Sábado, 12 de Fevereiro de 2011
MUJIMBO . VI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Vidas periféricas . PARAGUAÇU.II”


ZECA . O MATADOR DO SERTÃO

Pelas varandas do povo de Sucupira viam-se prostrados velhos, giboiando em suas redes, imundos corpos sem dignificar a resplandecente glória da alma num eterno céu. Qual é o pároco ou governante que em função disto, não fica preocupado, um verdadeiro atentado ao natural percurso da vida sem post-scriptum. As coisa, a continuar assim, Odorico pressionado pelo governo central despendendo altas verbas aos aposentados perenes, via-se na contingência de fixar uma idade para ter morte obrigatória; talvez oitenta, talvez noventa. Haveria que expôr em assembleia tal drástica medida em função da condição de se ficar sempiternamente vivo. Odorico saturado de tanta salubridade, puxava do seu charuto Romeu-e-julieta, ia até à varanda receber o fresco ar da lagoa e desabafar sozinhado: -Não estou para sustentar burros a pão-de-ló. Haveria que contratar no sertão um matuto matador que defuntasse uns quantos impertinentes filhos da peste, velhotes com cupim nos ossos, gozando de vigência plena e recebendo incomportáveis verbas em apólices de seguros.

FILHOS DA PESTE

Estes felizes segurados ou se tornavam mortos virtualmente por força da lei a criar ou a qualquer pretexto seriam mandados para os quintos dos infernos por um matador oficialmente deplorado. Está feito! Chamarei o Zeca Diabo lá dos cafundós e torná-lo-ei no justiceiro dos desinfelizes, talqualmente. Este povo está a ficar muito esperto, aprendeu a filosofar a morte manipulando a justiça divina: aprenderam o caminho de enganar a morte, uma manifestação de invertida capacidade da espécie humana. Filhos-duma-égua, para mal dos meus pecados.

 

CACTOS COROA DE FRADE . BR

Transtornado de todo, Odorico falava com as paredes nos intervalos de atendimento aos seus três amores e, até dissertava coisas nunca ouvistas: - Os erros da humanidade, sendo às vezes de somenos importância têm repercussões negativas no evoluir da sociedade. Em tempo muito antigo tudo era copiado à mão e o clero mantinha esse exclusivo do conhecimento e daí, numa operação de cópia, um monge copista ao passar a limpo os requisitos para se ser padre, escreveu no lugar de “permanência” a palavra de “abstinência”.

É por aquele erro que a igreja mantém seus pastores coarctados de proporcionar vida às transparências; uma decadente atitude que perdura. Tudo isto era referido a uma das suas três amadas cajazeiras com a máxima eloquência, uma forma de praticar ao vivo seus discursos palestrais. Odorico um certo dia acordou resplandecendo ideias novas; têm de haver aqui tráfico clandestino de doentes terminais, alguém está a fechar os olhos a este despropósito. Mande vir o Zeca Diabo! Disse ao seu secretário Dirceu Borboleta. O secretário com seu jeito sossegado no falar engasgou-se no acto e deu andamento ao despacho, proceda-se em conformidade.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:07
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