Quinta-feira, 24 de Julho de 2014
XICULULU . LI

ORIGEM DO NOME LUANDA - Foi fundada a 25 de Janeiro de 1576 - I

Xicululu: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por

  T´Chingange

  A cidade de Luanda, foi fundada a 25 de Janeiro de 1576 pelo capitão Tuga chamado de Paulo Dias de Novaes após ter desembarcado na baia  de Loanda com cerca de 700 homens (soldados, padres e almocreves). Em 1576 manda construir a igreja de são Sebastião na fortaleza aonde agora se encontra o museu das Forças Armadas Angolanas. Antes da chegada dos Tugas, Luanda já era habitada pelas gentes do rei do N´Dongo concentrando-se no lugar seguro da ilha de mazenga a que os portugueses chamaram de ilhas das cabras por ter visto ali alguns destes caprinos. Viviam ali os Muxiloandas, oficiais do reino de N´dongo que recolhiam os n´zimbos para transaccioná-los como dinheiro.

 Loanda em 1856

O Rei de N´Dongo ou Kongo, era o dono e senhor daquele espaço, por assim dizer o banco de N´gola. Seus zeladores Muxiloandas, cipaios e gente miúda laboravam na apanha e sequente selecção atribuindo ás conchas o respectivo valor monetário; para se ter uma ideia da relação de valores de então temos que para o Manikongo, 1 galinha valia 30 n´zimbus e uma vaca  cerca de 300 n´zimbus, 3000 caurins ou  6000 lufuzus. Qualquer invasor daquele espaço era retaliado com severidade ou morte em caso de insubmissão às ordens do reino ou reincidência em actos de roubo. Era esta a lei conhecida por kikongo que se confundia com a morte e de quem os súbditos tinham o maior medo.

 Todos estes funcionários dormiam em libatas feitas de folhas de coqueiro dormindo em loandos ou esteiras feitas por folhas entrelaçadas da mesma árvore. Foi assim e, daqui, que mais tarde se começou a designar aquele como o lugar dos loandos exportando para o reino este uso de estar, dormir e espreguiçar. Mas, Loanda de então já tinha sete povoados e foi só em 1576 que o rei  N´gola Kiluanji Kiassamba autorizou a fundação de São Paulo de Loanda. Paulo Dias Novaes, aportou ali na ilha da Mazenga levando presentes da coroa de Portugal para o Reino de N´gola e, por intermédio do fidalgo negro Dom Pedro da Silva, estabeleceu uma aliança entre os N´Gola e o M´puto.

 

 Um daqueles sete povoados ou sanzalas de então, era as Ingombotas, caserio que no correr do tempo foram armazéns depósito de negros escravos enquanto esperavam embarque para terras de Vera Cruz; um outro conhecido por Maculussu, assim se chamava por ser o sítio das cruzes reservado aos Tala-tona que já entendiam e falavam algum português os chamados assimilados; também viviam ali os fiéis macotas do reino de N´dongo ou N´gola; Os demais eram abandonados lá no lugar do Cazenga para pasto de leões e hienas salvaguardando a povoação destes predadores.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:44
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Domingo, 20 de Julho de 2014
MOKANDA DA LUUA . XXVI

ANGOLA - JOANA MISSANGA – UMA HISTÓRIA D´ AMOR

Por

 Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

O conto de hoje pode dizer muito a algumas pessoas.

   Os dois longos anos de comissão em Angola tinham sido passados entre o Úcua e o Piri e algumas raras surtidas a Luanda quando recebia o pré. O lugarejo, encravado na serra da Lousã do M´Puto onde nascera e onde vivera até á a maioridade, tinha-se eclipsado da memória desde o dia em que o Uíge acostara o corpanzil de aço ao cais da capital angolana para um merecido descanso, depois da longa travessia do atlântico, carregando no bojo milhares magalas de pela rosada e fardas de caqui. O coração soltou-se do meu peito e palpitou feito vadio por entre as palmeiras do Paulo Dias de Novais, nadando alvoraçado nas águas cálidas da baía. O cordão umbilical quebrou-se naquele instante de magia rara.

:::     Meti consciente o requerimento para ficar em Angola. Para trás apenas parentes afastados que tinham encarado a minha orfandade como um gasto adicional e inesperado. Rumei para sul na rota imaginária dos sobreiros e pinheiros da serra continental e acabei no planalto da Huíla deslumbrado com a sua ossatura majestosa, as suas cascatas, os grotescos embondeiros e a sombra benfazeja das suas mulembas. A loja do mato era pequena mas era minha. Duas portas, três janelas e a cor de tijolo pespegada nas paredes para disfarçar o pó da terra vermelha e fértil. No pátio interior, a cacimba namorava uma mulemba gigante que sombreava a cozinha edificada no exterior. Pela madrugada os bois gentios mugiam clamando por liberdade e pasto, chocalhando as hastes enormes. O odor da terra embriagava-me quando madrugava para os soltar.
   A primeira vez que ela se aproximou do balcão com a timidez de uma gazela, os meus olhos perderam-se no seu colo ondulante bordado com um humilde colar de missangas. A pele mulata não permitiu o vislumbre de qualquer rubor, mas as pestanas negras ocultaram por segundos as íris cor de erva e só voltei a vê-las quando me pediu para lhe vender umas tantas contas de vidro colorido. Depois de rebuscar por entre os rolos de tabaco de odor almiscarado, os remendos para as bicicletas, as samacacas e frascos de brilhantina ofereci-lhe as missangas rejeitando a nota que ela me queria dar.
 Foram tempos inolvidáveis. De mãos entrelaçadas víamos o sol da kúkia deitar-se ao embalo da chilreada dos tentilhões e do arrulho namoradeiro das rolas. O Padre Mateus obrigara o Luís Chaves e a Joana Barros a sacramentarem o seu amor na igreja da vila. Nessa noite a lua nasceu deitada, preguiçosa pronta a ser emprenhada pelo céu estrelado. Estou no meu lugarejo encafuado algures na Lousã do M´Puto. A menina de pele trigueira e olhos cor de erva folheia o álbum de fotografias desbotadas. – Quem é esta? – É a vovó! – Como se chama? – Joana Missanga como tu. – Está aonde? – Está lá longe onde a lua nasce deitada! - Porquê que não está aqui, porquê que estás a chorar vovô, estás a molhar a fotografia. – Pronto não te deixo ver mais.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2014
MOKANDA DO SOBA . LVI

NAS MALAMBAS DO TEMPO . A EIL (Escola Industrial de Luanda) e o Gato Preto de Rio Maior…

MALAMBA: É a palavra

Por

   T´Chingange

 Saindo de Johannesburg via Dubai em 30 de Maio de 2014 pela Emirates flights, chego a Lisboa em um sábado dia 31 de Maio, exactamente o dia do encontro dos “Antigos alunos e professores da EIL”. Já em Lisboa, telefono a meu Mano Corvo costa Araújo x 2, pintor de craveira internacional dizendo-lhe que gostava de lhe dar um abraço e um licor de marula. Dito e feito, compro um novo telemóvel celular e dou indicações que iria chegar já tarde para o almoço em Rio Maior, no Gato Preto e na Quinta das Acácias. Chegado lá já quase no fim do almoço com algazarra animada, entro e logo encontro o Barbeitos. Chamo-o pelo nome e ele assiste. Pergunto-lhe aonde estão os tipos da pintura decorativa e se sabia quem era o Costa Araújo; nada! Encolheu os ombros, sinal de que não conhecia o meu ilustre amigo; encontrei-o no meio de animada cavaqueira e, sai daí um forte abraço com mais de 40 anos de ausência. Ali estava Pombinho que fanfarronava suas peripécias citadinas com sua bike na muxima do Tejo em Alcântara com seus fumos de vaidade.

 Ali dentro, cruzo com gente de familiar semblante, eles e elas com quem convivi por pelo menos dez anos estudando electricidade mais preparação ao Instituto e também mestrança de Construção em regime nocturno. Havia ali artistas, químicos analistas, serralheiros mas, sem distinguir neles seus recantos de qualquer mutua amizade. Não estava na festa errada e até reconheci muitos mas, eles e elas olham indiferentes para mim com uma pulga bulindo-lhes no cerebelo. Quem será este cara? Ali estava o Morais, e sai daí um forte abraço com cumprimentos por procuração do Trofa que está na Luua; Morais, também não se lembrava do meu nome! É natural! O tempo comeu o cabelo, as rugas desconfiguraram o riso e, a certeza certezinha acabrunha-se na dúvida do será?  A mona da gente já não é a mesma! Nem com lecitina de soja catrapiscamos o véu da t´xipala. Não fiquei por ali muito tempo porque já tinha no lombo 16 horas de voo, mais desperdícios no check in e o sobe e desce nos trens dos terminais. Naquele salão do Gato Preto reparei que todos tinham um rótulo colorido fruto do musgo do tempo com carrapatos atrás das orelhas e fungos de invisíveis bitacais e um subtil cheiro de naftalina mas, era bom estar ali! Juro mesmo! Juro que era!

 As damas, embrulhadas em celofane regavam saudades olhando florinhas embaladas num vácuo de alegres camurças de macias doçuras. Algumas, notava-se nítido estarem firmadas em seu riso de sumaúma. Quase todos riscavam fósforos de cabeça partida em uma lixa ressequida no tempo tentando salvar seus brasões. Seus maridos tomando catembe, reviam as condecorações misturadas com passeios a kassoneca, Mabubas e Pungoandongo; suas grandes pescarias na Barra do Kwanza desvanecidas nos muitos anos de viuvez. Cada qual despoletava suas espoletas e, cada qual espreitava ou falava suas estrias da vida por um canudo enferrujado.

 Todos olhavam no catravés do xá caxinde, erva de cidreira e brututo com pau de Cabinda no lugar do cão; gentis cavalheiros de artérias endurecidas corações piedosos expondo as fitas de suas comendas; a de Santiago, da Ordem de Cristo, do Haji-Ya-Henda mais as da Muxima com os dolorosos chifres paridos e enxertados no bairro do Café, Maianga, Maculussu, Maianga ou Vila Clotilde. Eh pá, eh pá, espera um pouco! … Tu, pá sempre foste um gajo porreiro! … Um filho da mãe borrifando-se de garinas! … Ai-iu-é, não me fales do Baleizão! … Foi assim no pouco que vi, derrotando o dragão da saudade que vai e volta. Dragão? Qual dragão? É!... É esse mesmo, o sacana que carrega consigo o salalé da velhice no tempo. Quase ninguém deu conta mas, eu e ele, o dragão salalé estivemos lá! Um forte abraço.

 Ilustrações de Costa Araujo Araujo

O Soba T´Chingange      

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:18
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Terça-feira, 15 de Julho de 2014
MISSOSSO – IV

NO ÁTRIO DA EIL DA LUUAExpuseram ali a m´boa e, de tanto protesto dos ecologistas, retiraram a bichona…

Missosso: Da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto quimbundu. Óscar Ribas foi o seu criador.

Por

 T´Chingange

ATENÇÃO - ATENÇÃO - ATENÇÃO ...... se quizerem ouvir outra música, CLIQUEM »»»» www.connectmusicbox.com»»»» para entrar e voltem AKI, OU AQUI...

 

 Na esquina dos lábios dela, da Luzia M´Boa, podia ler-lhe o sorriso de sua verdadeira vida. Com as suas compostas feições ovaladas podia com os olhos afagar suas escamas desfrisadas em um reluzente manto como era de uso no bairro da Ingombotas. Vendo-a, lembrava-me das falas de meu pai … Se queres estragar a tua vida, casa com uma mulata; elas são umas cobras! Dá-lhe missangas de oiro e perfumes das arábias e vais ver!... Vais-vais! Vão-te ingombotar! Vocês agora gostam de ser enfeitiçados com água-de-cú-lavado por essas songamongas carnívoras de línguas bifurcadas, acrescentou num linguajar muito só dele. Meu pai, meu encarregado-de-educação, tinha sempre um discurso curto e agressivo; e, tinha sempre razão, mesmo quando não a tinha! Em verdade, ás vezes dizia coisas sabidas, daquelas que a mão do cérebro agarra e guarda no bolso com papéis de loterias passadas, contas de mercearia duvidosas nos zeros com sinais de multiplicar e ainda um canivete suíço para o que der e vier.

 Tudo, nas falas dele era da época, da má sorte da sueca, das condições e mentalidade, enfim, uma época que morreu mas, que deixou embrulhada superstições em novas formas de estar. Vi crescer Luzia jibóia M´Boa desde muita tenra idade, criança mesmo, desde que a fui buscar numa caixa de botas da macambira. Morava no Cazenga mas era da lagoa do Lifune por nascimento. Luzia, cresceu desmesuradamente enrolando-se de amor ao meu pescoço pernoitando-me em suas curvas escorregadias de sumaúma e, eu dava-lhe beijos ternos e ardentes, bífidos e languinhentos. Era um amor domesticado e desenfreado. Tanto, tanto que já muito adulta Jibóia M´Boa engoliu-me por amor, como se fosse uma espiga de milho do Alto-Ama. Ninguém compreendia nossa íntima relação, de jiboiarmos juntos; assim, balouçando na rede de ternura ondulada e, foi muito cheia de amor que Luzia me deglutiu quase, quase por inteiro.

 Estás quilhado Tonito! Não tem riso para a morte! Quase defuntado, quando dei por mim já só estava com a cabeça de fora! Estou feito! Raciocinei e, num repentinamente matutei, não tinha mais tempo a perder! Aflitinho da silva disse para mim na zoada do amor dela! Foi quando me lembrei da salvação... Valeu-me ter visto muitos filmes de Tarzam no Colonial; no meu bolso direito estava um canivete suíço! Com lentidão, naquele aperto amoroso, consegui abrir o tal de Macgyver e rasguei o coração da bichona. Amordaçado de aperto uterino, cortei o coração da cobra a tempo de suster o último suspiro de oxigénio. Meu Pai, encarregado de educação, de contente, embalsamou a bichona e para gáudio dele, pediu ao Director Beirão para expor aquela espécime de muita raridade no átrio da escola; isso mesmo, EIL. Surpreendentemente o Concelho Directivo autorizou mostrar a Luzia Jibóia enrolada num bambizinho atado a um chinguiço! Claro que era uma forma de mostrar a sustentabilidade das espécies aos novos formandos. Surgiram os homens da ecologia, … Que não senhor, aqui não é o lugar certo!? E, tra-la-lá, tra-la-lá, ouvidos os homens da ciência, da Liga Africana e notáveis da Luua, acabou por ir parar ao Museu de Angola junto do Kinaxixe. Creio que ainda lá está! Lembrando-me disto como se fosse agorinha; revejo-me no quanto o contar estórias, se pode tornar em uma actividade de alto risco.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:35
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Sábado, 12 de Julho de 2014
MUSSENDO . IV

LUANDA - BAILE DE FINALISTAS NA LUUA . Vens comigo comer um baleizão? …

Mussendo: Conto curto de raiz popular, missiva em forma de mokanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola).
Por

 T´Chingange

   No baile de finalistas do meu curso de Montador Electricista da Escola Industrial de Luanda, com fato emprestado cheirando a naftalina e penteado de risco ao meio, brilhantinado, com os meus dezassete anos de idade, uma moça torcendo o nariz e franzindo a testa com um sorriso de amor, disse-me: - Cheiras esquisito? É do fato ou quê? Eu, lavado com lavanda de sabonete LUX, pingando banga molhada e brilhantina roubada às minhas irmãs Laurinda e Adília, como podia estar cheirando esquisito? – Não Telminha, o cheiro exótico que tenho comigo é dum perfume que roubei às minhas manas; dizia no papel que era importado da Calábria, que dava brilho cheiroso de eucalipto de Tenerife e que durava por mais de quinze dias. Vistes!
 O conjunto dos Cunhas tendo o Manuel Flórido como vocalista acelera-me a passada com um “summertime” de um calor plasmado de fino cheiro nas camufladas nuvens do cacimbo luandino. Na alegria de rasgar a escuridão, jogo serpentinas na Telminha para quem eu, só tinha olhos de cachorro rafeiro da Vila Alice. Mais tarde, depois dumas cucas dançando com ela “reloj no marques las horas” moringuei-lhe no ouvido uma conversa de água mole preparando o terreno, melhor a areia da Corimba, numa ternura de bagre; eu, não queria mesmo dormir minhas palavras, assim, do útero de minha inteligência disse-lhe: Vou levar meu gira-discos e musica cantada por Adamo. Ela, Telminha, arrebitou osolhos doces para mim e disse que sim senhor; depois apresento-te a minha mãe! Baixinho disse-lhe que tinha o “Je t'aime mon amour” carregando na última palavra e sumindo as demais.

 O sorriso de sua admiração calada, felicitou-me com um arfar de peitos, devorando-me o sangue. Só no outro dia de manhã, já domingo, é que soube que aquilo do perfume cheiroso de eucalipto era mesmo óleo de envernizar móveis. Seja como for, isso já não importava. De consciência tranquila, inchados de alegria, eu e Telminha, burrinhamos a água morna; salpiquei-lhe palavras muito cheias de feitiço, estendendo-lhe as duas mãos. O resto, pertence ao pó da estória vadia, silenciosa a remexer problemas que nem sei ainda neste momento, como vai ficar nos finalmentes. Com o tempo, Telminha descobriu que eu tinha um choro difícil, um riso fácil e, era mentiroso compulsivo; sempre guardava nos meus dedos o branco relevo de seus vestidos bordados. Nós mentíamo-nos acreditando que tudo era verdade, nós queríamos acreditar! - Vens comigo comer um baleizão? Porreiro! Dominós ó bispo! No meu sangue vermelho de gotinhas entrelaçadas recordo as juras mentirosas “Juro, sangue de Cristo!” E, assim perdurou até os dias de hoje.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:37
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Sexta-feira, 11 de Julho de 2014
N´GUZU . XXIV

ANGOLA – KILAMBA KIAXI . Um "elefante branco" angolano

N´Guzu: Força, poder, deus da guerra.

Escolhas do 

Kimbo Lagoa

FONTE:PÚBLICO e Lusa

Kilamba Kiaxi inaugurada a 11 de Julho de 2011 e projectada para funcionar como sede do recém criado município de Belas.

O objectivo era albergar às portas de Luanda cerca de meio milhão de pessoas; até agora, o empreendimento Nova Cidade de Kilamba não passa de mais um "elefante branco" angolano construído com dinheiros chineses. Há relvados, prédios, apartamentos, escolas, lojas e estradas. A única coisa que não há são pessoas. Era suposto o complexo residencial Nova Cidade de Kilamba - a cerca de 30 quilómetros de Luanda, estar por esta altura cheio de habitantes, mas até agora não passa de uma cidade-fantasma. As pessoas que aí conseguiram comprar um apartamento, vêem-se agora a braços com propriedades depreciadas. A empresa China International Trust and Investment Corporation (CITIC) gastou 3500 milhões de dólares nesta urbanização que, uma vez completa, ocupará 5000 hectares. Em troca, Angola pagou este investimento com a sua matéria-prima mais preciosa: petróleo.

 Este investimento é o mais significativo de uma série de “cidades satélite” que estão a ser construídas por empresas chinesas um pouco por todo o país desde que Pequim começou, há alguns anos, a investir fortemente em Angola. O governo angolano promoveu a Nova Cidade de Kilamba como um novo paraíso para a classe média angolana, que podia aqui encontrar um estilo de vida mais relaxado que no centro de Luanda. Mas, num país onde a classe média ainda não tem visibilidade nem poder económico, o plano parece agora condenado. Elias Isaac, responsável pelo ramo angolano da sociedade OSISA (Open Society Initiative of Southern Africa), constata, em declarações à BBC: “Não há classe média em Angola, só os muito pobres e os muito ricos, e por isso não há ninguém que compre este tipo de casas”.

 Os factos não desmentem Isaac: quase um ano depois de os primeiros 2800 apartamentos concluídos terem sido postos à venda, apenas 220 foram vendidos. E mesmo estes - avança a BBC - não terão sido ainda totalmente ocupados. O local também não tem ainda infra-estruturas a funcionar. À excepção de um hipermercado localizado à entrada do complexo, a BBC diz que não há mais nenhum sítio para comprar comida. Nada disto é surpreendente, porém, se levarmos em conta que os apartamentos estão a ser vendidos a preços que variam entre os 120 mil e os 200 mil dólares, num país onde se estima que dois terços dos cidadãos vivam com menos de dois dólares por dia. Tudo isto às portas de uma capital considerada a cidade mais cara do mundo.

 Elias Isaac sublinha que a prioridade em Angola devia ser a construção de casas a preços reduzidos, uma vez que maioria da população ainda vive em barracas sem água, electricidade ou saneamento. A BBC acrescenta que ainda ninguém sabe exactamente como é que será feito o processo de selecção de habitantes e os mais críticos argumentam que tudo não passa de uma manobra eleitoralista. Respondendo às críticas que dão conta que a urbanização fica demasiado longe do centro de Luanda, o governo afirma: “Há sempre pessoas que criticam, mas graças às novas auto-estradas que estão a ser construídas, a Nova Cidade de Kilamba ficará apenas a 15/20 minutos do centro da cidade (de Luanda)”.

As Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:43
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Terça-feira, 8 de Julho de 2014
MISSOSSO – III

NA PRAIA DOS AMORESNo Munhungo do M´Puto

Missosso: Da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto quimbundu. Óscar Ribas foi o seu criador.

Por

 T´Chingange

 Hoje foi um dia do camano. Aconteceram Coisas do arco-da-velha que até me parece ter sido mentira. Partilhando matutices, antecipo-me aos dichotes inevitáveis que me beliscam a nobreza e fidalguia. Assim, para não ficar carregado e sozinho com tantos mistérios, vou contar à malta da Maianga do Maculusso e dos Coqueiros da Luua e demais kazucuteiros do meu kimbo, este sucedido. Eram dez horas quando resolvi ir até à praia do mato passear o cão e roçar-me na arruda, tomilho e aroeiras em um carreiro quase tapado por cardos e trepadeiras arranha-cães de picos traiçoeiros. Descendo a encosta para o barranco verde, refúgio de raposas e bichos rastejantes dou de caras com um homem de tez branca, meia-idade de tronco despido e descorado; ainda de longe saudou-me: - Good morning! Respondi do mesmo jeito! Já mais próximo, pergunta-me em inglês: - Is this the way to get to the boat-of-love?... Num lugar destes e, uma pergunta destas, até fiquei meio desconfiado, meio estupefeito! - Good! - This is the path to the beach from the bed of the Cow! Disse eu respondendo, literalmente confuso. - Yes, yes ... thank you! Respondeu o gringo da bretanha. A isto respondi-lhe um simples “have a nice day!” e, segui descomposto com esta inaudita excrescência, deixando o carcamano a olhar os fósseis de concha do tempo dos dinossauros.

 Caminhando por ali meus silenciosos problemas, este gringo, veio remexer no pó da estória que trazia no pensamento e que agora, esta, se ria para mim, gracejando espadas e arcabuzes fazendo-me gaifonas porque isto nada tinha a ver com o bote-do-amor; pelo contrário, mais era uma luta de corsários da coroa britânica com naus de piratas franceses em barcos de muitas velas, com espadas e chapéus do tipo de Dartanhan de longas penas de pavão. Quase descendo a pequena falésia da praia, noto que por detrás da rocha grande, um casal de cores avermelhadas corando ao sol ... nuínhos da silva; expunham suas partes descoradas e intimas ao léu, nutrindo além do sol e o iodo, as areias monaziticas com radioactividade de fazer n´guzo nos tintins e passaroca.  

 Para não destoar do ambiente prá-frente, descalço até o pescoço, meto-me na fria água ginasticando o esqueleto por um pedaço de tempo e, após sair desta, estico-me na rocha plana a curtir o sol; quase dormitava quando começo a ouvir um barulho de motor de barco não muito longe, e vozes excitadas. Sento-me, ponho as gafas e, deparo com algo inusitado; ali naquela pequena enseada escondida do mundo, estava um junco chinês … na minha praia!? Cheio de gente algazarrada, podia observar o que parecia ser um barco amarrotado de marroquinos ou ilegais do norte de África entrando em águas Lusas; mas, não era assim! Tratava-se de turistas desenferrujando excentricidades com chapéus de bambu. Do alto da falésia da cama da vaca um musculado Schwarzenegger chamava a atenção aos demais para o salto que viria a dar. Para surpresa minha o tipo, deu o salto e veio ao de cima de água, coisa festejada pelos demais com muitos aplausos. Este, foi o início do forrobodó porque em seguida todos saltaram para a água vindo até à escassa língua de areia da praia. Um a um, eles e elas, foram chegando também nuínhos da silva, assim como vieram ao mundo; entre abraços, nalgadas e amistosos chapadões cumprimentaram o tal casal que já ali estava. Foi neste então que reparei no tal gringo que me perguntou aonde era isso do bote-do-amor. Estava explicada a inaudita antevisão deste munhungo fora de portas, nos meus queixos. Até meu cachorro tossiu de tão inusitado, uma sarrista e sarcástica risada deslumbrando-me na imitação de Muttley.

 Num pequeno bote foi chegando mais gente e, descarregaram fogareiros de bidões, vários sacos e arcas congeladoras que iam encostando à falésia; não demorou nem meia hora e, o cheiro da sardinha assada já era tão intenso que forçosamente me abriu o apetite. Afinal tratava-se de um piquenique de gringos em terras Lusas com a ligeira diferença de estarem todos desvestidos, em pelo como Deus os botou no mundo; vinham aqui recarregar suas pilhas esfregando seus tintins e passarinhas nas monaziticas areias, de forma a ficarem radioactivos. Isto foi tão real que até parece mentira! Escrito isto, veio-me à mona a muxima de piqueniques que fazíamos na Corimba, Morro-dos-veados, Morro-da-Cruz, lá nas águas mornas a ver Mussulo; um belo dia eu, kandengue espigado, subi a um imbondeiro no Morro-dos-veados e vendo o Mussulo do outro lado mijei no mundo; Não sabia nada da estória, dos mwangolés, nem Tugas e escrevi meu nome e mais um outro de sereia com chocalhos e, no meio, um coração; só por isto eu reclamo-me kamundongo com sangue de seiva de imbondeiro! Ninguém que me vai poder tirar meus direitos!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:05
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2014
MOKANDA DO SOBA . LV

 

ANGOLA NAS MALAMBAS DO TEMPO . Foi no Hotel Presidente em Cuba… Na marginal “Malécon”Pestana gamou-me o certificado de mwangolé.

MALAMBA: É a palavra; GAMAR: É roubar

Nas falas de

   T´Chingange

 Um dia, fiquei chateado de verdade com o meu filho M´Fumo Manhanga, branco como eu, só que, de olhos azuis; este meu kandengue com pressa de vir ao mundo abortou minha pesca de matonas, roncadores e peixe-agulha na ilha de Luanda. Branco que nasce no Sambizanga só pode sair atravessado, revolucionário, turra mesmo! Foi num dia 31 de Dezembro que este meu loiro e chanfrado dos pirolitos nasceu no Hospital Universitário. Já praticamente nasceu doutor e com a particularidade de gostar de catanas, naifas, flechas,  machetes, armas de vikings, setas de besta e tiro ao arco. Colecciona canivetes de ponta e mola, só ponta, dupla mola, pontudos, incrustados em madrepérola e madeira exótica que só os índios do ipé-roxo sabem pronunciar.

 Dei-lhe um papel de cidadania angolana tirado na Igreja da Sagrada Família da Lua, já carimbado pela Secretaria das Relações Exteriores, reconhecimento e gasosa aos mwadies kambas para ele sua excelência o M´Fumo tratar junto da Embaixada de Angola e, este documento que lhe dei em mão, escafedeu-se na confusão dele; não dá mais para me chatear com esses documentos. Diz o gajo que meteu num livro, não sabe bem qual e agora está em crer que fui eu que o levei na minha viagem a Cuba; até pode ter razão e ,às vezes ponho-me a pensar se não seria o General Alicate, vulgo Pepetela mas de nome Pestana, que me desviou tal papel quando o importunei em uma missão diplomática do glorioso Éme. Isto foi em Havana. Eu, turista de ver o carnival na marginal “Malécon”, deparei com aquele pseudo-guerrilheiro; conversa puxa conversa, durante um lapso de tempo de fazer necessidades, o Alicate gamou meu livro de leitura; até me recordo de ele ter contestado a intermitência da morte de Saramargo. Isto é só um suponhamos... É que Figueiredo Pestana Pepetela e eu, entre outros camaradas do m´puto, algures entre Dolizie do Kongo e a velha picada que passa por Miconge Velho  do Mayombe de Cabinda, tivemos um encontro com beijos de fogo! Ele, o Alicate, estava do outro lado; eu de G3 e ele de kalashnikov, terrorista,mesmo!

  Eu é que sou burro, preocupar-me com este desinfeliz destino dum filho mwangolé, duplamente licenciado e desprezando sua natalidade num mukifo cheio de livros de arte, com correntes de bicicleta, roda pedaleira, pedais shimano e o catano de zingarelhos espalhados por tudo quanto é canto; bikuatas e corotos sarapintados de cagadelas de moscas, e ratos de pestilentas mijadas nos silenciosos e antiquíssimos pés de Bartolomeu Dias e suas pedras assustadiças, parideiras, cruzes de marcar presença, padrões. Simples como soele, sem aquele certificado de kamundongo, deitar sua vida no mukifo e naquele chão da garagem sem chorar nem botar nódoa no tapete da minha vida, meu loando de nobre estirpe; como capota maluca, carregado de esculturas, projectos de kubatas e trastes, cagou no meu sentimento de puro mazombo; bufando-se em minhas moralidades cagunfou-me de amarelo de tugi. Este meu filho maleducado do m´putu, de castigo está cheirando meu luto vomitado no tempo. Então não é que podia estar em sua terra, desenhando garinas a curtir sol no kafunfo ou pedras do Pungo e está aqui desempregadissimo, sem eira nem beira nem dinheiro de kúmbu p´ra mandar cantar um cego. Como é? Vou estar feliz? Claro que tenho mazé de desabafar!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:39
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Terça-feira, 1 de Julho de 2014
MISSOSSO – II

ANGOLA – No Rio Seco da Maianga - Um amor impossível com um Louva-a-deus fêmea

Missosso: Da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto quimbundu. Óscar Ribas foi o seu criador.

Por

 T´Chingange

  Efectivamente isto aconteceu no Rio-seco da Maianga. De coração batucando dores dentro da alma, cara enrugada e desfeita, refiz a cena dum periclitante amor defuntado no tempo certo. A Louva-a-deus segurou minha foto nas mãos-tenazes e comeu-me como se fosse um pirolito de caramelo crocante. Eu, espreitando entre um monte de tijolos no quintal da Dona Arminda, minha mãe, pude ver naquela cena de quintal, o quanto a minha vida de macho corria perigo. Esta Sangamonga feita Louva-a-deus, vagabundou minha vida tornando-a em cinza e, sem estrebuchar meteu-me em sua boca deglutindo-me por inteiro. Mulata danada! Eu, grande amor da sua vida fui engolido sem enterro. Aquele amor, nascido duma impertinente flôr-do-kongo, ela, a Sangamonga, botou-me uns pozes curadores nas matubas e, de esfraganços ajindungados de maleitas e kanastem, transladou minha quentura ao coração, esta foi a puríssima verdade verdadeira! 

 

   O louva-a-deus é um insecto. Seu nome popular decorre do facto de que, quando está pousado, lembra uma pessoa orando. Caçam por emboscada facilitada pelas capacidades de camuflagem. Seu ritual de acasalamento, que decorre por volta do Outono, é uma época de perigo para os machos da espécie, uma vez que a fêmea quase sempre os mata e come durante ou depois do acto. A fêmea põe entre 10 a 400 ovos numa cápsula endurecida; após a eclosão, o louva-a-deus nasce como ninfa, que é em tudo igual ao adulto excepto no tamanho que é menor.

 

 

 

 

Batendo as palmas de seu coração justificou seu grande amor por mim, falando ao vento que farfalhava o tamarindo; talvez a acidez deste estivesse a ser aproveitada naquelas gesticuladas mezinhas de macumbas e alfinetadas. Contando isto a meu amigo kalacata, este retorquiu-me: - Meu amigo, tiveste muita sorte! Vejo-te mudado, cagunfa mesmo, mas deixa que te diga que nunca tiveste juízo pá!... P´ra pior antes assim, vivinho da costa; meteste-te com uma trituradora canibal de machos e, pois…aconteceu! E, acrescentou: - essa Sangamonga queria mesmo devorar-te e defecar-te no mato dela para engordar suas piteiras de tabaibos, matipa-tipas e xá caxinde da horta dela. Desde aquele então, o amor fechou-se-me na frustração, impregnando-se de pílulas até os anos as roerem. É perigoso namorar com uma Louva-a-deus; é como que voluntariamente, metermo-nos na boca do inferno sem passar no purgatório.

Prometi-me que nunca mais me iria deixar hipnotizar pelos olhos xicululu rodopiados duma louva-a-deus; menos-mal que na fúria deglutiu minha t´xipala e soeu, pude ver-me mastigado em meus linfáticos salientes; na gula dela, parecia palha de chinguiços velhos, espumados com ranho de babado, vomitado de cachorro rafeiro. Minha nossa senhora da Muxima, quando me lembro até os pelos do mataco se me arrepiam. Esta observância, salvou-me! Foi meu tio, Nosso Senhor, também conhecido por Zé da Fisga, que me advertiu: - Tonito, olha que essa moça, tem feitiço cum ela, mira-lhe bem no seu escuro das costas, ela tem mancha de macambira, mesmo de munhungueira e, isso não é não; não é bom sinal! Obrigado meu Nosso senhor.

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:21
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Sábado, 24 de Maio de 2014
CAFUFUTILA . LIX

ANGOLA . Pais da gazosa…

Por

 T´Chingange

Em 2005, em Luanda, eu e Bian a caminho da ilha, fomos mandados parar por um polícia civilizado, pensamos nós. Era um franzino homem com olhos pequenos, olhos entrelassados de alguma angústia e rugas próprias de quem tem mais que uma mulher para suprir, e uns quantos candengues para vestir e dar milhipapo (funge de milho). Pediu os documentos, rodeou todo o veículo e tristemente, afagando seu rosto enfiado entregou o livrete a Bien. Num repentemente de súbita descoberta voltou a pedir o livrete e, apontando para a trazeira do anglia, disse: - Aqui, diz que seu carro é branco e nas trazeriras tem uma grande mancha cinzenta; ele não é branco, é malhado! Façam o favor de sair do veículo, vai ser rebocado para a Divisão de Trânsito!

 Naquele preciso mometo, perentoriamente o franzino agente, ficou uma impertigada autoridade. -Senhor polícia essa mancha é a cobertura base de tinta para depois de lixar, levar a pintura definitiva, disse Bien contrariado, eu sou engenheiro formado em Cuba e sei o que estou a falar; tive de desmpenar e depois meter massa para cobrir as imperfeições. Perante esta inconfundivel verdade o homem autoridade mudou de postura e num repentemente já não era mais polícia, era um corrompido ladrão: Pois! Sabe! Está muito calor! Sabe como é, os filhos, os cadernos para a escola, tá tudo muito caro, faz falta muitos kwanzas!... Uma gazosa, facilita!

 Belas

Num encolher de ombros Bien, olhou para mim de soslaio, meio acabrunhado sem saber bem o que fazer como que a pedir-me opinião; eu não hesitei em tirar umas notas para dar ao desinfeliz agente. Este guardou-o rápidamente antes que houvesse qualquer reverso no acto da corrupta actitude. O agente, entregou os documentos, mandou-nos entrar no ford anglia “ora bolas”e acto contínuo perfilou-se teso, fez continência e agradeceu aquele contributo, flnalizando seu ordenamento, podem seguir! E, nós lá seguimos até à Maianga, Rua Dr. José Maria Antunes nº 22, comentando o invertido racismo a comparar com os tempos coloniais, naquele acontecido.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:36
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Sábado, 17 de Maio de 2014
MAIANGA . IV

UM VOO NA MAIANGA . NA TIAMATILDE  

Kifutu do Zeca e eu

 ZÈ SANTOS + T´CHINGANGE 

  Atrás do bando do Sardão Zerolho, barrocas das bananeiras, fizemos guerra de fisga, naqueles muitos dias de nossa muxima; nossos carros de fazer vruuum vruuum, sem bielas nem pistões, popós de arame muito estilosos, abríamos pistas de corrida de banga no todo terreno e areias do rio que só era mesmo matope de mulola seca. Ali num tinha chão de cauchu, desse, kiê dos alcatrões. Nossa escola de chão poeirento dos antigamente da Mayanga, ia do sinaleiro até ao choupal das garinas. Ah! Tinha os bué confusão dos choques e a maka com os “naifas” na mão, porque os porquê berridava pra saber quem tinha razão de ir nos frente ó não.

 No mujibi das nossas falas batukavamos muenhu de verdade. Só mesmo Ngana Nzambi botava na cabeça dos kandengue o juízo, o razão pra tudo dinovo voltar a ser bué kamba. Aiué dinovo!  Com os feitiço como soeu e tu, beulando com a língua no açúcar no depois da corrida de dikitois cada qual batotando nos medida de palmo mais um dedo. Também fazíamos corridas com tampinhas de cuca, nocal, mission; jogávamos de botão e bolinhas coloridas do abafa e... Xii, Aiué! Muita maka! Nosso calendário de eventos estava sobrecarregado. De tarde na Avenida Lisboa fazíamos o downhill com nossos bólides formula rolamentos; nos catravez nos buraco raspávamos o mataco, pelos do peito e até fuças; o carro ficava lá para trás. Xé, gostávamos mesmomesmo daqueles ditos descapotáveis, bué de banga fécula.

 Ah! Loanda, Maianga! Esse kisola, das berridas dos malucos na casa ndeles. Um dia um doidovarrido, tuje de uma figa, corre pra nós nuinho da silva cus mania dele, de doido mesmo, queria nos agarrar e todo o pessoal de bata ndele correndo notrás do cujo apitando e nós pulando o muro fugindo do feitiço dele. Mesmo Kiavuluvulu cançados das quinambas, de noite iamos na festa da Mayanga no lugar da estação dos comboios. Era nas festas do São João, catrapiscar as garinas e gastar os cumbús de quase só mesmo para uma ou duas farturas. Nos avião mostrávamos nossa banga ninita na voação até ficar com kitari Malé.

GLOSSARIO:
Cumbú: dinheiro; kinamba: perna; Kisola: amor; Muenhu: vida; Ndele: branco; Berridar: fugir; Bué: muito; Kandengue: miúdo, garoto; Kiavuluvulu: muito; Kifutu: prenda; Kitari malé: Pouco dinheiro; Martope: residuos de aluvião, areia ou lodo; Mulola: rio seco com águas de chuva a montante
As falas do Zeca e T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:02
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Terça-feira, 13 de Maio de 2014
KWANGIADES . XVII

MAIANGA - As falas do Zeca

Por

Jose Santos.jpgJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga.

Meu canto, minhas falas fazem reaparecer meu mundo antigo. Ele reaparece embrulhado de saudade, neste torrão que não é presente; faltam-lhe as fitas da kukia, não me inspira, não é como um verdadeiro presente… Cativo, vestido com os meus panos, agarrado aos búzios, amuletos, à undenge ami mu Moamba, desse antigo lugar - Mayanga ai-iu-é, que tanto berridei por esse tempo de paixão; que enricou meu coração no uuabuama chão colonial, hoje independente, imensamente rico - chão Angolano. Kuatiça o Ngoma! Assim os ouço ao longe, consolando muxima ami, que velozmente envelhece, que ainda dá batidas ora, leves, ora fortes do atu, no seu Kimbundu. Malembelembe ainda tece esteiras, missangas, planta flores coloridas no quintal iguais ás do Parque Heróis de Chaves, canteiros da António Barroso, de toda a Loanda. Eu choro o peito de ilustre kamundongo.
 Durante meus sonhos, planto capim naquele chão da Maianga, lugar que me viu crescer berridando liberdade, que hoje sinto o muxima burilar, estremecer de louca nostalgia a dar atenção ao clamor do coração sem cor…, que tornou aquele chão num campo com dor…, que muito durou, um tempo de muitas luas…Todos os dias enfrento a ponta da azagaia cravada de feitiço no meu coração. Desde esse tempo de miúdo, assim vivo coleccionando fugas, como quando descalço, chutava a bola, trumunu de trapos no chão das barrocas, de quando subia à mulembeira a retirar visgo e, depois fingir de caçador; empoleirado nos galhos do cajueiro, saciava a minha sede com seu fruto; também namoradeiro, descuidado e escorregadio, guardei comigo numa caixinha de santinhos, mais os cromos de Kimbundu.

 Nessa caixinha do tempo tenho muitas fotos, bilhetinhos de amores sem mambos nem rancores… Neste estado de kota e, neste putu, colecciono cromos engraçados de Atu, como cambalhotas das barrocas. Neste tempo de estupor, terra do fiado “civilizado”, de muita maledicência, de sem respeito, currículo suspeito, em vez de construírem… Oh! Ngana Nzambi! Numa de lama, kapiango pés de patranha, engenhosa máquina infernal, edificam-se em poleiros de nossos celeiros. Ximbicando n´dongu nos cânticos de bela kianda feita kapota, logologo no camenemene do Baleizão e, sob o olhar das palmeiras da Marginal, eu axiluanda como no tempo dos mafulos, dei com o sonho na praia de Loanda…! Aquele lugar que consolava o meu kituku de dilulu; minha kalunga.

GLOSSÁRIO:
Atu/mutu - pessoas/a; Axiluanda - antigos pescadores de Loanda; Berridavam - fugiam; Dilulu - de sabor amargo; Kalunga - mar; Kapiango – roubo; Kianda - sereia; Kituku - mistério; Kúkia – sol nascente; Ndandu – parente; N´dongu - canoa; Ngana NZambi - Senhor, Deus; Malembelembe - muito devagar, com cautela; Mafulos - Holandeses; Mayanga - Maianga, um dos bairros antigos de Loanda; Trumunu - jogo de bola de trapos; Undenge ami um moamba - minha infância de moamba; Uuabuama - maravilhoso Kuatiça o ngoma! – Toquem os tambores…

Nota: Arranjo com inventação das falas de ZECA

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:17
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2014
CAFUFUTILA . LIV

AS FALAS DO ZECA

 José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona N´zimbos das areias dum rio chamado de Rio Seco e seu mar da Samba, distribuindo kitetas pelos amigos na forma de kazumbi

AIUÉ! SEMPRE AGARRADOS Á MINHA MOAMBA!

Sempre desejoso de a colocar (a moamba) em cima da vossa mesa k kambas da Maianga, fico depois, atrás da porta e na koka matutando bué, caté choro só de imaginar um pouquito cafifado, "será" que gostam, gostarão das minhas falas, desse mambo que são loando no meu, no nosso coração.  Quem conhece o Zeca metido num corpo de quase dois metros de kandengue cheio de romantismo como o Catete sempre voando, ou plim-plau, ambos buscando amor, amizade, companheirismo..., esse alimento que enche o seu papinho pendurado por todos os tenros galhos das mulembeiras espalhadas pelo nosso antigo Bairro da Maianga. 

Edgar Neves Jamais imaginava ao fim de trinta-e-nove anos no putu, estar nesta QUIÓNGA de maravilha, receber a nossa infância de volta cantando-a com todos vós. Estou kiavuluvulu apaixonado por este milongo que me jindunga, me faz estar mais feliz, longe dos meus velhos muros, que aqui vos expresso de muxima na mão, porque muito agradeço de todos o carinho dado, assim metido nos buraquinhos de um coco que bebo, bebo átoa e como se estivesse naquele doce kapiango do Mussulo, mas que Ngana N´Zambi ali plantou só para alguns... Ah! Mas o delirio foi andar no carrinho de rolamentos do kkamba Edgar das Neves, O DIMATEKENU que fez-me pular para cima dos seus ombros, depois descer, descer na berrida e agarrado a ele pela Avenida Lisboa até às MEMÓRIAS DA MAIANGAA que virou KALUNGA pra todo o mundo. Foi ele que muito me incentivou a escrever minhas falas, livremente e sem os mambo de “matumbo” das barrocas.

 Para ele dedico um amor, uma amizade especial de botar no FACE galando a malta porque lá no fundo, em todos há um pula-pula nos muros da vida racional em um qualquer bairro. Ter o Edgar como kamba é ter riqueza sem garimpo de fuca-fuca, porque é dada na hora, de borla e com a Chivrolette de caixa aberta bem carregada de muxima, passando livremente por todos os paus empinados das picadas do putu. Contigo esqueço os mambos da vida e saboreio baleizão de ukamba. Com o Fernando Jaime, tudo, tudo, deixou-me enfeitiçado durante uns tempos, porque o tuje do feitiço não deixava-me dormir, porque obrigava-me a passar o tempo caçando as minhas lembranças sóvoando. Lembranças deixadas na minha mala de MAKAMBIRA, escondida na capoeira do meu quintal. Lá ficaram perdidas no tempo, na poeira, naquele fumo de então, mas comigo estão quase todas  bem guardadas.  

 Eis que com MALEMBELEMBE, o maianguista António Monteiro, naquele seu jeito luandino, da terra poierenta do RiO SECO, com adoráveis falas de kimbanda cheias de rendas de fio de pesca que tão tãobem sabe fazer. Logologo conquistou-me, enfeitiçou-me e botou ainda mais feitiço no soeu cosquilhando meu reco-reco para deambular pelo Rio Seco, nas barrocas do Catambor, da Samba, delirando bebendo o seu MISSOSSO, que é kimbombo doce, que faz zangular os gigler do meu muxima kota Dodje, que cadavez precisa de empurração, caté pra subir a D. ANTÓNIO BARROSO, ali na esquininha da BRACARENSE, pertinho da antiga estação e sinaleiro mais o colégio Moderno que ambos caminhamos numa frigideira que torra kiqwerra muito gostosa, que levamos à boca com falrripos de bangula. Vestidos de boca-de-sino wrangler de cor de rosa da Xabanu, de Fred Perry azul do Quintas, de sapatos mwangolés de biqueira mata barata da Cibele; num seilá-quié-quié, na forma dum sonho sonhado caté nos morro da Samba com nós sóchupar múcua de saudade.

Com a gratidão do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:46
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Terça-feira, 11 de Março de 2014
MAIANGA . III
TAMBULA CONTA: - ZECA  FOI NOS POEIRA

As falas do

 ZÈ SANTOS  . reco-reco

O Senhor dono do Ford V8

Tu, Zeca, surpreendes-me irradiando uma sabedoria e compreensão desconhecidas. Tens a liberdade no coração, na mente e no espírito e, eu vou utilizar tuas malambas, tuas falas para manter  N´zambi nosso Mwata.

 

Tambula: Topei, delirei., sonhei…“UM SONHO ESTRIDULADO… na tua N´janena ”, mas fui apanhado na rusga sem documentos. O tuje do cipaio a mando dos Poeira, levou-me na pildra e a mukanda que tinha para o meu kamba, o mundele chefe tirou…, e disse-me que conhecia um soba com o teu nome na libata de Nambuangongo. Abri o meu Samsung para mostrar os meus documentos, mas o tuje do chefe besugo disse: ”Só te liberto com os Papel na mão, esse mambo dos tecnológicos dos computador é mambo dos filme dos Ovni, num tem a impressão digital tirada nos tinta preto nos covinha t´xipala no BI do Palácio.

Também mostrei o meu cartão de residência da polícia da esquadra da rua Comte Correia da Silva, mas logo berrou, caté os mabuje do peito dele saltaram, dizendo que não era eu, esses mambo há muito caducou quando a bandeira dançou no novo mastro… Eu, bué implorei, até mostrei maço de AC, mas ele recusou dizendo que só fumava CARICOCOS com cheirinho a café Arábica da Gabela ou então DELFIM das baronas m´boas do Bambi, mas só quando estava com makueka. Berrou de novo, mandado-me despir todinho mesmo, para ver se tinha na kubata dos matubas diamba, que topei que catrapiscou para o cipaio porque ambos fumavam e berridavam com umas Cucas e uns pratinhos de jinguba do Álvaro da Maianga …Háka!

en la época colonial como el principal medio de comunicación de ... O sacrista botou lá nos sitio, as mãos para afastar o “capim”, mas tropeçou por querer nas mudanças do meu Ford V8. No final, mandou-me para a esteira cheia de ávilos-de-mil-patas que batukavam à minha chegada. Por isso nada te enviei e juro, sangue de Cristo, que este mambo é verdadeiro k kamba maianguista AM (T’chingange). Desculpa a longa mukanda 1+1, mas é pratinho kitetas com molhinho de jindungo do Mandarim da Ilha de Loanda. ZECA2014022621H25NMK - Fim da conversa de chat.

GUERRA DOS SIPAIOS - HISTORIANETKatyusha' rocket launcher

TEMPO... EM 2 TEMPOS - 2 VELOCIDADES 

Nota do Soba: Pópilas, mazé, este kandengue da Caope trouxe ávilos-de-mil-patas do BO para a Maianga onde viveu como um catete voando, voando pelo capim e agora tá abusar confusão cus poeira chefe-dos-posto. Só tá mesmo me cuspir nas mata de minha vida; se tá vanguardiar das memória que tem o sangue do tempo ; mais tarde bazou da Vila Alice com uma carrinha com tudo empilhado àtoa (dois andares) caté parecia uma canoa; recebeu uma big bazucada, monacaxito dos M via Fla no trigésimo dia em que já lá não estava, ai-iu-ué! Como é monacaxito te ofereceram um barco? Pois… N’Zambi avisou-o para bazar naquele um dia, porque nos vinteenove dias contou bazucadas. Fez mesmo colecção desses monas e juntou-os nas imbambas do tunda-a-mujila. Ambos bazamos sem querer; caté parece que é uma estória de faz-de-conta mas Noé.

Kandandus do Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:53
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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014
KWANGIADES . XVI

MAIANGA - KÚKIA AVATAR

Por

Jose Santos.jpg José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco.

 

 

 Estou muito cansado de tanto correr por esse asfalto tantas vezes riscado por mim. Meus pés estão em brasa, choram lembranças que lá estão e, agora são recordadas…, mas eu agorinha, como disse antes, estou lá…nunca sai de lá… Agora escondo as minhas lágrimas na minha kubata. É tarde e o coração manda-me estender a esteira no chão, quero dormir, quero mais sonhar, mas agora, agarrado ao meu amor cheio de missangas, desejamos ter mais momentos de paixão que guardamos para sempre. São nossas e de mais ninguém. Ah! Falta abrir um pouquinho a janela virada para o calmo mar, do lado da chegada da ponte – do ANCORADOURO. Levanto-me e abro só uma frinchinha…, Daqui o vejo lá em baixo a acenar- me e a dizer: -“Anda Zeca, anda para o pé de mim.” - “Vem falar-me dos teus versos que trazes no coração da Maianga que rimam KAMBA com UKAMBA”.

 Ele, aquele grande malandro e convertido namoradeiro de todas as beldades que passam pelo seu soalho, está feliz e está agarrado a uma bela barona que retirou dentro do kapossoka. Na mão tem um prato de garoupas, matonas bem assadinhas na brasa, que foram ali pescadas no mar daquela ilha conhecida por MUSSULU. Vejo O PÔR-DO-SOL trajado de belos panos, amarelo, azul, laranja… que se prepara para dançar o merengue no areal com belas estrelas cintilando paixão pela doce CAMENEMENE. Meus olhos cerram novamente maravilhados pela emoção. ANGOLA é assim, cheia de feitiço, que penetram no corpo para sempre, naqueles que a amam de verdade, dos que saboreiam com prazer de água do BENGO. Da fúria e do ódio que durante muitos anos alimentou o ventre da guerra.

 Também para quem souber perdoar as vidas perdidas, daqueles que estão mergulhadas no choro dentro do seu corpo, que sentem o desejo de procurar conciliar os ódios em amor. Hoje, a vemos livre, decorridos que são quinhentos anos de presença dos Mwene-Puto, mas a senda contínua. Sempre muito desejada, sempre muito explorada no seu corpo fértil, nos seus mamilos cobertos com missangas que choram, porque afinal os homens são todos iguais; em qualquer parte, contemplam uns e outros não – os herdeiros e deserdados. N´gana N´zambi, muito te tirou, também muito te deu, porque o teu coração está lá... E, isso é luz que te ilumina na banga dum zum, zum, zum.

As escolhas de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:10
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Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014
KWANGIADES . XV

MAIANGA - MOCANDA PARA MEUS KAMBAS ! Na Luua, com gasosa de capim

Por

Jose Santos.jpgJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco, em verdade uma mulola.

Porque a minha impressora deu-lhe o “fanico” queria ter muitas folhas iguais para voarem, assim como ver muitos papagaios merengarem. Naquele Koiilo do Rio Seco da Maianga, do Kimbundu, que fizemos com cola de fuba que lançamos no antigamente. Meu Muxima tem um mapa do antigamente - Loanda; nele tudo está erguido sob o desenho da prancha tropical, tudo percorro de uma ponta a outra com horizonte colonial. Tudo corro, com o feitiço montado numa Honda 3,5 cedida por um patrício da Socar que a encheu com gasosa de capim e visgo de mateba...

 Agora, de volta à Terra, fico quieto e não entendo os homens de hoje, que tudo constroem, desconstroem metidos dentro de mambos ricos, desprezando o que era de ontem. Este é o meu verdadeiro lamento, porque o sinto batukar kiavulu. Estou certo, que as minhas lágrimas, N´gana N´zambi irá apanhar, quiçá botar bom senso nos manos ou então o feitiço terá que actuar… N´ga! Sakidilá!

 Estou muito cansado de tanto correr por esse asfalto tantas vezes riscado por mim. Meus pés estão em brasa, choram lembranças que lá estão e agora são recordadas…, mas eu agorinha, como disse antes, estou lá…nunca saí de lá… É tarde e o coração manda me estender a esteira no chão, quero dormir, quero mais sonhar, mas agora agarrado ao meu amor cheio de missangas, desejamos ter mais momentos de paixão que guardamos para sempre. São nossas e de mais ninguém; afinal os homens são todos iguais em qualquer parte, contemplam-se uns aos outros - herdeiros e deserdeiros.

Kwangiades: - Musas, ninfas ou Kiandas do Kwanza

Escolhas do Soba T´Chingange pós-fabricada com as falas de Zeca



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:52
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Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014
KWANGIADES . XIV

UNDENGE AMI MU MOAMBA! Versos avulso prensados em texto

Por

Jose Santos.jpg José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco.

Undenge ami mu Moamba! Ngana NZambi, sabe que sou pessoa boa, que na infância, na adolescência e na adulta (parte) sempre se comportou com decência de dia e de noite com o seu semelhante nas terras dos Axiluandas.Também na antiga terra de Navegadores, hoje terra da Troika humilhada a toda a hora, que castiga mais os que vivem na “corda bamba” por uma nomenculatuta que viveu num mar rosas sob o toque da harmónica, iludindo tudo e todos com fa-ciladas, tudo adquirir, conseguir numa boa onda…

 Agora o chão desta terra, sente-se pisado por milhares, galopantemente…, mostrando contestação, porque vêem no dia a dia a sua vida decrescer muito castigada com cortes nos rendimentos, aumento do custo de vida persistente, porque que não vislumbra melhores dias neste país que está a perder graça, desaparecer…Oh! Angola, Loanda, Bengo, Maianga…! Tambula conta! Lelu, não me enrolo em esteiras feitas de maka…, esses mambo que afastam manos, kamba bangando cumbú, delírio na kubata…

Mutu malembelembe, ku abuama bué camuelo o kusala uembu… Oh! Se Ngana NZambi assim O desejar… caminharei para Sekulu com as minhas falas, no colo com o Kimbundu, com o linguajar que são kubata na minha alma, meu lugar de pétalas… Tudo calquei com papel químico… porque a minha impressora deu lhe o “fanico”; queria ter muitas folhas iguais para voarem, assim como ver muitos papagaios merengarem. Naquele Koiilo do Rio Seco da Maianga, do Kimbundu, que fizemos com cola de fuba e lançamos no antigamente.

Água do Bengo: ditado muito antigo, em que se dizia que quem bebe-se a água do seu rio, fica enfeitiçado por Luanda…Angola para sempre; Kwangiades: - Ninfas do Kwamza, musas ou kiandas.

GLOSSÁRIO:Dibanda – fortuna; Kandandu/Ndandu – abraços/o; Kianda – sereia; Kiavulu – muito; Kibabu – afago; Kitují – Outubro; Kisakidilu – agradecimento; Kiximanu ami – minha homenagem; Koiilo – Céu; Kulendukilaku – humilde; Makóiu - bênção; Malembelembe – muito devagar, com cautela; Mazanga –cidade; Mindele-iamala – homens importantes; Mukonda uala Lusangelu – porque é aparentação…; Múkua –fruto do embondeiro; Muenhu – vida; Mundele – branco; Mona – filhos (pequenos); Mutu – pessoa (eu); Mutu malembelembe ku abuama bué camuelo o kusaka uembu – pessoa caminha devagar, com cautela espantando invejosos, o que não é generoso, peneirando concórdia…; Nga! Sakidilá! - Obrigado!; Ngana NZambi – Senhor, Deus; Uakidi - verdadeiro/a; Ukamba - amizade

soba.jpg As ecolhas do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:07
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Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013
T´XIPALA . XXVII

MOKANDA PARA O ZECA DO RIO SECO

Por

T´Chingange

T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter   

 Refeito nos meus quase sessenta e nove anos de idade, precipito-me para a velhice corada e gorda, espantando deslavadas anemias com dentes postiços escondidos na esquelética anatomia; com alvo riso, desfriso as duas rugas que desde o canto da boca teimam em serpentear queixo abaixo, engordando-me os pomos que não desvanecem antigos créditos de rapazola bem apessoado. O cabelo escasso e sedoso concentra suas farturas por detrás das orelhas e cachaço. As manchas, como cagadelas de moscas salpicam a fronte fazendo um mapa de irreconhecível latitude, dando a este templo a sensação de ali guardar algum louvor, alguma bondade e, até alguma sabedoria na longitude; armazém de algumas ternuras misturadas com alegrias e dolorosas misérias, fábrica de inventações verdadeiras, descabidas ou até ridículas ou vergonhosas.
 Calma que já chego ao ZECA! Ontem, dia de Natal, com jeito de quem não se quer intrometer com a natividade de Jesus, fiz-me ao contento de não falar de coisas que aparentemente não são da minha conta porque nada sou e, nada posso mudar; banhei-me em várias águas, areei os dentes, meus e adquiridos, até os tornar bem limpos. Perfumei-me dos pés à cabeça, escanhoei minha barba com esmero, bruni as unhas aparando-as dos fungos cortiçosos, vesti-me por completo em nova roupa e, vi no entretanto da feitura do bolo rei a mensagem de natal do Zeca; Carregado de tabaibos encheu a minha kinda de muximas da quiónga. Aperaltado, lá pelas oito da noite risonho e cheiroso, apresentei-me na cubata de meus amigos, preocupado por não dar na hora a resposta correcta ao meu kamba do Rio-Seco.
 No meio e nos entretantos da consoada de ontem e, no todo do tempo empulgado, gotejei as palavras de ZECA, malambas ximbicadas com kisola que, no repentemente, só tive tempo de ler. ZECA, impregnado de cazumbi da Maianga, chupando múkua nas securas do Rio-Seco, borrifou palavras de enternecer-me. Promovendo bitacaias a tartarugas, até as alforriou dos apurados suores colónias dizendo: ”A tua presença enriquece-nos não só pela kinda cheia de estórias, por uma saudade que katinga no teu muxima koka”. Nesta revolução de ferir o espírito, apresentei-me com risonha timidez ao meu pretensioso espelho e vi, não a minha t´xipala mas a do ZECA Maianguista, dançando kuduro num lugar alugado da Tia Matilde. Já chegado a casa, um sítio de coqueiros zunidos a espanta espíritos, eu e ele, recebemos a bênção makóiu do Papa Francisco Via TV.
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:09
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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2013
KWANGIADES . XII

UNDENGE AMI MU MOAMBA! Versos avulso prensados em texto

Por 

José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco.

NGANA NZAMBI!  NGA! SAKIRILÁ!  

Desse tempo colonial – kisakidilu, jamais esquecerei a minha matriz, o que com ela ali vivi num tempo maravilhoso e abençoado como não há outro igual, kiximanu ami. Por muito que a minha vida naquele kitují, tenha berridando kiavulu do carro do fumo, tenha voado no koiilo num tempo perdida, tenha desembarcado no granito do putu. No solo do mundele conquistador lusitano, logo marcado pela palavra degradante, depois rodeado de desilusões no lugar estranho, feito de sacrifícios, de busca incessante… Reerguendo loando a loando a kubata do muenhu que muito demourou a trazer algumas compensações…, jamais serei ingrato em esconder que sentia Kibabu de facto naquela vivência angolana desse tempo colonial.


Afinal, foi igual à de muitas famílias ali reunidas, constituídas, criando os seus mona, com dificuldades, com cuidados extremos ou não, mas, tudo feito numa moamba de uakidi paixão…  A minha tristeza vai para muitos, que esqueceram bem ao longe na diáspora ou não, o tempo na Mazanga andando com o baleizão na mão…, pois muitos esqueceram o dimatekenu ê…, um principio mal vestidos e famintos… Já são trinta e oito anos de ausência, mas continuo igual e a divulgar a minha paixão, que é retirada sem maldade, o muxima kulendukilaku ami, com muita alegria, com sentimento e sem maledicência…

Para muitos, a palavra saudade, perdida no ar, voava/voa num colo de uma grande tristeza, sem rumo de recuperação…, hoje é amarga certeza, porque lá, jamais imaginamos envelhecer neste lugar… Estar/estarmos longe do lugar de infância,  da mocidade…,do trabalho que já trilhava na Mazanga…, sentir no rosto dos kotas a perda da sua vida tão desfeita, para muitos funcionava, funciona ainda como um travão, que é doloroso sentir estar/amos afastados dessa vivência… Como foi o nosso caso nesse “êxodo” de má recordação em que todos fomos afastados por aquele safanão dado pelo carro do fumo, que despejou veneno no chão, que intoxicou-nos , encurralou de medo o nosso coração…

(Continua…)

 

GLOSSÁRIO:
Dibanda – fortuna; Dimatekenu – início, começo…; Kandandu/Ndandu – abraços/o; Kianda – sereia; Kiavulu – muito; Kibabu – afago; Kitují – Outubro; Kisakidilu – agradecimento; Kiximanu ami – minha homenagem; Koiilo – Céu; Kulendukilaku – humilde; Makóiu - bênção; Malembelembe – muito devagar, com cautela; Mazanga –cidade; Mindele-iamala – homens importantes; Mukonda uala Lusangelu – porque é aparentação…; Múkua –fruto do embondeiro; Muenhu – vida; Mundele – branco; Mona – filhos (pequenos); Mutu – pessoa (eu); Mutu malembelembe ku abuama bué camuelo o kusaka uembu – pessoa caminha devagar, com cautela espantando invejosos, o que não é generoso, peneirando concórdia…; Nga! Sakirilá! - Obrigado!; Ngana, NZambi – Senhor, Deus; Uakidi - verdadeiro/a; Ukamba - amizade


soba.jpg As ecolhas do

Soba T´Chingange



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Domingo, 17 de Novembro de 2013
KWANGIADES . XI

MEUS BUZIOS FALARAM Versos avulso prensados em texto

Por

Jose SantosJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum rio chamado Rio Seco.

 Aiué! Temos que todos fazer o nosso LIVRO, porque as nossas estórias são verdadeiras… Não são ficção feitas com tinta de trepadeiras, que aparecem nas prateleiras com folhas de zimbro… É fumaça dos (cigarros) negritas desse tempo das rebitas de quintal, das garinas cheirando a goiaba, que a malta muito sonhava namorar na esquindiva, no beijinho uuaba!Muxima ami! Já não tem n´guzu bué, para suster tanto choro kiavuluvulu jhienda, lelu faz esteiras de capim retirado do Rio Seco sekulu, ali bem perto da Chilena, da Cacimba…, terras da Mayanga onde todos berridamos sem ais…, mastigamos paracuca cheios de banga pifada ou comprada com makutas na mercearia do kota Morais,  tão cheirosa de fuba, Cucas…

 

 Estou voando no antigamente na capanga do cazumbi. Pareço um tenrinho mbambi…, Temendo o destino, o golpe da catana, dado friamente, depois…, jamais pulará na anhara. Nisto, ele solta-me no Koiilo… Desço na berrida como ngonga mirando no chão a sua presa, um esquilo. Caio de mataco no terraço do prédio mais alto do LARGO DA MAIANGA, ali deixado, inacabado, sem banga… Daqui olho para o teu lugar de antigamente tão florido e cheio de vida – jingânda… Lugar de todos os encontros, kubeza, kuuaba gente.
 
Foto: SINALEIRODO LARGO DA MAIANGAEstou voando no antigamentena capanga do Cazumbi.Pareço um tenrinho mbambi…,Temendo o destino, o golpe da catana, dado friamente,depois…, jamais pulará na anhara.Nisto, Ele solta-me no Koiilo…Desço na berrida como Ngongamirando no chão a sua presa, um esquiloCaio de mataco no terraço do prédio mais altodo  LARGO DA MAIANGA, ali deixado, inacabado, sem banga…Daqui olho para o teu lugar de antigamentetão florido e cheio de vida – jingânda…Lugar de todos os encontros, kubeza, kuuaba gente.Recordo o teu corpo africano brilhar,naquela roupa branca que parecias um anjo…A tua xipala uuabuama impenetrável no dever,Naquele merengue riscado no pequeno círculo - Peanha com as tuas luvas brancas sempre com rikânda-ria-ngómbe Kiavuluvulu que tinha o feitiço bué kuhúnda.  Ah! SINALEIRO! Como gostava do tempo da quifufutila,do antigamente daquele transito onde tu fazias arte com sinais…Muitos paravam aboamados com kitonda, outros tupiando ais, ais…Invejavam a tua arte, que era sinfonia feita de dicanza,porque tu foste no meio de todos eras o verdadeiro maestro…Foste como uma bué calema gingando na Barra do Kuanza…De todos os Sinaleiros da cidade de São Paulo de Loanda,que Nzambi criou, o mais belo foi o teu no Largo da Maianga,porque era lugar sagrado do POÇO DA MAYANGA DO REI.Tambula conta! Mutu usela o kidi kié! No antigamente, no tempo colonial a tua arte, era feita pelas tuas mãos “brancas”que desenhavam cuidados, obediência em todas a direcções…Ah! Como eras competente para julgar, castigar camondongos, calcinhas, fangios…, os que não respeitavam a via conduzindo o Gordini, 2CV, TT, Giulia, Saab 96, kapitan, Datsun 3A, Fiat 600, Capri,SL, Spider, a Honda 3,5, Suzuki, Saches V5, Zundapp, Floretti…Todos na banga do zum, zum, zum, vindos dos quatro lados,mas logo ouviam o pripriii, pripriii que os obrigava a parar….Muitos obedeciam, paravam e tu também paravas para actuardeixando tudo e todos na kanuvanza de buzinadelas.Muitos eram insubordinados no malembe, pouco acatavam,mas tu sabias interpretar, exercer as tuas competências…Muitos ficavam perfilhados, outros vociferando má-criadice.Do alto deste terraço inacabado desta gigantesca kutata sinto que estamos há muito separados! A minha memória iluminaesse Largo antigo da Maianga, com malamba mami…,Haka! Mas, eu vejo te à minha frente, kiri muene!Como eras tão autóctone, africano e realNaquela farda branca com o teu chapéu inconfundível,com as tuas botas ligadas ás polainas brancas.Oh! Tu com os teus calções largos e brancos como o OMO,que funcionavam como Baleizão, como ar condicionadonaqueles dias de tórrido calor tropical, como gema de ovo.Mas tu não arredavas o teu pé sempre firme no dever,que cumprias e fazias com extremo rigor tão enfeitiçado,enquanto o teu corpo fritava na frigideira com dendê… No tempo da chuva parecias um anjo encolhidonas suas asas brancas no kintombo bué kilupuno meio da peanha do LARGO DA MAIANGA.No tempo do cacimbo, do bué quihumboparecias um soldadinho de chumbono seu posto, não tremendo, antes orientando…. Nas horas de ponta – na paragem para o almoçotu eras balsamo porque temperavas as pressas…, as berridas que fazia desde os Restauradores até à Travessa.Por vezes o nosso Maximbas - 3, o Barriga de Jingubapartia da Mutamba muito cheio, derreando, bufando fuba…Eu na passada, ou na berrida, chegava primeiro…Às vezes na Serpa Pinto, na D António Barroso…, batia o pato. Corajosamente botava o pé no estreito estribo,porque angolares, bilhete malé, dinovo saltava…em perigo…Kamba SINALEIRO anda comigo até à Bracarense.Anda comigo no Ká fua diá mene-mene e sem stress,porque quero kuzuela os mambo do muenhu, mutu etu.Oh! Quero te falar, jihenda kiavuluvulu ami e que recebi mutaku da uuabuama Vata da Maianga, que dizia assim:” Zeca! Tuoloietu!Pega na vida do patrício Sinaleiro do Largo da Maianga.”“Faz Dixisa com as tuas falas, faz desenhos desse angolano, desse patrício Sinaleiro que foi tão útil, está esquecidonas barrocas do tempo, porque quero homenagear na Vata,“Quero pendurar a tua Dixisa no loando na minha kubata,para que todo mundo saiba que existiu este búe angolano,num tempo colonial cujas mãos brancas protegiam, faziam milagres…”Como topas, com este agrado da Vata, k kamba Sinaleiro, o meu muxima beijou Nzambi e virou selha cheia com masóxi.Assim, fiquei na minha kubata quietinho, feliz como sagui no kixaxi. Ai ué, Mam’ééé! Bué saltei, bué Kouelenu…Logo, logo corri até ao fogareiro da D Maria para encomendar calulu,para todos os k kamba maianguistas…, “ixietu”.……GLOSSÁRIOAnhara - planícieCalema – ondas agitadas do marCapanga – agarrado pelo pescoçoCazumbi, alma, espiritosDendê – dendém – fruto da palmeiraEtu – nosso (prom poss)Haka! - credo!Ká fua diá mene-mene – café da manhãKanuvuanza - confusãoKuuaba – pessoa bela….Kuiavuluvulu muito, muito…Kilupu - ventaniaKitonda - aplausosKitombo – Abril (grandes chuvas)Kiri muene! mesmo verdade!Kixaxi - palhaKoiilo – céuKouelenu – aplaudi…Kubeza - adoraçãoKuhúnda – dar pareceres, julgar, opinarJihenda – saudades…Jingânda – bons costumesMbambi – pequena gazelaMalamba mami – os mesmos amigosMalembe – andar devagar….Masóxi – lágrimasMataco - raboMuenhu - vidaMutaku - chamadaMutu – pessoa, gente…Mutu usela o kidi kié – pessoa diz verdade….Ngonga – águiaQuifufutila – farinha de mandioca torrada com açucar.Quihunbo – grande cacimboRicanda-ria-ngómbe – passos de dançaTambula conta – toma notaTuoloietu! Estamos juntos….Tupiar - escarnecerUuabuama - maravilhosoxuxuar – através dos dentes mostrar desprezoKuzuela - falarKANDANDU, ZECA 2013100312h58MURODORS Sinaleiro da Mayanga, recordo o teu corpo africano brilhar, naquela roupa branca que parecias um anjo… A tua xipala uuabuama impenetrável no dever, naquele merengue riscado no pequeno círculo - Peanha  com as tuas luvas brancas sempre com rikânda-ria-ngómbe Kiavuluvulu que tinha o feitiço bué kuhúnda. Ah! SINALEIRO! Como gostava do tempo da quifufutila, do antigamente daquele transito onde tu fazias arte com sinais… Muitos paravam aboamados com kitonda, outros tupiando ais, ais… Invejavam a tua arte, que era sinfonia feita de dicanza, porque tu foste no meio de todos eras o verdadeiro maestro… Foste como uma bué calema gingando na Barra do Kuanza…

(Continua…)

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Soba T´Chingange



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Sábado, 19 de Outubro de 2013
KWANGIADES . VIII

MEUS BUZIOS FALARAM Mokanda de Um Kota especial!2ª de 2 Partes

Por

José Santos Jose SantosImpregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum rio chamado Rio Seco.

O nosso mambo, ninguém pode ouvir, caté ele e temos de falar noutra língua… sugeria OSHIVAMBO. Esse matumbo diz-me que todos os mundele tem feitiço, tudo cobiça, num têm muxima como os nosso feito de capim e de cangoenha de pitanga. Mais diz, assim: - “Meu Rei tambulaconta na tua koka, cada vez te vão dar bassula, botar ferro, mandar no POEIRA, botar na pildra e teu botinho cabelo de araminho malé, fica assim como terracinho gostoso como dos jogadores dos futebolé. Fiquei enervado e logo botei caneca de maluve para amansar a minha onça. Agora, te digo, escapou apanhar umas galhetas e apenas lhe ordenei: -

 Masila Mayanga

“Estátua! Claro que ficou em sentido! Ficou a tremer como bambu kandengue e se mijou todo!” Logologo ameacei-o com o rabo do hoji na mão e disse: - “Cala essa boca de kissonde velho. O ZECA é kamba muxina igual ao nosso, num tem esses mambo do descriminação nos bolsos na koka dos calção de caqui. Ele uso os nossos panos, come a nossa comida, respeita as quilumba, menina ou velhinha, zuela kimbundu, chora pela Mayanga… Agora também quero conhecer essse muadiê AM kamba do Zeca que tem nome muito bonitinho, T’CHINGANGUE. Meus buzio diz que ai tem chinezinho de Beiijng T´Chin?”

Foto: UNDENGE AMI MU MOAMBA PARTE IV – TEMO MORRER DE SAUDADE… Tusakidila Nzambi! Aiué! Muenhu uami’ê ai!Aiué! Ngala ni Jihenda, kiavuluvulu mu muxima ami!Talenu! Jihenda pala kutuku mu Itulu!São tantas, que temo morrer de verdade…Muxima kota, já não dá bué pulinhos Kuafulu,agora, suspira quietinho o tempo da mocidade…Auá! Ainda há pouco julgava-se kandengue, como se fosse um bonitinho Mbambi!Malu ami! MAIANGA bazou inana mu merengue!Zeca, ki muzangala ê o kuuaba mukini!!Oh! Uuabuama Ngana Nzambi!Diz-me, o que é feito do meu quintal,da minha mala do makambira…, afinalcheia de Undenge ami desse tempo kiavulu kimi… Desse tempo dos angolares…, colonial,Diz-me onde está o meu pombal cheio de amor voando no ar, o meu jacó Topariove que adorava o Hernani - o genial,o meu sagui Miki que imitava o Cantinflas a andar,As Lagoas nas barrocas da Travessa de João Seca, feitas pela bué Jimvula de Março, Abril, cheias de sapinhoscatando com a dicanza o amor de cristal… aos saltinhos.Oh! Como kandengue delirava ver as coxinhas fazerem panqueca…Xénhe! Mostra nos o nosso Portão, Kiuéie etu,assento, cordão de falas, de boa amizade de jovenssonhadores do tempo do N’gola…, Beatles com o seu ié,ié…,Elas baronas, belas acácias descobrindo o cheiro, as petálas… Eles esbeltos, exibindo barbichas, bangando Nsambu bué….   Ah! Como tanto sonhavam no colchão de espiga…,embrulhados no cheiroso e belo lençol da Textang, deambulando pelas ruas…,luandinas, maianguistas bué Uanga,tão agarradinhos na massemba que deixava, bué katinga…A nossa geração foi “obediente” e platónica..., pouco “instruída”, mas muito, muito responsável, porque no idílio, para o amor, muito pedia, tinha prova oral,porque o primor e o respeito tinham selo de moral…Ah! Moral! Cujos passos, avanços, Maxikululu,mãozinha dada, beijinhos…, tinham à sua frente o finca-pé…  Ao contrário desta “desobediente”, psicadélica, que bate-pé…,mais “instruída”, mas muito, muito irresponsável pra Atu.Sim! Porque esta, tudo rompe sem pestanejar,com os olhos fixos no fundo da gruta, caverna…,num marimbar para os danos, fruto desta era moderna cheia de campos de festa para explodir o Woodstock avatar…,Onde a sua liberdade muito se consola até fartar,onde o “Esplendor na Relva” abriu as asas, fecha os olhose os papás ali estão para tudo e numa toada serenatudo consertarem, cabisbaixos, sem briga, restolhos...Undenge ami mu Moamba!Aiué! Carro do Fumo bufou “Mon’a’xi” pala Kaxaxi!Caté o misoso do macota kamba Zacarias ami,metido numa cabaça feita com cascas de mabanga…,Escrito com suas falas, lágrimas de Kuxixima,que plantei no meu quintal de kandengue. Muetxiele!  Kutulu uala, pala ku paka mu muxima,ua uala ni itulu mu henda, kua mutu kejiê, bué merengue… Ah! Mas aquele Sol oirado, a Lua de Prata,que caia no meu quintal da Travessa J Seca da Maiangaestão comigo e iluminam a minha inspiração, é missanganeste putu de desilusão que merece bassula, dizer basta…Todos os bairros da cidade de S Paulo de Loanda,sejam os de terra, poeira ou de alcatrão…,por todos, muitos, muitos anos namorei, deambulei…,mas o da  MAIANGA foi o que mais pisei, mais amei…É sentimento misturado com bombó, não por ter lá vivido parte da minha vida, mas porque era especial, muito unido,hospitaleiro no trato, bairrista no “rapto” dos kapianguistas das nossas miúdas, que logo a maka buzinava, o kuata-kuatafisgava galheta, inspecção, recruta, juramento e pré.Oh! De todas as festas do SPORTING CLUBE DA MAIANGA,que enchiam de alegria aquele recinto recreativo e inesquecível chão o maior delírio uuabuama, era o da festa do múkua henda São João, o santo mais amado pela sua festa popular cheia de encantamento, Com os ranchos todos vestidos a rigor, bué banga…,calçando socos, alinhados no palco de soalho que muito jingavabebia katinga do VIRA, pra a alegria dos kotas que lambiam saudadee os Miekeleke pulavam, pulavam Uembu Kimuua da comunidade.Ah!  Mas a do Fim de Ano fazia estremecer a estrutura do tecto,porque também dançava o merengue com o feitiço da massemba no chãoagarrado às chapas de zinco sempre pronto para batukar com o pernãosob o calor do N’Gola Ritmos – muxima, da voz do Elias – zom zom…A muzangala não descansava na sua vez, com o yé yé da F. Hardy,Massiel, S. Vartan, com o Rock and Roll do Bill Haley – Rock Around The Clock, Shake, Rattle and Rock…com o Chuck Berry – Johnny B Good, com o Elvis – Blue Suede Shoes, com rebita paka,com a Kúkia madrugar, com do Elias – Zé Salambinga, Águias Reais – Bazooka… Para os Kota estilarem todos bangões, agarradinhos às damas mostrando as suas habilidades para os kamba sentados nas mesas comendo churrasco…, bebendo finos da Cuca, Nocal…, tinham surpresas,tinham discos para riscarem no cafuso do seu salalé, com Tango, PassoDoble,Raspa, Valsa, Bossa Nova…no estouro do novo ano com as passas, desejos… AMAM’ÉÉÉ! TEMO MORRER DE SAUDADE!Recordar o seu bairrismo, é candeiro a petróleo do Morais,cuja rodinha mais ilumina a minha kubata bué retratos, claridade…,que  passou de geração em geração, dessa Mayanga antigae desses guardiães Maukumbu que já não existem mais…mais…Feita de convivência que mais crescia, mais o Rio Seco uakala Ngiji Lumuenudesse sekulu território sagrado – POÇO DA MAYANGA DO REIque abraçava os “patricicios” do Prenda, Catambor, Samba…, sua greicom todos juntos à volta da cacimba bebendo, saudando…, com kutululukaLelu, arrasto um tempo que é presente dessa Loanda que batuka,metido nesta terra que sobrevive neste tempo de grosso sarilho pra Atu,metido numa moamba azeda de maldade, de hipocrisia, de curibotice,  de alembamentos, de beija mão, porque não tem saída, Ku mesu! Continua…KIAMI KANDANDU, KIA MUXIMA KAMBA, ZECA 2013101618h44NMK na minha kubataGLOSSÁRIO:   Tusakidila Nzambi! -                    Louvado seja deus!Aiué! Muenhu uami’ê ai! -              Ai de mim! A minha vida!Aiué! Ngala ni Jihenda,                Ai de mim! Tenho saudadeskiavuluvulu mu muxima ami! –          muitas, muitas no meu coração!                                                         Oh!  Uuabuama Ngana NZambi!                  -      Oh! Maravilhoso SENHOR! Talenu! Jihenda pala kutuku mu itulu             -      Vejam! Saudades para louvar no jardim!Malu ami! Maianga, bazou inana mu merengue!    -    Ai de mim! Maianga, fugiram as pernas de merengue!Zeca, ki muzangala ê o kuuaba mukini!            -     Zeca, não é o belo jovem bailarino!Muetxiele! Kululu ala, pala ku paka mu muxima,             -  Deixa-lo! Flores são, para plantar no coração,ua ualini itulu mu henda, kua mutu kiejiê, bué merengue…  que tem jardim de saudade, para quem não sabe,                                                                  muito doce….…mais o RIO SECO akala Ngiji Lumuenu….         –     mais o RIO SECO era Rio Espelho….Amam’ééé! – Oh! Minha mãe!Auá - carambaAtu – pessoas, gentesBassula – rasteira, empurrãoBombó – farinha de mandioca, fubaCuributice (ku dibota) – palrar, dizer mal Hernâni – antigo jogdor do FCPortoItulu - jardimJihenda/henda – saudades/saudadeJimvula – chuvas Kandengue – miúdo, rapazitoKatambor – um dos bairros(musseque) de Loanda situado na zona da Av Lisboa.Kiavulu kimi – muito queridoKapiango – roubo, retiar…Katingando – transpiração corporal…Kaxixi – para foraKiuéie etu – nosso adoradoKota – pessoa mais velha…Kuafulu - gostosoKuata, kuata – agarra, apanha, segura, pega…Ku mesu! – para futuro!Kitulu - floresKutuku - louvarKutululuka - humildadeKuxixima - louvarLelu – hoje…Mbambi – antílope pequeno.Mabanga – marisco, espécie de ostra.Macota – pessoa muita idosaMayanga, Maianga – bairro de Loanda e prox da baixa. Maukumbu - orgulhososMassemba – dança, ritmo sensual do corpo sentido e produzido pelo par…Matumbo – individuo buçal, de gestos grosseiros, selvagem, ignorante…Merengue – ritmo de dança, muito animadoMerengue – bolo feito de claras de ovo batidas com açucar e que contém recheio.Miekeleke -garotinhosMisoso – estórias muito antigasMon’a’xi! – filho da terra!Múkua henda – generoso Munzangala – mocidade, rapaz, adolescenteMuanha - SolMuxima - coraçãoMaxikululu - olharesMuenhnu - vidaNsambu bué – muito ritualNgana N Zambi – Senhor, DeusPatricio – termo designando o angolano negro.Prenda – Bairro situado (prox Maianga) na zona da Av Lisboa (Aeroporto)Samba – Bairro situado (visinho) a sul com o esplendoro mar e seus pescadoresSekulo – pessoa muito idosa, antigoTalenu! Vejam!Uuabuama - maravihosoUanga - feitiçoUembu kimuua - tranquilidadeUndenge – infânciaUndenge ami mu moamba! – minha infância de moamba!Undenge etu – nossa infânciaXénhe! – Oh! Vós! KIAMI KANDANDU, KIA MUXIMA KAMBA, ZECA 2013101618h44NMK na minha kubata Obrigado por merecer a tua atenção kamba do Rio Seco da Maianga. Fico muito grato. Até nisso somos parecidos, porque partilhamos na QUIÓNGA essa atenção de boa amizade, porque são ventos muitos desejados nesta “selva” que nunca conheceu a verdadeira comunicação, amizade daquela SELVA, que num tempo tantas vezes dita no Paço, que leões e pessoas caminhavam de braço dado pelas ruas de Loanda. A memória guarda, a memória não esquece, como num tempo foi tão maltratada. Hoje os tempos são de beija-mão de muitos que voam e que aqui outrora muito se coçavam, se era por causa da flor do Congo ou do kissonde das mil patas, não sei, mas que se coçavam, sim é verdade, porque o gesto da mão aflita parava no portão, praguejando maldição.

Kandandu, do ZECA

Kwangiades: musas ou ninfas do Kwanza, As Kiandas do rio da integração Angolana.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Domingo, 13 de Outubro de 2013
MUXIMA . XXXV

ANGOLA  - LUANDA O abastecimento de água potável a Luanda . 2ª de 3 Partes

As escolhas de

 KIMBOLAGOA

 

Por: Manuel da Costa Lobo Cardoso -Edição do Museu de Angola de 1950

: Cacimba da Mayanga

Sob a égide do Engenheiro Ângelo de Sárrea Prado, foi planeada a constituição de uma companhia por acções, a fim de abastecer a cidade com água do rio Bengo, tendo sido, para o efeito, convidados os habitantes de Luanda a subscreverem-se com as quantias que entendessem, por não estar ainda fixado o valor de cada acção. Esta companhia não se chegou a formar, - os subscritores de Angola conseguiram ainda inscrever-se com importâncias que atingiram 55.150$000 (Boletim Oficial n.º 8, de 29/2/1869),- pelo que a concessão que lhe fora outorgada, em 1874, foi declarada sem efeito, em 1885 (Boletim Oficial n.º 6, de 8/2/1886). O referido Engenheiro Sárrea Prado, fez, no entanto, um curioso reconhecimento do rio Bengo e estudo dos vários aspectos ligados ao assunto, como consta do relatório que elaborou e vem inserto no Suplemento ao n.º 2 do Boletim Oficial de 13 de Janeiro de 1869.

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  Várias outras empresas surgiram posteriormente, requerendo a respectiva concessão, mas sem que fossem atendidas. O próprio Governo da Colónia, em 1877, e a Câmara, em 1880, no intuito de apressarem a solução do problema, solicitaram do Ministro do Ultramar autorização para levantarem empréstimos de 900 e 500 contos respectivamente, destinados às obras de canalização da água do rio Bengo para Luanda. Sob diferentes pretextos, estes pedidos não foram, porém, considerados tendo resultado improfícuos todos os empreendimentos que se tentaram, com razão podia, em Fevereiro de 1886, o Ministro Pinheiro Chagas, afirmar: «... Luanda continua hoje a morrer à sede entre dois rios, cujas águas podiam há muito correr a jorros nas ruas da capital da província...».

 

  De facto, nessa altura o abastecimento de água potável à população de Luanda, era feito, como trezentos anos atrás, pêlos chamados Poços da Maianga, conjuntamente com a água trazida do Bengo em pipas, transportadas por barcos. A situação apresentava-se de tal forma angustiosa, pois com o aumento da população da cidade, a água ia-se tornando insuficiente, subindo, por vezes, a preços tão exorbitantes que, no seu relatório, de 2 de Janeiro de1886, aCâmara, chegou ao ponto de propor a seguinte solução: «... Finalmente, porque a calçada a construir (que partiria do Bungo) vai entroncar no aqueduto da estrada do Cacuaco, fixando o mesmo aqueduto, para obrigar as águas pluviais, que, pelo declive, vem hoje para o Bungo a passarem todas para a lagoa de Quinaxixi, a qual, em anos de chuva, receberá água para alimentar a cidade toda para mais de um ano, depois de limpa e rodeada com um pequeno muro...».

Opção do

soba.jpg Soba T´Chingange

 



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Quinta-feira, 10 de Outubro de 2013
N´NHAKA . XIV

ANGOLA S. Paulo de Loanda . VII

Por

  KIMBO LAGOA         

S. Paulo de Loanda recebeu foral de cidade em 1605, quando se constituiu a primeira vereação municipal. A escolha deste local deve-se fundamentalmente ao porto natural por estar situado em uma baia protegida por uma ilha, ideal para uma navegação segura. O morro aonde se construiu a Fortaleza de S. Miguel apresentava nesse então uma óptima condição para defender toda a baia com seus canhões; as encostas agrestes deste morro dificultavam qualquer investida por terra. Um outro factor de escolha foi o de não muito longe existir água potável a fim de se poder abastecer as naus que ali aportavam, bem como as guarnições militares situadas na fortaleza ou bivacadas na parte alta da cidade aonde pouco a pouco foram surgindo os primeiros edifícios administrativos.

 A fonte de água potável ficava no lugar de Manhanga na margem da pequena lagoa dos elefantes; com o decorrer do tempo a lagoa foi ficando assoreada por areias do morro mas, o poço subsistiu até os dias de hoje com o nome de Cacimba da Maianga ou Mayanga que nesse então era designado de poço do rei pela sua importância. O termo “Loanda” também é referido para designar esteira e tributo. A esteira era e é um tipo de canas ou folhas resistentes de coqueiro ou palmeira formando um tapete aonde os pescadores da ilha se deitavam ou sentavam para seus convívios ou fazer refeição. O tributo é referido aos n´zimbos e caurins, conchas que significavam dinheiro apanhadas naquela ilha das cabras pelos axiluandas, nome dado em Kimbundo aos lançadores de redes. Estes pescadores eram também apanhadores de conchas obedecendo às ordens dos reis de N´dongo N´gola Kiluanji Kiassamba

Luanda antiga - coqueiros (junto Baleizão)

Com a reconquista de Angola e a expulsão dos Holandeses, os chamados Mafulos, no ano de 1648 pela esquadra Luso-brasileira comandada por Salvador Correia de Sá e Benevides, o nome da cidade foi mudado para S. Paulo de Assunção de Loanda em memória de Nossa Senhora do mesmo nome a 15 de Agosto de 1648; esta data passou a ser dia feriado municipal sobre o domínio Português. Só em Abril de 1927 é que Loanda passou a se designar de Luanda por sugestão do historiador Padre Ruela Pombo e demais elite intelectual da altura. Durante centenas de anos Luanda foi somente um aglomerado de casas chamando-se aos sítios nomes que caíram em desuso. Existia o lugar da Kipaka, aonde se veio a construir a estação ferroviária junto ao Bungo e Caponta (porto de mar); A Nazaré aonde se encontra a capela do mesmo nome, Mutamba, Kafaco, Mazuica, Katomba, Maculusso, Ingombotas, Katari, Quitanda, Coqueiros, Misericórdia, Maianga e Samba   

N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios e em zona plana e húmida, horta; Luua: - Diminutivo de Luanda

O Soba T´Chingange

 



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Terça-feira, 8 de Outubro de 2013
MUXIMA . XXXIV

ANGOLA - LUANDA O abastecimento de água potável a Luanda . 1ª de 3 Partes

As escolhas de

    Kimbo Lagoa     

Por: Manuel da Costa Lobo Cardoso -Edição do Museu de Angola de 1950

 Desde o início da ocupação que o abastecimento de água a Luanda, - «a quem a Natureza denegou Fontes a athé poços de água doce e saudável» - tem sido considerado a «causa da cidade. As referências que a este respeito, no decorrer dos séculos, encontramos sobre a capital de Angola, proclamam, dum modo geral, as suas precárias condições de salubridade, atribuindo-se à falta de elemento tão necessário à vida, como é a água, a dificuldade com que sempre deparou para se tornar um centro urbano importante. Por mais de uma vez, para ocorrer a esta necessidade, foram tentados empreendimentos, que ficaram, na sua maioria, sem resultado.

Existente nos subúrbios de Luanda e que durante séculos abastecendo de água potável as classes pobres de Luanda. Os primeiros datam de 1645, do tempo dos holandeses, no curto período da invasão, ao pretenderem trazer à cidade as águas do Cuanza, através dum canal que projectaram e que parece viria desembocar a mais de uma légua de Luanda. Posteriormente, ao Governador Tristão da Cunha, é recomendado pelo Governo, no regimento que lhe deu em 10 de Abril de 1666, que - «velasse pelo concerto e reparo da lagoa dos Elefantes (onde se encontram os «Poços da Maianga»), como quem sabia o muito que importava ao abastecimento da população».

 Mais tarde, em 1753, o Governador D. António Álvares da Cunha, Conde da Cunha, estuda, pessoalmente, o problema da canalização das águas do Bengo e Cuanza. Por sua vez, D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho nas cisternas do Penedo, S. Miguel e do Terreiro,- «deixa evidente a prova de que não teve em menos conta a grande necessidade de Luanda». Em 1813, o Governador José de Oliveira Barbosa, aproveitando as - «supostas aptidões do degredado político José da Cunha e Sousa Alcoforado, encarrega-o do estudo e imediato seguimento da construção de um canal de Calumbo a Luanda». Goradas, quase sempre, todas estas iniciativas em que os poderes públicos se empenharam, somente em 1865 é que o estudo da questão renasceu.

Opção do

soba.jpg Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 24 de Julho de 2013
N´NHAKA . XIII

ANGOLA - POSTAL DA LUUA. VI

Por

  KIMBO LAGOA             

   O atendimento às crianças em idade de frequentar centros infantis em Angola está “muito aquém” das reais necessidades do país, que precisa de mais 53 mil instituições e 795 mil técnicos, segundo um documento governamental. Angola se não aumentar o investimento em programas de protecção social, na igualdade de género e programas de mudança climática, na saúde, na educação, na agricultura e água, saneamento e higiene, dificilmente atingirá as metas de desenvolvimento sustentável a partir de 2015. Em Angola, entre 2008 e 2013, 40% do seu gasto extra foi financiado por empréstimos, muito caros, usando fora do orçamento iniciativas de financiamento privado para infra-estrutura, e títulos comerciais internos e externos.

 O crescimento económico por si só, sem espalhar os benefícios uniformemente pela sociedade pode aumentar a desigualdade e ferir a coesão social. Angola está enfeudada numa sociedade consumista e aquisitiva aonde “o ter vale mais que o ser”; haverá que mostrar aos mais jovens que sem dinheiro não se pode adquirir bens materiais mas, sem educação, não se conhecerá o verdadeiro valor do ser humano. Uma sociedade só será sustentável se, se reconhecer que sem sabedoria e conhecimento, não haverá avanço. É forçoso pôr termo à discriminação, à falta de respeito pelo outros, a falta de solidariedade e acabar de vez com a exclusão social e a pobreza. Angola tem actualmente 498 instituições de atendimento à primeira infância em funcionamento, sendo 164 centros infantis, dos quais 67 estatais, que atendem 16.750 crianças, e 97 centros privados, frequentados por 23.970 crianças, bem como 334 centros infantis comunitários, para 62.297 crianças.

 No total, são atendidas 103.017 crianças, quando em Angola se estima que este ano exista cerca de 3,5 milhões de crianças dos zero aos cinco anos, representando cerca de 16,5 por cento do total da população total estimada em 21,2 milhões de pessoas. Entretanto, Luanda regressa ao topo da lista como sendo a cidade mais cara do mundo. Segundo um estudo da consultora Mercer que abrange 214 cidades em cinco continentes sobre o custo de vida, dão-se exemplos: Uma refeição de hambúrguer que custa em média quatro euros em Lisboa, custa mais do dobro (10,08 euros) em Caracas na Venezuela, e em Luanda sobe para 15,00 euros. O alojamento é geralmente a factura mais elevada e, nesse domínio, Luanda rebenta a escala: para alugar um apartamento de luxo com dois quartos, sem mobília, paga-se por mês 4800 euros. Em Lisboa, um apartamento equivalente custa no máximo 1800 euros por mês.

N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios e em zona plana e húmida, horta; Luua: - Diminutivo de Luanda

O Soba T´Chingange



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Quinta-feira, 11 de Julho de 2013
KWANGIADES . I

SOU UM MÁRTIR inventações nas horas do tempo

Por

  T´chingange

Alguma coisa se passa comigo; eu explico: Os ponteiros das horas, dos minutos e segundos do meu relógio são fosforescentes. O doze e seis são em números árabes também fosforescentes e, as demais horas são indicadas por pequenas barras também fosforescentes. Nestas últimas noites acordo sobressaltado e, no escuro do meu quarto olho o relógio, vejo a ponta luminosa dos segundos rodar no sentido certo e, vejo um só ponteiro apontando o traço da hora cinco correspondente aos vinte e cinco minutos. Sucede aqui, nunca ver o ponteiro dos minutos porque aparece encavalitado em cima do ponteiro mais curto e correspondente às horas, portanto, às cinco horas e vinte e cinco minutos desperto como que por magia.

 O sono foi-se,  e conjecturo no quanto a minha vida anda envolvida por um invisivel e mágico ponteiro de relógio adquirido na “sudáfrica airlines” a oito quilómetros por sobre o Atlântico. Cedí-me sempre à terra aonde me fiz homem, estudei, casei e  fui feliz em Angola até Agosto de 1975; desde então, carrego na  corcunda um imbondeiro e daquela terra e desde então, dali, só me vem pancada. Anos antes, 1970, casei-me no firme propósito de dar felicidade a alguém que conheci no Mussulo e, os anos incharam-nos de amor no tempo desmilinguido e inocente das horas colonialistas, minutos e segundos, um filho e mais outro e num repentemente tornaram-me martir fustigando no pensamentos os dias ali passados. Agora que sou kota, na diáspora relegam-me as lembranças do lá para tráz, porque simplesmente já passaram do prazo de validade, dizem! Bem digo que os minutos nos fragmentam nas horas. Em verdade nunca intendi como conseguiram dividir algo inmensurável mas assim é, o agora esvai-se em nada.

 Os sonhos do meu tempo também se encavalitaram na solidão dos séculos; séculos que em outro tempo eram respeitados. Querem os kandengues de agora retirarem o que me resta, o direito de sonhar aqueles tempos. Sou forçado a dizer-lhes que a rainha N´Zinga usou um m´bika (escravo) que curvado lhe serviu de banco para falar com o representante de sua magestade o rei N´dele do Puto, Afonso VI, o Governador e Capitão-General Luis de Sousa Chinchorro no ano de 1657. Foi em verdade um acto de dignidade e, se querem saber, esse escravo de então, era eu, preto que nem um tição. Sou ou não sou, um martir de N´Gola. De Cabinda ao Cunene, fiquem todos a saber que por direito de negro escravizado da Rainha N´Zinga, adquiri cidadania na qualidade de T `Chingange  t´xindele (mundele de N´dele - branco) para dar continuidade ao fado da vida como mártir Kianda.

Kwangiades: musas ou ninfas do kwanza.

O Soba T´Chingange 



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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012
MULUNGU . XXV

“O PRIAPRISMO DO KIRK DOUGLAS CALUANDA”4ª de 4 partes

Por

 O Soba T´Chingange

Fomos até à cama da unidade de contusões dar conforto ao entesado amigo e o levantar do lençol, dava para perceber o que era priapismo. Sossegamos o amigo ainda confusos com o inusitado e regressamos à turma da maré mansa e alta tensão que após ficarem perplexos, riram e gozaram sem compaixão pelo Paixão. Já na segunda feira passamos todos pelo Hospital; paixão teria alta nesse dia e contou que pelo caso inusitado por ali desfilaram estudantas de medicina para observar in loco o fenómeno apalpando até o dito cujo no intuito de sentir a rigidez do priapismo.

 Priapismo é uma condição médica geralmente dolorosa e potencialmente danosa na qual o pênis ereto não retorna ao seu estado flácido, apesar da ausência de estimulação física e psicológica. Os distúrbios neurológicos como lesões e traumas à medula espinal (o priapismo já foi relatado em vítimas de enforcamento. A ereção dura em média 4 horas. O priapismo é uma emergência médica e o recomendado é procurar atendimento de emergência prontamente. É a situação onde o sangue que chega ao pênis através das artérias, não consegue retornar ao corpo por uma obstrução no conjunto de veias que drenam o pênis. Por esse motivo, a pressão do sangue dentro do pênis é elevada, com pouco oxigênio e a dificuldade do sangue chegar até as fibras sensitivas do pênis, gera um quadro doloroso.

 Para terminar a crónica de solidariedade que de tão verdadeira, até parece mentira, cazumbi de coisa passada à cinquenta anos, acrescento que após o término do Curso de Montador Electricista, não mais tornei a ver o pícaro Paixão, tendo sido informado que faleceu algures na nossa Luua. Se algum dos ex-colegas souber algo mais, faça o favor de me informar. Se tiverem a T´xipala dele, Paixão Kirk Douglas tanto melhor.

Glossário:

T’chingange - um misto de feiticeiro, justiceiro, advogado do diabo (de quem se tem medo); kinambas - pernas; candengue - moço, rapaz; Camundongo- natural de Luanda, rato; T’xipala - fotografia (de rosto);gíria de Angola; monangamba - trabalhadores sem classificação especial (perjurativo), moço de rua ); Kimbo – sanzala (planalto central de Angola), povoado; Mazombo: filho de colonos; identificado no meio; mussequeiro; Matacanha: bitakaia, pulga de pé; Cazumbi: feitiço; Matubas: testículos; Flor-do-kongo: fungo de pele de dar coceira; Luua: diminutivo carinhoso de Luanda.

Ilustrações de Costa Araújo Araújo (Mano Corvo do Rio Seco)

(FIM…)

O Soba T´Chingange



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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2012
KIANDA . XXXIII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“SAIDY MINGAS” - Luuanda

Por

 T´Chingange

No contexto da vida, das coisas feitas à sombra da história sem o conhecimento do mundo, cada qual tem uma vírgula no seu universo. Anónimamente ficamos à espera que a historia nos contemple mas o tráfico de incidências  não proporciona vislumbrar o céu nebuloso ou claro para lá da colina da saudade. Como uma colherada de mata-bicho dos mambos do meu quintal de sonhos e á sombra dum tamarindo reproduzo aqui um pequeno capitulo. Ás vezes é a história que faz o homen e não o inverso como parece ser.

 Com linguas de catana, o romantismo revolucionário daquele meu tempo, na busca do poder, cortaram  os misteriosos  inconvenientes desvios ao bom senso da amizade. Na Escola Industrial de Luanda tive por cinco anos como colega Avelino Dias Vieira Mingas que veio a ser mais tarde Ministro das Finanças de Angola entre Novembro de 1975 e Maio de 1977. Mingas era um esguio negro, alto, dentes grandes em rosto amplo; fomos colegas de carteira e trocávamos muitas vezes de cábulas… quantas vezes trocávamos de testes nas provas… primeiro no chamado ciclo preparatório e mais tarde no curso de Montador electricista.

 Por via da sua aplicação ao desporto no Atlético de Luanda faltava muito às aulas; eram muitas as vezes que levava para as salas a sua mochila com os sapatos especiais com que corria e saltava. O Atlético de Luanda patrocinado pelo senhor Cuca, Manuel Vinhas tinha ali um viveiro de atletas que nos intervalos entre o correr e o saltar abordavam nos balneários as vicissitudes da colónia, sua terra, ansiando por um passo de alforria em suas vidas, seu quinhão. Inocente, eu e tantos outros embrenhados na cultura do cinema, nem nos apercebíamos que alguma coisa andava a mudar. Avelino, gozava comigo chamando-me de besugo bonito; com grandes abraços cingia-me de empática amizade e ria em sonoras gargalhadas com sua boca escancaradamente grande. Mais tarde fiquei a saber que ele e seu irmão Rui Mingas que veio a ser Embaixador em Portugal eram treinado por um idoso angolano, antigo olímpico português de nome Demóstenes de Almeida. No estádio dos Coqueiros, ambos, iam batendo recordes no salto em altura. O tempo passou e deixei de ver o Avelino; cada qual seguiu o seu rumo mas, pelos jornais ia sabendo das suas proezas desportivas. Não sei porque cargas de água, conservei até muito tarde um esquadro de plástico com a sua firma, Avelino Mingas.

 Em Agosto de 1975 ofereceram-me uma viagem para o Puto sem bilhete de regresso e de IARN para ADIDOS como de Pôncio para Pilatos, os gestores da ponte da descolonização lavaram as mãos com água que o tempo milagrou em sangue, sem nunca me garantirem o regresso Á Luua com o tal bilhete da TAP, claro!... e, veio o 11 de Novembro com a proclamação da República Popular de Angola tendo como ministro o meu amigo de carteira Avelino Dias só que, e por fruto da revolução uma insubordinada rebelião o Dias ficou invertido em Said; só mais tarde em jeito de banga mwangolé adicionou um y ao Said, um grito de guerra. O Avelino desapareceu dando lugar ao Dr, mantendo o resto do nome de matriz colonial; se invertesse tudo passaria a ser um chinês de nome raro e isso não lhe era conveniente. Não obstante debelar-se contra as heranças lusas, adicionou o Y, o W e K ao alfabeto a demonstrar talvez o desejado distanciamento, coisas próprias da emancipação rebelde. Vai daí institui o Kwanza, antigo Cuanza como moeda nacional. Foi sua última missão. Saidy Mingas, fiel a Agostinho Neto, Na madrugada de 27 de Maio de 1977 (sexta-feira), entra no quartel da Nona Brigada para tentar controlar as tropas de Nito Alves, então Ministro da Administração Interna sob a presidência de Agostinho Neto. É preso pelos soldados fraccionistas e levado com Eugénio Costa e outros militares contrários à revolta para o musseque Sambizanga, onde são posteriormente queimados vivos. De Avelino Dias Mingas, ficou na retina sua t´xipala, cara, olhos, boca, lábios e dentes grandes e alvos. Como seu selo vivo ficou também sua sonora e alegre gargalhada... soluçada a gosto.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:19
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Sábado, 6 de Outubro de 2012
MULUNGU . XXIV

“O PRIAPRISMO DO KIRK DOUGLAS CALUANDA” 3ª de 4 partes

Por

  T´Chingange

O coqueiro, a cada impulso do Kirk Paixão dava sinais de instabilidade mas lá bem no topo e com um grito de Tarzam e ginásta do Kirk, lançou-se às águas calmas do mar da Corimba; mergulhou, veio à tona e aconteceu o inesperado, um tremendo coco cai-lhe em cima bem no topo da moleirinha. Paixão desmaiou, ficou de bruços e a malta da Tensão Alta acudiu num ápice ao infeliz colega encocado, desmaiado que nem um morto defuntado mas, respirando. Perante este quadro de aparente traumatismo, tentamos despertar Paixão mas este abrindo os olhos e  babando-se em demasia conservava-se hirto com seus músculos descoordenados; rapidamente levamos Paixaõ para o cais  esperando o kitoco mas, tivemos sorte de um pescador dali oferecer ajuda. Assim eu e Junça acompanhamos o companheiro com os seus e nossos pertences pois que já era sexta-feira e não saberíamos se ali voltaríamos.

 Na carrinha de caixa aberta de Junça ali estacionada no ancoradouro da Corimba,  acomodamos paixão esticado tendo-me ao lado para lhe dar o apoio necessário; Junça, em questão de vinte minutos estava subindo a ladeira das emergências do hospital Maria Pia. A enfermeira Rolf Van Dunem de serviço, conhecida de Junça lá do bairro Vila Alice, encaminhou Paixão até o Dr. Boavida, um médico com larga experiência. Eu e Junça fomos encaminhados para a sala de espera. Pouco depois apareceu a enfermeira que nos tranquilizou e depois de umas trocas de palavras e preocupados de como alguém de família tomasse conhecimento.

 Junça sabia de um primo de Paixão que era militar furriel colocado no Regimento de Infantaria 20  de nome Nepomuceno; graças a este nome invulgar a mente de Junça juntando as peças concluiu e vai daí telefonou para a 3º companhia do Capitão Parracho e não demorou muito a transmitir o ocorrido a este próximo primo.  Por ali ficamos à espera dum esclarecimento do Dr. Boavida e, por fim aparece com um sorriso no rosto, coisa descabida pela gravidade que nós constatamos e disse: O vosso amigo está em choque nervoso mas penso ir  ficar bom  rapidamente. Ui! (…) Que alivio! E continuou: ele está com priapismo! Na nossa santa ignorância ao mesmo tempo, eu e Junça perguntámos o que é isso Doutor? O médico respondeu com paciência: Priapismo é erecção persistente e constante do pénis, mais conhecida pelo povo como “paudurência” e "paufeito".

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:08
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Domingo, 30 de Setembro de 2012
MULUNGU . XXIII

"O PRIAPRISMO DO KIRK DOUGLAS CALUANDA”2ª de 4 partes

Por

  T´Chingange

Fizemos uma cacimba com água salobra e com latas de conserva e muita inventação permutávamos vontades fintando a sorte no catravés das sombras silenciosas. De dia adicionava-se o som de cigarras calorentas à sinfonia de rolas, celestes e gaivotas. À noite, lambuzados de liberdade, olhávamos nus as estrelas descobrindo o cruzeiro do sul; alegrias aprisionadas irmãmente divididas entre nós, descortinando um possível UFO, vulgo disco voador mas, só vimos mesmo estrelas candentes. Mais tarde, em pensamentos sombrios, ouvi apitos de navios balouçados no azul do horizonte, botando fumo negro soluçado com apitos graves e longínquos.

 Por força das circunstâncias e leis da natureza, cresci camundongo, tal como o Paixão do Sambizanga, ele preto e eu branco na condição de mazombo. De Paixão, eu só sabia que ele tinha uma secreta ligação com Kirk Gouglas, esse tal artista do cinema por quem nutria um grande apego depois de ver o filme “O homem tocha” no cine Colonial no São Paulo, paredes meias com o Bairro Operário, mais conhecido por o BO. Desconformado na alegria, Paixão misturava os tempos, silêncios mal paridos do Sambizanga um misto de valentia lambuzada a sebo de engraxador, pé matacanha, filaria e demais mazelas; de certa forma havia semelhança entre nós e daí tornar-me no T´Chingange. Paixão, saído do kimbo, pulava tal como eu, em projecções de mente com agoiros de olho gordo.

 Chocalhando guizos nas kinambas, coçando grosseiramente as matubas carregadas de flor-do-kongo afirmava-se como o maior para ser admirado por todos tal qual o Kirk Douglas do cinema. Enquanto T´Chingange fazia feitiçaria, desviava influências, provocava chuvas, fazendo respeitar-se por feitos temerosos, de Paixão, desde o tempo de monangamba camundongo, só recordo do quanto era alegre nos intervalos das tristezas. Nesse então ainda não se tinha inventado a gozosa da Luua. Lutando com a herança natural, removia bloqueios fingindo ser o que não era para ser respeitado e até admirado. Vai daí naquela manhã com toda a valentia, Paixão trepou àquele coqueiro tombado sobre as águas enquanto o resto da turma o incitava a ir bem ao topo e apanhar coco.

(Ver glossário na última parte)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:24
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012
MULUNGU . XXII

“O PRIAPRISMO DO PAIXÃO KIRK DOUGLAS CALUANDA”1ª de 4 partes

Por

  T´Chingange

Meditando por debaixo de um grande coqueiro na praia dos corsários, atento ao cão que ziguezagueava sem sentido na areia da praia, relembrei uma estória quase maluca que sucedeu numa ilha chamada de Mussulo situada a sul de Luanda, capital de Angola, lá pelo ano de 1962; nesses tempos cacimbados, com os meus dezassete anos e quase terminando o curso de montador electricista, aconteceu que a minha turma foi punida com cinco dias de suspensão. A turma decidiu, vejam só, fazer greve de paralisação porque exigíamos limas novas nas oficinas de mecânica; as que havia, já não tinham ranhuras agrestes para desbastar as peças de trabalho. Nós nem sabíamos que a greve era um atentado ao estado da nação e que lá longe o governo de Lisboa não via com bons olhos esse desaforo anticonstitucional e muito menos aos futuros operários da colónia denominada de Província Ultramarina.

  Toda a turma de fato-macaco azul ficara estática em frente ao torno sem fazer qualquer movimento e, vai daí e sem outra saída Mestre Pinho levou o caso à mesa do director que sem peias se decidiu pela suspensão da turma por cinco dias. O director Beirão da Escola industrial de Luanda, se não tomasse uma medida repressiva estaria em maus lençóis com o Secretário da Educação e os demais da escala hierárquica tornando-se um caso periclitante, penso eu. O chefe do levante apanhou doze dias tendo chumbado por faltas; o subchefe apanhou oito dias tendo também chumbado por faltas; dos demais chumbaram dois pelo mesmo motivo. O resto da turma em sua grande maioria decidiu dizer em casa aos respectivos pais e encarregados de educação que iríamos nesses dias em visita de estudo á barragem de kambambe.

 Para o efeito, cada qual transmitiu à sua maneira a razão de tal visita tendo para o efeito obtido dos mesmos um dinheiro extra para suprir eventuais gastos. No dia tal dirigimo-nos ao embarcadouro da Corimba com nossas mochilas, merendas, tachos, frigideiras e outros artigos de campismo como tendas, canas de pesca e as coisas de necessidade para candengues crescidos. E, porque já lá vão muitos anos recordo que com a malta da tensão alta estavam o Junça, o Morais, Vilarinho, Aníbal, o perna marota, o mulato da Samba, o Céu mais o Paixão, um colega negro muito estimado e até admirado pela turma pelas suas loucuras excêntricas; havia mais mas, não consigo recordar-me no momento. Paixão que era um kamundongo de condição humilde que residia no bairro Sambizanga, alinhou com o resto da maluqueirada com o beneplácito de todos pela sua camaradagem simples e divertida. O kapossoka, uma traineira promovida a barco de recreio, levou-nos até àquela quase virgem ilha; por ali bivacamos no meio de coqueiros, não muito longe da toalha de água que ritmicamente barulhava com agrado o nosso imaginário de paraíso.

(Ver glossário na última parte)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:37
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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012
MUXIMA . XXVII

Angola,quanto tempo falta para amanhã?

Voo TP, destino Luanda.

 Em 2005 fui a Angola tendo nesse então escrito uma crónica com o título supra. O desejo de Kianda do Maurício dos Santos (Pepetela) dava a conhecer que as vivências dessa altura se faziam num confronto de ambivalência à mistura com coisas com-fundidas no seio do povo; o mesmo sol da secura e aridez amadurece os produtos, a chuva que inunda é a mesma que os rega; a linguagem mitológica, a verdade das coisas é colhida entre o falso e o verdadeiro, baralhando o conceito da razão; No entretanto destas divagações de um escritor de nomeada, eu seguia a via do sul a caminho do Cantinho do Inferno. Não se confundam com o nome porque também Novo Redondo mudou o nome para Sumbe. Passada a Samba veio o Rocha Pinto a Corimba o Benfica o Futungo o Morro dos Veados e o Morro da Cruz onde a capela foi promovida a Museu da História da Escravatura; com alguma razão de sêr pois, que foi dali do reino do N´gola que saíram muitos escravos para o Brasil.

 Na ponte suspensa sobre o Kwanza alguns militares que por ali estavam desempoeirando preguiça abordaram-nos pedindo gasosa, a mesma que nos acompanhou sempre e por todo o lado e, desta feita perante o nosso semblante de interrogação, o militar de camuflado em jeito explicativo e em leque, indicou os demais companheiros preguiçando as pulgas no varão da ponte e disse: - kota!... Ajuda só... é p’ra levantar a moral. Com aquele pretexto engraçado escorreguei com cinquenta kwanzas correspondendo a duas fresquinhas cucas e, ainda sobravam cinco kwanzas para o engraxador. Na Quiçama, não se viu qualquer espécie de bicho mas, na área de serviço de cabo Ledo, um amontoado de xinguiços cobertos com capim com-fundiu a importância do lugar. Umas quantas empresárias de nova geração faziam negócio vendendo as frias sagres, taifel, hansen ou cuca com galinha assada no espeto. Foi um regalo! As empresárias de sucesso, amigas do Bien, com rudimentos de higiene ocasional curtida no funaná Bye Bye My Love, cursavam sobrevivência, transformando a fome em petisco espantado e, o frango no espeto com bastante jindungo marchou sem entretantos; havia na quitanda, onduladas conversas de rosca sussurradas de encanto atarraxado.

 Enquanto bebíamos as cervejas retiradas de arcas com gelo, podemos observar uns graduados do gloriosa Eme roçando as donzelas tendo um dos de patente rasa vindo até nós pedindo uma gasosa pois que se queria deslocar a Luanda e não tinha bué para superar. Queria ir lá esclarecer desilusões de amores mal aclarados; treta ou não, logo de seguida bazou de nós tendo ido cravar outro mwangolé; deve ter levado o dia a obter uns “cumbus” para as frias, usando este estratagema de fino engodo. Perto do rio Calamba começamos a ver-se cassoneiras, newas, maboques, embondeiros e muitas matebeiras, daquelas esguias de onde retiram o marufo; assim deixamos para trás a reserva da Quiçama sem ter visto um simples camundongo ou, um dilengo. Lá mais adiante, ao dobrar do promontório e na foz do rio Cuvo as deliciosas de grandes ostras. Com cem kwanzas ou seja o equivalente a dois Euros e vinte cêntimos comprou-se um saco dessas ostras. Passados alguns dias voltamos ali e, numa canoa feita de troncos de bimba, Tomás, chimbicou-nos com bordão até á ilha da contra-costa. Aquela iguaria refastelou-nos após termos mergulhado na costa de grandes calemas, de água límpida em areal mulato. No regresso passamos por vários veículos militares, estafadas Urais ou Ifas soviéticas ainda castanhas na cor. Hoje, dia 31 de Agosto, dia de eleições, recordo esses dias peregrinados e pergunto-me: - Será hoje, esse amanhã?

Muxima: Saudade

O Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012
MUSSENDO DO PUTO . IX

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO CONSUL RODRIGUES

O Prédio dos Angolanos no Estoril Sol” - Puto

Por

 Rafael Marques de Morais, Julho-2012

Nos últimos anos, o novo-riquismo angolano tornou-se lendário em Portugal. Dirigentes angolanos, suas famílias e associados de negócios têm estado a adquirir, nesta parte da península ibérica, alguns dos principais símbolos da opulência local. Caso paradigmático é o do complexo residencial de luxo Estoril Sol Residence, que comporta três edifícios de uma arquitectura singular e controversa, no Estoril, na orla marítima de Lisboa. O complexo tem dos apartamentos mais caros de Portugal, que variam do milhão a cerca de cinco milhões de Euros por unidade. O complexo é bem conhecido como o prédio dos angolanos, por serem estes os principais clientes do referido projecto imobiliário, inaugurado há dois anos, com a titularidade de perto de 30 apartamentos. Numa breve investigação, Maka Angola apurou quem são os ricos angolanos com propriedades no Estoril Sol Residence. O actual ministro da Administração Pública, Emprego e Segurança Social, António Domingos Pitra Costa Neto, é dono de cinco apartamentos na Torre Baía, no 3.º, 5.º, 7.º, 9.º e 14.º andares, estando os primeiros quatro em nome da sua filha Katila Pitra da Costa, estudante. Pitra Neto deverá ser o próximo presidente da Assembleia Nacional, depois das eleições de 31 de Agosto próximo, conforme cogitações emanadas da presidência de José Eduardo dos Santos. Tanto no 9.º como no 14.º andar, o ministro Pitra Neto tem como vizinhos o casal "Kopelipa". Fátima Geovetty, a esposa do ministro de Estado e chefe da Casa Militar, general Manuel Hélder Vieira Dias - Kopelipa, adquiriu dois apartamentos.

 O fiel escudeiro do general Kopelipa nos seus negócios privados, Domingos Manuel Inglês, fica a meio, no 12.º andar. Na torre ao lado, Cascais, o principal gestor de negócios um tanto obscuros do general, o português Ismênio Coelho Macedo, desfruta da grande vista para o mar, com um apartamento no 4.º andar. Outro comprador extraordinário é o ex-ministro das Finanças, José Pedro de Morais, com quatro apartamentos, também na Torre Baía, no 1.º, 2.º, 4.º e 5.º pisos. Por sua vez, o brasileiro Valdomiro Minoro Dondo, também portador de nacionalidade angolana, tem um apartamento no 11.º andar da Torre Estoril. Valdomiro Minoro Dondo tem cruzado negócios com o general "Kopelipa", José Pedro de Morais, Pitra Neto, a família presidencial e outros influentes membros do regime. A sua formidável capacidade para o tráfico de influências conferiu-lhe o interessante título de estrangeiro mais rico de Angola. Por sua vez, outro brasileiro, associado a Minoro Dondo e a dirigentes angolanos, Gerson António de Sousa Nascimento é dono de um duplex, na Torre Estoril, no 6.º e 7.º andares. O sócio e representante legal de alguns negócios de Welwitchia - Tchizé? dos Santos, Walter Virgínio Rodrigues, demonstrou que os negócios lhe têm corrido de feição e comprou um apartmento no 8.º andar da Torre Estoril.

 Como celebração do contrato multimilionário realizado entre o Ministério da Comunicação Social e a empresa Westside Investments para a gestão privada do Canal 2 da Televisão Pública de Angola (TPA), a sócia maioritária, -Tchizé? dos Santos, agraciou-o com um bónus de US $500 mil, enquanto a filha do presidente atribuiu-se, a si própria, com fundos do erário público, um prémio de um milhão e meio de dólares. Outro angolano que faz parte do selecto grupo de proprietários do Estoril Sol Residence é o antigo director da Endiama, Noé Baltazar. Apesar dos preços, os angolanos, regra geral, compram vários apartamentos, de forma ostensiva. Algumas das aquisições levantaram suspeitas junto das autoridades judiciais portuguesas que, para o efeito, abriram inquéritos. Um dos inquiridos, por suspeita de branqueamento de capitais, foi o presidente do Banco Espírito Santo Angola (BESA), Álvaro Sobrinho. A 2 de Setembro de 2010, Álvaro Sobrinho adquiriu seis apartamentos no referido complexo, tendo, inicialmente, pago o valor de 9,5 milhões de Euros, segundo investigações do Diário de Notícias. Os seus irmãos Sílvio e Emanuel Madaleno também são detentores de mais três apartamentos no Estoril Sol. Há, ainda, os angolanos que optaram por usar testas de ferro mais discretos na aquisição de propriedades. Entre o investimento legítimo e o branqueamento de capitais, Portugal continua a ser o destino preferido dos ricos angolanos mwangolés e a sua melhor lavandaria financeira.

Puto: Portugal; Mwangolés: Os donos de Angola; os senhores do esquema.

Mussendo: Conto de raiz popular, missiva em forma de mukanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola).

O Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
MOKANDA DO SOBA . XII

POR UM DIA FUI CAMÕES” - Eu, um branco de 2ª

 Soba T´Chingange

Corria o ano de 1958 em são Paulo de Assunção de Loanda, quando candengue dos meus 12 anos, tive de representar Camões, nobre figura da história da Lusofonia. A vida corria mansa por aquela pacata cidade de Angola e, estava na pauta das autoridades de educação festejar o dia de Camões e  de Portugal. Tudo isto, a fim de recordar a soberania do povo Luso. Nós só conheciamos a Luanda como capital da nossa terra mas os livros recordavam que lá do outro lado do mar havia um Terreiro do Paço, com uns senhores que  por detrás dumas imponentes arcadas palacianas mandavam no império de Álem-mar, as Provincias Ultramarinas. As escolas da Cidade de Luanda teriam de pôr em teatro essa efeméride e, foi escolhida para tal efeito a Escola Primária nº 8, que ficava perto da Liga Africana. Afinal Luanda estava àquem de Lisboa na hierarquia geográfia e nós putos desconheciamos que a Mutamba, afinal, não era  nem a capital do Puto nem o centro do mundo.   
  

 
Largo da Escola de Aplicação e Ensaios. 1958 (D. Afonso Henriques)

Como bom aluno da Escola de Aplicação e Ensaios, no Largo D. Afonso Henriques, um pouco mais acima do Cinema Nacional e não muito
longe do Cine Restauração fui escolhido para representar tal figura épica do mundo Luso e, levei dias a ensaiar em casa da minha professora lá para os lados do Bairro-do-Café. Sem saber bem o que me esperava, ia aprendendo os versos das armas e barões assinalados dum lugar chamado de Taporbana. Eu, que só conhecia o Catambor, a Maianga com seu Rio-sêco, o Malhoas, o Prenda e  Samba das mabangas, ia adquirindo os saberes eruditos com musas e ninfas morenas bailando a marionheiros embasbacados numas ilhas paradisiacas. O grande dia de dez de Junho chegou e, lá estava eu no palco dando a conhecer aos putos, candengues, as cenas desse antigamente  com o rei de Leão, o D. Afonso Henriques e Dona Tereza sua mãe, Dom Sebastião e os mistérios do mar com Bartolomeu Dias e Vasco da Gama  a fazer gaifonas ao Adamastor, um gigante tenebroso dos mares do sul.

: Alunos da Escola Primária nº 8 (desse tempo)

As minhas barbas, coladas com grude de marceneiro, um cheiro constante do tipo cola, snifavam-me o entusiasmo em cada desce-pano, sobe-pano. Alí, como figura principal, em traje da época, ficava eu especado olhando as cenas. As palmas sucediam-se a cada cena mais exótica e, grudado ao palco e bigode, em geito de galanteio antigo curvava-me às gentes, meninos e meninas garinas do meu reino. Nos dias e meses que se seguiram já só era conhecido por camões

 Luis Vaz de Camões

As moças cafecos, apontando-me: - olha o Camões e, eu gingava vaidade pelos poros, fazendo banga. Nunca mais esqueci aquela cola de grude mal cheirosa que tive de suportar durante o espectáculo. 54 anos depois, recordo aqueles dias de Luanda, da Praia-do-Bispo ao Prenda, do Sambizanga ao Bairo do Café ou da Terra Nova  aos Coqueiros, como um sonho. E, afinal foi mesmo esta fantasia de vida que me marcou. Tive de vir a Terras de Vera Cruz para ultimar esquecimento de coisas mal paridas. Tal como Pedro Álvares Cabral, vim achar o mundo, redescobrir novas anharas, sertões com nomes de agreste com caatinga e frutas de sape-sape com nome de graviola.

O Soba T´Chingange

 



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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011
ANGOLA, PAÍS DA GAZOSA . VII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"LUANDA E OS RICOS - 4ª Parte " - Coisas da Luua 

 Isaias Samakuva

Presidente da UNITA

Os Ovimbundu (Ovi-m´bundu, singular Oci-m´bundu, adjectivo e idioma U-m´bundu) - prefixo umbundu "ovi", são uma etnia Bantu de Angola. Constituem 37% da população Angolana. Os seus subgrupos mais importantes são os M´balundu ("Bailundos"), os Wambo (Huambo), os Bieno, os Sele, os N´dulu, os Sambo e os Kakonda (Caconda). Os Ovimbundu ocupam hoje o planalto central de Angola e a faixa costeira adjacente, uma região que compreende as províncias do Huambo, Bié e Benguela.  Os Ovimbundu com a colonização portuguesa, foram num processo lento de mobilidade moderna miscigenando-se com outras etnias  assimilando assim muito da cultura ocidental. A partir do início do século XX, em seu territórios nasceram muitos filhos de colonos, mazombos que se consideram também filhos dessa terra, pugnam por ela dedicando-lhe aquele amor que nem sempre é reconhecido como genuino. É deste cruzamento de saberes que nasce a crioulalgem da qual os Ovimbundos não se podem desligar ou omitir.

Nação Ovibundu

Sendo a UNITA o partido mais representativo desta etnia e mazombos m´bundus, e tendo assento parlamentar na oposição ao partido no poder MPLA, cabe-lhe a tarefa de se exprimir perante a onda de contestação ao actual desgoverno de Angola. É nesta perspectiva que focamos aqui o alerta (demasiado suave) à Comunicão Social do seu ponto de vista nas palavras de Adalberto Júnior, porta voz deste partido: 

adalberto.jpg

Convocamos a Comunicação Social para mais uma vez exprimir a posição da UNITA sobre os crescentes protestos que os cidadãos realizam contra as violações dos seus direitos e a má governação do Executivo do Presidente Eduardo dos Santos. Em primeiro lugar, a UNITA saúda patrioticamente a coragem e a responsabilidade de todos os cidadãos angolanos que utilizam o direito à liberdade de expressão e o direito à manifestação para protestar contra o desemprego, a pobreza, a exclusão social, a corrupção, os atentados à democracia e outros males que enfermam a sociedade angolana.

O tempo de se forçarem  muitos M´bundus a aceitar a contratação como mão-de-obra assalariada (e mal paga) nas plantações de café no Norte de Angola, fazem parte da história que se quer olvidar; por isso as circunstãncias actuais de desmando e perene apego ao poder dos mwangolés do MPLA, tornam-se razões suficientes para uma adesão da Nação Ovimbundu. A forte presença dos Ovimbundu nas cidades fora da sua região por via das guerras de emancipação, originaram naturalmente novos factos na história recente, conferindo uma postura nova na projecção nacional.

Alcides Sakala

Algumas das personalidades mais emblemáticas da história contemporânea de Angola são originárias dessa etnia, como Chipenda, Augusto Chipenda, Comte Kassange, Dom Zacarias Camuenho, Jonas Malheiro Savimbi, Marcolino Moco, Alcides Sacala entre tantos outros. Na literatura e cultura, os Ovimbundu e M´bundus mazombos ocupam um lugar de destaque no panorama artístico nacional tais como: N´dumduma Wa Lepi, Alda Lara, Cikakata M´balundu, T´chissica Artz, Sabino Henda, Bela T´chicola, Manuel Rui Monteiro, Pepetela e José Agualusa que nasceram nesta  zona tradicionalmente habitadas por Ovibundus.

Na Comunicação Social membros desta etnia também ocupam uma posição de relevo: radialistas e jornalistas do triângulo Benguela-Huambo-Huíla, marcaram ou marcam presença na cena nacional, com destaque para Analtina Dias, Bela Malaquias, Patrícia Pacheco, Cristina Miranda, Mateus Gonçalves e Sebastião CoelhoA UNITA que continua a ter as suas raízes mais fortes entre os Ovimbundu, tendo Isaías Samakuva na presidência do partido, não pode ficar indiferente ao processo de mudança na vida pública e política. Não pode ficar eternamente subserviente ao poder da gazosa.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011
ANGOLA, PAÍS DA GAZOSA . VI

AS ESCOLHAS DO KIMBO

"LUANDA E OS RICOS . 3ª PARTE" - Coisas só da Luua

 Rafael Marques

Presidência da República: O Epicentro da Corrupção em Angola

A Presidência da República de Angola tem sido usada como um cartel de negócios obscuros e as consequências dessa prática influem na liberdade e desenvolvimento dos cidadãos, assim como na estabilidade política e económica do país. O texto revelado na “Maka” de Rafael Marques responde aos apelos da política de tolerância zero contra a corrupção decretada pelo Presidente José Eduardo dos Santos, a 21 de Novembro de 2009. Por uma questão de clareza, a investigação cinge-se a uma pequena amostra das práticas comerciais empreendidas pelo ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência da República, o general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” a quem cabe a coordenação dos sectores de defesa e segurança do país. Com este dirigente, o chefe de Comunicações da Presidência da República, general Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, e o presidente do Conselho de Administração e director-geral da Sonangol, Manuel Vicente, formam o triunvirato de mwangolés que hoje domina a economia política de Angola, sem distinção entre o público e o privado.

 Kopelipa Manuel Vicente

Dino e outros

Manuel Vicente junta ainda, aos poderes acumulados pelos generais e a Sonangol, o facto de ser um dos membros mais influentes do Bureau Político do MPLA, como delfim do presidente e responsável pela fiscalização dos negócios particulares do partido no poder. A petrolífera nacional é a maior empresa do país e o maior contribuinte das receitas do Estado. Vários analistas têm considerado a Sonangol como o principal instrumento da manutenção do regime de José Eduardo dos Santos nos domínios financeiro, político e diplomático, assim como é a principal fonte de enriquecimento ilícito dos seus principais dirigentes. Em alguns casos são referidas as relações solidárias e de cumplicidade com outros membros do executivo e gestores públicos na realização de negócios que envolvem a pilhagem do património do Estado e outras acções de contravenção às leis da república.

Sectores estratégicos como o dos petróleos, telecomunicações, banca, comunicação social e diamantes, fazem parte do império construído por tais figuras. A amostra refere-se às empresas Movicel, Biocom, Banco Espírito Santo Angola, Nazaki Oil & Gás, Media Nova, World Wide Capital e Lumanhe. A Lei da Probidade Pública é usada amiúde, para melhor compreensão do leitor, mesmo para os casos que antecedem à sua aprovação, em Março passado, por ser uma compilação de diversos diplomas legais contra a corrupção, que datam desde 1989.[2] Todos os artigos constantes na Lei da Probidade Pública se encontravam dispersos em tais diplomas. Por exemplo, a Lei dos Crimes Cometidos por Titulares de Cargos de Responsabilidade (Lei nº 21/90, não revogada pela Lei da Probidade Pública) proíbe o dirigente de participação económica em negócio sobre o qual tenha poder de influência ou decisão (art.º. 10º, 2).

 

GLOSSÁRIO: Mwangolés: - Gente de mando, da élite, os consumidos e abastados que mandam em Angola, os donos dos Porsche Cayene, Range Rover e o jatinho Falcon; Luua: - Luanda, terra de camundongos ou kaluandas; Gazosa: - suborno, corrupção, gorjeta, limosna, que tem gaz de cumbu (dinheiro)

 (Continua...)

O Soba T´Chingange



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Domingo, 28 de Agosto de 2011
ANGOLA, PAÍS DA GAZOSA . IV

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"LUANDA E OS RICOS . 1ª PARTE" - Coisas só da Luua

 Luua - na marginal

A notícia do Sábado revista, um artigo de Isabel Lacerda, sobre a vida em Luanda, não é de espantar em seu conteúdo mas, é bom relembrar o quanto de futilidade vai naquela sociedade tão marginal aos costumes do povo angolano; quanto desperdício rodeado de pobreza a raiar os limites extremos de tolerância, um desgoverno sem oposição firme e credivel por forma a mudar esse rumo de extravagância, luxúria e kizomba cazukuteira. Mesmo que quizesse ficar indiferente não conseguia em consciência fazer justiça à verdade lembrando o quanto meu pai, um colono trabalhador, labutou toda uma vida construindo aquela casa que teve de largar por via da descolonização, uma forma muito legal de expropriar a custo zero. Trabalhou que nem um moiro e só por sorte não ficou soterrado nas obras da Fábrica de Cimento Cimpor. Depois de ter sido deixado como morto atrás do Aeroporto 4 de Fevereiro nas contendas do Nito Alves, foi recambiado para o Puto a retirar bala da perna, sugeita a cangrenar, e limpar as porradas, visiveis mazelas de sangue pisado por tudo que era corpo; levou uma vida a concretizar, construir uma casa na Luua, e que agora vale milhões de euros. De nada lhe serviu tal dedicação a guardar os Kwanzas do Saidy Mingas, um meu antigo colega de carteira na Escola industrial de Luanda.

 Luua - do outro lado . o Musseque

Dentro dos muros altos que agora circundam aquelas casas, seguranças privados garantem a segurança de gente comprometida, metralhadoras AK 47 dão-lhes a condição de gente bem, gente de nome que semeia gazosas entre uma boa meia duzia de serviçais que lhes esfregam os sapatos, limpam os carros, brincam com os candengues bonacheirões e fazem compras na kitanda; a frota de carros de vidros esfumados, todos de luxo, brilham marcas de topo, range rovers, audis, BMWS e uma catrefada de motoristas fardados a rigor. Uma família da nomenclatura, governantes e afins ligados ao partido do poderoso EMEPELA, empresários do conforto que rumam à casa de luxo dos prolongados fins de semana no condomínio Taladona ou vão até á ilha do Mussulo em seus iates, curtir uma farra com os amigos em sua casa de beira mar. Entretanto suas damas tinham noticias frescas de Johanesburgo aonde desfrizaram seus cabelos e compraram uns muitos randes de roupas de marca; estavam todas com um ataque de nervos porque o seu avião privado tinha sido retido por diligências tontas que quase as impediram de estar ali a curtir a festa dos "rolexes" e, a Luua a andar, malembe-malembe.

 Luua . A escola

Uma terra em que o vencimento mínimo é de sessenta e cinco euros, como é que o povão pode subsistir fora do seu kimbo, seu musseque, quando uma simples refeição de muamba com vinho carrascão fica entre 70 e 100 euros. Naquela Luua tudo é possivel, até alcatifar toda a gravilha do jardim da cidade alta para a festa duma sobrinha do Zéca; o bolo da noiva desceu do céu, gigante como era, foi necessária uma gua para o fazer descer entre pirilampos e fogo de artificio relampejante. O bufé teve nada menos que 10 pratos quentes e o champanhe moet & chandon correu como água. O mais impressionante, diz a jornalista Lacerda, é que a exorbitância da Luua, não é esporádica, é diária. Ali naquela especial nave aonde o índice de desenvolvimento Humano rasteja no desperdício da soberba, tudo custa facilmente o triplo do que custa em Lisboa. Quem quizer trabalhar em Angola prepare-se para gastar no mínimo 1600 euros só no supermercado e, por mês. Aquilo da Luua tornou-se uma terra de ricos que jorra dinheiro pelo tubo-ladrão, só para alguns, claro!... E o meu pai, que andou, andou por aí subsistindo como poude, para alimentar agora esta corja. E aonde está a Unita p´ra reclamar? Assim não brinco.

 

(Continua...)

O Soba T´Chingange





PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:56
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
ANGOLA - PAÍS DA BANGA . XIV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"PAULO FLORES.... e, a Kizomba"

Entre tantas estórias que merecem ser contadas por artistas, pensadores e cantores que circulam na Lusofonia com "sabor de maboque", destaco a voz meia rouca, meia misteriosa de Paulo Flores. Durante sua infância seus pais levaram-no para Lisboa aonde cresceu conjugando a memória, através da escrita, com os nomes do panorama musical e literário, «Um Olhar a uma Voz» (1990), dedicado a Cesária Évora de Cabo Verde e fotobiografia de Óscar Ribas, iniciou-se com a edição do seu primeiro álbum em 1988 com "KAPUETE, kamundanda" tornando-se rápidamente um popular cantor Angolano. Suas canções versam temas diversos como, a vida quotidiana da Luua, a guerra civil e a corrupção endémicamente enraizada. Músico, cantor e compositor, Paulo Flores é, actualmente, um dos expoentes máximos; seu instinto é a de um verdadeiro cantor que traz em sua voz toda a extensão do seu sentimento, subtilezas das anharas ou o simples chupar de múcua no morro da Luua.

 Cesária Évora

Paulo flores redescobriu o ritmo da bossa-nova que se tocava nos Camarões na década de 40, e investigando sobre a base rítmica do actual kuduro, afirma-se convicto de que este, saiu do semba e da kazukuta. Os poemas tão concretos da vida, retratados, mostram o maior respeito pelo povo sofredor e os kotas, não deixando de satirizar as malambas da vida com o amplexo de se ser angolano. A sua força poética é indiscernível na articulação das palavras com o ritmo, uma simbiose muito sua, que nos desafia para, como reforça o autor do livro, “em qualquer lugar do mundo, reinventar a vida”. Aos 16 anos, surpreendia meio mundo como “menino prodígio da nova canção angolana”. E, aí está Paulo Flores ao lado de Bonga nos anos 80, numa Lisboa nocturna tão cheia de músicologos, onde foi crescendo procurando-se em diálogo e ritmo com sua Luua.

 Jacques Morelenbaum

Com 20 anos de carreira e 11 discos editados, Paulo Flores sempre expressou sua herança patrimonial às suas mais vanguardistas músicas; uma toada de novas fórmulas abertas às demais influências musicais. A trilogia Ex-Combatentes (Viagem, Sembas e Ilhas) é o seu último trabalho. Três abordagens musicais diferentes que traduzem uma reflexão sobre o que sente perante as transformações que observa todos os dias da janela da sua casa; da toponímia ao quotidiano tudo mudou. Para esta primeira apresentação dos discos em Portugal, Paulo Flores conta com a especial participação de Jacques Morelenbaum, referência incontornável na actualidade da música brasileira. Paulo Flores faz-nos voltar àqueles velhos tempos do antigamente. Uma crónica de sonho, um belo,... muito belo dia, com a voz de Paulo Flores em fundo, suas “letras de forte memória” dancei; dancei na ponta da ilha com uma linda garina.

Discografia: Kapuete (1988); Sassasa (1990); Brincadeira tem hora (1993); Inocente (1995); recompasso (2001); Xé Povo (2003); The Best (2003); Ex Combatentes (2009)

(Continua...Teta Lando)

O Soba T´Chinhgange



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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
ANGOLA - PAÍS DA BANGA . XIII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

           "BONGA KWENDA.... e, a dikanza"

BONGA KWENDA

Os Kissueia que surgiu nos anos 60 no bairro Marçal, era um conjunto de músicos de intervenção angolanos que cantando a miséria dos musseques, fermentavam a mudança. Kissueia que em kimbundo significa o estado de submição de alguém, relembra práticas antigas esclavagistas comparando-as com a vida suburbana da urbe que cresce. A miséria tão evidente nos bairros periféricos de Luanda era levada à musica por ser a forma mais rápida de passar mensagem; a étnia crioula, mazombos intelectuais dos bairros com aduelas de barril incentivavam estas iniciativas um pouco por toda a capital da Luua, um laboratório ideal ao surgimento de estilos; Era ver qual o mais foito ou de maior banga introduzindo novos instrumentos e formas surgindo assim os estilos kazucuta (rosqueiro) e kilapanda com semba numa inventação de novos trajeitos no gingar e giboiar das mentes. Talvez, em o saberem estavam repudiando a própria lingua retorcendo-a em giria, fabricando novas maneiras de dizer coisa crioula; uma forma de reinvidicar banga muito peculiar do kamundongo.

 BONGA na percussão

Naquele conjunto de cantores da kissueia surgem Bonga, Belita Palma, Artur Nunes, Sofia Rosa, Minguito, Luis Viscinde e o Maestro Vieira Dias. Entre estes Adelino Barceló de Carvalho, natural de Porto Kipiri, destaca-se criando o seu próprio estilo misturando a lingua portuguesa com o linguajar do Bengo e bairros de Luanda dando-lhe tipicidade ou uma marca própria. Isto, tornou Bonga no maior entre os grandes interpretes da miscegena Luua,... dum Bairro Operário ou Sambizanga. Porque era um atleta conceituado no atletismo, usa a liberdade de movimentos para passar mensagens entre compatriotas que transpiram independência e, fora de Angola tornando-se um nacionalista de referência. O timbre de indigente ignorância comportamental dos politicos e militares portugueses que em seu tempo não souberam gerir e colmatar, resultou no esperado 11 de Novembro de 1975. O rumo de guerra que se desnvolveu na grande Luanda e um pouco por toda a Angola levou-o a redefenir um rumo tendo ido para Holanda aonde havia uma forte comunidade de angolanos e gente miscegenada ida do Caribe, Curaçau e Aruba de trageitos de vida, e costumes muito similares aos desavindos da discôrdia; para Bonga, o contacto com outros ritmos e tendências era cativar seu ego de rouca voz em ritmos "calientes del caribe".

 Dikansa . Reco-reco

Em 1972 lança o seu primeiro álbum "ANGOLA 72" adoptando o nome africano de Bonga Kwenda que significa em kimbundo "aquele que está à frente". Torna-se assim o rosto da angolanidade no mundo atingindo o estatuto simbólico de embaixador da música angolana. Bonga, em Paris, regista-se no consulado português com o novo nome artístico, Bonga Kwenda. É o primeiro africano Disco de Ouro e de Platina em Portugal. O seu sucesso estende-se para lá das fronteiras lusófonas actuando no Apolo em Harlem, no S.O.B. de Nova Iorque, no Olympia de Paris, Suiça, Canadá, Antilhas e Macau. O seu trabalho intensivo e metódico, e de uma imaginação criativa caracteriza a sua carreira. Em 1988 Bonga regressa a Portugal, dezassete anos depois de ter fugido clandestinamente de Kipiri como atleta de competição, à semelhança de Mingas. Bonga regressa não como recordista do atletismo, mas como recordista de vendas e popularidade, que canta música de intervenção, revolucionaria e carismática. Um dos motivos pelos quais Bonga não regressa definitivamente a Angola é porque a independência pós-colonial desintegrou-se em corrupção, tirania e guerra. Assim sendo, Bonga manteve uma aguda consciência crítica relativamente aos líderes políticos de ambas as partes sendo acusado por vezes de estar colado à Unita.

Principais albuns editados: Angola 72 - Angola 74 - Raízes - Angola 76 - Kandandu - Massemba - Malembe Malembe - Jingonça - Paz em Angola - Mutamba - Preto e Branco - Roça de Jindungo - Fogo na Kanjica - Kaxexe - Maiorais e Bairro, entre muitos outros.

(Continua...Paulo Flores)

O Soba T´Chinhgange



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Segunda-feira, 11 de Julho de 2011
ANGOLA - PAÍS DA BANGA . XIII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

          "SOFIA ROSA.... e, a N´GOMA"

 

  N'Gue Xile Ku Tunda Bu Sambila 

Sofia Rosa nasceu no Ambriz, província do Bengo e viveu no bairro da Samba, em Luanda; foi um dos melhores criadores e intérpretes da música em língua nacional kimbundu, traduzindo o pulsar da vida da gente pobre, dando às suas interpretações um caris pessoal no contar dos lamentos de musseques, sanzalas e a vastidão do território. Enquadrando a nostálgica saudade na forma de aguarelas, uniu o preverso com queimadas, quimeras dum caminho feito sem chinelo no pé. Recordando a savana agreste em ritmo de reco-reco leva às suas farras kutonocas multidões a pedir mais, e mulheres de beleza arrebitada pulsando a vontade de viver num louvor de permanente kalumba (mulher); neste tema "kalumba" louva a beleza da mulher angolana com zelo familiar pintando cenários em contornos de letras que só ele sabia pintar. Sofia Rosa esteve vinculado aos Corvos, mas todo o seu talento artístico veio à tona com "Os Astros" com quem gravou além de "Kalumba" , "N´gue Xile Ku Tunda Bu Sambila" entre outras. O artista morreu em 1975 entre duvidas suburbanas, no meio de uma guerra "mona Caxito" sem côr para enaltecer. Em 1963 integra como cantor o agrupamento Teatral N´gongo, fundado por José de Oliveira Fontes Pereira. Participa numa digressão do grupo a Portugal e grava para a televisão o seu primeiro "single" em 1970, seguindo-se-lhe mais sete, todos pela Valentim de Carvalho.

N´gomas e dikansas
Os "Kissueia" faziam parte dos músicos nacionalistas que cantavam a mensagem sobre a necessidade do alcance da independência e Sofia Rosa, neste contexto introduz a dikanza (reco-reco) e as n´gomas (tambores de conga) nas suas canções com o som de violas acústicas. Sofia Rosa deixou um espólio inigualável, músicas como: Ku Mulundo, 
Kamba Uaia, Maria Dia Pambala, Makuinhadi ya Mivu, Imbua Ia Lu Boza, N'gala ni Kilofo Muxima, N´golo Binga Kuanzambi, N´ogonogó za me... mas, a destacar temos a tal kalumba (mulher), com um estilo próprio de uma época; a passada com "Banga ninita" no estilo de kaluanda / kamundongo, cuja tradução diz: Menina, olhe só para mim, não me faças vaidade, os meus olhos te estão a dar luta... repete, ai dor de amar... ai dor de pensar. Menina, responda-me só, dou-te tudo que pedires, te dou dinheiro e o meu coração... repete. solo! - Menina escuta as minhas palavras, eu sempre que me cruzo contigo nos caminhos, o meu coração abre-se, como uma rosa que quando recebe água abre-se, aceita menina...aceita, nasceram-me para ti, ai dor de amar... aidor de pensar... Repete!!!

(Continua... Bonga )

O Soba T´Chingange



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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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