Sábado, 31 de Janeiro de 2015
MALAMBAS . LXVI

TEMPO COM FRINHAS . Coisa infecta, simbiose de militar com político, um promíscuo MFA que nos sucumbia, passando armas ao inimigo...

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba eu.jpgT´Chingange

ana maria 4.jpgAquele domingo dia dez de Janeiro, foi um comprido dia dedicado à conversa de antigas passagens, famílias em cruzados destinos falando muito de nossas vivências em África a quarenta anos de distância. No meio dum rio longínquo chamado Okavango podíamos admirar dum e doutro lado deste rio a exuberante verdura, alguns vestígios da base daquela que foi o Batalhão Búfalo nº 32 da África do Sul que é agora uma reserva com esses mesmo nome inserida no Bwabwata National Park e, podendo ler-se no mapa como Military Ruins. É Miranda que me chama à atenção das muitas infra-estruturas militares que ali existiam e que tiveram grande intervenção no desenrolar da guerra em Angola.

miranda3.jpgFicou-nos bem ciente que podemos sobreviver aos idiotas e até gananciosos que nos governaram nesse lapso de tempo e, aqui estamos nós velhos resistentes, a retemperar ideias com a heineken lager beer, balouçando o tempo em uma balsa do Nunda Lodge. Cientes de que não podemos sobreviver à traição gerada dentro de nós, que fomos no tempo assistindo ao movimento de traidores que não o pareciam, mexendo-se livremente dentro dum governo que se dizia nosso, nos entorpeceram com melífluos sussurros ouvidos por todos que no vestíbulo do Estado português, já ecoavam falsidade nos propósitos; nós muito descansados, muito inocentes, a maioria nada disto sabia.

ana maria 3.jpgEsses traidores, não o parecendo ser, falavam-nos com familiaridade, suas vítimas, que sem o sabermos, usavam sua força e suas ambições em apelo a sentimentos que infantilmente se alojavam no coração de todos nós. Foram muitos a arruinar as raízes da sociedade, a trabalhar até em segredo com a justiça, ocultos na noite para demolir nossas fundações; minar também os alicerces da nação portuguesa, coisa infecta num corpo, simbiose de militar com político, um promíscuo MFA que nos sucumbia por mando de outras potências, de tropas passando armas ao inimigo, velhaquices de todo o tamanho vendendo-nos ao desbarato. O dia termina com um adeus aos hipopótamos tendo a kúkia do sol poente, uma visão deslumbrante e, já noite, as luzes do povoado Mucusso, do outro lado do sonho.

Fotos de Ana Maria Miranda (Mwkwé)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:56
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Que poder poderá ser dado a alguém que já morreu?

Por

soba eu 2.jpegT´Chingange

oliv4.jpgReli frases velhas que me foram enviadas para a página electrónica do facebook e outras que me deleitaram pela sua clarividência; magnitude de gente que após o vinte e cinco de Abril ficaram nas entranhas feias do purgatório, um lugar sinistro que nunca ninguém ao certo definiu com a clareza necessária para podermos entender em profundidade os meandros da palavra. Trata-se de dois antigos governantes e um contestado escritor que ganhou um prémio Nobel. São eles Oliveira Salasar, Marcelo Caetano e José Saramago. Dito isto passarei a transcrever as tão sábias palavras proferidas por ele muito antes deste regabofe patrocinado pelos principais partidos políticos portugueses.

oliv1.pngOliveira Salasar disse: “Há que regular a máquina do Estado com tal precisão, que os ministros estejam impossibilitados, pela própria natureza das leis, de fazer favores aos seus conhecidos e amigos. Promoções, nomeações, transferências, portos, estradas, reformas, subsídios, de andamentos de processos que têm de corresponder a actos de justiça quase automatizados pelas engrenagens do Estado. Os partidos fizeram-se para servir clientelas. A União Nacional, como o seu nome indica, para servir a Nação.” – Bingo! O homem até parecia bruxo quando falou isto em 1932 a uma entrevista dada ao jornalista António Ferro; Salazar, um estadista tão amarrotado no após a abrilada de 1974.

oliv2.jpgUm verdadeiro assombro para quem já assistiu a tanto despilfarro! Veio a seguir Marcelo Caetano deizendo que “Em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar da independência nacional. Para uma nação que estava a caminho de se tornar numa Suíça, o golpe de estado foi o princípio do fim. Resta o sol, o turismo e o cervilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa”. Foi isto mesmo que se veio a verificar!

oliv3.pngE Marcelo não ficou por aí, pois que nos diria mais “Veremos alçados ao poder, analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécie que conhecemos de longa data. A maioria não serviria para criados de quarto e, chegam a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até presidentes da República”. Quem pode hoje e perante as realidades de muitas vicissitudes dizer o contrário disto! E, já vivendo os acontecimentos em seu dia a dia, José Saramago afirmava: “ Em Portugal, não há direita, não há esquerda, nem há centro, há sim um grupo de salafrários que se alternam nos governos”. Ninguém que se preze poderá contradizer o que estes três homens lusos disseram e, que assim ficou nos arquivos. Que nos reta agora ao relembrar tudo isto! E, que poder poderá ser dado a alguém que morreu?

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:43
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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015
MOKANDA DA LUUA . XXXV

ANGOLA . A crise faz congelar importaçõesPreço do petróleo obriga Luanda a lançar pacote de austeridade  - 1º de 2 partes 

kim0.jpgAs escolhas do Kimbo Lagoa

Por

mok1.jpgGustavo Costa  

mok2.jpgDesesperado com a contínua queda do preço do petróleo no mercado internacional, o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, acaba de ordenar ao Ministério das Finanças para suspender, temporariamente, pagamentos ao exterior decorrentes de empreitadas públicas e a imediata revisão, em baixa, do Orçamento Geral do Estado. Ao reunir esta semana com dirigentes do MPLA e do Governo, Eduardo dos Santos, segundo soube o Expresso, mandou também congelar as transferências de dividendos, de prestação de serviços e de importação de mercadorias. Os portugueses e as empresas portuguesas, entre outras, dependentes da economia angolana, começam já a sentir na pele os efeitos devastadores do pacote de austeridade preparado agora por Luanda para enfrentar este novo tsunami financeiro.

mok3.pngUm tsunami que pôs já em alerta máxima o Ministério dos Petróleos ante a iminência de puderem vir a ocorrer despedimentos nas empresas de prestação de serviços no ramo petrolífero.  "Perante este cenário, a maioria das construtoras portuguesas, com contratação pública, para não verem as suas empreitadas interrompidas deverão pensar em renegociar com o Estado títulos da dívida pública" - disse ao Expresso o antigo vice-ministro da Indústria e consultor económico, Galvão Branco.

mpla.jpgO pacote de austeridade preparado por Luanda, segundo apurou o Expresso, tem como prioridade o corte das importações de determinados bens de consumo como cervejas, refrigerantes e água mineral, maioritariamente provenientes de Portugal. Além da pauta aduaneira, a adopção, a partir desta semana, do princípio de quotas de importações limitará também, de forma gravosa, as exportações portuguesas, que, como as demais, passarão a ser feitas a granel. "Vão ter de se adaptar ao momento crítico que vivemos porque, a partir de agora, só vai haver dinheiro para salários", disse um alto funcionário do Ministério angolano das Finanças.

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:16
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015
MUKANDA DO M´PUTO . LVI

RECORDAR José Sócrates - Foi a pior coisa que aconteceu na democracia portuguesa nos últimos 40 anos

As escolhas de

 KIMBO LAGOA   

Por

socr0.pngJosé Manuel Fernandes - Colunista . Foi jornalista desde 1976, tendo passado por vários jornais (Voz do Povo, Expresso), fundador e, mais tarde, director do Público (de 1998 a 2009). Escreveu vários livros, nomeadamente O Homem e o Mar, o Litoral Português, Diálogo em Tempo de Escombros e Era Uma Vez a Revolução. Foi como convidado, professor no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

É talvez altura de nos curarmos de vez do socratismo José Manuel Fernandes 25/11/2014.

socras1.jpgDurante muitos anos muita gente não quis ver, não quis ouvir, não quis ler, recusou tomar conhecimento. Sócrates estava acima disso. Sócrates não tolerava dúvidas. Mas é altura de aceitar a realidade. Uma parte do país - e um contingente notável de comentadores - parecem continuar em estado de negação. Durante anos não quiseram ver, não quiseram ouvir, não quiseram admitir que havia no comportamento de José Sócrates ministro e de José Sócrates primeiro-ministro demasiados “casos”. Em vez disso só viram cabalas, só falaram em perseguições, só trataram eles mesmo de ostracizar ou mesmo perseguir os que se obstinavam em querer respostas, os que insistiam em não ignorar o óbvio, isto é, que Sócrates não tinha forma de justificar os gastos associados ao seu estilo de vida. Agora, que finalmente a Justiça se moveu, eles continuam firmes na sua devoção - e nas suas cadeiras nos estúdios de televisão. Não lhes interessa conhecer o que se vai sabendo sobre os esquemas que Sócrates utilizaria para fazer circular o dinheiro, apenas lhes interessa que parte do que foi divulgado pelos jornais devia estar em segredo de Justiça.

maç6.jpgFidelidades do avental - maçonaria

maç3.jpgAntes, anos a fio, quando não havia segredo de justiça para invocar, desvalorizaram sempre todas as investigações jornalísticas que tinham por centro José Sócrates. Isto é doentio e revela até que ponto o país ainda não se libertou da carapaça que caiu sobre ele nos anos em que o ex-primeiro-ministro punha e dispunha. Nessa altura também muitos, quase todos, se recusavam a ver, ouvir ou ler, até a tomar conhecimento. Não me esqueço, não me posso esquecer que quando o Público, de que eu era director, revelou pela primeira vez a história da licenciatura, seguiu-se uma semana de pesado silêncio que só foi quebrada quando o Expresso, então dirigido por Henrique Monteiro, resistiu às pressões do próprio Sócrates e repegou na história e denunciou as pressões. Não me esqueço que tivemos uma Entidade Reguladora da Comunicação Social que fez um inquérito e concluiu que o silêncio de toda a comunicação num caso de evidente interesse público não resultara de qualquer pressão - a mesma ERC que depois condenaria a TVI por estar a investigar o caso Freeport.

 

soc4.pngComo não me esqueço de como uma comissão parlamentar chegou mais tarde à mesma conclusão, tal como não me esqueço de como vi gestores de grandes empresas deporem com medo do que diziam. Muitos dos que agora rasgam as vestes porque o antigo primeiro-ministro foi detido no aeroporto foram os mesmos que nunca quiseram admitir que havia um problema com Sócrates, com os seus casos, com o seu comportamento, com o seu autoritarismo. E também com o seu estilo de vida. Há momentos que chegam a ser patéticos. Como é possível, por exemplo, que um homem supostamente inteligente, como Pinto Monteiro, queira que nós acreditemos que foi convidado por José Sócrates para um almoço, de um dia para o outro, numa altura em que o cerco se apertava, e que, naquele que terá sido o seu primeiro almoço a sós, só falaram de livros e viagens, como se fossem dois velhos amigos? Como é possível que continue a defender a decisão absurda sobre a destruição das escutas?

As opções do soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:05
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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2015
MALAMBAS . LXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo

Auschwitz - Há 70 anos foi libertado o campo de concentração mais associado ao extermínio dos judeus

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba eu.jpgT´Chingange

 Demorou anos até haver uma compreensão generalizada de que os judeus tinham sido vítimas de um genocídio. Nos mapas do Exército Vermelho, de antes da guerra, nem sequer constava este extenso campo de morte e de trabalhos forçados do regime nazi. “Demos por acaso com o campo de extermínio”, recordou o tenente Vasili Gromadski, da 100.ª Divisão de Atiradores, que participava na ofensiva do Vístula-Oder, que haveria de chegar a Berlim no fim de Abril de 1945.

:::  Continuo a ler o evangelho de Saramago usando até seus sufixos, esboços de suas falas menos ceifadoras para não me pecar porque, até uma árvore geme quando a cortam e, as palavras têem o valor que têm segundo nossas convicções ou ficções, verdades, ofensas ou entendimento. Na destrinça de nossos quereres perturba-nos a probabilidade das coisas e, damo-nos conta entre reflexões, nunca unirmos as pontas ficando atando e desatando nós de sim, mas não, não, mas sim. Matizados nos arrebates da imaginação de que cada um soma um ponto ao conto, perdendo com o tempo e na distância a convicção; num poderia ser assim, na soma do ponto ao milagre, se realmente o havia, vira uma coincidência feliz porque por experiência, sabemos que bem estaríamos nós, se tudo na vida fosse prendas e só bem-estar.

 E, porque a solidão nos será mais pesada do que uma pedra amarrada ao pescoço, preferimos das notícias, recolher as de felizes consequências, dos corriqueiros milagres que preenchem uma vida e, querendo o Senhor, viermos em crer no que nos foi dito, mas, entre tantos, muitos ficarão á espera de que o Senhor mude seu entendimento, por choro, por um desgosto ou por um último suspiro.

   Na mistificação de gente ímpia, a ocasião pode sempre criar uma necessidade e, se ela é forte, terá de ser ela, a necessidade, a fazer a ocasião. Se Deus quiser, quando assim se fala, ouve-se das bocas mais incrédulas sentenças bem acabadas mas, pela natural força do subconsciente porque cada um tem o seu próprio destino, seus próprios milagres, suas próprias palavras que trilham seu caminho. Porque na vida tudo é relativo, uma coisa má pode até tornar-se sofrível se a comparar-mos com coisa pior ou, o inverso que também é verdade. Em tudo, haverá sempre um propósito de fé! Que poder poderá ser dado a alguém que morreu!?

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:17
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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2015
FRATERNIDADES LXXVII

TESTEMUNHOS NO TEMPO  Tenho saudades de Angola - 1ª de IV Partes

No 439º aniversário de Loanda

Por

Luis Martins Soares Luis Martins Soares

 Tenho saudades da minha Angola! Da Luanda que me viu nascer! Não desejo que outras imagens interfiram no meu álbum de recordações para que veja Luanda como a deixei em 1975. Saudades da minha infância na Maianga, do morro da Maianga, Bairro Operário e do Bairro da Cuca. Saudades das brincadeiras de crianças, do Rio Seco, da Cacimba e do Miguel das Barbas. Da pedra da Praia do Bispo que servia de trampolim para os nossos mergulhos. Das barrocas perto da Companhia Indígena cenário para as nossas fisgadas às rolas, pardais e celestes. Saudades da Escola Primária José de Anchieta onde através da Cartilha Maternal de João de Deus aprendi as primeiras letras. Lá senti nas palmas das mãos as dores das palmatoadas com a "menina dos 5 olhos" ou com as batidas da vara comprida nas orelhas como castigo por não ter estudado as lições.

 Das caminhadas a pé pelas areias quentes até chegar à escola, em companhia da minha irmã e no regresso a casa onde tínhamos que andar descalços para preservar um pouco mais os sola das sandálias.  Saudades das pisadas nos espinhos arredondados do capim e das aventuras por nós praticadas ao saltarmos os muros das hortas para roubarmos goiabas apetitosas e as "berridas" que apanhávamos quando, aos gritos de "kwata" emitidos pelos serventes éramos perseguidos pelos cães de guarda até conseguirmos alcançar o muro e saltarmos para o lado oposto.

 Ainda conservo na planta dos pés as cicatrizes dos cortes provocados pelos cacos dos vidros escondidos no capim. Dos cigarros feitos com barbas de milho, enrolados com papel de embrulho da mercearia e fumados às escondidas. Da bebida feita por nós com a fruta vermelha colhida nos cactos rasteiros e espinhosos dos areais da Maianga, bolunga esmagada, açucarada e deixada fermentar por alguns dias. Saudades das noites onde a criançada da vizinhança se juntava brincando às escondidas, da cabra cega, carniça, passa-passa, passar anel, pular a corda e muitas outras. Outras vezes sentadas nas esteiras ouvíamos histórias contadas pelos mais velhos. Ai que saudades dos domingos, dia da semana esperado com ansiedade, motivo para não estudarmos, para irmos de passeio ao Parque Heróis de Chaves ou ao Jardim da Cidade Alta.

Nota: Texto capiangado a este ilustre amigo e, já publicado em Memórias da Maianga no Facebook

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:44
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Domingo, 25 de Janeiro de 2015
MALAMBAS . LX IV

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba eu 2.jpeg T´Chingange

 Deixando-me ficar deitado na rede e no d´jango ao lado do Okavango, suspendo os pés de fora gozando a frescura do rio que salpicando-se na correnteza continua sua marcha levando seu divino liquido, seu divino cuspo a untar terras, cobrir vastas regiões do delta do Okavango no Botswana matando a sede a milhares de seres “big five”, e outros menores, sarando suas feridas, originando novas crias, novas vidas, um encontro de verdades, de sobrenaturalidade, lugar de sentidas ausências, de solidão com chilreios e urros, heranças de barulhos com pesadelos e pensamentos obsessivos.

:::::

 Porque estou eu aqui, fugido de casa como uma condenação sem definitiva ou suficiente salvação como que, simplesmente a sarar as feridas do corpo, dilatando no tempo as intenções de filhos, seus anseios, sua felicidade, a permanência com o varão primogénito, suas indecisões, turbulências e devaneios, apalpando as medidas da natureza do Senhor, daquelas alheias ao homem e, porque cada um tem de viver o seu destino procurando os carreiros por onde se levar e, para onde há-de levar suas acções, suas palavras sem certificados ou procurações de intenção e pretensão.

 Sem comentários descabidos ou ácidos como de quem já se presume saber de tudo e recordando que não precisamos de andar nós à procura de Deus se Ele estiver decidido a encontrar-nos, num pois sim, num pois não, nenhuma salvação é suficiente se qualquer condenação for definitiva. E, um dia após o outro, sempre tudo muito igual ao ontem e anteontem, sem os espírito sossegado num lugar do amanhã, porque voa de nós e paira, e ora longe, ora perto sem posição, sem costas nem frente, numa ânsia que se atola no pensamento. A dor de dentes surge, incha, dói, toma-se antibióticos, anti-inflamatório, aspro, gengibre, alhos, uma dor da frente, dor nas costas por dentro e por fora, uma dor sem fímbria, um isso passa!

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:50
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Sábado, 24 de Janeiro de 2015
MUJIMBO . LXXXI

ANGOLA "O MISTERIOSO VOO DOS BILIÕES DA “BESA AIRLINES”  -  4º de IV partes

As escolhas de

 KIMBO LAGOA   

Fonte: William Tonet e Arlaindo Santana – Folha 8

Suporte: F Brandão

 Contudo, como Madaleno Sobrinho traba­lhava no BESA e este, em Angola, é conhecido como sendo testa de ferro do sec­tor bancário com capitais do MPLA em Portugal, não é preciso ser bruxo para adivinhar que ele e seus parentes, esses cavalheiros da família Madaleno, são laranjas do principal accio­nista do banco em Angola, o MPLA (ver mais adiante), ou então são da presidên­cia da Republica, pois os Madalenos ou “Sobrinhos” não têm actividade em empresas de comunicação social em Angola, apenas compraram jornais para si­lenciar vozes discordantes.

A actual gerência do BESA pensa que neste imbróglio, Sobrinho teria abocanha­do mais de setecentos mi­lhões, o que acrescido às suas anteriores operações financeiras dúbias, explica o facto de ele estar liga­do por um porta-moedas bilionário às empresas Newshold, Pineview Over­seas e Akoya, isto para não ir mais longe pois o andor do Santo Kumbú é grande e a procissão comprida… Este homem, como já refe­rimos, é dono do semaná­rio SOL, mas o seu nome nem sequer figura na lista dos dez principais accionários desse periódico. Só que a Newshold, dona des­se semanário, é dele. Por­tanto… por quê esconder?

 O primeiro número do Sol, semanário português publi­cado às sextas-feiras, saiu a 16 de Setembro de 2006, num lançamento em fanfar­ra, com uma tiragem de 128 mil exemplares. É obra! Em boa verdade, numa pri­meira análise nada se pode encontrar nessa compra como sendo motivo para noticiar de modo incisivo. A referida compra parece ter as características duma notíciazeca sem peso na balança de poderes da im­prensa escrita, especifica­mente no mercado de re­vistas periódicas.

Mas, contrariamente às aparências, nem tanto as­sim, porque o que nos é revelado vem-se juntar a um fluxo importante de investimentos angolanos no meio de negócios por­tugueses, nomeadamente nos círculos restritos dos sectores bancário e de imprensa, o que contraria em tudo o que se propaga na mãe pátria desses in­vestidores, Angola, onde desde há uns tempos a esta parte, ao invés de vermos aparecer financiamentos privados a apostar na re­construção nacional, como continuamente se anuncia na imprensa estatal, tem­-se vindo a assinalar um grande acréscimo de inte­resse dos seus filhos por investimentos fora do país, e particularmente entre aqueles que «se encontram especialmente atraídos pe­los arautos do “business” luso.

 Vem a propósito aqui, ci­tar um dos últimos lances negociais de Sobrinho a atingir as luzes da ribalta, o da sua proposta de com­pra da RTP pela Newshold, isto sem esquecer que ele próprio revelou ser tam­bém accionista da empresa Pineview Overseas, que é detida (leia-se detentor de poderes delegados por quem de facto é dono) em partes iguais pelos seus fa­miliares Carlos de Oliveira Madaleno, Generosa Alves dos Santos e Silva Madale­no, Álvaro de Oliveira Ma­daleno Sobrinho, Emanuel Jorge Alves Madaleno e Síl­vio Alves Madaleno, sendo este último o presidente da Newshold, dona do SOL e de 15% da Cofina (esta proprietária, entre outros, do Correio da Manhã e do Jornal de Negócios) e 1,7% da Impresa (Expresso e SIC). Um império! Para um empregado de banco, “c’est pas mal”, parabéns.

Mujimbo: boato que quase sempre é verdadeiro

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:56
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015
MONANGAMBA . XXIV

TEMPO DE CICATRIZES Faz parte da herança termos em nós as antigas culpas de Adão e Eva. Os Chinos, nesse então, estavam longe..,

Por

soba.jpg T´chingange

 Seria bom que em todo o mundo fosse assim como vou dizer, coisa já dita mas não totalmente cumprida nos dias de hoje; o estrangeiro que devemos amar é todo aquele que vivendo connosco, não seja tão poderoso que nos oprima, como foram em tempos idos, antigos e recentes da história. Os Hebreus foram estrangeiros no Egipto e o Senhor, nesse então diz-se ter dito que deveriam amar os Egípcios como se um qualquer deles fosse compatriota; Não oprimamos os estrangeiros disse Ele ao povo de Israel porque o homem é livre para poder ser castigado e é legitimo pensar-se que o delito de um pai, mesmo tendo sido punido não fica extinto com a punição, porque faz parte da herança termos em nós as antigas culpas de Adão e Eva.

Nem sempre, para não dizer nunca, pode surgir-nos uma planta com luz cintilante ou um arco-íris de muitas cores ou iridescente potência em uma sarça, mas podemos ouvir o silêncio que ressoa ao som de um búzio. Daqueles que já vazios se enchem de um vasto rumor de ondas, que por vezes se torna um prolongado e perfeito eco murmurado em inglês, Gooood, em português, Deeeeuuuus, em árabe, Allllá e até em Chinês que não cabe aqui traduzir. E, só porque de contradição, é a longa sombra dum remorso daquilo que se não fez, porque não fez parte, insanável contrariedade geográfica com Buda de permeio, uma verosimilhança que por lógica precaução, não se lhes deve imputar culpas neste novo mundo em mudança.

 Na ofuscante evidência de ser o homem um simples joguete nas mãos de Deus, eternamente sujeitos a só fazer o predestinado, assim seja quando julga obedecer-Lhe em tudo, quer quando em tudo se supõe contrariá-Lo. Não estando os Chinos, abrangidos por estas divinas nuvens, descomprometidos com o passado e nossas crenças, vêm na graça de seu cuspo sem divinos brilhos, bivacarem-se entre nós sem as tábuas de nossos mandamentos, em um seu alheio Deus arrumar utensílios e bugigangas, tendo por beneplácito, novos atilhos para nossas sandálias. Ajeitarem-se na vida com um novo lado de dentro, um outro lado de fora, uma nova forra em suas vidas, em verdade, a nossa nova Globália. 

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:16
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2015
MUSSENDO . XVI

ANGOLA .  MATRINDINDE - O RUDOLFO VALENTINO DO KALUMBIRI - 3ª de III partes

Por

Dionísio Dias de Sousa  Dy - Dionísio de Sousa   (Reis Vissapa)  

 Enquanto o Faneca tratava da encomenda por trás do balcão dirigiu-se à mesa e após um boa-noite com vénia indagou. – Matilde, posso te oferecer uma sanduíche? – Sanduíche é a tua mãe seu vadio, vai-te catar. Voltou desalentado e cabisbaixo para o meu lado como um káfi esfomeado. Foi quando ouvi a Matilde perguntar à Filomena o que era mesmo essa tal de sanduíche. – Tu não sabe Matilde sanduíche é um casqueiro com chouriço no meio, é bom mesmo. – Háka prima se soubera eu aceitara. - Pela primeira vez fui dançar um slow com a Filomena e deixei em cima da mesa delas os pães com chouriço e as gasosas. Não vou falar da Filomena que me encheu a noite mas da prima que olhava com olhos de carneiro mal morto e arrependimento o Rudolfo. Foi bom vê-los abraçados num tango uns minutos mais tarde. E, como dançou bem o Matrindinde nessa noite com a Matilde, com a bundinha dela remexendo a um ritmo estonteante, tal cobra rateira.

 Tudo se perdeu anos mais tarde por razões óbvias. Deixei de ver os “Keds” fluorescentes do Matrindinde, deixei de dormir de contrabando com a Filomena à socapa e à revelia da minha avó, e quanto à Matilde nada sei. Estou na galeria da discoteca “Trigonometria” no Algarve, depois de espezinhar um mar de cerveja no chão e quase a iniciar uma briga com um bando de labregos que se entretinham a dizer palavrões e a arremessarem beatas para pista tendo uma delas aterrado no decote de uma donzela.

 Foi neste então que o vi junto a uma mesa de controlo a colocar discos-vinis com os sons do “tchuck, tchuck” horroroso a invadirem-me os ouvidos. – Matrindinde!!! – Gritei! – Coloca música do Kalumbiri meu mano. – E ele colocou enquanto me acenava lá de longe. E eu vi o chão da rebita limpo, as pessoas ordeiras sem dizerem palavrões e os mais etilizados irem deitar água ao mar bem longe do recinto, e as ancas roliças da Matilde e os seios saborosos da Filomena, e os “Keds” fluorescentes, e as sanduíches de chouriço perdidas sobre o balcão. Então deu-me a saudade.

As escolhas de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:40
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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2015
MALAMBAS . LXIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . No rio Okavango, dou-me conta do quanto meu sovaco cheira a catinga, odor em tudo igual a todas as outras catingas…

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba eu 2.jpeg T´Chingange

 Em busca da verdade, muitas vezes acontece-nos não fazermos perguntas por ainda não estarmos preparados para ouvir as respostas e nem sempre o é assim porque simplesmente, por vezes sentimos medo a elas; podemos enumerá-las ou até suspirá-las mas, todo o ser humano em alguns momentos de sua vida têm coisas boas e outras más que se enfileiram ao jeito de missangas atrás uma das outras, um rosário do tempo e através dele que como um terço, rezamos ou fingimos rezar porque como se diz, atrás do tempo vem o tempo e depois da tempestade vem a bonança.

 E, porque se diz que a justiça é cega, surda e muda, pelo que se sabe também anda meia calçada e meia descalça para fingir que agrada a humildes descamisados e ricos encoirados. Mas, pelo sim pelo não, usamos amuletos da sorte para nos enganarmos nas figas, no corno, na meia lua, na estrela de David penduradas ao pescoço ou uma ferradura velha de burro ou cavalo, pendurada do lado detrás da porta de entrada de nossas casas. Por via de duvidas também usamos amuletos da sorte na forma duma nota de dólar, um santinho, uma qualquer nossa senhora da aparecida mais responsos escondidos em forros de malas e maletas. Até uma vagem envernizada de feijão maluco serve para o efeito! O místico junta-se com a Cruz e o Cristo numa caixa, asfixiando-O o tempo todo e, sempre picado em sua coroa de medonhos espinhos com um credo na ponta das falas, um cuzcredo (!?) com interrogação e exclamação juntas.   

 No meio da algazarra das palavras, dos apelos, dos gritos ou cânticos, haverá sempre uma insatisfeita curiosidade, perguntas sem respostas ou maneiras mentirosas de dizer a verdade; verdade que nem sempre achamos lógica ou patética nem sempre merecedora de ser levada ao cutelo ou ao fogo da veracidade porque, simplesmente nós não somos guardiões nem usamos beber do crime no rio da vida. Amolecendo a preguiça num chinxorro, rede a trinta metros do rio Okavango ou Cubango, do outro lado Mucussu, dou-me conta do quanto meu sovaco cheira a catinga, odor em tudo igual a todas as outras catingas dos negros corpos de África.

 E, assim, aqui estou de livre e espontânea vontade como um emigrante e muito enfeitiçado pelas gentes acolhedoras; gentes que como eu, saíram dessa imensidão dos matos de Angola, de lonjuras percorridas em velhos Dodges, GMC, Willis, land-Rover, Fords ou Chevroletes, terra de onde se parte sem querer partir e já partindo, arrependido depois por não ter ficado. Como vamos nós próprios destrinçar a verdade dentro da nossa própria imensidão, nos assuntos de crenças e impiedades de bens tão profusos nas regras do Mundo.

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:40
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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015
MUJIMBO . LXXX

ANGOLA : "O MISTERIOSO VOO DOS BILIÕES DA “BESA AIRLINES”  -  3º de IV partes

As escolhas de

  KIMBO LAGOA   

Fonte: William Tonet e Arlaindo Santana – Folha 8

Suporte: F Brandão

 Todos no mesmo saco: CULPADOS. O BNA tam­bém?... Sim, também… Pedro Santos Guerreiro, o director executivo, por seu lado, num artigo de opinião que subscreveu, descortina o que se passou: “Paremos para pensar na loucura de tudo isto. Um homem fez o que quis, o BES de Lisboa deixou fazer, os audito­res só repararam em 2011. Nessa altura, o BESA esta­va numa situação tão má que foi necessário o Esta­do angolano, graças a JES, avançar com uma garantia sobre estes créditos”. E rematou, “Mas alguém vai perder muito dinheiro. Os accionistas, claro. Mas é provável que também o Es­tado de Angola perca». Façamos aqui uma pausa.

 Neste passo da história levantam-se questões inte­ressantes:

  1. Que interesses le­varam JES a acordar uma garantia de Estado de um montante tão elevado ao BESA, empresa privada?
  2. Que teria perdido o Estado angolano com o descaminho definitivo desses biliões do BESA?
  3. Que elos unem tão estreitamente JES ao BESA?
  4. Será o Estado angolano/JES, sócio do BESA pela calada?... 

A partir deste ponto, a nossa e qualquer outra análise entrarão, como barco à vela, num mar de espesso nevoeiro, sem vento nem correntio e, de velas pandas não vai dar para poder navegar, vamos sim derivar, espe­cular, imaginar o óbvio, como foi possível esse óbvio acontecer, pondo sistematicamente de lado, por termos medo dos ja­carés, a única hipótese vá­lida: trata-se de um roubo evidente com mais que provavelmente, inteira e entusiástica cumplicidade directa das mais altas es­feras do Estado angolano.

bp.jpg O HOMEM DA SITUAÇÃO 

 Álvaro Madaleno Sobrinho é um homem tumultuoso e polémico. Acusado em Portugal de fuga e bran­queamento de capital, não tendo actividade econó­mica em Angola capaz de justificar os grandiosos investimentos que ia fa­zendo, vai de si que, antes desta descoberta do mega buraco do BESA, não era preciso apresentar provas de que este homem não podia ser o financiador das compras que as suas socie­dades faziam e pretendiam fazer (comprar a RTP, por exemplo), pois ele tra­balhava em empresas de terceiros, logo não podia ter outro dinheiro que não fosse o que lhe era pago em emolumentos.

(Continua...)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:21
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2015
MALAMBAS . LXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba eu 2.jpeg T´Chingange

 Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar as gigantescas presenças de feridas mortais. E, daí abrirem-se gavetas com choros ranhosos, ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Que importância terá, saber-se agora e, aqui em terras do fim do mundo se a mulher de Lot em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto; os kotas mais-velhos daqui nunca ouviram falar dessas coisas e, afirmam que os pais dos pais deles, nem nunca falaram em Jesus de Nazaré.

  Peneirando no tempo as ténuas memórias, dos acontecimentos, apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram, sempre acabamos por remover os ossos do passado e, mesmo espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta desejamos até, fazer de tudo um romance condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas guardando os preceitos dos paleontólogos rebuscados na terra da promissão, por etnólogos e outros afins descobridores de pegadas, cheiros encarquilhados misturados com iões ou densidade molecular dos anos na leitura de carbono e edecéteras complicadíssimos.    

 Baloiçando-me no d´jango da Kikas Vanda Miranda Potgieter, muito perto da árvore m´vuluvulu do kavango, olho seu fruto pesado de longas múcuas que pelo que dizem, só servem mesmo para fazer milongo de feitiços do povo Ovambo. Eu, quis saber mas parece ser segredo de raizeiros, porque talvez cada homem nasça com a verdade dentro de si e só para ele, e só não a dizem porque é muito só sua; e até, muitos haverá, que não acreditam que seja aquela a sua verdade. Porque cada homem é um mundo que se ao tempo der tempo, o tempo bastante, sempre o dia chega em que a verdade se tornará mentira e a mentira se fará verdade.

Nota bibliografia; contêm esboços de pensamento a partir do evangelho de Saramago

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:54
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Domingo, 18 de Janeiro de 2015
MUSSENDO . XV

ANGOLA .  MATRINDINDE - O RUDOLFO VALENTINO DO KALUMBIRI - 2ª de III partes

Por

 Dionísio Dias de Sousa Dy - Dionísio de Sousa   (Reis Vissapa)  

 - Então Matrindinde, vejo que hoje é dia de rebita, vens todo bem-posto. – Sabes como é Joca eu gosto muito de dançar, principalmente tango e valsa. Respondeu-me com um sorriso. As calças cinzentas de cotim assentavam-lhe que nem uma luva e os sapatos “Keds” brilhavam de brancos ao lusco-fusco besuntados com um produto que era vendido na sapataria do Sequeira. De tantas pintadelas a lona já virara couro e acho que num dos sapatos já havia um buraquito matreiro na sola pois ao apagar a beata que atirei para o chão deu um salto inesperado. Que se desenganem aqueles que pensam que nesses tempos a música da rebita era merengue. Havia muito pouca música africana que acabou só por surgir mais tarde com o duo “Ouro Negro” e o “África Ritmos”. Era frequente o baião do Luís Gonzaga” ou do “Sivuca” e muito Roberto Carlos dos primórdios e o Albertinho Fortuna punha o Matrindinde a dançar tango como ninguém. Parecia uma pena de capota a esvoaçar ao vento tal a leveza como conduzia a dama. Um primor na valsa e posso testemunhar que nas marchas e no baião era imbatível. Eu, pé de chumbo inveterado, ficava siderado com a sua arte.

 Para mim ele era o Rudolfo Valentino em pessoa. Quando cheguei às dez da noite já lá estava ele encostado ao tosco balcão a beber uma gasosa. Um pouco mais ao lado numa mesinha estava a Filomena e a sua amiga Matilde a tagarelarem qualquer coisa num tampo de mesa deserto. Conhecia bem a Filomena lá de casa e agora com um vestido de chita grená estava ainda mais deliciosa, com os seios a espreitarem atrevidos e umas ancas roliças que eu volta e meia roçava de contrabando quando se debruçava no tanque da roupa. – Fica quieto menino Joca que eu vou contar na tua avó que estás me querer apalpar. – E estava pois o corpo daquela negrinha era um pedaço de mau caminho que me povoava as noites. A Matilde sua amiga chegara há uns meses atrás da Chibia e arranjara trabalho na casa do professor Pereira para cuidar das crianças.

 Cara gaiata e rebolodinha com uns seios tipo bola de andebol era os encantos do Rudolfo que se imaginava a gingonçar aquelas ancas de perdição. – Já estás aqui Matrindinde? Tu não falhas um rapaz. – Fiz conversa com ele enquanto uma “Cuca” aterrava em frente aos meus olhos. – Sabes como é Joca, eu não perco uma noite de dança nem por nada. – Respondeu olhando de soslaio para a mesa onde estavam as duas raparigas na tagarelice. – Então e não vais dançar com a Matilde? – Perguntei com malandrice. – Nunca nos apresentámos Joca e ela olha para mim como se eu fosse um marimbondo. Retorquiu desgostoso com o seu insucesso na conquista. – Olha porque não vais lá e ofereces qualquer coisa para elas que me parece que o dinheiro por ali anda sumido. – Alvitrei. – Remexeu nos fundilhos e ouvi o tilintar das parcas moedas. – Acho que chega para oferecer uma sanduíche para ela, Joca. – Concordou com um olhar esperançado. – Pois leva duas e duas gasosas que eu pago essas.

Reis Vissapa

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:05
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Sábado, 17 de Janeiro de 2015
MUJIMBO . LXXIX

ANGOLA - CALA BOCA MALAVOLONEKE... O servilismo que já ultrapassa o razoável… 4º de IV partes

Por

vumby18.jpg Fernando Vumby - (Fórum Livre Opinião & Justiça)

  A esse respeito, o que já escreveu o albino serviçal do regime? O que Malavoloneke escreveu acerca dos repetidos roubos executados pela filharada do ditador, que no exterior a todos nos envergonham? O que esse peralta escreveu sobre o banco BESA que foi saqueado pelos membros afectos a nomenclatura regimental e do meu sequestrado MPLA? O senhor Malavoloneke diz que Isaías Samakuva não é solidário nem patriota e muito menos possui sentido de estado! O que esse empregado da ditadura escreveu sobre Samakuva, só o incrimina a ele e não a um opositor de facto ao regime. Que patriotismo se refere o senhor Malavoloneke? Por acaso ser patriota é mentir no exterior e dizer que tudo está bem com os angolanos e com o país e recomendar-se? Não se pode enaltecer a mentira politica, falar que tudo está mal e que Angola está a saque pela família do ditador e seus familiares e amigos meliantes; significa isto não ser nacionalista e/ou não ter sentido de estado?

 Falar sobre os desvios de conduta do presidente da ditadura JES, e dos constantes atropelos a constituição por ele patrocinada é não ser patriota? CALA A MATRACA MALAVOLONEKE. Afinal o que é que este sábio inculto escreveu acerca dos assassinatos de pacatos cidadãos como, por exemplo, o do jovem engenheiro Ganga, militante da CASA/CE? E sobre o dono do dito fundo soberano Filomeno dos Santos caído de pára-quedas no funcionalismo público apenas e só para controlar a bafunfa dos angolanos em nome do pai dos Santos. E sobre o nefasto nepotismo que graça no nosso país, e sobre a corrupção generalizada o que escreveu o jornalista infame? Porque não brinda os angolanos com textos denunciando a corrupção e o corrupto mor angolano com os seus adjectivos desqualificadores utilizados contra o legalíssimo opositor Isaías Samakuva!

vumby7.jpg Por acaso Malavoloneke não conseguiu ainda discernir que o problema da nossa desgraçada má fama no exterior não passa nem nunca passou pelo Samakuva, e sim, pelo desqualificado bandido ditador JES? Ainda não percebeu que agindo assim o jornalismo transforma-se numa efemeridade precoce? O jornalista que se prese em sê-lo de verdade não pode de jeito nenhum estar mancomunado com a mentira e nem com a desordem politica macabramente direcionada contra a verdade explicita. Termino afirmando que JES nunca trabalha para melhorar o nível de vida do povo, ele tudo tem feito para vender uma Angola no exterior que em tudo se incompatibiliza com a realidade objetiva vivida no país? Isso é caso para gritar aludindo ao jornalista propagandista arregimentado, que aprenda a calar essa malfadada boca de vampiro esfomeado.

Texto Raul Diniz / Titulo - Ngando Nzogy

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:44
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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2015
MUJIMBO . LXXVIII

ANGOLA : O MISTERIOSO VOO DOS BILIÕES DA “BESA AIRLINES”  -  2º de IV partes

As escolhas de

  KIMBO LAGOA   

Fonte: William Tonet e Arlaindo Santana – Folha 8

Suporte: F Brandão

 Nesta proveitosa passea­ta ao longo da majesto­sa automática estrada da corrupção angolana, passaram dois anos sem qualquer problema, mas, em 2011, os auditores comanditados por Lisboa repararam que o BESA estava numa situação tão má que só com ajuda ex­terior poderia escapar a uma fraudulenta bancarro­ta, o buraco atingia quase seis biliões de dólares e… já agora, adivinhem quem foi ao socorro do BESA… não vale a pena adivinhar, é elementar, foi o Estado An­golano, graças à interven­ção providencial de JES, que se prestou a assumir e a prestar garantias oficiais sobre estes créditos mal­ parados. Isto há maneiras de ga­nhar dinheiro e enrique­cer em dois tempos e três movimentos que nem ao Mafarrico passaria pela cabeça! Foram quase 6 mil milhões de dólares (vulgo seis biliões) para os cane­cos privados. Desapare­ceram, não se sabe onde estão, eram empréstimos sem nome certo do bene­ficiário, nem qualquer ga­rantia, uma festa.

  O PONTO DA SITUAÇÃO ACTUAL

Em finais de 2013, depois de uma espécie de revolução palaciana nas altas esferas do Banco Espírito Santo Angola (BESA) a situação por que estava a passar o banco foi explicada aos ac­cionistas pelo novo CEO, Rui Guerra, em duas reu­niões que decorreram em Angola, mais precisamen­te, em Luanda.

O panorama apresentado por Guerra foi descrito em poucas palavras, o que se justifica plenamente, pois é extremamente complicado justificar com alguma lógi­ca o desaparecimento de um valor de 5,7 biliões de dólares de crédito (cinco mil e setecentos milhões de dólares) concedido pelo BESA “a alguém”, o que representa nada menos do que 80% do total da cartei­ra desse estabelecimento bancário. Curiosamente, não há informação sobre quem são os beneficiários económicos nem para que fim foi utilizado o dinheiro. Há muito poucas garantias reais e as que existem não estão avaliadas. Eis pelo essencial a notícia dada no final da semana passada pelo semanário português Expresso.

 Sabendo nós que em 2009 o BES Angola chegou a ser distinguido com o prémio Banco do Planeta, atribuí­do pelas Nações Unidas através da Unesco, não vale a pena argumentar, para justificar o que se pas­sou, recorrendo a noções como desleixo, distracção, negligência, não, o acto foi cirúrgico e magistralmente executado durante vários anos. Os que comeram do mesmo bolo não devem ser poucos! E todos eles, são, com certeza, membros da mais ufana “High Socie­ty”de Angola.

 A EXUBERANTE ROUBALHEIRA

As reacções a esta bom­ba mediática não se fize­ram esperar. O semanário Expresso, revelador do “Caso”, escreveu, «Na his­tória de empréstimos sem registos nem garantias do Banco Espírito Santo Angola (BESA), “não há inocentes”, “só culpados”, numa clara alusão ao bra­dar aos Céus de João Vieira Pereira, director adjunto do BES em Portugal, “Como é que em pleno século XXI é possível que um banco atribua créditos de quase 6 mil milhões de dólares sem saber em concreto quem beneficiava desses empréstimos? Nesta his­tória não há inocentes, só culpados”, garantiu, para em seguida acrescentar, «porque se o empresário Álvaro Sobrinho é o rosto das operações”, havia um conselho de administração que “é co-responsável”, uma empresa encarregue da auditoria, a KPMG, que nada disse, e um regulador, o Banco Nacional de Ango­la, que nada fez».

(Continua...)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:51
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . L

NAS FINCHAS DO TEMPO . Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado

MALAMBA: É a palavra.

Por

:soba eu 2.jpeg T´Chingange

 Desde que me lembro de conhecer o mundo, o sol que todos os dias ressurge do lado nascente, passa para o outro lado do horizonte cumprindo seu curso, sua constância de nascer e morrer sem sepultura, na ordem astronómica dos astros que regem a vida. O Homem, cumprindo a profecia, também nesse constante nascer e morrer, o filho sepultará o pai depois de muitos e fartos dias de inquietação; semelhante a um sopro, seus dias passarão como a sombra no tempo aonde só a memória é capaz de fazer mover e aproximar, animados a crescer o quanto possam, dependendo, claro, de terem o coração amargurado ou dócil e, com os impostos em dia.

 E, como diz a sombra esquerda de Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó; é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente da memória como já foi dito. O sol, o ar, a água, e a terra, têm de ser considerados permanentemente parte de nós. O sol é a verdadeira fonte da vida e, ao invés do que alguns conceituados doutorados dizem, ele não é prejudicial; não é o sol que provoca o câncer de pele mas sim os muitos venenos que ingerimos sendo queimados ao serem expelidos por ela. A terra na forma de argila é um laboratório de vida porque purifica, regenera e dá energia. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo como um veneno mortal.

 E, se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado e, embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não olhar para nós; teremos por isso de nos fixarmos na fé, sem aquela inquietude de afligir o próximo, ou ficar nesse estranho silêncio, uma forma de ver o princípio do nada, esperando as mudanças no tempo e suas modas adaptando-nos ao luto de preto, que antes era branco.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:16
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2015
MALAMBAS . LXI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . O risco ou o rego que, por coisa pouca muda nossas vidas…

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba eu 2.jpeg T´Chingange

 Se a vida é uma sentença com um princípio e um fim, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos, ou daquilo que poderíamos ter feito; não podemos assumir a culpa dos pais, nem dos pais de outros pais. Na percepção parcial das vitais contingências, tecidas e compostas nas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, por fortuitos efeitos que determinam o futuro próximo e distante. Cada um de nós foi o que foi por uma coisa pequena, que sem se lembrar do primeiro choro, outros choros se lhe seguiram e, como um risco feito no chão, nem sempre se escolheu dedo ou arado nem por onde fazer o rego que por coisa pouca mudou nossas vidas.

 Sem perder tempo com enigmas, aceitei o convite da Ana Maria para passear ao longo do Kavango até quase o Botswana a visitar rápidos e remansos das chanas deste, já com as águas do kuito, águas escuras que irão inundar o Delta, um mar muito antigo a dar vida aos muitos N´dovus ou jambas que conhecemos por elefantes, entre hipopótamos búfalos e outras muitas espécimes. Pela picada de macadame encrespada de ondinhas já para lá do Divundo, dos vários cuca-shops e cola-colas dos chineses, passamos locais de kimbos dispersos e lodges junto ao rio como o Rainbow Lodge,  Nunda River,  Ngepi Camp, Ndhovu Safari, mas foi no Mahango Safari Lodge escondido no denso arvoredo verde e bem na margem do rio, aonde subimos numa barcaça, mesa posta supimpa, para as catorze  almas e alminhas do clã Miranda degustarem um bem surtido e nutrido breakfast com iguarias de crepes e outras ternuras mais adultas.

 Já de regresso, de novo nos internamos numa sinuosa picada de areia a visitar um lugar já conhecido como Suclabo Lodge propriedade duma madame de nome Suzi mas, agora com o nome de Divava Okavango Lodge e Spa, cinco estrelas de “elegant style and luxury”. Cumcatano, disse eu depois de pisar o paradisíaco sítio cheio de coisas “good” logo a seguir a cubatas feitas de barro e capim com dois por dois metros, e muito matutar de como caberia ali um par de gente sem os pés encolhidos. Eu, João, Bruno e seu tio Alemão Franz lá fomos em uma pequena balsa com motor à popa e um bafana enfarpelado de caqui, seu chapéu de carcamano do Divava, um surtido de águas, refrescos e cervejas na caixa térmica, ate á base dos rápidos do Popa Falls. Naquela turbulência e com nossas canas de carretos, estralhos, amostras bizarras e bizarrocas, farfalhudas ou reluzentes, atiramos e recolhemos, atiramos e recolhemos e, por aí, repetido sem nada pescar e, eis que o campeão João num truz recolhe um peixe tigre cheio de dentes pontiagudos aí com uns dois quilos que, foi tudo na soma da pescaria, um tigre e três nadas. 

 E porque é vulgar dizer-se que os gestos não totalmente sinceros vão sempre atrasados, agradeci logo tais luxuriosas horas de lazer a Ana Maria e seus dois filhos quase carcamanos, mas com rusticidade na traça mirandesa ou bragançana em seus sotaques, falas e cantorias. Soe dizer-se que todo o acto humano interfere com a vontade de Deus por mais insignificante que seja e, neste dia de Domingo, quatro de Janeiro do ano da graça de 2015, só fui livre para poder ser castigado na míngua da pesca com um escassíssimo nada. Também nisto, não posso ter remorsos! Um dia de cada vez com encontros decisivos de nula ou muita importância, um simples dia de vida com rooibos tea and rusk bread, Windhoek lager, biltong boher e bacorinho no espeto, assado pelo Thinus de Outjo, o mais genuíno carcamano da família Miranda.

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:19
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Sábado, 3 de Janeiro de 2015
MOKANDA DO SOBA . LXX

MALAMBAS NO OKAVANGO –  Passagem de ano - 31 de Dezembro 2014  para Janeiro de 2015

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba eu 2.jpeg T´Chingange

 A escassos metros do rio Okavango, sentado em meu chinxorro, divido-me entre os barulhos da chuva e os rápidos do rio, dos piares de pássaros na boca dos ninhos, das rolas sempre gemendo e dos muitos milhares de cigarras que abanam prolongados trinados. No d´jango da Kikas, casa de Nduvu Stores de Andara, também posso escutar a zoada de carros circulando ao longo da estrada de macadame, areia e pedras soltas. A enfeitar o pátio entre a casa e o rio uma árvore frondosa que conheço por mulungu orna a cena com flores vermelhas na forma de laçarotes, coincidência na comemoração da passagem de ano de 2015. Uma marula de grande porte dá soberania ao local por via de sua fruta ser a rainha do Calahári.

 Neste lugar de Andara, entre mato verde e picos medonhos, vejo Angola do outro lado, em tudo igual a este, duma solidão infinda podendo apreciar em primeiro plano uma pedra na forma de hipopótamo, salpicando-se na correnteza sem sentir abandono ou desespero, uma consolação de esperança perdida, talhada na natureza para ali permanecer de forma perene, afogada na água. Há muitos anos atrás naquele outro lado, nada se pode opor à vontade do Senhor, qualquer que fosse e, o Senhor fez de mim seu cordeiro, logo a seguir noutra vontade contrária eu fui senhor noutro lado distante, logo a seguir irá ter outra contrária ou não, nunca saberei se farei parte duma nova contradição; uma responsabilidade que se me alheia por aventura e risco, um diferente horizonte.

 Não querendo entregar meu coração à tristeza vim aqui lembrar seu fim, jogar serpentinas de alegria, pular o ano vendo no caminho das estrelas o fogo de artifício, uma surpresa da Ana Maria, beber e divertir-me com gente amiga na dignidade da vida, que tudo indica, foi outorgado por Deus, que pelo que se diz ilumina as frinchas de todas as portas. Desta feita, toda a grande prole da família João Miranda, quatro filhas de nome Ana Maria, Marlene, Vanda Kikas e Margarida, dez netos para preencher uma lenda com carcamanos e khoisans e, com a grande mãe Elisabete a dar ordem a tudo e a todos. Debaixo de um sol ardente, um abafado calor de crispar sobrancelhas em escondidos pensamentos, a estória do Cubango, das terras longínquas no fim do mundo do Rundu, do Dirico, Calai, Mucussu e Divundo, cabe a mim transformar as coisas dispersas em adultas majestades, tornar as fábulas em lendas, coisas que só os pastores podem criar confundidos entre ovelhas.

O Soba T´Chingange.



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:57
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Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2015
MALAMBAS . LX

NAS FINCHAS DO TEMPO . Grootfontein – No Otjozondjupa da Namíbia…

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba eu 2.jpeg T´Chingange

Dado que os homens para tudo querem explicações, eu também quis saber um pouco da história do lugar aonde passei a noite de 29 de Dezembro de 2014; surpreendi-me pois que a este lugar com 14 km2 foi dado o nome de Fiume, foi uma cidade-estado da história contemporânea, que existiu entre 1920 e 1924, na atual cidade de Rijeka, na Croácia.  Este Fiume Lodge e game farm, mantêm sua excêntrica soberania ostentando a bandeira da Croácia de forma simbólica. Com metade da área daquela ex-parcela europeia tem Jorn Gresssmann como zelador-mor de uns quantos habitantes khoisan residentes e uns quantos turistas ocasionais que por ali vão chegando. Os demais habitantes são bichos tais como girafas, elands, kudus, orix, zebra, springbok, hartebest, e avestruz entre outros de mais pequeno porte.

 Tive de abrir três portões até chegar ao conjunto de lapas, chalés bem ornamentados e cobertos a capim do okavango formando um complexo de apartamentos e um outro conjunto formando a recepção, bar, restaurante e cozinha. Entre o bloco de serviços e os chalés lapa em forma oval está disposto um agradável jardim com grama e plantas exóticas ornamentais enfeitando o conjunto com piscina, d´jango de descanso, lugar de braseiro e árvores de porte bonito autotnes.  Em realidade é um oásis no meio de um nada, oceano verde de espinheiras. Até este núcleo habitacional, tive o cuidado de ir a passo de morrocoi tendo-me desviado de um cágado passeando ao longo da picada.

 A receber-nos lá estava Jorn desfiando seu austero calendário; deu-nos dez minutos para inicio do jantar que impreterivelmente era servido às sete horas, inicio da noite, e dali deliciando-nos entre outros acepipes, carne de gnu e de eland fechando com creme de manteiga escocesa, assim ao jeito de baba de camelo. Dali podíamos ver através das janelas de vidro e rede anti-mosquito os muitos kudus que ali vinham beber entre avestruzes e springbokes como se sentissem obrigação de se exibirem a nós. Foi mais um fim de dia com surpresa inesperada, um “enjoy you stay” no requinte da sempre agradável Windhoek lager.

 Sabendo que entre os cidadãos de Fiume de etnia italiana, um grande número emigrou por motivos étnicos ou razões ideológicas, fundou aqui e alem "Comunas Livres de Fiume no Exílio", à qual aderiram numerosos fiumanos e, surgir daqui, penso eu, este nome num lugar tão distante. Tenho a dizer que a todas as perguntas que me possam fazer, não poderei dar todas as respostas porque nem sempre as estórias e lendas, conservam alguma relação com os factos, transformando-se até em puras fábulas, que será o caso de uma Croácia de 14 km 2 em pleno mato na terra do nada, para satisfazer um sonho de alguém fugido da guerra. A tempo de eu ver o principio do nada, tomei o breakfast às sete horas do outro dia confirmando o legitimo cuidado do Free State, uma simbólica herança, um perfeito sonho de um primogénito em terra de nome bizarros como Omatako, Okavarumendu, Otjssondu, Okakamara, ou Otjinoko. Já só restavam 440 km para chegar à Andara do Okavango.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:32
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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