Domingo, 15 de Novembro de 2015
MISSOSSO . XVIII

ANGOLA . MATRINDINDI - O RUDOLFO VALENTINO DO KALUMBIRI - Para matar saudade… 1ª de 2 Partes

Por

DY0.jpgDy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) - O autor de Ninguém é Santo e de África, é uma bênção e um veneno (frase)…

matrindindi.jpg O Sábado chegou soalheiro ao planalto da Huíla secando as gotículas de orvalho remanescentes da madrugada, nas folhas dos mutiátes. Com ele chegou também a febre da rebita no Kalumbiri ao cair da noite. Era habitual deslocar-me às várias rebitas da periferia do Lubango, tais como o Copacabana, Junior 54 e o não menos famoso Salão Grenat, podia dizer-se que eu era um frequentador assíduo destes locais onde se podia dar ao pé sem preconceitos com a lavadeira ou a criada lá de e encontrar amigos de todas as raças e credos. Rudolfo Epalanga tivera uma curta passagem pela casa da minha avó supostamente aos doze anos pois não havia documento que o comprovasse. E foi curta pois um dia foi buscar o terno para o almoço à casa da Dona Jacinta e de regresso perdeu-se em “Vírgulas” e “ Dribles” num terreiro próximo, e a minha avó não foi de modas e mandou-o para o olho da rua.

matri1.jpg Tal atitude demasiado conservadora não afectou a nossa amizade e continuámos amigos tal o nome “Epalanga” significa. Claro para mim nunca se chamou Rudolfo mas sim Matrindindi. Em verdade vos digo que esta alcunha tinha muita razão de ser pois o Rudolfo era escorreito como um bicho pau e tinha uns braços e pernas bastante longos que terminavam respectivamente nuns pés e numas mãos de dedos impressionantemente compridos. Rapaz de recursos vários teve vários empregos ao longo da sua adolescência e maior idade. Passou pela administração de concelho como aspirante a cipaio, passagem efêmera aliás pois no dia em que o chefe de posto o mandou dar umas palmatoadas a um congênere, negou-se a fazê-lo e foi para a indigência num ápice.

matri3.jpg Durante uns tempos foi continuo na maternidade algo que o inspirou a trabalhar num posto clínico do interior até ao dia em que o Dr. Barbosa o apanhou à sua secretária a aviar receitas com toda a tranquilidade. Ainda foi padeiro e ajudante na camioneta da carreira para Benguela. Em boa verdade podia dizer-se que era um “Self-made man”.  Encontrei-o por volta das seis da tarde desse Sábado já com os seus vinte e dois anos consumidos e lá vinha ele todo aperaltado o que levava a minha avó a dizer: - Esse Rudolfo é um grande “Portuguesão” – Mas avó o Matrindindi é bom rapaz e se gosta de se vestir bem qual é o grilo. – Atenuava eu. – Um bom grilo dou-te eu pelas orelhas, é mas é um vadio sem vergonha como tu. Pirava-me a grande velocidade por que nesta matéria a minha avó era intransigente.

matri2.jpg - Então, Matrindindi vejo que hoje é dia de rebita, vens todo bem posto. – Sabes como é Joca eu gosto muito de dançar, principalmente tango e valsa. - Respondeu-me com um sorriso. As calças cinzentas de cotim assentavam-lhe que nem uma luva e os sapatos “Keds” brilhavam de brancos ao lusco-fusco, besuntados com um produto que era vendido na sapataria do Sequeira. De tantas pintadelas a lona já virara couro e acho que num dos sapatos havia um buraquito matreiro na sola, pois ao apagar a beata que atirei para o chão deu um salto inesperado.

sol4.jpeg Que se desenganem aqueles que pensam que nesses tempos a música da rebita era merengue. Havia muita pouca música africana que acabou só por surgir mais tarde com o duo “Ouro Negro” e o “África Ritmos”. Era frequente o baião do Luís Gonzaga” ou do “Sivuca” e muito Roberto Carlos dos primórdios e o Albertinho Fortuna punha o Matrindindi a dançar tango como ninguém. Parecia uma pena de capota a esvoaçar ao vento tal a leveza como conduzia a dama. Um primor na valsa e posso testemunhar que nas marchas e no baião era imbatível. Eu, pé de chumbo inveterado, ficava siderado com a sua arte. Para mim ele era o Rudolfo Valentino em pessoa.

(Continua...)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:27
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 31 de Outubro de 2015
MUJIMBO . CVI

ANGOLA A crise financeira  em Angola está a agravar os problemas da fome e da seca, sobretudo, na parte sul do país.

soba0.jpegAs escolhas de T´Chingange

Fonte: VOA - Voz da América

 A situação é especialmente grave na zona dos Gambos na província da Huíla

quipá2.jpg O economista Alves da Rocha refere que o país vive um desequilíbrio das receitas para o Orçamento Geral do Estado; são notáveis as consequências resultantes da falta de fontes alternativas para responder os actuais desafios, por via da baixa do preço do petróleo no mercado internacional. O também Director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola advoga que a ausência de fontes alternativas imediata, remete o país para uma situação «séria de crise» que vai exigir à maioria do povo grandes sacrifícios. «Como sempre em todas as crises e em todos os países é no elo mais fraco onde as coisas quebram» frisou.

fome1.jpg Os sacrifícios já começaram a ser sentidos pelos agricultores dos Gambos, no interior da província da Huíla, conforme informa o Padre Pio Wakussanga, da Associação Construindo Comunidades. O sacerdote apontou a emigração dos jovens do Kuvale, Hakavona, Mhambue e Mwila para Luanda, e outras partes do território angolano à procura de melhores condições de vida, mas o sonho nem sempre é realizado.

fome7.jpg Com a desaceleração da economia, o padre Pio Wakussanga diz-nos que a problemática da fome persiste na província da Huíla o que obrigou muitas pessoas a recorrer aos frutos silvestres para se alimentarem. A falta de apoio das autoridades é revoltante. As comunidades mais afectadas, segundo o Coordenador da Associação Construindo Comunidades são o Kuvale e Hakavona, do grupo etnolinguístico Herero. «Com a fome vem a desnutrição, vem a subalimentação e, vêm outros problemas que ela provoca, vem as tensões entre grupos... A fome está a atingir idosos», afirmou.

fome2.jpg Vários são os projectos criados pelas autoridades a fim de promover o combate à fome e a pobreza, porém alguns não alcançam o sucesso desejado. Yuri Chipuio é Director Nacional de Apoio ao Combate á Pobreza do Ministério do Comércio e falou sobre estes projectos que inclui a constituição de lojas e a oferta de kits diversos às populações mais carenciadas do interior. Em face desta situação económica, o docente universitário Josué Chilundulu defende que é necessário sair do discurso para a prática. Chilundulu advoga a exploração das terras férteis em Angola para além dos recursos marítimos e minerais para a melhoria da qualidade de vida.

fome4.jpg A aposta num ambiente de negócio que garanta a diversificação da produção nacional é uma das melhores saídas para a situação socioeconómica precária que o país experimenta. Josué Chilundulu defende a melhoria dos indicadores sociais, a necessidade de fomentar o desenvolvimento do tecido social e humano. Para o académico «é muito triste vermos os angolanos a sofrerem com pobreza quando se esbanja dinheiro para coisas fúteis que só agradam aos governantes.

fome8.jpg «Nós temos o Caminho de Ferro de Benguela que dá acesso a zona do Congo Democrático e a uma parte da Zâmbia que não tem mar» e nisto, disse o docente o país precisa de “tirar proveito das vantagens perante seus vizinhos”. A aposta na agricultura familiar, na criação de um banco de dados, na introdução de novas culturas agrícolas, serão as alternativas recomendadas pelo Coordenador da Associação referida. «Os apoios chegam atrasados, as sementes não chegam atempadamente, não há um banco de dados que nos diga que precisamos de X toneladas de alimentos para dar a X pessoas, de X toneladas de sementes e qual o tipo de sementes», lamentou.

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:37
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014
FRATERNIDADES . LXIX

ANGOLA – HUILA – N´DIGIVA  Ongweva na cascata da Hungueria

Por

torres8.jpgEduardo Torres

torr1.jpgCada um de nós é um pedaço da história vivida em Angola, não interessa a importância que possa representar, ela por si só, vale o que vale, e esse valor não lhe pode ser retirado. Já, que nos tiraram tudo, ao menos deixem que o tempo não apague a nossa presença em Angola. Respeitem, ao menos, a saudade, a ongweva. Estou tranquilamente sentado, aqui no meu sofá do M´Puto preferido, após o regresso de um passeio e, lembrei-me casualmente da possibilidade de escrever o nome de todos os pássaros recordando a felicidade de catraio lá no Lubango, um teste à minha memória.

torr8.jpgtorres 6.jpg

Começo pelos pardais, as tintenas num võo de equilíbrio e rasante sobre o capinzal, os bom-senhores, os bicos de prata e de lacre, os bigodinhos, as viuvinhas do Humbe, os cardiais, os canários, os bituites, catuites ou peitos celestes, as zanguinhas, os papa-figos, as chiricuatas, as bengalinhas, os periquitos republicanos, os beija-flores ou colibris, os caramanchões, as rolas da madeira, os pombos verdes, e talvez me venha a recordar de mais alguns, mas por agora esgotei o repertório. Recordo-me da primeira vez que visitei a cascata da Hungueria. Muito jovem ainda, numa altura em que o asfalto era apenas uma miragem, para lá chegar tinha-se que abandonar a viatura bem longe, caminhar-se por uma vereda de pedra solta, piso difícil, por entre o arvoredo onde o chilrear da passarada era uma constante.

torr4.jpgtorr2.jpg

E, depois desembocar num lugar de sonho, com a água límpida a cair em cascata, por entre o granito escuro, cair imparável para formar um pequeno lago salpicando a água por entre os espaços da pedra, até se perder na terra sequiosa. Lembro-me de ter ficado espantado com tanta beleza; talhada rudemente no granito, uma obra secular e duradoura; não me cansei de a olhar, ao ponto de ainda hoje a ver em pensamento, magestoso, tal como da primeira vez que a vi. Recordo-a frequentemente com saudade quando algo me perturba! Sua grandiosidade reside do como surgiu, sem que a mão do ser humano ali interviesse. Voltei lá mais vezes, mas nunca mais tive a sensação de ser surpreendido como fora na primeira vez, tão jovem ainda, que das outras pouco me lembro, e dessa, nunca me esqueci

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 29 de Julho de 2014
FRATERNIDADES . LXIV

África profundaNo topo da Serra da Leba 

Por

Eduardo Torres Eduardo Torres

  Na vertigem do tempo as recordações quando fortes não se perdem da memória. Relembro o meu lema na estrada: quem andar mais depressa do que eu ultrapassa-me, quem andar mais devagar, será ultrapassado! Não altero a média que pretendo fazer, por andar de acordo com o que os outros andam... Tive oportunidade de ver uma fotografia publicada na página do amigo José Melo, da Capelinha da Senhora do Monte e, recordo-me de quantas vezes subi até ela, galgando a enorme escadaria e, hoje, sinto que mais vezes o deveria ter feito! Estive vezes sem conta no lugar da Esplanada Capela, com o Rogério de Castro e o Homero de Figueiredo, acompanhando as obras do projecto do Arquitecto Ludovice; Ruivo era o encarregado das obras da Câmara de Sá da Bandeira. Fui eu e o Homero, que no local da sua implantação, colocamos a Bandeira a ser descerrada no acto de inauguração.

 A minha ligação àquela terra, é tão forte, não apenas por lá ter nascido e feito a minha vida, mas porque estou eternamente ligado a acontecimentos que me marcaram a vida profissional, tais como a estátua de João de Almeida, o busto do governador Silva Carvalho, junto ao Bairro de Sto. António, o elemento em memória do Marquês de Sá da Bandeira, alguns deles, já vandalizados, quando deveriam figurar num qualquer museu a contar a história da colonização, os bairros Camisão, de Sto. António, do Benfica, e outros de menor dimensão; também as centenas de projectos de moradias, ou blocos mistos, que deram origem a construções que ficaram lá com a minha marca e a do Cido Conde, do qual me orgulho por ter contribuído; ajudar a crescer no desenvolvimento a terra que me viu nascer.

J   Algo que nesse então, tinha esse dever e, cumpri-o com o que me foi possível; nem os meus filhos e meus netos, sabem quantas moradias, quantos blocos nasceram de projectos elaborados até às tantas da noite … Nem é isso que interessa! O que subsistiu foi o meu prazer de ter contribuído, tranquilidade da minha consciência ao invés do que muitos dizem. Sim! Muitos afirmam que todos nós estávamos ali para roubar os indígenas e, se casos hão, e houve, eu e muitos em nada disso contribuímos para além do sistema colonial da qual não éramos achados. Até desconhecíamos que éramos os veículos dessa politica! Também acho que a rebelião ao estado de submissão da colónia era evidente e, isso também me ruía e, no entanto tudo me passou ao lado, contrafeito e revoltado com os senhores do mando que lá longe, dum terreiro do Paço que desconhecia, que de lá muito longe, destruíram milhares de vidas mas, não quero ir por aqui! Este raciocínio atormenta a minha teoria do esquecimento, nada fiz de mal, nada me atormenta!

(Continua…)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:23
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 25 de Julho de 2014
FRATERNIDADES . LXIII

África profunda - Subindo a Serra da Leba 

Por

Eduardo Torres E Eduardo Torres

 Quando se começava a subir a serra da Leba, pela estrada antiga, a caminho de Mossâmedes, atingindo o ponto mais alto, para depois começar a desce-la, era um espectáculo deslumbrante, ver muito ao fundo, a Humbia com as suas casas em miniatura, e a estrada, de terra batida com muitas pedras, a serpentear, surgindo cada curva com um precipício paralelo à encosta, e ver o arvoredo como escorregando por ela, cada árvore tornando-se mais pequena, consoante a distância da descida, ia aumentando; os travões eram só para aconchegar, porque era a caixa de velocidades que funcionava, como controle da viatura.

  Uma serra perigosamente difícil de descer ou subir, mas um traçado, todo ele de encanto e de uma beleza, tão natural como espectacular. Com o novo traçado da estrada asfaltada, num trajecto diferente, não vou dizer que a viagem perdeu encanto, mas desapareceu aquele espírito de aventura, porque se alteraram profundamente os condicionalismos, oferecidos, quer num caso, quer noutro. Aquele pedaço de África, deixou de ser uma fera livre, passou a ser parcialmente domesticada, pelo progresso. Deixou de ser ela determinante no tempo de uma viagem, fomos nós que passamos a beneficiar dessa vantagem, a determinarmos o tempo que cada um poderia percorrer determinado percurso. Hoje, que o tempo já passou, e talvez por isso, sinto mais saudades do das dificuldades do que o da fartura. Um, por se tornar demasiado fácil, quase não de dá por ele, o outro, porque é o inverso, nunca mais se esquece.

Mal comparado, é como um indivíduo habituado à cidade e que por qualquer circunstância, acaba por ir viver para o mato, comerciante, talvez, nos primeiros tempos, vem com assiduidade a cidade, sente a falta dela, vive fora do seu habitat. Mas o tempo vai passando, atrás duns anos, outros virão, e muda completamente o sistema de vida. Torna-se numa espécie de animal selvagem, ganha os princípios da liberdade, aprende os segredos da selva, mata um animal para comer uns bons bifes ao almoço, e já só admite visitar a cidade, por necessidade, quanto mais viver nela. Como animal de hábitos, os seus, alteraram-se profundamente! Angola foi-se habituando ao progresso, porque nós tínhamos necessidade dele. Ela foi-se moldando aos nossos interesses, e as histórias de antigamente não passam mais do que isso. Ficaram as saudades delas, porque foram vividas numa época diferente, porque diferentes eram os tempos. A saudade é um sentimento, cujo tempo de validade termina ao mesmo tempo que o ciclo de vida.

(Continua…)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:34
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 9 de Março de 2014
MOKANDA DA LUUA . XXIII

ANGOLA HUILA . O REINO DOS “CAMURÇOS

Por

  Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

Se havia algo que era um símbolo de convivência social naquele longínquo planalto da Huíla eram as vilas que rodeavam o Lubango e onde cresceu e morou tanta gente boa. As minhas raízes são “Chibienses” e “Huílanas” algo que me dá e sempre dará imenso orgulho. Eu e o meu primo Jinguba temos muita coisa para contar acerca dessas datas festivas, diria mesmo coisas do arco-da-velha. O encanto dos bailaricos era muito mais apelativo e vencia com facilidade qualquer resistência mais temerosa. Os recintos de festa eram todos irmãos gémeos em matéria de arquitectura e decoração desde a Bibala, Humpata, Chibia, Palanca, Caconda, Caluquembe, etc.

:::::

De forma rectangular, telhado de capim e estrutura em madeira de aspecto rústico. A decoração também não fugia à regra com correntes de argolas de papel de seda partindo do centro e atravessando os salões em todas as direcções. Os bares com uma série de tábuas empoleiradas em barricas de vinho, faziam as vezes de balcão, uns tantos alguidares de cores garridas para lavar os copos com um camarada respeitável para servir a clientela. Na entrada para o recinto, estreita e única, estava outro cidadão cobrando uns patacos por uns bocadinhos de papel de cor indefinida a servir de senhas. Tudo de um encantamento invulgar; mesas dispostas ao redor da pista ornadas com jarrinhas com malmequeres silvestres.

 O grande virtuosismo destas festas, eram as orquestras ou conjuntos dependendo do elitismo da comissão organizadora. As bandas eram compostas de músicos que de pai para filho, se foram dedicando à sanfona, bateria, violão e até ao violino ou trompete. Os microfones gemiam de dor fazendo ranger os dentes aos dançarinos. Após o um, dois e três os músicos, cada um para seu lado iniciavam com a marcha da Carmélia Alves sucedendo-se Luís Gonzaga num baião sertanejo. O “Calhambeque” do Roberto era apoteose total do pessoal acelerando nas Cucas e Nocais e o ambiente tornava-se demasiado volátil, propício à confusão; a nossa perna ousava-se entre as pernas das meninas num baião forrobodó. A marcha, não permitia muita aproximação aos “Maboques” das meninas, coisa chata. Por serem precedidos por jogos amigáveis do futebol da tarde entre “Nativos” e “Estrangeiros” do Lubango, era vulgar aparecerem no recinto umas carolas enfeitadas com ligaduras e não raro uns braços ao peito.

:::::

- Porque raio é que o Mosca o nosso guarda-redes havia de se lembrar de atravessar o campo todo e marcar o décimo segundo golo aos Camurços? Onze zero já chegavam muito bem. – Comentou o Jinguba que tinha no cocuruto uma cicatriz de trinta e dois pontos fruto de uma pedrada de um fanático do Humpata Futebol Clube. Duma vez, a turba enfurecida atrás do autocarro arremessou tudo o que tinham à mão, desde o vulgar calhau, garrafas de Macieira vazias e até cadeiras; nesta feita, o Jinguba amolgou-se. Outra vez e, em Caconda onde cumpríamos o serviço militar foi agendado um jogo de futebol de salão entre os Magalas e os “ Nativos” escolhidos na rapaziada local. Um comerciante da terra e velho amigo dos meus tios fez questão de convidar a nossa equipe para uma almoçarada de leitão à moda da Bairrada. Uns Martinis de entrada e algumas garrafas de Cartaxo deixaram-nos maravilhados e gratos. Eu conhecendo histórias da “Peça” devia ter desconfiado de tanta gentileza. Estávamos a envergar o equipamento quando o Jinguba deu o toque a rebate borrando-se pelas pernas baixo e dando inicio a um corrupio geral às latrinas do quartel que acabaram por entupir com tanta caca. Claro que anémicos e desidratados levámos uma coça de seis a zero dos “Nativos de Caconda”.

 Certo dia, sem nada de interesse no Lubango resolvemos ir ao arraial do “Reino dos Camurços”. Eu e o Jinguba montámos no meu Mini-Moke e lá fomos empinocados para a Humpata com camisinhas de botãozinho no colarinho e calças à boca-de-sino e claro,… Brilcream para sustentar as popas. O recinto estava praticamente vazio mas, havia uma quantidade aceitável de moçoilas que nos olharam com alguma cortezia. Tudo foi bem até o Nelson Ned começar a entoar no gira-discos, “ Tarde de Domingo”. Quando o romântico brasileiro se calou o descontentamento estava estampado no rosto dos velhos e das velhas que não tinham apreciado lá muito a nossa maneira de agarrar suas filhinhas, convenhamos com algum aperto. Fiz sinal ao Jinguba para irmos até ao bar e de caminho segredei-lhe que o ambiente estava pesado… pronuncio de desgraça.

Sandula - Caluquembe: CALUQUEMBE – De povoação a vila ... Os bravos de Caluquembe

Nestes lugares, toda a gente é família… Um é primo de Beltrano que por sua vez é primo de Sicrano e por aí fora; por essa razão não é fácil arranjar aliados em tempo de fuga.

 - Duas Cucas por favor. – Solicitou gentilmente o Jinguba, tendo presente na memória o azarado jogo de futebol. O cavalheiro de suíças longas, pele curtida e um farto bigode negro olhou-nos como se fossemos uma praga de salalé, enquanto retirava de uma celha apinhada de gelo as duas cervejas. Pespegou com elas na tábua do balcão com tanta força que foi um milagre não se estilhaçarem; este gesto ameaçador devia-nos ter alertado para encetarmos uma fuga a duzentos à hora. Quando o Jinguba em má hora pediu dois copos ao Humpatense e estes os colocou à nossa frente sujos de vinho, senti um arrepio na espinha - Mas esses estão sujos de vinho; reclamou à cautela o meu amigo - Estão quê? Eu já te dou os sujos. – Rosnou o Camurço. Não pensei duas vezes, larguei uma nota de cinco escudos no balcão e gritei ao Jinguba: – Foge que se faz tarde “mermão”. Acho que bati a milha até à porta estreita do recinto onde levei um pontapé nos fundilhos do primo do Bigodes. Abençoado Mini-Moke que não tem portas e onde entrámos de mergulho. O ponteiro bateu nos cento e oitenta a descer a serra.

As opções do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:55
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 21 de Janeiro de 2014
MOKANDA DA LUUA . XXI

ANGOLA JOANA MISSANGAUMA HISTÒRIA D AMOR

Por

 Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

O conto de hoje pode dizer alguma coisa a algumas pessoas.

Os dois longos anos de comissão em Angola tinham sido passados entre o Úcua e o Piri e algumas raras surtidas a Luanda quando recebia o pré. O lugarejo, encravado na serra da Lousã onde nascera e onde vivera até á a maioridade, tinha-se eclipsado da memória desde o dia em que o Uíge acostara o corpanzil de aço ao cais da capital angolana para um merecido descanso, depois da longa travessia do atlântico, carregando no bojo milhares magalas de pela rosada e fardas de caqui. O coração soltou-se do meu peito e palpitou feito vadio por entre as palmeiras do Paulo Dias de Novais, nadando alvoraçado nas águas cálidas da baía. O cordão umbilical quebrou-se naquele instante de magia rara.

Ficus thonningii Meti consciente o requerimento para ficar em Angola. Para trás apenas parentes afastados que tinham encarado a minha orfandade como um gasto adicional e inesperado. Rumei para sul na rota imaginária dos sobreiros e pinheiros da serra continental e acabei no planalto da Huíla deslumbrado com a sua ossatura majestosa, as suas cascatas, os grotescos embondeiros e a sombra benfazeja das suas mulembas. A loja do mato era pequena mas era minha. Duas portas, três janelas e a cor de tijolo pespegada nas paredes para disfarçar o pó da terra vermelha e fértil. No pátio interior, a cacimba namorava uma mulemba gigante que sombreava a cozinha edificada no exterior. Pela madrugada os bois gentios mugiam clamando por liberdade e pasto, chocalhando as hastes enormes. O odor da terra embriagava-me quando madrugava para os soltar.

 A primeira vez que ela se aproximou do balcão com a timidez de uma gazela, os meus olhos perderam-se no seu colo ondulante bordado com um humilde colar de missangas. A pele mulata não permitiu o vislumbre de qualquer rubor, mas as pestanas negras ocultaram por segundos as íris cor de erva e só voltei a vê-las quando me pediu para lhe vender umas tantas contas de vidro colorido. Depois de rebuscar por entre os rolos de tabaco de odor almiscarado, os remendos para as bicicletas, as samacacas e frascos de brilhantina ofereci-lhe as miçangas rejeitando a nota que ela me queria dar.

 Foram tempos inolvidáveis. De mãos entrelaçadas víamos o sol deitar-se ao embalo da chilreada dos tentilhões e do arrulho namoradeiro das rolas. O Padre Mateus obrigara o Luís Chaves e a Joana Barros a sacramentarem o seu amor na igreja da vila. Nessa noite a lua nasceu deitada, preguiçosa pronta a ser emprenhada pelo céu estrelado. Estou no meu lugarejo encafuado algures na Lousã. A menina de pele trigueira e olhos cor de erva folheia o álbum de fotografias desbotadas. – Quem é esta? – É a vovó – Como se chama – Joana Missanga como tu. – Está aonde? – Está lá longe onde a lua nasce deitada. - Porquê que não está aqui, porquê que estás a chorar vovô, estás a molhar a fotografia. – Pronto não te deixo ver mais.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:42
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 4 de Janeiro de 2014
MOKANDA DA LUUA . XX

ANGOLA A MUTOPA DO SECULO KINJONGO

Por

  Dy – Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

Pirilampo entrou a correr desenfreado no kimbo do século Kinjongo como se tivesse dado de caras com uma Kazumbi ao atravessar o rio Capitão, zona mal afamada onde constava que volta e meia as almas penadas em grande abundância infernizavam as noites. Os gritos entrecortados com soluços engasgados alvoroçaram o pessoal das cubatas que deveriam ouvir-se lá para os lados do Santo António. O meu amigo Pirilampo estava literalmente siderado. As pupilas negras pareciam dois mirangolos maduros e o branco dos olhos duplicara, as lágrimas abundantes desciam em cascata pelas faces negras misturando-se com o muco opalino que teimava em escorrer das narinas. As primeiras varejeiras já começavam a esvoaçar em redor da cara lacrimejante do Pirilampo antevendo uma refeição fluida. A Josefina que moía grão no pilão, parou a sua actividade e o Elias Linguiça libertou-se da sua mangonha habitual, ambos com uma curiosidade reticente. O velho século Kinjongo nem se mexeu da cadeira manca de assento em pele de boi. A mutopa jazia indolente entalada na boca caboba, deixando escapar do fornilho um fumo indelével que atravessava as faces rugosas perdendo-se nos olhos semi-cerrados do velho século.

 - Eu vai morrer tia, eu vai morrer mesmo, gritava o Pirilampo. – Todo o mundo vai morrer, Surucucu te picou, ou quê? – Comentou fleumático o mangonheiro Linguiça. - Vai morrer mesmo, vai morrer mesmo Elias. – A voz sumida do meu amigo situava-o já às portas do céu. Tudo começara com uma caçada aos cardeais que pejavam um charco das redondezas. Depois de muita fisgada sem sucesso, pois as aves escarlates resguardavam-se com esperteza no canavial, resolvemos seguir em direcção ao solar da Prima Rosa onde abundavam T´chiricuátas, Tentenas, Bicos-de-lacre e outra caça mais acessível. Caminhávamos descalços pelo carreiro evitando com destreza as makutas e o feijão maluco, quando uma sombra pairou por segundos sobre a cabeça do Pirilampo numa espécie de mini eclipse, perdendo-se em seguida em direcção à serra. O meu amigo negro ficou cinzento quando viu que a enorme águia que descrevia círculos planando na imensidão dos céus e a que chamávamos Manta, fora esta a causadora do sucedido.  

 Rezava a lenda que numa situação destas o atingido por esta sombra malévola da dita Manta deixaria sem apelo nem agravo este mundo numa questão de dias, e os candengues mais velhos passavam a vida a avisar-nos deste perigo eminente. Esclarecida a tia Josefina, o Linguiça e o século Kinjongo de tão grande desgraça, o Elias alvitrou que talvez não fosse má ideia fazer um Zumbi para salvar o Pirilampo dos quintos do inferno. Esta sugestão não era de modo algum inocente, pois tal cerimónia significava que uns bons litros de Macau, umas garrafas de vinho Royal e o abate de um dos bois do Kinjongo podiam abalar a pacatez chata do Kimbo e melhorar o habitual menu de pirão e esparregado de Lombi. Nos olhos do meu companheiro de caça acendeu-se uma luzinha de esperança e manifestou a sua gratidão ao mangonheiro com sucessivos – Muito obrigado tio, muito obrigado tio. Com as costas da mão deslocou metade do ranho para a bochecha direita e outra metade para esquerda. Foi então que o século Kinjongo abandonou o seu estado aparentemente cataléptico, tirou a mutopa dos beiços carmíneos e chamou o Pirilampo, que respeitosamente se aproximou dele com as mãos inquietas esfregando uma na outra e o olhar cabisbaixo de um garrote pronto para o matadouro.

 O século passou-lhe o cachimbo mutopa para as mãos e ordenou-lhe que inspirasse a maconha com força durante uns dez minutos que quase certo se libertaria de tão terrível maldição. Acho que o Pirilampo andou tonto durante uns dias com o milongo do Kinjongo mas graças a Deus continuou vivinho da silva acompanhando-me nas caçadas aos cardeais. O Linguiça, falhada a tentativa de um forró, voltou a hibernar na sua esteira de caniço espalmado. Relativamente à Josefina, à falta de melhor, lá ia cozinhando na sua panela de barro negro pirão de massango e esparregado de Lombi. Quanto a mim, ainda hoje quando vejo um passaroco de dimensões invulgares a planar nos céus deste mundo, apresso-me a esconder-me no alpendre mais próximo, é que aqui na terra dos brancos não há daquela maconha milagrosa que fumegava na mutopa do século Kinjongo.

Reis Vissapa

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:31
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 3 de Agosto de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXX

As escolhas de

 KIMBO LAGOA                       

ENCONTRO DE CHICORONHOS

Por
  Dy – Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

Um abração para todos, do Dionísio… Cheguei!

Já lá vão trinta e muitos anos que o fenómeno se repete anualmente. As gentes da minha terra aguardam o segundo fim-de-semana de Julho, com a mesma sofreguidão com que os brasileiros aguardam o carnaval. Muitos montam o acampamento logo à sexta-feira na mata de D. Leonor onde as faias curvadas pelo vento substituem os “Mucibes”, os “Embondeiros” e as “Mulembas” da nossa terra. Venho sempre carregando os fantasmas que me atormentam há décadas em busca dos duendes e das fadas que iluminaram a minha juventude e o passado distante. Vejo-os chegar galhofeiros carregando as merendas e chilreando estórias como um bando de andorinhas em migração. Já foram milhares, hoje são menos. Lastimo os que já partiram para as terras do Kaprandanda, mas lastimo mais os que deixaram de vir sabe lá Deus do porquê.
 Faz anos que temos o lugar marcado onde quatro dezenas ou mais de amigos partilham a euforia do momento. Cada família traz o que a sua condição financeira permite, mas todos sem excepção trazem o espírito limpo, uma predisposição única para gozarem o momento e partilharem estórias. Por norma procura de imediato os meus companheiros de infância, o Joaquim a Aleluia e o Humberto. A Aleluia tem uma filha casada com um polaco e desse enlace nasceu um neto que eu alcunhei de “Polandeiro” a simbiose entre “Mapundeiro” e “Polaco”. Tenho de gerir bem o tempo para dar abraços, conversa e emoção a todos os que chegam. Do palco já montado, o Capelão busca no órgão as primeiras notas para a rebita da noite; um verdadeiro ícone desse maravilhoso evento. Exclamações diversas sucedem-se. – Tu estás velho irmão – Já não te via desde a escola sessenta. – Eh pá conheço a tua cara, mas já não me lembro do nome. – Sou o fulano filho do sicrano da Mitcha. Etc, etc.

 Vamos ver as minhas primas de Capangombe, convido eu. E eis que encontro o Pintinho e tal como nos anos transactos pico-o: – Este camarada punha chumbadas na barriga dos “Boca Larga” para aumentar o peso dos bichos e assim ganhar uma taça no concurso de pesca da barragem de Quipungo. – E tu apanhavas o peixe à sexta-feira e guardava-los na água para o apresentares no concurso de Domingo. Vigarista! Mais à frente o pai do Chico, grande amigo de sempre, o velho Magalhães do Kaviongo” – Está quase cego diz-me o Chico, mas olha que ele conhece-te bem. Os primeiros números do quino rasgam o éter. – Dois patinhos, dois, dois, vinte e dois. É quase impossível não regressar às festas da senhora do Monte. Encontro o Faria, o Correia, o Roque e outros tantos a quem presto a minha mais sincera homenagem por manterem de pé este evento. – Não te esqueças de pagar as quotas. Diz-me um deles. É uma amálgama de gente, milionários, ricos, médios, médios baixos e pobres. Pretos, mulatos, brancos e interinos, epíteto que um amigo meu usa quando o chamo de mulato do C..... – Eu sou interino, estou à espera de ser branco. Diz-me sem preconceitos nem complexos.

Foto À noite a rebita arranca a um ritmo arrasador. Massemba, merengue e salsa para dar vender e pelo meio as marchinhas lusitanas que fazem levantar o pó. E é nesse recinto onde se dança que se vê a minha Gente, que se mistura como sempre se misturou, que se diverte como sempre se divertiu, que usa e abusa dos “Etílicos” como sempre abusou e a que em todos anos que participei deste acontecimento, nunca vi uma desordem, uma escaramuça, uma falta de respeito, ao contrário do que acontece quase sempre em locais de diversão deste fatídico país. Fico orgulhoso dela quando homenageiam os mortos na missa de Domingo e faço uma prece para que eles estejam nas chanas de Deus lá na nossa África distante. Quase quatro décadas e nunca “Os Vendilhões da Pátria” deram importância alguma a este maravilhoso encontro. Lastimo-os e desprezo-os, tinham muito a aprender com todos nós.

Reis Vissapa

Opção do

Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:00
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

RELOGIO
TEMPO
Weather Forecast | Weather Maps
Novembro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

13
15

19
20
22
23
24
25

26
27
28
29
30


MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
Facebook
Kimbolagoa Lagoa

Criar seu atalho
ARQUIVOS

Novembro 2017

Outubro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

TAGS

todas as tags

LINKS
PESQUISE NESTE BLOG
 
CAIXA MUSICAL
CONTADOR
contador free
ONDE ESTÁS

Sign by Danasoft - Myspace Layouts and Signs

blogs SAPO
subscrever feeds