Sábado, 5 de Agosto de 2017
MOAMBA . XI

MOAMBA . XIV

A NUDEZ DA VIDA – 05.08.2017 -Temos de ginasticar a mente! Terei de continuar espiralado para dentro até minimamente entender o que será o colapso do átomo…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

De acordo com a teoria da relatividade, se a luz não consegue ir de uma região a outra, nenhuma outra informação o consegue. O mais lógico e possível é dizer que Deus escolheu a configuração inicial do Universo por motivos muito para além da nossa compreensão. Isso sem dúvida estaria ao alcance de um ser omnipotente, mas, se Ele começou o Universo de maneira tão incompreensível, por que optou então por deixar que evoluísse segundo leis que pudéssemos entender?

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Tendo o hidrogénio um único electrão orbitando o núcleo, afirma-se pelos cientistas recentes, que pode agora ser vista como uma onda com um comprimento dependente da sua velocidade. Fiquei sabendo que as somas de histórias podem ser visualizadas na dualidade, onda e partícula. Mesmo que queira escalpelizar esta forma de atracção gravitacional do Sol, não o poderei fazer sem estudar a atracção entre electricidade positiva e a negativa que mantém os electrões.

funa3.jpg Há no entanto questões ainda sem resposta, sendo a mais fundamental delas explicar como a relatividade geral pode ser conciliada com as leis da física quântica para produzir uma teoria completa e auto-consistente da gravitação. A generalização tem implicações profundas no nosso conhecimento do espaço-tempo, levando, entre outras conclusões, a de que a matéria (energia) curva o espaço e o tempo à sua volta. Isto é, a gravitação é um efeito da geometria do espaço-tempo.

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Supõe-se que as histórias seguem seu trajecto de A para B associadas a dois números em que um representa o tamanho da onda e o outro a posição do ciclo. Bom! Esta do ciclo tem como uma onda, a sua crista e o seu vale, tal como uma sinusóide. Num vasto ciclo de ondas num mar, o surfista sempre aguarda a sua onda, a tal! Um surfista muito cheio de sorte joga com as probabilidades de ter uma onda considerável, dispensando muitas outras que não dão as condições optimizadas à sua prancha, sua partícula.

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A probabilidade será assim como uma prancha partícula a ir de A para B obtendo no conjunto a soma de ondas para todas as trajectórias. E, há variações enormes, umas ondas são grandes e outras quase rasas, que associadas se anularão uma às outras de maneira quase exacta. Formular isto em equação matemática concreta, torna até aparentemente simples calcular as órbitas permitidas em átomos e moléculas, com átomos unidos por electrões que orbitam mais de um núcleo.

MAGA11.jpg Voltamos assim ao “princípio da incerteza” tendo a estrutura das moléculas e suas recções entre si, formar a base da química e biologia, em princípio a mecânica quântica que nos permite prever quase tudo o que vemos à nossa volta. Para conceber isto, seremos obrigados a interpretar as antigas pinturas em que os Santos ou gente santificada tinham um halo de luz envolvendo suas cabeças; explicação grosseira mas plausível de entender.

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Se considerarmos isto dito dentro dos limites estabelecidos pelo “princípio da incerteza”, teremos antes de entender um outro princípio chamado designado de “antrópico” que credita o lema de vermos o Universo da maneira de como ele é, porque se ele fosse diferente, não estaríamos aqui para observá-lo.  Bom! Entretanto os teoremas da “singularidade” indicam que o campo gravitacional ficará muito forte em pelo menos duas situações: - São elas “os buracos negros” e o “Big Bang”!

DIA76.jpg Poderemos prever a derrocada da relatividade clássica quando os átomos alcançarem uma densidade infinita. Juntando nosso entendimento às demais forças da natureza, ainda serão necessários fundir-se muitos fusíveis do cérebro e cerebelo com seus neurónios e, muitas gerações a se arrumarem na relatividade geral e na mecânica quântica. Teremos forçosamente de ginasticar a mente. Podemos dizer que é esta “Uma breve história do tempo” de Stephen William Hawking.

FILOSOFO1.jpg William Hawking, é um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da actualidade. Doutor em cosmologia foi professor de matemática na Universidade de Cambridge. Em 1964 foi-lhe diagnosticado ter esclerose lateral amiotrófica mais conhecida por doença de Lou Gehrig ou doença do neurónio motor. Vulgarmente diz-se que isto ou aquilo em comparação com algo é relativo; Ele o físico, é em seu próprio ser, como figura, bem a prova disto.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:48
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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2017
XICULULU . XCVI

TEMPOS DORMIDOS : 29.07.2017 - No estágio imaturo do raciocínio considerando que o Universo tenha tido um início, teremos de supor que houve um criador. E, tudo começou com os Estromatólitos …

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

sudwala3.jpg Neste dia visitei Sudwala Caves a escassos quilómetros de Nelspruit de Mpumalanga na África do Sul e, pude apreciar no tecto da mesma, um conjunto de pedras que como lapas estavam pegadas ao tecto de uma das várias salas, já bem no fim da galeria principal. Ali, a água escorria pela rocha formando uma estalactite esbranquiçada com a forma de madona. Os ancestrais moradores daquela gruta transmitiram a crença aos vindouros de que quem a bebesse viveria ao dobro.  Molhei a mão e notei que saia bem fria.

sudwana1.jpg Foi dito que aquelas rochas eram compostas de magnésio, cálcio e manganésio entre outros em menor percentagem. As cavernas de Sudwala são formadas de rochas da dolomite pré-câmbrica, estabelecida há cerca de 3800 milhões de anos, quando a África ainda era parte de Gondwana. As próprias cavernas formaram-se acerca de 240 milhões. Há várias estruturas de espeleologia na caverna, conhecidas por nomes como o "Lowveld Rocket", "Samson's Pillar" e o "Screaming Monster".

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Também existem fósseis microbianos de uma cianobactéria conhecida como colenia da rocha; estes se formaram há 2000 milhões de anos, os chamados Estromatólitos. As cavernas foram usadas para abrigo em tempos pré-históricos, provavelmente e, devido em parte a um suprimento constante de ar fresco.

sudwala1.jpg Estromatólito é em verdade uma rocha fóssil formada por actividades de microrganismos em ambientes aquáticos que, normalmente se acumulam no fundo de mares rasos, formando uma espécie de recife. Aqui encontram-se situadas no tecto. Porém, a definição exacta de estromatólito ainda é discutida podendo, por exemplo, excluir estruturas como oncólitos e trombólitos da lista dos estromatólitos.

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Por serem fósseis tão antigos, pensa-se que sejam testemunha dos primeiros organismos a realizar a fotossíntese oxigênica, responsáveis pelo gás oxigénio que surgiu no planeta há cerca de 3,5 bilhões de anos. Compõem-se também de carbonatos calcita e dolomita. São formados a partir de uma sucessão de estágios, partindo de esteira microbiana, estromatólito estratiforme, para finalmente se consolidarem em uma rocha.

roxo150.jpg Os paleontólogos sugerem uma classificação quanto à morfologia, já que esses fósseis são colónias de microorganismos e não "fósseis individuais", propondo classificação em categorias que não seguem a nomenclatura biológica. Mas, há outros especialistas que apenas referem as microestruturas, isto é, só levam em consideração o género e a espécie de seus microorganismos.

sudwala2.jpg Estromatólitos encontrados na Groenlândia, num depósito de rochas sedimentares abaixo da camada de gelo, foram datados como de 3,7 Ga atrás, constituindo a mais antiga evidência actualmente. O mais curioso é saber-se que esta descoberta apoia a busca por existência de vida pretérita em Marte, pois nesta época Marte contava com água líquida em sua superfície e estava em condições similares às da Terra, sob um sol 30% menos brilhante que hoje.

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Além disso, suas estruturas fornecem dados astronómicos e geofísicos quanto ao ambiente do passado. São por assim dizer uma sopa de células - A origem da Vida. Um filamento microbiano que engloba um vasto intervalo de fenómenos: desde a emergência das linhagens principais até extinções em massa ou a evolução de bactérias resistentes a antibióticos hoje, em hospitais.

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Entretanto, dentro do campo da biologia evolutiva, a origem da vida é de especial interesse porque remete à questão fundamental de onde nós (e todos os seres vivos) viemos? Muitas linhas de evidência ajudam a fornecer pistas a respeito da origem da vida: fósseis remotos, datação radiométrica, a filogenia e a química dos organismos modernos. Contudo, como novas evidências estão sendo descobertas constantemente, hipóteses sobre como a vida se originou, que podem mudar ou ser modificadas.

araujo113.jpg Quando se originou a vida? É importante lembrar que mudanças nessas hipóteses são parte normal do processo da ciência e que elas não representam uma mudança na base da teoria evolutiva. Evidências sugerem que a vida surgiu pela primeira vez por volta 3,5 bilhões de anos atrás. As evidências são formadas por microfósseis (fósseis que são muito pequenos para serem vistos sem a ajuda do microscópio) e estruturas rochosas antigas como estes estromatólitos encontradas no Sudwana da África e Austrália.

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Para melhor assimilarmos os Estromatólitos dir-se-á que são produzidos por micróbios (maioria cianobactérias fotossintetizantes) que formam filmes microbianos que aprisionam lama; com o tempo, camadas desses micróbios e de lama podem formar esta estrutura rochosa estratificada – o estromatólito.

roxo82.jpg Cientistas estão explorando vários possíveis locais para a origem da vida, incluindo poças de maré e fontes térmicas. Entretanto, recentemente alguns cientistas levantaram a hipótese de que a vida se originou perto de uma fonte hidrotérmica no fundo do mar. As substâncias químicas encontradas nesses respiradouros e a energia que eles fornecem poderiam ter abastecido muitas das reacções químicas necessárias para a evolução da vida.

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Posteriormente, usando as sequências de ADN de organismos modernos, biólogos conseguiram rastrear experimentalmente o mais recente ancestral comum de toda forma de vida, um microorganismo aquático que viveu em temperaturas extremamente quentes. Apesar de várias linhas de evidências serem consistentes com a hipótese de que a vida começou perto de hidrotermais no fundo do mar.

sudwana3 sudwala.jpg Esta hipótese está longe de ser tida como certa e consensual: a investigação continua e pode eventualmente apontar para diferentes lugares para a origem da vida. Foi muito interessante saber destes avanços, não obstante estar consciente de que irão fazer colisão com teorias, dogmas, conceitos e paradigmas que nos foram legados por vários veículos de instrução…Não virá mal ao mundo saber-se deste conhecimento e, nem Nosso Senhor terá de ficar zangado por tal ousadia.

Ilustraçõs de Assunão Roxo e Costa Araújo Araujo

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:54
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Quinta-feira, 27 de Julho de 2017
MONANGAMBA . XLVI

BAKGATLA DE PILANESBERG - 22.07.2017- Com sorte amaciaremos leite coalhado …Viemos ver leões cientes de que não podemos sobreviver à traição gerada dentro de nós...

Por

soba10.jpgT´Chingange

Nas frinchas de meu tempo e muitas vezes, lembro-me aqui no mato de coisas infectas com mais de quarenta anos. Ficou-me bem ciente que podemos sobreviver aos idiotas e até gananciosos que nos governaram nesse lapso de tempo e aqui, longe dos novelos do M´Puto retempero-me com biltong e heineken lager beer. Um retempero de engano, táseaver! Misturando ideias no amaciar de leite coalhado de zebra do Pilanesberg, revejo a promiscua simbiose dos políticos do M´Puto com militares e afins, como coisa infecta.

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A vaca voadora chamada de geringonça, uma estranha simbiose de animal com muitas patas, muitas tetas e asas secretas, também com lambebotas, engraxam-nos os dias com pomada retirada das nossas próprias gorduras. Com a benevolência de Marcelo presidente, com quem simpatizo, enfeitam os gráficos de crescimento económico engodando-nos o olho sem questionarem a subida dum tal de endividamento para uma vida; a coisa mais essencial desta periclitante estória da crise, vista do lo nefasto…

vacas voadoras.jpg Não sei se o povo é tonto ou se simplesmente anda mareado ou marinado numa mistura de leite de hiena. Nós, velhos resistentes, retemperando ideias de balouçadas agruras do tempo em que os militares vendiam armas ao inimigo comprimimo-nos em delicadezas; um misto de descrença sem aprofundar delicadas falas. Já chega de tibiezas! Roubaram arma em Tancos! Será que roubaram, ou já o tinham sido desviadas?

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Isto, há quarenta e três anos, na Luua da Mutamba e arredores da N´Gola, era o dia-a-dia; roubavam até chaimites, paióis inteiros para entregar ao MPLA. Agora Tancos, é coisa pouca! Só um esboço de antigas passagens da estória, de nossas vivências em África com saída abrupta como a água que sai pelo tubo ladrão. Também nesse então nos enfeitavam as mentes com cravos vermelhos e seitoiras miniatura da Catarina Eufémia. Prá-frente camarada, avante!

araujo86.jpg Ando neste morro ou mato, vendo uma fauna bem mais interessante do que esses abutres de há quarenta e três anos atrás mechiam livremente dentro dum governo de tuji que também se dizia nosso. Primeiro com Spinola do monócolo, do pengalim e luvas de couro preto, depois com Costa Gomes, o rolha. Governos que nos entorpeceram com melífluos sussurros ouvidos por todos no vestíbulo do CR  (leia-se Concelho da Revolução) do Estado Português. Fomos salvos pelo Ramalho Eanes e pelo Comandos a quem sempre prestarei homenagem com respeito e orgulho.

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Naquele então ecoavam falsidade nos propósitos; tal como agora, nós muito descansados, muito inocentes; a maioria nada disto fala, pois para quê, já passou!... Mansamente enfiam-nos no curral como se fôramos gnus aqui do Bakagatla Pilansberg. Esta gente não o parecendo ser ambiciosa, falam-nos com familiaridade, que usam sua força e suas ambições em apelo a sentimentos que infantilmente se alojam no coração de todos nós, mais os albinos, os verdadeiros m´puteiros.

REPU6.jpg Naquele então foram muitos a arruinar as raízes da sociedade, a trabalhar até em segredo com a justiça, ocultos na noite para demolir nossas fundações; minar também os alicerces da nação portuguesa, coisa infecta num corpo, simbiose de militar com político, um promíscuo MFA que nos sucumbia a mando de outras potências.

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Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo, de esquecer as tropas passando armas ao inimigo, velhaquices de todo o tamanho vendendo-nos ao desbarato, pior que numa feira da ladra. Isto do roubo em Tancos deve ser uma manobra de diversão! Tem muito esturro e nunca se irá saber o busilis do ferúculo...

PAPAL6.jpg O meu dia aqui  entre as espinheiras do Pilansberg,  termina com um adeus aos hipopótamos na lagoa do mankwe, deitados feitos pedras com a kúkia do sol poente rebrilhando em seu dorso, uma visão deslumbrante. E já noite, as luzes do acampamento do Gate Bakgatla, bem ao lado do meu sonho, tremelicam ao chacal que salta para agarrar borboletas ofuscadas na luz. Sempre fugindo, porque neste mato ou morro, não quero ser borboleta !

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 03:15
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Domingo, 16 de Julho de 2017
MUKANDA DA LUUA. XLVII

BOA NOITE...16.07.2017- LAMENTO DE UMA AMIGA QUE MORA EM LUANDA... MERECE SER LIDO ... Parte 3 de 3

roxomania1.jpgAs escolhas de Assunção Roxo

Por: Isabel Batista

(…) Na Luua – Os Tugas de novo se vão? Sei lá…mas vão - Já vimos esse filme antes. As casas restaurantes e lojas vazias. …A periferia de Luanda que está acordando entretanto de um pesadelo no entanto, hoje fala-se muito mais do que anos atrás. Há a radio, a televisão, a internet mais o Google! O povo, o candongueiro opinam: -A vida pulula cedo na luta pela vida, 150 Kwanzas para ir e por vezes nenhum para voltar!

zé peixe9.jpg Tá duro, mas vamos de caxexe, devagar; o trânsito começa às cinco, gente a bulir, a acreditar sem alternativa. Ajudar e partilhar! Verbos renovados, sem ninguém a nos perguntar o que achamos de nós mesmos? Não contamos, não servimos! Não prestamos mais aqui, mas o que faço do “olhar” de minha mãe na senda dos 90…O que faço disto?

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O que faço dos amigos que na rua conheci meninos, hoje homens feitos! E, o Pedrito cheirando gasolina em frasco escondido em cartuxo sebento… Outros cheirando fumo de bateria na praia, sem irem nunca ao mar porque vieram do Huambo na altura do bilo a serio, por aí… Fora os outros que já se foram.

socie4.jpg Menti-lhes quando conversávamos sentados no chão, no Kinaxixi comigo a dizer: quando fores grande tudo vai ser diferente! E, está a ser sim, para o que faço de meus discursos incendiados “lá fora” quando me associam a assuntos de que não tenho conhecimentos. O coração a bater, a bater, tentar entender, perceber e fazer perceber, apelar para aquilo que não tem apelo…

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Tudo isto e quando a vergonha alheia afinal também está no pacote de nossos pertences, já gastos; sei onde nasci! Minha família de 5 gerações! Sim! Mas há parentes que não nos pertencem! Família da maka, nossa bandeira que já foi festa de carnaval gweta. Atentos esperançados e curiosos com o futuro que se quer ser melhor que os passados. Também mais consideração mais respeito pelo que abdicamos.

luanda6.jpg Todos os livros e discos e filmes que passaram ao largo, os amigos de longe e família arco-íris; cafés e bibliotecas que já tivemos, livrarias e galerias de arte que o mundo aconteceu. Como nós nos sujeitámos no analítico com paralítico? A água e a luz que falham num aguenta isso, enche a banheira? E aí firmes sem esquindivas com as questões, inventando, criatividade de bué.

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Na musica, na arte, na vida., na panela, no transporte, firmes frouxos, levando e levados no enfim com jinguba ou mandioca. Faca na garganta! Injustiça vadia sempre com as mulheres na frente! No garante lá de casa, deitar, fechar pernas, abrir pernas, fumar vaidades e silêncios; muitos silêncios. Mas a cidade! Ué. É um atentado, uma vergonha o não conseguirmos explicar direito a quem nos pergunta: mas porquê?

koisan5.jpg Tu que vives e estás aí sem entender, com teus bebés e família mais papagaio e sempre um porquê no consciente? Sou educada ya!? Respondo: - Eu queria saber; só sinto! Aqui dizem quando se vai menos bem de saúde. Pois ”sinto o corpo” assim falido; é isso, sinto-o no coração que bate e pula. E o coração, quando se está bem…não se sente. oh!!!!!!!... já vou longa...perdão.

Isabel Batista

t´chingange.jpegNota de T´Chingange: As alegações da teoria pseudo-científica são de que a Luua da Terra pode ter sido colonizada por uma nave alienígena. Os agora matrindindis surgiram antes dos Pulas e Tugas do M´Puto; tinham capacete e suas sementes trazidas do espaço deram um fenomeno chamados de baobás extra de paragordos.  Só muito recentemente passaram a ser de imbondeiros! Eles, os imbondeiros choram agora de tristeza de raizes no ar porque os Tugas  conhecedores das honabilidades ferteis, perderam-se num labirinto de dá-cá-o-meu  a que chamam de gasosa. Os mwangolés sugadores, feitos gente num repente começaram a surgir de olhos bicudos para os lados, uma  tecnologica anatomica  prepotentemente superior.  

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:56
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Sábado, 15 de Julho de 2017
FRATERNIDADES . XCVII

CAFÉ DA MANHA – N´Dapandúla - O tempo não passa pela amizade mas, a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto existe!

"Ndapandula", significa "Obrigada(o)" em Umbundo; uma língua de origem Bantu e uma das mais faladas em Angola, depois do português.

Por

soba10.jpgT´Chingange (Otchingandji)

Bom dia amizades! Tenho estado cá a pensar: Somos amigos para sempre, mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos, vai uma distância tão grande como a vida. E, quem é capaz de definir a AMIZADE? São os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos… As amizades são escolhas que vamos fazendo de pessoas que surgem na nossa vida quase sempre por acaso.

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Acordei perturbado pelas três e quinze da manhã (noite escura), sonhava insistentemente que deveria ir para onde não estava e, estando lá procurava as chaves da porta e não encontrava. Caramba, um rebuliço duma rã que saltava na minha mente ou talvez no forro da casa familiar alugada por uns dias na SPA do Limpopo. O descanso trazia rastos de quezílias de tugi, tudo por causa do GPS que não dizia que era por ali, deveria ir em frente por mais vinte quilómetros na N 1.

amigo da onça.jpg Mas que merda desta tecnologia que nos atormenta a cárie dentária mesmo sem dentes do sizo, que coisa. Aqui cheira a mijo, essa gente vai para a piscina, vem de lá senta-se aqui no sofá e, este cheiro entra pelos neurónios. Baralhei-me por instante! Coisas, tão pouca a fazer confusão na gente; daquelas que o vento nem bulia e despertando assim estremunhado, dei com minha mulher, acordadinha da silva diz: Ainda nem preguei olho, diz ela… Despertei! Minha consciência bulida com saltos de cucaracha estava a ser testada; na resposta do porquê disse que ficou nervosa após aquela confusão do GPS e as chaves.

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Verdade! Ao me deitar ontem, nesta noite, fiz um escarcéu porque as chaves não estavam ali junto à televisão aonde se tinha dito para ficar e, um caraças, de aonde estão? Foste tu!? É sempre a mesma coisa… Não fui eu e, nem eu, diz a neta Lara, picuinhas, interpondo-se entre o eu e o ela como se nos fossemos engalfinhar e, assim de repentinamente elas as putas das chaves, inimigas do consolo, lá estavam penduradas na porta dos fundos logo junto à cozinha, a fazer-nos gaifonas; e, dei de truz com a verdade.

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Assim era, fui eu que abri, disse em silêncio calado como um predador que pica a presa e como se nada fosse engole, mas não fui eu que fechei. Pópilas! Isto nem merecia discussão e agora de nervosa diz que não dorme e eu, cabisbaixei-me, fiquei sem sono. Bem feito! Vim para aqui escrever coisas desaforadas e ela, minha mulher lá ficou a dormir que nem uma libélula pulando em suaves sonhos de pétala em pétala, flor em flor. Isto há coisas que contadas nem parecem mentiras.

matrindindi1.jpg Agora vou fazer mais o quê? Para meu sossego tenho até um plano D com vírgulas e pontos de exclamação ou interrogação suplentes mas, sem saída, este D torna-se desistência; normalmente quando falha o plano A, recorro ao B e ainda o C mas, em verdade há coisas de que não podemos ser donos. Seremos sempre dependentes dum espaço que a seu tempo nos come o corpo, o cérebro e a sabedoria. Pedi desculpa assim tão silenciada que ninguém diz ter ouvido. Mas que tal fado, minha nossa!

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Ando encafifado com uma máquina de fazer “alegria” para comemorar os amigos que fiz em que cada qual, diz ter mais de 60 outros amigos comuns. Não preciso de mais amigos, que se lixem pois tenho família suficientemente para rabejar. Minha neta fica fula, ela é polo norte e eu do sul, sempre lançando faíscas de íman, coisas invisíveis dum amor profundo. Um iceberg que se desprende das gélidas partes e num repentemente aquece nos silêncios da noite.

MALUCOS4.jpg Os artefactos que encontrei para elaborar esta felicidade são uns zingarelhos vencidos, tortos como uns chinguiços do mato, só servem pra fazer fogo, churrasco, brai ou parrilha. É um segredo de minha patente mas, posso adiantar que além de alegria a máquina é capaz de produzir arco-íris pra deslumbrar vidas; ela, a máquina tem a capacidade para enrolar meus silêncios nas pontas. Posso acrescentar que o último protótipo é parecido com uma foice! Produzir não apenas arco-íris normais mas também duplos e triplos, e até alguns invertidos

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Modas parvas, estas minhas inventações como o Sushi, ou Selfie sticks com edecéteras estrambólicos. Vivemos num mundo de modas e de gostos influenciados pelos midia. Sempre assim foi, agora o é ainda mais devido à velocidade e visibilidade que a Internet veio dar a todas as novas tendências. Quanto a amigos: Com o decorrer do tempo vamos conhecendo-os melhor, e aí começam as escolhas, ou ficam muito amigos, assim-assim, ou descartamo-nos por alguma incompatibilidade.

pedras 002.jpg Às kátiuscas e Kings das Dúzias, vou simplesmente apagá-los do meu kimbo. Agora quem quiser ser meu amigo tem de dizer o nome do cão e pô-lo a ladrar em dó maior e dizer a tabuada de forma inversa senão, risco-o!… Normalmente, com os amigos-da-onça, afastamo-nos, e o outro percebe que já não é Bem-vindo porque é de Peniche e dá às de vila Diogo; tudo resolvido!

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 Mas... É aqui que está o buril da questão, quando o outro é burro, matumbo mesmo, e não percebe que está a mais... Que já não é Benvindo, um Soares com quem não nos identificamos, que já é ''persona non grata''', que já mete nojo. Como é que fazemos? Como é que vou inventar essa tal máquina de fazer “alegria” com estas derivações tão periclitantes? Bom dia, desculpem o desabafo deste lusco-fusco africano! O leão rugiu esta noite, viva o Sporting…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:00
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Sábado, 8 de Julho de 2017
MALAMBAS CLXXV

NAS FRINCHAS DO KAROO - 08.07.2017 Aqui no Karoo de África, apaziguando rijezas adversas, relembro a singularidade do mundo.

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Não existe ninguém que encontrando um espinho em seu pé não o retire após as primeiras dores; se não o fizer é porque é masoquista ou anda a treinar para o Guinessbook, um clube de excêntricos. Um amigo próximo disse-me que os pés dos bóeres têm olhos. Só entendi essa fala quando observei in situ um farmeiro de kimberley a andar de sandálias de pano colorido no meio do capim repleto de aranhas, centopeias, cobras e um sem fim de outros bichos rastejantes sem contar com os muitos picos espalhados a esmo pela terra barrenta.

BATATAS2.jpg Percorrendo o mato do Karoo africano, milhares de acácias com espinheiras do tamanho dum lápis, posso ver ao longe morros suaves de um e outro lado dos rios Orange e Vaal. Nestas condições de apaziguar rijezas adversas do mundo, relembro a singularidade ainda não totalmente definida fazendo-me num seixo redondo do Vaal. Seixo embrutecido que rebola no tempo só quando levado pela enxurrada desta mulola aonde me situo. Aqui há diamantes, dizem!

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Aqui há diamantes? Perguntei à suricata empinada numa pequena elevação que nada me disse, pudera! Sem se importar com essa brilhante pedra que ofusca gentes, fugiu para um dos muitos buracos ali espalhados; terra fresca denotando trabalho árduo para assim se refrescar daquele calor tórrido; calor que chega a ir a mais de cinquenta graus no pico do verão. Coisa para se dizer, Pópilas!

BATATAS1.jpg Pois aqui, damo-nos conta de que afinal, sempre há povos a descrever teorias ou filosofias novas clareadas por meio de metáforas que a natureza lhes ensina. Aquela de os pés dos bóeres têm olhos vuzumunava minha koca com lantejoulas rupestes. Nestes espaços abertos dissociamo-nos dos conflitos sociais; das metáforas criadas pelo homem a justificar coisas sempre compreendidas numa forma de agradar.

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As artes criativas dos homens continuarão a florescer com brilhantes expressões saídas da imaginação; novos níveis de conflito ou sedução e, porque a arte por vezes é a mentira a nos mostrar a verdade. Ué… Lembrei-me do professor Souares, um espiritualista com manias de mwata a enfeitar minha testa com unguentos de salsaparrilha e xixi de guaxinim fedorento, tentando resolver meus problemas de mau-olhado.

BATATAS6.jpg Este eterno conflito foi-nos legado pela inteligência que tende a evoluir no tumulto com velhas ou novas criticas - velhas teses ou teorias diferentes deste mwata Kimbanda da mututa que me quer desfrisar uns kumbús como assim, na saúde, na doença e o escambau… Um teste de vida de tendência evolutiva legada por Deus, porque pensar o contrário disto, será decerto uma imperdoável heresia.

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Este problema sempre presente e cada vez mais remanescente, não reside na natureza nem na existência de Deus mas, nas origens biológicas que pela mente cataloga o auge evolutivo na biosfera. Poderá dizer-se nesta pequena imagem de vida real que cada homem está por assim dizer num estreito nicho como numa burocracia de curral. A parede deste nicho esmaga-nos individualmente a personalidade levando-nos a não poder extravasar nossa euforia como se fossemos bois confinados a só a mugir até ser defuntados com um urro levado na ponta dum facão.

BATATAS5.jpg As nossas atitudes em relação às coisas, reflectem critérios de valor fundamentais tornando a relação homem-coisa em algo cada vez mais transitório. Se eu fosse professor catedrático teria de vasculhar os termos para não falar tão fora dos parâmetros convencionais. A ideia de usar um produto-coisa uma única vez ou durante um curto espaço de tempo, substitui-lo ou deitá-lo ao lixo, contraria a sociedade ou os indivíduos com uma herança de pobreza.

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As gentes do meu tempo, septuagenárias, que nasceram antes da invenção do plástico não estão tão habituadas a produtos de utilizar e deitar fora; até conservam seus casamentos para lá dos cinquenta anos; preferem reciclar a vontade de fazer querer em detrimento do só querer. Já nem vou a casamentos para não me sentir defraudado com a curta duração do umbigamento.

BATATAS7.jpg Em meus anexos do M´Puto tenho uma quantidade de quinquilharia porque sempre guardei na mira de amanhã vir a necessitar num amanhã mas dei-me conta que as coisas se suplantam todos os dias e tudo modifica num ápice. Esta resistência ao descartável está em vias de extinção em todo o mundo dito desenvolvido. Os lenços de pano são hoje considerados anti-higiénicos e, já pouca gente os usa. Agora há toalhetes e lenços cheirosos com adstringentes e de cheiros balsâmicos enxotadores de mosquitos.

arte3.jpg Comecei esta em querer falar no homem das batatas da África do Sul mas tudo escorregou na ladeira mais fácil a fim de não perturbar as mentes, pois sempre ouvi dizer que a fé move montanhas. E, num lugar ermo como este do Calahári, aonde o estio é brutal, um homem semeou batatas no deserto e, porque acreditou em Seu Senhor, foi abençoado com toneladas de tubérculos. Ao seu redor havia descrença e a surpresa apanhou-os de boca aberta. Este bóer do Vaal devia ter mesmo, olhos nos pés!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:12
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Quinta-feira, 6 de Julho de 2017
MALAMBAS CLXXIV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 06.07.2017 - Somos divididos socialmente, não somente pela cor, ou forma de vestir  mas, e também, pelas nossas posições no tempo… 

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Neste nosso curso de enfrentar os conhecimentos, todos os dias serão uma prova à adaptabilidade humana das várias instituições que nos governam. Teremos forçosamente de modificar nosso caracter de existência para aprender esta permanente transitoriedade. Uns dias atrás um amigo meu fez reparo àquilo que eu disse, de que nós sempre seremos o fruto da mudança afirmando que com ou sem essa tua (minha) teoria de transitoriedade nós seremos sempre os mesmos.  

capeta0.jpg Esse meu amigo mora em uma ilha grande e tem um cão chamado de aspirinas. Em verdade a palavra aspirina surgiu oficialmente pela indústria alemã Bayer a 10 de Outubro de 1897. Se imaginarmos que meu amigo nasceu lá por volta de 1840, seu cão nesse então teria outro qualquer nome assim como Sócrates, o filósofo ateniense do período clássico da Grécia que morreu 3 anos antes de Cristo.

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Daqui se reproduz uma situação que deriva desta mesma palavra, “situ” do latim que quer dizer sítio e “ação” que quer dizer acto ou execução. Pode por analogia deduzir-se a partir disto que as linhas de delimitação entre o Sócrates e o aspirinas cachorro, são a duração do espaço de tempo durante o qual a situação acontece! Meu amigo ilhéu de nome Freitas, hoje talvez chamasse ao seu apirina “Samsung”, um nome bem mais recente e de acordo com seu hodierno viver, numa lógica evolutiva transitoriedade.

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Em verdade o primeiro telemóvel do Fernando da Ilha era um quase pesado tijolo e hoje e um fino Smartphone que cabe num pequeno bolso das cuecas. A este número crescente de situações às quais não se aplica esta situação, traz-nos implicações psicológicas tornando um simples facto em situação explosiva. Para se sobreviver, o indivíduo tem de se tornar infinitamente mais adaptável e hábil do que nunca.

missosso2.jpeg Eu, este meu migo Freitas da lha e todos os demais, teremos de procurar maneiras de fixação, totalmente novas e sempre transitórias pois que nossas antigas raízes tal como a religião, a pátria, família, nossas vivência de um bairro da Luua, nossa comunidade ou profissão, estão a ser abaladas. Abaladas pela força ciclópica do impulso acelerativo; e daqui, só seremos premiados se nosso comportamento modificar nosso carácter de existência.

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Daqui, termos de compreender a transitoriedade! O computador apareceu lá pelo ano de 1950 quando eu já comia côdea com leite retirado da cabrinha; sua característica de função, quantidade e velocidade, transformou-se em uma grande aceleração de conhecimentos, e isto, é poder! É mudança!  O computador, é quer se queira ou não, o artefacto que elevou a humanidade a uma exponencial de espantosa novidade.

libia2.jpg A aceleração do conhecimento é uma das mais importantes e talvez a menos compreendida de todas as formas sociais e, que naturalmente abala as nossas instituições. Claro que o ritmo crescente de mudança perturba o nosso equilíbrio interior e, até modifica a própria maneira de como experimentar a vida acelerando a integridade de cada qual. Esta aceleração de mudança, complica e muito a estrutura de nossas vidas, diversificando-nos nas formas que temos de representar e o número de papeis com uma inerente opção de obrigatoriedade.

natal1.jpg Obrigatoriedade de assim fazer, explicada a asfixiante sensação de complexidade da vida contemporânea. Não será exagero, dizer-se que a realidade hodierna origina mal-entendidos entre pais e filhos, entre homens e mulheres, americanos e europeus, cristãos ou muçulmanos, gente do Leste ou do Oeste. Somos assim divididos não somente pela cor, ou pela posição social ou económica mas, e também, pelas nossas posições no tempo.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:54
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Quinta-feira, 29 de Junho de 2017
XICULULU . XCV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - NÃO SIRVAS A QUEM SERVIU, NEM PEÇAS A QUEM PEDIU - Diz a Lei de Murphy "Se alguma coisa pode dar errado, assim será!"

Por

soba15.jpg T´Chingange

Se usarmos a analogia de Darwin pela “Selecção Natural” para definir sociologicamente a humanidade em geral, constatamos sem grande dificuldade de análise reflectiva de que os mais ricos ou fisicamente mais bem constituídos estarão sempre em melhor posição para sobreviver ou vencer qualquer dificuldade em detrimento dos mais pobres, débeis, vulneráveis ou impreparados.

araujo 28.jpg Os eclécticos, cultos, experientes e instruídos vencerão sempre os seus oponentes menos municiados intelectual ou academicamente nos desafios ou oportunidades que a vida tiver para oferecer e, quando estes se candidatarem a testes selectivos ou psicotécnicos. Os mais crédulos, ingénuos ou em estágios primários de coeficientes de inteligência baixos, tornam-se tendencialmente propícios para que os espertos, oportunistas e gurus ou gananciosos os absorvam.

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Esta categoria de pessoas dos que já nasceram vencidos, vergados pelo infortúnio, fatalismo do seu estrato social ou por e via de sua incapacidade financeira, tibieza ou destreza, tornam-se reféns e presas fáceis de empresários exploradores e oportunistas. No mercado de trabalho serão subestimados e mal pagos vendendo o suor do seu rosto e sua força braçal ou conhecimento por coisa pouca, sem a devida troca de benesses.

araujo34.jpg Obviamente que nem todas as empresas precisam de génios ou mentes brilhantes que consomem apenas bifes do lombo ou lagosta. A grande maioria do mercado de trabalho tecnologicamente não qualificado, contenta-se com carne de segunda ou terceira, dura e gordurenta. Não existem segredos existenciais ou filosofias de vida escritos em compêndios ou cartilhas que se possam comprar para aprender como sobreviver neste mundo cão.

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O ideal seria que cada um satisfizesse as suas necessidades independentemente das suas habilitações profissionais académicas ou artesanais. Mas, mesmo estes, em uma qualquer parte do globo encontrarão quem os sugue de forma desmesurada. Não lhe darão acesso ou recursos para passar de certos limites, tornando-os permanentemente dependentes.

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O caminho do sucesso está preparado para os ousados que num dado momento de privilégio se tornem patrões, empregando outros que por conta própria não têm condições por falta de relacionamentos ou por débil estabilidade familiar. Salvo raras excepções o destino destes temerosos, será sempre o de serem empregados dos primeiros. 

araujo23.jpg Contrariamente às leis da natureza que ilusoriamente nos fazem acreditar por todos termos sido concebidos da mesma forma porque nascidos pelo mesmo local, as nossas vivências e destinos serão igualitários. Nada poderia ser mais falso nesta teoria, quando os dogmas são imbuídos na ilusão dum universo restrito no diapasão dum Deus que parece só ser bom no açambarcar de usura para proveito próprio - dos eleitos!

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A sociedade aonde estamos inseridos se encarregará de nos diferenciar, arrumar de acordo como o tal "pedigree" familiar. Nesse perfile ou curriculum vitae constará o estatuto social no seu lado financeiro, no exacerbar-se com um património com carros de alta cilindrada ostentações variadas, o show off e, mesmo que se lhes falte a cultura académico e, ou a ideologia politica, religião ou "hobbies" salutares… 

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Alguns eleitos terão o condão de viverem rodeados dum luxo que o dinheiro pode comprar. Dinheiro fabricado por quem lhes presta honorabilidades, um resto da humanidade esgatanhada, mordida com atropelos, porque nunca lhe deram oportunidade para escalar alguns merecidos degraus. Alguns mais corajosos ainda têm o atrevimento, ousadia e a veleidade de pensarem que reúnem as condições para se aventurarem a fazer alpinismo social ou financeiro na tentativa de chegarem ao topo, mas a idolatria não permite que esta senda seja facilitada.

araujo36.jpg A grande maioria fica-se pelo caminho vencidos e desencorajados, pois os trilhos estão minados com engodos: ou me serves ou…. E, aqui a frase fica sempre camuflada num muxoxo incompleto. Alguns muito bem preparados psicologicamente conseguem heróica e atrevidamente chegar ao topo mas nunca serão aceites pelas elites que falam com Deus, os eleitos…

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O único factor que mantem o equilíbrio mundial, impede revoltas e que as massas trabalhadoras se apoderem das riquezas que elas próprias geram para enriquecer terceiros, é a ESPERANÇA de que as sociedades por moto próprio se tornem reformistas, humanitárias, fraternas, solidárias e igualitárias. Uma coisa cada vez mais vaga.

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Infelizmente este onirismo não se consegue nas urnas através de eleições livres e democráticas ou por decretos governamentais. E, como ninguém enriquece apenas pelo suor do seu rosto e fruto do seu trabalho, só existem três formas de chegar a esse desiderato, ou pela exploração do trabalho de terceiros pagando-lhes ordenados miserabilistas, de forma fraudulenta, por meios ilícito, ou através de um golpe de sorte acertando no totobola, lotaria, raspadinha ou euro milhões.

araujo38.jpg O segredo para matar a inveja ou o desejo de todos quererem ser ricos foi inteligentemente criado por estes dizendo que “a riqueza não traz felicidade”. Na mente dos pobres ou remediados existe a triste ilusão de que um dia a sorte lhes baterá á porta e que também poderão comer caviar, faisão ou lagosta, regando as suas opíparas refeições com champanhe D. Peringnon.

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Se todos viverem na esperança e ilusão de que mais tarde ou mais cedo poderão triunfar, o mundo funciona muito melhor sem desequilíbrios, agitações sociais, atritos, revoltas ou greves. Tementes a Deus, coisa trabalhada no tempo, as pessoas sonham em não se magoar umas às outras, nem se atropelarem pois vivem nessa falsa expectativa de que a sua hora também chegará. Um se Deus quiser sempre incerto!

araujo46.jpg Uma massa anónima que vive e labuta dentro e fora de seus países como emigrantes, é a de que um dia irão regressar á Terra Prometida, sem se saber bem qual. As leis imutáveis pelas quais o mundo está organizado e construído, são apenas duas, ou se nasce rico ou pobre, uns mandam e fazem as leis, outros obedecem e cumprem-nas. O ser-se criado de quem já serviu não se augura em um bom fim. O seu, a seu dono!

Ilustrações de Costa Araújo

Nota: Este texto foi baseado parcialmente em um outro da autoria de António José Canhoto que versa o tema de desequilíbrios na sociedade em uma outra vertente e a partir da condição de nascimento…

O Soba T´Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:12
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Terça-feira, 27 de Junho de 2017
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXII

NAS FRINCHAS DAS CINZAS  - 27.06.2017 (desde Johannesburg) - Ruptura com o passado. Cada um de nós é uma nota musical única; a minha não tem ré nem mi, nem sol, só tem dó….

Por

t´chingange 0.jpgT´chingange

Nas rupturas com o passado, um número crescente de opiniões com crédito afirmam que o presente agora, representa a terceira cisão da história humana comparável em magnitude com as passagens do barbarismo para a civilização, depois a era da agricultura extensiva matando a fome a milhares de seres pelas nova vias de comunicação. Agora, e duma forma avassaladora temos a invenção tecnológica de um sem número de artefactos a partir da metade do século XX e, que hoje complementam nossa actividade com o maior conforto.

bra3.jpg E, surge a rádio, a televisão, o frigorífico, o micro-ondas e o computador de última geração cruzando imagens ao segundo em viagens de cruzar fusos horários. Os novos instrumentos de comunicação a levarem a voz e a imagem ao outro lado do globo. Informação ao minuto de acontecimentos que conjugados com os satélites passaram a dominar nossas vidas ao segundo; Coisas impensáveis há bem pouco tempo. Viagens controladas por GPS com tradutores instantâneos nos principais idiomas.

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E, surgem as férias de praia ou campo: não demorará muito a termos viagens interplanetárias. As viagens à Lua tornar-se-ão corriqueiras em um curto par de anos.  O choque cultural de hoje sucede quando um viajante se encontra num lugar onde o sim pode significar um não e aonde um preço fixo é regateável como diz Alvim Toffler e, até o riso pode significar ira.

matri2.jpg A aceleração da mudança não se limita a afectar as indústrias das nações, a oscilações das bolsas, as fraudes fabricadas com crises elaboradas em bancos supostamente credíveis mas, numa força concreta que se infiltra profundamente em nossa vida pessoal, que nos obriga a mudar de profissão, a representar novos papeis e nos coloca de frente com o perigo de uma nova e perturbadora doença psicológica.

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Estas mudanças rápidas amontoam-se sobre nossas cabeças, os instrumentos de ponta não mais o serão. Entram em desuso a máquina fotográfica, o gravador de fita e o vídeo; a grafonola vira gira-discos e tudo se resumirá a uma pequena pen ou um chip com milhares de músicas, informações e coisas tão abstractas que nos darão volta ao miolo, que nos baralham o cérebro. Nossas cabeças desmoronam-se com a maioria das pessoas desprovidas e mal preparadas para fazer frente a tudo isto. Uma mudança demasiado rápida!

poluição.jpg E surgem milhares de teorias sociais que se encavalitam no espaço-tempo quântico dando novas formas à mente e á vontade que fica sob custódia de uns quantos eleitos por via de eleições. E, surge assim a democracia na qual se vota em gente que mais tarde se governarão a si próprios chamando nomes sérios a roubos e desvarios. Gentes com mentes e circunstâncias radicalmente novas transformando-se num perigo para todos os demais: os políticos de profissão!

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E, este choque do futuro não estará mencionado em qualquer lista de anormalidades psicológicas; será coisa quase normal, aceite por todos mas estes, estarão cada vez mais desorientados e progressivamente incapazes de entenderem de modo racional o seu ambiente e, até entender o factor da amizade. O mal-estar instalar-se-á em si com neuroses maciças e violência descontrolada incapaz de se poder fazer as coisas mais triviais.

serrão7.png Surgirão terroristas e anarquistas que por debaixo de suas flanelas ou cetim, serão conformistas indecentes que por debaixo dos colarinhos abotoados se verificarão anarquistas e, pastores ateus ou budistas judaicos. E, surge a pop-art, os clubes gays, as quadrilhas sexuais, o swing, anfetaminas e tranquilizantes; também muita bruteza e maneirismos com calão com abundância de muito esquecimento. 

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Nos dias de hoje libertamos uma força social totalmente nova, uma mudança tão acelerada que influência o nosso próprio sentido de tempo, revolucionando nossa vida quotidiana que afecta naturalmente o modo de como sentimos o mundo à nossa volta. Esta aceleração reside fundamentalmente na instabilidade. Neste estado sempre transitório afectaremos forçosamente nossas relações com as demais pessoas. Será esta a pré-modernidade? Quem irá saber ao certo…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:58
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Segunda-feira, 26 de Junho de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXVII

AI.IÚ.É - TAMBULAKONTA – 26.06.2017  - Isto é África! O futuro está a ficar doente! É a doença negra da mudança…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; muito menos aqui em África aonde o ontem fica cada vez mais distante e, o que então era proibido, hoje já o não é. Lugares aonde agora predomina a gasosa e fundamentalmente a postura governamental de BLACK EMPOWERMENT; Isto quer dizer uma política substituição do negro em detrimento do branco. O branco tem de investir e, quando da necessidade de contratar gente tem por lei de dar trabalho em primeiro lugar ao negro em detrimento de um outro e de outra cor bem melhor preparado para exercer uma qualquer função.

aug1.jpg Se isto não é racismo selectivo digam-me então o que é? Os tempos mudam rapidamente e para alguns é de consequências pessoais e psicológicas dramáticas. Na administração Sul-africana os brancos foram substituídos pelos negros, mandados para casa sem a necessária subsistência aos anos vindouros.

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Vá-se lá entender a pedagogia de produzir surpresas em novas experiências sociais como esta tão desagradável. Esta concepção de racionalismo opõe-se à filosofia que professa que as ideias se deterioram quando aplicadas às coisas e procedimentos, depois vem a ineficácia com sequente deterioração na coisa pública e privada. Na contraluz da sorte e no “Empera´s Palace” de Johannesburg ouvi o grito de “bingo” quando só me faltavam três números dos nove escolhidos. Meu primeiro domingo foi assim prorrogando a fome até bem á noite saciando-me com uma pizza margarita; esta gente aqui em Sud’África não almoça!

aug4.jpg O conhecimento da realidade moldada pelas teorias modificam-se assim como numa paisagem vista num nascer ou em um pôr-do-sol que se confundem pela ordem das razões e segundo uma teoria desadequada: Um bingo! A ordem das razões, valorizam a ordem dos factos em detrimento do bem social. Foi esta a minha primeiríssima apreciação  no primeiro domingo e, em companhia de minha mais próxima família. Tudo isto, também em companhia da dor de dentes persistente desde a minha visita ao M´Puto dos pequeninos na Coimbra dos doutores.

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E, o Facebook não dá tréguas à minha t´xipala desde que alguém publicou em minha página algo que nem consenti enviando para muitos amigos a virose cibernética que me atacou. É só dizer mal do EDU e logologo surgem uns bajuladores a cuspir-me na cara com ácido sulfídrico. O Facebook torna-se assim numa armadilha de estragar amizades e, pedem senhas, contra-senhas mais o século do nascimento trancando-nos em quarentena por quatro dias.

aug5.jpg Decidi por este meio não mais aceitar amizades da conxinhina por via do Facebook com nomes super inflados num zepelim com ácido escorbútico pois que, é esta a sexta vez que me mancham a dignidade por trilhos desconhecidos e demasiado rendilhados de maleficência. Mas estando eu num planalto africano e a mais de 1600 metros de altitude pude em conversa saber que a áfrica fica a cada dia que passa, mais longínqua para os bancos.

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Não há maior religião do que a verdade! Com este pensar de Dalai Lama na cabeça e passeando, aproveitei fazer uma viagem ao paraíso e vi gente branca, (também negros) a pedir nos semáforos, nos parques de estacionamento, um pouco por todo o lado. Trazia na minha mochila palavras de apreço mas, jamais as poderei usar aqui no bom sentido! Os seguidores de Jacob Zuma estão a seguir as absurdas posturas de Robert Mugab, essa decadente figura presidente do Zimbabwé, uma múmia racista, um bruxo que ensombra a áfrica do cocuruto até os tornozelos, numa forma simples de falar metáfora.

aug2.jpg E a Europa, o ocidente em geral, submissa a seus autoconceitos éticos e, dando guarida a todos os refugiados idos do corno e resto de áfrica, suportando estes desmandos de governos tontos; dando até tratamento diferenciado só porque são negros em detrimento do branco! Não posso concordar! Sempre este conceito de coitadinhos sem exigir de forma enérgica ou mesmo com bloqueios a estes desclassificados gurus, governantes africanos de tuji!  

aug3.jpg Passeio por terras edílicas que contrastam suas belezas, doirados e arredondados montes com seu verde, flores de Augrabies, penedias com secura e ainda o azul do mar; dos sargaços bailados em meus sonhos como ondas aonde se pode ver o redondo do horizonte nublado por ideias e ideais torpes de governantes perpétuos. Sendo este o meu passeio preferido, andar nos trilhos de entre bissapas, funchos, cassuneiras suas muitas flores do Orange desde Upington até Springbok.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:19
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Segunda-feira, 19 de Junho de 2017
MALAMBAS CLXXIII

AI.IÚ.É - TAMBULAKONTA – 19.06.2017O futuro está a ficar doente - Doidejo-me ao ar como se alguém me fustigasse o corpo com urtigas bravas. É a doença da mudança…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Os tempos mudam rapidamente; para alguns é de consequências pessoais e psicológicas profundas pois que as mudanças nos dominam ou subjugam por completo. Eu e minha mulher, esposa ou patroa como muitos ainda teimam em designar, temos uma amiga de longa data, de quando ainda eramos solteiros e fazíamos piqueniques. Pois esta amiga anda indignada com seus quatro filhos porque a querem internar em um lar de idosos; ela opõe-se a isso porque não se sente senil nem anda falando átoa com as paredes seus desacatos.

bruno13.jpg Não achando terreno propício a desabafos, eu e minha mulher, inteirinhos da silva, encurtámo-nos no cochicho do cubículo debatendo este problema transcendente sem podermos desviar nosso mal-estar da nossa tela numa vida futura. Vendo nosso filme encafifados numa sala de gente moncosa falando coisas repetidas até á quinquagésima vez, dissemos que isto não podia acontecer com a Júlia, viúva do saudoso Jorge nosso anfitrião dos piqueniques enquanto a vida lhe pululava no seu todo.

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De sorrisos murchos no silêncio calado, colamos nosso futuro na parede de nossas duas mentes com farinha de trigo, tal e qual como fazíamos quando eramos mais novos. Desta forma sempre poderemos descolá-lo com uma borrifadela de água mole. Mas será que podemos assim colar e descolar o futuro conforme nos dá na veneta!?  Bom, pelo sim pelo não colamos ao lado deste catálogo virtual do álem um sinal de cho-ku-rei para dar uma luz mais forte ao nosso destino.

araujo1.jpg Pois então, os filhos da Júlia reuniram-se em Lisboa à revelia da mãe decidindo que esta está a ficar pataroca e tal e coisa, mais esquecida e desajustada com edecéteras imaginados nas raspas hipócritas e egoístas da mente. Ela a mãe, transitoriamente em casa de sua filha mais velha pensou em dali sair o mais rápido possível. Assim pensou e assim o fez! Pisgou-se até à estação do Oriente, sem nada nem mala para não levantar suspeitas e seguiu para a sua casa da Beira Interior. Toma! Chegada lá telefonou a dar-lhes notícia do acontecido. Estafa farta de se sentir presa, encafifada, trancafiada em um espaço de 50 metros quadrados. Faltava-lhe ar…

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Ela, a Júlia, em desabafos fungosos diz que se os filhos persistirem nesta ideia, lhes vai levantar um processo judicial. Com tudo isto, fiquei estarrecido por vivificar estas correntes de mudança social, derrubando as nossas virtuosas acções, modificando nossos valores ao ponto de nos secarem as raízes. O futuro invade nossas vidas revertendo-nos na mudança que nos invade a vida, assim como aquelas labaredas que surgindo do nada ceifam nossa paz.

arau44.jpg Mas, nós não somos coisas! As coisas que compramos e deitamos fora ou ainda outras desusadas que metemos no sótão e ali ficam invalidadas, esquecidas, entronchos a obstruir o espaço. Neste caso, os quatro intervenientes filhos são pessoas com cursos superiores! São gente com tino, que sabe o quanto seu pai e sua mãe labutaram para que assim o fossem, gente capacitada.  

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A sociedade em que vivemos com as pessoas que passam, uma e mais outra, adulteradas na velocidade dada vez maior e num tempo medido por suposição. Tempo analógico, porque a vida deveria aprofundar-se num futuro de amizade e, não na incerteza ou medo! Os estilos novos nas instituições são imprevisíveis a curto prazo! O que o é hoje pode não o ser amanhã! O futuro está a ficar doente mudando psicologicamente as relações e, a isto os médicos ainda não descrevem como doença….Mas é-o!  

araujo38.jpg A doença da mudança; neste ambiente de mutação rápida nós não sabemos como preparar o futuro, preparar o animal homem educando-o intelectualmente! E, nem os psicólogos sabem como lidar com isto na perfeição, nas novas adaptabilidades. Genericamente não sabem como é que isto se faz! Porque eles fartam-se de referir suas intrigas com uma aparente resistência irracional, de gente como eu ou a Júlia, à mudança. Muito curioso, é haver gente com uma tão forte vontade, duma quase furiosa mudança.  

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Qualquer esforço para definir este “conteúdo” de mudança, terá de incluir as consequências de brechas novas. Se virarmos o espelho do tempo ao contrário, vamos desentender os nossos problemas sociais e públicos se não recorrermos ao uso do futuro como uma ferramenta intelectual, porque hoje o mundo é uma estória de evolução rápida. É trabalhoso lidar com esta realidade, porque ainda não aprendemos a conceber, a pesquisar, escrever ou publicar em tempo útil de um “agora”

araujo92.jpg Os astrólogos são um engodo vulgar que não vaticinam coisas pensadas, uma triagem que ora cola ora descola como a farinha trigo já falada aqui. Ninguém tem o conhecimento do amanhã. É por isso que fico baralhado com gente jovem que estandardizada, tudo faz como um autómato desinserido dum “sentimento” e, remando para um lado estilístico definindo-nos no futuro como um “provavelmente”. Não conjugam os verbos com sentimento mas sim, com um seco  tom contabilístico ou uma zoada electrónica.

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Não sabem ler a mente por indícios, não sabem articular opiniões com o coração e, isso mete-me algum medo! Medo de frio metálico… coisa de andróides…  Jamais os GPS de hoje poderiam ser feitos se outrora os cartógrafos não desenhassem a terra e, que apesar de limitados, registaram suas temerarias concepções de mundos que nem sempre viram! O motor tecnológico do futuro não pode defuntar o passado… Um dia um psicólogo mandou-me tirar água dum poço com um cesto de vime para regar um malmequer e, eu tirei! E reguei! Usei a mente e congelei.

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:28
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Sexta-feira, 9 de Junho de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXVI

TEMPOS PARA ESQUECER - 09.06.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXII. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Os heróis de tuji foram-se misturando com os demais…

Por     

soba15.jpg T´Chingange - (Otchingandji)

Segunda metade de Agosto de 1975 - O líder da UNITA, Jonas Savimbi, acusava as tropas portuguesas de tomarem parte efectiva ao lado do MPLA no ataque ao Luso, ao Lobito e a Sá da Bandeira, hoje Lubango e, contra a UNITA aonde quer que esta estivesse! Só quem está impregnado de fanatismo esquerdista (que são muitos!), não consegue gerir esta verdade mesmo tendo-se diluido em já quase 42 anos.

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Em Moçâmedes, as FAPLA faziam a abertura de bagagem aos adidos e demais refugiados contrariando o despacho de 14 de Julho sobre este assunto. O MPLA, comportava-se como dono absoluto de Angola fazendo o que lhe melhor aprouvesse com o beneplácito das tropas portuguesas. O MPLA bordava e pintava costurando tudo a seu jeito; Nós, gente sem mando e maioritariamente brancos, ali andávamos a toque de caixa com tiros e abusos pregando caixotes e, ao sabor das vontades da nomenclatura do “glorioso M”. 

suku0.jpg Victória ou Morte, brancos para a sua terra, era o que mais se ouvia nas ruas da Luua e na radio cheia de guedelhudos enviados pelo PCP e outros ditos progressistas de túji! E, nós sem saber qual era mesmo, a nossa terra! De um lado para o outro que nem baratas tontas e revistados pelos partidos emancipalistas (muitos, que tambem fucaram refugiados), pois então, gente sem preparação, analfabetos e drogados enviados das universidades do M´Puto. Os mais bens comportados desta maralha de guedelhudos, ao chegar às suas bases, suas universidades, tinham passagem administrativa garantida.

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Não se fizeram só generais de aviário não! Foram muitos outros em muitas áreas que como políticos faziam desmandos com roubos; agora, esses e outros refratários, recebem medalhas e condecorações! Temos aí o 10 de Junho para ver! Não contando com os prémios pecuniários e mais os de Camões e outros a serem inventados e justificados como nos assaltos a bancos. E, também navios com mortes e outros procedimentos forjados de fresco ou mofados. Procedimentos que resultaram na bagunça que hoje observamos e, que hoje temos! Iremos ver, sentir e ler alvissaras com prémios monetários para exprimir contentamento por uma "boa causa" - valha.nos Nosso Senhor...

ter5.jpg Tempo dos poetas a fingir-se de humanistas, mentirosos militantes inseridos nos partidos, das novas gangues sanguessugas do povo cordeirinho! Bem! Agora temos Marcelo! Qual quê… A coisa vai parecer ter mudado mas as cartilhas vão ser paulatinamente cumpridas. Ele, pouco a pouco vai alinhando, vulgarizando-se. É mesmo uma coisa de atar o cerebelo à ignorância… Vêm aí as comendas!

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Mas em 1975, voltando à revolução em curso do PREC - expurgo dos fascistas. Pois! Quem eram esses? Ora, eram todos os demais com os retornados à frente. E, lá andávamos como os judeus a serem alinhavados para a morte nos campos de extermínio da Alemanha. Primeiro tentavam lavar-nos o cérebro e depois mandavam-nos para os mukifos, revitalizar as pedras das calçadas, limpar a bosta lançada nela pelas bestas, gerir silêncios transpirando raivas mal arrumadas, repondo as pedras nos muros entre fragas e lajedos do tamanho dum novo mundo.

parac4.jpg Salvar os hotéis, pensões e casas de alterne desactivadas. Mas alguns, em verdade foram assediados para gerir as novas “farmes do Alentejo” e, do alto coturno das guerras fingidas nas boinas verdes, investidas numa operação de cavalaria, engenharia e outros edecéteras com cabeças penduradas nos taipais e varais, viraram meias rotas de se usar como pano do chão, mantas de trapos, esfregonas ou desperdício das oficinas de limpar esterco com titica de cachorro. Mudos e quedos por ali ficavam a fingir heroicidades… A retirar telhas dos “montes” no meio das estepes, das abetardas de Panoias e acima de Ourique.

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Naquele então de 1975 e em Angola, pelas FAP, era reconhecida a incapacidade de se impor pela força em qualquer decisão sem ficar livre de grandes riscos. Pois então, não era isso que se pretendia? Ninguém vai responder a isto! A Comissão Nacional de Descolonização referiu que a seguir ao alivio que representava o Acordo de Alvor, Lisboa não mais quis saber do que acontecia em Angola. Era notório o desinteresse crescente na opinião pública e das forças políticas do M´Puto por estes problemas. Nós seriamos o ”biltong” com jindungo a virar piripiri. Bem dizem os brasileiros: pimenta no cú dos outros, é refresco…

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No dia seis de Setembro de 1975, Savimbi recusou reconhecer a nomeação de Leonel Cardoso como Alto-Comissário exigindo a saída da tropa portuguesa do Sul, por não assegurarem a segurança dos desalojados (não distinguiu bancos de pretos). No primeiro encontro de Leonel Cardoso como Alto-Comissário com Agostinho Neto, este acusou a tropa portuguesa de fazer negócios escuros vendendo nas lojas de Luanda géneros da Manutenção Militar, e transportando bagagens de civis para Portugal a troco de dinheiro ( e, era verdade!).

retornar9.jpg Mas que desfaçatez alegar isto quando até aqui tinha tido apoios por mais inconcebíveis das FAP; era um crápula, um cara-de-pau da pior espécie… Neste momento até me apetece escarrar na múmia dele, seu feio focinho, todo o veneno do mundo! Ninguém é de ferro para suportar estas merdas, dum safado poeta de sexta categoria, posto como libertador dum povo no bombom da gasosa portuguesa. Era de prever que aquele país iria ficar num caos! E, o mundo nem aí! Dando palmas com os falsos americanos na linha da frente. E, a Europa submissa a estes filhos do dólar (que um dia irão beber petróleo…).

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A 27 de Agosto, tropas regulares Sul-africanas com oitenta homens e 12 viaturas blindadas, entravam pelo Roçadas e Calueque. Desde os incidentes de Junho que o Poder Legislativo e Executivo estavam totalmente entregues ao MPLA. Os meios de comunicação eram também controlados pelo MPLA incitando permanentemente os Luandenses ao ódio, racismo e tribalismo, sempre culminando com um comunicado do Bureau Politico do MPLA.

roxo138.jpg Estes faziam levianamente acusações gravíssimas ao governo Português, as FAP e ao povo português, aos brancos em geral! Porra! Era, e continua a ser no apetecer dizer a tanto desaforo! Luanda era o centro político militar do MPLA; uma bomba relógio! O repatriamento implicava alguns procedimentos desde procurar a pessoa em Angola até a colocar em Portugal dizia neste então Gonçalves Ribeiro, o pai da “ponte Luualix” acrescentando que ainda faltava ir buscar algumas pessoas a áreas onde não havia qualquer segurança…

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:40
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Quarta-feira, 7 de Junho de 2017
MALAMBAS . CLXXII

CINZAS DO TEMPO07.06.2017 - REFLEXÕES NUM GUARDANAPO DE PAPEL (grande e amarelo!) - Não há maior religião do que a verdade! Somos o que somos enquanto o somos!

MALAMBA: É a palavra.

soba15.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpgAntonio José Canhoto

Os caminhos da vida cruzam e descruzam pessoas, proporcionam encontros e desencontros que podem levar a amores e desamores, a violências, parafilias sexuais, retaliações, vinganças, casamentos, divórcios, separações, paixões escaldantes e arrebatadoras, obsessões doentias e perigosas ou suicídios. A vida junta e afasta pessoas independentemente da raça, ou credo e assiste impávida e serena, ao desgaste, erosão e convulsões dos relacionamentos humanos, às alegrias, desgostos ou dramas que afectam a humanidade. A vida temporal decorre há milénios umas vezes mais plácida e serena do que outras, mas em qualquer delas nunca nos podemos esquecer que o mundo tem armas muito poderosas para nos destruir sem que a humanidade possa intervir, chegando eu a pensar que em muitas das vezes em que a sua ira nos é mostrada são avisos.

144.jpgAs retaliações de como nós os humanos sem critério ou rigor abusamos do privilégio de podermos habitar algo que nos foi oferecido numa bandeja sem condições ou critérios. Elas surgem! O mundo faz-me lembrar um dote que os noivos recebem em forma de casa completamente mobilada e equipada, cuja sua obrigação é nela habitar zelando pela sua manutenção e conservação. Contudo nós terráqueos não temos sido dignos de habitar este paradisíaco éden pela forma descuidada e criminosa como o usamos.

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 E, sem dele cuidar para que gerações futuras possam ainda nele ter alguma qualidade de vida. Era esperado que este jardim ou horta continuasse a ser plantado e fosse cuidado, regado e podado como se fizesse parte da casa onde habitamos. Infelizmente o homem em relação ao planeta terra tem mostrado o pior dos seus instintos destruidores tratando-o de forma esclavagista e não lhe concedendo quaisquer direitos básicos de protecção. Assim como existe uma Declaração Universal dos Direitos do Homem deveria existir o mesmo tipo de direitos para o planeta Terra.

roxo90.jpg O mundo onde vivemos foi-nos concedido nele habitar, gerir e cuidar como se fosse um Protectorado por quem o criou, tenha sido pelo processo Criacionista ou Evolucionista. Cabe a nós mortais trata-lo, alimenta-lo, usa-lo, gasta-lo, aliena-lo, vende-lo, empresta-lo, aluga-lo, hipoteca-lo de uma forma discricionária e de conformidade com as nossas opções ou necessidades do momento. O mundo é implacável, não tem filhos eleitos ou enteados, não se deixa subornar pois é incorruptível, nem dá tratamentos preferenciais a ninguém. Portanto, perante ele, apenas somos seres, que quando nos tornamos ciclicamente excedentários e começamos a ameaçar o equilíbrio demográfico, torna-se necessários remover ou eliminar a quantidade que começa a desequilibrar os pratos da balança.

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Para que isso aconteça as leis que gerem o Universo vão assistindo de forma imperturbável e passiva aos desmandos dos humanos, mostrando ocasionalmente a sua ira, raiva e revolta através de cataclismos expressos por manifestações climatéricas, terrestres ou marítimas agrestes e violentas deixando rastos de destruição indescritíveis nas áreas geográficas onde decide exercer e retaliar pelos desmandos que a humanidade faz nas suas entranhas. Por vezes em minutos, o trabalho e investimentos de anos de labor e suor vertido na edificação de melhores condições de vida para aqueles que nela habitam são arrasados pela ferocidade com que os elementos da natureza nos atingem vergando a espinha dorsal da humanidade  e, colocando-a de joelhos a pedir clemência.

roxo149.jpg Muita gente tem de morrer para que não nos comecemos a comer uns aos outros pela falta de bens básicos de consumo, que cheguem para alimentar tanta gente. Estas leis imutáveis com que a natureza ocasionalmente nos brinda, nada nem ninguém as pode alterar, mudar ou controlar e muitas são difíceis de prever ou antecipar. Contudo a humanidade e a ciência evoluíram ao ponto de poderem detectar com alguma antecedência certos fenómenos para que os danos sejam minimizados e as pessoas protegidas. Existem várias maneiras de estar na vida e no mundo, como motor ou como carga, uns fazem-no avançar, pular e saltar com grandes descobertas, uns fazem história porque nela intervieram outros apenas a lêem.

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Uma minoria passará a ser recordada para todo o sempre, outros serão esquecidos mesmo antes de fisicamente morrerem. Uns vivem a vida de uma forma contemplativa desprovidos de bens materiais entregues á meditação de se elevarem para estágios da terceira visão. Outros nascem sobre o signo do fatalismo e mantêm-se num estado letárgico de imobilismo quase permanente queixando-se de tudo e de todos desistindo às primeiras adversidades, entregando-se sem luta ou rendendo-se cobardemente às primeiras investidas da vida, quando esta os contempla ou confronta com desafios, agruras, desapontamentos, desilusões ou lhes bate à porta com más notícias.

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Há quem viva a sua existência intensamente até às últimas consequências como se o mundo acabasse no minuto seguinte. Para os parasitas e sanguessugas da sociedade, que apenas ocupam espaço, e respiram o oxigénio tão necessário a todos aqueles que labutam de sol a sol, a morte deveria estar mais atenta e não ser tão condescendente com estes párias da sociedade. O mundo no seu movimento de rotação e translação não para, não espera, não adia a sua marcha inexorável para que os atrasados ou lentos acelerem o passo a fim de acompanhar o seu ritmo, ou que desistam desmotivados pelos revezes do destino. O mundo não se compadece das nossas quedas, ou das opções erradas que tomamos, nem dos períodos de convalescença ou de reflexão de que precisamos para recuperar fisicamente ou para redefinirmos posicionamentos perante a nossa forma de estar no mundo.

bruno13.jpg O Mundo ou a sociedade segue o seu destino de uma forma implacável, indiferente aos problemas humanos, estatuto social ou financeiro; todos iremos morder o pó ou o fogo consoante a forma como desejarmos dispor do nosso bem-amado esqueleto. Quanto maior for a nossa tendência para pouparmos dinheiro ou energia física pelo desgaste vivencial pensando com isso que por cá andaremos mais tempo que os outros - é puro engano! Todos deveríamos gozar a vida diariamente e usufruir daquilo que ela tem de bom para nos oferecer, e algumas até de forma gratuita, como seja por exemplo o nascer ou pôr-do-sol as fases da lua, constelações, sol da meia-noite, e as belas paisagens de algumas regiões do globo, ou a imprevisibilidade de nos cruzarmos com pessoas interessantes…

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Uma pequena queda, pode como num texto longo como este, mudar o curso da estória de nossas vidas. Adiar o presente é comprometer o futuro, por isso, não devemos arranjar desculpas para evitar viver o dia de hoje, adiando para melhor altura a continuação de viver a vida. Diariamente esta confronta-nos com todo o tipo de desafios, tentações, oportunidades que nos levam a ter que pensar, escolher, decidir quais as melhores opções a tomar perante as diferentes situações que se nos deparam, sendo algumas delas de decisão imediata que não nos permitem dormir sobre as mesmas.

araujo82.jpg A vida é uma faca de dois gumes; quanto menos nos expusermos a ser cortados tanto melhor, pois os golpes tanto podem ser superficiais como profundos os quais podem deixar marcas difíceis de sarar e cicatrizar. Compete-nos minimizar o risco sem que com isso tenhamos que nos demitir de viver a vida, resguardando-nos no nosso casulo e só saindo á rua em carro blindado, colete á prova de bala, com um regimento de guarda-costas e com médico na comitiva. É imperativo que sejamos cautelosos, previdentes, ter senso comum e alguma sorte, pois os riscos de cairmos nas ciladas, minas e armadilhas da vida podem acontecer a qualquer um, menos preparado ou prevenido causando-nos incapacidades de curto, médio ou longo prazo.

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Nossa vida pode ser longa ou curta, e sobre isso não temos grande poder de decisão, mas por outro lado temos a possibilidade de a não provocar ou desafiar incorrendo em riscos desnecessários ou estúpidos de querer provar a nossa imortalidade, por pensarmos que somos superdotados ou nascemos sob uma boa estrela que nos protege e ilumina – Lérias! Não convoquemos ou exorcizemos demónios que não podemos controlar, nem aceitemos desafios que sabemos de antemão não poder vencer por falta de aptidões comparativamente com as do nosso oponente.

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Que ninguém pense que a vitória ou derrota é apenas alicerçada no factor sorte, pois a avaliação é feita em disciplinas de competência, rigor e conhecimento. Que ninguém tenha a veleidade de pensar que pode controlar o ciclo da vida, e muito menos sair vencedor das batalhas que com ela temos desde que somos trazidos ao mundo. Podemos sim, ganhar algumas delas, mas a guerra final, essa sempre a perdemos na hora em que nos finamos. Finalizamos!

araujo69.jpg A vida concede-nos o privilégio de decidir se queremos viver na sua faixa rápida ou lenta, ou ainda a de ficarmos parados com o sinal de genuína ou falsa avaria, ou nas zonas de descanso por tempo indeterminado sem correr qualquer tipo de risco, vendo cobardemente a vida passar por termos receio e medo de a viver. Com esse tipo de atitude, apenas nos resta esperar que num certo dia acontece o ciclo acabar; que venha corrigir um erro da própria vida que foi o de nos ter feito nascer. Somos uma ilusão!

Texto escrito a 1-4-2014 por Canhoto

Ilustrações de Assunção Roxo e Costa Araújo

Eu, Soba Niassalês, T´Chingange, homologuei-o



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:50
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Quarta-feira, 31 de Maio de 2017
FRATERNIDADES . XCVI

CAFÉ DA MANHA - Quem é capaz de definir a AMIZADE? São os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos….

Por

t´chingange.jpegT´Chingange (Otchingandji)

macuta com soba.jpg Ando a dormir quatro horas por noite e, é por isso que rebolando para um e outro lado, a mente se inquieta de tanto pensar. E, recordei esta noite que aos meus sete anos o meu pai Manuel, Cabeças de alcunha era o maior, o meu pai herói. Não havia outro mais importante e sabedor. Com o correr da idade aos dezassete anos era umas velhadas; um retrogrado de mente atrasada e desinserido das vivências do mundo, meu mundo. Era essa emancipação comum que inicia na puberdade e se agrava com o correr dos anos até que se fique homem! E, quem diz homem, diz mulher, de nuances diferentes ou diversificadas.

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Aos vinte e sete anos já pai de filhos começa-se a dar valor aos ensinamentos de seus ascendentes, pai e mãe. Cuidar dos filhos perdendo noites, da dor de dentes e febres que surgem e passam com as mezinhas de chás de cidreira e camomila entre outros ensinados pela mãe e pai. Neste então nossos pais começam a ficar com valor; agora entendo-os, dizemos com frequência e de forma agravada quando sentados num banco de consultório esperamos saber o que é que o filho tem, qual é a coisa que o atrapalha na saúde.

ET2.jpg Aos trinta e sete e até sem muito reflectir dizemos de nós para connosco: Meu pai era mesmo um herói, ele e ela minha mãe, sempre me diziam isto e aquilo; vejo agora quantos valor tinham seus ensinamentos. Das muitas observações que fiz e faço, vejo que o grande elefante tem uma cria e, esta começa assim que nasce logo a andar. Num gnu, búfalo ou impala, a cria cai de seu ventre e, passados que são vinte minutos já estão andar atrás da mãe. Nós humanos, levamos quase um ano para começar a dar os primeiros passos.

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A natureza é tão surpreendente que ao recordar isto e aquilo comovemo-nos, uma sensação que vai enriquecendo com o tempo, com os momentos de alta felicidade e os outros desmazelados ou descuidados momentos. Hoje durmo menos e penso muito mais! E, fico agradecido aos amigos, especialmente os de longa data. Amiúde lá vem à mente o pai e a mãe. Se fossem vivos, isto e aquilo não aconteceria com muitos edecéteras que naquele então desprezávamos.

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Já avós, nosso pai e nossa mãe passam a heróis! Eles eram os maiores, em tudo pensavam e de tudo tiravam proveito para nos encher de felicidade. Davam-nos o miolo ficando eles com as cascas! Por nossa vontade eles ficariam vivos para a eternidade. Chega-se ao ponto crucial de entendermos o porquê de Cristo querer ir para o pé do pai assim tão novo, com uns escassos 33 anos.

mamoeiro.jpg Há coisas que só com o tempo nos amadurecem. E, reflectindo vimos os momentos inaproveitados nas atitudes belas de que fomos apetrechados. Deveríamos ser doceis com nossas mais próximos e muitas vezes lá vem o maldito interesse de se tirar proveito disto ou aquilo nos relacionamentos. O negócio! Deveria dizer muitas vezes a minha mulher ou filhos o quanto os amo mas, sempre descuidamos esta vertente sentimental. Gritamos pelas coisas fúteis do clube, numa viva o Sporting ou o Benfica, Vasco da gama ou Palmeiras.

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É quando nos descuidamos disto que reflectimos nos intervalos dos dias que nosso bem maior é aquela pessoa que ali está ao lado mas, que nem sempre o lembramos. Tal como os pais que há tanto tempo se foram e sempre os recordamos: Se eles aqui estivessem a coisa era outra! E, no pior ou melhor, sempre achamos que sim, eles eram os pais heróis.

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Hoje desperdiça-se muito a felicidade tornando-a descartável! Não há aquela vontade de agradar de ceder ou compreender e, mais tarde damo-nos conta que seria muito melhor ser assim e não daquele jeito! Se, olhássemos para o comportamento da natureza decerto tiraríamos maior proveito de tudo mas, tem sempre um mas a emperrar a máquina da vida.

poluição.jpg Ando a cultivar o amor, a regá-lo como rego as flores de meu jardim mas o mundo lá fora está a ficar muito cheio de loucuras, de muita avareza, de petulância e de atitudes perversas. Não admirará que quando chegar aos noventa anos se queira ir para o pé do pai. Cada vez mais se compreende do porquê Nosso Senhor quis ir tão novo para o pé dele, o Pai. Estou a dizer isto sem aquela doentia forma medrosa de dar graças a Deus e com a temeridade que ao longo dos séculos nos tem incutido.

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Hoje vai ser um dia diferente, vou à praia com meus adoptivos filhos de Pirituba e minha neta Kira que ganhei e, porque em tempos seus pais me adoptaram como seus! Num repente passaram também a ser a minha família e, com eles redescubro-me outra vez. A vida tem um jeito surpreendente de colocar ao nosso lado as pessoas das quais realmente necessitamos: Um bom amigo, um irmão de alma, um amor para sempre, um alguém que nos faz ver o melhor em nós mesmos…

socras4.png Alguém que nos entenda e nos respeite assim como se é. Viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé, nossa inspiração maior. É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para se ser feliz! É provável que muito outros o tenham dito de outra forma mas que importa se estou ou não, repetindo isto a mim mesmo. Não se pode morrer em vida, não se pode desistir de amar, de criar. Não se pode e, até devia ser proibido e pecado! Com tudo isto direi pelo que sei: -Não é possível adiar a vida, aproveitem todos os segundos, minutos e horas.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:01
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIV

AS PROFISSÕES VÃO ACABAR! - REVEJA SEU FUTURO - Hoje deveremos educar e formar jovens e pessoas não para exercer uma profissão, mas sim para as dotar de um mapa de competências laterais e transversais.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Em janeiro de 2012, o The Wall Street Journal informava que a Kodak estaria a preparar-se para iniciar o seu processo de falência, algo que ficou confirmado a 19 de janeiro de 2012, quando a mesma empresa solicitou um pedido de concordata para restruturar os seus negócios num tribunal em Nova Iorque. Em 1998 a Kodak tinha 170.000 colaboradores e era líder mundial na venda de papel fotográfico com uma quota de mercado de 85%.

ara3.jpg Ainda nesta década tínhamos em Portugal o Banco Espírito Santo que chegou a ser o maior grupo financeiro privado português e líder na satisfação do cliente. O mesmo BES obteve vários galardões internacionais tais como no âmbito da iniciativa "World's Best Banks" em que foi considerado o melhor banco português pela revista económica norte-americana Global Finance. A mesma opinião tinha a revista The Banker que considerava o BES como o melhor banco em Portugal.

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Em 2007, a então famosa marca finlandesa de telemóveis Nokia liderava o fabrico mundial de telemóveis, detinha uma quota de mercado nas telecomunicações de aproximadamente 40%. Quando surgiram os rumores dos primeiros smartphones, os responsáveis da marca finlandesa consideraram que estes seriam telemóveis de nicho e não telemóveis de venda massificada. Este erro de avaliação saiu bem caro à Nokia que acabou por cair no desaparecimento do panorama mundial de telemóveis… O que podemos concluir destes três exemplos é que na actualidade não existem sectores imunes à turbulência económica e que o facto de termos sucesso empresarial numa determinada época não garante em nada um futuro próspero…

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Agora gostava de transportar esta realidade para as profissões do futuro… Se há quatro ou cinco anos perguntássemos aos taxistas qual o impacto da tecnologia na profissão deles, quase posso adivinhar que muitos refeririam que o impacto seria diminuto e talvez alguns mencionassem que as tecnologias os iriam ajudar, a título de exemplo o GPS. O que sabemos hoje é que temos uma indústria de softwares que lentamente está a destronar os taxistas através de aplicações inteligentes…

araujo6.jpg Por sua vez o desafio é tão grande que nos próximos anos os condutores que estão ao serviço destas marcas de aplicações poderão ser destronados pelos veículos autónomos que estão próximos de ser uma realidade. O mesmo se passaria se perguntarmos aos advogados portugueses, qual o impacto da tecnologia na sua profissão? Alguns responderão certamente que o avanço tecnológico será um bom complemento, no entanto, negarão que poderá pôr em causa a sua profissão.

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No entanto, não acredito que seja assim nos próximos anos… Actualmente a IBM desenvolveu o ROSS, que é o primeiro advogado de inteligência artificial do mundo. Este novo sistema cognitivo de inteligência artificial consegue emanar um parecer em apenas segundos, analisando a legislação, jurisprudência e ainda fontes secundárias. O ROSS obtém uma exactidão nos seus pareceressuperiores aos humanos. Enquanto o ser humano obtém 70% de exactidão o sistema de inteligência artificial obtém um eficácia de 90%.

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O que se está a passar na advocacia está a acontecer na medicina. Hoje temos sistemas de inteligência artificial muito mais eficazes e fiáveis no diagnóstico de doenças do que médicos qualificados para o efeito. Um destes dias levei a minha mulher ao hospital do Alvor (Algarve); ia com uma tensão arterial muito fora do normal sendo a alta de 22. O médico veio de lá de dentro ensonado e receitou Paracetamol! Como é? Um espanto e, assim ficamos sem denunciar esta anomalia. Não morreu porque não calhou!

araujo1.jpg Um computador não iria dar um placebo destes para quem está tão aflito! Fiquei bem preocupado com o nosso futuro, nossa saúde ficando na mão de gente incompetente ou desclassificada, mesmo que sendo formada na melhor universidade do mundo! O homem ficou demasiado vulnerável às vicissitudes do desleixo e por vezes, muitas vezes está uma vida em jogo. Muito provavelmente este médico foi um bom aluno, teve médias altas em seu curriculum mas neste dia falhou! Muito provavelmente um outro medico com menos notas no seu curriculum, teria mais aptidão e vocação do que este rustico e desleixado doutor !

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Conforme o que explanei, não existem sectores nem profissões imutáveis; neste sentido hoje deveremos educar e formar jovens e pessoas não para exercer uma profissão, mas sim para as dotar de um mapa de competências transversais que as ajudem a desenvolver durante a sua vida não um, mas sim vários cargos. 

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Meu filho que é duplamente licenciado no campo das artes anda todo entusiasmado com sua horta, sem emprego dedica-se com amor às suas alfaces, tomates, repolhos e até poejos que fazem uma bela açorda! Dá-lhe mais vantagens do que aceitar um trabalho remunerado com menos do que o vencimento mínimo! Que país é este? Infelizmente vamos ter de repetir isto e, cada vez mais.

araujo86.jpg Algumas destas competências transversais são: criatividade; flexibilidade; comunicação; gestão de prioridades; resolução de problemas complexos; pensamento crítico; inteligência emocional; negociação; o estado deveria investir em haver mais fonte de trabalho mas, um governo vem, outro vai e a bosta continua cheirando mal! É forçoso termos bons gestores no governo ao invés de gente que se cursa nos gangues com nome de partidos e, que só nos trazem infelicidades. Gerir um país como a Dona Arminda minha mãe Topeta nem é necessário andar na escola; ela era pouco mais que analfabeta e fazia contas mais rápido do que eu com calculadora… Surripiar-nos no nosso património, nos nossos ganhos, é a coisa mais fácil! Basta escrever um decreto e já está! Assim não brinco!

Ilustrações de Costa Araújo Araújo

Do Soba T´Chingange - com a ajuda dum Gestor e Professor Universitário…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:49
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Segunda-feira, 22 de Maio de 2017
MUJIMBO . CXV

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPOVALEU A PENA ?! - Já nem interessa chorar sobre o molhado! A justiça do ressarcir nunca se irá verificar mas podemos e devemos relembrar tudo o que se passou…

kimbo 0.jpg As  escolhas do Kimbo

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto

Segundo dizia Fernando Pessoa no seu poema “O Mar Português” “Tudo vale a pena se a pena se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deram. Mas nele é que espelhou o céu”. Agora a minha versão do mesmo poema. “Angola Portuguesa”- “Valeu a pena ter descoberto Angola. Obviamente que sim, para quem não tem uma alma pequena ou uma memória curta. Quem como nós passou pelo processo da descolonização Angolano, que nos fez ver dolorosamente a bandeira portuguesa espezinhada e enxovalhada por uma mão cheia de traidores, foi como voltar a passar pelo Bojador”.

demo1.jpg Os valentes e arrojados descobridores portugueses ultrapassaram todos os perigos e abismo dos oceanos desconhecidos de forma valorosa e destemida. E, foram neles que espelhamos os tempos mais gloriosos da nação Portuguesa. Valeu a pena desde Diogo Cão até ao Marechal Costa Gomes, ter nascido em Angola ou para lá ter emigrado como colono livremente ou como militar obrigatoriamente?

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E, ao fim de uma vida perder todo o seu património conseguido pelo do suor do seu trabalho; é algo que cada um tem que responder de acordo com a sua consciência se valeu a pena. Por todas as páginas do Facebook dedicadas a Angola, vê-se facilmente que não é pelo saudosismo político colonialista imposto pela monarquia e posteriormente na república por Salazar ou Caetano que existe uma atracção magnética de todos aqueles que beberam a água do rio bengo.

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E, ficaram irremediavelmente de forma misteriosa presos ou enguiçados pelos cheiros e gentes daquela terra. Todo aquele que lá nasceu ou viveu, não guarda qualquer tipo de rancor aos angolanos pelos trágicos e longos meses que precederam o 11 de Novembro de 1975 pois entendemos como o chamado “Poder Popular” foi manipulado, para servir os interesses dos lacaios liderados por Agostinho Neto.

desenr1.jpg Alguns portugueses tiveram a coragem de nunca lá saíram, outros tiveram a ousadia de para lá regressarem, mas a grande maioria com a guerra civil que começou de imediato e se prolongou assolando o país por mais de 20 anos jamais voltou. Os retornados que ficaram em Portugal já eram demasiado idosos para contemplar a ideia de voltar passado esse tempo, além de que já tinham aqui reconstruído as suas vidas, outros emigraram para o Brasil pela familiaridade linguística, e uma minoria optaram por países que não os condicionavam pelo idioma ou qualificações académicas.

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Se Angola tem tido em 1975 um homem da estatura e calibre de um Nelson Mandela ainda hoje todos lá estaríamos pois comparativamente com o inferno Sul-africano em que os negros viviam, Angola era um paraíso pela não existência de um sistema degradante e segregacionista chamado “apartheid”.

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Infelizmente na sua generalidade, Angola não está melhor hoje do em 1975, se é que não estará bem pior para a grande maioria dos quase 20 milhões de angolanos. Obviamente que ter diamantes plantados em terra ou rios e petróleo no mar de entre muitas outras riquezas minerais fez de Angola um dos países mais ricos do Continente Africano.

monteiro1.jpg Mas ao mesmo tempo que a riqueza angolana nasceu, também proliferou igualmente uma elite de novos-ricos todos eles conectados com o MPLA que governa o país há 42 anos consecutivamente. Quem nasceu ou viveu por longos anos em Angola passou por grandes dificuldades de adaptação onde posteriormente se tivesse radicado, tendo sido mais sentida por aqueles que regressaram a Portugal.

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Os que regressaram ao M´Puto, por cá ficaram - Tiveram grade dificuldade de integração ou adaptação á mentalidade vivencial Portuguesa da época. Todos os que nascemos em Angola ou Moçambique possivelmente passamos pelo mesmo privilégio de ter uma juventude e liberdade vivencial inigualável a qual nada tinha a ver com aquela que era vivida em Portugal.

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Termino este texto reiterando uma vez mais que apesar da minha já provecta idade continuo a reafirmar que ter passado cerca de metade da minha vida em Angola e tendo de lá saído indigente aos 33 anos, não a trocaria por nada feste mundo.

Canhoto aos 28-2-2017

roxo138.jpg TESTEMUNHO 1: - Claudino Rosa Soares - Fez este ano quarenta e dois anos que me vi obrigado a deixar Angola. Infelizmente, isso me trouxe após vinte e três anos de permanência, todo o tipo de incompreensões. O paradoxo de comportamentos do povo Tuga, impõe-se em oposição com a recepção dada agora aos novos refugiados vindos de outras paragens, com outras culturas e outro ADN. O como foi prestada aos trabalhadores da mesma Diáspora (de Angola), os retornados estigmatizados.

roxo135.jpg E, que até hoje nunca foram reabilitados, nem ressarcidos. Falando por mim: porque me fizeste isto meu Portugal? Nos primeiros tempos durante o PREC foi a animosidade dos concidadãos, em simultâneo a boicotagem da entrada nos empregos de quem vinha chegando! Dois me surripiaram no ramo cervejeiro. Quando cheguei diz-me a funcionária que me recenseou? -O senhor já escolheu Hotel? Hotel!?

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Tenho dois filhos pequeninos e a senhora fala-me em Hotel … está a gozar com a minha cara ou quê. Paguem-me um bilhete para sair daqui. E pagaram mesmo! Mas a partir daqui fiquei só, enfrentando a vida tenazmente e, na clandestinidade. E passaram quarenta anos! Vivo desde esse tempo num misto de liberdade e escravidão.

REPU2.jpg Conheci todos os governos de Portugal pós Democracia e por incrível que pareça nenhum tentou sequer resolver problema de tal magnitude! Mas aqui: refiro-me evidentemente aos trabalhadores da Diáspora do Império, já que os funcionários públicos já cá chegavam com o papel da reforma! O mesmo país; situações idênticas! Soluções diferentes! Eu cheguei com dois filhos de tenra idade, fui de imediato jogado para o esgoto da História!

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As TVs os Jornais deslumbrados com a sua democracia mergulharam-nos num silencio tenebroso! O que quero é justiça! Aquilo que até os seres inferiores procuram… É por isto que hei-de reivindicar sempre esse bem que deixei num dos bairros pobres de Luanda. E se Deus existe, Portugal bem precisa da ajuda para repor e discernir a legalidade que lhes foi surripiada…

araujo63.jpg TESTEMUNHO 2: - António Monteiro - Já nem interessa chorar sobre o molhado! A justiça do ressarcir nunca se irá verificar mas, podemos e devemos relembrar tudo o que se passou, a grande traição! Esta manobra que resultou num governo ilegítimo, vai ter fim e Angola vai reviver e reconhecer nossos filhos como gente de N´Gola porque o são de direito! Angola com leis absurdas que não reconhece quem de lá saiu. Tudo tem de mudar sim! Uma cambada que ainda anda entre nós, corruptos e bajuladores; abutres do mundo mwangolés e tugas ladrões...

Escrito de José canhoto com dois testemunhos adicionais como adenda…

T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:26
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Sábado, 13 de Maio de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 13.05.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXI. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75…

Por     

t´chingange 0.jpg T´Chingange - (Otchingandji)

(…) Eu estive com muitos desses tais “angolanos de gema” nos Adidos e na Cova da Moura que amavam Angola, terra de que nunca sairiam, blá-blá-blá. Esses mesmos que faziam rusgas e revistavam nossas bagagens quando daquela confusão de fugir, de sair de qualquer maneira daquela terra, gente que cantava o MPLA da vitória ou morte, gente que se dizia vanguardista. Enfim! Eles tinham essa ilusão e, assim vendiam seus préstimos como urubus ao serviço do MPLA atrapalhando ainda mais o desespero entranhado em muitos de nós.

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Muitos destes, ainda andam por aí, como reformados, retorcendo suas consciências porque afinal cometeram um injusto procedimento! Estes, traíram-se a si mesmos! Outros voltaram à sua querida Angola, sua tão apregoada terra de que eu, tanto gosto; a maioria regressou de novo ao M´Puto acabando por dizer que não encoberto num sim frustrado! Afinal aquela terra já só era deles, dos pretos! Falo assim porque senti na pele o tratamento rancoroso, eu que brincava com eles pelos musseques, que também eram meus, pensava assim mas só isso; coisas do pensamento! A estória estará sempre muito repleta deste tipo de gente que se vende por três tostões.

moka31.jpg E, Portugal, o tal de M´Puto, acabaria por dar guarida a carrascos e fujões (desculpem-me a expressão) que de forma enrolada, misturada se foi acomodando aqui e ali, salvando os hotéis e concebendo arranjinhos de safadeza, explorando os refugiados, ditos retornados como eu. No aeroporto as senhoras prestimosas das Caritas e Cruz vermelha (não todas, felizmente), iam despejando desaforos como muxoxos soprados subtilmente ou não: “Só nos faltavam estes ranhosos”. Eramos nós, despidos de preceitos, ouvindo calados o desaforo de irmãos, de patrícios, de gente com nosso sangue! Isso doeu muito! Só não se lembra disto quem não quer lembrar!

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Os heróis de tuji foram-se misturando com os demais, as estórias sucediam-se engravidadas de medalhas, gente que revistou, impediu, prendeu, gente que pintou e bordou a manta em acontecimentos tristes! A 17 de Agosto, Lúcio Lara, um mulato raivoso do MPLA solicitava ao embaixador Russo em Brazaville o envio de peritos soviéticos Para o Estado-maior das FAPLA em Lunda. E, afirmou nesse então: O Comando do MPLA necessita de conselheiros qualificados em questões de estratégia militar.

moka32.jpg Não lhes chegavam os altos mandatários portugueses e cubanos! É que no dia 18 de Agosto de 75, coisa bem concertada, Rosa Coutinho, chega a Cuba tendo dado garantias e sua palavra que era tal e de tanta força que… Que não seriam colocados entraves à entrada de militares, oficiais cubanos. E, assim foi! Logo no dia 21 de Agosto daquele ano, somente dois dias depois daquelas afirmações, desembarcou em Luanda uma Missão Militar Cubana (MMCA – Missão militar Cubana - Angola). E, surgiram os CIR (Centro de Instrução Revolucionária) em todos os lugares já sob controlo do MPLA.

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Esses lugares podem enumerar-se como sendo: Cabinda, Benguela, Henrique de Carvalho, e N´Dalatando. Foi garantido por Cuba na pessoa do oficial Humberto Arguelles que antes de Novembro (1975), os recrutas estariam prontos para combater. Ainda Leonel Cardoso não tinha chegado a Luanda na qualidade de Alto-Comissário e já os membros do MMCA tinham começado a chegar – finais de Agosto e início de Setembro de 1975.

moka33.jpg A infelicidade de tudo isto é a de que os “genuínos angolanos” como eles diziam e dizem, gente do MPLA, foram e ainda o são, uns refinados mentirosos, astutos, traiçoeiros e ladinos em toda a linha. Enfim, cazucutas! A 19 de Agosto e em vistas de uma proclamação unilateral de independência por parte do MPLA, a UNITA e FNLA, já congeminavam em conversações mais ou menos secretas, também e em seguida, proclamar a independência nas suas zonas de influência.

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A 22 de Agosto de 1975, Portugal suspende a vigência do Acordo de Alvor sem o denunciar. A 25 de Agosto a posição do MPLA é cada vez mais forte; com um grande contingente de homens, armas soviéticas e portuguesas e um melhor comando operacional com assessores cubanos e sempre os disfarçados portugueses, que sem querer, iam querendo, traindo-se entre eles.

moka34.jpg Os portugueses encontram-se agora em um dilema impossível porque já não tinham tropas suficientes nem vontade de lutar; tinha-se assim esgotado a estratégia de dialogar entre os Movimentos. Já ninguém confiava em ninguém! Entretanto, a ponte “LUALIX “ ia-se fazendo aos tropeções, caixotes e imbambas amontoados nos quintais esperando transporte. Durante as noites só se ouvia o matraquear de martelos fazendo caixotes mas, também rajadas um pouco por todo o lado nos bairros da Luua. Os Tugas brancos eram já coisa moribunda, cada um por si pregava seus caixões com recuerdos e tralha mais fotos a enviar para o Cais de Sodré. O cheiro da traição era doloroso e tinha agora sonoridade em toque de dó, sem rê nem mi e sol intervalado com tiros e rebentamentos…

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Neste entretanto, em terras ribatejanas via pela TV o esbracejar do louco primeiro ministro português Vasco Gonçalves, ora espumando ora lançando cravos ao povo; o desentendimento entre os quarteis eram mais que muitos entre guedelhudos revolucionários feitos à pressa e às ordens de oficiais bandalhos, cagões generais de aviário da qual só saiam disparates. Os mais sóbrios estavam a dar-se conta dos erros cometidos. Isso de dar jinguba a macacos sem os ter enjaulados, levantava celeumas.; tarde piaram!

moka38.jpg O conselho dos assessores portugueses, segundo um relatório oficial, o MPLA deveria usar uma estratégia discreta no uso de navios que transportavam suas armas, seus carros de combate, tanques e canhões sem recuo. Por via deste arranjo, não se poderia imaginar tanta petulância e arrogância dos mwangolés mijando nos seus parceiros tugas disfarçados de Ché Guerra (só para a foto). E, também uma desfaçatez no sequente trato dado aos Tugas portando-se como uns refinados mentirosos. Agora tudo surgia com suavidade falaciosa. Em finais de Agosto de 75 a nova Brigada das FAPLA comandada por N´Dozi, treinada na URSS, recebia dez blindados BRDD-2, morteiros d 82 mm, pistolas e baterias antiaéreas.

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Tudo aquilo foi descarregado a 75 Km de Luanda por um navio soviético. Leonel Cardoso é por fim nomeado Alto-Comissário como Almirante, junto com o Comandante-Chefe adjunto General Heitor Almendra. Para Savimbi firmar trégua com Neto, seria necessário o MPLA evacuar todas as zonas de influência dos outros dois Movimentos e que Luanda fosse declarada “zona neutra”, o que nunca viria a acontecer.

moka37.jpgNo M´Puto a crise político-militar arrasta-se perigosamente (vozes comunistas). Existe o perigo real de um avanço reaccionário e da formação de um governo de direita que, no imediato ou a médio prazo, irá pôr em causa as liberdades e as outras conquistas fundamentais da revolução, como as nacionalizações e a reforma agrária... O embaixador dos EUA em Lisboa, Frank Carlucci, faz uma viagem pelo norte do país, que se prolonga em mais dias visitando Porto, Braga, Viseu, Vila Real, Chaves, Viana do Castelo. Que andaria ele a fazer?

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As coisas iam mudar! Os americanos metiam o bedelho decidindo novas trajectórias. Nós, retornados estávamos a ser moeda de troca. Frank Carlucci manteve conversações com os governadores civis de Viseu, Vila Real e Chaves e com os bispos de Viseu, Vila Real e o representante do Arcebispo de Braga. Carlucci estava em todas as frentes… O PPD revelava-se numa directa responsabilidade nas violações da ordem democrática imposta pelo CR-MFA de mãos dadas com os comunistas. A provocação surgia na forma de violentos conflitos de rua, assaltos a instituições, embaixadas, e outros aparelhos de Estado.  

moka22.jpg O Estado estava periclitante! As comissões de trabalhador mais sindicatos levantavam seus punhos decidindo tudo de braço no ar! E, eu aqui no meio disto olhando, ouvindo, vociferando silêncio, com vontade de fugir sem saber para onde! Parecia estar-se à beira de uma guerra civil; havia movimentos de tanques para Tancos. As máquinas de guerra rolavam pela minha rua perto do rio Almonda. Seu barulho ecoava nos aposentos vazios de minha casa, despida de património; despida de haveres. O eco era O PPD fazia esforços para conduzir a tentação de confrontos armados entre militares, para tapar o caminho à guerra civil...Assim parecia ser!

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:32
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Domingo, 7 de Maio de 2017
MALAMBAS CLXXI

AI.IÚ.É - TAMBULAKONTA – 07-05-2017 - Harmoniosamente nostálgico, doidejo-me ao ar como se alguém me fustigasse o corpo com urtigas bravas.

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Não achando terreno propício a desabafos, encurtei-me no cochicho do cubículo sem poder desviar meu mal-estar de sorrisos murchos mais para além dos meus pardos amigos colados na parede com farinha de trigo, mofados, fungosos; eles, alguns, também envoltos em maquinações safadas. Mas, que resulta andar agitado, transbordando indignação por prolongarem o pagamento da dívida d M´Puto por mais cinquenta anos, quando tudo parece estar bem no país da Alice e da Fátima.

coimbra2.jpg Chegado do Brasil, uma terra difamada nos caracteres arredios da delação premiada, infensos aos barulhos da caatinga, divago-me na desconfiança dos tempos que tomam sentidos novos, equívocos sem discernimento ou alinhavados no desleixo, ausência de véus, de rezas balofas com améns de precauções sem remédios. Mesquinharias pingadas na rotina de velas queimadas, orações de avé-marias lançadas nos pinheirais cacimbosos da Cova da Iria.  

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Nos caminhos orvalhosos que levam a Fátima o centro do mundo, sito no M´Puto, aí vou eu com as notícias repetidas á exaustão! Tudo contínua igual! Francisco para ali, Francisco para lá e, como e aonde fica e edecéteras que não deveriam interessar ao meu diário. Direi mesmo notícias mais refinadas conjugando desacordos em embalos de andor e, que sempre me deixam assim um pouco perplexo. No país dos três efes (Fado, Futebol e Fátima) como poderei dar um pulo, passar à frente nesta algaravia propaganda televisiva aonde se fala muito dizendo pouco. Parece até que já estamos no ceu!

fatima1.jpg E, não consigo desembaraçar-me disto, das falas; dar nomes exactos às coisas que me parecem complicadas. O preferível mesmo, é realizar-me em sessões espíritas porque sempre me deparo rodeado de gente estranha; gente que usa a insatisfação em desejos impossíveis, gente mergulhada em sonhos restaurando coisas velhas, outras rasgando indumentária nova para se fazerem notar, estravagâncias faladas com grosserias à mistura com sabedorias convencionais dos doutos e, um vive la France! Uma bajulação de fazer jeito…

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Em momentos de aperto no tempo, ficamos contra, só por ficar! E, suprimimo-nos por vezes mas, muitas vezes somos suprimidos, sublimados. Sim! Somo-lo por gente materialista, gente de meia-tigela, gente política flutuante. Alguns, muitos, sem consciência e consistência, incompetentes em verdade. Ninguém é de ninguém, na vida tudo passa; vamos fazer o quê? Como gostamos de andar embalados!...

fatima2.jpg E, agora nós acusando disfarces dum ambiente banho-maria com zumba nos intervalos, comendo uma francesinha cheia de banhas para inchar. Apercebemo-nos que sim! Há navalhas nos espíritos, gelo nas fisionomias! Será que ando a abusar do cloreto de magnésio! Dessa bulunga que tomo para eliminar os triglicéridos… Tudo anda assim num vai e vem num impossível de conjecturar se a explicação ouvida é falsa ou verdadeira.

soba03.jpg Gasto meu tempo a espremer os miolos, compondo, inventando e eliminando e, no final fico sempre a remoer cada frase, com paciência de boi, de burro consumindo-me átoa no tempo! Ando preso a ele por pequenas minúcias. É por isso que terei de entrar numa viagem astral mesmo que seja aos solavancos, entrar nas ondas alfa e delta e, sem gravidade atravessar paredes …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:00
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Sábado, 15 de Abril de 2017
FRATERNIDADES . CXIII

CAFÉ DE PÁSCOA - Quem é capaz de definir a AMIZADE? São os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos….

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange (Otchingandji)

páscoa3.jpgEm nossas vidas, na linha do tempo visível, teremos sempre de criar um ou dois planos alternativos em nossas atitudes para não esbarrar com ideias intransponíveis, quebrar outras que não são assim tão edificantes, ou porque adoptamos durante um espaço de espaço não revidar o mal praticado por um outro. Pois é bom de, quando em vez, reactivar o plano B ou plano C.

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A nossa tendência é quase sempre rever os ressentimentos, as coisas menos boas e, nem sempre recorremos à capacidade que temos de gerir tudo com mais optimismo! Em um qualquer estado meteorológico do tempo real ou nosso estado cacofónico, o melhor a fazer é sair de casa, sair do mukifo ou do cortiço, quer chova ou faça sol, espairecendo nos ares, esquinas ou florestas. Decerto, encontrará na natureza sempre um motivo um pormenor diferente para suprir a compreensão dum pequeno desaire, assim como uma virgula e pontuação fora do lugar.

araujo Páscoa.jpg Um caçador tinha um cão e a mãe do caçador era também o pai do cão. Tudo corrigido, irá surgir uma outra ideia ou interpretação pelo que, dizer-se vulgarmente que as coisas nem sempre são como parecem ser. Surge assim “Um caçador tinha um cão e a mãe. Do caçador, era também o pai do cão!” Uma forma de fala que tem de ser lida pelo menos três vezes para se apreender o sentido correcto … (Assunção Roxo)

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Para meu sossego tenho até um plano D com vírgulas e pontos de exclamação ou interrogação suplentes mas, sem saída, este D torna-se desistência; normalmente quando falha o plano A, recorro ao B e ainda o C mas, em verdade há coisas de que não podemos ser donos. Seremos sempre dependentes dum espaço que a seu tempo nos come o corpo, o cérebro e a sabedoria.  

roxo79.jpg Invariavelmente recorre-se ao modelo cultural que nos foi legado pelo tempo num valha-me Deus mesmo que se esteja sentado num sábado de páscoa e numa concha de convicções com a mente bulindo num futuro desconhecido ou num passado que um dia vem e outro se vai na ilusão que somos e, que sempre seremos. Ninguém é dono de seu destino mas, pode sempre que se queira, fazer um novo começo!

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Podemos sim desenvolver nosso altruísmo, desenvolver nossas mentes apetrechando-nos de modos de vírgulas e outras pontuações, algumas até desconhecidas porque um dia seremos “nada”. Flutuaremos por aí no universo como que percorrendo uma fita como a de nióbios que não tem fim. Hoje Sábado de Páscoa, rasgo meus pergaminhos de falas apócrifas para manter no topo meu plano A e, desejando aos meus amigos bons augúrios também num plano A sem recorrer a uma saída para um espaço ainda mal conhecido, lá numa galáxia de permanente azul celeste.  

chicor4.jpg Assim aos Amarelos aos Roxos, aos que formam meu Arco-Íris digo para se manterem unidos numa base de sustentabilidade possível e porque, são os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos. Mas pergunta-se: É lícito pagarmos um tributo? Pois então, a César o que e de César! Hipócritas há muitos e, não nos podemos vender por trinta dinheiros e ficar saboreando um pedaço de pão molhado.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:24
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Terça-feira, 4 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXIX

NAS FRINCHA DO TEMPO -30.11.2016 KIANDA COM ONGWEVA - 14ª com várias partes… Com Zachaf Pigafetta Roxo, Januário Pieter irmão desta e o Conde de Saint Germain.
Ongweva é saudade

Nota: Esta 14ª Parte não foi publicada em seu devido tempo. Deveria ter surgido depois de 5 de Outubrodo ano de 2016 e por descuido só veio a ser publicada no facebook em Kizomba a 30 do 11 de 2016
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Tinha sido combinado encontrar-me em Madrid com as kiandas o Conde de Saint Germain, Zachaf Pigafetta e o irmão Januário Pieter no Museu do Prado, mas não foi possível faze-lo na data aprazada, no entanto mantínhamos contacto através do ipad! Eles tinham compromissos no aquietar de almas desavindas em desassossegos antigos e oriundos da África Austral. Aproveito por isso falar um pouco do entrelaçado de malambas já faladas entre nós a fim de arrumar os eventos vindouros para que se compreenda o desfecho da estória-mussendo.
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A origem de Saint Germain ainda hoje é desconhecida, mas o que sabemos é que marcou presença a partir do século XVlll pelas cortes da Europa destacando-se como diplomata em Génova, Paris, Londres, São Petersburgo, Índia, África, China e outros lugares. Ele, com frequência refere ser filho de um príncipe oriental. O certo é de que sua idade tal como as demais kiandas, sendo indefinida, tem a particularidade de quando necessário tornar-se numa normal figura de gente.

cafu15.jpg Niassalândia (actual Malawi) foi assim denominada por causa do Lago Niassa de onde originaram Januário e Zachaf Roxo. Em setembro de 1859, o explorador e missionário escocês David Livingstone tornando-se supostamente o primeiro europeu a avistar o lago, o terceiro maior da África. Um dos encontros foi exactamente com o Conde de Saint Germain, que por ali se envolvia em actividades missionárias e comerciais britânicas.

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Na década de 1880, Portugal reivindicou o território em virtude de sua presença na colónia vizinha de Moçambique mas a Grã-Bretanha resistindo às reivindicações portuguesas, em 14 de maio de 1891 proclamou um protectorado sobre Niassalândia tornando-se parte da Federação da Rodésia e Niassalândia em 1953. Após a dissolução da federação, alcançou independência total a 6 de julho de 1964 como a República do Malawi.
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A Grande Traição é o título das memórias publicadas em 1997 por Ian Smith, último primeiro-ministro da Rodésia. Sua obra oferece uma interessante panorâmica da história desta importante parte da África austral e relata minuciosamente como os nossos “amigos” britânicos e Estado-Unidenses não descansaram enquanto não lançaram o calvário naquele pedaço de chão. A requerida paz, lei e ordem, factores fundamentais para qualquer evolução autêntica e segura, foram sacrificados em favor da hipocrisia, da irresponsabilidade, da expediência.

cafu17.jpg As nossas três kiandas andavam por ali tentando introduzir nas mentes pensares pacifistas mas foram logrados em toda a linha. A mais interveniente foi o Conde de Saint Germain mas mesmo esta, esfumou-se. As memórias de Iam Smith interessam particularmente aos portugueses, euro-africanos genuínos e pioneiros, escandalosamente imolados e esbulhados pela traição doméstica a soldo de uma conspiração internacional - tragédia odiosa que brada aos céus e clama por justiça!

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Cumpre ressaltar as páginas elogiosas que Ian Smith dedica a Salazar e a Portugal a quem rende sincera homenagem à nação euro-ultramarina que, com a nobreza da simplicidade e a força do carácter, cumpria a sua missão histórica de povo, defendendo com determinação os seus legítimos direitos e interesses perante os mais fortes do mundo. Sobre Salazar, dizia ser este um estadista excepcional, cuja craveira intelectual e moral deixaram nele uma impressão única e indelével.
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Foi o Conde de Saint Germain que destrinçou esta parte da estória que os historiadores pulam por conveniência ou falta de caracter. A Grã-Bretanha, empenhada na sua demissão histórica, anuncia a dissolução da Federação das Rodésias e do Niassalândia com vista à formação de Estados “independentes governados por maioria negra. Smith é o único do seu partido a manifestar oficialmente a sua desconfiança em relação à proposta explicitada por Londres.

cafu18.jpg Para ele, a Inglaterra, no afã de obter a simpatia de afro-asiáticos, Estado-Unidenses e Soviéticos, estaria disposta a liquidar o seu “problema colonial” com o abandono puro e simples da população branca - os mesmos indivíduos que no conflito mundial de 39-45 deixaram a paz dos seus lares para irem arriscar as próprias vidas no socorro à Grã-Bretanha. Foi o caso dele.

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Em 1964, dez anos antes da abrilada portuguesa, Ian Smith é eleito primeiro-ministro. Numa visita oficial a Lisboa encontra-se demoradamente com Salazar e este diz-lhe declaradamente que os rodesianos seriam traídos pelos ingleses; que Portugal prestaria o auxílio necessário a Salisbúria. Pouco depois, aqueles a quem Fialho de Almeida chamou de “carrascos ruivos do Tamisa”, concretizavam o que o estadista português sentenciara.

SALAZAR 2.jpg A lembrança deste encontro profético em São Bento ficou para sempre gravada na sua memória, plenamente convencido de que, se Salazar tivesse vivido dez anos mais, a Rodésia teria sobrevivido. Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. Sua vida política passa então a reger-se quase que exclusivamente por duas constantes: a neutralização dos efeitos das sanções impostas pela ONU, sob a batuta de Londres e Washington; e o combate ao terrorismo e à guerrilha de obediência comunista que faziam a sua desumana entrada no território.

cafufu7.jpgE é agora e por intermédio destas três kiandas que me é dado conhecer toda a arte de velhacaria que invadiu o dito mundo moderno através dos arautos da verdade, os primos Ingleses e Americanos que continuam a ditar leis aos outros povos, sabendo à partida que é tudo uma utopia ou farsa. Nós, que estamos vivendo os problemas que nos cercam, podemos dar a importância devida ao que engloba este nosso recente passado para rectificarmos ou ponderarmos sobre o nosso futuro. Sabemos bem o que ocorre hoje nestes territórios de uma gestão catastrófica de puros ditadores.

(Continua…)
O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:13
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Sexta-feira, 31 de Março de 2017
MULUNGU . LIV

NAS FRINCHAS MU UKULU . A HISTORIA DE ADÃO, UM HOMEM QUE NUNCA FOI MENINO. A cultura de um povo tem as suas nuances interessntes. Esta vem de N´Gola

Mulungu: É uma árvore de grande porte com flores vermelhas, é um espanto vê-las isoladas na savana; Mu Ukulo: outros tempos...

soba k.jpg As escolhas de T´Chingange

Por

maga1.jpgLuis Magalhães

O meu Pai dizia que o seu maior segredo era não perturbar e não interferir nas culturas e tradições do povo pois só assim é que ganhava o respeito das pessoas. Esta história que aqui vou relatar era uma situação já muito conhecida pelo meu Pai pois que as tradições eram Lei e como tal tinham que se cumprir. Perante isto, não havia Lei de branco algum que a pudesse alterar. E, é aqui que entra um homem de nome Adão que nascido desafortunado, singrou na vida, se bem que, teve de se esfolar todo para alcançar sua tão desejada paz.

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Adão, era juntamente com mais quatro irmãos, órfão de Mãe; ela tinha falecido precocemente devido à tuberculose e seu Pai, analfabeto, comeu o pão que o diabo amassou para alimentar aquelas cinco bocas; com isso, trabalhava de sol a sol e mendigava de porta em porta aos fins-de-semana com um saco às costas aonde metia as parcas esmolas - geralmente era um naco de pão ou um pedaço de toucinho que já ninguém comia por tão rançoso. Até moço, foi dependente das sobras de gente rica, gente muito distraída das outras vidas. Enquanto isso, ele pai de Adão, descontava o tempo que tinha para olhar a malga de sopa ofertada ou fruto de seu trabalho ocasional.

ÁFRICA7.jpg Segundo os patrões, dinheiro não abonava, uma vez que a vida estava muito difícil para todos. Quanto aos filhos, Adão foi o único que frequentou a escola; o único que comia algo na cantina. Não passou da quarta classe. Num gesto de agradecimento ao Pai por tê-lo metido numa escola, nunca abandonou, coisa que era comum ver-se.

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Não se sabe se por espirito ou por necessidade aguçar engenho, Adão falou com o seu patrão, proprietário de uma quinta enorme; Adivinhando necessidades de uma cavalo para distribuir leite para as pessoas, levar a farinha do moinho ao cliente solicitou ajuda. Foi desta forma que passou a ganhar algum dinheirinho para o seu sustento e na ajuda ao Pai! O patrão alugou-lhe uma mula velha por cinco escudos ao mês e, foi assim que começou, a quase ser um empresário. Os irmãos tinham dado o "salto" para França, nada de notícias. Cabia-lhe assim prestar auxilio ao progenitor.

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Nesses tempos de Salazar, entretanto, apareceu-lhe o Partido Comunista a seduzindo-o para militante e, ele foi nessa! O azar foi tanto que a PIDE soube e ao Adão só lhe restou fugir para Angola; a prisão esperava-o! Alistou-se entretanto como voluntário escapando assim ao carcel. Recebeu sua guia de marcha para Angola. Lá nas terras quentes, rapidamente se apaixonou pela forma de se tocar a vida – um destino feliz! Terminada a sua comissão militar, eis que foi convidado pela PIDE/DGS, um arremedo de sorte que o levou a aceitar seu destino. A partir daí a vida começou a sorrir-lhe; ao fim de ano e meio chamou o Pai que já estava avançado na idade.

arte4.jpg E, porque um homem não é de ferro, umbigou-se a uma mulher negra, muito bonita e, de quem teve três filhos. Seu pai, agora avô, revia-se agora nos netos alegremente, um soro de alegria. Andou tudo muito bem até que um dia apareceu em sua casa um soba a dizer que ele Adão, tinha de se umbigar também com a cunhada. Como é! Refilou de espanto. Segundo as leis indígenas, tinha que casar com a cunhada porque o marido dela  fez uafa, morreu!

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O Adão ficou intrigado; para resolver a questão resolveu ir ter com o meu Pai que tinha um cargo administrativo. Depois de o ouvir, foi-lhe dizendo que já tinha resolvido muitas macas dos costumes deles, dos pretos mas, nunca com um branco na pele do leão! Marcou-se um dia para resolver o assunto e na hora aprazada, eis que o meu Pai vê uma carrinha azul-escuro (uma Chevrolet Apache) conduzida pelo Adão. Na cabine vinham a mulher e os filhos, atrás na caixa aberta, vinham mais umas oito pessoas.

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No meio de uma algazarra tremenda meu Pai mandou-os descer; apercebeu-se que eles já vinham a discutir o assunto pelo caminho, e vieram então ao seu encontro. Eram os dois sobas das duas aldeias. Vinham resolver a maca! Na visão deles estava tudo solucionado! Depois dos cumprimentos tensos mandou-os entrar no edifício da Administração. Ouviu assim os relatos sempre sob o ar apreensivo de Adão. Meu pai após ter ouvido os sobas, chamou a mulher agora viúva e, logo um dos sobas com um ar de desagrado replicou: Sô Chefe, o marido destas mulher morreu e segundo o nossa tradição ela tem que casar com os cunhado!

ÁFRICA1.jpg Mas olhe só, que ela num quer e num diz do seu porquê? Meu Pai pensou durante uns segundos para amadurecer a resposta e virando-se para Adão perguntou-lhe: -Queres aceitar esta mulher, tua cunhada, para a sustentares com cama e roupa lavada e, trabalhando para ti nos afazeres da casa? Adão olhou desconsolado para o meu Pai, também para os sobas e, disse pesaroso que sim, um sim bem emperrado diga-se! Pois que era essa a Lei dali! Ia fazer mais o quê? Quase como protesto calou-se em seguida.

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Bom! Meu Pai olhou para a viúva e em tom de aviso, trejeito de olhar o Adão dizendo aos sobas: - Ora bem, o Adão aceita as vossas Leis mas, tu (viúva) também tens que aceitar as Leis dele - as leis do branco! Perante isto gerou-se um zunzum de falatório e, de tal ordem das partes que o meu Pai mandou-os ir para debaixo de uma mulemba em frente ao Posto para falarem da maca. Quando tivessem a decisão final, que lhe viessem dizer! Tudo isto perante o ar cabisbaixo de Adão que dava pontapés no ar e muxoxos imperceptíveis.

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Isto porque não via o meu Pai foito em tomar a posição que seria desejável, pois era ele a força, a autoridade. Os sobas já com sua vontade inconclusa disseram a meu Pai que a mulher queria falar! Pois que fale, replicou! Ela começou então assim: -Sô Chefe eu por Lei tenho que me casar com o meu cunhado, mas eu num querer mêmo nadaaaa!?

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Ao ouvir isto o meu Pai ficou baralhado e perguntou: -Então você por Lei tem que casar com o seu cunhado e, agora, não quer, porquê? E, respondeu ela muito lampeira: -Sô Chefe eu gostar mêmo era dos meu márrido, mas como não gosto do homem branco, agora num quér casar ótra vez dinovo. Deixa ficar só assim memo, porque num gostar das leis dos branco!

moc1.jpgLuis Magalhães in Kizomba com Historias da Vida

P.S: Ouvi esta Historia da Vida em Nova Lisboa da boca do Adão, que foi a minha casa almoçar a convite do meu Pai. Adão foi viver na altura para Serpa Pinto ou Pereira D´eça com a família. Se a memoria não me engana, foi assim mesmo, talqualmente!

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:35
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Terça-feira, 28 de Março de 2017
CAZUMBI . LIII

CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, por causas alheias e à revelia da nossa vontade …

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Gosto de fazer turismo integral; isto quer dizer que me apraz fazer o que qualquer um, cidadão, faz em seu quotidiano, aonde quer que seja. Isso não foi possível fazer em Cuba há uns bons dezasseis anos atrás. Tinhamos um guia de nome Mercedes, uma funcionária que nos dava indicações e uma outra funcionária governamental que vigiava esta. Em verdade, ambas andavam controladas por outros e pelo medo delas mesmo!

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Ficamos instalados no Malecon, marginal da baia de Cuba, lugar aonde os namorados iam passear em velhos galáxias, chevrolletes rabos de peixe prometendo coisas sonhadas ao ritmo de um bolero ou um merengue mambo caribeño. Carros que arrancavam a gasolina e depois rodando um botão passavam a consumir querosene e mistelas de graxa com biodiesel ou óleo queimado de fritar batatas!

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O cheiro era intenso e nauseabundo! O tal de “ El mujito” com hortelã era só nos sonhos escritos de Hemingway, esquinas roçadas de preguiça, casas despintadas, calles apiertadas e, umas silhuetas de “Ché el comandante”. El olor a mierda por entre los muros sim color, tambiem se hacia sentir! La Cuba romântica de los sonhadores… E, la mujer rindo com alguns dientes amarillos convidando nosotros a gozar la vida del amor. Pópilas!

cuba 0.jpg Percorremos a Ilha em um autocarro conduzido por um antigo combatente em Angola; tinha feito seu serviço militar naquele paraíso, palavras que ele calcou dando a entender ser lá muito melhor que aquella isla aonde agora estávamos. A várias perguntas minhas, ele respondeu, nada! Somente que aquella era el paraíso en la tierra. Foi para mim muito confrangedor dar de regalo, oferta de coisas que sendo insignificantes para nós, para eles, Cubanos, tinham alto valor.

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Esse alto valor eram simples esferográficas bic, chinelos de dedão, roupas geans e outras insignificâncias como bonés de marca e futilidades ocidentais. Muitos dos turistas em grupo nem se apercebiam ou não o queriam ver que ali em Varadero havia um apertado controlo aos naturais de Cuba! Em verdade era um território controlado por fronteiras apertadas e aonde só entravam para além dos turistas os trabalhadores dos hotéis e outros equipamentos de captação de divisas.

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Ao turista davam uma fita colorida que era posta no pulso e, esse era sinonimo de pedir o que quer que fosse tanto de bebida como comida. Claro que isto só se verificava nesta península cheia de belas praias, passeios pelas rias em barco com visão submarina, festivais de golfinhos e outros entretenimentos para agradar os Ocidentais vindos da tapurbana europeia.

CUBA LIBRE.jpg Deu para perceber que o controlo aos empregados era apertado pelas mensagens indirectas que nos transmitiam; tudo faziam para agradar e, daí advir uma gasosa extra, uma limosna, um agrado em dinheiro, sapatos ou roupa. Elas e eles enfeitavam nossas camas como se fossemos os príncipes das arábias; faziam arranjos com as roupas chamando a atenção do agrado! Sempre correria umas suplementares moedas.

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Estando agora no Brasil posso garantir estar este país a alguns anos em avanço social! Vivendo como um qualquer residente uso habitualmente o ónibus, os táxis de lotação e ando muito a pé por onde quer que seja e na maior liberdade! Em Cuba tinhamos disfarçadamente uns quantos policias à perna, cobrindo nosso itinerário e revezando-se no trajecto de forma dissimulada. Tudo parecia ser um gueto!

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O Brasil social, já nesse então estava muito para além daquela terra de Cuba aonde funcionam os comités de bairro, de trabalhadores e outros que tudo controlam. Falando com um engenheiro que nos conduzia em um ovomobile (uma moto com arranjos feito ovo e, com dois assentos para alem do condutor) a perguntas minhas foi-nos dizendo o grau de carências que vivenciavam!

che0.jpg Este sim! Longe dos olhos fiscalizadores disse tudo o que já sabíamos ser de ruim! Ele engenheiro de máquinas tinha de usar aquele escape para ganhar um pouco mais do que os míseros dez dólares que recebia de vencimento base por mês. Nem quis acreditar mas vim a confirmar que assim o era! Eu disse dez dólares! Minha nossa!

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Pelo que sei agora o Raul, irmão de Fidel está alugando médicos ao exterior. Há muitos no Brasil residindo com regras apertadas; a família fica lá em Cuba, uma forma de garantir o retorno e também manter-se em silêncio; ele não está autorizado a falar de sua terra e, sabe-se que aquele estado Isla Caribeña leva-lhe  metade do seu vencimento senão mais. O preço daquela liberdade é bem alto! É certo que anda muita gentinha a dizer que ali sim é uma terra boa; gente que gosta de viver com agrados de servidão…Só pode! Tenho amigos que vêm aquilo como coisa de outra galáxia! E, é! Só que do lado do purgatório.

cuba01.jpg Aquele mecânico do Ovomobile foi nos dizendo que os comités de trabalhadores rurais têm de fazer permanentes relatórios dando indicação de quantos animais as famílias têm e, se porventura abaterem um boi ou carneiro sem autorização são chamados à pedra respondendo em juízo como se um crime se tratasse. Ninguém está autorizado a apanhar fruta do chão; tudo é do estado; tudo tem de ser autorizado.

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A melhor carne, o melhor marisco como lagosta e camarão é todo para a exportação! Eles ficam com as patas pró mocotó, os rins, fígado e por aí! Não admira o tal chofer que fez serviço militar em Angola ter dito que aquilo sim; era um paraíso! Ainda insinuou dúvidas do porquê de termos deixado aquela terra mas ele, nada era naquela nomenclatura comunista; o pensamento é ali uma coisa muito perigosa…

cuba3.jpg Entrei em uma loja do povo e só vi imundice entre sacos de farinha, arroz e algum feijão! As prateleiras das vendas assim parecidas como as do m´Puto lá dos anos de 1880 estavam apetrechadas com aquelas mesmas bancadas, medidas de quartilho e instrumentos de museu para ensacar farinha e grãos. Cheirava a mijo de ratos e bagulho de baratas! Estive com uma caderneta sebenta de uso em minhas mãos e, é ali que eles apontam tudo do cabaz básico a que todo o cidadão tem direito. Não deu para ficar com pena deles porque não sou galinha! Talvez mereçam viver nessa tacanha maneira de ver tudo ao jeito bucólico! Viva Cuba, pois claro!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:01
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Domingo, 26 de Março de 2017
PÉROLAS. IV

UM PALAVRÓRIO COM RACIOCINIOS CAPCIOSOS… O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezá-lo…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Em todos os artigos que tenho submetido a publicação no Kimbo são raras as contestações. Por via de ser assim ignorado, faz todo o sentido citar a expressão que não sendo minha, aqui se conjuga bem: “As minhas ideias estão assentes, não me confundam com os factos”. No mundo social em que estamos inseridos com grupos heterogéneos, quer políticos quer científicos, cada um destes grupos utiliza seu paradigma nas argumentações e, em defesa do seu próprio paradigma.

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Esta argumentação em circulo funciona mais por persuasão do que pela evidência lógica. Nos meus tempos de estudante dizia-se que a lógica era uma batata e, foi com essa dúvida que fiz um rádio galena a partir de uma batata cortada ao meio, uns quantos fios e uns auscultadores e um condensador. O certo é que a batata forneceu energia enviando para o espaço ondas electromagnéticas dessa suposta lógica.

calau-demonteiro.jpg Já disse algures que a história da ciência é fértil em teorias de sucesso baseadas em hipóteses “Ad Hoc”. Cabe aqui dizer que a lógica encaixa nas hipóteses ou nos fundamentos de uma teoria não convencional; como tal arbitrária! Estou assim a tentar encasquilhar refutações sofísticas que dependem da linguagem usada, a que podemos chamar de "sofismas linguísticos" ou refutações sofísticas que não dependem da linguagem extralinguística (palavrório).

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A indução que se procura dar como critério não arbitrário de ligação da experiência à teoria é um caminho incerto; tanto nos pode levar à verdade como ao erro, porque é baseada na ordem do Universo que sempre nos ultrapassa. Não há uma metodologia segura que nos conduza da realidade experimental às hipóteses e aos postulados das teorias. Pois então, reafirmo aqui que a lógica pode perfeitamente ser uma batata!

roxo27.jpg Muitas vezes os cientistas falham, não por falta de inteligência, mas por sagacidade em demasia. Presentemente as metodologias ficam tão apanhadas de uma sofisticação tão vazia que se torna muito difícil discernir os erros básicos. Depois da “teoria dos erros” e da “teoria da incerteza”, teremos de acrescentar a “teoria da simplicidade”. A única resposta a isto é ser-se tosco ou superficial.

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Desmistificando o verbo, podemos somar a todo o conhecimento que “A natureza ama a simplicidade”. Foi Liev Tolstoi que contrastando com as igrejas e governos, pregava uma vida simples e em proximidade à natureza. E, foi Johannes Kepler um astrónomo alemão que em defesa de Tolstoi pelo que afirmava no livro “Guerra e Paz” nos veio a afirmar que toda a ideia importante teria de ser simples.

araujo1.jpg Claro que o caminho da simplicidade tem um grau elevado de subjectividade nos seus critérios e nos domínios a que se referem; simplicidade na formulação de uma teoria na sua capacidade de memorização, na sua lógica formal e, nos seus princípios básicos. Nas relações entre fenómenos, nos conceitos, nas imagens físicas que produzem a instrumentalização necessária para fabricar feromonas ou empatia. Assim sendo não poderei transformar neste meu palavrório os fundamentos teóricos, em postulados.

roxo79.jpg Estou a tentar não censurar o que não posso compreender e, porque frequentemente aquilo que nos parece um mal é um bem! As nossas faculdades são tão limitadas que o conjunto do todo escapa aos nossos sentidos obtusos. No processo de falsificabilidade, uma certa filosofia mostrar-nos-á ser isso, imprescindível em ciência.

 

Ilustrações de Costa Araujo e Assunção Roxo

(…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:09
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Quarta-feira, 15 de Março de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXX

TEMPOS PARA ESQUECER - 15.03.2017 - ANGOLA DA LUUA XXIX. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo…

Por     

t´chingange.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

(…) A UNITA não permitia a entrada da tropa portuguesa em Nova Lisboa (Huambo) alegando que em outros pontos do território as PAP assumiam atitudes favoráveis ao MPLA e tinham toda a razão para assim procederem. A UNTA deu 24 horas às FAPLA para saírem de Nova Lisboa e assim veio a acontecer com a escolta protectora das Nossas Forças (NF) até ao Dondo, bastião carbonizado em posse do glorioso MPLA. Entenda-se por NF as tropas do M´Puto, as FAP que tudo faziam em agrado do MPLA e, por instruções explicitas do CR (Concelho da Revolução) e seus generais de aviário.

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Pode notar-se nesta descrição o comportamento diferenciado por parte da UNITA em relação às outras forças; certo que tudo iria descambar mais tarde para coisa ruim mas as contingências da guerra aberta e sem mando capacitado, já não permitiam manter o aprumo desejável. Neste então a UNITA deu tempo às FAPLA para recuarem ao invés destes e das FALA que atacavam sem prévio aviso e com todo o potencial mortífero.

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No Cunene, as tropas da UNITA já faziam rusgas aos trabalhadores Sul-africanos nas barragens de Caluéque e Ruacaná por se recusavam a regressar ao trabalho. Recorde-se que estas estações hídricas estavam cercadas pelas FALA e os naturais Ovambos negavam-se a trabalhar sem garantias de segurança; foi assim que a queixa de Pretória chegou à Embaixada Portuguesa. Os furtos de viaturas e o desaparecimento de pessoas provocavam receios e o êxodo da população branca sendo que, a cada novo dia, se complicavam ainda mais por ampliação de confrontos armados.

moka19.jpg Nas horas daqueles dias a vida não valia um vintém; tudo ficava ao sabor da sorte. Nestas aflições sem controlo visível, surge a figura de Gonçalves Ribeiro batendo-se pela criação de estruturas àquela que se veio a chamar de “ponte aérea” e, que só se resolveu em pleno quando mais de cinco mil pessoas se juntou no Largo fronteiro do Cinema Miramar da Luua pedindo a todas as embaixadas que mandassem transportes aéreos ou marítimos a tirár-nos daquele inferno.

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Isto veio a acontecer com a supervisão de Gonçalves Ribeiro, o pai da ponte “LUALIX”. A CIA dizia nesse então que Lisboa não tinha um suporte adequado no terreno que lhe permitisse evacuar mais de trezentos mil brancos ainda no território, nem para manter os voos no ar. Era verdade! Mas também havia aqui pressões para em troca da ajuda, Costa Gomes retirasse o vermelho Vasco Gonçalves do governo. E, foi isso que veio a acontecer!

moka28.jpg Este ex-internado na casa dos malucos, sector militar de Luanda andava esbracejando de mais naquele M´puto desvairado de liberdade. Ele que tinha tirado água da cacimba da Maianga com um cesto de vime! Como podia estar bem do juízo! Justificaram-no depois que estava a fingir para se livrar da operacionalidade perigosa. Tigres de papel! Mas, em verdade,  os americanos não dão nada de borla, teria de haver algo na cartola do tio Sam. Jogaram uma olha e Costa Gomes agarrou-se àquela bóia, pois então, dava jeito!

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Fomos em verdade, a moeda de troca; com um só porrete mataram dois coelhos como soe dizer-se! Portugal inundado de retornados anticomunistas, vinha mesmo a calhar nesta hora. E, o mundo observando estas manobras com o abutre Carlucci a dar palpites ao estado português através de Mário Soares e outros desclassificados diplomatas de cordel que iam ficando engradados de poder e dinheiro, pois!...

moka12.jpg Bom! Na N´Gola, as FAP já nem dispunham de bases aéreas para nos escoar; falo na primeira pessoa porque estava lá! Os confrontos permanentes entre todos os movimentos impediam o funcionamento dos aeródromos como o de São salvador, Cazombo, Maquela, Togo, Gago Coutinho, Cuíto Cuanavale e N´Riquita; Henrique de carvalho, Malange, N´Dalatando e Carmona já só tinham estruturas reduzidas, quase sem uso por falta de segurança e equipamento de apoio.

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Em Luanda encerravam vários consulados como o Britânico, Australiano e outros que o estariam prestes a fazer. Só neste então a Metrópole com seu CR tomou pela primeira vez “consciência da gravidade”. Costa Gomes e Vasco Gonçalves começavam a ser acossados pela Imprensa Internacional! Num muro do M´Puto no bastião comunista de Torres Novas e Riachos, terra natal de Otelo podia ler-se escrito pelos anarquistas: “ Otelo Saraiva de Carvalho, que lindo nome tens tu, tira o vê de Carvalho e mete o resto no cú.

moka22.jpg Em meados de Agosto de 1975 a luta era generalizada em Angola atingindo zonas que até aí tinham estado relativamente calmas. O MPLA dominava praticamente todo o litoral com excepção do distrito do Zaire. O Director da Companhia Mineira do Lobito, Horta carneiro foi morto nas hostilidades entre a UNITA e o MPLA. Tornava-se cada vez mais difícil a deslocação das colunas militares portuguesas devido à falta de garantias por parte da UNITA; tinham receio de ser atacados, acossados que estavam pelos constantes atropelos e, por sempre ajudarem o MPLA.

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No Luso, o Batalhão e população civil que deveria ter saído no dia 16 de Agosto, teve de ali ficar retido por via das confrontações. Na base do Luso ainda havia 600 pessoas para retirar e só tinham alimentos para mais seis dias. A coluna que seguia em apoio foi barrada na noite de dezoito para dezanove; pela UNITA foi-lhes apreendido todo o material, inclusive as viaturas que iam nos vagões; foram saqueados, insultados e obrigados a se desfardarem.

moka25.jpg Chegaram a Nova Lisboa em cuecas e descalços tendo o próprio comandante do Batalhão Luso sido espancado e posto de forma igual aos demais; em cuecas e sem botas! Jorge Serro recorda que isto ocorreu com o Batalhão de Caçadores do Moxico. Se não erro, neste então era ali Governador por parte da UNITA, Rui Perestrelo com quem nunca dialoguei sobre este assunto. Também ele acabou por se juntar como refugiado para o M´Puto usando a ponte e instalando-se em Silves no Algarve.   

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Veio a ser funcionário da Câmara Municipal de Lagoa e empresário no Carvoeiro; após a morte de Savimbi e, porque era preto acomodou-se de novo junto à nomenclatura vendendo talvez a alma ao diabo como todos os demais; procedimento típico de qualquer militante e, de um qualquer partido. O Kumbú sempre falou mais alto! A lassidão do trato português era tão elástica que tudo veio a rebentar-lhe na cara com a máxima tensão. Em Portugal ainda se coabita com gente que ou foi carrasco ou procedeu duma forma desleal e, no entanto foram aceites como funcionários sem retaliação notória. Também esta é uma forma de trair! O lugar deles seria em outro qualquer lugar menos ali no M´Puto.

gad3.jpg O Batalhão de “pé descalço ou em cuecas” deixou armas, rádios, munições e até material cripto. Foi o próprio Chiwale, segundo comandante militar da UNITA daquela região, que ordenou esta acção contra este Batalhão; diz ter sido como represália ao comportamento das NT (quando escrevo estas duas letras até me arrepio) em Sá-da-Bandeira. Tinha sido verdadeira esta afirmação! Pois foram as FAP que distribuíram armas ao Poder Popular na tutela do MPLA do Lubango! A eles entregaram todo o armamento da “OPVDCA” fardas, variado equipamento e explosivos…

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Quem lá permaneceu neste meio tempo, no pré e pós-independência, sabe que isto é verdade! Mentem quando tentam sanar o envolvimento do exército português; também por ali havia bastantes comunistas que se enfileiravam na victória ou morte mas, também para eles a coisa mudou e, lá foram regressando dizendo-se ser refugiados; uma coisa diferente daquele crisma de retornados! Uma hipocrisia que só em surdina reconhecem! Muxoxos de N´Gola! Dirão agora:- como fomos torpes! Muitos amigos sabem disto e até já nem o escondem! Será bem melhor darem a conhecer ao mundo o que em verdade, se passou! Assim se ressarcirão de algo menos correcto…

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:54
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Terça-feira, 14 de Março de 2017
LUBANGO . III

ANGOLA - TEMPO DE CINSAS . !Porque não esqueço - Memórias do FB - 14 de Março de 2016 - Quando os heróis ficam bronze até os nomes mudam…

Por

Torres0.jpgEDUARDO TORRES - Um Chicoronho de 3ª geração

Porque não esqueço, ao invés, tenho bem presentes acontecimentos que fazem a história da minha vida. Os meus antepassados foram para Angola em condições adversas, as pessoas da primeira colónia de que faziam parte os meus bisavós Pereira, ela grávida da minha avó Vitorina, desembarcaram e tiveram de palmilhar a pé ou em condições diferentes mas pouco mais cómodas, até atingirem o planalto da Huila, no local chamado Barracões, no ano de 1885.

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O meu pai, natural de Cantanhede, embarcou para Angola como militar, desembarcando em Moçâmedes em 1917, calculo de que modo terá também alcançado o Lubango. O planalto oferecia condições diferentes, era saudável devido ao clima ser ameno, que o diferenciava de grande parte do território, agressivo, onde as doenças como a biliosa, a malária e o clima quente e húmido permitiam dificuldades de toda a ordem. Quem não estava na melhor forma física era mais sujeita a sofrer as agruras da terra; Pessoas que vinham de outras paragens, duma civilização que nada tinha a ver com esta nova realidade eram atreitas a febres e outras mazelas.

LUBANGO 1.jpgAs próprias necessidades as tornavam solidárias, porque era absolutamente necessário que isso acontecesse. Eu próprio, nascido numa época diferente, numa cidade já bem delineada, ainda usando o chafariz para abastecimento de água potável , ou o candeeiro Petromax a petróleo e velas, porque a electricidade haveria de chegar, beneficiei, mesmo assim, com todas as limitações inerentes à época , de regalias que faziam esquecer as dificuldades, já que o meu pai dispunha de uma viatura Nash, que nos permitia dar passeios ou fazer viagens em estradas difíceis.

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Autênticas picadas rasgadas na selva, nas savanas ou nas florestas, mas sempre com a possibilidade de se verem animais diversos, que constituíam uma fauna farta e admirável. Os pontões, quando os havia sobre as mulolas, na maior parte dos casos eram formados por troncos de madeira de árvores cortadas ali por perto, ou então restava o atravessar em jangadas como sucedia no Rio Cunene.

ant4.jpg Mas havia outras compensações; Angola oferecia em cada lugar, em cada momento uma surpresa já que a natureza a dotara de uma beleza impressionante, perigosa até, mas talvez por isso, desejada e admirada. No meu tempo de criança, as estradas tinha melhorado, bem rasgadas, ligando as principais cidades; contudo, constituía ainda uma aventura viajar por elas, especialmente no tempo das grandes chuvas.

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Fora destas, outras preocupações havia, como cuidar da saúde, com medicamentos caseiros, como chás, quantas vezes intragáveis. Tão pequeno era ainda, tomava um comprimido de quinino que me punha os ouvidos a zumbir, purgantes de óleo de rícino que me obrigavam durante o dia a estar a caldos de galinha sem sal ou as garrafas de litro de óleo de fígado de bacalhau, tomadas a colheres de sopa durante a época do frio.

caprand0.jpg As constipações curavam-se também com escalda pés, uma bacia com água bem quente e cinza, onde se mergulhavam os pés, para depois se enrolarem numa manta, em seguida para a cama, e transpirar durante a noite para no dia seguinte estar melhor, tomando mel, limão e rodelas de cenoura, em xarope de paladar agradável.

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Ou tricalcina, um pó branco diluído em água para fortalecer os ossos, já que água da nascente era pura demais, sem o cálcio necessário, para o efeito. Usar o permanganato e o álcool puro para as feridas, as papas de linhaça, e outras mezinhas que foram desaparecendo, quando após o final da segunda guerra surgiu a penicilina, cuja invenção permitiu outro desenvolvimento.

nash1.jpg Desenvolvimento que deu origem a outros medicamentos derivados, como as sulfamidas que desapareceram do mercado farmacêutico, e que tantas vezes e com bons resultados foram usadas em diversos tratamentos. E o quinino, umas bolachas amarelas e amargas como trevisco! A resoquina ou Kamoquina para o paludismo que nesse então eram chamadas de maleitas, como assim era conhecido no M´Puto. Tanta coisa mudou depois, mas ficará para outra altura….

EDU



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:56
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Domingo, 12 de Março de 2017
MUXOXO . XLIX

TEMPO CINZENTOS . 5ª Parte (última) 14.03.2016 - Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida mas sim aquele que melhor se adapta a ela…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

sururu0.jpg (…) San José Del Tisnado do estado de Carabobo da Venezuela era um caserio com uma boa quantidade de casas térreas de pau-a-pique feitas em taipa, barro amassado bem por perto com argila à mistura com capim para dar consistência ao agregado; este tipo de construção veio desde a europa trazida por portugueses, técnicas antigas e já muito usadas pelos egípcios e romanos.

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Quase todas tinham grandes quintais com dispersas árvores de sequeiro e arbustos de cores garridas a embelezar as cercas, divisas entre vizinho; e havia mamoeiros, limoeiros, mangueiras, tamarineiros e arbustos indistintos a fazer sombra às capoeiras com patos, gansos, galinhas de angola e granisés. Mas alguns tinham como animais domésticos cobras rateiras, amarelas, tartarugas morrocois e até lagartos  de um castanho escuro que eu conheço pelo nome de  sengue em Angola.

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Como tenho vindo a dizer o topógrafo, geómetra engenheiro de estradas que era eu, surgia ao romper do dia em lugares pré-escolhidos para ali fazer suas observações solares; Tinha de ligar a estrada á rede geodésica através de coordenadas a partir do Sol e, isto de amarrar a estrada a coordenadas era uma explicação bem complicada para quem de forma curiosa queria saber o que estava fazendo ali.

baú1.jpg Pois então, surgia entre a bruma do cacimbo indistinto e húmido as sombras numa figura de T´Chingange da terra de N´Gola, tão distante e sempre tão perto na recordação; terras muito iguais, Venezuela com espinheiras e pau-ferro com bichos rastejantes e cheiros de musgos pré-históricos, folhagem com húmus amontoado por séculos escondendo bichos de mil patas e lacraus pretos do tamanho de caranguejos

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A trovoada quando surgia era impiedosa levando pelas linhas de água, barrancos ou mulolas, água aos golfões, ramos secos, troncos e restos de casas descuidadamente construídas em sítios menos próprios. Água barrenta, desesperadamente barulhenta. Cada trovão, um arrepio na coluna a descarregar respeito de medo para a mãe terra e, lá mais longe os raios a rasgarem a floresta, a mata com quem tinha de cohabitar. E, comi iguana, jacaré caimãs, morrocois, catxicamos e nem sei mais o quê!

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Se não morri quando comi macaco em Cabinda na pré-guerra do tundamunjila, não era ali e naquele agora que ia lerpar (morrer), assim como se dizia nas matambas de N´Gola. Pois, assim continuei comendo especiarias ao preço da chuva sem perguntar “que vaina era aquella” (que merda era aquela). Estávamos no ano da graça de 1977.

poluição.jpg Gosto de falar assim “no ano da graça” mas nem sei porquê o digo, porque a graça não era assim tanta mas, se os cronistas de antanho assim falavam, eu seguirei seus pergaminhos de falas transcendentes. Minha vida tem sido mesmomesmo corrida a ninharias que me mudaram o rumo e, ainda continua desse jeito, imprevisível; hoje aqui, amanha logo se saberá…

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No meio da selva tropical, mordia a natureza embotado em fumo de bananeiras e merda seca de boi para afugentar tanto mosquito que por demasiado amistoso fincava seus canudos em minha pele parda; tudo isto  sem saber que anos depois estaria em plena praia da costa brasileira olhando o mesmo Sol e escrevendo estes “recuerdos” já distantes.

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Quem me disser que “tive uma vida fácil” que responderei que sim! Quis o destino que andasse por mais de vinticinco países e, que por longo tempo em alguns, assimilei raízes de cidadão do mundo como gosto de o afirmar. Se voltasse atrás faria tal e qual, porque sempre me recolhi nos braços do meu céu. A lei humana alcança certas faltas e as pune, o condenado pode pois dizer-se que suporta a consequência do que fez.

valdir4.jpg  Se há um prejudicado nesta vida foi a herança legada pelas sortes. É o destino! Dizer que é só meu é uma falácia egoísta mas se assim foi, se assim é, não retrocarei outras falas e outras opiniões. É a vida! Alguém me diz agora que sou um Guru! E eu responderei que sim senhor, sou um canguru!

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Mas, não tiro daí dividendos, escrevo desta forma atravessada porque me dá prazer e só não escrevinharei um livro porque isto de autobiografias se tornou demasiado vulgar. Só escrevo isto para dar alguma alegria aos meus amigos e porque entre os solavancos dos dizeres, sempre eles irão sentir um pouco de si, e também cheiros, sabores e até amores. A vida tem de ser vivida, um dia de cada vez, nada mais que isto!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:47
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MALAMBAS . CLXVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO Tenho-me forçado a encontrar um herói perfeito, um que seja observador o quanto baste para investigar os antagónicos traços das pessoas que nos cercam… hoje estou em dia NÂO…

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

roxo131.jpg O homem procura instintivamente seu bem-estar e, mesmo tendo a certeza que não vai estar senão por pouco tempo num lugar, ainda quer assim mesmo, aí estar melhor ou o menos mal possível; não há ninguém que, achando um espinho cravado em seu pé, não o tire para não sofrer a dor. Nesta procura de bem-estar, possuído que está do instinto do progresso conserva-se em união com a natureza. Mas, sabe-se haver pessoas que permanentemente e como prática vulgar, fazem dos outros parvos espetando ideias desconchavadas com suas engordados falas, inchando seu EGO num baú de fantasia; sua mente!

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Tem gente assim, que geme e chora e logo em seguida lança cuspe, inventa situações de intriga com risos de veneno. O mundo fica complicado quando se depara que a sociedade tem gente que só vive em criar situações para daí tirar proveito, ficar senhor do pedaço. E há organizações de advogados, que nada mais faz do que ir ao encontro dos improváveis para dai torna-los possíveis a preço de oiro. Estes vendedores de assinatura tornam as coisas simples em complicadas surgindo mais tarde como os salvadores do evento e, agarrando o melhor pedaço do bocado.

roxo117.jpg Tenho compreendido com o tempo a esterilidade das honras e das grandezas que muitos buscam com tanta avidez! E, como vamos arranjar benevolência para com todos aqueles que nos fazem perguntas de como fostes, que posição ocupaste, que bem haveis feito no intuito de despistar sua singularidade de gente imprestável. E, são muitos os desclassificados desta sociedade a tentar despistar nosso cérebro. Doutores, engenheiros, professores, psicólogos; um sem fim de missangados em espetadas de corações…   

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Há imprudência de todos nós povo, por aceitá-los e promulgá-los levianamente como verdadeiros! Isso não é comigo! Vamos ver no que isto dá! Vamos dar tempo ao tempo e, nesta lengalenga comem-nos os quesitos, apropriam-se de nossos silêncios, ditam leis para se superarem; comem-nos o verbo, o prefixo e o sufixo desculpando-se no particípio passado, fora de tempo, coisas prescritas. Este mundo está negligenciando-se por insuficiência de luz nos nossos pensamentos.

roxo116.jpg Nossa opinião não é, aos nossos próprios olhos, senão uma opinião pessoal que pode ser justa ou falsa porque não somos mais infalíveis que um qualquer outro. E, como fico eu, assim, depois de levar uma vida a ensinar aos meus filhos a praticar boas acções e, quando ao seu redor só há compadrios, gente a enricar usando falsidades, governantes a umbigar ao estado toda a família e, amigalhaços; e tudo passa ao de leve sem nada acontecer à árvore dos maus frutos! Pois então não é pelo fruto que se reconhece a árvore? Sendo assim, porquê não se corta a árvore!  

roxo61.jpg Ando muito desconsolado e à procura dos prazeres da alma. Sim! É verdade quando leio em quantos tormentos, ao contrário, se poupa aquele que se sabe contentar com o que tem, que vê sem inveja o que não têm, que não procura parecer mais do que é. Pois então: haverá maiores tormentos que aqueles causados pela inveja e o ciúme? Estes cidadãos não têm repouso, deverão estar sempre em febre; o que eles não têm e o que os outros possuem lhes causa insónia. Mas afinal neste contexto quem são os pobres de espírito!? O César o que é de César!

Ilustrações: os gatafunhos de Rocho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:55
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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017
PÉROLAS. II
 

“O PALAVRÓRIO DA FUNÇÃO ERUDITA” - Parte II

O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo…

soba k.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por

julio1.jpg JÚLIO FERROLHO…. Professor Aposentado mas pouco (!) - Agricultor nos intervalos da chuva, pastor, professor ainda e sempre!!! – Foi presidente do ISCAL - Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa - Aposentação e reforma após 49 anos de luta diária pela vida dia a dia, sem desistências nem interrupções…

"Coninuo a "estudar"

A ciência é exata? Há ciências exatas?

(AVISO: Este texto pode conter palavreado estranho e aparentemente incoerente. As pessoas mais sensíveis a este fenómeno devem abster-se de o ler).

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O MOTE: Agradeço os seguintes comentários que a nossa querida amiga Maria João Sacagami fez à PARTE I desta série de escritos: “…Só que aí um bando de gente mais curiosa, determinada a provar que a ciência é exacta” e mais …“a certeza científica inexiste. Porque a matéria, ou informação de frequência vibracional que parece ser uma definição mais exacta, acabou se mostrando dependente da atenção e emoção do observador, em seu comportamento”. E também ainda: “…até mesmo com base na observação, a ciência passou a ter outros critérios ao se descobrir que o cientista, Háka observador, influi no resultado da coisa observada a partir das próprias emoções e/ou comportamento deste. Portanto continuamos falando de ciência. A mecânica e a quântica”.

alhambra3.jpg :::1 (…) Afirmei na parte I desta série de escritos, publicada em 15-02-2017, que: “a ciência é caracterizada como o conhecimento racional, sistemático, exacto, verificável e, contudo, falível. Através da investigação científica, o homem vai atingindo uma reconstrução conceitual dinâmica do mundo que é cada vez mais ampla, profunda e exacta”. Receio que houve quem entendesse que eu quis dizer que a ciência é exacta ou algumas ciências são exactas, hoje, no 17.º ano do séc. XXI. O erro é meu porque terei expressado uma ideia não muito clara e desejo corrigi-lo aqui e agora.

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Naquelas minhas frases que acima cito, no entanto, eu escrevi que “o homem vai atingindo uma reconstrução conceitual dinâmica do mundo que é cada vez mais ampla, profunda e exacta” e também escrevi “o conhecimento racional, sistemático, exacto, verificável e, contudo, falível”. Ora o que está em “reconstrução” é porque não está em situação de estabilidade funcional e que se admite que possa vir a ser reconstruído de novo, no futuro; portanto não é um estado acabado do conhecimento, a exactidão é dinâmica. Por outro lado, afirmo que “o conhecimento é falível e, portanto, pode ser substituído por outro.

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Ainda hoje há quem pense que as ciências exactas são as ciências que têm a Matemática, a Química e a Física como peças fundamentais dos estudos científicos. Além das três áreas básicas e todas as suas subdivisões, tais como a Física Quântica e a Físico-Química, entre as ciências que também são consideradas exactas, aparecem a Astronomia, a Estatística, a Ciência da Computação e a Arquitectura. Pensa-se assim porque a principal característica de actuação dos cientistas e dos profissionais destas áreas é o raciocínio lógico. Eu não defendo esta posição.

007.png:::4 - Cabe aqui introduzir o conceito de PARADIGMA e a sua concomitante situação de eventual mudança. Etimologicamente este termo tem origem no grego “paradeigma” que significa modelo ou padrão, correspondendo a algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido numa situação concreta. São as normas orientadoras de um grupo de interessados que estabelecem os limites e as orientações que determinam como um indivíduo desse grupo deve desenvolver o seu pensamento em termos científicos. O termo surgiu inicialmente em Linguística. Na filosofia, um paradigma está relacionado com a epistemologia (conceito abordado na PARTE I), sendo que, para Platão, um paradigma remete para um modelo relacionado com o mundo exemplar das ideias, do qual faz parte o mundo das sensações, das constatações.

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O norte-americano Thomas Kuhn (1922-1996), físico e filósofo da ciência, no seu livro “The Structure of Scientific Revolutions” (4.ª edição 2012) designou como paradigma as “realizações científicas que geram modelos que, por um período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.” Assim o paradigma é um princípio, teoria ou conhecimento originado da pesquisa num determinado campo científico. Uma referência inicial que servirá de modelo para novas pesquisas.

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Distingamos paradigma de hermenêutica, que são conceitos diferentes mas que aparecem por vezes misturados. Esta também é uma palavra com origem grega e significa a arte ou técnica de interpretar e explicar um texto ou discurso. O seu sentido original estava relacionado com a Bíblia, sendo que neste caso consistia na compreensão das Escrituras, para compreender o sentido das palavras de Deus. A hermenêutica também está presente na filosofia e no campo jurídico, em cada um com seu significado. Segundo a filosofia, a hermenêutica aborda duas vertentes: a epistemológica, com a interpretação de textos e é aqui que se poderá confundir com paradigma, e a ontológica, que remete para a interpretação de uma realidade. Etimologicamente, a palavra está relacionada com o deus grego Hermes, que era, entre outras representações, um dos deuses da oratória. (Ver nota 1 de fim de página)

haida art.jpg :::7 - As mudanças de paradigma em cada ciência exigirão que as leis científicas sejam alteradas, melhoradas e até revogadas e substituídas por outras que os novos paradigmas propuserem.

:::8

As ciências ditas exactas estão entre as mais antigas que surgiram e se desenvolveram. Desde a antiguidade, o homem utilizou a Matemática e a Física para resolver muitos dos seus problemas e moldar da melhor forma a natureza e a sociedade. Foram as designadas ciências exactas que proporcionaram que os antigos egípcios construíssem as pirâmides, que os gregos erguessem as suas acrópoles e os seus monumentos que chegaram até nós e também que o homem realizasse a viagem espacial à lua no século XX.

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Mas serão mesmo estas “ciências exactas”? De acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, "exacto" significa "que não contém erro", "que tem grande rigor ou precisão", "perfeito", "irretocável". E é um costume dominante referir-se a matemática como uma ciência exacta. Esta designação, "ciência exacta", frequentemente tem levado pessoas - entre leigos e até profissionais - a crerem que a matemática e as outras ditas ciências exactas, são ciências livres de erros, com grande rigor e precisão, perfeitas e irretocáveis (que não precisam de reconstrução).

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Uma coisa é a impressão que a designação "ciência exacta" pode fazer, do ponto de vista meramente intuitivo. Outra é o que a prática matemática mostra no cotidiano de experientes cientistas e investigadores. Antes de mais nada, é preciso lembrar que matemática é uma actividade intelectual desenvolvida por seres humanos. E seres humanos, como toda a gente sabe, menos os lunáticos ou os desprovidos de senso, e mostra a prática, são criaturas falíveis.

chicor4.jpg:::11 - Aquele (ou aquela) que se condena a uma visão absolutamente clara de mundo, prática, inquestionável, inexorável, exacta, perde o contacto com o que há de mais fundamental em cada um de nós: somos todos seres humanos. A Matemática, a Química e a Física não são actividades extraterrestres, desumanas, mecânicas, previsíveis, inquestionáveis. Bem pelo contrário, são afectadas também por sensações, emoções, alegrias e tristezas.

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É sobretudo por esta razão que concluo que não se pode afirmar que elas sejam ciências exactas. Diz muito bem a Maria João Sacagami que “até mesmo com base na observação, a ciência passou a ter outros critérios” (novos paradigmas, acrescento eu) “ao se descobrir que o cientista, observador, influi no resultado da coisa observada a partir das próprias emoções e/ou comportamentos”

:::Notas

(1) Hermes era o deus mensageiro, dos pesos e medidas, dos pastores, dos oradores, dos poetas, do atletismo, do comércio, das estradas e viagens e das invenções. Era considerado, na Grécia Antiga, o patrono dos diplomatas, dos comerciantes, da ginástica e dos astrónomos. Após a Grécia ser conquistada pelo Império Romano, a figura e o mito de Hermes sofreu um sincretismo com o deus romano Mercúrio (deus do lucro, do comércio e também o mensageiro dos deuses). Este é um dos meus favoritos, pois está representado no emblema da escola de toda a minha vida como estudante, como professor e como dirigente de um instituto público, o ICL /ISCAL

25-02-2017

JCF

(Continua)

ferrolho1.jpg::: T.1 (T - De T´Chinhgange) - PEROLAS II – Foi publicada no Facebook na página Kizomba e, entre vários comentários António Monteiro referiu: - Professor Júlio Ferrolho, os alunos estão chegando! Nós, alunos, vamos ser bem comportados e falar de coisas tão transcendentes que terão necessidade de explicações adicionais! Isto só será possível se não nos sublimarmos!... (Não somos feitos de água!?)... Mas mesmo assim, talvez possamos virar rubis ou diamantes! Quem sabe! E, dito isto foi ver o entrudo…

:::::T.2

Assunção Roxo em uma sua opinião faz menção de que António Monteiro, o T´Chingange da kizomba, iria “reformatar” o tema em tratamento diferenciado! Não! Não se trata de reformatar (quem sou eu para tais desígnios?) o que quer que seja mas sim adendar outras perspectivas e também dar uma visão mais clara do que é um Paradigma em nossa sociedade. O assunto é longo mas vale a pena escalpelizá-lo como sugerem Luís de Magalhães e Edgar Neves com a chancela de “leitura obrigatória”.  

:::::T.3

O essencial da mensagem em Pérolas I e II ultrapassam o âmbito das ciências exactas e naturais como é dito pelo professor Júlio Ferrolho pois que as questões em volta das mudanças de paradigma interessam a historiadores, filósofos, sociólogos e teólogos.  A arte de comunicar ciência tem perspectivas tão interessantes que sendo eu um pé-de-chinelo curioso, só me debruçarei sobre esta hodierna revolução.

:::::T.4

As teorias que não colidam com outros paradigmas teóricos têm grande probabilidade de aceitação. As Teorias Novas que colidam com paradigmas teóricos têm grande probabilidade de sofrerem rejeição devido aos conflitos de ideias e seus mecanismos nos conceitos velhos e novos, competindo para o mesmo fim; estes poderão dominar muitos outros factores culturais sociais e psicológicos.

tonito3.jpg:::::T.5 - Talvez tenha de reflectir sobre o já dito por Maria João Sacagami para interpretar os fenómenos de rejeição que descrevem condicionantes ao sociocultural determinados porque, para estes, não há leis Universais. Fenómenos são fenómenos!

:::::T.6

O Mundo é complicado e a mente humana não o pode compreender completamente. Sendo assim, o conhecer, significa dividir e classificar para depois se determinar relações sistemáticas entre o que se separou. Se Galileu é um grave exemplo de pecado dos homens e da hierarquia da Igreja, entre outros; será exemplo de um obscurantismo grave por parte dos homens de ciência.

pedras 002.jpg:::::T.7 - A história das políticas sociais revela-nos que a estrutura das ciências, afinal, não é, por vezes, tão “lógica” como se julgava. Em jeito de epílogo, talvez eu tenha razão e tales alguém mais não a tenha; mas também é bem possível que nenhum de nós a tenha! Foi Karl Potter quem assim falou.

:::::T.8

Vou agora descrever o que é na prática corrente o tal de paradigma.

A palavra “teoria” provem do grego “ver” e, quer seja uma teoria ou um modelo teórico serão imagens do mundo material, inventadas para o tornar compreensível. Surgem deste modo as teorias ou convicções cujos espíritos nem sempre credibilizam o testemunho dos olhos. Os caminhos que a leis da física nos proporcionam por via da natureza, até ao limite do cosmos e do microfísico, revelam-nos filosofias diferentes das que o Mundo do quotidiano permitem estabelecer.

:::::T.9

A separação entre o homem e o Mundo perde-se nos limites da microfísica com a relação de incerteza de Heisemberg e a visão probabilística da mecânica e matemática quântica. É o espaço-tempo que se esbate no limite das altas velocidades com anos-luz que volatilizam o imediato nas teorias de relatividade.

:::::T.10

A abstracção da lógica matemática, forma superior do conhecimento científico, parece não poder ser formalizada totalmente nos recursos do intelecto humano pois a mente, tem sempre a possibilidade de inventar meios de demonstração que os ultrapassam. Em busca da verdade, rebusquei em tempos, conhecimento em Coimbra; não na cátedra mas, na vivência entre amigos e, entendi melhor o que é um Paradigma em nossas vidas.

roxo27.jpg :::::T.11 - «Mostrar, apresentar, confrontar» - é um conceito das ciências, teoria do conhecimento que define um exemplo típico ou modelo de algo. É a representação de um padrão a ser seguido ou um pressuposto filosófico como matriz… uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas. Para entender melhor este conceito terei de explicar o que ali vivifiquei:

:::::T12

- Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Isto repetiu-se e sem interrupção. Depois de algum tempo, de cada vez que um macaco tentava subir a escada, os outros quatro agrediam-no.

:::::T.13

Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação provocada pelas bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que este fez foi subir a escada, sendo rapidamente retirado dela e, à força pelos outros. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.

roxo118.jpg :::::T.14 - Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, no massacre do novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se a história. Mais um quarto e, finalmente, o último dos veteranos, foram igualmente substituídos, e de igual modo se desenrolou a mesmíssima situação.

:::::T.15

Os cientistas ficaram então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a agredir aquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: - Não sei, por aqui as coisas sempre foram assim!...

:::::T.16

Moral da história: “É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO”, (Albert Einstein)

Colaboração do Soba T´Chingange

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:54
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017
PÉROLAS. I

“O PALAVRÓRIO DA FUNÇÃO ERUDITA” - Parte I

O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo…

soba k.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por

julio1.jpg JÚLIO FERROLHO…. Professor Aposentado mas pouco (!) - Agricultor nos intervalos da chuva, pastor, professor ainda e sempre!!! – Foi presidente do ISCAL - Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa - Aposentação e reforma após 49 anos de luta diária pela vida dia a dia, sem desistências nem interrupções…

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Prof. Júlio Ferrolho é daqueles que nunca esquecemos determinadas aulas, conversas e ensinamentos! Um exemplo de como deveria ser o nosso ensino! Parabéns pelo exemplo que nos deu! – É este, um comentário que extraí de sua página e que aqui reproduzo sem prévia autorização. Tentei, tentei, mas deveria estar cuidando de seus perdigueiros…

julio3.jpgFigueira da Fóz

Sinto que nunca deixei de ser estudante! - AVISO: Este texto pode conter palavreado estranho e aparentemente incoerente. As pessoas mais sensíveis a este fenómeno devem abster-se de o ler. (COMO NÃO SOU ESPECIALISTA DEIXAREI PARA OUTRO MOMENTO ainda muitas QUESTÕES e sobretudo as SAGRADAS relacionadas COM O TEMA)…

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A ciência é caracterizada como o conhecimento racional, sistemático, exacto, verificável e, contudo, falível. Através da investigação científica, o homem vai atingindo uma reconstrução conceitual dinâmica do mundo que é cada vez mais ampla, profunda e exacta.

roxomania2.jpgO homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo, mas enriquecê-lo para construir outros universos. Manipula e remodela a natureza submetendo-a às suas necessidades materiais e espirituais, bem como aos seus sonhos. Criou assim o mundo dos sonhos, das quimeras, dos artefactos e o mundo da cultura.

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A actividade da Ciência - como a investigação - pertence à vida social na medida em que é aplicada para melhorar o nosso meio, tanto natural como artificial, para inventar e construir ou fabricar bens materiais e produzir bens culturais ou imateriais. Deste modo a ciência transformou-se em tecnologia e arte.

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Por outro prisma, a ciência surge aos nossos olhos como a mais deslumbrante e assombrosa das estrelas quando a consideramos como um bem em si, isto é como uma produtora de nova actividade de ideias (investigação científica e o seu resultado, a inovação).

socie1.jpgA epistemologia encerra, em termos sintéticos, a teoria do conhecimento. Mas podemos considerá-la como o estudo crítico dos princípios, hipóteses, e resultados das diferentes ciências, procurando determinar-lhes a origem, a lógica, o valor e o alcance objectivo.

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Nem toda a pesquisa científica visa obter um conhecimento objectivo. A lógica e a matemática - ou seja, os vários sistemas de lógica formal - e os diferentes capítulos da matemática pura são racionais, sistemáticos e verificáveis, mas não são objectivos; não nos dão informações sobre a realidade porque não estão simplesmente preocupadas com os factos.

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A lógica e a matemática tentam construir entidades ideais; estas só existem na mente humana. Elas não recebem objectos de estudo: constroem os seus próprios objectos. É verdade que muitas vezes fazem-no por abstracção dos objectos reais (naturais e sociais). Além disso, o trabalho lógico ou matemático muitas vezes atende às necessidades do naturalista, do sociólogo ou do tecnólogo e é por esta razão que a sociedade tolera estas actividades e até parece estimulá-las. A física, a química, a fisiologia, a psicologia, a economia e outras ciências usam a matemática como uma ferramenta para fazer a reconstrução mais precisa das relações complexas que ocorrem entre os factos que estudam e interpretam e os vários aspectos destes.

roxo107.jpg Um dos aspectos fulcrais da ciência é a questão do MÉTODO CIENTÍFICO que deve ser seguido para chegar a conclusões científicas. A metodologia científica tem a sua origem no pensamento do filósofo francês Descartes, que foi posteriormente desenvolvida empiricamente pelo físico inglês Isaac Newton.

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René Descartes propôs chegar à verdade através da dúvida sistemática e da decomposição de qualquer problema nas suas pequenas partes constituintes, características que definiriam a base da investigação científica. Escreveu um livro famoso “Discurso do Método" onde afirma:

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''E como a multiplicidade das leis serve frequentemente para escusar os vícios, de sorte que um estado é muito melhor governado quando, possuindo poucas, elas são aí rigorosamente aplicadas, assim, em lugar de um grande número de preceitos dos quais a lógica é composta, acrediteis que já me seriam bastante quatro, contanto que tomasse a firme e constante resolução de não deixar uma vez só de observá-las.

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A PRIMEIRA consistiria em nunca aceitar, por verdadeira, coisa nenhuma que não conhecesse como evidente; isto é, devia evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção; e nada incluir em meus juízos que não se apresentasse tão claramente e tão distintamente ao meu espírito que não tivesse nenhuma ocasião de o pôr em dúvida.

tonito3.jpg A SEGUNDA – dividir cada uma das dificuldades que examinasse em tantas parcelas quantas pudessem ser e fossem exigidas para melhor compreendê-las. A TERCEIRA – conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objectos mais simples e fáceis de serem conhecidos, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo certa ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros. E por último – fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais, que ficasse certo de nada omitir''.

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Correntemente estas regras são: 1) da evidência; 2) da divisão ou análise; 3) da ordem ou dedução; e, 4) da enumeração (contar, especificar, e classificar).

(…CONTINUA).

JCF, 14-02-2017

rosa1.jpgNOTA: O tema PÉROLAS surgiu de uma daquelas conversas no FB ventilando algo assim: O que interessa fazer vale a pena fazer bem feito! Vi logo que aqui havia um rigor de cátedra e fui ficando de lado ouvindo como é recomendável e, quando se tem como interlocutor um Professor sapiente. Assunção Roxo também costurou umas ideias lindas bordeadas com suas pinturas holográficas. Foi o nosso Portal! Fiquei matutando na bruma, cores psicadélicas e, assim embebido na sabedoria com arte resolvi fazer uma surpresa com o tema PÉROLAS. Assim ao jeito de prefácio corro as cortinas para futuras pérolas enfeitadas com os roxos coloridos dos arco-íris de Assunção Roxo. Perdoem esta libertina ideia do soba fantasma ´T´Chingange, um despropósito de figura mas, na forma original das superstições de áfrica- N´Gola

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:38
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2017
MUXOXO . XLVII

TEMPOS CINZENTOS . 3ª Parte  – 21.02.2016  

Na dúvida entre o ser-se agnóstico ou coisa nenhuma faço gaifonas à liberdade! Passei a andar com um pau bifurcado na ponta para apanhar cobras...

Por

soba15.jpgT´Chingange

(…) Descrevendo a forma de execução da estrada e a partir do levantamento, observação solar, de estabelecer a directriz de forma aleatória até chegarmos a San José Del Tisnado em Venezuela, voltamos de novo às pequenas nuances de um projecto que é traçado no mapa entre dois ou mais sítios e depois em a tarefa do geómetra, topógrafos, niveladores por forma a ficar em gabinete tudo desenhado. Daqui sairá o cálculo de volumes de terras, sua deslocação, desmonte de rochas e terras com uso de explosivos, máquinas, trato de pormenores ambientais, execução de pontes e pontões e um sem fim de tarefas até que se proporcione a circulação de veículos motores.

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Neste particular caso, todo o traçado foi por mim estabelecido a partir do esboço original  e seguindo os preceitos considerados acertados em tal tarefa. Assim andando à frente e atrás ia sinalizando com fitas de vermelho e banco o traçado presumível, desviando o percurso de falésias e, ou rochedos de grande porte ecolhendo o melhor local para execução de pontões ou pontes nas linhas de água significativos e ou rios.

tigra1.jpg As surpresas neste desbravar de terrenos selvagens eram muitas como se pode calcular; um certo dia ia caindo num fosso com babas, jacarés bebes ou caimanes como ali se chamavam. Alguém os armazenava ali furtivamente para com eles fazer pisa-papéis ou outros tipos de enfeite depois de cuidados por embalsamento. Era uma crueldade que creio ter continuidade até os dias de hoje porque as pessoas viram-se na vida como podem.

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As instituições sendo insuficientes são dadas ao desleixo assim de cada um por si e ao acaso. As autoridades passeiam-se para a foto e simulam ligeireza dando guarida a uma trupe de gente a ele colados. E, não perdem nenhuma inauguração com fanfarra e palavras importantes, quase sempre bonitas e de fácil apreensão ao ouvido do povão.

tigra2.jpg Em um outro dia, surge um trabalhador com uma cobra de tom amarelado enrolada ao pescoço a subir para a chevrollet de tracção às quatro rodas. Mas que és isto hombre? Perguntei com algum asco que fazia ali aquele bicho ondulando  asquerosas manchas. Mas, engenheiro, esta cobra não faz mal a ninguém, visse! Ele, simplesmente respondeu que era sua mascote, cuidadora de sua casa, rateira do seu jardim e mais justificativas que não vêem em causa. Bueno! Tive de me adaptar a esta nova criatura mas, sempre com o respeito de medo e, de longe.

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Em outro dia, afastando um ramo e mais outro para divisar o rumo dos trabalhos, estanco num repentemente, pulo para trás; a maldita da cobra, uma outra lá estava empinada nos ramos e fazendo assim-assim para os lados num vaivém de meter medo ao próprio tarzan. Sua língua bifurcada sondava meu medo, meu suor, minha adrenalina até os cocurutos do meu ADN. Mas que vida esta meu nosso Senhor.

tigra3.jpg E ele o Senhor, rindo-se de mim, de minha parca braveza; ele tinha mais que fazer senão dar troco a um medricas; para além do mais a cobra é um ser que faz muita falta à natureza, mais do que eu! Tive de controlar o medo sozinho e lidar com elas, as cobras, sem me depenicar. Passei a andar com um pau bifurcado na ponta. Por último já fazia diabrura com elas, apertava-lhe o gasganete e deixava-as ir em liberdade depois de lhe transmitir o raspanete. Venci o medo na marra! Podem crer!

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Munhoz, um auxiliar que levava o tripé do teodolito para as estações  topográficas, assim com um dedo na boca e olhando de soslaio para cima , indica-me algo que por ali anda entre aqueles monstros de àrvores. É o quê? Perguntei. É um bicho igual àquele que hoje o engenheiro comeu no desaiuno, uma iguana! Caramba! Eu comi aquilo? Não pode ser; eu comi galinha metida numa arepa! Pois é  hermano engenheiro, uted  comeu  daquele um outro bicho igualito a este.   Uf! Para o que um topografo, engenheiro das slvas não tem que estar preparado!.

tigra5.jpg Todos os dias havia um caos ou causo mais insólito do que o outro. Hugo, vem até mim alvoroçado falando aos solavancos, mexendo a machete (catana) de forma desabrida, que não podíamos passar por ali! Havia uma culebra tigra tomando sol na clareira que se tinha aberto dois dias antes. Engenheiro, nós temos de passar a lo largo de ella porque ela tem crias e é perigosa quando está assi! Ellas no puedem ser molestadas; corre atrás de nosotros até morder, sabe! No puedem ser molestadas! Conchale, vale chico… és mui peligrosa! Mala suerte la mia,  putana de la madre que la pariu, que sabia yo, conho!... Se eles que eram dali e tinham medo àquela tigra, como é que eu não iria ter! E, acabamos por fazer um círculo porque dona tigra verde assim nos determinava!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:25
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017
PARACUCA . XXIII

TEMPOS DORMIDOS - Entre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido da fábrica de Letras in Kizomba com estórias da vida …

Por

soba15.jpg T´Chingange

No quase fim de ano de 2016 rapidamente cheguei ao posfácio dos singelos poemas de Emanoel Fay. E, passando pelas mensagens as correcções, os elogios, as ornamentadas homenagens com prémios e comendas e, sempre em letras volumétricas, perfumei-me nas simples palavras de tocar sinos em dias de Nossa Senhora da Aparecida, uma santa que três pescadores acharam numa das muitas lagoas da costa brasileira.

peter0.jpg Escultura de pau escuro, quem sabe saída do tal naufrágio em que os índios comeram o primeiríssimo bispo do Brasil de nome Sardinha. Também com este nome não se poderia esperar um fim mais apropriado e digno. Dom Pedro Fernandes Sardinha, ou Pero Sardinha, nascido em Évora em 1496 e papado pelos Caetés de Alagoas, Coruripe do Brasil no ano de 1556.

sardinha0.jpg Essa vila de Coruripe ainda hoje paga um laudémio à Santa Igreja por tamanho forró descabido em que gente desnuda, musculosa e de tez parda que assou mais de oitenta náufragos. Ao lugar chamam agora de Feliz Deserto. Como pode ter acontecido estas coisas numa terra tão linda e pacífica aonde os biquínis deram lugar ao fio tapador de bunda.

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Voltando aos três pescadores, como nesse dia o peixe foi avondo, a crença milagrou o acontecido. Creio que meu avô Loureiro estava por perto e, porque misteriosamente, encontro na sala da casa de um primo meu, no lugar de Barbeita da Beira Alta, perto de Viseu, uma imagem dessa Senhora. Coisa inaudita porque ali no M´Puto não há nenhuma Nossa Senhora preta.

amilcar 3.jpg Só podia mesmo ter sido do Senhor Manuel Loureiro, meu avô que depois de deixar duas filhas em sítio incerto, rumou de novo para Portugal, tísico chupado das mulatas, como se dizia nesse então. Em Barbeita há sim a Nossa Senhora do Parto muito carregada de oiros nos dias de festa. No quinze de Agosto saem com Ela a dar um passeio pela urbe meia medieval e é bonito de ver as bandeiras estandartes. Homens de batina branca esvoaçando ternuras alinhada entre muros graníticos de pedra solta, musgosas.

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Homens da hermandade de Santo António da qual eu pertenço desde que nasci. Sou sim, membro desde que dei o primeiríssimo berro balouçado em um barco com o nome de Niassa em águas territoriais de N´Gola. Bom! Voltando ao livro e da frente para trás chego às miniografias, letra grande e esparsa com referência eméritas à terra dos Marechais aonde se fala de seus pecados enaltecendo as almas.

bruno17.jpg Muitas almas, que agora andarão penadas com suas grandes espadas enfiadas em coiros e mistérios de palavras doces como sempre convém constar em prosas versejadas e versos singelos dedicados àquela Nossa Senhora duma vasta eucaristia de muitas Marias na terra. Coisas de dedicação mariana de quem sabe as paradas de todos os calvários. 

paracuca1.jpg Com egos engravidados solo suspiros de sonhos na forma de louros de oliveira, solto pétalas e folhas acerosas de chá caxinde, capim-santo ou cidreira chegando ao prefácio. Aqui, mergulho todinho na água benta, água da vida presenteando difusas carícias, como brisas esbarrando nos ventos e também questiúnculas de métrica e rima.

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Da singeleza de tudo assim fiquei ungido de sem regras no linguajar e formas nova, revolucionárias talvez e desprovidas de regras. Nesta vanguarda estética dizer que desgostei, não faz parte do meu Adeus porque gosto das pessoas e seu lado bom em detrimento do outro lado que não serve nem ao próprio nem a ninguém.

pa3.jpg

*Paracuca: - 500 gr de ginguba sem ser torrada, 250 gr de açúcar (ou mais), 2 chávenas de água - Preparação: Juntar todos os ingredientes numa vasilha e levar a lume brando. Vá mexendo, sempre, até a mistura ficar solta. Deite num tabuleiro (agitando para ficar solta) para arrefecer.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2017
NIASSALÂNDIA . V

MULOLAS DO TEMPO – 07.02.2017- Saboreando nosso chá das seis ou talvez sete, nos pós meridiano, já no cair da noite cálida de Maceió…

Niassalândia é o meu país.

Por

soba15.jpgT´Chingange - Nasceu em alto mar num barco chamado Niassa. Assim conta a minha lenda por preterir ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada ao vento para encobrir coisas desacontecidas…

Fiz amizade com Emanoel Fay, um juiz poeta da praça e, lendo suas quadras simples reduzi sua poesia a falas de singeleza, assim de forma emérita; um título honorífico concedido a pessoas que se destacaram em actividades académicas, religiosas ou judiciais e, após deixarem de exercer essas actividades como consta de seu cartão quase curriculum de seu poder judiciário; uma actividade já passada e, em cujas frinchas da vida, folgava seus devaneios e sonhos empilhando rimas de bem-querer.

sardinha0.jpg E, aqui no lugar do encontro há uma quadra de Fay, bem por cima e na coluna aonde agora saboreamos nosso chá das seis ou talvez sete, nos pós meridiano, quase no cair da noite cálida de Maceió. O cartão tem envolto em duas palmas de oliveira, iguais e reviradas contendo ao centro a silhueta de uma mulher toda tapada e de véu, ao jeito de venda no rosto segurando uma espada de longa lâmina na mão direita e sustendo uma balança em sua esquerda; esta balança tem os dois pratos equilibradamente nivelados, digamos, bem horizontais.

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A venda da silhueta significa tanto quanto sei de que a justiça é cega, muda e surda, coisas pensadas para tapear coitados que nada entendem das negociatas de coisas feitas de palavras hermafroditas, de palavras canibais que comem outras, pois assim um palavrório libatório com itens esdrúxulos no reconhecimento da industria da assinatura. Ressalvas e omissões a evitar contrições, verbos e adjectivos na proporção acertada da minúcia e, na dose certa de fazer valer superar o causo ao descaso.

FAY1.jpg Estes meus desaforos em nada têm a ver com o professor universitário Emanoel Fay, juiz de direito emérito que acabei de conhecer no centro comercial na companhia de seu filho e um já conhecido amigo meu que de longa data brincamos a vida dizendo tonteiras, também este ex-funcionário do poder judiciário, amigo e, com um nome nobre, Sérvio Túlio. Os nomes destes amigos demonstram bem o seu patamar social assim bem diferenciado do António e o Manuel ou Joaquim tão desabonados em contos e anedotas.

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Emanuel Fay e Sérvio Túlio dissertando sobre as verdades e virtudes da prática da talassoterapia. Eu, um plebeu a falar com nobres patrícios, poliglotas na arte de ginasticar a longevidade com sã convivência e status na preservação do ar, ginasticando a mente e o espírito entre vaidades remotas e futilidades, conversas de enaltecer vampiros montados em cavalos brancos e com asas rebrilhantes.

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Não! Dessa feita falei das virtudes de se praticar o banho em cálidas águas, ginasticando os músculos e a mente, descrevendo no pensamento a próxima estória, próxima farpa. Falei das virtudes de ver nascer o sol dentro de água salgada, soro do mundo a recordar nosso primeiro exercício em ventre materno, no recolher de raios benéficos e também o ozono, a vitamina D, o iodo e o acto de ser lambido bem cedo, chave de abertura de um novo dia em tempos de mais- valias.

FAY2.jpg Bom! Do lado oposto do cartão do Juiz Fay tem uma dedicatória dedicada a seu pai em letras enaltecedoramente grandes: “ama teu pai com gratidão enquanto com ele estás, depois de Deus, é o amigo com quem sempre terás de contar!!!”. A seguir aos três pontos de afirmação vem a assinatura legível: Emanoel Fay Mata. A marginar todo o rectângulo, trinta e seis pequenas bandeiras do Brasil dando seu tom de verde e amarelo assim como se fosse um caixilho. Algo transcendente e patriótico diga-se em verdade.

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Comecei falando de um cartão de visitas de um recente amigo, eu, um Niassalês aposentado, apresentado por um outro já mais amigo e, nas anotações escritas por gatafunhos ao correr dos raios matinais da praia mas, mudei de folha. Tinha uma seta com a indicação K (de kapa) mas, busquei, vasculhei e não encontrei. Deve ter ido para Roma com um dos muitos amigos que sempre me sopram as orelhas, irmãos da Akasha, os substratos espirituais de um éter antigo, quinto elemento cósmico da quinta ponta do pentagrama.

tonito2.jpeg Todos os dias há um mistério em nossos agoras, nosso céu rasteirinho com coqueiros a farfalhar nossas vivências. Deste modo, tenho de terminar com o ensejo de agraciar a estes dois amigos dizendo em jeito de romano virtuoso e sapiente até às profundas raízes de nenhures: Vitorioso não é aquele que vence mas o que se vence a si próprio, aceitando-se do jeito que se é ou que se propôs, porque a vida para muitos mais biliões, não é um verdadeiro canto de eterna beleza como a de nós os três. Façam o favor de ser felizes.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:16
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017
MUXOXO . XLV

TEMPO CINZENTOS . 1ª Com Várias partes – 02.02.2016  

Na dúvida entre o ser-se agnóstico ou coisa nenhuma, driblo-me com golpes de liberdade! Estou farto de coisas impingidas…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Chegando bem cedo à Praia da Pajuçara só com a natureza e, sem ligar muito às malazengas de espondiloses e afins, vi o Sol grande e vermelho a sair da linha do horizonte, lá no mar; eram cinco horas e doze minutos da manhã. É bem assim que gosto de me confrontar com ele, ainda não demasiado caloroso, cara a cara! Na minha profissão sempre contactei com o Sol muito de perto.

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Num lugar chamado de San José de Tiznado, uma terreola bem central no mapa da Venezuela eu, era o responsável pelo recolhimento de dados geométricos e geográficos para desenvolver o projecto de uma carretera, estrada ligando a via Nacional que liga Guárico a Barquisimeto com este pueblo. Saí de Caracas sede da empresa Topieca a fim de dar início aos trabalhos de campo, lá a uns duzentos e cinquenta quilómetros.

topo0.jpg O projecto de uma estrada começa com o recolhimento de dados em campo, escolher o traçado, estudar alternativas considerando o menor preço para a sua execução.  Já na fase de execução desta fase é necessário o levantamento topográfico com ligação à rede geodésica ou enão por observação Solar e daí originar as respectivas coordenadas, quadricula base para todo o projecto seguinte, planos com plantas, perfiz e memória descritiva do necessário, tanto para projecto como para a execução.

dy15.jpg Desta feita eu era o engenheiro agrimensor (surveyor) com a responsabilidade de gerir dois topógrafos, dois niveladores e todo o pessoal contratado no local para servirem de porta-miras, macheteiros (que cortam o mato com catanas) e dirigir toda a operação como alojamento, alimentação, transporte e tudo o que é inerente a um acampamento no mato ou numa tapera, terreola ou casa de taipa com paredes de barro cru.

topo02.jpg A minha grande relação com o Sol como dizia vem de aqui e, porque a cada cinco quilómetros de estrada piquetada teria de fazer observação solar para tudo ficar ligado à rede Geográfica de Venezuela. Ainda escuro montava o tripé, colocava o teodolito, rectificava os níveis, punha o limbo a zeros e esperava o Sol nascer. Aquele círculo grande despontava e, já meio de fora do horizonte, iniciava a leitura com os inerentes apontamentos nos impressos de cálculo.

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Apontava os fios da cruz tangentes ao primeiro quadrante, depois ao quarto, depois ao segundo e rapidamente ao terceiro. Já com todo ele inundando o espaço celeste, repetia tudo na inversa progressiva. Usava para o efeito uma lente protectora para não ferir os olhos. Por vezes repetia a leitura na directa e inversa retrógrada mas nem sempre tal operação era levada a bom gosto por via de nuvens ou chuva.

topo03.jpg Neste trabalho de desbravar mato, nem tudo é pera-doce como soe dizer-se! Usava umas botas de meia perna em coiro compradas na feira dos cavalos da Chamusca do Ribatejo do M´Puto. Quem me visse diria que por ali andava um sertanejo parecido com o Serpa Pinto ou Hermenegildo Capelo ou mesmo o Sacadura Cabral, olhando o céu e recolhendo pedras e até plantas para constar em relatório. A mesma figura teria um chapéu de abas largas bem ao estilo de um xi-colono das anharas do Calahári ou Namibe, calças de ganga ou zuarte amarradas nos tornozelos. 

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Nos dias de cacimbo esta figura apareceria no meio da selva tremida envolta num fumo e encostada a um aparelho meio estranho como um fantasma t´chingange que sai da terra, dum nada como se minhoca fosse ou dum espaço feito um ET. Pode parecer uma coisa poética mas era a forma como me veriam as gentes de San José de Tiznado. O fumo era real e provocado de propósito com rama seca de bananeira posta a arder com bosta seca de boi ou vaca.

topo04.jpg Isto assim deste jeito era para espantar mosquitos dinossáurios e mais bichezas com milhentas patas a rabiscar entre um grosso tufo de folhas mortas, árvores medonhas e pó mais lama mais o escambau muito cheio de humidade escorregadiça e lacraus de todas as cores.

 Por ter andado tanto no inferno agora mereço o céu, visse! Não me julguem mal nem me trambiquem o juízo. Por tudo isto tinha mesmo de usar as calças largas e amarradas nas botas e, também borrifadas com petróleo querosene. Vou ter de continuar porque agora que vos abri o apetite do meu mundo quase insólito, terei de vos dar mais corda. Vocês gozam com meus escritos, chamando-lhes patranhas, inventações e ficções. Estou mesmo a ver-vos a torcer o nariz fungando chistes e, afinal isto é tão real que até parece mentira…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:32
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Sábado, 28 de Janeiro de 2017
MAIANGA . XX

MAIANGA . NGA! SAKIDILÁ! - Na Jihenda do mu ukulo uabuama (Saudade de um antigamente de maravilha)

Por

soba0.jpegT´Chingange

Faz algum tempo do mu ukulo que entrei no meu silêncio só mesmo para não remexer nas feridas mal cicatrizadas das terras dos antigos mwene-putos mais dos N´Gola kimbundu e kilwanje kya Samba rei feito importante com suas missangas com dentes de leão penduradas no pescoço. Ele, um imbangala descalça que era o senhor das terras dos tempos do kissonde devorador; mesmo assim de pé descalços com aristocracia de espantar poder esporádico no interino. Mas, um rei matuta Jinga do Milungo e Bangala com poder absoluto de cortar pescoços.

namib3.jpg Um rei que trocava gente por pólvora, tecidos e missangas com espelhos mais zingarelhos. O filho da peste, o mesmo que gerou a N´Zinga ou Jinga. Tempos de muita trapaça trocada por mel e tecidos libolos mais dendém, cachaça e tintol a martelo, tudotudo amontoado na kubata dos branco cafuzo e mazombo feita de capim mais taipa de chinguiços tapados com barro e bosta de boi. 

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Acontece, como então, vou fazer berridando minhas falas do baú no ximbico de meu lápis antigo. Alegrar meus kambas, falando soátoa das baronas modernas, dos seus matacos apertados nos institutos adelgaçantes e das quindas das kinguilas de setentaecinco cheias de muito cumbú e dólar de cabeça de Washington grande, porque o outro é falsificação do Zambizanga e Tira Biquini.

nand4.jpg Dinheiro verdadeiro de comprar as felicidades e curar as malakuecas com trungungo ou mesmomesmo do kaporoto que faz falar estória do antigamente mais ainda do tempo antes dos kaprandanda e dos brancos gweta t´chinderes funantes mesmo. Ximfuma Ya Kvele feito macho esperto nos contos com estórias de missossos que também lhe contaram dos reis Kwanyama. Um, conta ao outro e no final, cada um tem uma unha, um dedo, um inventário de muitos sonhos no catravês da estória.

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Num dia antigo, Ximfuma Ya Kevele feito doutor quimbanda de leis e adjacências, disparatou berros saídos do fundo de sua raiva; ele via coisas que mais ninguém conseguia, que só ele via e, dizia que isto assim não pode ser! A gente fica soátoa nos dias de catolotolo depois do funje com biala do rio podrida, barriga na zunida do cruácruá, corre no mato e buáááá! Capim corta, areia suja, num dá… Problema mesmo de confusão, ai-iú-é! Não posso mesmo falar de minhas falas com tuge escondido, ahah! Falo, falou nesse tempo de munhungo biológico de cangar nos matos…

maga5.jpg Mesmomesmo sendo daquele tempo pelas poeiradas esteiras do Sambizanga e do Prenda do senhor administrador Poeira da Luua, não posso mesmo falar de minhas falas com tuge escondido ….Ahah! Num pode! Cipaio não deixa cagar seu cafió. Ninguém mais fala assim dos antigamente cum cheiro do mato e a capota a cantar de estou-fraca, estou-fraca picando nos tuge logo nos seguidamente.

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Haka patrão! Ninguém mais fala assim atravessado na picada da vida de bitacaia aiuê! Nos matubas avilo bué! Tremo só de pensar nos sofá de pele de pacaça oleado com Bien-être de zumbo dos bâmbi, riscando do molinhado de óleo de dendém. No antes e no despois tudo ficou mesmo no muito antigamente. 

 

camionista1.jpg Eu T´Chingange, que fiz amizade com este Xinfuma Ya, vim de consulta marcada com n´gonge aqui ao kimbo das caricas na Kissama dos Dembos, com alpercatas de pele de jamba e um corno de facochero ao pescoço para bangar nos entendimentos. Queria mesmo ouvir as estórias de kevele mas, não deu pra falar muito direito e contar do rei Kwanyama Mandume de Njiva que dizem que se suicidou em 1917. Queria mesmo esclarecer isto mas o trungungo deu volta no miolo n´dele.

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Ele, Xinfuma Ya diz que não foi assim e, que os Tugas andaram passeando a cabeça dele pelas terras de Ovombolând para fazer o povo capitular. Mas, e ora sucede que o sua excelência Xinfuma estava todo roto de consciência: bebeu por demais seu marufo com poses de corno álem da quantidade bué do tal de trungungo e assim ficou por muitos dias. Caminhada de tantos dias, só para nada, mesmo! Fiquei só assim com as falas labirínticas de gente para lá de doido que só muxoxeia! Vou fazer mis o quê com meu kuxikina?

maianga do araujo.jpg GLOSSÁRIO:

Berridavam - fugiam; Kapiango - roubo; Mayanga - Um dos bairros antigos de Loanda, lugar de muita água; Uuabuama - maravilhoso - Caricas - tampas das garrafas; Mission, Canada Dry, Cuca; Jihenda - saudade, Kamba - amigo; Kuxikina - de sossego, sossegar; Mulemba - Mulembeira, árvore de frondosas folhas; Mu Ukulu - antigamente, Muxima – coração; N´gonge - aviso; Uuabuama - maravilhoso; Muxoxeia: vem de muxoxo, estalido da língua no palato dando um estalo de desdém…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:30
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017
MUXIMA . LXVIII

SEJA OTIMISTAMesmo que viva os minutos da vida encafifado num relógio de quartzo…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Abri o livrinho aleatoriamente e pude ler: Não pare jamais de trabalhar para o bem! Porque nossa alma, uma vez que paramos, começa a ficar com rigidez cadavérica. E, continuei lendo: Que a alma inactiva morre de tédio e cansaço e seu espírito se enfraquece na inacção. O fim do pequeno texto acaba por me convidar a viver alegre e entusiasta empregando-me com todas as forças na plantação do bem, do amor, do carinho com edecéteras daqueles que nos cercam na vida.

santo2.jpg Estes fenómenos de alucinação sucedem-me frequentemente e desde que comecei a ir à praia da Lapa do M´Puto e na areia ainda molhada da maré alta, riscava meus símbolos do reiqui bem por debaixo da gruta. Naquele buraco da falésia calcária riscava com um pau os símbolos do CHO-KU-REI, SEI-HEI-KI e HON-SHA-ZE-SHO-NEN.

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Depois, como que rezando ia pedindo a gente meritosa que fizesse isto e aquilo por minha família nuclear. E entre Deus, vinham Dalai Lama, João Paulo II, Chico Xavier, Santo António dos Olivais e Lourdes, utilizando os símbolos do Reiki como chaves que abrem as portas do fluxo de energia vital do Universo. E, sempre me senti muito bem!

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Em tempos tinha tirado com a Dra Elsa em Faro-Almancil o segundo nível de reiki em socorro de meu filho que estava com uma grande depressão. Fui descrente mas saí de lá com uma áurea diferente; vá-se lá saber estes mistérios! Neste nível pode-se curar as pessoas à distância ou ausente, processando a cura no futuro e organizando o passado. Actua sobre a movimentação de energia da consciência social, transformando a aparente realidade tangível, para alcançar a realidade da mente intuitiva.

CHO CU REI.jpg Panaceia ou não eu usando os símbolos ia melhorando quem me estivesse próximo e a mim mesmo. Faço muitas vezes o símbolo do CHO-KU-REI mentalmente ou com a língua rodando no palato da boca quando quero transmitir o bem a alguém. Esse alguém, nem se apercebe. Este símbolo traz ou libera energia criando equilíbrio. Representa o aumento do poder. É o "botão" ligado ao corpo físico; além de ser um maravilhoso símbolo de protecção, é usado para incutir ou reforçar a energia. E, parece que funciona, sabem!

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Cho-Ku-Rei significa "Ponha todo o poder do Universo aqui". Quando activado através da intenção, de desenhos ou da imaginação conecta-me rapidamente nesse fluxo. E, em encontros passados com meu filho fui-lhe dizendo que um homem, não o será definitivamente se não compartilhar a sua vida com uma mulher! Que não fomos feitos para viver sozinhos, mesmo que tendo uma mãe com paciente dedicação como a dele. Mas cada qual tem de fazer os possíveis por arrumar sua vida.

soba02.jpg Salvo raras excepções, nenhum homem pode dar rumo à sua vida confinado entre quatro paredes, escondendo-se ou isolando seu ego nas anharas do mundo sem uma mulher por perto, assim como um ermitão encarnando o espírito xamântico do vento numa desconhecida e longínqua tundra impregnada de metano!

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Vai daí, meu filho Richard com 44 anos de idade, declarou publicamente à tribo próxima e adstrita, estar noivo duma mulher mais nova cinco anos e com três filhos em idades casadoiras. Não vem daí mal ao mundo tal atitude e até nada diria se ele próprio não o publicasse; isto já se passou no tempo e espaço mas, posso afirmar sem risco que os tempos e as mentalidades adaptam nossas feromonas. Foi um elefante que me disse isto.

ricardo2.jpg Vi que não é assim tão importante levar em consideração nossos pontos de vista e que, para quem já é adulto, vacinado e emancipado, somente teremos de desejar felicidade e sorte com amor ou carinho; Assim sendo homologuei tal enlace depois de lha fazer uma simples pergunta: - Sentes-te feliz? Na afirmativa resposta e de forma singela, assim ficou selada com lacre a preocupação do progenitor, eu! E, como diz o ditado popular quem boa cama fizer, nela se deitará!

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Uma paixão pode não durar para sempre mas, sabe-se haver algumas que não desvanecem com o tempo e nós, pais de Richard, manemo-nos em um relógio de quartzo com o brilho de 45 anos. Não houve qualquer inqualificado flagrante de apanhar Richard com a mão metida em um frasco de rebuçados ou num cortiço de abelhas africanas, ou mesmo se como um macaco meteu a mão numa cabaça, pegou a jinguba e não mais a largou.

11193310_1383411848654928_3928321355325473571_n.jp Tento como pai recuperar meu folego de estroina com estórias avulso; olhar ao redor ou fechando pálpebras para ver melhor ou, no mínimo as luminosidades de chamas tremulando entre o escuro porvir e os barulhos murmurados ao ar. Mantenho-me assim encafifado num relógio de quartzo impulsionando os anos, os meses, os dias, as horas, os minutos e segundos na rectidão da vida.

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:33
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017
MUXOXO . XLIV

TEMPO COM CINSAS – 11.01.2016  . Quando os heróis ficam bronze

- Na dúvida entre o ser agnóstico como “Mário o coisa suprema do M´Puto”, fico driblando-me em golpes de liberdade!... Uma quase carta aberta para o álem…

Por

soba18.jpgT´Chingange

Humilhando-me deliberadamente, combatendo o tédio das horas que sempre sobram cozo disfarces, ensaio previsíveis alegorias sobre os vícios e infortúnios do passado construindo castelos do meu envenenado orgulho. O Soares morreu, paz à sua alma! Erigindo uma muralha à volta de estabelecidos conceitos tidos como certos, leio o estibordo do meu espírito sem prólogos, epílogo, sem índice nem sumário.  

cinzas8.jpg E, fico na dúvida entre o ser agnóstico ou driblar-me em golpes de liberdade de católico não praticante. Pacificamente faço transbordar prefácios amarrotados repassados de ternura e, por forma a encontrar os certos lenitivos do meu lado mau, de estibordo.

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Diga-se o lado perturbado nas vaidades de pensamentos muito carregados de apreensões. Nosso verdadeiro desterro terá de ser a sabedoria ressequida no calor das ilusões e enganos da Terra, gente boa, gente má, e outros que se sublimaram sem constar nos capítulos da história. Uma cagalhoto enrolada em papel cheiroso de celofane continua a ser necessariamente uma merda!

nasc2.jpg Sem querer reviver ataques de caluniadores esforço-me todos os dias no exercício da razão a fim de pensar com acerto, alegria com a adrenalina ansiosa no quanto baste. Neste enredo de fingir prefácio, amoleço-me na vontade de rejeitar o elogio fácil porque me amolece ou ilude, como um veneno de lisonja.

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Nos últimos dias muito tenho lido e ouvido sobre gente que geriu o meu ex-futuro sem nunca ter oportunidade de poder reclamar. O homem morreu! E ele chamava-se Mário; foi-se, escafedeu-se no além por onde decerto se irá penitenciar sem escondidos âmagos na alma. Como tantos outros enfermos, adulterou a lei fazendo valer seus conceitos. Assim, Mário, o presidente, o primeiro-ministro e mentor da descolonização, não respeitou o caminho da verdade e liberdade.

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E, porquê então lhe chamam o pai da liberdade? Mas, que liberdade?! Se a Terra é uma escola sagrada como foi possível ter tido uma conduta tão nefasta para tantos. Serão muitas perguntas sem resposta porque não vincula, votar o amor e o serviço ao próximo, mas, e tão só, a si próprio. Estou na senda de não guardar mágoas, ressentimentos, nem medos a transmitir algo para seguir em frente, livre deste pesadelo.

bruno13.jpg Quero seguir em frente com lições válidas de olhar a vida, dando valor a quem o merece, com equilíbrio e alegria desprezando sempre o infractor. E, se a ingratidão é um grande defeito, praticar a “teoria do esquecimento” será uma desvirtude. E, se cada um recebe de acordo com o que dá, por mim este Mário, sempre terá um profundo desprezo.

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Sua rigidez cadavérica não me enaltece a alma; quero que seu espírito se me enfraqueça no esquecimento. Se a alma não tem idade e a mente jamais envelhece, quando me encontrar lá na nuvem branca dar-lhe ei um enxugo de porrada! Dar-lhe ei do mesmo adubo, que me ofertou: A dor!

relog0.jpg Um fertilizante de lágrimas e uma mão cheia de nadas. Já perdi perdão ao meu tio Nosso Senhor por não lhe relevar as faltas, as falhas, os aconchavos com injustiças e traições. Nem morto! Não me quero mentir nem ser ingrato! Só lhe quero retribuir com gratidão os benefícios que dele recebi!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:47
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2017
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXX

REFLEXÃO -   AS MINORIAS  

zorro3.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por: António José Canhoto

Minorias são grupos marginalizados dentro de uma sociedade devido aos aspectos económicos, sociais, culturais, físicos ou religiosos.

canhot1.jpg A análise sociológica dos processos históricos do país (Portugal e não só) até à sua contemporaneidade determina as razões da estigmatização, discriminação, desigualdades que atingem as minorias, levando-as à exclusão social. Actualmente são exemplos de minorias sociais; negros, ciganos, indígenas, imigrantes, mulheres, gravidas, homossexuais, idosos, moradores em favelas (bairros de lata), guetos, portadores de deficiências e moradores de rua sem abrigo.

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Existe outra enorme marginalização que não sendo visível afecta todos aqueles que desde os bancos de escola, cedo manifestam um desenvolvimento intelectual bem acima da média dedicando-se muito mais à leitura nos tempos livres e recreios do que na participação das brincadeiras usuais dos adolescentes, e por isso facilmente lhes arranjam alcunhas e cognomes depreciativos.

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Muito embora as pessoas possam pensar que não existe uma correlação directa ente minorias e inteligência, ela existe e, eu irei provar exactamente o que afirmo. A Inteligência é um conjunto que forma todas as características intelectuais de um indivíduo, ou seja, a faculdade de conhecer, compreender, raciocinar, pensar e interpretar.

paradi3.jpg A inteligência é uma das principais distinções entre o ser humano e os outros animais. Etimologicamente, a palavra "inteligência" se originou a partir do latim intelligentia, oriundo de intelligere, em que o prefixo inter significa "entre", e legere quer dizer "escolha". Assim sendo, o significado original deste termo faz referência a capacidade de escolha de um indivíduo entre as várias possibilidades ou opções que lhe são apresentadas.

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 Para a escolha da melhor e mais adequada oportunidade, entre as várias opções, uma pessoa precisa avaliar ao máximo todas as vantagens e desvantagens das hipóteses, necessitando para isso da capacidade de raciocinar, pensar e compreender, ou seja, a base do que forma a inteligência. Entre as faculdades que constituem a inteligência, também está o funcionamento e uso da memória, do juízo, da abstracção, da imaginação e da concepção.

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Os conceitos e definições da inteligência variam de acordo com o grupo a que se referem. Por exemplo, na psicologia, a chamada "inteligência psicológica" é a capacidade de aprender e relacionar, ou seja, a cognição de um indivíduo enquanto no ramo da biologia, a "inteligência biológica" seria a capacidade de se adaptar a novos habitats ou situações.

paradi2.jpg Os testes de inteligência surgiram entre os séculos XIX e XX, na tentativa de "medir" o tamanho da inteligência dos indivíduos. O primeiro teste desenvolvido para medir a capacidade intelectual foi criado pelo psicólogo francês Alfred Binet (1859-1911), que era aplicado nas escolas francesas para identificar os alunos com dificuldades de aprendizado. Alguns anos mais tarde, o psicólogo alemão William Stern (1871-1938) criou a expressão Quociente de Inteligência, conhecido pela sigla QI (Intelligenz-Quotient, em alemão), introduzindo os termos "IM (Idade Mental)" e "IC (Idade Cronológica)", para relacionar a capacidade intelectual de uma pessoa e a sua idade.

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Os testes de inteligência definem o quociente de inteligência (abreviado para QI, são uma medida de avaliação do grau de inteligência de cada pessoa, quando submetida a um teste especifico do qual resultam os seguintes valores: de 121 a 130 Super dotação; 110 a 120: Inteligência acima da média; 90 a 109: Inteligência normal (ou média); 80 a 89: embotamento; 70 a 79: Limítrofe de retardamento mental.

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Cerca de 5% da população mundial enquadra-se no Quociente de Inteligência de super dotados,10% acima da média, 20% estarão classificados como normais, enquanto os restantes 65% se distribuem entre as inteligências do embotamento e retardamento mental. Na generalidade é sempre difícil viver-se em minoria por não termos a capacidade ou possibilidade de podermos partilhar dos mesmos valores das sociedades onde estamos inseridos.

mamoeiro.jpg De entre as várias minorias escolhi particularmente aquelas que se distinguem pela sua intelectualidade sendo constituídas por pessoas que têm uma visão conceptual humanista do mundo e da vida diferentes, o que invalida a sua capacidade de integração nas maiorias, as quais podem ser facilmente exemplificada entre o viver na luz ou na escuridão. O mesmo principio de aplica ás maiorias cuja seu imobilismo retrogrado, conservador e dogmático os condiciona à faculdade de pensarem e evoluírem pela hereditariedade das suas convicções, muito embora obviamente possam existir excepções.

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Estes dois grandes segmentos da sociedade coexistem em patamares diferentes da mesma numa harmonia de coexistência pacífica muito embora, apenas tenham em comum a língua que falam. Se analisarmos a pirâmide da hierarquia ou organograma sociológico das sociedades, salta de imediato á vista desarmada que esta se encontra dividida ou escalonada em 4 patamares.

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O três primeiros escalões da pirâmide são ocupados pelos super dotados, inteligência superior e média inteligência media, depois vêm os embotados e finalmente os retardados As sociedades modernas e evoluídas democraticamente são geridas por indivíduos com inteligências acima da média, estando a concentração dos poderes e dinheiro nas mãos destas classes corporativistas e elitistas.

vacas voadoras.jpg Infelizmente são elas que fazem girar o mundo à velocidade que querem, ou o param segundo as suas conveniências. Dois terços da população mundial anda a reboque de um terço dela, pois são estes que proporcionam empregos alimentam ou diminuem o PIB dos países, criando riqueza com os seus investimentos. Existem minorias desejáveis e indesejáveis, o preconceito é algo que afecta profundamente as maiorias especialmente quando os países estão conectados directa ou indirectamente com organizações, filosofias ou credos que marcam indelevelmente as suas linha de orientação politica ou religiosas.

António Canhoto … 25-10-2016

As opções do Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:39
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Domingo, 25 de Dezembro de 2016
MONANGAMBA . XLIII

NO DIA DE NATAL . 25.12.2016 - Monangamba é nome africano, nome de vendedor de trabalho avulso…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Monangamba é nome africano, nome de vendedor de trabalho avulso, que pega e despega, pago à hora de carrega e descarrega as coisas de um patrão que só o é pelo necessário tempo de levar ou trazer a tralha, o lixo, os cacarecos ou ainda, aqueles que sempre o fazem às ordens do município, gente desclassificada sem eira nem beira, a quem os candengues em outro tempo gritavam de Monangambé!

lobo1.jpg Eles, os monangambas da Luua destratavam nossas mães chamando-nos de sundiamenos, filhos da puta, e também de sungadibengos de merda; faziam-no com raiva como fazem os cães que ladrando assim uns com outros, firmam suas desavenças, cada qual formulando supurações fétidas. Ares de superioridade lembrando escravas conveniências, e escrúpulos sociais disfarçados de empertigadas invejas. Era só um tempo chamado de passado.

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Agora que sou kota, fico rindo muito mole na minha honestidade preguiçosa das coisas que me alegravam nesse tempo de kandengue, resmungados agora  nos entorpecimentos massajados com essência de terebentina como fungicida entre as camadas de caspa e peles mortas nas virtudes.

MONA2.jpg Com essência de canfora, retiro o sarro de ideias naftálicas ginasticando-me nas águas quentes brasileiras a norte e a sul dos bueiros crioulos que largam seus pecúlios a céu aberto sem arbítrio dos activos ou passivos. Assim mesmo com política de vinte mil reis burlados nas formalidades curadas no imenso depósito de cloreto de sódio, o soro do Mundo.

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Sentado junto ao mar fico ouvindo aquela música feita de gemidos do mar na forma de ondas. Hoje, dia de Natal do ano de dois mil e dezasseis entorpecido na embriaguez do vento morno, deixo-me embalar no espanto, vendo gente graciosa e alguns poucos restos de esqueletos cobertos por um pele seca a devorar-se sem tréguas do tempo.

magao01.jpg Um rumor quente do dia de festa vai-se formando o longo da língua de areia morena da praia da Pajuçara. Gente que andou no regabofe passa na faixa da maré-baixa, uns vestidos, outros descalços e outras morenas com seus vestidos de cambraia plissados a ferro e acompanhadas de velhos rufias entumecidos de cachaça.

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Corpos lustrosos de suor, rindo forte com a camisa a espigar-se-lhes pela braguilha meia aberta.

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Ontem queria ver a missa do galo com o Papa Francisco mas, repimpado como estava, não deu para manter o olho aberto mais para além das dez e trinta. A itaipava geladinha a acompanhar, primeiro com o camarão à Jucedi, depois o bacalhau com broa da Filomena e por último o peru da dona Emília, fizeram com que o bocejo forçasse o quartilho certo de sono a deitar-se.

MONA3.jpg Assim foi e, já estirado na cama gulosa pude ouvir o tilintar de talheres e copos. Ontem, dia de Natal foi dia de comer e beber à fartazana, ficar de boca cheia com beiços envernizados de molhos gordos. Não tive pança para tocar nos bolos, nas tortas e tarte mais o pudim. Não há mesmo como viver um dia de cada vez, assim cada um senhor e dono do que é seu!

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Apreciar os pés sem meias, metidos nuns chinelos polidos do uso e respirando as falas de manjericão, as graças de brasileiros perfiladas num gancho de espetadas com cheiros de baunilha e outras plantas aromáticas – Eu quero que você me dê um feitiço para prender meu homem! Foi o que consegui ouvir das conversas do lado em plena praia. Estava na hora certa de regressar.

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Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:43
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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2016
MUJIMBO . CIV

MOKANDA DO BRASIL

Mujimbo é boato, um diz que diz…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

temer4.jpgA convulsão política no Brasil continua provocando batalhas políticas que colocam em causa todos os lugares da hierarquia institucional brasileira incluindo mesmo o Senado que se tem mostrado senão titubeante, tendencioso, segundo a visão de independentes. Não tem havido soluções pacificadoras para a política brasileira. Seus comportamentos só poderão culminar em que “a única coisa sabida é a de que isto vai acabar mal, qualquer que seja o resultado”.

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A lama suja todos; a política brasileira vive dias de brasa. "As assembleias vistas pelo povo pela TV são até um bocado caricatas”. Dizem e desdizem-se porque eles sabem bem o que são e, porque não há políticos brasileiros dissociados ao escândalo da Operação “Lava Jato”.

temer1.jpg A dificuldade é saber se uma qualquer lista tem ou virá a ter alguma credibilidade. Porque a partir de certa altura, vão todos os nomes para a fogueira. Os justos e os pecadores são tratados da mesma maneira. Do ponto de vista da estabilidade do regime, isso torna muito problemático o que se está a passar neste momento do Brasil.

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E Temer, sendo o segundo na linha de sucessão de Dilma teve uma conduta critica e dúbia porque no derrube de Dilma afirmou: “Se a Presidente sobreviver, eu também não saio do lugar”. Ou seja, ele tenta derrubá-la, mas se por acaso falhar ele não sai do lugar dele. Isto revela um grau zero da vergonha e do pudor em política. O que indicia um problema mais grave, para além das personagens em concreto. O sistema é profundamente disfuncional, manifestamente em desequilíbrio politica. O Brasil precisava de tudo neste momento menos de uma crise institucional mas parece não haver como retroceder.

temer2.jpg Há aqui, nitidamente, uma vertigem autofágica do sistema político brasileiro. E os protagonistas ainda não perceberam que estão todos a atirar também nos próprios pés. Podemos comparar este esquema de “Lavajato” com a operação Mãos limpas de Itália: - (Mãos Limpas) em Itália, nos anos 90. Em Itália havia um sistema de loteamento na distribuição das luvas nos concursos públicos, em função da representatividade de cada um dos partidos a nível nacional e regional.

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Foi isso que esteve na base da grande operação que começou na Procuradoria de Milão, que destruiu depois o Partido Democrata Cristão Italiano, o Partido Socialista Italiano e o próprio Partido Comunista que não saiu incólume destas suspeitas! Estamos a viver exactamente uma situação desse género. O escândalo Petrobrás é um escândalo de loteamento de luvas em que todos os partidos estavam associados à quota.

temer3.jpg É difícil encontrar um político que não tenha culpas no “cartório” argumenta-se com razão! E a seguir a Temer quem virá, num período que se prevê ser breve? Se não correr muito mal há-de emergir alguém em democracia. A profecia do Carlinhos adivinhador diz que será um tal de Álvaro Dias, um ainda ilustre desconhecido nestas correrias ao pódio da nação. Tanto quanto sei, é um Senador como tantos outros. Irá ser assim, Progresso para estes e  Ordem para o Povo, tal como diz a bandeira das muitas estrelas… 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:31
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016
PARACUCA . XXII

MULOLAS DO TEMPO – 07.12.2016 - Fábrica de Letras in Kizomba com histórias da vida.  

- Mulola é um leito que só é rio quando chove…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

No tempo de Nabucodonosor não havia conhecimento da espectrometria e tampouco se sabia que havia sete planetas em nossa galáxia. Hoje sabe-se haver milhares de galáxias e milhares senão milhões de planetas a muitos anos-luz da nossa galáxia com outros sois. Os especialistas só não têm provas concretas de que existe vida nessas muitas galáxias. A luz proveniente dessas estrelas longínquas, são medidas por espectrogramas a partir do espaço.

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Com o avanço de conhecimentos, pode agora dizer-se que a existência de vida alienígena deixará de ser algo hipotético para ser bastante provável. Também creio que será capaz de acrescentar alguma credibilidade na procura de vida extra-solar a partir da história da própria terra. O nosso planeta nasceu aproximadamente há 4.500 milhões de anos e os micróbios surgiram logo depois passados uns 150 a 200 milhões de anos.

minhoca0.jpgPara nós humanos o tempo biológico de duzentos milhões de idade, parece ser uma eternidade em nossa mente, mas isso representará um dia na totalidade dos quase 14 mil milhões de anos da história da via Láctea. Os astro-biólogos terão cada vez mais de procurar encontrar em outros planetas a possibilidade de lá podermos viver. Os vários governos do globo deveriam estimular e financiar esta pesquisa como salvaguarda de sobrevivência em um futuro próximo.

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Há indícios de moléculas de gaz terem sido detectadas e, é a partir daqui que haverá hipótese de no futuro se estabelecer vida em outros planetas para bem da Terra nosso berço, mesmo que sejam um oásis de um deserto e que possam albergar organismos até com elementos moleculares diferentes.

minhoca01.jpg Esta curiosidade levou-me a cultivar minhocas a fim de assegurar um ecossistema sustentável no meu pequeno quintal. Alimento-as com desperdícios de comida, restos de batatas, cascas de frutas, cenoura, couve e outros vegetais. Estas são as minhocas vermelhas da Califórnia (Lumbricus rubellus) uma espécie bastante criada nos Estados Unidos, e muito utilizada na agricultura mundial.

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Estas minhocas depois de digerir todo o material orgânico, principalmente esterco de vaca, alimento preferido das minhocas vermelhas, produzem o húmus, que nada mais é do que as suas fezes, um adubo natural e potente para a plantação já que contém diversos nutrientes para o solo como o nitrogénio. São famosas por sua capacidade de limpar resíduos, pois que se alimentam de matérias orgânicas em decomposição como  já referi.

bruno27.jpg Creio que em Marte a vida poderá ter evoluído em mares extintos e ter sobrevivido actualmente em aquíferos profundos que contêm água liquida. Isto porque na maioria dos lugares do mundo se regista a presença de insectos e aranhas e até peixes, todos com anatomias adaptadas à vida em ambientes teoricamente pobres e sem qualquer luminosidade.

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Outros hão entranhados em fissuras rochosas desde a superfície terreste até uma profundidade para além de um quilómetro. Bactérias que vivem da energia obtida da metabolização das rochas, espécies recentemente descobertas e até abundantes na superfície terreste. O anseio por odisseias e aventuras próximas ou distantes, está inscrito em nossos genes…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:50
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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