Sábado, 31 de Agosto de 2013
BRASIL EM 3 PENADAS . XLVI

BRASIL - 130 generais manifestam seu descontentamento

As escolhas de

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO 

Sábado, 17 de Agosto de 2013

 Cento  e Trinta GENERAIS manifestaram-se contra a presidente DILMA, dizendo que o  governo agiu de forma revanchista e inconsequente ao governar somente para fragmentos diferenciados da sociedade brasileira. A mídia estranhamente calou-se sobre o assunto. Os oficiais signatários, implicitamente, avisam que têm influência sobre a tropa, deixando bem claro que são eles, os pilares que fundamentam as forças armadas na actualidade. Avisam que as associações não se intimidarão frente aos acontecimentos e que o actual Ministro da Defesa não tem autoridade para censurar actos de entidades tais como o clube militar..

  “O Clube Militar não se intimida e continuará atento e vigilante, propugnando comportamento ético para nossos homens públicos, envolvidos em uma série chocante de escândalos, defendendo a dignidade dos militares, ferida e constrangida com salários aviltados e cortes orçamentários, que impedem a boa funcionalidade das Forças Armadas...” Entre  os signatários destacam-se oficiais que ocuparam altíssimos cargos na  hierarquia militar, como Zenildo de Lucena e Valdésio Guilherme de Figueiredo. “Este é um alerta à Nação brasileira, assinado por homens cuja existência foi  marcada a servir a Pátria, tendo como guia o seu juramento de por ela, se preciso for, dar a própria vida. São homens que representam o Exército e os responsáveis pelos fundamentos  em que se alicerça o Exército de hoje.”

  O manifesto dos militares, vêem crescendo há mais de um ano. Apesar da importância de seus signatários, parece que o documento ainda não conseguiu vencer as barreiras que ultrapassam o virtual; tramita pela internet, crescendo de site em site. A mídia nitidamente, evita o assunto. Desde algum tempo que o governo por parte do Ministério da defesa se  ressente, lançando ameaças de punições disciplinares contra os  signatários. Em verdade o manifesto continuou crescendo. Se, se considerar que tão grande número de generais se opõe às acções da presidência da república, pode isso significar que há em realidade algo para corrigir. Além dos 130 generais que assinaram o documento há ainda muitos outros oficiais, juízes, civis e políticos que apoiam o manifesto.

A lista dos oficiais Generais, é divulgada pelo Site http://averdadesufocada.com.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:20
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Sexta-feira, 30 de Agosto de 2013
CAFUFUTILA . XLIII

 

   FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“ANGOLA E O PUTO” - O DESPERTAR DE CONSCIÊNCIAS

Os filhos mazombos e a geração do Puto - A crónica original deste tema foi publicada a 17 de Abril de 2011 e é agora reeditada com algumas alterações por força das alterações sociais dos dias de hoje; a geração aqui descrita tem agora de suportar seus filhos no desemprego ou lá longe, fora de portas.

- Geração à rasca, também foi a minha. Foi uma geração que viveu numa terra que teve de abandonar porque afinal já tinha dono. Uns eram turras e outros filhos do Puto, besugos. Também era proibido ser diferente ou pensar que todos eram iguais com acesso à saúde, ao ensino e à segurança social.

- Uma Geração de opiniões censuradas a lápis vermelho. Que viveu numa terra em que o casamento era para toda a vida, o divórcio proibido, as uniões de facto eram pecado e filhos sem casar uma desonra. Hoje, o conceito de família mudou. Há casados, recasados, em união de facto, casais homossexuais, monoparentais, sem filhos por opção, mães solteiras, mães de gazosa, abarrigados, amantizados, da boleia, pais biológicos, etc.

- Os televisores. Não havia. Eram tempos de cultura de cinema Miramar, Kipaca, Império, Nacional, tropical, Colonial, Avis, Tivoli, Restauração e tantos outros. Em Angola, não havia televisão. No Puto a TV era a preto e branco, uns autênticos caixotes, em que se colocava um filtro colorido, no sentido de obter melhores imagens, fazendo dos locutores "Zombies" desfocados. Hoje, existem plasmas, LCD ou Tv com LEDs, que custam uma pipa de kwanzas.

Galinhas de Angola 

- Na rádio ouviam-se apenas 3 estações, a Emissora Oficial que cantava " Angola,... É nossa" ao abrir e encerrar, a católica Rádio Renascença e o Rádio Clube. Não tínhamos os Gato Fedorento, só ouvíamos Os Parodiantes de Lisboa, os humoristas da época, Chá-das-Seis no cine Restauração e as marchas de Luanda com a Sara Chaves. Não existia o Dog Murras e o Mingas cantava só nos fundos do quintal do Maculusso e Ingombotas.

- O Bairro Operário, era para a malta ir às meninas, e para os boémios. Éramos a geração das farras, da Cuca, da Nocal e do Sbel, das boites improvisadas do Kazenga, catambor, de Viana e da Maianga. Discotecas eram lojas que vendiam discos, como a Valentim de Carvalho e outras nos arredores da Mutamba.

- As Redes Sociais chamavam-se Aerogramas, cartas que na nossa juventude enviávamos da guerra no Luso ou Mayombe aos pais, noivas, namoradas, madrinhas de guerra, ou amigos que estavam na Luua. Agora vivem na Internet, da socialização do Facebook, do SMS e E-Mails cheios de "k" e vazios de conteúdo.

- As viagens Low-Cost na nossa Geração eram feitas em Fiat 600, até a Porto Quipíri, Kifangondo, Morro da Lua ou Mabubas ou então nas viagens para combater o chamado "inimigo" na Mata Verde para lá de Catete, Calomboloca, Zenza. kassoneca e do outro lado da Muxima.

- Ginásios? Só nas colectividades de bairros ou nos baloiços do Parque Herois de Chaves. Os SPAS chamavam-se Morro da Lua, Morro dos Veado, ,Ponta da Ilha, e só eram visitados no fim de semana. Levávamos umas Cucas, laranjadas, gasosas e fazíamos uma farra na areia com as garinas da Vila Alice e Bairro do Café. Tirávamos muitas fotos a preto e branco para recordar.

 - Na escola Industrial ou Liceu, quando terminávamos o curso ou o 7º do liceu, recebíamos um beijo dos pais, o que nos agradava, e íamos em grupo para a Corimba, Kambambe ou Mussulo, no Kitoco ou Kapossoca. Hoje vão comemorar os fins dos cursos, com banga para fora do país em grupos organizados, para comemorar, tudo pago pelos paizinhos...Têm brutos carros, Ipad’s, Iphones, PC’s, …. E tudo em quantidade. Pago pela geração kazucuteira que hoje tem a culpa de tudo!!!

- Afinal eu, lá para trás também fui dessa geração à rasca. E, não é que agora ainda tenho de ajudar, o filho, o neto, pagar-lhes a conta de luz e uma catrefa de livros porque estão no desemprego mesmo com a capacitação de dois cursos superiores. Pópilas… Já era tempo de folgar a vida!

O Soba T´Chinghange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:21
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Quinta-feira, 29 de Agosto de 2013
T´XIPALA . XVII

“COMBUSTÃO LENTA”Armaduras de indiferença

Por

soba.jpg  Soba  T´Chingange

Estou comendo terra antes que a terra me coma. Há bem uns quarenta anos que venho praticando esta tarefa para me acostumar ao seu sabor e, foi desta feita que curei úlceras e azia que me atormentavam; os bois e outros animais também fazem isto por instinto e fazem-no sem receita passada por um qualquer médico, veterinário, kimbanda, curador ou homeopata. Os homens através dos tempos perderam a maior parte de seus instintos primários na cura de suas mazelas, recorrendo por dá-cá-aquela-palha ao médico. Os recursos da terra mais propriamente a argila, são enormes mas, porque não dá dinheiro a ganhar a alguém, designam de trapaça o uso de algo tão natural. Todas as manhãs, mastigo dois comprimidos de argila branca ou verde para dar saúde ao meu aparelho digestivo. É assim que elimino a acidez da tanta mistela que ingerimos, oxigenando desta forma o forno da vida ou a combustão lenta subtraindo da flora intestinal os nutrientes impróprios ao corpo humano.

Uma das primeiras pessoas a quem passei este conhecimento foi ao meu amigo José Matias que, pouco ou nada quer saber dos instintos; quase que exclusivamente, adora as leis de Deus, os dez mandamentos, todas as suas próprias apostilas, as profecias e escrituras do livro sagrado, a Bíblia. Declama de memória as passagens e bolores do velho testamento com parábolas sempre ajustadas às emoções. Há nele, sempre, uma perturbação nas formas de intimidade proibidas ou proibitivas; Faz tábua rasa dos conceitos canónicos ditada pelos decretos humanos e nada quer saber sobre a teoria de Darwin na evolução da espécie. Vive independente dos avanços científicos e não dá bola a viagens exploratórias, amolgando com armaduras de indiferença as emoções acocoradas nas profundezas galácticas. Isso são particularidades pertinentes do humanismo, diz ele amiudadamente no discurso directo.

Tentando descrucificá-lo, brinco com as palavras que lhe dirijo mas, ele, envolto em si como imagem mística da pureza, baralha-me a realidade criando monstruosos quadros dantescos, cheirando a morte em cenas de prematuras autópsias como numa morgue lúgubre, fascínio mórbido pelo delito, quanto baste, mesmo que só em pensamento. No meio deste cenário sinto-me despedaçado. Sente-se no etéreo nada facadas desvirtuadas. Pintado de um pobre diabo, lanço dúvidas sobre meu talento pondo até em causa se não estarei demente, maluco mesmo! De tanto excitar a minha sensibilidade, creio sofrer de um defeito detestável: - A virtude. E, pelo sim ou pelo não, continuo a comer a terra antes que ela me engula.

Nota: entenda-se por virtude

1. Disposição constante do espírito que nos induz a exercer o bem e evitar o mal.
2. O conjunto de todas ou qualquer das boas qualidades morais.
3. Acção .Ação .Ação virtuosa.
4. Austeridade no viver.
5. Castidade, pudicícia.
6. Qualidade própria para produzir certos e determinados resultados.
7. Propriedade, eficácia.
8. Validade, força, vigor.

T´xipala: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter.

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:06
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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2013
FRATERNIDADES . XLV

 “PAPA FRANCISCO” Lição de vida . V

 PAPA FRANCISCO

Pode fazer-nos um pequeno balanço  após quatro meses de Pontificado, e dizer o que foi o pior e o melhor de ser Papa? O que mais o surpreendeu neste período? 

Papa Francisco Não sei como responder isso, de verdade. Coisas ruins, ruins, não aconteceram. Coisas belas, sim. Por exemplo, o encontro com os bispos italianos, que foi tão bonito. Como bispo da capital da Itália, me senti em casa com eles. Uma coisa dolorosa foi a visita a Lampedusa, me fez chorar. Mas me fez bem. Quando chegam estes barcos (com imigrantes), e que os deixam a algumas milhas de distância da costa e eles têm que chegar (à costa) sozinhos, isso me dói porque penso que estas pessoas são vítimas do sistema sócio-econômico mundial. Mas a coisa pior é um dor ciática, é verdade,  tive isso no primeiro mês. É verdade! Para uma entrevista, tive que me acomodar numa poltrona e isso me fez mal, doía muito, não desejo isso a ninguém. O encontro com os seminaristas religiosos foi belíssimo. Também o encontro com os alunos do colégio jesuíta foi belíssimo. As pessoas…conheci tantas pessoas boas no Vaticano. Isso é verdade, eu faço justiça. Tantas pessoas boas, mas boas, boas, boas.

O senhor se assustou quando viu o informe sobre o Vatileaks? 

Papa Francisco - Não. Vou contar uma anedota sobre o informe do Vatileaks. Quando fui ver o Papa Bento, ele disse: aqui está uma caixa com tudo o que disseram as testemunhas. Havia ainda um envelope com o resumo. E ele sabia tudo de memória. Mas não, não me assustei. São problemas grandes, mas não me assustei.

 O princípio

O sr. tem a esperança de que esta viagem ao Brasil contribua para trazer de volta os fiéis? 

Papa FranciscoUma viagem Papa sempre faz bem. E creio que a viagem ao Brasil fará bem, não apenas a presença do Papa. Esta Jornada da Juventude, eles (os brasileiros) se mobilizaram e vão ajudar muito a Igreja. Tantos fiéis que foram se sentem felizes (por terem ido). Acho que vai ser positivo não só pela viagem, mas pela Jornada, que foi um evento maravilhoso.

Os argentinos perguntam-se: o sr. não sente falta de estar em Buenos Aires, pegar um ônibus? 

Papa FranciscoBuenos Aires, sim, sinto falta. Mas é uma saudade serena.

Hoje os ortodoxos festejam mil anos do cristianismo. Seu comentário. 

Papa FranciscoAs igrejas ortodoxas conservaram a liturgia tão bem, no sentido da adoração. Eles louvam Deus, adoram Deus, cantam Deus. O tempo não conta. O centro é Deus e isso é uma riqueza. Luz é oriente. E o ocidente, luxo. O consumismo nos faz tão mal. Quando se lê Dostoievski, que acho que todos nós devemos ler, precisamos deste ar fresco do oriente, desta luz do oriente.

   Meio e fim

O que o senhor pretende fazer em relação ao monsenhor Ricca (acusado de ter amantes) e como o sr. pretende enfrentar toda esta questão do lobby gay? 

Papa Francisco Sobre monsenhor Ricca, fiz o que o direito canônico manda fazer, que é a investigação prévia. E nesta investigação, não tem nada do que o acusam. Não achamos nada.  É a minha resposta. Mas eu gostaria de dizer outra coisa sobre isso. Vejo que muitas vezes na Igreja se busca os pecados de juventude, por exemplo. Abuso de menores é diferente. Mas, se uma pessoa, seja laica ou padre ou freira, pecou e esconde, o Senhor perdoa. Quando o senhor perdoa, o senhor esquece. E isso é importante para a nossa vida. Quando vamos confessar e nós dizemos que pecamos, o senhor esquece e nós não temos o direito de não esquecer. Isso é um perigo.

Foto: Com um frio destes, até o "Laçador" colocou botas para enfrentar a lide. Mais um trabalho magnífico deste grande artista,  Costa Araujo. Costa Araujo com os Gaúchos

O que é importante é uma teologia do pecado. Tantas vezes penso em São Pedro, que cometeu tantos pecados e venerava Cristo. E este pecador foi transformado em Papa. Neste caso, nós tivemos uma rápida investigação e não encontramos nada.Vocês vêm muita coisa escrita sobre o gay lobby. Eu ainda não vi ninguém no Vaticano com uma carteira de identidade do Vaticano dizendo que é gay. Dizem que há alguns. Acho que quando alguém se vê com uma pessoa assim deve distinguir entre o fato de que uma pessoa é gay e fazer um lobby gay, porque todos os lobbys  não são bons. Isso é o que é ruim. Se uma pessoa é gay e procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, pra julgá-la? O catecismo da Igreja católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados por causa disso, mas devem ser integrados na sociedade. O problema não é ter essa tendência. Não! Devemos ser como irmãos. O problema é fazer lobby, o lobby dos avaros, o lobby dos políticos, tantos lobbys. Esse é o pior problema.

Ilustrações de Costa Araújo

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:03
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Terça-feira, 27 de Agosto de 2013
CAFUFUTILA . XLII

PARA REFLETIR No tempo em que eu era o Tonito 

Por

 T´Chingange

   Desde sempre e, que me lembre de ser gente, observei que as leis foram inventadas pelos fortes para dominarem os fracos que são muito mais; sempre observei amizades incipientes desde o tempo em que os cuspidores de prata eram usuais e era admissível ou, sem reparo, cuspir-se em público; sempre foi mal visto o acto de cuspir para o ar e até havia a polícia dos costumes a multar incumpridores que cuspiam para todos os lados fazendo grafites com escarros coloridos e até raiados de tísicos assombros com desenhos obscenos; havia os rufias catadores de aconchegos entre as putas dos cais que usavam a cuspidela na cara dos outros como extremo desprezo. Os estudantes gozavam com a lei acendendo isqueiros segurando uma telha por cima de suas cabeças; era lei no uso de isqueiro, pagar um imposto com isenção quando usados debaixo de telha. A lei mesmo que absurda, torna o impossível admissível.

   Hoje já não se vê escarradeiras nos corredores de hospitais ou salas de espera, nem mesmo nos casarões palacianos mas, aí por mediados do século XX, recordo os casinhotos de retrete da minha escola, um lugar da Beira Litoral chamado de Barbeita a escassos quilómetros de Viseu; neste tempo, ia para a escola como no tempo da idade média com uns tamancos feitos em madeira de pinho e recobertos com couro de boi na sua cor original; as retretes da escola ficavam no fundo do pátio, casinhotos mal cheirosos tendo no seu interior uma barrote longitudinal em cima de um estrado, um tudo nada mais elevado de forma a ser usado de cócoras; As frestas eram mais que muitas que o inverno congelava o rabiosque. Ali se apoiava o rabo ficando com o sim-senhor ou fio-fó por cima do esterco fedorento; periodicamente alguém, talvez o continuo, botava ali giestas, alfazema, alecrim ou rosmaninhos para atenuar o mau odor e o aspecto repelente. Escusado dizer que aquele barrote estava imundo de sebeiroso, mesmo com merda seca.

      Hoje que penso muito e rezo pouco, recordo os tempos em que ninguém, mesmo dando pontos sem nó, os primos escolhiam recantos rupestres para se amarem entre monturos de palha e farfalhos de milho, descobriam ali segredos de seus corpos acariciando-se com curiosidade, averiguando as diferenças aturdidos pelo pudor, mais tarde a culpa, maquilhada com muitos tabus de sacristia, ai Jesus, credo, que Deus nos ajude. Naqueles tempos, mesmo sem crise, íamos crismando vergonhas de pobre e, havia muitos, muito mais que agora. Hoje a pobreza será outra, a das pessoas arruinadas porque perderam o perfil e, agora são obrigadas a aparentar o que não têem; tudo por força da crise e roubos subtraídos pela lei do governo, outra vez a velha lei. Creiam, … Isto vai continuar como sempre foi, uma merda.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:18
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Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013
MUXIMA . XXXII

POSTAL DE ANGOLA Das ruas de Luanda para o The New York Times . 1ª de 2 Partes

:::

Carta do padre salesiano uruguaio Martín Lasarte, que trabalha em Angola, e que foi endereçada ao jornal norte-americano The New York Times. Nela expressa suas mágoas diante da onda da mídia destacando os abusos sexuais de alguns sacerdotes, ao mesmo tempo em que se surpreende com o desinteresse que o trabalho de milhares de religiosos suscita nesses mesmos meios de comunicação.
EIS A CARTA:

Querido irmão e irmã jornalista: sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há trinta anos que vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes actos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a protecção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta. Vejo em muitos meios de informação, sobretudo no vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros casos mais recentes! Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio. É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida ao serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo! 

 Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precise transportar, por caminhos minados, muitas crianças desnutridas de Cangumbe ao Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Moxico com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 30 anos a mais de 110.000 crianças.

 Não é do vosso interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 25.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não chegavam ao seu destino. Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite a cidade de Luanda recolhendo os meninos de rua, levando-os para as casas de acolhimento, para que se desintoxiquem da gasolina ou cola, que se alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus-tratos e até violências e que procuram um refúgio.

Muxima: Tal com a ongweva do Umbundo significa saudade em Kimbundo

A opção de

 T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:26
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Domingo, 25 de Agosto de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXXVIII

“UM DIA  -  No labirinto do Mundo . 2º de 2 Parte

Por

  T´Chingange           

Um dia afastado do lusco-fusco, fiz de mim um corsário, daqueles que brincam com o fogo e, armado de contraluz, embeveci-me por uma ucraniana comestível, de carnes leitosas, olhos de alfazema e sabor a manga rosa; ela cantava e dançava só para mim conforme ela dizia, com brilho de inverdade; um dia surgiu com uma cobra de Poconé do Pantanal, comprida, gorda e mansa mas, de aspecto arrepiante; esta dita cuja cobra, enroscava-se em seu corpo durante as danças exóticas, nunca tendo dado mostras de mau carácter até que uma noite em que Capristana se apresentou com um enfeite de diadema de plumas no penteado, aconteceu. Aconteceu que o animal rastejante, confundindo o toucado com um papagaio e seus dois olhos faiscantes, verdadeiros diamantes do Cafunfo, pouco a pouco, estrangulou a sua dona na firme convicção de que a estava salvando; Capristana estava condenada a morrer estrangulada! Eu, nada ouvi e vi, tal era a dose de liamba, da melhor erva vinda do Buco-Zau; O corno manso, que era eu, simplesmente dormia neste sucedido! Ninguém acreditou mas o facto ficou mesmo consumado.

 Nesse então, tempo de garanhão, marcava com riscos a parede do mukifo junto à cama e, as garinas que ia adicionando à colecção, ou papando como diziam os rosqueiros do meio de Tando Zinze. No correr das conquistas com riscos fui dando o jeito a estes por forma a que dali, surgissem flores estilizadas no colorido; A parede foi ficando cheia de inspirações na forma de girassóis. Alguns anos a fazer de galo-papão, as veleidades começaram a ter a estrutura moral de artista excêntrico cedendo sempre às tentações das funções orgânicas até que, tomei conhecimento de que meu corpo estava a converter-se em meu inimigo. 

Com a barriga na forma de promontório de abade, foi-se tornando difícil vestir as cuecas. Havia sempre umas pedras roliças a desestabilizar o equilíbrio; de estrutura debilitada recorri aos chás do Mayombe e, entre murmúrios e águas de alfazema ou cú lavado, o pau-de-cabinda, minimamente fazia jus à sua fama. O soba de Bumelambuto enviava-me periodicamente os mais variados chás de kimbanda à mistura com o milagroso pau do Buco-Zau. Já de cabeça grisalha apaixonei-me em Lândana pela tatuagem de um dragão preto nas coxas de Charllôtte. Foi neste então, já de cabeça cheia de bruma e de alma algodonosa que o soba do Bumelambuto me disse: -Não há nada mais libertador do que a idade. Sukwama! Tinha mesmo razão.  

O Soba T´Chingange     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:40
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Sábado, 24 de Agosto de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXXVII

“UM DIA  -  No labirinto do Mundo . 1ª de 2 Partes

Por

  T´Chingange  

Como Pablo Neruda, ou quase isso, tenho sempre tantos sítios e tantas memórias para recordar que, de volta, retorno a esses lugares especiais para encontrar-me comigo sem mais família, só com o caminho pisando torrões e pedras, sem uma tarefa definida, sem fortes arribas de despenhadeiros de esquecimento. Quem iria imaginar no correr do tempo, um mundo tão cheio de hipocrisia, um vespeiro de políticos corruptos, bandidos a esmo e mulheres oferecidas mostrando seus atributos assediando o diabo; àquilo que em outros tempos se chamava de sem-vergonha, de gente de má-vida. Quem pode avaliar agora, as pessoas que trocam de reputação aplaudindo tontices de Calígula, figura de suposta prole e, de tão imprópria formação.

Num mundo tão cheio de traições, enaltecem jogos de entre-lençõis, contrariando critérios que perduram até que desaparece a vergonha; contrariando os tais dois dedos de inteligência de que tanto se apregoava, tão usuais ao reconhecimento de infidelidade, os novos-ricos e mal-nascidos  que arvoram genealogicamente seus títulos de nobreza ostentando irreverências ofensivas misturadas com fascinação. Contrariando essa corrida frívola abro de quando em vez meus mapas de gestão digitais e com paciência de topógrafo, agrimensuro rumos de futuro de, onde e aonde posso permanecer menos perturbado; busco a propósito azimutes com a estratégia na busca, dos lugares de menos subtracção.

Sítios de comodidade e longe da balbúrdia citadina com os cantares de coaxar da rã, do ron-rom da gata com cio, dos catarros da cigarra no pico do estio, dos vagas lumes relampejando ternuras nas noites cálidas, vento de suão com as capotas ou galinhas de angola ou da guiné chorando cacarejos de estou-fraca estou-fraca, limpando as bichezas menores em bandos, limpando o armazém sem depender do alheio. As alucinações vêm no início do lusco-fusco com bandos de pássaros, talvez pintassilgos voando aos pulos, aos milhares, e até gaivotas piando, piando. Ando a tentar seguir a TGE, Teoria Geral do Esquecimento porque os padrões de comportamento de gente íntegra já não podem ser tomadas como padrão; os espelhos modelam-nos hábitos maus e tornam-nos corriqueiros. São tempos de Calígula.

Foto: Mais trabalhos na minha página: www.facebook.com/desenhosangelica Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:40
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Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013
MOKANDA DA LUUA . XV

ANGOLA - "Oviquipungos"– 2ª de 2 Partes

Por

  Dy – Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

Este mussendo é para o Álvaro Barros, Banazol, o Chucha e todos os "Oviquipungos" e demais maralha que passou provações nas picadas de África, ou melhor nas picadas de Deus. E este será para rir um pouco.

 O Mucibe segundo o meu tio era um grande filho da P... que nunca devia ter nascido ali. A Ford pontapé, carro bom estava ali nem um arranhão, apenas o emblema azul por cima do radiador se deslocou e ficou na posição vertical, e um pneu furado segundo o primeiro diagnóstico do primo Mário o mecânico autorizado pela fábrica. Quando resolveram finalmente questionar o motivo do acidente é que foram elas. – Vinhas grosso ou quê? – Perguntou o Cenoura ao condutor, esfregando o galo na cabeça. Qual grosso qual carapuça, grossa anda a tua avó – Foi um Jimbo – Retorquiu justificando-se. – Um Jimbo? – Sim um c…. dum Jimbo. A constatação de que a barra de direcção se soltara só veio a seguir, entre palavrões proferidos em todos os dialectos conhecidos, inclusive o português. – Capunda tira o macaco e trás para aqui. – Vociferou o Tio Mário. O Capunda estava cinzento quando teve de informar que o macaco ficara no Lubango com o senhor Viegas que o pedira emprestado na quinta-feira.

 Eu encolhi-me entre as malas de peixe não fosse sobrar para mim o que durou pouco tempo pois ficou decidido que as ditas malas serviriam de macaco para salvar o ajudante daquela situação embaraçosa. Uma hora e meia depois, um perne da carroçaria e dois remendos tinham resolvido provisoriamente o acidente e o Arreguga roncava de novo na picada em direcção ao paraíso. Parámos em Quipungo pelas oito da matina e fiquei a saber a razão dos rateres do Tio Cenoura que mamou dois bifes com ovo a cavalo, um quilo de batatas fritas e seis cervejas e não fora a urgência ainda era capaz segundo ele de comer uma posta de bacalhau cozido; deixamos a pensão do Ferreira rumo ao Cuvelai já o sol acalorava a terra e libertava suor em cascata dos cabelos ruivos do tio Cenoura, que adormecera em segundos, completamente imune ao estado deplorável da picada. Já perto do Cuvelai o impensável aconteceu. A tampa do radiador do Calhambeque subiu em flecha pelos ares deixando atrás de si um Géiser de água a ferver. O Capunda pôs-se ao fresco e eu fui a seguir evitando ser queimado pela chuvarada fervilhante. O meu tio só acordou depois de alguns abanões e profetizou o óbvio. – É falta de óleo, alguém verificou óleo desta caranguejola. O Capunda aproveitou para aliviar a tripa encoberto por um mutiáte que se encontrava a uma distância prudente é que nestes acidentes de percurso a corda parte sempre pelo mais fraco.

 

 Eu timidamente dei conta aos mais velhos do carreirinho de óleo que tinha seguido o Arreguga até à carroçaria. Foi nesse momento que fiquei a saber a razão porque o tio Mário tinha sido nomeado para mecânico da viatura pela Ford. Só quem nunca palmilhou Picadas na nossa mamãe África, é que não leva um bom naco de sabão macaco para esta emergência vulgar de cárter vertendo óleo. Verter águas num momento em que todas as poças barrentas estão a quilómetros, só para o radiador. E o óleo? O óleo; Quem é que esquece o óleo quando vai para o paraíso e tem de estrelar ovos, fritar bifes de Olongo e batatas fritas. Á noite chegámos ao paraíso mas foi preciso muito sofrimento que Deus não dá nada de borla. Quem quiser morrer na paz do senhor apanhe o calhambeque do meu tio para o Qué.

As opções do

  Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:16
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Quinta-feira, 22 de Agosto de 2013
FRATERNIDADES . XLIV

“PAPA FRANCISCO” Lição de vida . IV

 PAPA FRANCISCO

O que sr. pensa sobre a ordenação das mulheres?

Papa FranciscoSobre a ordenação, a Igreja já falou e disse que não. João Paulo II disse com uma formulação definitiva. Essa porta está fechada. Nossa senhora, Maria, é mais importante que os apóstolos. A mulher na igreja é mais importante que os bispos e os padres. Acredito que falte uma especificação teológica.

 Queremos saber qual a sua relação de trabalho com Bento XVI, não a amistosa, a de colaboração. Não houve antes uma circunstância assim. Os contatos são frequentes?

Papa Francisco - A última vez que houve dois ou três papas, eles não se falavam. Estavam brigando entre si, para ver qual deles era o verdadeiro. Eu fiquei muito feliz quando Bento XVI se tornou papa. Também, quando renunciou, foi, pra mim, um grande exemplo. É um homem de Deus, de reza. Hoje, ele mora no Vaticano. Alguns me perguntam: como dois papas podem viver no Vaticano? Eu achei uma frase para explicar isso. É como ter um avô em casa. Um avô sábio. Na família, um avô é amado, admirado. Ele é um homem com prudência. Eu o convidei para vir comigo em algumas ocasiões. Ele prefere ficar reservado. Se eu tenho alguma dificuldade, não entendo alguma coisa, posso ir até ele. Sobre o problema grave do Vatileaks [vazamento de documentos secretos], ele me disse tudo com simplicidade. Tem uma coisa que não sei se vocês sabem: em 8 de fevereiro, no discurso, ele falou: “Entre vocês está o próximo papa. Eu prometo obediência”. Isso é grande.

 Nesta viagem (ao Brasil), o sr. falou de misericórdia. Sobre o acesso aos sacramentos dos divorciados, existe a possibilidade de mudar alguma coisa na disciplina da igreja?

Papa Francisco Essa é uma pergunta que sempre se faz. A misericórdia é maior do que o exemplo que você deu. Essa mudança de época e também tantos problemas na igreja, como alguns testemunhos de alguns padres, problemas de corrupção, do clericalismo… A igreja é mãe! Ela cura os feridos! Ela não se cansa de perdoar.  Os divorciados podem fazer a comunhão. Não podem quando estão na segunda união. Esse problema deve ser estudado pela pastoral matrimonial. Há 15 dias, esteve comigo o secretário do sínodo dos bispos, para discutir o tema do próximo sínodo. E posso dizer que estamos a caminho de uma pastoral matrimonial mais profunda. O cardeal Guarantino disse ao meu antecessor que a metade dos matrimônios é nula. Porque as pessoas se casam sem maturidade ou porque socialmente devem casar-se. Isso também entra na Pastoral do Matrimônio. A questão da anulação do casamento deve ser revisada. Também é preciso analisar os problemas judiciais de anular um matrimônio. Porque os…eclesiástico não bastam para isso. É complexo o problema da anulação do matrimônio.

 Como Papa, o senhor ainda pensa como um jesuíta? 

Papa Francisco É uma pergunta teológica. Os jesuítas fazem votos de obedecer ao Papa. Mas se o Papa se torna um jesuíta, talvez devem fazer votos gerais dos jesuítas. Eu me sinto jesuíta na minha espiritualidade, a que tenho no coração. Não mudei de espiritualidade. Sou Francisco franciscano. Me sinto jesuíta e penso como jesuíta!

O senhor se assustou quando viu o informe sobre o Vatileaks?

Papa Francisco Não! Vou contar uma anedota sobre o informe do Vatileaks. Quando fui ver o Papa Bento, ele disse: aqui está uma caixa com tudo o que disseram as testemunhas. Havia ainda um envelope com o resumo. E ele sabia tudo de memória. Mas não, não me assustei! São problemas grandes, mas não me assustei.

Ilustrações de Costa Araújo

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:15
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Quarta-feira, 21 de Agosto de 2013
MOKANDA DA LUUA . XV

ANGOLA - "Oviquipungos"– 1ª de 2 Partes

Por

 Dy – Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

Este mussendo é para o Álvaro Barros, Banazol, o Chucha e todos os "Oviquipungos" e demais maralha que passou provações nas picadas de África, ou melhor nas picadas de Deus. E este será para rir um pouco.

UMA VIAGEM AO PARAÍSO

Era um pedaço de gente a primeira vez que fui ao Qué. Ouvia os crescidos pronunciarem aquele nome mas não imaginava o que seria e nem me atrevia a perguntar, pois nesses tempos de educação, a intromissão em diálogo de adulto era punida com severidade. Limitei-me a esperar pelo dia em que iria finalmente conhecer o Qué. Foi simplesmente espectacular. Depois de uma viagem atribulada entre o Lubango e o Qué no Arreguga do meu tio chegámos finalmente à fazenda do meu avô. Eu já estive em muitas fazendas por esse mundo fora, mas aquela que o velho edificou à beira do rio com o mesmo nome, era qualquer coisa. Quem quisesse morrer na paz de Deus apanhava o Arreguga do meu tio e deitava-se ali naquele cantinho à espera que Deus o levasse.

  Imaginem um rio feito cobra deslizando numa chana imensa, salpicada aqui e ali de campos de trigo e milho onde as capotas e as perdizes se perdiam em cantares ao desafio, e os perus do mato, aquela variedade de tucano africano, conversavam entre si soltando rufos de jambé abafado. Mas para chegar a este éden era preciso sofrer, não se chegava ao paraíso assim como quem dá cá aquela palha e Deus não dá nada de borla é preciso muita provação para ultrapassar os seus desígnios secretos. Acho que nem mesmo o catálogo de percalços mais elaborado tem escarrapachado tudo o que nos sucedeu. Por condição inferior fui chutado para a carroçaria do calhambeque, eu e o Capunda, dez malas de peixe, dois sacos de cinquenta quilos de fuba, um semi-eixo para o tractor da fazenda e o meu tio Cenoura que levou parte da viagem a roncar e a largar rateres em franca alternância com o Arreguga.

 Correu tudo bem até ao Cangolo, salvo os odores do Tio Cenoura e o Capunda que ia mal equilibrado e se apeou em andamento sem pedir licença, aterrando numa poça de água barrenta da picada. Nada de mais comparado com o momento em que o meu outro tio o dono da Ford Pontapé torceu o volante para a direita para se desviar de um Jimbo e o Arreguga teimoso foi direitinho para esquerda saltando fora da picada, embatendo num Mucibe mudo rodeado de Muitiátes. O Cenoura bateu com o moleirinha na cabine e ficou com um galo no cocuruto que foi motivo de chacota durante o fim-de-semana.

 As opções do

 Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:47
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Terça-feira, 20 de Agosto de 2013
KANIMAMBO . XXXVII

 “O ESPÍRITO DA COISA” ONGWEVA (Saudade, em Português) . 15

Por

  Filomena Camacho

Ouve dizer-se que a palavra “saudade” é exclusivamente portuguesa, sem tradução em outras línguas. Contudo, em Angola, também “saudade” é traduzida, na Língua Umbundo, pela palavra “ongweva” prova de uma evidente conexão existente entre Angola e Portugal países que, numa miscigenação, não apenas física mas também da alma, tem caminhado juntos. Pergunte-se a cada Angolano se “ongweva” não será algo que - como uma febre de feitiço, lançada por “kimbanda” - dá aquela sensação que transcende, tornando-a incontrolável e impotente de amenizar!? A quem lá tenha nascido ou lá tenha permanecido, por longo ou curto período de tempo, da sua vida, sabe do que pretendo verbalizar.

 A saudade é uma síndrome que a medicina não pode alterar… A saudade dói! A saudade é persistente. A saudade, ainda que branda, corrói. Torna-nos prisioneiros… Recordar Angola, com o coração a transbordar de “ongweva” transformamo-la numa tela viva de imagens, de sons, cores, de cheiros… Nas imagens revivemos: Paisagens de vegetação luxuriante; extensões desérticas; rios caudalosos; cascatas gigantescas e abruptas; cidades de grandes avenidas - com grandes néones dos reclames da: Cuca, Nocal, Cine-Teatro, Hotel, Banco… Das casas iluminadas pelo “petromax”, pelo xipefo, candeeiro a petróleo, pelo fogo, pelas estrelas cintilantes do céu… Das picadas sem asfalto… Relembramos o som. Das guitarradas; da música de farras nos quintais e clubes…

    Relembramos os sons a rasgar a noite - onde o luar de um céu diáfano de luz, dava a impressão de uma abóbada de catedral, imensa, onde apetecia ajoelhar e elevar uma oração…tamanha a beatitude e êxtase que invadia os sentidos. Do coaxar das rãs, do kwáx-kwáx, do chilreios da passarada que, em sinfonia, deixando ecoar seus maviosos acordes! … Do batucar longamente frenético e, tíbio depois, do batuque; o dedilhar do kissanje; do chingufo… Os estalidos e os rumorejares do fogo das queimadas… Das cores: O tom variegado e ímpar com que Deus, ao colorir África, não fez questão em poupar nas aguarelas mas, deliberadamente, as espargiu como um pintor contagiado pelo magnetismo dos cambiantes, dos matizes… e, prodigamente, tornasse tudo num colorido, variado, inebriante e mágico... A amálgama dos verdes! … O matizado das flores, vegetais, frutos, animais! … A cor vermelha da terra! Tanta combinação harmoniosa…deslumbrante!... Os cheiros: O cheiro da terra, túmida… grávida duma flora incrivelmente diversificada e bela! O cheiro agridoce das flores, dos frutos, da terra molhada… O sol quente a mordiscar a tez queimada… ongweva, aiué, ongueva!
Filomena Gomes Camacho - Londres, 14/04/13

Kanimambo: Obrigado (de Moçambique)

::::::::         AS ESCOLHAS

DE SOBA T´CHINGANGE



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:30
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Segunda-feira, 19 de Agosto de 2013
T´XIPALA . XVI

“ANGOLA”TGE .Teoria geral do Esquecimento

Por

   T´Chingange  

 Tirei do bolso um caderno e anotei o nome do barco que passava roncando, rasgando as águas mansas do Arade; O Arrifana, lentamente subia a correnteza levando atrás de si esvoaçando, muitas gaivotas que piando sons alegres, repercutiam seus sons nas barrentas construções do porto e marina de Portimão; eram ecos de mar, da azáfama ribeirinha de cheiros húmidos. Comodamente sentado nas areias da praia da Angrinha de Ferragudo, tenho os pés bafejados pelo arfar do faísca, meu cão rafeiro guardador de ovelhas que irrequieto ora abanava o rabo, ora gemia contidos latidos quando outros cachorros por ali passavam; este cão sempre teve fobia à água e, desesperava ver os demais cães pedigree mostrando suas vaidades.  

    Estou no fim da leitura do livro de José Agualusa com a sua teoria geral do esquecimento. Este livro surgiu a partir de dum roteiro para um filme que nunca rodou; talvez fosse demasiado absurdo contar uma estória quase sem cabimento pois que se baseava numa auto-clausura de uma senhora portuguesa que dias antes da independência de 1975, em Luanda, se emparedou num quarto andar de um prédio chique; empilhou com tijolos e argamassa a porta de entrada por se sentir horrorizada com o evoluir dos acontecimentos. Resignou-se a ficar como uma “matumbola” (morta-viva) encerrada em seu caixão. A sobrevivência sucede-se em detalhes que só a ficção proporciona; apanhando pombos com diamantes a fingir de milho que coloca em armadilhas improvisadas de restos de caixote, em sua varanda, vai amontoando ao longo de mais de trinta anos vivências de espantar.

 No final, muitos anos passados, alguém lhe diz para se esquecer desse assombroso tormento mas, a velha senhora rejeita a opinião dum doutor, raizeiro kimbanda, que deveria praticar o esquecimento ao qual ela responde: - Não se atormentem por mim, sei perfeitamente que os erros corrigem-nos mas, nada deste passado pode ser esquecido porque nada disto posso e quero esquecer, fazer isso é morrer, uma rendição e ... eu, não me rendo. Passei demasiado tempo em estado de solidão. Até os espelhos ao me verem agora, ficam assombrados! Os progressos da tragédia multiplicaram a minha alma, concluiu a velha senhora do Puto. Agora sou só mesmo uma incomum estória do passado. Ponto final ao TGE (Teoria Geral do Esquecimento)

T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter (do Kimbundo)

 Inspirado no livro de José Agualusa em teoria geral do esquecimento.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:52
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Domingo, 18 de Agosto de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXXI

“CHICORONHOS”- Maconginos

As escolhas de

KIMBO LAGOA                       

Por
  Dy Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

GERAÇÃO SONHADORA

 

 Época de esplendor e amores irreverentes

 Dos beijos trocados no escuro dos cinemas

 Dedos entrelaçados, corações frementes

 Em ombros indolentes caracóis deitados

 Conspirações amorosas, paixões extremas

 Murmúrios aos ouvidos, ciúmes tresloucados

 Popa armada, brilhantina em cabeça tonta

 Mangas arregaçadas insinuando músculos

 Gola levantada, cinéfilo artista de faz de conta

 Sexos amando-se tementes sem escrúpulos.

 Calças afuniladas, azuis, de gangas importadas

 

 Camisas desabotoadas e blusões berrantes

 Botas de tacão bicudo, nos canos decorados

 Olhares matadores, galãs e até pedantes

 Donzelas, olhos castos, postos no chão

 Miradas de recato insinuantes, sorrateiras

 Amores furtivos, efémeros como bolas de sabão

 Promessas ao vento, cartas de amor brejeiras.

 Danças apaixonadas ao som de boleros

 Mãos audaciosas em seios trementes

 Pais atentos, conservadores, austeros

 Bocas sequiosas, beijos furtivos, ardentes.

 

 Línguas enleadas como cobras na selva

 Assaltos destemidos e audazes à virtude

 Meninas feitas mulheres no verde da relva

 Pais liberais, tolerantes com atitude.

 Foi assim a magia colorida dos sessenta

 Revolucionando a musica a roupa os penteados

 Uma geração inteira que muda e acrescenta

 Ao admirável mundo novo novos pecados

 Que se emancipa, se revolta reinventando

 Doutrinas de paz e muitos utópicos conceitos

 Que sem remissão, tristemente vão agonizando

 Em guerras sem sentido, sonhos desfeitos.

 

Reis Vissapa



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:56
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Sábado, 17 de Agosto de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXXVI

 “ALENTEJO  -  TERRAS FANTASMAGÓRICAS2ª de 2 Partes

Por

   T´Chingange  

:      Estamos em Agosto de 2013 com talvez menos de dez milhões de Portugueses e, o estado vive à míngua sugado por corruptos e corruptores. As conquistas do povo foram direitinhas para a nova casta de políticos que dividem o bolo por quotas, tanto para ti, tanto para mim. Cá na província, na lezíria, ou ceara alentejana, no cortiçal, olival, nas chapadas de trigo, nos lameiros, os montes estão desventradas, sem telhado, ruínas a gritar desespero aos vindouros. Afinal, de nada valeu aquela caçada nos tempos loucos de caçar fascistas. Ainda hoje me arrepio de tal façanha vivida por mim com pesar e, em euforia de Abril ou Abrilada pelos demais, mais que muitos, infelizmente! Acabei por me desterrar, abalado para um lugar distante chamado de Venezuela, mais tarde Brasil. Os tempos passaram mas os anos prósperos foram por má gestão mandados p´ro galheiro.

 D. Sebastião I de Portugal - Foi o décimo sexto rei de Portugal, cognominado O Desejado por ser o herdeiro esperado da Dinastia de Avis, mais tarde nomeado O Encoberto ou O Adormecido. Aos 14 anos assumiu a governação. Solicitado a cessar as ameaças às costas portuguesas e motivado a reviver as glórias do passado, decidiu a montar um esforço militar em Marrocos, planeando uma cruzada após Mulei Mohammed ter solicitado a sua ajuda para recuperar o trono. A derrota portuguesa na batalha de Alcácer-Quibir em 1578 levou ao desaparecimento de D. Sebastião em combate e da nata da nobreza. Isto, levou Portugal à perda da independência para a dinastia Filipina e ao nascimento do mito do Sebastianismo.

Voltando à lagoa da barragem do Monte da Rocha, não é muito diferente do que se pensa fora de água em que ninguém quer saber da azáfama dos outros, cada qual por si, chapéus há muitos como dizia o humorista e repentista Vasco Santana. Ontem à noite prestei vénias a D. Sebastião que veio dar vida em cortesia de soberania recriada à morna terra pintada de azul e branco de Messejana. Se ontem D. Sebastião veio dar vida, há muitos anos atrás em sua realeza imberbe, ocasionou morte a todos os jovens que com ele foram embalados numa aventura de conquista a norte de África; iam destemidamente dar cabo dos Mouros, os hereges infiéis, Berberes e Tuaregues que não perfilavam com o Cristo e seus seguidores arianos. Alá, já nesse então, nada o fazia alinhar com o deus ariano que desfilava amor com armas em forma de cruz estilizada, a espada.

  O oxalá deles, mouros, não tinha seguramente o mesmo sentido que nós arianos lhe davamos. Os jovens assediados pelo jovem rei D. Sebastião, com ele foram mas, jamais voltaram; por lá ficaram em Alcácer Quibir encharcando a terra árabe com seu sangue num amontoado de corpos. O vento Suão nunca os trouxe de volta e, por eles muitas mães choraram, muitas noivas enviuvaram prematuramente carregando dos pés à cabeça seus lutos. Esta aventura de conquista e submissão de África continuou através dos tempos e séculos. A riqueza soberana do puto, era nesse então  e, sempre, pequena demais para as ansiedades do povo Tuga e, foi assim que muitos dos nossos ancestrais, nossos avôs e pais se aventuraram a iniciar novas vidas para além do desconhecido em um terra que diziam também ser a sua. Tal como eu, branco de segunda, muitos foram o fruto desta estória sem hagá, Angola, Moçambique, Guine entre os demais. Por má gestão e usura, nossos ditos irmãos deixaram-nos ao deus-dará; um dia a história fará justiça. Oxalá que assim seja!

Foto: Mais trabalhos na minha página: www.facebook.com/desenhosangelica Ilustrações de Costa Araujo, meu Mano Corvo (O Deserto é de minha autoria)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:05
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Sexta-feira, 16 de Agosto de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXXV

“ALENTEJO  -  TERRAS FANTASMAGÓRICAS1ª de 2 Partes

Por

  T´Chingange

   No dia de ontem, quinze de Agosto, dia de todas a Marias, percorri a savana alentejana entre Messejana, Panoias, Santa Luzia e Garvão admirando o silêncio doirado da ondulada planície sarapintada de chaparros e sombras. No ar sentia-se um zunir morno, brisa suave de uma apavorada expectativa, impassível por baixo de um céu azul; um azul espalmado em todas as latitudes. As narinas arfavam nervosamente o cheiro do pasto farfalhando mornices de verão com mais de quarenta graus as terras de latifúndios, fome e solidão de recentes tempos. A nostalgia das terras do Alentejo são fantasmagóricas, transcendem-se no tempo com bocejar de sonhos perenes.

 Já nadando ou gesticulando nas águas espelhadas da barragem do Monte da Rocha embrulhado em pensamentos, dizia só para mim que um escritor nunca se aposenta. É quando carregado de sabedoria que se tem de recolher ao isolamento; creio que sucede isto com todos aqueles que teimam em deixar testemunhos de vida: escrevem para o vento emulando-se nas descrições que só eles sentem, só eles cheiram. Vivem povoados de fantasmas feitos fantasias, alongam suas descrições, suas visões, para além do inimaginável. São gente só, isolados quanto baste para poderem trespassar a vida feita de nadas. O tudo ou sonho, entre o real e a ficção convenceram-me e, embora de forma incerta, um encontro com a literatura. De quando em vez afugento o desencanto pela força transformadora do tempo, porque só o tempo depura, mas isto decerto, não fará de mim um escritor. Simplesmente, escrevo!

 Um pato acerca-se de mim na água. Imagino que ele vê uma ilha com a forma de um chapéu de palha enquanto se movimenta lentamente ao meu redor. Nesta pequena imensidão de lagoa, e nesse preciso momento, este pato é o meu único aconchego de vida. É, para todos os efeitos o meu espírito santo, o meu mais próximo ser naquela tranquila lagoa. Ele mergulha rápidamente seu bico na água e faz luzir um pequeno achigã que se retorce em seu bico. Distraído com a deglutição do seu manjar, não se apercebe que naquele chapéu tem gente.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:59
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Quinta-feira, 15 de Agosto de 2013
XICULULU . XXXIII

As escolhas de

Jose Lourenco jose Lourenco 

 b

É imperdível!... O famoso comentador da TV, Marcelo Rebelo de Sousa, seguia a bordo de um avião, de Lisboa para o Porto. O lugar a seu lado estava ocupado por um garoto de uns 10 anos, natural de Amarante, de óculos, com ar sério e compenetrado. Assim que o avião descolou, o garoto abriu um livro, mas Marcelo Rebelo de Sousa puxou conversa. Ouvi dizer que o voo parece mais curto se conversarmos com o passageiro do lado. Gostarias de conversar comigo? O garoto fechou calmamente o livro e respondeu:

- Talvez seja interessante. Qual o tema que gostaria de discutir?

 -Ah, que tal política? Achas que devemos reeleger Sócrates ou dar mais uma oportunidade ao Passos Coelho? O garoto suspirou e replicou: - Poderá ser um bom tema, mas, antes, gostaria de lhe colocar uma questão. - Então manda! - Encorajou o professor Marcelo. - Os cavalos, as vacas e os cabritos comem a mesma coisa, certo? Pasto, ervas, rações. Concorda? Disse o garoto. Sim – respondeu o professor.

        - No entanto, os excrementos dos cabritos são umas bolinhas, as vacas largam placas de bosta e, os cavalos, umas bolas bem grandes... Qual é a razão para isto? Perguntou. Marcelo Rebelo de Sousa pensou por alguns instantes, mas acabou por confessar que não sabia a resposta... E o garoto concluiu: - Então como é que o senhor se sente qualificado para discutir quem deve governar Portugal se não entende de "merda" nenhuma?...

As escolhas de KIMBOLAGOA....G

“XICULULO: -Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo”

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:02
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Quarta-feira, 14 de Agosto de 2013
FRATERNIDADES . XLIII

“PAPA FRANCISCO” Lição de vida . III

 PAPA FRANCISCO

O sr. disse que se sentia enjaulado. Por quê?

Papa Francisco - Vocês sabem que eu tenho vontade de passear pelas ruas de Roma! Adoro andar pelas ruas e, por isso me sinto um pouco enjaulado. Mas tenho que dizer que a Gendarmeria vaticana é boa. Agora deixam-me fazer algumas coisas mais. Mas seu dever é garantir minha segurança. Enjaulado nesse sentido, de que gostaria de estar nas ruas mas, entendo que não é possível. Em Buenos Aires, eu era um sacerdote das ruas.

A igreja no Brasil está perdendo fiéis. A Renovação Carismática evitará que eles sigam para as igrejas pentecostais?

Papa Francisco - É verdade, as estatísticas mostram isso. Falamos sobre isso ontem com os bispos brasileiros e, isso é um problema que os incomoda. Eu vou dizer uma coisa: nos anos 1970, início dos 1980, eu não podia nem vê-los! Uma vez, falando sobre eles, disse a seguinte frase: eles confundem uma celebração musical com uma escola de samba; arrependi-me. Vi que os movimentos bem assessorados trilharam um bom caminho; agora, vejo que esse movimento faz muito bem à igreja em geral. Em Buenos Aires, eu fazia uma missa com eles uma vez por ano, na catedral. Vi o bem que eles faziam! Neste momento da igreja, creio que os movimentos são necessários. Esses movimentos são um graça para a igreja. A Renovação Carismática não serve apenas para evitar que alguns sigam os pentecostais. Eles são importantes para a própria igreja;é a igreja que se renova.

 O senhor disse que está cansado. Há algum tratamento especial neste voo de regresso a Roma?

Papa Francisco - Sim, estou cansado. Não há nenhum tratamento especial neste voo. Na frente, tem uma bela poltrona mas, eu screvi para dizer que não queria tratamento especial.

A igreja sem a mulher perde a fecundidade? Quais as medidas concretas? 

Papa Francisco - Uma igreja sem as mulheres é como o colégio apostólico sem Maria. O papel da mulher na igreja não é só maternidade, e mãe da família. É muito mais forte. A mulher ajuda a igreja a crescer e, pensar que a Nossa Senhora é mais importante do que os apóstolos! A igreja é feminina, esposa, mãe! O papel da mulher na igreja não deve ser só o de mãe e com um trabalho limitado. Não, tem outra coisa. O papa Paulo XI escreveu uma coisa belíssima sobre as mulheres. Creio que se deva ir adiante com esse papel! Não se pode entender uma igreja sem uma mulher ativa. Um exemplo histórico: para mim, as mulheres paraguaias são as mais gloriosas da América Latina. Sobraram, depois da guerra (1864-1870), oito mulheres para cada homem. E essas mulheres fizeram uma escolha um pouco difícil. A escolha de ter filhos para salvar a pátria, a cultura, a fé, a língua. Na igreja, deve-se pensar nas mulheres sob essa perspectiva. Escolhas de risco, mas como mulher. Acredito que, até agora, não fizemos uma profunda teologia sobre a mulher. Somente um pouco aqui, um pouco ali! Tem a que faz a leitura, a presidente da Cáritas, mas há mais o que fazer. É necessário fazer uma profunda teologia da mulher. Isso é o que eu penso!

Ilustrações de Costa Araujo

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:24
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Terça-feira, 13 de Agosto de 2013
PARACUCA . XV

CONTROLE SOCIAL - As 10 Estratégias de Manipulação da mídia . 3ª de 3 Partes

As escolhas de

 T´CHINGANGE

 NOAM CHOMSKY  é um linguista, filósofo e activista político estadunidense. É professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE. Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE. Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema económico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua acção. E, sem acção, não há revolução!

 10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM. No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

 ESTRATÉGIA 1 - A FUNDAMENTAL – (REPETIÇÃO) - A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO

- O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações, de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')”.

IFoto: Mais trabalhos na minha página: www.facebook.com/desenhosangelicalustrações de Costa Araújo Araújo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:58
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Segunda-feira, 12 de Agosto de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXXIV

“PARAÍSO SURREALISTA  -  O pássaro QUETZAL

Por

   T´Chingange

PÁSSARO QUETZAL

Entre o sereno esplendor do Céu, as convulsas trevas do purgatório e as chamas quentes do inferno jogava xadrez com o anjo Akasha. Havia ali naquele espaço balanças de todo o tipo, decimal, electrónica e digital e até de pratos que em circulo formavam um misto de mercado tipo persa e anfiteatro romano. Todas elas se destinavam a pesar as almas dos viventes. Lá mais por detrás, havia uns dinamómetros especiais para medir consciências; reparei que suas molas já estavam um pouco pasmadas e, logicamente disse para meus botões que a AZAI não tinha passado por aqui; estas destinavam-se a medir consciências tendo ao lado uns frascos tubulares do tipo pipeta para depósito de lágrimas; Ele, havia lágrimas de muitas cores e até fosforescentes. Os visitantes que não choravam eram encaminhados imediatamente para o inferno. Os que tinham lágrimas sentidas ficavam em estágio, como eu, jogando o tempo de diversas formas com os anjos, espíritos e guias celestiais.

  Estes guias usavam batinas com símbolos ou hieróglifos estranhos conforme suas especialidades de curar almas extraviadas, inconformadas ou simplesmente ridículas. De soslaio reparei que alguns destes personagens levavam uns bilhetinhos e não foi necessária nenhuma explicação suplementar para ver que aquilo eram cunhas de emissários terrestres; a corrupção também estava aqui instalada. Para as secções do paraíso só iam mesmo aquelas pessoas de quem os outros sentiam falta, a tão apregoada saudade ou ongweva levada aos céus pelos tugas e mwangolés. Os que careciam de fé, aguardavam num salão vendo filmes atrás de filmes escovando o templo ou testa com penas misteriosas. Diluíam seu orgulho com umas pequenas máquinas vibradoras-barra-purificadoras.

BEM ANTIGO...ESTÁ EM EVORA Sentia-se um eco de sombrias vozes vindas do teto muito parecido à capela sistina de Roma. Aquilo era mesmo grande, assim como uma estação de trens super gigante de onde saíam naves silenciosas movidas a gargarejos de água benta ofertadas nos séculos seculorum dos tempos mumificados. Podia ver em um outro extremo (havia infindáveis extremos) uns jornalistas entrevistando à última da hora, personagens que por destacadas figuras governamentais, tinham tratamento VIP; lavavam ali suas consciências em umas tinas grandes e gelatinosas. Tinham espasmos vulcânicos às mais pertinentes perguntas de triagem celestial. Era este um portal irrealista, diga-se de passagem. Despertei quando Akasha pronunciou o “xeque-mate”; Akasha apanhou-me o rei descuidadamente aturdido com um bispo pedófilo. Não estava previsto ser assim tão promíscuo fim.

Ilustrações de Costa Araujo Araujo

O Soba T´chingange          



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:40
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Domingo, 11 de Agosto de 2013
CAFUFUTILA . XLI

Por

 T´Chingange

Naquele lugar de kafufutila havia um embondeiro pedindo clemência aos ares com muitas mãos viradas para o céu. Ao seu redor oco, Dionisio Robinson construiu uma varanda coberta a capim do Okavango suportada por chinguiços de pau-ferro, daqueles com que se constroem cercas aramadas para reter o gado. Com uns esguios paus de bambu enfeitou o sítio com bandeiras maioritariamente dos países PALOPS à mistura com vizinhos geográficos de Angola. Organizou ali um bar com balcão e esplanada com umas quantas mesas espalhadas à frente. De um dos lados dispôs um bom número de telas mostrando batucadas, queimadas e poentes das anharas com cassoneiras e embondeiros em primeiro plano. Do lado detrás pendurou muitos panos do Congo mostrando a esfinge de Mugabe, Mandela e do Zédu Mwangolé misturados com capulanas garridas de Maputo, paisagens da ilha de Moçambique e Zanzibar.

  Num espírito de solidariedade Robinson inventou uma geringonça de fazer arco-íris; deste modo genuíno, na mira de produção e comercialização de seus produtos, espantava os visitantes carcamanos do sul e mais alem, com a beleza de muitas cores tremelicando no chuvisco saído de pequenos bicos de água; zingarelhos e artefactos estranháveis, zuniam cacimbo artificial na contraluz dum quase pôr-do-sol. Dionísio Robinson deu a este lugar o nome de chitaca do Kunene Baobab. Nos fins de tarde, terras do fim-do-mundo juntavam-se ali caçadores e outros mentirosos botando conversa fora na companhia de muito gim com água tónica; diziam eles que era para não serem picados pelo mosquito por via do quinino ingerido.

  Era neste então que surgia um músico estropiado na guerra do Kwito-Kanavale cantando musicas de kuduro que em simultâneo bangulava sua perna de pau, enxerto grosseiro dum definitivo provisório; fazia piruetas que só um coxo chambeta é capaz. Deus inventou a música para que os pobres pudessem ser felizes e este cantor era o verdadeiro monarca da katchipemba; tinha uma boa estória de guerra para contar, dizia e repetia que os mortos, todos defuntados daquela guerra, ficaram amnésicos. Havia feitiços pregados nos embondeiros para recordar os progressos das muitas e variadas tragédias, de seu povo, dizia ele. Lançava alerta aos vivos, mas estes não lhe ligavam. Até mesmo aquele rio Kunene sucumbia ali com nome de Okavango, desconseguindo chegar ao mar; de forma misteriosa terminava num deserto e de forma incomum dava vida ao Calahári.

  Dionísio Robinson abandonou Luanda após a guerra de tugi, farto das pessoas que na posse duns kumbus exalavam arrogância, um primeiríssimo sinal de gente com exteriores de riqueza. Luanda estava mesmo a ficar por demais misteriosa. Os mistérios eram tantos que já não lhe cabiam mais nos sonhos. Cansado das gentes e sua bafunfa, rumou a sul a conselho de seus manos ovibundos; recebeu uma quantia considerável ao se desmobilizar voluntariamente instalando-se nas margens do Kunene com a Namíbia à vista. Foi num encontro de empresários que conheci esta figura. E, foi ele que me apresentou o primeiro presidente do recente país, a Namíbia. Era Sam Nujoma, de alpercatas e chapéu de palha já roído pelo salalé. Esta simpática figura ficou-me na retina e, ainda hoje baila como uma mosca, nos meus olhares taciturnos.

 Inspirado no livro de José Agualusa em teoria geral do esquecimento.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:50
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Sábado, 10 de Agosto de 2013
A CHUVA E O BOM TEMPO . XXXV

DESRAZÃO DA IMAGINAÇÃO - Teoria geral do esquecimento

Pelo

Antonio Monteiro SOBA T´CHINGANGE

 Sentindo-me longe de mim mesmo, naquele outro dia, estava mesmo cheio de saudades do tempo em que Liló, dedilhava sua viola cantando coisas do mato e do kongo que me faziam sentir no papel de Mobutu Sese Seko N´gbeudu Wa Za Banga, um comprido nome de estilo fécula por demais badalado nas rumbas guerrilheiras do Zaire, um persistente deus menor. Os tempos mudaram e apareceram outros deuses como o Edu mwangolé, sem contar com a múmia do zimbabweano Roberto Mugabe mas, continuo a ouvir das bocas dos poderosos palavras grandes de justiça social, liberdade e mudança; no entanto as pessoas continuam a definhar, adoecem e morrem sem entender os eloquentes discursos dos poderosos deuses. A miséria persiste-se no malembemalembe entre os progressos dos que se passeiam bem vestidos, dentro de veículos xispeteó topo-de-grana.

 Prosperando como bolor entre ruínas engendram-se no sistema capitalista corrompendo tudo como o kissonde. Por um esforço da imaginação, muito menos da inteligência, e por empenho de outra faculdade a que podemos chamar de desrazão, converso comigo mesmo. Não existe Deus sem humanidade, ponto quase final. Perante isto e aquilo, parece-me mais fácil ter fé em Deus, não obstante ser algo tão para além da nossa limitadíssima compreensão do que na arrogante humanidade. Durante sempre, afirmei-me crente por mangonhice mas, não posso enganar-me a mim mesmo todo o tempo; claro que tem sido muito difícil explicar a todos, isto da minha descrença.

 Também não acredito nos homens, mas nisto, as pessoas aceitam com facilidade. Arrumando mal as letras tenho forçosamente de sacudir pesadelos como sonho de um cão rosnando quase à toa, tornando-me arrogante ao ponto de compreender ao longo dos últimos anos que para acreditar em deus, será forçoso confiar na humanidade porque não existe deus sem humanidade. E, dou voltas e mais voltas regressando sempre, sempre ao ponto de partida. Eu sou mesmo arrogante; até ponho em causa os Santos, sim, aqueles que se vangloriam de conversar com Deus. Estes caminhos estão muito bêbados, mesmo cheios de ausências. Ausências que não são fotografáveis.

 Inspirado no livro de José Agualusa em teoria geral do esquecimento.

Ilustrações de Costa Araújo - Mano Corvo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:06
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Sexta-feira, 9 de Agosto de 2013
CAZUMBI . XXXV

AS ESCOLHAS KIMBO 

HISTORIA O JORNALISMO EM ANGOLA3ª de 7 Partes

Por

Foto de Nell Teixeira. Nell Teixeira

Cronologia / Bibliografia, sumária de alguns factos ligados à imprensa em Angola até 1923

1909 - Fim do jornal O Angolense, devido aos desentendimentos entre os seus membros (Francisco das Necessidades Castelbranco, director, Augusto Silvério Ferreira e Pedro da Paixão Franco, redactores, Eusébio Velasco Galiano, editor), provocado por um processo judicial a que o jornal foi sujeito.
1913 - Os jornais Independente e A Verdade são suspensos por ordem de Norton de Matos, Governador Geral, por considerar que colocavam em «perigo» a ordem na colónia. A suspensão durou dois meses, foi discutida nas Cortes na metrópole.
1916 - O Decreto de 31 de Julho estabelece a censura preventiva aos periódicos e outras publicações, que seria exercida por comissões a nível dos distritos e concelhos.

 Norton de matos
1919 - Portaria n.º 149, de 8 de Maio, na qual se revogava a Portaria nº 291, abolindo, neste caso, a censura preventiva.
1922 - Acusados de incitarem as populações «indígenas» a revoltarem-se contra as autoridades coloniais, foi dissolvida a Liga Angolana, encerrado o jornal Angolense e foram detidos muitos «nativos», entre os quais António de Assis Júnior e Narciso do Espírito Santo. Facto conhecido com a «Revolta de Catete».
1923 - A 16 de Agosto, sai o n.º 1 do jornal A Província de Angola, fundado por Adolfo Pina. (Jornalismo Industrial e Profissional).

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Andrade, Mário Pinto de, Origens do nacionalismo africano: continuidade e ruptura nos movimentos unitários emergentes da luta contra a dominação portuguesa: 1911-1961, Lisboa, Dom Quixote, 1997. Bittencourt, Marcelo, Dos jornais às armas. Trajectórias da contestação angolana, Lisboa, Vega, 1999. CASTRO LOPO, Júlio de, Para a história do jornalismo de Angola, Luanda, Imprensa Nacional, 1952. Jornalismo de Angola. Subsídios para a sua história, Luanda, CITA, 1964. Coelho, Sebastião, Angola: história e estórias da informação, Luanda, Executive Center, 1999. Lourenco, João Pedro da Cunha, A imprensa e a problemática da liberdade de imprensa em Angola: 1866-1923 (dissertação de licenciatura em Ciências da Educação, especialidade História, apresentada ao Departamento de Ciências Sociais do Instituto Superior de Ciências da Educação ISCED/Luanda – da Universidade Agostinho Neto), Luanda, 2003.

Ilustrações de Costa Araújo - Mano Corvo

Antonio Monteiro T´Chingange - É do maior interesse saber de como evoluiu a imprensa em Angola a partir de 1836 e o quanto penaram seus jornalistas para comunicarem seus pontos de vista.

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:59
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Quinta-feira, 8 de Agosto de 2013
MUXIMA . XXXI
EM TERRA DE MOUROS MOKANDA DO PUTO

Por

Antonio Monteiro T´CHINGANGE                         

      No meu quintal da Lagoa do Puto e no Algarve, plantei no maior canteiro, bananeiras para produzirem, não bananas mas, lembranças da minha terra. Pelas manhãs de frio morno de verão ainda meio desacordado troco com elas ideias com cheiros e caricias. Afinal a vida, malembemalembe, vai-me vivendo! O que eu queria mesmo era uma mulembeira; com ela mataria por inteiro as saudades falando-lhe conversas antigas mas, o espaço é demasiado pequeno para a sua real magestade. Em seu lugar, no disponivel, plantei um mabokeiro há uns quatro anos, mas além das folhas verdes superando a minha estatura, nada de frutos; conversando com ele no discurso directo digo-lhe: - Lamento meu amigo, não estás na tua terra e terás de conformar-te com viveres assim só viçoso com banga, fazes só gaifonas ás pitangueiras virgens no meu pedaço de terra mas não podes com elas chegar à plenitude.  Um dia trouxe açaí do Paraná p´ra fazer nobreza contigo mas definhou ás geadas do inverno tal como o imbondeiro que só resistiu dois anos, morreu de saudade do cacimbo, confidenciou-me ele antes de se defuntar completamente, num sentimento de desilusão. Só ficou o afecto!

 Queria transportar também o amazonas para o meu quintal mas, a natureza tem suas regras e, não entra em aventuras de viajante. Resignei-me às noneiras e abacateiros que se dão às maravilhas em terras de Alá e, se alá quizer ou oxalá contentar-me-ei com os jindungueiros da ilha de Moçambique que picam que se farta, de quentura tropical lembrando as terras de além-puto. Tomando conhecimento que Almansor avançava para Silves, isolando as tropas portuguesas, fui até lá recrear-me e, de surpresa em supetão vi chegar as catapultas iniciando o assalto à cidade, seu castelo e, sob o comando do novo governador Rodrigo Sanches, as tropas Almoadas recuam. No largo da Sé assisti depois à caspitulação dos cristãos Tugas; os soldados cristãos partem e os Mouros entram.

 Estamos de novo sob o domínio muçulmano. Já de turbante na cabeça, zonzo de tanto penar, vi-me escravo mouro na praça Al-Muthamid, um acampamento militar junto ao rio Arade. Eu, que ao longo de uma vida conheci tanta existência,  vim aqui ultimar as mordomias tomando chá menta e fumando red bull por um cachimbo borbulhante falando salamaleques, sahlam-sahlam, sahlam-alihkan. Por um esforço da imaginação, um empenho de uma outra faculdade, entrei numa volúpia de desrazão querendo ser outro personagem:  o Mobutu Sese Seko N´Gabundu Wa Za Banga  que com pompa e circunstância  também se retransfigurou a partir do Joseph Desiré Mobutu. Pois; maravilhosamente, afinal a vida malembemalembe vai-me vivendo!

Inspirado no livro de José Agualusa em teoria geral do esquecimento.

Ilustrações de Costa Arujo Araujo, meu mano Corvo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:49
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FRATERNIDADES . XLII

“PAPA FRANCISCO” Lição de vida . II

 3- No almoço em Castel Gandolfo, quando se reuniu com Bento XVI, este teria  confidenciado ao Papa Francisco que uma das causas que influenciaram sua  renúncia foram as ameaças que recebeu e seu medo de ser envenenado, pois já  teriam decidido seu assassinato. Ao anunciar sua renúncia, tornando-a  pública, Bento XVI, teria desmontado a suposta operação para  matá-lo. 4- A cúpula encastelada no Vaticano se oporia totalmente aos  planos do Papa Francisco de reformar, eliminar, modificar a pompa, o ritualismo,   o luxo e a ostentação da Igreja Católica Romana. Francisco tem um desejo secreto  e a ideia de permitir que as mulheres exerçam o sacerdócio católico, o que seria  um terramoto de proporções avassaladoras. 5- A Cúria Romana e o poder  rechaçariam o apelo público feito pelo Papa à Igreja Católica para reforçar o  diálogo e as relações com o Islã. Ele seria acusado de uma teologia  relativista.

 6- O Papa Francisco marginalizou os mais altos cargos do  Vaticano na cerimónia do Lava-Pés da Quinta-Feira Santa. 7- Acusações  ao Papa Francisco de ignorar as regras e as normas da Igreja Católica Romana  porque, como Papa, age sem fazer consultas ou pedir permissão de ninguém para  abrir excepções às regras eclesiásticas que se referem a ele. 8- A  organização Opus Dei proibiu (censurou) em todas as suas livrarias a venda do  primeiro livro sobre o Papa Francisco, Troa. 9- A Promotoria Romana  Anti-Corrupção fez apreensão significativa de centenas de caixas de documentos  que comprometem e envolvem as finanças do Vaticano e pessoas importantes com a  máfia italiana e gigantescas operações de lavagem de dinheiro e desvio de fundos  do Vaticano em um mecanismo complicado para fazer desaparecer  dinheiro. Este escândalo poderia ser o “Sanção” que derrubaria as  colunas que sustentam a Capela Sistina e todos os edifícios opulentos da luxuosa  estrutura do Vaticano.

Foto 10- Tanto a Opus Dei, a Maçonaria Illuminati,   importantes e influentes sectores bancários, económicos, sectores mafiosos  italianos, além dos próprios cardeais que formam “a máfia e o poder do Vaticano”  estariam em perigo iminente devido ao confisco dessas caixas de documentos  supremamente comprometedores por parte da Promotoria Romana Anti-Corrupção e  pela intenção do Papa Francisco de sanear e colocar ordem nas finanças do  Vaticano e em todos os negócios e empresas de investimento deste Estado  religioso bilionário. 11- Outra coisa que teria deixado esses grupos  da retaguarda do poder extremamente irritados e furiosos é que o Papa Francisco  não concorda que os infractores de batina vivam na área do Vaticano, refugiados, escondidos, evadidos da lei. Para isso, já emitiu  instruções que quem tem processos pendentes ou acusações criminais deixe o solo  do Vaticano, porque, em seu pontificado, o Vaticano não será  santuário de  infractores…

Ilustrações de Costa Araujo

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:09
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Terça-feira, 6 de Agosto de 2013
PARACUCA . XIV

CONTROLE SOCIAL - As 10 Estratégias de Manipulação da mídia . 2ª de 3 Partes

As escolhas de

Antonio Monteiro T´CHINGANGE

 NOAM CHOMSKY  é um linguista, filósofo e activista político estadunidense. É professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

As 10 Estratégias de Manipulação da Mídia (Continuação):
4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO - Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegar o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE. A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de pouca idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adoptar um tom infantilizante. Porquê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reacção também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise racional, e por fim ao sentido crítico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…


7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:08
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Segunda-feira, 5 de Agosto de 2013
CAZUMBI . XXXIV

HISTORIA DO JORNALISMO EM ANGOLA2ª de 7 Partes

Por

BARRANQUILLA Nell Teixeira

Cronologia / Bibliografia, sumária de alguns factos ligados à imprensa em Angola até 1923

1881 - José da Ressurreição Arantes Braga é condenado a 40 dias de prisão acusado de injúrias. - A 12 de Novembro, publica-se a edição n.º 1 do jornal O Echo de Angola, o primeiro periódico da chamada imprensa africana, sendo as responsabilidades económicas e de redacção dos africanos. O seu proprietário e redactor principal era Inocêncio Mattozo da Câmara.

1886 - José de Fontes Pereira publica no periódico O Futuro de Angola uma série de artigos com a temática «A Independência de Angola» em que aborda o chamado «tempo de ouro» da comunidade angolense, critica a política colonial portuguesa e perspectiva uma autodeterminação de Angola.

1890 - Em Janeiro, José de Fontes Pereira publica um artigo em que aconselhava os Ingleses a negociarem com os africanos na qualidade de «donos da terra» e não com os Portugueses, tendo provocado uma reacção violenta por parte dos colonos. Como consequência, o periódico O Arauto Africano passou a designar-se O Polícia Africano com alterações na sua política editorial.
1891 - Publica-se a edição única e anónima do jornal O Tomate, em Fevereiro, onde consta um artigo intitulado «Independência d´angola», no qual se pretende mostrar a teia de relações existentes entre os filhos do país no litoral e os soberanos africanos no interior; os protagonistas da resistência à penetração portuguesa são saudados como heróis e se simula um acto de proclamação da independência de Angola.

1896 - O Decreto de 26 de Novembro estabelece a punição como crime de abuso de liberdade de imprensa todos os que se cometerem com publicidade, por qualquer meio de impressão, ou estampagem, periódica ou não periódica, independentemente do tamanho.

1898 - O Decreto de 11 de Agosto estabelece que todos os crimes de abuso de liberdade de imprensa seriam julgados em processo de polícia correccional, qualquer que fosse a pena aplicável.
1901 - Publica-se a obra Voz d’Angola Clamando no Deserto, um conjunto de artigos originais e transcritos, em resposta a um artigo publicado no jornal Gazeta de Loanda intitulado «Contra lei, pela grei», em que o autor estigmatiza o homem negro. Na resposta, os angolenses fazem uso das estatísticas oficiais para mostrar a eficiência do trabalhador africano, criticam a política colonial e a discriminação social e racial a que estavam sujeitos.

1902 - Em Janeiro, inicia-se a publicação da revista literária Luz e Crença sob direcção de Pedro da Paixão Franco com a participação de Silvério Ferreira e Francisco Castelbranco.

Ilustrações de Costa Araújo - Mano Corvo

Antonio Monteiro T´Chingange - É do maior interesse saber de como evoluiu a imprensa em Angola a partir de 1836 e o quanto penaram seus jornalistas para comunicarem seus pontos de vista.



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:31
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Domingo, 4 de Agosto de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXXIII

"SONHO ROUBADO  -  Armadilhas do passado

Por

   T´Chingange

Remando contra a evidência dos factos, assim como um sonho roubado a nós mesmos, danço no limiar das lágrimas rindo até, da própria desgraça. Apanhado involuntariamente nas armadilhas do passado ergo uma parede ao meu redor empilhando indulgências, como tijolos. Carregando escuridões na euforia do momento sussurro contra a puta da vida. Descalcei os chinelos e pisei a areia molhada da praia grande de Ferragudo; o sol aparecia por detrás da falésia encharcando lenta e suavemente o areal amarelo; Estendido por sobre a toalha já desbotada vejo em azul pardo as estrelas-do-mar desmaiadas; olho o castelo de S. João do Arade de cor barrenta e aonde, suas muralhas, muito provavelmente resguardavam canhões protectores da boca deste rio. O barulho de motor e os piares de muitas gaivotas que retumbam e batem contra a praia interrompem-me na admiração de tal azáfama, dezenas de pássaros picando a água na busca de restos ou sardinhas jogadas ao mar, fora de borda, limpeza final dos porões. O barco Arrifana com seus zingarelhos, fura o ar ameno desta manhã de Agosto; logo agora que necessitava de alugar o meu apartamento para suprir necessidades e, nada, nada de alugar.

 Os preços estão baixos, não há dinheiro na porção suficiente para suprir férias de crise; malfadada vida esta de esperar dias melhores que não chegam. Ao longe ouvi disparos, rebentamento de obuses ou lá o que seja, bombas da dipanda à mistura com o crepitar intenso de muitas armas, metralhadoras por detrás da encosta da qual se podiam ver explosões seguidas de fogo. Da ponta da ilha de Luanda apreciava com segurança a cena de guerra dum antigo negro Agosto, nuvens de fumo branco, fumo preto, fumo de medo. Sim, era o fumo de cassumbular o alheio para os lados do Sambizanga, misturado com o crepúsculo dum novo céu naquele antigo Agosto de 1975. Tempo de  sumir luzes antigas, luzes de quinhentos anos.

 Despertei na exacta altura em que um petardo ecoou vindo do outro lado do rio dando início à festa da sardinha de Portimão. Neste mesmo momento, soa a voz de minha mulher, companheira de muitas andanças que terminava sua caminhada: - sabes, a tal agulha que ontem procurava por todo o lado estava agulhada neste meu fato de banho novo; vê só que pedi tanto a Santo António este achamento e afinal estava aqui presa a mim. Perante isto, voltei-me suavemente, ergui-me e entrei na água gesticulando movimentos p´ra dar alento frio à vida. Por ali me mantive agitando vontade de querer, logo, logo regressaria aos problemas dum dia igual a tantos outros, ora mornos e quentes, ora ventosos. Tinha uma sardinhada p´ra assar com salada de pimentos e rodelas de batata com casca  regadas a azeite galo de Moura.

Ilustrações de Costa Araujo "Mano Corvo"

Glossário: Dipanda: - somatório das coisas positivas e negativas com epicentro no ano de 1975, que ocorreram antes, e durante os longos anos da crise angolana; Mokanda: - Carta, missiva, mensagem ou breve conto na forma de mussendo, bilhete; Cassumbular: - ser matreiro e ligeiro em tirar algo de outrem, roubar por via administrativa ou revolucionária, descolonizar.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:26
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Sábado, 3 de Agosto de 2013
MUSSENDO DO PUTO . XXX

As escolhas de

 KIMBO LAGOA                       

ENCONTRO DE CHICORONHOS

Por
  Dy – Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

Um abração para todos, do Dionísio… Cheguei!

Já lá vão trinta e muitos anos que o fenómeno se repete anualmente. As gentes da minha terra aguardam o segundo fim-de-semana de Julho, com a mesma sofreguidão com que os brasileiros aguardam o carnaval. Muitos montam o acampamento logo à sexta-feira na mata de D. Leonor onde as faias curvadas pelo vento substituem os “Mucibes”, os “Embondeiros” e as “Mulembas” da nossa terra. Venho sempre carregando os fantasmas que me atormentam há décadas em busca dos duendes e das fadas que iluminaram a minha juventude e o passado distante. Vejo-os chegar galhofeiros carregando as merendas e chilreando estórias como um bando de andorinhas em migração. Já foram milhares, hoje são menos. Lastimo os que já partiram para as terras do Kaprandanda, mas lastimo mais os que deixaram de vir sabe lá Deus do porquê.
 Faz anos que temos o lugar marcado onde quatro dezenas ou mais de amigos partilham a euforia do momento. Cada família traz o que a sua condição financeira permite, mas todos sem excepção trazem o espírito limpo, uma predisposição única para gozarem o momento e partilharem estórias. Por norma procura de imediato os meus companheiros de infância, o Joaquim a Aleluia e o Humberto. A Aleluia tem uma filha casada com um polaco e desse enlace nasceu um neto que eu alcunhei de “Polandeiro” a simbiose entre “Mapundeiro” e “Polaco”. Tenho de gerir bem o tempo para dar abraços, conversa e emoção a todos os que chegam. Do palco já montado, o Capelão busca no órgão as primeiras notas para a rebita da noite; um verdadeiro ícone desse maravilhoso evento. Exclamações diversas sucedem-se. – Tu estás velho irmão – Já não te via desde a escola sessenta. – Eh pá conheço a tua cara, mas já não me lembro do nome. – Sou o fulano filho do sicrano da Mitcha. Etc, etc.

 Vamos ver as minhas primas de Capangombe, convido eu. E eis que encontro o Pintinho e tal como nos anos transactos pico-o: – Este camarada punha chumbadas na barriga dos “Boca Larga” para aumentar o peso dos bichos e assim ganhar uma taça no concurso de pesca da barragem de Quipungo. – E tu apanhavas o peixe à sexta-feira e guardava-los na água para o apresentares no concurso de Domingo. Vigarista! Mais à frente o pai do Chico, grande amigo de sempre, o velho Magalhães do Kaviongo” – Está quase cego diz-me o Chico, mas olha que ele conhece-te bem. Os primeiros números do quino rasgam o éter. – Dois patinhos, dois, dois, vinte e dois. É quase impossível não regressar às festas da senhora do Monte. Encontro o Faria, o Correia, o Roque e outros tantos a quem presto a minha mais sincera homenagem por manterem de pé este evento. – Não te esqueças de pagar as quotas. Diz-me um deles. É uma amálgama de gente, milionários, ricos, médios, médios baixos e pobres. Pretos, mulatos, brancos e interinos, epíteto que um amigo meu usa quando o chamo de mulato do C..... – Eu sou interino, estou à espera de ser branco. Diz-me sem preconceitos nem complexos.

Foto À noite a rebita arranca a um ritmo arrasador. Massemba, merengue e salsa para dar vender e pelo meio as marchinhas lusitanas que fazem levantar o pó. E é nesse recinto onde se dança que se vê a minha Gente, que se mistura como sempre se misturou, que se diverte como sempre se divertiu, que usa e abusa dos “Etílicos” como sempre abusou e a que em todos anos que participei deste acontecimento, nunca vi uma desordem, uma escaramuça, uma falta de respeito, ao contrário do que acontece quase sempre em locais de diversão deste fatídico país. Fico orgulhoso dela quando homenageiam os mortos na missa de Domingo e faço uma prece para que eles estejam nas chanas de Deus lá na nossa África distante. Quase quatro décadas e nunca “Os Vendilhões da Pátria” deram importância alguma a este maravilhoso encontro. Lastimo-os e desprezo-os, tinham muito a aprender com todos nós.

Reis Vissapa

Opção do

Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:00
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Sexta-feira, 2 de Agosto de 2013
FRATERNIDADES . XLI
"PAPA FRANCISCO" Lição de vida . II
  II       Não se deve andar mais adiante do que o que se fala. O papa é bispo de Roma e por isso é Papa, que é o sucessor de Pedro. O primeiro sentido do papa é ser o bispo de Roma, eu sou filho da Igreja. Ser bispo é lindo mas, os problemas surgem quando se tem de debruçar a fundo nesse trabalho. É claro que há sempre o perigo e pecado de se pensar com superioridade e, esse, não quero que seja o meu trilho. A  verdadeira missão do bispo é ajudar o irmão a ir adiante; o bispo tem que indicar o caminho e eu gosto de  ser esse bispo. Em Buenos Aires como padre e Bispo, eu era feliz; isso me fez bem. O meu calendário de próximas viagens ainda não está definido em concreto mas posso dizer algumas coisas em  que estamos pensando: No dia 22 de Setembro, Cagliari. Depois, no 4 de outubro, para Assis. Tenho em mente, dentro da Itália, ir ver minha família; Meus familiares, pobres, ligam-me amiudadamente; tenho uma boa relação com eles.
 Fora da Itália o patriarca Bartolomeu I quer fazer um encontro para comemorar os 50 anos do encontro Atenágoras e Paulo VI em Jerusalém. O governo israelita fez-nos um convite especial. O governo da Autoridade Palestina fez o mesmo; tudo Isso está a ser pensado; acredito que há possibilidades de voltar à América Latina, porque o papa é latino-americano… Devemos esperar um pouco! Acredito que se possa ir à Ásia, mas está tudo no ar.  Tive convites para ir ao Siri Lanka e Filipinas! Precisamos de ir a Ásia porque Bento XVI não teve tempo para tal viágem.

 Rumores que circulam entre a  comunidade de inteligência em Roma, lançaram duras críticas e  ataques brutais contra o Papa Francisco, através da mídia, sites de redes  sociais por sua atitude de reformador da Igreja. Entre os argumentos  apresentados como exemplo pelos católicos radicais conservadores  estão: 1- O Papa Francisco violou a tradição do Vaticano, ao realizar  a cerimonia do Lava-Pés, na Quinta-Feira Santa, fora do perímetro do Vaticano,   em Roma, na prisão de menores “Casa de Mármore”, incluindo quatro não-católicos  no ritual: duas mulheres e dois muçulmanos. Este é um ato sem precedentes  na história e na tradição dos rígidos rituais da Igreja Romana, que, ao longo  dos séculos, desde sua fundação, marginaliza e não considera a mulher. 2- A recusa do Papa Francisco de morar no apartamento papal no palácio do Vaticano,  decidindo, residir na residência Santa Marta para sua segurança pessoal. No apartamento papal, estaria restrito e vigiado, controlado e supervisionado e, o mais importante, desinformado e à mercê das “hienas do Vaticano”, que já planejariam extirpá-lo de seu meio.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Quinta-feira, 1 de Agosto de 2013
CAZUMBI . XXXIII

A HISTÓRIA DO JORNALISMO EM ANGOLA1ª de 7 Partes

Por

BARRANQUILLA Nell Teixeira

Cronologia / Bibliografia, sumária de alguns factos ligados à imprensa em Angola até 1923
 1836
- Sá da Bandeira manda, no artigo 13.º do Decreto de 7 de Dezembro, criar nas possessões ultramarinas portuguesas publicações que pudessem transmitir as informações (legais, comerciais e gerais) necessárias ao público residente na colónia.

1842 - As máquinas para a montagem de uma tipografia em Luanda que Joaquim António de Carvalho Menezes, um filho do país, trazia afundam no Atlântico, segundo José de Fontes Pereira por orientação das autoridades metropolitanas.

:  1845 - Por iniciativa do Governador-geral, Pedro Alexandrino da Cunha, sai a 13 de Setembro o primeiro número do Boletim do Governo Geral da Província de Angola. É o início da imprensa em Angola (Primeiros Passos).

1847 - A partir do n.º 95 de 3 de Julho, o Boletim do Governo-geral da Província de Angola passou a designar-se Boletim Official do Governo-geral da Província de Angola.

1856 - Surge Aurora, o primeiro jornal de carácter literário e recreativo, fundado por Ernesto Marecos, F. Teixeira da Silva, Alexandre Balduíno e Alfredo Sarmento.

1866 - O Decreto de 1 de Outubro tornava extensiva às províncias ultramarinas o Decreto de 17 de Maio de 1866 sobre a lei de liberdade de imprensa em vigor na metrópole. - A 6 de Dezembro, sai a edição n.º 1 do periódico A Civilização da África Portuguesa, fundado por António Urbano Monteiro de Castro e Alfredo Júlio (Imprensa Livre).

 1867 - Em Setembro, António Urbano Monteiro de Castro, Alfredo Mântua e Francisco Pereira Dutra são condenados por crime de abuso de liberdade de imprensa. Situação que se repetiu em Novembro, tendo Francisco Pereira Dutra morrido na prisão.

1870 - A 9 de Julho, sai o primeiro número do jornal O Mercantil, que teve uma duração de 27 anos, sob liderança de José Pinto da Silva Rocha.

 1873 - A 25 de Janeiro, sob mandato do Administrador do concelho de Luanda e aprovação do Governador-geral, são encerradas as oficinas d’O Mercantil e apreendidos os seus meios. Esta medida foi suspensa por decreto do Ministro e Secretário dos Negócios da Marinha e Ultramar, Andrade Corvo. - A 16 de Junho, publica-se o n.º 1 do periódico O Cruzeiro do Sul, fundado por Lino Maria de Sousa Araújo (um mestiço que era igualmente editor) e Francisco António Pinheiro Bayão (europeu, capitão do exército português). Neste periódico, colaboraram o Padre António Castanheira Nunes, Urbano de Castro, José de Fontes Pereira, o Cónego António José do Nascimento.

Antonio Monteiro  T´Chingange - É do maior interesse saber de como evoluiu a imprensa em Angola a partir de 1836 e o quanto penaram seus jornalistas para comunicarem seus pontos de vista.



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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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