Segunda-feira, 13 de Maio de 2013
PARACUCA . VII

KIANDA COM ONGWEVA - III . Espírito com saudade

Por

       SOBA T´CHINGANGE 

Aqui no sítio, há de momento, 2 cães, Raíy e Rex, um casal de gansos, xiritungue 1 e xiritungue 2, o galo granizé pavaroti, a galinha pequena e branca, branquinha, e a galinha pedrês Leandra que de dois em dois dias me dá um ovo de casca cor de terra avisando-me com um cacarejar característico. Pela manhã o cheiro do café santa clara inunda a cozinha, aposentos da casa grande, varanda do pambu N´jila, quintal, o bananal e coqueiral, dando uma especial combinação com as flores de jasmim que circundam a área de janelas e a maresia soprada pelo vento bolina da kalunga do Francês. As pererecas, ao cair da noite fazem sinfonia com os ralos e grilos que com agudos silvos intercalam o latido dos cães sedentos de liberdade que ladram ao cio fora de muros e portas. Em qualquer recanto do sítio N´jila há uma lagartixa a vigiar nossa azáfama, de cor escura e tamanhos variados limpam o espaço de pequenos e indesejáveis insectos, formigas e detritos caídos por descuido.

 E, pelo espaço da pequena chácara há também duas mangueiras, uma fruta de conde, uma graviola, uma acerola, uma goiabeira, várias pitangueiras e uns quantos mamoeiros de variadas espécies. Uns pés de mandioca rematam o canto junto ao canil e bomba do poço que retira água de entre quatro a oito metros de profundidade. No canto da casa do caseiro existe um alto pé de abacate sombreando o pátio de entre casa grande e casa do caseiro.

 Logo ao levantar, fazendo o café, sorvia a fumaça bem por cima do bule já amachucado e surrado em castanho pelo muito uso; nos meus afazeres assobio o fado “as pedras da calçada” e, sempre que o faço, os gansos xiritungue respondem com grasnados em mi maior com sustenidos de guinchos estridentes sonorizando ecos que crescem pela estreita passagem do anexo do caseiro e os altos muros enfeitados de picos ferrugentos e gangrenosos. Por tudo isto, o sítio foi baptizado por Januário Pieter de Pambu N´jila, após se ter deleitado com o saltitar do beija-flor, o cantar do bem-te-vi, o planear dum gavião primo do carcará e o saltitar pelos muros dum preto pássaro a que chamamos de viuvinha por seu comprido rabo parecer uma cauda de noiva; aos bandos ondulando o voo gratificavam-nos em bem-estar. De tempos a tempos surgem bandos de urubus a bicar os sacos de lixo com restos de carniça ou espinhas de peixe; São em verdade os verdadeiros catadores de coisas putrefactas.   

 

GLOSSÁRIO: KIANDA: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; ONGWEVA: saudade em português; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, encruzilhada elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas.

Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:20
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Quinta-feira, 9 de Maio de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXVIII

 AS ESCOLHAS KIMBO               

ANGOLA . CAPELONGO - UM HOTEL DE MIL ESTRELAS – 2º de 3 Partes

Por

 Dy – Dionísio de Sousa(Reis Vissapa)        

No hotel do Teixeira no Menongue, antiga Serpa Pinto, no Chungoroi, no Coporolo, mais tarde no Setenta e Cinco antes do Uche, terra da Elvira que candongava peixe seco e quando foi engaiolada foi levada para Benguela mas pelo caminho libertou-se de todas as malas, desfazendo-se assim do móbil do crime, não podendo ser acusada. Histórias de encanto que eram desfiadas como missangas coloridas e que no tempo se tornavam lendas, que hoje contamos aos nossos filhos e netos. O franguinho era depenado sem reservas independentemente da hora e aterrava nas mesas de madeira maciça de mucibe, em forma de churrasco.

 Depois o café de saco, o nosso hospedeiro escutando pacientemente uma peripécia qualquer da nossa viagem, as pálpebras teimosamente descaindo, sem reclamações sem acréscimos de preço ou má disposição, aguardando a hora de nos indicar o quarto para a pernoita. Eram lindos esses hotéis de pátio interior onde os mamoeiros projectavam sombras esguias pelo chão, rebordados com alpendres estupidamente denominados de coloniais, como se um alpendre pudesse ser estigmatizado dessa forma.

 Chaves desnecessárias abrindo portas simbólicas para quartos simples. Um lavatório esmaltado repousando numa armação de ferro, garantia juntamente com um jarro do mesmo material as abluções matutinas e sempre a postos a um canto, aparentando um pinguim imperador sem cabeça, um leão da Rodésia para qualquer eventualidade intestinal, tudo isto tão simples como o naco de sabão macaco que acompanhava as chaves do aposento. Pela manhã acordar com a chinfrineira que os bicos de lacre faziam nas gaiolas do Pinheiro o furriel que se apaixonou simultaneamente pela Tina e pelo Roçadas e com quem partilhei as avezinhas fritas em tardes de copos e alegria no hotel do Ferreira, Ah pois porra, porra, porra, o pai da Lela e de outros tantos meninos que edificaram no exílio um Xangongo novo ali na Ribeira ao pé de São Brás.

Opção do

Soba T´Chingange



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Terça-feira, 7 de Maio de 2013
T´XIPALA . XIII

ANGOLA - PARA PENSAR... 2ª de 2 Partes

Fonte: Club-k.net

Opções de

  Kimbo Lagoa 
T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter

Lisboa – A conduta de censura que o Presidente da Assembleia Nacional Angolana, está a gerar interrogações. Foi o que revelou Fernando da Piedade Dias dos Santos, na VI reunião plenária realizada  quinta-feira, 25 de Maio, em Luanda.

 “Desde há muito que são solicitadas interpelações ao Executivo, nomeadamente aos pelouros da energia e águas e ao Ministério do Interior. Do lado da Assembleia Nacional Angolana nada ocorre, enquanto que do lado do Executivo se sorri convencidos da subalternidade a que esta casa esta a ser vetada, deliberadamente.” Denunciou Costa Júnior. Contou ainda que “À cerca de dois meses que o Grupo Parlamentar da UNITA requereu a realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, perfeitamente fundamentada, para que todos conheçam os meandros das demolições que vitimam os angolanos – sendo o Kacuaco o mais recente dos casos – mas ninguém pestaneja! Não se permite inquirir o governo. E porque? Assim se anula a missão e as funções que a própria Constituição atribui a esta Assembleia.”

 REAÇÕES:

Tadeu Vunge : A oposição, deve saber que Nandó é um dos piores entre os criminosos e ladrões que o regime já teve; nunca ocupou nenhum cargo por se lhe rever qualidades mas sim, para impor regras a gosto do JES e o seu regime de que Nandó é mentor… Da DISA ao ministério do interior, Nandó, mesmo com grau de instrução inferior à 4ª Classe do tempo colonial, ocupou cargos que só um engenheiro ou doutorado, especialistas com cursos superior poderiam ocupar. Pela musculada astúcia e, por ser um potencial malandro, perito em artimanhas, chegou mesmo ao ponto de criar dificuldades a JES. Porque todos têm telhados de vidro, este, recebeu o posto de presidente daquele órgão como oferta de última instância. Num país de verdade onde vivem pessoas de bem, um criminoso não poderia assumir aquele posto ou mesmo ser chefe de uma cadeia, por isso, senhores chefes das bancadas da oposição, vocês só tem uma saída: - abandonarem em bloco aquela casa de ladrões.

Fernando Silva Graça : - Com tantos problemas internos (falta de água, luz e emprego por exemplo) o Parlamento (M) só quer falar dos habitats dos gorilas. Isto tem lógica? Estão a esconder e a fugir a quê? Que estranha forma de tapar o sol com essa antidemocrática peneira!  

Subscreve

O Soba T´Chingange



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Segunda-feira, 6 de Maio de 2013
N´NHAKA . VI

Maravilha - A morte da executiva

   AS ESCOLHAS DO KIMBO     

SÓ PODE SER VERDADE 

  Max Gehringer - (Revista Exame):

Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou-se. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal. Ainda meio tonta, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas. Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava a acontecer, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:

- Enfermeiro, eu preciso voltar com urgência para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque o meu seguro de saúde é Platina, e isto aqui está a parecer-me mais a urgência dum Hospital público. Onde é que nós estamos?

- No céu.

- No céu?...

- É.

- O céu, CÉU...?! Aquele com querubins, anjinhos e coisas assim?

- Exacto! Aqui vivemos todos em estado de graça permanente.

Apesar das óbvias evidências, ausência de poluição, toda a gente a sorrir, ninguém a usar telemóvel,  a executiva bem-sucedida levou tempo a admitir que havia mesmo batido a bota. Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana iria receber o bónus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.

E foi aí que o interlocutor sugeriu: - Talvez seja melhor a senhora conversar com Pedro, o coordenador.

- É?! E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?

- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.

- Assim?  (...)

- Quem me chama?

A executiva bem-sucedida quase desabava da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro.

Mas, a executiva tinha feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu logo:

- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e...

- Executiva... Que palavra estranha. De que século veio?

- Do XXI. O distinto vai dizer-me que não conhece o termo 'executiva'?

- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.
- Sabe, meu caro Pedro. Se me permite, gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para essa gente toda aí, só na palheta e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistémica.

- É mesmo?

- Pode acreditar, porque tenho PHD em reorganização. Por exemplo, não vejo ninguém usando identificação. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?

- Ah, não sabemos.

- Percebeu? Sem controlo, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar em anarquia. Mas podemos resolver isso num instante implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.

- Que interessante...

- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.

- !!!...???...!!!...???...!!!

- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Accionista... Ele existe, certo?

- Sobre todas as coisas.

Óptimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, parece-me extremamente atractivo.

- Incrível!

- É óbvio que, para conseguir tudo isso, teremos de nomear um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e mordomias da praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho a certeza de que vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar num Turnaround radical. 

- Impressionante!

- Isso significa que podemos partir para a implementação?

- Não. Significa que a senhora terá um futuro brilhante... se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque acaba de descrever, exactamente, como funciona o Inferno...

N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios e em zona plana e húmida, horta.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:31
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Sábado, 4 de Maio de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXVII

 AS ESCOLHAS KIMBO               

ANGOLA . CAPELONGO - UM HOTEL DE MIL ESTRELAS – 1º de 3 Partes

Por
 Dy – Dionísio de Sousa(Reis Vissapa)

Quando chegavam até nós os westerns americanos era raro aquele que não mostrava um “Saloon” ou um “Hotel” construído com a madeira retirada às grandes florestas da América do Norte, ostentando em letras garrafais essas designações em placas que abanavam com o vento ou no pórtico desses edifícios. Aguardávamos com ansiedade a cena de pancadaria entre os bons e os maus no interior do Saloon ou o beijo romântico do Kirk Douglas à sua amante num quarto de hotel. Esse néon importado dos States toldou-me e muito a visão que eu deveria ter do meu rincão, das gentes, dos lugares, das singelas pensões, dos hotéis de mil estrelas.

 Só a saudade e o tempo clarificam as ideias e estabelecem sem reservas aquilo que nos marcou no passado. Revelam-nos a verdadeira dimensão da perda e como borbulhas em taças de champanhe espevitam as nossas memórias e os nossos segredos. Posso afirmar que já cruzei centenas de camas em hospedarias de tudo quanto é lugar, das mais humildes, das mais rascas, das luxuosas e algumas até sumptuosas, mas nunca estive num hotel de mil estrelas como aqueles tão singelos e acolhedores do meu país da minha terra da minha gente maior.

 Era o coração que nos recebia quando alagados em poeira ou barro chegávamos a esses lugares de eleição despidos de preconceito ou vaidade, perdidos no mundo, em busca de cama e refeição. Não importava a hora nem a aparência, alguém abandonava o conforto dos colchões de palha de maçaroca para passar um café e bater um papo acolhedor com os viajantes tardios. Passei por isso na Pensão do Ganhão em Capelongo, no Xangongo no Hotel do Ferreira – Ah pois porra, porra, porra. - Na Pensão do velho Ferreira pai da minha querida amiga Maria Ferreira e do Sebastião, acho mesmo que os Ferreiras tinham tendência para este tipo de actividade.

Opção do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:23
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2013
T´XIPALA . XII

ANGOLA - PARA PENSAR... 1ª de 2 Partes

Fonte: Club-k.net

Opções de

  Kimbo Lagoa 
T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter

Lisboa – A conduta de censura que o Presidente da Assembleia Nacional Angolana, está a gerar interrogações. Foi o que revelou Fernando da Piedade Dias dos Santos, na VI reunião plenária realizada  quinta-feira, 25 de Maio, em Luanda.

Nandó O consulado de Nandó como vice-presidente da República terminará na primeira quinzena de Setembro, altura em que  deverão ser empossados os membros do governo que emergirá das eleições de 31 de Agosto próximo. Nessa altura, Nandó passará o testemunho a Manuel Vicente, uma aposta pessoal de José Eduardo dos Santos não apenas como seu coadjutor mas provavelmente como seu sucessor na presidência da República. 

 “Nandó” que tem a reputação de ser um dos mais moderados Presidentes do parlamento que o pais já teve, tentou impor aos chefes das bancadas parlamentares o conteúdo das declarações políticas que são efectuados todos os três meses nos plenários. No entender de Fernando da Piedade “Nandó”, os discursos dos presidentes das bancadas parlamentares deveriam estar centrados na agenda da Assembleia que seria a abordagem da adesão de Angola nos acordos internacionais (Acordo para a Conservação dos Gorilas e seu habita).  Os partidos da oposição no parlamento rejeitaram a imposição e em reacção o mesmo aplicou censura, limitando o tempo e retirando/ desligando o som no momento em que os responsáveis das bancadas contrarias ao regime apresentaram os seus discursos.

 Adalberto da Costa Júnior, Vice- Presidente da bancada da UNITA, por exemplo, abandonou a sala quando lhe foi impedido de fazer a leitura da sua declaração política tendo feito numa conferência de imprensa à comunicação social. Aos jornalistas, o deputado revelou que “A Nossa Assembleia Nacional continua a ter apenas um plenário por mês, denotando alguma falta de produtividade, estando 7 meses depois, ainda a engatinhar com quase os mesmos assuntos que, sendo importantes, não serão os únicos com prioridade, quando poderíamos agendar assuntos de interesse nacional candente e que requereriam, certamente, a realização de mais de um plenário neste ou naquele mês. Mas isso não acontece porque parece-nos continuar aqui uma vontade férrea de travar a função fiscalizadora desta Assembleia. E isso é notório e caricato quando se continua a citar um certo despacho inconstitucional do anterior Presidente da Assembleia a proibir que a fiscalização se faça.”

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O Soba T´Chingange



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Quinta-feira, 2 de Maio de 2013
MUJIMBO . XL

Escolhas de

  Kimbo Lagoa 

ANGOLA EM FOCO  DISTRIBUIR MELHOR! . X

Opção de

 ISOMAR PEDRO GOMES . (22 de Abril 2013)

Como José Pedro de Morais chantageou Dos Santos .  Fonte: Club-k.net

Lisboa - Os relatos, em círculos de inteligência, segundo os quais o poder de imposição do Presidente José Eduardo dos Santos (JES) estaria, nos últimos anos, a repelir-se ao ponto de começar a ser chantageado por membros do seu regime. O exemplo mais emblemático é o caso do antigo ministro das finanças, José Pedro de Morais Júnior que em 2008 deixou o governo por divergências com o chefe do executivo.

Ex- Ministro alegou ter provas que embaraçam o PR

Na sequência de vários desfalques de centenas de milhões de dólares das contas públicas, o Presidente José Eduardo dos Santos chegou a ordenar um inquérito ao então ministro, José Pedro de Morais, e a sua prisão, a posteriori. Durante o interrogatório a que foi sujeito por oficiais dos Serviços de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), José Pedro de Morais apresentou fotocópias de documentos e ordens assinadas por José Eduardo dos Santos para que se efectuassem transferências ilícitas de fundos para familiares seus.

 José Pedro de Morais garantiu que tinha os originais em segurança nos Estados Unidos da América e, se algo lhe acontecesse, os documentos seriam publicamente revelados, o que provaria o envolvimento directo do Presidente em actos de suborno e alta corrupção. Dos vários documentos partilhados por José Pedro de Morais com o SINSE ressaltou o pagamento de US $40 milhões de dólares de uma suposta dívida pública do governo provincial do Huambo à sua irmã Marta dos Santos – a “Mana” Marta. O então ministro das Finanças explicou como se utilizava a dívida pública para desviar fundos de estado para familiares escolhidos pelo presidente, e como outros governantes, incluindo ele próprio, apanhavam a boleia para também saquearem a sua parte. José Pedro de Morais contou que não só a Mana Marta não prestou serviços ao governo do Huambo, para reclamar a dívida, como cobrou duas vezes, sempre com ordens escritas do presidente. Ganhou assim US $80 milhões.

 Mana Marta tem estado a construir vários empreendimentos imobiliários em várias zonas da cidade em Luanda, incluindo duas torres junto ao Cine Tropical, no Maculusso. Após se ter dedicado ao álcool, durante anos, com receio de ser morto, Pedro de Morais tem sido reabilitado aos poucos, por intervenção directa do general Higino Carneiro. Enquanto ministro das Obras Públicas, o general Higino Carneiro teve a vida facilitada no aboletamento dos fundos da linha de crédito do Brasil, em parceria com a Odebrecht, pela cumplicidade de Pedro de Morais. Como retribuição da lealdade, Higino Carneiro recuperou o antigo ministro e colocou-o como seu assessor no Kuando-Kubango, província que actualmente governa. Para o efeito, José Pedro de Morais apenas realiza as suas viagens de Luanda a Menongue no seu jacto privado, que permanentemente fica à sua disposição na pista do Menongue.

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=239300992878846&set=a.115515445257402.19730.100003968413995&type=1&ref=nf

(continua...)

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O Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 1 de Maio de 2013
PARACUCA . V

KIANDA COM ONGWEVA -  Espírito com saudade

Por

o ::: SOBA T´CHINGANGE

Januário Pieter surgiu-me num entretanto, pedaço de nada, acabado de cuchilar na minha rede de Pambu N´jila a escassos metros da Kalunga, lugar de desova de tartarugas e alguns urubus catando vida. Giboiando no sopro do vento da lagoa Manguaba, com ele, veio até mim a kianda-mor. Surpreso com sua aparição, no cumprimento do sonho, dei-lhe um abraço de completo vácuo; era Januário Pieter, meu guia-surpresista. Nós que vivemos no além (referindo-se a ele), podemos fazer diversas coisas, mesmo sem entender como as realizamos tais como locomovermo-nos e plasmarmo-nos, disse Januário em jeito de rouca explicação. Neste meio tempo e depois de ter estado contigo em Zanzibar, formei-me “engenheiro espiritual” em Toledo; e, dizendo isto como se tudo tivesse acontecido escassos dias antes, disse que por via dessa formação e, através dos fluidos da natureza, conseguia pelo pensamento, criar no espaço, paisagens de multicolores holografias.

 Desde que sou “engenheiro espírita” explico o que custa a apreender às gentes desavindas mas, boas como tu (referia-se a mim) que nutres de paixões, orações e bons pensamentos. Neste meu estado, luto contra atitudes de espíritos que não são evoluídos, que não possuem compreensão e que ainda estão arreigados em paixões inferiores. Apontando para os caniços do jardim, foi falando, estás a ver este beija-flor que sem medo sugam as flores do teu jardim, coisa que tu tanto aprecias, e também aquele bem-te-vi pousado ali perto de seu ninho naquela mangueira; são condicionantes a que eu recorri para teu exclusivo agrado e, porque aprecias, decidi contemplar-te. Nunca antes, Januário Pieter, figura recriada por mim, se referiu assim tão directamente como um especial meu protector. Enquanto isto, as notas de Dó a Si do espanta espíritos da varanda N´jila, saudavam a mim mas, mais propriamente à kianda ilustre vinda do alem com o vento de bolina.  

 Sorrindo, indiquei o lugar da rede a meu lado dizendo-lhe entretanto que neste agora estava de bem comigo, contente com sua inesperada visita, acrescentando que a minha principal procuração, era viver com dignidade, tentando ser útil, sentir a gratidão vendo sorrisos em olhares tranquilos, saber contribuir para alguém ficar bem; tentar deixr de ser infeliz, fabricando a felicidade com pouco mais que nada, sem menosprezar a vontade de fazer e querer fazer, sem sugar energias alheias.  Foi bom visitar-te, disse Januário Pieter, sentir que das migalhas que te dei, me orgulhas te com uma bomba de vontade. Antes de se deixar soprar pela bolina sem destino nem roteiro no seu destino, deixou em directo discurso, um resquício de sua sabedoria: “- Não podemos fintar as lei que nos regem e, uma delas é: fazermos a nós o que fazemos aos outros”. Irónico, talvez, Pieter fintador, assim como veio, foi-se!

 

GLOSSÁRIO:

KIANDA: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; ONGWEVA: saudade em português; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, encruzilhada elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusiadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga

Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:15
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Terça-feira, 30 de Abril de 2013
KANIMAMBO . XXXVI

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 14

SUCESSO E AUTOCONFIANÇA

Pelo

 SOBA T´CHINGANGE

A cultura não nos obriga a pensar nas coisas triviais do dia-a-dia quando a morte ainda parece estar longe. Vivemos tão enrolados em objectivos egoístas, no ter que pagar a hipoteca, carreira, a família ou comprar um novo carro; enfim, envolvidos em centenas de pequenas coisas e, apenas para continuar tocando a vida para a frente. Por isso não adquirimos o hábito de parar, olhar nossa vida e dizer: - É só isso? … É só isso que eu quero? Não está faltando nada? Precisamos que alguém nos empurre para a direcção certa. Não é coisa que venha automaticamente… Na vida, todos necessitamos de professores.

 Se olharmos para o mundo à nossa volta, talvez pareça um lugar misterioso, incompreensível, implacável e injusto, onde uns nascem com privilégios e vantagens que outros nunca poderiam sonhar em alcançar. Mas, ele, o mundo não o é; o universo é justo e imparcial. Precisamos compreender que ele tem seus próprios princípios, que são imutáveis, infalíveis e iguais para todos. Para usufruir desses princípios, necessitamos dar uma oportunidade para que eles, os princípios, se possam revelar a nós, e por intuição conduzirmo-nos onde o impulso natural insiste em nos levar. Precisamos passar a aceitar o óbvio; o que tiver de acontecer, vai acontecer!

 Precisamos libertar-nos da convicção de que as pessoas de sucesso possuem mais talento, mais inteligência, que nasceram com um brilho superior ao nosso. Na origem, não há diferença entre as pessoas que alcançam o sucesso daquelas que não. A diferença está apenas na forma de agir ao longo da vida. As que desenvolvem seu talento, não são diferentes; elas apenas agem de uma diferente forma. Pensar que as coisas caem do céu para alguns enquanto outros independentemente do quanto se dedicam, nunca atingirão nada para além da mediocridade, é um erro. Todas as pessoas que realizaram coisas memoráveis, que se tornaram marcos na história da humanidade, passaram por um longo período do processo de evolução. Assim, termino desta forma o tema de talento, coisa que por mim tem passado despercebido ou mesmo desprezado mas, que me ocupa longos momentos de reflexão; do modo do como fui professor com meus filhos, transmitindo valores, omitindo a propósito a mentira e a ética promíscua tão vulgarizada e institucionalizada.

Fim do tema TALENTO

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Gravuras do album Costa Araújo (Mano Corvo) 

Kanimambo: Obrigado (de Moçambique)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:49
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2013
KAPIKUA . XXIII

“Milagres – Urântia”

Escolhas de

  Kimbo Lagoa

Ainda que Deus não fosse tão grande nem tão poderoso, eu o amaria com a mesma intensidade por ser tão bom e tão misericordioso. Todos nós amamos o Pai mais em virtude de sua natureza que por reconhecimento de seus estupendos atributos. Afinal, penso que todos nós, incluindo os mortais dos mundos, amamos o Pai Universal e todos os demais seres, quer divinos, quer humanos, porque percebemos que estes seres pessoais verdadeiramente nos amam. A experiência de amar é, em grande medida, uma resposta directa à experiência de ser amado. Sabendo que Deus me ama, devo prosseguir amando-o em sumo grau, mesmo que ele estivesse despojado de todos os seus atributos de supremacia, ultimidade e absolutidade.

  No universo físico, podemos ver a beleza divina; no mundo intelectual, podemos discernir a verdade eterna; mas a bondade de Deus só se encontra no mundo espiritual da experiência religiosa pessoal. Em sua verdadeira essência, a religião é uma confiança-fé na bondade de Deus. Depositar em Deus um afeto semelhante ao que sente uma criança por seu pai terreno pois, como um pai, um pai verdadeiro, um autêntico pai, ama aos seus filhos, assim nos ama o Pai Universal, que procura continuamente o bem-estar dos filhos e filhas que criou. Para a filosofia, pode ser que Deus seja grande e absoluto e, de algum modo, inteligente e pessoal mas, para a religião, Deus deve ser também moral; deve ser bom. Talvez o homem tema um Deus grande; mas ele somente ama e confia num Deus bom.

.

Esta bondade de Deus é parte da personalidade de Deus, e sua plena revelação manifesta-se unicamente na experiência religiosa pessoal dos filhos crentes em Deus. A religião dá a entender que o supra-mundo de natureza espiritual tem conhecimento das necessidades fundamentais do mundo humano e responde a elas. A religião evolutiva pode chegar a ser ética, mas somente a religião revelada pode chegar a ser verdadeira e espiritualmente moral. O antigo conceito de Deus como Deidade na qual predominava a moralidade régia foi elevado por Jesus a um nível carinhosamente comovedor, à moralidade íntima e familiar da relação pai-filho, uma tal que, na experiência dos mortais, não existe outra tão terna nem tão bela.

KAPIKUA (capicua): O que se lê igualmente da direita para a esquerda ou vice-versa e ao qual se atribui boa sorte.

Ilustrações de Miró

Leitores do livro de Urantia em Portugal

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:46
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Sábado, 27 de Abril de 2013
PIAÇABUÇU . XIX

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO           

“DOS JESUITAS AOS TUBARÕES” .  17

Por

 Roeland Emiel Steylaerts

Um dia Isaías pediu-me para ir visitar os pais biológicos, que não via há anos; moravam em uma chácara perto de Sirilândia, em Goiás. Isaías prometeu tratar deles, caso acontecesse algo a eles mas, infelizmente, anos depois, nem conseguimos encontrar o túmulo do pai que, entretanto faleceu. Isaías um dia acompanhou-me em uma ida ao Ceará; fomos ali comprar artesanato e entretanto resolvemos ir até à praia. Meu filho, nunca tinha visto o mar, e quando viu àquela enormidade água, olhou-me e disse: “isto é incrível”. Deu o primeiro mergulho, sentiu que a água estava salgada... levou um segundo, e vi uma cara feliz, coisa que me restou para o resto da vida. Mais tarde fomos comprar búfalos, na Ilha do Marajó, com destino à fazenda, ele foi junto comigo fazendo seu primeiro voo em avião pequeno.

 De volta á Brasília, coloquei-o a trabalhar na loja de antiguidades, tratando dos transportes; comprei - lhe nessa função várias motos que pilotava muito bem. Mais tarde comprei um caminhão, que veio a dirigir com carteira profissional. Por várias vezes, separou-se da mulher, com a qual não se entendia; brigando pelos filhos e, pela justiça terminou ficando com o filho Rubens, e ela com a menina Patrícia. Isaías acabou por se arrumar com uma namorada bonita, filha do gerente do Banco de Tokyo mas, no dia que convidou os pais dela para a chácara, a fim de a pedir oficialmente autorização para namora-la, apercebendo-se que a resposta deles seria um NÃO, fugiu com ela.

 O gerente do Banco de Tokyo pediu transferência para São Paulo, mas Isaías foi de moto rapta-la na capital acabando por ter um acidente; fui socorre-lo de carro e voltamos para Brasília. Pensei que iria perder o pé, pois a maçaneta da moto tinha furado o membro mas, assim não aconteceu… O pai da menina pediu transferência para o Japão, e a filha foi com eles dando fim à novela de Romeu brasileiro e Julieta japonesa. Foi tempo de recordar meus netos. Rubens e Patrícia, ambos bonitos. Quando o Rubens nasceu, meu primeiro neto, senti-me o homem mais feliz do mundo; tive que assinar a responsabilidade na maternidade, pois Isaías tinha só 15 anos. Depois do nascimento eu, e o feliz pai, fomos para a chácara encher a cara de cachaça.

(Continua…)

Piaçabuçu: Cidade situada na foz do Rio São Francisco - Brasil

Nota: Esta é a estória vulgar de um emigrante Belga fugido da 2ª guerra mundial e que se aventurou em terra estranha do outro lado do Oceano. Os tempos mudaram, as agruras são outras mas a vida é assim mesmo, um rodopio de acontecimentos com carrapatos que parecendo nada, mudam o rumo.

Compilado com correcções ortográficas e arranjo ao texto original por

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:16
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Sexta-feira, 26 de Abril de 2013
BRASIL EM 3 PENADAS . XLI

 AS ESCOLHAS DO KIMBO

BRASIL . Senado paga R$ 14,6 mil por mês para garçons nomeados secretamente em 2001 para servirem cafezinho 

Por  Jorge Serrãoserrao@alertatotal.net

O Brasil ganha hoje, literalmente de bandeja, mais uma prova da falência múltipla das instituições pseudo republicanas. O Senado tem sete garçons com salários entre R$ 7.300,00 e R$ 14.600,00. Certamente, o trabalho de servir cafezinho aos ilustres senadores é uma das missões mais bem remuneradas do mundo. A revelação do jornal O Globo sobre o gasto amargo do cafezinho no Legislativo parece algo pequeno perto de outros gastos secretos e inimagináveis. Esse singelo exemplo de desperdício do dinheiro público é apenas uma pontinha dos diversos gastos sem qualidade na administração federal. Somando-se o dinheiro perdido com a corrupção e as despesas inúteis, temos a justificativa cínica para a máquina administrativa tupiniquim nunca conseguir cortar gastos. A consequência automática é aumento do déficit público e necessidade constante de manter altíssima a carga de impostos para bancar as mordomias e roubalheiras estatais.

Este caso, é apenas uma singela alegoria de nosso regime “capimunista” – autoritário, perdulário e ineficiente. Os profissionais foram nomeados em 20 de Setembro de 2001 por ato secreto da direcção geral do Senado. Oficialmente, os garçons são classificados como “assistentes parlamentares”. Além de servirem cafezinho, podem cumprir outras actividades de “apoio” para justificar a excelentíssima remuneração no Legislativo. Mordomias escandalosas e privilégios injustificáveis como o do caríssimo serviço de cafezinho do Senado se multiplicam entre os três poderes federais. O desrespeito completo ao dinheiro público, suportado pelos altos impostos pagos pelo otário cidadão-eleitor-contribuinte que, também é comum nas  gastadoras, incompetentes e corruptas máquinas administrativas dos estados e municípios. Um País que funciona de forma tão errada, fica condenado a ser sempre subdesenvolvido, gerenciado por um Governo de Crime Organizado e, cujos integrantes têm vida de marajás.

 Eis o alto preço que pagamos pelo actual Golpe Militante Petralha (PT) – que prepara a perpetuação no poder com alguns golpes programados no Legislativo. Primeiro, a aprovação do projecto que impede a criação livre de novos partidos políticos, tirando-lhes o direito ao tempo de televisão e aos recursos do fundo partidário. Depois, com a aprovação do soviético sistema da lista fechada dos partidos para a eleição de deputados e vereadores. Por fim, com a criação do “financiamento público de campanha eleitoral” (estatizando o sistema político, sem acabar com o financiamento ilegal aos políticos pela via dos diversos tipos de “mensalões”). O triste é que os desinformados cidadãos-eleitores-contribuintes brasileiros, cairão facilmente no golpe institucional que prepara o Brasil para embarcar no “Socialismo do Século 21” – que já opera descaradamente na Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador e Cuba. O esquema político corrupto e mentiroso do Foro de São Paulo está prestes a nos brindar com o “Triunfo de sua Vontade”. A pergunta fundamental é: os segmentos esclarecidos – minoria na sociedade brasileira – terão condições políticas de reagir a tempo de reverter o golpe contra o Estado Democrático de Direito? Ou todos seremos engolidos pelo avassalador e corrupto sistema do Governo do Crime Organizado no Brasil?

Visto sem prego nem estopa por

O Soba T´Chingange



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Quinta-feira, 25 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXIX

ANGOLA –  PALAVRA DE REI . IX

  AS ESCOLHAS KIMBO

Por

 ISOMAR PEDRO GOMES

 Crescemos sob o lema de que palavra empenhada é palavra cumprida, a qualquer custo. "Minha palavra é lei!" ouvíamos amiúde de algumas fontes. Lembro-me de uma lição que me marcou nos meus tempos de infância, tenho a impressão que foi no livro da 3a ou 4a classe da era colonial; a palavra empenhada pelo fidalgo português, Egas Moniz, aio de Dom Afonso Henriques, que envolvendo a família toda, se predispunha a cumpri-la. A família convicta da necessidade de se submeterem à autoridade pela palavra empenhada pelo seu rei, palavra não comprida, dispuseram-se a morrer pela honra e penhor apresentando-se na corte de Espanha, de corda ao pescoço. Embora tal estória não passe de um 'lenda', segundo alguns historiadores, valeu pela lição marcada.

 Claro, mudaram-se os tempos, mudaram-se as atitudes, mudaram-se os costumes e os hábitos. Hoje a mentira tem mais força que a verdade, elaborada é arte, o engano é interpretado como habilidade necessária, fazendo dessa hipocrisia a máscara hodierna nesta era digital; já não há lágrimas de crocodilo e, o próprio crocodilo anda acabrunhado porque deixou de ser o vilão, o herói agora é o bandido; o antigo e verdadeiro herói, é hoje o miserável vetado ao esquecimento, acantonado como mendigo num qualquer muquifo de má fama

 Em Angola não há honestos, disse-me alguém... há sim, Ernestos. - Discordei completamente, ainda há honestos (poucos, é verdade mas existem!), sim! Aqueles que preferiram refugiarem-se na dignidade, elevarem bem alto o estandarte da honra, ao invés do usufruto dum prazer temporário em um "prato de lentilhas"! Hoje ser honrado é humilhante, porque na maior parte das vezes, a consequência, a marca visível e imediata da honra é a pobreza e sujeição á boçalidade de toda a espécie; propositadamente algumas instituições, levam o cidadão honesto a desistir na prática da honra. Tudo isto para relembrar: E A PROMESSA de limpar Luanda em 6 meses?!.. Porventura alguém se lembra de quem a fez? Porque e quando a fez?... E como fica a PALAVRA DO REI... Já volta atrás?! Ah! Como os tempos mudam...

(continua...)

Subscreve

O Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 24 de Abril de 2013
FRATERNIDADES . XXXVIII

Lição de vida Sua vida

Escolha de

   Stella Pugliesi

Quando sua vida começa, você tem apenas uma mala pequenina de mão... À medida que os anos vão passando, a bagagem vai aumentando porque existem muitas coisas que você recolhe pelo caminho, por pensar que são importantes. A um determinado ponto do caminho começa a ficar insuportável carregar tantas coisas, pois pesam demais, então você pode escolher: ficar sentado a beira do caminho, esperando que alguém o ajude, o que é difícil, pois todos que passarem por ali já terão sua própria bagagem. Você pode ficar a vida inteira esperando, ou você pode aliviar o peso, esvaziando a mala. Mas, o que tirar dela? Você começa tirando tudo para fora... Veja o que tem dentro: Amor, Amizade... Nossa! Tem tanta fraternidade mas, curioso, não pesa nada...

 Tem algo pesado.... Você faz força para tirar.... Era a raiva - Como ela pesa !  Aí, você começa a tirar, tirar e aparecem a Incompreensão, Medo, Pessimismo... nesse momento, o Desânimo quase te puxa p´ra dentro da mala.... Mas você puxa-o para fora com toda a força, e no fundo da mala aparece um Sorriso, que estava sufocado no fundo da sua bagagem.... Pula para fora outro sorriso e mais outro, e aí sai a Felicidade... Aí você coloca as mãos dentro da mala de novo tira p´ra fora um monte de Tristeza... Agora, você vai ter que procurar a Paciência dentro da mala, pois vai precisar bastante....  Procure então o resto: a Força, Esperança, Coragem, Entusiasmo, Equilíbrio, Responsabilidade, Tolerância e o Bom e Velho Humor. Tire a Preocupação também. Deixe de lado, depois você pensa o que fazer com ela...

 Bem, sua bagagem está pronta para ser arrumada de novo. Mas, pense bem o que vai colocar dentro da mala de novo, hein!  Agora, é com você; e não se esqueça de fazer essa arrumação periodicamente, pois o caminho é MUITO, MUITO LONGO, e sua bagagem, poderá pesar novamente. Insistir em algo que nunca dá certo é como calçar um sapato que não serve mais. Machuca, causa bolhas, às vezes até sangra. Aí você percebe que o melhor é ficar descalço. Deixar totalmente livre o coração, enquanto vive. Deixar livre os pés, enquanto cresce. Porque quando a gente vai crescendo, o número muda. E o que você insistia em por, não lhe serve mais. Às vezes na vida, você tem que esquecer o que você quer, para começar a entender o que você realmente merece!

Arranjo do texto pelo

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:00
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Terça-feira, 23 de Abril de 2013
A CHUVA E O BOM TEMPO . XXVI

NOSTÁLGIA DO CALAHÁRI

Pelo

 SOBA T´CHINGANGE

 Ao Ao atravessar o Calahári, aprendi que quem passa o tempo batalhando contra o envelhecimento sempre será infeliz porque o envelhecimento é inexorável. Nessa imensidade de “terra do nada do Calahári” desapegamo-nos da inveja vertendo-a em conversa como grãos de areia, aceitando que o olhar para trás estimula a quem compete mas, a idade não nos estimulava para isso. Já nesse então eu e Reis Vissapa como velhos, que já éramos, diligenciávamo-nos traçando projectos de invejar o destino sem a preocupação de riscar os dias no calendário; percorríamos a terra do nada somente com o propósito de a cheirar.   

Dionísio Dias de Sousa Eu e Reis Vissapa, colocávamos nesse projecto nossos valores sem sequer pensar em coisas erradas; na ânsia de possuir coisas, lavávamos nossos cérebros repetindo ansiedades até à exaustão perdendo a perspectiva do que era verdadeiramente importante, sabendo já de antemão, que “da vida nada se leva”. Aquela vastidão de aspereza provocava decerto desvarios feitos sonhos, que iam e vinham com os quilómetros, sem se poder substituir suavidade na ternura ou companheirismo, por coisas materiais. E, chegados lá no topo norte, sentados na margem do Okavango do Kaprivi, olhando o outro lado do rio, seguramente pensámos: com tais sentimentos, nem poder, nem dinheiro poderiam importar no poder que possuíamos.

o  No decorrer de muito tempo, anos mesmo, não houve melhorias nem acréscimos em nossas vidas descuidando-nos no poder aquisitivo por via dum sonho só sonhado; restou a lembrança do quanto aquilo que queríamos se reduziu à justa medida do que precisávamos. Afinal, não devemos ficar presos ao que devíamos ter feito e não aconteceu quando devia ter acontecido, fazer as pazes connosco e com os que nos cercam, mesmo que estejam moribundos porque a morte, chega quando chega e que se saiba ela, a morte não é contagiosa; será por assim dizer um fazer de paz com a vida. Não podemos desfazer o que fizemos, nem reviver a vida que já passou mas, “nunca é demasiado tarde” para mudar. Levamos tanto tempo a modelar nosso corpo, levantando pesos, nadando, fazendo flexões, e no fim, a natureza, sai vencedora. A barreira física dos nossos sonhos, tinha o nome de Okavango.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:54
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Sábado, 20 de Abril de 2013
MUJIMBO . XXXVIII

  AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLAA REALIDADE “MWANGOLÊ” . VIII

Por

 ISOMAR PEDRO GOMES

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Isomar Pedro Gomes, ex-funcionário da delegação provin­cial da Segurança do Estado (em Benguela), hoje é um homem amargurado, frustrado.
 Aonde está a nossa classe operária?... Alguém pode dizer-me onde anda esse valoroso colectivo de trabalhadores? É que a maior parte da indústria que “havia”, foram transformadas em armazéns dos manos ‘libas, mayayas & senecas’… (Libaneses, Indianos monhês e Senegaleses). Lembro-me (com muita saudade) da GIGANTE e famosa CCUP (localizada no município da Ganda, província de Benguela) ‘rebaptizada’ na época “apropriada” em CCPA (Companhia de Celulose e Papel de Angola) – Alto Katumbela, que a guerra se ‘lembrou’ de transformar em pó (1982-1985). No município da Ganda, existia a fábrica de vinhos Prazeres – sede da comuna da Babaera; a Talim e a salsicharia Buçaco – sede do município, bem como as grandes industriais produtoras de açúcar, a Açucareira da Katumbela e a Açucareira do Dombe-Grande (Município da Baía Farta) e a África Têxtil (cidade de Benguela).

 Ultimamente, tenho pensado se AINDA há realmente uma classe operária “a operar” em Angola? Se realmente existe, aonde está? Se não existe,… porquê não? Vou mencionar a CIDADE DE BENGUELA como exemplo, nomeio as unidades Industrias que existiam mais ou menos até o ano de 1980; para além das acima mencionadas, lembro-me das seguintes unidades fabris com a ordem aleatória: 1.- Reforço & Rito 2. - Alfredo & Guerra 3.- Cartang 4. - Mampeza 5. - Conserveira Kapiandalo 6. - Abreus & Abreus 7. – Cordango 8. - Embalagens Holdains 9. - Embalagens de Angola 10. – Confiang 11. – Cristalia 12. – Cofril 13. - Dusol 14. - Fábrica de gasosas Canadá 15. - Tintas CIN 16. – Alarriba 17. - Confeções quinas 18. - Confeções CB 19. - Ourivesaria ourobelo 20. – Intrafrutos 21. – Sital 22. – Seta 23. – Forolda…

 Não menciono a mais de uma dezena de fazendas agrícolas, que constituíam o celebre perímetro agrícola do cavaco (a cintura verde de Benguela) e outras iniciativas individuais ou colectivas (que não constavam na lista telefónica, tais como as pequenas carpintarias, serrações, estofos e fábrica de malas), panificadoras, pescarias e algumas unidades ligadas à actividade agrícola. Tais unidades albergavam milhares de trabalhadores, alimentando dezenas de milhares de famílias no município de Benguela, adicionadas às unidades de produção da Katumbela, Lobito e Baía-farta; faziam da província de Benguela uma das fortalezas da classe trabalhadora de Angola. A CCPA estendia-se pelas Provinciais do Huambo e Bié, e constavam na sua folha de pagamentos (nos tempos dourados) cerca de 5.000 trabalhadores/assalariados.
(continua...)

Subscreve

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:43
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Sexta-feira, 19 de Abril de 2013
MULUNGU . XXXVII

NO ORIENTE DA VIDA

Por

 O Soba T´Chingange

 

 Pronto para oferecer o meu talento ao mundo aos quase 68 anos de vida, descobri que o mundo, não está assim tão interessado no meu trajecto. O rumo da vida fez-me mastigar sacrifícios aceitando o passado sem negá-lo ou descartá-lo e, principalmente aprender a perdoar aos outros e a mim. Surpreende-me agora este tardio afecto entre o meu passado e o meu presente. Quase me esqueço do quanto somos íntimos, absorvendo o silêncio pontilhado de manchas de velhice e pele de galinha pendendo no embaraço. Não existe, nos dias de hoje, um fundamento sólido no qual as pessoas se podem apoiar, a não ser a família, mas, até neste ponto, a degradação de costumes, vulgarizou as excrecências nefastas desta base social.

:::::

 Muita coisa ruiu entretanto e, a cultura que tive, em verdade, trilhou-me a felicidade. Foi a contemplar a natureza que engravidei a vista e inchei o ego; o resto de tudo isto, foi  andar de um lado para o outro procurando o lugar certo de um lugar inexistente. Preso ao lema ”não se prenda às coisas porque tudo é transitório”, só consegui vislumbrar a vida quando passei pela morte e, foi desde então, que revitalizei os conceitos de fraternidade e amor: um lampejo dum desapego chamado medo, suar frio num calor que percorre o cérebro com arrepios na espinha, sensações de pavor e angústia.

 O meu mais recente abalo sísmico aconteceu quando soube que algures, uma mulher matou o marido e dois filhos quando dormiam, para protegê-los da “gente má”. Alienado à minha cultura, ocupei-me a fazer coisas que julgava serem importantes. Em litigio com o mundo e, num afinal, as coisas podiam acontecer sem o meu contributo. A maior ilusão que podemos ter na vida é aquela de quando a gente descobre que estamos sendo não aquilo que somos, mas o que outros gostariam que fôssemos. E, agora, no oriente do mundo, sem me querer enganar, enviesaram-me o rumo. Usaram-me. Afinal sou mesmo um zero à esquerda.

Mulungu: É uma arvore de grande porte com flores vermelhas,;existem no Brasil e em Angola

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:23
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Segunda-feira, 15 de Abril de 2013
PIAÇABUÇU . XVIII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO                          

“DOS JESUITAS AOS TUBARÕES” .  16

Por

   Roeland Emiel Steylaerts

MEU FILHO ISAÍAS, NETOS E BISNETOS

 Conheci meu filho... espera aí, conheci sim, aquele que veria a ser meu filho no Conjunto Nacional quando estava fazendo compras, no supermercado Jumbo. Chamava-se Isaías Rosa Mendes. Ele estava deitado perto do carro... doente e só. Pedi para esperar, levei as compras para o restaurante, e voltei. Levei-o para o hospital e fiquei sabendo que estava com uma infecção na barriga. Teve que tomar três injecções de Benzetacil, uma a cada 2 dias. A primeira, pelo que vi, doeu-lhe muito. Perguntei-lhe aonde morava, e me disse que a família tinha viajado para Bahia, mas ele, perdeu-se no trajecto. Só que isto fazia mais de 15 dias, mas sabia por alguém da família, que seus pais voltariam, pois não deu certo lá. Ele não sabia onde moravam, mas poderia procurar o parente, que indicaria onde o pessoal estaria. Abastecendo a Kombi na Belem-Brasilia seguimos para a chácara e ali dormiu vigiado por mim. Na tarde do dia que se seguiu, falou que aquele, era o dia mais feliz da vida dele. O menino era bonito e devia ter uns dez anos, talvez onze. Amei aquele menino como nada mais no mundo, como se o tivesse conhecido de outras vidas.

Algo interior  me dizia que ele viria a ser meu filho. No dia seguinte procurei sua casa e o deixei com os pais. Tinha um monte de irmãos, nem sei quantos. Tinha irmã alcoólatra, outra com uma perna com elefantíase, outros pequenos, uma verdadeira fauna. Eu precisando de um caseiro na chácara, ofereci serviço ao padrasto de Isaías. Este, por necessidade levou a família toda para morar na casa do caseiro. Só que isto, não manteve o Isaías na chácara; fugia directo para dormir dormia na rua cidade de Brasília. A família, brigava entre si, e uma das minhas portas da casa do caseiro, virou tiro ao alvo para facas. No jardim faziam mais estrago, do que manutenção. Realmente aquilo não iria dar certo e passados uns 10 dias, mandei-os de volta para Ceilândia, perto de Taguatinga. A culpa não foi propriamente do padrasto, mas sim da filharada deste.

 O menino voltou aos poucos a morar na chácara. Perguntei-lhe se queria ser meu filho; a resposta veio mais rápido que a pergunta, e ele falou sim com um largo abraço seguido de um beijo. Quase choramos juntos! Daquela hora em diante ele era meu filho, só faltava legalizar, o que ficou para depois. Muita gente não entende o que é isso de adoptar alguém. Tem que se ter muito amor no coração para isto. É a coisa mais linda do mundo, quando a gente realmente ama. Mais tarde, com a assinatura da mãe, adoptei o Isaías. Morou na chácara até ficar mais velho, até que o mandei para fazenda em Alto Paraíso, aonde ficou a morar com o Sebastião, meu capataz, e sua família, inclusive a Zeneide, com a qual iria juntar-se e ter dois filhos: Rubens e Patrícia. A fazenda ficava a 16 km da cidade de Alto Paraíso. Comprei um Corcel velho, para ele, e os meninos da fazenda, filhos dos trabalhadores para poderem ir todos os dias à escola. Anos depois, tive problemas na fazenda com aparições paranormais e tive que fechá-la. Isaías e sua mulher Zeneide presenciaram vários factos naquele “paraíso”.

(Continua…)

Piaçabuçu: Cidade situada na foz do Rio São Francisco - Brasil

Nota: Esta é a estória vulgar de um emigrante Belga fugido da 2ª guerra mundial e que se aventurou em terra estranha do outro lado do Oceano. Os tempos mudaram, as agruras são outras mas a vida é assim mesmo, um rodopio de acontecimentos com carrapatos que parecendo nada, mudam o rumo.

Compilado com correcções ortográficas e arranjo ao texto original por

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:30
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Domingo, 14 de Abril de 2013
KANIMAMBO . XXXV

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 13

 AS ESCOLHAS KIMBO     

SUCESSO E AUTOCONFIANÇA

Cada um de nós, deseja que tudo esteja numa linha recta, que as coisas aconteçam de maneira clara e segura, desde o princípio de um projecto ou causa mas, raramente, isso é possível. As pessoas de sucesso, constroem uma visão clara do que querem, mantendo o foco nisso e prosseguem seu rumo. Para definir um propósito que constitua o núcleo do nosso potencial, devemos compreender aonde está nosso talento, qual a nossa paixão e o que estimula nossa acção. Talento, paixão e ganho, serão os três factores que farão com que tenhamos persistência, ou não, para sobreviver os anos de silêncio. Claro que alem do talento, é forçoso estar apaixonado pelo que se faz, ter um estímulo para manter a paixão em uma direcção que desafie permanentemente a área de conforto. Para sobreviver aos anos de silêncio, ou tempo sombra, será necessário construir sua carreira a partir do ponto zero; ponto onde convergem o talento, a paixão e o ganho.

 Para compreender aqueles pontos de convergência, vamos analisar o início das carreiras de Bill Gates e Bill Joy. Bill Joy, o maior entre os grandes da Internet, fundou a microsystems, no tempo em que os programas de computador eram um monstro que custava cerca de um milhão de dólares. No início dos anos 1970, quando ingressou na Universidade de Michigan, para estudar matemática, foi seduzido pela computação; nesse então os programas de computador eram criados em cartões de cartolina com as linhas de código marcadas em um perfurador. Programas complexos incluíam por vezes milhares de cartões e, quando se completava o programa, o programador tinha de entregar os cartões perfurados a um operador que os executava. A programação em si, era altamente tediosa mas, não para Bill Joy, que tinha talento, paixão e estímulo. Joy e Gates, que tinham talento, tiveram a determinação necessária para suportar um longo período de prática; e, tudo começou em uma garagem.

 O processo de agir, aprender, e aperfeiçoar, por mais desajeitado que muitas vezes possa ser, é a essência da vida realmente produtiva. A força que impulsionou Gates e Joy, a se levantarem muito cedo e fugir de casa para poderem mexer nos computadores da universidade, é um magnetismo que vai para além da fama ou do retorno financeiro; o impulso de actuar sobre o talento e paixão, é mais intenso do que qualquer recompensa externa, como o reconhecimento, dinheiro ou fama. Quando o talento, paixão e ganho se sintonizam, há um fluxo de forte energia e, nosso cérebro dispara uma sensação de prazer e satisfação que nos estimula cada vez mais. Agora é a vez de nos interrogarmos: Porque é que, pessoas ao nosso redor, exercem a mesma actividade durante anos sem melhorar? Porque, simplesmente elas, não constroem sua profissão sobre seu talento natural. E, nos dias que correm, somos perturbados por gente sem talento que infelizmente e, por nossa escolha, destinam as nossas vidas; os políticos.  

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Kanimambo: Obrigado (de Moçambique)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:09
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Sábado, 13 de Abril de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXX

" TEMPOS DE DIPANDA  - Verdade ficcionada

Por

 T´Chingange

Chegado à casa do Senhor Bicho, não muito longe dali e, após as habituais apresentações mostrou-me o quarto disponível; foi-me dizendo que ainda estava em obras e que teria de ficar em um colchão ainda embrulhado em plástico, recomendando-me não o tirar em virtude de poderem vir a ser vendidos como novos. Assim foi mas, durante a noite a restolhada do plástico e a quentura não me proporcionou um absoluto descanso. Bem cedo, um empregado do Senhor Bicho comunicou-me que podia ir até a varanda situada por detrás do último quarto logo após o corredor que dava ao pátio interior para tomar o mata-bicho. Chegando lá encontrei o senhor Bicho dando ordens a uma gorda senhora que logo se adentrou na cozinha de onde se podia sentir o odor do café e, logo se sentou a meu lado cavaqueando sobre os muitos afazeres daquela hospedaria.

   E, falamos da sua distante terra, a Ponte do Charuto do Puto, bem perto de Mexilhoeira Grande no Concelho de Lagoa. Mostrei admiração pela beleza das portas quase maciças da entrada para os quartos com baixos-relevos dos cinco grandes animais de África. A minha porta era uma cabeça de búfalo; em realidade era uma obra de mestre. Bicho, sem saber da minha vontade em ir ao Rundu, do outro lado do Calai foi-me inteirando que a pessoa com quem eu tinha em mente encontrar, João Miranda, já não estava em na grande base de Grootfontein. Isso despertou-me curiosidade pelo que recolhi os detalhes possíveis.

 Pois é, continua Bicho: - a mando dum General de Pretória um dia chega um indivíduo sem nome, em Grootfontein, levando-lhe um visto de trabalho em nome de João Miranda; um Hércules C-130, levou a família inteira para Pretória. João Miranda que tinha todos os seus bens em Dirico, não queria por nada ir para Portugal. Deram-lhe um apartamento do tipo T4 totalmente equipado; o General viu nele o perfil certo para ser integrado no batalhão Búfalo por ser um bom conhecedor do terreno e falar a língua local e dos bosquimanos; A companhia Búfalo estava a ser organizada à algum tempo no intuito de intervir em Angola salvaguardando possíveis investidas terroristas e comunistas. Ovoboland seria um território tampão àquele avanço. Bicho perante a minha incerteza dum futuro incerto, aconselhou-me ir até Windhoek antes de tomar qualquer decisão; dizia-se que estavam ali os recrutadores de possíveis militares a integrar naquele batalhão. Tudo dependeria da aptidão e vontade de vir a ser um soldado da fortuna, vulgo mercenário. Indicou-me o Safari Motel para me instalar. Ali, iria recolher elementos junto a muitos refugiados, alguns deles, agentes da PIDE que tinham uma noção exacta das movimentações em curso. Um dia depois, segui em boleia com o tal Rocha de Oshakati, que me fez o especial favor de me levar ao Safari Motel.

(Continua…)

Glossário: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

O Soba  T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:25
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2013
N´NHAKA . V
IMPOSTOS . Os 10 paises: menos e mais

    AS ESCOLHAS DO KIMBO 

SÓ PODE SER VERDADE

 

Fonte: Banco Mundial (Doing Business 2011)   

Os 10 países onde MENOS se trabalhou em um ano para pagar impostos em 2011.
1. Maldivas: 0 horas
2. Emirados Árabes Unidos: 12 horas
3. Bahrein: 36 horas
4. Qatar: 36 horas
5. Bahamas: 58 horas
6. Luxemburgo: 59 horas
7. Omã: 62 horas
8. Suíça: 63 horas
9. Irlanda: 76 horas
10.Seicheles: 76 horas
 
Os 10 países onde MAIS se trabalhou em um ano para pagar impostos em 2011:
1
. Brasil: 2.600 horas ( é mais que o dobro do 2º colocado! )
2. Bolívia: 1.080 horas
3. Vietnã: 941 horas
4. Nigéria: 938 horas
5. Venezuela: 864 horas
6. Bielorrússia: 798 horas
7. Chade: 732 horas
8. Mauritânia: 696 horas
9. Senegal: 666 horas
10.Ucrânia: 657 horas
 PRODUTO % Tributos/preço final
 
 
Passagens aéreas
8,65%
Transporte Aéreo de Cargas
8,65%
Transporte Rod. Interestadual Passageiros
16,65%
Transporte Rod. Interestadual Cargas
21,65%
Transp. Urbano Passag. - Metropolitano
22,98%
Vassoura
26,25%
CONTA DE ÁGUA
29,83%
Mesa de Madeira
30,57%
Cadeira de Madeira
30,57%
Armário de Madeira
30,57%
Cama de Madeira
30,57%
Sofá de Madeira/plástico
34,50%
Bicicleta
34,50%
Tapete
34,50%
MEDICAMENTOS
36%
Motocicleta de até 125 cc
44,40%
CONTA DE LUZ
45,81%
CONTA DE TELEFONE
47,87%
Motocicleta acima de 125 cc
49,78%
Gasolina
57,03%
Cigarro
81,68%
PRODUTOS ALIMENTÍCIOS BÁSICOS
 
Carne bovina
18,63%
Frango
17,91%
Peixe
18,02%
Sal
29,48%
Trigo
34,47%
Arroz
18,00%
Óleo de soja
37,18%
Farinha
34,47%
Feijão
18,00%
Açúcar
40,40 %
Leite
33,63%
Café
36,52%
Macarrão
35,20%
Margarina
37,18%
Margarina
37,18%
Molho de tomate
36,66%
Ervilha
35,86%
Milho Verde
37,37%
Biscoito
38,50 %
Chocolate
32,00%
Achocolatado
37,84%
Ovos
21,79%
Frutas
22,98%
Álcool
43,28%
Detergente
40,50%
Saponáceo
40,50%
Sabão em barra
40,50%
Sabão em pó
42,27%
Desinfetante
37,84%
Água sanitária
37,84%
Esponja de aço
44,35%
PRODUTOS BÁSICOS DE HIGIENE
 
Sabonete
42%
Xampu
52,35%
Condicionador
47,01%
Desodorante
47,25%
Aparelho de barbear
41,98%
Papel Higiênico
40,50%
Pasta de Dente
42,00%
MATERIAL ESCOLAR
 
Caneta
48,69%
Lápis
36,19%
Borracha
44,39%
Estojo
41,53%
Pastas plásticas
41,17%
Agenda
44,39%
Papel sulfite
38,97%
Livros
13,18%
Papel
38,97%
Agenda
44,39%
Mochilas
40,82%
Régua
45,85%
Pincel
36,90%
Tinta plástica
37,42%
BEBIDAS
 
Refresco em pó
38,32%
Suco
37,84%
Água
45,11%
Cerveja
56,00%
Cachaça
83,07%
Refrigerante
47,00%
CD
47,25%
DVD
51,59%
Brinquedos
41,98%
LOUÇAS
 
Pratos
44,76%
Copos
45,60%
Garrafa térmica
43,16%
Talheres
42,70%
Panelas
44,47%
PRODUTOS DE CAMA, MESA E BANHO
 
Toalhas - (mesa e banho)
36,33%
Lençol
37,51%
Travesseiro
36,00%
Cobertor
37,42%
Automóvel
43,63%
ELETRODOMÉSTICOS
 
Sapatos
37,37%
Roupas
37,84%
Aparelho de som
38,00%
Computador
38,00%
Fogão
39,50%
Telefone Celular
41,00%
Ventilador
43,16%
Liquidificador
43,64%
Batedeira
43,64%
Ferro de Passar
44,35%
Refrigerador
47,06%
 
 
Microondas
56,99%
MATERIAL DE CONSTRUÇÃO
 
Fertilizantes
27,07%
Tijolo
34,23%
Telha
34,47%
Móveis (estantes, cama, armários)
37,56%
Vaso sanitário
44,11%
Tinta
45,77%
Casa popular
49,02%
Mensalidade Escolar
37,68% (ISS DE 5%)
 
 
 
 ALÉM DESTES IMPOSTOS, VC PAGA DE 15% A 27,5% DO SEU SALÁRIO A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA,PAGA O SEU PLANO DE SAÚDE,
O COLÉGIO DOS SEUS FILHOS, IPVA, IPTU, INSS, FGTS ETC.
CONCLUSÃO: "O Brasil tem a maior carga tributária do mundo para pagar a maior corrupção do mundo"
 
N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios e em zona plana e húmida, horta.
Soba T´Chingnge
 

 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:21
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KAPIKUA . XXII

“Milagres – Urântia”

As escolhas 

 Kimbo Lagoa

 

 "Deus é amor"; portanto, sua atitude única e pessoal para com os assuntos do universo é sempre uma resposta de afeto divino. O Pai nos ama o suficiente para efundir sua vida sobre nós. "Ele faz nascer seu sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos". É em resposta a este afeto paternal que Deus envia os maravilhosos Modeladores para que morem na mente dos homens. O amor de Deus é universal; "todo aquele que quer vir, que venha". Ele quer "que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade". Ele não quer "que nenhum pereça". O amor de Deus é, por natureza, um afeto paternal; portanto, às vezes "nos castiga tanto quanto é útil para nos tornar participantes da sua santidade". Mesmo em vossas provas de fogo, recordai que "em todas as nossas agruras ele aflige-se connosco".

 Afinal, a maior evidência da bondade de Deus e a suprema razão para amá-lo é a dádiva do Pai que mora em vós: o Modelador, que com tanta paciência aguarda a hora em que ambos vos façais unos, eternamente. Visto que não podeis encontrar a Deus por meio da investigação, se vos deixardes guiar pelo espírito interior sereis infalivelmente levados, passo a passo, vida após vida, universo após universo e era após era até finalmente vos encontrardes na presença pessoal do Pai Universal do Paraíso.

É desarrazoado não adorar a Deus porque as limitações da natureza humana e os impedimentos de vossa origem material vos impossibilitem de vê-lo. Há uma distância tremenda (um espaço físico) a ser percorrida entre Deus e vós. Do mesmo modo, existe um grande abismo de diferença espiritual a ser atravessado; mas, apesar de tudo o que vos separa da presença pessoal de Deus no Paraíso, seja de natureza física ou espiritual, detende-vos e reflictais por um momento no fato solene de que Deus vive dentro de vós; à sua maneira, ele já atravessou esse abismo. De si mesmo, ele enviou seu espírito para viver em vós e para labutar convosco à medida que prosseguis em vossa eterna caminhada no universo.

KAPIKUA (capicua): O que se lê igualmente da direita para a esquerda ou vice-versa e ao qual se atribui boa sorte.

Ilustrações de Miró

Leitores do livro de Urantia em Portugal: suporte@urantia.com.pt

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:33
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2013
KANIMAMBO . XXXIV

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 12

 AS ESCOLHAS DO SOBA

MEDO E AUTOCONFIANÇA

 Quando conhecemos alguém, ficamos em constante estado de alerta para descobrir se, esse alguém gostou ou não de nós. A forma como vemos as coisas, é o resultado da estrutura mental que criamos na qual o efeito Pigmaleão nos diz que, se tivermos um conceito ou preceito adequado à realidade que queremos, essa realidade se manifestará fisicamente. Nossa programação vem de valores profundamente enraizados, de crenças, e conclusões que aceitamos como verdades; saem das convicções que foram desenvolvidas ao longo da infância, principalmente entre os três e oito anos de idade.

 É desse subconsciente programado que vem uma energia feita convicção ou a expressão de nossas crenças profundas que brotam da intrincada rede mental que formatamos ao longo da vida. Se tivermos uma formatação mental negativa, nossa acção por consequência, será forçosamente negativa, e a reacção por sua vez, também será negativa. Quando a programação mental e o desejo estão alinhados no mesmo propósito, verdadeiros milagres poderão manifestar-se num toque de mágica. Quando nos vemos sob um ponto de vista negativo, avivamos as nossas fraquezas autorizando-nos a ser fracos, limitados e negativos, o que reduz significativamente nossas escolhas e nossa autoconfiança.

 Quando vemos os outros de modo negativo, teremos decerto, respostas negativas mas, se por outro lado a vermos de forma positiva, as respostas serão positivas. Ao longo da vida, quem acreditar nas pessoas e nas circunstâncias, vai emitindo sinais positivos, criando relações sólidas com gente e circunstâncias boas. Amor e ódio são criados na mesma região do cérebro e é o desprezo que activa instintos desafiadores e, para isso tem de se saber lidar com tolerância, amor e compaixão. Olhando para os demais com uma visão negativa, emite-se uma imagem de descrença e afastamento, fazendo com que os outros nunca possam mostrar o melhor de si. Entre os dois caminhos de visão e procedimento, se definirá o rumo do fracasso ou sucesso. Se você não gostar de si, se não tiver essa auto-confiança, vai ser difícil ser bem sucedido, porque vai ser extremamente complicado ficar motivado. A auto-confiança, é por si só, muitas vezes, a principal razão pela qual as pessoas triunfam na vida. O optimismo deve brotar de dentro, suas convicções e seus valores, dos fundamentos que você estabeleceu para sua vida.  

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Kanimambo: Obrigado (de Moçambique)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:00
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Quinta-feira, 4 de Abril de 2013
KIANDA . XLIII

DESANOITECI EM ZANZIBAR - IX

Verdade ficcionada

Por

 T´Chingange

 E, continuava amiudadamente, pensando na proposta de mustafá Joshua Naili em fazer uma salga de peixe; a ideia andava girando em meu pensamento, mas nada de tomar consistência. Em verdade preocupava-me mais a questão de dar salubridade ao húmido lugar da roça de Boyoma; com o tempo tive de contratar um credenciado enfermeiro de nome N´Zau Tati Bumelambuto que mandei vir de Cabinda. Foi a ele que confiei a saúde e bem-estar dos muitos gentios que ali prestavam serviço. Acabou por ser uma brilhante ideia pois que o rodopio de gente a ir ao paupérrimo hospital de Kisangani diminuiu a olhos vistos. N´Zau, era um fiote de cultura mediana, filho de gente nobre, descendente dos que lavraram o tratado de Simulambuco com Portugal no ano de 1885.

 Por via de ter ido a Lisboa tirar um curso rápido no ainda esboço de Hospital Ultramarino, aprendeu muito sobre as maleitas tropicais. Amiudadamente reunia-se no d´jango central da roça com o kimbanda Good Lukuga e das longas conversas que ali mantinham, decerto faziam triagem de muitos conhecimentos. Eu via isto com grande contentamento pois que as origens dos conhecimentos rudimentares de Lukuga, obrigava N´Zau Bumelambuto a fazer, não só pesquisa como também a executar ensaios em porquinhos da índia e bicharada de distintas espécies que, ali ia aprisionando em organizadas gaiolas. 

 Só passado algum tempo da chegada do enfermeiro N´Zau à roça de Boyoma é que me predispus a falar da política que corria no agitado mundo da Lusofonia e, foi sobre Cabinda que falamos longo tempo. A "colonização" de Cabinda foi pacificada pelo Tratado entre Portugal e Cabinda, um território separado de Angola. Um enclave entre os Congos, belga e Françês. A um de Fevereiro de 1885, o governo português representado por Guilherme Augusto de Brito Capello, então capitão-tenente da Armada e comandante da corveta Rainha de Portugal, assinou com vários príncipes, chefes e oficiais do reino de N'Goyo colocando Cabinda sob seu protectorado. Em realidade não é uma colónia de Portugal disse N´Zau Tati Bumelambuto, coisa distinta de Angola que, essa sim, é colónia. O tratado feito por meu pai, aconteceu antes da Conferência de Berlim, acrescentou N´Zau. Notando-se orgulho em seu porte, acrescentou que Portugal se obrigou a fazer manter a integridade dos territórios colocados sob o seu protectorado respeitando e fazendo cumprir os usos e costumes dos Imbindas.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:56
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Terça-feira, 2 de Abril de 2013
KANIMAMBO . XXXIII

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 11

 AS ESCOLHAS DO SOBA

A MÍSTICA E O MEDO

De certa forma, vivemos numa constante zona de medo. Imaginamos o resultado de um projecto negativo e, acontece vermo-nos em uma situação desprivilegiada, repetindo essa imagem inúmeras vezes; As pessoas de sucesso realizam esse procedimento de maneira inversa sentindo essa reacção de forma positiva. Se mantiver seu propósito de forma positiva, sua mente actuará sobre seus pontos fortes, movendo-se em direcção à sua meta; sua dedicação passará a agir como estímulo que por sua vez criará forças adicionais a auxiliar esse processo. Se você estiver programado para o sucesso, a natureza encarregar-se-há de o suprir com ideias, acções e circunstâncias, a abastecer suas necessidades de forma a atingir os objectivos requeridos por si.

 Este estágio é uma verdadeira magia podendo reverter erros e falhas em eventos que o auxiliarão a avançar, fazendo desaparecer obstáculos de forma inusitada. Diz-nos o efeito Pigmaleão que quando nós temos certo tipo de expectativa, ao tornar-se uma crença, ela provocará sua própria concretização. Quando as pessoas esperam ou acreditam que algo acontecerá, agem como se a previsão já fosse real. Essa crença influenciará o comportamento das pessoas, seja por crença ou confusão lógica. Compreender este mecanismo, significa saber a diferença entre a liberdade e a conformidade; se mantivermos emoções positivas em nossa mente, e tivermos imagens positivas sobre o que buscamos, se vivermos nessa expectativa, sentiremos emoções positivas.

 Se você possui sentimentos de sucesso e autoconfiança, agirá com sucesso, autoconfiança; se o sentimento for intenso, irá agir também de maneira intensa. Aquilo que pensamos e a forma como agimos, é muito mais um resultado de certas predisposições mentais do que queremos acreditar, ou mesmo do que podemos perceber. A angústia a enfraquece, sente-se um mal-estar, seguido por tontura e dor de cabeça; a pressão sobe, a pessoa sente-se fraca, o sistema imunológico se altera, e ela passa a sentir os mesmos sintomas. O que é por exemplo, a ansiedade de não ter dinheiro para cobrir as despesas do fim do mês? Nestas circunstâncias nós sentimos ansiedade e humilhação.

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Kanimambo: Obrigado (de Moçambique)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:12
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Segunda-feira, 1 de Abril de 2013
INVENTAÇÕES DA HISTÓRIA . X

EM TERRAS DO SUMBE. Tempo de Macutas

Verdade ficcionada

Por

T´Chingange

Como secretário de fazenda de João de Câmara da Capitania-Geral do Reino de Angola a minha actividade estava a ficar demasiado intensa; o capataz José Nanquituka dava-me grande ajuda mas o tempo a passar fazia dele um já mais-melho pelo que tive de recorrer ao irmão Francisco Kaputo da Silva, um auxiliar missionário a fim de lhe dar ajuda na permuta de produtos trazidos pelos pombeiros; compra, armazenagem e revenda de milho, óleo de palma e mandioca. A pesca, estava a ser um sucesso e a azáfama da venda de fardos de peixe seco para os comerciantes do mato era proveitosa à fazenda pública.

 Os panos de ráfia coloridos eram cada vez mais solicitados pelas gentes vindas do Huambo. As makutas pouco a pouco iam substituindo as permutas, os libongos e os cundis tão do uso das gentes do Kwanza na troca de sal da Quiçama, palma e t´chissângwa. As missangas e conchas tão do uso dos M´bundu eram cada vez mais usadas como adornos pessoais, uma marca de estatuto social. A obra missionária já se fazia sentir na conduta de todo este pessoal que transformava as libatas em taipa com cuidados acrescidos nas n´hakas aonde se ocupava o mulherio ora cantando ora fumando tranças de tabaco com o lume dentro da boca.

 Trazia dentro de mim uma urgência que me queimava como fogo fazendo girar a cabeça de expectativa misteriosa; fumar daquela maneira transtornava o meu entendimento mas, nada dizia nem perguntava. Costumes, são coisa que nem sempre se entendem e aquele, por bizarro não era dos piores. Eu ficava em expectativa vendo as mulheres com seus candengues seguros em libongos atados ao redor da cintura enquanto fumavam e sachavam a terra húmida. Da varanda grande e no topo da colina do Sumbe podia apreciar a vida que se agigantava ao redor do armazém anexo à fazenda de onde vinham cheiros intensos. E, eis que, engalanado com bandeiras, panos e guarda-sóis coloridos, em ambiente de grande excitação e alegria vindo de Quilengues, surge um branco albino que parecia um demónio, cabelos sujos e espetados como capim velho. Vinha buscar barricas de aguardente e rolos de tabaco.

(Ver glossário no final)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:28
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Sexta-feira, 29 de Março de 2013
PIAÇABUÇU . XVII

 {#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO           

“DOS JESUITAS AOS TUBARÕES” .  15

Por

    Roeland Emiel Steylaerts

VIDA DE CHÁCARA

Vivi uma vida gostosa, plena de glamour; era rara a noite que eu ficava sozinho, pois sempre tinha companhia. Quando precisavam de mim em caso de acidentes, estava presente; muita coisa aconteceu numa vida plena, do jeito que eu gostava! Um dia vindo de Brasília rumo á chácara, na pista sem luz e sem movimento, vejo uma mancha grande de óleo; alguma coisa me dizia que havia ali algo errado. Meu filho tinha ido de moto uma hora antes, e eu estava ansioso. Desci do carro com uma lanterna de pilha fraca, daquelas que se tem de ficar batendo para se manter acesa. Vi do lado do asfalto um pacote com carne que alguém tinha deixado cair. Cheguei perto, e virei o pacote, e para meu espanto... aparece uma mão humana com um anel de ouro no dedo. Gelei...sozinho no mato, sem nenhum carro passando. Tratava-se de um tórax humano. Ao longe vi um carro a quem eu fiz sinal para parar. Era um táxi. Pedi para avisar a Policia Rodoviária, pois tinha um tórax humano na pista. O motorista nem desceu do carro e foi embora, pois o Posto da Policia rodoviário estava a poucos quilómetros.

 Por instinto atravessei a pista, com minha lanterna mixuruca, depois de andar uns 20 metros achei uma perna, sem pelo, pois a pele estava esticada que nem num arco. Era de um homem escuro... perna feia e curta; fiz mais uns metros, e outra perna. Chegou outro carro devagar, era a Policia Rodoviária, mas sem ligar a luz vermelha dela, para não avisar. Expliquei o que tinha achado; só faltava a barriga e a cabeça.  A seguir parou um carro, e mais outro. Uma mulher mais valente falou “vamos procurar a cabeça”. Abri a camisa do tórax, quando notei um olho, depois outro... um nariz achatado. A cabeça tinha entrado no tórax. A mulher valentona, parou na hora, vomitou e foi embora. Tudo indicava ser o cadáver de uma pessoa atropelado por um carro de carroçaria baixa, que se pôs em fuga e, provavelmente com a baixa barriga presa no chassis. Deixei meus dados à polícia, e fui para a Churrascaria “Boi na Brasa” comer um bom churrasco, e umas taças de vinho. Bebo toda noite, para poder dormir. Se não for assim, não durmo.

 Chegou o momento de vender a chácara; isto foi logo depois do meu sequestro. Achei finalmente um comprador, um casal de psicólogos, que iria abrir uma clínica de repouso ali. Vendi barato e fui viajar para o Ceará. Um ano depois fiquei sabendo que o homem, se separou da mulher, morrendo em seguida com SIDA; um seu colega estava também, morrendo no hospital. Sua irmã que trabalhava com pedras preciosas na galeria do Venâncio em Brasília, tinha sumido sendo já, considerada assassinada. Seu corpo nunca apareceu. A chácara estava abandonada, e ninguém reclamava de nada... Fui visitar a chácara, que foi toda roubada. Tiraram o forro, os tapetes, torneiras e tudo que dava para tirar. Morava ali um policial que a invadiu, e me mostrava a casa, ou melhor o que sobrou dela. Na casa do caseiro outra invasão, tudo destruído; antena tinha cedida, e estava no chão. A História da chácara acaba aqui...

(Continua...)

Piaçabuçu: Cidade situada na foz do Rio São Francisco - Brasil

Nota: Esta é a estória vulgar de um emigrante Belga fugido da guerra e que se aventurou em terra estranha do outro lado do Oceano. Os tempos mudaram, as agruras são outras mas a vida é assim mesmo, um rodopio de acontecimentos com carrapatos que parecendo nada, mudam o rumo.

Compilado com correcções ortográficas e arranjo ao texto original por

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:06
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Quinta-feira, 28 de Março de 2013
XICULULU . XXXI

   AS ESCOLHAS DO KIMBO                         

A OBSESSÃO PELO MELHORO melhor, ficou demasiado vulgar

Por

 Leila Ferreira é uma jornalista mineira com mestrado em Letras e doutoramento em comunicação em Londres, que optou por viver uma vida simples, em Belo Horizonte

Estamos obcecados; competimos pelo "melhor".

Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor ténis, o melhor vinho. Bom, não basta! O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros p´ra trás e que nos distingue, que nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor". Isso até que outro "melhor" apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter. O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente; um eterno desassossego.

 Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás desse paradigma. Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que me vai matar de stress porque é o melhor cargo da empresa? E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chefe"!

 A cabeleireira do meu bairro, tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro "? Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor, nos deixa ansiosos impedindo-nos de desfrutar o "bom" que já temos. A casa que é pequena, mas nos acolhe. A TV que está velha, mas nunca deu defeito. O homem que tem defeitos, mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos"; ou as mulheres. As férias que não vão ser na Turquia, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo... O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. E, tem como trocarmo-nos? O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer. Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? De virarmos uma carcaça de silicone para parecer. Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?

 Xicululu: - Olharapo,  Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça.

Sofremos demais pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos. Shakespeare

Ilustrações: - Miró

Opção de

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:53
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Quarta-feira, 27 de Março de 2013
N´NHAKA . IV

PITAGORAS DE SIRACUSA - A PAIXÃO DA HIPOTENUSA

    AS ESCOLHAS DO KIMBO     

O TRIÂNGULO AMOROSO

Um Quociente apaixonou-se um dia doidamente por uma Incógnita. Olhou-a com seu olhar inumerável e viu-a, do Ápice à Base... Uma Figura Ímpar; olhos rombóides, boca trapezóide, corpo ortogonal, seios esferóides. Fez da sua uma vida Paralela à dela, até que se encontraram no Infinito. "Quem és tu?" indagou ele com ânsia radical. "Sou a soma do quadrado dos Catetos. Mas podes chamar-me Hipotenusa."
 De fala em fala descobriram que eram o que, em aritmética, corresponde a almas irmãs, primos-entre-si. E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz Numa sexta potenciação traçando, o sabor do momento e da paixão com rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais. Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas e os exegetas do Universo Finito. Romperam convenções newtonianas e pitagóricas e, enfim, resolveram casar-se; constituir um lar. Mais que um lar, uma Perpendicular. Convidaram para padrinhos o Poliedro e a Bissectriz. E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro sonhando com uma felicidade Integral e… Diferencial.

Casaram-se e tiveram uma secante e três cones muito engraçadinhos. E foram felizes até àquele dia em que tudo, afinal, se tornou monotonia. Foi então que surgiu o Máximo Divisor Comum... frequentador de Círculos Concêntricos. Viciosos. Ofereceu a ela, uma Grandeza Absoluta, reduzindo-a a um Denominador Comum. Ele, Quociente, percebeu que com ela não formava mais Um Todo; uma Unidade. Era o Triângulo, chamado de amoroso. E, desse problema ela era a fracção mais ordinária. Foi então, quando Einstein descobriu a Relatividade e tudo que era espúrio passou a ser moralidade como aliás, em qualquer sociedade.

Autor: O Xinguila da Maianga, da Luua

N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios e em zona plana e húmida, horta.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
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Terça-feira, 26 de Março de 2013
KANIMAMBO . XXXII

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 10

 AS ESCOLHAS DO SOBA

A MÍSTICA E O MITO DE PIGMALEÃO

Maxwell Maltz

O mito de Pigmaleão tem a sua origem em uma fábula do poeta romano Ovidio; Na fábula, Pigmaleão é um escultor que se apaixona pela sua própria obra: uma escultura. A deusa Vénus recompensa Pigmaleão dando vida à estátua. O sentimento do artista muda a condição da estátua. O efeito de Pigmaleão, significa, portanto, o resultado de nossas expectativas. O que aqui é dito, significa que ao se desejar profundamente alguma coisa, esse sentimento nos estimulará a buscar todos os meios para concretizá-lo. Há aqui, um mecanismo de suporte a que podemos classificar de místico. A teoria do cirurgião plástico Maxwell Maltz surgiu após observar que levava 21 dias para seus pacientes notarem as mudanças e os benefícios promovidos pela cirurgia, mas que enquanto isso, eles imaginavam os benefícios do tratamento e se sentiam muito mais entusiasmados e optimistas. A correcção de um defeito estético pode afectar o carácter e a personalidade das pessoas.

Mudar a aparência física, muitas vezes, cria uma pessoa completamente nova. O bisturi que mantinha em suas mãos tornou-se uma varinha mágica que não apenas mudava a aparência das pessoas, mas também a sua personalidade. O tímido e introvertido torna-se extrovertido e corajoso. Aquele considerado estúpido e ignorante torna-se brilhante e cortês. Um vendedor que havia perdido a confiança em si, virou modelo de auto-estima. A compreensão da atitude dessas pessoas, está no facto de se ter alterado algo nelas, que antes as fazia sentir inferiores. Mas, paralelamente aos que mudavam sua personalidade há outros que não mudam em nada; mesmo após alterarem sua fisionomia facial por completo, eles mantinham seu comportamento como se nunca tivessem alterado sua aparência. Amigos e familiares mal conheciam o paciente, mostrando-se entusiasmados com o novo visual mas, eles insistiam em que a cirurgia não mudara em nada sua aparência. Seu timo em nada mudava sua alma, sua vida.

  O timo era conhecido pelos gregos antigos, e seu nome vem da palavra grega (thumos), ou seja, o coração, a alma, o desejo de vida, - possivelmente devido à sua localização no peito, perto de onde eles se sentem subjectivamente as emoções , ou, alternativamente, o seu nome vem da erva Thymus ( tomilho ) (grego θυμός ), que se tornou o nome de um "relatório de excreção", possivelmente por causa de sua semelhança com um ramo de tomilho.

 Se o bisturi de Maltz era mágico para uns, porquê não o era para outros? É claro que o paciente raciocina através de uma estranha alquimia mental racionalizando da forma mais coerente com seu perfil psicológico.  A cirurgia plástica só terá um resultado efectivo se, além da mudança física, a pessoa tivesses outra, psicológica. “ Se a imagem desfigurada não é removida da mente das pessoas, elas continuarão agindo como se a cicatriz ou o aspecto indesejável ainda lá estivesse” explicou Maltz. Se, no nosso dia a dia, estivermos às voltas com pensamentos de angústia, ansiedade, preocupações, por exemplo, a tendência é experimentar essas emoções.

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Kanimambo: Obrigado (de Moçambique)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Segunda-feira, 25 de Março de 2013
PUTO . XXXI

PONTO DE VISTAna “quentura do círculo"

O ESTUPOR NO PELOURINHO

Por

  Alice Brito - Licenciada em Direito, exerce advocacia, colaborando também em diversos periódicos da região de Setúbal.

Havia dantes no coração das vilas umas colunas de pedra que tinham o nome de pelourinhos. Aí eram expostos os sentenciados que a seguir eram punidos com vergastadas proporcionais à gravidade do seu crime. Era aí que eu te punha, meu glutão. Terias, pois, de suportar o olhar daqueles a quem prometeste o paraíso a prestações e a quem depois serviste o inferno a pronto pagamento. Daqueles que hoje vivem na rua. Dizes com a maior lata que vivemos acima das nossas possibilidades. Mas não falas dos juros que cobraste. Exibia-te para que fosses visto pelas pessoas que ficaram sem casa e a entregaram ao teu banco. Terias de suportar o seu olhar, sendo que o chicote dos olhos é bem mais possante que a vergasta.
O ESTUPOR NO PELOURINHO POR ALICE BRITO - ADVOGADA, ESCRITORAHavia dantes no coração das vilas umas colunas de pedra que tinham o nome de pelourinhos. Aí eram expostos os sentenciados que a seguir eram punidos com vergastadas proporcionais à gravidade do seu crime. Era aí que eu te punha, meu glutão. Terias, pois, de suportar o olhar daqueles a quem prometeste o paraíso a prestações e a quem depois serviste o inferno a pronto pagamento. Daqueles que hoje vivem na rua. Dizes com a maior lata que vivemos acima das nossas possibilidades. Mas não falas dos juros que cobraste. Exibia-te para que fosses visto pelas pessoas que ficaram sem casa e a entregaram ao teu banco. Terias de suportar o seu olhar, sendo que o chicote dos olhos é bem mais possante que a vergasta.:::::::Olha, meu estupor, sabes o que acontece às casas que as pessoas te entregam? Sabes, pois? São vendidas por tuta-e-meia, o que quer dizer que na maior parte dos casos, o pessoal apesar de te ter dado a casa fica também com a dívida. Os teus lucros vêm de crimes sucessivos: Furtos, Roubos, Gamanços, Comissões de manutenção, Juros moratórios, Juros compensatórios, arredondamentos, spreads e mais juros de todas as cores. Os juros aumentavam ou diminuíam conforme era decidido por criaturas que a gente nem conhece. Os bancos eram só facilidades. Concediam empréstimos a toda a gente. Um carnaval completo, obsessivo, até davam prendas, pagavam viagens, ofereciam móveis. Sabiam bem o que faziam.:::::::Vens de uma família que se manteve gloriosamente ricalhaça à custa de alianças com outros da mesma laia. Viveram sempre patrocinados pelo estado, fosse ele ditadura ou democracia. O estado, aquela coisa que tu dizes que não deve intervir na economia, têm-vos dado a mão todos os dias façam vocês o que fizerem. Discursas sem pejo sobre a crise de que a cambada a que pertences é a principal responsável. Agora… vens agora com aquela dos sem-abrigo. Também houve sobreviventes em Auschwitz, meu nazi. É isso que tu queres? Transformar este país num gigantesco campo de concentração? Dizes isto no dia em que anuncias 249 milhões de lucros para o teu banco. Por tudo isto, te punha no pelourinho. Só para seres visto pelos milhares que ficaram sem casa. Só um caldo de vez em quando. És hoje um dos czares da finança. Vives na maior, cercado pelos sebosos Rasputines governamentais. Olha, meu estupor, sabes o que acontece às casas que as pessoas te entregam? Sabes, pois? São vendidas por tuta-e-meia, o que quer dizer que na maior parte dos casos, o pessoal apesar de te ter dado a casa fica também com a dívida. Os teus lucros vêm de crimes sucessivos: Furtos, Roubos, Gamanços, Comissões de manutenção, Juros moratórios, Juros compensatórios, arredondamentos, spreads e mais juros de todas as cores. Os juros aumentavam ou diminuíam conforme era decidido por criaturas que a gente nem conhece. Os bancos eram só facilidades. Concediam empréstimos a toda a gente. Um carnaval completo, obsessivo, até davam prendas, pagavam viagens, ofereciam móveis. Sabiam bem o que faziam.

    Vens de uma família que se manteve gloriosamente ricalhaça à custa de alianças com outros da mesma laia. Viveram sempre patrocinados pelo estado, fosse ele ditadura ou democracia. O estado, aquela coisa que tu dizes que não deve intervir na economia, têm-vos dado a mão todos os dias façam vocês o que fizerem. Discursas sem pejo sobre a crise de que a cambada a que pertences é a principal responsável. Agora… vens agora com aquela dos sem-abrigo. Também houve sobreviventes em Auschwitz, meu nazi. É isso que tu queres? Transformar este país num gigantesco campo de concentração? Dizes isto no dia em que anuncias 249 milhões de lucros para o teu banco. Por tudo isto, te punha no pelourinho. Só para seres visto pelos milhares que ficaram sem casa. Só um caldo de vez em quando. És hoje um dos czares da finança. Vives na maior, cercado pelos sebosos Rasputines governamentais.

 As escolhas de

Soba T´chingange



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Sábado, 23 de Março de 2013
MULUNGU . XXXVI

OS MONSTROS DE PORTUGAL !

   AS ESCOLHAS DO KIMBO

Por

 Joaquim Letria

SE PASSOS COELHO FOSSE HONESTO!

A REDUÇÃO das reformas e pensões são as piores, mais cruéis, e moralmente mais criminosas, das medidas de austeridade a que, sem culpa nem julgamento, fomos condenados pelo directório tecnocrático que governa o protectorado a que os nossos políticos reduziram Portugal. Para os reformados e pensionistas, o ano de 2013 vai ser ainda pior do que este 2012. Os cortes vão manter-se ou crescer e, com o brutal aumento de impostos, a subida dos preços dos combustíveis, do gás e da electricidade, e o encarecimento de muitos bens essenciais, o rendimento disponível dos idosos será ainda menor.
:::::::

Os aposentados são indefesos. Com a existência organizada em função dum determinado rendimento, para o qual se prepararam toda a vida, entregando ao Estado o estipulado para este fazer render e pagar-lhes agora o respectivo retorno, os reformados não têm defesa. São agora espoliados e, não tendo condições para procurar outras fontes de rendimento, apenas lhes resta, face à nova realidade que lhes criaram, não honrar os seus compromissos, passar frio, fome e acumular dívidas.
 No resto da Europa, os velhos viram as suas reformas não serem atingidas e, em alguns casos, como sucedeu, por exemplo, em Espanha, serem até ligeiramente aumentadas. Portugal não é país para velhos. Os políticos devem pensar que os nossos velhos já estão mortos e que, no fim de contas, estamos todos mal enterrados... Sigam a lista dos nove SEs:

1 -Se Passos Coelho começasse por congelar as contas dos bandidos do seu partido que afundaram o país, era hoje um primeiro-ministro que veio para ficar.

2 -Se Passos Coelho congelasse as contas dos offshore de Sócrates que apenas se conhecem 380 milhões de euros (falta o resto) era hoje considerado um homem de bem.

3 -Se Passos Coelho tivesse despedido no primeiro dia da descoberta das falsas habilitações o seu amigo Relvas, era hoje um homem respeitado.

4 -Se Passos Coelho começasse por tributar os grandes rendimentos dos tubarões, em vez de começar pela classe média baixa, hoje toda a gente lhe fazia uma vénia ao passar.

5 -Se Passos Coelho cumprisse o que prometeu, ou pelo menos tivesse explicado aos portugueses porque não o fez, era hoje um Homem com H grande.

6 -Se Passos Coelho, tirasse os subsídios aos políticos quando os roubou aos reformados, era hoje um homem de bem.

7 -Se Passos Coelho tivesse avançado com o processo de Camarate, era hoje um verdadeiro Patriota.
8 -Se Passos coelho reduzisse para valores decimais as fundações e os observatórios, era hoje um homem de palavra.

9 -Se Passos Coelho avançasse com uma Lei anti-corrupção de verdade doa a quem doer, com os tribunais a trabalharem nela dia e noite, era já hoje venerado como um Santo.

 Mulungu: É uma arvore de grande porte com flores vermelhas,;existem no Brasil e em Angola

O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 22 de Março de 2013
KANIMAMBO . XXXI

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 9

 AS ESCOLHAS DO SOBA

Geralmente, os problemas da nossa vida, surgem quando assumimos compromissos, quando definimos metas e objectivos. Porque existem obstáculos, é o motivo maior que nos leva a estabelecer uma meta ou compromisso, situações que dificultam o caminho entre o ponto de partida e onde queremos chegar e, é impossível agir onde você não está. Não há como proceder onde você esteve e não há como agir onde estará. Todos nós, só podemos agir onde estamos. O ser humano possui uma medida limite de capacidade para compreender, avaliar e processar informações sobre um tema específico, num determinado momento.

 Os seres humanos são sistemas energéticos complexos. A energia que pulsa em nós possui quatro dimensões: física, mental, emocional e espiritual. Todas são de fundamental importância. Muitas pessoas trabalham muito, estabelecem metas, criam estratégias, alcançam objectivos espectaculares, mas não encontram sentido para a vida; não conseguem encontrar o verdadeiro propósito naquilo que fazem. Se você está vivendo sua vida, cada momento deve ter sentido; esse sentido é encontrar uma razão para estar aqui.

 Quando não temos certeza dos nossos valores, quando somos incapazes de reconhecer a humanidade que existe por detrás das nossas conquistas, tornamo-nos em autónomos desligados do mundo; aqui, o sucesso perde sentido. Estabelecer um propósito na nossa necessidade espiritual, é a única coisa capaz de dar um verdadeiro sentido à nossa conquista. Faz falta ter fé de que há uma razão maior pela qual estamos aqui. As pessoas perderam um pouco a realidade do que significa ser feliz. Nós, sentir-nos-emos melhor se tivermos um propósito para guiar nossas decisões. Às vezes somos surpreendidos por não saber o motivo exacto pelo qual tomamos decisões. Se, se entender o motivo pela qual você esta tomando uma decisão, você se sentirá mais seguro. Nosso carácter só se expandirá, se ele, carácter, for desafiado.

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Kanimambo: Obrigado (Moçambique)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Quinta-feira, 21 de Março de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXIX

" TEMPOS DE DIPANDA  - Verdade ficcionada

Por

   T´Chingange

 Oshakati, ficava na direcção contrária à faixa de Caprivi, uma faixa de linha recta saída do Divundo junto ao rio Cubango até o rio Zambeze com cerca de 405 km de comprimento e 30 km de largura. Tem a forma de frigideira e fica situada no nordeste da Namíbia formando as duas regiões namíbianas denominadas de Kavango e Caprivi.  Tinha indicações que havia um tal senhor Rocha que fugido do Sul de Angola ali se estabeleceu com um restaurante e uma fiada de casas térreas que eram alugadas a baixo custo a refugiados; foi para ali que me dirigi e aonde me refastelei com uma caldeirada de cabrito. Rocha era ainda um rapaz novo; sentou-se em minha mesa e conversamos um longo tempo, fruto da minha insistência na recolha de informações. Rocha falou abertamente do sonho em se fazer rico, construir um hotel em condições e negociar com diamantes quando lhe fosse possível. Aconselhou-me a ficar num dos quartos de Bicho da Ponte do Charuto logo no fundo da rua, pois que ele estava com os alojamentos repletos de gente saída de Angola.

 Em África parece tudo ser perto pois que tudo se sabe; carências de notícias levam à união e a fraternidade dando a isto uma característica única no mundo; Em nenhum lado do grande globo se encontra esta postura e este facto é a razão porque ninguém se esquece dessa vida, daqueles aromas, do som do mato, do chorar da hiena, o uivar do mabeco e até o cacarejar das capotas com o “tou-fraca, tou-fraca…” mais o por do sol atrás duns chinguiços, cassoneiras ressequidas e mato estéril. Rocha estava a par da odisseia de João Miranda do Mukwé e acabei por ouvir um pouco mais da sua fuga: Quando Miranda chegou ao Mucusso e passou a fronteira para o Sudoeste Africano, as autoridades sul-africanas aturam com rapidez. O comando Sul Africano do Rundu, enviou prontamente tropas para receber a família no Calai.

 A família Miranda estava salva. O comandante da polícia local, o inspector Erasmos, instalou os Miranda numa “guest house” do Governo. Nessa mesma tarde apareceu o general Loots, reformado, combatente da II Guerra Mundial, acompanhado por um oficial português, madeirense, o tenente Silva. João Miranda foi entrevistado e no final informaram-no de que receberia no fim do mês um ordenado, relativo ao primeiro dia em que fugira de Angola. A família foi depois transferida para Grootfontein, já no interior norte da colónia, para maior protecção. - Julgo que é ali que eles estão agora! Afirmou Rocha. Com esta informação a minha odisseia teria outro rumo; Teria toda a noite para pensar como prosseguir no dia a seguir; agora iria à procura do senhor Bicho para me instalar.  

(Continua…)

Glossário: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

O Soba  T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:03
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Quarta-feira, 20 de Março de 2013
N´NHAKA . III

COMO SOBREVIVER A UM ATAQUE CARDÍACO QUANDO SOZINHO

    AS ESCOLHAS DO KIMBO

Como muitas pessoas estão sozinhas quando sofrem um ataque cardíaco, sem ajuda, a pessoa cujo coração está batendo indevidamente e que começa a se sentir fraco, tem apenas cerca de 10 segundos antes de perder a consciência. No entanto, essas vítimas podem ajudar a si mesmos tossindo repetidamente e vigorosamente. Uma respiração profunda deve ser efectuada antes de cada tosse, e a tosse deve ser profunda e vigorosa, prolongada como se produzida no interior do tórax.

 O sangue não oxigenado flui através do coração em uma direção, que entra através da veia cava superior na aurícula direita e é bombeado através da valva tricúspide no ventrículo direito antes de ser bombeado através do válvula pulmonar para as artérias pulmonares para o pulmões. Ele retorna dos pulmões através das veias pulmonares para a aurícula esquerda onde é bombeado através da válvula mitral no ventrículo esquerdo antes de sair através da válvula aórtica para o aorta.

 A respiração e a tosse devem ser repetidas a cada dois segundos, sem parar, até que a ajuda chegue, ou até que sinta que o coração está batendo normalmente. Respirações profundas obtém oxigénio para os pulmões e os movimentos de tosse pressionam o coração e mantém o sangue circulante. A pressão de compressão sobre o coração também ajuda a recuperar o ritmo normal. Desta forma, vítimas de ataque cardíaco podem chegar a um hospital. Diga a muitas outras pessoas sobre isso. Isso pode salvar suas vidas!

* N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios e em zona plana e húmida, horta.   

Gentileza de Elvira Monteiro Gaspar – Investigadora na Universidade Nova de Lisboa 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:49
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Segunda-feira, 18 de Março de 2013
KANIMAMBO . XXX

“O ESPÍRITO DA COISA” Talento . 8

AS ESCOLHAS DO SOBA

Tentamos controlar os eventos da nossa vida, mas nem sempre somos capazes de os controlar; perante isso, limitamos nossas vidas a circunstâncias menores, sobre as quais temos algum controle. Está claro que este procedimento limita o desenvolvimento de nosso potencial e nos impede de explorar nossos talentos. Nosso potencial é posto à prova quando fica exposto em ambientes onde não sabemos o que fazer, onde não existem somente certezas; precisamos expor-nos. Estes momentos podem encher-nos de desespero e angústia se nossa relação com o tempo for equivocada. Não podemos fazer nada do passado porque passou e, não podemos agir no futuro porque ainda não chegou. Nem tampouco podemos saber como agir o futuro porque não conhecemos as contingências que o envolverão. Resta-nos o agora.

  É em ambientes repletos de desafios que mais crescemos, que descobrimos nosso verdadeiro propósito e que moldamos nosso carácter. Quando estamos livres do medo, da angústia, da insegurança, o caminho estará aberto para tudo o que buscamos. Nunca obterá êxito no presente, se ficar remoendo o passado ou construindo castelos de areia no futuro. Este propósito alcança-se com acções práticas no momento presente. As oportunidades da vida têem de ser aproveitadas no agora.

 

    Podemosvaliar possíveis circunstâncias mas não podemos prever os resultados, nem mesmo os factos mais triviais do amanhã. As contingências raramente dependem de nós; o que podemos fazer, é dar o melhor de nós em cada instante e, paulatinamente fazer de cada acto isolado um sucesso pontual. Para facilitar o processo das infinitas escolhas do dia a dia, processamos definir alguns padrões irrevogáveis, esses itens, devem ser nossos valores, tais como honestidade, integridade e simplicidade.

Referência Bibliográfica: O Óbvio que ignoramos de Jacob Pétry

Kanimambo: Obrigado (Moçambique)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:29
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Domingo, 17 de Março de 2013
MULUNGU . XXXV

RELEMBRAR LUUANDA! - NO INCHAÇO DO TEMPO

Por

T´CHINGANGE

 Que saudades dos meus tempos de candengue! Da malta com quem ia ao Cine-Colonial ver o Zorba, as cowboyadas do John Wine, das beatas pelo ar e dos avisos aos heróis de cena, cuidados e “olha na tua trás” da plateia cheia de grunhos, mazombos e alguns gwetas como eu. Que saudades das sandes de peixe frito do velho Campino, e daquele seu "boteco" defronte da Farmácia São Paulo! Do Sr. Brito que tratava da "flor do Congo"! Que saudades dos doces da paracuca, pirolitos, kicuerra e kafufutila! Saudade das palavras que o tempo escondeu por dentro do tempo que nos faz bassula e, certas palavras do tempo que se esquindivam no catravés da idade que num para.

 Lembranças do baleizão, das sandes de presunto e cachorro quente e daqueles finos de cerveja Cuca, tiradas à maneira, pelo Tarik? Das garinas conquistadas nos muitos bairros aonde exibíamos a nossa banga ninita como da Maianga, Vila Alice, Praia do Bispo, Vila Clotilde, Do Rangel, Samba, Sambizanga, Marçal, Catambor. Da banga fecúla que dispensávamos às m´boas do Bairro da Terra Nova, da Caoope, do Bairro do Café, Maculussu, Ingombotas e lá longe no Cassequele. Das farras do Braguês e na cultura do cinema no Kipaka, Kilunda, Restauração do Chà-das-seis do Montez e as baronas do Bê-Ó; da Maria das pressas e da Calhoça. Desportivo de São Paulo! Aiué Copacabana! Aiué o Rex! Aiué Liceu Salvador Correia! E, a EIL na Vila Alice. Do maximbombo nº 3 da Maianga, Malhoas e Rio-seco. Das idas à barra do Kwanza, das bissapas no Morro da Luua, Mabubas, Mulemba, Kacuaco, Porto Kipiri e Kifangondo dos cacussus, das bialas de zuza no lifune e dos maboques na estrada de Catete tão cheio de chinguiços, Viana, Calomboloka, Kassoneca e a Muxima no Kwanza.

 Aiué Catonho-Tonho! Aiué Gajajeira! Aiué Lusolanda, Robert-Hudson, Casa Americana, Biker, Quintas e Irmão, Armazéns do Minho e do Bungo, Maria Armanda e Lello. São essas recordações, que nos fazem lagrimar na saudade! A fragrância da Catinga, do Mufete, da garoupa, peixes galo, pungo, corvina, prata e caxuxo. Do cacussu assado com feijão de óleo de palma, com o pirão ou funge com o caldo do cozido. Saudades do bangasumo do kimbombo do marufo da cassoneira, da t´chissângwa e a bolunga de milho. Dos piqueniques no Mussulo e, seus barcos kapossoka e kitoco a acalmar as agruras dum fim-de-semana; acalmia, sossego e paz no encanto da embriaguez de um outro mundo na voz do tempo! Na voz daqueles que já partiram! Aiué Minguito com a sua concertina, e da Velha cega Guinhas que relançam um tempo de cazumbi perturbando o íntimo no limiar do nada, o vazio dum oculto fogo. A estória começa assim: Era uma vez, uma Luua!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:41
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Sábado, 16 de Março de 2013
N´NHAKA . II

FEROMONAS - Suor, catinga e outros odores

  AS ESCOLHAS DO KIMBO

Química dos aromas: Os compostos químicos designados por ésteres, os mais simples, têm odores/aromas agradáveis. Muitas dos aromas e compostos envolvidos no sabor das flores e frutos são desta família química. Apesar do seu odor agradável, os ésteres raramente são utilizados em perfumes e/ou loções que se possam aplicar directamente no corpo, sendo apenas utilizados em colónias baratas. A razão é química, uma vez que os ésteres, em contacto com o suor, sofrem uma reacção química, hidrólise, originando ácidos gordos, os quais têm odores muito desagradáveis.

 O ácido butírico, por exemplo, é o responsável pelo odor da manteiga rançosa e pelo cheiro a “chulé”, sendo um dos compostos do suor e o principal responsável pelo “cheiro a humano". É este composto que torna os humanos tão facilmente detectáveis ao olfacto dos animais, particularmente, dos cães.

 Outros ésteres com odores frutados podem atrair moscas ou outros insectos. O acetato de isoamilo, também chamado óleo de banana, é particularmente interessante pois é idêntico à feromona da abelha doméstica. Quando uma abelha ataca um intruso, no processo de libertação do veneno do ferrão liberta também a sua feromona, como alarme. Este composto químico vai desencadear o ataque, agressivo, de outras abelhas ao intruso, “marcado” quimicamente. Assim sendo, obviamente, não é aconselhável usar um perfume contendo aroma de banana perto de uma colmeia... Virá, eventualmente, daqui a expressão: "Está bem, abelha?!"

* N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios e em zona plana e húmida, horta.   

Gentileza de Elvira Monteiro Gaspar – Investigadora na Universidade Nova de Lisboa 

O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 15 de Março de 2013
MUJIMBO . XXX

  AS ESCOLHAS KIMBO

ANGOLA - Luanda é um luxo para poucos

Opção de

Carlos Ferreira Carlos Ferreira (Embaixador Itinerante do Kimbo - Puto).

Sobre o Autor

 Bruno Garschagen - Jornalista brasileiro e mestrando em Ciência Política e Relações Internacionais no IEP/UC

 A revista "Foreign Policy" saudava Angola por seu "espectacular crescimento económico". Estive em Luanda no final da semana passada e o que vi foi um estado policial e muita miséria. Você reconhece essa nação? O título da publicidade em formato de reportagem que a revista "Foreign Policy" publicou em sua edição de Maio/Junho saudava Angola por seu "espectacular crescimento económico". Por sua segurança e estabilidade política. Por seu poder regional para promover a paz. Quem pode duvidar de um país turbinado pela indústria petrolífera? Estive em Luanda no fim da semana passada para uma série de encontros pelo OrdemLivre.org, o programa lusófono da Atlas Economic Research Foundation em parceria com o Cato Institute. É a cidade mais cara em que já pus meus pés. Não há calçadas para pôr os pés. Não há espaços nas ruas para tantos carros. Os veículos novos e importados fintam o tráfego intenso e a miséria que bate nos vidros em busca de clientes para produtos chineses de marcas famosas. Ou de uma mera esmola que engane a fome. Luanda parece recém-saída de um terramoto. Construções decadentes são a moldura trágica para os poucos prédios novos e para as construções em curso. O lixo espalha-se no chão como folhas da relva. A cidade cheira mal. O transporte público é precário. Autocarro é um luxo reduzido e irregular. Não há táxi. Quem tem dinheiro aluga um carro com motorista. Quem não tem, anda espremido em carrinhas lotadas. ou a pé. Foi o que fiz!

 Os pobres de Luanda vagam pelas esquinas. Grupos de homens concentram-se em vários pontos da capital. Os trabalhos disponíveis exigem qualificação! Muitos deles nem sequer sabem ler ou escrever. A taxa de iliteracia é de 32,6%, segundo o CIA World Factbook. Luanda é um estado policial. É mais simples obter um visto de entrada para a China comunista. Quase mediram meu crânio e contaram meus dentes. No aeroporto, os sempre gentis funcionários da imigração olham com aquele semblante de vampiro esfomeado. No hotel, um formulário do governo solicita-me informações pessoais e objectivo da visita. Um gesto de boas-vindas um tanto excêntrico. A despedida? Guardas no aeroporto confiscaram todas as notas da moeda local. Não, não deram factura. Estabilidade política? Como não? O presidente José Eduardo dos Santos está no poder desde 1979. Não vejo outra forma de garantir a estabilidade do que se manter no poder durante 30 anos. E daí? Vendo fotos de Luanda na década de 1970 e lembrando o que vi pessoalmente há alguns dias é impossível não pensar nas virtudes da estabilidade adquirida naquele país por aquela elite política. Parte do país vai muito bem, obrigado. Mora em condomínios fechados afastados da miséria do centro. São os beneficiários do "espectacular crescimento económico" que perverte a ideia de um desenvolvimento cuja riqueza permite que grande parte da população saia da miséria.

 O estado angolano exerce o monopólio da actividade económica e decide quem poderá desfrutar das benesses do sector petrolífero. O mercado, lá, não existe. Na lista de 141 países do Índice de Liberdade Económica do Fraser Institute, Angola aparece na penúltima posição. Notável. As riquezas naturais de um país sob um governo autocrático funcionam como um muro perverso entre o Estado e a sociedade. Se o orçamento do governo não advém da riqueza produzida pela sociedade, a população perde o poder de pressão sobre a elite política. É convertida num estorvo que deve ser controlado. A população ainda carrega no espírito e no corpo a desolação da guerra civil, encerrada há apenas oito anos. A riqueza exibida pelos poucos é um apelo muito forte entre os jovens desafortunados. É natural que prefiram integrar a elite a lutar por mudanças políticas que beneficiem os indivíduos e não apenas um grupo protegido pelo Estado. Mas há uma minoria que nos permite alimentar a esperança, mesmo que a longo prazo, de reforma do status quo. São estudantes, professores, jornalistas, advogados, intelectuais, que trabalham de forma isolada ou articulada para "desprivatizar" o governo angolano. São indivíduos que, no futuro, poderão repetir a mesma pergunta sem qualquer ponta de ironia: "Você reconhece essa nação?"

MUJIMBO: Boato em Kimbundo; Anda de boca em boca; comenta-se em surdina.

Subscreve

O Soba T´Chingange



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Quinta-feira, 14 de Março de 2013
PARACUCA . III

O MEU CÃO É INTELECTUAL! - Inventações do Soba

Por

 T´CHINGANGE

 Deitado em minha rede na varanda ventosa do encontro do mar, ao ler “Vinhas da Ira” de… John Steinbec em voz alta, (às vezes tenho de ler em voz alta para me concentrar), reparo que meu cão Raíy, um misto de dobermann com rafeiro, chorava copiosamente. Fiquei estupefeito por tal facto e, chamando por ele afaguei-lhe a cabeça; fica tranquila Raíy que estas agruras são só coisas de gente. Tu só tens de esperar tua ração depois do passeio lá pelas cinco da tarde. Não continuei a ler por via da tristeza do cachorro e também do meu frágil compartilhar com este estado de crise; sempre o puto!... Já não chegava carregar permanentemente com um embondeiro às costas desde que saí de Angola. Claro que fiquei matutando neste irregular comportamento. Acabei por levantar-me confuso, circundar o casarão a dissipar o mudo e tristonho estado de espírito, observar os gansos perseguindo o galo granize e a pedrês que ciscava o chão húmido bem por debaixo do sape-sape / graviola enquanto formulava o informulável: - como é possível este cão ficar sensível às misérias humanas?

 Pelas cinco e quinze minutos da tarde, com o sol esfriando na lonjura da serra do mar, saio com Raíy dobermann e o ainda jovem mestiço de lavrador a dar a volta pelo mato do pequeno pantanal.  Sentado bem lá no alto da duna de areia branca observava a lua cheia grande e amarela que começava a sair do horizonte norte, e bem por detrás da selva de coqueiros. Em voz alta pedia ao meu anjo Akasha Kundalini que ajudasse minha família espalhada pela diáspora e eis que Raíy postou-se a meu lado e de focinho ao lado parecia absorver tudo o que eu falava; com a pata fazia arranhadas festas á perna por alturas do joelho desnudo; parecia querer contentar-me e, de rabo a dar a dar tentava dizer-me que tudo isso iria passar; tem calma dizia ele com um surdo rosnado. Ambos fitávamos aquela lua cheia, amarela e grande que subia lentamente às alturas.

 No dia seguinte, depois de almoço, tomei o habitual café e enquanto balouçava naquela rede, lia em voz alta um novo livro: o Óbvio que Ignoramos, e lia: “ Se as convicções que temos sobre nós mesmos são inapropriadas, não importa o esforço, a disciplina e outras virtudes, nossos resultados nunca irão além dessas convicções”. Foi aqui que Raíy, começou a ladrar-me de forma inusitada, como a dizer-me: É isso, meu! Toca p´ra frente! De novo fiquei confuso com este comportamento ao qual lhe perguntei: - Mas tu entendes isto? Sem esperar a resposta, tendo algo mais que fazer, fui tratar disso pelo que deixei o livro em cima da mesa de jaqueira e, por ali permaneceu esquecido. Qual foi o meu espanto no outro dia, vejo algo no chão da varanda e aproximando-me desesperei-me: o livro estava parcialmente destroçado; Raíy, literalmente, parecia ter ganas de comer o livro. Não sei se por raiva do que li de desespero, se no intuito de adquirir os conhecimentos em forma de letras comíveis. Como vêem, o meu cão não é analfabeto; é mesmo um intelectual. Ele não lê, come livros! A não ser que lá na outra encarnação tenha sido um inimigo de Jacob Pétry, o autor do Óbvio de ascendência judia. Continuo a ler o livro com a capa e algumas folhas coladas. É em verdade o livro múmia.

Paracuca: - jinguba mal pisada  com açúcar na forma de bolacha

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:37
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