Segunda-feira, 29 de Setembro de 2014
MUKANDA DO M´PUTO . LIV

MALAMBAS - OS CANTOS DA VIDA COM CHAPÉUS PANAMÁ…

Por

 T´Chingange

 Assentado sobre a areia da praia cochilando minha peregrina preguiça de Domingo, ouço em minhas costas o sino da típica vila de Ferragudo, as onze badaladas do antes meridiano. Disposto a escrever esta mukanda e depois de ginasticar meu físico, minha barriga de maboque nas águas da maré baixa do Arade, aprecio o aviso da marinha que quase em frente dá para ouvir as vozes do comando da F488; aviso é um barco da marinha, maior que uma lancha e menor que uma corveta, pintada em cinzento, cor de guerra. Está calor, sol deslumbrante e com uma aragem morna do sul sem os zumbidos de verão. Roçando minhas pernas mulatas, pergunto-me se em tempos idos não daria um bom partido aos corretores de escravos aqui de Lagos ou lá nas Américas, nas Áfricas, em Cuba, Coraçau ou Trinidade; digo isto recuando ao tempo de vigor de musculatura musqueada nas espáduas e com mancha de suor de catinga nos sovacos, seria um bom achado para um atilado corrector de escravos.

 Mal. Um corrector negreiro que me batesse com a biqueira de chapéu panamá em meus ombros, minhas coxas, revistando meus cascos, meus dentes, meus pés, minhas matubas e até as virilhas como se estivessem a comprar um cavalo, um garanhão amulatado. E, não me vejo curtindo o sol do M´Puto como agora, assim como uma ilusão; situo-me numa portada de armazéns, entre pilhas de caixotes, pipas e túneis com vinho do Douro, cebolas de Lagos e batatas lusas e lisas com alguém discutindo as tarifas dos géneros, o câmbio do algodão mais as novas taxas de açúcar e também da alfarroba. Resoluções de negócios com transacções de ganhar embarrilando-se com aduelas novas na cotação e manhas próprias de gente de negócios de nunca perder; falando calão e gíria ou dialecto desconhecidos, traçam chalaças de confiante amizade.

  J. Sust. Um homem arfando azáfama de zeloso assessor comercial fura sacos e peneira farinha de milho farejando odores e gorgulho ou praga rechonchuda. Estava em um lugar em que curiosamente até os próprios vadios, desempregados, aparentavam prontidão nas diligências, piscando olhares de soslaio a carteiristas que bem trajados, catrapiscavam gentes de grande abdómen, talvez capitalistas. Falo de tempos antigos porque ao chegar aqui a meio da manhã, ao pisar a areia, vi algo que nesses tempos, simplesmente não via porque, nem havia nem era necessária.

 An. Sil. Pois uma camisa de Vénus, vulgo preservativo ali estava de cor vermelha botada ao descuido girinos da vida, vulgo espermatozóides e, com borbotos salientes na forma de verruguinhas. Naqueles idos tempos ainda não havia destes inventos de dar gozo vendidos por atacado! Naqueles tempos também não havia bancos de esperma, nem espermatozóides a controlar a hereditariedade; Havia isso sim, um pastor anglicano que preconizava em 1793 o controlo da pobreza, purificar a espécie humana; esse tal de Thomas Malthus, foi o pai da demografia conhecida como teoria malthusiana. O preservativo só surgiu mais tarde com as férias de gozo e a vulgarização disso, … falar mais o quê! 

Ilustrações de Malangatana, Anabela Silva e jorge Sustelo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:43
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Domingo, 28 de Setembro de 2014
MALAMBAS . LII

TEMPO DE CINZAS . No reino das aroeiras …

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

 Não há maior religião do que a verdade! Sai de casa com este pensar de Dalai Lama na cabeça e passeando o cão aproveitei fazer uma viagem ao paraíso. Da praia dos caneiros internei-me no mato que bordeia a costa rendilhada em falésias até à Cama da Vaca. Passei por praias edílicas que lá no fundo contrastavam sua areia doirada com o verde e azul do mar com sargaços bailando ao sabor das pequenas ondas e, já no torreão no alto da falésia entre a praia do Mato e a praia da Lapa pude ver o redondo da terra com seu horizonte de um azul nublado e coladinho ao céu. Este, é de todos o meu passeio preferido, andar nos trilhos de entre estevas, funchos, aroeiras e espargos floridos com suas muitas flores de cor branca como se estivessem cobertas de neve.

l As gaivotas disputavam lá em baixo, na areia, seus pedaços de peixe dado á costa e até as gralhas surgiram em bando dando seus pios assim parecendo ais agudos. Aqui e além caganitas de coelhos selvagens que decerto ali nidificam entre aroeiras com cachos de bagas vermelhas. Aqui e além poças nas rochas lavadas aonde os pequenos mamíferos e diversos pássaros saciam sua sede; a faísca, meu velho cão, arfando, também ali pára a satisfazer sua sede. Neste reino da aroeira surgem tufos de palmeira anã, daquelas que a tia Anica de Loulé faz seus capachos para abanar seus calores e sua lareira.  Também se encontram pinheiros, zimbreiros, tomilho, rosmaninho, zambujeiros, trovisco e arranha cão entrelaçado em malvas dos barrancos,  espargueiras e arruda de cheiro intenso de fazer  defumações para espantar maus espíritos.

 Há isto e muito mais, plantas ainda não catalogadas em minha memória, de flores bonitas que saem às primeiras chuvas e que mostram sua beleza até serem fecundadas e, depois morrem de novo ficando ali enterradas por mais um ano. Os mistérios da vida neste mundo vegetal são enormes e para quem quer quebrar a rotina, fazer passar o stress de coisas desavindas, sigam por aí nesse carreiro que até está assinalado a azul na forma de azulejo cimentado de quando em quando em rochas mais salientes. Haja vontade de ver e, decerto se alegrará com estas pequenas coisas.

As alfarrobeiras podem ser vistas ao longo da falésia. O alvoroço da primeira hora é o melhor porque não é só o pardal que chilreia, o pombo bravo que arrulha, um sem número de gralhas que esvoaçam no promontório defendem-se dos gaviões ou mesmo das gaivotas que por ali intimidam relações. Talvez até veja uma raposa. Faça o favor de ser feliz, um dia de cada vez,.

T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:17
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Sábado, 27 de Setembro de 2014
CAFUFUTILA . LXVI

ANGOLA - SAURIMO  Tempos antigos e tempos novos…

Por

 T´Chingange

 Do outro lado do cais do porto, praia da Angrinha do M´Puto, vejo a azáfama de barcos, traineiras barulhentas seguidas de muitas gaivotas piadoras. No céu azul, lá bem alto segue uma aeronave, também esta, barulhenta. Os iates, aguardam que seus donos adormecidos folguem da noitada de borgas, danceterias e mordomices muito cheias de luzernas, mulheres de postiças e longas pestanas e, outras que não o sendo gozam a vida dos outros em bizarrocos desleixos de si, normalizando seus desvios. Enquanto as ondas barulham no bater na areia, recordo meus dias de sol em uma piscina em um lugar muito distante. Deitado em uma das várias cadeiras desdobráveis de plástico, alinhadas com a borda do fundo da piscina curtia ares de Saurimo.

 Sem água nem nadadores, distraía a vista no correr das folhas secas de um para outro lado; as folhas mortas no pó do fundo da pseudo-piscina, desesperava-me na imaginação dumas termas algures no Calahári, um deserto com rios de areia, mulolas de lugares exóticos com os nomes bizarros de Ai-Ais e Nauklefut. Mas, desta feita, uma piscina pública municipal, aonde em tempos borbulhavam crianças desatinadas aos berros e gritos disputando bóias de câmaras-de-ar sem pneu e macarrões de boiar. A guerra prolongada de Angola pasmou no tempo pequenas e edílicas ilhas que agora numa expressão de descuidada culpa, só têem o que Deus lhes deu, o Sol e a chuva. 

Henrique Augusto Dias de Carvalho (1843-1909), foi um oficial do Exército Português que se distinguiu como explorador africano. Contemporâneo de Brito Capelo e Roberto Ivens, foi enviado em expedição ao Muatiânvua, no país da Lunda, no ano de 1884. Pugnou activamente pela criação do distrito da Lunda, que viria a ser estabelecido em 1895, e do qual foi o 1º Governador. Em 1923, Norton de Matos homenageou os seus serviços em Angola, alterando o nome da capital da Lunda, Saurimo, para Vila Henrique de Carvalho.

 A exploração, que demoraria cerca de quatro anos, tinha não só objectivos de ligação comercial com os povos do Quimbundo, Cuango e Cassai, mas também o contacto com a Mussumba (corte do Muatiânvua). A expedição proporcionou a Henrique de Carvalho um profundo conhecimento desde a geografia a condições de clima e navegabilidade dos rios e até à fauna, flora e agricultura. A história, antropologia e língua dos povos dessa região, ficaram extensamente documentados em sua obra. Da viagem, ficaram documentos, testemunhos fotográficos e uma colecção museológica que se conservam na Sociedade de Geografia de Lisboa – Memórias de um Explorador.

 Henrique de Carvalho de Muatiânvua, nunca sonhou que seu esforço de explorador seria apagado com uma esponja após a independência desse território, e a quem ele dedicou sua vida. E, porque os viajantes também se cansam do harmonioso, em tanta tralha heteróclita consumi-me em pensamentos num local onde à priori não estava predisposto a encontrar-me; logologo em terras do fim-do-mundo duma Lunda Sul tão cheia de aventureiros. Saurimo, um normal lugar em um típico Eldorado ou cortiço de uma Serra Pelada. Terra cheia de gente guedelhuda e mulheres de graciosas tranças amarradas com missangas de diamantes; mulheres da vida desfrisando seus próprios corpos já de si encaracolados.

 Tal como em Saurimo, Luena, Menonge, Mavinga ou Luanda, esta agitação social pode ser apreciada assim como aqui em pleno Algarve do M´Puto aonde também há hálitos de cheiros fortes, bagaços de finos pub´s do povo de Royal com ípsilon à mistura com perfumes rascas. E, águas de cheiro chinesas com charme de putaria e paneleiros sempre a dizer que não, não o são; que são gays! Peneirando-se nas enternecidas carícias, pode notar-se seus traços vincados nos olhos, seus trejeitos, modos postiços que tornam difícil discernir sua precisa idade e seu sexo, num qualquer dia, mesmo sem nevoeiro ou cacimbo.

 Mundo amalucado! Neste preciso momento estou aqui telefonando a Inácio recordando-lhe rever o PH da piscina no meu sítio da Lagoa do M´Puto, porque, esta ao invés da de Saurimo, tem água; graças a Deus! Podia perfeitamente estar bem acomodado na Avenida de Portugal, Instituto Camões da Luua ou, na Marien N´gouabi antiga António Barroso mas, assim não aconteceu. Não! Não estou no meu anestesiado Rio Seco da Maianga bem perto do Almeida das Vacas, cruzamento entre a Dr. José Maria Antunes e Oliveira Barbosa, com meninos de rua dormindo por debaixo da ponte como monte de trapos. Meninos de quem não tem interesse falar!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:47
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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2014
MUJIMBO . LXVII

ANGOLA . BENGUELA - A GERAÇĀO DA UTOPIA  … II

Por

  Isomar Pedro Gomes

Gamei este texto a ISOMAR por gentileza, nada mais!...

 É preciso não confundir instrução com educação. A educação abrange a instrução, mas pode haver instrução desacompanhada de educação.   A instrução relaciona-se com o intelecto: a educação com o carácter. Instruir é ilustrar a mente com certa soma de conhecimentos sobre um ou vários ramos científicos. Educar é desenvolver os poderes do espírito, não só na aquisição do saber, como especialmente na formação e consolidação do carácter. O intelectualismo não supre o cultivo dos sentimentos. "Não basta  ter coração, é preciso ter bom coração". Razão e coração devem marchar unidos na obra do aperfeiçoamento do espírito, pois em tal importa o senso da vida.   Descurar a aprendizagem da virtude, deixando-se levar pelos deslumbramentos da inteligência, é erro de funestas consequências. Em Angola estamos colhendo sobremaneira os frutos destas consequências.

 Convém acentuar aqui que a consciência religiosa corresponde, neste particular, ao factor principal na formação dos caracteres. Já de propósito usamos a expressão - consciência religiosa - ao invés de religião, para que se não confundam ideias distintas entre si. Religiões há muitas, mas a consciência religiosa é uma só: Por essa designação entendemos o império interior da moral pura, universal e imutável conforme foi ensinada e exemplificada por Jesus Cristo. A consciência religiosa importa em um modo de ser, e não em um modo de crer.

 É possível que nos objectem: mas, a moral cristã é tão velha, e nada tem produzido de eficiente na reforma dos costumes. Retrucaremos: não pode ser velho, aquilo que não foi usado. A moral cristã é, em sua pureza e em sua essência, AINDA desconhecida da Humanidade. Sua actuação ainda não se fez sentir ostensivamente. O que se tem espalhado como sendo o Cristianismo é a sua contratação. Da sanção dessa moral é que esta dependendo a felicidade humana sob todos os aspectos. O intelectualismo, repetimos, não resolve os grandes problemas sociais que estão convulsionando o mundo. O fracasso da Liga das Nações (ONU) em estabelecer PAZ e segurança mundial, é um exemplo frisante; e, como esse, muitos outros estão patentes para os que têm olhos de ver.

 Demasiada importância se liga às várias modalidades do saber, descurando-se o principal; EDUCAR, que é a ciência do bem.  Os pais geralmente se preocupam com a carreira que os filhos deverão seguir, deixando-se impressionar pelo brilho e pelo resultado utilitário que de tais carreiras possam advir. No entanto, deixam de atentar para a questão fundamental da vida, que se resolve em criar e consolidar o carácter. Antes de tudo, e acima de tudo, os pais devem cuidar da educação moral dos filhos, relegando às inclinações e vocações de cada um a escolha da profissão, como acessório. A crise que assoberba o mundo é a crise de carácter, responsável por todas as outras. O momento reclama a acção de homens honestos, escrupulosos, possuídos do espírito de justiça e compenetrados das suas responsabilidades. "o poder intelectual só e a formação científica, sem integridade de carácter, podem ser mais prejudiciais que a ignorância. A Inteligência superiormente instruída, aliada ao desprezo as virtudes fundamentais, constitui uma ameaça".

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:57
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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014
KWANGIADES . XX

ANGOLA . TEOREMA DA AMIZADE – VALE A PENA REVER

Por

T´Chingange e Zeca

 

 O texto de T´Chingange

Naquele lugar de Nogueira com muito verde, terras de Alto Douro, eu e mano Zeca espojamo-nos como ressuscitados em nossa amizade de infância que, morta pelo tempo sucedeu a nosso contragosto em nossa contra-mão. Constatando que mesmo para além de cinquenta anos de ausência, refizemos nossos traços sem melancólicos choros nem ranger de dentes, troçando até de nossas mazelas ou desgraças. Ali, e por três dias fintamos o destino sem aquela fúria suicida do hiato duma guerra, uma ousadia de gente alheia que nos superou, enganou e separou. Falo de Angola, evidentemente!

Comendo saquinhos de muxima na forma de paracuca, percorremos as mercearias da Maianga, um misto de venda com balcões corridos, esplanada debaixo da mulembeira, quintal ou passeio, terreiro de tasca com jogo de bisca, casino dos pobres com tapas à sevilhana, polvo no vinagreta e carapaus fritos mais a jinguba ou tremoços. Nas vendas do Morais, do Hernâni, do Baia ou do rente Cruz, lugares extintos, permutavam-se alegrias e melancolias que agora são recordadas pelos corações inscritos e circunscritos nas mulembeiras ou imbondeiros; Agora, pendurados lá nos altos galhos riem-se de alegrias com as múcuas ou os figos batucando o tempo de dendem com peixe-frito. Devoramo-nos até ao tutano besuntando-nos no bisgo sem os contornos monstruosos de kalashnikov a tiracolo ou os mona-caxitos de mata-mata átoa.

 Troçando de nós, encharcamo-nos de riso misturados na sabedoria austera de Miguel Torga, Com OMO lava-mais-branco, demos banho nas nossas pulgas dinossáuricas que catrapiscamos atrás de nossas orelhas. Mergulhamos no escuro alucinante do nada revendo aos seu redor sofisticadas ilusões muito cheias de veleidades, traficâncias de marfim e praias de oiro em forma de areia com brilhos diamantinos; recordamos coisas pisoteadas por escravos com cães de filas procurando fujões no agreste de terras esquecidas que tal como nos se dedicaram lavrando terras, desbravando anharas e mares; destroços de barcos encalhados, que mesmo enferrujados ainda servem de abrigo a gentes do m´Bungu e Corimba, e n´Samba com roupas estendidas nos varais de mau-bordo, gente sem escala, esperando viajar mais um outro dia. Queiram ou não, nós fizemos na dipanda, uma nova epopeia …

A resposta de ZECA amigo de PISKUNOV, um ilustre professor da Universidade Livre do Rio Seco da Maianga

 

TEOREMA DA AMIZADE. Simplesmente fantástico. Matemática pura retirada da cabeça caquéctica do T'Chingange e estudada num tempo nos livros do Piskunov na Universidade Livre do Rio Seco da Maianga. Este texto tem de ser lido linha a linha e com fio de pesca. Convido todos a fecharem os olhos e o percorrem com o dedo pousado nas linhas como faziam no caderno da escola. Verão Loanda e Maianga do Mukakeri e se sentirão lá! Não se trata desses saudosismos etiquetados por muitos no nosso corpo. E pura e simplesmente uma realidade vivida e que e mapa no coração de milhares. Cada dia que passa, mais enfeitiçado me sinto com o maravilhoso e século T' Chingange.

 Há quarenta anos julgava-me sozinho neste M´putu com as minhas falas, missosso..., linguajar! Já não estou mais! Este feiticeiro do Rio Seco reapareceu para mim, para todos da Maianga do Mu ukulu. Abunda dentro de nós um filão que deambula pelas barrocas de Loanda e Maianga. São falas simples e que não contem mambo de mutata tornado na berrada esperto na língua do Camões, essa que ambos preservamos e muito respeitamos. E rasgo que o muxima faz e brota para fora essas falas cheias de paixão, alimentadas numa terra por uma geração que ainda esta viva e que deseja-a elevar para vindouros estudar... AMBANINE ZECA Cuidad Vieja (Coruna) 2014091810h0

Glossário: Um ukulu:- outrora, noutro tempo; Mutata:- Homem do campo, rústico; M´Puto: - Portugal; Mukakeri:-Cacarejador, Tagarela, Falador 

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:19
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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2014
MOKANDA DA LUUA . XXXI

ANGOLA . LUBANGOOS TRÊS DA VIDA AIRADA

Por

  Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) 

 África, é uma bênção e um veneno.

Eram tempos de juventude em festa, esses inesquecíveis em que convivi com o Manuel e com o Orlando. Estou a ouvir Charles Aznavour a cantar “Bon Anniversaire” enquanto escrevo e estou a viajar no tempo, a conduzir o meu mini ABS-05-61, e o Orlando Lourenço que Deus o tenha a conduzir o seu ABS-05-62, iguais como duas gotas de água na cor e tudo. Quanto ao carro do Manuel Sá só ele pode dizer a marca que a minha memória não chega a tanto. Um delapidar de gasolina em busca de corações perdidos nas ruas do Lubango. Éramos amigos e como tal partilhávamos segredos nos cadeirões do Hotel Metrópole na companhia do cafezinho que o velho Santos tão bem loteava. – Quem era aquela que ia hoje no teu carro? Não sei onde vais descobrir esses borrachos? – Querias saber tanto como eu. – É a Miss Safari. – Como é que sabes? – Partilhamos os mesmos caminhos. E era assim. Dávamos nomes quase codificados às jovens e mulheres que partilhavam o assento do pendura. Uma corrida rápida à Capelinha e no seu testemunho mudo beijos trocados à socapa no ardor maior da juventude. Música Francesa, Italiana, Espanhola, Mexicana etc, etc.

 Ao contrário dos dias de hoje que a americanice e a língua saxónica domina. Virámos todos “Beefs”. Graça a Deus o Brasil salva-nos e podemos ouvir a sua linda música de ontem e de hoje num hino à latinidade. Aos fins-de-semana bebíamos os nossos copos nos bailaricos limítrofes ao som dos Acústicos do Bossa Nova e do velho Blue Star. Era assim uma orgia de companheirismo e permanente boa disposição vivendo um dia de cada vez. O Orlando e eu com óculos de dioptrias tipo caco de garrafa. Foi preciso chegar a velho e ficar de vez sem óculos nem cataratas. O Manel, de caracóis negros um galã a rondar o Dean Martin. Mas ninguém se queixava. Chegava para todos e posso dizer que havia uma espécie de código ético entre nós no que respeitava às “Muchachitas”. Os minis iguais haviam de dar lugar a um incidente em que quase fui preso. Parte sempre por elo mais fraco. Era o casamento da filha do Governador, a Né, com um alferes qualquer, o Franco é que sabe alcunha que eles lhe deram. Tinha emprestado o meu mini ao Alferes Cabral para ele ir ao casamento do colega. Tipos como eu não eram convidados para esses eventos. Vou para o adro da igreja onde a maralha se juntou para assistir.

 O trânsito tinha sido vedado à populaça e era proibido estacionar pois os lugares estavam destinados só para convivas. Quando lá cheguei já lá estava um mini azul eléctrico igual ao meu, o pai do Orlando o administrador Lourenço tinha chegado cedo para o evento. Coloquei-me deliberadamente perto do carro. Eis senão quando surge o Guarda Polainas e sem bom dia nem nada rosna. – Tire já esse carro daqui, imediatamente! – Esse carro não tiro de certeza absoluta. Retorqui. – Ai, isso é que tira; ou tira ,ou vai já para esquadra. E dizendo isto chamou a atenção a outro polícia para levar a dele avante. Entretanto o maralhal juntou-se à nossa volta para ver em que é que aquilo dava. – Porque raio não tira o c.... do carro daqui? Gritou apopléctico. – Porque o carro não é meu. Respondi-lhe em ar de gozo. Ficou roxo de raiva e a gargalhada foi geral. Tal gracinha custou-me um carradal de multas e perseguições ferozes.

 Mas tinha uma grande amiga que era quase tão doida como eu e era filha do Governador de Serpa Pinto, Moita de Deus. Ía em direcção à Senhora do Monte e juro que não era nada de mal, éramos mesmo bons amigos. Pelo retrovisor vejo o polainas a acelerar a moto atrás de mim e a mandar-me encostar. Ela sabia da história toda e não o deixou falar. Passou-lhe uma caixa de charutos e ameaçou-o de fazer queixa ao pai. As multas acabaram; ela partiu não sei para onde, nunca mais a vi e o polainas encontrei-o uma vez nas Caldas da Raínha mais o meu grande amigo polícia pai do Esteves; julgo que era ele mas, não tenho a certeza

Fui para Luanda trabalhar e encontrei lá o Orlando funcionário no BCA. Foram meses de glória nos cabarets e na noite de Luanda. Eu trabalhava no Porto de Luanda e vivia num quarto na marginal.

 Dormia das cinco da tarde à meia-noite hora em que ia buscar o Orlando para a “Night” e ele tinha a mesma rotina. Copacabana, Estoril, Bambi e outros do género, seguindo-se fado no Retiro da Saudade e no final a Casa Portuguesa. Café e mata-bicho no bar do aeroporto e pé na tábua para o porto ainda empinocado da night. Armazém 6, o chefe Adelino a olhar para a minha indumentária mais própria para um baptizado. – Dionísio, chegaram uns fardos de roupa para o Quintas e Irmão, pode ir dormir para lá. Eu agradecia e ia! Não havia complicações, era tudo simples como um grão de arroz, boa gente. Após seis meses mandei-me de novo para Sá da Bandeira, a vida era dura em Luanda. O Orlando também voltou e casou com a Ilda. O Manuel casou com a Marieta e eu também acabei por casar deixando para trás amores vadios que por vadios foram espectaculares para todos nós.

Reis Vissapa

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:26
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2014
MUJIMBO . LXVI

ANGOLA . BENGUELA - A GERAÇĀO DA UTOPIA  … I

Por

  Isomar Pedro Gomes

Gamei este texto por gentileza a ISOMAR, nada mais!...

"Traz cá para fora do homem toda a sua santidade, mete para dentro do escravo toda a parafernália da guerra" – Provérbio Popular

 Durante a minha estadia na ‘banda’, visitei muitas vezes o recinto onde funciona uma das mais prestigiadas instituições de ensino de Angola, o INSTITUTO MĖDIO INDUSTRIAL DE BENGUELA, onde o meu amigão Artur Mapuna, ė o digno director da instituição…

 Numa das minhas quase diárias visitas, ouvi um adolescente gritar para outro em pleno ensolarado dia (no pátio bem concorrido); “Fulano vai para o C…” - Trovejando uma pavorosa obscenidade a vivo & a cores, o que me fez estancar estarrecido e horrorizado (por um instante pensei que me encontrava na praça da caponte), olhei na direcção de onde trovejou a escabrosidade e posteriormente ‘passei o olhar para o concorrido pátio, “tudo continuou na mesma como que se não tivesse acontecido nadinha”… o indecente comportamento era intrínseco a cada um dos presentes, docentes e discentes… “Meu Deus!.. O que fazem estes bárbaros no ensino médio? ”- Murmurei assombrado.

 Tal comportamento ė quase intrínseco, da ‘população’ estudantil de Angola, quase que se chega a conclusão que; “quando mais instruído, mais ordinário e velhaco!” A geração dos nossos dias difere da minha, há nos dias de hoje milhares de indivíduos a frequentarem a universidade, diferentemente dos meus tempos de adolescência e juventude, porem a sociedade nos “meus tempos” era mais SADIA, mais educada, solidária e confiável, naqueles tempos, “quanto mais instruído MAIS educado”… Hoje, ė literalmente o oposto, quase que não se distingue o ARRUACEIRO/RUSQUEIRO, delinquente do (por exemplo) universitário, nos dias de hoje desconfia-se mais do universitário do que do analfabeto ou individuo de pouca instrução. Hoje frequenta-se as instituições escolares, por uma questão de vaidade (dos pais e filhos), não para melhor servir a sociedade e a nação. Matei-me a rir a farta, quando vi um bom número de almas (quase penadas), que se dizem ter licenciado por cima de uma plataforma de um camião, a fazerem uma passeata pela cidade de Benguela, a exibirem uma “vaidade imbecil”. Creio estar mais do que na hora, de quem de direito iniciar para o bem da nação e do progresso, uma discussão nacional sobre o tema; “Ensinar, Instruir, Educar”.

 Alguém disse certa vez: “A sociedade PROGRIDE com a boa educação e entra em decadência com a instrução.” Concordo, há pessoas instruídas que não são educadas e há pessoas educadas que não são instruídas… Desconfio que a maioria dos cidadãos, incluindo os governantes, nesta época pós-revolucionária (escolha-se a revolução), não sabe distinguir entre "educação" e "instrução", julgando que são sinónimos. E contudo a sua diferença é essencial para compreender o fenómeno da decadência das sociedades. INSTRUÇĀO Vs EDUCAÇĀO.

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:07
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014
MUSSENDO . IX

ANGOLA DE HOJE - Pude cheirar seu azedo sem bufas importadas do M´Puto.

Mussendo: Conto curto de raiz popular, missiva em forma de mokanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola) durante o tempo colonial (Arnaldo Santos foi seu 1º mestre).

Por

 T´Chingange

 Sem mais nem porquê Januário Pieter, a minha kianda, surgiu-me do nada pregando-me um valente susto; como um Aladino que sai duma amentolia surgiu num repentemente mais rejuvenescido e retrocedido no tempo rindo que nem um perdido como se tivesse saído duma anedota. Afagando a sua testa exibia também uma farta cabeleira, ele que antes tinha uma reluzente careca. Desta vez não ficou especado à minha frente com seus olhos esbugalhando medos próprios de fantasma; abraçou efusivamente sentindo eu algo assim como uma pena raspando-me em afagos suaves de quente e frio que só uma kianda osguenta pode ofertar. Eu abracei-o como se fosse um pedaço de algodão, um fofo sublimado holograma feito gente de verdade.

 - Olá como vais, meu amigo? -Vou bem, respondi ainda meio aturdido com a sua aparição! - Não estranhes em te aparecer por aqui, tenho de desabafar meus ácaros virtuais, meus casos e acasos enferrujados que me toldam a mente! -Virtuais!? - Como assim? Se, … Tu és um virtual na totalidade! -Sabes, eu tenho de me espojar periodicamente com os humanóides mortais como tu, porque com tanto dissimular meu coração, fico ausente nos meus propósitos de revirar pensamentos sofismados dos mwangolés. Respirou uma golfada de ar e deu continuidade ao inaudito diálogo quase monologo: - Enchi-me de ervas daninhas e, agora tenho de me envenenar; meu corpo retrocedeu emagrecido e enegreci-me nos pensamentos como madeira apodrecida, disse ele.

- Juro que não estou a entender esta tua intrincada linguagem; Vamos lá ver: - Tu tens andado por Angola tentando mudar o rumo à estória e mentalidades; se bem te conheço estas defraudado por a tua mensagem de alterar o futuro não passar junto dos mwangolés e vens agora até mim chorar mágoas! Tu que és uma kianda tirocinado na kalunga, dizes-me que te é difícil talhar gente, talhar um navio nação para que não meta água salvo seja! – Quase isso, meu amigo T´Chingange! Disse isto com ar desconsolado. -Luto agora com estes novos produtos sintéticos de mentes globalizadas, coisas de enganação e causas invejosas. - Isso é mesmo assim tão grave, retorqui à laia de deixa-para-lá! – E, por quem me tomas, eu que nada sou e nada quero ser! Ele, a kianda falou: – Não é bem assim, tu pulsas Angola em teus neurónios e teu parecer é para mim uma necessidade; fosses tu da nomenclatura e não te procuraria! Afirma ele com muito aprumo e seriedade, tanta que me deixa consternado.

 - Sim! É grave porque as instituições estão deturpando a vida em futilidades, depreciando-o prendendo em seus pulsos invisíveis pulseiras como as muito antigas usadas pelos mucubais, isto é metafórico mas corresponde à realidade; doutro jeito deturpam as mentes vulgarizando a vida desincentivando o amanho de terras, a honradez e proporcionando uma educação sem valores.  - Mas, isto está a suceder por todo o mundo, por toda a parte, ou não? Respondo de forma interrogada. – Sim! Diz ele seriamente. – Isto preocupa-me porque o povo angolano passa de um estágio primário ou primitivo para um de ilusão fruto de tecnologia de facilismos deixando as mentes deslocadas em conceitos incorrectos da vida; sem valores nem meios-termos, afirma ele.

 E, continua: -Sem passar por experiencias de fazer curriculum passam do improviso a obras espaciais assim como cozinhar um prato fino sem contudo exterminarem as moscas que enxameiam o meio. Achas possível desta forma poder comer nesse prato sem elas, as moscas? Pergunta-me ele ao jeito de afirmação. – Estou a entender-te mas, aonde é que eu posso influenciar algo, aonde é que eu entro nesse teu conflito? – Porque não matam essas moscas como faziam em tempos coloniais, tempos do carro de fumo TIFA, digo eu fazendo-me desentendido. Bom, nada te poderei dizer para mudar a terra que me largou ao mundo; às vezes mastigo-me em frases como se fossem ácidas múcuas ou caroços de mangas; o meu tempo já foi, já era! Primeiro, mataram-se uns aos outros, depois mataram as cidades a tiros e agora, pouco a pouco embebedam-se no petróleo. Sente-se-lhes os olhos avermelhados! Vamos ficar por aqui mesmo jogando falas como as damas; eu com caricas de sagres e tu com caricas de cuca. Ficamos neste impasse.

Nota: Januário Pieter é uma Kianda, um fantasma nobre da kalunga, uma quase múmia dos idos tempos do rei   N´golaKiluanji

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:16
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Domingo, 21 de Setembro de 2014
MUKANDA DO M´PUTO . LIII

DA ESTEPE ALENTEJANA - OS CANTOS DA VIDA…

Por

 T´Chingange

 A vida é feita de nadas, de grandes serras paradas á espera de movimento. Relembro as palavras de Torga numa terra pintada de branco, barras azuis com cheiros de poejos, urzes e estevas duma falsa estepe aonde ainda subsistem algumas abetardas, cisões e falcões peregrinos ou da torre. Nesta terra de silêncios dorme-se horas a fio no balanço do vento suão; o mesmo que trás murmúrios muito antigos do rei Dom Sebastião, um jovem nobre que por aqui passou aliciando outros jovens imberbes para lutar com os berberes, muçulmanos de lanças curvas.

 Aqueles jovens de então arrebanhados á pressa e sem prática e técnicas de guerra estavam destinados a ficar em terras de Alcácer Quibir com seu líder, um jovem homem rei do M´Puto, senhor das terras de Aquém e de Além mar, dos Algarves, Brasis e Etiópia, Abissínia, Índias e terras de Preste João que detinha funções de patriarca e rei, imperador da Etiópia, um legado que instigou a imaginação de tantos e tantos aventureiros. Com arredondados deste antiquíssimo reino, dilatei junto daqueles jovens a fantasia, substituindo incenso e mirra por poejos, orégãos e tomilho.

 Esta noite que passei um sono sem intervalos, sonhando ser um cavaleiro desse tempo já enferrujado e, de castelo em castelo vi-me sitiado pelos Mouros em Ourique. Vendo as noticias recentes dou-me conta que na síria o EI, esse autoproclamado Estado Islâmico avança no norte desse país provocando a fuga de milhares de Curdos em direcção à Turquia e que caças Franceses lançaram ontem os primeiros ataques no Iraque contra esses jihadistas. Em 48 horas, os revoltosos capturaram 60 cidades curdas criando ao mundo ocidental "um conjunto de situações" da qual se pondera uma "reacção eficaz" a esses actos terroristas. Se assim continuarem sem forte oposição seremos em breve alvo desses jihadistas que com rancor incontrolado quererão recuperar estas terras de Silves, Alcáçovas ou Alhambra de Granada, lugares simbólicos da áurea de Alá ou de Aladinos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:32
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Sábado, 20 de Setembro de 2014
FRATERNIDADES . LXVII

MOÇAMEDES - No longínquo ano de 1917

Por

  Eduardo Torres

 Quando meu pai desembarcou, em Moçamedes, destacado para o sul de Angola, propriamente para o Lubango, não admito sequer como seria Angola nessa época. Sei que andou envolvido na pacificação do sul, no Cuanhama, tendo abandonado a vida militar, para se dedicar ao comércio, foi fundador da camionagem, tendo-se associado à firma Venâncio Guimarães, nessa área. Acabou por ser industrial de curtumes e sapataria. Meu pai foi um eterno apaixonado por Angola, a ponto de vender a parte da herança que lhe coube, salvo erro, para investir na terra que pensava ser sua; nunca se interessou em voltar a Portugal Continental, foi rico e morreu relativamente pobre, depois de uma vida de sacrifício e trabalho. Foi vereador da Câmara Municipal, construiu um prédio de dois pisos, considerado um dos mais modernos da cidade, isto nos anos quarenta. Era uma pessoa muito conceituada no meio, tinha influência entre os amigos e seus filhos.

 

 Sinto grande orgulho nos pais que tive, da geração e da descendência a que pertenço. Descendo directamente dos colonos madeirenses, gente humilde, que não teve receio de abandonar a sua ilha, para fazer parte da história. Enfrentando toda a sorte de dificuldades, fundaram um lugar que se tornou a cidade onde tive o privilégio de nascer, e isso me basta para sentir o orgulho que sinto pelos meus antepassados. As próprias pedras serão páginas da gesta vivida por esse conjunto de gente heróica....


A confirmar tudo isto e a 15 de Julho de 2011 escrevia eu em meu blogue de kimbolagoa:

 Bernardino Freire de  Castro - Fundador de Mossâmedes (Namibe)

A partir da metade do século XIX, por via do término da escravatura, Angola passou a ser vista como saída para encaminhar gente desavinda de outras paragens juntando-se-lhes os degradados para ali enviados por castigo penal. Alguns dos novos colonos, idos do Brasil e Ilha da Madeira para Mossâmedes buscaram lugares mais frios e de terras férteis; enquanto decorriam batalhas para conter sublevação de alguns sobas mais a Sul, a colónia ia-se formando ao redor de barracões num lugar que se veio a chamar de Sá da Bandeira, o actual Lubango. Falar destas odisseias é recordar a missionação dum povo, duma gente que não deixou de peregrinar a vida. Recorde-se essa estirpe de gente reconhecidos como os Chicoronhos (Xi-colonos), que oriundos das ilhas da Madeira e Açores, após estarem alguns anos no Brasil e após a independência deste, optaram por tomar este novo destino levados no entusiasmo do marquês de Sá da Bandeira. Foi no areal da baia do soba Mussungu do Namibe que eles estabeleceram seu primeiro arraial.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:26
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2014
MOKANDA DO SOBA . LXII

TEMPO DE MALAMBAS . Teorema da amizade …

Por

 T´Chingange

 O termo teorema foi introduzido por Euclides, em elementos para significar "afirmação que pode ser provada". Originalmente significava em grego "espectáculo ou festa". Actualmente, é mais comum deixar o termo "teorema" apenas para certas afirmações no campo da matemática que podem ser provadas mas que torna a definição um tanto subjectiva. Neste caso, teremos de ir para o espectáculo da vida na visão grega. Naquele lugar de Nogueira com muito verde, terras de Alto Douro, eu e mano Zeca espojamo-nos como ressuscitados em nossa amizade de infância que, morta pelo tempo sucedeu a nosso contragosto em nossa contra-mão. Constatando que mesmo para além de cinquenta anos de ausência, refizemos nossos traços sem melancólicos choros nem ranger de dentes, troçando até de nossas mazelas ou desgraças. Ali, e por três dias fintamos o destino sem aquela fúria suicida do hiato duma guerra, uma ousadia de gente alheia que nos superou, enganou e separou. Falo de Angola, evidentemente!

 Comendo saquinhos de muxima na forma de paracuca, percorremos as mercearias da Maianga, um misto de venda com balcões corridos, esplanada debaixo da mulembeira, quintal ou passeio, terreiro de tasca com jogo de bisca, casino dos pobres com tapas à sevilhana, polvo no vinagreta e carapaus fritos mais a jinguba ou tremoços. Nas vendas do Morais, do Hernâni, do Baia ou do rente Cruz, lugares extintos, permutavam-se alegrias e melancolias que agora são recordadas pelos corações inscritos e circunscritos nas mulembeiras ou imbondeiros; Agora, pendurados lá nos altos galhos riem-se de alegrias com as múcuas ou os figos batucando o tempo de dendem com peixe-frito. Devoramo-nos até ao tutano besuntando-nos no bisgo sem os contornos monstruosos de kalashnikov a tiracolo ou os mona-caxitos de mata-mata átoa.

 Troçando de nós, encharcamo-nos de riso misturados na sabedoria austera de Miguel Torga, Com omo lava-mais-branco, demos banho nas nossas pulgas dinossáuricas que catrapiscamos atrás de nossas orelhas. Mergulhamos no escuro alucinante do nada revendo aos seu redor sofisticadas ilusões muito cheias de veleidades, traficâncias de marfim e praias de oiro em forma de areia com brilhos diamantinos; recordamos coisas pisoteadas por escravos com cães de filas procurando fujões no agreste de terras esquecidas que tal como nos se dedicaram lavrando terras, desbravando anharas e mares; destroços de barcos encalhados, que mesmo enferrujados ainda servem de abrigo a gentes do m´Bungu e Corimba, e n´Samba com roupas estendidas nos varais de mau-bordo, gente sem escala, esperando viajar mais um outro dia. Queiram ou não, nós fizemos na dipanda, uma nova epopeia …

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:49
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014
MALAMBAS . LI

TEMPO DE CINZAS. Figuras típicas do M´Puto, algures …

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange 

Manuel Faneca nasceu com essa doença de cleptomaníaco, isso de não resistir à tentação de roubar as coisas dos outros, de fanar aquilo que não é seu, um jeito de gamar com gula de mais valia p´ra ficar o rei do pedaço, o maior. Há muita gente assim que nem desculpa tem por ser doente a propósito e porque lhe convêm, ladrão mesmo! Faneca, regenerou-se após uns dez anos de cadeia aos soluços e num vai e vem periódico na ramona da Guarda Nacional Republicana. Ele efectivamente tem essa doença mas, de vontade própria, forjou uma maneira de se enganar; fora de horas manda seu chapéu de feltro para dentro do quintal do vizinho ou alheio e depois salta o dito cujo para subtrair o seu próprio pertence.

 Chico Torrica é uma outra típica figura duma pequena vila alentejana; ainda jovem namorou uma catraia bonita de encantos de pasmar rouxinóis mas, sendo ele lavrador dum monte, ficou surpreso quando Felismina sua deusa, num repentino fim de semana foi vista a passear bamboleando-se com um brasileiro carioca, um emigrante bem sucedido e cheio de graveto. Felismina não resistiu à lábia escorregadia do linguajar do bonitão vestido de popelinas e sapatos brancos mais o seu chevrolet descapotável, rabo de peixe de reluzentes cromados e um verde de tentação. Tudo isso relampejou na cabecinha loira de Felismina. Isto não caiu bem a Chico Torrica que de encucamento soluçado e repetido, resultou em uma depressão sem tamanho que nada tinha de platónico. Esta situação perdurou por algum tempo vindo a piorar quando já muito mais tarde lhe mostraram uma foto de sua perdida amada remetida de Cuiabá do pantanal brasileiro.

 A foto mostrava Felismina escanchada em um alazão, algures numa cordilheira de Poconé e, tocando um corno retorcido a que ali chamam de berrante. Isto, na santa terrinha da falsa estepe foi motivo de troça ao já consumido Torrica; por via das falas indicarem que aquele corno de chamar boi tresmalhado era seu maldito chavelho. Esta dolorosa pedrada na já débil cabeça de Torrica deu em o enlouquecer de vez. Torrica deu em maluco, passado dos carretos como dizia a canalhada, pivetes sem sensibilidade para tal dor de chifre e assim, quando lhe dava na veneta desviava as pedras dos caminhos durante a noite e, não raras vezes ia ao monte, igreja de Nossa Senhora da Assunção e retirava lá de dentro todos os santos nos vários altares. Dizia ele que era para apanharem ar.

 Dispunha os santos em círculo e, ao relento sereno de Agosto, fazia-lhes grandes, eloquentes e entorpecentes discursos, bem à sua maneira. Eram o Santo António, Nossa Senhora da Assunção, Nossa senhora do Ó e do Parto mais o São Jorge de que tanto gostava! – Mas que jeito, estarem vomecês sempre fechados! Gostam de ser coitados como eu? – Passam ali meses e anos sem verem a luz do dia, sem ar nem nada e tudo-o-mais! … Dizia ele, Torrica sozinhado consigo, falando às sombras escuras da noite. Torrica assim ficou para todo o sempre virgem na sua solteiríssima pureza de mente descalibrada. 

 Conta-se que por muitas vezes o tentaram internar no Júlio de Matos mas, desistiram porque sempre conseguia esgueirar-se regressando à sua linda terrinha cheia de branco com barras azuis. Numa dessas vezes disse para quem quis ouvir: - Pois, … aquilo lá naquele hospital são todos doidos! … Vejam só que me mandaram tirar água dum poço com um cesto igual a este; disse isto apontando seu cesto de vime que acartava no outro braço, feito de vime entrelaçado e, logicamente muito cheio de buracos naturais de seu cabaz de levar pasto a sua égua. – Aonde já se viu tal coisa? Retorquia ele esgueirando-se num inocente rizo trocista de sublimada lucidez. Ele, …há coisas! …

Ilustrações de Costa Araujo Araujo e Malangatana

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:46
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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014
MISSOSSO . IX

MENINAS DO ENGATE  Meu coração está peneirando sol sóprati!

Missosso: Da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto quimbundu. Óscar Ribas foi o seu criador.

Por

 T´Chingange


O amor não é sentimento, é doação, digo às meninas com nomes estrábicos do Facebook que querem cambular-me para ramboiadas, forrobodós com afinidades estrambólicas como se eu ainda fosse desanovinho. Que coisa de semvergunhice com acessórios e zingarelhos de picar e prender o amor, relacionamento sem suspensórios. Hoje mesmo, vou-me ensinando a ser gente tomando aqui e acolá, por onde calha, o saber dos mais sábios para ficar esperto, dos amigos mais simples aos meus insuspeitos inimigos.Voo, voo entre nuvens turbinadas de sucção, aspiração, compulsão e impulsão, queimando cansaços no calor do tempo cadavez mais maluco. As vezes Deus coloca pessoas erradas em nossas vidas, para que quando encontrar-mos a pessoa certa saibamos valorizá-la.

 Uma vez meti-me com uma m´boa faiscando-me luzernas de Louva-a-deus e catrapiscou-me sem salvação; depois do coito papou-me sem mais nem menos e, gulosa ficou lambendo seus beiços largos e, já no outro mundo vi-me tolhido numa nuvem branca fazendo companhia a São Pedro. – Tem calma rapaz, isso passa! Dizia este mais velho com sapiência de Santo-maior. Afinal porque não fui logo lá para o purgatório cheio de brasas e, tive de ser triturado só assim mesmo por uma fêmea comilona. De novo, tenho de mentir-lhes, que sou muito caquéctico e que choramingo suores de jindungo com milongo babado, que tenho caruncho nas unhas e muito cheias de fungos encortiçados! Que tenho bicho-de-pé, bitacaias e edecéteras. Ui! Uaué, resulta mesmo! Pois, pois, a gente se fala mais tarde e, vão-se!

 É que estou farto desta pedinchice avulso via face, do cê-que-sabe, ká-te-quero; eu que estudei física, acústica, matemática quântica com derivadas, que ganhei medalhas de herói e que fiz heroicidades, que matei e ressuscitei. Euzinho que visto calças para tapar as minudências, mazelas de vergonhas e cicatrizes com formas bizarras. Agora, que sou um embrulho de minha vida, metem-se comigo! Desfigurado pelo tempo, cheio de cãs, estonteado pelos muitos calores, passeio pelo mundo o meu isolamento procurando entreter-me com minha amarrotadinha figura. E, é a Jessika, a Munish, Vichy Hy, a Gift Ruía, a Piece Danielld ou Katiúska. Pst! Pst! Meu coração está peneirando sol sóprati! Bolas, pópilas!... Estou feito ao bife…

Ilustrações de Costa Araújo Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:15
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Terça-feira, 16 de Setembro de 2014
MOKANDA DO SOBA . LXI

TEMPO DE MALAMBAS . Ximbicando na funge com pau-ferro …

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

 Ontem, no Algarve do M´Puto foi um dia de verão com chuva tropical, um dia de mãos cheias nas falas de tempos lembrados ao sabor de uma moamba bem à maneira kaluanda, com os respectivos quiabos, gimboa, saca-saca da folha de mandioca e funge feito bem à maneira de como os trabalhadores da construção faziam no meu antigo bairro da Maianga da Luua. Lembrei que em kandengue assistia curioso ao fazer daquela cola de sapato como minha mãe Arminda dizia e, na hora de almoço sentados, em bancos e umas quantas tábuas a fazer de mesa, improvisações bem na forma de suas vidas biscatadas. Nós kandengues ficávamos ali à coca vendo como eles faziam com os calos de suas mãos bolinhas de funge acinzentado e molhando na lata de dendem e besuntado, o levavam à boca deglutindo-a com prazer. Quase sempre era peixe seco mas, às vezes era um chuço, pica no chão da capoeira deles.

 Nós que éramos seis, não estávamos sentados como os monandengues trabalhadores entre chinguiços retorcidos e tábuas com pregos desafiantes aleatoriamente amontoadas entre encofrados, armações de ferros e paus de encastrar vigas, vigotas, pilares e sacadas. De olhos arregalados e ali especados, eles os trabalhadores, ofereciam-nos aquela pasta pegajosa de colar cartazes e, num dia daqueles, aceitamos a oferta de provar. – Menino, quer provar? Naquele um dia eu e outros quisemos provar e foi gostoso. A lata de cozedura ainda me lembro de que tinha uma mulher de lenço e xaile do M´Puto com uma árvore botando frutos pretos ovalados e, mais no canto um galo e escrito assim para cima os dizeres já meio queimados de azeite galo! Também tinha um galo, sim senhor!

 Aquela funge encaroçada feita nessa mesma lata, era objecto de grande labuta porque um deles ficava ali todo o tempo botando água quente e mexendo um pau roliço e comprido escolhido a propósito entre os muitos outros paus de kibaba, pau-ferro ou indianuno, digo eu. Pois, recordando tudo isso chegou o empregado do Campo´s restaurante de Portimão com uma garrafa contendo um milongo de piripiri mas nós já estávamos condimentados com nosso próprio jindungo pequeno e raivoso trazido lá do Kuando-Kubango, ou Okavango, lá do outro lado do Dirico, Calai e Mucusso; isso mesmo do Rundu que em língua Ovambo quer dizer terra de difícil acesso; claro que isto era naqueles tempos em que as carroças bóeres tinham dificuldade de vencer o desnível barrento das margens daquele rio lá nas terras do fim-do-mundo.

(Talvez continue…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:42
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014
FRATERNIDADES . LXVI

HUMPATAA chegada da electricidade a Sá da Bandeira… 

Por

 Eduardo Torres

 Lembro-me quando surgiu a electricidade, e as ruas de Sá da Bandeira foram iluminadas, pela primeira vez, com uma luz que fascinou os meus olhos de criança, na inocente ignorância de saber como era possível a luz aparecer assim, de repente, vinda não sei de onde. A minha mãe, pegara em mim, sentara-me no parapeito da janela, para eu poder observar um mistério, e cerca das seis tarde, salvo erro, surgiu a novidade surpreendente de eu ver uma luz completamente diferente da que... estava habituado a ver. Não me recordo o que terá passado pela minha cabecinha inocente, mas com certeza que houve mil perguntas que ficaram sem resposta.

 A porta de entrada da minha casa dava acesso a um corredor comprido, que servia a sala de visitas, o quarto dos meus país, e do lado oposto, o meu quarto e do meu irmão mais velho, desembocando, através de outra porta, na sala de refeições, que por sua vez dava acesso ao quarto das minha irmãs. Nesse corredor, costumava eu e um qualquer amigo de ocasião, jogarmos, com uma bola de ténis, futebol de baliza a baliza. Vem isto a propósito, de que foi nesse corredor que se começaram a abrir os roços para a instalação da tubagem e caixas de derivação, que viriam a ser as vias por onde a electricidade chegaria às lâmpadas, que iriam substituir as velas, os candeeiros de petróleo e o velho petromax, que uma das vezes, ao ser aceso, dera início a um principio de incêndio , que prontamente fora apagado.

 Pois era a luz, que dias antes tanto me intrigara, que surgia em casa, aparecia nas lâmpadas do candeeiro da sala, ou nos simples, dos quartos, com um pequeno movimento do interruptor, prova de que, o milagre do progresso tinha acontecido. Passei a entender melhor, um facto que tanto me intrigara, mas que ainda não dominava em absoluto... sabia apenas que começara uma nova era na vida lá de casa, que uma luz vinha substituir outra que fazia parte da historia do passado, e que a vida começava a mudar substancialmente....

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:25
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Sábado, 13 de Setembro de 2014
MOCANDA DO M´PUTO . LII

UM DIA COM AS FALAS DE ZECA

Por

José Zantos (Zeca, só para os amigos)

Ele Zeca, vai perdoar-me! Não resisti em publicar estas falas, quase uma convocação…

  AQUELA MENINA, A MINDINHA. Diz que está longe! Na verdade 2015 está longe! Caté pode ser que este m´putu estoure! Dá pra ver como os manos andam depois do tempo de namoro e agora de traições buscando a tenda luminosa com ar condicionado, depois dos passos, muitos passos que afrontaram as kubatas de uns e afortunaram as kubatas de outros, que já têm encomendada a praia para fazerem uns férias debaixo de um coqueiro de plástico que não cheira e não abana com a corrente de ar do Makita zangado, porque vê cada vez a sua vida perigar! Até lá, ver-se-á se N’Zambi botar bom senso no carburador dos neurónios dos geniais desta imensa libata, que gritam agora uns para os outros KWATA KWATA, TUNDAMUJILA.

 Chega de prometimentos que no kinaxixi não resultam alimentos pra encher a barriga. Dizem “Agora, nós sim! Tudo faremos para que apareçam na soleira das casas a ansiada tigela da sopa com bons condimentos! ” Acabou a água esquentada e sem couves, as compras agravadas de aumentos em flecha nas prateleiras dos merceeiros que cada vez mais engordam, porque enquanto isto durar neste mambo das passagens de uma mão para a outra, que na verdade, independentemente dos ismos, a mudança das cadeiras e das plantações. Diz que está longe! Nós, estamos todos bem perto! É um Equilátero romântico que não precisa da CASIO para achar a área que tem de mambo de esperto! A saber que temos a GRANJA, MATOSINHOS, TROFA, BRAGA. Note bem, que ao riscarmos as distâncias num papel somos um Trapézio Escaleno; todos os lados (distâncias) são diferentes. A base menor é a nossa (Maia/Matosinhos) a maior a deles (Granja/Braga).

 Desculpa, muito stressado parti o vidro do altímetro pra poder medir a altura e aplicar na expressão, Paciência! Julgo que o resultado seria muito interessante e poderia ser fiado numa argola para se fazer uma bela missanga de Angola/Loanda/Maianga! Concordas? Concluo dizendo que estamos bué de perto e é possível podermos estar todos, os muitos mais na TiMatilde 2015 saboreando boa convivência, esta a do face, mas agora lá face no face, com todos, com a sua/nossa família… Maianguista…ou não.

 O que importa é a união da ukamba que nos funde e une, como com certeza percebeu neste nosso encanto das falas, do nosso linguajar que um dia iremos levar para o paraíso AVATAR, mas que aqui jamais morrerá enquanto a semente passar de geração em geração e sempre viva como os antigos faziam à volta da fogueira vendo o seu parente ser transportado pelo fogo para as terras de N´zambi, mas a cinza ficava para sempre colada no seu corpo e sempre contada com respeito, paixão, amor, o que foi aquele parente na sua vida com eles. Independentemente da gramática, da licenciatura, da luxúria de matumbo deste tempo incaracterístico, que muitas vezes espera na koka que ele morra para ir a divisão, para ir no cemitério chorar lágrimas de crocodilo para iludir a Santa; de velinhas acesas na mão. O verdadeiro amor não tem etiquetas, é suor que coração larga do seu rio bom pra benzer como se fosse água adocicada com mel e caxinde. XAL’É! OKO SURUCUCU TROPICAL! - (Boa viagem! Nessa serpente Tropical!)

 

Bom Domingo, Bom Sábado, Boas feiras.

Kandandu, ZECA 2014061019h49 Terras do Senhor

Ilustrações de Costa Araújo Araújo

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:50
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014
A CHUVA E O BOM TEMPO . XLVIII

REFLEXÃO - O PROVEITO DO DINHEIRO

Por

José Matias

 

 Se numa província, um aleatório lugar vês o pobre oprimido e o direito e a justiça violados, não te surpreendas: quem está no alto tem outro mais alto que o vigia, e sobre ambos há outros mais altos ainda. O proveito da terra pertence a todos; um governante beneficia-se da agricultura. QUEM AMA O DINHEIRO NUNCA SE FARTARÁ DE DINHEIRO, QUEM AMA A ABUNDÂNCIA, NUNCA TEM VANTAGEM. E isso também é vaidade. Onde aumentam os bens, aumentam aqueles que os devoram; que vantagem tem o dono, a não ser ficar olhando? Coma muito ou coma pouco, o sono do operário é gostoso; mas o rico saciado nem consegue adormecer.

 Há um mal doloroso que vejo debaixo do sol: riquezas que o dono acumula para a sua própria DESGRAÇA. Num mau negócio ele perde as suas riquezas e, se gerou um filho, este fica de mãos vazias. Como saiu do ventre materno, assim voltará nu como veio: nada retirou do seu trabalho que possa reter nas mãos. Isso também é mal doloroso: ele se vai embora assim como veio; e que proveito tirou de tanto trabalho?....APENAS VENTO. Consome seus dias todos nas TREVAS, em muitos desgostos, DOENÇAS e IRRITAÇÃO. Eis o que observo: o que melhor convém ao homem é comer e beber, encontrando a felicidade em todo o trabalho que faz debaixo do sol, durante os dias da vida que Deus lhe concede. Pois esta é a sua porção.

 Todo o homem a quem Deus concede riquezas e recursos que o tornam capazes de sustentar-se, de receber a sua porção e desfrutar do seu trabalho, isto é um DOM de DEUS. Ele não se lembrará muito dos dias que viveu, pois DEUS OCUPA SEU CORAÇÃO DE ALEGRIA. E COM ISTO RESTA DIZER: A INSÓNIA POR CAUSA DA RIQUEZA CONSOME A CARNE, A SUA PREOCUPAÇÃO AFUGUENTA O SONO. AS PREOCUPAÇÕES DO DIA NÃO O DEIXAM DORMIR, DOENÇA GRAVE AFASTA O SONO. A RIQUEZA DE UM HOMEM NÃO DEPENDE DE MUITO AJUNTAR, MAS SIM DE TER O CONHECIMENTO E O ENTENDIMENTO AO ADQUIRIR A SABEDORIA QUE DEUS DÁ AOS QUE O PROCURAM. " POIS NEM SÓ DO PÃO O HOMEM VIVERÁ, MAS SIM DA PALAVRA QUE PROCEDE DA BOCA DE DEUS."



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:22
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Terça-feira, 9 de Setembro de 2014
MOKANDA DO SOBA . LX

TEMPO DE MALAMBAS . Responso ao Santo António…

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

 A nossa vida social é um intrincado de telenovelas que, uma vez são dignas ou louváveis e, muitas vezes um entrelaçado de rolos desfiando-se em um emaranhado de traições, mentiras, ciúme ou até morte. A mente humana é premeditadora, calculista, ambiciosa e, quando se desvia da razão certa, tudo argumenta como justificação. As desculpas não devem ser pedidas mas evitadas ao mínimo; o orgulho impede a muitos de se desculparem porque isso lá no subconsciente é uma atitude de fracos e, de fracos não reza a história. E, há sempre um ditado a amenizar o desaire, falha ou procedimento; todos o usam para compor o ramalhete de falas em falsete.   

 No correr da idade revejo-me um fraco por nunca me ter debelado seriamente com o comodismo generalizado e, de quando em vez faço-de-conta que tudo está bem. Engano-me no isto e aquilo, que tudo vai passar, como diz Chico Xavier e, neste pensar sou galgado, espezinhado, amarfanhado pelos manobradores, políticos, sucateiros, doutores e engenheiros que podem sobrepor-se a mim só porque pensam ser ou os eleitos ou os donos-do-pedaço. Estou farto de ser subserviente a todas as falcatruas

 São esses muitos de mais-valias que chegam ao poder, mando quase sempre á custa da pacífica gente que como eu diz: dexa-lá! Somos mesmo um grande bando de muito-fracos! Não sei porquê, hoje estou com pena de mim; de vocês também que como eu falam-falam e não são ouvidos; ao invés dos que comem-comem e, não são comidos! Por tudo o dito, também me apetece fazer um plebiscito a destituir o Santo António dos Olivais, tirá-lo do altar, pedestal carcomido pelo caruncho e usar seu seguro nome para me tornar um forte ANTÓNIO COSTA, meu genuíno nome de nascimento num kimbo da Beira do M´Puto  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:57
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Domingo, 7 de Setembro de 2014
MOKANDA DA LUUA . XXX

ANGOLA .  NO LUBANGOA PAIXÃO ROSADA DO ROSEIRA

Por

  Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa). Um ilustre amigo sempre presente quando se recorda África; um nato contador de histórias das terras do fim-do-mundo, por onde também andei em sua companhia. Ambos andavamos disfarçados de caçadores de elefantes ... Como Ele diz, àfrica é uma benção e um veneno.  

 Ainda hoje estou para saber como é que o meu amigo Godofredo Roseira, quarta geração de colonos madeirenses tinha aquele tom de pele e a única conclusão a que cheguei; Pura genética.... Sem querer tornar-me chato com a questão das alcunhas tenho no entanto de dizer que o Godofredo era conhecido no nosso meio como o “Goiabas”. – Já foram ao pomar do velho Cangareco nestes últimos dias? Que ricas goiabas, amarelinhas por fora e rosadinhas por dentro. – Era assim que anunciava uma sortida às frutas do senhor Venceslau. Eu ficava pasmado a olhar para aquela cara redonda de anjo com duas enormes bochechas rosadas nas faces, fazendo lembrar um bebé em mudança de fraldas. O sol africano perdera a batalha com aquela pele leitosa onde algumas espinhas despontavam periodicamente, obrigando o Roseira a umas espremidelas com os indicadores que nos deixavam agoniados. – Que grande lagartão! – Clamava orgulhoso.

 Tirando esta atitude pouco conducente com a higiene o Goiabas era um companheiro de primeira água nas irreverências da juventude mas, com uma paixão que ainda hoje me perturba. Tínhamos acompanhado a procissão desde a sua saída da Sé, deslocando-se como um “Tchicocolo” de mil patas pela cidade, com o pelotão das meninas do colégio vigiado com uma autoridade medieval pela madre Ferraz e sob o olhar seráfico e rosado da madre Campos. Íamos trocando à socapa amor adolescente e platónico em forma de recados murmurados e beijinhos amorfos.

Foi quando reparei no olhar apaixonado do Goiabas pousado com fixidez na freira Campos. – Aquela madre é a minha paixão, Toupeira, olha as bochechinhas dela, tão rosadas, parecem as goiabas do Cangareco. – Enlouqueceste ou quê? – E o corpinho que se adivinha debaixo daquelas saias negras! – Continuou embasvecido. A troca de amores continuava ao entardecer nas aulas de estudo nas traseiras do colégio. Bilhetes amarfanhados eram atirados pelas janelas, marcando encontros de fim-de-semana e denunciando paixões assolapadas. O Goiabas também entregou o seu, um quadradinho de papel rosado de conteúdo secreto. – É para a madre Campos. – Murmurou baixinho para a Lily. Não sei se a Lily teve coragem de entregar a missiva à noviça, mas de uma coisa estou certo, na procissão que se seguiu, os olhos da madre Santos tinham um brilho inusitado, e as bochechas de um carmim que nem as goiabas do velho Cangareco.

Reis Vissapa

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:19
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Sábado, 6 de Setembro de 2014
MALAMBAS . L

NAS CINSAS DO TEMPO. Usar a mente!... Teorias genéricas XI

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

Num esforço de categorizar o mundo com teorias genéricas, sublimei filosofias ginasticando-as, bracejando-as na água da praia da Angrinha bem em frente  da Praia da Rocha, um rio braço de mar chamado de Arade. Do outro lado com torrões coloridos na forma de edifícios, uma cércea recortada com açoteias e abóbadas a morrer no cais, sai um aviso da marinha buzinando cuidados à navegação.


O horizonte não se via, nem mesmo os faróis da barra, o de traços vermelhos do lado esquerdo e, o de traços verdes da direita e no sentido de quem entra. A neblina era muita, as regras mandam que se apite à navegação, sons graves a perfurar perigos. A nau catrineta, réplica das descobertas a bombordo, indiferente ao tempo tapado, leva turistas a conhecer a costa de arrifes, falésias e praias escondidas em recantos de outras angrinhas de areia doirada. Terras antigas do Alá!


Os dias repetem-se assim como a história que nunca começa nem termina, que está sempre a mudar, sempre a iniciar, sempre a terminar; um acontecer ao acontecido, uma contradição radical num simples modo de integrar tudo no que existe de disperso. Um fragmento de apito prolongado, como as nossas vidas. Todas as espécies de princípios e de fins são disputas de nossos inventos nas esquinas do vento. Eu sei! … O vento não tem esquinas! Amanhã é um outro dia, o fim duma história numa mística transformação do presente.  Uma ilusão!

Ilustrações de Costa Araujo Araujo

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:24
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2014
MOKANDA DO SOBA . LIX

CINZAS DO TEMPO . Um pedaço da vida real em uma Vila Real do M´Puto

Por

  T´Chingange

 Zeca Santos, o mamoeiro da Maianga da Luua, surgiu em um indistinto dia do quente e curto verão deste ano de 2014 para alegrar as flores da minha adolescência. Falando que nem um jacó, chamou-me de nomes que só não são feios porque os retirou do nosso quintal, mistura do lusco-fusco das poeiras, terras de nossas barrocas da Maianga, um chorrilho de missangas aleatoriamente sacolejadas de sua sabedoria, espanejadas na mulola dum chamado de RIO SECO; tertuliando à sombra dum d´jango na forma de tenda berbere, no meio dum escandaloso verde, mancha de medronheiros, pinheiros, sobreiros e giestas, cheirávamos de perto suores naturais de mirra, alfazema e rosmaninho, relembrando os originais traços das muralhas de nossas vidas.

De descrição em descrição dos tempos imperiais do período visigótico de nossas viçosas vidas, as falas do Zeca fortificaram lembranças desperdiçadas nas íntimas coisas de nossos castelos. Engolimos com lágrimas demolidoras secos choros de nossas necrópoles. Com fios de ternura reconstruímos a máxima e mínima extensão de nosso império olhando o feitiço da vida na forma de andorinhas beberricando a azulada água de nossa piscina; andorinhas que picavam a água como se isso fosse néctar de nosso mel. Contornando-nos em graciosos voos iam e vinham traçando em nós invisíveis ternuras, um fenómeno raramente apreciado. Nunca na Maianga tínhamos assistido a tal!

 

 Nós, eu e Zeca, na companhia de Bibi, minha companheira de todas as horas, de Dona Sousa Lourenço e seu consorte Francisco Honório, o herói do Quissoque António Pereira e sua Guia de nome com Santos e arcanjos mais a princesa Rita com seu lindo riso, podemos apreciar o zunir do estio, o estalar de pinhas, o picanço de moscas de gado, enfim, uma dádiva de vida serena perimetrando sonhos idos, repuxos de nossos anfiteatros, matéria prima de nossa estrutura defensiva. Já íamos na descrição da imponente muralha do baixo-império revendo os decorados mosaicos de nossos cubiculuns quando e já cansados, decidimos descer às termas do Tanha, nosso real quarteirão propriedade de D. Honório Soares. Resolvemos deixar para trás aqueles nossos períodos visigóticos, nosso presidium para dar luz aos restantes compartimentos de nossos novos quereres. 

Tentando compreender a amplitude das ruínas de nossos achados escavamos indistintos mukifos de nossos caracteres dando os contornos finais ás nossas monografias sem exaustivas teorias de laboratório, artifícios de produtos consumíveis ou trabalho académico de instituição credível. Cada qual tem as suas razões históricas com ou sem dotações de seu legado. Isto é tão-somente, um pedaço da vida real em uma Vila Real do M´Puto de Trás-os-Montes.

O Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:54
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2014
MALAMBAS . XIX

GALAFURA . II OS CANTOS DA VIDA…

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

Uma alma é energia divina; é existência além da matéria. É a parte de nós que existe além da matéria, além do nosso corpo e de seus cinco sentidos e que não pode ser vista. A alma é para o corpo, aquilo que o astronauta é para a roupa espacial; tire-se ao astronauta a roupa, e ele como homem do espaço, será basicamente inútil. Se um qualquer de nós for cego, surdo, mudo, sem nariz e com o tacto insensível, ainda assim, estará vivo dentro de si mesmo, mas decerto não será a mesma coisa! Mas que parte de nós ainda está viva?... Eis o que é a alma, uma imensurávelconsciência indivisível integrada em nosso corpo. Isto explica porque somos tão completos, tão periclitantes, tão inimagináveis ou mesmo confusos!

 No dia a dia aprende-se o significado do amor, algo que não pode ser ensinado num repente; é no entanto uma herança natural que oposta ao medo, renova bloqueios à consciência; mas, não pode ser lavrado em escritura para estabelecer currículo. É um acto voluntário, um livre arbítrio que não pode ser imposto a alguém. A espiritualidade é para a nossa alma, aquilo que o alimento é para nosso corpo. Antes que um de nós possa expressar sua alma, deve antes de tudo o mais, nutri-la com espiritualidade. Da segunda visita que fiz a Galafura, miradouro de S. Leonardo, inebriado com a paisagem e tendo como companhia o amigo José Santos da Maianga, ambos impregnados  de uma simples visão e sem acertos filosóficos, recordamos os escritos de Miguel Torga.

A vida é feita de nadas

De grandes serras paradas

Á espera de movimento:

De searas onduladas pelo vento

De casa de moradia

Caídas e com sinais

De ninhos que outrora havia

Nos beirais

De poeira

De sombra de uma figueira

De ver esta maravilha

Meu pai a erguer uma videira

Como uma mãe que faz a trança à filha.

 Extasiados, ali ficamos estáticos em companhia de mais amigos admirando aquelas longas tranças circundando as maravilhas do Douro na forma de socalcos, vinhedos a perder de vista com graciosas formas de manhas bordeadas a oliveiras como as tranças descritas por Miguel Torga. Nada é mais poderoso e nutritivo para a alma do que percorrer a vista nestes pedaços de energia espiritual, a natureza com ou sempreces de bem-querer, actos de amor e bondade.

 Uma alma é nossa identidade interior, nossa razão de ser. Já Rabino Simon Jacobson dizia “A alma da música é a visão do compositor que energisa e dá vida às notas tocadas em uma composição musical. Cada um de nós é uma nota musical única, numa grande composição cósmica; é nossa obrigação descobrir nossa própria alma e tocar a sua música singular”.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:49
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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