Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010
KALUKEMBE . III

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Moçâmedes e os Chicoronhos”

Carros Boéres em Moçamedes

Os primeiros colonos Luso-brasileiros  de Pernambuco chegados a Angra dos Negros na foz do rio Bero a 4 de Agosto de 1849, fundam Moçâmedes relacionado-se desde logo com o gentio daquela região chamados de Kuvale  e estendem as suas relações aos Kuanhocas, Cuepes e os Cuíssi com quem intercâmbiam vivências.

Os madeirenses chegam ali passados 36 anos, já no meio de muita agitação por parte dos países fortes da Europa liderados por Bismark, que  nesse então já ali punham  seus olhos cobiçosos, sua prepotência e apetência. Seguindo o eixo colonizador Namibe, Lubango e S. Pedro de Chibia estes madeirenses em breve iriam seguir viagem a juntar-se à colónia de Boéres já bivacados em Oluvango.

Convém aqui recordar que o rio mais a Sul chamado de Cunene, inicialmente foi tomado como sendo o grande Zambeze; da costa Atlântica não se via a sua foz e, Diogo Cão, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama não chegaram a dar indicações precisas aos vindouros; O Cunene junto à foz, perdia-se nas areias do Namibe (Costa dos esqueletos) formando lagoas aonde o boi cavalo, hipopótamo, procriavam sem grande altercação; era vê-los aos montes como pedras, entre a vegetação de mangue e caniços.

Botelho de Vasconcelos, governador de Benguela descreveu em 1779, que o rio Cunene nascia no Huambo, passava por Caconda e Quilengues e que se metia em Cabo Negro com muitas trombas (rias) mas, foi só em 1851 através dum tal Galton, de Ondângua, na Namíbia, que se consegue chegar ao conhecimento com descrições ao pormenor em que o grande rio, depois de desaparecer num espaço de terra arenosa naquela grande lagoa, um quase estuário feito pantanal seguia para o mar.


O Rio Cunene… curso e quedas do Ruacaná

Por alturas de 1880, ainda andavam desbravando terras e, no mapa de então, havia suposições que originaram erros grosseiros. A pressa de afirmar “isto é nosso”, levou a que os Portugueses reivindicassem o Mapa cor de Rosa pois que, aquele suposto rio Zambeze ia desaguar ao Índico, em Moçambique, paragens já habitadas e creditadas à Coroa  Portuguesa.

Os rios Cuando e Cubango, (Okavango) também foram objecto de confusão pois que, não desaguavam no mar;  iam ter a um  grande  e disperso lago, que se veio a chamar, o Delta do Okavango, só que, nesse tempo julgavam que era um permanente afluente do Zambeze.

As dificuldades em manter este mapa pelos novos sertanejos, veio a resultar em cobiças que, sem fundamento, criaram dificuldades diplomáticas em desencontros entre os pontos de vista portugueses e os novos países emergentes entre os quais a Alemanha e Inglaterra. Contra todos os critérios de ocupação a Conferência de Berlim realizada a 26 de Fevereiro de 1885 veda a Portugal o direito histórico a não permanecer para além das fronteiras ali definidass  obrigando-o a prescindir da exclusiva navegação nos rios Zaire, Zambeze e Rovuma.


A Conferência de Berlim e o  mapa de cor de rosa  em  1885


Com o forte empenho de Bismark da já então nacionalista Alemanha, decidiu-se o que era de quem em África a régua e esquadro. A Portugal é-lhe atribuido ficar com a faixa ligando Angola a Moçambique mas,  os grandiosos planos de Cecil Rhodes que tinha em mente estabelecer um império Britânico do Cabo ao Cairo dão azo a muita turbulência politica. O sonho português ligando aqueles territórios chamado de Mapa côr-de-rosa era contrário ao sonho dos Ingleses, aliados de longa data.

Discordando do já convencionado, os amigos Ingleses lançam um ultimato vexatório a Portugal no ano de 1890 para que abandonassem tal pretensão.  Paiva Couceiro que tinha sido incumbido de reconhecer a região Barotze (Zâmbia e Zimbabwé) foi impedido a continuar aquela exploração dando cumprimento ao tal ultimatum. Quem tem amigos assim, nem necessita de inimigos; a partir daqui ficou sempre uma nódoa que se aviva sempre  nas questões de soberania e, assim a 11 de Junho de 1891, Portugal cede às imposições Britânicas. Portugal, por incúria impregnada de medo, no reinado de D. Carlos I, não faz respeitar o convénio Luso Alemão firmado em 1886 retirando-se fragilizado.


Bibliografia: A colonização de Angola, de F. Cerviño Padrão; A questão Cuanhama, 1906, de Major Eduardo Costa; Chicoronho de Jorge Kalukembe; Web Google.

(…Continua)

O Soba T`Chingange



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