Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
CAFUFUTILA . XVIII

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO EMBAIXADOR ALMIR* Re-Pe

        “Intolerância religiosa” - 1ª Parte

Por
DR DRAUZIO VARELLA -  Nasceu em S. Paulo a 1 de Janeiro de 1943. É um médico oncologista, cientista e escritor brasileiro, formado pela Universidade de São Paulo. Descendente de galegos e portugueses, Drauzio estudou medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O fervor religioso é uma arma assustadora, disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso SOU ATEU e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos.

A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres. Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.

 Tarsila do Amaral

Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais. Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos a interferências mágicas em assuntos terrenos. Perseguidos e assassinados no passado, para eles a vida eterna não faz sentido. Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar. Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias. Que sentido tem para um protestante a reverência que o hindu faz diante da estátua de uma vaca dourada? Ou a oração do muçulmano voltado para Meca? Ou o espírita que afirma ser a reencarnação de Alexandre, o Grande?

*Almir Lopes: Um M´fumo Embaixador do Kimbo em Recife; Fidalgo da Bitakaya – agnóstico de formação e picuinhas por defeito. Pernambuco

Cafufutila: -farinha de mandioca simples misturada com açúcar; falando de boca cheia lançam-se falripos dessa farinha, fuba ou bombô que perturba o interlocutor; perdigotos ou gafanhotos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:23
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2012
XICULULU . XX

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO CONSUL  AL.BR

       “NIÓBIO” - 5ª Parte (Conclusão - aplicações)

 Há fortes indícios que a própria Funai esteja envolvida no contrabando do nióbio, usando índios para envio do minério à Guiana Inglesa, e dali aos EUA e Europa. A maior reserva de nióbio do mundo, a do Morro dos Seis Lagos, em São Gabriel da Cachoeira (AM), é conhecida desde os anos 80, mas o governo federal nunca a explorou oficialmente, deixando assim o contrabando fluir livremente, num acordo entre a presidência da República e os países consumidores, oficializando assim o "roubo de divisas" do Brasil. A Inglaterra é a mais beneficiada com a demarcação em Roraima, e a maior intermediária na venda do nióbio brasileiro. Mas, no andar dessa carruagem, esse escândalo está por pouco para estourar, afinal, o segredo sobre o nióbio como moeda de troca, não está resistindo às pressões da mídia esclarecida. Que é feito da OAB (Ordem de Advogados do Brasil), o MFP (rede de negócios) e do Congresso Nacional ?

Pico da Neblina e da Reserva Biológica Estadual do Morro dos Seis Lagos
O nióbio apresenta numerosas aplicações. É usado em alguns
aços inoxidáveis e em outras ligas de metais não ferrosos. Estas ligas devido à resistência são geralmente usadas para a fabricação de tubos transportadores de água e petróleo a longas distâncias; é usado em indústrias nucleares devido a sua baixa captura de nêutrons termais; é usado em soldas eléctricas; devido a sua coloração é utilizado, geralmente na forma de liga metálica, para a produção de jóias como, por exemplo, o piercing; quantidades apreciáveis de nióbio são utilizadas em superligas para fabricação de componentes de motores de jactos, subconjuntos de foguetes, ou seja, equipamentos que necessitem altas resistências a combustão. Pesquisas avançadas com este metal foram utilizadas no programa Gemini. O nióbio está sendo avaliado como uma alternativa ao tântalo para a utilização em capacitores. O nióbio se converte num supercondutor quando reduzido a temperaturas criogênicas. Na pressão atmosférica, tem a mais alta temperatura crítica entre os elementos supercondutores, 9,3 K. Além disso, é um dos três elementos supercondutores que são do tipo II (os outros são o vanádio e o tecnécio), significando que continuam sendo supercondutores quando submetidos a elevados campos magnéticos.

Mais informes: edvaldotavares@uol.com.br

O Soba T´Chingange



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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
KAPIKUA . X

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO KIMBO

        "Evangelhos apócrifos"

  Por Mateo Sancho Cardie

Com que idade morreu Jesus Cristo? - Apesar de sempre se ter aceite que Jesus foi crucificado com 33 anos, historicamente sabe-se que não é assim. O primeiro paradoxo estabelece-se no facto de Jesus Cristo ter nascido, curiosamente, no ano 6 anterior a sua própria era, já que Herodes, o Grande - rei da Judeia,  durante o nascimento de Cristo - morreu no ano 4 a.C. Por outro lado, Pôncio Pilatos, que ordenou sua execução, era governador regional da Judeia entre os anos 29 d.C. e 37 d.C. anos dos quais a única sexta-feira de Páscoa com lua cheia foi a do dia 7 de Abril do ano 30 - por isso, ele teria morrido com 36 anos a 7 de Abril do ano 33. “Em qualquer caso, um homem nessa idade era maduro, com 40 anos já se  era um avô", explica Cabrera, por isso, é necessário desprezar o aspecto juvenil de Jesus que mostra a iconografia cristã.

 Jesus morreu numa sexta-feira? -A paixão e morte de Jesus Cristo é desde sempre a Sexta-Feira Santa, mas Piñero discorda. "É mais provável que Jesus tenha sido crucificado na quinta-feira, pela simples razão de que se foi crucificado às 3 da tarde da sexta-feira, teria morrido já no final da tarde e isso para os judeus é um novo dia, ou seja, sábado (Shabbat), dia de descanso, no qual não se pode realizar uma crucificação", argumenta Piñero.

Jesus carregou a cruz até o Gólgota? - "No suplício da cruz, a lei romana obrigava que se carregasse o travessão até o cadafalso. O poste vertical já ficava cravado no local, porque uma cruz inteira podia pesar mais de cem quilos, impossível de ser levada por uma só pessoa", explica Cabrera. A coroa de espinhos, prossegue o legista, não era como se diz, mas um capacete completo. O que sim é real, são as vestimentas. "Como qualquer outro crucificado, Cristo não usava nada de roupa, salvo uma espécie de lenço que cobria seu órgão sexual por pudor. As roupas tornam mais difícil a crucifixão, mas não tem nada a ver com nenhuma tradição".

KAPIKUA: O que se lê igualmente da direita para a esquerda ou vice-versa e ao qual se atribui boa sorte.

(Continua – O Livro da Urântia)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:41
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
BRASIL EM 3 PENADAS . XXVII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “MADEIRA – BRASIL”

Busto de João Fernandes Vieira Busto de João F. Vieira no Funchal

João Fernandes Vieira, declarando pelo próprio punho ser só um filho da Madeira, mulato, fruto dum desvario do marinheiro Muniz com uma mucamba mestiça nas cercanias do Funchal, um senhor dono de cinco engenhos e escabino do Conde Maurício de Nassau, jogava com um pau de dois bicos; No tempo de governo flamengo, deu vida a muitos homens portugueses que estavam sentenciados à morte tal como um fidalgo de nome Pedro da Cunha de Andrade e os prisioneiros trazidos de Angola quando da sua tomada em 1641. Faço aqui a propósito um interregno para dar a conhecer a odisseia de 180 portugueses metidos num patacho mal apetrechado com o então governador Pedro César de Meneses em fins de Maio de 1643 com destino ao Brasil. As metrópoles de Holanda e Portugal, ajustaram a paz confinando o Governador de Angola Pedro de Meneses e parte de sua gente próxima, fidalgos, clérigos e comerciantes, no Arraial do Gango (Bungo) nas imediações de Loanda. Confiantes na eficácia do tratado os portugueses do Gango passaram a comercializar com os mafulos e vice-versa. Pedro César, imprevidente, não fortificou o arraial, o qual, na manha de 17 de Maio, foi por aqueles atacado de surpresa e tomado após incipiente resistência. Houve mortos, fizeram-se prisioneiros e o saque foi farto.

 Azafama do Bungo . Lugar da Canga

Aqueles prisioneiros perfazendo 180, segundo o Conde de Nassau, foram metidos num patacho (embarcação ligeira com dois mastros) “mal apercebido com destino ao Brasil, sem piloto, sem astrolábio, sem carta de marear nem azeite para a vitacula (candeia de marinheiro), para os quais deram somente "80 alqueires de farinha de pão e tam pouca carne que foi necessário repartir meio quartilho por pessoa para cada 24 horas, sem outra alguma cousa de mantimentos e apercebimento do navio"; com esta miséria, ao cabo de trinta dias de viagem, gastá-la-iam até aportarem em Pernambuco”. A 27 de Junho de 1643, aquele patacho de nome Cuanza com destino a Bahia aporta no Recife pela força dos ventos. Frei Calado, refere-se à chegada do patacho Cuanza: “… no qual vinham muitos dos moradores de Angola e sacerdotes assim clérigos como frades, onde desembarcaram "despidos e descalços, cobertos de piolhos e mortos de fome, de sorte que os mais deles, vinham enfermos, e tanto que estes miseráveis chegaram a Pernambuco, logo João Fernandes Vieira mandou um seu funcionário ao Recife com dinheiro para que provesse aos mais necessitados de camisas, vestido e calçado”.

 Patacho Cuanza (gravura da época)

Fernando Vieira foi pessoalmente ao patacho Cuanza inteirar-se ao pormenor dos acontecidos tendo levado para sua casa as pessoas mais carecidas de apoio e os banqueteou largamente enquanto ali permaneceram por via de quarentena ao patacho, demasiado empulgado. Para cada um dos convivas comprou duas vestimentas antes de largarem com destino a Bahia. A indignação dos luso-brasileiros em forma de queixa por funcionários da Coroa Portuguesa ao Conselho dos XIX, a legislatura Holandesa pelos motivos de traição ao tratado de Angola, levou este a justificarem o acontecido afirmando que o governo Holandês de Angola não estava em nada subordinado ao de Pernambuco.

Referência Bibliográfica: RESTAURADORES DE PERNAMBUCO de José António Gonçalves de Mello (1967).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Domingo, 27 de Maio de 2012
KIANDA . XXX

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “Tempo de pererecas“

 Lá fora chove desabridamente fazendo balançar os dois espanta-espíritos, o vento assobia na direcção do agreste encapelando ondas de assustar, só de ouvir a zoada do mar cercano para lá do coqueiral, da calema espumando raiva, talvez. Os mistérios do mundo são mais que muitos; mesmo com tantas usuras e ganâncias, os maus da fita ainda não conseguiram empacotar o sol p´ra vender como droga; entretanto o gretado do terreno vai ficando lamacento e as pererecas já se fazem ouvir com sua rouca coaxaria. Adicionando vida aos meus anos e, à maneira dos cronistas Fernão Lopes, ou Zurara reconstruo a minúcia duma trapalhada vida, do tempo em que era a religião que mantinha as gentes unidas a uma mesma fé, que por crença ou medo, acabou por moderar os excessos ainda assim cometidos, limitando a violência e impedindo que vários senhores nos destruíssem por completo. Sobre os restos do império Romano, bárbaros, godos e muçulmanos, construíram a Europa que por domínios senhoriais e organizações eclesiásticas levaram os cristãos à confissão e à comunhão pascal. O mundo rola indiferente às crises dos governos, às gripes cíclicas, os erros repetem-se com novas formas e outros conceitos, das leis feitas em consenso com interesses nem sempre claros ou excessivamente obscuros.

 Com o tempo assim taciturnado conferi minhas agruras com Januário Pieter* queixando-me de suas tropelias e desmandadas brincadeiras recordando-lhe que agora os tempos são outros, temos fraldas descartáveis, viagens rápidas e descartáveis rapidinhas por falta de tempo, fragmentado em minutos e segundos de descaradas ousadias numa orgia vulgarizada, daquelas em que o amor se confunde no sexo, acto do ato, com uma febre que arde sem se ver. No meio de tantas contradições hodiernas, Januário aquietou-me falando de coisas tão antigas que já ninguém fala e, dei-lhe largas. Meu amigo T´Chingange, foi lá para trás, no ano de 1215 no Quarto Concílio de Latrão o décimo segundo ecuménico, com o Sumo-pontífece Inocêncio III que condenou o Catarismo, impôs a obrigação da assistência à missa pascal obrigando os cristãos à confissão e comunhão pascal que tu falaste. Tento seguir o “liber de conservanda sanitate” de Januário; sinto por zelo ter de ouvi-lo por devoção a N´Zambi, nosso alto magistrado de desresolvidas contendas. Respeitosamente pedi a Januário que pulasse mais à frente desses profilácticos anos de antanho.

 Rua em Albaicín - Granada

Bem, correndo no tempo como pedes, posso dizer-te que Tariq Ibu Ziad invadiu a Ibéria com o seu exército de berberes e expulsou os visigodos de quem vós, portugas, descendeis. Têm a tolerância dos Almorávidas que nos dominaram até o nascimento de Portugal. Pieter conseguia despertar em mim um estranho interesse por esse tempo de califas; dos mouros que nesse então eram tão cultos e tolerantes. Estou a lembrar-me de Alhambra no reino de Granada seu bairro de Albaicín e dos jardins da Generalife, uma ilha de mouros entre cristãos que sobreviveram às suas ofensivas durante mais de dois séculos; Muhammed Ibn Nasr foi o seu grande califa e, sua marca perdurou. Muitos de vós tendes sangue muçulmano, sois mestiços do tempo misturados de visigodos com  mouros e escravos africanos com arianos da mais fina estirpe. Ninguém pode seguramente afirmar como Hitler. – Eu, sou um puro ariano.

(Continua…)

*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:06
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Sábado, 26 de Maio de 2012
FRATERNIDADES . XXIII

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DE STELLA

 “O TEMPO O EGO E O MISTÉRIO DA VIDA”

O paraíso está aí! Coisas simples à beira duma Lagoa - sítio da Dona Maria! No encanto de palavras emprestadas ou mesmo suas, iremos torná-las como nossas; Stella, passará a ser a embaixatriz do paraíso da Manguaba – A "KIANDA" (Sereia) do reino de Manikongo, A Ninfa da Manguaba

 Stella Pugliesi

Todas as vezes que algo não dá certo, temos a chance do recomeço. Se as chaves que usamos não abriram as portas que desejávamos, se os fracassos momentâneos nos levaram desânimo, é hora de utilizar forças da natureza, da qual somos filhos. Todos os dias, tudo recomeça e, a cada amanhecer, surge uma nova chance para iniciarmos um novo caminho. A Bíblia diz que a origem de todo o mal é o orgulho e disso todos temos, pouco ou muito. Esse mal deve ser reparado, pois o sucesso nos nossos relacionamentos depende da simplicidade, sinceridade, e muito HUMILDADE. P´ra quem não sabe, humildade não é ser pobre; é saber reconhecer os próprios erros: que não somos melhores do que ninguém e que o perdão, usá-lo, pedi-lo na proporcional necessidade, só pode trazer felicidade!

 No sítio da Dona Maria

Apaixone-se por alguém que lhe dê afeto, que espere, que o/a compreenda mesmo na loucura, por alguém que o/a ajude, que o guie, que seja seu apoio, sua esperança. Apaixone-se por alguém que volte para conversar com você depois de uma briga, depois dum desencontro. Apaixone-se por alguém que sente sua falta e que queira estar com você. Não se apaixone apenas por um corpo, por um rosto ou pela ideia de estar apaixonado". São estes os milagres da vida; não espere mais do que isto e, no qual você, queira ou não é e será o principal personagem. Primeiro, aprenda a gostar de si e só depois faça esse exercício todos os dias, com misericórdia até de si próprio. Não se sinta inferiorizada quando lhe chamam preta, parda ou zebra, porque até uma minhoca tem a sua função; quando morrer, sua carcaça terá de ser reciclada e os vermes terão a sua função. Você não é nada disso; controle sua mente e será feliz por ver, sorrir e ler coisas desavindas como estas que nem foram encomendadas.  

 A vida é o maior espectáculo no palco da existência e, cada qual tem a obrigação de ser o director da sua própria cartilha da vida. Jamais conseguirá controlar todos os actores que o rodeiam com suas variadas e complexas práticas no estar, no ter e no ser. O pior prisioneiro é o que não enxerga seus próprios limites e, o pior doente será aquele que represa suas emoções tendo medo de admitir suas fragilidades, fracassos e momentos de insegurança.

Enquadramento e arranjo do texto pelo

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:58
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2012
KAZUMBI . XXIV

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO EMBAIXADOR*

       “Militares cumprem missão em resort de Cabo Verde - foi noticia

Por

Carlos Ferreira Carlos Ferreira * 

QUANTOS SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E NATAL ESTÃO CUSTANDO ÀS REFORMAS DA TERCEIRA IDADE? HAJA SAÚDE E ""PATÓS"" COMO NÓS QUE DEIXAMOS ISTO CHEGAR AONDE CHEGOU.

Fonte: Jornal de Notícias - Política
Parte do contingente militar destacado para a eventual missão de resgate de portugueses na Guiné-Bissau está alojado, há três semanas, num resort turístico de quatro estrelas em Cabo Verde.  Cenário de férias das tropas portuguesas no Sal deixa turistas perplexos. Espetáculos fazem parte do quotidiano dos militares alojados no Belorizonte. As Forças Armadas garantem que a situação é normal, quando não existem instalações militares adequadas para alojar as tropas. "Foi uma surpresa estar no mesmo hotel do contingente de militares", testemunha um turista, hospedado no Belorizonte, o melhor resort da ilha do Sal, segundo informação veiculada por agências de viagem. Os militares integram a Força de Reação Rápida (FRI) que partiu para a região na sequência do golpe de Estado na ex-colónia.

 A FRI, que ontem recebeu ordem - depois dos contactos do JN - para começar a regressar é composta pelas fragatas Corte Real e Bartolomeu Dias, a corveta António Enes (com as respetivas guarnições e fuzileiros a bordo) e o avião de reconhecimento P-3 Orion. São 36 os militares afetos à aeronave que estão alojados no resort, situado na primeira linha de mar, perto de Santa Maria . Em sites de marcação de viagens  estadias, o preço diário por pessoa apontava, ontem, para 82 euros (bungalow) ou 113 (quarto). Os militares garantem, contudo, que foram negociadas tarifas favoráveis, que reduzem o preço para metade. Contactado pelo JN, o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), do qual depende a FRI, alega que a opção pelo Belorizonte se justifica por ser o único capaz de preencher requisitos de "proximidade, segurança e qualidade". Foi preciso garantir o fornecimento de "food packs" para os voos, que duram 12 horas, e a disponibilização de reforços alimentares para períodos noturnos e de refeições "fora das horas convencionais".

 "São muitos, passam o dia na praia , na piscina ou a fazer passeios de jipe e a pé", testemunha uma turista que entretanto regressou a Portugal . "Fazem tudo o que os outros turistas fazem. Mas nós fomos a Cabo Verde com viagens pagas com o nosso dinheiro e estes militares estão a receber o salário pago pelo Estado e ainda têm todas as despesas pagas", nota: O EMGFA desvaloriza a perplexidade dos turistas e garante que existe uma intensa atividade operacional de que poderão não se aperceber. A operação inclui, além de prolongados voos de reconhecimento noturnos, rotinas como "preparação das missões, tratamento dos dados recolhidos e manutenção da aeronave". Relativamente ao uso da piscina, às idas à praia ou as festas no hotel, admite o EMGFA, em resposta escrita ao JN, que os militares "podem ocupar o seu tempo livre nas atividades que entenderem, desde que garantam a disponibilidade adequada à missão e adotem comportamentos de acordo com a condição de militar".
Confrontado com imagens de festa a que o JN teve acesso, o esclarecimento nota que é uma "situação comum no hotel; o grupo de dança, após os espetáculos diários, disponibiliza-se para que, a título de recordação, os presentes tirem fotografias de grupo". Segundo os relatos que chegaram ao JN, o contingente português não se limita à participação nas festas promovidas pelo Hotel Oásis Atlântico Belorizonte.

  São frequentes as deslocações a bares e discotecas muito procurados pelos turistas da ilha do Sal - seja o Salinas, seja o Pirata, por exemplo. E muitos dos militares exibem, além de pulseiras vermelhas, que sinalizam o facto de serem clientes em regime de pensão completa no resort, outras pulseiras que lhes dão acesso livre aos bares e discotecas da "movida" da ilha.

QUE MAIS É QUE NÓS IREMOS SABENDO, NO DIA A DIA DE UM PAIS ARRUINADO E, AINDA CAPAZ  DESTE DESCALIBRE ? ISTO É MESMO O FIM !!!

KAZUMBI: Feitiço; pouca sorte; coisas de kazucuta (malabaristas, pais de santo e mwangolés); macumba obscura.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:23
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GENTE INDIGO – XI

 {#emotions_dlg.xa}AS ESCOLHAS DO KIMBO

       CRIANÇAS CRISTAL

Por

Tereza Guerra

A criança cristal nada faz para mudar as situações e muito menos as pessoas, respeitam os outros, mas exigem que os respeitem também. Por isso têm, às vezes, uma raiva contida que lhes pode trazer muitos problemas na relação com os outros, já que não perdem tempo com explicações do que pensam ou do que acham que está mal, mas sentem tudo muito intensamente, no seu intimo e na sua sensibilidade. Entre irmãos (ou entre amigos), se um tem mais características Índigo e o outro, cristal: o Índigo tem tendência natural para proteger o cristal. Os Índigo vivem para o exterior, para fora, enquanto que os cristais são naturalmente espirituais, já que vivem para o seu interior, para dentro de si. Têm percepções, intuições e captam muito mais questões relacionadas com a espiritualidade.

 É verdade que não existem características ou padrões definitivos, muito menos rígidos, e nessa amálgama que é, neste momento, a evolução humana, podem existir pessoas com algumas características indigo e outras cristal mas, no entanto, não se consideram ainda um Índigo puro ou um cristal puro. Essas características surgem cada vez mais e, em pouco tempo, poderemos ser todos habitantes de um planeta Índigo. O cristal têm uma aura transparente que não se vê nesta dimensão, há quem lhes chame cristal exactamente por isso. Dai que a predominância será certamente a cor Índigo, já que a cor do cristal não predomina. Para concluir o tema das crianças cristal (embora a informação surja constantemente, por ser um assunto bastante recente), deixamos ao leitor a experiência de J. Piedrafita Moreno e o seu primeiro encontro com uma criança cristal: “Já tinha ouvido falar das crianças de vibração cristal, que eram o nosso passo seguinte na escala evolutiva humana, e que os índigo preparavam o terreno para a sua chegada. A informação que eu tinha referia-se a 2012. A minha intuição ultimamente me dizia que tudo acontecia mais rapidamente e uns dias atrás encontrei um artigo sobre eles. Deixei correr sem investigar muito.

 Ontem, por 'casualidade', depois de dar uma pequena palestra sobre crianças índigo e sua educação, fomos a um café. Estávamos tomando algo quando um bebe de mais ou menos 1 ano de idade entrou, sentado em um carrinho empurrado por sua mãe. Foi como se tivesse entrado um Buda: puro e cheio de felicidade, irradiava paz. Sendo eu um índigo, não o reconheci como tal, a primeira coisa que me veio à cabeça foi: 'criança cristal'. Sua vibração não era como a dos índigo, que rompe e muda sistemas. Era uma vibração que equilibrava e harmonizava tudo à sua volta. Sua aura tinha uma densidade especial, etérea. Pude passar com ele um bom tempo, e a sua vibração impregnou todo o meu ser, de uma forma que eu nunca tinha sentido antes: a sensação de felicidade perdurou durante um longo tempo. Foi uma das experiencias mais bonitas de minha vida. A vibração cristal está abrindo caminho e, já se faz presente, trazendo a quinta dimensão até nós".

(Final)

Tereza Guerra

Nota do Soba: Foi das leituras mais interessantes que tive até os dias de hoje. A mudança parece vir de forma suave entrosando-se em nós com a subtileza dum sonho, um acto involuntário e, nenhum de nós só por si, vai poder mudar o curso dos mistérios que surgem ao nosso redor. O texto original sofreu algumas mutações sem retirar o conteúdo de veracidade à matéria.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:31
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
MUXIMA . XXVI

 {#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “Arte da Felicidade” - XVI

Ficheiro:Tenzin Gyatzo foto 1.jpg Dalai  Lama

Se acreditarmos em uma qualquer religião, isso é bom! Mesmo sem uma crença religiosa, ainda poderemos entendermo-nos. É o próprio direito à individualidade. Se quisermos acreditar, óptimo! Se não quisermos,…tudo bem. O nível de espiritualidade básica - qualidades humanas fundamentais de bondade, benevolência, compaixão, é-lhe inerente, mesmo que o não admita ou regeite. Enquanto formos seres humanos, membros da família humana, todos nós somos no genes, portadores desses valores espirituais básicos; sem eles, a existência humana torna-se utópica, ou  demasiado árida.

 A maioria das pessoas na terra, não são crentes, logo, devemos descobrir um modo de tentar melhorar a vida para esses muitos bilhões que não estão envolvidos com alguma religião específica; modos para ajudá-los a serem bons seres humanos, providos de moral, sem recorrer a qualquer religião. A extrema importância do calor humano, do afecto e da compaixão para a saúde física, trará a felicidade e a paz de espírito às pessoas. Esta é uma questão muito prática. Não se trata de teoria religiosa, nem de especulação filosófica. É um tema importantíssimo que para mim (Dalai Lama), ele é na realidade a essência de todos os ensinamentos religiosos das diversas tradições.

 Geralmente, quando nos referimos à nossa "mente", estamos falando sobre um conceito abstracto. A natureza da nossa mente é o ganhar familiaridade com ela, pelo menos num nível convencional. Sem ter uma experiência direta da nossa mente, por exemplo, se nos pedirem que identifiquemos a mente, poderemos ser levados a apontar meramente para o cérebro. Se nos pedirem uma definição da mente, podemos dizer que é algo que tem a capacidade do "saber", algo que é "lúcido" e "cognitivo". Porém, sem que tenhamos captado o que é a mente em termos diretos através de práticas de meditação, essas definições não passam de meras palavras.

 Jetsun Jamphel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso (nascido Lhamo Döndrub, em tibetano). Como 14º Dalai Lama, líder e mentor do povo tibetano é considerado por muitos uma das vozes mais lúcidas e comprometidas com a paz; procura estabelecer o diálogo e difundir a necessidade da compaixão no cenário mundial contemporâneo. Foi obrigado a abandonar o Tibete em 1959, altura em que este é invadido pela República Popular da China. É o líder do governo tibetano no exílio, onde ainda permanece.

A Tenzin Gyatso, o décimo quarto Dalai-Lama, com profunda gratidão por sua infinita gentileza, generosidade, inspiração e amizade

Referência Bibliográfica: A Arte da Felicidade, um manual para a vida por Dalai Lama.  Escrito por HOWARD C. CUTLER

FINAL

Arranjo e compilação de

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:22
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2012
REIKI . VIII

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO SOBA*

        “DIANE STEIN” **

 A cura à distância pode também ser usada quando a pessoa está presente. O método mais fácil de transmissão de símbolos e cura a uma qualquer pessoa é termos a foto dessa pessoa entre as mãos e enviar-lhe a energia Reiki. Pode-se ministrar a cura como se as mãos estivessem de facto no corpo da pessoa mantendo a imagem na mente durante a sessão podendo auxiliar-se com uma almofada ou um ursinho de peluche como representação da pessoa a ser tratada. São quatro, as formas de ministrar a cura à distância com o Reiki a saber: 1- imagine-se ao lado da pessoa, ministrando uma sessão de cura directa; 2- imagine a pessoa escolhida e pegue-a na palma das mãos para curá-la; 3- use o joelho e a coxa esquerdos para representar a parte da frente do corpo da pessoa, e o joelho e a coxa direitos para representar a parte detrás; ministre a cura por meio de imposição das mãos; 4- Use uma almofada ou marafona na forma de boneca, ou a própria foto como substituto da pessoa a curar.

  Um curador de Reiki pode ter um símbolo próprio; estes símbolos pessoais são altamente eficientes para a cura de si mesmo após um longo período de aplicação; são uma fusão de todos os três signos do Reiki II que em conjunto melhoram a cura. Em Reiki “pedir uma coisa”, seu equivalente ou algo melhor tem de estar de acordo com o livre arbítrio, sem agredir ninguém e, para benefício de todos. Nós não viemos à terra sozinhos; todos temos um grupo de guias espirituais designados para nos ajudar na cura. A energia da alma humana não é uma única linha isolada, mas uma imensidão de linhas entrelaçadas tal qual uma molécula de DNA. Um curador sempre tem guias que o ajudam na cura. Nós não viemos ao mundo para viver sem ajuda; é através da nossa interacção com guias que se rompe o nosso isolamento. Como praticante do Reiki, eu faço parte do grupo de curadores da Terra. Todos, somos metáforas do corpo da Terra, uma areia minúscula no universo astral criado por Deus. Temos o dever de trabalhar pela paz e harmonia, pela mudança e pela restauração do planeta.

(Continua...)

** - DIANE STEIN é, talvez, a maior divulgadora do Reiki no Ocidente. Autora do livro Reiki Essencial – manual completo sobre uma antiga arte de cura

*- Soba – O compilador deste rascunho extraído do livro de Diane Stein, portador do 2º grau de Reiki pela Dra. Elza Horta de Almancil – Faro (Psicóloga, formada nos Estados Unidos da América)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:56
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Terça-feira, 22 de Maio de 2012
BRASIL EM 3 PENADAS . XXVI

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“MADEIRA – BRASIL”

:Igreja de N. Sra do Pilar situada na Praça Nossa com o mesmo nome no Bairro Recife, foi construída em 1680, sobre os alicerces do Forte de São Jorge. A capela-mor do templo tem o formato de uma abóbada semi-esférica, e é revestida de azulejos lusos raríssimos.

João Fernandes Vieira, senhor de cinco engenhos, querendo ascender na sociedade pernambucana e, porque lhe faltam atributos por nascimento, vê no casamento uma saída para se incorporar à “nobreza vaidosa”, uma característica tão peculiar entre senhores de engenho e lavradores de canaviais ricos que mais não fazem senão dar ênfase às histórias de suas famílias: Os Albuquerque, os Cavalcanti, os Holanda, os Berenguer de Andrade e tantos outros. Em 1643 veio a casar com a jovem D. Maria César Berenguer de Andrade, que com a idade de 14 anos fornece a Vieira o brilho de linhagem nobiliárquica.

 Mural em Olinda

Fernandes Vieira, não obstante prestar serviços notáveis aos holandeses vai procurando tirar o máximo benefício pessoal nesta relação sem contudo, se desligar com a gente mais prestigiada da região, opositores aos invasores, com inclusão dos eclesiásticos sempre renitentes a este. Fundamentalmente, foi devido à sua fé religiosa que o impediu de se ter transformado de colaborador em colaboracionista; servindo-se muitas vezes da amizade com os Mafulos ajudou os seus conterrâneos despendendo sem retorno patacas e florins. Contribuindo para igrejas e irmandades, auxiliou clérigos e soldados portugueses, os prisioneiros “Luso-angolanos” do Arraial do Gango, chegados o Recife em 1643.

 Fortaleza de S. Miguel em Luanda

Recorde-se que o Reino de N´dongo e N´gola com capital em S. Paulo de Assunção de Loanda estava em posse dos Holandeses, Mafulos e, estes prisioneiros foram os que não conseguiram fugir para Massangano, às margens do rio Kwanza aonde se concentraram os restantes moradores de Loanda conjuntamente com os Negreiros, militares e arraia miúda de mocambos e escravos. Loanda foi tomada pelos Mafulos a 26 de Agosto de 1641, seguindo-se a ocupação da Ilha de s. Tomé em Outubro e da cidade de Benguela em Dezembro desse mesmo ano. Os portugueses que ficaram fazendo resistência em Massangano, viriam a juntar-se às forças de Salvador Correia de Sá e Benevides que vindo do Recife, libertou Loanda com a tomada da Fortaleza de são Miguel, um baluarte sobranceiro à baia de Loanda. Convêm recordar que Fernandes Vieira na sua prática de dupla personalidade arriscava a sua posição de poder pois que, era escabino de Maurício, ou seja um magistrado adjunto municipal dos Holandeses em Olinda (Vereador).

Referência Bibliográfica: RESTAURADORES DE PERNAMBUCO de José António Gonçalves de Mello (1967).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:09
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Domingo, 20 de Maio de 2012
FRATERNIDADES . XXII

 {#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO CONSUL

       “O verdadeiro mundo real

Por

Jose Matias José Matias*

Quando lemos as escrituras sagradas deparamo-nos com a diferença entre este mundo e o mundo que a Bíblia nos revela. As escrituras, transmitem algo que os nossos olhos deviam contemplar, e alegrarmo-nos como Deus se revelava aos antigos, enviando ministros como herdeiros da salvação. Estes, resistem com as suas orações, um apelo de protecção a Deus. Nós, ditos cristãos, estamos hoje... acomodados a este mundo em que vivemos travando surdinamente hostes da maldade, avareza ou a usura que nos rodeia? Milíciamos a oração acomodados ao sistema Babilónico que se alheia aos sinais de Deus. A ciência que nos trouxe benefícios, acrescentou-nos a um mundo adverso às escrituras sagradas. Vivemos cegos controlados por leis desajustadas ou mesmo anti-naturais.

 Jardins suspensos da Babilónia

O mundo glorioso que os profetas Bíblicos descrevem, não tem nada a haver com o mundo tenebroso de hoje. O homem, não encontra por si só saída ao pecado e mentira instituídos, porque jaz no maligno. Jacob tinha uma escada metafórica (Canal astral) ligando-o ao Altíssimo aonde os anjos, subiam e desciam. Moisés viu a Deus na sarça-ardente; Isaías, com cânticos enchendo o templo, viu Jesus no sublime trono. Apocalipse, com suas descrições, focou o encanto de estranhas criaturas atentas ás atividades da TERRA e CÉU.

 Moises e a sarça.ardente

Será que estamos cegos para ver o invisível? Estamos na realidade entregues a este mundo cuja ciência só é valida ao tratar de coisas materiais, e nada acerca do Deus, do mundo espiritual.  Não nos opomos á ciência, mas iremos colocar as nossas limitações, pois ela não nos tráz a contemplação do mundo de que fala a Bíblia . Nós, o povo redimido, disfrutamos da aliança eterna, cujo sangue de Jesus nos deu acesso á contemplação do mundo REAL. temos que crêr que podemos disfrutar a presença de Deus, juntamente com os seus mensageiros celestes. Ou será que não? Pois só a incrédualidade nos pode privar de tal BENÇÃO.

*Gentileza de José dos Ramos Matias em seu blogue: http://a_certeza.blogs.sapo.pt (Cônsul honorário do reino de Manikongo em Johannesburg) - Kimbo.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:23
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KIANDA . XXIX

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “Divagações“

 As providências nefastas da Kianda Januário Pieter, já se faziam sentir em mim pelas ausências taciturnadas nos misteriosos e inconvenientes desvios ao bom senso. E, eis que me encontro nem sei como, num ambiente irreal, já experimentado nas escarpas de Toledo e Serra Nevada de Granada. Estava mesmo rodeado de gente estranha, com vestimenta de piratas que comiam exóticas tapas elaboradas de esquisita forma. Prudentemente, desviei-me de um encontrão pela certa, com um homem de camisa aberta, peito peludo, orelha brincada com arrecadas e dois punhais embainhados em cabedais trabalhados a pender do largo cinto. Um laço preto de sebeiroso ornava a testa meio calva com uma caveira, daquelas com tíbias cruzadas do jeito das caribenhas. O diabo em forma de gente escolhera esta perturbação para me tentar; mortificado para fugir dali, um quadro de miséria física entre tarefeiros, pobres catadores de sobras, aceitando a troco de muito pouco, fazer quase tudo.

 E, que sítio este para pernoitar, trazido por ninguém, congelada de temor pela curiosidade de conhecer o que estaria por detrás desta estadia alucinada. Surgiu um frade carregado de mesuras e sorrisos feitos em sincero tom, pequenino, tinha um cabelo em rolinhos presos a missangas coloridas, descurados no desalinho; A dita carapinha respigava dum capuz de serapilheira surrada de marrom; no rosto, salientava-se um nariz batatudo. Seus poucos dentes, não sendo perfeitos, não eram de todo desagradáveis mas, denotavam algum desmazelo; os mais alvos davam a impressão de terem sido serrados enquanto cresciam, porque eram demasiado pontiagudos. Revirou os olhos em redor e confidenciou-me estar ali como médico, kimbanda de lavar alma e consciências desavindas, como a minha. Mesmo sem minha permissão, num recanto afastado daquela balbúrdia, um lugar de cheiro intenso de hortelã-pimenta e arruda, foi dando relato dos seus afazeres.

 Depois de invocar a Santíssima Trindade e de explicar unguentos para os mais variados achaques, cada um de nós bebeu uma caneca de chá cachinde acompanhando com uns biscoitos rijos como cornos mas, saborosos. Já mais refeito daqueles pútridos ares pude ler um seu receituário kimbanda indexando várias moléstias das várias partes do corpo humano; de receitas para quase todos os males, febres, olhos, e mezinhas: Recomendava por exemplo para a queda do cabelo a aplicação de uma lixívia feita com cinzas de excrementos de pomba; para os excessos de fluxos do ventre, recomendava que se comesse excrementos dum cão que como ossos. A poção para soltar o ventre, é na base de fel-de-toiro, aloés, sal-gema, e azeite. Agoniado com estes apêndices, paro no capítulo contra males de verrugas e queimaduras de fogo. Ao ler o folheto, receituário do “Thesaurus pauperum”, não tive dúvidas que este frade era um enviado da Kianda Pieter para me fazer pestanças. Isto era só o início dum mau presságio, só porque me desinteressei das coisas dele, desentendidas. Estava bem fresca a comenda “um dente de São Fortunato” a entregar ao príncipe de Portugal: A caixa surrada com um dente canino. Como podia perdoar tal falsidade!

(Continua…)

*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:46
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Sábado, 19 de Maio de 2012
PIAÇABUÇU . V

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

       “DOS JESUITAS AOS TUBARÕES” . 2

 Dedo torto

Nunca vi um padre jesuíta dar uma risada, e os professores leigos que trabalhavam lá, eram do mesmo jeito. Os alunos não se atreveriam a falar com os amigos ali do lado, durante a aula; um rigor de estátua. O horário era seguido à risca, e era respeitado. Todos os dias antes das aulas, havia reza lá pelas 6, 7 da manhã e, um dia, esqueci meu missal. O padre deu-me uma penalidade pelo esquecimento: escrever à mão, com uma caneta de tinteiro, (como era naquela época) “Não posso esquecer meu missal”; isto, 500 vezes e, tinha uma semana para entregar. Meu dedo indicador até hoje, … está torto! Minhas dúvidas enquanto questão religiosa, começou aos 14 anos. Comecei a ver a religião como quem está de fora, distanciando-me com outros olhos, só observando.

 Ateu convicto

Era católico por costume, pois que nasci de pais com essa religiosidade. Se tivesse nascido de pais budistas, muçulmanos, evangélicos ou lá o que fosse, eu teria essa mesma religião. A ÚNICA e VERDADEIRA! Ai, tem coisa que não bate... Assim, os 18 anos, após a chegada ao Brasil virei ateu convicto. Na Bélgica tive uma vida como a de qualquer menino mas, o ir para a escola, transtornava a minha vontade... E, porque nunca estudei para uma prova, logicamente tirava notas baixas. Estava sempre presente na aula com minha cabeça, mas o pensamento rolava por outras bandas. Um tal de Sr. Ooms, logo no primeiro dia mandou abrir um livro grosso; na capa estava escrito QUIMICA. Ele falou com voz rouca, típica nele... “Leiam, cada qual para si mesmo”. E assim a cada aula, repetia... ”Leiam...”. Nunca explicou nada e, foi assim que o ano terminou, sem nada sabermos. Eu, era bom a matemática, francês, Inglês, Latim, Grego, história e geografia. Péssimo em atividades desportivas (que quase não tinha naquele tempo), em canto e religião com oral. Era, e sempre fui um zero em química.

  Piaçabuçu

Mesmo assim tive uma infância feliz, pela qual agradeço a meus pais, que infelizmente herdaram essa religião. Minha mãe sempre teve crises de vesícula; na Bélgica, quando ficava nervosa, o ambiente era de ficar com os nervos à flor da pele, sempre! Tinha vários ataques na semana obrigando-a a rolar pelo chão com dores. Conto isto por curiosidade porque bastava beber uma água-tónica para tal ataque passar; e, geralmente resolvia o caso. Já no Brasil, as coisas mudaram. Minha mãe, não mais, teve essas crises. Nunca mais se falou de igrejas, nem as visitou. Minha mãe acreditava num Deus, que aquela igreja não tinha. O meu irmão procedeu do mesmo modo e, só meu pai ficava na dúvida preferindo não dizer que Deus era uma utopia. Graças ao Brasil, só EU em minha família se predispôs a essa liberdade. 

 Utopia e liberdade

Apreciação do Soba: Fica notória a exaltação do EU no texto, uma prova evidente de ego forte; Um exagero exacerbado essa do dedo torto pela escrita repetitiva, uma excrescência descabida, talvez; Ser ateu só por ser sem dar ênfase ao credo não tem valia, nem o sub-consciente concente; Ao desdenhar de Deus, está traindo-se ao enaltece-lo com D grande, uma contradição involuntária; O seu pai, está lá em cima? Aonde? Com quem? Outra contradição; Convicto?!... aos 18 anos?

De um livro de uma vida, não editado, compilado com ligeiras correcções ortográficas ao texto original de Roeland Emiel Steylaerts por

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:42
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
CAFUFUTILA . XVII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

 “Idosos, Álcool e o Alzheimer”


Kimbo

ESPETACULO DE NOTÍCIA! Idosos que ingerem álcool têm menos chance de ter demência e Alzheimer

De acordo com pesquisadores, não foram observadas diferenças significativas com o tipo de bebida alcoólica consumida. Um novo estudo divulgado pelo Instituto Central de Saúde Mental de Manheim, na Alemanha, revelou que idosos que continuam a desfrutar da bebida alcoólica são menos propensos a desenvolver demência e Alzheimer. Segundo o jornal britânico Daily Mail, pesquisadores descobriram que idosos que bebem uma quantidade moderada de álcool possuem 30% de menos probabilidade de desenvolver demência e 40% menos chances de sofrer de Alzheimer, doença degenerativa, do que aqueles que não consomem esse tipo de bebida. Os cientistas pesquisaram idosos com 75 anos ou mais que gostam de beber uma cerveja por dia ou um copo de vinho.

 O Mal de Alzheimer ou simplesmente Alzheimer é uma  atualmente incurável mas que possui tratamento.  Foi descrita, pela primeira vez, em 1906, pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, de quem herdou o nome. É a principal causa de demência em pessoas com mais de 60 anos no Brasil e em Portugal.

A equipe do instituto estudou mais de 3.000 pessoas nessa idade – elas estavam livres de demência no início do estudo. Os pacientes foram examinados duas vezes a cada 18 meses. De acordo com um dos professores responsáveis pela pesquisa, Siegfried Weyerer, 217 idosos apresentaram sintomas de demência no decorrer do estudo. – Aqueles que consumiam álcool tinham cerca de 30% menos de demência e 40% menos de Alzheimer do que os idosos que não consumiam nada. Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças significativas de acordo com o tipo de bebida alcoólica consumida.

 Alois Alzheimer

Nos últimos 31 anos, a associação entre o consumo moderado de álcool e a função cognitiva foi investigada em 71 estudos envolvendo 153.856 homens e mulheres de várias locais com diferentes padrões de consumo. Segundo o médico Harvey Finkel, do Centro Médico da Universidade de Boston, "a idade não é razão para abstinência". - É preciso lidar com pessoas idosas viciadas no álcool com mais responsabilidade do que com os jovens. Mas eles podem tirar mais benefícios para a saúde do consumo moderado do álcool. Não é uma boa notícia! Mãos ao copo!

Cafufutila: -farinha de mandioca simples misturada com açúcar; falando de boca cheia lançam-se falripos dessa farinha, fuba ou bombô que perturba o interlocutor; perdigotos ou gafanhotos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:45
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
BRASIL EM 3 PENADAS . XXV

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

       “MADEIRA – BRASIL”

 Bandeira da Companhia das Índias Ocidentais

Após a rendição do forte de São Jorge em Junho de 1625, Fernandes Vieira estabeleceu ligações estreitas com o holandês Jacob Stachouwer e, por mútuos interesses aprofundaram relações comerciais num crescendo notório. Stachouwer acompanhou o cerco do arraial na qualidade de conselheiro político da Companhia das Índias Ocidentais. Segundo escritos de gente ligada ao clero, Fernandes Vieira teria servido de informante da soma que cada um dos moradores rendidos no Arraial Velho do dito forte de São Jorge, poderia pagar pelo seu resgate e, até teria apontado os possuidores de ouro e prata. Daí ser apontado pelo “Capelão” como homem pouco escrupuloso e, com uma grande ambição de fazer fortuna. Vieira, perspicaz como era, deveria ter-se apercebido das possibilidades de fazer fortuna em negócios ou serviços prestados aos invasores; outra forma de proceder, seria ficar sem apoio para que e,  em surdina no momento próprio, poder  dar volta à situação que lhe aprouvesse.

 Maurício de Nassau

O que de início não passou de mera prestação de serviços, depois associado nos negócios, veio a ser mais tarde verdadeira colaboração com os mafulos dominadores, o que explica a grande animosidade que contra ele manifestavam seus patrícios, que à socapa, se empenhavam na campanha da restauração. A terra, estava devastada, engenhos queimados, a escravaria fugida, oficiais e lavradores dos engenhos emigrados e desorganizados. Insurrectos campanhistas percorriam as terras em poder dos mafulos incendiando e matando. A aversão aos invasores holandeses era forte. Os engenhos em posse dos mafulos clamavam por negros de Angola que não chegavam. Faltando a estes a experiência necessária para fazer tocar os engenhos, e porque não estava na política da companhia organizar colonatos, não tiveram outra saída senão dar feitorias aos antigos donos e, é na qualidade de feitor de Jacob Stachouwer a que Vieira ascende; primeiro como feitor dos engenhos e mais tarde procurador do mesmo.

 Dominio holandes no Nordeste Brasileiro
Por parte da Companhia das Índias Ocidentais, não só não houve qualquer iniciativa séria em favor da colonização rural, como não se tentou interessar a arraia-miúda, os Huguenotes, no ofício dos engenhos; estavam todos virados para a o cabo Sul da África aonde vieram a instalar-se com sucesso. Os flamengos, escoceses, franceses, ingleses e israelitas judeus, cristãos novos, aventureiros que passaram então no Brasil, fizeram-se em grande número negociantes de comércio e profissionais burgueses; refaziam assim, a sua periclitante vida em prosperidade tolerada. A vida rural, continua assim na inteira dependência dos luso-brasileiros, não obstante estarem os mafulos cientes da “má fé dos portugueses”. Foi pelos serviços prestados a Jacob Stachouwer que Fernandes Vieira conseguiu ascender na confiança dos próprios mafulos do governo. Convêm fazer referência que, entretanto em Angola na posse dos holandeses, negreiros flamengos e portugueses iam prosperando, comprando negros com n´zimbos, conhas de fazer zingarelhos, recebendo em troca baús de florins e patacas bem cotados nas praças de Amesterdão e Antuérpia.

Referência Bibliográfica: RESTAURADORES DE PERNAMBUCO de José António Gonçalves de Mello (1967).

Mafulo: Nome dado aos Holandeses em Angola (N´Gola).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:39
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
MOKANDA DO SOBA . XII

POR UM DIA FUI CAMÕES” - Eu, um branco de 2ª

 Soba T´Chingange

Corria o ano de 1958 em são Paulo de Assunção de Loanda, quando candengue dos meus 12 anos, tive de representar Camões, nobre figura da história da Lusofonia. A vida corria mansa por aquela pacata cidade de Angola e, estava na pauta das autoridades de educação festejar o dia de Camões e  de Portugal. Tudo isto, a fim de recordar a soberania do povo Luso. Nós só conheciamos a Luanda como capital da nossa terra mas os livros recordavam que lá do outro lado do mar havia um Terreiro do Paço, com uns senhores que  por detrás dumas imponentes arcadas palacianas mandavam no império de Álem-mar, as Provincias Ultramarinas. As escolas da Cidade de Luanda teriam de pôr em teatro essa efeméride e, foi escolhida para tal efeito a Escola Primária nº 8, que ficava perto da Liga Africana. Afinal Luanda estava àquem de Lisboa na hierarquia geográfia e nós putos desconheciamos que a Mutamba, afinal, não era  nem a capital do Puto nem o centro do mundo.   
  

 
Largo da Escola de Aplicação e Ensaios. 1958 (D. Afonso Henriques)

Como bom aluno da Escola de Aplicação e Ensaios, no Largo D. Afonso Henriques, um pouco mais acima do Cinema Nacional e não muito
longe do Cine Restauração fui escolhido para representar tal figura épica do mundo Luso e, levei dias a ensaiar em casa da minha professora lá para os lados do Bairro-do-Café. Sem saber bem o que me esperava, ia aprendendo os versos das armas e barões assinalados dum lugar chamado de Taporbana. Eu, que só conhecia o Catambor, a Maianga com seu Rio-sêco, o Malhoas, o Prenda e  Samba das mabangas, ia adquirindo os saberes eruditos com musas e ninfas morenas bailando a marionheiros embasbacados numas ilhas paradisiacas. O grande dia de dez de Junho chegou e, lá estava eu no palco dando a conhecer aos putos, candengues, as cenas desse antigamente  com o rei de Leão, o D. Afonso Henriques e Dona Tereza sua mãe, Dom Sebastião e os mistérios do mar com Bartolomeu Dias e Vasco da Gama  a fazer gaifonas ao Adamastor, um gigante tenebroso dos mares do sul.

: Alunos da Escola Primária nº 8 (desse tempo)

As minhas barbas, coladas com grude de marceneiro, um cheiro constante do tipo cola, snifavam-me o entusiasmo em cada desce-pano, sobe-pano. Alí, como figura principal, em traje da época, ficava eu especado olhando as cenas. As palmas sucediam-se a cada cena mais exótica e, grudado ao palco e bigode, em geito de galanteio antigo curvava-me às gentes, meninos e meninas garinas do meu reino. Nos dias e meses que se seguiram já só era conhecido por camões

 Luis Vaz de Camões

As moças cafecos, apontando-me: - olha o Camões e, eu gingava vaidade pelos poros, fazendo banga. Nunca mais esqueci aquela cola de grude mal cheirosa que tive de suportar durante o espectáculo. 54 anos depois, recordo aqueles dias de Luanda, da Praia-do-Bispo ao Prenda, do Sambizanga ao Bairo do Café ou da Terra Nova  aos Coqueiros, como um sonho. E, afinal foi mesmo esta fantasia de vida que me marcou. Tive de vir a Terras de Vera Cruz para ultimar esquecimento de coisas mal paridas. Tal como Pedro Álvares Cabral, vim achar o mundo, redescobrir novas anharas, sertões com nomes de agreste com caatinga e frutas de sape-sape com nome de graviola.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:01
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Terça-feira, 15 de Maio de 2012
MUXIMA . XXV

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       “Arte da Felicidade” - XV

 Cada um de nós, tem o direito de ser uma pessoa feliz e, todos têm o direito de superar o sofrimento; portanto, se alguém extrai felicidade ou benefícios de uma tradição religiosa em particular, torna-se importante respeitar os direitos e as principais tradições religiosas dos outros. As práticas espirituais, estão associadas ao desenvolvimento e treinamento da nossa mente, das atitudes, do estado de bem-estar emocional e psicológico. A verdadeira espiritualidade é uma atitude mental que se pode praticar a qualquer hora e não deveríamos restringir nosso entendimento da prática espiritual em termos de algumas atividades físicas ou atividades verbais, como recitar orações ou cantar. Se nos encontramos em uma situação na qual nos sentimos tentados a insultar alguém, imediatamente devemos tomar precauções a nos impedir de agir dessa forma. De modo semelhante, se nos encontrarmos em uma situação na qual possamos perder as estribeiras, imediatamente fiquemos alerta dizendo a nós mesmos que não, não é essa a atitude adequada. Na realidade, isso é prática espiritual.

 Aqueles que têm uma fé inabalável em Deus costumam conseguir resistir a severas provações graças à sua crença num Deus amoroso e onisciente; um Deus, cujos desígnios nos pode parecer obscuro no momento, mas que, na Sua sabedoria, acabará revelando seu amor por nós. Com fé nos ensinamentos da Bíblia, essas pessoas podem extrair conforto de versos tais como Romanos 8:28: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto." Crenças religiosas firmemente enraizadas podem dar-nos um profundo sentido de objetivo, conferindo significado à nossa vida. Essas crenças podem fornecer esperança diante da adversidade, do sofrimento e da morte ajudando-nos a adotar uma perspectiva eterna, permitindo-nos sair de dentro de nós mesmos dominando os problemas diários da vida.

 Durante anos, no Líbano, várias seitas de muçulmanos estiveram em guerra com os cristãos e os judeus, guerra alimentada pelo ódio violento de todas as partes e que resultou em atrocidades inomináveis cometidas em nome da fé. É uma velha história, que infelizmente já se repetiu demasiadas vezes ao longo dos tempos e que lamentavelmente continua a repetir-se no mundo moderno através da jahid e intifada islâmica. Em conseqüência desse potencial gerador de dissensão e ódio, é fácil perder a fé nas instituições religiosas tendo levado algumas figuras religiosas, tais como DalaiLama, a tentar isolar aqueles elementos de uma vida espiritual que possam ser universalmente aplicados a qualquer indivíduo;  isso só propiciará felicidade, seja qual for a sua tradição religiosa acreditada, omitida ou recusada.

Referência Bibliográfica: A Arte da Felicidade, um manual para a vida por Dalai Lama.  Escrito por HOWARD C. CUTLER

Arranjo e compilação de

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:48
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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
KAZUMBI . XXIII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

       “Fundação Cidade de Guimarães” CONTRA FACTOS...

 Brazão de Guimarães (Ver Fundação Cidade de Guimarães)

Folha salarial (da responsabilidade da Câmara Municipal) dos administradores, da Fundação Cidade de Guimarães, criada para a Capital da Cultura 2012:

Jorge Sampaio . Presidente do Concelho Geral
 - 14.300 € mensais + Carro +Telemóvel + 500 € por reunião

 João Serra . Presidente do Concelho de Administração

- 14.300 € mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião - (Substituiu  Cristina Azevedo que foi demitida)

Carla Morais - Administradora Executiva
- 12.500 € mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião

Manuel Alves Monteiro - Vogal Executivo
- 2.000 € mensais + 300 € por reunião

Todos os 15 componentes do Conselho Geral, de entre os quais se destacam Jorge Sampaio, Adriano Moreira, Diogo Freitas do Amaral e Eduardo Lourenço, recebem 300 € por reunião, à excepção do Presidente (Jorge Sampaio) que recebe 500 €

 Cidade de Guimarães

Em resumo: 1,3 milhões de Euros por ano (dinheiro injectado pelo Estado Português) em salários. Como a Fundação se vai manter em funções até finais de 2015, as despesas com pessoal deverão ser de quase 8 milhões de Euros!!! Reparem bem: Administradores ganhando mais do que o PR e o PM! Esta obscenidade acontece numa região, como a do Vale do Ave, onde o desemprego ronda os 15 %!!! Alguém acredita em leis anti-corrupção ?

 Sr. Dom Afonso Henriques, patrono de Portugal, por favor… É necessário respeito pelos Portugueses e acabar com esta vergonha financeira desde a criação desta malfadada fundação, onde todos ganham dinheiro a rodos, tendo alguns as reformas mais altas de Portugal. Mas não é só esta fundação; devem ver todas! Soares, Figo, Berardo etc. etc. Depois… Contar despesa, é com funcionários públicos e restantes trabalhadores. A coragem do seu primeiro-ministro não deve ser só com o pobre do Zé. Ah! Já agora, lembro-lhe Sócrates que vive á grande e afrancesa. Mais um exemplo vergonhoso do país das cunhas, que motiva troça por esse mundo.

KAZUMBI: Feitiço; pouca sorte; coisas de kazucuta (malabaristas, pais de santo e mwangolés); macumba obscura.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:23
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Domingo, 13 de Maio de 2012
MUSSENDO DO BRASIL . X

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO EMBAIXADOR*

       “RICOS E RIQUESA“ . Brasil . 2ª Parte

Por


Carlos Ferreira Carlos Ferreira *

A maior desgraça de uma nação, é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. (Mia Couto de Moçambique)

Na véspera, a ministra do Planeamento, Miriam Belchior, reafirmou a intenção do governo de investigar todas as denúncias que envolvem a Delta Construções, maior empreiteira do PAC e corrigir eventuais irregularidades. A empreiteira, com acesso franqueado aos governos estaduais do Rio de Janeiro e de Goiás, é citada na Operação Monte Carlo, que prendeu o bicheiro Cachoeira. O director regional de Brasília e Goiás, Cláudio Abreu, é apontado como integrante do esquema de Carlinhos Cachoeira «- Isso vai ser investigado. De qualquer maneira, qualquer irregularidade terá de ser corrigida, como a gente sempre faz cada vez que elas são identificadas - disse a ministra». A Delta Construções recebeu do governo de Marconi Perillo, entre Janeiro de 2011 a Março deste ano, R$ 151,5 milhões em contratos licitados, segundo informações do site ComprasNet, da Secretaria estadual de Gestão e Planeamento, e do Transparência Goiás. Em 2010, por sua vez, na gestão do então governador Alcides Rodrigues, a administração estadual pagou à Delta cerca de R$ 46,7 milhões em serviços de custeio para manutenção de atividades de instâncias de governo. O que chega a ser oito vezes mais do que em 2009, quando a empresa recebeu apenas R$ 5,5 milhões.

 Dos contratos realizados nos últimos 13 meses entre a Delta e o governo de Goiás, 11 deles foram com a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), principalmente para a execução de obras realizadas em rodovias. Dois outros convénios foram relacionados à secretaria estadual de Segurança Pública (SSP), referentes à locação de automóveis e a obras. No Estado do Rio, a empreiteira recebeu, em 2001, R$ 47 milhões, em 2002, R$ 61,8 milhões, em 2003, R$ 15,1 milhões, em 2004, R$ 76,1 milhões, em 2005, R$ 142,8 milhões, em 2006, R$ 163,9 milhões, em 2007, R$ 67,2 milhões, em 2008, R$ 126,8 milhões, em 2009, R$ 243,4 milhões, em 2010, R$ 554,8 milhões, em 2011, R$ 358,5 milhões e, até agora em 2012, R$ 138,4 milhões. Na Prefeitura do Rio, a Delta também conseguiu fechar contratos milionários, entre 2008 e 2011, no total de R$ 420,2 milhões. Deste total, R$ 186,7 milhões na gestão do actual prefeito, Eduardo Paes (PMDB), em contratos com obras de urbanização e na locação de veículos e equipamentos de limpeza urbana. O último deles, fechado em Agosto do ano passado, refere-se à implantação do Parque de Madureira, estimado em R$ 71 milhões. O restante foi pago à Delta Engenharia na administração do ex-prefeito Cesar Maia (DEM), que também deverá ser chamado a depor na CPMI do Cachoeira.

CPMI: Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) é uma investigação conduzida pelo Poder Legislativo.

Mussendo: Conto de raiz popular, missiva em forma de mukanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola).

* Carlos Ferreira: Embaixador do Kimbo nos mangais em terras de Vera-Cruz – Maceió . BR

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:30
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Sábado, 12 de Maio de 2012
XICULULU . XIX

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO CONSUL KELLER . AL..BR

       “NIÓBIO” - 4ª Parte
 Nióbio . mineral

A questão do nióbio é tão vergonhosa que na realidade o mundo todo consome l00% do nióbio brasileiro, sendo que os dados oficiais registaram como exportação somente 40%. Anos e anos de sub-faturamento tem acumulado um prejuízo para o país de bilhões e bilhões de dólares anuais. O que está ocorrendo é que o Brasil está vendendo, quase doando, todas as suas riquezas de qualquer jeito e recebendo o pagamento em moeda podre, sem qualquer valor, ficando caracterizada uma traição ao país e ao povo brasileiro. Nióbio, o metal que só o Brasil fornece ao mundo. Uma riqueza que o povo brasileiro desconhece, e tudo fazem para que isso continue assim.

 Aplicações do Nióbio . Nisseis

Como é possível o fato do Brasil ser o único fornecedor mundial de nióbio (98% das jazidas desse metal estão aqui), sem o qual não se fabricam turbinas, naves espaciais, aviões, mísseis, centrais eléctricas e super aços; e seu preço para a venda, além de muito baixo, seja fixado pela Inglaterra, que não tem nióbio algum? EUA, Europa e Japão são 100% dependentes do nióbio brasileiro. Como é possível em não havendo outro fornecedor, que nos sejam atribuídos apenas 55% dessa produção, e os 45% restantes saindo extra-oficialmente, não sendo assim computados. Estamos perdendo cerca de14 bilhões de dólares anuais, e vendendo o nosso nióbio na mesma proporção como se a OPEP vendesse a 1 dólar o barril de petróleo. Mas petróleo existe em outras fontes, e o nióbio só no Brasil; podendo ser uma outra moeda nossa. Não é um descalabro alarmante?

 Amazónia . exploraçãop de Nióbio
O publicitário Marcos Valério, na CPI dos Correios, revelou na TV para todo o Brasil, dizendo:
“O dinheiro do mensalão não é nada, o grosso do dinheiro vem do contrabando do nióbio”. E ainda: “O ministro José Dirceu estava negociando com bancos, uma mina de nióbio na Amazónia”. Ninguém teve coragem de investigar… Ou estarão todos ganhando com isso? Soma-se a esse fato o que foi publicado na Folha de S. Paulo em 2002: “Lula ficou hospedado na casa do dono da CMN (produtora de nióbio) em Araxá-MG, cuja ONG financiou o programa Fome Zero”. As maiores jazidas mundiais de nióbio estão em Roraima e Amazonas (São Gabriel da Cachoeira e Raposa – Serra do Sol), sendo esse o real motivo da demarcação contínua da reserva, sem a presença do povo brasileiro não-índio para a total liberdade das ONGs internacionais e mineradoras estrangeiras.

Mais informes: edvaldotavares@uol.com.br

*R. Keller: -Distinto Consul do Reino de Manikongo nas terras de mangue com sirí.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
REIKI . VII

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO SOBA**

       “DIANE STEIN” *

 Surrealismo

A cura à distância, embora simples, desenvolve capacidades mediúnicas e, esta, é uma das consequências ao se tornar um agente de cura do Reiki II. A cura à distância ocorre ao nível da mente consciente como num trabalho de libertação kármica seguindo o conceito budista de que toda a realidade é criada pela mente a partir do nada. O Reiki II muda o agente de cura interiormente e sua relação com o mundo; a pessoa começa a se sentir e a pensar de modo diferente expandindo a consciência para novas realidades; sonhos que pareciam fantasia tornam-se realidades na vida diária, e os riscos até então inaceitáveis, tornam-se opções rotineiras. A cura à distância, é basicamente um processo de visualização em estado de meditação; a visualização ou imaginação cria na mente uma representação da pessoa que necessita da cura, através de fotos e os cinco sentidos como a visão, audição, olfacto e tacto. Imagine uma rosa, usando um ou mais dos sentidos e dê a ela o nome da pessoa a ser curada.

 5 sentidos

Transmita energia Reiki à rosa e observe-a florescer e, então dissolva-a. É esta a essência de uma cura à distância. Pode usar-se um objecto que faça lembrar essa pessoa. Concentre-se em um lugar tranquilo na forma sumária de meditação na visualização da pessoa a curar; ter uma vela acesa por perto de si e junto do objecto menção, é benéfico para o efeito destinado na meditação; respire fundo algumas vezes e acalme-se; olhe para a chama da vela e imagine a pessoa que deseja curar. Esta cura só deverá ser feita com permissão e, a pedido. Se não houver resposta clara do eventual paciente, transmita energia de cura com a intenção de que esta actue somente se for aceite com boa vontade.

 Rosa de porcelana

É anti-ético forçar alguém a curar-se: Pessoas e animais têm o direito de se apegar às próprias doenças, se assim o quiserem. O curador, enquanto medita, deve escolher uma cor de acordo com o que a intuição lhe diz sobre a necessidade do receptor excluindo o branco ou a não-côr e, depois envie os símbolos já definidos preenchendo a “aura da pessoa com a luz dourada” como se fosse uma mensagem. Termine a meditação dissolvendo a rosa imaginada, anteveja a cura no imaginário do paciente e, concentre-se no ambiente ao seu redor. Com a prática da meditação a visualização, embora demorada, ocorrerá e se desenvolverá com a prática. È como exercitar um músculo; quanto mais se usa, mais forte ele se, torna. Quando não se pratica este tipo de cura, mais o curador se torna forte. Este processo simples que envolve visualizar uma pessoa e se concentrar nela, transmitindo-lhe a luz e os símbolos do Reiki, imaginando-a em seu bem esta, tem efeitos profundos.

* - DIANE STEIN é, talvez, a maior divulgadora do Reiki no Ocidente. Autora do livro Reiki Essencial – manual completo sobre uma antiga arte de cura

**- Soba T´Chingange – O compilador deste rascunho extraído do livro de Diane Stein, portador do 2º grau de Reiki pela Dra. Elza Horta de Almancil – Faro (Psicóloga, formada nos Estados Unidos da América)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:35
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
KAPIKUA . IX

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

       “ Milagres”8ª Parte

Citando

Joseph Murphy - Membro da Universidade Andhara de Pesquisa Índia

Aquele que Deus criou como Seu Filho não é escravo de nada, nem do tempo, sendo senhor de tudo junto com o seu criador. Pode escravizar-se um corpo, mas uma ideia é sempre livre, incapaz de ser mantida na prisão ou de qualquer modo limitada, excepto pela mente que a pensou. Ela, a ideia, permanecerá unida à sua fonte, que é o seu carcereiro ou seu libertador, de acordo com o que ela escolheu como propósito para si mesma. Os agnósticos esperam mais umas quantas gerações para definir-se em uma filosofia mais inovadora; entretanto falam com foros de alforria mas, continuam escravos dum subconsciente etéreo chamado de alma. Entretanto, os demais, partilham rezas por eles, redimindo-os de escrúpulos, falsa modéstia ou mesmo falsa humildade… Hipocrisia, talvez… São Tomé passou por isso.

: Partilhar rezas

Todas as pessoas são dotadas de poder psíquico e podem em pouco tempo adquirir consciência de ocorrências e experiências que transcendem os cinco sentidos. Você pode aprender fácilmente a usar esses poderes psíquicos extraordinários para beneficiar sua vida diária a tal ponto que ficará assombrado. Um enorme número de todas as classes sociais está constantemente lidando com poderes tais como: clarividência, pela qual a pessoa percebe coisas e situações à distância; premunição, a capacidade de ver acontecimentos futuros ocorrerem agora na nossa mente; telepatia, por meio da qual a gente se comunica mentalmente com outras pessoas, eliminando restrições de tempo e espaço; e retro-cognição, a capacidade de ver acontecimentos no passado. Todos estes poderes estão latentes em todos nós.

 Telepatia . Miró

Pessoas, usando da percepção extra-sensorial ou psíquica, salvaram a vida de entes queridos evitando acidentes ou desastres financeiros para si mesmos, e muitas mais coisas de significação vital na complexa vida quotidiana. A Presença Curadora Infinita que existe dentro de cada qual, fornece as técnicas específicas para pôr em actividade, imediatamente, os seus poderes extra-sensoriais para seu proveito prático. Isto é milagre. Os pressentimentos bem como os sonhos têm proporcionado bem-estar a muita gente. Em suma, a premunição, técnicas para erradicar as predições negativas, a viagem astral e a percepção psíquica é um dom que pode ser cultivado. Eu próprio, descrente de tanto ser, que mal conjugam o verbo ter, voluntariamente, inscrevi-me para uma viagem astral; trata-se de uma rocha, um astróide que periódica mente passa perto da terra e que tem a água necessária para cobrir as minhas necessidades e uns quantos mais desencantados com esta conduta terrena. O meu número na lista é kapikua*: 999.

 Nº 999: – A gestação, a busca proveitosa, o término de uma obra, a recompensa final. É o número da plenitude, das esferas celestes, dos coros angélicos (no Cristianismo é o número dos coros dos anjos celestiais), das musas. Quadrado de 3, representa a universalidade – símbolo da Fé Bahai. Sendo o último número de um algarismo, ou o último do ciclo, ele traz uma visão mais ampla do mundo e das pessoas, relaciona-se ao fecho do círculo. É considerado no esoterismo, o número da perfeição e está associado a perfeição moral e ao consciente, trazendo assim o conhecimento, a sabedoria, a paciência, o senso, a dedicação e a prudência. É o número do humanismo, da generosidade, tem uma forte intuição e imaginação. Geralmente gosta de grandes viagens. O lado negativo vem quando a capacidade de compreensão da vida é mal aplicada, servindo para fins prejudiciais.

*KAPIKUA (capicua): O que se lê igualmente da direita para a esquerda ou vice-versa e ao qual se atribui boa sorte.

Bibliografia de consulta: Um curso em milagres da Fundação para a paz interior e a magia do poder Extra-Sensorial por Joseph Murphy.

(Continua…)

 Adaptação de

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:16
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
MOKANDA DO SOBA . XI
“CAMARATE 1980” - 3ª de 3  Partes

 Carta de Farinha Simões (De bigode) - Finalmente a extensa verdade. Os americanos são mesmo os piores amigos que um país pode ter e, Portugal, é um país de falsários.

 Junta de Salvação Nacional

A Junta de Salvação Nacional era composta por sete elementos. Nesta fotografia podemos ver, da esquerda para a direita: os almirantes Rosa Coutinho e Pinheiro de Azevedo, e os generais Costa Gomes, António de Spínola, Jaime Silvério Marques e Galvão de Melo. O general Diogo Neto, também membro da Junta, encontrava-se, na altura, em Moçambique. 

Nos referidos documentos vi também que as vendas de armas eram legais através de empresas portuguesas, mas também havia vendas de armas ilegais feitas por empresas de fachada, com a lavagem de dinheiro em bancos suíços e "off-shores" em nome dos detentores das contas, tanto pessoas civis como militares. As vendas ilegais de armas ocorriam por várias razões, nomeadamente: Em primeiro lugar muitos dos países de destino, tinham oficialmente sanções e embargos de armas. Em segundo lugar os EUA não queriam oficialmente apoiar ou vender armas a certos países, nomeadamente aos contra da Nicarágua, ou ao Irão e ao Iraque, a quem vendiam armas ao mesmo tempo, e sem conhecimento de ambos. Em terceiro lugar a venda de armas ilegal é mais rentável e foge aos impostos. Em quanto lugar a venda de armas ilegal permite o branqueamento de capitais, que depois podiam ser aproveitados para outros fins. Entre os nomes que vi referidos nestes documentos figuravam:

- José Avelino Avelar

- Coronel Vinhas

- General Diogo Neto

- Major Canto e Castro

- Empresário Zoio

- General Pezarat Correia

- General Franco Charais

- General Costa Gomes

- Major Lencastre Bernardo

- Coronel Robocho Vaz

- Francisco Pinto Balsemão

Junta Governativa de Angola

Da esquerda para a direita: Capião de Mar e Guerra Leonel Cardoso, Brigadeiro  Altino de Magalhães, Almirante Rosa Coutinho,  Cororel Pil. Av. Silva Cardoso  e Major Emílio Silva . (foto a Vertingem da Descolonização, Gereral Gonçalves  Ribeiro)

Francisco Balsemão e Lencastre Bernardo eram referidos como elementos de ligação ao grupo Bildeberg e a Henry Kissinger, Francisco Balsemão pertence também à loja maçónica "Pilgrim", que é anglo-saxónica, e dependente do grupo Bildeberg. Lencastre Bernardo tinha também assinalada a sua ligação a alguns serviços de inteligência, visto ele ser, nos anos 80, o coordenador na PJ e na Polícia Judiciária Militar. Entre as empresas Portuguesas que realizavam as vendas de armas atrás referidas, entre os anos 1974 e 1980, estavam referidas neste Dossier:

- Fundição de Oeiras (morteiros, obuses e granadas)

- Cometna (engenhos explosivos e bombas)

- OGMA (Oficinas Gerais Militares de Fardamento e OGFE (Oficinas de Fardamento do Exercito)

- Browning Viana S.A.

- A. Paukner Lda, que existe desde 1966

- Explosivos da trafaria

- SPEL (Explosivos)

- INDEP (armamento ligeiro e monições)

Montagrex Lda, que actuava desde 1977, com Canto e Castro e António José Avelar, só foi contudo oficialmente constituída em 1984, deixando, nessa altura, Canto e Castro de fora, para não o comprometer com a operação de Camarate. A Montagrex Lda operava no Campo Pequeno, e era liderada por António Avelar que era o braço direito de Canto e Castro e também sócio dessa empresa. O escritório dessa empresa no Campo Pequeno é um autentico “bunker", com portas blindadas, sensores, alarmes, códigos nas portas, etc. Canto e Castro e António Avelar são também sócios da empresa inglesa BAE - Systems, sediada no Reino Unido. Esta empresa vende sistemas de defesa, artilharia, mísseis, munições, armas submarinas, minas e sobretudo sistemas de defesa anti-mísseis para barcos. Todos estes negócios eram feitos, na sua maior parte, por ajuste directo, através de brokers - intermediários, que recebiam as suas comissões, pagas por oficiais do Exército, Marinha, Aeronáutica, etc. Nestes documentos era referido que, como consequência desta vendas de armas, gerava-se um fluxo considerável de dinheiro, a partir destas exportações, legais e ilegais. Estes documentos referiam também a quem eram vendidas estas armas, sobretudo a países em guerra, ou ligados ao terrorismo internacional. Era também referido que todas estas vendas de armas eram feitas com a conivência da autoridade da época, nomeadamente militares como o General Costa Gomes, o General Rosa Coutinho (venda de armas a Angola) e o próprio Major Otelo Saraiva de Carvalho (venda de armas a Moçambique). Vi várias vezes o nome de Rosa Coutinho nestes documentos, que nas vendas de armas para Angola utilizava como intermediário o general reformado angolano, José Pedro Castro, bastante ligado ao MPLA, que hoje dispõe de uma fortuna avaliada em mais de 500 milhões de USD, e que dividia o seu tempo entre Angola, Portugal e Paris. O seu filho, Bruno Castro é director adjunto do Banco BIC em Angola.

 Rosa Coutinho . O falsário Almirante Vermelho

No referido dossier estavam também referidos outros militares envolvidos neste negócio de armas, nomeadamente o Capitão Dinis de Almeida, o Coronel Corvacho, o Vera Gomes e Carlos Fabião. Todas estas pessoas obtinham lucros fabulosos com estes negócios, muitas vezes mesmo antes do 25 de Abril de 1974 e até 1980. Era referido que estas pessoas, nomeadamente militares, que ajudavam nesta venda de armas, beneficiavam através de comissões que recebiam. Estavam referidos neste Dossier os nomes de "off-shores", que eram usadas para pagar comissões às pessoas atrás referidas e a outros estrangeiros, por Oliver North ou por outros enviados da CIA. Estas "off-shores" detinham contas bancárias, sempre numeradas. Esta referência batia certo com o que Oliver north sempre me contou, de que o negócio das armas se proporciona através de "off-shores" e bancos controlados para a lavagem de dinheiro. Vale a pena a este respeito referir que no negócio das armas, empresas do sector das obras públicas aparecem frequentemente associadas, como a Haliburton, a Carlyle, ou a Blackwater, (empresa de armas, construção e mercenários), entre outras. Esta relação está referida, há anos, em vários relatórios, nomeadamente nos relatórios do Bribe Payer Index (indice internacional dos pagadores de subornos), que é uma agencia americana. A indicação deste tipo de práticas foi desenvolvida mais tarde, pela Transparency International e pelo Comité Norte Americanos de Coordenação e Promoção do Comercio do Senado Americano, que referem que há muitos anos, mais de 50% do negócio e comercio de armas em Portugal, é feito através de subornos. Os americanos sempre usaram Portugal para o tráfico de armas, fazendo também funcionar a Base das Lajes, nos Açores, para este efeito, nomeadamente depois de 1973, aquando da guerra do Yom Kippur, entre Israel e os países árabes. Este tráfico de armas deu origem a várias contrapartidas financeiras, nomeadamente através da FLAD, que foi usada pela CIA para este efeito. A FLAD recebeu diversos fundos específicos para a requalificação de recursos humanos.

 Gen. Costa Gomes

Não ví contudo neste Dossier observações referindo que estas vendas de armas eram condenáveis ou que tinham efeitos negativos. Havia contudo uma pequena nota, em que algumas folhas de que se devia tomar cuidade com tudo o que aí estava escrito, e que portanto se devia actuar. Havia também na primeira página um carimbo que dizia "confidentical and restricted". Estas vendas de armas continuaram contudo depois de 1980. Tanto quanto eu sei, estas vendas de armas continuaram a ser realizadas até 2004, embora com um abrandamento importante a partir de 1984, a partir do escandalo das fardas vendidas à Polónia. No referido Dossier estavam também referidas personalidades americanas envolvidas no negócio de armas, nomeadamente Bush (Pai), dick Cheney, Frank Carlucci, Donald Gregg, vários militares, bem como a empresas como a Blackwater. são ainda referidas empresas ligadas aos EUA, como a Carlyle, Haliburton, Black Eagle Enterprise, etc, que estavam a usar Portugal para os seus fins, tanto pela passagem de armas através de portos portugueses, como pelo fornecimento de armas a partir de empresas portuguesas. Tirei apontamentos desses documentos, que ainda hoje tenho em meu poder. A empresa atrás referida, denominada supermarket, foi criada em Portugal em 1978, e operava através da empresa mão, de nome Black-Eagle, dirigida por William Casey, membro do CFR (counceil for Foreign Affairs and Relations, ex embaixador dos EUA nas Honduras e também com ligações à CIA). A empresa supermarker organizava a compra de armas de fabrico soviético, através de Portugal, bem como a compra de armas e munições portuguesas, referidas anteriormente, com toda a cumplicidade de Oliver North. Estas armas iam para entrepostos nas Honduras, antes de serem enviadas para os seus destinos finais. Oliver North pagou muitas facturas destas compras em Portugal, através de uma empresa chamada Gretsh World, que servia de fachada à Supermarket. Mais tarde, cerca de 1985, quando se começou muito a falar de camarate, Oliver North cancelou a operação "Supermarket, e fechou todas as contas bancárias.

 Sá Carneiro com Adelino Amaro da Costa

Devo ainda referir que William Hasselberg e outros americanos da embaixada dos EUA, em Lisboa, comentaram comigo, várias vezes o que estava escrito neste Dossier. Relativamente a Hasselberg isso era lógico, pois foi ele que me deu o Dossier a ler. Posteriormente comentei também o que estava escrito neste Dossier com Frank Carlucci, que obviamente já tinha conhecimento da informação nele contida. Tanto William Hasselberg, como membro da CIA, como outros elementos da CIA atrás referidos e outros, comentaram várias vezes comigo o envolvimento da CIA na operação de Camarate e neste negócio de armas. Lembro-me nomeadamente que quando alguém da CIA, me apresentava a outro elemento da Cia, dizia frequentemente "this is the portuguese guy, the one from Camarate, the case in Portugal with the plane!". As vendas de armas, a partir e através de portugal, foram realizadas ao longo desses anos, pois era do interesse politico dos EUA. A CIA organizou e implementou estas vendas de armas em Portugal, à semelhança do que sucedeu noutros países, pois era crucial para os EUA que certs armas chegassem aos países referidos, de forma não oficial, tendo para isso utilizados militares e empresários Portugueses, que acabaram também por beneficiar dessas vendas. Como anteriormente referi, William Casei e Oliver North estavam, nas décadas de 70 e 80 conluiados com o presidente Manuel Noriega, no escândalo Irão - contras (Irangate). Foi sempre Oliver North que se ocupou da questão dos refénsamericanos no Irão, bem como da situação da América Central. Recebeu pessoalmente por isso uma carta de agradecimentos de George Bush Pai, Vice Presidente à época de Ronald Reagan. Devo dizer a este respeito que John Bush, filho de Bush Pai, então com 35 anos, a viver na Flórida, pertencia em 1979 e 1980 ao “Condado de Dade", que era e é uma organização republicana, situada em South Florida, destinada a angariar fundos para as campanhas eleitorais republicanas. John Bush era um dos organizadores de apoios financeiros para os "contra" da Nicarágua.

 Foto de Coronel Corvacho
Conheci também Monzer Al Kasser um grande traficante de armas que tinha uma casa em Puerto Banus em Marbella, e que me foi apresentado, em Paris, por Oliver North, em 1979. Era um dos grandes vendedores de armas para os “Contra” na Nicarágua, trabalhando simultaneamente para os serviços secretos sírios, búlgaros e polacos. Na sua casa em Marbella, referiu-me também que, por vezes, o tráfico de armas era feito através de África, para que no Iraque não se apercebessem da sua proveniência, pois também vendiam ao mesmo tempo ao Irão e mesmo a Portugal. Este tráfico de armas, que estava em curso, desde há vários anos, em 1980, e o começo do caso Camarate. Através de Al Kasser conheci, em Marbella, no final de 1981, outro famoso traficante de armas, numa festa em casa de Monzer, que se chamava Adrian Kashogi. Kashogi, como pude testemunhar em sua casa, tinha relações com políticos e empresários europeus, árabes e africanos, por regra ligados ao tráfico de armas e drogas. Sou preso em 1986, acusado de tráfico de drogas. Esta prisão foi uma armadilha montada pela DEA, por elementos que nessa organização não gostavam de mim, por eu ter levado à detenção de alguns deles, como referi anteriormente. Fui então levado para a prisão de Sintra. Estou na prisão com o Victor Pereira,, que aí também estava preso. Sei, em 1986, que estavam a preparar para me eliminar na prisão, pelo que peço à minha mulher Elza, para ir falar, logo que possível com Frank Carlucci. Em consequência disso recebo na prisão a visita de um agente da CIA, chamado Carlston, juntamente com outro americano. estes, depois de terem corrompido a direcção da prisão, incluindo o director, sub-director e chefe da guarda, bem como um elemento que se reformou muito recentemente, da Direcção Geral dos serviços Prisionais, chamada Maria José de Matos, conseguem a minha fuga da prisão. Contribui ainda para esta minha fuga, mediante o recebimento de uma verba elevada, paga pelos referidos agentes americanos esta directora-adjunta da Direcção Geral dos serviços Prisionais. Estes agentes americanos obtêm depois um helicóptero, que me transporta para a Lousã, onde fico cerca de 20 dias. Vou depois para Madrid, com a ajuda dos americanos, e depois daí ara o Brasil. as despesas com a minha fuga da prisão custaram 25000 euros, o que na época era uma quantia elevada.

 Coronel Carlos Fabião

Só mais tarde no Brasil, depois de 1986, é que referi a José Esteves que sabia que Sá Carneiro ia no avião, contando-lhe a história toda. José Esteves, responde então, que nesse caso, tinhamos corrido um grande risco. Eu tranquilizei-o, referindo que sempre o apoiei e protegi neste atentado. Dei-lhe apoio no Brasil no que pude. Assegurei-lhe também o transporte para o Brasil, obtendo-lhe um passaporte no Governo Civil de lisboa, entreguei-lhe 750 contos que me foram dados para esse efeito pela embaixada dos EUA, em Lisboa, e arranjei-lhe o bilhete de avião de Madrid para o Rio de Janeiro . Na viagem de Lisboa para Madrid, José Esteves foi levado por Victor Moura, um amigo comum. No Rio de Janeiro ajudei-o a montar uma loja, numa roulote. Como trabalhava ainda para a embaixada dos EUA, em Lisboa, estas despesas foram suportadas pela Embaixada. Ficou no Brasil cerca de dois anos. Eu, contudo andava constantemente em viagem. José Esteves recebe depois um telefonema de Francisco Pessoa de Portugal, onde Francisco Pessoa o aconselha a voltar a Portugal, e a pedir protecção, a troco de ir depor na Comissão de Inquérito Parlamentar sobre Camarate. Esse telefonema foi gravado, mas José Esteves nunca chegou a obter uma protecção formal. Telefono a Frank Carlucci, em 1987, pedindo-lhe para falar com ele pessoalmente. Ele aceita, pelo que viajo do Brasil, via Miami, para Washington. Pergunto-lhe então, em face do que se tinha falado de Camarate, qual seria a minha situação, se corria perigo por causa de Camarate, e se continuarei, ou não a trabalhar para a CIA. Frank Carlucci responde-me que sim, que continuarei a trabalhar para a CIA, tendo efectivamente continuado a ser pago pela CIA até 1989. Frank Carlucci confirma nessa reunião que puderam contar com a colaboração de Penaguião na operação de Camarate, e que ele, Frank Carlucci, esteve a par dessa participação. Em 1994, foi-me novamente montada uma armadilha em Portugal, por agentes da DEA que não gostavam de mim, por causa da referida prisão de agentes seus, denunciados por mim. Nesta armadilha participam também três agentes da DCITE - Portuguesa, os hoje inspectores Tomé, Sintra e Teófilo Santiago. Depois desta detenção, recebo a visita na prisão de Caxias de dois procuradores do Ministério Público, um deles, se não estou em erro, chamado Femando Ventura, enviados por Cunha Rodrigues, então Procurador Geral da República. Estes procuradores referem-me que me podem ajudar no processo de droga de que sou acusado, desde que eu me mantenha calado sobre o caso Camarate.

 Foto do Procurador Cunha Rodrigues

Por ser verdade. e por entender que chegou o momento de contar todo o meu envolvimento na operação de Camarate, em 4 de Dezembro de 1980, decidi realizar a presente Declaração, por livre vontade. Não podendo já alterar a minha participação nesta operação, que na altura estava longe de poder imaginar as trágicas consequências que teria para os familiares das vítimas e para o país, pude agora, ao menos, contar toda a verdade, para que fique para a História, e para que nomeadamente os portugueses possam dela ter pleno conhecimento. Não quero, por ultimo, deixar de agradecer à minha mãe, à minha mulher Elza Simões, que ao longo destes mais de 35 anos, tanto nos bons como nos maus momentos, sempre esteve a meu lado, suportando de forma extraordinária, todas as dificuldades, ausências, e faltas de dedicação à família que a minha profissão implicava. Só uma grande mulher e um grande amor a mim tornaram possível este comportamento. Quero também agradecer à minha filha Eliana, que sempre soube aceitar as consequências que para si representavam a minha vida profissional, nunca tendo deixado de ser carinhosa comigo. Finalmente quero agradecer à minha mão que, ao longo de toda a minha vida me acarinhou e encorajou, apesar de nem sempre concordar com as minhas opções de vida. A natureza da sua ajuda e apoio, tiveram para mim uma importância excepcional, sem, as quais não teria conseguido prosseguir, em muitos momentos da minha vida. Posso assim afirmar que tive sempre o apoio de uma família excepcional, que foi para mim decisiva nos bons e maus momentos da minha vida.

Lisboa, 26 de Março de 2012

Fernando Farinha Simões

B.I. n.º 7540306



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:44
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Terça-feira, 8 de Maio de 2012
FRATERNIDADES . XXI

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO CONSUL

         “Advertência  a Portugal

Por

Jose MatiasJosé Matias*

Houve época, não faz muito tempo, em que o lar de um homem era o refúgio seguro para o qual podia sentir-se sossegado quando a ele voltava. Hoje temos a destruição generalizada desse reconforto. Os membros familiares mal se conhecem uns aos outros a não ser quando algum deles morre, e aí sim; encontram-se no cemitério, para logo depois não mais se verem. As famílias não vivem mais nos lares. O rosto de um astro popular do cinema ou dum cantor, para muitas esposas, é mais popular do que os próprios maridos; confunde-se de forma confrangedora, amor com sexo. Não podemos sorrir enlameados neste panorama. Nenhuma nação cujo povo se venda por pão e extravagancias generalizadas pode durar muito tempo. A herança legada por nossos pais, honra, respeito, valores, seriedade e ética, está hoje, por demais desprezada.

 Tudo vale para se atingir interesses sem olhar a meios. Precisamos ter um carácter nacional que nos conduza de novo a tomar o rumo dos pais do passado; daqueles que empenhavam a barba pela palavra sem falsas promissórias. Isto só pode ser desenvolvido num lar autenticamente CRISTÃO. Dirijo este apelo ao nosso Portugal aonde o futuro dos nossos filhos está seriamente em perigo. Se a nação não mudar de procedimento diante do nosso próximo, com o beneplácito de Deus, seremos uma nação como um barco sem leme; vamos pois clamar ao Altíssimo, por socorro. Uma das maiores moléstias deste mundo e desta sociedade actual é naturalmente a impureza, ela está associada a diversas manifestações e disseminadas em múltiplos sintomas. Além das impurezas físicas, obscenas ou indecentes tão prejudiciais  às nossas vidas, temos algo mais que assola a vida humana em suas metrópoles.

 Inspirações . Dali

Que dizer da cobiça, a intriga, os planos maquiavélicos e as tramas destrutivos que brotam das mentes no mais intimo dos homens e mulheres. Acabo de ler os planos, que contribuíram para a morte do então primeiro-ministro português Sá Carneiro e sua comitiva. É deveras chocante como o homem, instituições e países intentam tanta barbaridade a troco do vil metal, "a loucura” sem olhar a meios. Se fossemos um povo de mãos limpas e corações puros, certamente estaríamos praticando actos sublimes que agradariam a Deus, mas hoje mais do que nunca, o que é de honra sublime, está vetado no esquecimento. A impureza não é só a consistência de actos errados, mas sim um estado de mente, de coração e da alma. É assim, utópico falar-se de integridade.

* Gentileza de José dos Ramos Matias em seu blogue: http://a_certeza.blogs.sapo.pt (Cônsul honorário do reino de Manikongo em Johannesburg) - Kimbo.

 (Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:33
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
MULUNGU . XIV

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO SOBA*

Pieguices de homem constipado”

Por

: Lobo Antunes

Pachos na testa, terço na mão, uma botija, chá de limão, zaragatoas, vinho com mel, três aspirinas, creme na pele, grito de medo, chamo a mulher. Ai Lurdes que vou morrer. Mede-me a febre, olha-me a goela, cala os miúdos, fecha a janela, não quero canja, nem a salada, ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.

 Pieguice

Se tu sonhasses como me sinto, já vejo a morte, nunca te minto, já vejo o inferno, chamas, diabos, anjos estranhos, cornos e rabos, vejo demónios nas suas danças. Tigres sem listras, bodes sem tranças, choros de coruja, risos de grilo.
 Melancolia . Miró

Ai Lurdes, Lurdes fica comigo. Não é o pingo de uma torneira, põe-me a santinha à cabeceira, compõe-me a colcha, fala ao prior, pousa o Jesus no cobertor. Chama o doutor, passa a chamada. Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada. Faz-me tisana e pão-de-ló, não te levantes que fico só, aqui sozinho a apodrecer. Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer

Mulungu: Árvore de grande porte com flores vermelhas; Deslumbrante ver esta árvore quando florida na savana africana ou sertão brasileiro.

António Lobo Antunes - (Sátira aos HOMENS quando estão doentes)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:40
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Domingo, 6 de Maio de 2012
BRASIL EM 3 PENADAS . XXIV

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

       “MADEIRA – BRASIL”

: Olinda

Por escrito do próprio Vieira é-se conduzido a pensar que este, tendo saído da Ilha da Madeira com pouco mais de dez anos e, pela mão de algum familiar ou gente próxima, foi conduzido até outros familiares que se encontravam a viver bem, em Olinda no ano de 1613. O testamento de Vieira refere a seguinte anotação dele mesmo: “ Tenho na dita villa de Olinda, que herdeiros e por doação e por direito que se me dera todas as terras e foros de casas olarias e todas as pertenções que foram de Affonso Rodriguez Serrão e de sua mulher Isabel Ferreira, que tudo me pertencia”. Como se explica ter “herdado” bens do casal sem que um dos cônjuges fosse seu parente? Os vários fogos que queimaram os cartórios de Olinda, muito provavelmente escorreram suas cinzas férteis aos quintais de macaxeira, cana-de-açúcar, gengibre e inhame.

 Salvador Correia de Sá e Benevides

Fernandes Vieira ganhou a vida “com as mãos” servindo como assalariado e auxiliar de um marchante; quem o disse foi um seu conterrâneo Salvador Correia de Sá, o mesmo que viria a libertar a cidade de São Paulo de Assunção de Loanda no ano de 1647 dos mesmos holandeses que se mantinham resguardados na fortaleza de São Miguel. Ali, aqueles, eram chamados de “mafulos” pelos N´golas. Salvador correia de Sá e Benevides, veio a ser governador de Angola entre os anos de 1648 e 1651. Fernandes Vieira por prémio e valor, veio a ser também governador e Capitão-General de Angola entre 1658 e 1661.

 Matias de Albuquerque

Voltaremos a esta data lá mais para a frente. João Fernandes Vieira iniciou sua prestança de valor na defesa do Forte de São Jorge do Recife como consta na História de Guerra de Pernambuco. O cronista de então, Duarte de Albuquerque, eleva seu mérito junto a nomes que dignificaram então o estandarte português, tais como: Matias de Albuquerque, o Capitão Afonso de Albuquerque e o capitão Francisco de Figueiroa. A rendição do forte de São Jorge foi assinada por Andres Marim a 8 de Junho de 1625. Aos capitães, demais oficiais e soldados pagos pelo Rei, foi-lhes dada liberdade saindo do forte com morrões acesos, balas na boca e na mochila, de polvorinhos cheios, bandeiras das companhias desfraldadas, tambores batente, sacos com sua roupa e tudo mais, trastes necessário à vida que pudessem ser transportados aos ombros.

 Planta Real do Forte de São Jorge . Recife

Dali, sob vigilância dos soldados mafulos eram encaminhados às naus que os transportariam para as Antilhas, provavelmente Coraçau (Coração), Ilha Terceira e São Miguel nos Açores e também a Ilha da Madeira. Eram ao todo 518 homens de armas. João Vieira, que não estava a expensas do rei ficou na lista de moradores. Quanto a estes moradpres, instalados no arraial, ficariam entregues ao poder deles, holandeses, agindo com eles como lhes melhor aprouvesse; os escravos de quem quer que fossem, ficariam entregues ao trato de gestão dos arrais da Companhia das índias Ocidentais. Os mafulos, em documentos oficiais, referem-se aos militares portugueses  do seguinte modo: “Foram os melhores soldados que até agora achamos no Brasil, sendo que os da Paraíba e de outros lugares nunca mostraram tanta valentia como estes”.

Referência Bibliográfica: RESTAURADORES DE PERNAMBUCO de josé António Gonçalves de Mello (1967).

(Continua…)

OSoba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:38
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Sábado, 5 de Maio de 2012
MOKANDA DO SOBA . XI
 
CAMARATE 1980” - 2ª de 3 Partes

Carta de Farinha Simões - Finalmente a extensa verdade. Os americanos são mesmo os piores amigos que um país pode ter. E, Portugal, é um país de falsários.

 Foto dO General Pezarat Correia

Três semanas antes dos atentado, Canto e Castro e Frank Surgies, referem pela primeira vez, que o alvo do atentado é Adelino Amaro da Costa. O Major Canto e Castro afirma que irá viajar para Londres. Frank Sturgies pede-me que obtenha um cartão de acesso ao aeroporto para um tal Lee Rodrigues, que é referido como sendo a pessoa que levará e colocará a bomba no avião. Recebo depois um telefonema de Canto e Castro, referindo que está em Londres e para eu ir ter lá com ele. Refere-me que o meu bilhete está numa agência de viagens situada na Av. da Republica , junto à pastelaria Ceuta. Chegado a Londres fico no Hotel Grosvenor, ao pé de Victoria Station. Canto e Castro vai buscar-me e leva-me a uma casa perto do Hotel, onde me mostra pela primeira vez, o material, incluindo explosivos, que servirão para confeccionar a "bomba" nesta operação. Essa casa em Londres, era ao mesmo tempo residência e consultório de um dentista indiano, amigo de Canto e Castro, Canto e Castro refere-me que esse material será levado para Portugal pela sua companheira Juanita Valderrama. O Major Canto e Castro pede-me então que vá ao Hotel Altis recolher o material. Vou então ao Hotel acompanhado de José esteves, e recebemos uma mala e uma carta da senhora Juanita, José Esteves prepara então uma bomba destinada a um avião, com esses materiais, com a ajuda de Carlos Miranda. O Major Canto e Castro volta depois de Londres, encontra-se comigo, e digo-lhe que a bomba está montada. Lee Rodrigues é-me apresentado pelo Major Canto e Castro. Alguns dias depois Lee Rodrigues telefona-me e encontramo-nos para jantar no restaurante galeto, junto ao Saldanha, juntamente com Canto e Castro, onde aparece também Evo Fernandes, que era o contacto de Lee Rodrigues em Lisboa. Fora Evo Fernandes que apresentara Lee Rodrigues a Canto e Castro. Lee Rofrigues era moçambicano e tinha ligações à Renamo. Nesse jantar alinham-se pormenores sobre o atentado. Canto e Castro refere contudo nesse jantar que o atentado será realizado em Angola. Perante esta afirmação, pergunto se ele está a falar a sério ou a brincar, e se me acha com “cara de palhaço"- fazendo tenção de me levantar. Refiro que, através de Frank Carluci, já estava a par de tudo. Lee Rodrigues pede calma, referindo depois Canto e Castro que desconhecia que eu já estava a par de tudo, mas que sendo assim nada mais havia a esconder.

 Foto de Henry kissinger

Possivelmente em Novembro, é-me solicitado por Philip Snell que participe numa reunião em Cascais, num iate junto á antiga marina (na altura não existia a actual marina). Vou e levo comigo José Esteves. Essa reunião tem lugar entre as 20 e as 23 horas, nela participando Philips Snell, Oliver North, Frank Sturgies, Sydral e Lee Rodrigues e mais cerca de 2 ou 3 estrangeiros, que julgo serem americanos. Nesta reunião é referido que há que preparar com cuidado a operação que será para breve, e falam-se de pormenores a ter em atenção. É referido também os cuidados que devem ser realizados depois da operação, e o que fazer se algo correr mal. A língua utilizada na reunião é o Inglés. José Esteves recebeu então USD 200.000 pelo seu futuro trabalho. Eu não recebi nada pois já era pago normalmente pela CIA. Eu nessa altura recebia da CIA o equivalente a cinco mil dólares, dispondo também de dois cartões de crédito Diner's Club e Visa Gold, ambos com plafonds de 10.000 Doláres. Lee Rodrigues pede-me então que arranje um cartão para José Esteves entrar no aeroporto. Para este efeito, obtenho um cartão forjado, na mouraria, em Lisboa, numa tipografia que hoje já não existe. Lee rodrigues diz-me também que irá obter uma farda de piloto numa loja ao pé do Coliseu, na Rua das Portas de Santo Antão. A meu pedido, João Pedro Dias, que era carteirista, arranja também um cartão para Lee Rodrigues. Este cartão foi obtido por João Pedro Dias, roubando o cartão de Miguel Wahnon, que era funcionário da TAP. Apenas foi necessário mudar-se a fotografia desse cartão, colocando a fotografia de Lee Rodrigues. José Esteves preparaentão em sua casa no Cacém, um engenho para o atentado. Conta com a colaboração de outro operacional chamado Carlos Miranda, expecialista em explosivos, que é recrutado por mim, e que eu já conhecia de Angola, quando Carlos Miranda era comandante da FNLA e depois CODECO em Portugal. José Esteves foi também um dos principais comandantes da FNLA, indo muitas vezes a Kinshasa.

 Holden Roberto - Dirigente da FNLA . Angola

Depois do artefacto estar pronto, vou novamente a Paris. No Hotel Ritz, à tarde, tenho um encontro com Oliver North, o cor. Wilkison e Philip Snell, onde se refere que o alvo a abater era Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa. Volto a Portugal, cerca de 5 ou 6 dias antes do atentado. É marcado por Oliver North um jantar no hotel Sheraton. Necesse jantar aparece e participa um indivíduo que não conhecia e que me é apresentado por Oliver North, chamado Penaguião. Penaguião afirma ser segurança pessoal de Sá Carneiro. Oliver North refere que Penaguião faz parte da segurança pessoal de Sá Carneiro e que é o homem que conseguirá meter Sá Carneiro no Avião. Penaguião afirma, de forma fria e directa que sá Carneiro também iria no avião, "pois dessa forma matavam dois coelhos de uma cajadada! " Afirma que a sua eliminação era necessária, uma vez que Sá Carneiro era anti-americano, e apoiava incondicionalmente. Adelino Amaro da Costa na denúncia do trático de armas, e na descoberta do chamado saco azul do Fundo de Defesa do Ultramar, pelo que tudo estava, desde o início, preparado para incluir as duas pessoas. Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Fico muito receoso, pois só nesse momento fiquei a conhecer a inclusão de Sá Carneiro no atentado. Pergunto a Penaguião como é que ele pode ter a certeza de que Sá Carneiro irá no avião, ao que Penaguião responde de que eu não me preocupasse pois que ele, com mais alguém, se encarregaria de colocar Sá Carneiro naquele avião naquele dia e naquela hora, pois ele coordenava a segurança e a sua palavra era sempre escutadda. No final do jantar, juntam-se a nós três o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas. Fico estarrecido com esta nova informação sobre Sá Carneiro, e decido ir, nessa mesma noite, à residência do embaixador dos EUA, na Lapa, onde estava Frank Carlucci, a quem conto o que ouvi. Frank Carlucci responde que não me preocupasse, pois este plano já estava determinado há muito tempo. Disse-me que o homem dos EUA era Mário Soares, e que Sá Carneiro, devido à sua maneira de ser, teimoso e anti-americano, não servia os interesses estratégicos dos EUA. Mário Soares seria o futuro apoio da política americana em Portugal, junto com outros líderes do PSD e do PS. Aceito então esta situação, uma vez que Frank Carlucci já me havia dito antes que tudo estava assegurado, inclusivamente se algo corresse mal, como a minha saída de Portugal, a cobertura total para mim e para mais alguém que eu indicasse, e que pudesse vir a estar em perigo. Isto é a usual "realpolitik" dos Estados Unidos, e suspeito que sempre será.

 O espírito de Abril

Três dias antes do atentado há uma nova reunião, na Rua das Pretas no Palácio Roquete, onde participam Canto e Castro, Farinha Simões, Lee Rodrigues, José esteves e Carlos Miranda. Carlos Miranda colaborou na montagem do engenho explosivo com José Esteves, tendo ido várias vezes a casa de José esteves. Nessa reunião são acertados os últimos pormenores do atentado. Nessa reunião, Lee Rodrigues diz que ele está preparado para a operação e Canto e Castro diz que o atentado será a 3 ou 4 de Dezembro. Nessa reunião é dito que o alvo é Adelino Amaro da Costa. No dia seguinte encontramo-nos com Canto e Castro no Hotel Sheraton, e vamos jantar ao restaurante "O Polícia". No dia 4 de Dezembro, telefono de um telefone no Areeiro, para o Sr. William Hasselberg, na Embaixada dos EUA, para confirmar que o atentado é para realizar, tendo-me este referido que sim. Desse modo, à tarde, José Esteves traz uma mala a minha casa, e vamos os dois para o aeroporto. Conduzo José Esteves ao aeroporto, num BMW do José Esteves. Já no aeroporto, José Esteves e eu entramos no aeroporto, por uma porta lateral, junto a um posto da Guarda-fiscal, utilizando o cartão forjado, anteriormente referido. Depois José Esteves desloca-se e entrega a mala, com o engenho, a Lee Rodrigues, que aparece com uma farda de piloto e é também visto por mim. Depois de cerca de 15 minutos, sai já sem a mala, e sai comigo do aeroporto. Separamo-nos, mas mais tarde José esteves encontra-se novamente comigo no cabeleireiro Bacta, no centro comercial Alvalade.

Foto de João José Zoio . Dado a toiradas

Depois José esteves aparece em minha casa com a companheira da época, de nome Gina, e com um saco de roupa para lá ficar por precaução. Ouvi-mos depois o noticiário das 20 horas na televisão, e José Esteves fica muito surpreendido, pois não sabia que Sá Carneiro também ia no avião.  Afirma que fomos enganados. Telefona então para Lencastre Bernardo, que tinha grandes ligações à PJ e à PJ Militar, e uma Ligação ao General Eanes, Lencastre Bernardo tem também ligações a Canto e Castro, Pezarat Correia, Charais, ao empresário Zoio a José António Avelar que era ex-braço direito de Canto e Castro. José Esteves telefona-lhe, e pede para se encontrar com ele. Este aceita, pelo que, pelas 23 horas, José Esteves, eu, e a minha mulher Elza, dirigimo-nos para a Rua Gomes Freire, na PJ, para falar com ele. José Esteves sobe para falar com Lencastre Bernardo que lhe tinha dito que não se preocupasse, pois nada lhe sucederia. Passámos contudo por casa de José Esteves pois este temia que aí houvesse já um conjunto de polícias à sua procura, devido a considerarem que ele estava associado à queda do avião em camarate. José Esteves ficou assim aliviado por verificar que não existia aparato policial à porta de sua casa. Vem contudo dormir para minha casa. Alguns dias depois falei novamente com Frank Carlucci. A quem manifestei o meu desconhecimento e ter ficado chocado por ter sabido, depois de o avião ter caído, que acompanhantes e familiares do Primeiro Ministro e do Ministro da Defesa também tinham ido no Avião. Frank Carlucci respondeu-me que compreendia a minha posição, mas que também ele desconhecia que iriam outras pessoas no avião, mas que agora já nada se podia fazer. Em 1981, encontro-me com Victor Pereira, na altura agente da Polícia Judiciaria, no restaurante Galeto, em Lisboa. Conto a Victor Pereira que alguns dos atentados estão atribuidos às Brigadas Revolucionárias, relacionados com a colocação de bombas, foram porém efectuadas pelo José Esteves, como foram os casos dos atentados à bomba na Embaixada de Angola, de Cuba (esta última com conhecimento de Ramiro Moreira), na casa de Torres Couto, na casa do prof. Diogo Freitas do Amaral, na casa do Eng. Lopes Cardoso, e na casa de Vasco Montez, a pedido deste, junto ao Jumbo em Cascais, para obter sencionalismo á época, tendo José Esteves espalhado panfletos iguais aos da FP25. Não falei então com Victor Pereira de Camarate. Tomei conhecimento no entanto que Victor Pereira, no dia 4 de Dezembro de 1980, tendo ido nessa noite ao aeroporto da Portela, como agente da PJ, encontrou a mala que era transportada pelo eng. Adelino Amaro da Costa. Nessa mala estavam documentos referentes ao tráfico de armas e de pessoas envolvidas com o Fundo de defesa do Ultramar. Salvo erro, Victor Pereira entregou essa mala ao inspector da PJ Pedro Amaral, que por sua vez a entregou na PJ. Disse-me então Victor Pereira que essa mala, de maior importância no caso de Camarate, pelas informações que continha, e que podiam explicar os motivos e as pessoas por detrás deste atentado, nunca mais voltou a aparecer. Esta informação foi-me transmitida por Victor Pereira, quando esteve preso comigo na prisão de Sintra, em 1986. Não referi então a Victor Pereira que, como descrevo a seguir, eu tinha já tido contacto com essa mala, em finais de 1982, pelo facto de trabalhar com os serviços secretos na Embaixada dos EUA.

 Toiros . Manobras de diversão

Também em 1981, uns meses depois do atentado, eu e o José Esteves fomos ter com o Major Lencastre Bernardo, na Polícia Judiciária, na Rua Gomes Freire. Com efeito, tanto o José Esteves como eu, andávamos com medo do que nos podia suceder por causa do nosso envolvimento no atentado de Camarate, e queríamos saber o que se passava com a nossa protecção por causa de Camarate. Eu não participo na reunião, fico à porta. Contudo José Esteves diz-me depois que nessa conversa Lencastre Bernardo lhe referiu que, numa anterior conversa com Francisco Pinto Balsemão, este lhe havia dito ter tido conhecimento prévio do atentado de Camarate, pois em Outubro de 1980, Kissinger o informou de que essa operação ia ocorrer. Disse-lhe também que ele próprio tinha tido conhecimento prévio do atentado de Camarate. Disse-lhe ainda que podíamos estar sossegados quanto a Camarate, pois não ia haver problemas connosco, pois a investigação deste caso ia morrer sem consequências. A este respeito gostaria de acrescentar que numa reunião que tive, a sós, em 1986, com Lencastre Bernardo, num restaurante ao pé do edifício da PJ na Rua Gomes Freire, ele garantiu-me que Pinto Balsemão estava a par do que se ia passar em 4 de Dezembro. No restaurante Fouchet's, em Paris, tinha-me dito, “por alto”, que o futuro Primeiro Ministro de Portugal seria Pinto Balsemão. E importante referir que tanto Henry Kissinger como Pinto Balsemão eram já, em 1980, membros destacados do grupo Bilderberg, sendo certo que estas duas pessoas levavam convidados às reuniões anuais desta organização. Deste modo, aquando da conversa com Lencastre Bernardo, em 1986, relacionei o que ele me disse sobre Pinto Balsemão, com o que tinha ouvido em Paris, em 1980. Tive também esta informação, mais tarde, em 1993, numa conversa que tive com William Hasselberg, em Lisboa, quando este me confirmou de que Pinto Balsemão estava a par de tudo.

 Pinto balsemão . De novo

Em finais de 1982, pelas informações que vou obtendo na Embaixada dos EUA, em Lisboa, verifico que se fala de nomes concretos de personalidades americanas com tendo estado envolvidas em tráfico de armas que passava por Portugal. Pergunto então a William Hasselberg como sabem destes nomes. Ao fim de muitas insistências minhas, William Hasselberg acaba por me dizer que a Pj entregou, na embaixada dos EUA, uma mala com os documentos transportados por Adelino Amaro da Costa, em 4 de Dezembro de 1980, e que ficou junto aos destroços do avião, embora não me tenha dito quem foi a pessoa da PJ que entregou esses documentos. Peço então a William Hasselberg que me deixe consultar essa mala, uma vez que faço também parte da equipa da CIA em Portugal. Ele aceita, e pude assim consultar os documentos aí existentes. que consistiam em cerca de 200 páginas. Pude assim consultar este Dossier durante cerca de uma semana, tendo-o lido várias vezes, e resumido, à mão, as principais partes, uma vez que não tinha como fotografa-lo ou copia-lo. Vejo então, que apesar do desastre do avião, e da pasta de Avelino Amaro da Costa ter ficado queimada, e ter sido substituida por outra, os documentos estavam intactos. Estes documentos continham uma lista de compra de armas, que incluia nomeadamente RPG-7, RPG-27, G3, lança granadas, dilagramas, munições, granadas, minas, rádios, explosivos de plástico, fardas, kalashiskovs AK-47 e obuses. Referia-se também nesses documentos que para se iludir as pistas, as vendas ilegais de armas eram feitas através de empresas de fachada, com os caixotes a referir que a carga se tratava de equipamentos técnicos, e peças sobresselentes para maquinas agrículas e para a construção civil. Esta forma de transportar armas foi-me confirmada várias vezes por Oliver North, no decorrer da década de 80, até 1988, e quando estive em Ilopango, no El Salvador, também na década de 80, verifiquei que era verdade. Nestes documentos lembro-me de ver que algumas armas vinham da empresa portuguesa Braço de Prata, bem como referências de vendas de armas de Portugal e de países de Leste, como a Polónia e a Bulgária, com destino para a Nicarágua, Irão, El Salvador, Colombia, Panamá, bem como para alguns países Africanos que estavam em guerra, como Angola, ANC da África do Sul, Nigéria, Mali, Zimbawe, Quénia, Somália, Líbia, etc. Está também claramente referido nesses documentos que a venda de armas é feita atraves da empresa criada em Portugal chamada "Supermarket" (que operava através da empresa mãe "Black - Eagle").

Arranjoe compilação de

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:24
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012
MULUNGU . XIII

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO SOBA*

       “Portugal no 1º de Maio” – 2ª Parte

Visto por

  Lobo Antunes

Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no! Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias oureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano.

 Papoila de maio 
Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar. Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval. Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira.

 Beleza do nosso campo

O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto. Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.

(Continua…)

Mulungu: Árvore de grande porte com flores vermelhas; Deslumbrante ver esta árvore quando florida na savana africana ou sertão brasileiro.

* Soba do Kimbo  -  responsável pela escolha desta crónica satírica de António Lobo Antunes, in visão abril 2012

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:27
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MOKANDA DO SOBA . X
CAMARATE 1980” - 1ª de 3 Partes

Carta de Farinha Simões - Finalmente a extensa verdade. Os americanos são mesmo os piores amigos que um país pode ter. E, Portugal, é um país de falsários.

Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate. No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o processo judicial, poderia ser preso e condenado. Também porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado ao sigilo por parte da CIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA me ter abandonado completamente desde 1989. Finalmente decidi falar por obrigação de consciência. Fiz o meu primeiro depoimento sobre Camarate, na Comissão de Inquérito Parlamentar, em 1995. Mais tarde prestei alguns depoimentos em que fui acrescentando factos e informações. Cheguei a prestar declarações para um programa da SIC, organizado por Emílio Rangel, que não chegou contudo a ir para o ar. Em todas essas declarações públicas contei factos sobre o atentado de Camarate, que nunca foram desmentidos, apesar dos nomes que citei e da gravidade dos factos que referi. Em todos esses relatos, eu desmenti a tese oficial do acidente, defendida pela Polícia Judiciária e pela Procuradoria-geral da Republica. Numa tive dúvidas de que as Comissões de Inquérito Parlamentares estavam no caminho certo, pois Camarate foi um atentado. Devo também dizer que tendo eu falado de factos sobre Camarate tão graves. E do envolvimento de certas pessoas nesses factos, sempre me surpreendeu que essas pessoas tenham preferido o silêncio. Estão neste caso o Tenente-coronel Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro. Se se sentissem ofendidos pelas minhas declarações, teria sido lógico que tivessem reagido. Quanto a mim, este seu silêncio só pode significar que, tendo noção do que fizeram, consideraram que quanto menos se falar no assunto, melhor.

 Desastre de Camarate

Nessas declarações que fiz, desde 1995, fui relatando, sucessivamente, apenas parte dos factos ocorridos, sem nunca ter feito a narração completa dos acontecimentos. Estávamos ainda relativamente próximos dos acontecimentos e não quis portanto revelar todos os pormenores, nem todas as pessoas envolvidas nesta operação. Contudo, após terem passado mais de 30 anos sobre os factos, entendi que todos os portugueses tinham o direito de conhecer o que verdadeiramente sucedeu em Camarate. Não quero contudo deixar de referir que hoje estou profundamente arrependido de ter participado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja qualidade humana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como do prejuízo que constituiu, para o futuro do país, o desaparecimento dessas pessoas. Naquela altura contudo, Camarate era apenas mais uma operação em que participava, pelo que não medi as consequências. Peço por isso desculpa aos familiares das vítimas, e aos Portugueses em geral, pelas consequências da operação em que participei. Gostaria assim de voltar atrás no tempo, para explicar como acabei por me envolver nesta operação. Em 1974 conheci, na África do Sul, a agente dupla alemã, Uta Gerveck, que trabalhava para a BND (Bundesnachristendienst) - Serviços de Inteligência Alemães Ocidentais, e ao mesmo tempo para a Stassi. A cobertura legal de Uta Gerveck é feita através do conselho mundial das Igrejas (uma espécie de ONG), e é através dessa fachada que viaja praticamente pelo Mundo todo, trabalhando ao mesmo tempo para a BND e para a Stassi. Fez um livro em alemão que me dedicou, e que ainda tenho, sobre a luta de liberdade do PAIGC na Guiné-bissau. O meu trabalho com a Stassi veio contudo a verificar-se posteriormente, quando estava já a trabalhar para a CIA. A minha infiltração na Stassi dá-se por convite da Uta Gerveck, em l976, com a concordância da CIA, pois isso interessava-lhes muito.

 Foto de Sá Carneiro

Úta Gerveck apresenta-me, em 1978, em Berlim Leste, a Marcus Wolf, então Director da Stassi. Fui para esse efeito então clandestinamente a Berlim Leste, com um passaporte espanhol, que me foi fornecido por Úta Gerveck. 0 meu trabalho de infiltração na Stassi consistiu na elaboração de relatórios pormenorizados acerta das “toupeiras" infiltradas na Alemanha Ocidental pela Stassi. Que actuavam nomeadamente junto de Helmut Khol, Helmut Schmidt e de Hans Jurgen Wischewski. Hans Jurgen Wischewski era o responsável pelas relações e contactos entre a Alemanha Ocidental e de Leste, sendo Presidente da Associação Alemã de Cooperação e Desenvolvimento (ajuda ao terceiro Mundo), e também ia às reuniões do Grupo Bilderberg. Viabilizou também muitas operações clandestinas, nos anos 70 e 80. de ajuda a grupos de libertação, a partir da Alemanha Ocidental. Estive também na Academia da Stassi, várias vezes, em Postdan - Eiche. Relativamente ao relato dos factos, gostaria de começar por referir que tenho contactos, desde 1970, em Angola, com um agente da CIA, que é o jornalista e apresentador de televisão Paulo Cardoso (já falecido). Conheci Paulo Cardoso em Angola com quem trabalhei na TVA - Televisão de Angola na altura. Em 1975, formei em Portugal, os CODECO com José Esteves, Vasco Montez, Carlos Miranda e Jorge Gago (já falecido). Esta organização pretendia, defender, em Portugal, se necessário por via de guerrilha, os valores do Mundo Ocidental. Através de Paulo Cardoso sou apresentado, em 1975, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a um agente da CIA, antena, (recolha de informações), chamado Philip Snell. Falei então durante algum tempo com Philip Snell. O Paulo Cardoso estava então a viver no Hotel Sheraton. Passados poucos dias, Philip Snell, diz-me para ir levantar, gratuitamente, um bilhete de avião, de Lisboa para Londres, a uma agência de viagens na Av. de Ceuta, que trabalhava para a embaixada dos EUA. Fui então a uma reunião em Londres, onde encontrei um amigo antigo, Gary Van Dyk, da África do Sul, que colaborava com a CIA. Fui então entrevistado pelo chefe da estação da CIA para a Europa, que se chamava John Logan. Gary Van Dyk, defendeu nessa reunião, a minha entrada para a CIA, dizendo que me conhecia bem de Angola, e que eu trabalhava com eficiência. Comecei então a trabalhar para a CIA, tendo também para esse efeito pesado o facto de ter anteriormente colaborado com a NISS - National Intelligence Security Service ( Agência Sul Africana de Informações). Gary Van Dyk era o antena, em Londres, do DONS - Department Operational of National Security ( Sul Africana ).

  Foto de Gary Van Dyk

Regressando a Lisboa, trabalhei para a Embaixada dos EUA, em Lisboa entre 1975 e 1988, a tempo inteiro. Entre 1976 e 1977, durante cerca de uma ano e meio vivi numa suite no Hotel Sheraton, o que pode ser comprovado, tudo pago pela Embaixada dos EUA. Conduzia então um carro com matrícula diplomática, um Ford, que estacionava na garagem do Hotel. Nesta suite viveu também a minha mulher, Elsa, já grávida da minha filha Eliana. O meu trabalho incluía recolha de informações /contra informações, informações sobre tráfico de armas, de operações de combate ao tráfico de droga, informações sobre terrorismo, recrutamento de informadores, etc. Estas actividades incluem contactos com serviços secretos de outros países, como a Stassi, a Mossad, e a "Boss" (Sul Africana), depois NISS - National Information Sectret Service, depois DONS e actualmente SASS. Era pago em Portugal, reccebendo cerca de USD 5.000 por mês. Nestas actividades facilita o facto de eu falar seis línguas. Actuei utilizando vários nomes diferentes, com passaportes fornecidos pela Embaixada dos EUA em Lisboa. Facilitava também o facto de eu falar um dialecto angolano, o kimbundo. A Embaixada dos EUA tinha também uma casa de recuo na Quinta da Marinha, que me estava entregue, e onde ficavam frequentemente agentes e militares americanos, que passavam por Portugal. Era a vivenda "Alpendrada". A partir de 1975, como referi, passei a trabalhar directamente para a CIA. Contudo a partir de 1978, passei a trabalhar como agente encoberto, No chamado "Office of Special Operations", a que se chamava serviços clandestinos, e que visavam observar um alvo, incluindo perseguir, conhecer e eliminar o alvo, em qualquer país do mundo, excepto nos EUA. Por pertencermos a este Office, éramos obrigados a assinar uma cláusula que se chamava "plausible denial" que significa que se fossemos apanhados nestas operações com documentos de identificação falsos, a situação seria por nossa conta e risco, e a CIA nada teria a ver com a situação. Nessa circunstância tínhamos o discurso preparado para explicar o que estávamos a fazer, incluindo estarmos preparados para aguentar a tortura.

 Foto de Adelino Amaro da Costa

Trabalhei para o "Office of Special Operations ” até 1989, ano em que saí da CIA. Para fazer face a estes trabalhos e operações, as minhas oontas dos cartões de crédito do VISA, American Express e Dinners Club, tinham, cada uma, um planfond de 10.000 USD, que podiam ser movimentados em caso de necessidade. Estes cartões eram emitidos no Brasil, em bancos estrangeiros sedeados no Brasil, como o Citibank, o Bank of Boston ou o Bank of America. Entre 1975 e 1989, portanto durante cerca de 14 anos, gastei com estes cartões cerca de 10 milhões de USD, em operações em diversos paises, nomeadamente pagando a informadores, politicos, militares, homens de negócios, e também traficantes de armas e de drogas, em ligação com a DEA (Drug Enforcement Agency), Existiram outros valores movimentados à parte, a partir de um saco azul, “em cash”, valores esses postos à disposição pelo chefe da estação da CIA, no local onde as operações eram realizadas. Este saco azul servia para pagar despesas como viagens, compras necessárias, etc. Posso referir que a operação de Camarate, que a seguir irei transcrever custou a preços de 1980 entre 750000 e 1 milhão de USD. Só o Sr, José António dos Santos Esteves recebeu 200000 USD. Estas despesas relacionadas com a operação de Camarate, incluiram os pagamentos a diversas pessoas e participantes, como o Sr. Lee Rodrigues, como seguidamente irei descrever. Entre 1975 e 1988, partoicipei em vários cursos e seminários em Langley, Virginia e Quantico, pago pela CIA, sobre informação, desinformação, contra-informação. terrorismo, contra-terrorismo, infiltrações encobertas, etc, etc. Trabalhei em serviços de infiltração pela CIA e pela DEA (Drug Enforcement Agency), em diferentes países, como Portugal, El Salvador, Bolívia, Colômbia,Venezuela, Peru, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Chile, Líbano, Síria, Egipto, Argélia, Marrocos, Filipinas. A minha colaboração com a DEA, iniciou-se em 1981, através de Richard Lee Armitage. Em 1980, Richard Armitage viria também a estar comigo e com o Henry Kissinger em Paris, Richard Lee Armitage era membro do CFR (Counceil for Foreign Affairs and Relations) e da Organização e Cooperação para a Segurança da Europa (OSCE), criada pela CIA, RichardArmitage era também membro, na altura, do Grupo Carlyle, do qual o CEO era Frank Carlucci. O Grupo Carlyle dedica-se à construcção civil, imobiliário e é uma dos maiores grupos de tráfico de armas no Mundo, junto com o Grupo Haliburton, chefiado por Richard "Dick" Cheney. O Grupo Carlyle pertence a vários investidores privados dos EUA, por regra do Partido Republicano. Este grupo promove nomeadamente vendas de armas, petróleo e cimento para países como o Iraque, Afeganistão e agora para os países da primavera árabe.

 Foto de Dick Cheney

A lavagem do dinheiro do tráfico de armas e da droga, era feito, na altura, pelo Banco BCCI, ligado à CIA e à NSA - National Security Agency. O BCCI foi fundado em 1972 e fechado no princípio dos anos 90, devido aos diversos escândalos em que esteve envolvido. Oliver North pertencia ao Conselho Nacional de Segurança, às ordens de william walker, ex-embaixador dos EUA em El Salvador. Oliver North seguiu e segue sempre as ordens da CIA, dependente de William Casey. Oliver North está hoje retirado da CIA , e é CEO de vários grupos privados americanos, tal como Frank Carlucci. Da DEA conheci Celerino Castilho, Mike Levine. Anabelle Grimm e Brad Ayers, tendo trabalhado para a DEA entre 1975 até 1989. Da CIA trabalhei também com Tosh Plumbey, Ralph Megehee - tenente coronel da NSA, actualmente reformado. Da CIA trabalhei ainda com Bo Gritz e Tatum. Estes dois agentes tinham a sua base de operações em El Salvador, (onde eu também estive durante os anos 80, durante o tráfico Irão - Contras), desenvolvendo nomeadamente actividades com tráfico de armas. Uma das suas operações consistiu no transporte de armas dos EUA para El-Salvador, que eram depois transportadas para o Irão e a Nicarágua. Os aviões, normalmente panamianos e colombianos regressavam depois para os EUA com droga, nomeadamente cocaina, proveniente de países como a Colômbia, Bolivia e El Salvador, que serviam para financiar a compra de armas. Esta actividade desenvolveu-se essencialmente desde os finais dos anos 70 até 1988.

 Foto de Frank Carlucci

A cocaina vinha nomeadamente da Ilha Normans Cay, nas Bahamas, de que era proprietário Carlos Lheder Rivas. Carlos Rivas era um dos chefes do Carte de Medellin, trabalhando para este cartel e para ele próprio. Carlos Rivas era, neste contexto um personagem importante, sendo o braço direito de Roberto Vesco, que trabalhava para a CIA e para a NSA. Roberto Vesco era proprietário de Bancos nas Bahamas, nomeadamente o colombus trust. Carlos Rivas fazia toda a logística de Roberto Vesco e forneciam armas a troco de cocaina, nomeadamente ao movimento de guerrilha Colombiano M19. Roberto Vesco está hoje refugiado em Cuba. O dinheiro das operações de armas e de droga são lavadas no Banco BCCI e noutros bancos, com o nome de código "Amadeus". Há no entanto contas activas nas Bahamas e em Norman's Cay, nas Ilhas Jersey, que gerem contas bancárias, nomeadamente para o tráfico de armas para os “Contras” da Nicarágua, e para o Irão. Como acima referi, muito desse dinheiro foi para bancos americanos e franceses, o que em parte explicará porquê é que Manuel Noriega foi condenado a 60 anos de prisão, tendo primeiro estado preso nos EUA, depois em França, e actualmente no Panamá. Foi preso porque era conveniente que estivesse calado, não referindo nomeadamente que partilhava com a CIA, o dinheiro proveniente da venda de armas e da venda de drogas. Noriega movimentava contas bancárias em mais de 120 bancos, com conhecimento da CIA. Noriega fazia também parte da operação Black Eagle, dedicada ao tráfico de armas e de droga, que em 1982 se transformou numa empresa chamada Enterprise, com a colaboração de Oliver North e de Donald Gregg da CIA. Em face do grau de informações e de conhecimento que tinha, é fácil de perceber porquê se verificou o derrube e a prisão de Noriega. Devo dizer que estou pessoalmente admirado que não o tenham até agora “suicidado", pois deve ter muitos documentos ainda guardados. Noriega tinha a intenção de contar tudo o que sabia sobre este tráfico, nomeadamente sobre os serviços prestados à CIA e a Bush Pai, tendo por isso sido preso. Washington e a CIA são assim veículos importantes do tráfico de armas e de droga, utilizando nomeadamente os pontos de apoio de South Flórida e do Panamá.

 Foto de Noriega

No início dos anos 80 conheci um traficante do cartel de Cali, de nome Ramon Milian Rodriguez, que depois mais tarde perante uma comissão do Senado Americano, onde falou do tráfico de armas e de droga, do branqueamento e dinheiro, bem como das cumplicidades de Oliver North neste tráfico às ordens de Bush Pai e do Donald Gregg. Muito do dinheiro gerado nessas vendas foi para bancos americanos e franceses. Este dinheiro servia também para compras de propriedades imobiliárias. Por estar ligado a estas operações, Noriega foi preso pelos EUA. Foi numa operação de droga que realizei na Colômbia e nas Bahamas, em 1984, onde se deu a prisão de Carlos Lheder Rivas, do Cartel de Medallin, em que eu não concordei com os agentes da DEA da estação de Maiami, pois eles queriam ficar com 10 milões de dólars e com o avião "lear-jet" provenientes do tráfico de droga. Não concordando, participei desses agentes ao chefe da estação da DEA de Maiami. Este chefe mandou-lhes então levantar um inquerito, tendo sido presos pela própria DEA. A partir de aí a minha vida tornou-se num verdadeiro inferno, nomeadamente com a realização de armadilhas, e detenções, tendo acabado por sair da CIA em 1989, a conselho de Frank Carlucci. O principal culpado da minha saida da CIA foi e da DEA foi John C. Lawn, director da estação da DEA e amigo de Noriega e de outros traficantes. John Lawn encobriu, ou tentou encobrir, todos os agentes da DEA que denunciei aquando da prisão de Carlos Rivas. Ápos a minha saida da CIA, Frank carlucci continuou contudo a ajudar-me com dinheiro, com conselhos e com apoio logístico, sempre que eu precisei até 1994. Regressando contudo à minha actividade em Portugal, anteriormente a camarate e ao serviço da CIA, devo referir que conheci Frank Carlucci, em 1975, atravez de duas pessoas: um jornalista Português da RTP, já falecido, chamado Paulo Cardoso de Oliveira, que conhecera em Angola, e que era agente da CIA, e Gary Van Dyk, agente da BOSS (Sul Africana) que conheci também em Angola. Mantive contactos directos frequentes com Frank Carlucci, sobretudo entre l975 e 1982, de quem recebi instruções para vários trabalhos e operações. Os meus contactos com Frank Carlucci mantêm-se até hoje, com quem falo ainda ocasionalmente pelo telefone. A última vez que estive com ele foi em Madrid, em 2008, na escala de uma viagem que Frank Carlucci realizou à Turquia.

: Foto de coronel Oliver North

Em Lisboa, também lidei e recebi ordens de William Hasselberg - antena da CIA em Lisboa, que além de recolher informacões em Lisboa actua como elo de ligação entre portugueses e americanos. Tive inclusivamente uma vida social com William Hasselberg, que inclui uma vida nocturna em Lisboa, em diferentes bares, restaurantes, e locais públicos. William Hasselberg gostava bastante da vida nocturna, onde tinha muito gosto em aparecer com as suas diversas “conquistas” femininas. Trabalhei também com outros agentes da CIA, nomeadamente Philip Agee. Neste âmbito, trabalhei em operações de tráfico de armas, e em infiltrações em organizações com o objectivo de obter informações políticas e militares, “Billie” Hasselberg fala bem português, e era grande amigo de Artur Albarran, Hasselberg e Albarran conheceram-se numa festa da embaixada da Colômbia ou Venezuela, tendo Albarran casado nessa altura, nos anos 80, com a filha do embaixador, que foi a sua primeira mulher. Das reuniões que tive com a embaixada americana em Lisboa, a partir de 1978, conheci vários agentes da CIA. O Chefe da estação da CIA em Portugal, John Logan, oferece-me um livro seu autografado. Conheci também o segundo chefe da CIA, Sr. Philip Snell, Sr. James Lowell, e o Sr. Arredondo. Da parte militar da CIA conheci o cor Wilkinson, a partir de quem conheci o coronel e o coronel Peter Bleckley. O coronel Oliver North, militar mas também agente da CIA e o coronel Peter Bleckley, são os principais estrategas nos contactos internacionais, com vista ao tráfico e venda de armas, nomeadamente com países como Irão, Iraque, Nicarágua, e o El Salvador. Na sequência do conhecimento que fiz com Oliver North , tendo várias reuniões com ele e com agentes da CIA, por causa do tráfico e negócio de armas. Estas reuniões têm lugar em  ários países, como os EUA, o México, a Nicarágua, a Venezuela, o Panamá. Neste último país contacto com dois dos principais adjuntos de Noriega, José Bladon, chefe dos serviços secretos do Panamá, que me disse que práticamente todos os embaixadores do Panamá em todo o Mundo estavam ao serviço de Noriega.

: Foto de general Diogo Neto

Blandon pediu-me na altura se eu arranjava um Rolls Royce Silver Spirits, para o embaixador do Panamá em Lisboa, o que acabei por conseguir. Em meados de 1980, Frank Carlucci refere-me, por alto, e pela primeira vez, que eu iria ser encarregue de fazer um "trabalho" de importância máxima e prioritária em Portugal, com a ajuda dele, da CIA, e da Embaixada dos EUA em Portugal, sendo-me dado, para esse efeito, todo o apoio necessário. Tenho depois reuniões em Lisboa, com o agente da CIA, Frank Sturgies, que conheço pela primeira vez. Frank Sturgies é uma pessoa de aspecto sinistro e com grande frieza, e é organizador das forças anti-castristas, sediadas em Miami, e é elo de ligação com os "contra" da Nicarágua. Frank Sturgies refere-me então, que está em marcha um plano para afastar, definitivamente, (entenda-se eliminar) uma pessoa importante, ligada ao Governo Português de então, sem dizer contudo ainda nomes. Algum tempo depois, possívelmente em Setembro ou Outubro de 1980, jogo ténis com Frank Cariucci quase toda a tarde, na antiga residência do embaixador dos EUA, na Lapa. Janto depois com ele, onde Frank Cartucci refere novamente que existem problemas em Portugal para a venda e transporte de armas, e que Francisco Sá Carneiro não era uma pessoa querida dos EUA. Depois já na sobremesa, juntam-se a nós o General Diogo Neto, o Coronel Vinhas, o Coronel Robocho Vaz e Paulo Cardoso, onde se refere novamente a necessidade de se afastarem alguns obstáculos existentes ao negócio de armas. Todos estes elementos referem a Frank Caducci que eu sou a pessoa indicada para a preparação e implementação desta operação. Em Outubro de 1980, num juntar no Hotel Sharaton onde participo eu, Frank Sturgies (CIA), Vilfred Navarro (CIA), o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas (já falecidos), onde se refere que há entraves ao tráfico de armas que têm de ser removidos. Depois há um outro jatar também no Hotel Sharaton, onde participam, entre outros, eu e o Coronel Oliver North, onde este diz claramente que "é preciso limar algumas arestas" e "se houver necessidade de se tirar aguém do caminho, tira-se", dando portanto a entender que haverá que eliminar pessoas que criam problemas aos negócios de venda de armas. Oliver North diz-me também que está a ter problemas com a sua própria organização, e que teme que o possam querer afastar e "deixar cair", o que acabou por acontecer.

 General Franco Charais

Há também Portugueses que estavam a benificiar com o tráfico de armas, como o Major Canto e Castro, o General Pezarat Correia, Franco Charais e o empresário Zoio. Sabe-se também já nessa altura que Adelino Amaro da Costa estava a tentar acabar com o tráfico de armas, a investigar o fundo de desenvolvimento do Ultramar, e a tentar acabar acabar com lobbies instalados. Afastar essas duas pessoas pela via política era impossível, pois a AD tinha ganho as eleições. Restava portanto a via de um atentado. Passados alguns dias, recebo um telefonema do Major Canto e Castro (pertencente ao conselho da revolução), que eu já conhecia de Angola, pedindo para eu me encontrar com ele no Hotel Altis. Nessa reunião está também Frank Sturgies, e fala-se pela primeira vez em "atentado", sem se referirem ainda quem é o alvo. referem que contam comigo para esta operação. O Major Canto e Castro diz que é preciso recrutar alguém capaz de realizar esta operação. Tenho depois uma segunda reunião no Hotel Altis com Frank Sturgies e Philip Snell, onde Frank Sturgies me encarrega de preparar e arranjar alguns operacionais para uma possível operação dentro de pouco tempo, possívelmente dentro de 2 ou 3 meses. Perguntam-me se já recrutou a pessoa certa para realizar este atentado, e se eu conheço algum perito na fabricação de bombas e em armas de fogo. Respondo que em Espanha arranjaria alguém da ETA para vir cá fazer o atentado, se tal fosse
necessário. Quem paga a operação e a preparação do atentado é a Cia e o Major Canto e Castro. Canto e Castro colabora na altura com os serviços Secretos Franceses, para onde entrou através do sogro na época. O sogro era de Nacionalidade Belga, que trabalhava para a SDEC, os serviços de inteligência franceses, em 1979 e 1980. Canto e Castro casou com uma das suas filhas, quando estava em Luanda, em Angola, ao serviço da Força Aérea Portuguesa. Em Luanda, Canto e Castro vivia perto de mim. Tendo que organizar esta operação, falo então com José Esteves e mais tarde com Lee Rodrigues ( que na altura ainda não conhecia). O elo de ligação de Lee Rodrigues em Lisboa era Evo Fernandes, que estava ligado à resistância moçambicana, a renamo. Falo nessa altura também com duas pessoas ligadas à ETA militar, para caso do atentado ser realizado através de armas de fogo. Depois, noutro jantar em casa de Frank Carlucci, na Lapa, na Mansarda, no último andar, onde jantamos os dois sozinhos, Frank Carlucci diz abertamente e pela primeira vez, o que eu tinha de fazer, qual era a operação em curso e que esta visava Adelino Amaro da Costa, que estava a dificultar o t
ransporte e venda de armas a partir de Portugal ou que passavam em Portugal, e que havia luz verde dada por Henry Kissinger e Oliver North. Cumprimento ambos, referindo que sou "o homem deles em Lisboa".

Arranjoe compilação de

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:52
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2012
PIAÇABUÇU . IV

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

       “DOS JESUITAS AOS TUBARÕES . 1

 Por

     Roeland Emiel Steylaerts

Para Meu pai, em algum lugar lá em cima; Minha mãe, sempre presente; Meu filho Isaías, em algum lugar deste universo; Meus netos Rubens e Patrícia; Meus bisnetos; Ao Brasil, que tão bem me acolheu.

INTRODUÇÃO

Resolvi escrever este livro, por uma questão de consciência. Falo há tantos anos que vou fazer um livro das coisas que aconteceram mas, muitas das quais já esqueci. Não que ache que sou um escritor, sou mais um contador de histórias. Escrevo como falo. As partes são misturadas, encontrando-se entre si... volta e vão, retorcem a filosófica vida entre entusiasmo e o desespero. Uso muitas referências, como nomes e datas. Muitas coisas já não me lembram; simplesmente esqueceram-se de mim. Mas quero deixar este testemunho, de como as coisas eram... no meu tempo, nem tão longe, assim como pode parecer. Cada facto é verdadeiro e olhem...que muita coisa, eu não falo, ou não poso falar, para não magoar ou machucar alguém ou ninguém. No começo resolvi falar dos meus amigos e conhecidos, mas vi que iria dar muito problema, pois muitos ainda vivem... então, resolvi ter boca de sirí. Vamos aos factos...

  Saí daqui menino

MINHA INFÂNCIA E OS JESUITAS

Nasci na casa de minha avó Ana Raeymaeckers no meio de um bombardeio alemão em 1943. Foi um bombardeio de bombas V1. Era na Lange Lozannastraat 154-156, em Antuérpia. Nasci com o nome Roeland Emiel AnaMaria Guido Steylaerts, em 24 de Dezembro, véspera  de Natal. Quando tinha dois anos, em 1945, a guerra acabou. Em 1949, com seis anos fui para uma escola de freiras, onde aprendi as primeiras letras, em pequenos quadros de lousa. Em 1950 aos sete anos fui inscrito no Xaverius College, em Borgerhout, Antuérpia, um dos melhores da região, administrado pelos temíveis padres jesuítas. Morávamos quase em frente, na Rivierenlaan, 24. Eles, doutrinavam a fundo nossas mentes. Até que em 19 de Maio 1955 tive minha Sagrada Comunhão. Considerava-me um menino Santo, crente em Deus,  obediente às ordem dos padres ou da igreja. Vivia feliz, brincando, andando de bicicleta, ou conhecendo a redondeza com os amigos. Era um menino como outro qualquer.

 Movimento de tropas (1943)

Aos fins-de-semana, eu com meus pais e irmão costumávamos sair em passeio pelos campos. Quando havia algum sol, coisa rara no país, íamos para a praia, normalmente, Blankenberghe. Por vezes espaçadas, íamos para outros lugares, como a Valónia no sul do país; quando havia muita chuva (e, como chove na Bélgica) escolhíamos ir a um qualquer museu. Quase nunca ficávamos em casa nos fins-de-semana. Conheci sempre coisas diferentes. Em 1959, estando eu com 14 anos, levei uma tapa na cara de um padre no Sint Bergmans college em Antuérpia. E, tudo isso porque dei uma risada, nem sei bem do porquê! Foi na frente de toda a classe e senti muita vergonha. Desde então odiei não só aquela peste de padres como toda e qualquer religião vinculada a párocos de batina e chapéu negro de três bicos. Foi daí que comecei a estudar por minha própria conta, buscando literatura sobre o tema, filosofar com outros sobre o que era a religião, seus mistérios e intrincados labirintos de desconhecidas coisas do espírito

(Continua...)

Compilado com ligeiras correcções ortográficas ao texto original por

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:13
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2012
BRASIL EM 3 PENADAS . XXIII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

       “DA MADEIRA AO BRASIL”

: O Luso Brasileiro João Fernandes Vieira

Este tema já foi abordado superficialmente em uma série de crónicas com o titulo de “Brasil – a saga do açúcar” mas agora, mais informado, terei de regressar ao tema, salientando a pessoa de João Fernandes Vieira, reconhecido como restaurador de Pernambuco pela sua reconquista aos holandeses que capitularam em 1654. Provocando a debandada destes a partir da derrota na batalha de “Guararapes”, o exército Brasileiro tomou-o como seu patrono a partir  da marca meta e, em seus feitos na contagem do tempo militar. Os Montes Guararapes, em Pernambuco, foram palco da vitoriosa batalha contra o invasor holandês a 19 de Abril de 1648. A Força Terrestre do Brasil forjou-se ali integrada por índios, brancos, negros e mestiços, cimentando as bases da nacionalidade.

 Ilha da Madeira

Esses momentos épicos ali vividos, encerraram profundo significado para a formação do Exército: o movimento que expulsou os holandeses do Brasil, integrando as forças lideradas pelos senhores de engenho André Vidal de Negreiros, João Fernandes Vieira, pelo afro-descendente Henrique Dias e pelo indígena Felipe Camarão. A região do Nordeste Brasileiro, sob domínio da Companhia das Índias Ocidentais tendo Maurício de Nassau no comando, foi substituído em sua administração. Os novos administradores da companhia passaram a exigir a liquidação das dívidas aos senhores de engenho incumpridores, política que conduziu à Insurreição Pernambucana de 1645 culminando com a extinção do domínio neerlandês após a segunda Batalha dos Guararapes.

 Cidade do Funchal

A rendição formal foi assinada em 26 de Janeiro de 1654, na campina do Taborda, mas só provocou efeitos plenos, em 6 de agosto de 1661, com a assinatura da Paz de Haia, onde Portugal concordou em pagar aos Países Baixos oito milhões de Florins, o equivalente a sessenta e três toneladas de ouro. Este valor foi pago aos Países Baixos, em prestações, ao longo de quarenta anos sob a ameaça de invasão da sua Marinha de Guerra. De acordo com a corrente historiográfica tradicional em História Militar do Brasil, o movimento estimulou o gérmen do nacionalismo brasileiro, pois que brancos, africanos e indígenas fundiram seus interesses na expulsão do invasor. João Fernandes Vieira, era filho do português Francisco de Ornelas Moniz, descendente do capitão de Machico, sendo sua mãe mulata ou negra de nome Antónia Mendes, nascido na cidade do Funchal da  ilha da Madeira no ano de 1613.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:41
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Terça-feira, 1 de Maio de 2012
MULUNGU . XII

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO SOBA*

       “Portugal no 1º de Maio ” – 1ª Parte

Visto por

: Lobo Antunes

Nação valente e imortal. Agora, sol na rua a fim de me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles.

Maio . Miró  

Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda mais piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.

Trabalhador . Miró

As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.

(Continua…)

* Soba do Kimbo  -  responsável pela escolha desta crónica satírica de António Lobo Antunes, in visão abril 2012

O Soba T´Chingange



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MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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