se deve reproduzir até noutras cidades. A Kalu é uma associação de elite, de vanguarda, com informação e deve interagir com as outras associações de amigos de cidades e bairros pelo país.

roxo.jpg O Núcleo de Estudos da Lusíada traz um aspecto técnico e investigativo que casa bem com os propósitos da Kalu e acho que se deve multiplicar também pelo país. O pouco que sei vou partilhando com eles. Andava há tempos para fazer uma visita pela cidade com a arquitecta Ângela Mingas, acho que esta relação dos arquitectos com as cidades, que não havia nem no tempo colonial … O futuro de Luanda está na palavra? Sim. É importante divulgar e levar as pessoas a lidar melhor com os seus espaços. Mas isso tem de passar pela escola, etc., até pelas escolas de condução, tanta é a falta de educação no trânsito.

FIM

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:01
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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2015
MOKANDA DA LUUA . XLII

ANGOLA . DA LUUA -– "Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra"

Por

mocanda11.jpg Um qualquer de nós diria isto…. Solange, T´Chingange, Vumby, Mucanda…

mocanda12.jpg Somos o povo especial escolhido do Sr. engenheiro. E como povo especial escolhido por ele, não temos água nem luz na cidade. Temos asfalto cada dia mais esburacado. Os que, de entre nós, vivem na periferia, não têm nada. Nem asfalto. Só miséria, lixo, mosquitos, águas paradas. Hospitais?!!! Nem pensar. O povo especial não precisa. Não adoece. Morre apenas sem saber porquê. E quando se inaugura um hospital bonito e ficamos com a esperança de que as coisas vão mudar minimamente, descobre-se que as máquinas são chinesas, com manuais chineses sem tradução e que ninguém sabe operá-las... Estas são opções especiais para um povo especial.

mocanda9.jpg Educação?!! O povo especial não precisa. Cospe-se na rua (e agora com os chineses, temos que ter cuidado para não caminharmos sobre escombros escarrados de fresco...), vandalizam-se costumes, ignoram-se tradições. Escolas para quê e para ensinar o quê?!! Que o sr. engenheiro é um herói porque fugiu ali algures da marginal acompanhado de outros tantos magníficos?!!! Que a Deolinda Rodrigues morreu num dia fictício que ninguém sabe qual, mas nada os impediu de transformar um dia qualquer em feriado nacional?!!!! O embuste da história recente de Angola é tão completo e manipulado que até mesmo eles parecem acreditar nas mentiras que inventaram...

mocanda8.jpg Se incomodarmos o sr. engenheiro de qualquer forma, sai a guarda pretoriana dele e nós ficamos quietos a vê-los barrar ruas anarquicamente sem nos deixar alternativas para chegarmos a casa ou aos empregos. O povo especial nem precisa ir trabalhar se resolvem fechar as ruas. Se sairmos para almoçar e eles bloqueiam as ruas sem qualquer explicação, só temos uma hipótese: como povo especial não precisa de comer, dá-se meia volta de barriga vazia e volta-se para o emprego. E isto quando não ficamos horas parados à espera que o sr. engenheiro e sua comitiva recolham aos seus lares e nos deixem, finalmente circular. Entramos em casa às escuras e saímos às escuras. Tomamos banho de caneca. Sim, bem à moda do velho e antigo regime do MPLA-PT do século passado.

mocanda7.jpg Luanda, que ainda resiste a tantos maus-tratos e insiste em conservar os vestígios da sua antiga beleza, agora é violentada pelos chineses. Sodomizada. Sistematicamente. Dia e noite. Está exaurida; de rastos, de cócoras diante dos novos "amigos" do sr. engenheiro. Eles dão-se, inclusive, ao luxo de erguerem dois a três restaurantes chineses numa mesma rua. A ilha do Cabo tem mais restaurantes chineses que qualquer outra rua de qualquer outra cidade ocidental ou africana: CINCO!!!! A China Town instalada em Luanda. As inscrições que colocam nos tapumes das obras em construção, admirem-se, estão escritas na língua deles. Eles são os novos senhores. Os amigos do sr. engenheiro.

mocanda3.jpg A par do Sr. Falcone... A este foi-lhe oferecido um cargo e passaporte diplomático. Aos outros, que andam aos bandos, é-lhes oferecido a carne fresca das nossas meninas. Impunemente. Alegremente. Com o olhar benevolente dos canalhas de fato e gravata. Lá fora, no mundo civilizado sem povos especiais, caçam os pedófilos. Aqui, criam e estimulam pedófilos. Acham graça. Qualidade de vida é coisa que o povo especial nem sabe o que é. Nem quantidade de vida, uma vez que morremos cedo, assim que fazemos 40 anos. Se vivermos mais um pouco, ficamos a dever anos à cova, pois não nos é permitida essa rebeldia. E quem dura mais tempo, é castigado: ou tem parentes que cuidem ou vai para a rua pedir esmola! Importam-se carros.E mais carros. De luxo.

mocnda9.jpg Esta é a imagem de marca deles: carros de luxo em estradas descartáveis, esburacadas. Ah... E telemóveis!!!! Qualquer Prado ou Hummer tem que levar ao volante um elemento com telemóvel. Lá fora, no mundo civilizado sem povos especiais, é proibido o uso do telemóvel enquanto se conduz. Aqui é sinal de status, de vaidade balofa!!!!!!!!!! Pobre povo especial. Sem transportes, sem escolas, sem hospitais. À mercê dos candongueiros, dos "dirigentes" e dos remédios que não existem. Sem perspectivas de futuro. Os nossos "amanhãs" já amanhecem a gemer: de fome, de miséria, de subnutrição, de ignorância, de analfabetismo, de corrupção, de incompetência, de doenças antes erradicadas, de ira contida, de revolta recalcada. O grito está latente. Deixem-no sair: BASTA!!!!!!

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:51
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Domingo, 29 de Novembro de 2015
FRATERNIDADES . XCVIII

ANGOLA . NAS FINCHAS DO TEMPOFalando de refugiados …

Por

sacag1.jpg Maria João Sacagami - Acreditem, não é mágoa. Não é raiva. Não é coisa alguma que não seja observação.

sacag2.jpgTal como Maria Sacagami, eu e tantos outros sem conta, gente na diáspora fugindo daqui e dali, revi-me em aflições porque o passado sempre me reconheceu na palidez enrugada da crescente velhice! E, já lá vão mais de quarenta anos! Com palavrões dentro da cabeça sempre tentei reconstruir-me a partir do nada mas, aquele imbondeiro colado ao meu costado nunca permitiu que o abandonasse; assim, com ele ando de raízes ao ar, fingindo que aquilo do passado foram só antigas inventações.

sacag3.jpg Com os nomes esvoaçando, pingando raiva de mim aos poucochinhos, fui buscar as novidades fracturadas nas figas e juras por sangue de Cristo como os juramentos que eu fazia em kandengue. Tive medo de espreitar minha vida pelo cano de um revólver; uma vida estriada em verdades misturadas nas mentiras. O texto que se segue de Maria Maria João Sacagami que sirva de alento a outros, porque sei que não foi fácil fazer esse percurso! E, já nem gosto de falar nisto, porque até as palavras se foram cansando no tempo...

sacag4.jpg Eu, Maria Joao Sacagami, quando cheguei ao Brasil, e não possuía um centavo para um café, vinda de uma guerra sem fim, na qual cresci, muitos dos meus amigos mortos, outros que acreditava perdidos para sempre, com 20 anos e a responsabilidade por uma família de mãe e irmã, ofereceram-nos a residência. Com um sorriso e só! Para esclarecer, isto significa um documento que me permitia ficar no país. Não era um tecto, uma casa, ou qualquer coisa parecida. Amigos de Angola dividiram connosco por alguns meses a parca quantidade de arroz que tinham para comer como família, também.

sacag7.jpg Ninguém nos deu casa, dinheiro, roupas, assistência médica. Havíamos queimado as pontes, não poderíamos voltar. Quando cheguei ao Brasil, trazia comigo as visões dos mortos e feridos, os cheiros dos corpos, os sons das balas, dos morteiros e dos gritos, e um desejo profundo de que os sobreviventes resgatados houvessem tido a boa sorte de permanecer vivos.

sacag5.jpg Trazia comigo os pesadelos, os suores frios, as imagens da destruição física dos seres e dos locais que conheci. E, uma porta na alma trancada pela certeza de que não me permitiriam pisar em solo pátrio de novo, o que mais tarde se confirmou! Quando cheguei ao Brasil, como tantos outros, uns mais beneficiados do que eu, porquanto não enfrentaram o que enfrentei tanto na guerra quanto porque tiveram a possibilidade de trazer ao menos uma parcela dos seus haveres outros – tanto, quanto eu; fiquei agradecida pelo que este país tinha a me oferecer.

sacag6.jpg Fiz o que deu para fazer - passei fome, trabalhei por anos e anos 21 a 22 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. Vivi do e para o trabalho até conseguir estabilizar ao menos o mínimo do dia-a-dia. Ergui os ombros e construí, como todos os que vieram comigo daquela guerra civil, onde milhares morreram e milhares perderam tudo menos a vida, quem hoje sou. Estes, uns tiveram escolha, dinheiro e casa doados. Estes uns - não sei quem são! (refere-se aos novos migrantes ou refugiados entrados na Europa e particularmente, em Portugal). Refugiados são indivíduos que aceitam o que lhes dão, porque no desespero de fugir de uma guerra, qualquer coisa é melhor do que aquilo que deixaram.

MJS

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:32
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Sábado, 28 de Novembro de 2015
MOKANDA DO BRASIL . III

TEMPOS DE ESPANTO . LULA Nenhum brasileiro tem tantos amigos na cadeia!!!

Por

lula2.jpgRicardo Keller

amilcar 3.jpg Ele é o novo “pai dos pobres”, o ex-operário que se aposentou bem cedo por um acidente para poder se dedicar à luta contra a pobreza e injustiças. Fundou o Partido dos Trabalhadores. Fundou também o Foro de São Paulo, com Fidel Castro. Um sujeito ético, que iria renovar a forma de se fazer política no país. Como? Juntando-se a todos os velhos caciques ladrões e tentando comprar o resto do Congresso, todo! Os “intelectuais” o amam. Quando ele fala, com língua presa e português errado, “o mundo se ilumina”. Os sindicalistas o veneram, pois é um deles, dos que sempre lutaram contra os capitalistas selvagens. Como? Emprestando bilhões subsidiados do BNDES para poucos e grandes grupos.

fig3.jpg Ele representa o pobre e oprimido contra os gananciosos e exploradores. Como? Bebendo dos vinhos mais caros, andando de jatinho para todo o lado, relaxando num triplex em frente ao mar, com dezenas de milhões em sua conta bancária. E não ouse criticá-lo! Se você o fizer, é porque é parte da elite invejosa, que não tolera tudo o que ele fez pelos mais pobres, enchendo os aeroportos com gente humilde, distribuindo esmolas retiradas do couro da classe média em troca de votos.

rosa1.jpg O homem é quase um santo! É reverenciado no Nordeste, adorado nas rodas da alta sociedade nos Jardins e idolatrado nos meios artísticos do Leblon. Só tem um detalhe: nenhum outro brasileiro tem tantos “amigos do peito” na cadeia. Sim, parece que basta ser seu camarada próximo para ter enorme probabilidade de acabar no xilindró.

lula1.jpgNesse Dia de Acção de Graças, o ex-metalúrgico só deve ter recebido convites para compartilhar do peru em presídios. Vai ter amigo ladrão assim em Cuba! Se esse sujeito tentar se aproximar de você oferecendo alguma coisa, se ele quiser ser seu companheiro, seu amigão, cuidado! Isso significa que você, em breve, poderá ser preso também. Nunca antes na história deste país uma pessoa tão ética se cercou de tantos bandidos. É um ESPANTO!

Lula & friends

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:13
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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LIX

ANGOLA .  A TROPA FANDANGA - Altura em que se recrutavam as pessoas ás tantas da madrugada nos musseques, para os levar para a guerra…

Por

maga1.jpgLuís Magalhães - Tem uma caneta Parker 21 espacial. Dessas que levam o homem a gatafunhar coisas lindas da Luua, da Angola que jamais esqueceu …

guerri1.jpg Esta foto retracta os primeiros tempos pós Independência de Angola, numa altura em que se contavam espingardas no seio do MPLA no ano de 1976/77. Era num tempo em que havia dentro do Partido duas facções, sendo uma do Dr. Agostinho Neto e a outra do Nito Alves, coisa que como é bom de ver não agradava ao Agostinho Neto uma vez que nunca gostou de dois galos no mesmo poleiro e o resto já toda a gente sabe o que aconteceu!? Mas apesar disto e uma vez que o MPLA não brinca em serviço, não foram estas guerras que os distraíram; não tardou muito eramos todos controlados em Luanda pelo Governo e para isso deram fardas, botas e armas aos seus militantes, sendo que a maioria deles não tinham qualquer preparação militar.

guerri2.jpg Como é de calcular, começaram os abusos dentro da Lei e fora da Lei também, e entre o roubar e matar não havia diferença, já para não falar naqueles desgraçados de quem eles não gostavam e vai daí inventavam um boato e não demorava muito iam parar á Fortaleza, não para fazerem uma visita de estudo nem muito menos ver os azulejos mas sim para serem interrogados!? Era também nesta altura que se recrutavam as pessoas às tantas da madrugada nos musseques, para os levar para a guerra, fazendo com isso que os jovens fossem dormir para os esgotos da cidade e só de lá saírem pela manhã!

guerri4.jpg Eu, ia jantar a casa de um amigo meu que vivia na Chicala e, como trabalhava no turno da noite, fiz o que era usual, peguei na mota e fui trabalhar. Só que desta vez e depois de ter atravessado a ponte da Ilha deparei com uma Patrulha de tropa maçarica que me mandou parar com a palavra; STOP!! Olhei para eles e apercebi-me que suas idades rondavam os 18/20 anos; tirei os documentos da minha carteira e dei-lhos para a mão uma vez que eu já estava cansado de ouvir histórias muito mal terminadas. De maneira o que mesmo era pôr-me andar de ali para fora!

guerri6.jpg Eles olharam para os documentos, depois para a minha mota, mandaram-me descer da mota que para minha desconfiança aquilo já me estava a soar muito mal? Assim mesmo com a cabeça cheia de interrogações. Pensei rapidamente,… mas, que dizer! Foi quando lhes perguntei qual era o problema. O mais alto deles apontou-me a arma logo seguido pelos camaradas e mandaram-me descer novamente… Foi aqui que eu com alguma calma, disse o seguinte: É pá, eu quero falar com o teu superior uma vez que é ele quem tem voz de comando e não vocês? E olhei então para o Jeep onde estava um graduado sentado a ouvir musica.

guerri5.jpg Sem mais conversa, fui ter com ele num passo ligeiro perante o espanto dos maçaricos ao ver a minha audácia! Posso dizer agora que andei os meus seis metros mais cagalosos da minha vida, pensando levar até uma rajada pelas costas. Chegado ao Jeep, cumprimentei o graduado com um aperto de mão e disse assim: Sinceramente camarada, ainda não percebi qual é a maka aqui neste posto de controlo uma vez que apresentei os documentos todos e, se estou a andar fora do recolher obrigatório é porque tenho o livre-trânsito porque vou trabalhar!

guerri7.jpg O dito camarada comandante pediu os meus documentos aos seus subordinados e depois de os analisar com sete olhos, dispensou os maçaricos com um olhar felino. Virando-se para mim disse o seguinte: - Camarada, tu desculpa os meus subalternos, puseram-lhe só uma farda no corpo e uma arma nas mãos e, às vezes fazem maka de túji?! Devolveu-me os documentos ordenando aos camaradas, tropa fandanga, que me deixassem ir. Já de lampeiro, com a mota a trabalhar e guardando os respectivos documentos pude ouvir o camarada comandante muito irritado a falar assim: - É por estas e por outras, que os Portugueses se estão a ir embora!!!!!

Luis Magalhães in Kizomba com Histórias da vida

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:56
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XLI

ANGOLA Velhos quebrantos - No reino do Kongo muito antes da chegada dos portugueses já existia o comércio de escravos… 3ª de 3 Partes

Por

luis0.jpg Luís Martins Soares (Soba T´Chindere) - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes; Um contador de estórias de que dá gosto ler aos candengues do kimbo (reside no Brasil) …

O africano e o tráfico de escravos

luis39.jpg É a partir daqui que se iniciará a conquista pelos portugueses desta região de África. Na chegada do navegador Diogo Cão ao Reino do Kongo, Kongo dya Ntotila ou Wene wa Kongo ou em português: Reino do Congo fez alianças com o manicongo (que significa senhor ou governante do reino do Congo) Nzinga Nkuwu. O reino do Kongo era bastante desenvolvido quando da chegada de Diogo Cão, comercializando cobre, metais ferrosos, ráfia e cerâmica. Tinham habilidade para a escultura incluindo o talhe de máscaras. Pertencem ao Grupo Étnico dos Bantos.

luis38.jpeg Segundo José Redinha (1905-1983) pesquisador e etnólogo português e angolano de coração, escreveu entre outros o estudo “DISTRIBUIÇÃO ÉTNICA DE ANGOLA”, obra editada pelo IICA – Instituto de Investigação Cientifica de Angola, onde menciona que foi estabelecido para os Bantos angolanos várias subdivisões étnicas pertencendo nesta relação, entre outros, o Grupo Quicongo. No reino do Kongo muito antes da chegada dos portugueses já existia o comércio de escravos, mas após a chegada destes o Reino do Kongo tornou-se um importante fornecedor de escravos para os comerciantes portugueses e para outras potências europeias. Havia forte resistência dos nativos à penetração portuguesa para o interior.

luis40.jpg Os portugueses tinham esperança quando da chegada àquelas terras de encontrarem metais preciosos e se nas terras do N´gola haveria prata. Não encontraram esse metal precioso e perceberam que um negócio muito lucrativo seria investirem no comércio de escravos já existente adquirindo-os junto aos povos do litoral. Os escravos eram capturados em guerras ou ataques organizados entre grupos étnicos e vendidos aos europeus. A condenação à escravidão era uma pena utilizada pelos sobas para castigar os delinquentes. Em tempos de grande fome, o indivíduo sem meios de subsistência podia também oferecer-se para escravo, a fim de ter que comer: era o “corpo vendido”.

luis41.jpg Os principais comerciantes de escravos do Atlântico, ordenados por volume de comércio, foram: os impérios Português, Britânico, Francês, Espanhol e Neerlandês, além dos Estados Unidos (especialmente a região sul). Nos países colonizados pelos europeus, os historiadores, sistema educacional e governos jamais vão admitir a participação dos próprios africanos no tráfico negreiro, mesmo sabendo esse lado terrível da história de negros contra negros, camuflando hipocritamente a verdadeira história em que todos fomos culpados.

Fonte de consulta: Do Cabo de Sta. Catarina à Serra Parda de Carlos Alberto Garcia; A Conquista Portuguesa de Angola de David Birmingham.

FINAL

Monangamba – Do kimbundu - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:14
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Sábado, 21 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XL

ANGOLAVelhos quebrantos - Monótona é a vida do perneta; andar sempre no mesmo pé… 2ª de 3 Partes

Por

luis0.jpg Luís Martins Soares (Soba T´Chindere) - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes; Um contador de estórias de que dá gosto ler aos candengues do kimbo (reside no Brasil) …

luis34.jpg O africano e o tráfico de escravos

(...) Ainda no reinado do Infante D. Henrique (1394-1460), com a exploração da costa africana, a Coroa portuguesa empreendeu a construção de feitorias no local. Nesse tempo os portugueses estavam interessados na obtenção de produtos africanos mais o Oriente na busca de ouro, prata e especiarias. O comércio de escravos não despertou aos portugueses interesse algum, pois a mão-de-obra não lhes cobiçada de então. Sentiram a necessidade de serem estabelecidos pontos de comércio e com essa finalidade criaram as conhecidas feitorias, entrepostos fortificados nas regiões litorâneas.

luis33.jpg Em 1448 os portugueses construíram sua primeira feitoria na África: o forte de Arguim (na região da Senegâmbia, actualmente Mauritânia). Pretendiam atrair as rotas próximas dos mercadores muçulmanos no norte da África tendo sido construídas outras feitorias. Em 1460 os barcos e os pilotos portugueses são reputados como sendo os melhores e a fama de sua perícia atrai o reconhecimento europeu.

luis37.jpg Em meados do século XV, a experiência, já os havia transformado nos melhores navegantes do mundo. Marinheiros portugueses começaram a explorar a costa da África, utilizando os recentes desenvolvimentos em áreas como a navegação, a cartografia e a tecnologia marítima, marcando presença na África Ocidental em 1483 com suas caravelas. A verdadeira ocupação do continente africano (BOXER, 1981) iniciou-se com a descoberta e a ocupação das Ilhas Canárias pelos portugueses, no princípio de século XIV.

luis36.jpg Na regência de D. Afonso V, no ano de 1474, este rei incumbiu seu filho futuro rei D. João II, a tarefa de organizar as explorações como objectivos entre outros na marcação da presença portuguesa no Atlântico, na exploração da costa africana e descobrir por via marítima a passagem do Atlântico para o Índico, com vista a atingir a Índia, abrindo as portas para a colonização da costa oriental da África. Com efeito, Diogo Cão chegou ao rio Zaire (1482) e depois, numa segunda viagem de reconhecimento á costa africana, até à Serra Parda (1484). Facto digno de atenção que este navegador teve em transportar nas suas naves marcas de pedra (padrões), com dizeres assinalando a descoberta e garantindo os direitos da coroa portuguesa.

(Continua…)

Monangamba – Do kimbundu - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:00
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2015
MUJIMBO . CVIII

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPO40 anos depois, “Não podemos fugir à história e pensar que um dia pegamos numa borracha e apagamos tudo”

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kimbo Lagoa

Por:

Elias Isaac.jpgELIAS ISAAC - DIRECTOR DA ONG OSISA

“O que Angola está a tentar fazer é a transformação social com uma minoria que vive nos condomínios, tem acesso ao crédito bancário, a bons empregos, enquanto a grande maioria que já no passado viveu excluída continua excluída nos musseques.”

eleuterio3.jpg No Sambizanga, “não há muitos mulatos nem brancos”. É um dos maiores musseques de Luanda, um bairro de lata onde muita gente tem medo de entrar. No centro, a enorme estrada foi transformada em rio devido às cheias. Os vendedores assam comida em frente a lixo, galinhas passeiam-se entre escombros, há lixo de todo o tipo nos telhados. Há no ar um cheiro nauseabundo. Os musseques foram crescendo como zonas separadas, quase exclusivas para os negros durante o período colonial.

eleuterio2.jpg Os brancos ficavam no centro da cidade. “Proporcionar as comodidades da vida na Europa à comunidade não era tarefa simples numa colónia parcialmente povoada por condenados. O abastecimento de água foi, durante séculos, um problema tremendo”, lê-se em História de Angola, de Douglas Wheeler e René Pélissier. O facto de a população dos musseques ainda hoje ser maioritariamente negra é visto como consequência da separação racial do tempo colonial mas é sabido terem vivido ali muitas famílias brancas de baixo poder económico. Não é legítimo dizer-se haver fronteiras, dum lado brancos e do outro pretos, porque tudo era uma questão de sustentação económica.  

eleuterio4.jpg As relações raciais definem-se por quem controla quem, quem exclui quem e quem se vê excluído, comenta Elias Isaac, 55 anos, director da Open Society Iniciative of Southern Africa (OSISA) em Luanda. Hoje em Angola a questão das relações raciais aparece de forma subtil, continua, na sede da ONG, que fica num dos prédios novos de Talatona. Talatona é um bairro onde ficam muitas empresas, é também uma zona residencial da classe média alta e o trânsito de manhã e ao final do dia é compacto.

eleuterio5.jpg No quotidiano, os angolanos negros na maioria, os mestiços (cerca de 2%) e os brancos (1%) convivem, estão nos mesmos restaurantes, estão nas mesmas discotecas, defende. Mas se aprofundarmos: “Nos subúrbios mais pobres, só existe um tipo de gente, os angolanos de raça negra. Nos condomínios, nos bons subúrbios, há angolanos de raça negra da elite, com angolanos de raça mista, de raça branca ou povos de outras nações. Por isso digo que (o racismo) não aparece de forma tão expressiva na sociedade, mas subtilmente.”

Ilustraçõe de Eleutério Sanches

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:36
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2015
MAIANGA . XII

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recuperaIV

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

NAMBUANGONGO.jpg (…) Quando se perde património já não se recupera. Veja o caso do projecto da UNESCO a Rota dos Escravos. Cerca de um terço dos africanos exportados para as Américas proveio do sul do equador. A grande maioria foi da área que vai do Lubango a Benguela; quantitativamente, isso dá-nos uma importância grande neste projecto. Talvez mais que em toda a costa africana, havia mais sinais desses acontecimentos ao longo da nossa. E nós não nos temos preocupado com isso, que é um valor turístico importante. O Senegal tem aproveitado em Gore, por exemplo; diga-se que até haja agora sinais de se querer fazer alguma coisa no Morro da Cruz, no Museu da Escravatura.

silva p 1.jpg Isso não terá a ver também com o facto de os angolanos não estarem educados a investir com o turismo no seu próprio país? Se falarmos da maioria é verdade, mas há já uma minoria, que nem é apenas a elite mas uma burguesia nacional, que já viaja muito e, lá fora, aprecia as casas velhas, os museus, etc., mas não transfere isso para cá. Não será a sensação da consolidação da condição de elite, o privilégio de poder gozar o que os outros não podem? Poderá até ser, mas eu acho que deveria haver um sentimento nacional ou governamental para se fazer alguma coisa, para se ter também no seu país.

luanda3.jpg Se fosse guia turístico quais seriam os pontos inevitáveis de Luanda para conhecer a história das pessoas e da cidade? As fortalezas e as igrejas. A própria baía e as baías, lugares seguros de amaragem. A baía é uma das razões para o nascimento da vila europeia de Luanda. Foram as baías, a sua qualidade que determinou a criação da vila, não foram os critérios normais de criação de centros urbanos, até porque, já nessa altura, faltava água em Luanda, o que se mantém até aos nossos dias. As baías são um elemento importante da história da cidade.

angola rural.jpg Depois há um símbolo importante dessa história que também pertence aos angolanos, embora como a parte sofredora, porque eram o produto do comércio dos escravos. As fortalezas, apesar de símbolos de opressão também nos pertencem. As igrejas são outro elemento que, não fazendo parte da cultura original, passaram depois a fazer parte da vida das pessoas. Há também casas que são sinais visuais e históricos.

ana2.jpg Havia muito de angolano nas casas, como a cal de mabanga, os forros feitos de bordão, um material altamente isolante e que permitia manter as casas frescas. Não sei se ainda existem sinais de tectos de bordão nas casas velhas de Luanda. O último que conheci estava na Igreja do Carmo, mas já foi substituído. Portanto, estas edificações estão aqui, foram feitas com mão-de-obra de cá, são nossas, não são de lá, de qualquer outro lado.

(Continua…)

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:25
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XXXIX

ANGOLAVelhos quebrantos - Monótona é a vida do perneta; andar sempre no mesmo pé… 1ª de 3 Partes

Por

luis0.jpgLuís Martins Soares (Soba T´Chindere) - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes; Um contador de estórias de que dá gosto ler aos candengues do kimbo (reside no Brasil) …

O africano e o tráfico de escravos

luis32.jpg O tráfico de escravos já existia muito antes da era dos descobrimentos marítimos. O tráfico africano em direcção à Europa iniciou-se em meados do século XV para Portugal, devido a grandes demandas sociais e económicas existentes naquele país e a das ilhas de Açores e Madeira, além de abastecer Lisboa desta mão-de-obra estrangeira. Em 1444, organizou-se uma companhia em Lagos, Portugal, para explorar o tráfico de escravos. No mesmo ano, nessa cidade, 240 escravos comprados pela tripulação e navegador Antão Gonçalves no Golfo de Arguim (Mauritânia), foram divididos e vendidos para o infante D. Henrique, o Navegador, para a Igreja de Lagos, mais os franciscanos do cabo São Vicente e comerciantes.

luis22.jpg O número de cativos chegados a Lagos, em Portugal, à Casa dos Escravos régia de Lisboa, é avaliado por C. Verlinden em cerca de 880 por ano. Os portugueses exploraram inicialmente a costa marroquina, a Madeira (1419), os Açores (1427), Cabo Verde (1456) e a costa Africana da Guiné. Com a ocupação e colonização da Ilha da Madeira e Açores esta leva de mão-de-obra barata foi usada principalmente no cultivo de cana-de-açúcar, que o Infante D. Henrique trouxera da Sicília para a Madeira.

luis21.jpg Na Madeira, as actividades económicas eram a agricultura, a criação de gado e a pesca. Os produtos exportados eram a cana-de-açúcar, cereais, madeira e plantas tintureiras. Por outro lado, nos Açores, os produtos eram os cereais e as plantas tintureiras e outras actividades económicas como a criação de gado, a agricultura e a pesca.

luis19.jpg Nos Açores, a plantação de cana não apresentou resultados animadores. Essa mão-de-obra barata provinha de escravos canários (Guanches), mas como a sua captura era dificultosa, recorreram aos negros africanos por serem mais fáceis de serem obtidos (esta prática já era usada entre tribos por via de prisioneiros de guerra). Os muçulmanos controlavam as rotas de escravos que os vendiam para os mercados da Europa e da Ásia através do Deserto do Saara, do Mar Vermelho e do Oceano Índico.

(Continua...)

Monangamba – Do kimbundu - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:37
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Sábado, 14 de Novembro de 2015
MAIANGA . XI

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera – III

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

luua11.jpg (…) A substituição dos utilizadores da cidade, voltando à sua pergunta, naturalmente que tem grande impacto na cidade e na sua utilização. Isso leva-me a 1975, em que uma parte da população suburbana veio para as cidades, ocupou-as e dá a impressão de lhes estar a dar uma utilização inadequada ou diferente, quer nos prédios, quer nos bairros das elites. Um dos problemas foi que as pessoas que vinham do campo não tinham canalizações nas suas casas, usavam bacias, etc., o que aconteceu foi as pessoas deixarem ir tudo pelos canos. Claros que os entupiram. Se numa casa térrea isso significa dois ou três metros, num prédio de andares isso são metros e metros de entupimentos, com águas putrificadas e virem para fora.

luua10.jpg Eventualmente o prédio da Cuca já não estaria em condições de ser recuperado, por causa desse mau uso ao longo de 35 anos. Essa é uma parte da factura do facto de Angola ter chegado à Independência nas condições em que teve de chegar… Isso remete-nos para as novas centralidades, edifícios altos … É um problema porque pode levar-se para lá pessoas sem os hábitos, educação e cultura para viver em prédios de vários andares.

luua12.jpg Não há como o Estado impor regras de comportamento? Já que se enveredou por aí, acho que tem de haver uma acção muito concreta e organizada de formação para habitar este tipo de edifícios, de controlo de maus comportamentos, como o caso dos entupimentos … ou apostar mesmo nas canalizações por fora, que podem parecer deselegantes, mas são mais práticas para as reparações. Temos, portanto as populações rurais que chegaram a cidade e tiveram um conflito com o novo modo de habitar … E que são a grande maioria.

luua13.jpg Falta ligação emocional aos espaços? “Claro, porque algumas pessoas não sentem qualquer relação com o espaço e com as coisas e também não foram alertadas pela nova elite para a preservação dos espaços…” Tudo isto foi uma tomada popular anárquica em face ao abandono de seus proprietários e nem consideraram o seu valor económico no futuro, como o turismo, por exemplo… E temos um outro grupo, o das populações semiurbanas, que se transformam em elites mas que também não conseguem preservar o património … Quando se perde património já não se recupera.

(Continua…)

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:55
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015
MUJIMBO . CVII

ANGOLA . TEMPO COM CICATRIZES - OS 40 ANOS DE (INDEPENDÊNCIA?) & O DISCURSO TORPE DE JES!

Por

vumby0.jpgFernando Vumby (Fórum Livre Opinião & Justiça)

kafu28.jpg Se formos independentes significa estarmos livres, sem nos comprometermos ou não, com quem quisermos, escolhendo livremente nós mesmos quem queremos que nos represente, então podemos concluir que o povo angolano ainda não é um povo independente! Em primeiro lugar, porque nunca houve nenhum acto eleitoral que fosse livre e transparente onde o povo escolhesse ele mesmo os seus representantes; como é então que um povo se pode considerar independente enquanto isto não acontecer?

luena3.jpg Segundo: - um povo que não consegue exercer livremente a profissão que entende sem que para tal esteja ligado ao partido no poder, ter laços familiares, de amizade ou amorosos com algum governante, este povo não se pode considerar um povo independente. Terceiro: - um povo que se subordina á ordens de governantes que não escolheu livremente porque o seu voto foi transformado em mercadoria e manipulado, este povo não pode ser considerado um povo independente. Quando um povo se sujeita e se degola,  porque vive quase 40 anos de ilusões e forçado a não dar conta de si próprio , este povo não se pode considerar um povo independente.

mocanda7.jpgO DISCURSO BERDAMERDA DE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS

Impressionante como o senhor José Eduardo Dos Santos, mesmo sendo um dos cidadãos mais criticado e denunciado como ladrão, insensível e de mau carácter, se apresentou como o grande moralista da nação no dia 11 de Novembro de 2015. Um lambão, falso moralista ou um dos grandes hipócritas que a nossa triste e humilhante história conhece. Deixo isto ao critério dos leitores, analistas nacionais e estrangeiros. Quem consegue ler os movimentos deste homem na hora dos discursos que na maioria dos casos, até nem são escritos por ele. Facilmente se percebe que nem ele próprio acredita no que diz, pois o importante para ele é persuadir o povo de que a sua vontade é a correta, a melhor para os angolanos e para Angola.

sa6.jpg É um malabarismo frágil, mas ainda assim, JES não se cansa em repetir mesmo sabendo que deste modo brinca com o sonho dos angolanos, que mereciam um outro presidente e um outro governo e não este amontoado de ladrões e corruptos. Os angolanos só precisam ter um pouco de mais coragem. Os discursos de JES já pouco dizem aos angolanos. Como se diz na gíria popular, JES é um ladrão conhecido que qualquer dia pode morrer na hora do assalto se a ratoeira for bem montada...

JES0.jpg O seu interesse como grande demagogo é simples de se compreender, para quem percebe que está sendo sua vítima desde vários anos e acredito que os angolanos na sua maioria já o conhecem o suficiente. Deixou de ser bonito para alguns que ainda perdiam tempo ouvindo e lendo discursos de JES que mesmo fantasiados, cheios de mentira e hipocrisia aos ouvidos soavam como se fosse um bom semba dos anos 70. Termino este curto texto fazendo-vos uma pergunta: Apontem-me por favor alguém deste governo que não seja demagogo, corrupto, que nunca tivesse roubado um tostão, mandou roubar ou deixou roubar, ou que nunca matou, mandou matar ou deixou morrer? Não quero acreditar que exista algum !!!

Fernando Vumby - Fórum Livre Opinião & Justiça

As Opções d Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:28
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2015
MAIANGA . X

ANGOLA - MAIANGA em Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera - II

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

may0.jpg  *António Jacinto - António Jacinto nasceu a 28 de setembro de 1924, em Luanda, e morreu em 23 de Junho de 1991, em Lisboa. Foi Ministro da Cultura (1975-78) e membro do Comité Central do MPLA.

(..) Seguramente que uma grande parte da população de Luanda, hoje, não sabe o que são maiangas, porque não são kimbundos… Aqui há algum tempo até colocaram um sinal aí junto à entrada da passagem aérea na Samba, do lado direito, aí havia a antiga Maianga do Rei, que milagrosamente sobreviveu à passagem dos tempos. As maiangas representavam uma ligação entre o antigo e o novo. Eram de construção colonial mas eram maiangas, com designação nacional … Maianga do Rei ainda existe!

may6.jpg E quem não é kimbundo irá perguntar o que significa maianga... Poço. Maianga significa poço de água. Havia a maianga do povo junto ao Clube 1º de Agosto. Aí onde agora é o rio seco era um rio mesmo, molhado, que desaguava numa lagoa que era a Lagoa dos Elefantes. Isso é no bairro da Samba, onde desaguava o rio, mas o rio desaguava numa lagoa antes de dar para a baía. Essa era uma lagoa de elefantes, frequentada por elefantes. Quando os portugueses aí chegaram, e durante muito tempo,  havia elefantes, que depois foram descendo e acabaram por ficar-se pela Quiçama. Mas até ai tiveram azar.

may8.jpgmay00.jpg

O que hoje se conhece por Morro dos Veados foi, até ao séc. XVIII, o Morro dos Elefantes, está escrito em mapas, só que os bichos foram diminuindo e, no séc. XX, já era o Morro dos Veados e agora, se calhar, já só há lá ratos. Mas depois da Independência, dizia, havia a preocupação com as maiangas. A Maianga do Povo, ao lado do Clube 1º de Agosto e a Maianga do Rei que ficava no cruzamento da Rua da Samba com a que vem do Prenda. Recentemente uma empresa que por aí andou colocou-lhe uma tabuleta a dizer cacimba, o que já não é o termo adequado… falou-se disso a alguém da cultura provincial, tiraram a tabuleta, mas não colocaram outra.

may7.jpg Quando os militares tomaram o espaço do hoje Clube 1º de Agosto, havia aí um descampado e havia também a Maianga do Povo, mas os militares foram construindo as suas casas e não respeitaram a distância mínima que se deveria observar em relação aos monumentos. Estou em crer que o António Jacinto* não se quis meter com os militares … Não se fez nada e a Maianga do Povo desapareceu no meio das casinhas. A Maianga do Rei, por milagre, ainda lá está.

(Continua…)

José Kaliengue, assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2015
MAIANGA . IX

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera - I

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

luua3.jpg No seu quintal encontramos, soltos, galinhas e pintainhos. Sinal de que estávamos em casa de um homem que vive a cidade de forma diferente; um pouco como nos outros tempos, um pouco também como recomendam ecologistas e estudiosos de hoje. As transformações de Luanda ditaram o rumo da conversa. Começam a aparecer, cada vez mais, pessoas que se dizem preocupadas com o rumo de Luanda. O que representam estas pessoas nesta dinâmica de transformações da cidade … são nostálgicos ou as transformações são de tal forma que levam a uma preocupação genuína? Acho que subsistem os dois casos. Há os nostálgicos e há os que têm a preocupação correcta e que afirmam que não há futuro sem passado.

may1.jpg Há sempre algo de onde se vem e temos de ter um caminho para onde se vai, em termos gerais. Mesmo na lógica do desenvolvimento futuro da cidade e do país temos de ter um passado para mostrar aos nacionais e aos visitantes, não tem havido preocupações com isso. Há pessoas que estão preocupadas com a conservação de bens e valores importantes, isso há. Fala-se agora do turismo, uma actividade em que uma parte importante é mostrar o passado dos sítios, nós estamos a apagar este passado. Ainda que se trate de um passado não directamente ligado à população actual, não deixa de ser o passado desta terra, como acontece em muitos lugares do mundo, em que os actuais utilizadores não são os originais. Muitos povos terão passado por vários sítios mas os seus vestígios persistem e faz-se por conservá-los.

luua7.jpg No nosso caso, isso já não foi acautelado suficientemente até à Independência, porque não estava no espírito da política portuguesa a conservação do património e nós também não nos estamos a preocupar suficientemente com isso. Estamos a liquidar valores importantes, até para o turismo. A notícia da evacuação, por iminência de colapso, do prédio da Cuca, num local de onde já foi retirado o mercado do Kinaxixi, isso, a retirada destes dois símbolos de Luanda, apaga o quê exactamente? Apaga um pouco de um período da história da cidade, embora o prédio da Cuca seja do período mais moderno, do fim da era colonial. O mercado do Kinaxixi era de uma ou duas gerações antes. Era sobre isso que eu falava, algumas destas coisas eram símbolos visuais da cidade, deveria haver preocupação em mantê-los…

luua6.jpg E esta falta de preocupação derivará da substituição da população que habita Luanda e revela uma falta de ligação emocional ao local? Uma das explicações que encontro para a falta de protecção ao património histórico da cidade é a substituição de pessoas que houve. Mas uma das primeiras leis na pós-independência é a lei sobre cultura nacional, onde está integrado o património. Esta preocupação não foi por acaso, foi mesmo para salvaguardar o património. Infelizmente não teve o desenvolvimento desejado ao longo do tempo. Por outro lado, são as elites, nas quais se situam as autoridades que se tinham de preocupar com isso, fazendo passar a mensagem para as massas. O primeiro dirigente da cultura foi o António Jacinto e, naquela altura, lembro-me que havia preocupação com as maiangas.

(Continua...)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:59
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2015
MOKANDA DO SOBA . LXXXV

CINZAS DO TEMPOTento aprender a viver com o vazio das coisas … Fui para longe, no tempo, para ver bem os recantos que em política, não podem ser vistos de perto… II

t´chingange.jpeg T´Chingange

Estou a escrever três estórias em simultâneo para poder matar o tempo, uma forma de dizer, porque este nunca se extingue e nem eu sou um experto em matéria do buraco negro. Nesta forma de matar a monotonia reconduzi-me nas lonjuras do Kongo, no tempo e no espaço. Depois de vender a roça Boyoma a Mustafá Joshua Naili desci o rio Lualaba até chegar a Matadi, contornar os rápidos e quedas de água até chegar às cataratas Yelaba.

Resultado de imagem para fotos do kimbolagoa Entre Kisangani e Kinshasa a navegação foi tranquila; em Matadi far-se-ia o transbordo final para a saída ao atlântico, chegar a Lândana de Cabinda e vender a carga de cacau que transportava. O calor vermelho das margens com a zoada da fechada mata verde, entorpeciam-me numa embriagues desconhecida. Em língua Kikongo, Matadi significa “pedra” pois foi construída empinada nas colinas pedregosas. Entre mim e N´Zau Tati, meu colaborador saído dos rápidos Stanley Falls na fazenda Boyoma, cresciam conhecimentos novos em trocas de impressões quanto ao futuro de África.

Resultado de imagem para fotos do kimbolagoa Falávamos longamente sobre aquele enclave Imbinda, bastante húmido, um bom clima para o cultivo de cacau na região do Buco-Zau; revíamos com alguns pormenores o tratado de Simulambuco que tinha sucedido há dois anos, feito no intuito de Portugal ser reconhecido nas diplomacias que decorreram em Berlim. E, foi ali no labirinto de covas e pedregais, aonde o navegador português Diogo Cão em 1485 deixou marcas a justificar a sua passagem. O mesmo rio por onde avançou para o interior a partir da foz e, que por ser vasto, o induziu ao erro de que seria aquele o caminho marítimo para as Índias.

Flag Bandeira do Estado livre do Congo e Leopoldo II - O Estado Livre do Congo foi um reino privado, propriedade pessoal deLeopoldo II da Bélgica entre 1877 e 1908

Custou-lhe caro esse erro perante o rei D. João II que o relegou na história para descobridor de segunda linha. Não obstante, depois de ter deixado inscrições comprovando a sua chegada na catarata Yelala, estabeleceu as primeiras relações com o Reino do Congo. Naquele então, dissertamos na incompreensão de a Bélgica ser contemplada com tão grande imensidão, o Congo. As artimanhas de Otto Von Bismarck a juntar aos países da linha da frente, menosprezaram os feitos de Portugal; isso preenchia a maior parte da nossa conversa. O Congo ou Zaire com toda aquela extensão era um país-fazenda, propriedade do rei Leopoldo da Bélgica mantido e explorado à revelia de seus súbditos, europeus e africanos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:39
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2015
MUXIMA . XLIX

ANGOLA . REBITA - Relembrar a rebita que corre o risco de desaparecer em Angola … Angola aonde todas as picadas têm uma fatídica curva da morte…

t´chingange 0.jpg As escolhas de T´Chingange

Fonte: VOA NEWS

REBITA.jpg O único grupo de dança rebita de Angola, "Novatos da Ilha de Luanda", comemorou no sábado, 31 de Outubro, 61 anos de existência. Em seis décadas de vida o grupo tem passado por muitas dificuldades, ao ponto de hoje correr sérios riscos de desaparecer. O fundador do grupo "Novatos da Ilha", Bartolomeu Manuel Napoleão "Jaburú", defendeu a pertinência de se divulgar mais o estilo rebita, pelo facto de ela representar uma referência do mosaico cultural nacional.

rebita0.jpg Insatisfeito, Cândido de Almeida, antigo bailarino do grupo, hoje aposentado, refere que muito ainda há por fazer para imortalizar a rebita, desde que haja vontade e empenho de todos, particularmente do Ministério da Cultura. No passado, era dançada na rua, nas tardes de recreio e nas noites de luar, emigrando mais tarde para as guitarras virtuosas de Liceu Vieira Dias, José Maria e Nino N´dongo, por um processo de imitação rítmica da percussão, dando origem ao semba. “A verdade é que corre o risco de desaparecer como muitas outras manifestações culturais, caso não haja uma pronta intervenção”. Desabafa Horácio Dá Mesquita Vice Presidente dos "Novatos da Ilha".

mai3.jpg  O grupo de rebita Novatos da Ilha é o vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2015 na categoria de dança. O presidente do corpo de jurado, António Fonseca, informou que o grupo foi nomeado pelo trabalho que vem fazendo, já que ao longo do seu percurso tem conseguido não só preservar como também introduzir inovações nas suas coreografias, mantendo no entanto a estrutura base do género.

besanga2.jpg O grupo "Novatos da Ilha" tem apostado na preservação e divulgação deste estilo de dança e nos valores herdados dos antepassados, transmitindo-os a nova geração de bailarinos que vai-se inserindo no género. A massemba, ou rebita, é uma dança popular de umbigada, executada por casais de dançarinos, é plural do semba, nome que veio a designar o género musical mais representativo da região de Luanda.

As Opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:17
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Sábado, 31 de Outubro de 2015
MUJIMBO . CVI

ANGOLA A crise financeira  em Angola está a agravar os problemas da fome e da seca, sobretudo, na parte sul do país.

soba0.jpegAs escolhas de T´Chingange

Fonte: VOA - Voz da América

 A situação é especialmente grave na zona dos Gambos na província da Huíla

quipá2.jpg O economista Alves da Rocha refere que o país vive um desequilíbrio das receitas para o Orçamento Geral do Estado; são notáveis as consequências resultantes da falta de fontes alternativas para responder os actuais desafios, por via da baixa do preço do petróleo no mercado internacional. O também Director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola advoga que a ausência de fontes alternativas imediata, remete o país para uma situação «séria de crise» que vai exigir à maioria do povo grandes sacrifícios. «Como sempre em todas as crises e em todos os países é no elo mais fraco onde as coisas quebram» frisou.

fome1.jpg Os sacrifícios já começaram a ser sentidos pelos agricultores dos Gambos, no interior da província da Huíla, conforme informa o Padre Pio Wakussanga, da Associação Construindo Comunidades. O sacerdote apontou a emigração dos jovens do Kuvale, Hakavona, Mhambue e Mwila para Luanda, e outras partes do território angolano à procura de melhores condições de vida, mas o sonho nem sempre é realizado.

fome7.jpg Com a desaceleração da economia, o padre Pio Wakussanga diz-nos que a problemática da fome persiste na província da Huíla o que obrigou muitas pessoas a recorrer aos frutos silvestres para se alimentarem. A falta de apoio das autoridades é revoltante. As comunidades mais afectadas, segundo o Coordenador da Associação Construindo Comunidades são o Kuvale e Hakavona, do grupo etnolinguístico Herero. «Com a fome vem a desnutrição, vem a subalimentação e, vêm outros problemas que ela provoca, vem as tensões entre grupos... A fome está a atingir idosos», afirmou.

fome2.jpg Vários são os projectos criados pelas autoridades a fim de promover o combate à fome e a pobreza, porém alguns não alcançam o sucesso desejado. Yuri Chipuio é Director Nacional de Apoio ao Combate á Pobreza do Ministério do Comércio e falou sobre estes projectos que inclui a constituição de lojas e a oferta de kits diversos às populações mais carenciadas do interior. Em face desta situação económica, o docente universitário Josué Chilundulu defende que é necessário sair do discurso para a prática. Chilundulu advoga a exploração das terras férteis em Angola para além dos recursos marítimos e minerais para a melhoria da qualidade de vida.

fome4.jpg A aposta num ambiente de negócio que garanta a diversificação da produção nacional é uma das melhores saídas para a situação socioeconómica precária que o país experimenta. Josué Chilundulu defende a melhoria dos indicadores sociais, a necessidade de fomentar o desenvolvimento do tecido social e humano. Para o académico «é muito triste vermos os angolanos a sofrerem com pobreza quando se esbanja dinheiro para coisas fúteis que só agradam aos governantes.

fome8.jpg «Nós temos o Caminho de Ferro de Benguela que dá acesso a zona do Congo Democrático e a uma parte da Zâmbia que não tem mar» e nisto, disse o docente o país precisa de “tirar proveito das vantagens perante seus vizinhos”. A aposta na agricultura familiar, na criação de um banco de dados, na introdução de novas culturas agrícolas, serão as alternativas recomendadas pelo Coordenador da Associação referida. «Os apoios chegam atrasados, as sementes não chegam atempadamente, não há um banco de dados que nos diga que precisamos de X toneladas de alimentos para dar a X pessoas, de X toneladas de sementes e qual o tipo de sementes», lamentou.

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:37
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Domingo, 25 de Outubro de 2015
MOKANDA DO SOBA . LXXXIV

CINZAS DO TEMPOTento aprender a viver com o vazio das coisas … Fui para longe para ver bem os recantos que em política, não podem ser vistos de perto… I

Por

soba10.jpgT´Chingange

 Estou a escrever três estórias em simultâneo para poder matar o tempo, uma forma de dizer, porque este nunca se extingue e nem eu sou um experto em matéria do buraco negro. Essa zona do espaço cósmico cujo campo gravitacional é tão intenso que atrai e suga qualquer matéria que dele se aproxima, até mesmo a luz da galáxia. E, também porque numa só, o desenlace, tornar-se-ia monótono nos acontecimentos. Estou bastante tempo sem dar andamento a uma qualquer destas, e por isso, mais tarde, tenho de reler os capítulos da inventação anterior para a ficção não descambar o sentido lógico do episódio. Tenho por vezes de me desentender com esta ou aquela personagem porque a cronologia o torna ilógico, intemporal ou desnecessário.
 Calculem que as personagens se tornam tão reais, ao ponto de a dado momento me ameaçarem de morte, assédio ou vítima de um logro corrupto ou roubo; nisto, sempre tento alijar ternuras! Em
Inventações da história, remeto-me lá para trás no tempo e espaço como secretário de fazenda de João de Câmara da Capitania-Geral do Reino de Angola com a ajuda do capataz José Nanquituka e a Kaputo da Silva, o almoxarife missionário auxiliar, no tempo do rei Umbundo Ekuikui II e, no ano de 1893.
 Sendo eu um T´Chindele Mwana-Pwó do M´puto, era o fiel depositário de sua Majestade a Rainha D. Maria II, responsável pela fazenda Pública e tendo ordens expressas de fazer uso do dinheiro Macuta em todas as transacções comerciais. Isto a propósito de substituir o uso do libongo como dinheiro nas regiões do Sumbe e Dombe Grande; convém aqui explicar que libongo era o pano dinheiro que substituía o N´Zimbo como moeda. O pagamento de funcionários do reino e militares de 1ª ou 2ª linha e funantes que recebiam o respectivo libongo ou o permutavam, coisa difícil de manusear como é evidente imaginar nos dias de hoje.
Resultado de imagem para macutas angola Houve momentos que tive mesmo de espreitar minha vida pelo cano de meu revólver; uma vida estriada em verdades misturadas nas inventações. Num entretanto, empoleirado nas horas das consequências com vénias de enrugada postura, o albino, branco de fingir, dá umas ordens aos seus monandengues e, eis que salta um t´chingange para o terreiro empoleirado em antas, zingarelhos, enfeites de ossos de hiena e facóchero ao redor do corpo. Como vêem não era fácil, cumprir minhas obrigações como zelador gweta linguajando dialectos ainda não catalogados. Falta agora descrever sucintamente as estórias de
Kianda de Zanzibar e Monangamba do Zeca Kafundanga, depois encontrar as mentiras certas para contornar as verdades.
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:45
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Sábado, 17 de Outubro de 2015
MONANGAMBA . XXXVIII

ANGOLA – NA LUUAOS MORTOS PRESOS E OS CADÁVERES ATIRADOS NUMA LIXEIRA CHAMADA " LUANDA "2ª de 2 partes

Por

vumby0.jpgFernando Vumby - Fórum Livre Opinião & Justiça

HÁ MORTOS AINDA REGISTADOS COMO PRESOS E CADÁVERES DESAPARECIDOS EM ANGOLA!

luaty1.jpegÀ margem: “O que atrai e é superior em Luaty Beirão, é o sentido de verticalidade moral que erradia em todas as suas acções, vindo disso um profundo sentimento de solidariedade e uma clara convicção suportada por uma expressiva inteligência muito rara em jovens da sua idade. Tão cara é a personalidade deste jovem, que não é possível privar com ele sem que se lhe ganhe a confiança e o companheirismo de tão naturalmente solidário que é. E o que é curioso em Luaty Beirão é em como um ateu convicto como é, chega ter mais fé do que os mais fervorosos religiosos, tal como é curioso que as suas feições se assemelhem a imagem de Jesus Cristo tal como é perfeitamente pintado sobre telas sacras.”

luaty2.jpg

Haver mortos presos parece algo bastante esquisito, mas é uma triste realidade em Angola onde por vezes, as pessoas morrem nas cadeias e seus corpos desaparecem e, por isso há casos de familiares, que nem se quer reclamam pelo paradeiro dos seus parentes finados, principalmente quando estiveram presos por ordens de algum graúdo da nomenclatura.

A prática de se aprisionar mortos e se fazer desaparecer cadáveres é uma inovação dos serviços secretos angolanos e o seu pontapé de saída foi dado pelo General Zé Maria quando este fez desaparecer corpos; até de antigos amigos de infância por serem da UNITA. Curiosamente numa altura em que estes lhe pediam socorro. Esta prática segundo alguns investigadores e historiadores também acontece na Rússia e na China nos dias de hoje, aonde até existe uma espécie de quadrilha de ladrões de cadáveres. Sabe-se eu recentemente, na China, um grupo foi preso e condenado entre 20 e 30 anos de cadeia.

haida art.jpg Em Moçambique falou-se em tempos de um indiano que se tornou milionário com a venda de cadáveres e órgãos humanos . não me admiro que este também seja hoje um negócio fabuloso em nosso país onde quase tudo tem um preço. Já ouvi que cadáveres angolanos eram enviados em Cuba para estudos e experiências em laboratórios o que não duvido dado o carácter criminoso dos homens que nos governam e sua relação como os comunistas cubanos desde os tempo do outro ditador A. Neto.

haida 1.png Em 1976 os serviços de ( Contra - Inteligencia Militar ) ainda me recordo como se fosse hoje pois quem tinha este dossier era o meu colega Adelino Xavier ( Ade ) desconfiou-se de um grupo de estudantes cubanos em conexão com angolanos que roubavam cadáveres para pesquisa médica e cientifica em laboratórios cubanos num esquema com contornos muito complicados que mais tarde ou mais cedo acabará por vir á tona. Haja saúde ... Ontem, o mercado negro de compra e venda de cadáveres, órgãos e membros para possíveis estudos em laboratórios em Cuba, Rússia ou China e no dizer de alguns arquivos gerou muita nota preta e quem duvida que hoje a coisa esteja mais refinada e funcionando como se fosse legal entre eles ?

 

mess5.jpg Basta olharmos para o negócio das Kuarras promovido pelo Bento Kangamba, pago com o dinheiro do povo e estimulado por uma presidência que se recusa á enviar o bandido ás barras da justiça internacional... Para quem como eu que já perdeu um ente querido e nunca soube ao certo onde está o cadáver pode concordar comigo o quanto é duro e triste imaginar que este pode ser um dos mortos presos ou cadáver enviado para estudos em laboratórios dos confins do mundo...

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:20
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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015
MUJIMBO . CIV
ANGOLAA melhor forma de denunciar - 4ª de 4 Partes

As escolhas do kimbolagoa

Por

regi1.jpg Reginaldo Silva  - Jornalista - Morro da Maianga Blogue

 - Sempre que há bronca entre Governo e a Oposição, a imprensa não tem sido capaz de observar a realidade objectiva, investigando minimamente a verdade…

cari2.jpg A qualidade e a eficácia do nosso jornalismo mais político depende hoje de questões que muitas vezes escapam completamente ao desempenho dos profissionais que muitas vezes só não colocam as questões que a própria actualidade exige, por outras razões que a própria razão desconhece, mas que qualquer observador da realidade angolana saberá entender perfeitamente. Gostaríamos de chamar para aqui o exemplo da TV Zimbo que nos últimos tempos abriu um espaço a que chamou de "Debate Livre" numa curiosa mas intencional redundância, como se estivesse a mandar algum recado a alguém da concorrência que faz debates amordaçados.

cruzeiro01.jpg Ainda não vi debates com os participantes amordaçados o que seria técnicamente impossível, mas deparo-me algumas vezes com verdadeiras orquestras em palco que não fazem muito sentido para quem estava a espera de ver a luz nascer da discussão assumida por pessoas que pensam pela sua própria cabeça. Recentemente tivemos na Zimbo mais um destes acalorados debates políticos com o contraditório devidamente assegurado.

kunene1.jpg Esta experiência da Zimbo que corresponde a uma segunda fase da sua existência depois de um prolongado marasmo, prova, mais uma vez, que já não há nenhuma ameaça para a estabilidade do país que possa resultar de um debate político por mais contraditório que ele se apresente do ponto de vista dos argumentos e das ideias. Com este tipo de debate estará seguramente a média a ser o melhor espaço para ajudar o país a reencontrar-se e a exercizar todos os seus fantasmas,que ainda hoje  ameaçam a paz e a reconciliação nacional, com a certeza de que a guerra de ontem perdeu todas as oportunidades de regressar ao presente.

FIM

As Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:41
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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015
MUXIMA . XLVIII

ANGOLA – LOANDA . DO TEMPO DO QUININORelatos e histórias de antigamente… 

Por

luis0.jpg Luis Martins Soares - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes.

 - https://www.facebook.com/luis.martinssoares.1 

loanda 0.jpg Quando morava na Maianga, ainda estudante, galgava as trilhas empoeiradas direcionadas ao Hospital Maria Pia. Do lado direito havia um sobrado antigo de um andar, avarandado. Lateralmente ao Hospital, local da nossa passagem, deparávamos com diversas tambarineiras aquelas árvores cujos frutos são os nossos conhecidos tambarinos. No solo lagartos enormes esverdeados de cabeça levantada como que estivessem em posição de alerta observando a aproximação de possíveis predadores, procuravam esquentar-se sob os raios de sol que se infiltravam pelas ramagens das árvores e, com a nossa aproximação empreendiam uma fuga pelos troncos das mesmas.

kafu24.jpg Um pequeno desnível dos pisos do terreno era transposto para chegarmos ao Largo do Hospital. A caminhada a partir daqui para a Rua da Misericórdia era feita em terreno plano pois estávamos na Cidade Alta, a região mais antiga de Luanda mas vamos fazer uma pequena pausa para relembrarmos um pouco da sua fundação: Paulo Dias partiu de Lisboa a 23 de Outubro de 1574 com dois galeões, duas caravelas, dois patachos e uma galeota, chegando à vista da Barra do Kuanza costeando mais para o norte entrou na Barra da Corimba, na época ainda navegável para as caravelas, desembarcando depois na chamada Ilha de Loanda a 11 de Fevereiro de 1575. A ilha de Luanda não era região ideal para se estabelecer e Paulo Dias mudou-se para terra firme onde fundou a vila de S. Paulo de Loanda com sua igreja dedicada a S. Sebastião santo de devoção do Rei e dos portugueses a 25 de Janeiro de 1576.

kafu23.jpg Vemos que a Vila de S. Paulo começou a crescer paulatinamente na parte baixa entre a Ermida da Nazaré e o Morro de S. Miguel, contornando as margens da baía, com a população branca fixando-se e construindo casas, se assim podemos classificá-las. A parte alta, como já relatado, começou no Largo da Feira, actual Praça do Palácio, local onde os jesuítas do séquito de Paulo Dias de Novais edificaram a Igreja e outras instalações. 

kafu1.jpg Prosseguindo com a nossa viagem ao passado saindo do Hospital D. Maria Pia onde antigamente existiu o Convento de S. José (1604), o Hospital com corpo central de frontão, de 18651883 e de frente para a Avenida de Álvaro Ferreira caminhamos um pouco até entrarmos na Rua da Misericórdia, no lado esquerdo. Na esquina das duas vias havia uma escola onde fui submetido aos exames de Admissão aos Liceus. Ao lado, uns poucos metros à frente, tínhamos o Quartel General com a sentinela indígena de guarda e com o barrete vermelho em forma de cone chamado cofió, enfiado na cabeça. Nesta região a maioria das casas eram de construção antiga construídas com paredes de grande espessura de cal, pedra e areia.

luis11.jpg Continuando a nossa caminhada pelo lado esquerdo no sentido ao Palácio do Governo passávamos ao lado da casa do poeta e escritor Tomaz Vieira da Cruz onde muitas vezes o vi sentado perto da janela, escrevendo. Dono de uma grande cabeleira, marca registada de muitos poetas parece-me que era funcionário público dos Serviços de Saúde. Mais uns passos e do lado direito um Miradouro nos permitia vista para o Parque Heróis de Chaves local de muitos encontros de namoradinhos e de lazer de casais acompanhados dos filhos, principalmente aos Domingos.

luis1.jpgGaroto ainda, na minha mente, nunca me esqueci de um soneto do Tomaz Vieira da Cruz, que embora português tinha alma angolana. Transcrevo o seu poema Romagem ao Quicombo, escrito em 1938: Romagem ao Quicombo

suku0.jpg Vinham de toda a parte esses romeiros,

em procissão de imagens quase santas;

e os de mais longe foram os primeiros

que chegaram à grande romaria...

As léguas caminhadas eram tantas

que a distância é um pranto de alegria!

Vinham de Seles e do Amboim do norte

os homens brancos e de negra cor

que servem Portugal até à morte.

cipaio1.jpg Vinham do Longa e da Quissama

todos que têm por lá o seu grande amor

a santa Muxima que os inflama.

Em fé ardente, e crente, e milagrosa

Vinham os Sobas de passadas guerras

com a sua corte altiva e caprichosa;

E moças lindas, cor da noite escura,

— negras flores do exílio em que te encerras,

ó minha Angola imensa, ó formosura!

E bandeiras daquelas mais festivas,

certo dia tornadas prisioneiras,

ali regressam, livres e altivas.

Quando Elas passam, com o seu ar contente,

batem palmas as palmas das palmeiras,

e o Sol, subindo alto, é mais ardente!

coqueiros5.jpg Diz a missa o mais velho missionário,

sobre um altar de pedras carcomidas,

que são da fortaleza o breviário.

Numa aliança de sangue, as lindas flores,

de duas raças por amor unidas

olvidam os passados dissabores

nesta Terra Africana, - a bem amada -

que Salvador Correia restaurou

em luta ardente, forte, ilimitada!

lu9.jpgPaira no ar uma oração fremente,

e um poeta que nunca mais voltou,

erguendo a voz, cantou humildemente:

Por obra e graça da divina glória,

que mais além da vida aconteceu,

Quicombo é um padrão da nossa história

que a nossa gente em devoção ergueu!

 

lifune0.jpgGritai, clarins da fama e da vitória,

rezai preces de amor por quem morreu

dando valor a quantos, de memória,

dizem os seus nomes altos como um céu!

E Tu, ó grande mar das caravelas

e dos naufrágios, conduzindo as velas

te aportaram, gloriosas, no teu fundo,

Ergue-te ao alto em torre de menagem

e ensina à voz do vento esta romagem

para que o vento a leve a todo o mundo.

::::: Com o agradeciento do KIMBO a Luis Martins Soares e um abraço de  amizade.

As opções do Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:20
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2015
MONANGAMBA . XXXVII

ANGOLA NA LUUA - AFINAL QUEM TRATA DOS MORTOS? – OS MORTOS PRESOS E OS CADÁVERES ATIRADOS NUMA LIXEIRA CHAMADA " LUANDA " 1ª de 2 Partes

Por

vumby0.jpgFernando Vumby - Fórum Livre Opinião & Justiça

luanda5.jpg Hoje para além do mau cheiro característico da cidade capital Luanda, já se desconfia que haja uma série de valas comum espalhadas um pouco por toda cidade no dizer de especialistas e estudiosos que admitem essa possibilidade. Visitamos a casa mortuária e apanhamos um choque e, custa acreditar que exista no mundo algum governo que lida com os mortos deste jeito. Conclusão de meus discretos informantes, pesquisadores no terreno.

luanda2.jpg Vimos um abandono total e pior do que isto, moscas estranhas e bichos esquisitos devorando os cadáveres amontoados na morgue, uns em cima dos outros como se fossem sacos de fuba podre ali armazenados! A saúde publica em Angola deixa muito a desejar e vai continuar a ser um osso duro de roer enquanto os dirigentes angolanos não derem especial atenção á este sector pouco importante para eles porque, quando eles estão doentes assim como seus familiares, vão  tratar-se a países estrangeiros.

LUUA1.jpg Fontes sigilosas garantem que JES nunca fez uma consulta em Angola e que nenhuma das suas filhas teve um parto no país, o que em verdade, já nos diz tudo! Dos Santos tem estado a lutar tentando controlar um cancro agudo da próstata tomando medicamentos fortes para evitar ser submetido á quimioterapia com ajuda de especialistas espanhóis em hospitais daquele país onde se desloca regularmente, concluíram...

luanda1.jpg E, enquanto isto o orçamento para a área da saúde é cada vez menor com os doentes a lutar pela posse de uma cama livre nos hospitais; Isto, quando não morrem em restos de papelão. E, em pleno século XXI e, na cidade mais cara do mundo...

Fernando Vumby - Fórum Livre Opinião & Justiça

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:50
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Domingo, 11 de Outubro de 2015
MOKANDA DA LUUA . XLI

ANGOLA - DA LUUA - CARTA (RE)ABERTA AO PRESIDENTE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS

Por

mocanda0.jpgSerafim Muca Muca - A lucidez no exercício do mais alto cargo da magistratura de um país é uma ferramenta definidora do carácter de um líder que exige a sua consagração pelo voto do soberano, através dos marcos da legalidade e da legitimidade. A ausência de um destes pressupostos demonstra a natureza do seu titular, que governando, não tem o consenso do povo e voto eleitor.

William Tonet

mocand01.jpg Senhor Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, escrevo-lhe, uma vez mais, apelando a sua sensibilidade, para se colocar não como Presidente dos angolanos do MPLA, mas como Presidente de todos angolanos, logo com amor paternal, principalmente, em relação aos meninos e jovens com idades próximas a dos seus filhos. Escancare o coração e sinta o gemido e a dor de meninos, muitos hoje, com a idade que o levaram a abandonar o Sambizanga e partir para o Congo para abraçar a lua de libertação nacional e devolva-os as mães e esposas dilaceradas com a prisão injusta, levada a cabo, por serviços castrenses, desejosos de comprometer o seu futuro, pois a responsabilidade lhe será imputada.

mocanda2.jpgLuaty Beirão

 A sua biografia fala do período de irreverência juvenil e das manifestações contra as políticas injustas, então praticadas nos anos 60 pelas autoridades coloniais portuguesas, que aderiu e participou, para quê e porquê, se agora em democracia, o Senhor nada faz contra a repressão, a tortura, a prisão e por vezes os assassinatos levados a cabo pela Segurança de Estado e Polícia, contra jovens que nem o querem matar, apenas apelar a uma melhor governação. Senhor Presidente, José Eduardo dos Santos, acredito ser altura de emprestar nobreza ao seu reinado, depois de 36 anos de poder ininterrupto, sem nunca ter sido nominalmente eleito. Foi um erro estratégico, esta opção, pois qualquer que seja o desfecho final do seu consulado, essa condição remetê-lo-á para a galeria dos ditadores…

mocanda7.jpgPoderia ter evitado isso, principalmente, quando morreu assassinado o seu principal adversário político: Jonas Savimbi. Depois de 2002, o senhor concorreria praticamente sozinho e poderia ser eleito nominalmente, pela primeira vez, e se estivesse difícil, apelar à “engenharia informática de esgoto”, para concentrar os votos nas suas urnas, não seria anormal, pelo contrário… Não o tendo feito está mais vulnerável enquanto líder…, quer interna como externamente. Senhor Presidente, os seus apoiantes, acredito, a maioria exímios bajuladores, escondem-lhe a realidade, caso contrário, saberia do clamor do povo e da baixa popularidade que tem. Ninguém mais acredita no seu consulado e Executivo, incluindo destacados militantes e dirigentes do MPLA, que vaticinam a sua partida. Não o dizem por temerem, na crónica cobardia, a perca das mordomias.

mocanda3.jpg Felizmente como não faço parte deste exército, tenho a autoridade de lhe trazer a “voxi populis”. O declínio da sua áurea começou com os assassinatos, dentre outros, de Ricardo de Melo, Adão da Silva, Mfulumpinga Landu Victor, mais recentemente, com o lançamento aos jacarés de dois jovens que o protegeram anos a fio, na sua Guarda Presidencial: Cassule e Kamulingue, seguindo-se, no quartel do palácio, Hilbert Ganga. São muitas mortes nas redondezas do seu gabinete, com igual omissão. A prisão dos 15+1 jovens é a maior asneira do seu consulado, pois tolha a imagem do Executivo de que é titular, colocando-o na lama, face à insensibilidade que vem denotando, com o avolumar de injustiças e o temor que demonstra face ao exercício da democracia, nos marcos consagrados, numa constituição feita a sua imagem e semelhança.

mocanda5.jpg Senhor Presidente, será que os seus assessores (nacionais e estrangeiros), responsáveis pela elaboração da actual Constituição, tendo escondido ao MPLA (os deputados do partido no poder, tinham outro anteprojecto), também lhe esconderam a consagração destes direitos fundamentais? Se não, por que razão os cidadãos não os podem, livremente, utilizar? Essa postura descredibiliza-o, como líder e democrata, daí estar a ser fortemente criticado, também pela promoção de tribalismo, contra um jovem de 18 anos, por alegadamente, adoptar o nome do comandante Nito Alves, que paradoxalmente, também não conseguiu contar com a sua solidariedade, enquanto coordenador da Comissão de Inquérito, sendo então assassinado pelo MPLA em 1977, agora pode acontecer o mesmo com o seu homónimo, quando chineses e outros têm a nacionalidade sem cumprir os requisitos legais…

LUUA1.jpg Senhor Presidente, não acredito ser tão mau e insensível, mas a sua insensibilidade abomina, ao ponto de, alegadamente, preferir que morra, nas fedorentas masmorras do regime o filho de um homem que o serviu com “fidelidade canina” e que foi director da sua Fundação, o Luaty Beirão, que empreende há mais de 19 dias uma greve de fome, face às injustiças, estando muito mal. O mais grave é que o Senhor sabe disso, mas dizem-me, não gosta de ouvir conselhos de gente que não o bajula, gente com coerência e autoridade moral, preferindo antes ser “morto pelo elogio do que salvo pela crítica”. Será que se um dos jovens, Marco Mavungo, José Kalupeteka, Quim Ribeiro + 21 polícias, morrer na cadeia o Senhor continuará a viver com paz espiritual, sabendo que mais uma vida se foi face à injustiça do seu executivo?

mocanda6.jpg Senhor Presidente, não se esqueça que é pai, logo lembre-se do que sofre quando um deles não está bem, sei ser difícil isso acontecer, pela faustosa vida que têm, mas ainda assim imagine o que é o sofrimento de um pai, sabendo que seu filho está preso ou morreu face à sua omissão ou descaso. O poder da oração tem muita força, não defraude todo um país, pois ser radical, não demonstra nobreza, pelo contrário, é medo, é cobardia… Desprenda-se do colete de força e prepare uma retirada feliz, pois caso contrário nunca ninguém o recordará como bom patriota… Senhor Presidente, saiba que na actual conjuntura, os maiores e piores adversários habitam na sua própria legenda, por não ter conseguido, como é natural, servir a todos…, logo se não preparar pontes com os políticos da oposição e membros da sociedade civil, não bajuladora, correrá o risco de acabar sozinho no futuro, inclusive abandonado por alguns dos seus próprios filhos.

mess0.jpg Senhor Presidente, finalmente, seja, pelo menos, uma vez líder de todos, líder sem armas e exército privado, líder do bem, líder do amor, capaz de interpretar os conselhos do Papa e do Presidente Obama, pense como um pai, promova uma verdadeira reconciliação e conciliação, entre todos actores políticos. Agora, na magistratura dos seus 73 anos de idade, faça algo abrangente, porque amanhã, é a lei da vida, poderá ser tarde e nem dos feitos positivos desfrutar e ser recordado. Incite a promoção para uma verdadeira justiça, mande libertar os jovens políticos inocentes, demonstre não ter medo deles e das manifestações, coisa que o indulto/2015 de cariz sectário, não fez, discriminando, injustamente, muitos inocentes que definham nas cadeias, por razões políticas.

Seja líder Senhor Presidente!
As Opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:39
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2015
MUJIMBO . CII

ANGOLAA melhor forma de lá chegarmos - 1ª de 4 Partes

- Sempre que há bronca entre Governo e a Oposição, a imprensa não tem sido capaz de observar a realidade objectiva, investigando minimamente a verdade…

As escolhas do kimbolagoa

Por

regi1.jpg Reginaldo Silva  - Jornalista - Morro da Maianga Blogue

regua.jpg(…) Seja como for já nada será como no passado, nem voltará a ser; mesmo em países onde os governos viveram fortemente protegidos por muros e cortinas e que hoje estão muito lentamente a abrir-se às respectivas opiniões públicas no âmbito de enviusados e contraditórios processos de democratização ainda são bastante controlados ou mesmo manipulados por tutelas mais ou menos visíveis. Sem falar dos debates parlamentares, há cada vez mais congressos partidários a serem transmitidos em directo pelas televisões e também já há mesmo governos que realizam os seus conselhos de ministros com as portas abertas, mesmo que seja só para inglês ver.

ardinas branos.jpeg Para os efeitos deste debate mais específico, que tem a realidade angolana como pano de fundo, é incontornável o território mediático como espaço público por excelência desde que baseado nos princípios da liberdade de imprensa e do direito à informação, com as necessárias garantias de que não há gato escondido com o rabo de fora, ou que não estamos a comer gato por lebre.

sa6.jpg Não tenho qualquer dúvidas em afirmar que hoje, cerca de 12 anos depois das armas se terem calado, teríamos em Angola um debate político muito menos crispado e muito mais virado para o futuro, se o tal território mediático fosse mais independente de qualquer tutela, o que como sabemos não é o caso, nem vai ser tão cedo, a manterem-se as tendências actuais. Lamentavelmente é na ausência de um debate público mais estruturado, que passa a haver substituição por outras manifestações políticas mais agressivas; a principal  fonte que continua a alimentar receios desnecessários quanto ao porvir, como se a intenção fosse manter os cidadãos reféns de qualquer coisa estranha mas terrível para as suas vidas.

preto4.jpgDo ponto de vista mais eleitoralista, percebe-se com alguma dificuldade este cerco virtual ao cidadão, como garantia do chamado voto seguro, mas é cada mais difícil aceitar que a vida política de um país que tem de esquecer o passado para abraçar definitivamente o futuro, se faça com estas balizas que só nos distanciam uns dos outros, enquanto construtores do mesmo projecto, que é fazermos de Angola um país bom para se viver, palavra de ordem oficial com a qual não poderíamos estar mais de acordo.

moc2.jpg O que é um facto e, o que mais ressalta deste mobilizador, algo poético desiderato, dura realidade, é que Angola ainda não é um país bom para se viver, nem vai ser tão cedo, pois achamos que o modelo adoptado, já deu provas de não estar a altura das exigências e das urgências, face aos profundos desequilíbrios e assimetrias. Não o é, mesmo para a maioria dos angolanos que hoje vive entre as fronteiras da pobreza e da exclusão social, com a criminalidade crescendo como principal ameaça à paz social das suas comunidades. (…)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:38
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2015
MUJIMBO . IC

ANGOLAFRAUDE ELEITORAL? - ISTO É O QUE AINDA NÃO PERCEBI DA OPOSIÇÃO POLITICA E DOS ANGOLANOS...!

Por

vumby0.jpgFernando Vumby - (Fórum Livre Opinião & Justiça)

vumby01.jpg Se os vários factos relatados vezes sem conta nos confirmam de que houve sempre fraude eleitoral, o que significa que este regime não é legítimo, então por que razão até a oposição política respeita este regime e se relaciona com ele como se estivesse á lidar com um regime que eles reconhecem e consideram como legal? E, pior do que isto como se aceitam leis que são claramente contra os interesses da maioria criadas para salvaguardar interesses de grupos, familiares e um amontoado de delinquentes COM vestes de governantes?

vumby5.jpg Ou os processos eleitorais foram sempre de acordo com as normas constitucionais já que segundo alguns (políticos) o problema não é a constituição mas sim a falta do seu cumprimento e ficaremos então todos calados, porque o regime, afinal é legítimo. De contrário não vejo razão para essa excessiva, escandalosa, medrosa e humilhante obediência a tudo que é decretado por um grupelho de corruptos treinados e inspirados para assaltos aos cofres públicos e assassinatos...

vumby9.jpgQuanto a estes contornos de obediência, teremos de nos indagar pelo facto de todos se conformarem com os roubos, com os julgamentos encomendados e motivos fabricados segundo o estatuto politico e social da vitima, com os assassinatos, os acordos dúbios e com essa governação constituída por famílias, conhecidos, amigos e uns tantos estrangeiros enfiados no meio mascarados de nacionais?

vumby01.jpgPara reforçar o pronunciamento de Rafael Marques, chegou sim, a hora de assumirmos o nosso papel como cidadãos deste país; e o nosso papel não é este de parvos que aceitamos tudo , cruzando os nossos braços porque temos medo de morrer ou porque dá mais jeito sermos todos ao mesmo tempo heróis vivos famosos... Que se atire á primeira pedra para o ar...

Fernando Vumby

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2015
MOKANDA DA LUUA . XL

ANGOLA - O EMBONDEIRO MÁGICOÁfrica, é uma bênção e um veneno!

Por

DY0.jpgDy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) - África, é uma bênção e um veneno! - Foi dele que ouvi esta verdade tão marcante em nossas vidas! Autor de “Ninguém é Santo” escrito para todos os Angolanos que amaram e amam a terra que os viu nascer ou crescer…

Foi dos contos que mais gostei de escrever.

embo0.jpg Do meu pai herdara metade da cor da minha pele, o desapego total pelo dinheiro, um profundo amor por África e uma Bedford velha. Da minha mãe a outra metade da cor, o conhecimento das mil mezinhas possíveis de fabricar com a flora africana e o gosto pelo encantamento dos matos, dos rios, das aves e dos animais selvagens e o Molas sobrinho da minha velha e ajudante do meu pai. O meu velho deixara uma terriola no Alentejo profundo no princípio dos anos vinte e com quinze anos rumara para Angola com uma carta de chamada na mão. – Esta é a minha terra, a minha família e o meu sonho de menino. Dizia isto denotando um profundo desinteresse por Portugal e nada do que lhe dizia respeito o emocionava. A minha mãe teimou toda a vida, contra a minha vontade em chamar-me. - Menino Rodolfo para aqui, menino Rodolfo para ali -Dava a ideia que eu não tinha saído das suas entranhas. Quando o velho ficou entravado, tratou dele com um esmero e um carinho inultrapassáveis.

embo1.jpg Foi nessa altura que peguei na carripana e comecei a transportar malas de peixe seco do Tombua para o Cuanhama. Ainda hoje não percebo porque diabo era proibido a sua comercialização e éramos perseguidos ferozmente pelos fiscais do governo. O meu pai ensinara-me como trocar as voltas a esses “Tratantes”, epíteto dos mais meigos que ele usava quando se lhes referia. Usávamos picadas alternativas onde a fiel Bedford resfolegava como um cão com asma, gemendo desesperada no barro negro. Foi numa dessas viagens em que num repente o céu azul se transformou num amontoado de nuvens negras que pronunciavam chuva da grossa que o diferencial foi à vida, algures entre a Cahama e o Katekero. O Molas com o desalento de negro que leva “ tampa” em rebita, tirou o arame que prendia a porta do seu lado e com metade de um saco de farinha a servir de capa confirmou a desgraça.

embo2.jpgO barro peganhento tinha derrotado a tenacidade da velha camioneta, que jazia como um couraçado semi afundado no lago de lama e água barrenta em que se transformara a picada. O Molas não perdeu tempo e agarrou nos “Nonkakos” e zarpou em direcção ao Chipelongo para conseguir ajuda. À segunda noite abandonei a cabina e munido do kamberiquito instalei-me num embondeiro de dimensões inauditas. Um raio cavara-lhe uma pequena gruta no tronco grotesco e rugoso e ali me aconcheguei com a natureza. A lua prateava-me o abrigo improvisado quando ele entrou lindo de morrer, os olhos fitando-me com uma ternura indescritível sob as pestanas sedosas. O pelo argênteo realçava-lhe a elegância dos quartos traseiros e quando se enroscou com terna confiança junto às minhas botas parei de respirar com medo de quebrar a magia do momento.

luis7.jpg Foi então que entrou a fêmea, uma Caínde temerosa abanando a cauda com o nervosismo de quem olfacta o desconhecido. Dormimos os três na cumplicidade daquele embondeiro mágico. Enterrei o meu pai e a minha mãe um quase a seguir ao outro, e a velha Bedford desfez-se em ferrugem no telheiro improvisado no quintal da casa dos meus velhos, lá para os lados do Chipelongo. O progresso, o asfalto, e os interesses abomináveis de alguns mataram a aventura da picada e do peixe seco tal como tantos outros pecados cometidos pelos senhores continentais que ditavam a lei e a impunham a seu belo prazer. Em consequência levei uma sova sem saber porquê de um grupo de libertação que saqueou a loja e matou o Molas com uma coronhada por me querer defender e me fez embarcar um mês mais tarde num avião da cruz vermelha, rumo a Portugal.

dyo01.jpgO meu pai e a minha mãe esqueceram-se de me instruir sobre esta selva e assim vegetei de árvore em árvore no Rossio, entre o Nicolas e os Restauradores, dormindo ao relento onde calhava. Uma noite a chuva e o frio atiraram-me para um alpendre sem kamberiquito. Por volta da meia-noite um casal jovem albergou-se também ali, debicando-se na boca com suspiros de prazer. Lembrei-me dos caindes e do embondeiro mágico, não me mexi durante toda a noite. Pela manhã parti para a vida, para desbravar a selva urbana e tentar amá-la tal como o meu pai amara aquela outra do outro lado do mar. Não consegui! Faltam-me os caindes, faltam-me os embondeiros, faltam-me as picadas, falta-me um peixe seco na brasa com um prato de pirão, mas arranjei dinheiro para a passagem.

Reis Vissapa

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:30
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LIII

NAS FRINCHAS DAS CINZAS . Angola a Preto e Branco(Uma homenagem a João Charulla de Azevedo do Notícias) - Kazumbi com kalunga… Nem sempre é necessária a verdade para se ficar verdadeiro….

AS CARTAS DE CHAMADA

Por

maga1.jpgLuís Magalhães … Esta história muito real é aqui relembrada porque as pessoas diziam que só os negros é que eram explorados? Perante tal ignorância tenho a dizer que os colonos e os colonizadores exploravam tudo e todos sem dó nem piedade (...) Acredite quem quiser!

magao01.jpg O meu Pai era um dos que ajudava as pessoas que queriam singrar na vida ao ir trabalhar para Angola uma vez que conhecia meio mundo, depois de falar com as "gentes poderosas" mandava cartas de chamada para os que lhe tinham feito o pedido porque nos tempos da "Outra Senhora" era assim que o sistema funcionava. Eu, da parte que me toca não foram poucas as vezes que essa gente que o meu Pai ajudava, terem passado por minha casa para assim o meu Kota os por ao corrente do trabalho que iam ter aproveitando para lhes falar acerca do perfil do Patrão.

maga2.jpg Penso que andou tudo dentro da normalidade até ao dia em que o meu Pai vê em Luanda o senhor Monteiro (era contabilista) uma pessoa que ele tinha ajudado juntamente com a família (tinha cinco filhos) e na sua boa-fé perguntou-lhe como ía de vida? O senhor Monteiro lá começou a contar o calvário da sua vida desde que chegou a Angola e o meu Pai perante isto convidou o senhor Monteiro a ir lá a casa almoçar, até para se melhor inteirar da situação…

maga4.jpg Foi quando todos ouvimos o senhor Monteiro contar a sua saga?! Ele então, lá contou que foi trabalhar para uma fazenda onde mal lá chegou, o meteram a ele e á família (eram sete pessoas) numa casita com três divisões! Nessa Fazenda havia uma cantina onde faziam a despesa do mês e o trabalho dele era andar á noite de mota ou de Jeep a vigiar a Fazenda e da parte da tarde tinha que controlar os empregados.

maga3.jpg Quanto a dinheiro, praticamente não havia nenhum porque o patrão entendia que pagava tudo ao empregado e como tal não necessitava de dinheiro naquele meio em que viviam que era o mato. O meu Pai ouviu tudo isto numa mistura de indignação e incredulidade porque entendeu que aquilo era escravatura e tratou logo de arranjar outro modo de vida para o senhor Monteiro. E, na mesma hora, arranjou-lhe um emprego, numa empresa que se chamava Construções Técnicas.

kafu22.jpg Uma opinião: O meu pai também chamou família e amigos mas, deu no que deu! Todos passavam lá por casa e fomos muito felizes até que surgiu um tal de MFA com regras espaciais; fomos todos para o espaço…

Opinião da Linda: Meu pai também chamou desse modo amigos mas, havia um mas que desconhecíamos! Afinal só estávamos ali para estagiar a vida! Até que nos ofereceram em 75 uma viagem grátis sem retorno, assim graciosamente; talvez por isso nos chamaram de retornados!  

Luis Mascarenhas  

As opções do Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:56
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Domingo, 20 de Setembro de 2015
CAFUFUTILA . XCVI
ANGOLA . CAFUFUTILA . O CHOQUE DO PRESENTE  - No mundo imperfeito, também muito redondo nos silêncios, acho melhor nem referir o nome do patrão Edu… As circunstâncias medrosas não permitem que abra uma nova frente de guerra sem haver razões independentistas…

Por

soba10.jpg T´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto. Anda às arrecuas para fugir à regra, um paradigma, só dele.

neph1.jpg No calor do Sul do M´Puto, com sol de Setembro, sabor salobre de ventos rodopiando nas horas, marés longas de vontades alheias, aqui estou numa espera tardia, a ter um papel na vida, tentando a custo interpretar o Islão. Esse tal com laivos de maldadês e decapitações, que nem a esquerda comunista estalinista e maoista no seu lado mais negro, traz consigo uma carga negativa do passado cultural, em países redondos na perfeição dos silêncios. Com fúteis caprichos de poder, esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos futuros. Sim! O futuro de um mundo surreal tentando compreender melhor a essência dos seus divinos. Agora, já kota mais-velho apercebo-me do joguete das lutas de tantas portas ou portais desconhecidos.

diogo2.jpg Sendo mazombo de Angola na criação e, vivendo entre astucias enganosas e superstições intestinas, falo e penso como se fosse um africano preto na cor, captando como um íman as feitiçarias das memórias feitas tradição. Hoje, aqui estou junto ao castelo de Ferro Agudo olhando a outra margem do rio Arade com edifícios da cor da terra, torrões amarelecidos; afinando ou ajustando os binóculos tasco por forma a ver ao pormenor o tal Yate preto que agora me parece mais um veleiro. E, lá está escrito “Neptuno” no lugar mais central e cimeiro que penso ser a cabine do piloto, do dono ou patrão de costa ou talvez o chefe de um país muito cheio de gasosa para fazer banga na antiga metrópole do M´Puto.

neph01.jpg No mundo imperfeito e como disse, também muito redondo nos silêncios, acho melhor nem referir o nome do patrão porque até pode nem ser verdade, correndo o risco de, se teimar, ficar enfeitiçado de uma forma total. Para mim, é tarde demais para deslindar os mambos e saber as verdadeiras razões dos fúteis caprichos do poder do Edu. Mudo aqui o discurso porque surgiu num jeito estranho entre mim e a pequena calema um monangamba, preto que nem um tição, com trancinhas sebeirosas e brinquinho, óculos encaixados nos sujos e rebeldes cabelos, assim e gingão olhando-me de frente num olhar turvo.

neph4.jpg De antenas no ar, vislumbrei esta assombração de forma estranha e, de repente, as feições mudaram-se-lhe, já tem o cabelo mais curto e, nem quero acreditar! Será possível? Era Nito Alves sem tirar nem colocar mas, apresentava-se muito prá-frente, como se fosse um surfista e não um fraccionista. Andou mais uns passos para o meu lado esquerdo e, na sombra do castelo retirou um papel duma pequena pasta e umas ervas dum pequeno baú, enrolou-as em seguida no dito papel levando-o à boca; foi uma cena em tudo parecida como um velho fumador de francês avulso. Disfarçadamente, desentendido, fiz-me mosca, olhando de soslaio! 

neph6.jpg E, foi quando o cigarro feito desse antigo modo, levado à boca afogachou-se sem ser aceso lançando fumo às argolas. Aqui tem coisa! O cheiro da maconha que veio às narinas; sem querer, olhei forçado o seu olhar e já não tive duvida, era ele mesmo: Nito Alves! O mesmo do 27 negro de Maio. Assim, e de frente, aquele tipo piscou-me o olho esquerdo na forma de morse, três pontos, três traços, três pontos! Isto deu para ficar apreensivo sem definir se estava mesmo aflito ou se era uma mensagem para mim! E, nem via nada que justificasse um SOS em código de morse porque aparentemente estava direitinho da silva; todo inteiro e sem justificação plausível. Seria isto um aviso! ?

neph0.jpg Pópilas! Eu, bem quero chegar aos trezentos anos tomando o chá de roiboos dos bosquímanos, com brututo, gengibre e ipê-roxo, mas falando seriamente duvido poder chegar a um terço dessa fasquia. Acredito que queiram saber mais acerca do barco Yate ou veleiro pertença do senhor Edu mas, as circunstâncias medrosas não permitem que abra uma nova frente de guerra sem haver razões independentistas. A vida é mesmomesmo uma farsa!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:36
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Sábado, 19 de Setembro de 2015
MUJIMBO . XCVIII

ANGOLATESTEMUNHO VIII ... O passado, é um país distante -  A guerra que terminou em 2002 é algo de tão remoto quanto a II Guerra Mundial para um europeu da minha geração…

Por: Fernando Vumby - (Fórum Livre Opinião & Justiça - Janº 2015)

P: Perguntas feitas por Pedro Aires Oliveira

R: Ricardo Soares de Oliveira, 37 anos, professor de Política Comparada na Universidade de Oxford, acaba de publicar um livro em que analisa a trajectória de Angola desde 2002.

UM LIVRO QUE CONTA COMO FUNCIONA A OLIGARQUIA ANGOLANA

besanga0.jpg (…) R: Hoje em dia há uma televisão que chega a muitas partes do país, e há uma cultura pública do luxo e da ostentação, visível por exemplo nas telenovelas angolanas, que são decalcadas das brasileiras. Há uma latino-americanização de Angola, que passou de um país principalmente pobre a um país com as divisões sociais típicas daquela região. São sociedades que têm muitos pobres, mas também uma classe relativamente alargada com privilégios e uma cultura material bastante mais próspera. E isso está a testar, seriamente, a legitimidade do status quo.

capu6.jpg R: O segundo desafio que se começa a tornar urgente é questão da sucessão do Presidente. Não há dúvida nenhuma que este sistema da paz é o produto das decisões do Presidente e do seu poder discricionário. Ora esse sistema, nos seus próprios termos, até tem aspectos bem-sucedidos, já falámos disso, mas também outros altamente dependentes de uma conjuntura que dificilmente conseguirá prevalecer sem JES lá estar. Isto é uma dimensão que vai dar turbulência ao país nos próximos anos. Eu diria mais. Essa turbulência não tem apenas a  ver com saber quem é que vai para lá a seguir.

hist6.jpg R: Eu consigo conceber uma transição inicialmente bem-sucedida, porque, no início, os oligarcas angolanos, as pessoas poderosas no MPLA, agirão racionalmente, ou seja, terão todo o interesse em viabilizar essa transição. Agora, o que está em jogo é algo mais vasto.

P: Esse será o primeiro dia do resto da vida de Angola ou não? Como é que a governação quotidiana de Angola vai ocorrer num contexto sem instituições, habituado a uma concentração do poder político na Presidência fora do vulgar?

R: Como é que as forças sociais que hoje em dia são prósperas mas não poderosas, como os barões do MPLA e as forças armadas, pessoas que o sistema enriqueceu mas às quais não deu poder, vão reagir? Pergunto eu! Essas pessoas já são ricas, agora vão querer o poder, que não têem, o poder de JES. E não vão permitir a um principiante qualquer sentar-se, de um dia para o outro, na cadeira de JES e reclamar para essa cadeira o poder que JES durante os 36 anos acumulados.

kafu19.jpg R: A terceira questão com que o regime terá de lidar é a diversificação da economia. O governo de Angola, como muitos governos que são beneficiários de um boom petrolífero, tem uma linguagem inequivocamente desenvolvimentista e de diversificação da economia, mas em ambas estas dimensões os resultados da última década são fracos.

cruzeiro4.jpg R: Agora que estamos a entrar numa conjuntura de preços baixos, estas questões vão adquirir uma urgência muito grande. As pessoas que já são ricas vão querer o poder que não têm, o poder de José Eduardo dos Santos. E, não vão permitir a um principiante qualquer sentar-se, de um dia para o outro, na cadeira de JES e reclamar para essa cadeira o poder que JES e durante 36 anos acumulou.

FIM!

Perguntas de: Pedro Aires Oliveira

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:28
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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