Sábado, 13 de Agosto de 2016
FRATERNIDADES . CVIII

NA PRADARIA ALENTEJANA . 12-08-2016

A FESTA DA VILA DA PRAIA, SEM MAR, SÓ ONDAS DE CALOR.

Por

soba17.jpgT´Chingange

bimbo4.jpg Ando no meio de uma festa festejando a alegria, curtindo a juventude que resta, lembrando as farras do fundo do quintal da Luua e, vendo as netas dos amigos e a minha também rodopiando em graçolas e risos contagiantes. Assim deixando o tempo abraçar os cabelos grisalhos e os sulcos dos anos. Pois, vou fazer mais o quê?

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A conversa começa do nada com o senhor Casquinha, amigo do Cailogo, marido da Assunção. Conversa desajeitada; a possivel.E chega um neto dele pedindo umas moedas para comprar uma lanterna pirilampo. Não demora muito e ali está ele fazendo gaifonas na cara do avô com aquela lanterna. Quanto custou pergunta o avô? Cinco euros, diz o petiz. Caramba! E, não regateaste? Qui é isso avô!..

tonito3.jpg  Pois… outros tempos! E sem mais remata: - Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos. Víamo-nos as vezes que queríamos, sempre diariamente, quer-se-dizer todos os dias. Na taberna do Álvaro, daquele outro chamado Hernâni com uma mulemba, jogando a bisca e à sueca mais o tentilhão; uns malhos redondos e um escopro ao alto a fazer de alvo. Quem perdia pagava um copo de tinto ou um pirolito.

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Hoje andam por aí feitos loucos procurando bichos chamados de pokémons debaixo dos chaparros. E no maior à-vontade, coisa muito perdida, porque não tínhamos mais nada para fazer senão trabalhar. As conversas misturam-se na memória e sai o que sai. O anteontem misturado com o amanhã se Deus quiser.

mess01.jpg Casquinha dizia quase sozinho, coisas repetidamente faladas. Ainda bem que é assim! Falava comigo por falar e, com ele sem convicção, só mesmo por falar como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos. Em realidade era a primeiríssima vez!

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Nada falha! Na excitação de contar coisas e partilhar ninharias, disparamos novas como se nos estivera, e está, na massa do sangue; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que por décadas estão por realizar. Os sonhos das pradarias; nossos desertos, palhas retesando-se ao vento.  

mess1.jpg Há grandes amigos que tenho a sorte de ter, que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca desconcordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Coisas de mais-velhos, misturando alhos com bugalhos e melancias com queijo de cabra dos montes hermínios.

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Enganei-me! O melhor que os amigos têm a fazer é verem-se cada vez que se podem ver. É verdade que, mesmo tendo passados muitos anos, sente-se o prazer de reencontrar a quem já se pensava nunca mais ver.

mutopa2.jpg O tempo não passa pela amizade mas, a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto existe! Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de irmos pró paralém, vai uma distância tão grande como a vida.

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Agora ouço a Kizomba sem ter nada contra, confesso que prefiro o merengue e o bolero mas, até sou capaz de não trocar de estação! Qual estação! Bolas! Estou na festa de Messejana! Mas, isto é só da loucura, de ouvir com gosto num carro cheio de amigos a caminho da praia como nos temos de kandengue nas idas para o Mussulo, Samba ou ponta da Ilha da Luua.

socie5.jpg Com "10 músicas seguidas sem parar", deveria chamar-se "5 músicas seguidas intercaladas por 5 Kizombas". Casquinha diz que não tem paciência, prefere o acordeão e os ferrinhos num arrasta pé, meche quinambas, musica pimba. Tinha de ser mais um corridinho! E, vai um corridinho mais uma valsa e são horas de dormir que o fresco chegou! E lá fui eu para a rua da misericórdia, uma estreita rua aonde os fumos cheiram a charros.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:30
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2015
CAFUFUTILA . XCV

TEMPOS QUENTES NO PARALÉM – 2ª de 3 partes - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…John Wayne estava encontrado neste sítio encantado … 

Por

soba10.jpg T´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto. Anda às arrecuas para fugir à regra, um paradigma, só dele.

john3.jpg John Wayne mostrava-se ávido de rever aquilo que foi sua infância em uma outra encarnação. Ele não tinha certeza absoluta se aquela sua infância longínqua foi passada em Aivados ou Alcaria e tem uma ligeira certeza de que tinha familiares em Panoias pois que refere estar em um alto e de poder ser vista de muitos horizontes. A todo o momento parávamos para apreciar as coisas ínfimas, tirava fotos que viravam um holograma em 3 D com cheiro e forma de impressionar. Não sei do porquê ao apanhar uns cardos de cor amarela e mete-los em seu alforge; nem lhe perguntei, pois tudo era nele inusitado. Afagou uma minúscula carriça que lhe saltou para o ombro e de repente apeou-se junto a um frondoso sobreiro e de novo falou em seu inglês rachado: - You know the difference between a sobreiro and the azinheira? Rsss… Se eu sabia distinguir o tronco do sobreiro e azinheira?.

john5.jpg Só sei que a azinheira dá bolotas comíveis enquanto as do sobreiro não prestam, melhor são intragáveis! Disse eu! - Pois então fixa-te nisto, o tronco do sobreiro é de casca grossa, rugosa, irregular de fendas e nódulos irregulares enquanto a azinheira tem a casca fina, fendas regulares e longitudinais além de ter as folhas mais pequenas e, como dizes as bolotas comem-se; Lá na paralaxe do além de onde venho, utilizamos muito esta glande para nos dar energia atómica, podermos assim a partir de suas partículas radioactivas de nos transmutarmos num ápice de um para outro lado! - Assim como levitar e andar só de pensamento? Interroguei-o!

mess1.jpg Ele tentou então explicar-me: - Quando olhamos para o espaço, em seu conjunto, a distância das estrelas é tão grande que perdemos a noção de profundidade, num primeiro momento. Todas as estrelas parecem então estar à mesma distância, coladas numa grande esfera, a esfera celeste. Mas, na verdade, elas não estão à mesma distância, sendo o método de paralaxe usado para medir algumas dessas distâncias e, é aqui que nos movemos, na sombra da paralaxe. Estava explicada este seu entusiasmo em ver as moléculas expansivas alimentadoras de seus iões ou catiões feitos nuvens, assim como um orvalho cacimbado. Mas eu não consegui entender.

mess04.jpg Mais ou menos isso, teletransporte nos iões espaciais! Disse ele. Isto é demais para a minha caminheta, afirmei; É melhor ficarmos assim! Notei que ele não gostou deste meu momentâneo desinteresse. Neste entretém ouvimos um kwé-kwé de um pássaro grande e preto por mim nunca visto! Seriam os seus guardiões nesta terra do Paralém. Podíamos ouvir tudo ao mesmo tempo, um fenómeno até aqui nunca por mim observado, mas eram os badalos dos bois e das ovelhas não visíveis dali, que sobressaiam desta amálgama de sons. Eu estava leve como uma pena, fazia quase tudo, eu que tenho tanta dificuldade a atar os sapatos pela manhã; parecia ser um ser gasoso.

mess6.jpg Montamos de novo nossos cavalos holográficos e num repente estávamos bem no átrio da ermida da nossa Senhora de Assunção. De novo apeamos e, ambos nos sentamos no muro largo feito daquele xisto caiado. Num encantamento tirou nem sei de onde uma gaita-de-foles e começou a tocar uma musica volátil que trazia aos sentidos o cheiro de plantas distantes, pode dizer-se paradisíacas… Foi quando vi as nuvens virem até nós e fundir-se em uma senhora, pairando ali bem perto sem qualquer assentamento; tudo indica ter sido a Nossa Senhora de Assunção…Nunca tinha sentido assim uma sensação de tanta tranquilidade…

(Continua…)

CAFUFUTILA, (kifufutila): - Farinha de mandioca torrada misturada com açúcar. Do Kimbundo de Angola

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:15
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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2015
CAFUFUTILA . XCIV

TEMPOS QUENTESNO PARALÉM 1ª de 3 partes - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…John Wayne estava encontrado neste sítio encantado …

Por

soba10.jpgT´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto. Anda às arrecuas para fugir à regra, um paradigma, só dele.

john0.jpg Seu verdadeiro nome era Marion Michael Morrison. Ele detestava seu nome e ao entrar para o cinema mudou-o para John Wayne, que tinha mais a ver com um rapaz de 1,92 Surgiu com destaque no cinema em 1930 em The Big Trail, faroeste dirigido por Raoul Walsh. Permaneceu vários anos estrelando filmes B até consagrar-se no papel de Ringo Kid em Stagecoach, clássico de 1939 de John Ford. A carreira de Wayne foi assim agraciada com esse divisor de águas inestimável, que o lançou ao estrelato. Esse filme tornou-se a obra que definiu todas as principais características do faroeste norte-americano.

john01.jpgEra o último domingo de Agosto; saí de mansinho da rua da Misericórdia faltava dez minutos para as sete horas da madrugada; o silêncio rondava o lugar do Paralém e, nem o cão rafeiro da rua do Outeiro me ladrou, procedimento incomum, talvez por ser cedo ou por não querer mostrar seus caninos cariados e, voltei à esquerda na rua de Alvalade pisando o asfalto, casas caiadas com barras azuis muito a condizer com o Paralém de Panoias, famosa por uma praia que não tem com o nome de Messejana. Passo a rua da Fonte Nova, que me fica às 10 horas, como dizem os aviadores, portanto à esquerda; já descendo noto no desperdício de figos da índia que caem na barreira sem aproveitamento.

john 00.jpg Os tabaibos deram lugar aos eucaliptos cheirosos a esta hora da manhã, batiam as sete badaladas no sino da igreja da Misericórdia estando eu em frente do chafariz Afonso Gomes construído a 15 de Julho de 1880. Via-se ao longe a ermida de Nossa Senhora de Assunção. Pude ler no cruzamento que liga a Rio de Moinhos um cartaz da CDU mencionando uma próxima festa do Avante na Atalaia e fazendo menção do PCP com uma estrela, uma foice e um martelo, e o PEV com um girassol.  

mess01.jpg Ouvi do lado sul e lá longe uns barulhos de petardo ecoando nos cabeços, talvez avisando da festa de Panoias ou então de caçadores dando tiros aos coelhos ou rolas, não tenho certeza disto mas eram estrondos aliados a um zumbido do ar e olhando o céu lá estava o rasto dum avião nas alturas a caminho do Sul, Áfricas e, estando assim olhando o azul rasgado ouvi um convincente “Good Morning”…

john4.jpg Mas, que grande susto! Segundos antes não estava ali ninguém e, num repente, saído do nada ali estava um homem vestido à vaqueiro, um autentico cowboy americano! E, surpresa das surpresas… mesmo espanto! Era nem mais nem menos que John Waine, vestido como se aqui viesse fazer um western. Não te assustes, disse ele no seu jeito meio fanhoso: -Don´t be afraid! I heard gunshots and came to see!... Em inglês! E, perante o meu franzir continuou a falar, mas agora em português com sotaque de alentejano de Aljustrel, bem cantado: - Na minha anterior encarnação andei por aqui e venho agora matar saudades; tu podes ajudar-me nos caminhos, agora tudo está diferente! Quero ir até Alcarias, Panoias e Aivados, lugares aonde ameninei nesse meu passado.

john02.jpg Caramba! Num repentemente surgiu um puro lusitano a seu lado! Let's ride! Let´s let's go! Vamos, monta! Estava tolhido e, assim tremendo e com a sua ajuda pulei com alguma dificuldade para o lombo do lindo exemplar de cavalo. E, lá fomos em direcção à Ermida de Nossa Senhora de Assunção… Fiz um rodeio em direcção a Sargaçal porque sabia ir ali encontrar bois e, lá chegados vi o encanto nos olhos de John! Os bois com os rabos a dar e dar, um e outro lado afastando moscas enquanto a passo rápido se deslocavam da barragem de água para as gamelas de pasto com a suposta ração que nós lhe dariamos; pensaram que seriamos nós, seus cuidadores.

john2.jpg Vou tentar reproduzir a imagem, o gado com crias seguiam o rumo da palha levantando o pó do chão, assim como uma mini boiada e mugidos de indicar presença aos bezerros e o moinho de vento rodando fazendo tric…tric…tric…tric nas palhetas duma pá desmazelada mais o riscar de uma tabuleta que teimava em amachucar um outra torta chapa pelo chik…chuk…chik…chuk, vento de sudoeste que entretanto se levantou! Era mesmo uma cena dum filme e, se gozei na imagem dos muitos filmes que me alegraram, olhos colados ao grande ecrã! Sim, sou mesmo da geração do cinema, das matinés de ver gado despencando com pó, rifles, ladrões e tiros de colt e winchester.  E, curiosamente o encanto não era só meu. John Wayne estava consolado! Sentia-se este mistério.  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:01
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2015
MALAMBAS . LXXXIX

TEMPO COM FRINCHAS . Sinto-me palhaço no particípio passado mas, não dono do circo…

Malamba é a palavra

Por

soba0.jpeg T´Chingange

mss2.jpg Passada a horta do Torrica dobrando já a curva da ribeira de Messejana, no monte de Vasa Talegas interroguei-me sobre este nome já pouco usado na linguagem corrente; isto significa uma bolsa de ráfia ou pano-cru aonde se levam coisas normalmente comida, um pedaço de broa, chouriço e frutas a serem usadas como suprimentos em uma tarefa de ceifa, aqui em plena planície alentejana. Neste percurso doirado da falsa savana esperava ver abetardas, sisões, toutinegras ou grous mas só consegui ver nas ruínas do Monte dos Reguengos os peneireiros das torres, gaviões pretos, o tartanhão-caçador mais o cortiço de barriga negra.

amigo00.jpg O resultado do cultivo de cereais e sequeiro em regime de rotação origina a permanência de aves que não se vêem com frequência em outros lados. Nesta fingida estepe cerealífera pode com sorte, ver-se o roliceiro, o milhafre real em tempos mais frios, o peneireiro cinzento, garças boiadeiras, mas desta feita, vi em meu passeio a presenteira cegonha branca e castanha no topo do convento de S. Francisco. Na barragem do Reguengo pude apreciar os lindos patos-reais e mergulhões e até poupas mais a tarambola dourada.

melro1.jpg Enfim, um felizardo libertado como aqueles corvos grandes e pretos ondulando seus voos entre mesetas, carros desventrados e trastes espalhados como num cinema de pradaria abandonada com muito funcho, muito carrasco e rascassos. A sobra do Alentejo é só a que vem do céu, abrigue-se aqui menina debaixo do meu chapéu. Pensei nisto no galgar de metros pensados e com o firme propósito de emagrecer, de ter saúde o quanto baste para desbaratar os triglicéridos no lugar dos Maldonados, gente que dizem ter-se endinheirado aqui e nas fazendas em áfrica.  

mess0.jpgColhi umas quantas espigas de trigo e fiz um ramalhete com folhas de louro colhidas no convento abandonado do tal de S. Francisco com um belo brasão na frontaria. Neste entretém deparei com um cão arrebanhando umas quantas cabras na direcção do Monte do filipe; olhei ao redor e voltei olhar mais à frente procurando o pastor e, nada de gente! Era o rafeiro alentejano que só e mansarrão conduzia o rebanho pelas verduras, duma forma terna e eficaz, conduzindo-as até o lugar que ele cão, sabia ser o certo!  

mess9.jpg O alentejano cidadão, é terno e rude, é tudo ou um deserto; o que nós quisermos, comodistas, papistas ou comunistas; gente às direitas que por vezes se vê obrigado a andar às arrecuas, gente com honradez. De tudo tem como nos mistérios do Evangelho de Jesus Cristo que num domingo de missa, recorda o Martírio de sua morte no Monte Gólgota ao longo dos anos e dos séculos, como se por aqui tivesse andado como o fez na Galileia e Vale do Jordão. Nunca ninguém o viu passar por aqui no vale das talegas mas, lá também se faz ouvir o sino das Ave-Marias.

mess05.jpg Foi pena que não tivesse dado uma mãozinha a Dom Sebastião que daqui levou mancebos para essa tal de Alcácer Quibir para matar gente com espadas na forma de cruzes alongadas para matar os infiéis e, nem por misericórdia voltaram à sua aldeia azul e branca. Entro no adro da Misericórdia e abençoo-me na cruz que serviu para fingir mais uma vez a morte teatral da ascensão de Cristo! Ainda lá estavam os cordames que o amarraram; não sei se gosto destas representações, assim quase ao tipo dos sacrifícios das Filipinas porque estou farto de ver mortes! Vamos andando, um dia de cada vez neste calvário real! Fui!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:05
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Domingo, 7 de Junho de 2015
MULUNGU . XLV

TEMPOS CUSPILHADASPasseando o esqueleto num reino outrora moiro...

Por

soba0.jpg T´Chingange

mess04.jpg Ainda não eram sete horas da manhã quando iniciei a marcha do dia por duas horas na falsa estepe alentejana. Saí da minha Misericórdia, cruzei a rua do Outeiro entrando na Casal Ventoso e logo cheguei ao muro da Horta Nova aonde em outro recuado tempo botavam penicadas porque não havia como hoje quartos de banho; Foi com a chegada dos magalas da guerra em áfrica e, depois de 1971, que a gente  da terrana, na sua maioria, começou a ter quartos de banho em suas casas; antes não havia saneamento básico nem água canalizada.

mess7.jpgDesta Rua da Eirinha e um pouco mais adiante, virei à direita pela principal Rua de Alvalade. Pude ouvir as sete badaladas da Torre do relógio quando já descia para o cruzamento que liga a Rio de Moinhos à direita mas, eu iria seguir em frente via Alvalade como disse mas, aproveito recordar que em outros tempos se fazia ouvir os sinos da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios lá no topo e junto às ruinas do castelo mouro; eram as avé-marias da terra, o toque das doz horas, tempos de terços e rosários cantados ou rexzados aonde quer que se estivesse. 

mess01.jpg Esta Igreja Matriz pode ser vista de todos os lados. Parei por momentos no chafariz de Alonso Gomes construído a 15 de Julho de 1880 uma veia de água que dizem sair debaixo do altar da Nossa Senhora dos Remédios; conta-se que em recentes tempos havia uma fonte uns cem metros mais ao lado e na chapada da colina; que a mesma fornecia de água para beber a todo o povo, lembro-me de ter bebido dela e que o dono proibiu às gentes irem ali se aprovisionar. Depois deste acontecido, a fonte que sempre deitou água secou completamente pelo que se disse logo ser o castigo da Santa pela proibição e eis que o dono, reconsiderando, a tornou a abrir e milagre, a bica recomeçou a botar água.

mess0.jpg Nesta terra de xistos, falsa savana, pode ver-se muitas carriças ou calhandrinas acompanhando-nos aos solavancos de funcho em funcho, de cardo em cardo. Pude ver e ouvir rebanhos de ovelhas com toques de variados timbres com chocalhos e badalos em clareiras de erva doirada com envolventes chaparros, sobreiros e oliveiras seculares. E lá está o pastor com o cajado acilhando o corpo ao chão mais o rafeiro Alentejano, estirando a preguiça na sombra do dono, duma azinheira ou sobreiro. Alentejo não tem sombra senão a que vem do céu e os abrigos nem sempre estão aonde a necessitamos. Tiradores de cortiça lançavam no meio do montado seus machados aos troncos descascando os sobreiros deixando-os como que despidos com um amarelo cruo.

mess1.jpg No topo de outra colina talvez a uns três quilómetros da anterior, lá estava a ermida de Nossa Senhora de Assunção com sua traça muito igual a tantas outras, de duas torres e riscada a azul nos cunhais e vigamentos fazendo um quadro bonito de se ver ao perto e lá detrás perfilando no horizonte também azul. Mais longe e já quase de regresso, passada que estava uma hora, lá estava a escola de Vale de Água, que em outros tempos dava ensinança aos putos de alguns montes por ali dispersos. Agora é um clube meio descuidado de pescadores, caçadores e outros mentirosos. No regresso retive minha atenção no desvio para o lugar da Aguentinha do Campo que de monte passou a turismo rural; transformações que os tempos obrigaram a que se fizesse por novas técnicas agrícolas com o uso de maquinarias variadas.

mess5.jpg A Buena Madre foi ficando para trás e já coçado pelo atrito pelos mais de dez quilómetros percorridos, comecei a ficar arrepelado nas peles das bochechas celulitosas. E, pude ver ainda pequenos tufos de papoilas do campo dum vermelho vivo entre outras de cardos em tons amarelos, brancos, azuis e violetas. Também dei pontapés a fungos na forma de velas, peidos de velha do qual sai um pó amarelo com cheiro de mofo.

mess6.jpg Tive este grato prazer de ver coisas que parecem não ser notadas por outras pessoas! Será que sou eu uma abetarda neste paraíso e, na forma de espírito. Belisquei-me e senti dor; era eu, mas não estava escrito que aqui viria passar meus setenta anos nesta “Mesjana” que em árabe quer dizer Messejana e que significava prisão. Seria aqui um campo de concentração dos Cristãos numa jihad islâmica do antigamente. A curiosidade é mesmo uma coisa se só alguns têem…

Mulungu: É uma arvore de grande porte com flores vermelhas; existem no Brasil e em Angola

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:04
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Sábado, 17 de Agosto de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXXVI

 “ALENTEJO  -  TERRAS FANTASMAGÓRICAS2ª de 2 Partes

Por

   T´Chingange  

:      Estamos em Agosto de 2013 com talvez menos de dez milhões de Portugueses e, o estado vive à míngua sugado por corruptos e corruptores. As conquistas do povo foram direitinhas para a nova casta de políticos que dividem o bolo por quotas, tanto para ti, tanto para mim. Cá na província, na lezíria, ou ceara alentejana, no cortiçal, olival, nas chapadas de trigo, nos lameiros, os montes estão desventradas, sem telhado, ruínas a gritar desespero aos vindouros. Afinal, de nada valeu aquela caçada nos tempos loucos de caçar fascistas. Ainda hoje me arrepio de tal façanha vivida por mim com pesar e, em euforia de Abril ou Abrilada pelos demais, mais que muitos, infelizmente! Acabei por me desterrar, abalado para um lugar distante chamado de Venezuela, mais tarde Brasil. Os tempos passaram mas os anos prósperos foram por má gestão mandados p´ro galheiro.

 D. Sebastião I de Portugal - Foi o décimo sexto rei de Portugal, cognominado O Desejado por ser o herdeiro esperado da Dinastia de Avis, mais tarde nomeado O Encoberto ou O Adormecido. Aos 14 anos assumiu a governação. Solicitado a cessar as ameaças às costas portuguesas e motivado a reviver as glórias do passado, decidiu a montar um esforço militar em Marrocos, planeando uma cruzada após Mulei Mohammed ter solicitado a sua ajuda para recuperar o trono. A derrota portuguesa na batalha de Alcácer-Quibir em 1578 levou ao desaparecimento de D. Sebastião em combate e da nata da nobreza. Isto, levou Portugal à perda da independência para a dinastia Filipina e ao nascimento do mito do Sebastianismo.

Voltando à lagoa da barragem do Monte da Rocha, não é muito diferente do que se pensa fora de água em que ninguém quer saber da azáfama dos outros, cada qual por si, chapéus há muitos como dizia o humorista e repentista Vasco Santana. Ontem à noite prestei vénias a D. Sebastião que veio dar vida em cortesia de soberania recriada à morna terra pintada de azul e branco de Messejana. Se ontem D. Sebastião veio dar vida, há muitos anos atrás em sua realeza imberbe, ocasionou morte a todos os jovens que com ele foram embalados numa aventura de conquista a norte de África; iam destemidamente dar cabo dos Mouros, os hereges infiéis, Berberes e Tuaregues que não perfilavam com o Cristo e seus seguidores arianos. Alá, já nesse então, nada o fazia alinhar com o deus ariano que desfilava amor com armas em forma de cruz estilizada, a espada.

  O oxalá deles, mouros, não tinha seguramente o mesmo sentido que nós arianos lhe davamos. Os jovens assediados pelo jovem rei D. Sebastião, com ele foram mas, jamais voltaram; por lá ficaram em Alcácer Quibir encharcando a terra árabe com seu sangue num amontoado de corpos. O vento Suão nunca os trouxe de volta e, por eles muitas mães choraram, muitas noivas enviuvaram prematuramente carregando dos pés à cabeça seus lutos. Esta aventura de conquista e submissão de África continuou através dos tempos e séculos. A riqueza soberana do puto, era nesse então  e, sempre, pequena demais para as ansiedades do povo Tuga e, foi assim que muitos dos nossos ancestrais, nossos avôs e pais se aventuraram a iniciar novas vidas para além do desconhecido em um terra que diziam também ser a sua. Tal como eu, branco de segunda, muitos foram o fruto desta estória sem hagá, Angola, Moçambique, Guine entre os demais. Por má gestão e usura, nossos ditos irmãos deixaram-nos ao deus-dará; um dia a história fará justiça. Oxalá que assim seja!

Foto: Mais trabalhos na minha página: www.facebook.com/desenhosangelica Ilustrações de Costa Araujo, meu Mano Corvo (O Deserto é de minha autoria)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:05
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Sexta-feira, 16 de Agosto de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXXV

“ALENTEJO  -  TERRAS FANTASMAGÓRICAS1ª de 2 Partes

Por

  T´Chingange

   No dia de ontem, quinze de Agosto, dia de todas a Marias, percorri a savana alentejana entre Messejana, Panoias, Santa Luzia e Garvão admirando o silêncio doirado da ondulada planície sarapintada de chaparros e sombras. No ar sentia-se um zunir morno, brisa suave de uma apavorada expectativa, impassível por baixo de um céu azul; um azul espalmado em todas as latitudes. As narinas arfavam nervosamente o cheiro do pasto farfalhando mornices de verão com mais de quarenta graus as terras de latifúndios, fome e solidão de recentes tempos. A nostalgia das terras do Alentejo são fantasmagóricas, transcendem-se no tempo com bocejar de sonhos perenes.

 Já nadando ou gesticulando nas águas espelhadas da barragem do Monte da Rocha embrulhado em pensamentos, dizia só para mim que um escritor nunca se aposenta. É quando carregado de sabedoria que se tem de recolher ao isolamento; creio que sucede isto com todos aqueles que teimam em deixar testemunhos de vida: escrevem para o vento emulando-se nas descrições que só eles sentem, só eles cheiram. Vivem povoados de fantasmas feitos fantasias, alongam suas descrições, suas visões, para além do inimaginável. São gente só, isolados quanto baste para poderem trespassar a vida feita de nadas. O tudo ou sonho, entre o real e a ficção convenceram-me e, embora de forma incerta, um encontro com a literatura. De quando em vez afugento o desencanto pela força transformadora do tempo, porque só o tempo depura, mas isto decerto, não fará de mim um escritor. Simplesmente, escrevo!

 Um pato acerca-se de mim na água. Imagino que ele vê uma ilha com a forma de um chapéu de palha enquanto se movimenta lentamente ao meu redor. Nesta pequena imensidão de lagoa, e nesse preciso momento, este pato é o meu único aconchego de vida. É, para todos os efeitos o meu espírito santo, o meu mais próximo ser naquela tranquila lagoa. Ele mergulha rápidamente seu bico na água e faz luzir um pequeno achigã que se retorce em seu bico. Distraído com a deglutição do seu manjar, não se apercebe que naquele chapéu tem gente.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:59
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
OS DIAS DA ESPIGA

FABRICA DE LETRAS DO KIMBO    

                 21 DE MAIO A BRANCO E AZUL

                 22 DE MAIO O DIA DO VIZINHO

A felicidade  aconteceu fruto da empatia temperada no tempo e no  desejo desta chapada de terra. Nestas ruinas de castelo antigo, enlaçei o compromisso da amizade e, num gesto à liberdade colhi um ramo de espigas, flores de cardos e margaridas selvagens.

Num hino à liberdade vislumbrei que a vida não faz sentido sem se ter um espaço próprio, e a mente liberta.

Subtraindo anseios descompostos do mês de Maio, estas ruinas ficaram de repente na proa do mundo aonde a benção do ar desde os tempos de Cartagineses, Fenicios e até Romanos se faz sentir como um desejo  de permanente fuga, como uma doença de vontade.

Dom Sebastião tambem aqui esteve algures procurando mancebos para com ele ir morrer em Alcácer-Quibir. Levou gente daqui e dos montes em redor. A Beringel, regresou um braço alado para dar a conhecer a tamanha mortandade do norte de África.

                                            

   RUINAS DO CASTELO DE MESSEJANA

A linha tortuosa das ruas e casas rasteiras do casco velho da vila, com barras azuis a limitar no branco as portas e vizinhos, os indicios de arcos moçarabes num misto de judiaria e mouraria com sombras perfilando o recortes de lusos telhados. Tambem as torres das igrejas riscadas a azul e branco, sobresaindo em altura por cima do turbilhão de história com foices mouras.

Quase defenindo os limites da ordem de Santiago os cristãos fustigavam aqui,  mouros com suas espadas em forma de cruz.

A obra da revolução dos cravos ficou aqui em ruinas dispersas, muito aquém das pretenções, casas destelhadas a eito e sem jeito mostrando o declinio do latifundio..

Os perfumes do campo de funcho, poejo e espargo silvestre por volta do meio dia, misturam-se com os aromas da maresia e de cozinha; combinação que só o vento pode explicar. È um simbolismo de positividade na graça de estar, como o de fluir desejos emoldurandos num mundo estranho a seu redor.

 

Será que Hércules o semideus Grego e filho de Júpiter passou por aqui aportando a uma praia pré-histórica e, mais tarde Tibério, numas termas com pilares e criptas trabalhadas se fustigou  com raminhos de alfazema, alecrim ou rosmaninho?

Nestes lindos dias de Maio, sem vestimenta garbosa, nem lantejoulas, engalanei a humildade duma das mais caracteristicas povoações do Alentejo.

 

Em terras do Puto,

O Soba T´Chingange

 



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Segunda-feira, 16 de Março de 2009
A ADIÁFA DOS MOIRÕES
 VISTA GERAL DE MESSEJANA

                             

A CRISE E A PETULÂNCIA DOS GOVERNANTES

 

ENTRE 1914 E 1945 E O AGORA

 

Por absoluta incapacidade de gestão as colónias Portuguesas por volta de 1914 a 1918 foram simplesmente abandonadas à sua sorte. Enquanto o estado confiscava bens à igreja, fidalgos ou aristocratas, no exílio sacrificavam imbecilmente os jovens mandando-os para morrer como tordos nas trincheiras da guerra. Do corpo expedicionário enviado para Flandres de França poucos regressaram e os que voltaram vinham de pulmões afetados pelos gazes ali utilizados.

 

 Nesse então, a 1ª República Portuguesa era composta por deputados que faziam absurdos e floriados discursos no parlamento sem sequência na realidade do dia a dia. Eram uns pavões e cagões que vendiam petulância nos cafés do Chiado; era ver qual deles tinha mais protagonismo na pópia faroleira do Russio ou no Café da Arcádia.

Neste aspeto, Portugal viveu sempre em crise, (e continua a enfermar desses resquicios) envolto em devaneios de gente acomodada à politica de faz-de-conta, devaneios de gente que se sente insubstituivel.

Naquele então, senhores latifundiários, donos de muitos hectares, muito gado, muitos chaparros pavoneavam política em Lisboa enquanto seus ganhões ou moirões lhe garantiam os bolsos cheios. Lá na província, na lezíria, ou seára alentejana, no cortiçal, olival, nas chapadas de trigo, nas lameiras, a courela havia a míngua.

Angola distante estava simplesmente abandonada.

 

Estamos em 2009 com dez milhões de Portugueses e o estado vive à mingua sugado por corruptos e corruptores. As conquistas do povo foram direitinhas para a nova casta de políticos que dividem o bolo por quotas, tanto para ti, tanto para mim e estamos de novo naquela merda desses idos anos; o povo fugindo para Angola, Brasil e lugares para onde  ninguem pensava ir depois dum 25 de Abril.

Será a sina do Portuga, andar pelo mundo buscando subsistência enquanto eleitos incompetentes singram com grandes salários nas administrações repartidas pelo Arco-Iris político.

Toda a banda larga será inutel se esta  gente de mente estreita continuar na festa. Na próxima vou votar em branco para não errar.

Não é normal meter-me nestas citações mas que ando revoltado lá isso ando!

Um branco de segunda com manias de ser,

O Soba T´Chingange

 



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