Sábado, 30 de Outubro de 2010
KALUKEMBE . VI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“BULUNGA DO ULTRAMAR . Nos reinos de Maconge e Huambo”

Flor de cacto no Namibe

Em terras Ultramarinas, num sítio chamado de Porto-à-mão, reunem-se hoje em kizomba, nobres, altos dignatários e  plebeus dum reino perene; neste reino de Faz-de-conta aonde  ninguém morre e, aonde  os africanos se tornam brancos e vice-versa, reúnem-se vivências com recordações de peregrina amizade, (Coisas de Valério Guerra e ex-kompas do Diogo Cão- Mandume de Sá da Bandeira - Lubango)

E, para quê peregrinar no tempo?

- Para ratificar a vida!

No meio do hino, taciturnar-me-ei entre a malta, prensado no texto que se cantará  assim:

-“A malta ganhou a taça, sem ter nada que fazer; quem quiser ganhar à malta tem um osso p´ra roer, roer, roer”.

Neste reino de sonho e fantasia dão-se vivas à vida, num vira, vira, regado a tinto.

- “Se houvesse uma revolta em Angola, movida pelos colonos, não era preciso tropa para a debelar; chegava um bom orador, romântico, sentimental, que lhes  falasse de Portugal,  que todos se abraçariam com lágrimas nos olhos”. Foi o que disse Henrique Galvão no ano de 1937 em visita de soberania a Angola.

- “ Há quem viva de teu perfume e dent´routros matos e espinheiras rasgando-se em sonhos, por ti ruma!”.

Como um funante mazombo, suspeitoso, divagarei em pensamento

-“ Há quem, nas águas de salina, se purifique em lágrimas cristalizadas por em teu ventre não cumprir sina”


Paisagem no deserto Namibe

Num torpor de antigas kizombas, agachei-me por detrás da bissapa,… era o soba Cunhangâmua.

Bebia  bulunga, antes da grande caminhada para sul e, eu também ali estava a seu lado como conselheiro real em assuntos de brancos; num repentemente, deu-lhe vontade de cuspir. A um primeiro esboço de lançar cuspo, logo um gentio se acocorou submisso, curvando-se a jeito p´ra receber tamanha cuspidela. Cuspo de soba, com aquela estirpe, não podia ser desperdiçado numa terra só de pó. Cheio de honraria, o súbdito de arrecuas balançou a cabeça, umas quantas vezes, em jeito de agradecimento.

Da t´ximpaca soou um som forte, ferindo o silêncio da planura e, bastou o soba dizer que aquele boi tinha um bom “berro” para ser anexado aos tributos, que mais atrás seguiam em caravana.

Num repentinamente, restolhando o silêncio, surgiu do mato, um T´chingange agitando um pote de barro preto e, dizendo coisas desconexas, abeirou-se do soba; de seguida, ambos se esgueiraram para trás dum muxito denso. O kimbanda, cumprindo o ritual, tinha naquela hora de recolher, a urina do grande soba .

BOI chifrudo

Neste espaço de fantasia e verdade, invadi a rota que desembocava na paliçada do Kimbo maior e, nessa noite de lua cheia, aconteceu assistir à circuncisão dos candengues daquele arraial; crepitava o lume em  ondas de cores quentes pelas palhotas quando, de uma delas, trouxeram o rapaz,… sentaram-no num cepo e, no meio de inebriante batuque, um M´fumu, auxiliar de kimbanda, com uma pequena faca passada pelo lume, cortou o prepúcio do pénis do rapaz. De seguida, com as bochechas cheias de álcool, borrifou para o órgão despelado. O grito mal se notou no meio da algazarra.

Aquele seria um guerreiro umbundo p´ra valer!

A bulunga  de massambala tinha naquele dia  uma mistura especial. A urina do soba Cunhangâmua!

Assim se tornariam homens de têmpera nobre. Tudo foi feito nos verdadeiros conformes, na roda  da grande  fogueira,  batuque, sangria de boi berrante e bulunga.



Povo N´Haneca

No contraluz da perdida imensidão, naquela noite especial, dormi com um cafeco  de feição N’nhaneca,  enfeitada de trancinhas e cortes no rosto com forma de avião. Tinha cabaço,… mesmo!

Na outra manhã as mulheres surgiram em algazarra, levantando os braços, chocalhando discos  de lata, batiam com  os pés  no chão; do peito, pendiam couros, das orelhas escorridas, pesadas argolas. Festejavam! Ué,... Alambado no custume virei M´fumo de T´Chingange.

Na semana seguinte viajei até Quilengues, terra de supostos indolentes gentios que, nada mais fazem, além do pastoreio ou roubar; ouvi grandes feitos de roubos, actos de coragem  no seu entender.

Do Cunhangâmua ao Kuvale, a pedra do trovão, nesse tão único lugar mítico truou. Acordei aturdido às margens do Arade, um rio do Puto no lugar de Porto-à-mão (Portimão). Háka!

Kota Muíla

“Há quem viva entoando, dos batuques a oração, há quem nunca esqueça o chão, os cheiros do coração”.

Hoge estou promovido. De candengue a Kota; de kota a Século.

 

Glossário:

Bissapas - arbustos; Muxito - tufo de mato; M´fumu - chefe, homem de respeito; T´ximpaca - cacimba de água de chuva; Kizomba - festa com álcool; Bulunga - bebida suave fermentada de massambala; T´chingange - feiticeiro, cobrador de impostos e jurista auxiliar do soba; Kimbanda - médico tribal; Candengue - rapaz; Cafeco – catorzinha, menina virgem; Cabaço - virgindade; Kuvale - zona do sul (Angola); Soba - Chefe tribal de mando quase absoluto, rei da tribo; N’haneca - mulher da zona do Cuvelai(Lubango); Século - mais velho, muito kota; Háka - porra, caramba.

(… Continua)

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:20
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Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010
A CHUVA E O BOM TEMPO . I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“ROUBUCRACIA”

A vida da Globália está cada vez mais confusa. O progresso do Puto é selado com negócios ilícitos, reconhecidos em fraternas noites de TêVê farfalhuda; impregnada de minhocas metaforseadas em salalé.

SALALÉ é uma formiga

Em Maio, o diário inglês "Daily Telegraph", que teve acesso à lista das despesas reclamadas pelos deputados, levou à suspensão e demissão de vários políticos trabalhistas e conservadores. Estes deputados, cobraram ao estado contas de 1500 euros em motoristas privados, ou pagando ilegalmente milhares de euros em segundas  residências. Dinheiro dos cidadãos. Aqui no Puto nada sucede, e até se dão louros a quem usa essa encandescente esperteza. Nesta sociedade de permanente inconformismo, sem confiança e esperança, o Povo não vive, muito menos luta. As despesas irregulares dos políticos portuguêses vieram criar um ambiente de desconfiança entre o eleitorado e mostrar a debilidade da Europa nos princípios éticos de seus políticos.

As dunas do SALALÉ

Fraternalmente, peguei em mim, desloquei-me ao átrio da penumbra e, da caixa mágica tirei as chaves do tapete voador arco-iris, o meu  preferido em noites de ventos suspirados de Outono. Neste mês de Outubro, as malévolas noticias registam  preocupações em vermelho. Disposto a medir o estado da coisa, liguei o feixe artesiano pulsador das ondas do meu regloscópio e registei um mundo de astúcias cardadas, silêncios amedrontados, promiscuidades silenciadas vindas dos quatro cantos da Lusitânia; vergonhas incestuosas e  noticias de arrepiar, piadas duma demasiada  e despudorada consternação.


Regloscópio, medidor de tormentas

O registo magnético cardou em demasia para alem do imaginário o que leva a crer que o bom censo e vontades só o são para quem os quer cumprir e, são exactamente estes que mais sofrem desmerecidamente. Será?

Vejamos o pulsador do regloscópio:

- Na justiça a toga tapou os olhos aos juízes!

- Há muita lei  a entorpecer o cidadão. A justiça prescreve-se!

- Na policia adulteraram os valores. Algemam-se!

- Na educação, fazem doutores de aviário.  Facilidades!.

- Na agricultura subsiste o abandono. Subsidiam-na!

- A corrupção salpica políticos e, influentes. Camuflagem!

- Os políticos à paisana fazem biscates na banca. Enganações!

- Os funcionários também fazem biscates. Flexibilizam-se!

- O  bom gestor vê-se refém da crise; trafica influências!

- O edil municipal sustenta o segredismo. ata-se!

Queria fazer uma graciosa crónica de amor Outonal mas, o regloscópio do meu arco-iris voador desviou-me do propósito.


Nota: Regloscópio é um aparelho medidor de intensidade de luz e, regulador de feixe luminoso em largura e altura. Nas luminosidades descritas tem mais uma função de medidor de carácteres comportamentais na sociedade travessa do Puto.

 

(…Continua)

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Terça-feira, 26 de Outubro de 2010
LAGOA DO PUTO . VI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“ Os Cazumbis da Moura”

o vapor

Partindo rumo ao inverno, ainda com muito sol, dou noticias caminhadas no trilho de todos os dias. Rumo à praia da lapa, mergulhar a vista no soro da vida, nas águas translúcidas com cheiros fortes de iodo. Um apito de barco, galga a falésia  distinguindo-se dos piares de gaivotas, o rolar de pombos bravos e pios de indefenidos seres escondidos nos carrascos.

lapa

Neste conjunto de vida, afasto calamidades actuais de mau augúrio; Neste Outono, vasculho o aproveitável. Os políticos abalam a nossas vidas tornando-as  em um filme de ficção e, este facto antes disssimulado, veio alterar tudo no nosso meio, conceitos, valores, dando a conhecer-nos na vulnerabilidade, as fraquezas dos justos, as debilidades da democracia, da justiça e do amor. E, o pior, uma desmedida gatunagem à solta.

magia do mar

Qualquer daquelas desvirtudes podem ser vistas a muitas cores anoitecidas de escuro. Aqui, em contacto com as flores de Outubro sobressai o verde do barranco, o azul perene dos mares  a tocar o céu do infinito, o dourado das falésias falantes chispando ondas em milhares de gotas enfeitadas de magia branca retalhada.

Nas nuvens, molduro  a vaca malhada com manhas  que arrebitam em seu dorso, escondendo cavernas ou curraletas de pedra enrigecida pelo vento ligando o calcáreo em formas graciosas, espevitando a imaginação vulcânica de cada, qualquer um.

algar

Acreditando nas crenças, recolho pedras enfeitadas para dar força às aspirações reiquianas. Acreditar nesta coisa enérgica que vem do mar e, neutrinos do ar nuclearmente carregados de mística sempre indecifrável. Formas encharcadas de enfeitiçada maresia, que  inebriam os sentidos. Cheiros  de algas permanentemente molhadas no vai-vem das marés.

concha fossilizada

Quando for à lapa traga umas pedras roliças a lembrar as lágrimas da moura que as rebolou na ânsia e muito choro impregnado de muito cálcio e muito iodo.  Siga o roteiro das piscinas  e por ali fique algum tempo  curtindo a pele.

(...Continua)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:01
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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010
KALUKEMBE . V

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Os Chicoronhos”

VISCONDE DE SÁ DA BANDEIRA

 

Os primeiros trabalhos do colonato Sá da Bandeira foi o de criar condições à povoação dos barracões fazendo valas de drenagem para as águas de saneamento enquanto que nos campos abriam levadas para irrigar as hortas e pomares, bem à maneira da Ilha da Madeira. A primeira divisão de terras foi feita em quarteirões de um hectare de superfície comportando em cada um, dez casais.

Em Setembro de 1885 é fundada a colónia da Chibia no Sudoeste de Angola constituida por 12 famílias oriundas da Madeira via Lubango, alguns Lusos Brasileiros idos de Moçandes, oriundos de Pernambuco e tambem alguns Boéres idos da colónia de S. Januário da Humpata.

Havia aqui e além, naquela imensidão de terras por desbravar, percalços de soberania; relembrar que um tenente Tuga de nome Clemente de Andrade, querendo castigar o soba Chawamgo do Huambo, organizou uma força com mais de 50 praças para persegui-lo e, não o encontrando no kimbo junto ao rio Cacuvular, mandou queimar todas as embalas (cubatas). No regresso, esta força expedicionária viria a ser totalmente aniquilada; um desaire para a soberania do Ohanda Oputo que originou a ida de mais militares expedicionários.

O restabelecimento do domínio português só se veio a verificar com a submissão do soba Tonde de Caconda que prestou ao “Ohamba Oputo” (rei de Portugal).

TÚMULO DO SOBA MANDUME

Lubango, a 26 de Dezembro de 1889 é elevada a cidade e sede de Concelho.

Naqueles tempos de audácia, os funantes negociavam um pouco de tudo, mel, peles, panos, sal, peixe-seco e carne seca. A não submissão do povo Ovambo comandado por Mandume, deu origem a várias batalhas e, em 1907 , Cuamatos, Cuanhamas, Cuambis, Ganguelas, Kamessaqueles, Barantus, Bingas e  Evales, juntando mais de 25.000 homens quase vencem Alves Roçadas; por falta desse quase, (coisa de historiadores) acabaram por ser derrotados em Môngua.

Mandume, herdeiro de facto do Império Ovambo, bastante novo, caíu na lareira do terreiro do ongilo tendo ficado desfigurado; ninguém pôde evitar a sua irrequietude e, logo que subiu ao trono, transforma o regime tradicional da tribo numa ditadura pessoal sem precedentes; sobas, Vassalos, Concelho de Anciães, Lengas e T´chinganges desempenham à sua volta funções com um temor absoluto; as suas cabeças rolavam ao menor deslize e, bastava o facto de qualquer homem da tribo o olhar de frente, para ser motivo de morte por decapitação. O primeiro acto da sua tirania foi condenar à morte a sua ama por descuido na guarda da sua pessoa, que provocou ficar desfigurado.

EXPEDICIONÁRIOS DO PUTO

Durante o seu governo mandou construir t´chimpacas por todo o território a fim do gado não passar sede na transumãncia; evitou assim a morte de muitos animais por secas prolongadas. Ai daquele súbdito, que não limpasse a  t´chimpaca do assoreamento da época de chuvas; seria punido com a morte.

Consta que após a sua morte em Namacunde, os Boéres a fim de desmistificarem a crença de invencibilidade de Mandume, cortaram-lhe a cabeça e exibiram-na até terras do Etosha no Namotoni na Namíbia; os supostos poderes sobrenaturais ficariam sem efeito. Enganaram-se,... pois que, ainda nos dias de hoje, fazem romagem ao tal local aonde o seu corpo foi enterrado, Namacunde; este lugar continua cuidado ao redor da newa que o viu morrer e, a sua memória, continua a exercer forte influência entre os Cuanhamas .

Por temor, reverência ou crêndice de cazumbí, aquele sítio é peregrinado desde 1915. Ambós, Ximbas e Cafimas também lhe prestam veneração.

Eu, sou herdeiro dessa leva de gente, branco mazombo duma Chibia, Qui'hita, T´chiapepe, Chicusse, Ca´hama, Humbe; todos juntos fazemos “a lenda do Cuamato” Por isso, vamos visitar o tal soba Mandume na base da tal newa porque, faz parte da história.


Bibliografia: A colonização de Angola, de F. Cerviño Padrão; Chicoronho de Jorge Kalukembe; A questão Cuanhama, 1906, de Major Eduardo Costa; Web Google.

Glossário. palavras sublinhadas: Newa - árvore de grande porte que se confunde com o embondeiro; Caputo - gente do Puto; t´chimpaca – cacimba em terra argilosa, ongilo - fogueira no meio do terreiro do kimbo; N´digiva – antiga Pereira Déça; cazumbí – feitiço, crença mistica do sobre natural; t´chingange - feiticeiro, jurista auxiliar de sobo; lenga – chefe  guerreiro Cuanhama; Ohanda Oputo: - rei dos “Otyicolonyas” (Chicoronhos); mazombo: - filho de colonos, branco de 2ª linha (ofício).

(… Continua)

O Soba T`Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:21
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Sábado, 23 de Outubro de 2010
CAZUMBI . IX

AS ESCOLHAS DO SOBA T´CHINGANGE

        “MUDAR - P. Passos Coelho”

 Passos Coelho

 

Lá pela página 59 pode lêr-se quase textualmente:

“- Nunca conseguiremos verdadeiramente respeitar os outros nem ser respeitados se, não construirmos a base do respeito por nós próprios (...)”. A contestação muitas vezes é precisamente o contrário do desrespeito; é uma forma de dar corpo à independência individual. Sinto-me à vontade para dizer que me incomoda o abuso de poder, a facilidade com que certa gente importante, desrespeita e desconsidera tudo o que não lhe é favorável. Desagrada-me o facto de determinadas pessoas se acharem demasiado importantes, mas pensarem muito pequeno. Este é, aliás, um mal que afige a nossa classe política geralmente empregada no estado ou dele dependente para os seus negócios; aprisionados por uma perigosa rede de cedências, alianças provisórias, conluios de circunstância, conspirações de algibeira (...).

Aprendi com a ligação à iniciativa privada, o valor do risco, da aventura, da paixão; mas também da responsabilidade cultural, social e empresarial que falta na maior parte dos que dependem directa ou indirectamente  dos favores de benefícios do Estado e do governo de ocasião.” (fim de citação)

 

T´Chingange

Após leitura da quarta parte do livro “MUDAR” fica-se com a noção da integra identidade do seu executor que toca na ferida cancerígena de Portugal (Puto) e de toda a real transferência de riqueza para países mais competitivos com produtos obtidos em condições drásticamente desiguais; sem os encargos sociais que todo o Ocidente aplica.

Estamos numa viragem de ciclo e é forçoso que as leis penais não o sejam sómente para os mais fracos ou fragilizados, deixando de fora os favorecidos pelo aparelho governamental.

É imperioso acabar com os previlégios dos políticos que assaltaram o povo defraudando-o nos poderes públicos, acedendo a recompensas que de outra forma não revelariam mérito de conquista. É legitimo acabar com o FAZ-DE-CONTA do governo de Sócratas que não aceita acabar com as mordomias, cortes no despesismo galopante das instituições que enfraquecem o retorno de riqueza.

 Se nada ceder, que se pense então num governo de salvação nacional.

Já não acredito nos “urubus da política”, os mesmos que tudo sabiam e tudo consentiram. Os mesmos que pactuaram nas irregularidades, roubos e coisas de fazer “prisão” e, em seu tempo não tiveram o patriotismo de o denúnciar.

Passos Coelho têm de fazer um esforço para passar ao lado desses criticos,  os concelhos desses supostos maduros da “geração democrática” e seguir o seu rumo de mudança, aquele que preconiza em “MUDAR”.

 

BIBLIOGRAFIA:  MUDAR de Pedro Passos Coelho

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:07
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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010
N´GUZU VI

AS ESCOLHAS DO EXMO VISCONDE DO MUSSULU

        Exercícios filosóficos

 

Sokrátes   Sócrates

 

Sokrátes buscava o Conhecimento. O seu método para alcançá-lo era o diálogo e a humildade de formular todas as perguntas.

Sócrates prefere o Desconhecimento. O seu método para alcançá-lo é o monólogo e a arrogância de calar todas as perguntas.

 

Um pensamento de Sokrátes - Quatro características deve ter um juiz: ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.

Um pensamento de Sócrates - Quatro características deve ter um juiz: não ouvir escutas, responder obedientemente, ponderar nos riscos que corre e decidir se quer continuar a ter emprego.

  O Polvo

Sokrátes provocou uma ruptura sem precendentes na Filosofia grega.

Sócrates provocou uma ruptura sem precendentes na Auto-Estima portuguesa.

 

Sokrátes tinha um lema: Só sei que nada sei.

Sócrates tem um lema: Eu é que sei.

 

Sokrátes auto-intitulava-se "um homem pacífico"

Sócrates auto-intitula-se "um animal feroz".

 

Sokrátes foi condenado à cicuta.

Sócrates foi condenado pelas escutas.

 

Sokrátes deixou-nos incontáveis dádivas.

Sócrates deixa-nos incontáveis dívidas.

 

O Xato do Xissa

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:10
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GLOBÁLIA . X

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        FORDILÂNDIA . III

Índios Tiriós

Bush pai, Margarethe Thatcher e François Mitterrand encetaram  em tempos esforços para vincular o pagamento da dívida externa do Brasil, por criação de reservas dos recursos naturais.

Será que o Brasil está à venda?

O príncipe Charles de Inglaterra em Fevereiro de 1990 agrediu as consciências afirmando que na Amazónia estava em curso um pavoroso modelo de genocídio colectivo; a reserva indígena dos “Wai-Wai”, em Roraima que tem 450 mil hectares sucedeu pela implantação destes em território brasileiro trazidos numa acção humanitária; sabe-se por afirmações de ex-oficiais da Força Aérea Brasileira, que nos anos sessenta, foram abertas pistas de picada terrestre no meio da selva a fim de transportar a tribo perseguida; assim se evitou o massacre dos “Wai-Wai” pela tribo dos índios “Tiriós” no sul do Suriname.

  Indio Ianomani

Aqueles ex-oficiais das FAB, na “Operação Mapuera” abriram pistas de pouso ao longo da fronteira com a Guiana na área do Amapá.

Este invento de Território indígena, que agora é uma reserva, teve o apoio “inequívoco” de antropólogos que, fraudulentamente, afirmaram que aquela gente vivia ali desde “tempos imemoriais”.

Os interesses superiores da nação Brasileira, por força da oligarquia britânica, as várias ONG`S de “limpa fachada” e, principalmente dos EUA, estão a ser defraudados na ilusão duma entrada do Brasil no Club dos G.7 ou “Primeiro Mundo”.

 Tuiuiu

VIDA DO PANTANAL

Foi com um pensamento idêntico, que Collor de Mello no Decreto de 15 de Novembro de 1991 determinava a criação da reserva indígena Ianomani, junto à fronteira da Venezuela para 6000 indígenas daquela tribo; A eles foi dada uma área de 90.000 quilómetros quadrados, uma área superior a Portugal continental.

Matematicamente coube a cada um, quinze quilómetros quadrados de selva.

Não muito longe no tempo, Margarethe Thatcher, Mikhail Gorbachov e George Bush pai, tornaram a “agenda verde” crucial para o estabelecimento da ”NOM”, (Nova Ordem Mundial).

“Deus fez o Mundo e o Holandês fez a Holanda”, cobrindo dois terços do seu território que era área verde, criadouro natural em vastos pântanos húmidos; agora através das várias ONG`S vêm dar parecer negativo quanto ao uso do Pantanal na cultura da soja. Alegam que este estancará se por ali passar uma hidrovia.

 

Bibliografia: Os segredos do Pai Nosso de Augusto Cury; Máfia Verde de EIR

(FIM…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:09
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Terça-feira, 19 de Outubro de 2010
KALUKEMBE . IV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO  

“Os Chicoronhos”

 CRISTO REI . LUBANGO

 Depois de galgar a serra da Chela em carros Boéres de 12 ou mais juntas de bois, os mais de 200 madeirenses dirigidos por José Leme assentam num lugar de Oluvango que passou a ser referenciado como “os barracões”. Oluvango, que em dialecto N´haneca quer dizer o lugar da decisão, na pronúncia das novas gentes foi progressivamente sendo designado de Lubango. Estas terras férteis, além do rio Oluvango, têm os rios Mapunda e Macúfi que irrigam aquele alti-planalto. E, foi aqui, em quatro barracões que albergaram a primeira e segunda leva de colonos respectivamente no Natal de 1884 e 18 de Janeiro de 1885.

Pode calcular-se que este começo promíscuo desgostou-os mas, habituados à dureza de vida na sua ilha, tudo suportaram com abnegação; afinal aquele espaço era verde como o seu pedaço de terra natal e todo o começo, como um parto, tem as suas dificuldades. Em homenagem ao Visconde de Sá da Bandeira D. José da Câmara Leme atribui seu nome àquele lugar que assim ficou designado oficialmente.

A anexação da República do Transval pelos Ingleses originou a que os já mencionados Boéres chefiados por Jacobus Frederik Botha tomassem assento em Ompata (Umpata), terra de origem Muila (Huila), por um acordo feito com o Visconde S. Januário, ministro da Marinha e Ultramar de Portugal.

Estes Boéres, Huguenotes oriundos da Holanda, pouco a pouco foram tomando relações com os novos colonos que em sua língua atrapalhada referiam como sendo os “Otyicolonyas”; diga-se em verdade que havia frequentemente desavenças entre os Boéres de S. Januário e os “Ochicolonos” de Sá da Bandeira levando Artur de Paiva a mediar as contendas de rivalidade. As vivências, cultura e tradições de ambos, eram bem divergentes, por isso causadoras de muitos atritos; nada que atrapalhasse o fundamento dos colonatos.

 

 SENHORA DO MONTE 

A primeira divisão de terras foi feita por quarteirões de um hectare de superfície, comportando cada um, dez casais.

Em Agosto de 1885 chega uma terceira leva de Chicoronhos à colónia de Sá da Bandeira, momento em que se nota já uma certa dispersão das gentes, na procura de locais mais de acordo com seus anseios e, enquanto uns descem para a Chibia, outros sobem para o planalto do Huambo, em Caconda e Kalukembe e outros mais se juntam a estes estabelecendo-se.

Por esta altura as coisas da administração Portuguesa corriam tão mal que levaram o Coronel Maria Coelho a ter a seguinte afirmação: -“Desgraçadamente as nossas coisas em Angola são uma miséria, tal faz desesperar,....parece que o luxo da nossa administração consiste em acumular loucuras sobre loucuras,... O desleixo cobre-se de incúria em palavras redundantes e, sem sentido,...” Para além da administração dos colonatos era imperioso mandar expedicionários militares para garantirem protecção e sucesso nas medidas e regulamentação na ocupação. Eram anos de defender soberania da cobiça; cobiça que veio a prevalecer na Conferência de Berlim.

Na posse de territórios em África pela Conferência de Berlim, muitas mentiras passam a verdades em posturas diplomáticas. A fortaleza de uns definha em covardia a braveza Lusa de tempos idos; um exemplo notório é o de que 292 anos antes de Stanley ter descrito as cataratas do Congo, já Duarte Lopes o tinha feito e, não obstante a evidência, a conferência de Berlim em 1885 deu aquele território ao rei Belga para governar. O Zambeze conhecido, desde a Lunda até muito para além das cataratas Vitória, por Silva Porto; o seu reconhecimento foi dado, não a este, mas a Livingstone.

E, não é tudo,... Na costa Namibiana, Luderitz tomou posse de toda a Damaralândia num jogo sujo da ditatorial diplomacia de Bismark, o líder alemão que fazia crer aos Portugueses não estar interessado naquelas terras. Repticiamente fazia-nos a vida negra armando o soba (rei) Mandume, o tal chefe Ovambo que deu muita luta para a tomada de posse daquela fronteira sul de Angola, ligando o Cunene ao Cubango.

 

Bibliografia: A colonização de Angola, de F. Cerviño Padrão; A questão Cuanhama, 1906, de Major Eduardo Costa; Chicoronho de Jorge Kalukembe; Web Google.

 

(…Continua)

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:33
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010
PRÓPOLIS VERMELHA

Noticis do jamba

        ALAGOAS

 O MANGUEZAL

Substância cobiçada pela indústria farmacêutica do mundo todo, transformou a PRÓPOLIS VERMELHA num produto de alto valor no mercado. Vamos saber que substância é esta:

 

Este tipo de própolis só existe num lugar aqui no Brasil, no litoral de Alagoas.  Vamos visitar uma criação de abelhas no meio do manguezal, um lugar que desperta a atenção e o interesse de negociantes internacionais.

Dos 17 municípios que compõem a faixa litorânea de Alagoas, 12 têm apicultores que trabalham com a própolis vermelha. Em Marechal Deodoro, um dos mais conhecidos é José Marinho de Lima, que atravessa a lagoa Manguaba para nos encontrar. Junto dele, está o filho Carlos.

A viagem até o outro lado da lagoa não demora mais do que 15 minutos, tempo suficiente para Marinho lembrar os vinte e poucos anos atrás, quando começou sua criação de abelhas. “Tudo improvisado. Até caixa nós tivemos que improvisar, porque, naquela época, em Alagoas, não se falava nem em abelha. A propriedade era de bisavós, de avós, de pai. Uma coisa interessante, a apicultura, porque o indivíduo que entra na linha da apicultura normalmente não sai mais, porque é apaixonante”, diz assinalando uma placa enquanto acrescenta:

-"A placa é para prevenir, porque é a segurança. Já está avisado de que não deve destruir nada aí, não deve fazer zoada. Passar, ele pode passar tranquilo, só não pode mexer nas caixas”, explica Marinho.

 

Em terra firme, ainda temos uma pequena caminhada ilha adentro. Além de suas 200 caixas de abelha, Marinho conta com exatos 671 coqueiros. Tudo caprichadamente numerado. “Os produtivos estão todos numerados. Agora tem muitos coqueiros novos que ainda não foram numerados porque não estão na faixa de produção ainda”, diz:

-“O máximo que eu tirei foram 8.500 cocos, mas fica em torno de cinco mil cocos, seis mil cocos, de dois em dois meses ou de três em três”, diz o apicultor Carlos Lima, andando pelo coqueiral. Ele ajuda o pai apenas com as abelhas. “Já levei muita picada. No começo, eu passava dois três dias sem conseguir. Ficava inchado, delirando, com febre. De tanto levar, acostumei um pouco, mas sofri um bocado”, diz Carlos.

Bem perto da entrada do apiário, o coqueiro número um, indica que é a hora de colocar a roupa de apicultor. “Esquenta um pouquinho, mas só que aqui a gente é protegido também pela natureza. As árvores são altas, tem essa vantagem, essa grande vantagem. Sombreado, o apiário é ideal para a produção da própolis. Nossa própolis é diferente. Em vez de ser seca, ela é liguenta, e, se fica ao sol, derrete como chiclete”, explica o apicultor.

No apiário, a fumaça serve para acalmar as abelhas, mas, antes da coleta da própolis, vale uma explicação:

-Uma caixa de abelhas voltada para a produção de mel é assim, fechada de todos os lados. Só mesmo o alvado embaixo para elas entrarem e saírem. Já quando o objetivo é a produção de própolis, a caixa tem esses vãos, deixados de propósito pelo apicultor para estimular a vedação.

 

Veja como as abelhas trabalham para fechar as brechas do coletor. Elas parecem incansáveis. E, geralmente, depois de uma semana...

“Aqui está na faixa de trinta gramas, mais ou menos, de própolis. Isso varia. Eu já consegui tirar aqui numa semana 2,7 kg de própolis. Foi o máximo. Mas aí varia, 1,8 kg, 1,7 kg, 2,1 kg.  O mínimo foi 200 g por semana. Isso é sazonal, depende do tempo. Tem abelha que numa semana está cheia de própolis. Na outra semana, ela não tem nada”, diz Marinho.

“O trabalho da própolis é mais simples. Você basta usar o coletor e vai ser um trabalho externo. Já para o mel, nós temos que abrir da caixa e temos que tirar o alimento, que é o alimento da abelha. É a mesma coisa de uma pessoa tirar o alimento da sua casa”, afirma Carlos. E para não enfraquecer a colmeia, Marinho e o filho Carlos não tiram o mel das abelhas.

“Olha, você está vendo aqui três caixas, três coletores, numa alta produtividade. É simplesmente notável a quantidade de própolis que tem aqui. Se você conseguir uma repetição disso, é um espetáculo. Uma produção dessas não é comum”. A própolis vermelha só dá onde tem o rabo de bugio, uma planta típica do manguezal.

Você que consome mel com frequência sabe que, dependendo da florada, o produto tem cor e sabor diferentes. O mel de laranjeira, por exemplo, não é igual ao mel de eucalipto, de cana-de-açúcar e assim por diante. O mesmo ocorre com a própolis. Ela muda de característica de acordo com a vegetação de cada região. O Bruno Cabral é biólogo e vai mostrar o rabo de bugio, a planta de onde as abelhas tiram a resina para produzir a própolis vermelha.

 

“É quase que uma trepadeira. É uma planta que faz parte do grupo das leguminosas, do mesmo grupo da soja, da alfafa ou feijão. O nome científico do rabo de bugio ou bugio, como é popularmente conhecido, é Dalberguia ecastaphilum. A ocorrência principal dela vai desde o sul da Flórida até o limite sul do Brasil e existe também registro na costa leste do continente africano”, diz Cabral.

Com o rabo de bugio por perto, a abelha aproveita qualquer fissura no galho para raspar a resina e levá-la para sua colmeia. Em alguns momentos, elas rodam, rodam, como se estivessem dançando. O vermelho intenso da resina é o que dá a cor à própolis. Com as perninhas de trás carregadas, as abelhas levantam vôo.

Dos treze tipos de própolis existentes no Brasil, cinco são da região Sul, um dos estados do Sudeste e sete do Nordeste. A própolis vermelha de Alagoas foi a última a ser descrita e catalogada pelos pesquisadores. A sua particularidade é uma substância nobre chamada isoflavona, que tem dado que falar.

No laboratório aonde trabalha o agrônomo Severino Alencar, na Esalq, em Piracicaba, São Paulo. Severino coordena o grupo de estudos em própolis do CNPq, que envolve a USP, a Unicamp e a Universidade Federal de Alfenas, em Minas Gerais.

“Nós já investimos, em quatro anos, em volta de R$ 1,2 milhão. Essa é a primeira vez que a gente tem uma quantidade de recursos significativos para estudo de uma única própolis. É um produto natural, rico em isoflavonas. Nunca se encontrou isso numa própolis brasileira tão apta na aplicação da indústria de alimentos e farmacêutica”, diz Severino.

A isoflavona é uma substância geralmente encontrada em plantas das famílias das leguminosas. A mais famosa delas é a soja. Sobre a isoflavona da própolis vermelha, os estudos indicam um futuro promissor. “Realmente é uma boa fonte a combater radicais livres. E, quem não gosta de envelhecer com qualidade, poque... Envelhecemos por ataque de radicais livres”, afirma o pesquisador.

 

Ainda em Piracicaba, bem pertinho do professor Severino, trabalha o doutor Pedro Rosalen, farmacêutico e professor da Faculdade de Odontologia da Unicamp. Em seu laboratório, há 12 anos vem analisando os mais diversos tipos de própolis, da verde à marrom, e, agora, a vermelha.

Em todas elas, encontrou bons resultados no combate à formação da placa dental, “que é o início, muitas vezes, de problemas de saúde odontológica, da saúde bucal, como a cárie dental e a doença de gengiva”, explica:

-“Ela mata a bactéria causadora dessa placa no dente. Mas o mais curioso é que, em baixa concentração, ela não mata a bactéria, ela diminui o que nós chamamos de fatores de virulência. Porque não adianta você matar a bactéria especialmente numa ambiente como a boca, porque, dali a alguns minutos, nós vamos ter outras bactérias povoando a boca novamente. Então, talvez, uma forma mais eficiente de combater essas bactérias da boca seja diminuindo ou enfraquecendo o seu poder de causar doença”, explica o farmacêutico.

 ALAGOAS . MACEIÓ

Por conta de descobertas assim, a procura pela própolis vermelha chamou a atenção do mercado internacional, principalmente no Japão. O interesse dos japoneses pela própolis vermelha é tanto que, uma vez por ano, eles desembarcam aqui em Alagoas para visitar os apiários. Só que tudo em segredo. Tanto que eles acabaram de descer daquela lancha e não quiseram gravar nenhuma entrevista e nem permitiram que a nossa equipe de reportagem acompanhasse esse momento.

Ainda assim, conseguimos flagrar uma pequena movimentação, até que fomos autorizados a conversar com o exportador Cezar Ramos Júnior, que, há 16 anos, vende uma outra própolis, a verde, para esses compradores. “Não sabemos o que vai ser produzido, que na verdade, ainda são em escalas muito pequenas. Vamos dizer que hoje ainda é em escala de pesquisa”, diz.

Os japoneses já detêm 43% das patentes de própolis no mundo inteiro, e são eles que compram a maior parte da produção da própolis vermelha de Alagoas, que, hoje, gira em torno de uma tonelada e meia por ano.

 

Para organizar toda a cadeia de produção e comercialização da própolis vermelha, desde 2007 o Sebrae vem trabalhando junto aos apicultores. A analista técnica Amanda Bentes é quem presta assessoria nos projetos que envolvem esse nobre produto de Alagoas.

“A própolis na cor vermelha existe em outros países, inclusive na África. Porém, com as propriedades diferenciadas, essas que estão sendo buscadas pelo mercado, só é produzida em Alagoas. O próximo passo é a gente conseguir uma indicação geográfica. Indicação geográfica é um selo de qualidade que é cedido pelo INPI, Instituto Nacional de Propriedade Industrial, o qual corresponde a que aquele produto é natural, tem uma forma diferenciada de fabricação, tem propriedades diferenciadas e que são respeitadas pelos produtores locais”, diz Amanda.

Enquanto a indicação geográfica não vem, enquanto as pesquisas avançam e enquanto o mercado da própolis vermelha se consolida, o litoral de Alagoas só tem a ganhar com o desenvolvimento dessa atividade em seus manguezais, como ressalta o biólogo Fernando Pinto, do Instituto para Preservação da Mata Atlântica.

“Quisera eu que todos os outros ecossistemas descobrissem uma própolis de diferentes cores para que pudessemos ter em cada ecossistema um grupo, tendo apicultores preocupados em preservar essas áreas. Se você não preservar a mata, atinge o manguezal. Se não preservar o manguezal, você atinge a Mata Atlântica. Não tem como você dissociar esses dois ecossistemas”, afirma Fernando.

Vale lembrar que nem toda própolis vermelha contém isoflavona. Só exames de laboratório podem confirmar essa qualidade no produto.

 

JAMBA



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:18
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Domingo, 17 de Outubro de 2010
CAZUMBI . VIII

AS ESCOLHAS DO SOBA T´CHINGANGE

“ MUDAR - P. Passos Coelho ”

Passos Coelho

Os partidos assaltaram o estado inquinando-o, construindo nele seus currículos aprisionados a uma perigosa rede de cedências, concluio de negócios com alianças conspirativas. Distribuindo favores ao sistema partidário tornaram a nação numa chaga institucionalizada, abrindo demasiadas brechas no sistema.

Ex-políticos que se revelaram incompetentes ocupam lugares de chefia em empresas para-estatais sem terem uma visão concreta da actividade civil empresarial. O assalto ao poder tornou-se magnânime na aquisição do bem pessoal, num abusivo desresprito pela coisa pública, desbaratando a riqueza, vendendo o património moral ao diabo, defraudando o excencial de um político que se preze.


“ Na nobreza de espírito a ter, na ambição a colocar, na mobilização a fazer das pessoas para coisas positivas, é aqui o puro domínio da política (…). Observa-se de facto, uma grande desqualificação da função política e dos seus agentes mais directos,… As causas de uma tal descrença definem a intencidade dos sinais que acompanham o divórcio entre os cidadãos e a classe política.

As pessoas responsabilizam os políticos e os governos pela grande discrepância que se verifica no acesso às recompensas e na distribuição dos rendimentos gerados e da própria riqueza. A situação de pobreza crescente em que cada vez maior número de cidadãos se encontra e o definhamento da classe média são consideradas como resultados insatisfatórios da regulação política, que permite uma concentração injusta da riqueza numa fatia cada vez mais estreita na sociedade.

A democracia da opinião tem sido engolida pela democracia dos interesses, reforçando o convite a que os cidadãos pensem mais nos seus interesses particulares do que no interesse da nação.”


T´CHINGANGE

Dentro dos próprios partidos a desigualdade no acesso ao poder é coartada a muitos daqueles que defendem o interesse geral e, paulatinamente vão sendo afastados das lides decisórias. Formam-se grupos dominantes que sucumbem as vozes dissonantes de criticas do sistema. Esses comportamentos, saem reforçados pelo progressivo afastamento desses militantes “ovelhas resingonas” que sempre vão chamendo à realidade dos factos, sem serem ouvidos; os criticos de sempre serão levados à sombra do esquecimento em benefício dos “Yes man”no quorum da vida. Vem daí a descriminação no acesso ao poder e a fraqueza das lideranças políticas aos grupos “puxa saco”  que dizem sim a tudo para agradar ao chefe.

Não, não iremos longe premiando os malcomportados.

O Orçamento para 2011 a não ser negociado merece ser chumbado. Votar nele FAVORÁVELMENTE, é pedir mais do mesmo, sobrecarregando inocentes. Esta perversidade tem de acabar e, já é tarde demais.

(Continua…)

BIBLIOGRAFIA:  MUDAR de Pedro Passos Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:19
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Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010
CATÁSTROFES VIII

AS ESCOLHAS DO EMBAIXADOR DO DIRICO (WR)

“A crise em 3 penadas. Opiniões”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1ª Penada. Crónica de Henrique Raposo no Expresso (a verde…Cortar nos salários da função pública)

 

Todos os países a viver uma situação semelhante à nossa já cortaram nos salários da função pública. Nós precisamos de fazer a mesma coisa. Se não o fizermos, o FMI tratará do assunto.


 A ROSA

I. Meus amigos, nós estamos a pagar 6% sobre a nossa dívida. Isto é insustentável. A cada hora o Estado endivida-se em 2.5 milhões de euros. O governo tem de reduzir a despesa pública, e só há uma forma séria de o fazer: cortar nos salários da função pública. Sem um corte na massa salarial dos funcionários do Estado, será impossível controlar a despesa. Impossível. Acabou a festa, meus amigos. Nós não podemos gastar 15% do PIB só em salários do funcionalismo público. Não podemos. 15 cêntimos de cada euro que v. ganha, caro leitor, são destinados aos salários da função pública. Acha isto justo?

 

II. O drama de Portugal é este: O Estado endivida-se para abastecer os direitos adquiridos do statu quo, e não para fazer reformas-chave. O problema é que esta dívida enorme que estamos a acumular é apenas para gastos de tesouraria.

Perante isto, meus amigos, a primeira coisa a fazer é esta: cortar nos insustentáveis salários da função pública. Se o governo não o fizer o FMI tratará disso no dia em que o Estado não arranjar dinheiro para pagar o 13.º mês aos seus funcionários. E esse dia está a chegar.


III. A este respeito, convém reler um artigo de Pedro Maia Gomes (professor na Universidade Carlos III, Madrid), publicado no Expresso de 4 de Setembro. As contas dos privilégios insustentáveis dos funcionários públicos começam assim: "pessoas com características similares recebem mais 16% de salário do que no sector público". Depois, os salários da função pública sobem sempre, e nunca estão anexados à produtividade. Numa empresa, aumentos acima da produtividade significam a falência. No Estado, esta prática irracional é conhecida pelo eufemismo de "direitos adquiridos".


IV. Perante esta realidade, uma redução nos salários da função pública seria sempre uma medida justa, no sentido de atenuar a assimetria entre o público e o privado. Ora, na actual conjuntura, um corte na função pública não é só justo: é igualmente necessário. Segundo Pedro Maia Gomes, um corte de 10% na função pública permitiria reduzir 2 mil milhões de euros por ano na despesa (1.4% do PIB). É aqui que devemos cortar, e não nos apoios sociais como o subsídio de desemprego. Mas repare-se no seguinte: José Sócrates já mexeu em todos os subsídios, mas ainda não mexeu onde devia ter mexido: nos salários da função pública.
PS: Convém lembrar que nos paraísos nórdicos os funcionários públicos têm sempre salários mais baixos do que no sector privado. E é o que faz sentido: porque um trabalhador do estado terá sempre mais segurança do que um trabalhador do sector privado. Mas, em Portugal, os nossos santos funcionários públicos têm o melhor dos dois mundos: salários mais altos e segurança à prova de bala.

  O FMI

2ª Penada. RESPOSTA:

Uma crónica aqui, um comentário ali, um “estudo”  acolá, um perito conferência em qualquer lado e, paulatinamente, torna-se uma inevitabilidade “15 cêntimos de cada euro que v. ganha, caro leitor, são destinados aos salários da função pública

 

O meu salário de funcionário está disponível no Diário da República. Sobre esse salário também eu paguei os 15 cêntimos por cada euro que ganhei. Não tenho mais nada, apenas o meu salário que é público, sem sigilo.

Mas, lia hoje no jornal que os gestores da REN são obrigados a entregar declaração de rendimentos na condição de ficar sigilosa; Porquê? Porque é que o meu ordenado é público e o deles não?

 

Ah os malditos dos funcionários públicos… E as parcerias público-privadas que sugam mais dinheiro que um tornado do Arkansas? E os Magalhães que rapidamente foram encostados? E as SCUT (lembram-se de João Cravinho, o pai delas e grande “combatente contra a corrupção” que, coitado, lá foi trabalhar para o estrangeiro para um bom tacho) criação deste partido que agora acaba com elas. E a Liscont dos contentores, e a Lusoponte de Ferreira do Amaral e agora de Jorge Coelho através da Mota Engil dona da AENOR que era presidida (se calhar ainda é) por Luís Parreirão Gonçalves, presidente também de não sei quantas SCUT, que era secretário de Estado do governo de Guterres que…criou as SCUT e concessionou várias? E os pareceres jurídicos encomendados a sociedades de advogados e pagos a pesos de ouro? E os 30 milhões de euros pagos à GESCOM do grupo Espírito Santo por intermediação na compra dos submarinos? E..? …

 

E agora querem que ganhe menos para terem mais dinheiro para mais pareceres, mais comissões, mais parcerias da treta.


"Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo" ---Gandhi
J. Santos

 A Globália

3ª Penada. E, porque não:

- Exigir que os funcionários o sejam em exclusivo numa só função e não fazerem concorrência com as empresas particulares.

- Acabar com esse desmando de os técnicos do estado poderem assinar projectos para outros municípios provocando o promíscuo    incesto apreciativo e monopolizando o mercado. Como é que as empresas privadas podem concorrer com tamanha desonestidade. Uns ficam com tudo e os demais, quase sempre particulares com as sobras sujeitas a pagamentos ao fisco.

- Um reformado deve-o ser em pleno. Não ter outra ocupação pois que dessa forma um outro cidadão fica no desemprego ou vivendo do subsídio.

- Quem trabalha de forma remunerada, não deveria receber qualquer aposentadoria em todos os escalões de cidadania.

- Porque é que existe diferenciação na atribuição de aposentações se todos são cidadãos. É uma questão de regimento, da constituição ou uma forma de escamotear a verdade.

- Há leis a mais e vergonha a menos. Há adaptações para todos os gostos mas, só para quem pode porque o gatuno, democratizou-se  

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:38
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KALUKEMBE . III

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Moçâmedes e os Chicoronhos”

Carros Boéres em Moçamedes

Os primeiros colonos Luso-brasileiros  de Pernambuco chegados a Angra dos Negros na foz do rio Bero a 4 de Agosto de 1849, fundam Moçâmedes relacionado-se desde logo com o gentio daquela região chamados de Kuvale  e estendem as suas relações aos Kuanhocas, Cuepes e os Cuíssi com quem intercâmbiam vivências.

Os madeirenses chegam ali passados 36 anos, já no meio de muita agitação por parte dos países fortes da Europa liderados por Bismark, que  nesse então já ali punham  seus olhos cobiçosos, sua prepotência e apetência. Seguindo o eixo colonizador Namibe, Lubango e S. Pedro de Chibia estes madeirenses em breve iriam seguir viagem a juntar-se à colónia de Boéres já bivacados em Oluvango.

Convém aqui recordar que o rio mais a Sul chamado de Cunene, inicialmente foi tomado como sendo o grande Zambeze; da costa Atlântica não se via a sua foz e, Diogo Cão, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama não chegaram a dar indicações precisas aos vindouros; O Cunene junto à foz, perdia-se nas areias do Namibe (Costa dos esqueletos) formando lagoas aonde o boi cavalo, hipopótamo, procriavam sem grande altercação; era vê-los aos montes como pedras, entre a vegetação de mangue e caniços.

Botelho de Vasconcelos, governador de Benguela descreveu em 1779, que o rio Cunene nascia no Huambo, passava por Caconda e Quilengues e que se metia em Cabo Negro com muitas trombas (rias) mas, foi só em 1851 através dum tal Galton, de Ondângua, na Namíbia, que se consegue chegar ao conhecimento com descrições ao pormenor em que o grande rio, depois de desaparecer num espaço de terra arenosa naquela grande lagoa, um quase estuário feito pantanal seguia para o mar.


O Rio Cunene… curso e quedas do Ruacaná

Por alturas de 1880, ainda andavam desbravando terras e, no mapa de então, havia suposições que originaram erros grosseiros. A pressa de afirmar “isto é nosso”, levou a que os Portugueses reivindicassem o Mapa cor de Rosa pois que, aquele suposto rio Zambeze ia desaguar ao Índico, em Moçambique, paragens já habitadas e creditadas à Coroa  Portuguesa.

Os rios Cuando e Cubango, (Okavango) também foram objecto de confusão pois que, não desaguavam no mar;  iam ter a um  grande  e disperso lago, que se veio a chamar, o Delta do Okavango, só que, nesse tempo julgavam que era um permanente afluente do Zambeze.

As dificuldades em manter este mapa pelos novos sertanejos, veio a resultar em cobiças que, sem fundamento, criaram dificuldades diplomáticas em desencontros entre os pontos de vista portugueses e os novos países emergentes entre os quais a Alemanha e Inglaterra. Contra todos os critérios de ocupação a Conferência de Berlim realizada a 26 de Fevereiro de 1885 veda a Portugal o direito histórico a não permanecer para além das fronteiras ali definidass  obrigando-o a prescindir da exclusiva navegação nos rios Zaire, Zambeze e Rovuma.


A Conferência de Berlim e o  mapa de cor de rosa  em  1885


Com o forte empenho de Bismark da já então nacionalista Alemanha, decidiu-se o que era de quem em África a régua e esquadro. A Portugal é-lhe atribuido ficar com a faixa ligando Angola a Moçambique mas,  os grandiosos planos de Cecil Rhodes que tinha em mente estabelecer um império Britânico do Cabo ao Cairo dão azo a muita turbulência politica. O sonho português ligando aqueles territórios chamado de Mapa côr-de-rosa era contrário ao sonho dos Ingleses, aliados de longa data.

Discordando do já convencionado, os amigos Ingleses lançam um ultimato vexatório a Portugal no ano de 1890 para que abandonassem tal pretensão.  Paiva Couceiro que tinha sido incumbido de reconhecer a região Barotze (Zâmbia e Zimbabwé) foi impedido a continuar aquela exploração dando cumprimento ao tal ultimatum. Quem tem amigos assim, nem necessita de inimigos; a partir daqui ficou sempre uma nódoa que se aviva sempre  nas questões de soberania e, assim a 11 de Junho de 1891, Portugal cede às imposições Britânicas. Portugal, por incúria impregnada de medo, no reinado de D. Carlos I, não faz respeitar o convénio Luso Alemão firmado em 1886 retirando-se fragilizado.


Bibliografia: A colonização de Angola, de F. Cerviño Padrão; A questão Cuanhama, 1906, de Major Eduardo Costa; Chicoronho de Jorge Kalukembe; Web Google.

(…Continua)

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:01
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2010
N´GUZU . V

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Mujimbos”

O tempo não se presta a guardar segredos porque, olvidar desmandos escangálha-nos os nervos e torna a mentira num modelo geracional, costumeiro.


AS DUNAS DE T´CHINGANGE

Até se pode criar o fascínio de se engalanar o mujimbo numa mentira com faíscantes estórias de sucesso como se, se tratasse duma corrida em volta dum arco íris. Ando nesta matéria a fazer extraordinárias que só o não são, porque jamais exigi pagamento por elas.

Num repente, todo o Portugal mergulhou numa vulgaridade de mujimbo com a morbides necessária para destapar a alma dos políticos. Democratizando-se na gatunagem mandaram às urtigas os bons exemplos de regime constitucional, delapidando os dinheiros públicos em fúteis vaidades ou promessas impossiveis.

Portugal mergulhou na escuridão; tombou de joelhos sobre o charco enlameada de Guterres; gatinha agora esgadanhando a rede entrelaçada do Fundo Monetário Internacional que vai lançando como um polvo seus braços feitos  lianas  de cifras dolarosas ou dolorosas.

Os ricos que paguem a crise, dizem os fabricantes de mujimbos, entrecortando laivos de  angústia com muxoxos  de osga trilhada.

BOATOS

Os ricos e poderosos quanto mais altamente colocados, mais benévolos e atenciosos se mostram com os menos favorecidos da fortuna. A liberdade de costumes numa inocente ignorância do mal, protitui-nos de forma organizada; engendra a miséria feroz que nos inventa úlceras e cega olhos para assim exercitar o sentimento de caridade. Estamos quase, quase nesse estágio.

Os mugimbos, pouco a pouco numa horrenda verdade, torna-nos propriedade do mal. Somos todos escravos, escravizados, mesmo! Malgovernados pela democracia!

Glossário: N´guzo: - força, destreza (quimbundo); mujimbo: - boato, o diz que diz, inventação;  muxoxo: - trajeito de desdem, ruido feito num esgar de dentes ou o chispar de lingua no céu da boca fazendo um ruido de osga, menosprezo.

 

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:18
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BRASILEIROS

Noticias do Jamba



JAMBA

- Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.

Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para gari, só porque tem uma história de vida sofrida; Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza; Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade...

Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária.

É coisa de gente otária.

- Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.

Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada. Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai..

Brasileiro tem um sério problema: Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

- Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.

Brasileiro é vagabundo por excelência; O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que  ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.

Um povo que se conforma em receber uma esmola  do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

- Brasileiro é um povo honesto. Mentira..

Já foi; hoje é uma qualidade em baixa. Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.

- 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira.

Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime. Hoje a realidade é diferente.

Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.


- O Brasil é um pais democrático. Mentira.

Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas  sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente. Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita.

Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores…) Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.

- Democracia é isso?  Pense !

O famoso jeitinho brasileiro. Na minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.

No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí?

Afinal somos penta campeões (…) do mundo né?? ? Grande coisa...

O Brasil é o país do futuro. Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos.Dessa vergonha eles se safaram...

- Brasil, o país do futuro !?

Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

- Deus é brasileiro.

Puxa, essa eu não vou nem comentar (...) O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.

Para finalizar tiro minha conclusão:

O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual a mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse texto, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta.

Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce! Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

JAMBA

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:35
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Domingo, 10 de Outubro de 2010
CATÁSTROFES - VII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“a mentira institucionalizada”

A mentira é um raio perigoso

Muitas pessoas, por todo o mundo pensam que a série de desastres traduzidas em lucros tão espectaculáres  que são os ricos poderosos que deliberadamente produzem catástrofes para depois se aproveitarem delas. Uma sondagem aos residentes dos Estados Unidos revelou que mais de um terço dos inquiridos acredita que o governo tenha tomado parte nos ataques do 11 de Setembro ou não tomou qualquer medida para o evitar; havia uma guerra a ser feita e teria de haver motivos fortes para persuadir os mais cépticos. É medonho pensar-se assim, mas saído de políticos,  já se viu de tudo para fazer  mudar as opiniões dos demais cidadãos.

Ouve quem afirmasse que o tsunami no Sri Lanka, Katrina, teria sido causado por explosões subaquáticas detonadas pelos Estados Unidos para assim poder enviar tropas para o sudoeste asiático e tomar controlo total das economias da região.

Madoff

Os lucros fáceis a curto prazo dos investimentos puramente especulativos transformando o mercado de valores de divisa em máquinas de criação de crises, assim o demonstram; tenhamos presente a crise financeira asiática.

Bernie Madoff, que criou uma das mais importantes sociedades de Wall Street, figura filantrópica quase divina, provocou uma fraude na Bolsa superior a 50.000 milhões de Euros.

Este insuspeito senhor, com fama de dar o céu e a terra, enganou não só entidades bancarias e grupos de investimento como vitimizou organizações caritativas. Madoff, o outor da maior fraude financeira de todos os tempos provocou 76 milhões de Euros  em prejuizo a entidades financeiras portuguesas. Indirectamente esta burla chegou aos nossos bolsos debelitando-nos na crise que hoje nos atormenta.

A crise Europa…

Os nossos engenheiros financeiros porque pularam no comboio errado levaram-nos a fazer esta viágem através da miséria; sem sabermos, afinal todos iamos nesse comboio enaltecendo a fraude, o compadrio, a corrupção e a mentira institucionalizada por tantos Sócratas. Um polvo gigante com polvinhos engordando à custa do povão inocente.

Na criação do desastres, a mão invisivel é a do prevaricador que fica quase sempre impune, seja no derrame de produtos tóxicos, na engenharia de segurança e vigilância, na queima de áreas florestais e doenças surgindo do nada, para vender toneladas de fármacos patenteados.

rhynchophorus palmarum

E, há coisas que nunca são inteiramente desvendadas tais como o surto de ébola em África, as gripes suinas e H1 N1, e das galinhas e até escaravelhos vermelhos que surgiram  não se sabe como e vindos de que lado, a matar as palmeiras dos nossos jardins retirando-nos os poucos indícios exteriores de riqueza.

O nosso sistema imunulógico psíquico pode afectar-nos se os campos de força mental e emocional não vibrarem na frequência certa. Tem de haver forma de nos auto ajudarmos neste Portugal.

Roubaram-nos os aneis e será doloroso se nos levarem os dedos; o que vos posso dizer é que a morte só é dolorosa enquanto nos permanecermos presos à ilusão da vida. O FMI é um disfarçado rhynchophorus


O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:37
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Sábado, 9 de Outubro de 2010
DESPARAZITAÇÃO . I

AS ESCOLHAS DO EXMO VISCONDE DO MUSSULU

- EMBAIXADOR ITENERANTE DA GLOBÁLIA

- PORTADOR DA CARTILHA DE CIENFUEGOS

QUEM É QUE PODE ACREDITAR EM QUEM ...!!!! ....????SILVA LOPES AOS 77 ANOS, NOMEADO ADMINISTRADOR DA EDP RENOVÁVEIS.

ENCAMINHAR? CLARO!  EU ATÉ ENVIAVA PARA MARTE, JÚPITER, NEPTUNO, PLUTÃO E PARA A LONGÍNQUA ANDRÓMEDA!

Silva Lopes . Economista

SILVA LOPES, com 77 (setenta e sete) anos de idade, ex-Administrador do Montepio Geral, de onde saiu há pouco tempo com uma indemnização de mais de 400.000 euros, acrescidos de várias reformas que tem, uma das quais do Banco de Portugal como ex-governador, logo que saiu do Montepio foi nomeado Administrador da EDP RENOVÁVEIS, empresa do Grupo EDP.
Com mais este tacho dourado, vai sacar mais umas centenas de milhar de euros num emprego dado pela escumalha política do governo, que continua a distribuir milhões pela cambada afecta aos  partidos do centrão. Entretanto, o Zé vai empobrecendo cada vez mais, num país com 20% de pobres, onde o desemprego caminha para níveis assustadores, onde os salários da maioria dos portugueses estão cada vez mais ao nível da subsistência. Silva Lopes foi o tal que afirmou ser necessário o congelamento de salários e o não aumento do salário mínimo nacional, por causa da competividade da economia portuguesa. Claro que, para este senhor, o congelamento dos salários deve ser uma atitude a tomar (desde que não congelem o dele, claro).


FERNANDO GOMES

Quanto a FERNANDO GOMES, mais um comissário político do PS, recebeu em 2008, como administrador da GALP, mais de 4 milhões de euros de remunerações. Acresce a isto um PPR de 90.000 euros anuais, para quando o "comissário PS" for para a reforma. Claro que isto não vai acontecer pois, tal como Silva Lopes, este senhor vai andar de tacho em tacho, tal como esta cambada de ex-políticos que, perante a crise, "assobia para o ar", sempre com os bolsos cheio com os milhõe de euros que vão recebendo anualmente.

Estes senhores não têm vergonha na cara?


Subscreve

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:16
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010
KALUKEMBE . II

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Moçâmedes e os Chicoronhos”


UM VAPOR PARECIDO AO ÍNDIA

VAPOR MOUZINHO

Em 1880 na Huila, surgem os primeiros Boers que dão consistência ao assentamento de gente; estes, espoliados dos seus bens e terras, pelos Ingleses, lutam desesperadamente e, não resistindo, tornam-se um povo errante, fugindo sempre dos seus inimigos mortais, deslocando-se para norte do território; Juram soberania à coroa portuguesa e formam a colónia de S. Januário com 270 adultos, 50 serviçais, 2000 cabeças de gado vacum, 100 cavalos e 3000 ovelhas e cabritos. Esta foi a grande iniciativa da administração de então e, foi o Alferes Artur de Paiva, presente na inauguração da colónia em 1885, que veio a ser o seu representante.

O agressivo Calahári tinha sido penosamente atravessado por aquela gente; o mesmo deserto  que, a norte do Cunene, só destoa quando se sobe a serra da Chela ou Umpata e, foi aqui neste vasto planalto, que a actual cidade do Lubango se desenrolou e desenvolveu.

Foi um agitado progresso até aos dias de hoje, e é pena que os novos donos não reconheçam valor aos seus construtores. O liceu Diogo Cão passou a ter o nome do soba Mandume, um tirano corta cabeças; não fosse o sangue derramado pelos expedicionários e a fronteira actual até ao Lubango pertenceria à Namíbia.

Mandume, que mandou matar a sua própria ama, aliou-se aos Alemães por alturas da segunda guerra mundial tendo sido derrotado em Môngua por  Pereira D´Eça.

ROBERTO IVENS E HERMENEGILDO CAPELO

Após a derrota da Môngua, Mandumbe, o chefe dos Ovambos, fugiu para Ot´Xakati tendo acabado por morrer combatendo em Eh´tole, lugar hoje conhecido por Namacunde; suicidou-se com um tiro junto a uma newa mas, só após ter morto um dos seus guerreiros, para ser seu serviçal no outro mundo.

A Sociedade de Geografia surge em Portugal em Novembro de 1875 e é a partir deste último quarto de século XIX que a África começa a despertar curiosidade no desbravar de suas potêncialidades. Já no meio de uma cada vez maior corrida das nações europeias, em que cada uma quer agarrar o melhor quinhão. Mesmo  sem nunca terem desbravado tal território, disputam palmo a palmo através de exploradores que enviam para ali. Sob o pretexto de descobrir novas espécimes de plantas ou animais, a geografia e as gentes, Inglaterra, França, Bélgica, Holanda e Alemanha enviam exploradores que irão descobrir coisas, algumas já conhecidas de facto pelos certanejos e funantes portuguêses mas, o Portugal de então estava definhado na apatia, enfraquecido pela perca do Brasil, sem diplomatas crediveis e sem o ímpeto patriótico; até ali só tinham visto Angola como fonte de mão de obra barata a levar para as américas.

Face ao interesse das potências emergentes europeias, as entidades portuguêsas viram-se na obrigação de tomar medidas. Através da Sociedade Nacional de Geografia são enviados exploradores na quase exclusiva missão de nela se internarem, fazer amigos entre os gentios assim fosse necessário empregar as forças que sendo escassas faziam o seu papel. A finalidade era dar consistência a uma efectiva ocupação com gente Lusa, que se dizia ter, mas que, estava longe de ser verdadeira. São enviados os exploradores Serpa Pinto, Hermenegildo Brito Capelo,  Roberto Ivens. O comerciante e explorador sertanejo Silva Porto já por lá se encontrava na sua embala de Belmonte.

DOS CADERNOS COLONIAIS

Em sequência do estudo e ocupação, são enviados expedicionários do foro militar para garantir soberania às novas áreas desbravadas  por forma a dar consistência à ocupação  e, é assim que são enviados  para Angola vários militares que enalteceram a pátria em feitos meritosos. A história da Angola actual, não pode escamotear ou  omitir a verdade com infundamentadas teorias; não pode desprezar toda essa gente que engrandeceu uma terra, definiu fronteiras e derramou sangue para que tivesse a configuração do país que é hoje. Apear Alves Roçadas, Paiva Couceiro, Artur de Paiva, Pereira de Eça, Norton de Matos e tantos outros da história, é uma injustiça.

No propósito de fazer ocupação efectiva de Angola, a 18 de Outubro de 1884 o paquete “India” zarpa do Funchal com os primeiros  349 colonos madeirenses com destino a Moçamedes  aonde já se encontravam  muitos Luso-brasileiros oriundos de Pernambuco.

Tendo chegado ao Namibe em Agosto de 1885, o madeirense José da Câmara Leme não perde tempo a desbravar terras parecidas com a sua amena e verde ilha; subindo às terras altas e após os precipícios da serra da Chela encontra o paraíso com água nascendo em todos recantos de morros, terra boa para agricultar e, é assim que leva de volta essa boa nova aos seus patrícios instalados na foz do rio Bero no Namibe, antiga Angra dos Negros.


Glossário:Boers: - descendentes de Holandeses, colonos da cidade do Cabo; newa: - árvore que se confunde com imbondeiro.

(…Continua)

O Soba T`Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010
LAGOA DO PUTO . V

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“ A presa da Moura”

PRESA DA MOURA

A origem desta pequena represa junto à praia de Vale da Lapa, pelas argamassas usadas juntando as pedras, leva a crer remontarem ao período de dominação romana. As técnicas usadas em construção nos séculos I a III antes de Cristo e o coliseu de Roma que se manteve em funções até à queda do Império no ano de 476, são em tudo semelhantes a esta argamassa. Esta tinham uma percentagem de gesso e cal aérea ao que se juntava aditivos de gordura animal, ceras e resinas do látex da figueira que aqui havia em abundância. Pode perfeitamente ter sido construída quando das reconquistas de localidades importantes tais como Évora, Beja, Badajoz e Sevilha.

Ao longo da costa havia necessidade de criar condições para a salga e conserva de peixe pelo que, as linhas de água potável eram usadas como abastecimento aos residentes, marinheiros, guardas das vigias  e zeladores de salinas.

A TORRE DE VIGIA

A presa da moura, originalmente deveria ter uns seis a sete metros de altura o que me leva a supôr provocar uma reserva de 15.000 metros cúbicos de água potável.

A costa era frequentemente fustigada por ataques de mouros, leoneses e portugueses da Lusitânia; como um primeiro aviso às invasões por mar havia as vigias que se alinhavam ao longo da costa em toda a bacia Sul do Mediterrâneo e costas da Ibéria.

A seguir à queda do Império Romano, os Visigodos tomaram  dois terços da península Ibérica na parte Sul e aqui se mantiveram entre os anos de 418 e 741, data da invasão Muçulmana substituindo o reino visigodo de Al-Andaluz.

O LEGEDO DO EIRADO E A  CISTERNA

Foi a partir do século VIII que as lendas das mouras encantadas que guardavam tesouros, a que se associaram florestas, rochedos, serras e fontes, numa tradição oral que prevaleceu nos cultos pré-cristãos chegando até os nossos dias. Assim, podemos encontrar lendas de mouras em toda a costa Sul da Ibéria como a lenda da Moura Salúquia da actual cidade de Moura que em 1554 recebeu o título de Notável Vila de Moura, por D. João III de Portugal.

Depois da invasão árabe, entre a lenda e a história, constatou-se em vários lugares a importância duma Moura.

Há no Vale da Lapa umas quantas levadas nas encostas pedregosas, construidas desde então, que serviam para irrigar pequenas hortas dos socalcos separados por muros de suporte em pedra solta. Creio que a água armazenada naquela represa dava para gerir durante todo o ano as irrigações dos produtos hortícolas.

BAGAS DE AROEIRA

Nesta pequena bacia dos barrancos de Vale da Lapa, há agora o reino da aroeira, a palmeira anã, a erva rasca, travisco, zimbro, as cãndiolas e tantas outras a que chamamos no seu todo de carrascos, resistindo ao calor tórrido de verão pela brisa húmida do mar que entra no lugar da presa, junto à praia.

Algarve é um legado árabe que  nos deixou muitas palavras como o oxalá (se Alá quizer)  que fazem parte da nossa cultura.

Se houver consciência na preservação dos coutos, reservas naturais e legados históricos, poderemos ainda passear por este património ecológico pertença dos mourinhos, gralhas, melros pegas e cucos, e até  zorras (raposas).

(…Continua)

O Soba T´Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:48
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010
KALUKEMBE . I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Angra dos Negros – Moçâmedes”

ANGRA DOS NEGROS . NAMIBE

Nas chicotadas de um destino injusto, amilogado com a vida em terras madrastas destemperei o tempo emboscando palavras fervidas em minha mente. Agora que sou um mais velho kota, vou recordar coisas da minha terra de Angola só de sonho porque quiseram os fazedores da estória que eu passasse a ser um mazombo do mundo como um matumbola das dixitas do puto, salvo seja. Vou tentar deixar meu coração falar sem retenção nas válvulas porque, a vida não é medida pela quantidade de vezes que respiramos, mas pelos momentos que nos tiram a respiração.

E, porque uma mente inactiva é como uma oficina do diabo, vou pular a cerca do agora e regressar à minha África cheia de cazumbis, kiandas com magia de cheiros e sabores temperados em cacimbos antigos.

Uma pessoa não ama necessariamente a terra aonde nasce mas, aonde a sua alma se encontra com ela própria, da qual recordamos percalços de soberania. Em 1968 fui a Moçâmedes passar as festas do mar, andei no picadeiro, algo parecido com o calçadão brasileiro e comprei ao Turra, fiscal da reserva do Iona, uma pele de onça e três de Zebra; posso agora, dizê-lo porque já passou demasiado tempo para o segredo continuar guardado, seja como for, tudo se descolonizou. Moçâmedes,confinada entre o mar e o deserto, era uma  porta de entrada para o sertão angolano.

PEÇAS DE PANO . LIBONGOS

Foi entre os rios Giraúl e Bero que chegaram os primeiros habitantes colonos de Moçâmedes. Após ser dada independência ao Brasil a 7 de Setembro de 1822 pelo príncipe regente do Brasil D. Pedro, uns quantos Portuguêses de Pernambuco, descontentes, atravessaram o Atlântico em naus e,  seguindo a latitude de 10 º, deram início à colonização do sul de Angola, mais própriamente o deserto do Namibe. Eram 171 almas desejando encontrar sossego e fazer vida pois que, do outro lado do Atlântico viam-se perseguidos por arruaceiros nacionalistas eufóricos com a sua emancipação à semelhanço do que veio a suceder em Angola no pós 11 de Novembro de 1975.

A 23 de Maio de 1849  aqueles 171 Luso-brasileiros embarcam na “Tentativa Feliz” e no bridge “Douro” da Marinha Portuguesa chefiados por Bernardino Freire de Figueiredo Castro e, decorridos dois mêses de viagem aportam a 4 de Agosto de 1849 naquela Angra dos Negros, um lugar de n´tumbo.

Após o grito do Ipiranga, Portugal levou mais de cem anos a recompor-se e disciplinar o encontro consigo mesmo. Angola nesse mesmo tempo, estava entregue a uns quantos funantes e negreiros que, praticamente, só vendiam gente para os grandes engenhos de açúcar ao longo de todo o Nordeste Brasileiro. Por assim dizer era uma colónia penal de degredados que zelavam do território com rédea solta.

N´TUMBO . WELWITSCHIA

A partir do rio Giraúl era só deserto, não havia gente, uns quantos Cuanhamas e Cuvales que não eram significativos e, a sul do Cunene não se via alma, daqui o chamar-se “Namíbia” que, em língua Ovambo, quer dizer terra do nada; esta é a verdadeira razão da possessão Portuguesa não se estender até à Cidade do Cabo.

O navegadore Diogo Cão, em fins do século XV e a partir da foz do rio Congo espalhou padrões, mas no decorrer das viagens com Bartolomeu Dias e Vasco da Gama, concluiram  que a aridez da costa não permitia então, a fixação de gente.

A coroa, cometeu o grande erro de, na ânsia de alcançar as riquezas do Oriente, sómente espalharem uns quantos padrões sem fazerem assentamentos de gente ou os usuais entrepostos; desprezaram a então Damaralândia, afastando-se da costa dos esqueletos com medo de ali ficarem aprisionados nos baixios de areia e, mesmo a sul de Orange River até ao Cabo, não obstante o terreno ser fértil não lhe deram o devido interesse. Os homens escravos, comprados com conchas ou libongos eram o alvo dos novos achados.

Aqueles primeiros habitantes idos de Pernambuco, chegados a Angra dos Negros, começaram por viver quase como indígenas, em toscas cabanas de pau a pique e varas do mangue cobertas a capim junto à foz do rio Bero; ali viviam homens, mulheres e crianças em promiscuidade, comendo quase exclusivamente peixe temperado a óleo de palma, sendo o pão de mandioca fornecido pelos escravos serviçais que tinham as suas lavras nas margens do Giraúl. Decorria  então, o ano de 1849.


Glossário: amilongado: - amigado, emancebado, amantizado; mazombo: - filho de colonos, branco de 2ª linha;  matumbola: - um vivo morto, drogado, passado dos carretos; cacimbos: - orvalhos; kianda:-feiticeiras, fantasmas, assombrações; dixitas: - lixeiras, sugeira das barrocas, entre trastes; n´tumbo : - planta do deserto, tombua, welwitschia; Ovambo: - povo das marges do Cunene,  da Ovobolândia; libongos: - panos usados como pagamento de serviços, substituto de dinheiro.


(…Continua)

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:36
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Terça-feira, 5 de Outubro de 2010
É por isto que este gajo é DEUS...

MOURINHO

Sou português há 47 anos e treinador de futebol há dez. Sendo assim, sou mais português do que treinador. Posto isto, para que não restassem dúvidas, vamos ao que importa…

As Selecções Nacionais não são espaços de afirmação pessoal, mas sim de afirmação de um País e, por isso, devem ser um espaço de profunda emoção colectiva, de empatia, de união. Aqui, nas selecções, os jogadores não são apenas profissionais de futebol, os jogadores são além disso portugueses comuns que, por jogarem melhor que os portugueses empregados bancários, taxistas, políticos, professores, pescadores ou agricultores, foram escolhidos para lutarem por Portugal. E quando estes eleitos a quem Deus deu um talento se juntam para jogar por Portugal, devem faze-lo a pensar naquilo que são - não simplesmente profissionais de futebol (esses são os que jogam nos clubes), mas, além disso, portugueses comuns que vão fazer aquilo que outros não podem fazer, isto é, defender Portugal, a sua auto estima, a sua alegria.

Obviamente há coisas na sociedade portuguesa incomparavelmente muito mais importantes que o futebol, que uma vitória ou uma derrota, que uma qualificação ou não para um Europeu ou um Mundial. Mas os portugueses que vão jogar por Portugal - repito, não gosto de lhes chamar jogadores - têm de saber para onde vão, ao que vão, porque vão e o que se espera deles.

Por isso, quando a Federação Portuguesa de Futebol me contactou para ser treinador nacional, aquilo que senti em minha casa foi orgulho; do que me lembrei foi das centenas e centenas de pessoas que, no período de férias, me abordam para me dizerem quanto desejam que eu assuma este cargo. Isto levou-me, pela primeira vez na minha vida profissional, a decidir de uma forma emocional e não racional, abandonando, ainda que temporariamente, um projecto de carreira que me levou até onde me levou.

Desculpem a linguagem, mas a verdade é que pensei: Que se lixem as consequências negativas e as críticas se não ganhar; que se lixe o facto de não ter tempo para treinar e implementar o futebol que me tem levado ao sucesso; por Portugal, eu vou!

E é isto que eu quero dizer aos eleitos para jogar por Portugal: aí, não se passeia prestigio; aí, não se vai para levar ou retirar dividendos; aí, quem vai, vai para dar; aí, há que ir de alma e coração; aí, não há individualidades nem individualismos; aí, há portugueses que ou vencem ou perdem, mas de pé; aí, não há azias por jogar ou por ir para o banco; aí, só há espaço para se sentir orgulho e se ter atitude positiva.

Por um par de dias senti-me e pensei como treinador de Portugal. E gostei. Mas tenho que reconhecer que o Real Madrid é uma instituição gigante, que me «comprou» ao Inter, que me paga, e que não pode correr riscos perante os seus sócios e adeptos. Permitir que o seu treinador, ainda que por uns dias, saísse do seu habitat de trabalho e dividisse a sua concentração e as suas capacidades era impensável.

Creio, por conseguinte, que o feedback que saiu de Madrid e chegou à Federação levou a que se anulasse a reunião e não se formalizasse o pedido da minha colaboração.

Para tristeza minha e frustração do presidente Gilberto Madail.

Mas, sublinho, agora já a frio: foi e é uma decisão fácil de entender. Estou ao leme de uma nau gigantesca, que não se pode nem se deve abandonar por um minuto. O Real decidiu bem.

Fiquei com o travo amargo de não ter podido ajudar a Selecção, mas fico com a tranquilidade óbvia de quem percebe que tem nas suas mãos um dos trabalhos mais prestigiados no mundo do futebol.

Agora, Portugal tem um treinador e ele deve ser olhado por todos como «o nosso treinador» e «o melhor» até ao dia em que deixar de ser «o nosso treinador». Esta parece-me uma máxima exemplar: o meu é o melhor! Pois bem, se o nosso é Paulo Bento, Paulo Bento é o melhor.

Como português, do Paulo espero independência, capacidade de decisão, organização, modelagem das estruturas de apoio, mobilização forte, fonte de motivação e, naturalmente, coerência na construção de um modelo de equipa adaptada as características dos portugueses que estão à sua disposição. Sinceramente, acho que o Paulo tem condições para desenvolver tudo isso e para tal terá sempre o meu apoio. Se ele ganhar, eu, português, ganho; se ele perder, eu, português, perderei. Mas eu também quero ganhar.

No último encontro de treinadores que disputam a Champions League, quando questionado sobre o poder dos treinadores nos clubes, ou a perda de poder dos treinadores face ao novo mundo do futebol, sir Alex Fergusson disse (e não havia ninguém com mais autoridade do que ele para o dizer!) que o poder e a liderança dos treinadores depende da personalidade dos mesmos, mas que depende muitíssimo das estruturas que os rodeiam. Clubes e dirigentes fragilizam ou solidificam treinadores.

Eu transponho estas sábias palavras para a selecção nacional: todos, mas todos, neste país devem fazer do treinador da selecção um homem forte e protegido. E quando digo todos, refiro-me a dirigentes associativos, federativos e de clubes, passando pelos jogadores convocados e pelos não convocados, continuando pelos que trabalham na comunicação social e terminando nos taxistas, políticos, pescadores, policias, metalúrgicos, etc. Todos temos de estar unidos e ganhar. E se perdermos, que seja de pé.

Mas, repito, há coisas incomparavelmente mais importantes neste país que o futebol. Incomparavelmente mais importantes… Infelizmente!

Aproveito esta oportunidade para desejar a todos os treinadores portugueses, aos que estão em Portugal e aos muitos que já trabalham em tantos países de diferentes continentes, uma época com poucas tristezas e muitas alegrias.

Ao Xico Silveira Ramos, manifesto-lhe a minha confiança no seu cargo de Presidente da ANTF.

Um abraço a todos.

José Mourinho

NO DIA DA REPÚBLICA, NA TRÁGICA SITUAÇÃO QUE O PAÍS SE ENCONTRA, SEM QUE OS PORTUGUESES DISSO SE APERCEBAM, É PENA NÃO TERMOS VÁRIOS MOURINHOS NAS FINANÇAS, ECONOMIA, AGRICULTURA, ENFIM .... NA POLÍTICA
JAMBA


PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:11
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Domingo, 3 de Outubro de 2010
GOLPADAS . IV

O KIMBO DO PUTO

As escolhas do embaixador do Cacuacu (Boniboni)

“Um dos maiores fracasso da democracia portuguesa”

 

Uma lição a aprender!!!! A mamã do Primeiro-Ministro

A mamã Adelaide e a misteriosa pensão superior a 3000 euros

A República

Divorciada nos anos 60 de Fernando Pinto de Sousa, “viveu modestamente em Cascais como empregada doméstica, tricotando botinhas e cachecóis…”. (24 H). Admitamos que, na sequência do divórcio ficou com o chalet (r/c e 1º andar). Admitamos ainda, que em 1998, altura em que comprou o apartamento na Rua Braamcamp, o fez com o produto da venda da vivenda referida, feita nesse mesmo ano. Neste mesmo ano, declarou às Finanças um rendimento anual inferior a 250 €.(CM), o que pressupõe não ter qualquer pensão de valor superior, nem da Segurança Social nem da C.G.A. Entretanto morre o pai (Júlio Araújo Monteiro) que lhe deixa “uma pequena fortuna, de cujos rendimentos em parte vive hoje” (24H). Por que neste momento, aufere do Instituto Financeiro da Segurança Social (organismo público que faz a gestão do orçamento da Segurança Social) uma pensão superior a 3.000 € (CM), seria lícito deduzir - caso não tivesse tido outro emprego a partir dos 65 anos – que, considerando a idade normal para a pensão de 65 anos, a mesma lhe teria sido concedida em 1996 (1931+ 65). Só que, por que em 1998 a dita pensão não consta dos seus rendimentos, forçoso será considerar que a partir desse mesmo ano, 1998 desempenhou um lugar que lhe acabou por garantir uma pensão de (vamos por baixo): 3.000€.
Abstraindo a aplicação da esdrúxula forma de cálculo actual, a pensão teria sido calculada sobre os 10 melhores anos de 15 anos de contribuições, com um valor de 2%/ano e uma taxa global de pensão de 80%.
Por que a “pequena fortuna “ não conta para a pensão; por que o I.F.S.S. não funciona como entidade bancária que, paga dividendos face a investimentos ali feitos (depósitos); por que em 1998 o seu rendimento foi de 250 €; para poder usufruir em 2008 uma pensão de 3.000 €, será por que (ainda que considerando que já descontava para a Segurança Social como empregada doméstica e perfez os 15 anos para poder ter direito a pensão), durante o período (pós 1998), nos ditos melhores 10 anos, a remuneração mensal foi tal, que deu uma média de 3.750 €/mês para efeitos do cálculo da pensão final. (3.750 x 80% = 3.000). Ora, como uma pensão de 3.000 €, não se identifica com os “rendimentos “ provenientes da pequena fortuna do pai, a senhora tem uma pensão acrescida de outros rendimentos. Como em nenhum dos jornais se fala em habilitações que a senhora tenha adquirido, que lhe permitisse ultrapassar o tal serviço doméstico remunerado, parece poder depreender-se que as habilitações que tinha nos anos 60 eram as mesmas que tinha quando ocupou o tal lugar que lhe rendeu os ditos 3.750 €/mês. Pode-se saber qual foram as funções desempenhadas que lhe permitiram poder receber tal pensão?

VÁ PESSOAL, APRENDAM COM A MAMÃ DO PRIMEIRO MINISTRO...POUPEM, PARA TER UMA REFORMA DIGNA, MAS PRIMEIRO TEMOS DE ENCONTRAR UM FILHO COMO ELE!!!!

 

 

A Rosa . flôr

E há mais… A Sra Adelaide comprou um apartamento na Rua Braamcamp, em Lisboa, a uma sociedade off-shore com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, apurou o Correio da Manhã. Em Novembro de 1998, nove meses depois do primeiro ministro se ter mudado para o terceiro andar do prédio Heron Castilho, a mãe do primeiro-ministro adquiria o quarto piso, letra E, com um valor tributável de 44 923 000 escudos – cerca de 224 mil euros – sem recurso a qualquer empréstimo bancário e auferindo um rendimento anual declarado nas Finanças que foi inferior a 250 euros (50 contos). Ora vejam lá como a senhora deve ter sido poupadinha durante toda a vida. Com um rendimento anual de 50 contos, que nem dá para comprar um mínimo de alimentação mensal, ainda conseguiu juntar 224.000 euros para comprar um apartamento de luxo, não em Oeiras ou Almada, na Picheleira ou no Bairro Santos, mas no fabuloso edifício Heron, no nº40, da rua Braamcamp, a escassos metros do Marquês de Pombal e numa das mais nobres e caras zonas de Lisboa. Notável exemplo de vida espartana que permitiu juntar uns dinheiritos largos para comprar casa no inverno da velhice. Vocês lembram-se daquela ideia genial do Teixeira dos Santos, que queria que pagássemos imposto se dessemos 500 euros aos filhos ?

Quem terá ajudado (com alguma gazosa), para que uma cidadã, que declarou às Finanças um RENDIMENTO ANUAL de 50 contos, pudesse pagar A PRONTO, a uma sociedade OFFSHORE, os tais 224.000 euros ?


Subscreve

O Soba T´Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:44
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Sábado, 2 de Outubro de 2010
O BRASIL TEM UMA MÃO QUE DÁ E OUTRA QUE TIRA...

"Me ajuda, Messias." Báu chama o colega para puxar as redes do Rainha das Águas, uma balsa de quatro metros com motor a gasóleo. Há três ou quatro dias que o mar não dá nada, nem para o consumo de casa os homens pescam. Báu, nome de baptismo António Jorge de Sousa, avisa logo: "Vem leve." E quando içam a rede confirma-se o pior: uma cavala e dois badejos pequenos, prontamente devolvidos ao Atlântico. Os homens abanam a cabeça e permanecem calados, olhos postos no monstro. O monstro está ali, do outro lado do canal. São duas chaminés encostadas ao mar do Nordeste, mesmo em frente à Ilha de Maré, uma reserva marinha a Norte de Salvador, na Baía. Desde que a refinaria do Acarajú começou a operar em plena força, há meia dúzia de anos, nove mil ilhéus passaram a afogar-se todos os dias em terra. A poluição e o tráfego marítimo assustaram os peixes, um derrame de petróleo em Abril do ano passado fê-los fugir para outras águas. "A vida aqui já não era fácil. Agora piorou", atesta Messias do Nascimento. A ilusão A Maré é uma das comunidades mais pobres do Nordeste, que por sua vez é a região mais pobre do Brasil. No entanto, quando se larga de barco de São Tomé de Paripe, no continente, e se ensaia a aproximação à ilha, não se adivinha nada menos que o paraíso. Palmeiras por toda a parte, um areal cândido, a água transparente. A ilusão quebra-se pouco depois: aqui também há um inferno. Saneamento não tem, polícia não há e médico só vem às quartas-feiras. Quando vem. O isolamento da Maré é tremendo, pela geografia e pela falta de infra-estruturas. Para pescadores como Báu, que nasceram e cresceram aqui, a questão não precisava de ser um drama, desde que o mar fosse dando qualquer coisa. " Emprego na ilha não há? "Nada." Messias, então, está farto. Passou quatro anos a trabalhar nas obras em Salvador para investir num barco. "Eu não bebia, não procurava mulher, comia barato e só saía no Carnaval. Juntei tudinho o que eu pude porque queria viver na minha ilha, viver do mar." As dívidas acumularam-se, não tarda nada vai ter de vender a Rainha das Águas. "O meu sonho virou desgraça. Antes eu era pobre, agora sou miserável." O que diz Joana Lima, que é assistente social e se instalou há seis meses na ilha? "Olha, me mandaram trabalhar com as famílias que estão em situação de vulnerabilidade. O problema é que todo mundo na Ilha de Maré está em situação de vulnerabilidade. Há oito mil habitantes auferindo do programa, numa população de nove mil. Como é que a gente faz?" O suspiro de José Esteves é profundo, preocupado. Pescador decano, não se conforma com um mar seco. "Quase a totalidade da população da Ilha vivia do peixe e do marisco. Depois veio o desenvolvimento industrial. Agora vive tudo da Bolsa Família. Isso é que é progresso? O Brasil tem uma mão que dá e outra que tira." Nem todos concordam com ele. Para muita gente, o rendimento mínimo criado nos governos Lula é a única tábua de salvação contra o desespero. Olha a Ieda Rufino, que tem um marido sem trabalho e dois filhos para criar. "Deram 90 reais por mês para a gente, aí eu pude botar os meus filhos na banca. É isso mesmo, estou apostando: eles agora podem ir na escola e um dia vão salvar a gente. Antes não podiam, não tinha jeito de eu pagar a merenda deles todo o santo dia." Maré sem água A embarcação que liga a ilha ao mundo circula três vezes ao dia, sem horário estabelecido. Sai do porto quando enche e vem sempre carregada de produtos frescos. Os vizinhos organizam-se, fazem as encomendas entre si, depois vai alguém a terra e traz mercadoria para todos. De pobreza também fala o papel que Rita Guimarães traz na mão. É uma fanzine escrita à mão pelos populares da ilha, o Maré Paraíso. Tem cinco artigos e três falam da falta de água. O trabalho dela é ensinar as pessoas a racionar, porque a Maré não tem que chegue para todos. "A meio do dia acaba a água e não volta. Além disso, as fossas vão directas para o mar e os esgotos correm a céu aberto para a praia. É uma fonte de doenças. Quem trata as doenças?" O médico, que vem uma vez por semana. "Pelo menos um décimo das crianças da ilha nasceram em barcas, a caminho do hospital." Ao meio-dia está marcado um plenário na sede da Comunidade de Pescadores de Ilha de Maré. A reunião devia ter começado há mais de meia hora, a sala está à pinha e faz um calor de derreter os ossos. Ainda assim o povo espera, sem queixume. Há homens que não podem estar presentes, andam ao mar mas não na pesca. Desde o derrame, os pescadores revezam-se a fazer vigílias. Saem duas barcas da Maré e estacionam em frente à refinaria do Aracajú. "Camaradas, a luta continua." Marizélia Lopes, presidente da comunidade, abre a sessão. Arranca um aplauso no momento em que fala do último protesto dos pescadores contra a refinaria. Saíram mais de 500 pessoas, estacionaram as barcas e deixaram-se ficar. As autoridades marítimas ordenaram retorno à ilha, eles não quebraram. A vitória chegou pouco depois: um cargueiro fartou-se da espera e teve mesmo de voltar atrás. Foram 150 mil reais de prejuízo para a petrolífera. "Essa gente só entende a linguagem do dinheiro", e Marizélia levanta-se outra vez da cadeira, empolgada. "Nós podemos até ser pobres, mas estamos vivos. Não vamos afundar sem dar luta." Minutos mais tarde, rouca de tanto gritar, vira-se para este jornalista e diz-lhe baixinho: "A gente não tem escapatória, não sabe mais o que fazer. Vai lá e fala de nós, porque ninguém fala nunca. Conta para o mundo como o Brasil esqueceu a gente".

 

ESTA É A REALIDADE DE PELO MENOS 70% DA POPULAÇÃO BRASILEIRA, E, NÃO SÓ DA ILHA DA MARÉ.

OS RICOS ESTÃO CADA VEZ MAIS RICOS E OS POBRES CADA VEZ AUMENTAM MAIS, MAS TUDO CAMUFLADO COM O FALSO CRESCIMENTO ECONÓMICO DESTE PAÍS. CRESCE À CUSTA DA DESGRAÇA DOS POBRES.... DO PRÉ-SAL... DAS RIQUEZAS NATURAIS SE SOBRAM APENAS PARA NÃO MAIS QUE 1% DA POPULAÇÃO. É TRISTE VER TANTA MISÉRIA NUM POVO TÃO ABNEGADO.... MAS TÃO INCULTO QUE NÃO ENTENDE A REALIDADE À FRENTE DOS OLHOS.

 

JAMBA



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:44
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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
A ETERNA CRISE PORTUGUESA...

Eça de Queiróz ,1872 in As Farpas

 

 “…Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá …vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal..”

 

HÁ 200 ANOS QUE ISTO NÃO MUDA!!!!!!

 

 

JAMBA



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:01
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CAZUMBI . VII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

CUBANÓFILOS

fidel_castro.JPG Fidel de Castro

A “malta” (povo, mesmo!) que ama Cuba e o seu regime, está mais desorientada do que cego em tiroteio depois da entrevista do líder máximo Fidel Castro à revista semanal norte-americana The Atlantic. Fidel  admitiu a derrota do socialismo cubano depois de 50 anos de ditadura e de afirmação desse regime, como o melhor do mundo.

Aquilo que Cuba exportou como modelo de sistema de governo não presta nem mesmo para os cubanos, obrigados a uma intoxicação ideológica que começou em Janeiro de 1959. E quem afirmou isso foi o próprio Fidel Castro, um ano após acordar de uma “viagem” que quase lhe tirou a vida.

"O modelo cubano já não funciona nem para nós”, disse Fidel numa entrevista que abalou os próprios cubanos e a classe dirigente da ilha e tal afirmação deverá ser a chave que vai abrir as portas da Disneylândia da esquerda para o capitalismo e para trazer alguma esperança de modernidade aos cidadãos daquele país.

Julia Sweig, uma especialista norte-americana em assuntos cubanos (ela acompanhou o jornalista Jeffrey Goldberg, autor da reportagem com Fidel) interpretou a franqueza de Castro sobre o regime que ele mesmo fundou como uma senha para que seu irmão, Raul Castro, promova as reformas institucionais que o país tanto necessita para sair do atraso socialista de meio século.

Aos 78 anos, Raul de Castro ... Raul de Castro . 78 anos


O mano Raul já vinha promovendo pequenas reformas no sistema produtivo e econômico da ilha quando determinou a distribuição de terras ociosas entre pequenos agricultores que não faziam parte das fazendas coletivas (uma tragédia na agricultura de Cuba) e permitiu que os cubanos abrissem pequenos negócios, como ter um táxi, uma loja ou um mercadinho.

Em Março deste ano, Raul Castro pediu aos cubanos que trabalhassem mais e esperassem menos do governo. Não deixa de ser interessante a reviravolta dos irmãos Castro, após 50 anos de opressão e de discursos  sobre o socialismo e suas virtudes.

Os cubanófilos espalhados pelo mundo e especialmente nos países da lusofonia mostram-se frustrados com a derrocada do regime fidelista, admitida pelo próprio pai do dinossauro. Mas a melhor tirada de Fidel na entrevista foi um recado que ele mandou ao maluco do Mahmud Ahmadinejad, presidente do Irão para que deixe de “difamar os judeus”.

O falecido embaixador brasileiro Roberto Campos, ex-senador e escritor de muitos livros críticos sobre regimes totalitários, sempre disse que “o socialismo é o caminho mais longo para se chegar ao capitalismo”. Fidel custou, mas confirmou a sentença de Campos.


(continua…)

O Soba T´Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:11
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