EM TERRAS DO SUMBE. Cemitério dos brancos
Verdade ficcionada
Por
T´Chingange
Decorridos uns bons anos em andanças de soberania por terras de entre Benguela e Loanda, agora ás ordens de João de Câmara da Capitania-Geral do Reino de Angola a concelho do seu antecessor António de Lencastre, Governador e Capitão-General de Angola, em inícios do ano de 1781 tive a incumbência deste de subir ao planalto, entender-me com os M´bundos e levar-lhes sementes de cereais com utensílios para o amanho da terra. Tinha a indicação de haver ali um soba rei de nome Katchitiopololo Ekwikwi, com vontade de dar ao seu povo melhorias através do aprendizado em novas culturas de milho, massambala, batata-doce e uma nova batata lisa que os brancos usavam em sua alimentação.
Cansado daquela terra de Sumbe, voraz sorvedouro que nunca se fartava de engolir gente, dei como bem-vinda tal tarefa expedicionária. Em um dia de Janeiro desloquei-me às terras de N´gunza a fim de requisitar o pardo José Nanquituka que anos antes por minha iniciativa e na qualidade de secretário, ali ficara a dar apoio ao soba Kabolo. Eis que logo à chegada ao kimbo, deparo com graciosos cafecos, meninas muito novas com os cabelos arranjados em tranças finas e colares que lhes caíam entre os mamilos arrebitados, pequenos e duros; de início esgueiraram-se mas, ouvindo-me falar em português e umbundo aproximaram-se na incerteza se entendiam o que eu estava gritando pois que lhes parecia ser o nome de seu pai Nanquitude. E, estavam certas. Após um formal abraço e apresentadas as questões que ali me levavam ficou assente avançarmos para o Bailundo no término das chuvas.
Este rei do Bailundo recebeu-nos com alguma indiferença num lugar chamado de Luimbale do Huambo e, só lá pelo quinto dia e após uma demonstração de como se trabalhava com o arado e manobrava os bois, é que nos deu o privilégio de, ainda que de longe, trocar umas palavras em Umbundu. Não obstante ter aceite a oferta de quatro bois, arreios, enxadas, plantas e sementes seleccionadas, marcou um encontro com seus sobas, kimbandas e macotas de Huambo, Catata, Longojo e Luimbale tendo-nos dado um salvo conduto na forma de colar com dentes de javali para termos um regresso sem problemas; a única coisa que ficou assegurada foi termos um novo encontro dentro de um ano; só após a recolha das sementeiras estariam em condições de nos dar abrigo e libertar a vinda de missionários e gente funante; O kimbanda kissombo, de boca sem dentes contorcido em esgares e simulacros de sorriso, transmitiu-nos essa mensagem. Para quem não estava em paz com os mwana-pwós, esta missão foi considerada um êxito.
(Ver glossário no final)
(Continua…)
O Soba T´Chingange
FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
"LUANDA E OS RICOS - 4ª Parte " - Coisas da Luua
Isaias Samakuva
Presidente da UNITA
Os Ovimbundu (Ovi-m´bundu, singular Oci-m´bundu, adjectivo e idioma U-m´bundu) - prefixo umbundu "ovi", são uma etnia Bantu de Angola. Constituem 37% da população Angolana. Os seus subgrupos mais importantes são os M´balundu ("Bailundos"), os Wambo (Huambo), os Bieno, os Sele, os N´dulu, os Sambo e os Kakonda (Caconda). Os Ovimbundu ocupam hoje o planalto central de Angola e a faixa costeira adjacente, uma região que compreende as províncias do Huambo, Bié e Benguela. Os Ovimbundu com a colonização portuguesa, foram num processo lento de mobilidade moderna miscigenando-se com outras etnias assimilando assim muito da cultura ocidental. A partir do início do século XX, em seu territórios nasceram muitos filhos de colonos, mazombos que se consideram também filhos dessa terra, pugnam por ela dedicando-lhe aquele amor que nem sempre é reconhecido como genuino. É deste cruzamento de saberes que nasce a crioulalgem da qual os Ovimbundos não se podem desligar ou omitir.
Nação Ovibundu
Sendo a UNITA o partido mais representativo desta etnia e mazombos m´bundus, e tendo assento parlamentar na oposição ao partido no poder MPLA, cabe-lhe a tarefa de se exprimir perante a onda de contestação ao actual desgoverno de Angola. É nesta perspectiva que focamos aqui o alerta (demasiado suave) à Comunicão Social do seu ponto de vista nas palavras de Adalberto Júnior, porta voz deste partido:

Convocamos a Comunicação Social para mais uma vez exprimir a posição da UNITA sobre os crescentes protestos que os cidadãos realizam contra as violações dos seus direitos e a má governação do Executivo do Presidente Eduardo dos Santos. Em primeiro lugar, a UNITA saúda patrioticamente a coragem e a responsabilidade de todos os cidadãos angolanos que utilizam o direito à liberdade de expressão e o direito à manifestação para protestar contra o desemprego, a pobreza, a exclusão social, a corrupção, os atentados à democracia e outros males que enfermam a sociedade angolana.
O tempo de se forçarem muitos M´bundus a aceitar a contratação como mão-de-obra assalariada (e mal paga) nas plantações de café no Norte de Angola, fazem parte da história que se quer olvidar; por isso as circunstãncias actuais de desmando e perene apego ao poder dos mwangolés do MPLA, tornam-se razões suficientes para uma adesão da Nação Ovimbundu. A forte presença dos Ovimbundu nas cidades fora da sua região por via das guerras de emancipação, originaram naturalmente novos factos na história recente, conferindo uma postura nova na projecção nacional.
Alcides Sakala
Algumas das personalidades mais emblemáticas da história contemporânea de Angola são originárias dessa etnia, como Chipenda, Augusto Chipenda, Comte Kassange, Dom Zacarias Camuenho, Jonas Malheiro Savimbi, Marcolino Moco, Alcides Sacala entre tantos outros. Na literatura e cultura, os Ovimbundu e M´bundus mazombos ocupam um lugar de destaque no panorama artístico nacional tais como: N´dumduma Wa Lepi, Alda Lara, Cikakata M´balundu, T´chissica Artz, Sabino Henda, Bela T´chicola, Manuel Rui Monteiro, Pepetela e José Agualusa que nasceram nesta zona tradicionalmente habitadas por Ovibundus.
Na Comunicação Social membros desta etnia também ocupam uma posição de relevo: radialistas e jornalistas do triângulo Benguela-Huambo-Huíla, marcaram ou marcam presença na cena nacional, com destaque para Analtina Dias, Bela Malaquias, Patrícia Pacheco, Cristina Miranda, Mateus Gonçalves e Sebastião Coelho. A UNITA que continua a ter as suas raízes mais fortes entre os Ovimbundu, tendo Isaías Samakuva na presidência do partido, não pode ficar indiferente ao processo de mudança na vida pública e política. Não pode ficar eternamente subserviente ao poder da gazosa.
(Continua...)
O Soba T´Chingange
AS ESCOLHAS DO KIMBO
“RED SCORPION - 4ª Parte”- Filme sobre Savimbi
Contrastes . Arlete Marques
Numa idade em que o cansaço da guerra e as frustrações já o afectavam, Savimbi resolveu ainda atirar-se a outra sobrinha de Ana Paulino, Sandra Kalufelo, na altura uma simples adolescente e da qual teve um filho. Foi Sandra quem criou as intrigas que levaram Savimbi a mandar matar barbaramente Ana Paulino Savimbi, que foi enterrada viva numa toca de animais. As mulheres foram o grande problema de Savimbi e dividem-se em aquelas que amou - e assumiu como "primeira-dama", mas que também, por razões que se desconhecem, foram as que mais odiou - e as amantes, talvez centenas. A primeira mulher com a qual Savimbi teve uma relação conjugal foi Estela Maungo, Sul-africana que lhe deu três filhas, uma das quais, Rosa Chikumbu Malheiro, reside nos Estados Unidos. Vimona Savimbi foi a primeira mulher assumida por Savimbi na véspera da independência de Angola e com a qual teve três filhos residentes em Luanda. Vimona morreu em 1984 no incêndio da sua cubata e, suspeita-se do envolvimento de Savimbi.
Raizes . Eleutério Sanches
Savimbi teve várias mulheres, mas deixou apenas três viúvas: Catarina Massanga, da qual teve um filho, Rafael Massanga Sakaita Savimbi, educado em França e visto como potencial líder da UNITA; Cândida Gato, que tem uma filha de Savimbi e vive nos Estados Unidos; e Valentina Seke, que acompanhava Savimbi no dia da sua morte e, quando do funeral, foi vista aos prantos pela televisão de Angola. Savimbi teve muitas amantes e, quando arranjava uma, muitas vezes a predecessora tinha um destino trágico: Olinda Kulanda, ex-locutora da Worgan, a rádio da UNITA, e Maria Ekulika, funcionária do protocolo da UNITA, apareceram mortas de modo estranho; Joana foi executada por ter transmitido uma doença venérea a Savimbi; acusada de feitiçaria, Eunice Sapassa foi morta no processo Setembro Vermelho; a mulata Tina Brito foi fuzilada por se ter recusado fazer um aborto (Savimbi não queria filhos mestiços); Gina Cassange foi morta por ciúmes; Cândida foi morta por ter enviado uma carta de amor interceptada pela Brinde, a Pide da UNITA, e Sessa Puna também foi morta por ter servido de intermediária entre Cândida e o amante.
Crioulidades . António Gomes
O Savimbi da etapa final, impiedoso e pronto a sacrificar centenas de vidas pela causa sua, era muito diferente do Savimbi inicial, carismático e amado pela sua tribo, os ovimbundos, que representam 40 por cento dos angolanos. Hoje em dia é difícil de perceber que este monstro tenha tido durante tantos anos tanto apoio dos Estados Unidos e de Portugal. Se não tivesse morrido, Savimbi teria talvez dado um novo Idi Amin, o “carniceiro do Uganda” ou o ridículo Jean-Bédel Bokassa, autoproclamado imperador da República Centro Africana, que dava os inimigos políticos a comer aos crocodilos de estimação e não se safava da fama de canibal. Andei muitos anos enganado, desconhecendo todos estes tristes acontecimentos de que só se ouviam rumores na forma de boatos, mujimbos que agora se tornam realidades. Não podemos andar enganados todo o tempo e, esse tempo chegou. A Unita felizmente tem muita gente de valor que tem muito a dar de positivo a Angola e, que ão se podem revelar neste espelho que quebrou.
Referência: The Portuguese Times (NET)
(Continua...)
O Soba T´Chingange
F
ÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
"O Senhor da Osga"
José Eduardo Agualusa, nasceu em 1960 na cidade de Huambo, em Angola. Estudou agronomia em Portugal, mas a sua grande paixão foi a escrita e o jornalismo. As suas ligações a Portugal e Brasil residem no facto de ser filho de pai português e mãe brasileira. Romancista, contista, cronista, poeta e jornalista, peregrinando seu tempo entre Luanda, Cidade do Cabo, Lisboa e Brasil refletiu as realidades desses lugares em metafóricos contos, descrevendo as intermináveis lutas pelo poder em Angola, dos direitos básicos esquecidos no mundo Lusófono, das riquezas mal distribuidas, das guerras e corruptos governantes tanto em Angola como no Brasil ou o Puto. Essas realidades foram transpostas em alguns dos seus livros que foram muito bem aceites no Brasil. Seus romances suaves, povoados de aventuras, contribuiram para o sucesso.
Os textos de Agualusa cheias de assombros, seduzem na surpreza das palavras que ganham vida formatando um estilo muito seu, que conquista, em cada uma de suas obras o leitor, sejam contos, romances, novelas ou crônicas. Tormou-se um escritor multifacetado, não se prendendo nas fronteiras de um qualquer estilo literário. Seus achamentos em Portugal, Brasil ou Angola, conferem-lhe um molde peculiar na escrita e formas de linguajar, misturas de gíria urbana com banga de Luanda e toda a misticidade negra e crioula, matuta ou parda, ora em certanias, ora em agrestes paisagens do nordeste brasileiro ou rústicas e graníticas aldeias Tugas.
Huambo
O município do Huambo foi fundado no dia 21 de Setembro 1912 pelo então governador Nolton de Matos. Encravada no planalto central, a cidade de Nova Lisboa, como era chamada, é hoje a sede da província com o mesmo nome. Huambo é de origem Ovimbundu, tendo sido Wambo Kalunga, fundador do reino do Wambo, o primeiro monarca da localidade. O Huambo está numa área rica em recursos hídricos, pois nele nascem e passam vários rios e riachos como o rio Calumbula, Kunhumgamua e o Kuhimayala.
Xi-colono .
Agualusa, omo escritor, é fundamentalmente na forma de dizer as coisas, em seu geito de contar estórias que incham a sua aurea carregada de uma profícua, mesmo intensa imagem dum guru da língua portuguesa. Quando não sabe, fabrica termos e, até põe osgas a falar umbundo, uma fusão de referências entrelaçadas de beleza, coerente até na forma de desperdiçar conversa; um entrelaçar de culturas, criando um ramalhete de ideias, unindo zumbis com kiandas e, pesos de consciência que não lhe são devidos nem queridos. É um mazombo magoado com o passado, descontente com o presente revivendo a beleza crioula, uma raíz virada ao arcomo ramos secos de imbondeiro penetrando num espaço meio negro, mei branco, um t´chindere desenraizado à força do seu planalto, um xi´colono profetizando justiça e justeza nas turbas mentes, perfurando o consciente e até o sub-consciente de quem desgoverna a cultura de sua terra. Agualusa é, ele próprio, o exemplo por excelência do crioulo. Ele sabe bem, que assim é, um feiticeiro com geito de kimbanda, passarinho na gaiola, feito gente na prisão.
(Continua...)
O Soba T´Chingange
AS ESCOLHAS DA CONDESSA DO KIPEIO - TREZA R.
"Mário de Andrade (Brasil)"
(1893-11945) Foi um poeta, romancista,críticode arte, musicólogoe ensaista brasileiro
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já tenho agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Jabuticaba
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Lasar Segall Emigrantes
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.
Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdad;
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!
Treza R.
AS ESCOLHAS DA CONDESSA DO QUIPEIO - (TR)
A MULEMBA DA MALDIÇÃO
DE SEBASTIÃO COELHO – 4ª PARTE
“...quando a mulemba secar, o Huambo vai desaparecer,destruido pelos seus próprios filhos. E as riquezas do solo não serão para ninguém...”
DA MALDIÇÃO DE ALBANO CANTO DOS SANTOS, dos anos 20
UM KIMBO DO HUAMBO
O Viegas padeiro distribuia o pão quente em bicicleta. O Bento Agria, o “Faísca” arranjava e alugava bicicletas. Carro de praça havia dois. O do Almeidinha carpinteiro e o do Largo, molengão, para todo o serviço sem pressa. Só mais tarde o Loução Caçador, o Bessa Alfaiate e o Justino Relojoeiro viraram taxistas. Chupa-chupa gostoso era fabricado pelo Antunes da Bébé-Sadio. O kitandeiro 12 da Juleca continou a vender kitutes 13 de casa em casa.
O dr. Eurico era o médico dos pobres. Mas quem sabia mesmo curar o maculo 14 era a velha Quartin, com pomada de pó de raizes, que ela metia a dedo, tufa, tufa, no ânus dos meninos. A generosa irmã Cândida também curava o maculo dos adultos, espetando-lhes as hemorróidas com agulha de ouro, até ao dia em que alguém morreu e aí mandaram ela embora. Cirurgião de confiança era mesmo o Dr. Parsons, da missão do Bongo. Médico famoso para doenças de mulher só o dr. Strangwei, da missão americana da Chissamba.
OS COCOS DO SOBA
Nesse tempo desta recordação, o único fotógrafo de verdade era o Costa Melo, que sempre usava laço sobre colarinho engomado. Armava as suas próprias películas numa caixa “à la minute” e no momento de actuar, levantava a mão e avisava o cliente: -“ai vai, olha o passarinho”. E zás, fusilava um “flash” de puro magnésio. Já nessa época tinha carro, um incrível Ford Pontapé, com faróis a carboreto e capota de lona, segura aos guarda-lamas por correias de couro e fivelas de bronze.
O Baptista era o livreiro “sui generis” do burgo. Não sabia ler nem escrever, mas vendia livros. Vendia literatura a peso, sopesando os livros com a mão. E nunca faliu.
Ao lado da livraria, sempre aberta, porque aí se encontravam instalados os bilhares, estava o bar. No bar do Baptista reuniam-se as eminências da cidade, a tomar “saloios”, por whiski, uma mistura barata de conhaque e soda. Ao fim da tarde caiam o Papa Leonardos, um grego ricaço, contrabandista de mão de obra para o Bom Jesus 15; o Cunha Lima, director da Kapa, homem de sangue azul e modos finos; o Miguel Nepomuceno, advogado e garanhão do povo, o Horácio D... e o Correia S..., cornudos de profissão; o Abel, velho aspirante a intelectual e o velho Tavares Kapoko, intelectual de verdade e toda a outra fauna que integrava o zoológico da cidade, incluindo o Tubarão, o gordo “Tubarão Mendes - Tabelião”, como rezava a placa do notariado.
12 - Kitandeiro/a – Vendedor ambulante.
13 - Kitute – Doce. Doçaria. Coisa boa.
14 - Maculo – Doença no ânus devido à presença de oxiuros.
15 - Bom Jesús – Nome de uma açucareira famosa dessa época.
Nota: Contributo para a história do Huambo- Angola por SEBASTIÃO COELHO
Subscrito por
O Soba T´Chingange
KIMBO LAGOA
ALVARÁ
27 de Julho de 2010
Aos vinte e sete dias do mês de Julho do ano da Graça de 2010, em Terras Ultramarinas do Reino de Manikongo, no lugar “sítio do Pescador” em Vale D´el Rei, reunidos os súbditos do Kimbo de Lagoa com a digna presença de seus Vanguardistas, Nobreza e Gente Rica, reconhecem e ractificam a tomada de posse da CONDESSA DO QUIPEIO vulgo TEREZA RODRIGUES, título a ser reconhecido em toda a Globália.
Sendo comprovado estar o seu código genético impregado de paludismo de fina estirpe, o Soba T´chingange faz a entrega do presente “ALVARÁ” assinado por todos os presentes.
Neste dia, a 501 anos da posse do 1º Rei cristianizado com o nome de N´zinga-a-N´kuwu pelo Rei D. João I do Puto, é lavrado este akto para que fique registado na Torre do Zombo do Kimbo, com os nomes e kognomes de todos os presentes:
Soba T´Chingange
Visconde do Mussulu
Conde do Grafanil
Sobeta da Maianga
M´Fumo da Manhanga
Marquês do Limpopo
Cipaio-Mor N´Dalatando
Embaixador do Cacuacu "Boniboni"
Embaixador do Dirico
Kimbanda Komando Ninja HN . (O guardião da Torre do Zombo)
O Homem Rico "Mano Rodrigues"
A Princesa da Ilha dos Amores
A PRAIA DO SOBA . LAGOA
Em substituição de rosas de porcelana foram ofertadas duas rosas do puto a fim de dar dignidade ao akto
O Soba T´chingange
AS ESCOLHAS DA CONDESSA DO QUIPEIO - (TZ)
A MULEMBA DA MALDIÇÃO DE SEBASTIÃO COELHO
“...quando a mulemba secar, o Huambo vai desapa-recer,destruido pelos seus próprios filhos. E as riquezas do solo não serão para ninguém...” – 2ª PARTE
DA MALDIÇÃO DE ALBANO CANTO DOS SANTOS, dos anos 20
Nova Lisboa foi o nome com que a rebatizou o coronel Vicente Ferreira, ao decidir que a capital de Angola devia situar-se nesse ponto estratégico do Planalto Central. A lei ou portaria com a transferência de nome e da capital surgiu no Boletim Oficial no dia 21 de Setembro de 1927. Desde aí, esta data tornou-se o dia da cidade que só foi capital no papel, mas sempre foi cidade, porque nasceu cidade, a 12 de Agosto de 1912, por decisão do Alto Comissário da República Portuguesa, general Norton de Matos.
Acabava de chegar ao lugar o que seria o grande impulsor do progresso da região, o Caminho de Ferro de Benguela. Para celebrar o acontecimento, o general deslocou-se ao Huambo a fim de anunciar, pessoalmente, “in loco”, a fundação da nova cidade. Ele mesmo, de pé, sobre a tarimba montada frente ao barracão pomposamente designado gare ferro-viária, leu o auto fundacional, na presença dos primeiros habitantes europeus da cidade, dois homens e uma mulher. Logo a seguir e ali mesmo, o Alto Comissário lhes entregou, em mão, o rascunho da planta da nova urbe, traçado pelo seu próprio punho.
Dados geográficos, orográficos e hidrográficos de notavel precisão documentavam o projecto. A cidade seria implantada a sul da ferrovia, alcandorada sobre a linha divisória de águas da região. Não registava nenhum povoado nesse lugar e apenas dava conta da existência de uma incipiente mina de diamantes.
A CATATUA DO T´CHINGANGE - PINTURA DO SOBA
As sanzalas importantes, pertencentes ao forte sobado do Huambo, estavam anotadas e dispersas pelos arredores. Havia a embala 4 do soba 5 grande da Kissala, a duas léguas a ocidente, a do sobeta 6 Sanjepele, três léguas ao norte e a do Sumi, a umas cinco léguas a sul.
As sanzalas do Kalumanda, Karilongue, Kanhé, Kakeléua, Sakaála, Mukolokolo, Bomba e outras por aí, apareceram depois e foram bairros periféricos com entidade própria e nenhum aspecto de musseque 7. Os deterioros e a expansão incontenivel, são posteriores a esse tempo de que vos falo, quando o Paulino leiteiro ainda ia de casa em casa para entregar as bilhas de leite fresco. A lenha e o carvão chegavam na carroça do Sô Domingo, avisando: -“Toc, toc, toc. Cravão, cravão. Toc, toc, toc. Cravão, cravão mé- sióra !”. O rio da Granja era rio de água cristalina, que regava as hortas do Figueiredo e dava nome à única via alternativa entre a alta e a baixa. O grande “boulevard”, de duzentos metros de largura, era tão amplo que a vista curta das autoridades não suportou o desafio e o reduziu a um quarto.
A cidade, desenhada em meia lua, contemplava, em cada ponta, um centro cívico. No meio, o enorme vazio de tudo, estava reservado a projecto futuro. Tudo era futuro na futura cidade de concepção Nortoniana, de particular generosidade nos espaços. Os bairros, distantes uns dos outros, levariam tempo a unir-se, até conformarem, algum dia, a grande e moderna urbe, sonhada. Por enquanto, era um punhado de bairros à espera de serem uma cidade, dominada por zonas verdes e praças enormes.
4 - Embala – Cubata. Casa ou lugar onde vive o soba, nas tribus africanas.
5 - Soba – Chefe. Cacique. Régulo de tribu africana.
6 - Sobeta – Chefe Gentílico. Soba pequeño.
7 - Musseque – Favela. Bairro marginal.
Nota: Contributo para a história do Huambo- Angola por SEBASTIÃO COELHO
Subscrito por
O Soba T´Chingange
AS ESCOLHAS DA CONDESSA DO QUIPEIO -(TR)
A MULEMBA DA MALDIÇÃO . SEBASTIÃO COELHO
“...quando a mulemba secar, o Huambo vai desapa
-recer,destruido pelos seus próprios filhos.
E, as riquezas do solo não serão para ninguém...”
DA MALDIÇÃO DE ALBANO CANTO DOS SANTOS, dos anos 20
Nasci noutro bairro, mas, durante certo tempo da minha adolescência, vivi ao lado do campo de futebol do Sporting do Huambo. A minha rua estava coberta de jacarandás. Quando floresciam, lançavam sobre o pavimento um manto de flores lilazes, que amanheciam orvalhadas e estalavam, fofas, debaixo dos pés. Gostava de ver os jacarandás vestidos de flor, quando perdiam todas as folhas e as pétalas chuviscavam sobre as nossas cabeças, abanadas pelo vento suave do entardecer. Depois, já murchas, aninhavam-se ao longo dos muros em extensos cordões, deixando lugar para as flores novas. Eram milhões de flores que caiam em cada dia, as árvores envaidecidas a mostrar, cada uma delas, a sua pujança de vida.
Do outro lado da rua e além do aterro por onde passa o combóio, seguro de si e do seu caminho, estava o roseiral, acompanhando a via, encaixado entre esta e os cedros da sebe. Ultrapassado o muro verde, estendia-se, interminavel, no sentido este-oeste, a avenida do Colete. Do colete, porque todas as casas estavam só de um lado. Incluindo a Igreja Catedral, que estava em construção. As árvores da avenida eram acácias, que também brincavam de primavera, mas não perdiam as folhas, que pareciam mais verdes quando os ramos de flores brancas, amarelas, vermelhas ou alaranjadas, espreitavam pelo meio, a encher o ambiente de cores e olores.
O festival das rosas desafiantes de orgulho e de perfume, acompanhava a avenida para um lado e para o outro. A caminho da alta, logo depois da passagem de nível, havia um pequeno bosque e a seguir, os olhos embrenhavam-se no mundo dos cosmos, espectacular mancha de cores amontoadas de flores garridas que nem paleta de Matisse. Sem perfume, mas de grande beleza.
A avenida 5 de Outubro, a tal do colete, nascia na baixa, na continuação da estrada da Pauling e São João 1 e terminava na alta, no cruzamento próximo das casas do Samacaca, onde se dividia em duas.
Quem tomasse pelo lado esquerdo, desfilando ao longo das casas do Samacaca 2, desembo-cava nos anéis concentricos do jardim da alta. Continuando para a direita, ali perto estava o edificio do velho Teatro Peairo, que o tempo transformou na “Fábrica de Moagem”, onde tinha início a avenida Ferreira Viana, ladeada de casuarinas. Mas abaixo desenrolava-se o projecto de avenida, sem nome e sem casas que terminava cruzando para o outro lado da linha do CFB, para transformar-se na estrada da Caála. Também era o caminho do Matadouro e o caminho do Cemitério. Foi aqui, entre o Matadouro e o Cemitério, que eu nasci, numa pequena chitaca 3 dos arredores da cidade. Era longe para irmos ao “Ambo”, como diziamos, embora nesse tempo já se chamasse Nova Lisboa. Durante anos fiz esse percurso de muitos quilómetros, a pé ou em bicicleta. A alternativa era usar a berma da linha do combóio, que estava proibida para bicicletas. Ou, então, a pé, por um carreiro de gentio, atravessar a sanzala do Karilongue e descer e subir as empinadas encostas do rio, que se cruzava a vau. Ir e voltar do “Ambo” era uma viagem longa e cansadora de três a quatro horas, segundo a pressa e as pernas de cada um.

O MORRO DO CUNHAMGÂMUA . HUAMBO
1 - Pauling (Póling) e São João – Primitivos Bairros da ciade do Huambo.
2 - Samacaca - Nome de soba famoso. Alcunha de um velho colono, proprietário da correnteza de casas,
construidas umas ao lado das outras, em forma de comboio e que caracterizava essa zona da cidade do
Huambo: as casas do Samacaca.
3 - Chitaca ou Xitaca – Pequena fazenda. Quintal grande.
Nota: Contributo para a história do Huambo- Angola por SEBASTIÃO COELHO
Subscrito por
O Soba T´Chingange
RECORDAÇÔES ANGOLA
fogareiro da catumbela
aerograma
NAÇÃO OVIBUNDU
ANGOLA - OS MEUS PONTOS DE VISTA
NGOLA KIMBO
KIMANGOLA
ANGOLA - BRASIL
KITANDA
ANGOLA MEDUSAS
morrodamaianga
NOTICIAS ANGOLA (Tempo Real)
PÁGINA UM
PULULU
BIMBE
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MOÇAMBIQUE
MUKANDAS DO MONTE ESTORIL
À MARGEM
PENSAR E FALAR ANGOLA
