Terça-feira, 19 de Outubro de 2010
KALUKEMBE . IV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO  

“Os Chicoronhos”

 CRISTO REI . LUBANGO

 Depois de galgar a serra da Chela em carros Boéres de 12 ou mais juntas de bois, os mais de 200 madeirenses dirigidos por José Leme assentam num lugar de Oluvango que passou a ser referenciado como “os barracões”. Oluvango, que em dialecto N´haneca quer dizer o lugar da decisão, na pronúncia das novas gentes foi progressivamente sendo designado de Lubango. Estas terras férteis, além do rio Oluvango, têm os rios Mapunda e Macúfi que irrigam aquele alti-planalto. E, foi aqui, em quatro barracões que albergaram a primeira e segunda leva de colonos respectivamente no Natal de 1884 e 18 de Janeiro de 1885.

Pode calcular-se que este começo promíscuo desgostou-os mas, habituados à dureza de vida na sua ilha, tudo suportaram com abnegação; afinal aquele espaço era verde como o seu pedaço de terra natal e todo o começo, como um parto, tem as suas dificuldades. Em homenagem ao Visconde de Sá da Bandeira D. José da Câmara Leme atribui seu nome àquele lugar que assim ficou designado oficialmente.

A anexação da República do Transval pelos Ingleses originou a que os já mencionados Boéres chefiados por Jacobus Frederik Botha tomassem assento em Ompata (Umpata), terra de origem Muila (Huila), por um acordo feito com o Visconde S. Januário, ministro da Marinha e Ultramar de Portugal.

Estes Boéres, Huguenotes oriundos da Holanda, pouco a pouco foram tomando relações com os novos colonos que em sua língua atrapalhada referiam como sendo os “Otyicolonyas”; diga-se em verdade que havia frequentemente desavenças entre os Boéres de S. Januário e os “Ochicolonos” de Sá da Bandeira levando Artur de Paiva a mediar as contendas de rivalidade. As vivências, cultura e tradições de ambos, eram bem divergentes, por isso causadoras de muitos atritos; nada que atrapalhasse o fundamento dos colonatos.

 

 SENHORA DO MONTE 

A primeira divisão de terras foi feita por quarteirões de um hectare de superfície, comportando cada um, dez casais.

Em Agosto de 1885 chega uma terceira leva de Chicoronhos à colónia de Sá da Bandeira, momento em que se nota já uma certa dispersão das gentes, na procura de locais mais de acordo com seus anseios e, enquanto uns descem para a Chibia, outros sobem para o planalto do Huambo, em Caconda e Kalukembe e outros mais se juntam a estes estabelecendo-se.

Por esta altura as coisas da administração Portuguesa corriam tão mal que levaram o Coronel Maria Coelho a ter a seguinte afirmação: -“Desgraçadamente as nossas coisas em Angola são uma miséria, tal faz desesperar,....parece que o luxo da nossa administração consiste em acumular loucuras sobre loucuras,... O desleixo cobre-se de incúria em palavras redundantes e, sem sentido,...” Para além da administração dos colonatos era imperioso mandar expedicionários militares para garantirem protecção e sucesso nas medidas e regulamentação na ocupação. Eram anos de defender soberania da cobiça; cobiça que veio a prevalecer na Conferência de Berlim.

Na posse de territórios em África pela Conferência de Berlim, muitas mentiras passam a verdades em posturas diplomáticas. A fortaleza de uns definha em covardia a braveza Lusa de tempos idos; um exemplo notório é o de que 292 anos antes de Stanley ter descrito as cataratas do Congo, já Duarte Lopes o tinha feito e, não obstante a evidência, a conferência de Berlim em 1885 deu aquele território ao rei Belga para governar. O Zambeze conhecido, desde a Lunda até muito para além das cataratas Vitória, por Silva Porto; o seu reconhecimento foi dado, não a este, mas a Livingstone.

E, não é tudo,... Na costa Namibiana, Luderitz tomou posse de toda a Damaralândia num jogo sujo da ditatorial diplomacia de Bismark, o líder alemão que fazia crer aos Portugueses não estar interessado naquelas terras. Repticiamente fazia-nos a vida negra armando o soba (rei) Mandume, o tal chefe Ovambo que deu muita luta para a tomada de posse daquela fronteira sul de Angola, ligando o Cunene ao Cubango.

 

Bibliografia: A colonização de Angola, de F. Cerviño Padrão; A questão Cuanhama, 1906, de Major Eduardo Costa; Chicoronho de Jorge Kalukembe; Web Google.

 

(…Continua)

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:33
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