Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
BRASIL E O CANGAÇO . XXVII

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

              O Velho Chico em Penedo

 VELA QUADRADA

CIDADE DE PENEDO NO RIO SÃO FRANCISCO

 

 

16 - TÁCTICA DO GRUPO DE LAMPIÃO

 

A táctica empregada por Lampião era a de não dar combate em campo aberto, ter sempre ao dispor as melhores montadas e carregar ou inutilizar as armas pertencentes aos comerciantes e fazendeiros fora da sua graciosidade.

O cabra zarolho era bem desconfiado e tinha sempre a preocupação de deixar o lado direito em permanente vigilância de guarda-costas de canina ferocidade; atacava de emboscada ou ficava horas a fio para tocaiar algum inimigo ou perseguidor. Actuava somente quando tinha a certeza do êxito e, quando se via sem as cartas do mando em mão, debandada ordenadamente deixando batedores na retaguarda. Em casos extremos, sacrificava alguns dos seus cabras ocupando a força dos perseguidores.

Só entrava em núcleos populacionais após ouvir os enviados cabras de sua confiança como observadores de tudo o que fosse relevante para relatar, movimentos anormais, forças da ordem, melhor acesso e possível fuga.

Quando se via em apuros por insistente perseguição refugiava-se na caatinga meses seguidos, até que a falta de logística em recursos de viveres e honorários em atraso, causasse o desânimo nos volantes perseguidores.

 

17 – AFINAL, QUEM ERA LAMPIÃO?

 

Nascido a quatro de Junho de 1898, filho de José Ferreira da Silva com o nome de Virgolino Ferreira da Silva em Vila Bela, estado de Pernambuco e, hoje com o nome de Carqueja.

Lampião foi a alcunha espontânea em função do seu fuzil parecer um lampião de luz quando disparava e, no escuro usava dar tiros com aquele fogacho de candeeiro para encontrar coisas perdidas.

Logo após a morte de seu pai pelos Volantes Alagoanos que iam em sua procura, Lampião e seu irmão António Ferreira que já eram criminosos ficaram a partir daí com mais estímulo para continuar na senda do crime; o Alferes José Lucena que matou seu pai, passou desse instante a ser procurado pela mira dos irmãos ansiosos de vingança.

O Pernambucano Leonardo Motta descreve lampião do seguinte modo:

- Amulatado, de estatura meã, magro e semi-corcunda, de barba e nuca raspados ordinariamente, cabelos compridos e, sempre que possível perfumados, com o olho direito vazado e cego por pico de espinheira, dedos cheios de anéis com brilhantes verdadeiros e falsos, de óculos redondos de aros dourados para esconder o lado vesgo, ao pescoço um grande e vistoso lenço de cores berrantes e seguro nas pontas por um anel valioso de doutor em direito. Na perna esquerda trás uma bala costurada nas calças de brim escuro, a mesma bala que matou o sargento “Quelé”. Sobre o peito ostenta a medalha do padre Cícero que diz ser seu padrinho e escapulários com saquinhos de “rezas fortes”, chapéu de cangaceiro adornado de correias de metal branco. Folgazão quando entre poucos estranhos e, no meio de seus comparsas. Sempre que era rodeado por desconhecidos, uma cabra dispunha-se do seu lado direito, ligeiramente por detrás tomando o porte de guarda-costas. Usava um paletó e camisa de riscado claro e nos pés alpercatas de ilhoses amarelas, reluzentes. A tiracolo dois pesados bornais de balas e bugigangas protegidas por cobertura de xaile fino. O tórax era guarnecido por três cartucheiras bem providas. Ágil como um felino nos primeiros anos de cangaço, tinha sempre às mãos o fuzil, à cintura duas pistolas parabelum e um facão com setenta e oito centímetros de lâmina; O homem que não briga para desperdiçar munição, a cada morte correspondia um corte naquela longa lâmina.

 

Lampião ingressou no banditismo após ter sido arrieiro de Delmiro Gouveia aonde se revelou buliçoso no trato e no manejo do facão. Alem de seu irmão os cabras José Manuel e António Porcino foram os primeiros companheiros na onda devastadora daquilo a que se veio a chamar cangaço. Com aqueles dois novos companheiros mas já bem conhecidos na arte de matar em todo o sertão, fizeram o seu primeiro ataque no ano de 1918 no lugar de Olhos dágua do Chicão, seguindo-se Marvilha, Água branca e Sant’ana do Ipanema em 1926; neste então, já Lampião, tinha sessenta homens às suas ordens.

O curioso caso da patente de Capitão é sumariamente descrita por Gato Bravo que ainda em vida afirmou ter acompanhado Lampião na luta contra os revoltosos da coluna Prestes; em 1926 os revoltosos de Isidro Lopes entraram no Ceará quando Lampião foi convidado a ajudar as forças legalistas na repressão àqueles revoltosos.

 

( Continua... O Velho Chico ... XXVIII)

O Soba T´Chingange  

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:12
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