Domingo, 17 de Janeiro de 2016
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXII

TEMPO COM FRINCHASA MINHA LUANDA . Luís, tu és a vergonha dos Alemães e, foi-se! Desconfio que era mesmo um alemão feito cachorro…

Por

maga1.jpgLuís Magalhães - Tem uma antiga caneta Parker 21, espacial. Dessas que levam o homem a gatafunhar coisas da Luua, numa Angola que jamais esqueceu e, das sequelas …

way4.jpg Aquilo para mim era um mundo fantástico! Luanda em 1972, foi um despertar tal que quando dei por mim já queria tirar a carta de condução e, isto deu maka! Tinha que pedir autorização ao meu Pai para me emancipar, coisa para o qual este não estava virado porque simplesmente não o queria. Bem! Também não lhe disse que era para tirar a carta de mota juntamente com a de carro. Mesmo assim, lá me deu a emancipação com uma alínea onde estava escrito o seguinte: Documento passado "SÓ" para efeitos de carta de condução.

sistelo5.png Quero lembrar que no meu tempo só eramos adultos aos vinte e um anos! Como sempre a minha Mãe impôs a sua Lei sendo de que uma delas, não poderia beber álcool. Das passagens de ano minha Mãe tinha muitas más memórias de alguns vizinhos cujos filhos acabaram por falecer vítimas dos excessos etílicos. Bom, depois de ter tirado a carta, fui trabalhar e estudar á noite na Escola Industrial e assim, poder comprar a mota dos meus sonhos; meu Pai sempre dizia que não pagava luxos?! Comprada a mota, andei pela Maianga, Mutamba, Vila Alice, Bairro Avalade, Samba, Bairro de Miramar, Avenida Brasil, Avenida dos Combatentes, Cazenga, Bairro Operário, da Cuca, Salazar, Santa Bárbara e Américo Tomás.  E, outros que já nem me recordo.

sistelo7.jpg Aos domingos de manhã, ía para a praia; da parte de tarde todo perfumado seguia para os bailes dos Bairros, se bem que de vez em quando também ia até ao Clube Transmontano; aqui, ficava um pouco de pé atrás porque as garinas dali queriam casório e eu não estava para aí virado. Tinha um grupo de meu emprego, que por costume íamos jantar ao Mesquita que ficava por detrás do "Jornal a Província de Angola"; geralmente neste jantar como entrada faziam umas sandes de carne assada, muito jindungo e uns chocos com tinta, dali seguíamos para a “discoteca quatro” abanar o capacete. Lá pelas quatro da madrugada terminámos a faina em uma boîte que ficava nas traseiras da Biker.

sistelo2.png Tudo normal em uma terra que para se chegar aos cocos se tinha que trepar. Mas, houve um final de mês, fazendo eu anos, o grupo disse-me assim: Hoje, dia de teus anos, vamos-te pagar o jantar e, não és Homem nem és nada se não beberes um canhangulo? Queriam mesmo ver-me piruca! Naquela minha inocência, aceitei o desafio, comi bem e lá bebi o dito canhangulo e um fino espantando meus camaradas. Seguiram-se outros, sentia-me mesmo o maior! O pior foi quando me levantei; meio zonzo, coisa que eu disfarcei, muito direitinho fui até á mota, sabendo que a maralha estava a topar-me!?

sistelo3.pngAtravessei a Salvador Correia em direcção á Baía, fui depois até á Ilha; ao atravessar a ponte eis que tive que parar para deitar a carga ao mar? Chamei o gregório Depois disto voltei a montar na mota e quando estava a chegar perto da Boite Tamariz(??), como já não podia mais, resolvi sentar-me na areia onde acendi um cigarro e por ali fiquei zonzo com as luzes rebrilhando na água da baía. Neste meio tempo chega um Jeep da Policia militar - Que desperdício meu Deus, dez da noite e este gajo já está com um chibo que não sabe de que terra é?!

sistelo4.pngAdormeci encostado á palmeira! De manhã ouvindo o cantar do mar, ouvia neste deslumbre os sussurros do mar, e uma língua lambuzando-me todo: schelép... schelép... schelép...? Ainda meio zonzo, abri os olhos muito devagar e é quando deparo com um cão Pastor Alemão lambendo-me a t´xipala perante o ar divertido de uns candengues que estavam a assistir á cena! E, não é que o sacana do cachorro falou! – Luís, tu és a vergonha dos Alemães e, foi-se. Até hoje ando desconfiado que fui Alemão e que aquele era mesmo um Alemão disfarçado de cão…   

sist8.jpg Envio a foto do meu Bilhete de residência em Angola com a Profissão de Agráfico.  Foi um erro dos serviços nunca corrigido; agora que se lixe, já é tarde para tal…

Ilustrações de Jorge Sistelo

As Opções do soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:19
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Domingo, 3 de Janeiro de 2016
MUJIMBO . CXIV

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPOVII

Chamavam “o canal da mancha” à nossa secção porque era a zona mais escura. Não sei se em Angola se pode falar de racismo como tal, mas existe colorismo… 

kimbo 0.jpgAs  escolhas do Kimbo

Por: ELIAS ISAAC - DIRECTOR DA ONG OSISA - O grupo racial negro, maioritário em Angola, está diferenciado etnicamente. Em Portugal, os grupos raciais minoritários negros, traçam estratégias porque se dizem discriminados.”

paulo0.jpg (…) Explícito é o episódio contado pela fotógrafa Indira Mateta, 30 anos: trabalhava numa empresa que funcionava num edifício de seis andares em Luanda, e no andar dela eram quase todos do tom de pele dela, mais escuro - nos outros andares os trabalhadores “tinham pele mais clara”. Chamavam “o canal da mancha” à nossa secção porque era a zona mais escura. Então é uma coisa explícita: as pessoas falam a rir como se fosse engraçado. A partir do momento em que as pessoas acham que ser mais escuro é ser manchado, não há muito a dizer.”

paulo2.jpg Há quem, como Luís Fernando, administrador no grupo de MediaNova, já tenha sentido racismo directo na pele à porta de um restaurante/bar, o Chill Out, onde o porteiro o barrou, deixando entrar o amigo branco. “Obviamente que nunca mais lá pus os pés”, conta no seu escritório. Mas desvaloriza o episódio: acha que não há racismo em Angola. Pode haver algum elemento racista, em que o angolano se sinta superior, ou podem existir alguns portugueses “extremamente racistas”. Mas “não se deve tomar a árvore pela floresta”. Teme, no entanto, que surja uma tensão racial mais do ponto de vista económico “no sentido de algumas pessoas se sentirem excluídas dos lugares que se elitizaram”.

paulo1.jpg O estigma é: Quanto mais claro, maior o grau de instrução. Na zona Sul da Luua há vários edifícios novos, entre eles o centro comercial Atrium Nova Vida, onde há lojas de restauração e de roupa, algumas de marcas internacionais. Encontramo-nos com o sociólogo Paulo de Carvalho no centro comercial onde o chefe de segurança é um português branco. Como sociólogo, usa as expressões “grupo maioritário” para se referir aos negros e “grupo minoritário” para falar de brancos.

paulo7.jpg “Em Angola não existe racismo institucional. Primeiro porque a legislação não permite o racismo, segundo porque os grupos raciais não estão discriminados. Há racismo institucional quando os grupos raciais traçam estratégias de actuação com base nesse factor. Ora em Angola isso não ocorre. O grupo racial negro está diferenciado etnicamente. Nos grupos minoritários raciais, como os brancos, não ocorre porque não há necessidade, isso ao contrário do que acontece em Portugal, em que os grupos raciais minoritários “traçam estratégias porque são discriminados.” Ainda hoje, quanto mais claro é o angolano, maior o grau de instrução, resultado da colonização que criou uma tendência que ainda se sentirá durante mais algum tempo, analisa.

(Continua…)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:34
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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015
MUJIMBO . CXIII

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPO -VI

Não sei se em Angola se pode falar de racismo como tal, mas existe colorismo…  “nunca vi nenhum branco ou mulato a  varrer a rua e isso pode ser um motivo pelo qual o negro se sinta discriminado e sofra racismo”.

kimbo 0.jpgAs  escolhas do Kimbo

Por: ELIAS ISAAC - DIRECTOR DA ONG OSISA - Manter uma conversa sobre coisas relacionadas a Portugal ainda tem importância.” …

ngoi6.jpg(…) Temos expressões como ‘bom ventre’ quando uma mulher dá à luz e as pessoas vão ver o bebé - o bom ventre é aquele que produz crianças que nascem com a pele mais clara. ‘Vida mulata’, por exemplo: entende-se como vida boa, das pessoas que nascem para viver bem - então usa-se essa expressão. Outra expressão é ‘adiantar a raça’- uma pessoa que se casa com uma pessoa com tez mais clara. São expressões que se usam que indicam privilégio de determinado grupo de pessoas em função da tonalidade. Em Luanda será preciso andar muito para encontrar duas pessoas a falar em umbundo ou quimbundo ou outra das seis línguas nacionais porque durante muito tempo se desincentivou esse hábito, nota.

ngoi1.jpg A televisão nacional começou a transmitir uma parte das notícias em línguas nacionais e há músicos que cantam nelas, em umbundo e quimbundo. Mas continua-se, mesmo depois da independência, a ridicularizar aspectos importantes da cultura angolana como a forma de vestir, de comer ou a utilização de roupas com tecidos africanos, exemplifica. Faltam políticas para a promoção da “identidade angolana, africana, que não deixa de ser negra”, defende.

ngoi0.jpg A grande questão é que é preciso fazer a ruptura com a mentalidade colonial “ainda muito presente” em situações como a forma de estar, por exemplo. “No outro dia perguntaram-me se eu tinha estudado em Portugal, e de que parte de Luanda era. ‘Sou do Huambo’, disse. ‘Ah… falas tão bem português!’ O falar bem português, com sotaque aportuguesado, saber usar os talheres, manter uma conversa sobre coisas relacionadas a Portugal ainda tem importância.”

ngoi5.jpgPublicitário, copywriter e fotógrafo, Ngoi Salucombo defende que existe racismo em Angola, sim, e que ele se manifesta de diversas formas. Por um lado, é verdade que “nunca vi nenhum branco ou mulato a varrer a rua e isso pode ser um motivo pelo qual o negro se sinta discriminado e sofra racismo”. Há um discurso que entrou no colectivo nacional de que “os portugueses eram os maus”. “Saímos da colonização para o partido único e durante muito tempo esse discurso foi forte. Além de que já vemos a colónia portuguesa como negativa, em comparação com as colónias francesas e inglesas em África. A minha geração comenta muitas vezes: ‘Esses tugas...!’”

ngoi3.jpg A Ngoi Salucombo, que viveu oito anos em Portugal, acontece muitas vezes ouvir “aquela expressão” de amigos portugueses: “‘Ah, mas tu és diferente’ dos angolanos. Isso para mim já é racismo,.. Não cai bem-estar a falar com um português das coisas negativas de Angola, e ele dizer: ‘Mas tu és diferente’, como quem diz, “tu és dos nossos, és como nós”. Por mais que a pessoa não queira magoar, vem do fundo. É uma forma de racismo porque essa pessoa está a dizer: ‘Tu és como eu, somos os melhores, o resto é uma cambada’.”

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:44
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Sábado, 26 de Dezembro de 2015
MUJIMBO . CXII

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPO – V

Não sei se em Angola se pode falar de racismo como tal, mas existe colorismo…  

kimbo 0.jpgAs  escolhas do Kimbo

Por: ELIAS ISAAC - DIRECTOR DA ONG OSISA - “O que Angola está a tentar fazer é a transformação social com uma minoria que vive nos condomínios…”

miss0.jpg (…) O privilégio branco é visível em qualquer parte do mundo e aqui também. Expressa-se, por exemplo, na imagem da beleza - e no cabelo. Lúcia da Silveira usa o cabelo natural e uma vez, num encontro com um ministro, a secretária “teve a coragem” de lhe dizer: “‘Porque não arranja  esse seu cabelo, você é mulata…?’ Eu respondi: ‘Vou fingir que não ouvi o que a senhora disse porque está a depreciar aquilo que é meu.’ Esse também é outro problema: ser discriminada por usar o cabelo natural.” A tendência para se seguirem os padrões ocidentais em Angola é bastante visível em todo o lado, diz Márcio Cabral, 30 anos, redactor da revista Caras Angola - nas festas, o mais comum é o uso das extensões e das aplicações, os alisamentos.

miss01.jpg Nas paredes da redacção da revista, espalham-se fotos das capas da Caras com as figuras da elite angolana. Não há um padrão de quem ocupa a capa em termos de cor. A Caras fica num edifício perto da marginal, de onde se vêem os arranha-céus e as construções a crescer em Luanda. O jornalista acrescenta que, por outro lado, há “cada vez mais mulheres a assumir a sua essência africana” e isso é uma tendência que se tem vindo a desenhar de forma subtil. “Tem mudado bastante. A ascensão de Leila Lopes a Miss Universo 2011 que foi um grande acontecimento.”

miss02.jpg Há uns anos que Sizaltina Cutaia, gestora de projectos sociais, aderiu ao grupo Angolanas naturais, criado no Facebook para valorizar o cabelo natural. Ainda hoje, mesmo em países africanos como Angola, “o belo é influenciado por uma visão eurocêntrica”, explica Sizaltina, que aparece com um turbante africano. O trânsito em Luanda é caótico e nem sempre é fácil encontrar as ruas, mesmo usando GPS

miss2.jpg Tinham-nos avisado que era normal os angolanos chegarem atrasados aos encontros, mas não foi este o caso. Sizaltina Cutaia vem ter connosco à residencial pela qual pagamos cerca de 150 dólares por noite, um lugar onde em Portugal não pagaríamos mais de 15 euros. O custo de vida em Angola é muito alto, mesmo em lugares onde a electricidade e água faltam frequentemente. A dois passos da residencial havia um prédio sem luz há meses e meses.

miss5.jpg Conta que quando deixou de alisar o cabelo ia a uma festa e as pessoas perguntavam: “‘Vais assim mesmo, o que se passa, entraste para alguma igreja?’ A pressão social sobre isso é muito grande e reflecte um problema que tem que ver com a questão da raça. Não sei se em Angola se pode falar de racismo como tal, mas existe colorismo que é o sistema onde se considera a tonalidade da pele para definir o tratamento que a sociedade dá a uma pessoa.

(Continua…)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:36
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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2015
MAIANGA . XV

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recuperaVII

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

mugi4.jpg (…) Fala-se muito do lixo de Luanda. Isto é só o espelho da avalanche de gente que não era urbanizada, ou é mesmo a incapacidade de se lidar com uma realidade urbana? As duas coisas. O africano comum tradicional é uma pessoa limpa. Basta ver as casas dos camponeses. A passagem para a cidade fez quebras, perde-se o quintal e, às vezes, até os hábitos de limpeza. Na cidade cada pessoa produz X quilos de lixo por dia, isso acumula-se rapidamente. Tem de haver mecanismos de fazer desaparecer o lixo, por causa das doenças.

guerri3.jpg Por outro lado, na nossa época, o lógico é montar sistemas de recolha de lixo em paralelo com a sua rentabilização, para até diminuir as despesas, porque as despesas da recolha do lixo são cada vez maiores, aumentam com o crescimento da população. Recolher o lixo custa dinheiro, o que temos é pura perda, estamos a acumular toneladas de lixo sem buscar soluções para ganhar dinheiro com o lixo. Pode usar-se o lixo até para a produção de energia, recolhendo o gás que o lixo produz e utilizar para a iluminação, para cozinhar etc. Temos desperdiçado os benefícios do lixo. Há experiências universais que devemos aproveitar.

mutamba4.jpg Quando colabora com o Núcleo de Arquitectura da Universidade Lusíada e com a Associação Kalu é porque sente que a palavra poderá ajudar Luanda? São iniciativas importantes. Acho que a Kalu deveria ter maior interacção com as organizações nos bairros, é um exemplo que se deve reproduzir até noutras cidades. A Kalu é uma associação de elite, de vanguarda, com informação e deve interagir com as outras associações de amigos de cidades e bairros pelo país.

roxo.jpg O Núcleo de Estudos da Lusíada traz um aspecto técnico e investigativo que casa bem com os propósitos da Kalu e acho que se deve multiplicar também pelo país. O pouco que sei vou partilhando com eles. Andava há tempos para fazer uma visita pela cidade com a arquitecta Ângela Mingas, acho que esta relação dos arquitectos com as cidades, que não havia nem no tempo colonial … O futuro de Luanda está na palavra? Sim. É importante divulgar e levar as pessoas a lidar melhor com os seus espaços. Mas isso tem de passar pela escola, etc., até pelas escolas de condução, tanta é a falta de educação no trânsito.

FIM

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:01
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Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015
MAIANGA . XIV

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recuperaVI

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

maianga0.jpg (…) E Ingombota? Aqui há uma mudança. No início da vila aquilo era mato, era lá que se refugiavam os escravos fugitivos, era o primeiro refúgio, o quilombo. Em kimbundo refúgio é ngombota, e essa acção de se esconderem aí baptizou o local. Quando o local passou a ser habitado as pessoas diziam que moravam na ngombota e os portugueses corromperam a expressão adicionando o “I”, ficou Imgombota. É engraçado ver que há nomes da cidade que se mantiveram. A Samba, por exemplo, veio de Elefante: n´samba, em kimbundo, significa elefante. Daí também a tal lagoa dos elefantes de que falámos há pouco. O nome do bairro vem daí!

maianga1.png Luanda passou a ser um conjunto de cidades sítios com características próprias. Olhando para Luanda, consegue imaginar uma cidade que recupere as tardes num jardim com os filhos, a andar de bicicleta, etc., ou na cidade nova a sul? Lamentavelmente, na cidade antiga, mesmo na parte mais moderna, deram cabo de uma grande parte de largos e campos de futebol, não percebo como dizem gostar de futebol sem campos.

maianga4.jpg Agora dizem que vai ser feito um projecto director da cidade, o que poderá preservar algumas coisas… Falta o tal plano, com autoridade suficiente… A nova parte sul da cidade é de um novo modelo, com condomínios… Pode-se considerar isso como vida numa cidade? (Risos...) Não há definições petrificadas, as coisas evoluem, acho que isso faz parte de uma evolução. Nunca estive numa mega cidade como S. Paulo ou cidade do México, que são somas de pequenas cidades. Talvez aí se encontrem exemplos.

maianga3.jpg Quando estive a estudar em Lisboa, por exemplo, vivi num bairro que era mais província, mais campo do que cidade de Lisboa. As pessoas tinham um comportamento que era mais para o lado da província portuguesa do que da cidade. A barreira era apenas uma linha de comboio e uma rua de 80 ou 100 metros. Eram duas formas de vida diferentes. Transformar os musseques em formas urbanas de boa qualidade, e acho muito bem!... Vamos ter uma Luanda com várias cidades? Exacto, vamos ter vários centros urbanos onde espero que haja a capacidade de as pessoas viverem agradavelmente.

(Continua…)

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:41
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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XLII

ANGOLA DAS CINZASRETROACTIVIDADESA maka da guerra com raivas  independentistas riscavam os mandamentos de Deus; de um e outro lado chovia metralha… (2ª Capitulo) - 8

Por

t´chingange.jpegT´CHINGANGE

beten1.jpg Já com dezanove anos, comecei a frequentar o Observatório da Mulemba de Bettencourt Faria. Já tinha o curso de Montador Electricista e conjugava meu trabalho de desenhador dos Caminhos de Ferro com os ócios de esquemas eléctricos e vontade de ver mais longe espreitando fora de orbitas, os milagres das ondas modeladas, curtas e encavalitadas, das válvulas e avanços na pesquisa de transístores. No paralém de todas as viagens, via os astros e as galáxias.

beten3.jpg Quando as tardes se sucumbiam buscava coisas que na gíria de todos eram medonhaveis com infinitos e buracos escuros nesse mundo de estrelas. E de coisas inúteis como seringas e agulhas e trastes fundidos ou espalmados substituíam acessórios com tubos e funis, condensadores e corrente alterna ou contínua com ou sem sinusóides que a mente desventrava a partir dum quase-nada. Que procurávamos nós, interrogava Zeca na forma de pergunta às minhas complicadas existências para lá do mundo das almas.

kafu12.jpg Com pinceladas ancoradas no feitiço, cazumbi de crenças de Kifangondo e Kassoneca, superstições da bacia dos Rios Dande e Bengo de onde Zeca Kafundanga era natural, as estrelas iam malembelembe caindo no mundo em forma de fogo. Kafundanga xinguilava a teoria de que ele, nós e o espaço eramos todos parte do Universo mas, sempre na devida dúvida, olhava-me de soslaio desconseguindo chegar nos finalmentes da sabedoria.

luta4.jpgJá não era mais o kandengue das terras de Cassoalála meu mano preto de faz-de-conta, pois tinha as suas próprias teorias; por agora a sua grande preocupação era ser um bom cozinheiro lá na Fábrica de Cimento Cecil conseguindo ficar bem cotado no correr do tempo. Ele mesmo ia juntando umas tralhas de panelas velhas, tubos de lâmpadas fluorescentes, bobines de máquinas queimadas que juntando às minhas, nas horas folgadas levávamos ao Observatório.

super4.jpg A Mulemba do Senhor Bettencourt tornou-se para nós um lugar de exercício voluntário na ajuda ao cientista; um pouco pau para todas as obras tendo como matabicho as palavras sábias dum homem que fazia de nós astronautas. Nós, tinhamos nesse então, apetência em sermos esse tal de professor Pardal; como argonautas da Luua, construíamos nossos sonhos reconstruindo nossa personalidade espacial.

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:30
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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LIX

ANGOLA .  A TROPA FANDANGA - Altura em que se recrutavam as pessoas ás tantas da madrugada nos musseques, para os levar para a guerra…

Por

maga1.jpgLuís Magalhães - Tem uma caneta Parker 21 espacial. Dessas que levam o homem a gatafunhar coisas lindas da Luua, da Angola que jamais esqueceu …

guerri1.jpg Esta foto retracta os primeiros tempos pós Independência de Angola, numa altura em que se contavam espingardas no seio do MPLA no ano de 1976/77. Era num tempo em que havia dentro do Partido duas facções, sendo uma do Dr. Agostinho Neto e a outra do Nito Alves, coisa que como é bom de ver não agradava ao Agostinho Neto uma vez que nunca gostou de dois galos no mesmo poleiro e o resto já toda a gente sabe o que aconteceu!? Mas apesar disto e uma vez que o MPLA não brinca em serviço, não foram estas guerras que os distraíram; não tardou muito eramos todos controlados em Luanda pelo Governo e para isso deram fardas, botas e armas aos seus militantes, sendo que a maioria deles não tinham qualquer preparação militar.

guerri2.jpg Como é de calcular, começaram os abusos dentro da Lei e fora da Lei também, e entre o roubar e matar não havia diferença, já para não falar naqueles desgraçados de quem eles não gostavam e vai daí inventavam um boato e não demorava muito iam parar á Fortaleza, não para fazerem uma visita de estudo nem muito menos ver os azulejos mas sim para serem interrogados!? Era também nesta altura que se recrutavam as pessoas às tantas da madrugada nos musseques, para os levar para a guerra, fazendo com isso que os jovens fossem dormir para os esgotos da cidade e só de lá saírem pela manhã!

guerri4.jpg Eu, ia jantar a casa de um amigo meu que vivia na Chicala e, como trabalhava no turno da noite, fiz o que era usual, peguei na mota e fui trabalhar. Só que desta vez e depois de ter atravessado a ponte da Ilha deparei com uma Patrulha de tropa maçarica que me mandou parar com a palavra; STOP!! Olhei para eles e apercebi-me que suas idades rondavam os 18/20 anos; tirei os documentos da minha carteira e dei-lhos para a mão uma vez que eu já estava cansado de ouvir histórias muito mal terminadas. De maneira o que mesmo era pôr-me andar de ali para fora!

guerri6.jpg Eles olharam para os documentos, depois para a minha mota, mandaram-me descer da mota que para minha desconfiança aquilo já me estava a soar muito mal? Assim mesmo com a cabeça cheia de interrogações. Pensei rapidamente,… mas, que dizer! Foi quando lhes perguntei qual era o problema. O mais alto deles apontou-me a arma logo seguido pelos camaradas e mandaram-me descer novamente… Foi aqui que eu com alguma calma, disse o seguinte: É pá, eu quero falar com o teu superior uma vez que é ele quem tem voz de comando e não vocês? E olhei então para o Jeep onde estava um graduado sentado a ouvir musica.

guerri5.jpg Sem mais conversa, fui ter com ele num passo ligeiro perante o espanto dos maçaricos ao ver a minha audácia! Posso dizer agora que andei os meus seis metros mais cagalosos da minha vida, pensando levar até uma rajada pelas costas. Chegado ao Jeep, cumprimentei o graduado com um aperto de mão e disse assim: Sinceramente camarada, ainda não percebi qual é a maka aqui neste posto de controlo uma vez que apresentei os documentos todos e, se estou a andar fora do recolher obrigatório é porque tenho o livre-trânsito porque vou trabalhar!

guerri7.jpg O dito camarada comandante pediu os meus documentos aos seus subordinados e depois de os analisar com sete olhos, dispensou os maçaricos com um olhar felino. Virando-se para mim disse o seguinte: - Camarada, tu desculpa os meus subalternos, puseram-lhe só uma farda no corpo e uma arma nas mãos e, às vezes fazem maka de túji?! Devolveu-me os documentos ordenando aos camaradas, tropa fandanga, que me deixassem ir. Já de lampeiro, com a mota a trabalhar e guardando os respectivos documentos pude ouvir o camarada comandante muito irritado a falar assim: - É por estas e por outras, que os Portugueses se estão a ir embora!!!!!

Luis Magalhães in Kizomba com Histórias da vida

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:56
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XLI

ANGOLA Velhos quebrantos - No reino do Kongo muito antes da chegada dos portugueses já existia o comércio de escravos… 3ª de 3 Partes

Por

luis0.jpg Luís Martins Soares (Soba T´Chindere) - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes; Um contador de estórias de que dá gosto ler aos candengues do kimbo (reside no Brasil) …

O africano e o tráfico de escravos

luis39.jpg É a partir daqui que se iniciará a conquista pelos portugueses desta região de África. Na chegada do navegador Diogo Cão ao Reino do Kongo, Kongo dya Ntotila ou Wene wa Kongo ou em português: Reino do Congo fez alianças com o manicongo (que significa senhor ou governante do reino do Congo) Nzinga Nkuwu. O reino do Kongo era bastante desenvolvido quando da chegada de Diogo Cão, comercializando cobre, metais ferrosos, ráfia e cerâmica. Tinham habilidade para a escultura incluindo o talhe de máscaras. Pertencem ao Grupo Étnico dos Bantos.

luis38.jpeg Segundo José Redinha (1905-1983) pesquisador e etnólogo português e angolano de coração, escreveu entre outros o estudo “DISTRIBUIÇÃO ÉTNICA DE ANGOLA”, obra editada pelo IICA – Instituto de Investigação Cientifica de Angola, onde menciona que foi estabelecido para os Bantos angolanos várias subdivisões étnicas pertencendo nesta relação, entre outros, o Grupo Quicongo. No reino do Kongo muito antes da chegada dos portugueses já existia o comércio de escravos, mas após a chegada destes o Reino do Kongo tornou-se um importante fornecedor de escravos para os comerciantes portugueses e para outras potências europeias. Havia forte resistência dos nativos à penetração portuguesa para o interior.

luis40.jpg Os portugueses tinham esperança quando da chegada àquelas terras de encontrarem metais preciosos e se nas terras do N´gola haveria prata. Não encontraram esse metal precioso e perceberam que um negócio muito lucrativo seria investirem no comércio de escravos já existente adquirindo-os junto aos povos do litoral. Os escravos eram capturados em guerras ou ataques organizados entre grupos étnicos e vendidos aos europeus. A condenação à escravidão era uma pena utilizada pelos sobas para castigar os delinquentes. Em tempos de grande fome, o indivíduo sem meios de subsistência podia também oferecer-se para escravo, a fim de ter que comer: era o “corpo vendido”.

luis41.jpg Os principais comerciantes de escravos do Atlântico, ordenados por volume de comércio, foram: os impérios Português, Britânico, Francês, Espanhol e Neerlandês, além dos Estados Unidos (especialmente a região sul). Nos países colonizados pelos europeus, os historiadores, sistema educacional e governos jamais vão admitir a participação dos próprios africanos no tráfico negreiro, mesmo sabendo esse lado terrível da história de negros contra negros, camuflando hipocritamente a verdadeira história em que todos fomos culpados.

Fonte de consulta: Do Cabo de Sta. Catarina à Serra Parda de Carlos Alberto Garcia; A Conquista Portuguesa de Angola de David Birmingham.

FINAL

Monangamba – Do kimbundu - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:14
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2015
MAIANGA . XIII

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera – V

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

mutamba7.jpg (…) Além das transformações arquitectónicas, físicas, há um coro de lamentações sobre a qualidade de vida na cidade. Com o que é que se perde as relações humanas? Com mais televisores, mais trânsito, a vida moderna? Acho que tudo entra! Partiram-se as duas estabilidades: a cidade dos brancos e a periferia. Havia uniões entre elas, como o Clube Atlético de Luanda. Cada uma destas duas sociedades, porque havia um corte a separá-las, tinham as suas organizações, os seus clubes. O seu modo de vida, com os seus divertimentos, cada um da sua maneira.

mutamba5.jpg Luanda teria entre 300 a 400 mil habitantes, metade seria de europeus. De repente, noventa por cento de uma parte foi embora. Os da periferia vieram para a cidade juntando-se-lhes os regressados. Criou-se um desequilíbrio que modificou os modos de vida … Não seria espectável que as pessoas que saíram da periferia para o centro da cidade ao menos levassem o seu modo de relações sociais? De certa maneira transportaram, tanto quanto me apercebo. Algumas famílias dos subúrbios mudaram apenas em parte. Como as famílias eram numerosas, no subúrbio, a parte extra que se mudou para a cidade continuou a manter a relação com a outra parte, pelo menos ao fim de semana, essa é uma das coisas boas que se mantiveram.

mutamba4.jpg Com a guerra, com o recolher obrigatório, isso criou um novo modelo social, somados os constrangimentos da falta de abastecimento, algumas vezes, a falta de electricidade … houve ruptura dos equilíbrios e estão a criar-se novos equilíbrios. A cidade que cresceu com populações de fora está agora num período de construção e reconstrução de uma cidade que nunca voltará ao que era … Não se recuperarão as maiangas.

mutamba6.jpg Mas o que é uma mutamba? É uma árvore! Tudo o que é “mu” em kimbundo é árvore. Mutamba é tamarino, que já não encontramos no largo da Mutamba. Há fotografias que ainda mostram as árvores no antigo largo da Mutamba. Mas depois vieram os edifícios da Fazenda, o outro onde está a Sonangol, mas o nome ficou. É como o Kinaxixe que era o nome de uma lagoa.

(Continua…)

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



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Sábado, 21 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XL

ANGOLAVelhos quebrantos - Monótona é a vida do perneta; andar sempre no mesmo pé… 2ª de 3 Partes

Por

luis0.jpg Luís Martins Soares (Soba T´Chindere) - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes; Um contador de estórias de que dá gosto ler aos candengues do kimbo (reside no Brasil) …

luis34.jpg O africano e o tráfico de escravos

(...) Ainda no reinado do Infante D. Henrique (1394-1460), com a exploração da costa africana, a Coroa portuguesa empreendeu a construção de feitorias no local. Nesse tempo os portugueses estavam interessados na obtenção de produtos africanos mais o Oriente na busca de ouro, prata e especiarias. O comércio de escravos não despertou aos portugueses interesse algum, pois a mão-de-obra não lhes cobiçada de então. Sentiram a necessidade de serem estabelecidos pontos de comércio e com essa finalidade criaram as conhecidas feitorias, entrepostos fortificados nas regiões litorâneas.

luis33.jpg Em 1448 os portugueses construíram sua primeira feitoria na África: o forte de Arguim (na região da Senegâmbia, actualmente Mauritânia). Pretendiam atrair as rotas próximas dos mercadores muçulmanos no norte da África tendo sido construídas outras feitorias. Em 1460 os barcos e os pilotos portugueses são reputados como sendo os melhores e a fama de sua perícia atrai o reconhecimento europeu.

luis37.jpg Em meados do século XV, a experiência, já os havia transformado nos melhores navegantes do mundo. Marinheiros portugueses começaram a explorar a costa da África, utilizando os recentes desenvolvimentos em áreas como a navegação, a cartografia e a tecnologia marítima, marcando presença na África Ocidental em 1483 com suas caravelas. A verdadeira ocupação do continente africano (BOXER, 1981) iniciou-se com a descoberta e a ocupação das Ilhas Canárias pelos portugueses, no princípio de século XIV.

luis36.jpg Na regência de D. Afonso V, no ano de 1474, este rei incumbiu seu filho futuro rei D. João II, a tarefa de organizar as explorações como objectivos entre outros na marcação da presença portuguesa no Atlântico, na exploração da costa africana e descobrir por via marítima a passagem do Atlântico para o Índico, com vista a atingir a Índia, abrindo as portas para a colonização da costa oriental da África. Com efeito, Diogo Cão chegou ao rio Zaire (1482) e depois, numa segunda viagem de reconhecimento á costa africana, até à Serra Parda (1484). Facto digno de atenção que este navegador teve em transportar nas suas naves marcas de pedra (padrões), com dizeres assinalando a descoberta e garantindo os direitos da coroa portuguesa.

(Continua…)

Monangamba – Do kimbundu - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As escolhas do Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2015
MAIANGA . XII

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recuperaIV

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

NAMBUANGONGO.jpg (…) Quando se perde património já não se recupera. Veja o caso do projecto da UNESCO a Rota dos Escravos. Cerca de um terço dos africanos exportados para as Américas proveio do sul do equador. A grande maioria foi da área que vai do Lubango a Benguela; quantitativamente, isso dá-nos uma importância grande neste projecto. Talvez mais que em toda a costa africana, havia mais sinais desses acontecimentos ao longo da nossa. E nós não nos temos preocupado com isso, que é um valor turístico importante. O Senegal tem aproveitado em Gore, por exemplo; diga-se que até haja agora sinais de se querer fazer alguma coisa no Morro da Cruz, no Museu da Escravatura.

silva p 1.jpg Isso não terá a ver também com o facto de os angolanos não estarem educados a investir com o turismo no seu próprio país? Se falarmos da maioria é verdade, mas há já uma minoria, que nem é apenas a elite mas uma burguesia nacional, que já viaja muito e, lá fora, aprecia as casas velhas, os museus, etc., mas não transfere isso para cá. Não será a sensação da consolidação da condição de elite, o privilégio de poder gozar o que os outros não podem? Poderá até ser, mas eu acho que deveria haver um sentimento nacional ou governamental para se fazer alguma coisa, para se ter também no seu país.

luanda3.jpg Se fosse guia turístico quais seriam os pontos inevitáveis de Luanda para conhecer a história das pessoas e da cidade? As fortalezas e as igrejas. A própria baía e as baías, lugares seguros de amaragem. A baía é uma das razões para o nascimento da vila europeia de Luanda. Foram as baías, a sua qualidade que determinou a criação da vila, não foram os critérios normais de criação de centros urbanos, até porque, já nessa altura, faltava água em Luanda, o que se mantém até aos nossos dias. As baías são um elemento importante da história da cidade.

angola rural.jpg Depois há um símbolo importante dessa história que também pertence aos angolanos, embora como a parte sofredora, porque eram o produto do comércio dos escravos. As fortalezas, apesar de símbolos de opressão também nos pertencem. As igrejas são outro elemento que, não fazendo parte da cultura original, passaram depois a fazer parte da vida das pessoas. Há também casas que são sinais visuais e históricos.

ana2.jpg Havia muito de angolano nas casas, como a cal de mabanga, os forros feitos de bordão, um material altamente isolante e que permitia manter as casas frescas. Não sei se ainda existem sinais de tectos de bordão nas casas velhas de Luanda. O último que conheci estava na Igreja do Carmo, mas já foi substituído. Portanto, estas edificações estão aqui, foram feitas com mão-de-obra de cá, são nossas, não são de lá, de qualquer outro lado.

(Continua…)

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



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Terça-feira, 17 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XXXIX

ANGOLAVelhos quebrantos - Monótona é a vida do perneta; andar sempre no mesmo pé… 1ª de 3 Partes

Por

luis0.jpgLuís Martins Soares (Soba T´Chindere) - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes; Um contador de estórias de que dá gosto ler aos candengues do kimbo (reside no Brasil) …

O africano e o tráfico de escravos

luis32.jpg O tráfico de escravos já existia muito antes da era dos descobrimentos marítimos. O tráfico africano em direcção à Europa iniciou-se em meados do século XV para Portugal, devido a grandes demandas sociais e económicas existentes naquele país e a das ilhas de Açores e Madeira, além de abastecer Lisboa desta mão-de-obra estrangeira. Em 1444, organizou-se uma companhia em Lagos, Portugal, para explorar o tráfico de escravos. No mesmo ano, nessa cidade, 240 escravos comprados pela tripulação e navegador Antão Gonçalves no Golfo de Arguim (Mauritânia), foram divididos e vendidos para o infante D. Henrique, o Navegador, para a Igreja de Lagos, mais os franciscanos do cabo São Vicente e comerciantes.

luis22.jpg O número de cativos chegados a Lagos, em Portugal, à Casa dos Escravos régia de Lisboa, é avaliado por C. Verlinden em cerca de 880 por ano. Os portugueses exploraram inicialmente a costa marroquina, a Madeira (1419), os Açores (1427), Cabo Verde (1456) e a costa Africana da Guiné. Com a ocupação e colonização da Ilha da Madeira e Açores esta leva de mão-de-obra barata foi usada principalmente no cultivo de cana-de-açúcar, que o Infante D. Henrique trouxera da Sicília para a Madeira.

luis21.jpg Na Madeira, as actividades económicas eram a agricultura, a criação de gado e a pesca. Os produtos exportados eram a cana-de-açúcar, cereais, madeira e plantas tintureiras. Por outro lado, nos Açores, os produtos eram os cereais e as plantas tintureiras e outras actividades económicas como a criação de gado, a agricultura e a pesca.

luis19.jpg Nos Açores, a plantação de cana não apresentou resultados animadores. Essa mão-de-obra barata provinha de escravos canários (Guanches), mas como a sua captura era dificultosa, recorreram aos negros africanos por serem mais fáceis de serem obtidos (esta prática já era usada entre tribos por via de prisioneiros de guerra). Os muçulmanos controlavam as rotas de escravos que os vendiam para os mercados da Europa e da Ásia através do Deserto do Saara, do Mar Vermelho e do Oceano Índico.

(Continua...)

Monangamba – Do kimbundu - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As escolhas do Soba T´Chingange



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Sábado, 14 de Novembro de 2015
MAIANGA . XI

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera – III

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

luua11.jpg (…) A substituição dos utilizadores da cidade, voltando à sua pergunta, naturalmente que tem grande impacto na cidade e na sua utilização. Isso leva-me a 1975, em que uma parte da população suburbana veio para as cidades, ocupou-as e dá a impressão de lhes estar a dar uma utilização inadequada ou diferente, quer nos prédios, quer nos bairros das elites. Um dos problemas foi que as pessoas que vinham do campo não tinham canalizações nas suas casas, usavam bacias, etc., o que aconteceu foi as pessoas deixarem ir tudo pelos canos. Claros que os entupiram. Se numa casa térrea isso significa dois ou três metros, num prédio de andares isso são metros e metros de entupimentos, com águas putrificadas e virem para fora.

luua10.jpg Eventualmente o prédio da Cuca já não estaria em condições de ser recuperado, por causa desse mau uso ao longo de 35 anos. Essa é uma parte da factura do facto de Angola ter chegado à Independência nas condições em que teve de chegar… Isso remete-nos para as novas centralidades, edifícios altos … É um problema porque pode levar-se para lá pessoas sem os hábitos, educação e cultura para viver em prédios de vários andares.

luua12.jpg Não há como o Estado impor regras de comportamento? Já que se enveredou por aí, acho que tem de haver uma acção muito concreta e organizada de formação para habitar este tipo de edifícios, de controlo de maus comportamentos, como o caso dos entupimentos … ou apostar mesmo nas canalizações por fora, que podem parecer deselegantes, mas são mais práticas para as reparações. Temos, portanto as populações rurais que chegaram a cidade e tiveram um conflito com o novo modo de habitar … E que são a grande maioria.

luua13.jpg Falta ligação emocional aos espaços? “Claro, porque algumas pessoas não sentem qualquer relação com o espaço e com as coisas e também não foram alertadas pela nova elite para a preservação dos espaços…” Tudo isto foi uma tomada popular anárquica em face ao abandono de seus proprietários e nem consideraram o seu valor económico no futuro, como o turismo, por exemplo… E temos um outro grupo, o das populações semiurbanas, que se transformam em elites mas que também não conseguem preservar o património … Quando se perde património já não se recupera.

(Continua…)

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:55
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2015
MAIANGA . X

ANGOLA - MAIANGA em Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera - II

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

may0.jpg  *António Jacinto - António Jacinto nasceu a 28 de setembro de 1924, em Luanda, e morreu em 23 de Junho de 1991, em Lisboa. Foi Ministro da Cultura (1975-78) e membro do Comité Central do MPLA.

(..) Seguramente que uma grande parte da população de Luanda, hoje, não sabe o que são maiangas, porque não são kimbundos… Aqui há algum tempo até colocaram um sinal aí junto à entrada da passagem aérea na Samba, do lado direito, aí havia a antiga Maianga do Rei, que milagrosamente sobreviveu à passagem dos tempos. As maiangas representavam uma ligação entre o antigo e o novo. Eram de construção colonial mas eram maiangas, com designação nacional … Maianga do Rei ainda existe!

may6.jpg E quem não é kimbundo irá perguntar o que significa maianga... Poço. Maianga significa poço de água. Havia a maianga do povo junto ao Clube 1º de Agosto. Aí onde agora é o rio seco era um rio mesmo, molhado, que desaguava numa lagoa que era a Lagoa dos Elefantes. Isso é no bairro da Samba, onde desaguava o rio, mas o rio desaguava numa lagoa antes de dar para a baía. Essa era uma lagoa de elefantes, frequentada por elefantes. Quando os portugueses aí chegaram, e durante muito tempo,  havia elefantes, que depois foram descendo e acabaram por ficar-se pela Quiçama. Mas até ai tiveram azar.

may8.jpgmay00.jpg

O que hoje se conhece por Morro dos Veados foi, até ao séc. XVIII, o Morro dos Elefantes, está escrito em mapas, só que os bichos foram diminuindo e, no séc. XX, já era o Morro dos Veados e agora, se calhar, já só há lá ratos. Mas depois da Independência, dizia, havia a preocupação com as maiangas. A Maianga do Povo, ao lado do Clube 1º de Agosto e a Maianga do Rei que ficava no cruzamento da Rua da Samba com a que vem do Prenda. Recentemente uma empresa que por aí andou colocou-lhe uma tabuleta a dizer cacimba, o que já não é o termo adequado… falou-se disso a alguém da cultura provincial, tiraram a tabuleta, mas não colocaram outra.

may7.jpg Quando os militares tomaram o espaço do hoje Clube 1º de Agosto, havia aí um descampado e havia também a Maianga do Povo, mas os militares foram construindo as suas casas e não respeitaram a distância mínima que se deveria observar em relação aos monumentos. Estou em crer que o António Jacinto* não se quis meter com os militares … Não se fez nada e a Maianga do Povo desapareceu no meio das casinhas. A Maianga do Rei, por milagre, ainda lá está.

(Continua…)

José Kaliengue, assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2015
MAIANGA . IX

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera - I

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

luua3.jpg No seu quintal encontramos, soltos, galinhas e pintainhos. Sinal de que estávamos em casa de um homem que vive a cidade de forma diferente; um pouco como nos outros tempos, um pouco também como recomendam ecologistas e estudiosos de hoje. As transformações de Luanda ditaram o rumo da conversa. Começam a aparecer, cada vez mais, pessoas que se dizem preocupadas com o rumo de Luanda. O que representam estas pessoas nesta dinâmica de transformações da cidade … são nostálgicos ou as transformações são de tal forma que levam a uma preocupação genuína? Acho que subsistem os dois casos. Há os nostálgicos e há os que têm a preocupação correcta e que afirmam que não há futuro sem passado.

may1.jpg Há sempre algo de onde se vem e temos de ter um caminho para onde se vai, em termos gerais. Mesmo na lógica do desenvolvimento futuro da cidade e do país temos de ter um passado para mostrar aos nacionais e aos visitantes, não tem havido preocupações com isso. Há pessoas que estão preocupadas com a conservação de bens e valores importantes, isso há. Fala-se agora do turismo, uma actividade em que uma parte importante é mostrar o passado dos sítios, nós estamos a apagar este passado. Ainda que se trate de um passado não directamente ligado à população actual, não deixa de ser o passado desta terra, como acontece em muitos lugares do mundo, em que os actuais utilizadores não são os originais. Muitos povos terão passado por vários sítios mas os seus vestígios persistem e faz-se por conservá-los.

luua7.jpg No nosso caso, isso já não foi acautelado suficientemente até à Independência, porque não estava no espírito da política portuguesa a conservação do património e nós também não nos estamos a preocupar suficientemente com isso. Estamos a liquidar valores importantes, até para o turismo. A notícia da evacuação, por iminência de colapso, do prédio da Cuca, num local de onde já foi retirado o mercado do Kinaxixi, isso, a retirada destes dois símbolos de Luanda, apaga o quê exactamente? Apaga um pouco de um período da história da cidade, embora o prédio da Cuca seja do período mais moderno, do fim da era colonial. O mercado do Kinaxixi era de uma ou duas gerações antes. Era sobre isso que eu falava, algumas destas coisas eram símbolos visuais da cidade, deveria haver preocupação em mantê-los…

luua6.jpg E esta falta de preocupação derivará da substituição da população que habita Luanda e revela uma falta de ligação emocional ao local? Uma das explicações que encontro para a falta de protecção ao património histórico da cidade é a substituição de pessoas que houve. Mas uma das primeiras leis na pós-independência é a lei sobre cultura nacional, onde está integrado o património. Esta preocupação não foi por acaso, foi mesmo para salvaguardar o património. Infelizmente não teve o desenvolvimento desejado ao longo do tempo. Por outro lado, são as elites, nas quais se situam as autoridades que se tinham de preocupar com isso, fazendo passar a mensagem para as massas. O primeiro dirigente da cultura foi o António Jacinto e, naquela altura, lembro-me que havia preocupação com as maiangas.

(Continua...)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:59
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2015
MUXIMA . XLIX

ANGOLA . REBITA - Relembrar a rebita que corre o risco de desaparecer em Angola … Angola aonde todas as picadas têm uma fatídica curva da morte…

t´chingange 0.jpg As escolhas de T´Chingange

Fonte: VOA NEWS

REBITA.jpg O único grupo de dança rebita de Angola, "Novatos da Ilha de Luanda", comemorou no sábado, 31 de Outubro, 61 anos de existência. Em seis décadas de vida o grupo tem passado por muitas dificuldades, ao ponto de hoje correr sérios riscos de desaparecer. O fundador do grupo "Novatos da Ilha", Bartolomeu Manuel Napoleão "Jaburú", defendeu a pertinência de se divulgar mais o estilo rebita, pelo facto de ela representar uma referência do mosaico cultural nacional.

rebita0.jpg Insatisfeito, Cândido de Almeida, antigo bailarino do grupo, hoje aposentado, refere que muito ainda há por fazer para imortalizar a rebita, desde que haja vontade e empenho de todos, particularmente do Ministério da Cultura. No passado, era dançada na rua, nas tardes de recreio e nas noites de luar, emigrando mais tarde para as guitarras virtuosas de Liceu Vieira Dias, José Maria e Nino N´dongo, por um processo de imitação rítmica da percussão, dando origem ao semba. “A verdade é que corre o risco de desaparecer como muitas outras manifestações culturais, caso não haja uma pronta intervenção”. Desabafa Horácio Dá Mesquita Vice Presidente dos "Novatos da Ilha".

mai3.jpg  O grupo de rebita Novatos da Ilha é o vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2015 na categoria de dança. O presidente do corpo de jurado, António Fonseca, informou que o grupo foi nomeado pelo trabalho que vem fazendo, já que ao longo do seu percurso tem conseguido não só preservar como também introduzir inovações nas suas coreografias, mantendo no entanto a estrutura base do género.

besanga2.jpg O grupo "Novatos da Ilha" tem apostado na preservação e divulgação deste estilo de dança e nos valores herdados dos antepassados, transmitindo-os a nova geração de bailarinos que vai-se inserindo no género. A massemba, ou rebita, é uma dança popular de umbigada, executada por casais de dançarinos, é plural do semba, nome que veio a designar o género musical mais representativo da região de Luanda.

As Opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:17
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Sábado, 17 de Outubro de 2015
MONANGAMBA . XXXVIII

ANGOLA – NA LUUAOS MORTOS PRESOS E OS CADÁVERES ATIRADOS NUMA LIXEIRA CHAMADA " LUANDA "2ª de 2 partes

Por

vumby0.jpgFernando Vumby - Fórum Livre Opinião & Justiça

HÁ MORTOS AINDA REGISTADOS COMO PRESOS E CADÁVERES DESAPARECIDOS EM ANGOLA!

luaty1.jpegÀ margem: “O que atrai e é superior em Luaty Beirão, é o sentido de verticalidade moral que erradia em todas as suas acções, vindo disso um profundo sentimento de solidariedade e uma clara convicção suportada por uma expressiva inteligência muito rara em jovens da sua idade. Tão cara é a personalidade deste jovem, que não é possível privar com ele sem que se lhe ganhe a confiança e o companheirismo de tão naturalmente solidário que é. E o que é curioso em Luaty Beirão é em como um ateu convicto como é, chega ter mais fé do que os mais fervorosos religiosos, tal como é curioso que as suas feições se assemelhem a imagem de Jesus Cristo tal como é perfeitamente pintado sobre telas sacras.”

luaty2.jpg

Haver mortos presos parece algo bastante esquisito, mas é uma triste realidade em Angola onde por vezes, as pessoas morrem nas cadeias e seus corpos desaparecem e, por isso há casos de familiares, que nem se quer reclamam pelo paradeiro dos seus parentes finados, principalmente quando estiveram presos por ordens de algum graúdo da nomenclatura.

A prática de se aprisionar mortos e se fazer desaparecer cadáveres é uma inovação dos serviços secretos angolanos e o seu pontapé de saída foi dado pelo General Zé Maria quando este fez desaparecer corpos; até de antigos amigos de infância por serem da UNITA. Curiosamente numa altura em que estes lhe pediam socorro. Esta prática segundo alguns investigadores e historiadores também acontece na Rússia e na China nos dias de hoje, aonde até existe uma espécie de quadrilha de ladrões de cadáveres. Sabe-se eu recentemente, na China, um grupo foi preso e condenado entre 20 e 30 anos de cadeia.

haida art.jpg Em Moçambique falou-se em tempos de um indiano que se tornou milionário com a venda de cadáveres e órgãos humanos . não me admiro que este também seja hoje um negócio fabuloso em nosso país onde quase tudo tem um preço. Já ouvi que cadáveres angolanos eram enviados em Cuba para estudos e experiências em laboratórios o que não duvido dado o carácter criminoso dos homens que nos governam e sua relação como os comunistas cubanos desde os tempo do outro ditador A. Neto.

haida 1.png Em 1976 os serviços de ( Contra - Inteligencia Militar ) ainda me recordo como se fosse hoje pois quem tinha este dossier era o meu colega Adelino Xavier ( Ade ) desconfiou-se de um grupo de estudantes cubanos em conexão com angolanos que roubavam cadáveres para pesquisa médica e cientifica em laboratórios cubanos num esquema com contornos muito complicados que mais tarde ou mais cedo acabará por vir á tona. Haja saúde ... Ontem, o mercado negro de compra e venda de cadáveres, órgãos e membros para possíveis estudos em laboratórios em Cuba, Rússia ou China e no dizer de alguns arquivos gerou muita nota preta e quem duvida que hoje a coisa esteja mais refinada e funcionando como se fosse legal entre eles ?

 

mess5.jpg Basta olharmos para o negócio das Kuarras promovido pelo Bento Kangamba, pago com o dinheiro do povo e estimulado por uma presidência que se recusa á enviar o bandido ás barras da justiça internacional... Para quem como eu que já perdeu um ente querido e nunca soube ao certo onde está o cadáver pode concordar comigo o quanto é duro e triste imaginar que este pode ser um dos mortos presos ou cadáver enviado para estudos em laboratórios dos confins do mundo...

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:20
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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015
MUXIMA . XLVIII

ANGOLA – LOANDA . DO TEMPO DO QUININORelatos e histórias de antigamente… 

Por

luis0.jpg Luis Martins Soares - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes.

 - https://www.facebook.com/luis.martinssoares.1 

loanda 0.jpg Quando morava na Maianga, ainda estudante, galgava as trilhas empoeiradas direcionadas ao Hospital Maria Pia. Do lado direito havia um sobrado antigo de um andar, avarandado. Lateralmente ao Hospital, local da nossa passagem, deparávamos com diversas tambarineiras aquelas árvores cujos frutos são os nossos conhecidos tambarinos. No solo lagartos enormes esverdeados de cabeça levantada como que estivessem em posição de alerta observando a aproximação de possíveis predadores, procuravam esquentar-se sob os raios de sol que se infiltravam pelas ramagens das árvores e, com a nossa aproximação empreendiam uma fuga pelos troncos das mesmas.

kafu24.jpg Um pequeno desnível dos pisos do terreno era transposto para chegarmos ao Largo do Hospital. A caminhada a partir daqui para a Rua da Misericórdia era feita em terreno plano pois estávamos na Cidade Alta, a região mais antiga de Luanda mas vamos fazer uma pequena pausa para relembrarmos um pouco da sua fundação: Paulo Dias partiu de Lisboa a 23 de Outubro de 1574 com dois galeões, duas caravelas, dois patachos e uma galeota, chegando à vista da Barra do Kuanza costeando mais para o norte entrou na Barra da Corimba, na época ainda navegável para as caravelas, desembarcando depois na chamada Ilha de Loanda a 11 de Fevereiro de 1575. A ilha de Luanda não era região ideal para se estabelecer e Paulo Dias mudou-se para terra firme onde fundou a vila de S. Paulo de Loanda com sua igreja dedicada a S. Sebastião santo de devoção do Rei e dos portugueses a 25 de Janeiro de 1576.

kafu23.jpg Vemos que a Vila de S. Paulo começou a crescer paulatinamente na parte baixa entre a Ermida da Nazaré e o Morro de S. Miguel, contornando as margens da baía, com a população branca fixando-se e construindo casas, se assim podemos classificá-las. A parte alta, como já relatado, começou no Largo da Feira, actual Praça do Palácio, local onde os jesuítas do séquito de Paulo Dias de Novais edificaram a Igreja e outras instalações. 

kafu1.jpg Prosseguindo com a nossa viagem ao passado saindo do Hospital D. Maria Pia onde antigamente existiu o Convento de S. José (1604), o Hospital com corpo central de frontão, de 18651883 e de frente para a Avenida de Álvaro Ferreira caminhamos um pouco até entrarmos na Rua da Misericórdia, no lado esquerdo. Na esquina das duas vias havia uma escola onde fui submetido aos exames de Admissão aos Liceus. Ao lado, uns poucos metros à frente, tínhamos o Quartel General com a sentinela indígena de guarda e com o barrete vermelho em forma de cone chamado cofió, enfiado na cabeça. Nesta região a maioria das casas eram de construção antiga construídas com paredes de grande espessura de cal, pedra e areia.

luis11.jpg Continuando a nossa caminhada pelo lado esquerdo no sentido ao Palácio do Governo passávamos ao lado da casa do poeta e escritor Tomaz Vieira da Cruz onde muitas vezes o vi sentado perto da janela, escrevendo. Dono de uma grande cabeleira, marca registada de muitos poetas parece-me que era funcionário público dos Serviços de Saúde. Mais uns passos e do lado direito um Miradouro nos permitia vista para o Parque Heróis de Chaves local de muitos encontros de namoradinhos e de lazer de casais acompanhados dos filhos, principalmente aos Domingos.

luis1.jpgGaroto ainda, na minha mente, nunca me esqueci de um soneto do Tomaz Vieira da Cruz, que embora português tinha alma angolana. Transcrevo o seu poema Romagem ao Quicombo, escrito em 1938: Romagem ao Quicombo

suku0.jpg Vinham de toda a parte esses romeiros,

em procissão de imagens quase santas;

e os de mais longe foram os primeiros

que chegaram à grande romaria...

As léguas caminhadas eram tantas

que a distância é um pranto de alegria!

Vinham de Seles e do Amboim do norte

os homens brancos e de negra cor

que servem Portugal até à morte.

cipaio1.jpg Vinham do Longa e da Quissama

todos que têm por lá o seu grande amor

a santa Muxima que os inflama.

Em fé ardente, e crente, e milagrosa

Vinham os Sobas de passadas guerras

com a sua corte altiva e caprichosa;

E moças lindas, cor da noite escura,

— negras flores do exílio em que te encerras,

ó minha Angola imensa, ó formosura!

E bandeiras daquelas mais festivas,

certo dia tornadas prisioneiras,

ali regressam, livres e altivas.

Quando Elas passam, com o seu ar contente,

batem palmas as palmas das palmeiras,

e o Sol, subindo alto, é mais ardente!

coqueiros5.jpg Diz a missa o mais velho missionário,

sobre um altar de pedras carcomidas,

que são da fortaleza o breviário.

Numa aliança de sangue, as lindas flores,

de duas raças por amor unidas

olvidam os passados dissabores

nesta Terra Africana, - a bem amada -

que Salvador Correia restaurou

em luta ardente, forte, ilimitada!

lu9.jpgPaira no ar uma oração fremente,

e um poeta que nunca mais voltou,

erguendo a voz, cantou humildemente:

Por obra e graça da divina glória,

que mais além da vida aconteceu,

Quicombo é um padrão da nossa história

que a nossa gente em devoção ergueu!

 

lifune0.jpgGritai, clarins da fama e da vitória,

rezai preces de amor por quem morreu

dando valor a quantos, de memória,

dizem os seus nomes altos como um céu!

E Tu, ó grande mar das caravelas

e dos naufrágios, conduzindo as velas

te aportaram, gloriosas, no teu fundo,

Ergue-te ao alto em torre de menagem

e ensina à voz do vento esta romagem

para que o vento a leve a todo o mundo.

::::: Com o agradeciento do KIMBO a Luis Martins Soares e um abraço de  amizade.

As opções do Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:20
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2015
MONANGAMBA . XXXVII

ANGOLA NA LUUA - AFINAL QUEM TRATA DOS MORTOS? – OS MORTOS PRESOS E OS CADÁVERES ATIRADOS NUMA LIXEIRA CHAMADA " LUANDA " 1ª de 2 Partes

Por

vumby0.jpgFernando Vumby - Fórum Livre Opinião & Justiça

luanda5.jpg Hoje para além do mau cheiro característico da cidade capital Luanda, já se desconfia que haja uma série de valas comum espalhadas um pouco por toda cidade no dizer de especialistas e estudiosos que admitem essa possibilidade. Visitamos a casa mortuária e apanhamos um choque e, custa acreditar que exista no mundo algum governo que lida com os mortos deste jeito. Conclusão de meus discretos informantes, pesquisadores no terreno.

luanda2.jpg Vimos um abandono total e pior do que isto, moscas estranhas e bichos esquisitos devorando os cadáveres amontoados na morgue, uns em cima dos outros como se fossem sacos de fuba podre ali armazenados! A saúde publica em Angola deixa muito a desejar e vai continuar a ser um osso duro de roer enquanto os dirigentes angolanos não derem especial atenção á este sector pouco importante para eles porque, quando eles estão doentes assim como seus familiares, vão  tratar-se a países estrangeiros.

LUUA1.jpg Fontes sigilosas garantem que JES nunca fez uma consulta em Angola e que nenhuma das suas filhas teve um parto no país, o que em verdade, já nos diz tudo! Dos Santos tem estado a lutar tentando controlar um cancro agudo da próstata tomando medicamentos fortes para evitar ser submetido á quimioterapia com ajuda de especialistas espanhóis em hospitais daquele país onde se desloca regularmente, concluíram...

luanda1.jpg E, enquanto isto o orçamento para a área da saúde é cada vez menor com os doentes a lutar pela posse de uma cama livre nos hospitais; Isto, quando não morrem em restos de papelão. E, em pleno século XXI e, na cidade mais cara do mundo...

Fernando Vumby - Fórum Livre Opinião & Justiça

As Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:50
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2015
MUJIMBO . CIII

ANGOLAA melhor forma de lá ficarmos - 3ª de 4 Partes

As escolhas do kimbolagoa

Por

regi1.jpgReginaldo Silva  - Jornalista - Morro da Maianga Blogue

 - Sempre que há bronca entre Governo e a Oposição, a imprensa não tem sido capaz de observar a realidade objectiva, investigando minimamente a verdade…

super8.jpg A melhor forma de lá chegarmos, a esta Angola paradisíaca para todos, sem nos perdermos novamente pelo caminho como já aconteceu no passado, é encontrarmos um mínimo denominador comum que nos permita sem outros receios sermos assumidamente diferentes e distintos, sem necessidade de voltarmos a ser inimigos de morte e muito menos a ter de pensar em novas e devastadoras guerras.

ang3.jpg Uma média pública mais arejada e sobretudo editorialmente independente do poder político, que é o que a Constituição de 2010 exige claramente, seria quanto a nós uma extraordinária mais-valia para esta necessidade de fazermos evoluir o debate político para outros patamares mais consentâneos com os interesses nacionais e com o próprio desenvolvimento sócio-económico.

berlim1.jpg No que toca às recorrentes questões da paz e da reconciliação nacional que preocupam os organizadores desta Conferência, a média pode não fazer milagres, mas se ela tiver uma outra orientação, teremos certamente os nossos políticos pressionados a darem outras respostas aos desafios do presente e do futuro, porque as prioridades da agenda informativa sairão apenas da cabeça dos jornalistas e dos editores e dos directores, livres de outras lealdades, fidelidades e especialidades.

eleuterio sanches.jpg Por outro lado também acreditamos que na cobertura mais jornalística dos factos políticos mais complicados onde a violência e a intolerância se fazem presentes, os médias teriam certamente um outro contributo a dar ao país, se não desinformassem, nem manipulassem. Lamentavelmente sempre que há bronca entre Governo e a Oposição, a média não tem sido capaz de observar apenas a realidade objectiva ou de investigar minimamente o que se passou ou se está a passar. (…)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:59
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Domingo, 11 de Outubro de 2015
MOKANDA DA LUUA . XLI

ANGOLA - DA LUUA - CARTA (RE)ABERTA AO PRESIDENTE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS

Por

mocanda0.jpgSerafim Muca Muca - A lucidez no exercício do mais alto cargo da magistratura de um país é uma ferramenta definidora do carácter de um líder que exige a sua consagração pelo voto do soberano, através dos marcos da legalidade e da legitimidade. A ausência de um destes pressupostos demonstra a natureza do seu titular, que governando, não tem o consenso do povo e voto eleitor.

William Tonet

mocand01.jpg Senhor Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, escrevo-lhe, uma vez mais, apelando a sua sensibilidade, para se colocar não como Presidente dos angolanos do MPLA, mas como Presidente de todos angolanos, logo com amor paternal, principalmente, em relação aos meninos e jovens com idades próximas a dos seus filhos. Escancare o coração e sinta o gemido e a dor de meninos, muitos hoje, com a idade que o levaram a abandonar o Sambizanga e partir para o Congo para abraçar a lua de libertação nacional e devolva-os as mães e esposas dilaceradas com a prisão injusta, levada a cabo, por serviços castrenses, desejosos de comprometer o seu futuro, pois a responsabilidade lhe será imputada.

mocanda2.jpgLuaty Beirão

 A sua biografia fala do período de irreverência juvenil e das manifestações contra as políticas injustas, então praticadas nos anos 60 pelas autoridades coloniais portuguesas, que aderiu e participou, para quê e porquê, se agora em democracia, o Senhor nada faz contra a repressão, a tortura, a prisão e por vezes os assassinatos levados a cabo pela Segurança de Estado e Polícia, contra jovens que nem o querem matar, apenas apelar a uma melhor governação. Senhor Presidente, José Eduardo dos Santos, acredito ser altura de emprestar nobreza ao seu reinado, depois de 36 anos de poder ininterrupto, sem nunca ter sido nominalmente eleito. Foi um erro estratégico, esta opção, pois qualquer que seja o desfecho final do seu consulado, essa condição remetê-lo-á para a galeria dos ditadores…

mocanda7.jpgPoderia ter evitado isso, principalmente, quando morreu assassinado o seu principal adversário político: Jonas Savimbi. Depois de 2002, o senhor concorreria praticamente sozinho e poderia ser eleito nominalmente, pela primeira vez, e se estivesse difícil, apelar à “engenharia informática de esgoto”, para concentrar os votos nas suas urnas, não seria anormal, pelo contrário… Não o tendo feito está mais vulnerável enquanto líder…, quer interna como externamente. Senhor Presidente, os seus apoiantes, acredito, a maioria exímios bajuladores, escondem-lhe a realidade, caso contrário, saberia do clamor do povo e da baixa popularidade que tem. Ninguém mais acredita no seu consulado e Executivo, incluindo destacados militantes e dirigentes do MPLA, que vaticinam a sua partida. Não o dizem por temerem, na crónica cobardia, a perca das mordomias.

mocanda3.jpg Felizmente como não faço parte deste exército, tenho a autoridade de lhe trazer a “voxi populis”. O declínio da sua áurea começou com os assassinatos, dentre outros, de Ricardo de Melo, Adão da Silva, Mfulumpinga Landu Victor, mais recentemente, com o lançamento aos jacarés de dois jovens que o protegeram anos a fio, na sua Guarda Presidencial: Cassule e Kamulingue, seguindo-se, no quartel do palácio, Hilbert Ganga. São muitas mortes nas redondezas do seu gabinete, com igual omissão. A prisão dos 15+1 jovens é a maior asneira do seu consulado, pois tolha a imagem do Executivo de que é titular, colocando-o na lama, face à insensibilidade que vem denotando, com o avolumar de injustiças e o temor que demonstra face ao exercício da democracia, nos marcos consagrados, numa constituição feita a sua imagem e semelhança.

mocanda5.jpg Senhor Presidente, será que os seus assessores (nacionais e estrangeiros), responsáveis pela elaboração da actual Constituição, tendo escondido ao MPLA (os deputados do partido no poder, tinham outro anteprojecto), também lhe esconderam a consagração destes direitos fundamentais? Se não, por que razão os cidadãos não os podem, livremente, utilizar? Essa postura descredibiliza-o, como líder e democrata, daí estar a ser fortemente criticado, também pela promoção de tribalismo, contra um jovem de 18 anos, por alegadamente, adoptar o nome do comandante Nito Alves, que paradoxalmente, também não conseguiu contar com a sua solidariedade, enquanto coordenador da Comissão de Inquérito, sendo então assassinado pelo MPLA em 1977, agora pode acontecer o mesmo com o seu homónimo, quando chineses e outros têm a nacionalidade sem cumprir os requisitos legais…

LUUA1.jpg Senhor Presidente, não acredito ser tão mau e insensível, mas a sua insensibilidade abomina, ao ponto de, alegadamente, preferir que morra, nas fedorentas masmorras do regime o filho de um homem que o serviu com “fidelidade canina” e que foi director da sua Fundação, o Luaty Beirão, que empreende há mais de 19 dias uma greve de fome, face às injustiças, estando muito mal. O mais grave é que o Senhor sabe disso, mas dizem-me, não gosta de ouvir conselhos de gente que não o bajula, gente com coerência e autoridade moral, preferindo antes ser “morto pelo elogio do que salvo pela crítica”. Será que se um dos jovens, Marco Mavungo, José Kalupeteka, Quim Ribeiro + 21 polícias, morrer na cadeia o Senhor continuará a viver com paz espiritual, sabendo que mais uma vida se foi face à injustiça do seu executivo?

mocanda6.jpg Senhor Presidente, não se esqueça que é pai, logo lembre-se do que sofre quando um deles não está bem, sei ser difícil isso acontecer, pela faustosa vida que têm, mas ainda assim imagine o que é o sofrimento de um pai, sabendo que seu filho está preso ou morreu face à sua omissão ou descaso. O poder da oração tem muita força, não defraude todo um país, pois ser radical, não demonstra nobreza, pelo contrário, é medo, é cobardia… Desprenda-se do colete de força e prepare uma retirada feliz, pois caso contrário nunca ninguém o recordará como bom patriota… Senhor Presidente, saiba que na actual conjuntura, os maiores e piores adversários habitam na sua própria legenda, por não ter conseguido, como é natural, servir a todos…, logo se não preparar pontes com os políticos da oposição e membros da sociedade civil, não bajuladora, correrá o risco de acabar sozinho no futuro, inclusive abandonado por alguns dos seus próprios filhos.

mess0.jpg Senhor Presidente, finalmente, seja, pelo menos, uma vez líder de todos, líder sem armas e exército privado, líder do bem, líder do amor, capaz de interpretar os conselhos do Papa e do Presidente Obama, pense como um pai, promova uma verdadeira reconciliação e conciliação, entre todos actores políticos. Agora, na magistratura dos seus 73 anos de idade, faça algo abrangente, porque amanhã, é a lei da vida, poderá ser tarde e nem dos feitos positivos desfrutar e ser recordado. Incite a promoção para uma verdadeira justiça, mande libertar os jovens políticos inocentes, demonstre não ter medo deles e das manifestações, coisa que o indulto/2015 de cariz sectário, não fez, discriminando, injustamente, muitos inocentes que definham nas cadeias, por razões políticas.

Seja líder Senhor Presidente!
As Opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:39
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2015
MUJIMBO . CI

ANGOLA A melhor forma de lá chegarmos - 1ª de 4 Partes

- Sempre que há bronca entre Governo e a Oposição, a imprensa não tem sido capaz de observar a realidade objectiva, investigando minimamente a verdade…

As escolhas do kimbolagoa

Por

regi1.jpgReginaldo Silva  - Jornalista - Morro da Maianga Blogue

regi2.jpg Todos estamos mais ou menos de acordo de que a vida política já não é possível sem a presença activa dos médias e dos seus operadores, onde sobressaem os jornalistas e os espaços informativos, que não esgotam, entretanto, esta gestão, pois o marketing e a propaganda mais directa estão aí a ocupar cada vez mais espaço nos meios de comunicação social. No seu relacionamento com a vida politica, esta coabitação entre o jornalismo, o marketing e a propaganda já tem em Angola um caso muito especial de estudo, a projectar uma realidade complexa.

regi3.jpg Realidade que escapa ao cidadão comum e, que acaba por ser a principal vítima deste mix mediático que é quanto a nós muito pouco virtuoso se estivermos realmente interessados em apostar numa cidadania responsável e crítica que é a única que garante a necessária qualidade e sustentabilidade ao projecto democrático. Como sabemos os próprios partidos podem desaparecer, mas os cidadãos ficam sempre para contar a história de mais um sumiço.

regi4.jpg Esta grande exposição mediática da vida política dos países onde governos, oposições e sociedade civil se cruzam não conseguiu retirar da agenda os famosos bastidores, onde como se sabe se definem as estratégias e os diferentes actores combinam as suas movimentações no xadrez nacional.

regi5.jpg Digamos que a maior visibilidade que a intervenção político-partidária alcançou, por força desta mediatização crescente da vida social que passou a ter na Internet/Redes Sociais um novo e poderoso parceiro, não corresponde necessariamente a um aumento da transparência na actuação dos políticos. (…)

As opções do Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:16
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LIII

NAS FRINCHAS DAS CINZAS . Angola a Preto e Branco(Uma homenagem a João Charulla de Azevedo do Notícias) - Kazumbi com kalunga… Nem sempre é necessária a verdade para se ficar verdadeiro….

AS CARTAS DE CHAMADA

Por

maga1.jpgLuís Magalhães … Esta história muito real é aqui relembrada porque as pessoas diziam que só os negros é que eram explorados? Perante tal ignorância tenho a dizer que os colonos e os colonizadores exploravam tudo e todos sem dó nem piedade (...) Acredite quem quiser!

magao01.jpg O meu Pai era um dos que ajudava as pessoas que queriam singrar na vida ao ir trabalhar para Angola uma vez que conhecia meio mundo, depois de falar com as "gentes poderosas" mandava cartas de chamada para os que lhe tinham feito o pedido porque nos tempos da "Outra Senhora" era assim que o sistema funcionava. Eu, da parte que me toca não foram poucas as vezes que essa gente que o meu Pai ajudava, terem passado por minha casa para assim o meu Kota os por ao corrente do trabalho que iam ter aproveitando para lhes falar acerca do perfil do Patrão.

maga2.jpg Penso que andou tudo dentro da normalidade até ao dia em que o meu Pai vê em Luanda o senhor Monteiro (era contabilista) uma pessoa que ele tinha ajudado juntamente com a família (tinha cinco filhos) e na sua boa-fé perguntou-lhe como ía de vida? O senhor Monteiro lá começou a contar o calvário da sua vida desde que chegou a Angola e o meu Pai perante isto convidou o senhor Monteiro a ir lá a casa almoçar, até para se melhor inteirar da situação…

maga4.jpg Foi quando todos ouvimos o senhor Monteiro contar a sua saga?! Ele então, lá contou que foi trabalhar para uma fazenda onde mal lá chegou, o meteram a ele e á família (eram sete pessoas) numa casita com três divisões! Nessa Fazenda havia uma cantina onde faziam a despesa do mês e o trabalho dele era andar á noite de mota ou de Jeep a vigiar a Fazenda e da parte da tarde tinha que controlar os empregados.

maga3.jpg Quanto a dinheiro, praticamente não havia nenhum porque o patrão entendia que pagava tudo ao empregado e como tal não necessitava de dinheiro naquele meio em que viviam que era o mato. O meu Pai ouviu tudo isto numa mistura de indignação e incredulidade porque entendeu que aquilo era escravatura e tratou logo de arranjar outro modo de vida para o senhor Monteiro. E, na mesma hora, arranjou-lhe um emprego, numa empresa que se chamava Construções Técnicas.

kafu22.jpg Uma opinião: O meu pai também chamou família e amigos mas, deu no que deu! Todos passavam lá por casa e fomos muito felizes até que surgiu um tal de MFA com regras espaciais; fomos todos para o espaço…

Opinião da Linda: Meu pai também chamou desse modo amigos mas, havia um mas que desconhecíamos! Afinal só estávamos ali para estagiar a vida! Até que nos ofereceram em 75 uma viagem grátis sem retorno, assim graciosamente; talvez por isso nos chamaram de retornados!  

Luis Mascarenhas  

As opções do Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:56
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Domingo, 20 de Setembro de 2015
CAFUFUTILA . XCVI
ANGOLA . CAFUFUTILA . O CHOQUE DO PRESENTE  - No mundo imperfeito, também muito redondo nos silêncios, acho melhor nem referir o nome do patrão Edu… As circunstâncias medrosas não permitem que abra uma nova frente de guerra sem haver razões independentistas…

Por

soba10.jpg T´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto. Anda às arrecuas para fugir à regra, um paradigma, só dele.

neph1.jpg No calor do Sul do M´Puto, com sol de Setembro, sabor salobre de ventos rodopiando nas horas, marés longas de vontades alheias, aqui estou numa espera tardia, a ter um papel na vida, tentando a custo interpretar o Islão. Esse tal com laivos de maldadês e decapitações, que nem a esquerda comunista estalinista e maoista no seu lado mais negro, traz consigo uma carga negativa do passado cultural, em países redondos na perfeição dos silêncios. Com fúteis caprichos de poder, esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos futuros. Sim! O futuro de um mundo surreal tentando compreender melhor a essência dos seus divinos. Agora, já kota mais-velho apercebo-me do joguete das lutas de tantas portas ou portais desconhecidos.

diogo2.jpg Sendo mazombo de Angola na criação e, vivendo entre astucias enganosas e superstições intestinas, falo e penso como se fosse um africano preto na cor, captando como um íman as feitiçarias das memórias feitas tradição. Hoje, aqui estou junto ao castelo de Ferro Agudo olhando a outra margem do rio Arade com edifícios da cor da terra, torrões amarelecidos; afinando ou ajustando os binóculos tasco por forma a ver ao pormenor o tal Yate preto que agora me parece mais um veleiro. E, lá está escrito “Neptuno” no lugar mais central e cimeiro que penso ser a cabine do piloto, do dono ou patrão de costa ou talvez o chefe de um país muito cheio de gasosa para fazer banga na antiga metrópole do M´Puto.

neph01.jpg No mundo imperfeito e como disse, também muito redondo nos silêncios, acho melhor nem referir o nome do patrão porque até pode nem ser verdade, correndo o risco de, se teimar, ficar enfeitiçado de uma forma total. Para mim, é tarde demais para deslindar os mambos e saber as verdadeiras razões dos fúteis caprichos do poder do Edu. Mudo aqui o discurso porque surgiu num jeito estranho entre mim e a pequena calema um monangamba, preto que nem um tição, com trancinhas sebeirosas e brinquinho, óculos encaixados nos sujos e rebeldes cabelos, assim e gingão olhando-me de frente num olhar turvo.

neph4.jpg De antenas no ar, vislumbrei esta assombração de forma estranha e, de repente, as feições mudaram-se-lhe, já tem o cabelo mais curto e, nem quero acreditar! Será possível? Era Nito Alves sem tirar nem colocar mas, apresentava-se muito prá-frente, como se fosse um surfista e não um fraccionista. Andou mais uns passos para o meu lado esquerdo e, na sombra do castelo retirou um papel duma pequena pasta e umas ervas dum pequeno baú, enrolou-as em seguida no dito papel levando-o à boca; foi uma cena em tudo parecida como um velho fumador de francês avulso. Disfarçadamente, desentendido, fiz-me mosca, olhando de soslaio! 

neph6.jpg E, foi quando o cigarro feito desse antigo modo, levado à boca afogachou-se sem ser aceso lançando fumo às argolas. Aqui tem coisa! O cheiro da maconha que veio às narinas; sem querer, olhei forçado o seu olhar e já não tive duvida, era ele mesmo: Nito Alves! O mesmo do 27 negro de Maio. Assim, e de frente, aquele tipo piscou-me o olho esquerdo na forma de morse, três pontos, três traços, três pontos! Isto deu para ficar apreensivo sem definir se estava mesmo aflito ou se era uma mensagem para mim! E, nem via nada que justificasse um SOS em código de morse porque aparentemente estava direitinho da silva; todo inteiro e sem justificação plausível. Seria isto um aviso! ?

neph0.jpg Pópilas! Eu, bem quero chegar aos trezentos anos tomando o chá de roiboos dos bosquímanos, com brututo, gengibre e ipê-roxo, mas falando seriamente duvido poder chegar a um terço dessa fasquia. Acredito que queiram saber mais acerca do barco Yate ou veleiro pertença do senhor Edu mas, as circunstâncias medrosas não permitem que abra uma nova frente de guerra sem haver razões independentistas. A vida é mesmomesmo uma farsa!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:36
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Sábado, 19 de Setembro de 2015
MUJIMBO . XCVIII

ANGOLATESTEMUNHO VIII ... O passado, é um país distante -  A guerra que terminou em 2002 é algo de tão remoto quanto a II Guerra Mundial para um europeu da minha geração…

Por: Fernando Vumby - (Fórum Livre Opinião & Justiça - Janº 2015)

P: Perguntas feitas por Pedro Aires Oliveira

R: Ricardo Soares de Oliveira, 37 anos, professor de Política Comparada na Universidade de Oxford, acaba de publicar um livro em que analisa a trajectória de Angola desde 2002.

UM LIVRO QUE CONTA COMO FUNCIONA A OLIGARQUIA ANGOLANA

besanga0.jpg (…) R: Hoje em dia há uma televisão que chega a muitas partes do país, e há uma cultura pública do luxo e da ostentação, visível por exemplo nas telenovelas angolanas, que são decalcadas das brasileiras. Há uma latino-americanização de Angola, que passou de um país principalmente pobre a um país com as divisões sociais típicas daquela região. São sociedades que têm muitos pobres, mas também uma classe relativamente alargada com privilégios e uma cultura material bastante mais próspera. E isso está a testar, seriamente, a legitimidade do status quo.

capu6.jpg R: O segundo desafio que se começa a tornar urgente é questão da sucessão do Presidente. Não há dúvida nenhuma que este sistema da paz é o produto das decisões do Presidente e do seu poder discricionário. Ora esse sistema, nos seus próprios termos, até tem aspectos bem-sucedidos, já falámos disso, mas também outros altamente dependentes de uma conjuntura que dificilmente conseguirá prevalecer sem JES lá estar. Isto é uma dimensão que vai dar turbulência ao país nos próximos anos. Eu diria mais. Essa turbulência não tem apenas a  ver com saber quem é que vai para lá a seguir.

hist6.jpg R: Eu consigo conceber uma transição inicialmente bem-sucedida, porque, no início, os oligarcas angolanos, as pessoas poderosas no MPLA, agirão racionalmente, ou seja, terão todo o interesse em viabilizar essa transição. Agora, o que está em jogo é algo mais vasto.

P: Esse será o primeiro dia do resto da vida de Angola ou não? Como é que a governação quotidiana de Angola vai ocorrer num contexto sem instituições, habituado a uma concentração do poder político na Presidência fora do vulgar?

R: Como é que as forças sociais que hoje em dia são prósperas mas não poderosas, como os barões do MPLA e as forças armadas, pessoas que o sistema enriqueceu mas às quais não deu poder, vão reagir? Pergunto eu! Essas pessoas já são ricas, agora vão querer o poder, que não têem, o poder de JES. E não vão permitir a um principiante qualquer sentar-se, de um dia para o outro, na cadeira de JES e reclamar para essa cadeira o poder que JES durante os 36 anos acumulados.

kafu19.jpg R: A terceira questão com que o regime terá de lidar é a diversificação da economia. O governo de Angola, como muitos governos que são beneficiários de um boom petrolífero, tem uma linguagem inequivocamente desenvolvimentista e de diversificação da economia, mas em ambas estas dimensões os resultados da última década são fracos.

cruzeiro4.jpg R: Agora que estamos a entrar numa conjuntura de preços baixos, estas questões vão adquirir uma urgência muito grande. As pessoas que já são ricas vão querer o poder que não têm, o poder de José Eduardo dos Santos. E, não vão permitir a um principiante qualquer sentar-se, de um dia para o outro, na cadeira de JES e reclamar para essa cadeira o poder que JES e durante 36 anos acumulou.

FIM!

Perguntas de: Pedro Aires Oliveira

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:28
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2015
MUJIMBO . XCVII

ANGOLATESTEMUNHO VII ... O passado, é um país distante -  A guerra que terminou em 2002 é algo de tão remoto quanto a II Guerra Mundial para um europeu da minha geração…

Por: Fernando Vumby - (Fórum Livre Opinião & Justiça - Janº 2015)

P: Perguntas feitas por Pedro Aires Oliveira

R: Ricardo Soares de Oliveira, 37 anos, professor de Política Comparada na Universidade de Oxford, acaba de publicar um livro em que analisa a trajectória de Angola desde 2002.

UM LIVRO QUE CONTA COMO FUNCIONA A OLIGARQUIA ANGOLANA

coqueiros3.jpg(…) R: A especificidade angolana no contexto subsaariano prende-se com a circunstância da vitória hegemónica do MPLA. E durante os dez anos seguintes, o MPLA conseguiu ser o único actor consequente no moldar da sociedade angolana. Ora, este grau de hegemonia e de capacidade de intervenção sobre a sociedade é raríssimo, e não é sustentável a longo prazo. Nesse sentido, aquilo que aconteceu nos últimos três anos em Angola era aquilo que deveria acontecer mais tarde ou mais cedo, uma diluição do espaço de poder discricionário do MPLA. O que é que aconteceu nos últimos anos? Há três dimensões importantes de enfatizar aqui.

cruzeiro01.jpgR: A primeira tem a ver com a demografia de Angola: hoje em dia, talvez 70% dos angolanos tem menos de 25 anos de idade. Para estas pessoas jovens, a guerra que terminou em 2002 é algo de tão remoto quanto a II Guerra Mundial para um europeu da minha geração. O passado é um país distante. E as exigências que eles fazem em relação ao poder político hoje não são baseadas numa comparação implicitamente positiva entre a vida que tinham durante a guerra e a vida que têm no presente, mas numa comparação explicitamente negativa entre a vida que têm agora e a vida que desejariam ter.

kafu19.jpg R: Especialmente a juventude urbana dos musseques, que hoje em dia é bombardeada por uma cultura consumista global, muito brasileira, de consumo, de luxo, à qual não tem acesso absolutamente nenhum. Há uma latino-americanização de Angola, que passou de um país pobre a um país com as divisões sociais típicas daquela região. São sociedades que têm muitos pobres, mas também uma classe alargada com privilégios e mais próspera. Isso está a testar a legitimidade do status-quo.

MAKA01.jpg

P: Mas a sociedade, sente essa classe muito próxima?

R: Sentem-na fisicamente próxima, e em parte porque acho que há uma grande diferença na postura social dos ricos em Angola. Até há 10 anos, uma pessoa que não vivesse no centro de Luanda não via os ricos. A televisão era má, “soviética”, e os ricos viviam em Lisboa, ou entre Lisboa, Luanda e o Mussulo. (…)

(Continua em testemunho VIII…)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:03
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2015
MONANGAMBA . XXXVI

ANGOLA DAS CINZASRETROACTIVIDADESA maka da guerra com raivas  independentistas riscavam os mandamentos de Deus; de um e outro lado chovia metralha… 7

Por

soba0.jpegT´CHINGANGE

Zeca Kafundanga é um personagem criado por mim  porque a necessidade faz o engenho, recordo que ainda eu não era nascido e Kafundanga já por ali calcorreava os quintais da Maianga furtando pitanga, goiabas, gajajas e maçãs da Índia dando berridas aos cães alheios que sempre apareciam a perturbar Sputnik seu fiel amigo, o cachorro doméstico da família Monteiro Cabeças.

kafu29.jpg Durante dois longos anos Zeca Kafundanga manteve-se por ali perto de casa lidando com vizinhos e outras pessoas conhecidas; para ele preto de nascença, era por demais periclitante porque as atrocidades dos outros, provocavam raivas aos mais claros, nos mais brancos; nosso quintal de terra e areia andava limpo, quase lambido porque Kafundanga sem expedientes a fazer lá por fora, além-fronteiras do quintal ocupava-se varrendo com os cuidados para não poeirar. Com tempo em demasiado, ajudava também nas limpezas do quintal do senhor Teixeira, um enfermeiro mulato gordo e solteiro a prestar serviço no hospital Maria Pia como já foi dito.

kafu27.jpg Zeca queixava-se de que assim não tinha jeito de se ser gente, fechado ali com medo das rusgas gwetas, das justiças só átoa e, foi neste então que me confidenciou estar namorando com uma malangina com que queria fazer alembamento; que as saudades saiam-lhe nos poros na forma de catinga e na volta do contorno dos problemas só tinha mesmo seu saliente conforto na arte de cozinhar. Já com vinte e três anos, ano de 1963, tendo eu menos cinco anos e já com o curso de Electricidade, decidimos ir a convite de meu pai até às obras de construção da Fábrica de Cimentos Cecil no caminho do Cacuaco; ele, meu pai, era ali encarregado, responsável pelas drenagens, alvenaria e movimentos de terras.

kafu28.jpg Tinha em mente uma coisa em relação a Kafundanda, queria mesmo alisar as pedras dele porque minhas memórias diziam-me que sim, era preciso saber ver e arredondar suas penedias porque aquela tal de malangina pisava seu milho nas covas dos rochedos desse meu mano preto, e ele comia no pensamento a funje dela, de milho com peixe seco. Eu tinha mesmo de amaciar seu leite coalhado no cerebelo dele e arranjar maneira de mandar vir aquela malangina. Falando com o engenheiro Raposo, ficou acordado que Kafundanga ficaria ali numa barraca de pessoal menor e seria um dos cozinheiros para ajudar no refeitório, fazer assim mais produtiva a gente miúda no trabalho de multifunções, mesmo as desclassificadas de fazer argamassa e molengueiros. Este engenheiro Raposo era um práfrentista em gestão de pessoal.

kafu24.jpg Só sei que Zeca ganhou o suficiente para mandar vir de comboio sua amada Chiquinha Provisória só de nome; eu e ele fomos buscá-la ao Bungo e assim medonhando crepitâncias em fogo suspenso, arredondaram alambamento e, ela e ele por ali ficaram na felicidade com passos líquidos e definitivos, ela arrumando conservas, batendo o pilão, lavando e secando roupa, dinheiro extra de lavar cuecas surradas e pintadas. Ele cozinhando fuba com peixe seco do Sumbe e do Cacuaco, até do Lifune e, outo peixe muito cheio de gerações de ondas do mar. Nós víamo-nos de vez em quando nas miúdas passagens com minha cabeça tecendo novas ideias com tecnologia de ponta e até astral, levando lâmpadas florescentes e outras bugigangas ao observatório da Mulemba de Bettencourt  Faria. Tudo a ser reciclado para observar os astros e contactos com a NASA.

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:12
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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2015
MOKANDA DA LUUA . XXXIX

TEMPOS CINZENTOS MOKANDA POR ENCOMENDAOs mwangolés bafunfam átoa carros de luxo em estradas descartáveis, esburacadas…

Por

soba10.jpgT´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Sente-se e respira Angolano, tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto e gosta imenso de toda a África - Anda às arrecuas para fugir à regra, um paradigma novo, só dele.

Matéria que nem é minha mas poderia ser; encomendaram que assim fosse porque o autor verdadeiro não pode respigar; está em Luanda e tem medo de abrir seu coração ao mundo. Eu sim!

ang1.jpg Nós somos o povo especial escolhido do Senhor Engenheiro. E como povo especial escolhido por ele, não temos água nem luz na cidade; temos asfalto cada dia mais esburacado. Os que, de entre nós, vivem na periferia, não têm nada, nem asfalto! Só miséria de lixo, mosquitos, águas paradas. Hospitais?!!! Nem pensar! O povo especial não precisa, não adoece, morre apenas sem saber porquê. Quando se inaugura um hospital bonito e ficamos com a esperança de que as coisas vão mudar minimamente, descobre-se que as máquinas são chinesas, com manuais chineses sem tradução e que ninguém as sabe operar... Estas são opções especiais para um povo especial. Estamos na Luua - Educação?!! O povo especial não precisa! Cospe-se na rua (e agora com os chineses, temos que ter cuidado para não caminharmos sobre escombros escarrados de fresco)... vandalizam-se costumes, ignoram-se tradições. Não andamos, só solavancamos…

amilcar4.jpg Escolas para quê e para ensinar o quê?!! Que o senhor Engenheiro é um herói porque fugiu ali algures da marginal acompanhado de outros tantos magníficos?!!! Que a Deolinda Rodrigues morreu num dia fictício que ninguém sabe qual, mas nada os impediu de transformar um dia qualquer em feriado nacional?!!!! O embuste da história recente de Angola é tão completo e manipulado que até mesmo eles parecem acreditar nas mentiras que inventaram... Se incomodarmos o senhor Engenheiro de qualquer forma, sai a guarda pretoriana dele e nós ficamos quietos a vê-los barrar ruas anarquicamente sem nos deixar alternativas para chegarmos a casa ou aos empregos. O povo especial nem precisa ir trabalhar se resolvem fechar as ruas. Tem dispensa, se estava no itinerário!

cruzeiro5.jpgSe sairmos para almoçar e eles bloqueiam as ruas sem qualquer explicação, só temos uma hipótese: como povo especial não precisa de comer, dá-se meia volta de barriga vazia e volta-se para o emprego. E isto quando não ficamos horas parados à espera que o senhor Engenheiro e sua comitiva recolham aos seus lares e nos deixem, finalmente circular. Entramos em casa às escuras e saímos às escuras. Tomamos banho de caneca. Sim, bem à moda do velho e antigo regime do MPLA-PT do século passado. Luanda, que ainda resiste a tantos maus-tratos e insiste em conservar os vestígios da sua antiga beleza, agora é violentada pelos chineses.

coqueiros4.jpg Sodomizada sistematicamente no dia e na noite. A Luua está exaurida; somos mesmo espaciais! De rastos, de cócoras diante dos novos "amigos" do senhor Engenheiro. Dão-se ao luxo de erguerem dois a três restaurantes chineses numa mesma rua. A ilha do Cabo tem mais restaurantes chineses que qualquer outra rua de qualquer outra cidade ocidental ou africana: CINCO!!!! É a China Town instalada em Luanda. As inscrições que colocam nos tapumes das obras em construção admirem-se, estão escritas na língua deles, eles são os novos senhores, os amigos do senhor Engenheiro a par do Sr. Falcone... O este foi-lhe oferecido um cargo e passaporte diplomático. Aos outros, que andam aos bandos, é-lhes oferecido a carne fresca das nossas meninas, catorzinhas. Impunemente! Alegremente! Com o olhar benevolente deles os mwangolés, dos canalhas de fato e gravata.

dia34.jpg No mundo civilizado sem povos especiais, caçam os pedófilos, aqui, criam e estimulam-nos! Acham graça. Qualidade de vida é coisa que o povo especial nem sabe o que é; nem quantidade de vida, uma vez que morremos cedo, lá pelos 40 anos – falam as estatísticas. Se vivermos mais um pouco, ficamos a dever anos à cova, pois não nos é permitida essa rebeldia. Continuam a fertilizar as ideias de que todo o mal veio dos Tugas e perseguem-nos em troca de gasosa, o suborno institucionalizado, o fruto mais evidente da emancipação. Quem dura mais tempo, é castigado: ou tem parentes que cuidem dele ou vai para a rua pedir esmola! Importam-se carros, e mais carros, de luxo. Esta é a imagem de marca deles: bafunfam átoa carros de luxo em estradas descartáveis, esburacadas. Ah... E telemóveis!... Xiiii!!!

maian1.jpg Qualquer Prado ou Hummer tem que levar ao volante um elemento com telemóvel. Porque tem banga, tem status! Vaidade balofa de matumba inocência. No mundo civilizado sem povos especiais, é proibido o uso do telemóvel enquanto se conduz… Aqui isso não funciona assim! Estamos na Luua meu! Pobre povo especial, sem transportes públicos, só candonga sem escolas, sem hospitais à mercê dos cazucutas mwangolés "dirigentes" e dos remédios que não existem. Perspectivas de futuro: -Qual futuro!? Os nossos "amanhãs" acordam a gemer de fome, de miséria, de subnutrição, de ignorância, de analfabetismo, de corrupção, de incompetência, de doenças erradicadas no tempo dos Tugas, de ira contida, de revolta recalcada - Deixem-no sair: BASTA!!!!!!

De um residente na Luua

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por solidariedade do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:03
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2015
KWANGIADES . VII

ANGOLA . TEOREMA DA AMIZADE – As falas de Zeca enxotando no tuje do katotolo da kubata n´dele - para mim O POETA KADUCU!...

Por

zeca00.jpgJosé Santos Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos para fabricar missangas que soele sabe fazer.

zeca e eu.jpg AH! T’CHINGANGE, gostei por demais “MAIANGA – NOSSA FESTA” e jamais te imaginaria tão dotado nas falas, que caem num choro de uma cachoeira algures no nosso coração! Agora fazes marchinhas, modinhas: -"cantemos o dia inteiro/saudade é o nosso orgulho". Belo! Agora tou muito cafifado! Me diz só? Em que folha de palmeira, tu poeta kaducu de uma figa, tu retirou estas falas, katé tem pandeiro do sertão e reco-reco do Rio Seco da Mayanga?Tu és, essa pessoa que tem esses mambo, que os mundele dos intelectualidade dos mundu diz: -“Tambula konta! Tu és pessoa que tens multefacção dos multifacetado!!!

algar0.jpg Tu és exímio regador de folhinhas de cheiro do chão da Nogueira das Terras de Miguel Torga; és pena kuuaba de mulemba da Maianga, que molha no tinteiro do teu muxima, sim o que faz missosso, que tem ninho de catete piando nos bolso dos mini calção dos kandengue do chão vermelho. Tu sabes bué estória do sertão e do Lampião, katé do descobridor da Terra de Vera Cruz, dos coitadinho índio enxutado para as franjas dos amazonas, dos teus antepassados mais passados colonizadores marinheiro, pirata de canhangulo medieval, de catecismo e de esteira na mão para encher o sertão, o mundão de belas mulata…Será que tu tem? Tou, bué contente. Num estou mais sozinho na Maianga. Agora sei que tem três modinhas, marchinhas… Uma demais conhecida e antiga, outra do Zeca, o encantador de mamilos de piteira e agora, a terceira do Caduco poeta Soba T´Chingande, o bangão e sábio das falas de estalinhos (Herero) que tem sala nas barrocas da língua!

ciga2.jpgAmbos são kamba sekulu, kaducu…, do mu ukulu, criados no chão que tem o doce capim penteado e de xipala que tem espelho que mostra o rio lindo - Rio Seco da Mayanga. Agora, tem mambo sério! Qual das três é a mais kuuaba? Pensei muito nas barroca do meu esperto e na conclusão da panela a ferver beijão podre, logologo conclui, porque botou estaladão na minha xipala! Então é assim. Que importa esses mambo da kuuaba! O que importa é o verdadeiro sentimento, o orgulho (tu sentes, dizes) expresso nas falas e num interessa aquecer mais a cabeça, com mais massembar com o pilão no braço cansado no meio das kinamba e no quentinho dos matuba ou…nos…, na preocupação da gramática, aritmética…, lá dentro com o sujeito, o verbo, o predicado…, a métrica, a rima, a metáfora…, os búzio zuelando com o feitiço, as kubata aceso de velas na mão. Repito, deixa tudotudo sair voando no colo de uma esteira pelo kooilo de N´Zambi e levar transportando o sentimento verdadeiro e sem esses mambo de exposição focado por holofotes dos matumbo licenciado nos iluminação.

maian8.jpg É isso, que tu fazes, mukanda verdadeira, por isso és kimakambaami sossegado no meu coração, tens meu carinho, te levo Baleizão, quê? Ah! Sorvete, gelado, das “covas” cheias de doce do lugar do nosso saudoso kamba tarik - BALEIZÃO. Mas, tem outro mambo sério, porventura o de xuxualho de muitos, porque no desconseguir, não topa sentimento sorrir e nos desrespeito, não respeitar tão grande paixão de uma vivência que tem kubata no nosso coração. Tambula konta, T´chingange? De hoje em diante, só topo esses mambo dessas fala de “poesia”. Pra mim, chega missosso feito de feijão preto podre na panela fervendo com carne de cabrito do muxito de mabuje branca, o coitadinho do sekulu sem os n´guzo…, morto na koka do chumbo da Diana (arma de matar pássaros)…

Teu mano Zeca, enxotando o tuje do katotolo da kubata n´dele.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:10
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Sábado, 15 de Agosto de 2015
MONANGAMBA . XXXV

ANGOLA DAS CINZASRETROACTIVIDADES a maka da guerra engordava raivas e maldades com kwata-kwata de riscar os mandamentos de Deus… 6

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE

preto4.jpg De olhos cheios e sem nada perguntar Zeca Kafundanga angustiava seus sentimentos adivinhando-se entre os sonhos e os enganos, ambos simétricos e às vezes com rezadas fervuras de inspiradas aflições respectivando-se nos assombros entre os is e seus pontos, como num romance desencontrado. Mas, como a vontade se nutre de impossíveis ele superava-se sub-repticiamente no aprendizado de cozinheiro tendo subido na escala; primeiro varre chã, depois esfrega e limpa a louça, depois fritador de batatas até chegar aos guisados, estrugidos e pato no forno mais pargo à pescador e lagosta transpirada. Meu tio Nosso Senhor só de alcunha que nem padreologia estudou, que só seguia seus votos de ser um bom cozinheiro, tirocinado na casa do professor Gerard Lestienne, um francês que casou com os livros lá no M´Puto; continuando, Zeca foi aprendendo novas frituras.

mutopa0.jpg Já fazia saltar a sertã com especiarias de cogumelos com pernas de rãs e aprendeu, além de fritar farturas a fazer saladas com ervas sacras, sagradas e raras com sabores vespertinos com rodelas de beringela e alcachofra desfolhada e hortelã da ribeira da irmandade das Vicentinas. Às vezes as noites faziam-se côncavas para tornar os pacatos olhos nossos em desejos de despertinos apetites; Tinha de ser assim porque o senhor Arcebispo de Luanda Dom Luís Maria Pérez de Onraita, não comia caril, muamba nem um muzungué qualquer.

kafu18.jpg Os trabalhadores da Brigada de Caminho-de-ferro do Norte em uma fase já adiantada da construção da ponte sobre o Rio Lucala foram sendo destacados para outras tarefas de assentamento de novas solipas em substituição daquelas já apodrecidas. E, Kafundanga foi entregue à procedência pelo mesmo camionista que me levou ao acampamento do Lucala, o tal das hienas a chorar ao redor dos desperdícios da nitreira e os leões que se espolinhavam nas terras sujas de óleo derramado para se desparasitarem.

kafu19.jpg Pois então, Kafundanga foi entregue na Rua José Maria Antunes nº 22 à Dona Arminda pelo Senhor camionista Zeferino Pereira que ao ver-me teceu considerações abonatórias a meu respeito. A guerra do terrorismo tinha iniciado no norte de Angola e a maka engordava raivas e maldades. Com kwata-kwata de riscar os mandamentos de Deus entornavam-se pecados em falas cheias de dentes, facas, catanas, abatises, cortes de estradas, catanas e corpos despedaçados mais os canhangulos cuspindo pregos.

kafu20.jpg Raivando-se tantas vinganças, Kafundanga teve de se recolher à casa de meu pai Manel Cabeças seu pai gweta de empréstimo e ali ficar muito recolhido porque ele era preto de nascença. No recolhimento do seu mukifo anexo ele me falou sua preocupação: - Háka tonito (era meu nome de família) não tenho nada a ver com estas makas e, muito triste continuou : - Nasci assim com defeito de cor, foi castigo de Deus que me destinou constituir-me gente! Não é nada disso, falei eu. Tu achas mesmo que ele me foi justo? Replicou na sua cerimoniosa tristeza!  Deus é grande, não fales ofensas que no depois ficas sem perdão! Disse eu, num jeito de apaziguar as sortes. Nestes dias de kwata-kwata, a coisa ficou mesmo feia e nestas falas assim ficamos sem palavrões nem injuriações…

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:03
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2015
MUJIMBO . XCII

ANGOLA - TESTEMUNHO II ... Angola recebeu mais de 400 mil milhões de dólares em receitas petrolíferas desde o fim da guerra…

Por: Fernando Vumby (Fórum Livre Opinião & Justiça - Janº 2015)

UM LIVRO QUE CONTA COMO FUNCIONA A OLIGARQUIA ANGOLANA

ricar1.jpgRicardo Soares de Oliveira, 37 anos, professor de Política Comparada na Universidade de Oxford, acaba de publicar um livro em que analisa a trajectória de Angola desde 2002. Magnificent and Beggar Land. Angola since the Civil War (Hurst, 2015, 288 pp.) - Conta-nos num livro fundamental como a actual oligarquia acumulou poder e riqueza e viu Portugal render-se ao poder dos seus dólares.

ricar8.jpg P: - Quando é que eles terão concluído que já acumularam o suficiente para se dedicarem a uma tentativa de criação de respeitabilidade e durabilidade, o que pressupõe legitimar socialmente as suas fortunas, através da filantropia e das boas obras?

R: - Mas, também, quando é que as estruturas que anteriormente foram permissivas com essa forma de acumulação são alteráveis. Eu penso que os dois processos - a mudança de mentalidades dos oligarcas e a mudança institucional - têm de surgir simultaneamente. E no caso de Angola nenhum deles está a acontecer. Há oligarcas angolanos que já estão a pôr os filhos em escolas em Inglaterra, que começam a aparecer no jet-set internacional, e gostariam que a origem das suas fortunas fosse esquecida. Da mesma forma que muitos oligarcas russos eram há uns anos vistos como uns bandidos mas depois se tornaram respeitáveis frequentadores de Davos, Ascot e todos esses meios.

ricar10.jpg R: - Ou seja, por um lado eles têm esse instinto, mas, por outro, a economia de Angola tem tantas recompensas a dar a quem tem poder, que sempre que eles têm de optar entre a via mais difícil da respeitabilidade e a via do facilitismo, eles escolhem sempre a via do Far West. Mas se isso pode ser tacticamente acertado, estrategicamente mina a capacidade a longo de essas elites se tornarem as elites legítimas do país. No centro deste sistema está o Presidente José Eduardo dos Santos, que não é apenas o chefe de Estado mas sobretudo o power broker do sistema, que preside a um vasto Estado paralelo, onde impera a confusão de interesses privados e públicos.

P: - Mas isto também pode tornar o regime vulnerável quando se colocar a sério a transição na Presidência. Até que ponto isto é uma questão que já está condicionar a política angolana?

R: - O Presidente José Eduardo dos Santos (JES) é tão importante quanto as pessoas julgam que ele é. É alguém que pode ocasionalmente delegar autoridade a tecnocratas, mas, em última instância, é ele que toma as decisões. E não é raro, na trajectória do Estado angolano desde que JES chegou ao poder, haver um ministério que parece que se está a institucionalizar, a adquirir um mandato político convencional, mas esse poder está sempre sujeito a ser retirado por JES quando a utilidade política de tal exercício se esgota. E nesse sentido a saída de cena de JES vai ser tão traumática quanto se esperaria. A centralidade que ele adquiriu ao longo dos anos tem aspectos positivos - num sector como o petróleo, por exemplo, conseguiu estabelecer uma unidade de objectivos e uma coerência grande. Mas em muitas outras áreas prevalecem os aspectos negativos, na medida em que ele esvaziou o conteúdo político e decisório das instituições.

ricar9.jpg P: - Outro aspecto que é sublinhado positivamente na actuação de JES é o facto de ele ter evitado que algumas questões sempre latentes na sociedade angolana, nomeadamente as questões raciais, se tenham tornado armas do jogo político. Se ele sair de cena, o que poderá acontecer?

R: - Sim, mas são problemas ele não está a resolver, está meramente a contê-los. Ele tem evitado a questão racial. Mas temos de ver até que ponto o MPLA quererá evitá-la, à luz do que foi o passado do partido nessa matéria. É no entanto uma questão avassaladora, muito discutida em privado; é o elefante na sala. Isso demonstra-se num discurso xenófobo que tem aflorado em relação à presença dos brancos, e nomeadamente dos portugueses, em Angola, mas mesmo dentro do próprio MPLA é frequente as pessoas queixarem-se de que há muitos mestiços aqui e ali. E é uma questão facilmente mobilizável. É um recurso político que está ali, pronto a ser usado por forças populistas.

ricar5.jpg R: - Angola está-se a dar mal de acordo com os parâmetros delineados pelo governo e pelas promessas que fez aos angolanos, em termos de criação de emprego, saneamento básico, electrificação, combate à pobreza, saúde pública, qualidade de ensino, habitação. Esta década de paz e reconstrução, embora tenha trazido melhorias palpáveis às pessoas comuns, deixa a impressão de ter sido uma oportunidade perdida. O livro apresenta um somatório impressionante de projectos ruinosos, esquemas fraudulentos, elefantes brancos, de onde resultou uma dissipação colossal de recursos. Por outro lado, a economia diversificou-se muito pouco - permanece altamente dependente das indústrias extractivas e negligenciou a qualificação das pessoas. Houve melhorias de nota em Angola, se compararmos o país destruído de 2002 a realidade de 2015, o que não e surpreendente: Angola recebeu mais de 400 mil milhões de dólares em receitas petrolíferas desde o fim da guerra.

(Continua em testemunho III …)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:04
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Domingo, 9 de Agosto de 2015
MUJIMBO . XCI

ANGOLA TESTEMUNHO I ... OS PRESOS POLÍTICOS & AS PRATICAS DE TORTURA TRAZIDAS DE CUBA QUE ENCONTRARAM UM TERRENO FÉRTIL EM ANGOLA

Por

vumby0.jpgFernando Vumby (Fórum Livre Opinião & Justiça - Janº 2015)

UM LIVRO QUE CONTA COMO FUNCIONA A OLIGARQUIA ANGOLANA

ricar1.jpg Ricardo Soares de Oliveira, 37 anos, professor de Política Comparada na Universidade de Oxford, acaba de publicar um livro em que analisa a trajectória de Angola desde 2002. Magnificent and Beggar Land. Angola since the Civil War (Hurst, 2015, 288 pp.).

ricar4.jpg  Ricardo Soares de Oliveira (R) estudou a Angola do pós-guerra civil. Conta-nos num livro fundamental como a actual oligarquia acumulou poder e riqueza e viu Portugal render-se ao poder dos seus dólares. Conversámos com ele acerca de alguns dos assuntos aí abordados, desde os contornos do sistema de poder nesse país às idiossincrasias da relação luso-angolana, bem como sobre as consequências que são possíveis de antever em função da descida do preço do petróleo nos mercados internacionais, o principal (se não mesmo único) motor da economia angolana. Uma entrevista conduzida por Pedro Aires Oliveira (P).

ricar6.jpgP: Comecemos pela questão mais elementar. Ricardo: quais as razões que te levaram a escreverem este livro?

R: - Há várias razões. Angola sempre me fascinou e foi um país acerca do qual eu já tinha trabalhado bastante. Do ponto de vista intelectual, notei que havia uma grande lacuna no conhecimento acerca de Angola. Apercebi-me de que Angola era um país que se transformara completamente na última década. Tinha tido guerra durante 41 anos, se contarmos com o período colonial, a Guerra Fria e os anos 1990, mas desde 2002, por uma série de razões, o país estava a reinventar-se. E, eu achei essa questão apaixonante. Quis perceber até que ponto isso estava realmente a acontecer ou havia continuidades em relação a estruturas de desigualdade e subdesenvolvimento que já existiam não só no contexto da guerra civil, mas também no período colonial.

dia35.jpg P: - Um aspecto que é mencionado logo na abertura do livro é o peso do passado, a saliência de certas continuidades históricas. Como é que isso se tem manifestado no pós-guerra civil /independência, e até que ponto condiciona o presente do país?

R: - É difícil estabelecer uma hierarquia de factores. Eu diria que há muitos factores que continuam a ter importância na vida angolana. O mais óbvio é o facto de não se ter produzido em Angola, mesmo nesse período do colonialismo tardio, uma burguesia forte. E isso é um facto que não só vai influenciar as escolhas da elite angolana, mas o próprio processo de formação de classes em Angola desde 1975. Mas de uma forma mais concreta eu diria que o modelo de desenvolvimento português, o modelo seguido entre 1961 e 1974, teve uma vida intelectual pós-independência bastante interessante.

moc2.jpg R: - Foi um modelo que, mesmo no contexto do socialismo, de uma forma mais discreta, e a partir de 1991, de uma forma mais explícita, se revelou persuasivo, e que continuou a influenciar a mentalidade das elites angolanas. As elites angolanas gostam da ideia de Angola desenvolvida em 1973 – o ano de 1973 é uma data mítica, pois foi o ano de maior produção no período colonial. Por outro lado, no processo de reconstrução de Angola após 2002 houve elementos absolutamente novos – por exemplo a destruição da velha Luanda e a construção de uma espécie de Dubai angolano não tem precedentes. Mas sob outro ponto de vista há muitas políticas que pressupõem o restabelecimento da economia e das infra-estruturas do colonialismo tardio. Há oligarcas angolanos que já estão a pôr os filhos em escolas em Inglaterra, que começam a aparecer no jet-set internacional, e gostariam que a origem das suas fortunas fosse esquecida.

ricar6.jpg P: - Uma das facetas notáveis do livro é o retracto que ele oferece das classes dirigentes angolanas, do MPLA, que nos surgem como uma elite muito astuta no que toca à sua estratégia de manutenção no poder, mas, ao mesmo tempo, uma elite que neste período da reconstrução poderá não ter dado os passos mais adequados numa perspectiva de mais longo prazo. E a actual descida do preço do petróleo pode pôr em xeque as premissas da sua hegemonia – ou não?

R: - Eu não me aventurava a especular sobre a sobrevivência política desta elite. Parte dessa astúcia é o facto de essa elite ter conseguido sempre criar uma massa crítica de apoiantes que, sem lhe proporcionar uma grande legitimidade social, lhes tem pelo menos dado o espaço suficiente para sobreviver politicamente e reproduzir a sua dominação. No livro, não quis adoptar uma perspectiva moralizante na análise da trajetória de acumulação das elites angolanas. Por uma razão apenas: porque historicamente nunca é um processo bonito de se ver ao pé. A questão que tenho aqui como politólogo é a de saber quando é que se poderá dar um momento de viragem em termos de reconversão dos oligarcas angolanos. Podemos tentar uma analogia com os Robber Barons americanos de finais do século XIX. (...)

(Continua em testemunho II …)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:53
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Quarta-feira, 5 de Agosto de 2015
MONANGAMBA . XXXIV

ANGOLA DAS CINZAS . RETROACTIVIDADESPois, surgiam ocorrências com maka, muzungué de porrada 5

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE

ara3.jpg Kafundanga tinha muita vaidade no que fazia e, com sincera vontade, muitas vezes ouvia-o dizer que ser-se cozinheiro tinha muito de imaginoso porque a boca era o esconderijo do coração. Amolecia sua alma suspirando na maré dela bonitando sempre suas conversas com Nossa Senhora da Muxima; por vezes, seus olhos amoleciam todinhos exibindo seu peso de saudade ou adivinhações de casos pensados; fazia da vida seu noivado, armazenando punhados de lágrimas no seu labirinto subterrâneo com vontades ainda por realizar.

araujo1.jpg Lá pelo ano de 1956, meu tio Nosso Senhor de alcunha e Manuel Loureiro de nome escriturado, chegou do M´Puto no vapor Uíge; sua chegada alvoroçou nossas vivências por algum tempo, ávido de novas coisas. Ele, meu tio, comprou um cacho de bananas inteirinho para nós e, com elas lambuzamos nossas gulas por algum tempo até quase as enjoarmos. As últimas já pintalgadas, começamos a partilhar com o saguim do senhor Teixeira um velho vizinho enfermeiro gordo e mulato de cor. O saguim ficava nos fundos do quintal dele, encarcerado de coitado todo o tempo à sombra de um frondoso abacateiro.

besanga0.jpg À sua volta era mesmo só rede de capoeira reforçada e, nós candengues aproveitando o senhor Teixeira de turno no Hospital Maria Pia saltávamos o muro ficando ali a fazer gaifonas ao pobre macaco tendo por companhia o rafeiro Farrusco que ladrava à toa enciumado; este pelo de arama tinha uma amizade chegada a mim e a Zeca Kafundanga e, por isso impunha seu sentimento de ladrar no desconforme. Naquela casa do senhor Teixeira, naquele quintal e naquela varanda havia cheiros cheirosos, plantas com flores e cores intensas.

kafu14.jpg O senhor Teixeira era primo de primeiro grau de Óscar Ribas, um senhor que por ali aparecia tacteando o muro, as coisas, cirurgiando o escuro encerrado nos dedos da visão, fazendo festas ao papagaio louro filho-da-caixa que não nos gramava, palrando kimbundices entre fetos verdes; ele, Óscar Ribas tacteava os restos no interdito de tudo e o sacana do Jacó todo submisso às sua caricias; a nós não nos topava, assim que ficávamos ao seu alcance ferrava-nos seu adunco ódio na forma de bico. No entanto, com este senhor cego, eram só caricias, um amor desentendido para nós. Curvava-se todo permitindo festas na cabeça de penas eriçadas e cuspilhando falas que ele, senhor Óscar, parecia entender de topariobé, sundiameno e asneiras nossas desconhecidas!

kafu16.jpg Nós muito carecidos das compreensões do mundo, esquecidos dos comportamentos por sermos mais filhos da rua do que das nossas casas, emigrávamos nossa condição por todo o bairro da Maianga aonde todos se familiriavam, assim como aparentes parentes. Nossos pais tinham suas próprias governações e, só apareciam quando surgiam ocorrências com maka ou muzungué de porrada e que ai e que ui, e nós invocando nossas razões ponderativas, nossas secretas funções, sigilosos assuntos com dúvidas indignatórias com o tempo correndo do jeito dele…

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:34
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Segunda-feira, 27 de Julho de 2015
MONANGAMBA . XXXII

ANGOLA DAS CINZASAFAGANDO LEMBRANÇAS - Zeca Kafundanga, um personagem que ainda só era kandengue …3

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE

kafu11.jpg Kafundanga vivia em um anexo-suíte com quarto de banho privativo no fundo do quintal da rua José Maria Antunes número vinte e dois. Meu pai Manuel Cabeças decidiu fazer em madeira um puxadinho, assim um prolongamento de duas águas logo a seguir ao tal de suíte em alvenaria, património original do senhorio. O quintal grande tinha mamoeiros, fruta-pinha, goiabas e um grande pau de mandioca brava que cobria o tanque de lavar roupa com sua copa. Junto ao galinheiro coberto a chapa de zinco Manuel Cabeças, meu pai, construiu um forno com argila, cal e tijolo burro e, ao lado um alpendre também coberto a chapa de zinco com uma mesa e bancos corridos. Era neste forno de quintal que minha mãe Arminda, Forreta de alcunha, fazia pato com batata, coisa que só mesmo ela sabia fazer.

kafu6.jpg Foi neste quintal que Kafundanga, ainda novo, começou a revelar dotes habilidosos de cozinha e entre esfregões, barrelas de sabão macaco com esponjas de pepino (luffa), nos intervalos aprendia como fritar ovos e assim passou em definitivo a ter um tirocínio de estagiário grátis e até gratificante no lar doce lar da Dona Arminda Topeta Forreta, senhora minha mãe.

kafu13.jpg E, passou a tratar das galinhas do mato (fracas) pombos, indistintos galináceos e até passarada e periquitos, que também por ali estavam em gaiolas distinguidas. Eu, ainda puto de uns talvez quatro anos recordo de o ver muito atarefado fazendo seus remendos à dita capoeira e gaiola; havia por ali uns alheios gatos cobiçando os vistosos periquitos e catatuas.

kafu9.jpg Aquele quintal era um mundo muito repleto de barulhos desde os primeiríssimos raios de sol e, os cantares misturados eram aconchegantes aos nossos ouvidos. Havia ali celestes, rabos-de-junco, canários, catetes do Icolo, tico-ticos, viuvinhas e outros eteceteras que no correr do tempo Kafundanga apanhava com visgo da mulemba e armadilhas engenhosas em sítios não muito longínquos.

kafu8.jpg Recordo mais tarde uma poça de água não muito longe do Poço da Maianga, em direcção à Samba e bem perto da casa dos malucos. Naqueles idos tempos de 1949 tudo aquilo por ali era mato! Luanda só chegava mesmo ali ao largo do sinaleiro da Maianga confrontando com a horta do Miguel das Barbas e, com a estação da Cidade Alta e asfalto, malé (não tinha!), só mesmomesmo pó.   

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:02
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2015
MONANGAMBA . XXX

ANGOLAFALAS DE LUANDA DO ANTIGAMENTE... Zeca Kafundanga, um personagem personalizado por mim…

Por

t´chingange.jpegT´CHINGANGE

kafu1.jpg Zeca Kafundanga é um personagem personalizado por mim e porque a necessidade faz o engenho, recordo que ainda eu não era nascido e Kafundanga já por ali calcorreava os quintais da Maianga furtando pitanga, goiabas, gajajas e maçãs da Índia dando berridas aos cães alheios que sempre apareciam a perturbar Sputnik seu fiel amigo, o cachorro doméstico da família Monteiro Cabeças. Kafundanga veio ainda pivete kandengue das terras de Cassoalála. Ele, Kafundanga, nascido em 1940, tem agora seus 75 anos, mais cinco do que eu e, nunca disse pois-pois, ou talvez. Já muito Kota fala comigo do mesmo jeito dos tempos de caprandando, dizendo sempre sim patrão, arranhando seu sofisticado linguajar e, tratando-me sempre por menino.

kafu2.jpg Já lá vão muitos anos mas lembro de como se fosse hoje ele falando só por falar-me avisando dos perigos de meus muitos namoros de quando nesse tempo de vida florida com as garinas da Vila Alice, da Vila Clotilde e Bairro do café. Menino, tem cuidado com tuas namoradas, não escostas muito senão vais mesmo fazer os alambamento, catravêz óspois ela vai inchar e tu, vais ter de cuidar. Mas que raio sabia ele disso! Ele era sempre assim, muito cuidadoso com seu menino, quase-quase mano gweta. Como já disse ele, Kafundanga tinha chegado ali mais seu cachorro Sputnik muito de tenra idade; dois rafeiros no dizer de gente maleducada, vizinhos mesmo, nesse tempo em que o preconceito ainda não era inventado.    

kafu3.jpg Kafundanga cresceu, tornou-se um cozinheiro cinco estrelas de finura e para além do funje das mandioca de Kifangondo, ele, de categoria, fazia lagosta suada, lagosta constipada, lagosta transpirada, cacusso no espeto, besugo na prancha, garoupa no forno, caldeirada de tamboril com rama de batata-doce mais esparregado de jimboa com flor e rama de abobora com ovo escalafrado. Quando novo tinha um andar enérgico bamboleante e de cabeça erguida mas, agora já kota Mais-Velho, quando relembra nossas meninices de kandengues, subitamente fica muito triste.

kafu5.jpg Acho que tenho de me culpar a mim próprio por ter criado este personagem e espero que nos vindouros desrespeitos não o desconsidere; não tenho intenção de o negligenciar em capítulo algum mas terei de criar um edílico cenário em que resolva os mambos com equilibradas conveniências. Esta é ma estória que vai começar assim do nada tendo-me como o dono das falas em um primeiríssimo tempo que já o não é, porque nada imutável. Também posso alterar o rumo da estória por sugestão de um leitor ou leitora que se enfronhe no assunto, pois, assim tal-e-qual como uma telenovela.

kafu4.jpg Kafundanga foi aprender letras e números na escola José Anchieta antes de mim; a escola ficava entre o Restauração e o Hospital Maria Pia da Luua. Por detrás destes espaços ficava o parque Heróis de Chaves, um jardim feito em homenagem aos que honestamente lutaram na defesa dos princípios de uma sociedade livre e feliz. Um jardim com nome do M´Puto que nada nos dizia; só íamos mesmo lá catrapiscar, capiangar uns figos da índia, umas árvores de sombra frondosa. E, sabem que mais! Tenho saudades de Kafundanga, coisa muito periclitante porque não é possível ter-se saudades de pessoa que nunca existiu! Verdade mesmo, cadavez se torna mais impossível matar esta ausência e, dela vou continuar este fadário salutar.

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:00
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2015
MUXIMA . XLV

LUANDA . XIMBICANDO NUM LUGAR CHAMADO DE SAMBA

Por

soba0.jpg T´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto. Anda às arrecuas para fugir à regra, um paradigma, só dele.

amigo00.jpg Num lugar que ficava na esquina dos sonhos, num para além de todas as viagens, um lugar que apareceriam caranguejos a fintar a malta, fingir de almas num solitário mar chamado de N´Samba só mesmo o vento nos passeava entre o mangue; foi ali que nós, os candengues da Maianga aprendemos a ximbicar. Naquele tempo que ainda não havia vindouros nós eramos muito felizes só naquele privilégio original como do Adão e da Eva. Naquele tempo o mundo era só nosso e nem tínhamos receio de que alguém percorresse nossas vidas, porque dispúnhamos dum futuro inteiro.

canoa0.jpg - Tu pegas no bordão, atiras canoa na água, entra e encosta a ponta do pau no fundo do mar, faz força, a canoa anda. Depois continua.- Ah! Quer se dizer, tu remas.- Ué! Remas!? Essa palavra ainda não sei! Não me disseste dela. Eu, ximbico a canoa. T´aprendeste, Tonito? – Falou Kafundanga.Kafundanga nem era meu amigo, era só filho do dono da canoa, senhor Jeremias mas, num repentemente nós assim ficamos de amigos para sempre até um dia em que os mais velhos mudaram a estória e nem sei porquê todos mesmo, tínhamos de ir pró puto! Ué, eu que nem sabia aonde era esse tal de Puto.

canoa01.jpg Eu, mazombo e Kafundanga negro retintamente ficamos amigos, trocando bordões por novas palavras. Em um dia calmo fui de ximbica com seu pai kota mais-velho pescar kixibis e eu, camundongo nascido nos barco do Niassa ximbiquei cuele. O mar, gentil, pôs jeito no meu ximbicar e, senhor Jeremias também ficou meu amigo! Ele me ensinou que faz assim e mais deste jeito e empurra na areia e vira na esquerda e nas direitas e ficou só assim até nos dias de hoje.

canoa1.jpg Aprendi sim! Ando ximbicando pela vida nas direita e nas esquerdas; Jeremias sem o saber, trouxe  a mim, agora eu mais velho, que no pensamento da suspeita que ele também ficou no retiro dos viventes e penso mais, que se calhar foi a alma dele que me levou ao exílio do mundo. Nunca lhes esqueci, Kafundanga e seu pai Jeremias também devem ter emigrado para outra existência.

 

Ximbicar: uma forma de remar; remar com bordão

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:48
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Quarta-feira, 8 de Julho de 2015
MUJIMBO . XC

ANGOLA - TESTEMUNHO... TAMBÉM ANDO TRISTE PENSANDO NOS 15 JOVENS DETIDOS E NO DESTINO QUE A DITADURA LHES RESERVOU !

Por

vumby0.jpgFernando Vumby (Fórum Livre Opinião & Justiça)

vumby1.jpg Pasma-me essa nossa impotência, falta de reacção, fraca solidariedade e sem planos para libertarmos os jovens das masmorras de uma ditadura rara, que quando bem entende vai fazendo das suas com a certeza de que ninguém o trave. Pelos vistos estão condenados á cair no esquecimento tal qual, Ricardo de Melo, Nfulupinga, Serra Van Dunen, Nelson, Fernanda Fernandes, Jaime António, Milocas, Mariano Adriano Sebastião, Ganga, Kamulingui, Cassule, Kafuxi, Camilo, Angelo, Brito (da Sonangol) e tantos outros que vão sendo eliminados dentro da guarda presidencial, na polícia, no exército, no Mirex, na Sonangol, etc,etc.

junho0.jpg Seus assassinos continuam livres e para se evitar resmungar alguns lá vão acreditando nos julgamentos simulados, mesmo sendo organizados por quem nem eles próprios alguma vez confiaram. Curioso ate se aguarda com grande expectativa os fantasiados julgamentos mesmo conscientes de que o filme não será diferente porque no fim quem ganha é o mesmo (espertalhão) de sempre que sabe vender ilusões para conformar uma plateia de resignados...

vumby2.jpg Uma certeza tenho, mesmo que os jovens sejam libertados vão sair da cadeia debilitados moral e fisicamente e, quem pagará ou responderá pelos danos causados isto pouca importância, terá na mesma um país onde quase todos correm e poucos sabem para que direcção. Tudo porque quem marca a meta é quem governa porcamente.

Fórum Livre Opinião & Justiça

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:38
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Sábado, 27 de Junho de 2015
MUXIMA . XLIII

NUM TEMPO COM CINSAS  - Trocadilhos com bugigangas vindas de N’Dalatando …

Por

soba0.jpg  T´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Sente-se e respira Angolano, tem cédula de Brasileiro e B. Identidade do M´Puto. Por vezes anda por África entre os bichos às arrecuas para fugir à regra, um paradigma novo, só dele.

alhinho.jpgEstava relembrando meu esquecimento, coisas estapafúrdias com interrogações a servir de vírgulas quando me surge Januário Pieter, como sempre velho e frágil com um traje de popelina branco, largo e por cima de uma balalaica amarelada. Sinceramente não pensava encontrar por aqui em terras do M´Puto este muito mais-velho amigo, mais velho que a sé de Braga, uma kianda que tudo indica nasceu no N´Dondo no tempo em que os Tugas por ali desbravavam terras de Cambambe, procurando ouro e prata e, também traficando gente a troco de bugigangas vindas de N’Dalatando e lugares ainda mais a norte; Sobas matumbos, que ali vinham trespassar gente escrava, os restos das batalhas entre kimbos por troca de quimbombo e aguardente e, que depois eram levados para as terras do açúcar, terras de Vera Cruz.

cacu1.jpgClaro que lhe dei um abraço prolongado e, porque o não fazia aqui em terras do M´Puto a metrópole antiga, agora demasiado enferma e, nos Algarves, perguntei-lhe: -Que fazes aqui meu kamba? Estava fazendo tempo para deglutir interrogações desta figura que criei lá nas lonjuras da Matamba! Ele olhou de soslaio para mim, olhos raiados de sangue como daqueles de noite mal passada, carregados de fumanças aliambadas, testa engelhada e, devolve-ma a mesma pergunta como se fosse um eco: - E tu, porque está aqui? Este encontro surpresivo começou assim como um empecilho, sem iniciativa de preliminares sustentáveis - Vou movendo-me no esquecimento do mundo! Falei assim a ele enquanto removia os fusíveis do raciocínio fazendo-lhe uma pergunta mais crucial! Ambos, e não sei porquê, tínhamos perdido a ansiedade de tempos antigos!

besanga0.jpgEle para mim: -Tu vieste de Angola naquele iate do Edú, diz isto apontando a outra margem do Arade de onde se desprendia um merengue de kuduro meio fungoso? - Andas a fazer figas na política n´dele? -Passaste-te para o inimigo n´dele? Eram três perguntas, 3 em um, de uma só resposta! Que merda é essa, exclamei eu! Nunca fui com a cara desse gajo, mazé tu estás saindo dos teus parâmetros espirituais para engraxares esse teu mano; é isso? Enquanto dizia isto esfregava meus dedos indicadores assim para lá e para cá indicando haver ali uma surdina amizade de compadrio entre eles; ele estava vendendo-se e também seus kambas espiritualíssimos, os puros de N´Gola.

coqueiros3.jpgPensiturno, Pieter a kianda kalunga, respondeu-me malembelembe e sábia responsabilidade impregnada de coisa ruim, talvez traição – Venho vender sonhos meu! Vê só isto! Nos também trazemos umas estátuas kiokas  txokwés para oferecer ao chefe do M´Puto, Pedro Candimba mais o Cavaco da Silva! Num repentemente fiquei mais desconfiado, ele não disse mas eu só desconfiei assim mesmo, ali daquelas figuras, de certo havia também umas pedras de feijão do Cafunfo, brilhantes! O sundiameno, personagem que eu criei, está a passar-me a perna, a trair-me!

cruzeiro5.jpgEle, na maior das desvirtudes contou mentiras encomendadas com ar vagamente de honrado, coisa incomum fazendo-me de curibota. Foi neste momento que surgiu um negro alto e gordo, engravatado e vestido também de preto como se fosse para um enterro. Era o seu guarda-costas com caninas e aguçadas escoriações rituais dos kiokos e um desenho de catana na face e do lado esquerdo! Isto dava-lhe um ar de arriscadamente assustador mas, a uma indicação de Januário, assim em gesto de refulgido cumprimento o personagem,  repentinamente ficou com um riso simpático, estendeu-me a mão. Este é o meu guarda-costas! Chama-se Gilberto, disse a kianda traidora em definitivamente. Bom! Esta fricção de pensamento dissolveu-se em embaixadora boa vontade originando falas de mansa hipocrisia e, falamos das memórias antigas e domiciliadas e tensas.

dia35.jpgTudo correu numa amizade de guerrilheiros indecentes, rugindo só para dentro. Saímos dali e fomos a um ximbeco tomar umas frias, o cão-de-guarda n´dele tomou uma cuca do M´puto e, já bem bebidos e refastelados na cachupa dos Verdianos, disse assim tipo de desabafo para agradar, que minha pessoa já podia voltar à Luua! Aquilo até que me pareceu um pouco com sinceridade mas, seu tom de família não me restaurou no espírito, um mínimo de confiança! Aquela parecia-me uma estranha conversa para me cambular! E falei assim: - Não, não meu! Kié kié isso, a Luua e eu andamos vagamente assustados e até divorciados! O resto da conversa não tem maior interesse por agora e encerrei o ocorrido só imaginando na camanga que o gajo trazia ali para a superioridade diplomática! Fingindo que era um vendedor do kénia com uma flanela com as palavras Dubai é k É! Voltei atrás e reli esta crónica e, mijei-me a rir a pensar que um dia destes me vão atribuir o prémio Agostinho Neto só por perpetuar as falas das guerrilheiros… Pois ao Luandino não lhe deram o prémio de Camões? Ele que escreve um kimbundo só n´dele, todo matumbado...

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:12
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Segunda-feira, 22 de Junho de 2015
MUJIMBO . LXXXVIII

ANGOLA - CICATRIZES NO TEMPOBENTO KANGAMBA é "doutorado em MPLA" ....

Filomeno Vieira Lopes do Bloco Democrático afirmou isto e eu acradito!

Por

soba0.jpg T´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Sente-se e respira Angolano, tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto e gosta imenso de toda a África - Anda às arrecuas para fugir à regra, um paradigma novo, só dele.

 

kanga1.jpgNão foi nada que eu já não tivesse comentado á muito tempo. Este senhor deve ter sido licenciado atrás duma bissapas sem porta para bater; senhor dá licença? Assim como o Rangel do M´Puto! - Entre está licenciado! Estas porcas vicissitudes descredibilizam um país e só com muito dinheiro e comprando gente miuda e mal formada, pode alcandorar-se a empresário de sucesso, a ser um embaixador de um país credivel ou ter a respeitabilidade com créditos! Ele é um homem do sistema! Ele vai buscar champanhe nos confins da Andorra e, trás o avião cheio de espumante para agradar aos engraxadores govenrnamentais; ele vai ao Brasil buscar meninas brancas e vistosas para regalar seus amigos e fazer banga em suas festas colossais. Ele dá de Angola uma imagem de festa permanente patrocinando o mundo da vaidade, das passareles. Basta ver a televisão via Globo instalada pelo resto de África! Ele é uma fraude que o povo deveria meter no xadrês, mas nada disto lhe sucede!

kanga01.jpgPor outro lado Joaquim Nafoia da UNITA disse que Kangamba - Secretário do MPLA para a Mobilização e Organização Periférica (Ké Ké Isto!?) - representa “o grupo de malfeitores que dirige o país” e “não entende nada de política”. Verdade! Kamgamba o gazosas montanelas, afirmou num comício que a oposição nunca governará Angola enquanto o MPLA existir! Para Noaquim Nafoi as declarações daquele dirigente do MPLA são prova de que “o MPLA está na falência” rejeitando também as acusações de incompetência por parte da oposição. Aqui ele não está a falar inverdades! A oposição está acomodada, bem paga e bem amedrontada; porqué?  É fácil chegar a esta conclusão!.

kanga2.jpg“Kangamba e o seu partido não têm o direito de tratar os partidos na oposição como incompetentes porque nenhum partido da oposição já governou para eles poderem aferir que a oposição falhou nisto ou naquilo”, disse Nafoi. Para o militante da UNITA as declarações de Kangamba  são prova também que Bento Kangamba  “tem o conhecimento das faudes que o seu partido tem feito“ nas eleições. -“De antemão já tem conhecimento da fraude que se prepara para 2017”, acrescentou!

kanga3.jpgAs afirmações de Kangamba “violam claramente a paz democrática no pais”. O presidente da república, e seus muitos procuradores deveriam cuidar um pouco mais do estado de direito! Filomeno Vieira Lopes refutando as acusações de Bento Kangamba de que se a oposição ganhar as eleições haverá “caça ao homem”, afirma: -“Isso é uma declaração de guerra contra o próprio povo”. E, é sim senhor!  Este senhor é matumbo sim! Com fotocopia de diplomado só pelo MPLA. Isto assim, não vai lá!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:11
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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