Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2016
MISSOSSO . XXIV

DONGUENA – UM CONTO ANTIGO

- No Cunene lá para os lados do Cuanhama ... 2ª de 3 partes

Por

DY00.jpgDy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) - Autor de “Ninguém é Santo” escrito para todos os Angolanos que amaram e amam a terra que os viu nascer ou crescer…

embo0.jpgchela3.jpg O seu olhar mesclado de ternura e tristeza acompanhou-me nos meses seguintes e os passeios pelo mato perderam o encantamento, sem a companhia da Donguena. Quando alguém pensou em colmatar a minha perda com a oferta de um outro animal, recusei peremptoriamente. Umas semanas mais tarde o primeiro empregado agredido pela Leoa da Rodésia acabou por ser preso ao tentar assaltar uma casa isolada nos arredores. Tentaram ocultar-me o acontecido mas inadvertidamente escutei uma conversa entre os meus avós e fiquei inteirado da injustiça cometida com a Donguena.

dy17.jpg Dezembro chegou ao planalto acompanhado de um calor razoável e algumas chuvadas que pintaram a Chela de verde. Os rubros cardeais sobressaiam nos canaviais dos charcos, engalanados com a nova roupagem e tecendo os seus ninhos numa azáfama chilreante. Os prados cobertos de malmequeres brancos e arroxeados ondulavam o seu colorido até às faldas da serra, e as espinheiras perdiam a sua tonalidade acastanhada e verdejavam a paisagem. Alguns arbustos pintalgados com sementes vermelhas iriam substituir os tradicionais pinheiros de natal, raros naquela região.

chela1.jpg O Mucufi alargara o seu leito emprenhado pelas abundantes e cristalinas águas que despencavam da serra em saltos de cascata, e corria veloz em direcção ao Cuanhama para onde a minha amiga Donguena havia sido deportada tão injustamente. A Huíla ganhava vida engalanando-se para o nascimento do menino Jesus naquele imenso presépio encastoado no planalto. A cordialidade entre as gentes aumentava com cumprimentos efusivos e votos de boas festas. Eu era questionado vezes sem conta sobre as minhas preces ao Pai Natal e o que desejava que ele me trouxesse.

chela2.jpg Para mim não poderia haver melhor prenda que o regresso da minha companheira de passeios mas abstinha-me de fazer esse pedido, substituindo-o por carrinhos de lata, pistolas de fulminantes e cinturão de cowboy, os raros brinquedos que em conjunto com as bonecas de celulóide eram o espólio do humilde comércio desses anos.

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:54
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Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2015
MISSOSSO . XXIII

DONGUENA – UM CONTO ANTIGO - No Cunene lá para os lados do Cuanhama--- 1ª de 3 partes

Por

DY0.jpgDy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) - Autor de “Ninguém é Santo” escrito para todos os Angolanos que amaram e amam a terra que os viu nascer ou crescer…

dyo01.jpg Adorava quando ela passava a língua áspera pelas minhas orelhas ou pelas faces fazendo-me cócegas e molhando-me a pele, os olhos dilatados de alegria e a cauda abanando a um ritmo alucinante. As patas possantes assentavam no meu peito fazendo-me recuar dois ou três passos naqueles momentos em que manifestava a sua ternura com maior fogosidade. Apoiada nas patas traseiras ficava mais alta que eu uns bons dez centímetros e só voltava à posição original quando a minha avó lhe dava um grito para se aquietar. O pelo, ralo e fulvo da cor das chanas que bordejavam o Cunene lá para os lados do Cuanhama, região que deixara ainda cachorra para vir para a casa do avô. Os olhos de um amarelo brilhante pareciam dois focos quando algo fora de comum prendia a sua atenção, formando-se simultaneamente um remoinho eriçado no pelo do dorso.

dy13.jpg Aquela raça conhecida como Leões da Rodésia estava bem patente na possante cadela e era visível a razão por que eram conotados com o rei da floresta. A Leoa da Rodésia do meu avô era um exemplar digno do seu nome. Foi baptizada com o nome de Donguena pois nascera numa xitaca que o velhote possuía nessas terras situadas entre o Humbe e o Caluéque, vindo parar ao Lubango juntamente com uma manada de gado gentio destinado ao abate, e transportada a pé desde o longínquo Cuanhama até ao planalto da Huíla durante três longos meses.

dy14.jpg De manhã cedo após acompanhar o meu avô até à moagem do outro lado da rua imitando-lhe o andar e escoltando-o fielmente até à porta do escritório regressava ao pátio interior da casa onde vivíamos, aguardando a minha ordem para partirmos rua abaixo em direcção à serra que vigiava o ainda pequeno povoado do Lubango. Para lá do Mucufi começava o mato e raras eram as casas que por ali existiam. Calcorreava os carreiros abertos pelo contínuo e rotineiro caminhar das populações que vinham das faldas da serra trabalhar e que cruzavam connosco olhando temerosos a Donguena.

dy15.jpg Não manifestava qualquer agressividade fora dos seus domínios, com excepção feita a qualquer rafeiro que se aproximasse demasiado, o que raramente acontecia. Quando o sol mais a pino me obrigava a regressar a casa e a hora do almoço assim o exigia, a Donguena depois de me deixar em segurança atravessava de novo a rua para acompanhar o meu avô de regresso, que fazia o seu intervalo para as sopas do meio-dia. Durante a noite a cadela patrulhava a casa e a moagem mantendo à distância com o seu aspecto feroz os amigos do alheio. Quando chegou a idade de ir para a primária, os passeios matinais pelos arredores acabaram e a Donguena começou a escoltar-me fielmente até ao portão da escola e à hora da saída lá estava ela aguardando o toque da sineta para me acompanhar alegremente até casa.

maian8.jpg Um dia de manhã o meu avô deparou com um dos seus empregados com uma perna totalmente dilacerada contorcendo-se de dores à porta do escritório. Não teve dificuldade em se certificar que a Donguena tinha sido a autora da agressão. Dois meses mais tarde um novo incidente determinou o destino da cadela, o reenvio para a xitaca onde pela primeira vez vira a luz do dia. De nada valeram os meus soluços e súplicas, pois o avô quando tomava decisões nada nem ninguém o conseguia demover. Assim no princípio de Setembro de l950 a minha companheira amarrada na carroçaria de um camião lá partiu em direcção ao Cuanhama, perante o meu olhar nublado de lágrimas e um soluçar convulso.

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:53
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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2014
MUSSENDO . XIII

ANGOLA . LUANDA CHIBATA O CANHOTO E O MUKUANKALA PERNETA - 4ª de IV partes

Por

 Dy.jpg   Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) 

deserto 2.jpgAdmitido como cipaio num dos postos administrativos da região o Chibata gozava de total impunidade por parte das autoridades portuguesas tornando-se simultaneamente juiz e carrasco nas quezílias e disputas entre os povos da região. Movido por projectos de vingança que incluíam o abate puro e simples do desgraçado Perneta acabou por o avistar deitado de borco numa pequena duna já em região semi-desértica. Cerca de quinze metros para cá do lugar onde a sua presa se encontrava aparentemente exangue o Chibata viu o seu chicote de cavalo-marinho caído numa espécie de círculo de areia humedecida. O Aranha interrompeu de novo a sua história e entre o café e a aguardente chupou sofregamente a beata e pareceu-me notar numa fracção de segundos os seus olhos adquirirem o brilho inusitado de tempos idos, e em seguida continuou.

 dy23.jpg - O Chibata sem pensar duas vezes e transfigurado no pior dos predadores correu para o chicote e agarrou nele brandindo-o com uma raiva tresloucada. Nesse preciso momento sentiu o corpo gigantesco a começar a afundar-se na areia fina tolhendo-lhe os movimentos por completo, e foi então que viu o Mukuankala levantar-se tranquilamente amparado no seu bordão a contemplar o seu pânico e agonia irremediável, com toda a tranquilidade. Quando só parte da cabeça do Chibata e o coto do braço decepado se encontravam fora das areias movediças aproximou-se o suficiente e estendeu o pau de Ungoro que lhe servia de apoio ao miserável amputado que impossibilitado pelo seu defeito jamais o podia agarrar. Finalmente naquele deserto longínquo fez-se justiça. Quinze dias depois desta história inverosímil contada no ocaso da sua vida o velho Aranha faleceu tendo pedido antes para ser sepultado no Cambeno. Consta que vários clãs de bosquimanos, mukuankalas ou kamussekueles, seja lá qual for o nome que lhes queiram dar, visitam um determinado lugar para os lados do Iona onde exaltam o heroísmo de um Mukuankala conhecido como o Mestiço.

 

khoisan2.jpgEm meados dos anos cinquenta ainda exercendo a profissão de caçador tal como o Cabral Aranha o fizera no passado encontrava-me nas margens do Cubango na região do Calai onde à época não existia qualquer povoação digna desse nome, apenas kimbos dispersos até à N’Riquinha. Atravessei o Cubango numa tosca jangada construída sobre quatro tambores para fazer compras na povoação do Rundo, já em território do Sudoeste Africano. Um grupo de bosquimanos fizera acampamento sob uma enorme mulemba e chamou-me à atenção um deles de pele levemente mais clara e visivelmente mais alto que o resto do clã. Estava apoiado a um bordão colmatando a falta de uma perna. Dirigi-me a eles e surpreendi-os ao comunicar no seu dialecto ancestral. – Será que és tu o famoso Mukuankala “ O Mestiço”? Respondeu-me com meia dúzia de estalidos e uns sons guturais negando a sua origem. De regresso à jangada vi-o de costas viradas para mim.

destreza na caça.jpgVariados lenhos cicatrizados eram testemunhas mudas da história que o Aranha nos contara há longos anos atrás presumindo que o mestiço poderia ser o filho perdido na sua juventude. Nunca terei a confirmação das narrativas aventurosas do caçador mas tenho a certeza absoluta que os Khoisan foram os primitivos daquela parte de África, pré-históricos talvez. Partilharam a terra e a natureza em paz e amaram-na e se calhar ainda hoje a amam tal como eu. O chão africano não tem nem deve ter proprietários exclusivos deve ser de todos aqueles sem excepção que o veneram incondicionalmente e o sentem palpitar sob os pés.

Nota: Não foi possível sintetizar mais esta história. Se tiverem paciência para ler tudo bem, se não tiverem tudo bem na mesma. Justiça no deserto e a segregação que os "Bushmen" ou "Kamussequeles" ou mesmo "Mucankalas" sofreram por parte das outras etnias angolanas ao longo dos anos.

Reis Vissapa

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:39
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Domingo, 5 de Outubro de 2014
MOKANDA DA LUUA . XXXII

ANGOLA . NO  CUNENEÁfrica, é uma bênção e um veneno.

Por

Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) 

O CORNETA - Um conto que não aconteceu mas podia ter acontecido.

Crescemos à beira do Cunene, eu e o Corneta, amigos inseparáveis como matacanha e o dedão do pé. O pai do Elias era pau para toda a colher no posto clínico local, contínuo, ajudante de enfermeiro e volta e meia ainda cozinhava para os poucos doentes que tinham de ficar acamados na enfermaria enquanto a mãe tratava da roupa da diminuta instalação de saúde. O Corneta era negro como um tição, com uns olhos enormes e uma boca de limpa-fundos de beiços dilatados e forma arredondada. No caso específico do Corneta só talvez a boca a fazer lembrar a de Louis Armstrong assoprando o trompete é que tinha alguma conotação com a sua alcunha. Na verdade a origem da mesma deveu-se ao facto de ter visto num filme sobre a guerra de sucessão na América do Norte, um soldadinho negro, garbosamente envergando a farda azul escura dos Yankies, a tirar de um cornetim dourado o toque de silêncio.

Nessa sessão itinerante a que fomos juntos, levando os bancos de casa para nos sentarmos no salão do clube da terra, o Elias deixou escapar um soluço vindo das profundezas da alma. Pelo rabo do olho vi uma lágrima enorme a escorregar-lhe ligeira pela e face, ficando assim cai não cai junto ao lábio superior. Desde esse dia a obsessão do meu amigo em ser corneteiro foi de tal ordem que passou a ser conhecido pela alcunha de Corneta. Certo dia resolvermos ir nadar para um braço do rio onde havia um banco de areia em que a água corrente nos dava pelos joelhos. Só nessa altura é que me apercebi que o meu amigo nadava como um prego, quando lobriguei a cabeça dele a desaparecer na corrente cristalina e um esbracejar estranho. Sabe Deus como consegui rebocá-lo pelo pescoço até à margem aonde ficou a ofegar como um roncador.

Quando fui estudar para o liceu no Lubango deixei-o para trás para grande tristeza de ambos. Voltei encontrá-lo anos mais tarde no regimento de infantaria e o abraço que me deu, foi bem elucidativo da imensa amizade que nutria por mim. Era primeiro-cabo enfermeiro e ainda tentei meter uma cunha quando nos puseram em fila para nos espetarem umas agulhas enormes e inocularem-nos de um líquido qualquer. – Nem penses Tabaibo, o furriel Toupeira matava-me. Desde esse dia fiquei com um ódio a medicamentos, vacinas e coisas dessas da indústria com mais lucros no mundo. Das farmácias só levo Rennie e pouco mais. Conversámos sobre as nossas aventuras de menino e fiquei espantado com as notas que ele e arrancava do cornetim quando tocava o recolher naquelas noites estreladas do planalto da Chela. Um dia a soltar de uma GMC em andamento parti uma perna e com maestria de um ortopedista foi ele que a engessou.

Fê-lo de tal maneira que o membro partido em três sítios solidificou na perfeição e eu não fiquei coxo. Voltei a deixá-lo para trás quando da descolonização e recordei-me dele ao ouvir algumas queixas na televisão de pessoas que ao partirem braços e pernas tinham ficado com braços virados do avesso ou mancos. – Faz cá falta o Corneta, menino bom nestas artes estava ali. – Comentei com a minha mulher. Faz já algum tempo fui a Lisboa e quem é que eu encontro, o Elias. – Ena pá tás porreiro meu? Mais um abraço, mais troca de repetidos. – O que fazes aqui no puto Corneta? – Perguntei curioso. - Fui convidado para um seminário de ortopedia. – Ai é? – Espantei-me! – É verdade, tirei o meu curso em Cuba, fui para lá depois de vocês terem saído e licenciei-me em medicina ortopédica. – E ainda tocas corneta? – Claro, o quê que achas? Ser corneteiro foi sempre a minha grande paixão…

Reis Vissapa

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:01
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Terça-feira, 16 de Setembro de 2014
MOKANDA DO SOBA . LXI

TEMPO DE MALAMBAS . Ximbicando na funge com pau-ferro …

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

 Ontem, no Algarve do M´Puto foi um dia de verão com chuva tropical, um dia de mãos cheias nas falas de tempos lembrados ao sabor de uma moamba bem à maneira kaluanda, com os respectivos quiabos, gimboa, saca-saca da folha de mandioca e funge feito bem à maneira de como os trabalhadores da construção faziam no meu antigo bairro da Maianga da Luua. Lembrei que em kandengue assistia curioso ao fazer daquela cola de sapato como minha mãe Arminda dizia e, na hora de almoço sentados, em bancos e umas quantas tábuas a fazer de mesa, improvisações bem na forma de suas vidas biscatadas. Nós kandengues ficávamos ali à coca vendo como eles faziam com os calos de suas mãos bolinhas de funge acinzentado e molhando na lata de dendem e besuntado, o levavam à boca deglutindo-a com prazer. Quase sempre era peixe seco mas, às vezes era um chuço, pica no chão da capoeira deles.

 Nós que éramos seis, não estávamos sentados como os monandengues trabalhadores entre chinguiços retorcidos e tábuas com pregos desafiantes aleatoriamente amontoadas entre encofrados, armações de ferros e paus de encastrar vigas, vigotas, pilares e sacadas. De olhos arregalados e ali especados, eles os trabalhadores, ofereciam-nos aquela pasta pegajosa de colar cartazes e, num dia daqueles, aceitamos a oferta de provar. – Menino, quer provar? Naquele um dia eu e outros quisemos provar e foi gostoso. A lata de cozedura ainda me lembro de que tinha uma mulher de lenço e xaile do M´Puto com uma árvore botando frutos pretos ovalados e, mais no canto um galo e escrito assim para cima os dizeres já meio queimados de azeite galo! Também tinha um galo, sim senhor!

 Aquela funge encaroçada feita nessa mesma lata, era objecto de grande labuta porque um deles ficava ali todo o tempo botando água quente e mexendo um pau roliço e comprido escolhido a propósito entre os muitos outros paus de kibaba, pau-ferro ou indianuno, digo eu. Pois, recordando tudo isso chegou o empregado do Campo´s restaurante de Portimão com uma garrafa contendo um milongo de piripiri mas nós já estávamos condimentados com nosso próprio jindungo pequeno e raivoso trazido lá do Kuando-Kubango, ou Okavango, lá do outro lado do Dirico, Calai e Mucusso; isso mesmo do Rundu que em língua Ovambo quer dizer terra de difícil acesso; claro que isto era naqueles tempos em que as carroças bóeres tinham dificuldade de vencer o desnível barrento das margens daquele rio lá nas terras do fim-do-mundo.

(Talvez continue…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:42
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Domingo, 7 de Setembro de 2014
MOKANDA DA LUUA . XXX

ANGOLA .  NO LUBANGOA PAIXÃO ROSADA DO ROSEIRA

Por

  Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa). Um ilustre amigo sempre presente quando se recorda África; um nato contador de histórias das terras do fim-do-mundo, por onde também andei em sua companhia. Ambos andavamos disfarçados de caçadores de elefantes ... Como Ele diz, àfrica é uma benção e um veneno.  

 Ainda hoje estou para saber como é que o meu amigo Godofredo Roseira, quarta geração de colonos madeirenses tinha aquele tom de pele e a única conclusão a que cheguei; Pura genética.... Sem querer tornar-me chato com a questão das alcunhas tenho no entanto de dizer que o Godofredo era conhecido no nosso meio como o “Goiabas”. – Já foram ao pomar do velho Cangareco nestes últimos dias? Que ricas goiabas, amarelinhas por fora e rosadinhas por dentro. – Era assim que anunciava uma sortida às frutas do senhor Venceslau. Eu ficava pasmado a olhar para aquela cara redonda de anjo com duas enormes bochechas rosadas nas faces, fazendo lembrar um bebé em mudança de fraldas. O sol africano perdera a batalha com aquela pele leitosa onde algumas espinhas despontavam periodicamente, obrigando o Roseira a umas espremidelas com os indicadores que nos deixavam agoniados. – Que grande lagartão! – Clamava orgulhoso.

 Tirando esta atitude pouco conducente com a higiene o Goiabas era um companheiro de primeira água nas irreverências da juventude mas, com uma paixão que ainda hoje me perturba. Tínhamos acompanhado a procissão desde a sua saída da Sé, deslocando-se como um “Tchicocolo” de mil patas pela cidade, com o pelotão das meninas do colégio vigiado com uma autoridade medieval pela madre Ferraz e sob o olhar seráfico e rosado da madre Campos. Íamos trocando à socapa amor adolescente e platónico em forma de recados murmurados e beijinhos amorfos.

Foi quando reparei no olhar apaixonado do Goiabas pousado com fixidez na freira Campos. – Aquela madre é a minha paixão, Toupeira, olha as bochechinhas dela, tão rosadas, parecem as goiabas do Cangareco. – Enlouqueceste ou quê? – E o corpinho que se adivinha debaixo daquelas saias negras! – Continuou embasvecido. A troca de amores continuava ao entardecer nas aulas de estudo nas traseiras do colégio. Bilhetes amarfanhados eram atirados pelas janelas, marcando encontros de fim-de-semana e denunciando paixões assolapadas. O Goiabas também entregou o seu, um quadradinho de papel rosado de conteúdo secreto. – É para a madre Campos. – Murmurou baixinho para a Lily. Não sei se a Lily teve coragem de entregar a missiva à noviça, mas de uma coisa estou certo, na procissão que se seguiu, os olhos da madre Santos tinham um brilho inusitado, e as bochechas de um carmim que nem as goiabas do velho Cangareco.

Reis Vissapa

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:19
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Sábado, 9 de Agosto de 2014
CAFUFUTILA . LV

TEMPOS ANTIGOS . ABELINO E O LEÃO DA RODÉSIA
Kafufutila / kifufutila : Farinha de bombô com açucar.

Por

 Dy - Reis Vissapa

 

 Tenho dois netos beirões que são a minha maior alegria; para grande tristeza minha eu que sou um africano de quinta geração preferia que eles tivessem nascido num lugar qualquer em Angola, que podia ser a Chibia, Humpata ou mesmo Camucuio. De preferência longe do talhão! Mas a vida não é aquilo que a gente quer, lá dizia o avô Messias um colega meu dos tempos em que era bancário lá na minha terra. Entre muitas das razões que aponto para este meu desgosto há algumas que são relevantes. Primeiro nasceram praticamente calçados, privados do contacto com a poeira dos carreiros e aquele prazer imenso de sentir uma bitacaia a reproduzir-se no dedo grande do pé, ou tirar em corrida um espinho da sola dos pés. Segundo, não presenciarem um bando de milhares de singelas zanguinhas volteando em nuvens no espaço ou contemplarem uma iridescente vianganga no alto duma espinheira. Terceiro não brincarem com carrinhos de arame, ou fazerem carros de tabaibeira.  
 Entre ambos, devem ter uma tonelada de quinquilharia de plástico a que os pais chamam brinquedos. Finalmente e para não me alongar em razões, terem um dia de ir para a embaixada de Angola mendigar um visto para a terra deles, esperando em filas imensas a oportunidade de ter um emprego do outro lado do mar, à imagem e semelhança das filas no IARN abrilista. Em consequência disto, chegarem lá e ouvirem os nossos patrícios dizerem. – Olha Capunda, estão a chegar os “Retornados”, será que trazem os Idi-Amin nos caixotes?! Uns bichinhos esquisitos que fomos acusados de ter importado para o talhão na altura da descolonização. Ou então. – Esses Retornados tomam muito banho, gastam muito gás, mano. – Ou ainda como ouvi há meia dúzia de dias à porta de um supermercado – Oh Irene! Estamos tramadas com esta crise, o diabo dos Retornados deram cabo disto. Perco-me no trivial quando o essencial era falar do Abelino.  Pois bem, o Avelino, quando chegou a Angola para a colonizar em meados dos anos cinquenta, trocava os Vês pelos Bês. Os pais já tinham tentado colonizar a França mas como esta estava cheia de colonos franceses optaram por Angola, terra onde se abanava uma goiabeira e caíam moedas de ouro – Chamo-me Abelino apresentou-se ele, e tal como o meu neto diz com esse trocadilho – Abô, oh abô, olha o bião.

 Calouro no liceu Diogo Cão, o Abelino passou pelas tradicionais partidas da época, tais como ir apanhar abacaxis com uma escada ou uma caçada aos gambozinos, no entanto na sua educação alguém se esqueceu de lhe explicar o que era um Leão da Rodésia. Pois bem um Leão da Rodésia era um penico enorme com cerca sessenta centímetros de altura e uma bocarra de trinta de largura especialmente desenhada para bochechas anais. Muito usado nas fazendas e casas de comerciantes do mato, não vou perder tempo a explicar para que servia aquela maravilha da tecnologia sanitária e porque razão foi assim denominado.  Um ano depois o Abelino já falava português correctamente e para ele um Leão da Rodésia era um canzarrão enorme que o Ian Smith inventara para comer os negros. Foi em Agosto férias grandes depois de termos pedinchado garrafões de vinho, uns patacos e sabe Deus que mais aos comerciantes do Lubango, fizemos numa camioneta da Missão de Estudos uma excursão pelo sul de Angola. Um esplendor segundo o Abelino até ao dia em que partimos um semi-eixo e chegámos por volta da uma da manhã à loja do mato e habitação do velho Borrega. À boa maneira africana o comerciante recebeu-nos principescamente, e pelas duas da matina enchíamos a mula com as penosas de churrasco e mamámos-lhes três garrafões de Sanguinhal. 
 Gentilmente cedeu-nos o armazém do milho na parte de trás da fazenda para passarmos a noite. Bem avinhados aceitámos de bom grado a oferta e lá fomos para aquele hotel de cinco estrelas, cheio de sacas de milho, charruas, cangas de bois e uma boa dose de
colchões de palha de maçaroca, e ao fundo encostado à parede um armário de duas portas onde estava repimpado no interior um Leão da Rodésia. O alarme soou menos de um quarto de hora depois, o Abelino ou por ter abusado do Sanguinhal ou do doce de guibas (Goiabas) da Dona Felizarda Borrega, começou a contorcer-se e a lançar na escuridão ruídos estranhos de mau presságio. Eram quase cinco da madrugada e ninguém pregara olho. – Um por um suplicámos-lhe para ir ao mato.

 Tá quieto ou… Bom, depois dos gambozinos e dos abacaxis e outras maroteiras do género o Avelino não pôs o pé na rua por nada deste mundo. Para piorar a situação o Toupeira habituado a dormir até em pé, vinte das vinte e quatro horas do dia, gritou-lhe. - Olha o Leão da Rodésia, Avelino. Um silêncio de morte estendeu-se pelo armazém e finalmente e como por encanto ele serenou, não arredando pé do colchão de palha de maçaroca até o sol mandar um ar de sua graça.  Quando nos levantámos pergunta o Toupeira ao Abelino – Puxa pá, porquê que não usaste logo o Leão da Rodésia se tinhas tanto medo de ir à rua? – Qual Leão da Rodésia? – Tenho um medo desses cães que até estremeço e olha… Olhámos uns para os outros espantados e eu pensei cá para comigo que cara não ia fazer a Dona Felizarda quando fosse ao armazém durante o dia e deparasse com o estado do colchão.

Reis Vissapa

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:20
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2014
MOKANDA DA LUUA . XXVIII

ANGOLA . No Cuneneziguezagueando as margens do Cunene…

PÁSSARO DE MEL

Por

   Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) 

O Unimog da brigada dos rios ziguezagueava as margens do Cunene deixando as esplendorosas quedas do Ruacaná para trás dirigindo-se para a foz do rio dos elefantes onde tencionavam montar o nosso acampamento. Por idade menor foi-me reservado o lugar da carroçaria e os meus gritos para o Monteiro Ferreira abrandar o andamento dando-me tempo para me desviar das espinheiras e manter o equilíbrio, se chegavam aos seus ouvidos ele não ligava peva. Quando estacionámos numa idílica clareira que marginava o rio cristalino, todos os arranhões das unhas-de-gato deixaram de arder com o bálsamo que aquele éden emanava. Os sivos competiam em beleza com os mutiátis e mulembas de porta altivo rodeando um círculo de terra perfeitamente calcado e acolhedor. Um frémito de prazer percorreu-me o corpo e o sangue parecia acalentar-me as entranhas. Ali estava eu aos dezassete anos deslumbrado com aquele paraíso perdido nas terras do Cuanhama. Os dias deslizavam fascinantes pelos meus olhos quando medíamos a profundidade do Cunene espiando-lhe os contornos do leito com uma vara hidrométrica. Vogávamos pelos seus braços num Zodiac pneumático rodeando ilhas de encanto e descendo rápidos imprevistos onde as águas saltavam em novelos de espuma alva. Verde de mil matizes coloria as margens povoadas de águias pesqueiras e íbis elegantes, e de longe em longe encontrávamos caíndes de invulgar delicadeza, desdentando-se nas águas frescas.
 O meu periclitante calendário precisava cerca de um mês naquele lugar onde a mão de Deus se esmerara. Aos fins de tarde descansávamos o corpo exausto nas cadeiras articuladas de lona verde usufruindo o fabuloso espectáculo de uma família de hipopótamos que desde o dia que ali havíamos chegado se instalara no remanso que distava meia dúzia de metros da margem. O macho e a fêmea brincando com a cria em cabriolas ágeis e surpreendentes para o avantajado dos seus corpos. – Vamos ter visitas – Murmurou o Ferreira, quebrando a magia do instante. – Achas? – Perguntou fleumático o Negrão. O Artiaga no seu habitual pragmatismo acrescentou. – Só se forem algumas muximbas que venham montar aqui as suas cubatas. Tirando as idas do Esteves ao Chitado para renovar o rancho, nada nem ninguém aparecia por ali. Uma avezinha graciosa batia asas pairando quase por cima das nossas cabeças, chilreando aflita como se quisesse comunicar algo. – É o pássaro-do-mel – Comentou o Alfredo com o cachimbo fumegante na boca. – Este aqui? - Sim esse que anda aqui por cima de nós. - E então? - Vem anunciar visitas. A descrença lia-se no olhar dos meus companheiros de brigada, mas ninguém ousava pôr em dúvida a experiência do Ferreira, no que dizia respeito a assuntos de mato. - Se calhar. - Disse o Blandira. O experimentado caçador remeteu-se a um mutismo próprio dos homens que conheciam África e os seus segredos, só quebrado pelo Boa noite, durmam bem. - Quando nos fomos deitar.

  O pássaro-do-mel não mentira ao Alfredo. Tivemos na realidade duas visitas em vez de uma. Por volta das quatro da manhã uma restolhada assustadora pôs todo o mundo fora das tendas num abrir e fechar de olhos. O Monteiro estava cá fora com a Winchester 73 que o Jonh Wayne usara no filme do mesmo nome e que nós chamávamos de “Trinta x Trinta”. – Elefantes!... Murmurou baixinho para mim. – Onde estão? - Não os ouves? – Oiço mas não vejo! Mas eles vêem-te podes crer! Não foi grande ideia ter montado o acampamento no trilho deles, … NMão estão nada satisfeitos! – Mas foi o Alfredo que escolheu este lugar. - Pois foi isso que o pássaro de mel me veio dizer. – Retorquiu! Os elefantes ainda reclamaram por algum tempo a sua passagem, mas a fogueira ainda flamejante e o barulho que fizemos levou-os a irem beber ao rio por um atalho. Já o sol se aproximava do meio-dia quando o Comandante Reis chefe da Brigada dos Rios chegou ao acampamento numa visita inesperada.

 No advento da televisão e do telemóvel lembro-me vezes sem conta do meu Pássaro de Mel. Espero ansioso que ele me faça uma visita alertando-me para uma manada de elefantes que vêm repreender-me por ter feito o meu acampamento no sítio errado. Acho que o Monteiro Ferreira os levou a todos para parte incerta, pois tal como eu não gostava de telemóveis. Por onde andará ele agora, mais os elefantes e a alegre família de hipopótamos que moraram ao meu lado quando eu tinha dezassete anos, lá longe no Cuanhama.

Reis Vissapa

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:10
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014
MISSOSSO . V

NO KUNENE . Aquele jacaré era gente. Gente boa que nasceu em corpo errado!... Rodrigues, seu primeiro dono, deu-lhe o nome de Sundiameno.

Missosso: Da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto quimbundu. Óscar Ribas foi o seu criador.

ATENÇÃO - Caso queiram ouvir outra música que não a do kimbo, CLIQUEM «««« www.connectmusicbox.com »»»» para entrar e voltem AKI, OU AQUI... e leiam o resto que eu, espero! ...

Por

 T´Chingange

 No fogo do pó levantado do chão vermelho, margens do Kunene, os kandengues himbas dançavam com um jacaré domesticado; desconhecia que um jacaré podia ser domesticado mas, os olhos meus, me diziam no seu ver, que aquilo visto, era mesmo de verdade verdadeira. Vejo e aprendo que a natureza muito nos ensina com seu riso de muitas flores riscando no firmamento cinza com branco a azul, musgos de nossas velhices coloridas a vermelho com laranja. Pus a mão no meu cérebro buscando naqueles milhões de células apalpar qual daqueles cabelos feitos bissapas estavam fora do sítio para entender aquela cena inaudível, inacreditável! Sei que tudo em minha vida resulta de guardar sempre comigo a esperança monandengue; de espiá-la com olhinhos de a ver balouçada no arco de minha sobrancelha.

 - Como se chama esse jacaré! Perguntei ao jovem mais próximo. – Com a boca! Respondeu o pivete. Pintado de coisa ruim consegui domesticar meu frenesim raivoso, e continuei: - Sim! Mas tem nome, não tem? – Chama-se de Sundiameno. Disse! Fiz uma cara feia, de nariz torcido e, ele, vendo-me embrutecido repetiu. É mesmo de Sundiameno porque não é de fiar! A gente lhe desconfia, acrescentou. – Nem nele, nem no pai dele! Concluiu. Esta conversa tola seguia um rumo desclassificado e, foi neste então que vi sentado num banco de pau feito e atado com matebas, um mais-velho de barbas credíveis e brancas, também chambeta de condição. Dirigi-me a ele e entabulei uma conversa séria, falamos do rio Kunene e de seus mistérios. Foi este mais-velho kota, já século, que me descreveu alguns mistérios e, que passo a referir: - Olha mwadié (branco) este rio tem muito cazumbi e muito feijão branco. Um dia ajudei um gweta, t´chindele Rodrigues, branco assim como tu, que domesticou desde criança, um jacaré a apanhar diamantes para ele.  Saiu daqui muito de rico! Afirmou isto e, em seguida, apontando para suas muletas de fibra sintética disse: - Foi ele que mas ofereceu! No lugar aonde o rio se esconde, fizemos acampamento por muitos anos até que chegou a guerra da libertação e, ele seguiu com a sua gente.  Este segredo eu conto a toda agente! Conclui na sua sabedoria filosofica de cat´chipemba com bolunga.

 Por ali passaram gado, camiões e máquinas amarelas de fazer estradas. Abriram umas picadas e depois seguiram para Walvis Bay e Swakopmund da Namíbia. O mistério daquele jacaré estava quase desvendado por mim, mas, na dúvida sobrante, perguntei: - Então este jacaré que sopra o pó do chão, é esse tal que o gweta Rodrigues usava para apanhar os feijões brilhantes? Talqualmente! Respondeu o kota num claríssimo português com pronúncia do norte do M´puto. E, continuou: - Pois eu fiquei com estas muletas e esse jacaré Sundiameno. O mundo é por demais misterioso! Nunca que eu ia acreditar nisto se não visse! O mais velho de nome Oshakati, ainda me disse outra coisa em que não acreditei: - Sabes que mais, disse ele. Esse jacaré toca guitarra! Acompanhava muitas vezes seu antigo dono a cantar fados duma tal de Amália, uma sua prima muito conhecida lá do M´puto! Isto era demasiado para a minha camioneta; meti-me no four-bay-four e segui para Otxivarongo. Conversando com um velho amigo de Otxivarongo, psicólogo do Kalahári, disse-me já ser conhecedor desta estória e, surpresa das surpresas, aquele jacaré era gente! Gente boa que nasceu em corpo errado! Juro que tudo isto me transcende!

O Soba T´Chingange 



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