Terça-feira, 31 de Agosto de 2010
N´GUZU . I

   FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

            “Gente de bitacaia”  

Em meus pensamentos acocorados na memória vesti a minha dignidade de sofer porradas nos tempos de candengue; amarguras entrelaçadas com saudade dos meus mais velhos que terminaram sua batalha de vida, essa quietude de sono feito morte; já lá vai algum tempo.

Tenho aí uma foto sarapintada a preto e branco, amarelecida do tempo e das caganitas de moscas mostrando um homem vestido de terno com colete, camisa branca, olhos vivaços com nariz e perfil de beirão e um impressionante bigode retorcido em curva ascendente.

O tempo legou-me a foto de meu avô que só conheci de falas, de quando embarcou para o Brasil para fazer fortuna mas que na volta só trouxe tuberculose; como diziam então minha avó Topeta e restante família “veio tísico” e teso como um carapau (referiam-se a dinheiro).

Nas chicotadas de um destino injusto, meu avô gozou enquanto pode; por lá se amilongou com uma mulata da qual teve duas filhas e, se forem vivas terão para aí uns 75 a 80 anos. Até aqui calei, não deixei falar meu coração emboscando palavras fervidas em minha garganta.

 Candengues do Cassequele

Meu pai, trabalhador de pedra lascada, aparada e polida agarrou-se a antigas linhagens de fio de prumo e, seguindo as pisadas de tantos outros entrou num vapor de nome Mouzinho e embarcou para Angola. No Lucala quando da construção da ponte para o caminho de ferro de Luanda um dia internou-se no mato e teve a dada altura de subir para uma acácia perseguido por uma pacassa ferida a que e, se bem me lembro, ele deu o nome de solitário. Tinha consigo uma catana que de nada valia para se defender daquele búfalo e por lá permaneceu umas horas. Muitos anos depois voltou de lá com uma bala no joelho, carregado de porradas pintadas em nódoas negras. Os mwangolés do Nito Alves armados até ao tutano, gente de bitacaia, ensaiaram com ele uma guerra de cassequele e, botaram-no atráz do aeroporto de Belas que nesse tempo se chamava de Craveiro Lopes. O senhor Manel, meu pai, acabou por ficar nas Beiras e lá morreu naturalmente entre os pinheiros e capinzais de silvas no lugar de Barbeita.

 

FLOR DE MARACUJÁ . HORTA DO SOBA 

Nestes tempos do Puto recordo conversas entre ele e com um amigo fubeiro, seboso de ranços e suor de caligrafia analfabeta, óleo de palma da venda do mato, sardinha e peixe podre, tudo escrito numa caderneta de linhas quadradas; falava à preto no livro da vida dele.

Levavam horas basculhando dixitas da “sua” Angola, “sua” Luanda com gente ajudando gatos e cães na sobrevivência urbana. Falar p´ra quê e, não dianta procurarmos mwangolés, generalistas, capitãnistas; não dianta procurar o que o destino já escolheu para lhes dar. Esses oficiais mais que tenentistas, muitos mesmo, nunca que foram na frente de combate, muitos numerosos confirmam não confirmar.

Muitos mwangolés agarraram-se às suas antigas e gloriosas famílias dos reinos colonos, mafulos e mazombos feitos fidalgos; gente de escassa memória p´ra tanta dignidade e previlégio. Muitos que vão exigir de ser chamados de excelência e excelêntissimos com camaradas na segurança de suas riquezas, carros esfumados, importados e descapotados.

As lições da vida têm de ser sempre passadas a limpo, só nossa morte é quem pode ficar em rascunho.

 

Glossário: N´guzo: - força, destreza (quimbundo); candengue: - rapaz, jovem; amilongou: - amigou, emancebou (união de facto); pacassa: - búfalo,; mwangolé: senhor de angola, que se diz angolano, ter pinta ou banga de cazucuta, desenrrascado com vidas paralelas; cassequele: – um bairro de revolução, bairro da Zita comuna; dixitas: - lixeiras, sugeira das barrocas; bitacaia: - bicho de pé, matacanha.

(continua…)

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:07
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Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010
XICULULU . VI

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         “ Emoçóes do passado”

A FALÉSIA  

Uma palavra ou um conjunto delas, nada mais é do que um meio para alcançar uma meta, um fim. Como um letreiro, a palavra perde o interesse se não fizer parte dos nossos quereres, anseios ou ilusões.

Hoje, fugindo da palavra, percorri o promontório rochoso da minha praia, desci a escarpa até às águas transparentes em tom de esmeralda. Entrei no mar, soro de vida e, abrindo os olhos debaixo dela cheguei ao meu interior, uma fronteira dentro do meu corpo; como que retornando à vida uterina vislumbrei o encanto do presente; fui mais além das funções corporais básicas de como respirar, comer, beber, dormir, sentir prazer e dor. Vislumbrei um estado de libertação voltando ao meu próprio corpo como um impulso instintivo carregado de prazer.

Na areia, entre pedras, haviam outro corpos nús que se moviam sem envergonhados tabus de mortificação da carne; como animais que eram, acontecia a naturalidade do ser.

A PRAIA

A intencidade do ser interior reduz o processo de envelhecimento ao corpo físico na forma de perdão; perdoar é uma forma de deixar desprender os nossos ressentimentos, é não oferecer resistência à vida, permitindo que ela aconteça.

Quando as emoções do passado permanecem dentro de nós, tornam-se parasitas, cohabitam conosco alimentando-se de nossa energia e isso, deixa-nos invariávenlmente doentes e até podem tornar a nossa vida miserável.

Uma emoção pode permanecer dentro de nós por dias, semanas ou anos construindo-se num ego monstruoso que persiste sempre com a discordia e conflito.

Naquele momento do mergulho no “soro da vida” da minha praia e, presente o acúmulo do tempo psicológico do passado libertei alguns falrripos de coisa ruím das minhas células.

Entre algas tento fortalecer o meu sistema imunológico.

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:57
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Sábado, 28 de Agosto de 2010
CAZUMBI . IV

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

       Un negro pobre só pode ser bandido.

O NEGRO ZUMBI DOS PALMARES . UM KOTA MWANGOLÉ

 

Felicidade e saudade são estados de espírito que não sendo mensuráveis também são de difícil definição; depende de variados factores tais como a brisa, sol, chuva e um sem fim de dados que naquele preciso instante de tempo se conjugam em natural empatia.

Este fenómeno de estar e sentir a felicidade, não tem lei regulamentar especifica; só a confidencialidade do bom humor é que às vezes fica alterada ou conspurcada em devaneios de comportamentos sociais.

Independentemente de uma vontade própria, um pequeno senão, em um dado momento, tornam-nos arredios daquela felicidade. Uma fagulha num olho pode alterar o rumo na nossa vida, e uma palavra certa a um aflito pode ser o renascer duma felicidade.

É tudo tão falível ou imprevisível!

A vida é a opção que nunca devemos rejeitar por muito que nos custe; lutar por ela é uma obrigação de terapia permanente. Vem isto a propósito de que para se ser feliz hoje, exige-se um empenho de vontade refinada planeando o grau de felicidade via Internet, e-mail próprio e, um website por forma a manter-se online e interagir na rede.

 

AS FLORES DO SOBA . CIRCUITO DE MANUTENÇÃO DA LAPA

 

E,... como ficamos pequenos naquele preciso momento e, um nó de fúria na garganta!

No limpa para brisas do meu carro lá estava, outra vez a oferta dum ilustre professor espiritual; o papel quadrado de cor amarela aparecia na hora certa oferecendo tudo o que me fazia falta, senão leia-se o conteúdo:

 

- Mestre no Cazumbí, kimbanda com poderes de magia branca e negra que elimina todos os problemas  sentimentais, abandono, alcoolismo, droga, mau  

  olhado e inveja.

- Com técnicas simples e eficazes elimina impotência sexual, estimula no desporto e prosperidade nos negócios

- Através dum aloquete azul faz voltar ao domicilio conjugal as esposas e maridos desavindos.

- Ajuda a resolver os problemas que não deixam dormir

 

É ou não é um pacote tentador!

Teremos de recorrer a estes ilustres especialistas, até porque, além de garantirem solução para todos os males passam um tão desejado certificado de felicidade garantida.

Amanhã vou medir a minha tensão arterial, a grandeza de colesterol como gesto de boa vontade comigo mesmo; prometo também exteriorizar simpatia sem fingir mimos, aparências ou afectos.

Como é difícil ser feliz nos dias que correm! E, muito pior se, se é preto!

 

Glossário: cazumbí:-feitiço; -aloquete:cadeado; kimbanda: -curandeiro, embusteiro, médico tradicional em África,

(continua…)

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:18
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Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010
CATÁSTROFES - II

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

           “OS CAPITALISTAS DE DESASTRES “

DEPOIS DO FURACÃO KATRINA 

A DEMOCRACIA, é uma brincadeira de políticos que se acobertam nessa nobre palavra para corromper o sistema tornando-a decadente.

No Sri Lanka após o devastador tsunami de 2004 entraram em cena os facilitadores de empréstimos internacionais aproveitando a atmosfera de pânico e assim entregar toda a bela linha costeira a empreendedores. Rápidamente constroem grandes “resortes” impedindo centenas de milhares de pescadores a reconstruirem as suas casas e aldeias perto da água.

Numa cruel reviravolta do destino, a natureza tinha presenteado o Sri Lanka com uma oportunidade única; dessa tragédia nascerá um destino turistico de renome mundial. Os “capitalistas de desastres” não têm interesse nenhum em reparar o que outrora existira.

Globalmente os países afundam-se em bordados nos bastidores de teias de interesse, jogos de poder dos partidos que dirigem ousadias de ambição e, agitados entre canalha ganham terreno entre o deixa andar do povo no mudar de rumo ; resignam-se, às leis conspurcadas de atributos incestuosos.

 

A MULEMBA DO SOBA . GARANHUNS 

No Iraque, Sri Lanka e Nova Orleães o processo enganador de “reconstrução” é substituido numa espécie de Nova Jeruzalém corporativa, tudo isto feito antes que as vitimas de guerra ou desastres naturais sejam capazes de se organizar e reinvindicar os seus direitos sobre aquilo que lhes pertencia.

Os políticos portuguêses rápidamente aprenderam a lição; veja-se o caso do Friport e a Operação Furacão rebanhando grandes e pequenos interesses a que nem o modesto “Resort Boca do Rio” situado no rio Arade escapa. Os incêndios de verão a acomodar interesses financeiros é talvez a maior catástrofe da actualidade.

O furacão Katrina em Nova Orleães conseguiu num dia o que reformadores escolares da Louisiana não conseguiram fazer ao fim de anos a tentar; a esmagadora maioria das escolas passaram para as mãos de particulares capitalistas na forma de “escolas por alvará” seguindo o método da USA e FMI pelo “capitalismo de desastre” de Friedman.

Milton Friedman, professor director do fundo Monetário Internacional e chefe da Resesva federal dos E.U.A. estabeleceu uma estratégia: - esperar por uma crise de grandes proporções para vender ao desbarato partes do Estado a interesses privados. Enquanto os cidadãos estivessem atordoados do choque “Katrina”. tornavam-se num adversário impotente para agir ou reagir numa ”terapia de choque”. Vender ao desbarato depois de uma tormenta ou crise provocada; em suma “ a estratégia do desastre”.

(continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:18
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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010
GLOBÁLIA . VI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

AS “ONG’S” E A HIGIENE RACIAL . IV

 No Amazonas

 

Estava aberto o caminho à neo-colonização disfarçada de um território rico e cobiçado pelo Jet-Set de países e U.S.A. com os urubus negros por detrás das torres de New York, lá aonde implantaram a estátua da liberdade; lá aonde as calculadoras têm o nome de “petro-máquinas” e o sangue é preto.

Poucos falaram do retrocesso no modus-vivendi em Angola a partir de 1975 e já se passaram mais de trinta anos; as cidades estão imundas, o povo remexe o lixo e os senhores do governo deslocam-se velozmente em jactos, helicópteros, iates e carros todo o terreno de vidros esfumados; a qualidade de vida, não obstante jorrar petróleo por todo o lado, desceu à estaca mínima com milhares de barris a sair pelo tubo ladrão. A pretexto de ninharias perpetuam as mordomias do mando, o mesmo dizer do glorioso MPLA.

 

 Tuiuiú em Mato Grosso

 

No Brasil a “WWF”, Word Wide Fund for Nature, (Fundo Mundial para a Natureza), desenvolve cerca de meia centena de projectos, tendo a “conservação da Amazónia e Pantanal Mato-Grossense” como base; estes impulsos verdes tendem a bloquear o desenvolvimento natural e trancar o uso de hidrovias por esterilização dessas vastas zonas.

No ano de 2005 fiz a viagem entre Cuiabá e a Bolívia, através da chamada transpantaneira, passando por Poconé (capital do garimpo); permaneci poucos dias nas invisíveis cordilheiras, aonde as fazendas se anexam aos currais, junto ao rio Paraguai e a estrada que me permitiu chegar ali estava tão esburacada que nos forçou andar quase um dia para cobrir pouco menos de duzentos quilómetros. As mais de centena e meia de pontes estavam descuidadamente deterioradas; algumas tiveram de ser contornadas por vias vicinais alternativas e, só por esta vivência pode chegar-se á conclusão das muitas dificuldades, prevalecendo negativamente ao desenvolvimento. Qualquer mediano empreendedor recua perante tamanha adversidade provocada a propósito pelas “ONG´S”.

 

OLINDA DE PERNAMBUCO . PINTURA

 

A maravilha aguada daquelas terras tão cheia de Caimões, Tuiuiús, Servos, Antas, Macacos, Capivaras e Piranhas, podem ser preservados conjuntamente com o homem em harmonia sustentável.

A biodiversidade pode e deve ser compatível, sem a exclusão do “bicho Homem”; ao invés de se reduzir os efectivos humanos, como é dito pelos malthusianos, deve, isso sim, habilitar-se o povo na utilização racional dos recursos potenciais que a natureza fornece e que o conhecimento científico permite aproveitar.

Na década de 1970 o cientista Brasileiro Josué de Castro dizia que “a pior poluição é a miséria”; Fazem falta homens de princípios incólumes à usura, ao poder parasita de disfarçadas tendências congeladoras do progresso.  

O Programa Alimentar Internacional não nos diz nada de novo; temos é de cultivar e colher sem nos tornarem subsidio-dependentes duma pilhagem musculada em pseudo “Nova Ordem Mundial”.

 

Bibliografia: A máfia Verde – (EIR) – Executive Intelligence Review; Como eu atravessei a África – Serpa Pinto

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:44
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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010
CATÁSTROFES - I

 AS ESCOLHAS DO EMBAIXADOR DO CACUACU

 

" Boniboni"

Petróleo vaza há 50 anos na Nigéria
Grandes vazamentos de petróleo não são novidade na Nigéria. O Delta do Níger, onde a riqueza em baixo da terra é desproporcional à pobreza na superfície, é submetido, há 50 anos, ao equivalente a um derramamento do navio Exxon Valdez (de 41 milhões de litros, ocorrido no Alasca, em 1989) ao ano, segundo estimativas. O petróleo vaza quase todas as semanas, e alguns pântanos há muito tempo não têm mais vida.


É provável que nenhum outro lugar da Terra tenha sido tão castigado pelo petróleo, e os habitantes estão impressionados com a atenção constante que é dada ao vazamento do Golfo do México. Há poucas semanas, um duto da Royal Dutch Shell que havia estourado nos mangues foi fechado após vazar por dois meses: agora, não há um ser vivo em um mundo preto e marrom outrora povoado por camarões e caranguejos.



Não muito longe
dali, há petróleo no Riacho Gio, de um vazamento de abril. Em Akwa Ibom, o vazamento de um duto da Exxon Mobil durou semanas.

Os vazamentos são causados
por dutos enferrujados, nunca fiscalizados em razão de regulamentação ineficiente ou criminosa e afetados por manutenção deficiente e sabotagens. Apesar da maré negra, os protestos não são frequentes - no mês passado, os soldados que guardam um local da Exxon Mobil espancaram mulheres que realizavam uma manifestação. "Não temos a imprensa internacional para cobrir o que acontece aqui, então ninguém se preocupa", lamenta Emman Mbong, de Eket.

As crianças nadam no estuário poluído, os pescadores levam seus barcos cada vez mais longe e as mulheres do mercado andam com esforço entre os riachos de petróleo. "O petróleo da Shell está no meu corpo", afirmou Hannah Baage.



O fato de o
desastre do golfo paralisar um país e um presidente que tanto admiram é motivo de espanto para as pessoas daqui. "O presidente Obama está preocupado com aquele vazamento", comentou Claytus Kanyie, funcionário da prefeitura. "Ninguém está preocupado com este aqui." Ao longe, saía fumaça de um lugar onde, segundo Kanyie, funciona uma refinaria ilegal operada por ladrões de petróleo e protegida, ao que se fala, pelas forças de segurança nigerianas. Antes dos vazamentos, disse Kanyie, as mulheres de Bodo ganhavam a vida catando moluscos e mariscos nos pântanos.

Nada menos que
2 bilhões de litros vazaram no Delta do Níger nos últimos 50 anos ou cerca de 41 milhões ao ano, concluíram especialistas em relatório de 2006. Portanto, as pessoas daqui olham com compaixão a situação no golfo. "Sentimos muito por eles, mas é o que acontece aqui há 50 anos", disse Mbong.

Embora grande parte
da área tenha sido destruída, restam muitos espaços imen sos de verde. Os ambientalistas afirmam que, com um programa de recuperação intensiva, o delta poderia voltar a ser o que era.

 

A Nigéria produziu mais de 2 milhões de barris de petróleo ao dia, no ano passado, e em mais de 50 anos milhares de quilômetros de dutos foram instalados nos pântanos. A Shell, principal empresa exploradora, opera em milhares de quilômetros quadrados, segundo a Anistia Internacional. Colunas envelhecidas de válvulas nos poços de petróleo se destacam entre palmeiras. Às vezes o petróleo jorra delas, mesmo que os poços estejam desativados.

Caroline Wittgen, porta-voz
da Shell em Lagos, disse: "Não discutimos os vazamentos", mas argumentou que a "vasta maioria" é provocada por sabotagem ou roubo, e apenas 2% por falhas dos equipamentos ou erro humano.
REPORTAGEM PUBLICADA NO ESTADO DE SÃO PAULO
 

O Chato do Xiça

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:53
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SANTIAGO . II

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

           "2010 - Ano Jacobeo"

FLORES . NA ROTA DE MANUTENÇÃO  DO SOBA

A industria do turismo aliada a grupos ecologistas, lançam novo vigor aos caminhos de Santiago recuperando percursos, elaborando mapas e editando roteiros com mapas e guias culminando na classificação como patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Neste século XXI, o objectivo de chegar a Santiago começa a partir da porta da casa de cada um que, percorrendo as sinalizações da “Vieira” se pode lá chegar a pé, de carro, a cavalo, de bicicleta ou comboio.

Porque já lá fui três vezes, guardo no meu museu de recordações uma Vieira, um cajado e uma cabaça, símbolos do peregrino.

Nos tempos medievais, a concha “vieira” funcionava como um certificado de que a peregrinação tinha sido feita cosendo-a à roupa.

São oito os principais caminhos de Santiago: - O Frances passando por Burgos, O Inglês , O do Norte ou o Cantábrico, o Primitivo, o de Finisterra - Muxia, a Via da Prata, a rota do Mar de Arouca e o Português.

O Caminho Francês é talvez o mais destacado e popular pelo legado histórico, cultural e beleza das paisagens que têm início em em Saint Jean Pied de Pôrt, nos Pirineus franceses prolongando-se por 800 quilômetros.

 

CATEDARL DE BURGOS . CAMINHOS DE SANTIAGO

O Caminho Luso ou Português tem vários trilhos pedestres com intrincados itinerários Jacobeus com sinalização a partir do Braga, Valença e Porto ligando-se a Tui e Pontevedra na Galiza espanhola.

A rainha Santa Isabel, o rei D. Manuel I e São Francisco de Assis, utilizaram este caminho a partir de Coimbra.

Os viajantes, almocreves, aventureiros, bandidos e contrabandistas utilizaram estas rotas pernoitando em albergues tendo em tempos idos os Templários como guardiões. Hoje pode consultar-se na NET os vários grupos de caminhantes e assim agendarem um programa conforme o seu meio de locomoção, ficarem em albergues e até terem guias de grupo patrocinados pelas autarquias localizadas ao longo do percurso.

Ao longo do caminho português existem centros de apoio ao peregrino mas, quem se aventure nesta longa caminhada faça-o por etapas de não mais de trinta quilômetros por dia; leve uma mochila anatômica com peso não superior a 10 % do seu peso levando um saco cama, uma esteira leve, capa de chuva, botas de montanha resistentes à água e meias de algodão. Os albergues existentes, na maioria são gratuitos havendo apoio aos pedestres nas épocas altas de visitação. É conveniente levar cremes hidratantes, um chapéu de aba larga, um cantil e preparar-se psicologicamente para sofrer com agrado. 

(continua)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:38
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Domingo, 22 de Agosto de 2010
CAZUMBI . III

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

" A vida é uma boa ilusão!”

PINTURA DA SOBETA IBIB

 

Uma das mais poderosas práticas espirituais no ser humano é tornar possivel uma rápida transformação de todo o passado. O importante é ficar alerta de, quando o sofrimento aparecer, observá-lo sem se deixar dominar por ele, reconciliar-se nessa actitude sem ficar vulnerável a um ataque de sofrimento.

Muitas relações amorosas, após uma euforia inícial oscilam entre o amor e o ódio. Se a mente não trabalhar em consciência esses sentimentos tornam-se descartáveis e, no lugar da atração surge a depressão, a agressão ou até auto-mutilação. Tornar possivel a mudança é não sentir prazer em ser infeliz e não fazer alarde para atrair a atenção ou compaixão doutrem.

Há pessoas que nutrem prazer em ser infelizes e repetem-se até à exaustão em seus desaires; o melhor diálogo a ter com essas pessoas é a omissão a esses temas, suprimindo a compulsão em se falar daquela coisa reprimida, um problema do pensamento.

A vida é uma ilusão sempre ameaçada e só a luz da consciência nos pode dar o prazer interior. Vença este problema por metas como um corredor de montanha subindo palmo a palmo de cada vez e não os muitos quilómetros duma só vez; mentalmente fragmente as dificuldades e vença metro a metro até faltar só um.

 

OS LÍRIOS DO SOBA

 

Cada um de nós tem de, permanentemente exercitar o chamado “àquela luz” interior para não viver num estado de medo constante, numa sensação de incompletude. A maioria das pessoas gratifica o seu ego ostentando dinheiro, propriedades, joias, sucesso, poder ou um especial relacionamento, para se sentirem mais completas mas, mais tarde ou mais cedo vão ter de abrir mão de tudo isso e descobrir por si só que se andaram a enganar com o “satus” social, aparência física, ideias e relações políticas ou crenças religiosas .

Essa, é a ilusão da vida.

O passado com uma identidade e o futuro como uma realização são a ilusão da nossa existência.

Colei as medalhas dos meus sucessos na parede da minha churrasqueira num respeito aos efémeros tempos; ali estão entaladas entre o fole de assoprar, as tenazes, a pá do celeiro e a forquilha de madeira para juntar os fardos de palha. Aquilo, com a humidade foi descolando, caindo uma e outra como fruta madura que cai por si só ou com as intempéries mas, quando para ali olho, vejo o quanto fui capaz de percorrer naquele “agora”; talvez meio mundo. Em verdade, é que naquele precioso momento de vencer a montanha eu estáva lá e fui capaz. Agora só são reliquias a recordar.

Haverá outras metas a percorrer: - O tempo com decência e um arco íris de vontade interior.

O tempo não tem azul, amarelo, lilás ou qualquer outra côr; é o nosso ser que determina esse conceito de iluminação espíritual.

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:57
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Sábado, 21 de Agosto de 2010
AMÉRICA . VII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

    "Contradições do Império”

ROY BEAN . O JUIZ DE PECOS

 

Richard Nixon querendo dar fim rápido à guerra do Vietnam entre 1965 e 1975 levou para lá grande potêncial bélico demonstrando de novo a força do “Big Stick” da União. Em 2003, George Bush com o pretexto do Iraque ter armas de destruição macissa, à revelia dos preceitos da ONU, tendo sómente o consentimEnto de seus primos da Grã Bretanha, Austrália e Canadá atacou o Iraque com as suas armas cirúrgicas acabando por aprisionar Sadam Usseím num buraco de toupeira; já antes, o mundo tinha visto como se dum filme se tratasse a invasão do Golfo; aqui fizeram questão de dar a conhecer toda a sua sofisticação técnológica através da Sky News no trato da morte, uma labirintite com tentáculos infernais. A América estava longe de ser um mar de rosas; o chefe indígena Falcão Negro, em Junho de 1831 relutava em remover sua tribo para os fundões do Mississípi enquanto que na Virgínia Nat Turner inicia violentas revoltas da história da escravidão americana que culminou no início da fuga dos escravos por John Brown que veio a ser enforcado a 2 de Dezembro de 1859. Quatro anos mais tarde o chamado traidor John Brown foi homenageado postumamente como mártir da causa da liberdade ironicamente batizando o forte causador da sua própria perseguição e morte, com o seu nome : -O forte John Brown .

 

ESPETANDO PETRÓLEO . TEXAS

A seguir à Revolução Francesa, os Americanos não se sentiam obrigados a tirar o chapéu para ninguém, colocando-o sobre a sua própria cabeça. Abraham Lincoln simbolizou isso no uso da alta cartola preta; não tinham ao invés dos povos da Europa reis, com leis e decretos usurpando as liberdades do povo; ele, Lincoln, veio a ser assassinado em Abril de 1865 ficando na história como o mártir da democracia representado em um grande memorial em Washingtom .

O Texas integrado nos Estados Unidos em 1845 era uma vasta área onde a dureza e a selvajaria competiam entre si. É entre imensos latifúndios com gado pastando à solta em fazenas algumas maiores que muitos países europeus que um tal de Roy Bean instala seu “saloom” na beira de um apeadeiro do caminho de ferro. Roy Bean que nem sabia lêr direito, tinha um livro de leis que sempre fingia estudar e, foi comissionado fazer justiça num territorio maior que a Holanda. No seu pardieiro chamado de saloom colocou um cartáz que dizia “ serveja gelada e a lei a Oeste de Pecos”.  

 

PINTURA DE T´CHINGANGE . CAJUS

Naquela vastidão sem lei e sem Deus ele, foi o único juiz entre os anos de 1880 e 1900; passava o dia sentado na porta do saloom com um rifle entre as pernas. Dentro do saloom construiu uma cadeia tendo um urso preto a vigiá-la .

Nos rápidos julgamentos que fazia consultava ou fingia consultar o “The Book” e, rápidamente levava à forca o infeliz numa decisiva batida na mesa com o cabo do revólver; levou assim 170 condenados ao cruel nó da corda ensebada. Sempre com uma garrafa de wisky à sua frente, exigia dos presentes o tratamento por Sua Excelência. Bean, que foi juíz durante vinte anos, foi considerado uma instituição do Texas como “o enforcador de Pecos” fazendo fama em paralelo com Kit Karson, Billy the Kid ou Pat Garrett.

Estas imagens de terra e gente bravia fizeram o deleite atravêz de muitos filmes entre os anos cinquenta e oitenta do século passado.

Em verdade, ainda dá gosto ver aquelas áridas paisagens nos confins dum deserto, cactos empinados entre rochas e uma cascavel zunindo seu chocalho num primeiro plano; um tufo de erva seca rebola levada pelo vento; um moínho decrépito faz rodar a ferrugem trazendo água aos chacais. 

 

( Fim )

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:14
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Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010
MULEMBA . V

 AS ESCOLHAS DA CONDESSA DO QUIPEIO - (TR)

A MULEMBA DA MALDIÇÃO DE SEBASTIÃO COELHO – 5ª PARTE

...quando a mulemba secar, o Huambo vai desapa-recer,destruido pelos seus próprios filhos. E as riquezas do solo não serão para ninguém...”

DA MALDIÇÃO DE ALBANO CANTO DOS SANTOS, dos anos 20

NORTON DE MATOS

 

O bairro de Benfica ainda era conhecido pelo Bairro das Facadas e a Maria Cuanhama era a prostituta mais famosa da cidade. As casas desse tempo eram de rés-do chão, excepto os saparalos 16 da Belport, Neves Coelho, Anibal Branco e o Bona Amikeko, de recente construção. O Albano Canto dos Santos já era só lenda, como os legendários Cara Fatal e o polaco Chamiço, hóspede eterno do hotel Chifuanda, porque não pagava a conta, acumulada em cadernos de fiados.

Figuras tipicas da rua eram o Boca Torta e o Baco-Baco, o Polainitos e a gorda Laura Pepe, o Zé Arquimedes, cego e mestre d’obras que “via” quem não trabalhava e lhe jogava logo porrada. E o inconcebível Anibal Dias, o Kamutar, que se apoderava de qualquer bicicleta, fazia o que tinha que fazer e a abandonava, depois, onde calhava. À parte disso, era um passeador tagarela e incansavel. Folclórico, sempre de colete sobre a camisa, conversava com todo o mundo, mas tinha os olhos postos no chão, investigando e afoito para levantar algum prego, ou porca ou parafuso perdido. Também juntava cordéis, que atava uns aos outros. Havia quem caminhasse à frente dele para atirar cordelinhos para o chão. Diziam que em casa guardava uma descomunal bola de barbante, mas nunca ninguém viu.

2008 - Senhora do Monte na Caála N.ª S.ª do Monte . Caála (reconstruida)

Quando a cidade cresceu um pouco, o Gilberto de Mascarenhas publicou o jornal “A Voz do Planalto”, que introduziu no burgo a novidade da necrologia. Gente importante entrava na necrologia vestindo caixão de mogno do Juvenal.

Povo era só embrulhado em kambrikite 17 e buraco com ele. O primitivo cemitério era em Cacilhas, terreno sem muros onde as onças escavavam carne fresca. Por isso a Câmara mandou construir o cemitério novo, com muros altos e caiados.

Mestre Franco, mestre d’obras encartado e responsavel, ocupou-se dos trabalhos e não arredou pé, nem quando o cemitério ficou pronto, porque o designaram encarregado. Faleceu no dia da inauguração e deram-lhe um lugar permanente, para não dizer vitalicio, quarteirão um, campa um. E ganhou juz a uma placa que diz, “aqui jaz”. Paz à sua alma. Inaugurada a nova necrópole, o campo sagrado de Cacilhas foi desactivado. Não houve mais enterros e muitos anos depois, o clube Mambroa aproveitou aquele terreno liso, para transformá-lo em campo de futebol. Dizem que, nos primeiros tempos e nas noites escuras, as almas penadas saiam a protestar. Depois, saiam a jogar a bola com entusiasmo, porque se começaram a ouvir estranhas ovações, quando algum cazumbiri 18 metia golo e festejava o supergozo da modernidade, o golo. Talvez um desses cazumbiris se chame Dos Santos. Teria sido enterrado ali por volta de 1920, em campa raza, castigo dos suicidas, porque, os que se diziam seus amigos, não respeitaram a sua última vontade, a de ser sepultado noutro lugar.

 

16 - Saparalo – Alto/a. Casa alta, de primeiro andar. Por extensão, casa de vários andares.

17 - Kambrikite – Manta de algodão muito popular em Angola, a antiga manta de contratado.

18 - Cazumbiri - Alma, alma penada, fantasma

 

Nota: Contributo para a história do Huambo- Angola por SEBASTIÃO COELHO

Subscrito por

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:57
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Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010
GLOBÁLIA . V

    FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

AS “ONG’S” E A HIGIENE RACIAL . III

A África colonial portuguesa

 

mãos sujas

 

Em 1972 surge o “CIMI”, Concelho Indigenista Missionário, um braço militante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ”CNBB”; criando assembleias indígenas, consciencializam-nos dos seus supostos direitos. Não é novidade esta intrusão da Igreja na promoção da autonomia ou independência de tribos ou povos.

A “GREENPEACE”, que passou a actuar com o aval de centenas de “ONG´S” e personalidades “quase” incontestadas, passou a orientar a opinião no sector nuclear Brasileiro, (entre outras) tendo a integrá-la a secção paulista do ”PT”, Partido dos Trabalhadores.

Greenpeace, que no ano 2000 geria um orçamento de 100 milhões de dólares, encetou uma campanha denunciadora da exploração predatória da madeira no Amazonas; esta campanha arrancou com mais de 5 milhões de dólares subindo o rio Amazonas nos meses de Março, Abril e Maio daquele ano com o barco “Amazon Guardian”. Um despautério comparado à questão do Acre em 1902, tendo como intervenientes a Bolívia o Brasil e, como não podia deixar de ser, já nessa altura, os Estados Unidos da América; foi por esse tempo que os Britânicos levaram sementes da seringueira para a Malásia arruinando os seringueiros do Alto Amazonas.

Durante o governo de Lyndon Johnson, o planeamento do movimento ambientalista, recorre ao Instituto Tavistock de relações humanas, com sede em Londres, para instruir técnicos “engenheiros de lavagem cerebral para as questões ambientais” com o pomposo nome de “Instituto de Pesquisa…”, financiado pelas famílias, real Britânica e Rockfeller

 Agostinho Neto

Quatro meses antes do pronunciamento da independência em Angola por Agostinho Neto, a 11 de Novembro de 1975, no então Largo Diogo Cão, às portas do porto marítimo de Luanda, as muitas “ONG´S” e seus países anfitriões puseram à disposição os aviões necessários para retirada de colonos e nacionais que assim o desejassem (foi aproximadamente um milhão).

O relator desta crónica, no voo treze, a sete de Agosto de 1975, embarcou no então Aeroporto Internacional Craveiro Lopes com sua mulher, dois filhos e a cabeça de uma máquina de costura “Oliva”, único valor substancial; os escudos de então, de nada valiam no Portugal metropolitano.

A Cruz vermelha esperava por nós no Aeroporto da Portela em Lisboa, dando a cada adulto a quantia de cinco mil escudos para início de vida num qualquer lugar de Portugal; também forneceu roupas e alimentos a quem o requisitasse.

Os subsídios das “ONG`S” não só serviram para colmatar as primeiras necessidades dos “retornados”, como salvaram a indústria hoteleira portuguesa por alojamento a toda esta gente que só ficou com a roupa do corpo. Muitos destroçados e sem alento para continuar morreram de saudade, espoliados de tudo pela “descolonização exemplar”; o que me move a dizer a verdade é libertar-me com justiça falando dos factos.

 

Bibliografia: A máfia Verde – (EIR) – Executive Intelligence Review; Como eu atravessei a África – Serpa Pinto

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:55
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Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010
SANTIAGO . I

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

   “2010 Ano Jacobeu”

 Catedral de Compostela

 

Em ano Jacobeu, todos os caminhos vão dar a Santiago de Compostela. Desde o descobrimento do túmulo do apóstolo Tiago no século IX, Compostela passou a ser a mais importante rota de peregrinação na Europa medieval.

Ao longo dos Caminhos de Santiago podem encontrar-se testemunhos monumentais, relíquias e lendas que sobrevivem até aos dias de hoje.

Sempre que o dia 25 de Julho, dia da consagração de São Tiago, calha a um domingo, aporta santa da Catedral abre excepcionalmente nesse ano; é o caso do ano de 2010.

Com histórias de cavaleiros Templários, um misto de religiosidade e desafio, busca-se o autentico de si mesmo num percurso de estilos românticos e góticos, monges beneditinos cruzando montanhas, rios, cidades e bosques de pinheiros, faias e trigais.

A viagem no empo, tem início no ano de 812, quando um eremita reparou em um campo aonde não paravam de cair milagrosas estrelas; o lugar do túmulo do apóstolo.

Entre os vários caminhos de santiago, destaca-se o caminho primitivo que sai de Oviedo constando ter sido D. Afonso II, o castro rei Asturiano o primeiro dos peregrinos.

Este monarca mandou construir uma igreja e um mosteiro em Compostela e, encarregou os monges Beneditinos de conservar o sepulcro do Santo a assegurar o culto.

Este lugar sagrado foi reforçado na reconquista Cristã contra o Califado de Córdova muçulmana (moura) fazendo de Compostela um destino tão importante como Roma ou Jerusalém tendo os templários como guardiões e os cruzados como conquistadores e propagadores da fé Cristã.

 

 Os Caminhos de Santiago

 

A partir do século X, as rotas vão-se consolidando com a construção de igrejas, mosteiros, hospedarias, pontes e calçadas com forte intercâmbio cultural e artístico da Idade Média até ao século XIII.

Devido a pestes e divisões religiosas a peregrinação a Compostela decaiu até ganhar de novo notoriedade nos finais do século XX.

 

BURGOS . T´Chingange com sua neta e um peregrino

 

Paulo Coelho, escritor brasileiro e tantos outros, aliados aos muitos grupos de caminhantes contribuíram no rejuvenescer da mística, crença que move milhões de seres; um estado de espírito a que os humanos estão cada vez mais sujeitos por via das muitas e variadas contrariedades na vivência do mundo actual.

 

(continua)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:35
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Terça-feira, 17 de Agosto de 2010
DIVIDAS ENVENENADAS . VII

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

             PROMISCUA CONVIVÊNCIA 

 A VACA EUROPEIA 

O negócio dos bancos é ganhar dinheiro e será escusado dizer que os custos da vida superam os benefícios. É função dos governos impedir isso mesmo.

Na visão global a USA, o país da moeda de reserva endivida-se cada vez mais, o que a torna inadequada para fundo de reserva. A China no começo de 2005 anunciou que não se comprometia mais em manter reservas em dólares; foi o início da invasão “amarela” e de nova filosofia no trato das reservas sem ser necessário recorrer ao dólar para sustentar sua própria moeda.

A China e toda a Ásia usou sua gente fazendo coisas a baixos preços sem condições de trabalho nem obrigações, nem regalias sociais, concorrendo favorávelmente com o Ocidente com roupas, máquinas de toda a gama de zingarelhos e mata moscas ao preço de uva-mijona proporcionando também a instalação de fábricas de manufactura no seu terrritório sem taxas ou outras obrigações a cumprir.

O negócio da China prospera e ninguém quer saber do lema “Los vamos a emitar” comprando-lhes o produto mais barato; Cabe aos governos salvaguardar a importação de coisas de qualidade exigindo-lhes o término da escravidão laboral.

O FORNO DO SOBA . REFLEXOS DA CRISE  

Os directores dos bancos centrais e o FMI fracassaram na criação de um sistema de taxas cambiais estáveis e aplicação de mais valias a reverter para o estado nas taxas aduaneiras salvaguardando as industrias locais. Por este andar não demorará muito a que o dólar ou Euro seja suplantado pelo Iene ou o Yuan Chinês ou mesmo o Real Brasileiro.

A China, compreendeu não precisar mandar seus bens para os “Yanques” em troca de papel em declínio financiando-os no seu próprio déficet. Em vez de emprestar dinheiro aos Estados Unidos para aumentar o consumo de seus cidadãos passou a emprestá-lo ao seu próprio povo facilitando ou financiando investimentos no seu próprio país; início do fim ao consumo perdulário ao cidadão estaduniense.

2010 - O mundo já está saindo do sistema Dólar. Segue-se o Yuan com um melhor padrão de vida; começa assim o tão badalado “perigo amarelo” nos círculos profécticos. Está assim criado um estado de estagnação do Ocidente com quebras económicas, declínio do salário, caldo ideal para um alto grau de ansiedade para muitos trabalhadores que sentem seus empregos sob risco.

 

O CASTELO DO SOBA

O CASTELO DO SOBA . algures em garanhuns 

A Europa está na linha de risco com os pontos mais débeis nos paises de muito sol, de muita preguiça e de muita busca pelos turistas como os oásis de Portugal, Espanha, Sul de Espanha, Sul de França, Itália e Grécia. Há outros paraísos paradisiacos mais baratos e de menor poluição; evidentemente que teremos de nos abster de ver a miséria que circundam esses paraísos. Só quem não passsou por Varadero e deu uma olhadela ao povo de Matanzas é que diz ser Cuba o melhor dos encantos para passar férias.

Á medida que as empresas fecham, os empregos somem, o preço dos imóveis caem o que, inevitavelmente nos atingirá; o lar, a família, principal bem da célula nuclear dum qualquer daqueles países, ruirá.

O poder engendra o poder. Eu, direi que no caso particular português de 2010 em que o poder se triplicou em força do protagonismo, prepotência e petulêancia, o “factor P3”, com o PS ficará mesmo no extremo do rabo da vaca.

Em Portugal o déficit de justiça e segurança tornou-se tão intenso que não só o bem estar económico foi afectado mas a própria natureza da nossa sociedade aonde umas quantas pessoas ficam mais ricas ameaçando os valores básicos de todos o outros.

(Final…)

Bibliografia de referência: Globalização como dar certo de JOSEPH E. STIGLITZ da companhia de letras - Brasil

(Prémio Nobel de economia em 2001)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:42
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010
TUNDAMUNGILA VII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        "fui lá visitar pastores"

 O SOBA

UM DIA FEITO MARAJÁ 

Aquietando tranquilidade educando emoções da vida, gerêncio pensamentos de tranquilidade comigo próprio, longe de tudo. Em tempos prometi falar dos Mazombos de Sacramento do Uruguai mas ainda não me foi possivel ir até lá, fica prometido sem data defenida.

Agora estou no Puto, amanhã se verá!

Numa idade própria para cultivar flores, falar com elas, gozar do seu pefume, trato de fazer novas conquistas entre pessoas. Em verdade é mais gratificante conquistar gente do que atomentá-las, banir a raiva, emoções de rilhar dente duma mórbida ansiedade.

Longe dos amilongados uso fracassos passados para lapidar emoções, separando o trigo do joio, lutando no corredor do tempo contra o síndroma de pensamento acelerado.

E, o meu amigo Ruy de Carvalho, inconformado com a vida morreu de velho lá pelas terras lindas do nada a que chamam de Namíbia, eu que viajei com ele em sonhos de relaxar “fui lá visitar pastores” num além Namibe. Paz à sua alma que rola como um fardo de palha ao longo do Calahãri, socorrendo a solidão do vento Kuvale árido, soprando florestas petrificadas dos pastos dos Himbas. Ele, um Mazombo de Angola, para mim só vai ficar ausente, lá em Swakopmund aonde as hienas castanhas, sorrateiramente vinham assaltar os nossos lixos do fundo do quintal.

 

RUY DE CARVALHO 

A mente é fundamentalmente uma máquina de sobrevivência. A mente colecta, armazena e analiza as informações mas, seremos destruidos por ela se não houver consciência porque tende a se transformar num monstro.

Não quero perder a minha capacidade de analizar e criticar com consciencia que conscidero o bem mais precioso que temos; sem isto seremos apenas mais uma espécie animal.

Percorrendo os caminhos do ser, um dia eu e Carvalho nas terras do fim do mundo entre Ochakáti e as quedas do Kunene encontramos um muito kota Himba sentado em cima duma velha mala em sua palhota.

- O que tens aí nessa mala? Perguntámos.

- O tempo! Respondeu ele

- Já nem sei há quanto tempo estou em cima desta velha mala! Acrescentou o Himba.

- Dá uma olhada insistiu Carvalho.

O Himba resolveu abrir a mala enferrujada e, mal conseguiu acreditar ao ver que a velha mala estava cheia de ouro.

Aquele tesouro, virou migalhas de prazer.  Um ano mais tarde o kota Himba estava desfeito em cachaça.

Não mais nos perdoamos por tal conselho.

 

O soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:07
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Domingo, 15 de Agosto de 2010
LIMITAÇÕES DA VIDA . VI
 {#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

EMBORA NINGUÉM POSSA VOLTAR ATRÁS E FAZER UM NOVO COMEÇO, QUALQUER UM PODE COMEÇAR AGORA E FAZER UM NOVO FIM

 CHICO XAVIER 

Afinal, quem foi Chico Xavier? Um génio, um predestinado ou um precursor?

Ao longo das sessões espiritas em diferentes anos, surgiram Eça de Queirós com o crime do padre Amaro, Guerra Junqueiro, as "Cruziliades", um novo poema épico de Luis de Camões zarolho e ressecado de amores e Oliveira Martins, um entendido em operações financeiras no início do sécloXX.

Chico, iniciou sua actividade espírita no Centro Espírita Luiz Gonzaga em Pedro Leopoldo, depois devido a uma insistente labirintite mudou-se para Uberaba já com 17 centros Kardecistas; ali Chico pensava estar mais protegido espiritualmente.

Uberaba é uma cidade agora bem conhecida porque ferroviários, jogando algures pétanca com uma bola de pedra, um paleontólogo pediu para verificar a "pelota" com 15 centimetros de diâmetro tendo concluido em análises laboratoriais ser um ovo de Titanossauro; dali sairía um bichinho que em adulto pesaria mais do que quatro elefantes. Em realidade a terra tem os seus segredos e nós gente de sangue vermelho passamos nele em menos tempo do que proferimos um aaaiii.

Chico Xavier para qualquer problema recorria ao Envangelho segundo o Espiritismo e, sempre dizia humildemente ao povo: - Esqueçam esta ilusão de que nós podemos voar. Isso, é tudo mentira.

OS AMIGOS EM S. VICENTE NA BUSCA DE CHICO XAVIER . 24 ABRIL DE 2010

Um dia dois jovens fazendeiros do Sertão pegaram Chico Xavier de surpresa apavorados que estavam com a grande quantidade de cobras cascavéis em suas terras provocando muitas baixas nos cavalos e já sete tentativas em ataque a seu pai sendo a última quase fatal; Chico Xavier pigarreou ao revelar sua receita que resultou: - Coloquem nitrato de prata aos montinhos nos lugares aonde é hábito elas aparecerem; isto às vezes resulta, disse. Os homens fizeram o que Chico ordenou e, em presença de um benzedor e foi remédio santo, desapareceram as cobras .

Na noite de 28 de Julho de 1971, Chico Xavier no espírito de Emmanuel teve o seu maior embate com o povão; Responsável então por quase 107 livros ditados por quase 500 defuntos, submeteu-se via satélite a um estrondoso auditório televisivo na TV Tupi. Entrevistado por três jornalistas no programa "Pinga-Fogo", esteve dbaixo de fogo por três horas. Nesta entrevista insurgiu-se contra o "delito do aborto" usando a expressão " assassinio de crianças" e, referindo sempre de forma diplomática ter imenso respeito pela Igreja Católica " em cujo seio formei a minha fé" disse, e defendeu a homossexualidade e a bissexualidade como "condição da alma humana", que não deveriam ser encaradas como "fenómenos espantosos, atacáveis pelo ridículo da humanidade".

  MASSALA . MABOQUE

 

Ausentei-me momentâneamente para saudar com um d´zixili (bom dia) à negra (miama) Anita Moçambicana e, num curto espaço de tempo cruzei conversa com ela a recordar antigas lembranças de Xi-Linguine (Maputo), coisas do matope (lodo) nas terras fartas em mariscos graças ao N´kulo Kulo (Deus em Zulu) ou T´Chikwemo (Deus no dialeto marronga) e, de quando por lá passei num mês de Fevereiro expressamente para beber "canhu", a bebida típica dalí

Ali, eu não era um T´Chingange, era sim um Mulungo mulandi (branco mazombo) Muloi (feiticeiro).

Depois de recordar as picadas poeirentas do Inhassoro a caminho da Beira Ibib que estava a meu lado recordou-me do vinho duma árvore sagrada que bebi numa caneca de esmalte esmurrado e sujo de meter medo a qualquer mulungo, gweta como eu. Nesse então, seguimos viagem até à Beira carregados de massalas enormes, maiores que os de Catete em Angola, só que lá, tinham o nome de maboque. Antes de cruzar o rio Limpopo bebi vinho de cassoneira, conhecido por marufo ou malavo, também por um caneco amachucado e sujo. Mesmo com a colera à vista matei saudades sempre naquela de que o que tiver de acontecer, acontece.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:39
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Sábado, 14 de Agosto de 2010
MUXIMA . VII

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

          UMBANDA - um misto de macumba”

 AVE DO PARAISO

A UMBANDA tem o seu espaço principal no chamado “terreiro” com liderança sacerdotal dos “pais ou mães de santo” seguido dos “cavalos” que servem de montaria para os espíritos que os incorporam; seguem-se os “cambonos”, auxiliares dos pais e mães de santo que assistem os cavalos quando entram em transe nos seus trabalhos mediúnicos durante as “sessões”; depois vêm os “organs” espécie de protectores prestigiosos; As “curimbas” dão ordem à gira dos filhos de fé ; os “guias” dão explicações sumárias aos “interesseiros”, gente com problemas normalmente católicos e que buscam uma saída de cura ou desafogo de vida “trancada”; os guias são auxiliadas pelos “passes”, gente com pretenções a seguir na escola hierárquica, por assim dizer “os apanha bolas”.

As manifestações mediúnicas dos cultos sucedem com os “cavalos” que são “tomados” pelos espíritos que sacodem violentamente seus corpos e fazem com que rodopiem e dancem em transe, já transformados nas entidades que os possuem. Depois da tremideira assentam-se em banquinhos fumando charutos ou cachimbos (canguixes) e, assim atendem seus “consulentes”. Os “caboclos” ou “pretos velhos” escolhidos pelos consulentes, ouvem estes abrindo seus corações, fazem pedidos e explicam seus infortúneos e dificuldades.

 

O TOMILHO DO PARAISO

A entidade responde através do cavalo, sendo por vezes necesário um “cambono” para traduzir aquele línguajar complicado. Aquele espírito encorpado no cavalo desvenda os mistérios da vida do consulente, descobrindo-lhe as causas de seus problemas. “ A piedade e a esperança” estampam-se em sua fisionomia quando recebe os “passes”, as bençãos e o consolo de que os consulentes necessitam.

A UMBANDA é uma relegião bastante complexa elaborada com sincretismo, herdeiro do rictual Yoruba com filosofia acrescida de reencarnação na lei kármica dos budistas com incorporações mediúnicas conforme os cultos Bantus de África, aliados ao espíritismo kardecista.

Adicionadas às crenças africanas, católicas, budistas e espíritas, a UMBANDA também faz uso da Numerologia , a teoria dos talismãs, os signos de Salomão e a Astrologia; em realidade uma amálgama preparada num “abismo de perdição para milhões de brasileiros” segundo a visão dos Envangélicos e Leitores da Bíblia Sagrada; estes acham incrível que pessoas dotadas de inteligência média, possam ser iludidas por sistema religioso tão incoerente e baixo, afirmando ainda ser o poder de satanás em acção enganando milhões de almas, no país dos espíritas, o Brasil. 

(...FINAL)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:35
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Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010
MULEMBA . IV

 AS ESCOLHAS DA CONDESSA DO QUIPEIO - (TR)

A MULEMBA DA MALDIÇÃO

 DE SEBASTIÃO COELHO – 4ª PARTE

...quando a mulemba secar, o Huambo vai desaparecer,destruido pelos seus próprios filhos. E as riquezas do solo não serão para ninguém...”

DA MALDIÇÃO DE ALBANO CANTO DOS SANTOS, dos anos 20

 UM KIMBO DO HUAMBO 

O Viegas padeiro distribuia o pão quente em bicicleta. O Bento Agria, o “Faísca” arranjava e alugava bicicletas. Carro de praça havia dois. O do Almeidinha carpinteiro e o do Largo, molengão, para todo o serviço sem pressa. Só mais tarde o Loução Caçador, o Bessa Alfaiate e o Justino Relojoeiro viraram taxistas. Chupa-chupa gostoso era fabricado pelo Antunes da Bébé-Sadio. O kitandeiro 12 da Juleca continou a vender kitutes 13 de casa em casa.

O dr. Eurico era o médico dos pobres. Mas quem sabia mesmo curar o maculo 14 era a velha Quartin, com pomada de pó de raizes, que ela metia a dedo, tufa, tufa, no ânus dos meninos. A generosa irmã Cândida também curava o maculo dos adultos, espetando-lhes as hemorróidas com agulha de ouro, até ao dia em que alguém morreu e aí mandaram ela embora. Cirurgião de confiança era mesmo o Dr. Parsons, da missão do Bongo. Médico famoso para doenças de mulher só o dr. Strangwei, da missão americana da Chissamba.

OS COCOS DO SOBA 

Nesse tempo desta recordação, o único fotógrafo de verdade era o Costa Melo, que sempre usava laço sobre colarinho engomado. Armava as suas próprias películas numa caixa “à la minute” e no momento de actuar, levantava a mão e avisava o cliente: -“ai vai, olha o passarinho”. E zás, fusilava um “flash” de puro magnésio. Já nessa época tinha carro, um incrível Ford Pontapé, com faróis a carboreto e capota de lona, segura aos guarda-lamas por correias de couro e fivelas de bronze.

O Baptista era o livreiro “sui generis” do burgo. Não sabia ler nem escrever, mas vendia livros. Vendia literatura a peso, sopesando os livros com a mão. E nunca faliu.

Ao lado da livraria, sempre aberta, porque aí se encontravam instalados os bilhares, estava o bar. No bar do Baptista reuniam-se as eminências da cidade, a tomar “saloios”, por whiski, uma mistura barata de conhaque e soda. Ao fim da tarde caiam o Papa Leonardos, um grego ricaço, contrabandista de mão de obra para o Bom Jesus 15; o Cunha Lima, director da Kapa, homem de sangue azul e modos finos; o Miguel Nepomuceno, advogado e garanhão do povo, o Horácio D... e o Correia S..., cornudos de profissão; o Abel, velho aspirante a intelectual e o velho Tavares Kapoko, intelectual de verdade e toda a outra fauna que integrava o zoológico da cidade, incluindo o Tubarão, o gordo “Tubarão Mendes - Tabelião”, como rezava a placa do notariado.

 

12 - Kitandeiro/a – Vendedor ambulante.

13 - Kitute – Doce. Doçaria. Coisa boa.

14 - Maculo – Doença no ânus devido à presença de oxiuros.

15 - Bom Jesús – Nome de uma açucareira famosa dessa época.

 

Nota: Contributo para a história do Huambo- Angola por SEBASTIÃO COELHO

Subscrito por

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:14
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Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010
XICULULU . V

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

           "O mokifo dos kotas"

AS DUNAS DO SOBA 

A natureza guarda-nos segredos surpreendentes. Cortado o cordão umbilical, como fita que se corta num inicio de corrida, cresce-se com ou sem negligência dos progenitores, sempre com obvia obrigação destes. O novo ser vai pesando e crescendo como ser ou como fardo na envolvência do mundo, fazendo proezas de quanto baste ou quanto possa.

No correr do espaço tempo, o amarelo vivo da juventude com seus nódulos envernizados intonam-se em descurada terrosa aguarela

Mas, a vida não é um quadro de pendurar na parede.

A vida de toda a gente começa por ser um rabisco, que de espermatozoide evolui num emaranhado de contorções, quantas vezes à revelia daquilo a que se chama amor pois, nem sempre o é de verdade e de vontade.

É quase sempre isso sim, um instinto selvagem ou natural que não pode ser contido tal como um vulcão descontrolado. Ás vezes esse ato, com preliminares de assédio contaminado, tem desvios de prazer; uma realidade tormentosa de difícil aceitação dando início ao desassossego, às zangas na família, o desenlace. Ai jesus! Credo!

AS FLORES DO VALE DA LAPA . NO CIRCUITO DE MANUTENÇÃO DO SOBA 

Com proteção da pomba na cumeada de sua casa, a velhice chega; a mesma que mostra às gentes que ali tem o Espírito Santo naquela forma de pássaro, que não arrulha quando sofre frio porque é só e tão só, feita de barro.

Salpicada de sapiência, a velhice inaproveitada é remetida para um contentor social de coisas imprestáveis. Retido num qualquer “mokifo”, o kota mais-velho, vira ancestre do passado com sussurros de pêsames antecipados à sua alma como se fosse um sem-eira nem-beira.

E, vem a ação de graças uma quarta quinta feira dum mês de Novembro a lembrar dificuldades de tempos menos airosos ou fecundos. A velhice moncosa, babada em ranho sem retenção de fluidos é consolada em ofertas de capotas selvagens com espigas de milho cozido.

O Outono da vida é cedo ou tarde, a companhia de amigos involuntários ou ameeiros alheios dum qualquer instituto de solidariedade. A família nem sempre se lembra que a velhice é um percurso de vida. Os amigos aparecem e esvaem-se num fluxo permanente de uma roda imparável lembrando eventos de sicranos e beltranos relembrando os Outonos dos outros.

Um Outono que não se deseja, não se aspiro nem se quer, mas sempre vem.

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:09
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Terça-feira, 10 de Agosto de 2010
A VAGINA DE CARLOS QUEIRÓS

"Vagina" pode tramar Carlos Queiroz

O castigo que pode determinar a suspensão e o despedimento do seleccionador pode estar preso por uma "vagina". Ou melhor, pela análise da forma como este usou a palavra para insultar Luís Horta.

O Professor Carlos Queiroz terá aconselhado, na manhã de 16 de Maio, durante o estágio pré Mundial de Futebol realizado na Covilhã, o Director da Autoridade antidopagem Luís Horta a "ir fazer análises à c... da mãe dele". Sendo que a tal c... de que o Professor falava não consta que fosse uma bicicleta de marca Kona ou mesmo um Opel modelo Ascona que precisassem eventualmente de um qualquer tipo de revisão, afinação ou análise. Falava sim Queiroz do pipi da senhora.

Ao que parece nem todos os presentes terão apreciado a sugestão técnico-táctica e ginecológica do Professor, o que se entende. Um dos clínicos destacados para fazer o controlo anti-doping ter-se-á mesmo sentido mal com os impropérios do Professor, acabando por ficar o PH e a densidade da urina de um dos jogadores por determinar. Xixi baralhado que está agora a pôr o técnico do ADoP muito provavelmente com um processo às costas por incumprimento de funções. Tudo por causa de uma "vagina" descontrolada em forma de "C..." que saiu da boca nervosa de Queiroz

1 - Por alma de quem, e que conhecimentos detém o Seleccionador Nacional para poder afirmar tão peremptoriamente que o pipi da mãe de alguém precisa efectivamente de ser sujeito a analise?

2- Se estes factos se passaram antes do Mundial, e a serem verdadeiros, porque razão é que o Seleccionador não foi demitido naquele preciso momento? Ou pode agora um seleccionador, porque acordou maldisposto ou comichoso, sugerir a técnicos que apenas cumprem as suas obrigações profissionais recolhendo amostras, que fossem antes analisar a vagina da mãe do patrão deles? Um seleccionador não é propriamente um taberneiro, ou não deveria ser, para andar à pancada em aeroportos com jornalistas e mandar este e aquele analisar a passarinha seja de quem for.

3 - Porque é que só agora, finalizado o Mundial, se fala com tanta insistência no assunto, com processos e inquéritos? Terá alguma coisa a ver com o facto da FPF querer mandar também o Prof. Queiroz analisar coisas cabeludas bem longe daqui e, não tendo qualquer argumento legal ou desportivo para o fazer sem terem de lhe pagar uma indemnização milionária, usarem este expediente como forma de se livrarem do empecilho?

4 - Queiroz "lamenta a expressão utilizada". Expressão? Mas isto agora é só uma questão de léxico? Se em vez de c... tivesse sido um sinónimo qualquer ou a ideia fosse a mesma mas dita de forma mais delicada estaria portanto tudo dentro da normalidade? E educação, civismo, correcção, nada? Queiroz tem razão. Querem tramá-lo, mas é só para não lhe pagarem, porque de facto já devia ter sido feita uma análise ao seu trabalho com consequências reais há muito tempo.

 

NOTÍCIA DO EXPRESSO

 

JAMBA

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:11
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AMÉRICA . VI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

           “Contradições do Império”

 Martin Luther King

De quatro em quatro anos e desde 1789 ocorrem as eleições presidênciais nos Estados Unidos da América. Aos concorrentes a presidente não se faz nenhuma exigência e, nem necessitam de ser dotados de talento especial ou terem muito dinheiro ou mesmo pertencerem a uma casta de élite para se chegar ao topo da nação. A presidência Norte Americana é o trono do homem comum. De uma lista de mais de 40 presidentes até hoje eleitos, tiram-se uns cinco deles como tendo personalidade verdadeiramente relevante. Os ricaços Rockefeller, J.P.Morgam, Henry Ford ou Bill Gates jamais ambicionaram ir morar para a Casa Branca. Governar a América cercada de burocratas em geral inoperantes, não é para eles uma boa tentação em comparação com o seu bem mais proveitoso, o mundo dos negócios.

A Europa, mesmo depois da Revolução Francesa de 1789 o povo continuou com uma actitude mental de subordinação aos feudos nobiliárquicos; essa mentalidade servil no Novo Mundo evapora-se  com novas oportunidades em cada canto e em qualquer mistério de vida. Em realidade, nos primeiros 120 anos da América verificou-se uma verdadeira oxigenação às mentes do mundo, povo orgulhoso em ser livre, com reticências para os negros.

A outra América  com “a causa dos negros” e sua subjugação ao homem branco era escamoteada até surgir Luther King; o mundo do algodão com seus muitos escravos negros idos de Costa do Marfim, Guiné, Costa do Ouro, Golfo de Benim, Gâmbia, Senegal e Camarões, não tinham direito a nada a não ser trabalhar.

 

A América a partir do sonho de Burr que se traduzia no desejo expansionista, nunca mais os Estados Unidos da América abandonaram essa propensão; por compra, adquiriram a Louisiana a Napoleão e o Alasca aos Russos, ajustaram-se com os primos Canadianos a ficar com os territórios acima do rio Columbia até ao paralelo actual que vai de Washington a Dakota do Norte mais o Oregon ainda pertencente à coroa Britânica,

Quatro milhões de colonos entre 1820 e 1840 penetraram e ocuparam a bacia do Missíssipi  e Missouri alargando o território da União ampliando 60% à sua formação original. Tomaram aos índios as Montanhas Rochosa até que em 1849 Andrew Jackson invadiram o México vingando-se de Pancho Villa; com o pretexto de proteger o Texas atacou-o terminando num humilhante tratado de Guadalupe Hidalgo em 1848.  Em troca de 15 milhões de pesos, os E. U. A. anexou uma área de 2 milhões de Km2  levando nesse então a que o escritor Walt Whitman afirmasse: “Como o México é miserável e ineficiente – com sua superstição e sua burlesca liberdade”.  E, assim

“os gringos”uniram o Atlântico ao Pacífico.

O GALO DO SOBA . PINTURA DE  T´CHINGANGE

 

Em 1901, cinquenta e dois anos depois da aquisição do México por meia dúzia de garrafas de “tequilla” Theodoro Rosevelt abre a guerra com a Espanha tomando-lhes Cuba, Filipinas e Porto Rico.

As ilhas de Guam  tinham sido tomadas de assalto em 1898 e em seguida tomaram o Havai e o Haiti aos Franceses; do Haiti só sairam após a entrega das ilhas a um fantoche chamado de Duvalier  que governou em ditadura; seguiu-se-lhe o Papa-Doc com sua feróz gendarmeria através dos seus “Tom-Tom Macutes”. No seu impulso de guerreiros guardiões do globo e, com Franklim Roosevelt entram na segunda guerra mundial proporcionando-lhes uma saída à forte recessão de 1939 (ler vinhas da ira) com o envio de géneros alimentícios, maquinaria de guerra e ajuga militar, ajuda paga com juros pelos Europeus através do plano Marchal.

Em 1953, Lyndan Johnson entra em guerra com a Coreia com um falso pretexto de serem  ameaçados  nos mares de Nanquim, uma inventada tramoia de um hipotético ataque; sempre, sempre queixando-se de serem “o fardo branco” na preservação do mundo.

 

Bibliografia consultada: América - A história e as contradições do império por Voltaire Schilling 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:55
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Segunda-feira, 9 de Agosto de 2010
DIVIDAS ENVENENADAS . VI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

          PROMISCUA CONVIVÊNCIA

 

  OCHAPÉU DO TIO SAM

As florestas abandonadas devem reverter ao bem comum e não ficar sugeitas ao abandono ou à manipulação de preços elevando custos para aqueles que compram o produto.

Quando as políticas económicas de um país como Portugal são más e, quando em crise não restringem o consumo, e o gasto supéfluo de bens não exênciais, e altos salários a gestores  parecendo subornos  acomodatícios, o país fica diante de duas coisas desgradáveis: o calote, que traz consigo o temor de colapso económico, ou aceitar ajuda que sempre traz consigo a perda da soberania.

Em Portugal, específicamente, o excesso de endividamento por empréstimo levando à crise, (que é a realidade actual) são pagos não apenas por quem empresta, mas por toda a sociedade.

 

Como é que os políticos credíveis não viram isto e não bateram o pé? 

Porque é que o próprio Presidente da República não toma decisões perante os infratores?

Que democracia é esta que submete o povo a sacrifícios de sufoco!

Os organismos emprestadores, bancos, FMI, centrados no déficit, exigem políticas fiscais e monetárias mais apertadas, aumento de impostos e aumento de taxas de juros internos. Tudo isto e, não havendo corte de gastos em geral e, particularmente havendo altos vencimentos de gente da nomenclatura arco-íris,  resulta num desinteresse das classes trabalhadoras, com consequente falta de produção baixando  a receita tributária a niveis incomportáveis.

Eu, relator desta coisa de crónica, não sendo um economista nem um simples contabilista, já via Portugal descambar há muito tempo: a élite do governo numa promísqua conivência com a oposição irresponsável, ou no mínimo perdulária distribuindo cotas de bem estar entre eles, políticos.

 

O LOURO DO SOBA T´CHINGANGE

O crítico de tudo isto e em relação a Portugal, a “divida envenenada” foi provocada por um governo escolhido pelo povo que não quis vêr a incompetência por uma mera conveniência ideológica, ou clubista; um Portugal que deveria ter visão e descernimento, desliza voluntáriamente para níveis comparados a povos duma Swazilândia ou dum Lesoto; povos esquecidos no circunscrito.

De entidades reconhecidamente capacitadas para falar de assuntos económicos, só Medina Carreira assumiu esse encargo de cidadão responsável, avisando sem preâmbulos de doces palavras a crise que está lactente.  Doi ver que a grande maioria da gente lusa num total de 10 milhões ficaram quedos, mudos e enturpecidos sem agir e, sem que as forças sindicais tomassem medidas; no último dia do mês de Maio, o mês do Coração continuo estupfacto.

Quem agora vai honrar os contratos feitos por Sócratas mais seus salafrários e controlar o mundo de corrupção aliando  benesses de toda a ordem; não é apenas as dívidas a serem pagas ou os contratos honrados mas a irresponsabilidade impune com foros de prescritas culpas provocando afogamento aos demais. Todos nós, os Tugas.

 

(Continua…)

Bibliografia de referência: 

Globalização como dar certo   de  JOSEPH E. STIGLITZ  da  companhia  de  letras - Brasil (Prémio Nobel de economia em 2001)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:04
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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