Quinta-feira, 29 de Outubro de 2015
MOKANDA DO PUTO . LX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo … Algures no M´Puto…

Mokanda : É uma carta

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

real1.jpgEm Vila Real de Trás-os-Montes os dias entre dezassete e o quarto final de Outubro passaram rápido. O tempo esteve suave, e até podia ver boas abertas das janelas do sótão no lado da serra do Marão, com seus moinhos de vento girando sempre sem adormecerem enroscados nos sovacos porque os não têem; giram com vento no frio e calor dando-nos energia medida em watts e volts na intensidade de amperes.

ant4.jpg Escondido do mundo, neste mukifo, sussurro conversas traídas ao ritmo do barulho da chuva batendo nas telhas, respingos do andar de baixo e meus respiros sem pressas. O mundo, o vento, o moinho o despontar dos espargos nas encostas, decerto não irão parar seu curso de vida só porque os homens não se entendem, provocando na arraia-miúda entorses e artroses com neuroses de até nos fazer imaginar primavera em outono.

vot2.jpeg Desço do sótão e vejo na sala grande, Dom Honório colado às notícias da TV e murmurando palavras coxas como se estivesse a pular buracos na sombra ou lombas com um só pé, assim como o fazíamos quando criança candengues no jogo da cabra cega. E de novo a política saturando os ares secos das montanhas, atravessando pela décima terceira vez a mesma incógnita quase parecendo que a história irá ter um final diferente daquele que parecia ser; assim um desconforto somado e dividido com três dum lado, mais um hífen esquerdeando falas desalinhavadas com direitistas siameses.

barao1.jpg Admiro-me até de como a democracia, aguenta tanto tempo sem estoirar de vez. Bolas! Andava farto! Tudo se repetia no que se tinha acabado de dizer e ouvir como se fosse uma nova novidade; sempre a mesma treta! O meu anafado corpo gordo, estava a ficar preparado para qualquer palavra repentina, porque qualquer grito, subia-me ao cerebelo com um esforço desabrido tendo de peneirar o silêncio nos neurónios, a conter a reacção. Reacção asfixiada por eruditos pensadores, muitos comentadores cheios de filosofias de fazer tremer de frio o sol. Falas aveludadas para fazer boi dormir.

demo1.jpg Esquerda, centro e direita à batatada e a cabeça a mexer-nos os miolos; a estalar fagulhas. Pondo a mão na consciência Dom Honório falava com longos intervalos fruto da doença de Parkinson escolhendo as frases nesse seu jeito como se assim lhe desse tempo, de, e com coragem, concordar com o desacordo. Pois! É mesmo necessário coragem e desfaçatez para engolir trovisco. Isto está uma merda, fungandou ele por fim! Aquele cabrão não mede perigos! Respirou fundo e foi afagar o cachorro a dissimular a fúria invisível. Olhou-o no focinho e disse-lhe: - Vais-te chamar costamonhé; assim tudo junto. O dia ficou noite, com a palavra na onda alta de rejeição, e só assim, tudo na mesma com tendência para pior.

O Soba T´Chingange

   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:14
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2015
MUKANDA DO M`PUTO. LIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo … Algures no rio Corgo no seio do Alvão…

Mukanda : É uma carta

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

vila5.jpg A terra desinquieta resolveu-se com boa paciência formar uma vala funda; entre rochas magmáticas remexidas que nos séculos formou o Rio Corgo. Com uma chuva de manso Outono, desci o empedrado da calçada do moleiro que me conduziu ao moinho de levada das hortas, feito destas rochas. Empilhadas ao longo dos tempos, assim aconteceu por muitas gerações. Nas mãos, fazia rolar um marmelo em cada, que por ali recolhi. Rodava-os em compasso de desentorpecer músculos fazendo-os ficar lisos pelo roce de seus fiapos de penugem que os cobriam. A água cantava no seu grato barulhar entre penedos visgosos formando corredoiros de muitos salpicos brancos; a rusticidade era preenchida por milhares de folhas caídas multicolores e nas formas mais diversas.

vila4.jpg Os cheiros da natureza humidificavam-me as narinas, os sentidos, entrando assim em mim virgem, amargo e inebriante, aleijando-me o paladar. E eram tílias, faias, choupos, plátanos, cerdeiras e medronheiros, todos entrelaçados a envenenar-me os sentidos da visão, das tonturas e, já me via de repente em pensamento fazer uma salada de arroz de gato com malvas, fetos e rabaça ou fazer daquelas matizes um chá amarelado, mijo de burro, sumo de cor de cobre. Quando se caminha assim sozinhado com a natureza, o pensamento voa num segundo e, até molhamos a cuspo as palavras como uma criança, que saboreia moncos adocicados.

vila2.jpg Já no sítio do complexo das piscinas, atravesso a ponte meio vandalizada, paro no meio, aprecio a cascata lá por debaixo e, sempre pensando no vazio das coisas, com as mãos em cima do parapeito, pude ver suas costas atravessadas também com veias azuis como este rio, a recordar-me que também sou velho como ele. Os meus olhos já não têem a pontaria de outros tempos, mas senti a felicidade de diferenciar bem as folhas caídas, amontoadas, coladas ao caminho, daquelas faias e choupos, caruma e até folhas de parra assolapadas nas encostas.

vila3.jpg Comendo uns quantos medronhos bem vermelhos, detive-me a analisar este percurso geológico que por fusão consolidada, por aumento de pressão e temperatura, se tornaram em milhões de anos nestas rochas metamórficas ou sedimentares, passando de arenitos a quartzite e de calcário a mármore. A terra paciente conduziu as alterações mineralógicas, estruturais e texturais da rocha mãe. E, já vendo as pontes, nova e velha, pude relacioná-las com aquelas rochas que me ladeavam; rochas formando blocos saídos originalmente da fusão de minerais com sequente recristalização sob estas novas formas mineralógicas de corneanas e quartzitos. Já no topo entre caserio velho e o burgo moderno, pude ver imponente a pala do centro comercial Dolce Vita. Entre lajedos com fetos nas frinchas subi à avenida cruzando o centro histórico de Vila Real de Trás-os-Montes; pude assim compreender o abandono de espaços antes movimentados, que agora se deslocaram para as novas catedrais de consumo do outro lado do rio Corgo.  

melro12.jpg Tive pena de não ter encontrado sanchas ou míscaros que creio ser deste tempo mas, por fim já com duas horas de caminhada, pude apreciar a estátua imponente de Carvalho Araújo. O mesmo que na 1ª Grande Guerra Mundial ficou célebre por ter conseguido como 1º Tenente e, no comando do caça-minas NRP Augusto de Castilho, proteger o vapor São Miguel de ser afundado por um submarino alemão. Lothar von Arnauld de la Perière que comandava o submarino U-139, em 14 de Outubro de 1918 acaba por tecer as maiores considerações a este ilustre de Vila Real.

vila6.jpg Andei só e taciturno, nada igual como o foi em Viseu de Viriato com a turma de Gumirães com a simpática companhia da professora Marisa Batista, suas medições de altos e baixos e até pulsações aeróbicas no sobe e desce da Igreja dos terceiros e a escalada para a Sé. Pois sim! Também na companhia das sobrinhas da Povoa mais a Anabela de Benguela, de pé meio chochinho a necessitar de condroitina, glucozamina e cartilagem de tubarão para esmerilar ossinhos perturbadores, e ainda a senhora Fátima. Sem a tal tecnologia do relógio espacial de Marisa, não sei quanta calorias perdi neste passeio, mas sei que transpirei vontade de perpetuar coisas que nos deviam ser sempre muito queridas, zelar pela natureza e apreciá-la com respeito, o quanto baste. Aqui ou ali, a vida pulsa, e temos de nos acomodar às agruras olhando a natureza que com sua dinâmica nos transcende, e nos transforma.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:57
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2015
MALAMBAS. C

TEMPO DE VINDIMAS E, o Douro ali tão perto! Uma conversa pequena de uns pedaços de hoje e ontem em tempo de colher uvas...

Por

soba0.jpegT´Chingange

dou0.jpg Saí para a mata ainda o sol não despontava por detrás da crista do morro verde, matizes em tons refrescantes de copas de giestas, carrascos, medronheiros, pinheiros e um montado de sobreiros recentemente descascados. Estava na quinta da Rainha do Dom Honório de Vila Real nas encostas trabalhadas a enxada, marreta e escopro, muros de xistos a formar planuras com fiadas de videiras, ora rectas ora desenhando sinuosos encantos em varias matizes.

dou7.jpg Os recantos aqui são vistos de longe porque de perto não têm como ser vistos, barrancos e talvegues de permeio com giestas, maias, medronheiros ou urzes com mais de 2 metros de altura entrelaçando-se entre funchos e, lá está na curva uma casa feita de pedra expontânea. Xisto com aprumo de uma muito antiga casa que não o é mais. Num lugar assim os olhos são escassos para diferençar esta esta flor e aquelas carumas as bolas redondas germinando rebentos cansados na borda dos atalhos.

dou2.jpg No lugar do lobisomem virei a encruzilhada da picada e, descendo, virei na direcção do Tanha que ora se via, ora se deixava de ver entre rosmanos e pinheiros novos; chegou a uma hora, passou depois da hora, fui mais à frente e de curioso fiquei-me no consolo da picada, vê-la dobrar-se não sei para onde e, eu não ver como lá chegar; andar na mata por um caminho desconhecido e com curvas num terreno inclinado não vislumbramos o eu se vê na outra encosta. Do outro lado aquelas fiadas de parreiras a perderem-se nas lonjuras sob torrões. Desde que me lembro de conhecer o mundo, o sol que todos os dias ressurge do lado nascente, passa para o outro lado do horizonte cumprindo seu curso, sua constância de nascer e morrer sem sepultura, na ordem astronómica dos astros que regem nossa vida.

dou4.jpg Caminhando de regresso quinta fui pensando em coisas de como seria isto por aqui em tempo de alcateias de lobos, em que os homens por detrás destes montes cumpriam profecias, num constante nascer e morrer, o filho que sepultará o pai depois de muitos e fartos dias de inquietação desde a idade do bronze; gerações de gente trabalhando a terra contornando os níveis desde o longínquo ano de 1675, ano em que este vinho passou a ser conhecido como o “Vinho do Porto”. Um vinho que sai daqui generoso e se define assim dessa forma doce ao chegar ao Porto.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:39
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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