Terça-feira, 17 de Junho de 2008
BRASIL E O CANGAÇO III

 

BRASIL – A saga do cangaço (continuação...III)

 

3 – O CERTANEJO NORDESTINO

 

Cronistas europeus do século XIX descrevem o Brasileiro do Sertão Nordestino como um homem bronzeado pelo sol, nalguns casos de sangue amerídio mas, em regra, predominantemente europeu, isto é, Português; altivo, rebelde para pagar impostos e, desdenhando o Imperador.

Os primeiros povoadores pioneiros portugueses a chegar ao sertão por volta do ano de 1680, eram robustos, prontos para qualquer desafio; tiveram de enfrentar as onças e os índios que, não tinham nem medo de morrer, nem remorsos no matar. Explica-se a partir daí, o uso de armas de fogo e facões na defesa do seu “sítio”, fazendo a justiça do momento sem os adjectivos jurídicos dos dias de hoje; na defesa de coisa legítima não havia conceito de criminalidade. Só no século XX é que os conceitos sociais de posse e crime começaram a ter regras, por via de novas acessibilidades e gente instruída saída das universidades nas áreas de leis e sociologia.

A luta com os índios não era fácil pois que estes usavam manhas e artimanhas no contacto com o colono branco; tanto assim que levou Luís do Carmo Cascudo, a afirmar que aqueles selvagens “tinham por glória e honra morrer na luta e, quanto mais deles morriam tantos mais se juntavam ao conflito”. Esta forma de enfrentar a vida e morte influenciou os colonos que, no decorrer do tempo, se iam miscigenando com dotadas índias.

Em todos os locais do sertão havia “os valentões” que procuravam briga aonde quer que houvesse multidão; criavam o mito do medo fazendo-se impor, célebres e temidos pela coragem e, perante o povo amedrontado, estes tornavam-se importantes, juízes de causas, ”o braço vingador da família em luta”.

O sertanejo tem um conceito de família por proximidade. Esta amplitude engloba a figura do compadre na amizade estreita e diária entre um emaranhado de enteados e afilhados da vizinhança. Protegidos por uma recíproca cultura de carências partilhadas entrecruzam-se nas necessidades.

Ficam longas horas giboiando numa rede oscilante sebenta de uso e abuso, curtindo uma preguiça que nem o chega a ser, porque nem sempre a ocupação é suficiente e, a frescura tem forçosamente de ser apreciada; quando têm de se deslocar ao povoado próximo, fazem ostentação do seu chapéu de couro ornamentado de vaidades estreladas e vestindo uma camisa que cai por sobre as calças e por fora, do tipo da “balalaica”, solta, longa e de bolsos folgados. A entreajuda e a forma característica no vestir fazem dele uma figura mítica na memória sertaneja.

A cobertura vegetal do sertão é dilacerante pelos muitos espinhos da flora, capaz de esfarrapar a roupa dum forasteiro numa marcha de apenas dez minutos. O quipá, o mandacaru a coroa-de-frade, facheiro ou bromélia, provocam mil torturas ao viajante e, quando as linhas de água se tornam em súbito caudal, o passo fica interdito por longo tempo. Logo após as bátegas de chuva tropical eriça-se um manto de penugem verde na “casca” torriscada e fendas dos lajedos.

 

Continua..... (em execução)

O Soba T´chingange

 


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PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:26
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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