Quinta-feira, 24 de Junho de 2010
CAZUMBI . I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “O Rosa morreu!” 

 

O Vermelhão….O diabo feito gente

 

O ilustre canalha morreu. Não o vi deitado no caixão com flores de plástico a contornar-lhe o semblante em almofada de setim. Não,…as flores não eram de plástico, tinha devotos amigos que lhe deram rosas verdadeiras e muitos cravos; todo ele ali rectiliniamente gelado era uma múmificada rosa. Antes ele que eu, mil e uma vez sussurravam em surdina seus amigos do ancestro passado, oferecendo pêsames no seu velório. Não sei se no sermão de sua alma o padre que imagino um  fleumático encarquilhado comuna  construiu um conto de terror borrifado de fantasmas escarnecendo-lhe o toutiço, encarquilhando-lhe a carcaça extraida por uma nefasta vingança.

Soube pela Internet que essa quietude mística da noite feita morte lhe bateu à porta.

Já não é necessário assassinar o malvado; defuntou-se condenado em sonhos agitados, cheio de muitos frios viscosos bebidos ao último suspiro do raciocínio infiel. Infiel,…creio que sempre o foi e, nos quintos do inferno vai ter que sofrer  a prolongada dança que geriu a sua vida de terror.

 

 Angola . do outro lado do tempo

A morte do Rosa não me impressionou, foi a naturalidade mais natural que lhe aconteceu; dessas mortes que se querem para sempre sem reencarnação ou roubo de identidade.

Atormenta-me um pouco, só um pouco ser tão indiferente à morte, mas esta não é a morte dum qualquer, … é dum filho da peste que só causou dissabores a tantos portugueses e angolanos.

Os fantasmas erguer-se-ão dos sarcófagos para lhe dar uma surra, lá no outro lado das trevas e deus me livre e guarde de vir a encontrá-lo numa qualquer esquina do futuro; não se livrará da minha catanada sem lamentos postumos, nem festejos de compaixão. Por agora vou enrolá-lo num charuto cubano, picá-lo com um palito, trincá-lo e fumá-lo até o o toco findar e o ronco de voz me queimar os lábios.

Em tempo algum escrevi algo tão cruel, mas safei-me do compromisso voluntário de lhe dar um tiro nos cornos.

O almirante vermelho morreu.

Deus é perfeito, a cada um destina a sua hora mas, que me desculpe, deu um relógio estragado áquele filho da peste.

 

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:08
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1 comentário:
De CONDE DO GRAFANIL a 24 de Junho de 2010 às 18:39
QUERO DAR OS PARABENS AO SOBA, ESTA VEM MERECIDA E SOMENTE QUERO ACRESCENTAR, QUE DEUS LHE DÊ O TRIPLO DO QUE ELE MERECE.


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