Quarta-feira, 13 de Outubro de 2021
A CHUVA E O BOM ATEMPO . CXXI

A ADIÁFA DOS MOIRÕES E SALAZAR - II

ENTRE 1975 E 2021 – DO PREC AO PRR

Crónica 3205 de 10.10. 2021

Por: T`Chingange em Cantanhede do M´Puto

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O tempo passou e, num dia seguinte, fui buscar os meus filhos ao Alentejo a fim de regressarmos às charnecas do Ribatejo; bem pela manhã ao sair para o quintal deparei com o meu concunhado Cailogo de caçadeira aos ombros agitando-se com os demais camaradas em empolgados esquemas de caça. Fui ficando por ali curioso; seria uma caçada à raposa, perdizes ou coelhos mas, apercebi-me bem rápido que não era nada disto. Era o chamado PREC – Processo de Revolução em Curso…

Iam caçar fascistas nos montes vizinhos de Escanchados, Daroeira, Buena Madre e Pardieiro entre outros montes e mesetas daquela estepe; fiquei aturdido com esta pseudo milícia interrogando-me do que poderiam ir fazer em prol duma mudança. Estamos em 2021, com pouco mais de dez milhões de Portugueses e o estado continua sugado por políticos que usam a falácia para nos entorpecer, mesmo sem haver esse tal de PREC. Sempre haverá um plano novo para dar directivas ao leque de ousadias assim se chame um PRR - Plano de Recuperação e Resiliência…

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As conquistas do povo pelo PREC foram direitinhas para o galheiro; as chapadas de trigo, nos lameiros, os montes estão desventradas, sem telhado, ruínas a gritar desespero aos vindouros. Afinal, de nada valeu aquela caça aos fascistas da qual o meu concunhado Cailogo fez parte. Ainda hoje me arrepio de tal façanha.

Acabei por abalar também para um lugar distante chamado de Venezuela. Foram cinco anos perdidos no tempo da minha aposentação mas, ganhei minha independência. Recentemente, de espanto em espanto, fiquei sabendo que minha suposta Catarina Eufémia de Panoias e de nome Maria, tinha ido a Fátima, ela que em tempos andava barafustando politiquice por nada e coisa nenhuma. Sendo pessoa de família não a posso expor de forma declarada para que minhas vicissitudes não fiquem abaladas…

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Militante dos sete costados e meio e com um crachá da Catarina Eufémia na lapela, Maria, vociferava as injustiças de Salazar e, todos aqueles latifundiários que de pançudos, chispavam untosas banhas desde os calcanhares até às luzidias testas transpiradas de suores – tudo à custa do povo, dizia ela para quem queria ouvir numa língua que só Nosso Senhor perdoaria, valha-me Deus… Uma genuína comunista, digam lá o que disserem!

Ela, minha familiar também colateral, tinha andado desde tenra idade com os moirões a fazer campanhas do trigo, coisas antigas da política de Salazar e, lá saía bem cedo em rancho empoleiradas com muitas mais em tractores que as levavam até aqueles montes. Por vezes juntavam-se a elas galegos morcões vindos do norte de Portugal Era trigo, cevada e outros cereais cortados com a foice ao mesmo jeito da tal Catarina Eufémia morta pela GNR a 19 de Maio de 1954, teria ela uns 15 anos.

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Eufémia supostamente, liderava um grupo de catorze ceifeiras, que exigiam um aumento de salário de dois escudos por jorna. Quando os trabalhadores procuraram encontrar-se com o proprietário, este alertou a Guarda Nacional Republicana, que depressa ali chegou. A partir de certo momento Catarina Eufémia terá caído após ter sido agredida por um agente e, quando se levanta foram disparados três tiros, atingindo-a mortalmente.

As autoridades dizem que esses disparos foram acidentais, procedimento muito comum que ainda o é na defesa da tal ética e a bem da nação. Na altura do seu falecimento, Catarina Eufémia tinha apenas 26 anos. Ora sucede que nestes dias que correm ouvi da própria minha familiar colateral revolucionária, que Salazar era uma óptima pessoa!

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O queixo caiu-me espalhando-me as dentaduras no lamacento chão das surpresas; como é!? Pouco refeito e cambaleando na minha patafúrdia assombração, lá disse o que disse, depois de tantos anos com a língua agarrada aos dentes: que Salazar era uma jóia de pessoa!

Pois bem a coisa decifra-se assim: Em 1961, já casada e com dois filhos, seu marido foi chamado ao serviço militar. Ele, Cailogo foi prá guerra aonde aprendeu a conduzir unimogues, jeeps e berlietes do tramagal. Vai daí Assunção, a Maria da minha estória, sua esposa, escreve a Salazar contando da dificuldade em manter sua família com seu marido incorporado na tropa, solicitando por isso um subsidio para aguentar o tranco da vida!

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Surpresa das surpresas: o subsídio chegou durando todo o tempo da vigência de seu marido na tropa, o encartado em ligeiros e pesados e conduzindo chefes militares do guincho para Peniche ou de Lisboa para Tancos. Pois depois de tudo o contado repus minha esquelética dentária no lugar devido, depois de tando desafora em ouvir diabruras contra os fascistas e latifundiários e nem sei mais o quê! Afinal Salazar, não era assim tão unhas-de-fome. Por aqui me fico com alvissaras, porque a verdade sempre vem ao de cima, como o azeite…

O Soba Chingange       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:22
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2021
A CHUVA E O BOM ATEMPO . CXX

A ADIÁFA DOS MOIRÕES E SALAZAR - I

ENTRE 1914 E 1945 E O AGORA 2021

Crónica 3203 de 10.10. 2021 - Em Cantanede do M´Puto

Por: T´Chingange

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Naqueles idos tempos, enquanto o estado confiscava bens à igreja, fidalgos ou aristocratas feitos políticos, sacrificavam imbecilmente os jovens mandando-os para morrer como tordos nas trincheiras da guerra. Do corpo expedicionário enviado para Flandres de França poucos regressaram e os que voltaram vinham de pulmões afectados pelas gazes ali utilizados. Nesse então, a 1ª República Portuguesa era composta por deputados que faziam absurdos e floreados discursos no parlamento sem sequência na realidade do dia-a-dia. Hoje, estamos quase iguais…

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Eram uns pavões que vendiam petulância nos cafés do Chiado; era ver qual deles tinha mais protagonismo na pópia faroleira do Rossio ou no Café da Arcádia. Neste aspecto, Portugal viveu sempre em crise, (e continua a enfermar desses resquícios) envolto em devaneios de gente acomodada à política de faz-de-conta, devaneios de gente que sempre se sentem insubstituíveis.

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Naquele então, senhores latifundiários, donos de muitos hectares, muito gado, muitos chaparros pavoneavam política em Lisboa enquanto seus ganhões ou moirões lhe garantiam os bolsos cheios. Lá na província, na lezíria, ou seara alentejana, no cortical, olival, nas chapadas de trigo, nas lameiras, enquanto nas courelas havia a míngua – nesse então, ainda não se falava na palavra resiliência…

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Enquanto isso decorria, a Angola distante aonde eu me encontrava, estava quase ao abandono. Estamos em 2021 com dez milhões de Portugueses e o estado ainda vive à míngua sugado por corruptos e corruptores. As conquistas do povo foram direitinhas para a nova casta de políticos que dividem o bolo por quotas, tanto para ti, tanto para mim e, estamos de novo naquela merda desses idos anos; o povo fugindo para o resto da Europa, lugares para onde ninguém pensava ir depois dum 25 de Abril de 1975.

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Será a sina do Portuga, andar pelo mundo subsistindo à tal de resiliência enquanto eleitos, maioritariamente incompetentes singram com grandes salários nas administrações? Gente que assim repartidas pelo Arco-íris político nos torcem e retorcem com impostos com mais taxas em cima de outras já taxadas. Toda a banda larga será inútil se esta gente de mente continuar na festa desta dita democracia.

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Não é normal meter-me nestas citações mas que ando revoltado lá isso ando! Revendo o panorama do após guerra por incapacidade de gestão, Angola após o Abril de 1975 ficou abandonada à sua sorte até que algures no início da Estrada de Catete em Luanda, deram o grito do “tundamunjila” festejando a independência com rajadas de kalashnikov.

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A República Portuguesa tinha sido tomada por panhares com militares empoleirados em sua carcaça agitando cravos na ponta das armas. Surgiram uns oficiais barbudos cheios de hormonas de aviário fazendo alarde duma valentia inexistente, em floreados discursos. Elaboraram regras dum criado MFA, Movimento das Forças armadas que logo desrespeitaram.

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Eles eram os donos da guerra, da opinião, e o povo levantava os punhos em aprovação de suas decisões democráticas – assisti a isto como destacado na Câmara Municipal de Torres Novas; o povo é quem mais ordena e, todos se olhavam entre si ao levantar o braço em reuniões magnas. E, havia por semana uma ou duas destas reuniões; entretanto o Sindicato dos Trabalhadores das Autarquias, por nada nos queriam lá. Passei por isto na fase de Vasco Gonçalves, vendo-o só esbracejar depois de lhe tirar o som da TV.

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O medo era farejado pela astúcia duns quantos autopromovidos a pavões. Guedelhudos que fingiam ser os Che Guevara duma Sierra Maestra, vendendo seu imaginário a custo zero. Desde esse tempo, Portugal viveu sempre em crise, (e continua a enfermar desses resquícios) envolto em devaneios de gente acomodada à política de faz-de-conta, com gente que teima em se sentir insubstituível.

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Em Angola, os ditos Movimentos, digladiavam-se pelo poder morrendo como tordos numa guerra a céu aberto. Recém-chegado a Portugal, com um bilhete de vinda sem regresso, ano de 1975, deram a mim e aos meus, 500 escudos por adulto. Com uma senha de viagem fornecida pelo IARN, Instituto de Apoio a Retornados levei meus dois filhos até o Alentejo. Na Funcheira tinha o meu concunhado Cailogo a receber-me e, lá fomos para a Panoias. Meus filhos ficariam aqui até que em terras do norte orientasse a vida em casa de outros familiares brancos de cor e nome...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:35
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Domingo, 10 de Outubro de 2021
N´GUZU . XLI

FEROMONAS DA VIDA

- Num cala-te a boca, acabei de emudecer o que em mim já estava arrependido…

Crónica 3202 – 08.10.2021

Por T´Chingange – em Cantanhede do M´Puto

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Estando eu no meu “Pátio Andaluz” da Lagoa do M´Puto, naquele dia de meados de Julho de 2021, escrevi com tal força de afeição que até o luar murchou a noite. Depois de dispor cinco manjericos em pequenos vasos para ofertar às cinco meninas do gabinete em que me fazem as declarações de IRS do M´Puto, tomei uns goles de pensamento passando as mãos ao de leve pelas folhas e, assim embuído nesse cheirinho, cocei o aviso em minhas fontes dizendo cá para mim: Esta vida está muito cheia de ocultos caminhos.

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E, de calor amolecido no esfriado puxadinho pátio andaluz, enraizei vontades sem fazer perguntas à natureza tão prestimosa. Em relação ao resto do que vai pelo Mundo e pelas nações falantes da língua de Camões, assim e no meio duma doença chata chamada de COVID-19, juro não ser portador de um ânimo de mentir nem de me caber calado. Por falta desse tal raso de paciência olhei para o ar vendo os rastos dos aviões tendo na primeira visão as amêndoas; vi então que algumas destas já estavam a abrir a casca, indicio de já poderem ser amanhadas, juntá-las aos figos secos e fazer os queijos à moda de morgadinhos.

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Com algumas alegrias do ar em meu pensamento, com vida tão séria, desconsegui remexer na velhice dos meus afectos por via de pequenos prazeres, vendo tanta gente a vender sombras no escuro, acomodados no estímulo governamental. Descomplicando, amanhã levarei estes cinco vazos às minhas amigas para concertar em mim os pernoitados desprocedimentos que em aflitos sonhos escorregam num esquecimento ficando assim sem substância narrável.

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Desde aquele amanhã, entretanto já se passaram três meses e, por isso nem falei na fuga de um tal de colarinho branco, banqueiro e afins de nome Rendeiro que nem se sabe para onde se escafedeu por via de desfalcar o fisco, e não só. Claro que hoje, dia 10 de Outubro já se desconfia que esteja no bombom de Belize.

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Escrevia então: agora, minha vontade de chegar a lugar nenhum por via dessa doença covidesca, inchou-se-me no lugar mais estranho chamado de escroto levando-me assim a vir até Coimbra e, a fim de ter opinião mais abalizada por um médico dermatologista. Mesmo sem ter feito e utilizado punhais de sete aços malhados e trouxados numa lâmina, só como se o fora um ferreiro de Toledo, que assim cercado por água do rio Tejo me alembro que só entrei no que imaginei, ilusãozinha que para mim tudo fica resolvido. É só uma carne mole, que sem tumores se expandiu formando uma hérnia inguinal segundo a ecografia; é o que penso…

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Numa de que o que tiver que ser assim o será e, da varanda da casa do Amieiro, encalho meus olhares para poente vendo as ovelhas empinar-se no pátio duma casa de alçado e cor nobre, um solar muito cheio de ervas, pois que o abandono tomou conta no tempo. Sendo assim tudo se recompõe num processo hodierno de deixar andar para ficar de bem com a nação, com o tempo, o governo, as pessoas e até com Nosso Senhor, que alguns dizem ter sido um ET e, que veio ao Mundo para nos endireitar nos modos e acções, uma teoria fora do alcance do “ Principio de Pieter”.

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Num cala-te a boca, acabei de emudecer o que em mim já estava arrependido no momento exacto em que Fátima, pelo telefone me disse assim: Senhor António seu IRS já está entregue e aceite; passe por cá assim que puder! Naquele então disse que passaria por lá quando fosse a caminho de ir até à recepção das análises. Tudo agendado por telefone e, lá fui ver se meu escroto. Para não morrer antes de acontecer fiquei aliviado só no suficiente para ouvir o médico de família que do pouco que disse, nada disse!

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Como vêem estou no desamparo de minha vergonha e, de novo irei mostrar meu rabo ao Professor Doutor Ricardo Vieira na firme convicção de que para se morrer basta estar vivo. Juro! Nesta singularidade, muito fico repetindo, remoendo em minha mente as palavras que nem digo, porque sou cristão, maior, emancipado e vacinado. Digo isto por modo de me acostumar sem receber certezas de como vai ser então, naquela força de afeição tal de que até o luar por vezes põe a noite inchada…Fui!

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:08
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXVIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXV

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS” CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 320108.10.2021 - A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

Por: T´Chingange, em Cantanhede do M´Puto

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Após o 11 de Novembro de 1975, as casas abandonadas em Luanda maioritariamente pelos brancos, são entregues a “amigos” do MPLA e aos amigos dos amigos ou assim supostos; por toda a Angola se verificou o mesmo procedimento – fábricas, complexos desportivos, armazéns de géneros, bombas de gasolina, literalmente, tudo passou para a gestão do MPLA. Personalidades angolanas terão recebido apartamentos no Kilamba por terem apoiado o MPLA na campanha para as eleições gerais em Angola. Estas pessoas tiveram acesso privilegiado às casas mas, sendo propriedade do estado por confisco, supostamente, teriam de as pagar (digo eu…).

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Por tantas dúvidas no ar, tantas medidas arbitrárias, umas torpes outras sem explicação plausível, levam os jovens de agora a pedir explicações. Nos dois anos de 2019 e 2020 e, no actual 2021, protagonizam inéditas manifestações, estipulando como que uma espécie de moratória ao executivo angolano, antes de voltarem às ruas, uma e outra vez, pedindo eleições livres e sem batota, eleições municipais e o fim da mordaça e do estado policial, ditatorial na verdadeira versão da palavra; uma cleptocracia, um governo cujos líderes corruptos usam o poder político para se apropriar da riqueza de sua nação, com o desvio ou apropriação indevida de fundos do governo às custas da população em geral.

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Uns, declarados opositores, são pressionados, coagidos ou assediados, outros desaparecem misteriosamente e ainda outros são presos por se expressarem em desfavor do MPLA que se protagoniza como sendo eles, o país. Nas eleições parlamentares, a UNITA obteve uma votação de mais de 30%, portanto expressiva, mas que ficou aquém das suas expectativas. Nas eleições presidenciais, os cerca de 42% obtidos por Jonas Savimbi impediram que José Eduardo dos Santos, presidente em exercício que reuniu 59% dos votos, obtivesse na primeira volta a maioria absoluta, do modo que, pela legislação então em vigor, teria sido necessária uma segunda volta.

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Esta, não se chegou a realizar, porque a UNITA declarou de imediato que tinha havido fraude nas eleições presidenciais, e retomou as suas actividades militares - enquanto os deputados eleitos pela UNITA assumiam as suas funções de forma regular. A seguir a uma fase de êxitos militares, por exemplo a tomada temporária da cidade do Huambo, a UNITA passou a perder terreno de maneira dramática, devido ao reforço maciço das FAA (Forças Armadas de Angola), em pessoal, formação e equipamento, no essencial financiado pelas receitas do petróleo.

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Em paralelo, constitui-se uma dissidência da UNITA, designada "UNITA Renovada" e liderada por um dos deputados, Eugénio Manuvakola; esta corrente era a favor do abandono da luta armada e de uma concentração sobre a luta política. No fim dos anos 1990 era patente que a UNITA tinha perdido o combate, em termos militares. Perseguido por uma unidade das forças governamentais, Jonas Malheiro Savimbi é morto em Fevereiro de 2002. Segundo o jornal Público (do M´Puto): Jonas Savimbi morreu "de arma na mão", como "um militar", numa emboscada das Forças Armadas Angolanas (FAA), numa sexta-feira à tarde, junto ao rio Luio, sudeste da província do Moxico, ao fim de cinco dias de perseguição pelo mato. "Sete tiros foram suficientes para o abater". Foi assim que o brigadeiro Wala, na qualidade de dirigente da "força mista que matou o líder da UNITA", resumiu o fim de Savimbi aos jornalistas presentes no local em que o corpo foi exibido.

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Ano de 2002 - Após a sua morte, a UNITA tornou-se num partido civil e abandonou a luta armada. No congresso da fundação do partido, onde a UNITA Renovada e outros elementos dissidentes foram reintegrados, Isaías Samakuva foi eleito presidente. Concorrendo às eleições parlamentares de Setembro de 2008, a UNITA obteve pouco mais de 10%, tornando-se num partido com poucas condições para exercer funções efectivas de oposição. Em 2012, esta situação levou à saída de uma dos seus mais destacados dirigentes, Abel Epalanga Chivukuvuku que fundou um novo partido, CASA (Convergência Ampla de Salvação de Angola).

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Apesar desta perda, a UNITA aumentou muito significativamente, de cerca de 80%, nas eleições realizadas em 2012, duplicando o número dos seus deputados, enquanto a CASA obteve respeitáveis 6% com 8 deputados - constituindo-se, deste modo, uma oposição parlamentar significativa ao MPLA. Nas eleições de 2017, a UNITA quase duplicou outra vez o número de acentos no parlamento, saindo de 32 para 51 deputado, sendo que a CASA-CE passou de 8 para 6 deputados.

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A UNITA que tem tentado sempre demonstrar democracia interna realizando congressos de 4 em 4 anos, é hoje, o principal partido opositor ao partido que forma o governo afirmando-se como uma verdadeira alternativa a este. A morte de Savimbi também se reflectiu na mudança ideológica do partido, deixando o nacionalismo de esquerda e o socialismo humanitário (correntes maioritárias até então). Este facto alterou o espectro do partido, que, de situado mais a centro-esquerda, passou a um movimento sem ideologia dominante.

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Segundo Jofre Justino, o partido terá assim várias correntes, sendo a dominante, direitista, capitaneado por Isaías Samakuva. As demais correntes do Galo Negro seriam a da esquerda, dirigida por um general do terreno; e a do centro, capitaneada por Abel Chivukuvuku (que acabou por romper com a UNITA e formar um novo partido). O XIII Congresso da UNITA, realizado entre os dias 13, 14 e 15 de Novembro de 2019 foi o mais renhido da sua história, em relação à disputa da presidência.

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Concorreram 4 candidatos, todos eles dirigentes de proa do partido, como o diplomata Alcides Sakala Simões, na altura secretário para as relações internacionais, o deputado e académico José Pedro Katchiungo, na altura também vice-presidente da bancada parlamentar, José Abílio Kamalata Numa, um destacado General na reserva, o jornalista Manuel Raul Danda, na altura vice-presidente do partido e o Eng.º Adalberto Costa Júnior, então presidente da bancada parlamentar, que veio a ganhar as eleições, com pouco mais da metade dos votos. A UNITA é hoje composta por uma direcção coesa liderada por Adalberto Costa Júnior, Arlete Leona Chimbinda, primeira mulher a chegar ao cargo de vice-presidente do partido e Álvaro Daniel.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:22
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Terça-feira, 5 de Outubro de 2021
JINDUNGO. VIII

VERSÃO NOVA - *O TER-SE VANTAGEM EM TUDO*

Crónica 3200 - 01.10.2021

Por: T'Chingange, no Ribatejo do M'Puto

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Existe por aí uma filosofia não declarada de que “o mundo é dos espertos”. Esta frase sugere que passar os outros para trás é um grande negócio. Em Potugal (M'Puto), no Brasil, Angola e outros países dos PALOP's, as leis que regem o comportamento de gente no mando governamental, bancos e outras instituições públicas ou afins, no activo ou saídos delas, são desrespeitadas de tal forma que, somos obrigados a pensar estar a desonestidade no ADN de muitos. Claro que estou a rever o assunto do ex-banqueiro Rendeiro que “deu-à-sola” fugindo ao fisco e à justiça “abalroando” regras que se pensavam serem firmes para todos.

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Nos procedimentos de políticos e, gente supostamente de colarinho branco, esses verbos de mentir, furtar e roubar, são procedimentos comezinhos. Assim, esse mandamento de "não se enganem uns aos outros", é de pura ficção. Afinal, um camelo pode mesmo fugir pelo cu de uma agulha! Fugir com o rabo à seringa como Vitalino, evitando responsabilidades ou ficar com o rabo entre as pernas como Pinho, sem bazarem na forma invisível, tipo Sarmento… Enfim! Uma coisa de mandar o cumbú para paraísos fiscais a que, neste caso, deram o nome de “Pandora Papers”- Pandora, uma tal de caixinha de surpresas e também o nome de minha cadela quando eu era candengue…

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O “JEITINHO ” brasileiro, português ou angolano, torna-se assim, progressivamente num expediente criativo para forjar regras próprias com taxas, taxinhas e outros edecéteras que sempre se carregam em nosso lombo... Em geral, quem consegue levar alguma vantagem, se sente o máximo. Lamentável, noé!?

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Flexibilizando ou quebrando normas que deveriam aplicar-se a todos, essa coisa negativa de truncar a visão certa, geralmente coloca em perigo relações pessoais, sublevando no poder a equidade do dever adaptando a regra a um caso específico, por forma a deixá-la mais justa...

Precisamos parar de furar fila, pedir um atestado médico indevido, baixar músicas pirateadas, dar por fora uns dinheiros para se fazer um jeito, etc. Esta lista é quase infindável. Bem! Os velhos padrões de comportamento, tudo o indica, devem ter ficado lá no passado…

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A melhor coisa a fazer é viver pela fé, com lucros ou percas. Não adianta tentar colocar uma pedra em cima do pecado; se o que nos move é tirar proveito das situações e das pessoas, isso não passará despercebido. Cedo ou tarde, sempre haverá um observador mais atento...  Agora é o Rendeiro, o Canas e o Pinho mas tudo indica que amanhã aparecerão outros mecatrefes. Alguns até nos espantarão ficando com a boca aberta que nem chaminé de navio feito vapor transatlântico como o meu Niassa…  

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Você já percebeu que a vida depende de decisões, noé?! Bem; embora por vezes, sejamos prejudicados por sermos demasiado complacentes com a astúcia alheia ou, não denunciarmos as fraudes por forma a nos ilibarmos desse conhecimento. Desta feita, e bem, umas centenas de bons jornalistas de vários países resolveram colocar o dedo na ferida…

Desde que amanhece até quando anoitece, é uma decisão atrás da outra em cada novo dia. Algumas são comuns, e você pode se dar ao luxo de até errar, por exemplo na cor da roupa, no uso da gravata ou que meio de transporte usar, uma coisa menor. Mas, nos grandes desfalques, nessas arapucas digitais sem tocaias, se falhar, as consequências podem ser terríveis. E, é bom que assim o seja, noé! Justiça - faz falta, noé!?

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:55
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2021
KANIMAMBO - LXXVI

Crónica 3199 de 28.09.2021 - MEDITAÇÃO DE SEXTA-FEIRA

24 DE SETEMBRO - 2021- EM TEMPO DE ELEIÇÕES NO M´PUTO

- A ECOMPENSA DO CORAJOSO - Não se deixe levar pelas ondas da filosofia inebriante da BAZUCA... Vá pelas direitas!  Kanimambo é obrigado em dialecto Changana de Moçambique - Publicada em kizomba a 24.09.2021, (vésperas de eleições autárquicas)

Por: T'Chingange no AlGharb do M'Puto

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"Coragem” é uma palavra usada para caracterizar alguém arrojado, ousado e valente – qualidades necessárias a quem tem determinação e está disposto a vencer qualquer barreira para realizar seus planos. Essa palavra também pode ter uma conotação negativa e significar petulância, audácia e atrevimento, dependendo dos meios escolhidos para alcançar os objectivos.

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É muito fácil encontrar pessoas dispostas a pagar qualquer preço para obter vantagens; neste capítulo, os políticos sempre têm arte ou engenho para nos despacharem promessas. Isso é ousadia de má espécie mas, não temos outro remédio senão optarmos pelo MENOS MAU, menos ambicioso ou o que surge como o mais dentro da quadratura do nosso círculo.

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Nesta era de reactividade, de coisas esdrúxulas, não se fala muito em certo ou errado nem em pecado do corajoso. Então lá teremos de ir ver a crença para escalpelizar a noção de que não existe bem ou mal, mas uma acção adequada e dependendo das circunstâncias. Será assim, noé!?

Claro que há quem enfrente qualquer obstáculo para ajudar quem necessite;  esse tipo de pessoa, sempre é uma bênção pois que, não se satisfaz com a mediocridade, lançando-se em busca do que está mais para além da vulgaridade.

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Apesar da complexidade da vida e de nossa confusão, com as moléculas do cerebelo a dar voltas de remoinho, devemos distinguir o certo do errado, do mau e menos mau, para optar na escolha, sabendo de antemão que quase todos os políticos, se coçam para dentro, fazendo dum acto de cidadania uma forma-de-vida!

Convém saber-se que o pecado é um mal em todo o sentido da palavra extensivo à promessa fácil. Em relação a esse assunto sabemos dos livros e, como cristãos, que aquela definição que diz: “Pecado é a transgressão da Lei”- que o é, por vezes uma desregra na prática, noé!?

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Muitas vezes nos sentimos confusos pois nos parece que não é tão simples avaliar as situações para descobrir a atitude certa. Pelo sim pelo não votarei no amigo que conheço, bom chefe de família, trabalhador e que, até agora, não usou de falcatruas entre outras arbitrariedades.

Deveremos distinguir o certo do errado, como diz a Bíblia, livro que ainda me serve de padrão: saber que o pecado é um mal no verdadeiro sentido da palavra. Embora a Bíblia nos alerte: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo!”. Nós Tugas já conhecemos este fado com muitos intervenientes a gozar no bem-bom com boas reformas pelo fruto da falcatrua e, do Espírito Santo, noé!

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Esse verbo "roubar" é muito intrigante porque parece ser difícil chamar às trevas da luz, a luz de trevas, não é verdade? Como é que isso pode acontecer? Acontecendo, pois! Quando nos voltamos para nós mesmos, descobrindo que sim; é possível acontecer...

Que é possível fazermos o bem simplesmente motivados por um desejo de admiração. Isso corrompe nossa bondade. "Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: "Este é o caminho: siga-o". Não se deixe levar pelas ondas da filosofia inebriante deste tempo! Lembrem-se do "Principio de Peter" - Vote às direitas...

Nota: Hoje 28 de Setembro  de 2021, já se sabe que Lisboa mudou de mãos! Vamos ver se na tal de BAZUCA  que chamam de PRR - Plano de Resiliência, os DDT - Donos Disto Tudo, não usem da falácia  costumeira...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:16
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MOKANDA DO SOBA . CLXXXVII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIV

”OS DIAS DAS BRUXAS” – CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 3198 – 28.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

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Logo no dia a seguir à partida do Papa João Paulo II de Angola a 10 de Junho de 1992, MPLA e UNITA envolvem-se em violento combate verbal, só apaziguado com a interferência de Herman Cohen. No segundo dia da campanha eleitoral, soldados da UNITA atacam o governo provincial de Kuito. Os governamentais reagem. O incidente salda-se em 20 militares e 10 civis mortos. No mesmo dia, no Huambo, numa emboscada à caravana automóvel de Kundy Paihama, director de campanha do MPLA, falece o secretário provincial da juventude do MPLA e cinco pessoas ficam feridas com gravidade.

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Estes acontecimentos, motivam um comunicado dos observadores internacionais e membros da missão das Nações Unidas UNAVEM II, condenando a atitude do MPLA e da UNITA -Convém esclarecer que a UNAVEM I, fiscalizou a retirada das tropas expedicionárias cubanas. A 8 de Setembro de 1992, Eduardo dos Santos e Savimbi acordam no princípio da criação de um governo de unidade nacional, independentemente do resultado das eleições. Comprometem-se na extinção dos seus exércitos, antes do escrutínio. Dez dias depois aquele comprometimento, avisado pela sua representante em Angola, Margaret Anstee, Butros-Ghali envia um relatório ao Conselho de Segurança da ONU, denunciando que apenas 41% das forças armadas do governo da UNITA tinham sido desmobilizadas e apenas 19% das forças armadas unificadas tinham sido constituídas.

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O mesmo documento sublinha que o ritmo da desmobilização foi mais rápido do lado das forças governamentais – 54.747 soldados, correspondentes a 45%, contra 7.257 soldados da UNITA, correspondendo a 24%. Toda esta movimentação de vontades fica conspurcada pela má-fé de ambas as partes que não confiam em suas próprias sombras pois que sempre vem ao de cima mais de 10.000 mortes de partidários da UNITA e da FNLA que foram assassinados pelas forças do MPLA, principalmente dos grupos étnicos ovimbundos e bacongos.

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Os “3 DIAS DAS BRUXAS” sempre é relembrado com as mortes de muitos membros proeminentes da UNITA como Jeremias Chitunda, Elias Salupeto Pena e Aliceres Mango, entre muitos outros. Dia 30 de Outubro de 2021, completam-se 29 anos sobre o massacre iniciado a 30 de Outubro de 1992 na capital angolana, Luanda. Recorde-se: De 29 e 30 de Setembro de 1992 diz Filomena Lopes líder do Bloco Democrático, partido da oposição angolana: “foram naturalmente três dias horríveis", data em que se interrompeu o processo de paz em Angola. Fui apanhada de surpresa, sobretudo numa altura em que se tentava encontrar soluções políticas para o problema.

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Filomena diz: - “Matava-se tudo. Matavam-se todos os que tivessem alguma ligação com a oposição. ”Milhares de apoiantes e até dirigentes da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA) são assassinados em Luanda e em outras localidades do país. Também há vítimas da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). “É a primeira vez, na história da guerra civil angolana, que políticos morrem em combate”, escreve o jornalista Emídio Fernando no livro Jonas Savimbi, “No Lado errado da História”.

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Até hoje - 2021, permanece por esclarecer quem ordenou o massacre. O número de vítimas também nunca foi confirmado, mas estima-se que tenham morrido entre 10 mil e 50 mil pessoas. Outros gráficos, baseadas em números da Igreja Católica, estimam que foram mortos de 25.000 a 40.000 partidários da UNITA e da FNLA. Números que Mário Pinto de Andrade, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), contesta: “Acho que, às vezes, a comunidade internacional empola. Houve uma manipulação desses resultados. Eventualmente fala-se das pessoas que morreram pela UNITA, mas também morreu muita gente pelo lado do governo. A UNITA quando ocupou o Uíge matou muita gente do MPLA e quando ocupou o Huambo, fez o mesmo.”

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Nem o candidato do MPLA, José Eduardo dos Santos, nem o seu adversário, Jonas Savimbi, da UNITA, conseguiram maioria absoluta nas presidenciais. Mas, a segunda volta nunca se realizou. A guerra civil reacendeu-se com o massacre e, prolongar-se-ia até quatro de Abril de 2002. O massacre dizimou muitos membros dos grupos étnicos Ovimbundu e Bakongo, historicamente tidos como adversários do MPLA. O jornalista e analista político Orlando Castro afirma que, nessa altura, o MPLA tentou “neutralizar todos os que pensavam de maneira diferente do regime”.

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“Foi uma nova tentativa de decapitar a UNITA. Orlando Castro conta: "Na história do MPLA, os massacres, ou as purgas, ou o que se lhe quiser chamar, são uma regra estratégica do regime, mesmo até para os próprios simpatizantes do MPLA”. Essa prática vem-se verificando até aos dias de hoje segundo muitas versões contadas aqui e ali, em livros ou crónicas nos jornais e redes sociais e, até por gente fugida ao sistema que sempre acusam o MPLA na utilização de venenos para eliminar parceiros ou amigos considerados insuspeitos. Quem lê o “Fórum de Liberdade” nas redes sociais de Fernando Vumby exilado na Alemanha, um antigo elemento da DISA - a polícia política do governo de Agostinho Neto, fica com os cabelos em pé.

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O tema ainda é tabu em Angola e desconhecido por muito jovens. Daí a importância de uma boa estratégia de reconciliação, desde que não se branqueie a verdade, defende Orlando Castro: “Estes massacres são os mais visíveis, quer o de 27 de Maio de 1977, quer o de 1992, são os mais visíveis pelo número de vítimas, mas o MPLA tem muitas outras histórias porque ao longo da guerra – embora a UNITA obviamente também tenha cometido grandes erros – o MPLA, até pelo poder militar que tinha, massacrou muita gente inocente.

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Os jovens não conhecem esta história. E, a paz e reconciliação em Angola nunca se conseguirão com base na mentira”. Mário Pinto de Andrade recorda: “ninguém pode negar a História, mas tem de se falar com realismo. Apesar de Angola ter um grande potencial em recursos hídricos, nem toda a gente tem acesso a água e energia no país. O governo angolano quer mudar isso e está também aberto a cooperar com Portugal; assim se falava a em Outubro de.2012; o que mudou mesmo foi  o ressurgir de novas formas de roubar ao erário publico destroçando paulatinamente a economia e levando o povo ao desemprego, sobrevivendo da forma triste em rebuscar nas lixeiras, caixotes de lixo e coisas nauseabundas que só abutres praticam…  

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:53
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXVI

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIII

”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”  TRAGÉDIA ANUNCIADA COM CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 3197 – 27.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em Março de 1992, representantes da Amnistia Internacional visitaram Angola lançando um apelo para a protecção dos direitos humanos – “Na ausência de providências imediatas para impedir novos assassinatos, verificava-se uma escalada da violência que vinha a pôr em risco os acordos de paz”. Crimes cometidos, nunca castigados, segundo pesquisa na imprensa angolana e portuguesa: Pelos governamentais, a morte de seis pessoas, numa manifestação pacífica de apoio aos separatistas de Cabinda, em 1991.

Ainda em Cabinda, no mesmo ano verifica-se a execução a tiro do diácono Arão. Também em Luanda, ocorre o assassinato do piloto governamental Sampaio Raimundo, pelo guarda-costas de um oficial da UNITA. No corrente ano de 1992, a morte de quatro oficiais da Força Aérea angolana, por membros da UNITA – dois deles, enterrados vivos, um queimado, outro espancado. Dá-se a morte de nove membros da UNITA, entre os quais o tenente José Segundo, na Província de Benguela, segundo representante da UNITA em uma comissão da CCPM - Comissão Conjunta Politico Militar. O mesmo, foi alvejado por um civil e por um outro com uniforme das FAPLA, em Junho do passado ano. Àquelas mortes, nenhuma investigação foi feita.

cronXXIII-5.jpg Dá-se o assassinato do representante da UNITA em Malange, coronel Pedro Makanga, vingado logo a seguir, com o assassinato de um tenente-coronel das FAPLA. Era esta a onda de insanidade e falta de rigor na fiscalização e ordem do território e, dizer-se por isso, estar-se a caminhar para uma tragédia anunciada, sem ter ninguém ou entidade fidedigna para superar com justiça quaisquer arbitrariedades. Na Província da Huíla dá-se assassinato de quatro turistas; este episódio transforma-se em mais um incidente político, quando Jonas Savimbi anuncia que prendera Celestino Sapalo, um agente de segurança governamental, por suspeita dos crimes. A ONU, vem a concluir que os crimes haviam sido cometidos pela tropa da UNITA; esta, concorda em permitir o interrogatório a Sapalo por uma comissão conjunta de inquérito, formada por seus representantes e do governo, mas isso nunca aconteceu.

cronXXIII-0.jpg Dá-se aqui conhecimento de várias altercações que um pouco por toda a Angola se vão verificando, para que se tenha uma ideia melhor formatada do todo o ambiente social em efervescência expectante da paz que, não chega… Em Cabo Ledo, arredores de Luanda, ocorre a morte por assassinato de uma família portuguesa. O governo apresenta um presumível autor dos crimes que anuncia ter actuado a mando da UNITA, por dinheiro e, embora tudo apontasse ser uma manobra política do MPLA, nenhuma investigação viria a ser feita. Por sete dias o Papa João Paulo II visita Angola, tendo-se despedido a 10 de Junho de 1992 do povo angolano no Aeroporto de Luanda e, tendo na primeira linha um grupo de escuteiros em fila.

cronXXIII-3.jpg O Papa João Paulo II junto de José Eduardo dos Santos, presta honras militares; arcebispos e bispos, em representação de vários países africanos; crianças com camisolas impressas com fotografia do Papa João Paulo II; O Papa João Paulo ao fazer discurso de despedida dá antecipadamente a bênção para um bom entendimento entre irmãos desavindos, o que teimará em não se verificar. As eleições gerais angolanas ocorreram nos dias 29 e 30 de Setembro de 1992 para eleger o Presidente da República e a Assembleia Nacional. Foram as primeiras eleições multipartidárias, supostamente democráticas e livres realizadas no país. Ocorreram na sequência da assinatura dos Acordos de Bicesse de 31 de maio de 1991, que pretendia pôr fim ao impasse militar com mais de dezassete anos.

O MPLA ganha as duas eleições; no entanto, os oito partidos de oposição, em particular a UNITA, rejeitaram os resultados como fraudulentos, o que se veio a verificar posteriormente segundo relatos de ocorrências, por impedimentos de fiscalização, destruição de urnas ou, por trâmites com bizarrias inconsequentes. Como resultado, a guerra civil seria retomada. Alguns milhares a dezenas de milhares de membros da UNITA ou apoiantes em todo o país seriam mortos pelas forças do MPLA em poucos dias, no que é conhecido como o MASSACRE DO DIA DAS BRUXAS, também conhecido como o Massacre de Outubro, referindo-se aos eventos que ocorreram de 30 de Outubro a 1 de Novembro de 1992 em Luanda, já como parte da Guerra Civil Angolana.

cronXXIII-2.jpg O massacre aconteceu após as primeiras eleições da história do país. O partido governante, o MPLA, reivindicou a vitória. A UNITA, questionou a equidade das eleições, apresentando provas das anomalias mas, a Comunidade Internacional e os países dos PALOPS assobiaram para o lado; era no Mundo, o início do barlavento esquerdista com a postura moderada de socialista! Podemos agora e à distância, ver a grande imagem, tomando como exemplo o ”Fórum de S. Paulo”- uma organização que reúne partidos políticos e organizações de esquerda, criada em 1990 para promover mudanças à esquerda com a capa suave de "neoliberais” como Cuba, Venezuela, Bolívia, Argentina entre outros…

Uma vez que nem o candidato do MPLA nem o candidato da UNITA obtiveram a maioria absoluta requerida nas eleições presidenciais, uma segunda volta seria necessária de acordo com a constituição mas, à medida que ambas as partes intensificaram a retórica da guerra, o MPLA ataca posições da UNITA em Luanda. Seguiram-se combates que levaram à morte de muitos membros proeminentes da UNITA como Jeremias Chitunda, Elias Salupeto Pena e Aliceres Mango Alicerces, que foram retirados do seu veículo e mortos a tiros. Milhares de eleitores da UNITA e da Frente Nacional de Libertação de Angola, FNLA,  foram massacrados em todo o país pelas forças do MPLA ao longo de três dias…

cronXXIII-4.jpg Em um atentado no Huambo, é assassinado o poeta Fernando Franco Marcelino. Neste atentado é ferido com gravidade a poetiza Zaida Daskalos. O “Terra Angolana” – o jornal da UNITA, em sua edição de 31 de Outubro, atribui ao MPLA a autoria deste crime, o que é duvidoso pois que eram pessoas muito conhecidas em Angola e, desde sempre ligadas ao MPLA. Neste meio tempo é também assassinado no Huambo o médico e escritor David Bernardino, homem ligado à esquerda pelo Movimento Democrático do Huambo – um apêndice do MPLA desde o seu nascimento…    

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:27
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXV

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXII

–”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO” – Tragédia anunciada

Crónica 319619.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em carta datada de 11 de Março de 1992 destinada ao Secretário de Estado Norte-Americano James Backer, Jonas Savimbi admitiu as execuções de Pedro N´Gueve Jonatão Chingunji, “Tito” - delegado da UNITA nos E.U.A. e de Fernando Wilson, delegado da UNITA em Lisboa, assim como toda a família, de ambos e, respectivos guardas pessoais, por via de “actos de alta traição” e, após julgamento. Ainda declara que haviam sido mortos em 1991 e não em 1992. A Amnistia Internacional contesta a Comissão de Inquérito da UNITA, fazendo saber ao movimento, que a mesma não obedecera aos “critérios geralmente aceites de independência e imparcialidade”.

Na carta dirigida a Backer, Savimbi acusou “Tito” e Fernando Wilson de pretenderem envenena-lo: “Depois do regresso à Jamba, a 11 de Novembro de 1988, promovi um encontro entre nós e, alguns de seus amigos para discutirmos o que se falava. Tito confessou que pretendia derrubar-me ou envenenar-me com um tipo de veneno de camaleão bem conhecido pelos angolanos”. “Na altura em que a estória emergiu, “Tito” que nomeou Wilson como conspirador, estava convencido de que um acordo poderia ser fechado com o MPLA, se eu fosse afastado.

kuito1.jpg Entretanto a UNITA chamava de “criminosos de guerra” a Almeida Santos, António Guterres, Jaime Gama e Durão Barroso. Em 1988, no Palácio de Belém, Mário Soares, na qualidade de Presidente da República, agracia com a Ordem do Infante Dom Henrique o empresário Horácio Roque, cuja mulher, Fátima Roque, acompanha Savimbi num périplo por vários países. Só em 1992, pela primeira vez, é que João Soares se demarca de Savimbi ao certificar-se de que este mandara fuzilar os dirigentes da UNITA Tito Chingunji e Wilson dos Santos.

Tito e uns quantos mais – entre eles Fred Bridgeland, um britânico, autor da biografia oficial de Savimbi e autor de outros artigos, denunciava a crueldade, associada a eventuais desvios mentais de Jonas Savimbi, e também uma tal de Olga Mundombe, estudante da UNITA nos EUA, e recentemente afastada do movimento – desenvolveram um plano para destruir a minha reputação, alegando violações dos direitos humanos com uso de drogas, numa tentativa de criar um clima favorável a “Tito” para tomar a presidência.

 bicesse2.jpgO plano alternativo era envenenar-me na Jamba e arregimentar jovens e outros indecisos à sua suposta bandeira. “A situação fica particularmente delicada porque “Tito” alegou que o seu plano beneficiava de apoio actuante da CIA”. São desconhecidas as movimentações de Backer mas, é conhecida a carta que o presidente e vice-presidente da “Senate Select Committee on Intelligence”, respectivamente David Boren e Frank Murkowski, enviaram a George Bush: “Os nossos membros estão profundamente preocupados com as repetidas acusações de abusos dos direitos humanos em Angola e, em particular, às mortes de Tito Chingunji, Wilson dos Santos e suas famílias.

Podemos nunca saber quem foram os responsáveis por estes crimes, mas o Dr. Savimbi tem de aceitar a responsabilidade pelo facto de terem ocorrido na jurisdição controlada pela sua organização politica e militar. O facto de estes acontecimentos, terem acontecido depois da paz ter chegado a Angola, deixa-nos apreensivos. Espera-se por isso que certas e especificas acções sejam tomadas por ele, Jonas Savimbi que comanda o movimento UNITA.

ong5.jpeg Com o título de Galo Negro em inglês (“The Black Cockerel”), existe uma peça teatral sobre Savimbi, da autoria do nigeriano Ademola Bello, o primeiro africano a obter um mestrado em arte dramática pela Universidade de New York.“The Black Cockerel” estreou em Junho de 2008 numa encenação da companhia do Out North Theatre de Anchorage, Alaska, onde o autor reside; esteve longe de ser um sucesso, mas teve pelo menos o mérito de atrair o interesse de Hollywood para a vida de um dos maiores líderes africanos. A acção da peça decorre entre 1985 e 1992 e os personagens são Savimbi e Tito Chingunji, secretário dos Negócios Estrangeiros da UNITA entre 1980 e 1990 e representante do movimento em Washington e o americano Jack Abramoff, lobista ligado ao Partido Republicano e que conseguiu que Savimbi fosse recebido com passadeira vermelha na Casa Branca.

Estando eu na odisseia da diáspora “ Kikas Xirikwata” por terras de Ovoboland e, no final do ano de 2014 no alpendre de soalho e tecto em madeira da Guest House Willtop de Vanda Potgieter, pude repensar em fim de tarde os últimos dias percorridos entre Okavango na Faixa de Kaprivi e os desertos de Swakopmund, pelas quenturas agrestes dos morros de Ozakos e Kiribib. Pude rever esta matéria com “João Miranda”, o chefe dos khoisans do batalhão Búfalo, quando da invasão a Angola naqueles primeiros tempos da invasão Sul-Africana.

guerra19.jpg Também senti um desassossego de excitação inquieta nos porquês mal respondidos e, que só África nos transmite; há fogos em guerrilhas escondidas com vinganças incompreendidas, queixas e gemidos, quiçá chorando nova dores, quebrando os hábitos dum quotidiano em noites de espaços perdidos. O que foi e, como foi que aconteceu é uma ideia que sempre nos acode e adianta ao acontecido. África é imprevisível na soma de angústias, incêndios com sinais de pavor, traficâncias com segredos de podridão. Deus não se vai fiar em qualquer um, por muito boas que sejam a recomendações. Esta temeridade advém de coincidências da África, de guerras subterrâneas do poder, do branco e do preto, das coisas que dão zebra.

São coisas dos últimos e antigos tempos e, embora seja cruel deixar os kotas velhos sem resposta, as pessoas, genericamente, não escolhem as sombras que têm e, também o amanhã que não pertence a ninguém! Isto acontece no “This is África”! Lugar, aonde tudo é possível.  Na voz do bom senso, terei de esperar o amanhã, sem mais nada ter que fazer e, em paz, divorciar-me de mim, dando a chave do cofre ao mestre da charrua da vida. E, porque foi que vim aqui, se não era necessário afastarmo-nos tanto, a um lugar tendo por testemunho absoluto o céu que nos cobre, para onde quer que se vá.

xiricuata2.jpg Como podemos nós acrescentar à ciência o entendimento de simplicidades tão abrangentes; uma mão amiga! As pedras surdas e mudas que não podem testemunhar porque elas têm seu próprio destino, transformar-se em pó, e nós, em coisa nenhuma. Para provar que o que tem de acontecer acontecerá, haverá sempre um milagre a alterar o curso do destino, pequeno grande! Desta feita tem o nome de “Kikas Xirikwata”, no feminino, que move vontades e ternuras a alterar este simples destino, seu toque milagreiro de bem-haja, pequenas grandes coisas que fazem a diferença!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:13
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Domingo, 19 de Setembro de 2021
CAZUMBI . LXXI
NAS FRINCHA DO TEMPO BILHETE DO ASTROLOGO ALADJE 
- Sonhajando a felicidade com Ongweva (saudade) - Crónica 3195 – 19.09.2021

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Por   soba k.jpg T´Chingange no AlGharb do M´Puto

O papel branco formatado num pequeno quadrado, cheio de letras e arabescos nos quatro cantos, surgiu de mistério seguro pela escova no para brisas do carro. Coisas de espiritualista avulso e vidente. No canto do topo tinha uma crescente lua no lado direito com estrela a acompanhar; da direita, a lua era decrescente e também tinha uma estrela ao lado. Guardei e li, uma literatura como que saindo de um afamado cientista, espiritualista e também curandeiro.

kimbanda1.jpg Para imprimir grandiosidade diz o “fulano” ser descendente de uma antiga e rica família com poderes. Diz ser um mestre conceituado na Magia Negra e Branca, originário dos impérios do mal, do Senegal, da Gâmbia e Guine-Conacri e Angola. Um grande signatário coordenador dos impérios daquele tal mal, mesmo das lonjuras de muitos anos…

Conhecedor de casos desesperados, requerendo ajuda e conselhos em qualquer problema, grande ou de difícil solução. Diz que tudo é feito em rapidez e sabedoria nos assuntos de amores, insucessos, depressão, saúde, negócios, impotência sexual, mau-olhado, invejas trancadas e atravessadas e, todo o tipo de doenças…

kimbanda3.jpg Este quadrado exíguo para tantas e, relevantes tarefas de pirilampo, ainda arranja e mantêm emprego, aproximação ou afastamento de pessoas amadas. Ué! Com enfado muito carregado de curiosidade, de texto longo, leio ainda que também lê a sorte pelo bom espirito com seu forte talismã; faz trabalhos à distância afirmando ser conhecido por toda a europa e áfrica.

Seu horário é de entre as 8 horas e 30 minutos e as 20 Horas. Nos cantos inferiores, esquerdo e direito, tem duas lamparinas de Alibabá; assim termina seu “patuá” indicando seus dois telefones portáteis e um fixo. Cumcamano, fiquei assim estupefeito com tantas alvissaras penduradas em seu carisma de Kimbanda…

saramargo01.jpg Desta feita verifico ser este “Aladje” muito superior ao nosso Primeiro-Ministro de nome António Costa. Deveria ser assessor deste “nosso” compatriota para acudir às mazelas do M´Puto pois que sua “lábia” é bem oleada nas muitas difíceis engrenagens do optimismo… Suas entidades vibram nas matas, cemitérios e encruzilhadas, com o "Povo da Rua" abrangendo os mensageiros ou guardiões (é dos livros…)

Estou a ver-me tirando uma senha a fim de ficar depenado nos trinques, talqualmente fazem os muitos políticos de “nosso” rectângulo. Mas, ele, há coisas… afinando as pestanas vê-se que é para além de um bom candidato a politico, um bom homem de ética apurada, enfim, um bom republicano, socialista…

sacag11.jpg Perante esta mokanda, acho que o espírito da gente é cavalo que relincha e até escolhe estrada. Que quando numa de para tristeza, e morte, vai não vendo o que é bonito e bom; seja!? Contando assim este episódio de quase resiliência, coloco até minha sobrada amizade, assim mesmo, um pouco para ele singrar, pois surge do nada em criatura de simples coração que em verdade, me fez desacreditar que o inferno é mesmo possível! Ainda estou sonhajando…

Nota: Sonhajando: - Viajar com sonho…
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:51
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2021
KAZUMBI . LXX

MOKANDA DA LUUA – KAPIANGO AIUÉ - Luanda do Mu Ukulu Era uma vez...

- Crónica 3194 – 16.09.2021  - Kinguilas, as fugitivas da Independência - IV de IV – Crónica esquecida na espera da fila bicha do malembelembe do KAPOSSOKA…

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Por soba k.jpgSoba T´Chingange no AlGharb do M´Puto

LUUA DOS VELHOS TEMPOS… A Baixa de Luanda, sem a Marginal não teria norte, já não tem o Porto Pesqueiro frente ao Banco Nacional, nem o Mercado Municipal. Mas ainda tem a Alfândega, a Marinha e a Polícia, convivendo com arranha-céus dignos de um Abu Dabi, com auto-saneamento e auto-energia, onde vivem ou trabalham exemplares da classe alta burocrática, despachando com tranquilidade os expedientes, porque aqui não há pressa para nada.

Para o interior, as ruínas dos armazéns do Minho, onde as senhoras brancas iam comprar tecidos e vestidos, um mundo que se extinguiu, só sobrou o Mabílio Albuquerque que vende “coisas”. A Baixa de Luanda é um extenso e intenso “musseque”, tudo está ocupado, parece que as poucas árvores poluem, cortam-se, ocupam lugares que podem ser rentabilizados pelos miúdos vindos do fim do mundo e que tomaram conta das ruas durante o dia, arrumando e lavando os carros, com “puxadas” de água gratuita da EPAL.

Rainha N'Zinga, a estátua, enorme, jaz à entrada da fortaleza, à espera que os arranha-céus do Kinaxixi, onde eu já vi uma grande lagoa com uma mafumeira e um majestático mercado de frescos verdadeiros, vindos das hortas da cintura de Luanda, sejam pagos, um dia, um dia, como os portugueses dizem, de “são nunca”.

kissan2.jpg Avenida Rainha N'Zinga, que podia ser uma metrópole, mas que em dias de enxurradas se transforma em rio lamacento, lançando água na Baía, rua da dança capoeira dos domingos à tarde, dos candongueiros para os “congolé”, das zungueiras em frente da Sé, que deixou se ser Sé, mas mantém a travessa, vendendo fruta, tamarindos, maçãs da índia, loengos, gajajas, caju, mangas, mulheres sem sorriso sentando no fio do muro ou na pedra para endurecer os interiores, fugindo, fugindo dos fiscais da Administração, submissas, a sua mente se organizou há muito, netas dos rusgados dos cipaios do chefe do posto Poeira.

As galerias Kibabo abriram onde era a antiga, luxuosa e branca Versalhes, agora também dirigidas por brancos, um mundo de compra e venda de tudo: plásticos baratos, pequenos empregos que mal dão para apanhar o candongueiro. Mas a actividade comercial atraiu também um enxame de rapazes sujos, de cabelos com trancinhas a ficar russas, que enfrentam tudo e todos os poderes para ficarem na porta, pedindo esmola para o pão ou para os pais ou para outras coisas.

kissan4.jpg Há muito, muito tempo, a Baixa era apropriação de uma parte da população branca. A população negra vinha dos bairros, a pé ou de autocarro, trabalhar nas fábricas, nas lojas e nas casas. Muita gente passava a correr pela pensão Fomentadora, no Kinaxixi, para comer uma grande sandes de peixe frito e uma grande caneca de café muito açucarado. Coisas Pré-Históricas.

No dia da Independência, no próprio dia, a Baixa transfigurou-se, parecia não existir, nem uma só alma nas ruas, sentia-se medo pela solidão, tinha sido o mundo dos brancos, que de repente foram embora.

Quem primeiro se apropriou nos novos tempos da Luanda africana foram os “regressados do Zaire”, invadiram tudo, criaram a venda parada no chão das ruas, não era raro encontrá-los na Mutamba, de manhã, em pijama, na rua. Todo o mundo queria sair dos bairros e viver na cidade do asfalto. Mas era um mundo estranho, não era do povo, era algo que se plantou ali, vindo de fora.

kissan6.jpg Ué... Que futuro? Sem transportes públicos, sem uma malha comercial digna desse nome, sem saneamento básico conhecido, com escassos minimercados, sem um mercado de frescos, nem sequer uma livraria digna desse nome, a Baixa, e sobretudo a sua parte central, a extensa avenida Rainha N'Zinga é a parente pobre da Marginal, reconstruída e embelezada pela Independência.

Aí coexistem as classes mais altas e as mais baixas, como dois mundos intocáveis. A degradação do entaipado prédio do antigo “Diário de Luanda” contraria os arranha-céus de vidro, que parecem redomas extraterrestres numa Luanda que precisa de ar, de vento, de céu. Nos becos, também há becos e contrabecos desaguando na Rainha, mil negócios silenciosos. A liamba instalou-se num trono de que não abdica, imperando nos lados dos degradados Coqueiros, outrora coqueluche dos brancos.

banco de angola1.jpg Há um plano director, dizem, mas tudo tem plano director em Angola, tudo tem “desiderato” e tudo vai acontecer “brevemente”. O futuro é, pois uma incógnita, como o “X” de uma equação simples, mas que se complica pela incompetência, pelo laxismo, pela corrupção transversal à sociedade. Por trás de um aparente modernismo, toda esta vasta zona, outrora “chique”, alberga centenas de milhares de pessoas em cada canto, casebres construídos dentro de outros casebres.

Já não há terminal de autocarros digno desse nome na Mutamba. O poder agora é dos candongueiros e dos “corolas”, pão e cerveja de muitos lares. Em plena Rainha N'Zinga, sim, funciona a “Mutamba”, na esquina frente à Embaixada da Guiné, candongueiros de e, para os subúrbios. Tentaram “colocar” mini-autocarros, mas só os vi um dia.

koisan5.jpg O que vai acontecer a tantos edifícios degradados no tempo colonial? Como será a cidade de Luanda daqui a 20 anos? O futuro a quem pertence? Quem agarra nele com coragem e sem medo? Os “velhos luandenses” estão em risco de extinção. Em seu lugar, uma multidão dessincronizada de jovens, “por enquanto jovens”, imigrantes, vindos de todo o lado, que de Luanda só sabem que têm de ganhar o pão nosso de cada dia e, utopicamente, um emprego...

FIM

T´Chingange na Diáspora dos AlGharb´s  do M´Puto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:23
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2021
FRATERNIDADES . CXXXIII

11 DE SETEMBRO e as TORRES GÉMEAS dos EUA

Crónica 3193 de 11.09.2021 - *Aonde estava Deus naquele dia?*

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Por soba02.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Nenhum atentado causou mais impacto no Mundo do que o do dia 11 de Setembro de 2001, quando duas torres em Nova Iorque foram atingidas por dois aviões sequestrados e pilotados por terroristas suicidas. O estrago foi imenso; o prejuízo em vidas, incalculável e o mundo passou a viver uma era sob o impacto do terror. Nessas horas, uma pergunta se fez a nós mesmos: Por que Deus permitiu aquela tragédia? Onde estava Ele? Por que não fez nada? Ele tem culpa por não intervir?

roxo135.jpg Bom! Dias depois do desastre, a filha dum pastor, Billy Graham foi entrevistada no programa Early Show, em Nova Iorque, e respondeu à seguinte pergunta: “Como Deus permitiu que isso acontecesse?” Anne Graham deu uma resposta extremamente profunda e sábia: Creio que Deus ficou muito triste com o que aconteceu naquele fatídico dia, tanto, quanto nós. Por muitos anos, temos dito a Deus para que não interfira em nossas escolhas, para que saia de nossas vidas. Sendo cavalheiro que é, creio que Ele, respeitosamente saiu. Como podemos então esperar que nos dê a bênção e protecção se exigimos que Ele não se se envolva connosco?”

Os políticos, em sua maioria, dizem-se ateus ou agnósticos, remetendo-O para o isolamento, uma prisão sem grades físicas ou temporais dispensando até seus valores; ao invés disto dizem-se gays com orgulho sem o parecerem, inibidos em quanto baste... De repente ficamos sem chão, porque num repentinamente corremos riscos de "anormalidade", isto no sentido de sermos diferentes...

roxo137.jpg Nossos filhos vão para as universidades, entram homens e saem mulheres ou entram mulheres e saem homens sem preservar aqueles valores enaltecedores. Claro que generalizo isto mas felizmente ainda não é um conceito maioritário (até ver…) mas, no entanto esta postura, inibe-nos por silêncio, para não corrermos o risco de nos chamarem de preconceituosos, antiquados e outros edecéteras...

O problema do ser humano é que deseja paz, amor, justiça e respeito ao seu jeito jeitoso de modo próprio; assim deve ou deveria ser, noé!? Ele, o tal de Nosso Senhor, também não quer violência, guerras nem egoísmo. No entanto, se essas coisas são alcançadas somente com Deus, então fica claro: o ser humano quer as bênçãos divinas, mas regeita-O em ensinamentos. Não quer reconhecer que necessita Dele; prosápia pura de alguém que o diz por altruísmo torpe.

roxo103.jpg A Bíblia nos alerta, de que “como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem. Pois nos dias anteriores ao Dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, portando-se como cachorros, sem lei-nem-roque e até ao dia em que Noé entrou na arca”…

roxo27.jpg Não há problema algum em comer, beber ou casar-se, o erro está em fazer isso longe dos conceitos de civilidade de Deus. Desejar as bênçãos Dele, implica em andar em seus caminhos. Envolver-se com Ele significa seguir Suas orientações, obedecer a Suas leis e submeter-se a Seus cuidados. Só assim daremos liberdade a Deus para nos proteger e agir como se deseja.

Imagens aleatorias de Assunção Roxo

Feliz Domingo e todo o resto de Setembro ...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:03
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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXIV

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXI

ACORDO DE BICESSE - 30 DE MAIO DE 1991

–”O CESSAR-FOGO” - Crónica 3192 – 13.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por   soba02.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Após 15 anos de permanência em Angola, o último soldado cubano retorna à ilha no mês de Maio de 1991. Teremos aqui de fazer um curto desvio para descrever seu regresso e, de forma sucinta dar detalhes do que então se passou: Na madrugada de 14 de julho de 1989, o general Arnaldo Tomás Ochoa Sánchez o herói chefe das forças expedicionárias em Angola, a terceira figura militar mais poderosa da ilha de Cuba, depois do Comandante em Chefe Fidel Castro e do General Raúl Castro é fuzilado pelo crime de traição. O que se esperava ser uma verificação de antecedentes de rotina antes do anúncio, o governo acusou Ochoa de corrupção, na venda de diamantes e marfim de Angola e a apropriação indevida de armas na Nicarágua.

À medida que a investigação prosseguia, foram encontradas ligações com outros militares e funcionários do Ministério do Interior cubano que estavam envolvidos em crimes ainda mais graves: receber suborno de traficantes de drogas da América do Sul em troca de deixá-los usar as águas territoriais cubanas para colecta de drogas. O general Raúl Castro, que era muito próximo de Ochoa pediu várias vezes a Ochoa para confessar, revelar tudo, para que eles pudessem seguir em frente. Quando Ochoa se recusou a cooperar, em 12 de Junho, o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias anunciou sua prisão e investigação por graves actos de corrupção, uso desonesto de recursos económicos e cumplicidade no tráfico de drogas.

Ochoa2.jpg Ochoa foi colocado atrás das grades por um mês na base militar de Reloj Club Boinas Rojas. Durante este mesmo período, Patricio e Tony de la Guardia e outros foram presos e acusados, ​​também. Seu julgamento pelo Tribunal de Honra Militar, que forneceu ampla evidência dos crimes cometidos, incluindo datas, locais, quantias em dinheiro e drogas envolvidas, junto com os crimes menores de contrabando de diamantes e marfim para venda, foi exibido na televisão caribenha. O Tribunal Militar considerou-o culpado de todas as acusações, incluindo o crime capital de traição. Os promotores apresentaram evidências de que pelo menos um piloto envolvido na transferência de drogas foi contratado pela CIA e, argumentou que se o governo dos Estados Unidos em vez do governo cubano tivesse descoberto e revelado o envolvimento de militares cubanos de alto escalão no narcotráfico, isso teria fornecido uma desculpa para invadirem Cuba.

Menos de um ano depois, os EUA invadiram o Panamá usando o envolvimento de Noriega no tráfico de drogas como justificativa. Alternativamente, eles presumiram, se Cuba tivesse ido na frente e nomeado o General Ochoa como Chefe do Exército Ocidental, os EUA estariam em uma boa posição para chantagear e controlar uma das pessoas mais responsáveis ​​pela segurança do país. Quatro dos réus, incluindo Ochoa e Tony de la Guardia, foram condenados à morte pelo crime de traição. O regime vigente alegou que não apenas traíram o alto nível de confiança do governo e do povo cubano, declarou a Corte, mas colocaram todo o país em perigo por suas acções. Creio ter sido esta razão (entre outras…) de levar á morte o considerado herói Ochoa para salvar Cuba de um assalto humilhante pela forças dos Estados Unidos da América.

ochoa3.jpg O Conselho de Estado confirmou por unanimidade as condenações e a pena de morte. As acusações, condenações e sentenças de morte foram extremamente desagradáveis ​​para grande parte da população cubana, especialmente no caso de Arnaldo Ochoa, que foi considerado pela maioria das pessoas em Cuba um dos mais respeitados generais das Forças Armadas cubanas. Na madrugada de 14 de julho de 1989, Ochoa foi executado por um pelotão de fuzilamento na base militar "Tropas Especiales" em Baracoa, no oeste de Havana. Um relato amplamente reconhecido, conta como ele pediu para não ser vendado e para dar ele mesmo o comando ao pelotão de fuzilamento. Ambos os desejos foram atendidos.

Voltamos assim aos anos de oiro da diplomacia portuguesa comemorando em Março de 1990 a independência da Namíbia. Durão Barroso tem o primeiro encontro a sós com o presidente Dos Santos. Começa a desenhar-se o papel mediado de Portugal (M´Puto) na placa giratória que conduziu a Bicesse. O Prof. Cavaco Silva vai a S. Tomé encontrar-se com Eduardo Dos Santos e desloca-se a Paris para dialogar com Jonas Savimbi. Durão Barroso inicia viagens a Luanda e Washington; dois elementos do seu gabinete, António Monteiro e José Queirós de Ataíde, desdobram-se em contactos e esforços.

bicesse1.jpg Em 24 e 25 de Abril de 1990, dá-se o primeiro encontro das partes sob mediação portuguesa em Évora. De 16 a 18 de Junho de 1990 dá-se a segunda ronda negocial, no Forte de S. Julião da Barra, Oeiras. Discute-se a formação do futuro exército único de Angola e fiscalização do cessar-fogo. Durão Barroso afirma na altura: “ Os méritos ou desaires das negociações cabem exclusivamente aos angolanos”. A 23 de Julho de 1990, Jeffrey Davidow, subsecretário do gabinete de Cohen, encontra-se com Dos Santos. Logo a seguir, o governo angolano desencadeia uma ofensiva diplomática encabeçada por Venâncio de Moura e, pela primeira vez, em mais de quinze anos, fala da UNITA empregando a expressão “nossos irmãos”, em vez de “fantoches”.

nujoma0.jpg A terceira ronda negocial verifica-se entre 27 e 28 de Agosto de 1990, no Instituto de Altos Estudos Militares em Pedrouços. A 8 de Setembro chega a Lisboa o secretário de Estado norte-americano para os Assuntos Africanos, Herman Cohen confirmando-se assim a presença norte-americana nas conversações. De 24 a 27 de Setembro dá-se início à quarta ronda negocial na Base Aérea de Sintra. Pela primeira vez, com a presença dos observadores americano e soviético. A 22 de Outubro, Cohen volta a Lisboa para participar na discussão de um documento dirigido às partes angolanas, no qual se busca obter o consenso sobre pontos essenciais dos acordos de paz.

Ochoa + Otelo3.jpg No dia seguinte, Durão Barroso recebe uma delegação sul-africana chefiada por Rusty Evans, chefe do departamento de Assuntos Africanos do Ministério dos Negócios Estrangeiros para “análise de assuntos da África Austral”, tal como foi justificado. A quinta ronda negocial tem lugar na Escola de Hotelaria de Bicesse, No dia 21 deste mês, Durão Barroso afirma: “ Deparou-se com um ciclo vicioso. Não se avança nas questões politicam porque é necessário garantias militares e, não se avança no cessar-fogo, porque não há garantias políticas”. Em Dezembro, em Washington, há um encontro entre Chevardnaze e James Backer. A participação soviética está garantida.

luderitz14.jpg Em Janeiro de 1991, em conferência de imprensa em Washington, Cohen afirma que “um cessar-fogo para Angola, será possível dentro de dois meses, as eleições realizar-se-ão dentro de dois anos”. A UNITA contesta e propõe eleições no prazo de seis meses, após o cessar-fogo. O MPLA, avança três anos. Apraza-se ano e meio, mais ou menos, para agradar a ambos. A seis de Fevereiro de 1991, data prevista para a sexta ronda negocial, acaba por não se realizar. As discussões posteriores assentam em encontros exploratórios e, num documento elaborado numa reunião tripartida da mediação portuguesa com os observadores americano e soviético. Finalmente a 30 de Maio de 1991 dá-se a assinatura dos acordos de Bicesse. Em Angola, continuam os combates, com a UNITA tentando ocupar as cidades de Luena e Waku-Kungo, antiga Cela. Luena esteve sujeita a 45 dias de cerco e bombardeamentos diários.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:46
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Domingo, 12 de Setembro de 2021
MUGIMBO . CXXVII

Crónica 3191 de 12.09.2021 - *PRIORIDADE MÁXIMA*

 - Cada um de nós deveria ter uma BAZUCA sem a ilusão e, COMPADRIO carunchosamente facilitado pela fricção corrupta...

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Por  luis00.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Mergulhados em um mundo mediático, publicista e consumista, corremos todos os dias o risco de priorizar o que é secundário. Governo e vendedores de fantasias enchem-nos a paciência sem dó...

Muitas coisas são importantes, mas é fundamental estar-se constantemente vigilante na avaliação do topo da lista. Somos sempre estimulados a desejar aquilo que não é realmente necessário, a criar falsas necessidades.

relogio areia2.jpg Não podemos viver autocentrados quando o alerta nos torce a mente, enganando nossas urgências e necessidades. Assim, o que é mais importante na vida assume uma posição secundária e passamos a trabalhar, lutar e investir nosso tempo e energias a correr atrás daquilo que é supérfluo ou ilusório...

Sabemos que precisamos priorizar o que é autenticamente importante. O problema é que dar prioridade àquilo que é mais importante, nem sempre brotará espontaneamente de nós. Normalmente, o que pulsa em nós é o desejo de auto realização mas, corremos o risco de virar marionetas.

relogio sem.jpg Queremos afirmação e pensamos que sejam o fruto de nossas conquistas: “Minha beleza, minha inteligência, minha casa, meu celular, meus diplomas, minha profissão…” E, quanta decepção se encontra quando priorizamos o que não nos é prioritário!

Nossa única prioridade real na vida deve ser "viver com dignidade e liberdade". No fim de tudo, o que importa é se você colocou a sociedade, seu próximo ou vizinho e família em primeiro lugar...

Com fé, a prioridade surge; e, até encontrará forças e sabedoria para enfrentar qualquer tipo de circunstância! Ao dar o primeiro, o melhor e o mais importante é esse lugar de seu lado positivo no pensar; e, verá assim que tudo o mais se encaixará, naturalmente...

deserto5.jpg Sua realização e afirmação não estão no que dizem as vozes deste mundo cheio de propagandas vazias, mas no que diz a palavra da sua humilde e honrosa postura. Sempre é tempo para tomar um novo início com o rumo certificado em mente de progresso...

Comece agora a buscar o reino de seu templo, seu pensar como PRIORIDADE MÁXIMA. Faça disso seu maior interesse e veja cumprir-se em sua vida a promessa do verso com o certo verbo, em um qualquer novo dia: “Essas coisas lhes serão acrescentadas” sem a necessidade de se esquecer...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XX

A batalha final - MAVINGA - Gbadolite a Bicesse … - 1988/1989

–”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”  - Crónica 3190 08.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por soba k.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

A 23 de Março de 1988, trava-se a batalha decisiva. O Alto Comando das tropas sul-africanas decidiu passar à ofensiva. As forças conjuntas SADF/UNITA, após intenso fogo de barragem, lançaram-se numa derradeira ofensiva contra as posições angolano-cubanas, mas o ataque foi rechaçado ao fim de 8 horas de combates, com as forças revolucionárias a desencadearam uma contra-ofensiva, obrigando-os a recuarem… Em Dezembro de 1988 o MPLA e a UNITA, assinam o Acordo Tripartido na cidade de Nova Iorque, acordando com a retirada das forças estrangeiras do conflito angolano.

Na mesa das negociações, o regime da África do Sul vê-se obrigada a aceitar os acordos de Nova Iorque, dando origem à implementação da Resolução 435/78, do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que levou à independência da Namíbia e ao fim do regime de segregação racial, que vigorava na África do Sul. A batalha de Cuíto-Cuanavale, ocorrida entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988, foi o confronto militar mais prolongado e mais sangrento de que há memória naquela região de África.

selos01.jpg Desfecho: -O impasse militar de Cuíto-Cuanavale foi reclamado por ambos lados como uma vitória. O lado angolano afirmou que, em situação inferior, impediram a invasão do território angolano, pelas forças da África do Sul. Porém na África do Sul os partidários da guerra proclamavam como triunfo o facto de o exército deles menos equipado mas melhor treinado ter impedido o avanço do comunismo. Em Janeiro de 1989 os cubanos iniciam a sua retirada de Angola, pelo que o representante Episcopal, Cardeal D. Alexandre do Nascimento difunde a mensagem de “Reconciliação e Paz”.

A 22 de Junho de 1989, Eduardo dos Santos e Savimbi encontram-se em Gbadolite, no Zaire, sobe mediação de Mobutu. No plano negocial apresentado por Luanda, o “caso especial Dr. Savimbi” é o ponto 5 da agenda que exige a retirada temporária do líder da UNITA da cena politica angolana. Inicialmente, Jonas Savimbi concorda em afastar-se. Chega a estabelecer-se um cessar-fogo, mas a euforia nas frentes de batalha de um e outro lado, foi breve. As armas voltam a crepitar, quando Savimbi dá o dito por não dito anunciando que não se retirará de Angola. O MPLA utilizando 20.000 homens e 400 tanques lança a “Operação Último Assalto” para recuperar Mavinga. O objectivo não é conseguido pelos governamentais pois que não conseguem o pretendido - atingir a Jamba.

bicesse2.jpg A UNITA contra-ataca desencadeando focos de luta por quase toda a Angola, obrigando as FAPLA governamentais a dispersarem e a abandonarem Mavinga. Poucos dias depois, pela primeira vez na história da guerra civil, aviões da FAPA, Força Aérea popular de Angola, bombardeiam a Jamba. Em retaliação a UNITA corta água e luz a Luanda, através de sabotagem nos postes de alta tensão de Cambambe e conduta central de água de Kifangondo.

Em Dezembro de 1990, no 3º Congresso do MPLA em Luanda, Eduardo dos Santos anuncia: “Teremos multipartidarismo no primeiro trimestre de 1991”. Antes, três meses após o encontro de Gbadolite, no Congresso Extraordinário da UNITA, Jonas Savimbi falara de negociações directas com o MPLA, governo de unidade nacional, revisão constitucional e eleições. Pode supor-se que ambos os beligerantes compreendem que a vitória militar de um deles é impossível, em um território com a extensão de Angola. Iria assim, começar a placa giratória que conduziu à assinatura dos acordos de Bicesse.

bicesse1.jpg Entra-se assim no capítulo de “TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”. Nos anos de 1990 a diplomacia portuguesa entra em acção pela mão de Durão Barroso enquanto Secretário de estado dos Assuntos Externos e Cooperação de Portugal, tendo como Presidente da Republica, Cavaco e Silva o propósito de levar a paz e reconciliação a Angola. Neste meio tempo, anos de 1990 1 1991, fala-se em esperança mas, na passagem do tempo falecm dois vultos da luta pela libertação: Mário Pinto de Andrade, em Londres e António Jacinto em Lisboa.

Bicesse foi o nome por que ficou conhecido o acordo de paz firmado a 31 de maio de 1991, no Estoril (Portugal), entre o presidente da República Popular de Angola, José Eduardo dos Santos, e o presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Jonas Malheiros Savimbi. Com a mediação portuguesa por Durão Barroso e a cooperação de observadores dos Estados Unidos da América (EUA) e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

bicesse3.jpg Este acordo visava pôr fim à guerra civil angolana. O seu texto estabelecia que o cessar-fogo devia ser inteiramente controlado pelo Governo angolano e pela UNITA. Para tal, devia ser formada uma Comissão Conjunta Político-Militar (CCPM) constituída por representantes do Governo angolano e da UNITA, tendo como observadores externos delegados de Portugal, dos EUA e da URSS. Ficou ainda agendada a realização de eleições, entre 1 de setembro e 1 de outubro de 1992, depois das quais cessariam os poderes da CCPM.

Os países observadores, EUA e URSS, comprometeram-se igualmente a pôr termo ao abastecimento de material bélico às facções envolvidas no conflito. Todas as forças beligerantes seriam integradas nas Forças Armadas Angolanas, cabendo ao Estado Português, através das suas próprias forças armadas, ministrar a formação necessária. Este Acordo permitira um armistício temporário na Guerra Civil de Angola entre MPLA e a UNITA. No entanto, os efeitos de Bicesse nunca se sentiram e a paz foi ténue e incompleta, para além de efémera, pois os conflitos logo em 1992 rebentaram numa espiral de violência ainda maior, não mais cessando. Seriam necessários mais dez anos para se pô termo à guerra…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:21
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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XIX

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… Primeira e segunda batalha de MAVINGA1980/1981

- Crónica 3189 – 05.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Ainda fazendo um relato de um sobrevivente do 27 de Maio de 77 citando o livro “Angola, o 27 de Maio - Memórias de um Sobrevivente: “ No campo de concentração de Calunda o comandante (MPLA) ficava todo vaidoso, gingava, com duas pistolas à cintura. Seguia-se uma exibição da sua destreza e pontaria – primeiro contra os pássaros que passavam no ar e depois contra o prisioneiro amarrado e espancado. Atirava nos pés, nos braços, na barriga, conforme a sua disposição, até que sucumbisse. Outras vezes mandava queimar os presos com pneus ou gasolina. Os que não morreram na altura sucumbiram aos poucos com dores horríveis, aos gritos, que deixavam a todos estarrecidos. E éramos obrigados a assistir a tudo isto e depois obrigados a enterrar os mortos, assim como carregar os que haviam resistido à sessão, que ficavam a sofrer no nosso meio até que sucumbissem. Era uma grande tortura, um grande martírio”...

maio3.jpg Saltando para o ano de 1980 – A UNITA fixa-se na JAMBA do Cuando-Cubango. Em Novembro, os antagonistas envolvem-se na 1ª batalha de Mavinga que resultou em mais de 800 mortes. O apoio sul-africano à UNITA viria a tornar-se mais efectivo com a invasão da província do Cunene, em 23 de Agosto de 1981 «Operação Protea», e a subsequente ocupação de uma faixa tampão na fronteira sul de Angola numa profundidade de 200 quilómetros, com o duplo objectivo de neutralizar as operações de guerrilha da Organização do Povo do Sudoeste Africano (South West Africa People’s Organization, SWAPO). O território da Namíbia, então ocupado por protectorado pelo África do Sul, teria de, por outro lado, estabelecer um ponto de partida para novas operações no interior de Angola.

A consolidação do domínio da UNITA nas províncias do Cunene e do Cuando-Cubango, na perspectiva da criação de um «bantustão» no sudeste angolano, era o propósito imediato. É nesta altura que o presidente José Eduardo dos Santos pede ao Secretário-Geral da ONU, Pérez de Cuéllar, a convocação do Conselho de Segurança da Nações Unidas para discutir a agressão sul-africana. Mas a resolução da condenação foi vetada pelos Estados Unidos, de acordo com a estratégia delineada por Washington e pela África do Sul para aniquilar as FAPLA e o MPLA ( O comunismo…).

fuga10.jpg A situação em todo o sul de Angola agrava-se com o aumento das hostilidades. A UNITA reforça-se militarmente em armamento e conselheiros militares e, com o apoio das administrações Reagan (EUA) e Thatcher (Grâ-Bretanha) e a ajuda do seu aliado sul-africano, desencadeia operações militares contra as bases da SWAPO, do Congresso Nacional Africano (African National Congress, ANC) e contra posições das FAPLA, para além de acções de sabotagem às linhas dos Caminhos de Ferro da Benguela (CFB), com destruição de infra-estruturas políticas e económicas e minagem de linhas de abastecimento, entre as populações de aldeias, vilas e cidades do sul de Angola.

O ano de 1981 – Ano da “Operação Protea” leva ao controlo militar da UNITA com a ajuda sul-africana, da Província do Cunene. Estavam ali sediados 8.000 guerrilheiros da UNITA, porem até a chegada das forças angolanos, Mavinga recebeu um reforço de 4.000 tropas da SADF (South African Defence Force), vindo a confrontar uma força de 18.000 soldados angolanos. Mavinga foi o primeiro passo no caminho para a Jamba-Cueio e para penetrar na Faixa de Caprivi. Ao tentar travar o seu avanço, os governamentais são surpreendidos por nova frente – 2ª Batalha de Mavinga, que provoca mais de 1.200 mortos. A UNITA sai vitoriosa e ocupa a cidade.

mavinga3.jpg O ataque a Mavinga foi uma derrota total para as forças angolanas, com baixas estimadas em 4.000 mortos. A manobra de contra-ataque das SADF, nomeada “Operação Modular” foi um êxito, forçando as tropas das FAPLA e das FAR a retroceder 200 quilómetros de volta a Cuito- Cuanavale numa perseguição constante através da Operação Hooper. Em 1984, assina-se o 1º acordo Luanda/ Pretória para a retirada das tropas cubanas e constituir-se uma comissão especial, militar/mista, de verificação das operações de recuo. No entanto, por várias vezes, os sul-africanos regressam a Angola em apoio da UNITA, utilizando o “Batalhão Búbalo”, composto essencialmente pelas topas da “Revolta do Leste”, de Daniel Chipenda além de voluntários de várias nacionalidades, entre os quais muitos portugueses.

Foram necessários mais quatro anos com repetidas pressões internacionais, para se chegar à primeira reunião tripartida de Londres, na qual pertenciam Angola/Estados Unidos da América, Cuba e África do Sul. Seguem-se novos encontros, em Brazaville, Nova Iorque e, finalmente, a assinatura de Washington. Estes, garantidos pelos norte-americanos e soviéticos, tornaram possível a independência da Namíbia e a retirada de 55.000 cubanos estacionados em Angola, no prazo de 27 meses. Pretória anuncia a retirada total dos sul-africanos de Angola, mas em contrapartida, os Estados Unidos da América, levantam o embargo de nome “Emenda Clark” passando a apoiar a UNITA – Estava-se em Julho de 1985…

mavinga2.jpg Com o início da estação seca, em Julho de 1987, e após um período de acumulação de material e grandes concentrações de infantaria, as forças armadas angolanas, as FAPLA, desencadearam uma ofensiva contra os centros vitais da UNITA em Mavinga e Jamba, conhecida como «Operação Saludando Octubre», a partir das vilas de Luena e do Cuito, contando com o apoio de artilharia pesada, de caças e bombardeiros soviéticos MIG-23 e SU-22, tanques T-62 e helicópteros de ataque ao solo MI-24/25. As forças governamentais, foram com tudo, contando com apoio de unidades motorizadas cubanas A «Operação Saludando Octubre», que envolveu a 16.ª, 21.ª, 47.ª, e 59.ª, Brigadas das FAPLA, tinha como objectivo a captura dos «SANTUÁRIOS DA UNITA» no sudeste de Angola.

A ofensiva das FAPLA colocou a UNITA numa posição insustentável; as bolsas de resistência criadas pela UNITA sob pressão contínua dos governamentais, tinham séries dificuldades em articular-se na perfeição. Perante a eventual derrocada das forças de Jonas Savimbi e a pedido deste, os sul-africanos, a partir das suas bases instaladas em território angolano e na Namíbia, desencadeiam as operações «Moduler8» e «Hooper», com o objectivo de parar a ofensiva angolana, lançando as suas melhores tropas e material militar de última geração, nomeadamente caças Mirage F1 AZ e aviões de ataque Impala, Lançadores Múltiplos de Foguetes (Multiple Rocket Launcher, MRL) e obuses G59…

fiume01.jpg Começa assim a maior batalha em África no pós 2ªguerra mundial. A Força Aérea Sul Africana (South African Air Force, SAAF) detendo o domínio do espaço aéreo no sul de Angola - o ponto fraco das FAPLA era precisamente a defesa antiaérea. O resultado foi a batalha de Cuito-Cuanavale, nome de uma vila situada na província de Cuando Cubango, numa zona de operações cruzada por vários rios, de terreno acidentado e lamacento, com cerca de 93.000 quilómetros quadrados. Esta campanha militar viria a determinar o futuro da África Austral. Após longos e sangrentos combates, o Estado-Maior das FAPLA e a Direcção Militar Soviética, a pretexto de melhorar o emprego das suas forças, decidiram que as quatro brigadas em operações se dividiam em duas colunas no caminho até Mavinga para, depois da travessia do rio Lomba, se reunirem. No entanto, este movimento viria a ser fatal para a ofensiva…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:52
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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXI

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XVIII

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… FRACCIONISTAS DO 27 DE MAIO DE 1977

- Crónica 318803.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por soba k.jpg  T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em crónicas anteriores fiz referência à proclamação da Independência unilateral do MPLA do 11 de Novembro de 1975 como tendo sido no Largo Diogo Cão mas, em verdade, foi no início da Estrada de Catete, um largo com descampado bem perto do cinema Império e da antiga Escola Industrial de Luanda. Consultando um artigo de Gabriel García Márquez, extraído da 53ª edição da revista Tricontinental, de 1977, dá como início da primeira etapa da “Operação Carlota”, a cinco de Novembro, seis dias antes daquele pronunciamento por Agostinho Neto.

O autor Garcia Márquez, conclui com a derrota das forças que invadiram a nação angolana e o início da retirada gradual das tropas cubanas, em 1976, quando parecia que tudo tinha concluído. Contudo, tal como acordaram os presidentes Fidel Castro e Agostinho Neto, um número mínimo de tropas ficou em Angola para garantir sua soberania. A situação começou a complicar-se, e a luta se intensificou de novo, mais uma vez a África do Sul interveio, de maneira que se iniciou uma nova etapa da “Operação Carlota”, que concluiu só 14 anos depois, com a derrota definitiva dos sul-africanos e UNITA; o último soldado cubano retornou no mês de maio de 1991.

socie4.jpg Numa declaração oficial, os Estados Unidos revelam a presença de tropas cubanas em Angola, em Novembro de 1975. Calculavam que tinham sido enviados cerca de 15 mil homens. Três meses depois, durante uma visita breve a Caracas, Henry Kissinger disse em particular ao presidente Carlos Andrés Pérez: “Parece que nossos serviços de informação estão muito deteriorados porque só soubemos que os cubanos iam para Angola quando já estavam lá mesmo”. Contudo, nessa ocasião corrigiu que a cifra enviada por Cuba era de 12 mil homens. Naquele momento em Angola havia muitos soldados, especialistas militares e técnicos civis cubanos, muito mais do que Henry Kissinger supunha.

O primeiro contingente era composto de 4.000 homens que aumentaram rápidamente para 18.000. Em 1976 já eram 36.000 e em 1988 já totalizavam 55.000 quando da Batalha de Cuíto Cuanavale, o maior confronto militar da Guerra Civil Angolana, ocorrido entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988. O local da batalha foi na região do Cuíto Cuanavale, província de Cuando-Cubango, onde se confrontaram os exércitos de Angola (FAPLA) e Cuba (FAR) contra a UNITA e o exército sul-africano. Foi a batalha mais prolongada que teve lugar no continente africano desde a Segunda Guerra Mundial. Os cubanos saíram em 1991, enquanto a Guerra Civil Angolana teve continuidade até o ano de 2002. As baixas cubanas em Angola totalizaram cerca de 10.000 mortos, feridos ou desaparecidos.

mocanda33.jpg A DISA, a polícia política da altura do chamado “28 de maio”, alusão ao período logo após o 27 do golpe, sob a direcção de Ludi Kissassunda e Onambwée, tendo como principais executantes António Carlos Silva, Carlos Jorge, Pitoco, Inácio Osvaldo, Eduardo Veloso, Norberto Castro Pereira, Margoso, José Maria, Manuel Carmelindo, José Vale, Nascimento, Domingos Cadete, Victor Jeitoeira, Cristian André, José Baião, João e Henrique Beirão, Zeca França, José Baião, Júlio Rasgado, Miguel de Carvalho, entre outros, prende, tortura e mata sem qualquer controlo.

As cadeias ficam sobrelotadas; os presos são alvo de todo o tipo de sevícias: espancamentos com martelos, paus, barras de ferro, soqueiras, cintos, chicote, pedaços de mangueira cheios de areia, mesas, bancos, cadeiras, bancos; violentamente amarrados com os braços atrás das costas até perdem a sensibilidade dos braços e mãos; suspensos e deixados cair no chão, com os braços e as pernas amarradas; queimados com pontas acesas de cigarros, também um torniquete colocado na cabeça e, que à medida que é apertado, causa fortíssimas dores e a perda de consciência; choques eléctricos nos genitais, etc, etc… A imaginação dos algozes não tinha limites em sua bestialidade. O sangue corre às golfadas como um mar, os gritos de dor dos seviciados são insuportáveis…

mocanda31.jpg Ainda do relatório da Amnistia Internacional: - “ Segundo prisioneiros que foram enviados para um campo de “reeducação” em Calunda na Província do Moxico, muitos outros prisioneiros foram sumariamente executados, morreram à fome ou foram alvejados ao tentarem fugir – tiro ao alvo, dizem. A última execução em massa de pessoas presas em conexão com a tentativa de golpe e, que foi pelo menos, de 15 pessoas, terá ocorrido a 23 de Março de 1978. Alguns dos prisioneiros foram condenados à morte ou à prisão por um tribunal especial, mas nenhum foi submetido a nada que se assemelhasse a um julgamento imparcial.”  

O governo angolano negou alegações feitas em carta aberta por um partido politico, de que 30 mil pessoas haviam desaparecido durante os anos de 77 e 78, em consequência da Revolta dos Fraccionistas. Limitou-se a admitir “excessos” declarando compartilhar “ a legitima preocupação dos familiares das vítimas, interessadas em saber o que acontecera aos seus parentes”. O governo angolano disse ainda que talvez fosse criada uma comissão para tratar do assunto”. Em realidade, nada foi feito e, as indicações posteriores de gente desgarrada do processo e, despeitada com seus superiores, declarou no exílio da diáspora, aquele número ser de 80 mil…

mocanda32.jpg Ainda no ano de 1978, os rodesianos fizeram um ataque ao campo de refugiados da ZAPU de Joshua N´Komo, em Boma, Sul de Luena, onde foram massacradas centena de pessoas. Em um ataque ao Lubango no ano de 1979, por bombardeamento feito pelos sul-africanos, morrem 612 pessoas. Este foi também o ano do “massacre de Cassinga” quando militares sul-africanos atacam um campo de refugiados namibianos, chacinando 1.200 pessoas; e da morte,   em Moscovo , de Agostinho Neto, cujo corpo regressa embalsamado a Luanda. Na exéquias fúnebres, em quase histeria colectiva as pessoas gritam “mataram nosso Netinho”. Referiam-se aos soviéticos, mas a verdade é que Neto sofria de incurável cancro de fígado por via de tanto “chivas regal” – implodiu por dentro, simplesmente!… 

Na presidência de Angola, sucede o eng.º José Eduardo dos Santos, nascido no musseque Sambizanga, de pai pedreiro e mãe doméstica, foi aluno do Liceu Salvador Correia de Sá. Formou-se em engenharia de petróleos em Baku, ex-URSS, sendo a princípio contestado pelos radicais do MPLA, especialmente por ter decidido congelar todos os processos de condenações à morte; posteriormente aboliu a pena de morte em Angola. Sabe-se sim, por via de muitas denúncias que sofisticaram a forma de eliminar inimigos ou gente inconveniente com venenos de sofisticada elaboração entre outras formas dissimuladas… Entretanto a guerra continua com a UNITA fixada na Jamba – Cuando / Cubango…  

 (Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:08
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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2021
KANIMAMBO - LXXV

* União, Ousadia, Talento e Loucura * 

Crónica 3187 de 01.09.2021 - O Mundo está feita um manicómio, noé?!

galinha patas1.jpg

Por   soba k.jpgT'Chingange no AlGharb do M'Puto

Certa vez, um senhor foi visitar um amigo médico que dirigia um manicómio. Ao chegar, foi recebido pelo amigo. Este mostrou-lhe as dependências de seu hospital. Após visitarem as acomodações e principais salas de tratamento, chegaram a uma porta com um vidro, de onde podiam observar o pátio em que os internos tomavam banho de sol e se socializavam.

Enquanto conversavam, dois homens se desentenderam e começaram a agredir-se. Vendo isso, o director do hospital pediu licença e foi até eles para separá-los e apaziguar a contenda. O amigo ficou surpreso com a coragem do médico ao vê-lo apartando a briga.

cubo 10.jpeg Quando ele voltou, o visitante perguntou intrigado: “Amigo, você não tem medo de entrar no pátio sozinho para separar duas pessoas brigando? Não tem medo de que os demais se unam em defesa dos colegas e avancem sobre você?”

O médico então respondeu: “Não, não tenho medo; sabe por quê? Porque os LOUCOS NUNCA SE UNEM” A união é uma característica de pessoas mentalmente sadias. Não é à toa que Satanás, o Diabo feito capeta, gosta de separar amigos, casais, colegas de trabalho e, principalmente, as pessoas que acreditam em Deus.

roxo92.jpgAR  - O inimigo não está interessado enquanto manobra o TALENTO, numa sociedade ou o que uma igreja contenha, desde que consiga manter as pessoas separadas. No entanto, treme quando dois ou três se unem em nome de Jesus...

Pouco antes de enfrentar a cruz, Cristo pediu em oração: “Rogo para que todos sejam um, Pai, como Tu estás em Mim e Eu em Ti. Que eles também estejam em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste”

Observe que Jesus não pediu que seus discípulos, fossem mais talentosos e educados. Ele pediu UNIÃO. Isso deveria fazer-nos pensar. Deus é maior do que nosso egoísmo ou qualquer espírito de separação que exista entre nós. Ele espera que você/nós, sejamos unidos às pessoas de seu convívio, reflectindo o amor verdadeiro...

dia167.jpg Quanto a OUSADIA, Elias era humano como nós. Ele orou fervorosamente para que não chovesse, e não choveu sobre a terra durante três anos e meio. Orou outra vez, e os céus enviaram chuva, e a terra produziu os seus frutos... Alguns personagens bíblicos foram tão corajosos que nos fazem sentir insignificantes. Um deles é Elias. A Bíblia afirma que, certa vez, ele suplicou a Deus que não chovesse sobre a terra, e foi atendido. “E não choveu sobre a terra durante três anos e meio".

Orou outra vez, e os céus enviaram chuva. ”Como poderíamos comparar-nos a um profeta que fez um pedido ousado a Deus e ainda assim foi atendido? Em primeiro lugar, é preciso notar que Elias pediu a Deus que não enviasse chuva. Por que ele fez esse pedido específico? Israel estava adorando Baal e acreditava que o regime de chuvas e a fertilidade da terra dependiam dessa divindade.

dia01.jpg Assim, o profeta, interessado em provar a inexistência do falso deus, pediu que o Deus verdadeiro retivesse a chuva, demonstrando Seu poder sobre todas as coisas. Outro ponto importante está no advérbio de modo utilizado para modificar o verbo “ORAR”. Tiago diz que Elias orou “fervorosamente”. Deus quer que oremos com essa intensidade. Jesus disse que, se insistirmos, o Justo Juiz nos ouvirá...

Finalmente, o verso diz que “Elias era humano como nós”. O profeta não era um super-herói da fé, mas alguém que tinha lutas, dores, sonhos, decepções, tentações, vitórias e fracassos como também temos. Ainda assim, depositou toda a sua confiança em Deus, por isso foi honrado por Ele. Portanto, não fique surpreso com a história de Elias.

mano corvo.jpgCA - Ela, a história, simplesmente nos mostra que poderíamos e podemos alcançar muito mais vitórias espirituais se formos ousados em nossas petições. A experiência do profeta demonstra que todo aquele que oram com fé, fervor e de acordo com a vontade de Fé, será ouvido e atendido...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:51
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Terça-feira, 31 de Agosto de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXX

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XVII

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… FRACCIONISTAS DO 27 DE MAIO DE 1977

- Crónica 3186 – 27.08.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por   soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Sem a preocupação gramatical, com o sujeito cutucando o verbo mais o predicado…, sem a métrica do fado, uma emergência confusa deste tempo pandémico, sem a rima versejada, a metáfora triste e saudosa, bonançosa quanto baste mas, de alma torturada…, sem pátria idolatrada, jogando búzios na zuela do feitiço do tempo, com algum esforço intelectual, remexo nas panelas do esquecimento de N´Gola!

Muito me convenço da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia, por isso relembro o passado recente e longínquo para espairecer ressarcimentos que ainda podem chegar; que deveriam já ter acontecido mas, neste capítulo de descolonização as coisas só desacontecem - vou esperar deitado porque as kinambas, andam roídas pelo salalé. Sem ser convocado, assisto avulso só por assistir, às periclitãncias do socialismo, tendo até medo de comentar disparates grosseiros. Assim sendo, só poderei responder com muxoxos malcriados, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de vaidades.

kafu35.jpg Vamos situar-nos a 27 de Maio de 1977 e, em um após as insistências da URSS a Agostinho Neto a fim de aderir ao marxismo-Leninismo, o que veio a consumar-se com a criação do MPLA-PT. Não obstante Neto continua uma pedra no sapato do regime soviético, que na altura era chefiado pela “tróica” de Nicolau Podgorni/Kossinguine/Brejnev. Quatro homens da ala esquerdista do MPLA lideram um golpe de estado contra Agostinho Neto. Foram eles: Bernardo Alves - Nito, Jacob Caetano – “Monstro Imortal”, José Van Dunem e o Comandante Bakaloff.

O episódio é conhecido por Revolta dos Fraccionistas - “dos Frac´s” na linguagem popular. Num discurso após o golpe, Neto afirma que por detrás da rebelião, estivera “ uma embaixada estrangeira em Angola”. Para os analistas políticos não restaram dúvidas em apontar de forma comedida o embaixador Kalilnini como sendo o autor intelectual do episódio. Já dominando os pontos chaves na Capital – Luua, como a emissora de rádio, o golpe aborta porem, mercê da rápida intervenção militar cubana ao lado de Neto. “Monstro imortal”, armado com uma metralhadora, entra no Palácio da Cidade Alta de Luanda, com o propósito de dar ordens de prisão ao presidente angolano; assim não foi, porque Neto, estava no Futungo de Belas…

kalunga1.jpg Monstro Imortal é preso de imediato. Na onda posterior de repressão, são presos, torturados e passados pelas armas na forma sumária, seguindo-se-lhe milhares de pessoas, incluindo os mentores do golpe, depois de serem sujeitos a dolorosa tortura física. Conta-se que a Nito e a Monstro Imortal, lhes foram arrancados os olhos, ainda em vida. O último relatório da Amnistia Internacional sobre o golpe de 27 de Maio relata o desaparecimento de prisioneiros – “Noite após noite, durante os meses seguintes, ambulâncias e outros veículos saíam da prisão de Luanda e de outras cidades”.

monstro1.jpg Hermínio Escórcio, chefe do protocolo da presidência, descreve mais tarde como sucederam as manobras dessa revolução: “ Na manhã do dia 27 estava em casa quando me apercebi que a Rádio Nacional de Angola – RNA, havia sido tomada. Fui para o meu gabinete no Palácio e de lá telefonei para o Futungo de Belas (Presidência da República) mas de caminho pude avistar o Onambwé e o Delfim de Castro que, dentro de um tanque, se dirigiam para as instalações da RNA, onde já estava no ar o programa radiofónico “kudibanguela”. Depois da retomada da RNA fui o primeiro dirigente a lá entrar”. 

Continuando: “saí da rádio e fui até à Avenida Lisboa para ver se havia rastos de sublevação. Liguei o Neto, disse-lhe que estava tudo calmo e, ele prontamente afirmou: “Então posso ir até aí!” Disse-lhe que por uma questão de segurança, talvez fosse melhor ficar pelo Futungo. Dito isto, acrescentou que ia chamar a imprensa para fazer o ponto da situação.  Mal sabia ele que o Saidy Mingas, o Eurico e o Garcia Neto já tinham sido mortos. Também desconhecia que alguns comandantes haviam caído em emboscadas montadas pelos Fraccionistas à 9ª brigada. Neto, quando soube de tudo isto, ficou completamente transtornado”.

kani4.jpg Neto vai à televisão e proclama o salvo-conduto para o banho de sangue: “Não haverá contemplações…Certamente não vamos perder tempo com julgamentos”. Os fuzilamentos sumários passaram logo a ser norma. Convêm dizer aqui que os cubanos após retomarem a Rádio Nacional, abrem fogo sobre todos os amontoados de população que eventualmente estavam ao lado dos revoltosos e, acto contínuo retomam o controlo das cadeias. Mila Coelho, mulher de Rui Coelho fuzilado a 2 de Junho de 77 e, que na altura era chefe do gabinete do Primeiro-Ministro Lopo do Nascimento, conta assim: “ Esperava Rui, vindo de Argélia e a 1 de Junho com a tragédia do 27 a decorrer, notei nele muita intranquilidade. No dia seguinte, dois de Junho, vieram buscar-nos a casa”.

“Dois soldados armados de metralhadora, exigiram que fôssemos com eles. Levaram-nos para o Ministério da Administração Interna aonde permanecemos toda a tarde, sentados em um banco corrido. Nessas horas falamos pouco; estávamos horrivelmente destroçados. Era já noite quando nos foram buscar; meteram-nos num cubículo escuro e pela madrugada levaram-nos para a Cadeia de S. Paulo.  A separação de homens para um lado, mulheres para o outro afastou-nos definitivamente um do outro para nunca mais nos virmos”…

namib3.jpg Nos fios de gastas crenças, tão corcovado, tão enrodilhado em suas macias filosofias de mineiro de volfrâmio, recordo meu pai Manuel, embebido, travado e suspirando baixinho, revendo sua miúda indecisão de viver, vendendo volfrâmio a Hitler para sobreviver. Um dia de repente, com um trejeito de esforço, endireitou-se emperrado e cresceu! E, falou: - Amanhã vou à Companhia Colonial de Navegação inscrever-me - Vou para Angola! E, foi… Ora sucede que neste 27 de Maio veio da Luua inchado de porrada e com uma bala nos joelhos; esperei-o no Aeroporto da Portela de Lisboa. Seguro por duas muletas parecia um Cristo! Tirou essa bala e, não mais voltou… Impôs-se assim uma forçada regra de vida: - A liberdade de sermos saudáveis ou morrer por coisas impensáveis…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:29
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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2021
KANIMAMBO . LXXIV

CAFUMFO - Crónica 3185 - *O BRILHO DOS DIAMANTES* - 25.08.3021

Kanimambo é obrigado em dialecto Changana de Moçambique

kafu10.jpg

Por   soba k.jpgT'Chingange - no M'Puto…

Celebridades, reis e rainhas gostam de diamantes porque eles brilham e são “eternos”. O nome da pedra vem de uma palavra grega (adamas) que significa “invencível” e se refere à sua incomparável dureza.

O povo esgravata a terra fazendo buracos para sobreviver ou enriquecer. Por vezes, muitas vezes, corre perigo de vida na busca de algo que possa vender e, assim realizar algum dinheiro para comprar pão para as bocas de familiares.

kafu28.jpg Nós sabemos que a Diamang de Angola provocou muitas prisões e mortes durante o período colonial de Portugal em Angola; fenómeno que recrudesceu no governo mwangolé com ainda mais mortes entre o povo sofredor...

Porém, para ser diamante, é preciso suportar pressão e calor. Isso sem falar no processo de lapidação. Ninguém acha um diamante e o mantém em estado bruto, com suas impurezas e imperfeições, pois não teria graça nenhuma. Os diamantes precisam ser lapidados, num trabalho artesanal em que raramente perdem menos do que 50% do peso original...

kafu33.jpg Para que sua beleza cintile diante de todos é necessário dizer-se ser esse, um processo doloroso e que leva tempo, o que o torna numa boa metáfora do trabalho que Deus realiza em nossa vida para que brilhemos em Seu suposto reino.

O lapidador não trabalha de qualquer maneira. Ele estuda a pedra, observa o cristal, analisa o índice de refracção (responsável pelo brilho), avalia o poder dispersivo (a capacidade de dividir as cores espectrais da luz branca) e desenha assim o melhor corte. Depois do corte, que às vezes consiste de 58 facetas, vem o polimento que o faz, um trabalho elevado ao lapidar no polir dos diamantes da natureza, ou do Deus se o quiserem... Que tal como cada pessoa se vê na melhor maneira de dar a si, a forma perfeita no revelar de seu esplendor.

Em geral, o olhar casual observa apenas a cor do diamante. No entanto, seu valor depende de outros factores. O Instituto Americano de Gemologia leva em conta quatro itens: o carat (quilate, peso), a claridade (ou pureza), a cor e o corte (ou lapidação).

kafu34.jpg Para o brilho, o corte pode ser mais importante do que a cor. O corte tem que ver com o estilo da lapidação, e não com a forma, que pode ser redonda, oval e rectangular, entre outras. O corte excelente, que maximiza a luminosidade, o fogo (ou brilho) e a cintilação, é aquele que reflecte quase toda a luz que penetra o diamante. Igualmente - o “diamante” que recebe o corte perfeito para reflectir a luz divina.

Depois do trabalho do lapidador, uma pedra de rara beleza pode atingir um preço muito elevado. Em Novembro de 2013, num glamoroso leilão em Genebra, a Sotheby’s bateu o martelo para a venda do Pink Star por 83 milhões de dólares. Se eu fosse pastor, diria que Deus sempre procura as pedras mais preciosas...

kafu35.jpg Bom DIA VINTICINCO... Então, com Sua habilidade de lapidador sem igual, DEUS, ALÁ ou BUDA, transformará essas pedras em jóias magníficas. Com ou sem fanatismo, pode dizer-se que o corte não é a destruição da pedra, mas sua redenção. Metaforicamente, se assim o for, quando você sentir a dor do polimento, não reclame. Você só poderá brilhar se for lapidado; só assim obviará a malamba básica...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:52
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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXIX

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XVI

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… OFENSIVA NGOUABI - Crónica 318422.08.2021

- “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? -Nós e os mwangolés…

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Por tonito16.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Ainda anda por aqui e ali no M´puto e Diáspora, muita gente com quem temos amizade e que dão um encolher de ombros às lembranças de então, de há 46 a 47 anos atrás. A força de esquecer dos retornados, refugiados e afins, foi mais que muita e, ao ponto de até esquecerem o nome da lavadeira, da rua aonde moravam e até do cachorro e coisas que se fracturaram no tempo em sonhos de altas falésias com muitos e assombrosos pesadelos. Eu passei a ser Cidadão do Mundo nascido por opção a bordo do Niassa - um Niassalês. Sonhos de mirar o passado pelas estrias de uma kalashnikov, AK 47 entre outras, aquelas de tambor ultra revolucionário e até das G3 dadas pela NT (Nossas Tropas) aos bandalheiros e pioneiros do MPLA. Uma grande parte dos “tinhas*”, até se tornou comunas militantes; outros são socialistas envergonhados…

dachala1.jpg Prometi a mim mesmo não me enganar continuando a ser eu próprio peneirando as opiniões, gerindo silêncios e, mesmo no exterior de Angola, fiz trabalho fiel por quem acreditava ser o futuro em Angola. Saí da UNITA mas, ela continua comigo pois recordo grandes nomes com quem tive o privilégio de trabalhar como Carlos Morgado, Kalakata, Alcides Sakala, José Kachiungo Marcial Dachala ou Adalberto Júnior entre tantos e tantos. Tive e continuo a ter com orgulho de exibir, um galo em cerâmica que sempre ficou agarrado à lapela do meu terno de azul diplomático, oferta como se assim o fosse: um louvor medalhado, por essa gentil pessoa com o nome de Sakala que então representava a UNITA em Portugal, sendo eu coordenador da Zona Sul do M´Puto… 

Só a partir do 11 de Março de 1976 as coisas começaram a tomar outro rumo. Tive a sorte de ser colocado pelo IARN como destacado ADIDO (Ex-funcionário dos SPCFTA e Câmara da Caála em Robert Williams), em um município, tendo na presidência um elemento do MDP-CDE do Ribatejo, que tudo tentaram para me levar para as tomadas de “montes” no Alentejo – Era o PREC em curso. Nesta descrição andarei um pouco mais à frente e atrás para inserir o essencial dos problemas que afectavam milhares de seres como eu e, em iguais circunstâncias; gente que quis esquecer e, que acabou mesmo por assim ser… Perturbado com os punhos no ar e assembleias a toda a hora, em terra de Otelo Saraiva, zarpei, bazei, fugi de licença ilimitada rumando para a Venezuela de Andrés Peres…

dachala2.jpg Mas e, voltando a Angola e a Fevereiro de 1976, deparamos com o rápido avanço do MPLA com cubanos para a tomada do Lobito e Benguela à UNITA e Soyo, a antigo Santo António do Zaire no Norte, à FNLA. A República Popular de Angola é admitida na ONU e reconhecida por vários países. Portugal seria o 88º membro a reconhecê-la. Neste mesmo mês, o comité político da UNITA abandona Huambo e inicia a retirada par Sudeste, com cobertura de uma coluna Sul-africana. Savimbi está no Leste e inicia, juntamente com duas mil pessoas, aquilo a que se veio a chamar a “Longa Marcha”. O líder da UNITA, Jonas Savimbi, viria a atingir o Cuelei, a 28 de Agosto, milhares de quilómetros percorridos, apenas com 79 resistentes.

Curiosamente, um erro táctico do próprio MPLA catapulta a UNITA, em 1976, para o palco internacional. O sucedido conta-se em poucas palavras: pouco depois da tomada do Huambo, o MPLA organiza no Sul de Angola, a “aldeias modelo” em que nada parece faltar mas, esquece-se das muitas aldeias em redor, de pobreza extrema. Perto de Vila Flôr a cerca de 40 km do Huambo, na noite de sete para oito de Setembro de 1976, Canhala foi cercada, atacada e saqueada pelo povo das aldeias miseráveis limítrofes, que não poupou a vida àqueles  que pactuaram com o plano engendrado pelo governo de Luanda.

dachala3.jpg Não podendo admitir o erro, o MPLA atribuiu aos “fantoches da UNITA” a responsabilidade pelo massacre; quando, na verdade, a UNITA se encontrava desmantelando para Sudeste. Até final de 1976, embora desfalcada, a UNITA resiste a três operações dos cubanos e MPLA “Tigre” no Leste; “Kwenda” a Sueste; “Vakulukutu”, no Cunene. Neste ano, Savimbi envia para Marrocos 500 homens que, a coberto do apoio do Hassan II, recebem treino militar – em Março do ano seguinte, no 4º Congresso da UNITA, estes homens são nomeados comandantes do exército semi-regular da UNITA.

À coligação MPLA/cubanos juntam-se tropas congolesas com um total aproximado de 10 batalhões que passam a actuar no Centro/Sul de Angola, praticando a politica de terra queimada, na qual ficou a ser conhecida por “Ofensiva Ngouabi”, de Marien Ngouabi , presidente do Congo e que, em Setembro de 76, visitou oficialmente Angola. Entre as aldeias mártires da “Ofensiva Ngouabi”, contam-se Quissanquela, Capango, T´Chilonga, T´Chiuca e Mutiete. Nesta última, foi sumariamente executada toda a população masculina.

dachala4.jpg Acompanhando as notícias de Angola pelas notícias internacionais, passei quase seis anos na Venezuela trabalhando na Barragem Raúl Leone do Guri situada na grande área do Amazonas entre os anos de 1977 a 1982; uma gigantesca obra situada no Rio Caroni, um afluente do grande Orinoco. Tive a felicidade de ter como Presidente um senhor de alta postura, um verdadeiro estadista chamado de André Peres, antecessor ao Herrera Campins e ao ditador chamado de Hugo Chaves. Nesse então Venezuela era um paraíso, havia pleno emprego, paz e harmonia.

Naquele lapso de tempo, convivia com gente saída de Angola, topógrafos, grueiros e gente de todas as aptidões; uma obra que mantinha 18.000 trabalhadores de 82 nacionalidades. Em nossos encontros e farras falávamos da Angola distante e, ao som dos merengues e cantares de Paulo Flores ou Bonga e até Minguito batíamos o pé levantando pó no pé de serra. Primeiro, meu trabalho era o de projectar e implantar estradas por toda a Venezuela ao serviço de uma empresa italiana e mais tarde como chefe de departamento de topografia e projectos inerentes àquela grande barragem.

palops1.jpg A guerra civil angolana eternizava-se. Agostinho Neto, o medíocre poeta e Presidente de Angola por um acaso, tendo consciência do problema social, tenta uma abertura política, como modo de se libertar do cada vez mas fechado domínio soviético que estrangulava a olhos vistos o MPLA. Neste âmbito, encomenda uma sondagem para um possível acordo de paz com a UNITA. Em 1977, a embaixada soviética em Luanda é dirigida por Arnold Kalinini. Conhecem-se as pressões que o embaixador exerceu sobre Agostinho Neto, no sentido de o levar a adoptar o marxismo-leninismo. O presidente Neto resiste. Num discurso desse mesmo ano, afirma que “o MPLA deve continuar a ser um partido aberto a todas as correntes nacionalistas angolanas”. Mas, acaba por aceder em Dezembro de 77, transformando o MPLA em PT, Partido do Trabalho, realmente de cariz marxista-leninista.

Notas*: Tinhas – Cognome de alguns retornados por sempre repetirem: “ Lá, eu tinha” – Se era verdade para muitos , a maioria, não o era para os faroleiros que diziam ter o que nunca tiveram…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:13
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Domingo, 22 de Agosto de 2021
MUJIMBO... CXXVI

AFEGANISTÃO - UM FIM DE CICLO

Crónica 3183 - 21-08-2021

soba21.jpeg

Por soba k.jpgT'Chingange - no M'Puto

Com este fim do poder hegemónico pela desistência da NATO e América, o mundo fica sem a referência necessária e dissuasora a novas e avulsas aventuras de poder. A estrutura da ORDEM, simplesmente cria um VAZIO; um perfeito anúncio para novos encontros de forças anárquicas...

O pântano é assim transladado para as Nações Unidas por desmembramento de conceitos com abandono deixando o caos neste vulcão chamado de Afeganistão - um descrédito total. A concepção religiosamente fundamentalista irá trazer até nós a céptica ORDEM MUNDIAL.

tio Sam3.jpg Os USA, com a batuta de Biden, estão a alhear-se do Mundo criando a este, a falta dessa NOVA ORDEM sem perspectivas, o que torna a HISTORIA, demasiado assustadora. Os americanos não querem ter mortos em teatros de guerra e a havê-los que o seja bem longe!

Fizeram isto em todo o Mundo; Saigão no Vietname, Síria, Líbia, Iraque, Irão, no Golfo, com a Emenda Clark em Angola e agora Kabul do Afeganistão. A Obama, seguiu-se Trump e a este, Biden. É assim o início de seu isolacionismo contra as torpes ideologias a mando do ópio que se espalha por todo o Ocidente Cristão...

talibâs2.jpgA NATO, simplesmente foi ridicularizada sem honra nem glória, fragmentando-se e, proporcionando o avanço dos MOUROS por via da falha demográfica e o avanço da emigração; o que estará por detrás destes movimentos de gente boa misturada com criminosos de guetos.

Nós no M'Puto não temos ninguém com força de impor o que quer que seja. Ficaremos vagando a onda de "vamos ver como fica" sem o "trinco" necessário e, sem gente com capacidade, sem gente para influenciar um cego, nem a força anímica social. Neste mar de anemia só me recordo de Adriano Moreira com um talvez: o último ESTADISTA TUGA.

OLHO3.jpg Ninguém está preparado para esta descontinuidade; daqui advirá a instabilidade com crise e pandemia num crescendo que ninguém pode ignorar. E, preocupa que ninguém com peso aqui ou no Mundo, possa fazer a necessária resistência aos MOUROS, os corta cabeças do talibãs, dos Mujahidins ou os Boko hHrans. Andamos distraídos na inércia num "isso é lá com ou outros".

Andamos distraídos com a atribuição de cotas para mulheres, para estudantes e sua cor e, bandalhices do "abecedário" com siglas de LGBTIQ, acrescentando amiudadamente mais uma letra ao grupo, como se tudo isto fosse o cerne do nosso TUDO – BalhameDeus!... E, temos aí a BAZUCA que tudo indica, vem juntar Dívida à dívida e, com dúvidas quanto baste...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:34
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Quinta-feira, 19 de Agosto de 2021
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXIX

A VIDA É UM DESAFIO - ANDO ENKAFIFADO DE TANTO PENSAR NOS TALIBÂS DE CABUL…

PENSAR, POR VEZES É MUITO PERIGOSO. AMÉRICA, AIUÉ - Crónica 3182 de 18.08.2021

sirios2.jpg

Por soba k.jpg T´Chingange no AlGharb do M´Puto

Em momentos de aperto no tempo, ficamos contra, só por ficar! E, suprimimo-nos por vezes mas, muitas vezes somos suprimidos. Sim! Somo-lo por gente materialista, gente de meia-tigela, gente política flutuante. Alguns, muitos, sem consciência e consistência, incompetentes em verdade. Ninguém é de ninguém, na vida tudo passa; vamos fazer o quê? Como gostamos de andar embalados!...

Apercebemo-nos que sim! Há navalhas nos espíritos, gelo nas fisionomias! Será que ando a abusar do cloreto de magnésio! Dessa bulunga que tomo para eliminar os triglicéridos… Tudo anda assim num vai e vem num impossível de conjecturar se a explicação ouvida é falsa ou verdadeira. Agora é Cabul…

corona5.jpg Gasto meu tempo a espremer os miolos, compondo, inventando e eliminando e, no final fico sempre a remoer cada frase, com paciência de boi, de burro consumindo-me átoa no tempo! Ando preso a ele por pequenas minúcias. Ouvi dizer: “A Força do Direito deve superar o Direito da Força. Não há nada mais relevante para a vida social que a formação do sentimento da justiça. Eu não troco a justiça pela soberba. Eu não deixo o direito pela força. Eu não esqueço a fraternidade pela tolerância. Eu não substituo a fé pela superstição, a realidade pelo ídolo.

A injustiça, por ínfima que seja a criatura vitimada, revolta-me, transmuda-me, incendeia-me, roubando-me a tranquilidade e a estima pela vida. O homem que não luta pelos seus direitos tem um viver tumultuado. Quem não luta pelos seus direitos não é digno deles”. Não há nada mais relevante para a vida social que a formação do sentimento da justiça. A justiça, cega para um dos dois lados, já não é justiça.

talibâs3.jpg Cumpre-se por bem enxergar por igual à direita e à esquerda. A mais triste das vidas e a mais triste das mortes são a vida e a morte do homem que não tem coragem de morrer pelo bem, quando por ele não possa viver. Se os fracos não tem a força das armas, que se armem com a força do seu direito, com a afirmação do seu direito, entregando-se por ele a todos os sacrifícios necessários para que o mundo não lhes desconheça o carácter de entidades dignas de existência na comunhão internacional.

Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana-se a si mesma e prepara a sua própria queda”. Se porventura, isto falha, há Talibãs na jogada, pois que, os Talibãs não têm nação - têm um líder que lhes fornece sonhos em pó. Levo meu tempo a espremer os miolos, compondo, inventando e eliminando e, no final sempre fico a remoer cada frase, com paciência de boi, de burro consumindo-me átoa no tempo!

corimba4.jpg Porquê teve de acontecer, de novo CABUL; Ando preso a ele, no pensamento de pequenas minúcias. Ainda me lembro dos helicópteros serem lançados ao mar em terras de Vietname, Saigão, das falsidades em Angola com a tal de “Emenda Clark”, no Iraque, Irão, Síria, Líbia e agora Afeganistão. É por isso que terei de entrar numa viagem astral mesmo que seja aos solavancos, entrar nas ondas alfa e delta e, sem gravidade atravessar paredes como fazem ou parecem fazer os mágicos … Americanos – grandes amigos!?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:18
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXVIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XV

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… Crónica 318115.08.2021

-Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”… No meio do desespero, viria a confirmar-se o quanto era perigoso ter americanos como amigos…

pombinho5.jpgP

Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Na Avenida Brasil, que dá para o musseque Marçal, havia ali perto uma sede da FNLA; até era considerada uma das sedes mais importantes mas a “porrada” também ali chegou com toda a cagança de militares nervosos. Na Vila Alice o Chico, amigo meu e do Zorba, punha-se deitado na varanda da casa para gravar o tiroteio, entre a F.N.L.A. da Avenida Brasil, no Marçal e o M.P.L.A. no António José de Almeida na Vila Alice. Parecia uma guerra de brincar mas, no tempo o cheiro do sangue, as carrinhas que passavam com mortos para a morgue ou sei lá, para onde fizeram nosso miolo ter medo. Era esse o propósito. Mandar os brancos para o M´Puto.

Em Luanda, os combates começavam do nada com trocas de tiros de armas ligeiras entre a sede do MPLA e a da FNLA. A casa do Zorba chegou a ter 46 buracos de bala na parede do quarto do sexto andar. Um dia ele espreitou - eles nem sequer levantavam a cabeça para ver onde atiravam; era mesmo só àtoa levantavam a arma acima do muro e despejavam o carregador. Quem é que com raciocínio podia ficar indiferente a isto. Rosa Coutinho, Melo Antunes e toda a pandilha tinham congeminado isto muito bem. O medo vai fazê-los sai! Terão dito os filhos da peste…

preto4.jpg Entretanto, nas horas daqueles dias a vida não valia um vintém; tudo ficava ao sabor da sorte. Nestas aflições sem controlo visível, surge a figura de Gonçalves Ribeiro batendo-se pela criação de estruturas àquela que se veio a chamar de “ponte aérea” e, que só se resolveu em pleno quando mais de cinco mil pessoas se juntaram no Largo fronteiro ao Cinema Miramar da Luua pedindo a todas as embaixadas que mandassem transportes aéreos ou marítimos a tirar-nos daquele inferno.

Um dia, a FNLA montou antiaéreas no terraço do prédio, e virou-as para baixo, em direcção à sede do MPLA. Avisaram o pessoal do prédio que era melhor ir embora, não se responsabilizavam pelo que pudesse acontecer e, a coisa aconteceu! E, lá foram embora, para casa de familiares que moravam no Maculussu. Quando o MPLA descobriu donde estavam, a maka recrudesceu com monacaxitos e o escambau! Tudo que tinham de destruir foi usado sem mais nem porquê.

pal4.jpg No dia seguinte, Zorba, quando lá voltou, o apartamento já tinha sido atingido por um roquete. Nos dias seguintes, o prédio iria ficar completamente destruído. A FNLA desde algum tempo, mesmo antes da assinatura formal do cessar-fogo com o Exército português, havia metido muita gente na capital, vinda de Kinshasa - Quadros políticos e tropa que falava em francês com sotaque de bumbo dos matos. Não falavam português, e pelo comportamento, eram já donos do pedaço, arrogantes, mais parecendo um exército de ocupação. A coisa não lhes saiu bem; isto já foi parcialmente contado lá atrás nas mokandas mas, não é demais relembrar.

Mês da Independência – Novembro de 1975, e da invasão zairense ao Enclave de Cabinda. O MPLA proclama a República Popular de Angola, no antigo Largo Diogo Cão, bem à entrada do Porto de Luanda. A FNLA e UNITA unem-se no projecto da edificação da República Democrática de Angola (RDA), com a capital na antiga Nova Lisboa (Huambo). Ainda hoje, nas chancelarias internacionais analisam aquela Angola dividida fazendo comparação entre as Coreias do Norte e do Sul.

Gonçalves Ribeiro.jpg Teremos de recordar aqui de forma sucinta o que foi a “Ponte LUALIX” que veio a suceder com a supervisão de Gonçalves Ribeiro, o pai da ponte. A CIA dizia nesse então que Lisboa não tinha um suporte adequado no terreno que lhe permitisse evacuar mais de trezentos mil brancos ainda no território, nem para manter os voos no ar. Era verdade! Mas também havia aqui pressões para em troca da ajuda, Costa Gomes retirasse o vermelho Vasco Gonçalves do governo. E, foi isso que veio a acontecer!

Aquele antigo internado na casa dos malucos, sector militar de Luanda andava esbracejando demais naquele M´puto desvairado de liberdade - Um Tigre de papel! Mas, em verdade, os americanos não dão nada de borla, teria de haver algo na cartola do tio Sam. Jogaram uma rolha e Costa Gomes agarrou-se àquela bóia, pois então, dava jeito! Os retornados, foram em verdade, a moeda de troca; com um só porrete mataram dois coelhos como se diz! Portugal inundado de retornados anticomunistas, vinha mesmo a calhar nesta hora (…ano de 1975). E, o mundo observando estas manobras com o abutre Carlucci a dar palpites ao estado português através de Mário Soares e outros desclassificados diplomatas de cordel que iam ficando agraudados de poder e dinheiro, pois!...

pombinho10.jpg P -Bom! Na N´Gola, as FAP já nem dispunham de bases aéreas para nos escoar; falo na primeira pessoa porque estava lá! Os confrontos permanentes entre todos os movimentos impediam o funcionamento dos aeródromos como o de São salvador, Cazombo, Maquela, Togo, Gago Coutinho, Cuíto Cuanavale e N´Riquita; Henrique de carvalho, Malange, N´Dalatando e Carmona já só tinham estruturas reduzidas, quase sem uso por falta de segurança e equipamento de apoio.  

A RDA de Savimbi, falha. No dia da tomada de posse, Holden Roberto e alguns de seus convidados, entre os quais jornalistas e um elemento da embaixada americana em Kinshasa, levantam voo de Carmona (Uíge), rumo a Huambo aonde chegam ao início da noite. A pista do aeroporto estava às escuras. O avião sobrevoa várias vezes a cidade, mas Jonas Savimbi não permite que este aterre, mesmo sabendo que o aparelho podia não ter combustível para o regresso, com a agravante de não poder abastecer em nenhum outro aeroporto, já nesse então em áreas controladas pelos governamentais.

Este relatório que Holden Roberto descreveu mais tarde, poderia ter custado a vida a dezenas de pessoas. Assim, Jonas Savimbi, viria a proclamar sozinho, a República Democrática de Angola. Comentaristas, viriam a chamar a esta como sendo a República Negra Democrática de Angola. Poucos dias depois, a UNITA envolve-se em confrontos com os militares da FNLA ali estacionados, acabando por expulsá-los da Cidade do Huambo.

pombinho9.jpgP - A invasão de Cabinda contou com a participação de mercenários franceses ao lado da FLEC – Frente de Libertação do Enclave de Cabinda, hoje dividida em várias facções e, segundo se consta, subsidiados por algumas companhias petrolíferas que operavam no Enclave e, um batalhão do exército zairense, portador de artilharia pesada. Os invasores foram combatidos e escorraçados pelas FAPLA do MPLA e cubanos, quando aqueles, estavam prestes a tomar  a Cidade de Cabinda.

Estamos em Dezembro de 1975. Cuba desencadeia a “Operação Carlota” que fez desembarcar em Angola sete mil militares deste país caribenho. O Senado norte-americano aprovou a “Emenda Clark”, que impede ajuda militar dos Estados Unidos da América à UNITA e FNLA. Viria mais uma vez a confirmar-se o quanto era perigoso ter os americanos como amigos; eles, sempre viriam seus interesses confirmando-se “americanos, são os amigos mais perigosos que se pode ter” – assim foi!

3 Ilustrações de Pombinho ( assinaladas com P)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:09
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Domingo, 15 de Agosto de 2021
KWANGIADES . XXXV

MOKANDA DO ZECA - NO MEU ANTIGAMENTE DA VIDA – Tou magrinho, bué triste nos loando muxima iami... já não posso ir na jihenda da Malta do Cú Tapado - Crónica 3180 (do Kimbo) - 13.08.2021Sexta Feira ... Kwangiades: - Derivado das musas do kwanza

ZECA MAMOEIRO.jpg

As escolas da kizomba   kimbo 0.jpgCom Jose Santos AGO 2021

TONITO UUABA! Aiué k Mano ué! A Jihenda tua é brasa de fogareiro de mama..., e pousado no meu kintal do uuabuama lugar do Rio Seco da Maianga! Tuas FALAS mexe comigo e sacode o meu salalé...! Eu, ando nos desgosto Mptukp pessoa trato dos cautela sekulu uafo ué átoa...! Nos passado dos tempo já bwé passado dos feitiço Malamba..., Le perdi os meu jeito nas minha fala e tenho andado nas minha fugas pelas barrocas..., por causa do ximba do kissonde...!

Tou magrinho, bwé triste nos loando muxima iami..., os xipala tem dentro andorinha que faz ninho, os auditório tem tugi reco-reco que não descansa e o tugi é finório..., os meu mano cristalino bwé catrapisca caté parece os pala catrapisca dos antigo VW no beulando pela Mutamba no galar os kilumba dos destino Maximba 3 para os Choupal..., dos mwadié cafezeiros e dos biacos controladores, dos mambo..., de copos de Sbell e de pratinhos de alumínio com jinguba.

zeca02.jpeg Tou proibido de comer atoa kifufutila por causa do coisa Colocolo... Só sopinha da horta do Miguel das Barbas feita na hora de "tasquinha" e peixinho; matona, cacusso, tainha..., e na chapa quente..., e, que nadam num encurralado de celha gigante de misturinha alimento que faz crescer atoa sem N´denge..., e, lellu, caro pra xuxu..., Tu vê só, agora os esperto dos merceeiro licenciado, que lellu pula-pula na berrida e também nos termo dos macroeconomia...

Quando nos Mu Ukulu num queria de saber katé bem dormia..., no colchão de espiga de milho, tinha chevrollet cheia dos atrozes e, agora t´xé tudo como manda a sapatilha...colchão Pikolin..., bruto jeep com tracção bwé decores e para passar por covas e subir picadas..., no lugar de pesca de truta, tordos arraçados e galinhas virgens de mato..., e, agora que acorda muito cedo por caso de aulas e bem nos distancia inventado pelo pula dos confinsna...

zeca01.jpeg Então, catravês ele aprende os orçamento, os despesa os lucro os ponto de equilíbrio satisfação dos budget, que no analisar, se tudo cobre bem e dá pra ajudar os economia, mas tabuada dos nove muito falha os resultado, os regra dos três dos simples, os equação dos segundo grau que dá bwé comichão... Ah! Não tambulakanta, muito embirra com os leitura dos estatística...

Os percentage dos curva sobe e desce, que diz que parece a linha, que vem do Bungo para a cidade Alta do uuabuama da Luua mesmo e, saudoso kurikutela... A tua prosa, o teu missosso é escola, é cultura..., e já tão longa...A tua obediência, o teu prazer diário de divulgar e levar até nós é extraordinário..., e que lá de cima do algodão N´Zambi te abençoe... Katé meu k mano e te acautela do tugi...tu e a IBib...

Araujo194.jpg Ximbicando n´dongu nos cânticos de bela kianda feita kapota, logologo no camenemene do Baleizão e, sob o olhar das palmeiras da Marginal, eu axiluanda como no tempo dos mafulos, dei com o sonho na praia de Loanda…! Aquele lugar que consolava o meu kituku de dilulu; minha kalunga. FUI!

:::GLOSSÁRIO: Atu/mutu - pessoas/a; Axiluanda - antigos pescadores de Loanda; Berridavam - fugiam; Dilulu - de sabor amargo; Kalunga - mar; Kapiango – roubo; Kianda - sereia; Kituku - mistério; Kúkia – sol nascente; N« dandu – parente; N´dongu - canoa; Ngana NZambi - Senhor, Deus; Malembelembe - muito devagar, com cautela; Mafulos - Holandeses; Mayanga - Maianga, um dos bairros antigos de Loanda; Trumunu - jogo de bola de trapos; Undenge ami um moamba - minha infância de moamba; Uuabuama - maravilhoso Kuatiça o ngoma! – Toquem os tambores; mafulos – holandeses; Ximbicar – remar com bordão; Kapota – galinha do mato; kurikutela – comboio vagaroso;k mano – mano do coração; Tambulakonta – toma atenção, cuidado; Um Ukulu – Do antigamente; Baleizão – gelado, picolé; Pikolin – Colchão de molas;matona – peixe da bahia da Luua; Luua – Diminutivo de Luanda;  Colocolo – Corona Virus; kifufutila ou kafufutila – perdigotos ao comer e falar ao mesmo tempo; Sbell – Wisky da Catumbela, cachaça; tugi – merda; maxima – autocarro, bus, machimbombo; Choupal – Cabaré, can-can, Bataklan; Xipala, T´Xipala – foto; Jihenda – luta , labuta; seculo – mais velho, idoso; Mtukp – M´Puto k pariu, Portugal; mwadié – brango, goeta, xindere (perjorativo);uafo – morte, morreu; Malamba – palavra; átoa – de qualquer maneira; Kissonde – formiga grande; ximba – bicho; beulando – passeandoo abandono…

ZECA 20210808



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:08
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Quinta-feira, 12 de Agosto de 2021
MISSOSSO. XLV

MEDITAÇÃO DO T'CHINGAS... A maioria de nós tem ou já teve um apelido… Crónica 3179 de 12.08.2021

dia204.jpg

Por   soba k.jpgSoba T'Chingange - no AlGharb do M´Puto

A maioria de nós tem ou já teve um apelido. Alguns gostam do apelido que recebem; outros, nem tanto. Estes apelidos têm diferentes origens. Uma delas associa características das pessoas com animais. Assim, alguém pode ser chamado de leão, porque é muito forte; raposa, porque é muito esperto; ou cobra, porque é muito astuta. Meu apelido é característico da terra que me viu crescer depois de minha singularidade no porão dum barco chamado de NIASSA; lugar escolhido por mim para nascer, mesmo antes de o ser, gente.

nyassa5.jpg Assim, meu primeirissimo apelido é esse, o de NIASSALÊS que tem como origem o lago que deu o nome ao VAPOR e, que agora se chama MALAWI. O mesmo que levou os primeiros militares para a Angola em levante com o chamado "terrorismo" no ano de 1961... Talqualmente, o mesmo navio, vapor, paquete, que fechou o círculo colonial transportando a última bandeira içada no dia 10 de Novembro de 1975 e retirada sem pompa nem fanfarra, embrulhada murcha e recambiado para a Metrópole em Lisboa. Antes do grito de "independência com vitória ou morte" no cerne do acontecido, a bandeira Lusa era retirada quase à surdina no Palácio da Luua Alta e, escapulida sorrateiramente numa lancha que a levou àquele barco, bem ao largo, no mar, desde o largo até aí chamado de Diogo Can.

nasc2.jpg Pude ler muito superficialmente nas Escrituras, que Deus usou alguns apelidos para designar Seu povo. Daí que não precisaríamos preocupar-nos por sermos conhecidos por águia, se leão ou até mabeco, Urubu ou abutre que é o mesmíssimo predador. Mas, porque essa Ave chamada de águia está associada com agilidade, soberania e imponência assim sendo, encontramos um clube do M'Puto com seu desenho no equipamento - O Benfica, com aqueles sempre auspiciosos encejos e desejos de ser campeão. Também não ficaremos tristes se nos chamarem de leão, sinónimo de força e poder também associado a outro grande clube chamado de Sporting. E, embora eu seja sportinguista, não deixo de querer ser também Pantera, por via da bandeira de minha singularidade, a NIASSALÂNDIA, símbolo de um país que já não o é!

mlibize kariba6.jpg Triste sina, esta de já não ter "meu país" e meu berço que agora é viveiro de cachuchos, corvinas, garoupas, pargos e patas-roxas entre outros peixes que me dão serventia por via das maravilhosas caldeiradas. As comezainas que me permitem alimentarem a vida gulosa neste lindo AlGharb do M'Puto. Bem! Também temos as chamadas raposas, ágeis e espertas. Entretanto, o Nosso Senhor escolheu um animal inexpressivo para nos apelidar: As ovelhas que são animais indefesas, pois não lutam nem correm e até servem de petisco... Trata-se de um bom apelido para quem carrega muitos medos, diga-se... Jesus, no entanto, insiste em chamar-nos dessa maneira: “Eu os estou enviando como ovelhas...”; “Eu sou o bom pastor; conheço as Minhas ovelhas, e elas Me conhecem...” (Jo 10:14); “As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz...” (Jo 10:27); “Pastoreie as Minhas ovelhas...” (Jo 21:16). E, mas então, porquê Ele nos chama assim?

Há muitos motivos. Talvez o melhor deles seja porque a ovelha parece ter aprendido algo que garante sua segurança: Depender totalmente do pastor. Naturalmente, o ser humano luta por independência; na juventude, experimentamos essa condição de maneira bem intensa. O problema neste processo, é o de que podemos nos atrapalhar na busca de independência pois que isso de ser-se livre é, bem perigoso... Está a ver-se...

O Soba T'Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:08
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KAZUMBI . LXIX

MOKANDA DA LUUA – KAPIANGO - Luanda do Mu Ukulu Era uma vez … O tempo ruge - Crónica 317812.08.2021

- Kinguilas, as fugitivas da Independência - III de IV

kinguila4.jpg

Por soba002.jpg Soba T´Chingange no AlGharb do M´Puto

kinguila1.jpg  Na Luua, algures... Não têm cartões multicaixa, levam um papelinho muito gasto ao balcão com nome e número da conta para averiguar. Começam a entrar às 8h00 e só param no início da tarde, comendo poeira e fome. A burguesinha, essa, trabalha nos Bancos enquanto não há despedimentos. Fatinhos com calças e casacos apertados, elas com boas roupas oferecidas por não se sabe quem, com vestidos parecendo que estão na “City” de Londres. Em comum, têm a vaidade, a arrogância, a jactância, a mente vazia.

Não dão confiança aos pobres, aos sujos, como que para enxotarem a sua consciência. Ah, os burguesinhos da Sonangol também não se misturam. Mas às 12h00 eles ficam com água na boca, quando os inexistentes aparecem no muro baixo com dezenas de recipientes de alumínio com almoço para venda, cada mil. Os pobres? Estão por todo o lado na Baixa de Luanda, imóveis. Pobres, é uma maneira de escrever, porque nem mesmo todo o dinheiro do mundo os tiraria da pobreza, porque, na verdade, têm medo da riqueza...

kinguila2.jpg Na ilha, de um lado e de outro, onde o Sol nasce e o Sol se põe, era o mundo dos pescadores, um povo que nunca se misturou com os continentais. Os homens, de panos, vinham à cidade dos brancos à tarde, vender ostras e eram exímios nadadores. Não se sabe como a Ilha de Luanda se degradou, foi rápido. De repente a Floresta foi invadida pelo lixo, por rapazes e delinquentes, pela Polícia Fiscal e por barcaças transformadas em empresas.

O hotel Panorama, único no mundo onde os quartos virados para o oceano eram mais baratos do que os quartos virados para a cidade, ninguém sabe como foi destruído, ninguém sabe de nada. Lá dentro há quadrilhas de miúdos, sobrevivem dia-a-dia, entre cheiro de gasolina, liamba e outros acessórios de morte, fugindo à Polícia que os vai rusgando de vez em quando. Assim, sem mais nem menos, os afortunados conseguiram boas casas. Foi só mandar fazer obras com o dinheiro do OGE.

kinguila3.jpg Outros, amancebados com o poder, construíram prédios que noutras partes do mundo são proibidos junto à praia. Os primos começaram a pedir para abrir bares e restaurantes. “São meus primos”, disse-me alguém, “que podia fazer senão autorizar?”.

Há muitos anos, a Ilha estava dividida. As praias não eram universais, havia as dos brancos e a dos “patrícios”. O Harlém era em frente da Marinha e os brancos não punham lá os pés, não se misturavam. Depois passou para os soviéticos que estavam na Marinha, iam todos de igual nadar.

No fundo da Ilha, de um lado e do outro, no Cabo e na Chicala, podia-se namorar dentro do carro, mesmo em 1980 havia segurança. À noite podia-se romantizar, mas depois tudo mudou. Os namoros foram para outros lados; o Cabo foi entaipado com obras, já não se chama assim, é o “Ponto Final”. A Chicala já não tem a rotunda nem asfalto e foi tomada por populações que sobrevivem de muitos negócios, desde venda de peixe, mufete, prostituição e, curiosamente, golpeando veleidades turísticas, o parque de recolha de viaturas do Governo Provincial de Luanda assentou arraiais na Praia do Sol, onde nós íamos com as nossas namoradas nos idos 1960.

kinguila5.jpg Hoje, já ninguém fala dos pescadores. Parece que foram tragados pelo mar. Diz-se "vamos à Ilha comprar peixe", mas não se diz a quem se compra, é a alguém indefinido. Na Ilha, hoje, coexistem sem se misturar os portugueses com as suas praias quase privadas e milhares de jovens que deambulam sem sentido, bebendo cerveja ou convivendo apenas, enchendo todos os espaços ao fim de semana e semeando as praias com cacos de garrafas de cerveja.

A Ilha descaracterizou-se, está entaipada. Do lado direito, infindáveis muros de chapa escondem as praias e a Baía, de noite, longos percursos da avenida estão ás escuras e não é agradável. De repente, encaramo-nos com as rotundas sem iluminação. Mas imperam os restaurantes de luxo, de um lado e de outro, com animação nocturnas, mas sem saneamento básico, tudo improvisado, come e os restos deita no mar.

(Continua…)

T´Chingange do kapiango na Diáspora dos AlGharb`s  do M´Puto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:54
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Segunda-feira, 9 de Agosto de 2021
KAZUMBI . LXVIII

MOKANDA DA LUUA – KAPIANGO - Luanda do Mu Ukulu… Era uma vez … O temp ruge.

Da Luanda actual - Crónica 317709.08.2021

- Kinguilas, as fugitivas da Independência - II de IV

kinguila01.jpg

Por tonito17.jpgT´Chingange no AlGharb do M´puto

Do BCI não é o urinol da esquina, que não funciona, nunca funcionou. Importado a peso de ouro do Brasil, a “casa de banho” faz parte de outras talvez centenas espalhadas pela cidade que nunca funcionaram. Ninguém conhece os contornos do negócio, apenas se sabe que nunca funcionaram, nem se conhece ninguém que tenha lá dentro urinado. O Rialto já não existe, só ficaram as saudades dos apetitosos pregos com jindungo e os finos tirados com a pressão exacta. Em seu lugar, recentemente, foi construído um alvo Monumento ao Soldado Desconhecido.

Os jovens não sabem o que isso seja, imaginam, segundo me disse um deles na rua, ser um soldado sem registo de nascimento. Ali ao lado estão os Correios, já centenários, mas de que ninguém parece tirar utilidade. Perguntámos a um jovem, vagabundeando por ali, o que são os correios. Ele olhou, tranquilo e respondeu muito sereno “não sei, pai”. Ninguém sabe nada, aqui nesta cidade. Também não precisam de saber. O tempo parou, sitiado entre a madrugada das 6 horas e o pôr-do-sol das 18 horas, vaivém, a cidade se povoa e despovoa, aqui se faz tudo, mas ninguém é daqui, as pessoas desabitam aqui, por isso não há tempo.

kinguila0.jpg As kinguilas, fugitivas da Independência e da puliça, andam nos extremos da extensa avenida N´Zinga ou Ginga dominadas pelo banco estatal BPC, a agência Kaponte e a agência lá do fundo perto do Eixo Viário, ao lado da Unitel. Ninguém sabe o que é Kaponte, os jovens, desempregados, não sabem nada, não lhes diz respeito. Mas Kaponte pode ser uma pequena ponte, aquela ponte que liga à Praia do Bispo e onde se mataram, dizem, brancos desesperados com dívidas ou com desamores, naqueles tempos remotos antes do setentaecinco, tudo junto…

Lá dentro do BPC, para onde os mais velhos espreitam, diz-nos o jovem M´Bambi, nunca há sistema nos computadores, especialmente, reforça, depois das 14h - 14h30. Os funcionários querem ir para casa e não toleram mesmo, ser retardados por clientes sem dinheiro, mas com problemas complexos deles, de primos e tios que obrigam a consultas demoradas. Lá fora, um mundo mudo, ninguém fala, toda a gente parada sentando-se onde pode ou polindo esquinas…

kinguila5.jpg É o mundo das kinguilas, as cambistas de rua, as verdadeiras bancárias do sistema, que também vendem recargas da Unitel, são dezenas largas de mamãs opulentas, vigilantes, carregadas de kwanzas e de divisas, inexistentes nos Bancos. Usam um balaio de mateba ou de plástico colorido; cada uma usa sua própria cor. A operação “Transparência” não lhes toca, parecem da família, tudo mancomunado com a grande máquina de lavar dinheiro; as purificadoras do sistema com adestramento no antigo “tira biquíni!” e mais suprimentos e até complementos do tal tão falado de “Roque Santeiro”. Um ar adstringente com cheiro a maboque derramado com mistura de tamarindo…  

kinguila3.jpgSó dão berrida nas pobres zungueiras que povoam a Baixa durante o dia, sempre com um olho aqui outro ali, já estrábicas, tipo ciganas na Europa, prontas a correr em defesa da mercadoria. São as fugitivas da esquindiva, da finfia com finta no aprendizado da Independência.

Mas é também o mundo dos pensionistas, centenas, ou milhares todos os dias desde manhã cedo, ainda quase escuro e ao som dos primeiros pio-pio dos agora raros pardais, seres ainda vivos se abeirando do óbito, tentando ver se a pensão já caiu…

O tempo clareou obscuridades trazendo o lixo na corrente da estória que os  fez junto com os saídos de Angola involuntárias marionetes – a tal de dipanda do tundamunjila. Podia já ter esquecido todo este assunto, um tema deprimente para muita gente e descendentes matutos de mescla escura com mazombos e virgula no entretanto mas, eu mesmo prometi não esquecer este lado negro em terra que por via da descolonização se branqueou… O dólar tem de ser com o tal George de cabeça grande. O próprio George Washington

kinguila1.jpg Num aiué, todos os mitos em torno da “Nação de N´Gola”, as coisas mudam na percepção independente, tudo mudou mesmo muito nos anos da dipanda. Na Luua num repente também passou a ter também pretos de primeira e de segunda só que não querem que isto se saiba por ser assim muito tão cruelmente cruel. A preocupação com a etnogénese podia e pode ser muito bem motivada com a preocupação na degenerescência racial, da “eugenia positiva”, tem mwangolés de primeira e gente de chinelo do pé, tipo rafeiros mas isto, nunca passarão dum tal mito de que África dos trópicos de Capricórnio nunca vai querer analisar com profundidade …

(Continua…)

T´Chingange do kapiango na Diáspora dos AlGharb`s  do M´Puto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:13
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MOKANDA DO SOBA . CLXXVII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XIV

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… Crónica 3176 07.08.2021

-Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo.

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Por   soba k.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

A coluna da FNLA consegue atingir Caxito, onde é dizimada com a entrada em acção dos “Órgãos de Staline” aos quais os angolanos passaram a chamar de “Mwana Caxito”- filhos de Caxito; exactamente por terem sido utilizados pela primeira vez, na capital do Bengo. Esta arma capaz de disparar simultaneamente vários morteiros, foi construída no tempo de Staline, permitindo aos russos resistirem contra os alemães na Segunda Grande Guerra Mundial. Nesse então ganhou o nome de “katiusha”- querida Katia, palavra de código utilizada entre os comandantes das frentes. Nos EUA, chamam-lhe “Tio Sam”. 

Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. A 9 de Março de 1975, no M´Puto, Spínola foi informado por oficiais amigos da operação matança da páscoa, um plano do Partido Comunista Português e os militares mais radicais do COPCON e da 5ª Divisão, apoiados pela União Soviética, para realizar uma campanha de assassinatos políticos, onde Spínola e seus apoiantes constavam como alvos, como parte de um golpe de estado para tomar o país. 

mocanda21.jpg O herói do monóculo e pingalim e luvas de coiro preto chamado de Spínola, escapa-se de helicóptero para Talavera de La Reina, em Espanha levando com ele a valentia que num repente enferrujou na apatia medrosa, com mofo e atitudes encardidas de vergonha. Entregues ao acaso, na Luua, as Forças Militares dum exército que deveria ser de conjunto, ao invés de apagar o fogo como o deveria ser, ateavam ainda mais os incêndios. Lopo do Nascimento mentia com todos os dentes dando força ao tal exército popular do seu MPLA – “victória ou morte” – Aiué, Nossa Senhora da Muxima nos acuda!...

As FAPLA, atacaram e destruíram com blindados o quartel da FNLA em Kifangondo. Ninguém se insurgiu neste uso de blindados! Deveriam ser apreendidos pelas N.F. mas, ou as ordens se perderam no caminho ou lhes faltou coragem para actuar. Podemos acreditar em tudo porque nada foi feito! Era mais fácil desconhecer tal gravidade. Lobito, Benguela e Sá da bandeira eram agora as cidades refugia dos deslocados de guerra idos do Norte, Malange Luanda, Uíge e muitas outras localidades.

mocanda31.jpg A etnia branca rotulada de colonos, já não acreditava nos nacionalistas; desesperavam por não ver a situação normalizar. Não dava para esperar! As escolas já não funcionavam, os dispensários médicos iam ficando sem gente capacitada, as instituições iam ficando desertas de gente com poder de decidir. O “lar do Namibe” uma cooperativa de construção comunicou-me que já tinha direito à tal casa mas, esta carta por ali ficou em cima duma estante a desaguardar num tempo que se esfumou.

Em Outubro de 1975, no dia 23, militares sul-africanos praticam a primeira invasão de Angola, dominando uma faixa ao longo da fronteira com a Namíbia, de modo a travar os movimentos das tropas da SWAPO, então apiadas por Luanda. A Organização de Unidade Africana tenta desesperadamente a reconciliação, enviando a Luanda uma missão que propõe um governo de unidade nacional. Tinha todos os condimentos para o fracasso e assim foi porque o MPLA já tinha as linhas de seu programa estabelecidas. Os generais de aviários progressistas portugueses já tinham delineado o trajecto por forma a levar o MPLA à posição cimeira na governação do território.

mocanda32.jpg Face à situação, quatro presidentes africanos reúnem-se numa mini-cimeira em Dar-Es-Salaam, capital da Tanzânia, país surgido da fusão das antigas Tanganica e Zanzibar. Nenhum acordo é conseguido. Julius Nyerere da Tanzânia e Samora Machel de Moçambique, defendiam o domínio do MPLA de Neto sobre Angola.  Kaunda da Zâmbia e Sir Seretse Khama do Botswana, eram partidários de um governo de unidade nacional que incluísse representantes da FNLA e UNITA.  Era chover no molhado…

O PCP da metrópole da colónia, "tentou a sua sorte para poder desempenhar um papel determinante na evolução do país. "A verdade é que a descolonização de Angola estava a ser executada. "Mas, uma facção dos comunistas, pressionados pela URSS, queria controlar o processo". Em Angola, as N.T. já nem saíam dos quarteis! Tinham sim um enorme desejo de serem rendidos e regressar à Metrópole do M´Puto. Nem pareceria ser relevante acudir a casos graves em defesa de gente Lusa. As teses do PCP vingavam em Portugal e Angola. Os novos mandantes a reboque deste PCP mudariam funcionários, quadros e militantes com acções reais no terreno. Preparava-se mais uma cimeira no Quénia mas ninguém acreditava nisto; Nem os próprios intervenientes!

spi3.jpg  Nas três primeiras semanas de Junho a FNLA e MPLA tinham aprisionado mais de duzentas pessoas, a maioria brancos, nalguns casos com seus familiares. Os edifícios públicos eram simplesmente ocupados pelos Movimentos; coisa sem lei nem roque! A cintura à volta de Luanda erguida pelo MPLA era uma realidade! E, tinha gente treinada na Metrópole propositadamente preparada para fazer parte deste MPLA; militares pagos pelo M´Puto e inteiramente destacados naquele Movimento como se dele fossem, com fardamento próprio do MPLA. Ainda ninguém trouxe isto às claras porque o sigilo estava por demais resguardado e, só alguns oficiais o sabiam.

mfa1.jpg O selo mentiroso do M´Puto

Nakuru era folha morta! “Numa situação de guerra em Angola, como e a quem se ia entregar a sua governação?”. – Era o próprio Silva Cardoso, Alto-Comissário, que se interrogava falando baixinho para que os demais ouvissem. Neto reclamava a saída deste! Ele queria que assim fosse e, isto era o bastante! A maioria dos oficiais portugueses andava a assobiar ao vento! Triste ironia desta nítida má-fé e, de quem ainda anda por aí recebendo benesses e até medalhas de bom comportamento.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:09
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Sábado, 7 de Agosto de 2021
PARACUCA . XXXIX
Crónica 3175  de 07.08.2021 - SALVAGUARDAS MORAIS
MEDITAÇÃO DO T'CHING . NAS CINZAS DO TEMPO

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Por soba k.jpgT´Chingange - no AlGharb do M´Puto

Há uma alarmante vulgaridade na conversação dos dias atuais, o que demonstra o estado baixo dos pensamentos e da moral. E, a classe política ao mais alto nível está enveredando por estes facilitismos populares ou populuxos.
A verdadeira dignidade de CARÁCTER é cada vez mais rara. Pouco se vê com verdadeira modéstia e reserva. Poucos são os puros e incorruptos. Pensamentos poluídos acariciados tornam-se hábito, e nosso coração é ferido e manchado por pura omissão ou indiferença do "deicha para lá"...

coroa de frade.jpg Pratique uma vez uma ação má e se formará uma mancha que nada a poderá remover, senão o sangue da mente; e, a falácia é má conselheira, se o hábito não for abandonado com firme resolução, a pessoa se corrompe e as correntes que fluem dessa fonte corruptora corromperão outros... Tudo virará uma vulgar missanga de vida. A existir Deus, este, decerto, olhará com desprezo essas coisas. Pensamentos poluídos acariciados tornar-se-ão hábito, e o coração é ferido e manchado vendendo ao desbarato seu carácter...

dia82.jpg Há pessoas que convidam à tentação; colocam-se nas posições em que serão tentadas, ou em que não podem deixar de o ser tentadas por sufoco, quando se colocam em associações objetáveis. A melhor maneira de conservar-se isento de pecado é agir sempre em todas as circunstâncias com a devida reflexão e recato.

Nunca agir ou proceder por impulso é o lema. Hajam tendo sempre presente o temor de um Deus qualquer, e estarão seguros de agir correctamente; então deixem que o senso certo, cuide de sua reputação. A calúnia não poderá manchar uma partícula do caráter. Ninguém o pode degradar senão nós mesmos, por nosso próprio procedimento, seja por vaidade ou de extasiado ego...

girasol1.jpg A mente tem de ser conservada meditando em assuntos puros. As sugestões impuras têm de ser despedidas imediatamente, entretendo-se nos pensamentos puros, elevados, santa contemplação e, obtendo assim mais e mais conhecimentos.

Pela educação da mente na contemplação de coisas celestiais ou mesmo terrestes, haverá meios simples na predisposição de todo caso individual, suficientes para assegurar o grande objetivo: a nossa salvação! Salvação do homem, da humanidade. Resolvam assim alcançar uma norma alta colocando alto seu alvo - hajam com propósito sincero, como o fez Daniel, que firmemente, segundo relatos bíblicos e, perseverantemente, por coisa alguma que o inimigo possa fazer. Impeça assim seu aperfeiçoamento. O futuro, é HOJE... Amanhã será tarde...
O Soba T'Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:35
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Quinta-feira, 5 de Agosto de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXVI

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XIII

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… Crónica 3174 05.08.2021

-Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”… “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por   soba15.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em Abril de 1975 Jomo Keniata organiza a Cimeira de Nakuru no Quénia, na qual a UNITA, MPLA e FNLA acordam na formação de um exército nacional único. Neste mesmo mês Savimbi chega a Luanda. Cerca de dois meses depois, o MPLA destrói um quartel da UNITA na capital., chacinando militares e civis ali bivacados – este episódio ficou conhecido por “MASSACRE DO PICA-PAU”, nome do bairro que albergou o quartel. Definitivamente o MPLA, pelas ordens de Rosa Coutinho, o cunhado de Agostinho Neto, não queria nenhum dos outros Movimentos intervenientes no “ACORDO DE ALVOR” em Luanda. Eu direi que este foi o mais escandaloso “DESACORDO” na estória recente que envolve países dos PALOPS.

picapau1.jpg Em Julho de 1975, começa a batalha pelo controlo de Luanda. MPLA e FNLA envolvem-se em violentos confrontos que originam a expulsão dos homens de Holden Roberto da capital, muitos deles zairenses com fardas do ELNA. O MPLA com ajuda das “NT - Nossas tropas - Tugas”, em logística e armas, utiliza todos os meios para combater a FNLA, incluindo a calúnia e mentiras absurdamente irreais como chamar antropófagos aos militares deste movimento. Vísceras supostamente retiradas das casas dos dirigentes da FNLA foram exibidas…

Coisa mais macabra, até parece mentira e, decerto não virá nos anais da estória contada por medíocres historiadores da praça Lusa. Assaltaram o Laboratório do Instituto de Medicina Legal de Luanda para retirar órgãos humanos e propagandearem a seguir em muitos posters, que a FNLA era um bando de antropófagos, que comiam fígados e corações de gente – Uns canibais, afirmavam eles! A médica responsável pelo Laboratório deu à língua e, misteriosamente desapareceu. Algum tempo depois foi encontrado um cadáver feminino calcinado pela cal, possivelmente o seu. Tudo valia para lançar o terror e, principalmente à população branca… Naqueles tempos da Luua, todos faziam o que lhe dava na gana com a “Kalash” na mão, saltando no tempo do tempo…

picapau6.jpg Sem definir datas ou horas exactas com gente impreparada e, miúdos “pioneiros” faziam querer tomar o controlo de tudo e, por modos de provocar a fuga de brancos e assimilados, mazombos como eu… A lei, a ordem, a justiça eram coisas quase inexistentes ou anedóticas pela pior das negativas… Um retrocesso ao tribalismo com todas as nuances, tudo muito carregado de misticismo e crenças de quimbandas ou sobas analfabetos e sem o mínimo de preparação para gerir o que quer que fosse.

Melo Antunes, Mário Soares e outros encarnados na vermelhidão, decerto lá nos areópagos internacionais, não dissertavam conversas destas com Kissinger porque para estes, tanto se lhe dava que fosse assim ou assado, logo que tivessem o controlo do ouro negro – o petróleo já a sair pelo tubo ladrão da Golf Oil Americana. Alguns de nós, manietados de todo, a tudo assistíamos martelando caixotes, rilhando o dente sem mais poder fazer, pois nossos magalas do M´Puto ajudavam as hordas de pseudo-revolucionários e, até ajudavam a pilhar nossas casas. Foram vistos e filmados nas avenidas Brasil e Combatentes a roubarem em dia claro…

picapau8.jpg Já não havia médicos em Luanda, eram escassos ou desactivados. Os géneros de primeira necessidade faltavam. Os assaltos a armazéns eram constantes e as cadeias de abastecimento não funcionavam – Era a candonga a funcionar. As filas nas padarias eram formadas a partir da uma da manha com sapatos, tijolos e marcas indicadoras de tal e tal pessoa. Um troca-me isto por aquilo e as bolachas num repentemente desapareceram, tal como a farinha e compotas – permutas de tudo o imaginário, uns roubados outros esticados daqui e dali formando um esquema nunca pensado. O bivalve chamado de mabanga, só usado para isca de pesca, passou a ser comido com arroz; a fome era negra… Num repente rebentava aqui e ali no meio dos bairros citadinos granadas de morteiro. Via-se o levantar de pó, terra e trastes, sei lá mais o quê!?

Um aiué; salve-nos Nossa Senhora da Muxima que os homens andam loucos, embalando corotos, fazendo caixotes, fazendo de carregadores, fazendo a estiva no porto de luanda e candongando coisas e pedras chamadas de feijão branco como salvaguarda, um aí Jesus que isto, como vai ser e, davam voltas em si mesmo ate tontear, para esmoer a fúria. As “NT -Nossas tropas” tinham ordens para ajudar na desordem! A raiva subia-nos em vapores com cheiros inexplicáveis…Era o medo, tal como tinha sido previsto pelo pai do terror chamado de Rosa Coutinho…

negro3.jpg E, quanto aos novos supostos dirigentes tinhamos muitos receios. Dos três líderes nacionalistas, era Savimbi o mais inteligente, o mais hábil e o mais forte politicamente para uns; também para mim – também o mais conotado com os militares portugueses no antes da Abrilada. O Agostinho Neto, cunhado do Rosa Coutinho era um desclassificado poeta, umas merdas escolhido para ser o chefe da nação. Os políticos da nova vaga vermelhusca do PREC não se cansavam de repetir isto e aquilo sobre Jonas Savimbi e sua colaboração com os militares antes do “vinticinco” de 74.

Para o MPLA, era incontestavelmente seu líder Agostinho Neto, um medíocre poeta com formação universitária em Coimbra – O homem escolhido pelos generais e afins do MFA (Dizem agora, ter sido o menos mau!). Quanto a Holdem Roberto não tinha solida formação política, era um fraco e facilmente corrompido; dependia de Mobutu e dos americanos de uma forma sorrateira mas sobejamente conhecida e, rastejante! Nos muitos dias insólitos daqueles tempos, na meditação actual, encontro factos mágicos na revisão de amigos que me fazem medir o tempo com quartilhos e rasas como se feijões o fossem. A UNITA também se retira de Luanda para o Huambo, antiga Nova lisboa. O MPLA fica dono e senhor da capital, a Luua.

gurra10.jpg Em Outubro de 1975, desembarcam supostamente os primeiros cubanos que passam  apoiar o MPLA contra a FNLA tal como o combinado entre Fidel de Castro e Otelo Saraiva de Carvalho, o pseudo-herói do VINTICINCO de Abril, conhecido como a rebelião dos capitães. Diz-se que já havia em Angola e Congo Brazaville cubanos em treinamento para ultimar sua entrada em Angola antes do 11 de Novembro. Esta força foi em ajuda ao MPLA contra a FNLA; esta força que avançava para tomar Luanda, uma coluna na qual se incluíam mercenários de várias nacionalidades, portuguesas incluídas tal como Santos e Castro um oficial superior; também havia um elevado número de zairenses - sete ingleses, dois americanos, um cipriota, um escocês e um sul-africano são feitos prisioneiros e num julgamento sumário, mais tarde, foram fuzilados…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:37
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Quarta-feira, 4 de Agosto de 2021
CAFUFUTILA CXXXI

A VIDA NUM PISCAR DE OLHOS... Cafufutila ou kifufutila – É deitar “gafanhotos” ou falrripos de farinha grossa pela boca quando se come kikwerra … O TEMPO02.08.2021- Crónica 3173 - O homem vive pouco tempo e passa por muitas dificuldades; brota como a flor e murcha; vai-se como a sombra passageira - não dura muito. Isto é bíblico...

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Por soba k.jpgT'Chingange no AlGharb do M'Puto.

Em 2015, a actriz Julie Andrews foi homenageada pelos 50 anos do lançamento do filme A Noviça Rebelde. Ao final de seu pequeno discurso, ela afirmou: “É estranho perceber que 50 anos se passaram desde que o filme foi lançado. Eu pisquei e, de repente, estou aqui.”

Assim é a vida: 50 anos se vão num piscar de olhos. Você consegue ter noção de como o tempo voa? De facto, é mais fácil perceber a velocidade do tempo quando já passamos por ele. É tão verdade como o desfragmentar de um átomo.

monteiro4.jpgNo início da vida, a impressão é de que vai levar muito tempo para alcançar a idade de nossos avós. Quando menos se imagina, isso ocorre. Num repentemente, já somos avôs e bisavós... Dessa maneira, a Bíblia nos aconselha a aproveitar a vida com sabedoria. E no entanto, só a leio de quando em vez, quando o rei oscila depois de tornar comendador um qualquer pé rapado... É a vida!

Na epístola de Tiago, há uma pergunta simples e importante: “Que é a sua vida?” (Tg 4:14). O próprio autor responde: “Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e, depois se dissipa.”

monteiro3.jpgBiblicamente, a vida é definida, em termos de tempo, como um vapor, ou seja, algo fugaz. Moisés escreveu: “Pois a vida passa depressa, e nós voamos!” (Sl 90:10). Nesta existência efémera é que tudo acontece. Escolhemos caminhos, realizamos sonhos e decidimos onde ou aonde vamos passar a eternidade no algodão. E, o salmista completa: “Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria”... Um coração sábio: esse é o segredo para transformar a vida em algo especial e produtivo. Devemos lembrar-nos de nossa singularidade: Hoje é o momento de tomar essa importante decisão. Independentemente do número de anos...

A vida passará rápidamente. Portanto, se você deseja viver de modo pleno e significativo, deve priorizar agora o essencial: deixe-se ocupar no primeiro lugar no seu templo. Lembre-se, a vida passa depressa, e “em breve, tão breve virá, e não demorará” Hoje, aproveite o tempo ao lado de sua FÉ

monteiro6.jpg Muitos dos descolonizados deixaram que a morte chegasse para os aquietar, outros também se tornaram políticos e salvo raras excepções corromperam-se, venderam-se e tornaram-se gatunos oficiosos. Com virtudes, poucos irão ficar enaltecidos na estória. Os direitos humanos foram direitinhos para o esgoto, o lixo bem abafado por ser tóxico. Muitos ficaram sem a vida ainda lá na dita Província Ultramarina do ”O escambau” tendo como carrascos patrícios do PREC e outros merdas que a estória terá de contar tim-tim por tim-tim.

Mas que leis foram estas para nos destinarem tal fim! Prometi-me não esquecer isto! Desta merda de leis sem ressarcimento feitas por estes Edis deputados de aviário cuja vastidão de seus maus desejos nos paralisou: E dizem-me que esqueça! Esqueço o escambau!…

Feliz semana e ano de 2021

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:34
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Terça-feira, 3 de Agosto de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXV

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIAXII

INDEPÊNDÊNCIA DIVIDIDA Crónica 3172- 31.07.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”…

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Por   soba k.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

A “Ponte LuuaLix” tem a participação de varias companhias de aviação tais como a soviética Aeroflot que se dispuseram a retirar um grande número de gente que até ali, só atrapalhava as directivas do MPLA. A criação do Quadro Geral de Adidos na Metrópole - Lisboa, veio acelerar o processo de escoar este elevado número de gente que detinha o controlo da Administração; tudo pensado para provocar a debandada. Era forçoso retirar os brancos pois seus lugares de direcção, teriam de ser ocupados pelos novos senhores. “Branco vai para a tua terra” era o que mais se podia ouvir, nas ruas, nas escolas e aonde quer que o fosse e se estivesse…

fotografo1.jpgEnquanto o controlo de Luanda se fazia ouvir pelo crepitar das armas, “desperdiçando” milhares de balas tracejantes para o ar, com o intuito claro de amedrontar a população acossada por comunicados das rádios ao serviço do MPLA, em Nova Iorque, o ex-agente da CIA Philipe Agee e o jornalista Steve Weisman, denunciam que a “Central” destinara 32 milhões de dólares “para apoiar o anticomunismo em Angola”. Os primeiros cubanos desembarcam no “país”. Uma coluna da FNLA, com mercenários e seus guerrilheiros, é derrotada às portas de Luanda.

Sul-africanos praticam a primeira invasão da Província do Cunene. A UNITA inicia a fuga para Sudeste. A República do Zaire invade o Enclave de Cabinda. O futuro estava terrivelmente comprometido. A 11 de Novembro festejam-se as duas independências no país que Portugal colonizou por quatro séculos, mas de onde nunca retirou o grosso da fatia das suas riquezas. O MPLA proclamou a República Popular de Angola em Luanda e, a UNITA e FNLA uniram-se no projecto da República Democrática de Angola, que veio a falhar. Antes de se falar da Batalha de Luanda, vai aqui recordar-se de forma breve a estória a partir de 18 de Junho do ano de 1974.

fuga6.jpg Nessa data, Silvino Silvério Marques é nomeado governador de Angola. Cerca de um mês depois, é substituído por Roa Coutinho, como Alto-Comissário. O “almirante vermelho” foi exonerado em Janeiro de 1975, sob pressão da UNITA e da FNLA, que o acusavam de beneficiar o MPLA. Neste meio tempo Rosa Coutinho traçou toda a trajectória para o MPLA alcançar a victória; foi ele o mestre das políticas que se seguiriam fornecendo àquele movimento todo o tipo de armas armazenadas nos paióis, mais logística e facilidades consideradas de “traição à pátria mãe” e aos outros dois movimentos que faziam parte do famigerado “Acordo de Alvor”.

A 27 de Julho de 1974, em Lisboa, Spínola reconheceu “o direito à independência dos territórios africanos”. Entretanto Joaquim Pinto de Andrade, fundador e presidente de honra do MPLA, adere à “Revolta Activa”. O Congresso, que visava a união das três facções do MPLA, fracassa. A caminhar muito rápido para a Batalha de Luanda, em Janeiro de 1975, dão-se três acontecimentos, a saber: Cimeira de Mombaça, Quénia, onde o MPLA, FNLA e UNITA acordam no reconhecimento mútuo; Acordos de Alvor que fixam a datam da independência para 11 de Novembro do mesmo ano; tomada de posse do Governo de Transição quadripartidário.

fuga8.jpg Em Fevereiro de 1975, a facção Agostinho Neto, dissidente do MPLA, expulsa de Luanda os membros da “Revolta do Leste”. Daniel Chipenda, seu presidente, vê-se forçado a aderir à FNLA. Pela primeira vez, entra em acção apoiando Neto, o “Pode Popular” uma criação do sempre presente Rosa Coutinho que, mais tarde é constituído na ODP – Organização de Defesa Popular, uma cópia politizada à esquerda, constituída por civis, OPV – Organização Provincial de Voluntários, de civis enquadrados por oficiais do Exército e que, na prática, funcionava nos territórios ultramarinos como uma milícia de defesa. Esta criação engloba os “pioneiros” enquadrados por guedelhudos do M´Puto que lhes dão treinos com armas de madeira a fingir metralhadoras.

Em Kampala, o presidente da OUA, idi Amim, insistia para que a data da independência fosse mantida sendo Portugal a responsabilizar os nacionalistas por um não acordo. O Secretário-geral da UNITA presente à conferência acusou as FAP de não se oporem à entrada de armamento e mercenários a ajudarem o MPLA no Lobito, Sá da Bandeira e Pereira D´Eça. Em Pereira D´Eça o comandante português entregou o aquartelamento a elementos do MPLA tendo-os vestido com camuflados do exército português, uma clara desobediência e afronta por ser esta região afecta à UNITA.

fuga7.jpg Este procedimento foi de uma nítida e grosseira degradação moral para as autoridades portuguesas. Manuel Resende Ferreira disse neste então: -Ainda havia esperança e soldados que não nos abandonavam. Referia-se ao Tenente Fernando Paulo e alguns dos seus homens que resolveram desobedecer ao comando para protegerem um grupo de refugiados no Chitado. Para o efeito criaram ali uma zona de segurança. São estes os heróis esquecidos, soldados de Portugal que abandonam o exército comunista Português para protegerem cidadãos e, lutar contra a anarquia comunista. E, que foi feito do Tenente Fernando Paulo?

As feras foram largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 do MFA. A Luua eclipsava-se! Tarde piaste! E, agora vamos fazer o quê para o M´Puto? As NT - Nossas Tropas já não eram nossas. Davam cunhetes, canhões e até carros de combate numa perfeita cooperação de entreajuda FAP- FAPLA mandando prólixo os acordos de Alvor, da Penina… O MPLA tendo como mentor Rosa Coutinho, na Luua inventava a maka! Inventava os pioneiros! Depois o Poder Popular! E surgiu o Kaporroto, o kuduro e a victória é certa. Eles já tinham inventado o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito…

gad2.jpg As makas organizadas com o objectivo de criar o caos, originar pancadaria e depois a vitimização já tinham características de sofisticada mentira; meter tudo no barulho, pressionar psicologicamente e criar condições de favorecimento por parte dos militares do MFA, as NT, o CCPA – Comissão de Coordenação do Programa do MFA e o Alto-Comissário…Já se fazia tudo às claras. Em um encontro de Melo Antunes com Henry Kissinger, aquele responsável português e a pedido do Secretário Americano disse que era difícil de lidar com Neto; que era difícil de o classificar politicamente como um comunista ortodoxo! À coisa dada (Angola) teve a desfaçatez de dizer que a liberdade, não se recebe, arranca-se! Com estes laivos de poeta, Neto, dava dicas torpes de mau agradecimento aos militares revolucionários do M´Puto. Bem feito, cambada! Alguns não gostaram…

(Continua…)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:50
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Sexta-feira, 30 de Julho de 2021
CAZUMBI . LXVII

MOKANDA DA LUUA – Luanda do Mu Ukulu, era uma vez . I de IV

A realidade da Luanda actual. Crónica 3171 – 30 de Julho de 2021

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kimbo 0.jpgAS ESCOLHAS DO KIMBO

Publicado a 5 de Outubro de 2019… Fonte Jornal de Angola

Ao domingo, entre o largo do Baleizão e a Lello, a avenida Rainha N´jinga, antiga avenida dos Restauradores, transforma-se numa pista. Apesar da sua proximidade com a principal esquadra da Polícia Nacional, a larga via não é patrulhada nem possui qualquer sinalética horizontal, num vasto percurso, nem passadeiras para peões. Quando cai a noite, um grande troço mergulha na escuridão por ausência de iluminação pública, mas ao lado do degradado e agora entaipado Baleizão a iluminação funciona sempre em quatro postes, dia e noite. No lado oposto, há troços sem iluminação, que só surge lá no fundo, nas imediações da empresa francesa Total. Não é raro ver-se, aos domingos, carros e motorizadas a alta velocidade e jovens a patinar nas faixas, tudo num zigue-zague despido de temor no meio de centenas ou milhares de jovens que vão ou vêm da Ilha a pé e passam rapidamente pela “cidade” ao encontro dos seus bairros.

Mu Ukulu52.jpg É a rua que liga a Fortaleza de S. Miguel, hoje Museu Militar, e anfitriã do centro comercial Fortaleza, ao centro da cidade. A encosta da fortaleza já foi poiso de macacos nos tempos idos do colonialismo e a rua que a circunda lugar de namoro romântico. O centro de Luanda onde imperam os altaneiros e novéis prédios da Sonangol, em vias de ser privatizada, a antiga livraria Lello, hoje fantasmagórica, o largo da Portugália, onde os portugueses faziam câmbio paralelo, com as suas duas árvores-avós, o prédio da Biker - ainda com alguns serviços, como a Foto N´gufo, e com um “restaurante típico", fechado com chapas e onde ratos e insectos convivem com o povo real que aí almoça por mil kwanzas, num ambiente “apocalíptico” -, que já albergou mesas de snooker e ambiente de tertúlia de jornalistas, outros tempos, pré-históricos, de que não restam escritos. Ali ao lado destruíram o largo e edificaram dois blocos de vidro com dezenas de andares, onde trabalha uma classe burocrática nacional-expatriada.

Mu Ukulu46.jpg Mas a grande avenida não se detém, na esquina onde era a Sonylândia e hoje é um banco, estreita-se, a Moviflor portuguesa substituiu o luxuoso Quintas & Irmão, cujo dono permaneceu na Independência, mas viu a sua casa ocupada ilegalmente, e o fundo da rua desemboca no Eixo-Viário, uma obra feita pelo colonialismo português, que liga o Kinaxixi à Marginal e ao Miramar, hoje quase toda castanha e sem verdura, com iluminação aqui e ali. As árvores começaram a ser arrancadas em 1975, quando começou a faltar o carvão para cozinhar, e o Largo do Ambiente é frio, nada acolhedor, quase escuro e sem presença humana. Eixo-Viário do antigo Benfica de Luanda do Victorino Cunha, onde os portugueses plantaram verdura nas barrocas e a Independência construiu arranha-céus da Sonangol e de outras empresas estatais majestáticas.

Mu Ukulu49.jpg Os abandonados e degradados edifícios coloniais, com janelas com persianas, são na maioria “fantasmas” mudos e quietos, desafiando o futuro da capital. Um mundo novo. Os colonos foram embora e o Estado tomou conta das suas propriedades, expropriou e começou a vender a si próprio ao desbarato. Os elevadores foram destruídos e transformados em contentores de lixo, os corrimãos das escadas desapareceram, divisões e mais divisões foram construídas sem qualquer plano ou segurança para albergar familiares vindos dos bairros e do mundo rural, nada oferecido, tudo pago. Os quintais foram apropriados por quem chegou primeiro e transformados em autênticas “pensões residenciais” surreais, com divisões precárias e sujas alugadas a bom preço, 40-50 mil kwanzas mensais, porque estão na cidade e Luanda é a cidade mais cara do mundo.

Os quintais, ou melhor, os cubículos mukifos, também são alugados ao dia às zungueiras para guardarem as mercadorias que não conseguem carregar para os seus casebres nos bairros. Mas não só, os quintais são pontos de grande tráfego comercial, sobretudo, de bebidas alcoólicas, quem os detém há mais tempo usufrui de tudo o que pode acrescentar dinheiro sem muito trabalho. Os terraços não existem. Em seu lugar surgiu uma miríade de cubículos, muitos de chapa, sem água e quase sempre com luz puxada de gatos e paga mensalmente a alguém, alugados por quem chegou primeiro ao prédio e se diz “dono”. O luandense é manso. Quando lhe falam “o dono”, se cala, se ajoelha, submisso, e paga, mesmo que o dinheiro não seja o seu, e depois diz em voz baixa “está mal”.

Mu Ukulu51.jpg Sem árvores… Só se encontram árvores com troncos muito grossos, sinal de longa vida, árvores coloniais, no Largo do Atlético, hoje largo sem nome definido, mas que 44 anos após a proclamação da Independência continua a celebrar a batalha de Ambuíla, que ditou a perda da soberania do Reino do Congo e a decapitação do rei, cuja cabeça foi transportada para a ermida da Nazaré, na Marginal, que este ano comemora 355 anos. Um largo agora fechado e em obras sem prazo. As vendedoras dizem-me que passou para a propriedade do banco BCI, "se apropriaram", diz-me um jovem que todos os dias me pede dinheiro para comer.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (o relator)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:20
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Domingo, 25 de Julho de 2021
XICULULU . CXXXIX

 

MULOLAS DA VIDA

CRÓNICA DE SÁBADO nº 316025.07.2021

BRECHAS DA LEI... TEMPOS SALGADOS

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Por: soba002.jpgT'Chingange, no AlGharb do M'Puto

No mundo jurídico, existem as chamadas “BRECHAS DA LEI”, das quais competentes advogados fazem uso para adiar ao máximo a condenação de algum cliente ou conquistar as mais surpreendentes absolvições de indiciados de NOMENCLATURA. Aqui no M'Puto todos sabem como isto da justiça funciona, das muitas maneiras de tudo se ir protelando até prescrever e ficar tudo em "ÁGUAS DE BACALHAU". Não sei o porquê disto ter este nome quando tudo termina em nada, mas posso acreditar que é pelo cheiro que este deita na forma de dessalar.

araujo200.jpg Enquanto que na prática jurídica se fazem recursos sobre recursos diluindo o tempo, na arte de cozinhar vai-se mudando águas sucessivas para amenizar e, até se pode usar leite no retirar do sal para ser mais perfeito o engenho de cozinhar.

Justiça - Nós, depois de demasiado atazanados, apuramos nas resteas dos pedaços de dúvida, a bem atilada arte de que tudo pode ser falso no viver, ou até, ninguém saber de nada com ataques pimbas de falsificadas amnésias. Deslealdade ou compadrio de acreditar que nunca mesmo, ou depois, rem que tudo fique cozinhado num ARRE ou num vulgar balhame Deus bem à maneira do Norte…

Que afinal os homens tiram seu prazer do medo dos outros, do sofrimento, levando uns e outros à moleza até se acreditar pelo cansaço que uns vão para o céu sem culpas e outros, ARRE, o inferno é-lhes mesmo possível! GRELHA, CHOÇA, PILDRA...

araujo27.jpg O que sempre vejo, mesmo sem querer, é que toda a acção chamada de processo, principia por uma gota de palavra pensada, que vai colando com outras guardadas, fazendo castelos que vão rompendo o rumo por despiste. Depois, a gente que não nasceu ontem, se ganha em experiência, pois sim, coça-se o queixo e aquilo que era deixa de ser, inteligênciando-nos com esses tais de recursos mais instâncias que se arrastam e, que até se perdem por querer querendo; por vezes os ilustres da toga até se dão ao luxo de cortar as folhas e, são mais os buracos do que as fissuras ficando tudo por “assim mesmo”.

E, desmerecidos da cachimónia, notamos a olhos vistos que a situação fica política, assim mesmo sem tino nem prosápia caindo num fundo de resolução, quando toca a dinheiro. E, eu quero mesmo achar a ideia, tomar o rumozinho das coisas, mas fico num houve, que não houve, que nem acredito no como contar, porque estou remexendo e, às vezes não é fácil porque fé, não é! Sempre MILHÕES... É ou não é, NOÉ!?

araujo155.jpg Na vida há sempre quem queira encontrar alguma “brecha”, ou até as crie, na tentativa de justificar atitudes que relativizam princípios, visando ao ganho pessoal ou material... Brechas mais Cunhas Lda... Muitos mascaram o apego ao poder e o interesse em viver sob os holofotes, com o argumento de prestação de serviço altruísta e o escambau. Isso! Voluntariado, associações indevidas, frequência de lugares impróprios e compartilhamento de interesses questionáveis, com motivos “politicamente correctos” - assim se justificam deste simples jeito pela falta do IN...

araujo172.jpg Por causa desse modo de agir, o que, a princípio soa insignificante, pode agigantar-se e, posteriormente causar muito sofrimento a todos nós, os TERCEIROS, por via do CHAKAZUL. Por isso, devemos estar atentos ao facto de que, quando Deus diz: “PARE!”, quer dizer exactamente isso. Mas, parece também que já ninguém vai à missa! Bom dia! Esta "não estória” nos ensina que só estaremos sob o sono de “assim diz o Senhor”. E, assim fica: O PERIGO ANDA SOLTO...

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T'Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:46
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Sábado, 24 de Julho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXIV

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XI

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… Crónica 3169 - 22.07.2021

-Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”…

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Por   t´chingange2.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Com botas de michelin ponta de ferro, calções de ganga, camisola de flanela e chapéu quico com os big-five, curto o calor do dia enquanto o sol se põe a pique com uns agradáveis vinte e dois graus no zénite. Ao cair da noite os chacais miam não muito longe e até posso ver seus olhos amarelos quando dirijo o farolim da varanda em sua direcção. As noites têm sido escuras, o céu fica todo a descoberto e posso ver com perfeição as estrelas do cruzeiro do Sul.

No M´Puto os ratos saiam das tocas! As divergências na CCPA - Comissão Coordenadora do Programa em Angola, atingiram seu clímax! A linha progressista partia nozes com o nariz! Entretanto, Otelo Saraiva de Carvalho chegava ao seu gabinete COPCOM com a prometida ajuda de Havana ao MPLA. Este militar, visto como o novo Ché Guevara, encontrava-se em Cuba desde o dia 21 de Julho para assistir no dia 26 à celebração do ataque ao quartel de Moncada. Isto era o que se fazia constar para não se depararem com embaraços diplomáticos em relações internacionais. Mas, afinal como é que Costa Gomes, o presidente de todos os portugueses alinhava nisto!? Lá iremos…

kianda05.jpg No M´Puto o ordenado mínimo nacional era de 3.300 escudos. Apesar disso os cinemas enchiam-se para ver dois filmes até então censurados: “Bob e Carol” e “A grande farra” Nestes dias em Angola era a aflição, fazendo caixas e caixotes a prever a debandada pelo “ forçado abandono”. Vejam bem esta grande preocupação de nossos “manos metropolitanos” que no M´Puto viam filmes incentivadores de ”Swing” - uma suposta terapia de grupo de todos na cama curtindo o sexo em conjunto – um novo tipo de relacionamento com os quatro, fazendo uma orgia para combater a velha moral. Uma coisa de levar as mãos à cabeça num “balha-me Deus”…

No M´Puto andava-se muito a pé pois que a gasolina estava racionada, devido ao embargo de petróleo pelos países árabes e, em retaliação ao apoio de Portugal aos Estados Unidos, aliados de Israel na guerra do Yom Kippur. Os jornais esgotavam-se rapidamente e, nos cafés e esplanadas falava-se do derrube iminente do regime, comentava-se o livro do general Spinola “Portugal e o Futuro”. Lançado a 22 de Fevereiro de 1974, também esgotou rapidamente. Existiam siglas políticas para todos os gostos: MIRN, LUAR, MRPP, MDP-CDE, e edecéteras. Fizeram-se saneamentos nas empresas. Foram os anos das fugas para o Brasil e de vendas ao desbarato das vivendas do Estoril e Restelo.

guerra12.jpg Silva Cardoso o Alto-Comissário depois do Acordo de Alvor, era constantemente atacado pelo MPLA em comunicados via rádio e panfletos por não ser suficientemente revolucionário. Afirmavam que já não servia à revolução Angolana. Em dado momento, Silva Cardoso perante a constante insistência do MPLA de que teria de ser substituído, sugeriu à Direcção do mesmo movimento que classificassem o seu sentido de revolução ao referirem claramente que os brancos não eram queridos em Angola; isto para que assim, Lisboa evacuasse essa etnia alvo de “um ataque sistemático” por eles. Era só um jogo de palavras para fazer actuar o CR do MFA de Lisboa…

Havia apropriação abusiva de veículos e instalações pertencentes ao Estado; já havia dificuldade em distinguir se aquele organismo antes estatal o era efectivamente, ou não. Em Malange quase toda a população civil se refugiara no quartel das NF e, em N´Dalatando verificou-se o total abandono de todas as lojas e residências que foram alvo de pilhagem pela população africana apoiada por elementos das FAPLA, forças armadas do MPLA.

Agostinho Neto, escudado pelo apoio militar de Brejnev, do marechal Tito e de Fidel de castro, já não necessitava de ser afável com grande parte dos militares portugueses; alguns, poucos deram-se conta mas, já era tarde para fazer marcha-à-ré. O MPLA iria liquidar os outros dois Movimentos fazendo tábua rasa da presença portuguesa e dos acordos que tinha estabelecido com todos. Neto era um salafrário e já era demasiado tarde para recuar o processo. Entretanto, na confusão de Angola e pelas suas estradas os angolanos fugiam levando apenas malas com roupa, fugindo das fazendas para as cidades.

spi3.jpg Famílias portuguesas, brancos de condição, alguns com três gerações de filhos africanos, como formigas kissonde tresmalhavam-se à procura de uma solução; uns iam para sul, outros para este e até para o Norte até que a PONTE- AÉREA começou a pairar como sendo a solução mais válida. Diversas companhias de aviação tais como a soviética Aeroflot, dispuseram-se a retirar este grande número de gente que, até então laborava em normalidade. Também ouve aqui, em Angola, saneamentos, ocupações selvagens, marchas silenciosas e “manif´s” de júbilo para milhares de negros a receberem Agostinho Neto e Jonas Savimbi.

Municípios foram ocupados formando comissões administrativas desastrosas, Liceus a serem ocupados por jovens guedelhudos brancos e negros de carapinhas ornadas com tranças, copiando Ângela Davis que personificava o movimento “black power”. A euforia transformou-se em crescente preocupação, com discursos agressivos dos supostos “pais da independência” e luto ditado pelo crepitar das armas na batalha pelo controlo de Luanda. Costa Gomes, conhecido popularmente por “o rolha”, aceitou a demissão de Silva Cardoso nomeando interinamente Alto-Comissário Ferreira de Macedo, o homem que Rosa Coutinho e a CCPA queriam para este cargo.

silva p0.jpg Este General e mais outro chamado de Carlos Fabião e um outro major de nome Canto e Castro iriam a Luanda estudar a situação. Nesta altura, as notícias eram desconexas e o tempo comia as palavras de ordem ventilando-as em desordens. Ninguém entendia o que se passava e quando sabia já aquilo que parecia ser, tinha alterado para coisa-outra. Não havia como gerir este estado de coisas pois o descomando era verificado naquele agora. Tudo se configurava para a fuga e neste entretém de ordens e alterações a estas, começa a configurar-se a “Ponte LuaLix”. Diversas companhias de aviação tais como a soviética Aeroflot dispuseram-se a retirar este grande número de gente que até ali só atrapalhava as directivas do MPLA. “Branco, vai para a tua terra” era o que mais se podia ouvir…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:35
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Terça-feira, 20 de Julho de 2021
MALAMBAS . CCLXI

N'ZAMBI ... TEMA EM EXECUÇÃO, PORQUE AINDA ESTOU EM CONSTRUÇÃO...

FALAR POR FALAR - Crónica 3168 - 20.07.2021

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Por:   soba0.jpeg T'Chingange - no AlGharb do M'Puto

N'ZAMBI tem o mesmo nome de Deus mas só pode ser nomeado por quem o conhece e sabe amar na plenitude. A mim sempre me foi interdito, um apócrifo por parte de mãe, pai, terra, mar e até ar. E, porque simplesmente já nasceu assim e depois, no estudo do pai-nosso, encafifado na sacristia, os quadros ali pendurados, acho que até metiam medo ao menino Jesus Messias. Suponho por isso, bem ser um ET, pois li e ouvi relatos desconsiderados por apócrifos...

O espaço, Kalunga, as árvores que falam com assobios de vento; falas de velho cego contando viagens, olhando o pequeno cesto de adivinhação, apalpando o tempo com suspirosas lamúrias. Vou vos dizer: Minhas falas têm um passado fermentado nos dias de futuro, de por-viver, porque nasci num tempo que ainda não o era. Isto parece loucura mas, meu tio do lado de mãe que era Nosso Senhor por alcunha, destinou-me às viagens só sonhadas por ele porque nunca, que eu saiba, saiu de sua terra feita kimbo de barro chapado nos ripados. Taipa de atados com lianas de chinguiços do mato, matebas...

araujo49.jpg Andei, com meus próprios pés no mundo inteiro, pelos pequenos caminhos que se rasgaram para mim; na guerra eram fiotes, carreiros ou pistas. Com a onça aprendi a colocar no chão um pé diante de um outro, com passos de sumaúma, sem barulho e sempre na fila do pirilau. Desconsegui voar, mas mantive sonhos de penas e uma boca em forma de bico, para colher da madrugada as gotas cacimbadas da noite, e mel silvestre, único alimento de muitos dias de peregrinação só mesmo de imaginação porque as abelhas ferram, não sei se o sabem...

Morri na Curva e renasci várias vezes, deixando o corpo fermentar nesta fala da vida que agora uso, por vezes sem vírgula e às vezes tudojunto. Com esta fala e as mãos percebi-me um T'Chingange sem cajado de nobreza, assim mesmo de feitiço, nem menino, nem mabeco, noutra fala de kandengue: exerci todo o poder da terra e agora o que me sobra é a impossibilidade da morte, garantida por uma mutopa cheia e fumegante, mais uma taça de sangue das minhas próprias verrugas feitas uvas.

ÁFRICA13.jpg O T'Xipilika avisou:- Este menino não é gente... Mas meu coração é, ainda! Uma vez, quando uma seta turra encontrou ninho no meu peito, provei o coração para não morrer. Sabia a nada feito pedra, dura como ela, como a dos túmulos seca e enervada com a terra do Panguila, do Bengo e Icolo mais outros Kifangondo e Fundas, tudo água de cu-lavado, preparado mulato dos morros de Catete e mais a montante do rio, também chamado de Zenza, com nascente no Planalto do Uíge, passando por Quiculungo e Samba Caju…

Minha mãe Arminda Loureiro, preparou-me mal para mudar o curso das coisas, criando-me com o leite das nossas cabras, chamadas de chibitas e deixando-me à solta quando já era no tempo de mokandar, bebia nas directas tetas das cabritinhas pois, do produtor directo ao consumidor... No respectivamente, recebi o mukuali sagrado, com o qual me perdi na submissão aos velhos e à tradição. Com dendém e barro vermelho segurei a vida por entre os dedos, gritei todos os gritos e, entreguei minha singularidade ao espírito mais branco e assim foi, vim coradamente esbranquiçado, um mwadié, mulungu e t'chindere num país futuramente alheio de mentiroso... Tudo mesmo de só fingir.

baú3.jpg Branco mesmo de mwene-putu de um país longínquo, de tanto que nem se via, nem sentia! Ué! Tio Kaluviaviri me disse que esse espírito era o DIABO feito gente de assustar minino... Construí e desconstrui depois e antes da minha vida ficar estória no  torno dum punhal com nome de catana. Assim a guardei numa capa chamada de bainha, feita de pele de crocodilo e, na esperança de ali sempre ficar - embainhada. E, todas as gargantas se ousaram usar, só de gritos contra mim próprio... Porque a noite era escura, as pessoas ficaram talqualmente escuras e tudo mesmo escureceu. Um dia tracei dois caminhos: um em direcção à mata, o outro voltado ao morro.

Por este, encontrou o mukuali grande na direcção e, então num vou fazer como, vi-me nas agruras de decidir: Ou MATO ou MORRO! Agora que a cinza cobriu as guerras, tudo ficou como num mar de palha, quersedizer numa vinha-d’alhos no jeito banho maria oraipronobis e, vamos ver como termina para saber como é que fica, que ninguém mesmo, te darão ouvidos na hora e na morte - ámen. Teus gemidos ficam altos como o riso da hiena, o latido agudo do mabeco na confusão de se chorar, se rir ou até cacarejar pois que até o galo feito prosperidade entra na contenda... Teus, meus, nossos gemidos são o eco quebrado de palavras que já não existem. Verdade mesmo!

ÁFRICA4.jpg Ninguém te ouviu, te ouve, nem ouvirá... Nem mesmo a coruja com uma espada afiada. O mukuali sagrado que precisas para morrer, não regressa - vais ter de viver meu! O destino nem é teu! Pópilas. Karamba, por cima de nossas cabeças caem as gotas da maldição com Ruína, Ruína, Ruína das cinzas da cidade! Grito, Grito, Grito de raiva enraivecida! Choro, Choro, Choro das lágrimas dos crocodilos! Estás lixado, tramado, vais morrer sozinho, e morto, ué, não vais poder cuidar do teu próprio enterro. T'Xipilika e KaluviaviriI tinham suas razões. Filhos-da-caixa! Estragaram minha defuntação...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:26
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Segunda-feira, 19 de Julho de 2021
N'GUZU . XL

Crónica 3167 – Sábado, 17. 07.2021

FRAGRÂNCIA DA VIDA - Minha fragância é de CATINGA, da pura...

-N'GUZU em kimbundo quer dizer força...

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Por   tonito15.jpg  T'Chingange, no AlGharb do M'Puto

Tomando um café de cheiro longínquo de Timor, posso adivinhar toda a gente de pés varridos, lavando as mãos com água sanitária na forma de lixivia, de quarto em quarto de hora, esfregando com sabão macaco ou outro de cheiro para eliminar uma doença invisível que se agarra às pessoas...

Por via dessa praga invisível, esfrega-se a mesa, besuntam-se as mãos com gel, passa pano, borrifa as batatas, tira e põe-se a máscara para afugentar o invisível e vem a pergunta ao jeito de indefinida postura tal e qual é, de quem quer viver dono de si mesmo: - o mundo pode parar assim átoa!?

aramis2.jpg Um bom perfume tem a capacidade de atrair as pessoas. Inconscientemente, elas se deleitam com a subtil delicadeza de seu aroma se desejam estar por perto de quem o está usando. Por falta do "ARAMIS" uso um barato perfume feito de alecrim mas, seu efeito logologo se transforma nesse tal de "Catinga".

É exactamente isso que se pode extrair da metáfora que o apóstolo Paulo usou ao afirmar que somos o “Bom perfume de Cristo”. E, sendo assim como fico com minha genuína catinga exalada das próprias axilas...

aramis1.jpg Ser perfume de Cristo significa ter em nós o que há de mais atraente em Jesus. Nós, ao carregamos em nossa vida, se as pessoas são atraídas por sentirem que há um perfume especial em nossa maneira de ser, pois então que o seja: "CATINGA".

Não é necessário haver nenhum esforço de nossa parte para que se ACHEGUEM. Ao se relacionarem connosco, elas, as pessoas, perceberão no tempo e hábito que somos diferentes. Até os moscardos feitos besouros nos roçarão!

aramis0.jpg  Quem o suporta, sentir-se há feliz em nos conhecer como se pregássemos o evangelho mesmo sem palavras; só esse tal PERFUME! E, quando assim é com este requinte, nem precisamos de estratégias artificiais de aproximação. Nossas feromonas impregnadas desse suor perfumado, serão abençoadas com nossos actos de bondade...

As pessoas que querem estar ao nosso lado, simplesmente esperam ouvir nossas palavras, desfrutar nossa companhia e sê-lo na forma certa de permitir que se exale esse perfume legado por nossa singularidade; na fragrância de vida acertada com àqueles que se nos acerca.

aramis3.jpg Em resumo, “se o amor de Deus, Alá, o Sol ou Buda" estiver em seu coração, assim se manifestar em sua vida. Esse suave ou intenso perfume nos envolverá, e nossa influência será o perfeito enlevo e bênção dos que nos cercam”. Pude ler isto na Bíblia de um outro jeito. Por isso, poder dizer-se que não é difícil ser-se um missionário se o quiser ser; basta o querer!

Não precisamos ser pregadores nem saber muitas coisas para impressionar as pessoas, porque somos e temos essa mensagem de perfume. E, porque só mesmo quem trabalha exala esse auspicioso perfume chamado de CATINGA. Se permitirmos que Cristo exale Seu perfume por nosso intermédio, seremos fragrância de vida naqueles com quem convivemos... Comecei sem saber o que, e como o dizer e, aconteceu...

Feliz semana.

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:19
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Domingo, 18 de Julho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXIII

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - X

Crónica 3166 - 17.07.2021“SE BEM ME LEMBRO” - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”…

O carro de fumo da lua2.jpg

Por soba002.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Ainda mergulhado na embriague do passado, o meu amigo Camundongo, Comando do Maculussu de outros passados, tem uma lança no estandarte da Kizomba e, assim, foi seu baptismo na cubata de Albandeira do M´Puto e, mesmo sem se lhe ver os cascos, os dentes, as unhas e as orelhas fizemos dele um afinadíssimo preto. Afinal tinha mesmo bitacaias nas orelhas! Tratando-o por tu, mandei-o pentear macacos com afinidades ao MPLA. Mas, no finalmente, ele, tal como eu, vivia e vive ainda no Ontem com quase 50 anos de intervalo…

O mwadié mulungo, continua um hoje cohabitando com os Mucubais - um sonho perene cheio de cacimbo pelas manhãs e, com aquela tremulina das quenturas tropicais que fazem tremelicar dedos. Enfim! Só que, eu tenho as coisas contadas de outro jeito, sem aquelas bravatas de Kifangondo aonde roubaram as culatras dos ”tirabikines”… Ondulando assim miragens das anharas, pasto de facocheros, mabecos e bandos de galinhas do mato feitas capotas, arranhando seu disco partido – tou fraca, tou fraca, estou fraca, conto sem lhe dar bola, a minha estória! Ué…

toledo20.jpg Kafundanga Neves é seu nome de branca alvura. Refém do seu ADN penetra na vida um dia de cada vez, penosamente candongando chinguiços como num conto insuficiente; Sendo assim, passo a contar meu capítulo. O padre António de Araújo Oliveira, um fervoroso defensor da UNITA, só o foi até tomar conhecimento de alguns crimes na Jamba. Em 1973, Savimbi volta a quebrar o segundo pacto com os Tugas, atacando de surpresa a guarnição de Santar em Moxico… As “NT – Tropa do M´Puto” reagem àquele ataque. O general Bettencourt Rodrigues é retirado de Angola para substituir o general Spínola na Guiné.

O novo comandante da Zona Militar do Leste, general Ferreira de Macedo, passa a atacar a UNITA sem piedade. Em Agosto, depois da realização do seu 3º Congresso em Lungwé-Bungo, a UNITA dispersa seus homens da guerrilha pelo Cuando-Cubango. O maior ataque daquele movimento contra os portugueses, é saldado em 19 baixas do lado das “NT -Tugas” no lugar de Alto Kuito N´honga, já depois do VINTICINCO de Abril de 1974, apanhando desprevenidas as novas tropas, magalas guedelhudos com a cabeça cheia de devaneios comunistas e, com a “vitória é certa” no cocuruto da mona.

zeka1.jpg Assim chegados a 1974, o Exército português, domina totalmente o território angolano já dotado de magnificas estradas construídas dela JAEA e Engenharia Militar. O território dito Ultramarino estava dotado de todas as infraestruturas como escolas com ensino para todos, universidade, hospitais, carreira aéreas e rodoviárias unindo todas as cidades e domínio administrativo. Havia também uma rede sanitária de apoio às muitas pecuárias de Norte a Sul e uma pesca e agricultura florescentes; Angola estava nos países do topo em África, com uma boa situação económica e, fornecendo à Metrópole os bens essenciais para manter sua economia em crescendo.

Lisboa estava em condições de negociar o futuro, algo que, anos antes, havia sido defendido por Kenneth Kaunda, ao enviar a Salazar um manifesto pedindo “uma solução multirracial para Angola” e contestando as teses integralistas que defendiam Portugal do Minho a Timor. Assim e abruptamente o ano de 1974 e 1975 é vivido com intensidade em Lisboa e alguma apreensão em Luanda. O Tempo diz-nos que se Portugal tivesse aceita aquela intermediação de Kenneth Kaunda, muito possivelmente a história de Angola seria outra. Entra-se assim em um outro capítulo: A INDEPÊNDENCIA ADIVIDIDA.

zeka15.jpg Em Lisboa desmantelava-se a PIDE. A televisão enche as cabeças do cidadão com novas ideologias e, os angolanos brancos a cada dia que passa, sentem que aquelas políticas do MFA precipitam a normalidade da vida em toda Angola e, em especial sua capital – Luanda. Começa aqui a “odisseia dos retornados” - saber como dar solução a uma nova vida largando tudo e todos. Começam aqui as noites mal dormidas com pressão e afastamento de nossos supostos irmãos do M´Puto. Estávamos sendo paulatinamente destinados ao abandono. As notícias chegadas de Lisboa até nós na dita “Província Ultramarina” eram por demais alarmantes; os comunistas tinham tomado as rédeas do comando na Metrópole – estávamos fritos! Trata de fazer caixotes e pôr passaportes em dia…

A 29 de Novembro de 1975, forma-se a DISA, Direcção de Informação e Segurança de Angola, Polícia política do MPLA, formada pelos soviéticos e alemães do Leste. A UNITA viria a criar a BRINDE – Brigada de Informação e Defesa, treinada pelos Sul-Africanos. O preparo de ambas as criadas instituições com gente autónoma era simplesmente nula. Os angolanos estavam a ser jogados às feras e da Metrópole sabia-se: A TV, iniciava as suas emissões ao meio-dia com desenhos do Pato Donald e do Rato Mikey, preenchendo as tardes com a Telescola. O saudoso Vitorino Nemésio acalentava os serões semanais com o programa “Se bem me lembro…”.  

luis33.jpg Nicolau Breyner e Simone de Oliveira subiam ao palco do Teatro Monumental do Saldanha, com a peça “ A menina Alice e o inspector”. Amália continuava suas viagens em digressão pelo mundo; o fado era levado ao Japão que, sem entender patavina de português, deliciavam-se com as farpas e lamúrias do canto nacional. No Parque Mayer, o Capitólio anunciava a estreia de Marco Paulo.  Em Angola abundavam as canções de intervenção do Rui Mingas com “porrada se refilares!” e peixe podre, fuba ruim com edecéteras de fazer raivas e makas – estávamos feitos!...

No M´Puto os guedelhudos e barbudos surgiram aos milhares a imitar o Ché Guevara, juntando-se no Coliseu dos Recreios, “hippies” aplaudindo de punhos fechados, bem ao jeito do símbolo do PS e entre pensamentos de Lenine com Marx e Mao, surgindo os desaparecidos Zeca Afonso e Ary dos Santos em espectáculos organizados pela Casa da Imprensa e, com as direcções das gentes ditas vanguardistas afectas ao Partido Comunista do Álvaro Cunhal. Em Angola numa ida de Zeca Afonso a Nova Lisboa, actual Huambo, a multidão era tanta para ver o Zeca Afonso que eu, fui literalmente rodado no ar para poder entrar no pavilhão descoberto. Nesta altura eu, que pertencia ao Comité da Caála da UNITA com o cargo de Secretário de Relações Públicas, fui convidado e, lá fui em minhas tarefas…

(Continua...)

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:42
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Sexta-feira, 16 de Julho de 2021
MUGIMBO . CXXV

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO  - Crónica 3165 - 16.07.2021

- FORMAS ENGANOSAS... CICATRIZES DO TEMPO - NEM SEMPRE É O QUE PARECE...

IMBONDEIRO1.jpg

Por   soba k.jpgT'Chingange . No AlGharb do M´Puto

Há algum tempo, no jornal "San Francisco", Georg relatou que um menino de sete anos de idade se aproximou da proprietária de uma mercearia, apontou um revólver para ela e exigiu que lhe entregasse o dinheiro contido na caixa registadora...

A mulher conhecia o menino e supôs que ele, estava brincando. Ela achava-se completamente enganada. Como se recusou a entregar o dinheiro, ele a matou! No inquérito, o menino, ainda incapaz de compreender a enormidade de seu acto, explicou que ele só o fizera assim, por ter visto na televisão cena igual...

mocanda12.jpg  Não é preciso dizer que a televisão era desconhecida no tempo do bíblico David; contudo, o verso certamente enuncia um princípio que deve ser adoptado em nossos lares como se o fora, uma metáfora de PARÁBOLA...

Numerosos estudos científicos demonstram, além de qualquer dúvida razoável, que há uma estreita correlação entre o que a televisão mostra, violência, crime, despeito por alguns valores e, das racionalizações no sentido oposto num sem fim de vicissitudes reais.

elvira4.jpg  Somos transformados pela contemplação! Sobre muitos de nós, gente comum, professores, comentadeiros, historiadores, advogados e políticos, na generalidade, exercem uma fascinação hipnótica sobre nós, ouvintes. E, tudo é feito a propósito com forma e jeito pensado.

Para nós ouvintes, ela, a TV, em si mesma, não é boa nem má para proclamar mensagens. Só que bons e maus cidadãos em número de milhões de pessoas, nem sempre têm o preparo para discernir no que é ou o não é, porque tal coisa, tal assunto o foi dito na TV.

MIRAN5.jpg Tal como Deus, Satanás também a usa, a TV para insinuar-se em lares que aparentemente são cristãos, ateus, agnósticos, ou de um outro pensar. Podemos estar certos de uma coisa: o inimigo continuará a praticar seus enganos por intermédio destes meios com a crescente eficácia e, à medida que nos aproximamos dum evento, uma eleição, tudo se agudiza! Por mim, já nem confio nas sondagens! Tornei-me assim, um descrente militante...

Também e, principalmente na politica nos tentam cativar deturpando a verdade ou omitindo o essencial. E, neste palco de vida fazem-se incestos nos interesses. Mas, haverá sempre um MAS, aonde se torna possível que todos, assim apegados à mídia percam a força de vontade para resistir à "TENTAÇÃO"...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:25
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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