Domingo, 17 de Julho de 2022
MOKANDA DO BRASIL . XVII

PAJUÇARA - SETE COQUEIROS - “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso - a palavra foi feita para se dizer”- Crónica 3235 - 01.02.2022 em 7 coqueiros da Pajuçara

Republicada a 17.07.2022 do AlGharb

Por Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange (Otchingandji )– No AlGharb do M´puto

paju2.jpg Eram 5 horas e 45 minutos quando furei a areia para colocar meu chapéu-de-sol na praia de Sete Coqueiros. Fui o primeiro a colocar um chapéu naqueles 4 quilómetros de areal e bem em frente do Pavilhão de Artesanato. Após dispor as duas cadeiras bem aselhadas e, muito próximo do máximo espraiar das águas em maré decrescente, meti-me na água até meus ombro serem cobertos por esta.

O início de minha hidroginástica começa bem aqui, virado para a orla marítima e apreciando a azáfama matinal que é bem diversificada. Daqui posso ver como num anfiteatro todos os movimentos, sentir cheiros e os muitos sons que vão subindo ao longo do passar do tempo. Observo uma senhora que percorre a linha de ondulação da máxima maré com um saco de plástico e abaixando-se amiudadamente apanha algo com sua luva transparente; pareceu-me ser pequenos objectos, utensílios feitos em plástico como garfos, facas e canudos de plástico.

Pode até ser conchas mas tudo indica andar a cumprir uma promessa de limpar a praia de desperdícios deitados no bota fora na óptica do quero lá saber. Deve ser mesmo um compromisso de sonho de limpar os maus hábitos. O mesmo homem de sempre passa em corrida de passos ou pulos pequenos em direcção ao porto do Jaraguá. E, passa um tal de Mateus, um quase atleta de futvolei, conhecido de há anos e dizendo adeus, some-se na lonjura com suas passadas enérgicas.

pajuç1.jpg As ondas à medida da descida da maré vão ficando menos altas pois que suas antecedentes ficaram lá atrás retidas nos arrecifes. É um lençol de água de cor esmeralda, que depois, no meio e antes dos recifes vai fiando azul e mais escura a caminho do horizonte. Estranho não voltar a ver uma velha senhora que caminhava na via ré, andando às arrecuas para ganhar mocidade. Ou então, andará envolvida nos rolos do medo covidesco na progressão de delta para ó-mi-com ou, na pior análise já foi nessa leva abalroada para o jardim das tabuletas.

Posso ver daqui o trilho que sei estar pintado de vermelho, pista de bicicletas e aonde se cruzam donzelas de justas pregas e todos os demais e, até vendedores de café da manhã que com seus zingarelhos de caixas, de pastéis bem dentro de outras caixas de isopor, esferovite de onde se pode divisar as tampas dos termos com café, com leite e outras garrafas com suco e quenturas de caldo de feijão; tudo numa ordenação estudada na resiliência. Ao lado, a gente correndo no calçadão vão dando colorido por entre os muitos chapéus de praia que vão surgindo a partir das sete e meia…

Contornando o calçadão, há dispostos altos coqueiros a emparceirar com as largas copas verdes de amendoeira, do figo da índia como eu conhecia em Luanda, capital de Angola. E, pela marginal posso acompanhar com os ouvidos o andamento de um carro discoteca que lança uma música tracejada de comprimido, mistura de kuduro com pera abacate. Parece, não haver noção dos decibéis enfiados a contragosto em todos os demais e, tudo numa boa, ninguém parece importar-se. A batida correu na avenida soando em tracejado ao meu ouvido já de si dolorido e carecido…

piaçabuçu02.jpg E, passa junto á beira da água molhada o mesmo general, caricaturado por mim já lá vão uns três anos e, sem jeito de baixar sua proeminente barriga de ginguba. Com suas flanelas protectoras do rei sol lá vai variando do amarelo fosfórico ao azul reluzente, tudo num passo rápido e convincentemente só. Pelas sete e meia surgem os trabalhadores empresários de chapéus no suficientemente largos para cobrir uma família. Fazem rasgos com os pé na areia a condizer com o seu licenciamento de capitania de praia e depois com uns negócios de enxadas gémeas fazem buracos o suficientemente fortes para aguentar sua estrutura.

Num rápido, já tudo está enxameado de cadeiras multicolores, mesinhas e chapéus; bem na berma do calçadão estão seus carros cangulos gigantes de serem levados por mão ou empurrão, depósito de todos aqueles trastes de artelhos com corotos e também caixas com gelo e bebidas para vender ao povão, cocos, cerveja e licores de jenipapo a misturar com iguarias de suco de ananás, acarajé de dendém e doces mixórdias de animar um qualquer ateu.

Bem perto duas mulheres com chapéus de palas largas em suas cabeças, rezam e cantam com as mãos elevadas para a kalunga ou iemanjá; mais longe saem as balsas dos jangadeiros levando turistas para as piscinas naturais; lugar do recife aonde a água transparece mostrando variedades de peixes que acostumados, vêm picar e debicar restos de pão, bonito de ver aqui e em qualquer lugar que tenha este jeito de recifes.

pajuç1.jpg Escrevendo em verde o que vai por aqui, sei que lá fora todos andam inquietados com as movimentações, canhões de Putin na Ucrânia, ameaças da UE e a NATO, enfim. Desde a estória do Adão e a Eva que andamos assim em permanente transgressão. A culpa é mesmo da EVA que comeu o fruto proibido quando tinha tantos outros para se lambuzar… mais logo vou comer canjica e queijo de coalho no meio da tapioca, ver pela TV pela segunda vez “A escrava Isaura” e depois … Depois, amanhã será outro dia - FUI!

O Soba T´Chingange            



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:04
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2022
PARACUCA . XLIV

MULOLAS DO TEMPO . 15 28.01.2022 - Na Pajuçara do Nordeste brasileiro

RECORDANDO: 26º e 27º dias. Nós, bazungus no ALCON COTTAGE em MONKEY BAY às margens do lago NIASSA do MALAWI a 16 de Outubro de 2018

- Crónica 3234 – Republicada em Kimbo Lagoa a 14.07.2022

Porsoba15.jpg T´Chingange (Otchingandji) – No AlGharb do M´Puto

INHASSORO 092.jpg Por terra, andamos vendo um deslumbrante espelho de água até chegar aqui a Monkey Bay na parte Sul do Lago e no lugar de Alcon Cottage, um lodge de um indiano com piscina e árvores frondosas com o nome de Juliette. Sereno, selvagem, tranquilo, invade-nos com uma misteriosa paz e invulgar quietude. É o nosso 26º dia de viagem da “Odisseia Potholes”. Aqui, a intermete não funciona em pleno embora tivéssemos pago 2000 KwN (25 €).  

Por aqui, fiquei a saber que na língua chinyanja (ou chinhanja), falada na orla moçambicana do lago, Niassa significa "lago", tal como o próprio nome do povo que usa aquela língua, os Nyanjas, significa povo do lago. Em chichewa, uma das línguas do Malawi, a palavra malawi significa o nascer do sol, visto que, estando a ocidente do lago, é dessa forma que os malawianos vêem nascer o dia, sobre o lago.

INHASSORO 090.jpg É um lago único no mundo por formar uma província biogeográfica específica, com cerca de 400 espécies de ciclídeas descritas endémicas. O nível da água varia com as estações do ano e tem ainda um ciclo de longa duração, com os níveis mais altos em anos recentes, desde que existem registos. Estou a gozar o vento aprazível que vem do lago e debaixo de uma frondosa árvore chamada de Juliette.   

Nosso destino e, dentro de dois dias iremos para o Liwonde National Park mais a Sul, um lugar já muito próximo da fronteira com Moçambique e por ali iremos permanecer uns dois dias fazendo nosso bivaque com as tendas pois que ficaremos num lugar de camping. Elas foram compradas para isto mesmo mas até aqui sempre ficamos em lodges ou hotéis; uns em beira de estrada e outros com as características típicas de chalés com cobertura em palha.

INHASSORO 111.jpg E, porque já descrevi os lugares de nosso percurso, vou agora descrever qual o fenómeno de existir um conjunto de lagos, uma fiada disposta ao longo do centro de África. Temos os lagos Tanganyka, Victória, Rukwa e Albert entre outros. Estes, fazem parte do Grande Vale do Rift, também conhecido como Vale da Grande Fenda - um complexo de falhas tectónicas criado há cerca de 35 milhões de anos com a separação das placas tectónicas africana e arábica.

Esta estrutura estende-se no sentido norte-sul por cerca de 5000 km, desde o norte da Síria até ao centro de Moçambique, com uma largura que varia entre 30 e 100 km e, em profundidade de algumas centenas a milhares de metros. Ao pernoitar em Karonga pensei neste hífen da viagem periclitante, coisa pouca a comparar com a fractura do RIFT da África. Pernoitando também em M´Zuzu, pude alhear-me do cicerone chato como a potassa e, apreciar todo o lago Niassa ou Malawi em toda a sua costa ignorando o “El Comandante”.

INHASSORO 351.jpg Este Grande Vale do Rift, tem a característica de ser considerada como uma das maravilhas geológicas do mundo, um lugar onde as forças tectónicas da Terra estão actualmente tentando criar novas placas ao separar as antigas. Mas, como é que essas fendas se formaram? Uma revista de publicação local, diz-me que o mecanismo exacto da formação correta, é um debate contínuo entre os cientistas. Este East African Rifts, assume que o fluxo de calor elevado do manto está causando um par de "protuberâncias" térmicas no centro do Quénia e na região Afar do centro-norte da Etiópia.

De anotar aqui que a história da Etiópia está documentada como uma das mais antigas do mundo. Recorde-se Lucy, esse achado arqueológico importante que desvenda nossa natureza humana, descoberta no Vale de Awash nessa mesma região - Afar da Etiópia. À medida que a extensão continua, a ruptura litosférica ocorrerá dentro de 10 milhões de anos, a placa somali se romperá e uma nova bacia oceânica se formará. Aquelas protuberâncias podem ser facilmente vistas como planaltos elevados em qualquer mapa topográfico da área ou visualmente como o é este presente caso...

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:58
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2022
MOKANDA DO BRASIL . XVI

TEMPO COM CINZAS27.01.2022 - No Nordeste brasileiro

E, aqui na PAJUÇARA - Se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar COVIDADO…

Crónica 3233. Republicada a 13.07.2022 no M´Puto

PorSoba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

xique xique4.jpg Embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não nos ver, fazendo-nos sofrer por culpa de outrem. Na Praia da Pajuçara leio a notícia que é coisa que se tira a desejo, do fim do Sol espojando-se para o sono da noite. Foi um ontem transladado para hoje como um espelho preto. Da tristeza que sempre é notícia de toda a hora, o gráfico da ó·mi·cron que corresponde à letra “O” do alfabeto latino, subiu aqui e ali e, mais gente morreu.

Neste meio tempo de escrita, vou sendo rodeado de chapéus coloridos, cadeiras e mesas, caixas térmicas isopor ou esferovite com estampas de cerveja a estalar de frio, gulosas que chega, gente gira com barulhos de linguajar de Gravatá. Mais logo virão a música de forró e anedotas de repentistas caboclos, matutos e gente gira de cu-ao-léu, sereia mostrando a barbatana, os fios entalados na alegria dos olhos e cheiros de entaladinhos mais coxinhas de galinha e o acarajé da tia Alzira.

xique xique2.jpg E, assim e aqui na praia com algum aperto de desânimo aproveito para olhar para a banda de onde ainda se praz qualquer luz da manhã. Posso ver as velas enfornadas ao vento que vem do horizonte fazendo nadar as jangadas. Assim, mesmo sentado vou lambendo a fantasia de afinal quando é que a velhice começa surgindo de dentro da mocidade. Coisa endoidada de lembrar ao espaço pensamento em minha cabeça…

Lamber a maldição é castigo, mas a noticia que sempre a há, a gente tem de ir por ela, com ela e, entrar assim num mundo para buscá-la. A mulher caranguejo passa caminhando, bem, descaminhando ginástica de para trás, agarrando juventude na prática exercitada. Andando assim para trás diz-nos bom dia! Conhece-nos por temporada! Eu sou o que sou mas ela, mesmo andando à ré, continua a ser ela

paju1.jpg A mulher caranguejo já nem nos via há três anos mas, reconheceu-nos; quis saber notícias das maldades do mundo e, foi-lhe dito as balelas que todos sabem. Aos olhos da minha vazante, a maré já começava a subir, teria tempo de falar algo tal com falei e, eram 8 horas e 20 minutos, estava a meia hora de regressar ao meu mukifo no PortVille já ginasticado com a dose habitual de talassoterapia, escrever depois a minha crónica número 3233 para a Kizomba (esta).

Passar a limpo a mesma no computador, tomar o meu café da manhã “santa clara” e provar a canjica de milho branco com umas sementes de girassol e erva-doce porque a memória que Deus me deu não foi para palavrear às arrecuas; andando assim como a mulher caranguejo. E, sou mesmo forçado a criar tabus no meu espírito para me manter são na guerra da vida.

paju2.jpg Ou fico em silêncio, ou falo dizendo impropérios à falta do fervor alheia. De todo o modo, assim ou assado, com este ou aquele, no M´Puto ou aqui em terras de Vera Cruz, terei de aceitar o meu posto de cidadão, mesmo faltando-me a confiança; mesmo que daqui advenham tempos sombrios e confundidos. Terei de ir mandando pontapés aos espíritos, às arrecuas e de costas, pois!

Todos iremos morder o pó ou o fogo consoante a forma como desejarmos dispor do nosso bem-amado esqueleto. Toda a vez que vejo ou ouço "todo mundo usando máscara" impossível que minha mente não rebusque os estudos escatológicos da marca da besta que para mim é a mesma coisa. E falo isto agora, porque ainda me é permitido, porque eventualmente, em um futuro próximo já não me permitirão mais dizer o que penso. A vida anda muito perigosa...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:09
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PARACUCA . XLIII

MULOLAS DO TEMPO . 1426.01.2022 em Pajuçara do Nordeste brasileio

RECORDANDO: 25º dia. Nós, bazungus no SITIMA-IN de Nkotakota às margens do lago NIASSA do MALAWI… 15 de Outubro de 2018

- Crónica 3232 Republicada a 13.07.2022

Por soba17.jpg T´Chingange – No AlGharb do M´Puto

Malawi táxi.jpg Nkotakota era originalmente, no século XIX, um grupo de aldeias que a partir de seu porto, serviram como interposto comercial de escravos suaíli-árabes. David Livingstone convenceu o chefe Jumbe a parar com o comércio de escravos debaixo de uma árvore chamada de Nkotakota; este nome prevaleceu no tempo tendo o presidente do Malawi Hastings Banda discursado em 1960; supostamente nessa árvore ironicamente conhecida como a Árvore Livingstone.

A 100 metros do Sitima-in, experimentei entrar na água do lago e, andando até os joelhos pude apreciar estar a uns 23 graus; Eram 5,20 horas da tarde e os pescadores estavam chegando com seus barcos; logo começaram a vender seu produto a quem queria ao jeito de lota, tilápia, chissipa, bagres e uns outros muito semelhante a carapaus, mas mais esguios. Na pousada, foi dia de se comer piza variada. Não caí na tentação de comer carne porque parece sempre a prepararem demasiado torriscada e rija como chifres.

malawi2.jpg Por via disso o comandante Vissapa partiu sua esquelética e anda agora com toos os cuidados, metendo amiudadamente uma cola rápida de segurar ferraduras e coisas assim. Amanhã iremos para Sul em direcção a Monkey Bay. Isto aqui é um lugar surrealista ao lado de uma linha desactivada, que sem estação se situa junto a um desmoronado porto com as pilastras e lages tombadas a fazer de prancha de saltos para os candengues. É mais um lugar de Kiandas Roxas…

O edifício tem nele incrustadas peças de navios podendo vislumbrar-se estas incrustações tanto na fachada como dentro da mesma. Tem cambotas, bielas e chaminés do tipo de vapor. Logo à entrada tem duas grandes rodas, daquelas de conduzir navios por onde esvoaçam mosquitos e osgas gordas, dinossáuricas. A dona tem olhos azuis, veste cetim com rosas azuis e verdes. Veio de Upington lá no Orange River, Cabo Setentrional da África do Sul a 120 Kms. das Quedas de Augrabies, lugar que já visitei; por isso, trocamos algumas palavras de consertar empatia…

dia146.jpg Nas nossas congeminações fizemos desta estalagem um antigo bordel aonde os marinheiros brancos usavam seus ministérios. Nesta casa de sonho de tempo tempestuoso havia hélices, motores, portas e janelas de carros e vagonetes à mistura com gigantes parafusos-sem-fim e êmbolos de casas de máquinas de vapores naufragados.  Vissapa referiu terem sido de navios usados ali na segunda guerra mundial - talvez!? Já li descrições de enfrentamentos de alemães na parte Norte do Niassa de Moçambique mas não sou assim tão atreito em acreditar num talvez! Muito menos aqui em África e, no lago Karibe… Quem sabe!?     

Da superfície das águas elevam-se nuvens em espiral de transportar kiandas do kalunga. Um mistério que vai alimentar muitas conversas, originar escritos de sonhos com danças de boas vindas ao Niassa! Pois aqui, em Sitima de Nkhotakota, uma casa feita de assombro e restos dum barco encalhado com o nome do capitão Steve, são as fantasias de Vissapa a recordar estas coisas escondidas em seus sonhos. Almoçamos na sala do capitão mas este, não apareceu naquela forma de olho tapado com perna de pau e um gancho a fazer de mão…

luua04.jpg Andamos de sítio em sítio sem vermos o tal de “Ilala Boat “ que dizem andar pelo lago levando no 1º andar os turistas bazungus carregados de máquinas, binóculos e edecéteras com canivetes de Mack Guiver com mais de dez aplicações e um colete com bolsos secretos para guardas shillings, dólares, randes ou kwachas; pois! E, no andar inferior os que vivem nas margens do Niassa e que tem de transportar galinhas, mandioca e peixe seco t´chissipa. Era suposto haver um barco ali mas só ficamos pelo talvez sem fazer o desejado passeio.

Um barco que sempre nos traz à memória "A Curva do Rio" de V.S. Naipaul e também do Peter Pan… A divisão das fronteiras tem coisas surpreendidas; daqui não se avista a costa do Moçambique - o lago parece ter mais de 80 quilómetros de largura. Falam de uma ilha de nome Likoma terra de kiandas sábias que curam mazelas fazendo trepanação com seus dedos, muitos dedos mas nós, só pensamos por agora ir à ilha de Bazaruto em frente a Inhassoro já na costa do Oceano Indico. Talvez?

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:00
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Terça-feira, 12 de Julho de 2022
PARACUCA . XLII

MULOLAS DO TEMPO . 1325.01.2022 - No Nordeste do Brasil

RECORDANDO: Do 22º ao 24º dia. Nós, bazungus no Hotel SUKUMA-IN na cidade de Karonga, bem ao Norte do lago Niassa a que também chamam de MALAWI

Crónica 3231::: Republicada a 12.07.2022 no AlGharb do M´Puto

Por t´chingange 0.jpg T´Chingange (Ot´Chingandji)

kasane01.jpg  Passados que são três anos e meio, vou tentar relembrar os episódios mais marcantes da odisseia em África “Haja Paciência” depois da nossa passagem da Tanzânia para o Malawi. A sequência dos dias já se me vai ficando diluída na recordação mas, recorrendo ao caderno nº 11, revejo a data de 12 de Outubro do ano de 2018; interrogava-me neste então como seria o nosso práfrente coexistindo-me à distância de um “Haja Paciência” com “El Comandante - o melhor condutor de África” …

O Malawi é um país interior da África. Limita-se ao norte e a nordeste com a Tanzânia, ao sul, este e sudoeste com Moçambique e ao oeste com a Zâmbia. O traço mais marcante da sua geografia é o lago Malawi ou Niassa, terceiro mais extenso de África, que ocupa cerca de um quarto do país, com aproximadamente 31000 km², dividindo-o com Moçambique e fazendo a fronteira com a Tanzânia. O relevo varia entre as planícies do rio Shire, que origina-se no Lago Niassa que desagua no rio Zambeze já em território moçambicano. É para aí que “El Comandante V” aponta seu azimute. Em realidade eu já deveria ter voltado para trás apanhando um avião em Kasane (perto de victória Falls) no Botswana

kasane1.jpg Há uma cadeia montanhosa que se estende de Norte ao centro-oeste do país, com elevações entre 1000 e 2000 metros, que correspondem as montanhas que seguem o Vale do Rift da África Oriental. Na porção sudeste do país, a leste do vale do rio Shire, ergue-se o maciço de Mulanje (também pertencente às cadeias marginais do Vale do Rift) com o pico Sapitwa que, com 3002 m de altitude, é o ponto mais elevado do país. Andamos por aqui quase perdidos para ver uma reserva que poucos animais tinha. Havia sim muita árvore marula da qual se faz um dos melhores licores do mundo.

O clima é tropical na região central até ao Norte, com uma temperatura média anual de 30°C, e mais ameno (clima temperado) ao Sul, sob influência das correntes de ar frio (no inverno) do Sul do continente africano, com estações do ano mais bem definidas que o centro-norte do país. As gentes são bem amáveis, conservando valores católicos e pelo observado mais honestos no relacionamento com os turistas…

kasane2.jpg No Hotel SUMUKA-IN, viemos ocupar dois espaços de quartos de executivo ao preço de 40.000 Kwsm, algo como 50 €; as instalações são antigas, grandes espaços, bons moveis mas, dos seis pontos de luz, só um tem lâmpada. Não tem cafeteira eléctrica, nem chá, café e açúcar como foi habitual encontrar em África do Sul, Botswana, Namíbia, Zimbabwé, Zâmbia e Tanzânia. Há uma vela em lugar bem visível, indício de que a electricidade falta com frequência.

Há dois ares condicionados, um não trabalha e o outo só ventila. São duas horas da manhã e não consigo dormir pelo calor que faz; virando as patilhas do FAN para a cabeceira lá conseguimos dormir com os pés na cabeceira. Só desse modo conseguimos apanhar algum ar em movimento do estropiado aparelho. As estradas do Malawi apresentam-se melhores conservadas mas, o jeito da cidade é bem típica de áfrica, muito cheia de casas abarracadas a que chamo de cubatas chimbecos, muita coisa improvisada e muitas bicicletas. Algumas são bike-táxis. Por aqui, felizmente, nossos cartões de banco funcionaram e podemos assim, encher nossos baús com muitas notas Kwachas.  

busq6.jpg Nzuzu – 14.10.2018 – Vigésimo quarto dia da odisseia “Photoles”. Este foi o dia em que comi o bife mais duro do planeta à modica quantia de 4.500 Kwachas Malawianos. Turista sofre! Seguindo viagem neste ambiente de resiliência recordo as Vidas Secas de Graciliano Ramos. Algures no trajecto da fronteira de Songwe Border e, já no Malawi até Karonga atravessamos uma floresta de árvores seringueiras. Parámos e compramos bolas feitas de cauchu natural, rolos de muito fio de latex seco envolto e formando um globo saltitante. A bola por obra e graça do espirito santo desapareceu misteriosamente. Deve ter saltado do carro algures em uma das posteriores paragens. 

Com colares massai de contas azuis e bagos de feijão maluco de Angola penduradas ao pescoço, escrevo no imaginário, coisas loucas a condizer com o não menos chanfrado Ernest Emingway, salvo as proporções, claro! Sou um homem do mundo. Já viajei e vi muitas coisas; os anos e meses que passei noutros lugares assim como missangas, conto-os enfiados em um fio de náilon a fazer de pai-de-santo. Formando frases curtas e sinceras tento rematar-me nas voltas certas para driblar de outro jeito meu passado. Sim! De outro qualquer modo ele, o passado pode reconhecer-me. Aiué! Aprendo com as formigas grandes, kissondes que em andamento seguro, arrastam pelo pó do chão seus ventres escuros sem discutir com Deus por assim andarem, sempre se arrastando.

(Continua…)

O Soba T´Chingange      

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:23
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2022
KALUNGA . XXIV

 NAS FRINCHAS DO TEMPO - IX

- KIANDA COM ONGWEVA NO CONCILIO DAS KIANDAS Salaam Aleikum, com as kiandas Roxo, algures numa ânfora do tempo em Alcazar… 

Crónica 3230 de 20.01.2021em Kizomba no PortVille da Pajuçara em Alagoas Republicado no Kimbo Lagoa hoje: 11.07.2022

Por  t´chingange.jpeg T´Chingange (Ot´Chingandji)– No AlGharb do  M´Puto

t´xipala1.jpg As técnicas apuradas no trato do aço ali em Toledo, já vinham da idade média; N´kondis ancestrais a pedido de Simbas também antigos, num tempo mais recuado chamado na Ibéria de época medieval tinham trazido dedos de N´Zambi para retemperarem na dureza o tal aço batido, esfriado e de novo batido; tratava-se de pequenas pedras de meteorito trazidas das terras do fim-do-mundo, lá da Ovamboland, terras de Oshakati e Okaukuejo no reino dos Himbas.

Do Runda e Urunda que se designaram mais tarde por Cuango e Lualaba, que significam em umbundo terras abandonadas ou de difícil acesso, vulgo no cú-de-Judas. Terras remotas aonde os N´Dele Mwene-puto, Tugas, surgiram como “filhos do mar”; assim diziam os nativos pertencentes à corte do João Imperador, o Rei de Abexi de quem o Rei do Kongo tinha temor.

toledo10.jpg De lembrar aqui que o padre jesuíta D. Gonçalo da Silveira internando-se na Mocaranga e tendo baptizado o Monomotapa foi morto por este por intriga dos Mouros! Estes Mouros que ainda hoje continuam fazendo barbaridades. Até Camões daqueles idos tempos escreveu em verso: Vede do Monomotapa (Mwenemutapa) o grande império, de selvática gente, negra e nua, onde Gonçalo de morte e vitupério padecera pela fé, sua santa. Tudo tem uma explicação!

Em Toledo, eu o Soba T´Chingange, não resisti à mística; comprei uma destas facas. Como N´kondi e seus Bandokis que ainda andam por Toledo feitos bactérias, passo a descrever em síntese o poder de magia que estes ainda exercem: - Usam um boneco fetiche feito de pequenas conchas coladas com resina natural com dois espelhos receptores de encomendas mágicas, um na barriga, outro no topo da cabeça, coberto com uma pele de cobra.

ROXO186.jpg Na mão direita carrega uma lança de pedra tipo ónix mostrando agressividade no seu carácter. O boneco, todo ele, é encrustado de várias substâncias usadas durante as cerimónias envolventes ao Concílio e, em que os pacientes contam as suas estórias de infelicidade evocando a vingança que desejam infligir ao suposto culpado. Háka! Isto e tão mistico que até eu que sou feiticeiro fico enrrugado de cagufa...

- A vingança é feita espetando o prego num determinado sítio do corpo do fetiche - O N´Kondi também recorre ao imbondeiro chamado de N´kondo Ikuta M´vunbi espetando nele o prego; assim a vítima morrerá inchada como a árvore garrafa, o baobá - O descrito prego de aço é o mais eficaz pois nele tem impregnado todo o mal dos homens. N´Kondi quando das várias permanências nos aposentos subterrâneos de Alcazar de Toledo, foi consultado pela infortunada esposa de D. Pedro I do M´Puto, “El cruel”, a rainha Dona Branca, ali prisioneira.

eça6.jpgCA -  Vários bonecos fetiches de N´Kondi N´Gola ainda podem ser vistos graças ao meu antepassado Soba Aragonês Romero Ortiz. Um dia tinha de revelar isto… Isto pode maçar os não eruditos em áreas destas tão periclitantes, mas prometi a Assunção Roxo e seu espelho Oxor explicar tim-tim por tim-tim toda a estória lá detrás que antecedeu em suas vidas repetidas. Agora que me meti nesta perfilharia intrincada, terei de ir até ao fim dos desacontecimentos.

As coisas intrincadas são assim, mas tudo o que acontece de ruim é para melhorar, dizem! Tudo isto é tão verdadeiro que até parece mentira, mas não é! Deus N´Zambi, dá-nos força para seguir, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela!” As buscas da Torre do Zombo deram nisto…vou fazer mais o quê? Até o cronista Fernão Lopes, acerca do rei D. Pedro I do M´Puto, o cruel, dedicou um capítulo que intitulou "Como El-Rei D. Pedro mandou capar um seu escudeiro porque dormia com uma mulher casada".

ROXO134.jpgAR -  GLOSSÁRIO:

Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem divindade das águas; Monomotapa, situa-se na África austral, com ligações a portugueses e luso-africanos (antigos negros); N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; N´haka: lameiro, sítio de plantio húmido, horta; Rundu ou Runda: - Sítio de difícil acesso, vulgo no cú-de-Judas… 

Notas: Texto originário da N´Haka do sobado na Torre de N´Zombo do Kimbo com o nome de Cafufutila…

(Continua…)

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:42
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Domingo, 10 de Julho de 2022
PARACUCAS. XL e XLI

Actualização no Kimbo Lagoa Crónicas 3228 e 3229  por acerto com a numeração do blogue, prevalecendo a ordem deste:  Crónica 3229 como se o fora uma só…

MULOLAS DO TEMPO . 11 – 16.01.2022 - RECORDANDO: Nós, bazungus no povoado de Matumbo – Perto da Tanzânia Border… 16º dia - Óh mundo de túji, ainda teremos de atravessar a Tanzânia para chegar a Dar es Salaam… Crónica 3228 - (Escrita manual feita a 07 de Outubro de 2018 – Um domingo…)

Por soba17.jpgT´Chingange (Ot´Chingandji)  no  AlGharb do M´Puto  a 10.07.2022

Botswana 150.jpg Vissapa mostra sua identidade de angolano a qualquer bafana pé-rapado. Não sei porque nunca fez questão de me mostrar essa cédula esverdeada! Nem vocês que me lêem, saberão decerto o porquê deste procedimento tão bizarro, considerando termos já feito tantas viagens por tantos outros lados e, em outros tempos - até para sul dos montes Atlas nos confins de Elrrachidia; terra berbere, do sudeste de Marrocos… O comportamento das pessoas, quase  me levam no dia-a-dia a lamber pensamentos confusos, aonde faltam traços e virgulas no parágrafo de entendimento, sem índice nem prefácio…

Ali, longe de tudo, em um qualquer lado de África, manter a personalidade, seriedade e serenidade seria bem melhor para suportar o vento que soprando de várias latitudes, trazem areia para nossos olhos. Na área de serviço de M´Pika, uma bomba savana-rust-chop de novo o “my friend” mostra seu cartão de angolano aos bafanas lavadores de carro – terreiro de terra avermelhada e uma mangueira que encharca a lama. Na área de serviço com aspecto de uma velha e decadente mercearia, há prateleiras com latas e pacotes de farinha, feijão, ovos, vários cereais e até frascos com mopane, as larvas chamadas de catato em Angola.

Botswana 171.jpg Lá terei de descrever ao pormenor este sítio comum, para poderem absorver a fotografia com cheiros ladeados por pneus carecas a cercar espaços de bancas improvisadas e também ladeadas de sacos de carvão, pilhas de lenha, sacos de maças, laranjas, bananas e várias quindas com sal das minas. A secção de Car-Wash era suportada com vários baldes e paus a suportar tapetes, pedaços de pano para limpeza, usados pelos dois profissionais. Uma meia hora de espera e ficou completa a lavagem de nosso  (salvo seja) Jeep “ford by ford”. Levaram 150 kwachas pelo serviço que dentro das condicionantes, ficou perfeito.

Desapareceram as dedadas nos vidros, os riscos das rilheiras do pó e os pelos alheios de chacais presos na mistura com pasto fino, manchas de besouros esparramados na vidraça e até moscas e formigas cadáver. Bem que a minha empregada do Uganda Mery me avisou: Patrão! Tu vais sofrer andar nessas lonjuras de mato, garganta seca, a golos de água quente choca. Vais ver como até os espinhos vão ter contigo. Tambulakonta!

Botswana 176.jpg Háka! Senti mesmo isso pois que logologo e pelas manhãs o comandante “my  friend” já estava nervoso, desvairado da silva. Só podiam ser os espíritos dos “photoles”, buracos e mais buracos, os ziguezagues aos camiões e dos cabritos atravessando no momento errado. Patrão, tu vais sofrer! Vinha-me sempre ao pensamento esta sapiência de Mary de Campala. Minha sonolência ficava atormentada fingindo também que tinha sangue de barata – só por vezes debelava minhas farturas de matumbice – um homem não é de pau.     

Mandei um whatsApp a Mary de Campala do Uganda a recordar das suas razões ao que veio uma resposta seca: Quem anda por gosto, não cansa - aiué. E, entretanto já estávamos a chegar ao povoado de matumbo, um sítio mesmo a condizer com o panorama. Meu filho Ricar de Johannesburg mandava entretanto uma mensagem dando a indicação do câmbio da moeda na Tanzânia: Um Euro valia neste dia 2.637 Shillings tanzanianos… Fazendo contas em meus papeis coloridos, ia apaziguando meus conflitos de viagem, mudando no possível o humor! Será bem melhor.

Botswana 269.jpg Tratando das finanças do “ford by ford” ia anotando 1€ = 834,51 Malawi Kwachas – 1 rand = 59,56 Malawi Kwachas. No leka-leka-shop M´zuzu vi um barbeiro em seu mukifo cortando o cabelo com uso de uns cabos que saiam directo de uns pequenos painéis de sol, para sua máquina de cortar cabeças, entenda-se por cabelos, carapinha e, fui deixando de ficar enkafifado com estas tecnologias de ponta e com sol...

Estando em África, em um qualquer momento, ao se olhar para dentro de si mesmo, se deparará com um quadro que são mesmomesmo tecnologias de ponta, uma verdadeira resiliência como se diz hoje. Aiué patrão…é o ideal. Talvez se sinta o coração quebrantar-se pela consciência da própria fraqueza e se entristeça profundamente apesar de se saber que a alegria é um componente do fruto espiritual. Um dia virá em que na presença de um ser superior, a “plenitude de alegria surgirá, tirando até águas das mulolas com um cesto de vime, assim se acredite nos milagres da vida. Amanhã será outro dia!  - (Continua…)

O Soba T´Chingange

Botswana 055.jpg PARACUCA . XLI

MULOLAS DO TEMPO . 1218.01.2022

RECORDANDO: Nós, bazungus depois de TUNDUMA Border Zâmbia / tanzânia… 17º e 18º no Utengule Cauntry Hotel - Óh mundo de túji, ainda teremos de atravessar a Tanzânia para chegar a Dar és Salaam… Crónica 3229 - (Escrita manual feita a 11 de Outubro de 2018 …)– No Nordeste do Brasil

tanzânia II 005.jpg Chegamos já era noite fechada a M´Billize-M´Beya no itinerário que nos levaria a Dar és Salaam; a estrada estava entupida de motorizadas e, foi um grande problema chegar a este agradável Utengule Cauntry Hotel inaugurado com a visita de Kofi Atta Annan, um diplomata ganês que era nesse então o sétimo secretário-geral da Organização das Nações Unidas; o mesmo que foi laureado com o Nobel da Paz em 2001. Exerceu funções entre Janeiro de 1997 e Dezembro de 2006. Numa das paredes da recepção podia ver-se o grande quadro com este personagem. Ficamos aqui por indicação de um alemão quando tratávamos dos trâmites da fronteira em Tunduma.

Nós, quatro pessoas, pagamos por dois dias e dois jantares a quantia de 661 US$, dólares americanos. Achamos caro o preço de 150 US$ por noite mas, a paisagem circundante desvaneceu esta superficial arrelia. A partir desta operação fui destituído das funções de secretário da economia pois que havia dúvidas permanentes quanto ao câmbio que praticava tendo como base o Rand Sul-africano. Em realidade já estava farto de fazer as contas do deve e haver do “ four by four”. No meio de espontâneos obséquios seria fácil ser tomado por intrujão e, isso repuxava-me más raivas…

tanzânia II 053.jpg Por via das incursões dos jihadistas do Boko Haram que aterrorizavam a região de Rovuma a norte de Moçambique e, por via dos avisos que nos chegavam dos familiares do M´Puto o comandante do “four by four” decidiu fazer uma inflexão para sul cruzando todo o Malawi. Pagamos o dobro do que era normal para tirarmos o visto na fronteira da Tanzânia para aqui ficarmos uns escaços dois dias. O planeamento aqui falhou e eu, que tinha tanta vontade de ir até ao Norte ver o Serengeti caí em mim desiludido, numa lazeira de sertão com a alma meio adoecida…

A Tanzânia é um país da África Oriental conhecido por suas vastas áreas selvagens, como as planícies do Parque Nacional de Serengeti, uma das mecas do safari e habitada pelos cinco animais de grande porte mais difíceis de serem caçados (elefante, leão, leopardo, búfalo e rinoceronte). Outro destaque é o Parque Nacional de Kilimanjaro, onde fica a montanha mais alta da África. Em alto-mar, estão as ilhas de Zanzibar, de influência árabe, e de Mafia, com um parque marinho que abriga tubarões-baleia e recifes de corais. O sonho de ver parte disto, desvaneceu-se para calibre de cão sem trela.

carvão4.jpg Passadas as cidades de M´beya, Tukuyu e Ipinda, chegamos a Songwe Border, fronteira com o Malawi. Deste modo, forçado à ponderação, a ideia de ir a Arucha lá no Serengeti, ficou posta de lado. Quem vai até aqui de avião, é depois e sempre acompanhado por guias dos respectivos parques e em carros de tracção. Há por muitos lados filas de turistas que aceitam pagar caro por mordomias exóticas. Entretanto fui fazendo actualizações do câmbio pelo meu microondas e anotei: Um euro valia 835 kwachas malawianos e um Rand correspondia a 60 Kwachas malawianos.

De M´Beya até à fronteira, ainda na Tanzânia pode-se ver grandes plantações de chá embelezando as encostas daquele espaço montanhoso, muito bananal, campos de batata, café robusta, florestas de mangais, e lavras de mandioca. Estas terras altas pelo que se via, eram boas para qualquer agricultura pois que por ali a chuva, a bençoava. As fronteiras em África são sempre problemáticas e demoradas no trato de expedientes, pagamento de visa e o respectivo seguro obrigatório do carro; aqui, também não foi diferente!

Acácia rubra1.jpg Tivemos de usar nosso cartão multibanco por seis vezes a fim de obter a quantia certa para pagar os 75 US$ e ficar com mais algum. Uma vez que só eu tinha dólares, não seria conveniente desfazer-me deles pois poderiam vir a faze falta mais à frente, tal como veio a acontecer. O pagamento aqui poderia ser pago em Kwachas malawianos e, para o efeito ficamos com um bom molho de notas em carteira. Nestas três a quatro horas que ali permanecemos, ocorreu algo que me levou a considerar ser o povo malawiano mais honesto que dos demais países.   

Tive de faze uso dos balneários para urinar e procurando, fui dar a um cubículo sem tecto nem porta, tijolos sem reboco nem pintura e um pano encardido a fazer de porta; tinha uma pia turca como única peça e, tive de pagar pelo uso. Sucede que não tendo os 200 kwachas (mais ou menos 25 cêntimos do Euro$), paguei com uma nota de 5 US$ e, sem esperar o troco fui para as instalações da aduane do lado de Malawi aonde permaneci sentado. Qual o meu espanto quando passado pouco tempo surge o moço bafana com os 5 US$ trocados em kwachas. Aceitei e dei-lhe 1000 kwachas de gasosa! Gostei de no meio de tanta carência e tanta trambiquice, haver uma atitude de honestidade… Sim! vale a pena visitar o Malawi, é terra de gente boa!

(Continua…)

O Soba T´Chingange       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:34
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Sábado, 9 de Julho de 2022
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXII

MEDITAÇÃO DO T'CHING - Janelas para a VIDA com esse tal de Algoritmo.

-VOCÊ SABE O QUE FAZ? - 02.09.2020 em Kizomba em Alagoas do Brasil

Republicação a 09.07.2022 em Kimbo Lagoa, Crónica 3227A

Por Soba T´Chingange brasil.jpg T'Chingange, (Otchingandji) No AlGharb do M´Puto

ROXO197.jpgAR - A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho. Uma pessoa prudente é sábia por saber o que fazer naquela hora e, da forma certa; ponderar naquela decisão e, por forma a não tornar sua vida um permanente conflito. A vida, não é só uma sucessão de acontecimentos casuais! Ela pensa, medita, avalia seu procedimento, corrige seu rumo quando necessário e recua quando percebe que está errada. O termómetro para medir a “temperatura de suas acções é a Malamba”, a Palavra - a tocha que ilumina o seu destino.

Não basta apenas saber “como” realizar bem o seu trabalho. Fazendo as coisas com eficiência, o prudente, sempre será um bom empregado porque no tempo, pára para pensar no que faz e, porque o faz! Assim, acabará sendo um líder. O caminho dos tolos é diferente; eles, acham que sabem tudo e em realidade apenas pensam que sabem. O resultado só pode ser de frustração, e desapontamento. Vós porventura sabeis o que fazer, porque e, como o fazer?

ROXO196.jpgAR -  Não tema em aprender, aconselhar-se, consultar até concluir. A receita para permanecer na ignorância sobre qualquer assunto da vida é ficar satisfeito com suas próprias opiniões e, contente com o que sabe - Pode ser pouco para atingir a perfeição. A vida se encarregará de lhe provar o óbvio... Faça deste dia, de todo os dias, um dia de avaliação. Revise os seus procedimentos, analise sua trajectória. Nunca é tarde para começar de novo; sempre é tempo de aprender. Tenho feito muita burrada e ando sim, a tentar corrigir-me, uma tarefa dificilíssima.  

Como andam seus relacionamentos? O seu casamento? Está separando o tempo necessário para dialogar com seus filhos ou espera que tudo aconteça por acaso? Reflicta nestas perguntas. Reflectir e meditar, é próprio de gente sábia. Eu próprio ando a tentar superar-me mas sempre ficarei incompleto analisando as muitas vezes que sou castigado pelo Facebook – Não tem remédio sempre andarei em conflito com esse tal de ALGORITMO!

ROXO195.jpgAR - Ser sábio ou insensato? Eis a questão! Se for o caso recorra ao seu Deus, pois decerto lhe mostrará um caminho melhor - com humildade no coração, sempre! Recorro ao meu tio Nosso Senhor mas nem sempre me saio bem… Mas, não esqueça: “A sabedoria do prudente é entender o seu próprio andar e, ter sempre em conta que a estultícia dos insensatos é enganadora”. Em momentos de aperto no tempo, ficamos contra, só por ficar! E, suprimimo-nos por vezes mas, muitas vezes somos suprimidos. Sim! Somo-lo por gente materialista, gente de meia-tigela, gente política flutuante. Ninguém é de ninguém, na vida tudo passa; vamos fazer o quê? Como gostamos de andar embalados! O tempo ruge…

Ilustrações de Assunção Roxo (AR)

O Soba T'Chingange...



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:15
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MALAMBAS. CCLXVI

CINZAS DO TEMPO - Na vida, podemos ter experiência, inteligência, visão e até sabedoria, mas não conseguimos acertar sempre! Há sempre um algoritmo a reger-nos!

SOMOS FALIVEIS... Crónica 3226 de 15.01.2021 de Kizomba em Alagoas BR

Republicação em Kimbo Lagoa Crónica nº 3226 A em 09.07.2022

Por soba0.jpeg T´Chingange, (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

dracma4.jpg Suportem-se uns aos outros. Em geral, somos falíveis, mesmo sendo os mais perspicazes. Em geral, o que realmente funciona nas relações humanas é o amor e o respeito. Em cada povo, época e lugar, há boas formas de demonstrar isso, tanto aos mais velhos como aos mais jovens. Enquanto houver mundo, pessoas de distintas idades terão divergência de opinião, pois vêem a vida mediante “lentes” e sentimentos diferentes.

Para uns, o mais importante é ter conforto e estabilidade. Para outros, o que importa é rir, divertir-se, desfrutar o que é bom. Como lidar com essas diferenças? É aqui que entra a estória: - Certa vez, dois colegas de trabalho viajaram juntos. Ao chegarem à balsa, na borda rio, o mais velho disse ao mais jovem: “Não entre ainda com o carro.” O outro replicou: “Mas nós somos os primeiros! Por que não?” O colega explicou: “Os que entram primeiro serão os últimos a sair. Aprenda!” O jovem consentiu, contrariado. Ele queria entrar e curtir a viagem. Quando quase todo o espaço foi ocupado, diante da última vaga disponível, o mais velho disse: “Agora pode entrar. Aprenda!”

Mas, a balsa começando a se afastar do cais, ouviu-se o barulho estridente de uma ambulância que, com pressa, se aproximava. Foi dada a ordem para que a embarcação retornasse. Quando atracou, um funcionário apontou para o último veículo da fila e gritou: “De quem é esse carro aqui?!” O jovem respondeu: “Nosso!” O funcionário lhe disse: “Então tire-o. A ambulância tem prioridade.” Enquanto a balsa se afastava do porto, os dois colegas, frustrados, ali ficaram esperando a próxima. “Aprenda, ouviu? Aprenda!” Nenhum dos dois pôde, depois daquilo, esquecer essas palavras.

roxo3.jpgAR -  Em cada povo, época e lugar, há boas formas de demonstrar isso, tanto aos mais velhos como aos mais jovens. Pedir desculpas, dizer “obrigado”, assumir os erros cometidos, moderar o tom da voz ou não falar com ironia. Quem nunca teve um momento destes na vida terá tendência a tê-lo lá mais à frente e, tomara que o tenha.

Que o seja, parar com a pirraça e colocar-se na pele do outro, tentando entender seus sentimentos; tudo isso faz uma enorme diferença! A Bíblia até sugere que nos “suportemos uns aos outros” mas, poucos são os que a lêem... Isto terá acontecido na travessia do rio S. Francisco na cidade de Penedo ou Belém de S. Francisco, mais a montante mas, pode bem acontecer em um qualquer outro lugar e, até com outros contornos.

Mantenha em sua vida uma ou mais unidades de plano, um plano A, B e C para conseguir seus objectivos. Observe um colar de pérolas; missangas que estão todas presas por um fio. Se este rebentar, as pérolas, ou zimbros se espalharão. E, o que é o fio para o colar, missanga de pérolas ou zimbros – é a unidade de plano em nossa vida. Não permita que as pérolas de suas acções se percam, por lhes faltar o fio que lhes manterá a unidade.

picasso2.jpg *Se os resultados das acções humanas fossem instantâneos e determinísticos, seria fácil prever o futuro. Contudo, todas as acções na vida humana estão ligadas à incerteza e ao risco. Dos comportamentos e decisões humanas não se pode afirmar, com certeza, quais as consequências que se verificarão. O conhecimento com perfeita certeza é impossível de atingir*…

*Existe risco quando se podem associar probabilidades aos resultados de qualquer evento. Nestes casos, de risco, o decisor “conhece a distribuição das probabilidades” em relação às situações que são produzidas.*  

Estamos hoje, todos submetidos a esse Algoritmo que diz: Em Ciência da Computação, um algoritmo determinístico é um algoritmo em que, dada uma certa entrada, ela produzirá sempre a mesma saída, com a máquina responsável sempre passando pela mesma sequência de estados. Li isto na Wikipédia…   

Feliz sábado

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:05
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2022
KALUNGA . XXIII

Crónica 3225 A de 14.01.2022 No PortVille da Pajuçara em Alagoas

- NAS FRINCHAS DO TEMPO - VIII

- KIANDA COM ONGWEVA NO CONCILIO DAS KIANDAS

Reedição a 08.07.2022 em Kimbo Lagoa Blogue

Por soba24.jpg T´Chingange , Otchingandji – No AlGharb do M´Puto

Kalunga6.jpg NO PAMBU N´JILA - Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor surgiriam só no século XX e XXI algures num recife de Guaxuma de Alagoas mas, suas estórias vêm lá muito detrás; Assim, na saga de Salaam Januário Pieter e seu mustafá, adjunto Petróleo (O Alibabá aladino) … por aqui ficámos Aleikum em terras de “Castilla-La-Mancha” já na cidade de Toledo – Com a guia Kalunga um bom tempo.

O evento do Concílio das Kiandas era para durar… Meu Mano Corvo, o Mestre Araújo andava noutras lides com o tal grego de nome Doménikos Theotokópoulos, o El Greco… Pambu N´jila corresponde ao espaço físico de Toledo ligando este à mística das kiandas de Angola; uma ponte de inventação entre os seres humanos e o Minkisi, senhor dos caminhos que guardam os portões da nossa casa, do nosso espaço e, neste caso, os muitos portões de Toledo tais como “La Puerta del Sol” ou a ”del Cambron” ou ainda “La Puerta Nueva de Bisagra”.

kalunga1.jpg  Havia ali Kiandas, Ninfas Kwangiades vindas de todo o lado, de todos os continentes mas, havia uma em particular que me chamou logo a atenção; usava vestimentas africanas e tinha o nome estranho de Zachaf Pigafetta Roxo. Eu que vinha lá do futuro, do ano de 2016, de uma cidade esquecida com o nome de Marechal Deodoro, sabedor de coisas ainda não acontecidas, busquei em sua ficha qual a procedência e até nem foi surpresa, ela ser oriunda do lago Zachaf de Malawi em África.

Por terras de Monomotapa e na descoberta do caminho dum tal de Prestes João era esse o nome do grande lago que agora se chama de Malawi, Niassa; o mesmo que hoje se chama de Niassa; Ficou assim comprovado que nossas procedências vieram dali, pois que sempre fui e serei Niassalês. As estória de nossas vidas são por demais curiosas.

Kalunga7.jpg E, não é que muito mais tarde eu próprio já num outro evento renasci num paquete chamado desse jeito. Logologo, o lago Niassa bem no meio da África Central! Foi relativamente fácil deduzir que era esta a tal tetravó da agora Assunção Roxo, a sereia de Guaxuma. O Minkisi ocorre e corre com fluidez, tem o saber do ontem, do hoje e do amanhã. E, esta cidade mística de Toledo, guarda segredos que não estão escritos. Gozar a cidade e património, não é folhear só a história e ler um capítulo porque toda ela é história.

Nela, refresca-se a memória num rendilhado gerado de culturas diversas, encruzilhada de raças e encontro de feitiços e feiticeiros; t´chinganges que dominam silêncios desconhecidos. Kalungas longínquas de musas e gente de arte feitas pó, impregnadas de muito suko. No ar, pairava um feitiço de aço temperado e manobrado por um N´Kondi que espalha pregos feitos germes comedores de carne, pedra e pau.

kalunga5.jpg

N´Kondi de N´Gola, N´kosi de Imbinda e um cortejo de muitos Bandokis foram ao concílio de 1583 (há 439 anos…) à revelia de todos os outros espíritos convidados, embaixadores das kiandas das kalungas e seus mutakalombos. Os espíritos do mal N´Kondi e N´kosi ficaram desapontados por D. Filipe II não os ter convidado formalmente; os astrólogos do rei desaconselharam-no a fazer mistura entre mitológicas Ninfas e Nereidas conceituadas.

N´Kondi, o manobrador de pregos ficou encantado com as novas técnicas dum metal chamado de aço e do qual se faziam coisas pontiagudas; aço com técnica de Damasco de maior resistência à tração e à torção, espadas, facas cujas folhas nunca perdiam o fio de corte. Era esse o metal durável que tanto buscava para fazerem suas maldades aos homens e, até nos tempos mais vindouros.

Os pregos de cobre e alumínio espetados no boneco fetiche Kozo, tinham bons efeitos mas não eram totalmente eficazes; os de ferro rapidamente oxidavam e, quando sujeitos a rezas de Simbis perdiam o efeito desejado. N´Kondi e sua comitiva ajustaram-se no alto da montanha numa dependência de cave de Alcazar, e de fundição em fundição.

araujo166.jpgCA  Com expertos na arte de têmpera e espias de Damasco tornaram aquelas armas brancas nas mais eficazes em toda a Terra. Estava longe de supor que N´Gola, nosso genérico país teria uma catana como símbolo e, tudo partiu daqui: Toledo. Neste dia de hoje, pouco falo da Kianda Roxo porque estava lá, ocupada, dando cores com arco-íris aos participantes nobres do papado e outros cinco estrelas, idos da Globália, esse tal Concilio com o papa Gregório XIII que nesse então homologou por bula papal, o calendário que usamos hoje, …

GLOSSÁRIO:

Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; N´Haka: lameiro, sítio de plantio húmido, horta. Nereidas: na mitologia grega, são seres mitológicos, eram seres femininos (ninfas), que habitavam as águas do mar Egeu

Texto originário da n´Haka do sobado na Torre de N´Zombo do Kimbo com o nome de Cafufutila…

Kalunga8.jpg Nota à margem do texto: No dia de hoje faleceu em Barcelona o segundo presidente de Angola, José Eduardo dos Santos que governou Angola por 39 anos, tempo suficiente para levar à pobreza 50% de seu povo…

(Continua…)

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:39
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2022
MALAMBAS. CCLXV

TEMPOS DE FRICÇÃO - Crónica 3224.A - 13.01.2022 na Kizomba no PortVille de Maceió - Brasil

Republicação em Kimbo Lagoa em 04.07.2022 no AlGharb

Por  soba002.jpg T'Chingange - (Otchingandji) No AlGharb do M´Puto

Malambas2.jpgAM -  Contar estórias é muito, muito dificultoso. Não convém a gente levantar escândalo de começo porque, só aos poucos é que o escuro fica claro. Por vezes, muitas vezes é o contrário...

Não pelos anos que já se passaram mas, pela astúcia que tem certas coisas que se remexeram dos respectivos lugares… Assim que num agora, acho que nem não, porque as horas das pessoas engoliram os seus próprios minutos, tantas coisas em tantos tempos, tudo muito engavelado.

E, também porque o espírito da gente vira lobisomem na escolha da picada ou no fiote (caminho) da selva. Depois verificamos que aquele tal homem, mulher ou coisa de outra nova vaga, ainda não está no definitivo! Viver perto das pessoas, é sempre dificultoso, na faca dos olhos, enfiar ideias, encontrar o rumo, alizar o forte das coisas, saber do que houve e que não aconteceu; às vezes não é fácil…

araujo46.jpgCA -  Sou diferente de todo o mundo - acho que tenho de aprender a estar alegre e triste juntamente, até porque a muita coisa importante, há falta de nome. Bem! A mocidade é tarefa para mais tarde se desmentir noé!? Aquilo que inteligêncio vêm do passado. Coisas que me agarraram o olhar; purgo até meus arrependimentos do gerúndio até o amanhecer porque, depois passa!

Malambas4.jpgCA -  Cada hora; cada dia, a gente aprende uma quantidade nova de medo! Isso é mesmo possível? Viver está a ficar um negócio muito perigoso e, ainda dizem que a saúde não o é! Só pode ser mesmo fantasia no "cá e lá" ou seu inverso e, em toda a Globália...

Ilustrações de C. Araújo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:38
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MOKANDA DO BRASIL . XV

ANDO ENKAFIFADO - Crónica 3223 - A - O coronavírus (deixou) - deixa a elite globalista bestificada...

Dio grátias - 09.01.2023 – No Nordeste brasileiro – PAJUÇARA

Republicação a 04.07.2022 no KIMBO LAGOA

T´Chingange t´chingange 0.jpg (Ot´Chingandji) No AlGharb do M´Puto

XISPETEÓ0.jpg “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso"; a palavra (malamba) foi feita para se dizer. A lembrança da vida da gente se guarda em baús da memória com seu signo e sentimento que nem sempre, em uns e outros, se misturam. Vim do M'Puto ontem num avião charuto da TAP com uma catrefada de papéis: Teste VCR de 80 euros, certificado da terceira vacina P´Fizer e formulário da ANVISA... Ainda não tive contacto com o ex-coronel Fala Kalado mas, suponho que também anda enkafifado e desalinhavado dos eixos procurando o tal ácaro da Welvitchia Mirábilis em terras de Petrolina, assim num cadavez de até pressentir crescer as unhas, pestanas e rugas.

Tudo assim como num jogo de velho baralho, num verte e reverte na vida a despertar só sem troco de macutas. Estou no Portville e, lá fora o espaço está tão quente que até dá para aqui entrar no quarto piso cheiretando minha catinga como se fosse um olongo ou kudu, empoçado para se caçado! Uau! Não me perguntem nada porque a nada sei responder no troco da minha boleia dum deo-gratias! Estou contando assim porque é meu jeito de falar no meio do redemoinho... A maioria das pessoas já não tolera mais ficar em regime de prisão domiciliar ou isolamento obsequioso, vivendo o dilema da sobrevivência. Quem consegue suportar a virose também precisa ganhar dinheiro noé!?

GOLF1.jpg Prestadores de serviços, Camelôs, comerciante que vende os seus artigos na rua, geralmente sem autorização legal; vendedor ambulante - vendedor de balas, cocos, macaxeira ou pastéis do jequiá serão obrigados a fazer milagres. São muitas perguntas sem respostas plausíveis. O coronavírus trouxe algo muito mais tenebroso para a vida das pessoas com a imprensa morbidamente a fazer politica a quem quer libertar a acção do povo. O suposto combate à doença abriu espaço para que em todo o mundo, promovessem abusos de poder contra a democracia ou a liberdade individual. Além do trauma pelas vidas perdidas, esta será a grande sequela da crise pós-COVID-19, 20, 21 e 22.

Ela, a crise é complexa, feia e assustadora. Não há soluções prontas, padronizadas, para situações tão diferentes em cada nação do planeta Terra. E, aqui no Brasil também se confina muito no “estadodependência” tal como no M'Puto (Portugal). As imposições colectivistas – essência dos sistemas socialistas e regimes autoritários - ganham forçam sobre o legítimo poder e a liberdade do indivíduo. Perdemos, não se sabe por quanto tempo ou se para sempre a simples capacidade de apertar mão, abraçar e beijar as pessoas.

dia167.jpg Alguns lugares pegaram mais pesado e adoptaram o “lockdown”. Acontece que a essência humana não suporta viver isolada por tanto tempo. Além disso, as condições de subdesenvolvimento, com miséria, pobreza, falta de educação e ausência de hábitos de higiene, agravam o nosso risco. Em algum momento alguém tem de tomar uma decisão e dizer: "é por aqui, e vamos executar”. Em situação de crise, existe um padrão de gestão que define claramente responsabilidades mas, o “isso preciso ocorrer urgentemente” tornar-se constante - É chato noé!          Lembremos de Winston Churchill: “Um optimista vê uma oportunidade em cada calamidade. Um pessimista vê uma calamidade em cada oportunidade”. Estou vivendo isto. Lá terei de me ir vacinar contra todas essas pragas para me prorrogar num se Deus o quiser. Venho por este meio requerer..."deo gratias"… A máscara para mim é um instrumento de medo, de amordaçamento, de controlo, de subserviência. Um sujeito usando máscara, é o símbolo crónico e cabal do subjugo do ser humano que se sujeita aos mais impossíveis estratagemas para se manter vivo. A máscara para mim, é a prova mais viva de que o homem morre de medo da morte, portanto, indicia não ter compreendido, por não conhecer o caminho espiritual da vida…

O Sob T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:27
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2022
KALUNGA . XXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - VII

- KIANDA COM ONGWEVA … Às margens do Tejo em Toledo

Crónica 3222-A de (31.12.2021) – 29.06.2022 

Por soba24.jpg T´Chingange  (Otchingandji) - No AlGharb do M´Puto

tonito3.jpgCA -  AS TÁGIDES DE TOLEDO - Salaam Aleikum em terras de “ Castilla La Mancha” já na cidade de Toledo. Prometi a Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem. Tive de recorrer a Januário Pieter uma kianda que me serve - Passeamos por Alhambra mas, ambos voamos para Toledo pois que era ali que meu Mano Corvo Araújo nos esperava na ponte San Martin sobre o rio Tejo. Há dois mil anos atrás, Marco Fúlvio comandando as legiões Romanas conquistou a cidade de Toledo. O mesmo rio que então a contornava, o Tejo, continua correndo sendo atravessado pela ponte pela qual passam os peregrinos que se dirigem a Santiago; Trata-se da ponte de San Martin do Caminho de Alicante.

Era aqui o encontro e, com efusivos abraços os Manos Corvos aqui cruzaram águas quentes nas outras frias, que ali por debaixo corriam rumo a Lisboa. Até foi patética esta cena; bem cedo num treze de Maio dum ano falecido, Januário festejou connosco e como testemunha o pacto desta amizade. Cuspimos depois nas mãos e chispamos um aperto de união; voltaríamos a fazer isto muito mais tarde num tempo sine die. Em ambos, a kianda Pieter pousou sua mão em nossos templos, nossas testas, deixando um viscoso liquido parecido com azeite.

toledo20.jpgCA - Este sítio de Toledo estava destinado ao gozo de férias de primavera das ninfas do rio Tejo (Tajo). Aqui, a partir de 1580, os espíritos instigados por “El Greco” recordam momentos épicos na companhia dos novos membros da Kianda e Mutakalombo; estes, cheios de notícias frescas dos mares de N´Gola em África, conferenciavam com sereias, nereidas e musas tomando aqui, todos, o nome de tágides (rio Tajo) – as primitivas kiandas que surgiriam desde o Zaire ao Kwanza, lugar ainda mal conhecido neste então.               

Só muito mais tarde iriamos saber que entre estas estavam as primogénitas das kiandas Roxo e Oxor. Cantando, à gente nossa, gente vossa, que a Marte tanto ajuda, refrescavam-se nas águas com cantos de Camões recordando o Deus da guerra, filho de Juno e de Júpiter guardião dos exércitos troianos.

As tágides conciliavam-se aqui com a vida espiritual, trocavam experiências com as novas tendências da Globália, reciclando-se em congressos de cristandade ouvindo Simbi e N´kuuyu. Aquele lugar ficava um Pambu N´jila como se estivessem na Mazenga, a ilha do descanso dos muxiloandas, sombras de casuarinas e coqueiros. O exotismo dos trópicos espalmava-se ali, na Mancha de Cervantes. O maneta Manuel de Cervantes y Saavedra autor da obra “Dom Quixote” desencantado com a guerra e as gentes, lutava com moinhos na vasta planície de “La Mancha” com muito Suko e, associando-se a esta espiritualidade, retemperava os mudos intervalos divertindo a tertúlia com contos de ridículos cavaleiros  e paródias de entretimento.

toledo21.jpgCA -  Eram momentos retemperadores recuperando Mutalos desavindos recorrendo por vezes à kianda Koxo e o Mestre Costa, uma verdadeira arte estirada por “El Grego”, ele também impregnado de muito Suko - a kianda e Mano Corvo Araújo, o magnifico grego de nome Doménikos Theotokópoulos! Nesta rota peregrina, cruzando o caminho de Alicante imaginei Sancho Pança apaziguando seu amo dum ímpeto destemperado com moinhos de vento ridicularizando heróis da fancaria. Foi a partir daqui que se organizaram cursos de deformação (algumas grotescas), fantasias de mordaz parodia e ironia na escrita e cores com longos rostos na pintura contrapondo aquilo que se passou a designar de burlesco.

Pude admirar nesta terra de Aragão um quadro de “El Greco”, em que as tágides ou Kiandas se contorcem em risos aéreos, vendo-se em fundo a cidade de Toledo, a “la puente de San Martin” sobre o rio “Tajo” e, um arco iris assinalando o local daquela reunião de espíritos. E ali andava eu T´Chingange um feiticeiro acomodado a novas tarefas de agrado, partilhando e recebendo conhecimentos avondo.

tonito1.bmpAM - É este um assunto deveras interessante a deslindar ao mulato ressequido Januário Pieter pois que estão ali também as Kiandas da Mazenga, as tetravós de Roxo e Oxor e, dois negros Mutalos com grilhos presos a bolas pesadas e escuras alongando-os como que puxados para a terra. E, nos pescoços, umas barras redondas de ferro contornando-os por detrás de umas orelhas aladas amarradas às nuvens de Toledo; seriam escravos de N´Gola pela certa!

Ainda tinha na retina a imagem dum negro com semblante muçulmano que comigo cruzou em um lugar de nome “Bargas”. Este jovem senhor que se dirigia a terras de África através de Algeciras, tirou as meias, lavou os pés e, descalço refugiou-se numa sombra de alfarrobeira mais distanciada; estendeu a sua jaqueta no solo, ajoelhou-se colocando suas mãos sobre esta, baixou sua cabeça até tocar o solo por várias vezes orientando-a para um determinado ponto. Era a sua Meca distante com Kiandas diferentes, O seu Pambu N´jila.

roxo210.jpgAR -  Aquele muçulmano, talvez marroquino, talvez argelino, ao passar por mim, riu-se em cumprimento mostrando até seu dente escandalosamente dourado, fez uma suave vénia de uma simpatia diferenciada, cumprimentando-me: - Salaam Salaam. Eu era um privilegiado, cidadão Niassalês, cidadão do mar alto, cidadão do mundo. Ele, um mustafá, viu em mim a aura de Pieter, talvez, a Kalunga N´Gombe, o “ Sangue de cristo”, T´Chingange do mesmo Cristo vestido com cores de púrpura.  Eu, respondi: - Salaam Aleikum.             

tonito2.jpegAM - GLOSSÁRIO: Salaam Aleikum: - da fé islâmica, fique na paz de deus, que a paz esteja convosco; Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Marte: - Deus da guerra na mitologia Romana, filho de Juno e Júpiter, amou Vénus de forma adultera...; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Nkuuyu: - são os espíritos pais dos vivos; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, Elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Mazenga. - Ilha das cabras, Ilha dos loandos, ilha dos N´zimbos ou Ilha de Luanda; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; Mutalo: - espírito de morto por feiticeiro sem ordem de N´zambi; Kalunga / Calunga N´Gombe : - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas; Kozo: - Objecto que invoca um ou mais espíritos. T´Chingange: - Feiticeiro, cobrador de impostos, assessor do rei ou Mwata, ministro de todas as relações; N´Nhaka: - Plantação

Notas 1: Este episódio já foi publicado em KIZOMBA FB – trata-se de repor o texto no arquivo base de KIMBOLAGOA;  Nota 2: CA - Costa Araújo; AM - António Monteiro; AR - Assunção Roxo

Da N´Nhaka de: O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:35
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Terça-feira, 28 de Junho de 2022
MALAMBAS. CCLXV

TEMPO DE CINZAS. (24.09.2021) – 28.06.2022

Crónica 3221 - A “TEORIA DA INCERTEZA” e os BITCOINS - Oportunidades e pedidos…

MALAMBA: É a palavra.

Por soba0.jpeg T´Chingange – (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

malamba01.jpgCA -  Você já teve a oportunidade de fazer um pedido para alguém muito importante? Como foi atendido? Certa noite, Deus apareceu ao rei Salomão e disse que ele poderia pedir o que quisesse. Que acontecimento incrível! Você já imaginou se Deus aparecesse hoje à noite ao pé de sua cama e lhe fizesse essa proposta?

O que você diria? A resposta não parece ser tão simples. Instantaneamente, nos lembraremos de nossas necessidades. Alguns quererão entrar em uma boa faculdade, outros precisarão de um bom emprego, de um bom casamento e de coisas importantes como dinheiro, moradia entre milhares de opções…  

malamba1.jpgSelo do Soba -  Enfim, a lista é grande. Mas parece que Salomão não se assustou com a proposta nem pensou muito para pedir. Ele pediu sabedoria para conduzir seu povo. Ao ouvir o pedido de Salomão, o Senhor Se alegrou; assim está escrito... O jovem rei pediu sabedoria para cumprir a tarefa divina confiada a ele. Como resultado, Deus lhe concedeu muito mais do que ele sonharia: sabedoria, riqueza e glória incomparável.

Esse relato bíblico é fenomenal. Entretanto, por que apenas Salomão teve essa oportunidade? Se tivesse a mesma chance, que pedido você faria? Há uma grande probabilidade de que Deus não Se manifeste novamente dessa forma a uma pessoa.

No entanto, ele dá essa mesma oportunidade a você. Sabia? O que ocorreu a Salomão, pode acontecer também connosco. Não acredita? Veja o que Jesus falou em Mateus: “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.” Deus é justo e trata todos os Seus filhos com igualdade de possibilidades".

arau44.jpg CA -  Num suponhamos de metáfora quase podemos visualizar A NATUREZA falando por intermédio de Jesus: “Meu filho, peça o que você quiser”. O que você vai fazer com essa oferta? Pense em como você poderia usar essa bênção. Então peça, e A NATUREZA lhe dará muito mais... "Gratidão é o que temos para expressar por tudo que vivemos nos anos que se seguem". Gratidão pela vida, pela saúde, por nossa família, amigos e trabalho. Gratidão porque Deus esteve connosco e nos ajudou a vencer um dia de cada vez e nos trouxe até este último dia. Passamos também por momentos difíceis, mas teremos muito mais para agradecer com um obrigado! As guerras não podem durar todo o sempre…

Em 2022 continuemos com muita força, saúde e fé e, que seja pleno em realizações dos nossos sonhos e planos. " Bom e abençoado último minuto de cada tempo com esta natureza que ainda andamos a desbravar... Não esquecer que ainda andamos a nos construir... Lendo a “teoria da Incerteza” de Arlindo Donário e Ricardo do Santos sobre como aplicar pecúlios, acabei por ficar taciturno sem saber se fico como estou ou avanço para a aventura dos BITCOINS… O princípio de incerteza de Heisenberg é um dos pilares que conceituam a física quântica. De acordo com esse princípio, em sistemas de escalas reduzidas, como nos átomos e moléculas, grandezas relacionadas, tais como quantidade de movimento e posição, não podem ser medidas simultaneamente com exactidão…

ara10.jpgCA - Para se entender perfeitamente o alcance e o real significado do princípio da incerteza, é necessário que se distingam três tipos reconhecidos de propriedades dinâmicas em mecânica quântica: 1- Propriedades compatíveis: são aquelas para as quais a medida simultânea e arbitrariamente precisa de seus valores não sofram nenhum tipo de restrição básica. Exemplo: a medição simultânea das coordenadas x, y e z de uma partícula. A medição simultânea dos momentos px, py e pz de uma partícula; 2- Propriedades mutuamente excludentes: são aquelas para as quais a medida simultânea é simplesmente impossível. Exemplo: se um eléctron está em uma posição xi, não pode estar simultaneamente na posição diferente xj; 3- Propriedades incompatíveis: são aquelas correspondentes a grandezas canonicamente conjugadas, ou seja, aquelas cujas medidas não podem ser simultaneamente medidas com precisão arbitrária… Com calma lá chegarei – até já pedi ajuda a Salomão…

Ilustrações de Cosa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:55
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Segunda-feira, 27 de Junho de 2022
SUKUAMA .1

TEMPOS DE PERLIMPIMPIM

- Com Fala Kalado, o Ex-Coronel – agora General emérito da Luua...

Crónica 3220 - 27.06.2022 - Uma estória revisitada num passado recente

PorSoba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange (Otchingandji) - No AlGharb do M'Puto

ekuikui1.jpg Kambuéti - Contar estórias feitas missossos ou mussendos é muito, muito de dificultoso. Nelas, não convém a gente levantar escândalo de começo porque só aos poucos é que o escuro fica claro! Ando a tentar continuar a estória do Fala Kalado, o General emérito que antes de anteontem era só de ex-Coronel mas, aquele homem, ficou por demais indefinido; diz que já cansou de ser de ex e vai ser o que quiser e que ninguém mesmo tem nada com isso e, ponto final.

Acantonado naquele imenso Brasil, com sua orelha parabólica no sistema de G5, batuca o tempo na mistura de dendém com peixe-frito; não pelos anos que já se passaram mas, pela astúcia catucada, fico assim cafuso com as coisas a remexer em nós, nos lugares e nas nossas convicções. Carregado na mistura de mangonha com astúcia, ao fim da tarde, jiboiando na esteira, escorre catinga de suor com kimbombo. A sombra do tamarindo dava-lhes o alento de ficar ali conversando, espreguiçando balelas, inventariando feitos de guerra e capiango.

Na conversa dele espirravam canivetes do tamanho de catanas mas e num repentemente girava trezentos e sessenta graus nele mesmo. Não é que às vezes (…), até parecia chorar! Lágrima de crocodilo, só podia, só pode ser! Já a noite cobria nas sombras com barulho das cigarras a ficar sonso quando, da boca de Kambuéti, o sem-perna fazendo banga fécula, com a sua nova muleta de pau kibaba, espectaculava surgido do nada, ouvi a cena que se segue dum sonho gasto no tempo: - Sucuama! Te conto só!... Tenho de mudar minha vida e, emudecia passando logologo para uma maka qualquer que só era mesmo de sonho - (kambuéti deve ser o anjo da guarda dele com uma perna que lança petardos fragmentantes…)

poluição.jpg Assim que num agora, num repentemente, acho que nem não, porque são tantas coisas, tantas horas de pessoas e, tudo muito recruzado. Acho mesmo que fumou liamba para desbaralhar sua má memória, tempos de caganifobeticos acontecimentos. Os cientistas desenvolveram uma orelha em impressora 3D e aplicaram as células, que formaram uma orelha animal; tal e qual aplicada na face lateral do FK, o agora General (futuro Comendador)... E, estas altercações devem ser provocadas por tanta mistela, milongos de reconstruir fissuras…

Vi isto ao vivo e a cores lá na Petrolina do Brasil, colada na lateral do meu amigo ex-coronel FK promovido a General emérito - Fala Kalado com sua orelha parabólica no sistema de 5G! Devorando-nos até ao tutano, besuntamo-nos no visgo sem os contornos monstruosos de kalashnikov a tiracolo ou os monacaxitos de mata-mata porque ambos saímos na guerra do tunda-a-munjila xindere, titubeia ele com vírgulas de auié e asneiras de topariobé entre outras muito mais asneirentas…

zumbi6.jpg Zumbi -  As mazelas da guerra com estrondo de quando o espírito da gente é cavalo e escolhe entrar no sítio errado para se fincar, Aiué... Coisas passadas que se agarram no olhar, com ligação directa àquela orelha de plástico-moldável, amputada para matarem a surdez. Aos poucos apercebemo-nos que todos os órgãos estão ligados porque em verdade um pico no dedão do pé afecta a cabeça sim; nunca iremos entender-nos em perfeição dizia ele com frequência. No tentar compreender esta fricção sempre, sempre saio amachucado…

Sempre repete que não deu a devida estimação às palavras daquelas que sempre têm de ficar inteligênciaveis. Agora tem de agigantar-se com e, também com perna suplente de implante. Ficamos ambos combinados em ir ao Morro dos Macacos a visitar o Zumbi dos Palmares mas, o tempo desencontrou nossas vontades neste enfiar de ideias, no achar de seu rumozinho.

araujo1.jpg Sei de antemão que já tudo mudou, que no futuro até vai ser Comendador (só eu o sei), mas como e por agora ando repondo as prateleiras no tempo assim têm de ficar por não poder descontrolar o azimute da vida. Caminhos do que houve e, do que não houve porque não vale a pena morrer de vésperas. Às vezes não é fácil! Aquele homem, o Fala Kalado, continua indefinitivo... Só sei que tudo vai mudar porque na minha qualidade de “engenheiro espiritual” posso dar-me a esses luxos mesmo sem saber quando é que a guerra vai acabar… - “N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir… Foi assim que terminamos o encontro…

(Continua…)

O Soba T Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:05
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KALUNGA . XXI
UM HINO Á KALUNGA – VI
Crónica 3219 de 20.12.2021 em KIZOMBA - NAS FRINCHAS DO TEMPO
- KIANDA COM ONGWEVA … às margens do Tejo em Toledo…
– Com as kiandas Roxo e Oxor, algures na ânfora da nau do tempo …
Por soba0.jpeg T´ChingangeNo AlGharb do M´Puto

SOBA26.jpg Já era tarde naquele outro dia, Januário kianda fazia-se acompanhar com um personagem vestido de árabe bem ao jeito de Alibabá. Depois dos salamaleques ao jeito de confrades, logo após emborcar sua chávena de café Delta importado do M´Puto continuou: - Foi ela Isabel “la Católica”, que concedeu apoio a Cristóvão Colombo na busca das tão cobiçadas Índias ocidentais e, que o levou a descobrir as Américas, acontecimento que teve consequências na conquista dessas novas terras e a criação do Império Espanhol.

Estávamos noutras vidas, é verdade, mas desejosos que o rumo da conversa versasse coisas mais recentes e, por isso perguntei a Pieter o que é que ele pensava da nossa ida a Toledo a redescobrirmo-nos porque sei que pelos anais, também me formaram à sucapa “engenheiro espiritual” num lugar de Pambu N´jila da Fundação da Ordem da Imaculada Concepción, Palácio de Galiana. Neste mundo de Kalungas e Kiandas há coisas que sucedem  sem haver previsão;  esta minha ficha de espiritualidade caíu do nada... Enquanto isso e lá no palácio do Pambu N´jila, Costa Araújo I, seguiu as pisadas de um pintor Doménikos Theotokópoulos, mais conhecido como El Greco, pintor, escultor e arquitecto grego que desenvolveu a maior parte da sua carreira por ali.
  - TChingange meu amigo, falou Pieter: agora que nos reconhecemos avondo, pois que ambos o somos "engenheiros da kalunga" dir-te-ei que não será tão rápido que chegaremos à nossa N´Gola com  a banga fekula,  disse assim mesmo incluindo-se  nesta pretensão. E, continuou: Teremos de esperar até jorrar todo o petróleo pelo tubo ladrão. Falou assim para nós dois, ao qual nem dei  relevo na análise pensando referir-se ao seu assistente com nome de Petróleo (um aladino), e não àquele terra rica em alcatrão; era normal ele falar assim de coisas plasmosas com sofisticadas superstições, complicando-nos a veia pensadora! Nós, só ouvíamos!
Ele, a kianda, seguia para Cádiz com aquele coisa, seu adjunto Petróleo, mas decerto nos iria visitar a Toledo ou Alhambra de Granada para dias mais tarde. Assim falou sem definir datas com horas e minuto, se deste século ou qualquer outro como é vulgar nas kiandas ambulantes do espaço; Com dúvidas persistentes talvez aí pudéssemos pôr os assuntos em dia e saber dos nossos antepassados feitos em pó. Taciturnos, com um peso nos latifúndios, despedimo-nos de Pieter e seu adjunto Petróleo (O Alibabá aladino)… Nem sei como é que aquela coisa cheia de turbantes conseguia andar com aqueles sapatos kilométricos.

sapatos longos.jpg Sapatos do aladino Petróleio

As tágides, conciliavam-se aqui na vida espiritual íntima, trocando-nos resquícios, experiências com as novas tendências da Globália e, reciclando-se em congressos de cristandade, concílio, ouvindo Simbi e N´kuuyu. Aquele lugar ficava um Pambu N´jila como se estivessem na Mazenga, a ilha do descanso dos Muxiloandas, nas sombras de casuarinas e coqueiros. O exotismo dos trópicos espalmava-se ali, na Mancha de Cervantes.
O maneta Manuel de Cervantes y Saavedra autor da obra “Dom Quixote” desencantado com a guerra e as gentes, lutava com moinhos na vasta planície de “La Mancha” com muito Suko* e, associando-se a esta espiritualidade, retemperava os mudos intervalos divertindo a tertúlia com contos de ridículos cavaleiros e paródias de entretimento
Eram momentos retemperadores recuperando Mutalos* desavindos recorrendo por vezes à Kianda Koxo, uma verdadeira arte escangalhada por “El Grego” com mistura de Miró, eles também impregnados de muito Suko de cor - a Kianda do mestre Mano Corvo Araújo, o magnifico grego de nome Doménikos Theotokópoulos que nesta rota peregrina, cruzava também o caminho de Alicante. Imaginamos por isso Sancho Pança apaziguando seu amo dum ímpeto destemperado com moinhos de vento ridicularizando heróis da fancaria. Foi a partir daqui que se organizaram cursos de deformação (algumas grotescas), fantasias de mordaz parodia e ironia na escrita e cores com longos rostos na pintura, contrapondo aquilo que se passou a designar de burlesco.

dia186.jpgPetóleo - O Aladino

Pude admirar nesta terra de Aragão um quadro de “El Greco”, em que as Tágides ou Kiandas se contorcem em risos aéreos, vendo-se em fundo a cidade de Toledo, a “la puente de San Martin” sobre o rio “Tajo” e, um arco iris assinalando o local daquela reunião de espíritos. E ali andava eu T´Chingange um feiticeiro acomodado a novas tarefas de alforriado "engenheiro espiritual tirocinado", partilhando e recebendo conhecimentos avondo.
Mas, naquele dia de Maio estando eu na Igreja-Mosteiro de São João de los Reis católicos em pleno bairro Judio, parei o tempo para ler o que Santo António de Lisboa e Pádua escreveu lá para trás: “O grande perigo do cristão é predicar e não praticar; crer, mas não viver de acordo com o que se crê. Um cristão fiel, iluminado pelos raios da graça, é igual a um cristal; deverá iluminar aos demais com suas palavras e acções, com a luz de seu bom exemplo.”

toledo16.jpg  Lá em cima, nesse momento exacto a máquina do tempo solta um som metálico de bronze dando as doze badaladas do meio-dia. Um espírito bate num ferro que há lá dentro, fazendo-o ressoar. Noutro tempo as pessoas ajoelhar-se-iam; benzendo-se rezariam uma Ave-maria dando graças  de agradecimento. Aqueles momentos não poderiam ser analisados e vividos na primeira pessoa com as Kiandas Roxo e Oxor porque estavam em uma ânfora na nau da Kianda Pieter para retemperar reflexão pois que, iriam participar de um grande Concilio na tal Imaculada Concepción - Palácio de Galiana

:
Personagens da estória: A Sereia Roxo, (uma em duas - reflexo do espelho - Oxor que só vi em holograma); Mano Corvo - T´Chingange (O próprio); Mano Corvo I - Costa Araújo na 1ª encarnação; Januário Pieter - Uma kianda assombração dos mares, um velho amigo com mais de 500 anos de Cruz-Credo (criação do Soba); Petróleo Alibabá, assistente do Januário
GLOSSÁRIO:
KIANDA: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; ONGWEVA: saudade em português; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, encruzilhada elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga; Banga fecula: Um especial estilo, de cunho próprio...
:::::
* Mutalo: - É o espírito das pessoas que são mortas pelos feiticeiros sem que N´Zambi mande. Este ordena-lhes que regressem aos seus corpos nas sepulturas, mas à noite dá-lhes a faculdade de matar quem eles bem entenderem.
* Suko: - de Sukuama, de muita admiração e surpresa…
Nota: nesta publicação a 27.06.2022 há pequenas alterações ao texto original publicado em  Facebook de Kizomba...
O Soba T´chingange
 
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:35
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Domingo, 26 de Junho de 2022
VIAGENS . 2

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - Crónica Kimbo 3321  – 26.06.2022

Do Pantanal à Amazónia - parte

Por: T´Chingange Soba T´Chingange brasil.jpg Otchingandji) – No AlGharb do M´Puto

mulola2.jpgCA -  Ainda na Fazenda do Pantanal pude recordar com Peixinho, nosso guia, o neto do rei do Império de Oyó com o título de “Dom Obá II” (Dom Obá, na língua do seu povo ioruba, significa “rei”). Então imaginei-o com fraque e cartola, a desfilar sua banga ninita, suas medalhas penduricalhos de mérito pelas ruas do Rio de Janeiro. Pois assim foi: Um príncipe africano, negro, que viveu no Brasil durante o período em que ainda havia escravidão e o país era governado por um imperador, Dom Pedro II.  Seu nome era Cândido da Fonseca Galvão, mas gostava mesmo era de ser chamado de Dom Obá II d’África. Nasceu no sertão da Bahia, na Vila dos Lençóis, por volta de 1845, filho de africanos forros, ou seja, ex-escravos que haviam conquistado a sua liberdade por meio da carta de alforria. Dizia-se descendente directo, neto legítimo, de um poderoso rei africano – Aláafin Abiodun, rei do Império de Oyó – daí o gostar de ser reconhecido como príncipe.

amazonas0.jpg  É interessante conviver de perto com estas alvissaras mistificadas de fantasia na vida real, como sempre vivessem um perene carnaval, resquícios de memória das terras de África. Alistou-se voluntariamente para lutar na Guerra do Paraguai e, devido à sua bravura, foi condecorado como oficial honorário do Exército Brasileiro. Depois da Guerra, fixou-se no Rio de Janeiro, tornando-se numa figura conhecida da sociedade carioca. Ficando amigo pessoal do Imperador D. Pedro II era entre os negros e mestiçagem do Rio de Janeiro, reverenciado por sua representatividade, como neto do Obá Abiodum. De notar aqui a necessidade das pessoas alimentarem sonhos alheios e de tempos passados que nunca viveram.

Roxo183.jpgCA  - Aquela guerra do Paraguai foi a mais sangrenta ocorrida na América Latina no século XIX, envolvendo uma aliança entre Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, que terminou com a derrota dos paraguaios. Dom Obá II d´África foi promovido a alferes tendo sido desmobilizado por ter sido ferido na mão durante o conflito. Viveu no Rio de Janeiro, no Centro da cidade, região conhecida como Pequena África, um local historicamente habitado por africanos e seus descendentes.

Vindos de várias partes do país, a gente forra, iam ali como se assim o fosse uma peregrinação de romagem reafirmando-se em sua identidade. Uma Muxima na forma de Ongweva a alimentar uma fé inexplicável… Dom Obá tinha o hábito anualmente realizar uma visita oficial ao Paço, onde era recebido como herdeiro de seu avô. Foi defensor da monarquia brasileira, actuando na campanha abolicionista no combate ao racismo.  

obáII2.jpg em Manaus de uma tremenda humidade, amanheci empoleirado em paus espetados no rio Negro. Aqui, quando chove de verdade o céu desaba. O Solimões, que é um rio, surge barrento mais abaixo. Em Alter do Chão o galo cantou despertando a neblina e, no balanço da palmeira entre fumo de fogueira, um novo dia chegou com paz saboreada a café, tapioca e maniçoba. Entretanto nós comprávamos bugigangas, cestos, catatuas de madeira e colares. E, o jabirú lá estava no meio da ilha alagada, dando soberania ao sítio do Alter, a terra do boto e da festa do “çairé”.

Sem saber que era um sonho à beira rio, cercado de Marabás, Caráraris, Ipixumas, Xaporis, Cajarás e Maués, dei comigo na festa do Carimbó comemorando vidas interrompidas num mundo de natureza hostil de onças pretas e pintadas. Estava tomando guarané Maué.: Como um caramuru de pele branca, transpirando forró, falando um português fluido entre garimpeiros, seringueiros e quebradeiras de coco, dei comigo a cantar:- Oi tira coco, solta coco - Vai descendo sem cessar – Bate-bate, racha coco - Quebra a palha devagar. Faz a roda, fecha a roda - Já é hora de cantar - Rapa coco, dança corpo - Na magia do lugar.

obáII9.jpg  Em visita à floresta e no quartel base do Batalhão Militar de Guardas da Amazónia, fiquei impressionado com a pantera negra que por ali estava presa; sua pele brilhante e seus olhos de um amarelo intenso, provocaram-me arrepios reluzindo medo. Já vi muito felino, mas este olhar do bicho andando de um para outro lado, marcou definitivamente este momento; era bicho com que não me queria cruzar no meio dessa densa mata. Por ali fiquei beira pântano, beira rio,... Descendo por cinco dias o rio grande, de Manaus até Belém com Nossa Senhora da Aparecida sofri a soltura prolongada feita disenteria.  Aiué, nem vos falo (por agora…)…

 tuiui1.jpgGlossário: Tuiuiú - pássaro pernalta símbolo do Pantanal; sucuri - cobra, jiboia;Jiboiei; Caimão - pequeno jacaré das Américas; Capivara - animal que parece um rato e é do tamanho de um porco, herbívoro; Kilombo (quilombo): o mesmo que quimbo, sanzala rural; Fujões - escravos fugidos das fazendas; Capitão-de-mato - cipaios ou guardas dos fazendeiros com alvará de busca ao infractor escravo; Obá II - escravo de linhagem que se tornou famoso entre outros; Caboclo - homem rude tarefeiro; Matuto - cruzamento entre índio e mulato (ou branco); Ipê-roxo: - árvore de grande porte, pau d´arco; Sukucaia - fruto do castanheiro do Pará; Manissoba - saca-saca, folha de mandioca fervida durante sete dias (para retirar a seiva venenosa); Jabirú - o mesmo que tuiuiú, pássaro do pantanal (nome popular usado em forma pejorativa); Boto: – golfinho do rio (toninha); “çairé” - festa anual em Alter do Chão, homenagem ao golfinho; Marabás, Xaporis:- tribos de índios; Carimbó - festa dos recolectores da floresta amazónica, seringueiros e agricultores de enxada e catana, pisteiro de onça; Guarané - o mesmo que guaraná em dialecto Maué; Caramuru - homem branco do sul, normalmente de Porto Seguro ou Santa Catarina; Forró – Farra batucada, excitação suada por ambiente festivo, que se traduz em alegria; Seringueiro – homem que extrai a borracha da árvore; Coxias: - herbívoros de pequeno porte; Cajá – taparabé, fruto tropical parecido com a nêspera, gajaja.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:07
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2022
KALUNGA . XX

UM HINO À KALUNGA – V

Crónica 3218 de 13.12.2021 em Kizomba - NAS FRINCHAS DO TEMPO - KIANDA COM ONGWEVA em Burgos

Republicada no Kimbo Lagoa a 22.06.2022

Por Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange (Otchingandji) – No AlGharb do M´Puto

araujo62.jpgCosta Araujo (Mano Corvo)

É bom visitar-te, disse Januário Pieter, sentir que dás bom uso às migalhas que te dou, que me orgulhas como um rebuçado de doce vontade. Aqui ficarei até mastigares por inteiro esta estória que vinda do Brasil paira agora entre Portugal e Angola, teu triângulo de afinidades e até passando por Espanha aonde iremos espairecer por algum tempo! Num até amanha deixou-me liberto para outras tarefas largando o prefácio de hoje como um resquício de sua sabedoria perfumada: “- Não podemos fintar as leis que nos regem e, uma delas é fazermos a nós, o que fazemos aos outros”. Irónico, talvez, Pieter fintador despediu-se num mungweno. Espanto meu! Pieter já falava em Kimbundo….

E, aquele cheiro intenso a jasmim surgiu de novo quando a tarde se estendeu no escuro da noite envolvendo-me na azáfama duma multidão ávida de frescura “la movida”. Este Januário mais complicado que um chinguiço abrumado, naquela “Plaza Mayor“ de Burgos comendo agora, umas tapas de “boquerón” e argolas fritas de “calamares” regadas com cerveja “Dom Pepe” ia descrevendo o que sabia da Rainha Isabel de Portugal, assim sem mais nem porquê, ao meu futuro Mano Corvo, que ainda não era mestre pois andava a tirocinar artes esguias com Raphael, um artista local…

toledo7.jpgCA  - Digo futuro Mano Corvo, porque só dias depois, em cima da ponte de entrada de Toledo, cidade mais a Sul, fizemos um pacto de amizade perene e, dum modo bem peculiar: - cruzando nosso mijo-quente sobre o Tejo na primeiríssima encarnação (Neste meio tempo de lá para cá sem vice-versa o Mano Corvo, o Mestre do pincel, um importante personagem real de nossas vidas, faleceu na antiga Bracara Augusta do M´puto – Desde então nossos corações andam enferrujados de saudade - ongweva…) 

Com uma saudação de bater mãos como agora fazem os desportistas, Pieter chispou nas nossas com ardências viscosas; depois do susto lá nos alegramos com caras de fantasmas de inusitados viandantes, até um pouco comprometidos com os olhares incrédulos dos circundantes. E foi ele, Januário que acrescentou: - Isabel a portuguesa foi casada com João II de Castela tendo dado à luz uma menina que veio a ser Rainha consorte de Aragón, Mallorca, Valencia e Sicilia. Foi assim chamada “la Católica” pelo Papa Alexandre VI mediante a bula “Si convenit”, a 19 de Dezembro de 1496.

kimbo 0.jpg K - Claro que fui obrigado a interpelar respeitosamente a minha sapiente kianda pois que o que verdadeiramente queria saber eram as novidades sobre as sereias progenitoras de Assunção Roxo e Oxor, as tetranetas em mares da kalunga do Brasil, mais propriamente de Guaxuma das Alagoas. Tudo porque a Rainha de Castela desse então nada tinha a ver com estas kiandas Roxo e Oxor de Guaxuma. Cada coisa a seu tempo meu ilustre T´Chingas, teremos de circular por aqui algum tempo para irmos à profundeza das verdades do paratrás a fim de entender o paráfrente!

É bom que ponhas a trabalhar teu relógio de areia porque daí irá sair uma praia com características mesolíticas; no futuro aí te irás espanejar com teu Mano Corvo se for o caso, disse assim sem titubear – foi em verdade um grande puxão de orelhas. Tudo indicava estar a ficar bravo de fulo comigo por sempre o estar a interpelar, eu que ainda nem era um estagiário de feiticeiro

roxo69.jpgAR - Taciturnos, com um peso no coração, nos despedimos de Pieter; Os Manos-Corvos viviam agora nesse privilégio de ter um amigo com a sapiência de mais de 500 anos. E, ia eu jurar que ele só tinha 385 anos, pelo seu aspecto tão jovial. Como a gente se engana! Este interregno da estória de Roxo e Oxor tornam-se assim num foro de cariz quase internacional. Deste modo envoltos numa áurea fosfórica rápidamente nos desvanecemos na noite que caía abrupta naquela Burgos…

Ilustrações: CA - Costa Araujo; AR. - Assunção Roxo; K - Kizomba  do FB

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:59
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KALUNGA . XIX

UM HINO À KALUNGA – IV

Crónica 3217 de 01.12.2021 - NAS FRINCHA DO TEMPO

– Com as kiandas Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia…

Republicada no Kimbo Lagoa a 22.06.2022

Por Soba T´Chingange brasil.jpgT´Chingange (Ochingandji) – No AlGharb do M´Puto

araujo103.jpg CA ...Tudo teve início para a livrar Roxo do tormentoso “Princípio da Incerteza” que formata a matemática quântica no ano de 2016. Como em todas as novelas, os dramaturgos mudam no correr do suspense os episódios e, agora com este desafio de avançar com a estória de Zé Peixe e as Sereias Roxo e Oxor, vejo-me forçado a recorrer a um amigo tão, tão antigo, que anda por aqui e ali, volatilizado no tempo; chama-se Januário Pieter*.

Esta lendária figura, surge-me sem hora marcada nem outros entretantos, quando fico encafifado, descomplicando-me as verdadeiras vistas do paralém, paratrás e paracima com suas vertiginosas chiadeiras na fricção do tempo, subindo e descendo sem curvas, assim como se entrasse num portal muito tapado de cacimbo! Com o passar do tempo descubro que este espanto feito Holograma da Kalunga também vai ser o Tio ancestral das Kiandas; por agora ainda é uma suspeita…

sacag11.jpg Sac ...  Com ele, já será possível esticar a estória andando no espaço-tempo de forma aleatória e acrescentando mais episódios com sereias e kiandas da Kalunga com gente normalíssima da silva assim como um tal de Joaquim de Lisboa que em dada altura e para sobreviver em sua traineira teve de fazer uma caldeirada de peixe voador; que para variar o cardápio também fez uma mistela com solas variadas de sapatos mais quedes de pele de boi, marca macambira e umas cascas de mandioca que por norma serviam de isco na apanha desse tal peixe com asas.

Lá atrás expliquei que Sereias são Kiandas que fazem parte da Kalunga, "grande mar", entidades fortemente ligadas aos Orixás e Iemanjás das águas de um outro lado do mar, um poder regenerador no campo sentimental. Chamarei de kwangiadas às ninfas do Kwanza e de Zairiardes às do rio Zaire ou Congo em Angola. Lá mais para a frente iremos reencontrar as sereias ou kiandas de Guaxuma com quem tive a experiência mais recente e aonde pude ver sentada a Sereia Roxo, tetraneta daquelas, rogando socorro a um mortal como eu. Só mais tarde me dei conta de existir uma outra igual, uma kianda gémea vista por reflexo ao espelho.

roxo206.jpg Roxo ... Pois então, num pedaço de nada, acabado de cochilar na minha rede de Pambu N´jila a escassos metros da Kalunga, lugar de antigas Sesmarias do M´Puto jiboiando no sopro invernal ele, veio até mim. No cumprimento do sonho, dei-lhe um abraço de completo vácuo; era Januário Pieter, meu guia-surpresista. Quase chorei de comoção por uma tão grande e distinta deferência. Nós que vivemos no além (referindo-me a ele e, incluindo-me…), podemos fazer diversas coisas, mesmo sem entender como as realizamos tais como locomovermo-nos e plasmarmo-nos, disse em jeito de comovida explicação (pude ver isto pelo seu semblante e ruga de seu templo, testa).

Pieter falando: Neste meio tempo e depois de ter estado contigo em Zanzibar, formei-me “engenheiro espiritual” em Toledo; dizendo isto como se tudo tivesse acontecido escassos dias antes, disse que por via dessa formação e, através dos fluidos da natureza, conseguiria pelo pensamento, criar no espaço, paisagens de multicolores holografias. Só apareço porque as pinturas relampejantes de Assunção Roxo me chamaram a atenção – disse! Foi quando reparei no assunto embrulhado de cacimbo, em que nos metemos e, ainda nem sabia que era tio dela…

roxo79.jpg Roxo ... Desde que sou “engenheiro espírita”, explico o que custa a apreender às gentes desavindas mas, boas como tu (referia-se a mim) que nutres de paixões, orações e bons pensamentos. É um prazer, concluiu. Neste meu estado, luto contra atitudes de espíritos que não são evoluídos, que não possuem compreensão e que ainda estão arreigados em paixões inferiores. Apontando para o jardim, Januário foi falando: estás a ver aquele melro a esgadanhar tuas sementeiras, coisas que tu aprecias, e as gralhas que por aí vão passando em bandos?

São condicionantes a que eu recorri para teu exclusivo agrado e, porque agora estás virado às coisas terrenas de beira-mar, venho em tua ajuda. Conferenciaremos sobre esse tal de Zé Peixe e suas ancestrais gerações em conjunto com tuas amigas Roxo e Oxor que tu tanto referes quando te espraias nas reflexões de arco-íris, as cores de roxo.

Nunca antes, Januário Pieter, figura recriada por mim, se referiu assim tão directamente como um especial meu assessor. Enquanto isto, as notas de Dó a Si do espanta espíritos da varanda N´jila do pátio andaluz, saudavam-nos mas, creio que mais propriamente à kianda ilustre vinda do álem com ventos de futuras duvidas e dádivas.

araujo75.jpg  CA ...Sorrindo, indiquei-lhe o lugar da rede a meu lado, contente com sua desejada visita, dizendo-lhe que a minha principal procuração, era tentar ser útil, sentir a gratidão vendo sorrisos em olhares tranquilos, viver com dignidade e saber contribuir para alguém também ficar bem. Fabricando a felicidade com pouco mais que nada, ali estávamos prontos a desfrisar estórias de inventação, sem menosprezar a vontade de fazer ao querer fazer, sem sugar energias alheias.

GLOSSÁRIO:

KIANDA: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; ONGWEVA: saudade em português; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, encruzilhada elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga

*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!

Ilustrações de Costa Araújo e Assunção Roxo ...

CA - Costa Araujo; Sac - Sacagami; Roxo - Assunção

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:29
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Terça-feira, 21 de Junho de 2022
VIAGENS . 1

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - Cónica 3320  (3216 da SAPO) 21.06.2022

Do Pantanal à Amazónia - 1ª parte

Por 

Soba T´Chingange brasil.jpgT´Chingange (Otchingandji)* Um Niassalês no AlGharb do M´Puto

viagens1.jpg Dom Obá II d´África ( Do kilombo de Poconé)

E, porque hoje aqui no velho continente começa o Verão, cuidados redobrados nas regas de gota-a-gota e, porque a chuva é escassa, lá teremos de preservar o que cai do céu, uma dádiva que só chega quando Deus quer ou se o quiserem quando a natureza assim o determina. Sabendo que em uns sítios transborda e noutros escasseia rebusquei frescuras alheias em minhas parábolas antigas na forma de malambas.

Com pensamentos molhados através da transpantaneira brasileira chegámos a Poconé, capital do garimpo - no céu nuvens carregadas de escuro com um sol deslumbrante, raiando luzernas multicolores como se o fossem olharapos espaciais. O português Aleixo Garcia foi o primeiro a visitar estas terras baixas no ano de 1524 tendo alcançado o rio Paraguai através do rio Miranda, atingindo a região onde hoje se situa a cidade de Corumbá.  Num horizonte sem fim, araras, tuiuiús, mergulhões e minúsculos beija-flores davam-nos as boas vindas na fazenda Mato Grosso em mato Grosso do Norte..

poconé1.jpg Na beira-rio embarquei sonhos escondidos à mistura com mistérios de sucuri e esperanças caldeadas em saudade; uma inconformidade de querer sempre estar nas terras de onde me tiraram. Ali no Pantanal, jiboiei na rede picado a mosquitos, pesquei piranha e cavalguei no charco entre caimões, capivaras, aves pernaltas, cuxias e lontras luzidias. Espelhadas ao pôr de sol nas quietas águas do rio Pixaím, as baladas choradas do Peixinho, nosso guia ocasional, saído dum kilombo bem perto da fronteira com a Bolívia, tinham um encanto de lembrar a Kukia da Luua, que não sei descrever mas, do que ouvi, apreendi…

Aprendi com ongweva: - Eu sou cria desta água - Meu olhar, corre sem fim - O meu canto, chora as mágoas - D’ um rio dentro de mim… Aiué -Percorrendo um trilho aguado entre muita água vi o pantanal de Poconé limitar-se, ao norte com a própria cidade de Poconé, zona mais alta de savana, ao sul com o rio São Lourenço, no limite com o pantanal de Paiaguás, a leste com o pantanal de Barão de Melgaço e a oeste com o rio Paraguai. A vegetação mostra charcos imensos, repletos de ciperáceas e juncáceas, além de campos, savanas e florestas. Elementos da vegetação amazónica ocorrem em menor frequência.

Com o vento norte, impregnado de odores gentios, deslizavam longos e escorridos cabelos pela nossa mente. Cruzando mantos de verdura, a espalmada água escorria lentamente entre cordilheiras de rasa altura, currais, fazendas e roças de quilombos. Naquela largueza, em terras de fujões, escravos sem eira nem beira, recordávamos a história dos bandeirantes e capitães-de-mato, levando aqueles lá mais para longe, atrás da chapada, fazendo soberania escondida; tempos idos dum império que subsiste nas crenças e no espírito aventureiro dos descendentes do rei Dom Oba´ II.

poconé2.jpg O Cândido da Fonseca Galvão que ficou conhecido como Dom Obá II D'África foi um fidalgo e militar brasileiro que morreu com 45 anos no ano de 1890. Filho de africanos forros, seu pai, Fonseca Galvão, era filho de Abiodum, o Obá do Império de Oió. Cândido intitulava-se “príncipe Dom Obá II”, referindo-se a seu pai como “príncipe Dom Obá I”. Saídos das negruras de África, ainda perdidos no tempo, ainda arranham a terra garimpando a vida sem saberem que afinal construíram um país a que se chama de Brasil.

O índio, o caboclo ou o matuto, continuam a cortar o ipê-roxo, o pau-brasil, a cajá e os castanheiros que dão a sukucaia e, na beira-rio, vão cantando: - Canoa que não tem quilha - Não atende o canoeiro - Um país fora da trilha - É navio sem paradeiro. Andando por aqui e, ao calhas, fiquei a saber ao que chamam de cordilheira. Quando me disseram eu olhei a 360 graus e vendo tudo plano e inundado quis saber e, soube! Está a ver aquele alto e aquele, disseram: é a cordilheira! E, o que vi foram elevações de talvez dois metros com currais cercados aonde e, nas cheias do rio Paraguai resguardam as manadas de gado (isto, foi em Março de 2011).

O que aqui é descrito num tempo passado está hoje coberto de água. Os rios que dão origem ao bioma constituindo a savana estépica, devido às grandes chuvas inundaram pelo que muito gado está a morrer afogado (ano de 2011). Os fazendeiros tentam minimizar os prejuízos deslocando as manadas para sítios mais alto – as cordilheiras, que diga-se são poucas e distantes entre si…

poconé3.jpg Tuiuiú - pássaro pernalta símbolo do Pantanal

Glossário: Tuiuiú - pássaro pernalta símbolo do Pantanal; sucuri - cobra, jiboia; jiboiei - descansar em letargia; capivara - animal que parece um rato e é do tamanho de um porco, herbívoro; kilombo – o mesmo que kimbo ou quilombo, sanzala rural; fujões – escravos fugidos das fazendas; capitão-de-mato – cipaios ou guardas dos fazendeiros com alvará de busca ao infractor escravo; Obá II – escravo de linhagem que se tornou famoso entre outros e, que se sublevou; caboclo – homem rude tarefeiro; matuto – cruzamento entre índio e mulato (ou branco); ipê-roxo – árvore de grande porte, pau d´arco; sukucaia – fruto do castanheiro do Pará; jabirú – o mesmo que tuiuiú, pássaro do pantanal (nome popular usado em forma pejorativa); coxias- herbívoros de pequeno porte; cajá – taparabé, fruto tropical parecido com a nêspera do M´Puto ou gajaja de N´Gola; ao calhas – ao acaso, aleatório; Kukia: Pôr-do-sol; Luua: d iminutivo de Luanda; Ongweva: Saudade (kimbundo) …

NOTA* - O soba esteve seis meses sem vir ao KIMBO  porque  neste meio tempo ouve alterações na forma de apresentação do blogue por parte da SAPO. Entretanto eu que sou  "matumbo"  de pais "Mazombos" resolvi passar as crónicas para o Facebook aonde me instalei com  bagagens, corotos, estralhos e zinarelhos até que  meus neurónios podessem compreender estas variantes do Nadismo. Agora  que casualmente apanhei um vento de bolina  volto à senda antiga pelo que terei de transferir 105 crónicas que entretanto passaram para o Facebook . Assim, farto do tal ALGORITMO, voltarei a priorizar este  meu baú  - (entre as crónicas  3216 inclusivé e a actual 3320 que vai ter esta contagem por parte da SAPO ... 

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:14
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2021
MALAMBAS . CCLXIV

CINZAS DO TEMPO - As cristalinas tristezas embargam as dúvidas sombrias

Crónica 3216 de 20.11.2021

Por soba0.jpegT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Cada um de nós possui diversos tipos de conhecimento, sendo que alguns nascem connosco, como nosso instinto, enquanto outros são adquiridos e desenvolvidos no decorrer de nossas vidas. O conhecimento sobre algo pode ser adquirido de diferentes formas, como observando factos, com experiências pessoais ou sendo ensinado por alguém através de livros, vídeos, apresentações ou aulas.

vaca1.jpg É comum que aqueles que ensinem possuam conhecimento naquele tema, e você saberá quem é conhecedor de todas as coisas e disposto a nos ensinar em todas as etapas de nossas vidas? Por mais que a ciência tenha progredido, nossa vida continua cheia de mistérios e perguntas desafiadoras. Existe uma realidade além da que percebemos? O que é real e o que é irreal? Qual é a origem de tudo? Sou um ser espiritual ou apenas físico e químico? Nossa inteligência, nossas pesquisas ou o conhecimento acumulado dos estudiosos, pouco importam ao tratarmos de questões espirituais.

dia139.jpg Em nossa busca pela espiritualidade, muitas vezes substituímo-la por “grandes homens” subestimando a natureza que tanto nos ensina... “Ah! Esse escritor vai explicar-me isso, e aquele palestrante vai-me ajudar com aquilo”. Será que nos falta fé para obter a compreensão espiritual por intermédio do verdadeiro Espírito? E, temos Camões, Saramago, João Pessoa entre tantos outros ilustres. E, temos hoje, também, comentadores a granel, gente politiqueira ou futeboleira - um fartote...

“O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”. Nem todas as explicações dos mistérios divinos estão reservadas para o reino dos Céus. Os mistérios que “olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu”... Está noite veio um trovão forte! Um clarão e, a Luz, escafedeu-se, foi-se! Espero à seis horas pelo técnico que me irá dar a luz; embrulhado no meu kispo espero pacientemente!

papoila4.jpg A luz desapareceu, os disjuntores dispararam e creio ter o problema a montante... Como irei agora aquecer meus espargos vindos do Chile, assim sem esta luz terrena que gira o microondas? Ontem, não pude prever isto... Lá terei de ginasticar a mente para rever outra saída... Passaram quatro dias e o técnico da Luz que vai fixar o novo contador ainda não veio e, nem sei quando virá; lá terei de fazer um enxerto á minha resiliência.    

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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Sexta-feira, 12 de Novembro de 2021
KALUNGA . XVIII

UM HINO Á KALUNGA – III

Crónica 3215 de 12.11.2021 e, outras datas se Deus o quiser…

NAS FRINCHA DO TEMPO – Com Zé Peixe de Aracaju e as kiandas Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia…

Por tonito15.jpgT´Chingange – No AlGharb do M´Puto

Em 2016, prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar, um verdadeiro golfinho feito homem; assim, surgiu esta parcial inventação falando do personagem que vi em vida e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe. As ilustrações foram capiangadas por mim a ela, para suprir sua maldade, assim um ressarcimento por me impedir de ficar num pântano quântico procurando um chinelo, as sandálias do pescador… E, porque é quase uma odisseia vai ter muitas partes, como uma telenovela.

roxo43.jpg Num esforço de entender o Universo sublimei-me em filosofias com princípios inimagináveis fixados num jogo empírico lá nos extremos do pensamento aonde até as deduções têm afinidades matemáticas, com símbolos e caracteres radiactivos. No paradoxo de criativas imagens, enchia-me de habilidades quânticas sem cuidar dos ditames da razão. Nesta utopia de partículas surge uma sereia de nome Roxo Socorro a pedir ajuda, justificando seu próprio nome, como se nela tudo fosse uma calema de afincada afirmação.

Estava bem no topo de um recife no lugar de Guaxuma das Alagoas do Brasil, mais além de rio Doce, para norte. Nem sei bem porque pedia socorro porque assim de joelhos mexendo levemente a barbatana de cauda, suportava em sua mão direita uma forquilha tipo arpão daquelas que sempre ligamos ao mar, isso, como se saída de uma atlântida que se diz ter existido no meio do oceano. Jiboiando em minha rede, revivi esta cena lá atrás no tempo quando no pantanal de Sergipe vi uma sereia a deslizar das dunas para a água. Havia ali muitas lagoas no pequeno pantanal sergipano…

roo03.jpg Minhas companhias de viagem juravam que não, que era uma anta, talvez uma foca ou um peixe-boi. Rita até afirmava ter sido uma garoupa sarapintada de pedras tipo cracas mas, nada disto eu vi! Já que estávamos em Sergipe e muito perto de Aracaju, ali permanecemos por mais dois dias pois que teria de perguntar a Zé Peixe, o prático marinheiro se isto da sereia seria ou não uma fantasia nossa; uma cena tal e qual esta daqui, plantada em Guaxuma – a praia da sereia…

roxo22.jpg Pergunta aqui e mais ali, lá chegamos à casa pobre meio ripa, meio taipa feita de adobe, coberta a folhas de zinco com ramos de coqueiro já envelhecidos. Tivemos a sorte de o ver logo sentado num telheiro bem ao lado da casa, rodeado de picas no chão e outras galinhas de angola ciscando o fundo do quintal cheio de mamonas, com erva florida de doutor e doutorzinho em tufos enquadrados, coqueiros ao redor sombreado um limpo terreiro. Havia também pitangas, chá caxinde e, foi perguntando a este se era mesmo esse o nome com que iniciei a conversa. Claro que lhe dei uma larga saudação! Ele estava já habituado a ter visitas de estranhos…

(Continua…)

Nota: Ilustrações de Assunção Roxo, a kianda -Texto escrito em 2016 com o titulo de CAFUFUTILA...

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:29
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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CXCIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXX

Ultima visão de Savimbi: “moscas pousando no rosto, feridas na cabeça e numa mão e, um buraco de bala na garganta”.

Crónica 321411.11.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que ainda governam…      Por soba24.jpg  T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Após o ano de 1994, haveria que manipular os espíritos inseguros, carregar nos botões certos das almas inocentes, com o fígado incompleto, candengues sem estrutura para os virar monstros desapiedados com o nome de pioneiros… Eram ideias desfibrilhadadas numa antiga dor e creio que se foi no tempo com um sentimento de culpa. Deveria iluminar-nos não é!? Amanhã será outro dia e, foi-se! O Sol não tinha como se abraçar a nós, nem se poderia esperar isto. O tempo escasseia-me muitas vezes, para poder redigir histórias escondidas, antigas, que até posso antever reais a tempo inteiro, real ou ficção. Nessas alturas subitamente levanto voo, plano como um albatroz e por aí vou fora, sem parágrafos ou pontos finais, com diálogos dinâmicos, que só o serão na ficção!

savimbi2.jpg  Fala o Soba, impõe as suas leis, fala o Luís que quer fugir aos ditames dos familiares próximos, subverte-se as leis, obtendo-se gozo nisso, e sabedoria, claro, que estas coisas, mesmo negativas são as que mais resultam e se aprumam na coluna vertebral de um indígena. O Protocolo de Lusaka de 1994 reafirmou os Acordos de Bicesse. Savimbi, não querendo assinar pessoalmente esse acordo, enviou o ex-Secretário Geral da UNITA Eugénio Manuvakola representando em seu lugar, o partido. Manuvakola e o Ministro das Relações Exteriores de Angola, Venâncio de Moura, assinaram o Protocolo de Lusaka em Lusaka, Zâmbia, em 31 de Outubro de 1994, concordando em integrar e desarmar a UNITA.

Ambos os lados assinaram um cessar-fogo como parte do protocolo em 20 de Novembro. Sob o acordo, o Governo e a UNITA cessariam os incêndios e desmobilizariam 5 500 membros da UNITA, incluindo 180 militantes, que se uniriam à polícia nacional angolana, 1 200 membros da UNITA, incluindo 40 militantes, que se uniriam à força policial de reacção rápida e os generais da UNITA, que se tornariam oficiais das Forças Armadas Angolanas. Mercenários estrangeiros retornariam aos seus países de origem e todas as partes parariam de adquirir armas estrangeiras.

ango1.jpgO acordo deu aos políticos da UNITA casas e uma sede. O governo concordou em nomear membros da UNITA para chefiar os ministérios de Minas, Comércio, Saúde e Turismo, além de sete vice-ministros, embaixadores, governos de Uíge, Lunda Sul e Cuando Cubango, vice-governadores, administradores municipais, vice administradores, e comuna de administradores. O governo libertaria todos os prisioneiros e amnistiaria todos os militantes envolvidos na guerra civil. O presidente do Zimbabwé, Robert Mugabe, e o presidente sul-africano, Nelson Mandela, reuniram-se em Lusaka a 15 de Novembro de 1994 para aumentar o apoio simbólico ao protocolo. Mugabe e Mandela disseram que estariam dispostos a encontrar-se com Savimbi e Mandela. Pediu que ele fosse à África do Sul, mas Savimbi não foi. O acordo criou uma comissão conjunta, composta por funcionários do governo angolano, da UNITA e da ONU, com os governos de Portugal, Estados Unidos e Rússia como observadores, para supervisionar sua implementação.

As violações das disposições do protocolo serão discutidas e revisadas pela comissão. As disposições do protocolo, integrando a UNITA nas forças armadas, um cessar-fogo e um governo de coligação, eram semelhantes às do Acordo do Alvor, que concedeu a Angola a independência de Portugal em 1975. Muitos dos mesmos problemas ambientais, desconfiança mútua entre a UNITA e o MPLA, falta de supervisão internacional, importação de armas estrangeiras e ênfase excessiva na manutenção do equilíbrio de poder, levariam ao colapso do protocolo…

savimbi3.jpg  E, chegados ao ano de 2002, tropas do governo matam Jonas Savimbi a 22 de Fevereiro deste ano, na província de Moxico. Jonas Savimbi morre "de arma na mão", como "um militar", numa emboscada das Forças Armadas Angolanas (FAA), sexta-feira à tarde, junto ao rio Luio, sudeste da província do Moxico, ao fim de cinco dias de perseguição pelo mato. "Sete tiros foram suficientes para o abater". Foi assim que o brigadeiro Wala, na qualidade de dirigente da "força mista que matou o líder da UNITA", resumiu o fim de Savimbi aos jornalistas presentes no local em que o corpo foi exibido - Lucusse, a 79 quilómetros do sítio da emboscada. O relato é do repórter da Lusa, Miguel Souto. O destino de Savimbi, calculou Wala, era a fronteira com a Zâmbia, onde contava ser reabastecido pelos seus homens.

savimbi5.jpg Acossado pelas tropas do Governo angolano desde o Andulo, Jonas Savimbi, dividiu a sua coluna em três. Seguiu com uma, e deixou o comando das restantes duas aos generais Abreu "Kamorteiro" (chefe de Estado-Maior das forças da UNITA) e António Dembo (vice-presidente do movimento do Galo Negro). A coluna de Savimbi iria ao encontro do General "Big Jo", que partira antes, em busca de víveres. Ainda de acordo com a versão das tropas angolanas, quando um ataque das tropas angolanas liquida "Big Jo", o líder da UNITA inflecte para norte, por uma mata densa que levaria ao rio Luio. "Deu muitas curvas e fintas, porque conhecia muito bem o terreno,pois que  a UNITA nasceu aqui", lembrou o brigadeiro Wala, acrescentando que os seus homens andaram "dia e noite numa perseguição que durou cinco dias", até à emboscada final de sexta-feira.

Nas palavras de Wala: "quando Savimbi viu os seus homens mortos, pegou na arma". Além dos "vários oficiais" atingidos, avia um "total de 21 ". Os generais Dembo, "Kamorteiro", Abílio Camalata Numa e Samy terão escapado ao ataque, e as forças governamentais dizem estar no seu "encalço". O paradeiro do secretário-geral do movimento, Paulo Lukamba Gato, permanecia desconhecido. Segundo o embaixador português em Luanda disse ao PÚBLICO, as primeiras imagens do corpo de Jonas Malheiro Savimbi foram exibidas na televisão estatal angolana por volta das 17h00 locais (16h00 em Lisboa), sem terem ocupado mais do que "um espaço normal" nos telejornais. A reportagem do jornalista da RTP Alves Fernandes, que foi ao Lucusse, mostrava o corpo de Savimbi deitado numa prancha ao ar livre, à beira de uma árvore, rodeado por centenas de homens mulheres e crianças, misturados com militares.

 savimbi6.jpgNinguém compusera o corpo para a última imagem: farda verde oliva desfraldada, deixando ver parte da roupa interior, os pés sem botas, só com meias, moscas pousando no rosto, feridas na cabeça e numa mão e um buraco de bala na garganta. Diz-se que Savimbi, ferido de morte teria sido o autor deste ultima tiro. Na sequência seguinte, o corpo, embrulhado na bandeira do Galo Negro, era levado da prancha para um caixão. Segundo o relato inicial deste jornalista, antes das imagens serem difundidas, Savimbi teria sido atingido sexta-feira à tarde não por sete mas por "quinze balas, duas na cabeça, as restantes no tronco, nos braços e nas pernas". Chegaram a correr versões que falavam em 52 tiros. A agência Reuters, por seu turno, ao princípio da tarde, citava fontes dos serviços secretos zambianos que contestavam a data da morte. De acordo com esses relatos, Savimbi teria sido morto já na segunda-feira, e as forças do Governo angolano teriam retardado a notícia da sua liquidação, de forma a poderem difundi-la, com outro impacto, nas vésperas da partida do Presidente José Eduardo dos Santos para Washington, onde dia 26 se reuniria com o seu homólogo norte-americano, George W. Bush.

tonito11.jpg As fontes zambianas sublinhavam que as tropas do Governo angolano tinham localizado a coluna de Savimbi no Moxico há duas semanas e que, tendo enviado reforços, se lançaram num ataque maciço no passado domingo. O vice-presidente da UNITA, António Dembo, assumiu o cargo, mas, enfraquecido pelas feridas sofridas na mesma escaramuça que matou Savimbi, morreu de diabetes 12 dias depois, a 3 de Março, e o Secretário-geral Paulo Lukamba torna-se naturalmente o líder da UNITA. A seguir a tudo isto, Angola viveu no descarado roubo de seus governantes, podendo por ora concluir-se: -“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes, que ainda governam - ano de 2021 - (Ainda…)

(Fim…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:36
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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2021
MALAMBAS - CCLXIII

Malambas, são palavras *OS COVARDES E OS FRACOS* - Do tempo das cowboiadas do Oeste americano...

- Crónica 3213 de 10.11.2021

Por  

soba24.jpg T'Chingange, no AlGharb do M'Puto

No capitólio do estado de Iowa, em Dês Moines, há um mural que retracta o espírito dos pioneiros colonizadores, os quais conquistaram o oeste. A cena mostra um jovem marido e esposa viajando em sua carroça por uma região hostil. Sempre aparecia a silhueta de muitos índios nos morros circundantes; viam-se sinais de fumo saindo em anéis de mensagens que só podiam ser, instruções de guerra...

A esposa tem em um dos braços seu bebé e com a outra mão, conduz a carroça. O marido leva nas mãos o rifle Winchester, pronto para enfrentar qualquer emergência. Também nós, nos dias que correm, vemos que temos a rodear-nos grandes nuvens, testemunhos que pairam no ar de nossa preocupação...

maria2.jpg Tentamos desembaraçar-nos de todo peso e até de algum pecado que tenazmente nos assedia a mente, correndo no rumo de perseverança que melhor se coaduna em nossos anseios e, assim sem sermos senhores absolutos de novas propostas, novas leis e arbitrárias decisões que nos são colocadas…

Pude imaginar aquele mural no meio daquele deserto do Oeste, um qualquer outro imaginário estado estadunidense a desbravar novos mundos; “Os covardes nunca tentaram, e os fracos desistiram a meio do caminho.”

nito01.jpeg  Para muitas pessoas, tomar posição ao lado da última mensagem que nos esbarra o pensamento é um acto de audácia. Para alguns, será abandonar uma boa posição, acomodados por se disporem a guardar mordomias adquiridas. Outros sentirão na pele a perseguição de carístias entre novas levas de “estrangeiros e pseudo peregrinos”.  Refugiados vindos de lugares de qual fomos obrigados a abandonar! Em alguns exemplos, homens e mulheres, sociedades em geral, terão de escolher entre a dúvida da verdade e a própria vivência. “Os covardes nunca tentaram.” Uma frase que nem sempre encaixa na verdadeira postura...

Não basta tentar um corajoso início pois os anos estrebucham na idade. É necessário perseverar, algumas vezes sob condições desanimadoras, pois, como no caso dos pioneiros da nação norte-americana, os fracos desistem a meio do caminho. É preciso poder espiritual constante para permanecer fiel às normas da mensagem nesta sofisticada sociedade moderna - a nossa! Certo - é mais fácil argumentar do que decidir; desejar do que praticar; desistir do que resistir...Bolas para isto, a força de querer esvai-se...

quem01.jpg Ser um fiel cidadão, adulto, vacinado e emancipada, em nossos dias permissivos requer-se uma santa resistência, ou resiliência como se diz agora, pois os fracos desistem. Para além do mais já se vislumbra como certa a tal eutanásia, uma morte assistida que sabe-se lá como funcionará na prática. Mas, no meio deste alvoroço, vamos assim rogar ao Nosso Senhor que nos promete socorro, pois que Ele assim nos disse: “Eis que estou convosco todos os dias”. Ainda bem que não estamos correndo sozinhos!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:56
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Domingo, 7 de Novembro de 2021
KALUNGA . XVII

UM HINO Á KALUNGA – II

Crónica 3212 de 07.11.2021 e, outras datas se Deus o quiser…

A estória do Zé Peixe de Aracajú - Prelúdio da estória das Kiandas Roxo e Oxor

Por t´chingange 0.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

zé peixe11.jpg Para que o corpo seja saudável é forçoso que a mente esteja com saúde, que esteja alegre e em harmonia. Se a mente estiver irritada ou aborrecida, este estado aparecerá inevitavelmente no corpo e, manifestar-se á na pele, no coração, nos pulmões. O estado latente de infortúnio e de mal-estar nas pessoas, não é mais do que o reflexo da mente manifestando-se em atrito ou choque.

Em contraste com esta ocorrência e o estar na vida, algures no Brasil, fui agraciado com uma notícia que corroborou com a inspiração dum senhor chamado de Hicari no Izumi. De tão esquisito nome nem sei direito como chegou até mim mas, o relevante do mistério é o de que em Aracajú de Sergipe havia um homem de setenta anos de idade conhecido pelo Zé Peixe que espantava toda a gente.

Este senhor Zé peixe, designado por “prático” por conhecer os baixios da baía e seus canais de navegação, ao fim de muitos anos de mar, sabia por onde os barcos de grande calado podiam navegar até à zona portuária sem ficar encalhados na areia ou recifes.

A tarefa que normalmente é feita ou atribuída a um patrão de costa ou piloto da barra que conduz o navio até ao cais, aqui, tem o senhor Zé como o principal personagem. Entra num rebocador que o leva até lá longe, ao navio em águas de oceano mais profundas, sobe ao mesmo, conduz o monstro com perícia substituindo instrumentos de tecnologia de ponta, sistemas de posição geográfica de satélite, bussolas especiais e sonares.

zé peixe5 5.jpg  Quando o navio abandona o porto é Zé Peixe que de novo dirige as operações até ao local Xis que ele, o prático da barra, sabe como o de “o fazer sem perigo”. O curioso deste curto prelúdio é a de que, da haste saliente do vapor com uma altura superior a mais de cinco andares de um prédio citadino, o senhor Zé, benze-se, salta para o espaço indo perfurar as águas tépidas do Atlântico.

O pessoal de bordo sempre atento a esta odisseia de um velho com 70 anos saúda-o com uma gritaria e, em uníssono ouve-se o apito grave troando um adeus, até à próxima amigo Zé... O regresso a nado ao cais, bem perto de onde se situa a sua humilde casa, pode demorar até um pouco mais de duas horas. Sua modesta casa denota não ter rendimentos que façam dele um homem remediado, aliás o aspecto raia a tacanhez da sobrevivência; é aqui que podemos realçar a sua alegria no fazer por tostão uma tarefa de milhão.

zé peixe 1.jpg O Senhor Zé Peixe, na sua casa, tem um frigorífico aonde conserva frutas e, a uma pergunta do jornalista Hicari no Izumi, o tal senhor, responde que sua alimentação é essencialmente de fruta. Só bebe água de coco e não se lembra de quando tomou banho de água doce.

É ou não um hino à vida, esta singela postura dum homem que quase, ou mesmo analfabeto, nos transmite o poder e querer ao invés de quem se desloca com meia mala cheia de medicamentos. Isto, confunde os piegas dando-nos esperanças no estímulo de gozar a plenitude da natureza a quem verdadeiramente tem força de vontade. E, o mundo fala agora, ano de 2021, ao redor da crise. Feliz do senhor Zé Peixe! E assim foi, até que faleceu a 26 de Abril de 2012 por Insuficiência respiratória; tinha a idade de 75 anos.

zé peixe12.jpg  Zé peixe foi agraciado com diversos prémios e homenagens, sendo lembrado como um dos sergipanos mais notórios de todos os tempos. Seu nome era de José Martins Ribeiro Nunes. Os folhetins/crónicas agora a serem reeditados das Kiandas Roxo e Oxor da Kalunga de Guaxuma surgem com uma nova roupagem de nostalgia mantendo este senhor como o timoneiro ou patrono das promovidas kiandas. Roxo é uma, Oxor, é uma outra, o espelho gémeo desta mana, algures…

zé peixe13.jpg Na Kalunga e, a bombordo do meu barco Niassa (uma ilusão antiga), a costa da N´Gola sempre são visíveis, um milagre de “nem sei como” surgem na lógica das kwangiadas, musas do Chiloango, Bengo, Dange e ninfas do Cuvo, Giraul ou do Kunene dando lugar a estas mordomias de deixar a saudade lamber-nos também na água doce, límpida ou turva, também em terras do Brasil, com todos esses rios tendo o Amazonas num lugar cimeiro com seus golfinhos chamados de “botos” e até as vacas nadadoras chamadas de “peixe-boi” que deram origem ao teatro, carnaval de rua “bumba meu boi”, entre outras cenas tão desconhecidas do cidadão comum. Ao lago Niassa ou Malawi, ao Okavango e às terras encharcadas do Delta; lá chegaremos com tempo no caminho do rio Zambeze no encontro com o Cubango…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:58
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CXCII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIX

DEPOIS  DE ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS”O VAZIO COM A 6ª FEIRA SANGRENTA DE 22 DE JANEIRO DE 1993

Crónica 321105.11.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam (Ainda…)

araujo179.jpg

Por soba0.jpeg  T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

A 6ª Feira sangrenta, 22 de Janeiro 1993 - o dia que angolanos do grupo linguístico Kikongo, foram assassinados por razões xenófobas. Com efeito, na manhã do dia 23 de Janeiro de 1993, os bairros da Petrangol, Mabor e Palanca e outros habitados maioritariamente por Bakongos, foram atacados por parte de habitantes de Luanda. O Governo de Angola teria reconhecido oficialmente 57 mortos, mas as organizações civis bakongos apontaram mais de mil vítimas e acusaram jornalistas angolanos de serem os responsáveis da chacina.

Estes ataques foram referidos como sendo ocasionados por motivos étnicos mas, em realidade, tratou-se de conflito pré-eleitoral. Os bakongos foram acusados pela imprensa oficial de ter apoiado o partido do Galo Negro. Depois da fuga do Jonas Savimbi, nos fins de Novembro de 1992 para o Huambo, este reorganiza o comando da sua ala militar e, no espaço de poucos meses depois das primeiras eleições em Angola, ocupa as cidades do Uige, Mbanza Kongo, N´dalatando, Soyo, Caxito e mais tarde, depois de uma batalha de 55 dias, a segunda cidade de Angola, Huambo, obrigando o governo a ficar na defensiva.

kicongo1.jpg Nasce daí, a campanha mediática contra o Zaire de Mobutu, acusado de ter enviado tropas para auxiliar o braço armado da UNITA. No entanto, quando as ex- FALA's ocupavam militarmente uma das cidades, a Rádio Nacional de Angola, noticiava o que aqui se cita: "tropas zairenses e da UNITA, ocuparam a tal cidade", etc. Alguns jornalistas de Jornal de Angola imprudentes, assinam artigos que criticavam os supostos zairenses (na realidade, angolanos bakongos), com caricaturas, denegrindo-os de ser responsáveis da miséria do povo angolano.

Em meados de Janeiro de 1993, todos os órgãos de comunicação Social de Angola, citam fontes militares que foram capturados no campo de batalha, tropas zairenses, o que constituía prova suficiente da implicação de Mobutu no sucesso de tropas da UNITA no terreno. Prometeram apresentá-las numa conferência de imprensa. Na preparação desta, um jornalista corajoso questiona sobre as provas que os militares estrangeiros africanos capturados fossem zairenses; a resposta foi simples: falavam lingala! O jornalista insiste em saber se, nas forças armadas angolanas e da UNITA, não havia militares que falassem lingala, sendo logicamente, angolanos.

socie2.jpg A reunião com imprensa foi anulada "in-extremis", por ordens superiores. Soube-se mais tarde, que os supostos soldados zairenses, na realidade eram angolanos bakongos que falavam lingala, ligados ao partido no poder e recrutados para este efeito. A campanha de difamação contra Mobutu e os zairenses era tão forte que obrigou o então general da UNITA, Demosthenes Chilingutila a desmentir na rádio portuguesa TSF, qualquer implicação das tropas do Zaire ao lado das suas tropas afirmando ainda que o próprio presidente do Zaire tinha problemas graves no interior de seu pais e, precisando ele sim, da ajuda da UNITA.

Nesse dia, 22 de Janeiro de 1993, um editorial da Rádio Nacional de Angola revela que os Zairenses infiltrados no seio da população angolana, preparavam um plano para assassinar o presidente da República, José Eduardo dos Santos. E, foi esta a razão que no mesmo dia incutiram e accionaram seu conhecido Poder Popular junto de seus seguidores entre a população de Luanda munidas de armas de fogos pelo MPLA a assaltarem, violarem e matarem à revelia e com toda a impunidade, os bakongos da capital do país – Luanda.

balba1.jpg Dias depois, os bakongos, impotentes e frustrados, reúnem-se algures em Luanda, redigem o famoso Manifesto da Sexta-Feira Sangrenta, um memorandum dirigido ao governo de Angola, ao parlamento e às embaixadas acreditadas em Angola. Neste documento, os activistas “bakongo” relatam com pormenor o que se passou nestes dias. O então deputado do partido PDP-ANA, Nfulumpinga Landu Víctor, toma conhecimento do manifesto e interpela a Assembleia para condenar os massacres e levar à justiça os autores.

Em uma exortação sobre a Sexta-Feira Sangrenta, Muana Damba publicou a 24 de Janeiro no recente ano de 2013: História do Reino do Kongo - Você é um N'kongo, filho desta terra legada pelos nossos antepassados. Se podemos considerar esta Angola um país de Cabinda ao Cunene, é porque nele estão inseridas todas as etnias do país* incluindo os Bakongos sejam eles de Cabinda, do Soyo, do Uige, M'banza Kongo e outros, mas se essa realidade deixar de ser considerada, Angola deixa de ser aquilo que é, portanto vamos todos reflectir...

bacongo1.jpg.crdownload *Abro aqui um parêntesis para prosseguir este pensamento de Muana Damba, ressaltando que a etnia Branca desde seu processo libertador pelos autodesignados mandatários dum autopoder, na gestão do todo-poderoso MPLA na governação, sempre a excluíram, subtraindo-lhe direitos de gerações por nascimento. Algo incomum e xenófobo, do qual tanto se fala hoje pelo mundo com refugiados de um e outro lado, passados que são quase 46 anos daquele 11 de Novembro de 1975, verificando-se sempre um provocado desleixo ao lidar com a etnia Branca, relegando-a para um submundo de indiferença e menosprezo…

bacongo2.jpg Muana Damba continuando seu MANIFESTO refere: Queremos que as autoridades, outros irmãos angolanos saibam que Angola é um mosaico de tribos ou mesmo junção de tribos, nós temos a nossa terra, espaço terra tal como outros, assim sejam Kimbundos, Ovimbundos entre outros que o tempo ditará terem também os mesmos direitos de jus soli (lei do solo -"direito de solo") irrestrito, ou o direito à cidadania a quem nasça em solo nacional, independente de quaisquer outras condições. Se alguma lei assim o refere, urge modificá-la para bem de Angola…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:53
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Domingo, 31 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CXCI

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXVIII

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS” O VAZIO EM ANGOLA

Crónica 321031.10.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam…

kisan1.jpgPor: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Naqueles tempos ainda nem sabíamos que usavam a propaganda de forma exaustiva na falácia de tudo vir a ser uma liberdade linda em Angola! Não! Não conhecíamos as filosofias do mal… Nos intervalos dos lapsos de memória quase petrificado, posteriormente, ele, um velho Tenente-Coronel, falava tudo desencontrado no tempo e no espaço esfarrapado de mente contando os efeitos da Luua no quarto decrescente, penso eu-de-que!

Aquele senhor fardado com um pijama às riscas, sentado num sofá de orelhas, olhava para o infinito, babando-se pelo canto esquerdo descaído, insensível ao cérebro abanado por uma trombose, com a lentidão na descrição das coisas graves, titubeava muxoxos – Hum, pois, não sabe; a kalashnikov, os turras, a febre do poder, os malvados da UITA… E, eram bolas de trapos, meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga a impregnar a desconversa! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme?

miran04.jpg Entre a vida e a morte, as diferenças estão nos pormenores pois algumas são demasiado trágicas e outras muito, por demais sofríveis… Ele teve a sorte de morrer num ai, repentinamente (falava dum monstro, talvez um tal de imortal do MPLA); que nem a viu aparecer - a bala do monacaxito… Movimentos das FA com seus militares guedelhudos e revolucionários esquerdistas do M´Puto…

Na tempestade vingativa dos habitantes da Luua, dos musseques, que se abateu sobre os comerciantes brancos. E foram primeiro os fubeiros, depois os taxistas e a seguir já o eram todos os brancos. Os fubeiros tinham fama de trapaceiros e os taxistas de reaccionários. Entre a vida e morte as diferenças estão nos pormenores, repetiu o velho tenentista babado ao recente passado… Em sua cabeça, sua cuca estava mesmomesmo pifada mas, eram coisas reais dum passado…

araujo1.jpg A quitandeira, de filho atado com lenços do Mobutu com quindas cheias de loengos, gajajas ou sape-sape… candengue ranhoso abanado no caminhar, dando cabeçadas na mãe por entorpecimento entre apertos de multidão pra apanhar as chapas (táxis populares da quinhenta) do Zambizanga…. Pois! Queres ver que agora é preciso ser preto para se ser angolano! Repetia isto a todo o instante como se fizesse funje numa lata de leite Nido nas obras do António Barroso no Rio Seco.

Os primeiros foram expulsos dos musseques, à força e com o medo a estalar em fogos de very-lites, arcos-íris de granadas às centenas produzindo efeitos imediatos – E, agora ou vais ou morres! Isso: ou mato ou morro! Pópilas, de novo: ou morro ou mato! Mas ali só havia prédios. Creio que estava a ver a avenida Brasil da Luua! E, eram centenas; despojados dos pecúlios com a ajuda do lobo mau das NT – o mesmo que MFA a ajudar quem nunca deveria…

quitandeira5.jpg Era a frente para a fuga ao invés da fuga práfrente, algo já estudado pelos frentistas a fim de se efectuar o abandono, uma táctica nunca vista nos anais da lusofonia. Esta tornava-se conhecida aos poucos entre muxoxos de lusofodiaste; uma teoria que funcionou átoa, mas resultou mesmo.…Coisas do passado.

O Soba atento, fumando rapé ou liamba no seu cachimbo mutopa, sentado ou em seu pé à entrada do d´jango esperando os súbditos e dando-lhes conselhos; a família é importante, reúnem lá com os filhos debaixo da mulembeira lembram-lhe os seus deveres como a eles próprios lhes foram transmitidos, pelos pais e pelos pais dos pais, sabe que travarem as suas batalhas é ponto de honra e, sabe também que na hora de fazer a paz e a concórdia, com o usurpador ou sem usurpador, é da natureza humana, o caminho N´zambi indica.

SEXTA FEIRA1.jpg Mais tarde: A UNITA tentou retirar o controlo de Cabinda do MPLA em janeiro de 1993. Edward De Jarnette, chefe do Gabinete de Ligação dos Estados Unidos em Angola para o governo Clinton, alertou Savimbi que, se a UNITA impedisse ou interrompesse a produção de Cabinda, os Estados Unidos encerrariam seu apoio. Aqui, deu para se entender que os piores amigos eram mesmo, os americanos.

Em 9 de Janeiro, a UNITA iniciou uma batalha de 55 dias contra Huambo, a "Guerra das Cidades". Centenas de milhares fugiram e 10 mil foram mortos antes que a UNITA assumisse o controlo a 7 de Março. O governo engajou-se em uma limpeza étnica kikonga e, em menor grau, de ovimbundos e, em várias cidades, principalmente Luanda como o de 22 de Janeiro, chamado de massacre da Sexta-Feira Sangrenta.

SEXTA FEIRA2.jpg Os rebeldes da UNITA e os representantes do governo encontram-se cinco dias depois na Etiópia, mas as negociações em restaurar a paz falharam. O Conselho de Segurança das Nações Unidas sancionou a UNITA através da Resolução 864 a 15 de Setembro de 1993, proibindo a venda de armas ou combustível para a organização. Talvez a mudança mais clara na política externa estadunidense tenha surgido quando o presidente Bill Clinton emitiu a Ordem Executiva 12865 em 23 de Setembro, rotulando a UNITA como "uma ameaça contínua aos objectivos de política externa dos Estados Unidos" em Angola.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:40
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Terça-feira, 26 de Outubro de 2021
MALAMBAS. CCLXII

TEMPO DE CINZAS. 24.10.2021

Crónica 3209 - Lendo a “TEORIA DA INCERTEZA” de Arlindo Donário e Ricardo do Santos sobre como aplicar pecúlios, acabei por ficar taciturno sem saber se fico como estou ou avanço para a aventura dos BITCOINS…

MALAMBA: É a palavra.

Por:  T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

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Assim, lendo A INCERTEZA E O RISCO transcrevo o essencial da leitura:

1 - ESCOLHAS EM SITUAÇÃO DE INCERTEZA – *Se os resultados das acções humanas fossem instantâneos e determinísticos seria fácil prever o futuro. Contudo, todas as acções na vida humana estão ligadas à incerteza e ao risco. Dos comportamentos e decisões humanas não se pode afirmar, com certeza, quais as consequências que se verificarão. O conhecimento com perfeita certeza é impossível de atingir - Existe risco quando se podem associar probabilidades aos resultados de qualquer evento. Nestes casos, de risco, o decisor “conhece a distribuição das probabilidades” em relação às situações que são produzidas.*

Continuando a leitura: *Existe incerteza quando essa associação não pode ser realizada caracterizando situações em que existe um conjunto de possíveis resultados desconhecidos. Neste caso (de incerteza) o decisor não pode seguir uma regra formal de decisão mas apenas pode fundamentar-se na sua intuição, que Knight denominou como “julgamento” para antecipar o que pode ocorrer. Esta distinção foi efectuada pelo professor Frank Knight em 1921. “Mas a Incerteza deve ser tomada num sentido radicalmente diferente da noção familiar de Risco” (Knight, 1921:19).*

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Bem! A seguir vêm umas fórmulas do qual não entendo patavina. Sendo assim entro na tecnologia mais impactante desta geração. Não se trata de uma inovação de big data ou inteligência artificial, robótica ou de armazenamento em nuvem. É isto, o blockchain ou tecnologia com moedas digitais, como o bitcoin. Este avanço tem o potencial de se transformar no modo de como se lida não só com o dinheiro e negócios mas e, também com o governo e a própria sociedade como um todo.

A tecnologia do blockchain é uma promessa de solução para todos os problemas ao criar o que se chama de “interventor de valor”. Esta rede via internet é construída para transmitir e armazenar informações de NÃO VALORES (coisas)! O Facebook e outras redes de suporte motor na comunicação hodierna, pouco fazem para se mudar a maneira em como lidamos com o dinheiro, e de como fazemos um negócio – O que se sabe, é o de que ser cleptomaníaco é ter a doença de fanar aquilo que não é seu, um jeito de gamar, extorquir e afins. A tecnologia do blockchain** é uma promessa de solução para todos os problemas ao criar o que se chama de “interventor de valor”.

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Estas vias de comunicação, entre outros mais, usam seus servidores (nós-NODOS) por forma a poderem piratear com facilidade seus usuários. Estes motores de busca tais como o Sapo, Twiter, Facebook, Digg, Google, Windows, Bebo, MySpace entre outros, têm nesta prática, a maneira airosamente suave de cobrarem por nossos serviços; são intermediários que nos cobram este grande valor que lhes concedemos segundo regras deles. Falo por mim que tenho sido invadido em minha privacidade sem que me dêem no mínimo, garantias de estabilidade e stresse! O modelo de negócio do Google e os outros mencionados, é encurralar-nos como porcos em pocilga, controlarem-nos com seus padrões de interesse, colectarem nossos trabalhos de busca, pesquisa de informação, nossas estórias, mussendos, mokandas, missossos e coisas cabeludas para depois revendê-las. Eu tenho noção disto mas, porque sou cusca, deixo-me correr na película da vida…

Nossos paradigmas estão por força destes controladores eliminando dores fanáticas, paulatinamente, sendo alterados. A chegada deste blockchain a estes empreendedores, será da maior importância pois que eliminando intermediários aí sim, se criará uma verdadeira economia de compartilhamento sem os megas sabichões de SALGADOS E COMPANHIA que nos levam os pecúlios em falsos investimentos. Também ando a tentar fanatizar-me com esse tal de dinheiro virtual mas, ele, o dinheiro, está a ficar caro e escasso…

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Isso! O dinheiro invisível; para que não seja necessário manuseá-lo atascado de vírus e fungos que as notas-porcas, nojentas, transferem para mim, para todos, sem que se dê conta! Quero assim saber tudo sobre os bitcoins para não andar vai-não-vai, com a garganta, os olhos, os ouvidos e a pele numa irritante coceira. Ele, são vírus, bactérias e fungos nas estirpes mais medonhas. De mão-em-mão transportam a gripe, a enxaqueca, a rinite, as pintalgadelas carunchosas e as unhas encortiçadas com fungos dinossáuricos emporcalhados.

Usar dinheiro papel-moeda é a coisa mais nojenta que temos. É tempo de passarmos a outras vias de não lidar com a máquina da doença deste papel nauseabundo que nos leva aos tempos carunchosos e medievais. Estou farto de alimentar esta indústria da doença com impinges, flor-do-congo, o lupo, as bitacaias e minhocas perniciosas, a filária, os bichos barrizinhos brancos que penetram na vida trazendo a caspa e a morte! Agora, efectivamente pretendo enveredar pelo anti-calote, antidoto à praga de ladrões; usar nova ampulheta do tempo que a todos regule com estes tais de bitcoins.

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Quero assim, distinguir-me desta vidinha de vulgaridade, olhar com quantus a fantástica evolução para manipular as saudáveis regras da vida. Deixar de tossir malezas novas como o ébola, a catinga do deus-me-livre e o câncer, coisa ruim. Por circunstâncias que nem os governos querem controlar, é tempo de extinguir este velho e nojento estilo de vida sem dinheiro de passa-pulga com cacarejar ea galinha… Este estado do mais-ou-menos - juro que já não me agrada!

**Bitcoin é uma criptomoeda descentralizada, constituindo um sistema económico alternativo. Inicialmente apresentada em 2008 na lista de discussão The Cryptography Mailing por um programador ou grupo... (Wikipédia) - É considerada a primeira moeda digital mundial descentralizada, e responsável pelo ressurgimento do sistema bancário livre. Permite transacções financeiras sem intermediários, mas verificadas por todos usuários (nodos) da rede, que são gravadas em um banco de dados distribuídos, chamado de blockchain. Ando a consultar a “teoria da incerteza” para me meter a fundo neste BLOCKCHAIN…

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:17
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Sábado, 23 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CXC

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXVII

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS” – CAMPANHA ELEITURAL CONFLITUOSA…

Crónica 320822.10.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam…      

Por: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

1 ::::: No Gabão, em Libreville, Jonas Savimbi, Líder da UNITA, União Nacional para a Independência Total de Angola, José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola e Omar Bongo Ondimba reuniram-se dando as mãos e segundo o jornalista Carlos Albuquerque que fez a cobertura. A Savimbi foi-lhe proposta o lugar de Vice-Presidente e após este ter aceitado informalmente, a nomenclatura do MPLA, de imediato afirmou que haveria dois vice-presidentes: Um indicado pelo MPLA e ele, Savimbi que ficaria em segunda linha na hierarquia…. Só lhe restava recusar! O MPLA, sempre foi assim; inventam coisas tão diabólicas que nem lembram ao diabo…

Na óptica das probabilidades, haverá aqui uma situação incrível, pois que Savimbi poderia ter sido o primeiro Presidente de Angola eleito. Se ele tivesse aceitado, a realização da segunda volta das presidenciais, em 1992, nada nos garante que não tivesse ganho, ou mesmo, perdendo, nada nos diz que numa nova votação, saísse vencedor mas sempre o seria, uma perigosa suposição…

2 ::::: Estando a dias do termo da campanha eleitoral, a Conferência Episcopal Angolana, difunde uma mensagem intitulada “As portas da II República “. Nela, os bispos sublinham que “a Igreja não tem de apresentar nenhum candidato”, exortando ao voto consciente: “ Não devem merecer a preferência dos cristãos os que violam os direitos humanos e os que dilapidam os bens públicos, seja por que via for”. A UNITA entende que a mensagem é tendencialmente favorável ao governo do MPLA.

Ao mesmo tempo da intervenção do bispos na política, a UNITA dirige insultuosos ataques à representante das Nações Unidas Margaret Anstee, acusando-a de “estar comprada pelo MPLA, com diamantes e mercúrio”. As mulheres de Luanda, com blusas da OMA, saem à rua em defesa dos bispos e da própria Anstee. Numa grande manifestação, exigem “ a consciência democrática e perdão sem violência”, para que seus filhos cresçam numa Angola nova, sem luto, dor e lágrimas”.  

3 ::::: Passados já uns cinco anos dos recontros da Batalha do Cuíto Cuanavale o é dado a conhecer pelo toxicologista criminal belga Dr. Aubin Heyndrickx, o uso de gases na guerra. Ele, estudou supostas evidências, incluindo amostras de "kits de identificação" de gás de guerra encontrados após a batalha em Cuito Cuanavale, alegando que "não há mais dúvida de que os cubanos estavam usando gases nervosos contra as tropa Jonas Savimbi" - As tropas cubanas foram neste então acusadas formalmente de terem usado gás nervoso contra as tropas da UNITA durante a guerra civil.

O envenenamento por aquele agente nervoso leva a contracção de pupilas, salivação profusa, convulsões e micção e defecação involuntária, sendo que os primeiros sintomas aparecem segundos após a exposição. A morte por asfixia ou parada cardíaca pode ocorrer em minutos devido à perda do controle do corpo sobre os músculos respiratórios e outros. Os agentes nervosos também podem ser absorvidos através da pele, exigindo que aqueles que provavelmente sejam submetidos a tais agentes usem uma vestimenta completa, além de um respirador. Os agentes nervosos são geralmente líquido insípidos de coloração que varia entre o incolor e o âmbar e podem evaporar para um gás. Os agentes sarin e VX são inodoros; o tabun tem um odor ligeiramente frutado e o soman tem um leve odor de cânfora.

4 ::::: Na década após 1990 as mudanças políticas no exterior e vitórias militares em casa permitiram ao governo fazer a transição de um Estado nominalmente comunista para um Estado tendencialmente democrático. A declaração de independência da Namíbia a 21 de Março de 1990, eliminou a ameaça ao MPLA da África do Sul, quando a SADF se retirou de lá. O MPLA aboliu o sistema de partido único e rejeitou o marxismo-leninismo no terceiro Congresso do MPLA em dezembro, mudando formalmente o nome do partido de MPLA-PT para MPLA.

Com sua riqueza em petróleo e diamantes, Angola é como uma grande carcaça inchada com os abutres girando no alto. Os antigos aliados de Savimbi estão mudando de lado, atraídos pelo aroma da moeda forte". Savimbi também expurgou alguns dos membros da UNITA, que ele pode ter visto como ameaças à sua liderança ou como questionadores de seu curso estratégico. Entre os mortos no expurgo estavam Tito Chingunji e sua família em 1991. Savimbi negou seu envolvimento no assassinato de Chingunji e culpou os dissidentes da UNITA.

5 ::::: Um observador oficial escreveu que nas primeiras eleições em Angola, havia pouca supervisão da ONU, que 500 mil eleitores da UNITA foram desprivilegiados e que havia 100 assembleias de voto clandestinas. Savimbi enviou Jeremias Chitunda, vice-presidente da UNITA, a Luanda para negociar os termos do segundo turno. O processo eleitoral fracassou em 31 de Outubro, quando tropas do governo em Luanda atacaram os camados de rebeldes. Os sucessos militares do governo em 1994 forçaram a UNITA a negociar pela paz. Em Novembro de 1994, o governo havia assumido o controle de 60% do país.

6 ::::: Savimbi chamou a situação de "crise mais profunda" da UNITA desde a sua criação. Estima-se que talvez 120 mil pessoas tenham sido mortas nos primeiros dezoito meses após a eleição de 1992, quase metade do número de baixas dos dezasseis anos anteriores de guerra. Ambos os lados do conflito continuaram a cometer violações generalizadas e sistemáticas das leis de guerra, sendo que a UNITA, em particular, foi culpada de bombardeios indiscriminados de cidades sitiadas, o que resultou em um grande número de mortos civis. As forças do governo do MPLA usaram o poder aéreo de maneira indiscriminada, resultando também em várias mortes de civis…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:27
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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021
MULUNGU LXV

TEMPOS CUSPILHADOS

Crónica 3207 21.10.2021 - *MILAGRE DO VENTRE - NOSSO GENES*

Por: T'Chingange. No AlGharb do M´Puto

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Com todo seu conhecimento científico, a SOCIEDADE moderna não pode explicar a origem da vida de modo satisfatório. Nos últimos anos, a ciência avançou muito, e foram feitas várias descobertas sobre os genes, o ADN, os hormônios e o desenvolvimento do embrião...

Mas a explicação sobre como os seres vivos passaram a existir ainda é um mistério. Porém, existe algo ainda mais misterioso para o ser humano: o nascimento do Filho de Deus.

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Ele, resolveu deixar Seu trono eterno e unir-se à raça humana, com a intrigante questão da maneira como ocorreu essa união. Isso constitui o milagre biológico do nascimento de Cristo, maior do que qualquer milagre que tenha realizado neste início da era moderna.

Seu ministério foi escrito mas os homens sempre quiseram saber tal como a dúvida de quem primeiro veio ao mundo, se o ovo ou a galinha...

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A explicação mais elucidativa da Escritura sobre o milagre do nascimento divino está no relato do médico Lucas, ao citar as palavras do anjo que anunciou as boas-novas a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o Ente santo que há-de nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1:35).

Muito boa gente manda palpites, descrente e querendo ter explicação para tudo e, nosso mistério de vida dura enquanto dura - muito pouco nesta imensidão galáctica que nos força a aceitar que nem um grão, na desconhecida grandiosidade da vida.

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Sou como sou e, a todo o momento posso deixar de o ser. Todos estamos embalados nesta singularidade e, nunca encontraremos explicações no conjunto de palavras por muito elaboradas e reboladas como se o fossemos uns calhaus que no tempo ficarão muito arredondados no rio da vida, assim chova...

Há uma analogia com esse milagre que, se não o explica, pelo menos o torna mais significativo. É o novo nascimento. Essa obra que também é realizada pelo Espírito Santo. Em ambos os casos, esse Espírito Santo “envolve-nos” por impregnação.

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A mesma palavra feita MALAMBA é usada em relação à nuvem que envolveu o pequeno grupo no monte da transfiguração quando o Espírito Santo Se apodera completamente de um pecador, regenerando-o com um novo nascimento.

E, o pecador renascerá participando na natureza divina. Há uma diferença entre os dois nascimentos: a nova e divina natureza ocorre no sentido espiritual. Quando Cristo nasceu, Ele Se tornou um de nós no sentido pleno.

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Ele assumiu a forma humana por toda a eternidade. Se calhar, já muito farto em suportar as gentes desta nossa terra, aos 33 anos quis ir para junto do Pai. Sendo Ele um "irmão consanguíneo da Humanidade", torna-nos maravilhosos? Diante de tanto amor, a atitude mais acertada para nós hoje, é colocarmo-nos inteiramente em suas mãos...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:34
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021
MULUNGU . LXIV

TEMPOS CUSPILHADAS – (21.01.2018) – 20.10.2021

Cronica 3206O Espírito da China! Eles já chegaram …

Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco na língua Xhosa

Por: T´Chingange . No AlGharb do M´Puto

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Até há bem poucos anos atrás, o ocidente fechou as portas à possibilidade de compreender a China. Hoje, buscam formas de se entender diplomaticamente com estes, permitindo-lhes a entrada em seus territórios com obtenção de benesses e isenções em sua actividade comercial – vistos GOLD e outros edecéteras. Tome-se em conta que o peso de impostos que os demais cidadãos nacionais são obrigados a pagar, é bem menos vantajoso do que o oferecido a estes empresários vindos do outro lado do mundo.

Deduzir-se assim que os donos disto tudo, só o serão com os países de capital que nos compram divida. Um dia o futuro chega e quase sem se saber, as instituições que eram estatais formam-se de um conjunto de accionistas sem rosto e, dum qualquer país. Se neste futuro vamos ter de ficar entregues a um dragão, teremos de saber um pouco que seja, do que não nos une e divide!

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Se dali vieram há muitos anos atrás com o chá, a seda e o arroz, não será mau antevermos os significados de sua cultura, mitos e realidades. Como se pode ir a Setúbal sem se saber quem foi Bocage ou, ir a Inglaterra sem se saber quem foi Shakespeare? Pois corria o ano 220 da nossa era quando os Qin unificaram aqueles territórios para e, a partir daí a China passar-se a chamar de China.

E, foi Qin como primeiro imperador que colocou milhares de guerreiros feitos em barro e em tamanho natural para guardar sua sepultura. Marco Paulo, o primeiro ocidental a visitar estas terras longínquas curiosamente não referiu a existência destes milhares de guerreiros, nem tampouco referiu a muralha da China que pode ser vista da lua.

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Bem! A grande muralha da China é o símbolo da identidade da China mas, tudo é devida à sobrevalorização que os viajantes ocidentais dela fizeram; se em tempos foi útil para defesa tornou-se no tempo uma inutilidade, coisa supérflua. Este símbolo foi transformado em parque temático pois que à semelhança do Coliseu de Roma, estes mascaram-se aqui de falsos guerreiros armados com lanças de pau e escudos de cartão.

Criam atmosferas de uma Disneylândia onde em vez do Rato Mickey se pode encontrar o tal de Qin, primeiro imperador a vender camisolas e cuecas com estampas dele mesmo; tudo gerido por uma sociedade cotada na bolsa de Hong Kong. Não me convidem para ir à china ver um velho homem já careca com nome de Mao Tzé, uma barriga de melancia transportando a gaiola dum passarinho para apanhar ar e vir de lá uma bicicleta desenfreada e, atropelar-me.

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Parece que por lá nos sinais dos semáforos o verde é para parar e o vermelho para avançar! Ninguém se entende na balburdia porque o vermelho é a cor da revolução. Cozinham na rua, um beco cheio de gente que tosse e cospe e ali ao ar livre acendem o fogareiro, colocam-lhe carvão aonde estiram uma cobra despida ainda a rabiar! Deus-me-livre! Mas hoje, Pequim, a capital que foi criada por decreto imperial em 1404 por Yung Lo da dinastia Ming é uma cidade cheia de arranha-céus; alguns destes edifícios terão lá no alto do cubo de vidro ou concreto a fazer de tecto, um chapéu pagode.

Acabaram com os espaços interiores tipo pátios ao jeito da Andaluzia aqui do sul de Espanha; com o tempo os muros altos com aldrabas lacadas a vermelho para impedir os espíritos malignos de ali entrar estão sendo derrubados. Por livre iniciativa a Europa deu autorização a importarem de lá estes espíritos para e, com tempo compreendermos a China… Estamos feitos ao DRAGÃO…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:19
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXIX

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXVI

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS”CAMPANHA ELEITURAL CONFLITUOSA…

Crónica 320517.10.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam…                                                                                                                                        

Por: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

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Os chamados “três dias das bruxas” são referentes aos sequentes dias a 30 de Setembro de 1992, imediatamente após se saberem os resultados “fraudulentos” das eleições; estes eventos de matança aos homens da UNITA ocorreram até 1 de Novembro, já aqui descritos na parte XXIV desta “Angola da libertação”. Teria de haver uma segunda volta para as presidenciais para saber-se qual o verdadeiro vencedor e, segundo a óptica governamental com aconchavos internacionais, mas esta volta nunca se chegaria a realizar …     

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Em Setembro de 1992, três meses após a visita do Papa João Paulo II, no Huambo mais de uma centena de homens da UNITA fortemente armados “estacionam” frente à casa de Savimbi. A CCPM (Comissão Conjunta Político-Militar), interfere. A UNITA virá a dizer que são homens “da segurança pessoal de Savimbi”, mas a CMVF (Comissão Mista de Verificação e Fiscalização do Cessar-fogo), apura que o contingente e respectivo material bélico, havia entrado na cidade sem conhecimento da UNAVEM.

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Neste meio tempo, Luanda (e todo o país) estava pejada de um dispositivo policial desmesurado, como se tratasse de um estado de sítio - coisa a que os luandenses já não estavam habituados depois da guerra civil - dadas as preocupações com o acto eleitoral dos dias 29 e 30 de Setembro, para que tudo corresse bem. E correu. Correu muito bem, dada a afluência às urnas ter ultrapassado os 70% só no primeiro dia. O povo queria a paz e acreditava que a poderia conseguir pelo voto. Mas Angola, não era só Luanda.

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Os votos foram contados, mas a UNITA não concordando, exigiram a recontagem, pois os primeiros resultados deixavam de fora a possibilidade de uma segunda volta das presidenciais a Savimbi. Os acontecimentos precipitaram-se e Savimbi teve de fugir de novo para o Huambo levando atrás de si uns esperançosos 40% nas eleições com os dados viciados, segundo a UNITA. Lendo o Expresso do M´Puto: Savimbi ficou à espera por um curto tempo no Huambo e mais tarde, no seu refúgio da Jamba. Savimbi aguardava agora a marcação da segunda volta, que o levaria ao cume das suas aspirações.

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No terreno, à medida que decorria a campanha eleitoral, tropas da UNITA tomam posições no Centro/Sul de Angola, expulsando o MPLA de vários municípios. No Norte, em Caxito, soldados da UNITA envolvem-se com a polícia; em Benguela, a UNITA ataca uma caravana do Fórum Democrático de Angolano, ambos os incidentes causaram dezenas de feridos na população civil. No caso de benguela, a UNAVEM concluiu que “houve provocação por parte dos dissidentes e uma reacção exagerada por parte da UNITA”. Em Luanda a FNLA condena veementemente a agressão sofrida por Baptista Fula, seu membro, brutalmente agredido por militares e militantes da UNITA.

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Claro que sempre se verificou por parte das instâncias internacionais um certo acomodamento às visões do comportamento dos elementos afectos ao MPLA, o lado “governamental” por estes terem os donos da opinião com sua máquina da informação lubrificada de seu lado, dizendo o que mais lhe interessava; prosseguindo uma logística concertada de denegrir sempre a UNITA. Os posteriores conhecimentos dos factos vieram a confirmar em como a permanente contra-informação e métodos dissuasores das instituições e polícias de inteligência treinadas por peritos oriundos da cortina comunista.

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Por via das eventuais mudanças políticas faz-se revisão da lei constitucional - Lei Nº 23/92 de 16 de Setembro, alterando a de Março de 1991, destinando-se principalmente à criação das premissas constitucionais necessárias à implantação duma democracia pluripartidária. Um cumprimento referido quando da assinatura a 31 de Maio de 1991 nos Acordos de Paz para Angola. É desta feita, a primeira vez na história do país, que levam à realização às eleições gerais multipartidárias assentes no sufrágio universal directo e secreto.

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O maior incidente da campanha eleitoral foi a captura, pela UNITA, de onze elementos da guarda pessoal de Eduardo Dos Santos. Savimbi justificaria que o comportamento de seus homens lhe foi “tardiamente comunicado”. Ainda em Setembro, chega a Lisboa uma queixa informal da UNITA, sobre o envolvimento de uma empresa portuguesa de distribuição alimentar, sediada no Porto, presumivelmente envolvida no fornecimento de material de guerra à Polícia anti-motim angolana - os 30 mil “NINJAS” do MPLA (assim foram chamados), treinados pelos espanhóis.

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Não houve grande desenvolvimento sobre o caso, assim como quase nada foi explicado, acerca do cargueiro “Cecil Lulo”, tripulado por dinamarqueses e filipinos, ostentando pavilhão das Bahamas e operado pela empresa dinamarquesa J. Pulsen, localizada no porto de Ponta Delgada nos Açores. O mesmo tinha um carregamento de armas, segundo se consta embarcadas numa base militar dos EUA – Estados Unidos da América e, com destino a Angola. Tudo que é descortinado no tempo, o é, de uma forma que surpreende, como tudo acontece numa altura tão crucial na tão desejada PAZ…

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A guerra de 27 anos pode ser dividida aproximadamente em três períodos de grandes combates - de 1975 a 1991, 1992 a 1994 e 1998 a 2002 - com períodos de paz frágeis. Quando o MPLA alcançou a vitória em 2002, mais de 500 mil pessoas morreram e mais de um milhão foram deslocadas internamente. A guerra devastou as infra-estruturas de Angola e danificou gravemente a administração pública, a economia e as instituições religiosas do país. Esta guerra terá de o ser, considerado um conflito por procuração da Guerra Fria, já que a União Soviética e os Estados Unidos, com seus respectivos aliados, prestaram assistência às facções em luta.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:12
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2021
A CHUVA E O BOM ATEMPO . CXXI

A ADIÁFA DOS MOIRÕES E SALAZAR - II

ENTRE 1975 E 2021 – DO PREC AO PRR

Crónica 3205 de 10.10. 2021

Por: T`Chingange em Cantanhede do M´Puto

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O tempo passou e, num dia seguinte, fui buscar os meus filhos ao Alentejo a fim de regressarmos às charnecas do Ribatejo; bem pela manhã ao sair para o quintal deparei com o meu concunhado Cailogo de caçadeira aos ombros agitando-se com os demais camaradas em empolgados esquemas de caça. Fui ficando por ali curioso; seria uma caçada à raposa, perdizes ou coelhos mas, apercebi-me bem rápido que não era nada disto. Era o chamado PREC – Processo de Revolução em Curso…

Iam caçar fascistas nos montes vizinhos de Escanchados, Daroeira, Buena Madre e Pardieiro entre outros montes e mesetas daquela estepe; fiquei aturdido com esta pseudo milícia interrogando-me do que poderiam ir fazer em prol duma mudança. Estamos em 2021, com pouco mais de dez milhões de Portugueses e o estado continua sugado por políticos que usam a falácia para nos entorpecer, mesmo sem haver esse tal de PREC. Sempre haverá um plano novo para dar directivas ao leque de ousadias assim se chame um PRR - Plano de Recuperação e Resiliência…

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As conquistas do povo pelo PREC foram direitinhas para o galheiro; as chapadas de trigo, nos lameiros, os montes estão desventradas, sem telhado, ruínas a gritar desespero aos vindouros. Afinal, de nada valeu aquela caça aos fascistas da qual o meu concunhado Cailogo fez parte. Ainda hoje me arrepio de tal façanha.

Acabei por abalar também para um lugar distante chamado de Venezuela. Foram cinco anos perdidos no tempo da minha aposentação mas, ganhei minha independência. Recentemente, de espanto em espanto, fiquei sabendo que minha suposta Catarina Eufémia de Panoias e de nome Maria, tinha ido a Fátima, ela que em tempos andava barafustando politiquice por nada e coisa nenhuma. Sendo pessoa de família não a posso expor de forma declarada para que minhas vicissitudes não fiquem abaladas…

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Militante dos sete costados e meio e com um crachá da Catarina Eufémia na lapela, Maria, vociferava as injustiças de Salazar e, todos aqueles latifundiários que de pançudos, chispavam untosas banhas desde os calcanhares até às luzidias testas transpiradas de suores – tudo à custa do povo, dizia ela para quem queria ouvir numa língua que só Nosso Senhor perdoaria, valha-me Deus… Uma genuína comunista, digam lá o que disserem!

Ela, minha familiar também colateral, tinha andado desde tenra idade com os moirões a fazer campanhas do trigo, coisas antigas da política de Salazar e, lá saía bem cedo em rancho empoleiradas com muitas mais em tractores que as levavam até aqueles montes. Por vezes juntavam-se a elas galegos morcões vindos do norte de Portugal Era trigo, cevada e outros cereais cortados com a foice ao mesmo jeito da tal Catarina Eufémia morta pela GNR a 19 de Maio de 1954, teria ela uns 15 anos.

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Eufémia supostamente, liderava um grupo de catorze ceifeiras, que exigiam um aumento de salário de dois escudos por jorna. Quando os trabalhadores procuraram encontrar-se com o proprietário, este alertou a Guarda Nacional Republicana, que depressa ali chegou. A partir de certo momento Catarina Eufémia terá caído após ter sido agredida por um agente e, quando se levanta foram disparados três tiros, atingindo-a mortalmente.

As autoridades dizem que esses disparos foram acidentais, procedimento muito comum que ainda o é na defesa da tal ética e a bem da nação. Na altura do seu falecimento, Catarina Eufémia tinha apenas 26 anos. Ora sucede que nestes dias que correm ouvi da própria minha familiar colateral revolucionária, que Salazar era uma óptima pessoa!

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O queixo caiu-me espalhando-me as dentaduras no lamacento chão das surpresas; como é!? Pouco refeito e cambaleando na minha patafúrdia assombração, lá disse o que disse, depois de tantos anos com a língua agarrada aos dentes: que Salazar era uma jóia de pessoa!

Pois bem a coisa decifra-se assim: Em 1961, já casada e com dois filhos, seu marido foi chamado ao serviço militar. Ele, Cailogo foi prá guerra aonde aprendeu a conduzir unimogues, jeeps e berlietes do tramagal. Vai daí Assunção, a Maria da minha estória, sua esposa, escreve a Salazar contando da dificuldade em manter sua família com seu marido incorporado na tropa, solicitando por isso um subsidio para aguentar o tranco da vida!

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Surpresa das surpresas: o subsídio chegou durando todo o tempo da vigência de seu marido na tropa, o encartado em ligeiros e pesados e conduzindo chefes militares do guincho para Peniche ou de Lisboa para Tancos. Pois depois de tudo o contado repus minha esquelética dentária no lugar devido, depois de tando desafora em ouvir diabruras contra os fascistas e latifundiários e nem sei mais o quê! Afinal Salazar, não era assim tão unhas-de-fome. Por aqui me fico com alvissaras, porque a verdade sempre vem ao de cima, como o azeite…

O Soba Chingange       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:22
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2021
A CHUVA E O BOM ATEMPO . CXX

A ADIÁFA DOS MOIRÕES E SALAZAR - I

ENTRE 1914 E 1945 E O AGORA 2021

Crónica 3203 de 10.10. 2021 - Em Cantanede do M´Puto

Por: T´Chingange

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Naqueles idos tempos, enquanto o estado confiscava bens à igreja, fidalgos ou aristocratas feitos políticos, sacrificavam imbecilmente os jovens mandando-os para morrer como tordos nas trincheiras da guerra. Do corpo expedicionário enviado para Flandres de França poucos regressaram e os que voltaram vinham de pulmões afectados pelas gazes ali utilizados. Nesse então, a 1ª República Portuguesa era composta por deputados que faziam absurdos e floreados discursos no parlamento sem sequência na realidade do dia-a-dia. Hoje, estamos quase iguais…

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Eram uns pavões que vendiam petulância nos cafés do Chiado; era ver qual deles tinha mais protagonismo na pópia faroleira do Rossio ou no Café da Arcádia. Neste aspecto, Portugal viveu sempre em crise, (e continua a enfermar desses resquícios) envolto em devaneios de gente acomodada à política de faz-de-conta, devaneios de gente que sempre se sentem insubstituíveis.

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Naquele então, senhores latifundiários, donos de muitos hectares, muito gado, muitos chaparros pavoneavam política em Lisboa enquanto seus ganhões ou moirões lhe garantiam os bolsos cheios. Lá na província, na lezíria, ou seara alentejana, no cortical, olival, nas chapadas de trigo, nas lameiras, enquanto nas courelas havia a míngua – nesse então, ainda não se falava na palavra resiliência…

:::::4

Enquanto isso decorria, a Angola distante aonde eu me encontrava, estava quase ao abandono. Estamos em 2021 com dez milhões de Portugueses e o estado ainda vive à míngua sugado por corruptos e corruptores. As conquistas do povo foram direitinhas para a nova casta de políticos que dividem o bolo por quotas, tanto para ti, tanto para mim e, estamos de novo naquela merda desses idos anos; o povo fugindo para o resto da Europa, lugares para onde ninguém pensava ir depois dum 25 de Abril de 1975.

:::::5

Será a sina do Portuga, andar pelo mundo subsistindo à tal de resiliência enquanto eleitos, maioritariamente incompetentes singram com grandes salários nas administrações? Gente que assim repartidas pelo Arco-íris político nos torcem e retorcem com impostos com mais taxas em cima de outras já taxadas. Toda a banda larga será inútil se esta gente de mente continuar na festa desta dita democracia.

:::::6

Não é normal meter-me nestas citações mas que ando revoltado lá isso ando! Revendo o panorama do após guerra por incapacidade de gestão, Angola após o Abril de 1975 ficou abandonada à sua sorte até que algures no início da Estrada de Catete em Luanda, deram o grito do “tundamunjila” festejando a independência com rajadas de kalashnikov.

:::::7

A República Portuguesa tinha sido tomada por panhares com militares empoleirados em sua carcaça agitando cravos na ponta das armas. Surgiram uns oficiais barbudos cheios de hormonas de aviário fazendo alarde duma valentia inexistente, em floreados discursos. Elaboraram regras dum criado MFA, Movimento das Forças armadas que logo desrespeitaram.

:::::8

Eles eram os donos da guerra, da opinião, e o povo levantava os punhos em aprovação de suas decisões democráticas – assisti a isto como destacado na Câmara Municipal de Torres Novas; o povo é quem mais ordena e, todos se olhavam entre si ao levantar o braço em reuniões magnas. E, havia por semana uma ou duas destas reuniões; entretanto o Sindicato dos Trabalhadores das Autarquias, por nada nos queriam lá. Passei por isto na fase de Vasco Gonçalves, vendo-o só esbracejar depois de lhe tirar o som da TV.

:::::9

O medo era farejado pela astúcia duns quantos autopromovidos a pavões. Guedelhudos que fingiam ser os Che Guevara duma Sierra Maestra, vendendo seu imaginário a custo zero. Desde esse tempo, Portugal viveu sempre em crise, (e continua a enfermar desses resquícios) envolto em devaneios de gente acomodada à política de faz-de-conta, com gente que teima em se sentir insubstituível.

:::::10

Em Angola, os ditos Movimentos, digladiavam-se pelo poder morrendo como tordos numa guerra a céu aberto. Recém-chegado a Portugal, com um bilhete de vinda sem regresso, ano de 1975, deram a mim e aos meus, 500 escudos por adulto. Com uma senha de viagem fornecida pelo IARN, Instituto de Apoio a Retornados levei meus dois filhos até o Alentejo. Na Funcheira tinha o meu concunhado Cailogo a receber-me e, lá fomos para a Panoias. Meus filhos ficariam aqui até que em terras do norte orientasse a vida em casa de outros familiares brancos de cor e nome...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:35
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Domingo, 10 de Outubro de 2021
N´GUZU . XLI

FEROMONAS DA VIDA

- Num cala-te a boca, acabei de emudecer o que em mim já estava arrependido…

Crónica 3202 – 08.10.2021

Por T´Chingange – em Cantanhede do M´Puto

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Estando eu no meu “Pátio Andaluz” da Lagoa do M´Puto, naquele dia de meados de Julho de 2021, escrevi com tal força de afeição que até o luar murchou a noite. Depois de dispor cinco manjericos em pequenos vasos para ofertar às cinco meninas do gabinete em que me fazem as declarações de IRS do M´Puto, tomei uns goles de pensamento passando as mãos ao de leve pelas folhas e, assim embuído nesse cheirinho, cocei o aviso em minhas fontes dizendo cá para mim: Esta vida está muito cheia de ocultos caminhos.

:::::2

E, de calor amolecido no esfriado puxadinho pátio andaluz, enraizei vontades sem fazer perguntas à natureza tão prestimosa. Em relação ao resto do que vai pelo Mundo e pelas nações falantes da língua de Camões, assim e no meio duma doença chata chamada de COVID-19, juro não ser portador de um ânimo de mentir nem de me caber calado. Por falta desse tal raso de paciência olhei para o ar vendo os rastos dos aviões tendo na primeira visão as amêndoas; vi então que algumas destas já estavam a abrir a casca, indicio de já poderem ser amanhadas, juntá-las aos figos secos e fazer os queijos à moda de morgadinhos.

:::::3

Com algumas alegrias do ar em meu pensamento, com vida tão séria, desconsegui remexer na velhice dos meus afectos por via de pequenos prazeres, vendo tanta gente a vender sombras no escuro, acomodados no estímulo governamental. Descomplicando, amanhã levarei estes cinco vazos às minhas amigas para concertar em mim os pernoitados desprocedimentos que em aflitos sonhos escorregam num esquecimento ficando assim sem substância narrável.

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Desde aquele amanhã, entretanto já se passaram três meses e, por isso nem falei na fuga de um tal de colarinho branco, banqueiro e afins de nome Rendeiro que nem se sabe para onde se escafedeu por via de desfalcar o fisco, e não só. Claro que hoje, dia 10 de Outubro já se desconfia que esteja no bombom de Belize.

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Escrevia então: agora, minha vontade de chegar a lugar nenhum por via dessa doença covidesca, inchou-se-me no lugar mais estranho chamado de escroto levando-me assim a vir até Coimbra e, a fim de ter opinião mais abalizada por um médico dermatologista. Mesmo sem ter feito e utilizado punhais de sete aços malhados e trouxados numa lâmina, só como se o fora um ferreiro de Toledo, que assim cercado por água do rio Tejo me alembro que só entrei no que imaginei, ilusãozinha que para mim tudo fica resolvido. É só uma carne mole, que sem tumores se expandiu formando uma hérnia inguinal segundo a ecografia; é o que penso…

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Numa de que o que tiver que ser assim o será e, da varanda da casa do Amieiro, encalho meus olhares para poente vendo as ovelhas empinar-se no pátio duma casa de alçado e cor nobre, um solar muito cheio de ervas, pois que o abandono tomou conta no tempo. Sendo assim tudo se recompõe num processo hodierno de deixar andar para ficar de bem com a nação, com o tempo, o governo, as pessoas e até com Nosso Senhor, que alguns dizem ter sido um ET e, que veio ao Mundo para nos endireitar nos modos e acções, uma teoria fora do alcance do “ Principio de Pieter”.

:::::7

Num cala-te a boca, acabei de emudecer o que em mim já estava arrependido no momento exacto em que Fátima, pelo telefone me disse assim: Senhor António seu IRS já está entregue e aceite; passe por cá assim que puder! Naquele então disse que passaria por lá quando fosse a caminho de ir até à recepção das análises. Tudo agendado por telefone e, lá fui ver se meu escroto. Para não morrer antes de acontecer fiquei aliviado só no suficiente para ouvir o médico de família que do pouco que disse, nada disse!

:::::8

Como vêem estou no desamparo de minha vergonha e, de novo irei mostrar meu rabo ao Professor Doutor Ricardo Vieira na firme convicção de que para se morrer basta estar vivo. Juro! Nesta singularidade, muito fico repetindo, remoendo em minha mente as palavras que nem digo, porque sou cristão, maior, emancipado e vacinado. Digo isto por modo de me acostumar sem receber certezas de como vai ser então, naquela força de afeição tal de que até o luar por vezes põe a noite inchada…Fui!

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:08
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXVIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXV

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS” CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 320108.10.2021 - A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

Por: T´Chingange, em Cantanhede do M´Puto

:::::1

Após o 11 de Novembro de 1975, as casas abandonadas em Luanda maioritariamente pelos brancos, são entregues a “amigos” do MPLA e aos amigos dos amigos ou assim supostos; por toda a Angola se verificou o mesmo procedimento – fábricas, complexos desportivos, armazéns de géneros, bombas de gasolina, literalmente, tudo passou para a gestão do MPLA. Personalidades angolanas terão recebido apartamentos no Kilamba por terem apoiado o MPLA na campanha para as eleições gerais em Angola. Estas pessoas tiveram acesso privilegiado às casas mas, sendo propriedade do estado por confisco, supostamente, teriam de as pagar (digo eu…).

:::::2

Por tantas dúvidas no ar, tantas medidas arbitrárias, umas torpes outras sem explicação plausível, levam os jovens de agora a pedir explicações. Nos dois anos de 2019 e 2020 e, no actual 2021, protagonizam inéditas manifestações, estipulando como que uma espécie de moratória ao executivo angolano, antes de voltarem às ruas, uma e outra vez, pedindo eleições livres e sem batota, eleições municipais e o fim da mordaça e do estado policial, ditatorial na verdadeira versão da palavra; uma cleptocracia, um governo cujos líderes corruptos usam o poder político para se apropriar da riqueza de sua nação, com o desvio ou apropriação indevida de fundos do governo às custas da população em geral.

:::::3

Uns, declarados opositores, são pressionados, coagidos ou assediados, outros desaparecem misteriosamente e ainda outros são presos por se expressarem em desfavor do MPLA que se protagoniza como sendo eles, o país. Nas eleições parlamentares, a UNITA obteve uma votação de mais de 30%, portanto expressiva, mas que ficou aquém das suas expectativas. Nas eleições presidenciais, os cerca de 42% obtidos por Jonas Savimbi impediram que José Eduardo dos Santos, presidente em exercício que reuniu 59% dos votos, obtivesse na primeira volta a maioria absoluta, do modo que, pela legislação então em vigor, teria sido necessária uma segunda volta.

:::::4

Esta, não se chegou a realizar, porque a UNITA declarou de imediato que tinha havido fraude nas eleições presidenciais, e retomou as suas actividades militares - enquanto os deputados eleitos pela UNITA assumiam as suas funções de forma regular. A seguir a uma fase de êxitos militares, por exemplo a tomada temporária da cidade do Huambo, a UNITA passou a perder terreno de maneira dramática, devido ao reforço maciço das FAA (Forças Armadas de Angola), em pessoal, formação e equipamento, no essencial financiado pelas receitas do petróleo.

:::::5

Em paralelo, constitui-se uma dissidência da UNITA, designada "UNITA Renovada" e liderada por um dos deputados, Eugénio Manuvakola; esta corrente era a favor do abandono da luta armada e de uma concentração sobre a luta política. No fim dos anos 1990 era patente que a UNITA tinha perdido o combate, em termos militares. Perseguido por uma unidade das forças governamentais, Jonas Malheiro Savimbi é morto em Fevereiro de 2002. Segundo o jornal Público (do M´Puto): Jonas Savimbi morreu "de arma na mão", como "um militar", numa emboscada das Forças Armadas Angolanas (FAA), numa sexta-feira à tarde, junto ao rio Luio, sudeste da província do Moxico, ao fim de cinco dias de perseguição pelo mato. "Sete tiros foram suficientes para o abater". Foi assim que o brigadeiro Wala, na qualidade de dirigente da "força mista que matou o líder da UNITA", resumiu o fim de Savimbi aos jornalistas presentes no local em que o corpo foi exibido.

:::::6

Ano de 2002 - Após a sua morte, a UNITA tornou-se num partido civil e abandonou a luta armada. No congresso da fundação do partido, onde a UNITA Renovada e outros elementos dissidentes foram reintegrados, Isaías Samakuva foi eleito presidente. Concorrendo às eleições parlamentares de Setembro de 2008, a UNITA obteve pouco mais de 10%, tornando-se num partido com poucas condições para exercer funções efectivas de oposição. Em 2012, esta situação levou à saída de uma dos seus mais destacados dirigentes, Abel Epalanga Chivukuvuku que fundou um novo partido, CASA (Convergência Ampla de Salvação de Angola).

:::::7

Apesar desta perda, a UNITA aumentou muito significativamente, de cerca de 80%, nas eleições realizadas em 2012, duplicando o número dos seus deputados, enquanto a CASA obteve respeitáveis 6% com 8 deputados - constituindo-se, deste modo, uma oposição parlamentar significativa ao MPLA. Nas eleições de 2017, a UNITA quase duplicou outra vez o número de acentos no parlamento, saindo de 32 para 51 deputado, sendo que a CASA-CE passou de 8 para 6 deputados.

:::::8

A UNITA que tem tentado sempre demonstrar democracia interna realizando congressos de 4 em 4 anos, é hoje, o principal partido opositor ao partido que forma o governo afirmando-se como uma verdadeira alternativa a este. A morte de Savimbi também se reflectiu na mudança ideológica do partido, deixando o nacionalismo de esquerda e o socialismo humanitário (correntes maioritárias até então). Este facto alterou o espectro do partido, que, de situado mais a centro-esquerda, passou a um movimento sem ideologia dominante.

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Segundo Jofre Justino, o partido terá assim várias correntes, sendo a dominante, direitista, capitaneado por Isaías Samakuva. As demais correntes do Galo Negro seriam a da esquerda, dirigida por um general do terreno; e a do centro, capitaneada por Abel Chivukuvuku (que acabou por romper com a UNITA e formar um novo partido). O XIII Congresso da UNITA, realizado entre os dias 13, 14 e 15 de Novembro de 2019 foi o mais renhido da sua história, em relação à disputa da presidência.

:::::10

Concorreram 4 candidatos, todos eles dirigentes de proa do partido, como o diplomata Alcides Sakala Simões, na altura secretário para as relações internacionais, o deputado e académico José Pedro Katchiungo, na altura também vice-presidente da bancada parlamentar, José Abílio Kamalata Numa, um destacado General na reserva, o jornalista Manuel Raul Danda, na altura vice-presidente do partido e o Eng.º Adalberto Costa Júnior, então presidente da bancada parlamentar, que veio a ganhar as eleições, com pouco mais da metade dos votos. A UNITA é hoje composta por uma direcção coesa liderada por Adalberto Costa Júnior, Arlete Leona Chimbinda, primeira mulher a chegar ao cargo de vice-presidente do partido e Álvaro Daniel.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:22
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Terça-feira, 5 de Outubro de 2021
JINDUNGO. VIII

VERSÃO NOVA - *O TER-SE VANTAGEM EM TUDO*

Crónica 3200 - 01.10.2021

Por: T'Chingange, no Ribatejo do M'Puto

:::1

Existe por aí uma filosofia não declarada de que “o mundo é dos espertos”. Esta frase sugere que passar os outros para trás é um grande negócio. Em Potugal (M'Puto), no Brasil, Angola e outros países dos PALOP's, as leis que regem o comportamento de gente no mando governamental, bancos e outras instituições públicas ou afins, no activo ou saídos delas, são desrespeitadas de tal forma que, somos obrigados a pensar estar a desonestidade no ADN de muitos. Claro que estou a rever o assunto do ex-banqueiro Rendeiro que “deu-à-sola” fugindo ao fisco e à justiça “abalroando” regras que se pensavam serem firmes para todos.

:::2

Nos procedimentos de políticos e, gente supostamente de colarinho branco, esses verbos de mentir, furtar e roubar, são procedimentos comezinhos. Assim, esse mandamento de "não se enganem uns aos outros", é de pura ficção. Afinal, um camelo pode mesmo fugir pelo cu de uma agulha! Fugir com o rabo à seringa como Vitalino, evitando responsabilidades ou ficar com o rabo entre as pernas como Pinho, sem bazarem na forma invisível, tipo Sarmento… Enfim! Uma coisa de mandar o cumbú para paraísos fiscais a que, neste caso, deram o nome de “Pandora Papers”- Pandora, uma tal de caixinha de surpresas e também o nome de minha cadela quando eu era candengue…

:::3

O “JEITINHO ” brasileiro, português ou angolano, torna-se assim, progressivamente num expediente criativo para forjar regras próprias com taxas, taxinhas e outros edecéteras que sempre se carregam em nosso lombo... Em geral, quem consegue levar alguma vantagem, se sente o máximo. Lamentável, noé!?

:::4

Flexibilizando ou quebrando normas que deveriam aplicar-se a todos, essa coisa negativa de truncar a visão certa, geralmente coloca em perigo relações pessoais, sublevando no poder a equidade do dever adaptando a regra a um caso específico, por forma a deixá-la mais justa...

Precisamos parar de furar fila, pedir um atestado médico indevido, baixar músicas pirateadas, dar por fora uns dinheiros para se fazer um jeito, etc. Esta lista é quase infindável. Bem! Os velhos padrões de comportamento, tudo o indica, devem ter ficado lá no passado…

:::5

A melhor coisa a fazer é viver pela fé, com lucros ou percas. Não adianta tentar colocar uma pedra em cima do pecado; se o que nos move é tirar proveito das situações e das pessoas, isso não passará despercebido. Cedo ou tarde, sempre haverá um observador mais atento...  Agora é o Rendeiro, o Canas e o Pinho mas tudo indica que amanhã aparecerão outros mecatrefes. Alguns até nos espantarão ficando com a boca aberta que nem chaminé de navio feito vapor transatlântico como o meu Niassa…  

:::6

Você já percebeu que a vida depende de decisões, noé?! Bem; embora por vezes, sejamos prejudicados por sermos demasiado complacentes com a astúcia alheia ou, não denunciarmos as fraudes por forma a nos ilibarmos desse conhecimento. Desta feita, e bem, umas centenas de bons jornalistas de vários países resolveram colocar o dedo na ferida…

Desde que amanhece até quando anoitece, é uma decisão atrás da outra em cada novo dia. Algumas são comuns, e você pode se dar ao luxo de até errar, por exemplo na cor da roupa, no uso da gravata ou que meio de transporte usar, uma coisa menor. Mas, nos grandes desfalques, nessas arapucas digitais sem tocaias, se falhar, as consequências podem ser terríveis. E, é bom que assim o seja, noé! Justiça - faz falta, noé!?

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:55
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2021
KANIMAMBO - LXXVI

Crónica 3199 de 28.09.2021 - MEDITAÇÃO DE SEXTA-FEIRA

24 DE SETEMBRO - 2021- EM TEMPO DE ELEIÇÕES NO M´PUTO

- A ECOMPENSA DO CORAJOSO - Não se deixe levar pelas ondas da filosofia inebriante da BAZUCA... Vá pelas direitas!  Kanimambo é obrigado em dialecto Changana de Moçambique - Publicada em kizomba a 24.09.2021, (vésperas de eleições autárquicas)

Por: T'Chingange no AlGharb do M'Puto

:::::1

"Coragem” é uma palavra usada para caracterizar alguém arrojado, ousado e valente – qualidades necessárias a quem tem determinação e está disposto a vencer qualquer barreira para realizar seus planos. Essa palavra também pode ter uma conotação negativa e significar petulância, audácia e atrevimento, dependendo dos meios escolhidos para alcançar os objectivos.

:::::2

É muito fácil encontrar pessoas dispostas a pagar qualquer preço para obter vantagens; neste capítulo, os políticos sempre têm arte ou engenho para nos despacharem promessas. Isso é ousadia de má espécie mas, não temos outro remédio senão optarmos pelo MENOS MAU, menos ambicioso ou o que surge como o mais dentro da quadratura do nosso círculo.

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Nesta era de reactividade, de coisas esdrúxulas, não se fala muito em certo ou errado nem em pecado do corajoso. Então lá teremos de ir ver a crença para escalpelizar a noção de que não existe bem ou mal, mas uma acção adequada e dependendo das circunstâncias. Será assim, noé!?

Claro que há quem enfrente qualquer obstáculo para ajudar quem necessite;  esse tipo de pessoa, sempre é uma bênção pois que, não se satisfaz com a mediocridade, lançando-se em busca do que está mais para além da vulgaridade.

:::::4

Apesar da complexidade da vida e de nossa confusão, com as moléculas do cerebelo a dar voltas de remoinho, devemos distinguir o certo do errado, do mau e menos mau, para optar na escolha, sabendo de antemão que quase todos os políticos, se coçam para dentro, fazendo dum acto de cidadania uma forma-de-vida!

Convém saber-se que o pecado é um mal em todo o sentido da palavra extensivo à promessa fácil. Em relação a esse assunto sabemos dos livros e, como cristãos, que aquela definição que diz: “Pecado é a transgressão da Lei”- que o é, por vezes uma desregra na prática, noé!?

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Muitas vezes nos sentimos confusos pois nos parece que não é tão simples avaliar as situações para descobrir a atitude certa. Pelo sim pelo não votarei no amigo que conheço, bom chefe de família, trabalhador e que, até agora, não usou de falcatruas entre outras arbitrariedades.

Deveremos distinguir o certo do errado, como diz a Bíblia, livro que ainda me serve de padrão: saber que o pecado é um mal no verdadeiro sentido da palavra. Embora a Bíblia nos alerte: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo!”. Nós Tugas já conhecemos este fado com muitos intervenientes a gozar no bem-bom com boas reformas pelo fruto da falcatrua e, do Espírito Santo, noé!

:::::6

Esse verbo "roubar" é muito intrigante porque parece ser difícil chamar às trevas da luz, a luz de trevas, não é verdade? Como é que isso pode acontecer? Acontecendo, pois! Quando nos voltamos para nós mesmos, descobrindo que sim; é possível acontecer...

Que é possível fazermos o bem simplesmente motivados por um desejo de admiração. Isso corrompe nossa bondade. "Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: "Este é o caminho: siga-o". Não se deixe levar pelas ondas da filosofia inebriante deste tempo! Lembrem-se do "Principio de Peter" - Vote às direitas...

Nota: Hoje 28 de Setembro  de 2021, já se sabe que Lisboa mudou de mãos! Vamos ver se na tal de BAZUCA  que chamam de PRR - Plano de Resiliência, os DDT - Donos Disto Tudo, não usem da falácia  costumeira...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:16
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MOKANDA DO SOBA . CLXXXVII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIV

”OS DIAS DAS BRUXAS” – CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 3198 – 28.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

:::::1

Logo no dia a seguir à partida do Papa João Paulo II de Angola a 10 de Junho de 1992, MPLA e UNITA envolvem-se em violento combate verbal, só apaziguado com a interferência de Herman Cohen. No segundo dia da campanha eleitoral, soldados da UNITA atacam o governo provincial de Kuito. Os governamentais reagem. O incidente salda-se em 20 militares e 10 civis mortos. No mesmo dia, no Huambo, numa emboscada à caravana automóvel de Kundy Paihama, director de campanha do MPLA, falece o secretário provincial da juventude do MPLA e cinco pessoas ficam feridas com gravidade.

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Estes acontecimentos, motivam um comunicado dos observadores internacionais e membros da missão das Nações Unidas UNAVEM II, condenando a atitude do MPLA e da UNITA -Convém esclarecer que a UNAVEM I, fiscalizou a retirada das tropas expedicionárias cubanas. A 8 de Setembro de 1992, Eduardo dos Santos e Savimbi acordam no princípio da criação de um governo de unidade nacional, independentemente do resultado das eleições. Comprometem-se na extinção dos seus exércitos, antes do escrutínio. Dez dias depois aquele comprometimento, avisado pela sua representante em Angola, Margaret Anstee, Butros-Ghali envia um relatório ao Conselho de Segurança da ONU, denunciando que apenas 41% das forças armadas do governo da UNITA tinham sido desmobilizadas e apenas 19% das forças armadas unificadas tinham sido constituídas.

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O mesmo documento sublinha que o ritmo da desmobilização foi mais rápido do lado das forças governamentais – 54.747 soldados, correspondentes a 45%, contra 7.257 soldados da UNITA, correspondendo a 24%. Toda esta movimentação de vontades fica conspurcada pela má-fé de ambas as partes que não confiam em suas próprias sombras pois que sempre vem ao de cima mais de 10.000 mortes de partidários da UNITA e da FNLA que foram assassinados pelas forças do MPLA, principalmente dos grupos étnicos ovimbundos e bacongos.

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Os “3 DIAS DAS BRUXAS” sempre é relembrado com as mortes de muitos membros proeminentes da UNITA como Jeremias Chitunda, Elias Salupeto Pena e Aliceres Mango, entre muitos outros. Dia 30 de Outubro de 2021, completam-se 29 anos sobre o massacre iniciado a 30 de Outubro de 1992 na capital angolana, Luanda. Recorde-se: De 29 e 30 de Setembro de 1992 diz Filomena Lopes líder do Bloco Democrático, partido da oposição angolana: “foram naturalmente três dias horríveis", data em que se interrompeu o processo de paz em Angola. Fui apanhada de surpresa, sobretudo numa altura em que se tentava encontrar soluções políticas para o problema.

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Filomena diz: - “Matava-se tudo. Matavam-se todos os que tivessem alguma ligação com a oposição. ”Milhares de apoiantes e até dirigentes da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA) são assassinados em Luanda e em outras localidades do país. Também há vítimas da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). “É a primeira vez, na história da guerra civil angolana, que políticos morrem em combate”, escreve o jornalista Emídio Fernando no livro Jonas Savimbi, “No Lado errado da História”.

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Até hoje - 2021, permanece por esclarecer quem ordenou o massacre. O número de vítimas também nunca foi confirmado, mas estima-se que tenham morrido entre 10 mil e 50 mil pessoas. Outros gráficos, baseadas em números da Igreja Católica, estimam que foram mortos de 25.000 a 40.000 partidários da UNITA e da FNLA. Números que Mário Pinto de Andrade, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), contesta: “Acho que, às vezes, a comunidade internacional empola. Houve uma manipulação desses resultados. Eventualmente fala-se das pessoas que morreram pela UNITA, mas também morreu muita gente pelo lado do governo. A UNITA quando ocupou o Uíge matou muita gente do MPLA e quando ocupou o Huambo, fez o mesmo.”

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Nem o candidato do MPLA, José Eduardo dos Santos, nem o seu adversário, Jonas Savimbi, da UNITA, conseguiram maioria absoluta nas presidenciais. Mas, a segunda volta nunca se realizou. A guerra civil reacendeu-se com o massacre e, prolongar-se-ia até quatro de Abril de 2002. O massacre dizimou muitos membros dos grupos étnicos Ovimbundu e Bakongo, historicamente tidos como adversários do MPLA. O jornalista e analista político Orlando Castro afirma que, nessa altura, o MPLA tentou “neutralizar todos os que pensavam de maneira diferente do regime”.

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“Foi uma nova tentativa de decapitar a UNITA. Orlando Castro conta: "Na história do MPLA, os massacres, ou as purgas, ou o que se lhe quiser chamar, são uma regra estratégica do regime, mesmo até para os próprios simpatizantes do MPLA”. Essa prática vem-se verificando até aos dias de hoje segundo muitas versões contadas aqui e ali, em livros ou crónicas nos jornais e redes sociais e, até por gente fugida ao sistema que sempre acusam o MPLA na utilização de venenos para eliminar parceiros ou amigos considerados insuspeitos. Quem lê o “Fórum de Liberdade” nas redes sociais de Fernando Vumby exilado na Alemanha, um antigo elemento da DISA - a polícia política do governo de Agostinho Neto, fica com os cabelos em pé.

:::::9  

O tema ainda é tabu em Angola e desconhecido por muito jovens. Daí a importância de uma boa estratégia de reconciliação, desde que não se branqueie a verdade, defende Orlando Castro: “Estes massacres são os mais visíveis, quer o de 27 de Maio de 1977, quer o de 1992, são os mais visíveis pelo número de vítimas, mas o MPLA tem muitas outras histórias porque ao longo da guerra – embora a UNITA obviamente também tenha cometido grandes erros – o MPLA, até pelo poder militar que tinha, massacrou muita gente inocente.

:::::10

Os jovens não conhecem esta história. E, a paz e reconciliação em Angola nunca se conseguirão com base na mentira”. Mário Pinto de Andrade recorda: “ninguém pode negar a História, mas tem de se falar com realismo. Apesar de Angola ter um grande potencial em recursos hídricos, nem toda a gente tem acesso a água e energia no país. O governo angolano quer mudar isso e está também aberto a cooperar com Portugal; assim se falava a em Outubro de.2012; o que mudou mesmo foi  o ressurgir de novas formas de roubar ao erário publico destroçando paulatinamente a economia e levando o povo ao desemprego, sobrevivendo da forma triste em rebuscar nas lixeiras, caixotes de lixo e coisas nauseabundas que só abutres praticam…  

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:53
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXVI

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIII

”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”  TRAGÉDIA ANUNCIADA COM CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 3197 – 27.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em Março de 1992, representantes da Amnistia Internacional visitaram Angola lançando um apelo para a protecção dos direitos humanos – “Na ausência de providências imediatas para impedir novos assassinatos, verificava-se uma escalada da violência que vinha a pôr em risco os acordos de paz”. Crimes cometidos, nunca castigados, segundo pesquisa na imprensa angolana e portuguesa: Pelos governamentais, a morte de seis pessoas, numa manifestação pacífica de apoio aos separatistas de Cabinda, em 1991.

Ainda em Cabinda, no mesmo ano verifica-se a execução a tiro do diácono Arão. Também em Luanda, ocorre o assassinato do piloto governamental Sampaio Raimundo, pelo guarda-costas de um oficial da UNITA. No corrente ano de 1992, a morte de quatro oficiais da Força Aérea angolana, por membros da UNITA – dois deles, enterrados vivos, um queimado, outro espancado. Dá-se a morte de nove membros da UNITA, entre os quais o tenente José Segundo, na Província de Benguela, segundo representante da UNITA em uma comissão da CCPM - Comissão Conjunta Politico Militar. O mesmo, foi alvejado por um civil e por um outro com uniforme das FAPLA, em Junho do passado ano. Àquelas mortes, nenhuma investigação foi feita.

cronXXIII-5.jpg Dá-se o assassinato do representante da UNITA em Malange, coronel Pedro Makanga, vingado logo a seguir, com o assassinato de um tenente-coronel das FAPLA. Era esta a onda de insanidade e falta de rigor na fiscalização e ordem do território e, dizer-se por isso, estar-se a caminhar para uma tragédia anunciada, sem ter ninguém ou entidade fidedigna para superar com justiça quaisquer arbitrariedades. Na Província da Huíla dá-se assassinato de quatro turistas; este episódio transforma-se em mais um incidente político, quando Jonas Savimbi anuncia que prendera Celestino Sapalo, um agente de segurança governamental, por suspeita dos crimes. A ONU, vem a concluir que os crimes haviam sido cometidos pela tropa da UNITA; esta, concorda em permitir o interrogatório a Sapalo por uma comissão conjunta de inquérito, formada por seus representantes e do governo, mas isso nunca aconteceu.

cronXXIII-0.jpg Dá-se aqui conhecimento de várias altercações que um pouco por toda a Angola se vão verificando, para que se tenha uma ideia melhor formatada do todo o ambiente social em efervescência expectante da paz que, não chega… Em Cabo Ledo, arredores de Luanda, ocorre a morte por assassinato de uma família portuguesa. O governo apresenta um presumível autor dos crimes que anuncia ter actuado a mando da UNITA, por dinheiro e, embora tudo apontasse ser uma manobra política do MPLA, nenhuma investigação viria a ser feita. Por sete dias o Papa João Paulo II visita Angola, tendo-se despedido a 10 de Junho de 1992 do povo angolano no Aeroporto de Luanda e, tendo na primeira linha um grupo de escuteiros em fila.

cronXXIII-3.jpg O Papa João Paulo II junto de José Eduardo dos Santos, presta honras militares; arcebispos e bispos, em representação de vários países africanos; crianças com camisolas impressas com fotografia do Papa João Paulo II; O Papa João Paulo ao fazer discurso de despedida dá antecipadamente a bênção para um bom entendimento entre irmãos desavindos, o que teimará em não se verificar. As eleições gerais angolanas ocorreram nos dias 29 e 30 de Setembro de 1992 para eleger o Presidente da República e a Assembleia Nacional. Foram as primeiras eleições multipartidárias, supostamente democráticas e livres realizadas no país. Ocorreram na sequência da assinatura dos Acordos de Bicesse de 31 de maio de 1991, que pretendia pôr fim ao impasse militar com mais de dezassete anos.

O MPLA ganha as duas eleições; no entanto, os oito partidos de oposição, em particular a UNITA, rejeitaram os resultados como fraudulentos, o que se veio a verificar posteriormente segundo relatos de ocorrências, por impedimentos de fiscalização, destruição de urnas ou, por trâmites com bizarrias inconsequentes. Como resultado, a guerra civil seria retomada. Alguns milhares a dezenas de milhares de membros da UNITA ou apoiantes em todo o país seriam mortos pelas forças do MPLA em poucos dias, no que é conhecido como o MASSACRE DO DIA DAS BRUXAS, também conhecido como o Massacre de Outubro, referindo-se aos eventos que ocorreram de 30 de Outubro a 1 de Novembro de 1992 em Luanda, já como parte da Guerra Civil Angolana.

cronXXIII-2.jpg O massacre aconteceu após as primeiras eleições da história do país. O partido governante, o MPLA, reivindicou a vitória. A UNITA, questionou a equidade das eleições, apresentando provas das anomalias mas, a Comunidade Internacional e os países dos PALOPS assobiaram para o lado; era no Mundo, o início do barlavento esquerdista com a postura moderada de socialista! Podemos agora e à distância, ver a grande imagem, tomando como exemplo o ”Fórum de S. Paulo”- uma organização que reúne partidos políticos e organizações de esquerda, criada em 1990 para promover mudanças à esquerda com a capa suave de "neoliberais” como Cuba, Venezuela, Bolívia, Argentina entre outros…

Uma vez que nem o candidato do MPLA nem o candidato da UNITA obtiveram a maioria absoluta requerida nas eleições presidenciais, uma segunda volta seria necessária de acordo com a constituição mas, à medida que ambas as partes intensificaram a retórica da guerra, o MPLA ataca posições da UNITA em Luanda. Seguiram-se combates que levaram à morte de muitos membros proeminentes da UNITA como Jeremias Chitunda, Elias Salupeto Pena e Aliceres Mango Alicerces, que foram retirados do seu veículo e mortos a tiros. Milhares de eleitores da UNITA e da Frente Nacional de Libertação de Angola, FNLA,  foram massacrados em todo o país pelas forças do MPLA ao longo de três dias…

cronXXIII-4.jpg Em um atentado no Huambo, é assassinado o poeta Fernando Franco Marcelino. Neste atentado é ferido com gravidade a poetiza Zaida Daskalos. O “Terra Angolana” – o jornal da UNITA, em sua edição de 31 de Outubro, atribui ao MPLA a autoria deste crime, o que é duvidoso pois que eram pessoas muito conhecidas em Angola e, desde sempre ligadas ao MPLA. Neste meio tempo é também assassinado no Huambo o médico e escritor David Bernardino, homem ligado à esquerda pelo Movimento Democrático do Huambo – um apêndice do MPLA desde o seu nascimento…    

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:27
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