Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
ANGOLA E AS ELEIÇÕES

                                  

                                          ELEIÇÕES - Como vai a campanha

                                          CORRESPONDENTES "avulso"

 

A campanha eleitoral em Angola termina dia 27 de Agosto, oito dias antes do cinco de Setembro, dia  da eleição

 

DAVID KAZUCUTA

- Não vivo da política. Vivo do meu trabalho e só dou conselhos!...mesmo sendo analfabeto tenho muita experiência!... Não vivo de fricção!

 

PAI DO DAVID KAZUCUTA

- Peço desculpa pelas asneiras que o meu filho diz. Ele é doente da cabeça e não toma os medicamentos. Ele não trabalha, vive só da candonga. Vai lavando uns carros nas poças dos tubos que quebram e só vive mesmo de expedientes. Também leva umas coisas de casa para vender no desbarato.

 

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O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:02
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ANGOLA E OS CANDONGUEIROS . II

                                          2ª parte

      CANDONGUEIROS

                           ETECETRAS E O FACTOR P


 

E,...qual a diferença?

- Que me interessa,... estou de férias digifantasmadas e,... vida mesmo, é uma opção que nunca devemos rejeitar por muito que nos custe.

Masé mestria da vida, mesmo!

Preto ou branco que importa!... Em áreas que cheira a negócio, os kuribotas da nomenclatura, diversificam poder, alguns que bazaram logologo, regressam tornando-se os mais verdadeiros patriotas.

As regras e obrigações que se transgridem no dia a dia, são fruto de exigências muitas vezes descabidas. As kinguilas do kinaxixe num diz que disse, só xingam mambos.

- Um pacote tentador, diz Chafundanga na explicação do seu negócio ao amigo Massas Kaputo, novo estratega da secreta, coadjuvador do director do DDT.MS.

Na hierarquia do homoxerifado dos assuntos parasociais Chafundanga, tornou-se um bom conhecedor do seu lugar,... um supra numerário com larga experiência em aquecer matacos a muatas; Sabe a dose certa para jindungar, untar e kazucutar toda a engenharia financeira da nomenclatura do Éme (gente lá de cima).

Estes paladinos com vida curtida de cansaço, refastelados na orla da piscina, transbordavam sapiência:

- Nada de mostrar reticências, fazer investigações seguras e profundas, não dar demasiado confiança, mantê-los na trela! Dizendo isto, apertou o punho alçado em direcção à Korimba. É o estado económico, problemas de logística e recursos humanos que nos leva a fingir mimos, aparências ou afectos, diz o DDT.MS, Director de Tarefas e Manutenção Secreta que estava atento à jogada.

Desconsegui saber o nome daquele director, usava demasiada prepotência, opulência e petulância; além de ser três em um, estava carregado do factor P ( poder ).

Logologo, bazei dali.

 

Glossário - palavras sublinhadas

banga – estilo do ka-luanda, calcinha; gasosa – gorjeta, corruptela; nocal / cuca – marca de cerveja; mujimbo – boato; mulembeira – árvore ou figueira de grande porte, de onde se extrai o visgo; muata –homem de paz, com sabedoria; Roque Santeiro – o maior mercado de África a céu aberto, tem de tudo ( Angola); Tira Biquini – grande mercado de permuta, ( não tem, tira biquini ); Mutamba – centro de Luanda; jindungo – piripiri, pimenta; kota – mais velho, idoso; Mussulo – ilha a sul de Luanda; kazucuteiro dança, bandalheiro, dado a embustes; curibota – manobrador de altos interesses, bem cotado em mexericos ; bazar – sair, ir embora; kinguila – mulher que faz câmbio de moeda na rua, quitandeira de kumbú; haca! – exclamação por admiração, espanto em Umbundo (generalizado por toda a Angola); kinaxixe – mercado de Luanda ( Património arquitectónico de raiz colonial); mataco – rabo; xingam mambos – falam problemas, coisas de boatos.


 

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:31
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
MOÇAMBIQUE NA MACHAMBA

 

                                  MACHAMBA

No país das capulanas


 

Lussinga Kalahári, sombreada de amargura arredondava entendimentos no meio do deserto que lhe deu o nome; estava habituada a lidar com milhares de pedras, as mesmas que formavam um mar de areia.

Continuava preta, tinha um corpo prematuramente envelhecido debruado de sumaúmas, os seios ainda arredondavam a blusa marcando competente presença sensual. Sombreada de amargura, inalava léguas e léguas de desolação numa aridez preocupada mas, o calor da amizade continuava imune.

Kalahári sentia-se deslocada em terras do Limpopo mas estava ali cumprindo um compromisso de promessa ao seu marido defuntado em terras do Orange River.

Pernoitamos no Inhassoro em casa do China, embalsamador de aves e escultor de sonhos.

Rodeados de carcaças de búfalos e antílopes vários, espalhados pelo quintal, podia ver-se ao longe a ilha de Bazaruto. Na penumbra matinal entre cajueiros e mangueiras misturavam-se os aromas mas, o do café sobresalientava-se; Após o mata-bicho seguimos via norte cruzando pequenas povoações reunindo pelo caminho massalas, cocos, abacaxis e verduras várias.

Surge o rio Save e naquela curta ponte tivemos de pagar a respectiva "quinhenta", portagem estabelecida por quem de direito, fazendo justiça à nobreza do rio adicionando carecidas necessidades.

Em Chiboma paramos p´ra fazer necessidades e meter conversa com amigos de tempos passados. As mulheres de capulanas garridas cercaram-nos oferecendo produtos vários, o negócio sobrepunha-se à vontade de comer, talvez sim, ou não, porque elas estavam em algazarrada diversão; no chão estavam desordeiramente expostos os produtos da Machamba.

Foi aqui que deichamos a Lussinga, um mistério de mulher procurando o fantasma de seu marido e familia só falada.

Esquecidos do tempo e da cólera, sob telhado de zinco salpicado de ferrugem ondulada, saboreamos o frango de espeto no pau e batata doce; P´ra refrescar tivemos umas cervejas M2 (mak mahom) de 10 mil míticais.

Desde o rio Save que o todo terreno quatro por quatro vem surfando a estrada; espectaculares saltos fazem cair em cima de nós, malas, corotos e abacaxis.

   Há no ar resquícios de guerras passadas, cubatas descascadas a tiros de guerrilheiros da Renamo, Portugas e da Frelimo.

De vez em quando a paciência esgotada transborda da via principal e circunda pelo pó envolvendo espinheiras e embondeiros (baobá) e arbustos de massala.

Depois do cruzamento que dá para o Chimoio e Gorongoza a situação melhora. Pela tarde adiantada chegamos ás machambas férteis da Beira.

O Xai Xai ficava 1000 km lá mais a sul; Entre lá e cá não vi outro tipo de bicho diferente de mim; confirmei no regresso de machimbombo a Maputo, após 18 horas contínuas de viagem.

Da simpatia de todos resta a saudade, o calor humano de muitas e incógnitas gentes das vastas planícies e áridas anháras tão cheias de zumbis.

O Soba T´chingange


 


 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:08
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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
MONANGAMBA . II

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                    MONANGAMBA

                                               O Cipaio Mandinga – 2ª parte

Kabassa trazia numa mão um cigarro de cânhamo; de boca aberta deslumbrava alegria perfilando os dentes todos e, todos brancos. Na outra mão trazia um agasalho para o seu N´fumu Mandinga uma capa, adorno de pele de boi.

Kabassa trazia um toucado e adornos por todo o corpo; faltavam-lhe pernas, braços  e pescoço para tanta argola de latão.

No chão de terra pisada viam-se utensilagens para o leite; pendurados em paus e corpos viam-se correias de couro. A contornar todas as libatas os chinguiços dispunham-se irregularmente em circulo de arestas fendendo o ar; serviam para  defesa dos leões e outros felinos.

As mulheres surgiram carregadas de discos de casca de ovo de avestruz no peito e nas orelhas, esguias e escorridas; viam-se esteiras, cerâmicas, cachimbos, pentes e cabaças gravadas.

Do meio de muitas ferrarias e obras de talha à mistura com panos de algodão entrelaçados com fio de latão e tiras de couro saiu um candengue que, era eu!

Não sei como e, porquê estava ali, todo farrusco, com  enjoo de intenso boi e bosta cheirando a leite azedo.

Caluviavirí era a alcunha do chefe de posto, meu pai de faz de conta .

Tenho ainda o dente de facóquero que o cipaio Mandinga me ofereceu. Eu, era o menino ka-mundongo, besugo do Mwene-Puto que por ali testemunhava com inocência o supérfluo, o restritamente necessário sem fronteiras de ordem ou outros interesses.

Naquela noite, tudo foi feito na roda da grande fogueira e batuque com t´xinguvo.

Foi só um grão de sal em pura satisfação espiritual!

 

Glossário

Bissapas - arbustos; Cipaio - guarda de posto administrativo; mateba - palmeira de onde se extrai vinho de palma ou casca da mesma para fazer cordame; ka-mundongo - nativo de Luanda (N´gola); monangamba - trabalhador sem especificação; muxito - tufo de mato; N´fumu - chefe, homem de respeito; t´xinguvo - tronco monobloco trapezoidal, com ranhura longitudinal que ecoa som mais grave que o tambor; t´ximpaca - cacimba de água de chuva

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:21
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CONHECER O BRASIL - VIII

                   

                              TEMPOS DE CARAMURÚ - 3ª parte

                               Arte de marear

 

Em pleno ano de 2008, navegar a vida, é tão ou mais difícil que descobrir novas terras como à 500 anos atrás o fizeram navegadores de Portugal.

Nesse longínquo ano de 1506, o astrolábio, as correntes marítimas, os ventos e o Sol eram os instrumentos que processavam a navegação.

Os blagueiros de hoje usam o computador, tecnologia de ponta a comparar com os instrumentos de faca e alguidar daqueles idos tempos. Recordar que naquele então, o pincel de “lava rabo”, era usado por todos os tripulantes, na ré da nau.

Ao invés dos dias de hoje em que parece já estar tudo inventado, naqueles tempos descobrindo novas paragens, usavam-se o astrolábio de latão para bordo e o de “pao” ou grande, para as observações em terra; entretanto, já era conhecida de forma elementar o regime do Sol, Estrela Polar e Cruzeiro do Sul e, até se faziam deduções entre o Norte da agulha e o verdadeiro.

Naquele tempo, as blagues, eram as descrições inchadas de imaginação que os marinheiros nos portos iam passando em conversa. Nas tascas, de forma superficial, sem conhecimentos técnicos, iam transmitindo as novas latitudes vistas no outro lado do mar e, entretanto, em surdina, infiltrados espiões ou olheiros, de porto em porto, iam anotando dados afim de serem transmitidos a corsários, outras bandeiras ou interesses comerciais.

Na necessidade de estar solto, em vivência de uma vida anterior, vi-me junto do caramurú Diogo de Álvares em terras quentes da Bahia, como aprendiz de astrólogo. Ali, a gente era toda alva, ”os homens mui bem dispostos e as mulheres mui fermosas, que nam ham nehua inveja às da rua nova de Lixboa”.

Tive de recorrer ao diário de viagem de Pero Lopes de Sousa, afim de recordar-me dos abrolhos de então, dos muitos corsários que tínhamos a enfrentar; regras promulgadas pelo Papa Alexandre VI e sua sereníssima Majestade D. João II rei de Portugal, pelo Tratado de Tordesilhas no ano de 1494.

Hoje não há tratados desses, a globalização leva-nos a casa toda a informação; má ou boa, chega-nos sem uma triagem homologada por instituição idónea.

Voltando ao ano de 1506, estando na foz do rio S. Francisco, assisto a um combate naval entre índios; cinquenta canoas de cada banda e “secenta homes” em cada qual. Os vencedores mataram os prisioneiros assando-os e comendo-os em seguida com grande festança. Eram “homes grandes e nervudos”.

Na minha missão de arrumar as terras nas cartas, quase todos os dias observava a latitude a bordo, depois, conferenciando andamentos com o piloto, dava compasso às singraduras, prevíamos as léguas, a influência dos ventos e das correntes; para além do limite do Tratado de Tordesilhas guardava-mos resguardo.

Espalhamos padrões com a cruz de Cristo por toda a redondeza da terra; em caravelas, naus, bergantins ou canoas, navegando à bolina, com o Siroco ou Alisado, tornamos o mundo global.

Las Casas, cronista conceituado, dito portador da verdade, confidenciou-me que Duarte Pacheco, antes de 1494, já tinha descoberto não só terras brasileiras como também a Flórida só que, tal não podia ser revelado pois o destino do caminho marítimo para a Índia era segredo absoluto. Todos os mareantes de então iam à procura da “Antília”, uma ilha mencionada em escritos e esboços grosseiros feitos por Normandos e Genoveses. Nós, também!

A arte de navegar de hoje “via Internet” não tem nem de longe a audácia desse meu companheiro Pero Lopes de Sousa que trabalhou doutra forma neste veículo de globalização.

Comparar os blagues de hoje, aos feitos do Pero de Sousa, é confundir a arte de navegar.

Nos abrolhos do rio de S. Francisco num lugar de varas, uma rede feita de tiras de couro, vegetação densa, cipós entrelaçando casa de esqueleto à mostra, ouço barulho; o som vinha devagar com cuidados antecipados pois, no meio da fumaça exagerávamos zumbidos e feitos.

Enxotávamos “os sancudos” impertinentes, fantasmando labaredas com rama verde.

Naqueles blagues de 1506 o tempo passava como fio de ideias impregnadas em catinga.

Com o mar cavado perfuramos o medo, ultrapassamos baixios, conquistámos terras a “uma boca não he mais de hum tiro “d’arcabuz”, as ilhas dos Frades, das Flores, das Palmas e, tantas outras,...menos a Antília!

Numa madrugada rebentou-se uma das amarras, a nau começou a garrar, em alvoroço, o mar lançou-me fora com a ressaca,...fui empurrado para o ano 2008.

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:34
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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008
MONANGAMBA

    

                                 MONANGAMBA

O cipaio Mandinga -1ª parte


 

Como um leão suspeitoso agachou-se por detrás da espinheira, espevitou os odores do embaciado cacimbo e pé ante pé galgou uns metros penetrando o olhar para além do muxito.

Tenso de bravura afastou as bissapas, colocou a sua curta azagaia no arco e, com gestos lentos tomou pose de felino; de mão estendida prendia o arco e, afinando pontaria largou o ensebado e tenso fio de couro.

Da t´ximpaca suou um grunhido forte e agudo ferindo o silêncio da planura; a flecha, de certeira, fez jorrar o sangue na lama manchando-a de pintura de morte; entretanto o bicho esperneava com frémito mal contido.

O cipaio Mandinga em três pulos, com deve ser num senhor dono dos segredos da selva atou as patas traseiras do já morto bicho com improvisorias matebas entrançadas.

Como um bom caçador, acariciou o áspero lombo do facóquero, assim como o leão acaricia de estimada gula a presa e, deslizou as mãos calejadas ao longo do focinho até sentir as presas de osso cortante que se salientavam dos maxilares em forma de foice.

Ouvia-se o restolhar do resto da vara de javalis bufando de raiva e medo quando Mandinga carregou o animal no costado nu.

Compunha-se ali no oblíquo contraluz do amanhecer um selvagem quadro de perturbante e frágil sobrevivência, tal como nos ancestrais tempos silenciados da perdida imensidão.

Cipaio Mandinga sem delírio, destemidamente só, dignificou o gesto, o único de homenagem a um herói; ele próprio!

Já cansado chegou ao seu kimbo.

Ao seu encontro vieram os candengues gesticulando bravezas de fingir pulando ao redor de Mandinga; cercavam-no com toques afáveis de caricias tribais.

Naquele dia Mandinga era o maior!

Limitado de geométrica forma circular o kimbo era formado dum conjunto de cubatas arredondadas, paredes de lama e bosta seca disposta em tabique, um postigo pequeno e cobertura em colmo enegrecido do tempo; Foi duma destas cubatas que saiu uma mulher com especial espalhafato . Era Kabassa , a Mucuisse, mulher de Mandinga.

Kabassa, veio animar de contente o seu homem exclamando:

- Chiiiii!!! é grande mesmo! Referia-se ao facóquero.

O facóquero foi lançado em cima duma esteira colorida, misto de tranças de couro e palha espalmada.

( Continua....2ª parte )

O Soba T´chingange


 


 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:29
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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008
ANGOLA E A LUA

             

                           UM EMBONDEIRO NA LUA

                       O homen quissange

Como é Kota, quando voltas à Maianga?

Luanda, não sabemos se anda ou se foge! Neil Amstrong aterrou ali, aonde existem morros com o nome da Cruz, dos Veados e da Lua; precisamente aonde Amstrong deixou a sua marca.

Quissange, cantor repentista, jura por N´zambi, tê-lo visto pulando com uma bandeira de riscas e estrelas.

Só podia ser ali: - Luanda!

Os pés calejados, suportavam com gretas espalmadas um corpulento negro; aquele corpo de baixo acima estava por demais maltratado, carregava o mapa mundo pintado de mazelas de guerras, escaramuças da mata e sobrevivência carecida.

Quissange, espumando vontade de vida, tentava fazer-nos querer filosofias de cachipemba misturada com liamba em sabedoria de quimbanda.

Saído do seu kimbo por força da guerra, só viu o tempo passar; de luta em luta, desbravava bissapas na busca da mulola ou chimpaca com pau de mandioca.

Ele não vivia; sacudia a vida, pois só desconseguia! Estava metido num corpo cheio de riscadas lembranças de filária, matacanha e maus tratos de quimbombo e bamga-sumo.

Até que um dia visionou um homem saltando nas barrocas dum agreste, além Mussulo; sem saber estava assistindo ao primeiro passo do homem na Lua. Acabada a guerra, largou a arma e entreteve-se na cantoria com um instrumento de sofisticada tecnologia

Quissange não é nome de gente mas, ele só queria mesmo ser tratado assim!

Quissange, instrumento composto de ferrinhos de comprimentos diferentes, atados a uma galocha de madeira, chispados na ponta com os dedos, davam uma tonalidade mística que só África pode transmitir.

Até as hienas cantam de encanto com tão inebriante som!

Mas,... este Quissange, era gente e tocava um instrumento que ele mesmo inventou. Tal inventação tomou o nome de Korimba e, com ele começou a ganhar algum dinheiro.

Um pau atravessava uma lata de azeite galo vazia, na ponta saiam uns chinguiços, nos quais ficavam amarrados três fios de nylon que iam envolver um pedaço de ripa grampeada na lata.

Tinha muito orgulho nesse invento. A partir daqui, Quissange, deixou de ser um qualquer desclassificado! Passou a ser o Quissange show.

Percorria a praia de cabo a rabo, voltava entretanto e sempre tocando o seu instrumento ia obtendo umas moedas de gasosa; essas gorjetas, faziam-no ultrapassar carências fundamentais.

Para uma vida a sério, era mesmo necessário uma grande logística. Quissange por usufruto das calamidades contava coisas que só ele mesmo sabia.

Dedilhava as cordas de nylon com gargalos de Cuca enfiados na ponta de dois dedos; em cada mão tinha cinco mas, enquanto que na direita usava os tais dois, a esquerda corria com todos ao longo de parte do pau, amarrando o nylon a este.

Os apitos dos barcos kitoco e Kapossoca davam nobreza à kizomba dele!

No fim da cantoria abria a boca de beiçolas espantadas e, sorria com os dentes todos; Quissange pessoa, sem sons de guerra, fantasiava-me segredos, concebidos no Mussulo em sucumbidas vontades.

Faltou-lhe um pouco de muita sorte para ser o próprio Neil Amstrong.

Na minha última ida à Lua encontrei o agora afamado Quissange show na rua Marian N´gouabi. Disse-me que no presentemente tudo estava virado ao contrário, como embondeiro de raízes para o céu. Mais velhos, eu e ele, reciclávamos passados.

Dizia ele:

- Kota, ouve só. Queres ver?...

-“Os brancos agora, chamam-se N´dumduma, Mangumbe, Chassama, Pepetela, Liuanhuca, T´chingange. Os pretos são José Eduardo dos Santos, Agostinho Neto, Fernando Dias dos Santos, Jorge Valentim”

- Como é Kota, quando voltas à Lua?


 

NOTA PS: Crónica dedicada a José Luandino Vieira (prémio Camões 2006, recusado), o preto mais branco, o maior mussequeiro “Mundele ou N´dele de Luuanda”.

O Soba T´chingange


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PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:31
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008
ANGOLA E OS CANDONGUEIROS

 


 

                                      1ª Parte

                    
 

CANDONGUEIROS

                      ETECETRAS  E  O  FACTOR  P


 

Dois Mil e Oito, Luanda, capital do país da banga e da gasosa com eleições à porta.

Cinco de Setembro, dia da mudança ou da continuação. Cinco de Setembro, um novo dia ou vinculação da batota. Dia de eleições.

Feito fantasma, pouso na avenida Marian N´gouabi, (António Barroso) em plena Maianga tão cheia de recordações. Passei no sítio aonde meu pai jogava cartas de batota, uma vaza, vai um tinto, uma nocal ou uma cuca; debaixo da mulembeira do Baía, lá estava ele com os amigos, naquele lugar do Malhoas. Todos fantasmas.

As recordações são mesmo assim, etéreas, viajam no tempo muito mais rápido que a velocidade da luz!

Nunca soube ao certo o porquê daquele sítio ser conhecido por Malhoas mas, recordo os bananais que se estendiam ao longo do rio seco até ao ainda novo bairro do café.

Este fenómeno de estar e sentir, pulsando Luanda no tempo, tem a ver com o ditado “Quem beber água do Bengo nunca o vai esquecer” e, agora, em 2008 o simplesmente, acontece!

Uma fagulha num olho pode alterar o rumo na nossa vida, não é?

Na Marian N´gouabi enquanto esfregava o olho, pude escutar o mujimbo dos kotas que, só falavam entre si:

- As eleições vão ser mesmo agora meu, juro,... sangue de Cristo! Ouvi mesmo! E, continua a indiscrição terminando num bater de dedos, braço no ar como cortando ousadias ao vento.

- O muata que ouvi falar, disse muitos etecetras que não consegui descodificar, mas que disse, disse, eleições populares já!,... em Angola!!!

- Haca!... Conseguimos, pópilas, faz tempo te falei meu! No após 2008, vão refazer as estradas, os caminhos de ferro e etecetra. Vamos ser um país de verdade, no completamente sem chinfrim.

O arquitecto ka-luanda, António Pereira falou da expansão urbana, das infra-estruturas, instalação dos descamisados, requalificar os musseques. Falou que se, os políticos tiverem empenho, conjugam todos os etecetras do povo.

Angola vai mesmo sair da lista das calamidades, novas regras no Roque Santeiro, no Tira Biquini, com novos maximbombos a partir da Mutamba, para todos poderem votar, no curto e longo curso.

Do maximbombo nº três, vi todos os dias passarem pela Mutamba. As kinguilas trocam kwanzas e dólares em quindas cheias de notas. Kazucuteiros, geram negócios de escapes, bielas, chassis e, coisas de atravessar qualquer dezasosego sem qualquer lei regulamentar.

Refastelado no Mussulo, entre coqueiros, gente gira e kotas ricos, escrevia no ar (batiscafava):

- Somos tão pequenos neste mundo cósmico, que aflige ver ao nosso redor pessoas, sentirem prazer em subestimar a todo o tempo o seu semelhante. Ó preto, traz-me uma caipirinha, dizia um barrigudo a outro preto.

( Continua....2ª parte )

O Soba T´chingange


 


 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:38
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
ANGOLA DOS MWENE-PUTO

 

 

         TEMPOS DE MWENE-PUTO


 

A verdade, nunca o é de valor absoluto mas, na relatividade da afirmação o peso desta vem de quem a prefere num determinado tempo.

Um Ex-combatente em Angola sofre agora de stress de guerra; cumpriu o serviço militar sem saber que tinha os pés chatos e agora a adicionar muitas mais mazelas à idade, pede uma reforma condigna; não pode levar uma vida normal no dia a dia como a de um qualquer outro cidadão.

Na dita cuja guerra e, por força das disposições patrióticas teve de ir defender a nação; ele não queria de modo algum ser chamado de cobarde, refractário, desertor ou ter qualquer adjectivo que o catalogasse como um mau cidadão.

A maioria dos combatentes, sem subterfúgios fizeram o seu serviço em dose de camelo; viram morrer camaradas, ficaram apanhados do clima, mosquitagem, jibóias, gorilas e sanguessugas dos pântanos.

Contornando medrosas angústias, febres palustres, água estagnada e jacarés, exigiram um esforço na consolidação dum país que não pode ser esquecido pelos governantes de hoje, tanto de Portugal como de Angola.

Recalcados de tanta injustiça, perderam o medo naquelas florestas, xanas, e anháras, numa Angola tão rica e tão ingrata. Defenderam e mataram gente, construindo novas coisas, impondo regras sociais para conservar tal espaço.

Fiotes, Kiokos, Kimbundos, Umbundos. Hereros, Ganguelas, Muilas e Mucubais e Bosquimanos, mudaram de alguma maneira o modo de estar dos magálas de Mwene-Puto;

Tantas guerras para desenhar um mapa cor de rosa, para nada... Quantas mortes descoloridas!

Angola ganhou condição de país quando na embala de Belmonte, Silva Porto, com 72 anos de idade se imolou envolvido à bandeira Portuguêsa; isto foi muito antes do arrastar da bandeira do Puto por muitos lados e pisoteada por gente que virou governante. Enquanto isso os resistentes daqueles tempos lambem as feridas de catanas ou G-três da história.

Silva Porto desrespeitado pelo soba N´dunduma, "O trovão", meteu-se numa barrica com pólvora e queimou-se,...outros tempos!

O Mapa-Rosa africano começou a ser desenhado em 11 de Julho de 1890 com as campanhas de submissão do sobado do Bié e, passados 85 anos, em 11 de Novembro de 1975 concretizou-se um país cujas fronteiras foram delineadas por estes combatentes paulatinamente despresados no tempo.

Aquele chefe "O trovão", veio a sofrer represálias a 9 de Dezembro de 1890 por parte de Artur de Paiva, Paiva Couceiro e Teixeira da Silva com a ajuda do povo Ovibundo governado então pelo rei Ekuikui Segundo. Daí as boas relações com o povo do Bailundo que perduraram após esses 85 anos.

Paiva Couceiro, foi em verdade o ultimo sertanejo a percorrer as terras do fim do mundo, no Cuando - Cubango, Mucusso, Cuangar, Dirico e Sambia.

Como curiosidade ao soba de Sambia de nome Palata de Massaca foi dado o nome de D. António Maria de Fontes Pereira de Mello, ao soba do Aimalua do Cuangar foi dado o nome de D. Luís Bondoso Pinto Ribeiro e Montes Claros e, N´hangau do Dirico ficou a chamar-se D. Afonso Enriques de Aljobarrota Atoleiros e Valverde.

Parece mentira mas, é verdade!

Para mim o ultimo acto de alguma dignidade na entrega de Angola, remonta ao tempo de posse do soba "Kapoco" no longínquo ano de 1891, substituto por escolha popular do tal "trovão" do Bié.

Após investidura com a entrega de uma bandeira Portuguesa e, tendo-lhe sido perguntado aonde iria ele construir a sua embala a isto, respondeu que a reedificaria ao lado dos túmulos dos seus antepassados(...).

Tudo o resto foi tempo perdido, Aos combatentes de ambos os lados ficou esta recordação como contentamento!


 

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:37
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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
ANGOLA . Viagem no tempo

                  

                                               CALUQUEMBE

                                                                   “Viagens no tempo”


Aquele almoço cheirava a naftalina; as roupas tinham já tantos anos como os já velhos perfiz que se espalmavam na forma de gente em silhueta; ao longo da fachada da churrasqueira do Campo Grande iam-se aglomerando os naftálicos personagens.

Eu, estava lá!...

Engenheiros de seriedade, inspectores de via e transvia, pintores de ferro, colocadores de solipas, topógrafos e desenhadores; ali estavam todos a relembrar o tempo em que, tal como eu, éramos brigadeiros, construindo coisas no papel ou, estendendo carris para lá do Luinha ou Kwanza.

Desta gente do mato, sobravam muitas rugas e lembranças de Cassoalala, Calomboloca e tantas estações ao longo dum caminho de ferro que se projectava para os lados do Congo, Malange e terras altas do Sul; sítio aonde Norton de Matos sonhou com a capital dum grande império.

Estava vivendo um sonho e, passados mais uns dias depois daquele encontro com antigos funcionários dos Caminhos de Ferro de Angola, relembro as nuvens pisadas num além que felizmente foi só um ai.

Depois da pancada no meu “renault major”, tudo ficou esbranquiçado. Numa curva chamada da morte, o cruzeiro já lá estava esperando o ainda não acontecido; aquela cruz, que ainda lá está, relembra que o sítio assim se chama, para homenagear as viagens ao além.

Naquele estado sem destino, amores ou paixões, o silêncio madurou exclusivamente só, sem suspiros ou brisas laterais.

Nada bulia por perto! O mato estava quieto!

Neste pós-traumático período, caligrafava o tempo duma forma fosforecida, sem os definidos contornos da natureza viva. A rádio não parava de dar noticias funestas e desconexas; Na Caála aonde eu estava, passavam meninos pioneiros cantando revolução e, de pau em riste, imitavam manobras ao comando dum guedelhudo branco, saído não se sabe de onde ou aonde; o PREC chegava ali de forma mística, empolgando catraios e pivetes. Aos magotes perfilando tropa, marchavam para cima e para baixo, desorganizando as ideias, ideais e vontades.

A vida de todos andava desencontrada e, sem prazo de validade válido.

Catalaio, tinha sido morto em Malange; Valodia já morto e cantando, empolgava moribundos e, os senhores da FUA em Luanda entregavam-se traiçoeiramente ao emepelás; entretanto, soldados portugueses assaltavam as casas de compatriotas acagaçados de incerteza e medo.

Sem labaredas ou culpas formadas, senti um esboço brumecido inchado de morte. Engravidado de sonho, excedia-me no desvario do desmaio, sem chorar a própria morte.

Morri!...

As cristalinas tristezas embargaram desde aí o destino; as dúvidas das sombras, desalinhavaram a aparição, desafiando a gravidade terrena.

Não voltei a sêr o mesmo!

Também mataram o meu galo que pintado com grande crista, parecia cantar a todo instante; não assisti ao seu último pio porque o fogo, capou-o integralmente.

Foi o segundo mais primeiro, comprido e comprimido da minha vida; à velocidade zero, planei pelos céus misturando o frio com o quente, o anterior com o sequente. Invocando espíritos, enchi o espaço de receios e, dei por mim chorando de dores sem instante nem entretantos passados.

Naquela terra de muitos brilhos, sem embrulhos, os casamentos sem núpcias relacionavam-se a coito interrompido; a metralha cantava no muceque; a faca cortava o ambiente num permanentemente.

Catravêz, voltei à vida!

Na Conservatória do registo Civil, tirei o número correspondente da fila, aguardei vez e, registei-me de novo como gente, para o que viesse e desse.

Afinal, tudo pode acontecer aonde nada se passa; as vozes encheram o espaço e, receios de ansiedade sem bilhete adquirido, reinstalaram-se.

É o dia a dia!...

Sem conta, nem desconto, uma sebe por cortar, cresce o neto p’ra apreciar, uma vida a retomar. Passaram tantos anos que já não cabem nas lembranças ; estávamos ali de novo para retornar despedidas!

Um novo ciclo!... um caldo de tinhas e foices, de fermentadas e, traficadas inverdades.

O Soba T´chingange


 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:26
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008
GUINÉ-BISSAU . noticias soltas

      Cabo Verde

                                                         Guiné-Bissau 

NA ROTA DO NARCOTRÁFICO

           N´DAFA CABI

Este senhor, Primeiro Ministro da Guiné Bissau, afirmou que há figuras ligadas ao estado Guineense que enriquecem com o negócio da droga.

O governo resvala progressivamente para a dependência por financiamento do narcotráfico.

 

           CARMELITA PIRES

Esta Senhora, Ministra da Justiça, foi ameaçada de morte por estar envolvida nas investigações do tráfico de droga. Querem o seu afastamento do " Processo Narco"

 

            LUÍS VAZ MARTINS

Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, afirmou que o avião recentemente apreendido no aeroporto de Bissau, levava droga e não medicamentos, conforme afirmaram as fontes governamentais.

25% das 300 toneladas de cocaina consumidas na Europa, entram pela Guiné-Bissau e Cabo Verde.

 

Sem comentários

O Soba T´chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:38
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008
COMUNICAÇÃO

 

    Dirijo-me  ao  GRANDE  SOBA  T´CHINGANGE  para  comunicar  e  pedir  mocamba  com  a  autorizaçao  para  me  ausentar do  KIMBO  DE  LAGOA  durante  15  dias  a  fim  de  descansar  o  esqueleto  e  recarregar  baterias.
   
    Como  Embaixador  Itenerante  levarei  e  dignificarei  o  nome  do  KIMBO  DE  LAGOA  para  ilhas  distantes  do  mar  da  palha , algures  em  Kuba , lugar  exoktico , pertença  da  nossa  diáspora  castrense.
   
    Por  ordem  do  GRANDE  SOBA  fiquei  incumbido  de  trazer  as  insígnias  que  tenham  e  digam  respeito á  KIZOMBA  mais  propriamente  ao  KIMBO  DE  LAGOA.
   
    Aqui  fica  um  até  breve  ao  SOBA  ao  PATRIMÓNIO  SOCIAL  DO  KIMBO  E  A  TODOS  OS  VISITANTES deste  BLOG.
                                                       
 
                                 O   VISCONDE  DO  MUSSULO


PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:56
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ANGOLA E AS ELEIÇÕES

 

 

                         ELEIÇÕES - Como vai a campanha

                                                        CORRESPONDENTES "AVULSO"
    YOLA  KIAME

Acredito que as eleições de 2008 serão diferentes porque o povo já sabe que estamos a ser governados por pessoas desonestas e, cambada de ladrões.

Em 30 anos o partido dos Kamaradas, teve sempre uma política de compadrio com os Van Dunem e Companhia.

As ambições dos jovens é serem bons dançarinos de Kuduro. Os jovens na maioria afirmam serem governados por Kazucuteiros e que isto, tem de mudar!

    ZÉ DE MALANGE                    

O Kota Samakuva, se ganhar as eleições vai realizar o que o pai Savimbi lhe disse em tempos: - Meter o povo de Malange a puxar o comboio com os dentes?

       ONG´S

Em 13 de Agosto, a Organização de Defesa dos Direitos Humanos, "Human Rights Watchh", avisou que a intimidação dos partidos da oposição e dos media em Angola ameaçam as perspectivas de uma votação livre e justa nas eleições de 5 de Setembro.

A Organização contesta a independência da Comissão Eleitoral  (CNE), uma vez que a maioria dos membros é efectivamente nomeada pelo partido no poder.

 

Sem comentários

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:18
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
kIMBOLAGOA . II

                                        12 . Agosto . ALLGARBE

                              kognomização do barão do limpopo

Festejando o terceiro mês de existência do Kimbolagoa, neste dia de 12 de Agosto de 2008, vai ser Kognomizado o Homem Rico da Makambira em Barão do Limpopo.

A cerimónia vai constar do repasto da Gazosa conforme lei fundamental do Kimbo.

Segundo o regulamento, o ilustre novo membro da Nobreza vai receber dos súbditos do reino de Manikongo presentes, a "benção"  por meio do "Pilão manguito" pisador de bolunga e t´chissângua dos ancestrais chefes tribais. Após todos serem tocados na palma da mão direita, fica consumado tal akto.

O Senhor Conde do Grafanil fará a saudação do "Viró-vira" a completar a posse. Este Dikroma vai ficar registado na torre do Zombo para conhecimento dos vindouros.

O Exmo Visconde do Mussulú fica incumbido de trazer as insignias das ilhas distantes do mar da palha, algures em Kuba no lugar de Matanzas; lugar exóktico, pertença da nossa  diáspora  castrense.

O Soba T´chingange

 

             PATRIMÓNIO SOCIAL DO KIMBO

 

SOBADO E NOBREZA

1 Soba-------------------T´chingange--------------------------(CM)

1 Conde----------------- Do Grafanil---------------------------(JV)

1 Visconde------------- Do Mussulú---------------------------(PI)

1 Marquês-------------- Da Figueira---------------------------(RO)

1 Duque----------------- Do Maculussu-----------------------(JX)

1 Barão------------------ Do Limpopo--------------------------(CC)

 

SÚBDITOS GUARDIÕES

1 Cipaio-Mor----------- Do N´dalatando----------------------(AA)

1 Komando------------- Kamundongo-------------------------(HN)

1 Kamalandú----------- Do Puto--------------------------------(MV)

 

M´BICAS

1 Rábula---------------- Fuca-Fuca------------------------------(LF)

1 Rábula---------------- Jamba-----------------------------------(PS)

1 Kaputo----------------- Do Puto---------------------------------(CP)

1 Embaixador--------- Do Kacuácu - (T´chikucuvanda)--(BO)

 

HOMENS RICOS

1 Comendador--- Dos Vales D´el Rey ( Por empossar) ---(JP)

 

Dados da Torre do Zombo

 

 

 


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PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:37
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Domingo, 10 de Agosto de 2008
ANGOLA NO SEU MELHOR

                           ELEIÇÕES . como vai a campanha

                                                CORRESPONDENTES "AVULSO"

 

 

MFWA NKU MPUTO!

Vota na mudança, se quere que os buraco, lixo, crimininalidade, a fome e a mizéria acaba.

Perdemos 6 anos na puropaganda, nas obras barato, no iluminação das cidade sem sucesso, nos poeira, nas mentira.

Se não quere mais sofrer, vota na mudança . O motorista já é velho e não guenta os voante dos IFA. O país necessita um Scania novo de volante idráulico e um novo chofer.

Espero que no dia 5 de Setembro no caminho ao voto Doc Muras e Chumane, não pode faltar nos vosso MP3.

 

MANGOPE

Sem saber do resultado, essas serão mais umas eleições de batoteiros. Eles teem as cartas e eles só vão dar as que querem.

Os Caméricas hoje aceitam essa democracia do petróleo dos chupa chupa até Angola se cansar . Quando o chupa chupa deixar de se vir de petróleo, vão ser atirados para Maria Casputo

Sem comentários!

Soba T´chingange

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:27
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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008
MOKANDAS DO REINO N´DONGO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

             

Para comemorar três meses de Kimbolagoa, fui à torre do Zombo buscar joias literárias do Reino. Esta  é uma delas

 

 

       MUSSULO

Xinguilado no ano de 1486

 

Estávamos em Janeiro de 1486.

Eu, não era eu, retrocedi no tempo.

Pela incorporação dum espírito de nome N´gesso voltei àquele ano,  em plena kiangala.

Os nomes eram diferentes, falava outra língua que não era a de hoje e, por isso vou ter de explicar no fim deste desassombro o que todas estas velhas palavras querem dizer naquele dialecto banto , o  m´bundu.

Meu pai, Miconge N´futila o kota da vata, decidiu abandonar terras do Kifangondo e, para tal saiu bem cedo para trocar impressões com o Umbanda e, só depois falaria com o M´fumu; sopado com minha mãe Kilua N´zinga desde candengue, entrara agora nas  dificuldades da  velhice, não podia mais sustentar a  familia como kibinda; seus pés estavam pesando demais e o espírito dos kijikus estavam na trapalhação.

Foi no M´fumo e explicou que era por demais kazumbi para aguentar, tinha na obrigação de levar o candengue (eu) na habituação da apanha dos zimbos na terra dos Ku-luanda.

Eu, que já tinha treze kixibus, entendi que as dificuldades de meu pai era kubasular aquela vida de matacanha.

Miconge N´futila tinha no lumbu um irmão que era m´banda bem visto  aos olhos do m´fumu-a-vata, que conhecia a ciência dos kalundu; este, podia muito bem dar trabalho para mim e espantar o mau olhado dos defunto espíritos da Yanda.

Na entrevista do velho kikongo chefe M´fumo com meu pai, as explicações foram aceites na retiçência e, de satisfeito, quando chegou preparou os corotos, a uanda,os kofus e a mukuali, sentou-se debaixo do m´bondo (embondeiro) e bebeu todo o marufo que tinha na kubata; ainda teve tempo de arrastar as quinambas para se despedir do mwani kazuca, amigo de muitas andanças.

No primeiramente ficamos no ka-kuaco, passadas as kalembas da barra do rio  com a kalunga do mar; dificultadamente ximbicamos e remamos na vista de terra, minha mãe Kilua chorava de medo, os muandu brincavam na nossa volta.

Ficamos ali uns dias na reparação pequena no n´dongo pois as calemas fizeram estrago;

Entretanto consegui apanhar duas  kiangus na minha lança  que  por ali se esconderam nas águas baixas ; no seguidamente preparamos com  n´tondo a acompanhar.

Naquela noite estava frio, as hienas choravam de fome e eu metia lenha na fogueira por medo; não preguei olho toda a noite, o meu lumbu estava agora a compor-se, mas o meu medo era por demais, só as kalembas abafavam os meus soluços debaixo daquela n´sanda; Uma manada de n´zaus passou por ali perto e só nesse meio tempo as hienas de manchas feias me  deixaram em paz.

Depois daquela noite ganhei coragem e, se calhar já nem ia para o layoteso pois que nos costumes do sitio para aonde íamos, eu não tinha amizades; assim passei aqueles longos dias até avistarmos a Mazanga .

O vento enchia as n´dele do n´dongo com força e rápidamente passamos a baia do m´bungo .

Sei que paramos por ali e meu pai N´futila foi tirar informações de aonde podia encontrar o seu irmão  e, meu tio m´banda de profissão e kadinguila de nome.

No entretanto da espera vi na observância  que aquela ilha era demasiado comprida e, dias depois chegamos na xicála sitio da dibata, dos seguranças do reino de N´dongo aonde meu tio tinha pré-ponderância.

A  partir daquele dia por direito de Kanda passei a ser ka-mundongo, apanhar búzios de n´zimbo na ponta da Mazanga e lá mais no longe, os caurins da Korimba e muito n´tadi no Mussulo.

486 anos mais tarde ressuscito maiombolado, mundele em plena Korimba; Já não havia hienas nem n´zaus e ali estava eu esperando lugar no kapossoka, atravessar o mar baixo e regressar no kitoco. Foi neste barco que a agora minha sopada, cafeco de então, me mandou fazer continência à bandeira Portuguesa; estávamos no meio de um jogo de namorados que resultou em Ka-mundongos ou Ka-Luandas  e que agora vão ter de passar pelas mesmas privações desse pai N´gesso T´chingange,  a provar que o são.

Com cinco escudos em 1973 na Samba lembro-me de ter comprado um grade peixe espada (kinbiji). Se um n´zimbo valia cinco caurins, naquela primeira encarnação 5 escudos seriam talvez uma canoa cheia de kinbijis.

            Estamos a 8 de Julho de 2008, 522 anos depois daquelas tormentas.

 

GLOSSÁRIO:  

Candengue:-rapaz; corotos:- trastes; caurins:- búzios pequenos, cêntimos do zimbo; cafeco: - donzela;   libata: - palhota; kanda:- descendente por via matrilinear; ka-mundongo: - nascido no reino n´dongo (Luanda) ou súbditos do chefe N´gola kitunda; ka-luanda: - nascido em Luanda, calcinha;  kazumbi:- feitiço; kiangala:- pequena estação seca; kifangondo:- aldeia; kibinda:- caçador; kijucos:- gente de outras tribos, de fora; kalundu / kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto; kixibus:- cacimbos, estação fria; kubasular:- passar bassula, dar a volta por cima; kicongo:- natural do Congo; korimba:- lugar de costa, ancoradouro; kapossoca:- nome de barco com motor; kitoco: - traineira trnsformada; kota:- mais velho; kofu:- cesto estreito e comprido para apanhar conchas; ku-luanda:- a ocidente, mais importante e sabedor; ka-kuaco: - sítio, lugar; kalemba: - ondas de mar bravo; kalunga:- abismo, sitio de muita morte; kiangu:- raia; lumbu:- descendente por parte do pai; layoteso:- casa da puberdade para rapazes; m´bundu:- de fala banto, em quinbundo; m´banda:- guarda, sub chefe; m´fumu:- chefe; mfumu-a-vata:- chefe da aldeia; matacanha:-pulga da terra, o mesmo que bitacáia; mukuali:- catana, facão; muandu: - tubarão; N´dongo: - reino da Matamba, parte central de Angola de ambos os lados do rio Kwanza, nome dado pelos portugas às canoas ou pirogas desta gente do reino; kinbijis: - peixe espada; n´tondo: - batata doce; n´sanda: cobertura improvisada de pescador com folhas da vegetação à mão; Mazanga: - Illha de Luanda; sopada/o: - casada/o

                      

                         O Soba T´chingange    

 

 

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:14
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El caminito del rey

 

 

 

 

«El Caminito del Rey» é uma passagem cravada nas paredes dos desfiladeiros de Chorro e Gaitanejo, a norte de Málaga, na Espanha. A construção, concluída em 1905, foi feita enquanto era construída uma hidrelétrica no rio Guadalhorce. Os trabalhadores necessitavam de uma passagem que cruzasse os desfiladeiros para o transporte de materiais, vigilância e manutenção do canal. Em 1921 o rei Afonso XIII teve que cruzar o «Caminito» para a inauguração da Represa Conde del Guadalhorce, e desde então a rota passou a ser conhecida por seu nome atual. Entretanto, o abandono e a falta de manutenção fez com que a estrutura da estrada ficasse comprometida, causando até o desmoronamento de algumas das etapas. Por esse motivo, «El Caminito del Rey» é o ponto favorito dos muitos turistas que procuram adrenalina. Apesar de perigoso, o acesso à estrada é permitido. O problema é que, após a morte de quatro turistas em dois acidentes ocorridos em 1999 e 2000, o governo local fechou as entradas. No entanto, os aventureiros encontram meios de entrar no local.  

 

N´DALATANDO

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:17
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008
CONHECER O BRASIL - VII

         

 

 

 

        

                  PAU-BRASIL

                  TEMPOS DE CARAMURÚ – 2ª parte

 

D. João III, nomeando Martins de Souza no cargo de Governador, confia  a este, grandes poderes: repartir terras, criar oficiais de justiça e fundar colónias. Fundou a primeira colónia no Brasil em S. Vicente no ano de 1532 na qual se tornou capitão donatário; deve-se a ele a introdução da cana-de-açúcar na nova Lusitânia, Brasil.

Com uma esquadra de cinco navios e com quatrocentas pessoas a bordo, num sábado, a 3 de Dezembro do ano 1530 fazem-se ao mar com a técnica de navegação “cabos a dentro”; rumam a sul. Aportam na ilha de Gomera em Canárias e, a dezoito de Janeiro de 1531 com vento Sueste, chegam à costa do Brasil, aportando em Pernambuco, a dezassete de Fevereiro desse ano. Após trovoadas, trombas marinhas e antenas destroçadas, a vinte e três de Abril, entram na Bahia de todos os Santos.

E, sem saber se era um sonho!...     

Entre a bruma da manhã depara com o famoso Caramurú, Português de nome Diogo Álvaro Correia que por ali ficou no ano de 1509; casado com uma índia, tinha já nesta altura um rancho de filhos; havia ali então uma povoação com cerca de trezentas casas. Este assentamento numeroso foi relevante para considerar aquele lugar como capital administrativa.

Os lotes ou capitanias tinham, por disposição de D. João III, uma porção de 50 léguas medidas ao longo da costa

Nos terreiros, os homens descendentes deste Caramurú, capitães do mato, sedimentaram com o tempo e nas sucessivas uniões com gente escrava, uma amálgama de cultura iemanjá. Diz-se, ter sido Caramurú o fundador da cidade de Cachoeira no estado de Bahia.

Hoje, por todo o Pernambuco, matutos e mamelucos rezam preces, chispam axé, apelam aos orixás e xingus; giboiando na rede, tocam o seu violão soltando versos repentistas aonde entram coronéis, jagunços e a senhora da Boa Hora.

Comendo mukeka, tanspiro vontades de forró regadas a caipirinha. A sanfona prolonga alegria noite adentro e, no ar, há cheiros de caju e café.

( Continua ....3ª parte )

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:12
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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008
ANGOLA . NAMIBE - Como tudo começou

 

                                                  

                                          N´DIGIVA  -  3ª parte

                                                                                                                

O Cunene, inicialmente foi tomado como sendo o grande Zambeze; da costa Atlântica não se via a sua foz e, Diogo Cão, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama não chegaram a dar indicações precisas aos vindouros; O Cunene junto à foz, perdia-se nas areias do Namibe formando lagoas aonde o boi cavalo, hipopótamo, procriavam sem grande altercação; era vê-los como pedras, aos montes, entre a vegetação de mangue e caniços.

 Botelho de Vasconcelos, governador de Benguela descreveu em 1779, que o rio Cunene nascia no Huambo, passava por Caconda e Quilengues e que se metia em Cabo Negro lançando muitas trombas mas, foi só em 1851 através dum tal Galton, de Ondângua, na Namíbia, que se  consegue chegar ao conhecimento com descrições ao pormenor em que o grande rio, depois de desaparecer num espaço de terra arenosa,  termina naquela grande lagoa.

Por alturas de 1880, ainda andavam desbravando terras e, no mapa de então, havia suposições que originaram erros grosseiros. A pressa de afirmar “isto é nosso”, levou a que os Portugueses reivindicassem o Mapa cor de Rosa pois que, aquele suposto rio Zambeze ia desaguar ao Índico, em Moçambique, paragens já habitadas e creditadas à coroa  Portuguesa.

Os rios Cuando e Cubango, (Okavango) também foram objecto de confusão pois que, não desaguavam no mar;  iam ter a um  grande  e disperso lago, que se veio a chamar, o Delta do Okavango, só que, nesse tempo julgavam que era um permanente afluente do Zambeze.

O rio Zaire ou Congo, com a sua grande largueza na foz, em 1480, também enganou Diogo Cão que, numa primeira análise pensou ser ali o cabo da África e que aquela seria a passagem para o Oceano Índico; este engano, touxe-lhe contratempos mais tarde  na relação com o rei D. João II, no entanto, serviu para fortalecer ligações com o reino de Manikongo e posteriormente o  reino N´gola. Este falso cabo das tormentas só o foi em realidade para Diogo Cão.

As dificuldades em manter este mapa desmistificado pelos novos sertanejos, veio a resultar em cobiças que, sem fundamento, criaram dificuldades diplomáticas com desencontros entre os pontos de vista nossos e os novos países emergentes, entre os quais a Inglaterra; esta nação dita amiga, fez valer o seu princípio por força dum ultimato no ano de 1890.

 Portugal, levado por incúria impregnada de medo, no reinado de D. Carlos I, não faz respeitar o convénio Luso Alemão firmado em 1886.

As coisas da administração Portuguesa corriam tão mal que levaram o Coronel Maria Coelho a ter a seguinte afirmação: -“Desgraçadamente as nossas coisas em Angola são uma miséria, tal faz desesperar,.... parece que o luxo da nossa administração consiste em acumular loucuras sobre loucuras,... o desleixo cobre-se de incúria em palavras redundantes e, sem sentido,...”

Na posse de territórios em África, muitas mentiras passam a verdades por posturas diplomáticas. A fortaleza duns, definha em covardia a braveza Lusa de tempos idos; um exemplo notório é o de que 292 anos antes de Stanley ter descrito as cataratas do Congo, já Duarte Lopes o tinha feito e, não obstante a evidência, a conferência de Berlim em 1885 deu aquele território ao rei Belga para governar. O Zambeze conhecido, desde a Lunda até muito  para além das cataratas Victória, por Silva Porto, o seu reconhecimento foi dado, não a este, mas a Livingstone.

E, não é tudo,... na costa Namibiana Luderitz tomou posse de toda a Damaralândia num jogo de sujo e ditatorial diplomacia de Bismark, o líder alemão que fazia crer aos Portugueses não estar interessado naquelas terras, repticiamente fazia-nos a vida negra armando o chefe Mandume, o tal chefe do povo Ovambo (Kwanhama), que deu muita luta para a tomada de posse daquela fronteira sul de Angola, ligando o Cunene ao Cubango.

( Continua...4ª Parte )

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:32
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008
KIMBOLAGOA . I

                                           

                

 

                                            AMANHÃ NO ALLGARBE

 

Vamos festejar a vida na companhia de gente nobre vinda do Norte; assim, vamos  poder confraternizar com os Kamaradas  Kamundongo HN e Dom Xico Honório de Pioledo, Quimbanda das terras para lá do Douro e Bouro.

Vamos saudar a Rainha Kamundonga do Malhoas da Maianga, Dona Isabel Lourenço.

Vamos apanhar um maximbombo qualquer, viajar para além das anharas do Moxico e floresta do Maiombe.

Vamos cavalgar as ondas da Baia Farta e muita cagança de caçador para mais além do Namibe.

Amanhã vamos têr candimba; se não houver, temos xússu com jindungo!

Um caloroso viva à malta

do Soba T´chingange.

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:50
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BRASIL E O CANGAÇO - XI

                                 

 

 

                   BRASIL E O CANGAÇO - XI

       7.1 -  O ESPINHO DO QUIPÁ – (continuação)

 

Um dia, próximo da cidade de Flores, nas bandas de Baixa de Juá houve um forte combate com a polícia volante da Paraíba; o tiroteio intenso foi ouvido pelo Pernambucano David Jurubeba que fazia parte da volante do tenente Higino de Morais e, pelo alvorecer, ele e seus homens, para ali se deslocaram.

Os Pernambucanos depararam com um cenário sangrento, muitos feridos gemendo e, tresloucados, abriram fogo para todo o lado. Lampião meteu-se na caatinga deixando roupa ensaguentada numa outra direcção para despistar os volantes e, escondeu-se num fufo de mata e cactos.

 David Jerubeba súbitamente deparou com lampião; este disparou um desajeitado tiro que atingiu um pé de quipá que se soltou, indo-se alojar no olho direito de Lampião.  Virgulino, caíu de dor e, nesse repente, ambos tentaram resguardar-se.  Nessa confusão de fuga, ainda deu para ver Livino, seu irmão, cair esvaído em sangue no meio dum extenso macambiral, tendo fixado um umbuzeiro aonde isto aconteceu.

No reencontro com os companheiros, após este enfrentamento, voltou àquele lugar para recolher feridos e alguns haveres e, no tal umbuzeiro, lá estava seu irmão Livino Ferreira sangrando; ferido de morte veio a falecer oito dias depois e, foi ali, no meio das macambiras, que  o enterraram em campa rasa.

 

7.2 – CANGAÇO VIRA OFÍCIO

 

O cangaço tornou-se um ofício próspero no meio dum quadro trágico de seca prolongada, lavouras perdidas, gado morrendo à míngua, terra esturricada, enfim, um salve-se quem puder.

Havia antecedentes idênticos; numa das secas entre os anos de 1877 e 1879, “era geral a falta de segurança” o que levou alguns fazendeiros a criar as suas próprias forças para sua defesa.

 Os mais abastados e os que não quiseram abandonar as suas terras, foram obrigados a contratar cabras e jagunços.

Em 1926 o estímulo pela impunidade aos criminosos cangaceiros tem um efeito multiplicador de novos recrutas do mal, crescem como nunca, chegando ao número de 44 grupos; o Jornal do Recife de 5 de Dezembro de 1926 refere: - nos sertões de Pernambuco, não é somente o bando de Lampião que assola, devasta, arruína. Muitos bandos também armados e bem municiados arrasam tudo nas suas passagens sinistras num qualquer lugar.

 As deserções, entretanto verificam-se no terreno; uns porque queriam ser bons, e outros, por se cansarem de ser valentões. Pelo factor promíscuo entre autoridades e cangaço notam-se mudanças de lado, uns passam da polícia para o cangaço e, outros decidem pelo contrário pois não queriam ter aquele modo de vida; note-se o caso de Clementino José Furtado do grupo dos “caboclos” ou “pequenos” da região do Navio em Pernambuco que se converte no famoso sargento “Quelé da Paraíba”

A habilidade de Quelé, por ter sido companheiro guerreiro de Lampião, dá-lhe trunfos em futuros combates com seu antigo mestre de armas, tornando-o um brilhante e louvado soldado. Comandou a tropa volante durante anos, conhecida como “coluna pente fino”, com um comportamento de campanha tão perverso como quando andava na rapina; fazia reféns civis dados como coiteiros dos cangaceiros de forma a obter trunfos por chantagem junto ao inimigo.

 A viragem de Quelé, do cangaço para a polícia, foi vingada por Lampião com a morte de quase todos os seus parentes e até amigos, 3 irmãos, 3 genros, um sobrinho e cinco amigos chegados, totalizando ao todo doze mortes.

A vida deste sargento Quelé demonstra bem as nuances de alterações psicológicas com um arrastar de tragédia numa esteira sertaneja até às últimas consequências.

No dia 27 de Dezembro de 1927, o cabra cangaceiro “Vinte-e-dois”, é abatido com mais alguns do grupo, quando se preparavam para almoçar descuidadamente debaixo de um visgueiro frondoso; tranquilos cantavam a marcha sucesso do Carnaval de 1926. ”Vinte-e-dois”, trajava calças e camisa de brim caqui, meias azuis e alpercatas de rabicho tendo um fuzil mauser, punhal, cartucheiras, bornais de comida, munições e um bolso com as listas de “taxas por semana”; estas cartas eram expedidas a ultimar pagamento pela segurança a prestar.

De entre aquelas cartas, pode ler-se na íntegra o conteúdo de uma delas:

 - Ilmo Senor José Major, o fim Desta prezente cartinha Esomente para o Senor me mandar Treis conto de reis, para ficar garantida sua fazenda i Senor. Não mandande sua Fazenda ficar sujeito A eu queimar sua pupiedade do canaviar. Porem o Senor mandando fica garantida Sua Fazenda Com todo o gado.

                                                     Sem mais nada, do 22

O jararáca, cafuso, olhos agateados, de boa estatura e alfabetizado de nome José Leite de Santana, ingressou no grupo de Lampião depois de se desligar do exército; actuava na área do Recife comandando um sub-grupo e, veio a ser preso e ferido quando atacava a cidade de Mossoró; foi assassinado pela polícia de forma sumária. 

Entre os anos de 1921 e 1922, Lampião iniciou perseguição apertada e sem tréguas à família Pinheiro no sertão de Moxotó em Pernambuco no município de Mata Grande.

 O efeito desta perseguição resultou na união dos irmãos Timóteo, Isidoro e Manuel Pedro que tiveram de se armar com fuzis idênticos aos homens do cangaceiro e, assim, se puderam defender; mostraram ter tal astúcia e táctica de defesa a ponto de, a polícia de Pernambuco os procurar atrair para as fileiras da ordem. Estes irmãos declinaram sempre os convites que, por fruto da sua criação na caatinga, sabiam de antemão não se adaptar à disciplina militar.

 

( Continua....XII )

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:00
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Domingo, 3 de Agosto de 2008
PORTUGAL NO SEU MELHOR . II

                                      

                                        UMA AFRONTA AO KIMBO!

 

Domingo no Allgarbe de Agosto

 

Para minha grande surpresa deparo na página de abertura da Web da Sapo fotos do Jet-set José Castelo Branco.

O acontecimento dizia respeito ao seu primeiro concerto como cantante no Clube Bela Cruz no Porto.

Vestido de luto, aquela coisa, cantou algo como "In the city".

Até aqui tudo bem, mas vendo as fotos em pormenor reparo que se faz ornamentar com os Zimbos do nosso Kimbo. Um colar pendente com uma grande quantia em fiada.

Fiquei boquiaberto e estupefeito com tal uso e, em tal peito.

O Kimbo de Lagoa vem públicamente repúdiar um tal uso desses Zimbos pois que é um akto altamente ofensivo a todo o Reino de Manikongo, ao Zumbi dos Palmares e todos os escravos que por via desses Zimbos sofreram as agruras da escravidão.

Ponho à consideração dos meus ilustres pares, por esse reino de Manikongo e de Makonge, ao soba Makuaukula,  nobres, súbditos Xicoronhos e M´bikas de primeirissíma linhagem, processar judicialmente a tal figura de gente, com uma forte gazosa de indemnização.

O personagem em causa vai ser referênciado nos tempos vindouros como "o Jet-´Matácus"

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:36
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
CONHECER O BRASIL - VI

 

 

                                  

         PAU-BRASIL                   

TEMPOS DE CARAMURÚ

As palavras leva-as o vento mas, foi este vento que mudou o rumo à história quando soprou as naus de Álvares Cabral até à costa então desconhecida a que se veio a chamar de Brasil. Aos primeiros gentios encontrados, de longos cabelos escorridos e tez morena chamou-os de índios e, isto porque pensou ter chegado à Índia, sitio para onde pretendia ir quando zarpou de Lisboa a mando do rei D. Manuel I.

O achado do Brasil sucedeu a 22 de Abril de 1500, tempo em que Portugueses e Espanhóis tinham a liderança nas artes de marear com conhecimentos de correntes e ventos; a história tem destes acasos.

Nesses tempos os Portugueses de cabo em cabo queriam chegar rápidamente à terra das especiarias, terras descritas em crónicas por Prestes João que falavam das muitas riquezas do Oriente; por este motivo a nova terra descoberta de Santa Cruz, ficou meio esquecida e sem guarda, Franceses, Espanhóis e Holandeses, trataram de tapar essa lacuna fazendo pirataria; estes em navios armados atacavam, saqueavam e queimavam feitorias e navios portugueses em toda a costa. Ao abrigo do Tratado de Tordesilhas estas latitudes estavam reservadas a Portugal.

Fruto de cobiça por parte do rei Francês os corsários a mando deste, pirateavam toda a costa pois que, não reconheciam aos portugueses o direito exclusivo de comercializar com as novas terras; chegou mesmo a dar “carta de marca” de pirata ao corsário João Ango concedendo-lhe honrarias por cada investida às feitorias ou naus Portuguesas.

O índio cortava o pau-brasil (pau-preto) e, transportava a madeira para as caravelas dos Franceses ou Espanhóis; em pagamento por essa mercadoria e trabalho recebiam bugigangas tais como: - espelhos, pentes, colares, facas e armas .

Em 1526 D João III mandou que se organizasse uma esquadra no intuito de recolher os máximos dados da situação caótica naquelas bandas e, também com o fim de dar consistência à colonização de soberania Portuguesa, a norte do rio da Prata; esta tarefa foi incumbida a Cristóvão Jacques o qual, veio a travar combates com alguns navios Franceses.

Cristóvão Jacques conseguindo fazer trezentos prisioneiros deu consistência ao poder reinante de Portugal; estes prisioneiros foram conduzidos a Lisboa dando assim aviso a todos os aventureiros que demandavam os “nossos mares”.

Após os relatos de Jacques, o rei D. João III, mandou que se organizasse uma esquadra a fim de assentar colonos na costa Brasileira; para o efeito dá orientação ao capitão-mor Martins Afonso de Sousa, nomeando-o também governador.

( Continua...2ª Parte )

O Soba T´chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:07
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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