Terça-feira, 20 de Abril de 2010
MULUNGU - XI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“IMBONDEIRO – o nosso simbolo”

IMBONDEIRO

Os imbondeiros, baobás, ou caladaceiras são um gênero de árvore com oito espécimes nativas da Ilha de Madagáscar que contêm seis das oito espécimes do continente africano, tendo a Austrália uma daquelas espécimes.

Estas árvores alcançam a altura entre cinco a vinte e cinco metros podendo ir até aos trinta metros e ter entre sete a onze metros de diâmetro no tronco junto ao solo. Destacam-se no meio de zonas áridas com vegetação de anhara africana a envolvê-los. São também conhecidas por árvore garrafa porque em seu tronco fibroso armazenam água, podendo atingir até mais de 10.000 litros.

Em muitos lugares de África as associações cívicas destacam o imbondeiro como um lugar nobre para decidirem em assembléia coisas do povo, fazer de tribunal ou lugar de peregrinação e, ou veneração a um dos muitos deuses de origem bantu N´Zambi mas, também são usados como ponto de encontro de gente dada à macumba. Algumas árvores são afamadas por terem muita idade, mas, pelo facto de estas não terem anéis de formação, torna-se impossível dizer com certeza científica a sua idade.

Fruto Múcua

O imbondeiro sendo a árvore nacional de Madagáscar e o emblema nacional do Senegal é emblemático para o resto de países da África Austral tendo entre estes, Angola e Moçambique.

O Kimbo faz homenagem a esta árvore estando presente em suas assembléias e momentos altos, através de seu fruto “a múcua” perpetuando a mística que o envolve. Tem o nome cientifico de Adansonia em homenagem a Michael Adanson o primeiro botânico a descrevê-lo.

Em Moçambique o baobá tem o nome de malambe e, seu fruto múcua é referido como cura para o paludismo. Os navegantes portugueses em 1445 ao chegarem à ilha de Gore´ no Senegal riscaram o brasão do Infante D. Henrique “o navegador” tendo nesse então o cronista Gomes Eanes de Zurara descrito a árvore referindo ser o seu tronco composto de uma fibra forte usada para fazer libongos (pano) e cordas; referindo-se ao fruto viu-o semelhante à abóbora. Em alguns lugares de Angola e Moçambique, o imbondeiro é escavado servindo para fazer de cisterna comunitária, cozinha, alpendre ou garagem.

Flor

No Brasil, pode encontrar-se espécimes de imbondeiro em Pernambuco, mais propriamente em Recife num total de 16 catalogados; destes, os mais visitados são os que estão situados na Praça da República e no Sítio do Pai Adão tendo este mais de cem anos e, um tronco com mais de 10 metros de diâmetro.  Na Vila de Nossa Senhora do Ò (Ipojuca), há um imbondeiro com mais de 350 anos. Todas estas árvores foram transladadas por padres das várias ordens religiosas ou missionários que subtilmente as veneravam juntando rezas à mística escrava; A partir de 1800, aí se encontravam os anti-esclavagistas para dissertar sobre a crueldade e desumanidade da sociedade, no trato aos negros, sublevando a consciência de novos partidários.

Semente

No Brasil existem mais exemplares, a saber:- No Rio Grande do Norte, Natal, Nísia floresta e Pedro Velho e Assú (11 baobás com 400 anos) estando em processo de serem considerados patrimônios históricos. No estado do Rio-de-Janeiro existem exemplares no Passeio Público, Jardim Botânico na Lagoa Rodrigo de Freitas, Museu e Fazenda de Quissamá e na Ilha de Paquetá. Em Alagoas há um exemplar na Praça do Skate perto da Ponta Verde de Maceió.  No Ceará, Fortaleza há um exemplar na Praça do Passeio Público aonde foram fuzilados alguns revolucionários da Confederação do Equador. Também aqui deveria ser preservado ou como se diz no Brasil tombado como árvore histórica. Em Belém do Pará existe um belo exemplar junto à sede do Governo.


Muitas estórias, contos e romances têm usado o imbondeiro como fonte de inspiração destacando-se os hodiernos escritores Mia Couto de Moçambique, Pepetela. José Agualuza e Luandino Vieira em Angola. O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry narra coisas doutras galáxias referindo uma nave asteróide infestada de sementes de Imbondeiro e brotos que podava como se barbeasse um ser humano.

O Soba do Kimbo, referindo o lado mistico supersticioso do povo, seus feiticeiros e kimbandas, em Agosto de 2009 escreveu um mussendo (crónica genealógica) dos espíritos em Pambu N´jila*:- O N´Kondi também recorre ao imbondeiro chamado de N´kondo Ikuta M´vunbi espetando nele o prego; assim a vítima morrerá inchada como a árvore garrafa, o baobá.”


* Pambu N´jila: Lugar propício à prática de feitiço, encruzilhada de miondonas (espíritos tutelares).


Da lavra do,

Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:18
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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