Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010
BRASIL E O CANGAÇO . XXIX

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

          O cabra José Baiano

Perfazendo hoje 20 meses deste Blog Kimbolagoa, com 19.600 visitantes saúdo leitores, colaboradores, amigos da kizomba, gente do reino Manikongo e amigos em geral. A saga de Lampião está quase a terminar; em breve visitarei Bom Concelho no estado de Pernambuco e auscultarei as visões distanciadas das passagens de Lampião por ali.

 

Bando de Lampião: o mais ...  O BANDO DE LAMPIÂO 

18 – JOSÉ BAIANO – SUB-TENENTE DE LAMPIÃO

 

O governador do Estado de Sergipe em 7 de Setembro de 1937 e, em Aracaju, dava conta em mensagem da morte do temido bandido José Baiano. Justificando a preocupação da administração pública falava da necessidade de manter os volantes dentro do sertão até o extermínio de todos os meliantes.

Em 30 de Janeiro de 1936, a volante do sargento Saturnino na fazenda de Queribas, município de Porto da Folha, abateu o bandido conhecido por “Pau de Ferro” e em 26 de Maio de 1936, o contingente da Polícia Militar sob o comando do tenente Óscar Pinho, combateu o grupo de José Baiano na fazenda Moreira, no Município de São Paulo. José Baiano veio a morrer por ferimentos nesta contenda.

O Estado de Sergipe gastava então mensalmente dez contos para pagar a oito volantes cujos grupos eram compostos de 15 homens; era um dispêndio vultuoso mas que, vinha dando frutos de sucesso após os combates ao grupo de Mariano na fazenda Caboleiro em 30 de Maio de 1936 sob o comando do sargento António José e, em 20 de Outubro do mesmo ano pelo destacamento de Previdência.

Baiano, tinha a particularidade de levar consigo um ferro de marcar gado com as iniciais de seu nome JB e, marcava as mulheres no rosto, na coxa ou braço conforme os critérios de ocasião.

Entre as mulheres que exibiam as pernas por uso de saias curtas, depois de copular com a peça de caça, como ele dizia, marcava-as com ferro em brasa na coxa; a sua permanente acompanhante tinha as letras JB na fase da cara.

Posso imaginar ir numa montaria rodeado de árvores desgalhadas, vestidas de folhagem amarelecida, ladeando cactos espinhosos imitando candelabros, no ar um cheiro intenso de carne queimada, de repente puxo as rédeas de brocotó meu dócil cavalo cinza com olhos de surucucu; de patas dianteiras retesadas empina as orelhas, abrindo as ventas em sacudidos gestos. Ouvia-se um vozeirão não muito longe e até o cheiro de cachaça se sentia como hálito duma caatinga conspurcada.

Desci da montada e, entre carnaubas de pé resvalando o crocante da areia ressequida vi através do lusco fusco aquele teatro dantesco, uma turba de gente com estapafúrdia vestimenta, longos facões e silhuetas de rifles contornando uns casebres em frente a uma desolada clareira, uns raquíticos pés de mandioca, bananeiras mirradas, uma majestosa mangueira e um cajueiro mais distante envolto em fumaça de churrasco.                                                                                                                                                

Ala que se faz tarde, recuei com todo o jeito entre as manhas mais escuras e pus-me a vilas Diogo que aquilo não era terra de gente. Tinha quatro léguas para chegar a Bom Concelho e entretanto tinha de pernoitar na caatinga calcinada.

Adormeci envolto em apitos de pássaros de mau agoiro saudando a noite como um grito sinistro; adormeci murmurando uma oração, livrai-me de Lampião.

A figura de José Baiano era de alguma imponência; com chapéu de aba larga e espelhos lanternins, enfiado numas calças de zuarte as pernas engrossavam antes de enfiar nas polainas como um polícia montado do Canadá. Levei toda a noite com este sono e sonho intermitente até que o dia descortinou em cantares de “bem-te-vi”

                                                                                                                                            

19 – CANGACEIRISMO MODERNO. 2008

 

Os germes do cangaço não obstante passar meio século após os momentos áureos do banditismo sem controlo, podemos nos dias de hoje tomar contacto com práticas marginais aos sistemas de segurança e justiça; conhecedor do meio físico e social vi o problema como um qualquer cidadão vindo de outras latitudes e os germes do cangaço prosperam por uma ausência quase total da justiça; é justo dizer-se que através da imprensa se nota um forte esforço formativo para mudar a sociedade.

As mudanças sociais são por regra muito lentas e salienta-se notar que o coronelismo foi pouco a pouco sendo substituído por um caciquismo endémico com tentáculos nos representantes legais ao mais alto nível “this is América”, isto é América com todo o seu esplendor latino.

Sertão, terra de candelabros feito cactos, caatinga com gente nascendo a eito e sem jeito, crescendo sem instrução, sem educação, sem justiça social, amulatados em fumaça e cachaça. Ainda é assim ou quase igual, com caciques exploradores de todas as maiores da pobreza, a ignorância, o analfabetismo e a iliteracia.

 

( Continua... Cangaceirismo moderno... XXX)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:07
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

RELOGIO
TEMPO
Weather Forecast | Weather Maps
Maio 2020
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

11
12
13
14
15

18
19
22
23

24
25
26
27
28
29
30



MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
Facebook
Kimbolagoa Lagoa

Criar seu atalho
ARQUIVOS

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

TAGS

todas as tags

LINKS
PESQUISE NESTE BLOG
 
CAIXA MUSICAL
ONDE ESTÁS

Sign by Danasoft - Myspace Layouts and Signs

blogs SAPO
subscrever feeds