Domingo, 22 de Junho de 2008
BRASIL E O CANGAÇO v

BRASIL – A saga do cangaço ( continuação...V )

Camangula e Capoeira

 

 No sertão quem não se vinga, está moralmente morto; é honroso defender o bom-nome da família e usar de todos os meios para suprir as carências da seca (foi Deus que mandou a seca, é Deus que legitima a sobrevivência).

Os principais cangaceiros (com destaque na sociedade), foram:

- Lucas da Feira; Sinhõ Pereira; Virgulino Ferreira, vulgo “capitão” Lampião; António Ferreira, irmão de Lampião; Casimiro Honório; Corisco; Basílio Quitude Ferraz; Mansidão; Vinte e Cinco; Quinta-feira; Moita Brava (português);  Medalha; Relâmpago; Corrupio; Jararaca; Jacaré; Caixa de Fósforo; Balão; O Vassoura; Deus-te-Guie; Bom Deveras; O Moderno; O Gato;  O Vinte e Dois; Zé Baiano “ o ferrador”; Meia Noite; Francelino “ o português”e Bem-te-vi

Foi o escritor Gustavo Barroso quem deu a conhecer esta ética Sertaneja, como bom conhecedor deste extracto social muito particular do Brasil Republicano.

Estudos sociais de Mário Cascudo e Mário Marroquim, referem-se àqueles brasileiros como sendo do tempo de Gil Vicente, usando o dialecto galaico com pitorescos modismos arcaicos de uma semântica micro geográfica; entendiam-se num linguajar oriundo do clássico português. Hoje, ainda se  pode ouvir nas Beiras, Castelo Branco e Guarda as espressões tais como: para onde ides, que fazeis, aonde estais, vomecê, etc.

Cabe aqui intercalar uma curiosidade: - Basílio Quitude Ferraz, natural de Flores, do estado de Pernambuco, de pedantismo, adopta o nome de guerra Basílio, Arquiduque Bispo de Lorena, vá-se lá saber porquê. Talvez fazendo homenagem ao santo do dia do seu nascimento, conforme sugere Alfredo de Carvalho, executor do almanaque de Pernambuco; este almanaque refere também que Corisco confirmou ter à sua conta noventa e três mortes. 

Havia quatro regras básicas de subsistência na caatinga para continuarem vivos, a saber:

      1ª - Não digas tudo o que sabes

      2ª - Não digas tudo de quanto possuis

      3ª - Não fales tudo do que vês

      4ª - Não fales tudo do que ouves

 

Um versejador repentista de nome Manuel Clementino Leite, do sertão paraíbano, relembra a figura de “valentão” da seguinte forma:

 

Desde o princípio do mundo

Que há homem valentão

Um Golias, um David

Carlos Magno, um Roldão

Um Oliveira, um Jacob

Um Josué, um Sanção

Eu não chamo valentão

A cangaceiro vagabundo

Que quer ser um Deus na terra

Um primeiro sem segundo

Que vive crimes de guerra

E ofender a todo o mundo 

Só se esconde o valentão

Que vive com o pé na lama

José António do Fechado

Morreu em cima da cama

Brigou, matou muita gente,

Morreu mas, ficou a fama.

 

No Recife, a capangagem urbana tinha características de capoeira, modalidade mais ágil que acompanhada por música de fanfarra ou simples berimbau, formado de um simples fio, uma cabaça e um pau, era motivo de concentração de gente predisposta ao alvoroço; havia uma festa religiosa ou comício dum partido e, lá estava a turma da capoeira à frente, gingando piruetas, soltando agudos assobios, mandando pilhérias ou provocações ao lado oposto, até que corria sangue no terreiro, largo ou rua.

Os moleques da música, juntos com os capoeiristas carregados de cachaça, iam para o xelindró com os seus porretes até que a parte política mais poderosa intercedia ordenando soltura ao delegado doutor.

Esta turba de povo além da capoeira, e bem à maneira de Angola por consequência dos muitos escravos vindos dali, empregavam outros golpes, que na gíria rufia dos musseques de Luanda tinham os nomes de bassula, camangula, finta ou esquindiva; a bassula era a forma de luta dos pescadores da ilha de Luanda, enquanto a camangula era praticada pelos “fiotes” de Cabinda ou Lândana. Em realidade foi a partir da camangula que surgiram as outras variedades, no entanto, a capoeira assumiu maior relevância.

Enquanto no Brasil a animação era fortemente carregada de cachaça, em Angola animavam-se bebendo milho fermentado que originava o kimbombo, T´chissângua ou o vinho marufo ou malavo, extraído da palmeira ou cassoneira. No planalto central de Angola usavam fazer do massango ou massambala a bolunga.

No Brasil, aqueles figurões capoeiristas do tempo, tinham entre eles os “brabos” que faziam serviços especiais com a impunidade da alta-roda; altaneiros no trato, astutos e robustos, obtinham favores, empregos e regalias, cruzando jogos do poder, atiçando vontades pela calada e na ponta do facão; quando assim não o era, um sorrateiro deslize sucedia com sangue num virar da esquina.

 

Continua..... (em execução)

O Soba T´chingange

 


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PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:59
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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