Quarta-feira, 2 de Abril de 2014
CAFUFUTILA . LIV

AS FALAS DO ZECA

 José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona N´zimbos das areias dum rio chamado de Rio Seco e seu mar da Samba, distribuindo kitetas pelos amigos na forma de kazumbi

AIUÉ! SEMPRE AGARRADOS Á MINHA MOAMBA!

Sempre desejoso de a colocar (a moamba) em cima da vossa mesa k kambas da Maianga, fico depois, atrás da porta e na koka matutando bué, caté choro só de imaginar um pouquito cafifado, "será" que gostam, gostarão das minhas falas, desse mambo que são loando no meu, no nosso coração.  Quem conhece o Zeca metido num corpo de quase dois metros de kandengue cheio de romantismo como o Catete sempre voando, ou plim-plau, ambos buscando amor, amizade, companheirismo..., esse alimento que enche o seu papinho pendurado por todos os tenros galhos das mulembeiras espalhadas pelo nosso antigo Bairro da Maianga. 

Edgar Neves Jamais imaginava ao fim de trinta-e-nove anos no putu, estar nesta QUIÓNGA de maravilha, receber a nossa infância de volta cantando-a com todos vós. Estou kiavuluvulu apaixonado por este milongo que me jindunga, me faz estar mais feliz, longe dos meus velhos muros, que aqui vos expresso de muxima na mão, porque muito agradeço de todos o carinho dado, assim metido nos buraquinhos de um coco que bebo, bebo átoa e como se estivesse naquele doce kapiango do Mussulo, mas que Ngana N´Zambi ali plantou só para alguns... Ah! Mas o delirio foi andar no carrinho de rolamentos do kkamba Edgar das Neves, O DIMATEKENU que fez-me pular para cima dos seus ombros, depois descer, descer na berrida e agarrado a ele pela Avenida Lisboa até às MEMÓRIAS DA MAIANGAA que virou KALUNGA pra todo o mundo. Foi ele que muito me incentivou a escrever minhas falas, livremente e sem os mambo de “matumbo” das barrocas.

 Para ele dedico um amor, uma amizade especial de botar no FACE galando a malta porque lá no fundo, em todos há um pula-pula nos muros da vida racional em um qualquer bairro. Ter o Edgar como kamba é ter riqueza sem garimpo de fuca-fuca, porque é dada na hora, de borla e com a Chivrolette de caixa aberta bem carregada de muxima, passando livremente por todos os paus empinados das picadas do putu. Contigo esqueço os mambos da vida e saboreio baleizão de ukamba. Com o Fernando Jaime, tudo, tudo, deixou-me enfeitiçado durante uns tempos, porque o tuje do feitiço não deixava-me dormir, porque obrigava-me a passar o tempo caçando as minhas lembranças sóvoando. Lembranças deixadas na minha mala de MAKAMBIRA, escondida na capoeira do meu quintal. Lá ficaram perdidas no tempo, na poeira, naquele fumo de então, mas comigo estão quase todas  bem guardadas.  

 Eis que com MALEMBELEMBE, o maianguista António Monteiro, naquele seu jeito luandino, da terra poierenta do RiO SECO, com adoráveis falas de kimbanda cheias de rendas de fio de pesca que tão tãobem sabe fazer. Logologo conquistou-me, enfeitiçou-me e botou ainda mais feitiço no soeu cosquilhando meu reco-reco para deambular pelo Rio Seco, nas barrocas do Catambor, da Samba, delirando bebendo o seu MISSOSSO, que é kimbombo doce, que faz zangular os gigler do meu muxima kota Dodje, que cadavez precisa de empurração, caté pra subir a D. ANTÓNIO BARROSO, ali na esquininha da BRACARENSE, pertinho da antiga estação e sinaleiro mais o colégio Moderno que ambos caminhamos numa frigideira que torra kiqwerra muito gostosa, que levamos à boca com falrripos de bangula. Vestidos de boca-de-sino wrangler de cor de rosa da Xabanu, de Fred Perry azul do Quintas, de sapatos mwangolés de biqueira mata barata da Cibele; num seilá-quié-quié, na forma dum sonho sonhado caté nos morro da Samba com nós sóchupar múcua de saudade.

Com a gratidão do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:46
LINK DO POST | COMENTAR | VER COMENTÁRIOS (1) | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 11 de Março de 2014
MAIANGA . III
TAMBULA CONTA: - ZECA  FOI NOS POEIRA

As falas do

 ZÈ SANTOS  . reco-reco

O Senhor dono do Ford V8

Tu, Zeca, surpreendes-me irradiando uma sabedoria e compreensão desconhecidas. Tens a liberdade no coração, na mente e no espírito e, eu vou utilizar tuas malambas, tuas falas para manter  N´zambi nosso Mwata.

 

Tambula: Topei, delirei., sonhei…“UM SONHO ESTRIDULADO… na tua N´janena ”, mas fui apanhado na rusga sem documentos. O tuje do cipaio a mando dos Poeira, levou-me na pildra e a mukanda que tinha para o meu kamba, o mundele chefe tirou…, e disse-me que conhecia um soba com o teu nome na libata de Nambuangongo. Abri o meu Samsung para mostrar os meus documentos, mas o tuje do chefe besugo disse: ”Só te liberto com os Papel na mão, esse mambo dos tecnológicos dos computador é mambo dos filme dos Ovni, num tem a impressão digital tirada nos tinta preto nos covinha t´xipala no BI do Palácio.

Também mostrei o meu cartão de residência da polícia da esquadra da rua Comte Correia da Silva, mas logo berrou, caté os mabuje do peito dele saltaram, dizendo que não era eu, esses mambo há muito caducou quando a bandeira dançou no novo mastro… Eu, bué implorei, até mostrei maço de AC, mas ele recusou dizendo que só fumava CARICOCOS com cheirinho a café Arábica da Gabela ou então DELFIM das baronas m´boas do Bambi, mas só quando estava com makueka. Berrou de novo, mandado-me despir todinho mesmo, para ver se tinha na kubata dos matubas diamba, que topei que catrapiscou para o cipaio porque ambos fumavam e berridavam com umas Cucas e uns pratinhos de jinguba do Álvaro da Maianga …Háka!

en la época colonial como el principal medio de comunicación de ... O sacrista botou lá nos sitio, as mãos para afastar o “capim”, mas tropeçou por querer nas mudanças do meu Ford V8. No final, mandou-me para a esteira cheia de ávilos-de-mil-patas que batukavam à minha chegada. Por isso nada te enviei e juro, sangue de Cristo, que este mambo é verdadeiro k kamba maianguista AM (T’chingange). Desculpa a longa mukanda 1+1, mas é pratinho kitetas com molhinho de jindungo do Mandarim da Ilha de Loanda. ZECA2014022621H25NMK - Fim da conversa de chat.

GUERRA DOS SIPAIOS - HISTORIANETKatyusha' rocket launcher

TEMPO... EM 2 TEMPOS - 2 VELOCIDADES 

Nota do Soba: Pópilas, mazé, este kandengue da Caope trouxe ávilos-de-mil-patas do BO para a Maianga onde viveu como um catete voando, voando pelo capim e agora tá abusar confusão cus poeira chefe-dos-posto. Só tá mesmo me cuspir nas mata de minha vida; se tá vanguardiar das memória que tem o sangue do tempo ; mais tarde bazou da Vila Alice com uma carrinha com tudo empilhado àtoa (dois andares) caté parecia uma canoa; recebeu uma big bazucada, monacaxito dos M via Fla no trigésimo dia em que já lá não estava, ai-iu-ué! Como é monacaxito te ofereceram um barco? Pois… N’Zambi avisou-o para bazar naquele um dia, porque nos vinteenove dias contou bazucadas. Fez mesmo colecção desses monas e juntou-os nas imbambas do tunda-a-mujila. Ambos bazamos sem querer; caté parece que é uma estória de faz-de-conta mas Noé.

Kandandus do Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:53
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014
KWANGIADES . XVI

MAIANGA - KÚKIA AVATAR

Por

Jose Santos.jpg José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco.

 

 

 Estou muito cansado de tanto correr por esse asfalto tantas vezes riscado por mim. Meus pés estão em brasa, choram lembranças que lá estão e, agora são recordadas…, mas eu agorinha, como disse antes, estou lá…nunca sai de lá… Agora escondo as minhas lágrimas na minha kubata. É tarde e o coração manda-me estender a esteira no chão, quero dormir, quero mais sonhar, mas agora, agarrado ao meu amor cheio de missangas, desejamos ter mais momentos de paixão que guardamos para sempre. São nossas e de mais ninguém. Ah! Falta abrir um pouquinho a janela virada para o calmo mar, do lado da chegada da ponte – do ANCORADOURO. Levanto-me e abro só uma frinchinha…, Daqui o vejo lá em baixo a acenar- me e a dizer: -“Anda Zeca, anda para o pé de mim.” - “Vem falar-me dos teus versos que trazes no coração da Maianga que rimam KAMBA com UKAMBA”.

 Ele, aquele grande malandro e convertido namoradeiro de todas as beldades que passam pelo seu soalho, está feliz e está agarrado a uma bela barona que retirou dentro do kapossoka. Na mão tem um prato de garoupas, matonas bem assadinhas na brasa, que foram ali pescadas no mar daquela ilha conhecida por MUSSULU. Vejo O PÔR-DO-SOL trajado de belos panos, amarelo, azul, laranja… que se prepara para dançar o merengue no areal com belas estrelas cintilando paixão pela doce CAMENEMENE. Meus olhos cerram novamente maravilhados pela emoção. ANGOLA é assim, cheia de feitiço, que penetram no corpo para sempre, naqueles que a amam de verdade, dos que saboreiam com prazer de água do BENGO. Da fúria e do ódio que durante muitos anos alimentou o ventre da guerra.

 Também para quem souber perdoar as vidas perdidas, daqueles que estão mergulhadas no choro dentro do seu corpo, que sentem o desejo de procurar conciliar os ódios em amor. Hoje, a vemos livre, decorridos que são quinhentos anos de presença dos Mwene-Puto, mas a senda contínua. Sempre muito desejada, sempre muito explorada no seu corpo fértil, nos seus mamilos cobertos com missangas que choram, porque afinal os homens são todos iguais; em qualquer parte, contemplam uns e outros não – os herdeiros e deserdados. N´gana N´zambi, muito te tirou, também muito te deu, porque o teu coração está lá... E, isso é luz que te ilumina na banga dum zum, zum, zum.

As escolhas de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:10
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014
KWANGIADES . XV

MAIANGA - MOCANDA PARA MEUS KAMBAS ! Na Luua, com gasosa de capim

Por

Jose Santos.jpgJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco, em verdade uma mulola.

Porque a minha impressora deu-lhe o “fanico” queria ter muitas folhas iguais para voarem, assim como ver muitos papagaios merengarem. Naquele Koiilo do Rio Seco da Maianga, do Kimbundu, que fizemos com cola de fuba que lançamos no antigamente. Meu Muxima tem um mapa do antigamente - Loanda; nele tudo está erguido sob o desenho da prancha tropical, tudo percorro de uma ponta a outra com horizonte colonial. Tudo corro, com o feitiço montado numa Honda 3,5 cedida por um patrício da Socar que a encheu com gasosa de capim e visgo de mateba...

 Agora, de volta à Terra, fico quieto e não entendo os homens de hoje, que tudo constroem, desconstroem metidos dentro de mambos ricos, desprezando o que era de ontem. Este é o meu verdadeiro lamento, porque o sinto batukar kiavulu. Estou certo, que as minhas lágrimas, N´gana N´zambi irá apanhar, quiçá botar bom senso nos manos ou então o feitiço terá que actuar… N´ga! Sakidilá!

 Estou muito cansado de tanto correr por esse asfalto tantas vezes riscado por mim. Meus pés estão em brasa, choram lembranças que lá estão e agora são recordadas…, mas eu agorinha, como disse antes, estou lá…nunca saí de lá… É tarde e o coração manda me estender a esteira no chão, quero dormir, quero mais sonhar, mas agora agarrado ao meu amor cheio de missangas, desejamos ter mais momentos de paixão que guardamos para sempre. São nossas e de mais ninguém; afinal os homens são todos iguais em qualquer parte, contemplam-se uns aos outros - herdeiros e deserdeiros.

Kwangiades: - Musas, ninfas ou Kiandas do Kwanza

Escolhas do Soba T´Chingange pós-fabricada com as falas de Zeca



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:52
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014
KWANGIADES . XIV

UNDENGE AMI MU MOAMBA! Versos avulso prensados em texto

Por

Jose Santos.jpg José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco.

Undenge ami mu Moamba! Ngana NZambi, sabe que sou pessoa boa, que na infância, na adolescência e na adulta (parte) sempre se comportou com decência de dia e de noite com o seu semelhante nas terras dos Axiluandas.Também na antiga terra de Navegadores, hoje terra da Troika humilhada a toda a hora, que castiga mais os que vivem na “corda bamba” por uma nomenculatuta que viveu num mar rosas sob o toque da harmónica, iludindo tudo e todos com fa-ciladas, tudo adquirir, conseguir numa boa onda…

 Agora o chão desta terra, sente-se pisado por milhares, galopantemente…, mostrando contestação, porque vêem no dia a dia a sua vida decrescer muito castigada com cortes nos rendimentos, aumento do custo de vida persistente, porque que não vislumbra melhores dias neste país que está a perder graça, desaparecer…Oh! Angola, Loanda, Bengo, Maianga…! Tambula conta! Lelu, não me enrolo em esteiras feitas de maka…, esses mambo que afastam manos, kamba bangando cumbú, delírio na kubata…

Mutu malembelembe, ku abuama bué camuelo o kusala uembu… Oh! Se Ngana NZambi assim O desejar… caminharei para Sekulu com as minhas falas, no colo com o Kimbundu, com o linguajar que são kubata na minha alma, meu lugar de pétalas… Tudo calquei com papel químico… porque a minha impressora deu lhe o “fanico”; queria ter muitas folhas iguais para voarem, assim como ver muitos papagaios merengarem. Naquele Koiilo do Rio Seco da Maianga, do Kimbundu, que fizemos com cola de fuba e lançamos no antigamente.

Água do Bengo: ditado muito antigo, em que se dizia que quem bebe-se a água do seu rio, fica enfeitiçado por Luanda…Angola para sempre; Kwangiades: - Ninfas do Kwamza, musas ou kiandas.

GLOSSÁRIO:Dibanda – fortuna; Kandandu/Ndandu – abraços/o; Kianda – sereia; Kiavulu – muito; Kibabu – afago; Kitují – Outubro; Kisakidilu – agradecimento; Kiximanu ami – minha homenagem; Koiilo – Céu; Kulendukilaku – humilde; Makóiu - bênção; Malembelembe – muito devagar, com cautela; Mazanga –cidade; Mindele-iamala – homens importantes; Mukonda uala Lusangelu – porque é aparentação…; Múkua –fruto do embondeiro; Muenhu – vida; Mundele – branco; Mona – filhos (pequenos); Mutu – pessoa (eu); Mutu malembelembe ku abuama bué camuelo o kusaka uembu – pessoa caminha devagar, com cautela espantando invejosos, o que não é generoso, peneirando concórdia…; Nga! Sakidilá! - Obrigado!; Ngana NZambi – Senhor, Deus; Uakidi - verdadeiro/a; Ukamba - amizade

soba.jpg As ecolhas do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:07
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013
T´XIPALA . XXVII

MOKANDA PARA O ZECA DO RIO SECO

Por

T´Chingange

T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter   

 Refeito nos meus quase sessenta e nove anos de idade, precipito-me para a velhice corada e gorda, espantando deslavadas anemias com dentes postiços escondidos na esquelética anatomia; com alvo riso, desfriso as duas rugas que desde o canto da boca teimam em serpentear queixo abaixo, engordando-me os pomos que não desvanecem antigos créditos de rapazola bem apessoado. O cabelo escasso e sedoso concentra suas farturas por detrás das orelhas e cachaço. As manchas, como cagadelas de moscas salpicam a fronte fazendo um mapa de irreconhecível latitude, dando a este templo a sensação de ali guardar algum louvor, alguma bondade e, até alguma sabedoria na longitude; armazém de algumas ternuras misturadas com alegrias e dolorosas misérias, fábrica de inventações verdadeiras, descabidas ou até ridículas ou vergonhosas.
 Calma que já chego ao ZECA! Ontem, dia de Natal, com jeito de quem não se quer intrometer com a natividade de Jesus, fiz-me ao contento de não falar de coisas que aparentemente não são da minha conta porque nada sou e, nada posso mudar; banhei-me em várias águas, areei os dentes, meus e adquiridos, até os tornar bem limpos. Perfumei-me dos pés à cabeça, escanhoei minha barba com esmero, bruni as unhas aparando-as dos fungos cortiçosos, vesti-me por completo em nova roupa e, vi no entretanto da feitura do bolo rei a mensagem de natal do Zeca; Carregado de tabaibos encheu a minha kinda de muximas da quiónga. Aperaltado, lá pelas oito da noite risonho e cheiroso, apresentei-me na cubata de meus amigos, preocupado por não dar na hora a resposta correcta ao meu kamba do Rio-Seco.
 No meio e nos entretantos da consoada de ontem e, no todo do tempo empulgado, gotejei as palavras de ZECA, malambas ximbicadas com kisola que, no repentemente, só tive tempo de ler. ZECA, impregnado de cazumbi da Maianga, chupando múkua nas securas do Rio-Seco, borrifou palavras de enternecer-me. Promovendo bitacaias a tartarugas, até as alforriou dos apurados suores colónias dizendo: ”A tua presença enriquece-nos não só pela kinda cheia de estórias, por uma saudade que katinga no teu muxima koka”. Nesta revolução de ferir o espírito, apresentei-me com risonha timidez ao meu pretensioso espelho e vi, não a minha t´xipala mas a do ZECA Maianguista, dançando kuduro num lugar alugado da Tia Matilde. Já chegado a casa, um sítio de coqueiros zunidos a espanta espíritos, eu e ele, recebemos a bênção makóiu do Papa Francisco Via TV.
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:09
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2013
KWANGIADES . XII

UNDENGE AMI MU MOAMBA! Versos avulso prensados em texto

Por 

José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco.

NGANA NZAMBI!  NGA! SAKIRILÁ!  

Desse tempo colonial – kisakidilu, jamais esquecerei a minha matriz, o que com ela ali vivi num tempo maravilhoso e abençoado como não há outro igual, kiximanu ami. Por muito que a minha vida naquele kitují, tenha berridando kiavulu do carro do fumo, tenha voado no koiilo num tempo perdida, tenha desembarcado no granito do putu. No solo do mundele conquistador lusitano, logo marcado pela palavra degradante, depois rodeado de desilusões no lugar estranho, feito de sacrifícios, de busca incessante… Reerguendo loando a loando a kubata do muenhu que muito demourou a trazer algumas compensações…, jamais serei ingrato em esconder que sentia Kibabu de facto naquela vivência angolana desse tempo colonial.


Afinal, foi igual à de muitas famílias ali reunidas, constituídas, criando os seus mona, com dificuldades, com cuidados extremos ou não, mas, tudo feito numa moamba de uakidi paixão…  A minha tristeza vai para muitos, que esqueceram bem ao longe na diáspora ou não, o tempo na Mazanga andando com o baleizão na mão…, pois muitos esqueceram o dimatekenu ê…, um principio mal vestidos e famintos… Já são trinta e oito anos de ausência, mas continuo igual e a divulgar a minha paixão, que é retirada sem maldade, o muxima kulendukilaku ami, com muita alegria, com sentimento e sem maledicência…

Para muitos, a palavra saudade, perdida no ar, voava/voa num colo de uma grande tristeza, sem rumo de recuperação…, hoje é amarga certeza, porque lá, jamais imaginamos envelhecer neste lugar… Estar/estarmos longe do lugar de infância,  da mocidade…,do trabalho que já trilhava na Mazanga…, sentir no rosto dos kotas a perda da sua vida tão desfeita, para muitos funcionava, funciona ainda como um travão, que é doloroso sentir estar/amos afastados dessa vivência… Como foi o nosso caso nesse “êxodo” de má recordação em que todos fomos afastados por aquele safanão dado pelo carro do fumo, que despejou veneno no chão, que intoxicou-nos , encurralou de medo o nosso coração…

(Continua…)

 

GLOSSÁRIO:
Dibanda – fortuna; Dimatekenu – início, começo…; Kandandu/Ndandu – abraços/o; Kianda – sereia; Kiavulu – muito; Kibabu – afago; Kitují – Outubro; Kisakidilu – agradecimento; Kiximanu ami – minha homenagem; Koiilo – Céu; Kulendukilaku – humilde; Makóiu - bênção; Malembelembe – muito devagar, com cautela; Mazanga –cidade; Mindele-iamala – homens importantes; Mukonda uala Lusangelu – porque é aparentação…; Múkua –fruto do embondeiro; Muenhu – vida; Mundele – branco; Mona – filhos (pequenos); Mutu – pessoa (eu); Mutu malembelembe ku abuama bué camuelo o kusaka uembu – pessoa caminha devagar, com cautela espantando invejosos, o que não é generoso, peneirando concórdia…; Nga! Sakirilá! - Obrigado!; Ngana, NZambi – Senhor, Deus; Uakidi - verdadeiro/a; Ukamba - amizade


soba.jpg As ecolhas do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:17
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 17 de Novembro de 2013
KWANGIADES . XI

MEUS BUZIOS FALARAM Versos avulso prensados em texto

Por

Jose SantosJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum rio chamado Rio Seco.

 Aiué! Temos que todos fazer o nosso LIVRO, porque as nossas estórias são verdadeiras… Não são ficção feitas com tinta de trepadeiras, que aparecem nas prateleiras com folhas de zimbro… É fumaça dos (cigarros) negritas desse tempo das rebitas de quintal, das garinas cheirando a goiaba, que a malta muito sonhava namorar na esquindiva, no beijinho uuaba!Muxima ami! Já não tem n´guzu bué, para suster tanto choro kiavuluvulu jhienda, lelu faz esteiras de capim retirado do Rio Seco sekulu, ali bem perto da Chilena, da Cacimba…, terras da Mayanga onde todos berridamos sem ais…, mastigamos paracuca cheios de banga pifada ou comprada com makutas na mercearia do kota Morais,  tão cheirosa de fuba, Cucas…

 

 Estou voando no antigamente na capanga do cazumbi. Pareço um tenrinho mbambi…, Temendo o destino, o golpe da catana, dado friamente, depois…, jamais pulará na anhara. Nisto, ele solta-me no Koiilo… Desço na berrida como ngonga mirando no chão a sua presa, um esquilo. Caio de mataco no terraço do prédio mais alto do LARGO DA MAIANGA, ali deixado, inacabado, sem banga… Daqui olho para o teu lugar de antigamente tão florido e cheio de vida – jingânda… Lugar de todos os encontros, kubeza, kuuaba gente.
 
Foto: SINALEIRODO LARGO DA MAIANGAEstou voando no antigamentena capanga do Cazumbi.Pareço um tenrinho mbambi…,Temendo o destino, o golpe da catana, dado friamente,depois…, jamais pulará na anhara.Nisto, Ele solta-me no Koiilo…Desço na berrida como Ngongamirando no chão a sua presa, um esquiloCaio de mataco no terraço do prédio mais altodo  LARGO DA MAIANGA, ali deixado, inacabado, sem banga…Daqui olho para o teu lugar de antigamentetão florido e cheio de vida – jingânda…Lugar de todos os encontros, kubeza, kuuaba gente.Recordo o teu corpo africano brilhar,naquela roupa branca que parecias um anjo…A tua xipala uuabuama impenetrável no dever,Naquele merengue riscado no pequeno círculo - Peanha com as tuas luvas brancas sempre com rikânda-ria-ngómbe Kiavuluvulu que tinha o feitiço bué kuhúnda.  Ah! SINALEIRO! Como gostava do tempo da quifufutila,do antigamente daquele transito onde tu fazias arte com sinais…Muitos paravam aboamados com kitonda, outros tupiando ais, ais…Invejavam a tua arte, que era sinfonia feita de dicanza,porque tu foste no meio de todos eras o verdadeiro maestro…Foste como uma bué calema gingando na Barra do Kuanza…De todos os Sinaleiros da cidade de São Paulo de Loanda,que Nzambi criou, o mais belo foi o teu no Largo da Maianga,porque era lugar sagrado do POÇO DA MAYANGA DO REI.Tambula conta! Mutu usela o kidi kié! No antigamente, no tempo colonial a tua arte, era feita pelas tuas mãos “brancas”que desenhavam cuidados, obediência em todas a direcções…Ah! Como eras competente para julgar, castigar camondongos, calcinhas, fangios…, os que não respeitavam a via conduzindo o Gordini, 2CV, TT, Giulia, Saab 96, kapitan, Datsun 3A, Fiat 600, Capri,SL, Spider, a Honda 3,5, Suzuki, Saches V5, Zundapp, Floretti…Todos na banga do zum, zum, zum, vindos dos quatro lados,mas logo ouviam o pripriii, pripriii que os obrigava a parar….Muitos obedeciam, paravam e tu também paravas para actuardeixando tudo e todos na kanuvanza de buzinadelas.Muitos eram insubordinados no malembe, pouco acatavam,mas tu sabias interpretar, exercer as tuas competências…Muitos ficavam perfilhados, outros vociferando má-criadice.Do alto deste terraço inacabado desta gigantesca kutata sinto que estamos há muito separados! A minha memória iluminaesse Largo antigo da Maianga, com malamba mami…,Haka! Mas, eu vejo te à minha frente, kiri muene!Como eras tão autóctone, africano e realNaquela farda branca com o teu chapéu inconfundível,com as tuas botas ligadas ás polainas brancas.Oh! Tu com os teus calções largos e brancos como o OMO,que funcionavam como Baleizão, como ar condicionadonaqueles dias de tórrido calor tropical, como gema de ovo.Mas tu não arredavas o teu pé sempre firme no dever,que cumprias e fazias com extremo rigor tão enfeitiçado,enquanto o teu corpo fritava na frigideira com dendê… No tempo da chuva parecias um anjo encolhidonas suas asas brancas no kintombo bué kilupuno meio da peanha do LARGO DA MAIANGA.No tempo do cacimbo, do bué quihumboparecias um soldadinho de chumbono seu posto, não tremendo, antes orientando…. Nas horas de ponta – na paragem para o almoçotu eras balsamo porque temperavas as pressas…, as berridas que fazia desde os Restauradores até à Travessa.Por vezes o nosso Maximbas - 3, o Barriga de Jingubapartia da Mutamba muito cheio, derreando, bufando fuba…Eu na passada, ou na berrida, chegava primeiro…Às vezes na Serpa Pinto, na D António Barroso…, batia o pato. Corajosamente botava o pé no estreito estribo,porque angolares, bilhete malé, dinovo saltava…em perigo…Kamba SINALEIRO anda comigo até à Bracarense.Anda comigo no Ká fua diá mene-mene e sem stress,porque quero kuzuela os mambo do muenhu, mutu etu.Oh! Quero te falar, jihenda kiavuluvulu ami e que recebi mutaku da uuabuama Vata da Maianga, que dizia assim:” Zeca! Tuoloietu!Pega na vida do patrício Sinaleiro do Largo da Maianga.”“Faz Dixisa com as tuas falas, faz desenhos desse angolano, desse patrício Sinaleiro que foi tão útil, está esquecidonas barrocas do tempo, porque quero homenagear na Vata,“Quero pendurar a tua Dixisa no loando na minha kubata,para que todo mundo saiba que existiu este búe angolano,num tempo colonial cujas mãos brancas protegiam, faziam milagres…”Como topas, com este agrado da Vata, k kamba Sinaleiro, o meu muxima beijou Nzambi e virou selha cheia com masóxi.Assim, fiquei na minha kubata quietinho, feliz como sagui no kixaxi. Ai ué, Mam’ééé! Bué saltei, bué Kouelenu…Logo, logo corri até ao fogareiro da D Maria para encomendar calulu,para todos os k kamba maianguistas…, “ixietu”.……GLOSSÁRIOAnhara - planícieCalema – ondas agitadas do marCapanga – agarrado pelo pescoçoCazumbi, alma, espiritosDendê – dendém – fruto da palmeiraEtu – nosso (prom poss)Haka! - credo!Ká fua diá mene-mene – café da manhãKanuvuanza - confusãoKuuaba – pessoa bela….Kuiavuluvulu muito, muito…Kilupu - ventaniaKitonda - aplausosKitombo – Abril (grandes chuvas)Kiri muene! mesmo verdade!Kixaxi - palhaKoiilo – céuKouelenu – aplaudi…Kubeza - adoraçãoKuhúnda – dar pareceres, julgar, opinarJihenda – saudades…Jingânda – bons costumesMbambi – pequena gazelaMalamba mami – os mesmos amigosMalembe – andar devagar….Masóxi – lágrimasMataco - raboMuenhu - vidaMutaku - chamadaMutu – pessoa, gente…Mutu usela o kidi kié – pessoa diz verdade….Ngonga – águiaQuifufutila – farinha de mandioca torrada com açucar.Quihunbo – grande cacimboRicanda-ria-ngómbe – passos de dançaTambula conta – toma notaTuoloietu! Estamos juntos….Tupiar - escarnecerUuabuama - maravilhosoxuxuar – através dos dentes mostrar desprezoKuzuela - falarKANDANDU, ZECA 2013100312h58MURODORS Sinaleiro da Mayanga, recordo o teu corpo africano brilhar, naquela roupa branca que parecias um anjo… A tua xipala uuabuama impenetrável no dever, naquele merengue riscado no pequeno círculo - Peanha  com as tuas luvas brancas sempre com rikânda-ria-ngómbe Kiavuluvulu que tinha o feitiço bué kuhúnda. Ah! SINALEIRO! Como gostava do tempo da quifufutila, do antigamente daquele transito onde tu fazias arte com sinais… Muitos paravam aboamados com kitonda, outros tupiando ais, ais… Invejavam a tua arte, que era sinfonia feita de dicanza, porque tu foste no meio de todos eras o verdadeiro maestro… Foste como uma bué calema gingando na Barra do Kuanza…

(Continua…)

soba.jpg As escolhas do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 19 de Outubro de 2013
KWANGIADES . VIII

MEUS BUZIOS FALARAM Mokanda de Um Kota especial!2ª de 2 Partes

Por

José Santos Jose SantosImpregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum rio chamado Rio Seco.

O nosso mambo, ninguém pode ouvir, caté ele e temos de falar noutra língua… sugeria OSHIVAMBO. Esse matumbo diz-me que todos os mundele tem feitiço, tudo cobiça, num têm muxima como os nosso feito de capim e de cangoenha de pitanga. Mais diz, assim: - “Meu Rei tambulaconta na tua koka, cada vez te vão dar bassula, botar ferro, mandar no POEIRA, botar na pildra e teu botinho cabelo de araminho malé, fica assim como terracinho gostoso como dos jogadores dos futebolé. Fiquei enervado e logo botei caneca de maluve para amansar a minha onça. Agora, te digo, escapou apanhar umas galhetas e apenas lhe ordenei: -

 Masila Mayanga

“Estátua! Claro que ficou em sentido! Ficou a tremer como bambu kandengue e se mijou todo!” Logologo ameacei-o com o rabo do hoji na mão e disse: - “Cala essa boca de kissonde velho. O ZECA é kamba muxina igual ao nosso, num tem esses mambo do descriminação nos bolsos na koka dos calção de caqui. Ele uso os nossos panos, come a nossa comida, respeita as quilumba, menina ou velhinha, zuela kimbundu, chora pela Mayanga… Agora também quero conhecer essse muadiê AM kamba do Zeca que tem nome muito bonitinho, T’CHINGANGUE. Meus buzio diz que ai tem chinezinho de Beiijng T´Chin?”

Foto: UNDENGE AMI MU MOAMBA PARTE IV – TEMO MORRER DE SAUDADE… Tusakidila Nzambi! Aiué! Muenhu uami’ê ai!Aiué! Ngala ni Jihenda, kiavuluvulu mu muxima ami!Talenu! Jihenda pala kutuku mu Itulu!São tantas, que temo morrer de verdade…Muxima kota, já não dá bué pulinhos Kuafulu,agora, suspira quietinho o tempo da mocidade…Auá! Ainda há pouco julgava-se kandengue, como se fosse um bonitinho Mbambi!Malu ami! MAIANGA bazou inana mu merengue!Zeca, ki muzangala ê o kuuaba mukini!!Oh! Uuabuama Ngana Nzambi!Diz-me, o que é feito do meu quintal,da minha mala do makambira…, afinalcheia de Undenge ami desse tempo kiavulu kimi… Desse tempo dos angolares…, colonial,Diz-me onde está o meu pombal cheio de amor voando no ar, o meu jacó Topariove que adorava o Hernani - o genial,o meu sagui Miki que imitava o Cantinflas a andar,As Lagoas nas barrocas da Travessa de João Seca, feitas pela bué Jimvula de Março, Abril, cheias de sapinhoscatando com a dicanza o amor de cristal… aos saltinhos.Oh! Como kandengue delirava ver as coxinhas fazerem panqueca…Xénhe! Mostra nos o nosso Portão, Kiuéie etu,assento, cordão de falas, de boa amizade de jovenssonhadores do tempo do N’gola…, Beatles com o seu ié,ié…,Elas baronas, belas acácias descobrindo o cheiro, as petálas… Eles esbeltos, exibindo barbichas, bangando Nsambu bué….   Ah! Como tanto sonhavam no colchão de espiga…,embrulhados no cheiroso e belo lençol da Textang, deambulando pelas ruas…,luandinas, maianguistas bué Uanga,tão agarradinhos na massemba que deixava, bué katinga…A nossa geração foi “obediente” e platónica..., pouco “instruída”, mas muito, muito responsável, porque no idílio, para o amor, muito pedia, tinha prova oral,porque o primor e o respeito tinham selo de moral…Ah! Moral! Cujos passos, avanços, Maxikululu,mãozinha dada, beijinhos…, tinham à sua frente o finca-pé…  Ao contrário desta “desobediente”, psicadélica, que bate-pé…,mais “instruída”, mas muito, muito irresponsável pra Atu.Sim! Porque esta, tudo rompe sem pestanejar,com os olhos fixos no fundo da gruta, caverna…,num marimbar para os danos, fruto desta era moderna cheia de campos de festa para explodir o Woodstock avatar…,Onde a sua liberdade muito se consola até fartar,onde o “Esplendor na Relva” abriu as asas, fecha os olhose os papás ali estão para tudo e numa toada serenatudo consertarem, cabisbaixos, sem briga, restolhos...Undenge ami mu Moamba!Aiué! Carro do Fumo bufou “Mon’a’xi” pala Kaxaxi!Caté o misoso do macota kamba Zacarias ami,metido numa cabaça feita com cascas de mabanga…,Escrito com suas falas, lágrimas de Kuxixima,que plantei no meu quintal de kandengue. Muetxiele!  Kutulu uala, pala ku paka mu muxima,ua uala ni itulu mu henda, kua mutu kejiê, bué merengue… Ah! Mas aquele Sol oirado, a Lua de Prata,que caia no meu quintal da Travessa J Seca da Maiangaestão comigo e iluminam a minha inspiração, é missanganeste putu de desilusão que merece bassula, dizer basta…Todos os bairros da cidade de S Paulo de Loanda,sejam os de terra, poeira ou de alcatrão…,por todos, muitos, muitos anos namorei, deambulei…,mas o da  MAIANGA foi o que mais pisei, mais amei…É sentimento misturado com bombó, não por ter lá vivido parte da minha vida, mas porque era especial, muito unido,hospitaleiro no trato, bairrista no “rapto” dos kapianguistas das nossas miúdas, que logo a maka buzinava, o kuata-kuatafisgava galheta, inspecção, recruta, juramento e pré.Oh! De todas as festas do SPORTING CLUBE DA MAIANGA,que enchiam de alegria aquele recinto recreativo e inesquecível chão o maior delírio uuabuama, era o da festa do múkua henda São João, o santo mais amado pela sua festa popular cheia de encantamento, Com os ranchos todos vestidos a rigor, bué banga…,calçando socos, alinhados no palco de soalho que muito jingavabebia katinga do VIRA, pra a alegria dos kotas que lambiam saudadee os Miekeleke pulavam, pulavam Uembu Kimuua da comunidade.Ah!  Mas a do Fim de Ano fazia estremecer a estrutura do tecto,porque também dançava o merengue com o feitiço da massemba no chãoagarrado às chapas de zinco sempre pronto para batukar com o pernãosob o calor do N’Gola Ritmos – muxima, da voz do Elias – zom zom…A muzangala não descansava na sua vez, com o yé yé da F. Hardy,Massiel, S. Vartan, com o Rock and Roll do Bill Haley – Rock Around The Clock, Shake, Rattle and Rock…com o Chuck Berry – Johnny B Good, com o Elvis – Blue Suede Shoes, com rebita paka,com a Kúkia madrugar, com do Elias – Zé Salambinga, Águias Reais – Bazooka… Para os Kota estilarem todos bangões, agarradinhos às damas mostrando as suas habilidades para os kamba sentados nas mesas comendo churrasco…, bebendo finos da Cuca, Nocal…, tinham surpresas,tinham discos para riscarem no cafuso do seu salalé, com Tango, PassoDoble,Raspa, Valsa, Bossa Nova…no estouro do novo ano com as passas, desejos… AMAM’ÉÉÉ! TEMO MORRER DE SAUDADE!Recordar o seu bairrismo, é candeiro a petróleo do Morais,cuja rodinha mais ilumina a minha kubata bué retratos, claridade…,que  passou de geração em geração, dessa Mayanga antigae desses guardiães Maukumbu que já não existem mais…mais…Feita de convivência que mais crescia, mais o Rio Seco uakala Ngiji Lumuenudesse sekulu território sagrado – POÇO DA MAYANGA DO REIque abraçava os “patricicios” do Prenda, Catambor, Samba…, sua greicom todos juntos à volta da cacimba bebendo, saudando…, com kutululukaLelu, arrasto um tempo que é presente dessa Loanda que batuka,metido nesta terra que sobrevive neste tempo de grosso sarilho pra Atu,metido numa moamba azeda de maldade, de hipocrisia, de curibotice,  de alembamentos, de beija mão, porque não tem saída, Ku mesu! Continua…KIAMI KANDANDU, KIA MUXIMA KAMBA, ZECA 2013101618h44NMK na minha kubataGLOSSÁRIO:   Tusakidila Nzambi! -                    Louvado seja deus!Aiué! Muenhu uami’ê ai! -              Ai de mim! A minha vida!Aiué! Ngala ni Jihenda,                Ai de mim! Tenho saudadeskiavuluvulu mu muxima ami! –          muitas, muitas no meu coração!                                                         Oh!  Uuabuama Ngana NZambi!                  -      Oh! Maravilhoso SENHOR! Talenu! Jihenda pala kutuku mu itulu             -      Vejam! Saudades para louvar no jardim!Malu ami! Maianga, bazou inana mu merengue!    -    Ai de mim! Maianga, fugiram as pernas de merengue!Zeca, ki muzangala ê o kuuaba mukini!            -     Zeca, não é o belo jovem bailarino!Muetxiele! Kululu ala, pala ku paka mu muxima,             -  Deixa-lo! Flores são, para plantar no coração,ua ualini itulu mu henda, kua mutu kiejiê, bué merengue…  que tem jardim de saudade, para quem não sabe,                                                                  muito doce….…mais o RIO SECO akala Ngiji Lumuenu….         –     mais o RIO SECO era Rio Espelho….Amam’ééé! – Oh! Minha mãe!Auá - carambaAtu – pessoas, gentesBassula – rasteira, empurrãoBombó – farinha de mandioca, fubaCuributice (ku dibota) – palrar, dizer mal Hernâni – antigo jogdor do FCPortoItulu - jardimJihenda/henda – saudades/saudadeJimvula – chuvas Kandengue – miúdo, rapazitoKatambor – um dos bairros(musseque) de Loanda situado na zona da Av Lisboa.Kiavulu kimi – muito queridoKapiango – roubo, retiar…Katingando – transpiração corporal…Kaxixi – para foraKiuéie etu – nosso adoradoKota – pessoa mais velha…Kuafulu - gostosoKuata, kuata – agarra, apanha, segura, pega…Ku mesu! – para futuro!Kitulu - floresKutuku - louvarKutululuka - humildadeKuxixima - louvarLelu – hoje…Mbambi – antílope pequeno.Mabanga – marisco, espécie de ostra.Macota – pessoa muita idosaMayanga, Maianga – bairro de Loanda e prox da baixa. Maukumbu - orgulhososMassemba – dança, ritmo sensual do corpo sentido e produzido pelo par…Matumbo – individuo buçal, de gestos grosseiros, selvagem, ignorante…Merengue – ritmo de dança, muito animadoMerengue – bolo feito de claras de ovo batidas com açucar e que contém recheio.Miekeleke -garotinhosMisoso – estórias muito antigasMon’a’xi! – filho da terra!Múkua henda – generoso Munzangala – mocidade, rapaz, adolescenteMuanha - SolMuxima - coraçãoMaxikululu - olharesMuenhnu - vidaNsambu bué – muito ritualNgana N Zambi – Senhor, DeusPatricio – termo designando o angolano negro.Prenda – Bairro situado (prox Maianga) na zona da Av Lisboa (Aeroporto)Samba – Bairro situado (visinho) a sul com o esplendoro mar e seus pescadoresSekulo – pessoa muito idosa, antigoTalenu! Vejam!Uuabuama - maravihosoUanga - feitiçoUembu kimuua - tranquilidadeUndenge – infânciaUndenge ami mu moamba! – minha infância de moamba!Undenge etu – nossa infânciaXénhe! – Oh! Vós! KIAMI KANDANDU, KIA MUXIMA KAMBA, ZECA 2013101618h44NMK na minha kubata Obrigado por merecer a tua atenção kamba do Rio Seco da Maianga. Fico muito grato. Até nisso somos parecidos, porque partilhamos na QUIÓNGA essa atenção de boa amizade, porque são ventos muitos desejados nesta “selva” que nunca conheceu a verdadeira comunicação, amizade daquela SELVA, que num tempo tantas vezes dita no Paço, que leões e pessoas caminhavam de braço dado pelas ruas de Loanda. A memória guarda, a memória não esquece, como num tempo foi tão maltratada. Hoje os tempos são de beija-mão de muitos que voam e que aqui outrora muito se coçavam, se era por causa da flor do Congo ou do kissonde das mil patas, não sei, mas que se coçavam, sim é verdade, porque o gesto da mão aflita parava no portão, praguejando maldição.

Kandandu, do ZECA

Kwangiades: musas ou ninfas do Kwanza, As Kiandas do rio da integração Angolana.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:15
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 13 de Outubro de 2013
MUXIMA . XXXV

ANGOLA  - LUANDA O abastecimento de água potável a Luanda . 2ª de 3 Partes

As escolhas de

 KIMBOLAGOA

 

Por: Manuel da Costa Lobo Cardoso -Edição do Museu de Angola de 1950

: Cacimba da Mayanga

Sob a égide do Engenheiro Ângelo de Sárrea Prado, foi planeada a constituição de uma companhia por acções, a fim de abastecer a cidade com água do rio Bengo, tendo sido, para o efeito, convidados os habitantes de Luanda a subscreverem-se com as quantias que entendessem, por não estar ainda fixado o valor de cada acção. Esta companhia não se chegou a formar, - os subscritores de Angola conseguiram ainda inscrever-se com importâncias que atingiram 55.150$000 (Boletim Oficial n.º 8, de 29/2/1869),- pelo que a concessão que lhe fora outorgada, em 1874, foi declarada sem efeito, em 1885 (Boletim Oficial n.º 6, de 8/2/1886). O referido Engenheiro Sárrea Prado, fez, no entanto, um curioso reconhecimento do rio Bengo e estudo dos vários aspectos ligados ao assunto, como consta do relatório que elaborou e vem inserto no Suplemento ao n.º 2 do Boletim Oficial de 13 de Janeiro de 1869.

.

  Várias outras empresas surgiram posteriormente, requerendo a respectiva concessão, mas sem que fossem atendidas. O próprio Governo da Colónia, em 1877, e a Câmara, em 1880, no intuito de apressarem a solução do problema, solicitaram do Ministro do Ultramar autorização para levantarem empréstimos de 900 e 500 contos respectivamente, destinados às obras de canalização da água do rio Bengo para Luanda. Sob diferentes pretextos, estes pedidos não foram, porém, considerados tendo resultado improfícuos todos os empreendimentos que se tentaram, com razão podia, em Fevereiro de 1886, o Ministro Pinheiro Chagas, afirmar: «... Luanda continua hoje a morrer à sede entre dois rios, cujas águas podiam há muito correr a jorros nas ruas da capital da província...».

 

  De facto, nessa altura o abastecimento de água potável à população de Luanda, era feito, como trezentos anos atrás, pêlos chamados Poços da Maianga, conjuntamente com a água trazida do Bengo em pipas, transportadas por barcos. A situação apresentava-se de tal forma angustiosa, pois com o aumento da população da cidade, a água ia-se tornando insuficiente, subindo, por vezes, a preços tão exorbitantes que, no seu relatório, de 2 de Janeiro de1886, aCâmara, chegou ao ponto de propor a seguinte solução: «... Finalmente, porque a calçada a construir (que partiria do Bungo) vai entroncar no aqueduto da estrada do Cacuaco, fixando o mesmo aqueduto, para obrigar as águas pluviais, que, pelo declive, vem hoje para o Bungo a passarem todas para a lagoa de Quinaxixi, a qual, em anos de chuva, receberá água para alimentar a cidade toda para mais de um ano, depois de limpa e rodeada com um pequeno muro...».

Opção do

soba.jpg Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:24
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 10 de Outubro de 2013
N´NHAKA . XIV

ANGOLA S. Paulo de Loanda . VII

Por

  KIMBO LAGOA         

S. Paulo de Loanda recebeu foral de cidade em 1605, quando se constituiu a primeira vereação municipal. A escolha deste local deve-se fundamentalmente ao porto natural por estar situado em uma baia protegida por uma ilha, ideal para uma navegação segura. O morro aonde se construiu a Fortaleza de S. Miguel apresentava nesse então uma óptima condição para defender toda a baia com seus canhões; as encostas agrestes deste morro dificultavam qualquer investida por terra. Um outro factor de escolha foi o de não muito longe existir água potável a fim de se poder abastecer as naus que ali aportavam, bem como as guarnições militares situadas na fortaleza ou bivacadas na parte alta da cidade aonde pouco a pouco foram surgindo os primeiros edifícios administrativos.

 A fonte de água potável ficava no lugar de Manhanga na margem da pequena lagoa dos elefantes; com o decorrer do tempo a lagoa foi ficando assoreada por areias do morro mas, o poço subsistiu até os dias de hoje com o nome de Cacimba da Maianga ou Mayanga que nesse então era designado de poço do rei pela sua importância. O termo “Loanda” também é referido para designar esteira e tributo. A esteira era e é um tipo de canas ou folhas resistentes de coqueiro ou palmeira formando um tapete aonde os pescadores da ilha se deitavam ou sentavam para seus convívios ou fazer refeição. O tributo é referido aos n´zimbos e caurins, conchas que significavam dinheiro apanhadas naquela ilha das cabras pelos axiluandas, nome dado em Kimbundo aos lançadores de redes. Estes pescadores eram também apanhadores de conchas obedecendo às ordens dos reis de N´dongo N´gola Kiluanji Kiassamba

Luanda antiga - coqueiros (junto Baleizão)

Com a reconquista de Angola e a expulsão dos Holandeses, os chamados Mafulos, no ano de 1648 pela esquadra Luso-brasileira comandada por Salvador Correia de Sá e Benevides, o nome da cidade foi mudado para S. Paulo de Assunção de Loanda em memória de Nossa Senhora do mesmo nome a 15 de Agosto de 1648; esta data passou a ser dia feriado municipal sobre o domínio Português. Só em Abril de 1927 é que Loanda passou a se designar de Luanda por sugestão do historiador Padre Ruela Pombo e demais elite intelectual da altura. Durante centenas de anos Luanda foi somente um aglomerado de casas chamando-se aos sítios nomes que caíram em desuso. Existia o lugar da Kipaka, aonde se veio a construir a estação ferroviária junto ao Bungo e Caponta (porto de mar); A Nazaré aonde se encontra a capela do mesmo nome, Mutamba, Kafaco, Mazuica, Katomba, Maculusso, Ingombotas, Katari, Quitanda, Coqueiros, Misericórdia, Maianga e Samba   

N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios e em zona plana e húmida, horta; Luua: - Diminutivo de Luanda

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:04
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 8 de Outubro de 2013
MUXIMA . XXXIV

ANGOLA - LUANDA O abastecimento de água potável a Luanda . 1ª de 3 Partes

As escolhas de

    Kimbo Lagoa     

Por: Manuel da Costa Lobo Cardoso -Edição do Museu de Angola de 1950

 Desde o início da ocupação que o abastecimento de água a Luanda, - «a quem a Natureza denegou Fontes a athé poços de água doce e saudável» - tem sido considerado a «causa da cidade. As referências que a este respeito, no decorrer dos séculos, encontramos sobre a capital de Angola, proclamam, dum modo geral, as suas precárias condições de salubridade, atribuindo-se à falta de elemento tão necessário à vida, como é a água, a dificuldade com que sempre deparou para se tornar um centro urbano importante. Por mais de uma vez, para ocorrer a esta necessidade, foram tentados empreendimentos, que ficaram, na sua maioria, sem resultado.

Existente nos subúrbios de Luanda e que durante séculos abastecendo de água potável as classes pobres de Luanda. Os primeiros datam de 1645, do tempo dos holandeses, no curto período da invasão, ao pretenderem trazer à cidade as águas do Cuanza, através dum canal que projectaram e que parece viria desembocar a mais de uma légua de Luanda. Posteriormente, ao Governador Tristão da Cunha, é recomendado pelo Governo, no regimento que lhe deu em 10 de Abril de 1666, que - «velasse pelo concerto e reparo da lagoa dos Elefantes (onde se encontram os «Poços da Maianga»), como quem sabia o muito que importava ao abastecimento da população».

 Mais tarde, em 1753, o Governador D. António Álvares da Cunha, Conde da Cunha, estuda, pessoalmente, o problema da canalização das águas do Bengo e Cuanza. Por sua vez, D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho nas cisternas do Penedo, S. Miguel e do Terreiro,- «deixa evidente a prova de que não teve em menos conta a grande necessidade de Luanda». Em 1813, o Governador José de Oliveira Barbosa, aproveitando as - «supostas aptidões do degredado político José da Cunha e Sousa Alcoforado, encarrega-o do estudo e imediato seguimento da construção de um canal de Calumbo a Luanda». Goradas, quase sempre, todas estas iniciativas em que os poderes públicos se empenharam, somente em 1865 é que o estudo da questão renasceu.

Opção do

soba.jpg Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:50
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 24 de Julho de 2013
N´NHAKA . XIII

ANGOLA - POSTAL DA LUUA. VI

Por

  KIMBO LAGOA             

   O atendimento às crianças em idade de frequentar centros infantis em Angola está “muito aquém” das reais necessidades do país, que precisa de mais 53 mil instituições e 795 mil técnicos, segundo um documento governamental. Angola se não aumentar o investimento em programas de protecção social, na igualdade de género e programas de mudança climática, na saúde, na educação, na agricultura e água, saneamento e higiene, dificilmente atingirá as metas de desenvolvimento sustentável a partir de 2015. Em Angola, entre 2008 e 2013, 40% do seu gasto extra foi financiado por empréstimos, muito caros, usando fora do orçamento iniciativas de financiamento privado para infra-estrutura, e títulos comerciais internos e externos.

 O crescimento económico por si só, sem espalhar os benefícios uniformemente pela sociedade pode aumentar a desigualdade e ferir a coesão social. Angola está enfeudada numa sociedade consumista e aquisitiva aonde “o ter vale mais que o ser”; haverá que mostrar aos mais jovens que sem dinheiro não se pode adquirir bens materiais mas, sem educação, não se conhecerá o verdadeiro valor do ser humano. Uma sociedade só será sustentável se, se reconhecer que sem sabedoria e conhecimento, não haverá avanço. É forçoso pôr termo à discriminação, à falta de respeito pelo outros, a falta de solidariedade e acabar de vez com a exclusão social e a pobreza. Angola tem actualmente 498 instituições de atendimento à primeira infância em funcionamento, sendo 164 centros infantis, dos quais 67 estatais, que atendem 16.750 crianças, e 97 centros privados, frequentados por 23.970 crianças, bem como 334 centros infantis comunitários, para 62.297 crianças.

 No total, são atendidas 103.017 crianças, quando em Angola se estima que este ano exista cerca de 3,5 milhões de crianças dos zero aos cinco anos, representando cerca de 16,5 por cento do total da população total estimada em 21,2 milhões de pessoas. Entretanto, Luanda regressa ao topo da lista como sendo a cidade mais cara do mundo. Segundo um estudo da consultora Mercer que abrange 214 cidades em cinco continentes sobre o custo de vida, dão-se exemplos: Uma refeição de hambúrguer que custa em média quatro euros em Lisboa, custa mais do dobro (10,08 euros) em Caracas na Venezuela, e em Luanda sobe para 15,00 euros. O alojamento é geralmente a factura mais elevada e, nesse domínio, Luanda rebenta a escala: para alugar um apartamento de luxo com dois quartos, sem mobília, paga-se por mês 4800 euros. Em Lisboa, um apartamento equivalente custa no máximo 1800 euros por mês.

N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios e em zona plana e húmida, horta; Luua: - Diminutivo de Luanda

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:49
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 11 de Julho de 2013
KWANGIADES . I

SOU UM MÁRTIR inventações nas horas do tempo

Por

  T´chingange

Alguma coisa se passa comigo; eu explico: Os ponteiros das horas, dos minutos e segundos do meu relógio são fosforescentes. O doze e seis são em números árabes também fosforescentes e, as demais horas são indicadas por pequenas barras também fosforescentes. Nestas últimas noites acordo sobressaltado e, no escuro do meu quarto olho o relógio, vejo a ponta luminosa dos segundos rodar no sentido certo e, vejo um só ponteiro apontando o traço da hora cinco correspondente aos vinte e cinco minutos. Sucede aqui, nunca ver o ponteiro dos minutos porque aparece encavalitado em cima do ponteiro mais curto e correspondente às horas, portanto, às cinco horas e vinte e cinco minutos desperto como que por magia.

 O sono foi-se,  e conjecturo no quanto a minha vida anda envolvida por um invisivel e mágico ponteiro de relógio adquirido na “sudáfrica airlines” a oito quilómetros por sobre o Atlântico. Cedí-me sempre à terra aonde me fiz homem, estudei, casei e  fui feliz em Angola até Agosto de 1975; desde então, carrego na  corcunda um imbondeiro e daquela terra e desde então, dali, só me vem pancada. Anos antes, 1970, casei-me no firme propósito de dar felicidade a alguém que conheci no Mussulo e, os anos incharam-nos de amor no tempo desmilinguido e inocente das horas colonialistas, minutos e segundos, um filho e mais outro e num repentemente tornaram-me martir fustigando no pensamentos os dias ali passados. Agora que sou kota, na diáspora relegam-me as lembranças do lá para tráz, porque simplesmente já passaram do prazo de validade, dizem! Bem digo que os minutos nos fragmentam nas horas. Em verdade nunca intendi como conseguiram dividir algo inmensurável mas assim é, o agora esvai-se em nada.

 Os sonhos do meu tempo também se encavalitaram na solidão dos séculos; séculos que em outro tempo eram respeitados. Querem os kandengues de agora retirarem o que me resta, o direito de sonhar aqueles tempos. Sou forçado a dizer-lhes que a rainha N´Zinga usou um m´bika (escravo) que curvado lhe serviu de banco para falar com o representante de sua magestade o rei N´dele do Puto, Afonso VI, o Governador e Capitão-General Luis de Sousa Chinchorro no ano de 1657. Foi em verdade um acto de dignidade e, se querem saber, esse escravo de então, era eu, preto que nem um tição. Sou ou não sou, um martir de N´Gola. De Cabinda ao Cunene, fiquem todos a saber que por direito de negro escravizado da Rainha N´Zinga, adquiri cidadania na qualidade de T `Chingange  t´xindele (mundele de N´dele - branco) para dar continuidade ao fado da vida como mártir Kianda.

Kwangiades: musas ou ninfas do kwanza.

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:27
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012
MULUNGU . XXV

“O PRIAPRISMO DO KIRK DOUGLAS CALUANDA”4ª de 4 partes

Por

 O Soba T´Chingange

Fomos até à cama da unidade de contusões dar conforto ao entesado amigo e o levantar do lençol, dava para perceber o que era priapismo. Sossegamos o amigo ainda confusos com o inusitado e regressamos à turma da maré mansa e alta tensão que após ficarem perplexos, riram e gozaram sem compaixão pelo Paixão. Já na segunda feira passamos todos pelo Hospital; paixão teria alta nesse dia e contou que pelo caso inusitado por ali desfilaram estudantas de medicina para observar in loco o fenómeno apalpando até o dito cujo no intuito de sentir a rigidez do priapismo.

 Priapismo é uma condição médica geralmente dolorosa e potencialmente danosa na qual o pênis ereto não retorna ao seu estado flácido, apesar da ausência de estimulação física e psicológica. Os distúrbios neurológicos como lesões e traumas à medula espinal (o priapismo já foi relatado em vítimas de enforcamento. A ereção dura em média 4 horas. O priapismo é uma emergência médica e o recomendado é procurar atendimento de emergência prontamente. É a situação onde o sangue que chega ao pênis através das artérias, não consegue retornar ao corpo por uma obstrução no conjunto de veias que drenam o pênis. Por esse motivo, a pressão do sangue dentro do pênis é elevada, com pouco oxigênio e a dificuldade do sangue chegar até as fibras sensitivas do pênis, gera um quadro doloroso.

 Para terminar a crónica de solidariedade que de tão verdadeira, até parece mentira, cazumbi de coisa passada à cinquenta anos, acrescento que após o término do Curso de Montador Electricista, não mais tornei a ver o pícaro Paixão, tendo sido informado que faleceu algures na nossa Luua. Se algum dos ex-colegas souber algo mais, faça o favor de me informar. Se tiverem a T´xipala dele, Paixão Kirk Douglas tanto melhor.

Glossário:

T’chingange - um misto de feiticeiro, justiceiro, advogado do diabo (de quem se tem medo); kinambas - pernas; candengue - moço, rapaz; Camundongo- natural de Luanda, rato; T’xipala - fotografia (de rosto);gíria de Angola; monangamba - trabalhadores sem classificação especial (perjurativo), moço de rua ); Kimbo – sanzala (planalto central de Angola), povoado; Mazombo: filho de colonos; identificado no meio; mussequeiro; Matacanha: bitakaia, pulga de pé; Cazumbi: feitiço; Matubas: testículos; Flor-do-kongo: fungo de pele de dar coceira; Luua: diminutivo carinhoso de Luanda.

Ilustrações de Costa Araújo Araújo (Mano Corvo do Rio Seco)

(FIM…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:06
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Segunda-feira, 15 de Outubro de 2012
KIANDA . XXXIII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“SAIDY MINGAS” - Luuanda

Por

 T´Chingange

No contexto da vida, das coisas feitas à sombra da história sem o conhecimento do mundo, cada qual tem uma vírgula no seu universo. Anónimamente ficamos à espera que a historia nos contemple mas o tráfico de incidências  não proporciona vislumbrar o céu nebuloso ou claro para lá da colina da saudade. Como uma colherada de mata-bicho dos mambos do meu quintal de sonhos e á sombra dum tamarindo reproduzo aqui um pequeno capitulo. Ás vezes é a história que faz o homen e não o inverso como parece ser.

 Com linguas de catana, o romantismo revolucionário daquele meu tempo, na busca do poder, cortaram  os misteriosos  inconvenientes desvios ao bom senso da amizade. Na Escola Industrial de Luanda tive por cinco anos como colega Avelino Dias Vieira Mingas que veio a ser mais tarde Ministro das Finanças de Angola entre Novembro de 1975 e Maio de 1977. Mingas era um esguio negro, alto, dentes grandes em rosto amplo; fomos colegas de carteira e trocávamos muitas vezes de cábulas… quantas vezes trocávamos de testes nas provas… primeiro no chamado ciclo preparatório e mais tarde no curso de Montador electricista.

 Por via da sua aplicação ao desporto no Atlético de Luanda faltava muito às aulas; eram muitas as vezes que levava para as salas a sua mochila com os sapatos especiais com que corria e saltava. O Atlético de Luanda patrocinado pelo senhor Cuca, Manuel Vinhas tinha ali um viveiro de atletas que nos intervalos entre o correr e o saltar abordavam nos balneários as vicissitudes da colónia, sua terra, ansiando por um passo de alforria em suas vidas, seu quinhão. Inocente, eu e tantos outros embrenhados na cultura do cinema, nem nos apercebíamos que alguma coisa andava a mudar. Avelino, gozava comigo chamando-me de besugo bonito; com grandes abraços cingia-me de empática amizade e ria em sonoras gargalhadas com sua boca escancaradamente grande. Mais tarde fiquei a saber que ele e seu irmão Rui Mingas que veio a ser Embaixador em Portugal eram treinado por um idoso angolano, antigo olímpico português de nome Demóstenes de Almeida. No estádio dos Coqueiros, ambos, iam batendo recordes no salto em altura. O tempo passou e deixei de ver o Avelino; cada qual seguiu o seu rumo mas, pelos jornais ia sabendo das suas proezas desportivas. Não sei porque cargas de água, conservei até muito tarde um esquadro de plástico com a sua firma, Avelino Mingas.

 Em Agosto de 1975 ofereceram-me uma viagem para o Puto sem bilhete de regresso e de IARN para ADIDOS como de Pôncio para Pilatos, os gestores da ponte da descolonização lavaram as mãos com água que o tempo milagrou em sangue, sem nunca me garantirem o regresso Á Luua com o tal bilhete da TAP, claro!... e, veio o 11 de Novembro com a proclamação da República Popular de Angola tendo como ministro o meu amigo de carteira Avelino Dias só que, e por fruto da revolução uma insubordinada rebelião o Dias ficou invertido em Said; só mais tarde em jeito de banga mwangolé adicionou um y ao Said, um grito de guerra. O Avelino desapareceu dando lugar ao Dr, mantendo o resto do nome de matriz colonial; se invertesse tudo passaria a ser um chinês de nome raro e isso não lhe era conveniente. Não obstante debelar-se contra as heranças lusas, adicionou o Y, o W e K ao alfabeto a demonstrar talvez o desejado distanciamento, coisas próprias da emancipação rebelde. Vai daí institui o Kwanza, antigo Cuanza como moeda nacional. Foi sua última missão. Saidy Mingas, fiel a Agostinho Neto, Na madrugada de 27 de Maio de 1977 (sexta-feira), entra no quartel da Nona Brigada para tentar controlar as tropas de Nito Alves, então Ministro da Administração Interna sob a presidência de Agostinho Neto. É preso pelos soldados fraccionistas e levado com Eugénio Costa e outros militares contrários à revolta para o musseque Sambizanga, onde são posteriormente queimados vivos. De Avelino Dias Mingas, ficou na retina sua t´xipala, cara, olhos, boca, lábios e dentes grandes e alvos. Como seu selo vivo ficou também sua sonora e alegre gargalhada... soluçada a gosto.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:19
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 6 de Outubro de 2012
MULUNGU . XXIV

“O PRIAPRISMO DO KIRK DOUGLAS CALUANDA” 3ª de 4 partes

Por

  T´Chingange

O coqueiro, a cada impulso do Kirk Paixão dava sinais de instabilidade mas lá bem no topo e com um grito de Tarzam e ginásta do Kirk, lançou-se às águas calmas do mar da Corimba; mergulhou, veio à tona e aconteceu o inesperado, um tremendo coco cai-lhe em cima bem no topo da moleirinha. Paixão desmaiou, ficou de bruços e a malta da Tensão Alta acudiu num ápice ao infeliz colega encocado, desmaiado que nem um morto defuntado mas, respirando. Perante este quadro de aparente traumatismo, tentamos despertar Paixão mas este abrindo os olhos e  babando-se em demasia conservava-se hirto com seus músculos descoordenados; rapidamente levamos Paixaõ para o cais  esperando o kitoco mas, tivemos sorte de um pescador dali oferecer ajuda. Assim eu e Junça acompanhamos o companheiro com os seus e nossos pertences pois que já era sexta-feira e não saberíamos se ali voltaríamos.

 Na carrinha de caixa aberta de Junça ali estacionada no ancoradouro da Corimba,  acomodamos paixão esticado tendo-me ao lado para lhe dar o apoio necessário; Junça, em questão de vinte minutos estava subindo a ladeira das emergências do hospital Maria Pia. A enfermeira Rolf Van Dunem de serviço, conhecida de Junça lá do bairro Vila Alice, encaminhou Paixão até o Dr. Boavida, um médico com larga experiência. Eu e Junça fomos encaminhados para a sala de espera. Pouco depois apareceu a enfermeira que nos tranquilizou e depois de umas trocas de palavras e preocupados de como alguém de família tomasse conhecimento.

 Junça sabia de um primo de Paixão que era militar furriel colocado no Regimento de Infantaria 20  de nome Nepomuceno; graças a este nome invulgar a mente de Junça juntando as peças concluiu e vai daí telefonou para a 3º companhia do Capitão Parracho e não demorou muito a transmitir o ocorrido a este próximo primo.  Por ali ficamos à espera dum esclarecimento do Dr. Boavida e, por fim aparece com um sorriso no rosto, coisa descabida pela gravidade que nós constatamos e disse: O vosso amigo está em choque nervoso mas penso ir  ficar bom  rapidamente. Ui! (…) Que alivio! E continuou: ele está com priapismo! Na nossa santa ignorância ao mesmo tempo, eu e Junça perguntámos o que é isso Doutor? O médico respondeu com paciência: Priapismo é erecção persistente e constante do pénis, mais conhecida pelo povo como “paudurência” e "paufeito".

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:08
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 30 de Setembro de 2012
MULUNGU . XXIII

"O PRIAPRISMO DO KIRK DOUGLAS CALUANDA”2ª de 4 partes

Por

  T´Chingange

Fizemos uma cacimba com água salobra e com latas de conserva e muita inventação permutávamos vontades fintando a sorte no catravés das sombras silenciosas. De dia adicionava-se o som de cigarras calorentas à sinfonia de rolas, celestes e gaivotas. À noite, lambuzados de liberdade, olhávamos nus as estrelas descobrindo o cruzeiro do sul; alegrias aprisionadas irmãmente divididas entre nós, descortinando um possível UFO, vulgo disco voador mas, só vimos mesmo estrelas candentes. Mais tarde, em pensamentos sombrios, ouvi apitos de navios balouçados no azul do horizonte, botando fumo negro soluçado com apitos graves e longínquos.

 Por força das circunstâncias e leis da natureza, cresci camundongo, tal como o Paixão do Sambizanga, ele preto e eu branco na condição de mazombo. De Paixão, eu só sabia que ele tinha uma secreta ligação com Kirk Gouglas, esse tal artista do cinema por quem nutria um grande apego depois de ver o filme “O homem tocha” no cine Colonial no São Paulo, paredes meias com o Bairro Operário, mais conhecido por o BO. Desconformado na alegria, Paixão misturava os tempos, silêncios mal paridos do Sambizanga um misto de valentia lambuzada a sebo de engraxador, pé matacanha, filaria e demais mazelas; de certa forma havia semelhança entre nós e daí tornar-me no T´Chingange. Paixão, saído do kimbo, pulava tal como eu, em projecções de mente com agoiros de olho gordo.

 Chocalhando guizos nas kinambas, coçando grosseiramente as matubas carregadas de flor-do-kongo afirmava-se como o maior para ser admirado por todos tal qual o Kirk Douglas do cinema. Enquanto T´Chingange fazia feitiçaria, desviava influências, provocava chuvas, fazendo respeitar-se por feitos temerosos, de Paixão, desde o tempo de monangamba camundongo, só recordo do quanto era alegre nos intervalos das tristezas. Nesse então ainda não se tinha inventado a gozosa da Luua. Lutando com a herança natural, removia bloqueios fingindo ser o que não era para ser respeitado e até admirado. Vai daí naquela manhã com toda a valentia, Paixão trepou àquele coqueiro tombado sobre as águas enquanto o resto da turma o incitava a ir bem ao topo e apanhar coco.

(Ver glossário na última parte)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:24
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012
MULUNGU . XXII

“O PRIAPRISMO DO PAIXÃO KIRK DOUGLAS CALUANDA”1ª de 4 partes

Por

  T´Chingange

Meditando por debaixo de um grande coqueiro na praia dos corsários, atento ao cão que ziguezagueava sem sentido na areia da praia, relembrei uma estória quase maluca que sucedeu numa ilha chamada de Mussulo situada a sul de Luanda, capital de Angola, lá pelo ano de 1962; nesses tempos cacimbados, com os meus dezassete anos e quase terminando o curso de montador electricista, aconteceu que a minha turma foi punida com cinco dias de suspensão. A turma decidiu, vejam só, fazer greve de paralisação porque exigíamos limas novas nas oficinas de mecânica; as que havia, já não tinham ranhuras agrestes para desbastar as peças de trabalho. Nós nem sabíamos que a greve era um atentado ao estado da nação e que lá longe o governo de Lisboa não via com bons olhos esse desaforo anticonstitucional e muito menos aos futuros operários da colónia denominada de Província Ultramarina.

  Toda a turma de fato-macaco azul ficara estática em frente ao torno sem fazer qualquer movimento e, vai daí e sem outra saída Mestre Pinho levou o caso à mesa do director que sem peias se decidiu pela suspensão da turma por cinco dias. O director Beirão da Escola industrial de Luanda, se não tomasse uma medida repressiva estaria em maus lençóis com o Secretário da Educação e os demais da escala hierárquica tornando-se um caso periclitante, penso eu. O chefe do levante apanhou doze dias tendo chumbado por faltas; o subchefe apanhou oito dias tendo também chumbado por faltas; dos demais chumbaram dois pelo mesmo motivo. O resto da turma em sua grande maioria decidiu dizer em casa aos respectivos pais e encarregados de educação que iríamos nesses dias em visita de estudo á barragem de kambambe.

 Para o efeito, cada qual transmitiu à sua maneira a razão de tal visita tendo para o efeito obtido dos mesmos um dinheiro extra para suprir eventuais gastos. No dia tal dirigimo-nos ao embarcadouro da Corimba com nossas mochilas, merendas, tachos, frigideiras e outros artigos de campismo como tendas, canas de pesca e as coisas de necessidade para candengues crescidos. E, porque já lá vão muitos anos recordo que com a malta da tensão alta estavam o Junça, o Morais, Vilarinho, Aníbal, o perna marota, o mulato da Samba, o Céu mais o Paixão, um colega negro muito estimado e até admirado pela turma pelas suas loucuras excêntricas; havia mais mas, não consigo recordar-me no momento. Paixão que era um kamundongo de condição humilde que residia no bairro Sambizanga, alinhou com o resto da maluqueirada com o beneplácito de todos pela sua camaradagem simples e divertida. O kapossoka, uma traineira promovida a barco de recreio, levou-nos até àquela quase virgem ilha; por ali bivacamos no meio de coqueiros, não muito longe da toalha de água que ritmicamente barulhava com agrado o nosso imaginário de paraíso.

(Ver glossário na última parte)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:37
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012
MUXIMA . XXVII

Angola,quanto tempo falta para amanhã?

Voo TP, destino Luanda.

 Em 2005 fui a Angola tendo nesse então escrito uma crónica com o título supra. O desejo de Kianda do Maurício dos Santos (Pepetela) dava a conhecer que as vivências dessa altura se faziam num confronto de ambivalência à mistura com coisas com-fundidas no seio do povo; o mesmo sol da secura e aridez amadurece os produtos, a chuva que inunda é a mesma que os rega; a linguagem mitológica, a verdade das coisas é colhida entre o falso e o verdadeiro, baralhando o conceito da razão; No entretanto destas divagações de um escritor de nomeada, eu seguia a via do sul a caminho do Cantinho do Inferno. Não se confundam com o nome porque também Novo Redondo mudou o nome para Sumbe. Passada a Samba veio o Rocha Pinto a Corimba o Benfica o Futungo o Morro dos Veados e o Morro da Cruz onde a capela foi promovida a Museu da História da Escravatura; com alguma razão de sêr pois, que foi dali do reino do N´gola que saíram muitos escravos para o Brasil.

 Na ponte suspensa sobre o Kwanza alguns militares que por ali estavam desempoeirando preguiça abordaram-nos pedindo gasosa, a mesma que nos acompanhou sempre e por todo o lado e, desta feita perante o nosso semblante de interrogação, o militar de camuflado em jeito explicativo e em leque, indicou os demais companheiros preguiçando as pulgas no varão da ponte e disse: - kota!... Ajuda só... é p’ra levantar a moral. Com aquele pretexto engraçado escorreguei com cinquenta kwanzas correspondendo a duas fresquinhas cucas e, ainda sobravam cinco kwanzas para o engraxador. Na Quiçama, não se viu qualquer espécie de bicho mas, na área de serviço de cabo Ledo, um amontoado de xinguiços cobertos com capim com-fundiu a importância do lugar. Umas quantas empresárias de nova geração faziam negócio vendendo as frias sagres, taifel, hansen ou cuca com galinha assada no espeto. Foi um regalo! As empresárias de sucesso, amigas do Bien, com rudimentos de higiene ocasional curtida no funaná Bye Bye My Love, cursavam sobrevivência, transformando a fome em petisco espantado e, o frango no espeto com bastante jindungo marchou sem entretantos; havia na quitanda, onduladas conversas de rosca sussurradas de encanto atarraxado.

 Enquanto bebíamos as cervejas retiradas de arcas com gelo, podemos observar uns graduados do gloriosa Eme roçando as donzelas tendo um dos de patente rasa vindo até nós pedindo uma gasosa pois que se queria deslocar a Luanda e não tinha bué para superar. Queria ir lá esclarecer desilusões de amores mal aclarados; treta ou não, logo de seguida bazou de nós tendo ido cravar outro mwangolé; deve ter levado o dia a obter uns “cumbus” para as frias, usando este estratagema de fino engodo. Perto do rio Calamba começamos a ver-se cassoneiras, newas, maboques, embondeiros e muitas matebeiras, daquelas esguias de onde retiram o marufo; assim deixamos para trás a reserva da Quiçama sem ter visto um simples camundongo ou, um dilengo. Lá mais adiante, ao dobrar do promontório e na foz do rio Cuvo as deliciosas de grandes ostras. Com cem kwanzas ou seja o equivalente a dois Euros e vinte cêntimos comprou-se um saco dessas ostras. Passados alguns dias voltamos ali e, numa canoa feita de troncos de bimba, Tomás, chimbicou-nos com bordão até á ilha da contra-costa. Aquela iguaria refastelou-nos após termos mergulhado na costa de grandes calemas, de água límpida em areal mulato. No regresso passamos por vários veículos militares, estafadas Urais ou Ifas soviéticas ainda castanhas na cor. Hoje, dia 31 de Agosto, dia de eleições, recordo esses dias peregrinados e pergunto-me: - Será hoje, esse amanhã?

Muxima: Saudade

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:16
LINK DO POST | COMENTAR | VER COMENTÁRIOS (1) | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012
MUSSENDO DO PUTO . IX

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO CONSUL RODRIGUES

O Prédio dos Angolanos no Estoril Sol” - Puto

Por

 Rafael Marques de Morais, Julho-2012

Nos últimos anos, o novo-riquismo angolano tornou-se lendário em Portugal. Dirigentes angolanos, suas famílias e associados de negócios têm estado a adquirir, nesta parte da península ibérica, alguns dos principais símbolos da opulência local. Caso paradigmático é o do complexo residencial de luxo Estoril Sol Residence, que comporta três edifícios de uma arquitectura singular e controversa, no Estoril, na orla marítima de Lisboa. O complexo tem dos apartamentos mais caros de Portugal, que variam do milhão a cerca de cinco milhões de Euros por unidade. O complexo é bem conhecido como o prédio dos angolanos, por serem estes os principais clientes do referido projecto imobiliário, inaugurado há dois anos, com a titularidade de perto de 30 apartamentos. Numa breve investigação, Maka Angola apurou quem são os ricos angolanos com propriedades no Estoril Sol Residence. O actual ministro da Administração Pública, Emprego e Segurança Social, António Domingos Pitra Costa Neto, é dono de cinco apartamentos na Torre Baía, no 3.º, 5.º, 7.º, 9.º e 14.º andares, estando os primeiros quatro em nome da sua filha Katila Pitra da Costa, estudante. Pitra Neto deverá ser o próximo presidente da Assembleia Nacional, depois das eleições de 31 de Agosto próximo, conforme cogitações emanadas da presidência de José Eduardo dos Santos. Tanto no 9.º como no 14.º andar, o ministro Pitra Neto tem como vizinhos o casal "Kopelipa". Fátima Geovetty, a esposa do ministro de Estado e chefe da Casa Militar, general Manuel Hélder Vieira Dias - Kopelipa, adquiriu dois apartamentos.

 O fiel escudeiro do general Kopelipa nos seus negócios privados, Domingos Manuel Inglês, fica a meio, no 12.º andar. Na torre ao lado, Cascais, o principal gestor de negócios um tanto obscuros do general, o português Ismênio Coelho Macedo, desfruta da grande vista para o mar, com um apartamento no 4.º andar. Outro comprador extraordinário é o ex-ministro das Finanças, José Pedro de Morais, com quatro apartamentos, também na Torre Baía, no 1.º, 2.º, 4.º e 5.º pisos. Por sua vez, o brasileiro Valdomiro Minoro Dondo, também portador de nacionalidade angolana, tem um apartamento no 11.º andar da Torre Estoril. Valdomiro Minoro Dondo tem cruzado negócios com o general "Kopelipa", José Pedro de Morais, Pitra Neto, a família presidencial e outros influentes membros do regime. A sua formidável capacidade para o tráfico de influências conferiu-lhe o interessante título de estrangeiro mais rico de Angola. Por sua vez, outro brasileiro, associado a Minoro Dondo e a dirigentes angolanos, Gerson António de Sousa Nascimento é dono de um duplex, na Torre Estoril, no 6.º e 7.º andares. O sócio e representante legal de alguns negócios de Welwitchia - Tchizé? dos Santos, Walter Virgínio Rodrigues, demonstrou que os negócios lhe têm corrido de feição e comprou um apartmento no 8.º andar da Torre Estoril.

 Como celebração do contrato multimilionário realizado entre o Ministério da Comunicação Social e a empresa Westside Investments para a gestão privada do Canal 2 da Televisão Pública de Angola (TPA), a sócia maioritária, -Tchizé? dos Santos, agraciou-o com um bónus de US $500 mil, enquanto a filha do presidente atribuiu-se, a si própria, com fundos do erário público, um prémio de um milhão e meio de dólares. Outro angolano que faz parte do selecto grupo de proprietários do Estoril Sol Residence é o antigo director da Endiama, Noé Baltazar. Apesar dos preços, os angolanos, regra geral, compram vários apartamentos, de forma ostensiva. Algumas das aquisições levantaram suspeitas junto das autoridades judiciais portuguesas que, para o efeito, abriram inquéritos. Um dos inquiridos, por suspeita de branqueamento de capitais, foi o presidente do Banco Espírito Santo Angola (BESA), Álvaro Sobrinho. A 2 de Setembro de 2010, Álvaro Sobrinho adquiriu seis apartamentos no referido complexo, tendo, inicialmente, pago o valor de 9,5 milhões de Euros, segundo investigações do Diário de Notícias. Os seus irmãos Sílvio e Emanuel Madaleno também são detentores de mais três apartamentos no Estoril Sol. Há, ainda, os angolanos que optaram por usar testas de ferro mais discretos na aquisição de propriedades. Entre o investimento legítimo e o branqueamento de capitais, Portugal continua a ser o destino preferido dos ricos angolanos mwangolés e a sua melhor lavandaria financeira.

Puto: Portugal; Mwangolés: Os donos de Angola; os senhores do esquema.

Mussendo: Conto de raiz popular, missiva em forma de mukanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:16
LINK DO POST | COMENTAR | VER COMENTÁRIOS (2) | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
MOKANDA DO SOBA . XII

POR UM DIA FUI CAMÕES” - Eu, um branco de 2ª

 Soba T´Chingange

Corria o ano de 1958 em são Paulo de Assunção de Loanda, quando candengue dos meus 12 anos, tive de representar Camões, nobre figura da história da Lusofonia. A vida corria mansa por aquela pacata cidade de Angola e, estava na pauta das autoridades de educação festejar o dia de Camões e  de Portugal. Tudo isto, a fim de recordar a soberania do povo Luso. Nós só conheciamos a Luanda como capital da nossa terra mas os livros recordavam que lá do outro lado do mar havia um Terreiro do Paço, com uns senhores que  por detrás dumas imponentes arcadas palacianas mandavam no império de Álem-mar, as Provincias Ultramarinas. As escolas da Cidade de Luanda teriam de pôr em teatro essa efeméride e, foi escolhida para tal efeito a Escola Primária nº 8, que ficava perto da Liga Africana. Afinal Luanda estava àquem de Lisboa na hierarquia geográfia e nós putos desconheciamos que a Mutamba, afinal, não era  nem a capital do Puto nem o centro do mundo.   
  

 
Largo da Escola de Aplicação e Ensaios. 1958 (D. Afonso Henriques)

Como bom aluno da Escola de Aplicação e Ensaios, no Largo D. Afonso Henriques, um pouco mais acima do Cinema Nacional e não muito
longe do Cine Restauração fui escolhido para representar tal figura épica do mundo Luso e, levei dias a ensaiar em casa da minha professora lá para os lados do Bairro-do-Café. Sem saber bem o que me esperava, ia aprendendo os versos das armas e barões assinalados dum lugar chamado de Taporbana. Eu, que só conhecia o Catambor, a Maianga com seu Rio-sêco, o Malhoas, o Prenda e  Samba das mabangas, ia adquirindo os saberes eruditos com musas e ninfas morenas bailando a marionheiros embasbacados numas ilhas paradisiacas. O grande dia de dez de Junho chegou e, lá estava eu no palco dando a conhecer aos putos, candengues, as cenas desse antigamente  com o rei de Leão, o D. Afonso Henriques e Dona Tereza sua mãe, Dom Sebastião e os mistérios do mar com Bartolomeu Dias e Vasco da Gama  a fazer gaifonas ao Adamastor, um gigante tenebroso dos mares do sul.

: Alunos da Escola Primária nº 8 (desse tempo)

As minhas barbas, coladas com grude de marceneiro, um cheiro constante do tipo cola, snifavam-me o entusiasmo em cada desce-pano, sobe-pano. Alí, como figura principal, em traje da época, ficava eu especado olhando as cenas. As palmas sucediam-se a cada cena mais exótica e, grudado ao palco e bigode, em geito de galanteio antigo curvava-me às gentes, meninos e meninas garinas do meu reino. Nos dias e meses que se seguiram já só era conhecido por camões

 Luis Vaz de Camões

As moças cafecos, apontando-me: - olha o Camões e, eu gingava vaidade pelos poros, fazendo banga. Nunca mais esqueci aquela cola de grude mal cheirosa que tive de suportar durante o espectáculo. 54 anos depois, recordo aqueles dias de Luanda, da Praia-do-Bispo ao Prenda, do Sambizanga ao Bairo do Café ou da Terra Nova  aos Coqueiros, como um sonho. E, afinal foi mesmo esta fantasia de vida que me marcou. Tive de vir a Terras de Vera Cruz para ultimar esquecimento de coisas mal paridas. Tal como Pedro Álvares Cabral, vim achar o mundo, redescobrir novas anharas, sertões com nomes de agreste com caatinga e frutas de sape-sape com nome de graviola.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:01
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011
ANGOLA, PAÍS DA GAZOSA . VII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"LUANDA E OS RICOS - 4ª Parte " - Coisas da Luua 

 Isaias Samakuva

Presidente da UNITA

Os Ovimbundu (Ovi-m´bundu, singular Oci-m´bundu, adjectivo e idioma U-m´bundu) - prefixo umbundu "ovi", são uma etnia Bantu de Angola. Constituem 37% da população Angolana. Os seus subgrupos mais importantes são os M´balundu ("Bailundos"), os Wambo (Huambo), os Bieno, os Sele, os N´dulu, os Sambo e os Kakonda (Caconda). Os Ovimbundu ocupam hoje o planalto central de Angola e a faixa costeira adjacente, uma região que compreende as províncias do Huambo, Bié e Benguela.  Os Ovimbundu com a colonização portuguesa, foram num processo lento de mobilidade moderna miscigenando-se com outras etnias  assimilando assim muito da cultura ocidental. A partir do início do século XX, em seu territórios nasceram muitos filhos de colonos, mazombos que se consideram também filhos dessa terra, pugnam por ela dedicando-lhe aquele amor que nem sempre é reconhecido como genuino. É deste cruzamento de saberes que nasce a crioulalgem da qual os Ovimbundos não se podem desligar ou omitir.

Nação Ovibundu

Sendo a UNITA o partido mais representativo desta etnia e mazombos m´bundus, e tendo assento parlamentar na oposição ao partido no poder MPLA, cabe-lhe a tarefa de se exprimir perante a onda de contestação ao actual desgoverno de Angola. É nesta perspectiva que focamos aqui o alerta (demasiado suave) à Comunicão Social do seu ponto de vista nas palavras de Adalberto Júnior, porta voz deste partido: 

adalberto.jpg

Convocamos a Comunicação Social para mais uma vez exprimir a posição da UNITA sobre os crescentes protestos que os cidadãos realizam contra as violações dos seus direitos e a má governação do Executivo do Presidente Eduardo dos Santos. Em primeiro lugar, a UNITA saúda patrioticamente a coragem e a responsabilidade de todos os cidadãos angolanos que utilizam o direito à liberdade de expressão e o direito à manifestação para protestar contra o desemprego, a pobreza, a exclusão social, a corrupção, os atentados à democracia e outros males que enfermam a sociedade angolana.

O tempo de se forçarem  muitos M´bundus a aceitar a contratação como mão-de-obra assalariada (e mal paga) nas plantações de café no Norte de Angola, fazem parte da história que se quer olvidar; por isso as circunstãncias actuais de desmando e perene apego ao poder dos mwangolés do MPLA, tornam-se razões suficientes para uma adesão da Nação Ovimbundu. A forte presença dos Ovimbundu nas cidades fora da sua região por via das guerras de emancipação, originaram naturalmente novos factos na história recente, conferindo uma postura nova na projecção nacional.

Alcides Sakala

Algumas das personalidades mais emblemáticas da história contemporânea de Angola são originárias dessa etnia, como Chipenda, Augusto Chipenda, Comte Kassange, Dom Zacarias Camuenho, Jonas Malheiro Savimbi, Marcolino Moco, Alcides Sacala entre tantos outros. Na literatura e cultura, os Ovimbundu e M´bundus mazombos ocupam um lugar de destaque no panorama artístico nacional tais como: N´dumduma Wa Lepi, Alda Lara, Cikakata M´balundu, T´chissica Artz, Sabino Henda, Bela T´chicola, Manuel Rui Monteiro, Pepetela e José Agualusa que nasceram nesta  zona tradicionalmente habitadas por Ovibundus.

Na Comunicação Social membros desta etnia também ocupam uma posição de relevo: radialistas e jornalistas do triângulo Benguela-Huambo-Huíla, marcaram ou marcam presença na cena nacional, com destaque para Analtina Dias, Bela Malaquias, Patrícia Pacheco, Cristina Miranda, Mateus Gonçalves e Sebastião CoelhoA UNITA que continua a ter as suas raízes mais fortes entre os Ovimbundu, tendo Isaías Samakuva na presidência do partido, não pode ficar indiferente ao processo de mudança na vida pública e política. Não pode ficar eternamente subserviente ao poder da gazosa.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:12
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011
ANGOLA, PAÍS DA GAZOSA . VI

AS ESCOLHAS DO KIMBO

"LUANDA E OS RICOS . 3ª PARTE" - Coisas só da Luua

 Rafael Marques

Presidência da República: O Epicentro da Corrupção em Angola

A Presidência da República de Angola tem sido usada como um cartel de negócios obscuros e as consequências dessa prática influem na liberdade e desenvolvimento dos cidadãos, assim como na estabilidade política e económica do país. O texto revelado na “Maka” de Rafael Marques responde aos apelos da política de tolerância zero contra a corrupção decretada pelo Presidente José Eduardo dos Santos, a 21 de Novembro de 2009. Por uma questão de clareza, a investigação cinge-se a uma pequena amostra das práticas comerciais empreendidas pelo ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência da República, o general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” a quem cabe a coordenação dos sectores de defesa e segurança do país. Com este dirigente, o chefe de Comunicações da Presidência da República, general Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, e o presidente do Conselho de Administração e director-geral da Sonangol, Manuel Vicente, formam o triunvirato de mwangolés que hoje domina a economia política de Angola, sem distinção entre o público e o privado.

 Kopelipa Manuel Vicente

Dino e outros

Manuel Vicente junta ainda, aos poderes acumulados pelos generais e a Sonangol, o facto de ser um dos membros mais influentes do Bureau Político do MPLA, como delfim do presidente e responsável pela fiscalização dos negócios particulares do partido no poder. A petrolífera nacional é a maior empresa do país e o maior contribuinte das receitas do Estado. Vários analistas têm considerado a Sonangol como o principal instrumento da manutenção do regime de José Eduardo dos Santos nos domínios financeiro, político e diplomático, assim como é a principal fonte de enriquecimento ilícito dos seus principais dirigentes. Em alguns casos são referidas as relações solidárias e de cumplicidade com outros membros do executivo e gestores públicos na realização de negócios que envolvem a pilhagem do património do Estado e outras acções de contravenção às leis da república.

Sectores estratégicos como o dos petróleos, telecomunicações, banca, comunicação social e diamantes, fazem parte do império construído por tais figuras. A amostra refere-se às empresas Movicel, Biocom, Banco Espírito Santo Angola, Nazaki Oil & Gás, Media Nova, World Wide Capital e Lumanhe. A Lei da Probidade Pública é usada amiúde, para melhor compreensão do leitor, mesmo para os casos que antecedem à sua aprovação, em Março passado, por ser uma compilação de diversos diplomas legais contra a corrupção, que datam desde 1989.[2] Todos os artigos constantes na Lei da Probidade Pública se encontravam dispersos em tais diplomas. Por exemplo, a Lei dos Crimes Cometidos por Titulares de Cargos de Responsabilidade (Lei nº 21/90, não revogada pela Lei da Probidade Pública) proíbe o dirigente de participação económica em negócio sobre o qual tenha poder de influência ou decisão (art.º. 10º, 2).

 

GLOSSÁRIO: Mwangolés: - Gente de mando, da élite, os consumidos e abastados que mandam em Angola, os donos dos Porsche Cayene, Range Rover e o jatinho Falcon; Luua: - Luanda, terra de camundongos ou kaluandas; Gazosa: - suborno, corrupção, gorjeta, limosna, que tem gaz de cumbu (dinheiro)

 (Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:48
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 28 de Agosto de 2011
ANGOLA, PAÍS DA GAZOSA . IV

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"LUANDA E OS RICOS . 1ª PARTE" - Coisas só da Luua

 Luua - na marginal

A notícia do Sábado revista, um artigo de Isabel Lacerda, sobre a vida em Luanda, não é de espantar em seu conteúdo mas, é bom relembrar o quanto de futilidade vai naquela sociedade tão marginal aos costumes do povo angolano; quanto desperdício rodeado de pobreza a raiar os limites extremos de tolerância, um desgoverno sem oposição firme e credivel por forma a mudar esse rumo de extravagância, luxúria e kizomba cazukuteira. Mesmo que quizesse ficar indiferente não conseguia em consciência fazer justiça à verdade lembrando o quanto meu pai, um colono trabalhador, labutou toda uma vida construindo aquela casa que teve de largar por via da descolonização, uma forma muito legal de expropriar a custo zero. Trabalhou que nem um moiro e só por sorte não ficou soterrado nas obras da Fábrica de Cimento Cimpor. Depois de ter sido deixado como morto atrás do Aeroporto 4 de Fevereiro nas contendas do Nito Alves, foi recambiado para o Puto a retirar bala da perna, sugeita a cangrenar, e limpar as porradas, visiveis mazelas de sangue pisado por tudo que era corpo; levou uma vida a concretizar, construir uma casa na Luua, e que agora vale milhões de euros. De nada lhe serviu tal dedicação a guardar os Kwanzas do Saidy Mingas, um meu antigo colega de carteira na Escola industrial de Luanda.

 Luua - do outro lado . o Musseque

Dentro dos muros altos que agora circundam aquelas casas, seguranças privados garantem a segurança de gente comprometida, metralhadoras AK 47 dão-lhes a condição de gente bem, gente de nome que semeia gazosas entre uma boa meia duzia de serviçais que lhes esfregam os sapatos, limpam os carros, brincam com os candengues bonacheirões e fazem compras na kitanda; a frota de carros de vidros esfumados, todos de luxo, brilham marcas de topo, range rovers, audis, BMWS e uma catrefada de motoristas fardados a rigor. Uma família da nomenclatura, governantes e afins ligados ao partido do poderoso EMEPELA, empresários do conforto que rumam à casa de luxo dos prolongados fins de semana no condomínio Taladona ou vão até á ilha do Mussulo em seus iates, curtir uma farra com os amigos em sua casa de beira mar. Entretanto suas damas tinham noticias frescas de Johanesburgo aonde desfrizaram seus cabelos e compraram uns muitos randes de roupas de marca; estavam todas com um ataque de nervos porque o seu avião privado tinha sido retido por diligências tontas que quase as impediram de estar ali a curtir a festa dos "rolexes" e, a Luua a andar, malembe-malembe.

 Luua . A escola

Uma terra em que o vencimento mínimo é de sessenta e cinco euros, como é que o povão pode subsistir fora do seu kimbo, seu musseque, quando uma simples refeição de muamba com vinho carrascão fica entre 70 e 100 euros. Naquela Luua tudo é possivel, até alcatifar toda a gravilha do jardim da cidade alta para a festa duma sobrinha do Zéca; o bolo da noiva desceu do céu, gigante como era, foi necessária uma gua para o fazer descer entre pirilampos e fogo de artificio relampejante. O bufé teve nada menos que 10 pratos quentes e o champanhe moet & chandon correu como água. O mais impressionante, diz a jornalista Lacerda, é que a exorbitância da Luua, não é esporádica, é diária. Ali naquela especial nave aonde o índice de desenvolvimento Humano rasteja no desperdício da soberba, tudo custa facilmente o triplo do que custa em Lisboa. Quem quizer trabalhar em Angola prepare-se para gastar no mínimo 1600 euros só no supermercado e, por mês. Aquilo da Luua tornou-se uma terra de ricos que jorra dinheiro pelo tubo-ladrão, só para alguns, claro!... E o meu pai, que andou, andou por aí subsistindo como poude, para alimentar agora esta corja. E aonde está a Unita p´ra reclamar? Assim não brinco.

 

(Continua...)

O Soba T´Chingange





PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:56
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
ANGOLA - PAÍS DA BANGA . XIV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"PAULO FLORES.... e, a Kizomba"

Entre tantas estórias que merecem ser contadas por artistas, pensadores e cantores que circulam na Lusofonia com "sabor de maboque", destaco a voz meia rouca, meia misteriosa de Paulo Flores. Durante sua infância seus pais levaram-no para Lisboa aonde cresceu conjugando a memória, através da escrita, com os nomes do panorama musical e literário, «Um Olhar a uma Voz» (1990), dedicado a Cesária Évora de Cabo Verde e fotobiografia de Óscar Ribas, iniciou-se com a edição do seu primeiro álbum em 1988 com "KAPUETE, kamundanda" tornando-se rápidamente um popular cantor Angolano. Suas canções versam temas diversos como, a vida quotidiana da Luua, a guerra civil e a corrupção endémicamente enraizada. Músico, cantor e compositor, Paulo Flores é, actualmente, um dos expoentes máximos; seu instinto é a de um verdadeiro cantor que traz em sua voz toda a extensão do seu sentimento, subtilezas das anharas ou o simples chupar de múcua no morro da Luua.

 Cesária Évora

Paulo flores redescobriu o ritmo da bossa-nova que se tocava nos Camarões na década de 40, e investigando sobre a base rítmica do actual kuduro, afirma-se convicto de que este, saiu do semba e da kazukuta. Os poemas tão concretos da vida, retratados, mostram o maior respeito pelo povo sofredor e os kotas, não deixando de satirizar as malambas da vida com o amplexo de se ser angolano. A sua força poética é indiscernível na articulação das palavras com o ritmo, uma simbiose muito sua, que nos desafia para, como reforça o autor do livro, “em qualquer lugar do mundo, reinventar a vida”. Aos 16 anos, surpreendia meio mundo como “menino prodígio da nova canção angolana”. E, aí está Paulo Flores ao lado de Bonga nos anos 80, numa Lisboa nocturna tão cheia de músicologos, onde foi crescendo procurando-se em diálogo e ritmo com sua Luua.

 Jacques Morelenbaum

Com 20 anos de carreira e 11 discos editados, Paulo Flores sempre expressou sua herança patrimonial às suas mais vanguardistas músicas; uma toada de novas fórmulas abertas às demais influências musicais. A trilogia Ex-Combatentes (Viagem, Sembas e Ilhas) é o seu último trabalho. Três abordagens musicais diferentes que traduzem uma reflexão sobre o que sente perante as transformações que observa todos os dias da janela da sua casa; da toponímia ao quotidiano tudo mudou. Para esta primeira apresentação dos discos em Portugal, Paulo Flores conta com a especial participação de Jacques Morelenbaum, referência incontornável na actualidade da música brasileira. Paulo Flores faz-nos voltar àqueles velhos tempos do antigamente. Uma crónica de sonho, um belo,... muito belo dia, com a voz de Paulo Flores em fundo, suas “letras de forte memória” dancei; dancei na ponta da ilha com uma linda garina.

Discografia: Kapuete (1988); Sassasa (1990); Brincadeira tem hora (1993); Inocente (1995); recompasso (2001); Xé Povo (2003); The Best (2003); Ex Combatentes (2009)

(Continua...Teta Lando)

O Soba T´Chinhgange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:21
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
ANGOLA - PAÍS DA BANGA . XIII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

           "BONGA KWENDA.... e, a dikanza"

BONGA KWENDA

Os Kissueia que surgiu nos anos 60 no bairro Marçal, era um conjunto de músicos de intervenção angolanos que cantando a miséria dos musseques, fermentavam a mudança. Kissueia que em kimbundo significa o estado de submição de alguém, relembra práticas antigas esclavagistas comparando-as com a vida suburbana da urbe que cresce. A miséria tão evidente nos bairros periféricos de Luanda era levada à musica por ser a forma mais rápida de passar mensagem; a étnia crioula, mazombos intelectuais dos bairros com aduelas de barril incentivavam estas iniciativas um pouco por toda a capital da Luua, um laboratório ideal ao surgimento de estilos; Era ver qual o mais foito ou de maior banga introduzindo novos instrumentos e formas surgindo assim os estilos kazucuta (rosqueiro) e kilapanda com semba numa inventação de novos trajeitos no gingar e giboiar das mentes. Talvez, em o saberem estavam repudiando a própria lingua retorcendo-a em giria, fabricando novas maneiras de dizer coisa crioula; uma forma de reinvidicar banga muito peculiar do kamundongo.

 BONGA na percussão

Naquele conjunto de cantores da kissueia surgem Bonga, Belita Palma, Artur Nunes, Sofia Rosa, Minguito, Luis Viscinde e o Maestro Vieira Dias. Entre estes Adelino Barceló de Carvalho, natural de Porto Kipiri, destaca-se criando o seu próprio estilo misturando a lingua portuguesa com o linguajar do Bengo e bairros de Luanda dando-lhe tipicidade ou uma marca própria. Isto, tornou Bonga no maior entre os grandes interpretes da miscegena Luua,... dum Bairro Operário ou Sambizanga. Porque era um atleta conceituado no atletismo, usa a liberdade de movimentos para passar mensagens entre compatriotas que transpiram independência e, fora de Angola tornando-se um nacionalista de referência. O timbre de indigente ignorância comportamental dos politicos e militares portugueses que em seu tempo não souberam gerir e colmatar, resultou no esperado 11 de Novembro de 1975. O rumo de guerra que se desnvolveu na grande Luanda e um pouco por toda a Angola levou-o a redefenir um rumo tendo ido para Holanda aonde havia uma forte comunidade de angolanos e gente miscegenada ida do Caribe, Curaçau e Aruba de trageitos de vida, e costumes muito similares aos desavindos da discôrdia; para Bonga, o contacto com outros ritmos e tendências era cativar seu ego de rouca voz em ritmos "calientes del caribe".

 Dikansa . Reco-reco

Em 1972 lança o seu primeiro álbum "ANGOLA 72" adoptando o nome africano de Bonga Kwenda que significa em kimbundo "aquele que está à frente". Torna-se assim o rosto da angolanidade no mundo atingindo o estatuto simbólico de embaixador da música angolana. Bonga, em Paris, regista-se no consulado português com o novo nome artístico, Bonga Kwenda. É o primeiro africano Disco de Ouro e de Platina em Portugal. O seu sucesso estende-se para lá das fronteiras lusófonas actuando no Apolo em Harlem, no S.O.B. de Nova Iorque, no Olympia de Paris, Suiça, Canadá, Antilhas e Macau. O seu trabalho intensivo e metódico, e de uma imaginação criativa caracteriza a sua carreira. Em 1988 Bonga regressa a Portugal, dezassete anos depois de ter fugido clandestinamente de Kipiri como atleta de competição, à semelhança de Mingas. Bonga regressa não como recordista do atletismo, mas como recordista de vendas e popularidade, que canta música de intervenção, revolucionaria e carismática. Um dos motivos pelos quais Bonga não regressa definitivamente a Angola é porque a independência pós-colonial desintegrou-se em corrupção, tirania e guerra. Assim sendo, Bonga manteve uma aguda consciência crítica relativamente aos líderes políticos de ambas as partes sendo acusado por vezes de estar colado à Unita.

Principais albuns editados: Angola 72 - Angola 74 - Raízes - Angola 76 - Kandandu - Massemba - Malembe Malembe - Jingonça - Paz em Angola - Mutamba - Preto e Branco - Roça de Jindungo - Fogo na Kanjica - Kaxexe - Maiorais e Bairro, entre muitos outros.

(Continua...Paulo Flores)

O Soba T´Chinhgange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:16
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Segunda-feira, 11 de Julho de 2011
ANGOLA - PAÍS DA BANGA . XIII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

          "SOFIA ROSA.... e, a N´GOMA"

 

  N'Gue Xile Ku Tunda Bu Sambila 

Sofia Rosa nasceu no Ambriz, província do Bengo e viveu no bairro da Samba, em Luanda; foi um dos melhores criadores e intérpretes da música em língua nacional kimbundu, traduzindo o pulsar da vida da gente pobre, dando às suas interpretações um caris pessoal no contar dos lamentos de musseques, sanzalas e a vastidão do território. Enquadrando a nostálgica saudade na forma de aguarelas, uniu o preverso com queimadas, quimeras dum caminho feito sem chinelo no pé. Recordando a savana agreste em ritmo de reco-reco leva às suas farras kutonocas multidões a pedir mais, e mulheres de beleza arrebitada pulsando a vontade de viver num louvor de permanente kalumba (mulher); neste tema "kalumba" louva a beleza da mulher angolana com zelo familiar pintando cenários em contornos de letras que só ele sabia pintar. Sofia Rosa esteve vinculado aos Corvos, mas todo o seu talento artístico veio à tona com "Os Astros" com quem gravou além de "Kalumba" , "N´gue Xile Ku Tunda Bu Sambila" entre outras. O artista morreu em 1975 entre duvidas suburbanas, no meio de uma guerra "mona Caxito" sem côr para enaltecer. Em 1963 integra como cantor o agrupamento Teatral N´gongo, fundado por José de Oliveira Fontes Pereira. Participa numa digressão do grupo a Portugal e grava para a televisão o seu primeiro "single" em 1970, seguindo-se-lhe mais sete, todos pela Valentim de Carvalho.

N´gomas e dikansas
Os "Kissueia" faziam parte dos músicos nacionalistas que cantavam a mensagem sobre a necessidade do alcance da independência e Sofia Rosa, neste contexto introduz a dikanza (reco-reco) e as n´gomas (tambores de conga) nas suas canções com o som de violas acústicas. Sofia Rosa deixou um espólio inigualável, músicas como: Ku Mulundo, 
Kamba Uaia, Maria Dia Pambala, Makuinhadi ya Mivu, Imbua Ia Lu Boza, N'gala ni Kilofo Muxima, N´golo Binga Kuanzambi, N´ogonogó za me... mas, a destacar temos a tal kalumba (mulher), com um estilo próprio de uma época; a passada com "Banga ninita" no estilo de kaluanda / kamundongo, cuja tradução diz: Menina, olhe só para mim, não me faças vaidade, os meus olhos te estão a dar luta... repete, ai dor de amar... ai dor de pensar. Menina, responda-me só, dou-te tudo que pedires, te dou dinheiro e o meu coração... repete. solo! - Menina escuta as minhas palavras, eu sempre que me cruzo contigo nos caminhos, o meu coração abre-se, como uma rosa que quando recebe água abre-se, aceita menina...aceita, nasceram-me para ti, ai dor de amar... aidor de pensar... Repete!!!

(Continua... Bonga )

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:48
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 12 de Junho de 2011
ANGOLA – O PAÍS DA BANGA .VII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMB

"ESCÂNDALOS. Um país só é rico quando eliminar a pobreza"

 

 

Musseque. Antiga Praia do Bispo / Samba

Estamos na onda de surfar a vida com precauções acrescidas na preservação da reputação. Os "escândalos de encomenda" avivam a mídia a ser parte interessada na perpectuação do alarme ou até dum silêncio conveniente, dando-lhe um poder nunca antes visto ao portador de opinião, assim seja via Internete, jornal, TV ou rádio. A grande massa de consumidores da notícia, povo indiferênciado, não vê com bons olhos a impunidade dum político porque se sentem defraudados, por isso os actores de escândalos das últimas décadas, atingiram mais directamente os políticos do mundo Lusófono.

Obiageli Ezekwesili

 

 

 

Obiageli Ezekwesili, a vice-presidente do Banco Mundial para África defendeu que "é preciso envolver a população" e criar "confiança pública na forma como o governo está a abordar este tipo de problemas. Referindo-se a Angola relembrou: a pobreza e o excesso de população em Luanda são uma "bomba-relógio" e aconselhou o governo angolano a incluir os cidadãos na discussão sobre o futuro do país. E, disse mais:"Espero que os angolanos percebam a urgência de resolver este problema (da pobreza). Angola urbanizou-se muito rapidamente e quando olhamos para a capital Luanda vemos uma concentração massiva de pessoas e sinais diários de pobreza urbana que o governo precisa combater.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:48
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Terça-feira, 31 de Agosto de 2010
N´GUZU . I

   FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

            “Gente de bitacaia”  

Em meus pensamentos acocorados na memória vesti a minha dignidade de sofer porradas nos tempos de candengue; amarguras entrelaçadas com saudade dos meus mais velhos que terminaram sua batalha de vida, essa quietude de sono feito morte; já lá vai algum tempo.

Tenho aí uma foto sarapintada a preto e branco, amarelecida do tempo e das caganitas de moscas mostrando um homem vestido de terno com colete, camisa branca, olhos vivaços com nariz e perfil de beirão e um impressionante bigode retorcido em curva ascendente.

O tempo legou-me a foto de meu avô que só conheci de falas, de quando embarcou para o Brasil para fazer fortuna mas que na volta só trouxe tuberculose; como diziam então minha avó Topeta e restante família “veio tísico” e teso como um carapau (referiam-se a dinheiro).

Nas chicotadas de um destino injusto, meu avô gozou enquanto pode; por lá se amilongou com uma mulata da qual teve duas filhas e, se forem vivas terão para aí uns 75 a 80 anos. Até aqui calei, não deixei falar meu coração emboscando palavras fervidas em minha garganta.

 Candengues do Cassequele

Meu pai, trabalhador de pedra lascada, aparada e polida agarrou-se a antigas linhagens de fio de prumo e, seguindo as pisadas de tantos outros entrou num vapor de nome Mouzinho e embarcou para Angola. No Lucala quando da construção da ponte para o caminho de ferro de Luanda um dia internou-se no mato e teve a dada altura de subir para uma acácia perseguido por uma pacassa ferida a que e, se bem me lembro, ele deu o nome de solitário. Tinha consigo uma catana que de nada valia para se defender daquele búfalo e por lá permaneceu umas horas. Muitos anos depois voltou de lá com uma bala no joelho, carregado de porradas pintadas em nódoas negras. Os mwangolés do Nito Alves armados até ao tutano, gente de bitacaia, ensaiaram com ele uma guerra de cassequele e, botaram-no atráz do aeroporto de Belas que nesse tempo se chamava de Craveiro Lopes. O senhor Manel, meu pai, acabou por ficar nas Beiras e lá morreu naturalmente entre os pinheiros e capinzais de silvas no lugar de Barbeita.

 

FLOR DE MARACUJÁ . HORTA DO SOBA 

Nestes tempos do Puto recordo conversas entre ele e com um amigo fubeiro, seboso de ranços e suor de caligrafia analfabeta, óleo de palma da venda do mato, sardinha e peixe podre, tudo escrito numa caderneta de linhas quadradas; falava à preto no livro da vida dele.

Levavam horas basculhando dixitas da “sua” Angola, “sua” Luanda com gente ajudando gatos e cães na sobrevivência urbana. Falar p´ra quê e, não dianta procurarmos mwangolés, generalistas, capitãnistas; não dianta procurar o que o destino já escolheu para lhes dar. Esses oficiais mais que tenentistas, muitos mesmo, nunca que foram na frente de combate, muitos numerosos confirmam não confirmar.

Muitos mwangolés agarraram-se às suas antigas e gloriosas famílias dos reinos colonos, mafulos e mazombos feitos fidalgos; gente de escassa memória p´ra tanta dignidade e previlégio. Muitos que vão exigir de ser chamados de excelência e excelêntissimos com camaradas na segurança de suas riquezas, carros esfumados, importados e descapotados.

As lições da vida têm de ser sempre passadas a limpo, só nossa morte é quem pode ficar em rascunho.

 

Glossário: N´guzo: - força, destreza (quimbundo); candengue: - rapaz, jovem; amilongou: - amigou, emancebou (união de facto); pacassa: - búfalo,; mwangolé: senhor de angola, que se diz angolano, ter pinta ou banga de cazucuta, desenrrascado com vidas paralelas; cassequele: – um bairro de revolução, bairro da Zita comuna; dixitas: - lixeiras, sugeira das barrocas; bitacaia: - bicho de pé, matacanha.

(continua…)

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:07
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 24 de Junho de 2010
CAZUMBI . I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “O Rosa morreu!” 

 

O Vermelhão….O diabo feito gente

 

O ilustre canalha morreu. Não o vi deitado no caixão com flores de plástico a contornar-lhe o semblante em almofada de setim. Não,…as flores não eram de plástico, tinha devotos amigos que lhe deram rosas verdadeiras e muitos cravos; todo ele ali rectiliniamente gelado era uma múmificada rosa. Antes ele que eu, mil e uma vez sussurravam em surdina seus amigos do ancestro passado, oferecendo pêsames no seu velório. Não sei se no sermão de sua alma o padre que imagino um  fleumático encarquilhado comuna  construiu um conto de terror borrifado de fantasmas escarnecendo-lhe o toutiço, encarquilhando-lhe a carcaça extraida por uma nefasta vingança.

Soube pela Internet que essa quietude mística da noite feita morte lhe bateu à porta.

Já não é necessário assassinar o malvado; defuntou-se condenado em sonhos agitados, cheio de muitos frios viscosos bebidos ao último suspiro do raciocínio infiel. Infiel,…creio que sempre o foi e, nos quintos do inferno vai ter que sofrer  a prolongada dança que geriu a sua vida de terror.

 

 Angola . do outro lado do tempo

A morte do Rosa não me impressionou, foi a naturalidade mais natural que lhe aconteceu; dessas mortes que se querem para sempre sem reencarnação ou roubo de identidade.

Atormenta-me um pouco, só um pouco ser tão indiferente à morte, mas esta não é a morte dum qualquer, … é dum filho da peste que só causou dissabores a tantos portugueses e angolanos.

Os fantasmas erguer-se-ão dos sarcófagos para lhe dar uma surra, lá no outro lado das trevas e deus me livre e guarde de vir a encontrá-lo numa qualquer esquina do futuro; não se livrará da minha catanada sem lamentos postumos, nem festejos de compaixão. Por agora vou enrolá-lo num charuto cubano, picá-lo com um palito, trincá-lo e fumá-lo até o o toco findar e o ronco de voz me queimar os lábios.

Em tempo algum escrevi algo tão cruel, mas safei-me do compromisso voluntário de lhe dar um tiro nos cornos.

O almirante vermelho morreu.

Deus é perfeito, a cada um destina a sua hora mas, que me desculpe, deu um relógio estragado áquele filho da peste.

 

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:08
LINK DO POST | COMENTAR | VER COMENTÁRIOS (1) | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
ANGOLA, PAÍS DA GAZOSA . III

CORRESPONDENTES DO KIMBO

*MALEMBE-MALEMBE*

As escolhas do Exmo Embaixador do Kacuacu

“kianda  Bonibioni da Katumbela"

 

A CAMINHO DAS INGOMBOTAS


Juca, no quintal das Ingombotas com os Ong´s

Juca, sempre sobreviveu das lagoa do Lifune, nas pescaria n´dele e, despois das confusão da independência e guerra cus búfalo e Unitas, foi para o kafunfo trabalhar cus feijão mas, a vida por demasiado, só lhe chorou.

Juca tem a minha idade mas as rugas fazem-no muito, por demais, mais velho. Naqueles entretantos longínquos, eu era o menino da xitaca, lá das cassoneiras e girangolos das n´nhacas mas, com o tempo virei patrão; do que ele me relatou à sua maneira sobre o como é agora, passo a resumir com aqueles trejeitos de quem sempre comeu de gosto, pirão com a mão.

Entre o Maculusso e a Nossa senhora do Carmo da Luua, já noite, pausa para o café das Ingombotas; no quintal das farras de antigamente, despejei conversa de puxa palavra e foram saindo conversas mas, hoje havia visitas importantes da UNICEF e outros espanhois das Asturias.

De quando em vez o galo maluco do vizinho Candinho esganiçava o canto bem no alto daquela carcaça velha duma Mágirus, toda cagada de branco, merda de pássaros e pombas santas do Carmo e uma ferrugenta geringonça com crivos em lata e funis virados para o espaço que ainda alimenta sonhos. É verdade mesmo! Esta máquina produz arco-íris nos dias de trovão seco e cacimbo murcho.

Mas!...


Juca, hoje só escutou o que diziam os kotas mais entendidos e gente mais estudada. Eram a Loue Huass, chefe da comunicação da UNICEF em Angola e Guilherme Márquez, chefe do programa SIDA  em Luanda, Angel Noval Balbin, presidente da UNICEF-Astúrias da representação em Angola, Rafael Palácios, KoenVanormelingen, Kotas da UNICEF e António Helder dos Santos , director dum grupo de candengues do teatro. Todos, mesmo só falando verdades entre  eles:

A violência provocada pela alteração de valores após a guerra, aflige Angola tão rica em recursos naturais que, representa por isso mesmo, o extremo da maldição (uma contradição, quase!...): instabilidade moral e politica, corrupção com ditadores de mansas maneiras e implacáveis práticas.

Roubam a riqueza da nação com uma violenta aversão ao compartilhamento do poder. É qualquer coisa parecida como uma anarquia democratizada.

Os mwangolés do futungo, senhores do tudo, dizendo ter senso de responsabilidade, dão benesses à a força de nomenklatura corrompida  oprimindo o cidadão  comum.

As riquezas engendram má governança e as instituições de controlo, funcionam  sem uma observação legitima e efectiva sobre o roubo de fundos da nação. Um descarado abuso da confiança pública.


Aquela gente que fala caro disse mesmo que os “Sem-terra do Brasil” são uns senhores com qualidade de vida a comparar com as gentes do musseque “lixeira”.

Em Angola o progresso não tem horizontes, é solavancada por procedimentos bizarros. Compram-se titulos de doutor, de engenheiro, de chefe de qualquer coisa e depois entram nas Universidades do Puto a copiar Sócratas o kota ministro de lá.

Meu!... assim, como é mesmo que não vai dar corrupção na incompetência.

Angola não anda!...Só caminha mesmo.

A Luua é uma miragem do “após-calipso”,com carros de tracção a dez rodas e asas voadoras para passar rios de merda, vuzumunando mau cheiro, fedorenta mesmo; e, quem vai poder esquindivar ?...

Angola ainda não é um país,meu!...é uma inicuidade incrivel de miséria enrrolada em faz-de-conta e carências desumanas. Os “sem-nada” vão se desenrrascando, só.


(Continua....)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:10
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 9 de Abril de 2010
ANGOLA, PAÍS DA GAZOSA . II

CORRESPONDENTES DO KIMBO

*MALEMBE-MALEMBE*

As escolhas do Exmo Embaixador do Kacuacu

“Jacaré kianda  Bonibioni da Katumbela”

 

sábado, 15 de novembro de ... LUANDA . ROQUE SANTEIRO

Pópilas!...

Juca Kat´chipemba falava dos antigamente, naquele linguajar próprio de quem só sabe falar, das cuesas que lhe mexiam na cabeça e que não estava mesmo certo; a todo o momento jurava que, sim patrão, jura mesmo, o país num anda; só caminha.

E, eu ali estava, bem por demais, debaixo daquela mulembeira do Kacuacu; nos frente era só capim e, lá muito no longe, despois dos embondeiros e os mato cheio de bissapas, se viam as luzes do lusco-fusco de Luanda.

No despois do almoço do Lifune de cacússu com mandioca de funji, por ali ficamos, só falando e rindo no catravés doutros tempos, de quando nós éramos candengues e garrávamos rabo-de-junco e piriquitos juntos e, dávamos berrida nos lagarto pintado de colonialista, vermelho e verde, sempre sustando a gente nos pedra dos cajueiro e os maboque que garrávamos na estrada de Catete!

Haka! (...) Patrão, tem saudade daqueeeele tempo, jura mesmo! (...) Agora esta terra só tem kissonde rico! No resto, tudo nas maioria, é mesmo pobre.


Angola, sendo duas vezes maior que Espanha, com aproximadamente 16 milhões de habitantes,  70%  da população vive com menos de 1,7 dólares por dia. Sendo Angola o maior exportador de crudo de petróleo, a riqueza só está na mão de uns poucos.

Angola com uma economia forte e crescente, é um país de contrastes com um comportamento raro social tendo 80 % de pobres com extrema penúria, comparaveis à população do Haiti e, tendo uns poucos muito ricos, inchados de prepotência; estes apresentam-se aos demais com carros do ultimo modelo de vidros esfumados. Que se saiba, há  um carro todo em ouro de um desses magnatas de factor P3: “ prepotência, poder e petulância”.


O aluguer de um pequeno estudio do tipo A zero  tem o preço absurdo de 3000 dólares ao mês e um simples quarto de uma qualquer casa de bairro de Luanda, fica por 250 a 300 dõlares por mês. Estes preços excessivos tornam Luanda na cidade mais cara do Mundo; ainda mais que Tóquio ou Nova York , um absurdo!

Estando Angola num surto de desenvolvimento superior a 14 %, tornando-a no país com maior ascenção por via do petróleo, apenas 15000 cidadãos têm emprego fixo e estável. Serviços básicos de fornecimento de água, energia e recolha de lixo,  são sumamente defecientes.

A “Luua” não só é cara como insegura e, não o é  só  para estrangeiros; os cidadãos nacionais sentem isso na pele, no dia a dia. O estrangeiro é olhado de vies e a ele é-lhes exigido todo o tempo a factidica “Gasoza” e sofre algumas contrariedades perante os angolanos kamundongos. Os naturais de Luanda “menos cultos”, matumbos, retaliam com minudezas linguisticas (uatobam) e giria os não nacionais entre os quais os tugas, portugas, besugos, gwetas de tugi, mazombos do puto. Os Chineses então, nem falar, ficam abaicho de cão e chamam-lhe os canibais,... Os mujimbos dizem que comem gente nos pik-niques com tira gosto de cobras e cachorros em espetadas entremeadas de pimentos e outros vegetais. Pópilas!

Contra “os xinas” os “muxoxos” do povo até espirram canivetes de jindungo. No bairro da lixeira (dixita da Luua), chamam aos amarelos de “diquixes” (monstros de mil cabeças)

Na Luua aonde acontecem comportamentos absurdos, o lixo transborda nas avenidas, nos muceques,  nas praças e pracetas. Pode comprar-se pasteis em bancas improvisadas tendo ao lado um rio de água de esgoto correndo a descoberto.

 

(Continua....)

O Soba T´Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:08
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010
CURIOSIDADES

  ANGOLA E O MUNDO

A mulher mais poderosa de Portugal é angolana - Pedro Santos Guerreiro

 

mulher Angolana esta cada ...  MULHERES DE ANGOLA


Lisboa - Portugal tem muitas mulheres importantes, algumas são ricas, poucas são poderosas.
Uma é as três coisas. Tem 36 anos e não é portuguesa. É a angolana Isabel dos Santos.

O "dinheiro dos angolanos" pesa sobre muitas consciências


Os angolanos são entronizados em Portugal

 

Dizem que detesta ser tratada como "a filha de José Eduardo dos Santos". Pela maneira como se está a afirmar em Portugal, um dia trataremos o Presidente de Angola como "o pai de Isabel dos Santos".
É a nova accionista da Zon. E de muitas outras empresas. Uma atrás da outra, todas lhe estendem tapetes. Tapetes verdes, da cor do dinheiro.
A mulher mais rica de Portugal, segundo a "Exame", é Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo Silva, com uma fortuna de 731 milhões de euros.  Não tem metade do poder de Isabel dos Santos.
E tem apenas uma fracção do seu dinheiro: só na Galp, BPI, Zon e BESA, a empresária angolana tem quase dois mil milhões de euros. Fora o resto.

A lista dos dez mais ricos de Portugal está aliás cheia de pessoas que fazem negócios com a família dos Santos. Américo Amorim é sócio de Isabel na Galp e no Banco BIC.
Belmiro de Azevedo, segundo foi noticiado, quer ser parceiro de distribuição em Angola.
O Grupo Espírito Santo tem interesses imobiliários, nos diamantes, na banca. Salvador Caetano tem concessões. O Coronel Luís Silva acaba de fechar negócio para vender acções da Zon a Isabel dos Santos.
Zon onde João Pereira Coutinho e Joe Berardo são accionistas.

 

Da lista dos mais ricos, só a família Mello e Soares dos Santos estão "fora" da geografia.
O "dinheiro dos angolanos" pesa sobre muitas consciências.
Soares dos Santos foi o único a assumir publicamente o desdém pelos níveis de corrupção de Angola.

Isabel dos Santos é accionista da Zon e sócia da PT.
É accionista do BPI e sócia do BES.
É accionista da Galp e a Sonangol é parceira da EDP.
A empresária garante que não tem relações com as actividades do seu pai e da estatal Sonangol.
Identificando todos os interesses em causa, as relações de sociedades portuguesas alargam-se ainda à Caixa, Totta, BPN e Mota-Engil.  Dá um índice bolsista.

 

O que faz com que tantas empresas portuguesas implorem para fazer negócios com Isabel dos Santos?


E que Isabel "jogue" em equipas rivais, concorrentes confessos em Portugal, sem um pestanejo?
Só uma coisa consegue tanto unanimismo: o dinheiro.
A liquidez angolana, que desapareceu de Portugal. A contrapartida de acesso ao crescente mercado angolano.
Os portugueses não abrem os braços a Isabel dos Santos, abrem-lhe as carteiras - estão vazias.

O casamento entre angolanos e portugueses tem as prioridades do das famílias feudais: o interesse está primeiro, o amor virá depois, se vier.  E o interesse é recíproco: os angolanos são entronizados em Portugal e na Europa; os portugueses são-no em Angola e em África.
 

Não há equívocos, há dinheiro.

 

Os últimos dois grandes negócios de Isabel dos Santos em Portugal, no BPI em 2008 e na Zon em 2009, tiveram uma curiosidade cabalística: ambos foram fechados na terceira semana de Dezembro, ambos de 10%, ambos por 164 milhões.  Na Zon, pagou um prémio de 26% sobre a cotação.
Comprou caro? Comprou mais barato que os accionistas que estão na empresa. Comprou bem.

Isabel e José Eduardo construíram um poder tão ramificado em empresas portuguesas que só o Estado e Grupo Espírito Santo os ultrapassarão.


Tanta concentração de poder é mais ameaçadora do que uma nacionalidade.


Em Portugal, Isabel e José Eduardo não são Santos da casa mas fazem milagres.

 

Fonte: Jornal de negócios MULHERES DE ANGOLA



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:13
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
MAYOMBE 2010 . III

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        Na floresta do Mayombe

  ENCLAVE DE CABINDA    Cabinda ocupa una petita ...             

                           

Quarenta e tantos anos depois estou no “Brasil”, terra de matutos, piratas e almocreves tropeiros,  vendo ao longe a terra que me deu luta em dois anos cobiçados numa  paz que não se chegou a firmar: - Cabinda!

Mudam os ventos, mudam as politicas e, enganam-nos, sem outras formalidades ou aqueles trâmites chatos de explicar o inesplicável. A notícia no Puto empolga os defensores duma outra integridade explicitada na envergadura patriotoca ao EmPeLá. A bajulação continua; a submissão, também.

Os filhos do Puto, empoleirados em casos de galhos gordos, confundem e obstroem silêncios de raiva arrumada como um tufo de seu pasto, a propósito.

 

Mais seco e com a idade bastante  riscada, atrevo-me a dizer que este CAN.2010 é em Cabinda, um atentado  ao tratado de Simulambuco, feito algures ao largo da foz do rio Zaire na corveta Rainha de Portugal  entre o capitão-tenente Guilherme Brito Capelo e os chefes locais de Cabinda e Bumelambuto.

 

Desde entâo, 22 de Janeiro de 1885, decorridos que são cento e vinte e cinco anos após tal tratado que preservava a floresta, os habitantes Fiotes e os bichos, deparamos que preservar esses valores naturais, como então se fazia constar, agora e na Angola do Zé-Dudu, esses mesmos valores tornam-se irrelevantes por um acto de liberdade feito com metralha  pelos homens da FLEC.

 

Há convicções ou ideias que precisam de ser expostas ou defenidas por um exercício de cidadânia na vontade firme de se sêr livre. E, quanto a isto pergunto:

- Não vai este CAN ser o início de uma sucessão de soberbas excrecências políticas?

A prosápia Kaluanda do Zé-Dudu leva a decisões envenenadas, pretensa reforma com ideias  de perpectuar o seu mando, seguindo as pisadas loucas do Ugo Chaves da Venezuela. E, o povo Imbinda, menosprezado,  vai ter de se acomodar ao deixa andar, arejando farras novas no Kinaxixe para engodar  consciências?

Este filme já foi visto à pouco mais de um século quando o Império Colonial tinha supostos amigos e aliados da Lusa Pátria.

Os sem dinheiro, pelintras almocreves kaluandas, irão continuar a  sobreviver vendendo bugigangas nos cruzamentos da Luua, sem nada perceberem.


( Continua......IV )

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:37
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 24 de Janeiro de 2010
PESTANADAS

  Notícia antiga, derrogada

 

Gente Com Língua de Gato

 


Juro por tudo, não queria tratar este assunto. Até já tinha uma crónica prontinha para o número de Janeiro, falando de coisas mais interessantes. Mas houve alteração de programa e pedem-me os editores para escrever sobre algo relevante que aconteceu este ano em Angola, a jeito de tiro final.

E sou obrigado a cometer o que recusava fazer: escrever sobre lambe-botas, atipicismos e outras esdruxulices que relampejaram nos calmos e previsíveis céus da política cá do burgo. (Angola)

Há tentativas de revisão constitucional, comissão, metodologia e propostas para se conseguir obter nova lei magna. Parece ser desperdício de tempo e talentos. Para alguns será sempre um ganho, atirando algumas questões importantes para mais longe, mas a insinuação vem de maldade minha, concedo.

Só num aspecto me parece útil, e diz mesmo respeito ao sistema do poder: se acabarem com o dito semi-presidencialismo, fico contente. Porque essa invenção francesa, talvez sirva para eles, que sempre foram de andar entre o peixe e a carne. 

Para o resto, não vejo utilidade de tanto dinheiro gasto para se mudar uma lei. Ainda por cima se não se respeita a metodologia adoptada para o fazer. Muito provavelmente, só o peixe miúdo vai apanhar com essas regras em cima e forçado a obedecer, pois os graúdos passarão por cima dela com 4x4 de luxo.

Afirmo, fazendo chover mais no molhado, um partido mudando à última hora a proposta que todos os seus membros defendiam a golpe de catana se necessário fosse, presumivelmente estará a jogar contra os regulamentos. Se fosse um cabulas qualquer a tentar jogar em fora de jogo, logo o árbitro lhe dava cartão vermelho. No entanto, a Constituição que vai ser mudada nunca foi cumprida, o semi-presidencialismo idem, quem duvida?

Mas o espantoso não é isso, estamos habituados a que não se respeite metodologias e acordos passados; o espantoso é que bastou o chefe dizer que talvez tivesse outra ideia para todos declararem que nunca estiveram de acordo com a proposta apresentada com fanfarra e fogo-de-artifício, para se arregimentarem militante e agressivamente atrás da palavra do chefe. E lá vimos os mesmos de sempre a argumentar convictamente sobre a perspicácia, a ousadia intelectual, a inovação, etc. (já se conhecem os encómios dos discursos de fim de ano ou de aniversário)...

O lambe-botismo de alguns políticos e comentadores raia a sem-vergonhice mesmo. Estão lá só para cantar angélicas melodias aos ouvidos de quem manda e apanhar as migalhas. O problema é que de tanto lamber botas os responsáveis menores e intelectuais de plantão já têm a língua áspera como lixa. De onde se conclui que o melhor militante é o que tem língua de gato. Por isso, a entrada para um próximo congresso será a aspereza da língua.

Certamente 2010 trará novas surpresas. É a nossa idiossincrasia. Por isso deve haver presidencialismo puro e duro, sem atipicismos moderadores, ou sim ou sopas, ou carne ou peixe, abaixo o semi! A propósito, só uma dúvida: bacalhau é mesmo peixe? É que se aproxima o natal e nós comemos bacalhau com vinho tinto, como se de carne se tratasse. Perplexidades típicas de afrancesados!
Pepetela

 

Concordo!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:00
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010
DESABAFO DE UM ANGOLANO

 CORRESPONDENTES DO KIMBO

             EMBAIXADOR DO KACUACU

A BANGA NO SEU EXPLENDOR DE PALANCA

 CAN 2010 [ngày 10/1 đến ...  CAN . 2010

 

 

 

Este CAN para mim é só mais uma demonstração do rumo que este país esta a tomar.

 

Em minha opinião poderiamos organizar um CAN sim mas não agora, nem nestas condições. 

 

 

 

O que é que Angola quer mostrar ao mundo? Porquê que queremos mostrar aos estrangeiros que estamos a "subir" quando na verdade a vida do Angolano continua mal? O que é mais importante para o país?

 

 

 

Soube ontem que há sectores da funçao publica que ainda não receberam o 13° salario de 2009.

 

 

 

Luz e água nem sequer  há na capital. País que organiza o CAN só consegue ter com irregularidade. Construimos hoteis novos mas temos o Hotel Turismo, Meridien, Panorama a cairem aos pedaços.(nao sei em que estado estao hoje)

 

 

 

Acompanhei pela TPA a caravana da selecção quando se dirigia ao estadio, engarrafamento vergonhoso a 1 km do estadio. Nem acessos em condições para o estadio conseguimos criar.

 

 

 

O guarda redes do Togo é baleado em Cabinda, atrevessa todo pais para ser atendido na Africa do Sul!!! E os hospitais de Cabinda? e de Luanda? Não têm qualidade? Claro que não; a qualidade é apenas para os estádios e para os hoteis. Hospitais não fazem parte das prioridades, alias os Angolanos são tão especiais, que nem sequer ficam doentes!

 

 

 

Esta nossa mania de viver de ilusoes e aparências quando é que vai terminar?

 

 

 

Vamos fazer festa com o CAN, grande show de inauguração, espectáculo nunca visto em África, estádio com sistema de iluminição 3 x mais potente que o do Stade de France em St Dennis, etc, etc e bla, bla, bla.

 

 

 

Quando tudo acabar continuaremos com todos os nossos problemas que "não se podem resolver porque saímos agora de uma guerra", para organizar o CAN (não houve argumento de estarmos em paz ha pouco tempo).

 

 

 

O terminal do Aeroporto 4 de Fev. foi restaurado para receber os visitantes na altura do CAN. Depois de décadas e décadas de reclamações de Angolanos q aquilo estava mal e precisava de ser melhorado. Parecia um problema sem solução, mas o facto é que por causa do CAN tivemos o Aeroporto reparado em 6 meses!!! Afinal era possivel !!!

 

 

 

São apenas alguns exemplos que espelham o rumo ( ou desrumo ) que este pais está a tomar.

 

 

Mesmo que individualmente consigamos "nos safar" por conseguirmos meios de enriquecer através de business, esquemas, corrupção ou comissões, a nossa vida continuará mediocre. Porque nossa sociedade está doente, não existe ordem!

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:25
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010
BITACAIA TUNGA

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO 

           Tunga penetrans

 

Durante duas noites senti uma comichão no dedo grande do pé direito, bem junto à unha; este desconforto, não sendo acentuado, transtornava. Se não dei nenhum tombo, teria de haver uma explicação para tal. Mas, aconteceu ter dado uma topada num pé de cadeira  e, observando melhor  achei conveniente lavar o pé com água morna. e ver à lupa.

 

 Pé com matacanha

 

Em uma bacia, com aquela água, limpei melhor toda a área do pé. Foi quando reparei num ponto negro circuncrito por um circulo de um tom mais amarelado. Está aí!... Esse  ponto negro era uma pulga matacanha.

Tinha tido um bicho destes em Luanda e, como tal, não me surpreendeu nem me atormentei.  Essa coisa, foi a minha crisma ou o carimbo da angolanidade e desse modo obtive a chancela de camundongo sanzaleiro.  Não havia nesse então o termo de cazucuteiro nem tão pouco de kizombaqueteiro.

  

 A pulga  bicho-de-pé

 

Tudo isto, aconteceu porque fui  até ao pântano  e de forma descuidada, chinelo no pé, cruzei os charcos da minha kianda bem por detrás da minha casa grande, branca de barras azuis.

Após amolecer a pele, com um alfinete fui contornando cautelosamente o círculo composto pela bolsa da pulga e o que ficou foi um buraco de carne esponjosa no tom vermelho de sangue.

Lembro-me que em Angola me meteram um morrão de cinza de cigarro negrito "caricoco" ainda quente, mas aqui resolvi desinfectar com metiolat, uma solução parecida com a de mercúrio-cromo.

Bicho-de-pé é como se chama aqui em Brasil. Em Angola tem o nome de matacanha, bitacaia ou bicho-de-porco; em Moçambique toma o nome de zunga ou xiquexique.

O nome cientifico do bicho é "tunga penetrans" sendo um insecto da família dos fungídeos. Apanha-se na terra, junto a capoeiras, pocilgas ou na praia, e por isso também é conhecido com essas  terminações. 

 

ChiggerBMNH.jpg O saco da matacanha

 

Por tudo isto, fiquei enriquecido na minha cidadânia pois que  medalhado desta forma  fico agora com a chancela de mazonbo de  Angola e Brasil, um cidadão do mundo.

 

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:49
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Domingo, 27 de Dezembro de 2009
SABOR DE MABOQUE . II

    FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

   " No Palácio do Governo”

    Ainda falando do livro de Dulse Braga recordo:

 

 SABOR DE MABOQUE O LIDRO DA DULCE BRAGA

 

Recordo que um pouco de mim por lá ia ficando, ficou; reinventando a minha própria vida recreei ideias novas, alguns ideais velhos noutras  ousadias.

Peregrinando maleitas desfrisei a vida descruzando agouros de tempos bafientos. Havia recíprocas saudades com odores de mamoeiros na parte de trás do quintal.

 

«Aquela foi uma longa e tensa viagem. Quando paravamos o carro nas barreiras militares, perscrutávamos cautelosamente os símbolos das farda, o dialeto que falavam  e a compleição física dos homens para termos a certeza de que não pertenciam ao MPLA. Por morarmos no Bié, provincia dominada pela UNITA, tinhamos sido forçados a nos filiar a esse movimento que emitia uma carteira de identificação. A minha, eu havia perdido em Silva Porto  (Cuito). Esse registo era como óleo lubrificante nas barreiras da UNITA, mas podia significar a morte numa barreira do MPLA.»

 

Isto que Dulce refere em seu livro eram instruções básicas que serviam para ambos os movimentos armados.

 

« Dia 27 de Agosto de 1975, já em Luanda, fui com a minha mãe à igreja da Nossa  Senhora dos Remédios, que servia de Sé  de Luanda desde 1897, na actual rua Rainha N´Zinga (Jinga) M´bande  que viveu entre 1583 e 1663; filha de N´Gola Kiluanji Kia Samba, o rei de cujo nome saíu a denominação de Angola. Só no Brasil é que vim a tomar conhecimento da verdadeira história da minha terra; em tempos coloniais só nos davam a conhecer os padrões plantados ao longo da costa e pouco mais.»

 

Eu, O T´Chingange, nesse então, estava em Luanda como deslocado e desalojado. Ido da Caála com uma guia de marcha apresentei-me no Palácio do Governo e e ali fiquei como destacado ajudando outros funcionários do Quadro Administrativo a tomar o avião o mais rápido possivel para o Puto.

Com um salvo conduto assinado pelo ultimo Governador de Angola o Alto-Comissário Leonel Cardoso movia-me com alguma facilidade e, sei o quanto são verdadeiras as descrições do dia a dia de Luanda, a carência de viveres enquanto na periferia, num tal cinturão de  defesa rebentavam granadas que mais não eram para provocar o medo. Afugentar os brancos seguindo as ordens do Almirante Vermelho Rosa Coutinho.

No palácio eu, ia avisando pelo telefone os Administrativos, Administradores e angariadores do contrato, alguns perseguidos: - que se deviam encaminhar para o aeroporto Craveiro Lopes (ou de Belas).

 

( Continua... a ponte dos retornados...III)

O Soba T´Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:15
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

Sábado, 26 de Dezembro de 2009
LUANDINO E OS MAZOMBOS

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

          O LIVRO DOS GUERILHEIROS

 

Começo por exclarecer que mazombo é o nome dado aos filhos de brancos Portuguêses nascidos a partir de 1640 em Pernambuco. Embora não houvesse nesse então, muitos brancos e brancas em África, já havia no entanto brancos, filhos destes, nascidos aí. Foram os primeiros brancos, nativistas dos actuais brancos também referênciados como brancos de segunda e que originaram a prole de mestiçagem que constitui a sociedade Angolana de hoge.

Neste livro de Luandino, mazombo surge como um vocábulo depreciativo de palerma mas, está àquem do termo verdadeiro atendendo à semântica comungada entre Brasil e Angola com Governadores Gerais comuns. Estes, normalmente eram os Capitães da armada Real que assumiam ambos os cargos e daí transladarem homens feito escravos, para suas capitânias do Brasil.

 

 Portal e Comunidade de ... O livro de LUANDINO

 

As armadas eram subdivididas e, do regresso do Brasil levavam n´zimbos, buzios de boa cotação para aquisição das “peças”, o nome dado aos escravos. Este dinheiro veio a ser substituido por libongos ou panos, e mais tarde dinheiro em bronze, com o nome de macuta.

Nesta crónina bregeira, sou um mazongo bezugo com direitos irreconhecidos à nacionalidade Angolana mas, quero lá saber disso,... Já sou soba à muito tempo pr´álem de ter sido  vizinho deste meu patrício e amigo Luandino Vieira na rua de Oliveira Barbosa, paralela ao rio seco, não muito distante da Cacimba da Maianga ou Manhanga e perpendicular à António Barroso. Bem,... eu morava na rua José Maria Antunes, uma rua que quando chuvia também parecia um rio.

A dedicatória do livro faz-me justiça pois que logo a seguir aos rios velhos vem: - Ao C. M. (T´Chingange), camundongo e amigo, assinado um êlle com rabiscos em forma de êmmes  e um Òoo mal fexado no final,... um traço por debaixo.

 

E, uma pequena parte do livro fala assim:

 

«...”era uma vez no tempo que não tinha minas nas picadas, a gente ainda andávamos descalços de medo. Neste tempo agora, ele, Makongo, cheirava o chão mata e ar, mas sempre queria se vanguardiar, todo voluntário em itenerário perigoso. Nosso comandante, o camarada Ndiki Ndia, assimilado como era, aceitava. A gente, deixávamos; ninguèm pedia crítica ou autocrítica – na vida não deve se contrariar miondona de cada qual, ponto de ordem. E a dele, as dele, de geração eram, isso era: o Kinjila Solongongo que no voo não pia só, arripia também. Porque três vezes o voo da mina, por perto ou por longe, e ele já se cambalhotava no pó,  placado nos zungais depois do estoiro. No minuto de antes saquelava, era quimbanda de perigos. Se diz que nessas horas ouvia-se sempre o piado do holococo voando muito alto.”...»

 

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:07
LINK DO POST | COMENTAR | VER COMENTÁRIOS (1) | ADICIONAR AOS FAVORITOS
|

RELOGIO
TEMPO
Weather Forecast | Weather Maps
Abril 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9

19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30


MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
AS NOSSAS FOTOS
Facebook
Kimbolagoa Lagoa

Criar seu atalho
ARQUIVOS

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

TAGS

todas as tags

LINKS
PESQUISE NESTE BLOG
 
CAIXA MUSICAL
CONTADOR
ONDE ESTÁS

Sign by Danasoft - Myspace Layouts and Signs

blogs SAPO
subscrever feeds