Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
PORTUGAL NO SEU MELHOR

                                             

 

              

 

                                                          OS AÇOREANOS E NÓS

Os Açoreanos, estão a ser mais arrojados que nós, os Kizombeiros do Kimbolagoa; querem pelos vistos passar a perna ao presidente da República e perpetuarem maior autonomia do que a própria Assembleia Nacional.

A ASSEMBLEIA DO TAMBORIL

Como o nosso lema é o de estar em bem com todos, votamos na autonomia da 10ª Ilha dos Açores mais conhecida por Florianópolis; isto se Lula o permitir, claro!

Mas, o meu chamado de atenção para esta bagunça politiqueira é darem melhor atenção ao kimbo de Lagoa que é uma instituição isenta de preconceitos, senhores de uma só raça e com credos sem amarras;.

Os nossos estatutos, a nossa bandeira, o nosso Hino à vida, é a verdadeira força motora para dizermos presente, com o nosso mais próximo.

Temos um novo membro que tomou posse com o kognome de M´bika Kaputo no dia 29 de Julho. Para o efeito e, seguindo os preceitos regulamentares ofertou em gazosa o almoço de vínculo, saudando  todos os presentes com o pilão manguito da bolunga.

Candeias, neste dia perdeu o título de senhor passando a ser referênciado por simplesmente "O Kaputo". Não foi observado pelo nosso Veterinário por ter sofrido agruras externas ao Kimbo e, assim foi dispensado da verificação dos cascos com ou sem matacanha e dos dentes; foi uma excepção a ser banida.

A esta assembleia falhou o nosso Duque Swinguista do Maculussú e seus pares de pulas  pulguentos que vacinaram o agora M´bika Kaputo contra todas as febres de malária e febre aftosa; esta actitude à revelia do soba T´hingange foi vivamente criticada com um viró-viró apaziguador por toda a nobreza e o Exmo Comendador da Ordem da Roda Dentada e petinga dos Vales Dél Rei.

O Exmo Visconde do Mussulú, entregou as suas insígias de Embaixador Itenerante do Reino de Manikongo ao Soba regressado das terras de Vera Cruz  a saber, Chocalho de Vaca, Fossil de Zimbo, canudo do Reino com lacre oficial e Jindungo de guzu . Foi parco nas palavras mas crucial no gesto! Bem haja!

Presentes: - Komando Camundongo HN, Visconde do Mussulú, Os  Rábulas Fuca Fuca e Jamba, M´Bika Kaputo, Homem Rico dos pneus Makambira, O Cipaio-Mor N´Dalatando, O Conde do Grafanil e o Exmo Comendador  dos Vales Dél rei.

 

O Soba T´chingange

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:03
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ANGOLA . NAMIBE - Como tudo começou

                    

                         NAMIBE - N´DIGIVA               

                         Como tudo começou – 2ª parte

O agressivo Calahári tinha sido penosamente atravessado por aquela gente; o mesmo deserto que, a norte do Cunene, só destoa quando se sobe a serra da Chela ou Umpata e, foi aqui neste vasto planalto, que a actual cidade do Lubango se desenrolou e desenvolveu.
Foi um agitado progresso até aos dias de hoje, e é pena que os novos donos não reconheçam valor aos seus construtores. O liceu Diogo Cão passou a ter o nome do soba Mandume, um tirano corta cabeças; não fosse o sangue derramado pelos expedicionários e a fronteira actual até ao Lubango pertenceria à Namíbia.
Mandume, que mandou matar a sua própria ama, aliou-se aos Alemães por alturas da segunda guerra mundial tendo sido derrotado em Môngua por Pereira D´eça.
Após a derrota da Môngua, Mandumbe, o chefe dos Ovambos, fugiu para Ot´xakati tendo acabado por morrer combatendo em E´hole, lugar hoje conhecido por Namacunde; suicidou-se com um tiro junto a uma newa mas, só após ter morto um dos seus guerreiros, para ser seu serviçal no outro mundo.
Em Agosto de 1885, desembarcam do vapor “Índia” em Moçamedes 349 madeirenses que seguem o eixo colonizador Namibe, Lubango e S. Pedro de Chibia.
Lubango, a 26 de Dezembro de 1889 é elevada a cidade e sede de Concelho.
A história da Angola actual, não pode escamotear ou omitir a verdade com infundamentadas teorias; não pode desprezar toda essa gente que engrandeceu uma terra, definiu fronteiras e derramou sangue para que tivesse a configuração do país que é hoje. Apear Alves Roçadas, Norton de Matos, Paiva Couceiro, Artur de Paiva e tantos outros da história, é uma injustiça.
Houve no decorrer de toda a colonização administradores déspotas, corruptos e maus gestores mas, outros houve que longe de tudo, sofreram na pele agruras que o diabo nem sabe; o espírito de missão de alguns foi tão longe, que mereceram lá aonde quer que fosse, apego da população.
O chefe do longínquo posto do Dirico, teve de fazer das portas de sua casa o caixão para sua defunta mulher; sem assistência médica, nem mobilidade capaz, lá no cu do mundo, zelava pela soberania de uma terra que agora é Angola.
Eu também pertenço a essa leva de gente, branco de segunda duma Chibia, Qui'hita, T´chiapepe, Chicusse, Ca´hama, Humbe; todos juntos fazemos “a lenda do Cuamato” e ainda vamos visitar o tal soba na base da tal newa porque fez história.
Mas, agora, só somos caputos

À atenção de: Governantes de Angola, em particular o Sr. 1º Ministro, Fernando Dias dos Santos.
Bibliografia: A colonização de Angola, de F. Cerviño Padrão; A questão Cuanhama, 1906, de Major Eduardo Costa

Glossário - palavras sublinhadas: Newa - árvore de grande porte que se confunde com o embondeiro; Caputo – gente do Puto; de Portugal.
( continua...3ª parte)
O Soba T´chingange
 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:10
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2008
CHEGADA DO GRANDE SOBA T`CHINGANGE

   

 

    O SOBA chegou ao Kimbo.

 

    Hoje dia 25-07-08 o GRANDE SOBA T `CHINGANGE honrou o KIMBO DE LAGOA com o Sua presença, num almoço festivo das 54 primaveras do Kizombeiro MARQUÊS SUINGUISTA, PARABÉNS.

 

    Chegado das Terras longínquas das Américas do Sul nunca se esqueceu do KIMBO DE LAGOA sempre em contacto com os seus Súbditos. Hoje tocou-se ao rebate pelo que 99% dos KIZOMBEIROS compareceram.

 

    Como EMBAIXADOR ITENERANTE a partir da próxima terça-feira dia 29-07-08, passarei a ocupar o meu lugar no KIMBO como VISCONDE DO MUSSULO, pelo que, nesse dia teremos a passagem para o GRANDE SOBA.

 

    Será um dia importante marcada com a presença de alguns futuros candidatos a KIZOMBEIROS, sendo assim, já foi contactado o Veterinário para verificação de dentes e cascos para aprovação no ingresso destes novos elementos, o que muito nos Honra.

 

    De salientar a disponibilidade do KIZOMBEIRO CONDE DO GRAFANIL que mais uma vez nos acolheu com simpatia na sua Cubata, como tem vindo a ser hábito.

 

 

                                                                   O VISCONDE DO MUSSULO

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:41
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Quinta-feira, 24 de Julho de 2008
ROTARY CLUB LAGOA - Passagem de Testemunho

   

 

    Aconteceu no dia 11-07-08 sexta-feira um convívio solene dos ROTARY CLUB DE LAGOA -ALGARVE (passagem de testemunho).

 

    Após um ano como Presidente do ROTARY CLUBE DE LAGOA o nosso Companheiro CONDE DO GRAFANIL passou o testemunho da Presidência a outro nosso Companheiro o “FUCA-FUCA”. O digno acontecimento teve lugar no Hotel Tivoli em Carvoeiro, com a presença de vários ilustres.

 

    Está de parabéns o CONDE DO GRAFANIL e seu CONSELHO DIRECTIVO pelo empenho e dedicação a várias causas do foro Humanitário, conseguiram realizar o sonho de algumas pessoas que, sem a ajuda destes Companheiros, não seria possível.

 

    Este Ano 2008 foi escolhido pelo ROTARY INTERNACIONAL com o lema ”REALIZEMOS OS SONHOS” especialmente dirigidos às crianças (jovens). Sem dúvida que o nosso Companheiro CONDE DO GRAFANIL e seu CONSELHO DIRECTIVO fecharam a presidência com chave de OURO, atribuindo várias BOLSAS DE ESTUDO a Jovens do CONCELHO de LAGOA.

 

    Muito mais fica por dizer, acrescentando que o Ex-Presidente CONDE DO GRAFANIL recebeu diploma de Honra ao Mérito do ROTARY INTERNACIONAL e do GOVERNADOR do Distrito, BEM HAJAM.

 

    Uma palavra de Coragem para o actual Presidente e o seu Conselho Directivo, “Companheiro FUCA-FUCA concretize e ajude a concretizar o Sonho daqueles que ainda acreditam”.

 

 

                                             O  VISCONDE  DO  MUSSULO



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:10
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2008
Moçambique

 

 

 

 

 

                                  

                                         por terras de LIMPOPO

                                         Xipefo na Gorongosa

Roça Boa Esperança

Respirando a noite em calções de caqui, o bafo quente de África contorcia-me a mente como num remoinho de orgasmo. O encanto do mato, seus cheiros e ruídos, em África, são tão especiais que ofuscam a mente com espíritos.

As vozes rugosas entrecortadas com choros de hiena e latidos de mabecos arrepiavam ao cair da noite; sem pálpebras no olhar o escuro da Gorongosa era mais inebriante   que qualquer outro; a chuva miudinha fazia levantar um aroma extasiante, a luz difusa do xipefo tracejava ondulante cacimbo além do mato cerrado. A cagufa para lá desses matos latejava-me nas temporas amargando a boca de gosto rançoso de guerra.

 Como um porco facochero o negro turra da Renamo esburacado de balas mantinha-se em pé; largou a arma e, segurando as tripas escuras desatou a correr até perfurar o embondeiro, esfumou-se na árvore como se fosse feito de sombra. Nunca pude entender tamanha sublimação daquele negro e naquela árvore gorda de pernadas ao ar, de dedos disformes.

Aquele embondeiro era de guardar respeito e medo.

Ele, o negro, estava agora alí como um alien fosforecendo presença na luz do xipefo feito um fantasmagórico  olograma relembrando a guerra de entre o Zambeze e o Save.

As luzes do jeep viam-se ao longe e, o ruido rouco do motor com altos e baixos invadia a quieta mata; Caputo chegou batendo com o chapéu no joelho levantando o pó da picada. Com um gesto rasgado de amizade saudou-me enquanto lançava ordens ao cozinheiro para retirar as biquátas trazidas do Inhassoro.

M´pumalanga do Nascimento, ruminou umas palavras ao seu ajudante Xinguço de Nada para levar primeiro as coisas de comer, depois o querozene para o ximbeco do armazém. Este nome do sub-auxiliar é desconcertante pois que é Xinguço por parte de mãe e de Nada por parte do pai que desconhcia completamente.

Caputo trazia novas do China embalsemador; apresentou-me a cabeça de Pacaça devidamente empalada com seus cornos grossos e foi dizendo que para terminar a obra do Cudu necessitava duns quantos miticais, porque tinha de comprar produtos lá no Maputo.

Eu e Caputo ficamos ali um tempo estirando preguiça, bebendo umas laurentinas e trincando jinguba da ilha de Bazaruto.

Depois de jantarmos bife de Olongue com jindungo bravo, deitamos um pouco de conversa fora e cada qual se escanchou em seu colchão de suma-uma; tinhamo-nos de levantar cedo pois que ambos iriamos ao Chimoio levar o motor de arranque da GMC, à estação dos caminhos de ferro; aturar o chato do chefe Simões e, continuar viagem para o Zimbabwe do Mugabe.

O velho tira cabaços Xafundanga, aposentado da roça, seguiu conosco para ir ao médico. Tinha um inchaço anormal nas partes e não podia deixar-se cair em descrédito.

O Soba T´chingange  

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:39
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PORTUGAL NO MUNDO . I

 

      A GLOBALIDADE  ACTUAL

      e a comparticipação portuguesa . 2ª Parte

 

 

Nesse heróico arrojo, originando baptismos de continentes, os Portugueses anunciaram o advento da globalização que, no dizer do cronista Vespúcio, eram novos encontros com jogos macabros em que se misturavam o animal homem e anjos enlouquecidos.

Como um paraíso destituído de regras os navegantes misturavam-se com a infância, lambuzavam-se de sexo entre seios rijos, coxas fartas e corpos ardentes de desejo.

As primeiras descrições de Vespúcio da chegada às Américas, por ser tão louco ou de alucinante visão, originou um espanto incrédulo por toda a Europa. Sem regra, os índios entregavam-se ao gozo sem freios “ o filho copulava com a mãe, o irmão com a irmã, o primo com a prima”.

Saltam corpos humanos das descrições, deflagrando num jogo de sombras, verdades e mentiras promíscuas em conceitos e preconceitos. Ora em orgia, ora despedaçados, pendentes nos caibros das asnas, vêm-se coxas e nádegas ardendo ao fogo , assadas, cozidas ou defumadas.

Estas descrições, em cartas tão cheias de imaginação eram fruto das conversas entre marinheiros em paragens por Cabo Verde, sempre espionados por agentes de negociantes que tudo queriam saber.

Esses “Novus Mundus” eram guardados com muito sigilo pois que estava em causa o caminho marítimo para a India.

No ano de 1556 deu-se um naufrágio junto à costa do Nordeste Brasileiro. D. Pêro Fernando Sardinha, elevado a primeiro bispo do Brasil po D. João III, ia nessa nau e, tendo-se salvado com uma grande parte da tripulação, acabaram por ser todos devorados pelos índios quando deram à costa, no meio de grande festança.

O Infante D. Henrique, 3º filho do rei D. João I, tendo sido designado “o navegador”, foi decisivo na acção, de marear sem contudo saber desfraldar uma vela; foi o pensamento expansionista que lhe deu prestigio.

 De forma inusitada, podemos hoje dizer que “fomos ricos” com algum orgulho, pois que nos serve de sustento ao contentamento.

Aqui  neste barco com a quilha em Sagres ficamos inchados de peito. Daquele império fisico, é tudo quanto nos resta!

 

                 O soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:38
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2008
NAMIBE - Como tudo começou

                               NAMIBE - ANGOLA

                                              Como tudo começou – 1ª parte

 

     Crónica escrita em Água de Pau – Açores.

     Estavamos em Fevereiro de 2006

A  única coisa que a Vila de Água de Pau tem para ser relacionada com Namibe, antiga Moçamedes é o mar, mas, foi aqui que tive paz invernal para inteirar-me de como tudo começou naquela longínqua terra confinada entre o mar e o deserto.

Em 1968 fui lá passar as festas do mar, andei no picadeiro, algo parecido com o calçadão brasileiro e comprei ao Turra, fiscal da reserva do Iona, uma pele de onça e três de Zebra; posso agora, dize-lo porque já passou demasiado tempo para o segredo continuar guardado, seja como for, tudo se descolonizou.

Foi entre os rios Giraúl e Bero que chegaram os primeiros habitantes de Moçamedes. Após ser dada independência ao Brasil a 7 de Setembro de 1822, pelo príncipe regente do Brasil D. Pedro, uns quantos Portugueses de Pernambuco, descontentes, atravessaram o Atlântico em naus e,  seguindo a latitude de 10 º, deram início à colonização do sul de Angola, mais propriamente o deserto do Namibe.

Após o grito do Ipiranga, Portugal levou mais de cem anos a recompor-se e disciplinar o encontro consigo mesmo. Angola nesse mesmo tempo, estava entregue a uns quantos funantes e negreiros que, praticamente, só vendiam gente para os grandes engenhos de açúcar ao longo de todo o Nordeste Brasileiro.

A partir do rio Giraúl era só deserto, não havia gente, uns quantos Cuanhamas não era significativo e, a sul do Cunene não se via alma, daqui o chamar-se “Namíbia” que, em língua Ovambo, quer dizer terra do nada; esta é a verdadeira razão da possessão Portuguesa não se estender até à Cidade do Cabo.

Os navegadores Diogo Cão,  Bartolomeu Dias e Vasco da Gama, espalharam padrões, mas viram que a aridez da costa não permitia então, a fixação de gente.

 A coroa, cometeu o grande erro de, na ânsia de alcançar as riquezas do Oriente, sómente espalharem uns quantos padrões sem fazerem assentamentos de gente ou os usuais entrepostos; desprezaram a então Damaralândia, afastando-se da costa dos esqueletos com medo de ali ficarem aprisionados e, mesmo a sul de Orange river até ao Cabo, não obstante o terreno ser fértil não lhe deram o devido interesse. Os homens escravos, eram o alvo dos novos achados.

Aqueles primeiros habitantes idos de Pernambuco, chegados ao Namibe, começaram por viver quase como indígenas, em toscas cabanas de pau a pique e varas do mangue cobertas a capim; ali viviam homens, mulheres e crianças em promiscuidade, comendo quase exclusivamente peixe temperado a óleo de palma, sendo o pão de mandioca fornecido pelos escravos serviçais que tinham as suas lavras nas margens do Giraúl. Decorria  então, o ano de 1849.

Em 1880 na Huila, surgem os primeiros Boers que dão consistência ao assentamento de gente; estes, espoliados dos seus bens e terras, pelos Ingleses, lutam desesperadamente e, não resistindo, tornam-se um povo errante, fugindo sempre dos seus inimigos mortais, deslocando-se para norte do território; Juram soberania à coroa portuguesa e formam a colónia de S. Januário com 270 adultos, 50 serviçais, 2000 cabeças de gado vacum, 100 cavalos e 3000 ovelhas e cabritos. Esta foi a grande iniciativa da administração de então e, foi o Alferes Artur de Paiva, presente na inauguração da colónia em 1885, que veio a ser seu representante.  

( continua...2ª parte)

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:38
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CONHECER O BRASIL . V (2ª PARTE)

 

 

D. JOÃO VI - Visto de tardóz

 

               2ª Parte

 

A intenção de se mudar costumes, tinha na presença de muitos escravos na rua um grande obstáculo; mal vestidos, costumavam reunir-se nas praças públicas nos dias santos, que eram muitos, e domingos para jogar capoeira e batucar. Era inevitável haver brigas inchadas de cachaça.

 A polícia tinha por função reprimir crimes contra a ordem pública dos quais a capoeira que era punida com duzentos açoites de chicote, agravado caso fosse portador de navalha.

À malandragem carioca juntou-se-lhe fujões, mulatos e pardos, filhos de capitães-do-mato em promiscuas relações. Houve  assentamentos por invasão com barracas nas encostas, originando as  favelas actuais como a de Vidigal e morro de Santa Teresa ou a floresta atlântica da Tijuca.

D João VI, tinha o costume de sair em passeio todas as tardes com uma pequena comitiva; havia um moleque que seguia à frente da comitiva conduzindo uma égua com dois alforges; um dos alforges levava a merenda que normalmente eram pedaços de frango assado e, do outro lado da besta pendia um saco com o penico real e apetrechos de resguardo para céu aberto, em caso de necessidade.

O rei levava também na algibeira de seu sobretudo “coxinhas de galinha” que lhe faziam regalo gastronómico, enquanto apreciava a paisagem , se inteirava das carências a diligenciar nas reuniões diárias que tinha com o intendência da polícia e sanidade.

A partir de 1818 em Portugal, havia frequentes contestações pela ausência do rei e as contestações culminaram com a exigência de sua volta por parte das cortes de concelho de estado  do regime monárquico, reunidas em fevereiro de 1821 em Évora.

D. João VI aventou a hipótese de seu filho D. Pedro assumir o reino em Portugal pois tudo indicava não ter vontade de regressar, mas D. Pedro foi irredutivel com um firme “ Eu Fico” a 9 de Janeiro de 1822.

A 26 de Abril de 1822, chorando de emoção largou do porto de Guanabara levando com ele as raspas do cofre do Banco do Brasil e o restante tesouro que com ele tinha chegado em 1808.

No cais da ribeira nas margens do Tejo, D. João VI só desceu para terra após ter aceite e assinado uma nova constituição liberal. Alguma coisa ficou da revolução Francesa mas, D. João VI  foi o único monarca que sem ser destronado, enganou Napoleão Bonaparte;  foi o que este disse pouco antes de falecer lá na ilha de Santa Helena.

D Pedro I, seu filho, ficou gerindo a crise financeira no novo Brasil; o “fico teso” é uma expresão que a partir daí ficou popular.

 

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:25
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Terça-feira, 15 de Julho de 2008
ANGOLA. Outros tempos

 

 

 

 

 

                                       CASSOALÁLA

                                         O cacimbo do guerrilheiro

 

N´dalatando.

Estavamos em  Junho de 1976

 

Metido em apertos, entalado em corotos, apanhei boleia numa GMC até Cassoalala. Uns pseudo militares encostaram-nos à parede enquanto revistavam a camioneta, partindo tudo sem mais nem menos, nem porquê. A minha vida corria para trás, teria de me raspar na primeira distracção. Os olhos daqueles improvisados tropas chispavam raiva demais e, não se entendiam, ali havia maka. Encostado à parede duma casa queimada, via o além muito mais próximo do que pretendia. Não quero morrer aqui estupidamente nas mãos duns desclassificados, ébrios militares mal vestidos.

Tomem, tomem tudo: - o meu bananal, cafezal, ximbeco, tudo o que me custou os olhos da cara,... só quero levar o meu cabedal para o puto.

Aqueles  caragos dos portugas, os vendilhões, por acaso não sabiam? será que não?!

- Não sabiam que em Janeiro de 1975, muito antes do 11 de Novembro, 20 instrutores cubanos a fim de treinar tropas do emepelá  assentaram arraiais em Massangano,... aqui tão perto!

 E, entretanto neste mesmo Janeiro, assinavam o acordo de Alvor em Portugal.

- Não  sabiam que em Junho do mesmo ano de 1975, muito antes do 11 de Novembro introduziram mais 600 cubanos e, desta vez, também debaixo da vigilância portuguesa.

E,... foi-o, bem perto de Luanda!

Se isto não é traição, o que é que se lhe pode chamar?

Mas de momento eu, estava num aperto, não era agora a hora de pensar nos senhores de Lisboa e no que russos, americanos e o povo mal informado de Portugal determinavam , inconscientemente  alguns, mas, determinavam.

Menos mal que apareceu um mulato fintador, com divisas de tenente, penteado de balas em diagonal que, de tão herói, destabilizou a guarda em curiosidade banguista.

 A oportunidade surgiu nesta aberta de descomandada hierarquia, ordens e contra ordens e,... esgueirei-me por entre um bananal.

No ouvido ficou em fundo aquele ruído de rumba.

Os trilhos do comboio eram a minha referência, deslocava-me penosamente a caminho do Dondo; não sabia ao certo para onde ir, caminhava para me manter inteiro e ocupado, tinha em mente chegar a um sítio aonde pudesse confiar em alguém que me levasse a Luanda descendo o rio Kwanza até à Muxima, em canoa que ainda teria de roubar.

 Ali, com alguma sorte, iria encontrar o camundongo Zacarias, um ajudante de fubeiro conhecido desde que era candengue e, a quem salvei da morte numa dessas andanças em descoberta por terras de Cambambe; Naquele enquanto, eu era um estagiário de montador electricista.

Descrever o que se passou na salvação daquele desenfeliz levava muito mais tempo que escrever esta pequena crónica mas, o certo é que o salvei de morrer electrocutado;  foi  a minha maior façanha, como electricista, salvar Zacarias de uma morte certa; Agora, ele levar-me-á a sítio de segurança, pois sempre foi bem visto entre os emepelás de Catete, amigos de escola do próprio Agostinho Neto.

A flor-do-congo, com a caminhada, tornou o andamento muito demasiado penoso, tive até de recorrer a uma pêra abacate para besuntar as partes dolorosas, o certo é que melhorou um pouco pela gordura que este fruto tem. Já junto ao rio Kwanza pude ver mais abaixo no sentido da corrente umas canoas presas a uns arbustos pendentes na água.

Deduzi,... estava em Massangano!

Longe, mas não tanto podia ouvir bafos esfarrapados de rumba e merengue; eram extintos ou fugidos  guerrilheiros afogando-se em magoas, dançando em bolero crueldades transpiradas, libertações sem sucesso das restolhadas revoltas de guerra.

Esfarrapado por entre um ermo de coisa nenhuma, muita verdura e água barrenta deslocava-me com o máximo dos cuidados como uma gazela perseguida por onça. Fechei a boca para não me denunciar e, os dentes não deram conta da minha mão que a tapava.

Conduzindo o medo através dum cacimbo cerrado, de árvore  em árvore, sentia o próprio bafo de fome; o peixe seco, a cerveja, o funje eram um equívoco de pensamento.

Massangano, haka!... ai-iu-é;  já estava mais, por detrás.

Esquindivado entre capim parecido com caxinde, vi, a uns cinquenta quilómetros de Massangano, rio abaixo, homens gesticulando mujimbos, na medida mais aproximada pude ver equilibrando-se na jangada, o kamba Zacarias Catetense, bem me parecia pela voz mas, estranhei a falta de uma perna. T’chimbicando um pau ajustado no sovaco e, naquela borda do kwanza, parecia até um corsário como nos livros dos desenhos animados salgari.

 Quando lhe gritei o nome, fez-se um silêncio medido de medo  mas, no despois um grande abraço, aperto de mano corvo e, quis saber das makas de N´dalatando e dos kazucuteiros penetras do sistema,... Eu bem que te avisei naquele entretanto lá na samba, te lembras de quando fomos apanhar mabanga, te lembras?

 Eu só abanava a cabeça sem entrar no demasiado do desconhecido novo camarada; já tudo passou mesmo, disse eu, querendo dar solução ao meu conflito.

Aquela noite comemos funge com peixe do rio, frito, bebemos umas cucas e um amigo do meu kamba, gentilizou-me um pouco de marufo, que me satisfez. Amanhã vais com o kota Alcides até Luanda, ele te desenrasca, te leva na Maianga e te deixa lá mesmo no rio seco junto daquela cacimba perto da casa dos malucos.

Os sonhos, naquela noite, foram por demais turbulentos no recordar dos últimos dias. Os guerrilheiros interditaram a passagem entre Zenza do Itombe e Malange, ninguém podia passar sem uma revista bem revirada; gente do sul fugia para norte e vice versa, muitos como eu, fugiram para a mata sem vice nem versa, só confusão mesmo, maka à toa.

O senhor Alcides foi-me dando indicações muito negras da situação em Luanda, dizia-se que havia cinturas de protecção a Luanda e que as pessoas levavam o tempo todo em filas para arranjar mantimentos; o melhor para o meu caso era bazar para o puto e esperar que tudo voltasse ao normalizado.

Era mesmo melhor!

         A minha vida estava em risco, meu pai já tinha sido recambiado para o puto por ordem do doutor Boavida, pois do tiro que tinha levado na perna, os cubanos do hospital Maria Pia desconseguiram livrar-se da bala junto à rotula do joelho e, corria o risco de gangrenar.

- Pronto, vou-me embora, acabou-se! África é dos negros, a nova fina-flôr dos Van Dunem, Mingas ou Punas, com negócios da Lua; que fiquem na sua abundância de guerra.

- Luua-anda, dos deslocados, mendigos com chagas e meninos brincando entre jipes desjantados empinados no lixo; lixo que a-bunda entre destroços, nos musseques.

Cheguei ao puto ainda a tempo de diligenciar junto ao hospital de Torres Novas  a fim de lhe tirar a dita cuja bala; o meu pai, “o Cabeças” tinha sido bem apetrechado de porrada no após rapto junto ao largo da Maianga pelos homens do Nito Alves, foi o que disseram e, parece mesmo ter sido combinação para mandar o velho kota branco para a sua terrinha.

 Mesmo passado algum tempo “o Cabeças” parecia o mapa mundo em manchas de sangue pisado, havia pouco espaço por cobrir; deram-lhe um tiro no escuro, algures num sitio fatal e, desandaram deixando-o espernear por detrás do então aeroporto Craveiro Lopes e, como quase morto, assim ficou contornado de capim; arrastou-se toda a noite até que, numa picada e já de dia, uma patrulha mais governamental  emepelista o levou para o hospital.

O kota meu pai, pela descrição posterior teve por demasiada sorte em sobreviver no meio de tantos; obrigado doutor Boavida! Se não fosse o senhor metê-lo no avião ainda hoje estava imaginando o seu estatuto vivente, envolto numa teia de dúvida.

Esta estória sem direito a “h” foi uma verdade a setenta por cento, com os restantes trinta, de inventação para suavizar  o  quase impossivel ou inacreditável mas, eu continuei sendo o mano corvo da Unita; desconvocado da guerra, acantonei-me voluntáriamente nos mugimbos do degredo.

Glossário - palavras sublinhadas

Corotos – coisas, bicuátas ; maka – rixa, briga, barulho, confusão; emepelá – movimento popular de Angola; banguista - vaidoso, com estilo; camundongo - rato, natural de Luanda ou arredores; fubeiro –negociante de fuba, tasqueiro de mato em Angola; flor-de-congo – eczema na zona das virilhas, parecido com psoríase; esquindivado – escondido de forma fintada; caxinde – erva do chá príncipe ( Angola ); mugimbos – dis-que-dis, boatos, mexericos, conversa por conversar; kamba–amigo, conhecido de infância; Catatense –natural de Catete; kazucuteiro dança, bandalheiro, dado a embustes; mabanga – bivalve; funge – farinha de mandioca; marufo – vinho, seiva de palmeira fermentada; bazar – dar o fora, fugir; haca! – exclamação por admiração, espanto em Umbundo (generalizado por toda a Angola); T’chimbicando – acto de navegar com pau longo ou bordão, em zig-zag; candengue – criança, jovem.

 

 

         O Soba T´chingange

 

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 14 de Julho de 2008
BRASIL E O CANGAÇO - X

 

 

 

                                                                                                

 

                  BRASIL - A saga do cangaço ( continuação) 

José Ferreira, o pai de Virgulino, estando em passagem pela fazenda de Luiz Fragoso,  por ali pernoitou; este Fragozo estava a ser procurado como criminozo, pelo delegado Amarílio Vilar da cidade de Matinha de água Branca.

José Ferreira, com 48 anos de idade sem saber dum porquê, no lugar e noite errada viu a morte num relâmpago sumário. O delegado Amarílio deu o tiro fatal na pessoa errada; o medo tem destas tremuras traiçoeiras que transformam a vida  em morte. O sargento José Lucena Albuquerque de Maranhão, comandande dos volantes, teve de suportar esta herança como um fardo.

Virgulino, cansado das injustiças e impunidade disse neste então: - De hoje em diante vou matar até morrer

Virgulino da Silva Ferreira, o Lampião, entrou no cangaço para vingar a morte de seu pai. Alistou-se no bando de Sinhõ Pereira até que este abandonou o cangaço por motivo de doença; foi no final do ano de 1922, quando  Lampião contava com 26 anos de idade que assumiu o comando do bando de Sinhõ Pereira. Foi na fazenda Tabuleiro que este comunicou o retiro do cangaço.

 Com Virgulino ficaram Meia-noite, Cícero Costa, Zé Dedé (Baliza), Joaquim Coqueiro, Zé Melão, Laurindo, João Mariano ( o Xerife), António Mariano, os três irmãos Benedito, António Rosa Ventura, e os irmãos de Lampião, António ( O Esperança ), Livino ( O Vassoura ), e Ezequiel  ( O Profeta dos Santos ou o Ponto Final ); ao todo e, com Lampião eram  16 “cabras”.

Sinhõ Pereira fêz um unico pedido a Lampião, vingar a humilhação sofrida por Ioio Maroto a mando do “major” Luiz Gonzaga.

Logo após Lampião ter tomado conta do bando e na segunda operação atacou a fazenda de Luiz Gonzaga  tendo este sido morto à facada por Livino e Cajueiro. Uma aliança de alto valor que Gonzaga usava passou a ser ornamento na mão de Lampião. Os cantadores certanejos, puseram em verso esse detalhe:

“ Aliança de Gonzaga

  Custou um conto de reis

  Lampiâo botou no dedo

  Sem pagar nenhum reis”

O propósito de vingar o pai,  não foi mais que uma desculpa na entrada na senda dos “sem lei”, porque a vingança de honra, nunca foi feita e a vida de cangaço tornou-se “um modo de vida”.

A este grupo, que chegou a mais de uma centena, juntou-se-lhes também o seu cunhado Virgílio, “O Moderno”.

Ao grupo de Lampião aderiu um desertor do exército, a praça corneteiro “Mormaço” que abandonou a tropa com a corneta e apetrechos; passou a ser uma exuberante vaidade, entrar em algumas localidades ao toque duma corneta. Ao som desta, o temor escondia-se do medo; era o diabo em pessoa que surgia envolto em pó, a lenda perfeita dum imaginário e místico personagem.

  Lampião era exuberante, gostava de dar nas vistas com os seus aparatos de guerra, vestimenta e, seu chapéu de dois bicos com estrela de oito pontas; usava óculos por vaidade e, também para esconder o seu olho direito vesgo. Lampião de olhos amendoados gostava de ser filmado e fotografado mas, recomendava sempre favorecerem o lado esquerdo.

O rei do cangaço queria sempre aparecer na foto com o “olho baixo, na sombra”. Tornou-se o rei do cangaço com acção em sete estados Nordestinos, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sérgipe, Alagoas, Paraíba, Piauí, e Ceará.

Lampião tinha as condições ideais de sucesso porque, o período era de desorganização social.

Lampião só deixou de usar o chapéu de couro, símbolo máximo do cangaço num curto período no ano de 1920. Recebeu das autoridades a patente de capitão honorário das forças legais, patente que passou a usar nas cartas, antecipando à patente o seu nome de Virgulino e no término a referência de “vulgo, Lampião”.                    

As estruturas de defesa rural eram débeis ou até inexistentes nalguns casos; não existiam acessos e, por outro lado os “coronéis”, senhores do mando, não queriam dividir o poder com outras forças policiais. Eles tinham a sua própria milícia, os cabras, jagunços e bandoleiros a prazo.

A seca cíclica e as agitações políticas sem lei, nem rei foram o toque natural para surgir o “roque”; assim Lampião tornou-se gratuitamente o “rei vesgo” chegando a ditar decretos como se fosse um monarca de verdade.

O seu primeiro artigo do primeiro decreto dizia: - Todo e qualquer sertanejo, negociante ou fazendeiro, agricultor, matuto ou pardo, tem que pagar o tributo que se deve ao cangaceiro.

Lampião, punha-se assim no topo da hierarquia e, mesmo com um olho baixo tornou-se o mandão do sertão.

 

Continua..... (em execução... XI)

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:40
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CONHECER O BRASIL . V

 

                       D. JOÃO VI - Visto de tardóz

                                     1ª Parte

 Rodando o calço dos óculos para desanuvir as moscas volantes para cima, baixo e lados, dei-me conta que faltava uma vista à figura de D. João VI.  A contraluz do candelabro com um cesto invertido  fêz-me rever a forma inversa daquele monarca e fêz-se luz  do  outro lado tardóz.

A partir de 1808 após a chegada da corte de D. João VI, o Brasil tornou-se uma terra de oportunidades aonde se podia fazer fortunas da noite para o dia.

D. João VI, por falta de dinheiro nos cofres no novo reino do Brasil, Portugal e Algarves, necessitou de a troco de dinheiro distribuir títulos de nobreza e outras honrarias de sequente influência na nova sociedade em formação; enquanto que em Portugal continental eram necessários quinhentos anos para um nobre se tornar visconde, na nova terra de Vera Cruz, com quinhentos contos adquiria-se tal título.

Daquele modo, havia marqueses, condes, viscondes, barões e outras insígnias de cavaleiros, mesmo a quem nunca tinha usado esporas nem montaria.  As Ordens,  ficaram repletas de comendadores.

A nova nobreza  exibia suas insígnias no dia a dia e, eram tantos a cruzar-se na rua e a fazer salamaleques de curvar benção que se tornou coisa banal; por tão caricatas actitudes, os fofoqueiros da esplanada ”bataclã” riam fazendo cavalhadas com saudação de vénia.

As insígnias deixaram de simbolizar importância e dignidade aos seus portadores.

Por via desta nobilização aos senhores ricos negreiros e donos de engenhos, D. João VI criou o Banco do Brasil por acções cuja principal finalidade era custear os gastos da nobre corte.

Os previlégios em títulos e prestígio social e favores de retorno, levou gente comum a administrar impostos públicos e, de troca em troca de favores, o desvario continuou nos duzentos anos seguintes; estamos em 2008 e, as notícias dão-nos conta de gestores de banco fazerem lavagens de dinheiro, corrupção, suborno, sunegação de dados, e corrupção activa  com formação de quadrilha. Gente a contas com a justiça por crimes daquela índole e por ter sido  benefeciado por corrupção de informação antecipada sobre movimentos de bolsa provocando também fuga de capitais.

Os senhores donos de escravos faziam negócio com estes vendendo o seu trabalho em forma de tarefas, por assim dizer eram alugados para fazer recados ou transporte de coisas; para maior despacho no aluguer, o patrão e senhor,  fazia acordo de forma percentual  no custo com o escravo; sucedia haver escravos que adquirindo bom dinheiro, pagavam sua liberdade ficando na qualidade de alforriados. Estes escravos ficavam livres para fazer o que lhes aprouvesse e até sucedia que se tornavam com o tempo, donos de outros escravos.

( Continua....2º parte )

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Domingo, 13 de Julho de 2008
PORTUGAL NO MUNDO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

        A GLOBALIDADE  ACTUAL . 1ª Parte

        e a comparticipação portuguesa

 

Estrabão, geógrafo e historiador da antiguidade clássica, que  nasceu em Amásia Antes de Cristo  e morreu no reinado de Tibério I, nas suas relações entre os homens, povos e impérios do mundo físico de então, sintetizou relatos das legiões Romanas; acerca do canto ocidental da Ibéria, actual ponta de Sagres referiu:

 “ – Ali, não é só o fim da Europa, mas de toda a terra habitada”.

Claro que estava enganado!

Gaius Julius Caesar eloquente politico, guerreiro e estadista que governou Roma como imperador ditador, também Antes de Cristo, nos seus famosos comentários, reflexões e opiniões disse acerca da mesma Ibéria o seguinte:

“ – Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa, nem se deixa governar”

Aquelas afirmações foram feitas há mais de 2000 anos e ainda estava por nascer Portugal, pela mão de Afonso Henriques e, tantas outras gerações até que, em meados do século IV deram inicio ao desbravar do mar. Desconhecido e misterioso, refúgio de todos os medos, desafiavam a curiosidade espicaçada de aventura.

Após o estímulo de D. Fernando com privilégios conferidos em diploma de 1377, os Portugueses lançaram-se à descoberta do mundo que temos hoje. Na ânsia de novas riquezas ousaram lançar-se por mares desconhecidos sem saberem ainda os ciclos de tempestades, ventos dominantes e correntes marítimas ao longo de um globo, do qual só tinham conhecimentos por observação empírica. Com as suas qualidades pessoais conseguiram êxitos com uma grande capacidade de adaptação e por longo tempo.

O almirante Francês Kammerer em sua obra escrita “ la mer rouge, l´Albissinie et l´Arabie dans l´antiquité” descrevia os feitos portugueses que, com modestos gastos, defrontavam os oceanos com homens aptos para todas as tarefas, prontos a viver no mar durante muitos meses, alimentando-se de toucinho podre e água estagnada, animados dum espírito de aventura que confunde o entendimento.

( Nesses tempos só conheciamos Sócratas, o filósofo )

Continua...2ªparte em execução

 

O soba T´chingange

 

 

 

 


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PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:33
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CONHECER O BRASIL . IV

 Hoje Kimbolagoa completa 2 meses

                  CONHECER O BRASIL                         

         D. JOÃO VI  visto de lado ( 3ª parte)

 

 

O saneamento, a saúde, a arquitectura, a segurança e ordem pública e costumes mudaram para melhor. Teve de se organizar o trânsito de carruagens e animais em sistema de duplo sentido pois as carruagens ficavam atravancadas por longas horas sem regras de estacionamento nem qualquer fiscalização.

A população aumentou em 30 % em 15 anos e os escravos triplicaram passando para mais de 36 000.

O Brasil, passou a ser um verdadeiro país com obediência à corte, coisa que até aí  estava entregue ao mando e desmando das várias regiões originárias das capitanias hereditárias.

Na descrição de historiadores ele, D. João  VI, era fisicamente grotesco , de ar pacificador, simplório, apagado na voz activa mas, era querido pelo povo e tolerantemente desprezado pelos nobres próximos. De andar escanchado e lento, deixava que as gentes se aproximasem e tinha sempre umas moedas para conter lamúrias. Triunfava por renitente incerteza cansando o adversário e levando estes a aceitar o seu veredito.

Durante os treze anos que governou o Brasil, revelou-se um monarca solitário. De regresso a Portugal morou no solar da família em Vila Viçosa no Alto Alentejo e, mais tarde no palácio de Mafra, aonde vivia rodeado de padres.

Não obstante ter um filho extra conjugal além dos seus nove filhos com Dona Carlota, o facto de viver com carências  afectivas levaram gente de maledicencia apurada a afirmar que um dos camareiros reais, nas suas funções normais, incluia masturbar o rei com certa regularidade . Este relacionamento com o camareiro Rufino, e ainda no Brasil, no meio da tal tertúlia de quimbandas cariocas que transpiravam chistes, lançavam  fofocas desbregadas. A Rainha Carlota Joaquina em função dos ditos e mechericos fazia habitualmente afirmacão, entre suspiros, serem estas  “as desgraças de Portugal” .

O que verdadeiramente interessa para a história é de que com a ajuda de D. Rodigo de Sousa Coutinho, conde de Linhares, e mais tarde o sucessor António de Araújo Azevedo, o conde da Barca, introduzindo transformações nas ciências, e cultura em geral, a biografia de D. João VI , foi salva. Foram estes dois homens de visão que fizeram dele um monarca brando, sagaz, afável e popular.

 

O Soba T´chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:50
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Sexta-feira, 11 de Julho de 2008
MOKANDA II

   

 

        Mokanda para T´chikukuvanda

                     Enviada a 25 de Maio

                                             aguarda resposta

 

A vida não é fácil

Com alguma insistência escuto isto de N´dalatando

Eu, replico: - Como é bom viver!

Ao  Embaixador  do  Kacuacu,  o T´chicucuvanda  da  Katumbela, envio esta para reviver os  tempos de  Kaparandanda  aqui neste Kimbo. O mesmo tempo de que teu pai falava em livro de jacarés.

Esses  tempos  e  os de "Boniboni " quando saltava o muro para roubar tamarindo e gajájas na Casequel.

Ninguém morre de verdade! É só a fingir.

Teu pai está  algures  caçando  jacarés  e  nós,  preparamos a chata para o encontrar, sempre, sempre  ximbicando no Katumbela River.

Ai na Luua, vais  ao  Morro  dos Veados, além  de  Belas e caça uns rabos-de-junco para lembrar os antigamente e, vendo o Mussulo lá do outro lado  lembra-te  de como é o  relento, o cacimbo e cagar ao luar visionando um disco voador  abrilhantando a água!

Estamos juntos!

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:00
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SANTO ANTÓNIO DE LISBOA

          

                                                                                               

      Vereador honorário

          À atenção de todos os Municípios de Portugal

 

Esta crónica é escrita por minha inteira vontade e é tão verdadeira que até parece mentira.

Em uma cidade do estado de Pernambuco deram o cargo de vereador permanente a Santo António de Lisboa com o vencimento mensal correspondente ao ordenado mínimo do Brasil que corresponde a 414 Reais.

Ao ouvir a notícia através da Televisão Rede Globo no programa Fantástico, pensei ser uma brincadeira mas, para meu espanto, o desenvolvimento da notícia deu-me a conhecer que era uma reportagem real.

A reportagem mostrou o salão nobre do Município, podendo ver-se no topo e por detrás da mesa do executivo em um nicho, um Santo António de madeira, tal e qual como aquele dos Olivais em Coimbra ou o de Pádua em Itália e, na base a placa VEREADOR.

Todos os meses, a freira de uma congregação local, ali vai levantar o salário do Santo; uma humilde escola repleta de crianças sorridentes oram de mãos juntas todas as manhãs, agradecendo ao Santo esta graça e, todos os dias dão inicia desta forma aos trabalhos de estudo e formação.

A reportagem perguntava aos entrevistados se o Santo merecia ser aumentado e a maioria foi muito segura na resposta ao afirmar que deveria receber o mesmo que todos os outros vereadores; na maioria eram populares mas os próprio colegas de Assembleia disseram que sim senhor, ele, o Santo António deveria receber os mesmos 2800 Reais; era um obrigação de uso cultural que já vinha de anos atrás e que eles, iriam manter.

É de admirar a cultura desta gente sertaneja.

Foi referenciado ser este vereador, aquele que mais valia traz para aquela população e, na verdade sem estar sujeito às tentações de corrupção, desvio de recursos públicos ou gastos em proveito próprio com o cartão corporativo do estado ou ter um carro de ultima gama e muita petulância.

Ser cidadão, é abraçar projectos sociais, movimentos colectivos das preocupações do dia a dia no ambiente que rodeia a proximidade e vizinhança; seja aqui, no Brasil ou nos confins dum qualquer deserto ideológico, socorrer o mais necessitado é a mais nobre causa dum povo.

Numa vontade férrea de viver sem medo, desafiando a imprudência no seio de “corruptos”, senti necessidade de propor haver em cada um dos muitos municípios de todo o mundo, e Portugal em especial, um Santo como Vereador vitalício para acudir aos “sem abrigo” ou os meninos de rua.

Para se entender um pouco os costumes do sertão Nordestino a relacionar com esta envolvência de política com a religiosidade teremos de recordar o idolatrado padre Cícero que tendo praticado o sacerdócio em Juazeiro do Norte em Ceará, acabou por liderar como Prefeito e, por quinze anos, a povoação de Juazeiro do Norte.

Padre Cícero, que foi ordenado padre em 1870, teve conflitos com o Bispo de Recife tendo sido suspenso e, em 1911 toma o cargo do primeiro Presidente Municipal; usando da sua popularidade insurgiu-se com o povo armado contra o Governo Federal em defesa da sua terra, Juazeiro.

Em todo o Nordeste e, nos principais povoados, é vulgar ver em largos, uma redoma com a estátua de um vigário velhinho, de batina preta, chapéu de três bicos e, meio curvo apoiado numa bengala; ali está, nas muitas praças a justificar o seu carisma.

Também com o nome de Padre Cícero se disseminaram casas de apoio à criança, á semelhança do popular Padre-santo António.

Quando o cidadão, na condição de observador se torna político, deixa de aspirar à absoluta isenção e à racionalidade; quando assim acontece o homem enfeudado em movimento político fica nele, um emaranhado ideológico de que lhe turvam a razão.

O Cangaceiro Lampião tinha uma profunda devoção por seu “Padim Ciço” e, foi por negociação que este o agregou como capitão ao Batalhão Patriótico da Chapada Diamantina para dar luta à coluna de Carlos Prestes em 1927; Aqui o milagre de tornar “os cabras” em gente de ordem não resultou; continuaram “Jagunços” embora tenham ajudado a expulsar os rebeldes para a Bolívia.

 E, aqui estava eu no meio do credo, numa esplanada do centro da cidade! Chinelo no pé, cruzava as vielas da vida com gente miúda de indefinidas procedências.

 Bebia um caldo frio de cana-de-açúcar.

Se as ruas das cidades são cada vez mais o nosso mundo, vai sendo tempo de rever a sociedade sem escamotear a nossa liberdade.

Em muitos dos nossos males actuais há a cumplicidade de todos, uma falta endémica de espírito cívico; Talvez a coisa mude tendo Santo António como vereador!

             Maceió, 13 de Abril de 2006

              O Soba T´chingange

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:45
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008
conhecer o brasil . III

 

           CONHECER O BRASIL                        

         D. JOÃO VI  visto de lado ( 2ª parte)

 

Negociantes negreiros, farmaceuticos, tropeiros e demais artesãos esperavam ver um soberano de nobre postura e altivez mas, ao invés disso depararam com um homem demasiado gordo, de mãos papudas, testa grande, bochechas caídas, olhos pequenos e esbugalhados, nariz  fino, beiços grossos, pernas curtas e grossas com pés demasiado pequenos para tal figura; da indomentária salienta-se a  casaca comprida de gargantilha bordada com algumas nódoas, calças de cetim e chapéu com enfeites de arminho. A vestimenta ao invés de beneficiar a anatomia do principe ainda a agravava mais pois não era suficiente para encobrir a figura torpe daquele monarca.

Ao lado do Príncipe Regente vinha a senhora sua  esposa, Carlota Joaquina que de olhos rebrilhantes, seca de carnes num rosto de nariz e queixo compridos, se via  feia de amedrontar.

No meio do séquito desleixado, as mulheres apresentavam-se com turbantes a cobrir totalmente  a cabeça; era uma nova moda trazida da europa, assim pensaram as mulheres que recepcionavam a corte. Por via da praga de piolhos que grassou em algumas naus, aquelas damas tinham sido obrigadas a tapar as inestéticas carecas. Nos meses  que se seguiram, as damas cariocas passaram a usar tal turbante como coisa chique.

A ansiedade do povo de Guanabara, em receber o primeiro rei a pisar terras de América,  era tanta que de tudo o que viram amenizaram numa aprasivel e eufórica recepção. Algazarra quanto baste, arraiá, coretos dispersando alegres folguedos de música e inebriante cheiro de torresmos em ar da festa quase brava, logo, logo fizeram esquecer aqueles pormenores anatómicos de gentes nobres e, por sete dias festejaram o acontecimento.

 O carnaval teve talvez aqui o seu embrião, pois que os muitos e variados adereços estimularam a fantasia que já fervilhava nas veias quentes da  crescente mestiçagem.

Este acontecimento dum primeiro monarca pisar terras de América, teve de ser celebrado na catedral, em acção de graças pelo sucesso da viagem, momento alto com exibição de cerimoniais mais pomposos que o habitual.

 Após o beija mão e descanso, por ordem do Conde de Arcos, começaram a ser requesitadas casas para o uso da nobreza e todos os funcionários e militares que acompanhavam o futuro rei D. João VI; para isso iniciaram a marcação das casa escolhidas, escrevendo nas respectivas portas as iniciais PR de Principe Regente. A picardia Carioca que já começava a espandir-se em tertúlias marialvas, logo interpretaram como sendo “Ponha-se na Rua”.

Os doutores de então, farmaceuticos e barbeiros que tinham como condimentos remédios de quimbanda como lixa de lagarto, raspas de corno de bode, dentes de javalí ou olhos de círi, juntavam-se nas vendas tertuliando alegres dizeres da sociedade de então; foram, conjugados com os marinheiros que aportavam em Cabo Verde os primeiros blaguistas ou bloguistas como se diz hoje na globália ( mundo actual).

 

( continua.... 3ª  parte em execução)

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:47
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Angola

                     HISTÓRIAS DA TZÉ-TZÉ . 2ª parte  

                                          Tempos de quitanda e tipóia

“A manha aparecera fresca nas margens do Cuanza naquele treze de Outubro…, muitas pretas, conduzindo à cabeça ou ás costas enormes quitandas, cheias de várias mercadorias indígenas …junto da sede do Bom Jesus (roça).

Isto é no rio Cuanza não muito longe do Dondo e, também perto de Muxima.

Ás oito horas daquele Domingo, a quitanda estava completa e no seu maior auge. Apesar do barulho que os indígenas faziam , falando todos ao mesmo tempo na língua bunda, apesar do cheiro nauseabundo, devido à aglomeração de negros e ás mercadorias ali expostas aos raios enérgicos deste sol de África…ali estavam expostos tabaco em rolos como torcidos, grãos de den-den,  fuba, mandioca, azeite de palma , maçambala, peixe seco e toda essa enorme diversidade de géneros indígenas, alimentação dos pretos e que à vista dos europeus causam tão desagradável impressão…

Vemos pretas todas cobertas de panos. É um pano geralmente chita, que é apertado pelos seios, enquanto outro pano assenta sobre os ombros, cobrindo-lhe todo o corpo. Na cabeça turbante branco. Outras  apresentam-se com o peito e os braços a descoberto. São as que pretendem mostrar as suas tatuagens, algumas dolorosamente feitas… sobre esses traços pinceladas mais claras feitas com fuba e cremos que com óleo de palma. Outras aparecem com o cabelo como se fosse lã churra, a cair-lhe em canudos para a testa e para a nuca. .São as quissamas (creio serem missangas). Fazem esses efeitos selvagens, deitando na carapinha óleo e casca moída de uma  árvore.

Falta um detalhe, é que todas as pretas fumam . Usam uns cachimbos com uma grossa boquilha; tiram meia dúzia de fumaças e fazem passar o cachimbo de mão em mão para que todas fumem. Outras fumam cigarros, mas metem a parte acesa na boca”.

Lida esta passagem  que não comento por os tempos serem idos, passo a outra página ; a travessia do rio para o lado da quiçama, sitio de muitas pacaças,  elefantes, hipopótamos e sobretudo jacarés.

    “Depois do mata-bicho metemo-nos num dongo (canoa) e navegamos. É encantadora uma viagem pelo Cuanza, sempre marginando por um verde capim, … e, lá está um senhor jacaré…

    Os indígenas não deixam de ir banhar-se ao rio por causa dos jacarés, porque estão convencidos de que só é comido pelo anfíbio quem tem feitiço. E todos aqueles que teem  consciência de não terem feito mal algum que mereça as iras do jacaré entram pelo rio sem medo, porque o bicho não lhes toca. E é assim… depois de comidos, ainda ficam desacreditados, porque todos outros indígenas ficam com a impressão de que a vitima fora muito bem castigada.”

    Mais à frente  acerca da tzé-tzé…

“O desgraçado que tiver a infelicidade de ser mordido por um vehiculo desses que esteja infectado tem que ter sérias apreensões.”

    Crónicas de outros tempo, do tempo dos caprandanda! Ambaquistas!

Nota: Tzé-tzé – mosca portadora da doença do sono; Caprandanda – tempos antigos , quando do uso de arcabuzes; Ambaquistas  - naturais da Ambaca, pioneiros cafuses dados ao trambique.   

     

       O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:24
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008
QUILOMBOS . II

QUILOMBOS DO BRASIL

                                 há galinhas no porto! - 2ªParte

 

Nestes cachos a cor de tijolo despintado encontram-se os fujões modernos

Protegidos por rios, charcos e manguezais, com o encobrimento de taberneiros, barqueiros e comunidades de sanzalas vizinhas, faziam chegar os seus produtos às cidades com o alheamento de autoridades  que faziam o jogo da cabra cega; estes tinham ganhos nas transacções  de  fruta silvestre , lenha e artesanias.

Nos dias de hoje, pode apreciar-se na zona de Manaus, este frenesim de movimentação na borda do rio Amazonas e, lá bem para dentro dos rios  Negro, Madeira , Solimões e tantos outros afluentes.

O quilombo Malunguinho, nas proximidades de Recife, reuniu além de escravos fugidos, índios, caboclos brancos e foras-da-lei de todas as nacionalidades.

Do Maranhão, passando por Tocantins até Mato Grosso ou Pantanal vive-se o ambiente de permanente condição de provisório; a vida faz-se no balouçar duma rede, fumaça e cachaça. Protegidos pela imensidão dos matos, construiram o Brasil  de agora, numa mistura de culturas e gente achinelada,  que ali  foi chegando.

Pela força de quereres  naturais a mestiçagem é  concebida sem previsão ou premeditação; simplesmente acontece, envolta em  raspadura de cana doce à mistura com deixa andar.

Os Quilombos, em função das suas referências culturais, reuniam-se com a denominação de “Angola”; estes, de fala Bantu, tinham saído do Congo, Angola, Cabinda, Cassange ou Benguela e formavam regiões ou nações como eles próprios designavam. Estas nações,  compostas de Bakongos, Zairenses, Kwanzas ou Tchokwes da Lunda ou Ambuilas, junto com pretos de Minas, foram-se fundindo com crioulos e árabes do norte.

Esta mistura explosiva, adicionando árabes fortemente reivindicativos e organizados, na forma de jihad islâmica, foi capaz de originar um movimento pelo retorna à sua África, dando origem aos  candomblés e, foi através destes, que fermentaram a religiosidade Afro-carioca, com rituais cristãos, práticas de missionação e cazumbis na cresça do seu  N´zambi (Deus).

Os Iombas do norte da actual  Nigéria, originaram os Nagôs da Bahia, a que genéricamente se passaram a chamar de Umbandas.

A supressão do tráfico ilegal de escravos, por volta de 1850, foi em parte, o resultado da sublevação destas organizações Umbandas, ao qual os senhores Coronéis, donos de fazendas, engenhos e roças, passaram a enfrentar com medo.

Estamos em 2008!...

Naqueles cachos a cor de tijolo despintado a que chamam de favelas encontram-se os fujões modernos. Usando outros avanços na arte de fazer camangula, fintam a sociedade num outro tipo de capoeira, muito pó, muita bala perdida e medo vendido a granel.

 Entretanto, os crioulos, mulatos, filhos escondidos dos senhores patrões e mucambas, originaram este caso social que fascinou historiadores, sociólogos e viajantes estrangeiros, naquele mundo, aonde a noção de raça fugia à catalogação, que então era tão básica.

Eu, em 1955 aprendi na escola que havia quatro raças; O Brasil, provou que esta inverdade, ainda  é um preconceito. Os grandes culpados são os portugueses,...só podia!

Quando povoarem Marte vão ver!... uma venda e um português barbudo vendendo antiguidades do planeta Terra.

  Escrita por mim em  Quilombo - Mata Cavalos, Cuiabá – Mato Grosso

 

O Soba T´chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:43
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conhecer o brasil . II

        

         D. JOÃO VI  visto de lado ( 1ª parte)

 

Três séculos passados após a descoberta do caminho maritimo para a Índia,  estabelecendo novas relações comerciais com a pimenta e outras especiarias, Portugal estava esaurido de recursos e sem coisas novas para sair dum vazio de iniciativas. A Europa estava agora com abundancia desses produtos exóticos e os preços tinham descido a um nivel incomportável para pagar o transporte de tão distantes terras; restou o negócio de escravos mas, mesmo este era transportado por holandeses fretados por negreiros de Portugal.

O poder do comércio paulatinamente estava sendo transferido para os judeus de Amsterdão, Antuérpia e o novo império da coroa Britânica  com sua armada invencível.

Portugal com três milhões de habitantes, tinha-se tornado um entreposto comercial de produtos (e gente), sendo os ganhos substànciais para Holandeses e Ingleses que, comprando a matéria prima a granel, depois de confeccionada por eles, retornava a preços incomportáveis.

 A frota Portuguesa estava envelhecida, desadequada e prejudicada pela cobiça dos poderosos comerciantes de então; não estava capaz de desenvolver o império.

Dom José de Carvalho e Mello, o Marquês de Pombal já no tempo de D. José I tinha feito uma leitura da situação do Portugal decadente e, fez saber da necessidade de se mudar a capital e a corte para o Brasil, de onde vinham os grandes recurssos na balança comercial, ao cuidado de um empresariado parasitário.

Aquela visão ficou latente em alguns círculos de gente de maior visão do mundo global de então e, o facto da França estar numa viragem cultural e política, por via da revolução de 1789, que terminou com a realeza magnânime e promíscua com a decapitação de Maria Antonieta e, mais tarde as invasões Napoleónicas, favoreceram a concretização da ida da corte, do ainda  princepe regente D. João VI, para o Brasil.

De forma apressada fizeram-se ao mar, com protecção da marinha Inglesa, um dia antes da chegada das forças francesas com o comando de Junot.

Lisboa, a capital do Império, vista do rio Tejo, com as suas sete colinas, o caserio branco e o castelo de S. Jorge era uma beleza mas, dentro das ruas e ruelas apertadas o bafio e o mau cheiro era deprimente. Pela noite atirava-se pelas janelas de Alfama, Mouraria e outros bairros, penicadas de merda, urina ou águas de cozinha.

Umas negras escravas de Angola tinham a incumbência de levar os dejectos e atirá-los ao rio, mas nem todo o povo tinha esse previlégio.

Foi neste quadro que, D.João VI, sua corte, nobres, algum  clero, dependentes previlegiados e apêndices de colarinho bordado com bajuladores à mistura, numa azáfama  borrifada de lama e chuva miudinha de molha tolos, largaram do Tejo.

As Musas e Ninfas, Tágides daquele rio deveriam estar muito ocupadas em um qualquer outro lugar; talvez andassem encavalitadas nos botos do Amazonas.

 O dia 27 de Novembro de 1807 naquele cais da Ribeira foi agitado, coma as presas nem tudo se pode levar para bordo, as forças francesas já tinham passado a linha de Torres.

Com tempestade, imundíce, água estagnada, velas rasgadas, mastros podres, carne bolorenta e piolhos a viagem  fês-se.

A sete de Março  de 1808, no início da tarde, parte da esquadra do Príncipe Regente chega à baia de Guanabára no Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro, à semelhança de Lisboa, era deslumbrante com seus morros de escandalosa verdura mas, por dentro da cidade que então tinha 60 000 habitantes, dos quais  13 000  eram escravos, os excrementos corriam com água suja pelo meio da rua; também aqui se atirava tudo para essa sargeta, com porcos chafurdando e galinhas repenicando bostas largadas por bestas, cavalos e mulas dos muitos tropeiros almocreves.

Já então havia muitas crianças deambulando pelas ruas, crianças não desejadas que cresciam vivendo de agilidades sobreviventes, vádios ascendendo a  criminais à  margem dos homens ricos, comerciantes ou escravos. Algumas damas, senhoras de suposto bom  conceito, contribuiam para esta situação pois que tinham ganhos adicionais com a prostituição de suas escravas. Naquele tempo só havia o coito interrompido como salvaguarda da linha zero; a era ”light”, o látex, o método tântrico e o sexo digital viriam muito mais tarde.

( continua....2ª  parte em execução)

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:27
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2008
Angola

                     HISTÓRIAS DA TZÉ-TZÉ . 1ª parte  

                         Tempos de quitanda e tipóia        

 

Naquele dia de véspera natalícia o dia estava húmido em Coimbra.

Busquei coisa não encontrada e, perdido o autocarro sete com destino ao Tovim decidi-me já cansado a subir a ladeira; após a avenida da Republica, passo a Cruz de Celes e mais acima, não muito longe de Santo António dos Olivais o cheiro da petisca  de Celas tentou-me a entrar.

Petisca é uma das muitas casas de meio pasto, meio tasca, aonde se juntam uns quantos resistentes da vida; já velhotes, cruzam conhecimentos  na conversa da  palavra.  Serve de sedativo à vida, vida regada com um carrascão de Cabriz que, nem é mau.

Pedi um pratinho de arroz de sanchas (míscaros)  com uma carne que desfiava em gostura e, sentei-me em frente daquele senhor ; por falta de lugar solicitei àquele tal que aparentava ter uns quase setenta anos e, o faça o favor veio logo a seguir.

Estava desejoso de companhia.

Não foi necessário muita conversa para logo me fazer a pergunta se,  se tinha vindo de Angola: Talvez pela pronuncia ou a forma trópico-cordial da minha abordagem assim começou o inesperado diálogo da qual é objecto de passagem à escrita.

Este senhor de nome Conceição Muralha fala-me com paixão dos tempos em que no Lobito e,  sendo despachante  levava uma vida restingada naquela falsa ilha de que tanto se recordava e… já o seu avô cronista de tempos idos falava.

Eram tempos de tipóia, disse ele.

Lá por 1924 em terras de Benguela de onde era natural, o seu avô teve de ir em tipóia de Quipupa até Dombe Grande. Na companhia de João Lara e, numa extensão de sete léguas  tiveram de atravessar o rio Caporolo aos ombros daqueles fortes mondombes; mondombes diz em esclarecimento ,eram os índigenas naturais do Dombe

 E continuou recordando feitos!

 Feitos dele próprio, mas mais de seu avô que em missão oficial tinha ido a Angola no navio Pátria; recolher informações das várias actividades.

 Um repórter da escrita, acentua!

- Quem foi o seu avô? Pergunto eu curioso a fim de recolher mais dados sobre este tema. A isto respondeu:

- Pedro Muralha!... e, se quiser, uma vez que o vejo tão interessado, posso ceder-lhe o livro que editou à setenta e oito anos.  Deixe ver?! . Isso mesmo, em 1935 nasci eu em Benguela, tinha o meu pai uns vinte anos mas, não importa para o caso.

   Fiquei curioso!

Na normal ocorrência, um desvio na rota e eis que deparo com este inesperado encontro.  A completar o senhor Conceição emprestou-me o dito livro , cópia que ele prezava em que todos tivessem conhecimento.

Ainda não li aquelas crónicas todas mas alcançada a página 149 não resisto transcrever alguns trechos desta leitura que descreve na margem do Cuanza  as ambiências duma Quitanda (mercado) , os jacarés e a tzé-tzé:

          ( continua.....2ª parte)

            O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:14
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Domingo, 6 de Julho de 2008
SER DA MELHOR IDADE

  O VALOR DOS MAIORES DE 50 ANOS

                    PARA OS KIZOMBEIROS DO KIMBO

 

  - Têr prata nos cabelos

  - Ouro nos dentes

 

 

                      - Pedras nos rins

                      - Chumbo nos pés

 

                                 - Ferro nas articulações

                                 - E, uma fonte inesgotável de gás natural

 

Nunca pensei vir a ter tanto valor. E vocês  !!!

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:18
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BRASIL E O CANGAÇO -IX

 

         

         BRASIL – A saga do cangaço ( continuação... IX )

 

7 – A SAGA DOS CANGACEIROS NO BRASIL

 

A verdadeira saga de bandolismo no Brasil, teve  início com Lucas da Feira, um negro nascido a 18 de Outubro de 1807 em Feira de Santana, sete meses após a chegada de D. João VI a Salvador;  as invasões Napoleònicas forçaram o principe regente a refugiar-se com toda a corte em terras de Vera Cruz.

Lucas era vesgo e canhoto; observou desde menino o desprezo no tratamento de todos os da raça negra. Forte e grandão procurava vingar-se sempre das crueldades do feitor. Com quinze anos formou um bando de negros, mestiços e matutos fugidos da escravidão reagindo sempre contra quem reduzia os negros à condição de bichos. A feira de Santana em Olhos de Água era o local predilecto nas suas actuações de zaragateiro. Lucas, habituado a vêr o tratamento das mulheres negras e novas pelos feitores brancos, ele, procedia da mesma forma, só que invertendo as cores; assim, invadiu as terras de Francisco Correia, branco, desvirginando as suas três filhas, matando-o quando este tentava defender suas filhas. Apenas o filho do fazendeiro, Joaquim Correia, não foi molestado.

No correr do tempo o bando de Lucas desmembrou-se por deserção ou prisão de alguns, acabando por ficar só.

A 12 de Janeiro de 1849 no lugar de Poço Gurunga, foi aprisionado depois de ser baleado no braço esquerdo com uma descarga de bacamarte carregado de chumbo, pedras e chifre.

Julgado e condenado à morte, foi levado secretamente a Rio de Janeiro para sua magestade D. Pedro II vêr tal rara espécime de gente brava. D. Pedro II, não alterou o julgamento da justiça  e, o “Negão” voltou a Salvador  tendo sido remetido à feira aonde viria a ser executado. O carrasco voluntário que executou Lucas, foi o tal menino Joaquim Correia, o único sobrevivente da família de Francisco Correia; a 26 de Setembro de 1849 o terror Lucas das feiras deixou de o ser.

Nos tempos do cangaço matava-se friamente por ódio ou vingança; a perca de virgindade de uma donzela sem a prévia anuência da família próxima era motivo de sangria desatada porque estava em causa a honra. A morte não tinha um impacto cruel de desprezo pela vida; defendia-se nesse então, valores tão desusados que hoje, raia a incredulidade.

O bornal do bandoleiro sertanejo, tinha o indispensável para sobreviver: - queijo, bolacha, carne seca, sal, raspadura de cana e doce, tudo adquirido nas bodegas do mato. Ter café no bornal, era um luxo sempre apreciado mas, escasso.

A familia de Lampião “ Os Ferreira”, fez três mudanças para fugirem às contrariedades da seca e injustiças. Virgulino nasceu no sítio de Passagem das Pedras, também conhecido por Ingazeira, às margens do riacho São Lourenço, Município de Vila Bela, Serra Talhada no estado de Pernambuco. Local de cactos como o mandacaru, quipá, xique-xique e coroa-de-frade.

A primeira mudança deveu-se á grande seca; procuraram o padre Cícero em Juazeiro do Norte no Ceará e, por ali ficaram um tempo; em Poço Negro, segundo poiso, a irrequietude com vizinhos continuou e, em 1918 mudaram-se para Olhos de Água a duas léguas da cidade de Água Branca aonde com cinco vacas de leite e uns dez burros iniciaram a sua roça. Aqui desenvolveram o seu trabalho de almocreves deslocando-se com frequência em vários sentidos e, em função das encomendas.

 

Continua..... (em execução)

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:04
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Sábado, 5 de Julho de 2008
QUILOMBOS

 

                   QUILOMBOS DO BRASIL

             

           

                                  há galinhas no porto! - 1ªParte

 

Só depois de cruzar o sertão e muitas mais léguas, descobri que, quilombo é o mesmo que mocambo ou sanzala  e, foi como gado fugido, que pisei aqueles remotos e disseminados sítios.

No século XIX e XX, em forma de resistência à opressão esclavagista, negros e não só, fugiram para sítios de difícil acesso e aonde viver era um jogo de azar ou sorte; no meio d´uma selva inóspita e alagada, os mosquitos só por si, dizimavam os aventureiros fujões por transmissão da malária.

O gozo da liberdade tinha um preço alto.

A sociedade esclavagista do século XIX, foi de uma interacção intensa no desenvolvimento económico e social do Brasil. O crescimento da população livre, teve um desenvolvimento marginal aos interesses instalados; com uma intervenção emergente da opinião pública anti esclavagista, surgiram movimentos abolicionistas que, só se fizeram valer na prática, quase cem anos após determinações régias, daquele primeiro quarto de século.

 Só em 1830, é que os escravos foram incorporados à legislação permanente do Brasil, com a aprovação do código criminal do Império; até então não figuravam como gente.

Durante o ciclo do açúcar, tempo de prosperidade para os senhores de linhagem ou distintos nobres, passava um matuto apregoando terem chegado galinhas ao porto; estas galinhas que vinham nos porões das naus, transgredindo as leis que já não vigoravam, eram precisamente os escravos; ao sítio, passou a chamar-se Porto Galinhas; o mesmo, que agora serve para apaziguar as modernas agruras de vida dos portugueses e, outros turistas em férias.

- Chegaram galinhas ao porto! Era o pregão dado para que os senhores de então, ali acorressem a comprar em leilão tal mercadoria e,  de forma rápida, pois os zeladores do reino podiam interpelar a qualquer momento.

Mas, tal como agora, as autoridades só viam a infracção quando queriam ver!

 A abolição, assinada em lei áurea a 13 de Maio de 1888 pela princesa Isabel, filha do rei D. Pedro II, foi a machadada final, embora o negócio continuasse até aos fins da primeira década do século XX.

Capitães, com pequenos fortes, salvaguardavam soberania enquanto frades e padres evangelizavam gentios ao longo dos rios e na costa Atlântica; as missões existentes, do  Rio Grande do Sul  até  à embocadura do rio Amazonas, tinham ligações com o interior sertanejo,  por  meio de  botes nos rios e, burros no sertão ou floresta.

As grandes cidades, de forma abarracada, foram  crescendo em parte devido ao abastecimento barato saído dos quilombos. Rio de Janeiro, Iguaçu e Bahia de S. Salvador, beneficiaram com estes aglomerados a que hoje  se chamam de favelas. Penduradas morro acima, de longe, parecem cachos pintados a cor tijolo descarnado com  muitas latas a contornar supostos pátios. São autênticos bordados envelhecidos.

 

( Continua...2ªParte )

O Soba T´chingange

           



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:27
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008
CHICOXANA NO ZIMPETO

                 Moçambique 

             Maning boé no kruger – ( 2ª parte )

 

Nesta curta paragem ensombrado por uma marula tree,  dissecava a noticia fresca do jornal Savana de Moçambique que Kastarina me tinha dado; a notícia em tons redondos dizia que a avenida “Julius Nyerere”, era branca; os pretos que por lá passam ou são criados ou empregados domésticos. Um letrado  professor saído da Universidade Eduardo Mondlane indagava sobre os avanços da revolução; que os moçambicanos, (com m pequeno) estavam gradualmente a ser acantonados no Zimpeto, um bairro periférico de Maputo, sem que previamente tenha ali havido  preocupação em criar infra-estruturas; afinal quando noutro tempo, brancos e negros viviam harmoniosamente naquela zona “chique”, hoje, os primeiros levam a melhor, por causa da exclusão social.

Blá,...blá,...blá.

E,... reli de novo Savana que, mais à frente dizia:

- A desunidade nacional manifesta-se na construção de ideias sobre os pretos, de que são incapazes e, de que, os brancos são uma virtude e a salvação do país.

- É incrível que, ao longo destes longos anos, os etnocentrismos herdados do colonialismo português estejam presentes e actuantes. Vejamos por exemplo, no caso da exclusão, a estratégia das chaves ( entenda-se por trespasse ) está de novo, a tirar o direito de habitação condigna aos moçambicanos ( com m pequeno ) e a racionalizar a cidade.

Pelo que li em Savana, a vida vai maning boé para os moçambicanos (com émes de todo o tamanho). Vende-se as chaves duma casa nacionalizada ou descolonizada aos mesmos brancos, que anteriormente as habitavam como donos.

É lavagem de maning negócio de bafunfeiros,... dizem os cakuanas!

Estreitando a visão após Ressano Garcia, caveiras pintadas em placas davam indicação de minas por rebentar; o maximbombo moderno ”pantera azul” com serviço a bordo por uma maxim-moça, levou-me até Maputo.

Passei uns dias numa casa situada não muito longe do hotel Polana, na rua “King el Sung” pagando 85 dólares por cada dia. Quase vizinho do café e restaurante “Pik-Nik”,  fui ali almoçar um churrasco de galinha, que pela vontade de comer me soube no melhor dos pitéus. O empregado de mesa com uniforme vermelho foi servilmente atencioso o que me surpreendeu pelo profissionalismo; ao deslocar-me ao banheiro para lavar as mãos não pude deixar de reparar em algo que me pareceu insólito, as peças sanitárias, lavatório e retrete estavam envolvidas com uma forte corrente, presa a um grosso grampo de verguinha chumbado ao chão com cadeado.

 Ficou-me na retina este pormenor de como sobreviver num país em construção.

 

Glossário: chicoxana - ancião com sabedoria, século (Angola) Xipamanine – mercado, zona de Moçambique; maning – muito; boé - bom; bafunfar – dar-se ares, importante; cakuana – avô; marula tree – arvore frondosa que dá um fruto na forma de baga com o mesmo nome; Cassoneira – palmeira de onde se extrai vinho marufo, maximbombo: - autocarro, ónibus (Angola)

    

      O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:25
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2008
XINGÓ

               O VELHO CHICO

                Xingó – Velho Chico – 3 . Junho de 2008

 

Um carcará dava voltas por cima do morro da caatinga verde, encostas do rio são Franciso, em Canindé. Contrastando com o céu meio azul, meio branco, um cacto quipá, lançava os braços em forma de candelabro, parecendo ter sido posto ali para embelezar o quadro.

Nesta aridez do Nordeste Brasileiro, o rio Sâo Fancisco é o único que mantém o seu leito ao longo do ano; muitas represas retêem-no, mas ainda, é o imperador da caatinga nesta natureza de mata branca que  pouco mudou; as melhorias não foram tantas ao ponto de se poder dizer que o mesmo terreno que gerou Virgolino, “O Lampião” ainda ali está. Se neste momento há uma semente germinando um novo Lampião, é impossivel saber.

O povo brasileiro sempre foi brando, demasiado alegre, tornando as ditaduras ridiculas num contorno de festa, com xanchado e cheiro de mata num solto agreste mas, o  mando despótico  na ponta do fusil, continua.

 Ninguém consegue calar a alegria de liberdade por muito mando que haja; o calor, as mulatas e o grito de suspiros proliferam com a policia promíscua, corruptivel como sempre.

Na evolução do povoamento, o ruído das ondas e o farfalhar dos coqueirais abafavam as guerras, os gritos que vinham da Europa; as novas gentes  proliferaram numa natural missegenização numa só raça, a humana.

Com todos os defeitos e algumas virtudes, os novos colonos e ex-escravos foram espreguiçando o lazer, libertando-se dos grilhos e do cangaço, criando quilombos para além das sanzalas, com mistérios de cazumbis, N´zambi e maracatus com zumbis alforriados.

Após o ano de 1930 e até o início da segunda guerra mundial, a emigração portuguesa fez-se em massa; também chegaram muitos  italianos.

Após a abolição da escravatura, em Lei Áurea de 1888, pela princesa regente Dona Maria Isabel, filha de D. Pedro II, com incentivo de aristocratas, começaram a chegar familias inteiras a Santos e São Paulo, gente de sete saias minhotas e tamancos da beira que arregimentados substituiam os negões das roças de café e tabaco; milhares de patricios de Pedro Alvares Cabral, foram-se espalhando pelo Brasil a partir da ridicularizada corte de D. João VI.

Os fidalgos, comendadores, barões e outros brazonados de Portugal, lá no rectângulo da primeira república, iam ficando sem gente para o amanho da terra. Portugal mantinha-se pobre,  pequeno e sem recursos por má gestão das colónias em África e Brasil.

       Os novos brasileiros foram paulatinamente assentando a vida na venda a retalho, comida ou panificação, mercearia e, internando-se no sertão, foram compondo o Brasil.

       Olavo Bilac, Mário Couto, Machado de Assis , Graciliano Ramos e o mais contemporâneo Jorge Amado, foram descrevendo a epopeia desses pequenos burgueses que em pouco tempo se tornaram os barões do café no sul, coroneis no sertão ou agreste, com seus engenhos de açucar, ganadeiros no Mato Grosso e Seringueiros no Amazonas.

E, surgiram os homens de arte: Di Cavalcanti e Portinári, os jornalistas Lourival Fontes e Adalgiza Nery.

Três quartas partes do Brasil por desbravar, espaço sem conta, juventude e alegria num mundo aonde tudo ainda era desconhecido.

Os índios com pinturas como vestimenta bebendo água de coco, suco de genipabu, de graviola, manga ou seriguela foram  aveludando a pele.

A vida foi sendo pintada com Jagunços a mando de coroneis, regiões inteiras deslocando-se em paus-de-arara, pescadores deslocando-se em frágeis jangadas de velas quadradas, subindo o rio São Francisco ou saveiros de cores garridas, percorrendo a costa entre a mata da margem o os recifes do Atlântico.

Caboclos, matutos, mulatos de várias matizes, tomam assento em locais inóspitos enquanto na praia os namorados incendeiam desejos com música a granel, com decibeis grátis ...

Aqui, nordeste do Brasil, a diferença é grandiosa, muito cheia de empatia em cheiros e aromas cativantes e, aonde os abusos e injustiças não são suficientes para sufocar o calor da galera, da favela do suburbio, do sinhô e da sinhá ou do moleque, pivete ou moço.

É um lugar aonde a gravata não faz sentido e, aonde a frescura é sinónimo de emproado.

 

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:59
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008
OS NADAS DA VIDA

                             Os nadas da vida

A vida é feita de nadas.

De grandes àguas paradas à espera de movimento.

De cearas ondulantes com o vento

Autor: - e, eu sei lá?...

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:33
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CHICOXANA NO ZIMPETO

            

 

 

              CHICOXANA DO ZIMPETO 

           Maning boé no kruger – ( 1ª parte )

 

  O chão estava molhado e naquela curva a seguir às bissapas, um búfalo olhava-nos de frente com uns olhos vermelhos de meter medo. O bicho grande fitou o nosso DKV fumegante e num pedaço de curto tempo deu uma guinada, mais uns quantos pinotes, estancando lá mais longe junto a uma cassoneira; olhando desafiadoramente para o nosso invólucro forrado a lata castanha, fazia levantar desespero na forma de pó pateado.

Após as primeiras chuvas, o pó em África, tem um cheiro de terra especial; quem o não cheirou, não consegue conciliar os sentidos inebriadores duma mistura de capim, folhas, estrume, pólenes e odores de mato em inverno de Agosto.

Em Skukuza tomei palavra com Kastarina com Kapa, Moçambicana de há muito tempo e que, atravessando a reserva do Kruger tomou cidadania a bafo de leão; subiu no pau e, de lá foi tirada por uns guardas da reserva que afinal, até  tinham algum parentesco; daí, conseguir desenrascar cidadania em Graskop junto de uma matrona que a declarou como filha.

 Pelas palavras do Juka Balaio esta senhora perdeu a conta dos filhos que tem; ela não tem pinta de mentirosa mas, a troco duns Menticais ou Randes, a verdade fica mais sólida naquele registo.

Se, for negro, ali naquele registo,  só interessa saber  dizer Good Morning para figurar como adultero cidadão.

Kastarina com Kapa contou-me das alegrias da independência clarificando-se quando disse que lá no bairro do Xipamanine comeram a festa em três dias; o peixe seco que tinha em armazém foi todo vendido como aperitivo às cervejas 2 M ( Mac Mahom ).

E,... palavra puxa conversa, fui desviando paleio para outras novas mais recentes, ou defuntas.

Para Kastarina, o Cunhal de Portugal não lhe dizia nada; quando lhe disse que tinha falecido ela desconheceu-o plenamente e verteu ali mesmo assunto de cassete; falou da grande figura de Samora Machel, depois das menores virtudes do Chissano e do actual Armando Guebuza, patrício do Xipamanine maning de boé, chicoxana  mais revolucionário que o Lenine e Estaline juntos.

Enquanto falava com Kastarina, ia besuntando-me com “foge tudo” para me proteger do sol, produto revolucionário que também matava mosquitos; na embalagem dizia que se um mosquito incomoda muita gente, mil mosquitos incomodam muito mais!

E depois daquela conversa revolucionária, pus o meu chapéu do Karoo, montei o DKV e rumei para Nelspruit; fiz uma paragem no rio Sabie que estava inundado de hipopótamos e uma outra no Crocodile River para refrescar-me com uma Windhoek  lager.

Continua... 2ª parte)

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:39
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BRASIL E O CANGAÇO - VIII

BRASIL – A saga do cangaço ( continuação...VIII )

 

6 - O CANGAÇEIRISMO NO RESTO DO MUNDO

 

Como meio de vida, o cangaço surgiu um pouco por todo o mundo, fruto de carências diversas, sendo de destacar o sucesso destas hordas de marginais em zonas áridas, afectadas por prolongadas secas, com poucos ou nenhuns caminhos de acesso, isolados do mundo nalguns casos. Esta gente vivia à míngua, pendentes das chuvas e pouca vigilância por parte das autoridades oficiais.

A partir de 1800, de modo endémico, surgiram grupos de malfeitores enquadrados no México, Espanha, Grécia, Itália, e até mesmo na distante Austrália.

Nos Estados Unidos da América, durante e após a guerra de sucessão entre o Norte e o Sul, combatentes desmobilizados da guerra formaram grupos de forasteiros convulsionando o Sul, menos rico e de terras menos férteis. Nalguns lugares semelhantes ao sertão Brasileiro como Andaluzia na Espanha, a Córsega em Itália ou as Beiras em Portugal, também surgiram grupos de bandoleiros.

O terror das encruzilhadas do Marão, descrito nas memórias de cárcere por Camilo Castelo Branco, tornou-se um senhor de respeito numa África que também passou a ser sua, após a morte.

Entre meados do Século XIX a 1940, o banditismo social verificava-se em toda a América do Sul, na Europa, em todo o mundo Islâmico, na Ásia Meridional e Oriental.

Nos Estados Unidos da América e após o tempo dos “cowboys” em que o uso de duas pistolas mais uma Winchester, era habitual e permitido por lei constitucional, tornaram-se famosos nos muitos livros de histórias em quadradinhos e filmes, que fizeram as delicias dos adolescentes um pouco por todo o mundo nos anos sessenta Bill Kid e Bill Doolim.

Na conturbada Itália da primeira metade do Século XX foram célebres Giuseppe, Nicola Summa e Crocco.

Por essa altura, na primeira metade do século XIX, no Brasil, o “Lucas da Feira” era o terror na área do agreste Bahiano.

Em Pernambuco actuavam Cabeleira, António Bernardo, Cocada, Tempestade e João da Banda; estes dois últimos, também actuavam na Paraíba.                                   

 Internado na mata do agreste de Pernambuco, André tripa, ficava famoso pela maldade e sangria de facão e, mais a sul, em Minas Gerais, António Dó e Cocada dão nas vistas como matadores.

A tradição oral dos repentistas, poetas populares, relembra o tempo de Cabeleira:

 

                 Meu pai me pediu

                 Por sua bênção

                 Que eu não fosse fraco

                 Fosse valentão

                             Minha mãe pediu-me

                             Por sua bênção

                             Que eu não matasse

                             Menino pagão

                                         Minha mãe pediu-me

                                         Por seu coração

                                         Que eu fosse bom homem

                                         Não matasse, não                              

                                                     Minha mãe me deu

Contas p´ra rezar;

Meu pai deu-me faca

Para eu matar

            Eu matei um,

            Meu pai não gostou;

            Eu matei dois

            Meu pai ajudou.

 

      Por estes versos repentistas pode apreciar-se a família nuclear de gente empobrecida em tudo e, nos valores de justiça e convivência; Cabeleira, de nome José Gomes quando se aproximava de qualquer sítio ou povoado, os moradores atemorizados fechavam-se nas casas e, não ousavam sair delas; isto sucedia em finais do século XVIII.

A literatura de cordel dava fama e estimulava à vida do cangaço dando ideia de impunidade e, sem respeito pela liberdade do ser humano; tempo de cangaço-novelas que se desenrolavam conspurcando com malambas, governadores, bandidos e juízes, dando coito a afamados do punhal.

Continua..... (em execução)

O Soba T´chingange

 



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Terça-feira, 1 de Julho de 2008
XIPAMANINE- 2ª parte

 VUZUMUNANDO SINDROMAS – 2ª Parte

 A vida no Xipamanine

 

Estava quase a chegar ao Ndumba Nengue quando um desempoeirado polícia vestido a caqui azul e cinzento bamboleando o cassetete fez parar o  Juka .

-Que levas aí nesses garrafões? Perguntou, sabendo de antemão que aquilo só podia ser água de defunto

Nos entretantos da averiguação o polícia queria mesmo adquirir aquela água milagrosa para adormecer a dona Josefa, mulher de muitos atributos que lhe espicaçavam vontade. Josefa na recusa permanente de curtir a lua com luar de janeiro, só lhe deixava esta saída, usar o dormente liquido misturado a água de rosas que dias antes  lhe tinham dado no hospital José Macamo. Ali a água de lavar defunto ficava maning de caro.

Por detrás de todos os acordos e calamidades, ao povo resta sempre usar a imaginação dum mercado livre, sem impostos e paixões descabidas.

- Porquê? - Porque por detrás de todos os acordos de enfáticas qualificações a ideologia, torna-os sempre em empréstimos faustosos de caras banalidades, servidões em que o povo fica simplesmente ausente. Eles, não sabem que efectivamente assim é; só ficam agradecidos pelas alegrias e tristezas do que lhes acontece na vida e naquele momento.

As altitudes ocidentais às vezes descabidas, perante alguns países de África, parecem sempre obedecer a um esquema de paternidade normativa. Têm sempre como base não o aspecto cultural dum qualquer povo  mas, os reais recursos materiais destes.

Afonso Dhlakama, representante da Renamo, que perdeu as eleições obtendo somente 31,74 %, disse que Armando Guebusa seria um espelho do seu antecessor Joaquim Chissano e acrescentou:

- “As riquezas do país continuarão adormecidas, privilegiando a ajuda da comunidade internacional, o que, não é correcto, porque um Estado  não pode ser independente apenas politicamente, quando economicamente estende a sua mão para resolver os problemas do Povo”.

 

Glossário: Vuzumunando – contemplando, zurzindo; txova xitaduma - carro de mão - (Moçambique); Xipamanine – mercado; maning – muito; boé - bom; mufana – rapaz, jovem; mafureira – árvore, o mesmo que mafumeira; bafunfar – dar-se ares, importante; cakuana – avô;  madala – homem idoso; chicoxana – ancião com sabedoria, século (Angola); bassela – gorjeta; Ndumba Nengue – feira da ladra, confiar no pé e correr (produto roubado), maleita da descolonização; xipefo – candeeiro; bicuatas – tarecos (Angola). 

 

Escrito em  10 de Fevereiro de 2005

O Soba T´chingange

 



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