Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXI

TEMPO COM FRINCHAS – 12.12.2017Em terras de M´Puto.

Podemos dizer-nos independentes, porque nos podemos mentir mas, com os “DDT”, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos

Por

soba15.jpg T´Chingange

Já quase acabei de ler o livro “A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros” escrito por José Gomes Ferreira dirigido a todos os contribuintes, que suportam o Estado português em pagar mais impostos do que o devido, por causa dos erros de uma boa parte da elite financeira dos “DDT - Os donos disto tudo” com o compadrio de nossos governantes.

dia82.jpg E, por mais que no mostrem que os governantes portugueses e os responsáveis europeus, prometem aos contribuintes que já não serão mais chamados salvar bancos em dificuldades, estes sempre acabarão por pagar os desmandos dos banqueiros, de uma ou outra forma. É o que se pode ler, logo no início, como que num ajoelhar com vénia a esses estupores que nos arruinaram.

coimbra2.jpg Foi necessário surgir um Passos Coelho que dissesse um NÃO a um Ricardo Salgado e, se agora estamos melhor economicamente, a ele o devemos. Não gosto de traidores nem bajuladores e pelo que li, anda muita gente por aí pavoneando sua habilidade, irresponsabilidade e falsidade e, até assobiando para o lado, dizendo do mérito de quem se lhe seguiu, António Costa, emudecendo provocatoriamente o nome do verdadeiro feitor.

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Mas, sinto que a grande maioria dos portugueses não têm percepção das encenações do poder, da grande obediência dos políticos aos interesses e benesses que os senhores do dinheiro “os DDT”, dão em troca de modelos de governação. Tenho uma grande admiração pelo actual Ministro das Finanças Mário Freitas Centeno que considero ser um bom economista desde 26 de Novembro de 2015 mas, também ele irá fugir do pântano a seu tempo.

amilcar 02.jpg Já António Seguro antes de passar a pasta a António Costa dizia: «Há em Portugal um partido invisível, que tem secções nos partidos de Governo incluindo o PS (referia-se ao “DDT- Donos disto tudo” com Ricardo Salgado no mando). Partido esse que tem um aparelho legislativo paralelo com grandes escritórios de advogados a influenciar ou comandar os destinos do país. Não tem rosto, não tem estatutos (…) mas quando descobrimos que há um banco em que as coisas correram mal, que há um investimento do Estado, em que as coisas não são totalmente claras, vai-se percebendo quem são as pessoas desse “partido”» – (É claramente o partido do DDT).

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Mas, disse mais: «O país tem zonas de podridão». Não é difícil chegar-se ao Grupo Espirito Santo e ao Banco Espirito Santo com as suas cadeias de empresas! Salgado em 2014 só queria 2,5 mil milhões de euros e Passos Coelhos disse NÃO! Mas pelo que se sabe não era só isto! Havia muito mais e outros bancos com buracos financeiros sem fundo que sempre tinham um saco azul para agradar a Paulos irrevogáveis e Costas.

ardinas branos.jpeg Basta cruzar as falas dos políticos para se entender o azimute dos actos. Maria Albuquerque já com António Costa como primeiro-ministro diria: «Fosse António Costa primeiro-ministro em 2014 e teriam sido entregues milhares de milhões de euros dos contribuintes a Ricardo Salgado para evitar o colapso do BES». E, Marcelo o comentador, falou sobre o caso sim! Falou como o Marcelo-cidadão, não fosse amigo de Ricardo Salgado… No que toca a Passos Coelho nem uma palavra meritória, também aqui, assobiou para o lado…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:22
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXIII

MOKANDA DO DIA – 10.12.2017Tukya I . Peixe da chana - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo . É o nosso pensamento que cria a nossa realidade…

Por

t´chingange2.jpgT´Chingange

Na voragem dinâmica da vida, procuro actualizar-me no dia-a-dia e, ao longo da minha vida registei em meus arquivos de memória muitas notas, alguma que nem quereria registar mas, nem sempre as borrachas do tempo e da singularidade do facto se destroem com um estalar de dedos. Em África também há rios que se apagam na terra, nunca chegam ao mar como o Cuando e o Cubango que formam o Delta do Okavango ou o Etosha Pan e outros que desaguam em desertos de areia fina e, que em tempos foram pântanos ou lagos rasos.

etosha4.jpg O Etosha Pan, é um lago seco de 120 quilómetros formando o chamado Parque Nacional Etosha, um dos maiores parques da vida selvagem da Namíbia. A vasta área é principalmente seca, mas após uma chuva forte, ela adquirirá uma fina camada de água, que é fortemente salgada pelos depósitos minerais na superfície desta grande panela. O Etosha Pan é principalmente lama de barro seco dividida em formas hexagonais que à medida que seca, racha, e raramente é vista com uma fina camada de água cobrindo-a.

etosha6.jpg Foi no Etosha que vi a maior diversidade de animais. Supõe-se que o rio Cunene alimentasse o lago em idos tempos, mas os movimentos tectónicos da placa ao longo do tempo causaram uma mudança na sua direcção, resultando em um lago seco e deixando a referida panela salgada. Agora, o rio Ekuma, o rio Oshigambo e o rio Omurambo Ovambo são a única fonte sazonal de água para o lago.

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Tipicamente, pequenas águas do rio ou sedimentos atingem o lago seco porque a água penetra no leito do rio ao longo de seu curso de 250 quilómetros, reduzindo a descarga ao longo do caminho. Estas vastas zonas de poucos declives formam as chamadas planícies africanas, chanas ou anharas de clima extremamente seco. E, o curioso é de que a esta mesma latitude e para o lado poente temos os desertos junto a costa do Sul de Angola e Norte da Namíbia que são banhadas pela corrente fria de Benguela.

etosha2.jpg Refiro a corrente fria de Benguela porque constitui um dos mais importantes factores de moderação climática desta zona de África com introdução na fauna as focas e pinguins transportados em icebergues que vindos da Antártida aqui são largados. No Namibe, Tômbua, Baia dos Tigres e a Costa dos Esqueletos. Pode até verificar-se famílias de golfinhos na Angra dos Negros a actual Moçâmedes, lugar aonde os albatrozes ou alcatrazes voam baixinho junto aos barcos pesqueiros.

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Cabe qui referir que ante da independência de Angola, em 1975, a pesca tinha importância no mundo porque chegou a ocupar o segundo lugar na escala dos maiores produtores, logo a seguir à República do Perú. Vasculhando minha memória recordo os muitos contadores de estórias de caça e pesca e, até dum amigo meu de nome Araújo ter andado a passear uma pacaça em pleno centro de Luanda; em plena Mutamba. Era muito vulgar entre 1950 e 1960 comprarmos carne de caça a vizinhos que se internavam pelo mato em aventura de caça.

etosha0.jpg Para milhões de pessoas que vivem no mato e nunca viram o mar, o mar não passa de um mistério longínquo e insondável naqueles idos tempos mas no entanto, estes comiam peixe seco saído do mar. Na era colonial e a partir da costa eram enviadas “malas” de peixe para o interior; estas malas iam por comboio ou levadas por camionistas praticando no seu dia-a-dia uma aventura. O peixe sem cabeça, fosse corvina ou carapau, depois de seco e salgado era acomodado em camadas sobrepostas e em zig-zag simétrico, cabeça com rabo – rabo com cabeça.

etosha5.jpg Formavam blocos compactos atados e contidos em esteiras feitas com fibras de grossa mateba. Estas malas de peixe tinham tanta popularidade e valor comercial no interior de Angola que a partir dos anos cinquenta se transformaram no principal produto de candonga no interior do território. E, por que razão se contrabandeava o peixe seco? Vais ser assunto da próxima mokanda cujas falas vão incidir sopre o peixe capim nascido do pântano …

Nota: Alguns dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Sábado, 9 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 09.12.2017 - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo… Num Reino de Manikongo de fingir…

Por

soba15.jpg T´Chingange

Em pleno solo do M´Puto pós colonial, consegui sentir sempre o amor telúrico por uma terra pisada e sonhada que fez nascer em tempos não muito idos um reino Imaginário, o Reino de Manikongo e, onde todos os membros tinham nomes diferentes como o Soba T´Chingange, o Conde do Grafanil, o Comendador de Vale dos Reis, o visconde do Mussulo, O Senhor de Cienfuegos, o Derruba do Chivinguiro, o Marquês do Limpopo, o M´Fumo Manhanga, o M´Bica Rico, o Embaixador do Cacuaco, o Jamba, o N´Dalatando e o Boniboni Sbell da Catumbela, entre muitos outros.

dia141.jpg A experiência africana era em nós transpirada em experiência que transportada ao M´Puto ia dando frutos de convivência, parcerias ricas que os levaram a ser gente de nome ou nomeada, empresários bem-sucedidos pela vontade de se reconstruirem. Aqui se contavam estórias com ou sem tramas em recordação dos tempos de juventude; edecéteras dissolvidas em falas de missangas.

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O único preto entre nós era branco e foi uma brincadeira quando e depois de ter ido à Luua voltou mestiço com Bilhete de Identidade, tudo nos conformes. Vimos nele tanto entusiasmo por ser agora um cidadão de N´Gola que, assim tão completamente, logologo o ascendemos a preto! Meu filho Kaluanda, nascido no hospital do Kazenga, recorda-me isto recentemente dizendo em seu escrito, que só viu Angola após a saída já muito mais tarde e do outro lado do Kunene.

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Estava escrito que sua terra de N´Gola correspondia agora a um mundo fictício, irreal e subjectivo a aproximar-se do mito; um mito que seu pai, (eu), lhe transmitiu. Refere mesmo Fernando Pessoa para acicatar-se de seu pensar numa forma mais consistente  em que o mito é o nada que é tudo! O mesmo Sol que abre os céus - um mito brilhante mudo.

4 DE JUNHO.jpg Agora meu filho, M´Fumo Manhanga já tem uma filha com dezasseis anos que pode ler sem entender a cem por cento esta inquietude de diáspora, lugar aonde aprendeu a ler e escrever ao jeito de Camões e, concluir por semântica que afinal aquela terra não era de seu pai, nem de seu avó; que afinal só era mesmo uma terra emprestada. Uma perfeita ilusão…

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Mas ele M´Fumo Mahanga, seu pai, quando lhe perguntam de onde é natural logo diz ser Angolano. Porém ele sabe que não é angolano, é outra coisa qualquer! É mesmo o M´Fumo Manhanga! Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e, será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos, porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode, sem se querer, agigantar-se na presença de feridas mortais.

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E, daí abrirem-se gavetas ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot, em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto, se neste agora, sabemos estar e ainda revoltados e não ressarcidos. E Marcelo - o Presidente, figura do ano, que está em toda e contudo não faz qualquer referência aos reveses de nossos afectos. É mesmo para esquecer!

ÁFRICA20.jpg Como vou dizer que sou português com o maior orgulho se temos tantas farpas metidas em nós! Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram, em terra de M´Puto, mesmo nem querendo, sempre volto a remover os ossos do passado e, mesmo espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta, irei fazer do tudo um romance.

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Dizem-me para esquecer, e eu, só consigo mesmo ser condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão com tangas e falas bonitas p´ra boi dormir! A nossa vida, de cada vez mais na mesma, continuamos a nos sentir roubados aqui e além por engenharias financeiras com traições de Paulos e Salgados com mais uma cambada de gente que se julgam génios…

relogio areia.jpg Só podemos dizer-nos independentes porque nos queremos mentir, passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, cheiros encarquilhados misturados com densidade molecular amorfa, mofadas pelos anos na leitura de carbono e eteceteras complicadíssimos que só nos baralham o cérebro…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:29
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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2017
XICULULU . CC

PANOIAS V - TEMPOS DORMIDOS - 06.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Salada de MASTRUÇO... Em Garvão, com a magia do Natal

Por

soba02.jpeg T´Chingange

No domingo e, naquele café do “Cú da Mula” Jack tinha mais pormenores a dizer sobre o uso do mastruço mas, fui obrigado a dizer-lhe deixar isso para amanhã. E o amanhã tornou-se hoje e, mais um outro numas feiras frias mas com um sol radiante. Naquele lugar de cheiros de arrúdia com urtigas refazíamos nossos traços sem melancólicos soluços, sem choros nem ranger de dentes, troçando até de nossas mazelas furunculosas.

torres7.jpg Como ressuscitados numa amizade de infância que, morta no ilusório sucedeu a nosso contragosto e em nossa contramão aqui, e por uns dias fintávamos o destino sem aquela fúria suicida dum hiato que mata no tempo o passado desleixado de sem futuro. É algo que se sente pulando das margens encantando corações, rendas belas desenhadas em talento. Sei lá! Talvez isto ou, uma coisa assim parecida.

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Já eram quase onze horas quando fui tomar meu matabicho com meus amigos Jack e Wayne no café do Cú da Mula de Garvão. Elas, as visitas do paralém já tinham comido seu café com leite e pastéis de belém e ficaram a olhar-se de soslaio enquanto comia a minha torrada de pão de Garvão com azeite da horta do cabo, barrada com compota de pitanga e queijo de cabra curado da Quinta da Carvalheira; arregalaram os olhos quando tirei meu frasco de jindungo da minha jaqueta e pintalguei tudo aquilo, compota, tiras finas de queijo e azeite do lagar.

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John Wayne quis provar e, logologo após meter à boca deu quase um grito! - My God! How can you eat this? Tentou também falar em português mas saiu de atravessado: -Tu, maluco! Como ser possível eat, cuspo de diabo. Eu, silenciosamente fui comento rindo só por dentro; estes gringos são fracos! Jack bateu com os pés no chão repetidamente rindo como um chocalho de cascavel. Tu ser fraco, You are very weak, my friend Waine e, olhando para mim, abanou o polegar em seu punho fechado, para baixo e para cima como que a congratular-se com esta minha ousadia.

jack5.jpg Foi quando lhe perguntei se sabia do resto da estória dos mastruços pois que ainda faltava dar mais dicas sobre as vantagens desse capim. Oh ... Yes, yes! My maternal grandfather always said that in the estates, sim, lá dos America… Fiquei todo-ouvidos para ele. Só depois de uma baforada de fazer balões e argolas de índio no seu charuto cohiba é que se dispôs a explicar

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 - Para estimular a digestão e as funções do fígado, colocas uma colher de sopa de folhas, sementes picadas e flores de mastruz em uma chávena de chá; acrescentas água fervente; tampas o púcaro e aguardas dez minutos; coas e bebes o chá de mastruço assim – uma chávena de chá 2 vezes por dia, antes das refeições principais. Claro que tudo isto foi dito numa mistura de ruça tempera e, eu arrulhei a coisa a meu modo no jeito dos pombos para que vocês possam entender.  

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Quanto a diabetes disse: -Para anemia e diabetes os benefícios da erva-de-santa-maria quanto ao sistema imunológico, é importante falar da capacidade da planta em fornecer vitamina C e, portanto, auxiliar as defesas do organismo, aumentando a imunidade e evitando infecções, entre outras doenças. Quem tem problemas respiratórios, é fumante, sofre de asma, aerofagia, congestão nasal ou bronquite pode ser beneficiado pelo consumo do mastruz.

jack7.jpg Caramba, estás a falar como um Kimbanda entendido! Disse eu. Mas o que eu fui dizer! Eu não sou bruxo; este é o legado de meu avô tuga, tás ouvir! Cuspiu Jack… Caramba, devem-lhe ter dito que isso de kimbanda era coisa ruim e despejou sua ira soprada com assobios de insultar cachorros. Assim, I dont play! Disse pela segunda vez. Está bem, desculpa, não foi por mal! Pensei que já tinha dito tudo, mas continuou:

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-A erva favorece o sistema respiratório de várias maneiras, como já te disse. E ainda acrescento aqui sua acção no alívio de crises de rinite e sinusite. Em alguns casos, basta uma xícara do chá de mastruço para obter melhora, uma vez que ele promove a limpeza do muco e do catarro. Pessoas com indigestão e gastrite frequentes ou com gases intestinais também costumam buscar ajuda no mastruz, assim como indivíduos com prisão de ventre, coceiras ou ferimentos na pele. Disseste rinite! Isso é o que todos os santos dias me fazem espirrar treze vezes. Fiquei por aqui porque poderia pensar estar no gozo.

jack13.jpg Já estava bem capacitado sobre este capim de mastruz mas, agora que estava lançado no entusiasmo, foi acrescentando: - Como podes observar, seja na forma de chá ou preparos para colocar na pele, não é difícil entender as razões pelas quais o mastruz é uma das ervas medicinais mais tradicionais e conhecidas nos tempos do meu avó que sofria de vários males entre os quais, o de peidar-se só átoa. Esta foi boa! Este Jack estava a sair melhor que a encomenda

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As flores, folhas e sementes do mastruço devem ser lavadas em água corrente e enxutas; depois, precisam secar à sombra em lugar ventilado. Para conservar suas propriedades terapêuticas, o melhor é armazenar a erva em vidros escuros ou sacos de papel. Ufa! Que seca… Pensei mas, nada disse. Como podemos aprender isto com gente que já foi passado e só aparece em forma translucida.

jack11.jpg John Wayne que já estava cansado de tantos mastruços fez um sinal ao senhor Torrica para que lhe trouxesse um tintol do Convento da Vila de Borba e assim do mastruços passamos para a trincadeira, aragonez, castelão e touriga. Acabei por almoçar com eles um ensopado de borrego. Entusiasmado tive a ousadia de pedir um cohiba ao Jack e ali ficamos deitando fumo de conversa fora, toda a tarde. Combinamos no dia seguinte irmos comer pés de rã e pezinhos de coentrada com feijão branco na barragem de Santa Clara.

jack14.jpg Lá no m´bukusho! Disse Jack virando-se para mim! Achou graça ao nome e acabou por grava-lo desta forma. Sim! No chuço do m´bukusho (churrasco do kavango). Tinha em mente falar-lhes da festa que iria surgir antes do Natal para festejarmos a vida, falar-lhe dos convivas Frank Sinatra e do cómico António Silva por sugestão de nossa madrinha maga virtual Assunção Roxo, mas achei que o deveria fazer só amanhã quando estivessem mais sóbrios. A alegria era mais que muita e se lhes fosse agora falar nestes nomes do paratrás e paralém não sairíamos daqui hoje e eu, até tenho mais que fazer…    

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:16
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Domingo, 3 de Dezembro de 2017
XICULULU . XCIX

PANOIAS IV - TEMPOS DORMIDOS - 03.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Pela primeira vez, comi salada de MASTRUÇO... Na magia do Natal

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Nessa caixinha do tempo e em terras do Alentejo tenho muitos bilhetinhos de amores com mambos desconhecidos até aqui. Eu bem que ouvia falar de mastruços mas, isso para mim, neste tempo de estupor, terra do fiado “civilizado”, de sem respeito, currículo suspeito e outros edecéteras, desconfiado das falas, lá comi essas ervas um pouco picantes, tendo como amigos gente vinda do paralém tais como Jack Palance e John Wayne.

matrindindi1.jpg Eu, um axiluanda camundongo, como no tempo dos Mafulos, dei como um sonho na praia de Messejana; vestido com os meus panos de libongo, agarrado aos búzios duma praia seca do M´Puto, distraído no muxima-ami com amuletos de missangas coloridas, ximbicando n´dongu nos cânticos de belas kiandas feitas kapotas, comi capim que até aqui só era comido pelo pica-no-chão. Gostei…

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Esta erva, nativa da América do Sul, o mastruço ou erva-de-santa-maria, oferece grande quantidade de benefícios à saúde, além de inúmeras formas de uso. É uma óptima fonte de vitaminas e minerais - entre eles as vitaminas A, C e do complexo B; potássio, ferro, zinco, fósforo e cálcio.

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E ainda fornece uma bebida que ajuda a manter o bem-estar em cada dia, disse-me o Jck Palance assim como se fosse um genuíno indígena desta terra. O chá de mastruço! Disse. O que eu descubro neste Alentejo profundo; coisas que se comem esquentadas como as tengarrinhas ou beldroegas.

mastruço3.jpg O mastruço, quando usado externamente, tem acção cicatrizante, pois suas folhas contêm boa concentração de óleos essenciais. A planta também é sedativa, antifúngica, aromática, expectorante, tónica dos pulmões, vermífuga, digestiva, abortiva, antibiótica, anti-inflamatória, antiviral e antimicrobiana. Haka! Como é que este carcamano sabe disto! Coronopus didymus é seu nome oficial. Fiquei rendido, pois ele falava até latim como um experto na matéria.

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Como podia adivinhar! Já conhecia a rúcula, cuentros, catacuzes, a beldroega mas esta planta da família mastros, mastruço-do-índio, erva-formigueira, mastruz-miúdo, mentruz-rasteiro, entre outras formas de chamar também cresce no Brasil. E, foi dizendo: é uma opção para auxiliar no tratamento de gota, infecção respiratória, contusão, bronquite, anemia, ácido úrico, dores nos músculos, raquitismo, reumatismo, disfunções hepáticas e traumatismos.

john02.jpg Rendido a esta sabedoria limitei-me a escutá-lo! John Wayne mantinha-se ali ao lado sem nada dizer enquanto ia sorvendo uns medronhos, fazer cara feia e acenar com a cabeça. Foi neste entretém que fiquei a saber e, aqui registo na sua forma de uso: Como expectorante das vias respiratórias, coloque 1 colher (sopa) de folhas, flores e sementes picadas de mastruço em 1 chávena de café; adicione água fervente; deixe abafada a mistura por 10 minutos; coe-se e acrescente 2 colheres (café) de açúcar e leve ao fogo até o açúcar dissolver completamente.

mastruço1.jpg A recomendação é de ingestão de 1 colher (sopa) do preparo acima três vezes ao dia, sendo que, para crianças, o ideal é somente a metade da dose. Esta receita favorece também a expectoração do catarro pulmonar, dos brônquios e do peitoral, além de fluidificar o muco.

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Nquele café do “Cú da Mula” Jack tinha mais pormenores a dizer mas fui obrigado a dizer-lhe deixar isso para amanhã porque, hoje domingo, tinha que fazer o preparo de colocar o burro e a vaquinha no presépio no largo da praia. -Jack, amanhã falas dos benefícios para pessoas diabéticas! OK, disse ele já com ao beata a roer-lhe o beiço. Nos finalmente do dia ali os deixei fermentando falas, as quinambas cruzadas remendando restos de rasgos antigos recordando estórias. Deixei-o no momento exacto que cuspia sua beata para o canteiro …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:27
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Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017
XICULULU . XCVII

TEMPOS DORMIDOS - 30.11.2017

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Encontrei-me com John Wayne no Pingo Doce de Aljustrel. Desta vez contei-lhe meus apegos...   

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Enquanto tomávamos café, outras pessoas e até o padre de Messejana, um preto da Guiné, olhavam para nós como se fossemos gente do além! Não era para admirar pois que ambos estávamos vestidos com os ceifões e capotes do frio. Ou então, era pela celebridade de John. Perante isto foi ele que quis saber do porquê de eu andar por aqui, de onde vinha e outros edecéteras; estava desconfiado que as atenções eram mesmo para mim...

john01.jpg Eu, que tanto teimava em me esquecer, fui de novo obrigado a desfrisar minhas periclitarias:- Nasci em águas internacionais, num vapor chamado Niassa, disse! Sou cidadão do mundo, Angolano na diáspora, Mazombo por condição; ando pelo Mundo à procura de mim! Tenho cédula de brasileiro, Bilhete de Identidade do M´Puto mas, ando às arrecuas para fugir ao meu paradigma.

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John Wayne mostrava-se também ávido de rever aquilo que foi sua infância em uma outra encarnação e, neste relembrar tentava encaixar-me no mesmo fardo. Ele só sabia que em tempos idos, fui seu duplo, nas quedas de cavalo - filmes de "El Dorado" entre outros; nada mais sabia!

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Ele, não tinha certeza absoluta se aquela sua infância longínqua foi passada em Aivados ou Alcaria e tem até uma ligeira certeza de que tinha familiares em Panoias pois que, refere estar em um alto, lugar de poder ser vista de muitos horizontes. A todo o momento parávamos para apreciar as coisas ínfimas; tirava suas fotos amarelecidas da balalaica que se viravam em hologramas 3 D. E, estas até exalavam cheiros. Deveria ser uma tecnologia avançada do paralém.

mess0.jpg Entendo agora do porquê, em nosso último encontro ele apanhar uns cardos de cor amarela e mete-los em seu alforge, como aqueles que os cowboys usam; nem lhe perguntei, pois tudo nele, era inusitado.

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Afagou uma minúscula carriça que lhe saltou para o ombro, vinda não sei de onde e de repente apeou-se junto a um frondoso sobreiro da foto que me mostrava e, de novo falou em seu inglês rachado: - You know the difference between a sobreiro and the azinheira? Rsss… Se eu sabia distinguir o tronco do sobreiro e azinheira? Pópilas! Estas variações rápidas confundiam meus zingarelhos. Ali ao lado e, num repentemente saltar para a foto! Só mesmo doutro mundo.

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Só sei que a azinheira dá bolotas comíveis enquanto as do sobreiro não prestam, melhor são intragáveis! Disse eu! - Pois então fixa-te nisto disse ele, o tronco do sobreiro é de casca grossa, rugosa, irregular de fendas e nódulos irregulares enquanto a azinheira tem a casca fina, fendas regulares e longitudinais além de ter as folhas mais pequenas e, como dizes as bolotas comem-se.

nito01.jpeg Estive quase a dizer-lhe que os quatro pombos bravos que comi recentemente tinham em seu papo bolotas inteiras; que afinal não eram só os bácoros que comiam isto mas, deixa para lá, nada disse!

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Lá na paralaxe do além de onde venho, utilizamos muito esta glande para nos dar energia atómica, podermos assim a partir de suas partículas radioactivas de nos transmutarmos num ápice de um para outro lado! - Assim como levitar e andar só de pensamento? Interroguei-o! Estava tudo explicado. Este Wayne era mesmo um ET.

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Ele tentou então explicar-me: - Quando olhamos para o espaço, em seu conjunto, a distância das estrelas é tão grande que perdemos a noção de profundidade, num primeiro momento. Todas as estrelas parecem então estar à mesma distância, coladas numa grande esfera, a esfera celeste. Mas, na verdade, elas não estão à mesma distância, sendo o método de paralaxe usado para medir algumas dessas distâncias.

mess2.jpg Agora sim, estou feito ao bife, pensei! Belisquei-me e doeu, estava vivinho da costa. É aqui que nos movemos, na sombra da paralaxe, continuou. Estava explicado este seu entusiasmo em ver as moléculas expansivas alimentadoras de seus iões ou catiões feitos nuvens, assim como um orvalho cacimbado.

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Mas eu, mesmo querendo, não consegui entender a cem por cento, mas disfarcei que sim... Estava tudo nos conformes! Mais ou menos isso, teletransporte nos iões espaciais! Disse ele. Isto é demais para a minha caminheta, afirmei sem nada dizer, só mesmo para mim! É melhor ficarmos assim! Notei que ele não gostou deste meu momentâneo desinteresse.

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Neste entretém ouvimos um kwé-kwé de um pássaro grande e preto por mim nunca visto! Seriam os seus guardiões dessa terra do Paralém. Podíamos ouvir tudo ao mesmo tempo, um fenómeno até aqui nunca por mim observado, mas eram os badalos dos bois e das ovelhas não visíveis dali, que sobressaiam desta amálgama de sons.

mess05.jpg O curioso é o de que em momento algum saímos da cafeteria do Pingo Doce de Aljustrel Eu estava leve como uma pena, fazia quase tudo, eu que tenho tanta dificuldade a atar os sapatos pela manhã; parecia ser um ser gasoso.

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Saímos dali com toda a gente desfrisando os olhares em nós. Montamos de novo nossos cavalos holográficos e num repente estávamos bem no átrio da ermida da nossa Senhora de Assunção de Messejana. De novo apeamos e, ambos nos sentamos no muro largo feito daquele xisto caiado.

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Num encantamento, tirou nem sei de onde uma gaita-de-foles e começou a tocar uma musica volátil que trazia aos sentidos o cheiro de plantas distantes, pode dizer-se paradisíacas… Foi quando vi as nuvens virem até nós e fundir-se em uma senhora, pairando ali bem perto sem qualquer assentamento; tudo indica ter sido a Nossa Senhora de Assunção…Nunca tinha sentido assim uma sensação de tanta tranquilidade…

mess122.jpg Não demorou muito meu microonda tocou! Eram as fotos nossas enviadas por Assunção Roxo mostrando suas fosfóricas versões de tudo do que falávamos antes; John Wayne ficou encantado e, logo após eu ter transferido estas para o seu caderno holográfico escafedeu-se! É sempre assim...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:05
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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2017
KWANGIADES . XXIX

NAS TERRAS DO FIM-DO-MUNDO - T´CHINGANGE NO OKAVANGO

Kinga só patrão! Kwangiades são as musas do Kwanza…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Nos muitos dias insólitos, encontro factos mágicos na revisão de amigos que me fazem medir o tempo com quartilhos e rasas como se feijões o fossem! A maior parte das vezes são traduzidos com cheiros de África catingados, que não sendo exóticos de todo, são dos mais genuínos perfumes como o cheiro das primeiras chuvas que salpicam a terra da savana no kalahári.

monteiro7.jpg Sucede que um dia e a convite de João Miranda, assisti bem na margem do rio Okavango (Cubango) a uma reunião de empresários presidida por San Nujoma, o primeiro presidente da Namíbia. Um helicóptero chegou bem perto da escola local do Shitemo no Ndonga Linena River Lodge, dele desceu um velho senhor de barba branca, alpercatas e um chabéu de palha já com falripas soltas. Também trazia um bastão, que julgo ser de distinto pau…

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Com seus pés e olhos grandes, caminhou em direcção às autoridades locais, depois veio cumprimentar os convivas e suas visitas aonde me encontrava. Foi muito agradável em suas palavras, sua característica de humilde, postura e atitude. Naquela reunião, referiu a guerra que grassava do outro lado do rio – Angola. Pediu que não dessem guarida aos militares da Unita, tendo mesmo dito aos militares que os ripostassem com fogo de morte.

monangambé.jpg Ele era o líder do povo do Sudoeste Africano, (Ovamboland People's Organization) e eu, um cidadão disfarçado de turista caçador de elefantes. Soubesse ele que eu era um responsável coordenador da Unita no exterior e, teria apontado o dedo em minha direcção. Assim não sucedeu embora as estruturas de informação e inteligência pudessem saber de algo; minha missão era ver os pontos de reabastecimento à Jamba a partir da Namíbia.

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O tempo fez diluir estas contrariedades de estar sob escuta; José Pedro Cachiungo fez-me a advertência de poder ter alguma contrariedade e mesmo sem salvo-conduto meu comportamento foi de singela observação. Para todos os efeitos, era um carcamano branco a rever os cheiros e sabores de áfrica na região Ovambo; usar os olhos, os ouvidos e fotos, seria minha tarefa de xirikwata tal como aquele pássaro comedor de jindungo.

MIRAN3.jpg Para além de ter visto coisas do meu agrado, guardei em mim as falas que ouvi de patrícios e carcamanos embebidas em um tempo que se pretendeu esquecer e, que se colaram a cuspo no subconsciente para não ferir susceptibilidades. O que ficou preso ao meu cerebelo gustativo foi aquele café cheiroso servido a escassos metros da corrente do rio Cunene. Nunca mais esqueci esses momentos de alegria, conversa solta, alegre com estórias, anedotas e bizarrices passados com Dona Elizabete que falava com o gentio com estalidos e João Miranda, o patrão do kimbo.

IMG_20170720_125720_BURST010.jpg Mas a mentira mais descarada que ali ouvi foi a de Oliveira, um amigo que conheci e que ia e vinha até o Mucusso, aonde estava umbigado. Pois um belo dia pensou ter morto uma zebra e, estando a abrir a mesma, depois de separarem seu couro com um rasgão ao longo da barriga, qual é o espanto de num entretanto de distracção ela, a zebra, levantar-se e fugir com as peles a dar a dar batendo-as, como se asas fossem. Esta peta, ouvida com atenção ficou-me entalada na mente ate hoje…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:47
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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
KWANGIADES . XXVIII

NAS TERRAS DO FIM-DO-MUNDO

T´CHINGANGE COM REIS VISSAPA* NO OKAVANGO

Kinga só patrão. Kwangiades são as musas do Kwanza…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Tive a sorte de atravessar os muxitos da África com Dy Reis Vissapa; desde Windhoek, capital da Namíbia, subimos para norte até o Rundu na margem do Cubango e Catima Mulillo às margens do rio Zambeze. Nós, uns gwetas com olhos de águia, íamo-nos tornando mwatas na interpretação das terras do fim-do-mundo conciliando o antes e o agora daquela região de Okavango. E, de novo revisitamos as mulembas de N’Zambi com os kambas daqui, mais dali, ouvindo suas falas de espanto.

  DY00.jpg..soba15.jpg Mostraram-nos aquele arbusto parecido com rebentos novos de loureiro de onde cortam umas varas para introduzir na boca dos sobas defuntados. Apontei algures seu nome mas, com o ronco da pacaça fazendo frente ao leão, meu coração pulou de medo juntamente com o papel de embrulho no lugar do Mukwé; ficou no mato vadiando-se com o vento portador das primeiras chuvas.

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De certa forma os sobas são os guardiões da memória, das tradições antepassadas e, por isso teriam de já defuntados ficar de boca aberta para dizer suas últimas vontades. E, era aquele pau que dava nobreza a este procedimento e, até que o Kimbanda falasse por delegação do morto, tudo o que lhe foi transmitido no tempo, a boca não era encerrada.

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Eu e Dy, pela indumentária, mais parecíamos uns caçadores de elefantes. E, foi uma turista de cor branca de leite que nos perguntou se eramos mesmo caçadores de elefante! Olhamos um para o outro admirados de ver ali esta branquela de mochila pedindo boleia em plena faixa de Kaprivi e, nem sei bem o que respondemos mas o que ficou desta cena foi acharmos demasiado destemida a sua atitude em cruzar áfrica sozinha. Disse-nos que ia para as cataratas Victória fazer jumping na ponte do Stanley que liga o Zimbabwé à Zâmbia.

dy15.jpg Foi João Miranda que nos acolheu às margens do Okavango; uma casa totalmente construída em madeira no lugar de Andara em Mukwé; um lugar com ocultos mistérios do canto Xirikwata - um pássaro comedor de jindungo. João Miranda, um chefe do mato, senhor dos anéis num lugar esquecido mas muito especial pelo envolvente mistério de fuga de Angola. E, que depois veio a fazer parte do batalhão Búfalo chefiando os bushmens na investida Sul-africana a Angola, naquele distante ano de 1974

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Sabendo de antemão que neste mundo só os anjos não têm costas João Miranda contou com detalhes esses dias de guerra! Isto é mato, amigo! Disse ele após longas falas como dando um finalmente àquele passado mas, sempre ia falando raspas desse conturbado tempo. Mesmo naquele lugar de fim-do-mundo deve por certo haver um Deus, que nos julga em cada dia e diferentemente, de acordo com o que viermos a ser em cada dia. João Miranda era agora um bem-sucedido comerciante.

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Este quase lendário homem da mata, pouco a pouco recorda com raspas de esquecimento propositado peripécias e, ainda no segredo de sua intervenção no avanço até Luanda; fazia parte do batalhão Búfalo! Vezes repetidas afirmou que após tomarem posições ao inimigo, leia-se cubanos e militares do MPLA, deixavam grupos da UNITA ou da FNLA a assumirem o controlo dessas zonas libertadas e, em que estes eram influentes.

miran01.jpeg Seguimos viagem rumo a Nascente deixando esta gente que como nós, saíram dessa imensidão dos matos de Angola, de lonjuras percorridas em velhos Dodges, GMC, Willis, land-Rover, Fords ou Chevroletes, terra de onde se parte sem querer partir e já partindo, arrependido depois por não ter ficado; assim foi dito por Elizabete Miranda sua esposa. Como vamos nós próprios destrinçar a verdade dentro da nossa própria imensidão, nos assuntos de crenças e impiedades de bens tão profusos nas regras do Mundo.

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Prosseguindo nesses milhões de espinheiras ressequidas de para além de Okahanja, e Divundo atravessamos terras despidas de gente, uma casa aqui outra lá longe por quilómetros de distância, situadas à sombra de acácias; Farmes quase invisíveis aonde só o depósito de água ou o moinho de vento se vêm tremelicando nas onduladas quenturas. A caminho de Catima Mulillo passamos antigos acampamentos de Omega, chiam segredos de ferrugem abandonada, coisas mal oleadas com negócios de madeiras, diamantes e muita aventura em rente dos olhares de hipopótamos. Estes nada me falaram, preocupados que estavam em espargir merda ao seu redor para marcar território.

miran03.jpg Por todo o lado podem ver-se orixes e avestruzes bordeando as áridas terras aonde até o deus-me-livre dos mortais, tem de cohabitar com hienas, chacais e bichos rastejantes de arrepiar o pêlo. Lugares muito diferentes das regiões a Sul de Ovambo aonde os guetos não juntam brancos com pretos.

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*Reis Vissapa - Autor de “Ninguém é Santo” escrito para todos os Angolanos que amaram e amam a terra que os viu nascer ou crescer…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:27
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Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXV

O CHOQUE DO PRESENTE17.08.2017 - (Revisado a 21.11.2017)

- “O PRIMEIRO BRANCO” e a higiene racial...III

- Os portugueses “cruzaram-se” com os negros africanos. Isso resultou numa mudança profunda do carácter e da psicologia da nação lusitana.

Por

soba 01.jpgT´Chingange

Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos! As escolas já não ensinam isto ao pormenor e, de qualquer modo, os manuais são feitos por gente…Muitos têm ADN preto como a Catarina Furtado que tem ascendência Angola mas, para quê rever isto!? Só mesmo para compreender que a raça humana é mesmo assim, ao correr da pena!

valdir5.jpg (…) Prosseguindo com a publicação do jornal National Vanguard Tabloid, este refere que a culpa desta estagnação no trato da eugenia com a “pureza da raça branca” e, segundo aquela organização inglesa de tendências neonazis, reside na liberdade com que os portugueses se “cruzaram” com os negros africanos. Isso resultou numa mudança profunda do carácter e da psicologia da nação lusitana.

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O “National Vanguard” não tem nenhuma dúvida ao afirmar: “os portugueses do século XVII e os dos séculos seguintes são duas raças diferentes”. Os articulistas advogam obviamente a favor da separação racial. Sociedades como a americana que contiveram e contém uma percentagem considerável de negros. Mas, essas “souberam” manter uma céptica fronteira entre os grupos raciais. Não houve cruzamento nem mestiçagens; assim diz o jornal.

maqui1.jpg Foi essa separação que, segundo a racista publicação, ajudou a manter a capacidade de progresso em países como os Estados Unidos da América. E conclui: não existe evidência nenhuma que a integração dos negros e dos judeus tenham trazido alguma vantagem em qualquer parte do mundo.

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Embora estas publicações sejam casos isolados e representem uma faixa desprezível da opinião pública, a verdade é que não é por acaso que o jornal escolheu Portugal como um caso paradigmático. Podemos até lembrar-nos do que escreveu Kaulza de Arriaga, quando explicava as maiores capacidades dos europeus do Norte em relação aos do Sul.

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Os trópicos como evidência de degradação e desumanização é um estereótipo antigo e, essa atitude de arrogância não é sequer nova. No calor do Sul de África, com sol primaveril de Agosto, rodopiando as horas, vendo os novos rebentos das acácias, aqui estou numa espera tardia, ciente que nada sou para alterar as vontades alheias, desejando somente que tudo siga sua normalidade entre a raça humana.

DIA107.jpg Agora, já kota mais-velho, apercebo-me do joguete das lutas de tantas portas ou portais desconhecidos. Retornando à estória, em “Álbum de Costumes Portugueses”, Fialho de Almeida descreve o “Preto de S. Jorge”, como membro de uma confraria que teria direito a incorporar a procissão do CORPUS CHRISTI, com os demais ofícios.

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A presença negro-africana também se verifica nos topónimos de muitas ruas, como por exemplo: Rua das Pretas, Rua do Poço dos Negros … ou no nome de muitas povoações como a de Santa Eulália de Negreiros dum lugar chamado do Preto, de Santa Maria de Negrelos. Vale de Negros e tantas outras vivenciadas por todo o Portugal (M´Puto).

onco2.jpg Em 1551 a capital lusitana teria cerca de 100.00 habitantes, dos quais 9.900 eram escravos, ou seja 9,9% da população. Ao longo dos seculos XVI e XVII a mão-de-obra escrava representava já 10% da população total do Algarve e Alentejo e também era visível no Norte de Portugal e, em outras regiões. No concelho de Loulé há o lugar chamado Cerro dos Negros, no de Almeirim há uma povoação com o nome Paços de Cima ou dos Negros.

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Dois povoados dos concelhos de Albufeira e de Silves chamam-se Guiné, no concelho de Alvito existe a povoação chamada Horta de Guiné. A dos Pretos, Monte dos Pretos e Quinta da Preta são os nomes de povoações dos concelhos de Leiria, Estremoz e Alcobaça…; enfim, demonstra-se assim a importância que estas populações teriam em determinadas regiões para que servissem de referência a um determinado lugar.

eusebio1.jpg Portugal é, afinal, o país de Eusébio, de Ricardo Chibanga, de Sara Tavares. Um episódio antigo ligado ao explorador britânico Livingstone ilustra bem como essa Europa olhava e olha para Portugal. Livinsgtone vangloriava-se ter sido o primeiro branco a atravessar a África Austral. Um dia alguém lhe chamou publicamente a atenção que isso não era verdade. Antes dele já o português Silva Porto tinha realizado tal travessia. Imperturbável, o inglês ripostou: - Eu nunca disse que fui o primeiro homem a fazê-lo. Disse apenas que fui o primeiro branco.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:43
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Sábado, 18 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXIV

O CHOQUE DO PRESENTE17.08.2017 - (Revisto a 18.11.2017)

- “O PRIMEIRO BRANCO” e a Higiene racial…II

- Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos!

Por

soba 01.jpgT´Chingange

No século XV, os mapas foram queimados, as informações escondidas porque era urgente provar uma superioridade da civilização ariana. São modas ou maneiras de estar! Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos! Não dava para se dizer “vamos evangelizar os africanos, tornar os negros escravos e baptizá-los.” E, isto sucedeu ou foi sucedendo!

kota0.jpg No século XV decidiu-se que os africanos faziam parte da descendência de Cham, filho de Noé e deviam viver uma vida de sofrimento para afastar o castigo, padecer a Paixão de Cristo, o que lhes permitia entrar no paraíso; foi isto recuperado da Bíblia por conveniência, creio eu. Apesar de a mestiçagem constar no discurso harmonioso da lusofonia, visionam-se razões ao dar um carácter de excepção ao colonialismo português. Mesmo entre negros, era preferível importar mais escravos de África do que manter seus filhos.

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Rebuscando novas, soube que Cristiano Ronaldo nasceu na ilha da Madeira; que Isabel Rosa da Piedade é natural da ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Os pontos em comum entre eles não são apenas o facto de ambos terem nascido numa ilha. Segundo o "Diário de Notícias da Madeira", Isabel Rosa é bisavó de Ronaldo, o que faz com que o Jogador do Ano FIFA em 2008, ou o melhor jogador do Mundo em 2017, tenha no seu ser um ADN de Cabo-verdiano.

bruno27.jpgClaro que vão ficar todos surpreendidos porque as ideias concebidas em cada qual são confusas em si! Não há aqui nada de extraordinário! Aos 16 anos, Isabel abandonou a sua terra natal para tentar a sorte noutra ilha do oceano Atlântico, a Madeira. A jovem Cabo-verdiana acabou por casar com José Aveiro, natural do Santo da Serra, e bisavô de Ronaldo. Da união entre o casal, nasceu Humberto, que viria a casar com Filomena.

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Humberto e Filomena, avós do futebolista do Sporting de Portugal e agora no Real Madrid, tiveram seis filhos. Dinis, um dos rebentos do casal, acabaria por casar com Maria Dolores, natural do concelho de Machico. Dinis (que faleceu em 2006) e Maria tiveram três filhos entre 1974 e 1976. Nove anos mais tarde, o casal volta a conceber e, nasce Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.

ariano0.jpg Poucos poderiam adivinhar que este filho, 23 anos mais tarde, se tornaria no melhor jogador de futebol do Mundo. E, que aos 32 anos (nasceu a 5 de Fevereiro de 1985) ainda continuava a ser o melhor do Mundo! E, se todos sabem que Ronaldo é português, mais concretamente madeirense, as origens cabo-verdianas da sua família permanecem ocultas.

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A informação já foi difundida na imprensa de Cabo Verde, suscitando grande curiosidade no arquipélago. Isto foi contado ao Expresso por um jornalista do diário "A Semana". Portanto, naqueles idos tempos os brancos entravam no caniço e tinham a negra que quisessem.

ariano1.jpg Na Luua de N´Gola (Angola) era no BO - Bairro Operário em plena cidade de Luanda e, em São Romão do Sado do M´Puto era no canavial do rio Tejo, uma das aldeias existentes no Ribatejo. Mas também poderia ser em Coimbra, Mirandela ou Tavira do Algarve. A diáspora Lusa tornou Paris de França na segunda cidade portuguesa pois que o número de falantes da língua de Camões, é superior à cidade do Porto. E, por lá também há canaviais.

ariano3.png Quem agora for passear pela Ribeira do Sado, já não verá gente verdadeiramente negra, de lábios grossos e carapinha. A cidade de Alcácer do sal, decorreu do tráfico de escravos entre os séculos XV e XIX. Em verdade, somos uma caldeirada de gente de cores diversas e de todo o Mundo; Os portugueses foram os iniciadores da globalidade no mundo moderno e, haverá muita gente que pensa ser um puro ariano quando afinal tem em seu ADN sangue preto.

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Esta miscigenação tornou-nos em realidade seres diferentes; os turdetanos, os suevos, romanos, cartagineses ou zulus estão no sangue de todos nós. Recentemente, encontrei na Cidade do Cabo, muitos mestiços de cor mais morena com nomes de Oliveira, Pereira e Silva descendentes de portugueses; gente zebra ou mazombos como eu. Quando no futuro vierem a habitar a Lua, talvez todos fiquem bem surpresos ao encontrarem lá num qualquer buraco taberna um Tuga a vender peixe frito aos marcianos.   

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXIII

O CHOQUE DO PRESENTE - 16.08.2017 - “O PRIMEIRO BRANCO” e a Higiene racial…

- O que se vê hoje em Portugal é o resultado de uma mistura não selectiva e uniforme de 10 por cento de pretos e 90 por cento de brancos, um todo homogéneo.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Li em tempos em uma entrevista com Mia Couto na qual este se referia que o jornal National Vanguard Tabloid, afirmava em publicação oficial, que uma organização inglesa defendia a “pureza da raça branca”. E dizia este, ser curioso que o editorial da publicação tivesse escolhido Portugal como o exemplo dos malefícios na contribuição do “sangue negro” para as sociedades europeias e americanas. Racismo assim, às claras, é muito pouco frequente poder-se ler em um jornal e, muito menos em um, assim tão conceituado nas referências políticas hodiernas (digo eu).

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Esta notícia é reportada ao ano de 2011, uma data muito recente e que reascende as afirmações do pastor anglicano Thomas Malthus na sua visão religiosa de ver o mundo a nuo e, na qual teve inúmeros seguidores políticos tais como Hitler em Alemanha e as técnicas segregacionistas do Apartheid na África do sul para não falar dos próprios americanos e, os seus primos. E esse jornal afirmava que os portugueses teriam de ser vistos de facto como uma nova raça - uma raça que estagnou na apatia nada produzindo de novo nos últimos 400 anos na História do Mundo.

lobo1.jpgNo meu olhar de xicululu, assim um olhar de esguelha ou olho gordo, martelei por cima do meu sobrolho a frase de que “Os portugueses são o povo mais atrasado da Europa porque há séculos que se misturam com os negros” e fiquei assim um pouco a remoer muxoxos asneirentos por o caso ter raspas melindrosas e, também por ser raro, vale a pena revisitá-lo.

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O jornal assenta a sua argumentação em “factos históricos”. Portugal recebeu os primeiros escravos negros em meados do século XV. Dezenas de anos depois, os negros já eram 10 por cento do total da população lisboeta. Essa percentagem viria a crescer para 13 por cento no século seguinte. A pergunta imediata é a seguinte: Que destino tiveram estes africanos? Regressaram a África? A resposta é não!

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Eles foram absorvidos, misturaram-se do ponto de vista genético, social e cultural. Eles ajudaram a construir a Portugalidade introduzindo valores e dados culturais novos. A palavra minhoca é apenas uma de dezenas de outras marcas no domínio linguístico. No Ribatejo havia aldeias cuja população era maioritariamente negra. Nossa amiga Maria Carapinha tem este nome porque seus trisavôs eram negros retintos e, hoje já nem os traços negróides têm.

dia142.jpg Basta ir beber uma ginjinha ao largo S. Domingos em Lisboa para termos esta sensação; no Cais do Sodré já não resta nenhum sinal das negras que ali vendiam mexilhões. Podemos descobrir testemunhos dessa presença em quadros, azulejos e cerâmicas variadas. Falando com meus amigos em comezainas de cachupa, amigos cabo-verdianos confirmam do “porquê haver tantos africanos em Lisboa e Algarve”.

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Eles referem-me haver confrarias negras da Nossa Senhora do Rosário e “os negros no Coração do império”. Que viram isso quando da exposição nos Jerónimos no ano 2000. Os Negros em Portugal têm sido de uma presença silenciosa e aonde só os investigadores nos mostram os negros não só como braços de trabalho, mas legando á sociedade expressões de nossa vida quotidiana.

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Pois assim é! Influência na cultura, na religião, tourada e até o fado, a canção dita nacional. Tudo isto se reveste de uma crítica à manipulação e branqueamento da história que tem servido para a anulação do contributo africano em nosso país! O autor de tal prosa racista do tal tablóide inglês não tem dúvida em identificar nesta mistura de raças e de culturas a razão daquilo que eles chamam de “declínio da sociedade portuguesa”.

kunene.jpgPasso a citar: Os portugueses eram, até então, uma raça altamente civilizada, imaginativa, inteligente e corajosa. Mas devido ao rápido crescimento da população negra e o correspondente declínio dos brancos (cujos machos estavam em viagem para longe da Europa) todo esse património de pureza foi adulterado. Reconhece-se neste caso uma forma de conceber preconceitos rácicos com múltiplas facetas.

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O mundo não obedece a uma fronteira simples que divide os racistas dos não racistas e que separa vítimas e culpados. Vale a pena, pois, continuar a citar as razões invocadas pelo “National Vanguard”, para a chamada degradação da cultura e enfraquecimento da raça: O que se vê hoje em Portugal é o resultado de uma mistura não selectiva e uniforme de 10 por cento de pretos e 90 por cento de brancos um todo homogéneo. Trata-se de, facto, de uma nova raça – uma raça que estagnou na apatia e nada produziu de novo em 400 anos de História (estou citando).

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:24
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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVIII
NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 24.08.2017 : Parte 4 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também, homem branco em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Estando eu no Reino Xhoba, reino sem rei com cerca de 100.000 súbditos, pertença de vários países de África não posso deixar de falar deles. Soube porque li em algum lugar que o anterior presidente da África do Sul, Nelson Mandela atribui a estes um território de quarenta mil hectares. Ora se um hectare tem dez mil metros quadrados, quatrocentos ha darão 400 Km quadrados. Se para aí transplantarem o cacto Xhoba, vai dar muito cacto para amaciar barrigas inchadas por esse mundo.

fiume5.jpgA maioria do povo bushmen continua a viver em casas cobertas a capim em pequenos aglomerados, por vezes a centenas de quilómetros de distância da cidade mais próxima. Estas palhotas são circulares tendo a altura de uma pessoa no seu centro. Para sua execução juntam uma boa quantidade de paus direitos que depois são curvados e enterrados no solo pelas extremidades. Estes são amarrados ao centro com mateba, uma casca retirada de uma árvore que entrelaçada faz de corda.

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Com outras varas mais finas e longas formam uns arcos progressivamente maiores à medida que são postos do centro da cobertura para o solo; estes paus tipo verguinhas mais finas, são amarrados aos outros mais grossos que estão na vertical tipo meridianos. É deixado um pequeno rectângulo por forma a permitir a entrada e saída de uma pessoa.

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Os seus instrumentos são bem escassos pois com muita frequência, mudam de sítio por via de seguir a caça, seu sustento. Têm lanças com ponta de ferro como nossos primitivos ascendentes que envenenam com a banha de um verme que apanham ainda em casulo. Chegam a matar girafas com o uso de sua astucia e modo felino de andar na mata, pé ante pé e sempre nas mesmas pegadas sem fazer estalar qualquer tronco seco.

koisan12.jpg Usam lanças e arcos de flexas, transportando mantas para suportarem o frio das noites que chega a graus negativos. Seus pratos são feitos de aboboras e os copos de massala ou maboque. São óptimos pisteiros e conhecedores de raízes cheias de água que espremem para vasilhas ou ovos de avestruz.

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As autoridades estão dando alguns apoios por meio de lhes facilitar a fixação colocando em sítios estratégicos poços de água alimentados por energia solar! Creio também que lhes fornecem mantas e facilidades de transporte para levar seus frutos a postos de venda.  Fazem artesanato a partir de espinhos de porco, ovos de avestruz, cascas de massala e lindos colares de missangas e frutos do mato. Usam uma quinda ou balaio maleável aonde colocam seus parcos pertences.

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Seus conhecimentos milenares estão sendo estudados ao pormenor em algumas universidades da África do Sul por forma a conhecerem melhor sua tradição de estórias verbais com lendas e dando a estes benefícios na forma sustentável sem os viciar. O Xhoba cacto inibidor do apetite vai através de convénio governamental contribuir para lhes criar hábitos de sedentarismo.

koisan10.jpg Não sei se os exploradores Tugas de outros tempos davam importância a alguns factos e se o fizeram ficaram relegados para segundas núpcias de estudo. Serpa Pinto recebeu a missão de estudar no Alto Chire a construção de uma linha de caminho de ferro que assegurasse a ligação do lago Niassa com o mar, apoiado numa forte coluna militar, que mais tarde se ligaria no baixo Catanga a outra coluna portuguesa vinda do Bié, sob o comando de Paiva Couceiro

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Portugal deu início a várias acções de ocupação: entre 1887 e 1890; Artur de Paiva ocupou o Bié e Paiva Couceiro foi enviado para o Barotze. Numerosos sobas prestaram vassalagem a Portugal. Tendo isto em vista, os ingleses começaram a aliciar os chefes indígenas das regiões visadas, incluindo aqueles que já tinham prestado vassalagem a Portugal como os Macololos e os Machonas e até o célebre régulo de Gaza, Gungunhana.

cacto xoba2.jpg O envio de tropas e de funcionários para todos os lugares onde se fazia sentir a sua falta era, porém, virtualmente impossível para Portugal. Por outro lado, o acordado na Conferência de Berlim dizia respeito fundamentalmente aos territórios junto á costa, já que o “hinterland” africano era muito mal conhecido. Daí as numerosas expedições organizadas de reconhecimento.

nauk03.jpg Os resultados da Conferência acordaram Portugal para a realidade. Se bem que o esforço estratégico tivesse sido orientado para África após a perda do Brasil, pouco se tinha feito por via da instabilidade da vida político-social da Metrópole, M´Puto e das extensas vulnerabilidades existentes.

FIM

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:45
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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017
MONANGAMBA . XLVII

RELEMBAR ANGOLA - Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também devemos orgulharmo-nos das coisas boas que fizemos…

As escolhas de T´Chingange

Por 

canhot1.jpgANTONIO JOSÉ CANHOTO

O COLONO

A definição de “colono” para alguns brancos residentes em Angola afectos ao MPLA, partido que governa este país desde 1975, bem para como para muitos negros, o termo “colono” tem sempre cor branca. Para estes o colono teve sempre como objectivo explorar negros, dizem! Nada pode estar mais errado nesta forma radical de definir a palavra “colono” seja o visado de que raça étnica for como um explorador oportunista de negros, índios ou aborígenes.

angola6.jpegFilologicamente o vocábulo “colono” pode ser definido como a um individuo que faz parte de uma colónia, que emigra do seu país de origem para uma terra estrangeira ou no mesmo continente e de um país vizinho para a povoar, cultivar por conta própria ou de outrem independentemente da raça do seu proprietário e, se este nasceu ou imigrou para o território.

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Este acto migratório pode ter duas vertentes: a primeira é quando um outro país exerce o controlo ou a autoridade sobre um território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país ao qual esse território não pertence e contra a vontade dos seus habitantes quando o país é colonizado e, que muitas vezes, são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) ou eventuais direitos tribais, culturais e ancestrais que detinham.

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Na segunda vertente emigram a pedido do governo do país ou de empresas privadas que pela falta de conhecimento tecnológico dos naturais se vêem obrigados a procurar mão-de-obra especializada no estrangeiro, para suprir as suas deficiências naturais. Para uma certa classe de portugueses e angolanos brancos e negros enfeudados ao partido do governo a sua atitude maniqueísta é a de que todos que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”, os maus da fita.

suku0.jpg Na minha opinião este reaccionário pensamento vindo de negro ou branco chamando indiscriminadamente “colono” de forma ofensiva para todos os portugueses que viveram em Angola até 1975 ou que para lá emigraram depois desta data, aconselho-os a olharem retrospectivamente para os seus passados e dos seus pais ou avós antes de 1975 antes de atirarem a primeira pedra.

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Ingenuamente, pensei que o termo “colono” estivesse a cair em desuso, mas vejo que continua bem vivo nas bocas de alguns, quando comentam alguns textos meus e de outros sobre Angola. Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também devemos orgulharmo-nos das coisas boas que por lá fizemos deixamos. Fomos certamente “colonos” durante os séculos que se seguiram à descoberta desse território o qual, ainda nem nome tinha.

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Muitos milhares de portugueses ainda hoje emigram para Angola na procura de melhores condições de vida trabalhando para empresários de várias nacionalidades negros ou brancos. Sedo assim porquê o governo actual de Angola não os trata como “colonos”?

chicor2.jpg É certo que até finais do século XIX e princípios do século XX muitos dos portugueses que emigraram para as nossas antigas províncias ultramarinas o fizeram na qualidade de verdadeiros “colonos” dando a Portugal benefícios económicos e, a partir da exploração desumana de mão-de-obra negra, contractos quase de escravatura mas, não era esta prática generalizada na última metade do século XX.

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A forma comportamental de alguns “colonos”, nada tinha a ver com todos aqueles que para Angola debandaram ou nasceram depois dos anos 50 com uma mentalidade aberta, iniciando a construção de uma sociedade moderna e multirracial e na qual se reflectia em todos os aspectos da comunidade. Se um empresário negro português tivesse emigrado para Angola, montasse uma empresa e tivesse empregados negros seria considerado um “colono”?

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Sinto-me no dever e direito de desmontar e desmistificar esta falsa questão do “colono” que não pode ser vista interpretada, generalizada com o epiteto de que colono branco é racista e explorador. “Colonos” e colonizadores foram todos os países que nos séculos XV e XVI descobriram à volta do globo, novos territórios habitados por índios nas Américas, indígenas em África e aborígenes na Austrália, num estágio primário civilizacional com perto de 500 anos de atraso tecnológico em relação aos europeus.

chela2.jpg Que por via disto, os descobridores precisavam não só de explorar, assimilar, cristianizar e os infectar, mesmo que involuntariamente, com todas as doenças que para lá exportaram. Diogo Cão chegou á foz do Zaire em 1483 sendo a partir desta data que se inicia a conquista pelos portugueses desta região de África a qual era constituída por vários reis e reinos étnica e linguisticamente diferentes que se guerreavam pelo expansionismo regional.

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O primeiro passo pelo Reino de Portugal foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o do Reino de N´Dongo e o de Matamba, os quais não tardaram a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola em 1559. As fronteiras de Angola só serão definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos Ambundos, a cuja língua o termo Angola anda associado.

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A Rainha Ginga, seu nome Dona Ana se Sousa “N´Gola”, seu título real em quimbundo foi o nome utilizado pelos portugueses para denominar a região conhecida hoje por Angola. Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, na minha opinião também foi a sua primeira grande colonizadora e eu explico porquê? Esta rainha guerreira que morreu aos 80 anos, durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submeteu e escravizou os seus habitantes vendendo-os aos portugueses que os levavam para o Brasil.

n´zinga.jpg N´´Zinga ou Ginga, torna-se assim cúmplice no esclavagismo, pois que também os usava como trabalhadores escravos nos territórios controlados por ela."N´Zinga" formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe. Subsequentemente conquistou o reino de Matamba e em 1635 coligou-se com os reinos do Congo, Kassange, Dembos e Kissama. Este pequeno intróito sobe a Rainha Ginga tem apenas e única finalidade, demonstrar que o processo colonizador sempre existiu em todas as latitudes.

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As tribos ou etnias mais fortes, melhor apetrechadas e com melhor armamento dominavam as mais fracas fora dos seus territórios, submetendo-as com o objectivo expansionista, esclavagista e até para sacrifícios religiosos com práticas desumanas e, por via de suas superstições. E, também para se apropriarem das suas riquezas, concubinas, gado, e rebanhos.

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Os portugueses não foram certamente santos pelos territórios que descobriram e colonizaram, mas também não foram totalmente pecadores na miscigenação que desenvolveram e cultivaram com os autóctones. Mais nenhum país o fez do mesmo modo! Aliás, por lá deixaram tudo sem nunca terem sido ressarcidos pelo roubo chamado de descolonização.

lubango1.jpg A história a ser bem contada, sempre terá de recordar a má utilização que o governo de Angola independente deram ao património que à força foi expurgado os portugueses tais como, casas, aeroportos, portos, cidades, estrada, equipamento, tractores, uma satisfatória rede de escolas e hospitais e administração em geral e, tendo dali saído unicamente com a roupa do corpo. Não confundamos ou associemos a palavra “colono” apenas com a cor branca e muito menos só com nacionalidade portuguesa.

Escrito em 13-12-2016 por A. Canhoto

O Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:49
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Domingo, 12 de Novembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIX

TEMPOS PARA ESQUECER – 12.11.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXIV.

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA - Não se fizeram só generais de aviário não! Foram muitos outros em muitas áreas que como políticos fizeram demasiados desmandados…

Por     

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

De entre os regressados a Portugal cognominados de retornados e, após o funcionamento do IARN e Adidos, era notório haver privilegiados nas colocações no aparelho de estado. No imediato e no meio da balburdia a desatenção era relegada. Cada um tentava do seu modo solucionar sua saída da crise; arranjar trabalho, colocação aonde quer que fosse - sobreviver. E, eu tinha dois filhos para criar.

eleuterio sanches.jpg As solicitações dos municípios para o IARN em colocações de funcionários já levavam um nome para a pessoa a destacar e no desvario da revolução as colocações eram feitas preterindo os rebeldes conotados como os anticomunistas como eu que tinha preferido a UNITA em detrimento da FNLA e MPLA e da qual fui membro activo com o beneplácito de Jonas Savimbi que conheci em Nova Lisboa, hoje Huambo! Anos mais tarde Alcides Sacala da UNITA deu-me posse de Coordenador da Zona Sul de Portugal. Isto trouxe-me inúmeros problemas como escutas telefónicas entre outros contratemos que não cabe aqui enumerar.  

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Recuando um pouco, minha base era a Caála chamada de Robert Williams, uma pequena cidade que ficou com o nome de um abnegado dirigente dos Caminhos de Ferro de Benguela. Até nisto se podia apreciar o quanto o aparelho do estado tinha sido tomado pelas pessoas ditas “progressistas”. Eu próprio fui rejeitado em detrimento de gente que ao chegar de Angola, mesmo muito depois do 11 de Novembro era colocado. Era gente conotada à esquerda! Hoje posso ver com mais claridade o que era essa força do Partido Comunista com suas células e comités de intervenção.

flor soba.jpeg Ainda anda por aqui e ali muita gente com quem temos amizade e que dão um encolher de ombros às lembranças de então. Prometi a mim mesmo não me enganar continuando a ser eu próprio peneirando as opiniões, gerindo silêncios. Só muito mais tarde e a partir do 11 de Março de 1976 as coisas começaram a tomar outro rumo. Tive a sorte de ser colocado como destacado em um município tendo na presidência um elemento do MDP-CDE. Nesta descrição andarei um pouco mais à frente e atrás para inserir o essencial dos problemas que afectavam milhares de seres como eu e, em iguais circunstâncias; gente que quis esquecer e, acabou mesmo por assim ser.

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Convém aqui dizer que eles, os gestores do MDP-CDE, jogavam na sorte de obterem um técnico a ser moldado no pós-ingresso mas enganaram-se. Dias-a-fio, era assediado para ingressar em suas fileiras e ir comandar a tropas de insurrectos da reforma agraria no Alentejo e eu sempre escapei a este confronto. Não estava disposto a desalojar patrões pelos ganhões. Havia gente que me esclarecia do seu procedimento e da forma de ficar incólume nesta viragem da vida. As assembleias de trabalhadores eram mais que muitas e tudo se decidia de punho no ar.

vasco gonç.0.jpg Nunca eu levantei um braço e os olhos detectavam meu comportamento. Não saí ileso mudando-me para um Gabinete de Apoio Técnico com gente maioritariamente saída de Angola. Tinha de sair deste gueto Ribatejano com tomadas diárias de fábricas em mãos dos trabalhadores; decisões arbitrárias e execuções sumárias nas atitudes do PREC e cartilhas da revolução vermelha. Entretanto na televisão podia ver vasco Gonçalves em fúria espumar ódio ou lá o que era deitando para a multidão cravos. 

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Era uma carta fora do baralho! Inscrevi-me para uma organização em Lisboa, CIME, Comissão Internacional de Migração Europeia e pouco tempo depois fui chamado, tinha colocação na Venezuela mas, teria de ir em barco. Eu vou sim! Nem que seja de barco à vela e, fui mesmo! Foi o melhor que poderia ter feito. Levei uns doze dias a curtir férias no paquete Flávia cheio de turistas saídos de Itália, destino Caracas com descida em La Guaíra.

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Mas convém aqui dizer o que era esse tal de MDP-CDE: Depois do 25 de Abril constitui-se como partido político, fazendo parte de todos os Governos Provisórios, com excepção do VI de Pinheiro de Azevedo. Concorreu à eleição para a Assembleia Constituinte de 1975 sozinho e, a partir de 1976, em coligação com o PCP, formando a APU. Em 1987, em dissidência com o PCP, já não participou na coligação eleitoral CDU, apresentando-se às eleições com listas próprias.

mdp0.jpg Nessa mesma data, alguns militantes dissidentes formaram a Associação de Intervenção Democrática (ID), que até hoje continua a integrar, como independente, as listas do PCP - Partido Comunista Português. Em 1994 fundiu-se com o grupo editor da revista "Manifesto", dando lugar ao movimento Política XXI, que veio a ser uma das correntes fundadoras do hoje Bloco de Esquerda.

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Em Portugal, havia gente do PCP a fazer triagem na colocação dos regressados do Ultramar Português em órgãos de Administração. Faziam listas, procuravam-nos e colocavam-nos nos lugares mais aprazíveis a contento destes. Que me fuzilem se estou a dizer uma inverdade! Os revolucionários do Pós-25 do PCP e MDP-CDE e o magote de gente que lideravam tomaram de assalto os Serviços de Educação, da Reforma Agrária, na Industria, Comércio e Sindicatos.

maga2.jpg Recordo que o Sindicato da União de Autarquias Locais - do Sul, STAL a dado momento recusou o ingresso de técnicos em suas estruturas. Foi quando me senti relegado para a masmorras dum barco que passou a ser a minha pátria, lugar aonde guardei minhas mágoas, meus desaires num baú: - O NIASSA… Falo por mim, mas muitos outros tiveram que trilhar caminhos muito iguais. Para não me mentir, terei de continuar esta senda até que julgue estar ressarcido em parte dos desmandos, assim seja para desabafar porque, outra coisa não posso esperar. Este arquivo vai ficar morto como coisas do passado!… 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:14
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 23.08.2017: Parte 3 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também, homem branco em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpegT´Chingange

O Xhoba rebaptizado pela indústria farmacêutica em um produto P57 suscitou todo o interesse pela empresa multinacional Pfitzer que pagou algo como 32 milhões de dólares à Pythopharm para desenvolver um medicamento para não engordar. Os ocidentais dirão ser maravilhoso empanturrarem-se de comezainas e depois tomarem um comprimido para lhes tirar as calorias reduzindo os coiros michelins caindo das faldas da barriga.

koisan9.jpg Tentam afirmar que o Xhoba também tem efeitos afrodisíacos e se assim for vai ser sucesso certo! Não vai ser necessário tomar o tal pau de Cabinda ou raspas de rinoceronte para ter a musculatura certa no músculo viril! Não sei é se esses tais 100.000 bosquímanos existentes num vasto território que abrange Angola, Namíbia, Botswana, South África e Zimbabwé, serão mesmo beneficiados conforme ditam as promessas. Não sei não!

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Eles, os bosquímanos eram felizes antes de conhecer estes milagres da civilização; não sei se o serão mais daqui para a frente com tanta gente a ter pena dos coitadinhos quando afinal esse modo de estar já lhes está no sangue há muitos milhares de anos. Sempre aparecerá uma Ong a lhes dar cobertura, apoio e educação e de vício em vício serão levados a formar chagas sociais no mundo que dizemos civilizado! Encharcar-se-ão de cachaça até arrumarem o tédio entre as sandálias  e a esperança. Mas, será bom que as instituições ajudem da forma certa estes nossos ancestrais...

koisan7.jpg As terras que os Tugas ambicionavam em África supunha-se não pertencerem a ninguém em particular e, a nosso favor, na Conferência de Berlim de 1885, podíamos alinhar as diversas explorações feitas em várias épocas por portugueses, mas os ingleses, nossos grandes amigos da onça, como soe dizer-se, tinham outros interesses, dos quais se destacam o desejo de Cecil John Rhodes.

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Ele, Cecil Rhodes, desejava construir seu sonho em um corredor que ligava o Cabo ao Cairo e a descoberta de diamantes em Kimberley e ouro no vale de Kaap, abriu-lhe a pestanas e o prazer de ser grande. Estas áreas só poderiam ser tomadas pelo torneamento dos estados bóheres do Orange e do Transval (como veio a acontecer). Além do mais um sonho deste senhor era por si só uma grande limitação aos avanços de Portugal. Em todas estas politicas os khoisan (bosquimnos), nunca foram tomados em consideração... 

koisan1.jpg Que nem cordeirinhos os diplomatas do M´Puto, subestimavam-se àqueles por via dum tratado que só nos tramava. Sempre tramou! Pois deste sonho do Inglês Cecil Rhodes e do devaneio imperial de Bismark, derivou o maior esforço militar no Sul Angola, nas margens do rio Cunene, onde existiam duas tribos aguerridas: os Cuanhamas e os Cuamatos.

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Os historiadores sempre de forma suave abordam esta questão sem chamarem os nomes certos aos bois e, se Angola tem as fronteiras que tem hoje é aos abnegados militares de outrora que devem honrarias e não a buçais sobas que se vendiam aos alemães e ingleses por cachaça, pólvora mais uns canhangulos à mistura. E, os khoisan continuavam ignorados na história

koisan11.jpg É tempo de os mwangolés da Luua, assentarem ideias de que nem tudo vindo dos Tugas foi mau. Muitos ali ficaram na terra que agora os desmerece. Em 1890 tinha sido morto o herói Silva Porto, atraiçoado pelo soba local, que acabou preso por Artur de Paiva em 1893; o mesmo oficial dirigiu a expulsão dos Hotentotes (Holandeses) e mais tarde em 1898 comandou as operações no Humbe durante sete meses para vingar a morte do Conde de Almoster e dos seus dragões. Derivei um pouco para se entender o que efectivamente se passava neste então naquela áfrica até então esquecida; tanto assim que o rei Belga ficou dono dum país - o Kongo Zaire.

macuta 1.jpg A insubordinação destes povos era fomentada pelos missionários luteranos e o assassinato de dois comerciantes portugueses, em 1904, levou ao envio de uma expedição para “bater” o território “Ovambo”. Mas um grave revés, em Pembe fez abortar toda a operação colocando toda a região Sul numa situação perigosa. Foi então nomeado Governador da Huíla o Capitão Alves Roçadas, em 1905.

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Este notável militar desenvolveu um conjunto de operações militares, coroadas de êxito, destacando-se os combates de Mufilo e Aluendo, em 1907. Em Angola dá-se a pacificação dos Dembos, pelo Capitão João de Almeida, (concluída em 1913 por Norton de Matos), e Roçadas pune os Cuamatos. A seu tempo voltaremos a falar dos bosquimanos e seu cacto xhoba...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:16
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Sábado, 4 de Novembro de 2017
NIASSALÂNDIA . VIII

MULOLAS DO TEMPO – 04.11.2017 - Nós e o mundoHoje, acordei bordado em lentejoulas marafadas do sul do M´Puto.

Niassalândia é o meu país.

Por

sambacatá2.jpgT´Chingange 

Assim é! Acordei com uma zoada nos ouvidos; uma comichão suave com apitos de cascavel. Já é habitual colocar cotonetes com água oxigenada e um pouco de água morna mas ao agachar-me na procura dos cotonetes vi o milongo da Ana Arrais feito de muitas ervas do Nordeste brasileiro. Foi quando pensei que este milongo feito de sambacaetá, deveria fazer bem à minha dormência e comichão fungosa dos meus ouvidos.

sambacatá.jpg Vai daí, pus em uma tampinha um pouco de água oxigenada misturada com este samba-caetá e, à medida que a água oxigenada crepitava gostosamente em meus ouvidos fui rodando os cotonetes no sentido dos ponteiros do relógio, não fosse o diabo tecê-las; pois! Numa coisa assim tão corriqueira pode suceder o imprevisto. Levantei-me e fui sentar-me à frente da televisão, liguei-a mas com o zumbido dos ouvidos e pensamentos a voar recordei coisas da minha mutamba.

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Bom! Pude ver-me pelo espelho da vidraça virada a sul - a minha t´xipala na forma de um ET com duas hastes saindo das orelhas. Entre esta visão cómica e cósmica, presenciada na primeiríssima pessoa nem dei muita atenção às inchadas notícias que davam avondo de pormenores extras, da incerta independência da Catalunha.

sambacatá3.jpgNestes propósitos vi-me a apanhar antes do nascer do sol a tal planta de samba-caetá junto aos muros do fundo da Praia do Francês. Ana recomendou que teria de arrancar estas ervas antes da kúkia (sol) sair grande e redonda do lado nascente – lado do mar. Teria de ser daquelas que crescem bem ao la do das urtigas, sítios sombreados. E, assim foi! Dias depois fui ao mercado de abastecimento de Maceió, um mercado das calamidades ou um Tira-Biquíni da Luua para comprar um especial álcool de cereais que ela pediu.

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Junto com mais plantas, Ana fez aquele milongo com aquele álcool. Tenho de referir que lá em casa dela na rua Camarão, sempre a via botar um frasco deste milongo nas narinas e snifar longamente tal preparo de cor castanha. E, foi por vontade minha que ela me deu a cheirar nesse então, este milongo; penetrou bem pelas vias nasais, cérebro e cerebelo refrescando a áurea do meu ser. Senti-me fresco, audaz e curioso.

sambacatá5.jpg Disse-lhe que também queria aquele produto. Daí eu ter diligenciado tudo para obter tal cazumbi, produto que uso quando me lembro porque tenho as narinas entupidas e também para eliminar os biliões de fungos que pululam nas minhas ventas. Depois disto fui fazer duas torradas. Já tostadas, rego-as com azeite de oliva de Borba, graduação 0.4 e, esponjo nelas a cayenna pépper que um amigo me recomendou lá na África do Sul.

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Foi-me dito e repetido que é boa para regular a tensão arterial, porque dilata os vasos sanguíneos e outros edecéteras que por ora não interessa mencionar. Abrindo uma cápsula tomei seu gosto; uiui, uiqué, muito mais forte que o jindungo que normalmente tomava fazendo-me até transpirar o cocuruto do meu templo.

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Mas, não é tudo! As torradas são também barradas com óleo de coco para me livrar doutras mazelas que até o tempo me fez esquecer. Só lembro terem mencionado que meus ossos deixariam de ficar estaladiços como os da Catarina Eufémia. Mas, se pensam que isto é tudo esperem, mais um pouco! Um raizeiro de Maceió, aconselhou-me a tomar o tal de ipê-roxo para durar até aos 333 anos. Não o levei muito a sério mas, pelo sim pelo não, tomo esta bolunga à mistura com o borututu

pião3.jpg Pois, da gente com mais de cinquenta anos, que tenha vindo de Angola, quem não se lembrará de ter sempre lá em casa uma garrafa de água do Bengo com raízes de borututu na geleira, frigorifico ou recolhendo da selha gota-a-gota a água que ali se deitava para purificação. Tudo isto era para preservar contra doenças de biliosa, do aparelho urinário e rins; assim dizia o raizeiro doutor Kimbanda de nome Sambo.

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São tantas as mistelas que tomo à mistura com barbas de milho e mezinhas da minha avô que que nunca saberei ao certo qual, a que melhor me faz. Isto deve ser uma propensão do meu ADN por parte do meu tio Guerra, um famoso curandeiro de cortar a dor ciática, que recebia gente de todo o Portugal no eirado da Senhora do parto de Barbeita, lá nas terras altas da Beira do M´Puto, um genuíno Turdetano.

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:41
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Sexta-feira, 3 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 23.08.2017 : Parte 2 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também homem branco, em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpegT´Chingange

As viagens de exploração em África sucederam-se por parte de Portugal, Inglaterra, Bélgica, França e até a Alemanha de Bismark. Toda esta actividade veio a culminar na Conferência de Berlim de 1884/5, onde se fez a partilha do continente desencadeando-se assim uma autentica corrida a África. As possessões portuguesas de África eram quase apenas ponto de passagem, interpostos comerciais ou lugar de expiação de condenados durante três séculos e meio.

PAI7.jpg As estruturas sociais eram assim, muito débeis. Foi, portanto, um povo desmoralizado e um governo hesitante e fraco, que em meados do século XIX teve de passar a olhar para África, por um lado para encontrar alternativas à perda do Brasil; por outro, para fazer face às potências que nos queriam esbulhar. Em verdade nunca se conseguiu pôr de pé um plano global de actuação com políticas encetadas e, foram-no quase sempre reactivos e nunca por antecipação.

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A Portugal faltava-lhe gente para dar envergadura a um projecto de colonização mais eficiente e rápido. Era o Brasil que verdadeiramente absorvia todas as apetências Lusas. Dos sucessos ultramarinos destacam-se a travessia de África de Angola a Moçambique, e volta entre 1804 e 1814! Mas, isto foi muito para tudo mais tarde, passados que foram cento e sessenta anos resultar em nada! Para esses fazedores de novas sociedades, as epopeias culminaram em 1974.

chai4.jpgUns quantos ditos progressistas, militares misturados com civis e por traição, decidiram entregar aqueles territórios de mão beijada sem garantir a permanência dos brancos; Mas teremos de voltar atrás noventa anos para descrever sucintamente outros episódios. A seguir à Conferência de Berlim, o governo  português desencadeou um conjunto de acções de âmbito militar, administrativo, de investigação, de delimitação de fronteiras e também de melhoria de infra-estruturas, comunicações e de comércio.

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As campanhas militares de pacificação em Angola iriam estender-se até meados dos anos 30 do século XIX. Ocorreram numerosas acções das quais se destacam: a pacificação dos Dembos que se arrastou de 1872 até 1907, situação resolvida pelo Capitão João de Almeida. Os Dembos revoltaram-se novamente, em 1913, e de novo foram derrotados por Norton de Matos nos combates de Kindangue e Kingola.

guerra3.jpg Outras regiões necessitadas de ocupação efectiva eram Malange e Lunda e, para o efeito várias acções foram levadas entre 1889 e 1907. Em 1908, pacificou-se a região de Boudos, e no ano seguinte as regiões entre Bongue Angola e Duque de Bragança que se prolongaram até 1913 e, de modo a permitir a construção do caminho-de-ferro de Malange.

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Em 1902 declarou-se a revolta nos povos do Bailundo. Para lhe fazer face organizaram-se duas colunas. Uma saiu de Luanda sob o comando de Massano de Amorim, e a outra saiu de Benguela sendo comandada por Teixeira Moutinho. Ambas suportaram longas marchas e duros combates, todos eles contados por vitórias.

diogo6.jpg Perdi-me nesta contenda derivando do cacto linha zero dos bosquímanos para as diabruras dos Tugas de N´Gola com Tugas do M´Puto e assim volto aos registos históricos que dão conta de que há mais de vinte mil anos por aqui, sul do deserto do Calahári, vagueiam os bosquímanos, caçadoras por natureza, cujo trabalho é procurarem comida. No nosso modo de ver só podemos confronta-los com a tese mitológica para justificar seu destino sempre incerto.

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Desde sempre os deuses gozam com esta terra e com quem a povoa. Mas se dos céus não vem a farta chuva, da terra brota um cacto que lhes engana a fome, o cacto xhoba! Espinhoso e viscoso, azedo como trovisco, é capaz de cortar em 2000 calorias a necessidade diária de energia de um ser humano. Será sem dúvida uma oportunidade de os muitos milhões de obesos no mundo eliminarem sua excedentária gordura.

zeka7.jpg Dizer-se que os bosquímanos terão aqui uma forma de subsistirem economicamente e, por venda deste produto é talvez uma fantasia, senão tendenciosa no mínimo falaciosa. Encontrando-me eu aqui nas bordas do reino dos bushmens, um lugar cercano ao rio Vaal, não dou por falta de comida quer ande para norte ou nascente. Há capotas, patos, warthogs, mopane (catato) e um sem numero de plantas e raízes comestíveis.  Só quem não conhece o mato e suas gentes pode afirmar esta excentricidade.

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O xhosa (ou IsiXhosa), ou aportuguesando, cosa é uma das onze línguas oficiais da África do Sul. É falada por aproximadamente 7,9 milhões de pessoas (cerca de 18% de sul-africanos), principalmente nas províncias do Cabo e sul do KwaZulu-Natal, mas também nos países vizinhos de Botswana e Lesoto. As consoantes clicantes são uma característica proeminente dos sons desta língua e mesmo o nome "Xhosa" que se inicia com um "clique". Estima-se que cerca de 15% do vocabulário é de origem Khoisan e, mesmo as consoantes clicantes podem ser dessa origem. Existem jornais e programas de rádio nesta língua.

(continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:41
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Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
MUXOXO

t´chingange 0.jpgMUXOXO DESTE DIA - 19.10.2017

Muxoxo é um clique sonoro! Cole a língua dobrada ao palato (céu da boca) e num repentemente abra a boca. Isto é um muxoxo!
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Desde Agosto de 2017 que ando  às voltas com o meu ADN de T´Chingange perdido no buraco de kimberley lá nesse misterioso deserto do Calahári. Só hoje, num encontro com N´Dalatando, meu bruxo kimbanda, reencontrei meu enfeitiçado vulto! De novo brilhou o diamante entre os búzios atirados com mestria. Como numa galáxia surgiu brilhando de novo.Terei agora de recolher os dados, os ossinhos antigos, moldar o kota soba  e repor minhas verdades e inventaçõs no lugar.

IMG_20170823_123725.jpg Sem a preocupação gramatical, com o sujeito cutucando o verbo mais o predicado…, sem a métrica do fado, uma emergência confusa deste tempo, sem a rima versejada, a metáfora triste e saudosa e, de alma torturada retornei no meio de labareas colando  tristezas minha e alheias no meu coração.

 

adiafa1.jpeg Sem pátria idolatrada, jogando búzios na zuela do feitiço, sem algum esforço intelectual, remexendo panelas de sarapatel e cozido português de forma encarquilhada amolei-me com estas tiçadas de negro. Muito me convenço da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia. Sem ser convocado, assisti pela televisão à queimada do M´Puto. Tristeza! E, acerca disto, tenho até medo de comentar disparates pelo que só posso responder sem entusiasmo, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de precariedades. 

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Fazer trocadilhos, cortar toucinho, metê-lo num pão, acompanhar isto com uma cerveja e ficar no silêncio das falas porque, não posso mentir a mim mesmo! Algo anda mal neste mundo cão. E, se calhar todos temos culpas a começar pelo D. Diniz.

Araujo116.jpgIrá chegar o tempo em que não mais me preocuparei com as parvoíces da terra mas, por agora, terei de ouvir os mexericos, os muxoxos dos críticos, das alfinetadas de comentadores, devaneios e futilidades consumindo a gente.

fogo2.jpgHoras a fio - gente que pendura em seu ego piadas de engasgo, gesticulando até coisas com rezas insólitas nas redes sociais. Será! Será que a marreta que atormenta a cavilha com pancadas, o fará mais seguro e mais forte? Termino assim com uma hodierna interrogação, vulgarizando-me na coragem da metáfora, porque nem de tudo podemos ter resposta, nem a tudo podemos responder. Sei de antemão que as lágrimas não se cristalizam, quando sempre lamuriamos. Fica o muxoxo!

Em terras de Cruzios...

A mensagem chegou assim da galáxia: Grande Soba, já afinei a máquina e acertei o relógio, parece que está tudo a funcionar, grande abraço! N´Dalatando - Foi o recomeço...

O Soba T´Chingange 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:24
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Domingo, 6 de Agosto de 2017
MOAMBA . XII

BAKGATLA DO PILANESBERG - NA NUDEZ DA VIDA – 23.07.2017- Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…

Por

soba15.jpg T´Chingange

No meio da algazarra das palavras, dos apelos, dos gritos ou cânticos, haverá sempre uma insatisfeita curiosidade, perguntas sem respostas ou maneiras mentirosas de dizer a verdade; verdade que nem sempre achamos lógica ou patética nem sempre merecedora de ser levada ao cutelo ou ao fogo da veracidade porque, simplesmente nós não somos guardiões nem usamos beber do crime no rio da vida.

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Amolecendo a preguiça refastelado no Bush Camp, dou-me conta do quanto meu sovaco cheira a catinga, odor em tudo igual a todas as outras catingas dos negros corpos de África. E, assim, aqui estou de livre e espontânea vontade como um turista, muito enfeitiçado pelas gentes acolhedoras que falam línguas estranhas mas sempre dizem good morning ou how are you, língua de europeu!

 mulaa2.jpgGentes que como eu, saíram dessa imensidão dos matos, de lonjuras percorridas em toyotas, land-Rover, Kias ou Chevroletes, terra de onde se parte sem querer partirem e já partindo de vez, arrependidos depois por não ter ficado. Como vamos nós próprios destrinçar a verdade dentro da nossa própria imensidão, nos assuntos de crenças e impiedades de bens tão profusos nas regras do Mundo.

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Porque estou eu aqui, fugido de casa como uma condenação sem definitiva ou suficiente razão para e, simplesmente sarar as feridas do corpo!? Estando assim com o varão primogénito, com suas turbulências indecisas, apalpo as medidas da natureza do Senhor, vendo  o pássaro monteiro´s ornbill enfeitar minha alegria debicando o pão que lhes ralei.

monteiro ornbilll.jpg De coisas desavindas ou desavisadas, relembrei que ultimamente meus próximos amigos me referem amiudadamente como tendo uma cabeça brilhante! Creio que querem dizer outra coisa e que só por deferência respeitadora, falam desse jeito encafifando-me sobremaneira, até à raiz dos cabelos que não tenho. Pois então, por isso, brilha! Em frente do espelho vejo sim, um velho setentão, careca, rugoso com carochas e carnes vulcanizadas ou encarquilhadas.

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Para minha alegria, há uns dias atrás, estando eu em Gauteng, telefona-me o Miguel Esteves Cardoso com aquele ar de gozo e bonacheirão: - Hê pá! Tu estás com a cabeça brilhante! Pópilas, como é que lá do outro lado e de longe, este tipo sabe das minhas mazelas? E, falar-me assim tão jocosamente!

esteves1.jpg E continuou: - Li umas coisas tuas e deste-me uma ideia, assim do camano para o meu próximo livro! Que tens andado a passear o cachorro, num lugar aonde as hienas nem o pai respeitam, um lugar de cheetas agarrando veados!? Toma cuidado meu! Não ponhas o pé de fora que podes depois dar uma congestão ao Leopoldo. Eu aqui tentando sucumbir as malazengas e este inchado dos chifres a mandar-me palpites cavernícolas.

MAR VERMELHO 04.jpg Estou a telefonar-te para agradecer o “biltong” de kudu que me enviaste lá das tuas terras do mato, do Kaprivi! Este tipo está a cantar-me o fado, só pode ser! Estando eu no bombom de Sun City jogando sortes fala-me como se estivesse a dar chupa-chupa aos hipopótamos do Okavango. Neste momento o homem das falas do casino gritou: quarenta e cinco! Era o meu número do totoloto. Bingo, gritei de contente. A chamada perdeu-se no preciso momento em que senti o terramoto vindo do Lost City… 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:31
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Sexta-feira, 4 de Agosto de 2017
MALAMBAS CLXXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 20.07.2017 - (Parte 3 de 3) - Aqui no Pilanesberg de África, apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo …

Por

soba10.jpg T´Chingange

Neste mundo global, qualquer fagulha serve para atear quenturas mas em África, é muito mais natural porque sempre se usou a cinza das queimadas para renovar os pastos. Tenho observado como os animais da savana africana adoram esses rebentos saídos da terra. As noites são frias acumulando geada nas tenras folhas, que por sua vez lhe dão vida ao penetrar em suas raízes. Nos últimos dias os javalis facocheros joelham-se fuçando a terra ainda húmida bem junto à berma das picadas sem se perturbarem connosco; ali ficam em varas exibindo-se sem medo.

bra1.jpg Já os homens, com suas diabruras muito cheias de corruptas ousadias, amachucam-se entre si usando seus instrumentos de poder, suas artimanhas de logro para obter dividendos. Hoje é N´Zuma e amanhã será um outro a cantar vitórias e, tal como o EDU de Angola perpetuar-se-ão até exaurirem o cansaço do povo à semelhança de Roberto Mugabe do Zimbabwé. Para ver se fico manso com Nosso Senhor, continuo a ler o evangelho de Saramago usando até seus sufixos, esboços de suas falas menos ceifadoras para não me pecar,

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E, porque, até uma árvore geme quando a cortam e, as palavras têem o valor que têm segundo nossas convicções ou ficções. Com verdades indecifráveis, muito cheias de ofensas ou entendimento falaram-me de uns quantos anjos voando sobre a África desde a Cidade do Cabo, até o Cairo como o sonho de Cecil Rodes espalhando ódios de raças. Como metáforas enraivecidas dizem-me que a América e Inglaterra vão ficar falidas e cheios de dívidas. Que a Inglaterra será totalmente aniquilada, pois até a sua terra será queimada com uma invasão liderada pela Rússia. E, que esta invadirá a Europa, através da Turquia usando armas terríveis.

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Mas que coisas mais tenebrosa que meus amigos apóstolos de África me dizem. Não tenho de acreditar e, nem o quero porque na destrinça de nossos quereres perturba-me a probabilidade dando-me conta entre reflexões, que nunca unirei as pontas. Ficarei atando e desatando nós de sim, mas não, não, mas sim com o não sempre se retorcendo como coiro queimado nas pontas. Querem fazer de mim, torresmo! E transcrevem-me as profecias dizendo que a África do Sul entrará em uma guerra civil em um ano de eleições. Pópilas! Estamos quase em cima delas- 2019!

massau4.jpg Mais me dizem que as profecias referem que após a morte de um líder negro, será exibido em um caixão de classe nos Edifícios da União. Líderes mundiais o irão homenagear! Mas isto já sucedeu com a morte de Mandela! Matizado nos arrebates da imaginação de que cada qual soma um ponto ao conto, rogo que percam com o tempo e na distância, a convicção de que assim será! Que o não seja! Nem poderá assim ser, uma perca de pontos ao não milagre. E, se realmente o houver, que vire uma coincidência infeliz porque por experiência, sabemos que bem estaríamos nós, se tudo na vida fosse prendas e só bem-estar.

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Pois vou ter de dar por finda esta incursão no campo das profecias porque a solidão nos será mais pesada do que uma pedra amarrada ao pescoço, preferindo das notícias proféticas, recolher as de felizes consequências, dos corriqueiros milagres que preenchem uma vida. E, querendo o Senhor, viermos em crer no que nos foi dito, mas, entre tantos, muitos ficarão á espera de que o Senhor mude seu entendimento, por choro, por um desgosto ou por um último suspiro.

valdir5.jpg Hoje assisti à corrida de uma chita na savana de Pilanesberg; a cabra springbok foi alcançada e logo em seguida suas três crias surgiram ajudando sua progenitora a transportar a presa para um lugar dissimulado a uns escassos 30 metros da picada. Na natureza a vida e a morte conciliam-se fora da mistificação de gente ímpia, a ocasião pode sempre criar uma necessidade e, se ela é forte, terá de ser ela, a necessidade, a fazer a ocasião. Aqui não há o lado bom e o mau. É a sobrevivência!

koisan1.jpg Se Deus quiser, quando assim se fala, ouve-se das bocas mais incrédulas sentenças bem acabadas mas, pela natural força do subconsciente porque cada um tem o seu próprio destino, seus próprios milagres, suas próprias palavras que trilham seu caminho. Porque na vida tudo é relativo, uma coisa má pode até tornar-se sofrível se a compararmos com coisa pior ou, o inverso que também é verdade. Em tudo, haverá sempre um propósito de fé! Que poder poderá ser dado a alguém que morreu! E, como ficamos se esse ser for uma springbok?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:29
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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2017
XICULULU . XCVI

TEMPOS DORMIDOS : 29.07.2017 - No estágio imaturo do raciocínio considerando que o Universo tenha tido um início, teremos de supor que houve um criador. E, tudo começou com os Estromatólitos …

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

sudwala3.jpg Neste dia visitei Sudwala Caves a escassos quilómetros de Nelspruit de Mpumalanga na África do Sul e, pude apreciar no tecto da mesma, um conjunto de pedras que como lapas estavam pegadas ao tecto de uma das várias salas, já bem no fim da galeria principal. Ali, a água escorria pela rocha formando uma estalactite esbranquiçada com a forma de madona. Os ancestrais moradores daquela gruta transmitiram a crença aos vindouros de que quem a bebesse viveria ao dobro.  Molhei a mão e notei que saia bem fria.

sudwana1.jpg Foi dito que aquelas rochas eram compostas de magnésio, cálcio e manganésio entre outros em menor percentagem. As cavernas de Sudwala são formadas de rochas da dolomite pré-câmbrica, estabelecida há cerca de 3800 milhões de anos, quando a África ainda era parte de Gondwana. As próprias cavernas formaram-se acerca de 240 milhões. Há várias estruturas de espeleologia na caverna, conhecidas por nomes como o "Lowveld Rocket", "Samson's Pillar" e o "Screaming Monster".

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Também existem fósseis microbianos de uma cianobactéria conhecida como colenia da rocha; estes se formaram há 2000 milhões de anos, os chamados Estromatólitos. As cavernas foram usadas para abrigo em tempos pré-históricos, provavelmente e, devido em parte a um suprimento constante de ar fresco.

sudwala1.jpg Estromatólito é em verdade uma rocha fóssil formada por actividades de microrganismos em ambientes aquáticos que, normalmente se acumulam no fundo de mares rasos, formando uma espécie de recife. Aqui encontram-se situadas no tecto. Porém, a definição exacta de estromatólito ainda é discutida podendo, por exemplo, excluir estruturas como oncólitos e trombólitos da lista dos estromatólitos.

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Por serem fósseis tão antigos, pensa-se que sejam testemunha dos primeiros organismos a realizar a fotossíntese oxigênica, responsáveis pelo gás oxigénio que surgiu no planeta há cerca de 3,5 bilhões de anos. Compõem-se também de carbonatos calcita e dolomita. São formados a partir de uma sucessão de estágios, partindo de esteira microbiana, estromatólito estratiforme, para finalmente se consolidarem em uma rocha.

roxo150.jpg Os paleontólogos sugerem uma classificação quanto à morfologia, já que esses fósseis são colónias de microorganismos e não "fósseis individuais", propondo classificação em categorias que não seguem a nomenclatura biológica. Mas, há outros especialistas que apenas referem as microestruturas, isto é, só levam em consideração o género e a espécie de seus microorganismos.

sudwala2.jpg Estromatólitos encontrados na Groenlândia, num depósito de rochas sedimentares abaixo da camada de gelo, foram datados como de 3,7 Ga atrás, constituindo a mais antiga evidência actualmente. O mais curioso é saber-se que esta descoberta apoia a busca por existência de vida pretérita em Marte, pois nesta época Marte contava com água líquida em sua superfície e estava em condições similares às da Terra, sob um sol 30% menos brilhante que hoje.

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Além disso, suas estruturas fornecem dados astronómicos e geofísicos quanto ao ambiente do passado. São por assim dizer uma sopa de células - A origem da Vida. Um filamento microbiano que engloba um vasto intervalo de fenómenos: desde a emergência das linhagens principais até extinções em massa ou a evolução de bactérias resistentes a antibióticos hoje, em hospitais.

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Entretanto, dentro do campo da biologia evolutiva, a origem da vida é de especial interesse porque remete à questão fundamental de onde nós (e todos os seres vivos) viemos? Muitas linhas de evidência ajudam a fornecer pistas a respeito da origem da vida: fósseis remotos, datação radiométrica, a filogenia e a química dos organismos modernos. Contudo, como novas evidências estão sendo descobertas constantemente, hipóteses sobre como a vida se originou, que podem mudar ou ser modificadas.

araujo113.jpg Quando se originou a vida? É importante lembrar que mudanças nessas hipóteses são parte normal do processo da ciência e que elas não representam uma mudança na base da teoria evolutiva. Evidências sugerem que a vida surgiu pela primeira vez por volta 3,5 bilhões de anos atrás. As evidências são formadas por microfósseis (fósseis que são muito pequenos para serem vistos sem a ajuda do microscópio) e estruturas rochosas antigas como estes estromatólitos encontradas no Sudwana da África e Austrália.

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Para melhor assimilarmos os Estromatólitos dir-se-á que são produzidos por micróbios (maioria cianobactérias fotossintetizantes) que formam filmes microbianos que aprisionam lama; com o tempo, camadas desses micróbios e de lama podem formar esta estrutura rochosa estratificada – o estromatólito.

roxo82.jpg Cientistas estão explorando vários possíveis locais para a origem da vida, incluindo poças de maré e fontes térmicas. Entretanto, recentemente alguns cientistas levantaram a hipótese de que a vida se originou perto de uma fonte hidrotérmica no fundo do mar. As substâncias químicas encontradas nesses respiradouros e a energia que eles fornecem poderiam ter abastecido muitas das reacções químicas necessárias para a evolução da vida.

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Posteriormente, usando as sequências de ADN de organismos modernos, biólogos conseguiram rastrear experimentalmente o mais recente ancestral comum de toda forma de vida, um microorganismo aquático que viveu em temperaturas extremamente quentes. Apesar de várias linhas de evidências serem consistentes com a hipótese de que a vida começou perto de hidrotermais no fundo do mar.

sudwana3 sudwala.jpg Esta hipótese está longe de ser tida como certa e consensual: a investigação continua e pode eventualmente apontar para diferentes lugares para a origem da vida. Foi muito interessante saber destes avanços, não obstante estar consciente de que irão fazer colisão com teorias, dogmas, conceitos e paradigmas que nos foram legados por vários veículos de instrução…Não virá mal ao mundo saber-se deste conhecimento e, nem Nosso Senhor terá de ficar zangado por tal ousadia.

Ilustraçõs de Assunão Roxo e Costa Araújo Araujo

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:54
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Domingo, 30 de Julho de 2017
CAFUFUILA . CXXIV

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO – 28.0.2017 - 20ª parte

Kiandas e calungas! De novo em Massangano… O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

De novo em Massangano fui ler os catrapázios guardados numa tão velha arca que, até os aloquetes tiveram de ser arrombados com um improvisado escopro e uma maceta com cabo de pau-ferro. Foi assim que retirei um rolo meio a se desfazer muito atacado de bolor estórico com as pontas quase a se separarem por rachadura. Levei à vontade três dias a aquecer o mukifo tão insalubre; entretanto andei pelo mato à procura das resinas apropriadas para enrijar aquele papel em rolo de laço folgado e a se  desfazer.

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Com muito cuidado lá consegui estirar a folha, entornar nela o verniz ligeiramente aquecido e, com muita sorte vi que o grudar da resina na velha tinta das letras traçadas com pena de pavão, ressaltaram-nas ficando assim quase salientes e de melhor leitura. Como a sombra, a história tem obscuridades e, foi a palavra escrita na parte superior direita que me despertou ainda mais curiosidade: - Dun. Mais abaixo podia ler-se Balthasar Van Dun, oficial da Companhia das Índias Ocidentais Holandesas.

roxo128.jpg Sabe-se da estória que quando o almirante holandês da Companhia das Índias Ocidentais tomou Luanda, os portugueses fugiram todos para Massangano, e por ali permaneceram durante a ocupação, até à chegada do luso-brasileiro Salvador Correia de Sá e Benevides, que reconquistou a Fortaleza de S. Miguel, na baía de Luanda em 1648.

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Vim a saber neste então muito posterior àquela onda do tempo que a construção deste Forte tinha também em vista a defesa das redes comerciais de mercadorias tais como cera, peles, dentes de marfim, pedras preciosas mas, e especialmente da venda de escravos às Américas, e também para segurança do presídio de Massangano, que a monarquia portuguesa utilizava como local de degredo.

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Pois é aqui que situo a minha epopeia neste romance mussendo de três continentes por via de seguir a peugada das kiandas, kwangiades ou calungas Roxo e Oxor de Guaxuma. Pois, em uma outra minha andança ao serviço da rainha de Portugal D. Maria I e, com o cargo de tenente, tive de escoltar uma leva de prisioneiros participantes da chamada Inconfidência Mineira nos fins do século XVIII, um movimento militar no Estado de Minas Gerais do Brasil.

roxo138.jpg As vidas são assim, intemporais e fui no ano de 1790 chamado desde a vila de São Vicente para escoltar presos militares, uns revoltosos capitaneados por Joaquim José da Silva Xavier, conhecido pela alcunha de Tiradentes. Reclamavam contra o pesado pagamento de um tributo em ouro cobrado aos mineiros brasileiros pela coroa portuguesa e, vai daí e para exemplo enforcaram o Alferes por liderar aquela insurreição.

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O curioso disto são os contornos que dão às conjuras para aproveitamento político e, vai daí o pobre alferes viu-se metido em alhadas pelos ideólogos políticos que conjugaram o facto, tal como sendo uma revolta a favor da independência do Estado de Minas Gerais. A tal revolta, quase uma inventação a que chamaram de Inconfidência Mineira. Reinava então a rainha D. Maria I e, ainda estou para saber por que carga de água, fui eu o nomeado para tal tarefa, quando um sargento ou cabo-de-guerra o poderiam fazer sem transtorno algum para a administração.

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A estória tem assim destas nuances, mas vim a saber que diplomaticamente assim fui nomeado para me retirarem do Comando da capitânia de São Vicente. Já naquele tempo havia bufos que enchiam as orelhas às gentes de mais galões e querendo livrar-se de mim, um inveterado rebelde que não via a monarquia com bons olhos, aproveitaram a deixa e lá me mandaram para aquele longínquo presidio às margens do rio Kwanza. Há bens que vêem por males…

maga5.jpg José Alvares Maciel era o nome mais sonante de entre aqueles degredados e com quem ainda mantive alguns contactos. Foi por ele que vim a saber ser esta peripécia urdida pelos políticos; sei que veio mais tarde a ser solto para divagar como pombeiro (vendedor ambulante) nos matos da Matamba e, acabando por morrer lá para os lados de N´Dalatando, deixando uma prole de filhos com o nome de Alvares.

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Outros supostos mentores civis faziam parte do lote que estiveram presos por algum tempo, destacando-se mais tarde como cidadãos de carreira, uns como funcionários do reino e outros como comerciantes. A luta pela independência do Brasil saiu-lhes pelo cano com as estrias invertidas. Eu mais tarde acabei por ficar destacado na Fortaleza de São Miguel chefiando um destacamento policial situado na rua do Casuno bem junto às cubatas do Palácio do Governador Manuel de Almeida e Vasconcelos de Soveral, 1.º Conde da Lapa - Governador e Capitão-General com quem mantive muito boas reacções.

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Foi nesta minha ida para a Fortaleza de São Miguel da cidade de São Paulo de Assunção de Loanda que tive de recolher elementos e documentos em Massangano a fim de para ali os levar e arquivar. Foi neste então que tive de enrijar o papel mofado, o tal que tinha a palavra Dun no lado supra direito. Ali estava descrita a linhagem de Dun em África que vem de Balthasar Van Dun, também conhecido como Van Dunem.

fiume01.jpg Dun foi para África como funcionário da Companhia das índias Ocidentais Holandesas mas tinha uma função dupla, a de militar e a de negociador de escravos com os descendentes de N´Gola Kilwanje. Quis a estória que nessa missão dupla e de também negociador com os portugueses, ficar por ali com uma prole de filhos mazombos mamelucos. Os negócios sempre suplantam as políticas e, eis que eram os próprios portugueses que vendiam escravos a este inimigo holandês de origem, um súbdito de Maurício de Nassau.

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Van Dun teve forçosamente de lidar com o pai da Kianda Roxo, Morgan Tsvangirai pois era ele que cobrava as taxas para o reino através de posturas lançada pelos governadores Pedro César de Meneses, em oposição aos Holandeses e Francisco de Souto-Maior, ambos capitães generais. Como almoxarife de Massangano, tinha a seu cargo o trato comercial e a recolha dum percentual na venda individual ou lotes de peças e, aqui ficavam arquivados os livros em estas malas seladas com lacre e chancela real do M´Puto. Lamentavelmente, todo este material envelhecia sem os necessários resguardos dum bibliotecário.

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Os escravos “peças negras” eram enviados para o Recife, base de Nassau no Brasil. Van Dum era um bom comerciante, sabia como fazer os seus tráficos, tanto com os portugueses como com os Reis e Sobas de Angola. Sua esposa era negra, e era mais racista que ele próprio. Tudo isto me foi confidenciado já nem sei em que circunstâncias, pela Kianda Roxo em plena quiangala. Sei que isto se passou na rua do Casuno, em um terraço cheio de buganvílias rosas; isto, eu lembro! Ainda posso cheirar aquele aroma à mistura com o ar húmido vindo do mar da baia de Loanda à mistura com as muitas flores que ali havia.

MONA1.jpg Ela, a kianda Roxo tinha uma relação próxima com as filhas de Van Dunem; E, nem uma kianda consegue guardar confidências para todo o sempre. E, foi logo a seguir a estes encontros que a mente de Roxo se sumiu gerando um outra versão de calunga escafedendo-se nas brumas de uma outra e mais outra kianda com nova posturas de espirito matumbola, assim como numa metamorfose complicada.

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As Kiandas Roxo e Oxor de agora, andam entre continentes não se recordando da cor de sua casca holográfica naqueles idos tempos de mar muito azul. E, ora são gente de carne e osso e, logologo mudam para uma assombração invisível para todos, menos para mim; mas, só após introduzir uma palavra secreta e uma reza curta perante N´Zambi, o mago dos magos. Recordo que já nesse longínquo ano, eu e ela víamos as implicações éticas que este fenómeno tem naturalmente, o de ter em conta que a escravatura não começou com a chegada dos Europeus a África.

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A Rainha N´Zinga, com o nome cristianizado de Dona Ana se Sousa “N´Gola”, seu título real em quimbundo, dominou a região conhecida hoje por Angola. Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, foi também a sua primeira grande colonizadora pois que  durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submetendo e escravizando seus súbditos, vendendo-os aos portugueses e Mafulos que os levavam para o Brasil.

nzi1.jpg Por isso dizer-se que a escravidão, sob formas diversas, já existia nas tribos locais. Com um copo de gim e água tónica no lugar do Gato Preto de Rio Maior, a 27 de Maio de 2017, pude recordar aqueles longínquos dias e, de novo falar em sonhos ao som de merengues kizombados com terna amizade. E, curiosamente nem se falou nessa “Gloriosa Família” do tempo dos flamengos e, que deu ao M´Puto a primeiríssima ministra de pele morena, de um preto menos preto. A nossa Ministra da Justiça! Vejam só como a estória dá voltas…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:49
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Quarta-feira, 26 de Julho de 2017
MONANGAMBA . XLV

BAKGATLA DE PILANESBERG - 21.07.2017-Tinha em mente encontrar búfalos mas com uma sorte de amaciar leite coalhado no meu four-by-ford, vi quatro leoas a dormir…

Por

soba10.jpgT´Chingange

Cativo de meus espaços e rodeado de acácias, troco ideias com meus obstinados silêncios na perspectiva de extrair ausentes sentimentos. No intuito de mostrar o que ninguém viu antes e, porque “nem sempre vemos o que desejamos”, tive hoje a sorte de ver três leoas numa encosta pedregosa no lugar de Tsukudu. Depois de seguir atrás dum enorme elefante bufador de palha mal mastigada, assim fomos cheirando seus perfumes até nos escapulirmos por uma picada a subir para o morro da marula.

herero0.jpg Meu carro ocasional não é um four-by-ford e, por isso tive o cuidado em o não arranhar dos lados pelas acácias nem por debaixo pelos pedregulhos agressivos. Tinha em mente encontrar búfalos mas com uma sorte de amaciar leite coalhado vi quatro leoas a dormir; por sorte, uma levantou-se por instantes para eu poder ver seu perfil; o suficiente para não me sentir defraudado neste safari de tirar fotos com um smartphone pelo óculo dum binóculo.

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Minha inventação roubada de minha neta cusca de quinze anos muito cheia de chatos pergaminhos, resultou em fotos amarelecidas rodeadas dum círculo difuso. Ela disse que aprendeu isto na química da escola relembrando até ser um método usado pelos paparásis, fotógrafos intrusos de mostrar intimidades de gente célebre para serem mostradas em revistas fofoqueiras.

hereros2.jpg Como ainda tenho o dente de facóchero que o cipaio Mandinga me ofereceu no tempo do antigamente, lembro-me agora que por via desta sorte de menino camondongo, mazombo filho do senhor Manel Monteiro do Mwene-Puto, aqui estou com calções de caqui recordado esse meu velho tempo de ir a missa.

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Pois, recordo assim que o que Deus uniu não pode ser desfeito mesmo que por vezes, se viole os preceitos divinos dos mestres com escapulários. Se a vida é uma sentença com um princípio e um fim, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos, ou daquilo que poderíamos ter feito; não podemos assumir a culpa dos pais, nem dos pais de outros pais.

pila0.jpg Na percepção parcial das vitais contingências, tecidas e compostas nas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, por fortuitos efeitos que determinam o futuro próximo e distante. Cada um de nós foi o que foi por uma coisa pequena, que nem sempre se escolheu dedo ou arado que por coisa pouca mudou nossas vidas.

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Por via de duvidas também usamos amuletos da sorte na forma duma nota de dólar, um santinho, uma qualquer nossa senhora da aparecida mais responsos escondidos em forros de malas e maletas. Até uma vagem envernizada de feijão maluco serve para o efeito! Por agora ando com esse tal amuleto, um dente de javali que o cipaio Mandiga me deu em um outro e antigo tempo.

herero01.jpg O místico junta-se com a Cruz e o Cristo numa caixa, asfixiando-O no tempo todo e, sempre picado em sua coroa de medonhos espinhos grandes como o destas acácias de África. Com um credo na ponta das falas, fico na beira do charco vendo os bichos desfilar sobrevivências fugindo uns dos outros mas e principalmente daqueles leões que dormem na encosta do morro.

hereros4.jpg Num dia antigo, eu próprio na primeiríssima pessoa berrei disparates saídos do fundo de minha raiva; via coisas que mais ninguém via. Eu, um gweta mwata vestido num calção e balalaika de caqui feito um bóer e, conduzindo um carro com seis juntas de bois com seu pai Manel, um Mwana-Pwó poderoso das terras de Quilengues; terras altas de N´Gola como estas aqui aonde o leão ruge, no monte da marula de Tshukudu. Os sonhos mesmo que falsificados voam rápido…

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:30
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2017
MAIANGA . XXI

CAFÉ DA MANHÃ . Aquilo que vi, não vi! Aquele mendigo fundiu-se no mesmo senhor vestido de organza - Andava eu neste então, nos caminhos de Santiago, fugido de França…

Maianga é um bairro da Luua

Por

soba15.jpgT´Chingange - (O mano Corvo)

maianga9.jpg Cisne e os templários

Em um tempo muito ido e sendo arqueiro da Ordem de Cristo ao serviço da Rainha Isabel a Católica por bula do papa Alexandre VI, na cidade de Burgos, sucedeu que um dia fui abordado por um mendigo que só o era em aspecto. Aguardava uma carruagem a fim de seguir até Santiago de Compostela.

araujo62.jpgCosta Araújo Araújo - (O ajudante del Greco)

Saído de Paris, eu também ia nessa direcção; de samarra, um cajado e um odre feito de bexiga de cabra com água do Rio Sena. As sandálias muito gastas lançavam já umas barbelas na qual se lhe agarravam uns carrapitos que brilhavam. A luz destes era tão intensa que dava para ver o caminho certo.

arau44.jpg Aquele mendigo tinha com ele uma relíquia do Santo e por todos os motivos que só ele sabia teria de fazer a entrega disso e pessoalmente ao Abade Grão-Mestre. Qual o meu espanto quando passado pouco tempo surge no lusco-fusco da madrugada um bando de cisnes rebocando um aveludado coche sem rodas, irradiando luz por milhares de pirilampos ao seu redor.

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Neste inusitado veículo vinha um velho senhor vestido de cetim e organza e mais panos fosforescentes, popelinas desconhecidas por mim. Só podia ser um sonho! Mais atrás numa viatura flutuante havia quatro donzelas cobertas também em cetim e sedas bordadas a oiro e prata, levitadas em cor reluzente. Tudo isto se passou numa ponte romana, tendo um marco miliário redondo e alto já com as letras do seculo e milhas desgastadas.

arau45.jpg Ainda hoje, tantos anos já passados, fico interrogando-me: - Aquilo que vi, não vi! Aquele mendigo fundiu-se no mesmo senhor vestido de organza ficando num só. Uma visão doutro mundo e no limiar duma vida, talvez penumbra de morte; uma de muitas viragens, charneiras duma era, a dos templários fugidos da foice segadora do rei Filipe IV de Espana e III de Portugal.  

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Quando vi este quadro de Zé Costa Araújo veio-me logologo à ideia, esse tal episódio. Isto é a ressurreição duma epopeia antiga antes de em um dia treze e duma sexta-feira, ceifarem milhares de soldados daquela ordem. Foi Filipe IV, rei de França que deu ordens nesse sentido com a anuência do Papa  Clemente V. Estavamos em mil trezentos e troca o passo - (Poucos andavam de charrete)

araujo114.jpg Ele o Zé Augusto, dono e feitor desta tela, era aquele velho mendigo feito de dois dessa lenda antiga mas, que só eu conhecia em pleno. A partir daí passou a dobrar seu nome; nem ele sabe desse porquê escrever-se Costa Araújo Araújo; dois Araújos em um só! Mais tarde, encontrámo-nos em Toledo sendo este pintor auxiliar de El Greco. Foi aí que fizemos um pacto de amizade cuspindo na mãos e mijando de forma cruzada sobre o rio Tejo. Consegui guardar este segredo até hoje. Isto do quadro só pode ser obra dum talentoso bruxo; ele mesmo: Araújo Araújo!

Ilustrações de Costa Araújo Araújo 

Adenda da história

No Concílio de Vienne (1311 - 1312), o chefe supremo da Igreja anunciou a extinção da ordem religiosa por meio de ação administrativa. Com esse precedente, Filipe IV pode prender, saquear e matar todos os cavaleiros templários presentes na França.
Em pouco tempo, Jacques de Molay, grão-mestre dos templários, foi levado à fogueira em uma pequena ilha do rio Sena. Segundo o relato de um escritor da época, antes de morrer Molay profetizou que Filipe IV e o Papa Clemente V seriam julgados por Deus pela injustiça que haviam cometido. Poucas semanas depois, o rei da França e o Papa faleceram. Tal coincidência, ainda hoje, nutre os mitos que falam sobre os segredos e mistérios da Ordem dos Templários.

Do Mano-Corvo T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:16
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Quarta-feira, 12 de Julho de 2017
MALAMBAS CLXXVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO -12.07.2017Aqui no Limpopo de África, apaziguando rijezas adversas, relembro a singularidade do mundo. O futuro anda a trambicar-nos…

Por

soba15.jpgT´Chingange

À medida que o ritmo de mudança acelera na sociedade, as pessoas de mais idade, kotas como eu, Assunção, Eduardo ou Araújo, retiram-se para um ambiente mais pessoal ou particular cortando alguns contactos no imediato, ficando mais pelas relações cada vez mais transitórias que surgem pelo digital facebook. Só eu, tenho mais de sete mil amigos na rede social mas, fujo de um lado para outro, deixando coisas por aqui e por ali.

acacia karoo.jpg Assunção estabeleceu-se numa linda aldeia, tendo como jardim uns vasos com flores de cores várias de malvas e gladíolos ao redor de uma oliveira centenária. Araújo fica em seu mukifo transbordando para a tela traços e cores que só ele sabe fazer com beleza. Eduardo balança seus antigos pensamentos em suaves crónicas do dia-a-dia com sua família e seu deserto. Nos tempos que correm já não estamos ligados a um único objecto durante um longo espaço de tempo.

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Estamos forçosamente ligados por breves períodos na sucessão de objectos que se suplantam. O aspecto de uma cidade pode mudar por completo em um curto espaço de tempo. Isto de o passado desaparecer num ápice é um fenómeno real e com tendência para se tornar muito mais abrangente, até mesmo em cidades saturadas de história e cultura. Este procedimento passa também a regular a relação entre pessoas; o casamento por exemplo já não o é para toda a vida como antigamente.

arte1.jpg Os casais cansam-se e, por “ um dá cá aquela palha” como soe dizer-se; qualquer ninharia se torna num motivo de separação. As pessoas já não têm o mesmo apego às gentes ou coisas, mudando com rápida frequência e, porque o tempo urge. Enquanto se muda rapidamente o urbanismo de uma cidade, também os mais velhos estão sendo mandados para lares, ou asilos e, porque a vida agitada não dá tempo aos filhos para deles cuidarem.

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A família vive uma confrangedora realidade que cria litígios na mente das pessoas mais sensíveis ou até mal preparadas para enfrentar o futuro. A cidade aonde vivo uma boa parte do ano, no prazo de um ano, seu urbanismo mudou radicalmente; suas ruas passaram a ter um só sentido e toda a sinalização foi alterada. Um jardim infantil novo veio a substituir um outro fito à menos de três anos.

magao01.jpg Até criaram uma praça vermelha feita em tartan, um piso igual ao dos campos de ténis, desperdiçando o dinheiro destes (meu, também) sem um real benefício à crise de que tanto se fala. A maioria das pessoas não vê bem esta aplicação dos seus impostos, IRS, IRC, IMI, o custo da água e da energia nesta miragem de sucesso! A futilidade chegou a estremos mal compreendidos por quem sempre vislumbrou objectividade na feitura das coisas! Políticos de má formação, gente ambiciosa açambarcam nossas reais necessidades.  

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Modas incompreendidas por quem conta tostão por tostão para mandar o filho para a universidade. Estamos na era do efémero, sim! À medida que o ritmo da mudança se realiza a sociedade é levada a executar uma economia de transitoriedade. A maior parte das vezes torna-se mais barato comprar coisa nova do que mandar concertar uma outra já velha. Isto necessariamente meche com as ideias e ideais.

lagoa1.jpg Também pelo que se observa no dia-a-dia, é mais vantajoso fazer coisas baratas, não reparáveis; coisas a deitar fora após serem usadas. Podemos assim prever mais progressos técnicos com novos aperfeiçoamentos e, em espaços de tempo cada vez mais curtos. Assim será! Isto, não vai parar.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:39
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Domingo, 9 de Julho de 2017
MUJIMBO . LXXXVIII

KIZOMBA DA LUUA09.07.2017 -Mujimbos com borututu, coisa antiga…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

O tempo não conta - a verdade é sempre actual – Julho de 2017

  valentina0.jpgborututu.jpgO kota Liuanhica, de bravura esquecida sozinhava-se na praia da ilha. Luanda estava no outro lado pendurada na água com prédios e barrocas sujas. Aquela reflexão também o escorria em descontentamento. Debruçado sobre si mesmo na areia, após uma noite trespassada de kizomba, recordava a grande noite cultural com passagem de modelos no Miramar; para ele, homem de antes quebrar que torcer, de peito desfeito, o que viu tornava-se num grande desaforo.

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Aquele, era um dia de domingo. Sua vida estava feita num esquecimento desde que sua filha N´Riquitita desanovinha virou modelo naquele concurso da Maianga. Os amigos à boca pequena iam falando entre risos sarcásticos das altas qualidades de sua filha m´boa pra chuchu que aparecia com frequência nas colunas sociais e ao lado de cantores famosos, estrangeiros  e outros dali mesmo, cheios de kuduro nos poros com catinga de corrumba, mas badalados nos meios de comunicação.

araujo93.jpg No sábado de ontem ele viu mesmo; estava lá na certificação descodificando a verdadeira verdade dos mujimbos da cacimba do Rio Seco e Catambor. N´Riquitita apareceu espevitadamente enroscada a Nelson Ned e, talvez pelo tamanho deste, os kaluandas do bairro gozavam a cena. Compreendeu ali o porquê dos kotas rindo com todos os dentes da boca; isto para Liuanhica era um demasiado e desclassificado contratempo de vergonha; sua filha assim nas más-línguas despidas até os tornozelos.

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Os kasucuteiros, kuribotas do Catambor, roíam-lhe todos os dias a paciência com muxoxos mujimbados de diz-que-diz daquela garina, que tal e coisa, mais enfim, que tu sabes ou adivinhas. Com saudades do antigamente o impensável passou a possível e a nostalgia do tempo colonial transbordou na sociedade da Luua. Perdido naquela oblíqua contraluz duma imensidão de pensamentos, recordou os exemplos de vida que seu pai Sambo lá no planalto do Huambo lhe transmitiu. Traçou uma bissetriz no pensamento n´dele e, assim mesmo tomar decisão sem catetos nem hipotenusa da sua própria desconfiança.

14632930_10207853196554526_3028057283901920621_n.jTinha de voltar à sua terra, agora que a revolução se estava a tornar num estorvo, com o fim da guerra o melhor mesmo era voltar ao seu Quipeio, lá aonde ainda resistiam uns manos estudantes daqueles idos tempos. N'Riquitita tem já vergonha do seu Kota pai, evita-o a todo o custo, atarefada entre banquetes milionários e concursos de misses em tudo o que é lado, exibindo roupas e jóias nas kizombas de alambazados.

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Passaram uns meses... Kota Liuanhica voltou ao planalto, juntou-se ao seu primo Siripipi juntando ervas, raízes e folhas seguindo as pisadas do seu pai Sambo, grande conhecedor na cura de maleitas e malazengas através de plantas; envia estas em cartuxos para Luanda que, por sua vez, são reencaminhadas para o M´Puto. Tornou-se assim um especialista de sucesso no trato do borututu e, à noite, no ximbeco de Zacarias vai dando informações às pessoas de tal produto. Num poucoapouo de malembelembe N´Riquinha passou ao esquecimento...

ÁFRICA17.jpg Naquele vila do Quipeio ele, era o maior conhecedor das plantas do mato – Chi patrão!!! Brututo é bom mesmo! Dizia Zacarias detrás dum velho balcão colonial propriedade do meu pai de faz-de-conta. Isso! De vender carapau frito e farinha de milho mais fuba só vendido em medidas de quartilho; espólios trazidas de Trancoso da Beira fria do M´Puto cheios de chouriço defumado com lenha de pinho e giesta brava. Enquanto isso, eu e meu pai de faz-de-conta, conhecido por Caluviaviri, comíamos uma kizaca acompanhada com quiçângua trazida da Catata.

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Meu pai de faz-de-conta era um estudioso nestas coisas de plantas e bichos, por isso aproveitou dar largas ao seu conhecimento do borututu - Desde há muitos anos que o borututu é usado como chá ou em simples lavagens; colonos e indígenas tinham sempre uma vasilha com raiz de borututu num sítio fresco, ou frigorifico, para beber a qualquer hora. Uma forma de tratar deficiências biliares por ter nele substâncias com propriedades purificadoras e antioxidantes.

angola4.jpg Esta planta é um dos mais poderosos desintoxicantes naturais para o fígado. Protege o sistema digestivo e o aparelho urinário - Como prevenção ao paludismo usavam um filtro de pedra chamado de selha que ia escorrendo gota a gota a água para um vaso ou garrafão, com um pau de borututu dentro. A água ficava com uma tonalidade de âmbar.

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Pois então - Curava as doenças hepáticas, entre as quais a hepatite, icterícia, biliosa, doenças de estômago em geral, vesícula, baço e todo o aparelho urinário - Se quiserem desintoxicar-se de tanta coisa ruim que hoje se come, reduzirem o colesterol e riscos de trombose tomem isso, acrescentou Liuanhica. O meu tio-avô Guerra do M´Puto que curava a ciática cortando um nervo atrás da orelha não sabia nada disto.

araujo1.jpg Lá aonde ele estiver, no sítio que Deus tem, vai ficar contente desta nova do seu sobrinho neto T´Chingange que no correr da vida se tornou quase um Kimbanda de Rooibos. Agora até tomo o borututu como um ritual de pura satisfação espiritual! Às vezes junto-lhe um pouco de mel derivado do pólen de tília para agradar o sabor; desta forma talvez chegue aos 333 anos.

araujo68.jpgImagens de Costa Araújo Araújo

Glossário

Kizomba – dança, festa com baile ou eventos teatrais;  Mujimbos – boatos, falatório; Cacimba – cisterna, depósito de água; Kazucuteiros – trambiqueiros, aldrabões ou que vivem de expedientes menos claros; Caluanda - nativo de Luanda (N´gola); kuribotas – fanático, tendencioso, curioso, espia; Kizaca – saca folha, folha de mandioca pisada cozinhada tipo esparregado; Borututu – raiz curativa; Ximbeco – negócio, boteco, loja ou venda; T'chizangua / quiçângua – bebida feita de milho fermentado, normalmente de sabor adocicado; Quipeio – povoação do Huambo (Angola) Catambor – bairro suburbano de Luanda, confinante com a Maianga; Miramar - cinema esplanada; M´Puto – Portugal; Caluviaviri - um bicho do tipo do guaximim que mija mau cheiro; alcunha do meu pai de faz-de-conta porque tinha medo de se afogar e cheirava mal pra caramba...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:29
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Sexta-feira, 30 de Junho de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXVIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 30.06.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXIII. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Os heróis de tuji afectos ao MPLA também deram à sola – dissimulados, claro! Faziam falta no IARN….

Por     

t´chingange.jpeg T´Chingange - (Otchingandji)

Naquele então, na segunda metade do ano de 1975, Gonçalves Ribeiro, o pai da “ponte Luualix” fazia alarde ao mundo da periclitante situação em retirar todos os deslocados por via da descolonização, entenda-se uma anárquica guerra com vários intervenientes, movimentos emancipalistas impreparados para se governarem a si próprios. Ainda faltava ir buscar algumas pessoas a áreas aonde não havia qualquer segurança (…). Confirmo que assim era porque estando eu destacado como adido no Palácio do Governo da Cidade Alta da Luua, podia vivificar o que por ali se passava.

cabo ledo4.jpg Tinha por missão dar a conhecer a gente deslocada de seus sítios tais como Administradores, Chefes de Posto entre outros funcionários que fugidos dos movimentos, mais propriamente do MPLA se encontravam confinados em hotéis, pensões e afins. Via telefone dava-lhes a conhecer qual a sua hora de embarque na ponte “Luualix”; para ultimarem sua presença no aeroporto ou esperar transporte ido do Palácio que os levaria ao aeroporto de Craveiro Lopes, também conhecido por Belas.

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Alguns daqueles funcionários administrativos por estarem escondidos, por assim dizer, em casas de familiares eram recolhidos por um autocarro do Alto Comissariado que os transportava ao dito aeroporto. Havia promessas de morte, vinganças avulsas. Já neste início de Agosto podia ver-se milhares de famílias pernoitando de qualquer jeito junto aos seus haveres no largo frontal da zona do check-in e jardins do aeroporto, malas, caixotes e bugigangas. Ali permaneciam dia e noite cobertos com lonas presas a caixotes usando como banheiro áreas improvisadas ou as bissapas circundantes; o cheiro era nauseabundo.

araujo95.jpg Em meados de Outubro, o terminal aéreo de Nova Lisboa (Huambo) encerrava, e Luanda passou a receber entre quinze a vinte aviões por dia. Os meios aéreos para fazer chegar a Luanda os refugiados do Lobito, Benguela e Moçâmedes, sendo insuficientes, o Comando Naval arranjou meios marítimos para fazer chegar a Luanda os cerca de 250 mil cidadãos brancos (maioritariamente) mas, tendo também milhares de mestiços e negros; enfim! Seguiam todos aqueles que o desejassem!

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Na vinda ou ida dos refugiados de um para outro lado (como kissondes) mas e, principalmente para os lugares de embarque da Luua, praticamente não havia triagem; não havia tempo para decidir de quem estava ou não nas condições de perseguido, refugiado ou o que quer que fosse. Não importava ser-se quem era e de onde vinha ou do porquê de estar ali. Era tudo ao monte e seja o que Deus quiser, aos magotes com o natural berreiro e choros de adultos e crianças, ordens e contra ordens desencontradas ou nem tanto.

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Cães, gatos e outros animais de estimação foram largados ao descaso! É confrangedor só de pensar em estas turbas de gente que às pressas colocaram umas peças de roupa, uns agasalhos, umas fotos de recordação e aí vão ao encontro dum desconhecido maior que o mundo. E, as despedidas de gente serviçal ou amiga, até mesmo um vizinho que por ali iam ficando; toma lá a chave do meu carro, da minha casa, cuida do gado meu amigo porque não sei quando voltarei nem se volte. Olha pelo meu cão, a aspirina mais o tarzan que ficam presos lá junto ao gerador e perto do galinheiro.

guerra13.jpg Era um Adeus dado aos trambolhões às coisas, ao motor da GMC a fazer de gerador, dos gansos guardadores mais o pavão. Ele, Deus, era só uma questão de fé interior, a vontade de querer e acreditar mas Ele, não surgiu a muitos; a lei da vida e da morte era um traço disforme, desfeito em cotão a confirmar que só somos enquanto somos, uma ilusão! Desde sempre e, que me lembre de ser gente, observei que as leis foram inventadas pelos fortes para dominarem os fracos que são muito mais; mas aqui não havia fracos ou fortes, só deprimidos…

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Sempre observei amizades incipientes desde o tempo em que os cuspidores de prata eram usuais e era admissível ou sem reparo; cuspir-se em público era feio e anti-higiénico mas agora e ali nem escarradores havia, era no barrento da terra, nosso infortúnio; cada qual cuspia para onde quer que fosse. E entre estes, surgiam os rufias catadores de desaconchegos, gente do MPLA usando prepotência com um extremo desprezo, pedindo relógios ou valores para ficar sem dissabores nesta hora de partir; uma forma de pressionar o medo ou resquícios deste.

zeka15.jpg Havia uma restea de ordem por alguns militares, Nossas Tropas mais conscientes! Valha-nos isso porque nem todos viam este desmando na forma do PREC, dos guedelhudos do M´Puto às ordens do diabo. As leis, as atitudes, o MFA, nossos patrícios do M´Puto, os generais de aviário, mesmo que absurdas, tornavam o impossível em admissível e hoje que penso muito e rezo pouco recordo isto, procedimentos sem que ninguém averiguasse as diferenças aturdidos por pudor. Pudor, palavra complicada de entender - qual pudor qual quê!?

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Nesse então, nós gente desavinda, podíamos ver já a força da crise com roubos subtraídos pela lei dos homens, pelas nossos guardiões militares com seus amigos, nossos inimigos – o MPLA, sem lei - nem velha nem nova ou tampouco ordinária ou arbitrária, nenhuma! Um salve-se quem puder! Era um acaso feito lei ali e a frio, ora marcial ora uma prepotente aberração feita de coisa feito gente, drogados no cérebro, nas kinambas ou nas matubas…

nito01.jpeg E, muitos daqueles ali ao nosso lado a fugir do caos, tinham estado dias ou meses antes, também a fiscalizar nossas bagagens, a escolher os cristais, a parti-los num desdém e isto sim e isto não; Este ouro é nosso, do governo! Mas qual governo - do MPLA diziam… sim! Ao serviço do por eles chamado de glorioso MPLA… Agora, eram camuflados companheiros de viagem, de infortúnio e, já ninguém queria retaliar o que quer que fosse; uma entrega sem jeito nas mãos dum Nosso Senhor…

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:19
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Quarta-feira, 14 de Junho de 2017
MOKANDA DA LUUA XLV

A CHUVA E O BOM TEMPO - BOA NOITE...14.06.2017

NÃO POSSO DEIXAR DE PARTILHAR NESTE KIMBO BLOGUE ESTE LAMENTO SENTIDO ALGUEM QUE VIVE EM LUANDA ATÉ HOJE .... MERECE SER LIDO .... Parte 1 de 2

roxomania2.jpgAs escolhas de Assunção Roxo

Por: Isabel Batista

lua3.jpeg "E, é tanto o descaso o desamor o desrespeito, que está valendo cuspir no chão do luxo, fazer xixi à vontade x….Comer mal e pagar bem, delapidar, destruir, fazer “sumir” o que era nosso garbo. Sempre fomos vaidosos. é uma “ doença” antiga kaluanda kkk. E quando se quer safar a “onça” lá vem a baía de LUANDA em todo o seu esplendor…ela que já foi das mais perfeitas do mundo (dizem), mas agora …

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Agora anda suja e com um colar de brilhantes de mentira no colo “doído”, quando podia ser de um de diamante. Dos de verdade! Quando as máquinas avassaladoras surgiram, roubando o mar… Vomitando tecnologia de ponta em tudo… Não houve sequer tempo - "Abraçamos" a ideia de restaurar! Fazer melhor. Nos tempos "áureos das vacas gordas” faziam-se prédios avulsos; a granel. Luanda acordava e adormecia cada dia diferente e nós, Atónitos.

roxo60.jpg Afinal???? As obras eram em ritmo avassalador, surgiram os primeiros anúncios luminosos no Natal... e, tal... Madrugadas e madrugadas de material em desfile na velhinha marginal com equipamento vário (já havia assisto a madrugadas inteiras de equipamento de guerra em outros tempos…até um Mig embrulhado em plástico…em plena Mutamba) mas dizia-me: Pedras gigantescas, colunas de alumínio do tamanho de túneis e carris e perfis, desfiles de aço em toda a sua magnidade.

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Muito aço! Máquinas com aspecto tipo “espacial” por entre turbinas do tamanho de três andares. Até caixas altamente incrementadas e sofisticadas com rótulos em várias línguas; etiquetas de atenção frágil!!!!!! fazendo deixar adivinhar o que de precioso vinha lá dentro.

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Cimento em cubos e enorrrrmes brancos. Como torrões de açúcar. E um orgulho bweeé grande. Um país a acontecer a meus pés. Uma privilegiada com estes milhões, poucos que somos para tanto mar e tanta terra e tanto ar! kkk. empregos bweeé. Meses e meses de madrugadas inteiras com reboques e camiões cromados com guinchos. Até arvores…pela calada da noite, embrulhadas como se fossem raminhos de salsa em camiões.

roxo61.jpg Aiueeé! E guindastes mais tractores e paletes de paletes e paletes de todo o tipo de barcos e carros. Desfile felídeo! Um agito, os primeiros chinocas a se manifestarem. Era engraçado; não se deixavam e chegavam ao que queriam comendo ginguba com mandioca. Ai não! Kkk Discretos ainda. Cheios de “sabedoria” e, lépidos.

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A construção de um País. Singular com singularidade - poder participar, ver…é um acto! Nunca esquecerei. Uma coisa desmedida…mas, mas … Era demasiado. Era o canto do cisne que engolimos…e depois dos cisnes engolindo sapos.

ROXO134.jpg Para escorregarem melhor, com muito betão, muito vidro. Vidro fumado para tapar a “tropicalidade” de um sol invejável que enfeita qualquer capa de revista de turismo a bordo…de qualquer avião. Voávamos sim! E vieram as manias e truques importadas engalanando uma festa que se fazia anunciar sem acontecer.

lua7.jpg E inventaram de acabar com as rugas desta cidade… Em intervenções cirúrgicas que não funcionaram. Parques homéricos no lugar de jardins. Árvores monumentais, magistrais, seculares foram fora. Os bairros deixaram de ter clubes e, os campos de jogo, viraram outro “game”, novo jogo.

(Continua…)

Ilustrações de Assunção Roxo

Arranjo de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:29
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Sexta-feira, 9 de Junho de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXVI

TEMPOS PARA ESQUECER - 09.06.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXII. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Os heróis de tuji foram-se misturando com os demais…

Por     

soba15.jpg T´Chingange - (Otchingandji)

Segunda metade de Agosto de 1975 - O líder da UNITA, Jonas Savimbi, acusava as tropas portuguesas de tomarem parte efectiva ao lado do MPLA no ataque ao Luso, ao Lobito e a Sá da Bandeira, hoje Lubango e, contra a UNITA aonde quer que esta estivesse! Só quem está impregnado de fanatismo esquerdista (que são muitos!), não consegue gerir esta verdade mesmo tendo-se diluido em já quase 42 anos.

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Em Moçâmedes, as FAPLA faziam a abertura de bagagem aos adidos e demais refugiados contrariando o despacho de 14 de Julho sobre este assunto. O MPLA, comportava-se como dono absoluto de Angola fazendo o que lhe melhor aprouvesse com o beneplácito das tropas portuguesas. O MPLA bordava e pintava costurando tudo a seu jeito; Nós, gente sem mando e maioritariamente brancos, ali andávamos a toque de caixa com tiros e abusos pregando caixotes e, ao sabor das vontades da nomenclatura do “glorioso M”. 

suku0.jpg Victória ou Morte, brancos para a sua terra, era o que mais se ouvia nas ruas da Luua e na radio cheia de guedelhudos enviados pelo PCP e outros ditos progressistas de túji! E, nós sem saber qual era mesmo, a nossa terra! De um lado para o outro que nem baratas tontas e revistados pelos partidos emancipalistas (muitos, que tambem fucaram refugiados), pois então, gente sem preparação, analfabetos e drogados enviados das universidades do M´Puto. Os mais bens comportados desta maralha de guedelhudos, ao chegar às suas bases, suas universidades, tinham passagem administrativa garantida.

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Não se fizeram só generais de aviário não! Foram muitos outros em muitas áreas que como políticos faziam desmandos com roubos; agora, esses e outros refratários, recebem medalhas e condecorações! Temos aí o 10 de Junho para ver! Não contando com os prémios pecuniários e mais os de Camões e outros a serem inventados e justificados como nos assaltos a bancos. E, também navios com mortes e outros procedimentos forjados de fresco ou mofados. Procedimentos que resultaram na bagunça que hoje observamos e, que hoje temos! Iremos ver, sentir e ler alvissaras com prémios monetários para exprimir contentamento por uma "boa causa" - valha.nos Nosso Senhor...

ter5.jpg Tempo dos poetas a fingir-se de humanistas, mentirosos militantes inseridos nos partidos, das novas gangues sanguessugas do povo cordeirinho! Bem! Agora temos Marcelo! Qual quê… A coisa vai parecer ter mudado mas as cartilhas vão ser paulatinamente cumpridas. Ele, pouco a pouco vai alinhando, vulgarizando-se. É mesmo uma coisa de atar o cerebelo à ignorância… Vêm aí as comendas!

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Mas em 1975, voltando à revolução em curso do PREC - expurgo dos fascistas. Pois! Quem eram esses? Ora, eram todos os demais com os retornados à frente. E, lá andávamos como os judeus a serem alinhavados para a morte nos campos de extermínio da Alemanha. Primeiro tentavam lavar-nos o cérebro e depois mandavam-nos para os mukifos, revitalizar as pedras das calçadas, limpar a bosta lançada nela pelas bestas, gerir silêncios transpirando raivas mal arrumadas, repondo as pedras nos muros entre fragas e lajedos do tamanho dum novo mundo.

parac4.jpg Salvar os hotéis, pensões e casas de alterne desactivadas. Mas alguns, em verdade foram assediados para gerir as novas “farmes do Alentejo” e, do alto coturno das guerras fingidas nas boinas verdes, investidas numa operação de cavalaria, engenharia e outros edecéteras com cabeças penduradas nos taipais e varais, viraram meias rotas de se usar como pano do chão, mantas de trapos, esfregonas ou desperdício das oficinas de limpar esterco com titica de cachorro. Mudos e quedos por ali ficavam a fingir heroicidades… A retirar telhas dos “montes” no meio das estepes, das abetardas de Panoias e acima de Ourique.

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Naquele então de 1975 e em Angola, pelas FAP, era reconhecida a incapacidade de se impor pela força em qualquer decisão sem ficar livre de grandes riscos. Pois então, não era isso que se pretendia? Ninguém vai responder a isto! A Comissão Nacional de Descolonização referiu que a seguir ao alivio que representava o Acordo de Alvor, Lisboa não mais quis saber do que acontecia em Angola. Era notório o desinteresse crescente na opinião pública e das forças políticas do M´Puto por estes problemas. Nós seriamos o ”biltong” com jindungo a virar piripiri. Bem dizem os brasileiros: pimenta no cú dos outros, é refresco…

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No dia seis de Setembro de 1975, Savimbi recusou reconhecer a nomeação de Leonel Cardoso como Alto-Comissário exigindo a saída da tropa portuguesa do Sul, por não assegurarem a segurança dos desalojados (não distinguiu bancos de pretos). No primeiro encontro de Leonel Cardoso como Alto-Comissário com Agostinho Neto, este acusou a tropa portuguesa de fazer negócios escuros vendendo nas lojas de Luanda géneros da Manutenção Militar, e transportando bagagens de civis para Portugal a troco de dinheiro ( e, era verdade!).

retornar9.jpg Mas que desfaçatez alegar isto quando até aqui tinha tido apoios por mais inconcebíveis das FAP; era um crápula, um cara-de-pau da pior espécie… Neste momento até me apetece escarrar na múmia dele, seu feio focinho, todo o veneno do mundo! Ninguém é de ferro para suportar estas merdas, dum safado poeta de sexta categoria, posto como libertador dum povo no bombom da gasosa portuguesa. Era de prever que aquele país iria ficar num caos! E, o mundo nem aí! Dando palmas com os falsos americanos na linha da frente. E, a Europa submissa a estes filhos do dólar (que um dia irão beber petróleo…).

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A 27 de Agosto, tropas regulares Sul-africanas com oitenta homens e 12 viaturas blindadas, entravam pelo Roçadas e Calueque. Desde os incidentes de Junho que o Poder Legislativo e Executivo estavam totalmente entregues ao MPLA. Os meios de comunicação eram também controlados pelo MPLA incitando permanentemente os Luandenses ao ódio, racismo e tribalismo, sempre culminando com um comunicado do Bureau Politico do MPLA.

roxo138.jpg Estes faziam levianamente acusações gravíssimas ao governo Português, as FAP e ao povo português, aos brancos em geral! Porra! Era, e continua a ser no apetecer dizer a tanto desaforo! Luanda era o centro político militar do MPLA; uma bomba relógio! O repatriamento implicava alguns procedimentos desde procurar a pessoa em Angola até a colocar em Portugal dizia neste então Gonçalves Ribeiro, o pai da “ponte Luualix” acrescentando que ainda faltava ir buscar algumas pessoas a áreas onde não havia qualquer segurança…

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:40
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Quinta-feira, 8 de Junho de 2017
MOKANDA DO SOBA .CXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo …

Mokanda : É uma carta

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram, em terra de M´Puto, dinovo volto a remover os ossos do passado e, mesmo espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta, irei fazer do tudo um coisa nenhuma para não alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos muito cheios de malévolas insinuações; esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão viajo num tempo esquecido! O tempo das arcas perdidas com mabecos a cheiretar com chacais na gasosa das sobras.

zep1.jpg A nossa vida, de cada vez mais na mesma passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, com os sem etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, cheiros encarquilhados. Dos novos iões de densidade molecular misturados nos anos, na leitura de carbono e eteceteras complicadíssimos, coisas progressistas… Ué, num repentemente virei bicho beiçudo de fazer pouco com muxoxos descabidos e coisas que só sei, porque não quis esquecer.

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E, nos finalmente vêm as agruras duma lengalenga com motor Magiros; também uma Scania, a camioneta que pernoitou no mato. Segura a Esperança, nome de mulher feito sentimento, vamos esperar, não aconteceu nada, devem estar aí a chegar. Fazenda tentativa do Ucué com bananas e macacos chiando na mancha muito verde com turras farejando vidas. E, lá nos fundos, por detrás do morro da cal, o motor dum velho Dodge a fazer luz num gerador!

zedu4.jpg Roncando zumbidos de roça, cheiros fortes de óleos com elefantes invasores a matar carraços na areia da mulola. Cheiros de África profunda e prófundo…. Se a vida é uma sentença com um princípio e um fim, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos, ou daquilo que poderíamos ter feito; não podemos assumir a culpa dos pais, nem dos pais de outros pais.

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Na percepção parcial das vitais contingências, tecidas e compostas nas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, por fortuitos efeitos que determinam o futuro próximo e distante. Uma vez é assim outra é uma coia feita bosta! Cada um de nós foi o que foi por uma coisa pequena, que sem se lembrar do primeiro choro, outros choros se lhe seguiram.

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Como um risco feito no chão, nem sempre se escolheu dedo ou arado nem por onde fazer o rego que por coisa pouca mudou nossas vidas. Vão ter de me ouvir! Vão ter de me aguentar! Num repente faço um gesto feio! Meu pai já morreu, foi-se assim como Cristo, cheio de mágoas a fugir dos nacionalistas, dos libertários.

camionista1.jpg No M´Puto vendeu sua lambreta trazida da Luua a um cigano; o filho da mãe, matreiro que nem cachorro mau, só lhe pagou o guarda-lamas, pode? Voltou dias depois reclamando que aquilo andava de lado e de atravessado, queria o livrete e, meu pai fez-lhe um manguito, assim de braço cruzado com repetidos gestos muito ofensivos para o tipo, o gajo, meio moreno ou escuro da tasmânia, sei lá! Mas, meu pai teve de fugir com seus mais de setenta anos em cima. O sacana, tinha uma arma, fez pontaria à janela e pum! Estalou o vidro da janela; melhor, estilhaçou-o.

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E, porque é vulgar dizer-se que os gestos não totalmente sinceros vão sempre atrasados, agradeci logo tais luxuriosas horas de lazer e no consolo d agora em minha kubata. Relembrando minhas ousadias vividas da Beira, só e taciturno, vi o castanheiro já grande com suas cascas caídas, assim descuidadas e no chão, para os coelhos. Nada igual como o foi em Viseu de Viriato com a turma de Gumirães com a simpática companhia da professora Marisa Batista, uma luso brasileira que mede pulsações aeróbicas no sobe e desce da Igreja dos terceiros e a escalada para a Sé.

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Pois sim! Aqui ou ali, a vida pulsa, e temos de nos acomodar às migrações de gente e ideias com novos ideais. Olhando a natureza que nos transcende na dinâmica, e nos transforma na rusticidade ancestral, seus sotaques, falas e cantorias joaninas. Virou! Torna a virar! Entre lajedos com fetos nas frinchas, pinhais e silvado, procurei a terra de muita labuta chamada de Cornelho; pude assim compreender o abandono de espaços antes movimentados, que agora no silêncio se deslocaram para as novas catedrais de consumo.

socras3.jpg Diz-se de que, quem quer falar de assuntos sigilosos vai para o deserto mas, eu não arrisco limpar o lacre dos actos e pensamentos porque de certo modo já tenho o coração endurecido na prática do pecado. Por isso e mais uma vez vou até às terras de Erongo, suas montanhas secas com a areia subindo em suas encostas, atravessar as terras de Karibib, Usakos até Swakopmund e Walvis Bay pela nacional B2 da Namíbia, um calor abafador em sua máxima potência…

Hoje foi assim!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:01
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Quarta-feira, 7 de Junho de 2017
MALAMBAS . CLXXII

CINZAS DO TEMPO07.06.2017 - REFLEXÕES NUM GUARDANAPO DE PAPEL (grande e amarelo!) - Não há maior religião do que a verdade! Somos o que somos enquanto o somos!

MALAMBA: É a palavra.

soba15.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpgAntonio José Canhoto

Os caminhos da vida cruzam e descruzam pessoas, proporcionam encontros e desencontros que podem levar a amores e desamores, a violências, parafilias sexuais, retaliações, vinganças, casamentos, divórcios, separações, paixões escaldantes e arrebatadoras, obsessões doentias e perigosas ou suicídios. A vida junta e afasta pessoas independentemente da raça, ou credo e assiste impávida e serena, ao desgaste, erosão e convulsões dos relacionamentos humanos, às alegrias, desgostos ou dramas que afectam a humanidade. A vida temporal decorre há milénios umas vezes mais plácida e serena do que outras, mas em qualquer delas nunca nos podemos esquecer que o mundo tem armas muito poderosas para nos destruir sem que a humanidade possa intervir, chegando eu a pensar que em muitas das vezes em que a sua ira nos é mostrada são avisos.

144.jpgAs retaliações de como nós os humanos sem critério ou rigor abusamos do privilégio de podermos habitar algo que nos foi oferecido numa bandeja sem condições ou critérios. Elas surgem! O mundo faz-me lembrar um dote que os noivos recebem em forma de casa completamente mobilada e equipada, cuja sua obrigação é nela habitar zelando pela sua manutenção e conservação. Contudo nós terráqueos não temos sido dignos de habitar este paradisíaco éden pela forma descuidada e criminosa como o usamos.

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 E, sem dele cuidar para que gerações futuras possam ainda nele ter alguma qualidade de vida. Era esperado que este jardim ou horta continuasse a ser plantado e fosse cuidado, regado e podado como se fizesse parte da casa onde habitamos. Infelizmente o homem em relação ao planeta terra tem mostrado o pior dos seus instintos destruidores tratando-o de forma esclavagista e não lhe concedendo quaisquer direitos básicos de protecção. Assim como existe uma Declaração Universal dos Direitos do Homem deveria existir o mesmo tipo de direitos para o planeta Terra.

roxo90.jpg O mundo onde vivemos foi-nos concedido nele habitar, gerir e cuidar como se fosse um Protectorado por quem o criou, tenha sido pelo processo Criacionista ou Evolucionista. Cabe a nós mortais trata-lo, alimenta-lo, usa-lo, gasta-lo, aliena-lo, vende-lo, empresta-lo, aluga-lo, hipoteca-lo de uma forma discricionária e de conformidade com as nossas opções ou necessidades do momento. O mundo é implacável, não tem filhos eleitos ou enteados, não se deixa subornar pois é incorruptível, nem dá tratamentos preferenciais a ninguém. Portanto, perante ele, apenas somos seres, que quando nos tornamos ciclicamente excedentários e começamos a ameaçar o equilíbrio demográfico, torna-se necessários remover ou eliminar a quantidade que começa a desequilibrar os pratos da balança.

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Para que isso aconteça as leis que gerem o Universo vão assistindo de forma imperturbável e passiva aos desmandos dos humanos, mostrando ocasionalmente a sua ira, raiva e revolta através de cataclismos expressos por manifestações climatéricas, terrestres ou marítimas agrestes e violentas deixando rastos de destruição indescritíveis nas áreas geográficas onde decide exercer e retaliar pelos desmandos que a humanidade faz nas suas entranhas. Por vezes em minutos, o trabalho e investimentos de anos de labor e suor vertido na edificação de melhores condições de vida para aqueles que nela habitam são arrasados pela ferocidade com que os elementos da natureza nos atingem vergando a espinha dorsal da humanidade  e, colocando-a de joelhos a pedir clemência.

roxo149.jpg Muita gente tem de morrer para que não nos comecemos a comer uns aos outros pela falta de bens básicos de consumo, que cheguem para alimentar tanta gente. Estas leis imutáveis com que a natureza ocasionalmente nos brinda, nada nem ninguém as pode alterar, mudar ou controlar e muitas são difíceis de prever ou antecipar. Contudo a humanidade e a ciência evoluíram ao ponto de poderem detectar com alguma antecedência certos fenómenos para que os danos sejam minimizados e as pessoas protegidas. Existem várias maneiras de estar na vida e no mundo, como motor ou como carga, uns fazem-no avançar, pular e saltar com grandes descobertas, uns fazem história porque nela intervieram outros apenas a lêem.

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Uma minoria passará a ser recordada para todo o sempre, outros serão esquecidos mesmo antes de fisicamente morrerem. Uns vivem a vida de uma forma contemplativa desprovidos de bens materiais entregues á meditação de se elevarem para estágios da terceira visão. Outros nascem sobre o signo do fatalismo e mantêm-se num estado letárgico de imobilismo quase permanente queixando-se de tudo e de todos desistindo às primeiras adversidades, entregando-se sem luta ou rendendo-se cobardemente às primeiras investidas da vida, quando esta os contempla ou confronta com desafios, agruras, desapontamentos, desilusões ou lhes bate à porta com más notícias.

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Há quem viva a sua existência intensamente até às últimas consequências como se o mundo acabasse no minuto seguinte. Para os parasitas e sanguessugas da sociedade, que apenas ocupam espaço, e respiram o oxigénio tão necessário a todos aqueles que labutam de sol a sol, a morte deveria estar mais atenta e não ser tão condescendente com estes párias da sociedade. O mundo no seu movimento de rotação e translação não para, não espera, não adia a sua marcha inexorável para que os atrasados ou lentos acelerem o passo a fim de acompanhar o seu ritmo, ou que desistam desmotivados pelos revezes do destino. O mundo não se compadece das nossas quedas, ou das opções erradas que tomamos, nem dos períodos de convalescença ou de reflexão de que precisamos para recuperar fisicamente ou para redefinirmos posicionamentos perante a nossa forma de estar no mundo.

bruno13.jpg O Mundo ou a sociedade segue o seu destino de uma forma implacável, indiferente aos problemas humanos, estatuto social ou financeiro; todos iremos morder o pó ou o fogo consoante a forma como desejarmos dispor do nosso bem-amado esqueleto. Quanto maior for a nossa tendência para pouparmos dinheiro ou energia física pelo desgaste vivencial pensando com isso que por cá andaremos mais tempo que os outros - é puro engano! Todos deveríamos gozar a vida diariamente e usufruir daquilo que ela tem de bom para nos oferecer, e algumas até de forma gratuita, como seja por exemplo o nascer ou pôr-do-sol as fases da lua, constelações, sol da meia-noite, e as belas paisagens de algumas regiões do globo, ou a imprevisibilidade de nos cruzarmos com pessoas interessantes…

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Uma pequena queda, pode como num texto longo como este, mudar o curso da estória de nossas vidas. Adiar o presente é comprometer o futuro, por isso, não devemos arranjar desculpas para evitar viver o dia de hoje, adiando para melhor altura a continuação de viver a vida. Diariamente esta confronta-nos com todo o tipo de desafios, tentações, oportunidades que nos levam a ter que pensar, escolher, decidir quais as melhores opções a tomar perante as diferentes situações que se nos deparam, sendo algumas delas de decisão imediata que não nos permitem dormir sobre as mesmas.

araujo82.jpg A vida é uma faca de dois gumes; quanto menos nos expusermos a ser cortados tanto melhor, pois os golpes tanto podem ser superficiais como profundos os quais podem deixar marcas difíceis de sarar e cicatrizar. Compete-nos minimizar o risco sem que com isso tenhamos que nos demitir de viver a vida, resguardando-nos no nosso casulo e só saindo á rua em carro blindado, colete á prova de bala, com um regimento de guarda-costas e com médico na comitiva. É imperativo que sejamos cautelosos, previdentes, ter senso comum e alguma sorte, pois os riscos de cairmos nas ciladas, minas e armadilhas da vida podem acontecer a qualquer um, menos preparado ou prevenido causando-nos incapacidades de curto, médio ou longo prazo.

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Nossa vida pode ser longa ou curta, e sobre isso não temos grande poder de decisão, mas por outro lado temos a possibilidade de a não provocar ou desafiar incorrendo em riscos desnecessários ou estúpidos de querer provar a nossa imortalidade, por pensarmos que somos superdotados ou nascemos sob uma boa estrela que nos protege e ilumina – Lérias! Não convoquemos ou exorcizemos demónios que não podemos controlar, nem aceitemos desafios que sabemos de antemão não poder vencer por falta de aptidões comparativamente com as do nosso oponente.

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Que ninguém pense que a vitória ou derrota é apenas alicerçada no factor sorte, pois a avaliação é feita em disciplinas de competência, rigor e conhecimento. Que ninguém tenha a veleidade de pensar que pode controlar o ciclo da vida, e muito menos sair vencedor das batalhas que com ela temos desde que somos trazidos ao mundo. Podemos sim, ganhar algumas delas, mas a guerra final, essa sempre a perdemos na hora em que nos finamos. Finalizamos!

araujo69.jpg A vida concede-nos o privilégio de decidir se queremos viver na sua faixa rápida ou lenta, ou ainda a de ficarmos parados com o sinal de genuína ou falsa avaria, ou nas zonas de descanso por tempo indeterminado sem correr qualquer tipo de risco, vendo cobardemente a vida passar por termos receio e medo de a viver. Com esse tipo de atitude, apenas nos resta esperar que num certo dia acontece o ciclo acabar; que venha corrigir um erro da própria vida que foi o de nos ter feito nascer. Somos uma ilusão!

Texto escrito a 1-4-2014 por Canhoto

Ilustrações de Assunção Roxo e Costa Araújo

Eu, Soba Niassalês, T´Chingange, homologuei-o



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:50
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Quarta-feira, 31 de Maio de 2017
FRATERNIDADES . XCVI

CAFÉ DA MANHA - Quem é capaz de definir a AMIZADE? São os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos….

Por

t´chingange.jpegT´Chingange (Otchingandji)

macuta com soba.jpg Ando a dormir quatro horas por noite e, é por isso que rebolando para um e outro lado, a mente se inquieta de tanto pensar. E, recordei esta noite que aos meus sete anos o meu pai Manuel, Cabeças de alcunha era o maior, o meu pai herói. Não havia outro mais importante e sabedor. Com o correr da idade aos dezassete anos era umas velhadas; um retrogrado de mente atrasada e desinserido das vivências do mundo, meu mundo. Era essa emancipação comum que inicia na puberdade e se agrava com o correr dos anos até que se fique homem! E, quem diz homem, diz mulher, de nuances diferentes ou diversificadas.

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Aos vinte e sete anos já pai de filhos começa-se a dar valor aos ensinamentos de seus ascendentes, pai e mãe. Cuidar dos filhos perdendo noites, da dor de dentes e febres que surgem e passam com as mezinhas de chás de cidreira e camomila entre outros ensinados pela mãe e pai. Neste então nossos pais começam a ficar com valor; agora entendo-os, dizemos com frequência e de forma agravada quando sentados num banco de consultório esperamos saber o que é que o filho tem, qual é a coisa que o atrapalha na saúde.

ET2.jpg Aos trinta e sete e até sem muito reflectir dizemos de nós para connosco: Meu pai era mesmo um herói, ele e ela minha mãe, sempre me diziam isto e aquilo; vejo agora quantos valor tinham seus ensinamentos. Das muitas observações que fiz e faço, vejo que o grande elefante tem uma cria e, esta começa assim que nasce logo a andar. Num gnu, búfalo ou impala, a cria cai de seu ventre e, passados que são vinte minutos já estão andar atrás da mãe. Nós humanos, levamos quase um ano para começar a dar os primeiros passos.

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A natureza é tão surpreendente que ao recordar isto e aquilo comovemo-nos, uma sensação que vai enriquecendo com o tempo, com os momentos de alta felicidade e os outros desmazelados ou descuidados momentos. Hoje durmo menos e penso muito mais! E, fico agradecido aos amigos, especialmente os de longa data. Amiúde lá vem à mente o pai e a mãe. Se fossem vivos, isto e aquilo não aconteceria com muitos edecéteras que naquele então desprezávamos.

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Já avós, nosso pai e nossa mãe passam a heróis! Eles eram os maiores, em tudo pensavam e de tudo tiravam proveito para nos encher de felicidade. Davam-nos o miolo ficando eles com as cascas! Por nossa vontade eles ficariam vivos para a eternidade. Chega-se ao ponto crucial de entendermos o porquê de Cristo querer ir para o pé do pai assim tão novo, com uns escassos 33 anos.

mamoeiro.jpg Há coisas que só com o tempo nos amadurecem. E, reflectindo vimos os momentos inaproveitados nas atitudes belas de que fomos apetrechados. Deveríamos ser doceis com nossas mais próximos e muitas vezes lá vem o maldito interesse de se tirar proveito disto ou aquilo nos relacionamentos. O negócio! Deveria dizer muitas vezes a minha mulher ou filhos o quanto os amo mas, sempre descuidamos esta vertente sentimental. Gritamos pelas coisas fúteis do clube, numa viva o Sporting ou o Benfica, Vasco da gama ou Palmeiras.

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É quando nos descuidamos disto que reflectimos nos intervalos dos dias que nosso bem maior é aquela pessoa que ali está ao lado mas, que nem sempre o lembramos. Tal como os pais que há tanto tempo se foram e sempre os recordamos: Se eles aqui estivessem a coisa era outra! E, no pior ou melhor, sempre achamos que sim, eles eram os pais heróis.

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Hoje desperdiça-se muito a felicidade tornando-a descartável! Não há aquela vontade de agradar de ceder ou compreender e, mais tarde damo-nos conta que seria muito melhor ser assim e não daquele jeito! Se, olhássemos para o comportamento da natureza decerto tiraríamos maior proveito de tudo mas, tem sempre um mas a emperrar a máquina da vida.

poluição.jpg Ando a cultivar o amor, a regá-lo como rego as flores de meu jardim mas o mundo lá fora está a ficar muito cheio de loucuras, de muita avareza, de petulância e de atitudes perversas. Não admirará que quando chegar aos noventa anos se queira ir para o pé do pai. Cada vez mais se compreende do porquê Nosso Senhor quis ir tão novo para o pé dele, o Pai. Estou a dizer isto sem aquela doentia forma medrosa de dar graças a Deus e com a temeridade que ao longo dos séculos nos tem incutido.

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Hoje vai ser um dia diferente, vou à praia com meus adoptivos filhos de Pirituba e minha neta Kira que ganhei e, porque em tempos seus pais me adoptaram como seus! Num repente passaram também a ser a minha família e, com eles redescubro-me outra vez. A vida tem um jeito surpreendente de colocar ao nosso lado as pessoas das quais realmente necessitamos: Um bom amigo, um irmão de alma, um amor para sempre, um alguém que nos faz ver o melhor em nós mesmos…

socras4.png Alguém que nos entenda e nos respeite assim como se é. Viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé, nossa inspiração maior. É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para se ser feliz! É provável que muito outros o tenham dito de outra forma mas que importa se estou ou não, repetindo isto a mim mesmo. Não se pode morrer em vida, não se pode desistir de amar, de criar. Não se pode e, até devia ser proibido e pecado! Com tudo isto direi pelo que sei: -Não é possível adiar a vida, aproveitem todos os segundos, minutos e horas.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:01
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017
CAFUFUILA . CXXIII

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO – 19ª parte
Kiandas e calungas! E foi nesta "Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe" da ilha dos Frades, que encontrei vestígios das Sereias Kiandas Roxo e Oxor. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…
Por

soba0.jpegT´Chingange

Como a sombra, a história tem obscuridades que enganam os escribas e gente dada à escrita mas, eis que vasculhando escritos mofados, roídos e muito deteriorados da Torre do N´Zombo deparo com duas Aqualtunes sendo uma falsa; Eram disfarces provocados pelos negreiros para lançar a confusão entre os próprios escravos e, afim de lhes não ser prestada vassalagem lá para as terras desse mundo novo, desconhecido.

ilhao1.jpg Foi já dito que havia rivalidade entre os holandeses (mafulos) e os portugueses baseada na disputa pela aquisição dos mesmos escravos mas, a seu modo, podiam manter segredo sobre suas peças humanas. Seus segredos eram a sua alma dum negócio que valia ouro, que enriquecia a corte do M´Puto e muitos cidadãos de várias nacionalidades; estes tinham frotas de caravelas e até vergantins com bocas de fogo que davam protecção a estes durante a travessia do mar profundo.

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Pois, esgaravatando na estória, sabe-se agora que a verdadeira Aqualtune era uma outra mulher também ela princesa de um outro reino mais a norte de N´Dongo. A mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares era filha do rei do Congo. Esta Barbara da Silva de N´Gola acaba por morrer na ilha da engorda, a ilha dos Frades ao largo da costa brasileira, no centro da bahía de Todos os Santos, ou de São Salvador da Bahia. E, esta ilha é assim chamada porque nela foram assassinados dois frades pelos Tupinambás, os quais pretendiam catequizar. Foi o que se fez constar!
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Mas, sucede que também estas mortes foram encomendadas pelo senhor negreiro Jeremias T´Chitunda. Em verdade as peças humanas sublevaram-se ao saber que a princesa Barbara da Silva de N´Gola ali estava entre eles. E, porque foram estes frades que deram a conhecer tal facto, a morte foi um arranjinho que ainda hoje, nos surge bem estranho. E foram os Tupinambás que às ordens de Jeremias T´Chitunda e através dum milongo estranho fizeram a princesa definhar numa morte aparentemente normal.

ilha8.jpg Só assim, e depois desta naturalidade falseada, eles, os escravos, começaram a ter condições para serem apresentados aos compradores no lugar de Porto de Galinhas pelos coronéis das roças. Isto, parecendo ser, pode não o ser, pois que se apresenta como uma nuvem de cacimbo lendário e, dizer a veracidade no meio de tanto borrão escrito, é um pouco difícil de afiançar! Em verdade sabe-se que era aquela a ilha da engorda.

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Os escravos de N´Gola, simplesmente queriam morrer até que fossem dadas condições à sua nobre patrícia! Bem difícil de acreditar nos dias que correm e, aonde esse brilho de heroicidade se esconde no temor da morte! Hoje, isso é prática de muçulmanos fanáticos que se fazem explodir ou emplodir lançando carnes ao vento, o mesmo vento que os fará sultões ou gente monhé de mustafagem.
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Os escritos consultados foram gatafunhados por um tal de Barão de Loreto que ali permaneceu entre 1836 e 1906; Um personagem política da época do Império e dado a costumeiras corruptelas, coisa endémica, quase doença dos brasileiros que apreenderam tudo de mal dos Tugas. Na tradição oral nativa conta-se que, durante décadas, a ilha dos Frades foi dominada por um fazendeiro denominado Gabriel Viana e, que ao estilo dos "coronéis" dos tempos da República Velha, agia como um verdadeiro senhor feudal.

ilha7.jpg Por hábito, ele decidia sem mais quê nem porquê sobre a vida e a morte dos moradores; ora sendo um benfeitor da comunidade local, através de práticas assistencialistas, ora sendo um dominador autoritário fazia tudo a seu belo prazer. Em visita a esta ilha ainda pude ver um antigo casarão e de uma igreja remontando ao século XVII, que está completamente arruinada. Foi de lá que retirei algumas sebentas furadas por ratos transladadas para a Torre de N´Zombo do Kimbo e, deles retirei os duvidosos apontamentos entre muitos números de cifrões. 

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E foi nesta "Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe", que encontrei vestígios das Sereias Kiandas Roxo e Oxor. As mesmas que mais tarde avistei em Guaxuma, lá mais a Norte de Maceió. Conversando neste então com os moradores dali soube das andanças destas kiandas. Dizem que vinha agarradas aos cascos das naus do senhor Jeremias T´Chitunda. Actualmente ainda por lá se encontram cerca de cinquenta e cinco cinco pessoas.
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Foi entre estas parcas barracas que botando conversa com o velho Rufino Adamastor fiquei a saber que não só por ali passaram as kiandas Roxo e Oxor como também durante algum tempo por ali se manteve um tal de Zé Peixe, o mesmíssimo homem que nunca se lavou com água doce e que mais tarde se mudou para Aracaju de Sergipe. Este Senhor mais-velho Rufino apresentava-se com umas barba branca e laivos amarelos de tanto fumar charutos tipo cubano.

ilha6.jpg A pedido do velho Rufino Adamastor visitei a "Igreja de Nossa Senhora do Loreto" e um casarão centenário, ambos recentemente reformados e, agradeci a esta Nossa Senhora o ter-me guiado pelas terras tão dispares por onde andaram gentes feitas animais e conduzidas como gado entre luxuriantes verduras. Só podemos imaginar o que teria sido isto em esses idos tempos medievais. O curioso é o de que a Kianda Roxo, não se lembra disto; só podia mesmo ser sua alma, sempre em Assunção ou Asccensão ...zé peixe0.jpg Durante minha permanência naquela ilha dos Frades fui ao cemitério com cruzes abandonadas e dizeres surrados no tempo, pedras raspadas pelo vento. Quem poderia dizer ter sido ali um entreposto comercial de negros escravos de N´Gola e N´Dongo com suas belas paisagens, praias paradisíacas, lagos, cachoeiras, montanhas e coqueirais; uma vegetação típica da Mata Atlântica, com árvores nativas, incluindo o pau-brasil. 

(Continua… De novo iremos a Massangano…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:34
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIV

AS PROFISSÕES VÃO ACABAR! - REVEJA SEU FUTURO - Hoje deveremos educar e formar jovens e pessoas não para exercer uma profissão, mas sim para as dotar de um mapa de competências laterais e transversais.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Em janeiro de 2012, o The Wall Street Journal informava que a Kodak estaria a preparar-se para iniciar o seu processo de falência, algo que ficou confirmado a 19 de janeiro de 2012, quando a mesma empresa solicitou um pedido de concordata para restruturar os seus negócios num tribunal em Nova Iorque. Em 1998 a Kodak tinha 170.000 colaboradores e era líder mundial na venda de papel fotográfico com uma quota de mercado de 85%.

ara3.jpg Ainda nesta década tínhamos em Portugal o Banco Espírito Santo que chegou a ser o maior grupo financeiro privado português e líder na satisfação do cliente. O mesmo BES obteve vários galardões internacionais tais como no âmbito da iniciativa "World's Best Banks" em que foi considerado o melhor banco português pela revista económica norte-americana Global Finance. A mesma opinião tinha a revista The Banker que considerava o BES como o melhor banco em Portugal.

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Em 2007, a então famosa marca finlandesa de telemóveis Nokia liderava o fabrico mundial de telemóveis, detinha uma quota de mercado nas telecomunicações de aproximadamente 40%. Quando surgiram os rumores dos primeiros smartphones, os responsáveis da marca finlandesa consideraram que estes seriam telemóveis de nicho e não telemóveis de venda massificada. Este erro de avaliação saiu bem caro à Nokia que acabou por cair no desaparecimento do panorama mundial de telemóveis… O que podemos concluir destes três exemplos é que na actualidade não existem sectores imunes à turbulência económica e que o facto de termos sucesso empresarial numa determinada época não garante em nada um futuro próspero…

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Agora gostava de transportar esta realidade para as profissões do futuro… Se há quatro ou cinco anos perguntássemos aos taxistas qual o impacto da tecnologia na profissão deles, quase posso adivinhar que muitos refeririam que o impacto seria diminuto e talvez alguns mencionassem que as tecnologias os iriam ajudar, a título de exemplo o GPS. O que sabemos hoje é que temos uma indústria de softwares que lentamente está a destronar os taxistas através de aplicações inteligentes…

araujo6.jpg Por sua vez o desafio é tão grande que nos próximos anos os condutores que estão ao serviço destas marcas de aplicações poderão ser destronados pelos veículos autónomos que estão próximos de ser uma realidade. O mesmo se passaria se perguntarmos aos advogados portugueses, qual o impacto da tecnologia na sua profissão? Alguns responderão certamente que o avanço tecnológico será um bom complemento, no entanto, negarão que poderá pôr em causa a sua profissão.

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No entanto, não acredito que seja assim nos próximos anos… Actualmente a IBM desenvolveu o ROSS, que é o primeiro advogado de inteligência artificial do mundo. Este novo sistema cognitivo de inteligência artificial consegue emanar um parecer em apenas segundos, analisando a legislação, jurisprudência e ainda fontes secundárias. O ROSS obtém uma exactidão nos seus pareceressuperiores aos humanos. Enquanto o ser humano obtém 70% de exactidão o sistema de inteligência artificial obtém um eficácia de 90%.

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O que se está a passar na advocacia está a acontecer na medicina. Hoje temos sistemas de inteligência artificial muito mais eficazes e fiáveis no diagnóstico de doenças do que médicos qualificados para o efeito. Um destes dias levei a minha mulher ao hospital do Alvor (Algarve); ia com uma tensão arterial muito fora do normal sendo a alta de 22. O médico veio de lá de dentro ensonado e receitou Paracetamol! Como é? Um espanto e, assim ficamos sem denunciar esta anomalia. Não morreu porque não calhou!

araujo1.jpg Um computador não iria dar um placebo destes para quem está tão aflito! Fiquei bem preocupado com o nosso futuro, nossa saúde ficando na mão de gente incompetente ou desclassificada, mesmo que sendo formada na melhor universidade do mundo! O homem ficou demasiado vulnerável às vicissitudes do desleixo e por vezes, muitas vezes está uma vida em jogo. Muito provavelmente este médico foi um bom aluno, teve médias altas em seu curriculum mas neste dia falhou! Muito provavelmente um outro medico com menos notas no seu curriculum, teria mais aptidão e vocação do que este rustico e desleixado doutor !

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Conforme o que explanei, não existem sectores nem profissões imutáveis; neste sentido hoje deveremos educar e formar jovens e pessoas não para exercer uma profissão, mas sim para as dotar de um mapa de competências transversais que as ajudem a desenvolver durante a sua vida não um, mas sim vários cargos. 

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Meu filho que é duplamente licenciado no campo das artes anda todo entusiasmado com sua horta, sem emprego dedica-se com amor às suas alfaces, tomates, repolhos e até poejos que fazem uma bela açorda! Dá-lhe mais vantagens do que aceitar um trabalho remunerado com menos do que o vencimento mínimo! Que país é este? Infelizmente vamos ter de repetir isto e, cada vez mais.

araujo86.jpg Algumas destas competências transversais são: criatividade; flexibilidade; comunicação; gestão de prioridades; resolução de problemas complexos; pensamento crítico; inteligência emocional; negociação; o estado deveria investir em haver mais fonte de trabalho mas, um governo vem, outro vai e a bosta continua cheirando mal! É forçoso termos bons gestores no governo ao invés de gente que se cursa nos gangues com nome de partidos e, que só nos trazem infelicidades. Gerir um país como a Dona Arminda minha mãe Topeta nem é necessário andar na escola; ela era pouco mais que analfabeta e fazia contas mais rápido do que eu com calculadora… Surripiar-nos no nosso património, nos nossos ganhos, é a coisa mais fácil! Basta escrever um decreto e já está! Assim não brinco!

Ilustrações de Costa Araújo Araújo

Do Soba T´Chingange - com a ajuda dum Gestor e Professor Universitário…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:49
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Sábado, 20 de Maio de 2017
FRATERNIDADES . CXV

A DESCOLONIZAÇÃO (Parte 2) – 12.01.2017… A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC…

soba k.jpg As escolhas de T´Chingange***

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto

Todos os portugueses, onde me incluo, que viveram nas ex-colónias portuguesas e que sofreram na pele o processo de descolonização, atribuíram as culpas ao ministro dos negócios estrangeiros da altura Mário Soares que se finou a 7 de Janeiro e 2017, para gaudio de muitos dos retornados e para pesar de muitos democratas. Foi Mário Soares pelo cargo que ocupava na altura que carregou e conduziu o referido e complicado dossier do processo de descolonização que ficará como uma das mais tristes nódoas na história de Portugal.

step6.jpg As tendências ideológicas marxistas que o processo revolucionário em Portugal atravessou não auguravam um desfecho feliz para os residentes nas províncias ultramarinas. A pressa era muita de modo que Mário Soares foi encarregue de atalhar e encurtar caminhos e forçado a abreviar o calendário das independências para o ano de 1975.

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As conversações para esse desiderato começaram de imediato com os líderes dos movimentos independentistas das colónias Portuguesas em Africa, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola tendo como interlocutores Luís Cabral, Samora Machel, Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi.

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A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC que foi reconhecida pela comunidade internacional, mas não pela potência colonizadora o que só aconteceu nas negociações de Argel em 25 de agosto de 1974, seguido de Moçambique em Lusaca a 7-9-1974 e do Angola no Alvor a 15-1-1975.

spi3.jpg Logo que Angola e Moçambique obtiveram oficialmente as suas independências instauraram um regime de partido político único pró-soviético, enquanto em Portugal, o modelo socialista pós-revolução era progressivamente abandonado, dando lugar a um regime democrático. Só um tolo ou imbecil poderia pensar que seria possível a manutenção de uma guerra colonial em 3 frentes até aos dias de hoje, para assegurarmos a continuidade dos nossos privilégios em África intemporalmente.

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Os grandes coveiros e responsáveis da repatriação dos mais de 750 mil portugueses naturais e colonos que ao tempo residiam em Moçambique e Angola não foi Mário Soares, mas sim, Salazar e Marcelo Caetano, pois a descolonização das nossas colónias deveria ter sido iniciada nos finais dos anos 50 antes de se ter iniciado o terrorismo em 15 de Março de 1961 em Angola pela UPA, em 24 e 25 do mesmo ano em Setembro pela Frelimo em Moçambique e finalmente em 23 de janeiro de 1963 na Guiné.

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Se o processo de descolonização tem sido feito atempadamente de forma ordeira cívica e civilizada assegurando a permanência dos europeus nas colonias, a revolução do 25 de abril de 1974 apenas tinha tido efeitos práticos ou visíveis em Portugal continental. Mário Soares estava manietado e limitado pelas directrizes imanadas pelo Conselho da Revolução e pelo desejo que os militares tinham em baixar as armas o mais depressa possível e abandonar África á sua sorte.

selo10.jpgO governo provisório da altura em Portugal estava em conluio com os líderes independentistas uma vez que defendiam a mesma ideologia politica, portanto Mário Soares muito pouco poderia ter feito para alterar o “status quo” dos eventos catastróficos que o processo de descolonização atravessou. Mário Soares foi um intermediário facilitador que seguiu um programa que lhe foi imposto, mas não o ideólogo do mesmo.

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Eu sei e compreendo que a grande maioria dos retornados atribuem a Mário Soares toda a culpa da descolonização, pois acabou sendo o bode expiatório e o alvo mais fácil para arcar com as culpas devido a sua liderança nas negociações. Do contexto político vivido em Portugal destaca-se a divergência entre o então Presidente da República (PR), António de Spínola, e a Comissão Coordenadora (CC) do MFA em relação ao modelo de descolonização a seguir e que teve repercussões negativas nos processos de negociação e nos posteriores acordos de independência com os movimentos independentistas.

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A descolonização portuguesa dos territórios ultramarinos em África constituiu um dos aspectos centrais da política portuguesa após o 25 de Abril, tendo tido consequências sociais profundas em Portugal. Quando Mário Soares entabulou negociações com os líderes nacionalistas de Angola e Moçambique com vista á independência dessas colónias fazia parte como ministro dos negócios estrangeiros de um Governo de Transição empossado pelo MFA sem a legitimidade do povo português.

luis17.jpg Sem a legitimidade pois que, ainda não tinham havido eleições gerais em Portugal nem sequer tínhamos uma nova Constituição aprovada que lhe outorgassem a legitimidade para assumir essa decisão histórica particularmente nos moldes em que foi feita.

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Não tenho a veleidade, ousadia ou arrogância de colocar Mário Soares sozinho no banco dos réus, nada me move pessoal ou particularmente contra a sua pessoa, muito embora tenha deixado em África terra onde nasci tudo o que construí com o suor do meu rosto.

diogo6.jpg Tenho a capacidade de separar o trigo do joio e fazer uma análise lucida e racional dos acontecimentos sem cegueiras ou fanatismos e atribuir as responsabilidades históricas a quem de facto as teve 20 anos antes de 1975, bem como no período pós-revolucionário. Se Portugal tem tido líderes com visão estratégica e politica para terem iniciado o processo de descolonização na época adequada teriam preservado a permanência e a continuidade de todos os colonos suas famílias e descendentes nesses territórios.

FIM

António José Canhoto …11-1-2017

***Nota: A escolha de T´Chingange refere-se ao todo pensamento descritivo, subscrevendo-o por homologação... Descrição sem Prólogo, Prefácio, Epílogo ou Posfácio porque é o resumo dum conteúdo periclitante causador duma quase tragédia. Um prefácio eventualmente, conteria algumas impressões de terceiros sobre a obra. Neste texto excelente, o que fica é a incrédula faceta da política sem brio, irresponsável e, persistente denúncia com ar de curiosidade…

Nota 2: - Este texto deveria ter sido publicado como Parte 1, mas  ainda bem que a justificação surge antes dos atropelos – desta forma aceitar-se-á  melhor  as realidades



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:56
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Terça-feira, 16 de Maio de 2017
FRATERNIDADES . CXIV

A DESCOLONIZAÇÃO (Parte 1) – 12.01.2017Como livre-pensador, não me subordino a nada nem a ninguém, pois quando renegamos ao direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de sermos livres.

soba k.jpg As escolhas de T´Chingange***

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto

(…) Quando escrevi o texto sobre o titulo em epigrafe escalpelizando o papel de Mário Soares no processo de descolonização não pretendi ilibar todos aqueles que no palco deram a cara, mas sim acusar todos aqueles que permaneceram por detrás da cortina puxando os cordelinhos ou fazendo o papel de “PONTO” que é aquele que escondido num alçapão do palco lembra aos artistas as suas falas e deixas do texto ou guião da peça.

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No caso da descolonização a peça deveria ter tido pelo menos 3 actos, mas infelizmente tudo se resumiu a um só, tendo os artistas sofrido uma enorme pateada e insultos vendo-se obrigados a abandonar o teatro pela porta do cavalo tendo sido ao longo de 40 anos vituperados pelo seu catastrófico desempenho.

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Não me compete a mim escrever a história sobre essa mancha negra que ensombra o período político que Portugal atravessou entre 1974 e 1975, contudo quem já o fez de forma isenta foi-lhe fácil encontrar os responsáveis. Quando iniciei a feitura do texto, já pressentia que iria abrir uma “Caixa de Pandora” e muita gente se iria atirar a mim como gato a bofe.

ango0.jpg Surpreendentemente o texto foi bem aceite pela grande maioria, mas houve pessoas que o descontextualizaram sem terem tido a capacidade de separar a missão politica de que Mário Soares foi incumbido de realizar atribuindo a este senhor todos os problemas pessoais que afectaram os “colonos” na sua generalidade.

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A minha crónica foi feita depois de muita reflexão e pesquiza e para quem não saiba o processo de descolonização foi desenhado pelo ideólogo do grupo dos 9 o major Melo Antunes que foi a eminência parda marxista do Movimento das Forças Armadas (MFA). Óbvio que a grande maioria dos retornados teve de encontrar alguém para descarregar as suas frustrações e Mário Soares foi o homem escolhido como ministro dos negócios estrangeiros do governo provisório bem como António de Almeida Santos ministro da Coordenação interterritorial, para darem a cara como forcados e pegarem os 2 touros mais perigosos de nome Angola e Moçambique.

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Em consequência de os touros terem sido mal lidados e estarem ainda cheios de energia ambas as pegas falharam e os touros desembolados ficaram incontroláveis. Os pegadores viram-se forçados a arcar com todas as responsabilidades de uma “corrida” programada em cima do joelho e a martelo sem acautelar a integridade física dos aficionados.

melo1.jpg Em 22 de Fevereiro de 1974 O general António de Spínola publica o livro "Portugal e o Futuro" pouco mais de um mês depois de ter sido empossado como vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. As páginas do livro abriram um fosso de incompatibilidade com o primeiro-ministro da altura Marcelo Caetano que afirmou tratar-se de um verdadeiro "manifesto de oposição" ao regime e de um golpe militar anunciado - o que efectivamente veio a acontecer semanas depois.

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Na sequência da publicação do "Portugal e o Futuro", e perante a recusa dos generais Francisco da Costa Gomes e António de Spínola, os dois principais chefes militares do país em prestar vassalagem a Marcelo Caetano, tanto Spínola como Costa Gomes são demitidos a 14 de Março.

soares1.jpg A 25 de Abril de 1974 os capitães do Movimento das Forças Armadas levam a cabo o golpe militar que liquidou o regime do Estado Novo tendo escolhido uma Junta de Salvação Nacional para preparar a transição do país para um regime democrático. Na madrugada de 26 de Abril de 1974 Spínola é anunciado como chefe da Junta Militar e, a 15 de Maio, toma posse como primeiro Presidente da República do pós-25 de Abril.

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A História e o movimento revolucionário avançaram muito rápido para uma esquerda marxista radical contra a qual Mário Soares ferozmente lutou. O livro publicado por Spínola constituía um poderoso repto ao regime do Estado Novo. Basicamente afirmava que as guerras coloniais, que duravam desde 1961, não tinham solução militar, sendo imperativo que a Nação debatesse o problema. Spínola tinha ideias muito concretas de como o processo de descolonização se deveria processar as quais dissecou pormenorizadamente no seu livro.

spi0.jpg Spínola acaba mais tarde por se demitir como Presidente da Republica quando se sente atraiçoado pelos seus camaradas de armas e pela forma de como o processo revolucionário e de descolonização que tinha sido esquematizado por Melo Antunes o qual o grupo dos 9 pretendia implementar.

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O traidor não foi Soares, mas sim a Junta Militar e o governo provisória infestado de esquerdistas comunistas, que governaram Portugal a seu belo prazer tendo em Vasco Gonçalves o seu expoente máximo. A situação só começou a mudar quando a feitura da nova Constituição Portuguesa deu origem às primeiras eleições livres em Portugal, as quais só aconteceram em 25 de Abril de 1975 para a eleição dos deputados para a Assembleia Constituinte.

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Conforme digo no texto, todo o processo de descolonização foi uma aberração e as consequências do mesmo devastadoras e traumáticas, mas esse não foi o objectivo do meu pensar, mas sim desvendar quem puxou os cordelinhos fazendo de Mário Soares e os seus pares os peões de brega aos quais foi incumbida a triste sina de levar a cabo uma tarefa odiosa que todos sabíamos pelo andar da carruagem que iria acabar mal.

melo4.jpg Os verdadeiros traidores de Portugal não aparecem nas fotos de Argel, Lusaca ou Alvor, por ocasião das assinaturas dos acordos ou tratados de independência. Sejamos honestos e não assaquemos culpas nem manchemos com o labéu de traidores ou ladrões todos aqueles como Almeida Santos, Costa Gomes, Mário Soares e outros que pelas funções governativas que ocupavam ao tempo personificaram a função de carrascos no processo de descolonização.

vasco gonç.0.jpg Todos os países com impérios coloniais Inglaterra, França, Holanda e Bélgica concederam as suas independências no principio dos anos 60 e hoje têm óptimas relações com os países que colonizaram, infelizmente os nossos políticos não tiveram a mesma visão e prolongaram no tempo e no espaço um desfecho que a partir de 15 de Março de 1961 passou a ter os dias contados…

12-1-2017

***Nota: A escolha de T´Chingange refere-se ao todo pensamento descritivo, subscrevendo-o por homologação... Descrição sem Prólogo, Prefácio, Epílogo ou Posfácio porque é o resumo dum conteúdo periclitante causador duma quase tragédia. Um prefácio, eventualmente conteria algumas impressões de terceiros sobre a obra. Neste texto excelente, o que fica é a incrédula faceta da política sem brio, irresponsável e, persistente denúncia com ar de curiosidade…



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:52
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Sábado, 13 de Maio de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 13.05.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXI. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75…

Por     

t´chingange 0.jpg T´Chingange - (Otchingandji)

(…) Eu estive com muitos desses tais “angolanos de gema” nos Adidos e na Cova da Moura que amavam Angola, terra de que nunca sairiam, blá-blá-blá. Esses mesmos que faziam rusgas e revistavam nossas bagagens quando daquela confusão de fugir, de sair de qualquer maneira daquela terra, gente que cantava o MPLA da vitória ou morte, gente que se dizia vanguardista. Enfim! Eles tinham essa ilusão e, assim vendiam seus préstimos como urubus ao serviço do MPLA atrapalhando ainda mais o desespero entranhado em muitos de nós.

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Muitos destes, ainda andam por aí, como reformados, retorcendo suas consciências porque afinal cometeram um injusto procedimento! Estes, traíram-se a si mesmos! Outros voltaram à sua querida Angola, sua tão apregoada terra de que eu, tanto gosto; a maioria regressou de novo ao M´Puto acabando por dizer que não encoberto num sim frustrado! Afinal aquela terra já só era deles, dos pretos! Falo assim porque senti na pele o tratamento rancoroso, eu que brincava com eles pelos musseques, que também eram meus, pensava assim mas só isso; coisas do pensamento! A estória estará sempre muito repleta deste tipo de gente que se vende por três tostões.

moka31.jpg E, Portugal, o tal de M´Puto, acabaria por dar guarida a carrascos e fujões (desculpem-me a expressão) que de forma enrolada, misturada se foi acomodando aqui e ali, salvando os hotéis e concebendo arranjinhos de safadeza, explorando os refugiados, ditos retornados como eu. No aeroporto as senhoras prestimosas das Caritas e Cruz vermelha (não todas, felizmente), iam despejando desaforos como muxoxos soprados subtilmente ou não: “Só nos faltavam estes ranhosos”. Eramos nós, despidos de preceitos, ouvindo calados o desaforo de irmãos, de patrícios, de gente com nosso sangue! Isso doeu muito! Só não se lembra disto quem não quer lembrar!

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Os heróis de tuji foram-se misturando com os demais, as estórias sucediam-se engravidadas de medalhas, gente que revistou, impediu, prendeu, gente que pintou e bordou a manta em acontecimentos tristes! A 17 de Agosto, Lúcio Lara, um mulato raivoso do MPLA solicitava ao embaixador Russo em Brazaville o envio de peritos soviéticos Para o Estado-maior das FAPLA em Lunda. E, afirmou nesse então: O Comando do MPLA necessita de conselheiros qualificados em questões de estratégia militar.

moka32.jpg Não lhes chegavam os altos mandatários portugueses e cubanos! É que no dia 18 de Agosto de 75, coisa bem concertada, Rosa Coutinho, chega a Cuba tendo dado garantias e sua palavra que era tal e de tanta força que… Que não seriam colocados entraves à entrada de militares, oficiais cubanos. E, assim foi! Logo no dia 21 de Agosto daquele ano, somente dois dias depois daquelas afirmações, desembarcou em Luanda uma Missão Militar Cubana (MMCA – Missão militar Cubana - Angola). E, surgiram os CIR (Centro de Instrução Revolucionária) em todos os lugares já sob controlo do MPLA.

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Esses lugares podem enumerar-se como sendo: Cabinda, Benguela, Henrique de Carvalho, e N´Dalatando. Foi garantido por Cuba na pessoa do oficial Humberto Arguelles que antes de Novembro (1975), os recrutas estariam prontos para combater. Ainda Leonel Cardoso não tinha chegado a Luanda na qualidade de Alto-Comissário e já os membros do MMCA tinham começado a chegar – finais de Agosto e início de Setembro de 1975.

moka33.jpg A infelicidade de tudo isto é a de que os “genuínos angolanos” como eles diziam e dizem, gente do MPLA, foram e ainda o são, uns refinados mentirosos, astutos, traiçoeiros e ladinos em toda a linha. Enfim, cazucutas! A 19 de Agosto e em vistas de uma proclamação unilateral de independência por parte do MPLA, a UNITA e FNLA, já congeminavam em conversações mais ou menos secretas, também e em seguida, proclamar a independência nas suas zonas de influência.

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A 22 de Agosto de 1975, Portugal suspende a vigência do Acordo de Alvor sem o denunciar. A 25 de Agosto a posição do MPLA é cada vez mais forte; com um grande contingente de homens, armas soviéticas e portuguesas e um melhor comando operacional com assessores cubanos e sempre os disfarçados portugueses, que sem querer, iam querendo, traindo-se entre eles.

moka34.jpg Os portugueses encontram-se agora em um dilema impossível porque já não tinham tropas suficientes nem vontade de lutar; tinha-se assim esgotado a estratégia de dialogar entre os Movimentos. Já ninguém confiava em ninguém! Entretanto, a ponte “LUALIX “ ia-se fazendo aos tropeções, caixotes e imbambas amontoados nos quintais esperando transporte. Durante as noites só se ouvia o matraquear de martelos fazendo caixotes mas, também rajadas um pouco por todo o lado nos bairros da Luua. Os Tugas brancos eram já coisa moribunda, cada um por si pregava seus caixões com recuerdos e tralha mais fotos a enviar para o Cais de Sodré. O cheiro da traição era doloroso e tinha agora sonoridade em toque de dó, sem rê nem mi e sol intervalado com tiros e rebentamentos…

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Neste entretanto, em terras ribatejanas via pela TV o esbracejar do louco primeiro ministro português Vasco Gonçalves, ora espumando ora lançando cravos ao povo; o desentendimento entre os quarteis eram mais que muitos entre guedelhudos revolucionários feitos à pressa e às ordens de oficiais bandalhos, cagões generais de aviário da qual só saiam disparates. Os mais sóbrios estavam a dar-se conta dos erros cometidos. Isso de dar jinguba a macacos sem os ter enjaulados, levantava celeumas.; tarde piaram!

moka38.jpg O conselho dos assessores portugueses, segundo um relatório oficial, o MPLA deveria usar uma estratégia discreta no uso de navios que transportavam suas armas, seus carros de combate, tanques e canhões sem recuo. Por via deste arranjo, não se poderia imaginar tanta petulância e arrogância dos mwangolés mijando nos seus parceiros tugas disfarçados de Ché Guerra (só para a foto). E, também uma desfaçatez no sequente trato dado aos Tugas portando-se como uns refinados mentirosos. Agora tudo surgia com suavidade falaciosa. Em finais de Agosto de 75 a nova Brigada das FAPLA comandada por N´Dozi, treinada na URSS, recebia dez blindados BRDD-2, morteiros d 82 mm, pistolas e baterias antiaéreas.

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Tudo aquilo foi descarregado a 75 Km de Luanda por um navio soviético. Leonel Cardoso é por fim nomeado Alto-Comissário como Almirante, junto com o Comandante-Chefe adjunto General Heitor Almendra. Para Savimbi firmar trégua com Neto, seria necessário o MPLA evacuar todas as zonas de influência dos outros dois Movimentos e que Luanda fosse declarada “zona neutra”, o que nunca viria a acontecer.

moka37.jpgNo M´Puto a crise político-militar arrasta-se perigosamente (vozes comunistas). Existe o perigo real de um avanço reaccionário e da formação de um governo de direita que, no imediato ou a médio prazo, irá pôr em causa as liberdades e as outras conquistas fundamentais da revolução, como as nacionalizações e a reforma agrária... O embaixador dos EUA em Lisboa, Frank Carlucci, faz uma viagem pelo norte do país, que se prolonga em mais dias visitando Porto, Braga, Viseu, Vila Real, Chaves, Viana do Castelo. Que andaria ele a fazer?

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As coisas iam mudar! Os americanos metiam o bedelho decidindo novas trajectórias. Nós, retornados estávamos a ser moeda de troca. Frank Carlucci manteve conversações com os governadores civis de Viseu, Vila Real e Chaves e com os bispos de Viseu, Vila Real e o representante do Arcebispo de Braga. Carlucci estava em todas as frentes… O PPD revelava-se numa directa responsabilidade nas violações da ordem democrática imposta pelo CR-MFA de mãos dadas com os comunistas. A provocação surgia na forma de violentos conflitos de rua, assaltos a instituições, embaixadas, e outros aparelhos de Estado.  

moka22.jpg O Estado estava periclitante! As comissões de trabalhador mais sindicatos levantavam seus punhos decidindo tudo de braço no ar! E, eu aqui no meio disto olhando, ouvindo, vociferando silêncio, com vontade de fugir sem saber para onde! Parecia estar-se à beira de uma guerra civil; havia movimentos de tanques para Tancos. As máquinas de guerra rolavam pela minha rua perto do rio Almonda. Seu barulho ecoava nos aposentos vazios de minha casa, despida de património; despida de haveres. O eco era O PPD fazia esforços para conduzir a tentação de confrontos armados entre militares, para tapar o caminho à guerra civil...Assim parecia ser!

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:32
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Terça-feira, 9 de Maio de 2017
CAZUMBI . LIV

CINZAS NO TEMPO - 09.05.2017 - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade …

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

soba15.jpgT´Chingange

No tempo real e na vida de todos os dias há uma grande diferença entre os sentidos de para a frente e para trás. Li recentemente que no imaginário de uma chávena com água que cai de uma mesa quebrando-se em mil pedaços, se, se filmarmos este acontecer, poderemos facilmente dizer quando o filme da cena está a correr para a frente ou para trás.  

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Se o fizermos andar para trás, o filme, veremos os bocadinhos juntando-se e voltar para o lugar e em cima da mesa, no mesmíssimo sítio e com a mesma água, numa forma de chávena cheia, completa. Revisitando Murphy, recolhemos de seus escritos que as coisas têm tendência para correr mal sem a possibilidade de reverter o acontecido.

apocri2.jpg Podemos por observação dizer que a chávena em cima da mesa e no passado está num estado de “ordem” e, a chávena estilhaçada no chão com a água derramada, o contrário disso, “a desordem”. Neste lapso de tempo o desacontecido aconteceu por um acaso, uma falha, uma coincidência, um erro ou uma má sorte como coisa normal.

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Pois ao momento da desordem a partir da ordem chamarmos “a seta do tempo” – qualquer coisa que distingue o passado do futuro, passando pelo “agora” ou o “presente” que nunca espera o antes. O sentido de que o tempo passa, é psicológico, porque nos lembramos do passado mas, não do futuro!

roxo95.jpg Na espiral do tempo universal, cosmológico, aquela seta, junção de muitos agoras como se pontos fossem, são partículas que se expandem; com a nossa inteligência nós, gente, também nos expandimos em pensamento, coisa não mensurável, tudo imprevisível. Podemos ter a premonição do que se vai seguir mas, este travão do mas, sempre nos retrai.

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Podemos pensar assim porque somos ou pensamos ser seres inteligentes e, porque sempre nos perguntamos: -Porquê a desordem aumenta no mesmo sentido do tempo, na mesma expansão do Universo? 

haida4.jpg Posso agora e depois desta longa explanação entrar nos domínios do nosso “agora social” – a vida do M´Puto, para entender como um caldo de culturas ideológicas entornadas num tigela com o nome de governo se juntaram em desordem formando uma coisa chamada de geringonça! Juntando cacos, aparentemente, andaram para trás formando ordem. Aqui a seta do tempo parece ter-se virado! Será?

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Sabendo que uma partícula ocupa um ponto no espaço, em cada instante, pode esta estória ser representada por várias linhas entrelaçadas no espaço-tempo e, que a todo o momento e expandindo-se formarão outras linhas deixando de ser aquela “corda”. Mas também pode acontecer como sucede no universo cósmico, estas linhas formarem outras cordas que tendem a fechar-se formando um túnel! O túnel da minhoca (universal)!

GALO0.jpg Mas, a bom saber, na prática, nossa capacidade de ver e pensar confundindo os pontos entre o ontem e o amanhã, tudo isto se pode tornar em um novelo, um emaranhado de pensamentos, sem medida de clássicas e homologadas dimensões.

roxo92.jpg Parece que só Deus pode fazer as leituras de pensamento e, queiramos ou não damo-nos conta de que estamos a anos-luz do verdadeiro entendimento de nós próprios - bichos homens. É que não conheço ninguém que seja omnipotente, omnipresente e omnisciente! Ninguém tem este factor de 3 em UM…

Ilustrações (2) de: Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:31
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017
FRATERNIDADES . CXI

EM ANGOLA ONGWEVA É SAUDADEDevaneios nas memórias do FB - 31 de Janeiro de 2015 - A história de Angola é uma epopeia feita a caminhar, ou  em tipóia…

Por

Torres0.jpg Eduardo Torres – 20.02.2017 - Um Xicoronho de 3ª geração - Deus quando nos permitiu a faculdade de pensar garantiu-nos também o uso dessa liberdade …

soba k.jpgAs escolhas de T`Chingange

NASH.jpgHá largos anos, tantos que não interessa contá-los nessa Angola imensa, onde as cachoeiras derramam água por entre rochedos seculares, em que o verde da floresta, se confunde numa só cor pela grandiosidade da sua dimensão, as savanas beijadas pelo vento formam elas a própria linha do horizonte. Vasto e longínquo, as areias, numa dança que transcende o imaginável, em constante movimento que  formam as dunas que se transferem de uns lugares para outros num deserto privilegiado por uma espécie de planta única de nome Welwitschia Mirabilis, n´tumbo em dialecto local.

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Num céu em que o sol surge brilhante e quente, céu que pode ser de azul único ou povoado de imensas nuvens negras e medonhas com os raios a cruzarem-se anunciando uma tempestade africana, pois num pedaço dessa Angola, num planalto situado na cadeia montanhosa da Chela, um punhado de homens e mulheres, desembarcados em Moçâmedes, vindos da ilha da Madeira, pérola do Atlântico e, para ali com sonho sonhos conseguirem uma nova pérola! E, conseguiram!

nauk2.jpg Num continente tão diferente da ilha que tinham deixado para trás, tão distante que já fazia doer a saudade, fortes na sua crença, valentes na sua fé, talharam-se para o sofrimento. Cavaram a terra para cultivar; para enterrar; para fazer alicerces e fizeram calos de doer até que outros homens lhe fizeram outro destino e dali saíram de novo para a diáspora. Muitos já nada tinham a ver com aquela ilha que continua bonita.

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E foi assim, temperados pela força que lhes ia na alma, pelo esforço sobre-humano que cada um tinha dentro de si, recomeçar de novo, regar a terra com lágrimas de dor, suportar injustiças que sem esforço desmobilizaram os pioneiros de antanho idos na “tentativa Feliz” um vapor que honrava o propósito com seu nome.

nash6.jpg Com o empenho habitual foram de novo à luta com outros milhares de gentes destroçadas, de novo a vontade de vencer, porque nunca iriam desistir; A concretização do sonho, primeiro num pequeno lugar, chamado Lubango, por lá ficou assim como uma duna ao sabor do vento, de outras vontades e sonhos diferentes para depois com o tempo, fazer-se novo tempo.

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Oportunidades diferentes, vontades com outras fés. Para comprovar a antiga fé, lá está a Capela da Senhora do Monte, cuja imagem com eles foram para lhes garantir a força quanto baste. Para quando ela lhes faltasse, orassem de novo para a fé não desvanecer.

maga2.jpg Surgiu uma nova realidade, uma nova urbe derivada de Sá da Bandeira, a Lubango de agora. E, aqui longe da cidade que me viu nascer, ainda me sinto orgulhoso, de fazer pare dessa historia e de ser descendente directo dessa gente com têmpera, que permitiu tornar possível uma realidade que não acaba só aqui.

carro de pau.jpg Vão longe os tempos de miúdo, naquela época em qua até o sabão azul ou macaco era importado. E, eu a aproveitava as caixas vazias para depois de desmanchadas, aproveitar a as tábuas e pregos, com o serrote e o martelo, construir as minhas camionetas, meus carrinhos de rolamentos, meus nash de fricção.

EDU

Compilação de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:57
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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