Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
BRASIL E O CANGAÇO – XVII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

            Ladainhas de Lampião

 

Lampião e Maria Bonita

 

9 – A EFICAZ REPRESSÃO AO BANDITISMO

 

A verdadeira repressão ao terrorismo tem início com Estácio Albuquerque Coimbra, novo chefe da polícia de Pernambuco que, estabelece novas directivas eliminando a logística de apoio a todos aqueles insurrectos em Pernambuco e nos estados limítrofes; eliminando a fronteira administrativa que era o grande factor impeditivo das autoridades, os bandoleiros saltavam de um para o outro lado, jogando com esse foro de autoridade político e reflexo administrativo de jurisdição. Combate assim, o crime com firmeza, prendendo os coiteiros; um a um iam sendo presos fazendeiros da Serra Talhada, comerciantes e, até o maior chefe político, o “coronel” Ângelo Lima.

A perversidade de uns e a covardia de outros degeneram na profusão de coiteiros ou protectores dos facínoras. Juízes e comissários de polícia, por indícios de corruptela foram transferidos.

Estácio de Albuquerque Coimbra foi verdadeiramente o primeiro bom exemplo de isenção na conduta política, afastando e rejeitando a lavagem de opinião, votos ou o descurar da correcta justiça e, assim, foi popularizado no sertão como o “executor da lei do Diabo”.

A incontestável eficácia das leis de Coimbra, levam Lampião em 1928 a fugir dali, seu estado natal, internando-se no sertão da Bahia com meia dúzia de cabras.

           

A partir do ataque frustrado a Mossoró, Lampião recolheu-se na caatinga fazendo diplomacia no arranjo de gente para o seu bando; houve tempo para recordar, tirar fotos e dar entrevistas a coberto dos seus novos coiteiros como os “coronéis” Petronilho de Alcântara Reis e João Sá de Jeremoabo e, ainda o fazendeiro João Maria de Carvalho de Serra Negra, todos da Bahia e, entre muitos mais fazendeiros o capitão médico do exército Eromildes Carvalho.

Decorridos oitenta anos após medidas drásticas de Estácio Coimbra, a vivência do Brasil ainda tem muito desses contornos promíscuos, em que os três poderes, Legislativo, Executivo e Judicial, andam conturbadamente de mãos dadas; É vulgar surgir a notícia de que um tal Juiz em disputa por um lugar de procurador encomende morte de um colega concorrente e notoriamente mais competente de currículo e postura; com a maior desfaçatez num mandonismo arrogante os “peixes grandes” fazem destas coisas nas três áreas de poder territorial cabendo aqui dizer-se que “viajar livremente e, dormir à margem dos caminhos, sem receio de ladrões e assassinos” é utopia; eles os maus da fita se, se danam, viram cães e, a troco de dinheiro, dão tiro até ao “Nosso Senhor”.

 

10 – ORDENAÇÕES, DECRETOS E ORAÇÕES DE LAMPIÃO

 

O capitão honorário Virgulino, vulgo Lampião, além de elaborar decretos, ordenações e recomendações também mandava aos fazendeiros cartas de amizade, de advertência, de encomenda ou cobrança. Para que se possa analisar o carácter e grau de conhecimentos literários, transcreve-se uma carta de cobrança datada de 1926, enviada a um tal de Senhor António:

 

Ilmo    Sr. António Mando

Estimo suas saudações com todos. O fim desta para lhe pedir dois contos di rs. Espero isto sem falta agora alarmi e não mande qui depois vae se sahir muito mal, resposta pello mesmo portador sem mais, não falti olhi  olhi

Capm  Virgulino Ferreira

                                 Vulgo Lampião

 

Uma outra carta é dirigida a um fazendeiro Alagoano, recomendação com foto no reverso e datada de 1937:

Amo.  Recebi sua emportança Qui mi mandou Um C. Vai mais este Retracto espero a outra. Em comenda. Peço-lhe para O Sr. Mandar-me fazer Um punhal de 3 pal-mos com u cabo. Porem, sendo bom, a folha istreita, do seu Amo as ordens

                                      Capm  Lampião 

                                              

Uma das orações de Lampião, ladainhas, fazia parte do seu espólio volante que lia com assiduidade para si e para seus homens; quando os lia para seus capangas obtinha destes nos fins da reza, os ámen, ámen, de cabeça baixa, de cócoras e chapéu recolhido á frente por respeito e veneração a todos os santos. No fim rezavam um Pai-Nosso, e três Ave-Marias.

 

( Continua... Orações de Lampiâo... XVIII )

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:17
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
ALHAMBRA DE GRANADA . I

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

5º encontro com a  kianda Januário Pieter

 

GUERNICA

 

Com a sensação de começar a penetrar na minha própria inconciência, enrolando dedos e retesando músculos, cruzei o bairro mouro Albayzin bem cedo; de forma aleatória como um senhor dos caminhos minkisi cruzei ruelas estreitas de aroma de mijo ou tapetes molhados misturados com cheiros de churros vendo do outro lado do vale as muralhas e torres de Alhambra. O rio Darro, corria na depressão à semelhança dos meus pensamentos que rolavam entre mulheres gitanas guapas bailando o flamengo em as mil e uma noites em companhia de Aladino e N´si, o guardião negro da terra. Este carregado de espanta espíritos, vendia ternuras na forma de raminhos de alecrim e farrapos enternecidos de recordações.

 

Tinha combinado encontrar-me com Januário Pieter, um velho de 384 anos e, aquele era um bom dia para me encontrar com ele, a kianda itenerante da Globália, natural de Cabo Ledo, sítio distante da kalunga.

Cruzei para Sul em ruas e avenidas modernas de patéticas angústias feitas estátuas na busca de um lugar mais próximo do "Arco de las granadas", o ponto de encontro, nosso Pambu N´jila das antigas muralhas mouras. É ali que os espaços físico e e místico juntam simbis com gente de suko ou alucinados como eu.

 

Na "Calle Bodegoncillo" , já um pouco encalorado, entrei em "El Pátio Riconcillo" e, busquei acento apropriado; o lugar era arejado dando para a "Plaza Nueva" podendo ver mais acima a "Plaza de Santa Ana". As paredes estavam cobertas de cartazes anunciando espaços de "Flamenco" e cartazes de cores amarelecidas com datas ultrapassadas de eventos tauromárqicos, bestas de bois cornudos e esbeltos toureiros enfiados em apertados fato vistosos de lantejoulas zurzindo farpas ou bandarilhas coloridas; estavam encaixilhados em madeira sarapintada de minúsculos furos de térmitas, resquícios das pestes de Guernica.

 

GLOSSÁRIO ( Palavras sublinhadas ):

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; Gitanas guapas: - Ciganas bonitas; Aladino: O sábio árabe das lâmparinas;  N´si: -  Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha ( maiaca kianguim) que guarda os pórticos e permanece até o toque do medo, adrenalina, guardador de caminhos com saber do ontem, do hoje e do amanhã;  Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Kalunga: Junção de espíritos na forma de água, simpesmente água ou mar, espírito forte no reino dos mortos, divindade abstrata podendo ter a forma humana, quando alguém é levado pelo mar, foi Kalunga que lhe levou porque fêz uafa, uafou (wafou= morreu); Globália. - O Mundo; Pambu N´Jila: Espaço físico em conjunção com o campo místico; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e àfrica central.

 

( Continua ... Alhambra de Granada II )

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:20
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Sábado, 26 de Setembro de 2009
CAFÉ AMBOIM

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        Roça Boa Lembrança

 Gabela GABELA DOS ANTIGAMENTE

 

Cafufutila era alcunha do capataz! Os negros referiam-se a ele com esse nome porque, de dentes ralos lançava ao falar muitos gafanhotos; quando chispava braveza era uma saraivada de impropérios e chuva de espuma enraivada.

No dizer dele, aquela terra tinha peçonha, feitiço de preto quimbanda mandrião!

O descontentamento de José dos Reis era quase permanente naquela figura atarracada de moiro Algarvio; a todo o momento afirmava gostar daquela gente como ele dizia, daqueles cabrões cheios de Cazumbi.

A frouxidão dos negros dava-lhe amiúde fernicoques de autoridade e barafustava carinho esbracejando a todo o momento.

Cheguei àquela roça grande no ano da graça de 1956; Chamava-me Faustino e, logo ao terceiro dia já me tinham rebatizado com o nome de Camundongo; só porque tinha vindo de Luanda, minha terra adoptada ou, então porque me assemelhavam a um rato.   

A minha lua de mel naquela Boa Entrada decorria com normalidade

Naquela roça grande da Gabela conjuguei o verbo amar.

No despertino viscoso, e húmido lusco-fusco viam-se vultos fora das libatas; com tocos de pau mole esfregavam enérgicamente dentes brancos sobressaídos dum negrume geral; higiénicamente cuspiam golfadas prás bissapas; surgiam em seguida com xícaras fumegantes não sei se de chá se, de leite. Matabichavam!

A casa grande do capataz dispunha-se a um só piso; na frontaria uma comprida e ampla varanda abria-se assim a norte; dali sentado na cadeira de Kibaba podia-se admirar a azáfama do vai vem do gentio Umbundo. 

 

Era só abrir o sol, a neblina descolava das frondosas árvores.

Daquela varanda podia ver homens de peito nu, rolando para cá e para lá os grãos ainda verdes; revirando-os constantemente!

Roça rodeada de verde era preta de labuta, o mulherio descalço passava gritando entre elas e as crianças que giravam ao seu redor; algumas de pequenas, iam escachadas nas costas, seguras por garridos panos, nas cabeças, grandes cestos de mateba cheios de bagas verdes que despejavam nos espaços ainda vazios do terreiro.

No ar a azáfama emanava catinga!

Entre os contratados Caluviáviri era o mais rezingão; vindo do planalto central à força dos cipaios e a mando do administrador, revelava-se um revolucionário militante; falava-se de uma revolta ocorrida no ano de 1917 creio que por um imposto de cubata mal aceite.   Cafufutila tinha algum receio da sua braveza mas nunca houve motivos de facto, só o mantinha debaixo de olho.

Ainda hoje sou envolvido por aquelas montanhas, do vale que se abre em forma de leque e, lá longe o horizonte que  confunde mar com céu e, o apito de comboio nas terras de Benguela Velha (Porto Amboim) e Sumbe.   

 

O ano de 1956 está agora demasiado longínquo, mas só no espaço temporal; as imagens das roças Amizade, Africana, Maria Emília embotam o pensamento de brancura como a flor dos cafezais. O velho “Dodge” que nos levou às nuvens de penhascos verdejantes além do rio N´hiwa ouvia-se lá fora; o toque da buzina chamou-me à realidade. Estava na Lagoa do Puto tomando daquele café cheiroso, voando entre colunas, caserio e pingos de chuva. Comprei um pacote avulso.

Encostado ao balcão, percorro o olhar pelos quadros que mostram alguma história na labuta do café desde a plantação, recolha, secagem, descasque e ensacagem. Pergunto ao dono daquelas memórias se tinha algum aparentado com o tal capataz da roça Boa lembrança.

- Que eu saiba não, embora me chame Reis e continuou, conservo este espólio de latas, moinhos e gravuras como um tesouro de velharias que me são muito gratas. O meu pai deu início a este negócio em 1940, é só o que eu sei.

 

- Para mim também são gratas! Digo eu, duvidando que a conversa ficasse por aqui.

Este meu interesse deflagrou não um tiro mas, uma explosão de entusiasmo, de tal forma que se esqueceu dos demais clientes, contornou o balcão e sentou-se ali em frente de cartucho rodando na mão explicando:

- Ainda bem que você ( referia-se a mim ) se interessa por isto. Os mais velhos são ainda os que sabem o que é bom; são os que dão preferência a este espaço. A esta mistica.

O cheiro  daquele  cartucho, mistura de café da Gabela com São Tomé, registou com agrado o aroma da memória. Vozumunei alegrias passadas que agora só esquindivo. È de todo o modo uma Boa Lembrança.

Dei volta à roda do moinho; embrulhei a vontade num saco de sarapilheira aonde ainda perdura aquele cheiro.

E foi assim ao sabor de uma chávena de café de São Tomé que tudo aconteceu!

 

O antes Faustino e agora,

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:28
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
NÓS E O TERCEIRO MUNDO

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

AS RUAS DO DESESPERO

 

  A  GRIPE H1. N1

 

O desenvolvimento de um povo no decorrer do tempo, esteve quase sempre ligado ao desenrolar de actividades ao longo de um caminho, beira de rio ou costa marítima.

As primeiras vias de comunicação foram através da água e, de descoberta em descoberta, os povos foram galgando distâncias em coisas flutuantes até ser descoberta a roda.

Hoje os meios de comunicação são muito mais variados, deslizando através de superfícies ou fluidos com a inclusão do ar que respiramos.

Os fenómenos da natureza foram sendo desvendados e dominados com regras que pouco a pouco, se foram adaptando aos variados veículos; em alguns sítios de África podemos percorrer quilómetros numa estrada ladeada de negócios, de venda de um qualquer produto; em  tal profusão  de coisas podemos encontrar óculos para sol, batata, fruta variada, chinelos de pneu, bateria para carro ou um pedaço de chita.

Compreenda-se que, naqueles países, algumas infra-estruturas são ainda desconhecidas e, os organismos regulamentadores do comércio e urbanismo ou não existem, ou estão lá longe numa capital que enferma de muitas carências e, normalmente sem os gabinetes de ordenamento do urbanismo, comércio ou apetrechamento de apoio social. Hoje, estar longe daqueles sítios, não significa segurança; os virus e esse mundo invisivel de microbios andam pegados a nós nessas migrações rápidas.

Neste mundo global, cada qual vive o seu dia a dia sem se inteirar que, lá longe num qualquer sítio, a saúde publica não existe e, num dado momento, os órgãos de informação começam a dar-nos conhecimento de que há uma gripe H5 N1, das aves no Paquistão, a gripe A (H1.N1), ou mais um surto de ébola no Zaíre.

 

Recordarmo-nos, que nos anos de 1917 a 1919 a pneumónica, conhecida por gripe espanhola, fez 50 milhões de mortos em toda a Europa; virulogistas americanos desvendaram recentemente que o aparecimento daquela gripe teve origem nas aves, passando destas para as pessoas. O vírus sofreu as mutações necessárias ao contágio humano.

Entendam, neste raciocínio de desenvolvimento global, o quanto se torna nefasto não atendermos ao dito outro terceiro mundo, coabitando com eles à distância, aparentemente segura.

Já naquele tempo, mais propriamente em 1919 segundo as memórias de Lúcia  que visionou nossa Senhora de Fátima, dá conta de que os seus primos, Jacinta e Francisco faleceram dessa pandemia e, nem a áurea da Nossa Senhora, foi o suficiente para superarem o fatídico destino.

O desleixo no cuidar da nossa vivência em sociedade, leva a tormentas que deveriam ser previsíveis e atempadamente acudidas; veja-se hoje, o caso da rebelião em França com a falta de integração dos oprimidos “sem nada”, ou o movimento dos “sem  terra” no Brasil; a degradação com exploração da vida no Sudão ou, o ainda recente genocídio no Ruanda e Burundi e a guerra do Iraque com todas a tecnologia de ponta visando a morte à distância.

As deslocações posteriores às várias guerras, um pouco por todo o mundo, com inerente fluxo de refugiados ou repatriados, tornaram este mundo pouco sustentável em termos de segurança e, os nossos filhos, no decorrer do tempo, vão ficando também eles “Utus” ou renegados, sem emprego ou subsistindo à mingua de um qualquer subsídio ou dependentes dos pais, muito para além de também o serem; e, temos os musseques de  Luanda, os bairros da lata de Lisboa e do mundo ou as favelas do Rio.

 

Neste grande mercado de calamidades em que vivemos todos os dias, grafitados de susto, vemos em extensas vias, negócios de oportunidades; tudo se expõe ao longo  dessa rua, carros usados, potes de todas as dimensões, plantas, cabanas para cães, madeiras, piscinas e leões em cimento.

Afinal, mesmo com o avanço de tantas ideias, continuamos confinados ao velho negócio de rua seja ela uma cento e vinte cinco ou, uma duzentos e qualquer coisa traço um, tentando sobreviver às dificuldades que os Pê Dê Émes nos impõem e os técnicos emperram, tornando ainda mais comprida a fatídica rua do desespero.

Comecei por querer falar das discrepâncias entre mundos afim de justificar objectivos de vida  e, acabei por parar na cento e vinte e cinco (a rua mais comprida que conheço no Puto), tão cheia de negócio nas bermas traiçoeiras.

Livrem-se da nova pneumónica H1. N1.

Lavem as mãos muitas vezes ao dia, antes de deitar, tomem um cálice de vinho do Porto ao deitar, fiquem atentos á tosse, febres altas e moleza no corpo como se fossse paludismo e não espirrar em cima de ninguém.

Libertem-se de maus olhados, cuspidelas alheias ou raivas de sogra mal curtidas.

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:52
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
BRASIL E O CANGAÇO – XVI

 

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

 LAMPIÃO E SEU BANDO

 

8.2 – PROMISCUIDADE DO MANDO

                

Esta guerrilha para ter êxito da parte dos bandoleiros com sobrevivência garantida, tinha de ter necessariamente apoio e colaboração das populações e, em realidade tinham-na.

Dizia-se na época que: - “No sertão, do criminoso à autoridade e, desta, àquela, a distância é nenhuma”.

Cangaceiros, militares e forças policiais, confundem-se nos procedimentos; a descrição do comandante militar Optato Gueirós, por volta de 1915 dizia: - Somente quem está neste serviço militar pode fazer uma ideia precisa do que seja a oposição que encontram as tropas volantes dos que residem por esses matos; chegaram a negar-nos água, a mim e às praças.

Não é possível manter o moral em cima sem a colaboração dos habitantes e, por isso, o insucesso das muitas operações.

A promiscuidade do mando, era tal entre banditismo e políticos que a dois de Setembro de 1926, Lampião que invade a vila de Cabrobó, à frente de cento e cinquenta bandoleiros, sob toques de corneta e, em perfeita formação militar, hospeda-se na casa do perfeito municipal em cuja companhia e após o almoço, passa revista aos alunos da escola local, formados em sua honra.

Em 1926 a repressão ao banditismo pela força pública de Pernambuco compunha-se de 2590 homens regulares sendo 102 oficiais e 2489 praças, distribuídas por 3 batalhões de Infantaria, um regimento de Cavalaria, uma companhia de Metralhadoras e um corpo de Bombeiros, custando aos cofres da Federação a importância de 6.840.608 contos anuais.

A estes 2590 homens juntavam-se mais 500 voluntários, milícia organizada para defesa contra os rebeldes, totalizando assim 3090 homens.

Um terço do orçamento dos Estados do Nordeste era gasto na ordem pública e força policial, excedendo outro qualquer encargo social.                                                                                          

Com aquele apetrechamento grátis, Lampião entregou-se à elaboração dum plano audacioso que veio a concretizar no dia 13 de Junho de 1927 à cidade de Mossoró. Assim, Lampião, com 53 homens de vários outros grupos como o de Jararaca e Bom Deveras, deram efeito ao assalto à cidade de Mossoró, então designada como a capital do Oeste.

Após 45 minutos de fogo os cerca de 150 habitantes puseram em debandada as forças de Lampião. O seu maior plano fracassava; exigia 400 contos de reis ao prefeito Rodolfo Fernandes em resgate para que nada lhe acontecesse; se o pagamento fosse feito, a incursão ficaria sem efeito, mas, tal não aconteceu. A partir desse momento a estrela do bandido começa a perder brilho; dão-se tantas deserções que Lampião passa a contar somente com nove cabras.

 

8 . 3 – O ENGENHEIRO BRITÂNICO

                      

Em 1938 surge no agreste de Alagoas, perto de Geremoabo um engenheiro que em prospecção e pago por uma companhia de petróleos desbravava aqueles sítios da caatinga na busca de indícios de petróleo; o  aventureiro surgiu na picada em um ford conduzido por um matuto contratado por este afim de o levar até áquelas paragens; estava longe de supor encontrar-se com o destemido bandido e, eis que estando entretido a ver umas amostras de pedra, surge um bando seguido de piares constantes de um pássaro comum naquela zona.

Embora os piares fossem um pouco estranhos ao condutor do ford  esles continuaram entretidos vendo as pedras etiquetando as mesmas e eis que várias sombras invadem o círculo; são os pistoleiros de Lampião que após aquele primeiro contacto, surge Lampião que interroga as figuras de chofer e um geólogo Inglês.

O chofer  a mando do gringo que com medo fêz referência de que se Lampião forçasse o gringo ele passava a falar português, logo foi analizado com um traidor; este não suportava traições e, estando este às ordens de gringo, ao mudar de lado lado para salvar a pele pareceu-lhe muito mal. Sumáriamente levou um tiro ali mesmo na presença do gringo; a coisa estava feia para este.

Recolhido na tapera dum coiteiro o Capitão Virgulino escreveu um recado ao governador de Alagos a pedir quarenta contos pela liberdade do gringo.

O consulado dos serviços britânicos não concordou no pagamento do resgate pois que não negociavam com bandoleiros, nem terroristas e muito menos com bandidos daquela índole. Lampião ficou bravo e,decididiu que sangraria o gringo caso não cumprissem com tal exigência; o portador desta mensagem foi o sargento de Geremoabo que entretanto e depois de comunicar isto a Lampião este, confiscou-lhe  o colt parabellum que transportava.

Seguiram-se os dias com perseguições infrutiferas e num ataque de paludismo à Maria Bonita, o gringo curou-a com quinino que levava nos seus apetrexos de sobrevivência; isto vei-o a salvar-lhe a vida quando Lampião estava prestes a sangrá-lo na povoação de Piranhas; por imploração de Maria Bonita, este foi salvo, lançado-o ao rio São Francisco, vivo e pronto a iníciar outra aventura em um outro qualquer lugar da terra.

Ao mesmo tempo que mandava o gringo para a água, proveitando o facto de por ali estar uma charanga em excursão, Lampião exigiu fazer uma festança na forma de Xanchado impondo aos músicos tal actuação.

Lampião e seu grupo saiu de  Piranhas atravessando o rio velho Chico  para se  esconder em Angicos, uns quantos quilómetros mais a sul, do lago de Sérgipe, sítio pertença do seu amigo coronel Pedrosa, que ele considerava como um  lugar seguro.

( Continuação...XVII )

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:31
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Domingo, 20 de Setembro de 2009
ÁGUAS DORMIDAS

 

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         Luandino Vieira e o Livro dos Rios

 

 DE LUANDINO VIEIRA

 

Desconsegui passar a página vinte e dois do novo livro de Luandino “de Rios velhos e guerrilheiros” para passar a presente crónica ao Kimbo. Aproveitando a onda de sapiência Coimbrã desanoiteci num  dia claro como quando Deus fez o mundo, creio.

Guerrilheiros  novos do Puto salpicaram palavras com bandeiras ondulantes e discursos junto ao velho rio Mondego. Também aqui com linguas de catana cortaram o romantismo revolucionário na busca do poder, perpectuando o mando num tempo que requer mudança para que os homens prosperem sem vícios e malvadez; sem enganos na escolha das virtudes. Têm de haver um mundo diferente, fazer dos sonhos uma terra de ventura; irradicar a utopia, a pobreza mais a havareza.

Já dia aberto, vislumbro o céu claro para lá da colina da saudade, os telhados cobrindo a brancura do caserio e o rio Mondego entre moscas volantes da minha própria visão; manchas disformes perturbando a visão dum quase velho remador de outros rios chamados de Kwanza, Cuvo ou Lucala.

Passamos agora às visões escritas do Luandino, um amigo que só conheço das vivências, dos mambos do quintal de sonhos e, como uma colherada de mata-bicho aqui reproduzo uma pequeno extrato sem prévio consentimento:

 

“...Eu Kene Vua, guerrilheiro, digo mais

  ...Digo mais: também eu, sou um rio.

Conheci rios: rios antigos, jimbumbas (tatuagens) na pele da terra angolense, cicatrizes que nascem eterno sangue, uma água cega. E rios novos, rios de águas dormidas, lágrimas acordadas a tiro e catanada. Rios amigos quando ainda as matas eram nossas. Agora minha alma esconde funda como esses rios – já pendurei no pau de chora-sangue do Kialelu aquele, o do sangue sujo, o sapador Batuloza; e vou ver sempre voar as borboletas das palmas das mãos de meu companheiro Soto, fuzilado a tiro corrido, quilunzeado (morto a tiro). Até o carcamano Makenze quis ainda ser menino-jesus no colo do meu peito, o caminho daquele homem na hora da morte: o njila ia diiala mu´alunga ( O caminho do homem na morte... )... “

 

Estes escritos são monumentos de ferro aos senhores poderosos, os donos dos choros dos outros; são Kiandas vuzumunando vidas como a do mais-velho Kota Januário Pieter com quem me irei encontrar nos próximos tempos. O homem que voa e anda em manso-pé como hiena, por picadas, matas e muxitos, que nunca morre.

 

O soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:06
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Sábado, 19 de Setembro de 2009
BRASIL E O CANGAÇO - XV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

 

8 – A ESTRUTURA GOVERNAMENTAL E O BANDOLISMO

 

Na falta de estruturas oficiais militares ou militarizadas, os fazendeiros tiveram de contratar os já organizados cangaceiros que a alto custo guarneciam os seus bens; em troca tinham toda uma logística de manutenção com balas, armas, facões e viveres. Era uma excrescência aterradora em que a besta infractora era alimentada pelo presumível prejudicado.

As caravanas de burros dos agentes oficiais da lei, saíam dos portos litorais percorrendo 50 a 60 léguas pelo sertão; homens demasiado carregados e estafados não eram suficientes para repelir ataques dos numerosos grupos de cangaceiros.

Por força da seca de 1919 deu-se a maior intervenção dos fora-da-lei com depredações e assassinatos avulso.

A incipiente estrutura governamental especialmente nas zonas do Oeste, não se faz notar por actuar de forma desarticulada; esta carência resulta na proliferação de grupos de meliantes sem oposição à sua germinação. No Ceará, na seca entre os anos de 1877 e 1879 surgem os Mateus, com mais de cem homens, os Barbosa e Viriato; este último actua com audácia e obtém êxito financeiro em conluio com gente da banca.

 

8.1 – O CASO  PRESTES

 

  CARLOS PRESTES

 

Luís Carlos Prestes cursou a Escola Militar do Rio de Janeiro; serviu o exército como engenheiro no Rio Grande do Sul e, em 1924 liderou o movimento tenentista contrário ao regime da velha República. Formou uma coluna da sua guarnição e juntou-se com os revoltosos da revolução constitucionalista de São Paulo, percorrendo o país para Norte, naquela contestação a que se veio a chamar de “Café com leite”.

O deputado Federal Floro Bartolomeu da Costa, que foi encarregado de organizar a resistência à coluna Prestes no estado de Ceará, teve a ideia de de convocar o bando de Lampião para enfrentar e perseguir os revoltosos; para o efeito conversou com o padre Cícero pedindo-lhe que escrevesse uma carta dirigida a Lampião a fim de se reunirem em Juazeiro. Lampião atendeu ao pedido de seu “painho“ Cícero, conferenciando com ele a 5 de Março de 1826.

Padre Cícero, era o influente Prefeito, místico curandeiro e rábula do povão; o mesmo povão que o tornou poderoso em terras com suas dádivas. O agradecimento dos pobres de então, por troca de  terras por milagres, tornaram-no um fazendeiro mais poderoso que qualquer “Coronel”.

Padre Cícero em tertúlia de acta lavrada, decidiu dar a Virgulino, vulgo Lampião, o posto de Capitão, ao irmão António Ferreira o posto de 1º Tenente e ao destacado cabra Sabino o posto de 2º Tenente.

Como era necessária a assinatura de uma autoridade Federal para tornar oficial a nomeação daqueles cargos e, não encontrando naquele momento o Deputado Floro, recorreram a um funcionário Federal, um agrônomo que esporadicamente ali estava destacado em serviço pelo governo da República.

O deputado Federal Floro Bartolomeu, por doença ou conveniência de político, encontrava-se em São Paulo.

Com fortes batidas na porta, após as 21 horas da noite, o agrônomo, ao abrir a porta deparou com dois cangaceiros apetrechados com todos os “zingarelhos”, artelhos, burnais e rifles; eram António Ferreira e Sabino.

- Ocê se chama Pedro Afonso?

- Sou eu mesmo.

- Padre Cícero está lhe chamando.

- Para quê?

- Lá, ocê saberá

Pedro Albuquerque, sem outra saída, amedrontado, foi levado às pressas à presença do padre Cícero. O padre ditou os termos e, no final da escrita disse-lhe para assinar.

O incrédulo agrônomo exitou e,... mas padre eu não tenho autoridade para fazer isto; mas,... e mas.

- Não tem mas nenhum, assine somente! Disse o padre.

O irmão de Lampião, impaciente com tanto mas, retorquiu:

- Faça o que o padre está mandando! O resto, é com painho e nós!

Pedro Albuquerque naquele momento, rodeado de cangaceiros assinava qualquer documento.

-Naquela hora eu, até assinava a destituição do Presidente da Republica! Disse mais tarde Pedro Albuquerque.

No depósito de material e armamento do Batalhão Patriótico, o bando de Lampião receberam fardas de sarja cinza azulado, a cor “oficial” do exército, fuzis e munições. A sarja cinza azulada ficou sendo a preferida de Lampião.

Qualquer malandro ou gatuno é tornado tenente do batalhão patriótico, sem um atento cuidado na relação do dito batalhão. Fornece-se a cada homem, gente de raia miúda nos conceitos de posse, um fuzil, fardamento e farta munição; resultou daí que, na posterior desarticulada desmobilização, os bandoleiros ficaram melhor apetrechados do que antes daquele “levantamento do Juazeiro”.

Virgulino ao que consta, não chegou a ter qualquer contacto em combate com Prestes; houve somente uma escaramuça entre militares por motivo de “rabo de saias”; no entanto, serviu de pressão para Prestes desviar a coluna em direcção ao interior de Mato Grosso, sendo depois obrigado a refugia-se na Bolívia.

Prestes, posteriormente exilou-se na Rússia vindo a ser o primeiro líder comunista Brasileiro.

( Continua....XVI )

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:55
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
PALAVRAS DO SENHOR

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

 

O MWANA-PWÓ

Quando Deus fez o mundo para que os homens prosperassem, decidiu dar-lhes duas virtudes.

Assim, mandou o anjo secretário anotar os dons em vários paises e, foi assim:

 

- Aos Suecos, fê-los  estudiosos e respeitadores da lei

- Aos Inglêses, organizados e pontuais

- Aos Argentinos, chatos e arrogantes

- Aos Japoneses, trabalhadores e disciplinados

- Aos Italianos, alegres e romãnticos

- Aos Franceses cultos e finos

- Aos Portuguêses, inteligentes, honestos e socialistas

 

O anjo anotou mas, indagou: - Senhor, a todos foram dadas duas virtudes ! Porque deu três  aos Portuguêses. Isto não os fará soberbos em relação aos outros?

Bem observado, isso é verdade. Façamos uma correcção:

- Os Portugueses manterão três dons, mas só poderão usar dois simultãneamente, como os outros povos e, da seguinte forma:

 

 - O que for socialista e honesto não pode ser inteligente!

- O que for socialista e inteligente , não pode ser honesto!

- O que for inteligente e honesto, não pode ser socialista!

 

Palavras do Senhor

O soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:40
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
BRASIL E O CANGAÇO - XI

 

   FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

7 . 5 – O FESTEJO DOS REIS MAGOS EM CANINDÉ


 

A seis de Janeiro de 1932, dia em que se comemoravam os festejos dos Reis Magos em Canindé de São Francisco, uns escassos três quilómetros a montante de Piranhas, Lampião surpreendeu os habitantes surgindo no “arraiá” mandando reunir as mulheres do vilarejo na praça principal. Uma destas mulheres tinha desafiado Lampião em carta que lhe veio a chegar às mãos; as mulheres desta vila estão-se nas tintas para as suas ordens, dizia a missiva.

As mulheres efectivamente estavam cortando o cabelo curto contrariando a vontade de Lampião.

Populares em espectativa viram uns ferros de marcar gado sendo aquecidos numa fogueira feita a propósito; Zé Baiano marcou essas mulheres, com ferro de marcar boi, uma a uma com as letras “JB”; foi o castigo dado por contrariarem a vontade do Vigolino, o rei do cangaço.

De todo aquele grupo de mulheres, só Natália, mulher do soldado Mourinho, grávida de oito meses se livrou deste castigo.

 

PIRANHAS DO RIO SÃO FRANCISCO

 

Nesta investida a Canindé aonde se situa agora a barragem Xingó, os cabras encheram seus cantis de muita cachaça e outras bebidas fortes, tendo saído dali para a fazenda Marandube perseguidos por forças volantes de Sergipe e as feras policiais que provinham de Nazaré de Pernambuco.

As forças volantes de Nazaré tinham ódio de morte a Lampião; eram voluntários que como cachorros caçavam o inimigo visceral.

Em Maranduba morreram os cabras Sabonete, Quina Quina e Catingueira; estavam cheios de cachaça tendo dado luta de bravia louca por força do álcool.

Durante algum tempo, Lampião ficou refugiado num quase deserto perto da cidade de Paulo Afonso a Nordeste da Bahia, um triângulo chamado o Razo da Catarina, região inóspita e monótona com poucos habitantes e muita pobreza. Convém referir que a parte Norte deste território árido, vivem os índios Pankararés descendentes dos primeiros habitantes da bacia central do rio São Francisco.


 

7 . 6 – “AS BLAGUES” E AS LENDAS

Nos anos de 1933 a 1936 muitas histórias foram contadas em fantasiosas blagues tornando Lampião numa lenda viva; juntaram-se-lhe entretanto Zé Baiano e Corisco, sub tenentes temidos. Muitos não puderam fugir ao seu antecipado destino e morreram entre traição, bala perdida, podres de cachaça ou simples azar. Nestes anos e por estes caminhos, por aquelas razões, foram eliminados: - Limoeiro, Arvoredo, Azulão e mulher,Canjica, Zabete, Esperança e Cocada.

Em 1936 o grupo de Zé Baiano, o ferrador de mulheres foi dizimado; Lampião já se notava cansado da vida e descuidado com a sua segurança.

A vida de Lampião como qualquer mortal, tem principio, meio e fim e, seu final estava lavrado para o dia 28 de Julho de 1938 em Sergipe. Seu fim teve início quando Joca Bernardino, um couteiro de Lampião denunciou um outro de nome Pedro Cândido à policia volante de Piranhas.

Pedro Cândido tinha ida à feira comprar mantimentos e, porque comprou mais que a conta, deu nas vistas a “Judas de Angico”, o tal coiteiro Bernardino que denunciou esta evidência aos volantes.

Em quatro de Junho de 2008, tive oportunidade de ir a Angico com o sobrinho neto de Pedro Cândido, dono do barco que translada turistas mostrando a rota do cangaço rio abaixo. Falou-me de quanto seu tio avô barqueiro sofreu e, de como os volantes o castigaram para saber o local certo da grota do Angico; foi obrigado a dar todos os pormenores à policia de Piranhas.

Ao romper do dia de quinta feira de 28 de julho de 1938 na grota de Angico, um barranco com muitas pedras e espinheiras situado no município de Porto da Folha em Sergipe, os grupos de de Zé Sereno e Lampião foram atacados por 48 homens divididos por três grupos, o do tenente João Bezerra da Silva, o do sargento Aniceto e do aspirante Ferreira.

Os grupos de bandoleiros de Corisco, Labareda e Canário estavam convocados para ali estar, mas estavam ausentes naquela hora; ainda não era a sua hora para morrer.

Foram mortos: - Maria Bonita, Luís Pedro, Quinta Feira, Eléctrico, Mergulhão, Enedim, Moeda, Alecrim, Colchete, Marcela e o próprio Lampião; Onze ao todo.

É o que consta na placa da grota do Angico; uma homenagem do povo sertanejo após sessenta anos da sua morte (1998).

Estive ali para dar por terminados os meus anseios de adolescente; rever as figuras grotescas dos livros de cordel com cenas tão por fora das minhas vivências. O local era um simples leito de rio pedregoso com muita macambira ao redor.

No regresso já junto ao São Francisco deliciei-me com um prato de pitu, depois de um mergulho nas águas limpidas num remanço dos rápidos.


 

( Continua....XV )

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:47
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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