Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXVI

ANGOLA DA LUUA XXXVI - TEMPOS PARA ESQUECER – 19.02.2018

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA ... Angola - 43 anos depois da independência. Já ninguém acreditava que era só uma pequena parcela dos nossos militares a dar a mão ao MPLA. Eram todos!

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Doeu, dói, e continuará doendo recordar aqueles dias em que por um longo tempo fomos uns tinhas, uns retornados, uns ranhosos como ouvi dizer a uma senhora da Cruz Vermelha que deveria ter amor ao próximo mas, assim não o era; uma senhora que ali estava numa missão de mostrar solidariedade, um frete só para parecer-se numa dama de alto coturno com ternas maneiras de lidar com o cidadão irmão.

monstro4.jpg Tinham-lhe tirado o sono e, em missão de voluntariado teve o desplante de dizer isto na minha chegada ao Aeroporto da Portela em Agosto de 1975; estamos aqui por causa destes ranhosos, disse! Era essa tal ponte de LuuaLix na guerra do tundamunjila que todos parecem querer esquecer e, porque só teve o mérito de nos tirar do fogo cruzado dos guerrilheiros e fraternas ajudas das NF (Nossas Forças) ao movimento que não nos queria lá, aonde quer que fosse!

:::::

Seria talvez a esposa dum oficial superior e que naquele agora mostrava ao povo de abril o quanto lhe fazia mal aquela ascensão de benesses por via de uma guerra colonial, das muitas comissões ultramarinas que lhe proporcionaram subir na sociedade do M´Puto. Dinheirinho, pois! Mas, muitos mais militares de carreira assim o queriam; as transferências de angolares para escudos faziam-lhe falta.

:::::

Era a compra de mais um andar na zona nobre de Lisboa (Lix), um carro novo de fazer inveja, uma vida muito cheia de pacto com o sistema, mais um talhão de terra para fazer engravidar a usura, a capitalização de valores. Perpetuar as aplicações financeiras por via de uma guerra de kwata-kwata que não desejávamos, que não queríamos! Mas em verdade andávamos distraídos lá na Província Ultramarina de Angola. E, estes dias têm de ser reescritos, revividos porque a história não o dirá deste jeito magoado, sem enaltecer um herói que a existir, só o poderia ser de túji… Inventado!

monstro6.jpg Divagando num após quarenta e três anos, podemos recordar o quanto os americanos queriam apagar com compensação os desaires tidos na derrota do Vietname. Fazendo manobras diplomáticas que só eles sabem fazer na perfeição, queriam garantir o petróleo do golfo de Cabinda. Aquilo para eles era um jogo menor e, pouco importava se o interlocutor era de esquerda ou direita. Haveria que garantir sua altivez na forma de petrodólares, condição necessária de perpetuar no serem os senhores do mundo.

NDOZI.jpg Aqueles, tornaram-se assim, senão aliados, pactuantes com o MPLA abandonando a FNLA mandando até na fase crucial duma possível mudança da guerra, retirar órgãos vitais como sendo as culatras dos potentes obuses que estes tinham posicionado no lugar de Kifangondo. Mas eles, os americanos, já tinham dado ordens para os Sul-Africanos se retirarem em sua campanha de tomar a Luua, a capital do novo estado chamado de Angola.

:::::

Os americanos são efectivamente os piores amigos que se pode ter! Só digo isto por cruzar em triagem tanta manobra que fazem em todo o mundo para perpetuar sua supremacia; aliados com seus primos da Inglaterra, do Canadá, da Austrália e outros de sua comunidade, fazem girar o globo ao seu ritmo. Fazer guerras lá longe, abater quem atrapalhe seus interesses e manter-se na altivez do quero, posso e mando! Um dia isto vai acabar, mas já nem será no meu tempo!

moka23.jpg Pelo petróleo de Cabinda além de abandonarem a FNLA de Mobutu Sesse Seco, deram ordens de retiro à Africa do Sul, abandonaram Savimbi e os portugueses… Bem! Estes, para além de tudo foram moeda de troca a custo zero para o M´Puto. Usaram muito bem seu poderio! Subestimando uns, apadrinhando e chantageando outros, abandonaram-nos com o beneplácito dos novos generais de aviário da onda abrilista e vários políticos.

:::::

No dia sete de Setembro a “Nova Brigada” das FAPLA (Forças Armadas do MPLA chefiada pelo comandante N´Dozi ataca o Caxito, obrigando a FNLA a recuarem no terreno. A Vila do Caxito, torna-se uma cidade como aquelas dos filmes do oeste americano, fantasma! Uns velhos acocorados e acolhidos no antigo quartel das forças portuguesas que também foi do ELNA (Forças militares da FNLA) e que agora era do MPLA; uma doação menor no contexto global.

:::::

As FAPLA tinham atingido os montes dos libongos em quarenta e oito horas. Neste desastre do Caxito pode admirar-se o comandante N´Dozi de óculos escuros, fumando um cachimbo com liamba e levantando as mãos com o sinal de V de victória, assim como uma cena dum filme à americana. A Força Aérea das NT estava senhora da situação pois detectava do ar todos os movimentos na região do Kifangondo registando tudo em fotos tiradas do ar.

mdp01.jpg A Força Aérea Portuguesa tinha vídeos dos avanços e recuos das movimentações do exército da FNLA em terra e, estes dados apareciam nas mãos dos comandantes do MPLA. Os comandos de NT diziam desconhecer esta prática; a ser verdade havia militares do M´Puto infiltrados só para extrair informes cruciais no avanço das batalhas em terra e, no intuito de serem fornecidas ao partido de opção, O MPLA. 

:::::

Já ninguém acreditava que era só uma pequena parcela dos nossos militares a dar a mão ao MPLA. Eram todos! Os simpatizantes pela FNLA ou tutelados como tal eram relegados à não permanência activa das operações sendo muitos enviados para a metrópole. Era o plano estratégico do MFA na entrega incondicional ao MPLA. Quem referir o contrário está a mentir com os dentes todos. Soube-se ser o Brigadeiro Valente o oficial das NT mais colaborante com o MPLA e deduzir-se daqui que a maioria de seus subordinados também o eram.

(Continua…) 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:45
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018
MALAMBAS . CXCVI

A CHUVA E O BOM TEMPO - 16.02.2018

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade … Pechinchando a vida.

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

O que mais evito num encontro de amigos é abordar o assunto de religião porque isto cria abismos de constrangimento entre as pessoas. Nossa natureza tem no ADN existências agarradas que nos envenenam a felicidade. Pode até se tornar numa agonia com violentos anjos às ordens de diabos muito cheios de vermelhitude nas labaredas.

araujo99.jpg Evito a todo o custo enfadar-me porque e, até meus dentes sem o querer me mordem a língua. Para a maioria, ter muito dinheiro é a chave da felicidade; possuir celulares xis-pê-tê-óh, casas, um grande salário, um carro de dar nas vistas e roupa de marca é considerado sinónimo de emproada felicidade. Quem não tem amigos destes?

:::::

Não é normal alguém se passar deliberadamente por pobre; é normal agigantarem tudo o que sai de si, porque na malfadada vivência, as atitudes mostram a pobreza como algo de infecto-contagioso, uma doença a dar para o perigoso. Muitos e próximos tentam mostrar o que não são ou aparentarem; mentem-se a si e aos demais subestimando-os e querendo estar sempre por cima num qualquer simples procedimento.

roxo 20.jpg Ao fazermos amizades e com o tempo seremos mais conhecedores duma qualquer pessoa, assim e mais de perto e com o tempo, descobrimos uma outra realidade mais profunda; realidade que nos leva a frustrações por isto marcar necessidades profundas devido à cultura da aparência; a verdade permanece neles, oculta na superfície e como se fora uma pelicula de verniz – gente que usa sempre a dissimulação.

:::::

É verdade que ao nos permitirmos adquirir várias culturas em países ou lugares diferentes, surgem características próprias e costumes bem arreigados como um paradigma, tornando-os singulares. Ao nos relacionarmos com as pessoas percebemos coisas interessantes ou não. E, sempre ficamos chocados quando o lado da análise tomba para o negativo.

araujo115.jpg Embora haja casos em que as pessoas são prestativas ou atenciosas, caímos por vezes no ridículo de sentir que tem muita gente a desprezar o próximo tornando a vida barata e vulgar. É sabido que toda a mudança exige sacrifício e adaptação mas há entre nós gente ruim que nos cobiça a todo o instante sem deles sair uma palavra de conforto ou solidariedade.

roxo46.jpg E, afinal porquê aceitamos este desafio permanente de querer acreditar; com o tempo vou fazendo triagem do que ouço deste e daquele e no tempo, vou excluindo este e aquele senão até que me remeto a um distante silêncio. Digo para mim: está na hora de rumar a outro desafio! E, posso dizer são muitas as desilusões mas, também surgem aspectos reconfortantes, gratificantes! Este mundo não é a nossa pátria, somos todos estrangeiros e peregrinos. Cada vez mais me sinto assim! Os abraços são-no de graça mas nem todos têm graça. Poderia até ser pior…

Ilustrações: Aleatórias de Costa Araujo e Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:39
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2018
MISSOSSO – XXIX

T´CHINGANGE NA FICÇÃO DO XANGRILÁ12.02.2018

Não há palavras para vos descrever o que senti quando a assombração se escafedeu feito num nada…

XANGRILA : (Horizonte Perdido), é descrito como um lugar paradisíaco situado nas montanhas do Himalaia, sede de panoramas maravilhosos e onde o tempo parece ter-se detido  ...

 

Por

soba15.jpg T´Chingange (No Nordeste brasileiro)

Acabado de chegar ao Xangrilá de cultura, clima, costumes e principalmente de idioma totalmente diferentes, eu e o Herculano pés-chatos, tivemos necessidade de pedir ao Nosso Senhor uma ajuda suplementar para e a partir do hotel ympaly, encontrarmos o angolano chinocas, Sundinho de nome. Sundinho fazia de agente turístico da Star para levar curiosos a ver os chimpanzés dorso de prata. Deparamo-nos com um grande problema por via da empresa superstar, estar mesmo… em greve. Algo inusitado nestas paragens.

xangrilá0.jpg Este acontecido não estava nos nossos previstos planos e, logo por azar os telefones estavam embrutecidos; quando resolvemos visitar esta terra na encosta do Cú-de-Judas do Xangrilá, não podíamos imaginar que quase ninguém falava outro idioma que não fosse o mandarim. Bom! E, porque nos tinham dito que tomássemos um ónibus a fim de sair no centro, lugar do nosso destino, lá fomos interpretando nossas fantasias até considerarmos que deveria ser ali o centro da City. Foi nesse Ali de pagodes, sinos e penduricalhos que descemos.

:::::

Mas afinal, esse ali ainda não era o que desejávamos! Nossa pretensão era alcançar a bodega, tasca de Severino, propriedade de um brasileiro nordestino que fugido da justiça ali foi parar; ganhou fama vendendo cachaça, caipirinhas pitu com e sem sensação, fazendo coxinhas de peru, galinha e até iguana.

:::::

Este cabra-da-peste já era um empresário de sucesso lá no Sertão do Nordeste mas, desentendido com a justiça por tirar o cabaço a uma donzela, teve de abalar porque, não queria por nada deste mundo ver as estrias do canhangulo do pai dela, jagunço muito afamado pelas honras e ao jeito de lampião. Não queria mesmo ser capado nos seus sentimentos mais aprofundados.

bruno27.jpg Estamos lixados, disse Herculano dos pés-chatos depois de interceptar alguns transeuntes com todos a abanar a cabeça. Definitivamente, não entendiam o branquela quase albino da Bracara Augusta do m´Puto. Ele gesticulava, imitava até o dançar do samba, beber algo na mimica das mãos mas, nada. Sisudos com seus olhos em bico ficavam sem expressão suficiente para esclarecer a dúvida.

:::::

Aqueles zero graus centígrados enregelavam ainda mais nossa vontade de chegar ao calor do boteco. Momentaneamente, recolhemo-nos em um alpendre com o propósito de vislumbrarmos uma saída mais airosa; deveríamos estar perto do Cabra-da-peste mas, talvez recorrêssemos a um polícia. Bom! Faltou-nos aqui, um plano B.

:::::

Afinal para além do Sundinho e do Severino do boteco, mais ninguém falava inglês, muito menos o português. Deram-nos a referência de “Duas Casas”, aliás nos prospectos que tinhamos, havíamos rascunhado em círculos o lugar da bodega do Severino dos Santos; em verdade havia muito mais que duas casas.

nassau3.jpg Recordo agora quando naquele sertão calorento de Juazeiro no lá paratrás do Ceará, ele, o Cabra-da-peste, ter dito que em tempos de guerra urubu era galinha; creio que sempre assim foi com ele. Agora no Sertão de zero graus aquecia os corpos por dentro. Estávamos assim meio dormidos quando Herculano albino me cotocou no braço: temos visita! Era um bêbado malvestido e desleixado com cabelos às trancinhas cebeirentas que se aproximava de nós.

:::::

Deduzimos que talvez viesse da tasca do Severino brasucas pois, notava-se estar bem carregado de pitu! Pode ser que venha da bodega do cangaceiro do Severino; vou perguntar se conhece o tasco que tem um buda do lado esquerdo, o Lampião no centro e Maria Bonita com um fúsil do lado direito. Talvez entenda meus gestos!

:::::

Mas, afinal, Deus Nosso Senhor é grande mesmo! Sem que o chamássemos ele veio de mão estendida. Ohpá…Ora sim! Vem nos pedir uma moeda, uns quantos Yuans; só nos faltava esta! Qual o nosso espanto quando quase em nossa frente ele nos pergunta: May I help you? Eureka!... Com grande contentamento dissemos em uníssono: Yes! Yes!  

pedras001.jpg Obrigado meu tio Nosso Senhor, ouviste-nos! Falei assim mesmo. Foi quando lhe dissemos que procurávamos um boteco assim e assado, com as características já ditas; nem foi necessário acabar a descrição. Vocês seguem por aqui, you go straight on e no terceiro cruzamento viram à direita change right e é só andar, nem duzentos metros. It's there in that place on the right side! De longe vê-se um grande coqueiro em plástico que ele cimentou no passeio, acrescentou!

:::::

É a casa Lampião, disse também, imitando com gestos o chapéu de frontaria achatada e com espelhos na testeira e penduricalhos nas extremidades. Mas que alegria… Comentávamos isto já a caminho do lugar, discutindo até que que deveríamos ter dado mais umas gasosas ao maltrapilho e edecéteras coincidentes.

Roxo155.jpg Como se fora numa premonição, paramos num repente de um invulgar instinto a uns escassos cinquenta metros, olhamos ambos para trás e, nadica de nada. Vimos, nada! O bêbado escafedeu-se, evaporou-se. Só podia ser um anjo, disse eu! Com certeza disse Herculano. Há cada coisa na vida tão verdadeira que até parece mentira! Vou-te-contar!? Contei!

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:17
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2018
KWANGIADES . XXX

MOKANDA DO ZECA EM MAIUSCULAS - As falas de Zeca – 08.02.2018

Por

zeca00.jpg José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga. Tornou-se ali professor katedrático e agora lecciona no M´Puto quando não fica com o catolotolo…

TONITO (era o meu nome de candengue da Luua)

MAIS UM FANTÁSTICO MISSOSSO TEU....! JURO, JURO QUE DELIREI NAQUELE MAMBO " Já estava farto de usar ceroulas até o pescoço a fim de aguentar o frio do M´Puto,..." SIM KIMA KAMBA MUXIMA, DO FRIO DO M' PUTU DE TER DE ANDAR DE CEROULAS, MEIAS DE LÃ ATÉ AO JOELHO, CAMISOLA INTEROIR LÃ DE MERINO, LUVAS, CASCHECOL... AI-IU-É…

:::::

TUDO, TUDO PARA TIRAR A HUMIDADE DO SALALÉ SECO QUE BERRA POR QUENTURAS E AS TUJE DAS FRIEIRAS DA CUSPIDEIRA FRIA DAS "CALOTES DE CHORO CAIDAS COMO TREPADEIRAS DO ALASCA PARA A KALUNGA" QUE ESTE INVERNO AS KALEMAS ALTAS TROUXERAM PARA A PENINSULA IBÉRICA, PARA A EUROPA, AMÉRICA...

zeca e eu.jpg POR CULPA DO HOMEM KIAVULU VULUKIA VULUVULU CACHIMBO QUE ENVENENA A ANHARA DO NOSSO SENHOR NO ALÉM. OH! SIM, SIM, TU GOSTAS BWÉ DO NU QUENTE DA NATUREZA..., DE MACEIÓ, PAJUÇARA, PALMARES... QUE DIZES SER DE RENOVAÇÃO DE PELE COM ÓLEO DE COCO DO SOL REDENTOR...

:::::

OS BICHOS, AS PLANTAS MEDICINAIS..., TUDO, TUDO, NATUREZA TE CONHECEM E TE CHAMAM O KUUABA N'GANA VATA T`CHINGANGE! SEI QUE DELIRAS, TOPANDO A TEXTURINHA DA BELEZURA NUA NATURAL BATUCANDO DE SALTOS ALTOS NO CALÇADÃO NO CORSO DO CARNAVAL! UÉ!

zeca1.jpg TU PRÓPRIO FIGURANTE DOISIMILDEZOITO VESTIDO DE "CAPATAZ" DE BARRIGA DE JINGUBA DE FORA E DE CHICOTE NA MÃO NO CORSO DE GUAXUMA.... RECORDANDO OS TEMPOS DOS CORONÉIS...

:::::

AMAM'IÉÉÉ´! TUA SORTE MERMÃO DO RIO SECO DA MAIANGA, TU SERES PÁSSARO DE VOO DE MUITOS MUNDOS COMO O KWETZAL.... AGORA, TAMBULA CONTA! UÉ! COMO É? BEIJOADA Á TRANSMONTANA, TRIPAS À MODA DO PORTO, ENSOPADO DE CABRA VELHA, BODE MESMO...A BORDO...!

:::::

UÉ! COMO AGACHAR E APONTAR O TUBO NO MINUSCULO BURACO DE CERTO "ENTUPIÇO" E DE ENGUIÇO BIEN ÉTRE PARA OS ROLLYS ROICE.... NÃO, NÃO, ISSO DUM MUKIFO LOGOLOGO MATACO NO ENCOLHIDO BANCO...

ZECA MAMOEIRO.jpg SIM, SIM, MAS BREVE TERÁS E LOGO AO DESCERES, PISARES A TERRA E SENTIRÁS O CHEIRINHO DO CHURRASCO PITA VIRGEM. MESMO TABAIBO DO MATO NA GRELHA, NO ESPETO PAKASSA TENRA E A PICANHA NA GRELHA A ESTALAR.... OS TEUS CAMINHOS SÃO DE DEAMBULAR FELIZ NA KUKIA DA VIDA QUIÉ SUMAUMA.

:::::

QUE A TUA VIDA DOCE CONSOME, É O TEU PREPARO É O TEU ELIXIR QUE ESMAGAS NO TEU PILÃO E BWÉ CONSOMES..., TAL COMO OS TORRESMOS DA BELA MOPANE.... NESTE TEMPO DE ESTUPOR, TERRA DE “FIADO CIVILIZADO” DE SEM RESPEITO, CURRICULO SUSPEITO … Oh! NGANA NZAMBI! KAPIANGO, PÉS DE PATRANHA, EDIFICAM-SE NOS POLEIROS DE NOSSOS CELEIROS…. E, NÓS SÓ XIMBICANDO N´DONGUS  NAS MULOLAS DO RIO SECO…

KANDANDU - ZECA2018020722H00

As escolhas de

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:16
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2018
MONANGAMBA . XLVIII

O CARMO E A TRINDADE – 06.02.2018 

- A nossa própria estória não pode ser enganada…

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

Por

soba0.jpeg T´Chingange - no Nordeste Brasileiro

Encontrei o Adelino quando retirava uma sopa à jardineira da estante da Cozinha de Portimão, uma casa especialista em fazer churrasco de frango e, cujo dono é um xi-colono vindo do Lubango e, que ri sons agudos e solavancados; lembrei-me de seu nome: Álvaro Gomes Faustino. Notei pelo perfil que aquele outro senhor era o Adelino, um amigo vindo como eu na ponte da LuuaLix da guerra do tundamunjila de Angola.

:::::

Na dúvida, toquei ao de leve no ombro dele, pelo que certifiquei-me de ser ele mesmo! Então Adelino, como vai a vida? Perguntei! Desculpe mas não sei quem é o senhor! Pópilas, o catravêz da estória retrograda tomou conta dele. Eu que passei tantas horas com ele, rebitando farras com seu sobrinho Zito, e, naqueles dias cinzentos. Daqueles tempos em que nos tentávamos adaptar ao frio, à indiferença do M´Puto e ao nome de retornados.

abraço0.jpg Sou eu o T´Chingange Monteiro amigo do Jimba e da Balbina Peixoto Pais da Cunha, sua sobrinha! Foi quando o lado certo da cabeça dele relampejou na demasiada sonolência. Desculpa, meu!... Deu-me um grande abraço, daqueles que só se dão quando se repara um infeliz lapso de memória!  Adelino é um mestiço nascido no Sumbe, antiga Novo Redondo, o cemitério dos brancos lá pelos anos 50 do século XX.

:::::

Deu-me notícias de que seu irmão Pais da Cunha tinha falecido, bem como o Jimba Peixoto seu sobrinho por afinidade. Contou que na sua recente ida a Angola, foi maltratado! Como assim! Muxoxei para ele com aquela surpresa de quem num repente fica burro pelos incidentes! Verdade, meu irmão, mandaram-me para a minha terra, a terra do meu pai, referindo-se aqui ao M´Puto!

cafu14.jpg Ouvi a descrição sem espanto porque as odisseias da vida têm destas periclitantes situações. Pois! Disseram-me para vir para a santa terrinha; isto depois de 42 anos é muito chato de ouvir. Adelino veio na ponte, entrou a trabalhar no Tribunal de Portimão colocado como adido e por aqui foi ficando com a categoria de técnico oficial de execuções fiscais.

:::::

Por vezes falava-me de casos pitorescos na sua incumbência de fazer inventários ou executar ordens de arrolamento com confiscação de bens, como colheres, mobílias e outros patrimónios de alto ou baixo pecúlio. Mas a estória que agora vou contar nada tem a ver com estas tarefas de agente do estado para desgraça de pobres, coitados e afins…

STUDBYQUER.jpg Adelino descasou-se em tempos de más descargas biliares com a sua genuína e primeiríssima mulher; sucede que naquele então estavam a chegar muitos refugiados vindo dos países nórdicos sendo em grande parte Romenos, Kosovares, Húngaros e até Russos com mais outros países devastados por guerras civis.

:::::

Foi nesse então que lhe deram a hipótese de se umbigar com uma branquela cor de neve e jovem de fazer inveja com gaifonas à sua mulher. Vou-te substituir por uma branca, sua preta! Teria dito ele como desdém e gozo de muitas raivas e também para meter inveja! Pensas que fico por aí assoando ranho de choros!? Teria dito isto rindo-se todo de malvadez por dentro. Conheço a peça!

angola6.jpeg Vai daí, mandou vir uma mulher mas, eis que sem mais nem porquê vieram duas! Tanto assim que um dia disse-me: Monteiro, não queres uma mulher! Como é!? Este filme vim a conhece-lo mais a fundo posteriormente. O tempo passou e eis que um dia convida-me a ir à festa de um ano de sua menina nascida do ventre da tal mulher do Kosovo. E isto foi em sua casa no local da Pedra Mourinha de Portimão. Sua filha era loira, de olho azul, bonitinha…

:::::

Agora que já são passados uns catorze anos perguntei se ainda estava com aquela tal mulher ao que me respondeu: Mandei-a embora! Andava a pôr-me os chifres com um patrício seu! Disse ele sem que lhe perguntasse! Desfiz-me da ranhosa. Estava a tornar a minha vida num xarope amargo e acabei com a estória. Então e a tua filha? Está bem, uma linda moça, boa estudante; fica bastante tempo em minha casa pois eu sou seu encarregado de educação. Fico contente que assim seja! Disse eu…

sapatos longos.jpg Daqueles meus amigos de Silves e Portimão, muitos voltaram a Angola depois da morte de Savimbi em 2002. Alguns, habituados às modernices do M´Puto com janela de vidro duplo, tiveram alguma dificuldade de se readaptarem na N´Gola, mas o tempo foi-os acomodando à terra sua por direito. Pelo que sei, ninguém se adaptou a cem por cento. Cá e Lá…

:::::

Uma merda, diz Adelino relembrando muitas outras pequenas coisas em comum. Já nada é igual! Dissemos quase em uníssono! Transcrevo isto a bordo de um Boing da TAP rumo a Maceió aonde resido desde 2006! Um exercício que prometi fazer a fim de ginasticar a mente e, por modo a não ficar com aqueles chatos lapsos de memória que atrapalham o gosto de viver! Conheço-te de algum lado? Até um destes dias Adelino…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:47
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018
MALAMBAS . CXCIV

A CHUVA E O BOM TEMPO - 31.01.2018

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade num mundo exótico …

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Falando de pessoas, se o passado para alguns surge falso e é coisa de se esquecer, o futuro de hoje parece ser uma mentira. E, se a esperança está no futuro, direi que virá muito cheia de medos esquizofrénicos com o terror de se ser comido por um semelhante. É esta a lei da vida? Lá terá de ser!

ant4.jpg Numa metafórica visão rocambolesca, tento reeducar-me de modo a não ferir susceptibilidades reduzindo-me a um infra numerário, numa passividade contemplativa do quanto baste e, no estritamente necessário; sem me tornar em uma múmia de sempre dizer sim, e nem lá vou nem faço nada, ou então, que seja o que Deus quiser.

sacag4.jpg Tem muita gente assim que manda tudo para o Nosso Senhor como se Ele não tivesse mais nada para fazer; Graças a Deus que o Benfica ganhou! Mas que é isto!? Nem procuram saber se Ele é do Benfica ou do Belenenses. Desta vez lixaram-se porque no último minuto veio o empate!

::::: 

Vejo assim a arte das coisas como um meio de transmiti-las, sem me inibir nem renunciar por completo dos principios e regras estabelecidas. Por vezes não consigo ter o bom senso necessário e destapo a tampa recorrendo à literatura que, é ainda um bom meio de se alcançar a reinventacão na transmissão de princípios da luta pela renovação na sociedade.

:::::

Todos nos encontramos mergulhados na banalidade quotidiana dos gestos e das frases repetindo aquelas ansiosas falas de todos os tempos e, de todos os lugares. O Mundo está uma ervilha! E falam, falam pelos cotovelos. Assentes numa mesa quadrada todos explicam assuntos bicudos, periclitantes.

moita2.jpg É a cultura da televisão com cento e cinquenta canais sem contar os desportivos. E, com tudo simples e anti-heróico clico no botão das minhas benevolências: Que é isto!? Falam das mamonas assassinas! Clico de novo: Dormiste bem? Amor, queres que te faça um chá? Uma torrada com doce de pitanga?

:::::

Numa vida a dois, clico nos três das notícias, é ali que desperta a zona franca da memória. A operação XIZ resultou na prisão de três presumíveis implicados, um presidente de um clube, um juiz de instância superior e um deputado da nação! Os presumíveis implicados têm cadastro já do tempo da outra senhora e, repetem, repetem e, eu mudo de zona…

144.jpg A minha zona franca está a ficar um porto inseguro! Respira-se por fim um ar tranquilo com o computador a dizer: esperam-se aguaceiros na sua zona – leve o guarda-chuva porque pode molhar-se! O vento sopra frio do lado do mar. Uma luz sobre a realidade; este computador anda a comer-me os às…  

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:11
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 27 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CXCII

TEMPOS PARA ESQUECER – 27.01.2018

Já se passaram quase 43 anos depois da independência. Muxoxos de lusofodiaste com fricção dum Monstro Imortal…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Aquele Tenente-Coronel fardado com um pijama às riscas sentado num sofá de orelhas, era preto. Era alto em sua juventude mas agora curvado com o peso da vida e das traquinices tornou-se em um espeto seco, desmilinguido, invulgarmente marreco e bexigoso fruto de tantas ruindades frutificadas na violência da vicissitude da política.

monstro6.jpg Em um momento de lucidez perguntei por seu nome e veio de lá a resposta: Monstro Imortal! Fiquei de boca aberta pois que este figurão tinha sido morto na guerra dos fraccionistas no ano de 1977, ano em que meu pai Manel veio para o M´Puto com uma bala no corpo. Só pode ser um matumbola (morto vivo) pensei cá para mim e até me belisquei para ter a certeza de que isto não era um sonho. Eu sabia bem que João Jacob Caetano, o lendário Monstro Imortal, tinha morrido com um garrote do n´guelelo.

::::

Isto, há coisas que só acontecem comigo! Constava-se que o tinham cegado mas nada lhe perguntei porque o delírio da velhice pode bem dar para estas divagações; ele via mal, mas via! Sendo assim deixei-o a falar entre dentes; -Aquele cabrão do Pedalé (Pedro Tonha) nem teve coragem para me fazer perguntas. Deixaram-me ali a gemer para um gravador, enquanto apertavam o garrote - Iam e vinham; iam e vinham. Atiraram-me ao mar de um avião mas sobrevivi! Será?

cabo ledo4.jpg A história coincidia com os muxoxos mas aqui no mato, num lugar do cú de Judas da Zâmbia já ninguém lhe dava ouvidos. Todos sabiam que tinha chegado em uma avioneta trazido por um homem loiro, cor de cenoura que pagou a preço d´oiro seu salvamento a um grupo de gente que por ali estava. Talvez uma ONG! Pensei eu.  Deve ter sido salvo por um submarino soviético, só pode! 

:::::

Agora que diz coisa sem coisa, todos os desculpam de coitado, nem sabe o que diz, nem sabe o que fala! Muito cheio de catolotolo a dado momento fica apontando a miragem do mato referindo-se ao porto da Luua; que dinamizava a paralisação dos homens que deveriam fazer estiva, carregar as bikwatas dos colonos brancos e mazombos. E, isto de dinamizar a paralisação é um contra censo mas é mesmo assim, dinamizar o nada-fazer para parar a economia dos brancos.

guerri4.jpgHoje vai haver maka! Repetia a  todo o instante. E, punha-se a rir no canto do beiço contando centenas de mortos e ordens de carrega nos unimogues dos Tugas do MFA - leva na vala. Nosso Coronel, fazemos como com os feridos? - Leva tudo junto e, bota neles cokteil molotov! Ordens são ordens e,  rapidamente dali e acolá saiam frotas de carros goteando sangue nas ruas da Luua.

:::::

E li algures de que «As forças de segurança prenderam muita gente jovem que, na manhã de 27 de Maio de 1977, andava nas ruas de Luanda. Centenas deles foram levados para um Centro de Instrução Revolucionária na Frente Leste e os dirigentes locais assassinaram-nos friamente.» - Nas Faculdades desapareceram cursos inteiros. No Lubango, dirigentes e quadros da juventude foram atados de pés e mãos e atirados do alto da Tundavala.»

guerri6.jpg Você não colabora - vejo-me obrigado a entregá-lo aos militares. «Os detidos passavam para os militares, e para as torturas.» Foi assim mesmo, dizia isto para mim com duas lágrimas estancadas no rosto, que secavam ao vento da chana, uma anhara sem fim. E continuou: - «Presos atirados pelas escadas e, no pátio, espancados só átoa. Berravam e pediam por amor de Deus, não fiz nada. Quase sem vida eram atirados para dentro de viaturas. Até um mercenário norte-americano, lembro bem, comentou: -Vi muita coisa na minha vida mas nunca uma coisa assim.

:::::

«Carlos Jorge, Pitoco e Eduardo Veloso chicoteiam o Costa Martins, batem-lhe com um pau com espigão de ferro, massacram-lhe as costas com correias de uma ventoinha de camião. Ao chicote chamavam Marx e, ao espigão, Lenine. Também o puseram numa sala, junto a uma máquina de choques eléctricos. Só cheirava a carne queimada.» Este Tenente-Coronel estava mesmo nas últimas; nem sei se estes nomes existem mesmo.

monstro1.jpg Junto com o ranho e as excrescências tossicadas pude ver grossas pastas de sangue. Os cuidados esmerados daquele grupo de gente já não alcançariam êxito de vida para aquele imortal. Saí daquele lugar de Chokola num jeep willis até Catima Mulillo aonde apanhei um voo até Lusaka. Ainda estou em crer que aquele velho senhor não era esse tal de Monstro Imortal do MPLA mandado matar por Agostinho Neto. Seja como for, para mim o Tenente-Coronel fardado de pijama às riscas deixou de ser Imortal. Defuntou-se imortalizado…   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:03
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CXCI

AS RELAÇÕES ANGOLA – PORTUGAL – 24.01.2018

Já se passaram quase 43 anos depois da independência. Muxoxos de lusofodiaste…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Um senhor fardado com um pijama às riscas, sentado num sofá de orelhas olhando para o infinito, babando-se pelo canto esquerdo descaído, insensível ao cérebro abanado por uma trombose. Com a lentidão das coisas graves e titubeadas com muxoxos – Hum, pois, não sabe; a kalashnikov, os turras, a febre do poder… E, eram bolas de trapos, meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme?

:::::

Nesses tempos ainda nem sabíamos que isso era uma liberdade linda! Nem conhecíamos as filosofias do mal… Nos intervalos dos lapsos de memória quase petrificado ele, o velho Tenente-Coronel fala tudo desencontrado no tempo e no espaço; efeitos da Luua no quarto decrescente, penso eu-de-que!

MIRAN1.jpg A juntar pedaços de memória com Pattex de cola pregos, tentando reconstituir acontecimentos escondidos nas costas, enclausuradas… Não perguntava mas queria saber e inventava – Quando que fui Tenente-Coronel… Pois! Queres ver que agora é preciso ser preto para se ser angolano. Tens duvidas ou quê? Nem correndo na diagonal ou vivendo em tecto de zinco, taipa ou de bosta chapada… e, havia uma mistura de coisas com acontecimentos, tudo no mesmo molhe. Ordenei-as como pude!

:::::

Entre a vida e a morte as diferenças estão nos pormenores pois algumas são demasiado trágicas e outras muito, por demais sofríveis… Ele teve a sorte de morrer num ai, repentinamente (falava dum monstro, talvez um tal de imortal do MPLA); nem a viu aparecer, a bala do mona-caxito… Movimentos das FA com seus militares guedelhudos e revolucionários esquerdistas do M´Puto…

jatiu3.jpg A tempestade vingativa dos habitantes da Luua, dos musseques, abateu-se sobre os comerciantes brancos. E foram primeiro os fubeiros, depois os taxistas e a seguir já o eram todos os brancos. Os fubeiros tinham fama de trapaceiros e os taxistas de reaccionários. Entre a vida e morte as diferenças estão nos pormenores, repetiu… Sua cuca estava mesmomesmo pifada mas, eram coisas passadas, reais.

:::::

Quitandeira de filho atados com lenços do Mobutu com quindas cheias de loengos, gajajas ou sape-sape… candengue ranhoso abanado no caminhar, dando cabeçadas na mãe por entorpecimento entre apertos de multidão pra apanhar os chapas (táxis populares da quinhenta) do Zambizanga…. - Pois! Queres ver que agora é preciso ser preto para se ser angolano! Repetia isto a todo o instante como se fizesse funje numa lata de leite Nido nas obras da Brito Godins.

ciga5.jpg Os primeiros foram expulsos dos musseques, à força e com o medo a estalar em fogos de very-lites, arcos-íris de granadas às centenas produzindo efeitos imediatos – É agora ou morres! Pópilas, ou morro ou mato! Mas ali só havia prédios. Creio que estava a ver a avenida Brasil da Luua! E, eram centenas; despojados dos pecúlios foram pedir ao lobo mau das NT – o mesmo que MFA a ajuda que nunca lhes chegou.

:::::

Era a frente para a fuga ao invés da fuga práfrente, algo já estudado pelos frentistas a fim de se efectuar o abandono, uma táctica nunca vista nos anais da lusofonia. Esta tornava-se conhecida aos poucos entre muxoxos de lusofodiaste; uma teoria que funcionou átoa, mas resultou mesmo.…

vazio1.JPG Havia que manipular os espirito inseguros, carregar nos botões certos das almas inocentes, com o fígado incompleto, candengues sem estrutura para os virar monstros desapiedados com o nome de pioneiros… Eram ideias desfibrilhadadas numa antiga dor e creio que se foi no tempo com um sentimento de culpa. Deveria iluminar-nos não é!? Amanhã será outro dia e, foi-se! O Sol não tinha como se abraçar a nós nem podia esperar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 21 de Janeiro de 2018
MULUNGU . LIX

TEMPOS CUSPILHADAS – 21.01.2018 - Por livre iniciativa, a Europa deu autorização a importarem os espíritos da China! Eles estão chegando…

Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco em língua Xhossa

Por

soba0.jpegT´Chingange

Até há bem poucos anos atrás, o ocidente fechou as portas à possibilidade de compreender a China. Hoje, buscam formas de se entender diplomaticamente com estes, permitindo-lhes a entrada em seus territórios com obtenção de benesses e isenções em sua actividade comercial – vistos gold e outros edecéteras. Tome-se em conta que o peso de impostos que os demais cidadãos nacionais são obrigados a pagar, é bem menos vantajoso do que o oferecido a estes empresários vindos do outro lado do mundo.

MULUNGU1.jpg Deduzir-se assim que os donos disto tudo, só o serão com os países de capital que nos compram divida. Um dia o futuro chega e quase sem se saber, as instituições que eram estatais formam-se de um conjunto de accionistas sem rosto e, dum qualquer país. Se neste futuro vamos ter de ficar entregues a um dragão, teremos de saber um pouco que seja do que não nos une e divide!

:::::

Se dali vieram há muitos anos atrás o chá, a seda e o arroz, não será mau antevermos os significados de sua cultura, mitos e realidades. Como se pode ir a Setúbal sem se saber quem foi Bocage ou, ir a Inglaterra sem se saber quem foi Shakespeare? Pois corria o ano 220 da nossa era quando os Qin unificaram aqueles territórios para e, a partir daí a China passar-se a chamar de China.  

pequim1.jpg E, foi Qin como primeiro imperador que colocou milhares de guerreiros feitos em barro e em tamanho natural para guardar sua sepultura. Marco Paulo, o primeiro ocidental a visitar estas terras longínquas curiosamente não referiu a existência destes milhares de guerreiros, nem tampouco referiu a muralha da China que dizem ver-se da lua.

:::::

Bem! A grande muralha da China é o símbolo da identidade da China mas, tudo é devida à sobrevalorização que os viajantes ocidentais dela fizeram; se em tempos foi útil para defesa tornou-se no tempo uma inutilidade, coisa supérflua. Este símbolo foi transformado em parque temático pois que à semelhança do Coliseu de Roma, estes mascaram-se aqui de falsos guerreiros armados com lanças de pau e escudos de cartão.

pequim2.jpg Criam atmosferas de uma Disneyland onde o em vez do Rato Mickey se pode encontrar o tal de Qin, primeiro imperador a vender camisolas e cuecas com estampas dele mesmo; tudo gerido por uma sociedade cotada na bolsa de Hong Kong. Não me convidem para ir à china ver um velho homem já careca com nome de Mao Tzé, uma barriga de melancia transportando a gaiola dum passarinho para apanhar ar e vir de lá uma bicicleta desenfreada e, atropelar-me.

:::::

Parece que por lá nos sinais dos semáforos o verde é para parar e o vermelho para avançar! Ninguém se entende na balburdia porque o vermelho é a cor da revolução. Cozinham na rua, um beco cheio de gente que tosse e cospe e ali ao ar livre acendem o fogareiro, colocam-lhe carvão aonde estiram uma cobra despida ainda a rabiar! Deus-me-livre!

pequim3.jpg Mas hoje Pequim a capital que foi criada por decreto imperial em 1404 por Yung Lo da dinastia Ming é uma cidade cheia de arranha-céus; alguns destes edifícios terão lá no alto do cubo de vidro ou concreto a fazer de tecto, um chapéu pagode.

MULUNGU2.jpg Acabaram com os espaços interiores tipo pátios ao jeito da Andaluzia aqui do sul de Espanha; com o tempo os muros altos com aldrabas lacadas a vermelho para impedir os espíritos malignos de ali entrar estão sendo derrubados. Por livre iniciativa a Europa deu autorização a importarem de lá estes espíritos para e, com tempo compreendermos a China…

O soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:02
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CXC

CINZAS DO TEMPO - 19.01.2018
NO TEMPO DAS CARTAS DE CHAMADA PARA A LUUA - ANGOLA DEVE TER SIDO UM SONHO!
- O vapor Mouzinho levou meu pai para Angola; ele levava uma mala caixão de lata com bolinhas verdes e tiras de madeira pregadas com taxas douradas…
MALAMBA: É a palavra.
Por

soba0.jpeg T´Chingange

Há dias e dias! Há dias de um irritado pessimismo e outros de tão naturalmente optimistas que como um carneiro jogamos orgulhos contra obstáculos de repetidas coisas, eternas repetições de males antigos, males de imaginações insatisfeitas, amargas desilusões sem fermento na tristeza. Sem vontade de tormentos, certo! 
O certo é o de que quanto mais se sabe mais se sofre. Há fastio de inteligência! Há tédio! Há vontade de mandar tudo fora e partir vidraças, emudecer brilhos, despedaçar bocejos. Mas, desde quando um carneiro tem orgulho? 

mouzinho1.jpg Tão abarrotado de civilização espreito os meses farejando raças sob o abrigo de suas telhas vãs no calor da lareira, panela atestada de couves tronxas, frigideiras com unto branco de porco, uns chouriços de pendão, panelas tisnadas, trempes de ferro sempre aquecidas entre troncos de oliveira e borralho esparramado:

:::::
Uns traços de números esgravatados na cinza. É meu pai fazendo contas de feira passando os dedos papudos e peludos ora nas frieiras, ora sobre a face pendida, apalpando a testa e aludindo ganhos minguados. Nos fios de gastas crenças, tão corcovado, tão gasto, enrodilhado em suas macias filosofias de mineiro de volfrâmio, lembranças do M´puto, da guerra.

baú3.jpg Embebido, travado e suspirando baixinho, revia sua miúda indecisão de viver recordando-se dum dia. De repente, com um trejeito de esforço endireitou-se emperrado e cresceu! E, falou (é ele a recordar): - Amanhã vou à Companhia Colonial de Navegação inscrever-me! -Vou para Angola! Corria o ano de mil novecentos e troca o passo. E, o tempo passou...

:::::
Falo de meu pai que esgadanhando a vida retirava volfrâmio nos granitos da beira no lugar do Cornelho, freguesia de Rio-de-Loba, terras altas e frias nos arrabaldes de Viseu - terras de Viriato e Sertório...

niassa0.jpg Os gases da segunda guerra ainda lhe amedrontavam os pensamentos. E, até eu sonhei dias depois que ainda pequeno, nos interregnos da brincadeira, guardava as chibitas, cabras que forneciam leite à família com aquele maluco carneiro que se encavalitava para marrar no farrusco, meu cachorro também guardador. Cabrão do animal!

:::::
A Dona Micas barafustava a gritos a cada investida das cabras aos rebentos de suas videiras; eram os meus grandes problemas de vigília com arremesso de pedras e o busca-busca de farrusco. Meus sonhos transladavam-me para as frias terras aonde meu pai em tempos lá no M´Puto disse ter namorado com uma bruxa. Eu até me arrepiava quando falava de lobisomens de um tal de Nesprido... Eu candengue e aquilo a meter medo aos putos, que nem as recentes Urais soviéticas da guerra e, também depois do tundamunjila branco! As guerras aqui ou lá são sempre de kwata-kwata...

baú2.jpg Sentado no muro de pedra solta e no lugar da Maianga da Luua, um dia, vi meu pai seguir na carreira via Cais de Alcântara em Lisboa (de novo aquele sonho duma terra ainda desconhecida); levava uma mala de lata, um caixão de esperança sarapintada de bolinhas verdes sobre um xadrez de riscas pretas reforçada com umas tiras de ripas de madeira pregadas com taxas douradas. 

baú1.jpg O velho vapor de guerra Mouzinho de Albuquerque esperava-o ancorado no rio Tejo. Vendo agora a foto amarelada desse velho barco com meus dedos curtos e papudos, afago a caveira através da face também sarapintada nos anos. Essa mala de bolinhas verdes nunca voltou; lá ficou com outras muitas fotos numa Angola que ele tanto queria. Foi quando decidi ser Niassalês; nascido num barco que agora só é ferrugem...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:14
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 7 de Janeiro de 2018
PARACUCA XXV

MOKANDA DO EDU – 07.01.2018

No tempo em que os chícharos se chamavam de feijão-frade - Uma estória contada doutro jeito

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Não posso falar todos os santos dias em coisas menos boas e, muito menos contigo meu amigo! Tenho de distribuir carinhos mesmo que pareçam carunchosos. Se queres ficar nos trinques com tua saúde bebe bolunga de massambala, enquanto relés. Já te recomendei tremoços, o camarão dos pobres que comidos com casca fazem bem ao reumático! Kiákiákiá…. Pois! O tremoço é um alimento óptimo para o metabolismo, um conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior de nosso organismo. Só que tu não ligaste peva!

camionista1.jpg Nas histórias que podes contar da tua vivência em Angola tens de meter jindungo do bom para apaladar o gosto tropical! Não vem mal ao mundo dizer que essas terras do teu tempo de criança, das estradas poeirentas e esburacadas, ou lamacentas transbordavam de água porque se fossem quimbombo só com os vapores ficaríamos pirucas.

:::::

Depois das tempestades tipicamente tropicais, em que os relâmpagos sulcavam o céu em várias direcções, sempre aparecia a kukia brilhando o firmamento. Aquele cheiro da terra molhada e muito cheia de cazumbi perfumada, brincava com nossas sensações de esquecer o cheiro do chícharo quando ainda nem era feijão-frade. O apetite surgia na curva da nossa vida feito funje com kiabos mais dendém nadado com tukeyas panadas ou peixinhos da horta.

camioneta 3.jpg Com a vida a resplandecer, a natureza impunha-se com suas regras para que isso acontecesse com sentido de vontade. Bom! Há assuntos dessa Angola de asfalto, de progresso, que não deixam de ser uma contradição com as carretas bóhers do tempo da minha avó natural da Madeira. Vejo-a com seu lencinho amarrado em volta as orelhas, ainda desligada do progresso mantendo a tipicidade do seu nascer.

:::::

Tal como ela, minha avó nasceu rude, jeito não burilado como o interior das savanas, das mulolas, das picadas, daquela Angola tão grande. Andando pra trás no tempo convenço-me de que o progresso nunca virá a atingir toda sua imensidão, permitindo assim que fique este genuíno retracto de quando eu era um puto de calções de zuarte e, sem cucas. Assim, os profundos contrastes, poderem permanecer-me feitos selva com os seus profundos mistérios dos maboques, das nochas e dos nombis do Humbe.

bessangana4.jpg Claro que o progresso não se compadeceu com minhas saudades continuando a medrar no seu habitat natural. Além do mais as cidades, as vilas, as povoações ganharam direitos que não podiam ser impedidos. Mas, e tanto quanto sei, as mulolas e t´ximpacas, continuaram por lá com os direitos que a natureza do mato não pode perder.

:::::

Quem se enterrou no barro preto, atravessou rios em jangadas, ou ficou preso nas mulolas, recorda agora o ter sido rebocado para poder sair delas, uma angústia que não se compraz com um passeio turístico por uma estrada asfaltada. Sei que muitos dos Xi-Colonos sintam prazer em relembrar isso com preferência em o fazer naquelas condições; facto que não se esquece a comparar com os tempos de hoje, em que viajar era uma 

Torres0.jpg E, havia os candongueiros a vender fardos de peixe seco levados de Baia Farta e deixando um sulco e cheiro por quilómetros já depois de ter passado. A adrenalina de sair dum lugar sem nunca saber da chegada ao contrário do que acontece hoje com uma panóplia de instrumentos com JPS e telemóvel era coisa! Horários pré-estabelecidos não eram parte do projecto; haveria que levar isso sim, umas patilhas elásticas caso o radiador furasse.

:::::

Levar uns arames para um qualquer suposto imprevisto, umas latas de atum, panela, frigideira, arroz mais batatas para curtir as fomes que no mato são mais agrestes. Levar também uma caçadeira por-se-acaso e também para matar o bâmbi, depois cortá-lo e preservá-lo em sal. As condições de viajar mudaram radicalmente, muito por força das estruturas rodoviárias e ainda pela própria evolução tecnológica das camionetas.

tambaqui6.jpg Recordo em 2013, a ultima vez que estive em África e naturalmente em Angola, o prazer imenso que senti em viajar num four-by-four tendo o recordo daquela magiros roncadora, rompendo picadas, enxotando as capotas e afastando o capim próximo; de novo viver aquela terra de outros tempos, momentos únicos que me trouxeram à lembrança essas outras fases da minha vida e, na qual fiquei colado com grude…

Nota: usando um texto matriz do EDU – Eduardo Torres

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:09
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018
MOAMBA . XVI

AMIZADES - CRUZES CANHOTO - Bingo! O mundo está diferente. Bem-vindo a uma nova era…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Foi este o Lema que li ao levantar-me; escrito por José Canhoto da Quarteira com o qual me identifico. Tal como ele, aqui em KIZOMBA, ultimamente sem saber a razão e porquês, começamos a receber dezenas de pedidos de amizade diariamente no Facebook de angolanos, brasileiros/as, gente da mauritânia e arredores, dos países do leste europeu entre outros do globo.

:::::

A percentagem pode ser distribuída da seguinte forma: 95% de mulheres e os restantes 5% de homens. Tal como Canhoto, cheguei a várias conclusões: Todas elas têm idade inferior a 30 anos, a grande maioria tem filhos sem serem casadas, outras fazem publicidade á venda de sexo explicitando os diferentes menus e os “saldos” respectivos a pagar. Cumcamano!

etosha6.jpg E, os petiscos são “variadississimos”. Definitivamente neste aspecto de venda de sexo nota-se uma evolução negativa nestas redes sociais. Eu bem digo que ando carunchoso mas, contudo, o facto que mais me surpreende, assusta, causa pena e dó pelo nível educacional como escrevem.

:::::

É sempre uma escrita em desacordo com as habilitações literárias que dizem ter e das várias universidades angolanas e outras que frequentam ou dizem ter frequentado. No tocante a Angola, os erros de sintaxe são arrepiantes em cada duas palavras ofendendo a língua de Camões. Choram dolorosamente da forma como a sociedade, maioritariamente angolana, as crucificam e maltratam (entenda-se aqui como sendo os homens).

amigo0.jpg E, no que toca a Angola, acho também que o Governo deveria ter abolido todos os resquícios do colonialismo português incluindo a língua e optar por um dos mais populares dialecto angolanos o umbundo, o kimbundo ou quicongo, só que tiveram receio de ficarem sozinhos a falar uns com os outros sem nunca se poderem entender

:::::

Compreendo assim, a razão por que Angola vai ficar condenada a viver num sistema neocolonialista pelos próximos 200 anos e terem que ter profissionais estrangeiros competentes a fazer os trabalhos que lhes competiria. Infelizmente, não me parece que consigam atingir a sua maioridade neste espaço de tempo.

:::::

Se em todas as outras actividades profissionais a ignorância dos angolanos é idêntica á forma como escrevem a língua de Camões, a diferença entre hoje e de quando foram achados em 1482, pouca diferença faz no que respeita á sua literacia.

louva8.jpg Qualquer aluno do ensino primário em Portugal escreve bem melhor do que os angolanos a frequentarem as universidades. O Brasil também enferma desta visão. Tal como Canhoto, estudei em Angola e, a qualidade do sistema educacional que os colonialistas portugueses tinham lá implantado, não tinha qualquer comparação com os que os angolanos usufruem 42 anos depois a independência.

:::::

Esta constatação leva-me também a concluir que os angolanos nem sequer ainda gatinham depois de 42 anos de bafunfa. Continuam reféns e dependentes de tudo e todos como bebés que precisam de pais adoptivos estrangeiros sendo a maioria e agora, de chineses que os preenchem, fazendo tudo o que estes precisam para sobreviver. Não demorará a saírem da esfera do dólar e entrar na do Yuan.

paulo0.jpg Retirem todos os estrangeiros de Angola e deixem de importar tudo o que precisam para viver e, veremos o tempo que demorará a que todos voltem para os campos tal como sempre o fizeram ao longo de 500 anos plantando o necessário para comer. Não é preciso ser sábio para adivinhar o destino dos angolanos se rapidamente não definirem as suas prioridades e, sendo a primeira o de se verem livres do partido que os governa desde 11/11/1975. Deixo aqui as minhas vénias a Canhoto por este interessante alarme…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:52
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2018
KIANDA LII

“O mito dos Santos“ - Trata-se de um conto vulgar com uma notória lacuna: Os Santos nascem brancos!

Por

soba0.jpegT´Chingange

Foi mesmo no prefácio que a vida de Sexta Feira começou a ser utopia! Ele aconteceu vir nuínho da silva, gritar logo sem que ninguém lhe entendesse. O labirinto de suas falas ainda não eram verdadeiras, de nariz achatado e ainda branco, um pouco para o vermelho e, já lhe diziam ser parecido com seu pai, Domingo de nome.

ÁFRICA3.jpg Sua verdadeira mãe ali do lado já era Segunda e, todos juntos eram Santos. Como então? O pai se chamava Domingo dos Santos, sua mãe, Segunda dos Santos e, ele vinha assim mesmo Sexta Feira dos Santos. Nunca que ninguém lhe vou esquecer, que nasceu branco; depois virou preto mesmo!

:::::

Na sua pele enrugada Sexta Feira já arrastava sua missão de vida com dificuldade de premonição quando os olhos dos outros se comoveram feito chuva de Colomboloca e Zenza do Itombe só porque sua cor se tornou mais retinta que a do seu pai Sãotomense. Que assim seu livro de vida mesmo sem prefácio, já era mesmo no gerúndio!

ama3.jpg Ele, Sexta Feira fez assim, assim com sua mão pequena e já sua tia mandava palpite de que você vi ser engenheiro. Como é!? Porquê falas isso, perguntou sua mãe de Segunda Feira dos Santos. Porque sua mão logologo, disse Lurdinha dos Santos na resposta elogiosa: seus traços que viu na ternura e da firmeza de sua mão como no rodar duma chave de busca-pólos.:::::5Sim! Vai ser engenheiro de electricidade e dos petróleos! Afirmou quase peremtóriamente como supra numerária das linhas mestras no futuro do candengue. Tem gente assim, predestinada a grandes falas! O mito é assim mesmo, um nada que é tudo como o sol que abre nos céus.

:::::

Eu, T´Chingange amigo só de vizinho lá no Caputo, fronteira da madame Bergman e Bairro Popular número um, machimbombo numero vintidois da Terra Nova, branco de segunda mesmo, assombrava-me com os compromissos, palavras só faladas para não ficar assim sem compreensão de nada dizer! Entendem? Pópilas, não kopelipem! Tem muita gente assim; fala, fala, mas não diz nada mesmo!

maianga do araujo.jpg Cá para mim, era mesmo uma criança de um indefinido feio, mais parecendo ao Mobutu Sese Seko Kuku Ngbendu Wa Za Banga muito mais ainda que o seu Patrice Okí Assombro Lumumba; ambos do Kongo. O primeiro que foi presidente feito onça comedor de coração de macaco e o segundo que também foi, mas morreu com um tiro nas partes, lá por 1961. Há assombros que batem certo!

:::::

Estava mesmo a ver Sexta Feira correr descalço, pisar nos tabaibos da gente, e ficar assim fulo, mesmo de lixado, e só átoa. Cada um tem seu caminho e não foi em vão que só ainda nem acabou. N´Zambi é que sabe de como fazer, agora só mesmo falar de elogios, dos traços e coisa e tal, da geração e nem sei que mais - está mal!

menino2.jpg Porque às tantas, vai ser presidente, ficar dono do nosso kumbú e, nós aqui olhar o vínculo de suas linhas com palavras sem glossário nem nada. Juro! Foi nesse então que disse: Este caminho de antes que seja, vai ficar muito mais pior e, de Santos mesmo, só o nome se vai salvar. O diabo mesmo é que ele pode vir a ser.

:::::

Depois de muitos anos concretizou-se a profecia. Dos Santos era um filho da mãe Segunda! Como vai então um povo andar práfrente, ir ser assim um Santo que nunca mesmo o foi?! Não foi em vão porque só ainda não aconteceu. Tambulakonta, a história mesmo, é muito mentirosa.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:14
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2017
PARACUCA . XXIV

MULOLAS DO TEMPO – 29.12.2017 - Mulola é um leito de rio que só o é, quando chove, tal e qual como minha vida verdadeira…

Paracuca: É uma bolacha dura, torrada com açúcar e jinguba…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Passeando meu doutoramento atrofiado, no tempo do M´Puto e pelas calçadas de Coimbra, piso uma titica de cachorro. Pópilas! Disse logologo uma asneira dum tamanho inteiro, desde o presente ao gerúndio, com toda a família até à terceira geração. Logo a seguir vi escrito o bom censo na forma de aviso: seu cão cagou - PF você apanhou! Se fosse camaleão, teria um olho virado para este e o outro para o chão, mas logo isto sucedeu quando lia o partecipamento de alguém falecido de nome Nepomuceno Antunes dos Olivais.

alcaçuz1.jpg E, caía uma chuva miúda e molhada de encafifar doutores, assim para desvanecer-me das vaidades, doutorices empinadas no nariz. Agora cheira isto! Bem feito! Mais à frente e antes de chegar ao Alma Shoping uma pomba esparramada já não mais o era; um qualquer pneu michelim a pisou ficando por ali pronta a ser debicada por um predador, gato ou rato suburbano.

:::::

Também gaviões, corvos ou pardais desavindos dados ao canibalismo. Em verdade nem queria falar disto mas, e porque já está, aqui fica!  Ainda em casa, e ainda sem ver as nuvens do cacimbo-chuvisco por entre as casas, prédios e montes, disseram-me que comprasse no Alma, alcaçuz. Mas que raio é isso? É uma planta, raiz ou chá?

alcaçuz2.jpg Sai de casa com estas indefinidas dúvidas, tendo só entendido ser algo de melhorar o estado fisiológico numa mistura de isto com água fervida. Bom! Aquilo faria bem a qualquer coisa, tratamento de viroses e outras salmoneloses. Como ia eu saber disto com os olhos semicerrados piscando frio e coado nas lembranças de quando ainda era criança e, que só sabia então que a mandioca era boa pra comer.

:::::

Lembrei-me então neste entretanto de quando ainda candengue sem maleitas significativas, tomar rodas amarelas de quinino, beber água da celha com borututu, injecções medonhas de kamoquina ou rezoquina e outras bolungas com óleo de fígado de bacalhau, para não ir cedo pró jardim das tabuletas, diziam os mais-velhos.

:::::

Pois! Ficar assim sempre num corpo magro, alto, um trinca espinhas reco-reco-mamoeiro e sempre calçando sapatos quedes da macambira, ir na escola de bata branco com sacola de ráfia com livros lápis, um caderno de lousa preto para escrever, cuspir e apagar mais uma bola-de-cautchu pra fazer trumunos nos finalmente da escola.

alcaçuz3.jpg Ué- Aiué! Num repentinamente não era mais um kota, encarquilhado, enxovalhado do tempo e metido num kispo tapando as pintalgadelas escuras da pele, mas um candengue de nome Tonito a falar assim, de como então?! Então o quê? Assim mesmo, cruzando as ruas da Luua até chegar na escola Aplicação e Ensaios lá no largo do Dom Afonso Henriques, mesmomesmo em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos.

:::::

Assim feito menino de musseque com aduelas de barril do M´Puto, limpo, arrumadinho e de colarinho ajeitado na hora de berridar práscola zunia na hora do meio-dia voltar na casa da mãe Arminda do Rio Seco da Maianga, pegar depois na linha e anzol comprada no Martins e Almeida, ou talvez no Catonho-Tonho e capiangado da mala de ferramentas de meu pai Manel; depois ir com meus kambas, manos do mar da Samba pra pescar mariquitas, roncadores ou matonas nos anzóis de dois-e-quinhentos angolares.

:::::

Apanhar mabanga, fazer o isco e lançar só átoa no mar da Samba. Ali tem Kixibis, ali talvez peixe pedra ou só mesmo pedra. Sukwama! Pescando da canoa podia ver meu tio Zé no descanso de capataz da fazenda Tentativa sentado num pedaço de barroca; moscas pousando nas pernas e, ele enxotando-as e chamando-lhe nomes feios. Mas depois ficava mesmo só de olhar perdido no mar.

coimbra2.jpg Eu, o miúdo sobrinho, trinca espinhas, reco-reco e alto sentado na canoa a olhar a linha a tremer! E, nada! Não picava. Quando picava, aiué, puxava assim no calmamente pra ele não escapulir-se e… Fugiu! Filho-da-caixa, Sundiameno, tuparioba, e edecéteras; era sempre grande quando fugia, sempre! Nem isca ficava, só mesmo o anzol. Meu tio sempre falava: - Não escondeste o bico do anzol! Olha então! Meu coração me diz que peixe foi matabichar …Vou fazer mais o quê?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:27
LINK DO POST | COMENTAR | VER COMENTÁRIOS (2) | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 24 de Dezembro de 2017
XICULULU . CI

PANOIAS VI - TEMPOS DORMIDOS - 24.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Salada de MASTRUÇO... Em Garvão, com a magia do Natal com Frank Sinatra e eus amigos…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Foi só ontem que de novo nos reunimos para comer os pés de rã e pezinhos de coentrada com feijão branco na barragem de Santa Clara no lugar da Achada. John Wayne comunicou-me então que hoje deveríamos esperar na Estação da Funcheira nosso comum amigo Frank Sinatra. Jack Palance que estava mastigando um palito, abanou a cabeça como que confirmando o combinado entre eles através do avançado ipad do além;  com tecnologia mais volátil que cacimbo de naukluft da costa dos esqueletos, até por pensamentos se entendiam.

funcheira5.jpg Frank Sinatra viria acompanhado de António Silva, aquele cómico português poliglota nas falas de riso pois afinal, eles eram amigos comuns lá no paralém. Foi com grande contentamento que recebeu o convite feito por John Wayne concebido por nós e da magia de Natal na envolvência de Roxo uma ilustradora muito conceituada nas acrílicas visões de pensamentos, sentimentos e outros edecéteras.  

panoias2.jpg Eram dez horas da manhã quando perfilados no cais da Funcheira, T´Chingange, John Wayne e Jack Palance viram surgir um trem esguio como uma minhoca languinhenta, cor azul celeste silencioso de assombrar. Foi quando num repentemente zuniu um apito estridente de assobios, como vindo não do ar, mas dum portal marinho como se cem golfinhos o fossem.

:::::

O primeiro a sair foi alguém que nem sabíamos que viria; era Sammy Davis Júnior logo seguido de Dean Martin e umas quantas fosfóricas e estapafúrdias senhoras vestidas com cetins, sedas e cambraias rebrilhantes que ao som dum zingarelho de musica parecido com um trombone de varas e saxofone, fosforicavam nuvens coloridas.

panoias3.jpg Mas que arraial disse eu; vai ser bonita a festa pá! E, o T´Chingange assim vestido como um joker de cartas de jogar sueca, já só era uma figura no meio duma algazarrada!  Tudo era feito a contento dum acaso e fazendo reparo disto ao Jack Palance, este deu de costas como se nada tivesse a importância desmedida! Ele estava radiante, rindo com todos os dentes e esgares que só mesmo ele sabia fazer naturalmente.

:::::

Abraços, rodopios, assobios e até foguetes surgiram do nada duma aberta e, lá vem o António Silva de braços abertos em minha direcção com um ar cómico de sábado-à-noite. Então pá, como vai a moenga, disse ele apertando-me como um amigo de há mais de sem  com cem anos! Parece que balbuciei algo mas na penumbra do zunido só pude verificar no grande abraço dado entre John Wayne e Frank Sinatra.

panoias4.jpg Num repente já todos se tinham cumprimentado. Uns e todos falavam desabridamente como se a singularidade do mundo tivesse ali seu despontar. Funcheira engalanada podia ver o António Silva fumando caricocos doces com seu amigo T´Chingange e foi quando lhe lembrei da história inacabada do Evaristo-tens-cá-disto!? Ele riu que nem um perdido mostrando-me um chouriço a servir de amuleto do Paralém.

:::::

O curioso é o de que todos falávamos uma só língua e de espanto passamos ao esperanto sem maiores tibiezas ou confabulações. Já em direcção a um dos machimbombos que nos levaria ao armazém da festa da Achada, ele - o Silva perguntou-me por Assunção Roxo mas e curiosamente olhando para um painel grande  mesmo sem fazer qualquer pergunta disse: -É dela não é? E, eu disse que sim! Era um galináceo rascunhado.

roxo118.jpg Claro que fiquei encafifado com o barulho destes machimbombos, chocalhos mais pandeiretas e estas premonições a confirmar coisas que nunca tinha sentido. Sabia lá que eram amigos doutras paragens. E assim, comendo frases disse-lhe: - Ela não veio; parece que está lá por Oeiras repartindo arcos-íris com amigos.

:::::

Lá no m´bukusho e descendo do machimbombo Jack virando-se para mim! -Tenho novidades para ti! -Sim! -Mais logo, falaremos! No chuço do m´bukusho (lugar do churrasco) tinha em mente falar e mas, mesmo só pensando as horas passavam sem nos apercebermos. O tempo era um só e volátil. António Silva revia com alegria muito do que revia. Nem foi necessário falar nestes nomes do paratrás! Era Natal

roxomania1.jpg Cheguei ao item 11 sem quase falar no Frank Sinatra e seus amigos Davis Jr. e Dean Martin. Estávamos em cima da festa e só pude revê-lo com seu chapéu de malandro, rufia das seitas do tempo, rodopiando entre seus amigos. Frank foi um dos mais populares e influentes artistas musicais do século XX, com mais de 150 milhões de discos vendidos. Frank Sinatra era filho de imigrantes italianos: Seu pai, Antonino Martino Sinatra era um Siciliano, analfabeto e boxeador, imigrado para Nova York em 1903. Nem o Trump sabe disto, agora que anda bulindo com os imigrantes…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:54
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 23 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXVIII

MOKANDA DO DIA – 23.12.2017 – Tukeya. V - Nas falas do fim-do-mundo (Leste de Angola), apaziguando rijezas adversas com a singularidade do mundo.

Por

soba0.jpegT´Chingange

Disposto a escrever a crónica Tukeya V, coloquei o rato do microondas (leia-se computador) em cima de uns escritos amarelecidos no tempo, coisas minhas do antigamente. Pude ver em letras maiúsculas ”A CHUVA BATE NA PELE DO LEOPARDO, MAS NÃO TIRA AS SUAS MANCHAS”. O mesmo deve suceder com a gata “princesa” que dorme aqui a meu lado no sofá. Recordo agora que este regalo de falas foi-me enviado pelo nosso Kimbanda Ninja para que constasse na Torre do Zombo do Kimbo e anexos da Kizomba.

:::::

Estes dizeres são em realidade um mítico provérbio africano aonde para além da onça, do leopardo e da chita existem a hiena e o mabeco que também as têm tal como a gata princesa que em seus primeiros dias dormia no dorso do faísca, o cão-aviador que já morreu em terras do moçárabes. Com a zebra ocorre o mesmo fenómeno de manter suas riscas, mesmo que chova muito mas, com esta, acontece um outro pormenor.

tukya13.jpg As riscas irregulares das zebras são para fazer com que o leão fique tonto ao persegui-las perdendo a noção e desequilíbrio. Pois, muita gente não sabe, mas o leão ao fim de algum tempo de perseguição, e por via de sua fixação em uma, fica com tonturas acabando por desistir. O facto de todas correrem em simultâneo causa o efeito psicadélico e, o que era, fica turvo com tantas riscas a se moverem.

:::::

A natureza ensina muito a quem se detém a observar os mistérios tão perfeitos dela. Mas lá terei de voltar à tukeya e com Dom António o primeiro governador do distrito do Moxico achador de um vasto campo com milhões e milhões de peixinhos empoleirados nas árvores. Na verdade, as árvores não eram árvores, senão arbustos ou, por outro dizer, bissapas comuns e capim alto, a normal vegetação das chanas do Leste de Angola.

tukya14.jpg Dom António mandou dois escravos que fossem buscar algumas daquelas coisas prateadas que se viam à distância. Entretanto, abandonou a tipóia onde se fazia transportar, estirou as pernas, erguendo seu comprido pescoço sobre a vegetação. Quando, por fim, pôde tomar nas mãos os peixinhos, viu que estavam secos, mumificados pelo sol. Procurou entender o fenómeno e interpretar o confuso palavreado dos vassalos. Parece ter entendido alguma coisa entre o cazumbi das falas  com eles, seus monangambas.

:::::

O que é isto? …Vozes: - «Tukeya, patrão!», responderam-lhe (…) E «tukeia», é o quê???!!!(..) Monangamba - «Tukeia», não vês patrão, é mesmo os peixe! Dom António: - Peixe, como? Os peixes ficam em cima das árvores como passarinhos, é? Uma voz: - (Dirigindo-se aos monangambas) - Oh pá... Esse n´gajo tá falar  só átoa. Ele está só maluco dos cabeça n´dele, pôssa, pah! É peixe, mesmo. Outro monangamba: - É, não siô! Eu não… Si siô. É mesmo os peixe. Não vês, patrão? São mesmo os peixe de comer. VOZES – Eh, eh, eh...

:::::

Os peixe sai atão em cima dos pau? Oh! Você viu? «Ombise, o kanjila ko? Aieku, ué!» Os peixe não é os passalinho, não…Todos opinavam mas ninguém explicava a razão pela qual havia peixinhos pousados nas folhas e a discussão não terminava. A caravana aproximou-se da misteriosa esteira prateada que o sol retocava de reflexos azuis. - «O aroma é pestilento. Só se pode andar por aqui com o nariz tapado» - anotou Dom António em seu canhenho de viagem.

MIRAN2.jpg Rodeado de peixinhos e opiniões, queria entender o desentendível e o diálogo generalizado não lhe dava informação compreensível ou válida. O exame mais atento dos peixinhos tampouco! Tinha visto tudo isso com os próprios olhos mas, estava convencido de que o feitiço daquele mato era mais poderoso, porque criava peixes nas bissapas e peixes que tampouco bebiam água.

:::::

Das anotações à teoria dos peixes voadores foi um passo. Para melhor conclusão faltava, apenas, encontrar o rio ou lago de onde partiam os cardumes... – «...Cardumes ou enxames?», interrogava-se o governador. «Nadam ou voam? Quanta distância? Qual a altura? E, por que razão aterram ou caem todos juntos? Acidente ou suicídio colectivo? Sobre os arbustos vêm-se nuvens de peixinhos prateados, ressequidos, tão extremadamente delgados que, em vida, são tão leves que podem deslocar-se pela planície, voando como enxames de gafanhotos, até caírem exaustos sobre as plantas».

tuiui3.jpg Nunca regressou ao lugar e, morreu anos mais tarde sem desvendar o mistério ou os feitiços da «tukeya». Contudo a sua fantasia não andava longe da verdade. A «tukeya» brota do chão como as nuvens de gafanhotos. Este peixe minúsculo nasce na anhara, nos lagos de curta vida que a água das chuvas forma, todos os anos. Nas gretas de lama seca, no fundo, ficaram depositados os ovos que produzem miríades de peixinhos de crescimento alucinantemente rápido.

:::::

Em dois meses cumpre-se o ciclo vital e começa a desova. A forte evaporação devida à secura do clima e o baixo nível das águas obrigam à concentração dos cardumes, facilitando a tarefa da recolha. As mulheres da região chegam em grupos, empunhando cestos com aspecto de raquetas enormes. Entram na água juntas, formando parede e avançam umas ao lado das outras, repetindo canções de técnicas seculares. Agitam os cestos com movimentos de baixo para cima e atiram os peixes ao ar, para que caiam sobre as plantas. Dias mais tarde, voltam à anhara, desta vez com kindas e juntam a «tukeya», como quem colhe frutos do alto das bissapas. Na próxima crónica saber-se-á de onde advém a palavra Moxico…..

tukya1.jpg

 Nota: 1 - Muitos dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho; 2 - Somente na crónica final será publicada o glossário de palavras não habituais na língua portuguesa…  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:50
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXVII

MOKANDA DO DIA – 21.12.2017 – Tukeya. IV - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Na crónica Tukeya III acrescentei ao dito que o peixe saltador do lodo se baseia em um ecossistema, como existe nos manguezais, lagos ou lagoas rasas que secam no verão mas, não é bem assim porque estes ao invés dos peixes pulmonados eclodem de ovos depositados em buracos no lodo, aonde antes havia água e, depois secou tornando-se uma massa gretada parecida com o chocolate trinchado em barras. Lá iremos com tempo e depois de sarandar por outras paragens.

:::::

Com bordões e folhas de palmeira ou cassuneiras os pescadores do rio pescavam peixes nas correntezas e que ali ficavam aprisionados; este método ainda é usado em cofes ou cestos feitos a propósito tendo uma aba larga por onde entra o peixe e que depois fica alojado naquele funil que, pode ter variadíssimas formas. Isso é usado nos rios destacando-se o Kwanza, Cubango, Cuando, cassai, Luinha e tantos outros; uma actividade feita exclusivamente pelos homens.

tukya002.jpg É aqui que chegamos à pesca das savanas, chanas ou lagoas rasas dos planaltos de África e mais propriamente de Angola, tarefa conhecida por pesca lacustre e praticada essencialmente por mulheres. É este o peixe do capim ou voador conhecido por tukeya - peixes minúsculos, ainda mais pequenos que os carapaus conhecidos no M´Puto por jaquinzinhos.

:::::

No leste de Angola e na zona da Cameia, as chuvas que caem expandem-se nas rasuras da chana formando grandes lagos temporários e de pouca profundidade. As mulheres juntam-se em ranchos metendo-se nas águas das lagoas fazendo grandes pescarias colectivas; enquanto isto vão cantando e dançando numa prática secular. Foi Dom António de Almeida que deu a conhecer esta actividade já em meados do seculo XX.

tukya06.jpg Dom António de Almeida, homem de linhagem, veio a ser governador do Bié e Luchazes, um vasto território que abrange as actuais províncias do Bié, Moxico e Cuando-Cubango. Este nobre senhor quis conhecer este vasto território mesmo antes de vir a ser governador pelo que se meteu no mato calcorreando as anharas sem fim, a pé, de tipóia, em boi cavalo e até carro bóher, comboio ou carro de gastar gasolina ou brilhantina.

:::::

O Governador do Distrito, D. António de Almeida, escolheu, delineou e fundou, a cerca de 20 quilómetros a norte de Moxico Velho, a nova sede do distrito, designada por Moxico Novo, num planalto de 12 km de largura que se espraia entre os rios Luena a sul e o Lumege a Norte, a 1 350 metros acima do nível do mar.

tukya8.jpg O curioso com Dom António foi o de que esgotou seu tempo de comissão como governador administrando o território deixando-nos seus escritos de suas passagens por terras de Cameia. E, seria numa manha com o cacimbo a despontar, quando notou ao longe, já na linha de horizonte a existência de um estranho manto de prata que reflectia a luz do sol, da kúkia das savanas; manto que cobria as bissapas, capim a perder de vista. Pela primeira vez ouviu falar aos auxiliares e carregadores o nome desse peixe, a “tukeya”- o peixe da anhara.

:::::

Incrivelmente empoeirados nas bissapas e capins lá estavam aos milhares os pequenos peixes com o máximo tamanho de 5 a 6 centímetros. O cheiro que exalavam era nauseabundo e, aonde a vista alcançava não existia agora rasto de água, tudo era chão de areia e lama seca

E gretada. Aqui e mais além tufos de arbustos ou capins com mais de um metro de altura. Em verdade, estes peixes já estavam secos e prontos para cozinhar.

tukya9.jpg Logologo, Dom António d´Almeida o fidalgo governador daquela vasta zona, terras do fim-do-mundo, lugar que ocupou em pleno esgotando seu tempo em andanças pelos matos, ali deu início à quase lenda dos peixes voadores das anharas do leste. Sua graça não figura na lista de t´chinganges pois que não o chegou a ser, mas foi o descobridor de um vasto campo com milhões de peixinhos empoleirados nas árvores.

tukya11.JPG Desta forma e mais tarde, Sebastião Coelho organizou com legendificação, palavra inventada por ele mesmo, para descrever algumas passagens desta estória da tukeya, saída em primeira mão dum poeta-governador que enfeitiçado, também provou aquele minúsculo peixe de cheiro nauseabundo e penetrante, mas que depois de cozinhado se oferecia como um prato muito saboroso. A cena continua para entender a fundo e com detalhes o cazumbi das falas.

:::::

Nota: Muitos dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:28
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXIV

TEMPO COM FRINCHAS - 18.12.2017 - Em terras de M´Puto . IV

“Os donos disto tudo - DDT” - “ Não há confiança ilimitada em amigos. Há a amizade”; coisas escritas no berbicacho traseiro do meu chapéu…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Estávamos em Abril de 2016 e recebendo propostas para a venda do Novo Banco mas, o que se recebia eram somente manifestações de intenção que alem de oferecerem valores demasiado baixos exigiam determinadas condições com garantias do Estado para cobertura de riscos futuros e outros edecéteras de provocar urticária ao enquadramento politico entre a presidência e o governo.

mocanda12.jpg Com as barbas a arder, o governo e presidência queriam desfazer-se do Novo Banco muito rapidamente, custasse o que custasse pois que o prazo de venda do Novo Banco pelas regras da União Bancária terminaria em Agosto de 2017. Corria-se o risco do aparecimento de um novo movimento de lesados do herdeiro do BES e, mais perigoso ainda, o sacrifício dos depositantes com depósitos acima dos cem mil euros. Isto já corria de boca em boca e todos se andavam encolhendo e, até retirando o dinheiro para o colocar debaixo do colchão.

:::::

No último dia de Março de 2017, o Governo anuncia a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star mas, não foi uma qualquer venda não! O contrato de compra e venda futura do capital do Novo Banco era rubricado no monto de zero euros. Zero euros!? Sim! Mário Centeno constrangido, espicaçado pelo seu primeiro-ministro teve de dizer isto de forma acabrunhada, forçado ao poder político para por outras palavra nos dizer que sim! Aquele negócio foi mesmo tudo, menos uma venda!

:::::

Como diz Gomes Ferreira em seu livro já aqui mencionado várias vezes, “A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros” realmente, só há uma área da vida pública que consegue ultrapassar o inimaginável em política: o inimaginável no sector financeiro!

mess5.jpg O mesmo Estado que já tinha emprestado 3.900 (três mil e novecentos) milhões de euros ao Fundo de Resolução em Agosto de 2014 e que nunca recebeu um cêntimo de volta. Mas, há sempre um mas apaziguador, os outros bancos do sistema financeiro nacional, não teriam de contribuir imediatamente com esse dinheiro e, caso fosse necessário.

:::::

Apenas teriam de o começar a pagar muito mais tarde, por várias décadas e em suaves prestações. Entendo agora o porquê do um escasso pecúlio estar a render 0,001 (por cento, claro!), monto este que nem dá para mandar cantar um cego porque este, decerto já terá morrido. Agora, todos teremos de pagar ao banco para nos guardar a gita, o cacau, o kumbú, aquilo com que se compra os melões!

:::::

Pelo dito, confirma-se a atitude de proactividade e de voluntarismo do governo de Costa e Centeno na resolução de problemas, à custa do contribuinte, subsidiando instituições de solidariedade com fundos da Misericórdia e, jogos de fortuna na ajuda a banqueiros imprudentes. Este voluntariosamente governamental da geringonça, sempre irá referir que tudo isto foi herdado do governo de Passos Coelho, uma mentira demasiado mentirosa!

ara3.jpg Sim! Sim! Tudo se resolverá à nossa custa, à custa dos nossos filhos e netos que sempre irão trabalhar por conta destas resoluções, por muitos e longos anos passando uma esponja sobre o passado recente de promiscuidade e compadrio metendo Montepios, Caixa Geral de Depósitos, Banif e, sempre encobrindo-se os responsáveis pela tragédia e, saber-se afinal quem em realidade saiu beneficiado.

:::::

Em tudo o aqui dito ao longo de quatro crónicas e tendo como suporte o livro “A Vénia”, ficaram bem claras as atitudes de dissimulação, de esconder, de contornar, de minimizar os problemas dos bancos que, com o Governo Socialista apoiado no parlamento pelo Bloco de Esquerda e Comunistas do PCP e, também o apoio de Marcelo De Sousa.

geri0.png Só ficaremos a ter a certeza de que no meio de todas estas simulações, a dúvida perdurará entre influências e modos aonde a culpa não terá culpados! E, deixo aqui um grande agradecimento a José Gomes Ferreira por tanto esclarecimento neste período tão conturbado em que as pessoas que se dizem decentes, se inibem de falar no que sentem.

(Fim…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:32
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 17 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXVI

MOKANDA DE DOMINGO  – 17.12.2017 - Está um frio do caraças

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Malbaratando o tempo com coisas de crise, dinheiro mal parado ou desandado, o povo do M´Puto entrega-se a repreensivas orgias de falatório mal contido, sexo, drogas e álcool em desmedidos excessos para tapar o colapso fulminante, a negligente pobreza que subestima qualquer pobre por muito nobre que o seja. Todas as semanas e à porta duma discoteca alguém morre com uma bala no certeiro lugar para dar uma volta ao além.

:::::

Com o correio electrónico ecologicamente mais puro que a escrita de borrões, higienizados nas manchas de mentes Outlook Express, enviam-se por e.mails coisas nunca vistas e novos modelos de cuecas, desfiles de novos designs com tecnologia de dar vida às coisas inertes. Outros e tantos, se dão ao trabalho árduo de saber de como Caim matou Abel, um deplorável acontecimento a demonstrar hoje, que temos de equacionar o tempo aos poucochinhos.

ROXO19.jpg Imaginar facilidades, coisas até do princípio do mundo que veio mostrar o quanto é difícil viver em família e em sociedade. Sempre anda alguém a devassar o alheio inventando formas de kubazular o artista. Uns dizem que por exclusiva culpa de Deus, aqueles dois, Caim e Abel, deram um muito mau exemplo aos que se seguiram levando-nos a ser sacanas o quanto chegue com o próximo. Em vésperas de Natal nem é bom falar destas coisas! Para além do mais Nosso Presidente Marcelo até e, para dar o exemplo foi almoçar com os sem-casa, sem-tecto, sem-nada, sem porra nenhuma; desculpem pela asneira.

:::::

Envolto no lodaçal desta uniforme história, dou-me conta que também participo nessa eufórica realidade amortalhando ossos que não petrificaram nas tristes realidades. Sido a magia de Natal com o Nosso Presidente repartindo pirilampos reluzentes para animar a malta e, até entusiasmá-los a aguentar o sistema de sermos despilfarrados mantendo-nos calados. Afinal, quem governa sempre tem seus bicudos problemas de equacionar a malta de fora da nomenclatura. Gosto dele!  Do Marcelo!

ROXO133.jpg Quando o agora fica exausto, descarrila em testemunhos empoleirados em teias de aranha, fidedignas até prova em contrário ou com excrescências dum contraditório. O fulano é bandido e todos sabem mas as contingências perdoam as negligências até que se esqueçam ou se prescrevam. Tal como a descolonização nada mais grave irá acontecer! O Espirito Santo vai conciliar-se na desculpa só pensada da filosofia de Sócratas, o verdadeiro fazedor de coisas indecifráveis.

:::::

 Este linguajar só será suportável para quem todos os santos dias tome um chá de mel com canela e um dente de alho partidinho às tirinhas, por se acaso. Aqui ou ali, porta aberta ou na penumbra, entre gorjeios de pássaros e inaudíveis vozes, tenho aprendido a interpretar alguns suspiros e, inclino-me assim a interpretar melhor o semelhante. Mas, ando já demasiado inclinado!

roxo135.jpg Nestes anos espreguiçados, a vida discorre entre nobres oligárquicos dispersos na diáspora à procura de algo; e, por linhas mágicas dum diagrama só seu, cada qual ouve seu próprio coração, seu pulsar, pausa, som e diástole. Ressentidos pelas falhas do imperfeito sistema, comunicam a si mesmos que para uma nota aberta para a diástole, ocorre uma porta fechada para a sístole. Que se lixe!

roxo116.jpg Acreditado na sinusóide de matusalém, sinto-me crente até chegar aos 333 anos e, mais matumbo que nunca. Para quem vem da terra do nada e segue para a terra do nunca, é uma graça saber que já me visitaram umas 999 katiúskas aqui no Face e Kimbo à procura duma pura amizade e, no intuito de desvendar porque o aqui e o agora meche tanto comigo. Isto inevitavelmente leva a me interrogar: para que nasci? Deus queira que, para pior antes assim!

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:56
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 16 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXV

MOKANDA DO DIA – 16.12.2017Tukya. III - Peixe da chana

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo. É o nosso pensamento que cria a nossa realidade…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

E, por fim o Niassa desapareceu no horizonte com suas bocas de fumo deixando rasto nos meus sonho de kaluanda, perdido nas terras do fim do mundo, subindo e descendo dunas dum deserto chamado dos esqueletos. Sua sirene de voz grave engravidou-se em meu íntimo assim em rolos de fumo. E neste viver de quase sonho, fiquei com aquele amigo de faz de conta chamado de Sexta-feira. Foi ele que me ensinou a fazer lagosta suada, e polvo espancado para depois ser cozinhado com arroz.

niassa3.jpg Sexta-Feira adorava comer o pirão com conduto de carapau seco e assado na brasa. Retirava-o das brasas com as mãos nodosas, depois partia-o em iscas pequenas, uma de cada vez para depois o saborear com salpicos de vinagre embebido com ervas aromáticas, jindungo, azeite de dendém, cebola picada e tomate no pirão de milho adocicado, agridoce. E, naquela vastidão de nada o chupar do dedo dava uma sensação inebriante de fazer uiui como o vento.

:::::

Eu e ele fazíamos bolinhas de pirão, tecidos e embolados com os dedos lambuzados. Disse-me que aprendeu a fazer isto no Longojo, terra aonde nasceu; era uma sexta-feira e, por isso ter-se chamado assim. Mais tarde mudou-se para Kaluquembe lá no Huambo onde o mestre Zacarias Bikwatas lhe domesticou na arte de preparar corvina fresca, quersedizer seca dos fardos mala que o senhor Albano Paixão lhes levava da estação da Caála.

tukya02.jpg E, eram cachucho, corvina, carapau, sardinha, atum ou pungo. Mas às vezes era sómesmo peixe sem cabeça para identificar. Dizem que até mesmo de vez em quando tinham rabo de kianda. Perante a minha reticência, duvida mesmo, ele falou então: -juro, tem os pessoa quié peixe! Mulher mesmo!

:::::

Mais tarde um velho contratado na pescaria do Senhor Rufino de Baia Farta confirmar-lhe ia que sim! Havia um peixe-mulher. Bom! Não era fantasia não! Era o manatim chamado de peixe- boi ou vaca marinha ou ainda mulher peixe. Ainda há destes peixes no Brasil mas aqui, parece terem sido extintos, disse eu a Sexta-Feira. Ele só deu de ombros assim-assim como que um talvez seja! Patrão tem sempre razão, nuué…

tukya5.jpg Aquele peixe-boi, mulher marinha ou sereia, nada de costas segurando com carinho a sua cria no peito; dando gritos de lamento, muxoxos de mãe, levou os marinheiros com sua misticidade e fascínio a dizer ser aquela a kianda, sereia dos rios e mares. Esta postura quase humana deu origem ao mito das sereias da kalunga e do iemanjá. Do outro lado do mar o Bumba-meu-boi do rio Amazonas.

:::::

Vim a encontrar esta, feita estátua num recife em Guaxuma do Brasil, que derivou numa longa estória com um homem do mar chamado de Zé-peixe de Aracaju. Mas esta é uma estória sempre inacabada, ao calhas, que talvez reapareça por aqui a completar a odisseia da Kianda Roxo.  Dizem que o manatim africano ainda existe e até que a fundação do Parque da Quiçama empenha-se em preservar estes espécimes nos sistemas fluviais do Bengo e Kwanza por repovoamento, talvez.

tukya6.jpg Mas mesmo que isto não aconteça aparecerão em minhas estórias de lendas com a Kianda Roxo assim que esteja impregnado da veia de inventação e, por forma a dar continuidade a um conto fascinante com as kwangiades no tempo em que os marinheiros usavam bordões e folhas de palmeira para e, beneficiando do movimento de vaivém das marés, fazerem o cerco e apanharem na vazante os peixes ali aprisionados.

:::::

Presos nestas precárias redes, podiam apanhar o peixe à mão. Do mesmo modo que faziam na lagoas do planalto, chanas de Angola com o peixe voador ou do capim. Ainda não será hoje que falarei desse peixe do lodo que saltava para os capins das anharas. Fica para a próxima… Só posso acrescentar que o peixe saltador do lodo se baseia em um ecossistema, como existe nos manguezais, lagos ou lagoas rasas que secam no verão.

Nota: Alguns dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:49
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXIII

TEMPO COM FRINCHAS - 15.12.2017 - Em terras de M´Puto . III

“Os donos disto tudo - DDT” - “ Não há confiança ilimitada em amigos. Há amizade”; no berbicacho traseiro de falso couro do meu chapéu do panamá e, com as mesmas dimensões da testeira estão fixas duas estrelas já secas, cortadas da carambola com a inscrição dum indefinido ”AMOR”…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Aquela primeira frase supra, entre aspas, foram ditas pelo Presidente Marcelo do M´Puto ao referir-se a Ricardo Salgado, o chefe da máfia dos Bancos DDT. Apetece-me por vezes ser um Lampião cangaceiro e falar só mais uma vez das periclitãncias que a crise trouxe a todos nós aqui no M´Puto, juntando àquela frase a outra, a segunda, também entre aspas…

143.jpg Seria preferível passar de lado tudo isto, ficando longas horas e, lá longe, nas terras de Vera Cruz, jiboiando numa rede oscilante da Pajuçara, sebenta de uso e abuso, curtindo uma preguiça que nem o chega a ser, porque nem sempre a ocupação é suficiente e, a frescura da maresia tem forçosamente de ser apreciada.

:::::

Fazendo ostentação do meu chapéu de couro ornamentado de vaidades escondidas e forrado com pele colorida de alpaca do Peru, vestindo uma catrefada de roupa pelo frio, botas de inverno com suplementares palmilhas de pele de ovelha pura, solto longas falas de neurónios folgados, alentejanados. A entreajuda e a forma característica no vestir fazem de mim, um deixa para lá - o desmiolado, o T´Chingange que nem sabe o que diz.

:::::

Assim neste estado de cacofónica tensão, desfriso na lista de imparidades as nove maiores devedoras às instituições que nos puseram de tanga, geradas na gestão de Armando das Varas e Carlos Santos Ferrugem como: Artlant - La Seda; Efacec; Vale dos Lobos; Auto-estrada do Douro Litoral; O Grupo E. Santo; o Grupo Lena; o António Mosquito; a Royal Urbis e a Fimpro SCR e Banif …

caixa3.jpg Claro que e, em verdade, as instituições do regime político-partidário em que vivemos em Portugal (M´Puto), simplesmente não quiseram fazer o trabalho de investigação de quem concedeu esses créditos e, sem a devida precaução de riscos. É a mesma estória de que cornos que dão de comer deixá-los crescer! Estão a ver este filme de putarias!? Uma comparação a que os políticos de todas as bandas viram, mas fingiram que não, assobiando pró lado.

:::::

Pelo mau uso e abuso do nosso dinheiro na banca, todos mas e, principalmente os gestores da CGD, deveriam ser responsabilizados. O dinheiro dos contribuintes foi abusivamente desbaratado! Isto levou-me a desprezar todos os políticos, embora haja gente boa entre eles…

O próprio Ministério Publico suspeita que terá havido tratamento de favor de alguns devedores em que, os gestores que concederam os créditos, poderiam ter recebido comissões por baixo da mesa, por não exigirem garantias e, esconder falhas de pagamentos ao longo do tempo. E, tudo fica assim mesmo! Talvez esperando prescrição! A culpa morre solteiríssima da silva…

caixa0.png E, foram só 2,5 mil milhões de euros. O regime político-partidário não deixou que a CPI – Comissão Parlamentar de Inquéritos chegasse a bom termo, recusando-lhe documentos factuais; ninguém quis colaborar com a verdade. Os deputados de todas as bandas colaboraram e ajudaram à festa, fazendo tudo para boicotar os trabalhos da CPI. E, queixam-se eles dos submarinos!? Como se não tivessem em sua malga peixes voadores! Nada ficou provado, reactivamente a suspeitos quanto a favorecimentos, nem de influências politica sobre os gestores. Nós, cidadãos somos todos burros! Assim nos fizeram ser.

:::::

Aquela CPI – Comissão Parlamentar de inquérito, constituída para apurar o que se passou na CGD desde o ano 2000, paga pelos contribuintes portugueses, terminou sem conclusões. Sim! É por estes exemplos que o Povo Português despreza os políticos e, desrespeita as instituições. Qual justiça, qual quê!?

caixa01.jpg Desta actual geringonça salvam-se, valha-nos isso, o Senhor Presidente Marcelo que segura as pontas com muita habilidade e, que torna o M´Puto quase num regime presidencialista mais o Ministro das Finanças Mário Centeno, o tal de patinho feio que agora prepara a fuga para outros mares… Estamos quilhados! Melhor, sem quilha!… Se, não me prenderem irei continuar a repetir no meu jeito, o já dito por José Gomes Ferreira em seu livro de coragem “ A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros”

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:02
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXI

TEMPO COM FRINCHAS – 12.12.2017Em terras de M´Puto.

Podemos dizer-nos independentes, porque nos podemos mentir mas, com os “DDT”, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos

Por

soba15.jpg T´Chingange

Já quase acabei de ler o livro “A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros” escrito por José Gomes Ferreira dirigido a todos os contribuintes, que suportam o Estado português em pagar mais impostos do que o devido, por causa dos erros de uma boa parte da elite financeira dos “DDT - Os donos disto tudo” com o compadrio de nossos governantes.

dia82.jpg E, por mais que no mostrem que os governantes portugueses e os responsáveis europeus, prometem aos contribuintes que já não serão mais chamados salvar bancos em dificuldades, estes sempre acabarão por pagar os desmandos dos banqueiros, de uma ou outra forma. É o que se pode ler, logo no início, como que num ajoelhar com vénia a esses estupores que nos arruinaram.

coimbra2.jpg Foi necessário surgir um Passos Coelho que dissesse um NÃO a um Ricardo Salgado e, se agora estamos melhor economicamente, a ele o devemos. Não gosto de traidores nem bajuladores e pelo que li, anda muita gente por aí pavoneando sua habilidade, irresponsabilidade e falsidade e, até assobiando para o lado, dizendo do mérito de quem se lhe seguiu, António Costa, emudecendo provocatoriamente o nome do verdadeiro feitor.

:::::

Mas, sinto que a grande maioria dos portugueses não têm percepção das encenações do poder, da grande obediência dos políticos aos interesses e benesses que os senhores do dinheiro “os DDT”, dão em troca de modelos de governação. Tenho uma grande admiração pelo actual Ministro das Finanças Mário Freitas Centeno que considero ser um bom economista desde 26 de Novembro de 2015 mas, também ele irá fugir do pântano a seu tempo.

amilcar 02.jpg Já António Seguro antes de passar a pasta a António Costa dizia: «Há em Portugal um partido invisível, que tem secções nos partidos de Governo incluindo o PS (referia-se ao “DDT- Donos disto tudo” com Ricardo Salgado no mando). Partido esse que tem um aparelho legislativo paralelo com grandes escritórios de advogados a influenciar ou comandar os destinos do país. Não tem rosto, não tem estatutos (…) mas quando descobrimos que há um banco em que as coisas correram mal, que há um investimento do Estado, em que as coisas não são totalmente claras, vai-se percebendo quem são as pessoas desse “partido”» – (É claramente o partido do DDT).

:::::

Mas, disse mais: «O país tem zonas de podridão». Não é difícil chegar-se ao Grupo Espirito Santo e ao Banco Espirito Santo com as suas cadeias de empresas! Salgado em 2014 só queria 2,5 mil milhões de euros e Passos Coelhos disse NÃO! Mas pelo que se sabe não era só isto! Havia muito mais e outros bancos com buracos financeiros sem fundo que sempre tinham um saco azul para agradar a Paulos irrevogáveis e Costas.

ardinas branos.jpeg Basta cruzar as falas dos políticos para se entender o azimute dos actos. Maria Albuquerque já com António Costa como primeiro-ministro diria: «Fosse António Costa primeiro-ministro em 2014 e teriam sido entregues milhares de milhões de euros dos contribuintes a Ricardo Salgado para evitar o colapso do BES». E, Marcelo o comentador, falou sobre o caso sim! Falou como o Marcelo-cidadão, não fosse amigo de Ricardo Salgado… No que toca a Passos Coelho nem uma palavra meritória, também aqui, assobiou para o lado…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:22
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 9 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 09.12.2017 - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo… Num Reino de Manikongo de fingir…

Por

soba15.jpg T´Chingange

Em pleno solo do M´Puto pós colonial, consegui sentir sempre o amor telúrico por uma terra pisada e sonhada que fez nascer em tempos não muito idos um reino Imaginário, o Reino de Manikongo e, onde todos os membros tinham nomes diferentes como o Soba T´Chingange, o Conde do Grafanil, o Comendador de Vale dos Reis, o visconde do Mussulo, O Senhor de Cienfuegos, o Derruba do Chivinguiro, o Marquês do Limpopo, o M´Fumo Manhanga, o M´Bica Rico, o Embaixador do Cacuaco, o Jamba, o N´Dalatando e o Boniboni Sbell da Catumbela, entre muitos outros.

dia141.jpg A experiência africana era em nós transpirada em experiência que transportada ao M´Puto ia dando frutos de convivência, parcerias ricas que os levaram a ser gente de nome ou nomeada, empresários bem-sucedidos pela vontade de se reconstruirem. Aqui se contavam estórias com ou sem tramas em recordação dos tempos de juventude; edecéteras dissolvidas em falas de missangas.

:::::

O único preto entre nós era branco e foi uma brincadeira quando e depois de ter ido à Luua voltou mestiço com Bilhete de Identidade, tudo nos conformes. Vimos nele tanto entusiasmo por ser agora um cidadão de N´Gola que, assim tão completamente, logologo o ascendemos a preto! Meu filho Kaluanda, nascido no hospital do Kazenga, recorda-me isto recentemente dizendo em seu escrito, que só viu Angola após a saída já muito mais tarde e do outro lado do Kunene.

:::::

Estava escrito que sua terra de N´Gola correspondia agora a um mundo fictício, irreal e subjectivo a aproximar-se do mito; um mito que seu pai, (eu), lhe transmitiu. Refere mesmo Fernando Pessoa para acicatar-se de seu pensar numa forma mais consistente  em que o mito é o nada que é tudo! O mesmo Sol que abre os céus - um mito brilhante mudo.

4 DE JUNHO.jpg Agora meu filho, M´Fumo Manhanga já tem uma filha com dezasseis anos que pode ler sem entender a cem por cento esta inquietude de diáspora, lugar aonde aprendeu a ler e escrever ao jeito de Camões e, concluir por semântica que afinal aquela terra não era de seu pai, nem de seu avó; que afinal só era mesmo uma terra emprestada. Uma perfeita ilusão…

:::::

Mas ele M´Fumo Mahanga, seu pai, quando lhe perguntam de onde é natural logo diz ser Angolano. Porém ele sabe que não é angolano, é outra coisa qualquer! É mesmo o M´Fumo Manhanga! Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e, será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos, porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode, sem se querer, agigantar-se na presença de feridas mortais.

:::::

E, daí abrirem-se gavetas ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot, em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto, se neste agora, sabemos estar e ainda revoltados e não ressarcidos. E Marcelo - o Presidente, figura do ano, que está em toda e contudo não faz qualquer referência aos reveses de nossos afectos. É mesmo para esquecer!

ÁFRICA20.jpg Como vou dizer que sou português com o maior orgulho se temos tantas farpas metidas em nós! Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram, em terra de M´Puto, mesmo nem querendo, sempre volto a remover os ossos do passado e, mesmo espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta, irei fazer do tudo um romance.

:::::

Dizem-me para esquecer, e eu, só consigo mesmo ser condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão com tangas e falas bonitas p´ra boi dormir! A nossa vida, de cada vez mais na mesma, continuamos a nos sentir roubados aqui e além por engenharias financeiras com traições de Paulos e Salgados com mais uma cambada de gente que se julgam génios…

relogio areia.jpg Só podemos dizer-nos independentes porque nos queremos mentir, passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, cheiros encarquilhados misturados com densidade molecular amorfa, mofadas pelos anos na leitura de carbono e eteceteras complicadíssimos que só nos baralham o cérebro…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:29
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2017
XICULULU . CC

PANOIAS V - TEMPOS DORMIDOS - 06.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Salada de MASTRUÇO... Em Garvão, com a magia do Natal

Por

soba02.jpeg T´Chingange

No domingo e, naquele café do “Cú da Mula” Jack tinha mais pormenores a dizer sobre o uso do mastruço mas, fui obrigado a dizer-lhe deixar isso para amanhã. E o amanhã tornou-se hoje e, mais um outro numas feiras frias mas com um sol radiante. Naquele lugar de cheiros de arrúdia com urtigas refazíamos nossos traços sem melancólicos soluços, sem choros nem ranger de dentes, troçando até de nossas mazelas furunculosas.

torres7.jpg Como ressuscitados numa amizade de infância que, morta no ilusório sucedeu a nosso contragosto e em nossa contramão aqui, e por uns dias fintávamos o destino sem aquela fúria suicida dum hiato que mata no tempo o passado desleixado de sem futuro. É algo que se sente pulando das margens encantando corações, rendas belas desenhadas em talento. Sei lá! Talvez isto ou, uma coisa assim parecida.

:::::

Já eram quase onze horas quando fui tomar meu matabicho com meus amigos Jack e Wayne no café do Cú da Mula de Garvão. Elas, as visitas do paralém já tinham comido seu café com leite e pastéis de belém e ficaram a olhar-se de soslaio enquanto comia a minha torrada de pão de Garvão com azeite da horta do cabo, barrada com compota de pitanga e queijo de cabra curado da Quinta da Carvalheira; arregalaram os olhos quando tirei meu frasco de jindungo da minha jaqueta e pintalguei tudo aquilo, compota, tiras finas de queijo e azeite do lagar.

:::::

John Wayne quis provar e, logologo após meter à boca deu quase um grito! - My God! How can you eat this? Tentou também falar em português mas saiu de atravessado: -Tu, maluco! Como ser possível eat, cuspo de diabo. Eu, silenciosamente fui comento rindo só por dentro; estes gringos são fracos! Jack bateu com os pés no chão repetidamente rindo como um chocalho de cascavel. Tu ser fraco, You are very weak, my friend Waine e, olhando para mim, abanou o polegar em seu punho fechado, para baixo e para cima como que a congratular-se com esta minha ousadia.

jack5.jpg Foi quando lhe perguntei se sabia do resto da estória dos mastruços pois que ainda faltava dar mais dicas sobre as vantagens desse capim. Oh ... Yes, yes! My maternal grandfather always said that in the estates, sim, lá dos America… Fiquei todo-ouvidos para ele. Só depois de uma baforada de fazer balões e argolas de índio no seu charuto cohiba é que se dispôs a explicar

:::::

 - Para estimular a digestão e as funções do fígado, colocas uma colher de sopa de folhas, sementes picadas e flores de mastruz em uma chávena de chá; acrescentas água fervente; tampas o púcaro e aguardas dez minutos; coas e bebes o chá de mastruço assim – uma chávena de chá 2 vezes por dia, antes das refeições principais. Claro que tudo isto foi dito numa mistura de ruça tempera e, eu arrulhei a coisa a meu modo no jeito dos pombos para que vocês possam entender.  

:::::

Quanto a diabetes disse: -Para anemia e diabetes os benefícios da erva-de-santa-maria quanto ao sistema imunológico, é importante falar da capacidade da planta em fornecer vitamina C e, portanto, auxiliar as defesas do organismo, aumentando a imunidade e evitando infecções, entre outras doenças. Quem tem problemas respiratórios, é fumante, sofre de asma, aerofagia, congestão nasal ou bronquite pode ser beneficiado pelo consumo do mastruz.

jack7.jpg Caramba, estás a falar como um Kimbanda entendido! Disse eu. Mas o que eu fui dizer! Eu não sou bruxo; este é o legado de meu avô tuga, tás ouvir! Cuspiu Jack… Caramba, devem-lhe ter dito que isso de kimbanda era coisa ruim e despejou sua ira soprada com assobios de insultar cachorros. Assim, I dont play! Disse pela segunda vez. Está bem, desculpa, não foi por mal! Pensei que já tinha dito tudo, mas continuou:

:::::

-A erva favorece o sistema respiratório de várias maneiras, como já te disse. E ainda acrescento aqui sua acção no alívio de crises de rinite e sinusite. Em alguns casos, basta uma xícara do chá de mastruço para obter melhora, uma vez que ele promove a limpeza do muco e do catarro. Pessoas com indigestão e gastrite frequentes ou com gases intestinais também costumam buscar ajuda no mastruz, assim como indivíduos com prisão de ventre, coceiras ou ferimentos na pele. Disseste rinite! Isso é o que todos os santos dias me fazem espirrar treze vezes. Fiquei por aqui porque poderia pensar estar no gozo.

jack13.jpg Já estava bem capacitado sobre este capim de mastruz mas, agora que estava lançado no entusiasmo, foi acrescentando: - Como podes observar, seja na forma de chá ou preparos para colocar na pele, não é difícil entender as razões pelas quais o mastruz é uma das ervas medicinais mais tradicionais e conhecidas nos tempos do meu avó que sofria de vários males entre os quais, o de peidar-se só átoa. Esta foi boa! Este Jack estava a sair melhor que a encomenda

:::::

As flores, folhas e sementes do mastruço devem ser lavadas em água corrente e enxutas; depois, precisam secar à sombra em lugar ventilado. Para conservar suas propriedades terapêuticas, o melhor é armazenar a erva em vidros escuros ou sacos de papel. Ufa! Que seca… Pensei mas, nada disse. Como podemos aprender isto com gente que já foi passado e só aparece em forma translucida.

jack11.jpg John Wayne que já estava cansado de tantos mastruços fez um sinal ao senhor Torrica para que lhe trouxesse um tintol do Convento da Vila de Borba e assim do mastruços passamos para a trincadeira, aragonez, castelão e touriga. Acabei por almoçar com eles um ensopado de borrego. Entusiasmado tive a ousadia de pedir um cohiba ao Jack e ali ficamos deitando fumo de conversa fora, toda a tarde. Combinamos no dia seguinte irmos comer pés de rã e pezinhos de coentrada com feijão branco na barragem de Santa Clara.

jack14.jpg Lá no m´bukusho! Disse Jack virando-se para mim! Achou graça ao nome e acabou por grava-lo desta forma. Sim! No chuço do m´bukusho (churrasco do kavango). Tinha em mente falar-lhes da festa que iria surgir antes do Natal para festejarmos a vida, falar-lhe dos convivas Frank Sinatra e do cómico António Silva por sugestão de nossa madrinha maga virtual Assunção Roxo, mas achei que o deveria fazer só amanhã quando estivessem mais sóbrios. A alegria era mais que muita e se lhes fosse agora falar nestes nomes do paratrás e paralém não sairíamos daqui hoje e eu, até tenho mais que fazer…    

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:16
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 3 de Dezembro de 2017
XICULULU . XCIX

PANOIAS IV - TEMPOS DORMIDOS - 03.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Pela primeira vez, comi salada de MASTRUÇO... Na magia do Natal

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Nessa caixinha do tempo e em terras do Alentejo tenho muitos bilhetinhos de amores com mambos desconhecidos até aqui. Eu bem que ouvia falar de mastruços mas, isso para mim, neste tempo de estupor, terra do fiado “civilizado”, de sem respeito, currículo suspeito e outros edecéteras, desconfiado das falas, lá comi essas ervas um pouco picantes, tendo como amigos gente vinda do paralém tais como Jack Palance e John Wayne.

matrindindi1.jpg Eu, um axiluanda camundongo, como no tempo dos Mafulos, dei como um sonho na praia de Messejana; vestido com os meus panos de libongo, agarrado aos búzios duma praia seca do M´Puto, distraído no muxima-ami com amuletos de missangas coloridas, ximbicando n´dongu nos cânticos de belas kiandas feitas kapotas, comi capim que até aqui só era comido pelo pica-no-chão. Gostei…

::::::

Esta erva, nativa da América do Sul, o mastruço ou erva-de-santa-maria, oferece grande quantidade de benefícios à saúde, além de inúmeras formas de uso. É uma óptima fonte de vitaminas e minerais - entre eles as vitaminas A, C e do complexo B; potássio, ferro, zinco, fósforo e cálcio.

:::::

E ainda fornece uma bebida que ajuda a manter o bem-estar em cada dia, disse-me o Jck Palance assim como se fosse um genuíno indígena desta terra. O chá de mastruço! Disse. O que eu descubro neste Alentejo profundo; coisas que se comem esquentadas como as tengarrinhas ou beldroegas.

mastruço3.jpg O mastruço, quando usado externamente, tem acção cicatrizante, pois suas folhas contêm boa concentração de óleos essenciais. A planta também é sedativa, antifúngica, aromática, expectorante, tónica dos pulmões, vermífuga, digestiva, abortiva, antibiótica, anti-inflamatória, antiviral e antimicrobiana. Haka! Como é que este carcamano sabe disto! Coronopus didymus é seu nome oficial. Fiquei rendido, pois ele falava até latim como um experto na matéria.

:::::

Como podia adivinhar! Já conhecia a rúcula, cuentros, catacuzes, a beldroega mas esta planta da família mastros, mastruço-do-índio, erva-formigueira, mastruz-miúdo, mentruz-rasteiro, entre outras formas de chamar também cresce no Brasil. E, foi dizendo: é uma opção para auxiliar no tratamento de gota, infecção respiratória, contusão, bronquite, anemia, ácido úrico, dores nos músculos, raquitismo, reumatismo, disfunções hepáticas e traumatismos.

john02.jpg Rendido a esta sabedoria limitei-me a escutá-lo! John Wayne mantinha-se ali ao lado sem nada dizer enquanto ia sorvendo uns medronhos, fazer cara feia e acenar com a cabeça. Foi neste entretém que fiquei a saber e, aqui registo na sua forma de uso: Como expectorante das vias respiratórias, coloque 1 colher (sopa) de folhas, flores e sementes picadas de mastruço em 1 chávena de café; adicione água fervente; deixe abafada a mistura por 10 minutos; coe-se e acrescente 2 colheres (café) de açúcar e leve ao fogo até o açúcar dissolver completamente.

mastruço1.jpg A recomendação é de ingestão de 1 colher (sopa) do preparo acima três vezes ao dia, sendo que, para crianças, o ideal é somente a metade da dose. Esta receita favorece também a expectoração do catarro pulmonar, dos brônquios e do peitoral, além de fluidificar o muco.

:::::

Nquele café do “Cú da Mula” Jack tinha mais pormenores a dizer mas fui obrigado a dizer-lhe deixar isso para amanhã porque, hoje domingo, tinha que fazer o preparo de colocar o burro e a vaquinha no presépio no largo da praia. -Jack, amanhã falas dos benefícios para pessoas diabéticas! OK, disse ele já com ao beata a roer-lhe o beiço. Nos finalmente do dia ali os deixei fermentando falas, as quinambas cruzadas remendando restos de rasgos antigos recordando estórias. Deixei-o no momento exacto que cuspia sua beata para o canteiro …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:27
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 2 de Dezembro de 2017
XICULULU . CCVIII
 
PANOIAS III - TEMPOS DORMIDOS - 02.12.2017
-NAS CINZAS DO TEMPO - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Na magia do Natal
Por

soba0.jpeg T´Chingange

Eram quase dez horas quando me levantei; estava um frio de matar passarinhos! A noite deve ter chegado aos cinco graus mas, pelo sim pelo não, lá pela meia-noite levei uma botija com água quente para me aquecer os pés e as quinambas. Foi da trempe que retirei esta água; para quem não souber, a trempe é de ferro forjado, tem três pés como o próprio nome diz. Era normal e ainda o é, mas não tanto, deixar esta na lareira da aldeia para se ter sempre água quente e, também para lançar alguma humidade no ambiente.

roxo159.jpg Durante a noite fiz uso do meu quico toytoy-zulu com as cores garridas da África do Sul espetado até às orelhas; Após as diligências de arrumo pessoal, coloquei as minhas botas de Uzinto de Durban e dispus-me a ir comprar torresmos de flor mais costeletas do cachaço de porco preto em Santa Luzia. Tive de parar bem no centro da vila para comprar dois pães de cabeça ao senhor António padeiro.

:::::
Como uma magia de Natal fui vendo correr os suaves morros ondulados, salpicados de verdura tenra, mais os pontos brancos mexendo-se na forma de ovelhas nas chapadas. Estas vistas largas da savana alentejana com um e outro morro em ruinas, em tempos idos, frustravam-me; pouco tempo passava aqui, sempre de rabo alçado para rumar outros destinos mas agora, talvez pela idade, vejo esta paz carregada de nova percepção de perceber o vazio.

jack2.jpg Enquanto percorri este espaço de caminho fui pensando nesta crónica analisando em conjunto a natureza real, interrogando-me se este vazio era também uma ausência de existência. Não o era! Num lugar em que toda a gente cumprimenta toda a gente, o Bom-Dia surge com magia diferente. A sociedade, tão mudada neste mundo actual alterou regras sem zero e, sem o zero é impossível contar! Magia de natal.

:::::
O prazer de ver depende muito da nossa atitude mental; assim encorujado nos meus farelos antigos, queimo as pestanas das muitas e antigas lembranças!… Foi mesmo ao sair do carro no talho da Abelhinha da Suzel e bem junto a uma roulotte com a bandeira dos USA que ao abrir a porta traseira do carro que alguém me dirigiu a palavra num português defeituoso: - Senhor, aqui vender…has black pig? Olhei a figura e fiquei espantalho; era nem mais nem menos que o Jack Palance, um ruivo cavalheiro que me inchou de felicidade nas peliculas de cinema lá do passado da Luua!
:::::
Engasgado de assombro, frente a ele e na descrente veracidade do facto, lembrei num meio segundo suas vozes roucas, beata no lábio, artista principal azedo da vida e com uma cicatriz famosa em seu rosto. Será que estou mesmo neste mundo, nem pedindo licença para entrar no outro; só assim sem mais nem menos!?

roxo135.jpg Mal refeito aparentemente, olhei de arregalado sua pessoa, seu perfil altivo e respondi enquanto olhava seu cão negro e peludo, um cão-de-água de raça tuga. - Sim! Aqui os perros podem quedar-se sim problemas! Bolas! No estupefeito do caso dei por mim a falar espanhol confundindo cães com porcos. Sim! Repeti cirurgiando a sua figura: - Sim, here is a black pig.

:::::
Eu também vinha comprar essa delícia de comezaina. Sempre mais alto e agora mais kota ali estava esta kianda assombração, reganhando competência antiga nas adivinhações do meu silêncio. Obligado! Tank You! Duas vezes repetiu agradecimento e na forma de saudade antiga consegui ainda dizer: - OK! Pode comprar o pig preto e até passear seu perro! Até ir pescar na barragem do Monte da Rocha; aqui tem liberdade de apalpar o sabor dos silêncios e até os ventos que sopram de Panoias: - Podes mirar las sierras, volver en los tempos viejos e até encontrares o John Wayne. Num repentemente já o tratava por tu.

jack1.jpg  Ele, Jack Palance deu um pulo de satisfação. O quê: - John Wayne está aqui!? Pois, ainda ontem estive com ele em Aljustrel disse eu; mas bazou, nem sei para onde em seu cavalo holográfico. No seu sentido de eloquente grandeza, girou seu espaço em cento e oitenta graus e fez estalar os dedos de contentamento! Sua alegria era mais que muita. Enquanto fui comprar os lombinhos, ele ali ficou solitariamente taciturno afagando seu cão de água, creio que jogando inúmeras tristezas ao vento semi quieto dizendo, este mundo é mesmo uma ervilha.

:::::
O perro, ia e vinha alegrando seu dono solidário com seu contentamento e, eu já ali estava especado segurando a microondas para lhe mostrar as imagens de Assunção Roxo, uma kianda viva jogando roxomanias na forma de imagens fosfóricas. Meu chapéu dos big-five verde descalibrado neste sonho, bulia com meus neurónios. Ando preocupado com estas minhas visões mas, por agora ali fiquei apreciando os talentos de Jack Palance fazendo gaifona a seu cão.

roxomania1.jpgMeu artista preferido nos filmes de índios e gente robusta do frio norte, lugar meu desconhecido, aproximou-se ao meu chamamento. Foi quando lhe mostrei as ilustrações do John feitas por Roxo. De novo rodopiou 360 graus de contentamento, tirou seu chapéu e, com energia bateu-o em sua perna direita. Bem! Mostrei-lho no mapa o caminho para a Barragem de senhora da Rocha aonde ele Wayne, deveria estar a comer churrasco à mbukusho… My friend, thank you! Deu-me um grande braço e lá seguiu munido de suas carnes de black pig de santa Luzia…

:::::
Jack Palance (Vladimir Palahniuk). Actor norte-americano falecido a 10 de Novembro de 2006. Antes, foi lutador de boxe, acreditando-se que sua face desfigurada se devesse aos golpes recebidos, mas em verdade a desfiguração foi causada por um acidente de aviação.
O Soba T´Chingange
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017
XICULULU . XCVII

TEMPOS DORMIDOS - 30.11.2017

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Encontrei-me com John Wayne no Pingo Doce de Aljustrel. Desta vez contei-lhe meus apegos...   

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Enquanto tomávamos café, outras pessoas e até o padre de Messejana, um preto da Guiné, olhavam para nós como se fossemos gente do além! Não era para admirar pois que ambos estávamos vestidos com os ceifões e capotes do frio. Ou então, era pela celebridade de John. Perante isto foi ele que quis saber do porquê de eu andar por aqui, de onde vinha e outros edecéteras; estava desconfiado que as atenções eram mesmo para mim...

john01.jpg Eu, que tanto teimava em me esquecer, fui de novo obrigado a desfrisar minhas periclitarias:- Nasci em águas internacionais, num vapor chamado Niassa, disse! Sou cidadão do mundo, Angolano na diáspora, Mazombo por condição; ando pelo Mundo à procura de mim! Tenho cédula de brasileiro, Bilhete de Identidade do M´Puto mas, ando às arrecuas para fugir ao meu paradigma.

:::::

John Wayne mostrava-se também ávido de rever aquilo que foi sua infância em uma outra encarnação e, neste relembrar tentava encaixar-me no mesmo fardo. Ele só sabia que em tempos idos, fui seu duplo, nas quedas de cavalo - filmes de "El Dorado" entre outros; nada mais sabia!

:::::

Ele, não tinha certeza absoluta se aquela sua infância longínqua foi passada em Aivados ou Alcaria e tem até uma ligeira certeza de que tinha familiares em Panoias pois que, refere estar em um alto, lugar de poder ser vista de muitos horizontes. A todo o momento parávamos para apreciar as coisas ínfimas; tirava suas fotos amarelecidas da balalaica que se viravam em hologramas 3 D. E, estas até exalavam cheiros. Deveria ser uma tecnologia avançada do paralém.

mess0.jpg Entendo agora do porquê, em nosso último encontro ele apanhar uns cardos de cor amarela e mete-los em seu alforge, como aqueles que os cowboys usam; nem lhe perguntei, pois tudo nele, era inusitado.

:::::

Afagou uma minúscula carriça que lhe saltou para o ombro, vinda não sei de onde e de repente apeou-se junto a um frondoso sobreiro da foto que me mostrava e, de novo falou em seu inglês rachado: - You know the difference between a sobreiro and the azinheira? Rsss… Se eu sabia distinguir o tronco do sobreiro e azinheira? Pópilas! Estas variações rápidas confundiam meus zingarelhos. Ali ao lado e, num repentemente saltar para a foto! Só mesmo doutro mundo.

:::::

Só sei que a azinheira dá bolotas comíveis enquanto as do sobreiro não prestam, melhor são intragáveis! Disse eu! - Pois então fixa-te nisto disse ele, o tronco do sobreiro é de casca grossa, rugosa, irregular de fendas e nódulos irregulares enquanto a azinheira tem a casca fina, fendas regulares e longitudinais além de ter as folhas mais pequenas e, como dizes as bolotas comem-se.

nito01.jpeg Estive quase a dizer-lhe que os quatro pombos bravos que comi recentemente tinham em seu papo bolotas inteiras; que afinal não eram só os bácoros que comiam isto mas, deixa para lá, nada disse!

:::::

Lá na paralaxe do além de onde venho, utilizamos muito esta glande para nos dar energia atómica, podermos assim a partir de suas partículas radioactivas de nos transmutarmos num ápice de um para outro lado! - Assim como levitar e andar só de pensamento? Interroguei-o! Estava tudo explicado. Este Wayne era mesmo um ET.

:::::

Ele tentou então explicar-me: - Quando olhamos para o espaço, em seu conjunto, a distância das estrelas é tão grande que perdemos a noção de profundidade, num primeiro momento. Todas as estrelas parecem então estar à mesma distância, coladas numa grande esfera, a esfera celeste. Mas, na verdade, elas não estão à mesma distância, sendo o método de paralaxe usado para medir algumas dessas distâncias.

mess2.jpg Agora sim, estou feito ao bife, pensei! Belisquei-me e doeu, estava vivinho da costa. É aqui que nos movemos, na sombra da paralaxe, continuou. Estava explicado este seu entusiasmo em ver as moléculas expansivas alimentadoras de seus iões ou catiões feitos nuvens, assim como um orvalho cacimbado.

:::::

Mas eu, mesmo querendo, não consegui entender a cem por cento, mas disfarcei que sim... Estava tudo nos conformes! Mais ou menos isso, teletransporte nos iões espaciais! Disse ele. Isto é demais para a minha caminheta, afirmei sem nada dizer, só mesmo para mim! É melhor ficarmos assim! Notei que ele não gostou deste meu momentâneo desinteresse.

:::::

Neste entretém ouvimos um kwé-kwé de um pássaro grande e preto por mim nunca visto! Seriam os seus guardiões dessa terra do Paralém. Podíamos ouvir tudo ao mesmo tempo, um fenómeno até aqui nunca por mim observado, mas eram os badalos dos bois e das ovelhas não visíveis dali, que sobressaiam desta amálgama de sons.

mess05.jpg O curioso é o de que em momento algum saímos da cafeteria do Pingo Doce de Aljustrel Eu estava leve como uma pena, fazia quase tudo, eu que tenho tanta dificuldade a atar os sapatos pela manhã; parecia ser um ser gasoso.

:::::

Saímos dali com toda a gente desfrisando os olhares em nós. Montamos de novo nossos cavalos holográficos e num repente estávamos bem no átrio da ermida da nossa Senhora de Assunção de Messejana. De novo apeamos e, ambos nos sentamos no muro largo feito daquele xisto caiado.

:::::

Num encantamento, tirou nem sei de onde uma gaita-de-foles e começou a tocar uma musica volátil que trazia aos sentidos o cheiro de plantas distantes, pode dizer-se paradisíacas… Foi quando vi as nuvens virem até nós e fundir-se em uma senhora, pairando ali bem perto sem qualquer assentamento; tudo indica ter sido a Nossa Senhora de Assunção…Nunca tinha sentido assim uma sensação de tanta tranquilidade…

mess122.jpg Não demorou muito meu microonda tocou! Eram as fotos nossas enviadas por Assunção Roxo mostrando suas fosfóricas versões de tudo do que falávamos antes; John Wayne ficou encantado e, logo após eu ter transferido estas para o seu caderno holográfico escafedeu-se! É sempre assim...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:05
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 29 de Novembro de 2017
KWANGIADES . XXIX

NAS TERRAS DO FIM-DO-MUNDO - T´CHINGANGE NO OKAVANGO

Kinga só patrão! Kwangiades são as musas do Kwanza…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Nos muitos dias insólitos, encontro factos mágicos na revisão de amigos que me fazem medir o tempo com quartilhos e rasas como se feijões o fossem! A maior parte das vezes são traduzidos com cheiros de África catingados, que não sendo exóticos de todo, são dos mais genuínos perfumes como o cheiro das primeiras chuvas que salpicam a terra da savana no kalahári.

monteiro7.jpg Sucede que um dia e a convite de João Miranda, assisti bem na margem do rio Okavango (Cubango) a uma reunião de empresários presidida por San Nujoma, o primeiro presidente da Namíbia. Um helicóptero chegou bem perto da escola local do Shitemo no Ndonga Linena River Lodge, dele desceu um velho senhor de barba branca, alpercatas e um chabéu de palha já com falripas soltas. Também trazia um bastão, que julgo ser de distinto pau…

:::::

Com seus pés e olhos grandes, caminhou em direcção às autoridades locais, depois veio cumprimentar os convivas e suas visitas aonde me encontrava. Foi muito agradável em suas palavras, sua característica de humilde, postura e atitude. Naquela reunião, referiu a guerra que grassava do outro lado do rio – Angola. Pediu que não dessem guarida aos militares da Unita, tendo mesmo dito aos militares que os ripostassem com fogo de morte.

monangambé.jpg Ele era o líder do povo do Sudoeste Africano, (Ovamboland People's Organization) e eu, um cidadão disfarçado de turista caçador de elefantes. Soubesse ele que eu era um responsável coordenador da Unita no exterior e, teria apontado o dedo em minha direcção. Assim não sucedeu embora as estruturas de informação e inteligência pudessem saber de algo; minha missão era ver os pontos de reabastecimento à Jamba a partir da Namíbia.

:::::

O tempo fez diluir estas contrariedades de estar sob escuta; José Pedro Cachiungo fez-me a advertência de poder ter alguma contrariedade e mesmo sem salvo-conduto meu comportamento foi de singela observação. Para todos os efeitos, era um carcamano branco a rever os cheiros e sabores de áfrica na região Ovambo; usar os olhos, os ouvidos e fotos, seria minha tarefa de xirikwata tal como aquele pássaro comedor de jindungo.

MIRAN3.jpg Para além de ter visto coisas do meu agrado, guardei em mim as falas que ouvi de patrícios e carcamanos embebidas em um tempo que se pretendeu esquecer e, que se colaram a cuspo no subconsciente para não ferir susceptibilidades. O que ficou preso ao meu cerebelo gustativo foi aquele café cheiroso servido a escassos metros da corrente do rio Cunene. Nunca mais esqueci esses momentos de alegria, conversa solta, alegre com estórias, anedotas e bizarrices passados com Dona Elizabete que falava com o gentio com estalidos e João Miranda, o patrão do kimbo.

IMG_20170720_125720_BURST010.jpg Mas a mentira mais descarada que ali ouvi foi a de Oliveira, um amigo que conheci e que ia e vinha até o Mucusso, aonde estava umbigado. Pois um belo dia pensou ter morto uma zebra e, estando a abrir a mesma, depois de separarem seu couro com um rasgão ao longo da barriga, qual é o espanto de num entretanto de distracção ela, a zebra, levantar-se e fugir com as peles a dar a dar batendo-as, como se asas fossem. Esta peta, ouvida com atenção ficou-me entalada na mente ate hoje…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:47
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
KWANGIADES . XXVIII

NAS TERRAS DO FIM-DO-MUNDO

T´CHINGANGE COM REIS VISSAPA* NO OKAVANGO

Kinga só patrão. Kwangiades são as musas do Kwanza…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Tive a sorte de atravessar os muxitos da África com Dy Reis Vissapa; desde Windhoek, capital da Namíbia, subimos para norte até o Rundu na margem do Cubango e Catima Mulillo às margens do rio Zambeze. Nós, uns gwetas com olhos de águia, íamo-nos tornando mwatas na interpretação das terras do fim-do-mundo conciliando o antes e o agora daquela região de Okavango. E, de novo revisitamos as mulembas de N’Zambi com os kambas daqui, mais dali, ouvindo suas falas de espanto.

  DY00.jpg..soba15.jpg Mostraram-nos aquele arbusto parecido com rebentos novos de loureiro de onde cortam umas varas para introduzir na boca dos sobas defuntados. Apontei algures seu nome mas, com o ronco da pacaça fazendo frente ao leão, meu coração pulou de medo juntamente com o papel de embrulho no lugar do Mukwé; ficou no mato vadiando-se com o vento portador das primeiras chuvas.

:::::

De certa forma os sobas são os guardiões da memória, das tradições antepassadas e, por isso teriam de já defuntados ficar de boca aberta para dizer suas últimas vontades. E, era aquele pau que dava nobreza a este procedimento e, até que o Kimbanda falasse por delegação do morto, tudo o que lhe foi transmitido no tempo, a boca não era encerrada.

:::::

Eu e Dy, pela indumentária, mais parecíamos uns caçadores de elefantes. E, foi uma turista de cor branca de leite que nos perguntou se eramos mesmo caçadores de elefante! Olhamos um para o outro admirados de ver ali esta branquela de mochila pedindo boleia em plena faixa de Kaprivi e, nem sei bem o que respondemos mas o que ficou desta cena foi acharmos demasiado destemida a sua atitude em cruzar áfrica sozinha. Disse-nos que ia para as cataratas Victória fazer jumping na ponte do Stanley que liga o Zimbabwé à Zâmbia.

dy15.jpg Foi João Miranda que nos acolheu às margens do Okavango; uma casa totalmente construída em madeira no lugar de Andara em Mukwé; um lugar com ocultos mistérios do canto Xirikwata - um pássaro comedor de jindungo. João Miranda, um chefe do mato, senhor dos anéis num lugar esquecido mas muito especial pelo envolvente mistério de fuga de Angola. E, que depois veio a fazer parte do batalhão Búfalo chefiando os bushmens na investida Sul-africana a Angola, naquele distante ano de 1974

:::::

Sabendo de antemão que neste mundo só os anjos não têm costas João Miranda contou com detalhes esses dias de guerra! Isto é mato, amigo! Disse ele após longas falas como dando um finalmente àquele passado mas, sempre ia falando raspas desse conturbado tempo. Mesmo naquele lugar de fim-do-mundo deve por certo haver um Deus, que nos julga em cada dia e diferentemente, de acordo com o que viermos a ser em cada dia. João Miranda era agora um bem-sucedido comerciante.

:::::

Este quase lendário homem da mata, pouco a pouco recorda com raspas de esquecimento propositado peripécias e, ainda no segredo de sua intervenção no avanço até Luanda; fazia parte do batalhão Búfalo! Vezes repetidas afirmou que após tomarem posições ao inimigo, leia-se cubanos e militares do MPLA, deixavam grupos da UNITA ou da FNLA a assumirem o controlo dessas zonas libertadas e, em que estes eram influentes.

miran01.jpeg Seguimos viagem rumo a Nascente deixando esta gente que como nós, saíram dessa imensidão dos matos de Angola, de lonjuras percorridas em velhos Dodges, GMC, Willis, land-Rover, Fords ou Chevroletes, terra de onde se parte sem querer partir e já partindo, arrependido depois por não ter ficado; assim foi dito por Elizabete Miranda sua esposa. Como vamos nós próprios destrinçar a verdade dentro da nossa própria imensidão, nos assuntos de crenças e impiedades de bens tão profusos nas regras do Mundo.

:::::

Prosseguindo nesses milhões de espinheiras ressequidas de para além de Okahanja, e Divundo atravessamos terras despidas de gente, uma casa aqui outra lá longe por quilómetros de distância, situadas à sombra de acácias; Farmes quase invisíveis aonde só o depósito de água ou o moinho de vento se vêm tremelicando nas onduladas quenturas. A caminho de Catima Mulillo passamos antigos acampamentos de Omega, chiam segredos de ferrugem abandonada, coisas mal oleadas com negócios de madeiras, diamantes e muita aventura em rente dos olhares de hipopótamos. Estes nada me falaram, preocupados que estavam em espargir merda ao seu redor para marcar território.

miran03.jpg Por todo o lado podem ver-se orixes e avestruzes bordeando as áridas terras aonde até o deus-me-livre dos mortais, tem de cohabitar com hienas, chacais e bichos rastejantes de arrepiar o pêlo. Lugares muito diferentes das regiões a Sul de Ovambo aonde os guetos não juntam brancos com pretos.

:::::

*Reis Vissapa - Autor de “Ninguém é Santo” escrito para todos os Angolanos que amaram e amam a terra que os viu nascer ou crescer…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:27
LINK DO POST | COMENTAR | VER COMENTÁRIOS (1) | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXV

O CHOQUE DO PRESENTE17.08.2017 - (Revisado a 21.11.2017)

- “O PRIMEIRO BRANCO” e a higiene racial...III

- Os portugueses “cruzaram-se” com os negros africanos. Isso resultou numa mudança profunda do carácter e da psicologia da nação lusitana.

Por

soba 01.jpgT´Chingange

Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos! As escolas já não ensinam isto ao pormenor e, de qualquer modo, os manuais são feitos por gente…Muitos têm ADN preto como a Catarina Furtado que tem ascendência Angola mas, para quê rever isto!? Só mesmo para compreender que a raça humana é mesmo assim, ao correr da pena!

valdir5.jpg (…) Prosseguindo com a publicação do jornal National Vanguard Tabloid, este refere que a culpa desta estagnação no trato da eugenia com a “pureza da raça branca” e, segundo aquela organização inglesa de tendências neonazis, reside na liberdade com que os portugueses se “cruzaram” com os negros africanos. Isso resultou numa mudança profunda do carácter e da psicologia da nação lusitana.

:::::

O “National Vanguard” não tem nenhuma dúvida ao afirmar: “os portugueses do século XVII e os dos séculos seguintes são duas raças diferentes”. Os articulistas advogam obviamente a favor da separação racial. Sociedades como a americana que contiveram e contém uma percentagem considerável de negros. Mas, essas “souberam” manter uma céptica fronteira entre os grupos raciais. Não houve cruzamento nem mestiçagens; assim diz o jornal.

maqui1.jpg Foi essa separação que, segundo a racista publicação, ajudou a manter a capacidade de progresso em países como os Estados Unidos da América. E conclui: não existe evidência nenhuma que a integração dos negros e dos judeus tenham trazido alguma vantagem em qualquer parte do mundo.

:::::

Embora estas publicações sejam casos isolados e representem uma faixa desprezível da opinião pública, a verdade é que não é por acaso que o jornal escolheu Portugal como um caso paradigmático. Podemos até lembrar-nos do que escreveu Kaulza de Arriaga, quando explicava as maiores capacidades dos europeus do Norte em relação aos do Sul.

:::::

Os trópicos como evidência de degradação e desumanização é um estereótipo antigo e, essa atitude de arrogância não é sequer nova. No calor do Sul de África, com sol primaveril de Agosto, rodopiando as horas, vendo os novos rebentos das acácias, aqui estou numa espera tardia, ciente que nada sou para alterar as vontades alheias, desejando somente que tudo siga sua normalidade entre a raça humana.

DIA107.jpg Agora, já kota mais-velho, apercebo-me do joguete das lutas de tantas portas ou portais desconhecidos. Retornando à estória, em “Álbum de Costumes Portugueses”, Fialho de Almeida descreve o “Preto de S. Jorge”, como membro de uma confraria que teria direito a incorporar a procissão do CORPUS CHRISTI, com os demais ofícios.

:::::

A presença negro-africana também se verifica nos topónimos de muitas ruas, como por exemplo: Rua das Pretas, Rua do Poço dos Negros … ou no nome de muitas povoações como a de Santa Eulália de Negreiros dum lugar chamado do Preto, de Santa Maria de Negrelos. Vale de Negros e tantas outras vivenciadas por todo o Portugal (M´Puto).

onco2.jpg Em 1551 a capital lusitana teria cerca de 100.00 habitantes, dos quais 9.900 eram escravos, ou seja 9,9% da população. Ao longo dos seculos XVI e XVII a mão-de-obra escrava representava já 10% da população total do Algarve e Alentejo e também era visível no Norte de Portugal e, em outras regiões. No concelho de Loulé há o lugar chamado Cerro dos Negros, no de Almeirim há uma povoação com o nome Paços de Cima ou dos Negros.

:::::

Dois povoados dos concelhos de Albufeira e de Silves chamam-se Guiné, no concelho de Alvito existe a povoação chamada Horta de Guiné. A dos Pretos, Monte dos Pretos e Quinta da Preta são os nomes de povoações dos concelhos de Leiria, Estremoz e Alcobaça…; enfim, demonstra-se assim a importância que estas populações teriam em determinadas regiões para que servissem de referência a um determinado lugar.

eusebio1.jpg Portugal é, afinal, o país de Eusébio, de Ricardo Chibanga, de Sara Tavares. Um episódio antigo ligado ao explorador britânico Livingstone ilustra bem como essa Europa olhava e olha para Portugal. Livinsgtone vangloriava-se ter sido o primeiro branco a atravessar a África Austral. Um dia alguém lhe chamou publicamente a atenção que isso não era verdade. Antes dele já o português Silva Porto tinha realizado tal travessia. Imperturbável, o inglês ripostou: - Eu nunca disse que fui o primeiro homem a fazê-lo. Disse apenas que fui o primeiro branco.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:43
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 18 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXIV

O CHOQUE DO PRESENTE17.08.2017 - (Revisto a 18.11.2017)

- “O PRIMEIRO BRANCO” e a Higiene racial…II

- Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos!

Por

soba 01.jpgT´Chingange

No século XV, os mapas foram queimados, as informações escondidas porque era urgente provar uma superioridade da civilização ariana. São modas ou maneiras de estar! Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos! Não dava para se dizer “vamos evangelizar os africanos, tornar os negros escravos e baptizá-los.” E, isto sucedeu ou foi sucedendo!

kota0.jpg No século XV decidiu-se que os africanos faziam parte da descendência de Cham, filho de Noé e deviam viver uma vida de sofrimento para afastar o castigo, padecer a Paixão de Cristo, o que lhes permitia entrar no paraíso; foi isto recuperado da Bíblia por conveniência, creio eu. Apesar de a mestiçagem constar no discurso harmonioso da lusofonia, visionam-se razões ao dar um carácter de excepção ao colonialismo português. Mesmo entre negros, era preferível importar mais escravos de África do que manter seus filhos.

:::::

Rebuscando novas, soube que Cristiano Ronaldo nasceu na ilha da Madeira; que Isabel Rosa da Piedade é natural da ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Os pontos em comum entre eles não são apenas o facto de ambos terem nascido numa ilha. Segundo o "Diário de Notícias da Madeira", Isabel Rosa é bisavó de Ronaldo, o que faz com que o Jogador do Ano FIFA em 2008, ou o melhor jogador do Mundo em 2017, tenha no seu ser um ADN de Cabo-verdiano.

bruno27.jpgClaro que vão ficar todos surpreendidos porque as ideias concebidas em cada qual são confusas em si! Não há aqui nada de extraordinário! Aos 16 anos, Isabel abandonou a sua terra natal para tentar a sorte noutra ilha do oceano Atlântico, a Madeira. A jovem Cabo-verdiana acabou por casar com José Aveiro, natural do Santo da Serra, e bisavô de Ronaldo. Da união entre o casal, nasceu Humberto, que viria a casar com Filomena.

:::::

Humberto e Filomena, avós do futebolista do Sporting de Portugal e agora no Real Madrid, tiveram seis filhos. Dinis, um dos rebentos do casal, acabaria por casar com Maria Dolores, natural do concelho de Machico. Dinis (que faleceu em 2006) e Maria tiveram três filhos entre 1974 e 1976. Nove anos mais tarde, o casal volta a conceber e, nasce Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.

ariano0.jpg Poucos poderiam adivinhar que este filho, 23 anos mais tarde, se tornaria no melhor jogador de futebol do Mundo. E, que aos 32 anos (nasceu a 5 de Fevereiro de 1985) ainda continuava a ser o melhor do Mundo! E, se todos sabem que Ronaldo é português, mais concretamente madeirense, as origens cabo-verdianas da sua família permanecem ocultas.

:::::

A informação já foi difundida na imprensa de Cabo Verde, suscitando grande curiosidade no arquipélago. Isto foi contado ao Expresso por um jornalista do diário "A Semana". Portanto, naqueles idos tempos os brancos entravam no caniço e tinham a negra que quisessem.

ariano1.jpg Na Luua de N´Gola (Angola) era no BO - Bairro Operário em plena cidade de Luanda e, em São Romão do Sado do M´Puto era no canavial do rio Tejo, uma das aldeias existentes no Ribatejo. Mas também poderia ser em Coimbra, Mirandela ou Tavira do Algarve. A diáspora Lusa tornou Paris de França na segunda cidade portuguesa pois que o número de falantes da língua de Camões, é superior à cidade do Porto. E, por lá também há canaviais.

ariano3.png Quem agora for passear pela Ribeira do Sado, já não verá gente verdadeiramente negra, de lábios grossos e carapinha. A cidade de Alcácer do sal, decorreu do tráfico de escravos entre os séculos XV e XIX. Em verdade, somos uma caldeirada de gente de cores diversas e de todo o Mundo; Os portugueses foram os iniciadores da globalidade no mundo moderno e, haverá muita gente que pensa ser um puro ariano quando afinal tem em seu ADN sangue preto.

:::::

Esta miscigenação tornou-nos em realidade seres diferentes; os turdetanos, os suevos, romanos, cartagineses ou zulus estão no sangue de todos nós. Recentemente, encontrei na Cidade do Cabo, muitos mestiços de cor mais morena com nomes de Oliveira, Pereira e Silva descendentes de portugueses; gente zebra ou mazombos como eu. Quando no futuro vierem a habitar a Lua, talvez todos fiquem bem surpresos ao encontrarem lá num qualquer buraco taberna um Tuga a vender peixe frito aos marcianos.   

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 5 de Agosto de 2017
MOAMBA . XI

MOAMBA . XIV

A NUDEZ DA VIDA – 05.08.2017 -Temos de ginasticar a mente! Terei de continuar espiralado para dentro até minimamente entender o que será o colapso do átomo…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

De acordo com a teoria da relatividade, se a luz não consegue ir de uma região a outra, nenhuma outra informação o consegue. O mais lógico e possível é dizer que Deus escolheu a configuração inicial do Universo por motivos muito para além da nossa compreensão. Isso sem dúvida estaria ao alcance de um ser omnipotente, mas, se Ele começou o Universo de maneira tão incompreensível, por que optou então por deixar que evoluísse segundo leis que pudéssemos entender?

:::::

Tendo o hidrogénio um único electrão orbitando o núcleo, afirma-se pelos cientistas recentes, que pode agora ser vista como uma onda com um comprimento dependente da sua velocidade. Fiquei sabendo que as somas de histórias podem ser visualizadas na dualidade, onda e partícula. Mesmo que queira escalpelizar esta forma de atracção gravitacional do Sol, não o poderei fazer sem estudar a atracção entre electricidade positiva e a negativa que mantém os electrões.

funa3.jpg Há no entanto questões ainda sem resposta, sendo a mais fundamental delas explicar como a relatividade geral pode ser conciliada com as leis da física quântica para produzir uma teoria completa e auto-consistente da gravitação. A generalização tem implicações profundas no nosso conhecimento do espaço-tempo, levando, entre outras conclusões, a de que a matéria (energia) curva o espaço e o tempo à sua volta. Isto é, a gravitação é um efeito da geometria do espaço-tempo.

.::::

Supõe-se que as histórias seguem seu trajecto de A para B associadas a dois números em que um representa o tamanho da onda e o outro a posição do ciclo. Bom! Esta do ciclo tem como uma onda, a sua crista e o seu vale, tal como uma sinusóide. Num vasto ciclo de ondas num mar, o surfista sempre aguarda a sua onda, a tal! Um surfista muito cheio de sorte joga com as probabilidades de ter uma onda considerável, dispensando muitas outras que não dão as condições optimizadas à sua prancha, sua partícula.

:::::

A probabilidade será assim como uma prancha partícula a ir de A para B obtendo no conjunto a soma de ondas para todas as trajectórias. E, há variações enormes, umas ondas são grandes e outras quase rasas, que associadas se anularão uma às outras de maneira quase exacta. Formular isto em equação matemática concreta, torna até aparentemente simples calcular as órbitas permitidas em átomos e moléculas, com átomos unidos por electrões que orbitam mais de um núcleo.

MAGA11.jpg Voltamos assim ao “princípio da incerteza” tendo a estrutura das moléculas e suas recções entre si, formar a base da química e biologia, em princípio a mecânica quântica que nos permite prever quase tudo o que vemos à nossa volta. Para conceber isto, seremos obrigados a interpretar as antigas pinturas em que os Santos ou gente santificada tinham um halo de luz envolvendo suas cabeças; explicação grosseira mas plausível de entender.

::::

Se considerarmos isto dito dentro dos limites estabelecidos pelo “princípio da incerteza”, teremos antes de entender um outro princípio chamado designado de “antrópico” que credita o lema de vermos o Universo da maneira de como ele é, porque se ele fosse diferente, não estaríamos aqui para observá-lo.  Bom! Entretanto os teoremas da “singularidade” indicam que o campo gravitacional ficará muito forte em pelo menos duas situações: - São elas “os buracos negros” e o “Big Bang”!

DIA76.jpg Poderemos prever a derrocada da relatividade clássica quando os átomos alcançarem uma densidade infinita. Juntando nosso entendimento às demais forças da natureza, ainda serão necessários fundir-se muitos fusíveis do cérebro e cerebelo com seus neurónios e, muitas gerações a se arrumarem na relatividade geral e na mecânica quântica. Teremos forçosamente de ginasticar a mente. Podemos dizer que é esta “Uma breve história do tempo” de Stephen William Hawking.

FILOSOFO1.jpg William Hawking, é um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da actualidade. Doutor em cosmologia foi professor de matemática na Universidade de Cambridge. Em 1964 foi-lhe diagnosticado ter esclerose lateral amiotrófica mais conhecida por doença de Lou Gehrig ou doença do neurónio motor. Vulgarmente diz-se que isto ou aquilo em comparação com algo é relativo; Ele o físico, é em seu próprio ser, como figura, bem a prova disto.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:48
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 4 de Agosto de 2017
MALAMBAS CLXXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 20.07.2017 - (Parte 3 de 3) - Aqui no Pilanesberg de África, apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo …

Por

soba10.jpg T´Chingange

Neste mundo global, qualquer fagulha serve para atear quenturas mas em África, é muito mais natural porque sempre se usou a cinza das queimadas para renovar os pastos. Tenho observado como os animais da savana africana adoram esses rebentos saídos da terra. As noites são frias acumulando geada nas tenras folhas, que por sua vez lhe dão vida ao penetrar em suas raízes. Nos últimos dias os javalis facocheros joelham-se fuçando a terra ainda húmida bem junto à berma das picadas sem se perturbarem connosco; ali ficam em varas exibindo-se sem medo.

bra1.jpg Já os homens, com suas diabruras muito cheias de corruptas ousadias, amachucam-se entre si usando seus instrumentos de poder, suas artimanhas de logro para obter dividendos. Hoje é N´Zuma e amanhã será um outro a cantar vitórias e, tal como o EDU de Angola perpetuar-se-ão até exaurirem o cansaço do povo à semelhança de Roberto Mugabe do Zimbabwé. Para ver se fico manso com Nosso Senhor, continuo a ler o evangelho de Saramago usando até seus sufixos, esboços de suas falas menos ceifadoras para não me pecar,

:::::

E, porque, até uma árvore geme quando a cortam e, as palavras têem o valor que têm segundo nossas convicções ou ficções. Com verdades indecifráveis, muito cheias de ofensas ou entendimento falaram-me de uns quantos anjos voando sobre a África desde a Cidade do Cabo, até o Cairo como o sonho de Cecil Rodes espalhando ódios de raças. Como metáforas enraivecidas dizem-me que a América e Inglaterra vão ficar falidas e cheios de dívidas. Que a Inglaterra será totalmente aniquilada, pois até a sua terra será queimada com uma invasão liderada pela Rússia. E, que esta invadirá a Europa, através da Turquia usando armas terríveis.

;;;;;

Mas que coisas mais tenebrosa que meus amigos apóstolos de África me dizem. Não tenho de acreditar e, nem o quero porque na destrinça de nossos quereres perturba-me a probabilidade dando-me conta entre reflexões, que nunca unirei as pontas. Ficarei atando e desatando nós de sim, mas não, não, mas sim com o não sempre se retorcendo como coiro queimado nas pontas. Querem fazer de mim, torresmo! E transcrevem-me as profecias dizendo que a África do Sul entrará em uma guerra civil em um ano de eleições. Pópilas! Estamos quase em cima delas- 2019!

massau4.jpg Mais me dizem que as profecias referem que após a morte de um líder negro, será exibido em um caixão de classe nos Edifícios da União. Líderes mundiais o irão homenagear! Mas isto já sucedeu com a morte de Mandela! Matizado nos arrebates da imaginação de que cada qual soma um ponto ao conto, rogo que percam com o tempo e na distância, a convicção de que assim será! Que o não seja! Nem poderá assim ser, uma perca de pontos ao não milagre. E, se realmente o houver, que vire uma coincidência infeliz porque por experiência, sabemos que bem estaríamos nós, se tudo na vida fosse prendas e só bem-estar.

:::::

Pois vou ter de dar por finda esta incursão no campo das profecias porque a solidão nos será mais pesada do que uma pedra amarrada ao pescoço, preferindo das notícias proféticas, recolher as de felizes consequências, dos corriqueiros milagres que preenchem uma vida. E, querendo o Senhor, viermos em crer no que nos foi dito, mas, entre tantos, muitos ficarão á espera de que o Senhor mude seu entendimento, por choro, por um desgosto ou por um último suspiro.

valdir5.jpg Hoje assisti à corrida de uma chita na savana de Pilanesberg; a cabra springbok foi alcançada e logo em seguida suas três crias surgiram ajudando sua progenitora a transportar a presa para um lugar dissimulado a uns escassos 30 metros da picada. Na natureza a vida e a morte conciliam-se fora da mistificação de gente ímpia, a ocasião pode sempre criar uma necessidade e, se ela é forte, terá de ser ela, a necessidade, a fazer a ocasião. Aqui não há o lado bom e o mau. É a sobrevivência!

koisan1.jpg Se Deus quiser, quando assim se fala, ouve-se das bocas mais incrédulas sentenças bem acabadas mas, pela natural força do subconsciente porque cada um tem o seu próprio destino, seus próprios milagres, suas próprias palavras que trilham seu caminho. Porque na vida tudo é relativo, uma coisa má pode até tornar-se sofrível se a compararmos com coisa pior ou, o inverso que também é verdade. Em tudo, haverá sempre um propósito de fé! Que poder poderá ser dado a alguém que morreu! E, como ficamos se esse ser for uma springbok?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:29
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 3 de Agosto de 2017
NIASSALÂNDIA . VII

MULOLAS DO TEMPO – 02.08.2017 - Nós e o mundo … Teremos de nos regularmos em boas marés porque as brisas esbarram em caricias amigas…

Niassalândia é o meu país.

Por

soba15.jpg T´Chingange  

A Um de Fevereiro de 2016, Eduardo Torres o poeta Xi-Colono, amante do deserto Naukluft, divagando fora da sua serena poesia, falava de mim em prosa: -Curiosamente, só vim a conhecer o António Monteiro, quando, residindo em Portimão, tive oportunidade de estar com ele na casa do meu amigo Santos Pereira, já lá vão largos anos, e sempre o conheci bem-humorado, ora pedalando na bicicleta em circuitos organizados, ou como caminheiro em longas andanças por montes com cardos e estevas.

nauk01.jpg Em realidade o nosso primeiro contacto (digo eu) foi em Windhoek, capital da Namíbia e, estando eu em companhia de Dionísio de Sousa também conhecido por Reis Vissapa que ia desbravar o Okavango na tentativa de por ali ficar; seu sonho era ter um lodge junto ao rio que lhe trazia muitas lembranças desde o tempo em que trabalhou na Brigada de Hidrografia no rio Cubango entre outros. Ele por ali bivacou em casa de Miranda Khoisan às margens do Kubango por algum tempo e, eu regressei a Windhoek tendo ficada por uns dias no hotel Continental.

:::::

Foi neste então que nos conhecemos, assim como a suas filhas Paula e Sónia que trabalhavam em uma agência de viagens. Foi aqui que me apresentou ao Cônsul de Portugal na Namíbia. Recordo que foi Sónia que teve a amabilidade de nos marcar o booking para o Etosha Park em Okaukuejo! Dito isto, vamos continuar com as caricias de meu amigo: Monteiro, para manter o físico e não perder a boa disposição, andava de bicicleta indo de Silves a Sagres.

nauk03.jpg Regressava partido de roto, após ter percorrido seus 120 quilómetros. Depois uma sardinhada bem regada com água de Pegões e uma soneca para retemperar músculos, dizia ele. Preparava-se para ir a Fátima a partir de Albufeira, coisa que acabou por fazer em três anos seguidos; isto, só o vim a saber mais tarde! Considerei o Monteiro sempre um "bom vivant", alinhando sempre com a esposa como muleta, uma disposição que os tornava um casal simpático e acolhedor.

:::::

O Monteiro tem as suas páginas no FB e, de quando em vez lembra-se de transcrever qualquer escrito meu que para ele possa ter interesse. Em verdade, o Monteiro, acaba por me divertir, porque usando a sua veia criadora, sua banga ninita misturando excertos de artigos diferentes, assim como um preparo cozinhado com frutos do mar e bizarrocas receitas. Algumas vezes permite-se ao luxo de introduzir novidades, para mim, de sua autoria.

nauk1.jpg Ele lá tira as suas ilações, e altera o conteúdo como deve alterar a receita, quando cozinha com seu pau de cabinda mordido na ponta para sentimalizar o preparo. Num dos últimos artigos que escrevi, afirmei lembrar-me da primeira vez que tinha comido camarões trazidos pelo meu pai, de Benguela, isto, penso, que nem a segunda grande guerra se iniciara; o amigo Monteiro acrescentou, que teriam vindo num Jeep Willis, para dar ênfase às sua bafunfadas inventações e, poder poeticamente comparar a um brinquedo que o compadre do meu pai, Bartolomeu de Paiva, me havia oferecido pelo Natal alguns anos depois.

:::::

Estabelecendo assim uma comparação, de duas épocas diferentes, porque na primeira nem jeeps havia, e na segunda já apareciam miniaturas de viaturas utilizadas durante a guerra que estava devastando a Europa. Isto não tem nada de especial, mas não deixa de ser interessante a sua intervenção no sentido de tornar mais forte a razão do acontecimento registado.

nauk4.jpg E, Edu continua seu discurso na primeiríssima pessoa: Quem te conhece, sabe como tu és, sério, honesto, amigo do teu amigo, mas gostas de deixar sempre a tua marca, uma ferradura, e pela minha parte, podes continuar a fazê-lo porque até é uma maneira de me divertir... E, até porque não tem importância, e pode acontecer ser por uma questão de interpretação!

:::::

Aliás, agradeço quando públicas o que escrevo, uma prova de apreciação da tua parte (fim de citação). Assim, abruptamente termina sua esponjosa lengalenga bonita de chorar bem no topo de uma duna do Naukluft e, vendo as sombras a roerem-nos o pé. Em seu tempo, creio ter-lhe agradecido mas, agora que a revejo aqui na terra do biltong no Gauteng, envio-lhe uma saudação neste meu jeito suave de não perturbar a rigidez de suas rimas, sua direitas posturas sem antas nem adendas nem fumaças de caricocos envoltos em papel preto e doce.

nauk8.jpg Em remate e, bordado a lentejoulas das terras de largas vistas ao sul do M´puto, Júlio César, Doutor professor de números e contas, que só conheço através do Facebook, dono de palavras honorificas e sem Ferrolho, tranca o tema tecendo as palavras como laivos de própolis, um antibiótico salutar: -O António Monteiro é um criador de estórias que usa a língua portuguesa condimentada em sabores de kimbundo e doces crónicas dele próprio e dos amigos. E, porque terminou assim, em mel de abelha, tenho de expressar aqui e agora a minha gratidão a ambos. 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:37
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 1 de Agosto de 2017
MUJIMBO . CVII
NAS FRINCHAS DO MEU BAÚ . 01.08.2017 - Guetos, somos todos nós, brancos e pretos - José Eduardo dos Santos é um homem banal. Não provoca a ninguém um virar de pescoço quando entra num salão...
Frincha : É a ranhura do tempo...
Por

soba10.jpgT´Chingange

Entre dúvidas escondidas no pormenor de factos conhecidos, dou-me conta que as frinchas, mostram versões velhas a que eu não forço ao pormenor para não suscitar ranhuras com os gigabites alheios, referindo tão-somente o que me parece ter lógica porque, por mais que nos esforcemos, há coisas que sempre ficam na charneira do mujimbo, do boato.

okakau1.jpgAgora que vai haver eleições em Angola, recordo que Jonas Savimbi, sempre recusou o abandono da luta pelo que achava certo, não escolhendo cenários de exílio dourado como outros o fizeram e, foi o único dos líderes angolanos que sempre viveu e lutou no seio de sua terra, sua pátria,digo eu num propósito de dialogar com as duvidas de muitos.

:::::
A ela, Angola, tudo deu sem nada tirar, ao contrário de outros com contas, palácios e mansões no exterior e o desperdício de gastos, assim como a compra de um relógio de 500 mil euros por um filho do Edu, o plenipotenciário presidente. Um filho que só se baba de prepotência sem nunca ter trabalhado em algo visível; que nada fez em prol do povo! Fisicamente Savimbi morreu mas, seu espírito está em toda a parte, mesmo fora de Angola! Alguém em seu nome continuará a ter quem defenda essa cultura, esse povo, essa forma de ser e de estar! Li algures que está enterrado em um humilde cemitério de Luena.

brig4.jpg Um amigo meu do Okavango no seu jeito enigmático de sempre deixa uma prega solta na minha costura frinchada disse: -Ele está vivo! Algures num lugar palaciano e bem protegido; aquilo de sua morte foi uma farsa muito bem engendrada pelas grandes potências. Vejam só o que a mente humana pode arquitectar (penso eu)? O que viram em fotos é uma tramóia muito bem-feita, um sócio de Savimbi e, não é certo saberem aonde ele foi enterrado para evitar um rodopio de peregrinos, disse este meu kamba. Desacreditei disto com um muxoxo fingido de consentimento.

:::::
Não acredito nesta sua versão, disse eu por fim, não tem lógica porque mostraram o corpo dele em várias posições e eu até pude referir em tempos que ele se teria matado pois que na foto de Grande Reportagem do M´Puto podia ver-se um furo em seu queixo do lado direito. Era ele sim! Ele era destro! Rematei em termo definitivo! Meu amigo, deu de ombros assim como dizendo que cada qual ficava com a sua opinião. Não forcei a nota mas, ando matutando em sua fricção; acontece hoje tanta coisa estranha!?

kunene1.jpg As nossas conversas rebrilhando nas águas do Kubango vespertinavam com a kúkia (pôr-do-sol) bem no horizonte angolano e, por detrás de seus brilhos Andamos para trás ou para a frente de forma aleatória e por serem já coisas diluídas nos cacimbos e kiangalas, podemos ornamentar os factos com ausência de espanto; de só mesmo matando o tempo, de só falar ! Recordamos a muita diplomacia lodosa, de quando Jonas Savimbi chamou «garoto» ao então ministro Durão Barroso Esse que esteve no comando da UE.

:::::
Por seu turno, também recordamos quando João Soares, numa entrevista ao semanário Expresso, classificou os dirigentes angolanos como «um bando de cleptócratas»; talvez ele mantenha essa opinião, só que agora com mais fortes razões de o serem! E, as relações escondidas, que o Dr. Soares seu pai já defuntado, manteve confidenciais durante muito tempo, em virtude de «não querer que isso fosse do conhecimento da Internacional Socialista e, onde o movimento da UNITA não era reconhecido».

kunene.jpg Esclarecedor! De quando Mário Soares de visita às Seychelles, em 1995, em conversa informal com os jornalistas, após o jantar, falou de Angola (que visitaria oficialmente no ano seguinte) e sobre os líderes em confronto, emitindo esta opinião: «José Eduardo dos Santos é um homem banal. Não provoca a ninguém um virar de pescoço quando entra num salão. Enquanto que Jonas Savimbi tem uma presença esmagadora! É um verdadeiro líder africano!». Tarde piaste, digo de mim para mim mas, e aqui corroboro com ele! Disse eu ao meu amigo Mac Guiver de faz-de-cota, que me olhou sem espanto!

:::::
Da minha conversa com Mac Guiver, nunca pretendi recolher dados comprometedores com ele e, sempre o vi como um bigfive que nada mais fez do que dar continuidade à sua vida, tal como o fazia na Chibia, do outro lado do Kubango mas, sempre me pareceu ser um profundo conhecedor de todos estes relacionamentos de fronteira.

kunene2.jpg Estava escrito nesta frinchas que a Jamba era o centro nevrálgico alfa no tráfico de marfim, diamantes e madeiras preciosas. Savimbi teve de recorrer a este património mas, o governo mwnagolé da Luua, despilfarrou muito mais em proveito seu, dos filhos e de toda a nomenclatura. Agora, mais kota, recordo que as interrogações ente eu e Mac Guiver faz-de-conta, sucumbiram em sorrisos, um indício de quem sabe, mas desconhece, perpetuando uma amizade de cavandelas...

O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:57
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Segunda-feira, 31 de Julho de 2017
MALAMBAS CLXXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 19.07.2017 - (Parte 2 de 3) - Aqui no Limpopo de África, apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo …

Por

soba10.jpgT´Chingange

Ao sol do Calahári e em sítios chamados de Gauteng e Limpopo, limito-me a ver e a ouvir a transpiração do medo, de como será quando a mancha negra querer suplantar-se á mancha branca fazendo ruir as filosóficas teses de eugenia importadas da bretanha puritana. Durante os tempos, pastores e ideólogos seguidores de suas verdades tentaram mudar por selecção o arco-iris das gentes transtornando a sustentabilidade social da África. Surgiu assim a política do apartheid que tornou a África do Sul, num lugar de difícil conciliação entre as diferentes cores de pele; prática de difícil harmonia com os padrões da natureza.

:::::

Surgiram as lutas entre Ingleses, Bóeres e Zulus envoltas em teorias de submissão com místicas que se fizeram prevalecer entre soluços africânderes, saltos de guerra Zulus, nenhures Khoisans e a pré-potência colonial britânica. Vi centenas, senão milhares de campas em cemitérios cobertos de capim por entre fragas esquecidas de África; gente que se entregou à luta por uma fatia de independência e sempre perseguidos pela incompreensão do mundo. 

boher3.jpg Para compreender a turbulência das mentes, teremos forçosamente de entrar no mundo do paratrás, relembrar aqueles velhos ditos das profecias duma tal sexta trombeta a soar alarme em dó maior; da guerra que se avizinha com as previsões do homem das batatas e, também pelos exemplos sociais africanos do Cairo a Kape Town gravados na política de países a tons deslavados, como as pinturas de batique do género de Xipamanine que mostram caveiras entre ossos amolgados com talas de falas espiritualmente supersticiosas.… 

:::::

Aos velhos, será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar as gigantescas presenças de feridas mortais. Angola, Zimbabwé, Togo, Nigéria, Senegal, Burquina, Moçambique e tantos outros. E, o preto que mata branco, que lhe rouba a fazenda, do branco que mata preto porque é turra; daí abrirem-se gavetões, com ossários feitos pó pelo tempo. Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho.

boher6.jpg Ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto se neste agora sabemos poder estar a ser tramados até os tornozelos. Afinal a cor de Noé era indistintamente um albino! Ninguém tem condições de desmentir esta suposta mentira, porque os escritos não faziam menção desta particularidade tão cheia de superstições. Tudo misturado com profecias de despertar duendes sem sexo ou kiandas sem nexo, tudo a provocar adrenalina. Crer ou não, sempre serão preocupantes por se manterem coladas aos cerebelos.

::::

Em 1916 Johanna Brandt recebeu uma visão de um anjo que lhe mostrou uma terrível cena de horrores e males que se aguardavam em Johannesburg. Os negros estavam-se organizando em segredo cortando o poder por dentro e ao redor da cidade. E, tudo aconteceu inesperadamente. Nisto, ela os viu espalhar-se pelas áreas residenciais matando brancos. Milhares e milhares morrerão durante a "Noite Egípcia" que descerá sobre a cidade! Disse o anjo….

boher7.jpg Ela, a Johanna disse: Quando vi todos os corpos mutilados à minha volta na visão, eu gritei: Isso não pode ser, porque não há tantas pessoas em Joanesburgo! Ela estava no ano de 1916, cento e um anos atrás. Sentado em umas velhas e reaproveitadas solipas grosas de ferrocarril, escrevo isto sem saber se correr para norte ou para oeste, sem plano de fuga certo, incrédulo até. Só de mente transtornada lá fui correndo para Sul, terra de Paul Kruger junto ao Orange River refugiando-me no buraco de Kimberley assim como fazem as suricatas, como o fizeram eles em tempos - os veteranos bóeres fugidos dos ingleses.

boher8.jpg A vida é uma odisseia neste mundo global; estas nuvens negras que em nada ajudam a compreenderem o belo que a vida realmente tem. Hoje e depois de dar a volta à reserva de Pilanesberg ao lado de Sun City e, já no final do roteiro, depois de ver vários animais, desanimado por não ver o elefante, um dos big five, qual o meu espanto ver este enorme paquiderme, cortando pela raiz pequenos arbustos junto à vedação do Bakgatla, minha ocasional residência…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:14
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 30 de Julho de 2017
CAFUFUILA . CXXIV

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO – 28.0.2017 - 20ª parte

Kiandas e calungas! De novo em Massangano… O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

De novo em Massangano fui ler os catrapázios guardados numa tão velha arca que, até os aloquetes tiveram de ser arrombados com um improvisado escopro e uma maceta com cabo de pau-ferro. Foi assim que retirei um rolo meio a se desfazer muito atacado de bolor estórico com as pontas quase a se separarem por rachadura. Levei à vontade três dias a aquecer o mukifo tão insalubre; entretanto andei pelo mato à procura das resinas apropriadas para enrijar aquele papel em rolo de laço folgado e a se  desfazer.

:::::  

Com muito cuidado lá consegui estirar a folha, entornar nela o verniz ligeiramente aquecido e, com muita sorte vi que o grudar da resina na velha tinta das letras traçadas com pena de pavão, ressaltaram-nas ficando assim quase salientes e de melhor leitura. Como a sombra, a história tem obscuridades e, foi a palavra escrita na parte superior direita que me despertou ainda mais curiosidade: - Dun. Mais abaixo podia ler-se Balthasar Van Dun, oficial da Companhia das Índias Ocidentais Holandesas.

roxo128.jpg Sabe-se da estória que quando o almirante holandês da Companhia das Índias Ocidentais tomou Luanda, os portugueses fugiram todos para Massangano, e por ali permaneceram durante a ocupação, até à chegada do luso-brasileiro Salvador Correia de Sá e Benevides, que reconquistou a Fortaleza de S. Miguel, na baía de Luanda em 1648.

:::::

Vim a saber neste então muito posterior àquela onda do tempo que a construção deste Forte tinha também em vista a defesa das redes comerciais de mercadorias tais como cera, peles, dentes de marfim, pedras preciosas mas, e especialmente da venda de escravos às Américas, e também para segurança do presídio de Massangano, que a monarquia portuguesa utilizava como local de degredo.

:::::

Pois é aqui que situo a minha epopeia neste romance mussendo de três continentes por via de seguir a peugada das kiandas, kwangiades ou calungas Roxo e Oxor de Guaxuma. Pois, em uma outra minha andança ao serviço da rainha de Portugal D. Maria I e, com o cargo de tenente, tive de escoltar uma leva de prisioneiros participantes da chamada Inconfidência Mineira nos fins do século XVIII, um movimento militar no Estado de Minas Gerais do Brasil.

roxo138.jpg As vidas são assim, intemporais e fui no ano de 1790 chamado desde a vila de São Vicente para escoltar presos militares, uns revoltosos capitaneados por Joaquim José da Silva Xavier, conhecido pela alcunha de Tiradentes. Reclamavam contra o pesado pagamento de um tributo em ouro cobrado aos mineiros brasileiros pela coroa portuguesa e, vai daí e para exemplo enforcaram o Alferes por liderar aquela insurreição.

:::::

O curioso disto são os contornos que dão às conjuras para aproveitamento político e, vai daí o pobre alferes viu-se metido em alhadas pelos ideólogos políticos que conjugaram o facto, tal como sendo uma revolta a favor da independência do Estado de Minas Gerais. A tal revolta, quase uma inventação a que chamaram de Inconfidência Mineira. Reinava então a rainha D. Maria I e, ainda estou para saber por que carga de água, fui eu o nomeado para tal tarefa, quando um sargento ou cabo-de-guerra o poderiam fazer sem transtorno algum para a administração.

:::::

A estória tem assim destas nuances, mas vim a saber que diplomaticamente assim fui nomeado para me retirarem do Comando da capitânia de São Vicente. Já naquele tempo havia bufos que enchiam as orelhas às gentes de mais galões e querendo livrar-se de mim, um inveterado rebelde que não via a monarquia com bons olhos, aproveitaram a deixa e lá me mandaram para aquele longínquo presidio às margens do rio Kwanza. Há bens que vêem por males…

maga5.jpg José Alvares Maciel era o nome mais sonante de entre aqueles degredados e com quem ainda mantive alguns contactos. Foi por ele que vim a saber ser esta peripécia urdida pelos políticos; sei que veio mais tarde a ser solto para divagar como pombeiro (vendedor ambulante) nos matos da Matamba e, acabando por morrer lá para os lados de N´Dalatando, deixando uma prole de filhos com o nome de Alvares.

:::::

Outros supostos mentores civis faziam parte do lote que estiveram presos por algum tempo, destacando-se mais tarde como cidadãos de carreira, uns como funcionários do reino e outros como comerciantes. A luta pela independência do Brasil saiu-lhes pelo cano com as estrias invertidas. Eu mais tarde acabei por ficar destacado na Fortaleza de São Miguel chefiando um destacamento policial situado na rua do Casuno bem junto às cubatas do Palácio do Governador Manuel de Almeida e Vasconcelos de Soveral, 1.º Conde da Lapa - Governador e Capitão-General com quem mantive muito boas reacções.

:::::  

Foi nesta minha ida para a Fortaleza de São Miguel da cidade de São Paulo de Assunção de Loanda que tive de recolher elementos e documentos em Massangano a fim de para ali os levar e arquivar. Foi neste então que tive de enrijar o papel mofado, o tal que tinha a palavra Dun no lado supra direito. Ali estava descrita a linhagem de Dun em África que vem de Balthasar Van Dun, também conhecido como Van Dunem.

fiume01.jpg Dun foi para África como funcionário da Companhia das índias Ocidentais Holandesas mas tinha uma função dupla, a de militar e a de negociador de escravos com os descendentes de N´Gola Kilwanje. Quis a estória que nessa missão dupla e de também negociador com os portugueses, ficar por ali com uma prole de filhos mazombos mamelucos. Os negócios sempre suplantam as políticas e, eis que eram os próprios portugueses que vendiam escravos a este inimigo holandês de origem, um súbdito de Maurício de Nassau.

:::::

Van Dun teve forçosamente de lidar com o pai da Kianda Roxo, Morgan Tsvangirai pois era ele que cobrava as taxas para o reino através de posturas lançada pelos governadores Pedro César de Meneses, em oposição aos Holandeses e Francisco de Souto-Maior, ambos capitães generais. Como almoxarife de Massangano, tinha a seu cargo o trato comercial e a recolha dum percentual na venda individual ou lotes de peças e, aqui ficavam arquivados os livros em estas malas seladas com lacre e chancela real do M´Puto. Lamentavelmente, todo este material envelhecia sem os necessários resguardos dum bibliotecário.

:::::                                      

Os escravos “peças negras” eram enviados para o Recife, base de Nassau no Brasil. Van Dum era um bom comerciante, sabia como fazer os seus tráficos, tanto com os portugueses como com os Reis e Sobas de Angola. Sua esposa era negra, e era mais racista que ele próprio. Tudo isto me foi confidenciado já nem sei em que circunstâncias, pela Kianda Roxo em plena quiangala. Sei que isto se passou na rua do Casuno, em um terraço cheio de buganvílias rosas; isto, eu lembro! Ainda posso cheirar aquele aroma à mistura com o ar húmido vindo do mar da baia de Loanda à mistura com as muitas flores que ali havia.

MONA1.jpg Ela, a kianda Roxo tinha uma relação próxima com as filhas de Van Dunem; E, nem uma kianda consegue guardar confidências para todo o sempre. E, foi logo a seguir a estes encontros que a mente de Roxo se sumiu gerando um outra versão de calunga escafedendo-se nas brumas de uma outra e mais outra kianda com nova posturas de espirito matumbola, assim como numa metamorfose complicada.

:::::

As Kiandas Roxo e Oxor de agora, andam entre continentes não se recordando da cor de sua casca holográfica naqueles idos tempos de mar muito azul. E, ora são gente de carne e osso e, logologo mudam para uma assombração invisível para todos, menos para mim; mas, só após introduzir uma palavra secreta e uma reza curta perante N´Zambi, o mago dos magos. Recordo que já nesse longínquo ano, eu e ela víamos as implicações éticas que este fenómeno tem naturalmente, o de ter em conta que a escravatura não começou com a chegada dos Europeus a África.

:::::

A Rainha N´Zinga, com o nome cristianizado de Dona Ana se Sousa “N´Gola”, seu título real em quimbundo, dominou a região conhecida hoje por Angola. Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, foi também a sua primeira grande colonizadora pois que  durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submetendo e escravizando seus súbditos, vendendo-os aos portugueses e Mafulos que os levavam para o Brasil.

nzi1.jpg Por isso dizer-se que a escravidão, sob formas diversas, já existia nas tribos locais. Com um copo de gim e água tónica no lugar do Gato Preto de Rio Maior, a 27 de Maio de 2017, pude recordar aqueles longínquos dias e, de novo falar em sonhos ao som de merengues kizombados com terna amizade. E, curiosamente nem se falou nessa “Gloriosa Família” do tempo dos flamengos e, que deu ao M´Puto a primeiríssima ministra de pele morena, de um preto menos preto. A nossa Ministra da Justiça! Vejam só como a estória dá voltas…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:49
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 27 de Julho de 2017
MONANGAMBA . XLVI

BAKGATLA DE PILANESBERG - 22.07.2017- Com sorte amaciaremos leite coalhado …Viemos ver leões cientes de que não podemos sobreviver à traição gerada dentro de nós...

Por

soba10.jpgT´Chingange

Nas frinchas de meu tempo e muitas vezes, lembro-me aqui no mato de coisas infectas com mais de quarenta anos. Ficou-me bem ciente que podemos sobreviver aos idiotas e até gananciosos que nos governaram nesse lapso de tempo e aqui, longe dos novelos do M´Puto retempero-me com biltong e heineken lager beer. Um retempero de engano, táseaver! Misturando ideias no amaciar de leite coalhado de zebra do Pilanesberg, revejo a promiscua simbiose dos políticos do M´Puto com militares e afins, como coisa infecta.

:::::

A vaca voadora chamada de geringonça, uma estranha simbiose de animal com muitas patas, muitas tetas e asas secretas, também com lambebotas, engraxam-nos os dias com pomada retirada das nossas próprias gorduras. Com a benevolência de Marcelo presidente, com quem simpatizo, enfeitam os gráficos de crescimento económico engodando-nos o olho sem questionarem a subida dum tal de endividamento para uma vida; a coisa mais essencial desta periclitante estória da crise, vista do lo nefasto…

vacas voadoras.jpg Não sei se o povo é tonto ou se simplesmente anda mareado ou marinado numa mistura de leite de hiena. Nós, velhos resistentes, retemperando ideias de balouçadas agruras do tempo em que os militares vendiam armas ao inimigo comprimimo-nos em delicadezas; um misto de descrença sem aprofundar delicadas falas. Já chega de tibiezas! Roubaram arma em Tancos! Será que roubaram, ou já o tinham sido desviadas?

:::::

Isto, há quarenta e três anos, na Luua da Mutamba e arredores da N´Gola, era o dia-a-dia; roubavam até chaimites, paióis inteiros para entregar ao MPLA. Agora Tancos, é coisa pouca! Só um esboço de antigas passagens da estória, de nossas vivências em África com saída abrupta como a água que sai pelo tubo ladrão. Também nesse então nos enfeitavam as mentes com cravos vermelhos e seitoiras miniatura da Catarina Eufémia. Prá-frente camarada, avante!

araujo86.jpg Ando neste morro ou mato, vendo uma fauna bem mais interessante do que esses abutres de há quarenta e três anos atrás mechiam livremente dentro dum governo de tuji que também se dizia nosso. Primeiro com Spinola do monócolo, do pengalim e luvas de couro preto, depois com Costa Gomes, o rolha. Governos que nos entorpeceram com melífluos sussurros ouvidos por todos no vestíbulo do CR  (leia-se Concelho da Revolução) do Estado Português. Fomos salvos pelo Ramalho Eanes e pelo Comandos a quem sempre prestarei homenagem com respeito e orgulho.

:::::

Naquele então ecoavam falsidade nos propósitos; tal como agora, nós muito descansados, muito inocentes; a maioria nada disto fala, pois para quê, já passou!... Mansamente enfiam-nos no curral como se fôramos gnus aqui do Bakagatla Pilansberg. Esta gente não o parecendo ser ambiciosa, falam-nos com familiaridade, que usam sua força e suas ambições em apelo a sentimentos que infantilmente se alojam no coração de todos nós, mais os albinos, os verdadeiros m´puteiros.

REPU6.jpg Naquele então foram muitos a arruinar as raízes da sociedade, a trabalhar até em segredo com a justiça, ocultos na noite para demolir nossas fundações; minar também os alicerces da nação portuguesa, coisa infecta num corpo, simbiose de militar com político, um promíscuo MFA que nos sucumbia a mando de outras potências.

:::::

Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo, de esquecer as tropas passando armas ao inimigo, velhaquices de todo o tamanho vendendo-nos ao desbarato, pior que numa feira da ladra. Isto do roubo em Tancos deve ser uma manobra de diversão! Tem muito esturro e nunca se irá saber o busilis do ferúculo...

PAPAL6.jpg O meu dia aqui  entre as espinheiras do Pilansberg,  termina com um adeus aos hipopótamos na lagoa do mankwe, deitados feitos pedras com a kúkia do sol poente rebrilhando em seu dorso, uma visão deslumbrante. E já noite, as luzes do acampamento do Gate Bakgatla, bem ao lado do meu sonho, tremelicam ao chacal que salta para agarrar borboletas ofuscadas na luz. Sempre fugindo, porque neste mato ou morro, não quero ser borboleta !

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 03:15
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 26 de Julho de 2017
MONANGAMBA . XLV

BAKGATLA DE PILANESBERG - 21.07.2017-Tinha em mente encontrar búfalos mas com uma sorte de amaciar leite coalhado no meu four-by-ford, vi quatro leoas a dormir…

Por

soba10.jpgT´Chingange

Cativo de meus espaços e rodeado de acácias, troco ideias com meus obstinados silêncios na perspectiva de extrair ausentes sentimentos. No intuito de mostrar o que ninguém viu antes e, porque “nem sempre vemos o que desejamos”, tive hoje a sorte de ver três leoas numa encosta pedregosa no lugar de Tsukudu. Depois de seguir atrás dum enorme elefante bufador de palha mal mastigada, assim fomos cheirando seus perfumes até nos escapulirmos por uma picada a subir para o morro da marula.

herero0.jpg Meu carro ocasional não é um four-by-ford e, por isso tive o cuidado em o não arranhar dos lados pelas acácias nem por debaixo pelos pedregulhos agressivos. Tinha em mente encontrar búfalos mas com uma sorte de amaciar leite coalhado vi quatro leoas a dormir; por sorte, uma levantou-se por instantes para eu poder ver seu perfil; o suficiente para não me sentir defraudado neste safari de tirar fotos com um smartphone pelo óculo dum binóculo.

::::

Minha inventação roubada de minha neta cusca de quinze anos muito cheia de chatos pergaminhos, resultou em fotos amarelecidas rodeadas dum círculo difuso. Ela disse que aprendeu isto na química da escola relembrando até ser um método usado pelos paparásis, fotógrafos intrusos de mostrar intimidades de gente célebre para serem mostradas em revistas fofoqueiras.

hereros2.jpg Como ainda tenho o dente de facóchero que o cipaio Mandinga me ofereceu no tempo do antigamente, lembro-me agora que por via desta sorte de menino camondongo, mazombo filho do senhor Manel Monteiro do Mwene-Puto, aqui estou com calções de caqui recordado esse meu velho tempo de ir a missa.

:::::

Pois, recordo assim que o que Deus uniu não pode ser desfeito mesmo que por vezes, se viole os preceitos divinos dos mestres com escapulários. Se a vida é uma sentença com um princípio e um fim, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos, ou daquilo que poderíamos ter feito; não podemos assumir a culpa dos pais, nem dos pais de outros pais.

pila0.jpg Na percepção parcial das vitais contingências, tecidas e compostas nas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, por fortuitos efeitos que determinam o futuro próximo e distante. Cada um de nós foi o que foi por uma coisa pequena, que nem sempre se escolheu dedo ou arado que por coisa pouca mudou nossas vidas.

:::::

Por via de duvidas também usamos amuletos da sorte na forma duma nota de dólar, um santinho, uma qualquer nossa senhora da aparecida mais responsos escondidos em forros de malas e maletas. Até uma vagem envernizada de feijão maluco serve para o efeito! Por agora ando com esse tal amuleto, um dente de javali que o cipaio Mandiga me deu em um outro e antigo tempo.

herero01.jpg O místico junta-se com a Cruz e o Cristo numa caixa, asfixiando-O no tempo todo e, sempre picado em sua coroa de medonhos espinhos grandes como o destas acácias de África. Com um credo na ponta das falas, fico na beira do charco vendo os bichos desfilar sobrevivências fugindo uns dos outros mas e principalmente daqueles leões que dormem na encosta do morro.

hereros4.jpg Num dia antigo, eu próprio na primeiríssima pessoa berrei disparates saídos do fundo de minha raiva; via coisas que mais ninguém via. Eu, um gweta mwata vestido num calção e balalaika de caqui feito um bóer e, conduzindo um carro com seis juntas de bois com seu pai Manel, um Mwana-Pwó poderoso das terras de Quilengues; terras altas de N´Gola como estas aqui aonde o leão ruge, no monte da marula de Tshukudu. Os sonhos mesmo que falsificados voam rápido…

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:30
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 16 de Julho de 2017
MUKANDA DA LUUA. XLVII

BOA NOITE...16.07.2017- LAMENTO DE UMA AMIGA QUE MORA EM LUANDA... MERECE SER LIDO ... Parte 3 de 3

roxomania1.jpgAs escolhas de Assunção Roxo

Por: Isabel Batista

(…) Na Luua – Os Tugas de novo se vão? Sei lá…mas vão - Já vimos esse filme antes. As casas restaurantes e lojas vazias. …A periferia de Luanda que está acordando entretanto de um pesadelo no entanto, hoje fala-se muito mais do que anos atrás. Há a radio, a televisão, a internet mais o Google! O povo, o candongueiro opinam: -A vida pulula cedo na luta pela vida, 150 Kwanzas para ir e por vezes nenhum para voltar!

zé peixe9.jpg Tá duro, mas vamos de caxexe, devagar; o trânsito começa às cinco, gente a bulir, a acreditar sem alternativa. Ajudar e partilhar! Verbos renovados, sem ninguém a nos perguntar o que achamos de nós mesmos? Não contamos, não servimos! Não prestamos mais aqui, mas o que faço do “olhar” de minha mãe na senda dos 90…O que faço disto?

:::::

O que faço dos amigos que na rua conheci meninos, hoje homens feitos! E, o Pedrito cheirando gasolina em frasco escondido em cartuxo sebento… Outros cheirando fumo de bateria na praia, sem irem nunca ao mar porque vieram do Huambo na altura do bilo a serio, por aí… Fora os outros que já se foram.

socie4.jpg Menti-lhes quando conversávamos sentados no chão, no Kinaxixi comigo a dizer: quando fores grande tudo vai ser diferente! E, está a ser sim, para o que faço de meus discursos incendiados “lá fora” quando me associam a assuntos de que não tenho conhecimentos. O coração a bater, a bater, tentar entender, perceber e fazer perceber, apelar para aquilo que não tem apelo…

:::::

Tudo isto e quando a vergonha alheia afinal também está no pacote de nossos pertences, já gastos; sei onde nasci! Minha família de 5 gerações! Sim! Mas há parentes que não nos pertencem! Família da maka, nossa bandeira que já foi festa de carnaval gweta. Atentos esperançados e curiosos com o futuro que se quer ser melhor que os passados. Também mais consideração mais respeito pelo que abdicamos.

luanda6.jpg Todos os livros e discos e filmes que passaram ao largo, os amigos de longe e família arco-íris; cafés e bibliotecas que já tivemos, livrarias e galerias de arte que o mundo aconteceu. Como nós nos sujeitámos no analítico com paralítico? A água e a luz que falham num aguenta isso, enche a banheira? E aí firmes sem esquindivas com as questões, inventando, criatividade de bué.

:::::

Na musica, na arte, na vida., na panela, no transporte, firmes frouxos, levando e levados no enfim com jinguba ou mandioca. Faca na garganta! Injustiça vadia sempre com as mulheres na frente! No garante lá de casa, deitar, fechar pernas, abrir pernas, fumar vaidades e silêncios; muitos silêncios. Mas a cidade! Ué. É um atentado, uma vergonha o não conseguirmos explicar direito a quem nos pergunta: mas porquê?

koisan5.jpg Tu que vives e estás aí sem entender, com teus bebés e família mais papagaio e sempre um porquê no consciente? Sou educada ya!? Respondo: - Eu queria saber; só sinto! Aqui dizem quando se vai menos bem de saúde. Pois ”sinto o corpo” assim falido; é isso, sinto-o no coração que bate e pula. E o coração, quando se está bem…não se sente. oh!!!!!!!... já vou longa...perdão.

Isabel Batista

t´chingange.jpegNota de T´Chingange: As alegações da teoria pseudo-científica são de que a Luua da Terra pode ter sido colonizada por uma nave alienígena. Os agora matrindindis surgiram antes dos Pulas e Tugas do M´Puto; tinham capacete e suas sementes trazidas do espaço deram um fenomeno chamados de baobás extra de paragordos.  Só muito recentemente passaram a ser de imbondeiros! Eles, os imbondeiros choram agora de tristeza de raizes no ar porque os Tugas  conhecedores das honabilidades ferteis, perderam-se num labirinto de dá-cá-o-meu  a que chamam de gasosa. Os mwangolés sugadores, feitos gente num repente começaram a surgir de olhos bicudos para os lados, uma  tecnologica anatomica  prepotentemente superior.  

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:56
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

RELOGIO
TEMPO
Weather Forecast | Weather Maps
Fevereiro 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
14
15

18
20
21
22
23
24

25
26
27
28


MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
Facebook
Kimbolagoa Lagoa

Criar seu atalho
ARQUIVOS

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

TAGS

todas as tags

LINKS
PESQUISE NESTE BLOG
 
CAIXA MUSICAL
CONTADOR
contador free
ONDE ESTÁS

Sign by Danasoft - Myspace Layouts and Signs

blogs SAPO
subscrever feeds