Domingo, 31 de Julho de 2011
MOKANDA DE DOMINGO . VI

{#emotions_dlg.xa}CRÓNICA DO SOBA T´CHINGANGE

PUTO . Paciência e Tolerância”

  T´CHINGANGE

Hoje, domingo, para cultivar a paciência, iniciei o dia com um grande passeio ao longo da costa e, do alto da falésia vi chegar o ARMAS, um grande barco-ferry que saindo de Portimão a meio do dia, segue o rumo da Ilha da Madeira, depois Tenerife, Las Palmas e outras ilhas do Arquipélago das Canárias indo aportar à Ilha de Lançarote de onde voltará a sair em regresso ao cais do rio Arade, em Portimão. Andando entre aroeiras, chão arranhado e caganitas de coelhos do mato, reconheci de como é importante adoptar ter paciência para olvidar o mal praticado por outros sem ceder ao mal feito; em certo sentido, são estes conflitos e contradições que cultivados com tolerância nos tornam seres humanos. A principal causa dos problemas sociais de hoje, é a precaridade ou a falta de de compaixão e interesse pela comunidade.

 

PRAIA DA LAPA

Nesta nossa sociedade, espera-se que cada qual meça seu sucesso em termos materiais mas, se em dez disso, eu próprio, medir meu sucesso em termos de compaixão e paz interior, serei considerado um tolo. Como é possivel ter-se paciência e autodisciplina para superar frustações e dúvidas que isto causa? A sociedade tem por costume julgar como um bom sucesso, as pessoas obterem bens materiasis mas, o facto de existir uma perspectiva convencional como esta, não significa que ela seja válida. Sabemos por esperiência própria que neste momento de esquecer o tempo, a crise, um momento que fará história, nós, membros desta geração, estaremos sofrendo as consequências negativas de muitas das ditas sabedorias convencionais das gerações dum passado recente; diria de ontem,... para ser mais correcto! Se vocês efectivamente forem pessoas instruídas, irão também ser bondosas e cheias de compaixão. Tenham um agradável domingo. Do Puto;

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:35
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Sábado, 30 de Julho de 2011
CAFUFUTILA . XIV

AS ESCOLHAS DO KIMBO

"Plastificar Maputo?" - POR MIA COUTO

Num país em que as pessoas morrem por doenças de fácil cura, a morte de uma palmeira é completamente irrelevante. Mesmo que, em vez de morte, tenha havido assassinato. E mesmo que, em vez de uma palmeira, tenham sido assassinadas dezenas de palmeiras. Maputo fez-se bonita para a Cimeira da União Africana. Palmeiras foram adquiridas (e não foram nada baratas) para embelezar a mais nobre das avenidas da cidade. O cidadão comum sabia que esse dinheiro saía do seu bolso. Mas estava até feliz por colaborar no renovar do rosto da cidade. Da sua cidade. As palmeiras reais vieram e fizeram um vistaço. Os Maputenses passeavam-se, com acrescida vaidade, pela larga avenida. Mas as palmeiras têm um enorme inconveniente: são seres vivos. E pedem rega. Apenas depois de terem sido plantadas é que se iniciaram obras estranhíssimas de abre-e-fecha buraco, põe-e-tira tubagem. As palmeiras, pacientes, ainda esperaram. Mas estavam condenadas à morte. Uma a uma, começaram a secar.

 Palmeiras 

Durante meses (e até hoje) ficaram os seus cadáveres de pé como monumentos à nossa incapacidade. Não houve sequer pudor de lhes dar destino. Elas sobraram ali, como provas de um criminoso desleixo. O cidadão que, antes fora iluminado por súbita vaidade, agora se interrogava: ali mesmo nas barbas da Presidência da República ? A morte destas palmeiras interessa, sobretudo, como sintoma de um relaxamento que atingiu Moçambique. A folhagem seca dessas palmeiras é uma espécie de bandeira hasteada desse abandalhamento. Não se trata, afinal, de uma simples morte de umas tantas árvores. Não tarda a que Maputo receba um outro evento internacional. Compraremos outros adereços para a cidade. Uns para embelezar de raiz, outros para maquilhar as olheiras de Maputo.

 Maputo

Dessa vez, porém, compremos palmeiras de plástico. Ou plastifiquemos estas, já falecidas, depois de lhe passarmos uma demão de tinta verde. Ou, se calhar, nem disso precisaremos: à velocidade com que espaços que deviam ser verdes estão sendo ocupados por placards e anúncios publicitários não necessitaremos de mais nada. Aliás, qualquer dia, Maputo nem precisa de vista para o mar. Esta cidade que sempre foi uma varanda virada para o Indico está prescindindo dessa beleza. Locais cuja beleza advinha da paisagem estão sendo sistematicamente sendo ocupados por publicidade de tabaco, bebidas alcoólicas e bugigangas diversas. Um dia destes, nem necessitaremos de ter mais cidade. Trocamos a urbe por propaganda de mercadorias. Depois, queixamo-nos da globalização.

Savana Maputo - 20.02.04 - Mia Couto

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O Soba T´Chingange

 

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:59
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Sexta-feira, 29 de Julho de 2011
MUGIMBO XXII

MUGIMBO XXII

AS ESCOLHAS DO KIMBO

"Ando a ler um dicionário" - José Eduardo Agualusa

 Os paus do Soba

Há poucos dias, na Feira do Livro de Lisboa, um homem parou diante de mim, e depois de me cumprimentar apresentou-me o filho, um menino dos seus onze anos: "Este é o António. Diga-lhe alguma coisa que o faça ler. Lá em casa todos nós temos a paixão pelos livros, há livros em toda parte, mas ele não se interessa por nenhum. O que fazer?" Tentei, um tanto assustado, fugir ao desafio. Dei uma resposta qualquer, evasiva, mas depois que eles se foram embora pus-me a pensar naquilo. Como foi que eu próprio descobri a literatura? Devia ter a idade do António quando encontrei na biblioteca dos meus pais uma belíssima enciclopédia ilustrada, do início do século vinte, em dois volumes. Procurava-se a palavra "aves", por exemplo, e havia uma ou duas páginas com preciosas estampas coloridas de aves de todo o mundo. Tinha, além disso, imensas mulheres nuas - um deslumbramento! Lembro-me em particular da famosa tela de Rubens, "O Julgamento de Paris", talvez o primeiro concurso de misses de que há notícia. Paris, Príncipe de Tróia, tem de decidir quem é a mais bela: Hera, Atena ou Afrodite. São três mocetonas bem nutridas, três deusas clássicas, de rijas e luminosas carnes brancas. A bem dizer foi por causa das mulheres que eu me apaixonei pelos livros. Descobri que por detrás daquelas imagens, por detrás de cada mulher, mais ou menos despida, havia um enredo, e passei a interessar-me por essas histórias.

António Houaiss  

Nunca mais deixei de ler. Leio de tudo um pouco, romances, ensaios, poesia, e, é claro, continuo a interessar-me por enciclopédias e dicionários. Gosto particularmente de ler dicionários. A minha última paixão, em matéria de dicionários, chama-se Houaiss. Esperei por ele uns bons seis anos. Sempre que ia a uma bienal do livro, no Rio de Janeiro ou em São Paulo, perguntava pelo Houaiss. "Sai para o ano", respondiam-me imperturbáveis os responsáveis pelo projecto, e, para manterem aceso o meu interesse, agitavam factos e números: mais de 228 mil verbetes, extensos grupos de sinónimos e antónimos, levantamentos de homónimos, parónimos, colectivos, informações de gramática e uso, bem como da origem de cada palavra; é o primeiro dicionário a registar a data em que a palavra entrou na língua, etc. e tal. Finalmente, há alguns meses, o embaixador do Brasil em Berlim, Roberto Abdenur, ofereceu-me um exemplar (três quilos e seiscentos gramas em papel bíblia!), e pude assim confirmar a justeza da publicidade. Mais recentemente pedi a uma amiga que me enviasse, de São Paulo, a versão electrónica do Houaiss. Não me desiludiu.

Natália Correia

Conheci o António Houaiss há muitos anos, numa ocasião em que veio a Lisboa defender o Acordo Ortográfico. Fiquei imediatamente seduzido pelo esplendor do seu português, o rigor, a riqueza, o entusiasmo com que aquele frágil velhinho carioca, filho de imigrantes libaneses, falava a nossa língua. Ouvir o António Houaiss discursar era uma alegria para a alma. Lembro-me de Natália Correia (a falta que ela faz a Portugal!), aos gritos, numa das salas da Assembleia da República: "Ajoelhem-se! Ajoelhem-se diante da erudição deste homem! Aprendam como se fala a nossa língua!" O dicionário em que António Houaiss trabalhou durante tantos anos, e que acabou por ser concluído, com o apoio de uma vasta equipa de especialistas, brasileiros, portugueses e africanos, já após a morte do seu mentor, é o melhor monumento à memória do grande lexicógrafo. Por incrível que pareça, porém, não vi na Feira do Livro nenhum exemplar à venda - e refiro-me à edição brasileira, da Editora Objetiva, porque (ó escândalo!) não existe ainda uma versão portuguesa. O velho Houaiss teria sabido, certamente, o que dizer ao outro António, de onze anos, de forma a cativá-lo para a literatura. O que quer que ele dissesse parecia ser sempre novo. As palavras saíam-lhe dos lábios vigorosas e polidas, a brilhar, como se tivessem sido estreadas naquele mesmo instante. Suspeito que o pequeno António iria à procura dos livros, depois de ouvir António Houaiss, apenas no afã de descobrir neles, uma outra vez, a luz da nossa língua.

20 DE JANEIRO DE 2009 - J.E.A.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:17
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Quinta-feira, 28 de Julho de 2011
KIANDA . X

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

PARA QUE NASCI” - Falar de gatos pretos

 Gatos

Verso.7 : Nasci na simplicidade, para que deixes de ser complicado. (Lambert Noben*)

Kianda: Espírito, sereia, kalunga de contos africanos, miragem das águas, visão das lagoas

 Aquele pedaço de papel quadrado com os nove versos, agrafado ao meu caderno de apontamentos número seis, fica hoje editado de forma completa salientando destes o número sete que vem no topo. A vida em si, é uma mística junção de pequenos nadas adicionados a tantos outros considerandos que, nem sempre se podem mensurar. Para descomplicar desavindas veleidades, pode aqui ser apreciada uma vova visão de gatos pretos tão sugeitos a superstições. De caminho para a praia e, indo a pé, algures no barranco contornado de verde mato de muitas aroeiras, oliveiras abandonadas e muitos cardos, deparei à uns dias atráz com uma ninhada de cinco gatos pretos; destes, a progenitora destacava-se por ser maior e, ter zelo de mãe; entre o capim, lá estava ela, a fiscalizar com modos nervosos o contenor do outro lado da rua, quando deu pela minha presença. O Cachorro Faísca galgou o capim com impeto de cão até ela mas, viu-se na contingência de recuar perante alvoroçados sopros de felino em apertos, pelo eriçado e olhos ardentes.

 Gato preto . Miró

Naquele instante veio-me à mente um conjunto de pensamentos dando valor à vida de cada um, neste grande mundo. No dia seguinte preparei a muchila com umas quantas sardinhas em um recipiente de sorvete e por ali, junto ao seco regato, o deixei sob acolhedora sombra. De regresso da praia e, espreitando o lugar em que depositei as tais sardinhas, reparei que as ditas cujas já tinham sido comidas; alegrei-me por tal contributo e, desde então continuo a passar por lá a deixar um desperdícios de comida, tendo reparado que alguém mais enfarta os bichos. Lá estavam duas vazilhas novas de plástico, uma contendo água e a outra comida granulada para gato. Alguém mais, sem prévio trato, resolveu dispôr ali além das vazilhas, duas garrafas com água para que uma qualquer pessoa podesse ser útil quando lhes aprouvesse. Esta partilha de ajuda voluntária tem sido nestes últimos dias motivo de reflexão; Não vem mal ao mundo sermos amigos de gatos, e muito menos partilharmos esta comunhão, que só estimula o bem.

Lambert Noben   

Porque tudo começou com os nove versos ofertados pelo doutor Presbitero, aqui ficam os demais seis versos no intuito de inspirar alguém de doçura no trato:

Verso 1 - Nasci nu, diz Deus, para que saibas despejar-te de ti mesmo.

Verso 2 - Nasci pobre, para que Me consideres a tua única riqueza.

Verso 3 - Nasci num estábulo, para que aprendas a santificar cada ambiente.

verso 4 - Nasci débil para que nunca tenhas medo de Mim.

Verso 5 - Nasci por amor, para que jamaiis duvides que te amo.

Verso 6 - Nasci de noite, para que acredites que sou a luz do mundo.

Verso 8 - Nasci perseguido, para que saibas aceitar as dificuldades.

Verso 9 - Nasci na tua vida, para te conduzir à Casa do Pai.

Ontem, fim de tarde, vi a ninhada a brincar perigosamente na estrada próxima mas, à medida que me ia aproximando, um a um, foram-se escondendo no boeiro da valeta; continúo atento ao progresso daqueles gatos pretos que por ali foram abandonados à prova da vida. 

*Lambert Nobennasceu em Hoelbeek, na Bélgica, em 1940. Chegou ao Brasil em 1968 e pertence à congregação dos Missionários dos Operários. Bacharel em Teologia pela Faculdade de Louvain, actualmente é orientador espiritual do Colégio Nossa Senhora de Nazaré, pároco da Igreja São João Baptista, em Conselheiro Lafaiete (MG), e da Igreja são Sebastião, em Casa Grande (MG).

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:14
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Terça-feira, 26 de Julho de 2011
MOKANDA DO SOBA . V

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

          "Emoções humanas"

A força interior de cada qual, tem sua origem no verdadeiro tratamento da mente; não importa se a pessoa é ou não religiosa, porque ela, pode dar forma à sua própria actitude sem emoções descontroladas. Se a humanidade cair na degradação moral, corrupção, exploração do seu semelhante, usar de violência e fraude, pensando que alguem mais vai olhar por isso, ou que Deus vai assumir o controle da situação, estarão a elaborar em erro, porque é ao cidadão comum que compete denunciar as más leis, as más regras; de contrário as pessoas malvadas encontrarão sempre novas formas de alterar a lei em seu proveito. O sistema educacional moderno dá muita atenção ao conhecimento e ao cérebro, mas não presta atenção no desenvolvimento espiritual, remetendo para as organizações religiosas e afins; é esta, uma forma de omitir muitas das obrigações que compete ao estado-governo porque em desmandos sociais, a inteligência dum cidadão de rua, bairro, kimbo ou Quilombo, pára de funcionar quando se dscontrolam as emoções.

 

DUNAS DO SOBA

Se cada cidadão permanecer isolado, neutro, indiferente, esperando uma mudança drástica vinda dos outros, dos céus, ou duma reflexão, tudo isso se tornará ridiculo; cada indivíduo tem de fazer um esforço sem querer ver os resultados satisfatórios imediatos; cada qual deve dar conta do seu potencial, fazendo um esforço na mudança, porque isso, é algo lógico que vale a pena fazer. Qual é a força interior que permite que uma pessoa mantenha a calma, face às dificuldades? Esta força de que falo, não é resultado de factores externos como remédios, drogas, injecções, ou álcool, nem tampouco uma espécie de benção: Os escândalos, corrupção, compadrios desmedidos ou encobrir coisas desajustadas, são para serem divulgados dentro duma visão equilibrada; todos somos iguais perante Deus mas sem vigilância nossa, haverá muitos que serão mais iguais, por deterem o poder, a maquinação de factos, fazendo rolar a dúvida, ou intriga em seu proveito. Usam manobras de didersão,... estratégia por forma a desvirtuar o que é fundamental.

 Parilhar . Picasso

Quando você tem um corpo forte, sua mão é firme, e você pode usar o machado para cortar uma árvore usando sua mente sem emoções negativas, você pode acertar o alvo repetidas vezes e até pode ser escutado, ouvido e, até levado em consideração e seguido. Não podemos deichar passar de lado o inímigo como o ódio, a inveja, o orgulho tonto e a ética perversa, sem usarmos as medidas defensivas adequadas, porque são esses negativos sentimentos que destroem o nosso futuro, a nossa felicidade, os nossos valores. A seriedade, tantas vezes solicitada, é sim,... uma coisa boa, mas só se vier acompanhada de valores visiveis porque perdida a paciência, tudo o mais contribuirá para causar o desastre. Teremos de ter em conta que a inteligência humana é tão sofisticada, que por vezes cria uma imagem que esconde a realidade: Vivemos às vezes na falsa ilusão de que somos independentes e capazes de conseguir tudo e, não entendemos do porquê, e do como a nossa vida depende da existência e ajuda ao próximo, dos outros e, até de nós próprios. Quem não gosta de si mesmo, dificilmente gostará dos demais e, nós,... todos,...somos os demais.

Bibliografia de consulta: - Amor, verdade, felicidade de Dalai Lama

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:44
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Segunda-feira, 25 de Julho de 2011
ANGOLA - PAÍS DA BANGA . XIV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

            "TETA LANDO.... O Bacongo"

Alberto Pedro Teta Lando, um cantor Bacongo a recordar pela sua profunda nostalgia embalada em um ritmo doce falando da sua terra e suas gentes; uma procura constante contra o preconceito impregnado de obscuros sobresaltos; nasceu em M´Banza Congo no ano de 1947 tendo vindo a falecer de câncer em Paris a 14 de Julho de 2008. O seu talento embalado de nostalgica ainda faz muita gente chorar, relembrando o passado que não volta. Filho de um abastado fazendeiro, cresce entre 32 irmãos, ao que se diz, todos descendentes da nobreza do Reino do Congo. A sua herança bacongo revelou-se logo aos quinze anos quando escreveu sua primeira composição "N´gi M´babza Ki". O jovem Teta Lando mudou-se para Lisboa em 1968; com vinte anos, ali se encontrou com Rui Mingas e Bonga, compondo e acompanhando Tchiumba Lilly.

 Mazombos

Em 1969 por Valentim de Carvalho é lançado o "Meu Assobio" juntando-se-lhe o percussionista Mostrar Massano. Teta Lando encantou em português, umbundo, kimbundo mas foi em Kicongo que expressou sua alma com maior expressão. Após o golpe militar em Portugal, 25 de Abril de 1974, lança seu primeiro 33 rpm, "Independencia", que veio a ser o seu disco de ouro. Aglutinando toda a mestiçagem com seu "Funge de Domingo" (Nuni Ye Nuni Vova Ko), um sucesso veio "Reunir" adicionando-se-lhe "A sombra da Mulemba", "Irmão ama teu irmão", "Vovo Chica", "Desportivo de São Paulo", "Manuprozo Uami", "Mamã grande" entre outras interpretações menos badaladas. A canção "Eu vou voltar", reflete um cantor de intervenção desligado do próprio equinócio, desavindo com seu rumo como tantos outros que choram sentados, vendo correr a saudade em seus pés; ali no chão aonde, até as bitacaias chafurdam o lodo feito fado.

elo musical

Sendo Bacongo, perfilou-se durante a guerra da discórdia angolana ao lado da UPA/FNLA e após a batalha de Luanda em Novembro de 1975, refugiou-se no Zaire aonde gravou dois discos com "Jazz OK"; ali permaneceu algum tempo até que em 1978 decide mudar-se para París aonde faz parcerias de amizade com outros cantores da Lusofonia tais como Tito Paris; as facilidades linguísticas facilitam seu próprio processo de reconciliação com sua terra no após "A Guerra dos manos". Com sua pesquisa melódica e harmônica participa em gravações Luso-Franco-Africanas com os Cedes, "Eu Vou voltar" (1981), "Semba de Angola" (83), " O ritmo Semba" (85) N´toyo" (88), e "Adeus Esperança"(93), envolvendo Brice Wassy, Maika Munan, Papa Kouyate e Glenn Ferris. Em 1994, ele retorna para casa criando uma estrutura de produção em Luanda influenciando assim, muitos artistas de Rap com o "Negra Karapinha Kimbamba". Em seu álbum "Amor e Ódio" (2004), a cantora Jussara Silveira assume o título de "Carapinha Dura". A cantora Fernanda Abreu retomou em 2004 o álbum "Na Paz", intitulando-o de "Pigeon" e, depois rebatizado "Brasileiro" com Martinho Da Vila e comparticipação de Bonga. Foi neste então, dada a conhecer a versão pessoal denominada de "Muadiakime".

(Continua...Dog Murras)

O Soba T´Chinhgange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:41
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Domingo, 24 de Julho de 2011
MOAMBA . VIII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

            "OS INDIOS DO BRASIL"

Não se desculpem as autoridades brasileiras de hoje, com descuidos do passado quanto ao tratamento e respeito pela condição Índia desse então, porque no ano de 1755 e sendo Governador do Maranhão Mendonça Furtado, irmão de Sebastião de Carvalho e Mello, Marquês de Pombal, um poderoso ministro do rei D. José I, elaborou um documento com 95 artigos dando Regimento à Administração do Grão-Pará por forma a evitar a escravidão dos índios, sua segregação, seu isolamento e repressão no tratamento indevido aos índigenas como pessoas de segunda categoria entre os colonizadores. Esse documento com força de Lei de 7 de Junho de 1755, expressa os importantes aspectos da política índigena, documento a que se chamou de Directório dos Índios e que pode ser lido na íntegra nos papeis amarelecidos na Torre do Tombo, repositório legal do património do Mundo Lusófono; de forma aleatória iremos abordar determinados aspectos desse documento a ser reavivado dando a justa postura humana aos governantes de então, há mais de duzentos e cinquenta anos, para se ter noção do justo saber, de quem é quem e, porque linhas se costuraram e, o que cada um representava.

Marquês de Pombal

1-determina-se por alvará que(...) haverá em cada uma das sobreditasPovoações, em quanto os Índios não tiverem capacidade para se governarem, um Diretor, que nomeará o Governador, e Capitão General do Estado, o qual deve ser dotado de bons costumes, zelo, prudência, verdade, ciência da língua, e de todos os mais requisitos necessários para poder dirigir com acerto os referidos índios debaixo das ordens, e determinações seguintes, que inviolavelmente se observarão enquanto Sua Majestade o houver assim por bem, e não mandar o contrário.

 Francisco xavier mendonça Furtado

2- Os sobreditos Diretores(...)em caso algum exercitarão jurisdição coativa nos Índios, mas únicamente a que pertence ao seu ministério, que é a diretiva; advertindo aos Juizes Ordinários,... no caso de haver neles alguma negligência, ou descuido, a indispensável obrigação, que tem por conta dos seus empregos, de castigar os delitos públicos com a severidade, que pedir a deformidade do insulto, e a circunstância do escândalo; (...) Vendo porém os Diretores, que são infrutuosas as suas advertências, e que não basta a eficácia da sua direção para que os ditos Juizes Ordinários, e Principais, castiguem exemplarmente os culpados; para que não aconteça, como regularmente sucede, que a dissimulação dos delitos pequenos seja a causa de se cometerem culpas maiores, o participarão logo ao Governador do Estado, e Ministros de Justiça, que procederão nesta matéria na forma das Reais Leis de S. Majestade, nas quais recomenda o mesmo Senhor, (...) Leis permitirem, para que o horror do castigo os não obrigue a desamparar as suas Povoações, tornando para os escandalosos erros da Gentilidade.

 Pirituba e morro do Jaraguá

Já em 4 de Abril de 2010 passando eu por São Paulo a festejar o aniversário do amigo Ridlav, lugar de Pirituba, Boa Viagem, de onde se podia ver muito perto o morro deJaraguá, tive a oportunidade de ver grupos de gente descuidadamente andrajosaraspando desperdícios em imundos lugares, vivendo literalmente à toa sem Lei nem Roque, coisa descabida na sociedade odierna. A uma pergunta minha foi-me dito serem gente sem controlo sobre si e abandonadas ao acaso, sem maior preocupação das autoridades, polícias de costume ou qualquer organização humanitária como as muitas ONG´S que parece só existirem para expurgar dinheiro ao erário público sob falsos ideais. Aqui fica o meu tardio protesto a recordar que em breve e, por via e força do futebol, (2014 e 2016) terão muitos olheiros que decerto farão reparo nos escandalosos erros da Gentilidade, muito mais acintoso do que este.

Referências Bibliograficas: Torre do Tombo e escritos de Tânia Moreira

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:32
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011
CAFUFUTILA . XIII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"O JOGO DA SUSTENTABILIDADE"

 Chá Caxinde.Capim Santo

Em Punda Maria, a Norte do Kruger Park da África do Sul e, enquanto decorria o Mundial de Futebol 2010, Eu, Ricar e Ibib inscrevemo-nos em um passeio noturno no seio do Park a fim de de vermos leopardos, pois que se torna difícil avistar um destes felinos à luz do dia. O percurso seria por picadas escolhidas pelo guia conductor e nosso guarda, sendo parte do percurso junto à margem de um rio afluente do Zambeze, bem próximo às fronteiras de Moçambique e Zimvabwé; Era ainda dia quando saímos do acampamento base num geep todo-terreno, ligação via rádio e arma apropriada para qualquer incursão indesejada dum qualquer predador. O todo-terreno tem assentos em escada por forma a que se fique com a visão mais elevada em relação ao pasto circundante, capim e muitas outras centenas, senão milhares de espécimes vegetais; ao chegar da noite, tem início o uso do farolim por forma a detectarmos os olhos dos animais brilhando como lanternas. Ainda era dia quando a uns poucos metros do principal portão vimos uma leoa solitária passar bem junto ao geepe que sem nos ligar importância seguiu agachada pé-ante-pé na peúgada de um qualquer antilope; só ia ela, balouçando-se em farejo curto deslizando sua astúcia na arte de caçar, provávelmente teria escondidas por perto suas crias e, por ali procurava alimento.

Leopardo. Onça Pintada . :::::

O guia, enqunto conduzia, ia explicando certos comportamentos dos animais, dos cuidados a ter quando se nos depara um animal pela frente e o cuidado a preservar no meio ambiente sem o conspurcar de sugeira não dando em caso algum, alimentos aos animais; Sabendo nós que muitos dos turistas dão alimentos aos babuinos descuidando-se do saber, batatas fritas e outras guloseimas impróprias para o uso desses animais que não têm discernimento de fazer triagem entre o bom e mau. Eis que, a dado momento, o nosso guia pára o carro em uma pequena clareira, chão arenoso e saindo de arma na mão situa-se em pé e de frente para nós bem ao lado de um morro de salalé, térmitas idênticas ao cupim do Brasil e, que constroem castelos bicudos de terra enregecida organizando naquele edifício suas vidas; É ali que armazenam suas sementes para se alimentarem sempre que o tempo permite. E, neste morro em particular podia vêr-se que da base saía uma viscosa planta carnuda dum carregado verde e que no dizer do guia era saborosa para o paquiderme elefante. Podia ver-se que esta mesma planta tinha sido trucidada recentemente e as marcas das patas indicavam essa agitação. Ficamos também a sader em que direcção seguiu a manada pela figura das pegedas deixadas na areia, por seus dedos e vincos, podendo até saber-se se eram velhos ou jovens.

 Jamba . Elefante

Parei aqui para vos explicar os segredos que a floresta tem, da sua sustentabilidade num equilibrio natural entre animais e plantas disse o guia. O elefante tem de percorrer grandes distâncias a fim de comer plantas saborosas ao seu apetite e, a regra é dar grandes circulos e sempre contra ao vento, porque as plantas ao serem comidas, enviam feromonas às demais da mesma espécie a fim de alteraremm o sabor da sua seiva; resulta então que se o elefante, se decidir percorrer seu território a favor do vento irá deparar com plantas semelhantes mas, com um sabor desagradável; é aqui que reside a curiosidade desta crónica pois que quanta gente como eu, desconhecerá esta tão curiosa forma de as plantas evitarem serem deglutidas dor predadores que necessitam de toneladas para se alimentar. Eu, não encontrava explicação para, em zonas de plantas de maior porte estarem estas literalmente devastadas como se, por ali tivesse passado um tornado. Sei agora, que manadas destes paquidermes derrubam árvores de forma concertada para que não haja tempo de poderem avisar outras mais à frente. Estranhei esta devastação a Sul do parque nas saídas para Nelspruit da M´pumalanga após atravessar o Crocodille River.

 

 

 Safari no Punda Maria

Com cheiro forte de bosta de elefante fumegando, beira rio barrente, com hipopótamos roncando o lusco-fusco, demos continuação ao safari. Este "mundo de vida sustentável" deu-me o ensejo de a escrever para perpectuar a visão fantástica da vida e suas nuances, tão melindrosamente esquecidas. Esta lição da mata teve o condão de me avivar a mente na aceitação e partilha entre os mundos animal, vegetal e mineral elevando a mente e coraçao; não permanecer vazio e sem sentido abandonando as três mentes venenosas a saber: - ignorãncia, materialismo e ódio. A beleza da vida, o estar nela, vendo-a com olhos de ver e ouvi-la em minúcia dependem de tão pouco que, se despreza esse singular agora, como se dialogar com uma osga ou uma flôr, falar com uma formiga ou uma indistinta lagartixa fosse uma coisa maluca. Em Punda Maria aconteceu, o meu espírito partilhou a cobiça do ser, uma liturgica peregrinação ao sonho de viver em digna confaternização em um reino mais puro.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:58
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Quarta-feira, 20 de Julho de 2011
PUTO . XVII

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO KIMBO

"MIGUEL SOUSA TAVARES...o voo dos abutres"

 

 

 

Pode ler-se no Expresso (9.jul.11)

Dois dias úteis depois de o Governo mostrar o seu programa na Assembleia da República e anunciar que ia agir mais além e mais depressa nos sacrifícios pedidos aos portugueses e impostos pela troika, a agência de notação de crédito Moody's desceu a classificação da dívida pública portuguesa para o nível de "lixo". Fê-lo numa terça-feira ao final da tarde, mesmo a tempo de tentar agravar as condições de financiamento do leilão do dia seguinte, onde Portugal ia negociar novo empréstimo intercalar de mil milhões. Foi a quinta vez, no prazo de um ano, que a Moody's nos atacou e quatro delas na véspera de um leilão da dívida portuguesa. Obviamente que não é por acaso: é de propósito. (...) Para aqueles que achavam que para diminuir a despesa pública bastava fechar algumas dezenas ou centenas de organismos do Estado, desaparecendo também por magia os seus funcionários e respectivoc custos; para aqueles que asseguravam que não era preciso pedir mais sacrifícios aos portugueses do que os que já constavam do PEC 3, aprovado em 2010; para aqueles que imaginaram que o pedido de ajuda externa tudo resolveria, eis uma amarga lição.

(...)- Os abutres americanossabem que estão a cavar uma sepultura: quanto mais desce a notação das agências, maiores são os juros a pagar pelo dinheiro emprestado e maior é a dificuldade de o devedor satisfazer o serviço da dívida e ainda criar condições para crescer economicamente.Chegados a um determinado ponto os países que caíram nas garras dos abutres apenas lutam para conseguir pagar os juros, à custa de sacrifícios sem fim e sem nenhuma possibilidade de retoma da economia. (...) O euro e, a seguir a própria União Europeia. É preciso ser sego para ainda não o ter percebido. Por sorte deles (Moody´s / Americaos), encontraram em Bruxelas uma cambada de eunucos, uma colecção de políticos sem nenhuma visão de politica futura,aterrorizados pelas opiniões públicas locais e as suas conjunturas eleitorais, um clube de cobardes sem alma nem grandeza, que irão dar cabo da mais fascinante ideia política desde o pós-guerra, que é a da União europeia.

 Madoff Greenspan e Bush

Aquele triste ajuntamento de cromos fotográficosnão percebeu ainda que está sob ataque concertado e e ajoelha-se perante a ofensiva de três agências americanas que estiveram envolvidas mo eclodir da crise mundial. ao acompanharem o irresponsável senhor Greenspan, ex-presidente da reserva federal americana, e o idiota do ex-presidente Bush na cobertura do mais inacreditável roubo alguma nvez cometido na história da economia - que foi o roubo da economia americana por parte do seu sector financeiro, com consequências que sobraram para o mundo inteiro. Estes tipos, que com o seu aval, permitiram que os Madoffs e os Lehman Brothers roubassem as poupanças e a confiança dos que trabalharam uma vida inteira para terem a sua reforma e a sua casa; que lá de longe assinaram a falência de milhares de empresas do mundo inteiro e condenaram dezenas de milhões de trabalhadores ao desemprego, agora exigem que bruxelas assine por baixo que uma nação com quase nove séculos de história, como Portugal, seja lixo, e uma nação, como a Grécia, que fundou a Europa e que fundou a democracia e a civilização mediterrânica, há mais de dois mil anos, seja tratada ao nível de merceeiro.

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Confirma-se,... O pior amigo que podemos têr é mesmo, o americano; provocam as catástrofes para daí tirarem partido como os Urubus.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:56
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Terça-feira, 19 de Julho de 2011
DO BRASIL AO NAMIBE . VII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"Colonização do Namibe e Planalto central de Angola"

 Deserto 

Os árabes já praticavam comércio negreiro, transportando escravos para a Arábia e para os mercados do Mediterrâneo Oriental, a fim de satisfazer as exigências dos sultões, mustafás e xeiques. As guerras tribais africanas, favoreciam esse tipo de comércio, visto que a tribo derrotada era vendida aos mercadores. A transfega de gente escrava do continente Negro para as Américas estima-se de entre 9 a 10 milhões, sendo a metade destes da África Ocidental. O pico do tráfico de "peças humanas" ocorreu entre 1750 a 1820, quando os negreiros carregavam em média uns 60 mil por ano; os porões bafientos iam abarrotados numa mole de coisa imunda. O vazio demográfico no continente Negro, tornou-se evidente após tamanha operação de negócio nesse então normal, que acometeu a África até meados do século XIX.

 Tentativa Feliz

As caravelas dirigiam-se ao Norte e Nordeste do Brasil, à Bahia e ao Rio de Janeiro, para as colônias americanas e antilhanas. As naus aportavam na Jamaica, Baamas, Haiti, Saint-Eustatius, Saba, Saint-Martin, Barbuda e Antigua, Guadalupe, Granada, Trinidad & Tobago, Bonaire, Curaçao e Aruba. destes lugares das Antilhas partiam outras levas em direção às Carolinas e à Virgínia nos Estados Unidos a serem usados nas plantações de tabaco e algodão da Virgínia.

 N´tumbo . planta do Namibe

Relembro o que já foi escrito em Kalukembe I acerca dos filhos do Puto: «Foi entre os rios Giraúl e Bero que chegaram os primeiros habitantes colonos de Mossâmedes. Eram 171 almas desejando fazer vida pois que, do outro lado do Atlântico, Brasil, viam-se perseguidos por nacionalistas eufóricos com a sua emancipação. A 23 de Maio de 1849 aqueles 171 Luso-brasileiros embarcam na “Tentativa Feliz” e no bridge “Douro” da Marinha Portuguesa chefiados porBernardino Freire de Figueiredo Castro e, decorridos dois mêses de viagem aportam a 4 de Agosto de 1849 em Angra dos Negros, um lugar de N´tumbo. Após o grito do Ipiranga brasileiro, Portugal levou mais de cem anos a recompor-se e disciplinar o encontro consigo mesmo. Angola nesse mesmo tempo, era uma colónia penal de degredados que zelavam do território com rédea solta. Na crónica N´Guzo VII do Kimbo Lagoa pode ler-se:Muitos expedicionários idos da Metrópole sucumbiram vítimas de doenças e combates para garantir o que agora é a fronteira Sul de Angola, país independente e pouco amistoso com a história e os portugueses resvalando sempre para uma prepotente arrogância e até desvirtuação da verdade.

Referência de consulta: Blog Mossâmedes do antigamente e Torre da História Ibérica

(Continua...)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:43
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
ANGOLA - PAÍS DA BANGA . XIV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"PAULO FLORES.... e, a Kizomba"

Entre tantas estórias que merecem ser contadas por artistas, pensadores e cantores que circulam na Lusofonia com "sabor de maboque", destaco a voz meia rouca, meia misteriosa de Paulo Flores. Durante sua infância seus pais levaram-no para Lisboa aonde cresceu conjugando a memória, através da escrita, com os nomes do panorama musical e literário, «Um Olhar a uma Voz» (1990), dedicado a Cesária Évora de Cabo Verde e fotobiografia de Óscar Ribas, iniciou-se com a edição do seu primeiro álbum em 1988 com "KAPUETE, kamundanda" tornando-se rápidamente um popular cantor Angolano. Suas canções versam temas diversos como, a vida quotidiana da Luua, a guerra civil e a corrupção endémicamente enraizada. Músico, cantor e compositor, Paulo Flores é, actualmente, um dos expoentes máximos; seu instinto é a de um verdadeiro cantor que traz em sua voz toda a extensão do seu sentimento, subtilezas das anharas ou o simples chupar de múcua no morro da Luua.

 Cesária Évora

Paulo flores redescobriu o ritmo da bossa-nova que se tocava nos Camarões na década de 40, e investigando sobre a base rítmica do actual kuduro, afirma-se convicto de que este, saiu do semba e da kazukuta. Os poemas tão concretos da vida, retratados, mostram o maior respeito pelo povo sofredor e os kotas, não deixando de satirizar as malambas da vida com o amplexo de se ser angolano. A sua força poética é indiscernível na articulação das palavras com o ritmo, uma simbiose muito sua, que nos desafia para, como reforça o autor do livro, “em qualquer lugar do mundo, reinventar a vida”. Aos 16 anos, surpreendia meio mundo como “menino prodígio da nova canção angolana”. E, aí está Paulo Flores ao lado de Bonga nos anos 80, numa Lisboa nocturna tão cheia de músicologos, onde foi crescendo procurando-se em diálogo e ritmo com sua Luua.

 Jacques Morelenbaum

Com 20 anos de carreira e 11 discos editados, Paulo Flores sempre expressou sua herança patrimonial às suas mais vanguardistas músicas; uma toada de novas fórmulas abertas às demais influências musicais. A trilogia Ex-Combatentes (Viagem, Sembas e Ilhas) é o seu último trabalho. Três abordagens musicais diferentes que traduzem uma reflexão sobre o que sente perante as transformações que observa todos os dias da janela da sua casa; da toponímia ao quotidiano tudo mudou. Para esta primeira apresentação dos discos em Portugal, Paulo Flores conta com a especial participação de Jacques Morelenbaum, referência incontornável na actualidade da música brasileira. Paulo Flores faz-nos voltar àqueles velhos tempos do antigamente. Uma crónica de sonho, um belo,... muito belo dia, com a voz de Paulo Flores em fundo, suas “letras de forte memória” dancei; dancei na ponta da ilha com uma linda garina.

Discografia: Kapuete (1988); Sassasa (1990); Brincadeira tem hora (1993); Inocente (1995); recompasso (2001); Xé Povo (2003); The Best (2003); Ex Combatentes (2009)

(Continua...Teta Lando)

O Soba T´Chinhgange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:21
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Domingo, 17 de Julho de 2011
MOAMBA . VII

   FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"OS INDIOS DO BRASIL"

 

O Brasil, para se entender, tem forçosamente de ir beber à história de Portugal; ambos têm os olhos postos entre si, não só pelo seu passado comum mas, e também pelo muito futuro que ambos podem cozinhar em benefício mútuo. Portugal, num faz-de-conta relembra a grandeza dos idos tempos do Império, que constam na Torre do Tombo em papeis amarelecidos. Enquanto Portugal vive relembrando seu passado com suspiros de vaidosas saudades, o Brasil avança ao futuro. Habituamo-nos a pensar que a cultura brasileira é ocidentalmente portuguêsa, mas teremos nos dias de hoje, de aceitar que ao longo de mais de quinhentos anos construiu-se um permanente diálogo entre o pensar ocidental e as novas gentes da América chamadas de índios. A Europa defronta até hoje os conceitos também recentes do direito à diferença dando a cada variante o direito de se afirmar com suas caracteristicas. Vem tudo isto a propósito de lembrar que o preconceito étnico no Brasil ainda é um problema contornado com hipocrisia; a distribuição das gentes por novas oportunidades ainda surge carregada de procedimentos injustos quanto à étnia entre homens, mulheres, negros e índios.

Durante o século XIX houve uma aberta política de embranquecimento da sociedade dando cargos de trabalho considerado escravo a gente branca ida da Europa e da Ásia pelo que podiamos cruzar em plena rua com um branco de origem europeia, descalço, vendendo leite de casa em casa bem assim como encontrar levas de Chineses ou Japoneses fazendo trabalhos de limpeza nas cidades do Sul do Brasil, Italianos a cuidar de roças na apanha do café ou Portugueses vendendo de porta-à-porta o pão fresco ou empadas de galinha. De notar que antes destes tempos mais modernos, mais própriamente no reinado de D. José I, govenando então o Marquês de Pombal, os Índios foram objecto de acuidada legislação no sentido de serem respeitados como gente para que pouco a pouco se integrassem na sociedade como uma qualquer cidadão. Até então o índio era considerado um cativo e o negro um escravo; haveria que dar uma nova disciplina aos governantes do novo território e acabar com as chamadas "guerras Justas" movidas contra os índios insubmissos. Em 1755 foi elaborado um documento chamado de "Directório dos Índios" com 95 artigos em que se destaca a intenção de evitar a escravidão do Índio, sua segregação e isolamento com repressão a estes indígenas como se fossem de segunda categoria entre os colonos e os missionários brancos. O documento entre outras medidas estabelece a proibição do uso do termo "Negro", insentivando o casamento de colonos brancos com indigenas,e a obrigatioriedade de se falar português estabelecendo punições por descriminação para os incumpridores.

 Sêr-se Negro

Quanto ao término do uso do termo negro pode lêr-se nesse Directório de 1755 em ítem 10, o seguinte: 10- Entre os lastimosos princípios, e perniciosos abusos, de que tem resultado nos Índios o abatimento ponderado, é sem dúvida um deles a injusta, e escandalosa introdução de lhes chamarem Negros; querendo talvez com a infâmia, e vileza deste nome, persuadir-lhes, que a natureza os tinha destinado para escravos dos Brancos, como regularmente se imagina a respeito dos Pretos da Costa da África. E porque, além de ser prejudicialíssimo à civilidade dos mesmos Índios este abominável abuso, seria indecoroso às Reais Leis de Sua Majestade chamar Negros a uns homens, que o mesmo Senhor foi servido nobilitar, e declarar por isentos de toda, e qualquer infâmia, habilitando-os para todo o emprego honorífico: Não consentirão os Diretores daqui por diante, que pessoa alguma chame Negros aos Índios, nem que eles mesmos usem entre si deste nome como até agora praticavam; para que compreendendo eles, que lhes não compete a vileza do mesmo nome, possam conceber aquelas nobres idéias, que naturalmente infundem nos homens a estimação, e a honra. Esta determinação, avançada para esse tempo, ainda não é cumprima nos dias de hoje. Que nâo se atribue má regulamentação ao idos tempos de colónia, como desculpa, vinculando-a como nefasta herança Tuga.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:04
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Sábado, 16 de Julho de 2011
KIANDA . IX

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"REFLEXÕES- Dalai Lama

"SENTIR A VIDA" - Madre Tereza de Calcutá

 Dalai Lama

Verso. 2 : Nasci pobre, para que Me consideres a tua única riqueza . (Lambert Noben)

A pele cria rugas, o cabelo torna-se branco, os dias transformam-se em anos mas, o importante não muda,... a tua força e convicção, não têm idade, dizia Madre Tereza de Calcuta. A nossa vida pode ser bonita por fora, tudo pode parecer ir bem, mas por dentro pode ser um inferno. Muitas vezes, quando se conhece a pessoa que se deseja, quando se chega perto dessa pessoa, após alguns dias, algumas horas, até talvez uns minutos, o que se descobre é que, externamente, a pessoa é atraente, mas por dentro, ela não é tanto assim como a idealizamos. Nos prazeres quotidianos de nossa vida incluem-se receber elogios, uma boa reputação e honrarias disfrutando dos presentes sensuais como o comer, beber, fumar, dormir sentindo-se bem consigo próprio e com o seu próximo mas, para dar início a um processo de iluminação, necessitamos de investigar a natureza da nossa mente como um reflexo em um espelho, e gostar dessa figura sem a venerar. 

 Madre Tereza Calcuta

O verdadeiro inimigo que cada um tem lutando contra ele, são em verdade produtos da sua própria mente; a raiva aparece na razão das causas e condições e, é nas fases de instabilidade que surgem as desilusões, o orgulho, a inveja e a usura sem medir as proporções correctas do aceitável. Quando uma pessoa não controla sua mente nem a protege com o remédio do bom censo ou meditação discernindo as causas, o raciocínio apodera-se da mente com toda a sua negatividade refletindo-se no coração; surge assim a raiva sem se ter a paciência doseada para repelir o inimigo. É a paciência que gera uma mente positiva, pacifica e saudável desenvolvendo a compaixão e a sabedoria. Viver com esta actitude durante as 24 horas do dia e por muitos mais dias, torna-se a actividade mais interessante de criar felicidade ao próximo. 

Lambert Noben

O objectivo da vida não é prejudicar os demais, mas benefeciá-los tornando suas vidas úteis, livrá-los de problemas, peenchendo o coração da sabedoria ao maior escalão de alegria partilhada; o teu espírito pode limpar tudo o que é fútil enquanto estás vivo,... sente-te vivo porque por detrás de cada linha de chegada, há uma de partida, por detrás de cada sucesso, há um desafio. Não vivas de fotos amarelas e, se porventura estranhas o que fazias, volta a fazê-lo, continua,... mesmo que todos esperem que abandones,... segue os teus sonhos e age de maneira que, em vez de te lastimarem, te tenham em apreço; se não poderes correr anda mais devagar mas não fiques quedo e, se assim acontecer usa uma bengala para te apoiares mas, nunca pares. Foram estas as minhas ultimas leituras: reflexões de Dalai Lama e concelhos de Madre Tereza de Calcuta, que convem relembrar sempre que a mente e coração o exijam.

Kianda: Espírito, sereia, kalunga de contos africanos, miragem das águas, visão das lagoas

 

 

* Lambert Noben nasceu em Hoelbeek, na Bélgica, em 1940. Chegou ao Brasil em 1968 e pertence à congregação dos Missionários dos Operários. Bacharel em Teologia pela Faculdade de Louvain, atualmente é orientador espiritual do Colégio Nossa Senhora de Nazaré, pároco da Igreja São João Batista, em Conselheiro Lafaiete (MG), e da Igreja são Sebastião, em Casa Grande (MG).

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:10
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2011
DO BRASIL AO NAMIBE . VI

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"Colonização do Namibe e Planalto central de Angola"

Piratas

Convem recordar que do fim do século XV a metade do XIX, o contacto dos navegantes europeus com o Continente Negro, serviu apenas como uma grande reserva de mão-de-obra escrava, a ser extraída e exportada pelos comerciantes para o resto do mundo, mais própriamente para as Américas do Norte e Sul sendo no Norte usados como mão-de-obra nas culturas de algodão (E.U.A.) e do Sul e mar do Caribe para trabalharem no plantio e manuseamento de cana de açucar. Traficantes de quase todas as nacionalidades montaram feitorias nas costas da África fazendo incursões no interior do território a recolher "peças" humanas a serem negociadas como gado. Havia também piratas que atacavam de surpresa o litoral apresionando o maior número de gente. Este procedimento de ataque rápido era mais frequente nas ilhas de cabo Verde e Açores aonde podiam ter um dominio total do espaço com cães amestrados na busca de gente como se fossem coelhos.

 Serra da Chela

Os cães de fila brasileiros por exemplo, que têem no genes por constante ensinamento a busca de pessoas, foram usados na procura de "fujões" escravos que ousavam fugir dos engenhos de açucar. Mercadores negreiros europeus, com o crescer da procura por mão-de-obra escrava, associaram-se militarmente e financeiramente com sobas e régulos africanos dando-lhes em troca o poder das armas, pólvora e cavalos por forma a estes se afirmarem como autoridade. Os prisioneiros das guerras tribais eram encarcerados em “cubatas” na costa Atlântica, aonde esperariam a chegada dos navios negreiros que os levariam como carga humana pelas rotas transatlânticas.

 Fundador de Mossâmedes (Namibe)

Bernardino Freire de  Castro

A partir da metade do século XIX as costas africanas passaram a não ter interesse ao comércio de negreioros por via do término da escravatura pelo que, passou a ser vista como saída para encaminhar gente desavinda de outras paragens juntando-se-lhes os degradados para ali enviados por castigo penal; na maior parte dos casos eram rúfias da sociedade que a todo o custo tinham de ser afastados da metrópole. Alguns dos novos colonos, idos do Brasil e Ilha da Madeira para Mossâmedes buscaram lugares mais frios e de terras férteis subindo o plananto após galgar as Serras da Leba e Chela; gradualmente, e enquanto decorriam batalhas a conter sublevação de alguns sobas mais a Sul, a colónia ia-se formando ao redor de barracões num lugar que se veio a chamar de Sá da Bandeira, o actual Lubango. Falar destas odisseias é recordar a missionação dum povo, duma gente que não deixou de peregrinar a vida. Nestes folhetins de ordem temporal, aleatória, recorde-se essa estirpe de gente miscigenada a quem chamaram de Chicoronhos (Xi-colonos), oriundos das ilhas da Madeira e Açores, após estarem alguns anos na Olinda brasileiro.

Referência de consulta: Blog Mossâmedes do antigamente

(Continua...)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:33
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
ANGOLA - PAÍS DA BANGA . XIII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

           "BONGA KWENDA.... e, a dikanza"

BONGA KWENDA

Os Kissueia que surgiu nos anos 60 no bairro Marçal, era um conjunto de músicos de intervenção angolanos que cantando a miséria dos musseques, fermentavam a mudança. Kissueia que em kimbundo significa o estado de submição de alguém, relembra práticas antigas esclavagistas comparando-as com a vida suburbana da urbe que cresce. A miséria tão evidente nos bairros periféricos de Luanda era levada à musica por ser a forma mais rápida de passar mensagem; a étnia crioula, mazombos intelectuais dos bairros com aduelas de barril incentivavam estas iniciativas um pouco por toda a capital da Luua, um laboratório ideal ao surgimento de estilos; Era ver qual o mais foito ou de maior banga introduzindo novos instrumentos e formas surgindo assim os estilos kazucuta (rosqueiro) e kilapanda com semba numa inventação de novos trajeitos no gingar e giboiar das mentes. Talvez, em o saberem estavam repudiando a própria lingua retorcendo-a em giria, fabricando novas maneiras de dizer coisa crioula; uma forma de reinvidicar banga muito peculiar do kamundongo.

 BONGA na percussão

Naquele conjunto de cantores da kissueia surgem Bonga, Belita Palma, Artur Nunes, Sofia Rosa, Minguito, Luis Viscinde e o Maestro Vieira Dias. Entre estes Adelino Barceló de Carvalho, natural de Porto Kipiri, destaca-se criando o seu próprio estilo misturando a lingua portuguesa com o linguajar do Bengo e bairros de Luanda dando-lhe tipicidade ou uma marca própria. Isto, tornou Bonga no maior entre os grandes interpretes da miscegena Luua,... dum Bairro Operário ou Sambizanga. Porque era um atleta conceituado no atletismo, usa a liberdade de movimentos para passar mensagens entre compatriotas que transpiram independência e, fora de Angola tornando-se um nacionalista de referência. O timbre de indigente ignorância comportamental dos politicos e militares portugueses que em seu tempo não souberam gerir e colmatar, resultou no esperado 11 de Novembro de 1975. O rumo de guerra que se desnvolveu na grande Luanda e um pouco por toda a Angola levou-o a redefenir um rumo tendo ido para Holanda aonde havia uma forte comunidade de angolanos e gente miscegenada ida do Caribe, Curaçau e Aruba de trageitos de vida, e costumes muito similares aos desavindos da discôrdia; para Bonga, o contacto com outros ritmos e tendências era cativar seu ego de rouca voz em ritmos "calientes del caribe".

 Dikansa . Reco-reco

Em 1972 lança o seu primeiro álbum "ANGOLA 72" adoptando o nome africano de Bonga Kwenda que significa em kimbundo "aquele que está à frente". Torna-se assim o rosto da angolanidade no mundo atingindo o estatuto simbólico de embaixador da música angolana. Bonga, em Paris, regista-se no consulado português com o novo nome artístico, Bonga Kwenda. É o primeiro africano Disco de Ouro e de Platina em Portugal. O seu sucesso estende-se para lá das fronteiras lusófonas actuando no Apolo em Harlem, no S.O.B. de Nova Iorque, no Olympia de Paris, Suiça, Canadá, Antilhas e Macau. O seu trabalho intensivo e metódico, e de uma imaginação criativa caracteriza a sua carreira. Em 1988 Bonga regressa a Portugal, dezassete anos depois de ter fugido clandestinamente de Kipiri como atleta de competição, à semelhança de Mingas. Bonga regressa não como recordista do atletismo, mas como recordista de vendas e popularidade, que canta música de intervenção, revolucionaria e carismática. Um dos motivos pelos quais Bonga não regressa definitivamente a Angola é porque a independência pós-colonial desintegrou-se em corrupção, tirania e guerra. Assim sendo, Bonga manteve uma aguda consciência crítica relativamente aos líderes políticos de ambas as partes sendo acusado por vezes de estar colado à Unita.

Principais albuns editados: Angola 72 - Angola 74 - Raízes - Angola 76 - Kandandu - Massemba - Malembe Malembe - Jingonça - Paz em Angola - Mutamba - Preto e Branco - Roça de Jindungo - Fogo na Kanjica - Kaxexe - Maiorais e Bairro, entre muitos outros.

(Continua...Paulo Flores)

O Soba T´Chinhgange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:16
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011
CAFUFUTILA . XII

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"O JOGO DA SUSTENTABILIDADE"

 

 

T´chikukuvanda é o nome dado a um lagarto em dialeto Umbundo de Angola, tem um aspecto bravo com sua cabeça vermelha e o resto verde ou azul com a particularidade de assustar as mulheres, não sei porquê,... que estendem mandioca a secar nos penedos planos lá do planalto do Huambo. O lagarto francês, aqui descrito nesta estória é de um castanho escuro, tem um menor tamanho que aquele outro, mas íntimida pela côr e curiosa ousadia.

Esta estória começa quando o senhor Siarra decide fazer sua casa no lugar do Françês, uma praia da orla Alagoana, um Estado do Brasil, com muitos coqueiros e gente gira ida de muitas partes da globália. Ao mandar limpar o espaço do lote, dá-se conta de ali existirem muitas lagartixas e lagartos que saindo das frestas ou muros rugosos, por ali faziam caça a menores bichos dando como verdadeiras as palavras de naturistas; Na sua diversidade de cadeia alimentar, por via da humidade da muita chuva, estes lagartos rastejavam na areia por entre folhas, restos de cocos e demais plantas que proliferam na mata Atlântica. Quem não viu com bons olhos estes bichos rastejentes foi Ana, esposa de Siarra, que por ali passando se assustou com tanta bicharada levando-a a afirmar a pés juntos que ali, ela Ana, nem morta poria seus pés oriundos do Zumbi; Zumbi dos Palmres era a sua terra. O tempo passou e Siarra, fazendo ouvidos de mercador continuou a obra que virou casa passado pouco tempo.

 O lagarto palmares do Francês

O jardim foi surgindon entre rugosas e despintadas paredes, pasto ideal para t´chikukuvandas fintadores que foitos, davam berrida a pererecas, minhocas, grilos e centopeias, cutucando o pescoço num vai-vem de meter medo ou medir as proporções certas da presa. Ana, com seus pés de zumbi, apercebendo-se da macabra situação de compromisso com a palavra dada, surpreendia-se no quotidiano dum jogo de tolerância com os bichos que agora e num crescendo lhe pareciam mais simpaticos; a curiosidade mútua iam aproximando-os numa expectativa de carinho nunca antes presenciada; aonde já se viu haver simpatia entre um cinzento e feio lagarto e uma senhora de costumes medrosos. A intensidade de simpatia foi aumentando ao ponto de Ana caçar moscas na forma de empreitada para fornecer ao seu amigo lagarto a que por simpatia lhe deu o nome de "palmares" recordando sua terra natal. A aversão de ambos foi diminuindo de intencidade na proporção da quantidade de moscas oferecidas e inversa na curiosidade; O partilhar de tolerância e mutua admiração iam tomando proporçoes de partir o coração; já se tratavam por tu dando azo a palmares apresentar o resto de lagartos  seus familiares. 

 Ana

Um dia, estando Ana na cozinha lavando pratos, dá-se conta de que o lagarto "palmares" a estava vigiando na maior calma, o que levou a ambos a estabelecer mimos de simpatia; Ana tratava-o de meu pequenino que estás para aí pensando de mim, aqui trabalhando nesta escravidão de mulher ao que ele parecia responder, tem paciência que esse é o teu fado. Parecia até cantar pequenas estrofes dum verso deconhecido, assim como uma mistura entre o grasnar misturado com guinhos soprados em si menor. Ana deu-lhe um pedaço de papaia e ele não se fez rogado comendo até a casca madura; afinal também era vegetariano. Isto sucedeu nos seguintes dias com a particularidade de levar seus parentes próximos. Ana, a fim de os reconhecer, pintou com verniz de unhas cada um dos quatro t´chikukuvandas com cores diferentes atribuindo-lhe nomes de amigos, todos machos: o António, o Keler e o Lisboa. Fiquei assim a saber ter sido contemplado nessa grata missão de partilhar património à familia dos t´chikukuvandas num domingo de tertúlia com café da manha na casa Camarão. E, não é que o dito cujo palmares, apareceu bem aos nossos pés solicitando um pedaço de tapioca.

(Continua...)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:41
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2011
ANGOLA - PAÍS DA BANGA . XIII

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          "SOFIA ROSA.... e, a N´GOMA"

 

  N'Gue Xile Ku Tunda Bu Sambila 

Sofia Rosa nasceu no Ambriz, província do Bengo e viveu no bairro da Samba, em Luanda; foi um dos melhores criadores e intérpretes da música em língua nacional kimbundu, traduzindo o pulsar da vida da gente pobre, dando às suas interpretações um caris pessoal no contar dos lamentos de musseques, sanzalas e a vastidão do território. Enquadrando a nostálgica saudade na forma de aguarelas, uniu o preverso com queimadas, quimeras dum caminho feito sem chinelo no pé. Recordando a savana agreste em ritmo de reco-reco leva às suas farras kutonocas multidões a pedir mais, e mulheres de beleza arrebitada pulsando a vontade de viver num louvor de permanente kalumba (mulher); neste tema "kalumba" louva a beleza da mulher angolana com zelo familiar pintando cenários em contornos de letras que só ele sabia pintar. Sofia Rosa esteve vinculado aos Corvos, mas todo o seu talento artístico veio à tona com "Os Astros" com quem gravou além de "Kalumba" , "N´gue Xile Ku Tunda Bu Sambila" entre outras. O artista morreu em 1975 entre duvidas suburbanas, no meio de uma guerra "mona Caxito" sem côr para enaltecer. Em 1963 integra como cantor o agrupamento Teatral N´gongo, fundado por José de Oliveira Fontes Pereira. Participa numa digressão do grupo a Portugal e grava para a televisão o seu primeiro "single" em 1970, seguindo-se-lhe mais sete, todos pela Valentim de Carvalho.

N´gomas e dikansas
Os "Kissueia" faziam parte dos músicos nacionalistas que cantavam a mensagem sobre a necessidade do alcance da independência e Sofia Rosa, neste contexto introduz a dikanza (reco-reco) e as n´gomas (tambores de conga) nas suas canções com o som de violas acústicas. Sofia Rosa deixou um espólio inigualável, músicas como: Ku Mulundo, 
Kamba Uaia, Maria Dia Pambala, Makuinhadi ya Mivu, Imbua Ia Lu Boza, N'gala ni Kilofo Muxima, N´golo Binga Kuanzambi, N´ogonogó za me... mas, a destacar temos a tal kalumba (mulher), com um estilo próprio de uma época; a passada com "Banga ninita" no estilo de kaluanda / kamundongo, cuja tradução diz: Menina, olhe só para mim, não me faças vaidade, os meus olhos te estão a dar luta... repete, ai dor de amar... ai dor de pensar. Menina, responda-me só, dou-te tudo que pedires, te dou dinheiro e o meu coração... repete. solo! - Menina escuta as minhas palavras, eu sempre que me cruzo contigo nos caminhos, o meu coração abre-se, como uma rosa que quando recebe água abre-se, aceita menina...aceita, nasceram-me para ti, ai dor de amar... aidor de pensar... Repete!!!

(Continua... Bonga )

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:48
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Domingo, 10 de Julho de 2011
DO BRASIL AO NAMIBE . V

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"Colonização do Namibe e Planalto central de Angola"

 

 

 

 

 

 

 

Welwiitschia . Namibe

Eis que voltamos a terras de África, lugar início do grande deserto conhecido então por Damaralândia a recordar os primeiros povoadores daquela costa entre a foz do rio Giraul e o rio Bero, gente descontente que a partir do Brasil para ali rumou na esperança de formar um nova colónia; ali viviam homens, mulheres e crianças em promiscuidade, comendo quase exclusivamente peixe temperado a óleo de palma, sendo o pão de mandioca fornecido pelos escravos serviçais que tinham as suas lavras nas margens do Giraúl. Decorria então, o ano de 1849. Convem aqui recordar o que já foi escrito em Kalukembe III: "Os primeiros colonos Luso-brasileiros de Pernambuco chegados a Angra dos Negros na foz do rio Bero a 4 de Agosto de 1849, fundam Mossâmedes relacionado-se desde logo com o gentio daquela região chamados de Kuvale e estendem as suas relações aos Kuanhocas, Cuepes e os Cuíssi com quem intercâmbiam vivências. Os madeirenses chegam ali passados 36 anos, já no meio de muita agitação por parte dos países fortes da Europa liderados por Bismark, que nesse então já ali punham seus olhos cobiçosos, sua prepotência e apetência. Seguindo o eixo colonizador Namibe, Lubango e S. Pedro de Chibia estes madeirenses em breve iriam seguir viagem a juntar-se à colónia de Boéres já bivacados em Oluvango. Convém aqui recordar que o rio mais a Sul chamado de Cunene, inicialmente foi tomado como sendo o grande Zambeze. O Cunene junto à foz, perdia-se nas areias do Namibe (Costa dos esqueletos) formando lagoas aonde o boi cavalo, (hipopótamo), procriavam sem grande altercação"

José Bonifácio . Patriarca da Independência do Brasil  

No Brasil, após a proclamação da independência a Sete de Setembro de 1822, as tropas fieis à Coroa Lusa, que tinham a maior parte de sua oficialidade formada por portugueses ou destes descendentes, opuseram-se ao Imperador D. Pedro I e seu Governo Constitucional; para que os velhos laços se rompessem houve séries batalhas em várias regiões. A esta turbulência de emancipação foi-lhe dado o nome de Guerra da Independência e prolongou-se pelo resto de 1822, indo até 1823. Só a 2 de Julho de 1823 é que a Bahia se tornou independente; o Ministro José Bonifácio de Andrade e Silva contratou a armada comandada pelo Almirante Inglês Lord Cochrane para fazer o bloqueio à marinha portuguesa que pretendia socorrer a Bahia isolada e em polvorosa; quase sempre, não há parto sem dôr, nem emancipação sem sublevação. Uma boa parte dos portugueses saídos do Brasil, da Bahia, do Recife e uns poucos de Sacramento na Cisplatina, refugiaram-se a Sul da colónia Angolana tendo feito assentamento no início do deserto do Namibe junto aos rios Bero e Giraúl como atrás,  já foi dito.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:05
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Sábado, 9 de Julho de 2011
MUJIMBO . XXI

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DA CONDESSA DO KIPEIO - TREZA R.

DSK . Dominique Strauss-Kahn   

O que os americanos não seriam capazes de fazer para esconder a fraude que é a sua economia!!!
 D. Srauss K.

Na manhã de 14 Maio, o dia em que foi preso, Dominique Strauss-Kahn (DSK) tinha sido aconselhado pelos serviços secretos franceses (DGSE) a abandonar os EUA e regressar rapidamente à Europa, descartando-se do telemóvel para evitar que pudesse ser localizado. A delicadeza da informação secreta que lhe tinha sido entregue por agentes "d...elatores" da CIA justificava tal precaução. Strauss-Kahn tinha viajado para os Estados Unidos para clarificar as razões que levavam os norte-americanos a protelar continuamente o pagamento devido ao FMI de quase 200 toneladas de ouro. A dívida, com pagamento acordado há vários anos, advém de ajustes no sistema monetário - "Special Drawing Rights" (SDR's). As preocupações do FMI sobre o pagamento norte-americano ter-se-iam avolumado recentemente. Nesta viagem Strauss-Kahn estaria na posse de informação relevante que indiciava que o ouro em questão já não existe nos cofres fortes de Fort Knox nem no NY Federal Reserve Bank. Mas Strauss-Kahn terá cometido um erro fatal: ligou para o hotel, já da plataforma de embarque, pedindo que o telefone lhe fosse enviado para Paris, o que permitiu aos serviços secretos americanos agir nos últimos minutos. O resto dos factos são do conhecimento público.

Vuelo de pajaros . Miro

Já em prisão domiciliária, em Nova Iorque, DSK terá pedido ajuda ao seu amigo Mahmoud Abdel Salam Omar, um influente banqueiro egípcio. Era muito importante, para fundamento da defesa, que o egípcio lhe conseguisse obter a informação privilegiada sobre a "mentira" do ouro, que DSK tinha deixado "voar" em NY, para justificar a teoria da perseguição. No entanto a intervenção voluntariosa do banqueiro egípcio saiu gorada. Dias depois Salam Omar foi igualmente preso nos Estados Unidos, também ele acusado de assédio sexual a uma empregada de hotel. Relatórios de diferentes serviços secretos internacionais convergem na conclusão: os factos que motivaram a prisão do egípcio são altamente improváveis, Salam Omar é um muçulmano convicto e um homem com 74 anos de idade. A inversão de sentido na história da suite do Sofitel de NY começava aqui a ganhar consistência e outros factos viriam ajudar. Em Outubro de 2009, Pequim terá recebido dos EUA cerca de 60 toneladas de ouro, num pagamento devido pelos americanos aos chineses, como acerto de contas no balanço de comércio externo. Com a entrega, Pequim testou a genuinidade do ouro recebido tendo concluido que se tratava de "ouro falso". Eram barras de tungsténio revestido a cobertura de ouro. As 5.700 barras falsas estavam devidamente identificadas com chancela e número de série indicando a origem -Fort Knox, USA.

 Deformações . Simpsons de Dali
O congressista Ron Paul, candidato às eleições presidenciais de 2012, solicitou no final do ano passado uma auditoria à veracidade das reservas do ouro federal que foi rejeitada pela administração Obama. Numa entrevista recente, questionado sobre a possiblidade de ter desaparecido o ouro federal de fort Knox, o congressista Ron Paul gelou os interlocutores respondendo liminarmente: "É bem provável!" À "boca fechada" têm vindo, aqui e ali, a escapar informações, a avolumar-se incertezas sobre as reservas de ouro norte-americanas. Mas as notícias referentes aos fortes indícios que de o ouro seja apenas virtual têm colhido uma tímida atenção na comunicação social americana. A "verdadeira história" por detrás da prisão de DSK, agora pública, consta de um relatório secreto preparado pelos serviços de segurança russos (FSB) para o primeiro-ministro Vladimir Putin. Talvez por isso Putin tenha sido o primeiro lider mundial a assumir publicamente a ideia de que DSK terá sido "vítima de uma enorme conspiração americana". Estes factos, a confirmarem-se, em nada ilibam DSK na suspeição que sobre si recai do eventual crime de assédio sexual a uma empregada do hotel mas, quem sabe, essa possa revelar-se como a pequena e ingénua ponta de um grande iceberg. A ser verdade, os serviços secretos norte-americanos, seguramente bem informados, terão sabido tirar partido das fraquezas do inimigo-alvo, aniquilando-o com eficácia cirurgica - um pequeno crime de costumes, tão ao gosto do imaginário popular, pode bem ter contribuido para abafar crimes de contornos bem mais sérios, por eliminação de testemunha ou de prova. Entretanto DSK prepara activamente a defesa em tribunal arregimentando já um verdadeiro "crack team" de ex-espiões da CIA, investigadores, detectives e media advisors.

TREZA R.      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:52
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2011
KIANDA . VIII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        " JUAZEIRO” - Falar de Padre Cícero*

 

 Macambira

Verso. 1 : Nasci nu, diz Deus, para que saibas despojar-te de ti mesmo. (Lambert Nolen)

A pequena população de Juazeiro, passado pouco tempo de o Padre Cícero ali fixar residência apercebeu-se de que ele era um padre diferente dos demais: - sincero, austero de costumes, virtuoso, intransigente com o pecado mas brando de coração, humilde, conselheiro, compreensivo e sobretudo acolhedor. Não se limitava a mandar fazer, dava o exemplo fazendo o que quer que fosse. Essas virtudes, valeram-lhe o respeito de todos e a obediência de muitos, que por ali iam passando. Não raro, pessoas dos municípios vizinhos, vinham conhecer o padre, aconselhar-se com ele, pedir-lhe um remédio ou mezinha, um socorro pecuniário, o apadrinhamento de um filho, a solução de um casamento ou a cura de um louco furioso mordido por cão raivoso. 

, Mucunã

A seca de 1877 quase paralisou os trabalhos da nova capela da Nossa Senhora das Dores; os voluntarios teriam que "ganhar as caatingas" procurando macambira, mucunã e outras "comidas brabas" com que se alimentavam para não morrerem de fome. A nova igreja surgiu, alongaram-se as ruas do pacato povoado; Padre Cícero fez por ocupar o povo no plantio de mandioca na chapada do Araripe desenvolvendo a agricultura de subsistência, criando e arranjando escolas para crianças de ambos os sexos. Das pouco mais de trinta casas e uma capelinha, o Padre Cícero criou condições de assentamento de gente desavinda de todos os lados; abandonados do sertão e agreste ali se acolhiam no conforto das palavras "ora mansas ora brabas" do Paínho Ciço.

 

Agreste e Sertão - (Caatingas)

Quando em 1917, quase no fim da primeira guerra na Europa apareceu nos Valinhos de Portugal, uma nuvem transportando uma figura na forma de gente a três pastorinhos, um pouco por todo o mundo, deu-se início à devoção de partilhar a paz entre os homens. Fátima, essa figura transportada em nuvem, surgia com a mensagem de fraternidade tão desejada por todos. A Virgem do Rosário recomendava a reza do terço diáriamente e, em Juazeiro, o Padre Cícero dando o exemplo, colocou em seu pescoço aquele colar dividido em terços pendendo dele uma cruz. O "Rosário da Mãe de Deus", como ele chamava, passou a ser um ornamento de todos e, a todos estes, o Padre Cícero ensinava a dedilhar suas contas diariamente; amiudadamente dizia ser aquele o meio seguro de obter as graças do Céu. A lição contínua de sua vida, e sua figura iluminada de místico e de apóstolo, transformou-se em força redentora de fogo divino, o mesmo que que lhe abrasava a alma.

BIBLIOGRAFIA DE REFERÊNCIA: Verdadeira história de Juazeiro do Norte de Amália Xavier de Oliveira

Padre Cícero Romão Batista*: Ou Padim Ciço na versão popular, foi um sacerdote católico brasileiro, nascido no Crato de Cariri a 24 de Março de 1844, tendo falecido no Juazeiro do Norte a 20 de Junho de 1934.

(Continua...)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:41
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Quinta-feira, 7 de Julho de 2011
CAFUFUTILA . XI

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DA CONDESSA DO KIPEIO - TREZA R.

       "Mário de Andrade (Brasil)"          

(1893-11945) Foi um poeta, romancista,críticode arte, musicólogoe ensaista brasileiro

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já tenho agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

 Jabuticaba

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.

Lasar Segall   Emigrantes

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana;

que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.

Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdad;

O essencial faz a vida valer a pena. 

E para mim, basta o essencial!

Treza R.



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:27
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
BRASIL EM 3 PENADAS . XXI

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

              "OS TUGAS brazucas" - 5ª Parte

 Estátua ao emigrante

 

 

S. Félix - Laúndos

Estavamos em Setembro de 1998, quando os meios de comunicação deram conta de um português, de quando, em tenra idade, deixa Portugal. Voltando a casa com os seus cinquenta e poucos anos, reforma a igreja da sua terra natal – Amorim, Póvoa de Varzim – e edifica na mesma região, no Monte de S. Félix em Laundos, uma imponente estátua ao emigrante. Essas pedras na forma de gente, simbolizam alguém indistinto que algures, um dia, partiu de Portugal para terras de Vera Cruz. Este “brasileiro” destrói a figura caricaturizada que Eça de Queirós descreve nas Farpas, pois apresenta-se letrado, também com actividade de docência no ensino superior, e vestido pelos mesmos figurinos que Portugal apresentava esntão, há apenas 11 anos atrás; ele vive no Brasil, fazendo frequentes visitas ao seu país natal, Portugal. Quinhentos anos passados desde o achamento por Álvares Cabral, com distintas fases de evolução, e influências bem demarcadas, podem hoje observar-se muitos pontos comuns que, à distância temporal, amenizam comentários menos jocosos a comparar com os primeiros cem anos do após independência. O carácter evocativo das considerações destas crónicas breves não pretendem negar ou ocultar outros aspectos e outras realidades. No cordão umbilical, entre estes dois países há a certeza de que a fraternidade é mais forte e mais compensadora, para ser lembrada e celebrada, do que omitida.

 Igreja do Emigrante - Póvoa de Varzim

Despertando a atenção para o que nos envolve no mundo actual, haverá que falar continuamente dessa gesta grandiosa do passado até aos nossos dias. É gratificante lembrar, ver e ouvir esses sinais, a propósito de efemérides aprendendo a descobrir novos caminhos partilhando fraternidade. Com um convívio permanente e um intercâmbio mais autêntico, a solidariedade perpetuará sem glórias, as dependências dos antigos conquistados. São mais os elos que nos aproximam do que os que nos afastam, e cada vez mais assim terá de ser, para bem de ambos!....

  Os simbolos que ficam
BIBLIOGRAFIA
Jorge Fernandes ALVES– Os Brasileiros – Emigração e Retorno no Porto Oitocentista. Porto, 1994. Alfa, 1993.

Camilo CasteloBRANCO– A Brasileira de Prazins.

Pero Vaz CAMINHA– Carta a el-rei dom Manuel sobre o achamento do Brasil. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1974.

Júlio DINIS– A Morgadinha dos Canaviais.

Eduardo Pires de OLIVEIRA – Estudos sobre o século XVIII em Braga: Edições APPACDM, 1996.
– Estudos sobre Braga e o Minho nos séculos XVII e XVIII. História e Arte. Braga: Edições APPACDM,1996.
Eça de QUEIRÓS– Uma Campanha Alegre. Vol. 2. Porto: Ed. Lello, 1978.

Dados de Manuela Gama & José Gama da Faculdade de Filosofia UCP - Braga

(FINAL)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 03:31
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Terça-feira, 5 de Julho de 2011
ANGOLA - PAÍS DA BANGA . XII

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"Kimuezo.... O rei da núsica de N´gola"

Elias diá Kimuezo é o Rei da Música Angolana. Nasceu no Bairro Marçal com o nome de Elias José Francisco, tendo vivido em casa da avó no Bairro Sambizanga; ali aprendeu a comunicar-se de forma fluente, na sua língua materna, o kimbundo. Torna-se bem conhecido a partir da formação do agrupamento "Os Kizombas" que nessa altura, tocava nas farras do Salão Malanjinho no Bairro do Sambizanga. As gravações “Mualunga”, “Ressurreição”, “Muenhu Ua Muto” e “Zum-Zum”, tiveram as participações de Barceló de Carvalho (Bonga), Rui Mingas, Tete Lando e dos Marimbeiros de Duque de Bragança. O lançamento dessas obras, com pompa e circunstância, teve lugar no Cine-Restauração, um dos cinemas mais chiques de Luanda transformado após a independência de Angola em ASSEMBLEIA NACIONAL.

 Marimbeiros - Malange

Pela qualidade e desempenho do seu trabalho, foi considerado como “O Rei da Música Angolana". Isto aconteceu quando da criação do Agrupamento “Kissanguela” em meados da década de 60. Este prémio, era atribuido anualmente aos artístas que se destacavam na Província de Angola, pelo CITA-Centro de Informação e Turismo de Angola. Nos ultimos tempos de governação colonial, as autoridades encorajaram activamente a gravação de música dos artistas locais com a criação dos estúdios Valentim de Carvalho. A excitação pela independência que se previa para breve, viu nascer muito rápidamente novos e originais estilos que marcaram muito sólidamente a excelência de muitos músicos. Músicos que até então se sentiam oprimidos ou, no minimo, descuidadamente marginalizados.

 Marimbeiros - Baixa de Cassange

É assim que Luanda vira palco de novos estilos como o merengue kazukuta, o semba kilapanda e mais tarde o kuduro. Estas novas dikanzas, estilos ou banga, influenciam Cuba e Brasil dando uma maior projecção ao panorama artistico de Luanda. A rebita toma foros de forró, entram o acordeão, a harmónica e fazem-se notar os acordes com trajeitos de fado, o cheiro do manjerico e transpirações Juninas. De Cabinda copia-se a forma de dançar a solo com espelhos a formar compasso com a dupla figura simbólica, como se ali estivesse uma garina, um kota ou um kandengue gingão do kuduro e rebolado; E, voltam ao costume a umbigada, a massemba, levando dos bairros periféricos a picardia e a doideira erótica no limiar do "agarra-me senão desmaio", um frenesim dos trópicos com cheiros de bravura de musseque e travessuras da esquina mais próxima do Catambor; o tempo ao minuto ou ao segundo, que amanhaã é a desbunda, o feitiço, a infedilidade impregnada de kalunga, de quem viu uma kianda tocando n´gomas num arco-Iris da Izomba

(Continua... Sofia Rosa )

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:24
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2011
DO BRASIL AO NAMIBE . IV

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O LADO DESCONHECIDO - D.PEDRO I (Brasil)"

DpedroI-brasil-full.jpg D. Pedro I  Imperador do Brasil

 

 

 

 

D.Pedro IV - Rei de Portugal por 7 dias (de 26 Abril a 2 de Maio de 1826)

D. Pedro II veio a ser coroado em 1841 Imperador do Brasil até ter de se exilar em França aonde veio a morrer. Seu pai, o liberal D. Pedro IV de Portugal, que também se tinha exilado em França no ano de 1831, casado com Dona Amélia, uma princesa Alemã, promoveram ali o renascimento Português tornava-se entre os demais, o monarca de referência às liberdades europeias. Ele defendia um governo constitucional para Portugal, à semelhança do que apontava para O Brasil do outro lado do Atlâncico; este comportamento não era nada normal nas monarquias de então tão agarradas ao absolutismo. As monarquias conservadoras cristãs da Prússia (Alemanha), e Austria, não viam com bons olhos essa liberdade. Luis Filipe de França e D. Pedro durante algum tempo exilado no mesmo castelo real, recebiam em seus aposentos emissários de outros reinos que em consulta, procuravam inteirar-se dessa onda de mando novo que um pouco por todo o lado fazia bulir as mentes mais vangurdistas.

::::::

 

D. Maria II e D. Pedro II do Brasil - Filhos de D. Pedro I (Bras.) e D.Pedro IV (Port.)

Entretanto D. Pedro ia recebendo apoios a fim de destituir seu irmão Dom Miguel que se mantinha rei em terras Lusas. Organizando um exército de sete mil homens aventura-se directamente na invasão a Portugal, o que se veio a verificar com o desembarque duma armada em Mindelo, lugar situado a Norte da cidade do Porto. Depois de numerosas batalhas, com graves perdas para ambos os lados, em 1834 culmina com a victória dos liberais de D. Pedro. Aconteceu que a 20 de Setembro desse ano, Portugal passa para a governaçãode D.Maria II, sua filha que veio a inaugurar a nova fase moderna e constitucional da monarquia Portuguesa. No Brasil D. Pedro II, seu filho, via-se com muitos problemas por via do liberalismo iniciado por seu seu pai, enfrentando revoluções em várias partes desde a Cisplatina a Sul até o Maranhão e Pará, na boca do Rio Amazonas.

 

 D. Miguel ( Filho de D. João VI)

O Ex-Imperador do Brasil, D.Pedro I, desgastado pela guerra em sua saúde, não viveu muito tempo para acompanhar o governo de sua filha, vindo a falecer com problemas de pulmões a 24 de Setembro de 1834. No Brasil, as províncias de Bahia, Maranhão, Piaui, Grão-Pará e Cisplatina mantinham fidelidade a Lisboa após a declaração de independência a Sete de Setembro de 1822.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:07
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Domingo, 3 de Julho de 2011
ANGOLA - PAÍS DA BANGA . XI

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"Minguito.... E a concertina"

 

Concertina

Minguito de 1967, ano da sua estreia no N´gola Cine, até 1970, faz uma carreira a solo marcada por canções que acusam uma forte influência do cancioneiro popular do Bengo. Gravou mais tarde com o agrupamento “África Ritmos”, duas das suas primeiras canções: “Minguito meu amor” e “Há inveja no mundo”. Após 1970, com a fundação do trio "Os Três Jovens", formado por João Dias (percussão) e Mano Picas (dikanza), ficou marcado pelas canções “Minguito em Angola”, “Minguito na Harmónica” e “Os três jovens”; a última, é uma canção que enaltece o valor do seu próprio trio. Dos anos de 1970 até 1975, Minguito enaltece sua própria figura com o conjunto os Kiezos, “Ngandala ku n´ganhala ò fuma”, “Várias moças de Luanda”, “N´gui mona mi kima”, “Bangú Muna Ditari” e “Eme n´gó Kofele”. De 1975 até 1980, Minguito opta por canções de pendor interventivo e regista, com o conjunto “Merengues”, de Carlitos Vieira Dias, as canções “N´gi kalakala mivu ioso”, “Pensando Conforme o Tempo”, “Quinze dias na RDA” e “Kwanza”. Nesta última, celebra a troca da moeda colonial, o escudo, pelo kwanza, a moeda da independência. Minguito, de lamento em lamento, veio a falecer no dia 28 de Junho de 1995, numa quarta-feira, na mais deplorável e incompreensível indigência.

 Acordeão, Sanfona

Viveu os últimos anos da sua vida, tocando na rua, para sobreviver. Era uma figura residente no mercado dos Congolenses, em Luanda. Pelas designações que os instrumentos foram adquirindo em sua vida e, no encontro de várias culturas, julgamos importante esclarecer algumas definições técnicas que distinguem o acordeão, a concertina e a sanfona. O acordeão é um instrumento de fole e teclado, criado na China e recriado na na Alemanha em 1822, sendo introduzido na música como uma espécie de órgão portátil; a concertina possui um único fole e utiliza um sistema de palhetas metálicas internas para produzir os sons, um teclado, como o do piano na mão direita, e outro de botões para o acompanhamento dos baixos, na mão esquerda. A concertina, conforme o fabrico, pode emitir sons diferentes, quando o fole é comprimido ou descomprimido, trata-se da concertina alemã, ou iguais, independentemente da direcção em que o fole é movimentado, é o caso da concertina inglesa. Carlitos Vieira Dias afirma, de forma resoluta, que o Minguito tocava concertina.

 Gaita

 

Por último, a sanfona, também conhecida por concertina, gaita ou acordeão, é um instrumento de sopro cujo som é controlado por registos e foi introduzido na Europa no século XVIII, vindo da China. A sanfona é dotada de um fole que acciona as palhetas por meio de um teclado. No Brasil, onde chegou no século XIX, faz parte dos conjuntos de xaxado, forró e baião. Minguito foi homenageado no dia 30 de Julho de 2006, na 51ª edição do Caldo do Poeira, programa de valorização dos históricos da música angolana, da Rádio Nacional de Angola, num acto realizado no Centro Recreativo e Cultural Kilamba, em Luanda. Renderam homenagem ao acordeonista, que interpretaram, na ocasião, os seus grandes sucessos, os cantores Don Caetano, Yuri da Cunha, Paulo Pacas, Pakito, Zé Manico e Minguito Filho. A propósito da homenagem saiu a público, o duplo CD “Memórias de Minguito”, com 30 canções, uma colectânea que consideramos abrangente e inequivocamente representativa dos grandes momentos musicais da carreira do Minguito.

(Continua... Elias diá Kimuezo )

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:32
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Sábado, 2 de Julho de 2011
PAPALAGUI . XIX

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO KIMBO

O Mundo e o Papalagui” - Visão de Tuiavvi *

 Picasso. O Amor

«Cristão», «Deus», «Amor» são palavras que o Papalagui tem na boca, palavras aonde a sua língua tropeça porém o seu coração e seu amor não se postergam diante de Deus e não somente diante das coisas, diante do metal redondo e do papel forte, diante dos seus pensamentos vopluptuosos e diante da máquina do tempo com grande avidez e loucura.O papalaguii trouxe-nos o Envangelho à laia de mercadoria, em troca de nós próprios e dos nossos frutos e da mais bela e mais rica parte da nossa terra da qual se apropriou. Os Papalaguis tornaram-se loucos varridos! Na Europa degolam-se uns aos outros! O sangue, o terror e a devastação reinam por toda a parte.

 Paul Cézanne . noatalgia

Opinião do Soba

Ninguém quer problemas e sofrimentos mas, porque é que todos nós, gente comum, do mendigo ao milionário, do professor ao filósofo, procuramos a felicidade? Não haverá desenvolvimento espiritual em nossos corações se não abandonarmos as três mentes venenosas que nos tolhem de algum modo o desenvolvimento humano: a ignorância, o materialismo e o ódio. Se não fizermos um esforço sério de mudar para com o próximo, ficaremos cada vez, piores com nossos cérebros cheios de palavras como computadores, com nossa vida interior vazia e sem sentido. Quando a felicidade está em jogo, teremos de a todo o instatante, focalizar momentos de transcendência num qualquer agora e tentar, tentar de novo e mais de novo, porque há felicidade que duram um só segundo, outras um minuto. Num dado momento a vida acontece e num raio ou no minuto seguinte, ela foi-se. A vida é mesmo um fenómeno que não deve ser desperdiçada.

 A mente . Dali

Nota final: Tuiavií tinha um apuradissimo dom de observação; observação essa, sempre neutral e isenta de preconceitos. Nada o faria cegar nem afastar da sua verdade. E, quantas coisas se ajustam aos dias de hoje passados quase cem anos. foram introduzidas aqui e além pequenas introduções na adaptação à Lusofonia actual, salientando Angola, ditos de Portugal e linguajar do Brasil que em nada alteram o conteúdo da mensagem original de Tuiavvi.

 

PAPALAGUI: - Homem branco; *Tuiavvi: - Chefe de tribo das Ilhas Samôa que visitou a Europa no primeiro quarto do século XX e descreveu o que viu desta forma. As adulterações estão referênciadas.

(FIM)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:14
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2011
DO BRASIL AO NAMIBE . III

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  " D.PEDRO I , BRASIL - 153 nos depois "

 

 

 

  Saida de Angola

Leonel Cardoso com a bandeira Tuga e uns saquinhos de muamba 

Cento e cinquenta e três anos depois, assisto ao desenrolar daquele mesmo lema de Independência ou Morte do Brasil, substituido por "Victória ou Morte" a 11 de Novembro de 1975 na então Provincia de Angola. O som de rajadas, era um prenúncio de guerra, perseguições e debandada do último Alto Comissário para Angola Leonel Cardoso com a bandeira do Puto amarrotada nas mãos de um oficial subalterno. Cento e cinquenta e três anos atrás, a 12 de Outubro de 1822, Dom Pedro é aclamado Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil. Após uma constituinte ofuscada pelo texto avançado e imposto por D. Pedro, decide-se fazer uma nova constituição que incluía para a época direitos pouco comuns como a liberdade de crença religiosa não cristã, mantendo-se D. pedro como o poder moderador entre os demais poderes e, usando mão de ferro com a força de poder dissolver o Congresso quando assim o quizesse. A Confederação do Equador de Pernambuco não aceitou tal "nova constituição" revoltando-se,resultando daqui uma repressão implacável, nunca antes vista, levando à execução de vários chefes rebeldes entre os quais Fei Caneco. A Cisplatina, no Sul (actual Uruguai) anexada ao Brasil por D. João VI rebelou-se com a ajuda da Argentina entrando numa guerra que só acabou em 1828; neste ano assinou-se a paz com o reconhecimento do Uruguai como um país independente.

Com a morte de D. João VI em território europeu, o Imperador seu filho D. Pedro I, viu-se envolvido na sucessão do trono português. No Brasil, e após a independência, já no ano de 1828, as hostilidades entre os portugueses lusos e brasileiros por nascimento, foram subindo num crescendo de desconforto levando a irracional raiva na sociedade a niveis incomportáveis de intolerância; o que hoje designamos de preconceito assoberbado. Isto levou a que o Imperador D. Pedro I, o defensor perene do Brasil e pai da pátria se visse na condição de abdicar a favor de seu filho, um pivete de cinco anos de idade, pelo facto de ser brasileiro por nascimento. Para que se acalmassem os ãnimos, D. Pedro I exila-se em França juntando-se às festanças da corte de Napoleão seu cunhado; a história tem destas coisas, mudanças bruscas a que os humildes servidores ficam sugeitos e subjugados. Entretanto os brasileiros não mazombos retaliados à mordacidade picara e agressiva dos nativos mestiços com perseguição e menosprezo, organizam-se para debandar a outras latitudes ainda em poder do dominio de Portugal. Angola era o seu destino.

 A 1ª bandeira de Mossâmedes, hoje Namibe

Após o grito do Ipiranga, Portugal levou mais de cem anos a encontrar-se consigo mesmo. Angola nesse mesmo tempo, estava entregue a uns quantos funantes e negreiros que vendiam gente para as roças do Brasil e os muitos engenhos de açúcar ao longo de todo o Nordeste. Foi entre os rios Giraúl e Bero que chegaram os primeiros habitantes de Moçamedes idos do Recife em Pernambuco. Na ânsia de alcançar as riquezas do Oriente, a coroa, sómente espalhou uns quantos padrões sem fazerem assentamentos de gente com os usuais entrepostos; desprezaram a então Damaralândia, afastando-se da costa dos esqueletos, pois apanhar escravos, era o alvo maior dos novos territorios. Aquele deserto despovoado não despertava então grande interesse. Aqueles primeiros habitantes chegados ao Namibe, começaram por viver quase como indígenas, em toscas cabanas de pau a pique e varas do mangue cobertas a capim.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:49
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