Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018
MALAMBAS . CXCVI

A CHUVA E O BOM TEMPO - 16.02.2018

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade … Pechinchando a vida.

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

O que mais evito num encontro de amigos é abordar o assunto de religião porque isto cria abismos de constrangimento entre as pessoas. Nossa natureza tem no ADN existências agarradas que nos envenenam a felicidade. Pode até se tornar numa agonia com violentos anjos às ordens de diabos muito cheios de vermelhitude nas labaredas.

araujo99.jpg Evito a todo o custo enfadar-me porque e, até meus dentes sem o querer me mordem a língua. Para a maioria, ter muito dinheiro é a chave da felicidade; possuir celulares xis-pê-tê-óh, casas, um grande salário, um carro de dar nas vistas e roupa de marca é considerado sinónimo de emproada felicidade. Quem não tem amigos destes?

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Não é normal alguém se passar deliberadamente por pobre; é normal agigantarem tudo o que sai de si, porque na malfadada vivência, as atitudes mostram a pobreza como algo de infecto-contagioso, uma doença a dar para o perigoso. Muitos e próximos tentam mostrar o que não são ou aparentarem; mentem-se a si e aos demais subestimando-os e querendo estar sempre por cima num qualquer simples procedimento.

roxo 20.jpg Ao fazermos amizades e com o tempo seremos mais conhecedores duma qualquer pessoa, assim e mais de perto e com o tempo, descobrimos uma outra realidade mais profunda; realidade que nos leva a frustrações por isto marcar necessidades profundas devido à cultura da aparência; a verdade permanece neles, oculta na superfície e como se fora uma pelicula de verniz – gente que usa sempre a dissimulação.

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É verdade que ao nos permitirmos adquirir várias culturas em países ou lugares diferentes, surgem características próprias e costumes bem arreigados como um paradigma, tornando-os singulares. Ao nos relacionarmos com as pessoas percebemos coisas interessantes ou não. E, sempre ficamos chocados quando o lado da análise tomba para o negativo.

araujo115.jpg Embora haja casos em que as pessoas são prestativas ou atenciosas, caímos por vezes no ridículo de sentir que tem muita gente a desprezar o próximo tornando a vida barata e vulgar. É sabido que toda a mudança exige sacrifício e adaptação mas há entre nós gente ruim que nos cobiça a todo o instante sem deles sair uma palavra de conforto ou solidariedade.

roxo46.jpg E, afinal porquê aceitamos este desafio permanente de querer acreditar; com o tempo vou fazendo triagem do que ouço deste e daquele e no tempo, vou excluindo este e aquele senão até que me remeto a um distante silêncio. Digo para mim: está na hora de rumar a outro desafio! E, posso dizer são muitas as desilusões mas, também surgem aspectos reconfortantes, gratificantes! Este mundo não é a nossa pátria, somos todos estrangeiros e peregrinos. Cada vez mais me sinto assim! Os abraços são-no de graça mas nem todos têm graça. Poderia até ser pior…

Ilustrações: Aleatórias de Costa Araujo e Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:39
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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2018
CAFUFUILA . CXXV

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO13.02.2017 - 21ª parte

Kiandas e calungas! No bloco de carnaval de Guaxuma… Nosso futuro ainda anda a ser fabricado…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Noerdeste brasileiro

Na epopeia, romance mussendo de três continentes e por via de seguir a peugada das kiandas, kwangiades ou sereias, vejo-me agora em Guaxuma do Nordeste do brasil, a festejar o entrudo entre cabeçudos dando pequenos paços ao som de uma bateria de bombos, chocalhos, pandeiretas, puitas e reco-recos. 

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Pois, em uma outra minha andança ao serviço da rainha de Portugal D. Maria I e, com o cargo de tenente, tive de escoltar uma leva de prisioneiros participantes da chamada Inconfidência Mineira nos fins do século XVIII, um movimento militar no Estado de Minas Gerais do Brasil.

carn4.jpg Levei um preso para a N´Gola e por lá fiquei centenas de anos. Falei disto e do mafulo Balthasar Van Dun mas, desta feita eu só venho gozar mesmo o carnaval na beira mar de Alagoas no ano da graça de 2018. Escusado será dizer que o Mwata dos Céus deu-me o condão de como T´Chingange, andar aleatoriamente no espaço-tempo. 

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Cheguei bem cedo a Guaxuma para gozar a praia da sereia e o carnaval deste ano. Eram seis horas e treze minutos quando iniciei meus movimentos de ginastica talassoterápica na água de cor esmeralda e, a fim de curtir a vitamina D trazida pela maresia, mais o vento que farfalha os coqueiros. Numa linda conjugação de sons juntava-se o desmaiar das ondas na areia amarela.

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Daqui saia os ritmos que junto ao bafo quente das longínquas pancadas dos bombos Zé Pereira traziam o cheiro de carnaval. Rodei meus movimentos até ver a estátua da sereia cimentada aos recifes; os mesmos que amenizam a fúria das grandes ondas. A enegrecida sereia estava meia coberta de limos, algas e limos que lhe davam um tom sussurrado de tristeza.

carn3.jpg Ela, a sereia, estava mesmo coberta de quereres apaziguadores de mareantes, marinheiros, pescadores e nadadores. Creio estar ali para estimular estórias como estas e das quais saem capítulos, romances de inventação com um Zé Peixe, uma lenda de prático que levava os vapores até alto mar. Um enredo de fantasia que viajou no espaço ladeado por uma sereia e por vezes montado num bumba meu boi.

arte1.jpg Lugares distantes como o lago Niassa e Tanganica mais os estuários do kwanza e ousadias no rio Kongo ou Zaire. Também na Costa dos esqueletos da Damaralãndia e Baia dos Tigres na n´Gola e Calahári do Namibe com os rios Cunene e Okavango cheios de magia de kalungas e kwangiades. Assim andando práfrente e pratrás, grafitei vidas no meu cerebelo originando romarias que perdurarão nas lendas de áfrica e américas.

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Depois de duas horas mexendo e remexendo meu esqueleto, vou até à minha cubata comer bacalhau à gomes de sá. Cochilo talvez umas duas horas e ao som do ronronar do ventilador apronto-me no disfarce e espirito de um pirata das Caraíbas pra ir práfarra curtir a folia do carnaval de Guaxuma. E podia ver-me todo empapoilado com franjas, chapéu de pirata, olho vendado e mão de gancho. E, lá vou eu mesmomesmo com uma perna de pau!

carn2.jpg Juntei-me ao meu bloco de bumba meu boi: O tema do bloco era mesmo o mar, o iemanjá, a kalunga e pulando de ansiedade juvenil juntei-me aos foliões, gente vestida de tubarão, baleia, garoupas e cavalas e olha só! Um grande espanto. HÓh… Ali estava o próprio Zé Peixe com escamas reluzentes de prata. Dei-lhe um grande abraço e, chegando-se ao meu ouvido pareceu-me dizer: está ali a sereia kianda Roxo! Ouvi bem!

roxomania1.jpg Apontou para o alto do carro do corso do nosso bloco e lá estava deitada rebrilhando seus arco-íris desde o verde ao prateado mas, sobressaindo o roxo. Ambos gritamos para chamar a atenção e assim, assim, rodou-se toda em sua cauda pontilhada de luzernas fosforescentes. De fora do bloco, podia admirar-se um gancho de pirata e uma barbata a dizer adeus a um golfinho fêmea que abanava sua cauda. Era ela mesmo! Afinal também gosta de carnaval, gritei eu a Zé peixe, ao que me respondeu: -HÓ, se gosta!? …

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:47
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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2018
KWANGIADES . XXX

MOKANDA DO ZECA EM MAIUSCULAS - As falas de Zeca – 08.02.2018

Por

zeca00.jpg José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga. Tornou-se ali professor katedrático e agora lecciona no M´Puto quando não fica com o catolotolo…

TONITO (era o meu nome de candengue da Luua)

MAIS UM FANTÁSTICO MISSOSSO TEU....! JURO, JURO QUE DELIREI NAQUELE MAMBO " Já estava farto de usar ceroulas até o pescoço a fim de aguentar o frio do M´Puto,..." SIM KIMA KAMBA MUXIMA, DO FRIO DO M' PUTU DE TER DE ANDAR DE CEROULAS, MEIAS DE LÃ ATÉ AO JOELHO, CAMISOLA INTEROIR LÃ DE MERINO, LUVAS, CASCHECOL... AI-IU-É…

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TUDO, TUDO PARA TIRAR A HUMIDADE DO SALALÉ SECO QUE BERRA POR QUENTURAS E AS TUJE DAS FRIEIRAS DA CUSPIDEIRA FRIA DAS "CALOTES DE CHORO CAIDAS COMO TREPADEIRAS DO ALASCA PARA A KALUNGA" QUE ESTE INVERNO AS KALEMAS ALTAS TROUXERAM PARA A PENINSULA IBÉRICA, PARA A EUROPA, AMÉRICA...

zeca e eu.jpg POR CULPA DO HOMEM KIAVULU VULUKIA VULUVULU CACHIMBO QUE ENVENENA A ANHARA DO NOSSO SENHOR NO ALÉM. OH! SIM, SIM, TU GOSTAS BWÉ DO NU QUENTE DA NATUREZA..., DE MACEIÓ, PAJUÇARA, PALMARES... QUE DIZES SER DE RENOVAÇÃO DE PELE COM ÓLEO DE COCO DO SOL REDENTOR...

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OS BICHOS, AS PLANTAS MEDICINAIS..., TUDO, TUDO, NATUREZA TE CONHECEM E TE CHAMAM O KUUABA N'GANA VATA T`CHINGANGE! SEI QUE DELIRAS, TOPANDO A TEXTURINHA DA BELEZURA NUA NATURAL BATUCANDO DE SALTOS ALTOS NO CALÇADÃO NO CORSO DO CARNAVAL! UÉ!

zeca1.jpg TU PRÓPRIO FIGURANTE DOISIMILDEZOITO VESTIDO DE "CAPATAZ" DE BARRIGA DE JINGUBA DE FORA E DE CHICOTE NA MÃO NO CORSO DE GUAXUMA.... RECORDANDO OS TEMPOS DOS CORONÉIS...

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AMAM'IÉÉÉ´! TUA SORTE MERMÃO DO RIO SECO DA MAIANGA, TU SERES PÁSSARO DE VOO DE MUITOS MUNDOS COMO O KWETZAL.... AGORA, TAMBULA CONTA! UÉ! COMO É? BEIJOADA Á TRANSMONTANA, TRIPAS À MODA DO PORTO, ENSOPADO DE CABRA VELHA, BODE MESMO...A BORDO...!

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UÉ! COMO AGACHAR E APONTAR O TUBO NO MINUSCULO BURACO DE CERTO "ENTUPIÇO" E DE ENGUIÇO BIEN ÉTRE PARA OS ROLLYS ROICE.... NÃO, NÃO, ISSO DUM MUKIFO LOGOLOGO MATACO NO ENCOLHIDO BANCO...

ZECA MAMOEIRO.jpg SIM, SIM, MAS BREVE TERÁS E LOGO AO DESCERES, PISARES A TERRA E SENTIRÁS O CHEIRINHO DO CHURRASCO PITA VIRGEM. MESMO TABAIBO DO MATO NA GRELHA, NO ESPETO PAKASSA TENRA E A PICANHA NA GRELHA A ESTALAR.... OS TEUS CAMINHOS SÃO DE DEAMBULAR FELIZ NA KUKIA DA VIDA QUIÉ SUMAUMA.

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QUE A TUA VIDA DOCE CONSOME, É O TEU PREPARO É O TEU ELIXIR QUE ESMAGAS NO TEU PILÃO E BWÉ CONSOMES..., TAL COMO OS TORRESMOS DA BELA MOPANE.... NESTE TEMPO DE ESTUPOR, TERRA DE “FIADO CIVILIZADO” DE SEM RESPEITO, CURRICULO SUSPEITO … Oh! NGANA NZAMBI! KAPIANGO, PÉS DE PATRANHA, EDIFICAM-SE NOS POLEIROS DE NOSSOS CELEIROS…. E, NÓS SÓ XIMBICANDO N´DONGUS  NAS MULOLAS DO RIO SECO…

KANDANDU - ZECA2018020722H00

As escolhas de

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:16
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2018
MALAMBAS . CXCV

A CHUVA E O BOM TEMPO - 03.02.2018

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade num mundo exótico … De novo e com agrado irei ver aquela senhora percorrer a praia de ponta a ponta de marcha-à-ré para rejuvenescer…

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 

Cruzei o Atlântico no Boing D. Maria II em sete horas e vinte minutos. Pedro Alvares Cabral deve ter levado um mês ou mais, considerando o vento de Bolina na feição e soprando no rumo sueste; deste jeito não teriam de mudar as velas permanentemente para percorrer todo o percurso sem ter de fazer os ziguezagues por forma a embolar os grandes panos propulsores. Eram tempos de escorbuto por via de não comerem legumes e frutas frescas.

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Hoje, os novos processos de catering, manuseiam milhões de refeições ao redor do mundo para abastecerem milhares de naves que cruzam os céus em diversas direcções. Cada companhia aérea tem contractos com empresas vocacionadas a fim de condicionar em embalagens próprias as variantes gastronómicas, frutas, saladas e sobremesas pré escolhidas por nutricionistas e dietistas por modo a não causticar o organismo humano.

tapete verm..jpg Não posso imaginar todos os passageiros a entupir os minúsculos banheiros depois de comer uma feijoada, cozido ou um sarapatel deteriorados. Ali presos num escasso espaço assim como capota enfiada num espaço anatómico para nem poder sequer abanar as asas, os braços neste caso sem se correr o risco de dar um sopapo ao vizinho de ouvidos entupidos por um fio que lhe entorna musica nos neurónios…

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Já andei pelos ares o suficiente em horas de voo para dar três voltas ao globo e sempre refilo com estes apertos de não poder cruzar as quinambas maçando o corpo encolhido, entupindo os gazes nas curvas, obstruídas para além da traqueia o hiato e as muitas nervuras coarctadas de fazer seus peristálticos movimentos. Melhor seria que nos dessem um comprimido de seis horas de sonolência, enfiarem-nos num tubo de hibernação e despertar na hora certa de desembarque.

zumbi7.jpg Desta feita tive de comer três fusos horários deduzindo na máquina do tempo os três por forma a equilibrar o invento da vida chamado relógio. E, o carnaval de Guaxuma com sua sereia espreguiçando tempo, espera por mim rodeada de águas tépidas chispando suas quenturas de 28 graus em seu corpo rebrilhante desde a cauda à ponta de seus cabelos.

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Já estava farto de usar ceroulas até o pescoço a fim de aguentar o frio do M´Puto, dois pares de meias, chapéu a cobrir as orelhas para dormir, luvas com pele genuína de ovelha da Serra da estrela. Depois, assim que o sol baixa, ligar as quenturas da casa, a botija de água para aquecer as pontas e desumidificadores para chupar o orvalho invisível da humidade roedora de ossos! Tudo fica que nem cordão de sapato; até a paciência se esvai para o canto dos tornozelos…

araujo65.jpg Como diz o Papalagui das longínquas ilhas de Samoa, ficamos que nem cebolas, cheios de cascas, uma por cima de outra para tapar as vergonhas e adjacências. Por isso escolhi o Brasil para armazenar meu esqueleto das frieiras, untá-lo com o sol do nordeste, empreguiçar-me por horas nas quenturas esmeralda - águas das piscinas naturais da Pajuçara, untar-me de cerveja skol, água de coco ou cachaça pitu enrolada em pedaços de doce abacaxi.

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De novo e com agrado ver aquela senhora percorrer a praia de ponta a ponta de marcha-à-ré, isso, andando para tráz para rejuvenescer-se em juventude e uma outra andando em ziguezagues, parando na água, chutá-la e depois ficar virada para o mar alto, abrir os braços e acenar a Nosso Senhor! Eu bem que olho e volto a olhar e, até semicerrando os olhos e, nada! Não vejo o que ela deve ver! Há gente que tudo consegue e segundo dizem, com fé sempre alcançam suas ousadias…

roxo123.jpg Irei passear até o largo do Ganga Zumba, uma pedra com feitio de gente quase primitiva, com uma lança a olhar o céu do lado nascente! O primeiro líder do Quilombo dos Palmares. Um herói de libertação vindo do Reino do Kongo e morto por seu sobrinho Zumbi, o mesmo que foi agendado como o patrono do Dia da Consciência Negra; assim ficou no calendário brasileiro. Coisas que aconteceram no longínquo ano de 1678…

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Os dias ficarão enfartados de fantasia com contos de outros tempos e, que agora surgem avivados nas memórias das escolas de samba! Lá terei de ir à terra de Palmares descobrir, porque é uma terra tão carregada de misticismo com Coronéis e majores, donos de grandes fazendas, senhores de tudo e de todos e, que em tempos idos faziam a lei… estórias do agreste e sertão com feitiçarias de mulheres que exageram seu adventismo… mulheres que conseguem ver sempre que querem, o Nosso Senhor…

O Soba T´Chingange no Nordeste brasileiro

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:13
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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2018
MONANGAMBA . XLVIII

O CARMO E A TRINDADE – 06.02.2018 

- A nossa própria estória não pode ser enganada…

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

Por

soba0.jpeg T´Chingange - no Nordeste Brasileiro

Encontrei o Adelino quando retirava uma sopa à jardineira da estante da Cozinha de Portimão, uma casa especialista em fazer churrasco de frango e, cujo dono é um xi-colono vindo do Lubango e, que ri sons agudos e solavancados; lembrei-me de seu nome: Álvaro Gomes Faustino. Notei pelo perfil que aquele outro senhor era o Adelino, um amigo vindo como eu na ponte da LuuaLix da guerra do tundamunjila de Angola.

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Na dúvida, toquei ao de leve no ombro dele, pelo que certifiquei-me de ser ele mesmo! Então Adelino, como vai a vida? Perguntei! Desculpe mas não sei quem é o senhor! Pópilas, o catravêz da estória retrograda tomou conta dele. Eu que passei tantas horas com ele, rebitando farras com seu sobrinho Zito, e, naqueles dias cinzentos. Daqueles tempos em que nos tentávamos adaptar ao frio, à indiferença do M´Puto e ao nome de retornados.

abraço0.jpg Sou eu o T´Chingange Monteiro amigo do Jimba e da Balbina Peixoto Pais da Cunha, sua sobrinha! Foi quando o lado certo da cabeça dele relampejou na demasiada sonolência. Desculpa, meu!... Deu-me um grande abraço, daqueles que só se dão quando se repara um infeliz lapso de memória!  Adelino é um mestiço nascido no Sumbe, antiga Novo Redondo, o cemitério dos brancos lá pelos anos 50 do século XX.

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Deu-me notícias de que seu irmão Pais da Cunha tinha falecido, bem como o Jimba Peixoto seu sobrinho por afinidade. Contou que na sua recente ida a Angola, foi maltratado! Como assim! Muxoxei para ele com aquela surpresa de quem num repente fica burro pelos incidentes! Verdade, meu irmão, mandaram-me para a minha terra, a terra do meu pai, referindo-se aqui ao M´Puto!

cafu14.jpg Ouvi a descrição sem espanto porque as odisseias da vida têm destas periclitantes situações. Pois! Disseram-me para vir para a santa terrinha; isto depois de 42 anos é muito chato de ouvir. Adelino veio na ponte, entrou a trabalhar no Tribunal de Portimão colocado como adido e por aqui foi ficando com a categoria de técnico oficial de execuções fiscais.

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Por vezes falava-me de casos pitorescos na sua incumbência de fazer inventários ou executar ordens de arrolamento com confiscação de bens, como colheres, mobílias e outros patrimónios de alto ou baixo pecúlio. Mas a estória que agora vou contar nada tem a ver com estas tarefas de agente do estado para desgraça de pobres, coitados e afins…

STUDBYQUER.jpg Adelino descasou-se em tempos de más descargas biliares com a sua genuína e primeiríssima mulher; sucede que naquele então estavam a chegar muitos refugiados vindo dos países nórdicos sendo em grande parte Romenos, Kosovares, Húngaros e até Russos com mais outros países devastados por guerras civis.

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Foi nesse então que lhe deram a hipótese de se umbigar com uma branquela cor de neve e jovem de fazer inveja com gaifonas à sua mulher. Vou-te substituir por uma branca, sua preta! Teria dito ele como desdém e gozo de muitas raivas e também para meter inveja! Pensas que fico por aí assoando ranho de choros!? Teria dito isto rindo-se todo de malvadez por dentro. Conheço a peça!

angola6.jpeg Vai daí, mandou vir uma mulher mas, eis que sem mais nem porquê vieram duas! Tanto assim que um dia disse-me: Monteiro, não queres uma mulher! Como é!? Este filme vim a conhece-lo mais a fundo posteriormente. O tempo passou e eis que um dia convida-me a ir à festa de um ano de sua menina nascida do ventre da tal mulher do Kosovo. E isto foi em sua casa no local da Pedra Mourinha de Portimão. Sua filha era loira, de olho azul, bonitinha…

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Agora que já são passados uns catorze anos perguntei se ainda estava com aquela tal mulher ao que me respondeu: Mandei-a embora! Andava a pôr-me os chifres com um patrício seu! Disse ele sem que lhe perguntasse! Desfiz-me da ranhosa. Estava a tornar a minha vida num xarope amargo e acabei com a estória. Então e a tua filha? Está bem, uma linda moça, boa estudante; fica bastante tempo em minha casa pois eu sou seu encarregado de educação. Fico contente que assim seja! Disse eu…

sapatos longos.jpg Daqueles meus amigos de Silves e Portimão, muitos voltaram a Angola depois da morte de Savimbi em 2002. Alguns, habituados às modernices do M´Puto com janela de vidro duplo, tiveram alguma dificuldade de se readaptarem na N´Gola, mas o tempo foi-os acomodando à terra sua por direito. Pelo que sei, ninguém se adaptou a cem por cento. Cá e Lá…

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Uma merda, diz Adelino relembrando muitas outras pequenas coisas em comum. Já nada é igual! Dissemos quase em uníssono! Transcrevo isto a bordo de um Boing da TAP rumo a Maceió aonde resido desde 2006! Um exercício que prometi fazer a fim de ginasticar a mente e, por modo a não ficar com aqueles chatos lapsos de memória que atrapalham o gosto de viver! Conheço-te de algum lado? Até um destes dias Adelino…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:47
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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2018
XICULULU . CV

TEMPOS QUENTES – 02.02.2018

- E, nós aqui a trabalharmos como uns moiros para tapar as lacunas que, os impostos nos vão impingindo no corpo com se fora energia exogénica…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Como diz a sombra esquerda de Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó; é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente da memória. O sol, o ar, a água, e a terra, têm de ser considerados permanentemente parte de nós. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo, como um veneno mortal.

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O sol é a verdadeira fonte da vida e, ao invés do que alguns conceituados doutorados dizem, ele não é prejudicial; não é o sol que provoca o câncer de pele mas sim os muitos venenos que ingerimos sendo queimados ao serem expelidos para ela. Ando a ficar mouco e até estrábico de olhar para a televisão a ouvir e ver coisas que não pensava; isto é mesmo uma teoria de conflitos que só sairá com cromoterapia e acupunctura. Ontem espetei um pico no dedão do p e ali ficou a fazer-me a cura…

justiça1.jpg A terra na forma de argila é um laboratório de vida porque purifica, regenera e dá energia. Repito:  corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo como um veneno mortal. Teremos por isso de nos fixarmos na fé, sem aquela inquietude de afligir o próximo, ou ficar nesse estranho silêncio, uma forma de ver o princípio do nada, esperando as mudanças no tempo e suas modas adaptando-nos ao luto de preto, que em tempo idos foi branco.

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E, porque se diz que a justiça é cega e surda, pelo que se sabe também anda meia calçada e meia descalça para fingir que agrada a humildes descamisados e ricos encoirados. Mas, pelo sim pelo não, usamos amuletos da sorte para nos enganarmos nas figas, no corno, na meia-lua, na estrela de David penduradas ao pescoço ou uma ferradura velha de burro ou cavalo.

justiça2.jpg O místico junta-se com a Cruz e o Cristo numa caixa, asfixiando-O o tempo todo e, sempre picado em sua coroa de medonhos espinhos com um credo na ponta das falas, um cruz e credo com interrogação e exclamação juntas. Pelo sim e pelo não, também tenho uma ferradura de burro manco pendurada por detrás da porta da dispensa mas estou em crer que deveria estar bem á mostra por via do mau-olhado, esse tal de xicululu ou olho gordo.

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Com esta onda de crimes de colarinho branco, rusgas e detecção de contas surpreendentes para um M´Puto que se diz o mais seguro dos países no Mundo, ficamos na duvida de que a lei se cumpra em plenitude, uma vez que são os julgadores juízes que agora estão a ser julgados. Por enquanto só são arguidos mas, já sabemos que andou por ali mãozinhas estranhas a depositar às mijinhas parcelas de somar milhões.

justiça3.jpg E, se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado e, embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não olhar para nós; teremos por isso de nos fixarmos na fé, sem aquela inquietude de afligir o próximo.

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Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo num faz de conta de etnólogo e entre outros afins descubro pegadas, cheiros encarquilhados misturados com suor de catinga de desporto na densidade molecular dos anos na leitura de carbono, com indícios de que afinal a coisa vem de longe e,  com edecéteras complicadíssimos. E, nós aqui a trabalharmos como uns moiros para tapar as lacunas que os impostos nos vão impingindo o corpo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:57
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Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018
MALAMBAS . CXCIV

A CHUVA E O BOM TEMPO - 31.01.2018

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade num mundo exótico …

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Falando de pessoas, se o passado para alguns surge falso e é coisa de se esquecer, o futuro de hoje parece ser uma mentira. E, se a esperança está no futuro, direi que virá muito cheia de medos esquizofrénicos com o terror de se ser comido por um semelhante. É esta a lei da vida? Lá terá de ser!

ant4.jpg Numa metafórica visão rocambolesca, tento reeducar-me de modo a não ferir susceptibilidades reduzindo-me a um infra numerário, numa passividade contemplativa do quanto baste e, no estritamente necessário; sem me tornar em uma múmia de sempre dizer sim, e nem lá vou nem faço nada, ou então, que seja o que Deus quiser.

sacag4.jpg Tem muita gente assim que manda tudo para o Nosso Senhor como se Ele não tivesse mais nada para fazer; Graças a Deus que o Benfica ganhou! Mas que é isto!? Nem procuram saber se Ele é do Benfica ou do Belenenses. Desta vez lixaram-se porque no último minuto veio o empate!

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Vejo assim a arte das coisas como um meio de transmiti-las, sem me inibir nem renunciar por completo dos principios e regras estabelecidas. Por vezes não consigo ter o bom senso necessário e destapo a tampa recorrendo à literatura que, é ainda um bom meio de se alcançar a reinventacão na transmissão de princípios da luta pela renovação na sociedade.

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Todos nos encontramos mergulhados na banalidade quotidiana dos gestos e das frases repetindo aquelas ansiosas falas de todos os tempos e, de todos os lugares. O Mundo está uma ervilha! E falam, falam pelos cotovelos. Assentes numa mesa quadrada todos explicam assuntos bicudos, periclitantes.

moita2.jpg É a cultura da televisão com cento e cinquenta canais sem contar os desportivos. E, com tudo simples e anti-heróico clico no botão das minhas benevolências: Que é isto!? Falam das mamonas assassinas! Clico de novo: Dormiste bem? Amor, queres que te faça um chá? Uma torrada com doce de pitanga?

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Numa vida a dois, clico nos três das notícias, é ali que desperta a zona franca da memória. A operação XIZ resultou na prisão de três presumíveis implicados, um presidente de um clube, um juiz de instância superior e um deputado da nação! Os presumíveis implicados têm cadastro já do tempo da outra senhora e, repetem, repetem e, eu mudo de zona…

144.jpg A minha zona franca está a ficar um porto inseguro! Respira-se por fim um ar tranquilo com o computador a dizer: esperam-se aguaceiros na sua zona – leve o guarda-chuva porque pode molhar-se! O vento sopra frio do lado do mar. Uma luz sobre a realidade; este computador anda a comer-me os às…  

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:11
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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018
XICULULU . CIV

TEMPOS QUENTES – 30.01.2018

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Há mulheres e há gajas com vestidos às tiras e, sem cuecas…

soba k.jpgAs escolhas do Soba T´Chingange

Por: Cristina Miranda

Há por detrás desta onda de indignação de certas mulheres uma hipocrisia monumental. Se por um lado se queixam do assédio sexual por parte dos homens, do outro exibem-se praticamente nuas apelando aos instintos reprodutores dos machos. Não me venham dizer que o fazem de forma ingénua só por “gostarem” da indumentária ou para se “sentirem bonitas”. Balelas!

modas2.jpg Mulher que é mulher com “M” grande sente-se bonita e atraente até com umas simples calças de ganga. Sou mulher e sei muito bem do que falo. Cresci num tempo em que incomodar uma miúda na paragem de autocarro com graçolas era MÁ EDUCAÇÃO com direito a dois tabefes bem dados nas trombas desses garotos após queixa ao pai. Não era assédio sexual.

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Um tempo em que mandar um piropo por passar uma rapariga bonita, não era assédio, era fazer a corte. Atacar violentamente uma mulher abusando dela sexualmente era crime de violação sexual. Tudo era muito bem definido. Agora tudo é assédio. Hoje até um simples “olá, estás boa!” pode ser perigoso. É a doideira total.

modas1.jpg Como mulher também eu fui largamente “assediada” dentro deste contexto “moderno” da palavra. E isso nunca me incomodou. Porque os galanteios sabiam-me bem ao ego pois demonstravam o meu grau de sedução sobre o sexo oposto. Mas sempre com cuidado com as indumentárias para não transmitir uma imagem errada daquilo que pretendia: atrair pessoas, não predadores sexuais.

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Quantas vezes me perguntaram: “Posso me sentar? Está acompanhada?” Dando uma resposta imediata conforme minha conveniência. Que mal tem atrair os homens e receber uma abordagem por isso quando até os passarinhos (esses animais tão fofos) provocam as passarinhas com rituais para as atrair sexualmente? Porque não nos indignamos igualmente com a natureza? Bem, deixa-me estar calada, não vá alguém ter ideias…

modas3.jpg Mas a hipocrisia cresce ainda mais quando ninguém refere os homens como vítimas desse mesmo assédio de que tanto se queixam! Não oiço nada, mesmo nada sobre isso e é muito estranho. Ao longo da minha vida vi coisas incríveis protagonizadas por mulheres predadoras sexuais. Não estou a brincar. Autênticos filmes, alguns quase de terror psicológico com elas a rodear vítimas masculinas desesperadamente.

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Quando dava aulas em Ponte de Lima havia um colega que era muito popular do mulherio. Sempre rodeado por elas, alunas e professoras. Tinha o dom de saber ouvi-las e elas encantavam-se com ele! E eu, achava aquilo muito engraçado, porque meu colega, fosse num café ou na escola, nunca se via com homens. Parecia ter mel que só atraia o sexo feminino. E muitas! Até que um dia nos tornamos amigos e ele começa a contar-me o seu drama.

cabi1.jpg Fiquei a saber que ele era perseguido, molestado, “armadilhado” com esquemas onde apareciam nuas na sua cama, lhe ligavam para casa a toda a hora, enfim, não o deixavam em paz. Vivia num inferno! Mas, como vivíamos num tempo diferente deste, nunca viu nisso um crime. Apenas azar de atrair tanto o sexo feminino. Como este, conheci muitos mais exactamente com o mesmo problema: assédio feminino. Alguém fala nisto? Claro que não. Não convém…

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Esta raiva aos homens é patológica. Não faz sentido em mulheres saudáveis e bem resolvidas com a vida. Porque estas sabem sempre avaliar as situações separando o que é efectivamente crime do que não passa de galanteios, mais ou menos felizes (sim, porque nem todos nascem com o mesmo dom para a sedução). Saberá estar à altura de dizer “não” e se esse “não” for desrespeitado, resolvê-lo.

dy27.jpg Porque a hipocrisia não deixa ver que no dia em que estas senhoras todas com mais ou menos nudez à mostra, não obtiverem qualquer reacção masculina (por receio destes) serão elas a questionar a virilidade dos homens e acaba-se o glamour dos vestidos às tiras sem cuecas.

Cristina Miranda

Ilustrações de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:16
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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2018
XICULULU . CIII

TEMPOS QUENTES – 29.01.2018

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Pobre mesmo, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos!

Por

calças rotas0.jpgJosé António Saraiva

- Aqui está a realidade! Há diversas provas de que a nossa civilização está a chegar ao fim. Uma delas consiste na perda de referências que durante séculos permitiram organizar o pensamento.

calças rotas1.jpg Isso verifica-se na pintura, por exemplo. Quando era figurativa, a pintura tinha um referencial – que era a realidade. Era possível dizer se um quadro estava ‘bem’ ou ‘mal’ pintado, confrontando-o com a realidade que pretendia retractar. Claro que isso não bastava. Tinha de haver algo mais, um estilo, um toque de génio que diferenciasse um pintor dos outros. Mas esse ‘referencial da realidade’ perdeu-se. Hoje temos quadros todos pretos ou todos brancos. Não é possível saber se estão bem ou mal pintados.

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E o mesmo pode dizer-se para a escultura, para a literatura, para o cinema ou para a música. A melodia – ou seja, uma linha de continuidade que o ouvinte seguia e ia acompanhando – desapareceu da maior parte das músicas contemporâneas. Muitos delas são conjuntos de sons dispersos, aparentemente sem ligação entre si.

calças rotas2.jpg Na escrita verifica-se o mesmo. Um romance contava uma história – que podia ser a história de uma pessoa, de uma família ou de um grande amor. Mas muitos dos romances que hoje se escrevem não têm história. As frases são agrupamentos de palavras que podem fazer ou não sentido. Também aqui o ‘referencial da realidade’ desapareceu. Não se pode dizer se a história é boa ou má, verosímil ou inverosímil, porque deixou de haver história.

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 Com o cinema passa-se a mesmíssima coisa. O chamado ‘enredo’ perdeu-se. O filme negro de João César Monteiro é o exemplo extremo de não-cinema. Mas não só nas artes se perderam as referências. Em muitas outras áreas se nota essa ausência de nexo, ou de sentido, ou de lógica. Por exemplo, nos cabelos cuidadosamente despenteados; na fralda da camisa por fora das calças; nos sapatos a que se retiram os atacadores.

calças rotas3.jpg Tudo sinais que pretendem transmitir às pessoas um ar negligé, desimportado, de desprezo em relação às convenções – mas que no fundo representam exactamente o contrário: um seguidismo cego em relação à moda… Neste tema da falta de sentido das coisas – ou de uma cultura do absurdo – o exemplo mais ridículo são as calças rotas. As calças compradas na loja já rotas constituem o exemplo máximo de uma civilização que chegou ao fim da linha e já não consegue inventar mais nada. Então põe-se a rasgar deliberadamente a roupa nova. É o nonsense no seu máximo esplendor!

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Tudo começou com os ‘jeans lavados’. Quando os blue-jeans apareceram, tinham naturalmente a cor da ganga azul. E assim viveram uns bons anos. Mas a dada altura alguém se lembrou de dar aos jeans novos um ar usado – e aí apareceram nas lojas os ‘jeans lavados’. Os jeans novos, com ar de acabadinhos de sair da fábrica, tornaram-se um sinal de parolice, de pessoa pouco ‘vivida’. E os jovens queriam parecer ‘vividos’...

calças rotas4.jpg Mas, como todas as modas, os jeans lavados banalizaram-se – obrigando os criadores a puxarem pela cabeça. Mas não tiveram grande imaginação. Dos ‘jeans lavados’ passaram aos ‘jeans puídos’, ou seja, gastos em certas zonas para parecerem muito usados.

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E a machadada final foram os rasgões. Primeiro nos joelhos, mas depois em toda a parte. Hoje vêem-se jeans a que faltam praticamente as coxas – substituídas por gigantescos buracões! As pessoas que as vestem tornam-se cómicas. Dão imensa vontade de rir, parecendo palhaços pobres!

calças rotas5.jpg Entretanto, para dar algum sentido útil a uma moda sem sentido nenhum, arrisco-me a fazer uma sugestão. Sugiro às empresas de confecção têxtil que façam convénios com ONGs actuando em países do terceiro mundo para enviarem para lá jeans novos – recebendo em troca jeans velhos e usados. Que têm mais valor do que os que se vendem nas lojas, porque foram envelhecidos pelo uso e não de modo artificial.

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E que podem inclusive ter andado na guerra, exibindo rasgões feitos em combate ou mesmo buracos de balas. Que tal? Os consumidores ocidentais poderiam satisfazer assim sua ânsia de frivolidade – e as populações desses países pobres teriam o prazer de usar calças novas. Isto deve ser doença de rico pobre! Porque pobre mesmo , quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos noé?

As escolhas de

Soba T´Chingange

 



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Domingo, 28 de Janeiro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Angola, os Mwangolés e os Chinocas – 28.01.2018

Ruptura com o passado. Cada um de nós é uma nota musical única … Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado….

Mwangolés:  Os donos de Angola; Kapianguista: é ladrão.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Controlando minha missão de aguentar as austeridades dispus-me a gozar mais um dia de sol no M´Puto, nesta beirada sul dum país que já foi metrópole dum império. Agora que aqueço motores para ir para o Brasil, tomo nota do que tenho a levar para a minha praia da Pajuçara. Cada cabeça sua sentença e, o facto de se ir de A para B no espaço, ou seu inverso no tempo, obtêm-se um conjunto ou a soma de ondas para todas as trajectórias comportamentais.

CHINOCAS4.jpg Em minha vida, surgirão terroristas e anarquistas que por debaixo de suas flanelas ou cetim, se mostravam conformistas indecentes com colarinhos abotoados para e, no tempo, verificarem ser anarquistas, pastores ateus, adventistas ou budistas. E, no meio da minha chuva, surge o swing com anfetaminas e tranquilizantes juntos com a bruteza e maneirismos, calão em abundância com muito esquecimento porque nem todos os amigos gostam de relembrar makas antigas.

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Agora, tudo indica que na Angola hodierna a recuperação da memória é coisa insuportavelmente dolorosa. Também sucede isto na diáspora com a tal fabricação da “teoria do esquecimento”, não tão grave quanto os primeiros que formam o bando dos donos de N´Gola, os da nomenclatura da Luua, ou os bófias governamentais.

CHINOCAS3.jpg Com carros de borla, choffer, engraxador, empregados vários e viagens pagas pelo estado a Johannesburg. Pois! Para fazerem suas compras no picknpay… Os mwangolés governamentais reivindicam constantemente apropriação do seu poder sabendo de antemão o sentido de sua insensatez numa fuga para a frente e em direcção à utopia.

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Nenhum destes reconhece as suas próprias responsabilidades ou se declaram arrependidos, ajudando a perpetuação do mau uso da verdade, dando um salto na memória do tempo. Eles, governo e oposição, gostam de fazer banga em seus four-by-four com vidros esfumados; um dia isto vai acabar!

CHINOCAS2.jpg Eles, os mwangolés, surgem com um verbo fácil de fazer milagres, olhos vivaços para resolver problemas fúteis ou bizarros… Escondem os detalhes mais sórdidos, engenhosos e enganosos dos anos loucos de suas vidas desde antes do tundamunjila de 1974/75. Em Angola, como se todos tivessem sido simultaneamente vitimas e verdugos sem nenhum procedimento penal, relegam a denúncia em nenhures. Nenhum arrependimento e consequentemente, nenhum perdão!

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Sem nenhum sentimento de justiça viram a conjuntura a seu favor fazendo até leis cómicas, esquecendo-se a propósito de que representam o povo. Ainda se fosse uma revolução cultural!  Sendo assim pergunto-me: - Como é possível que estes governantes não tenham vergonha ao se confessarem socialistas ou capitalistas quando em verdade são kapianguistas.

poluição.jpg E, só falam daqueles que os contestam, dos gatos que apanham ratos; brancos ou pretos, pouco importa. Pois! O rato rico contra o rato pobre tornando-os donos dum livre-arbítrio; com um poder resguardado por “insuspeitos” bajuladores que os ligam aos chinocas sem qualquer concepção de práticas democráticas, quando se trata de marcar o estilo.

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E, o mundo não responde aos problemas dos direitos humanos, da certeza das leis, ficando também no seu livre-arbítrio e, dando-lhes obviamente mais prepotência. Quero, mando e posso! Assim progridem no tempo sem nunca acertarem as contas sem cultivar as virtudes de benevolência ou de sabedoria!

CHINOCAS1.jpg Nesta zoada de comportamentos e muito carregados de prosápia metem-se com os chineses sem nada saberem sobre estes! Os chineses têm dentro de si um vazio e, cada qual o preenche à sua maneira. O pitoresco, a liberdade e o exótico são conceitos estranhos  à sua cultura… E, eu aqui a recordar-me que as feras foram largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 do MFA do M´Puto; nesse tempo em que os partidos-movimentos chegaram à Luua com mais armas do que bagagens…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:16
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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2018
XICULULU . CII

NAS CINZAS DO TEMPO – 26.01.2017 – Eu e a Talassoterapia … Um homem sem religião é como um hipopótamo sem bicicleta…

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Um grupo de cientistas do Instituto Salk, na Califórnia (EUA), conseguiu pela primeira vez fazer o tempo voltar para trás para um grupo de ratinhos, reduzindo os sinais de envelhecimento e prolongando o seu tempo de vida. O artigo, publicado na revista Cell, mostra que, afinal, o envelhecimento pode não ser irreversível mas ainda é preciso muita investigação até experiências em humanos.

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O envelhecimento é o maior factor de risco para muitas doenças que nos afectam. Porém, ainda teremos de esperar por uma possível aplicação nos humanos destes conhecimentos adquiridos com a reprogramação celular, tal como se constatou nas experiências anteriores com animais em que a “interferência” nas células acabou por resultar em cancro ou morte.

celulas1.jpgCélulas renovadas

As células nesta fase inicial para a qual são levadas com estas técnicas adquirem uma capacidade de proliferação que pode ser prejudicial. Não é por acaso que a grande capacidade de divisão e multiplicação é uma das características das células cancerígenas.

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“É óbvio que os ratinhos não são humanos e sabemos que será muito mais complexo rejuvenescer uma pessoa”, reconhece o investigador Juan Carlos Belmonte, acrescentando que, no entanto, o “estudo mostra que o envelhecimento é um processo muito dinâmico e com plasticidade e que, por isso, será mais receptivo a intervenções terapêuticos do que pensávamos”.

ceu1.jpg Apesar das reservas, os cientistas parecem determinados em conseguir que o envelhecimento deixe de ser algo irreversível e imaginam que os ensaios clínicos (em humanos) possam começar num prazo de dez anos. Os bons resultados iriam, seguramente, agradar a muita gente. Afinal, quem não gostaria de rejuvenescer ou “apenas” viver mais tempo saudável?

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Levantei-me mais cedo para tomar meu chá espacial de me fazer permanecer até aquelas descobertas serem mais efectivas. Assim, pouco passava das seis da manhã, envolvi-me numa manta de conforto, introduzi na cafeteira umas bagas de zimbo, uma casca de ipê-roxo que trouxe do pantanal, folhas da planta doutor do sertão e umas quantas folhas já secas de erva Luiza roubadas no quintal do vizinho ao por do sol.

certo.jpg Ando a fermentar algo que um Tenente-Coronel me disse de como dar dinamismo às coisas e como exemplo referiu que as greves têm de ser dinamizadas para correrem na perfeição. Isto de dinamizar a paralisação é um contra censo mas é mesmo assim, dinamizar o nada-fazer para tirarmos dividendos das arbitrariedades. O mundo anda confúcio…Hoje vai haver maka!

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:38
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Domingo, 21 de Janeiro de 2018
MULUNGU . LIX

TEMPOS CUSPILHADAS – 21.01.2018 - Por livre iniciativa, a Europa deu autorização a importarem os espíritos da China! Eles estão chegando…

Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco em língua Xhossa

Por

soba0.jpegT´Chingange

Até há bem poucos anos atrás, o ocidente fechou as portas à possibilidade de compreender a China. Hoje, buscam formas de se entender diplomaticamente com estes, permitindo-lhes a entrada em seus territórios com obtenção de benesses e isenções em sua actividade comercial – vistos gold e outros edecéteras. Tome-se em conta que o peso de impostos que os demais cidadãos nacionais são obrigados a pagar, é bem menos vantajoso do que o oferecido a estes empresários vindos do outro lado do mundo.

MULUNGU1.jpg Deduzir-se assim que os donos disto tudo, só o serão com os países de capital que nos compram divida. Um dia o futuro chega e quase sem se saber, as instituições que eram estatais formam-se de um conjunto de accionistas sem rosto e, dum qualquer país. Se neste futuro vamos ter de ficar entregues a um dragão, teremos de saber um pouco que seja do que não nos une e divide!

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Se dali vieram há muitos anos atrás o chá, a seda e o arroz, não será mau antevermos os significados de sua cultura, mitos e realidades. Como se pode ir a Setúbal sem se saber quem foi Bocage ou, ir a Inglaterra sem se saber quem foi Shakespeare? Pois corria o ano 220 da nossa era quando os Qin unificaram aqueles territórios para e, a partir daí a China passar-se a chamar de China.  

pequim1.jpg E, foi Qin como primeiro imperador que colocou milhares de guerreiros feitos em barro e em tamanho natural para guardar sua sepultura. Marco Paulo, o primeiro ocidental a visitar estas terras longínquas curiosamente não referiu a existência destes milhares de guerreiros, nem tampouco referiu a muralha da China que dizem ver-se da lua.

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Bem! A grande muralha da China é o símbolo da identidade da China mas, tudo é devida à sobrevalorização que os viajantes ocidentais dela fizeram; se em tempos foi útil para defesa tornou-se no tempo uma inutilidade, coisa supérflua. Este símbolo foi transformado em parque temático pois que à semelhança do Coliseu de Roma, estes mascaram-se aqui de falsos guerreiros armados com lanças de pau e escudos de cartão.

pequim2.jpg Criam atmosferas de uma Disneyland onde o em vez do Rato Mickey se pode encontrar o tal de Qin, primeiro imperador a vender camisolas e cuecas com estampas dele mesmo; tudo gerido por uma sociedade cotada na bolsa de Hong Kong. Não me convidem para ir à china ver um velho homem já careca com nome de Mao Tzé, uma barriga de melancia transportando a gaiola dum passarinho para apanhar ar e vir de lá uma bicicleta desenfreada e, atropelar-me.

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Parece que por lá nos sinais dos semáforos o verde é para parar e o vermelho para avançar! Ninguém se entende na balburdia porque o vermelho é a cor da revolução. Cozinham na rua, um beco cheio de gente que tosse e cospe e ali ao ar livre acendem o fogareiro, colocam-lhe carvão aonde estiram uma cobra despida ainda a rabiar! Deus-me-livre!

pequim3.jpg Mas hoje Pequim a capital que foi criada por decreto imperial em 1404 por Yung Lo da dinastia Ming é uma cidade cheia de arranha-céus; alguns destes edifícios terão lá no alto do cubo de vidro ou concreto a fazer de tecto, um chapéu pagode.

MULUNGU2.jpg Acabaram com os espaços interiores tipo pátios ao jeito da Andaluzia aqui do sul de Espanha; com o tempo os muros altos com aldrabas lacadas a vermelho para impedir os espíritos malignos de ali entrar estão sendo derrubados. Por livre iniciativa a Europa deu autorização a importarem de lá estes espíritos para e, com tempo compreendermos a China…

O soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:02
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CXC

CINZAS DO TEMPO - 19.01.2018
NO TEMPO DAS CARTAS DE CHAMADA PARA A LUUA - ANGOLA DEVE TER SIDO UM SONHO!
- O vapor Mouzinho levou meu pai para Angola; ele levava uma mala caixão de lata com bolinhas verdes e tiras de madeira pregadas com taxas douradas…
MALAMBA: É a palavra.
Por

soba0.jpeg T´Chingange

Há dias e dias! Há dias de um irritado pessimismo e outros de tão naturalmente optimistas que como um carneiro jogamos orgulhos contra obstáculos de repetidas coisas, eternas repetições de males antigos, males de imaginações insatisfeitas, amargas desilusões sem fermento na tristeza. Sem vontade de tormentos, certo! 
O certo é o de que quanto mais se sabe mais se sofre. Há fastio de inteligência! Há tédio! Há vontade de mandar tudo fora e partir vidraças, emudecer brilhos, despedaçar bocejos. Mas, desde quando um carneiro tem orgulho? 

mouzinho1.jpg Tão abarrotado de civilização espreito os meses farejando raças sob o abrigo de suas telhas vãs no calor da lareira, panela atestada de couves tronxas, frigideiras com unto branco de porco, uns chouriços de pendão, panelas tisnadas, trempes de ferro sempre aquecidas entre troncos de oliveira e borralho esparramado:

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Uns traços de números esgravatados na cinza. É meu pai fazendo contas de feira passando os dedos papudos e peludos ora nas frieiras, ora sobre a face pendida, apalpando a testa e aludindo ganhos minguados. Nos fios de gastas crenças, tão corcovado, tão gasto, enrodilhado em suas macias filosofias de mineiro de volfrâmio, lembranças do M´puto, da guerra.

baú3.jpg Embebido, travado e suspirando baixinho, revia sua miúda indecisão de viver recordando-se dum dia. De repente, com um trejeito de esforço endireitou-se emperrado e cresceu! E, falou (é ele a recordar): - Amanhã vou à Companhia Colonial de Navegação inscrever-me! -Vou para Angola! Corria o ano de mil novecentos e troca o passo. E, o tempo passou...

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Falo de meu pai que esgadanhando a vida retirava volfrâmio nos granitos da beira no lugar do Cornelho, freguesia de Rio-de-Loba, terras altas e frias nos arrabaldes de Viseu - terras de Viriato e Sertório...

niassa0.jpg Os gases da segunda guerra ainda lhe amedrontavam os pensamentos. E, até eu sonhei dias depois que ainda pequeno, nos interregnos da brincadeira, guardava as chibitas, cabras que forneciam leite à família com aquele maluco carneiro que se encavalitava para marrar no farrusco, meu cachorro também guardador. Cabrão do animal!

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A Dona Micas barafustava a gritos a cada investida das cabras aos rebentos de suas videiras; eram os meus grandes problemas de vigília com arremesso de pedras e o busca-busca de farrusco. Meus sonhos transladavam-me para as frias terras aonde meu pai em tempos lá no M´Puto disse ter namorado com uma bruxa. Eu até me arrepiava quando falava de lobisomens de um tal de Nesprido... Eu candengue e aquilo a meter medo aos putos, que nem as recentes Urais soviéticas da guerra e, também depois do tundamunjila branco! As guerras aqui ou lá são sempre de kwata-kwata...

baú2.jpg Sentado no muro de pedra solta e no lugar da Maianga da Luua, um dia, vi meu pai seguir na carreira via Cais de Alcântara em Lisboa (de novo aquele sonho duma terra ainda desconhecida); levava uma mala de lata, um caixão de esperança sarapintada de bolinhas verdes sobre um xadrez de riscas pretas reforçada com umas tiras de ripas de madeira pregadas com taxas douradas. 

baú1.jpg O velho vapor de guerra Mouzinho de Albuquerque esperava-o ancorado no rio Tejo. Vendo agora a foto amarelada desse velho barco com meus dedos curtos e papudos, afago a caveira através da face também sarapintada nos anos. Essa mala de bolinhas verdes nunca voltou; lá ficou com outras muitas fotos numa Angola que ele tanto queria. Foi quando decidi ser Niassalês; nascido num barco que agora só é ferrugem...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:14
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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CLXXXIX

 

NAS FRINCHAS DA CHINA . YUAN I - 16.01.2018 - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade num mundo exótico - a China…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Liberdade é um conceito que não é característico da cultura Chinesa. Se tivesse de dizer liberdade em chinês teria de pronunciar “Zi You” que é um neologismo que se tornou necessário modernizar na relação com as culturas ocidentais. Uma ponte do pensamento chinês para se subtraírem da indiferença que mantêm em relação ao nosso mundo ocidental.

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O chinês é de facto uma estranha língua porque em teoria se poderá aprender apenas escrevendo e lendo como se cada signo seja um emblema. A nossa “lógica”, nunca foi traduzida em chinês! Talvez por isso nunca tenham tido grandes oradores como Demóstenes ou Cícero e, do que se conhece em obras literárias, só o Livro Vermelho de Mao se salientou tal como um catecismo.

yuan0.jpg Mesmo tendo a china sido revista em seu pensamento e à luz do marxismo, continuou indiferente aos nossos conceitos. É costume dizer-se que a China é diferente mas em verdade e em relação a nós, é acima de tudo “indiferente”. Quando dois chineses não se compreendem a falar, escrevem!

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O termo “analfabeto” deriva do grego e significa “desprovido de alfabeto” mas, uma vez que na China não há alfa nem beta, o mesmo conceito exprime-se unindo o signo que significa “cego” ao signo que significa “escrita”. Sua escrita pictográfica “árvore” é desenhada com uma árvore tal como um “sol” que assim se desenha mas, torna-se para nós ocidentais difícil reproduzir uma ideia em uma imagem com sons, acções, emoções ou sugestões.

yuan2.jpg Os caracteres chineses em uso são cerca de oito mil embora bastem três mil para se poder ler e escrever correctamente. Não me estou a ver lá, malbaratando o tempo com coisas de crise, dinheiro mal parado ou desandado, repreensivas orgias de falatório mal contido, sexo, drogas e álcool ou desmedidos excessos para tapar o colapso fulminante em chinês.

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Se na China eu dizer que gostava de fazer uma pergunta, isso vai significar para eles que há ali um problema! Quem ali levanta questões logo levanta problemas, maka e logo, e assim, fica mal visto! Pois então! É melhor nunca colocar questões, nunca levantar problemas! Será que o presidente Trump dos USA estudou estas recções dos amarelos baixotes?

yun1.jpg Será que ele, o Trump, sabe que lá no sudeste asiático se tem verdadeiramente a impressão de que o mundo já não gira em torno dos estates -“Estados Unidos”- mas da China. Vai ser bonito quando o mundo tiver de revalidar o subvalorizado YUAN. Vai-se dar uma crise mundial e de tal modo que nos tornaremos lixo como já o 

yuan3.jpg Em verdade o dólar irá revelar-se um Tigre de Papel! O dólar não vai ter suporte financeiro para se aguentar nas canetas amarelas; o dólar é bluff! Eles, os chineses não desperdiçam a imagem de Mao numa nota de Um Yuan; esta é dedicada às silhuetas austeras dos operários, camponeses e soldados. O mundo ocidental anda demasiado distraído! Tambulakonta (cuidado em kimbundo)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:20
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXV

ANGOLA DA LUUA XXXV - TEMPOS PARA ESQUECER - 12.01.2018  

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA - Os directores da comunicação social, os poetas activistas do MPLA falavam barbaridades contornadas com apelos à paz…

Por    

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

(Continuação da crónica Mokanda do Soba CXXIX – Angola da Luua XXXIV)

Passados que são 42 anos após a descolonização de Angola, ainda anda por aqui e ali gente a dar um encolher de ombros às lembranças de então, uma opção que não posso recriminar porque são penosas e revoltantes. Prometi a mim mesmo não me enganar continuando a ser eu próprio peneirando as opiniões, falando ou gerindo silêncios. Fale como fale, sempre serei uma carta fora do baralho!

ÁFRICA10.jpg Pelo andar da carruagem revejo-me como um elemento da riqueza soberana do M´Puto dando gorduras aos governos do M´Puto para nos poder gerir. O estado vendeu tudo o que dava lucro a empresas de gestão tais como os CTT, a EDP, as comunicações e surgiram os projectos PIN mais os Visa Golden e, não demorara a venderem também as autarquias e Juntas de freguesia. Nada me admirara depois da nossa entrega ao acaso com a entrega ao MPLA de Angola.  

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Recordo que já muito farto de atropelos, inscrevi-me para uma organização em Lisboa, CIME, Comissão Internacional de Migração Europeia e pouco tempo depois fui para a Venezuela de barco aonde me mantive por seis anos. Continuo a ver que os angolanos da nomenclatura, os mesmos que nos escalpelizaram, continuam a engordar-se nos aconchegos das vicissitudes da porca política.

guerra11.jpg Para não me mentir, terei de continuar esta senda por modo a ser no mínimo, ressarcido moralmente dos muitos desmandos, porque outra coisa não posso esperar! Não estou a ver mudanças palpáveis na conduta dos novos governantes porque estes, sobem até atingir sua verdadeira pretensão: Servir-se da máquina estatal para se acomodarem sugando-nos subestimando a vocação em detrimento dum meio de vida - o seu!

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Não tenho devaneios, este arquivo vai ficar morto como coisas do passado!… No já distante ano de 1975 e sequentes da mesma abrilada, pude ver os latifúndios da lezíria e savana alentejana acabarem sendo destelhados tornando-se montes abandonados. Fizeram festas revolucionárias comendo o gado, roubaram portas e janelas e, enquanto deu foram levantando o punho revolucionário da bestialidade.

guerra12.jpg Seus donos não tiveram alternativa e formavam fila a caminho do Brasil. Vasco Gonçalves lançava cravos à multidão; a mesma que nos cuspia no rosto porque nós, os retornados, eramos uns exploradores de negros! Comíamos seus miolos ao pequeno-almoço e das sobras ainda se fazia panados com pezinhos de coentrada como se borregos o fossem. Alguns envergonhados, dizem agora (ano de 2018) que não era assim!

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Isto tem de ser dito para que os angolanos que por lá ficaram na Luua sofrendo, entendam que nossa sobrevivência também o foi, penosa! Depois de termos sido dados como ferro velho ainda nos retiram raspas de ranho ressequido fora da coisa dada, nossa N´Gola. Em Angola, no dia 17 de Setembro de 1975 começa a evacuação de Sá da Bandeira para Luanda. As condições adversas de futuros incertos, com dificuldades de toda a ordem, seriam sentidas no M´Puto sem bombordo. Uma nau à deriva…  

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Podíamos sentir nossos amigos, vizinhos acampados no porto da Luua para fazerem a estiva de seu pecúlio, suas imbambas; as Kalashnikoves continuavam a cantar por todo o lado traduzindo os dias em centenas de mortos, gente presa, fuzilamentos sumários. O MPLA agrupava seus pioneiros para fazer maka aqui e ali. O Poder Popular agrupava seus militantes como carne para canhão sem o saber divertindo-se também como se tratasse de um festival de pirotecnia.

guerra13.jpg Da ilha da Mazenga podia ver-se lá longe as balas tracejantes riscando o dia e a noite com colunas de fumo negro e branco a excitar o medo duns e os corações de outros. Do lado de cá ainda sonhávamos com um “havemos de votar” mas, n imprevisibilidade a lei e a ordem eram uma fantasia escura, a justiça uma anedota trágica de porrada átoa.

guerra20.jpg Os directores da comunicação social, os poetas activistas do MPLA falavam barbaridades contornadas com apelos à paz; com novas rimas, cantavam makas perfilando sua falas com o MFA, libertando o povo com chavões transformando a rádio num grande megafone desordenando as cabeças. No aeroporto o medo cheirava-se com loucos gritos intercalados com silêncios tornando a moralidade numa batata podrida…   

(Continua…)

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018
MOAMBA . XVI

AMIZADES - CRUZES CANHOTO - Bingo! O mundo está diferente. Bem-vindo a uma nova era…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Foi este o Lema que li ao levantar-me; escrito por José Canhoto da Quarteira com o qual me identifico. Tal como ele, aqui em KIZOMBA, ultimamente sem saber a razão e porquês, começamos a receber dezenas de pedidos de amizade diariamente no Facebook de angolanos, brasileiros/as, gente da mauritânia e arredores, dos países do leste europeu entre outros do globo.

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A percentagem pode ser distribuída da seguinte forma: 95% de mulheres e os restantes 5% de homens. Tal como Canhoto, cheguei a várias conclusões: Todas elas têm idade inferior a 30 anos, a grande maioria tem filhos sem serem casadas, outras fazem publicidade á venda de sexo explicitando os diferentes menus e os “saldos” respectivos a pagar. Cumcamano!

etosha6.jpg E, os petiscos são “variadississimos”. Definitivamente neste aspecto de venda de sexo nota-se uma evolução negativa nestas redes sociais. Eu bem digo que ando carunchoso mas, contudo, o facto que mais me surpreende, assusta, causa pena e dó pelo nível educacional como escrevem.

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É sempre uma escrita em desacordo com as habilitações literárias que dizem ter e das várias universidades angolanas e outras que frequentam ou dizem ter frequentado. No tocante a Angola, os erros de sintaxe são arrepiantes em cada duas palavras ofendendo a língua de Camões. Choram dolorosamente da forma como a sociedade, maioritariamente angolana, as crucificam e maltratam (entenda-se aqui como sendo os homens).

amigo0.jpg E, no que toca a Angola, acho também que o Governo deveria ter abolido todos os resquícios do colonialismo português incluindo a língua e optar por um dos mais populares dialecto angolanos o umbundo, o kimbundo ou quicongo, só que tiveram receio de ficarem sozinhos a falar uns com os outros sem nunca se poderem entender

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Compreendo assim, a razão por que Angola vai ficar condenada a viver num sistema neocolonialista pelos próximos 200 anos e terem que ter profissionais estrangeiros competentes a fazer os trabalhos que lhes competiria. Infelizmente, não me parece que consigam atingir a sua maioridade neste espaço de tempo.

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Se em todas as outras actividades profissionais a ignorância dos angolanos é idêntica á forma como escrevem a língua de Camões, a diferença entre hoje e de quando foram achados em 1482, pouca diferença faz no que respeita á sua literacia.

louva8.jpg Qualquer aluno do ensino primário em Portugal escreve bem melhor do que os angolanos a frequentarem as universidades. O Brasil também enferma desta visão. Tal como Canhoto, estudei em Angola e, a qualidade do sistema educacional que os colonialistas portugueses tinham lá implantado, não tinha qualquer comparação com os que os angolanos usufruem 42 anos depois a independência.

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Esta constatação leva-me também a concluir que os angolanos nem sequer ainda gatinham depois de 42 anos de bafunfa. Continuam reféns e dependentes de tudo e todos como bebés que precisam de pais adoptivos estrangeiros sendo a maioria e agora, de chineses que os preenchem, fazendo tudo o que estes precisam para sobreviver. Não demorará a saírem da esfera do dólar e entrar na do Yuan.

paulo0.jpg Retirem todos os estrangeiros de Angola e deixem de importar tudo o que precisam para viver e, veremos o tempo que demorará a que todos voltem para os campos tal como sempre o fizeram ao longo de 500 anos plantando o necessário para comer. Não é preciso ser sábio para adivinhar o destino dos angolanos se rapidamente não definirem as suas prioridades e, sendo a primeira o de se verem livres do partido que os governa desde 11/11/1975. Deixo aqui as minhas vénias a Canhoto por este interessante alarme…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:52
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Sábado, 30 de Dezembro de 2017
FRATERNIDADES . CXVIII

METÁFORA DA VIDA – 30.12.2017

- FOTOS AMARELECIDAS DA E.I.L. DA LUUA – Se, em um aleatório lugar vires um oprimido, não te surpreendas - tem outro mais alto que o vigia…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Ontem revi fotos de antigamente, de quando terminei meu Curso de Montador Electricista da E.I.L. - Escola Industrial de Luanda. Quando sucedeu a guerra do “tundamunjila” nada trouxe para o M´Puto, nem mesmo essas fotos que documentaram nossas vidas; isto que descrevo foi da viagem final de curso à barragem de Cambambe - fotos capiangadas da página dos antigos alunos e professores da EIL. Nesta alegria de rever candengues de então noto, foram tempos que nos marcaram.

cambambe02.jpg Coincidiu neste agora e no M´Puto rever no livro dum meu cota amigo e meu vizinho da maianga, rua Dr. Oliveira Barbosa perpendicular à minha com o nome de Dr. José Maria Antunes; trata-se nem mais nem menos de José Luandino Vieira! Tinha nesse então mais dez anos do que eu. Este cidadão, meu camba mais velho, porque teve participação no movimento de libertação do MPLA, deram-lhe cidadania angolana ao invés de mim que sempre andei em outros lados na estória e da guerra de kwata-kwata.

cambambe8.jpg Luandino Vieira foi preso tendo passado oito anos no Tarrafal, sendo libertado em 1972 em regime de residência vigiada na Lisboa do M´Puto. Foi membro fundador da União de Escritores Angolanos até 1992. Enquanto preso descreveu vivências de suas passagens num discurso directo sem rever gerúndios ou particípios e formas gramaticais. Estive com ele há uns bons cinco nos atrás na cidade de Portimão e, foi dele que depois de um fraterno abraço ouvi dizer que nós em Angola tinhamos a cultura do cinema e praia; no resto, eramos inocentemente analfabetos.

cambambe1.jpg E, é bem verdade que assim era! Ele seguiu o rumo da contestação e, é assim que ele descreve em um recente livro, lugares que coincidem com nossa visita àquela barragem de Cambambe. Em seu livro fala a vida verdadeira de Domingos Xavier, um livro só com 97 folhas e aonde revejo o que diz, o fundo do trovão da estória que fez tremer a Luua na forma de chuva de soterrar carros e, aonde uma foto nossa infra colocada, descreve o tubo de descarga por nós visitado.

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Domingos Xavier, nem sei se é uma inventação dele, mas, é em realidade um estereótipo de gente que como muitos, morreu de porrada nos interrogatórios das polícias política e normal, quando e ainda no tempo do Administrador Poeira no lugar de Belas, bem por detrás do então Aeroporto Craveiro Lopes. Com sua pena de rabo-de-junco, escreve que as águas falavam também suas fúrias lá em baixo do paredão, garganta de forma 

cambambe2.jpg Num cotovelo do Kwanza as águas indomáveis doutro tempo agora retidas, de novo ali saíam contando as outroras fúrias de montante e a partir do planalto do Huambo aonde nascia. Lá em cima, nos morros, casas pré-fabricadas e de cimento firme, escritórios e barracões-casamatas para trabalhadores, aonde nós alunos finalistas da EIL, pernoitamos. Vimos os alternadores, as grande máquinas diesel e, os tractores; um deles, o manobrado pelo Domingos Xavier esperava por ele.

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É ali que o Kwanza lança os últimos gritos suicidando-se, subindo muitos metros e deixando-se abater lá nas pedras ainda mais abaixo desfazendo a espuma nos contrafortes, muros de defesa que aqueles tractores construíram. Dali, pequenos fios de água enternecem de novo o velho rio. Desde o verde planalto do Huambo trazia rugido que agora reaparece ressoando ecos nas falésias. Zunidos das bolhas turbinadas chispando sua bravura.

cambambe01.jpg Depois a calmaria a passar por Cambambe e Muxima até se insuflar com o sal da barra, lugar de sereias, kiandas e kwangiades a saudar maiores calungas. Recordo nesse tempo ouvir o vento que só gargalhava nos morros na sua força de medrar trovões do céu. Um ressoar de eco a ficar moribundo. Neste muito tempo de descrição Domingos Xavier sentia seu sangue correr muito depressa nas veias, formigueiro nos pés e na mãos no chão da prisão.

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Suas pálpebras iam-se fechando ramelosas nas porradas com xaxualhos estranhos. Tudo assim ficou noite na vida de Domingos Xavier que corria rápido nas cacetadas do cipaio. As ordens de seu chefe, o agente supra das secretas, lhe faziam ver que tudo ficaria mesmo calmo, dentro da noite.

cambambe3.jpg Xavier morre assim mesmo com a própria estória alumiado numa lanterna de óleo-de-palma. Foi então quando as kiandas tomaram conta de si, sua alma de guerrilheiro, chefe dos rios. Eu, juro que não ouvi mas, um candengue seu amigo começou cantar sua tristeza: Uexile kamba diami, Una uolobita. Uafu, Mukonda kajímbuidiê – Era meu amigo, aquele que ali vai. Morreu, porque só ficou calado…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2017
PARACUCA . XXIV

MULOLAS DO TEMPO – 29.12.2017 - Mulola é um leito de rio que só o é, quando chove, tal e qual como minha vida verdadeira…

Paracuca: É uma bolacha dura, torrada com açúcar e jinguba…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Passeando meu doutoramento atrofiado, no tempo do M´Puto e pelas calçadas de Coimbra, piso uma titica de cachorro. Pópilas! Disse logologo uma asneira dum tamanho inteiro, desde o presente ao gerúndio, com toda a família até à terceira geração. Logo a seguir vi escrito o bom censo na forma de aviso: seu cão cagou - PF você apanhou! Se fosse camaleão, teria um olho virado para este e o outro para o chão, mas logo isto sucedeu quando lia o partecipamento de alguém falecido de nome Nepomuceno Antunes dos Olivais.

alcaçuz1.jpg E, caía uma chuva miúda e molhada de encafifar doutores, assim para desvanecer-me das vaidades, doutorices empinadas no nariz. Agora cheira isto! Bem feito! Mais à frente e antes de chegar ao Alma Shoping uma pomba esparramada já não mais o era; um qualquer pneu michelim a pisou ficando por ali pronta a ser debicada por um predador, gato ou rato suburbano.

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Também gaviões, corvos ou pardais desavindos dados ao canibalismo. Em verdade nem queria falar disto mas, e porque já está, aqui fica!  Ainda em casa, e ainda sem ver as nuvens do cacimbo-chuvisco por entre as casas, prédios e montes, disseram-me que comprasse no Alma, alcaçuz. Mas que raio é isso? É uma planta, raiz ou chá?

alcaçuz2.jpg Sai de casa com estas indefinidas dúvidas, tendo só entendido ser algo de melhorar o estado fisiológico numa mistura de isto com água fervida. Bom! Aquilo faria bem a qualquer coisa, tratamento de viroses e outras salmoneloses. Como ia eu saber disto com os olhos semicerrados piscando frio e coado nas lembranças de quando ainda era criança e, que só sabia então que a mandioca era boa pra comer.

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Lembrei-me então neste entretanto de quando ainda candengue sem maleitas significativas, tomar rodas amarelas de quinino, beber água da celha com borututu, injecções medonhas de kamoquina ou rezoquina e outras bolungas com óleo de fígado de bacalhau, para não ir cedo pró jardim das tabuletas, diziam os mais-velhos.

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Pois! Ficar assim sempre num corpo magro, alto, um trinca espinhas reco-reco-mamoeiro e sempre calçando sapatos quedes da macambira, ir na escola de bata branco com sacola de ráfia com livros lápis, um caderno de lousa preto para escrever, cuspir e apagar mais uma bola-de-cautchu pra fazer trumunos nos finalmente da escola.

alcaçuz3.jpg Ué- Aiué! Num repentinamente não era mais um kota, encarquilhado, enxovalhado do tempo e metido num kispo tapando as pintalgadelas escuras da pele, mas um candengue de nome Tonito a falar assim, de como então?! Então o quê? Assim mesmo, cruzando as ruas da Luua até chegar na escola Aplicação e Ensaios lá no largo do Dom Afonso Henriques, mesmomesmo em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos.

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Assim feito menino de musseque com aduelas de barril do M´Puto, limpo, arrumadinho e de colarinho ajeitado na hora de berridar práscola zunia na hora do meio-dia voltar na casa da mãe Arminda do Rio Seco da Maianga, pegar depois na linha e anzol comprada no Martins e Almeida, ou talvez no Catonho-Tonho e capiangado da mala de ferramentas de meu pai Manel; depois ir com meus kambas, manos do mar da Samba pra pescar mariquitas, roncadores ou matonas nos anzóis de dois-e-quinhentos angolares.

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Apanhar mabanga, fazer o isco e lançar só átoa no mar da Samba. Ali tem Kixibis, ali talvez peixe pedra ou só mesmo pedra. Sukwama! Pescando da canoa podia ver meu tio Zé no descanso de capataz da fazenda Tentativa sentado num pedaço de barroca; moscas pousando nas pernas e, ele enxotando-as e chamando-lhe nomes feios. Mas depois ficava mesmo só de olhar perdido no mar.

coimbra2.jpg Eu, o miúdo sobrinho, trinca espinhas, reco-reco e alto sentado na canoa a olhar a linha a tremer! E, nada! Não picava. Quando picava, aiué, puxava assim no calmamente pra ele não escapulir-se e… Fugiu! Filho-da-caixa, Sundiameno, tuparioba, e edecéteras; era sempre grande quando fugia, sempre! Nem isca ficava, só mesmo o anzol. Meu tio sempre falava: - Não escondeste o bico do anzol! Olha então! Meu coração me diz que peixe foi matabichar …Vou fazer mais o quê?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:27
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Domingo, 24 de Dezembro de 2017
XICULULU . CI

PANOIAS VI - TEMPOS DORMIDOS - 24.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Salada de MASTRUÇO... Em Garvão, com a magia do Natal com Frank Sinatra e eus amigos…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Foi só ontem que de novo nos reunimos para comer os pés de rã e pezinhos de coentrada com feijão branco na barragem de Santa Clara no lugar da Achada. John Wayne comunicou-me então que hoje deveríamos esperar na Estação da Funcheira nosso comum amigo Frank Sinatra. Jack Palance que estava mastigando um palito, abanou a cabeça como que confirmando o combinado entre eles através do avançado ipad do além;  com tecnologia mais volátil que cacimbo de naukluft da costa dos esqueletos, até por pensamentos se entendiam.

funcheira5.jpg Frank Sinatra viria acompanhado de António Silva, aquele cómico português poliglota nas falas de riso pois afinal, eles eram amigos comuns lá no paralém. Foi com grande contentamento que recebeu o convite feito por John Wayne concebido por nós e da magia de Natal na envolvência de Roxo uma ilustradora muito conceituada nas acrílicas visões de pensamentos, sentimentos e outros edecéteras.  

panoias2.jpg Eram dez horas da manhã quando perfilados no cais da Funcheira, T´Chingange, John Wayne e Jack Palance viram surgir um trem esguio como uma minhoca languinhenta, cor azul celeste silencioso de assombrar. Foi quando num repentemente zuniu um apito estridente de assobios, como vindo não do ar, mas dum portal marinho como se cem golfinhos o fossem.

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O primeiro a sair foi alguém que nem sabíamos que viria; era Sammy Davis Júnior logo seguido de Dean Martin e umas quantas fosfóricas e estapafúrdias senhoras vestidas com cetins, sedas e cambraias rebrilhantes que ao som dum zingarelho de musica parecido com um trombone de varas e saxofone, fosforicavam nuvens coloridas.

panoias3.jpg Mas que arraial disse eu; vai ser bonita a festa pá! E, o T´Chingange assim vestido como um joker de cartas de jogar sueca, já só era uma figura no meio duma algazarrada!  Tudo era feito a contento dum acaso e fazendo reparo disto ao Jack Palance, este deu de costas como se nada tivesse a importância desmedida! Ele estava radiante, rindo com todos os dentes e esgares que só mesmo ele sabia fazer naturalmente.

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Abraços, rodopios, assobios e até foguetes surgiram do nada duma aberta e, lá vem o António Silva de braços abertos em minha direcção com um ar cómico de sábado-à-noite. Então pá, como vai a moenga, disse ele apertando-me como um amigo de há mais de sem  com cem anos! Parece que balbuciei algo mas na penumbra do zunido só pude verificar no grande abraço dado entre John Wayne e Frank Sinatra.

panoias4.jpg Num repente já todos se tinham cumprimentado. Uns e todos falavam desabridamente como se a singularidade do mundo tivesse ali seu despontar. Funcheira engalanada podia ver o António Silva fumando caricocos doces com seu amigo T´Chingange e foi quando lhe lembrei da história inacabada do Evaristo-tens-cá-disto!? Ele riu que nem um perdido mostrando-me um chouriço a servir de amuleto do Paralém.

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O curioso é o de que todos falávamos uma só língua e de espanto passamos ao esperanto sem maiores tibiezas ou confabulações. Já em direcção a um dos machimbombos que nos levaria ao armazém da festa da Achada, ele - o Silva perguntou-me por Assunção Roxo mas e curiosamente olhando para um painel grande  mesmo sem fazer qualquer pergunta disse: -É dela não é? E, eu disse que sim! Era um galináceo rascunhado.

roxo118.jpg Claro que fiquei encafifado com o barulho destes machimbombos, chocalhos mais pandeiretas e estas premonições a confirmar coisas que nunca tinha sentido. Sabia lá que eram amigos doutras paragens. E assim, comendo frases disse-lhe: - Ela não veio; parece que está lá por Oeiras repartindo arcos-íris com amigos.

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Lá no m´bukusho e descendo do machimbombo Jack virando-se para mim! -Tenho novidades para ti! -Sim! -Mais logo, falaremos! No chuço do m´bukusho (lugar do churrasco) tinha em mente falar e mas, mesmo só pensando as horas passavam sem nos apercebermos. O tempo era um só e volátil. António Silva revia com alegria muito do que revia. Nem foi necessário falar nestes nomes do paratrás! Era Natal

roxomania1.jpg Cheguei ao item 11 sem quase falar no Frank Sinatra e seus amigos Davis Jr. e Dean Martin. Estávamos em cima da festa e só pude revê-lo com seu chapéu de malandro, rufia das seitas do tempo, rodopiando entre seus amigos. Frank foi um dos mais populares e influentes artistas musicais do século XX, com mais de 150 milhões de discos vendidos. Frank Sinatra era filho de imigrantes italianos: Seu pai, Antonino Martino Sinatra era um Siciliano, analfabeto e boxeador, imigrado para Nova York em 1903. Nem o Trump sabe disto, agora que anda bulindo com os imigrantes…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:54
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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXVII

MOKANDA DO DIA – 21.12.2017 – Tukeya. IV - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Na crónica Tukeya III acrescentei ao dito que o peixe saltador do lodo se baseia em um ecossistema, como existe nos manguezais, lagos ou lagoas rasas que secam no verão mas, não é bem assim porque estes ao invés dos peixes pulmonados eclodem de ovos depositados em buracos no lodo, aonde antes havia água e, depois secou tornando-se uma massa gretada parecida com o chocolate trinchado em barras. Lá iremos com tempo e depois de sarandar por outras paragens.

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Com bordões e folhas de palmeira ou cassuneiras os pescadores do rio pescavam peixes nas correntezas e que ali ficavam aprisionados; este método ainda é usado em cofes ou cestos feitos a propósito tendo uma aba larga por onde entra o peixe e que depois fica alojado naquele funil que, pode ter variadíssimas formas. Isso é usado nos rios destacando-se o Kwanza, Cubango, Cuando, cassai, Luinha e tantos outros; uma actividade feita exclusivamente pelos homens.

tukya002.jpg É aqui que chegamos à pesca das savanas, chanas ou lagoas rasas dos planaltos de África e mais propriamente de Angola, tarefa conhecida por pesca lacustre e praticada essencialmente por mulheres. É este o peixe do capim ou voador conhecido por tukeya - peixes minúsculos, ainda mais pequenos que os carapaus conhecidos no M´Puto por jaquinzinhos.

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No leste de Angola e na zona da Cameia, as chuvas que caem expandem-se nas rasuras da chana formando grandes lagos temporários e de pouca profundidade. As mulheres juntam-se em ranchos metendo-se nas águas das lagoas fazendo grandes pescarias colectivas; enquanto isto vão cantando e dançando numa prática secular. Foi Dom António de Almeida que deu a conhecer esta actividade já em meados do seculo XX.

tukya06.jpg Dom António de Almeida, homem de linhagem, veio a ser governador do Bié e Luchazes, um vasto território que abrange as actuais províncias do Bié, Moxico e Cuando-Cubango. Este nobre senhor quis conhecer este vasto território mesmo antes de vir a ser governador pelo que se meteu no mato calcorreando as anharas sem fim, a pé, de tipóia, em boi cavalo e até carro bóher, comboio ou carro de gastar gasolina ou brilhantina.

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O Governador do Distrito, D. António de Almeida, escolheu, delineou e fundou, a cerca de 20 quilómetros a norte de Moxico Velho, a nova sede do distrito, designada por Moxico Novo, num planalto de 12 km de largura que se espraia entre os rios Luena a sul e o Lumege a Norte, a 1 350 metros acima do nível do mar.

tukya8.jpg O curioso com Dom António foi o de que esgotou seu tempo de comissão como governador administrando o território deixando-nos seus escritos de suas passagens por terras de Cameia. E, seria numa manha com o cacimbo a despontar, quando notou ao longe, já na linha de horizonte a existência de um estranho manto de prata que reflectia a luz do sol, da kúkia das savanas; manto que cobria as bissapas, capim a perder de vista. Pela primeira vez ouviu falar aos auxiliares e carregadores o nome desse peixe, a “tukeya”- o peixe da anhara.

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Incrivelmente empoeirados nas bissapas e capins lá estavam aos milhares os pequenos peixes com o máximo tamanho de 5 a 6 centímetros. O cheiro que exalavam era nauseabundo e, aonde a vista alcançava não existia agora rasto de água, tudo era chão de areia e lama seca

E gretada. Aqui e mais além tufos de arbustos ou capins com mais de um metro de altura. Em verdade, estes peixes já estavam secos e prontos para cozinhar.

tukya9.jpg Logologo, Dom António d´Almeida o fidalgo governador daquela vasta zona, terras do fim-do-mundo, lugar que ocupou em pleno esgotando seu tempo em andanças pelos matos, ali deu início à quase lenda dos peixes voadores das anharas do leste. Sua graça não figura na lista de t´chinganges pois que não o chegou a ser, mas foi o descobridor de um vasto campo com milhões de peixinhos empoleirados nas árvores.

tukya11.JPG Desta forma e mais tarde, Sebastião Coelho organizou com legendificação, palavra inventada por ele mesmo, para descrever algumas passagens desta estória da tukeya, saída em primeira mão dum poeta-governador que enfeitiçado, também provou aquele minúsculo peixe de cheiro nauseabundo e penetrante, mas que depois de cozinhado se oferecia como um prato muito saboroso. A cena continua para entender a fundo e com detalhes o cazumbi das falas.

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Nota: Muitos dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:28
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Domingo, 17 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXVI

MOKANDA DE DOMINGO  – 17.12.2017 - Está um frio do caraças

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Malbaratando o tempo com coisas de crise, dinheiro mal parado ou desandado, o povo do M´Puto entrega-se a repreensivas orgias de falatório mal contido, sexo, drogas e álcool em desmedidos excessos para tapar o colapso fulminante, a negligente pobreza que subestima qualquer pobre por muito nobre que o seja. Todas as semanas e à porta duma discoteca alguém morre com uma bala no certeiro lugar para dar uma volta ao além.

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Com o correio electrónico ecologicamente mais puro que a escrita de borrões, higienizados nas manchas de mentes Outlook Express, enviam-se por e.mails coisas nunca vistas e novos modelos de cuecas, desfiles de novos designs com tecnologia de dar vida às coisas inertes. Outros e tantos, se dão ao trabalho árduo de saber de como Caim matou Abel, um deplorável acontecimento a demonstrar hoje, que temos de equacionar o tempo aos poucochinhos.

ROXO19.jpg Imaginar facilidades, coisas até do princípio do mundo que veio mostrar o quanto é difícil viver em família e em sociedade. Sempre anda alguém a devassar o alheio inventando formas de kubazular o artista. Uns dizem que por exclusiva culpa de Deus, aqueles dois, Caim e Abel, deram um muito mau exemplo aos que se seguiram levando-nos a ser sacanas o quanto chegue com o próximo. Em vésperas de Natal nem é bom falar destas coisas! Para além do mais Nosso Presidente Marcelo até e, para dar o exemplo foi almoçar com os sem-casa, sem-tecto, sem-nada, sem porra nenhuma; desculpem pela asneira.

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Envolto no lodaçal desta uniforme história, dou-me conta que também participo nessa eufórica realidade amortalhando ossos que não petrificaram nas tristes realidades. Sido a magia de Natal com o Nosso Presidente repartindo pirilampos reluzentes para animar a malta e, até entusiasmá-los a aguentar o sistema de sermos despilfarrados mantendo-nos calados. Afinal, quem governa sempre tem seus bicudos problemas de equacionar a malta de fora da nomenclatura. Gosto dele!  Do Marcelo!

ROXO133.jpg Quando o agora fica exausto, descarrila em testemunhos empoleirados em teias de aranha, fidedignas até prova em contrário ou com excrescências dum contraditório. O fulano é bandido e todos sabem mas as contingências perdoam as negligências até que se esqueçam ou se prescrevam. Tal como a descolonização nada mais grave irá acontecer! O Espirito Santo vai conciliar-se na desculpa só pensada da filosofia de Sócratas, o verdadeiro fazedor de coisas indecifráveis.

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 Este linguajar só será suportável para quem todos os santos dias tome um chá de mel com canela e um dente de alho partidinho às tirinhas, por se acaso. Aqui ou ali, porta aberta ou na penumbra, entre gorjeios de pássaros e inaudíveis vozes, tenho aprendido a interpretar alguns suspiros e, inclino-me assim a interpretar melhor o semelhante. Mas, ando já demasiado inclinado!

roxo135.jpg Nestes anos espreguiçados, a vida discorre entre nobres oligárquicos dispersos na diáspora à procura de algo; e, por linhas mágicas dum diagrama só seu, cada qual ouve seu próprio coração, seu pulsar, pausa, som e diástole. Ressentidos pelas falhas do imperfeito sistema, comunicam a si mesmos que para uma nota aberta para a diástole, ocorre uma porta fechada para a sístole. Que se lixe!

roxo116.jpg Acreditado na sinusóide de matusalém, sinto-me crente até chegar aos 333 anos e, mais matumbo que nunca. Para quem vem da terra do nada e segue para a terra do nunca, é uma graça saber que já me visitaram umas 999 katiúskas aqui no Face e Kimbo à procura duma pura amizade e, no intuito de desvendar porque o aqui e o agora meche tanto comigo. Isto inevitavelmente leva a me interrogar: para que nasci? Deus queira que, para pior antes assim!

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:56
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Sábado, 16 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXV

MOKANDA DO DIA – 16.12.2017Tukya. III - Peixe da chana

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo. É o nosso pensamento que cria a nossa realidade…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

E, por fim o Niassa desapareceu no horizonte com suas bocas de fumo deixando rasto nos meus sonho de kaluanda, perdido nas terras do fim do mundo, subindo e descendo dunas dum deserto chamado dos esqueletos. Sua sirene de voz grave engravidou-se em meu íntimo assim em rolos de fumo. E neste viver de quase sonho, fiquei com aquele amigo de faz de conta chamado de Sexta-feira. Foi ele que me ensinou a fazer lagosta suada, e polvo espancado para depois ser cozinhado com arroz.

niassa3.jpg Sexta-Feira adorava comer o pirão com conduto de carapau seco e assado na brasa. Retirava-o das brasas com as mãos nodosas, depois partia-o em iscas pequenas, uma de cada vez para depois o saborear com salpicos de vinagre embebido com ervas aromáticas, jindungo, azeite de dendém, cebola picada e tomate no pirão de milho adocicado, agridoce. E, naquela vastidão de nada o chupar do dedo dava uma sensação inebriante de fazer uiui como o vento.

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Eu e ele fazíamos bolinhas de pirão, tecidos e embolados com os dedos lambuzados. Disse-me que aprendeu a fazer isto no Longojo, terra aonde nasceu; era uma sexta-feira e, por isso ter-se chamado assim. Mais tarde mudou-se para Kaluquembe lá no Huambo onde o mestre Zacarias Bikwatas lhe domesticou na arte de preparar corvina fresca, quersedizer seca dos fardos mala que o senhor Albano Paixão lhes levava da estação da Caála.

tukya02.jpg E, eram cachucho, corvina, carapau, sardinha, atum ou pungo. Mas às vezes era sómesmo peixe sem cabeça para identificar. Dizem que até mesmo de vez em quando tinham rabo de kianda. Perante a minha reticência, duvida mesmo, ele falou então: -juro, tem os pessoa quié peixe! Mulher mesmo!

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Mais tarde um velho contratado na pescaria do Senhor Rufino de Baia Farta confirmar-lhe ia que sim! Havia um peixe-mulher. Bom! Não era fantasia não! Era o manatim chamado de peixe- boi ou vaca marinha ou ainda mulher peixe. Ainda há destes peixes no Brasil mas aqui, parece terem sido extintos, disse eu a Sexta-Feira. Ele só deu de ombros assim-assim como que um talvez seja! Patrão tem sempre razão, nuué…

tukya5.jpg Aquele peixe-boi, mulher marinha ou sereia, nada de costas segurando com carinho a sua cria no peito; dando gritos de lamento, muxoxos de mãe, levou os marinheiros com sua misticidade e fascínio a dizer ser aquela a kianda, sereia dos rios e mares. Esta postura quase humana deu origem ao mito das sereias da kalunga e do iemanjá. Do outro lado do mar o Bumba-meu-boi do rio Amazonas.

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Vim a encontrar esta, feita estátua num recife em Guaxuma do Brasil, que derivou numa longa estória com um homem do mar chamado de Zé-peixe de Aracaju. Mas esta é uma estória sempre inacabada, ao calhas, que talvez reapareça por aqui a completar a odisseia da Kianda Roxo.  Dizem que o manatim africano ainda existe e até que a fundação do Parque da Quiçama empenha-se em preservar estes espécimes nos sistemas fluviais do Bengo e Kwanza por repovoamento, talvez.

tukya6.jpg Mas mesmo que isto não aconteça aparecerão em minhas estórias de lendas com a Kianda Roxo assim que esteja impregnado da veia de inventação e, por forma a dar continuidade a um conto fascinante com as kwangiades no tempo em que os marinheiros usavam bordões e folhas de palmeira para e, beneficiando do movimento de vaivém das marés, fazerem o cerco e apanharem na vazante os peixes ali aprisionados.

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Presos nestas precárias redes, podiam apanhar o peixe à mão. Do mesmo modo que faziam na lagoas do planalto, chanas de Angola com o peixe voador ou do capim. Ainda não será hoje que falarei desse peixe do lodo que saltava para os capins das anharas. Fica para a próxima… Só posso acrescentar que o peixe saltador do lodo se baseia em um ecossistema, como existe nos manguezais, lagos ou lagoas rasas que secam no verão.

Nota: Alguns dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:49
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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXIII

TEMPO COM FRINCHAS - 15.12.2017 - Em terras de M´Puto . III

“Os donos disto tudo - DDT” - “ Não há confiança ilimitada em amigos. Há amizade”; no berbicacho traseiro de falso couro do meu chapéu do panamá e, com as mesmas dimensões da testeira estão fixas duas estrelas já secas, cortadas da carambola com a inscrição dum indefinido ”AMOR”…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Aquela primeira frase supra, entre aspas, foram ditas pelo Presidente Marcelo do M´Puto ao referir-se a Ricardo Salgado, o chefe da máfia dos Bancos DDT. Apetece-me por vezes ser um Lampião cangaceiro e falar só mais uma vez das periclitãncias que a crise trouxe a todos nós aqui no M´Puto, juntando àquela frase a outra, a segunda, também entre aspas…

143.jpg Seria preferível passar de lado tudo isto, ficando longas horas e, lá longe, nas terras de Vera Cruz, jiboiando numa rede oscilante da Pajuçara, sebenta de uso e abuso, curtindo uma preguiça que nem o chega a ser, porque nem sempre a ocupação é suficiente e, a frescura da maresia tem forçosamente de ser apreciada.

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Fazendo ostentação do meu chapéu de couro ornamentado de vaidades escondidas e forrado com pele colorida de alpaca do Peru, vestindo uma catrefada de roupa pelo frio, botas de inverno com suplementares palmilhas de pele de ovelha pura, solto longas falas de neurónios folgados, alentejanados. A entreajuda e a forma característica no vestir fazem de mim, um deixa para lá - o desmiolado, o T´Chingange que nem sabe o que diz.

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Assim neste estado de cacofónica tensão, desfriso na lista de imparidades as nove maiores devedoras às instituições que nos puseram de tanga, geradas na gestão de Armando das Varas e Carlos Santos Ferrugem como: Artlant - La Seda; Efacec; Vale dos Lobos; Auto-estrada do Douro Litoral; O Grupo E. Santo; o Grupo Lena; o António Mosquito; a Royal Urbis e a Fimpro SCR e Banif …

caixa3.jpg Claro que e, em verdade, as instituições do regime político-partidário em que vivemos em Portugal (M´Puto), simplesmente não quiseram fazer o trabalho de investigação de quem concedeu esses créditos e, sem a devida precaução de riscos. É a mesma estória de que cornos que dão de comer deixá-los crescer! Estão a ver este filme de putarias!? Uma comparação a que os políticos de todas as bandas viram, mas fingiram que não, assobiando pró lado.

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Pelo mau uso e abuso do nosso dinheiro na banca, todos mas e, principalmente os gestores da CGD, deveriam ser responsabilizados. O dinheiro dos contribuintes foi abusivamente desbaratado! Isto levou-me a desprezar todos os políticos, embora haja gente boa entre eles…

O próprio Ministério Publico suspeita que terá havido tratamento de favor de alguns devedores em que, os gestores que concederam os créditos, poderiam ter recebido comissões por baixo da mesa, por não exigirem garantias e, esconder falhas de pagamentos ao longo do tempo. E, tudo fica assim mesmo! Talvez esperando prescrição! A culpa morre solteiríssima da silva…

caixa0.png E, foram só 2,5 mil milhões de euros. O regime político-partidário não deixou que a CPI – Comissão Parlamentar de Inquéritos chegasse a bom termo, recusando-lhe documentos factuais; ninguém quis colaborar com a verdade. Os deputados de todas as bandas colaboraram e ajudaram à festa, fazendo tudo para boicotar os trabalhos da CPI. E, queixam-se eles dos submarinos!? Como se não tivessem em sua malga peixes voadores! Nada ficou provado, reactivamente a suspeitos quanto a favorecimentos, nem de influências politica sobre os gestores. Nós, cidadãos somos todos burros! Assim nos fizeram ser.

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Aquela CPI – Comissão Parlamentar de inquérito, constituída para apurar o que se passou na CGD desde o ano 2000, paga pelos contribuintes portugueses, terminou sem conclusões. Sim! É por estes exemplos que o Povo Português despreza os políticos e, desrespeita as instituições. Qual justiça, qual quê!?

caixa01.jpg Desta actual geringonça salvam-se, valha-nos isso, o Senhor Presidente Marcelo que segura as pontas com muita habilidade e, que torna o M´Puto quase num regime presidencialista mais o Ministro das Finanças Mário Centeno, o tal de patinho feio que agora prepara a fuga para outros mares… Estamos quilhados! Melhor, sem quilha!… Se, não me prenderem irei continuar a repetir no meu jeito, o já dito por José Gomes Ferreira em seu livro de coragem “ A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros”

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:02
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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXI

TEMPO COM FRINCHAS – 12.12.2017Em terras de M´Puto.

Podemos dizer-nos independentes, porque nos podemos mentir mas, com os “DDT”, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos

Por

soba15.jpg T´Chingange

Já quase acabei de ler o livro “A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros” escrito por José Gomes Ferreira dirigido a todos os contribuintes, que suportam o Estado português em pagar mais impostos do que o devido, por causa dos erros de uma boa parte da elite financeira dos “DDT - Os donos disto tudo” com o compadrio de nossos governantes.

dia82.jpg E, por mais que no mostrem que os governantes portugueses e os responsáveis europeus, prometem aos contribuintes que já não serão mais chamados salvar bancos em dificuldades, estes sempre acabarão por pagar os desmandos dos banqueiros, de uma ou outra forma. É o que se pode ler, logo no início, como que num ajoelhar com vénia a esses estupores que nos arruinaram.

coimbra2.jpg Foi necessário surgir um Passos Coelho que dissesse um NÃO a um Ricardo Salgado e, se agora estamos melhor economicamente, a ele o devemos. Não gosto de traidores nem bajuladores e pelo que li, anda muita gente por aí pavoneando sua habilidade, irresponsabilidade e falsidade e, até assobiando para o lado, dizendo do mérito de quem se lhe seguiu, António Costa, emudecendo provocatoriamente o nome do verdadeiro feitor.

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Mas, sinto que a grande maioria dos portugueses não têm percepção das encenações do poder, da grande obediência dos políticos aos interesses e benesses que os senhores do dinheiro “os DDT”, dão em troca de modelos de governação. Tenho uma grande admiração pelo actual Ministro das Finanças Mário Freitas Centeno que considero ser um bom economista desde 26 de Novembro de 2015 mas, também ele irá fugir do pântano a seu tempo.

amilcar 02.jpg Já António Seguro antes de passar a pasta a António Costa dizia: «Há em Portugal um partido invisível, que tem secções nos partidos de Governo incluindo o PS (referia-se ao “DDT- Donos disto tudo” com Ricardo Salgado no mando). Partido esse que tem um aparelho legislativo paralelo com grandes escritórios de advogados a influenciar ou comandar os destinos do país. Não tem rosto, não tem estatutos (…) mas quando descobrimos que há um banco em que as coisas correram mal, que há um investimento do Estado, em que as coisas não são totalmente claras, vai-se percebendo quem são as pessoas desse “partido”» – (É claramente o partido do DDT).

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Mas, disse mais: «O país tem zonas de podridão». Não é difícil chegar-se ao Grupo Espirito Santo e ao Banco Espirito Santo com as suas cadeias de empresas! Salgado em 2014 só queria 2,5 mil milhões de euros e Passos Coelhos disse NÃO! Mas pelo que se sabe não era só isto! Havia muito mais e outros bancos com buracos financeiros sem fundo que sempre tinham um saco azul para agradar a Paulos irrevogáveis e Costas.

ardinas branos.jpeg Basta cruzar as falas dos políticos para se entender o azimute dos actos. Maria Albuquerque já com António Costa como primeiro-ministro diria: «Fosse António Costa primeiro-ministro em 2014 e teriam sido entregues milhares de milhões de euros dos contribuintes a Ricardo Salgado para evitar o colapso do BES». E, Marcelo o comentador, falou sobre o caso sim! Falou como o Marcelo-cidadão, não fosse amigo de Ricardo Salgado… No que toca a Passos Coelho nem uma palavra meritória, também aqui, assobiou para o lado…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:22
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXIII

MOKANDA DO DIA – 10.12.2017Tukya I . Peixe da chana - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo . É o nosso pensamento que cria a nossa realidade…

Por

t´chingange2.jpgT´Chingange

Na voragem dinâmica da vida, procuro actualizar-me no dia-a-dia e, ao longo da minha vida registei em meus arquivos de memória muitas notas, alguma que nem quereria registar mas, nem sempre as borrachas do tempo e da singularidade do facto se destroem com um estalar de dedos. Em África também há rios que se apagam na terra, nunca chegam ao mar como o Cuando e o Cubango que formam o Delta do Okavango ou o Etosha Pan e outros que desaguam em desertos de areia fina e, que em tempos foram pântanos ou lagos rasos.

etosha4.jpg O Etosha Pan, é um lago seco de 120 quilómetros formando o chamado Parque Nacional Etosha, um dos maiores parques da vida selvagem da Namíbia. A vasta área é principalmente seca, mas após uma chuva forte, ela adquirirá uma fina camada de água, que é fortemente salgada pelos depósitos minerais na superfície desta grande panela. O Etosha Pan é principalmente lama de barro seco dividida em formas hexagonais que à medida que seca, racha, e raramente é vista com uma fina camada de água cobrindo-a.

etosha6.jpg Foi no Etosha que vi a maior diversidade de animais. Supõe-se que o rio Cunene alimentasse o lago em idos tempos, mas os movimentos tectónicos da placa ao longo do tempo causaram uma mudança na sua direcção, resultando em um lago seco e deixando a referida panela salgada. Agora, o rio Ekuma, o rio Oshigambo e o rio Omurambo Ovambo são a única fonte sazonal de água para o lago.

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Tipicamente, pequenas águas do rio ou sedimentos atingem o lago seco porque a água penetra no leito do rio ao longo de seu curso de 250 quilómetros, reduzindo a descarga ao longo do caminho. Estas vastas zonas de poucos declives formam as chamadas planícies africanas, chanas ou anharas de clima extremamente seco. E, o curioso é de que a esta mesma latitude e para o lado poente temos os desertos junto a costa do Sul de Angola e Norte da Namíbia que são banhadas pela corrente fria de Benguela.

etosha2.jpg Refiro a corrente fria de Benguela porque constitui um dos mais importantes factores de moderação climática desta zona de África com introdução na fauna as focas e pinguins transportados em icebergues que vindos da Antártida aqui são largados. No Namibe, Tômbua, Baia dos Tigres e a Costa dos Esqueletos. Pode até verificar-se famílias de golfinhos na Angra dos Negros a actual Moçâmedes, lugar aonde os albatrozes ou alcatrazes voam baixinho junto aos barcos pesqueiros.

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Cabe qui referir que ante da independência de Angola, em 1975, a pesca tinha importância no mundo porque chegou a ocupar o segundo lugar na escala dos maiores produtores, logo a seguir à República do Perú. Vasculhando minha memória recordo os muitos contadores de estórias de caça e pesca e, até dum amigo meu de nome Araújo ter andado a passear uma pacaça em pleno centro de Luanda; em plena Mutamba. Era muito vulgar entre 1950 e 1960 comprarmos carne de caça a vizinhos que se internavam pelo mato em aventura de caça.

etosha0.jpg Para milhões de pessoas que vivem no mato e nunca viram o mar, o mar não passa de um mistério longínquo e insondável naqueles idos tempos mas no entanto, estes comiam peixe seco saído do mar. Na era colonial e a partir da costa eram enviadas “malas” de peixe para o interior; estas malas iam por comboio ou levadas por camionistas praticando no seu dia-a-dia uma aventura. O peixe sem cabeça, fosse corvina ou carapau, depois de seco e salgado era acomodado em camadas sobrepostas e em zig-zag simétrico, cabeça com rabo – rabo com cabeça.

etosha5.jpg Formavam blocos compactos atados e contidos em esteiras feitas com fibras de grossa mateba. Estas malas de peixe tinham tanta popularidade e valor comercial no interior de Angola que a partir dos anos cinquenta se transformaram no principal produto de candonga no interior do território. E, por que razão se contrabandeava o peixe seco? Vais ser assunto da próxima mokanda cujas falas vão incidir sopre o peixe capim nascido do pântano …

Nota: Alguns dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Sábado, 9 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 09.12.2017 - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo… Num Reino de Manikongo de fingir…

Por

soba15.jpg T´Chingange

Em pleno solo do M´Puto pós colonial, consegui sentir sempre o amor telúrico por uma terra pisada e sonhada que fez nascer em tempos não muito idos um reino Imaginário, o Reino de Manikongo e, onde todos os membros tinham nomes diferentes como o Soba T´Chingange, o Conde do Grafanil, o Comendador de Vale dos Reis, o visconde do Mussulo, O Senhor de Cienfuegos, o Derruba do Chivinguiro, o Marquês do Limpopo, o M´Fumo Manhanga, o M´Bica Rico, o Embaixador do Cacuaco, o Jamba, o N´Dalatando e o Boniboni Sbell da Catumbela, entre muitos outros.

dia141.jpg A experiência africana era em nós transpirada em experiência que transportada ao M´Puto ia dando frutos de convivência, parcerias ricas que os levaram a ser gente de nome ou nomeada, empresários bem-sucedidos pela vontade de se reconstruirem. Aqui se contavam estórias com ou sem tramas em recordação dos tempos de juventude; edecéteras dissolvidas em falas de missangas.

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O único preto entre nós era branco e foi uma brincadeira quando e depois de ter ido à Luua voltou mestiço com Bilhete de Identidade, tudo nos conformes. Vimos nele tanto entusiasmo por ser agora um cidadão de N´Gola que, assim tão completamente, logologo o ascendemos a preto! Meu filho Kaluanda, nascido no hospital do Kazenga, recorda-me isto recentemente dizendo em seu escrito, que só viu Angola após a saída já muito mais tarde e do outro lado do Kunene.

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Estava escrito que sua terra de N´Gola correspondia agora a um mundo fictício, irreal e subjectivo a aproximar-se do mito; um mito que seu pai, (eu), lhe transmitiu. Refere mesmo Fernando Pessoa para acicatar-se de seu pensar numa forma mais consistente  em que o mito é o nada que é tudo! O mesmo Sol que abre os céus - um mito brilhante mudo.

4 DE JUNHO.jpg Agora meu filho, M´Fumo Manhanga já tem uma filha com dezasseis anos que pode ler sem entender a cem por cento esta inquietude de diáspora, lugar aonde aprendeu a ler e escrever ao jeito de Camões e, concluir por semântica que afinal aquela terra não era de seu pai, nem de seu avó; que afinal só era mesmo uma terra emprestada. Uma perfeita ilusão…

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Mas ele M´Fumo Mahanga, seu pai, quando lhe perguntam de onde é natural logo diz ser Angolano. Porém ele sabe que não é angolano, é outra coisa qualquer! É mesmo o M´Fumo Manhanga! Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e, será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos, porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode, sem se querer, agigantar-se na presença de feridas mortais.

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E, daí abrirem-se gavetas ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot, em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto, se neste agora, sabemos estar e ainda revoltados e não ressarcidos. E Marcelo - o Presidente, figura do ano, que está em toda e contudo não faz qualquer referência aos reveses de nossos afectos. É mesmo para esquecer!

ÁFRICA20.jpg Como vou dizer que sou português com o maior orgulho se temos tantas farpas metidas em nós! Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram, em terra de M´Puto, mesmo nem querendo, sempre volto a remover os ossos do passado e, mesmo espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta, irei fazer do tudo um romance.

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Dizem-me para esquecer, e eu, só consigo mesmo ser condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão com tangas e falas bonitas p´ra boi dormir! A nossa vida, de cada vez mais na mesma, continuamos a nos sentir roubados aqui e além por engenharias financeiras com traições de Paulos e Salgados com mais uma cambada de gente que se julgam génios…

relogio areia.jpg Só podemos dizer-nos independentes porque nos queremos mentir, passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, cheiros encarquilhados misturados com densidade molecular amorfa, mofadas pelos anos na leitura de carbono e eteceteras complicadíssimos que só nos baralham o cérebro…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:29
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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2017
XICULULU . CC

PANOIAS V - TEMPOS DORMIDOS - 06.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Salada de MASTRUÇO... Em Garvão, com a magia do Natal

Por

soba02.jpeg T´Chingange

No domingo e, naquele café do “Cú da Mula” Jack tinha mais pormenores a dizer sobre o uso do mastruço mas, fui obrigado a dizer-lhe deixar isso para amanhã. E o amanhã tornou-se hoje e, mais um outro numas feiras frias mas com um sol radiante. Naquele lugar de cheiros de arrúdia com urtigas refazíamos nossos traços sem melancólicos soluços, sem choros nem ranger de dentes, troçando até de nossas mazelas furunculosas.

torres7.jpg Como ressuscitados numa amizade de infância que, morta no ilusório sucedeu a nosso contragosto e em nossa contramão aqui, e por uns dias fintávamos o destino sem aquela fúria suicida dum hiato que mata no tempo o passado desleixado de sem futuro. É algo que se sente pulando das margens encantando corações, rendas belas desenhadas em talento. Sei lá! Talvez isto ou, uma coisa assim parecida.

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Já eram quase onze horas quando fui tomar meu matabicho com meus amigos Jack e Wayne no café do Cú da Mula de Garvão. Elas, as visitas do paralém já tinham comido seu café com leite e pastéis de belém e ficaram a olhar-se de soslaio enquanto comia a minha torrada de pão de Garvão com azeite da horta do cabo, barrada com compota de pitanga e queijo de cabra curado da Quinta da Carvalheira; arregalaram os olhos quando tirei meu frasco de jindungo da minha jaqueta e pintalguei tudo aquilo, compota, tiras finas de queijo e azeite do lagar.

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John Wayne quis provar e, logologo após meter à boca deu quase um grito! - My God! How can you eat this? Tentou também falar em português mas saiu de atravessado: -Tu, maluco! Como ser possível eat, cuspo de diabo. Eu, silenciosamente fui comento rindo só por dentro; estes gringos são fracos! Jack bateu com os pés no chão repetidamente rindo como um chocalho de cascavel. Tu ser fraco, You are very weak, my friend Waine e, olhando para mim, abanou o polegar em seu punho fechado, para baixo e para cima como que a congratular-se com esta minha ousadia.

jack5.jpg Foi quando lhe perguntei se sabia do resto da estória dos mastruços pois que ainda faltava dar mais dicas sobre as vantagens desse capim. Oh ... Yes, yes! My maternal grandfather always said that in the estates, sim, lá dos America… Fiquei todo-ouvidos para ele. Só depois de uma baforada de fazer balões e argolas de índio no seu charuto cohiba é que se dispôs a explicar

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 - Para estimular a digestão e as funções do fígado, colocas uma colher de sopa de folhas, sementes picadas e flores de mastruz em uma chávena de chá; acrescentas água fervente; tampas o púcaro e aguardas dez minutos; coas e bebes o chá de mastruço assim – uma chávena de chá 2 vezes por dia, antes das refeições principais. Claro que tudo isto foi dito numa mistura de ruça tempera e, eu arrulhei a coisa a meu modo no jeito dos pombos para que vocês possam entender.  

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Quanto a diabetes disse: -Para anemia e diabetes os benefícios da erva-de-santa-maria quanto ao sistema imunológico, é importante falar da capacidade da planta em fornecer vitamina C e, portanto, auxiliar as defesas do organismo, aumentando a imunidade e evitando infecções, entre outras doenças. Quem tem problemas respiratórios, é fumante, sofre de asma, aerofagia, congestão nasal ou bronquite pode ser beneficiado pelo consumo do mastruz.

jack7.jpg Caramba, estás a falar como um Kimbanda entendido! Disse eu. Mas o que eu fui dizer! Eu não sou bruxo; este é o legado de meu avô tuga, tás ouvir! Cuspiu Jack… Caramba, devem-lhe ter dito que isso de kimbanda era coisa ruim e despejou sua ira soprada com assobios de insultar cachorros. Assim, I dont play! Disse pela segunda vez. Está bem, desculpa, não foi por mal! Pensei que já tinha dito tudo, mas continuou:

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-A erva favorece o sistema respiratório de várias maneiras, como já te disse. E ainda acrescento aqui sua acção no alívio de crises de rinite e sinusite. Em alguns casos, basta uma xícara do chá de mastruço para obter melhora, uma vez que ele promove a limpeza do muco e do catarro. Pessoas com indigestão e gastrite frequentes ou com gases intestinais também costumam buscar ajuda no mastruz, assim como indivíduos com prisão de ventre, coceiras ou ferimentos na pele. Disseste rinite! Isso é o que todos os santos dias me fazem espirrar treze vezes. Fiquei por aqui porque poderia pensar estar no gozo.

jack13.jpg Já estava bem capacitado sobre este capim de mastruz mas, agora que estava lançado no entusiasmo, foi acrescentando: - Como podes observar, seja na forma de chá ou preparos para colocar na pele, não é difícil entender as razões pelas quais o mastruz é uma das ervas medicinais mais tradicionais e conhecidas nos tempos do meu avó que sofria de vários males entre os quais, o de peidar-se só átoa. Esta foi boa! Este Jack estava a sair melhor que a encomenda

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As flores, folhas e sementes do mastruço devem ser lavadas em água corrente e enxutas; depois, precisam secar à sombra em lugar ventilado. Para conservar suas propriedades terapêuticas, o melhor é armazenar a erva em vidros escuros ou sacos de papel. Ufa! Que seca… Pensei mas, nada disse. Como podemos aprender isto com gente que já foi passado e só aparece em forma translucida.

jack11.jpg John Wayne que já estava cansado de tantos mastruços fez um sinal ao senhor Torrica para que lhe trouxesse um tintol do Convento da Vila de Borba e assim do mastruços passamos para a trincadeira, aragonez, castelão e touriga. Acabei por almoçar com eles um ensopado de borrego. Entusiasmado tive a ousadia de pedir um cohiba ao Jack e ali ficamos deitando fumo de conversa fora, toda a tarde. Combinamos no dia seguinte irmos comer pés de rã e pezinhos de coentrada com feijão branco na barragem de Santa Clara.

jack14.jpg Lá no m´bukusho! Disse Jack virando-se para mim! Achou graça ao nome e acabou por grava-lo desta forma. Sim! No chuço do m´bukusho (churrasco do kavango). Tinha em mente falar-lhes da festa que iria surgir antes do Natal para festejarmos a vida, falar-lhe dos convivas Frank Sinatra e do cómico António Silva por sugestão de nossa madrinha maga virtual Assunção Roxo, mas achei que o deveria fazer só amanhã quando estivessem mais sóbrios. A alegria era mais que muita e se lhes fosse agora falar nestes nomes do paratrás e paralém não sairíamos daqui hoje e eu, até tenho mais que fazer…    

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:16
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Domingo, 3 de Dezembro de 2017
XICULULU . XCIX

PANOIAS IV - TEMPOS DORMIDOS - 03.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Pela primeira vez, comi salada de MASTRUÇO... Na magia do Natal

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Nessa caixinha do tempo e em terras do Alentejo tenho muitos bilhetinhos de amores com mambos desconhecidos até aqui. Eu bem que ouvia falar de mastruços mas, isso para mim, neste tempo de estupor, terra do fiado “civilizado”, de sem respeito, currículo suspeito e outros edecéteras, desconfiado das falas, lá comi essas ervas um pouco picantes, tendo como amigos gente vinda do paralém tais como Jack Palance e John Wayne.

matrindindi1.jpg Eu, um axiluanda camundongo, como no tempo dos Mafulos, dei como um sonho na praia de Messejana; vestido com os meus panos de libongo, agarrado aos búzios duma praia seca do M´Puto, distraído no muxima-ami com amuletos de missangas coloridas, ximbicando n´dongu nos cânticos de belas kiandas feitas kapotas, comi capim que até aqui só era comido pelo pica-no-chão. Gostei…

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Esta erva, nativa da América do Sul, o mastruço ou erva-de-santa-maria, oferece grande quantidade de benefícios à saúde, além de inúmeras formas de uso. É uma óptima fonte de vitaminas e minerais - entre eles as vitaminas A, C e do complexo B; potássio, ferro, zinco, fósforo e cálcio.

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E ainda fornece uma bebida que ajuda a manter o bem-estar em cada dia, disse-me o Jck Palance assim como se fosse um genuíno indígena desta terra. O chá de mastruço! Disse. O que eu descubro neste Alentejo profundo; coisas que se comem esquentadas como as tengarrinhas ou beldroegas.

mastruço3.jpg O mastruço, quando usado externamente, tem acção cicatrizante, pois suas folhas contêm boa concentração de óleos essenciais. A planta também é sedativa, antifúngica, aromática, expectorante, tónica dos pulmões, vermífuga, digestiva, abortiva, antibiótica, anti-inflamatória, antiviral e antimicrobiana. Haka! Como é que este carcamano sabe disto! Coronopus didymus é seu nome oficial. Fiquei rendido, pois ele falava até latim como um experto na matéria.

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Como podia adivinhar! Já conhecia a rúcula, cuentros, catacuzes, a beldroega mas esta planta da família mastros, mastruço-do-índio, erva-formigueira, mastruz-miúdo, mentruz-rasteiro, entre outras formas de chamar também cresce no Brasil. E, foi dizendo: é uma opção para auxiliar no tratamento de gota, infecção respiratória, contusão, bronquite, anemia, ácido úrico, dores nos músculos, raquitismo, reumatismo, disfunções hepáticas e traumatismos.

john02.jpg Rendido a esta sabedoria limitei-me a escutá-lo! John Wayne mantinha-se ali ao lado sem nada dizer enquanto ia sorvendo uns medronhos, fazer cara feia e acenar com a cabeça. Foi neste entretém que fiquei a saber e, aqui registo na sua forma de uso: Como expectorante das vias respiratórias, coloque 1 colher (sopa) de folhas, flores e sementes picadas de mastruço em 1 chávena de café; adicione água fervente; deixe abafada a mistura por 10 minutos; coe-se e acrescente 2 colheres (café) de açúcar e leve ao fogo até o açúcar dissolver completamente.

mastruço1.jpg A recomendação é de ingestão de 1 colher (sopa) do preparo acima três vezes ao dia, sendo que, para crianças, o ideal é somente a metade da dose. Esta receita favorece também a expectoração do catarro pulmonar, dos brônquios e do peitoral, além de fluidificar o muco.

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Nquele café do “Cú da Mula” Jack tinha mais pormenores a dizer mas fui obrigado a dizer-lhe deixar isso para amanhã porque, hoje domingo, tinha que fazer o preparo de colocar o burro e a vaquinha no presépio no largo da praia. -Jack, amanhã falas dos benefícios para pessoas diabéticas! OK, disse ele já com ao beata a roer-lhe o beiço. Nos finalmente do dia ali os deixei fermentando falas, as quinambas cruzadas remendando restos de rasgos antigos recordando estórias. Deixei-o no momento exacto que cuspia sua beata para o canteiro …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:27
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Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017
XICULULU . XCVII

TEMPOS DORMIDOS - 30.11.2017

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Encontrei-me com John Wayne no Pingo Doce de Aljustrel. Desta vez contei-lhe meus apegos...   

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Enquanto tomávamos café, outras pessoas e até o padre de Messejana, um preto da Guiné, olhavam para nós como se fossemos gente do além! Não era para admirar pois que ambos estávamos vestidos com os ceifões e capotes do frio. Ou então, era pela celebridade de John. Perante isto foi ele que quis saber do porquê de eu andar por aqui, de onde vinha e outros edecéteras; estava desconfiado que as atenções eram mesmo para mim...

john01.jpg Eu, que tanto teimava em me esquecer, fui de novo obrigado a desfrisar minhas periclitarias:- Nasci em águas internacionais, num vapor chamado Niassa, disse! Sou cidadão do mundo, Angolano na diáspora, Mazombo por condição; ando pelo Mundo à procura de mim! Tenho cédula de brasileiro, Bilhete de Identidade do M´Puto mas, ando às arrecuas para fugir ao meu paradigma.

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John Wayne mostrava-se também ávido de rever aquilo que foi sua infância em uma outra encarnação e, neste relembrar tentava encaixar-me no mesmo fardo. Ele só sabia que em tempos idos, fui seu duplo, nas quedas de cavalo - filmes de "El Dorado" entre outros; nada mais sabia!

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Ele, não tinha certeza absoluta se aquela sua infância longínqua foi passada em Aivados ou Alcaria e tem até uma ligeira certeza de que tinha familiares em Panoias pois que, refere estar em um alto, lugar de poder ser vista de muitos horizontes. A todo o momento parávamos para apreciar as coisas ínfimas; tirava suas fotos amarelecidas da balalaica que se viravam em hologramas 3 D. E, estas até exalavam cheiros. Deveria ser uma tecnologia avançada do paralém.

mess0.jpg Entendo agora do porquê, em nosso último encontro ele apanhar uns cardos de cor amarela e mete-los em seu alforge, como aqueles que os cowboys usam; nem lhe perguntei, pois tudo nele, era inusitado.

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Afagou uma minúscula carriça que lhe saltou para o ombro, vinda não sei de onde e de repente apeou-se junto a um frondoso sobreiro da foto que me mostrava e, de novo falou em seu inglês rachado: - You know the difference between a sobreiro and the azinheira? Rsss… Se eu sabia distinguir o tronco do sobreiro e azinheira? Pópilas! Estas variações rápidas confundiam meus zingarelhos. Ali ao lado e, num repentemente saltar para a foto! Só mesmo doutro mundo.

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Só sei que a azinheira dá bolotas comíveis enquanto as do sobreiro não prestam, melhor são intragáveis! Disse eu! - Pois então fixa-te nisto disse ele, o tronco do sobreiro é de casca grossa, rugosa, irregular de fendas e nódulos irregulares enquanto a azinheira tem a casca fina, fendas regulares e longitudinais além de ter as folhas mais pequenas e, como dizes as bolotas comem-se.

nito01.jpeg Estive quase a dizer-lhe que os quatro pombos bravos que comi recentemente tinham em seu papo bolotas inteiras; que afinal não eram só os bácoros que comiam isto mas, deixa para lá, nada disse!

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Lá na paralaxe do além de onde venho, utilizamos muito esta glande para nos dar energia atómica, podermos assim a partir de suas partículas radioactivas de nos transmutarmos num ápice de um para outro lado! - Assim como levitar e andar só de pensamento? Interroguei-o! Estava tudo explicado. Este Wayne era mesmo um ET.

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Ele tentou então explicar-me: - Quando olhamos para o espaço, em seu conjunto, a distância das estrelas é tão grande que perdemos a noção de profundidade, num primeiro momento. Todas as estrelas parecem então estar à mesma distância, coladas numa grande esfera, a esfera celeste. Mas, na verdade, elas não estão à mesma distância, sendo o método de paralaxe usado para medir algumas dessas distâncias.

mess2.jpg Agora sim, estou feito ao bife, pensei! Belisquei-me e doeu, estava vivinho da costa. É aqui que nos movemos, na sombra da paralaxe, continuou. Estava explicado este seu entusiasmo em ver as moléculas expansivas alimentadoras de seus iões ou catiões feitos nuvens, assim como um orvalho cacimbado.

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Mas eu, mesmo querendo, não consegui entender a cem por cento, mas disfarcei que sim... Estava tudo nos conformes! Mais ou menos isso, teletransporte nos iões espaciais! Disse ele. Isto é demais para a minha caminheta, afirmei sem nada dizer, só mesmo para mim! É melhor ficarmos assim! Notei que ele não gostou deste meu momentâneo desinteresse.

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Neste entretém ouvimos um kwé-kwé de um pássaro grande e preto por mim nunca visto! Seriam os seus guardiões dessa terra do Paralém. Podíamos ouvir tudo ao mesmo tempo, um fenómeno até aqui nunca por mim observado, mas eram os badalos dos bois e das ovelhas não visíveis dali, que sobressaiam desta amálgama de sons.

mess05.jpg O curioso é o de que em momento algum saímos da cafeteria do Pingo Doce de Aljustrel Eu estava leve como uma pena, fazia quase tudo, eu que tenho tanta dificuldade a atar os sapatos pela manhã; parecia ser um ser gasoso.

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Saímos dali com toda a gente desfrisando os olhares em nós. Montamos de novo nossos cavalos holográficos e num repente estávamos bem no átrio da ermida da nossa Senhora de Assunção de Messejana. De novo apeamos e, ambos nos sentamos no muro largo feito daquele xisto caiado.

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Num encantamento, tirou nem sei de onde uma gaita-de-foles e começou a tocar uma musica volátil que trazia aos sentidos o cheiro de plantas distantes, pode dizer-se paradisíacas… Foi quando vi as nuvens virem até nós e fundir-se em uma senhora, pairando ali bem perto sem qualquer assentamento; tudo indica ter sido a Nossa Senhora de Assunção…Nunca tinha sentido assim uma sensação de tanta tranquilidade…

mess122.jpg Não demorou muito meu microonda tocou! Eram as fotos nossas enviadas por Assunção Roxo mostrando suas fosfóricas versões de tudo do que falávamos antes; John Wayne ficou encantado e, logo após eu ter transferido estas para o seu caderno holográfico escafedeu-se! É sempre assim...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:05
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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2017
KWANGIADES . XXIX

NAS TERRAS DO FIM-DO-MUNDO - T´CHINGANGE NO OKAVANGO

Kinga só patrão! Kwangiades são as musas do Kwanza…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Nos muitos dias insólitos, encontro factos mágicos na revisão de amigos que me fazem medir o tempo com quartilhos e rasas como se feijões o fossem! A maior parte das vezes são traduzidos com cheiros de África catingados, que não sendo exóticos de todo, são dos mais genuínos perfumes como o cheiro das primeiras chuvas que salpicam a terra da savana no kalahári.

monteiro7.jpg Sucede que um dia e a convite de João Miranda, assisti bem na margem do rio Okavango (Cubango) a uma reunião de empresários presidida por San Nujoma, o primeiro presidente da Namíbia. Um helicóptero chegou bem perto da escola local do Shitemo no Ndonga Linena River Lodge, dele desceu um velho senhor de barba branca, alpercatas e um chabéu de palha já com falripas soltas. Também trazia um bastão, que julgo ser de distinto pau…

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Com seus pés e olhos grandes, caminhou em direcção às autoridades locais, depois veio cumprimentar os convivas e suas visitas aonde me encontrava. Foi muito agradável em suas palavras, sua característica de humilde, postura e atitude. Naquela reunião, referiu a guerra que grassava do outro lado do rio – Angola. Pediu que não dessem guarida aos militares da Unita, tendo mesmo dito aos militares que os ripostassem com fogo de morte.

monangambé.jpg Ele era o líder do povo do Sudoeste Africano, (Ovamboland People's Organization) e eu, um cidadão disfarçado de turista caçador de elefantes. Soubesse ele que eu era um responsável coordenador da Unita no exterior e, teria apontado o dedo em minha direcção. Assim não sucedeu embora as estruturas de informação e inteligência pudessem saber de algo; minha missão era ver os pontos de reabastecimento à Jamba a partir da Namíbia.

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O tempo fez diluir estas contrariedades de estar sob escuta; José Pedro Cachiungo fez-me a advertência de poder ter alguma contrariedade e mesmo sem salvo-conduto meu comportamento foi de singela observação. Para todos os efeitos, era um carcamano branco a rever os cheiros e sabores de áfrica na região Ovambo; usar os olhos, os ouvidos e fotos, seria minha tarefa de xirikwata tal como aquele pássaro comedor de jindungo.

MIRAN3.jpg Para além de ter visto coisas do meu agrado, guardei em mim as falas que ouvi de patrícios e carcamanos embebidas em um tempo que se pretendeu esquecer e, que se colaram a cuspo no subconsciente para não ferir susceptibilidades. O que ficou preso ao meu cerebelo gustativo foi aquele café cheiroso servido a escassos metros da corrente do rio Cunene. Nunca mais esqueci esses momentos de alegria, conversa solta, alegre com estórias, anedotas e bizarrices passados com Dona Elizabete que falava com o gentio com estalidos e João Miranda, o patrão do kimbo.

IMG_20170720_125720_BURST010.jpg Mas a mentira mais descarada que ali ouvi foi a de Oliveira, um amigo que conheci e que ia e vinha até o Mucusso, aonde estava umbigado. Pois um belo dia pensou ter morto uma zebra e, estando a abrir a mesma, depois de separarem seu couro com um rasgão ao longo da barriga, qual é o espanto de num entretanto de distracção ela, a zebra, levantar-se e fugir com as peles a dar a dar batendo-as, como se asas fossem. Esta peta, ouvida com atenção ficou-me entalada na mente ate hoje…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:47
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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
KWANGIADES . XXVIII

NAS TERRAS DO FIM-DO-MUNDO

T´CHINGANGE COM REIS VISSAPA* NO OKAVANGO

Kinga só patrão. Kwangiades são as musas do Kwanza…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Tive a sorte de atravessar os muxitos da África com Dy Reis Vissapa; desde Windhoek, capital da Namíbia, subimos para norte até o Rundu na margem do Cubango e Catima Mulillo às margens do rio Zambeze. Nós, uns gwetas com olhos de águia, íamo-nos tornando mwatas na interpretação das terras do fim-do-mundo conciliando o antes e o agora daquela região de Okavango. E, de novo revisitamos as mulembas de N’Zambi com os kambas daqui, mais dali, ouvindo suas falas de espanto.

  DY00.jpg..soba15.jpg Mostraram-nos aquele arbusto parecido com rebentos novos de loureiro de onde cortam umas varas para introduzir na boca dos sobas defuntados. Apontei algures seu nome mas, com o ronco da pacaça fazendo frente ao leão, meu coração pulou de medo juntamente com o papel de embrulho no lugar do Mukwé; ficou no mato vadiando-se com o vento portador das primeiras chuvas.

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De certa forma os sobas são os guardiões da memória, das tradições antepassadas e, por isso teriam de já defuntados ficar de boca aberta para dizer suas últimas vontades. E, era aquele pau que dava nobreza a este procedimento e, até que o Kimbanda falasse por delegação do morto, tudo o que lhe foi transmitido no tempo, a boca não era encerrada.

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Eu e Dy, pela indumentária, mais parecíamos uns caçadores de elefantes. E, foi uma turista de cor branca de leite que nos perguntou se eramos mesmo caçadores de elefante! Olhamos um para o outro admirados de ver ali esta branquela de mochila pedindo boleia em plena faixa de Kaprivi e, nem sei bem o que respondemos mas o que ficou desta cena foi acharmos demasiado destemida a sua atitude em cruzar áfrica sozinha. Disse-nos que ia para as cataratas Victória fazer jumping na ponte do Stanley que liga o Zimbabwé à Zâmbia.

dy15.jpg Foi João Miranda que nos acolheu às margens do Okavango; uma casa totalmente construída em madeira no lugar de Andara em Mukwé; um lugar com ocultos mistérios do canto Xirikwata - um pássaro comedor de jindungo. João Miranda, um chefe do mato, senhor dos anéis num lugar esquecido mas muito especial pelo envolvente mistério de fuga de Angola. E, que depois veio a fazer parte do batalhão Búfalo chefiando os bushmens na investida Sul-africana a Angola, naquele distante ano de 1974

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Sabendo de antemão que neste mundo só os anjos não têm costas João Miranda contou com detalhes esses dias de guerra! Isto é mato, amigo! Disse ele após longas falas como dando um finalmente àquele passado mas, sempre ia falando raspas desse conturbado tempo. Mesmo naquele lugar de fim-do-mundo deve por certo haver um Deus, que nos julga em cada dia e diferentemente, de acordo com o que viermos a ser em cada dia. João Miranda era agora um bem-sucedido comerciante.

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Este quase lendário homem da mata, pouco a pouco recorda com raspas de esquecimento propositado peripécias e, ainda no segredo de sua intervenção no avanço até Luanda; fazia parte do batalhão Búfalo! Vezes repetidas afirmou que após tomarem posições ao inimigo, leia-se cubanos e militares do MPLA, deixavam grupos da UNITA ou da FNLA a assumirem o controlo dessas zonas libertadas e, em que estes eram influentes.

miran01.jpeg Seguimos viagem rumo a Nascente deixando esta gente que como nós, saíram dessa imensidão dos matos de Angola, de lonjuras percorridas em velhos Dodges, GMC, Willis, land-Rover, Fords ou Chevroletes, terra de onde se parte sem querer partir e já partindo, arrependido depois por não ter ficado; assim foi dito por Elizabete Miranda sua esposa. Como vamos nós próprios destrinçar a verdade dentro da nossa própria imensidão, nos assuntos de crenças e impiedades de bens tão profusos nas regras do Mundo.

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Prosseguindo nesses milhões de espinheiras ressequidas de para além de Okahanja, e Divundo atravessamos terras despidas de gente, uma casa aqui outra lá longe por quilómetros de distância, situadas à sombra de acácias; Farmes quase invisíveis aonde só o depósito de água ou o moinho de vento se vêm tremelicando nas onduladas quenturas. A caminho de Catima Mulillo passamos antigos acampamentos de Omega, chiam segredos de ferrugem abandonada, coisas mal oleadas com negócios de madeiras, diamantes e muita aventura em rente dos olhares de hipopótamos. Estes nada me falaram, preocupados que estavam em espargir merda ao seu redor para marcar território.

miran03.jpg Por todo o lado podem ver-se orixes e avestruzes bordeando as áridas terras aonde até o deus-me-livre dos mortais, tem de cohabitar com hienas, chacais e bichos rastejantes de arrepiar o pêlo. Lugares muito diferentes das regiões a Sul de Ovambo aonde os guetos não juntam brancos com pretos.

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*Reis Vissapa - Autor de “Ninguém é Santo” escrito para todos os Angolanos que amaram e amam a terra que os viu nascer ou crescer…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:27
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Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXV

O CHOQUE DO PRESENTE17.08.2017 - (Revisado a 21.11.2017)

- “O PRIMEIRO BRANCO” e a higiene racial...III

- Os portugueses “cruzaram-se” com os negros africanos. Isso resultou numa mudança profunda do carácter e da psicologia da nação lusitana.

Por

soba 01.jpgT´Chingange

Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos! As escolas já não ensinam isto ao pormenor e, de qualquer modo, os manuais são feitos por gente…Muitos têm ADN preto como a Catarina Furtado que tem ascendência Angola mas, para quê rever isto!? Só mesmo para compreender que a raça humana é mesmo assim, ao correr da pena!

valdir5.jpg (…) Prosseguindo com a publicação do jornal National Vanguard Tabloid, este refere que a culpa desta estagnação no trato da eugenia com a “pureza da raça branca” e, segundo aquela organização inglesa de tendências neonazis, reside na liberdade com que os portugueses se “cruzaram” com os negros africanos. Isso resultou numa mudança profunda do carácter e da psicologia da nação lusitana.

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O “National Vanguard” não tem nenhuma dúvida ao afirmar: “os portugueses do século XVII e os dos séculos seguintes são duas raças diferentes”. Os articulistas advogam obviamente a favor da separação racial. Sociedades como a americana que contiveram e contém uma percentagem considerável de negros. Mas, essas “souberam” manter uma céptica fronteira entre os grupos raciais. Não houve cruzamento nem mestiçagens; assim diz o jornal.

maqui1.jpg Foi essa separação que, segundo a racista publicação, ajudou a manter a capacidade de progresso em países como os Estados Unidos da América. E conclui: não existe evidência nenhuma que a integração dos negros e dos judeus tenham trazido alguma vantagem em qualquer parte do mundo.

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Embora estas publicações sejam casos isolados e representem uma faixa desprezível da opinião pública, a verdade é que não é por acaso que o jornal escolheu Portugal como um caso paradigmático. Podemos até lembrar-nos do que escreveu Kaulza de Arriaga, quando explicava as maiores capacidades dos europeus do Norte em relação aos do Sul.

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Os trópicos como evidência de degradação e desumanização é um estereótipo antigo e, essa atitude de arrogância não é sequer nova. No calor do Sul de África, com sol primaveril de Agosto, rodopiando as horas, vendo os novos rebentos das acácias, aqui estou numa espera tardia, ciente que nada sou para alterar as vontades alheias, desejando somente que tudo siga sua normalidade entre a raça humana.

DIA107.jpg Agora, já kota mais-velho, apercebo-me do joguete das lutas de tantas portas ou portais desconhecidos. Retornando à estória, em “Álbum de Costumes Portugueses”, Fialho de Almeida descreve o “Preto de S. Jorge”, como membro de uma confraria que teria direito a incorporar a procissão do CORPUS CHRISTI, com os demais ofícios.

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A presença negro-africana também se verifica nos topónimos de muitas ruas, como por exemplo: Rua das Pretas, Rua do Poço dos Negros … ou no nome de muitas povoações como a de Santa Eulália de Negreiros dum lugar chamado do Preto, de Santa Maria de Negrelos. Vale de Negros e tantas outras vivenciadas por todo o Portugal (M´Puto).

onco2.jpg Em 1551 a capital lusitana teria cerca de 100.00 habitantes, dos quais 9.900 eram escravos, ou seja 9,9% da população. Ao longo dos seculos XVI e XVII a mão-de-obra escrava representava já 10% da população total do Algarve e Alentejo e também era visível no Norte de Portugal e, em outras regiões. No concelho de Loulé há o lugar chamado Cerro dos Negros, no de Almeirim há uma povoação com o nome Paços de Cima ou dos Negros.

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Dois povoados dos concelhos de Albufeira e de Silves chamam-se Guiné, no concelho de Alvito existe a povoação chamada Horta de Guiné. A dos Pretos, Monte dos Pretos e Quinta da Preta são os nomes de povoações dos concelhos de Leiria, Estremoz e Alcobaça…; enfim, demonstra-se assim a importância que estas populações teriam em determinadas regiões para que servissem de referência a um determinado lugar.

eusebio1.jpg Portugal é, afinal, o país de Eusébio, de Ricardo Chibanga, de Sara Tavares. Um episódio antigo ligado ao explorador britânico Livingstone ilustra bem como essa Europa olhava e olha para Portugal. Livinsgtone vangloriava-se ter sido o primeiro branco a atravessar a África Austral. Um dia alguém lhe chamou publicamente a atenção que isso não era verdade. Antes dele já o português Silva Porto tinha realizado tal travessia. Imperturbável, o inglês ripostou: - Eu nunca disse que fui o primeiro homem a fazê-lo. Disse apenas que fui o primeiro branco.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:43
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Sábado, 18 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXIV

O CHOQUE DO PRESENTE17.08.2017 - (Revisto a 18.11.2017)

- “O PRIMEIRO BRANCO” e a Higiene racial…II

- Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos!

Por

soba 01.jpgT´Chingange

No século XV, os mapas foram queimados, as informações escondidas porque era urgente provar uma superioridade da civilização ariana. São modas ou maneiras de estar! Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos! Não dava para se dizer “vamos evangelizar os africanos, tornar os negros escravos e baptizá-los.” E, isto sucedeu ou foi sucedendo!

kota0.jpg No século XV decidiu-se que os africanos faziam parte da descendência de Cham, filho de Noé e deviam viver uma vida de sofrimento para afastar o castigo, padecer a Paixão de Cristo, o que lhes permitia entrar no paraíso; foi isto recuperado da Bíblia por conveniência, creio eu. Apesar de a mestiçagem constar no discurso harmonioso da lusofonia, visionam-se razões ao dar um carácter de excepção ao colonialismo português. Mesmo entre negros, era preferível importar mais escravos de África do que manter seus filhos.

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Rebuscando novas, soube que Cristiano Ronaldo nasceu na ilha da Madeira; que Isabel Rosa da Piedade é natural da ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Os pontos em comum entre eles não são apenas o facto de ambos terem nascido numa ilha. Segundo o "Diário de Notícias da Madeira", Isabel Rosa é bisavó de Ronaldo, o que faz com que o Jogador do Ano FIFA em 2008, ou o melhor jogador do Mundo em 2017, tenha no seu ser um ADN de Cabo-verdiano.

bruno27.jpgClaro que vão ficar todos surpreendidos porque as ideias concebidas em cada qual são confusas em si! Não há aqui nada de extraordinário! Aos 16 anos, Isabel abandonou a sua terra natal para tentar a sorte noutra ilha do oceano Atlântico, a Madeira. A jovem Cabo-verdiana acabou por casar com José Aveiro, natural do Santo da Serra, e bisavô de Ronaldo. Da união entre o casal, nasceu Humberto, que viria a casar com Filomena.

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Humberto e Filomena, avós do futebolista do Sporting de Portugal e agora no Real Madrid, tiveram seis filhos. Dinis, um dos rebentos do casal, acabaria por casar com Maria Dolores, natural do concelho de Machico. Dinis (que faleceu em 2006) e Maria tiveram três filhos entre 1974 e 1976. Nove anos mais tarde, o casal volta a conceber e, nasce Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.

ariano0.jpg Poucos poderiam adivinhar que este filho, 23 anos mais tarde, se tornaria no melhor jogador de futebol do Mundo. E, que aos 32 anos (nasceu a 5 de Fevereiro de 1985) ainda continuava a ser o melhor do Mundo! E, se todos sabem que Ronaldo é português, mais concretamente madeirense, as origens cabo-verdianas da sua família permanecem ocultas.

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A informação já foi difundida na imprensa de Cabo Verde, suscitando grande curiosidade no arquipélago. Isto foi contado ao Expresso por um jornalista do diário "A Semana". Portanto, naqueles idos tempos os brancos entravam no caniço e tinham a negra que quisessem.

ariano1.jpg Na Luua de N´Gola (Angola) era no BO - Bairro Operário em plena cidade de Luanda e, em São Romão do Sado do M´Puto era no canavial do rio Tejo, uma das aldeias existentes no Ribatejo. Mas também poderia ser em Coimbra, Mirandela ou Tavira do Algarve. A diáspora Lusa tornou Paris de França na segunda cidade portuguesa pois que o número de falantes da língua de Camões, é superior à cidade do Porto. E, por lá também há canaviais.

ariano3.png Quem agora for passear pela Ribeira do Sado, já não verá gente verdadeiramente negra, de lábios grossos e carapinha. A cidade de Alcácer do sal, decorreu do tráfico de escravos entre os séculos XV e XIX. Em verdade, somos uma caldeirada de gente de cores diversas e de todo o Mundo; Os portugueses foram os iniciadores da globalidade no mundo moderno e, haverá muita gente que pensa ser um puro ariano quando afinal tem em seu ADN sangue preto.

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Esta miscigenação tornou-nos em realidade seres diferentes; os turdetanos, os suevos, romanos, cartagineses ou zulus estão no sangue de todos nós. Recentemente, encontrei na Cidade do Cabo, muitos mestiços de cor mais morena com nomes de Oliveira, Pereira e Silva descendentes de portugueses; gente zebra ou mazombos como eu. Quando no futuro vierem a habitar a Lua, talvez todos fiquem bem surpresos ao encontrarem lá num qualquer buraco taberna um Tuga a vender peixe frito aos marcianos.   

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXIII

O CHOQUE DO PRESENTE - 16.08.2017 - “O PRIMEIRO BRANCO” e a Higiene racial…

- O que se vê hoje em Portugal é o resultado de uma mistura não selectiva e uniforme de 10 por cento de pretos e 90 por cento de brancos, um todo homogéneo.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Li em tempos em uma entrevista com Mia Couto na qual este se referia que o jornal National Vanguard Tabloid, afirmava em publicação oficial, que uma organização inglesa defendia a “pureza da raça branca”. E dizia este, ser curioso que o editorial da publicação tivesse escolhido Portugal como o exemplo dos malefícios na contribuição do “sangue negro” para as sociedades europeias e americanas. Racismo assim, às claras, é muito pouco frequente poder-se ler em um jornal e, muito menos em um, assim tão conceituado nas referências políticas hodiernas (digo eu).

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Esta notícia é reportada ao ano de 2011, uma data muito recente e que reascende as afirmações do pastor anglicano Thomas Malthus na sua visão religiosa de ver o mundo a nuo e, na qual teve inúmeros seguidores políticos tais como Hitler em Alemanha e as técnicas segregacionistas do Apartheid na África do sul para não falar dos próprios americanos e, os seus primos. E esse jornal afirmava que os portugueses teriam de ser vistos de facto como uma nova raça - uma raça que estagnou na apatia nada produzindo de novo nos últimos 400 anos na História do Mundo.

lobo1.jpgNo meu olhar de xicululu, assim um olhar de esguelha ou olho gordo, martelei por cima do meu sobrolho a frase de que “Os portugueses são o povo mais atrasado da Europa porque há séculos que se misturam com os negros” e fiquei assim um pouco a remoer muxoxos asneirentos por o caso ter raspas melindrosas e, também por ser raro, vale a pena revisitá-lo.

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O jornal assenta a sua argumentação em “factos históricos”. Portugal recebeu os primeiros escravos negros em meados do século XV. Dezenas de anos depois, os negros já eram 10 por cento do total da população lisboeta. Essa percentagem viria a crescer para 13 por cento no século seguinte. A pergunta imediata é a seguinte: Que destino tiveram estes africanos? Regressaram a África? A resposta é não!

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Eles foram absorvidos, misturaram-se do ponto de vista genético, social e cultural. Eles ajudaram a construir a Portugalidade introduzindo valores e dados culturais novos. A palavra minhoca é apenas uma de dezenas de outras marcas no domínio linguístico. No Ribatejo havia aldeias cuja população era maioritariamente negra. Nossa amiga Maria Carapinha tem este nome porque seus trisavôs eram negros retintos e, hoje já nem os traços negróides têm.

dia142.jpg Basta ir beber uma ginjinha ao largo S. Domingos em Lisboa para termos esta sensação; no Cais do Sodré já não resta nenhum sinal das negras que ali vendiam mexilhões. Podemos descobrir testemunhos dessa presença em quadros, azulejos e cerâmicas variadas. Falando com meus amigos em comezainas de cachupa, amigos cabo-verdianos confirmam do “porquê haver tantos africanos em Lisboa e Algarve”.

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Eles referem-me haver confrarias negras da Nossa Senhora do Rosário e “os negros no Coração do império”. Que viram isso quando da exposição nos Jerónimos no ano 2000. Os Negros em Portugal têm sido de uma presença silenciosa e aonde só os investigadores nos mostram os negros não só como braços de trabalho, mas legando á sociedade expressões de nossa vida quotidiana.

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Pois assim é! Influência na cultura, na religião, tourada e até o fado, a canção dita nacional. Tudo isto se reveste de uma crítica à manipulação e branqueamento da história que tem servido para a anulação do contributo africano em nosso país! O autor de tal prosa racista do tal tablóide inglês não tem dúvida em identificar nesta mistura de raças e de culturas a razão daquilo que eles chamam de “declínio da sociedade portuguesa”.

kunene.jpgPasso a citar: Os portugueses eram, até então, uma raça altamente civilizada, imaginativa, inteligente e corajosa. Mas devido ao rápido crescimento da população negra e o correspondente declínio dos brancos (cujos machos estavam em viagem para longe da Europa) todo esse património de pureza foi adulterado. Reconhece-se neste caso uma forma de conceber preconceitos rácicos com múltiplas facetas.

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O mundo não obedece a uma fronteira simples que divide os racistas dos não racistas e que separa vítimas e culpados. Vale a pena, pois, continuar a citar as razões invocadas pelo “National Vanguard”, para a chamada degradação da cultura e enfraquecimento da raça: O que se vê hoje em Portugal é o resultado de uma mistura não selectiva e uniforme de 10 por cento de pretos e 90 por cento de brancos um todo homogéneo. Trata-se de, facto, de uma nova raça – uma raça que estagnou na apatia e nada produziu de novo em 400 anos de História (estou citando).

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:24
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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVIII
NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 24.08.2017 : Parte 4 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também, homem branco em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Estando eu no Reino Xhoba, reino sem rei com cerca de 100.000 súbditos, pertença de vários países de África não posso deixar de falar deles. Soube porque li em algum lugar que o anterior presidente da África do Sul, Nelson Mandela atribui a estes um território de quarenta mil hectares. Ora se um hectare tem dez mil metros quadrados, quatrocentos ha darão 400 Km quadrados. Se para aí transplantarem o cacto Xhoba, vai dar muito cacto para amaciar barrigas inchadas por esse mundo.

fiume5.jpgA maioria do povo bushmen continua a viver em casas cobertas a capim em pequenos aglomerados, por vezes a centenas de quilómetros de distância da cidade mais próxima. Estas palhotas são circulares tendo a altura de uma pessoa no seu centro. Para sua execução juntam uma boa quantidade de paus direitos que depois são curvados e enterrados no solo pelas extremidades. Estes são amarrados ao centro com mateba, uma casca retirada de uma árvore que entrelaçada faz de corda.

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Com outras varas mais finas e longas formam uns arcos progressivamente maiores à medida que são postos do centro da cobertura para o solo; estes paus tipo verguinhas mais finas, são amarrados aos outros mais grossos que estão na vertical tipo meridianos. É deixado um pequeno rectângulo por forma a permitir a entrada e saída de uma pessoa.

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Os seus instrumentos são bem escassos pois com muita frequência, mudam de sítio por via de seguir a caça, seu sustento. Têm lanças com ponta de ferro como nossos primitivos ascendentes que envenenam com a banha de um verme que apanham ainda em casulo. Chegam a matar girafas com o uso de sua astucia e modo felino de andar na mata, pé ante pé e sempre nas mesmas pegadas sem fazer estalar qualquer tronco seco.

koisan12.jpg Usam lanças e arcos de flexas, transportando mantas para suportarem o frio das noites que chega a graus negativos. Seus pratos são feitos de aboboras e os copos de massala ou maboque. São óptimos pisteiros e conhecedores de raízes cheias de água que espremem para vasilhas ou ovos de avestruz.

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As autoridades estão dando alguns apoios por meio de lhes facilitar a fixação colocando em sítios estratégicos poços de água alimentados por energia solar! Creio também que lhes fornecem mantas e facilidades de transporte para levar seus frutos a postos de venda.  Fazem artesanato a partir de espinhos de porco, ovos de avestruz, cascas de massala e lindos colares de missangas e frutos do mato. Usam uma quinda ou balaio maleável aonde colocam seus parcos pertences.

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Seus conhecimentos milenares estão sendo estudados ao pormenor em algumas universidades da África do Sul por forma a conhecerem melhor sua tradição de estórias verbais com lendas e dando a estes benefícios na forma sustentável sem os viciar. O Xhoba cacto inibidor do apetite vai através de convénio governamental contribuir para lhes criar hábitos de sedentarismo.

koisan10.jpg Não sei se os exploradores Tugas de outros tempos davam importância a alguns factos e se o fizeram ficaram relegados para segundas núpcias de estudo. Serpa Pinto recebeu a missão de estudar no Alto Chire a construção de uma linha de caminho de ferro que assegurasse a ligação do lago Niassa com o mar, apoiado numa forte coluna militar, que mais tarde se ligaria no baixo Catanga a outra coluna portuguesa vinda do Bié, sob o comando de Paiva Couceiro

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Portugal deu início a várias acções de ocupação: entre 1887 e 1890; Artur de Paiva ocupou o Bié e Paiva Couceiro foi enviado para o Barotze. Numerosos sobas prestaram vassalagem a Portugal. Tendo isto em vista, os ingleses começaram a aliciar os chefes indígenas das regiões visadas, incluindo aqueles que já tinham prestado vassalagem a Portugal como os Macololos e os Machonas e até o célebre régulo de Gaza, Gungunhana.

cacto xoba2.jpg O envio de tropas e de funcionários para todos os lugares onde se fazia sentir a sua falta era, porém, virtualmente impossível para Portugal. Por outro lado, o acordado na Conferência de Berlim dizia respeito fundamentalmente aos territórios junto á costa, já que o “hinterland” africano era muito mal conhecido. Daí as numerosas expedições organizadas de reconhecimento.

nauk03.jpg Os resultados da Conferência acordaram Portugal para a realidade. Se bem que o esforço estratégico tivesse sido orientado para África após a perda do Brasil, pouco se tinha feito por via da instabilidade da vida político-social da Metrópole, M´Puto e das extensas vulnerabilidades existentes.

FIM

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:45
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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017
MONANGAMBA . XLVII

RELEMBAR ANGOLA - Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também devemos orgulharmo-nos das coisas boas que fizemos…

As escolhas de T´Chingange

Por 

canhot1.jpgANTONIO JOSÉ CANHOTO

O COLONO

A definição de “colono” para alguns brancos residentes em Angola afectos ao MPLA, partido que governa este país desde 1975, bem para como para muitos negros, o termo “colono” tem sempre cor branca. Para estes o colono teve sempre como objectivo explorar negros, dizem! Nada pode estar mais errado nesta forma radical de definir a palavra “colono” seja o visado de que raça étnica for como um explorador oportunista de negros, índios ou aborígenes.

angola6.jpegFilologicamente o vocábulo “colono” pode ser definido como a um individuo que faz parte de uma colónia, que emigra do seu país de origem para uma terra estrangeira ou no mesmo continente e de um país vizinho para a povoar, cultivar por conta própria ou de outrem independentemente da raça do seu proprietário e, se este nasceu ou imigrou para o território.

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Este acto migratório pode ter duas vertentes: a primeira é quando um outro país exerce o controlo ou a autoridade sobre um território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país ao qual esse território não pertence e contra a vontade dos seus habitantes quando o país é colonizado e, que muitas vezes, são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) ou eventuais direitos tribais, culturais e ancestrais que detinham.

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Na segunda vertente emigram a pedido do governo do país ou de empresas privadas que pela falta de conhecimento tecnológico dos naturais se vêem obrigados a procurar mão-de-obra especializada no estrangeiro, para suprir as suas deficiências naturais. Para uma certa classe de portugueses e angolanos brancos e negros enfeudados ao partido do governo a sua atitude maniqueísta é a de que todos que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”, os maus da fita.

suku0.jpg Na minha opinião este reaccionário pensamento vindo de negro ou branco chamando indiscriminadamente “colono” de forma ofensiva para todos os portugueses que viveram em Angola até 1975 ou que para lá emigraram depois desta data, aconselho-os a olharem retrospectivamente para os seus passados e dos seus pais ou avós antes de 1975 antes de atirarem a primeira pedra.

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Ingenuamente, pensei que o termo “colono” estivesse a cair em desuso, mas vejo que continua bem vivo nas bocas de alguns, quando comentam alguns textos meus e de outros sobre Angola. Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também devemos orgulharmo-nos das coisas boas que por lá fizemos deixamos. Fomos certamente “colonos” durante os séculos que se seguiram à descoberta desse território o qual, ainda nem nome tinha.

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Muitos milhares de portugueses ainda hoje emigram para Angola na procura de melhores condições de vida trabalhando para empresários de várias nacionalidades negros ou brancos. Sedo assim porquê o governo actual de Angola não os trata como “colonos”?

chicor2.jpg É certo que até finais do século XIX e princípios do século XX muitos dos portugueses que emigraram para as nossas antigas províncias ultramarinas o fizeram na qualidade de verdadeiros “colonos” dando a Portugal benefícios económicos e, a partir da exploração desumana de mão-de-obra negra, contractos quase de escravatura mas, não era esta prática generalizada na última metade do século XX.

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A forma comportamental de alguns “colonos”, nada tinha a ver com todos aqueles que para Angola debandaram ou nasceram depois dos anos 50 com uma mentalidade aberta, iniciando a construção de uma sociedade moderna e multirracial e na qual se reflectia em todos os aspectos da comunidade. Se um empresário negro português tivesse emigrado para Angola, montasse uma empresa e tivesse empregados negros seria considerado um “colono”?

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Sinto-me no dever e direito de desmontar e desmistificar esta falsa questão do “colono” que não pode ser vista interpretada, generalizada com o epiteto de que colono branco é racista e explorador. “Colonos” e colonizadores foram todos os países que nos séculos XV e XVI descobriram à volta do globo, novos territórios habitados por índios nas Américas, indígenas em África e aborígenes na Austrália, num estágio primário civilizacional com perto de 500 anos de atraso tecnológico em relação aos europeus.

chela2.jpg Que por via disto, os descobridores precisavam não só de explorar, assimilar, cristianizar e os infectar, mesmo que involuntariamente, com todas as doenças que para lá exportaram. Diogo Cão chegou á foz do Zaire em 1483 sendo a partir desta data que se inicia a conquista pelos portugueses desta região de África a qual era constituída por vários reis e reinos étnica e linguisticamente diferentes que se guerreavam pelo expansionismo regional.

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O primeiro passo pelo Reino de Portugal foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o do Reino de N´Dongo e o de Matamba, os quais não tardaram a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola em 1559. As fronteiras de Angola só serão definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos Ambundos, a cuja língua o termo Angola anda associado.

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A Rainha Ginga, seu nome Dona Ana se Sousa “N´Gola”, seu título real em quimbundo foi o nome utilizado pelos portugueses para denominar a região conhecida hoje por Angola. Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, na minha opinião também foi a sua primeira grande colonizadora e eu explico porquê? Esta rainha guerreira que morreu aos 80 anos, durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submeteu e escravizou os seus habitantes vendendo-os aos portugueses que os levavam para o Brasil.

n´zinga.jpg N´´Zinga ou Ginga, torna-se assim cúmplice no esclavagismo, pois que também os usava como trabalhadores escravos nos territórios controlados por ela."N´Zinga" formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe. Subsequentemente conquistou o reino de Matamba e em 1635 coligou-se com os reinos do Congo, Kassange, Dembos e Kissama. Este pequeno intróito sobe a Rainha Ginga tem apenas e única finalidade, demonstrar que o processo colonizador sempre existiu em todas as latitudes.

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As tribos ou etnias mais fortes, melhor apetrechadas e com melhor armamento dominavam as mais fracas fora dos seus territórios, submetendo-as com o objectivo expansionista, esclavagista e até para sacrifícios religiosos com práticas desumanas e, por via de suas superstições. E, também para se apropriarem das suas riquezas, concubinas, gado, e rebanhos.

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Os portugueses não foram certamente santos pelos territórios que descobriram e colonizaram, mas também não foram totalmente pecadores na miscigenação que desenvolveram e cultivaram com os autóctones. Mais nenhum país o fez do mesmo modo! Aliás, por lá deixaram tudo sem nunca terem sido ressarcidos pelo roubo chamado de descolonização.

lubango1.jpg A história a ser bem contada, sempre terá de recordar a má utilização que o governo de Angola independente deram ao património que à força foi expurgado os portugueses tais como, casas, aeroportos, portos, cidades, estrada, equipamento, tractores, uma satisfatória rede de escolas e hospitais e administração em geral e, tendo dali saído unicamente com a roupa do corpo. Não confundamos ou associemos a palavra “colono” apenas com a cor branca e muito menos só com nacionalidade portuguesa.

Escrito em 13-12-2016 por A. Canhoto

O Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:49
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Domingo, 12 de Novembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIX

TEMPOS PARA ESQUECER – 12.11.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXIV.

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA - Não se fizeram só generais de aviário não! Foram muitos outros em muitas áreas que como políticos fizeram demasiados desmandados…

Por     

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

De entre os regressados a Portugal cognominados de retornados e, após o funcionamento do IARN e Adidos, era notório haver privilegiados nas colocações no aparelho de estado. No imediato e no meio da balburdia a desatenção era relegada. Cada um tentava do seu modo solucionar sua saída da crise; arranjar trabalho, colocação aonde quer que fosse - sobreviver. E, eu tinha dois filhos para criar.

eleuterio sanches.jpg As solicitações dos municípios para o IARN em colocações de funcionários já levavam um nome para a pessoa a destacar e no desvario da revolução as colocações eram feitas preterindo os rebeldes conotados como os anticomunistas como eu que tinha preferido a UNITA em detrimento da FNLA e MPLA e da qual fui membro activo com o beneplácito de Jonas Savimbi que conheci em Nova Lisboa, hoje Huambo! Anos mais tarde Alcides Sacala da UNITA deu-me posse de Coordenador da Zona Sul de Portugal. Isto trouxe-me inúmeros problemas como escutas telefónicas entre outros contratemos que não cabe aqui enumerar.  

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Recuando um pouco, minha base era a Caála chamada de Robert Williams, uma pequena cidade que ficou com o nome de um abnegado dirigente dos Caminhos de Ferro de Benguela. Até nisto se podia apreciar o quanto o aparelho do estado tinha sido tomado pelas pessoas ditas “progressistas”. Eu próprio fui rejeitado em detrimento de gente que ao chegar de Angola, mesmo muito depois do 11 de Novembro era colocado. Era gente conotada à esquerda! Hoje posso ver com mais claridade o que era essa força do Partido Comunista com suas células e comités de intervenção.

flor soba.jpeg Ainda anda por aqui e ali muita gente com quem temos amizade e que dão um encolher de ombros às lembranças de então. Prometi a mim mesmo não me enganar continuando a ser eu próprio peneirando as opiniões, gerindo silêncios. Só muito mais tarde e a partir do 11 de Março de 1976 as coisas começaram a tomar outro rumo. Tive a sorte de ser colocado como destacado em um município tendo na presidência um elemento do MDP-CDE. Nesta descrição andarei um pouco mais à frente e atrás para inserir o essencial dos problemas que afectavam milhares de seres como eu e, em iguais circunstâncias; gente que quis esquecer e, acabou mesmo por assim ser.

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Convém aqui dizer que eles, os gestores do MDP-CDE, jogavam na sorte de obterem um técnico a ser moldado no pós-ingresso mas enganaram-se. Dias-a-fio, era assediado para ingressar em suas fileiras e ir comandar a tropas de insurrectos da reforma agraria no Alentejo e eu sempre escapei a este confronto. Não estava disposto a desalojar patrões pelos ganhões. Havia gente que me esclarecia do seu procedimento e da forma de ficar incólume nesta viragem da vida. As assembleias de trabalhadores eram mais que muitas e tudo se decidia de punho no ar.

vasco gonç.0.jpg Nunca eu levantei um braço e os olhos detectavam meu comportamento. Não saí ileso mudando-me para um Gabinete de Apoio Técnico com gente maioritariamente saída de Angola. Tinha de sair deste gueto Ribatejano com tomadas diárias de fábricas em mãos dos trabalhadores; decisões arbitrárias e execuções sumárias nas atitudes do PREC e cartilhas da revolução vermelha. Entretanto na televisão podia ver vasco Gonçalves em fúria espumar ódio ou lá o que era deitando para a multidão cravos. 

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Era uma carta fora do baralho! Inscrevi-me para uma organização em Lisboa, CIME, Comissão Internacional de Migração Europeia e pouco tempo depois fui chamado, tinha colocação na Venezuela mas, teria de ir em barco. Eu vou sim! Nem que seja de barco à vela e, fui mesmo! Foi o melhor que poderia ter feito. Levei uns doze dias a curtir férias no paquete Flávia cheio de turistas saídos de Itália, destino Caracas com descida em La Guaíra.

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Mas convém aqui dizer o que era esse tal de MDP-CDE: Depois do 25 de Abril constitui-se como partido político, fazendo parte de todos os Governos Provisórios, com excepção do VI de Pinheiro de Azevedo. Concorreu à eleição para a Assembleia Constituinte de 1975 sozinho e, a partir de 1976, em coligação com o PCP, formando a APU. Em 1987, em dissidência com o PCP, já não participou na coligação eleitoral CDU, apresentando-se às eleições com listas próprias.

mdp0.jpg Nessa mesma data, alguns militantes dissidentes formaram a Associação de Intervenção Democrática (ID), que até hoje continua a integrar, como independente, as listas do PCP - Partido Comunista Português. Em 1994 fundiu-se com o grupo editor da revista "Manifesto", dando lugar ao movimento Política XXI, que veio a ser uma das correntes fundadoras do hoje Bloco de Esquerda.

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Em Portugal, havia gente do PCP a fazer triagem na colocação dos regressados do Ultramar Português em órgãos de Administração. Faziam listas, procuravam-nos e colocavam-nos nos lugares mais aprazíveis a contento destes. Que me fuzilem se estou a dizer uma inverdade! Os revolucionários do Pós-25 do PCP e MDP-CDE e o magote de gente que lideravam tomaram de assalto os Serviços de Educação, da Reforma Agrária, na Industria, Comércio e Sindicatos.

maga2.jpg Recordo que o Sindicato da União de Autarquias Locais - do Sul, STAL a dado momento recusou o ingresso de técnicos em suas estruturas. Foi quando me senti relegado para a masmorras dum barco que passou a ser a minha pátria, lugar aonde guardei minhas mágoas, meus desaires num baú: - O NIASSA… Falo por mim, mas muitos outros tiveram que trilhar caminhos muito iguais. Para não me mentir, terei de continuar esta senda até que julgue estar ressarcido em parte dos desmandos, assim seja para desabafar porque, outra coisa não posso esperar. Este arquivo vai ficar morto como coisas do passado!… 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:14
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 23.08.2017: Parte 3 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também, homem branco em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpegT´Chingange

O Xhoba rebaptizado pela indústria farmacêutica em um produto P57 suscitou todo o interesse pela empresa multinacional Pfitzer que pagou algo como 32 milhões de dólares à Pythopharm para desenvolver um medicamento para não engordar. Os ocidentais dirão ser maravilhoso empanturrarem-se de comezainas e depois tomarem um comprimido para lhes tirar as calorias reduzindo os coiros michelins caindo das faldas da barriga.

koisan9.jpg Tentam afirmar que o Xhoba também tem efeitos afrodisíacos e se assim for vai ser sucesso certo! Não vai ser necessário tomar o tal pau de Cabinda ou raspas de rinoceronte para ter a musculatura certa no músculo viril! Não sei é se esses tais 100.000 bosquímanos existentes num vasto território que abrange Angola, Namíbia, Botswana, South África e Zimbabwé, serão mesmo beneficiados conforme ditam as promessas. Não sei não!

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Eles, os bosquímanos eram felizes antes de conhecer estes milagres da civilização; não sei se o serão mais daqui para a frente com tanta gente a ter pena dos coitadinhos quando afinal esse modo de estar já lhes está no sangue há muitos milhares de anos. Sempre aparecerá uma Ong a lhes dar cobertura, apoio e educação e de vício em vício serão levados a formar chagas sociais no mundo que dizemos civilizado! Encharcar-se-ão de cachaça até arrumarem o tédio entre as sandálias  e a esperança. Mas, será bom que as instituições ajudem da forma certa estes nossos ancestrais...

koisan7.jpg As terras que os Tugas ambicionavam em África supunha-se não pertencerem a ninguém em particular e, a nosso favor, na Conferência de Berlim de 1885, podíamos alinhar as diversas explorações feitas em várias épocas por portugueses, mas os ingleses, nossos grandes amigos da onça, como soe dizer-se, tinham outros interesses, dos quais se destacam o desejo de Cecil John Rhodes.

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Ele, Cecil Rhodes, desejava construir seu sonho em um corredor que ligava o Cabo ao Cairo e a descoberta de diamantes em Kimberley e ouro no vale de Kaap, abriu-lhe a pestanas e o prazer de ser grande. Estas áreas só poderiam ser tomadas pelo torneamento dos estados bóheres do Orange e do Transval (como veio a acontecer). Além do mais um sonho deste senhor era por si só uma grande limitação aos avanços de Portugal. Em todas estas politicas os khoisan (bosquimnos), nunca foram tomados em consideração... 

koisan1.jpg Que nem cordeirinhos os diplomatas do M´Puto, subestimavam-se àqueles por via dum tratado que só nos tramava. Sempre tramou! Pois deste sonho do Inglês Cecil Rhodes e do devaneio imperial de Bismark, derivou o maior esforço militar no Sul Angola, nas margens do rio Cunene, onde existiam duas tribos aguerridas: os Cuanhamas e os Cuamatos.

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Os historiadores sempre de forma suave abordam esta questão sem chamarem os nomes certos aos bois e, se Angola tem as fronteiras que tem hoje é aos abnegados militares de outrora que devem honrarias e não a buçais sobas que se vendiam aos alemães e ingleses por cachaça, pólvora mais uns canhangulos à mistura. E, os khoisan continuavam ignorados na história

koisan11.jpg É tempo de os mwangolés da Luua, assentarem ideias de que nem tudo vindo dos Tugas foi mau. Muitos ali ficaram na terra que agora os desmerece. Em 1890 tinha sido morto o herói Silva Porto, atraiçoado pelo soba local, que acabou preso por Artur de Paiva em 1893; o mesmo oficial dirigiu a expulsão dos Hotentotes (Holandeses) e mais tarde em 1898 comandou as operações no Humbe durante sete meses para vingar a morte do Conde de Almoster e dos seus dragões. Derivei um pouco para se entender o que efectivamente se passava neste então naquela áfrica até então esquecida; tanto assim que o rei Belga ficou dono dum país - o Kongo Zaire.

macuta 1.jpg A insubordinação destes povos era fomentada pelos missionários luteranos e o assassinato de dois comerciantes portugueses, em 1904, levou ao envio de uma expedição para “bater” o território “Ovambo”. Mas um grave revés, em Pembe fez abortar toda a operação colocando toda a região Sul numa situação perigosa. Foi então nomeado Governador da Huíla o Capitão Alves Roçadas, em 1905.

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Este notável militar desenvolveu um conjunto de operações militares, coroadas de êxito, destacando-se os combates de Mufilo e Aluendo, em 1907. Em Angola dá-se a pacificação dos Dembos, pelo Capitão João de Almeida, (concluída em 1913 por Norton de Matos), e Roçadas pune os Cuamatos. A seu tempo voltaremos a falar dos bosquimanos e seu cacto xhoba...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:16
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Sábado, 4 de Novembro de 2017
NIASSALÂNDIA . VIII

MULOLAS DO TEMPO – 04.11.2017 - Nós e o mundoHoje, acordei bordado em lentejoulas marafadas do sul do M´Puto.

Niassalândia é o meu país.

Por

sambacatá2.jpgT´Chingange 

Assim é! Acordei com uma zoada nos ouvidos; uma comichão suave com apitos de cascavel. Já é habitual colocar cotonetes com água oxigenada e um pouco de água morna mas ao agachar-me na procura dos cotonetes vi o milongo da Ana Arrais feito de muitas ervas do Nordeste brasileiro. Foi quando pensei que este milongo feito de sambacaetá, deveria fazer bem à minha dormência e comichão fungosa dos meus ouvidos.

sambacatá.jpg Vai daí, pus em uma tampinha um pouco de água oxigenada misturada com este samba-caetá e, à medida que a água oxigenada crepitava gostosamente em meus ouvidos fui rodando os cotonetes no sentido dos ponteiros do relógio, não fosse o diabo tecê-las; pois! Numa coisa assim tão corriqueira pode suceder o imprevisto. Levantei-me e fui sentar-me à frente da televisão, liguei-a mas com o zumbido dos ouvidos e pensamentos a voar recordei coisas da minha mutamba.

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Bom! Pude ver-me pelo espelho da vidraça virada a sul - a minha t´xipala na forma de um ET com duas hastes saindo das orelhas. Entre esta visão cómica e cósmica, presenciada na primeiríssima pessoa nem dei muita atenção às inchadas notícias que davam avondo de pormenores extras, da incerta independência da Catalunha.

sambacatá3.jpgNestes propósitos vi-me a apanhar antes do nascer do sol a tal planta de samba-caetá junto aos muros do fundo da Praia do Francês. Ana recomendou que teria de arrancar estas ervas antes da kúkia (sol) sair grande e redonda do lado nascente – lado do mar. Teria de ser daquelas que crescem bem ao la do das urtigas, sítios sombreados. E, assim foi! Dias depois fui ao mercado de abastecimento de Maceió, um mercado das calamidades ou um Tira-Biquíni da Luua para comprar um especial álcool de cereais que ela pediu.

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Junto com mais plantas, Ana fez aquele milongo com aquele álcool. Tenho de referir que lá em casa dela na rua Camarão, sempre a via botar um frasco deste milongo nas narinas e snifar longamente tal preparo de cor castanha. E, foi por vontade minha que ela me deu a cheirar nesse então, este milongo; penetrou bem pelas vias nasais, cérebro e cerebelo refrescando a áurea do meu ser. Senti-me fresco, audaz e curioso.

sambacatá5.jpg Disse-lhe que também queria aquele produto. Daí eu ter diligenciado tudo para obter tal cazumbi, produto que uso quando me lembro porque tenho as narinas entupidas e também para eliminar os biliões de fungos que pululam nas minhas ventas. Depois disto fui fazer duas torradas. Já tostadas, rego-as com azeite de oliva de Borba, graduação 0.4 e, esponjo nelas a cayenna pépper que um amigo me recomendou lá na África do Sul.

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Foi-me dito e repetido que é boa para regular a tensão arterial, porque dilata os vasos sanguíneos e outros edecéteras que por ora não interessa mencionar. Abrindo uma cápsula tomei seu gosto; uiui, uiqué, muito mais forte que o jindungo que normalmente tomava fazendo-me até transpirar o cocuruto do meu templo.

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Mas, não é tudo! As torradas são também barradas com óleo de coco para me livrar doutras mazelas que até o tempo me fez esquecer. Só lembro terem mencionado que meus ossos deixariam de ficar estaladiços como os da Catarina Eufémia. Mas, se pensam que isto é tudo esperem, mais um pouco! Um raizeiro de Maceió, aconselhou-me a tomar o tal de ipê-roxo para durar até aos 333 anos. Não o levei muito a sério mas, pelo sim pelo não, tomo esta bolunga à mistura com o borututu

pião3.jpg Pois, da gente com mais de cinquenta anos, que tenha vindo de Angola, quem não se lembrará de ter sempre lá em casa uma garrafa de água do Bengo com raízes de borututu na geleira, frigorifico ou recolhendo da selha gota-a-gota a água que ali se deitava para purificação. Tudo isto era para preservar contra doenças de biliosa, do aparelho urinário e rins; assim dizia o raizeiro doutor Kimbanda de nome Sambo.

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São tantas as mistelas que tomo à mistura com barbas de milho e mezinhas da minha avô que que nunca saberei ao certo qual, a que melhor me faz. Isto deve ser uma propensão do meu ADN por parte do meu tio Guerra, um famoso curandeiro de cortar a dor ciática, que recebia gente de todo o Portugal no eirado da Senhora do parto de Barbeita, lá nas terras altas da Beira do M´Puto, um genuíno Turdetano.

O Soba T´Chingange  



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Sexta-feira, 3 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 23.08.2017 : Parte 2 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também homem branco, em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpegT´Chingange

As viagens de exploração em África sucederam-se por parte de Portugal, Inglaterra, Bélgica, França e até a Alemanha de Bismark. Toda esta actividade veio a culminar na Conferência de Berlim de 1884/5, onde se fez a partilha do continente desencadeando-se assim uma autentica corrida a África. As possessões portuguesas de África eram quase apenas ponto de passagem, interpostos comerciais ou lugar de expiação de condenados durante três séculos e meio.

PAI7.jpg As estruturas sociais eram assim, muito débeis. Foi, portanto, um povo desmoralizado e um governo hesitante e fraco, que em meados do século XIX teve de passar a olhar para África, por um lado para encontrar alternativas à perda do Brasil; por outro, para fazer face às potências que nos queriam esbulhar. Em verdade nunca se conseguiu pôr de pé um plano global de actuação com políticas encetadas e, foram-no quase sempre reactivos e nunca por antecipação.

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A Portugal faltava-lhe gente para dar envergadura a um projecto de colonização mais eficiente e rápido. Era o Brasil que verdadeiramente absorvia todas as apetências Lusas. Dos sucessos ultramarinos destacam-se a travessia de África de Angola a Moçambique, e volta entre 1804 e 1814! Mas, isto foi muito para tudo mais tarde, passados que foram cento e sessenta anos resultar em nada! Para esses fazedores de novas sociedades, as epopeias culminaram em 1974.

chai4.jpgUns quantos ditos progressistas, militares misturados com civis e por traição, decidiram entregar aqueles territórios de mão beijada sem garantir a permanência dos brancos; Mas teremos de voltar atrás noventa anos para descrever sucintamente outros episódios. A seguir à Conferência de Berlim, o governo  português desencadeou um conjunto de acções de âmbito militar, administrativo, de investigação, de delimitação de fronteiras e também de melhoria de infra-estruturas, comunicações e de comércio.

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As campanhas militares de pacificação em Angola iriam estender-se até meados dos anos 30 do século XIX. Ocorreram numerosas acções das quais se destacam: a pacificação dos Dembos que se arrastou de 1872 até 1907, situação resolvida pelo Capitão João de Almeida. Os Dembos revoltaram-se novamente, em 1913, e de novo foram derrotados por Norton de Matos nos combates de Kindangue e Kingola.

guerra3.jpg Outras regiões necessitadas de ocupação efectiva eram Malange e Lunda e, para o efeito várias acções foram levadas entre 1889 e 1907. Em 1908, pacificou-se a região de Boudos, e no ano seguinte as regiões entre Bongue Angola e Duque de Bragança que se prolongaram até 1913 e, de modo a permitir a construção do caminho-de-ferro de Malange.

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Em 1902 declarou-se a revolta nos povos do Bailundo. Para lhe fazer face organizaram-se duas colunas. Uma saiu de Luanda sob o comando de Massano de Amorim, e a outra saiu de Benguela sendo comandada por Teixeira Moutinho. Ambas suportaram longas marchas e duros combates, todos eles contados por vitórias.

diogo6.jpg Perdi-me nesta contenda derivando do cacto linha zero dos bosquímanos para as diabruras dos Tugas de N´Gola com Tugas do M´Puto e assim volto aos registos históricos que dão conta de que há mais de vinte mil anos por aqui, sul do deserto do Calahári, vagueiam os bosquímanos, caçadoras por natureza, cujo trabalho é procurarem comida. No nosso modo de ver só podemos confronta-los com a tese mitológica para justificar seu destino sempre incerto.

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Desde sempre os deuses gozam com esta terra e com quem a povoa. Mas se dos céus não vem a farta chuva, da terra brota um cacto que lhes engana a fome, o cacto xhoba! Espinhoso e viscoso, azedo como trovisco, é capaz de cortar em 2000 calorias a necessidade diária de energia de um ser humano. Será sem dúvida uma oportunidade de os muitos milhões de obesos no mundo eliminarem sua excedentária gordura.

zeka7.jpg Dizer-se que os bosquímanos terão aqui uma forma de subsistirem economicamente e, por venda deste produto é talvez uma fantasia, senão tendenciosa no mínimo falaciosa. Encontrando-me eu aqui nas bordas do reino dos bushmens, um lugar cercano ao rio Vaal, não dou por falta de comida quer ande para norte ou nascente. Há capotas, patos, warthogs, mopane (catato) e um sem numero de plantas e raízes comestíveis.  Só quem não conhece o mato e suas gentes pode afirmar esta excentricidade.

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O xhosa (ou IsiXhosa), ou aportuguesando, cosa é uma das onze línguas oficiais da África do Sul. É falada por aproximadamente 7,9 milhões de pessoas (cerca de 18% de sul-africanos), principalmente nas províncias do Cabo e sul do KwaZulu-Natal, mas também nos países vizinhos de Botswana e Lesoto. As consoantes clicantes são uma característica proeminente dos sons desta língua e mesmo o nome "Xhosa" que se inicia com um "clique". Estima-se que cerca de 15% do vocabulário é de origem Khoisan e, mesmo as consoantes clicantes podem ser dessa origem. Existem jornais e programas de rádio nesta língua.

(continua…)

O Soba T´Chingange



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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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