Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXI

TEMPO COM FRINCHAS – 12.12.2017Em terras de M´Puto.

Podemos dizer-nos independentes, porque nos podemos mentir mas, com os “DDT”, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos

Por

soba15.jpg T´Chingange

Já quase acabei de ler o livro “A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros” escrito por José Gomes Ferreira dirigido a todos os contribuintes, que suportam o Estado português em pagar mais impostos do que o devido, por causa dos erros de uma boa parte da elite financeira dos “DDT - Os donos disto tudo” com o compadrio de nossos governantes.

dia82.jpg E, por mais que no mostrem que os governantes portugueses e os responsáveis europeus, prometem aos contribuintes que já não serão mais chamados salvar bancos em dificuldades, estes sempre acabarão por pagar os desmandos dos banqueiros, de uma ou outra forma. É o que se pode ler, logo no início, como que num ajoelhar com vénia a esses estupores que nos arruinaram.

coimbra2.jpg Foi necessário surgir um Passos Coelho que dissesse um NÃO a um Ricardo Salgado e, se agora estamos melhor economicamente, a ele o devemos. Não gosto de traidores nem bajuladores e pelo que li, anda muita gente por aí pavoneando sua habilidade, irresponsabilidade e falsidade e, até assobiando para o lado, dizendo do mérito de quem se lhe seguiu, António Costa, emudecendo provocatoriamente o nome do verdadeiro feitor.

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Mas, sinto que a grande maioria dos portugueses não têm percepção das encenações do poder, da grande obediência dos políticos aos interesses e benesses que os senhores do dinheiro “os DDT”, dão em troca de modelos de governação. Tenho uma grande admiração pelo actual Ministro das Finanças Mário Freitas Centeno que considero ser um bom economista desde 26 de Novembro de 2015 mas, também ele irá fugir do pântano a seu tempo.

amilcar 02.jpg Já António Seguro antes de passar a pasta a António Costa dizia: «Há em Portugal um partido invisível, que tem secções nos partidos de Governo incluindo o PS (referia-se ao “DDT- Donos disto tudo” com Ricardo Salgado no mando). Partido esse que tem um aparelho legislativo paralelo com grandes escritórios de advogados a influenciar ou comandar os destinos do país. Não tem rosto, não tem estatutos (…) mas quando descobrimos que há um banco em que as coisas correram mal, que há um investimento do Estado, em que as coisas não são totalmente claras, vai-se percebendo quem são as pessoas desse “partido”» – (É claramente o partido do DDT).

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Mas, disse mais: «O país tem zonas de podridão». Não é difícil chegar-se ao Grupo Espirito Santo e ao Banco Espirito Santo com as suas cadeias de empresas! Salgado em 2014 só queria 2,5 mil milhões de euros e Passos Coelhos disse NÃO! Mas pelo que se sabe não era só isto! Havia muito mais e outros bancos com buracos financeiros sem fundo que sempre tinham um saco azul para agradar a Paulos irrevogáveis e Costas.

ardinas branos.jpeg Basta cruzar as falas dos políticos para se entender o azimute dos actos. Maria Albuquerque já com António Costa como primeiro-ministro diria: «Fosse António Costa primeiro-ministro em 2014 e teriam sido entregues milhares de milhões de euros dos contribuintes a Ricardo Salgado para evitar o colapso do BES». E, Marcelo o comentador, falou sobre o caso sim! Falou como o Marcelo-cidadão, não fosse amigo de Ricardo Salgado… No que toca a Passos Coelho nem uma palavra meritória, também aqui, assobiou para o lado…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:22
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXIII

MOKANDA DO DIA – 10.12.2017Tukya I . Peixe da chana - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo . É o nosso pensamento que cria a nossa realidade…

Por

t´chingange2.jpgT´Chingange

Na voragem dinâmica da vida, procuro actualizar-me no dia-a-dia e, ao longo da minha vida registei em meus arquivos de memória muitas notas, alguma que nem quereria registar mas, nem sempre as borrachas do tempo e da singularidade do facto se destroem com um estalar de dedos. Em África também há rios que se apagam na terra, nunca chegam ao mar como o Cuando e o Cubango que formam o Delta do Okavango ou o Etosha Pan e outros que desaguam em desertos de areia fina e, que em tempos foram pântanos ou lagos rasos.

etosha4.jpg O Etosha Pan, é um lago seco de 120 quilómetros formando o chamado Parque Nacional Etosha, um dos maiores parques da vida selvagem da Namíbia. A vasta área é principalmente seca, mas após uma chuva forte, ela adquirirá uma fina camada de água, que é fortemente salgada pelos depósitos minerais na superfície desta grande panela. O Etosha Pan é principalmente lama de barro seco dividida em formas hexagonais que à medida que seca, racha, e raramente é vista com uma fina camada de água cobrindo-a.

etosha6.jpg Foi no Etosha que vi a maior diversidade de animais. Supõe-se que o rio Cunene alimentasse o lago em idos tempos, mas os movimentos tectónicos da placa ao longo do tempo causaram uma mudança na sua direcção, resultando em um lago seco e deixando a referida panela salgada. Agora, o rio Ekuma, o rio Oshigambo e o rio Omurambo Ovambo são a única fonte sazonal de água para o lago.

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Tipicamente, pequenas águas do rio ou sedimentos atingem o lago seco porque a água penetra no leito do rio ao longo de seu curso de 250 quilómetros, reduzindo a descarga ao longo do caminho. Estas vastas zonas de poucos declives formam as chamadas planícies africanas, chanas ou anharas de clima extremamente seco. E, o curioso é de que a esta mesma latitude e para o lado poente temos os desertos junto a costa do Sul de Angola e Norte da Namíbia que são banhadas pela corrente fria de Benguela.

etosha2.jpg Refiro a corrente fria de Benguela porque constitui um dos mais importantes factores de moderação climática desta zona de África com introdução na fauna as focas e pinguins transportados em icebergues que vindos da Antártida aqui são largados. No Namibe, Tômbua, Baia dos Tigres e a Costa dos Esqueletos. Pode até verificar-se famílias de golfinhos na Angra dos Negros a actual Moçâmedes, lugar aonde os albatrozes ou alcatrazes voam baixinho junto aos barcos pesqueiros.

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Cabe qui referir que ante da independência de Angola, em 1975, a pesca tinha importância no mundo porque chegou a ocupar o segundo lugar na escala dos maiores produtores, logo a seguir à República do Perú. Vasculhando minha memória recordo os muitos contadores de estórias de caça e pesca e, até dum amigo meu de nome Araújo ter andado a passear uma pacaça em pleno centro de Luanda; em plena Mutamba. Era muito vulgar entre 1950 e 1960 comprarmos carne de caça a vizinhos que se internavam pelo mato em aventura de caça.

etosha0.jpg Para milhões de pessoas que vivem no mato e nunca viram o mar, o mar não passa de um mistério longínquo e insondável naqueles idos tempos mas no entanto, estes comiam peixe seco saído do mar. Na era colonial e a partir da costa eram enviadas “malas” de peixe para o interior; estas malas iam por comboio ou levadas por camionistas praticando no seu dia-a-dia uma aventura. O peixe sem cabeça, fosse corvina ou carapau, depois de seco e salgado era acomodado em camadas sobrepostas e em zig-zag simétrico, cabeça com rabo – rabo com cabeça.

etosha5.jpg Formavam blocos compactos atados e contidos em esteiras feitas com fibras de grossa mateba. Estas malas de peixe tinham tanta popularidade e valor comercial no interior de Angola que a partir dos anos cinquenta se transformaram no principal produto de candonga no interior do território. E, por que razão se contrabandeava o peixe seco? Vais ser assunto da próxima mokanda cujas falas vão incidir sopre o peixe capim nascido do pântano …

Nota: Alguns dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXV

O CHOQUE DO PRESENTE17.08.2017 - (Revisado a 21.11.2017)

- “O PRIMEIRO BRANCO” e a higiene racial...III

- Os portugueses “cruzaram-se” com os negros africanos. Isso resultou numa mudança profunda do carácter e da psicologia da nação lusitana.

Por

soba 01.jpgT´Chingange

Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos! As escolas já não ensinam isto ao pormenor e, de qualquer modo, os manuais são feitos por gente…Muitos têm ADN preto como a Catarina Furtado que tem ascendência Angola mas, para quê rever isto!? Só mesmo para compreender que a raça humana é mesmo assim, ao correr da pena!

valdir5.jpg (…) Prosseguindo com a publicação do jornal National Vanguard Tabloid, este refere que a culpa desta estagnação no trato da eugenia com a “pureza da raça branca” e, segundo aquela organização inglesa de tendências neonazis, reside na liberdade com que os portugueses se “cruzaram” com os negros africanos. Isso resultou numa mudança profunda do carácter e da psicologia da nação lusitana.

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O “National Vanguard” não tem nenhuma dúvida ao afirmar: “os portugueses do século XVII e os dos séculos seguintes são duas raças diferentes”. Os articulistas advogam obviamente a favor da separação racial. Sociedades como a americana que contiveram e contém uma percentagem considerável de negros. Mas, essas “souberam” manter uma céptica fronteira entre os grupos raciais. Não houve cruzamento nem mestiçagens; assim diz o jornal.

maqui1.jpg Foi essa separação que, segundo a racista publicação, ajudou a manter a capacidade de progresso em países como os Estados Unidos da América. E conclui: não existe evidência nenhuma que a integração dos negros e dos judeus tenham trazido alguma vantagem em qualquer parte do mundo.

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Embora estas publicações sejam casos isolados e representem uma faixa desprezível da opinião pública, a verdade é que não é por acaso que o jornal escolheu Portugal como um caso paradigmático. Podemos até lembrar-nos do que escreveu Kaulza de Arriaga, quando explicava as maiores capacidades dos europeus do Norte em relação aos do Sul.

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Os trópicos como evidência de degradação e desumanização é um estereótipo antigo e, essa atitude de arrogância não é sequer nova. No calor do Sul de África, com sol primaveril de Agosto, rodopiando as horas, vendo os novos rebentos das acácias, aqui estou numa espera tardia, ciente que nada sou para alterar as vontades alheias, desejando somente que tudo siga sua normalidade entre a raça humana.

DIA107.jpg Agora, já kota mais-velho, apercebo-me do joguete das lutas de tantas portas ou portais desconhecidos. Retornando à estória, em “Álbum de Costumes Portugueses”, Fialho de Almeida descreve o “Preto de S. Jorge”, como membro de uma confraria que teria direito a incorporar a procissão do CORPUS CHRISTI, com os demais ofícios.

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A presença negro-africana também se verifica nos topónimos de muitas ruas, como por exemplo: Rua das Pretas, Rua do Poço dos Negros … ou no nome de muitas povoações como a de Santa Eulália de Negreiros dum lugar chamado do Preto, de Santa Maria de Negrelos. Vale de Negros e tantas outras vivenciadas por todo o Portugal (M´Puto).

onco2.jpg Em 1551 a capital lusitana teria cerca de 100.00 habitantes, dos quais 9.900 eram escravos, ou seja 9,9% da população. Ao longo dos seculos XVI e XVII a mão-de-obra escrava representava já 10% da população total do Algarve e Alentejo e também era visível no Norte de Portugal e, em outras regiões. No concelho de Loulé há o lugar chamado Cerro dos Negros, no de Almeirim há uma povoação com o nome Paços de Cima ou dos Negros.

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Dois povoados dos concelhos de Albufeira e de Silves chamam-se Guiné, no concelho de Alvito existe a povoação chamada Horta de Guiné. A dos Pretos, Monte dos Pretos e Quinta da Preta são os nomes de povoações dos concelhos de Leiria, Estremoz e Alcobaça…; enfim, demonstra-se assim a importância que estas populações teriam em determinadas regiões para que servissem de referência a um determinado lugar.

eusebio1.jpg Portugal é, afinal, o país de Eusébio, de Ricardo Chibanga, de Sara Tavares. Um episódio antigo ligado ao explorador britânico Livingstone ilustra bem como essa Europa olhava e olha para Portugal. Livinsgtone vangloriava-se ter sido o primeiro branco a atravessar a África Austral. Um dia alguém lhe chamou publicamente a atenção que isso não era verdade. Antes dele já o português Silva Porto tinha realizado tal travessia. Imperturbável, o inglês ripostou: - Eu nunca disse que fui o primeiro homem a fazê-lo. Disse apenas que fui o primeiro branco.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:43
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Sábado, 18 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXIV

O CHOQUE DO PRESENTE17.08.2017 - (Revisto a 18.11.2017)

- “O PRIMEIRO BRANCO” e a Higiene racial…II

- Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos!

Por

soba 01.jpgT´Chingange

No século XV, os mapas foram queimados, as informações escondidas porque era urgente provar uma superioridade da civilização ariana. São modas ou maneiras de estar! Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos! Não dava para se dizer “vamos evangelizar os africanos, tornar os negros escravos e baptizá-los.” E, isto sucedeu ou foi sucedendo!

kota0.jpg No século XV decidiu-se que os africanos faziam parte da descendência de Cham, filho de Noé e deviam viver uma vida de sofrimento para afastar o castigo, padecer a Paixão de Cristo, o que lhes permitia entrar no paraíso; foi isto recuperado da Bíblia por conveniência, creio eu. Apesar de a mestiçagem constar no discurso harmonioso da lusofonia, visionam-se razões ao dar um carácter de excepção ao colonialismo português. Mesmo entre negros, era preferível importar mais escravos de África do que manter seus filhos.

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Rebuscando novas, soube que Cristiano Ronaldo nasceu na ilha da Madeira; que Isabel Rosa da Piedade é natural da ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Os pontos em comum entre eles não são apenas o facto de ambos terem nascido numa ilha. Segundo o "Diário de Notícias da Madeira", Isabel Rosa é bisavó de Ronaldo, o que faz com que o Jogador do Ano FIFA em 2008, ou o melhor jogador do Mundo em 2017, tenha no seu ser um ADN de Cabo-verdiano.

bruno27.jpgClaro que vão ficar todos surpreendidos porque as ideias concebidas em cada qual são confusas em si! Não há aqui nada de extraordinário! Aos 16 anos, Isabel abandonou a sua terra natal para tentar a sorte noutra ilha do oceano Atlântico, a Madeira. A jovem Cabo-verdiana acabou por casar com José Aveiro, natural do Santo da Serra, e bisavô de Ronaldo. Da união entre o casal, nasceu Humberto, que viria a casar com Filomena.

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Humberto e Filomena, avós do futebolista do Sporting de Portugal e agora no Real Madrid, tiveram seis filhos. Dinis, um dos rebentos do casal, acabaria por casar com Maria Dolores, natural do concelho de Machico. Dinis (que faleceu em 2006) e Maria tiveram três filhos entre 1974 e 1976. Nove anos mais tarde, o casal volta a conceber e, nasce Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.

ariano0.jpg Poucos poderiam adivinhar que este filho, 23 anos mais tarde, se tornaria no melhor jogador de futebol do Mundo. E, que aos 32 anos (nasceu a 5 de Fevereiro de 1985) ainda continuava a ser o melhor do Mundo! E, se todos sabem que Ronaldo é português, mais concretamente madeirense, as origens cabo-verdianas da sua família permanecem ocultas.

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A informação já foi difundida na imprensa de Cabo Verde, suscitando grande curiosidade no arquipélago. Isto foi contado ao Expresso por um jornalista do diário "A Semana". Portanto, naqueles idos tempos os brancos entravam no caniço e tinham a negra que quisessem.

ariano1.jpg Na Luua de N´Gola (Angola) era no BO - Bairro Operário em plena cidade de Luanda e, em São Romão do Sado do M´Puto era no canavial do rio Tejo, uma das aldeias existentes no Ribatejo. Mas também poderia ser em Coimbra, Mirandela ou Tavira do Algarve. A diáspora Lusa tornou Paris de França na segunda cidade portuguesa pois que o número de falantes da língua de Camões, é superior à cidade do Porto. E, por lá também há canaviais.

ariano3.png Quem agora for passear pela Ribeira do Sado, já não verá gente verdadeiramente negra, de lábios grossos e carapinha. A cidade de Alcácer do sal, decorreu do tráfico de escravos entre os séculos XV e XIX. Em verdade, somos uma caldeirada de gente de cores diversas e de todo o Mundo; Os portugueses foram os iniciadores da globalidade no mundo moderno e, haverá muita gente que pensa ser um puro ariano quando afinal tem em seu ADN sangue preto.

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Esta miscigenação tornou-nos em realidade seres diferentes; os turdetanos, os suevos, romanos, cartagineses ou zulus estão no sangue de todos nós. Recentemente, encontrei na Cidade do Cabo, muitos mestiços de cor mais morena com nomes de Oliveira, Pereira e Silva descendentes de portugueses; gente zebra ou mazombos como eu. Quando no futuro vierem a habitar a Lua, talvez todos fiquem bem surpresos ao encontrarem lá num qualquer buraco taberna um Tuga a vender peixe frito aos marcianos.   

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXIII

O CHOQUE DO PRESENTE - 16.08.2017 - “O PRIMEIRO BRANCO” e a Higiene racial…

- O que se vê hoje em Portugal é o resultado de uma mistura não selectiva e uniforme de 10 por cento de pretos e 90 por cento de brancos, um todo homogéneo.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Li em tempos em uma entrevista com Mia Couto na qual este se referia que o jornal National Vanguard Tabloid, afirmava em publicação oficial, que uma organização inglesa defendia a “pureza da raça branca”. E dizia este, ser curioso que o editorial da publicação tivesse escolhido Portugal como o exemplo dos malefícios na contribuição do “sangue negro” para as sociedades europeias e americanas. Racismo assim, às claras, é muito pouco frequente poder-se ler em um jornal e, muito menos em um, assim tão conceituado nas referências políticas hodiernas (digo eu).

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Esta notícia é reportada ao ano de 2011, uma data muito recente e que reascende as afirmações do pastor anglicano Thomas Malthus na sua visão religiosa de ver o mundo a nuo e, na qual teve inúmeros seguidores políticos tais como Hitler em Alemanha e as técnicas segregacionistas do Apartheid na África do sul para não falar dos próprios americanos e, os seus primos. E esse jornal afirmava que os portugueses teriam de ser vistos de facto como uma nova raça - uma raça que estagnou na apatia nada produzindo de novo nos últimos 400 anos na História do Mundo.

lobo1.jpgNo meu olhar de xicululu, assim um olhar de esguelha ou olho gordo, martelei por cima do meu sobrolho a frase de que “Os portugueses são o povo mais atrasado da Europa porque há séculos que se misturam com os negros” e fiquei assim um pouco a remoer muxoxos asneirentos por o caso ter raspas melindrosas e, também por ser raro, vale a pena revisitá-lo.

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O jornal assenta a sua argumentação em “factos históricos”. Portugal recebeu os primeiros escravos negros em meados do século XV. Dezenas de anos depois, os negros já eram 10 por cento do total da população lisboeta. Essa percentagem viria a crescer para 13 por cento no século seguinte. A pergunta imediata é a seguinte: Que destino tiveram estes africanos? Regressaram a África? A resposta é não!

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Eles foram absorvidos, misturaram-se do ponto de vista genético, social e cultural. Eles ajudaram a construir a Portugalidade introduzindo valores e dados culturais novos. A palavra minhoca é apenas uma de dezenas de outras marcas no domínio linguístico. No Ribatejo havia aldeias cuja população era maioritariamente negra. Nossa amiga Maria Carapinha tem este nome porque seus trisavôs eram negros retintos e, hoje já nem os traços negróides têm.

dia142.jpg Basta ir beber uma ginjinha ao largo S. Domingos em Lisboa para termos esta sensação; no Cais do Sodré já não resta nenhum sinal das negras que ali vendiam mexilhões. Podemos descobrir testemunhos dessa presença em quadros, azulejos e cerâmicas variadas. Falando com meus amigos em comezainas de cachupa, amigos cabo-verdianos confirmam do “porquê haver tantos africanos em Lisboa e Algarve”.

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Eles referem-me haver confrarias negras da Nossa Senhora do Rosário e “os negros no Coração do império”. Que viram isso quando da exposição nos Jerónimos no ano 2000. Os Negros em Portugal têm sido de uma presença silenciosa e aonde só os investigadores nos mostram os negros não só como braços de trabalho, mas legando á sociedade expressões de nossa vida quotidiana.

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Pois assim é! Influência na cultura, na religião, tourada e até o fado, a canção dita nacional. Tudo isto se reveste de uma crítica à manipulação e branqueamento da história que tem servido para a anulação do contributo africano em nosso país! O autor de tal prosa racista do tal tablóide inglês não tem dúvida em identificar nesta mistura de raças e de culturas a razão daquilo que eles chamam de “declínio da sociedade portuguesa”.

kunene.jpgPasso a citar: Os portugueses eram, até então, uma raça altamente civilizada, imaginativa, inteligente e corajosa. Mas devido ao rápido crescimento da população negra e o correspondente declínio dos brancos (cujos machos estavam em viagem para longe da Europa) todo esse património de pureza foi adulterado. Reconhece-se neste caso uma forma de conceber preconceitos rácicos com múltiplas facetas.

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O mundo não obedece a uma fronteira simples que divide os racistas dos não racistas e que separa vítimas e culpados. Vale a pena, pois, continuar a citar as razões invocadas pelo “National Vanguard”, para a chamada degradação da cultura e enfraquecimento da raça: O que se vê hoje em Portugal é o resultado de uma mistura não selectiva e uniforme de 10 por cento de pretos e 90 por cento de brancos um todo homogéneo. Trata-se de, facto, de uma nova raça – uma raça que estagnou na apatia e nada produziu de novo em 400 anos de História (estou citando).

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:24
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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVIII
NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 24.08.2017 : Parte 4 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também, homem branco em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Estando eu no Reino Xhoba, reino sem rei com cerca de 100.000 súbditos, pertença de vários países de África não posso deixar de falar deles. Soube porque li em algum lugar que o anterior presidente da África do Sul, Nelson Mandela atribui a estes um território de quarenta mil hectares. Ora se um hectare tem dez mil metros quadrados, quatrocentos ha darão 400 Km quadrados. Se para aí transplantarem o cacto Xhoba, vai dar muito cacto para amaciar barrigas inchadas por esse mundo.

fiume5.jpgA maioria do povo bushmen continua a viver em casas cobertas a capim em pequenos aglomerados, por vezes a centenas de quilómetros de distância da cidade mais próxima. Estas palhotas são circulares tendo a altura de uma pessoa no seu centro. Para sua execução juntam uma boa quantidade de paus direitos que depois são curvados e enterrados no solo pelas extremidades. Estes são amarrados ao centro com mateba, uma casca retirada de uma árvore que entrelaçada faz de corda.

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Com outras varas mais finas e longas formam uns arcos progressivamente maiores à medida que são postos do centro da cobertura para o solo; estes paus tipo verguinhas mais finas, são amarrados aos outros mais grossos que estão na vertical tipo meridianos. É deixado um pequeno rectângulo por forma a permitir a entrada e saída de uma pessoa.

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Os seus instrumentos são bem escassos pois com muita frequência, mudam de sítio por via de seguir a caça, seu sustento. Têm lanças com ponta de ferro como nossos primitivos ascendentes que envenenam com a banha de um verme que apanham ainda em casulo. Chegam a matar girafas com o uso de sua astucia e modo felino de andar na mata, pé ante pé e sempre nas mesmas pegadas sem fazer estalar qualquer tronco seco.

koisan12.jpg Usam lanças e arcos de flexas, transportando mantas para suportarem o frio das noites que chega a graus negativos. Seus pratos são feitos de aboboras e os copos de massala ou maboque. São óptimos pisteiros e conhecedores de raízes cheias de água que espremem para vasilhas ou ovos de avestruz.

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As autoridades estão dando alguns apoios por meio de lhes facilitar a fixação colocando em sítios estratégicos poços de água alimentados por energia solar! Creio também que lhes fornecem mantas e facilidades de transporte para levar seus frutos a postos de venda.  Fazem artesanato a partir de espinhos de porco, ovos de avestruz, cascas de massala e lindos colares de missangas e frutos do mato. Usam uma quinda ou balaio maleável aonde colocam seus parcos pertences.

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Seus conhecimentos milenares estão sendo estudados ao pormenor em algumas universidades da África do Sul por forma a conhecerem melhor sua tradição de estórias verbais com lendas e dando a estes benefícios na forma sustentável sem os viciar. O Xhoba cacto inibidor do apetite vai através de convénio governamental contribuir para lhes criar hábitos de sedentarismo.

koisan10.jpg Não sei se os exploradores Tugas de outros tempos davam importância a alguns factos e se o fizeram ficaram relegados para segundas núpcias de estudo. Serpa Pinto recebeu a missão de estudar no Alto Chire a construção de uma linha de caminho de ferro que assegurasse a ligação do lago Niassa com o mar, apoiado numa forte coluna militar, que mais tarde se ligaria no baixo Catanga a outra coluna portuguesa vinda do Bié, sob o comando de Paiva Couceiro

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Portugal deu início a várias acções de ocupação: entre 1887 e 1890; Artur de Paiva ocupou o Bié e Paiva Couceiro foi enviado para o Barotze. Numerosos sobas prestaram vassalagem a Portugal. Tendo isto em vista, os ingleses começaram a aliciar os chefes indígenas das regiões visadas, incluindo aqueles que já tinham prestado vassalagem a Portugal como os Macololos e os Machonas e até o célebre régulo de Gaza, Gungunhana.

cacto xoba2.jpg O envio de tropas e de funcionários para todos os lugares onde se fazia sentir a sua falta era, porém, virtualmente impossível para Portugal. Por outro lado, o acordado na Conferência de Berlim dizia respeito fundamentalmente aos territórios junto á costa, já que o “hinterland” africano era muito mal conhecido. Daí as numerosas expedições organizadas de reconhecimento.

nauk03.jpg Os resultados da Conferência acordaram Portugal para a realidade. Se bem que o esforço estratégico tivesse sido orientado para África após a perda do Brasil, pouco se tinha feito por via da instabilidade da vida político-social da Metrópole, M´Puto e das extensas vulnerabilidades existentes.

FIM

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:45
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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017
MONANGAMBA . XLVII

RELEMBAR ANGOLA - Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também devemos orgulharmo-nos das coisas boas que fizemos…

As escolhas de T´Chingange

Por 

canhot1.jpgANTONIO JOSÉ CANHOTO

O COLONO

A definição de “colono” para alguns brancos residentes em Angola afectos ao MPLA, partido que governa este país desde 1975, bem para como para muitos negros, o termo “colono” tem sempre cor branca. Para estes o colono teve sempre como objectivo explorar negros, dizem! Nada pode estar mais errado nesta forma radical de definir a palavra “colono” seja o visado de que raça étnica for como um explorador oportunista de negros, índios ou aborígenes.

angola6.jpegFilologicamente o vocábulo “colono” pode ser definido como a um individuo que faz parte de uma colónia, que emigra do seu país de origem para uma terra estrangeira ou no mesmo continente e de um país vizinho para a povoar, cultivar por conta própria ou de outrem independentemente da raça do seu proprietário e, se este nasceu ou imigrou para o território.

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Este acto migratório pode ter duas vertentes: a primeira é quando um outro país exerce o controlo ou a autoridade sobre um território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país ao qual esse território não pertence e contra a vontade dos seus habitantes quando o país é colonizado e, que muitas vezes, são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) ou eventuais direitos tribais, culturais e ancestrais que detinham.

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Na segunda vertente emigram a pedido do governo do país ou de empresas privadas que pela falta de conhecimento tecnológico dos naturais se vêem obrigados a procurar mão-de-obra especializada no estrangeiro, para suprir as suas deficiências naturais. Para uma certa classe de portugueses e angolanos brancos e negros enfeudados ao partido do governo a sua atitude maniqueísta é a de que todos que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”, os maus da fita.

suku0.jpg Na minha opinião este reaccionário pensamento vindo de negro ou branco chamando indiscriminadamente “colono” de forma ofensiva para todos os portugueses que viveram em Angola até 1975 ou que para lá emigraram depois desta data, aconselho-os a olharem retrospectivamente para os seus passados e dos seus pais ou avós antes de 1975 antes de atirarem a primeira pedra.

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Ingenuamente, pensei que o termo “colono” estivesse a cair em desuso, mas vejo que continua bem vivo nas bocas de alguns, quando comentam alguns textos meus e de outros sobre Angola. Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também devemos orgulharmo-nos das coisas boas que por lá fizemos deixamos. Fomos certamente “colonos” durante os séculos que se seguiram à descoberta desse território o qual, ainda nem nome tinha.

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Muitos milhares de portugueses ainda hoje emigram para Angola na procura de melhores condições de vida trabalhando para empresários de várias nacionalidades negros ou brancos. Sedo assim porquê o governo actual de Angola não os trata como “colonos”?

chicor2.jpg É certo que até finais do século XIX e princípios do século XX muitos dos portugueses que emigraram para as nossas antigas províncias ultramarinas o fizeram na qualidade de verdadeiros “colonos” dando a Portugal benefícios económicos e, a partir da exploração desumana de mão-de-obra negra, contractos quase de escravatura mas, não era esta prática generalizada na última metade do século XX.

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A forma comportamental de alguns “colonos”, nada tinha a ver com todos aqueles que para Angola debandaram ou nasceram depois dos anos 50 com uma mentalidade aberta, iniciando a construção de uma sociedade moderna e multirracial e na qual se reflectia em todos os aspectos da comunidade. Se um empresário negro português tivesse emigrado para Angola, montasse uma empresa e tivesse empregados negros seria considerado um “colono”?

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Sinto-me no dever e direito de desmontar e desmistificar esta falsa questão do “colono” que não pode ser vista interpretada, generalizada com o epiteto de que colono branco é racista e explorador. “Colonos” e colonizadores foram todos os países que nos séculos XV e XVI descobriram à volta do globo, novos territórios habitados por índios nas Américas, indígenas em África e aborígenes na Austrália, num estágio primário civilizacional com perto de 500 anos de atraso tecnológico em relação aos europeus.

chela2.jpg Que por via disto, os descobridores precisavam não só de explorar, assimilar, cristianizar e os infectar, mesmo que involuntariamente, com todas as doenças que para lá exportaram. Diogo Cão chegou á foz do Zaire em 1483 sendo a partir desta data que se inicia a conquista pelos portugueses desta região de África a qual era constituída por vários reis e reinos étnica e linguisticamente diferentes que se guerreavam pelo expansionismo regional.

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O primeiro passo pelo Reino de Portugal foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o do Reino de N´Dongo e o de Matamba, os quais não tardaram a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola em 1559. As fronteiras de Angola só serão definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos Ambundos, a cuja língua o termo Angola anda associado.

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A Rainha Ginga, seu nome Dona Ana se Sousa “N´Gola”, seu título real em quimbundo foi o nome utilizado pelos portugueses para denominar a região conhecida hoje por Angola. Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, na minha opinião também foi a sua primeira grande colonizadora e eu explico porquê? Esta rainha guerreira que morreu aos 80 anos, durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submeteu e escravizou os seus habitantes vendendo-os aos portugueses que os levavam para o Brasil.

n´zinga.jpg N´´Zinga ou Ginga, torna-se assim cúmplice no esclavagismo, pois que também os usava como trabalhadores escravos nos territórios controlados por ela."N´Zinga" formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe. Subsequentemente conquistou o reino de Matamba e em 1635 coligou-se com os reinos do Congo, Kassange, Dembos e Kissama. Este pequeno intróito sobe a Rainha Ginga tem apenas e única finalidade, demonstrar que o processo colonizador sempre existiu em todas as latitudes.

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As tribos ou etnias mais fortes, melhor apetrechadas e com melhor armamento dominavam as mais fracas fora dos seus territórios, submetendo-as com o objectivo expansionista, esclavagista e até para sacrifícios religiosos com práticas desumanas e, por via de suas superstições. E, também para se apropriarem das suas riquezas, concubinas, gado, e rebanhos.

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Os portugueses não foram certamente santos pelos territórios que descobriram e colonizaram, mas também não foram totalmente pecadores na miscigenação que desenvolveram e cultivaram com os autóctones. Mais nenhum país o fez do mesmo modo! Aliás, por lá deixaram tudo sem nunca terem sido ressarcidos pelo roubo chamado de descolonização.

lubango1.jpg A história a ser bem contada, sempre terá de recordar a má utilização que o governo de Angola independente deram ao património que à força foi expurgado os portugueses tais como, casas, aeroportos, portos, cidades, estrada, equipamento, tractores, uma satisfatória rede de escolas e hospitais e administração em geral e, tendo dali saído unicamente com a roupa do corpo. Não confundamos ou associemos a palavra “colono” apenas com a cor branca e muito menos só com nacionalidade portuguesa.

Escrito em 13-12-2016 por A. Canhoto

O Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:49
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 23.08.2017: Parte 3 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também, homem branco em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpegT´Chingange

O Xhoba rebaptizado pela indústria farmacêutica em um produto P57 suscitou todo o interesse pela empresa multinacional Pfitzer que pagou algo como 32 milhões de dólares à Pythopharm para desenvolver um medicamento para não engordar. Os ocidentais dirão ser maravilhoso empanturrarem-se de comezainas e depois tomarem um comprimido para lhes tirar as calorias reduzindo os coiros michelins caindo das faldas da barriga.

koisan9.jpg Tentam afirmar que o Xhoba também tem efeitos afrodisíacos e se assim for vai ser sucesso certo! Não vai ser necessário tomar o tal pau de Cabinda ou raspas de rinoceronte para ter a musculatura certa no músculo viril! Não sei é se esses tais 100.000 bosquímanos existentes num vasto território que abrange Angola, Namíbia, Botswana, South África e Zimbabwé, serão mesmo beneficiados conforme ditam as promessas. Não sei não!

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Eles, os bosquímanos eram felizes antes de conhecer estes milagres da civilização; não sei se o serão mais daqui para a frente com tanta gente a ter pena dos coitadinhos quando afinal esse modo de estar já lhes está no sangue há muitos milhares de anos. Sempre aparecerá uma Ong a lhes dar cobertura, apoio e educação e de vício em vício serão levados a formar chagas sociais no mundo que dizemos civilizado! Encharcar-se-ão de cachaça até arrumarem o tédio entre as sandálias  e a esperança. Mas, será bom que as instituições ajudem da forma certa estes nossos ancestrais...

koisan7.jpg As terras que os Tugas ambicionavam em África supunha-se não pertencerem a ninguém em particular e, a nosso favor, na Conferência de Berlim de 1885, podíamos alinhar as diversas explorações feitas em várias épocas por portugueses, mas os ingleses, nossos grandes amigos da onça, como soe dizer-se, tinham outros interesses, dos quais se destacam o desejo de Cecil John Rhodes.

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Ele, Cecil Rhodes, desejava construir seu sonho em um corredor que ligava o Cabo ao Cairo e a descoberta de diamantes em Kimberley e ouro no vale de Kaap, abriu-lhe a pestanas e o prazer de ser grande. Estas áreas só poderiam ser tomadas pelo torneamento dos estados bóheres do Orange e do Transval (como veio a acontecer). Além do mais um sonho deste senhor era por si só uma grande limitação aos avanços de Portugal. Em todas estas politicas os khoisan (bosquimnos), nunca foram tomados em consideração... 

koisan1.jpg Que nem cordeirinhos os diplomatas do M´Puto, subestimavam-se àqueles por via dum tratado que só nos tramava. Sempre tramou! Pois deste sonho do Inglês Cecil Rhodes e do devaneio imperial de Bismark, derivou o maior esforço militar no Sul Angola, nas margens do rio Cunene, onde existiam duas tribos aguerridas: os Cuanhamas e os Cuamatos.

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Os historiadores sempre de forma suave abordam esta questão sem chamarem os nomes certos aos bois e, se Angola tem as fronteiras que tem hoje é aos abnegados militares de outrora que devem honrarias e não a buçais sobas que se vendiam aos alemães e ingleses por cachaça, pólvora mais uns canhangulos à mistura. E, os khoisan continuavam ignorados na história

koisan11.jpg É tempo de os mwangolés da Luua, assentarem ideias de que nem tudo vindo dos Tugas foi mau. Muitos ali ficaram na terra que agora os desmerece. Em 1890 tinha sido morto o herói Silva Porto, atraiçoado pelo soba local, que acabou preso por Artur de Paiva em 1893; o mesmo oficial dirigiu a expulsão dos Hotentotes (Holandeses) e mais tarde em 1898 comandou as operações no Humbe durante sete meses para vingar a morte do Conde de Almoster e dos seus dragões. Derivei um pouco para se entender o que efectivamente se passava neste então naquela áfrica até então esquecida; tanto assim que o rei Belga ficou dono dum país - o Kongo Zaire.

macuta 1.jpg A insubordinação destes povos era fomentada pelos missionários luteranos e o assassinato de dois comerciantes portugueses, em 1904, levou ao envio de uma expedição para “bater” o território “Ovambo”. Mas um grave revés, em Pembe fez abortar toda a operação colocando toda a região Sul numa situação perigosa. Foi então nomeado Governador da Huíla o Capitão Alves Roçadas, em 1905.

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Este notável militar desenvolveu um conjunto de operações militares, coroadas de êxito, destacando-se os combates de Mufilo e Aluendo, em 1907. Em Angola dá-se a pacificação dos Dembos, pelo Capitão João de Almeida, (concluída em 1913 por Norton de Matos), e Roçadas pune os Cuamatos. A seu tempo voltaremos a falar dos bosquimanos e seu cacto xhoba...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:16
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Sexta-feira, 3 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 23.08.2017 : Parte 2 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também homem branco, em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpegT´Chingange

As viagens de exploração em África sucederam-se por parte de Portugal, Inglaterra, Bélgica, França e até a Alemanha de Bismark. Toda esta actividade veio a culminar na Conferência de Berlim de 1884/5, onde se fez a partilha do continente desencadeando-se assim uma autentica corrida a África. As possessões portuguesas de África eram quase apenas ponto de passagem, interpostos comerciais ou lugar de expiação de condenados durante três séculos e meio.

PAI7.jpg As estruturas sociais eram assim, muito débeis. Foi, portanto, um povo desmoralizado e um governo hesitante e fraco, que em meados do século XIX teve de passar a olhar para África, por um lado para encontrar alternativas à perda do Brasil; por outro, para fazer face às potências que nos queriam esbulhar. Em verdade nunca se conseguiu pôr de pé um plano global de actuação com políticas encetadas e, foram-no quase sempre reactivos e nunca por antecipação.

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A Portugal faltava-lhe gente para dar envergadura a um projecto de colonização mais eficiente e rápido. Era o Brasil que verdadeiramente absorvia todas as apetências Lusas. Dos sucessos ultramarinos destacam-se a travessia de África de Angola a Moçambique, e volta entre 1804 e 1814! Mas, isto foi muito para tudo mais tarde, passados que foram cento e sessenta anos resultar em nada! Para esses fazedores de novas sociedades, as epopeias culminaram em 1974.

chai4.jpgUns quantos ditos progressistas, militares misturados com civis e por traição, decidiram entregar aqueles territórios de mão beijada sem garantir a permanência dos brancos; Mas teremos de voltar atrás noventa anos para descrever sucintamente outros episódios. A seguir à Conferência de Berlim, o governo  português desencadeou um conjunto de acções de âmbito militar, administrativo, de investigação, de delimitação de fronteiras e também de melhoria de infra-estruturas, comunicações e de comércio.

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As campanhas militares de pacificação em Angola iriam estender-se até meados dos anos 30 do século XIX. Ocorreram numerosas acções das quais se destacam: a pacificação dos Dembos que se arrastou de 1872 até 1907, situação resolvida pelo Capitão João de Almeida. Os Dembos revoltaram-se novamente, em 1913, e de novo foram derrotados por Norton de Matos nos combates de Kindangue e Kingola.

guerra3.jpg Outras regiões necessitadas de ocupação efectiva eram Malange e Lunda e, para o efeito várias acções foram levadas entre 1889 e 1907. Em 1908, pacificou-se a região de Boudos, e no ano seguinte as regiões entre Bongue Angola e Duque de Bragança que se prolongaram até 1913 e, de modo a permitir a construção do caminho-de-ferro de Malange.

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Em 1902 declarou-se a revolta nos povos do Bailundo. Para lhe fazer face organizaram-se duas colunas. Uma saiu de Luanda sob o comando de Massano de Amorim, e a outra saiu de Benguela sendo comandada por Teixeira Moutinho. Ambas suportaram longas marchas e duros combates, todos eles contados por vitórias.

diogo6.jpg Perdi-me nesta contenda derivando do cacto linha zero dos bosquímanos para as diabruras dos Tugas de N´Gola com Tugas do M´Puto e assim volto aos registos históricos que dão conta de que há mais de vinte mil anos por aqui, sul do deserto do Calahári, vagueiam os bosquímanos, caçadoras por natureza, cujo trabalho é procurarem comida. No nosso modo de ver só podemos confronta-los com a tese mitológica para justificar seu destino sempre incerto.

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Desde sempre os deuses gozam com esta terra e com quem a povoa. Mas se dos céus não vem a farta chuva, da terra brota um cacto que lhes engana a fome, o cacto xhoba! Espinhoso e viscoso, azedo como trovisco, é capaz de cortar em 2000 calorias a necessidade diária de energia de um ser humano. Será sem dúvida uma oportunidade de os muitos milhões de obesos no mundo eliminarem sua excedentária gordura.

zeka7.jpg Dizer-se que os bosquímanos terão aqui uma forma de subsistirem economicamente e, por venda deste produto é talvez uma fantasia, senão tendenciosa no mínimo falaciosa. Encontrando-me eu aqui nas bordas do reino dos bushmens, um lugar cercano ao rio Vaal, não dou por falta de comida quer ande para norte ou nascente. Há capotas, patos, warthogs, mopane (catato) e um sem numero de plantas e raízes comestíveis.  Só quem não conhece o mato e suas gentes pode afirmar esta excentricidade.

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O xhosa (ou IsiXhosa), ou aportuguesando, cosa é uma das onze línguas oficiais da África do Sul. É falada por aproximadamente 7,9 milhões de pessoas (cerca de 18% de sul-africanos), principalmente nas províncias do Cabo e sul do KwaZulu-Natal, mas também nos países vizinhos de Botswana e Lesoto. As consoantes clicantes são uma característica proeminente dos sons desta língua e mesmo o nome "Xhosa" que se inicia com um "clique". Estima-se que cerca de 15% do vocabulário é de origem Khoisan e, mesmo as consoantes clicantes podem ser dessa origem. Existem jornais e programas de rádio nesta língua.

(continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:41
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Quinta-feira, 2 de Novembro de 2017
MULUNGU . LV

NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 23.08.2017 : Parte 1 de IV

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também homem branco em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba 01.jpgT´Chingange

Com botas de michelin ponta de ferro, calções de ganga, camisola de flanela e chapéu quico com os big-five, curto o calor do dia enquanto o sol se põe a pique com uns agradáveis vinte e dois graus no zénite. Ao cair da noite os chacais miam não muito longe e até posso ver seus olhos amarelos quando dirijo o farolim da varanda em sua direcção. As noites têm sido escuras, o céu fica todo a descoberto e posso ver com perfeição as estrelas do cruzeiro do Sul. E, eu aqui neste deserto só com um Mac Guiver, um telefone e, um seja o que Deus quizer.

IMG_20170720_150056.jpg Esta noite que passou aqui na farm Alfa-One, fez menos um grau, a água congelou na torneira e, só pelas quase nove horas da manhã é que fluiu normalmente. Pensando que o depósito verde não tinha água fui para ligar o disjuntor da bomba de encher o tanque mas fui advertido pelo moçambicano Fabiano de Macia, que não corria água porque ela gelou no tubo. Ando eu a fugir do frio e este atrás de mim! Na áfrica do século XXI, afinal, também faz frio a sul do equador!

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Nos finais do século XIX a África Negra deixou de ser olhada apenas como reservatório de escravos para passar a local apetecível de ocupação. Concorreu para isto, a curiosidade científica, a procura crescente de produtos tropicais, a necessidade de matérias-primas e a cativação de novos mercados, que a Revolução Industrial não só potenciava como exigia.

IMG_20170628_092745.jpg Mas ainda nos dias de hoje nos admiramos de os cohisans, bushmens não sofrerem dessa doença moderna a que chamam de obesidade. A natureza deu-lhes aqui um cacto de linha zero a que eu chamo de shoba; Falarei mais à frente sobre este milagroso cacto depois de esgadanhar a estória que nos foi legada em mandaques de coiro escritos com gravetos que o tempo fez amarelecer.

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A perda de controlo dos territórios que dispunham na América do Norte, por parte da França e da Inglaterra encaminhou, naturalmente, estes países para outras paragens. Em Portugal e no ano de 1855, já no reinado de D. Pedro V, o colégio de Cernache do Bonjardim ganhou relevo ao formar cerca de 200 sacerdotes para o serviço de além-mar. A sua coroa de glória foi a missão de S. Salvador do Congo, iniciada em 1881 e que salvou a nossa soberania naquelas paragens, após a Conferência de Berlim de 1884.

kalu10.jpeg Outras congregações se salientaram conforme ia crescendo o interesse por África. Este novo impulso evangelizador veio, porém, a ser estancado por via das perseguições religiosas que ocorreram após o advento da República. No fim da Guerra Civil, em 1834, as possessões portuguesas além-mar, eram como segue: Em Angola havia dois reinos, o de Angola que se estendia do rio Ambriz até ao Cuanza; e o reino de Benguela que ia do Cuanza ao Cabo Negro.

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No sentido leste/oeste não passaria das 70 a 100 léguas a influência portuguesa para o interior onde haveria cerca de 370 sobas subordinados à autoridade portuguesa. A população rondava os 400.000 habitantes e apenas havia três câmaras municipais: Luanda, Benguela e Massangano.

koisan6.jpg Para norte de Ambriz até Cabinda havia territórios sobre os quais Portugal tinha direitos históricos mas não exercia ocupação efectiva. Faltava ali gente! Apenas dois a três navios nacionais (de Portugal) demandavam anualmente os portos de Angola. A partir de 1844 abriram-se os portos ao comércio internacional e fomentou-se a colonização europeia cujas 2.000 almas existentes se concentravam quase exclusivamente em Luanda. Não era de admirar ouvir-se há sessenta anos atrás dizer que Angola era Luanda com capital na Mutamba; e, que todo o resto, era paisagem.

(Continuação…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:41
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Sábado, 28 de Outubro de 2017
MALAMBAS CLXXXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - POTHOLES . III

- 27.07.2017 – Da minha mochila - Aqui no Pilanesberg de África, apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo … Juro que ainda estou intrigado com esta ukamba (amizade)!

Potholes são buracos

Por

soba15.jpgT´Chingange

Estamos em Grascop! Por termos visto uma tão grande variedade de animais em Pilansberg decidimos não ir ao Kruger Park o maior santuário de animais. Acabamos por nos distrair ao longo das montanhas e vendo mais duas quedas de água; a Forest Falls e a Mac Mac Pools,  ambas situadas antes de chegar à pequena cidade de Sabie descendo para Sul. Também visitamos uma outra seguindo para nascente que o mapa refere como ficando perto da R 37 a quem eu baptizei com o nome de Sabie Pools.

sudwana1.jpg A Sabie Pools é extraordinária porque a água faz um véu de noiva; cai de uns cinquenta metros de altura, de uns penhascos bem salientes e aonde nós podemos andar parcialmente por detrás ou ficar mesmo por debaixo enquanto as atrás descritas só podem ser apreciadas desde o topo. A vegetação aqui é luxuriante e tem lianas que se desprendem do penhasco para vir beber a água na base e contorcendo-se como lianas moveis.

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Gostei particularmente desta queda por termos oportunidade de nos metermos nela; O frio da água é que nos impediu de ali ficar um tempo mais dilatado. Neste lugar de montanha pode apreciar-se os quarteirões bem definidos de matas de criptomérias, um pinheiro também muito abundante nas ilhas dos Açores e na Ilha de Tenerife de Canárias.

IMG_20170830_152542.jpg É aqui lugar de muita serração, de casas feitas de madeira em tronco ou tábuas na forma de rés-do-chão e também de primeiro andar. Tudo preparado para voltar a Johannesburg em Benoni nossa base de encontro com a família africana. Habituado às sestas preguiçosas no zurzir do vento fresco nas aceradas folhas de altos bambus, ao viver amplo de paraíso como aqui, embalado na rede pela vibração cheirosa do jasmim, sapoti e mata lagunar dum brasil distante, posso aqui imaginar-me um Tarzan mais genuíno jiboiando-me nestas lianas africanas de Sabie.

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Embora seja vigiado por alguns exóticos pássaros desta mata, não fico impedido por seus guinchos mais o canto da cigarra em um outro lado do mundo, aonde os trémulos horizontes de verdura bocejam o ar com embondeiros suplicando água ao céu. Um homem precisa de sonhar e, assim com abundância de enxúndias até se sonha com antigas realezas de N´gola voando e piando, como um gavião.

IMG_20170831_130245.jpg Neste trecho de sonho não requisitado, lugares e tempo, deslocaram-se no espaço confundindo os momentos próprios do acontecido e, foi como nas margens do Kwanza, o rio dos Mwene N´golas que as kiandas de Massangano me explicaram em sonho, ser aquele o rio da sua integridade. Foi então que meio atordoado neste lugar do Sabie Falls, vi a ela a N´Zinga saindo solene da rocha da falésia.

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Com seus lábios grossos e olhos vivazes transpirando rudeza diferente, balbuciou-me um Nga Sakidilá! (Obrigado). Juro que ainda estou intrigado com esta ukamba (amizade)! Aqui neste lugar tão distante da Matamba. Os dias passaram; nos dias sequentes falando com um sungadibengo (mulato) da Cidade do Cabo de nome Oliveira me disse que seu avô Tuga Olivera da Gama lhe tinha dito que naquele lugar do Sabie havia muito gente de mistério refugiados nas grutas de Sudwala Caves.

sudwala1.jpg Intrigado foi-me dizendo que ali a escassos quilómetros de Nelspruit de Mpumalanga havia em tempos, gente refugiada nas grutas que tinham um kazumbi tão forte que até  guardavam a morte no sovaco. Bem! Quando lá entrei, havia realmente um forte cheiro a catinga. Catinga que já cheirava a cadáver mas aquilo eram estromatólitos colados ao tecto, um pouco diferente das estalactites ou estalagmites. Mas o certo é que havia sim, uma imagem em um grande salão com o nome de Nossa Senhora da Muxima. Para uns já era de Lourdes e para outros de Nossa Senhora de Fátima.

sudwala5.jpg Por serem fósseis tão antigos, pensa-se que sejam testemunha dos primeiros organismos a realizar a fotossíntese oxigênica, responsáveis pelo gás oxigénio que surgiu no planeta há cerca de 3,5 bilhões de anos.

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Porém, a definição exacta de ainda é discutida podendo, por exemplo, excluir estruturas como oncólitos e trombólitos da lista dos estromatólitos. Compõem-se também de carbonatos calcita e dolomita. São formados a partir de uma sucessão de estágios, partindo de esteira microbiana, estromatólito estratiforme, para finalmente se consolidarem em uma rocha. Mas, o povo sempre acredita no que bem quer.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:35
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Domingo, 6 de Agosto de 2017
MOAMBA . XII

BAKGATLA DO PILANESBERG - NA NUDEZ DA VIDA – 23.07.2017- Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…

Por

soba15.jpg T´Chingange

No meio da algazarra das palavras, dos apelos, dos gritos ou cânticos, haverá sempre uma insatisfeita curiosidade, perguntas sem respostas ou maneiras mentirosas de dizer a verdade; verdade que nem sempre achamos lógica ou patética nem sempre merecedora de ser levada ao cutelo ou ao fogo da veracidade porque, simplesmente nós não somos guardiões nem usamos beber do crime no rio da vida.

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Amolecendo a preguiça refastelado no Bush Camp, dou-me conta do quanto meu sovaco cheira a catinga, odor em tudo igual a todas as outras catingas dos negros corpos de África. E, assim, aqui estou de livre e espontânea vontade como um turista, muito enfeitiçado pelas gentes acolhedoras que falam línguas estranhas mas sempre dizem good morning ou how are you, língua de europeu!

 mulaa2.jpgGentes que como eu, saíram dessa imensidão dos matos, de lonjuras percorridas em toyotas, land-Rover, Kias ou Chevroletes, terra de onde se parte sem querer partirem e já partindo de vez, arrependidos depois por não ter ficado. Como vamos nós próprios destrinçar a verdade dentro da nossa própria imensidão, nos assuntos de crenças e impiedades de bens tão profusos nas regras do Mundo.

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Porque estou eu aqui, fugido de casa como uma condenação sem definitiva ou suficiente razão para e, simplesmente sarar as feridas do corpo!? Estando assim com o varão primogénito, com suas turbulências indecisas, apalpo as medidas da natureza do Senhor, vendo  o pássaro monteiro´s ornbill enfeitar minha alegria debicando o pão que lhes ralei.

monteiro ornbilll.jpg De coisas desavindas ou desavisadas, relembrei que ultimamente meus próximos amigos me referem amiudadamente como tendo uma cabeça brilhante! Creio que querem dizer outra coisa e que só por deferência respeitadora, falam desse jeito encafifando-me sobremaneira, até à raiz dos cabelos que não tenho. Pois então, por isso, brilha! Em frente do espelho vejo sim, um velho setentão, careca, rugoso com carochas e carnes vulcanizadas ou encarquilhadas.

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Para minha alegria, há uns dias atrás, estando eu em Gauteng, telefona-me o Miguel Esteves Cardoso com aquele ar de gozo e bonacheirão: - Hê pá! Tu estás com a cabeça brilhante! Pópilas, como é que lá do outro lado e de longe, este tipo sabe das minhas mazelas? E, falar-me assim tão jocosamente!

esteves1.jpg E continuou: - Li umas coisas tuas e deste-me uma ideia, assim do camano para o meu próximo livro! Que tens andado a passear o cachorro, num lugar aonde as hienas nem o pai respeitam, um lugar de cheetas agarrando veados!? Toma cuidado meu! Não ponhas o pé de fora que podes depois dar uma congestão ao Leopoldo. Eu aqui tentando sucumbir as malazengas e este inchado dos chifres a mandar-me palpites cavernícolas.

MAR VERMELHO 04.jpg Estou a telefonar-te para agradecer o “biltong” de kudu que me enviaste lá das tuas terras do mato, do Kaprivi! Este tipo está a cantar-me o fado, só pode ser! Estando eu no bombom de Sun City jogando sortes fala-me como se estivesse a dar chupa-chupa aos hipopótamos do Okavango. Neste momento o homem das falas do casino gritou: quarenta e cinco! Era o meu número do totoloto. Bingo, gritei de contente. A chamada perdeu-se no preciso momento em que senti o terramoto vindo do Lost City… 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:31
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Sábado, 5 de Agosto de 2017
MOAMBA . XI

MOAMBA . XIV

A NUDEZ DA VIDA – 05.08.2017 -Temos de ginasticar a mente! Terei de continuar espiralado para dentro até minimamente entender o que será o colapso do átomo…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

De acordo com a teoria da relatividade, se a luz não consegue ir de uma região a outra, nenhuma outra informação o consegue. O mais lógico e possível é dizer que Deus escolheu a configuração inicial do Universo por motivos muito para além da nossa compreensão. Isso sem dúvida estaria ao alcance de um ser omnipotente, mas, se Ele começou o Universo de maneira tão incompreensível, por que optou então por deixar que evoluísse segundo leis que pudéssemos entender?

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Tendo o hidrogénio um único electrão orbitando o núcleo, afirma-se pelos cientistas recentes, que pode agora ser vista como uma onda com um comprimento dependente da sua velocidade. Fiquei sabendo que as somas de histórias podem ser visualizadas na dualidade, onda e partícula. Mesmo que queira escalpelizar esta forma de atracção gravitacional do Sol, não o poderei fazer sem estudar a atracção entre electricidade positiva e a negativa que mantém os electrões.

funa3.jpg Há no entanto questões ainda sem resposta, sendo a mais fundamental delas explicar como a relatividade geral pode ser conciliada com as leis da física quântica para produzir uma teoria completa e auto-consistente da gravitação. A generalização tem implicações profundas no nosso conhecimento do espaço-tempo, levando, entre outras conclusões, a de que a matéria (energia) curva o espaço e o tempo à sua volta. Isto é, a gravitação é um efeito da geometria do espaço-tempo.

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Supõe-se que as histórias seguem seu trajecto de A para B associadas a dois números em que um representa o tamanho da onda e o outro a posição do ciclo. Bom! Esta do ciclo tem como uma onda, a sua crista e o seu vale, tal como uma sinusóide. Num vasto ciclo de ondas num mar, o surfista sempre aguarda a sua onda, a tal! Um surfista muito cheio de sorte joga com as probabilidades de ter uma onda considerável, dispensando muitas outras que não dão as condições optimizadas à sua prancha, sua partícula.

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A probabilidade será assim como uma prancha partícula a ir de A para B obtendo no conjunto a soma de ondas para todas as trajectórias. E, há variações enormes, umas ondas são grandes e outras quase rasas, que associadas se anularão uma às outras de maneira quase exacta. Formular isto em equação matemática concreta, torna até aparentemente simples calcular as órbitas permitidas em átomos e moléculas, com átomos unidos por electrões que orbitam mais de um núcleo.

MAGA11.jpg Voltamos assim ao “princípio da incerteza” tendo a estrutura das moléculas e suas recções entre si, formar a base da química e biologia, em princípio a mecânica quântica que nos permite prever quase tudo o que vemos à nossa volta. Para conceber isto, seremos obrigados a interpretar as antigas pinturas em que os Santos ou gente santificada tinham um halo de luz envolvendo suas cabeças; explicação grosseira mas plausível de entender.

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Se considerarmos isto dito dentro dos limites estabelecidos pelo “princípio da incerteza”, teremos antes de entender um outro princípio chamado designado de “antrópico” que credita o lema de vermos o Universo da maneira de como ele é, porque se ele fosse diferente, não estaríamos aqui para observá-lo.  Bom! Entretanto os teoremas da “singularidade” indicam que o campo gravitacional ficará muito forte em pelo menos duas situações: - São elas “os buracos negros” e o “Big Bang”!

DIA76.jpg Poderemos prever a derrocada da relatividade clássica quando os átomos alcançarem uma densidade infinita. Juntando nosso entendimento às demais forças da natureza, ainda serão necessários fundir-se muitos fusíveis do cérebro e cerebelo com seus neurónios e, muitas gerações a se arrumarem na relatividade geral e na mecânica quântica. Teremos forçosamente de ginasticar a mente. Podemos dizer que é esta “Uma breve história do tempo” de Stephen William Hawking.

FILOSOFO1.jpg William Hawking, é um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da actualidade. Doutor em cosmologia foi professor de matemática na Universidade de Cambridge. Em 1964 foi-lhe diagnosticado ter esclerose lateral amiotrófica mais conhecida por doença de Lou Gehrig ou doença do neurónio motor. Vulgarmente diz-se que isto ou aquilo em comparação com algo é relativo; Ele o físico, é em seu próprio ser, como figura, bem a prova disto.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:48
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Sexta-feira, 4 de Agosto de 2017
MALAMBAS CLXXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 20.07.2017 - (Parte 3 de 3) - Aqui no Pilanesberg de África, apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo …

Por

soba10.jpg T´Chingange

Neste mundo global, qualquer fagulha serve para atear quenturas mas em África, é muito mais natural porque sempre se usou a cinza das queimadas para renovar os pastos. Tenho observado como os animais da savana africana adoram esses rebentos saídos da terra. As noites são frias acumulando geada nas tenras folhas, que por sua vez lhe dão vida ao penetrar em suas raízes. Nos últimos dias os javalis facocheros joelham-se fuçando a terra ainda húmida bem junto à berma das picadas sem se perturbarem connosco; ali ficam em varas exibindo-se sem medo.

bra1.jpg Já os homens, com suas diabruras muito cheias de corruptas ousadias, amachucam-se entre si usando seus instrumentos de poder, suas artimanhas de logro para obter dividendos. Hoje é N´Zuma e amanhã será um outro a cantar vitórias e, tal como o EDU de Angola perpetuar-se-ão até exaurirem o cansaço do povo à semelhança de Roberto Mugabe do Zimbabwé. Para ver se fico manso com Nosso Senhor, continuo a ler o evangelho de Saramago usando até seus sufixos, esboços de suas falas menos ceifadoras para não me pecar,

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E, porque, até uma árvore geme quando a cortam e, as palavras têem o valor que têm segundo nossas convicções ou ficções. Com verdades indecifráveis, muito cheias de ofensas ou entendimento falaram-me de uns quantos anjos voando sobre a África desde a Cidade do Cabo, até o Cairo como o sonho de Cecil Rodes espalhando ódios de raças. Como metáforas enraivecidas dizem-me que a América e Inglaterra vão ficar falidas e cheios de dívidas. Que a Inglaterra será totalmente aniquilada, pois até a sua terra será queimada com uma invasão liderada pela Rússia. E, que esta invadirá a Europa, através da Turquia usando armas terríveis.

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Mas que coisas mais tenebrosa que meus amigos apóstolos de África me dizem. Não tenho de acreditar e, nem o quero porque na destrinça de nossos quereres perturba-me a probabilidade dando-me conta entre reflexões, que nunca unirei as pontas. Ficarei atando e desatando nós de sim, mas não, não, mas sim com o não sempre se retorcendo como coiro queimado nas pontas. Querem fazer de mim, torresmo! E transcrevem-me as profecias dizendo que a África do Sul entrará em uma guerra civil em um ano de eleições. Pópilas! Estamos quase em cima delas- 2019!

massau4.jpg Mais me dizem que as profecias referem que após a morte de um líder negro, será exibido em um caixão de classe nos Edifícios da União. Líderes mundiais o irão homenagear! Mas isto já sucedeu com a morte de Mandela! Matizado nos arrebates da imaginação de que cada qual soma um ponto ao conto, rogo que percam com o tempo e na distância, a convicção de que assim será! Que o não seja! Nem poderá assim ser, uma perca de pontos ao não milagre. E, se realmente o houver, que vire uma coincidência infeliz porque por experiência, sabemos que bem estaríamos nós, se tudo na vida fosse prendas e só bem-estar.

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Pois vou ter de dar por finda esta incursão no campo das profecias porque a solidão nos será mais pesada do que uma pedra amarrada ao pescoço, preferindo das notícias proféticas, recolher as de felizes consequências, dos corriqueiros milagres que preenchem uma vida. E, querendo o Senhor, viermos em crer no que nos foi dito, mas, entre tantos, muitos ficarão á espera de que o Senhor mude seu entendimento, por choro, por um desgosto ou por um último suspiro.

valdir5.jpg Hoje assisti à corrida de uma chita na savana de Pilanesberg; a cabra springbok foi alcançada e logo em seguida suas três crias surgiram ajudando sua progenitora a transportar a presa para um lugar dissimulado a uns escassos 30 metros da picada. Na natureza a vida e a morte conciliam-se fora da mistificação de gente ímpia, a ocasião pode sempre criar uma necessidade e, se ela é forte, terá de ser ela, a necessidade, a fazer a ocasião. Aqui não há o lado bom e o mau. É a sobrevivência!

koisan1.jpg Se Deus quiser, quando assim se fala, ouve-se das bocas mais incrédulas sentenças bem acabadas mas, pela natural força do subconsciente porque cada um tem o seu próprio destino, seus próprios milagres, suas próprias palavras que trilham seu caminho. Porque na vida tudo é relativo, uma coisa má pode até tornar-se sofrível se a compararmos com coisa pior ou, o inverso que também é verdade. Em tudo, haverá sempre um propósito de fé! Que poder poderá ser dado a alguém que morreu! E, como ficamos se esse ser for uma springbok?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:29
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Quarta-feira, 12 de Julho de 2017
MALAMBAS CLXXVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO -12.07.2017Aqui no Limpopo de África, apaziguando rijezas adversas, relembro a singularidade do mundo. O futuro anda a trambicar-nos…

Por

soba15.jpgT´Chingange

À medida que o ritmo de mudança acelera na sociedade, as pessoas de mais idade, kotas como eu, Assunção, Eduardo ou Araújo, retiram-se para um ambiente mais pessoal ou particular cortando alguns contactos no imediato, ficando mais pelas relações cada vez mais transitórias que surgem pelo digital facebook. Só eu, tenho mais de sete mil amigos na rede social mas, fujo de um lado para outro, deixando coisas por aqui e por ali.

acacia karoo.jpg Assunção estabeleceu-se numa linda aldeia, tendo como jardim uns vasos com flores de cores várias de malvas e gladíolos ao redor de uma oliveira centenária. Araújo fica em seu mukifo transbordando para a tela traços e cores que só ele sabe fazer com beleza. Eduardo balança seus antigos pensamentos em suaves crónicas do dia-a-dia com sua família e seu deserto. Nos tempos que correm já não estamos ligados a um único objecto durante um longo espaço de tempo.

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Estamos forçosamente ligados por breves períodos na sucessão de objectos que se suplantam. O aspecto de uma cidade pode mudar por completo em um curto espaço de tempo. Isto de o passado desaparecer num ápice é um fenómeno real e com tendência para se tornar muito mais abrangente, até mesmo em cidades saturadas de história e cultura. Este procedimento passa também a regular a relação entre pessoas; o casamento por exemplo já não o é para toda a vida como antigamente.

arte1.jpg Os casais cansam-se e, por “ um dá cá aquela palha” como soe dizer-se; qualquer ninharia se torna num motivo de separação. As pessoas já não têm o mesmo apego às gentes ou coisas, mudando com rápida frequência e, porque o tempo urge. Enquanto se muda rapidamente o urbanismo de uma cidade, também os mais velhos estão sendo mandados para lares, ou asilos e, porque a vida agitada não dá tempo aos filhos para deles cuidarem.

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A família vive uma confrangedora realidade que cria litígios na mente das pessoas mais sensíveis ou até mal preparadas para enfrentar o futuro. A cidade aonde vivo uma boa parte do ano, no prazo de um ano, seu urbanismo mudou radicalmente; suas ruas passaram a ter um só sentido e toda a sinalização foi alterada. Um jardim infantil novo veio a substituir um outro fito à menos de três anos.

magao01.jpg Até criaram uma praça vermelha feita em tartan, um piso igual ao dos campos de ténis, desperdiçando o dinheiro destes (meu, também) sem um real benefício à crise de que tanto se fala. A maioria das pessoas não vê bem esta aplicação dos seus impostos, IRS, IRC, IMI, o custo da água e da energia nesta miragem de sucesso! A futilidade chegou a estremos mal compreendidos por quem sempre vislumbrou objectividade na feitura das coisas! Políticos de má formação, gente ambiciosa açambarcam nossas reais necessidades.  

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Modas incompreendidas por quem conta tostão por tostão para mandar o filho para a universidade. Estamos na era do efémero, sim! À medida que o ritmo da mudança se realiza a sociedade é levada a executar uma economia de transitoriedade. A maior parte das vezes torna-se mais barato comprar coisa nova do que mandar concertar uma outra já velha. Isto necessariamente meche com as ideias e ideais.

lagoa1.jpg Também pelo que se observa no dia-a-dia, é mais vantajoso fazer coisas baratas, não reparáveis; coisas a deitar fora após serem usadas. Podemos assim prever mais progressos técnicos com novos aperfeiçoamentos e, em espaços de tempo cada vez mais curtos. Assim será! Isto, não vai parar.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:39
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Quinta-feira, 6 de Julho de 2017
MALAMBAS CLXXIV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 06.07.2017 - Somos divididos socialmente, não somente pela cor, ou forma de vestir  mas, e também, pelas nossas posições no tempo… 

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Neste nosso curso de enfrentar os conhecimentos, todos os dias serão uma prova à adaptabilidade humana das várias instituições que nos governam. Teremos forçosamente de modificar nosso caracter de existência para aprender esta permanente transitoriedade. Uns dias atrás um amigo meu fez reparo àquilo que eu disse, de que nós sempre seremos o fruto da mudança afirmando que com ou sem essa tua (minha) teoria de transitoriedade nós seremos sempre os mesmos.  

capeta0.jpg Esse meu amigo mora em uma ilha grande e tem um cão chamado de aspirinas. Em verdade a palavra aspirina surgiu oficialmente pela indústria alemã Bayer a 10 de Outubro de 1897. Se imaginarmos que meu amigo nasceu lá por volta de 1840, seu cão nesse então teria outro qualquer nome assim como Sócrates, o filósofo ateniense do período clássico da Grécia que morreu 3 anos antes de Cristo.

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Daqui se reproduz uma situação que deriva desta mesma palavra, “situ” do latim que quer dizer sítio e “ação” que quer dizer acto ou execução. Pode por analogia deduzir-se a partir disto que as linhas de delimitação entre o Sócrates e o aspirinas cachorro, são a duração do espaço de tempo durante o qual a situação acontece! Meu amigo ilhéu de nome Freitas, hoje talvez chamasse ao seu apirina “Samsung”, um nome bem mais recente e de acordo com seu hodierno viver, numa lógica evolutiva transitoriedade.

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Em verdade o primeiro telemóvel do Fernando da Ilha era um quase pesado tijolo e hoje e um fino Smartphone que cabe num pequeno bolso das cuecas. A este número crescente de situações às quais não se aplica esta situação, traz-nos implicações psicológicas tornando um simples facto em situação explosiva. Para se sobreviver, o indivíduo tem de se tornar infinitamente mais adaptável e hábil do que nunca.

missosso2.jpeg Eu, este meu migo Freitas da lha e todos os demais, teremos de procurar maneiras de fixação, totalmente novas e sempre transitórias pois que nossas antigas raízes tal como a religião, a pátria, família, nossas vivência de um bairro da Luua, nossa comunidade ou profissão, estão a ser abaladas. Abaladas pela força ciclópica do impulso acelerativo; e daqui, só seremos premiados se nosso comportamento modificar nosso carácter de existência.

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Daqui, termos de compreender a transitoriedade! O computador apareceu lá pelo ano de 1950 quando eu já comia côdea com leite retirado da cabrinha; sua característica de função, quantidade e velocidade, transformou-se em uma grande aceleração de conhecimentos, e isto, é poder! É mudança!  O computador, é quer se queira ou não, o artefacto que elevou a humanidade a uma exponencial de espantosa novidade.

libia2.jpg A aceleração do conhecimento é uma das mais importantes e talvez a menos compreendida de todas as formas sociais e, que naturalmente abala as nossas instituições. Claro que o ritmo crescente de mudança perturba o nosso equilíbrio interior e, até modifica a própria maneira de como experimentar a vida acelerando a integridade de cada qual. Esta aceleração de mudança, complica e muito a estrutura de nossas vidas, diversificando-nos nas formas que temos de representar e o número de papeis com uma inerente opção de obrigatoriedade.

natal1.jpg Obrigatoriedade de assim fazer, explicada a asfixiante sensação de complexidade da vida contemporânea. Não será exagero, dizer-se que a realidade hodierna origina mal-entendidos entre pais e filhos, entre homens e mulheres, americanos e europeus, cristãos ou muçulmanos, gente do Leste ou do Oeste. Somos assim divididos não somente pela cor, ou pela posição social ou económica mas, e também, pelas nossas posições no tempo.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:54
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Quinta-feira, 29 de Junho de 2017
XICULULU . XCV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - NÃO SIRVAS A QUEM SERVIU, NEM PEÇAS A QUEM PEDIU - Diz a Lei de Murphy "Se alguma coisa pode dar errado, assim será!"

Por

soba15.jpg T´Chingange

Se usarmos a analogia de Darwin pela “Selecção Natural” para definir sociologicamente a humanidade em geral, constatamos sem grande dificuldade de análise reflectiva de que os mais ricos ou fisicamente mais bem constituídos estarão sempre em melhor posição para sobreviver ou vencer qualquer dificuldade em detrimento dos mais pobres, débeis, vulneráveis ou impreparados.

araujo 28.jpg Os eclécticos, cultos, experientes e instruídos vencerão sempre os seus oponentes menos municiados intelectual ou academicamente nos desafios ou oportunidades que a vida tiver para oferecer e, quando estes se candidatarem a testes selectivos ou psicotécnicos. Os mais crédulos, ingénuos ou em estágios primários de coeficientes de inteligência baixos, tornam-se tendencialmente propícios para que os espertos, oportunistas e gurus ou gananciosos os absorvam.

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Esta categoria de pessoas dos que já nasceram vencidos, vergados pelo infortúnio, fatalismo do seu estrato social ou por e via de sua incapacidade financeira, tibieza ou destreza, tornam-se reféns e presas fáceis de empresários exploradores e oportunistas. No mercado de trabalho serão subestimados e mal pagos vendendo o suor do seu rosto e sua força braçal ou conhecimento por coisa pouca, sem a devida troca de benesses.

araujo34.jpg Obviamente que nem todas as empresas precisam de génios ou mentes brilhantes que consomem apenas bifes do lombo ou lagosta. A grande maioria do mercado de trabalho tecnologicamente não qualificado, contenta-se com carne de segunda ou terceira, dura e gordurenta. Não existem segredos existenciais ou filosofias de vida escritos em compêndios ou cartilhas que se possam comprar para aprender como sobreviver neste mundo cão.

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O ideal seria que cada um satisfizesse as suas necessidades independentemente das suas habilitações profissionais académicas ou artesanais. Mas, mesmo estes, em uma qualquer parte do globo encontrarão quem os sugue de forma desmesurada. Não lhe darão acesso ou recursos para passar de certos limites, tornando-os permanentemente dependentes.

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O caminho do sucesso está preparado para os ousados que num dado momento de privilégio se tornem patrões, empregando outros que por conta própria não têm condições por falta de relacionamentos ou por débil estabilidade familiar. Salvo raras excepções o destino destes temerosos, será sempre o de serem empregados dos primeiros. 

araujo23.jpg Contrariamente às leis da natureza que ilusoriamente nos fazem acreditar por todos termos sido concebidos da mesma forma porque nascidos pelo mesmo local, as nossas vivências e destinos serão igualitários. Nada poderia ser mais falso nesta teoria, quando os dogmas são imbuídos na ilusão dum universo restrito no diapasão dum Deus que parece só ser bom no açambarcar de usura para proveito próprio - dos eleitos!

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A sociedade aonde estamos inseridos se encarregará de nos diferenciar, arrumar de acordo como o tal "pedigree" familiar. Nesse perfile ou curriculum vitae constará o estatuto social no seu lado financeiro, no exacerbar-se com um património com carros de alta cilindrada ostentações variadas, o show off e, mesmo que se lhes falte a cultura académico e, ou a ideologia politica, religião ou "hobbies" salutares… 

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Alguns eleitos terão o condão de viverem rodeados dum luxo que o dinheiro pode comprar. Dinheiro fabricado por quem lhes presta honorabilidades, um resto da humanidade esgatanhada, mordida com atropelos, porque nunca lhe deram oportunidade para escalar alguns merecidos degraus. Alguns mais corajosos ainda têm o atrevimento, ousadia e a veleidade de pensarem que reúnem as condições para se aventurarem a fazer alpinismo social ou financeiro na tentativa de chegarem ao topo, mas a idolatria não permite que esta senda seja facilitada.

araujo36.jpg A grande maioria fica-se pelo caminho vencidos e desencorajados, pois os trilhos estão minados com engodos: ou me serves ou…. E, aqui a frase fica sempre camuflada num muxoxo incompleto. Alguns muito bem preparados psicologicamente conseguem heróica e atrevidamente chegar ao topo mas nunca serão aceites pelas elites que falam com Deus, os eleitos…

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O único factor que mantem o equilíbrio mundial, impede revoltas e que as massas trabalhadoras se apoderem das riquezas que elas próprias geram para enriquecer terceiros, é a ESPERANÇA de que as sociedades por moto próprio se tornem reformistas, humanitárias, fraternas, solidárias e igualitárias. Uma coisa cada vez mais vaga.

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Infelizmente este onirismo não se consegue nas urnas através de eleições livres e democráticas ou por decretos governamentais. E, como ninguém enriquece apenas pelo suor do seu rosto e fruto do seu trabalho, só existem três formas de chegar a esse desiderato, ou pela exploração do trabalho de terceiros pagando-lhes ordenados miserabilistas, de forma fraudulenta, por meios ilícito, ou através de um golpe de sorte acertando no totobola, lotaria, raspadinha ou euro milhões.

araujo38.jpg O segredo para matar a inveja ou o desejo de todos quererem ser ricos foi inteligentemente criado por estes dizendo que “a riqueza não traz felicidade”. Na mente dos pobres ou remediados existe a triste ilusão de que um dia a sorte lhes baterá á porta e que também poderão comer caviar, faisão ou lagosta, regando as suas opíparas refeições com champanhe D. Peringnon.

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Se todos viverem na esperança e ilusão de que mais tarde ou mais cedo poderão triunfar, o mundo funciona muito melhor sem desequilíbrios, agitações sociais, atritos, revoltas ou greves. Tementes a Deus, coisa trabalhada no tempo, as pessoas sonham em não se magoar umas às outras, nem se atropelarem pois vivem nessa falsa expectativa de que a sua hora também chegará. Um se Deus quiser sempre incerto!

araujo46.jpg Uma massa anónima que vive e labuta dentro e fora de seus países como emigrantes, é a de que um dia irão regressar á Terra Prometida, sem se saber bem qual. As leis imutáveis pelas quais o mundo está organizado e construído, são apenas duas, ou se nasce rico ou pobre, uns mandam e fazem as leis, outros obedecem e cumprem-nas. O ser-se criado de quem já serviu não se augura em um bom fim. O seu, a seu dono!

Ilustrações de Costa Araújo

Nota: Este texto foi baseado parcialmente em um outro da autoria de António José Canhoto que versa o tema de desequilíbrios na sociedade em uma outra vertente e a partir da condição de nascimento…

O Soba T´Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:12
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Domingo, 16 de Abril de 2017
MALAMBAS .CLXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . TAMBULAKONTA - Tenho-me forçado a encontrar um herói perfeito, um que seja observador o quanto baste para investigar os antagónicos traços das pessoas que me cercam. Enigmas do confuso…

MALAMBA: É a palavra.
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

No epílogo da vida, colei um apêndice de presunção e água benta revendo o considerável bem no meio do inteligível e, lá bem no fim lugar do índice, anotei: Meus kambas, talvez eu não tenha razão e Vocês a tenham, mas ainda é mais provável que nenhum de nós a tenha! Ando a juntar características de um modelo útil de investigação social por modo a ficar com a capacidade de vos produzir surpresas.
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Toda esta forma de dizer um pensamento, deu início quando na praia, na areia, observei em muitos dias uma senhora de meia-idade andando de ré, andar para trás e, sem nunca lhe perguntar idealizei um modelo teórico de retroceder com a capacidade de tornar compreensível fenómenos e factos.

lucala3.jpg Entender a pedagogia de produzir surpresas em novas experiências. Esta concepção de racionalismo opõe-se à filosofia empírica que, professa que as ideias se deterioram quando aplicadas às coisas e procedimentos.

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O conhecimento da realidade moldada pelas teorias, modificam-se assim como uma paisagem vista num nascer ou em um pôr-do-sol que por momentos se confundem, uma foto falada e valorizada pela ordem das razões segundo uma teoria: - A ordem das razões, valorizam a ordem dos factos e, não é a ordem dos factos que valorizam a ordem das razões.

poconé2.jpg Bom! Com este confuso parafraseado concluo o que aqui pretendo dizer: -A verdade emerge mais facilmente do erro do que da confusão. Nesta explicação de teorias esta chamar-se-á a “teoria da confusão” que tem sua aplicação justificada numa governação como aquela que nós hoje conhecemos com grande amplitude em países vários. 

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Quem aprendeu a teoria dos erros, derivadas e acompanhou as novas teorias de índole quântica com sua teoria de incerteza e uma outra mais posterior do Universo como a “teoria da simplicidade”, teremos agora a ainda muito mal compreendida “teoria da confusão”. Pensem só um pouco nas estatísticas e probabilidades aonde uns comem dez unidades e outros muitos, somente duas ou nada e, surge depois essa útil média aritmética dizendo que a sociedade come em média seis unidades, baralhando-nos os factos!

nito01.jpeg São estas teorias fraudulentas que movem o mundo; movem os interesses de alguns países que por seu lado subjugam outros e os arrastam nessa mesma “teoria da confusão”. E surgem também instituições, ministérios tratando burlões como estadistas e ladrões como gestores; tudo gente boa! Gente de muita filantropia… Digo isto acabrunhado, com sorrisos de acanhamento sem ânimo de arriscar mais palavras porque minha malambas desmerecem nos créditos. E, toda agente consente, aceita! Tambulakonta (tomem cuidado!)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:56
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Domingo, 26 de Março de 2017
PÉROLAS. IV

UM PALAVRÓRIO COM RACIOCINIOS CAPCIOSOS… O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezá-lo…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Em todos os artigos que tenho submetido a publicação no Kimbo são raras as contestações. Por via de ser assim ignorado, faz todo o sentido citar a expressão que não sendo minha, aqui se conjuga bem: “As minhas ideias estão assentes, não me confundam com os factos”. No mundo social em que estamos inseridos com grupos heterogéneos, quer políticos quer científicos, cada um destes grupos utiliza seu paradigma nas argumentações e, em defesa do seu próprio paradigma.

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Esta argumentação em circulo funciona mais por persuasão do que pela evidência lógica. Nos meus tempos de estudante dizia-se que a lógica era uma batata e, foi com essa dúvida que fiz um rádio galena a partir de uma batata cortada ao meio, uns quantos fios e uns auscultadores e um condensador. O certo é que a batata forneceu energia enviando para o espaço ondas electromagnéticas dessa suposta lógica.

calau-demonteiro.jpg Já disse algures que a história da ciência é fértil em teorias de sucesso baseadas em hipóteses “Ad Hoc”. Cabe aqui dizer que a lógica encaixa nas hipóteses ou nos fundamentos de uma teoria não convencional; como tal arbitrária! Estou assim a tentar encasquilhar refutações sofísticas que dependem da linguagem usada, a que podemos chamar de "sofismas linguísticos" ou refutações sofísticas que não dependem da linguagem extralinguística (palavrório).

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A indução que se procura dar como critério não arbitrário de ligação da experiência à teoria é um caminho incerto; tanto nos pode levar à verdade como ao erro, porque é baseada na ordem do Universo que sempre nos ultrapassa. Não há uma metodologia segura que nos conduza da realidade experimental às hipóteses e aos postulados das teorias. Pois então, reafirmo aqui que a lógica pode perfeitamente ser uma batata!

roxo27.jpg Muitas vezes os cientistas falham, não por falta de inteligência, mas por sagacidade em demasia. Presentemente as metodologias ficam tão apanhadas de uma sofisticação tão vazia que se torna muito difícil discernir os erros básicos. Depois da “teoria dos erros” e da “teoria da incerteza”, teremos de acrescentar a “teoria da simplicidade”. A única resposta a isto é ser-se tosco ou superficial.

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Desmistificando o verbo, podemos somar a todo o conhecimento que “A natureza ama a simplicidade”. Foi Liev Tolstoi que contrastando com as igrejas e governos, pregava uma vida simples e em proximidade à natureza. E, foi Johannes Kepler um astrónomo alemão que em defesa de Tolstoi pelo que afirmava no livro “Guerra e Paz” nos veio a afirmar que toda a ideia importante teria de ser simples.

araujo1.jpg Claro que o caminho da simplicidade tem um grau elevado de subjectividade nos seus critérios e nos domínios a que se referem; simplicidade na formulação de uma teoria na sua capacidade de memorização, na sua lógica formal e, nos seus princípios básicos. Nas relações entre fenómenos, nos conceitos, nas imagens físicas que produzem a instrumentalização necessária para fabricar feromonas ou empatia. Assim sendo não poderei transformar neste meu palavrório os fundamentos teóricos, em postulados.

roxo79.jpg Estou a tentar não censurar o que não posso compreender e, porque frequentemente aquilo que nos parece um mal é um bem! As nossas faculdades são tão limitadas que o conjunto do todo escapa aos nossos sentidos obtusos. No processo de falsificabilidade, uma certa filosofia mostrar-nos-á ser isso, imprescindível em ciência.

 

Ilustrações de Costa Araujo e Assunção Roxo

(…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:09
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Sexta-feira, 17 de Março de 2017
CAZUMBI . LII

CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade … Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

”A CHUVA BATE NA PELE DO LEOPARDO, MAS NÃO TIRA AS SUAS MANCHAS”. Este regalo de falas foi-me enviado pelo nosso Kimbanda Ninja para que constasse na Torre do Zombo do Kimbo. Trata-se de um mítico provérbio africano aonde para além da onça, do leopardo e da chita existem a hiena e o mabeco que também as têm. Com a zebra ocorre o mesmo fenómeno de manter suas riscas, mesmo que chova muito mas, com esta, acontece um outro pormenor.

poke0.jpg As riscas irregulares das zebras são para fazer com que o leão fique tonto ao persegui-las perdendo a noção e desequilíbrio. Pois, muita gente não sabe, mas o leão ao fim de algum tempo de perseguição, e por via de sua fixação em uma, fica com tonturas acabando por desistir. O facto de todas correrem em simultâneo causa o efeito psicadélico e, o que era,  fica turvo com tantas riscas a se moverem. A natureza ensina muito a quem se detém a observar os mistérios tão perfeitos dela.

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Numa sã convivência tenho por hábito relembrar os velhos tempos dando a conhecer a alguns aquilo que foi a maneira de se viver, os hábitos e alguns rituais africanos. Esta iniciativa é acarinhada por uns e considerada foleira para outros mas, não virá mal ao mundo considerar ou não, outros conceitos! Tenho um amigo engenheiro que sempre surge dando uma de sabichão, falando palavras de Domingo e quase desconsiderando minhas formas de expor.

macuta com soba.jpg Como tenho mais engenheiros amigos e, para que não se julguem mal, direi que este era um antigo colega dos Caminhos de Ferro de Angola aonde eu fui desenhador de máquinas. Pois sucede que este meu amigo da onça surge com falas periclitantes cheias de erudição para vincar sua destacada auto altivez. Faço que passo ao lado assobiando mas, tendo a nítida imagem de um petulante amigo que não perde a oportunidade de afectar as minhas sensibilidades, os meus cheiros, as minhas impressões.

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Assim como se armando-aos-cucos como é comum dizer-se e de forma gratuita, sem bases de concreta analogia ou razão da formação das palavras no seu contexto. Faço por não me azedar contendo a vontade de dar um basta com aquela minha liberdade, alforria da vida. Sei quando quero usar o maldizer com escárnio ou sátira mas não interessa aqui escalpelizar tais atitudes porque corro o risco de desvirtuar meus princípios.

lobo1.jpg É por estas e outras que uma grande parte das pessoas com quem vou tendo contacto, sentir-me desiludido! Posso até perguntar ao mundo e para quem me lê, que interesse poderá ter dizer lindas ou ortodoxas falas tão cheias de hipocrisia, façanhas agigantadas de soberba superioridade. Para quê? Para se vangloriar de que se é o maior, mais sabedor…

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Hó gente miúda com canudos de papel dizendo ser o que nem sempre são! Pois queiram saber que não gosto de gente mesquinha e fútil que só se quer aparentar. Hó gente engravidada de grandeza que não vê o cisco em seus olhos denunciando-se em bazófias gratuitas de nenhum mérito! E, será que todos deixam andar estes propósitos sem reclamar? Isto, sucede sim!

roxo90.jpg Algumas pessoas são bem fúteis, até bem curiosas do lado negativo porque bem acomodadas ficam esperando que alguém faça algo para logo surgirem como comentadores com seu ar superior! E, o pior é quando surge um com caganças de katedrático como sendo o senhor da verdade, usando palavras de Domingo como se nós só entendêssemos as coisas pela metade de terça, dia da feira e do vendedor de lérias avulso em folhetins de santinhos…

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Pois que fique claro que também tenho cabeça para pensar! Não quero com isto criar inimizade com ninguém em especial e, que ninguém veja isto como um ataque pessoal porque está em causa a atitude de cada um. E, há muita gente a portar-se mal, ser inoportuna e sem senso. O amor quando verdadeiro coloca em primeiro lugar a felicidade do ser amado, consideração aos amigos e gente próxima. A César o que e de césar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:37
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Domingo, 12 de Março de 2017
MUXOXO . XLIX

TEMPO CINZENTOS . 5ª Parte (última) 14.03.2016 - Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida mas sim aquele que melhor se adapta a ela…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

sururu0.jpg (…) San José Del Tisnado do estado de Carabobo da Venezuela era um caserio com uma boa quantidade de casas térreas de pau-a-pique feitas em taipa, barro amassado bem por perto com argila à mistura com capim para dar consistência ao agregado; este tipo de construção veio desde a europa trazida por portugueses, técnicas antigas e já muito usadas pelos egípcios e romanos.

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Quase todas tinham grandes quintais com dispersas árvores de sequeiro e arbustos de cores garridas a embelezar as cercas, divisas entre vizinho; e havia mamoeiros, limoeiros, mangueiras, tamarineiros e arbustos indistintos a fazer sombra às capoeiras com patos, gansos, galinhas de angola e granisés. Mas alguns tinham como animais domésticos cobras rateiras, amarelas, tartarugas morrocois e até lagartos  de um castanho escuro que eu conheço pelo nome de  sengue em Angola.

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Como tenho vindo a dizer o topógrafo, geómetra engenheiro de estradas que era eu, surgia ao romper do dia em lugares pré-escolhidos para ali fazer suas observações solares; Tinha de ligar a estrada á rede geodésica através de coordenadas a partir do Sol e, isto de amarrar a estrada a coordenadas era uma explicação bem complicada para quem de forma curiosa queria saber o que estava fazendo ali.

baú1.jpg Pois então, surgia entre a bruma do cacimbo indistinto e húmido as sombras numa figura de T´Chingange da terra de N´Gola, tão distante e sempre tão perto na recordação; terras muito iguais, Venezuela com espinheiras e pau-ferro com bichos rastejantes e cheiros de musgos pré-históricos, folhagem com húmus amontoado por séculos escondendo bichos de mil patas e lacraus pretos do tamanho de caranguejos

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A trovoada quando surgia era impiedosa levando pelas linhas de água, barrancos ou mulolas, água aos golfões, ramos secos, troncos e restos de casas descuidadamente construídas em sítios menos próprios. Água barrenta, desesperadamente barulhenta. Cada trovão, um arrepio na coluna a descarregar respeito de medo para a mãe terra e, lá mais longe os raios a rasgarem a floresta, a mata com quem tinha de cohabitar. E, comi iguana, jacaré caimãs, morrocois, catxicamos e nem sei mais o quê!

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Se não morri quando comi macaco em Cabinda na pré-guerra do tundamunjila, não era ali e naquele agora que ia lerpar (morrer), assim como se dizia nas matambas de N´Gola. Pois, assim continuei comendo especiarias ao preço da chuva sem perguntar “que vaina era aquella” (que merda era aquela). Estávamos no ano da graça de 1977.

poluição.jpg Gosto de falar assim “no ano da graça” mas nem sei porquê o digo, porque a graça não era assim tanta mas, se os cronistas de antanho assim falavam, eu seguirei seus pergaminhos de falas transcendentes. Minha vida tem sido mesmomesmo corrida a ninharias que me mudaram o rumo e, ainda continua desse jeito, imprevisível; hoje aqui, amanha logo se saberá…

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No meio da selva tropical, mordia a natureza embotado em fumo de bananeiras e merda seca de boi para afugentar tanto mosquito que por demasiado amistoso fincava seus canudos em minha pele parda; tudo isto  sem saber que anos depois estaria em plena praia da costa brasileira olhando o mesmo Sol e escrevendo estes “recuerdos” já distantes.

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Quem me disser que “tive uma vida fácil” que responderei que sim! Quis o destino que andasse por mais de vinticinco países e, que por longo tempo em alguns, assimilei raízes de cidadão do mundo como gosto de o afirmar. Se voltasse atrás faria tal e qual, porque sempre me recolhi nos braços do meu céu. A lei humana alcança certas faltas e as pune, o condenado pode pois dizer-se que suporta a consequência do que fez.

valdir4.jpg  Se há um prejudicado nesta vida foi a herança legada pelas sortes. É o destino! Dizer que é só meu é uma falácia egoísta mas se assim foi, se assim é, não retrocarei outras falas e outras opiniões. É a vida! Alguém me diz agora que sou um Guru! E eu responderei que sim senhor, sou um canguru!

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Mas, não tiro daí dividendos, escrevo desta forma atravessada porque me dá prazer e só não escrevinharei um livro porque isto de autobiografias se tornou demasiado vulgar. Só escrevo isto para dar alguma alegria aos meus amigos e porque entre os solavancos dos dizeres, sempre eles irão sentir um pouco de si, e também cheiros, sabores e até amores. A vida tem de ser vivida, um dia de cada vez, nada mais que isto!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:47
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Sexta-feira, 10 de Março de 2017
MUXIMA . LXX

MEMORIAS - COISAS DO LUBANGO - Diamonds, transformadas em "Carreiras mistas de passageiros e carga"… COISAS DO MATO - Monteiro´s Hornbill…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade …

torres13.jpgEduardo Torres - Um Xicoronho de 3ª geração - "Se alguém lhe fechar a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.” - Gandhi

monteiro ornbilll.jpgNa outra encarnação devo ter sido um pássaro da ordem dos Bucerotiformes – Tocku. Este hornbill do Monteiro (Tockus monteiro) é um pássaro Africano. É uma ave de tamanho médio com uns 45 centímetros de comprimento caracterizada por uma barriga branca, de colar preto, manchas brancas nas asas e penas de voo secundárias de cor branca. As penas exteriores da cauda longa, também são brancas.

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Estava compondo este texto do pássaro com meu nome quando me surge no écran do lado um passarão com o nome de Eduardson Torres e, com um assunto sem tema: quando quero escrever qualquer coisa, e não tenho tema para o fazer, a partir do nada invento qualquer coisa, que seja substancial, que justifique o tempo que vou usar. Pois começou assim e, continuou! Procuro escrever de lugares que conheci ou onde vivi; sítios tão diferentes uns dos outros! Aqui afinei minha astucia quando refere esta cena de falar dos outros.  

torres26.jpg Larguei a cena do Eduardson recomeçando minha descrição do pássaro: As fêmeas são menores do que os machos podendo ser reconhecidas pela pele facial turquesa. Os olhos são pretos e o bico é vermelho. Ao contrário de outras árvores, o hornbill do Monteiro alimenta-se exclusivamente de insectos e outros pequenos artrópodes. Seu habitat é a savana de espinhos secos nos campos do noroeste da Namíbia e sul de Angola.

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De novo as luzes piscando e é o EDU que continua: Pois falo de gente marcante na minha vida, muitas das vezes sem motivo aparente, mas cujo significado é uma razão forte para o mencionar. Estava aqui a pensar no meu pai e no velho Araújo. Recordo-me perfeitamente, ainda criança, ir lá à oficina para o meu pai resolver algum assunto relacionado com a viatura, por vezes era a Nash, aproveitarem para dois dedos de conversa, falar de suas figuras, de boné, óculos, corpo já ligeiramente curvada; conversas de boi dormir com umas graçolas pelo meio. Enquanto isso eu, curioso, via os trabalhos de mecânica que estavam a ser feitos entre os desperdícios impregnados de óleo.

torres11.jpg Voltando ao meu hornbill, sei que na primavera migram para a região mais a sul de Windhoek para nidificar. Era aqui que vivia o Eduardson das canetas rotring e aparos graph; um mestre em linhas feitas à mão mostrando sua habilidade, assim tão grande quanta a sua calma. Nunca falei com ele destas aves, embora saiba que coabitava com elas na Mina de ferro das secas mulolas (creio que era algo como Rocing).  

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Estas aves estão adaptadas ao ambiente árido; beber, não é uma necessidade vital para eles. Reproduzem-se no final de uma boa estação de chuvas, colocando 3 a 5 ovos branco-acinzentado, que chocam após aproximadamente 45 dias. O ninho é construído em paredões rochosos ou árvores. O hornbill do Monteiro é uma espécie endémica comum da Namíbia, com uma população total estimada em 340.000 indivíduos. Exposto isto, dedico-me por inteiro à descrição do EDU, de quando ele era um pequenote e usava aqueles calções de zuarte dum amarelo desmaiado, umas borrachas de fisga atiradeira a pender do bolso de trás.

torres27.jpg Saídos dali, o meu pai passava pela farmácia Alexandre, conversava um pouco com o proprietário, magro, de nariz adunco, óculos, bata branca, lá no seu laboratório a fazer as pomadas que se usavam na época, e depois seguíamos para a camionagem do Venâncio Guimarães ao virar da esquina, e em que o meu pai era sócio gerente. Lá encontrava os motoristas Mateus, Luís Marques, João Correia, que em cada viagem levava a sua guitarra, para a ir dedilhando, quando fosse tempo disso; uma venda do mato para os lados da Chibia…

torres29.jpg Eu ficava encantado, como ainda hoje fico, ao olhar as vermelhas Diamonds, transformadas em "Carreiras mistas de passageiros e carga", com as cabines concebidas e construídas localmente para o efeito. São recordações que perduram pelo tempo fora, lembranças de pessoas que marcaram uma época, e conhecidas por quase toda a população da cidade. É por este motivo que de quando em vez vou à Internet consultar automóveis de outras épocas, procurar viaturas de marcas diferentes que fizeram o meu encanto de criança.

EDU

Com suas memórias do Lubango e

T´Chingange com suas estórias do Mato



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:29
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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017
PÉROLAS. II
 

“O PALAVRÓRIO DA FUNÇÃO ERUDITA” - Parte II

O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo…

soba k.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por

julio1.jpg JÚLIO FERROLHO…. Professor Aposentado mas pouco (!) - Agricultor nos intervalos da chuva, pastor, professor ainda e sempre!!! – Foi presidente do ISCAL - Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa - Aposentação e reforma após 49 anos de luta diária pela vida dia a dia, sem desistências nem interrupções…

"Coninuo a "estudar"

A ciência é exata? Há ciências exatas?

(AVISO: Este texto pode conter palavreado estranho e aparentemente incoerente. As pessoas mais sensíveis a este fenómeno devem abster-se de o ler).

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O MOTE: Agradeço os seguintes comentários que a nossa querida amiga Maria João Sacagami fez à PARTE I desta série de escritos: “…Só que aí um bando de gente mais curiosa, determinada a provar que a ciência é exacta” e mais …“a certeza científica inexiste. Porque a matéria, ou informação de frequência vibracional que parece ser uma definição mais exacta, acabou se mostrando dependente da atenção e emoção do observador, em seu comportamento”. E também ainda: “…até mesmo com base na observação, a ciência passou a ter outros critérios ao se descobrir que o cientista, Háka observador, influi no resultado da coisa observada a partir das próprias emoções e/ou comportamento deste. Portanto continuamos falando de ciência. A mecânica e a quântica”.

alhambra3.jpg :::1 (…) Afirmei na parte I desta série de escritos, publicada em 15-02-2017, que: “a ciência é caracterizada como o conhecimento racional, sistemático, exacto, verificável e, contudo, falível. Através da investigação científica, o homem vai atingindo uma reconstrução conceitual dinâmica do mundo que é cada vez mais ampla, profunda e exacta”. Receio que houve quem entendesse que eu quis dizer que a ciência é exacta ou algumas ciências são exactas, hoje, no 17.º ano do séc. XXI. O erro é meu porque terei expressado uma ideia não muito clara e desejo corrigi-lo aqui e agora.

:::2

Naquelas minhas frases que acima cito, no entanto, eu escrevi que “o homem vai atingindo uma reconstrução conceitual dinâmica do mundo que é cada vez mais ampla, profunda e exacta” e também escrevi “o conhecimento racional, sistemático, exacto, verificável e, contudo, falível”. Ora o que está em “reconstrução” é porque não está em situação de estabilidade funcional e que se admite que possa vir a ser reconstruído de novo, no futuro; portanto não é um estado acabado do conhecimento, a exactidão é dinâmica. Por outro lado, afirmo que “o conhecimento é falível e, portanto, pode ser substituído por outro.

:::3

Ainda hoje há quem pense que as ciências exactas são as ciências que têm a Matemática, a Química e a Física como peças fundamentais dos estudos científicos. Além das três áreas básicas e todas as suas subdivisões, tais como a Física Quântica e a Físico-Química, entre as ciências que também são consideradas exactas, aparecem a Astronomia, a Estatística, a Ciência da Computação e a Arquitectura. Pensa-se assim porque a principal característica de actuação dos cientistas e dos profissionais destas áreas é o raciocínio lógico. Eu não defendo esta posição.

007.png:::4 - Cabe aqui introduzir o conceito de PARADIGMA e a sua concomitante situação de eventual mudança. Etimologicamente este termo tem origem no grego “paradeigma” que significa modelo ou padrão, correspondendo a algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido numa situação concreta. São as normas orientadoras de um grupo de interessados que estabelecem os limites e as orientações que determinam como um indivíduo desse grupo deve desenvolver o seu pensamento em termos científicos. O termo surgiu inicialmente em Linguística. Na filosofia, um paradigma está relacionado com a epistemologia (conceito abordado na PARTE I), sendo que, para Platão, um paradigma remete para um modelo relacionado com o mundo exemplar das ideias, do qual faz parte o mundo das sensações, das constatações.

:::5

O norte-americano Thomas Kuhn (1922-1996), físico e filósofo da ciência, no seu livro “The Structure of Scientific Revolutions” (4.ª edição 2012) designou como paradigma as “realizações científicas que geram modelos que, por um período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.” Assim o paradigma é um princípio, teoria ou conhecimento originado da pesquisa num determinado campo científico. Uma referência inicial que servirá de modelo para novas pesquisas.

:::6

Distingamos paradigma de hermenêutica, que são conceitos diferentes mas que aparecem por vezes misturados. Esta também é uma palavra com origem grega e significa a arte ou técnica de interpretar e explicar um texto ou discurso. O seu sentido original estava relacionado com a Bíblia, sendo que neste caso consistia na compreensão das Escrituras, para compreender o sentido das palavras de Deus. A hermenêutica também está presente na filosofia e no campo jurídico, em cada um com seu significado. Segundo a filosofia, a hermenêutica aborda duas vertentes: a epistemológica, com a interpretação de textos e é aqui que se poderá confundir com paradigma, e a ontológica, que remete para a interpretação de uma realidade. Etimologicamente, a palavra está relacionada com o deus grego Hermes, que era, entre outras representações, um dos deuses da oratória. (Ver nota 1 de fim de página)

haida art.jpg :::7 - As mudanças de paradigma em cada ciência exigirão que as leis científicas sejam alteradas, melhoradas e até revogadas e substituídas por outras que os novos paradigmas propuserem.

:::8

As ciências ditas exactas estão entre as mais antigas que surgiram e se desenvolveram. Desde a antiguidade, o homem utilizou a Matemática e a Física para resolver muitos dos seus problemas e moldar da melhor forma a natureza e a sociedade. Foram as designadas ciências exactas que proporcionaram que os antigos egípcios construíssem as pirâmides, que os gregos erguessem as suas acrópoles e os seus monumentos que chegaram até nós e também que o homem realizasse a viagem espacial à lua no século XX.

:::9

Mas serão mesmo estas “ciências exactas”? De acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, "exacto" significa "que não contém erro", "que tem grande rigor ou precisão", "perfeito", "irretocável". E é um costume dominante referir-se a matemática como uma ciência exacta. Esta designação, "ciência exacta", frequentemente tem levado pessoas - entre leigos e até profissionais - a crerem que a matemática e as outras ditas ciências exactas, são ciências livres de erros, com grande rigor e precisão, perfeitas e irretocáveis (que não precisam de reconstrução).

:::10

Uma coisa é a impressão que a designação "ciência exacta" pode fazer, do ponto de vista meramente intuitivo. Outra é o que a prática matemática mostra no cotidiano de experientes cientistas e investigadores. Antes de mais nada, é preciso lembrar que matemática é uma actividade intelectual desenvolvida por seres humanos. E seres humanos, como toda a gente sabe, menos os lunáticos ou os desprovidos de senso, e mostra a prática, são criaturas falíveis.

chicor4.jpg:::11 - Aquele (ou aquela) que se condena a uma visão absolutamente clara de mundo, prática, inquestionável, inexorável, exacta, perde o contacto com o que há de mais fundamental em cada um de nós: somos todos seres humanos. A Matemática, a Química e a Física não são actividades extraterrestres, desumanas, mecânicas, previsíveis, inquestionáveis. Bem pelo contrário, são afectadas também por sensações, emoções, alegrias e tristezas.

:::12

É sobretudo por esta razão que concluo que não se pode afirmar que elas sejam ciências exactas. Diz muito bem a Maria João Sacagami que “até mesmo com base na observação, a ciência passou a ter outros critérios” (novos paradigmas, acrescento eu) “ao se descobrir que o cientista, observador, influi no resultado da coisa observada a partir das próprias emoções e/ou comportamentos”

:::Notas

(1) Hermes era o deus mensageiro, dos pesos e medidas, dos pastores, dos oradores, dos poetas, do atletismo, do comércio, das estradas e viagens e das invenções. Era considerado, na Grécia Antiga, o patrono dos diplomatas, dos comerciantes, da ginástica e dos astrónomos. Após a Grécia ser conquistada pelo Império Romano, a figura e o mito de Hermes sofreu um sincretismo com o deus romano Mercúrio (deus do lucro, do comércio e também o mensageiro dos deuses). Este é um dos meus favoritos, pois está representado no emblema da escola de toda a minha vida como estudante, como professor e como dirigente de um instituto público, o ICL /ISCAL

25-02-2017

JCF

(Continua)

ferrolho1.jpg::: T.1 (T - De T´Chinhgange) - PEROLAS II – Foi publicada no Facebook na página Kizomba e, entre vários comentários António Monteiro referiu: - Professor Júlio Ferrolho, os alunos estão chegando! Nós, alunos, vamos ser bem comportados e falar de coisas tão transcendentes que terão necessidade de explicações adicionais! Isto só será possível se não nos sublimarmos!... (Não somos feitos de água!?)... Mas mesmo assim, talvez possamos virar rubis ou diamantes! Quem sabe! E, dito isto foi ver o entrudo…

:::::T.2

Assunção Roxo em uma sua opinião faz menção de que António Monteiro, o T´Chingange da kizomba, iria “reformatar” o tema em tratamento diferenciado! Não! Não se trata de reformatar (quem sou eu para tais desígnios?) o que quer que seja mas sim adendar outras perspectivas e também dar uma visão mais clara do que é um Paradigma em nossa sociedade. O assunto é longo mas vale a pena escalpelizá-lo como sugerem Luís de Magalhães e Edgar Neves com a chancela de “leitura obrigatória”.  

:::::T.3

O essencial da mensagem em Pérolas I e II ultrapassam o âmbito das ciências exactas e naturais como é dito pelo professor Júlio Ferrolho pois que as questões em volta das mudanças de paradigma interessam a historiadores, filósofos, sociólogos e teólogos.  A arte de comunicar ciência tem perspectivas tão interessantes que sendo eu um pé-de-chinelo curioso, só me debruçarei sobre esta hodierna revolução.

:::::T.4

As teorias que não colidam com outros paradigmas teóricos têm grande probabilidade de aceitação. As Teorias Novas que colidam com paradigmas teóricos têm grande probabilidade de sofrerem rejeição devido aos conflitos de ideias e seus mecanismos nos conceitos velhos e novos, competindo para o mesmo fim; estes poderão dominar muitos outros factores culturais sociais e psicológicos.

tonito3.jpg:::::T.5 - Talvez tenha de reflectir sobre o já dito por Maria João Sacagami para interpretar os fenómenos de rejeição que descrevem condicionantes ao sociocultural determinados porque, para estes, não há leis Universais. Fenómenos são fenómenos!

:::::T.6

O Mundo é complicado e a mente humana não o pode compreender completamente. Sendo assim, o conhecer, significa dividir e classificar para depois se determinar relações sistemáticas entre o que se separou. Se Galileu é um grave exemplo de pecado dos homens e da hierarquia da Igreja, entre outros; será exemplo de um obscurantismo grave por parte dos homens de ciência.

pedras 002.jpg:::::T.7 - A história das políticas sociais revela-nos que a estrutura das ciências, afinal, não é, por vezes, tão “lógica” como se julgava. Em jeito de epílogo, talvez eu tenha razão e tales alguém mais não a tenha; mas também é bem possível que nenhum de nós a tenha! Foi Karl Potter quem assim falou.

:::::T.8

Vou agora descrever o que é na prática corrente o tal de paradigma.

A palavra “teoria” provem do grego “ver” e, quer seja uma teoria ou um modelo teórico serão imagens do mundo material, inventadas para o tornar compreensível. Surgem deste modo as teorias ou convicções cujos espíritos nem sempre credibilizam o testemunho dos olhos. Os caminhos que a leis da física nos proporcionam por via da natureza, até ao limite do cosmos e do microfísico, revelam-nos filosofias diferentes das que o Mundo do quotidiano permitem estabelecer.

:::::T.9

A separação entre o homem e o Mundo perde-se nos limites da microfísica com a relação de incerteza de Heisemberg e a visão probabilística da mecânica e matemática quântica. É o espaço-tempo que se esbate no limite das altas velocidades com anos-luz que volatilizam o imediato nas teorias de relatividade.

:::::T.10

A abstracção da lógica matemática, forma superior do conhecimento científico, parece não poder ser formalizada totalmente nos recursos do intelecto humano pois a mente, tem sempre a possibilidade de inventar meios de demonstração que os ultrapassam. Em busca da verdade, rebusquei em tempos, conhecimento em Coimbra; não na cátedra mas, na vivência entre amigos e, entendi melhor o que é um Paradigma em nossas vidas.

roxo27.jpg :::::T.11 - «Mostrar, apresentar, confrontar» - é um conceito das ciências, teoria do conhecimento que define um exemplo típico ou modelo de algo. É a representação de um padrão a ser seguido ou um pressuposto filosófico como matriz… uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas. Para entender melhor este conceito terei de explicar o que ali vivifiquei:

:::::T12

- Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Isto repetiu-se e sem interrupção. Depois de algum tempo, de cada vez que um macaco tentava subir a escada, os outros quatro agrediam-no.

:::::T.13

Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação provocada pelas bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que este fez foi subir a escada, sendo rapidamente retirado dela e, à força pelos outros. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.

roxo118.jpg :::::T.14 - Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, no massacre do novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se a história. Mais um quarto e, finalmente, o último dos veteranos, foram igualmente substituídos, e de igual modo se desenrolou a mesmíssima situação.

:::::T.15

Os cientistas ficaram então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a agredir aquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: - Não sei, por aqui as coisas sempre foram assim!...

:::::T.16

Moral da história: “É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO”, (Albert Einstein)

Colaboração do Soba T´Chingange

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:54
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Domingo, 12 de Fevereiro de 2017
MALAMBAS . CLXV

TEMPOS ESPACIAIS12.02.2017 - Quando o tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza sarando as feridas da mente e do corpo… As Pérolas são produtos da dor - "Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas*."...

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Apesar da resistência à inovação científica pelos próprios cientistas, verifica-se na história das ciências existirem “mudanças de paradigma” que terão de ser matéria de interesse para filósofos, sociólogos e teólogos. As artes de comunicar ciência com inovação e conflitos teóricos, terão cada vez mais de se azimutar às explicações possíveis aonde o racionalismo vence a irracionalidade. Não interessa mencionar nomes porque nem todos farão parte da “ínclita geração” no universo das novas tecnologias.

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A propósito falei em azimutar e não rumar porque enquanto no rumar há quatro possíveis direcções segundo um dos quatro quadrantes enquanto no azimute teremos uma única direcção a partir dum ponto considerado dirigida ou norte do evento e, a partir de um zero ou singularidade. Estes azimutes de forma côngrua irão desenvolver-se em espiral até conseguir chegar ao ponto de optimização na ponta da espiral.

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Estas ideias minhas, vão para além dos dados radianos mas, tendo o pi de 3,1417… como dado essencial porque é este, parte integrante da geometria terreste, confinada ao seu geóide e elipsóide. Em princípio, idiotas seremos todos nós, mas sempre haverá um outro mais capacitado que desenvolva essa espiral muito para lá dos 180, 360 e 720 graus.

zanzi6.jpg Mas, que eu saiba só o designado santo homem Eliseu e de forma fenomenal subiu aos céus de forma côngrua ainda em vida; ele tinha uma forte vontade de ir para junto de Deus e, foi em espiral que fez sua derradeira viagem astral. Creio que por lá ficou! Muitos acham que Elias foi ao céu em carro de fogo e com cavalos de fogo e, edecéteras! Seria um ET? Porque não!

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Diz a Bíblia que ele subiu em um redemoinho mas, cada um de nós vai interpretar isto de uma outra qualquer forma; outros acharão ser uma patranha maior do que o universo desconhecendo que este não tem fim. E, em verdade nem resultará irem desenterrar ossos feitos cinza, as queixadas dum qualquer santo ou mesmo escritos apócrifos porque há verdades que nunca estarão em nosso alcance. A incerteza sempre irá prevalecer porque o condão do saber e do querer sempre estarão encerrados na ilusão que somos, nada! Nunca iremos descobrir tudo e melhor será, este assim.

pap1.jpg O que importa mesmo reter é o revelar de relações entre as coisas, mesmo partindo de hipóteses falsas, premissas incertas. Na minha leitura diária pude verificar que segundo Mário Bunge um entendido em filosofia da física, que todo o coro de ideias científicas, serão avaliadas à luz de resultados a partir de tipos de testes a saber: 1-metateóricos, 2-interteóricos, 3-filosóficos e 4-empíricos.

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E, não se faz nenhum exame empírico a uma teoria senão depois de ela ter passado no crivo dos três primeiros testes. Estes carolas torram nossos neurónios a começar pelo palavrório da sua função erudita. Nessa conjugação, o metateórico apoia-se na forma de conteúdo da teoria, particularmente a sua consistência interna. O teste interteóricos procura analisar a compatibilidade da nova teoria com outra.

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Só depois virá a prova filosófica situada no campo da respeitabilidade metafísica e epistemológica dos conflitos e pressupostos da nova teoria à luz de algum sistema filosófico. Cada um destes palavrões requer pesquisa apurada para penetrar nos neurónios e, de forma acertada, ser arrumada nos gavetões certos da compreensão.

nasc2.jpgPor último, vem o teste empírico, resultado do confronto com os factos experimentais. Como se pode concluir em ciência, quando tudo chega até nós já passou por um filtro e, que muitas vezes tem a respeitabilidade “Ad Hoc” e de forma arbitrária. Só depois e com as críticas de entendidos na matéria, é que surgirá o tal de “racionalismo” de pretensão universal com um simples “A priori”.

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Por hoje fico-me por aqui sem entrar no campo da logicidade plausível. Não fique assim matutando e, tente entender as dificuldades da ciência com a suprema “Teoria da Incerteza” ou um simples “Só sei que nada sei”. Teremos sempre de ter em conta que os homens e mulheres com projecção viram monumentos; Nestes se acoitarão bichezas menores e qualquer animal inferior que por ali fara suas necessidades e, porque não têem conceitos de alma.

perola3.jpg*Nota: As pérolas são hodiernas e pertença de Júlio Ferrolho, um professor analista de números cifrados, atento aos meus ditames; melhor, meus erros…

O Soba T´Chingange 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:31
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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2017
NIASSALÂNDIA . IV

TEMPOS DORMIDOS30-01-2017Entre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido desconjuntado no verbo e, sem advérbio…

Por

soba15.jpgT´Chingange – Nasceu em alto mar num barco chamado Niassa. Assim conta a minha lenda por preterir ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada ao vento para encobrir coisas desacontecidas…

Para endireitar este estado de coisas hodiernas do mundo cão que habitamos, as pessoas em fase de contracção e expiação, remissão de pecados que terão de viver suas vidas de frente para trás! Terão de morrer antes de nascer para ficarem com todos os conhecimentos que só o tempo da velhice ensina. À medida que este nosso universo se contrai na míngua de valores, a gente comum, de chinelo enfiado no dedão grande, terá de se fazer numa reversão regresso ao estado ou tipo primitivo ou conversão para escapulir a tantos buracos negros!

isabel lacuerda.jpg Pilatos perguntou a Jesus: Sois rei dos Judeus? E, Jesus respondeu-lhe: Meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, minhas gentes teriam combatido para me impedir de cair na mão dos Judeus; mas meu reino não é aqui! Eu não nasci e nem vim a este mundo senão para testemunhar a verdade e, qualquer que pertença à verdade escutará minha voz!

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E, o futuro veio ao calhas, aos trambolhões; morreram os Samaritanos, os Nazarenos, os Publicanos e os Portageiros. Depois foram os Fariseus mais os Saduceus e os Esseus. Não falo dos Cananeus expulsas pelos israelitas após o Êxodo e outras nações como os hititas, amoritas, perisitas, hivitas e os jebusitas porque estes coitados ainda hoje andam escuros e escravizados, sempre com a tralha às costas, acossados por arianos e pretos sem falar dos americanos.

eleutero4.jpg Americanos, uma nova tribo, nova nação que faz guerras, destrói cidades e assim imune segue entre os primos na condescendência porque já esqueceram a estória deles. Gente que sempre vai ter escravos para lhe lavar as negruras. Um mundo de porcaria tapada com bien-être…perfume flores de rosas. Cristo vem cá de novo ver isto!

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E, vieram os Escribas mais os mestres das Sinagogas a quem Jesus mesmo sem ser sacerdote, os ensinavava nos dias de sábado. E, o dia de sábado para muitos é de descanso total e, sem jejum. Depois disto, surgiram milhares de igrejas com outros mestres falando suas malambas, inverdades pútridas que nem o pântano suporta.

eliseu1.jpg As estórias da ciência política e social revela-nos sua estrutura mostrando-nos que as diferentes vertentes não são por vezes tão logicas como se julga e, porque em todas as incógnitas das equações plausíveis temos de permeio a presunção, o descaramento ou a insolência.

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Sendo assim teremos de formular em questionário perguntas para encontrar as respostas de confronto. E, faça uma cruz no quadradinho que se segue: Quem rouba é ladrão? É! Quem não rouba é boa pessoa? Pode ser! Quem mente, é político? Quase sempre o é! Quem não mente é advogado? Não! Quem morre é doente? É! O rico vai preso? Por vezes! E, por aí sem falar dos ciganos que pedincham para além do admissível…

soba21.jpeg Esta comunidade não está apta a ajuizar os problemas de conflitos entre teorias, mais por critérios de racionalidade na qualidade ou estado de ser sensato, com base em factos ou razões. A mesma que implica a conformidade de suas crenças com suas próprias razões para crer, ou de suas acções com umas razões para a acção e, menos por envolvimento emocional. Mas, parece deixar-se que os critérios de racionalidade suplantem as motivações psicológicas a outras de alguma irracionalidade. Pois, assim ficaremos…

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O Mundo é redondo e anda com rotação e translação e mesmo na ausência de qualquer força visível a nossos olhos, ela anda numa trajectória de espaço galáctico universal; esta proposta não é inferior à da concepção da lei da inércia que também é lida assim: se está parado, permanece parado, se está em movimento, permanece em movimento em linha recta e a sua velocidade mantém-se constante

nyassa5.jpg Inércia, a resistência que um corpo oferece à alteração do seu estado de repouso ou de movimento. Estes exemplos revelam o elo entre as teorias e a observação, um empirismo que parece ir para além da lógica - a correta e equilibrada relação entre todos os termos, a total concordância entre cada um deles. Andam a mentir-nos e um dia isto vai acabar mal!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:53
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXIII

 CINZA NAS NUVENS  – 25.01.2017Amai-vos uns aos outros, mas só se for para valer. A serenidade é o segredo das vidas longas e felizes…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Vitorioso não é aquele que vence os outros mas o que se vence a si mesmo dominando seus vícios e superando seus defeitos. Há gente queixinhas, que passa o dia como num muro de lamentações, colocando seus males em primeiro, que seu mal é muito pior que qualquer outro mergulhando-se por inteiro no desânimo, estragando sua vida numa derrota. E faz disso uma permanente consumição.

ÁFRICA13.jpg Gente assim não pensa que seu corpo será sempre o reflexo de sua mente e esta, o reflexo da alma seu verdadeiro EU. Afinal temos de interiorizar-nos de que o que nos acontece lá terá sua razão de ser e é bem melhor pensar que, o que acontece de ruim na vida da gente, é para melhorar! A vida é exactamente essa novela de dias melhores, outros de assim-assim e, o melhor mesmo, é não complicar os mistérios da vida.

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O que tiver de acontecer vai acontecer! Tome os seus necessários cuidados sem se martirizar nem martirizar os que o rodeiam. É chato ouvir dia após dia, aquela ladainha de sempre; de que o mundo desabou em cima de nós e, como se não houvesse mais nada a preencher nossos entretantos. É assim um contentamento descontente porque o inverso, o desânimo, estraga-nos a vida, levando-nos à derrota sem se lembrarem de que vale mais perder um minuto na vida do que a vida num minuto.

amendo4.jpgJá não suporto mais aquela lamúria e o dizer-se em surdina, falar do caso, sem nunca o referir ao próprio. Convém que aquele o saiba para se corrigir. E com o tempo queremos passar ao lado daquele ou daquela chata. A pessoa vai ficando só e, mais tarde queixa-se a todos porque ninguém tem a coragem de lho dizer: -tens uma áurea negativa! O travão imposto pelo desânimo daquele ou daquela, não predispõe a falas sinceras e tudo continua assim igual e aborrecido se nada o fizer findar.

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Pouco a pouco estamos a trair nossos próprios conceitos de sã convívio e mentimo-nos para agradar, pensamos nós e isto não é o certo! Quando tenho de dizer não digo não e explico, ponto final… Por isso não gosto do talvez, do assim-assim, vamos ver, das muitas desculpas esfarrapadas que sempre são pequenas mentiras, mentirinhas. Em mim não há meio-termo; é sim ou não!

alhambra1.jpg Homens e mulheres complicam a vida dificultando sua existência, porque se acreditam diferentes dos outros. Que vestem melhor, comem melhor, convivem com gente fina, têm melhor falas, tiraram um curso mais pomposo e muitos edecéteras fúteis; uma feira de vaidades que dá tédio. Infelizmente é a sociedade que nos mostra isto diariamente; passagem de modelos no intervalo de notícias pela TV, coisas escabrosa que nem ao menino Jesus interessa saber, um rol de fantasias sem nada de fantástico.

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Somos nós que temos de separar o trigo do joio! Vale mais um exemplo convincente do que mil palavras! De que vale dizer-se a um filho que não fume porque isso faz mal se ele, o próprio pai fuma; de que vale dizer não faças isto ou aquilo e em seguida é apanhado com a boca na botija. A foça do exemplo sempre é mais eficaz do que dizer: faz o que eu digo mas não, o que eu faço.

cacu20.jpgNão permita que as pérolas ou missangas de suas acções, suas atitudes se percam por lhes faltar o fio que as une. E, o fio é seu, é meu, é de quem o verdadeiramente assumir. Em tudo isto se tem de pensar e repensar porque não somos autómatos e, também temos a liberdade e o direito de discernir, da escolha do caminho sem reenviar tudo para Deus e, porque Ele tem muito mais a fazer do que cuidar de cada um de nós em exclusivo…

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Quantas caixas electrónicas, multibanco já foram explodidas por malandros, ladrões conduzindo carros com a estampa no vidro de “Deus é Fiel”. Mas que banalidade de usar o nome de Deus em tudo assim sem jeito de decência e em vão. É logico botar estes dizeres num pinico?! Haja bom sentido no uso das coisas….

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:06
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXII

CINZA NAS NUVENS  – 24.01.2017Amai-vos uns aos outros, mas só se for para valer. Se tem furúnculos e verrugas cure-os com avelós…

Por

soba15.jpgT´Chingange

O ser mais digno de pena aqui na terra é aquele que transforma todos os seus sonhos em dinheiro. E, tem muita gente que leva todo o tempo fabricando preocupações, sempre com os neurónios arrumados por forma a ter o seu dinheirinho a qualquer preço e por vezes sem a atitude ou ética correctas no amanho e até amesquinhando os demais, rapinando seu semelhante. Estou em crer que nunca a felicidade alcançara este tipo de pessoas que veneram o dinheiro sem lhe darem o real valor nas mutações da vida.

avelós1.jpg Há gente que sempre se engrandece, gente que se gaba de que dá muito, que se enaltece, fazendo riqueza desmedida chupando o tutano a quem lhes faculta essa gravidez de vida. E, são muitos os que conheço que assim procedem deixando na carência seus auxiliares mais próximos; gente que sempre anda com o credo e Deus na boca como dizendo-se os eleitos d´Ele, criticando com desusadas medos e temores desse seu Deus. Mas que é isto, Cristo!

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Os mistérios da vida são simples, mas há seguramente seres que se julgam excepcionais explorando seu semelhante e, tudo vislumbrado na mira do lucro, desprezando valores de que eles só falam, mas não fazem! Ninguém é responsável por nossos próprios destinos a não ser nós mesmos e, uma obra-prima, só o é efectivamente quando as minucias forem perfeitas.

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Criamos em nós próprios os infernos de tristeza e angustia porque sempre desprezamos a crucial ideia de que o céu está dentro de nós; que não é preciso morrer para ir para o céu! Que nem é necessário nenhum assessoriamente de pastor, sacristão ou outro cidadão para falar com Deus! A igreja está connosco, nosso templo, nossa mente, nossa alma legada por Ele. E, o inferno é uma má ilusão de quem a si e aos demais dá ou vende fantasias impingindo a alma.

avelós0.jpg Neste momento, um homem aqui na praia anda para cá e para lá rodando na forma de vassoura um aro com uma haste de onde saem uns fios ligados em seus ouvidos por um iPhone. É um buscador de pequenos tesouros perdidos na areia da praia assim como cordões, braceletes, fios, relógios e bugigangas menores de ferro ou ouro e prata. Foi quando lhe disse: Oi moço, se por aí encontrares um parafuso enferrujado, é meu! Ele riu-se e continuou sua tarefa de sobrevivência e paciência numa fé de ganha-pão. Possivelmente, foi até hoje seu maior investimento.

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De todo o modo acabei por consolar o moço dizendo-lhe que tudo o que por direito for meu a mim chegará na hora oportuna sem aquela tecnologia de ponta. Afinal de que nos valerá o conhecimento de todas as ciências do mundo e de tudo o que nos rodeia, se ainda não somos conhecedores de nós próprios.

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Agora que sou mais maduro, e que tenho fungos parasitas a roer-me o casco, digo aos meus mais próximos, amigos e afins que se dizem ser, que não se escravizem em opiniões de leviandade ou com a ignorância porque o que importa mesmo é o que verdadeiramente se é. Não gosto de conversas choronas; não o façam perto de mim porque não acho ser meritório qualquer lamento vazio - em vão!

avelós3.jpg Conversando com Platão, o filósofo grego, este disse-me que as pessoas que alimentam conversas sobre suas doenças, dificuldades ou pobreza, o fazem com mau uso! Que sempre se agridem nesse modo de falar e porque quanto mais falam mais agravam seu estado de equilíbrio psíquico. Disse-o assim mesmo: Viver com optimismo e alegria é a meta perfeita de cada um de nós porque a beleza da matéria passa depressa; Somos água no estado solido e, num repente sublimamos- passamos ao estado gasoso.

avelós4.jpg O amor quando verdadeiro coloca em primeiro lugar a felicidade do ser amado! Se isto não se adapta a você, tente cultivar esse nobre sentimento que não virá mal ao mundo nem a si! Seu corpo só será sadio quando a sua mente o for. Comece por aí corrigindo-se sem se enganar e lembre-se sempre que a sua mão direita não saiba o que deu a sua esquerda e, por ai vai!... Não! Não se enalteça gratuitamente! Os infernos só existem porque nós os fabricamos. Se tem furúnculos e verrugas cure-os você mesmo com avelós mas não o leve à vista porque isso cega….

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:22
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLX

CINZAS DO TEMPO – 10.01.2017 – Quando tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza, sarando as feridas da mente …

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange

Fugindo daqui e dali vejo-me em aflições só minhas, porque o passado reconheceu-me na palidez enrugada da velhice e, desperta-me agora para as verdades superiores. Duas e meia da manha e eu levanto-me com uma tosse de cão revivendo as debilidades que somos em função dos ácaros, dos parasitas, das bactérias aéreas e adjacentes que no trazem rouquidão indesejada. Da varanda olho as nuvens que correm baixo bem por cima dos arranha-céus e, não vejo nenhum anjo vindo do além neste agora, a quem possa fazer uma prece para fazer sair os desassossegosos espirros de mim.

knorr1.jpg Com palavrões dentro da cabeça, tentei reconstruir minha já antiga convicção de que não é com vinagre que se apanham moscas; com os nomes esvoaçando, fui buscar as novidades fracturadas com figas e juras por sangue de Cristo, personagem a quem inevitavelmente se recorre quando nos sentimos débeis ou oprimidos.

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Por vezes falo com Ele como se fosse meu companheiro de escola e, desta vez pedi-lhe que acabasse com este meu desconforto de mijar raiva de mim aos poucochinhos na forma de espirros, baba de sinusite lançando meus bacilos para o espaço, minhas bactérias e ranhosidades inconvenientes. Eu sei que é coisa pouca mas, tenho de ter condições para espalhar alegrias ao meu redor e, não ficar remoendo nas alergias da vida.

amolador 1.jpg Na última sexta-feira aconteceu ir a um lugar chamado de Barra Nova na Ilha de Santa Rita com um casal amigo de já algum tempo. Foi um encontro de amigos que têm vivências espíritas e que no intuito de criarem ali um Centro aonde possam reviver suas experiencias se juntam fazendo suas preces no campo espiritual e, assim associados, desenvolvem temas ouvindo-se uns aos outros promovendo ajudas à colectividade.

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Não vos pareça estranho esta minha presença neste núcleo de amigos porque do que vi e ouvi, não retirei venenos de lisonja nem desnorteadas criticas a outras fés como é comum observar nas demais, nem senti haver galanteios vazios de valor. Ouvi diálogos com elogios, alertas de necessidades com um apelo constante no uso da palavra por forma a afastar as vibrações nocivas de nossa vida.

zumbi3.jpg A partir dum sim ou de um não desenvolveram-se temas transcendentes de como os últimos serão os primeiros, e ouve passagens de descrição que me tocaram mormente as falas de Júnior ao descrever sua participação em uma campanha chamada de “campanha do Kilo” e, na cidade de Maceió. E, porque me parece relevante, passo de forma sucinta a transcrever. No bairro escolhido, creio que no da Jatiúca, Júnior abordou um senhor que tudo indicava ser de posses, o carro em que se fazia transportar era de ultima ponta tecnológica e eis que abordado e ficando Júnior de mão estendida, aquele dito senhor com desprezo, cospe nela.

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Júnior tinha todos os motivos para se indignar mas, esfregando sua mão nas calças estendeu a outra dizendo: - Senhor, esta sua oferta foi para mim, dê-me agora a ajuda para minhas crianças carecidas! Este desprezo e mau carácter foi observado por um outro senhor mais velho, humildemente vestido, denotando-se nele carências alargadas.

 

mutopa5.jpg O velho senhor de barbas grisalhas aproximou-se de Júnior e deu a saber-lhe que sim, conhecia a obra do Centro que ele referiu e que era um trabalho que ele admirava. Que tinha uma escassa reforma, dava guarida a um filho desempregado e vivia como podia na graça do senhor. Júnior a convite do velho, entrou na modesta casa. Este, foi-lhe mostrada as condições de carência sem nunca a referir e, entretanto abriu o armário da cozinha. Nele havia um pacote de caldo Knorr e uma caixa de fósforos.

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Se isto lhe for útil pode levar! Júlio não teve coragem de recusar aquele tão pouco mas tanto de quem quase nada tinha. O velho acrescentou: Os fósforos dão para acender o fogão e o caldo para uma sopinha, leve, disse ele! Júnior em função do que viu convidou o senhor a passar lá pelo Centro a fim de comer uma sopa saída deste caldo e outras dádivas.

socie5.jpg Foi marcante esta descrição para mim que tanto deliro nos folguedos da vida fácil em comparação com aquele velho senhor que tudo deu. E, seu tudo - era quase nada, mas era! Cada um recebe de acordo com o que dá! Isto pode ser vivenciado por mim ao longo da vida. E há um dia em que somos tocados por uma vírgula desprendida dum qualquer texto colocada no lugar certo; foi este o meu caso.

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Como dizia no inicio desta breve cónica, vejo-me em aflições só minhas, porque o passado reconheceu-me na palidez. Estou ainda a tempo de realizar um novo começo, despertar-me voluntariamente para as verdades superiores de num agora, ajudar o próximo como a si mesmo! “O próprio céu tem horário para as trevas e para a luz” disse Júnior em tom de reflexão. Cada um precisa caminhar com seus próprios pés para aprender a viver. Assim, sem prever o sucedido e, neste agora, aprendi a conhecer-me melhor! E afinal, sempre haverá um dia mais especial que qualquer outro … e, aquele foi-o!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:51
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2017
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXX

REFLEXÃO -   AS MINORIAS  

zorro3.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por: António José Canhoto

Minorias são grupos marginalizados dentro de uma sociedade devido aos aspectos económicos, sociais, culturais, físicos ou religiosos.

canhot1.jpg A análise sociológica dos processos históricos do país (Portugal e não só) até à sua contemporaneidade determina as razões da estigmatização, discriminação, desigualdades que atingem as minorias, levando-as à exclusão social. Actualmente são exemplos de minorias sociais; negros, ciganos, indígenas, imigrantes, mulheres, gravidas, homossexuais, idosos, moradores em favelas (bairros de lata), guetos, portadores de deficiências e moradores de rua sem abrigo.

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Existe outra enorme marginalização que não sendo visível afecta todos aqueles que desde os bancos de escola, cedo manifestam um desenvolvimento intelectual bem acima da média dedicando-se muito mais à leitura nos tempos livres e recreios do que na participação das brincadeiras usuais dos adolescentes, e por isso facilmente lhes arranjam alcunhas e cognomes depreciativos.

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Muito embora as pessoas possam pensar que não existe uma correlação directa ente minorias e inteligência, ela existe e, eu irei provar exactamente o que afirmo. A Inteligência é um conjunto que forma todas as características intelectuais de um indivíduo, ou seja, a faculdade de conhecer, compreender, raciocinar, pensar e interpretar.

paradi3.jpg A inteligência é uma das principais distinções entre o ser humano e os outros animais. Etimologicamente, a palavra "inteligência" se originou a partir do latim intelligentia, oriundo de intelligere, em que o prefixo inter significa "entre", e legere quer dizer "escolha". Assim sendo, o significado original deste termo faz referência a capacidade de escolha de um indivíduo entre as várias possibilidades ou opções que lhe são apresentadas.

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 Para a escolha da melhor e mais adequada oportunidade, entre as várias opções, uma pessoa precisa avaliar ao máximo todas as vantagens e desvantagens das hipóteses, necessitando para isso da capacidade de raciocinar, pensar e compreender, ou seja, a base do que forma a inteligência. Entre as faculdades que constituem a inteligência, também está o funcionamento e uso da memória, do juízo, da abstracção, da imaginação e da concepção.

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Os conceitos e definições da inteligência variam de acordo com o grupo a que se referem. Por exemplo, na psicologia, a chamada "inteligência psicológica" é a capacidade de aprender e relacionar, ou seja, a cognição de um indivíduo enquanto no ramo da biologia, a "inteligência biológica" seria a capacidade de se adaptar a novos habitats ou situações.

paradi2.jpg Os testes de inteligência surgiram entre os séculos XIX e XX, na tentativa de "medir" o tamanho da inteligência dos indivíduos. O primeiro teste desenvolvido para medir a capacidade intelectual foi criado pelo psicólogo francês Alfred Binet (1859-1911), que era aplicado nas escolas francesas para identificar os alunos com dificuldades de aprendizado. Alguns anos mais tarde, o psicólogo alemão William Stern (1871-1938) criou a expressão Quociente de Inteligência, conhecido pela sigla QI (Intelligenz-Quotient, em alemão), introduzindo os termos "IM (Idade Mental)" e "IC (Idade Cronológica)", para relacionar a capacidade intelectual de uma pessoa e a sua idade.

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Os testes de inteligência definem o quociente de inteligência (abreviado para QI, são uma medida de avaliação do grau de inteligência de cada pessoa, quando submetida a um teste especifico do qual resultam os seguintes valores: de 121 a 130 Super dotação; 110 a 120: Inteligência acima da média; 90 a 109: Inteligência normal (ou média); 80 a 89: embotamento; 70 a 79: Limítrofe de retardamento mental.

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Cerca de 5% da população mundial enquadra-se no Quociente de Inteligência de super dotados,10% acima da média, 20% estarão classificados como normais, enquanto os restantes 65% se distribuem entre as inteligências do embotamento e retardamento mental. Na generalidade é sempre difícil viver-se em minoria por não termos a capacidade ou possibilidade de podermos partilhar dos mesmos valores das sociedades onde estamos inseridos.

mamoeiro.jpg De entre as várias minorias escolhi particularmente aquelas que se distinguem pela sua intelectualidade sendo constituídas por pessoas que têm uma visão conceptual humanista do mundo e da vida diferentes, o que invalida a sua capacidade de integração nas maiorias, as quais podem ser facilmente exemplificada entre o viver na luz ou na escuridão. O mesmo principio de aplica ás maiorias cuja seu imobilismo retrogrado, conservador e dogmático os condiciona à faculdade de pensarem e evoluírem pela hereditariedade das suas convicções, muito embora obviamente possam existir excepções.

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Estes dois grandes segmentos da sociedade coexistem em patamares diferentes da mesma numa harmonia de coexistência pacífica muito embora, apenas tenham em comum a língua que falam. Se analisarmos a pirâmide da hierarquia ou organograma sociológico das sociedades, salta de imediato á vista desarmada que esta se encontra dividida ou escalonada em 4 patamares.

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O três primeiros escalões da pirâmide são ocupados pelos super dotados, inteligência superior e média inteligência media, depois vêm os embotados e finalmente os retardados As sociedades modernas e evoluídas democraticamente são geridas por indivíduos com inteligências acima da média, estando a concentração dos poderes e dinheiro nas mãos destas classes corporativistas e elitistas.

vacas voadoras.jpg Infelizmente são elas que fazem girar o mundo à velocidade que querem, ou o param segundo as suas conveniências. Dois terços da população mundial anda a reboque de um terço dela, pois são estes que proporcionam empregos alimentam ou diminuem o PIB dos países, criando riqueza com os seus investimentos. Existem minorias desejáveis e indesejáveis, o preconceito é algo que afecta profundamente as maiorias especialmente quando os países estão conectados directa ou indirectamente com organizações, filosofias ou credos que marcam indelevelmente as suas linha de orientação politica ou religiosas.

António Canhoto … 25-10-2016

As opções do Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:39
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2017
CAFUFUTILA . CXVIII

ONGWEVA DO TEMPO - 05.01.2017 – KIANDA ROXO  - 15ª parte

Com Zachaf Pigafetta Roxo, Januário Pieter irmão desta e tetravós de Roxo mais o Conde de San German...

Ongweva é saudade

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Ian Smith e a sua Frente Rodesiana mourejaram para levar o novo país na trilha do progresso, enquanto negociavam com os líderes negros contrários ao uso da violência, mas as fórmulas prudentes e justas pensadas, a 11 de Novembro 1965 levam Smith a declarar a independência da Rodésia. As nações do mundo não se vincularam a esta iniciativa prescrevendo em 1979 com a entrada do bispo Abel Muzorewa que se torna chefe do governo e, constituindo a primeira administração bi-racial (uma utopia africana).

niassa5.jpg Os polícias planetários dos primos de Londres e dos Estados Unidos da América, acharam que um governo responsável composto por brancos e negros não tinha serventia, abrindo caminho aos terroristas que até então estavam afastados do processo no sistema oficial. O governo de Muzorewa não logra durar muito e novas eleições são convocadas, desta vez com total liberdade de acção para o bando terrorista de Mugabe.

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Naturalmente, com o beneplácito dos areópagos internacionais, a 2 de Dezembro de 1987, Robert Mugabe, o marxista e seus bandoleiros do famigerado “processo político” é nomeado como o primeiro chefe executivo. Mugabe, apaparicado pelos senhores do globo, não tarda em implantar a sua ditadura de partido único através da perseguição, intimidação e eliminação física de opositores. O alvo preferido é a população branca, fazendeiros e os negros que não “aderiram” prontamente à “revolução”.

ngoi2.jpgUm território outrora pacífico e em franco desenvolvimento, é transformado num espaço de opressão e violência, corrupção e ruína económica. Tal como em Angola, uma boa limpeza étnica só o é, desde que feita por negros contra brancos, que é sempre vista com os olhos húmidos de compreensão. A farsa da que constitui a obra-prima das ONUs e dos senhores deste planeta vai, desgraçadamente, continuar em cartaz na terra africana encharcada com o sangue de inocentes (um mundo cão).

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Eis as excelsas realizações dos arrojados descolonizadores - “exemplares”, com certeza. Tive de descrever este panorama para chegar às kiandas: o Conde de San German, um destacado embaixador itinerante que vira uma normal figura de gente quando necessário, Zachaf Pigafetta e o irmão Januário Pieter, ambos procedentes do lago Niassa e a tetravós da  Sereia Roxo Socorro e Oxor, sua  figura gémea que por ali permaneciam em uma ONG e, que tiveram de dar o fora dali! Não havia condições nem para assombrações!

roxomania1.jpg Eu estava por saber que uma sereia tem de ter sempre uma irmã gémea porque convêm de vez em quanto baralhar os espíritos malévolos; esses que serpenteiam entre difusas brumas como ácaros do facebook. Brumas que por via de uma arte ficam acrilicamente voláteis, belas e disformes, misto de sonho com pesadelos tidos em luar longínquo parecendo duma outra galáxia. Depois de tudo isto entendo as formas e contornos reluzindo-se em perfumadas ondas de quem pinta sem pincéis. Isto só mesmo de bruxas, kiandas ou calungas…

PAPAL4.jpg Zachaf Pigafetta a tetravó, desta vez falou comigo sem aquela reverência de kianda superior e, descendo à terra barrenta, à sombra de uma mafumeira quase que só me segredou ter sido em Harare que nasceu sua Neta de última geração Assunção Roxo. E, foram exactamente nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' mas salientou que não quer agora, nesta vida de hodiernidade, perturbar sua tetraneta.

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Nunca se viram cara a cara mas foram-lhes transmitidas veracidades que nem ela Roxo se apercebe e, porque é através do vento soprado que lhe faz chegar as ondas de cinco gigabites, aquela genica e vontade de papar léguas, mais o gosto pelas longitudes. Em sonhos conversam muito mas, logologo estes são esquecidos porque ela só é kianda por vezes e, nesses sonhos de ilusão. Notei que não me queria dar muitos mais pormenores. E foi graças à insistência do Conde de San German que ela, tetravó de Roxo se decidiu abrir comigo.

mugabe.jpgSua mãe (de Roxo) kianda negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai  que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu preta, preta mas no correr dos dias foi ficando assim branquela como ela é hoje. Ela a kianda Assunção Roxo deu seu primeiríssimo alerta de vida nas águas do lago Chivero e, que fazia fronteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai.

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Pois, tranquilamente disse-me que sua mãe era preta retinta, casada com esse tal de Morgan Tsvangirai, que ganhou a primeira volta nas eleições em confronto com a múmia Mugabe e, após vários dos seus apoiantes terem sido assassinados. Foi isto que os motivou a transladarem-se para o Kwanza e ficar ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia antiga, espíritos conferenciando por ali ser um pambu-n´jila especial com Muxima. 

german1.jpg A múmia Robert Mugabe venceu as eleições convocadas para o dia 28 de Junho de 2008, sendo reconduzido mais uma vez ao poder, desta feita pela sexta vez consecutiva, por desistência de Morgan Tsvangirai, pai de Roxo. Esses foram momentos conturbados mesmo para kiandas como nós, disse. Com o apoio internacional, houve uma partilha de poder que durou cerca de quatro anos.

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Este Governo de Unidade Nacional revelou-se ineficaz para acabar com as fortes tensões e evitar confrontos sangrentos entre os apoiantes de Mugabe e Tsvangirai. Em 31 de Junho de 2013 Robert Mugabe foi novamente reeleito, apesar da oposição e observadores considerarem fraudulenta a eleição. África é mesmo um veneno adocicado.

ÁFRICA7.jpg Agora entendo do porquê esta kianda Roxo andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber desta sua dupla vida mas compartilhando xispanços de tinta com maestria. Xispansos de pincéis electrónicos na forma de gigabaites que se traduzem em cores holográficas, cibernéticas; pinturas do paralém de assombros que só bruxos podem executar.  A surrealidade está-lhe no sangue!

(Continua…) 

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:50
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MONANGAMBA . XLIV

SONHOS DE SOL - 05.01.2017 - Choro de mais-velhos num tempo de gigabits… Redundâncias de nossas vidas…

Monangamba é nome africano, nome de vendedor de trabalho avulso

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente. Mas agredimos! Não respeitamos o tempo do outro, a história do outro. E, assim, vamos causando transtornos; esses tantos transtornos mostram que não estamos prontos, mas em construção. E, no tempo, todo nós temos que nos limpar e cuidar das feridas, assim como os outros que convivem connosco, que também o têm de fazer; melhor, toda a humanidade.  

agostinho1.jpgHoje mesmo estive confuso no tratamento das palavras “afim” e “a fim” e acabei por escolher esta segunda por significar ter a finalidade de e, assim como todas as garantias acabam no acto do pagamento da factura, a fim de. O desejo do bem-estar força o homem a tudo melhorar, impelido que é pelo instinto do progresso e da conservação, que está nas leis da Natureza.

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Não existe ninguém que encontrando um espinho debaixo de seu pé não o retire, para ou a fim de não se magoar. Sendo assim, porquê a Ciência e a Religião não se puderam entender até hoje! Porquê encaram as coisas de modo tão díspar provocando o vazio dum traço que deveria ser de união e não de separação! Isto invariavelmente confunde-me levando-me à quinta ou sexta dimensão do espírito aonde não existe ontem nem amanhã nem tampouco o agora físico.

p-brana4.jpg O traço da união estará sempre no conhecimento das leis que regem o Mundo; nas relações com o Mundo corpóreo e o espiritual penso eu! Entendo que estas leis são tão imutáveis quanto as que regem os movimentos dos astros e a existência dos seres. O Universo não tem fim nem bordos! Não é um simples cubo com comprimento, largura e altura. A mente também não! O paraíso deve então estar por aí nesse espaço etéreo!

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Entendo sim que se a fé se dirigir à razão, a razão nada encontrará de ilógico na fé e, o materialismo será vencido. Ando à espera dessa nova era para a Humanidade porque todas as outras não me preenchem. Andamos muito cheios de redundâncias dizendo disparates como “há dois anos atrás”, o atrás está a mais ou um “sorriso nos lábios” e, os lábios estão demais. E “conviver juntos” quando só o conviver diz tudo; e, o “consenso geral” com o geral a mais, ou a “surpresa inesperada”, sendo a surpresa só em si suficiente.

p-brana3.jpg “Na minha opinião pessoal” o pessoal não faz falta ou então e para acabar “ o novo lançamento” quando o lançamento já diz tudo. Isto são tudo redundâncias coladas a nós. Necessitamos atender às designações da Natureza sem redundâncias nas falas porque essas são as leis do progresso. E, o progresso sempre será uma lei de Deus. Quanto a isto não tentem confundir-me com outras redundâncias; não queiram comer minhas palavras.

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Nunca a Ciência e a Religião poderão estar em negação porque Deus não pode querer destruir a sua própria essência, sua obra. Na Natureza o amor está por toda a parte e convidando-nos ao exercício de nossa inteligência; nós o encontramos até mesmo no movimento dos astros. E, ainda é a natureza que nos lega o amor, a paz dos homens, a calma ou turbulência dos mares, o silêncio dos ventos, e o sono ou a dor e muitas coisa não mensuráveis.

nenufar1.jpg Mas, há uma disposição natural em todos nós; a de nos apercebermos muito menos dos nossos defeitos, do que dos alheios. Tal como diz o Evangelho: “Vedes o cisco no olho do nosso vizinho e, não vedes a trave que está no vosso”. Já Santo Agostinho dizia em seu tempo que os homens terão forçosamente de se entender e, entender a Natureza porque esta contem a lei de Deus.

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Santo Agostinho foi um dos primeiros autores cristãos latinos a professar uma visão clara sobre a antropologia teológica ao defender o ser humano como a união perfeita de duas substâncias, o corpo e a alma. Afirmava também que os dois elementos são parte de duas categorias bem distintas. Enquanto o corpo é um objecto tridimensional, a alma é composta por um tipo de substância adequada para governar o corpo e que, é parte da razão.

soba02.jpg Bastava para ele admitir que os homens eram formados por duas substâncias metafisicamente distintas, sendo a alma superior ao corpo. As teorias moldam e condicionam o nosso conhecimento dos factos e a proliferação de teorias é uma fonte de progresso para as Ciências. O grande problema é mesmo o critério da falibilidade em que as palavras mais fortes humilham outras mais débeis.

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:18
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016
XICULULU . XCIII

NA CINZA DOS TEMPOS - 27.12.2016  - Para planear um futuro mais racional em sociedade, nem sempre podemos domesticar a palavra…

Por

soba15.jpgT´Chingange

Considerando a idade das galáxias em milhares e milhares de milhões de anos, os alienígenas atingiram pela certa o nosso infantil Mundo na era da pedra lascada também há uns bons milhões de anos e, vendo o nosso estágio de vida foram-se de novo embora deixando indícios formulados agora em suposições. Através de análises de carbono e versões ainda titubeantes à escala das dúvidas e falas programáticas, tentam os cientistas agir com eficácia. Claro que sempre surge a tal lei da incerteza.

apocri3.jpg Surgem com paradigmas novos, hipóteses de construirmos um novo começo. Que, afinal o inferno é só uma metáfora de alma isolada (ou exilada) e, que como todas as almas em última análise, unir-nos-á no amor com DEUS. Bom! A vida com este novo meu amigo ET 3C325 tem de ser saboreada aos goles, aos poucos. Ele diz que tudo isto é fruto da mente humana e, que os ancestrais dele já passaram há muito tempo por isto.

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Meu amigo ET é desconcertante e, nem me atrevo a dizer a nonagésima parte do que diz. Por demasiada periclitãncia teremos de nos preencher com coisas pequenas para nos totalizarmos na harmonia do consolo, sem passar daqui! Ele, confirmou-me isto telepaticamente!

arau45.jpg Se nós, ainda nos andamos a matar como se fossemos dum tempo antes do Adão e da Eva, falando por dá cá aquela palha no inferno como castigo, queimando-nos em fornos crematórios para purificação! Nós vemos o inferno como um artifício literário. Teremos de entender as fracturas que a vida nos proporciona por coisas ou eventos que não nos agradam e ver-nos como uma ilusão.

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Nós lidamos isolados como se não houvesse certos fungos que temos de alimentar, se não houvesse plantas, frutos e sementes comestíveis. Nós não existiríamos sem esses parasitas; sem lobos não haveria cães, sem aves selvagens, não haveria galinhas e, por aí. Por isso na civilização descobriram os antibióticos a penicilina e, por ai teremos de navegar nossas vidas; descobrindo coisas boas.

roxo95.jpg O que me leva a escrever é o fruto do assombro, um fenómeno que leva a retina ao cérebro, a imagem traduzindo pontos em teorias de conhecimentos passados engravidando espantos em coisas que não esperávamos porque não procurávamos. É quando as leis que se pretendem universais apresentam axiomas e postulados portadores de evidências intuitivas ou princípios também eles assombrosos.

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Porque a ciência não é mais do que o esforço humano na descoberta ou criação de uma dada ordem no mundo que nos rodeia. A ordem concebida terá de ser julgada por valores de compreensibilidade, estéticos e de utilidade. Numa democracia somos todos livres de acreditar naquilo que quisermos mas, a humanidade existe com um propósito ou um sentido social porque o cérebro humano evolui segundo um conjunto de regras. Só espero que na estação orbital YYY3C do meu amigo ET 3C325 para onde irei, seja melhor do que isto.

Ilustrações de Costa Araujo e Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:22
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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2016
MALAMBAS . CLVII

CINZAS DO TEMPO – DORES DE FOME - 22.12.2016

– Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida, mas sim aquele que melhor se adapta a ela… Só ontem é que soube o que era o apestato…

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Um estomago vazio tem ondas de contracção e, a entrada de alimentos faz parar as contracções; são estas que dão um sinal ao apestato. E, afinal que órgão é este? Pois é o centro do cérebro que controla o apetite! Deveria ser assim mas, parece não o ser porque a remoção do estomago por cirurgia nunca interferiu com o controlo do apetite; o certo é de que todos nós nascemos com um apestato a quem os fisiologistas dizem ser como um termóstato que regula uma fornalha, ou o apetite da mesma.

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E, se o apestato de uma pessoa estiver regulado para muito alto, essa pessoa estará continuamente a tomar mais calorias do que as que consome. Só se se tiver um autocontrolo e auto-estima elevado é que não se desgastará com as chamadas dores de fome.

poção 01.jpg Na opinião do fisiologista Jean Mayer da universidade de Harvard o apestato responde ao nível de glucose no sangue; depois da digestão do alimento, o nível de glucose do sangue baixa lentamente. Quando se encontra abaixo de um certo nível, o apestato é ligado. Se, se der resposta aos consequentes pedidos urgentes do apetite e se, se for comer, o nível de glucose do sangue sobe momentaneamente e, o apostato é desligado.

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Em um período da minha vida tive de lidar com um grupo de ciclistas que pertenciam ao clube de qual eu era presidente e também praticante dessa modalidade e, sempre sucedia ver um entre nós que nos almoços tinha um comportamento sôfrego no seu jeito de comer; tinha sempre de ser o primeiro e comia de um tal jeito desenfreado que perturbava o meu pensar. Até reclamava perante os demais que esse era um comportamento bem egoísta.

poção1.jpg Aquela ansiedade inquietava-me até ao dia que alguém disse que ele era diabético; foi quando, em verdade me inteirei desta particularidade. Até há uma geração atrás não havia nenhum tipo de tratamento eficaz para esta maleita. De facto o doente diabético apesar do aumento do apetite pode rapidamente perder peso à medida que a doença avança! Infelizmente nós, não conhecemos na perfeição o nosso corpo.

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Sabemos que a urina dos diabéticos têm a particularidade de atrair as moscas por via de ser doce mas, foi só em 1916 que o médico escocês Albert Schafer descobriu que havia uns ilhéus de largerhams que produziam hormonas antibióticas. A essa hormona chamou insulina derivada do grupo e que significa “ilha” em Grego; antes pensava-se ser o pâncreas que produzia esta insulina mas, dali só saía o suco pancreático.

poção2.jpg Então, ficou a saber-se ser a insulina das ilhas uma proteína e que as enzimas do pâncreas quebravam as proteínas destruindo-a. Conseguiram em anos de experiências e por meio de laqueamento do pâncreas retirar a hormona intacta a partir dos ilhéus. Isto a que se chamou de insulina salvou nesse então 30 milhões de diabéticos.

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O efeito da insulina no corpo está nitidamente em íntima relação com o nível de concentração de glucose no sangue. Em geral, o nosso organismo armazena grande parte da glucose no fígado sob a forma de uma espécie de amido chamado glicogénio deixando apenas uma pequena quantidade de glucose na corrente sanguínea para suprir as necessidades energéticas imediatas das células.

poção3.jpg Com algum empenho fiquei a saber um pouco mais do que sabia ontem. Sabemos tanta coisa diversificada e, nem sempre nos preocupamos com nossos mais importantes íntimos pertences; o próprio património que carregamos. Quando pensamos que já sabemos tudo, descobrimos que afinal, temos muito mais para saber. Temos de saber o mínimo indispensável de o porquê de termos dois olhos e não um só! Porquê transpiramos? Do porquê nos inquietamos?

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Nós que só somos uma ilusão, a coisa mais completa, só duramos um certo tempo; O que Deus-Natureza determina! E depois, nem sabemos ao certo para onde iremos… Fala o livro dos livros que Profeta Eliseu subiu aos céus ainda vivo e, que foi para junto do Pai, lugar aonde ele queria estar mas, não voltou nem mandou mokanda…

poção4.jpg O Profeta Eliseu foi o sucessor de Elias no Reino do Norte de Israel. Vivia em Abel-Meolá, no Vale do Jordão; tinha uma abastada família e era dono de 12 juntas de bois. Serviu a Elias durante algum tempo e, antes de ter ascendido em direcção aos céus por um redemoinho, depois de serem separados por uma carruagem de fogo, Eliseu pediu-lhe "porção (poção) dobrada do espírito de Elias" e, foi-se! Que poção era esta?

Bibliografia: O corpo humano de Isaac Asimov  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:43
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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2016
MALAMBAS . CLV

CINZAS DO TEMPO – 09.12.2016 Teremos de compreender que para planear um futuro mais racional em sociedade, nem sempre podemos domesticar a palavra…

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Numa democracia somos todos livres de acreditar naquilo que quisermos mas, tenha-se em conta que os parasitas são predadores que comem as presas sem nunca os consumir por inteiro. Terei melhor definição para descrever um político? A fé é a prova da submissão de uma pessoa a um determinado deus ou uma determinada ideologia e, mesmo assim, essa submissão não é concedida directamente à divindade, mas a outros seres humanos que se afirmam representar o deus ou se comportam como tal.

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Posso situar aqui políticos e pastores, gente que sempre tenta confortar seus membros, seus seguidores com palavras mais verdadeiras que todas as demais. O custo para a sociedade em geral deste curvar de cabeça tem sido enorme. A evolução é um processo fundamental do Universo estando presente não apenas nas gentes e animais mas, por todo o lado e a todos os níveis. 

poluição.jpg A psicologia, a antropologia e até mesmo a história da religião, não fazem sentido sem a evolução já que esta é a componente chave analisada através dos tempos por essas disciplinas. Posso concordar que a “fé cega” até pode ter consequências positivas porque unem os grupos de uma maneira mais forte e proporcionando conforto aos seus membros, mas sempre uns estarão subjugando outros.

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A carga dogmática se for uma religião, torna-se mais tolerável devido a estas vantagens tornando-se o grupo num rebanho dócil. Ainda assim, a força motriz que no fundo está por detrás da “fé cega” não é uma inspiração divina, mas antes a certificação de filiação num grupo, num partido, numa igreja ou em um clube.

MAR VERMELHO 04.jpg Mas, para além da religião, outras ideias erradas e arcaicas têm enfraquecido a cultura como a da crença de que os dois grandes ramos da aprendizagem da ciência e das humanidades serem intelectualmente independentes. Essa crença chega ao ponto de fazer crer que quanto mais afastadas forem mantidas, melhor será. Ao ritmo a que surgem descobertas inovadoras capazes de gerar um conhecimento vasto, irá abrandar aquelas crenças.

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No espaço de décadas, o conhecimento relativo à cultura tecnocientífica será enorme em comparação cm o conhecimento actual evoluindo, diversificando-se e associando-se ao humanismo por modo a se poder afirmar que a nossa espécie tem uma alma. Os grandiosos ramos de conhecimento aliados as artes criativas, não podem ser prejudicadas pelas severas limitações do mundo sensorial no qual a mente humana existe.

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Bibliografia: Extractos do livro “O sentido da vida humana” de Edward O. Wilson – Prémio Pulitzer 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:46
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016
PARACUCA . XXII

MULOLAS DO TEMPO – 07.12.2016 - Fábrica de Letras in Kizomba com histórias da vida.  

- Mulola é um leito que só é rio quando chove…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

No tempo de Nabucodonosor não havia conhecimento da espectrometria e tampouco se sabia que havia sete planetas em nossa galáxia. Hoje sabe-se haver milhares de galáxias e milhares senão milhões de planetas a muitos anos-luz da nossa galáxia com outros sois. Os especialistas só não têm provas concretas de que existe vida nessas muitas galáxias. A luz proveniente dessas estrelas longínquas, são medidas por espectrogramas a partir do espaço.

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Com o avanço de conhecimentos, pode agora dizer-se que a existência de vida alienígena deixará de ser algo hipotético para ser bastante provável. Também creio que será capaz de acrescentar alguma credibilidade na procura de vida extra-solar a partir da história da própria terra. O nosso planeta nasceu aproximadamente há 4.500 milhões de anos e os micróbios surgiram logo depois passados uns 150 a 200 milhões de anos.

minhoca0.jpgPara nós humanos o tempo biológico de duzentos milhões de idade, parece ser uma eternidade em nossa mente, mas isso representará um dia na totalidade dos quase 14 mil milhões de anos da história da via Láctea. Os astro-biólogos terão cada vez mais de procurar encontrar em outros planetas a possibilidade de lá podermos viver. Os vários governos do globo deveriam estimular e financiar esta pesquisa como salvaguarda de sobrevivência em um futuro próximo.

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Há indícios de moléculas de gaz terem sido detectadas e, é a partir daqui que haverá hipótese de no futuro se estabelecer vida em outros planetas para bem da Terra nosso berço, mesmo que sejam um oásis de um deserto e que possam albergar organismos até com elementos moleculares diferentes.

minhoca01.jpg Esta curiosidade levou-me a cultivar minhocas a fim de assegurar um ecossistema sustentável no meu pequeno quintal. Alimento-as com desperdícios de comida, restos de batatas, cascas de frutas, cenoura, couve e outros vegetais. Estas são as minhocas vermelhas da Califórnia (Lumbricus rubellus) uma espécie bastante criada nos Estados Unidos, e muito utilizada na agricultura mundial.

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Estas minhocas depois de digerir todo o material orgânico, principalmente esterco de vaca, alimento preferido das minhocas vermelhas, produzem o húmus, que nada mais é do que as suas fezes, um adubo natural e potente para a plantação já que contém diversos nutrientes para o solo como o nitrogénio. São famosas por sua capacidade de limpar resíduos, pois que se alimentam de matérias orgânicas em decomposição como  já referi.

bruno27.jpg Creio que em Marte a vida poderá ter evoluído em mares extintos e ter sobrevivido actualmente em aquíferos profundos que contêm água liquida. Isto porque na maioria dos lugares do mundo se regista a presença de insectos e aranhas e até peixes, todos com anatomias adaptadas à vida em ambientes teoricamente pobres e sem qualquer luminosidade.

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Outros hão entranhados em fissuras rochosas desde a superfície terreste até uma profundidade para além de um quilómetro. Bactérias que vivem da energia obtida da metabolização das rochas, espécies recentemente descobertas e até abundantes na superfície terreste. O anseio por odisseias e aventuras próximas ou distantes, está inscrito em nossos genes…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:50
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2016
MALAMBAS . CLIV

CINZAS DO TEMPO – 05.12.2016Teremos de compreender que para planear um futuro mais racional em sociedade, nem sempre podemos domesticar a palavra…

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange

O que me leva a escrever é o fruto do assombro, um fenómeno que leva da retina ao cérebro a imagem do conhecimento traduzindo pontos em teorias misturando com experiências passadas de engravidados desconhecimentos. É daqui que saem as leis que se pretendem ser universais e se apresentam como axiomas ou postulados portadoras de evidências intuídas.

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Intuídas por princípios aceites como verdadeiros e que servem como ponto inicial para dedução e inferências de outras verdades, dependentes de teorias também assombrosas. Coisas que pela logica tradicional se consideram como óbvias por um consenso comum; coisas de que não esperávamos por não andarmos à procura! Coisas até, que nem sempre procurando se encontram. Direi eu, acasos!  

paradi2.jpg Por isso sempre digo que a nossa vida está muito carregada de acasos dependentes de um agora e, porque quase todos os seres humanos andam em busca de seu próprio destino. Em verdade, formamos uma sociedade interdependente na cooperação, especialização nas tarefas e altruísmos sinceros ou enganosos. Enquanto os insectos são quase inteiramente governados pelo instinto, nós humanos, dividindo tarefas com transmissão de cultura e não só!  

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Por via de nossa culta altivez, andamos com o credo na boca por variadas e alheias causas à nossa vontade, que agora são agudizadas. Uma divida que parece nunca poder ser paga com acusações constantes entre os partidos compostos de gente a quem nós confiámos. E, ora é o emprego, a pensão, apoio social ou a emigração de nossos filhos. Numa de “se tudo falhar por favor siga as instruções” isso, não e possível depois de admitirmos os homens que nos regem.

sistelo4.png E, descobrimos que se as coisas tivessem sido deixadas ao acaso, elas estariam melhores! Estes assombros levam-nos a nos alimentarmos com caldos de galinha porque na prática os políticos quando dizem cinco vezes que não vão agravar nosso custo de vida, é certo que o irão fazer. Vou acabar com um desassombro final para afirmar que a diferença entre um político e uma lesma é a de que, a lesma deixa um rasto gosmento e os políticos, um rio de negruras.

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Sempre me pergunto ou interrogo, quanto à imprevisibilidade de nossas vidas quanto a mantê-la em padrões de dignidade no futuro, fruto de tanto assombro; estando nós em um período de miúdas certezas, fruto do paleio daqueles, berramos disparates saídos do fundo de nossa raiva. Nem sempre dois, mais dois, são quatro! Se eu comer dez lagostas e um outro comer só duas, a média dará matematicamente seis! Vejam… Há muita gente a comer lagosta…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:27
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2016
MUXOXO . XLII

TEMPO COM CINSASMALAMBAS DO XIRITUNG - 29.11.2016  

NOS ACONCHAVOS DO VINTICINCO ESPACIAL  

Por

soba15.jpg T´Chingange

Encontrar o caminho certo de uma ideia é muitas vezes uma questão de sorte, e com certeza o caminho que encontramos, nem sempre o é de elevada exclusividade. Cortei uma batata grande ao meio e, espetei nela as bananas eléctrodos plug-p2 stereo de dois auriculares de avião e, acreditem ou não, entrei na corrente electromagnética de ondas hertzianas da banda do meu novo amigo ET STAR 3C325 da estação orbital nº YYY3C, uma galáxia a mais de 260 anos-luz. Desta vez foi mesmo só um contacto hertziano.

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Tento por meios arcaicos saber da rejeição por incompatibilidade nas ideias, conjugar os spins de partículas subatómicas com os fotões; e da radiação electromagnética que colidem com os paradigmas teóricos. É alta a probabilidade de sofrerem rejeição nos mecanismos de conflito de ideias com os velhos conceitos, porque estes sempre irão competir com os novos.

adel6.jpg 

Nesta minha experiência, posso verificar os fenómenos de rejeição socialmente condicionados e, até culturalmente determinantes no conceito das leis Universais. Os zumbidos desta ligação ao mundo sideral diminuíram ao fazer uma espiral envolvendo uma chapa daquelas que unem as folhas soltas aos cadernos de escola. Foi neste então e pela primeiríssima vez que ao invés da comunicação telepática recebi sons na forma de um chiado sussurrada de osga e, deu para entender algo pouco decifrável assim: “O Mundo real é uma excepção “

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Liguei a mesma entre os plug-p2 stereo dos dois auriculares e, foi neste então que a ideia ficou como brilhantina com código para entrar no seu canal PiFaXa . Vi então o quanto era difícil fazer coincidir completamente a Natureza com um paradigma de xiritung neste conjunto de zingarelhos feito bem ao jeito do professor Pardal, mesmo que estando iluminado nos vários tópicos que podem ser vistos como sintomas de crise.

africa02.jpg

 

Neste entretanto perturbei-me no enigma de usar dois auriculares como se fossem dois paradigmas. Ficou assim claro que o conflito não se resolve quando envolve a confrontação de vários domínios e, muito menos quando um cientista sem curriculum entra em crise por falta de dados em um mecanismo de reacções escondidas, mesmo tendo um código espacial atribuído por um ET.

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Aonde já se viu alguém poder entrar em contacto com o cosmos com uma meia batata, quatro auriculares com dois plug-p2 stereo e uma latinha de prender folhas mais um clipe?! Só mesmo com muito esforço se pode conceber tal! O mais certo é que ninguém acredite. E, após a ideia veio o paradigma, os sintomas, o enigma e a crise. Foi quando para iluminar os sintomas liguei uma pilha duralex de um e meio voltes entre o clipe e a chapinha retorcida com um díodo e um condensador.

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Comecei então a ouvir grunhidos intermitentes à mistura com tiros e rajadas nas transferências de electrões, confrontando-me com um tal de MIE - modelo de intercepção de estados, com velocidade de reacção moleculares revolucionárias de um tal de CR - Concelho de Revolução fazedores de charadas magnetofónicas descolonizantes num tempo extra espacial.

adel8.jpg

A parti daqui a minha perspectiva de visão alargou-se quando a química da batata se alterou depois de aquecida à luz de uma vela benzida em Fátima da Cova da Iria. No polo positivo surgiu uma mancha azul e, no outro negativo um amarelo de caca (C). Sei que esta estratégia deu algum sucesso com a teoria do efeito túnel da minhoca no uso de um grupo de guedelhudos feitos ninja-PREC.

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Eram uns quase cientistas de uma nova modulação social. Mais iluminado, tive de nos vários tópicos considerados sintomas da crise, concluir historicamente que o sucesso do paradigma descolonizador dum tal de vinticinco se transformou de enigma de crise em uma aberrante anomalia armadilhada de C* elevada a nove. É difícil conceber isto sem entretanto fumar umas passas transcendentes….

Nota*: C de caca

Homenagem a Carlos Fernandes, o criador do Xiritung na revista “Notícias” – Luanda – Angola.

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:17
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016
ROXOMANIA . I

PEDRADA NO CHARCO - 25.11.2016 - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo - Amoleço ali, as unhas dos pés…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e, será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar as gigantescas presenças de feridas mortais. De vez em quando digo isto para não me esquecer!

gourmet10.png E, que importância terá, saber-se agora se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou tinto. Acerca disto e daquilo, as nossas conversas ficam antigas ao lembrar coisas que Murphy não desprezou quando estabeleceu suas leis atravessadas de escarnio ou maldizer, porque a oportunidade sempre bate no momento menos oportuno.

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Entre as mais de duzentas leis, ele afirmou que os amigos vêm e vão, mas os inimigos sempre se acumulam, porque a principal causa dos problemas entre eles são as soluções que vão para além do que importa! E, o que importa é o nome que você dá aos factos, não aos factos em si. Enfim, toda a gente tem como certo que as garantias acabam no acto do pagamento da factura; isto é trigo limpo.

kunene2.jpg Nós, membros sociais de um qualquer grupo do Facebook, somos de certa forma uma comunidade que partilha leituras teóricas, observações segundo um paradigma que nos foi legado culturalmente ou inovação de um dos elos naquilo que designamos de identidade do grupo. Isto invariavelmente reverterá a questão para uma ameaça de novos paradigmas na comunidade que lhe dá vida.

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Abordei este tema nas últimas crónicas rearranjando-me num acto mental por um conjunto de dados, que não obstante serem familiares aos demais, os vi de maneira diferente. Escapando às ideias da dominante doutrina social, tenho enviesado alguns conceitos num acto de me libertar das coisas fabricadas a eito ou sem jeito.

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Tudo reside no modo de os ver de maneira diferente e, porque a mente humana tem tendência a julgar tudo mais segundo a sua própria experiência, conhecimento ou ideias feitas, do que segundo a evidência apresentada. E, porque por norma as ideias novas sempre são comparadas à luz das velhas ideias.

carn1.jpg Quem aceita ideias novas, tem de apagar as velhas, um processo de reconversão que para muitos, é tão difícil como uma conversão religiosa. Não é fácil apagar as ideias velhas uma a uma, porque elas estão interligadas por coordenadas formando um elo ou colar, que nos ornamenta a mente.

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A opinião preconcebida é o resultado de algum modelo que existe na nossa mente condicionando o nosso modo de pensar. Muitas vezes veremos que estamos já contra uma nova ideia antes de ela ter sido completamente exposta. Quantos de entre nós nada-querem saber de computadores e outras novas tecnologias.

roxo69.jpg E, que coisa é essa que fica arreigada a uns, enquanto outros lutam para que assim o não seja! Há os perfeccionistas que nos seus métodos de trabalho assumem atitudes do “tudo ou nada” e que sem solução perfeita sempre vêm a ciência como obra acabada por haver preconceitos nacionalistas, ideológicos, religiosos e, por ai vai!... Factores que resultam da intercepção entre elementos de uma mesma comunidade.

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A Kizomba, Kimbo ou Roxomania por exemplo! De um qualquer que ao ter receio em apreciar um artigo e, que não encontrando erros de lógica escondidos, se acham subestimados por outros que posteriormente os venham a encontrar. Mas, porque é que não vi isto deste ou daquele outro jeito, interrogando-se! Sentem que seu prestígio ficará afectado em aceitar ideias que outros rejeitaram.

roxo78.jpg Os homens têm amor-próprio, paixão, ódio e orgulho e, o envolvimento em temas que não dominam em pleno ou, de certas metodologias, tornam o individuo cego a tudo o demais; não se envolvem emocionalmente num- deixa para lá. Mas, o certo é o de que em todo o processo de investigação científica ou não, há uma certa agressão intelectual. É salutar haver manifestação em conhecer, ampliar a inteligência na resolução dos enigmas que nos envolvem; os da ciência…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:29
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2016
MUXOXO . XLI

TEMPO COM CINSAS - MACEIÓ - 23.11.2016  

Das razões para entender o que é um PARADIGMA … 2ª de 2 partes

t´chingange 0.jpgT´Chingange

O triunfo de uma nova teoria ocorrerá por um processo de conflito com o anterior paradigma, numa selecção por conflito e eliminação do erro, por via da sobrevivência do mais apto. Creio que grosseiramente se pode comparar a função de um enólogo na preparação de seus vinhos com combinações de castas. Com o tempo ele vai eliminando este e aquele tipo de uva melhorando a combinação.

paradi4.jpg Entre risos e entretantos com pimenta e queijo de coalho recompõe-se a altivez com um tinto do Chile substituindo o tintol de Pegões ou Reguengos do M´Puto contendo também na promoção aquela literatura morangueira de lengalenga nas escolhas das encostas de Vinãs-del-Mar, Vale del Maipo, e Colchagua em substituição das margens do rio Sado.

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Que tal e coisa, nas plantações com uvas frutadas e aveludadas mais edecéteras entre as tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Camenère e Syrah, e as brancas Sauvignon Blanc e Chardonnay. Enfim, teorias que muito bebidas passam a dar a volta ao miolo mesmo sem se querer.

paradi5.jpg Reconhece-se que novos paradigmas podem aparecer de uma forma embrionária antes que surja uma nova crise científica. E, que levem a baixar drasticamente o valor alcoolémico e, por forma a não mais podermos beber do mesmo néctar que Cristo bebeu em sua última seia substituindo-o por água aindaiá, do gerês  ou outras águas que dizem ser santas e que tudo curam.

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É neste sentimento de frustração de que algo não está a funcionar bem com um paradigma que se instala a crise e aguça os espíritos para o nascimento de um paradigma novo. Advém dai que destroem uma estrutura económica, um ganha pão de muita gente para se convencionar que teremos de beber só água da fonte com a adição de umas gotículas de limão para eliminar bactérias nefastas e, até o escorbuto, imagine-se!

paradi3.jpg E, como há palavras canibais que comem outras, teremos de nos sujeitar tal como o macaco a quem retiraram a banana no tal paradigma da escada e da água fria que os cientistas usaram para alterar a sua forma de bem-estar. Pois, convêm dizer aqui que a incerteza espacial, é o infinito sem bordos! Que o mundo material deforma-se nos seus limites impregnando-o de metafísica, segundo o que recolhi da sabedoria do Professor Catedrático Sebastião Formosinho.

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Diz este Professor que por uma analogia estranha, encontraremos menos determinação e maior liberdade no homem e no electrão do que no Sol e na Terra porque a visão que a teoria quântica nos dá hoje, é assim a de deus-que-joga-aos-dados. Na ordem do Universo, as leis são verdadeiras até que se prove o contrário.

paradi2.jpg A ciência explica supostamente conferindo sentido ao mundo mas, também parece que tem os seus limites que lentamente destrói o seu próprio mito. Será!? É que em ciência há estradas largas, bem asfaltadas, que só depois de serem percorridas se verifica não terem saída. Já Einstein afirmava que o mistério eterno do mundo é a sua compreensibilidade.

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As dádivas da Natureza, mostram que o progresso na compreensão do Universo, está profundamente condicionado pela existência de um sistema simples num dado domínio. Não obstante, Thomas Kuhn, reconhece que novos paradigmas podem aparecer de uma outra forma, que se aceitam como correctos só porque todos assim o fazem sem saber ao certo quais as justificações.

paradi1.jpg As teorias científicas estão sujeitas às questões e debates do meio social, dos interesses e das comunidades que as formulam. Hoje mesmo fiquei indignado ao saber que em Portugal vão reactivar as taxas de rampas de acesso a estradas nacionais; que quem quiser fazer uma reabilitação tem de pagar 500 euros para informar o processo, 200 para a emissão de parecer, 250 para uma vistoria extraordinária e 300 para revalidação ou autorização. Tudo uma excrescência de quem tem o poder.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:20
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016
MALAMBAS . CLIII

CINZAS DO TEMPO - 21.11.2016 - Teremos de compreender que para planear um futuro mais racional em sociedade, nem sempre podemos domesticar a palavra…

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Um contador de estórias faz o tempo passar entre os pingos da chuva ajudando a preencher os buracos do ócio ou da árdua tarefa da existência. Fazendo gaifonas com as palavras recria um outro jeito de levar a vida, aliviando as tensões que a sociedade nos impõe. Fazendo malabarismo com palavras, compõe ramalhetes de flores feito de falas floridas; coisa nenhuma! Por vezes pode ser levado a sério mas, convém sempre reflectir na mensagem que sempre lhe está subjacente.

step5.jpg Um inventador de estórias tem forçosamente de criar personagens, tornando-se dependente destes no decorrer do enredo; por vezes fica submisso a estas criações saindo daí novos enlaces. Dizia ao sair de Lisboa que não sendo eu um fanático cristão, procuro entender-me em queixas mentais com meu novo amigo o ET STAR 3C325 saído da estação orbital nº YYY3C e oriundo duma galáxia a mais de 260 anos. Mas hoje, apetece-me não ter um contacto de cara-a-cara com ele recorrendo só à sua página do Facebook; um exclusivo só nosso!

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Abri uma nova página no Facebook com o nome de Profeta Moisés e, como surpresa imediata, um dos muitos pedidos de amizade vinha de Jesus Cristo. Intrigado durante uns dias retive o pedido enquanto ia recebendo muitas outras, gente nitidamente ligada às coisas litúrgicas, eruditos até às pontas dos cabelos, gente de muita religiosidade; uns abraçados a santos, outros acendendo velas botando fumo pró céu, e outros ainda mostrando o Espírito Santo na forma de pomba.

cubo8.jpg Assim, assentando os contrafeitos nos factos com dúvidas na forma de gráfico, ora para cima, ora para baixo, fico espantado quase no estupefeito quando surge um novo evento: Era Deus, Nosso Senhor, adicionando-me como amigo. Belisquei-me para ter a certeza que ainda estava pela terra e fiquei extremamente cauteloso sem saber ao certo que dizer! Lembrei-me em seguida que tinha mencionado dias antes, algo de que Jesus cansado das trapaceirices humanas quis ir para o pé dele, seu Pai, aos 33 anos.

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É certo que Moisés esteve face-a-face com Ele quando lhe foi legado os Dez Mandamentos escrito com seu dedo na forma de fogo mas, eu aqui e agora, fico titubeando ansiedade sabendo que não sou merecedor deste tratamento privilegiado. Sei que Deus deu a Moisés sinais de que ele não estava só, e estes sinais serviriam para que o povo e Faraó acreditassem que o que Moisés dizia era verdade, isto depois de Deus ter convencido o próprio Moisés, que não acreditava ser capaz de fazer tal tarefa.

ara3.jpg Conforme Deus mandou, Moisés lançou sua vara ao chão e ela se transformou em uma cobra, então Faraó chamou seus feiticeiros, que fizeram o mesmo, porém, a cobra de Moisés engoliu as cobras dos feiticeiros de Faraó. Mas isto não convenceu Faraó, que por não acreditar em Moisés, mandou aumentar o castigo sobre o povo de Israel mas, o Faraó perdeu em toda a linha com umas quantas pragas.

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Sei que Deus falava com os demais profetas por meio de sonhos e visões. Nesse tempo, é lógico, não contactavam por telefone, celular ou e.mail ou nesta ferramenta do Facebook lançada só a 4 de Fevereiro de 2004 por Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin. Sei porque li no livro sagrado de que o encontro de Moisés com Deus foi real e em 3D e, não um encontro indirecto, casual ou virtual mas, neste mundo conturbado de agora, tenho receio que não seja este, o mesmo Deus venerado por bilhões, muitos mais do que os utilizadores do Facebook.

nauk13.jpg Ainda que eu seja um Miguel de mentira, gostava que me desse esperanças para mudar meu estatuto de usuário de FB para Theobook. Neste meio tempo de mente iluminada, fascinado em acender lampiões entro na página do meu novo amigo o ET STAR 3C325 mas, para meu desânimo nada sabia do Evangelho de S. João que apresenta Jesus como a luz do mundo e, porque “Nela estava a vida e esta, era a luz dos homens”.

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Este ET, meu amigo, mais parecia ser um autómato gerido à distância, tipo robot; nada sabia quando eu queria saber? Fiquei até com duvidas se teria medo de falar destas coisas! Encafifado, pois assim fiquei que nada sabia sobre os fotões de Jesus, essa luz do mundo de que fala o apóstolo João. Mas, como é que este tipo gelatinoso feito cérebro tremente que engoliu toda a sabedoria, que comunica em ondas encavalitadas, curtas, modeladas e electromagnéticas não sabe! Aqui tem coisa!

maian9.jpg Foi neste entretanto da noite, olhando o escuro vi: Havia um aparente homem fazendo buracos na escuridão. Senti que meus neurónios brilhavam nessa intensidade num lusco que passou a fusco; relampejou estrelinhas e, eu mesmo virava luz. Coisa de fosforescer agitado em iões e catiões quando até aqui, pensava ser só incandescente. Para que ninguém possa recorrer a uma tradição morta de liberdade por vezes tenho de falsificar o passado com fotões.

O Soba T´Chingange



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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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