Sábado, 31 de Outubro de 2015
MUJIMBO . CVI

ANGOLA A crise financeira  em Angola está a agravar os problemas da fome e da seca, sobretudo, na parte sul do país.

soba0.jpegAs escolhas de T´Chingange

Fonte: VOA - Voz da América

 A situação é especialmente grave na zona dos Gambos na província da Huíla

quipá2.jpg O economista Alves da Rocha refere que o país vive um desequilíbrio das receitas para o Orçamento Geral do Estado; são notáveis as consequências resultantes da falta de fontes alternativas para responder os actuais desafios, por via da baixa do preço do petróleo no mercado internacional. O também Director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola advoga que a ausência de fontes alternativas imediata, remete o país para uma situação «séria de crise» que vai exigir à maioria do povo grandes sacrifícios. «Como sempre em todas as crises e em todos os países é no elo mais fraco onde as coisas quebram» frisou.

fome1.jpg Os sacrifícios já começaram a ser sentidos pelos agricultores dos Gambos, no interior da província da Huíla, conforme informa o Padre Pio Wakussanga, da Associação Construindo Comunidades. O sacerdote apontou a emigração dos jovens do Kuvale, Hakavona, Mhambue e Mwila para Luanda, e outras partes do território angolano à procura de melhores condições de vida, mas o sonho nem sempre é realizado.

fome7.jpg Com a desaceleração da economia, o padre Pio Wakussanga diz-nos que a problemática da fome persiste na província da Huíla o que obrigou muitas pessoas a recorrer aos frutos silvestres para se alimentarem. A falta de apoio das autoridades é revoltante. As comunidades mais afectadas, segundo o Coordenador da Associação Construindo Comunidades são o Kuvale e Hakavona, do grupo etnolinguístico Herero. «Com a fome vem a desnutrição, vem a subalimentação e, vêm outros problemas que ela provoca, vem as tensões entre grupos... A fome está a atingir idosos», afirmou.

fome2.jpg Vários são os projectos criados pelas autoridades a fim de promover o combate à fome e a pobreza, porém alguns não alcançam o sucesso desejado. Yuri Chipuio é Director Nacional de Apoio ao Combate á Pobreza do Ministério do Comércio e falou sobre estes projectos que inclui a constituição de lojas e a oferta de kits diversos às populações mais carenciadas do interior. Em face desta situação económica, o docente universitário Josué Chilundulu defende que é necessário sair do discurso para a prática. Chilundulu advoga a exploração das terras férteis em Angola para além dos recursos marítimos e minerais para a melhoria da qualidade de vida.

fome4.jpg A aposta num ambiente de negócio que garanta a diversificação da produção nacional é uma das melhores saídas para a situação socioeconómica precária que o país experimenta. Josué Chilundulu defende a melhoria dos indicadores sociais, a necessidade de fomentar o desenvolvimento do tecido social e humano. Para o académico «é muito triste vermos os angolanos a sofrerem com pobreza quando se esbanja dinheiro para coisas fúteis que só agradam aos governantes.

fome8.jpg «Nós temos o Caminho de Ferro de Benguela que dá acesso a zona do Congo Democrático e a uma parte da Zâmbia que não tem mar» e nisto, disse o docente o país precisa de “tirar proveito das vantagens perante seus vizinhos”. A aposta na agricultura familiar, na criação de um banco de dados, na introdução de novas culturas agrícolas, serão as alternativas recomendadas pelo Coordenador da Associação referida. «Os apoios chegam atrasados, as sementes não chegam atempadamente, não há um banco de dados que nos diga que precisamos de X toneladas de alimentos para dar a X pessoas, de X toneladas de sementes e qual o tipo de sementes», lamentou.

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:37
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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2015
MALAMBAS. CVIII

TEMPOS CINZENTOSModas gourmetNBU . Novos Bimbos Urbanos… 5

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Elas e eles são urbanos. Têm cursos superiores. São já tendencialmente dependentes dos smartphones e i-phones e das Redes Sociais. Para se sentirem integrados nesta sociedade global, aderem a modas fáceis, em busca duma felicidade efémera.

bimbo14.jpg10 Modas parvas: Fast-food gourmet, Running, Sumos detox, Running, etc.

 

Running

Toda a gente corre, mas já ninguém diz que corre. É muito mais fino dizer "Hoje não vou poder ir ao teu jantar, porque tenho que ir fazer running". Aliás, aqui e ali, efectuam-se manobras de fuga em running! Muito mais fino que dizer que se fugiu a correr dos bandidos. "Ontem fiz mais cinco quilómetros em 53 minutos", partilha-se amiúde no Facebook. Mas quem é que quer saber? O que é que a mim me interessa qual a distância que vocês percorreram a pé, enquanto eu estava sentado ao computador a comer donuts?! Correram?

gourmet6.jpg Efectuaram um running gostoso? Epá, que bom para vocês! Levaram o iPhone no braço e foram vestidos com roupa de marca que vos custou cem euros? Epá, isso é bom para vocês! Não, não me interessa a marca dos vossos ténis. Eu não vos chateio com os meus feitos, pois não? Aliás, no outro dia também fiz 12km. Andei duas horas de botas para ir passear o cão Faisca à praia. Não me viram a vangloriar-me disso, pois não? Ainda hoje fui fazer esse percurso e até levei uma tesoura de podar, cortei espargueiras para assim que chover, cortar os novos rebentos.

gourmet8.jpg Sumos detox

Nunca experimentei nenhum, mas até sou gajo para o fazer um dia destes. Um sumo detox no fundo é uma sopa fria. Uma espécie de gaspacho mas com "super-alimentos", que são também eles, por si só, uma moda parva. As mulheres acham que beber sumo detox as vai fazer expelir pelo ânus toda a porcaria que comem durante o dia. "Bem, vou comer dois Big Macs, que mais logo bebo um sumo com chia, brócolos e sementes de girassol tresmalhado do Zimbabwe, mando isto tudo cá para fora".

gourmet9.jpg Os homens bebem às escondidas, tendo medo de ser rotulados como quem tem um piquinho a azedo, como tem a maioria desses sumos. Mais uma vez, nada contra, bebam à vontade, até fazem bem à saúde. Eu gosto do haja-molho de verão como sempre se fez, com pepino, tomate, cebola, orégãos, água gelada, azeite e vinagre. O que mais me irrita é o orgulho com que gritam aos sete ventos que acabaram de beber um sumo daqueles.

gourmet10.pngEstágios não remunerados

Para o fim, a moda mais parva de todas. A moda das empresas que acham que ter trabalho de borla é boa. Aquelas empresas que contratam estagiários e que já sabem que não vão ficar com eles. Que sabem que eles vão dar o máximo e trazer ideias frescas para a empresa, mas que são dispensáveis a partir do momento em que tenham que lhes dar ordenado. "Procura-se colaborador, recém-licenciado, que saiba falar cinco línguas, saiba fazer mortais à retaguarda, saiba cozinhar comida asiática e mediterrânica: Tirar cafés, com conhecimentos sólidos das ferramentas office e grande capacidade de sacrifício, de lidar com o stress e que tenha um espírito de equipa fantástico para se juntar à já fantástica, equipa. Oportunidade imperdível para aprender e crescer profissionalmente. Salário fixo de 250€. Não é negociável." Quais destas modas pratica?

FINAL

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:44
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2015
MOKANDA DO PUTO . LX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo … Algures no M´Puto…

Mokanda : É uma carta

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

real1.jpgEm Vila Real de Trás-os-Montes os dias entre dezassete e o quarto final de Outubro passaram rápido. O tempo esteve suave, e até podia ver boas abertas das janelas do sótão no lado da serra do Marão, com seus moinhos de vento girando sempre sem adormecerem enroscados nos sovacos porque os não têem; giram com vento no frio e calor dando-nos energia medida em watts e volts na intensidade de amperes.

ant4.jpg Escondido do mundo, neste mukifo, sussurro conversas traídas ao ritmo do barulho da chuva batendo nas telhas, respingos do andar de baixo e meus respiros sem pressas. O mundo, o vento, o moinho o despontar dos espargos nas encostas, decerto não irão parar seu curso de vida só porque os homens não se entendem, provocando na arraia-miúda entorses e artroses com neuroses de até nos fazer imaginar primavera em outono.

vot2.jpeg Desço do sótão e vejo na sala grande, Dom Honório colado às notícias da TV e murmurando palavras coxas como se estivesse a pular buracos na sombra ou lombas com um só pé, assim como o fazíamos quando criança candengues no jogo da cabra cega. E de novo a política saturando os ares secos das montanhas, atravessando pela décima terceira vez a mesma incógnita quase parecendo que a história irá ter um final diferente daquele que parecia ser; assim um desconforto somado e dividido com três dum lado, mais um hífen esquerdeando falas desalinhavadas com direitistas siameses.

barao1.jpg Admiro-me até de como a democracia, aguenta tanto tempo sem estoirar de vez. Bolas! Andava farto! Tudo se repetia no que se tinha acabado de dizer e ouvir como se fosse uma nova novidade; sempre a mesma treta! O meu anafado corpo gordo, estava a ficar preparado para qualquer palavra repentina, porque qualquer grito, subia-me ao cerebelo com um esforço desabrido tendo de peneirar o silêncio nos neurónios, a conter a reacção. Reacção asfixiada por eruditos pensadores, muitos comentadores cheios de filosofias de fazer tremer de frio o sol. Falas aveludadas para fazer boi dormir.

demo1.jpg Esquerda, centro e direita à batatada e a cabeça a mexer-nos os miolos; a estalar fagulhas. Pondo a mão na consciência Dom Honório falava com longos intervalos fruto da doença de Parkinson escolhendo as frases nesse seu jeito como se assim lhe desse tempo, de, e com coragem, concordar com o desacordo. Pois! É mesmo necessário coragem e desfaçatez para engolir trovisco. Isto está uma merda, fungandou ele por fim! Aquele cabrão não mede perigos! Respirou fundo e foi afagar o cachorro a dissimular a fúria invisível. Olhou-o no focinho e disse-lhe: - Vais-te chamar costamonhé; assim tudo junto. O dia ficou noite, com a palavra na onda alta de rejeição, e só assim, tudo na mesma com tendência para pior.

O Soba T´Chingange

   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:14
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2015
PUTO . LIX

TEMPO DE CINSAS . O CALVÁRIO. Cristo vem cá abaixo ver isto?

As escolhas do Kimbo

Por

guerra1.jpgGuerra Junqueiro . 1896 - O que é que ele descreveria hoje… Abílio Manuel Guerra Junqueiro foi alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta. Foi o poeta mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada "Escola Nova".

guerra2.jpg "Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai.

guerra5.jpg Um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas.

guerra4.jpg Homens capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (entenda-se Assembleia da Républica). Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

guerra3.jpg Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amolgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar." Guerra Junqueiro 1896”

Nota de T´Chingange: Passados que são 119 anos, quase tudo contínuo igual, só que aumentaram os comensais a roerem nossos ossos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:42
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2015
MALAMBAS. CVII

TEMPOS CINZENTOSModas gourmetNBU . Novos Bimbos Urbanos… 4

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange 

Elas e eles são urbanos. Têm cursos superiores. São já tendencialmente dependentes dos smartphones e i-phones e das Redes Sociais. Vivendo num constante vazio, para se sentirem integrados nesta sociedade que se quer global, aderem a modas fáceis, em busca de felicidade efémera que se desfaz como o fumo.

bimbo14.jpg

10 Modas parvas: Gin, SWAG, Fast-food gourmet, Running, Sumos detox,etc.

Twerking

Abanar o rabo de forma sexual e com os calções mais curtos do mercado, dois números abaixo, com a desculpa que é uma dança. Por mim, venham mais modas destas! O twerk está para os homens, como abanar o saco dos biscoitos está para os cães salivarem. A moda ainda não está muito disseminada por Portugal, que já se sabe que as portuguesas são todas meninas de respeito.

bimbo10.jpg Por isso e porque, talvez, não tenham jeito para abanar o pacote, já que o nosso sangue latino anda muito arrefecido pela austeridade. Quando é bem feito, o twerk e as meninas que o fazem, é sem dúvida hipnotizante. Nós, homens, conseguimos estar horas a ver um rabo jeitoso a rebolar-se todo. É genético e diz que faz bem à circulação. No entanto, é uma moda parva, especialmente quando é feito em nome da não objectificação (nova semântica) do corpo da mulher. Ridículo, mas continuem a fazê-lo, se faz favor.

bimbo13.jpg

SWAG

O SWAG é o que a malta jovem chama ao estilo. Implica ter bonés com autocolantes de origem, camisolas de alças, calções curtos a mostrar a esquina do cu, óculos escuros e fumar para a foto. Cores berrantes, gorros com pompons no pico do Verão e leggins com padrões à Joana Vasconcelos., aquela arquitecta que até borda sanitas e mictórios. Mas, o que mais me irrita no SWAG é quem adere a esse estilo dizer que tem SWAG. É a palavra em si que me irrita.

Resultado de imagem para joana vasconcelos  O estilo, em si, não me faz grande confusão, sempre houve modas parvas e cada um veste o que quer, mesmo que pareça que foi vestido por um estilista autista e daltónico. É lá com eles. Metam a calça no fundo do cu a mostrar os boxers e vistam roupa artística à vontade. Vocês vestem o que quiserem e eu digo o que me apetecer. Digo, por exemplo, que esse cenário que vocês pensam que bate bué, é pausa que vos faz parecer pintassilgos vestidos de palhaços.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:25
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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2015
MUJIMBO CV

COISAS E LOISASCOM A LUPA FOSCA DO ORVALHO, TIVEMOS UMA CONVERSA A DOIS

Por

soba10.jpgT´Chingange

Pela segunda vez, expiro-me com o Barão de Itararé que agora, até sei quem é! Falou assim para mim na primeiríssima pessoa: - Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar!

Avillez2.jpgEnrijecido de ousadia disse-lhe: - Meu amigo, eu queria ser rico e ando aqui teso que nem um carapau! Pois é, disse o jeitoso Barão de Itararé: - Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos noé?

E, tudo por causa dos bancos! Dos governos! Rematei.
Que nada, disse o sábio: - O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro! E, o Governo quando não o tem, o dinheiro, mexe no teu!

barão2.jpg- Mas esta conversa contínua igual; nós já falamos disso, aqui! Disse eu.

- Certo! Mas agora as coisas estão em vias de mudar! Disse ele.
- Pois por tudo isto ando demasiado desconsolado, sabe! Votei num governo e, agora baralharam as cartas e já são outros a quererem dar o golpe! Eu, nem ninguém de boa fé, podia prever esta batota!
- Meu amigo Tuga, viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta!
- Pópilas, a conversa estava ficando mais na mesma, pensei, só eu; você está-me descalçando as vontades!
- Ué, português é mesmo uma língua muito traiçoeira; você falou em batota e, isso é uma coisa de jogo, noé?

avillez00.jpg- É mesmo, disse assim desconformadíssimo! Mas as regras não eram assim, viraram o jogo depois de escolhermos o trunfo! Eram Copas e agora são espadas, acrescentei. 

O caro, Barão do Itararé continuou seus entretantos sabedores e, desta feita falou assim: - Por isso eu acho que o vosso PAF, Portugal à frente, deveria ser de “muito mais à frente” - de fuga prá frente; assim ficava mais certo noé?
- Epá… mas eu escolhi, e agora tudo ficou nublado; como faço então!?

dom01.jpg - Olha, assim olho no olho repimpou-se ele: - Quando dás teu voto secreto ficas um agente indigente! Eles vão decidir o que sempre disseram que não iam fazer, dizendo que te garantem estabilidade e tal e coisa da constituição e, que Portugal não se vende, visse! 

- Pois, se calhar fiz mesmo mal! Deveria ficar em casa como a maioria o fez, borrifando-se. E agora ai Jesus que vem aí a esquerda, a balalaika, os fora da Nato, os fora da Europa, os bota abaixo do Euro e … Tudo fica assim mesmo; vou fazer mais o quê?

cast1.jpg Para me contentar fiz uma torrada de pão alentejano, botei-lhe azeite e fiquei assim mesmo, mordendo a tiborna com chá roiboós, esperando o tempo passar e, todo ensalmado, recompus meu aprumo mais tarde comendo umas quantas castanhas com uma agua pé de Conqueiros… Aveludado de doce de Trincadeira com Alicante.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:30
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Domingo, 25 de Outubro de 2015
MOKANDA DO SOBA . LXXXIV

CINZAS DO TEMPOTento aprender a viver com o vazio das coisas … Fui para longe para ver bem os recantos que em política, não podem ser vistos de perto… I

Por

soba10.jpgT´Chingange

 Estou a escrever três estórias em simultâneo para poder matar o tempo, uma forma de dizer, porque este nunca se extingue e nem eu sou um experto em matéria do buraco negro. Essa zona do espaço cósmico cujo campo gravitacional é tão intenso que atrai e suga qualquer matéria que dele se aproxima, até mesmo a luz da galáxia. E, também porque numa só, o desenlace, tornar-se-ia monótono nos acontecimentos. Estou bastante tempo sem dar andamento a uma qualquer destas, e por isso, mais tarde, tenho de reler os capítulos da inventação anterior para a ficção não descambar o sentido lógico do episódio. Tenho por vezes de me desentender com esta ou aquela personagem porque a cronologia o torna ilógico, intemporal ou desnecessário.
 Calculem que as personagens se tornam tão reais, ao ponto de a dado momento me ameaçarem de morte, assédio ou vítima de um logro corrupto ou roubo; nisto, sempre tento alijar ternuras! Em
Inventações da história, remeto-me lá para trás no tempo e espaço como secretário de fazenda de João de Câmara da Capitania-Geral do Reino de Angola com a ajuda do capataz José Nanquituka e a Kaputo da Silva, o almoxarife missionário auxiliar, no tempo do rei Umbundo Ekuikui II e, no ano de 1893.
 Sendo eu um T´Chindele Mwana-Pwó do M´puto, era o fiel depositário de sua Majestade a Rainha D. Maria II, responsável pela fazenda Pública e tendo ordens expressas de fazer uso do dinheiro Macuta em todas as transacções comerciais. Isto a propósito de substituir o uso do libongo como dinheiro nas regiões do Sumbe e Dombe Grande; convém aqui explicar que libongo era o pano dinheiro que substituía o N´Zimbo como moeda. O pagamento de funcionários do reino e militares de 1ª ou 2ª linha e funantes que recebiam o respectivo libongo ou o permutavam, coisa difícil de manusear como é evidente imaginar nos dias de hoje.
Resultado de imagem para macutas angola Houve momentos que tive mesmo de espreitar minha vida pelo cano de meu revólver; uma vida estriada em verdades misturadas nas inventações. Num entretanto, empoleirado nas horas das consequências com vénias de enrugada postura, o albino, branco de fingir, dá umas ordens aos seus monandengues e, eis que salta um t´chingange para o terreiro empoleirado em antas, zingarelhos, enfeites de ossos de hiena e facóchero ao redor do corpo. Como vêem não era fácil, cumprir minhas obrigações como zelador gweta linguajando dialectos ainda não catalogados. Falta agora descrever sucintamente as estórias de
Kianda de Zanzibar e Monangamba do Zeca Kafundanga, depois encontrar as mentiras certas para contornar as verdades.
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:45
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Sábado, 24 de Outubro de 2015
MALAMBAS. CVI

TEMPOS CINZENTOS – Modas gourmet – NBU . Novos Bimbos Urbanos… 3

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange 

Elas e eles são urbanos. Andam pelos 30 e os 45 anos. Têm cursos superiores. São já tendencialmente dependentes dos smartphones e i-phones e das Redes Sociais. Vivendo num constante vazio, para se sentirem integrados nesta sociedade que se quer global, aderem a modas fáceis, em busca de felicidade efémera que se desfaz como o fumo.

frazão2.jpg10 Modas parvas: Gin, Sushi, SWAG, Selfie sticks, Fast-food gourmet, etc.

Sushi

Não desgosto. Já experimentei mais que uma vez. O último foi em um restaurante de S. Paulo no Brasil. Gostar de suschi é uma questão de hábito. Há sempre um amigo que nos tenta convencer que sushi é a melhor comida do mundo edecéteras e tal mas, o certo é de que temos coisas bem mais confiáveis! E, no entanto há pessoas que não gostam de peixe cru! Não devia ser assim algo estranho mas, o estranho é gostar. Anos antes, a norma era não se gostar, mas agora anda tudo maluquinho com o sushi; Uma clara falta de respeito para com os inventores do fogo.

gourmet4.jpg Não obstante há pessoas que insistem em comer algo que dizem nem gostar. Se não estivesse na moda, ninguém experimentaria dez vezes até gostar disso! Experimentavam uma, ou duas, como eu, e ficava na mente como uma extravagância. Mas, como é fixe comer sushi e dá boas fotos para o Instagram, o pessoal obriga-se a comer até gostar. Dêem lá 50€ por um sushi que eu, com isso, janto a semana toda no Zé Pescador, na companhia de família ou amigos próximos.

gourmet2.jpgFast-food gourmet

Se a moda do gourmet já é parva que chegue, então o fast food gourmet é o pináculo do disparate. No fundo, adicionar a palavra gourmet, não é mais do que dizer que é um hambúrguer na mesma, só que no prato e muito mais caro. Ele é cachorros gourmet, francesinhas gourmet, alheira com ovo gourmet, é tudo gourmet! Um bitoque é um bitoque e nunca pode ser gourmet! E fazem o mesmo, com tantas outras comidas que são boas sem essa sofisticação. Tasca gourmet? Não faz sentido… São conceitos que não ligam. Aliás, a palavra gourmet está tão na moda que eu aposto até que já alguma rapariga disse a um namorado o seguinte: "Oh amor, não é nada pequeno, não! É gourmet. Se fosses Adão até podias tapar isso só com uma folhinha de rúcula.".

gourmet3.jpgFotografar comida

O gourmet e o sushi deram origem a outro flagelo, o de fotografar a comida! O Instagram e o Facebook foram invadidos por fotografias daquele prato decorado na perfeição. Tenho a certeza que esta moda levou a que muitos restaurantes dessem mais importância à aparência do prato do que ao seu sabor e qualidade. As pessoas, por seu lado, passaram a dar mais importância ao filtro que aplicam na foto do que ao tempero. Esta comida está insonsa mas eu compenso com um Nashville. Está uma pessoa a tentar fazer dieta e tem o mural que parece um catálogo de receitas para gordos que querem manter as curvas. As únicas pessoas que deviam tirar fotos à comida são as crianças subnutridas de África, porque seria uma recordação de algo que elas não sabem quando, e se, vão voltar a ver.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:17
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LVI

AS FRINCHAS DO TEMPO - Das minhas amigas na companhia do Júlio Verne e as suas 20.000 Léguas Submarinas…

Por

maga1.jpg Luís Magalhães - Tem uma caneta Parker 21 espacial. Inteligente, que escreve mitologia antropológica; essa que que o homem produz cultura tão naturalmente como as abelhas produzem mel ou a aranha as suas teias. Gira, gira cronologicamente gatafunhando coisas lindas…  

luis 0.jpg AS VIAGENS DO SABER PELA MÃO DAS MULHERES

Houve um tempo em que eu viajava dentro do meu quarto com os livros do "Mundo de Aventuras" o "Condor Popular" e o "Falcão" entre outros e foi assim que fiquei a conhecer o Tarzan,o Super Homem,o Cavaleiro Andante,o Fantasma e o Mandrake e mais lá para a frente o Tio Patinhas e os irmãos Metralha que tinham um irmão azarado que era o 1313, com o Pato Donald com os seus sobrinhos o Huguinho, o Zézinho e o Luizinho.

luis28.jpgMais tarde e com o avançar da idade comecei a viajar pelas mãos das minhas amigas na companhia do Júlio Verne e as suas 20.000 Léguas Submarinas no famoso Submarino o Nautillus,e a Viagem ao Centro da Terra entre outros. Viajei também com o Emílio Salgari,o Enid Blyton com as aventuras dos cinco, com o Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco e o Miguel Torga! Em seguida e já com um certo linguarejar e porque me ia apercebendo do Mundo que me rodeava, descobri o Gil Vicente e as suas crónicas de viagens e com ele veio o Luís de Camões cujos Mundos desbravou através dos Mares e até o Gigante Adamastor derrotou, para em seguida cair nos braços das "ninfas" na Ilha dos Amores".

luis29.jpg Depois Mais tarde apareceu-me um freira que ao ver o meu interesse pela leitura, me mandou ir ás estantes da Bibiloteca da Escola e que fosse aos cantos mais escondidos ver os livros dos autores Angolanos e foi aí que me apareceu o Agostinho Neto e o "Adeus á hora da partida", na companhia do Viriato da Cruz, o José Craveirinha,o António Jacinto, e o Alexandre Dáskalos entre outros que o tempo se vai encarregando de os apagar com a borracha da velhice!!

luis31.jpg Entretanto com o avançar da idade chegou também a doce ilusão do amor e com ele a Alda Lara com os seus versos deslumbrantes e voei com mestria e sinceridade ao dizer ás minhas "deusas" que eram muito lindas mas que ainda era muito novo para semelhante paixão e com isso elas então para mostrarem a sua desilusão apresentaram-me a Florbela Espanca. Depois veio uma mulher que me apresentou o Fernando Pessoa para me mostrar o Mundo noutra visão, onde a gente tinha que saber ler nas entrelinhas…

luis26.jpg E, com o Mundo veio o Platão e o Aristóteles e com eles veio outra mulher que me perguntou se acreditava em Deus ao que eu na época disse que não mas que tinha muito medo dele?? Perante a minha resposta ela num dia em que fiz anos levou-me o Allan Kardec para dentro das portas, num tempo em que a atracção do saber era enorme. Finalmente só e já com aquela rebeldia própria da idade, continuei as minhas viagens mas aqui com outro estilo e liberdade, uma liberdade lúcida, civilizada e sem dramas e sempre com a protecção do escudo de Aquiles !!!

Luís Magalhães in Kizomba com Histórias da vida

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:10
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2015
MUKANDA DO M`PUTO. LIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo … Algures no rio Corgo no seio do Alvão…

Mukanda : É uma carta

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

vila5.jpg A terra desinquieta resolveu-se com boa paciência formar uma vala funda; entre rochas magmáticas remexidas que nos séculos formou o Rio Corgo. Com uma chuva de manso Outono, desci o empedrado da calçada do moleiro que me conduziu ao moinho de levada das hortas, feito destas rochas. Empilhadas ao longo dos tempos, assim aconteceu por muitas gerações. Nas mãos, fazia rolar um marmelo em cada, que por ali recolhi. Rodava-os em compasso de desentorpecer músculos fazendo-os ficar lisos pelo roce de seus fiapos de penugem que os cobriam. A água cantava no seu grato barulhar entre penedos visgosos formando corredoiros de muitos salpicos brancos; a rusticidade era preenchida por milhares de folhas caídas multicolores e nas formas mais diversas.

vila4.jpg Os cheiros da natureza humidificavam-me as narinas, os sentidos, entrando assim em mim virgem, amargo e inebriante, aleijando-me o paladar. E eram tílias, faias, choupos, plátanos, cerdeiras e medronheiros, todos entrelaçados a envenenar-me os sentidos da visão, das tonturas e, já me via de repente em pensamento fazer uma salada de arroz de gato com malvas, fetos e rabaça ou fazer daquelas matizes um chá amarelado, mijo de burro, sumo de cor de cobre. Quando se caminha assim sozinhado com a natureza, o pensamento voa num segundo e, até molhamos a cuspo as palavras como uma criança, que saboreia moncos adocicados.

vila2.jpg Já no sítio do complexo das piscinas, atravesso a ponte meio vandalizada, paro no meio, aprecio a cascata lá por debaixo e, sempre pensando no vazio das coisas, com as mãos em cima do parapeito, pude ver suas costas atravessadas também com veias azuis como este rio, a recordar-me que também sou velho como ele. Os meus olhos já não têem a pontaria de outros tempos, mas senti a felicidade de diferenciar bem as folhas caídas, amontoadas, coladas ao caminho, daquelas faias e choupos, caruma e até folhas de parra assolapadas nas encostas.

vila3.jpg Comendo uns quantos medronhos bem vermelhos, detive-me a analisar este percurso geológico que por fusão consolidada, por aumento de pressão e temperatura, se tornaram em milhões de anos nestas rochas metamórficas ou sedimentares, passando de arenitos a quartzite e de calcário a mármore. A terra paciente conduziu as alterações mineralógicas, estruturais e texturais da rocha mãe. E, já vendo as pontes, nova e velha, pude relacioná-las com aquelas rochas que me ladeavam; rochas formando blocos saídos originalmente da fusão de minerais com sequente recristalização sob estas novas formas mineralógicas de corneanas e quartzitos. Já no topo entre caserio velho e o burgo moderno, pude ver imponente a pala do centro comercial Dolce Vita. Entre lajedos com fetos nas frinchas subi à avenida cruzando o centro histórico de Vila Real de Trás-os-Montes; pude assim compreender o abandono de espaços antes movimentados, que agora se deslocaram para as novas catedrais de consumo do outro lado do rio Corgo.  

melro12.jpg Tive pena de não ter encontrado sanchas ou míscaros que creio ser deste tempo mas, por fim já com duas horas de caminhada, pude apreciar a estátua imponente de Carvalho Araújo. O mesmo que na 1ª Grande Guerra Mundial ficou célebre por ter conseguido como 1º Tenente e, no comando do caça-minas NRP Augusto de Castilho, proteger o vapor São Miguel de ser afundado por um submarino alemão. Lothar von Arnauld de la Perière que comandava o submarino U-139, em 14 de Outubro de 1918 acaba por tecer as maiores considerações a este ilustre de Vila Real.

vila6.jpg Andei só e taciturno, nada igual como o foi em Viseu de Viriato com a turma de Gumirães com a simpática companhia da professora Marisa Batista, suas medições de altos e baixos e até pulsações aeróbicas no sobe e desce da Igreja dos terceiros e a escalada para a Sé. Pois sim! Também na companhia das sobrinhas da Povoa mais a Anabela de Benguela, de pé meio chochinho a necessitar de condroitina, glucozamina e cartilagem de tubarão para esmerilar ossinhos perturbadores, e ainda a senhora Fátima. Sem a tal tecnologia do relógio espacial de Marisa, não sei quanta calorias perdi neste passeio, mas sei que transpirei vontade de perpetuar coisas que nos deviam ser sempre muito queridas, zelar pela natureza e apreciá-la com respeito, o quanto baste. Aqui ou ali, a vida pulsa, e temos de nos acomodar às agruras olhando a natureza que com sua dinâmica nos transcende, e nos transforma.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:57
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2015
MALAMBAS. CV

TEMPOS CINZENTOSNÃO, NÃO ESTOU VELHO!!! - NBU . Novos Bimbos Urbanos… 2

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Ele são urbanos. Andam pelos 30 e os 45 anos. Têm cursos superiores. São já tendencialmente dependentes dos smartphones e i-phones e das Redes Sociais. Vivendo num constante vazio, para se sentirem integrados nesta sociedade que se quer global, aderem a modas fáceis, em busca de felicidade efémera que se desfaz como o fumo.

bimbo3.jpg10 Modas parvas: Gin, Sushi, SWAG, Selfie sticks, etc.

Kizomba

A Kizomba sempre esteve na moda onde eu vivo, Buraca. Sempre ouvi Kizomba, à força, nas festas da escola e através dos carros que passam na minha rua ao som da sua batida característica. Não tenho nada contra, confesso que não é o meu estilo de música, mas até sou capaz de não trocar de estação e até, na loucura, de ouvir com gosto num carro cheio de amigos a caminho da praia. Mas há limites, caraças! A rubrica da RFM "10 músicas seguidas sem parar", deveria chamar-se "5 músicas seguidas intercaladas por 5 Kizombas". Não há paciência, especialmente, porque a Kizomba que nos chega é, na sua maioria, má.

cão1.jpg É a comercial, que de africana tem muito pouco e é feita só para vender. É engraçado é que não se pode dizer mal da Kizomba sem se ser acusado de racismo. Eu também digo mal do Pimba e isso não faz de mim xenófobo contra os portugueses. Não gosto, acho que as pessoas papam porque dá na rádio e porque não têm paciência para letras que as façam pensar. Não tenho problemas que um Anselmo Ralph encha um MEO Arena, só tenho é pena que não haja tanto público a querer ouvir um Jorge Palma ou um Sérgio Godinho.

DY1.jpgSe calhar têm que se adaptar e fazer novas versões: Jorge Palma ao piano, com batida Kizomba por trás, a cantar "Agora não mete mais a mão no queixo...". Ou o Sr. Godinho a cantar "Bo tem um brilhozinho nos olhos...".

bimbo8.jpgSelfie Sticks

Os famosos paus de selfie. Pau de selfie faz lembrar uma espécie de condimento para comida ou um brinquedo sexual para auxiliar a masturbação, mas não! É aquele cabo para as pessoas tirarem fotos a elas próprias. No meu tempo, pedia-se a alguém que fosse a passar para tirar uma fotografia e dizia-se "Carregue aqui neste botão". Aquele botão igual em todas as máquinas, mas que nós sentimos sempre necessidade de dizer, não vá a pessoa carregar no flash ou no botão que ejecta a bateria.

bimbo7.jpg Devo dizer que reconheço a utilidade dos paus de selfie, acho que até criam um efeito giro e são práticos de utilizar em várias situações. Isso não quer dizer que não sejam ridículos. São. Andar com o telemóvel preso na ponta de uma moleta é só estúpido. Mas o pior não é isso, o pior é que as pessoas andam muito obcecadas com elas próprias. Eu, quando vou a algum lado, estou mais interessado em tirar fotografias às paisagens, aos monumentos, às pessoas na rua e a momentos únicos, do que a mim. Parecem a Cristina Ferreira que tem que aparecer sempre na capa da sua revista. Se querem tirar uma foto do pôr-do-sol em Belém, para que é que a vão estragar com o vosso focinho?

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:42
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Domingo, 18 de Outubro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LV

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado… As silvas taparam-me a vontade… mas, no dia 16 de Outubro, já noite, queimei as angústias de heranças mal resguardadas.

Por

soba0.jpegT´Chingange

UM DIA DIFERENTE NA CAPITAL DAS DIREITAS - VISEU

marisa0.jpg Controlando minha missão de olhar as coisas herdadas, desloquei-me a Viseu e, disposto a não magoar a alma, vi o que tinha a ver e de triste pelo que vi, resolvi laurear a pevide, passear meu esqueleto XXL esquecendo por momentos isto, mais a austeridade e ainda o imbróglio das contendas de, ora sim ora não e, o governo que não surge! E a batota que estão a urdir que até me dão frieiras no moleirinha. Pelas 19.30 horas lá fui eu com traje de caminhar com minhas botas papa-léguas calcorrear a rua torta com nome de direita no centro deste bastião: Viseu tornada cidade por D. Sancho o Povoador em 1187 que é agora reconhecida como a capital das rotundas. Daqui saíram gentes a descobrir as índias, Brasis, Áfricas, Etiópia e Algarves formando um império que com o tempo, o deixou de ser, caducando-se molemente nas políticas do deixa andar.

MARISA1.jpg E, aqui estou eu andando entre senhoras que lutam como eu para ficar esbeltas, consumindo calorias com a vigilância atenta de Marisa Batista uma professora apetrechada de tecnologia de ponta, um gps de medir alturas e desníveis, quilómetros esticados em vontade, com gráficos e mapas ligados ao espaço. Como ET´s espaciais rodamos o centro histórico, o Grão Vasco, a Igreja de Nossa Senhora de não sei quantos degraus e, sobe e desce, mais uma e outra vez e, contornarmos as ruas cheirosas de xixi de gato e mariolas que fora de horas ali entornam suas mágoas que de novo as bebem feitas cervejas e tintol do Dão sem esquecer a subida do bondinho, um eléctrico machimbombo que sobe até a Sé e o museu Grão Vasco.

marisa01.jpg A conversa com minha sobrinha Xana alonga-se com arfaduras entrecortadas ao longo do percurso e ri-se, e funga-se no entretanto do então pessoal, tudo bem! É Marisa que vai e volta e agora… Vamos aos quarteis do regimento, viramos à direita e no sentido inverso sem dizer vira à esquerda porque a fobia deste lado virou estibordo; aqui o pessoal quer andar às direitas sem esse retrocesso dos ponteiros no tempo. As minhas falas mais periclitantes sucederam com Alexandra e Ana Luísa, minhas sobrinhas netas com respectivamente 13 e 18 anos. Alexandra é assim quase da minha altura, a raiar um metro e setenta e picos, alimentada a redbull, olhar matreiro sempre picara e Ana um pouco mais sóbria mas também muito picara; até teve a desfaçatez de dizer que eu era assim um pouco desalinhado dos carretos, tinha os parafusos desajustados; eu, até gostei de ouvir essas verdades. Foi quando em casa no lugar de Póvoa dos Sobrinhos, a condizer com este caso e estando eu de meias, senti por debaixo algo e, eram meus parafusos feitos sementes de lírio trazidas no bolso do Amieiro; falando com ela neste jeito enigmático entreguei-lhe as três sementes duras dizendo-lhe para as enterrar num canteiro. Virão a ser lindos lírios amarelos e vermelhos; estes foram apanhados à revelia da Dona Aida de Cadima, disse eu a ela, a Ana Luísa.

marisa3.jpgEsta treta da fala ficou longa e terei de voltar ao itinerário da volta com 12 quilómetros; percorremos a via de circunvalação Sul com muitas rotundas até que, chegados ao lugar do Viso bem perto do jardim Fontelo, viramos a estibordo para Gumirães com mais uma subida e uf, uf, que estamos quase. Hó tio! -Replicou a Ana: -Você que traz um quico da SIC vai ter de descrever o filme desta volta! E, como ela foi tão peremptória, aqui descrevo no meu jeito.

marisa4.jpg Sim! Era verdade que levava um quico da SIC e até relembro que logo ao começo, fez menção de me dizer que não estava sol para usá-lo. Claro que tive de lhe explicar que eu não estava habituado a este frio nocturno das terras altas, que tal e coisa, minha clareira devia ser resguardada. Ela, a Ana, fez um jogo de ombros chamando-me de totó e tozé como ela gosta de dizer mas eu, um cota mais-velho até gostei desses mimos! E os nomes de Ranhados, Repeses, Barbeita, Rio-de-Loba, vieram à baila. Termino na forma de agradecimento por tão gradáveis companhias, mais o esmero cinco estrelas da agora minha amiga do FB Marisa Batista.

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:23
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Sábado, 17 de Outubro de 2015
MONANGAMBA . XXXVIII

ANGOLA – NA LUUAOS MORTOS PRESOS E OS CADÁVERES ATIRADOS NUMA LIXEIRA CHAMADA " LUANDA "2ª de 2 partes

Por

vumby0.jpgFernando Vumby - Fórum Livre Opinião & Justiça

HÁ MORTOS AINDA REGISTADOS COMO PRESOS E CADÁVERES DESAPARECIDOS EM ANGOLA!

luaty1.jpegÀ margem: “O que atrai e é superior em Luaty Beirão, é o sentido de verticalidade moral que erradia em todas as suas acções, vindo disso um profundo sentimento de solidariedade e uma clara convicção suportada por uma expressiva inteligência muito rara em jovens da sua idade. Tão cara é a personalidade deste jovem, que não é possível privar com ele sem que se lhe ganhe a confiança e o companheirismo de tão naturalmente solidário que é. E o que é curioso em Luaty Beirão é em como um ateu convicto como é, chega ter mais fé do que os mais fervorosos religiosos, tal como é curioso que as suas feições se assemelhem a imagem de Jesus Cristo tal como é perfeitamente pintado sobre telas sacras.”

luaty2.jpg

Haver mortos presos parece algo bastante esquisito, mas é uma triste realidade em Angola onde por vezes, as pessoas morrem nas cadeias e seus corpos desaparecem e, por isso há casos de familiares, que nem se quer reclamam pelo paradeiro dos seus parentes finados, principalmente quando estiveram presos por ordens de algum graúdo da nomenclatura.

A prática de se aprisionar mortos e se fazer desaparecer cadáveres é uma inovação dos serviços secretos angolanos e o seu pontapé de saída foi dado pelo General Zé Maria quando este fez desaparecer corpos; até de antigos amigos de infância por serem da UNITA. Curiosamente numa altura em que estes lhe pediam socorro. Esta prática segundo alguns investigadores e historiadores também acontece na Rússia e na China nos dias de hoje, aonde até existe uma espécie de quadrilha de ladrões de cadáveres. Sabe-se eu recentemente, na China, um grupo foi preso e condenado entre 20 e 30 anos de cadeia.

haida art.jpg Em Moçambique falou-se em tempos de um indiano que se tornou milionário com a venda de cadáveres e órgãos humanos . não me admiro que este também seja hoje um negócio fabuloso em nosso país onde quase tudo tem um preço. Já ouvi que cadáveres angolanos eram enviados em Cuba para estudos e experiências em laboratórios o que não duvido dado o carácter criminoso dos homens que nos governam e sua relação como os comunistas cubanos desde os tempo do outro ditador A. Neto.

haida 1.png Em 1976 os serviços de ( Contra - Inteligencia Militar ) ainda me recordo como se fosse hoje pois quem tinha este dossier era o meu colega Adelino Xavier ( Ade ) desconfiou-se de um grupo de estudantes cubanos em conexão com angolanos que roubavam cadáveres para pesquisa médica e cientifica em laboratórios cubanos num esquema com contornos muito complicados que mais tarde ou mais cedo acabará por vir á tona. Haja saúde ... Ontem, o mercado negro de compra e venda de cadáveres, órgãos e membros para possíveis estudos em laboratórios em Cuba, Rússia ou China e no dizer de alguns arquivos gerou muita nota preta e quem duvida que hoje a coisa esteja mais refinada e funcionando como se fosse legal entre eles ?

 

mess5.jpg Basta olharmos para o negócio das Kuarras promovido pelo Bento Kangamba, pago com o dinheiro do povo e estimulado por uma presidência que se recusa á enviar o bandido ás barras da justiça internacional... Para quem como eu que já perdeu um ente querido e nunca soube ao certo onde está o cadáver pode concordar comigo o quanto é duro e triste imaginar que este pode ser um dos mortos presos ou cadáver enviado para estudos em laboratórios dos confins do mundo...

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:20
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015
MALAMBAS. CIV

TEMPOS CINZENTOS – NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!! - NBU . Novos Bimbos Urbanos…1

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Ele são urbanos. Andam pelos 30 e os 45 anos. Têm cursos superiores. São já tendencialmente dependentes dos smartphones e i-phones e das Redes Sociais. Vivendo num constante vazio, para se sentirem integrados nesta sociedade que se quer global, aderem a modas fáceis, em busca de felicidade efémera que se desfaz como o fumo.

bimbo3.jpg

São conhecidos como os NBU ou os Novos Bimbos Urbanos que devido à velocidade e visibilidade que a Internet surgiu com todas as novas tendências. Vamos lá então falar das modas mais parvas que andam por aqui e por ali:

10 Modas parvas: Gin, Sushi, SWAG, Selfie sticks, etc.

:bimbo4.jpgGin

Sim, aquela bebida que era a dos nossos pais e que era servida com água tónica e, nos sítios mais finos, com uma rodela de limão. Essa bebida que ninguém gostava e que era azeda, está na moda. Nas prateleiras dos hipermercados, onde outrora havia apenas uma marca, a mais rasca, estão agora uma enormidade de diferentes marcas e estilos. A moda do Gin apareceu do nada, mas planeada, e encostou as caipirinhas e os mojitos a um canto. Sim, é bom, eu bebo e já dei uma vez 14€ por um gin. Sou estúpido. Um palerma, mesmo! Não há bebida que valha esse dinheiro a não ser pelo marketing, branding e impinging que nos fazem.

maga2.jpg Fazer um gin não é arte, meus amigos. É misturar cenas lá para dentro e logo se vê. "Aí, o copo tem que estar gelado, tem que se passar as folhinhas de menta nas bordas para aromatizar, meter a tónica numa colher em espiral para não quebrar as bolhinhas frágeis da menina". Menos, se faz favor. Não estou para estar cinco minutos à espera de um gin, para no fim saber igual aos outros todos, especialmente se for o quinto da noite. Tomem juízo.

bimbo2.jpg Assim ainda me fazem perder o engate. O gin conseguiu vencer a barreira da mariquice que muitos homens não se sentem confortáveis em ultrapassar. Antigamente, qualquer bebida doce com fruta lá dentro era para gaja ou designers de interiores. Hoje, uma bebida com bagas e folhinhas é de homem.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:46
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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015
MUJIMBO . CIV
ANGOLAA melhor forma de denunciar - 4ª de 4 Partes

As escolhas do kimbolagoa

Por

regi1.jpg Reginaldo Silva  - Jornalista - Morro da Maianga Blogue

 - Sempre que há bronca entre Governo e a Oposição, a imprensa não tem sido capaz de observar a realidade objectiva, investigando minimamente a verdade…

cari2.jpg A qualidade e a eficácia do nosso jornalismo mais político depende hoje de questões que muitas vezes escapam completamente ao desempenho dos profissionais que muitas vezes só não colocam as questões que a própria actualidade exige, por outras razões que a própria razão desconhece, mas que qualquer observador da realidade angolana saberá entender perfeitamente. Gostaríamos de chamar para aqui o exemplo da TV Zimbo que nos últimos tempos abriu um espaço a que chamou de "Debate Livre" numa curiosa mas intencional redundância, como se estivesse a mandar algum recado a alguém da concorrência que faz debates amordaçados.

cruzeiro01.jpg Ainda não vi debates com os participantes amordaçados o que seria técnicamente impossível, mas deparo-me algumas vezes com verdadeiras orquestras em palco que não fazem muito sentido para quem estava a espera de ver a luz nascer da discussão assumida por pessoas que pensam pela sua própria cabeça. Recentemente tivemos na Zimbo mais um destes acalorados debates políticos com o contraditório devidamente assegurado.

kunene1.jpg Esta experiência da Zimbo que corresponde a uma segunda fase da sua existência depois de um prolongado marasmo, prova, mais uma vez, que já não há nenhuma ameaça para a estabilidade do país que possa resultar de um debate político por mais contraditório que ele se apresente do ponto de vista dos argumentos e das ideias. Com este tipo de debate estará seguramente a média a ser o melhor espaço para ajudar o país a reencontrar-se e a exercizar todos os seus fantasmas,que ainda hoje  ameaçam a paz e a reconciliação nacional, com a certeza de que a guerra de ontem perdeu todas as oportunidades de regressar ao presente.

FIM

As Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:41
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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015
MUXIMA . XLVIII

ANGOLA – LOANDA . DO TEMPO DO QUININORelatos e histórias de antigamente… 

Por

luis0.jpg Luis Martins Soares - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes.

 - https://www.facebook.com/luis.martinssoares.1 

loanda 0.jpg Quando morava na Maianga, ainda estudante, galgava as trilhas empoeiradas direcionadas ao Hospital Maria Pia. Do lado direito havia um sobrado antigo de um andar, avarandado. Lateralmente ao Hospital, local da nossa passagem, deparávamos com diversas tambarineiras aquelas árvores cujos frutos são os nossos conhecidos tambarinos. No solo lagartos enormes esverdeados de cabeça levantada como que estivessem em posição de alerta observando a aproximação de possíveis predadores, procuravam esquentar-se sob os raios de sol que se infiltravam pelas ramagens das árvores e, com a nossa aproximação empreendiam uma fuga pelos troncos das mesmas.

kafu24.jpg Um pequeno desnível dos pisos do terreno era transposto para chegarmos ao Largo do Hospital. A caminhada a partir daqui para a Rua da Misericórdia era feita em terreno plano pois estávamos na Cidade Alta, a região mais antiga de Luanda mas vamos fazer uma pequena pausa para relembrarmos um pouco da sua fundação: Paulo Dias partiu de Lisboa a 23 de Outubro de 1574 com dois galeões, duas caravelas, dois patachos e uma galeota, chegando à vista da Barra do Kuanza costeando mais para o norte entrou na Barra da Corimba, na época ainda navegável para as caravelas, desembarcando depois na chamada Ilha de Loanda a 11 de Fevereiro de 1575. A ilha de Luanda não era região ideal para se estabelecer e Paulo Dias mudou-se para terra firme onde fundou a vila de S. Paulo de Loanda com sua igreja dedicada a S. Sebastião santo de devoção do Rei e dos portugueses a 25 de Janeiro de 1576.

kafu23.jpg Vemos que a Vila de S. Paulo começou a crescer paulatinamente na parte baixa entre a Ermida da Nazaré e o Morro de S. Miguel, contornando as margens da baía, com a população branca fixando-se e construindo casas, se assim podemos classificá-las. A parte alta, como já relatado, começou no Largo da Feira, actual Praça do Palácio, local onde os jesuítas do séquito de Paulo Dias de Novais edificaram a Igreja e outras instalações. 

kafu1.jpg Prosseguindo com a nossa viagem ao passado saindo do Hospital D. Maria Pia onde antigamente existiu o Convento de S. José (1604), o Hospital com corpo central de frontão, de 18651883 e de frente para a Avenida de Álvaro Ferreira caminhamos um pouco até entrarmos na Rua da Misericórdia, no lado esquerdo. Na esquina das duas vias havia uma escola onde fui submetido aos exames de Admissão aos Liceus. Ao lado, uns poucos metros à frente, tínhamos o Quartel General com a sentinela indígena de guarda e com o barrete vermelho em forma de cone chamado cofió, enfiado na cabeça. Nesta região a maioria das casas eram de construção antiga construídas com paredes de grande espessura de cal, pedra e areia.

luis11.jpg Continuando a nossa caminhada pelo lado esquerdo no sentido ao Palácio do Governo passávamos ao lado da casa do poeta e escritor Tomaz Vieira da Cruz onde muitas vezes o vi sentado perto da janela, escrevendo. Dono de uma grande cabeleira, marca registada de muitos poetas parece-me que era funcionário público dos Serviços de Saúde. Mais uns passos e do lado direito um Miradouro nos permitia vista para o Parque Heróis de Chaves local de muitos encontros de namoradinhos e de lazer de casais acompanhados dos filhos, principalmente aos Domingos.

luis1.jpgGaroto ainda, na minha mente, nunca me esqueci de um soneto do Tomaz Vieira da Cruz, que embora português tinha alma angolana. Transcrevo o seu poema Romagem ao Quicombo, escrito em 1938: Romagem ao Quicombo

suku0.jpg Vinham de toda a parte esses romeiros,

em procissão de imagens quase santas;

e os de mais longe foram os primeiros

que chegaram à grande romaria...

As léguas caminhadas eram tantas

que a distância é um pranto de alegria!

Vinham de Seles e do Amboim do norte

os homens brancos e de negra cor

que servem Portugal até à morte.

cipaio1.jpg Vinham do Longa e da Quissama

todos que têm por lá o seu grande amor

a santa Muxima que os inflama.

Em fé ardente, e crente, e milagrosa

Vinham os Sobas de passadas guerras

com a sua corte altiva e caprichosa;

E moças lindas, cor da noite escura,

— negras flores do exílio em que te encerras,

ó minha Angola imensa, ó formosura!

E bandeiras daquelas mais festivas,

certo dia tornadas prisioneiras,

ali regressam, livres e altivas.

Quando Elas passam, com o seu ar contente,

batem palmas as palmas das palmeiras,

e o Sol, subindo alto, é mais ardente!

coqueiros5.jpg Diz a missa o mais velho missionário,

sobre um altar de pedras carcomidas,

que são da fortaleza o breviário.

Numa aliança de sangue, as lindas flores,

de duas raças por amor unidas

olvidam os passados dissabores

nesta Terra Africana, - a bem amada -

que Salvador Correia restaurou

em luta ardente, forte, ilimitada!

lu9.jpgPaira no ar uma oração fremente,

e um poeta que nunca mais voltou,

erguendo a voz, cantou humildemente:

Por obra e graça da divina glória,

que mais além da vida aconteceu,

Quicombo é um padrão da nossa história

que a nossa gente em devoção ergueu!

 

lifune0.jpgGritai, clarins da fama e da vitória,

rezai preces de amor por quem morreu

dando valor a quantos, de memória,

dizem os seus nomes altos como um céu!

E Tu, ó grande mar das caravelas

e dos naufrágios, conduzindo as velas

te aportaram, gloriosas, no teu fundo,

Ergue-te ao alto em torre de menagem

e ensina à voz do vento esta romagem

para que o vento a leve a todo o mundo.

::::: Com o agradeciento do KIMBO a Luis Martins Soares e um abraço de  amizade.

As opções do Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:20
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2015
MONANGAMBA . XXXVII

ANGOLA NA LUUA - AFINAL QUEM TRATA DOS MORTOS? – OS MORTOS PRESOS E OS CADÁVERES ATIRADOS NUMA LIXEIRA CHAMADA " LUANDA " 1ª de 2 Partes

Por

vumby0.jpgFernando Vumby - Fórum Livre Opinião & Justiça

luanda5.jpg Hoje para além do mau cheiro característico da cidade capital Luanda, já se desconfia que haja uma série de valas comum espalhadas um pouco por toda cidade no dizer de especialistas e estudiosos que admitem essa possibilidade. Visitamos a casa mortuária e apanhamos um choque e, custa acreditar que exista no mundo algum governo que lida com os mortos deste jeito. Conclusão de meus discretos informantes, pesquisadores no terreno.

luanda2.jpg Vimos um abandono total e pior do que isto, moscas estranhas e bichos esquisitos devorando os cadáveres amontoados na morgue, uns em cima dos outros como se fossem sacos de fuba podre ali armazenados! A saúde publica em Angola deixa muito a desejar e vai continuar a ser um osso duro de roer enquanto os dirigentes angolanos não derem especial atenção á este sector pouco importante para eles porque, quando eles estão doentes assim como seus familiares, vão  tratar-se a países estrangeiros.

LUUA1.jpg Fontes sigilosas garantem que JES nunca fez uma consulta em Angola e que nenhuma das suas filhas teve um parto no país, o que em verdade, já nos diz tudo! Dos Santos tem estado a lutar tentando controlar um cancro agudo da próstata tomando medicamentos fortes para evitar ser submetido á quimioterapia com ajuda de especialistas espanhóis em hospitais daquele país onde se desloca regularmente, concluíram...

luanda1.jpg E, enquanto isto o orçamento para a área da saúde é cada vez menor com os doentes a lutar pela posse de uma cama livre nos hospitais; Isto, quando não morrem em restos de papelão. E, em pleno século XXI e, na cidade mais cara do mundo...

Fernando Vumby - Fórum Livre Opinião & Justiça

As Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:50
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2015
MUJIMBO . CIII

ANGOLAA melhor forma de lá ficarmos - 3ª de 4 Partes

As escolhas do kimbolagoa

Por

regi1.jpgReginaldo Silva  - Jornalista - Morro da Maianga Blogue

 - Sempre que há bronca entre Governo e a Oposição, a imprensa não tem sido capaz de observar a realidade objectiva, investigando minimamente a verdade…

super8.jpg A melhor forma de lá chegarmos, a esta Angola paradisíaca para todos, sem nos perdermos novamente pelo caminho como já aconteceu no passado, é encontrarmos um mínimo denominador comum que nos permita sem outros receios sermos assumidamente diferentes e distintos, sem necessidade de voltarmos a ser inimigos de morte e muito menos a ter de pensar em novas e devastadoras guerras.

ang3.jpg Uma média pública mais arejada e sobretudo editorialmente independente do poder político, que é o que a Constituição de 2010 exige claramente, seria quanto a nós uma extraordinária mais-valia para esta necessidade de fazermos evoluir o debate político para outros patamares mais consentâneos com os interesses nacionais e com o próprio desenvolvimento sócio-económico.

berlim1.jpg No que toca às recorrentes questões da paz e da reconciliação nacional que preocupam os organizadores desta Conferência, a média pode não fazer milagres, mas se ela tiver uma outra orientação, teremos certamente os nossos políticos pressionados a darem outras respostas aos desafios do presente e do futuro, porque as prioridades da agenda informativa sairão apenas da cabeça dos jornalistas e dos editores e dos directores, livres de outras lealdades, fidelidades e especialidades.

eleuterio sanches.jpg Por outro lado também acreditamos que na cobertura mais jornalística dos factos políticos mais complicados onde a violência e a intolerância se fazem presentes, os médias teriam certamente um outro contributo a dar ao país, se não desinformassem, nem manipulassem. Lamentavelmente sempre que há bronca entre Governo e a Oposição, a média não tem sido capaz de observar apenas a realidade objectiva ou de investigar minimamente o que se passou ou se está a passar. (…)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:59
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Domingo, 11 de Outubro de 2015
MOKANDA DA LUUA . XLI

ANGOLA - DA LUUA - CARTA (RE)ABERTA AO PRESIDENTE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS

Por

mocanda0.jpgSerafim Muca Muca - A lucidez no exercício do mais alto cargo da magistratura de um país é uma ferramenta definidora do carácter de um líder que exige a sua consagração pelo voto do soberano, através dos marcos da legalidade e da legitimidade. A ausência de um destes pressupostos demonstra a natureza do seu titular, que governando, não tem o consenso do povo e voto eleitor.

William Tonet

mocand01.jpg Senhor Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, escrevo-lhe, uma vez mais, apelando a sua sensibilidade, para se colocar não como Presidente dos angolanos do MPLA, mas como Presidente de todos angolanos, logo com amor paternal, principalmente, em relação aos meninos e jovens com idades próximas a dos seus filhos. Escancare o coração e sinta o gemido e a dor de meninos, muitos hoje, com a idade que o levaram a abandonar o Sambizanga e partir para o Congo para abraçar a lua de libertação nacional e devolva-os as mães e esposas dilaceradas com a prisão injusta, levada a cabo, por serviços castrenses, desejosos de comprometer o seu futuro, pois a responsabilidade lhe será imputada.

mocanda2.jpgLuaty Beirão

 A sua biografia fala do período de irreverência juvenil e das manifestações contra as políticas injustas, então praticadas nos anos 60 pelas autoridades coloniais portuguesas, que aderiu e participou, para quê e porquê, se agora em democracia, o Senhor nada faz contra a repressão, a tortura, a prisão e por vezes os assassinatos levados a cabo pela Segurança de Estado e Polícia, contra jovens que nem o querem matar, apenas apelar a uma melhor governação. Senhor Presidente, José Eduardo dos Santos, acredito ser altura de emprestar nobreza ao seu reinado, depois de 36 anos de poder ininterrupto, sem nunca ter sido nominalmente eleito. Foi um erro estratégico, esta opção, pois qualquer que seja o desfecho final do seu consulado, essa condição remetê-lo-á para a galeria dos ditadores…

mocanda7.jpgPoderia ter evitado isso, principalmente, quando morreu assassinado o seu principal adversário político: Jonas Savimbi. Depois de 2002, o senhor concorreria praticamente sozinho e poderia ser eleito nominalmente, pela primeira vez, e se estivesse difícil, apelar à “engenharia informática de esgoto”, para concentrar os votos nas suas urnas, não seria anormal, pelo contrário… Não o tendo feito está mais vulnerável enquanto líder…, quer interna como externamente. Senhor Presidente, os seus apoiantes, acredito, a maioria exímios bajuladores, escondem-lhe a realidade, caso contrário, saberia do clamor do povo e da baixa popularidade que tem. Ninguém mais acredita no seu consulado e Executivo, incluindo destacados militantes e dirigentes do MPLA, que vaticinam a sua partida. Não o dizem por temerem, na crónica cobardia, a perca das mordomias.

mocanda3.jpg Felizmente como não faço parte deste exército, tenho a autoridade de lhe trazer a “voxi populis”. O declínio da sua áurea começou com os assassinatos, dentre outros, de Ricardo de Melo, Adão da Silva, Mfulumpinga Landu Victor, mais recentemente, com o lançamento aos jacarés de dois jovens que o protegeram anos a fio, na sua Guarda Presidencial: Cassule e Kamulingue, seguindo-se, no quartel do palácio, Hilbert Ganga. São muitas mortes nas redondezas do seu gabinete, com igual omissão. A prisão dos 15+1 jovens é a maior asneira do seu consulado, pois tolha a imagem do Executivo de que é titular, colocando-o na lama, face à insensibilidade que vem denotando, com o avolumar de injustiças e o temor que demonstra face ao exercício da democracia, nos marcos consagrados, numa constituição feita a sua imagem e semelhança.

mocanda5.jpg Senhor Presidente, será que os seus assessores (nacionais e estrangeiros), responsáveis pela elaboração da actual Constituição, tendo escondido ao MPLA (os deputados do partido no poder, tinham outro anteprojecto), também lhe esconderam a consagração destes direitos fundamentais? Se não, por que razão os cidadãos não os podem, livremente, utilizar? Essa postura descredibiliza-o, como líder e democrata, daí estar a ser fortemente criticado, também pela promoção de tribalismo, contra um jovem de 18 anos, por alegadamente, adoptar o nome do comandante Nito Alves, que paradoxalmente, também não conseguiu contar com a sua solidariedade, enquanto coordenador da Comissão de Inquérito, sendo então assassinado pelo MPLA em 1977, agora pode acontecer o mesmo com o seu homónimo, quando chineses e outros têm a nacionalidade sem cumprir os requisitos legais…

LUUA1.jpg Senhor Presidente, não acredito ser tão mau e insensível, mas a sua insensibilidade abomina, ao ponto de, alegadamente, preferir que morra, nas fedorentas masmorras do regime o filho de um homem que o serviu com “fidelidade canina” e que foi director da sua Fundação, o Luaty Beirão, que empreende há mais de 19 dias uma greve de fome, face às injustiças, estando muito mal. O mais grave é que o Senhor sabe disso, mas dizem-me, não gosta de ouvir conselhos de gente que não o bajula, gente com coerência e autoridade moral, preferindo antes ser “morto pelo elogio do que salvo pela crítica”. Será que se um dos jovens, Marco Mavungo, José Kalupeteka, Quim Ribeiro + 21 polícias, morrer na cadeia o Senhor continuará a viver com paz espiritual, sabendo que mais uma vida se foi face à injustiça do seu executivo?

mocanda6.jpg Senhor Presidente, não se esqueça que é pai, logo lembre-se do que sofre quando um deles não está bem, sei ser difícil isso acontecer, pela faustosa vida que têm, mas ainda assim imagine o que é o sofrimento de um pai, sabendo que seu filho está preso ou morreu face à sua omissão ou descaso. O poder da oração tem muita força, não defraude todo um país, pois ser radical, não demonstra nobreza, pelo contrário, é medo, é cobardia… Desprenda-se do colete de força e prepare uma retirada feliz, pois caso contrário nunca ninguém o recordará como bom patriota… Senhor Presidente, saiba que na actual conjuntura, os maiores e piores adversários habitam na sua própria legenda, por não ter conseguido, como é natural, servir a todos…, logo se não preparar pontes com os políticos da oposição e membros da sociedade civil, não bajuladora, correrá o risco de acabar sozinho no futuro, inclusive abandonado por alguns dos seus próprios filhos.

mess0.jpg Senhor Presidente, finalmente, seja, pelo menos, uma vez líder de todos, líder sem armas e exército privado, líder do bem, líder do amor, capaz de interpretar os conselhos do Papa e do Presidente Obama, pense como um pai, promova uma verdadeira reconciliação e conciliação, entre todos actores políticos. Agora, na magistratura dos seus 73 anos de idade, faça algo abrangente, porque amanhã, é a lei da vida, poderá ser tarde e nem dos feitos positivos desfrutar e ser recordado. Incite a promoção para uma verdadeira justiça, mande libertar os jovens políticos inocentes, demonstre não ter medo deles e das manifestações, coisa que o indulto/2015 de cariz sectário, não fez, discriminando, injustamente, muitos inocentes que definham nas cadeias, por razões políticas.

Seja líder Senhor Presidente!
As Opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:39
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Sábado, 10 de Outubro de 2015
MUXOXO . XXII

NUM TEMPO COM CINSAS - Trocadilhos com chouriço… Aqui na Europa as verdades, parecem estar sempre armadilhadas…

Por

soba 01.jpgT´Chingange

euro0.jpg Ninguém me disse ou li; eu ouvi o Senhor Presidente da organização Católica Caritas oferecer aos refugiados e “migrantes” casas que Portugueses não conseguiram pagar, essas que o fisco “confiscou”. Devemos estar loucos, literalmente loucos, enquanto nação com uma Europa a permitir o influxo anual superior a 50 mil dependentes; que no que toca à cota de Portugal, serão em grande parte, o material do crescimento futuro da população imigrante. Isto será como observar a nação ou toda a Europa ocupada na preparação da sua própria pira funerária.

euro1.jpg ...Quanto aos invasores da europa, de facto reina o lirismo e o pensamento infantilizado dos políticos europeus, há décadas governados por gente incapaz, gente sem o menor patriotismo, sem a menor lealdade às suas nações. Claro que o marxismo cultural entrou por aí que nem um tsunami! Veremos como reagirão as novas gerações a uma Europa extremamente violenta, minada pela subversão dos costumes e tradições que a fizeram grande. Aonde fica esse crescimento sustentável, tal como sempre referem quando os expertos falam na preservação do ambiente, com coisas e gentes.

euro 20.jpg Os países do velho continente vão entrar numa nova realidade! Os autóctones serão confrontados com outras nações dentro do seu território. Estamos já a viver nestas realidades entregues ao indistinto capital sem fronteiras; no consumo da água, da energia, das telecomunicações, entre tantas outras actuais evidencias. Outras nações que ciosas da sua matriz cultural se decidirão a impor os seus valores beneficiando da indulgência da Igreja, da discriminação positiva dos órgãos políticos e judiciários e da desinformação que levam as populações a desvalorizar a ameaça que é clara e ostensiva.

euro11.jpgConvenhamos, como outras utopias, este internacionalismo, tal como a democracia directa, é sempre bonita no papel. A realidade não se compadece com lirismos ou ficções. Vai bater-nos violentamente à porta e as vítimas não terão voz para especulações filosóficas e dissertações ideológicas amigas do ambiente e dos pobrezinhos! Aos vendedores de quimeras, espera-os um destino semelhante a Arquimedes de Siracusa: "Não mecha nos meus círculos" - Foram as suas últimas palavras.

Muxoxo: é uma espécie de estalo que se dá com a língua aplicada ao palato, em sinal de desdém ou contrariedade…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:59
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2015
MUJIMBO . CII

ANGOLAA melhor forma de lá chegarmos - 1ª de 4 Partes

- Sempre que há bronca entre Governo e a Oposição, a imprensa não tem sido capaz de observar a realidade objectiva, investigando minimamente a verdade…

As escolhas do kimbolagoa

Por

regi1.jpg Reginaldo Silva  - Jornalista - Morro da Maianga Blogue

regua.jpg(…) Seja como for já nada será como no passado, nem voltará a ser; mesmo em países onde os governos viveram fortemente protegidos por muros e cortinas e que hoje estão muito lentamente a abrir-se às respectivas opiniões públicas no âmbito de enviusados e contraditórios processos de democratização ainda são bastante controlados ou mesmo manipulados por tutelas mais ou menos visíveis. Sem falar dos debates parlamentares, há cada vez mais congressos partidários a serem transmitidos em directo pelas televisões e também já há mesmo governos que realizam os seus conselhos de ministros com as portas abertas, mesmo que seja só para inglês ver.

ardinas branos.jpeg Para os efeitos deste debate mais específico, que tem a realidade angolana como pano de fundo, é incontornável o território mediático como espaço público por excelência desde que baseado nos princípios da liberdade de imprensa e do direito à informação, com as necessárias garantias de que não há gato escondido com o rabo de fora, ou que não estamos a comer gato por lebre.

sa6.jpg Não tenho qualquer dúvidas em afirmar que hoje, cerca de 12 anos depois das armas se terem calado, teríamos em Angola um debate político muito menos crispado e muito mais virado para o futuro, se o tal território mediático fosse mais independente de qualquer tutela, o que como sabemos não é o caso, nem vai ser tão cedo, a manterem-se as tendências actuais. Lamentavelmente é na ausência de um debate público mais estruturado, que passa a haver substituição por outras manifestações políticas mais agressivas; a principal  fonte que continua a alimentar receios desnecessários quanto ao porvir, como se a intenção fosse manter os cidadãos reféns de qualquer coisa estranha mas terrível para as suas vidas.

preto4.jpgDo ponto de vista mais eleitoralista, percebe-se com alguma dificuldade este cerco virtual ao cidadão, como garantia do chamado voto seguro, mas é cada mais difícil aceitar que a vida política de um país que tem de esquecer o passado para abraçar definitivamente o futuro, se faça com estas balizas que só nos distanciam uns dos outros, enquanto construtores do mesmo projecto, que é fazermos de Angola um país bom para se viver, palavra de ordem oficial com a qual não poderíamos estar mais de acordo.

moc2.jpg O que é um facto e, o que mais ressalta deste mobilizador, algo poético desiderato, dura realidade, é que Angola ainda não é um país bom para se viver, nem vai ser tão cedo, pois achamos que o modelo adoptado, já deu provas de não estar a altura das exigências e das urgências, face aos profundos desequilíbrios e assimetrias. Não o é, mesmo para a maioria dos angolanos que hoje vive entre as fronteiras da pobreza e da exclusão social, com a criminalidade crescendo como principal ameaça à paz social das suas comunidades. (…)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:38
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015
XICULULU . LX

O EURO E A CRISESabe quem quer afundar Portugal e a Europa, como um jogo de batalha naval? - Os Americanos, são mesmo uns amigos da onça...
As escolhas do Kimbo

Por 

dom1.jpg Domingos Ferreira - Professor investigador na Universidade do Texas - EUA, Universidade Nova de Lisboa

Sabia que a Goldman and Sachs, o Citygroup, o Wells Fargo, etc., apostaram biliões de dólares na destruição do euro? Se o EURO cair ou desvalorizar eles ganham milhões?  Sabia que obtiveram avultadíssimos lucros durante a crise financeira de 2008 e houve suspeitas de que foram eles que manipularam o mercado? Sabia que o Senado norte americano levantou um inquérito que resultou na condenação destes gestores que apostaram em tombar a Europa?

dom03.jpg Sabia que Ficou demonstrado que o Goldman and Sachs aconselhou os seus clientes a efectuarem investimentos no mercado de derivados num determinado sentido? Mas a Goldman realizou apostas em sentido contrário no mesmo mercado? Sabia que deste modo, obtiveram lucros de 17 biliões de dólares(com prejuízo para os seus clientes)? Sabia que estes manipuladores se estão a transformar nos homens mais ricos e influentes do planeta e se divertem a ver os países tombar um por um?

dom01.jpg Sabia que todos os dias são lançadas milhões de pessoas no desemprego e na pobreza em todo o planeta em resultado desta actividade predatória? Sabia que tudo acontece com a cumplicidade de alguns governantes e das autoridades reguladoras? Sabia que desde a crise financeira de 1929 que o Goldman and Sachs tem estado ligado a todos os escândalos financeiros que envolvem especulação e manipulação de mercado, com os quais tem sempre obtido lucros monstruosos? Sabia ainda que este banco tem armazenado milhares de toneladas de zinco, alumínio, petróleo, cereais, etc., com o objectivo de provocar a subida dos preços e assim obter lucros astronómicos, manipulando o mercado? Sabia que desta maneira, manipula o crescimento da economia mundial, e condena milhões de pessoas à fome?

dom4.jpg Sabia que a Goldman, com a cumplicidade das agências de rating, pode declarar que um governo está insolvente, como consequência as yields sobem e obriga-os, assim, a pedir mais empréstimos com juros agiotas impossíveis de sustentar?  (como fez com Portugal) - Em simultâneo impõe duras medidas de austeridade que empobrecem esse pais ?  De seguida, em nome do aumento da competitividade e da modernização, obriga-os a vender os sectores económicos estratégicos (energia, águas, saúde, banca, seguros, etc.) às corporações internacionais por preços abaixo do que valem e que para isso infiltra os seus quadros nas grandes instituições políticas e financeiras internacionais, de forma a manipular a evolução política e económica em seu favor e em prejuízo das populações.

dom5.jpg Sabia que (cargos de CEO do Banco Mundial, do FMI, da FED, etc. fazem parte quadros oriundos do Goldman and Sachs. E na UE estão: Mário Draghi (BCE), Mário Monti e Lucas Papademos (primeiros-ministros de Itália e da Grécia, respectivamente), entre outros.) Sabia que alguns eurodeputados ficaram estupefactos quando descobriram que alguns consultores da Comissão Europeia, bem como da própria Angela Merkel, tem fortes ligações ao Goldman and Sachs? Sabia que este poderoso império do mal, está a destruir não só a economia e o modelo social, como também as impotentes democracias europeias?

domo4.jpgNA MESMA LINHA DO QUE ACABARAM DE LER, OS NOSSOS "AMIGOS" AMERICANOS, QUE SÃO DOS MAIORES POLUIDORES DO MUNDO, SENÃO O MAIOR, ESTÃO A POR EM CAUSA, ATRAVÉS DA INDÚSTRIA AUTOMÓVEL DA EUROPA, TODA A ECONOMIA EUROPEIA. ISTO PORQUE A INDÚSTRIA AUTOMÓVEL EUROPEIA ESTÁ COM FORTE PENETRAÇÃO NO MERCADO AMERICANO. COMO NÃO PODEM PROMOVER NENHUMA GUERRA NA EUROPA, COMO O FAZEM NOUTRAS ZONAS DO PLANETA, FAZEM-NO ATRAVÉS DA ÁREA ECONÓMICA.

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:48
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2015
MUJIMBO . CI

ANGOLA A melhor forma de lá chegarmos - 1ª de 4 Partes

- Sempre que há bronca entre Governo e a Oposição, a imprensa não tem sido capaz de observar a realidade objectiva, investigando minimamente a verdade…

As escolhas do kimbolagoa

Por

regi1.jpgReginaldo Silva  - Jornalista - Morro da Maianga Blogue

regi2.jpg Todos estamos mais ou menos de acordo de que a vida política já não é possível sem a presença activa dos médias e dos seus operadores, onde sobressaem os jornalistas e os espaços informativos, que não esgotam, entretanto, esta gestão, pois o marketing e a propaganda mais directa estão aí a ocupar cada vez mais espaço nos meios de comunicação social. No seu relacionamento com a vida politica, esta coabitação entre o jornalismo, o marketing e a propaganda já tem em Angola um caso muito especial de estudo, a projectar uma realidade complexa.

regi3.jpg Realidade que escapa ao cidadão comum e, que acaba por ser a principal vítima deste mix mediático que é quanto a nós muito pouco virtuoso se estivermos realmente interessados em apostar numa cidadania responsável e crítica que é a única que garante a necessária qualidade e sustentabilidade ao projecto democrático. Como sabemos os próprios partidos podem desaparecer, mas os cidadãos ficam sempre para contar a história de mais um sumiço.

regi4.jpg Esta grande exposição mediática da vida política dos países onde governos, oposições e sociedade civil se cruzam não conseguiu retirar da agenda os famosos bastidores, onde como se sabe se definem as estratégias e os diferentes actores combinam as suas movimentações no xadrez nacional.

regi5.jpg Digamos que a maior visibilidade que a intervenção político-partidária alcançou, por força desta mediatização crescente da vida social que passou a ter na Internet/Redes Sociais um novo e poderoso parceiro, não corresponde necessariamente a um aumento da transparência na actuação dos políticos. (…)

As opções do Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:16
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LIV

NAS FRINCHAS DAS CINZAS . Angola a Preto e Branco – SILVA PORTO E OS SENTIDOS DAS PÉROLAS - (Recordando a Cidade de Silva Porto) … Nem sempre é necessária a verdade para se ficar verdadeiro…

Por

maga1.jpgLuís Magalhães - Um contador de histórias que perdeu seu passaporte diplomático algures nessa terra  de N´Gola e que a recorda com mestria!.... 

silva p 00.jpg Sempre me senti um pouco curioso acerca da cidade de Silva Porto, devido ao fim trágico do seu Fundador que se sentiu ultrajado quando o chefe tribal chamado Dunduna lhe deitou as mãos ás barbas e lhe disse olhos nos olhos que ele não era digno de as usar uma vez que não tinha carácter?! Como sempre esta é a parte da História que se contava na época embora mais tarde se viesse a saber que o Silva Porto tinha sido enganado pelo Paiva Couceiro e com ele o Chefe tribal, coisa que o levou a cometer o suicido embrulhado na bandeira Portuguesa depois de atear o fogo a uns barris de pólvora. Perante isto Honra lhe seja feita, ou não fosse ele aqui dos meus lados que é a cidade do Porto.

silva001.jpg Naquele dia levantei-me muito cedo e depois de dizer aos meus pais que ia visitar Silva Porto e que vinha já, lá me fiz á estrada e ainda mal tinha nascido o dia já eu estava a rodar. Entrei então pela estrada dentro e começou o Sol a nascer com o seu despertar vermelho provocando com isso que eu fosse a assistir a um espectáculo de inigualável beleza, uma vez que as plantas com o bater da luz do sol, irradiavam um brilho de tal maneira ofuscante, que faziam lembrar safiras e rubis multicolores cujas folhas com a humidade faziam rolar as gotas de orvalho parecendo estar a chorar pérolas que ao cair pareciam beijar o chão para gaudio da terra.

silva p0.jpg Ora eu uma vez que estava quase a chegar a Silva Porto e para descansar o mataco, uma vez que andar muitos quilómetros em cima de uma moto tem o seu quê de cansativo, eis que resolvo pôr-me em pé e com os braços abertos tal e qual o Cristo de Sá da Bandeira, talvez bêbado por estar rodeado por aquela vegetação de estonteante beleza resolvo cantar a plenos pulmões uma canção do José Afonso (cantigas do Maio) que era assim:

Eu fui ver a minha amada / Lá p'ros baixos dum jardim / Dei-lhe uma rosa encarnada / Para se lembrar de mim.

Minha Mãe quando eu morrer / Ai chore por quem muito amargou / Para então dizer ao Mundo / Ai Deus mo deu ai Deus mo levou.

silva p 1.jpg Ía eu neste preparo quando ao chegar á entrada de Silva Porto que era uma descida enorme, eis que deparo com uma Operação Stop e como eu levava o capacete no braço e não na cabeça, estive para dar a volta e pôr-me a léguas só que pensei que já que estava ali, mal era não fazer a visita e resolvi lançar-me ás feras e seja o que Deus quiser ?! A polícia mandou-me parar, pediu-me os documentos, o chefe olhou para mim e perguntou-me: O senhor vem de Luanda? Eu lá respondi que vinha do Luso para fazer uma visita a Silva Porto.

silva p5.jpg Ele então olhou para mim e com um ar finório diz-me assim: Lá em Luanda é costume andarem com o capacete a proteger o braço ou a cabeça? Eu por sua vez e para provocar respondi: Nem uma coisa nem outra uma vez que lá não se usa capacete?! O Chefe olhou para mim e respondeu em jeito mordaz: Eu já sei que vocês em Luanda são os tais "calcinhas banganitos" mas como nós aqui não somos, você vai colocar o capacete na cabeça que é para seu bem e ouça o conselho de um burro. Tenha uma boa viagem e lembre-se que o capacete foi concebido para proteger a cabeça e não a dor de cotovelo !!!!

Luis Magalhães

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:20
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2015
MALAMBAS. CIII

TEMPOS CINZENTOSNÃO, NÃO ESTOU VELHO!!! - NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO PARA JÁ SABER TUDO! …

Malamba é a palavra

As escolhas do Kimbolagoa

Por

ISI1.jpgJULIO ISIDRO - Em 1968 começou a trabalhar no Rádio Clube Português à noite, apresentando noticiários, enquanto durante o dia era delegado de propaganda médica.é um locutor de rádio e entertainer português. É reconhecido como um dos mais bem sucedidos profissionais da televisão portuguesa.

ISI01.jpgPassaram 40 anos de um sonho chamado Abril. E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade. Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. Civilizadamente, ordenadamente, no respeito das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e, …calar. Sou dos que acreditam na invenção desta crise. Um “directório” algures decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. A dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia-a-dia.

ISI0.jpg Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz. Parece que alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final. Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência. Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho. Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se. Agora, os velhos atónitos repartem o dinheiro entre os medicamentos e a comida. E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.

ISI4.jpg A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o milagre da multiplicação dos pães. Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de sair de casa, suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se de sangue, 5% dos sem-abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores de geração espontânea, mas 81.000 licenciados estão desempregados. Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto muitos desistem de estudar para procurar trabalho. Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada” faz um milhão de espectadores. Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.

ISI3.jpg Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade. Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados. Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes. Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…

ISI2.jpg Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem? E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa. Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora. E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário. Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.

miró.jpg E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista… Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço. E as mães que vão ao banco…. Alimentar contra a fome, envergonhadamente, matar a fome dos seus meninos. É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.

Júlio Isidro

As Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:43
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Domingo, 4 de Outubro de 2015
CAFUFUTILA . XC

TEMPOS QUENTESNO PARALÉM4ª de 4 partes - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE – Cidadão do Mundo - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa a caminho de Angola…

cola 2.jpg (…) Era oito de Setembro, estava eu na festa romaria da Nossa Senhora da Cola escarrapachado bem no alto e no muro daquele sítio dos primórdios da pedra lascada e ainda ali empilhadas em forma de casas e cercas. Esta romaria era já, no século XVIII, a mais importante da região, um dos lugares de peregrinação mais importantes do Baixo Alentejo. Pesquisas arqueológicas indicam que a ocupação deste sítio remonta a um castro ou citânia do período neolítico, com particular expressão durante a Idade do Ferro. Foi ocupada por Fenícios e Cartagineses, sendo os vestígios relativos ao período Romano escassos.

cola02.jpgcola02.jpg

São significativos os testemunhos do período Muçulmano, a partir do século VIII, que indicam uma comunidade baseada na actividade agrícola e pecuária, onde a tecelagem tinha um importante papel. Na reconquista cristã da península, passou para as mãos dos portugueses no reinado de D. Afonso III (1248-1279). Por razões hoje desconhecidas, a estrutura do forte, foi abandonada por volta do século XVI, vindo a cair em completa ruína. E, aqui estou eu, nesta minha talvez décima segunda encarnação, apreciando o colorido da procissão, gente da diáspora vindas no mistério do vento que agora se entretinha apenas em alizar as ervas dos restolhos.

cola2.jpg Numa solidão de muitos quilómetros este sítio ficou muito cheio de barulhos com tendeiros alinhados ao longo da única estrada de acesso e, eram tachos, travessas, ratoeiras e chocalhos a barulhar espíritos com cães ladrando em guarda das carroças e furgonetas exibindo louça de barro e ferragens entre quinquilharias em plástico de carros carrinhos e palhaços de madeira rodopiando. Assim pensativo nas lonjuras com mitos fruindo a magia deste instante, sem desfalecer na dignidade virei-me a ver o andor e deparei de novo com a kianda assombração do já amigo John Wayne que desta vez vinha acompanhado com Yul Brynner. Claro que fiquei espantadíssimo! Logo dois artistas que me deram tantas alegrias num passado recente.

cola01.jpg Decerto, John despertou a curiosidade do careca ruço Yul de origens mongol e aí vieram os dois à terra lusitana ver suas ancestrais vivências e, eu muito contente aceitei aqueles dois abraços tão cheios de curiosidade por tudo. John com um ramo de oliveira na mão com azeitonas ainda verdes, sempre sorrindo assim como um epílogo ao susto por via de seu Paralém, olhando e apontando aquele ramo e, excitado de contente disse assim: -Hoje ganhei anos de luz; este ramo que aqui vês tirei-o à momentos de uma árvore com 2850 anos; é quase do tempo dos homens destes Castros que se chamavam de Celtas e Iberos fundindo-se nos Celtiberos e muito mais tarde Lusitanos. Yul Brynner, atento à conversa só abanava a cabeça em tom de concordância.

cola03.jpg E continuou: - Estiveram por aqui muito antes dos Romanos, ainda nem de se adivinhava que Cristo por aí viria! Fiquei até aparvalhado recebendo estes ensinamentos dum cowboy amarelecido no tempo. Após um muito breve silêncio Yul Brynner falou: -Foi com um ramo igual a este que uma pomba retornou a Noé da arca nos primórdios do tempo, após o diluvio das géneses. Mas, o que apreendo com estas figuras holográficas que viajam à velocidade da luz, aqui entre os ventos das falsas estepes alentejanas! Muito mais que naquela quadratura do círculo de gente terrena da tevê que falam de todos como se os demais fossem seres sem eira nem beira, nem pombas do Santo Espirito no cocuruto.

cola1.jpg Nós os três, continuamos dialogando até depois da missa à qual nem assistimos. Como outros, dispusemos o farnel em uma manta de retalhos de Minde e, debaixo de uma oliveira que também o era, muito velha por via de suas rugas escanchadas e enegrecidas. O mundo é mesmo um mistério, e nós, queiramos ou não, somos uma ilusão. Já tarde prolongada rumei para o meu castelo refúgio das estepes falsas no lugar de Messejana mas, só após ter dado um fraterno abraço a John Wayne e outro a Yul Brynner, gente virtual que me prometeu recomendações lá no Paralém deles. Não sei se tornarei a ver estas divertidas assombrações mas, o que fica disto, é algo muito de divertido e bonito!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:07
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Sábado, 3 de Outubro de 2015
MUXOXO . XXI

NUM TEMPO COM CINSAS - Trocadilhos com chouriço… Aqui no M´Puto as verdades, parecem estar sempre armadilhadas…

As escolhas do Kimbo

Por

anabeja.jpgAna Beja

anabeja0.jpg Já não há heróis. Nem de banda desenhada! No meu tempo ainda existiam os da Marvel, os que salvavam o universo das forças do mal e os da Walt Disney! Actualmente, são poucos os heróis e os que ainda vão resistindo estão esgotados. Não sei se foi da crise, da troika, do FMI mas o que é certo é que os heróis estão a escassear, já não se vêem!

anabeja1.jpg Onde estão os Homens que acreditavam em causas e lutavam por elas? Onde estão os Homens que mudavam mentalidades, abriam horizontes e lutavam por um mundo melhor? Pois é, são cada vez menos. Estão em desuso ou em falência, tal como grande parte da nossa sociedade. Em falência social, política, financeira e mais um par de botas! Só se fala em contenção, recessão, crise, desemprego, corrupção, défice, cortes e por aí!

anabeja2.jpg Mudem-se as palavras! Queremos música para os ouvidos. Queremos ouvir confiança, retoma, emprego, economia, sustentabilidade, equidade, justiça, estabilidade e segurança. Vivemos na corda bamba. A contar tostões. A esperar que não haja nenhuma desgraça para que possamos chegar ao fim do mês sem ir às poupanças.

olho.jpg Quando as há! Sabemos que os filhos criados e estudados voltam para a nossa casa. Às vezes acompanhados e sem emprego no horizonte. Sabemos que nunca iremos acabar de pagar os empréstimos bancários e que estes nos levam sempre a melhor. Para nós não há “desculpas boas” ou “desculpas más”… pagamos e não bufamos!

Muxoxo: é uma espécie de estalo que se dá com a língua aplicada ao palato, em sinal de desdém ou contrariedade…

As opções do soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:40
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2015
CAFUFUTILA . XCVIII

TEMPOS QUENTESNO PARALÉM – 3ª de 4 partes - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE - Cidadão do Mundo - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa a caminho de Angola. 

para0.jpg (…) John Wayne sentia-se em casa olhando a secura alentejana e, num repente de trote com seu alazão passou a galope por algum tempo detendo sua montaria junto a um velho olival; desceu da montaria, deu volta a uma velha oliveira e exclamou à minha chegada: My Good! This tree predates the coming of Jesus Christ! Meu deus! Esta árvore é anterior à vinda de Jesus Cristo!? Repeti eu, a mesma exclamação em jeito de assombro. Já junto a ele detive-me a apreciar aquela velha oliveira muito escanchada com musgo do neolítico em parte do seu interior oco. Uns ramos verdes davam vida ao resto do velho tronco.

para1.jpg Isto disse ele apontando a árvore, tem bem mais de dois mil e quatrocentos anos! E sem retirar o olhar da velha e rugosa árvore acrescentou: -E pensar que ela assistiu daqui a ida de Cristo para o calvário e sua crucificação num pau destes e em forma de cruz para nos crismar na vida! Já no largo em frente ao Café central de Panoias amarramos as montarias e perguntamos a um magote de mais-velhos se sabiam aonde morava o senhor Maldonado, um também mais-velho, um primo em quinta ou sexta geração, com uma verruga junto à orelha, ferrador de profissão e agora aposentado.

para5.jpg Num instante quase todos apontaram na direcção do primo em causa bem em frente do café e aproximando-nos apresentamo-nos sem grandes explicações de minúcia! Após estes preâmbulos mal entendidos pela lonjura no tempo, tudo ficou assim mesmo sendo seu sorriso escarrapachado com alguns dentes amarelecidos por via de ser um fumador inveterado. John assombração deu-lhe um abraço cósmico e das faíscas empáticas saiu um venha daí um tinto! E foi um tinto, uns quantos brancos e até uma aguardente de Conqueiros com presunto de pata negra, entrecosto curado à lareira e até toucinho com pão da terra.

para4.jpg John Wayne, a todo o momento dava seus ares de alegria, espanto olhado nos largos horizontes com a barragem da Rocha ali por perto, Santa Luzia e Garvão lá mais distante. Good, good, repetia ele intercalando um nice, um beautiful enquanto emborcava uns copázios, bem à maneira de suas recordações na paralaxe do tempo cósmico.

para3.jpg O dia já estava longo e, foi decidido que ele por ali ficava em casa de Maldonado porque eu tinha mesmo de recolher ao meu refúgio de Messejana. Porque estávamos já perto da data do oito de Setembro iriamos encontrar-nos na procissão do Castro da Cola, um lugar com história desde o tempo dos Celtiberos. Foi assim que nos despedimos, com um até lá…

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:56
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2015
CAZUMBI . XLVIII

CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade …

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

zep5.jpeg Andamos com o credo na boca por variadas e alheias causas à nossa vontade que agora são agudizadas pelas acusações constantes, fruto da campanha eleitoral. E, ora é o emprego, a pensão, apoio social ou a emigração de nossos filhos. Sempre me pergunto ou interrogo, quanto à imprevisibilidade de nossas vidas quanto a mantê-la em padrões de dignidade no futuro; estando nós em um período de miúdas certezas, fruto do paleio que só deu soltura às teorias deles.

zep1.jpg As pessoas foram-se apercebendo de alguns restos mal explicados remexendo-se na esfrega dos refegos mais agasalhados e proporcionando assim à Coligação Portugal à Frente dar um lento alívio às austeras medidas com reposição dos salários da função pública e das pensões; e, promete-nos a devolução da sobretaxa sobre o IRS em quatro anos. A coligação quer crescer através das exportações e do investimento enquanto o PS quer fazer isto através do fortalecimento do consumo.

ter0.jpg Enquanto a Coligação quer ser um bom aluno da Europa, o PS aposta envergonhado numa interpretação mais moderada do Tratado Orçamental. A Coligação diz querer estabilizar a legislação laboral enquanto o PS diz reverter algumas medidas. A honra não vive de um nome mas sim daquilo que sentimos no coração; e nestes casos intrigantes, o PS está aquém de nos oferecer essa tal estabilidade que ansiamos. 

ter4.jpg Digamos que a margem de escolha é estreita e a esperança de escolhermos o modelo mais certo coloca-nos grandes dúvidas entre o modelo eleito e o ideal. Se nos ajustarmos à realidade económica que não é boa, nem óptima, não podemos desperdiçar as espectativas de melhoria e ter esperança de que o esforço feito até agora, não pode ser desperdiçado. E, isto ao ponto de imprudentemente descorarmos estes bons sinais de crescimento e piorá-las com políticas de adivinhação.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:50
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MUJIMBO . C

NAS FRINCHAS DO TEMPOUMA CONVERSA A DOIS

Por

soba 01.jpgT´Chingange

Inspirei-me com o Barão de Itararé que francamente, nem sei quem é! Ele só surgiu e com ele fiquei batendo papo! Ele disse-me assim pessoalmente, pois, na primeiríssima pessoa:

- Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar!

barao1.jpgEnrijecido de ousadia disse-lhe: - meu amigo, eu queria ser rico e ando aqui teso que nem um carapau; e, já nem na sardinha posso tocar! 

Pois é, disse o jeitoso Barão de Itararé: - Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos noé?

E, tudo por causa dos bancos! Rematei.
Que nada, disse o sábio: - O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro!

barão2.jpg

- Pois, por tudo isto, ando demasiado desconsolado, sabe! 

- Meu amigo Tuga, viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta!
- Pópilas, a conversa estava ficando feia, pensei só eu; você está-me descalçando nas vontades!
- Ué, português é mesmo uma língua muito traiçoeira; você falou em descalçar e, calças é uma coisa que se bota e bota é uma coisa que se calça, noé?

CAFE4.jpg - É mesmo, disse assim conformadíssimo. 

O cara, Barão do Itararé continuou seus entretantos sabedores e, desta feita falou assim: - Por isso eu acho que o vosso PAF, Portugal à frente, deveria ser de “muito à frente” – de fuga prá frente; assim ficava mais certo, noé?
- Épá… mas eu já escolhi, como faço então!?

ciga0.jpg - Olha, assim olho no olho repimpou-se ele: - O voto é rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.

- Pois, se calhar fiz mesmo mal!
Tudo ficou assim mesmo; ia fazer mais o quê?
Sai dali e pra me contentar fiz uma sandes com pão alentejano, meti nele três figos espalmados, um troço de queijo camembert e recompus minha altivez com um tinto em promoção de Cartuxa da Fundação Eugénio de Almeida, EA.  Aveludado com Aragonez, Trincadeira, Alicante, Bouschet e castelão....
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:07
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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