Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2020
XICULULU . CXXIX

NOVOS AMIGOS - Ando encafifado com uma máquina de fazer “alegria” chamada de Ximbica*

Crónica 3088 – 04.12.2020

Por

soba0.jpegT´Chingange - No M´Puto

relogio sem.jpg “Tudo é tudo, nada é nada”; “quatro ou quatro e meio, não chega a cinco” tal como o vinticinco de Abril não foi como o vinticinco de Novembro do M´Puto. É difícil haver consenso do que fazemos individualmente tal como o é para um Estado ser decente. Se não houver transparência, a corrupção superará as normas de bom entendimento e neste mistério de encobrir o nevoeiro com cacimbo, os socialistas têm-se revelado muito bons na matéria.

ximbica.jpg Mas, se a politica nos separa, não se fala mais nisso, melhor será passarmos ao futebol do Benfica ou falamos de Madre Tereza de Calcutá porque entre piadas e amuos sempre iremos revigorar os percursos no sentido ou ao contrário dos ponteiros do relógio. Pois assim terá que o ser porque é impossível dar uma definição da alma, pois que esta, não é uma entidade concreta mas, abstracta.

ximbica01.jpg Não é matéria, é energia - mas também não é energia física. É energia divina, um pedacinho de um qualquer deus dentro de nós. Sufragando os doces reis e rainhas dum ano que quase finda, próximo das passas dum ano novo que chega, é sempre emocionante ler as mokandas de amigos mesmo que tenham nomes estranhos como Lusakidilu e, de falas genuínas, kamba duma Luua com um Rio Seco a que eu chamo de “mulola” porque só ali passa água quando chove!

Dum Rio que só o é na lembrança antiga que se quer sem fungos nem cacos velhos ou águas saponáceas a fazer desenhos entre as mais escuras, saídas dos tubos ladrões. Posso acrescentar que o último protótipo dessa máquina é parecido com uma foice a sobrepor uma catana! No fundo vermelho e roda dentada, pode ler-se a marca dela: Ximbica…

araujo119.jpg E ximbicar é assim: - Tu pegas no bordão, atiras canoa na água, entras e encostas a ponta do pau no fundo do mar kalunga, fazes força e, a canoa anda. Depois continua - Ah! Quersedizer, tu remas - Ué! Remas!? Essa palavra ainda não sei? Não me disseste dela! Eu, ximbico a canoa. T´aprendeste, munanga?

Aprendi, sim, ando ximbicando pela vida muito no lentamente, trabalhando músculos desconhecidos, que não fazem parte da anatomia, Eu e Lusakidilu ficamos amigos, trocando bordões por novas palavras. O mar, gentil, a calunga, pôs jeito no nosso ximbicar; aprendi, sim, ando ximbicando pela vida disse-me ele na última mokanda via Facebook. Um amigo tem sempre missangas para enviar, assim o queira, por apitos ou estalidos ou mesmo muxoxos com ou sem cacimbo ou trovoada de chuva grossa! A tal máquina…

Notas: Ximbica*: Rema; Luua: Luanda; M´Puto: Portugal; Kamba: Amigo; Kalunga, mar e seus mistérios ou kitucus…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020
MALAMBAS . CCL

FALANDO COM UM CHARNECO

Crónica 3087 - Charneco é um pássaro - 30.11.2020

Por

soba0.jpeg T´Chingange - no M'Puto

charneco1.jpg Taciturnado no meu ovo feito casa, sentei-me bem a modos de ver esse pássaro de nome charneco para lá da janela. Assim sentado, podia vê-lo chiscando na terra humedecida, vacilando-me entre estar num sítio ou num estado de sítio.

Na veracidade dum estado perturbadamente vergonhoso, sinto que vivemos em um estranho tempo de vitimização sem aquele espaço próprio de também me poder chiscar, tal como este pássaro da família dos corvídeos.

koisan6.jpg Assim, estando como que entalado entre a ideologia e o manto da ciência, vejo-me enroscado nos zingarelhos covardes da melancolia ciscando no chiscar do charneco egoísta. Todos nos encontramos mergulhados na banalidade quotidiana dos gestos e das frases repetindo aquelas ansiosas falas de todos os tempos e, de todos os lugares. O Mundo está uma ervilha! E falam, falam pelos cotovelos. Assentes numa mesa quadrada todos explicam assuntos bicudos, periclitantemente covidesco…

Às vezes pagamos caro pela tentativa de resolver situações complicadas agindo sob o calor das emoções, especialmente negativas. Mas, neste estado catatónico deveremos utilizar todos os recursos disponíveis na solução de problemas, com a perspectiva de êxito.

caiena5.jpg Mas, existem circunstâncias diante das quais tudo o que temos a fazer é esperar. Convém lembrarmo-nos de que, é “na quietude e na confiança que está nosso vigor". Sempre que nos deparamos com grandes desafios ameaçadores, é natural que o medo se imponha a nós.

Entretanto, não devemos permitir que ele assuma o controlo. O medo enerva-nos, deixa-nos ansiosos, mas deve ser vencido com fervente e confiante oração. Quem sabe se movidos no medo, assim sairemos do mundo zumbi...

kota0.jpg Os negócios da economia estão sendo sacrificados num altar do suposto, aqui no M'Puto e, em muitos lados. No evidente estabelecimento de regras, assim é. Leis canibalizadoras de prosperidade causadas talvez pelo abuso de poder.

A situação é dificultada pelo cerco do mando e a ideologia mantendo a nomenclatura no controlo e, considerando os demais como um exército inimigo. Nada nos resta, senão a expectativa de destruição ou a operação de um milagre, supostamente.

charneco2.jpgEstamos perdendo o nosso capital, nossa prosperidade por via de decretos arbitrários que a seu tempo nos escravizarão ao subsídio.

Aqui e, no resto do Mundo, o abandono de milhões de empresas e sequente desemprego, são uma realidade. A ética do medo desune-nos sem uma verdadeira certeza de assim ser, pelo melhor! Resta - me falar com o charneco...

O Soba. T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:29
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 24 de Novembro de 2020
MUXOXO . LXI

MUXOXO DO T'CHING

LIXO ELECTRÓNICO... Nem o Espírito Santo escapa.

Crónica 3086 - Portugal e os bafos dos desabafos… 24-11.2020

Por

soba0.jpegT´Chingangeno Algarve do M´Puto

Fraternidades1.jpg Fiquei vários dias sem ler meus e-mails, por via da jardinagem e leituras para fazer. Meus amigos reclamam meus cazumbis, missossos e muxoxos com ou sem chuva no meio deste mau tempo pandémico. Hoje, tive um tempinho e, acedi à internet acabando por ficar irritado com a quantidade de lixo; bagunça que havia em minha geringonça, uma chatice...

Bom! Este é um tipo diferente de lixo! Não cheira mal, mas recebe o nome de "lixo electrónico" pois são mais que muitos e enleados assuntos de banha da cobra ou do dragão que fuma. Todos sabem que estas mensagens indesejáveis, conteúdos electrónicos, incomodam e atrapalham nossos afazeres ou lazer de até dar dores de dentes mesmo a quem nem os tem…

Fraternidades2.jpg E, surgem os famosos Spams - mensagens comerciais enviadas para muitos endereços ao mesmo tempo que para além de congestionarem nossos computadores saturam até os provedores...

A única defesa de nós, usuários, será os antivírus. Eles são capazes de filtrar a maioria das mensagens indesejáveis embora por vezes até estes fiquem fora do ar por incompatibilidade. Quem usa a internet, não pode dar-se ao luxo de não ter antivírus em sua máquina! Meu Kaspersky resolve quase tudo mas até ele, por vezes, tem de recorrer ao Espírito Santo...

sorte2.jpg Tudo isto, porque existe muita gente má recorrendo à inteligência artificial para separar o trigo do joio e a quem a usa, só no intuito de prejudicar os outros fazendo disso um prazer. Sua mente é como o HD de um computador com um “sistema operacional” que distingue você dos animais irracionais. Para além desses dados que fazem de você um ser único, existe espaço para muitas outras informações conforme os programas, o software que escolheu instalar.

Nós temos o direito de usar a máquina do jeito que se quiser; pode programar sua mente para ser uma bênção ou uma maldição - uma lixeira ou um local onde são guardadas informações úteis. Você é quem decide!

Meu “quase” vizinho que é evangélico, diz ter instalado o mais poderoso e gratuito antivírus do Universo: o Espírito Santo (palavras muito repetidas dele...), pode!? Bem! Acho que isso será uma forma de suprir carências intransponíveis (só ele saberá dos tractos que tem com o paralém...). Bem me parece estar ligada a uma parabólica celestial…

roxo135.jpg Pelo que sei, hardware são os componentes físicos de um computador, como o monitor, a placa-mãe, disco rígido (HD) e teclado, enquanto o software, é um termo técnico que foi traduzido para a língua portuguesa como sendo o suporte lógico. Uma sequência de instruções a serem seguidas e/ou executadas, na manipulação, redireccionamento ou modificação de um dado ou acontecimento, noé!?

Pois! Meu “quase” vizinho, evangélico militante, chato como a potassa, teima em afirmar que é “Ele” que nos guiará e ajudará a filtrar as informações recebidas. O "Ele", é o mesmo meu tio Nosso Senhor que tanto tenho aqui referido (só que não o sabe...). Ainda hoje me disse: Não deixe o diabo destruir seu HD...

roxo90.jpg

Nota1: Publicado em Página Kizomba do Facebook a 19.11.2020; Nota 2: o “quase” do vizinho, tem a ver com o seu malfadado feitio de fazer chinfrim por tudo e por nada e pensar ser um ser mais relevante por falar francês de França…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:26
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 23 de Novembro de 2020
MALAMBAS . CCXLIX

MALAMBA É A PALAVRA...

Crónica 3085 - Apaziguando rijezas adversas - 23.11.2020

Por

soba24.jpg T'Chingange – No M´Puto

araujo 42.jpg De acordo com um dito popular, há três coisas que são irrecuperáveis: a flecha atirada, a oportunidade perdida e a palavra falada. Pascal, filósofo e matemático francês, afirmava que “a maior parte dos problemas do ser humano é decorrente da incapacidade que tem de ficar calado"...

E, como cada qual tem no corpo um pecado de qualquer crime por pagar, de facto, uma verdade incómoda para todos nós é de que, muitas vezes, sabemos exactamente o que precisa ser dito em diversas situações, mas não dedicamos tempo suficiente para pensar na maneira acertada em como as coisas devem ser ditas, noé!?

Quando se trata de controvérsias, ou quando há necessidade de falar contra algum erro, sabemos o que deve ser dito, mas falhamos por vezes na forma como o dizemos... E, por isso, apresentamos o que nos parecerá plausível; porém, a palavra muitas vezes, sai desprovida, sem intenção ou sem o esforço de uma conversinha adulta na suficiência...

pombinho3.jpg Dizemos o que precisa ser dito, mas com aquela ponta de arrogância que causa agressão verbal nas malambas precipitadas ou até avermelhando os olhos por só se falar pedacinhos de palavras constipadas de angústia.

Muitas relações fracassam por via de agressões verbais ou palavras precipitadas. Sabe-se que, durante a infância, algumas, muitas pessoas desenvolveram uma personalidade complexada ao ser estigmatizada com termos pejorativos.

Quantos amigos já foram separados por causa de palavras inoportunas. Conflitos teriam sido pacificados, caso fossem usadas palavras brandas por uma das partes. Transgressores poderiam ter sido recuperados, caso a verdade lhes tivesse sido dita com palavras menos graves...

o vazio.JPG Não haveria tantas reputações destruídas e caracteres manchados se a palavra maledicente não fosse dita. Há tanta gente que poderia ser curada de suas feridas emocionais e espirituais se tivesse encontrado alguém que lhe dissesse a palavra sem abelhudice!

“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” foi o que li e até retive que “A morte e a vida estão no poder da língua” - reli algures... Na ânsia de sempre arrumar alguma coisa, solicito-me mnemónicas próprias de antigos responsos: Por São Brás! Por São Jesus, passo aqui sem levar a cruz! Com mil outros assuntos vagos e sem interesse, entre muita tolice, tenho em mãos uma fútil preocupação espantando a visão de ver bolos-reis deitados ao lixo, tendo tanta gente passando fome!

araujo179.jpg Amanhã! Amanhã! Calculo eu, saberei tudo; nada de desanimar! Sem saber porquê reconheço-me muito mais depois das resistências postas ao meu futuro; mas que futuro? Qual a medida verdadeira do meu apreço às notícias que correm, das intrigas internas e externas, das guerras sem apreço e sem medida, tolas quanto baste  a somar aos muitos sacrifícios com desmandos…

Feliz semana...

Nota: Esta Crónica sai também publicada em Facebook na página Kizomba... 

:::

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 21 de Novembro de 2020
MUXOXO . LX

NUM TEMPO COM CINSAS - AZUCRINADOS - Portugal e os bafos dos desabafos… Crónica 3084

Meu futuro é amanhã! Ontem, foi meu prefácio… Termos de acreditar que algum visitante do futuro nos traga toneladas de esperança para se acabar com a crise… 21-11.2020

Por

soba24.jpg T´Chingange – no Algarve do M´Puto

eça2.JPG Despairecendo meu espírito, olhei-o escondido com medo do fogo e do capeta feito diabo que sai por toda a parte lambendo os beiços. Com modos sortidos, nas entrelinhas, esbarra em lugares de kotas mais velhos e, assim átoa feito peste, quebra a renitência da idade. E, porque não posso tomar medidas energéticas providenciais, requebro-me nas charadas alcoviteiras para enfeitar penicheiras provocatórias, estendendo a crítica a vulgares patifarias de caixeiros feitos doutores e, até políticos…

Engomando, cozinhando, ou limpando-nos o pó como se fôramos trastes dum estado só deles, precisamos de algo a que nos apegarmos para que a fé não vacile para além do suficiente. Na vontade de fugir espantado, remoçado, muito inchado de iguarias macabras, algumas idiotas, meus espíritos passeiam-se-me no cérebro às apalpadelas azucrinando-me.

eliseu0.png Sem a preocupação gramatical, com o sujeito cutucando o verbo mais o predicado…, sem a métrica do fado, uma emergência confusa deste tempo, sem uma rima versejada por poeta que se preze, esganiço-me a fazer conversa sem sobejar esforços de conversinhas, na fé da promessa e até, sem a vergonha de estar esmolando metáforas antiquíssimas. Ninguém ainda sabe, só umas raríssimas pessoas de olhos rasgados…

Jogando búzios na zuela do feitiço, com algum esforço intelectual, remexo panelas de caldeirada muito me convencendo da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de vaidades. Metendo num pão que vai ao forno os trocadilhos e chouriço e enquanto espero, vejo os estudos feitos pela OMS que apontam uma estatística mundial como havendo 300 milhões de pessoas, de todas as idades, com depressão, considerando ser este o mal do século…

etosha2.jpg Algum tempo atrás, desconhecia que podíamos fechar o tempo dentro de casa, atazanado comecei a beber dez gotas de cannabis para truncar as vicissitudes misturando o gosto estranho com kefir, um pouco de café pilão e um pouco de mel. E assim, meto também num pão tipo croissant os trocadilhos com chouriço, por vezes morcela, no fim de sentir algum prazer de viver…

Escrevo isto olhando para a árvore gigante que meu vizinho alemão da Alemanha construiu no seu quintal, a mesma que me tira o sol de inverno porque baixou demasiado no varão, agora ensombrado; lá estão as duas máscaras que foram lavadas com sabão macaco mas, ainda não sei quanto tempo o capeta pode ficar naquela superfície de pano.

enxada quioco1.jpegMenos mal que o meu outro vizinho que veio de França e, que tudo indica ser evangélico está com o Espirito Santo. Deste modo lá serei abrangido nessa coisa do wifi… O tal padrão Wi-Fi que opera em faixas de frequências que não necessitam de licença para instalação. Acho que também serei apanhado no leque de ondas embora o tipo, tenha subido o muro até aos limites da minha altura  só para não ver sua filhinha vinda das arábias a fumar por aqueles esquisitos cântaros  com uns tubos de fazer borbulhar  o Alibabá...

Ainda que eu falasse a linguagem dos santos, para além de me ser exigida a fé suficiente, teria de me posicionar diante da minha intuição; os meus olhos teriam de me fitar, de me desafiar a enrolar silêncios nas pretensões, sem me sentir temeroso e, quanto a isto, enfeito-me de liberdade com a suficiente e possível humanidade sabendo de antemão que viver, mesmo, é um descuido prosseguido…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 16 de Novembro de 2020
MALAMBAS . CCXLVIII

 

NAS FRINCHAS DO M´PUPO 16.11.2020

Crónica 3083 - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo

Por

soba24.jpg T´Chingangeno M´Puto

araujo18.jpg Manter a alegria acima de um certo limite, hoje, é quase crime porque dentro de quadrados ou círculos até a criança de forma precoce aprendem a geometria do mundo da peste. Teremos até de esquecer o natal que se aproxima, mantendo no topo o lema: “O corajoso escolhe o caminho certo”.

Euclides que foi o pai da geometria, um centro de excelência em cultura e conhecimento de sua época, convidado pessoalmente pelo próprio Ptolomeu I no largo período de A.C. hoje ficaria exuberante pelo uso de suas figuras como medida profiláctica. Ter coragem é prescindir da bússola porque o sentido de orientação virou e, caso tenhas pela frente um cruzamento, será bom rezar três pais-nossos e duas avé-marias porque os problemas podem surgir.

araujo19.jpg E, para completar nossa coragem, vem a OMS – Organização Mundial de Saúde, dizer que os humanos podem ter de conviver com a Covid-19 para sempre, tal como já se vive com o AIV e outras malazengas. Isto passa-se connosco afastando mesas e cadeiras para o meio da rua e, fazendo dos escritórios dormitórios.

E, é triste! A máquina da alegria abaixo de certa quantidade pára! Mas, basta dois dedos em funcionamento tenso para e num solavanco respiratório, colocar a liberdade no tremor do outro. Teremos forçosamente de modificar nosso caracter de existência para aprender esta permanente transitoriedade.

araujo12.jpg Por vezes as coisas mudam e, os vistos de trânsito caducam, quersedizer invalidam-se. Agora lá terei de esperar mais de três meses para revalidar meu passaporte; depois atestar que nas 72 horas antes, o bicho que ninguém vê, não pegou! Estamos forçosamente ligados por breves períodos na sucessão de objectivos que se suplantam. Coisas vindas do nada, viram para tudo.

Com um apagão brusco na possibilidade de movimento, subitamente o tudo, expira! O repleto ar cheio de informação, torna-se demasiado chato, teimoso. Demasiado concreto. Não obstante a curva não achata. De novo e com agrado, relembro aquela senhora a percorrer a praia de ponta a ponta de marcha-à-ré - andando para tráz para rejuvenescer-se, pode!?

araujo90.jpg As informações são variadas mas, sem brutalidade na delicadeza vão afirmando que o ar existente entre nós dois, seres humanos e, esse vazio de festa para manter cada qual, festivalando no seu círculo, no seu quadrado. A alegria fica assim verticalmente desenhada no vazio que permite abrir os braços na prumada do céu.

Só de pensar que o rádio 226 colado na minha mochila pode ficar activamente maldoso por 1600 anos, já me dá um certo alívio. O futuro desabriu depois de umas semanas trancado. Num qualquer destes dias viro pirilampo. Com tantos avanços tecnológicos, melhor seria que nos dessem um comprimido de seis meses de sonolência, enfiarem-nos num tubo de hibernação e despertar na hora certa de desembarque no lugar aprazado…

Ilustrações de Costa Araujo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:20
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 14 de Novembro de 2020
MISSOSSO XXXVI

MEDITAÇÃO DO T'CHING

Crónica 3082Kiçondeando o OLHAR DA FÉ - 13.11.2020

Por 

soba24.jpg T'Chingange -  no M'Puto

sacag9.jpg O que não fazem os seres vivos, mesmos os irracionais, pela própria sobrevivência? Com o passar do tempo, cabras que habitam áreas desérticas de Marrocos tiveram que aprender a subir em grupos na árvore de argan, em busca do fruto para sua alimentação. Na Itália, cabras selvagens foram vistas tentando subir 50 metros de um paredão em busca de alimento. Como seres humanos, também não nos renderemos à possibilidade de morte. Enquanto houver hipótese de viver, não a descartaremos!

picasso3.jpg Kissondeando* sobre muitas picadas percorridas, revejo-me nas vivências porque não o sou, só ossos dispersos. Pensando em kimbundo da Luua recordo falas da terra que afinal não era minha; repeti assim: “ki tuexile tu ngó ifuba iatujunkura” - ainda não somos só ossos dispersos, “ifuba yetu iokune kala jimbuta” - Nossos ossos serão semeados como sementes…

Em 2003, Fernando Ivan Ostrowski tinha 18 anos e estudava na Rússia. Em certa madrugada de Novembro, ele foi acordado pelo som da sirene e, pelos gritos que anunciavam um incêndio no residencial da universidade aonde morava.

deserto1.jpeg Foi o último a acordar, mas, com muita serenidade e acalmando os demais, ele não hesitou em pular do quinto andar. Tendo a queda amortecida pela neve, mesmo assim sofreu alguns ferimentos. Com essa atitude, escapou da morte, que ceifou 36 estudantes nessa ocasião...

E, foi em um barco prestes a ser tragado pela tempestade que John Newton se libertou da vida imoral em que havia mergulhado. Na ocasião, clamou por socorro e foi ouvido. A força da fé tem milagres inexplicáveis; decerto, cada um de nós tem passagens desconcertantes em sua vida...

Mas, a incerteza faz parte de nossa natureza! "Senhor, se és Tu, manda-me ir ter Contigo, por sobre as águas!” Era este o clamor de Pedro, o pescador, discípulo de primeira linha de Jesus, o Nazareno.

intifada0.jpg Assim está escrito na Bíblia e, não se tratava de um teste! Ao convite de Jesus, Pedro começou a andar como em terra firme, até que o erro de desviar o olhar para a força do vento por pouco não o destruía. Eu, que já tive muitos kixibus, entendo que as dificuldades de meus, nossos ancestrais também kubasularam lumbus mal explicados e, conhecendo bem a ciência dos calundus, espantaram  maus olhados desses defuntos espíritos da Yanda.

Sem o olhar de fé, morreremos afogados no mar do medo e da dúvida. Claro que ao longo dos anos, as falas e os desafios mudaram; uma grande parte de nós não quer seguir estas parábolas e, todos se julgando sábios ou descrentes, atiram por terra ensinamentos úteis...

dia32.jpg Podemos assim rever isto para e, como aquele ditado popular que diz: "querendo, os homens movem montanhas". É certo que Pedro, o pescador, corria o risco de naufrágio no caminho proposto mas, ao convite de Jesus, começou a andar como em terra firme...

Repito: Sem o olhar da fé posto em nossa vida, morreremos afogados, não na água mas num mar do medo; medo da dúvida, medo de tudo... Creia ou não num qualquer Deus em que acredite, faça a sua parte e, não ponha em dúvida que o que tiver que acontecer vai acontecer... Mas e, sobretudo, não coloque outros em risco... Senão o bicho pega!

Glossário

Kiçondeando: andar como a formiga quiçonde; kixibus:- cacimbos, estação fria; kubasular:- passar bassula, dar a volta por cima; lumbu:- descendente por parte do pai; kalundu / kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto; Yanda: lugar especial, região pambun´jíla   

O Soba T'Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:16
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2020
MISSOSSO . XXXV

MEDITAÇÃO DO T'CHING

Crónica 3081 - VIVA A VIDA! - 09.11.2020

Por

soba24.jpg T'Chingange - no Barlavento algarvio do M´Puto

saramargo03.jpg Normalmente a morte, não é um assunto sobre o qual escolhemos conversar. Ela é repulsiva, triste e pavorosa. Entretanto, à semelhança de alguém indiferente ao que se pensa e diz a seu respeito, a morte continua sua marcha, apagando sorrisos, silenciando vozes, interrompendo sonhos...

Em seu trilho, separa amigos e familiares. Ela escolhe suas vítimas sem levar em consideração a idade, a raça ou a condição social. Às vezes, é previsível; outras vezes, não! Na prevalecente banalização da violência, ela chega pelos caminhos mais estranhos. Mas seu reinado cruel não o será para sempre.

sacag9.jpg Ela, foi enfatizada  nessa certeza em sua primeira carta aos cristãos de Corinto. Faz falta sentir a segurança na continuidade. Sem isso, nossa esperança futura perde seu significado....

Assim, virá o dia em que “por entre as oscilações da terra, o clarão do relâmpago e o estrondo do trovão", a voz da Natureza nos chamará. Uns ouvirão mas, nem todos seguirão revestidos das glórias obtidas em vida, penso eu... Se o for, ficarei desiludido lá no paralém...

O sono eterno chegará inexoravelmente a todos sem distinguir nação, tribo, kimbo ou língua de falar. É sim, o conflito dum cárcere que ninguém ousa decidir ou até clamar: ‘Onde estás ó morte, qual é a tua vitória? Ou, onde está,  o teu aguilhão? Aí acabará nossa ilusão...

SACADURA2.jpeg É assim que a morte deixa de significar uma tragédia absoluta. Um dia, será cumprida “a palavra que está escrita”. A realidade da vida futura requer que a vida no presente seja digna dela. Se te portares mal, estarás lixado...

Longe de nós a ideia de que tudo o que cremos, pregamos, cantamos, ensinamos e fazemos venha a ser desperdício por causa da morte! Em vista dessa confortadora verdade, não precisamos deixar de planear e executar, sonhar e realizar... Sem desvarios, claro! Pela graça da Natureza ou de Deus, como o queiras, continuemos firmes, estáveis e dedicados. Celebremos a vida, não a morte! Ela não nos tornará seus prisioneiros para sempre.

sanchas2.jpg Nossas acções farão subsistir a certeza de que o não trabalharmos inutilmente, pressupõe a existência do galardão que receberemos quando o merecermos... Claro que nem todos irão conhecer meu tio "O nosso Senhor". Em vida chamava-se José...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:44
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 12 de Novembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXVI

MEDITAÇÃO DO T'CHING - Janelas para a VIDA

Crónica 3080 - EVITE DISCURSOS TOLOS - 11.11.2020

Por

soba24.jpg T'Chingange - no Barlavento Algarvio do M'Puto

abraço0.jpg Gosto da versão hodierna feita verso: “É mais difícil ganhar de novo a amizade de um amigo ofendido do que conquistar uma fortaleza; as discussões estragam as amizades.” E, é a conversar que as pessoas se desentendem!

A vida pode ser fácil. Nós, seres humanos, é que a complicamos. Se você fizer um levantamento e análise das últimas 30 discussões que teve no trabalho, em casa, na escola, na rua, no twiter ou Facebook, verá que a maioria poderia ter sido evitada.

CUCO1.jpg O conselho  é: não discuta por motivos banais, não perca amizades valiosas por dizer palavras agressivas num momento de ira. Controle sua mente, seu coração e sua boca e você será assim mais feliz. Você pode destruir a amizade de toda uma vida num instante. Recuperá-la será difícil. Tenho perdido gente aproximada porque tem outro conceito no estar e, como não posso mentir-me, afronto o desaire e, por vezes remeto-me ao silêncio...

O livro de Provérbios é uma espécie de código moral de conduta mas, em verdade eles, quase sempre são ambíguos, dão para justificar uma coisa e o inverso disso ou fora do contexto. Por vezes até, ajustando-se numa qualquer metáfora ou impregada de sofismo...

missosso2.jpeg Fora do contexto, poderia ser visto desse modo. Se analisar na perspectiva do todo, Provérbios são apenas a descrição da maneira como se conduzem as pessoas sábias. Já ouvi música com dois fios espetados numa batata porque virou transístor...

Os princípios de vida apresentados por um tal de Salomão não eram para serem vividos na base da obrigação. Nada na Bíblia é obrigatório mas, tenho amigos que instigam medo, dizendo que iremos para o inferno se assim e mais assado, como  se já lá tivessem estado... O modo sábio de viver que os Provérbios apresentam é o resultado natural de algo que acontece dentro de você. Quando reconhece as suas limitações de criatura e vai em atitude humilde com o desejo de aprender, você ganha.

lagar5.jpg Você é livre mas, tem responsabilidades. A escolha é sua - ser verdadeiro e prudente no que fala sem radicalizar. Faça de hoje um dia de decisões sábias e acções produtivas. Cuide de sua mente, de seu coração e cuide também de suas palavras.

Valorize as amizades, não as desperdice por causa de discussões tolas. Se por algum motivo você se sentir derrotado, levante a cabeça e, use seus argumentos usando o contraditório. Só é realmente derrotado quem pára de lutar. Ah, e não se esqueça: “O irmão ofendido resiste mais que uma fortaleza; suas contendas são ferrolhos de um castelo.”

O Soba T'Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:21
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 11 de Novembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXV

NA DIÁSPORA - MEDITAÇÃO DE VUMBY

Crónica 3079Angola ainda vive em mim, como tatuagem de alma... 11.11.2020

- REFLEXÃO & ADVERTÊNCIA - 45 anos depois

Por

 vumby113.jpgFernando Vumby – Algures na Diáspora

soba002.jpg As escolha de T´Chingange – No Barlavento Algarvio do M`Puto

zanzi9.jpg 11 de Novembro de 1975 - Um dia como este de há 45 anos. Eu estava na porta de entrada principal da delegação do MPLA em Cabinda de arma em punho em serviço de guarnição enquanto se comemorava por toda a Angola uma independência. Independência que trouxe sofrimento e mais de tudo um pouco de mau para os angolanos. Não era previsível assim o ser!

Embora e, logo de início os dados já estivessem viciados, sinceramente nunca imaginei que seria essa a Angola que ofereceríamos aos nossos filhos, netos e bisnetos que constituem hoje a maioria dos angolanos.

ango1.jpg Com este, texto quero aconselhar os angolanos amantes da paz - gente de bem, a fazerem uma séria reflexão pois que, tudo indica que os jovens continuam na mira do regime. E, assim seja para os corromper como para descarregar sua fúria assassina, contra estes se fará sentir. E, tudo por desejarem um país mais justo para todos; anseio mais que necessário e justificado!

Mas, atenção, isto pode ser perigoso, porque este excesso de violência policial, julgamentos sumários encomendados, condenações injustas, controlo de mentes pensantes, falta de sentido de vida e perspectivas causarão dor e sofrimento. E. cada vez mais, poder aconselhar aos jovens a escolherem outras formas de resistência e se constituírem, ir ao osso, ainda mais duro de roer, será ir ao tutano. O herói dum amanhã diga-se, justamente.

araujo65.jpg CÉLULAS CLANDESTINAS COMO OPÇÃO DE RESISTÊNCIA - Já se imaginou se os jovens se organizarem em células clandestinas como forma de se esquivarem da repressão policial. Fazerem a sua actividade no escuro, desenvolver acções de grande envergadura como forma de resistência contra a opressão de que são vítimas? Cuidado, manos! É hora de se optar e de estabelecer estratégias para a resolução dos problemas sem violência incontrolável, nem os cães polícias, pois o sangue se nota hoje, mais do que antes… Estes jovens dão sinais de muita maturidade no saberem o que querem.

Por isso, aconselho aos senhores governantes e toda a sociedade angolana a reflectirem todos juntos para bem de Angola e dos angolanos. O regime sob gestão do MPLA que deixe quanto antes, em optar pelo confronto agressivo para esconder a sua incompetência. E, que deixe de olhar a luta política existente entre adversários como se fossem inimigos, assim como uma competição em que um ganha a outra parte. Angola é um todo!

che4.jpg A isto, se poderá acreditar no diálogo, que é a única via em que todos os angolanos podem ganhar e ficarem satisfeitos; acabar com a estratégia do ganhar por ganhar. O governo tem de ceder! Isto implica dar atenção e receber atenção (não só dar nem só receber a atenção em exclusivo). Que deixe de fabricar culpados pela sua incompetência, falta de visão e preocupação gananciosa excessiva pelos assaltos aos cofres públicos, rotina de todos os dias num trilho com 45 anos; muito longo, diga-se…

Fórum Livre Opinião & Justiça

Fernando Vumby



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:45
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 8 de Novembro de 2020
KALUNGA . XIV

MOKANDA DO EDU - Nós e os bichos - Crónica nº 3078

Eles, os Leões, não sabem o que é isso de “paradigmas”

HISTÓRIAS DE VIDA - SELVA - 08.11.2020

soba k.jpg As escolhas do Kimbo

Por: Eduardo Carvalho Torres – No Barlavento Algarvio do M´Puto

Leão7.jpg Estou a pensar no ser humano, no animal selvagem e na inteligência. E do animal selvagem, vou falar do leão, o rei da selva, e da leoa, sua companheira; das semelhanças e diferenças de procedimento entre um, o animal selvagem, e o outro, o ser humano.

Este, é dotado de inteligência, pensa, cria condições de vida, vive em sociedade organizada, estabelece um padrão de vida que evolui de acordo com o avanço da tecnologia, muda sistemas, cria interesses que muitas vezes se sobrepõem à vida para determinar a morte, tão depressa é um salvador como se torna num assassino!

:

 edu43.jpgO homem tanto pode ser egoísta, como solidário, julga poder salvar o nosso planeta sendo que na maior parte dos casos está a destruí-lo. Fabrica guerras para conseguir a paz, e muitas vezes, arranja guerras porque não consegue viver em paz. E o animal selvagem? Como procede ele? Cuida do ambiente, do seu "habitat ", sabe que tem de preservar para poder sobreviver, destrói o indispensável, não polui o ambiente e procura viver de acordo com as suas conveniências.

Pratica sexo nos períodos indicados para o efeito, não é egoísta relativamente à fêmea e respeita os principios da sua própria criação. Será que ele pensa? Eu acredito que sim. O leão, mais a leoa que é verdadeiramente  a caçadora, quando estendida à sombra duns arbustos, com os olhos semicerrados, de boca entreaberta, que o calor abrasa, não estará ela a pensar porque deixou escapar a presa, no cerco prudentemente efectuado e que resulta quase sempre? Porque terá falhado então?

Leão4.jpg Será precisa uma nova estratégia? O animal que escapou, esse pensará decerto que foi um golpe de mestre, que conseguiu enganar a companheira do rei, por que foi mais esperto, usou a rapidez como o trunfo forte para combater a força e a técnica da opositora. É a lei sobrevivência. O leão, ou leoa, matam apenas para saciar a fome.

Não destroem indistintamente a vida, pelo prazer ou necessidade de destruí-la. Apenas por necessidade de comer. Respeitam as leis da selva, a leoa ensina as crias a caçar, para quando adultas, seguirem o seu caminho, defende-as enquanto sob a sua protecção; o leão cumpre uma das suas funções, procriando, num ambiente da liberdade e de respeito. E o ser humano, com a sua inteligência, a sua capacidade de criar e de inovar, quem será que vive verdadeiramente na selva?

roxo116.jpgBasta olhar em nosso redor, perceber de que é capaz o ser humano para atingir os seus objectivos, matar se para isso acontecer desimpedir o caminho que o leve a atingir determinada finalidade, e quantas vezes sem a certeza de o conseguir.

A nível individual ou colectivo pode ser solidário, criar associações humanitárias, mas pode matar, criar guerras por questões politicas ou comerciais, e destruir nações em nome de uma paz inventada. Não sei mesmo onde se situará a verdadeira selva de procedimentos.

ECT



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:35
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 7 de Novembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXIV

MEDITAÇÃO DE T'CHING

Cronica 3077 - Nós e, o deserto... 06.11.2020

Por

soba24.jpg T'Chingange, no Algarve do M'Puto

step6.jpg É na escola do deserto que aprendemos as mais profundas lições de vida. Já tive oportunidade de atravessar o Calahári e senti a profundidade dessa vastidão; senti um milagre acontecer quando o carro que conduzia foi deslocado não sei como para o lado certo, evitando um acidente de morte e, éramos cinco - a família mais um...

A palavra hebraica para deserto é midbar e tem a mesma raiz da palavra dabar, que é “falar”. Isso é muito interessante, porque o deserto é um lugar em que a Natureza fala... Não vem mal ao mundo, dizer que a Natureza é Deus...

nauk01.jpg Revendo o tempo antigo, Moisés sabia bem do que estava falando, porque passou muito tempo no deserto. Não sei explicar direito mas, meditando nas distâncias sem vivalma, um qualquer de nós se sentirá confuso feito um pequeno grão de areia, um nada na imensidão, uma ilusão...

Você já deve ter escutado falar que a vida de Moisés foi dividida em dois períodos de 40 anos. Ele passou 40 anos aprendendo com os homens no Egipto: 40 "desaprendendo" no deserto e aprendendo com a Natureza; 40 conduzindo um povo difícil e obstinado pelo deserto. Portanto, ele passou 80 anos no deserto. Eu, pouco mais que 8 X 8 dias...

nauk9.jpgO Eterno nos leva ao deserto para nos humilhar, nos provar e nos dar entendimento tal como a Moisés que sabia bem do que estava falando... No deserto, o silêncio é tão profundo que somos capazes de ouvir a própria respiração. Ali, a Natureza consegue cativar nossa atenção para as coisas mais simples. Lá você aprende a calar-se e, ficar a sós esperando para ouvir o que ela lhe quer dizer.

Eu, ia a uns 180 kms em contramão, estrada de areia com terra quase feita pó e, naquela recta a perder de vista surge outro carro. Terra solta de difícil manobra de direcção e, inexplicavelmente sou levado para a esquerda, lugar certo na condução. Não sei como - aconteceu!

nauk3.jpg Agora, tantos anos passados, relembro o deserto como sendo o lugar da acção de Deus na vida de Seus filhos; assim leio e, assim recordo! Para Moisés, o propósito é nos deixar humildes. Algumas vezes, a Natureza tem que passar a rasteira em uma pessoa a fim de que ela seja capaz de olhar para cima.

0 destino põe-nos no deserto para nos refinar e não para nos destruir. Será este o Deus a que chamo de Natureza? No deserto, Moisés teve que aprender que não era ninguém. E, a partir daí também eu, senti isso mesmo. No Egipto , Moisés  achava que era alguém importante, respeitado, admirado.

nauk2.jpg Ele passava, e todos se inclinavam diante dele. Ovelhas não fazem isso; diz-se até que elas são animais pouco inteligentes. No deserto, ele teve que aprender a viver com pouco. Suas roupas luxuosas que usava nas cidades não combinavam com a simplicidade de seu novo trabalho de pastorear.

Se você está passando hoje por um deserto, provavelmente também pensarará “Não aguento mais isso!” - Entretanto, será bom não perder de vista a principal lição do deserto:  *0 destino põe-nos no deserto para nos refinar e não para nos destruir*

charula.jpgFoto: Angola - Revista 'NOTÍCIA', n. º 381, de 25 de Março de 1967 (A morte de João Charrula de Azevedo)

Nota: O título destas crónicas começaram faz muito tempo pela mão de Charulla de Azevedo na revista Notícia da Luua – a Luanda doutros velhos tempos,  Mu Ukulu esquecido no tempo... 

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:40
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 3 de Novembro de 2020
FRATERNIDADES . CXXIX

ANDO ENKAFIFADO – OPÇÕES DE VIDA

Crónica 3076VIVÊNCIAS DE CANHOTO 03.11.2020

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbo

Por: António José Canhoto

mulata1.jpg Uma traça invisível corrói a minha mente fazendo-me perguntas às quais não sei responder porque para as respostas às verdades com as quais sou questionado não as tenho, e as poucas que conheço são relativas. O paraíso celestial não existe é uma ilusão, e quando alguém o atinge é sempre na terra e por breves momentos, e não depois de morto. O eterno, é tudo aquilo que dura uma fracção de segundo, mas que nos violenta com tal intensidade que se petrifica, e nenhuma força jamais resgata esse eterno da nossa mente ou coração que pode ser conseguido a solo ou partilhado. Se eu pudesse ter aprisionado em cativeiro os momentos mágicos e inesquecíveis que vivi para os reviver seria pura magia. Morrer é comoventemente difícil, mas a ideia de ter de morrer sem ter vivido deve ser insuportável.

Há alturas em que não me importo que me roubem o mundo desde que me deixem saborear e viver o momento. Atingi um estatuto na minha vida que já não me preocupam os grandes atractivos e sedutores corpos, mas sim as grandes mentes. Como a palavra é muda para quem não quer ouvir, não perco o meu tempo a dialogar com quem pensa já tudo saber. Muitos me criticam por ser diferente, mas eu gozo com isso por estes serem todos iguais. Loucos como eu vivem pouco mas vivem intensamente como não houvesse amanhã, pois eu apenas herdei a vida e não a eternidade.

balba1.jpg De repente tudo na vida vai ficando simples quando atingimos um determinado estágio mental. A gente vai perdendo grande parte das nossas qualidades e necessidades e ter apenas saúde, paz de espírito, independência e liberdade já me deixa feliz e contente. Reduzimos a bagagem, as opiniões dos outros tornam-se irrelevantes. Vamos abrindo a mão de certas certezas, pois já não temos a certeza de nada, bem como de certas verdades que depois de uma vida constatamos serem mentiras. Paramos de julgar, pois já não existe certo e errado, cada um escolhe o seu caminho desde que o percorra sorrindo e feliz. Por fim acabamos por concluir que o mais importante na vida é, vivê-la sem medos em independência física e mental fazendo apenas aquilo que nos dá gozo e prazer.

O sistema educacional religioso e académico foi inventado por esta sociedade medievalista e apodrecida para servir os seus próprios propósitos de cumplicidade entre ambos. O sistema perpetua-se não para nos ajudar, e esclarecer, mas sim, para nos manter na servitude humana. Sejam quais forem a origem dos mitos e lendas cujas raízes remontem á antiguidade, ou ao aparecimento de humanos programados com fins obscuros, manipulativos e com dons oratórios de persuasão e o poder populista de influenciar os nossos sentimentos, emoções, pensamentos e actos, explorando as nossas fraquezas é assustador.

ximbica2.jpg A linguagem política e religiosa destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e os crimes e assassinatos cometidos se tornem respeitáveis. Aconteceu com o catolicismo na época da inquisição e acontece hoje com os radicais Islâmicos. Aceitar opiniões e teorias sem evidências é o mesmo que entrar num táxi conduzido por um cego e dizer-lhe que o destino é a verdade. Todos nós nascemos, puros, livres e imaculados, aquilo que nos deixa nódoas para a vida inteira são as escolhas que terceiros fizeram sem a nossa permissão e nos manchou o cadastro.

A impermeabilidade da estupidez humana e da ignorância que com ela viaja atrelada, leva-nos a pensar que estes deficientes mentais, sofrem de uma patologia de não conseguirem viver com a realidade, enquanto que, a ilusão se agiganta dentro das suas mentes levando-os a conceberem realizar actos inconsequentes morrendo com eles como mártires. Só podemos prometer acções, mas não sentimentos pois estes são involuntários. Quem faz promessas de amar, odiar ou ser fiel para a vida inteira mente descaradamente pois promete algo que não está no seu poder controlar. Nunca brinque, hostilize ou ignore o tempo; com ele nós amadurecemos mas também apodrecemos bem depressa e quando caímos da árvore tornamo-nos em lixo descartável. Na solidão só existe um risco: é nos apaixonar por ela e tornarmo-nos celibatários ou misantropos. A grande maioria das pessoas tem um preço para se vender por notoriedade, amor, carinho, respeito, sucesso ou dinheiro, olhe para si e veja qual o seu preço de mercado se é que pensa ter algum que interesse a terceiros.

dia95.jpg Há uns anos que fugi refugiando-me na solidão, pois comecei a sentir-me uma ilha por estar rodeado de tantos idiotas e estúpidos que me cercavam por todo o lado picando-me com as ferroadas da sua ignorância e dependências mentais que os escravizavam a mitos demasiado pequenos e anões para o meu gosto. Seres superiores exigem muito de si, enquanto seres medíocres exigem muito dos outros. Pessoalmente não gostaria de me sentar numa sala e ver o filme de tudo o que fiz ao longo da minha vida, muito possivelmente vomitaria ou sairia a meio do filme nauseado, especialmente durante o período dos 25 até aos 50 anos. Sempre desvalorizei as críticas ou argumentos sobre determinados temas especialmente os religiosos que desqualificam as pessoas por não terem um conhecimento profundo sobre o assunto em debate.

Invariavelmente a grande maioria das pessoas formam as suas crenças não baseadas em evidências mas sim como resultado da sua doutrinação. Daí todas elas não passarem de marionetes puxados pelos cordelinhos da religião, ideologia política ou fanatismo clubista. Pense que na vida quem não é verbo, não tem sujeito, passando a ser objecto do verbo alheio. Em crianças engolimos de uma vez inteira a mentira religiosa disfarçada de verdade que nos acompanha até ao caixão, enquanto durante a vida as gotas da verdade se tornam amargas e difíceis de engolir. E para terminar o texto de hoje aqui vos deixo para meditação o seguinte: Nós todos somos luz e escuridão em maior ou menor escala, e quem não compreender esta dualidade, desconhece-se a si mesmo.

António José Canhoto. - 20-8-2020

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:29
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 2 de Novembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXIII

MEDITAÇÃO DE T'CHING

Cronica 3075 - PARA ALÉM DAS APARÊNCIAS - 31.10.2020

Por

soba002.jpg T´ChingangeNo Algarve dp  M´Puto

cinzas4.jpg Hó gente -  guardai-vos dos que gostam de andar com vestes escapulárias nos lugares de banquetes e, devorando a palavra para justificar seus princípios. Isso! Da malamba (palavra) de dissimulada aparência de piedade sem lógica plausível. Daqueles que para seu "ego" buscam impressionar pessoas pelas aparências. Falácias políticas - de quem tem o poder ou, de outros com recursos a o poder ter.

Pois! Também das pessoas que nada têm com que chamar a atenção, para além do mero barulho que fazem, semelhante ao de uma lata vazia que só raspam sons, que fazem barulho...

helder12.jpg Sons que rolam na contramão da vontade daqueles que, supostamente, apenas ensejam conquistarem a simpatia do povo. Povo que só quer ficar submisso às suas tradições.

É aqui que nos deparamos com a "vaidade" - vaidade ostentada até por líderes religiosos contraponto o brilho da autenticidade do escrito: “Aprendam de Mim, porque sou manso e humilde de coração”...

A propósito, o termo “vaidade” tem origem nas palavras latinas vanitas, vanitatis, significando vacuidade, vazio. “Como espuma de sabão” que, “quando circula pelo ar, se mostra preciosa'.

duardo0.jpg Vaidade - a luz externa que imprime brilhos fantasiosos, atractivos e bonitos mas que dentro, nada contém. Em um instante, “plaf”, rebenta, desaparece. Converte-se no que sempre foi: - “nada”.

E, há infelizmente, muita gente assim. Gente que ocupa os primeiros lugares em eventos honoríficos; gente condecorada, que recebem saudações como se o fossem: ilustres. Não! Não sigam aqueles que adoptam esses comportamentos...

dia63.jpg Tão enganoso é o coração, que precisamos atentar para os reais motivos de nossos actos, de modo que não escorram por entre os dedos motivações secretas, impróprias, que normalmente, até tentamos esconder...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:13
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 1 de Novembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXII

A VIDA É UM DESAFIO - Força M'PUTO!

MEDITAÇÃO DO T'CHING... Crónica 3074 - 29.10.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Sotavento Algarvio – M´Puto

mamoeiro.jpg Hoje há desafios a enfrentar; sempre os houve e haverá como o foram em idos tempos na travessia do Jordão, nas muralhas de Jericó, na instabilidade do próprio povo com os inimigos ao seu redor. Nas muitas pestes, negras ou brancas entre e fora de muros para conter ímpetos...

Por isso, era preciso ter coragem, confiança e fé tal como nos dias que correm. Os recursos serão outros mas, as angústias serão inexoravelmente muito parecidas. Os holocaustos sucedem por causas nem sempre decifráveis. A natureza confirma-nos sua superioridade...

mandrak5.jpg A Fonte da virtude, estará bem ao teu lado como esteve com Josué e os peregrinos há muitos anos atrás no seu percurso rumo a uma pátria. Além das provas comuns do dia-a-dia, há os desafios para se viver a vida, num mundo no qual parecemos por vezes, transitar na contramão.

Nós também precisamos de coragem, pois em nossa peregrinação rumo ao Futuro, há obstáculos incontáveis, conhecidos e desconhecidos. Ao estabelecermos objectivos elevados ou sermos chamados a desempenhar uma grande tarefa, precisamos estar dispostos a pagar o preço. Isso requer coragem!

malangatana2.jpg Sempre haverá situações, ou mesmo pessoas e governos que tentarão fazer-nos fugir ao dever porque tal coisa, tal procedimento, não nos parece justo! Permanecer firmes no posto e cumprir nosso dever até o fim é uma atitude que também exige coragem.

A alegria das conquistas e a paz da consciência da missão estão reservadas somente aos corajosos. Precisamos dela para contrapor com o “assim diz o Senhor Ministro” ou "assim fala o Presidente", na onda de descaso aos princípios que cada qual ache.

ÁFRICA1.jpg A "Natureza" é nossa fonte de coragem, afinal, a coragem que não resulta da certeza da presença dum qualquer Deus em que se acredite. No fundo sempre apelamos a Ele mas, o Ele estar connosco não passa de atrevimento e presunção! Pode esvai-se como o ar de uma bexiga tocada com um alfinete. M'Puto, aiué, diria minha empregada Mary, natural de Kampala...

Se pararmos para considerar nossas limitações diante dos adversários e obstáculos grandes ou minúsculos, certamente entraremos em desvantagem na luta. Nós só temos de fazer a nossa parte - ter o medo necessário, que se torna um aliado nesta dependência que por vezes, muitas vezes, nos leva a buscar a ajuda do meu tio, "O Nosso Senhor" - FORÇA!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:48
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020
KALUNGA . XIII

MOKANDAS XINGUILADAS NO TEMPO - OS “NOSSOS” CÃES SELVAGENS…  

Crónica 3073 - Moçâmedes / Baía dos Tigres /Angola – 28.10.2020

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual…

soba k.jpg As escolhas do Kimbo

Por:

tigres5  - Joáo sá Pinto.jpgJoão Sá Pinto

swakop6.jpg A primeira vez que ouvi falar na Baía dos Tigres, foi no início de 1960, em Benguela, quando ofereceram ao meu avô, um cachorro, que diziam ser da raça “Cão da Baía dos Tigres”. Veio numa caixa de madeira do leite “Nido”, trazido por um amigo do meu avô e que teria estado a trabalhar, como caldeireiro, nas pescarias da Baía dos Tigres e de Porto Alexandre. Contou-nos alguns factos sobre a Baía dos Tigres e esta raça de cachorros desconhecida para nós.

Algumas dessas coisas contadas, eram certamente exageradas, mas a convicção que na altura narrou os factos pareciam-me bem reais; dizia ele que: “estes cães vivem em matilhas, lutam com leões e hienas, pescam e bebem água do mar (*)”. Ao cachorro pusemos-lhe o nome de Leão, nunca lutou com os leões ou hienas e nem sequer foi à pesca. De uma bola peluda, resultou num belo animal de cor negra e de grande porte. Foi muito fiel aos donos, mas agressivo para com os estranhos, viveu mais de uma década, sempre num recinto fechado e só ao anoitecer era solto no quintal.

tigre01.jpg Fiquei com muita curiosidade em saber mais sobre estes animais, sobre os quais não se sabe bem a origem. Uma das teorias aponta para que uma embarcação de holandeses, vindo do extremo oriente, ali naufragou e os animais trazidos a bordo, incluindo cães de uma raça com características especiais, ali foram deixados ao abandono, evoluindo ao longo dos anos até a raça actual.

Uma outra ocorrência no início dos anos 1900 na cidade de Moçâmedes, quando de um grande surto de raiva, fez com que governador da cidade mandasse capturar todos os cães sem dono e deportá-los para a Baía dos Tigres, onde foram abandonados e que ao longo dos anos também poderiam ter-se adaptado às condições ali existentes. São apenas algumas das teorias sobre a origem desses animais por aquelas terras. Cerca de 1962 a baía, por erosão do seu istmo, separou-se do continente angolano, passando-se a chamar-se Ilha dos Tigres, a maior ilha angolana, facto que acentuou mais o isolamento dos animais que ali viviam.

tigre4.jpg Nunca estive na Baía dos Tigres, mas muitos anos depois de terem oferecido um cachorro de raça “Baia dos Tigres” ao meu avô e no cumprimento do meu serviço militar obrigatório, houve uma situação em que viria a recordar a Baía dos Tigres e também dos seus cães. Cumpri o meu serviço militar como oficial de engenharia militar na Direcção da Arma de Engenharia, ocupando o cargo de chefe de redacção do seu jornal informativo.

tigres6.jpg Tive como uma das tarefas atribuídas, escrever a história das companhias de engenharia destacadas nas guerras do ultramar. Tive acesso e li centenas de relatórios de comandantes dessas companhias, que actuaram na Guiné, Angola e Moçambique. Num dos relatórios de um desses comandantes, mencionava o facto de lhe terem atribuído a função de visitar vários pontos isolados de Angola, entre os quais a Baía dos Tigres. Como comentário final desse relatório, destaco a frase: “Estranha terra, esta, a Baía dos Tigres, onde os cães pescam e bebem água do mar (**), onde existe um hospital, uma escola e uma igreja, mas nem o hospital tem médico, nem a escola tem professor e nem a igreja tem padre”.

João Sá Pinto

tigres3.jpg ADENDAS

Adenda (*) - Teresa Sá: Numa explicação mais detalhada acrescento o seguinte: de menor densidade, as gotículas de água doce ou seja, o orvalho da noite (o nosso cacimbo) depositadas em noites sem vento na crista das ondas, permaneciam por algum tempo sem se misturar com a água do mar. Era assim, logo pela manhã, bem cedo que os cães se jogavam ao mar para matarem a sede. Eram um relógio da natureza bem intrincado! Acredito que, em noites de vento esse orvalho não se depositasse e, eles quebrassem esse ritual lambendo as pedras roliças impregnadas desse cacimbo. É realmente muito interessante e estimulante pensar-se em tudo isto.

CAUNI 2.jpg Adenda (**) - Nos anos 50, o veterinário Dr. Abel Pratas, após a escolha e captura de vários exemplares selvagens, obteve o apuramento e a estabilização de uma nova raça de cães que, mantendo a designação "Baía-dos-Tigres", foi registada oficialmente. Julgo que a raça já não existe por vários motivos, entre eles a descolonização. É possível que os cães dos Bóhers fossem da raça "Leão da Rodésia" (Ridgeback). Ver no Google em "Cães da raça Baía dos Tigres", na página "Gente do meu Tempo (Baú de Recordações) ". O texto é longo mas interessante.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:19
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 24 de Outubro de 2020
KWANGIADES . XXXIV

COQUEIROS DA LUUADe quando a Malta do Macoco, lutava contra o inimigo comum, a Malta do Cú Tapado  -  20.10.2020

NO MEU ANTIGAMENTE NA VIDA - Crónica 3072 (do Kimbo)

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbo

Por: Carlos Pinho(*)  (Folha 8)

coqueiros3.jpg Naquele tempo, lá na primeira metade da década de 1960, na cidade de São Paulo de Assunção de Luanda, sim já naquele tempo, Luanda se escrevia com “u”, pois que no atrás do tempo em que Loanda se escrevia com “o” ainda era mais lá no antigamente na vida e eu ainda não tinha existência. Pois nesse meu antigamente, em que era monandengue, ia lutar de espadachim lá nas Barrocas dos Coqueiros, eu e os meus kambas colegas de bairro, todos nós candengues, nós, a Malta do Macoco, lutávamos contra o inimigo comum, a Malta do Cu Tapado.

O termo Cu Tapado não tem nada de ofensivo, era um pequeno bairro adjacente ao Bairro dos Coqueiros, lá numa rua que era e é um beco sem saída, ou dito numa língua mais fina, um “cul-de-sac”. E nessa luta a ressuscitação era imediata e os inimigos, eram no final, irmãos. Pois naquele tempo, nós eramos heróis espadachins, não havia nem brancos nem negros nem mestiços, mas apenas nós e eles, os da Malta do Macoco e os da Malta do Cu Tapado. Havia apenas a irmandade dos espadachins, carrinhos e trotinetas de rolamentos, que competiam rua abaixo antes, da polícia nos dar uma berrida.

coqueiros 1.jpg E, eu tinha ainda a minha “chica”, calão luandense (caluanda) para bicicleta. Uma BSA comprada na Casa Americana, edifício que é hoje uma universidade privada que certamente nunca dará aos seus alunos as alegrias que me deu a minha “chica”. Eu trocava passeios na minha “chica” por corridas de trotinete ou de carros de rolamentos. Eramos putos da rua numa irmandade feliz e multirracial. Naquele tempo eu aprendi a nadar lá na praia da Corimba que fica lá para os lados da Samba. Praia com pé até dizer chega, onde só perneta se afogava.

Ah! Naquele tempo! Criança não tem maldade, só sonhos pueris. Colocávamos calção de banho quando chovia e sentávamos no meio da enxurrada barrenta que vinha lá das Barrocas dos Coqueiros. Aí a polícia não nos dava berrida, os chuis fugiam da chuva. Mas a vida prega-nos partidas, cerca de dez anos depois, numa tarde de um domingo, julgo que dia 20 de Outubro de 1974, já nos meus 20 anos, passeio a pé ao longo da Praia da Corimba, lá para os lados na Samba, com a morte na alma. Fazia mentalmente o meu adeus à minha querida Angola, pois já adivinhava que esta iria passar por meio século de guerras, ódios, maldições, danações…

baú3.jpg Pessoa amiga me avisou, vai-te daqui ou acabas em vala comum. E foi verdade! Grande parte da minha geração acabou em valas comuns por mor do 27 de Maio de 1977 e do grande timoneiro do MPLA. O tal genocida que é uma referência para uns tristes mentecaptos. Foi aí, nessa tarde de domingo de 20 de Outubro de 1974 que aprendi, na minha alma, lá dentro dela mesmo, mesmo, mesmo, o verdadeiro significado do ditado quimbundo, “dor de desgosto é pior que dor de facada”.

Hoje, olho para trás e lembro-me recorrentemente da música do Duo Ouro Negro, “Amanhã” e então de mansinho choro baixinho só para mim:

“Amanhã,

Peço ao meu lema que faça com que eu volte

A morar na terra amada que me viu nascer

Quero chegar de madrugada

Para ver o sol raiar

Quero chegar de madrugada….. hoo

Para ninguém ver, se eu chorar”

baleozão00.jpg No próximo dia 26 de Outubro de 2020, faz 46 anos que vim viver para Portugal. Nem eu sem bem porquê, mas contínuo à espera de Angola. Angola que se dizia ser uma promessa de futuro, mas que é unicamente uma certeza de um passado infinitamente sofrido. Quanto a futuro nem sonhá-lo, quanto mais vê-lo, mesmo que fosse ao longe. Mesmo que fosse de bem longe! Aqueles, a quem foi entregue o destino do país, que se consideravam uma referência porque, segundo eles, na mata tinham lutado por algo melhor, foi-se a ver, não passaram (e não passam) de um bando de malfeitores, que lutadores dos maquis, nada tinham (e nada têm). Com efeito, os verdadeiros lutadores caíram no esquecimento e alguns dos mais significativos foram inclusivamente varridos na paranóia pós 27 de Maio de 1977.

baleozão7.jpg Acho que há por lá uns ex-combatentes que vão recebendo uns tractorzitos. Quem tomou o poder em Angola foram aqueles que em tempo de luta já se passeavam por Brazzaville e Kinshasa e capitais europeias, curtindo o dinheiro que devia ser para a luta no terreno. Só que arranjaram um terreno mais bem simpático só para eles. Certamente que não pertenceram nem à Malta do Macoco nem à Malta de Cu Tapado, nem a qualquer das outras “Maltas” que, naquele tempo, pululavam por Luanda. Ou se porventura tivessem pertencido, degeneraram em patifes e carniceiros. Soubéssemos nós então, e as espadeiradas teriam sido mais fortes.

(*) Professor da FEUP – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Escolha do Soba T´Chingange  Niassalês da mulola do Rio Seco… Kamba kiami ami! Mungweno… E. afinal, o que está ruim, pode mesmo, piorar...



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:42
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020
PARACUCA . XXXVII

MULOLAS DO TEMPO . 10 22.10.2020

Nós, bazungus no povoado de Mpica –  A 348 Km da Tanzânia border… 15º dia

Óh mundo de túji, ainda teremos de atravessar a Tanzânia para chegar a Dar es Salaam…  

- 06 de Outubro de 2018 – Sexta-feira … Crónica 3071

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto

fotos ZÂMBIA 054.jpg Com um interregno de dois anos volto a falar na ODISSEIA HAJA PACIÊNCIA – NINGUÉM É SANTO. Estamos no Northern Roch Hotel a Norte da Zâmbia aonde pernoitamos na noite de 6 de Outubro de 2018. Tenho como auxiliares meus pequenos papéis quadrados em cores laranja e magenta como auxiliares de memória e os recibos de pagamento em que mencionam o Room 1635 no valor de 456 Kwachas.

Antes que me esqueça, terei de lembrar que em todas a fronteiras africanas surgem uns bafanas assessores a turistas normalmente com um crachá pendurado no pescoço e, assim que paramos o carro cercam-nos literalmente e, na forma de alcateias de mabecos que mesmo sem nosso consentimento nos dão indicação do que fazer e como fazer, pedindo papéis do carro e edecéteras pessoais. Ficamos sem saber se estes, estão ou não feitos no compadrio com os funcionários da Aduane porque entram e saem dos espaços administrativos, como se dali o fossem, parecendo-nos agilizarem os trâmites para daí, obterem uma gasosa…

Paracuca13.jpg Queiramos ou não, isto perturba sobremaneira o turista europeu não habituado a estas práticas aparentemente desordenadas e, sempre nos vem à ideia estarmos a ser surripiados pelo facto de sermos brancos. Até porque não vi nenhum destes darem apoio a gente da sua cor. Bem! Nosso guia muito habituado a estes pormenores, segundo sua pópia nobre, um nato filantrópico deu 10 Euros e 200 Kwachas a estes vendedores de diligências. Uma exorbitância no valor de 25 Euros… Um valha-me-Deus pago por actos dispensáveis…

Acho que Deus não vai salvar áfrica! Tenho de deixar aqui minha revolta pelo facto de ficarmos bem convictos de sermos roubados por gente sujeita à sobrevivência usando as técnicas de ladroagem. Trafulhas, enfim! Não andem de carro por áfrica; usem só a via aérea… Estamos seis dias adiantados em relação ao plano inicial por falha do Ferry de Cariba.

paracuca17.jpgEntre Mkush e Chissenga da Estrada Nacional da Zâmbia designada de T2, passamos a escassa distância do ponto mais meridional da República Democrática do Congo passando rum ao Norte por Kanona, Chimutanda, e Chironga antes de Mpica. Depois passamos por Matumbo, Isoka, Mpangala até chegarmos à fronteira entre Nakond da Zâmbia e Tunduma da Tânzania.

Nesta fase da viagem, era suposto irmos até Dar es Salaam e descermos na via paralela ao Oceano Indico até Mtwara. Aqui passaríamos o rio Rovuma em ferry para Moçambique no lugar de Quiong (Ferry My Kilambo). A informação de lugares com segurança na fronteira entre a Tanzânia e Moçambique era escassa e de frágil confiança. Estava no ar a dúvida de ser este o rumo a seguir porque as mensagens falavam dos Boko Haram (Estado Islâmico na África Ocidental) - uma organização jihadista fundamentalista islâmica sunita, usando métodos terroristas de cortar cabeças…

paracuca8.jpg Esse grupo, Fundado por Mohammed Yusuf em 2002, é liderado por Abubakar Shekau desde 2009. Quando o Boko Haram se formou, suas acções foram não-violentas mas, a prática neste então era raptar e negociar. Imaginava-se como cristãos, sermos o objectivo ideal para "purificar o Islão"; as mensagens que chegavam ao nosso patrulheiro-mor Vissapa eram assustadoras…Senti o medo a bulir nos garranchos do cerebelo e tudo indicava mudança de planos. Um dia de cada vez!

O edifício Zâmbia Border de Nakond era um edifício moderno, instalações condignas e de boa orientação sem os antes descritos assessores de túji mais os kinguilas do câmbio. Retiramos da caixa multibanco o dinheiro em xelins tanzanianos, supostamente necessário para acudirmos a despesas. Um bafana mais-velho – polícia, retirou a pirisca de cigarro a Dy dizendo ser um charro de droga e, vai daí, dar-se um passageiro burburinho quase diplomático. Faltava um traço e uma vírgula no parágrafo de entendimento. Aquilo era só um cigarro longo e marron …     

(Continua…)

O Soba T´Chingange       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:06
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 17 de Outubro de 2020
PARACUCA . XXXVI

 

MULOLAS DO TEMPO . 917.10.2020

Nós, bazungus na Cidade de Livingstone – Zâmbia border… 14º dia

Óh mundo de túji e, ainda temos de atravessar a Zâmbia para chegarmos à Tanzânia…  

- 04 de Outubro de 2018 – Quinta-feira … Crónica 3070

Por

t´chingange2.jpg T´Chingange – No M´Puto

fotos ZÂMBIA 017.jpg Com um interregno de dois anos, volto a falar na ODISSEIA HAJA PACIÊNCIA – NINGUÉM É SANTO e, desta feita estamos no 14º dia a atravessar a ponte que liga o Zimbabwé à Zâmbia. Querendo levantar dinheiro na caixa electrónica em moeda local, o KWACHA tenta e tenta e nada, o estrupício da máquina estava ali só para instituir civilidade mas, as tentativas foram em vão. Eu e Dy (O melhor condutor de África…), lá tivemos de ir ao hotel mais próximo desse lado da Zâmbia para levantar dinheiro em KWACHAS. E, vai daí, metemos as kinambas a andar até chegar ao hotel Royal Livingstone hotel.

Foi aí que levantamos um bom pacote de kwachas no Absa-ATM situado quase ao lado da Livingstone Way. Eram talvez uns dois quilómetros mas, para mim pareceu-me ser no cu de judas; reparando que havia um largo com táxis e porque Dy ia em jeito de gazela, resolvi perguntar ao chofer bafana quanto era em dinheiro ir à tal caixa indicada e voltar à alfândega. Resulta então que o regresso já foi de táxi a cair aos bocados. Recorrendo aos meus papéis de cor laranja posso relembrar os preços: 600 Kwachas por visto de passaporte e 20 dólares pelo carro transitar no país.

Botswana 198.jpg Ao táxi border demos 100 kw e ao bafana que se intitulou de guia demos 50 Kw. Nas fronteiras de África há sempre uns quantos bafanas a oferecer-se como guias–solicitadores para preencher papeis e diligências, coisas dum mundo ainda por descrever, solicitudes de sobrevivência. Os cambistas kinguilas são às dezenas, chatos como a potassa a falar todas as línguas e mais estalidos de muxoxos sonoros como a destratar os t´chinderes. Foi o que senti e, não posso aldrabar-me só para agradar quem me lê.

Muito papel, muito solicitador, muita burocracia tonta e, muita falta de paciência. Tivemos de lavar as mãos supostamente em um desinfectante que me pareceu ser da pura água do rio Zambeze e depois ficamos por um tempo rápido em frente a uma câmara a fim de medir a temperatura por via da malária; posso ver um écran tipo TV com várias cores que se desfazem a partir de um inicial arco-íris. Pode até ter sido para detectar gente com SIDA.  Daqui, podiamos ouvir sempre o barulho das quedas, cataratas que caem do lado Zambiano em uma grande extensão.

Botswana 241.jpg Chegamos à Zâmbia border às oito horas. São já 10,45 horas e ainda aguardamos despacho ao visto do carro Jeep Nissan BV-889-GP-(ZA). 11,45 horas, recomeço da rota pré definida de acordo com a informação recolhida no Rest Camp Victória  por um português a residir há muitos anos no Zimbabwé e, cujo modo de vida era vender peles de animais aos turistas. Podemos ver a carroceria de sua carrinha tipo Chevrolet cheia de peles já curtidas de vários animais mas, sendo maioritariamente de zebras.

Pela estrada T1, aqui chamada de Musi-Ao-Tunya, seguimos em direcção a Lusaka tendo ficado no lugar de Mazabuka. Passamos por lugares de longas savanas ora de mata seca e rasteira e com árvores de algum porte nas bacias dos rios que iam aparecendo em nosso percurso. Passamos por Kalombo, Choma, Mouze e, em fim de tarde assentamos bivaque em um Lodge Sucre-In, um conjunto de casas e bungalows pertencentes à Companhia de Assucar da Zâmbia.

INHASSORO 045.jpg Podíamos ver aqui grandes extensões planas com canavial sacarino. Ficamos em dois treileres equipados com ar condicionado ao preço de 400 Kwachas por treiler, com pequeno-almoço incluído (sensivelmente 30 Euros). Este percurso desde as Cataratas Victória até aqui, foi bem cansativo pois que não podíamos ir além dos 80 a 100 quilómetros por via de haver muito trânsito e estarmos condicionados por vários e longos camiões que transportavam barcos para os lagos Tanganica e Vitória mais a norte.

INHASSORO 046.jpg Neste percurso monótono do 14º dia, comi em um restaurante de estrada um “T-bone end chips” que veio exageradamente torriscado! Os restantes companheiros preferiram nada comer porque pelo trejeito tiveram algum asco. Assim com egos demasiado exultantes, fiquei com a nítida impressão que era eu o mais preparado para estas peculiaridades da vida em áfrica (a betoneira…). Entre afrontas de prosápia lá fui roendo irascibilidades alheias numa odisseia de paciência…    

(Continua…)

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020
KALUNGA . XII

MOKANDA DO EDU

HISTÓRIAS DE VIDA – Politicas e não só…15.10.2020

- Crónica nº 3069

Por                                                

Torres0.jpg Eduardo Torres

kimbo 0.jpgAs escolhas do KIMBO

ara3.jpg Eu não sou nem nunca fui muito interessado em política, porque de um modo generalizado, não acredito nos políticos. Aceito que como classe, seja um mal necessário para a governação de um país, mas como tudo na vida, por vezes, por necessidade de escolha, tem que se utilizar os meios ao nosso alcance, mesmo que eles não sejam do nosso inteiro agrado. Isto sucede com todos os povos; pode-se questionar o sistema político, as liberdades ou condicionalismos, mas a razão de uns, não implica a falta de verdade dos outros.

Vem isto a propósito do povo alemão. Os alemães viram-se envolvidos em duas grandes guerras. Na primeira, em l914, tentaram dominar a Europa, e perderam a guerra. O Sudoeste Africano passou a ser um protectorado inglês, sob a administração da União Sul-Africana, na altura, uma colónia inglesa.

araujo100.jpgAlguns anos volvidos, salvo erro, em l939, tinha eu seis anos de idade, iniciaram a segunda grande guerra, acabando por perdê-la, tal como a primeira, com o Hitler a personalizar a ambição de criar uma nação de um povo puro, ariano, que haveria com a vitória final, de controlar a Europa e parte influente do mundo. Começou a perder a guerra, com a invasão da Rússia, depois de estes serem obrigados a abandonar tudo, num recuo estratégico, queimando o que fosse alimentação.

arau44.jpg Mas, em Estalinegrado, numa série de combates, de Setembro de l942 a Fevereiro de l943, o sexto exército alemão sob as ordens de Von Paulus cercados pelas tropas soviéticas comandadas por Rokossovsky e por Yeremenko, acabou por capitular; aí, começou a grande derrota alemã em mais uma guerra que deixou a Nação destruída e, que se reconstruiu graças ao Plano Marshall, plano de cooperação económica dos Estados Unidos para a reconstrução da Europa (l948).

A Alemanha ressurgiu das cinzas, voltou e continuou a ser um dos países mais influentes na Europa, quiçá do mundo, e basta ver hoje a sua forte posição na União Europeia, para entender que sua força económica, ainda dita leis. Com o problema da saída do Reino Unido da União Europeia, suponho que profundas alterações irão surgir; isso, a acontecer, que surja numa realidade diferente para uma aproximação de facto de todos os países que a integram. É necessário um justo equilíbrio que venha a permitir aos países de economia mais vulnerável ganharem capacidade de produtividade e concorrência.

araujo 29.jpg Sendo assim, que o seja numa competição leal obedecendo aos principios para que foi criada a União, com 27 países. Felizmente, já se pôde verificar um entendimento entre os países de economia mais forte e os de países com economia mais fraca. Quanto ao seu funcionamento, a ajuda, para o ser possível frente às diversas vicissitudes no aspecto económico, sempre estarão pendentes do actual coronavírus e, de modo a que todos os países fiquem em igualdade de circunstâncias. É desejável que a Europa esteja o suficientemente forte para enfrentar esta nova e diferente postura da humanidade.

Ilustrações de Costa Araújo 

ECT



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:28
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020
KALUNGA . XI

 

MOKANDA DO EDU

A HISTÓRIA DA VIDA - Apalpando as medidas recordadas – 14.10.2020

- Crónica 3068

Por

torres23.jpgEduardo Torres

kimbo 0.jpgAs escolhas do KIMBO.

lub2.jpg Sete anos depois. Sete anos se passaram em que eu e as minhas duas filhas viajámos até África, com destino à Namíbia aproveitando para nos deslocarmos Angola. Tivemos assim a oportunidade de voltar ao Lubango, Benguela, Lobito e Moçâmedes. Claro que encontrei diferenças, volvidos tantos anos passados, desde aquele domingo de Agosto de 1975 em que deixei definitivamente a minha terra.

Deixei desgostosamente a minha terra para garantir segurança e sustentabilidade económica à família; foi uma aventura que felizmente teve um desfecho optimizado e, até ultrapassando as minhas próprias expectativas. Encontrei diferenças suficientes para já não me identificar com aquela cidade que sempre amara e continuo a amar.

lub1.jpg Ao deixá-la, também o meu nome ligado a inúmeras moradias nos vários bairros, prédios e, essencialmente na colaboração de obras municipais, ficaria solto ao vento do tempo e das politicas de governação. Entre outras aponto o edifício do Pavilhão de Exposições, a esplanada capela à entrada da feira, Pavilhão da Tundavala, tudo projectos do arquitecto Ludovice, como urbanizações dos bairros de Sto. António, Benfica, da Serra, e outras espalhadas pela cidade fruto de sua expansão.

Sá da Bandeira, a actual Lubango, era uma cidade ordenada e limpa, porque obedecia a normas urbanísticas e de projecção de expansão futura; o que encontrei nesse então foi uma cidade desmesuradamente grande e suja, com um crescimento atabalhoado e sem disciplina. Compreende-se, devido ao acolhimento de quem fugira a uma guerra incontrolada, como incontrolada era a construção de casotas feitas a qualquer preço, em qualquer espaço vago e sem regras urbanísticas.

lub6.jpg Uma cidade que deixei com cerca de 100.000 habitantes, e que fui encontrar, segundo informação, com quase um milhão. Uma cidade envolvida por uma outra envolvente que se formara em seu redor, tornando-a grande. Manifestamente muito pouco ou nada já tinha a ver com a outra que deixara às pressas. Hoje não sei como funciona, mas penso que uma integração harmoniosa o quanto baste, não será fácil de conseguir.

Sei agora, pelos documentos fotográficos que tenho recebido, estar com um aspecto diferente para melhor do quando a visitei à sete anos (2013), Noto estar a ser recuperada, crescendo de forma mais ordenada com bairros novos bem integrados e, que o governador tem feito um trabalho merecedor da minha gratidão.

lub8.jpg E, porque no meu corpo continua a correr o sangue da terceira geração da descendência da primeira colónia madeirense, relembro o suor com dor, lágrimas e amor com que se abriu os caboucos que delinearam a cidade que viria a ser o Lubango, cidade aonde nasci. Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se o querer, saírem à luz do tempo a mostrar às gigantescas presenças de gente que foi ferida.

lub7.jpg E, daí abrirem-se gavetas com choros, ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot, em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto se neste agora, sabemos nada poder mudar. Agora temos alternativas e até podemos ajudar sem rancor, os vindouros sem nunca esquecer os obreiros que tudo começaram a partir de singelos barracões cobertos a colmo…

ECT



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:42
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 13 de Outubro de 2020
KALUNGA . X

MOKANDAS XINGUILADAS NO TEMPO . Crónica 3067 - 13.10.2020

HISTÓRIAS DE VIDA X … RECORDANDO A INFÂNCIA I

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual…

Por

Pedrosa1.jpg Josué Pedrosa

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbo

Pedrosa2.jpg Fazia bué de tempo, que eu ficava só triste, de ver os outros candengues, alguns pouco mais velhos do que eu, a passar na minha rua com as suas gaiolas feitas de bordão, com várias variedades de pássaros; gungos, celestes, bicos de lacre, rabos de junco, januários e de vez em quando umas viuvinhas. Na mão levavam também as varas de arame, onde enrolavam o visgo com que apanhavam os pássaros.

Eu até já tinha ido algumas vezes, com alguns dos mais velhos e via como faziam, mas não tinha visgo, nem sabia como arranjá-lo. Com o tempo, foram-me deixando acompanhá-los e lá íamos para as bandas do lado de lá da linha do caminho-de-ferro, onde anos mais tarde haveria de ser construído o Bairro do Cazenga.

Pedrosa3.jpg Figo de mulembeira - sicónio**

Naquele tempo, aquele terreno cinzento e barrento, era pela época das chuvas, cultivado pelas “mamãs” que, com os seus filhos às costas, ali plantavam batata-doce, milho e feijão. Uma ou outra vez, roubávamos umas maçarocas e ou babatas doces e tirando as “camisas” ou a pele com os dentes comíamos mesmo ali. Quando éramos avistados, só havia uma coisa a fazer; bazar a sete pés para bem longe.

Bem junto à linha, do lado de lá do dito terreno, havia uma grande mateba onde os “kambas” ficavam escondidos, colocando capim e outros arbustos para fazerem um pequeno abrigo de forma que os pássaros os não vissem. Enrolavam o visgo nos arames e prendiam estes no topo de canas, de maneira a sobressaírem por cima da mateba. No chão, uma pequena gaiola de bordão com um ou dois pássaros serviam de chamariz. Quando os pássaros pousavam nas varetas do visgo, saíam rapidamente do abrigo e apanhavam os pássaros que colocavam numa outra gaiola, para não interferirem com os chamarizes.

maximbombo.jpeg Alguns conseguiram aprender o canto dos gungos e deixaram de necessitar de levar chamarizes. Tanto pratiquei que também aprendi e ainda hoje sei como era.

Cansei de ver e de sonhar e um dia pus mãos à obra. Comprei um bordão e fiz uma gaiola que não sendo de deslumbrar, servia bem os meus objectivos que era guardar os pássaros que viesse a apanhar. Faltava, porém, o mais importante; o visgo. Sabia que era apanhado na mulembeira, mas não sabia como. Falei com os mais velhos que riram de mim e disseram que não conseguia apanhar, pois era difícil e amargo. Explicaram-me, mas uma coisa é explicar, outra a realidade.

Eu conhecia poucas mulembeiras; havia uma, bem grande, mas longe da minha casa, aí a uns três quilómetros, que ficava no lado direito do início da estrada de Catete, ali onde anos mais tarde os miúdos apanhavam o machimbombo para o Bairro Popular e Terra Nova. Como era uma árvore de grande porte, era difícil subir por ela, pois o seu tronco era de grandes dimensões e eu era pequeno, mas era aquela, a árvore ideal.

plim1.jpg Enchi-me de coragem, fiz três ou quatro palitos da casca do bordão, lavei muito bem um tinteiro vazio de tinta “Parker” que enchi de água e escondi uma catana, que enrolei num pano para que lá em casa ninguém visse. No dia seguinte, ainda cedo, pus-me a caminho e lá fui até à mulembeira. Apesar de tudo, a distância até nem era nada de especial, pois eu ia todos os dias a pé, da Terra Nova até à Escola 15, por detrás da Liga Africana, na Vila Clotilde, pelo que em pouco mais de meia hora estava no local.

Ali chegado, confesso que tive medo de subir para aquela árvore, mas tinha de tentar e, com extremo cuidado lá consegui subir. Os seus ramos eram grossos e iriam proporcionar-me uma boa colheita. Dei cerca de duas dúzias de golpes e vi os mesmos encherem-se de seiva branca como a neve. Retirei um dos palitos e comecei pelo primeiro golpe, onde a seiva começara a oxidar e a solidificar, enrolando a seiva viscosa no palito. Acabado este procedimento, colocava o palito na boa e retirava o visgo, mastigando-o como se fosse uma pastilha elástica. O sabor era horrível e era preciso estar permanentemente a cuspir para aliviar o sabor que ficava na boca. Felizmente a mulembeira é uma árvore que dá uns pequenos, mas saborosíssimos figos, pelo que, de vez em quando, comia alguns para afastar aquele desagradável sabor.

Pedrosa6.jpg Mulembeira

Lentamente, fui retirando o visgo dos golpes que fizera na árvore e quando a bola que se formava atingia um a um centímetro e meio, metia-a dentro do frasco que levara comigo. Aquele trabalho demorara não menos de umas três horas, mas no final tinha conseguido uma excelente bola de visgo que dava certamente para umas cinco ou seis varas de arame*. O desagradável era ter que mastigar continuamente o visgo, cuja bola tinha agora para aí uns três a três centímetros e meio. Quando cheguei a casa, o visgo já estava mole e pronto a ser usado; mudei a água do frasco e guardei-o onde ninguém lá de casa visse, não fossem deitá-lo fora ou para o lixo.

plau5.jpg Demorei ainda alguns dias até conseguir arranjar quatro ou cinco varas de arame, que necessitavam de ter cerca de cinquenta centímetros de comprimento e que era conveniente ser o mais liso possível, para o visgo não ficar agarrado a ele. Finalmente, munido da gaiola, do visgo e das varas de arame, lá fui até à mateba onde enrolei o visgo na diagonal de cima abaixo como vira fazer e coloquei as varas espetadas em canas e estas de forma a sobressaírem por cima dos ramos da mateba. Escondi-me no abrigo por baixo da mesma e aguardei que os pássaros viessem e pousassem sobre elas. Consegui apanhar alguns gungos e fui adquirindo prática, pois senão houver cuidado os pássaros ao baterem as asas para tentarem libertar-se, batem com elas no visgo e é quase impossível tirar-lho das penas.

plau2.jpg Fiz uma gaiola maior que se foi enchendo dia após dia, até que, admirado com a minha habilidade, o meu pai anuiu e construiu uma gaiola metálica com cerca de quatro metros de comprimento por dois de largura e dois de altura. Além dos gungos (pardais de bico vermelho) apanhei também januários e celestes. O viveiro, como lhe chamava, estava bem decorado com pequenos arbustos que transplantei lá para dentro, ninhos feitos de capim, fixos junto ao telhado e cobri o chão de areia para que pudessem comer alguma juntamente com o massango e alguma massambala que eram atirados para o chão tentando recriar o ambiente como se estivessem em liberdade. Tinha também uma bacia de plástico, enterrada na areia para que pudessem beber água e tomar banho. Estava orgulhoso, eu tinha conseguido fazer igual ou melhor que os mais velhos, mas igual ao meu viveiro não tinham; este era grande e recriava, com as devidas proporções, o ambiente de semiliberdade em que deviam viver.

imburana vermelha.jpg Mas o tempo passou, eu cresci, vieram as “meninas” e depois as Hondas, para me enlouquecerem e atirarem para as corridas e mais tarde o serviço militar. Já não eramos crianças, eramos rapazes feitos homens e criámos os nossos grupos de amigos, juntando-nos à noite no clube do bairro para as conversas e passeios próprios daquela idade. Entretanto, houve necessidade de mudança de casa e não havia espaço para o viveiro; tudo acabou e ficou a lembrança duma era da minha infância/juventude, que entendo guardar nas minhas memórias, para um dia os netos lerem e ficarem a saber como era a infância/juventude do avô e daqueles tempos numa terra lá longe em Africa, chamada Angola.

:::

Partilho com os amigos que gostam de ler e recordar esses tempos, ciente que alguns deles fizeram igual ou muito parecido.

Josué Pedrosa

(09.10.2018)

Nota* - Eu, o T´Chingange, usava finas e duras varas de um capim próprio existente no morro da Corimba ou Belas que cresciam perto de lagoas

Nota**A palavra sicónio tem origem na expressão figo em grego (sykon).



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:33
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 12 de Outubro de 2020
MALAMBAS . CCXLVII

NAS FRINCHAS DA VIDA – (06.07.2017) – 10.10.2020

Crónica 3066 - Malamba, é a palavra

- Somos divididos socialmente, não somente pela cor, ou forma de vestir mas, e também, pelas nossas posições no tempo… 

Por

soba25.jpg T´Chingange  - no Al Garbe do M´Puto 

calçadão do rio de janeiro.jpg Neste nosso curso de enfrentar os conhecimentos, todos os dias serão uma prova à adaptabilidade humana das várias instituições que nos governam. Teremos forçosamente de modificar nosso caracter de existência para aprender esta permanente transitoriedade. Uns dias atrás um amigo meu fez reparo àquilo que eu disse, de que nós sempre seremos o fruto da mudança afirmando que com ou sem essa tua (minha) teoria de transitoriedade nós seremos sempre os mesmos. 

Esse meu amigo mora em uma ilha grande e tem um cão chamado de aspirinas. Em verdade a palavra aspirina surgiu oficialmente pela indústria alemã Bayer a 10 de Outubro de 1897. Se imaginarmos que meu amigo nasceu lá por volta de 1840, seu cão nesse então teria outro qualquer nome assim como Sócrates, o filósofo ateniense do período clássico da Grécia que morreu 3 anos antes de Cristo.

rapa1.jpg Daqui se reproduz uma situação que deriva desta mesma palavra, “situ” do latim que quer dizer sítio e “acção” que quer dizer acto ou execução. Pode por analogia deduzir-se a partir disto que as linhas de delimitação entre o Sócrates e o “aspirinas” cachorro, são a duração do espaço de tempo durante o qual a situação acontece! Meu amigo ilhéu de nome Freitas, hoje talvez chamasse ao seu apirina “Samsung”, um nome bem mais recente e de acordo com seu hodierno viver, numa lógica evolutiva transitoriedade.

Em verdade o primeiro telemóvel do Fernando da Ilha era um quase pesado tijolo e hoje e um fino Smartphone que cabe num pequeno bolso das cuecas. A este número crescente de situações às quais não se aplica esta nova, traz-nos implicações psicológicas tornando um simples facto em situação explosiva. Para se sobreviver, o indivíduo tem de se tornar infinitamente mais adaptável e hábil do que nunca.

kimberly2.jpg Eu e, este meu migo Freitas da lha e todos os demais, teremos de procurar maneiras de fixação, totalmente novas e sempre transitórias pois que nossas antigas raízes tal como a religião, a pátria, família, nossas vivência de um bairro da Luua, nossa comunidade ou profissão, estão a ser abaladas. Abaladas pela força ciclópica do impulso acelerativo; e daqui, só seremos premiados se nosso comportamento modificar nosso carácter de existência.

Daqui, termos de compreender a transitoriedade! O computador apareceu lá pelo ano de 1950 quando eu já comia côdeas com leite retirado da cabrinha; sua característica de função, quantidade e velocidade, transformou-se em uma grande aceleração de conhecimentos, e isto, é poder! É mudança! O computador, é quer se queira ou não, o artefacto que elevou a humanidade a uma exponencial de espantosa novidade.

dia95.jpgA aceleração do conhecimento é uma das mais importantes e talvez a menos compreendida de todas as formas sociais e, que naturalmente abala as nossas instituições. Claro que o ritmo crescente de mudança perturba o nosso equilíbrio interior e, até modifica a própria maneira de como experimentar a vida acelerando a integridade. Esta aceleração de mudança, complica e muito a estrutura de nossas vidas, diversificando-nos nas formas que temos de representar e o número de papeis com uma inerente opção de obrigatoriedade.

GOLF1.jpg Obrigatoriedade de assim fazer, explicada a asfixiante sensação de complexidade da vida contemporânea. Não será exagero, dizer-se que a realidade hodierna origina mal-entendidos entre pais e filhos, entre homens e mulheres, americanos e europeus, cristãos ou muçulmanos, gente do Leste ou do Oeste. Somos assim divididos não somente pela cor, ou pela posição social ou económica mas, e também, pelas nossas posições no tempo. 

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:54
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 11 de Outubro de 2020
CAZUMBI . LXV

"PAIXÃO DE CRISTO" - FLOR  DE MARACUJÁ

- Crónica nº 3065 - No dia de Nossa Senhora da Aparecida – Brasil11.10.2020

A "Paixão de Cristo" é de origem Tupi-Guarani e tem o nome gentílico de "murokuia”

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Sul do M´Puto, Al Garbe

flor de maracuja1.jpg Hoje, domingo, fiquei por casa como é habitual cuidando do jardim e de mim, transpondo lantanas (cocó de galinha) de um para outro lado. Andei subtraindo anseios descompostos ao redor do alpendre olhando as flores, pensando num tal de Covid - Coronavírus que ao contrário das flores lançam feromonas de peste negra. Sucede que trouxe do Brasil uma espécie de maracujá de fruto grande no tamanho, assim como uma laranja média, de superfície lisa e amarela.

Acontece que a polinização desta flor de “Paixão de Cristo” só é feita por um zangão, besouro grande de cor preta e, com as costas rugosas ao jeito de lixa e, aonde se lhe agarra o pólen amarelo em bolas peludas bem na ponta duns estiletes e na forma de bengala saindo do centro da “Paixão”. Desconheço a existência destes besouros no M´Puto e, porque as flores se murchavam e “pecavam”, caiam sem dali sair a tal bolinha candidata a fruto, pelo que decidi ser o besouro da “Paixão”.

flor de maracuja2.jpg As flores amarelecem numa tristeza e caem de desgosto sem dar o fruto desejado, o maracujá. Cabe a mim ser o besouro. Vai daí, peguei no pincel e, de flor em flor polinizei a paixão em todas elas. É isso mesmo; o besouro que no Brasil é habitual deve ter metido férias intercontinentais pois que não apareceu. Não é de tanta surpresa assim porque, até as pessoas num repente tiveram de se recolher ao medo. Quanto ao besouro presumo que ande envolvido em exigências sindicais ao Nosso Senhor e, sem recurso aos passaportes GOLD, hoje, num fim-de-semana decerto andará por outras latitudes, ou ainda, agendando data para renovar seu passaporte daqui a uns 3 meses…

flor de maracuja3.jpg A "Paixão de Cristo" que é de origem Tupi-Guarani e tem o nome gentílico de "murokuia" porventura terá de meter uma cunha a quem de direito para ter as mesmas prerrogativas dos jogadores de futebol que saltam de um lado para outro num esforço gigante para nos alegrarem a pasmaceira corriqueira…

Uma abelha normal não tem envergadura para poder captar o pólen dos 5 estiletes amarelos em forma de chapéu oval. A flor, também faz lembrar uma daquelas condecorações que só os heróis têm o prazer de ostentar ao peito. Então, serei eu esse herói da paixão, um cazumbi de besouro; Nesse efémero feitiço, a mangonha do domingo festejou a primavera em tempo de Outono com 29 graus à sombra.

flor de maracuja4.jpg Pretendia falar da adiafa dos moirões mas ficará para mais tarde. Estamos na era do medo, na meia curva crescente da segurança divina, protector invisível da fé e, vamos ficar assim inexoravelmente, todos os dias, prisioneiros… Vendo os gráficos e comparações e esperando um tal de besouro – vacina que nos polinize. A sociedade anda a ser desconfiada; poucos acreditam numa bondade de se obter resultados sem nada se dar em troca, porque não é usual tal fenómeno. A mentira surgiu no decorrer dos tempos Antes de Cristo e Depois de Cristo; sofisticou-se nos últimos tempos e até se tornou banal tomando conta das normas de relação entre as pessoas, instituições…

adiafa1.jpeg E, até por vezes em uma necessidade de sobreviver entalada entre o certo e o preconceito. Os desvarios criativos surgem quase gratuitamente com o condão de demasiada astucia ou fantasia para fazer valer sua política, sua versão. Todos os santos dias somos bombardeados nos meios audiovisuais com inverdades seguindo uma máxima de que, o que interessa sãos os fins, usando variados métodos e princípios…

A democracia perde-se no labirinto das manipulações e interesses, não diferindo em nada das piores regras dos passados maus governos. Assim na banga de estilo, o governante XIS, baloiça seu parecer numa rede de interesses, fazendo bafunfa nas periclitãncias do pormenor; surgem excrescências sociais, um montão de actos que parecem normais ou superficiais mas, que se tonam por adivinhação em armas de desarmonia assim seja pelo medo ou por suposição e, fechamo-nos voluntariamente na nossa prisão, nossa própria casa, orgulhosamente nossa sem a necessária murukuia – Paixão de Cristo em língua Tupi-Guarani…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:48
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 1 de Outubro de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLVIII

 

MEUS KITUCUS (mistérios) … Fui ao odontologista ... Crónica 3064 – 30.09.2020

Odontologista é um “tira dentes”

Por

soba 01.jpgT´Chingange - (Ot´chingandji) - No Sul do M´Puto – Barlavento

dentista1.jpg Dia 28 deste mês de Setembro fui ao odontologista e, aconteceu que cheguei bem antes da hora, li as recomendações do tal do dito cujo COVID-19 coladas na porta e esperei na rua que me chamassem! Agora é mesmo moda esperar na rua porque o medo espreita e o surto do susto anda por perto; é só saltar o muro e estou no bivaque, acampamento permanente do mestre Lello e seus muitos cidadãos ciganos que como tal, também têm direito às desregrarias citadinas. Desta feita foi um pastor de uma organização religiosa que professa a igualdade mais fraternidade entre todos que levou o tal dito cujo de COVID-19 aos demais – soube disto porque deu na televisão – facto que alastrou até outras partes do Barlavento, lugar de onde sopra o vento.

Chegada a hora, surgiu à porta a senhora muito coberta de fardas azuis com atilhos meio soltos, com uma touca de azul mais suave, vestimentas também azuis a cobrir seus sapatos e até luvas descartáveis de cor plástica translucida, mais uma máscara de um azul claro de onde saiu a indicação de que eu e Ibib poderíamos entrar. Ibib é minha cara-metade que se chama assim porque tem sangue árabe com mescla de gente alentejana de Panoias e Messejana. E, assim entramos mascarados como mandam as regras de “bom medo em boa companhia”.

dentista2.jpg Mostramos nossos cartões de cidadania, dissemos das doenças que não tínhamos e quais os remédios que tomávamos das que tínhamos, demos os números de telemóvel, penduramos todos os nossos acessórios soltos mais zingarelhos com estralhos num cabide da parede. Assinamos um papel de dizer sim ou não a uns 15 itens, de saber se tinha estado com gente suspeita de ter o agente secreto, se tínhamos viajado, se tínhamos espirrado, se tínhamos essa coisa de rinite e mais edecéteras. Esqueci! A porta de entrada ficou trancada, não fosse o tal de vento trazer uma malvadez viscosa do outro lado do desordenado kimbo quilombola dos mamelucos do Lello, esse tal de pastor de ovelhas feitas gente…

Após termos dado aqueles ditos dados, a senhora secretária, com uma pistola de plástico, viu nossa temperatura através das orelhas, vestiu-nos as vestimentas idênticas á sua, capa sem botões frontais e atilhos no lado tardoz. Enfiamos a touca azul na cabeça, os mocassins de plástico azul claro nos sapatos e sandálias e, Ibib entrou para o consultório. Esquecia-me: snifamos as mãos logo à entrada com gel de álcool. Posto isto, entrei na sala de espera aguardando vez e, sentado, assim fiquei esperando e olhando o circundante. Bem! A sala estava meio no lusco-fusco, dois candeeiros, um em cada estremo de lâmpadas acesas…

roxo135.jpg A janela para a rua era ampla, de coluna a pórtico e as persianas estavam quase semicerradas. Resolvi carregar com o pé no interruptor apagando uma das lâmpadas; não tinha jeito haver luz directa e ficar consumindo luz incandescente – um desperdício. O outro candeeiro não obedeceu ao meu pisar e, vai daí com aqueles fios que saem no fim do extremo, colgados duma roldana, virei a persianas até ter a luz suficiente na sala. À minha frente havia uma mesa dum castanho-escuro, lisa e sem qualquer adorno ou revista. Tinha somente um controle de TV; esta, estava bem no cimo da esquina, desligada e, tendo uma luz pequena e vermelha acesa. Estive quase a pegar neste instrumento para ter imagem no ecrã mas, achei que o melhor mesmo, era não tocar em nada.

Assim, sem nada fazer, olhava em frente, porta ampla vidrada na metade da parede; na outra metade retive-me a olhar o quadro absurdo! É normal haver dentes em quadros alusivos às técnicas odontológicas bem como parafusos de perfurar mandíbulas com susto e arrepios mas, este quadro, não era nada disso. O vidro que cobria a coisa, de oitenta por oitenta centímetros, bem na meia altura da parede branca, cobria a tal tela - posso explicar: Eram rabiscos e manchas castanhas de sujeira interrompida por vassouradas meio deslavadas. Imaginei ser uma pista de gelo na montanha mas desconsegui fincar a certeza e, estou em julgar que era isto, um cartão de aparar pinturas…

roxo68.jpg Ou talvez um cartão que é borrifado de tinta e colas e que depois de colado a um outro, é descolado de supetão. Nem um macaco faria coisa tão ruim! Em verdade sempre prefiro isto a uma gengiva inchada sangrando piorreia despegada dos ossos… Foi neste então que a senhora secretária me chamou e, lá fui ordeiramente medroso. Sente-se ali, bocheche e deite fora, máscara posta em uma bandeja de metal anodizado; Então de que se queixa!? Olhando de soslaio naquela coisa de perfurar ossos, fui dizendo que independentemente de uns quantos dentes estarem moles e abanarem, minha preocupação era aquele frontal que já estava despeado da raiz e quase me tornava um rinoceronte – coisa feia doutor!

Amavelmente explicou-me o óbvio, os dentes abanavam porque a carcaça estava velha; vai dai, mete-me uma ferradura côncava cheia duma massa na mandíbula inferior e, nos intervalos da feitura do gesso ou lá o que era, fui dizendo que não queria mostrar uma gruta na minha loja; que seria feio andar com a estrutura roída e, vai dai, de novo (cala-te), e assim adentrou nova ferradura na parte superior que quase me solta o tal dente de rino-frontal. Menos mal que não descolou e, vai daí, bochecha e deita fora, coloquei minhas adjacências e tudo acabou como começou. Aguarde uma chamada nossa para voltar em breve e condicionarmos esse dente com uns reforços à sua esquelética – disse o doutor odontólogo…

roxo61.jpg Dito isto, sai defrontando-me com um senhor vestido de amarelo e com uma máscara do Futebol Clube do Porto e que já ali estava, faz tempo, esperando minha liberdade! Descrevo isto com minúcia para que saibam o quanto é difícil ser atendido por um qualquer médico e em especial este quase espeleólogo, ou paleontólogo… Esta etapa de moldes, esperou quase um mês para ser realizada; fiquei ciente de que os outros dentes terão de esperar que acabe o campeonato de futebol e apareça um outro que se siga a mim com a máscara do Sporting – campeão…

Na melhor das hipóteses dentro de uns dias terei de voltar para encaixarem o rino-dente-frontal e depois se verá! Então direi ao doutor odontólogo que encomende um novo quadro para a sua sala porque aquele trilhou-me os neurónios. Então não seria melhor colocar lá um rabisco de galináceo da Assunção Roxo! Os meus kitucus andam mesmo baralhados… Ao dar a volta e de regresso a casa deparo numa placa situada no muro de pedra solta mostrando uma imagem alusiva ao álem com um senhor de bata branca feito pastor de igreja e uns dizeres alusivos; no canto inferior direito a direcção dele mesmo, de seu email: - lello@rrobatudo.kwantopoderes.PT …

Ilustrações de: Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:36
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 29 de Setembro de 2020
MALAMBAS . CCXLVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO … MOCANDA DO EDU

Boligrafando estórias e missossos do Lubango– 29.09.2020

Crónica 3063  - MALAMBA: É a palavra

Por

Torres0.jpg Eduardo Carvalho Torres

soba10.jpg As escolhas de T´Chingange

O meu pai... 

torres11.jpg Muito criança, ainda nem frequentava a escola, o tempo de matrícula na primeira classe era com a idade de seis anos, viajava sempre com  o meu pai em percursos relativamente curtos, como idas à Chibia,  Huila, Munhino, Palanca ou Humpata. Claro que a maior parte dessas pequenas viagens, não tão pequenas quanto  isso, devido ao estado das estradas, às viaturas cuja tecnologia ainda oferecia condições completamente diferentes das actuais, levavam tempo a fazer-se, mesmo que não surgisse qualquer imprevisto. Eu sempre fui o companheiro predilecto do meu pai. O meu irmão mais velho não andava nestas "andanças " .

Se tinha de se deslocar a algum lugar fora da cidade, meu pai lá passava por casa para ir com ele a fazer-lhe companhia. Uma das vezes que fomos à Humpata, e íamos muitas vezes, os meus pais prestavam muito apoio aos meus avós... O meu inesquecível Nash, começou aos soluços até parar, antes da estrada, que ainda não fazia parte do mapa, lugar em que se virava para a Casa Verde, do Guerra.

lubango1.jpg Existia perto do local um estabelecimento de comércio tradicional, do Sr.  Venscelau Antunes, que muito antes tivera comércio na parte geminada da casa onde eu morava; vendo a viatura parada, o senhor Venceslau veio ao nosso encontro, perguntando: então Torres, o que se passa, que isso não anda!? O meu pai, pouco preocupado, respondeu-lhe que devia ser do carburador.

Pegou na caixa de ferramentas, que não eram muitas - naquele tempo era costume dizer-se que para resolver um problema mecânico, bastava um alicate e um pedaço de arame...

Subi para o guarda lamas observando meu pai a desmontar parte do carburador, retirar os "gigleres", e desentupi-los, dar à bomba, peça importante que nunca faltava na ferramenta de apoio à viatura,  colocar tudo no lugar certo, dar ao arranque e o motor,  lá começava a tossir, roncar e até grunhir...

torres14.jpg E, lá seguiamos para a Humpata voltando mais tarde ou em outro dia sem mais percalço relevante. Angola nesse tempo era diferente; as pessoas conheciam-se...

Recordo : A Academia era a força da cidade!  Os alunos do liceu eram muitos, vindos de várias localidades, para o primeiro liceu em qualidade. Situado num clima ameno, era o preferido porque o segundo, situado em Luanda não oferecia semelhantes condições. Quando chegavam as férias, a cidade ficava despida de grande parte dessa juventude. Então, a Cidade permanecia triste até voltar o bulício da estudantada  num novo ano.

LUBANGO 1.jpg Sá da Bandeira era a Coimbra de Angola. Quando surgia alguma figura importante que se hospedasse no palácio do governo, os estudantes organizavam uma marcha à noite  com archotes acesos, a que chamavam " marcha aflambou? ". Vestidos com os casacos do avesso para evitarem sujá-los com o óleo dos archotes, marchavam em frente ao palácio; um percurso de ida e volta até à estação do C..F. M.

Uma comissão de honra estudantil apresentava-se a dar cumprimentos de boas vindas; por norma pediam uma borla para o dia seguinte - não haver aulas,  era a questão! E, geralmente era concedida. A população também se juntava à malta, acabando por ser uma noite festiva e, sempre  acompanhada pela cantoria "viva a malta do liceu..."

nasch1.jpg Eram outros tempos, os tempos de antigamente!

Nota: seleccionada para o Kimbo Lagoa com arranjos de texto por T'Chingange, o Soba do Kinaxixe, Lifune e Panguila...

ECT



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:29
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2020
MALAMBAS . CCXLV

NAS FRINCHAS DO TEMPOBoligrafando estórias e missossos do M´Puto28.09.2020

Crónica 3062  - MALAMBA: É a palavra

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Barlavento algarvio do M´Puto

araujo187.jpg Entre mim e um atalho de mim, escuto os recantos aonde são audíveis os grilos das noites cálidas e as cigarras na torreira do dia, na presença constante do loureiro, árvore do meu vizinho alemão da Alemanha vindo do Sul de Angola, um bóher na vernácula "essência", com barriga de boerewors (uma salsicha fresca tradicional da culinária da África do Sul) para constituir o ser e a natureza das coisas que nos dão voltas à mioleira.

Porque pecado deveria ter também e, agora, uma nora que para além de bóher, usa vocábulos oriundos do africânder… Bóher e wors, significa respectivamente "agricultor" e "salsicha” – (borrabôs como dizem os Tugas). Condicionado ao meu rectângulo de calor e silêncio, regulamento-me em miudinhas ideias, ignorando analfabetices feitas como se o fosse de gema de ovo e sanchas também conhecidas por míscaros, fungos comestíveis fritos em conjunto na frigideira de ferro, coisas saídas do cú dum galináceo também chamado de ânus.

araujo195.jpg Dum ânus sim! E, crescidos no calor do estrume ou coisas em decomposição. Nossa vida, e tudo que nos envolve, é uma miscelânea de compostura, arranjo, ilimitação na mixórdia… E, no restolho da sombra quieta, dentro de portas, sem clarabóias nem luzernas ou olharapos de luz, assim fico permanecido, fechado em casa, falando com a avenca. A orquídea e a violeta africana, basculhando pensamentos aonde as ideias se perfilam ginasticando aeróbica num arsenal de coisas idiotas; coisas de nós mesmos com desaforos entre outros desavindos trastes e, contrastes.

Desaforos assim importados e reflectidos em silêncios esquecidos dum passado solto e, assim, mais assado, salto o muro dos sentidos encastrando-os na experiência actual, calamitosamente mascarados. Aprecio assim o Mundo pela TV, uma tristeza sondada nas horas com vírus e mortes mais gráficos, gente sem trabalho e, na forma pasmada, fico nos sentimentos sem poder acudir uns ou absolver outros porque, nem estou minimamente creditado a dar a extrema-unção e porque só uso escapulário quando vou ver o Sporting…

Araujo194.jpg Nem mesmo acreditado para desenaltecer gente trafulha até à raiz dos cabelos. Rezando uma ave-maria ou um pai-nosso pelos carecidos porque, os safardanas, esses, nem o merecem estando mortos, moribundos da silva… Tentando compreender as cigarras no seu preço de viver só cantando e, muitos outros feitos formigas encalhados em penúrias, sem escolhas nem direito a contragostos.

Num acusa e descusa de um descaso anormalmente ocasional levado à sonegação, continuamos nos despropósitos murchados nos dados ou empolados nas estatísticas sanitárias e até necessárias para ajeitar remendos tecnicistas do deve e do haver, do comércio e afins mais a engenharia financeira de tentar recuperar pérdidas, países em conflito com gente de gabarito ou homens de letras comendo lisuras…

araujo193.jpg Isso! Comendo lisuras como se o fora açorda fria com bacalhau cru, demolhado em leite de cabra, uma pitada de poejos para ventilarem na perfeição seu arejar de catavento com uma crista vermelha de impressionar e, assim respigar ordens e retaliações com os olhos esmaltados em desbotado verde e protegidos por folhudas pestanas que luzem uma espécie de nervosa calmaria, ressurgindo nela um fundo de alma.

Alma!? Isso é o quê? Isso não é mesmo coisa interna, muito mais que dentro, apresada no que cada um tem nas "intersticiais" apoplexias do sistema nervoso, no linfático das partes do templo e arredores do cerebelo, do que pensa ou não pensa, porque nem sempre as pessoas estão mais sempre iguais. Isso! Afirmam-se e desafinam-se e sempre recordando como se ainda não o fossem: - Terminados. Pois então! Lá teremos de nos reconstruir…

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:09
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
FRATERNIDADES . CXXVII

ANDO ENKAFIFADO – OPÇÕES DA VIDA

Crónica 3061 - MEDITAÇÃO DO T'CHING - 24.09.2020

soba002.jpg T'Chingange - no Al Garbe do M'Puto

rosa 1.jpg A ambiguidade e a incerteza, foram sempre características do ser humano e, só os poetas transformam estas minudências em força. Eles, os poetas, acalentam sonhos e planos para a nossa sociedade utópica mas, e, ao invés de verem, eles usam o olho do seu templo, o olho de sua intelectualidade.

Com sua fantástica estrutura, o olho foi definido pelo neurocientista Mark Bear, em seu livro Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso, como um “órgão especializado para a detecção, localização e análise da luz”...

roxo3.jpg Pelos olhos se identifica o caminho pelo qual as imagens se transmitem ao cérebro. Nessa interacção olho-cérebro, somos capacitados a ver todas as coisas. Desde a antiguidade que o poeta intelectual, assumiu esse papel em nossa sociedade.

E, é assim que entram em nossas vidas formatando nossa vulgar e comum vida em um "mercado público de ideias" usando sonhos, até por vezes o sofisma transcendendo ideias e, como se o fizessem na mágica proporção, por amor à verdade e à justiça...

roxo79.jpg Porém, há riscos. Que tipo de imagens, das incontáveis entre as captadas, permitimos serem gravadas no excepcional computador que é nosso cérebro? Eles, os poetas, socorrendo-se por vezes de um sentido crítico, recusando por norma as formas simples...

Recusam ideias prontas, feitas para consumir e colaborações complacentes com as acções daqueles que detêm o poder ou mesmo outros espíritos, não se esfarelando em pacifismos também por o serem, testemunhas críticas do seu tempo... Sim! Tudo parece uma contradição...

roxo81.jpg O verdadeiro intelectual, é um fabricante de consensos nos quais nós nos demoramos em admiração? Pois! Certa ocasião, o Padre Antônio Vieira disse que “a maior graça da natureza, e o maior perigo da graça, são os olhos. Duas luzes do corpo,  dois laços da alma”...

Quem tem dois olhos encherga a profundidade  por estereoscopia. Por uma fresta apenas pode ver um plano sem profundidade. Nessas duas “janelas da alma”, pode também entrar o brilho embaçado convidativo ao desvario; o padre Vieira defenia isso por pecado mas, eu que estudei trigonometria, ângulos e rectas, sei que o pecado, ou a graça da luz divina, cabe-nos na decisão de usar o cérebro, o templo, o tal olho invisível que se diz ter cor púrpura...

roxo94.jpg Agora, com ou sem pecados, travamos um combate incessante contra os poderes das trevas (um tal de vírus cvid 19 ). A mente é o campo onde a batalha será decidida para o bem ou para o mal. Mas, o problema vem dos outros  que nos transmitem  a treva e, aí estamos ou estaremos tramados, mesmo sabendo que a hipotenusa é a raís da soma do quadrado dos catetos... Isto pró vírus, já era! E, os poetas só podem vaticinar...

Nela, todos os dias se processam milhares de pensamentos e pequenas decisões que determinarão através de que mecanismos intrincados, tudo o que os sentidos captam (odores, sons, imagens) causa impressões indeléveis na mente. Essas impressões que comandam os sentimentos, ditarão nossa escolhas direcionando as decisões... Impressões que comandam hoje os sentimentos e, queiramos ou não, ditam  a actual Intoxicação Digital...

roxo53.jpgIlustrações de Assunção Roxo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:20
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 17 de Setembro de 2020
KALUNGA . IX

MOKANDAS XINGUILADAS NO TEMPO. Crónica 3060

Moçâmedes / Baía dos Tigres /Angola - OS “NOSSOS” CÃES SELVAGENS – 14.09.2020

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual… 

Por:

tigres1 Teresa Sá Carneiro.jpg Teresa Sá Carneiro

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbo

tigre01.jpg Tive uma infância feliz e muitos cães à minha volta como não poderia deixar de ser. Desde muito pequenos, eu e meus irmãos, vivemos entre eles. O nosso 1º, o querido Lumumba, um “vira-latas” rafeiro, amoroso que chegou a nossa casa no colo do meu pai (lembro como se fosse hoje) foi o nosso companheiro fiel até à adolescência. Acredito ter sido algum presente de um cliente pobre pois, era assim que meu pai, advogado, recebia o pagamento por trabalhos que fazia. Davam-lhe presentes lindos, sem qualquer sombra de dúvida. Ao chegar a casa e ao pousá-lo no chão da varanda, imediatamente, o Lumumba escondeu-se atrás de um vaso de flores. Tenho esta imagem gravada na memória tal como a do último dia que o vimos com vida, também em nossa casa, muitos anos depois. Algum tempo depois tivemos o Bobi, lindo, grande, de pelo grosso cor castanho-caramelo, que chegou a nossa casa acompanhando um amigo nosso de infância e, nunca mais quis ir embora.

tigres2.jpg Dócil e igualmente amoroso, ao contrário do que se dizia sobre o temperamento da sua raça, ele era um cão da Baía dos Tigres, região de cães selvagens. Por este motivo questionava-se se seria uma raça boa para conviver com crianças pequenas mas, a verdade é que ele foi o nosso fiel companheiro, e tal como o Lumumba, o grande amigo daqueles tempos de infância. A Baía dos Tigres era uma península isolada no Distrito de Moçâmedes, que depois se transformou em ilha nos idos anos de 1940, sem nada produzir nem plantar nas suas areias secas. Não havia água em nenhum lugar. Uma história ligava estes cães de raça " Cão Tigre" à minha cidade de Moçâmedes, outrora um dos maiores centros de pesca de Angola e, depois abandonada - vila fantasma. A pequena vila foi fundada por pescadores do Algarve, por volta de 1860, mas séculos antes já tinha entrado nos mapas de portugueses e ingleses pela invulgar quantidade e qualidade de peixe, que lhe valeu a alcunha de "Great Fish Bay".

tigre5.jpg Conta-se que no inicio do século XX teria acontecido um surto de raiva em Moçâmedes, e que o governador da época teria dado ordem para se executar todos os cães da cidade. Muitos donos rebelaram-se contra aquela situação e não querendo perder seus animais de estimação, resolveram metê-los num navio na calada da noite e levá-los para um local longínquo onde não pudessem ser encontrados. Assim, rumaram até à Baía dos Tigres que consideraram ser o melhor lugar para deixá-los. Ali já existia uma raça selvagem de cães deixados pelos Holandeses, os Bóhers, quando da ocupação da África do Sul e com a chegada dos cães da minha cidade resultou no cruzamento que levou à raça “Tigres”. Imperava a lei da selva onde só os mais fortes sobreviveriam; tornaram-se uma raça diferente. Eram ferozes, naturalmente selvagens. Adaptaram-se ao meio e, sobreviviam.

tigre02.jpg Pelo hábito de nadar para encontrar alimento, tornaram-se excelentes nadadores. Eles bebiam água do cacimbo enquanto as gotículas não se misturavam com a água salgada. Era na crista das ondas do mar que encontravam essas gotículas adocicadas para matarem sua sede. E, assim esta raça, sobreviveu adaptando-se às condições agrestes daquele deserto, um canto das terras do fim do mundo. Viviam em matilhas, completamente isolados, alimentando-se de peixes e focas que vinham na Corrente Fria de Benguela desde a Costa dos Esqueletos - Cape Cross, aparentemente sem precisar de água para viver - ouvia meu pai dizer isso desde muito pequena, sobre aqueles cães.

tigre9.jpg Mas tudo não passava de uma cisma, acreditava eu! Viviam em nossas casas como qualquer outra raça, e não eram poucos, pela cidade. Realmente cães grandes (impunham um certo respeito) mas,  os domesticado, não faziam mal a ninguém.  Devo ao Bobi uma aventura da minha pré-adolescência; a minha guarda até altas horas de uma noite após ter chegado a casa depois de uma festa de aniversário de uma amiga. Meus pais tinham saído, meus irmãos já dormiam, e uma familiar que estava em casa com responsabilidade de me abrir a porta adormeceu; claro que fiquei do lado de fora. Sentei-me no chão da varanda sem saber o que fazer e já quase dormitando em cima da pedra, sinto o Bobi puxar-me pela roupa e, lá fui eu com ele. Levou-me até ao outro carro do meu pai que estava no fundo do quintal guardado na garagem da casa. Entrei, tonta de sono, deitei-me no banco de trás; ele sentou-se do lado de fora, de plantão. Sei que a porta do carro estava fechada mas não me lembro de ter sido eu a fazê-lo. Foi assim que meus pais me encontraram, já alta madrugada, mas só após terem ido àquela hora até casa da minha amiga aniversariante para saberem onde eu estava. Foi uma noite tensa! Este foi o Bobi o “feroz” cão Tigre que nos acompanhou por tantos, e tão felizes anos da nossas vidas.

tigre0.jpg Adenda 1 - Teresa Sá: Numa explicação mais detalhada acrescento o seguinte: de menor densidade, as gotículas de água doce ou seja, o orvalho da noite (o nosso cacimbo) depositadas em noites sem vento na crista das ondas, permaneciam por algum tempo sem se misturar com a água do mar. Era assim, logo pela manhã, bem cedo que os cães se jogavam ao mar para matarem a sede. Eram um relógio da natureza bem intrincado! Acredito que, em noites de vento esse orvalho não se depositasse e, eles quebrassem esse ritual lambendo as pedras roliças impregnadas desse cacimbo. É realmente muito interessante e estimulante pensar-se em tudo isto.

luderitz14.jpgAdenda 2 - José Augusto D. Ferreira: Conhecia a história dos cães "Baía-dos-Tigres". Eram, remotamente, descendentes dos "Cães d`Água" algarvios, levados de Portugal pelos pescadores que os utilizavam como auxiliares na pesca. À mistura com cães domésticos ou de estimação, foram levados clandestinamente para a Baía dos Tigres com a intenção de os resgatar mais tarde, por fazerem falta no trabalho. Pelo isolamento, cruzamentos sucessivos, e auto-selecção pela lei do mais forte, adquiriram características uniformizadas. Nos anos 50, o veterinário Dr. Abel Pratas, após a escolha e captura de vários exemplares selvagens, obteve o apuramento e a estabilização de uma nova raça de cães que, mantendo a designação "Baía-dos-Tigres", foi registada oficialmente. Tive a oportunidade de ver alguns deles em Luanda, numa das exposições realizadas para a divulgação da raça. Castanhos ou negros, pela pelagem e morfologia faziam lembrar os "Cães-de-Água", mas eram maiores. Julgo que a raça já não existe por vários motivos, entre eles a descolonização. É possível que os cães dos Bóers fossem da raça "Leão da Rodésia" (Ridgeback). Ver no Google em "Cães da raça Baía dos Tigres", na página "Gente do meu Tempo (Baú de Recordações)". O texto é longo mas interessante.

luandino2.jpg Adenda 3 - Anónimo: O nome de baía dos tigres deve-se ao facto de, por efeito dos ventos formarem-se nas dunas junto à praia listas a toda a altura das mesmas c/ alto e baixo-relevo, umas com a cor castanha da areia outras mais escuras, o que visto do mar lembrava a pele de um tigre.

A baía dos tigres tinha nos anos 60, administração e junta de freguesia, posto da guarda-fiscal, correios, hospital, delegação marítima escola primária, igreja de S. Martinho dos Tigres, um clube desportivo e recreativo, uma carreira aérea bissemanal. Inicialmente a vila era abastecida de água por navios da companhia portuguesa "Sociedade Geral" posteriormente com a conclusão das obras de captação na foz do rio Cunene, acabou o racionamento da água.

Foi uma festa a sua inauguração. Inúmeros habitantes dedicaram-se logo ao cultivo de pequenas hortas, plantio de árvores casuarinas. Tudo morreu, tudo foi abandonado com todas as incertezas antes e pós independência do país.

Foi pena pois muita gente, ainda hoje tem saudades daquela terra inóspita, difícil, que foi habitada por homens e mulheres, Madeirenses de coragem que ali investiram toda uma vida de trabalho e onde ficaram sepultados os seus antepassados.

Teresa Sá Carneiro - 14-9-2020



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:21
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 16 de Setembro de 2020
KANIMAMBO . LXX

REGRAS DE VIDA - A liberdade de sermos saudáveis ou morrer por coisas impensáveis

-  Crónica 3059

Kanimambo é obrigado em dialecto Changana de Moçambique …

Por

soba02.jpgT´Chingange – No M´Puto … Al Garbes

4 DE JUNHO.jpg Na nossa língua Lusa que advém do latim, da junção dos termos CUM e TEMPLUS, originou a palavra “contemplação”, um espaço aberto que nos leva a interpretar os sinais do futuro e, aonde cabe ver-se o infinito dilatado de nossa existência. Assim, numa necessidade de aprender a arte de viver com conteúdo substancial, vivenciaremos o ganho de consciência de que estamos dentro do tempo.

Fazendo ou produzindo, aprendemos necessariamente a arte de viver com a capacidade de aferir a cada momento o direito de se ser. E afinal, o que nos permite relançar a vida, serão coisas, muitas e pequenas, que necessitamos reaprender com as variações em sua maior parte, alheias a nós – obrigações.

deserto1.jpeg Temos, quando temos e, quem tem, uma casa com varanda mais um terraço com vistas para o jardim e também o alcance a um lugar que visitamos, um recanto para passear e ler uma revista, um livro ao fim do dia, dar um passeio à montanha a ver o pôr-do-sol vendo lá à distância a praia com o sol a reluzir reflexos na água que nos cegam; a neblina que desce ao cair do lusco-fusco.

Paraíso de estampa estival luzindo nossa cabeça, tracejando nossos caprichos – um dia de cada vez sem um fito utilitário de se chegar a algum lado. Há dias e dias! Há dias de um irritado pessimismo e outros de tão naturalmente optimistas que como um carneiro, jogamos orgulhos contra obstáculos de repetidas coisas.

tanzânia II 058.jpg Eternas repetições de males antigos, males de imaginações insatisfeitas, amargas desilusões sem fermento na tristeza. Sem vontade de tormentos, certo! … O certo é de que quanto mais se sabe mais se sofre. Há fastio de inteligência! Há tédio! Há vontade de mandar tudo fora e partir vidraças, emudecer brilhos, despedaçar bocejos.

Mas, desde quando um carneiro tem orgulho? Tão abarrotado de civilização, espreito os meses farejando raças sob o abrigo de suas telhas vãs no calor da lareira, panela atestada de couves tronchas, frigideiras com unto branco de porco, uns chouriços de pendão.

carvão4.jpg Em verdade a idade de ouro, da prata deu lugar ao nióbio e colton, minerais e novas ligas a desfasar panelas tisnadas, trempes de ferro sempre aquecidas entre troncos de oliveira e borralho esparramado. Tudo mudou desde Nova Yorque a Istambul ou de Luanda a Dar-es-Salam e, sopra um vento que machuca com exilio nosso interior intelectual, emparedando nossos mosaicos bizantinos e, até amaciando com cal o rosto de Cristo.

Nos fios de gastas crenças, tão corcovado, tão gasto, enrodilhado em suas macias filosofias de mineiro de volfrâmio, recordo meu pai Manel, embebido, travado e suspirando baixinho, revendo sua miúda indecisão de viver, vendendo volfrâmio a Hitler para sobreviver. Um dia de repente, com um trejeito de esforço, meu pai, endireitou-se emperrado e cresceu! E, falou: - Amanhã vou à Companhia Colonial de Navegação inscrever-me - Vou para Angola! E, foi…

mouzinho1.jpg E, eis que um amigo virtual das redes sociais insistiu comigo para ouvir a “conversa com Deus tida por Spinoza”, alguém que nem sei quem é. Como um hermeneuta ouvi e até anotei dizeres tentando interpretar o sentido das palavras, ajustá-las ao conhecimento e leis universais mas, desconsegui.

Porquê!? Porque considerando os códices e textos sagrados ou até a arte da imaginação, anoto aqui e agora o pensar que me fez correr a pena. Nesta literatura de aspecto volátil, coisas desprendidas, teremos de conceber haver situações que ainda estão em construção nas equações de nossas vidas como por exemplo o espaço-tempo que é quadrimensional, união de pontos chamados eventos. Chegado aqui, meu substrato pifou; vou ali e já venho…

Nota: Publicado em KIZOMBA  do FB a 13 de Setembro de 2020

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:39
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 13 de Setembro de 2020
CAFUFUTILA . CXXX

TEMPOS DE 100KIBOM. O Pão, a vida e NOÉ ... Divagações do T'Ching – Crónica 3058

– PARALÉM DA JUSTIÇA... Dois pesos e duas medidas

Por

soba002.jpg T´Chingange No M´Puto, Al Garbes

Cafufutila / kifufutila: Farinha de bombô com açúcar; Kibom é um sorvete do Nordeste brasileiro…

roxo3.jpgÀ expressão “dois pesos e duas medidas”, frequentemente mencionada no contexto dos negócios e relacionamentos do dia-a-dia, atesta que as pessoas em geral estão muito distantes desses nobres princípios... “Usem balanças de pesos honestos, tanto para cereais quanto para líquidos, foi dito no capítulo de leis do livro dos livros, que visavam proteger os direitos dos pobres, trabalhadores, surdos, cegos e estrangeiros lá no antigo mundo com Moisés anunciando ordem ao povo...

roxo10.jpg2 Assim como nesse tempo, também hoje nenhum privilégio concedido à nação justificará o tratamento discriminatório de qualquer cidadão – A distância mínima de dois metros serve para não se lançar kifufutila nos olhos, boca, nariz e orelhas dos outros. Assim o deveria ser mas, na prática, a verdade fica debilitada logologo na acção da justiça hodierna... A missão de justeza naqueles idos tempos, incluía a todos. Pessoas de qualquer origem deveriam ser amadas e acolhidas pelos donos do mando a fim de que fossem atraídas ao verdadeiro exemplo. Eram valores a respeitar...

ROXO18.jpg 3 Havia uma razão pela qual os israelitas e outros senhores, governadores e imperadores, deveriam ser honestos no trato com o semelhante: Isso era tudo para um povo que desejava fazer diferença e honrar seu nome em libertado. Não podemos hoje esquecer-nos desse princípio de valores. Se entre nós não pudermos encontrar justiça e integridade, onde e aonde poderemos considerar haver condições no mundo global em que, não desprezem esses valores? Sim! Aonde…

ara3.jpg4 Afinal, quando é que iremos ter "uma boa medida, calçada, sacudida e transbordante? Isso! Quando é que que esses “Paraísos Fiscais” serão alento para perpetuarmos a raça humana e, não somente, alguns. Usando esse antigo linguajar, qual a medida a usar para todos nós, que somos tantos, muito mais que muitos!? Como nos vamos medir... Alguns acreditam que a medida original do pé inglês era a do rei Henrique I da Inglaterra, que tinha um pé de 30,48 cm. Pois então, teremos em dois metros, 78,777 polegadas ou 2,18 jardas. Mas, será pelos pés, pelas mãos, pelo pensamento pelas acções? Não! Talvez pelo dinheiro, que tudo tende a comprar...

arau162.jpg5 A expressão comum no comércio oriental, “medida calçada, sacudida e transbordante” indicando que aquilo que fosse pesado ou medido deveria ser prensado, sacudido e, de modo que transbordasse do recipiente para benefício de quem receberia... Esses antigos tinham sua forma de pensar com retorno garantido: “A medida que usarem também será usada para medir vocês.” Pois! Eu, em tempos calçava a medida de sapato 73 mas, minguando, já só calço o 72 e, de unhas cortadas...

araujo102.jpg6 Normalmente, associamos estes princípios às questões materiais mas nesta fotografia falada teremos de não esquecer que para além de negociar, trocar, comprar e vender coisas, há virtudes e valores espirituais e fraternos a compartilhar de justiça e generosidade... Coisas dadas ao abandono! No choque do presente, um mundo imperfeito, também muito redondo nos silêncios, acho melhor nem referir o nome do patrão, do chefe ou do presidente. Eles são políticos e comem na mesma gamela… As circunstâncias medrosas não permitem que abra uma frente de guerrilha sem haver razões independentistas.

Ilustrações de: Assunção Roxo -1.2.3 e Mano Corvo Costa Araújo - 4.5.6

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:16
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 5 de Setembro de 2020
XICULULU . CXXVIII

FERIDAS QUE CURAM - No túnel da minhoca – (02.09.2020 em Kizomba)

Nabucodonosor foi expulso do meio dos homens e, passou a comer capim como os bois…  Em Kimbo Lagoa – Crónica 3057 … em 05.09.020

- Escrevi uma cónica, mas o editor comeu-a. Fiquei fulo e, vai daí andei buscando até que cheguei à crakolândia - piois, andava a ser fumada envolta em papel de embrulhar chouriço; pode!?

Por

soba25.jpg T'Chingange - No M´Puto

corneteiro2.jpg  Será que os Provérbios quando dizem que os ferimentos eliminam o mal e, os açoites limpam as profundezas do ser, estão certos ou, é só uma metáfora, um recurso tal como dizer-se que o amor é fogo que arde sem se ver!? Isto de usar a palavra sem um fim, nem sempre o é, auspicioso...

É comum vermos notícias de minas que desmoronaram. Em alguns desses acidentes, os mineiros conseguem escapar de modo quase. cinematográfico, como foi o caso do acidente na mina de San José, no Chile, em 2010.

dia89.jpg Em 5 de Agosto daquele ano, parte da mina desmoronou, deixando 33 homens presos em um espaço a muitos metros de profundidade. Sómente no dia 22 do mesmo mês, o grupo foi localizado - só de pensar nisto, dá - me uma asfixia claustrofóbica.

E, então, iniciaram-se os trabalhos de resgate. Para retirar os homens do interior da terra, foi cavado na rocha um espaço suficiente para passar a cápsula Fênix II. Ela tinha cinco metros de altura e 60 centímetros de diâmetro, espaço suficiente para levar um homem de cada vez.

IMG_20170823_120414.jpg Máquinas muito potentes foram necessárias para fazer o buraco pelo qual seriam trazidos os homens de volta à superfície. Sem aquele “ferimento” na rocha, não haveria salvação para os 33 homens.

Às vezes, estamos envolvidos em situações tão complicadas que necessitamos de soluções extremas e urgentes. Muitas vezes, a modos de permitir um milagre, passamos por grandes “perfurações” em nossas vidas para que, num finalmente, possamos dizer: Foi um milagre...

IMG_20170823_115859.jpg Na Bíblia, encontramos algumas situações em que Deus permitiu que alguém fosse atingido por um mal menor para que um mal maior fosse evitado. Quando isto passa por nós levantamos a mão ao céu em agradecimento mesmo que o sejamos descrentes nas horas de normalidade ...

No entanto, o exemplo de Nabucodonosor pode ajudar-nos a entender estes sussedidos. O orgulho de Nabucodonosor havia soterrado seu coração. Se continuasse daquele jeito, o rei estaria perdido. Porém, permitiu-se que a sentença sobre Nabucodonosor fosse cumprida imediatamente. Foi expulso do meio dos homens e passou a comer capim como os bois.

IMG_20170705_093528.jpg Seu corpo molhou-se com o orvalho, até que "os seus cabelos e pelos cresceram como as penas de uma águia, e as suas unhas como as garras das aves”. O próprio rei reconheceu a importância daquele período difícil...

Quando a providência com provérbios destes permitem que problemas cheguem às nossas vidas, tenhamos paciência, pois pode ser que se esteja cavando o buraco pelo qual a paz terá acesso a cada um de nós.

kuvale5.jpg As feridas permitidas podem ser remédios para nossas maiores dores... A vida é sempre muito repleta de surpresas! Calma! Isto vai passar... Eu, até já ando a comer erva cidreira, folha de abobreira, gimboa, beldroega e rama de batata doce...

O Soba T'Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:05
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 3 de Setembro de 2020
MUJIMBO . CXVI

MEDITAÇÕES DO T'CHING... Crónico nº 3056

ATITUDE RADICAL - Se o teu pé te faz tropeçar, corta-o... Um exagero feito forma de falar... - 01.09.2020

Por:

t´chingange 0.jpgT'Chingange No M´Puto do Al-Garbe

barao1.jpg De vez em quando, ouço pessoas, adultas anunciarem seu desligamento das redes sociais. Algumas descobriram que o tempo gasto na internet roubou delas porção ainda mais preciosa, que deviam empregar em comunhão com a Natureza, pois então...  Actividades mais frutíferas para si mesmas, para os semelhantes e para a eternidade, não se cumpre por omissão. Um deixa para lá porque Roma e Pavia não se fez num dia...

cinzas8.jpg Ninguém nega o valor das plataformas virtuais para interacção entre amigos e familiares, comunicação em tempo real à distância, e mesmo pregação duma fala mais convincente. Porém ocorre, que o inimigo sempre vai encontrar uma brecha para sugerir distrações ociosas...Isso! Conversação vazia, desperdício de tempo e armadilhas pecaminosas com muitos seios muitas, artimanhas eróticas e merdas sem sentido no aqui e, no além.  Sei de pessoas que caíram nas malhas do descaso, bem como de relacionamentos familiares que foram abalados ou mesmo partidas por via de comportamentos pecaminosos ou snobismo sem nexo.

girasol1.jpg Coisas que se oferecem inicialmente com a promessa de falsa segurança, sigilo e anonimato que somente ele, o dito cujo, sabe forjar. Pura e demagógica falsidade... No entanto, as redes sociais não são os únicos inimigos que se interpõem entre nós e o perigo. Há relacionamentos impróprios que como pecados acariciados, entram em muitos de nós. Por isso se recomenda que nos submetamos a uma cirurgia radical cortando o mal pela raiz! Mutilação de qualquer coisa que tenha o potencial de impedir nossa integridade...

ciga0.jpg Mateus, em seu quarto discurso do evangelho, adverte contra o perigo de se causar escândalo a quem quer que seja, pois os resultados podem ser eternamente fatais. E Isto, o mundo de hoje, todos o fazem com naturalidade, infelizmente.  E, caso ainda haja consciente ligação com qualquer causa indutora ao pecado e escândalo, este é o momento de renovação. Sejam radicalmente descartadas, pessoas ou coisas que se interponham entre o seu discernimento e a lógica das causas e efeitos... Detesto snobismos...

petrolina3.jpg Será melhor seguir preventivamente o conselho de Charles Spurgeon: "Não permita que seus pés andem voluntariamente  por lugares lamacentos. Nem permita que seu coração se encha com amargura”...

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:37
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 30 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLIV

É proibido ser POBRE? - 30.08.2020

- Crónica 3055... Juntando meus estralhos, para entender se os alhos com bugalhos são um remédio eficaz para eliminar um bicho feito gelatina. Mas, então porque não fazem uma vacina com água e sabão!?

Por

t´chingange2.jpg T´Chingange – No M´Puto

roxo68.jpg A década de 1930 foi marcada por muitas histórias interessantes no Brasil. Uma delas seria cômica, se não fosse trágica. Ela aconteceu na cidade de Fortaleza, capital do Ceará. No ano de 1932, foi construído o primeiro arranha-céu da cidade. Os jornais publicavam manchetes anunciando a inauguração do hotel Excelsior. Era o orgulho da classe rica de Fortaleza. Subir até à cobertura do edifício e admirar paisagens, desde o mar até as montanhas era a diversão comum.

Uma coisa, porém, ameaçava o clima de riqueza da cidade. Desde o início da década, estava acontecendo uma das piores secas de todos os tempos no interior do Ceará, e muitas pessoas estavam fazendo o conhecido êxodo rural em direcção à cidade de Fortaleza.

apocri3.jpg A classe mais rica exigiu uma atitude do governo, que imediatamente criou sete currais cercados com varas e arames farpados, para onde eram enviados todos os retirantes da seca. Lá, eles tinham as cabeças raspadas e eram vestidos com sacos de farinha. Naquela época, era crime ser mendigo em Fortaleza, e a pena era ser enviado para esses quase-quase campos de concentração. Tratar os necessitados com maldade é pecado, sejam quais forem os motivos.

Mais que doar roupas e alimentos, cuidar com amor dos mais necessitados envolve olhar nos olhos, ouvir as histórias de vida, ajudar nos problemas emocionais, não se preocupar apenas com o estômago, mas também com o coração; estes procedimentos, aprendemos no dia-a-dia com gente do bem, familiares e afins...

pica2.jpg Mas, diz o sábio do livro dos livros que quem age assim, empresta a Deus; isso não significa que o Céu tenha qualquer tipo de dívida connosco. O que a Bíblia está querendo dizer é que, quando ajudamos uma pessoa pobre, teremos como recompensa a felicidade como devolução pelo que fizemos em forma de bênção.

Por isso, o versículo respectivo enfatiza a recompensa divina. Isso não é teologia da troca, mas um incentivo para que tratemos bem aqueles que não têm nenhuma vantagem a nos oferecer... Quando esteve na Terra, Jesus deu muita atenção àqueles que passavam por qualquer tipo de necessidade, principalmente aos pobres de espírito. Faça o mesmo por seu próximo e colherá certamente a recompensa da Natureza...

papal1.jpg De novo, volto a remover os ossos do passado espreitando pelo postigo da memória antropológica e, só graças à debilidade desta, a memória, irei fazer do tudo um romance condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão com tangas ou parras!

A nossa vida, de cada vez mais na mesma passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, com os sem etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, os cheiros encarquilhados misturam-se com iões de densidade molecular dos anos na leitura de carbono e eteceteras muito antigos e complicadérrimos… Só sei, no fim desta lengalenga, que vamos cada vez mais ficar fritos, esperando migalhas!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:44
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sexta-feira, 21 de Agosto de 2020
FRATERNIDADES . CXXVI

ANDO ENKAFIFADO – OPÇÕES DE VIDA

- O tempo não passa pela amargura mas, a amargura passa pelo tempo… 21.08.2020

- Os humanos de hoje são bem piores que seus antepassados. Põem os filhos nas creches, os pais nos asilos e vão passear os cães para os porem a cagar e mijar nas ruas…

 t´chingange 0.jpgAs escolhas de T´Chingange

Porcanhot3.jpg António José Canhoto (Diniz Costa) a 20-08-2020

arau44.jpg (C.A.)OPÇÕES DE VIDA - O ter-se liberdade já é um direito à desigualdade, pois a pior desigualdade e fazer duas coisas diferentes iguais. Em princípio a igualdade repugna o homem, pois o maior empenho de cada um é distinguir-se e notabilizar-se para se desigualar. A igualdade pode ser um direito democrático e constitucional, mas não existe poder algum sobre a terra capaz de a tornar numa realidade. Em teoria podemos concordar que todos somos iguais, contudo na prática, só alguém insano pode pensar ser possível aplicar essa igualdade.

Deixe de pensar como o escritor Alexandre Dumas no seu livro os 3 Mosqueteiros os quais tinha a máxima: “Um por todos e todos por um”. Nesta nossa vida e mundo de antropofagia cada um tem de ser por si próprio num salve-se quem poder, numa selva em que os mais fracos são “comidos” e escravizados pelos mais fortes economicamente. Ninguém virá ajudar a levantar aqueles que tropeçam e caem ou salvar, se estiverem a afogar-se. Saia da sua torre de marfim pela porta ou pule pela janela, mate o dragão que o atormenta, acorde sem um beijo ou um abraço, faça-se refém de si mesmo e arreganhe os dentes, vá bem armado para a luta e mostre ao mundo quem é o lobo mau, mate a avozinha e faça amor com a netinha.

Avillez2.jpg - As nossas existências resumem-se a um período que se prolonga entre a nascença e a morte, ou dito de outra maneira, é um lapso de tempo que acontece entre duas eternidades de escuridão. A primeira acontece desde a data da inseminação dentro do útero das nossas mães, e a outra quando fisicamente deixamos de existir e de novo partimos para a eterna escuridão. Aprenda a fazer falta e a sentir-se desejado. Nunca lute por espaços na vida de ninguém e muito menos se diminua para lá caber.

O maior medo da humanidade é abrir a cortina do conhecimento e descobrir que tudo o que acreditava nunca existiu. Tudo o que ouvimos são opiniões e não factos comprovados. Tudo o que vimos são perspectivas, não são verdades ou realidades. Não perfilho da filosofia niilista como resposta adequada para a vida quando a mesma foi celebrizado pelo filósofo Friedrich Heinrich Jacobi. Contudo o seu conceito da negação de qualquer crença religiosa, social ou política agrada-me quando a sua finalidade se destina a obter um estado de consciencialização pessoal maior, mais adulto e evoluído.

roxo91.jpg(A.R.)Pessoas certas e perfeitas não existem. Todos nascemos mais ou menos errados e imperfeitos, mas só os conscientes e racionais procuram ao longo dos tempos ter consciência dos seus aspectos negativos e aperfeiçoá-los. Todos somos os lapidadores do nosso próprio diamante em bruto tal como nascemos. Há uns milhares de anos atrás, éramos apenas humanos ou em evolução para a obra de arte que hoje somos.

 A partir do momento que evoluímos e permitimos que a raça nos tenha desligado, a religião separado, a politica dividido e o dinheiro classificado, passámos a ser mais imperfeitos devido aos preconceitos que adquirimos do que à inocência que nos caracterizava há milhares de anos atrás. Os humanos de hoje são bem piores, põem os filhos nas creches, os pais nos asilos e vão passear os cães para os porem a cagar e mijar nas ruas e muitos dos energúmenos dos seus donos nem os dejectos apanham. Um amigo meu dizia com alguma propriedade, a vida é um cu, e cada um tem o seu.

araujo172.jpg (C.A.)Uns sujos outros limpos. Mas nenhum é perfeito pois todos fazem merda mais tarde ou mais cedo. Se alguém matar para roubar um automóvel é errado. Mas se alguém matar o ladrão para o recuperar já é legítimo. O direito de matar para recuperar a nossa propriedade torna-se mais valioso do que a sagrada vida do ladrão. Ando a pensar em comprar uma bicicleta mas pensando bem, isso será um desastre para a economia do meu país. Evita que eu compre carro, faça financiamento ao banco e pague juros, não compre gasolina que o governo taxa de forma injusta e insana, não precise de alimentar mecânicos pagando-lhes 50 euros por hora de mão-de-obra.

Não preciso de seguro nem de pagar estacionamento. Não fico obeso devido ao exercício físico, antes pelo contrário, fico saudável, não pago a médicos privados nem às farmácias, medicamentos que não preciso. Faça a experiência de tentar mergulhar dentro de si mesmo e veja se morre afogado em conhecimento ou de sede pela ignorância e consoante o seu diagnóstico reabilite-se fazendo os ajustamentos necessários. Deve ser tremendamente triste e sentindo dó de nós próprios quando se nasce, vive e morre com a sensação de nunca termos existido, porque quando olhamos para trás ao rasto que deixamos na nossa passagem pela vida apenas encontramos vazios e espaços brancos e, longos demais porque nunca foram vividos. 

roxo90.jpg (A.R.) - A vida não condiciona nem coloca barreiras a ninguém; é como um mundo sem fronteiras, e os únicos limites que você pode encontrar são os pensamentos limitativos dentro da sua mente os quais se podem tornar nos seus piores inimigos. Evite as pessoas que para lhes explicar algo precisa de desenhar, mas mesmo assim ainda necessita de explicar o desenho e finalmente para que a compreensão seja feita ainda terá de desenhar a explicação. Existem duas coisas importantes na nossa vida que moram dentro de nós: O motivo e o momento. Teremos várias vezes o mesmo motivo, mas nunca o mesmo momento, pois estes são irrepetíveis quer seja para nos deixarem recordações inesquecíveis ou por serem tão negativas que sentimos a necessidade de as obliterar da nossa mente de imediato.

arau1.jpg (C.A.) -E para terminar este meu texto aqui vos deixo uma história que me foi contada há muitos anos mas que jamais a esqueci. “Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, montanhas, planícies e vales sinuosas que trilhou através de países, cidades e vilas e vê á sua frente um oceano vasto e profundo onde vai desaguar e desaparecer para sempre. Não há maneira de o rio poder retornar para a nascente, assim como ninguém pode atravessar a água do mesmo rio duas vezes duas vezes. Voltar atrás é impossível na existência de um rio ou pessoa. O rio precisa de aceitar a sua natureza e entrar no oceano. Somente ao fazê-lo o seu medo se irá diluir, porque apenas nessa altura o rio saberá que não se trata de desaparecer, mas sim, em ele se tornar em oceano também.

Ilustrações de: Assunção Roxo (A.R.) e Mano Costa Araujo (C.A.)

António José Canhoto… 20-8-2020

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:36
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 20 de Agosto de 2020
KAPIKUA . XXX

SERÁ QUE VOCÊ SABE O QUE FAZ?

MEDITAÇÕES DO T'CHING - 20.08.2020

O risco da vida que, por coisa pouca muda nossas vidas… Crónica 3053

Por

t´chingange2.jpg T'Chingange - No M´Puto

relog1.jpg Há um provérbio que diz que a sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora. Um amigo envengelico de militância, manda-me coisas prudentes e, vai daí aguça-me o engenho da faladura. Uma pessoa prudente é sábia pois, sabe o que faz! A vida não é para ela apenas a sucessão de acontecimentos casuais. Ela pensa, medita, avalia seu procedimento, corrige o rumo de sua vida e recua quando percebe que está errada.

O termômetro para medir a “temperatura” de suas acções é a palavra vinda de cima, diz ele sem definir a dimenção quântica do tempo; se vem do além, do passado ou do futuro singindo-se a um agora, beliscado na singularidade dum nanosegundo... Se esta é a tocha que ilumina o seu caminho, acho bem que se lhe dê valor porque, somos só uma ilusão tal como o foram D. Afonso Henriques,  o Marquês de Pombal, o D. Pedro Imperador do Brasil, de Portugal, do Algarves e terras Dalém mar...

afon0.jpg E, também do Dom  Nuno Álvaro Pereira que venceu a Batalha de Aljubarrota, o Patrono dessa Ordem de Aviz que agora é indevidamente usada para atemorizar gente disparatada dos neurónios... Gente que não sabe estar, que risca a vida dos outros com mateba do mato feito morro, pintando portarias e arcadas com sangue a fingir de raiva com ódio...

Por este motivo. os minutos que você passa a sós com Nosso Senhor,  com a Natrureza, com o Alá e, ou o Buda mais o Seilásié ou o Chico Xavier que psicografou centenas de estórias. Antes de iniciar as actividades do dia, é indispensável reflectir sobre a sobrevivência do salmão! Para quê!? Para uma vida produtiva de todos os que cacarejam....

GALO0.jpg De todos os que arrulham, palram, gemem, gritam, urram, zurram e também os que grasnam, miam e assobiam com dois dedos enfiados nas goelas. Não basta apenas saber “como” realizar bem o seu trabalho. Fazendo as coisas com eficiência, você sempre será um bom empregado, um bom patrão, um bom governante ou cozinheiro mas e, se tomar tempo para pensar por que faz o que faz; E, se pensa demais,  acabará sendo um líder, ladrão, sindicalista ou Juiz com muitas varas, mais do que as de que José necessitou para tingir o Rio Nilo... E, nós todos ficamos quilhados com novos Zésares...

“A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho”, dizia Salomão, primo afastado do tal Salmâo... Assim, antes de tentar entender o caminho dos outros, entenda o seu.. Não existe fórmula mais perfeita para a eficiência...

O caminho dos tolos é diferente. Eles acham que sabem tudo e em realidade nada sabem. Apenas pensam que sabem, como eu que também tenho uns problemazitos nos carretos da engrenagem e, por isso, saio de meus muxoxos galagando impossibilidades. E, posso dizer que quando se engole desaforos, o resultado é a frustração e o desapontamento; E então, vou fazer como: - Ou mato ou morro - uma técnica de guerrilha, sábia de escapar  entre as bissapas  mesmo correndo o risco de me meter na selva do feijão maluco  ou,  cheirando formiga cadáver...

formiga cadáver1.jpg Você sabe o que faz e porque faz? Não tema aprender e, não se encolha, aconselhe-se, consulte. A receita para permanecer na ignorância sobre qualquer assunto da vida é  ficar satisfeito com suas opiniões e contente com o que sabe ou lhe dizem! A vida se encarregará de provar que você estava errado ou certo! Trabalhe o discernimento.

Faça deste dia, um dia de avaliação. Revise os seus procedimentos, analise sua trajetória e não se amofiine por não ter dito nesse então; diga agora! Nunca é tarde para começar de novo. Sempre é tempo de aprender e, surpreender...Está separando o tempo necessário para dialogar com seus filhos? Ou espera que tudo aconteça por acaso? Deixe-se de moleza e reflita nestas duvidas. Refletir é próprio de gente sábia...

dyo2.jpg Ser sábio ou insensato - Eis a questão! O tal do Além, sempre estará pronto a guiar e mostrar um caminho melhor àqueles que com humildade de coração o buscam. Não esqueça: “A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora”. Lembrem-se sempre do Sócrates Luso! Sim! Deste e, do outro que era Grego... Grego da Grécia!

Uma feliz Quinta, Sexta e Outras feiras

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:52
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLIII

NOSSO LINGUAJAR … NAS FRINCHAS DO TEMPO

Crónica 3052Como surgiu a expressão "Tchê"... 19.08.202

Por 

t´chingange2.jpgT´Chingange - No Al-Garbe do M´Puto

mess04.jpg Sotaques e regionalismos na hora de falar são conhecidos desde os tempos mais antigos do que  Jesus de Nazaré. No Brasil, Angola e Portugal - nos PALOPS, também existem muitos regionalismos. Quem já, não ouviu um gaúcho dizer: "Barbaridade, Tchê"? Ou de modo mais abreviado "bah, Tchê"?

Esta expressão, própria dos irmãos brasileiros  do sul,  os gaúchos, tem um significado muito curioso. Para conhecê-lo, é preciso falar um pouquinho do espanhol, dos quais os gaúchos herdaram seu "Tchê".

gaucho1.jpg Há muitos anos, antes do achamento por Cabral do Brasil, o latim marcava acentuada presença nas línguas européias como o francês, espanhol e o português. Além disso o fervor religioso era muito grande entre a população mais simples.

Por essa razão, o linguajar no dia, era dominada por expressões religiosas como: "vá com Deus", "queira Deus que isso aconteça", "juro pelo céu que estou falando a verdade", e assim por diante....

gaucho2.jpg Vai daí, uma forma comum das pessoas se referirem a outra, era usarem interjeições também religiosas como: - "Ô criatura de Deus, por que você fez isso"? Ou "menino do céu, onde você pensa que vai"? Muita gente especialmente no interior ainda fala desse jeito.

Os espanhóis preferiam abreviar algumas dessas interjeições e, ao invés de exclamar "gente do céu", falavam apenas Che! (lê-seTchê) que era uma abreviatura da palavra caelestis (se lê tchelestis) e significa do céu.

sertão1.jpg Usavam essa expressão para  surtir espanto, admiração ou susto. Era talvez uma forma de apelar a Deus na hora do sufoco. Mas também se serviam dela para chamar pessoas ou animais, "tchê, tira as mãos daqui "tchê, angê, zakucué" (de Angola...)

Com o achamento da América, os espanhóis trouxeram essa expressão para as colônias latino-americanas. Aí os Gaúchos, que eram vizinhos dos argentinos, acabaram importando para a sua forma de falar.

sanzala1.jpg Portanto exclamar "Tchê" ao se referir a alguém significa considerá-lo alguém "do céu". Angê é um chamamento em Angola - coisa levada pelos Tugas... Que bom seria se todos nos tratássemos assim considerando uns aos outros como gente do céu. aí ué angê! Feliz segunda-feira, terça e quarta féria...

Angê, mungweno, laripo...

O Soba T'Chiingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:17
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 18 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLII

MEDITAÇÕES DO T'CHING... NAS FRINCHAS DO TEMPO

ENCONTRO COM A VIDA -Crónica 3051 18.08.2020

Por

t´chingange2.jpg T'Chinhange - No Sul do M'Puto

bolso2.jpg Para viver plenamente, dizem estudiosos, o ser humano necessita satisfazer necessidades básicas como, por exemplo de pertencimento, de significado e, segurança para além de ir ao WC com a periodicidade natural de sua fisiologia...

Abraham H. Maslow elaborou uma lista de necessidades em forma de pirâmide, a conhecida “Pirâmide de Maslow”, em cuja base estão as necessidades fisiológicas, sobrepostas pelas necessidades de estima tendo no topo a  auto-realização.

maslow1.jpg Abraham Harold Maslow foi um psicólogo americano, conhecido pela proposta Hierarquia de necessidades de Maslow. 

maslow2.png Para sua frustração, na busca dessa tão almejada plenitude de vida, o ser humano tem andado por todos esses caminhos, muitas vezes limitando-se ao âmbito terreno.

Ao sentir aflorar a necessidade de desenvolvimento espiritual e de preencher o vazio do coração, ele homem ou ela, mulher, costumam desviar-se optando por produtos místicos de autoajuda, ou por aqueles cujo rótulo estampa a garantia de prosperidade material fácil.

mamoeiro.jpg A utopia comanda a fricção de vontade de cada qual na forma de vaidade, de futilidade ou fingida mentira nuna forma de faz-de-conta. E,  todos, de forma maioritária, se esquecem da dependência com o dito e escrito: “Eu sou o caminho,  a verdade, e a vida”...

Paradoxalmente, a fim de que obtenhamos a verdadeira vida, somos ensinados que devemos experimentar a morte: “Quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por Minha causa, a encontrará” - Muitos poucos caminham nesta diapasão por simples indiferença...

Para viver é preciso morrer... À parte de Cristo, nenhum sacrifício existe que valha a pena ser feito porque bem nenhum se torna digno de ser desfrutado, nenhuma conquista produz verdadeira satisfação pessoal sem uma fé...

urubu.jpg Ter a vida escondida em falsidade e em fantasias  é desfrutar pensamentos alheios a  coisas delineadas no prumo acertado.  É não experimentar tão íntima identificação com a natureza, de que somos habilitados a enfrentar no modo confiante e sereno nas preocupações do dia a dia... Somos uma ilusão...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:49
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 17 de Agosto de 2020
XICULULU . CXXVII

FRINCHS DO TEMPO - Janelas para a vida – 17.08.2020

Xicululu - Olho gordoCrónica nº 3050

Por

soba002.jpg T'Chingange - No Sul do M'Puto

fifa3.jpg Na hora certa, só tu existes para decidires como fazer teu caminho. A tua atitude diante das dificuldades da vida dependem da dimensão de tua fé e preparação espiritual para venceres. Se tens um Deus fabricado, qualquer problema será uma barreira na tua visão.

O ser humano é contraditório; gosta de pequenos deuses, afeições apenas para acalmar a consciência como “chaveiros”, “amuletos, “figas”, “estrelas” entre outros. Por repetição faz isso de forma automática e por isso  acaba acreditando em sua intuição.

javali1.jpg Limita-se a acompanhar sua crença confiante mas, haverá um certo dia que a tragédia pode chegar de forma inesperada e é diante das circunstâncias difíceis da vida, que se  descobre que todos esses pequenos conceitos intuitivos caem por terra como meros paliativos.

Paliativos que nada fazem mudar; que nada resolvem porque num repente dependes de factores adversos e, te sententiás nesse então nada na pequenez de tua ilusão caindo em desânimo... Sem aparente recurso!

gel2.jpg É essa realidade que levará um de cada nós a súplicar autoconfiança perante um Santo Graal bem na cave duma ligação secreta com acesso directo ao cofre. Cofre contendo os montantes dos lay-off e, todos os rendimentos mínimos para um qualquer cidadão continuar vivo.

Assim, viver um momento terrível confrontando-se com o delirio: - “Estou aflito e necessitado.” Da perspectiva humana, parece não haver solução - como ter forças sem delirios nem lágrimas para lavar o coração da angústia que o sufoca...

lampi2.jpg E assim, como pode uma multidão protestar em casa com a morte dum cidadão negro lá nas américas? O Deus dele não estava acima de qualquer outro deus qualquer e, mesmo suplicando não foi ouvido pelo Deus e puliça brancos...

Sendo evidente que quem respira está a resistir, confronta-se com uma ilegalidade, um quase crime, porque em verdade, uma pedra aceita a imobilidade de forma pacata.

pedras00.jpg Qual é o drama que você vive neste momento? Qual é a tragédia que parece destruir a vida de alguém que pede para respirar! Sentir-se indefeso, incapaz de fazer algo para se  ajudar, limitando-se a morrer.

Antes de iniciar a caminhada destes dias, separe uns minutos para meditar na grande estranheza da sua própria história não coincidir com aquele a quem Deus o não livrou por usar uma nota de vinte dólares falsificada! Eu, que ando com duas notas sujas mas, verdadeiras, trazidas da Tanzânia, que servem de talismã, dava-lhas de boa vontade - para o ver continuar vivo!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:14
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

MOKANDA DO BRASIL . XIV

ANDO ENKAFIFADO NAS MALAMBAS

Existem algumas diferenças entre o contentamento e a alegria porque “a palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para se dizer” – Afinal Deus é branco e deveria ser Zebra para não  ser***: - racista, Noé!?

Malambas, são as palavras - Crónica 3049 17.08.2020

soba25.jpgAs escolhas de T´Chingange – No M´Puto do Al-Garbe

Via: - Maria João Sacagami ... Por: Burro Ramos

chicor4.jpg A máscara para mim é um instrumento de medo, de amordaçamento, de controlo, de subserviência. Um sujeito usando máscara pra mim, é o símbolo crónico e cabal do subjugo do ser humano que se sujeita aos mais impossíveis estratagemas para se manter vivo. A máscara para mim, é a prova mais viva de que o homem morre de medo da morte, portanto, indicia não ter compreendido, não conhece o caminho espiritual da vida.

Até um dia destes, recentemente, qualquer um que aparecesse na rua com uma máscara seria reprovado pois que máscara é ferramenta de bandido, de assaltante. Hoje, não usar máscara é coisa, indício de genocida. Entender assim, como a mente humana combina essas informações virando a chave da lógica e, de repente, indícios de uma doença, é um mistério...a não ser que... forças ocultas tenham um profundo interesse em testar um modelo de controlo psicossocial global…

cov3.jpg Toda a vez que vejo ou ouço "todo mundo usando máscara" impossível que minha mente não rebusque os estudos escatológicos da marca da besta que para mim é a mesma coisa. Mesmo modus-operandi. E falo isto agora, porque ainda me é permitido, porque eventualmente,  em um futuro próximo já não me permitam mais dizer o que penso...

A piedade “high tech” moderna, agora vem revestida de sua nova embalagem: O politicamente correto! Se por ventura, escorrega na narrativa, se destoa no canto uníssono do coral das muitas vozes da correcção liberal, você é demonizado, é bloqueado ou desterrado para o canto do silêncio. Sucede no Facebook, nas fiscalidades dum qualquer governo ou até pela máquina robot que faz triagem das noticias e fotos.

Têm que concordar! Tipo assim, se você usa máscara, você ama vidas; se você não usa a coisa, você é um monstro que não respeita vidas. Nas metáforas do evangelho nunca foi isso dito; pelo menos no evangelho que aprendi na vida desde minha infância. Dá para sentir que o evangelho sempre foi subversão, sempre foi o contrário do que a regra diz, sempre foi a renúncia, o ser perseguido, o ser odiado, o ser impetuoso.

DIA76.jpg Agora, qualquer borrabotas feito prefeito ou presidente de uma autarquia, manda ordens para se cumprir, senão vai para o xilindró!…Dizer como Jesus e João diziam "arrependei-vos" nos dias de hoje é crime, é infame, é preconceito, é injúria, até quase desvirtuado na mente, que vira racista porque Deus não é preto e afinal como ficamos! Segundo os ditames actuais, todos tem que viver da maneira como lhe convém sem ser perturbado. Será!?

E nesta toada, se você deixa de seguir o padrão, no uso da máscara, lá está você digno condenado de linchamento social. Bom! Como sou um ser que vive sob o contracto social de Thommas Hobbes* Essa noção de contracto traz implícito que as pessoas abrem mão de certos direitos para um governo ou outra autoridade a fim de obter as vantagens da ordem social, pra não escandalizar o próximo.

HOOBS1.jpg Sempre que sou obrigado e, invariavelmente condicionado a usar essa porcaria de máscara, uso! Mas sempre sob protesto e explicações sobre o que penso disto. De mais, jamais, jamais, jamais, colocarei esse troço na cara por obediência civil ou por medo de morrer de gripe… Se fizerem a chamada da lista dos escravos do sistema, meu nome não estava lá**…

Nota* : -Entenda-se: indica uma classe de teorias que tentam explicar os caminhos que levam as pessoas a formarem Estados e/ou manterem a ordem social….) 

Nota **: - O mais provável é encontra-lo no necrotério…

Nota***: - Essa noção de contrato de Thommas Hobbes traz implícito que as pessoas abrem mão de certos direitos para um governo ou outra autoridade a fim de obter as vantagens da ordem social. Nesse prisma, o contrato social seria um acordo entre os membros da sociedade, pelo qual reconhecem a autoridade, igualmente sobre todos, de um conjunto de regras, de um regime político ou de um governante. O ponto inicial da maior parte dessas teorias é o exame da condição humana na ausência de qualquer ordem social estruturada, normalmente chamada de "estado de natureza". Nesse estado, as acções dos indivíduos estariam limitadas apenas por seu poder e sua consciência. Desse ponto em comum, os proponentes das teorias do contrato social tentam explicar, cada um a seu modo, como foi do interesse racional do indivíduo abdicar da liberdade que possuiria no estado de natureza para obter os benefícios da ordem política.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

RELOGIO
TEMPO
Weather Forecast | Weather Maps
Dezembro 2020
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
Facebook
Kimbolagoa Lagoa

Criar seu atalho
ARQUIVOS

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

TAGS

todas as tags

LINKS
PESQUISE NESTE BLOG
 
CAIXA MUSICAL
ONDE ESTÁS

Sign by Danasoft - Myspace Layouts and Signs

blogs SAPO
subscrever feeds